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GESTÃO FINANCEIRA E CONTROLADORIA CONTROLADORIA II Rosângela Venâncio Nunes CONTROLADORIA II 1 Prezado aluno, Esta apostila é a versão estática, em formato.pdf, da disciplina online e contém todas as informações necessárias a quem deseja fazer uma leitura mais linear do conteúdo. Os termos e as expressões destacadas de laranja são definidos ao final da apostila em um conjunto organizado de texto denominado NOTAS. Nele, você encontrará explicações detalhadas, exemplos, biografias ou comentários a respeito de cada item. Além disso, há três caixas de destaque ao longo do conteúdo. A caixa de atenção é usada para enfatizar questões importantes e implica um momento de pausa para reflexão. Trata-se de pequenos trechos evidenciados devido a seu valor em relação à temática principal em discussão. A galeria de vídeos, por sua vez, aponta as produções audiovisuais que você deve assistir no ambiente online – aquelas que o ajudarão a refletir, de forma mais específica, sobre determinado conceito ou sobre algum tema abordado na disciplina. Se você quiser, poderá usar o QR Code para acessar essas produções audiovisuais, diretamente, a partir de seu dispositivo móvel. Por fim, na caixa de Aprenda mais, você encontrará indicações de materiais complementares – tais como obras renomadas da área de estudo, pesquisas, artigos, links etc. – para enriquecer seu conhecimento. Aliados ao conteúdo da disciplina, todos esses elementos foram planejados e organizados para tornar a aula mais interativa e servem de apoio a seu aprendizado! Bons estudos! CONTROLADORIA II 2 Controladoria II - Apostila Apresentação As empresas vivem, hoje, o imperativo do valor, segundo o qual todas as suas operações e todos os seus recursos devem estar voltados para produzir ou adicionar valor. Dessa forma, a busca pela solução dos problemas do dia a dia das organizações conduz os gestores a optarem pela alternativa mais adequada de gestão. Por isso, é relevante analisar a empresa sob o ponto de vista sistêmico, isto é, unir as partes que compõem a organização para formar um sistema, de modo que haja condições de encontrar soluções e opções para administrar o todo. Sendo assim, esta disciplina tem como objetivos: 1. Identificar a importância da visão sistêmica e do papel da gestão nos processos de criação de valor, de gerenciamento de riscos e de avaliação do desempenho das organizações; 2. Listar instrumentos de planejamento e controle eficiente e eficaz. CONTROLADORIA II 3 Aula 1: Sistema de empresas e geração de valor Introdução A principal ferramenta de auxílio e orientação à tomada de decisão no cenário competitivo em que as organizações vivem hoje é a controladoria. Uma de suas premissas é atribuir valores à empresa, analisando e vislumbrando para ela as melhores oportunidades e os melhores caminhos em direção ao alcance de objetivos. Toda corporação, via de regra, tem o propósito de alcançar o sucesso, o que denota a aceitabilidade de seus produtos e serviços perante o mercado através de seus clientes. Se a atribuição de valor e a excelência nos resultados são os principais focos da controladoria, é necessário aplicar tais conceitos no dia a dia das empresas, a fim de garantir a otimização dos custos e a maximização dos lucros. Para tanto, a organização deve estar em perfeita sinergia e integração com as áreas envolvidas em seu planejamento estratégico. Nesta aula, veremos que isso assegura sua sobrevivência no mercado. Objetivo 1. Definir o conceito econômico do sistema empresa e a noção de eficiência; 2. 2. Discutir sobre o processo de criação de valor agregado nas organizações a partir da distinção entre os conceitos de lucro econômico, goodwill e custo de oportunidade. Resumo do conteúdo Nesta aula: • Analisamos importantes avanços da gestão empresarial, que saiu de uma postura convencional de busca pelo lucro e pela rentabilidade para o enfoque da criação de valor no mercado; • Identificamos que o objetivo da criação de valor para os acionistas demanda das empresas outras estratégias financeiras e novas medidas de sucesso – todas elas voltadas para agregar riqueza a seus proprietários; CONTROLADORIA II 4 • Discutimos sobre o processo de criação de valor agregado nas organizações; • Diferenciamos as atividades que agregam valor daquelas que não o fazem. Conteúdo Conceituação econômica do sistema empresa As organizações empresariais interagem com a sociedade, pois são sistemas abertos e dinâmicos. Sendo assim, a empresa é composta por várias partes. Cada uma realiza um conjunto de atividades que, apesar de distintas, possuem relação de dependência entre si para que se possa atingir um objetivo – nesse caso, a missão organizacional. Por exemplo, o departamento de vendas de uma corporação cumpre determinadas atividades que lhe são atribuídas e pertence ao sistema empresa, pois concretiza a venda de um produto. Esse departamento depende das ações realizadas pelo setor de produção, que, por sua vez, depende do setor de compras, e assim por diante. Logo, todas as áreas executam tarefas diferentes, mas cada uma contribui com suas atitudes para que o objetivo do sistema empresa seja alcançado. Afinal: O bom desempenho de um depende do bom desempenho dos outros! A empresa é um sistema em que se introduzem recursos, os quais são processados para a saída de produtos ou serviços. Além de aumentar os padrões de resultados empresariais, essa interação influencia a economia, outras empresas, o país e a vida das pessoas, bem como desenvolve a sociedade. Observe, na figura a seguir, a empresa como um sistema aberto – aquele que sofre inúmeras e diversificadas pressões dos ambientes a que está submetido (CATELLI, 2007): Missão e visão da empresa: uma questão de eficiência De acordo com Catelli (2004 apud PADOVEZE, 2012, p. 13): CONTROLADORIA II 5 “Toda empresa tem uma missão em relação à sociedade, e a missão das empresas corresponde a seus objetivos permanentes, que consistem em otimizar a satisfação das necessidades humanas”. Em outras palavras, como a empresa é uma entidade que processa recursos e entrega produtos, bens ou serviços à sociedade, dentro de um enfoque sistêmico, ela deve ser vista como elemento de processamento. Por isso, as organizações têm de devolver as saídas do sistema com valor superior a suas entradas, uma vez que os recursos consumidos esgotam o meio ambiente. Para Ackoff (1981): “A riqueza produzida por uma corporação é a diferença entre os consumos por ela possibilitados e seu próprio consumo”. O autor destaca, aqui, a eficiência como visão da empresa e como componente de sua missão. Essa questão é muito importante, porque não há dúvidas de que a sociedade exige das empresas um comportamento compatível com a utilização dos recursos naturais, sob pena de deterioração do ambiente e prejuízo ao futuro da sobrevivência da humanidade. Diante do que estudamos até então, a eficiência empresarial pode ser evidenciada da seguinte forma: Por sua vez, a visão clássica do funcionamento do sistema empresa pode ser representada pelo esquema a seguir: O conceito de eficiência envolve, então, a utilização adequada de recursos, já a eficácia está relacionada ao alcance de resultados. De acordo com Vasconcelos (2006), com relação ao processo de produção, a eficiência pode ser avaliada sob os pontos de vista tecnológico ou econômico. Vejamos como: Eficiência técnica ou tecnológica Processo que permite produzir a mesma quantidade de produto, utilizando menor quantidade física de fatores de produção, o que envolve dois ou mais processos produtivos. CONTROLADORIAII 6 Eficiência econômica Processo que permite produzir a mesma quantidade de produto com menor custo de produção, o que envolve dois ou mais processos produtivos. Sendo assim, as organizações devem manter uma produção elevada com o menor custo possível e reduzir os impactos ambientais através de boas estratégias, a fim de alcançar resultados positivos com eficiência. Teoria da decisão A decisão é um processo de escolha de, pelo menos, uma entre duas ou mais alternativas possíveis. Essa atitude pode ser tomada, simplesmente, com base na intuição do decisor ou em sofisticadas técnicas de avaliação qualitativa ou quantitativa. No caso da segunda opção, é necessário usarmos algumas ferramentas e alguns modelos. No mundo empresarial, a tomada de decisão reveste-se por um contexto de incertezas e de procedimentos complexos que, muitas vezes, suscitam questões interpessoais, o que dificulta esse processo lógico racional. Para Padoveze (2012), a teoria da decisão é parcialmente: Descritiva Descritiva pois se esforça para explicar como as decisões são atualmente tomadas. Normativa Normativa pois se esforça para explicar como as decisões poderiam ser tomadas com base em padrões de melhores ou ótimas escolhas, o que envolve informações para previsões e metodologia científica para a elaboração de tais previsões ou mais processos produtivos. Atenção Pelo consenso dos estudiosos da teoria da decisão e conforme aponta Gomes (2007, p. 5-7), são passos para uma boa decisão: • Ter certeza do verdadeiro problema a ser resolvido; CONTROLADORIA II 7 • Abordar o problema de forma lógica e estruturada, distanciando-se do envolvimento emocional e das armadilhas psicológicas; • Obter todas as informações relevantes; • Identificar, claramente, o núcleo da decisão – ou seja, o que é, de fato, importante; • Considerar os aspectos morais e éticos envolvidos; • Gerar alternativas viáveis quando possível; • Listar os objetivos quantitativos e qualitativos dessa atitude e, para cada objetivo, os critérios de avaliação; • Listar e explicar as consequências de cada alternativa com relação aos critérios escolhidos, atribuindo probabilidades de ocorrência; • Retroalimentar o sistema de ação quando um fato novo e relevante surgir; • Praticar a empatia tanto com relação a quem tomará a atitude quanto com relação a quem viverá as consequências; • Produzir recomendações objetivas e claras para quem tomará a atitude. Essas etapas ajudam a estruturar o problema, a identificar as alternativas possíveis e viáveis de decisão, a analisar a atitude tomada e suas consequências e, por fim, a sintetizar sua escolha. Dentro da teoria da decisão encontramos as ferramentas desenvolvidas para o processo de tomada de decisão, bem como os modelos que atendem as mais variadas necessidades gerenciais. Os modelos de decisão podem – e DEVEM – atender tais necessidades sobre todos os eventos econômicos para qualquer nível hierárquico dentro das empresas. CONTROLADORIA II 8 Sendo assim, é possível construir padrões bastante específicos para as decisões operacionais – que tendem a ser mais detalhadas – e para aquelas de caráter mais genérico – as estratégicas. Em outros termos: A construção de modelos facilita a tomada de decisão! A teoria da decisão visa estabelecer um método lógico, sistêmico e científico de apoio ao processo decisório, o que, para Antunes e Santos (2004, p. 289), influencia o administrador na escolha do curso da ação. As decisões podem ser tomadas em ambientes de: Certezas Quando o tomador da decisão tem a convicção dos efeitos das alternativas possíveis de escolha. Incertezas Quando falta ao decisor conhecimento exato dos efeitos das alternativas da decisão, momento em que se configura o fenômeno das possibilidades, dos impactos incertos, o mundo em que desfrutamos da sensibilidade do apoio dos instrumentos teóricos aplicados à decisão. Geração de valor empresarial A gestão das empresas vem revelando importantes avanços em sua forma de atuação, saindo de uma postura convencional de busca pelo lucro e pela rentabilidade para um enfoque preferencialmente voltado à criação de valor no mercado. De acordo com Padoveze (2012), o atual foco da missão das entidades empresariais está centrado no conceito de valor. Portanto, a controladoria e a contabilidade têm o objetivo de oferecer informações para que as entidades possam cumprir sua missão de forma adequada. Em resumo, tanto na área de Contabilidade Gerencial quanto no setor de Finanças das organizações, o conceito de criação ou adição de valor está relacionado ao processo de geração de lucro para os acionistas. A seguir, vamos discutir sobre essa noção e suas variantes, buscando sua validação e sua interação com a controladoria dentro do ambiente empresarial. CONTROLADORIA II 9 Criação de valor: atividade produtiva e valor agregado A Ciência Econômica é a responsável pelo conceito-base de adição ou agregação de valor. Dentro desse processo, as empresas são as entidades que se encarregam pelos procedimentos intermediários de agregação de valor. Conforme aponta Rossetti (1994, p. 80): “[...] cada uma das empresas integrantes do aparelho de produção da economia será considerada, sob um ponto de vista sistêmico, uma unidade processadora dependente de fornecimentos originários de outras empresas”. A Ciência Contábil, por sua vez, incorporou o conceito de valor agregado em seu escopo, com o desenvolvimento da noção de valor adicionado – a mesma definição dada pela Economia. Mas como as empresas agregam valor a suas atividades? Vamos descobrir? As empresas criam valor pela obtenção de lucro na realização de suas transações de produção e venda de bens e serviços. De acordo com Padoveze (2012), tendo em vista que todo empreendimento é financiado, esse lucro precisa ser superior ao custo dos financiamentos para a obtenção do lucro líquido final. Esse é o processo empresarial clássico para a criação de valor, que pode ser resumido em duas vertentes: • Criação de valor por meio de produtos e serviços produzidos e vendidos; • Criação de valor que cobre o custo do financiamento do capital empregado no empreendimento. Concluímos, portanto, que, em todas as empresas, há uma transformação produtiva, na qual os recursos são convertidos em bens ou serviços, para os quais existe uma demanda, um mercado. Essa transformação, cujo consumo de recursos gera custos, deve produzir valor aos clientes e aos investidores. Para Ross, Westerfield e Jaffe (1995, p. 81): “[...] no linguajar financeiro, seria feito um investimento em ativos, tais como estoques, máquinas, terrenos e mão de obra. O dinheiro aplicado em ativos deve ser contrabalançado por uma quantia idêntica de dinheiro gerado por algum financiamento. Quando começar a vender, a empresa deve gerar dinheiro. Essa CONTROLADORIA II 10 é a base da criação de valor. A finalidade da empresa é criar valor para seu proprietário. O valor está refletido no modelo básico da empresa, representado por seu balanço patrimonial”. Atividades internas e apropriação do valor agregado De acordo com Padoveze (2012), o valor agregado máximo possível de ser obtido pela empresa por meio da gestão operacional de seus investimentos é resultado da seguinte diferença: Entre esses dois extremos, há um processo de transformação dos insumos, que inclui os procedimentos e as atividades internas desenvolvidas pela empresa para a geração e a venda dos produtos e serviços. Para ver um exemplo de cálculo do valor agregado máximo anual de um produto, clique http://pos.estacio.webaula.com.br/Cursos/POS679/docs/Aula_1_Cal culo_valor_agregado_maximo_anual.pdfaqui. Veja, agora, como ocorre o processo de criação de valor quando consideramos o custo das atividades realizadas pela empresa em relação a seus produtos e serviços: Custo dos processos IGUAL AO valor agregado Neste caso, a empresa não terá lucro nem prejuízo, ou seja, ela NÃO criará valor a ser disponibilizado para o acionista. Custos dos processos MENOR QUE O valor agregado Neste caso, a empresa não terá lucro nem prejuízo, ou seja, ela NÃO criará valor a ser disponibilizado para o acionista. Custos dos processos MAIOR QUE O valor agregado Neste caso, a empresa destruirá valor por meio do prejuízo operacional. Conforme destaca Padoveze (2012), se todas as atividades gerarem: • Lucro, a empresa se apropriará de parcela do valor agregado dado pelos produtos ou serviços; CONTROLADORIA II 11 • Prejuízo, a empresa deixará de se apropriar do valor dado pelos produtos ou serviços. Logo, quanto menor for o custo das atividades internas e maior sua eficácia em termos de receita, maior será a possibilidade de a empresa se apropriar, operacionalmente, desse valor agregado. Portanto, o foco da gestão econômica é construir modelos de decisão que permitam aos gestores fazê-lo. Em outros termos: O modelo de gestão econômica centra-se na gestão da eficácia das atividades empresariais desenvolvidas internamente. Para conhecer atividades empresariais que adicionam e não adicionam valor. Valor Econômico Adicionado ou custo de oportunidade Na área de Finanças – mais ligada à análise de investimentos –, surgiu o conceito de Economic Value Added (EVA) – Valor Econômico Adicionado. De acordo com Atkinson et al. (2000, p. 478-9): “[...] recentemente, um número de analistas e consultores tem proposto o uso do Valor Econômico Adicionado como uma ferramenta de avaliação do desempenho da organização [...]. O analista ajusta o lucro contábil, corrigindo-o com o que os proponentes do Valor Econômico Adicionado consideram para sua visão conservadora. Por exemplo, os ajustes incluem capitalização e amortização de custos significativos de lançamento de produtos”. Em seguida, o analista computa a importância do investimento na organização e deriva o valor econômico adicionado. Sendo assim, temos: Na realidade, podemos dizer que o conceito de EVA nada mais é do que a noção de custo de oportunidade e de manutenção do capital financeiro da empresa. Veja um exemplo de cálculo da rentabilidade anual de um investimento. Para que possam ser mantidas, todas as atividades empresariais devem ser avaliadas pelo mercado. Essa manutenção tem um gasto: o custo de oportunidade. De acordo com Padoveze (2012), podemos entender essa noção de duas formas, quais sejam: Preço de mercado CONTROLADORIA II 12 Neste caso, o custo de oportunidade é igual ao preço de mercado e ao preço de transferência baseado nesse preço de mercado, e serve para avaliar os estoques, os produtos e os serviços produzidos pelas atividades internas da empresa. Custo de oportunidade financeiro Neste caso, o custo de oportunidade serve para mensurar e avaliar o aspecto financeiro das atividades e dos acionistas – aqueles que fornecem capital à empresa. A adoção do custo de oportunidade dos acionistas implica criar uma área de resultados específica para mensurar sua rentabilidade. Esse custo é o lucro mínimo que eles deveriam receber para justificar seu investimento – ou seja, seu custo de oportunidade a preço de mercado. Quando associado à mensuração e ao fluxo futuro de benefícios, a noção de custo de oportunidade configura o conceito de lucro econômico em oposição à ideia tradicional de lucro contábil. Atenção O conceito de custo de oportunidade dos acionistas permite uma visão mais correta do lucro distribuível. Em outras palavras, basta distribuir o excedente à manutenção do capital financeiro. Isso dá condições econômicas para a sobrevivência do sistema empresa e, portanto, para sua continuidade. Lucro econômico x lucro contábil Você sabe a diferença entre lucro contábil e lucro econômico? Vejamos: Lucro contábil Resultado apurado de acordo com os princípios contábeis geralmente aceitos. Lucro econômico Para Hendriksen e Breda (1999), trata-se do resultado apurado de acordo com os conceitos de mensuração não atrelados ao custo original como base de valor, e sim a valores de realização ou de fluxos futuros de benefícios, decorrentes da abordagem das atividades para a mensuração do lucro. CONTROLADORIA II 13 Em termos econômicos, como já vimos, o lucro é a quantia máxima de dividendos que a firma pode distribuir, continuando tão bem no final do período como estava no início. Continuar tão bem economicamente significa manter o capital intacto em termos de valor descontado do fluxo de recebimentos futuros. O lucro econômico é gerado, portanto, quando existe um aumento do patrimônio líquido. Para mensurá-lo, é necessário avaliar todos os elementos do ativo com base nos recebimentos líquidos esperados. Sob esse aspecto, conforme destacam Gomes, Araya e Guerreiro (1991, p. 23): Os ativos de qualquer natureza são “recebíveis” esperados que fluem na empresa de período a período. Conheça os fundamentos do lucro econômico. Atenção “[...] a avaliação conservadora, baseada no custo original, falha nos demonstrativos financeiros como elemento preditivo de tendências futuras para usuários externos”. Controladoria e sistema contábil A controladoria é uma área de apoio dentro das empresas e NÃO tem responsabilidade pelo processo operacional de geração de lucros – salvo os decorrentes de sua própria atuação –, pois não é um órgão de linha. Por meio do Sistema Contábil Gerencial (SIG), a controladoria incorpora o conceito de lucro econômico, dando condições à empresa de avaliar todo o processo de geração ou criação de valor para os acionistas. Além disso, considerando que, para exercer as funções dessa área, são necessários recursos que custam para a empresa, a controladoria – como toda atividade desenvolvida internamente – deve ser SEMPRE AVALIADA à luz dos benefícios gerados. Então, cabe ao gestor da organização avaliar a execução das atividades desse setor como qualquer sistema informacional que existe no ambiente corporativo, pensando na relação entre o custo e os benefícios da produção da informação. CONTROLADORIA II 14 Aprenda Mais Para saber mais sobre a utilização dos recursos naturais por parte das empresas, leia os seguintes textos: • Contabilidade e gestão ambiental; • As três regras de ouro da evolução da sustentabilidade nas organizações. Para saber mais sobre como gerir atividades com fins lucrativos, leia o texto Modelo de gestão econômica para criação de valor. Para saber mais sobre lucro, criação de valor e de riqueza, leia o texto Lucro econômico, goodwill e custo de oportunidade. Para saber mais sobre o papel da controladoria dentro do ambiente empresarial, leia o texto Pontos limítrofes ou referenciais no processo de criação de valor. Referências desta aula CATELLI, A. Controladoria: um enfoque da gestão econômica – GECON. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2007. FIGUEIREDO, S.; CAGGIANNO, P. Controladoria – teoria e prática. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1997. MASAYUKI, N. Introdução à controladoria. São Paulo: Atlas, 1995. MOSIMANN, C. P.; FISCH, S. Controladoria. São Paulo: Atlas, 2002. PADOVEZE, C. L. Controladoria básica. São Paulo: Thomson Pioneira, 2012. ______. Controladoria estratégica e operacional. São Paulo: Thomson Pioneira, 2012. ALVAREZ, M. E. B. Manual de organização, sistemas e métodos. São Paulo: Atlas, 2006. BANK FOR INTERNATIONAL SETTLEMENTS (BIS). Sound practices for the management and supervisionof operational risk. Publication: feb. 2003. CONTROLADORIA II 15 COIMBRA, F. C. Riscos operacionais: estrutura para gestão em bancos. São Paulo: Saint Paul, 2007. DAMODARAN, A. Gestão estratégica do risco: uma referência para a tomada de riscos empresariais. Tradução de Félix Nonnenmacher. Porto Alegre: Bookman, 2009. GUERREIRO, R. A meta da empresa. São Paulo: Atlas, 1997. INTERNATIONAL FEDERATION OF ACCOUNTANTS (IFAC). Enhancing shareholder wealth by better managing business risk. New York: Study 9, 1999. _____. Managing risk to enhance stakeholder value. New York, nov. 2002. KAPLAN, R.; DAVID, N. A estratégia em ação: Balanced Scorecard. São Paulo: Campus, 1997. LAUDON, K. C.; LAUDON, J. P. Sistemas de informações gerenciais. Tradução de Thelma Guimarães. Revisão técnica de Belmiro N. João. 7. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007. O’BRIEN, J. A. Sistema de informação e as decisões gerenciais na era da internet. Tradução de Célio Knipel Moreira e Cid Knipel Moreira. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2004. PADOVEZE, C. L. Contabilidade gerencial: um enfoque no sistema de informação contábil. São Paulo: Atlas, 2004. PADOVEZE, C. L.; BERTOLUCCI, R. G. Gerenciamento de risco corporativo em controladoria: Enterprise Risk Management (ERM). São Paulo: Cengage Learning, 2008. PADOVEZE, C. L.; TARANTO, F. C. Orçamento empresarial: novos conceitos e técnicas. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2009. PAXON, D.; WOOD, D. (Orgs.). Dicionário enciclopédico de finanças. São Paulo: Atlas, 2001. PESTANA, A. O. Controladoria de gestão. São Paulo: Atlas, 1997. ROY, J. Condutores da performance: um guia prático para o uso do Balanced Scorecard. São Paulo: Qualitymark, 2001. CONTROLADORIA II 16 SCHMIDT, P. Controladoria: agregando valor para a empresa. São Paulo: Bookman, 2001. Exercícios de fixação Questão 1 De acordo com o que estudamos nesta aula, as empresas são sistemas abertos e compostos por vários subsistemas. Aponte se essas entidades apresentam relações de intercâmbio com o ambiente: a) Não, e seus elementos mantêm interação recíproca e dinâmica. b) Sim, através das entradas e saídas, e seus elementos mantêm interação recíproca. c) Não, e seus elementos não mantêm nenhum tipo de interação, permanecendo totalmente isolados. d) Sim, e seus elementos não mantêm nenhum tipo de interação, permanecendo totalmente isolados. Questão 2 Analise as frases a seguir: • A eficiência técnica ou tecnológica permite produzir a mesma quantidade de produto, utilizando menor quantidade física de fatores de produção, o que envolve dois ou mais processos produtivos. • A eficácia é o grau de alcance de um objetivo ou de uma meta predeterminada. • A teoria da decisão apresenta instrumentos para o processo de tomada de decisão e modelos decisórios que atendem as mais variadas necessidades gerenciais. • A eficácia permite produzir a mesma quantidade de produto com menor custo de produção, o que envolve dois ou mais processos produtivos, e deve estar interligada com a missão da empresa. CONTROLADORIA II 17 • A empresa é uma entidade que processa recursos e entrega produtos, bens ou serviços à sociedade. Dentro de um enfoque sistêmico, ela deve ser vista como elemento de processamento. Entre os itens anteriores, estão CORRETOS: a) I, III e V b) II, III e IV c) I, II, III e V d) I, II, III, IV e V Questão 3 (FMP-RS - 2011) Quando nos referimos ao pensamento sistêmico, podemos afirmar que: a) Qualquer entendimento da ideia de um sistema compreende a falta de interação entre as partes isoladas e a existência exclusiva de componentes específicos. b) As fronteiras entre os sistemas ou entre o sistema e seu ambiente são arbitrárias. Os sistemas são construtos, entidades construídas cognitivamente pelas pessoas. c) O enfoque sistêmico é um sistema de ideias que não são caracterizadas como filosofia por não servirem de método de interpretação e utilização de conhecimentos. d) O enfoque sistêmico procura entender os problemas complexos com base na multiplicidade de variáveis e na interdependência entre causas e efeitos, sempre na busca da solução economicamente viável. CONTROLADORIA II 18 Questão 4 A conhecida empresa de computadores ABC aumentou sua complexidade gerencial e estabeleceu que as decisões deviam ser tomadas em consenso durante a realização de reuniões, buscando-se a impessoalidade e a racionalidade no processo. Apesar de mais democrática, essa determinação ampliou o número de reuniões e postergou ou ignorou decisões que precisavam ser tomadas mais rapidamente em resposta às modificações no mercado de computadores. Com base na situação apresentada, podemos afirmar que: a) A atitude adotada pela empresa não levou em consideração os aspectos gerenciais. b) A atitude adotada pela empresa foi construída de acordo com o modelo de abordagem sistêmica da organização. c) A atitude adotada pela empresa levou em consideração a racionalidade, a produtividade, a eficiência e a eficácia de recursos e de respostas. d) Mesmo buscando um modelo democrático de tomada de decisões, a empresa teve problemas com a centralização, já que algumas decisões podiam ser tomadas de forma mais rápida e eficiente. Questão 5 No enfoque sistêmico, a relação entre recursos e saídas é definida como: a) Eficácia. b) Eficiência. c) Produção. d) Produtividade. Questão 6 A indústria de confecções Veste muito bem trabalha com a produção de um único tipo de camiseta. Ao analisar seus controles internos, a empresa CONTROLADORIA II 19 verificou em seu orçamento que, para o ano vindouro, existe uma expectativa de venda com as seguintes características: • Quantidade do produto a ser vendido = 70.000 unidades; • Estimativa dos custos para produção = R$ 28,70 a unidade; • Preço de mercado do produto final = R$ 54,00. Com base nessas informações, o valor agregado estimado máximo dado pelo produto em um ano de faturamento será: a) R$ 1.771.000,00 b) R$ 3.780.000,00 c) R$ 2.009.000,00 d) R$ 21.252.000,00 Questão 7 Analise as frases a seguir: • Tanto na área de Contabilidade Gerencial quanto no setor de Finanças das organizações, o conceito de criação ou adição de valor está relacionado ao processo de geração de lucro para os acionistas. • A atividade que adiciona valor é aquela necessária para atender as exigências do consumidor. Enquanto a atividade que não adiciona valor é aquela que não é exigida pelo consumidor, mas que existe em função de erros ou de inadequações do processo produtivo. • O conceito de custo de oportunidade implica a rentabilidade mínima de mercado. Os investidores devem ser remunerados além dessa rentabilidade, sob pena de abandonarem os investimentos na empresa. • O lucro contábil é o resultado apurado de acordo com os conceitos de mensuração não atrelados ao custo original como base de valor, e sim a CONTROLADORIA II 20 valores de realização ou de fluxos futuros de benefícios, decorrentes da abordagem das atividades para a mensuração do lucro. • O goodwill é o valor resultante da mais-valia do valor da empresa sobre a avaliação individual de seus ativos. Por isso, ele nunca pode ser negativo. Entre os itens anteriores, estão CORRETOS: a) I e II b) I, II e IV c) I, II e III d) I, II, III, IV e V Questão 8 Leia a matéria intitulada China reduz imposto para pequenas empresas. A partir dessa leitura e da noção de Valor Econômico Agregado, é CORRETO afirmar que: a) Os aspectos tributários não exercem impactos expressivos no EVA das empresas, pois estes são excluídos para efeito decálculo. b) Ao reduzir o IVA para pequenas companhias, a China está exercendo um efeito positivo no Valor Econômico Agregado das empresas beneficiadas, visto que o EVA aumenta. c) Os conceitos de valor agregado e de adição de valor não podem ser diferenciados, pois ambos são decorrentes da percepção que o cliente possui de valor no momento da venda dos produtos e serviços. d) O conceito de valor agregado decorre da teoria econômica e é expresso pelo valor de mercado do produto final entregue aos clientes mais o valor dos insumos adquiridos de terceiros, também a preço de mercado. Questão 9 A indústria de sofás Sente-se bem espera realizar um projeto de venda com as seguintes características: CONTROLADORIA II 21 • Quantidade de produto a ser vendida = 8.000 conjuntos de sofás por mês; • Preço de produção = R$ 700,00 o conjunto; • Preço de mercado do produto final = R$ 1.300,00; • Estimativa de gastos com atividades internas de logística para comercialização do produto = R$ 1.000.000,00 para um mês; • Investimentos necessários para implantação da indústria = R$ 55.500.000,00. A perspectiva é de que a empresa tenha um comportamento constante durante o ano vindouro. Supondo que os financiadores do projeto tenham em mente um custo de oportunidade do capital de 8% a.a., a rentabilidade anual do investimento e a criação de valor – estimada anualmente – para os acionistas serão, respectivamente, iguais a: a) 60,00% e R$ 45.600.000,00 b) 74,16% e R$ 57.600.000,00 c) 82,16% e R$ 45.600.000,00 d) 82,16% e R$ 41.160.000,00 Questão 10 O valor intangível adicional da organização, ou seja, a diferença obtida entre o valor total da empresa – avaliada por determinados critérios – e o valor dos ativos e passivos – avaliados isoladamente –, denomina-se: a) Goodwill b) Lucro contábil c) Custo de capital d) Custo de oportunidade CONTROLADORIA II 22 Aula 2: Avaliação emp. e era do conhecimento Introdução O ponto fundamental para a decisão de comprar ou não uma empresa, de firmar participação acionária ou de avaliar a continuidade do investimento é o valor base da negociação. Esse valor é determinado por alguns critérios de avaliação, os quais apresentaremos nesta aula. Aqui, também destacaremos as principais mudanças pelas quais a humanidade passou, ressaltando as características da sociedade do conhecimento. Por fim, definiremos os conceitos de ativo, ativo intangível e Capital Intelectual, identificando as formas alternativas de mensuração desse capital e os fatores que o geram. Bons estudos! Objetivo 1. Diferenciar os critérios de avaliação de empresas a partir de sua relação com os princípios contábeis geralmente aceitos; 2. Apontar as principais características das novas organizações na era do conhecimento. Resumo do conteúdo Nesta aula: • Identificamos a globalização como origem da economia do conhecimento; • Listamos as inúmeras transformações empresariais de cunho científico, intelectual e tecnológico, advindas da nova era do conhecimento; • Apresentamos as características das novas organizações e dos novos modelos de gestão; • Diferenciamos os critérios de avaliação de empresas; • Definimos os conceitos de ativo, ativo intangível e Capital Intelectual; CONTROLADORIA II 23 • Conhecemos os principais modelos de mensuração do Capital Intelectual; • Estudamos as vantagens dessa mensuração. Conteúdo Papel da controladoria: criação de valor Ao considerar que o foco da controladoria é a maximização de valor da empresa, por meio da criação de valor, Padoveze (2012) afirma que, nesse caso, é necessário um processo de avaliação permanente. O pressuposto para que a controladoria tenha sempre o poder sobre o valor da empresa é nortear sua missão. A contabilidade, por sua vez, deve mensurar, de forma adequada, esse valor, de modo que os gestores possam, a qualquer momento, redirecionar seu planejamento no sentido de manter ou não o investimento. Afinal, essa área exerce forte influência sobre os modelos de gestão por meio de suas demonstrações, a fim de realizar uma administração mais eficaz. Em outras palavras, conforme destaca Padoveze (2012), se a empresa está preservando ou criando valor, vale a pena continuar investindo nela. Mas, se esse valor estiver diminuindo ou se a empresa o destruir, o investimento não trará retorno. Na contabilidade financeira, os critérios de avaliação de empresas são centrados no custo como base de valor – preços de mercado, fluxos futuros de benefícios etc. –, cujo fundamento é o postulado da continuidade. De acordo com Padoveze (2012), a avaliação realizada a partir de outros critérios – diferentes do custo – pressupõe a descontinuidade da companhia, ou seja, sua paralisação definitiva ou momentânea. Já na visão da controladoria, em que aplicamos a Ciência Contábil como ciência do controle econômico, esse conceito não é importante. Muito pelo contrário: o valor da empresa é obtido justamente por meio de critérios centrados nos fluxos futuros de benefícios, e sua incorporação no sistema de informação da área é vital para a continuidade do empreendimento. Se não houver uma avaliação do potencial desses benefícios futuros do investimento, poderá ocorrer, sim, a descontinuidade da organização. CONTROLADORIA II 24 Atenção O valor da empresa é substancial para a continuidade do investimento. É ele que determina sua atratividade para potenciais investidores e sua sobrevivência – condição final da eficácia empresarial. Principais critérios para apuração do valor da empresa Para Padoveze (2012), os principais critérios de avaliação aplicados à mensuração econômica do empreendimento são: Valor contábil Valor constante na contabilidade financeira, que segue os princípios contábeis geralmente aceitos: o custo como base de valor e o regime de competência dos exercícios. Como na contabilidade, o valor da empresa é evidenciado pelo valor total do patrimônio líquido, automaticamente, o valor contábil equivalerá a esse total. O valor de patrimônio líquido de uma companhia é avaliado sob o postulado contábil da continuidade. Sendo assim, os ativos são taxados a custo de aquisição ou produção, e os direitos e as obrigações, com os encargos e direitos até a data do balanço patrimonial. Logo: Valor contábil = valor do patrimônio líquido contábil. Valor de mercado Em geral, o valor de mercado é diferente do valor contábil, porque, por mais acuradas que sejam, as avaliações contábeis dificilmente são iguais ao valor que o mercado pode pagar em determinado momento. Esse valor deve levar em consideração o fato de a empresa estar encerrando ou não suas atividades. Em caso positivo, provavelmente, seus ativos terão, para o mercado, valores de bens usados. Em caso negativo, a avaliação do valor de mercado será distinta. CONTROLADORIA II 25 De qualquer forma, é possível fazer uma avaliação a preços de mercado de todos os ativos e passivos da empresa, cujos valores podem ser maiores ou menores que aqueles que constam na contabilidade. Neste critério, cada ativo e cada passivo é individualizado para a realização das avaliações, partindo do pressuposto de que podem ser vendidos separadamente. Logo: Valor de mercado = valor do patrimônio líquido a preços de mercado (valor de mercado dos bens e direitos avaliados individualmente - valor de mercado das dívidas avaliadas individualmente). Cotação da ação Neste critério, a empresa vale a cotação ou cota no mercado de bolsa de valores ou de balcão. Esse parâmetro será mais válido quanto mais o mercado acionário representar a realidade econômica do país e do mercado, bem como odesempenho das organizações – o que tende a acontecer nos países em que há grande número de companhias de capital aberto. Em linhas gerais, os princípios que direcionam o valor da cotação da ação das empresas em bolsas de valores são conceitos econômicos atrelados ao fluxo futuro de dividendos ou lucros. Por isso, esse critério de avaliação antecipa os mais recomendados. De acordo com esse fundamento, para obter o valor da empresa, basta multiplicar a quantidade de ações ou cotas que representam seu capital social pelo valor da cotação ou cota no mercado. Logo: Valor da empresa pela cotação da ação = quantidade de ações x cotação da ação na bolsa Obviamente, respeitam-se as diversas classes de ações que refletem o capital e suas eventuais cotações diferenciadas. Se as ações preferenciais têm valor distinto das ações ordinárias, essas diferenças devem ser consideradas quanto às respectivas quantidades. Observe um exemplo de cálculo do valor da empresa de acordo com o critério de cotação da ação. Valor econômico CONTROLADORIA II 26 Neste critério, o valor atual da empresa decorre de seu potencial de rentabilidade futura, ou seja, dos fluxos futuros de benefícios. Em princípio, devemos projetar os lucros da empresa considerando os produtos e mercados atuais e futuros, bem como avaliar sua rentabilidade, trazendo-os a valor atual por uma taxa de juros de desconto. Esse critério é considerado o mais adequado para a avaliação de uma empresa, pois se fundamenta no cerne da questão empresarial: a capacidade de geração de lucros, que possibilita o que buscamos em um investimento de risco, isto é, a geração de caixa e, consequentemente, o retorno. Gerando lucro e caixa, a empresa tem condições de distribuir resultados, de produzir fluxos futuros de dividendos, e de manter sua atratividade para os atuais e potenciais acionistas e investidores. A possibilidade real de dividendos futuros influencia, de forma decisória, a avaliação da ação no mercado, trazendo sua cotação a preços que refletem o patrimônio da empresa, sua rentabilidade futura e, portanto, seu desempenho. Dentro desse critério, podemos incluir outros similares, quais sejam: • Fluxo futuro de benefícios; • Fluxo futuro de dividendos; • Fluxo futuro de lucros; • Fluxo futuro de caixa ou fluxo de caixa descontado. Atenção Uma das questões cruciais na avaliação de empresas é determinar o valor do que denominamos ativos intangíveis – conceito sobre o qual discutiremos mais adiante. CONTROLADORIA II 27 Sociedade do conhecimento A globalização culminou com o aparecimento de um mundo sem fronteiras: a sociedade ou economia do conhecimento, em que o saber passou a ser o ativo de maior valor. As definições que envolvem o tema evidenciam as transformações ocorridas nessa nova sociedade em que estamos vivendo, onde a tecnologia e o conhecimento têm papel crucial em seu desenvolvimento. Nesse contexto, as empresas instauram-se em locais cada vez menores, com tecnologias cada vez mais avançadas. Além disso, seus funcionários são amplamente capacitados e dinâmicos e estão prontos para assumir diversas funções ao mesmo tempo, em variados tipos de ambiente. O que mais chama atenção na sociedade do conhecimento no campo dos negócios são as ideias novas, a criatividade, a inovação. Vejamos, a seguir, por que esses aspectos são tão importantes e influenciam os sistemas de gestão... Era da inovação O cenário atual tem como característica principal a inovação, que é movida pela tecnologia e pela informação. Somos capazes de nos conectar com o mundo sem precisarmos sair do escritório em que trabalhamos ou mesmo de nossa própria casa. No ambiente corporativo, essa conexão ocorre de tal forma que uma tomada de decisão do outro lado do globo pode influenciar diretamente as diretrizes das empresas ou dos governos locais. Lastres e Albagli (1999) afirmam que existem dois tipos de inovação, quais sejam: Inovação radical Desenvolvimento e introdução de um novo produto ou de uma forma de produção inteiramente nova, que causa uma ruptura no processo anterior, originando novas indústrias, novos setores e um novo mercado. Inovação incremental Aperfeiçoamento da tecnologia ou do processo já existente. CONTROLADORIA II 28 Para Lastres e Albagli (1999), o processo de inovação é descontínuo e irregular, com concentração de surtos de informação, os quais influenciam os diversos setores da economia em determinados períodos. Devido às várias formas de tratamento e de distribuição das informações, diversos setores da economia começaram a perceber que o conhecimento e o aprendizado possuem papel fundamental para o crescimento da organização. As empresas que focam seus esforços nessa direção se sobressaem diante das demais. Essa visão proporcionou às novas organizações maiores investimentos em treinamento e em desenvolvimento de pessoal. Sendo assim, diante das mudanças na economia e na administração de empresas e das novas exigências do mercado em termos de inovação, tornou-se necessário explorar mais profundamente o ativo intangível e o Capital Intelectual (CI). Vamos tratar desses assuntos a seguir... Ativo No ambiente empresarial, você sabe dizer o que é um ativo? Vamos analisar, agora, algumas definições conhecidas desse termo: Ativo = futuro resultado econômico Para Martins (1972), “um ativo é o futuro resultado econômico que se espera de um agente”. Ativo = bens, direitos e aplicações A Lei nº 6.404/76 destaca que o ativo compreende os bens, os direitos e as demais aplicações da empresa capazes de gerar benefícios econômicos futuros, originados de eventos ocorridos. Padoveze et al. (2007) têm opinião semelhante, pois afirmam que “o ativo é o conjunto de bens e direitos que estão à disposição da empresa”. Embora apresentem semelhanças, as definições apresentadas não demonstram o aspecto intangível do ativo – apenas seu caráter tangível. CONTROLADORIA II 29 Mas, atualmente, não podemos condicionar o êxito de uma empresa aos valores exatos de seus bens físicos, pois, além desses, os ativos incorpóreos podem representar seu diferencial no mercado atual. Conheça, a seguir, algumas definições de ativo intangível... Ativo intangível Gradativamente, o capital financeiro que dominou a era industrial passou a ser substituído pelo capital intangível, que pode ser conceituado da seguinte forma: Ativo intangível = bens intocáveis ou incorpóreos Iudícibus e Marion (2002) definem, de forma bem simples e objetiva, os ativos intangíveis como “bens que não podem ser tocados, porque não têm corpo”. De modo semelhante, o International Accounting Standard Board (IASB) estabelece que tais ativos não possuem substâncias físicas ou têm um valor que não é convertido para elas. Já o Pronunciamento Técnico nº 4/08 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) os trata como ativos não monetários, sem substância física, ou como goodw ill. Nesse contexto, seu valor residual seria o valor estimado que a entidade obteria com a venda do ativo após deduzir as despesas dessa operação, caso ele já tivesse idade e condição esperadas para o fim de sua vida útil. Ativo intangível = bens para fins de manutenção do negócio A Lei nº 11.638/07 define os ativos intangíveis como direitos que têm por objeto bens incorpóreos destinados à manutenção da companhia ou exercidos com essa finalidade – inclusive o fundo de comércio adquirido. Diante das definições apresentadas, concluímos que os ativos intangíveis são bens que impactam no resultado da empresa e na elaboração de produtos ou serviços. Eles possuem um valor real, mas não forma física. As três condições para defini-los são: ControleGeração de benefícios futuros Identificabilidade CONTROLADORIA II 30 Identificaremos um ativo como intangível se ele puder ser separado, vendido, transferido, licenciado, alugado ou trocado de sua entidade até o momento do ato, quando resultar de direitos contratuais ou legais – sejam esses transferíveis ou separáveis da empresa ou de outros direitos e de outras obrigações. Para reconhecer o ativo como intangível, devemos, inicialmente, mensurar seu custo. Mas, para que essa mensuração ocorra de forma segura, é necessário provarmos que os benefícios econômicos futuros atribuídos ao ativo são gerados em favor da entidade. O custo de um ativo intangível adquirido separadamente inclui: • Seu preço de compra; • Impostos de importação e aqueles não recuperáveis sobre a compra; • Descontos comerciais e abatimentos; • Qualquer custo referente à preparação do ativo para a finalidade proposta. Sendo assim, é muito importante mensurá-lo e demonstrá-lo nos balanços da companhia, pois, dessa forma, saberemos o real valor da empresa. Atenção Os ativos intangíveis são importantes fontes de valorização das organizações, mas, até recentemente, eles não eram reconhecidos pela legislação brasileira. Os chamados intangíveis – como marcas, patentes, tecnologia, Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) etc. – começaram a ser registrados em conformidade com as Leis n° 11.638/07 e nº 11.941/09. Outro aspecto que engloba o ativo intangível é o Capital Intelectual, que ganha destaque na administração atual. Vamos estudar melhor o assunto? CONTROLADORIA II 31 Capital Intelectual Definir Capital Intelectual não é tarefa fácil, pois esse tema é muito subjetivo e envolve fatores externos e internos da empresa. Apesar de ser um assunto relativamente novo no que diz respeito à evolução da sociedade, existem várias definições de diversos autores e pronunciamentos de órgãos competentes. Vamos conhecer, aqui, algumas delas: Capital Intelectual = conhecimento de todos Stewart (1998) afirma que, atualmente, aquilo que não está nos balanços das corporações é mais importante do que aquilo que está. Por isso, para o estudioso, “o Capital Intelectual é a soma do conhecimento de todos em uma empresa”. Capital Intelectual = terreno fértil Edvinsson e Malone (1998) identificam o Capital Intelectual com a metáfora da árvore, cuja proposta é bem simples: se o desejo da empresa é ser saudável, ela não deve ignorar seus valores escondidos, mas se fincar em um terreno fértil, maximizando seu desenvolvimento e gerando cada vez mais frutos. Capital Intelectual = capacidade mental coletiva Para Silva (2006), o Capital Intelectual é a capacidade mental coletiva da empresa, o que lhe proporciona grande vantagem competitiva. Trata-se, portanto, de algo intangível, muito difícil de identificar e de distribuir, de forma eficaz, no ambiente empresarial. A verdadeira vantagem de a organização elucidar seu Capital Intelectual está em elaborar modelos de aperfeiçoamento de processos e em alavancar os resultados dos produtos e serviços oferecidos, a fim de se destacar no mercado – seja qual for seu segmento de negócio. Para isso, a entidade empresarial pode utilizar as formas alternativas de mensuração: estudos aplicados cujo foco é o Capital Intelectual, que objetivam medir seu potencial e sua eficácia. Apresentaremos esses estudos mais adiante. Capital Intelectual = talento das pessoas e eficácia dos sistemas Como já vimos, de acordo com a Lei nº 11.638/07, o ativo intangível é identificado no plano de contas como marcas e patentes, P&D e direitos autorais, mas existem valores ocultos que impactam diretamente nos resultados da empresa, embora não sejam elucidados em seus balanços. CONTROLADORIA II 32 Em outros termos, a principal fonte de sucesso das organizações é seu Capital Intelectual, ou seja, o conhecimento de seu grupo de colaboradores. Isso significa que o valor do produto ou serviço que oferecem depende muito mais do talento dos funcionários e da eficácia de seus sistemas do que de seus ativos fixos. Embora não existam fisicamente, esses ativos são, de fato, os que mais agregam valor para os resultados da empresa. Afinal, eles funcionam de forma harmoniosa, e um depende do outro, ou seja, isoladamente, tais ativos não teriam o mesmo impacto. Atenção Edvinsson e Malone (1998) definem que, entre os capitais humano, estrutural e do cliente, não existem hierarquias em função da importância de cada um. Mensuração do Capital Intelectual Atualmente, percebemos que as empresas estão focadas em: Processos de melhoria contínua. Programas de treinamento. Palestras de motivação e de desempenho. Muitos tipos de avaliações etc. Tudo isso aumenta o conhecimento humano! Pensando em grandes empresas – como, por exemplo, a Google, a Vale e a Nike –, podemos imaginar a grande valia que sua tecnologia tem e o poder do conhecimento de seus funcionários. Hoje, a contabilidade ainda não apresenta essa questão, de forma clara, em suas demonstrações. Por isso, existem formas alternativas para mensurar o Capital Intelectual. Conheça, agora, os modelos de mensuração do Capital Intelectual: CONTROLADORIA II 33 Razão do valor de mercado pelo valor contábil Definido por Stewart (1998) como o mais simples, a razão do valor de mercado pelo valor contábil parte da premissa de que tudo aquilo que resta no valor de mercado depois da contabilização dos ativos fixos e financeiros deve corresponder aos ativos intangíveis. Sabemos que o valor de mercado é diferente do valor contábil pelo simples fato de que a empresa não contempla só ativos fixos e financeiros, mas possui outros que não estão nos balanços contábeis e que o mercado leva em consideração, tais como: • Localização privilegiada; • Carteira de cliente; • Tecnologia; • Conhecimento dos colaboradores. Tudo isso tem valor maior do que o valor contábil. Q de Tobin Elaborado por James Tobin, o modelo Q de Tobin compara o valor de mercado de um ativo a seu custo de reposição. Logo: • Q < 1 quando um ativo vale menos que seu custo de reposição; • Q > 1 quando um ativo vale mais que seu custo de reposição. Aqui, identificamos apenas que um ativo sofreu valorização, mas não o que motivou tal valorização ou depreciação. Mesmo assim, através desse modelo, refletimos sobre o quanto a empresa evoluiu ao longo dos anos. Cálculo do valor intangível Desenvolvido pela NCI Research, em Evanston, Illinois, o modelo do cálculo do valor intangível procura atribuir valor monetário aos ativos intangíveis e visa identificar os ativos que criam valor adicional à empresa. CONTROLADORIA II 34 Além disso, o modelo enfatiza que o valor dos ativos intangíveis é igual à capacidade de uma empresa de superar o desempenho de um concorrente médio que possui ativos tangíveis semelhantes. O método da NCI é bastante eficaz, visto que atribui, realmente, valor ao trabalho das pessoas em uma razão diretamente proporcional. Em outras palavras, quanto maiores forem a intelectualidade, a criatividade e a capacidade da equipe de trabalho, maior será o valor do capital intangível da organização. Navegador da Skandia Elaborado por Edvinsson e Malone (1998), o modelo do Navegador da Skandia é o mais importante e complexo. Trata-se de um grandioso estudo, no qual, pela primeira vez, o Capital Intelectual pôde ser demonstrado de diversas formas e vertentes e sob diferentes pontos de vista. Aqui, os autores frisam que o Capital Intelectual inclui: • Conhecimento; • Experiência aplicada; • Tecnologia organizacional; • Relacionamento com os clientes; • Habilidades profissionais. Tudo issodeve proporcionar vantagem competitiva à empresa no mercado. De fato, esse é o grande benefício de se explorar o Capital Intelectual, pois as técnicas de administração e a tecnologia estão muito niveladas. Disso resulta a necessidade de buscar uma forma de se sobressair diante da competitividade do mercado. Neste modelo, indicadores para medição de desempenho são estabelecidos dentro de determinadas áreas com focos específicos. Conheça o modelo do navegador da Skandia. CONTROLADORIA II 35 Atenção Os modelos apresentados podem auxiliar as tomadas de decisão, mas cabe aos detentores da informação utilizar, de forma adequada, essas novas ferramentas, de modo a nortear o futuro saudável das empresas. Aprenda Mais Para saber mais sobre a sociedade do conhecimento, leia o texto Principais mudanças da humanidade. Para saber mais sobre a era da inovação, leia o texto Principais características das novas organizações. Para saber mais sobre o poder do conhecimento dentro do ambiente empresarial, conheça os Fatores que geram o Capital Intelectual. Para saber mais sobre a importância de medir o grau de conhecimento das organizações, conheça as Vantagens da mensuração do Capital Intelectual. Referências desta aula ALVES, M. Como escrever teses e monografias. Rio de Janeiro: Elsevier, 2003. ANTUNES, M. T. P. Capital Intelectual. São Paulo: Atlas, 2000. BRASIL. Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Brasília: Presidência da República, 1976. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6404compilada.htm. Acesso em: 20 mar. 2015. ______. Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007. Brasília: Presidência da República, 2007. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007- 2010/2007/lei/l11638.htm. Acesso em: 20 mar. 2015. CHIAVENATO, I. Teoria geral da administração. 4. ed. São Paulo: Makron Books, 2002. DEMO, P. Introdução à metodologia da ciência. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1987. CONTROLADORIA II 36 DRUCKER, P. F. O melhor de Peter Drucker: a sociedade. Tradução de Edite Seiulli. São Paulo: Nobel, 2002. EDVINSSON, L.; MALONE, M. S. Capital Intelectual. Tradução de Roberto Galmam. São Paulo: Makron Books, 1998. GATES, B. A empresa na velocidade do pensamento. Tradução de Pedro Maia Soares e Gabriel Tranjan Neto. São Paulo: Companhia das Letras, 1999. GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2002. INTERNATIONAL Financial Reporting Standards (IFRS). The International Accounting Standards Board (IASB). Disponível em: http://www.ifrs.org/About- us/IASB/Pages/Home.aspx. Acesso em: 20 mar. 2015. IUDÍCIBUS, S. de; MARION, J. C. Introdução à teoria da contabilidade. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2002. LASTRES, H. M. M.; ALBAGLI, S. Informação e globalização na era do conhecimento. Rio de Janeiro: Campus, 1999. MARCONI, M. de A.; LAKATOS, E. M. Técnicas de pesquisa. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2002. MARTINS, E. Contribuição à avaliação do ativo intangível. 1972. 109 f. Tese (Doutorado em Controladoria e Contabilidade) – Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1972. MAXIMIANO, A. C. A. Teoria geral da administração. 1. ed. São Paulo: Atlas, 2007. NONAKA, I.; TAKEUCHI, H. Criação de conhecimento na empresa. Tradução de Ana Beatriz Rodrigues e Priscilla Martins Celeste. Rio de Janeiro: Elsevier, 1997. PADOVEZE, C. L. Sistemas de informações contábeis. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2000. ______. Controladoria estratégica e operacional: conceitos, estrutura, aplicação. 3. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2012. PADOVEZE, C. L. et al. Fundamentos de contabilidade: princípios. Tradução de Pedro César de Conti. São Paulo: Cengage Learning, 2007. CONTROLADORIA II 37 PORTAL DE CONTABILIDADE. Normas Brasileiras de Contabilidade. NBC T.3. Disponível em: http://www.portaldecontabilidade.com.br/nbc/t3.htm. Acesso em: 20 mar. 2015. SÁ, A. L. de. Fundo de comércio: avaliação de capital e ativo intangível. Curitiba: Juruá, 2007. SCHMIDT, P.; SANTOS, J. L. dos. Avaliação de ativos intangíveis. São Paulo: Atlas, 2002. SILVA, E. L. da; MENEZES, E. M. Metodologia da pesquisa e elaboração de dissertação. 3. ed. rev. e atual. Florianópolis: Laboratório de Ensino a Distância da Universidade Federal de Santa Catarina, 2001. SILVA, L. A. C. da. O Capital Intelectual e as formas alternativas de sua mensuração pelas empresas: um estudo ilustrativo em uma empresa de calçados da Paraíba. 2006. 131 f. Dissertação (Mestrado em Economia) – Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2006. STEWART, T. A. Capital Intelectual: a nova vantagem competitiva das empresas. Tradução de Ana Beatriz Rodrigues e Priscilla Martins Celeste. Rio de Janeiro: Elsevier, 1998. Exercícios de fixação Questão 1 Assinale a opção INCORRETA: a) Na contabilidade financeira, os critérios de avaliação estão centrados no custo como base de valor, tendo como base o postulado da continuidade. b) O valor da empresa é substancial para a continuidade do investimento, pois é ele que determina sua atratividade para potenciais investidores e sua sobrevivência – condição final da eficácia empresarial. c) A obtenção permanente do valor da empresa, de acordo com critérios econômicos, e sua incorporação no sistema de informação da controladoria não são relevantes para a continuidade do empreendimento, já que a controladoria não deve considerar a hipótese de descontinuidade. CONTROLADORIA II 38 d) Os princípios contábeis geralmente aceitos podem impedir uma visão mais adequada do desempenho e da avaliação econômico-financeira da empresa. Para a controladoria, os princípios não são restrições, e outros critérios de avaliação podem ser utilizados para fins de controle econômico e de tomada de decisão. Questão 2 Associe os critérios de avaliação aplicados à mensuração econômica do empreendimento com as definições correspondentes: 1. Valor contábil. ( ) Critério que indica que o valor atual da empresa decorre de seu potencial de rentabilidade futura, ou seja, dos fluxos futuros de benefícios. 2. Valor de mercado. ( ) Critério que realiza uma avaliação a preços de mercado de todos os ativos e passivos da empresa, cujos valores podem ser maiores ou menores que aqueles que constam na contabilidade. 3. Cotação da ação. ( ) Critério que informa que, como na contabilidade, o valor da empresa é evidenciado pelo valor total do patrimônio líquido, automaticamente, o valor da empresa equivalerá a esse total. 4. Valor econômico. ( ) Critério que demonstra que a empresa vale a cotação ou cota no mercado de bolsa de valores ou de balcão. Questão 3 A empresa Bons Rumos S/A possui 8.000.000 ações preferenciais e 2.000.000 ações ordinárias. Em 31/06/x1, verificou-se que a cotação unitária das ações ordinárias era de R$ 2,10 e das ordinárias, 20% menor do que as ordinárias. A CONTROLADORIA II 39 gestão fez uma projeção que a cotação das ações ordinárias em 31/06/x2 aumentaria em 18,5% e as preferenciais, em 7%. O valor da empresa em 30/06/x1 e o valor projetado para 30/06/ x2 são, respectivamente: a) 19.357.800 e 17.640.000 b) 19.357.800 e 17.640.000 c) 20.160.000 e 23.503.200 d) 23.503.200 e 20.160.000 Questão 4 Leia a matéria intitulada Itaú Unibanco e BMG unificam negócios no consignado. A partir dessa leitura e dos conhecimentos adquiridos com base no estudo desta aula, assinale (V) para as afirmativas verdadeiras e (F) para as falsas: ( ) Ao utilizar a estratégia, visando “operar com ativos de menor risco e rentabilidade atraente", a empresa pretende atingir a criação de valor. Essa medida é relevantepara a continuidade do investimento por parte dos acionistas, mas não exerce influência em sua atratividade. ( ) Na matéria, o trecho “O banco cita, ainda, no comunicado, que, com essa operação, reafirma seu compromisso com a criação de valor a longo prazo para seus acionistas”. Trata-se de uma demonstração clara de expressar estratégias de compromissos para manter seus atuais investidores e, por conseguinte, seus potenciais investidores – razão da sobrevivência da empresa e condição final da eficácia empresarial. ( ) O texto cita que “Feito o aumento de capital, o Itaú Unibanco deterá participação de 60% do capital social total e votante da joint venture, e o BMG ficará com outros 40% remanescentes. Com a unificação das operações, o Itaú Unibanco deve atingir a liderança entre os bancos privados no segmento de crédito consignado”. A liderança de segmento poderá impactar na criação de valor econômico da empresa. CONTROLADORIA II 40 ( ) Como vimos, o valor atual da empresa decorre de sua rentabilidade futura, ou seja, dos fluxos futuros de benefícios. Ao “operar com ativos de menor risco e rentabilidade atraente”, a empresa está direcionando ações ao aumento do retorno sobre o investimento, mas este não está ligado ao custo de oportunidade de seus proprietários. Questão 5 Imagine que você foi convidado para fazer parte de uma equipe responsável por apurar o valor de uma empresa. Assinale a opção que identifica os principais critérios que poderiam ser utilizados por você nessa tarefa: a) Valor contábil, valor de mercado, cotação da ação e valor econômico. b) Valor contábil, valor de mercado, custo médio corrigido e valor econômico. c) Valor contábil, valor de mercado, custo histórico corrigido e valor econômico. d) Valor contábil, valor de mercado, cotação da ação, valor econômico e valor corrente corrigido. Questão 6 Nonaka e Takeuchi (1997) entendem a sociedade do conhecimento como aquela que tem como primazia o poder do cérebro, a informação como recurso econômico maior e o conhecimento como maior gerador de riqueza. São características dessa sociedade: a) Valores da sociedade elitistas, divisão de classes e educação em massa. b) Economia de mercado nacional, produção de bens padronizados e tangíveis. c) Tecnologias utilizadas como ferramentas baseadas na força, produção artesanal e comunicação manuscrita. CONTROLADORIA II 41 d) Economia global integrada, maior fusão entre produtor e consumidor, e capital humano como recurso fundamental. Questão 7 A descoberta, a pesquisa, a busca por novas técnicas e novos processos que possam modificar as estruturas e os parâmetros – quer sejam da produção, da tecnologia ou da sociedade – nos remetem ao conceito de: a) Inovação. b) Reengenharia. c) Ativo tangível. d) Capital Intelectual. Questão 8 São considerados modelos de mensuração do Capital Intelectual: a) Custo histórico, Q de Tobin, valor de mercado e navegador da Skandia. b) Razão do valor de mercado pelo valor contábil, cálculo do valor intangível e navegador da Skandia. c) Razão do valor de mercado pelo valor contábil, Q de Tobin, cálculo do valor intangível e navegador da Skandia. d) Fluxo futuro de benefícios, fluxo futuro de dividendos, fluxo futuro de lucros e fluxo futuro de caixa ou fluxo de caixa descontado. Questão 9 Associe os modelos de mensuração do Capital Intelectual com as definições correspondentes: CONTROLADORIA II 42 1. Razão do valor de mercado pelo valor contábil. ( ) Modelo que compara o valor de mercado de um ativo a seu custo de reposição. 2. Q de Tobin. ( ) Modelo que indica que tudo aquilo que resta no valor de mercado depois da contabilização dos ativos fixos e financeiros deve corresponder aos ativos intangíveis. 3. Cálculo do valor intangível. ( ) Modelo que aponta que o Capital Intelectual inclui o conhecimento, a experiência aplicada, a tecnologia organizacional, o relacionamento com os clientes e as habilidades profissionais que proporcionem vantagem competitiva no mercado. 4. Navegador da Skandia. ( ) Modelo que visa identificar os ativos que criam valor adicional à empresa, além de enfatizar que o valor dos ativos intangíveis é igual à capacidade de a organização superar o desempenho de um concorrente médio que possui ativos tangíveis semelhantes. Questão 10 As três condições para definir o ativo intangível são: a) Separabilidade, propriedade e mensuração confiável. b) Controle, geração de benefícios futuros e identificabilidade. c) Geração de benefícios econômicos, separabilidade e controle. d) Identificabilidade, mensuração confiável e geração de benefícios futuros. CONTROLADORIA II 43 Aula 3: Riscos empresariais Introdução Dados os desafios de gestão corporativa, atualmente, para atingir resultados e até mesmo garantir a sua continuidade, as empresas precisam antecipar-se, planejando e verificando formas para a redução dos vários riscos em que estão expostos. As empresas buscam resguardar-se previamente e preparam-se para eventuais situações que possam afetá-las ou ameaçá-las de algum modo. Esta aula apresenta os riscos empresariais, destacando a sua relevância no contexto de uma economia globalizada. Para isto, faz-se necessário, primeiramente, abordar os conceitos de risco, além de identificar os tipos de riscos. Em seguida, serão identificados alguns modelos de gestão de riscos existentes. Objetivo 1. Definir risco e apresentar os tipos de riscos empresariais, destacando a sua relevância no contexto de uma economia globalizada; 2. Distinguir os seus principais modelos utilizados para gerenciamento de risco. Resumo do conteúdo Nesta aula: • Analisamos várias definições de risco e pode-se entender que o risco é um conjunto de situações, circunstâncias, elementos, variações, exposições, ou seja, são ameaças financeiras e não financeiras sofridas pelas organizações em seu ambiente que podem impactar diretamente nos resultados e no desempenho organizacional. • Discutimos que a gestão de riscos é uma ferramenta utilizada para avaliação de riscos e suas perspectivas. Sendo, assim, um sistema antecipatório para o planejamento estratégico, com as finalidades de mensurar os riscos no ambiente das finanças corporativas e nas decisões de mercado, refletido sobre os aspectos que podem afetar a organização. • Verificamos que o risco é, de fato, um resultado inesperado, não planejado ou indesejado pela organização. Contudo, foi visto nesta aula que esse resultado pode afetar positivamente ou negativamente a situação CONTROLADORIA II 44 financeira da empresa e impactar diretamente nos objetivos reais da organização. • Concluímos que para cada organização existe um conjunto específico de riscos. Assim, para identificar o perfil de cada um desses riscos, é necessário conhecer as causas ou efeitos, internos e externos, que podem impactar no resultado desejado, ou até mesmo, ameaçar a saúde financeira da organização. • Foram apresentados os principais modelos de gestão de riscos. Podemos concluir que se trata de ferramentas que disponibilizam estruturas de soluções concretas e de acordo com a realidade e a atividade desenvolvida pela organização, direcionando, assim, o gestor para uma tomada de decisão mais cautelosa e segura. • Validamos a ideia de que o estudo dos riscos corporativos é uma área de extrema importância para a análise da solidez das empresas, em que se pode evidenciar, classificar e fazer toda uma gestão dos mesmos a fim de mostrar a segurança da empresa contra eventuais cenários de impacto. Tendo uma importância fundamental de controle interno e desenvolvimentodas empresas, a Gestão de riscos varia conforme as atividades e objetivos de cada empresa. Conteúdo Definições de Risco Desde a sua origem, o ser humano esteve exposto a riscos. A partir do momento em que ele teve a consciência reflexiva sobre sua situação, este ser passou a buscar ações para amenizar os riscos ou eliminá-los, para garantir a sua sobrevivência. Como exemplo disto tem-se a busca de moradias em cavernas, habitação à margem de rios e a convivência comunitária. À medida que ocorreu a evolução humana, os fatores de risco também evoluíram. Conheça algumas definições da palavra risco. Exemplos e fatores representativos dos riscos Veremos agora alguns exemplos e fatores representativos dos riscos. CONTROLADORIA II 45 Padoveze e Taranto (2009) destacam que “exemplos representativos dos riscos do que vai existir estão relacionados com itens como”: • Manutenção, geração ou perda de clientes; • Mercados, interno e externo; • Produtos e seus respectivos mercados e clientes; • Manutenção, criação ou perda de tecnologia produtiva, comercial e administrativa; • Concorrentes atuais e potenciais; e • Manutenção, geração ou perda de fornecedores estratégicos. Os autores também destacam que “os riscos do que já existe e está em operação são mais visíveis, e grande parte deles pode ser associada ao balanço patrimonial e à demonstração de resultados. Como exemplo podemos dizer que esse tipo de risco está em itens como”: • Aplicações financeiras e concentração de operações bancárias; • Valores em moeda estrangeira e sua exposição à volatilidade das taxas de câmbio; • Obsolescência de estoques; • Concentração de vendas para clientes; • Perda com inadimplência; • Passivos trabalhistas e contingências tributárias; • Tecnologia e obsolescência das plantas fabris; • Aumento de custo com fornecedores de bens e serviços; • Mudança de políticas tributárias e trabalhistas; • Perda de controle interno; e CONTROLADORIA II 46 • Fraudes. Padoveze e Taranto (2009) concluem que “a maior parte dos riscos do que existe – ou seja, dos riscos de curto prazo – é facilmente mensurada por estar relacionada não apenas com os ativos e os passivos, mas também com operações existentes. De fato, pode-se fazer um mapa desses riscos mensurando prováveis perdas. Como modelo geral o balanço e a demonstração de resultados podem ser usados dentro de um conceito de contas analíticas. Neste caso, cada elemento patrimonial dessas ferramentas pode ser alinhado e, em cima disso, as possibilidades de perdas para um horizonte de um ou dois anos podem ser trabalhadas.” Fatores internos e externos Steinberg et al. (2003) apud Padoveze e Bertolucci (2008) interpreta que “os fatores de risco podem ser classificados como de origem interna ou externa”. Observe, a seguir, os fatores internos classificados pelos autores: Observe, a seguir, os fatores externos classificados pelos autores: Logo, as organizações devem atestar todos os pressupostos possíveis que possam influenciar ou impactar seu funcionamento, na lucratividade e na sua continuidade. CONTROLADORIA II 47 Para um melhor entendimento, serão apresentados a seguir os tipos de riscos e sua influência nos resultados da empresa. Tipos de riscos Para cada organização existe um conjunto específico de riscos. Deste modo, para identificar o perfil de cada um destes riscos é necessário conhecer as causas ou efeitos, internos e externos, que podem impactar no resultado desejado, ou até mesmo ameaçar a saúde financeira da organização. Jorion (2000) apud Padoveze e Bertolucci (2008, p.207) “oferece uma classificação básica dos riscos em riscos operacionais, estratégicos e financeiros”. Riscos Estratégicos Entende-se por riscos estratégicos as possibilidades de mudanças, alterações que venham a ocorrer e que, antecipadamente, possam ser previstas, embora não tidas como certezas. Nas palavras de Coimbra (2007), para alguns autores, os riscos estratégicos podem ser vistos como consequências de mudanças no cenário econômico ou político. Essas mudanças constantes afetam diretamente os riscos estratégicos, ocasionando impacto no planejamento estratégico e nas tomadas de decisões. Saiba mais sobre os Riscos Estratégicos. Riscos Financeiros Os riscos financeiros, conforme Coimbra (2007), são caracterizados pelas incertezas de possíveis perdas financeiras, podendo ocasionar impacto negativo no fluxo de caixa da instituição gerando assim, outros ricos como: crédito, liquidez, taxa de juros e mercado, explanados a seguir: • Crédito – entende-se como crédito a possível concessão de recurso financeiro tendo como processo a avaliação da capacidade financeira. Uma vez o recurso concedido, a instituição passar a ter o risco de crédito que pode ter como consequência a inadimplência. • Liquidez – define-se esse tipo de risco como a dificuldade de se desfazer de um ativo para que o mesmo converta-se em dinheiro. As mudanças que ocorrem no mercado podem ou não favorecer essa conversão. • Taxa de Juros – a exposição das instituições bancárias a oscilações na taxa de juros resulta no risco de diversos fatores como: taxas de câmbio, preços de mercado, ações, entre outros. CONTROLADORIA II 48 • Mercado – possibilidade de perdas decorrentes das mudanças de preços, taxas, índices, prazos e moedas. Saiba mais sobre os Riscos Financeiros. Riscos Operacionais Diante dos riscos até agora mencionados, os que mais causam impactos negativos nas instituições financeiras são os riscos operacionais, pois a amplitude em que se insere é bem mais complexa. O envolvimento de diversos procedimentos, não sendo adequadamente controlados, pode acarretar perdas e prejuízos. Saiba mais sobre os Riscos Operacionais. As explanações feitas até o momento nos convidam a pensar como enfrentar esses riscos de maneira segura, uma vez que nenhuma empresa está livre deles. É através desse questionamento que a gestão de risco surge como ferramenta que agrega valor à empresa, auxiliando-a na administração desses riscos, de forma sistemática. Gerenciamento de risco e os seus principais modelos O gerenciamento de risco pode ser compreendido como um conjunto de ações para a identificação das ocorrências que podem afetar a organização, monitoramento e controle destas ocorrências, junto a correções e acompanhamento das execuções das ações corretivas. Para Padoveze e Bertolucci (2008), “o gerenciamento do risco é uma atividade de gestão aderente ao planejamento estratégico. Portanto, insere-se no conjunto de instrumentos gerenciais pertencentes ao âmbito da controladoria estratégica. A associação da gestão do risco ao planejamento estratégico é adequada, já que a análise da estratégia inicia-se com a análise da empresa como um sistema aberto em relação ao ambiente externo em que está inserida”. Segundo Brito (2002) apud Padoveze e Bertolucci (2008), “a gestão de risco é o processo por meio do qual as diversas exposições ao risco são identificadas, mensuradas e controladas”. Contribuindo com esse pensamento, Francis e Armstrong (2003) apud Padoveze e Bertolucci (2008) dizem que “gerenciar riscos diz respeito à aplicação de políticas e procedimentos às tarefas de identificar, analisar e avaliar riscos, determinando o grau de exposições ao risco que uma organização pode acomodar, e tomando atitudes adequadas para evitar litigação, perda de reputação ou dano”. CONTROLADORIA II 49 Robillard (2001) apud Padoveze e Bertolucci (2008) entende que “o gerenciamento do risco é uma abordagem sistêmica para determinar o melhor curso de ação sob incerteza, pela identificação, avaliação, compreensão, ação e comunicaçãodos problemas relacionados ao risco”. Conforme Padoveze e Bertolucci (2008), “o objetivo do gerenciamento de risco é desenvolver um processo sustentável de criação de valor econômico para a empresa. Portanto, o gerenciamento de risco é considerado um instrumento de controladoria”. Neste argumento, Padoveze (2007) discorre que “o foco da gestão do risco é manter um processo sustentável de criação de valor para os acionistas, uma vez que qualquer negócio sempre está exposto a um conjunto de riscos. Para tanto, é necessário criar uma arquitetura informacional para monitorar a exposição da empresa ao risco”. Padoveze (2007) também diz que “a gestão de risco insere-se no conceito sistêmico e pode ser organizada e reconciliada em duas áreas de atuação, em relação aos ambientes interno e externo do sistema”. Neste argumento, “considerando o ambiente interno, a gestão do risco em uma perspectiva de conformidade (perspectiva de conformance) e, levando em conta o ambiente externo, percebe-se o risco em uma perspectiva de desempenho (perspectiva de performance)”. Estas perspectivas podem ser visualizadas na figura abaixo: Estruturação do gerenciamento de risco Na visão de Robillard (2001) apud Padoveze e Bertolucci (2008), o gerenciamento de risco se estrutura da seguinte forma: CONTROLADORIA II 50 Padoveze e Bertolucci (2008) dizem que, “após determinados os fatores de risco a que se expõe a organização, faz-se necessário avaliar o impacto que cada um desses fatores pode representar”. Barrese e Scordis (2003) apud Padoveze e Bertolucci (2008) entendem que “uma vez identificadas as fontes potenciais de perda, o analista precisa determinar o impacto das perdas no fluxo de caixa da empresa e o impacto econômico resultante na habilidade da empresa em gerar valor para os acionistas”. De acordo com Cardoso e Mendonça (2002) apud Padoveze e Bertolucci (2008), “reportar os riscos prioritários e possíveis soluções deve ser feito de forma rotineira e facilitaria muito o processo de gestão de risco”. Seguindo esse pensamento, Steinberg et al. (2003) apud Padoveze e Bertolucci (2008) diz que “a incerteza de eventos potenciais é avaliada a partir de duas perspectivas – probabilidade e impacto. Probabilidade representa a possibilidade de um dado evento ocorrer, enquanto impacto representa seu efeito”. Neste contexto, IFAC (1999) apud Padoveze e Bertolucci (2008), afirma que “uma vez identificados os riscos, uma avaliação do possível impacto e correspondente probabilidade de ocorrência será feita com uso de parâmetros consistentes”. Segundo Padoveze e Bertolucci (2008), existem “duas metodologias distintas de avaliação e priorização do risco que são apresentadas pelo IFAC (1999) e por Famá, Cardoso e Mendonça (2002). Estas e mais metodologias da análise dos modos e falhas e seus efeitos (Failure Mode and Effect Analysis – FMEA)” serão apresentadas a seguir. A figura a seguir apresenta a integração entres as diversas atividades necessárias para o gerenciamento do risco: CONTROLADORIA II 51 Metodologia IFAC De acordo com Padoveze e Bertolucci (2008, p.233), “IFAC sugere que seja analisado o impacto”. IFAC destaca que “a avaliação do impacto potencial de um dado risco pode ser complicada pelo fato de uma gama de resultados possíveis poderem existir ou de o risco poder ocorrer várias vezes em um dado intervalo de tempo”. IFAC (1999) apud Padoveze e Bertolucci (2008, p.234) também sugere que a avaliação do impacto leve em consideração “o impacto financeiro, o impacto na viabilidade e nos objetivos da organização, e o impacto político e na comunidade”. Padoveze e Bertolucci (2008, p.234) relatam que, para “obter uma avaliação qualitativa, a seguinte escala de impacto” e a “avaliação da probabilidade de ocorrência” ilustrada no quadro a seguir é necessária. CONTROLADORIA II 52 IFAC (1999) apud Padoveze e Bertolucci (2008) também sugere que “o uso de uma ferramenta denominada mapa do risco ou matriz do risco, cujo propósito é combinar as duas dimensões avaliadas de maneira a classificar os riscos”. Os “mapas ou matrizes do risco são habitualmente vistos como uma forma simples, mas poderosa de mostrar a relação entre probabilidade e impacto para os riscos fundamentais identificados”, o quadro a seguir explana o uso desta ferramenta. A figura a seguir apresenta a integração entres as diversas atividades necessárias para o gerenciamento do risco: CONTROLADORIA II 53 Metodologia Famá, Cardoso e Mendonça Segundo Padoveze e Bertolucci (2008), Famá, Cardoso e Mendonça sugerem uma metodologia mais sofisticada do que IFAC (1999). “Para os autores, além do impacto de ocorrência é importante definir uma relação de causa e efeito”. Assim, conforme Famá, Cardoso e Mendonça (2002) apud Padoveze e Bertolucci (2008), “deve-se procurar verificar, por exemplo, o impacto de certa medida nos lucros, na imagem da empresa, na participação de mercado, no futuro dos negócios, além de mensurar, embrionariamente, custos e benefícios para administrar esse risco”. Deste modo, os autores propõem a utilização de uma análise matricial dos riscos, que pode ser visualizada no quadro a seguir: CONTROLADORIA II 54 Famá, Cardoso e Mendonça (2002) apud Padoveze e Bertolucci (2008) também descrevem as variáveis da matriz e enfatizam que é necessário que sejam quantificadas sempre que possível: Tipo de risco “Nesse tópico, os gerentes devem pensar de forma integrada nos mais variados tipos de riscos que podem afetar a organização”. Corresponde a fase de identificação do risco. Probabilidade de ocorrência “O objetivo é utilizar métodos quantitativos com grande ênfase na determinação de modelos probabilísticos”. Os autores sugerem a determinação da probabilidade de ocorrência, conforme ilustra o quadro a seguir: Grau de impacto Procura avaliar “caso o evento que está sendo analisado ocorresse, o nível do impacto nos negócios atuais e futuros da organização, tanto do ponto de vista estratégico quanto financeiro”, tais como alto, médio e alto impacto. Perdas estimadas Devem ser estimados os “impactos nas receitas, nos lucros e, principalmente, na geração de caixa da empresa [...] utilizando os conceitos financeiros e econômicos como: valor presente líquido, custo de oportunidade, projeção de resultados, entre outros”. Os autores explicam a estimativa de perdas através do quadro a seguir: CONTROLADORIA II 55 Famá, Cardoso e Mendonça (2002) apud Padoveze e Bertolucci (2008, p.238) apresentam um exemplo de cálculo da perda máxima esperada, ou seja, quanto seria a estimativa de prejuízo se o projeto não oferecesse retorno, ver no quadro que segue: Os autores também propõem a utilização de avaliação da aplicabilidade ou não de eventuais medidas, através da tomada de decisão como: “controles internos mais eficazes, estratégia de hedge e diversificação de negócios e linhas de produto”. Enfatizam que as causas e os efeitos devem estar em ênfase, pois é importante “demonstrar quais efeitos provavelmente a organização sofrerá em relação aos riscos estratégicos, operacional, legal e financeiro”. Metodologia do FMEA adaptada ao gerenciamento do risco corporativo Bertolucci (2005) apud Padoveze e Bertolucci (2008) propõe a utilização da Análise dos Modos de Falha e seus Efeitos para a estimativa dos fatores de risco, devendo ser adaptado de modo a atender ao processo de gerenciamento do risco. Para tanto, apresentam-se alguns itens: Função Bertolucci (2005) apud Padoveze e Bertolucci (2008, p.240) diz que, para fins de gerenciamento do risco, este item será substituído pelo item “fator de risco”, vinculando o FMEA à verificação dos fatores derisco inicialmente conduzido. Deste modo, deverão constar no FMEA somente os fatores que afetam a organização como “ameaça ou incerteza”. Modo de falha potencial Segundo Famá, Cardoso e Mendonça (2002) apud Padoveze e Bertolucci (2008, p.241), são vários os modos de falhas identificados na aplicação do FMEA ao gerenciamento de risco. CONTROLADORIA II 56 Efeito potencial de falha e severidade Conforme Padoveze e Bertolucci (2008, p.241), as “situações de extrema gravidade deverão ser preservadas no uso do FMEA para o gerenciamento do risco”. Deste modo, “ao se adaptar a tabela de severidade, é necessário levar em conta as dimensões corporativas que o modo de falha pode afetar”. “Assim, cabe ressaltar que, como um mínimo, os alvos de impacto que devem ser considerados são”: Financeiro/econômico e Estratégico/operacional. Causas potenciais de falhas e ocorrência Padoveze e Bertolucci (2008, p.243) dizem que, “na aplicação do FMEA ao gerenciamento do risco, a causa será a circunstância ambiental interna ou externa que poderia levar o fator de risco a se comportar como descrito no modo de falha”. Também ressaltam que “é importante diferenciar causas internas de causas externas, pois a maneira de reagir ao risco será distinta”. Desta forma, “a pontuação de ocorrência pode ser facilmente adaptada para o gerenciamento de riscos, quando devem ser usadas, sempre que possível [...], pois devem ser considerados os efeitos de eventuais mecanismos de redução do risco que estejam em ação”. Veja o quadro com a adaptação do critério de ocorrência, levando-se em conta ocorrências muito altas: CONTROLADORIA II 57 Controles atuais e detecção Para Padoveze e Bertolucci (2008), “é importante salientar que o conceito de controle de prevenção ou detecção também é válido para o gerenciamento do risco”. Número de prioridade de risco e ações recomendadas Padoveze e Bertolucci (2008) dizem que “para efeito do FMEA aplicado ao gerenciamento do risco, sugere-se primeiro reduzir a severidade, transferindo ou compartilhando risco, e depois a ocorrência, atacando as causas ou adicionando controles preventivos”. Os autores concluem que, após a identificação e avaliação dos riscos, através dos modos de falhas e efeitos, é necessário efetuar um controle contínuo, desenvolvendo alternativas para evitar ou reduzir os impactos dos riscos e as probabilidades de ocorrências deles. Conclui-se que o estudo dos riscos corporativos é uma área de extrema importância para a análise da solidez das empresas, em que se pode evidenciar, classificar e fazer toda uma gestão dos mesmos a fim de mostrar a segurança da empresa contra eventuais cenários de impacto. Tendo uma importância fundamental de controle interno e desenvolvimento das empresas, a Gestão de riscos varia conforme as atividades e objetivos de cada empresa. Aprenda Mais Referências desta aula BIS (Bank for International Settlements). Sound Practices for the Management and Supervision of Operational Risk. Fevereiro 2003. Disponível em: http://www.bis.org. Acesso em: 11/06/2014. COIMBRA, F. C.. Riscos operacionais: estrutura para gestão em bancos. Saint Paul: São Paulo. 2007. DAMODARAN, Aswath. Gestão estratégica do risco: uma referência para a tomada de riscos empresariais. Tradução Félix Nonnenmacher. Porto Alegre: Bookman, 2009. IFAC - INTERNATIONAL FEDERATION OF ACCOUNTANTS. Enhancing Shareholder Wealth by Better Managing Business Risk. Study 9, 1999. CONTROLADORIA II 58 IFAC - INTERNATIONAL FEDERATION OF ACCOUNTANTS. Managing risk to enhance stakeholder value. Novembro de 2002. PADOVEZE, Clóvis Luis. BERTOLUCCI, Ricardo Galinarii. Gerenciamento de risco corporativo em controladoria: Enterprise Risk Management (ERM) / Clóvis Luis Padoveze, Ricardo Galinari Bertolucci. – São Paulo: Cengage Learning, 2008 PADOVEZE, Clóvis Luis. Orçamento empresarial: novos conceitos e técnicas / Clóvis Luis Padoveze e Fernando Cesar Taranto. – São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2009. PADOVEZE, C. L.; TARANTO, F. C. Orçamento empresarial: novos conceitos e técnicas. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2009. PAXON, Dean; WOOD, Dean (Org.). Dicionário enciclopédico de finanças. São Paulo: Atlas, 2001. Exercícios de fixação Questão 1 Risco de taxa de juros, Risco de taxa de câmbio, Risco de commodities, Risco de ações, Risco de hedge, e Risco de concentração (mercado) referem-se a que tipologia de risco? a) Risco Operacional. b) Risco Estratégico. c) Risco Financeiro. d) Risco Político. Questão 2 Para os fatores de riscos abaixo relacionados identifique (FE) para Fator Externo e (FI) Para Fator Interno. • Fator Social, incluindo mudanças demográficas, novos métodos de colheita e preparação de alimentos e mudanças em estrutura familiar. ( ) CONTROLADORIA II 59 • Fator Tecnologia, que abrange necessidades de mudanças ou atualizações de sistemas. ( ) • Fator Pessoal como aumento do número de acidentes de trabalho ou atitudes fraudulentas. ( ) • Fator Político, como eleição de novos representantes, legislação e regulamentações. ( ) • Economia e negócios, incluindo competição e movimentos de mercado, nos níveis macro e microeconômicos ( ) Identifique a opção que corresponde às classificações atribuídas: a) FE, FI, FI,FE,FE. b) FI, FI, FI,FE,FE. c) FE, FE, FI,FE,FE. d) FE, FI, FI,FE,FI. Questão 3 (FCC-2011-INFRAERO) No que se refere à análise/avaliação de riscos descrita na norma ABNT NBR ISO/IEC 27002, analise: • Por meio da análise/avaliação de riscos, são identificadas as ameaças aos ativos e às vulnerabilidades destes, e realizada uma estimativa da probabilidade de ocorrência das ameaças e do impacto potencial ao negócio. • Não é conveniente que a análise/avaliação de riscos seja repetida periodicamente para não impactar negativamente nos custos dos projetos de TI. • Uma vez que os riscos tenham sido identificados e as decisões para o tratamento dos riscos tenham sido tomadas, convém que controles apropriados sejam selecionados e implementados para assegurar que os riscos sejam reduzidos a zero. CONTROLADORIA II 60 • Convém que a análise/avaliação de riscos inclua um enfoque sistemático de estimar a magnitude do risco (análise de riscos) e o processo de comparar os riscos estimados contra os critérios de risco para determinar a significância do risco (avaliação do risco). Está correto o que consta em: a) I, II, III e IV. b) II e III, apenas. c) I, III e IV, apenas. d) I e IV, apenas. Questão 4 (CIAAR- 2009) Durante o processo de análise de risco, é necessário fazer uma avaliação dos tipos de riscos e dos riscos possíveis. Associe os tipos de riscos com os riscos possíveis. • Tecnologia. • Pessoal. • Ferramentas. • Estimativas. Riscos possíveis: ( ) A taxa de reparo de defeito foi subestimada. ( ) O treinamento necessário não está disponível. ( ) O banco de dados usado no sistema não suporta a quantidade de transações que o sistema demanda. ( ) Não será possível integração de CASE. a) C – A – B – D. CONTROLADORIA II 61 b) B – C – D – A. c) A – D – C – B. d) D – B – A – C. Questão 5 Sobre o conceito e os tipos de riscos, assinale a opção correta: a) O Risco de produtos e serviços, em decorrência da venda de produtos ou prestação de serviços em desacordo com as necessidades dos clientes, ou de forma indevida, é um risco financeiro. b) Risco de taxa de câmbio, relacionado a perdas por causa de perda nas mudanças das taxas de câmbio é um risco estratégico. c) Risco de imagem, em função de alterações de reputação com clientes, concorrentes,órgãos governamentais é um risco operacional. d) Risco de commodities, relativo a perdas decorrentes de mudanças no valor de mercado de carteiras de commodities (ouro, soja, boi gordo etc.) é um risco estratégico. Questão 6 Leia o texto A Europa pode ousar inovar. Com base nos conhecimentos trabalhados na aula e no artigo, identifique a alternativa verdadeira: a) O texto identifica que o cerne da questão de como a Europa se posiciona na questão da inovação parece ser o medo do risco. Assim, os investidores, gestores e empresários não se permitem correr riscos, o que é positivo para investir em inovação e atingir o sucesso comercial. b) A União Europeia possui uma atitude favorável em relação ao risco, pois vem tomando medidas para influenciar o setor privado em investir em inovação e reduzir o risco econômico. CONTROLADORIA II 62 c) Observa-se pelo texto que a gestão de riscos não é simplesmente uma questão de aceitar mais ou menos risco. É como ter melhor conhecimento de como funciona o risco. Quando a natureza do risco é devidamente analisada e testada, as empresas tenderão a assumir riscos de forma mais consciente e gerar benefícios atrelados à criação de valor. d) Dado o quadro regulamentar da UE, os presidentes de 12 empresas (incluindo a Basf), com um orçamento de pesquisa e desenvolvimento anual combinado de 21 bilhões de euros (28 bilhões de dólares), apresentaram recentemente a adoção formal de um “princípio de inovação" para o plano europeu de gestão de risco e práticas regulamentares. Este princípio está ligado à aprovação de projetos que tenham alto nível de inovação e nível de riscos, que não influenciam os investimentos dos seus proprietários, pois advém de reservas de lucros. Questão 7 “A avaliação do impacto potencial de um dado risco pode ser complicada pelo fato de uma gama de resultados possíveis poderem existir ou de o risco poder ocorrer várias vezes em um dado intervalo de tempo”. A citação refere-se a que metodologia de avaliação de riscos: a) Metodologia sugerida pelo IFAC. b) Metodologia de Famá, Cardoso e Mendonça. c) Failure Mode and Effect Analysis (FMEA). d) Termômetro de Kanitz. CONTROLADORIA II 63 Questão 8 O objetivo do gerenciamento de riscos é: a) Criar um processo totalmente seguro para gestão corporativa, de modo que os acionistas obtenham o retorno garantido pela administração empresarial. b) Desenvolver um processo sustentável de criação de valor econômico para a empresa. c) Mostrar a relação entre probabilidade e impacto para os riscos fundamentais identificados para eliminar os riscos estratégicos, financeiros e operacionais. d) Superavaliar as oportunidades de mercado para que o retorno sobre o investimento e o custo de oportunidade seja o maior possível. Questão 9 A estrutura básica do gerenciamento de riscos compreende: a) Identificação dos riscos; Tratamento dos riscos; Seleção de riscos; Monitoramento e avaliação. b) Identificação dos riscos; Tratamento dos riscos; Seleção de riscos; Avaliação dos riscos. c) Identificação dos riscos; Avaliação dos riscos; Resposta aos riscos; Monitoramento e avaliação. d) Identificação dos riscos; Tratamento dos riscos; Seleção de riscos; Eliminação dos Riscos. CONTROLADORIA II 64 Questão 10 Observe as características do modelo de gestão de riscos a seguir • Além do impacto de ocorrência, define uma relação de causa e efeito. • Propõem a utilização de uma análise matricial dos riscos. • Demonstra quais efeitos provavelmente a organização sofrerá em relação aos riscos estratégico, operacional, legal e financeiro. As características pertencem aos seguintes modelos: a) Metodologia sugerida pelo IFAC. b) Metodologia de Famá, Cardoso e Mendonça. c) Failure Mode and Effect Analysis (FMEA). d) Termômetro de Kanitz. CONTROLADORIA II 65 Aula 4: Avaliação de desempenho organizacional Introdução A avaliação do desempenho pode ser utilizada em qualquer área do conhecimento, tanto para a pesquisa quanto para o planejamento e a implantação de políticas públicas, planos, programas e projetos. Os indicadores surgem como uma mediação entre a teoria e as evidências da realidade, gerando instrumentos capazes de identificar e medir algum tipo de fenômeno social, estabelecido a partir da reflexão teórica. Para Bastos (2009), em decorrência de suas funções básicas, são amplamente utilizados para o planejamento, a avaliação e monitoramento de planos e programas de projetos. No contexto organizacional, não se discute a importância de se analisar o desempenho de um sistema, de suas unidades ou dos processos e atividades desenvolvidos em uma organização. Desta forma, esta aula tem o objetivo de explanar o conceito da avaliação de desempenho, enfatizando sua função e a importância de sua utilização na organização como recurso fundamental para a obtenção dos resultados planejados. A aula também visa apresentar o conceito e enfatizar a relevância do BSC à avaliação de desempenho e aprimoramento de processos e resultados da organização. Objetivo 1. Definir a avaliação de desempenho organizacional e apontar sua importância no alcance de resultados empresariais; 2. Apontar o Balanced Scorecard como ferramenta para planejamento e controle de forma coerente para agregar valor ao crescimento organizacional. Resumo do conteúdo Nesta aula: • A função dos indicadores é auxiliar através de seus resultados, a tomada de decisão gerencial e ser consequência das avaliações que descreverão, de forma numérica, a eficácia e a qualidade das ações executadas para a adequação necessária. CONTROLADORIA II 66 • O processo geral de avaliação do desempenho de processos inicia-se com o estabelecimento do sistema de indicadores deste. Nele, é necessário definir o que, onde e quando medir, entre outros aspectos relevantes. A escolha dos indicadores é uma etapa decisória nesse processo geral. Paralelamente, devem ser fixados os padrões de referência que servirão para estabelecer comparações com o processo que se está avaliando. • A avaliação de desempenho busca apurar informações que quantifiquem a qualidade das ações executadas, dos indivíduos e da organização. A análise de resultado busca quantificar a qualidade dos resultados através do controle do processo de transformação de seus produtos e serviços. • Robert Kaplan e David Norton desenvolveram, no início da década de 1990, o chamado Balanced Scorecard (BSC), motivados, principalmente, pela necessidade de uma mudança na forma de desenvolver e implementar indicadores de desempenho em sistemas. A estrutura de indicadores de desempenho do BSC busca fornecer ao tomador de decisão, uma visão mais clara e concisa da saúde do seu negócio. Trata- se, desta maneira, de uma ferramenta sistêmica de gestão estratégica. Nesse sentido, o BSC pretende preencher a lacuna entre a visão estratégica de negócios e a tomada de decisão operacional do dia a dia. • A essência da justificativa na execução de um sistema balanceado de indicadores é resumida por Kaplan e Norton: “O que não é medido não é gerenciado”. Criadores do sistema K e N, eles reforçam que é necessário medir o desempenho para gerenciá-lo. Se o desempenho abrange várias dimensões, indicadores, ou perspectivas, sendo a financeira apenas uma delas. Um sistema completo deve compreender os indicadores de desempenho financeiros e não financeiros. • As organizações que desejam obter resultados programados devem controlar e avaliar a performance, suas execuções e consequências, avaliar-se constantemente para se adequar e ter conhecimento de seu desempenho no mercado em que está inserido eprincipalmente para manter sua continuidade. Conteúdo Avaliação de desempenho A avaliação de desempenho é uma ferramenta que possibilita a obtenção de estimativa, no que se refere à qualidade do cumprimento das atividades exercidas, através de relatórios direcionados por indicadores, que possuem a finalidade de mensurar a performance, adaptando-a conforme necessário. CONTROLADORIA II 67 Padoveze (2007) discorre que “a avaliação de desempenho tem como objetivo a segmentação da empresa em unidades administrativas organizadas dentro do subsistema formal: os setores, departamentos e divisões, que se expressam dentro da contabilidade gerencial ou de custos sob os conceitos de centros de custos, de resultado ou de desempenho”. Para Nunes (2009), “a avaliação do desempenho de uma organização é um tipo particular de controle organizacional que se concentra no acompanhamento do desempenho da organização para que se garanta que algo aconteça conforme planejado e/ou programado”. Etapas gerais da avaliação de desempenho Lima Jr. (2001) apud Nunes (2009) intensifica a importância da utilização da avaliação de desempenho, pois “a empresa deve se autoavaliar como própria forma de sobrevivência atentando para o fato de que só consegue agir adequadamente a organização que tem noção de seu desempenho”. Nunes (2009) ressalta que “a avaliação e/ou controle do desempenho em organizações realiza-se através de três etapas gerais”: Medição do desempenho organizacional Comparação do desempenho organizacional com os objetivos e padrões fixados anteriormente Adoção de medidas (corretivas ou para manutenção) De acordo com tudo o que foi explanado pelos autores, a função da avaliação de desempenho é sem dúvida a de uma ferramenta que possibilita a mensuração dos processos, junto à verificação da qualidade das atividades e de suas execuções, em relação ao esperado. Contudo, é indispensável ressaltar a necessidade da sua utilização para o acompanhamento e o alcance dos resultados desejados na sua realização, para tanto, é necessário compreender o uso dos indicadores de desempenho que exerce a avaliação quantitativa e qualitativa e sua forma de utilização, que dispõe de medidas corretivas das performances utilizadas. Definição e funções dos indicadores de desempenho Os indicadores de desempenho são instrumentos utilizados para a obtenção de mensuração qualitativa e quantitativa de ações diretas ou indiretas que possam afetar as operações organizacionais. Tais indicadores contribuem para a melhoria CONTROLADORIA II 68 dos processos da empresa e ajudam na localização dos problemas que ocorrem e, assim, identificam também o alcance das suas soluções. Segundo Nunes (2009), “os indicadores podem ser compreendidos como instrumentos que permitem identificar e/ou medir aspectos relacionados a um determinado conceito, fenômeno, problema ou resultado de uma intervenção na realidade. Portanto, são medidas diretas ou indiretas, ou seja, atribuição de números e conceitos a objetos, acontecimentos e situações de acordo com certas regras”. A autora afirma também que “as principais utilizações de indicadores de desempenho pela organização são”: • A possibilidade da avaliação qualitativa e quantitativa do seu desempenho global, por meio da avaliação de seus principais programas, planos e projetos; • O acompanhamento e a avaliação do desempenho ao longo do tempo e ainda a comparação: desempenho anterior x desempenho corrente; desempenho corrente x padrão de comparação; desempenho planejado x desempenho real; • O auxílio do processo de desenvolvimento organizacional e no processo de formulação de ações de curto prazo e de políticas de médio e longo prazo; • O melhoramento do processo de coordenação organizacional, a partir da discussão fundamental dos resultados e o estabelecimento de compromissos entre os diversos setores da instituição; • A possibilidade de incorporação de sistemas de reconhecimento pelo bom desempenho, tanto institucionais como individuais. Por meio dos indicadores, é possível obter e mensurar informações para que a gestão possa tomar decisões, que poderão influenciar diretamente nos resultados. Colaborando com essa ideia, Nunes (2009) discorre que “o gerenciamento necessita de indicadores de processos, de indicadores das ações que conformam resultados e sobre eles é que se exercem o julgamento e as medidas corretivas, quando necessário, buscando sempre os melhores resultados. A função dos indicadores é auxiliar, através de seus resultados, a tomada de decisão gerencial e ser consequência das avaliações que descreverão, de forma CONTROLADORIA II 69 numérica, a eficácia e a qualidade das ações executadas para a adequação necessária. Neste entendimento, a autora diz que “a principal finalidade de um indicador é traduzir de forma mensurável determinado aspecto de uma relalidade dada ou construída, de forma operacional, a sua observação e avaliação”. De acordo com Bastos (2009) apud Nunes (2009), “as funções dos indicadores são”: Função descritiva Consiste em apontar informação sobre uma determinada situação social ou ação pública como, por exemplo, a quantidade de famílias em situação de pobreza; Função valorativa ou avaliativa A utilização dos indicadores de desempenho corresponde à obtenção de informações relevantes, através dos resultados adquiridos para a tomada de decisão gerencial e extremamente importante para que essa decisão seja tomada corretamente. A utilização dos indicadores de desempenho corresponde à obtenção de informações relevantes, através dos resultados adquiridos para a tomada de decisão gerencial e extremamente importante para que essa decisão seja tomada corretamente. Tipos de indicadores As classificações de indicadores são muito variadas na literatura especializada, bem como suas perspectivas de utilização, seja do ponto de vista de sua utilização pelas ciências sociais, da formulação ou análise de programas e políticas ou da perspectiva da verificação do desempenho organizacional. Os indicadores, quando tratados sob a perspectiva de medição gerencial, referem-se aos instrumentos de mensuração das principais variáveis associadas ao cumprimento de metas e objetivos. Assim, são relacionados os insumos/inputs usados pela organização e os custos incorridos em sua utilização em processos destinados a ofertar bens, ou serviços (produtos) destinados à obtenção de resultados junto a um determinado público-alvo (clientes/demanda/usuários, etc.). CONTROLADORIA II 70 Segundo Bastos (2009), existe uma relação entre a sua denominação e o âmbito de medição, considerado que geralmente corresponde a cada um dos aspectos do processo produtivo como apresentado no esquema da figura a seguir: Indicadores de Insumos Os indicadores de insumos referem-se aos recursos materiais, financeiros e humanos utilizados, geralmente expressos no número de profissionais envolvidos, quantidade de horas necessárias para o desenvolvimento de um projeto e o custo de aquisição de insumos. São úteis para dimensionar os recursos necessários para a produção, mas não são capazes de indicar o cumprimento de objetivos finais. Indicadores de Processos Os indicadores de processos quantificam o desempenho de atividades relacionadas à forma de produção de bens e serviços, tais como procedimentos de aquisições, dias de prazo para contratação de serviços ou realização de atividades (prazo médio para concessão de licenças ambientais). Indicadores de Produtos Os indicadores de produtos demonstram, quantitativamente, os bens e serviços produzidos por um programa, que são resultados da combinação de um conjunto de insumos utilizados durante um determinado processo.Indicadores de Resultado Os Indicadores de Resultado estão relacionados à avaliação dos objetivos a serem alcançados. Indicadores-Chave ou Key Performance Indicators (KPIs) Os indicadores-chave ou Key Performance Indicators (KPIs) são métricas financeiras e não financeiras usadas para refletir os fatores críticos de sucesso da organização de modo a poder-se avaliar o estado de determinada atividade em dado ponto e, a partir daí, determinar as ações a tomar. Segundo Cavalcanti (2006), os KPIs são usados em Business Intelligence para avaliar o estado atual do negócio e para descrever o curso das ações. Os KIPs geralmente diferem dependendo da natureza da organização ao qual está sendo CONTROLADORIA II 71 aplicado. Eles ajudam a organização a medir os seus progressos para compará- los com os objetivos da organização. Para que a análise dos indicadores-chave realmente atinja os seus objetivos, seus valores a cumprir devem ter em consideração os reais recursos da organização e também refletir a atribuição de esforço deles, o que deve ser discutido entre os gestores. Para saber mais sobre os indicadores-chave ou Key Performance Indicators (KPIs). Balanced Scorecard (BSC) Desenvolvido por Robert Kaplan e David Norton, na década de 1990, o Balanced Scorecard (BSC) fornece uma estrutura de indicadores de desempenho, com a finalidade de fornecer informações necessárias para decisões estratégicas, ambos apoiam-se no conceito de que “o que não é medido não é gerenciado”. Para Fernandes (2002), “o BSC busca fornecer ao tomador de decisão uma visão mais clara e concisa da saúde do seu negócio. Trata-se de uma ferramenta mais sistêmica de gestão estratégica”. Nesta referência, Towle (2000) apud Nunes (2009, p.120) diz que “BSC pretende preencher a lacuna entre a visão estratégica de negócios e a tomada de decisão operacional do dia a dia” e proporciona o acompanhamento das estratégias e dos gestores divisionais. Padoveze e Bertolucci (2008, p.122) discorrem que o Balanced Scorecard “é um sistema de informação para gerenciamento da estratégia empresarial. Traduz a missão e a estratégia da empresa em um conjunto abrangente de medidas de desempenho financeiras e não financeiras que serve de base para um sistema de medição e gestão estratégica. De acordo com Padoveze e Taranto (2009, p.68), o BSC é “um sistema de acompanhamento da estratégia, por meio de indicadores financeiros e medidas de desempenho não financeiras”. É uma ferramenta que disponibiliza “informação para o gerenciamento da estratégia empresarial que traduz a missão e a estratégia da empresa em um conjunto abrangente de medidas de desempenho financeiras e não financeiras que servem de base para um sistema de medição e gestão estratégica”. Neste contexto, Fernandes (2002) enfatiza que “é necessário conectar indicadores de desempenho financeiros e não financeiros, pois a dimensão financeira é predominantemente orientada ao passado e muito pouco diagnóstica”. CONTROLADORIA II 72 Contribuindo com esse pensamento, Nunes (2009) evidencia que o BSC inclui indicadores financeiros, que mostram o resultado das ações do passado, e os complementam com indicadores operacionais, relacionados com a satisfação do cliente, com os processos internos e com a capacidade da organização em aprender e melhorar – atividades que impulsionam o desempenho financeiro futuro. Perspectivas do Balanced Scorecard (BSC) O Balanced Scorecard é um acessório gerencial, que, segundo Kaplan e Norton (1997) apud Padoveze e Bertolucci (2008), “procura medir o desempenho organizacional sob quatro perspectivas equilibradas: financeira, do cliente, dos processos internos da empresa e do aprendizado e do crescimento”. Perspectiva financeira A perspectiva financeira é, normalmente, a obtenção de lucros sobre as vendas e serviços executados, que influenciam diretamente na saúde financeira da organização, para tanto a organização precisa de indicadores econômicos que proporcionem a visualização dos resultados e verifica se a prática executada está contribuindo para esse objetivo. Segundo Nunes (2009), corroborando com esse pensamento, “a implementação e a execução da estratégia da empresa estão contribuindo para a melhoria dos resultados. Os indicadores tradicionais, como fluxo de caixa, crescimento da receita, lucratividade, participação de mercado e retorno sobre o investimento, são monitorados”. Padoveze e Taranto (2009) acrescentam que a perspectiva financeira “está relacionada com o objetivo da empresa e a visão do lucro como medida da eficácia empresarial. Portanto, relaciona-se com o elemento mais importante do sistema, que é seu objetivo”. Perspectiva do cliente A perspectiva do cliente é a obtenção de bens e serviços de qualidade junto ao atendimento eficaz, sendo este efetuado com presteza, atenção e cumprimento de prazos. Para obter informações sobre este aspecto, a organização deve utilizar indicadores que disponibilizem este reflexo. Contribuindo com este raciocínio, Nunes (2009) discorre que “trata-se de indicadores específicos que refletem efetivamente os fatores importantes para os clientes. O interesse dos clientes tende a enquadrar-se em fatores como custo, CONTROLADORIA II 73 prazo, qualidade, desempenho e serviços. Indicadores relacionados com a satisfação do consumidor e o tempo de resposta devem ser mensurados”. De acordo com Padoveze e Taranto (2009), a perspectiva do cliente “claramente se relaciona com o elemento de saída do processo sistêmico, afinal são os clientes que recebem os produtos e os serviços gerados pelo sistema empresa”. Perspectiva dos processos internos A perspectiva dos processos internos está voltada para a verificação dos procedimentos adotados na execução dos produtos e serviços que é o fruto gerador de lucros, se executado com qualidade ou prejuízo, se executado com insumos inadequados, como falta de capacitação para execução e utilização de geradores impróprios. Nesta expectativa, a organização precisa de indicadores internos que disponibilizem esta visão para efetuar a regularização ou adequação. Conforme Nunes (2009), “os indicadores de processos internos do Balanced Scorecard devem refletir os processos organizacionais que exercem o maior impacto sobre a satisfação do cliente. Essa perspectiva foca habilidades, competências e tecnologia em termos de adicionar valor ao cliente. Indicadores como produtividade, eficiência e qualidade na fabricação são exemplos dessa perspectiva”. Cooperando com essa reflexão, Padoveze e Taranto (2009) dizem que a perspectiva dos processos internos “relaciona-se com o elemento processamento do sistema. Isso significa que são necessários indicadores que monitorem os objetivos e as metas para a gestão dos processos internos de negócios”. Perspectiva do aprendizado e crescimento A Perspectiva do aprendizado e do crescimento visa agregar valor à capacitação profissional, o instrumento que atua no processamento dos produtos e serviços e que efetua o atendimento ao tomador dos frutos gerados, refletindo, desta forma, no aumento da motivação destes funcionários que influencia diretamente na produtividade. Relaciona-se também com a disposição da organização para a introdução de novos produtos ou aperfeiçoamento dos existentes, contribuindo, desta forma, para a expansão organizacional e aprimoramento dos produtos e serviços disponibilizados. Nunes (2009) diz que “a capacidade da organização de inovar, melhorar e aprender se relaciona diretamente com o valor da empresa. Apenas mediante a CONTROLADORIA II 74 capacidade de lançar novos produtos, criar mais valor para os clientes e melhorar continuamente a eficiência operacional a empresa será capaz de ingressar emnovos mercados e de aumentar suas receitas e margens. São exemplos de indicadores a curva de aprendizagem e a capacitação dos trabalhadores”. Padoveze e Taranto (2009) acrescentam que a perspectiva do aprendizado e crescimento “relaciona-se com o elemento de entrada ou com os recursos do sistema. Aqui, a ênfase é na capacitação do funcionário ou, em outras palavras, no capital humano e intelectual – o recurso mais importante do sistema empresa”. A figura a seguir ilustra o reflexo das perspectivas mencionadas anteriormente nos resultados da organização que são os retornos dos investimentos: Indicadores Na avaliação de Kaplan e Norton (1996), apud Padoveze (2007,), os indicadores essenciais que devem compor o BSC são os seguintes: Indicadores financeiros essenciais• Retorno sobre o investimento/valor econômico adicionado; • Lucratividade; • Aumento/mix de receita; CONTROLADORIA II 75 • Produtividade da redução custos. Medidas essenciais dos clientes (mais conhecidas como indicadores de satisfação do cliente) • Participação de mercado; • Aquisição de clientes; • Retenção de clientes; • Lucratividade dos clientes; • Satisfação dos clientes. Indicadores essenciais de aprendizado e crescimento • Satisfação dos funcionários; • Retenção de funcionários; • Lucratividade por funcionário; • Produtividade por funcionário. Padoveze e Bertolucci (2008) também dizem que “é interessante notar que, apesar da conotação estratégica, o BSC atua fortemente na área operacional, pois, em grande parte, os indicadores sugeridos são, na realidade, objetivos e metas de cunho operacional”. Para Padoveze (2007), “o BSC pode ser apresentado em uma visão de mapeamento, sempre tomando como referencial as quatro perspectivas”. Veja um exemplo. Neste contexto, e em tudo que foi apresentado, o BSC evidencia, através de seus indicadores, informações que influenciam o tomador de decisões em argumentos necessários para que suas decisões sejam tomadas de forma coerente e que agregue valor ao crescimento organizacional, aperfeiçoando a manutenção gerada desses resultados. CONTROLADORIA II 76 Para tanto, é importante conhecer os objetivos e a importância da utilização do BSC na organização e seus reflexos, como são descritos a seguir. Objetivos e importância da utilização do BSC O Balanced Scorecard é um instrumento que resume, por meio do seu conjunto de indicadores, informações relevantes para o aprimoramento do complexo organizacional e seus reflexos, influenciando diretamente na continuidade da empresa e na manutenção e elevação de receita. Kaplan e Norton (1996), “ressaltam a importância da simplicidade na construção de sistema de avaliação de desempenho. Segundo esses autores, muitos indicadores acabam por confundir o processo de análise, em vez de elucidá-lo”. Nunes (2009) acrescenta que “além disso, na elaboração de um BSC, a definição dos indicadores a serem utilizados nas diversas perspectivas deve ser baseada numa visão abrangente e estratégica organização”. Para Todd (2000) apud Nunes (2009), “um BSC adequado deve compreender indicadores que fazem parte de uma cadeia de inter-relações de causa e efeito, representando a estratégia organizacional”. Segundo Rawlings et al. (2000), apud Nunes (2009), “um bom BSC possibilita a criação de um sistema que facilita o entendimento compartilhado. Nenhum indicador isolado é capaz de fornecer metas de desempenho claras ou de concentrar a atenção nas áreas críticas do negócio”. O Balanced Scorecard visa disponibilizar, através de seus indicadores financeiros e não financeiros, informações equilibradas e necessárias para avaliar todo o contexto organizacional e seus reflexos, conforme elucida a figura a seguir. Por meio do BSC, é possível visualizar as perspectivas da organização e seus objetivos de forma clara e a inter-relação entre os indicadores e o alvo almejado, neste sentido, o BSC deve ser feito em quatro fases. Conheça quais são. Segundo Tood (2000) apud Nunes (2009), “uma estratégia competitiva deve priorizar o equilíbrio entre as quatro perspectivas apresentadas anteriormente. As organizações precisam de ferramentas para comunicar tanto a estratégia quanto os processos que as ajudarão a implementá-la”. Neste contexto, Nunes (2009) diz que “O mapeamento estratégico atende a essa necessidade. Por meio dos mapas, é possível representar visualmente os objetivos críticos da empresa e, além disso, das relações entre eles, impulsionando o desempenho da organização”. CONTROLADORIA II 77 Colaborando com este pensamento, Kaplan e Norton (1996), discorrem que ”através de um arcabouço visual comum – o mapa estratégico –, inserem-se os diferentes itens do Balanced Scorecard de uma organização numa cadeia de causa e efeito, conectando os resultados almejados com os respectivos impulsionadores. Nesse sentido, o mapa estratégico possibilita que a organização descreva e ilustre, em linguagem clara e visual, seus objetivos, iniciativas e alvos; indicadores utilizados para avaliar seu desempenho; e as conexões, que são o fundamento da direção estratégica. Deste modo, a organização que deseja manter-se estabilizada e ter um controle contínuo dos resultados, do desenvolvimento dos objetivos estratégicos com a visão e conhecimento de causas e efeitos destes resultados, necessita da utilização do BSC para que estes resultados sejam elucidados, aperfeiçoados e adaptados, dos geradores aos derivados. Convém ressaltar ainda que com o planejamento, é possível antecipar as situações que podem afetar a organização, portanto, o BSC é uma das referências para o planejamento e a criação de objetivos e controle dos mesmos. Referências desta aula BASTOS, Notas de aula da disciplina Auditoria e Planejamento Logístico. Curso de Mestrado em Logística e Pesquisa Operacional. (UFC), 2009. CATELLI, Armando. Controladoria: uma abordagem da gestão econômica - GECON. 2°ed. São Paulo, Atlas, 2001.p.155-353. CAVALCANTI, M. Gestão social, estratégias e parcerias: redescobrindo a essência da administração brasileira de comunidades para o terceiro setor. São Paulo: Saraiva, 2006. FERNANDES, Rogério M. Orçamento empresarial: uma abordagem conceitual e metodológica com prática através de simulador. Belo horizonte: UFMG, 2005.p.40. ICBENCH. O. Projeto Indicadores de Desempenho e Produtividade - IDP.2006. Disponível em: www.icbench.net/pagina.asp?pagina=3. Acesso em 05 de mai 2014. CONTROLADORIA II 78 KAPLAN, R.S; Norton, D.P. The balanced scorecard: measures that drive performance. Harvard Business Review. n, 1996. LIMA JUNIOR, L. S., TOLEDO, J. C. Diagnóstico da gestão da qualidade na produção familiar de hortaliças no município de São Carlos-SP. In: ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO, 23, 2003. Ouro Preto. Anais... Ouro Preto: ABEPRO, 2003. NASCIMENTO, Roberto A. Avaliação do orçamento como instrumento de controle e gestão: o caso da companhia brasileira de fertilizantes - CIBRAFÈRTIL. 2002.112 f. dissertação (mestrado em engenharia de produção) - Universidade Federal de Santa Catarina - UFSP, Santa Catarina, 2002. NUNES, Rosângela Venâncio Avaliação do desempenho de cadeias de produção com base na agricultura familiar – o caso da cadeia do leite in natura em Quixadá / Ceará. Dissertação de Mestrado, Programa de Mestrado em Logística, Universidade Federal do Ceará. 2009. PADOVEZE, Clóvis Luis. BERTOLUCCI, Ricardo Galinarii. Gerenciamento de risco corporativo em controladoria: Enterprise Risk Management (ERM) / Clóvis Luis Padoveze, Ricardo Galinari Bertolucci. – São Paulo: Cengage Learning, 2008. PADOVEZE, Clóvis Luis. Orçamento empresarial: novos conceitos e técnicas / Clóvis Luis Padovezee Fernando Cesar Taranto. – São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2009. PADOVEZE, C. L.; TARANTO, F. C. Orçamento empresarial: novos conceitos e técnicas. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2009. RAWLINGS, K.M.; PARKER, W.J.; SHADBOLT, N.M. The applicability and use of the balanced scorecard for the farm manager. In: AUSTRALIAN AGRI-FOOD RESEARCH FORUM. Melbourne. Proceedings… Melbourne: Agribusiness Association of Australia, 2000. Exercícios de fixação Questão 1 São métricas financeiras e não financeiras usadas para refletir os fatores críticos de sucesso da organização de modo a poder-se avaliar o estado de determinada atividade em dado ponto e a partir daí determinar as ações a tomar: CONTROLADORIA II 79 a) Key Performance Indicators. b) Brainstorming. c) Indicadores de processos. d) Indicadores de produtos Questão 2 Associe a primeira coluna com a primeira e em seguida assinale a alternativa correspondente: • Indicadores de Insumos. • Indicadores de Processos. • Indicadores de Produtos. • Indicadores de Resultado. ( ) Estão relacionados à avaliação dos objetivos a serem alcançados. ( ) São úteis para dimensionar os recursos necessários para a produção, mas não são capazes de indicar o cumprimento de objetivos finais. ( ) Quantificam o desempenho de atividades relacionadas à forma de produção de bens e serviços. ( ) demonstram, quantitativamente, os bens e serviços produzidos por um programa, que são resultados da combinação de um conjunto de insumos utilizados durante um determinado processo. Assinale as alternativas correspondentes: a) 1, 2,3 e 4. b) 4, 3, 2 e 1. c) 4, 1, 2 e 3. d) 4, 2, 3 e 1. CONTROLADORIA II 80 Questão 3 Sobre a avaliação do desempenho, julgue os itens a seguir como verdadeiros ou falsos: ( ) A avaliação do desempenho nas grandes corporações é importante para a incorporação de sistemas de reconhecimento pelo bom desempenho, tanto institucionais como individuais. ( ) O processo de avaliação demanda da gestão um acompanhamento e a avaliação ao longo do tempo, para que, assim, a empresa possa ter o conhecimento se o seu desempenho real se aproxima ou não ao desempenho planejado. Necessidade de monitoração através de variáveis e antecipação de ações em uma postura preventiva; ( ) Avaliar o desempenho propicia a resolução de problemas, mas impossibilita a melhoria contínua, pois os indicadores informam questões puramente internas. ( ) Ao implantar um sistema de indicadores a entidade passa a ter a possibilidade da avaliação qualitativa e quantitativa do seu desempenho global, por meio da avaliação de seus principais programas, planos e projetos; ( ) Pode-se afirmar que a avaliação do desempenho possui um papel fundamental no auxílio do processo de desenvolvimento organizacional e no processo de formulação de ações restritas a longo prazo; ( ) Além da discussão fundamentais dos seus resultados, a avaliação do desempenho promove o estabelecimento de compromissos entre os diversos setores da entidade. Questão 4 (IDECAN-2012) “Após anos marcados por profundas reformas econômicas e por um intenso processo de reestruturação da estrutura produtiva – cuja característica mais marcante foi a instabilidade macroeconômica –, o Brasil CONTROLADORIA II 81 iniciou os primeiros anos do século XXI com um quadro de taxas de crescimento da renda e do emprego mais estáveis, principalmente em comparação com as duas últimas décadas do período anterior. Esse novo cenário tem levado à redução relativa das preocupações com as políticas de curto prazo – características das décadas de 80 e 90, em função dos quadros de aceleração inflacionária na primeira, e da vulnerabilidade externa da segunda – em prol de políticas de desenvolvimento do mais longo prazo.” (Rocha, G. (Coord.) Perspectivas da Política Industrial nos BRICS. Rio de Janeiro: UFRJ, Instituto de Economia, 2008/2009. 278 p. Relatório integrante da pesquisa “Perspectivas do Investimento no Brasil”, em parceria com o Instituto de Economia da UNICAMP, financiado pelo BNDES.) Considerando o trecho como motivação, em relação à economia brasileira no atual contexto da economia global e sua inserção no escopo dos BRICS, analise as afirmativas • Os últimos anos têm sido marcados por um crescente interesse nas características e desempenho de países como Bélgica, Rússia, Índia, China e África no Sul (ou BRICS). • Os últimos anos têm sido marcados por um crescente interesse nas características e desempenho de países como Brasil, Rússia, Índia, China e África no Sul (ou BRICS). • Do ponto de vista internacional, o desempenho recente da economia brasileira coloca o país em um grupo de países em desenvolvimento que possuem características comuns em termos territoriais, econômicos e demográficos, que lhes confere um maior potencial de crescimento. • No cenário internacional, atualmente, mais do que possibilidades de crescimento, alude-se aos BRICS um potencial para “mudar o mundo”, tanto pelas ameaças quanto oportunidades que esses cinco países representam, do ponto de vista econômico, social e político. CONTROLADORIA II 82 • Agências e analistas internacionais já perceberam o potencial dos BRICS, sugerindo que os investidores se atentam às oportunidades apresentadas por estes países. Estão corretas apenas as afirmativas a) II, III, IV, V. b) I, III, IV, V. c) I, II, IV, V. d) I, II, III, V. Questão 5 (CESGRANRIO-2011) A incorporação da Swift norte-americana pela JBS, em 2006, foi considerada uma importante estratégia para alcançar mercados internacionais. Contudo, o indicador “Ebitda” era de 14,2% antes da compra e, depois da compra, foi para 4,1%. Enquanto isso, o desempenho das rivais brasileiras foi, no mesmo ano, Bertin com 17%, Marfrig com 12% e BRFoods com 10%. Analise as afirmativas abaixo sobre a empresa JBS, considerando o desempenho dos concorrentes, quanto ao indicador mencionado. • A empresa passou a apresentar vantagem competitiva por obter desempenho acima da média. • A empresa passou a apresentar paridade competitiva por obter desempenho na média. • A empresa passou a apresentar desvantagem competitiva por obter desempenho abaixo da média. CONTROLADORIA II 83 É correto APENAS o que se afirma em: a) I b) II c) III d) I e III Questão 6 (FCC-2010-TRE-AC) Considere as seguintes afirmativas sobre o BSC (Balanced Scorecard). • O BSC tem como principal característica possibilitar o acompanhamento da estratégia por meio de indicadores de desempenho. • O BSC tem como principal característica avaliar a priorização dos problemas encontrados dentro da entidade. • O BSC mostra a importância relativa de diferentes aspectos de um problema, porém de difícil identificação de quais aspectos devem ser solucionados primeiro. Está correto o que se afirma APENAS em a) I. b) I e II. c) II d) II e III CONTROLADORIA II 84 Questão 7 (CETRO-2013-ANVISA) Em relação ao BSC (Balanced Scorecard), analise as assertivas abaixo. • O BSC motiva melhorias incrementais em áreas críticas, como o desenvolvimento de produtos, processos, clientes e mercados. • No BSC, a perspectiva “Processos Internos” inclui indicadores para garantir qualidade intrínseca aos produtos. • No BSC, as medidas de desempenho devem ser oriundas dos objetivos estratégicos da empresa e das exigências competitivas. É correto o que está contido em: a) I, apenas. b) I e II, apenas. c) I e III, apenas. d) II e III, apenas. Questão 8 (CESPE-2007-TRE-AP) CONTROLADORIAII 85 Considerando o diagrama acima, que apresenta elementos de um modelo de planejamento estratégico chamado balanced scorecard (BSC), julgue os itens seguintes. • Cada um dos 4 elementos numerados de 1 a 4 na figura é chamado de camada de planejamento. • Após a definição da missão de uma organização, normalmente se definem as metas e, finalmente, os objetivos dela. • O BSC adota e reforça a visão contábil-financeira típica dos processos de planejamento organizacional tradicionais. • A mensuração da evolução do aprendizado e crescimento organizacional, no modelo BSC, depende do emprego de indicadores com visão de futuro, chamados key performance indicators, bem como de indicadores de passado, chamados de key goal indicadors. A quantidade de itens certos é igual a a) 0. b) 1. c) 2. d) 3. Questão 9 (CESGRANRIO-2011-PETROBRÁS) Durante muitos anos, acreditou-se que alguns pontos da organização possuíam grande dificuldade para sua avaliação, por serem subjetivos. A metodologia de avaliação BSC (Balanced Scorecard) tornou- se um novo caminho para a gestão estratégica. A metodologia do BSC, enquanto elemento de medição de performance, contempla as seguintes perspectivas, EXCETO as a) financeiras. b) do aprendizado e do crescimento. CONTROLADORIA II 86 c) das relações trabalhistas. d) dos clientes. Questão 10 (FURMAC-2011) Em relação ao alinhamento estratégico de TI com o negócio e Balanced Scorecard (BSC), analise as seguintes afirmativas: • O alinhamento estratégico de TI é bidirecional, ou seja, tanto é influenciado pela estratégia de negócio quanto pode influenciá-la. • O Balanced Scorecard (BSC) permite o alinhamento das iniciativas de TI (projetos, ações e serviços) aos objetivos estratégicos do negócio nas perspectivas financeira, do cliente, dos processos internos e de aprendizado e crescimento. • O Mapa Estratégico é uma representação visual das relações de causa e efeito entre os objetivos estratégicos nas quatro perspectivas do Balanced (BSC). Marque a alternativa CORRETA: a) apenas as afirmativas I e II são verdadeiras. b) apenas as afirmativas I e III são verdadeiras. c) apenas as afirmativas II e III são verdadeiras. d) todas as afirmativas são verdadeiras. CONTROLADORIA II 87 Aula 5: Orçamento empresarial Introdução Os orçamentos estão cada vez mais presentes nas organizações, representando uma ferramenta gerencial importante para as operações e a geração das estratégias da empresa, envolvendo os planos da organização para um período estipulado e, ainda, auxiliando no cumprimento das metas e nos objetivos planejados. Nesta aula, você irá analisar alguns conceitos de orçamento, entender como funciona o processo orçamentário e saber como diferenciar cada um dos principais tipos de orçamento empresarial. Objetivo 1. Definir orçamento empresarial e seus objetivos; 2. Descrever os tipos de orçamento e a importância do orçamento no controle da organização como instrumento capaz de auxiliar o tomador de decisões para a criação de planos, objetivos e estratégias da organização. Resumo do conteúdo Nesta aula: • Analisamos o orçamento como instrumento que disponibiliza a visualização de diretrizes e auxilia o tomador de decisões a efetuá-las coerentemente, sendo ferramenta importante tanto na aquisição de informações, quanto no controle da organização. • Vimos que o orçamento empresarial é um planejamento financeiro detalhado das metas, estratégias e objetivos empresariais, refletidos pelas receitas e despesas das organizações. Com base no plano financeiro, as empresas podem fazer uma avaliação profunda dos seus recursos com o intuito de alcançar os resultados desejados, dentro do um prazo determinado para sua realização. • Ao estudarmos os tipos de orçamentos, foi possível concluir que cada tipo auxilia a gestão a identificar a melhor forma de executar e controlar seus recursos financeiros, através de um trabalho de estimativas previamente estudadas e em função dos objetivos empresariais. CONTROLADORIA II 88 • Observamos que o orçamento demonstra à entidade o volume das suas receitas e despesas no momento e diante do seu mercado, buscando prever em que e quanto será planejado para as receitas e para reduzir as despesas em suas atividades, representando assim, uma peça muito importante para as estratégias da organização. • Em suma, com esta aula, podemos concluir que a estruturação do orçamento evolui conforme as necessidades a serem supridas pela organização, devendo envolver todo o contexto organizacional em sua composição. Assim, destaca-se a importância da utilização do orçamento nas organizações, como fonte de informações e instrumento de controle dos processos gerenciais. Conteúdo Conceito de Orçamento empresarial O orçamento empresarial é um planejamento financeiro detalhado das metas, estratégias e objetivos empresariais, refletidos pelas receitas e despesas das organizações. Com base no plano financeiro, as empresas podem fazer uma avaliação profunda dos seus recursos com o intuito de alcançar os resultados desejados, dentro de um prazo determinado para sua realização. Com base neste raciocínio, Padoveze (2007) afirma que o orçamento “nada mais é do que colocar na frente aquilo que está acontecendo hoje” é “a expressão quantitativa de um plano de ação e ajuda à coordenação e implementação de um plano”. Saiba mais sobre o conceito de orçamento empresarial. Orçamento como modelo de mensuração Nesta aula, iremos analisar o orçamento como um modelo de mensuração que avalia e demonstra, sob um formato contábil, as projeções de desempenhos econômicos e financeiros periódicos de uma empresa como um todo e as unidades que a compõem, as quais deveriam resultar da execução dos planos de ação por ela aprovados. Hansen e Mowen (2003) dizem que “os orçamentos evoluem dos objetivos a longo prazo da empresa, eles formam a base para as operações. Os resultados reais são comparados com os montantes orçados por meio do controle”, que “fornece o feedback tanto para operações quanto para orçamentos futuros”. CONTROLADORIA II 89 A figura a seguir explana a relação dos orçamentos com planejamento, operações e controle: Neste contexto, Hansen e Mowen (2003) discorrem que “os orçamentos desempenham um papel crucial no planejamento e controle. Os planos identificam os objetivos e as ações necessárias para realizá-los. Orçamentos são as expressões quantitativas desses planos, em termos físicos ou financeiros, ou ambos. Quando usado para o planejamento, um orçamento é um método de traduzir as metas e as estratégias de uma organização em termos operacionais”. Orçamento como plano financeiro Compreende-se que o orçamento é um plano financeiro, o qual engloba todos os segmentos da organização para o desenvolvimento das estratégias que garantam a utilização correta dos recursos e a conquista planejada. É um planejamento financeiro, que detalha os objetivos e metas empresariais, permite análise e o confronto do planejado e o realizado de acordo com as necessidades e reflexo das despesas e receitas da organização. Seguindo esse raciocínio, Braga (1989) diz que “o orçamento é um conjunto de atividades relacionadas com a gestão da empresa. Essa função é responsável pela obtenção dos recursos necessários e pela formulação de uma estratégia voltada para a otimização do uso desses fundos”. CONTROLADORIA II 90 Colaborando com esse pensamento, Padoveze e Taranto (2009) afirmam, em linhas gerais, que: O orçamento é formal, pois deve atingir toda a hierarquia da empresa, desde a cúpula até o menor nível de comando hierárquico. O orçamento reproduzas estruturas existentes, bem como as estruturas planejadas que afetarão o período orçamentário. O orçamento deve obedecer rigidamente à estrutura contábil de planos de contas, centros de custos, despesas e receitas. O orçamento deve ser incorporado ao sistema de informação contábil por meio dos lançamentos orçamentários; O orçamento deve segmentar o período anual em seus 12 meses, não devendo existir orçamentos trimestrais, já que a apuração de resultados empresariais deve ser, no mínimo, mensal. O orçamento deve consolidar e finalizar as demonstrações financeiras básicas – demonstração de resultados, balanço patrimonial e fluxo de caixa –, sendo complementado pelas análises financeiras e de rentabilidade. O orçamento é, portanto, um plano financeiro, o qual engloba todos os segmentos da entidade para desenvolver a estratégia que melhor garanta à empresa o uso eficiente de seus recursos. Assim sendo, É importante conhecer os objetivos do orçamento para a obtenção de uma visão sistêmica da necessidade de sua utilização. Objetivos do orçamento Conforme Padoveze (2007), “o orçamento pode e deve reunir diversos objetivos empresariais, na busca da expressão do plano e controle de resultados”. Convém ressaltar que, “o ponto fundamental é o processo de estabelecer e coordenar objetivos para todas as áreas da empresa, de forma tal que todos trabalhem sinergicamente em busca dos planos de lucros”. Assim, os objetivos do orçamento são: Ser instrumento auxiliador para execução dos objetivos da organização em um período determinado, através de avaliação das possibilidades de desenvolvimento, aplicação correta de recursos, adaptação contínua com controle das execuções e da apresentação das estimativas e perspectivas esperadas; CONTROLADORIA II 91 Fornecer diretrizes, ilustrar elementos e fatores favoráveis que podem agregar recursos desfavoráveis, os quais possam impedir que os objetivos sejam alcançados, possibilitando alteração de estratégias caso necessário. Saiba mais sobre os objetivos do orçamento. Objetivos do orçamento Padoveze e Taranto (2009) afirmam que “o processo de planejamento orçamentário exige a definição de uma série de conceitos e procedimentos, os quais formam um conjunto de elementos que caracterizam o sistema orçamentário da empresa”. Assim, “os principais conceitos referem-se ao modelo orçamentário a ser adotado, aos princípios que a empresa incorpora ao sistema e aos tipos de elaboração e de condução do orçamento”. Já “os procedimentos têm a ver com as responsabilidades da controladoria e dos demais gestores, bem como com os sistemas de informação utilizados”. Desta forma, o processo orçamentário é a coordenação de atividades administrativas de planejamento, execução e controle. É um conjunto de atividades com a finalidade de manter o desenvolvimento e o cumprimento dos objetivos planejados. Ressaltando que o modelo orçamentário deve ser sempre coerente com o modelo de gestão. O processo consiste na geração dos objetivos e na criação de estratégias para a execução deles. Este processo deve considerar vários fatores que podem impactar o desenvolvimento do processo e o resultado, tais como; • Avaliação das variáveis dos ambientes interno e externo; • Análise de capacidade produtiva e estimativa de aquisições físicas e humanas necessárias; • Avaliação de recursos disponíveis e formas de aquisição e geração de novos recursos; • Estimativa para expansão de produtos ou ampliação organizacional; e CONTROLADORIA II 92 • Valoração dos produtos e maximização dos lucros, junto à redução de custos. Atenção A metodologia do orçamento pode ser classificada de acordo com o seu destino. Segundo Lunkes (2003) “o orçamento pode ser estabelecido em função”: • Da unidade de medida (orçamento operacional, orçamento financeiro, etc.) • Do método de classificação das transações (Orçamento por recursos, orçamento por atividade, etc.) • Do comportamento modelizado dos custos (Orçamento fixo, orçamento flexível.) • Do nível de análises previstas (Orçamento empresarial, orçamento por atividade, orçamento flexível). • Da forma de elaboração (Orçamento contínuo, orçamento de tendências, orçamento base zero, etc.). Para que as ações sejam efetuadas eficazmente, acompanhadas e controladas, a organização deve selecionar responsáveis por este controle, denominando-os de comitê orçamentário, que deverá efetuar um acompanhamento rigoroso, mantendo o feedback com a diretoria, ser fonte de orientações aos executores para garantir o sucesso do resultado. Padoveze e Taranto (2009) dizem que “as atribuições do comitê orçamentário incluem”: Rever e definir o modelo de processo orçamentário Consolidar o cronograma CONTROLADORIA II 93 Selecionar o cenário a ser utilizado Explicar os objetivos e as metas estratégicas Rever e definir os tipos de orçamentos a serem utilizados Rever e definir os conceitos de orçamento a serem utilizados Definir as premissas gerais orçamentárias Conclui-se, portanto que, para que o processo orçamentário possa suprir as necessidades da organização, a comissão deve conhecer os tipos de orçamentos disponíveis e o que se adeque à realidade da entidade e que compreenda os objetivos desejados. Portanto, serão apresentados a seguir os tipos de orçamentos mais utilizados atualmente. Atenção Segundo Frezatti (2006), o processo orçamentário pode se estruturar da seguinte forma:a) Plano de Marketing: representa as estimativas de volume físico das vendas, por período, por área, por produto, preço, etc. Nesta etapa, estipulam-se políticas de crédito, assim como gastos com publicidade e propaganda; b) Plano de produção: referem-se aos estoques de produtos acabados, produtos em processo, matérias-primas, suprimentos de materiais e necessidade de mão de obra; c) Plano de investimento: especificam os gastos em aquisições, vendas e baixas, e ativos permanentes; d) Plano de recursos humanos: corresponde à etapa da identificação dos elementos de recursos humanos necessários para a efetivação da proposta de orçamento. Ex.: Treinamentos, contratos, demissão, remuneração, consultorias na área, admissão, etc.; e) Plano de custos e despesas: esta etapa tem por objetivo projetar os gastos em custos e despesas necessárias ao adequado gerenciamento da Organização, mediante os outros planos propostos. f) Plano financeiro: esta etapa permite traduzir o processo de decisão na elaboração do orçamento, em linguagem monetária, CONTROLADORIA II 94 gerando demonstrativo com o balanço patrimonial, a DRE e o fluxo de caixa projetado. Tipos de orçamento O orçamento pode adquirir diferentes formatos em função de sua elaboração e da necessidade da organização. Ao longo de seu desenvolvimento, a estrutura do orçamento ganha suas características para gerar os objetivos e suprir as perspectivas almejadas pela entidade. Segundo Leite (2008), “existem vários nomes para o estágio na preparação orçamentária. Ficando a critério dos gestores escolher a forma que melhor se enquadre dentro dos seus objetivos, sabendo que as metodologias associadas ao orçamento, levam em consideração a estrutura organizacional, o ramo de atividade, porte da empresa e processo das atividades, entre outras”. Ainda, de acordo com a autora, os orçamentos deverão ser “fundamentados com base nas estratégias da empresa, traduzindo os planos de curto e longo prazo estabelecendo os objetivos físicos e financeiros da organização estabelecidos para um determinado período”. Os orçamentos são basicamente divididos em dois, operacionais e financeiros, podendo ser estáticos ou flexíveis. Eles devem ser escolhidos de acordocom os objetivos da organização. Para uma maior compreensão, e conheça os tipos de orçamento. Orçamento operacional Para Hansen e Mowen (2003, p.246), “o orçamento operacional consiste de uma série de tabelas para todas as fases de operações, culminando em uma demonstração de resultado orçada”. O orçamento operacional compreende os seguintes componentes: Orçamento de vendas Para Hansen e Mowen (2003), o orçamento de vendas “é a projeção aprovada pelo comitê de orçamento que descreve as vendas esperadas para cada produto em unidades físicas e unidades monetárias”. CONTROLADORIA II 95 De acordo com Sanvincente e Santos (1979), “o orçamento de vendas é composto por um plano de vendas futuras da empresa para um determinado período de tempo. O orçamento de vendas estima buscarem as previsões de vendas, as quantidades de vendas e o preço de cada produto que a empresa planeja vender e o preço que será praticado. Determina os valores da receita total que serão obtidos, os meios básicos para essa venda, à vista ou a prazo”. Orçamento da produção Segundo Hansen e Mowen (2003), os orçamentos da produção “descrevem quantas unidades precisam ser produzidas para satisfazer as necessidades de vendas e satisfazer os requisitos do estoque final”. Conforme Sanvincente e Santos (1979), “o orçamento de produção consiste basicamente em um plano para as atividades de produção para o período, visando para isso atender às estimativas das vendas e aos estoques preestabelecidos. Sendo esta sua função principal na sequência do processo orçamentário. O orçamento de produção é o documento básico que facilita a elaboração dos orçamentos de matérias-primas, mão de obra direta, custos indiretos de produção”. Orçamento de compra de materiais diretos Hansen e Mowen (2003) dizem que o orçamento de compra de materiais diretos “é baseado na quantidade de materiais necessários para a produção e para os estoques de materiais diretos”. Orçamento de mão de obra direta Segundo Hansen e Mowen (2003), o orçamento de mão de obra direta “mostra o total de horas de mão de obra direta necessárias e o custo associado para o número de unidades no orçamento de produção”. Para Sanvicente e Santos (1979), orçar a mão de obra direta, significa: a) Estimar a quantidade de mão de obra direta necessária para cumprir o programa de produção; b) Projetar a taxa horária que será utilizada; c) Calcular o custo total de mão de obra. CONTROLADORIA II 96 Orçamento de custos indiretos de fabricação De acordo com Hansen e Mowen (2003), o orçamento de custos indiretos de fabricação “mostra o custo esperado de todos os itens indiretos de manufatura” e “consistem de dois tipos de custos: variáveis e fixos”. Orçamento do estoque final de produtos acabados Conforme Hansen e Mowen (2003), o orçamento do estoque final de produtos acabados “fornece informações necessárias para o balanço e também serve como uma boa entrada para a preparação do orçamento do custo de mercadorias vendidas”. Orçamento do custo de produtos vendidos O orçamento do custo de produtos vendidos evidencia os custos, fixos e variáveis, necessários para a produção de cada produto separadamente. Orçamento de despesas de marketing Hansen e Mowen (2003) salientam que o orçamento de despesas de marketing “delineia as despesas planejadas para as atividades de venda e distribuição”. Orçamento de pesquisa e desenvolvimento O orçamento de pesquisa e desenvolvimento tem a finalidade de evidenciar as despesas estimadas para este grupo para o período planejado. Orçamento de despesas administrativas Hansen e Mowen (2003) discorrem que esses orçamentos “consistem de despesas estimadas para a organização como um todo da companhia” e, para Leite (2008), “o orçamento de despesas administrativas tem a finalidade de evidenciar os recursos que serão alocados para manter a logística e a gestão da empresa’’, as despesas com administração parte desde o material de escritório, viagens, telefone, sistemas, enfim, tudo o que é necessário para a execução das atividades da empresa. Demonstração de resultado orçada A demonstração de resultado orçada revela os valores globais do resultado econômico. São resultados não ligados diretamente às operações da empresa, assim como os lucros ou prejuízos originados da equivalência patrimonial e os CONTROLADORIA II 97 ganhos e perdas não operacionais, sendo orçados em seu montante e incluídos neste relatório. Porém, ainda são necessárias informações relativas às despesas financeiras e despesas com o imposto de renda e outros impostos. Para saber mais sobre orçamento operacional. Orçamento financeiro Os orçamentos financeiros são os mais utilizados para mensurar os fluxos financeiros da organização, com o intuito de disponibilizar ao gestor uma noção da situação financeira da empresa, além de permitir evidenciar as necessidades e aplicações de recursos. Vejamos, a seguir, os orçamentos financeiros típicos segundo Hansen e Mowen (2003): Orçamento de Caixa O orçamento de caixa é a mensuração do montante que será necessário para cobrir custos e despesas e o planejamento de aplicação e investimentos. Hansen e Mowen (2003) dizem que “é crítico conhecer os fluxos de caixa na gestão de um negócio” já que “é a força vital de uma organização, o orçamento de caixa é um dos orçamentos mais importantes de um orçamento mestre”, pois o orçamento de caixa “é o plano detalhado que mostra todas as origens e aplicações esperadas de caixa”. Balanço patrimonial orçado De acordo com Hansen e Mowen (2003), o “balanço patrimonial orçado depende das informações que estão no balanço atual e nos outros orçamentos no orçamento mestre”. Demonstração de fluxo de caixa orçado A projeção do fluxo de caixa orçado mostra o movimento de valores da empresa para o período estimado, ou seja, consiste em planejar as entradas de caixa decorrentes de vendas e outras receitas e as saídas em decorrência das despesas operacionais e outros gastos. CONTROLADORIA II 98 Conforme Sanvincente e Santos (1979), “a projeção do fluxo de caixa permite que se visualize a provável posição do saldo de caixa no decorrer dos meses cobertos pelo período orçamentário, em função disto torna-se possível identificar as prováveis falhas futuras de caixa, bem como os meses em que haverá excessos de numerário disponível”. A elaboração do orçamento do fluxo de caixa é baseada para mensurar os valores decorrentes das vendas em que são verificadas as entradas e as saídas e, consequentemente, o saldo que se deseja obter, fazendo a verificação das movimentações de valores que geram excessos ou insuficiência em relação ao saldo almejado. Orçamento de Capital Orçamento de capital ou de investimento que são as despesas incorridas na aquisição de máquinas, veículos e todos os tipos de melhorias na empresa. Atenção Segundo Hansen e Mowen (2003), “os orçamentos remanescentes encontrados no orçamento mestre são os orçamentos financeiros. Os típicos orçamentos financeiros preparados são o orçamento de caixa, o balanço orçado, a demonstração de fluxos de caixa orçado e o orçamento de capital. Enquanto o orçamento mestre é um plano para um ano, o orçamento de capital é um plano financeiro que delineia a aquisição esperada de ativos de longo prazo que, tipicamente, cobre vários anos”. Orçamento estático e orçamento flexível Os gestores devem buscar conhecer e aplicar o tipo de orçamento que mais se adeque e que seja capaz de suprir os requisitos da organização, deste modo, os orçamentos estáticos e flexíveis devem ser analisados e, após a escolha, deve-se efetuar as adaptações devidas. O tipo de orçamento deve ser escolhido conformea necessidade de utilização e do que se deseja orçar. Após a escolha do tipo de orçamento a ser utilizado, a comissão orçamentária deve se preocupar com a gestão do orçamento, tendo-o como base de planejamento e controle para a aquisição do resultado desejado. CONTROLADORIA II 99 Para saber sobre a utilização do orçamento estático e orçamento flexível. Orçamento para planejamento e controle O orçamento é um instrumento essencial para gerar informações que poderão influenciar no futuro da organização. Deste modo, é um utensílio que poderá garantir tomadas de decisões corretas, caso o orçamento absorva todos os indicadores que a influenciarão, e que seja efetuado o planejamento apropriado, o acompanhamento e o controle contínuo para o desenvolvimento eficiente das atividades exercidas. Hansen e Mowen (2003) falam que “quando usados para controle, os orçamentos ajudam aos gestores” no acompanhamento e na manutenção intensiva para a obtenção do resultado almejado. Logo, pode-se afirmar que o orçamento representa mais do que um conjunto de números, sendo um conjunto de esforços que tem como objetivo otimizar os resultados da empresa, ou seja, alavancar os negócios, auxiliando na comunicação, ordem e controle de todas as áreas da organização. Observe o exemplo! O departamento de assistência técnica havia orçado para determinado mês um gasto com reembolso de quilômetros rodados de $ 13.200, a um preço orçado de $ 0,55 por km. O gasto real foi de $ 14.022 a um preço $ 0,57 por Km. Vamos fazer a análise das variações entre o real e o orçado? Observa-se pelo exemplo que a empresa possui variações entre o orçado e o real em quantidade e valores. A análise dessas variações é feita com o intuito de CONTROLADORIA II 100 efetuar o controle em quantidades e em recursos financeiros, bem como verificar o nível de acerto nas estimativas realizadas. Outro ponto a ser ressaltado é orçamento como elemento de planejamento, devendo ser estruturado para suprir as necessidades da organização e a adaptação devida a ser efetuada, para que os resultados possam condizer com o orçado. Por meio do exposto, observa-se que o orçamento é um instrumento muito importante para a gestão, pois proporciona a estratégia operacional que busca elaborar planos de atuação e planejamento das suas atividades, permitindo que os objetivos e metas da empresa sejam desenvolvidos. Referências desta aula BRAGA, Roberto. Fundamentos e técnicas de administração financeira. 2°ed. São Paulo, Atlas, 1989. FERNANDES, Rogério M. Orçamento empresarial: uma abordagem conceitual e metodológica com prática através de simulador. Belo horizonte: UFMG, 2005. FREZATTI, Fabio. Orçamento empresarial: planejamento e controle gerencial. 3 ed. São Paulo, atlas, 2006. HANSEN, Dor R. Maryanne M. Mowen Gestão de custos: Tradução Robert Brian Taylor; Revisão técnica Elias Pereira. – 1. reimp. da 1. ed. – São Paulo : Pioneira Thompson Learning, 2003. LEITE, Rita M. Orçamento empresarial: um estudo exploratório em indústrias do estado Paraná. 2008. 227 f. dissertação (mestrado em contabilidade e finanças) – Universidade Federal do Paraná - UFP, Curitiba, 2008. LUNKES, João R. Contribuição à melhoria do processo orçamentário empresarial. 2003. 214 f. tese (doutorado em engenharia de produção) – Universidade Federal de Santa Catarina – UFSP, Santa Catarina, 2003. NASCIMENTO, Roberto A. Avaliação do orçamento como instrumento de controle e gestão: o caso da companhia brasileira de fertilizantes - CIBRAFERTIL. 2002.112 f. dissertação (mestrado em engenharia de produção) - Universidade Federal de Santa Catarina - UFSP, Santa Catarina, 2002. CONTROLADORIA II 101 PADOVEZE, Clóvis Luis. Gerenciamento de risco corporativo em controladoria: Enterprise Risk Management (ERM) / Clóvis Luis Padoveze, Ricardo Galinari Bertolucci. – São Paulo: Cengage Learning, 2008. PADOVEZE, Clóvis Luis; TARANTO Fernando Cesar Orçamento empresarial: novos conceitos e técnicas– São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2009. PADOVEZE, Clóvis Luis. Controladoria estratégica e operacional: conceitos, estrutura, aplicação. São Paulo: Thompson Learning, 2007. SANTINI, Marina F. Planejamento e orçamento empresarial nas empresas estatais: um estudo de caso da ELETROSUL. 2004. 67 f. Trabalho de conclusão de Curso (Bacharelo em Ciências Econômicas) – Universidade de Santa Catarina – UFSP, 2004. SANTOS, Anaila Inácio dos. Avaliação do orçamento como instrumento para o planejamento e controle gerencial: estudo de caso em uma indústria de produtos eletrônicos. Fortaleza, 2009. SANVICENTE, Antônio Z; SANTOS, Celso da C. Orçamento na administração de empresas. 3°ed. São Paulo: Atlas, 1979 STEINER, George A. Manageriel long- range planning. New York: McGraw-Hill, 1963. WELSCH, Glenn A. Orçamento empresarial. 4°ed. Tradução e adaptação à terminologia de Antônio Zoratto Sanvicente. São Paulo, atlas, 2007. Exercícios de fixação Questão 1 Sobre o conceito de orçamento, é correto afirmar que: a) O orçamento representa um instrumento que traduz e evidencia os objetivos e planos da organização, disponibilizando estratégias possíveis para que sejam alcançados, viabilizando, através da quantificação situacional da organização e das projeções financeiras existentes e necessárias para o desenvolvimento das estratégias planejadas, propiciando a aplicação correta dos recursos e adaptação contínua com controle das execuções. CONTROLADORIA II 102 b) A base do orçamento são informações limitadas ao contexto quantitativo, assim, por meio dessas informações, o orçamento tem a capacidade de potencializar as atividades da empresa, no aumento da lucratividade da organização, tornando-a mais competitiva perante o mercado em que atua e em relação aos concorrentes. c) Com o conhecimento da premissa orçamentária, os gestores, através de um único modelo especifico e estático, podem dar início ao processo de elaboração das peças orçamentárias. d) O orçamento empresarial possui uma única metodologia que pode ser aplicada independentemente do ramo ou porte da empresa. Assim, o orçamento não é influenciado pelo perfil empresarial. Esta característica permite que a empresa tenha um único modelo e uma visão completa dos negócios. Questão 2 Imagine que você foi contratado como controller de uma empresa. Quais dos argumentos abaixo você utilizaria para mostrar aos gestores os benefícios da elaboração de um orçamento empresarial? • Permite a avaliação do progresso da realização dos objetivos e do desempenho das áreas e de seus gestores. • Compromete o gestor a utilizar os recursos disponíveis de forma mais eficiente. • Dificulta a coordenação das atividades de maneira apropriada. • Permite conhecer exatamente quanto a empresa vai gastar e quanto terá de resultados. • Apoia a tomada decisões antecipadamente sobre os cursos de ações. • Proporciona comprometimento dos gestores das decisões após implementação do plano. • Proporciona maior e melhor entendimento entre as áreas envolvidas, pois todas buscam atingir os objetivos de toda a empresa. CONTROLADORIA II 103 Assinale quantos itens foram identificados por você como benefícios do orçamento: a) Dois. b) Sete c) Cinco d) Quatro Questão 3 Associe as etapas do processo orçamentário a suas respectivas características: 1. Plano de marketing. ( ) Esta etapa tem como objetivo projetar os gastos em custos e em despesas necessárias ao adequado gerenciamento. 2. Plano de produção. ( ) Esta etapa trata dos estoques de produtos acabados, de produtos em processo, de matérias-primas, de suprimentos de materiais e da necessidade de mão de obra.3. Plano de investimento. ( ) Esta etapa permite traduzir o processo de decisão na elaboração do orçamento em linguagem monetária, gerando demonstrativo com o balanço patrimonial, a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) e o Fluxo de Caixa projetado da organização, mediante outros planos propostos. 4. Plano de Recursos Humanos. ( ) Esta etapa corresponde à identificação dos elementos de Recursos Humanos necessários para a efetivação da proposta de orçamento. 5. Plano de custos e de despesas. ( ) Esta etapa representa as estimativas de volume físico das vendas por período, por CONTROLADORIA II 104 área, por produto, preço etc. Aqui, estipulam- se políticas de crédito bem como gastos com publicidade e propaganda. 6. Plano financeiro. ( ) Esta etapa especifica os gastos com aquisições, vendas e baixas e com ativos permanentes. Questão 4 (ESAF - 2004 - CGU - Analista de Finanças e Controle) Pesquisando as experiências na área orçamentária pode-se encontrar diversos processos de elaboração de orçamento nos quais a presença de maior ou menor grau de ação planejada provoca grandes contrastes. Assinale a definição que identifica o orçamento de desempenho: a) Processo orçamentário que se apoia na necessidade de justificativa de todos os programas cada vez que se inicia um novo ciclo. b) Processo orçamentário em que é explicitado apenas o objeto de gasto. c) Processo orçamentário que representa duas dimensões do orçamento: objeto de gasto e um programa de trabalho, contendo as ações desenvolvidas. d) Orçamento elaborado por meio de ajustes marginais nos seus itens de receita e despesa. e) Processo orçamentário que se apoia no critério de alocação de recursos por meio do estabelecimento de um quantitativo financeiro fixo. CONTROLADORIA II 105 Questão 5 Julgue as alternativas como verdadeiras ou falsas. ( ) O orçamento empresarial pode ser considerado como um valioso instrumento de planejamento e controle da empresa, para isto, elabora estimativas, com base somente em informações internas das suas operações. ( ) Caso o orçamento seja bem elaborado este pode trazer inúmeras vantagens para a organização, dentre as quais, a redução dos custos desnecessários, e contenção e controle despesas, fazendo contribuindo para competitividade da empresa. ( ) O uso de orçamentos estáticos permite que a administração verifique se os custos e as receitas reais estão de acordo com os montantes orçados. Uma investigação seletiva das variações permite aos gestores focalizar somente as áreas que precisam de atenção ( ) O orçamento do custo dos produtos vendidos mostra o custo esperado de todos os itens indiretos de manufatura tanto os variáveis como os fixos”. Questão 6 Uma empresa vende dois produtos principais, A e B. A partir dos dados fornecidos no quadro abaixo, elaborando um orçamento de vendas, pode-se obter para o período seguinte os seguintes valores do total da receita bruta e da receita líquida para os dois produtos: CONTROLADORIA II 106 a) 18.550.000 e 4.165.625. b) 13.250.000 e 3.332.500. c) 16.582.500 e 22.715.625. d) 4.165.625 e 18.550.000. Questão 7 Observe as características apontadas sobre os tipos de orçamentos: • Orçamento feito a partir de observação de dados passados. • Orçamento feito a partir da rediscussão da necessidade ou não de cada gasto. • Orçamento feito a partir de determinado volume de produção/vendas. • Orçamento feito considerando diversos níveis de volume de produção. As características apresentadas referem-se de forma respectiva aos seguintes tipos de orçamento: a) I: Orçamento de tendências, II: Orçamento Base Zero, III: Orçamento Estático, IV: Orçamento Flexível. b) I: Orçamento Operacional, II: Orçamento Base Zero, III: Orçamento financeiro, IV: Orçamento Flexível. c) I: Orçamento de tendências, II: Orçamento Financeiro, III: Orçamento Estático, IV: Orçamento Flexível. d) I: Orçamento Operacional, II: Orçamento de investimentos, III: Orçamento financeiro, IV: Orçamento Flexível. Questão 8 O setor de logística de transportes havia orçado para determinado mês um gasto com seus caminhões em quilômetros rodados de $ 200.000, a um preço orçado CONTROLADORIA II 107 de $ 0,28 por km. O gasto real foi de $ 230.100 a um preço $ 0,35 por Km. As variações totais entre o real e o orçado em $ foram: a) $56.000 b) $80.535 c) $24.535 d) $30.100 Questão 9 (CESGRANRIO - 2011 – Transpetro) Uma empresa adota o orçamento periódico como ferramenta de planejamento operacional. Para o ano passado, a empresa apresentou o seguinte relatório operacional com os resultados previsto e realizado: Considere as afirmações abaixo sobre a análise do relatório operacional: • Os custos fixos não sofreram alteração durante o período de apuração. • Os preços praticados pela empresa foram, em média, menores que os inicialmente previstos. • Os custos variáveis por unidade sofreram declínio. É correto o que se afirma em: a) I, apenas. CONTROLADORIA II 108 b) III, apenas. c) I e II, apenas. d) II e III, apenas. CONTROLADORIA II 109 Aula 6: Custo padrão e análise de variações Introdução Ao considerar a grande competição no mercado, as organizações empresariais devem manter o foco em oferecer produtos de qualidade e de preços baixos. Para se conseguir isso, é de extrema importância planejar e controlar seus custos, buscando eficiência de fabricação. A consolidação de conceitos de planejamento, orçamento, administração por metas ou objetivos e o desenvolvimento de produtos, trouxeram a necessidade gerencial de antecipação da informação de custo futuro dos produtos e serviços. Tendo em vista que para calcular o custo real de um produto ou serviço é necessário o uso de informações passadas, surgiu o conceito de custo padrão, calculado com base nos eventos futuros ou desejados de custos, que podem ou não acontecer na realidade da empresa. Esta aula pretende explorar conceitos de custo padrão e análise de variações. Você verá que o custo para controle e planejamento tem por finalidade fixar uma base de comparação entre o que ocorreu e o que realmente deveria ter ocorrido. Esse controle só é concretizado quando há uma ação gerencial, em que as distorções possam ser corrigidas e onde possa se evitar que um eventual problema se repita. Objetivo 1. Definir custo padrão, seus tipos e as etapas para sua construção; 2. Analisar variações entre real e padrão em custos diretos e em Custos Indiretos de Fabricação (CIFs). Resumo do conteúdo Nesta aula: • Concluímos que o custo padrão é uma boa alternativa a ser utilizada pelas indústrias, servindo de orientação à tomada de decisão e indicando onde existem possíveis falhas de processo; • Aprendemos o conceito de custo padrão e distinguimos a diferença de custo padrão para custo orçado; CONTROLADORIA II 110 • Analisamos o custo padrão, que permite a gestão identificar desvios ocorridos. Conteúdo Definição de custo padrão Um padrão apresenta medidas físicas e monetárias relativas a elementos de receita e do custo dos eventos, transações e atividades adequadamente mensuradas, que deveriam ser atingidos considerando condições preestabelecidas, vinculadas à decisão de elaborar uma unidade de produto ou serviço em determinado momento do tempo. O custo padrão tem as seguintes características: • Compõe-se de elementos físicos e monetários; • Utiliza dados e informações que devem acontecer no futuro; • Deve ser cuidadosamente predeterminado em bases unitárias; • Aplica-se basicamentea operações repetitivas, servido de medida predeterminada estável para processos e atividades organizacionais específicas; • Deve servir de modelo de comparação ou meta. Atenção Conforme Padoveze (2012), a diferença entre custos orçados ou estimados e o custo padrão é que os orçados procuram identificar os custos que deverão ocorrer no futuro, ao passo que o padrão pode incorporar metas de realização de custos. Os custos orçados têm por base antecipar os gastos que deverão ocorrer e que afetarão o custeamento dos produtos ou serviços. Custos orçados ou estimados Têm como foco custos que devem acontecer. Custo padrão Tem como foco os custos que deveriam acontecer. CONTROLADORIA II 111 Finalidades do uso do custo padrão Custo padrão é uma das técnicas para avaliar e substituir a utilização do custo real. Independentemente de a empresa utilizar o método do custeio direto ou por absorção, ela pode fazer uso do conceito de custo padrão, que se diferencia de um custo real no sentido que é normativo, objetivo, proposto ou um custo que se deseja alcançar. Por isso, na elaboração do padrão, a empresa pode incorporar metas a serem atingidas pelos diversos setores fabris e operacionais, de modo que tais avaliações de custos sejam alcançadas. Nesse sentido, o custo padrão é uma ferramenta indispensável para o controle de custos, das operações e das atividades. Conforme Padoveze (2007), o custo padrão pode ser utilizado para diversas metas e objetivos. Entendemos, porém, que seu maior objetivo está ligado aos conceitos de controle empresarial. Assim, os objetivos mais importantes do custo padrão seriam: • Determinação do custo, que deve ser o custo correto; • Avaliação das variações ocorridas entre o real e o padronizado; • Definição de responsabilidades e obtenção do comprometimento dos responsáveis por atividade padronizada, servindo de elemento motivacional; • Avaliação de desempenho e eficácia operacional; • Base para o processo orçamentário. Substituição do custo real O custo real representa o custo ocorrido. Como base para o planejamento estratégico ou operacional, o custo real não tem nenhum significado, já para a avaliação de inventário, serve apenas para atender às necessidades legais e fiscais da contabilidade empresarial. O custo real tem validade somente no sentido de que, após a análise de sua variabilidade sobre um custo padrão, identificam-se as causas das variações. Por meio dessas variações, possibilita-se a correção dos rumos atuais. Para o dia a dia, o custo padrão apresenta várias vantagens para gestão em relação ao custo real, pois o custo real apresenta muita variabilidade unitária, uma vez que depende do volume de atividade, produção ou venda. CONTROLADORIA II 112 Adicionalmente, sabe-se que um sistema que proporcione a apuração do custo real para todas as atividades, processos, produtos e serviços tende a ser lento e caro. Tipos de custo padrão Conforme Padoveze (2013), os tipos de custo padrão são: Custo padrão ideal O custo padrão ideal é o custo padrão calculado de forma científica, para que todas as condições de utilização máxima dos recursos produtivos, de estrutura de produto e de processo de fabricação pudessem ser alcançadas. Representa o custo de um produto que ocorre sem nenhum desperdício ou ociosidade, em condições ideais de produção, com os melhores equipamentos e recursos humanos. Custo padrão corrente No custo padrão corrente, buscam-se padrões de custos e produção que, mesmo calculados cientificamente, considerem as eventuais condições correntes da empresa, mas em patamares que embora ideais difíceis de se obter, permitam seu alcance. É um custo ideal adaptado, que pode ser atingido. A empresa deve incorporar ao custo padrão todos os objetivos de busca de eficiência, de produtividade e de qualidade fabril que estejam disponíveis à empresa. Custo padrão baseado em dados passados O custo padrão também pode ser calculado a partir de dados reais já ocorridos, pressupondo-se que estes tenham significância e possam servir de parâmetros futuros. Como é o próprio de informações futuras baseadas em dados do passado, é importante saber que o que aconteceu antes não se repetirá. Portanto, os riscos de falhas na construção deste padrão são possíveis. Atenção A formação do preço de venda é uma das melhores utilizações do custo padrão. Embora, teoricamente, seja o mercado que dite o preço de venda dos produtos, este deve ser incialmente calculado com base nas condições de custos das empresas. CONTROLADORIA II 113 Dessa forma, como elemento inicial para formação do preço de venda, devemos utilizar o custo padrão, pois traz todos os elementos necessários para parametrizar um preço de venda. Construção do padrão Tendo como foco o custo unitário de produtos ou serviços, Padoveze (2013) propõe a construção de quatro blocos de custo padrão: Custo padrão dos materiais diretos: quantidades e valores necessários para se produzir um determinado produto/serviço. Custo padrão do custo direto de fabricação, para cada departamento direto. Custo padrão do custo indireto de fabricação, para cada departamento indireto. Custo padrão da depreciação direta. Vamos ver um exemplo! Análise de variações De acordo com Hansen e Mowen (2001), um orçamento flexível pode ser usado para identificar os custos que deveriam ter sido incorridos para o nível real de atividade. Esse número é obtido pela multiplicação da quantidade da entrada permitida para a produção real pelo preço padrão por unidade. Considerando PP como o preço padrão por unidade e QP seja a quantidade padrão de entradas permitidas para a produção real, o custo planejado ou orçado de entrada é PP x QP. Os custos reais de entrada são PR x QR, onde PR é o preço real por unidade de entrada e QR é a quantidade real de entrada necessária. CONTROLADORIA II 114 Variações de preço e de eficiência A variação total do orçamento, expressa em termos financeiros, é simplesmente a diferença entre o custo real da entrada e seu custo planejado. Por simplicidade, referimo-nos à variação total orçada como variação total. Variação total = (PR x QR) – (PP x QP) Em um sistema de custo padrão, a variação total é separada em variações de preço e de consumo. Variação de preço (taxa) A variação de preço (taxa) é a diferença entre o preço por unidade padrão e o real de uma entrada, multiplicado pelo número de entradas consumidas. Variação de consumo (eficiência) A variação de consumo (eficiência) é a diferença entre a quantidade padrão e a real de entradas multiplicadas pelo preço padrão da entrada. Quando a variação total do orçamento é separada nesses dois componentes, os gestores podem analisar e controlar melhor a variação total. Eles são capazes de identificar as origens dos aumentos de custos e tomar as devidas providências para adotar medidas corretivas. Em geral, a variação total é dividida em componentes de preço e eficiência para materiais diretos e mão de obra direta. Variação total = [(PR x QR) – (PP x QR)] + [(PP x QR) - (PP x QP)] = (PR - PP) QR + (QR - QP) PP = variação de preço + variação de consumo Variações desfavoráveis (D) ocorrem sempre que os preços reais ou consumo das entradas são maiores do que os preços ou consumo padrão. Quando ocorre o oposto, temos variações favoráveis (F). Se as variações são boas ou ruins, depende do motivo de terem ocorrido. Determinar esses motivos exige dos gestores algumas investigações. Raramente o desempenho real irá satisfazer exatamente aos padrões estabelecidos, as variações são esperadas e, por isso, a gestão deve estabelecer uma faixa de desempenho aceitável.CONTROLADORIA II 115 Quando as variações se apresentarem neste intervalo preestabelecido, não há necessidade de investigação dos motivos de diferenças. Contudo, caso as variações ultrapassem essas faixas, cabe a gestão investigar os motivos das variações ou, se for caso, rever os padrões que foram estabelecidos. Vale ressaltar que a investigação deve obedecer ao critério custo x benefícios, de modo que quando não há materialidade e maiores benefícios do que custos, não há razão para se buscar os motivos de tais variações. Observe, na figura a seguir, a abordagem do diagrama das três pontas para cálculo de Variações sugeridas por Hansen e Mowen (2001). Análise de variações de materiais e mão de obra direta A variação total mede a diferença entre o custo real dos materiais e da mão de obra e seus custos orçados para o nível de atividade real. Considere a indústria ABC possui os seguintes dados para produzir o produto Z. • Produção padrão: 20.000 unidades; • Consumo padrão de matéria-prima: 25 gramas por unidade; • Preço padrão a ser pago por grama de matéria-prima: 0,020; CONTROLADORIA II 116 • Horas padrão de mão de obra direta: 200 horas; • Taxa de salário mais encargos padrão por hora trabalhada: $8,00; • Consumo padrão de mão de obra por unidade: 0,01h; • Produção real: • 30.000 unidades; • Consumo de matéria-prima: 780.000 gramas (não há estoques iniciais nem finais); • Preço pago por grama de matéria-prima: $0,025; • Horas reais de mão-de-obra direta: 325 horas; • Taxa de salário mais encargos real por hora trabalhada: $8,20. Variações de Preços e consumo de materiais diretos A Variação de Preço dos Materiais (VPM) mede a diferença entre o que deveria ter sido pago pelas matérias primas e o que foi realmente pago. Ao aplicar a abordagem do diagrama das três pontas para cálculo de variações sugeridas por Hansen e Mowen (2001) para matéria-prima e para a mão de obra direta, do exemplo anterior teríamos: CONTROLADORIA II 117 Análise de variações de CIFs variáveis e CIFs Fixos Para os materiais diretos e mão de obra direta percebemos que as variações totais podem ser analisadas de forma mais detalhada através de um desmembramento por meio de análise de variações de preço e de eficiência. As variações de Custos Indiretos de Fabricação (CIFs) também podem ser desmembradas em componentes de variação que podem ser aplicada tanto aos CIFs variáveis quanto aos CIFs Fixos. CONTROLADORIA II 118 Observe o exemplo a seguir: A Empresa ABC em um determinado mês possuiu o seguinte comportamento para estrutura de seus CIFs: • Taxa de CIF variáveis (padrão) : $6,00 por hora de mão de obra direta; • CIFs reais variáveis: $7.540; • Horas reais trabalhadas: 1.300 hrs; • Quantidade produzida: 120.000 unidades; • Horas padrões de produção: 120.000 x 0,01h= 1.200hrs; • CIFs Variáveis aplicados: $6 x 1.200 = $7.200. CONTROLADORIA II 119 Referências desta aula HANSEN, D, R.; MOWEN, M. M. Gestão de custos. São Paulo: Pioneira Thompson Learning, 2001. PADOVEZE, C. L. Controladoria estratégica e operacional: conceitos, estrutura, aplicação. São Paulo: Thompson Learning, 2007. ______________. Contabilidade de custo: teoria, prática, integração com sistema de informação (ERP). São Paulo: Cengage Learning, 2013. ______________. Controladoria estratégica e operacional: conceitos, estrutura, aplicação. 3. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2012. Exercícios de fixação Questão 1 Em relação ao custo padrão, pode-se afirmar que é: a) O custo que reflete os valores gastos e atribuídos no processo de produção, ao produto, em cada período. CONTROLADORIA II 120 b) O sistema de custeio que melhor distribui o custo variável ao produto. c) Um sistema de custeio que permite o controle dos custos e a sua gestão, principalmente quando comparado ao real. d) Aplicável às empresas que têm grandes oscilações (sazonalidade) em seus custos durante o ano, permitindo uma melhor distribuição dos custos nos meses. Questão 2 Correlacione as afirmativas com suas respectivas definições: 1. Custo padrão ideal. ( ) É um custo ideal adaptado, que pode ser atingido. 2. Custo padrão corrente. ( ) Representa o custo de um produto que ocorre sem nenhum desperdício ou ociosidade. 3. Custo padrão baseado em dados passados. ( ) As informações futuras baseadas em dados do passado. É importante saber que o que aconteceu antes não se repetirá. Portanto, os riscos de falhas na construção deste padrão são possíveis. Questão 3 As indústrias de sofás Sente-se bem, ao implantar o custeio padrão constatou que o seu percentual de overhead é de 45,95%. Isso quer dizer que: a) Em média, para cada padrão a ser adotado, para cada $1,00 de custos diretos de fabricação, a empresa gasta $0,4595 de custos indiretos. b) Em média, para cada padrão a ser adotado, para cada $1,00 de custos indiretos de fabricação, a empresa gasta $0,4595 de custos indiretos. c) Em média, para cada padrão a ser adotado, para cada $1,00 de custos diretos de fabricação, a empresa gasta $0,4595 de custos diretos. CONTROLADORIA II 121 d) Em média, para cada padrão a ser adotado, para cada $1,00 de custos diretos de fabricação, a empresa gasta $0,4595 de custos fixos. Questão 4 Identifique a alternativa correta, no que se refere ao custo padrão: a) Custos orçados ou estimados têm como foco os custos que deveriam acontecer; já o custo padrão tem como foco custos que devem acontecer. b) Na elaboração do padrão, a empresa não pode incorporar metas a serem atingidas pelos diversos setores fabris e operacionais, pois seriam metas que nunca seriam alcançadas. c) A utilização do custo padrão permite a empresa a traçar metas a serem atingidas, contudo não permite a verificação dos níveis de eficiência e eficácia da empresa. d) O custo padrão pode ser tido como elemento inicial para formação do preço de venda, pois oferece todos os elementos necessários para parametrizar um preço de venda. Questão 5 Sabendo que o custo padrão é determinado, quantificando-se o consumo e utilização de matéria-prima, mão de obra, custos indiretos de fabricação e demais recursos necessários para a elaboração de uma unidade. Essa determinação requer: a) A utilização de medidas técnicas de produção, definidas com base nos processos. Aos padrões de consumo deve ser atribuído o valor monetário correspondente. b) Uma análise de custos prévia para constatar desvios ocorridos, incapaz de detectar irregularidades e ineficiências na utilização de recursos. CONTROLADORIA II 122 c) Um sistema capaz de tratar de custos de produção. No entanto, não pode ser utilizados em áreas como: administrativa, de distribuição e vendas. d) Um método cuidadosamente predeterminado, ou forma de medir a execução de uma tarefa. Estas medições são estritamente quantitativas e elaboradas pela engenharia, pois somente ela possui conhecimento para traduzir estes custos. Questão 6 (Contador Júnior/Petrobrás/2010/Cesgranrio) A Cia Chicago Celulose S.A. utiliza o sistema de controle denominado custo padrão. No mês de maio de 2009 apresentou, em reais, os seguintes resultados: Informações adicionais: • A empresa adota a análise de variações de matéria-prima em quantidade, preço e mista e, na mão de obra direta em eficiência, taxa e mista. • As variações devem ser apresentadas em valores unitários. • As variações podem ser favoráveis ou desfavoráveis. Considerando apenas as informações dadas, a variação de preço da matéria- prima foi, em reais: a) 0,12 desfavorável. b) 0,10 desfavorável.CONTROLADORIA II 123 c) 0,08 favorável. d) 0,10 favorável. Questão 7 (CESGRANRIO/BIOCOMBUSTIVEIS/CONTADOR/2010) A Indústria de Plásticos Plastimóvel Ltda. trabalha com custo padrão. Em novembro de 2009, extraiu os seguintes dados de sua contabilidade de custos: • CUSTO PADRÃO Custos Indiretos Variáveis (CIF Variáveis) R$0,80 por unidade; Custos Indiretos Fixos (CIF Fixos) R$600.000,00 por mês; Volume de produção prevista 120.000 unidades. • CUSTO REAL Custos Indiretos Variáveis (CIF Variáveis) R$0,85 por unidade; Custos Indiretos Fixos (CIF Fixos) R$605.000,00 por mês; Volume de produção realizada 120.500 unidades Sabe-se que a análise dos Custos Indiretos de Fabricação (CIF), pelo critério do custo padrão, possui dois tipos de variação: de volume (VV) e de custos (VC). Considerando-se exclusivamente as informações acima, a Variação de Custo (VC) dos Custos Indiretos Variáveis (CIF variável) referente ao volume total, em reais, foi desfavorável em: a) 5.825,50 b) 6.025,00 c) 6.400,00 d) 6.425,00 Questão 8 (EXAME DE SUFICIÊNIA – CFC – 01/12 – Bacharel). Uma empresa industrial estabeleceu os seguintes padrões de custos diretos por unidade CONTROLADORIA II 124 Em determinado período, foram produzidos 10.000 produtos, com os seguintes custos reais: Em relação aos custos apurados no período e variações do custo real em comparação ao custo padrão, assinale a opção INCORRETA. a) A variação no custo da matéria-prima foi de R$0,73 favorável. b) A variação no custo de mão de obra é devido unicamente à variação no preço. c) O custo padrão é de R$4,50, composto por R$2,00 relativo a custo de matéria-prima e R$2,50 de custo com mão de obra. d) O custo real superou o custo padrão em R$1,23, e a diferença é devida às variações no custo da matéria-prima e no custo da mão de obra. Questão 9 A Indústria Laguna S.A. planeja fabricar e vender 100.000 unidades de um único produto durante o exercício fiscal de 2005, com um custo variável de R$4,00 por unidade e um custo fixo de R$ 2,00 por unidade. Se, nesse mesmo período, a empresa não alcançar o planejado e fabricar e vender somente 80.000 unidades, incorrendo em um custo total de R$ 515.000,00, qual será a variação de custo de manufatura nesse período? a) R$ 85.000,00 favorável. b) R$ 5.000,00 desfavorável. CONTROLADORIA II 125 c) R$ 80.000,00 desfavorável. d) R$ 5.000,00 favorável. Questão 10 A diretoria da Fábrica de Sapatos Bom Conforto Ltda, estimou que, para fabricar um par de sapatos do novo modelo “andando nas nuvens”, seriam necessários 0,60m2 de couro e o emprego de 3h20min de mão de obra direta. Dados da controladoria da empresa indicaram que o custo estimado para o couro seria de $80,00 por m2 de $14,00 por hora de mão de obra direta. Após fabricar 300 pares do novo modelo, a empresa verificou que havia consumido 210m2 de couro, com custo total igual a $17.850,00. A mão de obra direta empregada para produzir os 300 pares alcançou as 990 horas, com um custo de $15.840,00. A partir do exposto, podemos dizer que as variações de valor total unitário do couro da mão de obra, são respectivamente de: a) $80,00 e $15,00. b) $5,00 e $1,00. c) $11,50 e $4,80. d) $5,00 e $1,00. CONTROLADORIA II 126 Aula 7: Margem de contrib. e cust. de trans. Introdução O contexto mundial exige das empresas atitudes dinâmicas, que imponham a necessidade de, entre outros aspectos, adotar uma visão de que não adianta apenas avaliar a empresa como um todo, mas há a necessidade de avaliar seus processos tanto em nível de custos quanto em nível de resultados econômicos. Desse modo, as exigências relacionadas ao ambiente de negócios tornam a busca constante pela melhor tomada de decisões e aprimorar os custos das empresas e diferenciar-se da concorrência. Assim sendo, esta aula discutirá os assuntos modelo de decisão da margem de contribuição, ponto de equilíbrio e as suas modalidades e custos de transação. Objetivo 1. Discutir modelo de decisão da margem de contribuição; 2. Definir ponto de equilíbrio e distinguir as suas modalidades. Resumo do conteúdo Nesta aula: • Estudamos o modelo de decisão da margem de contribuição; • Examinamos a importância do ponto de equilíbrio; • Distinguimos os pontos de equilíbrio contábil, econômico e financeiro; • Concluímos que o custo é causado, ou direcionado, por muitos fatores que se inter-relacionam de formas complexas; • Definimos que os custos de transação são os custos de fazer funcionar o sistema econômico; • Discutimos que os custos de transação podem ser bem significativos para as organizações, porém nem sempre são plenamente compreendidos. CONTROLADORIA II 127 Conteúdo Modelo e decisão da margem de contribuição Para tomar decisões, o gestor deve, de forma prévia, conhecer o comportamento dos custos em questão. Ao verificar o comportamento dos custos como fixos ou variáveis aumenta a possibilidade de análise dos gastos em relação ao volume de venda, determinando pontos importantes para tomada de decisões sobre: • Volume de produção; • Mix de produtos; • Viabilidade; • Corte do produto; • Aceitação ou não de pedidos extras. A ferramenta de tomada de decisão econômica, neste caso, é análise de custo/volume/ lucro. Para compreender esta ferramenta é necessário entender os conceitos de margem de contribuição, ponto de equilíbrio e alavancagem operacional. Margem e razão de contribuição De acordo com Bornia (2010), a margem de contribuição é o montante de receita diminuído dos custos variáveis. Assim, a margem de contribuição unitária é o preço de venda menos os custos variáveis unitários do produto. A margem de contribuição unitária representa a parcela do preço de venda que resta para que a empresa cobrir os custos e despesas fixos e para geração do lucro, por produto vendido. Margem de contribuição Unitária = Preço de venda unitário – Custos Variáveis unitários Para melhor entender esse conceito, suponha que a empresa decida produzir (e vender) uma unidade A MAIS de seu produto. CONTROLADORIA II 128 A receita será acrescida de um valor equivalente ao preço de venda do produto, enquanto os custos aumentarão em um montante igual aos custos variáveis unitários. A diferença é justamente a margem de contribuição unitária. A razão de contribuição é a margem de contribuição dividida pela receita, ou a margem de contribuição unitária dividida pelo preço de venda. Representa igualmente a parte das vendas que cobrirá os custos fixos e originará lucro, porém em termos percentuais. Desse modo, representa a parcela com que cada unidade monetária obtida com a venda dos produtos contribuirá para cobrir custos fixos ou para formar o lucro. Esses conceitos são de grande ajuda para o planejamento de estratégias e para tomada de decisão em geral. Razão de contribuição Unitária = Margem de Contribuição unitária/Preço A margem de contribuição unitária está ligada ao lucro do produto e a razão de contribuição se relaciona com sua rentabilidade (lucratividade/ investimento). Assim, quanto maior for a margem de contribuição unitária do produto, melhor será a situação para a empresa. Análise com fator limitante Quando existir um fator que limite a produção (matéria-prima, mão de obra, tempo etc.), a análise deve ser feita em função desse fator limitante. Assim, a margem de contribuição de um ponto tem que ser divida pela utilização do fator limitante por esse produto. A forma de análise pode ser dada pela fórmula: Margem contribuição Unitária por Fator Limitativo = Margem de Contribuição unitária/Fator limitativo unitário Quanto maior a margem de contribuiçãopelo fator limitativo, mais atraente se torna a decisão pelo produto, dada as condições de limitações. Por meio do exposto, verifica-se que o modelo de decisão da margem de contribuição trata-se de um modelo de grande aplicabilidade na gestão empresarial, pois possibilita a visibilidade de: • Rentabilidade de produtos; • Atividades; • Áreas de responsabilidade; • Divisões; • Unidades de negócios; CONTROLADORIA II 129 • Empresa de forma geral. Ponto de equilíbrio O Ponto de equilíbrio (PE) é o momento em que receitas se cruzam com os custos e despesas totais. No ponto de equilíbrio não há lucro nem prejuízo, com base em produtos produzidos e vendidos acima deste ponto há lucro. O ponto de equilíbrio em quantidade é dado pela fórmula: O ponto de equilíbrio em valor pode ser encontrado por meio da formula: A informação sobre o ponto de equilíbrio da empresa, tanto em termos globais como de um produto/serviço de forma individualizada é importante porque sinaliza para a gestão o nível mínimo de atividade em que a empresa ou cada divisão deve operar. Conforme Padoveze (2012), o conceito de ponto de equilíbrio é um conceito que tende a ser utilizado pela gestão de curto prazo da empresa, porque não se pode pensar em um planejamento de longo prazo para uma empresa que não dá resultado positivo nem remunera o capital de suas fontes de recursos. O ponto de equilíbrio, conforme Bornia (2010), pode ser analisado sobre os aspectos contábil, econômico e financeiro. Saiba mais sobre ponto de equilíbrio. Ponto de equilíbrio contábil, econômico e financeiro A diferença fundamental entre os três pontos de equilíbrio são os custos e despesas fixos a serem considerados na análise de cada caso. Os três tipos de pontos de equilíbrio podem ser obtidos pelas fórmulas, apresentadas no quadro a seguir. CONTROLADORIA II 130 Ponto de equilíbrio contábil São levados em consideração os custos e despesas contábeis relacionados com o funcionamento da empresa. Ponto do equilíbrio econômico Fornece uma visão voltada a rentabilidade do capital e possíveis alternativas de investimentos. São também incluídos nos custos e despesas fixos todos os custos de oportunidade referentes ao capital próprio. Ponto de equilíbrio financeiro Informa quanto a empresa precisa produzir e vender para suprir suas necessidades de desembolso. Se a empresa trabalhar abaixo do ponto de equilíbrio financeiro ela poderá ter problemas de caixa e ter que recorrer a fontes e capital (exemplo: empréstimos). Aos custos considerados são apenas os custos desembolsados, que realmente oneram financeiramente a empresa, como por exemplo, a depreciação. Os três pontos de equilíbrio fornecem Importantes subsídios para um bom gerenciamento da empresa. Margem de segurança A margem de segurança é o volume excedente de vendas calculadas no ponto de equilíbrio. Representa quanto as vendas podem cair sem que haja prejuízo para empresa e pode ser expressa em termos de valores e em termos percentuais. CONTROLADORIA II 131 Custos de transação Por décadas, o aumento da competitividade provocada pelo processo de globalização fez com que empresas passassem por mudanças profundas em suas formas de gestão. Passou-se a buscar o aperfeiçoamento das estratégias empresariais para que as empresas se tornassem dinâmicas e competitivas, como desenvolvimento e implantações de novas técnicas e ferramentas gerenciais. Frente a essas mudanças, surgem novas tecnologias e necessidades impostas pelo mercado. O mercado consumidor tem exigido um nível de serviço mais comprometido das empresas, e estas, como forma de diferenciação e fidelização de seus clientes, estão implantando e investindo no atendimento dos desejos ou necessidades deles. Uma adequada gestão da cadeia de suprimentos de uma organização fornece melhores chances de sucesso em atender a esses desejos ou necessidades uma vez que o objetivo principal da gestão da cadeia de suprimentos segundo Slack, Chambers e Johnston (2009), é a satisfação de seu consumidor final. E como toda cadeia tem seus elos e processos, destaca-se a presença de custos de transação quando há relações entre eles (elos e processos da cadeia de suprimento). Saiba mais sobre custos de transação. CONTROLADORIA II 132 Tomada de decisões e obtenção de vantagem competitiva A tomada de decisões, bem como a implementação de ações que assegurem a continuidade das empresas sempre fizeram parte do cotidiano de seus proprietários e administradores, indo além da simples busca da sobrevivência. Diante desse cenário, as empresas interagem, buscando diferenciar-se entre si como parte das estratégias para assegurar a sua continuidade. Essas estratégias, voltadas para agir junto ao meio externo, podem incluir a adoção de filosofias de excelência empresarial, elegendo pontos principais de atuação, tais como: • A proximidade e fidelização de clientes; O controle de seus custos por processos; • A formação de parcerias estratégicas com fornecedores e promoções para atrair novos clientes e reter os já conquistados. Saiba mais sobre tomada de decisões e obtenção de vantagem competitiva. Referências desta aula BORNIA, A. C. Análise Gerencial de Custos em Empresas Modernas. 2.ed. Porto Alegre: Bookman, 2010. CHRISTOPHER, M. Logística e gerenciamento da cadeia de suprimentos: estratégias para a redução de custos e melhorias dos serviços. São Paulo: Pioneira, 2002. __________. Logística e gerenciamento da cadeia de suprimentos. 2. ed. São Paulo: Thomson Learning, 2007. CREPALDI, S. A. Curso básico de contabilidade de custos. 5 ed. São Paulo: Atlas, 2010. HANSEN, D. R.; MOWEN, M. M. Gestão de custos. São Paulo: Pioneira Thompson Learning, 2001. MARTINS, E. Contabilidade de custos. São Paulo: Atlas, 2009. CONTROLADORIA II 133 PADOVEZE, C. L. Controladoria estratégica e operacional: conceitos, estrutura, aplicação. – São Paulo: Thompson Learning, 2007. --------_____________. Controladoria estratégica e operacional: conceitos, estrutura, aplicação. 3. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2012. _____________. Contabilidade de custo: teoria, prática, integração com sistema de informação (ERP) - São Paulo: Cengage Learning, 2013. SHANK, J. K.; GOVINDARAJAN, V. Revolução dos custos: como reinventar e redefinir sua estratégia de custos para vencer em mercados crescentemente competitivos. 3. ed. Rio de Janeiro: Campus, 1997. SLACK, N.; CHAMBERS, S.; JOHNSTON, R. Administração da Produção. 2 ed., São Paulo: Editora Atlas, 2009. ZYLBERSZTAJN, D. Estruturas de Governança e Coordenação do Agribusiness: uma aplicação da Nova Economia das Instituições. Tese de Livre-Docência, Departamento de Administração, FEA/USP, 238p, 2005. ZYLBERSZTAJN, D.; NEVES, M. F. Economia e gestão dos negócios agroalimentares. São Paulo: Pioneira, 2000. Exercícios de fixação Questão 1 Se a empresa tem uma margem de contribuição negativa, para alcançar o ponto de equilíbrio ele deverá: a) Aumentar o volume de vendas. b) Diminuir o volume de vendas. c) Aumentar o valor dos custos fixos. d) Aumentar o preço de venda. CONTROLADORIA II 134 Questão 2 Em uma situação de restrição de algum insumo, a gestão deve optar pelo o produto que apresente: a) Menor absorção dos custos fixos. b) Maior margem de contribuição. c) Maior margem de contribuição por fator limitativo. d) Menor margem de contribuição. e) Questão 3 A empresa Boa na pluma para produzir e vender o seu produto travesseiro de penas de ganso luxo extra, a empresa tem que incorrer nos seguintes gastos operacionais: • Matéria-prima necessáriapara uma unidade do produto: 500 gramas de pluma a $ 2,00 cada. • Tempo necessário para produzir uma unidade do produto 5 horas a $ 80,00 por hora. Gastos do período • Salários/despesas do departamento de apoio à produção $ 440.000 • Depreciações $ 320.000 • Salários/despesas administrativas/comerciais $ 180.000 Outros dados • Comissões - 12% sobre o preço de venda. • Preço de venda - $ 3.600 por unidade do produto A. • Quantidade produzida (e igualmente vendida) – 900 unidades. O custo unitário, pelo critério de custeio direto, a margem de contribuição unitária e percentual são, respectivamente: CONTROLADORIA II 135 a) $1.832,00, R$1.768,00 e 49,11%. b) $1.400,00, R$1.768,00 e 49,11%. c) $1.400,00, R$2.200,00 e 49,11%. d) $1.400,00, R$2.200,00 e 50,89%. Questão 4 Uma empresa tem dois produtos, que apresentam os seguintes dados A gerente divisional diz que só tem à sua disposição 1.000 horas de fábrica para produzir os produtos A e B. Sabendo que uma hora de produção produz três unidades do produto A e apenas uma unidade do produto B, mas que o mercado pode absorver apenas 2.400 unidades do produto A, a margem de contribuição total da empresa nessa combinação de produção seria de: a) $14.400. b) $2.400. c) 16.000. d) 16.800. Questão 5 Se a margem de contribuição foi diminuída em determinado montante, o lucro operacional deveria ter: a) Sido diminuído no mesmo montante. b) Sido diminuído mais do que esse montante. CONTROLADORIA II 136 c) Sido aumentado no mesmo montante. d) Permanecido inalterado. Questão 6 O ponto de equilíbrio de um produto poderia ser aumentado por: a) Um decréscimo nos custos fixos. b) Um aumento no percentual da margem de contribuição. c) Um aumento nos custos variáveis. d) Nenhuma das alternativas anteriores. Questão 7 (Exame Suficiência CFC/01-2012) Uma sociedade empresária produz um produto com preço de venda de R$10,00 por unidade. Os custos variáveis são R$8,00 por unidade e os custos fixos totalizam R$18.000,00 por ano, dos quais R$4.000,00 são relativos à depreciação. O Patrimônio Líquido da empresa é de R$50.000,00 e a sua taxa mínima de atratividade é de 10% ao ano. O ponto de equilíbrio contábil, econômico e financeiro são, respectivamente: a) 9.000 unidades por ano, 11.500 unidades por ano e 7.000 unidades por ano. b) 9.000 unidades por ano, 11.500 unidades por ano e 9.500 unidades por ano. c) 9.000 unidades por ano, 7.000 unidades por ano e 9.500 unidades por ano. d) 9.000 unidades por ano, 9.500 unidades por ano e 7.000 unidades por ano. CONTROLADORIA II 137 Questão 8 (CESPE – 2013 – MPU – analista contábil – Adaptada A tabela acima contém informações, em reais, referentes a uma empresa que fabrica alto-falantes. Com base nessas informações, e considerando que a empresa produza e venda, atualmente, 800 unidades do produto por mês, julgue os itens a seguir. A margem de segurança da empresa, em quantidades produzidas, é igual a: a) 200 unidades. b) 300 unidades. c) 400 unidades. d) 150 unidades. Questão 9 Julgue os itens a seguir como verdadeiros ou falsos: ( ) Uma margem de segurança de cem unidades significa que as vendas de uma empresa podem cair até esse limite, sem que a empresa apresente prejuízos. ( ) Atinge-se o ponto de equilíbrio econômico quando a soma das margens de contribuição totaliza o montante indicativo de que não haverá lucro nem prejuízo. ( ) Atinge-se o ponto de equilíbrio econômico quando a soma das margens de contribuição totaliza o montante indicativo de que não haverá lucro nem prejuízo. CONTROLADORIA II 138 ( ) A margem de contribuição individualiza a potencialidade de cada produto e contribui tanto para a amortização dos gastos fixos quanto para a formação do próprio lucro. Questão 10 (CESGRANRIO- 2011) Uma indústria no mês de março de 2011 produziu 20.000 unidades do produto X, com um custo fixo de R$ 65.000,00; vendeu o produto por R$12,00 a unidade, alcançando um ponto de equilíbrio de 13.000 unidades. No mês de abril de 2011 produziu 22.000 unidades, com um custo fixo de R$77.000,00, mas mantendo o preço de venda anterior. Considerando apenas as informações acima, o ponto de equilíbrio alcançado pela indústria em abril de 2011, em unidades, é: a) 15.400. b) 15.000. c) 14.800. d) 14.500. e) 13.000. CONTROLADORIA II 139 Aula 8: Sistemas de informação Introdução Esta aula objetiva abordar alguns conceitos sobre administração de sistemas de informação esclarecendo aspectos importantes que serão relevantes para a compreensão do estudo. Desse modo, discutiremos os elementos de sistema de informação, a evolução dos sistemas, sua aplicação atual nas organizações sob a perspectiva funcional e sob a perspectiva de grupos de usuários. Explicaremos o conceito de ERP, suas vantagens e desvantagens. Objetivo 1. Definir sistemas de informação e seus componentes; 2. Discutir sobre o sistema ERP, identificando suas vantagens e limitações. Resumo do conteúdo Nesta aula: • Esclarecemos que os sistemas ERPs contribuem para a tomada de decisões em uma empresa de forma significativa para a sociedade; • Concluímos que a TI é uma área que utiliza atividades e soluções promovidas por meio de computação, no intuito de melhorar e agilizar a comunicação em vários setores fazendo uso de uma ferramenta de software classificada como ERP. • Descrevemos as vantagens e desvantagens do sistema ERP; Conteúdo Conceito de sistema de informação Antes de definir administração de sistema de informação é necessário conhecer o conceito de sistema. Para O’Brien (2004), “sistema é um grupo de componentes inter-relacionados que trabalham rumo a uma meta comum, recebendo insumos e produzindo resultados em um processo organizado de transformação”. CONTROLADORIA II 140 Para entender melhor o conceito de sistema, é preciso entender outros conceitos de tecnologia, suas aplicações, seu desenvolvimento e sua administração de sistema de informação. Veja alguns conceitos genéricos de como os sistemas se aplicam às organizações, às atividades e aos componentes dos sistemas de informação. Tecnologia As redes de computadores são sistemas de componentes de processamento de informações que precisam utilizar certa quantidade de hardware, software, gerenciamento de dados e tecnologias de redes de telecomunicação. Aplicações As aplicações de negócios e e-commerce na companhia são envolvidas por sistemas de informação interconectados. Desenvolvimento As formas de desenvolvimento utilizam a Tecnologia de Informação (TI) na empresa, abrangendo o projeto de componentes básicos dos sistemas de informação. Administração A TI gerencia, dentro da empresa, a qualidade, o valor estratégico para o negócio e a segurança dos sistemas de informação de uma organização. Para saber mais sobre sistemas de informação. Elementos de sistema de informação As empresas utilizam diversos tipos de sistemas para obter todas as informações de que necessita. A seguir, são apresentados alguns elementos que compõem os sistemas de informação. Os sistemas de informação são compostos de uma série de elementos e componentes que se interligam, coletam, armazenam e manipulam dados, transformando em informações que serão úteis. O propósito é oferecer suporte à tomada de decisão em uma empresa. CONTROLADORIA II 141 De acordo com Laudon e Laudon (2007), “as atividades de um sistema de informação produzem as informações de que as organizações necessitam para tomar decisões, controlar operações,analisar problemas e criar novos produtos e serviços”. As atividades de um sistema de informação são: Entrada Captura ou coleta dados brutos de dentro da organização ou de seu ambiente externo para serem processados como matérias-primas, energia, dados e esforço humano. Os dados sobre as transações da empresa devem ser capturados e preparados para processamento pela atividade de entrada que registra os dados, gravam e editam transações realizadas pela empresa. Processamento É a transformação de dados que converte insumo (entrada) em produto. Por exemplo, um processo industrial, o processo da respiração humana, cálculos matemáticos, comparação, separação, classificação e resumo. A partir dessas atividades, pode se organizar, analisar e manipular dados, gerando informação para seu usuário final. Saída É a transferência de dados e elementos produzidos por um processo de transformação até seu destino final. Produtos acabados, serviços humanos e informações gerenciais devem ser transmitidos a seus usuários. Por exemplo, um sistema de informação é um sistema que recebe recursos (dados) como entrada e os processa em produtos (informações) como saída. Feedback São os dados sobre o desempenho de um sistema, em que uma informação sobre o passado influencia um mesmo fenômeno no presente ou no futuro, permitindo ajustes que mantenham um sistema funcionando corretamente. Características do sistema de informação de O’Brian O’Brien (2004) divide as características do sistema de informação como: • Qualidade da informação; • Armazenamento de recursos de dados. Veremos cada uma dessas características a seguir! CONTROLADORIA II 142 Qualidade da informação As pessoas desejam informações de alta qualidade, ou seja, produtos de informação cujas características, atributos ou qualidades ajudam a torná-los valiosos para elas. Os quadros que veremos a seguir resumem as características da qualidade da informação e define os atributos que devem estar presentes em produtos de informação de alta qualidade e são definidos pelas seguinte dimensões: Resumo dos atributos da qualidade da informação na dimensão do tempo. Para que um sistema de informação venha a ser eficiente com informações rápidas e precisas, as pessoas devem mantê-lo sempre atualizado. No entanto, quando solicitado, deve fornecer dados corretos para a tomada de decisão. Quantas vezes forem necessárias, as informações devem ser fornecidas e em períodos distintos, como passado, presente e futuro. Resumo dos atributos da qualidade da informação na dimensão do conteúdo. Um bom sistema de informação não deve fornecer informações incorretas. Outra função importante é gerar informações especificas para usuários específicos, podendo elaborar relatórios com informações internas ou externas, além de mostrar o desempenho de operações concluídas, analisar o progresso realizado ou recursos acumulados. Resumo dos atributos da qualidade da informação na dimensão da forma. As informações fornecidas pelo sistema de informação devem ser de fácil compreensão e de forma detalhada para que os usuários possam entender e tomar decisão diante de relatórios gerados. Devendo conter uma sequência narrativa, numérica, gráfica ou outras. Esses relatórios podem ser gerados em papel impresso, monitores de vídeo ou outras mídias. Armazenamento de recursos de dados É a atividade na qual os dados e informações são guardados de forma organizada para uso posterior. CONTROLADORIA II 143 Os dados armazenados são organizados em campos, registros, arquivos e bancos de dados, para que facilite seu uso posteriormente no processamento ou na sua recuperação como saída, quando solicitado pelos usuários de um sistema. Veja esses elementos lógicos, conforme O’Brien (2004). Um campo É um grupamento de caracteres que representam uma característica de uma pessoa, lugar, objeto ou evento. Exemplo: O campo do nome de um funcionário. Um registro É uma coleção de campos inter-relacionados. Exemplo: O registro da folha de pagamento de um funcionário pode ser formado por um campo do nome, um campo do número da previdência social, um campo do departamento e um campo do salário. Um arquivo É uma coleção de registros inter-relacionados. Exemplo: Um arquivo da folha de pagamento consiste em registros da folha de pagamento de todos os funcionários de uma firma. Um banco de dados É uma coleção integrada de registros ou arquivos inter-relacionados. Exemplo: O banco de dados do setor pessoal de uma empresa pode conter arquivos de folha de pagamento, ação de pessoal e habilidades de funcionários. Esses dados trabalhados de forma contínua, em um sistema, serão informações de grande relevância para as empresas em determinado momento. CONTROLADORIA II 144 Atenção O’Brien (2004), ainda relata a importância do controle de desempenho dos sistemas de informação: um sistema de informação deve produzir feedback sobre suas atividades de: • Entrada; • Processamento; • Saída; • Armazenamento. O feedback deve ser observado e avaliado para determinar se o sistema está atendendo aos padrões de desempenho estabelecidos. A partir do resultado desse feedback, os gestores podem ajustar as atividades de forma que os produtos de informação sejam devidamente produzidos para usuários finais. Desde a criação dos sistemas houve uma grande revolução tecnológica até os dias atuais. Com sua evolução ao longo dos anos, em que foram feitas novas descobertas, seu uso passou a ser indispensável nas organizações que estão constantemente em processo de mutação. A importância da administração de sistema de informação Os sistemas de informação mudaram completamente a maneira de como se deve administrar uma empresa. Hoje seria impossível imaginar um administrador trabalhando em uma organização sem utilizar medidas tecnológicas mais avançadas. É dentro das organizações que profissionais da área de informática projetam e desenvolvem novos sistemas para atender as necessidades empresariais. De acordo com Laudon e Laudon (2007), “os especialistas gerenciais de sistemas de informação concentram-se em gerenciar os sistemas existentes, planejar e implantar novos sistemas e coordenar os esforços dos sistemas como um todo com os objetivos empresariais mais amplos e com os outros administradores”. A cada dia aumenta o número de administradores de sistemas de informação no Brasil e no resto do mundo. Eles são responsáveis por desenvolver atividades em vários setores da companhia de forma eficiente e também cuidam da supervisão de funcionários. CONTROLADORIA II 145 Segundo O’Brien (2004) “em muitas empresas, a administração da tecnologia é a principal responsabilidade de um diretor executivo de tecnologia (CTO), que é o encarregado de toda a distribuição e planejamento da tecnologia de informação”. Tornou-se indispensável a qualquer empresa o trabalho dos diretores executivos de tecnologia, pois eles são responsáveis por trazer tudo o que há de mais novo no mercado para a organização. Desse modo, os executivos de tecnologia buscam fazer com que a companhia obtenha de alguma forma vantagem competitiva, oferecendo produtos ou serviços diferenciados em relação aos da concorrência. Conceito de Enterprise Resource Planning (ERP) Os sistemas Enterprise Resource Planning (ERP), podem ser definidos como sistemas de informação integrados, que são adquiridos como um pacote comercial, com o intuito de dar suporte e integrar os diversos setores da empresa. Leia como foi a evolução dos ERPs. Eles, geralmente, são divididos em módulos que atualizam e se comunicam por meio de uma mesma base de dados. Isso é feito a partir do momento queas informações alimentadas por um módulo são instantaneamente visualizadas por outros módulos que delas dependam. Os sistemas ERP ainda podem ser utilizados como uma ferramenta de planejamento podendo, assim, analisar o impacto das decisões dos setores da empresa. Atenção Segundo Laudon e Laudon (2010), os sistemas de gestão da cadeia de suprimentos, ajudam as empresas a administrar suas relações com os fornecedores. Esses sistemas auxiliam: • Fornecedores; • Empresas de compra; • Distribuidores; • Empresas de logística. CONTROLADORIA II 146 Essas empresas compartilham informações sobre: • Pedidos; • Produção; • Níveis de estoque; • Entrega de produtos e serviços Desse modo, conseguem buscar insumos, produzir e entregar mercadorias e serviços com eficiência. Conceito de Customer Relationship Management – CRM O sistema de gestão do relacionamento com o cliente (Customer Relationship Management – CRM) é um sistema de gestão com foco no cliente constituído por um conjunto de procedimentos integrados e organizados em um modelo de gestão de negócios. Tem a finalidade de perceber e antecipar as necessidades tanto dos clientes atuais como dos potenciais, buscando supri-las da melhor forma possível. O conjunto de informações captadas por meio desse sistema, permite criar e automatizar toda uma variedade de processos que identificam, descrevem e valorizam os clientes, permitindo dessa forma trabalhar e explorar o seu potencial de compra. Para Laudon e Laudon (2010), “os sistemas de gestão do relacionamento com o cliente, ajudam as empresas a administrar suas relações com os clientes. Os sistemas de CRM, fornecem informações para coordenar todos os processos de negócios que lidam com o cliente, em termos de vendas, marketing e serviços. Seu objetivo é otimizar a receita, a satisfação e a retenção de clientes”. Hoje não podemos imaginar como seria o funcionamento das empresas sem uma associação dos seus diversos setores por meio de sistemas integrados, já que os mesmos facilitam os fluxos de informações e acesso aos dados operacionais, além de trazer benefícios e ganhos para a empresa, pois permite padronizar, otimizar e integrar os processos de negócio. Sistemas especialistas Sistema especialista é aquele que é projetado e desenvolvido para atender a uma demanda determinada e limitada do conhecimento humano. É capaz de tomar CONTROLADORIA II 147 uma decisão, baseado em um conhecimento justificado por um conjunto de informação constante em um banco de dados, como um especialista de determinada área do conhecimento humano. Esses sistemas têm por finalidade capturar a expertise humana em um conhecimento específico, transformando em um conjunto de regras e passando esse conhecimento para um sistema de software, de forma que outras pessoas da mesma organização possam utilizar essas informações. Normalmente, esses sistemas executam um número limitado de operações e são capazes de dar o diagnóstico de uma máquina que esteja apresentando algum defeito. São úteis em situações em que a tomada de decisão é cara ou escassa. Os sistemas especialistas trazem às empresas uma série de benefícios, como tomadas de decisões mais rápidas, acertadas e eficazes, além de redução de custos. Durante o processo, o sistema vai verificando os fatos constantes no seu banco de dados, comparando-os com as informações já contidas no seu conhecimento acumulado sobre os fatos e hipóteses. Nesse processo, o sistema vai formulando novas hipóteses e verificando novos fatos, que por sua vez influenciam no processo de raciocínio, que sempre é baseado em um conhecimento prévio acumulado, minimizando, dessa forma, as chances de errar. Segundo Laudon e Laudon (2010), o conhecimento humano precisa ser modelado ou representado de modo que o computador possa processar. Sistemas especialistas modelam o conhecimento humano como uma série de regras que, em conjunto, são denominados base de conhecimento. Necessidade de implementação do ERP na organização Os sistemas de informação, denominados de ERP, têm como função principal compartilhar, de forma segura, as informações nos diversos setores das empresas. Para Slack, Chambers e Johnston (2009), talvez a justificativa mais importante para adotar o sistema ERP, seja o potencial que ele fornece à empresa de permanecer ligada ao mundo exterior. Por exemplo, é muito mais fácil para uma empresa mudar uma operação para transações via internet se ela puder integrar os sistemas externos da internet aos seus sistemas internos de ERP. Segundo pesquisa na revista de engenharia e tecnologia (2013), a vasta disponibilidade de tecnologia da computação a custo acessível mudou CONTROLADORIA II 148 drasticamente a maneira como as pessoas e organizações adquirem, armazenam, recuperam, transmitem, comunicam e usam as informações. Em virtude disso, as empresas vêm buscando obter vantagens dessas tecnologias advindas da criação do computador. A informação é tratada como um recurso primordial para o bom funcionamento e o controle das informações das empresas, gerando uma economia de tempo e, por consequência, de recursos financeiros da organização. Atenção A pesquisa na revista de engenharia e tecnologia (2013), cita que o sucesso de uma organização pode depender de um sistema de informação ERP eficiente, o que pode causar um grande impacto nas estratégias corporativas das organizações. O ERP, atualmente, está voltado principalmente para o negócio empresarial auxiliando os processos decisórios e as consequentes tomadas de decisões, aumentando sua eficácia. Objetivos do ERP na organização Conforme pesquisa na revista de engenharia e tecnologia (2013), o sistema ERP tem como objetivo permitir que as empresas possuam maior integração entre os processos de organização, pois quanto mais preciso e ágil o fluxo das informações, maior será a velocidade de processamento desta informação, o que é essencial para atender a urgência do mercado globalizado. De acordo com pesquisa no site OnClick sistemas (2013), os objetivos do ERP na organização, são: Automatização de tarefas manuais Por intermédio da implantação dos sistemas, há a redução dos custos operacionais, ganhando tempo na execução das tarefas e melhorando a confiabilidade da execução das mesmas. Otimização dos processos É a obtenção da máxima eficiência de um sistema, que procura fazer o melhor possível com a mesma estrutura e aproveitar ao máximo a capacidade dos recursos humanos e tecnológicos. CONTROLADORIA II 149 Controle sobre as operações da empresa Com a utilização dessa ferramenta, os gestores conseguem visualizar com mais clareza as movimentações da empresa, facilitando uma tomada de decisão mais ágil e segura. Disponibilidade imediata de informações seguras Uma vez implantado o ERP, as informações dos setores estão disponíveis para consulta, basta que se alimente corretamente o sistema. Redução de custos O intuito de uma mudança ou implantação de um sistema em uma empresa é aumentar o controle e sua eficiência, por consequência, reduzir os custos. Redução dos riscos As organizações são agentes econômicos, que tem como finalidade o lucro, portanto se faz necessário uma minimização dos riscos utilizando-se instrumentos eficientes para alcançar uma melhor competitividade junto aos seus concorrentes. Auxílio na tomada de decisões Há a obtenção de informações e resultados que auxiliam a tomada de decisões e permitem total visibilidade do desempenho das áreas da empresa. Os gestores, ao utilizarem o ERP, conseguem ter uma visão ampla da empresa em todos os setores, o que dá subsídio para tomada de decisões e ajudam no planejamento a curto, médio elongo prazo. Vantagens competitivas oferecidas por um ERP Antes as empresas, às vezes por falta de opções, eram obrigadas a utilizarem sistemas incompatíveis, como o MRP, que armazenava dados vitais, porém não dispunha de mecanismos de busca e acesso a tais dados ou sequer transferências de informações no próprio sistema. Por sua vez, o sistema ERP tem uma configuração bem mais eficiente, pois o mesmo utiliza uma base de dados comum, permitindo a integração entre os diversos setores das empresas, evitando a conciliação manual de informações obtidas nas diferentes interfaces dos aplicativos. As principais vantagens de se ter um sistema integrado são: CONTROLADORIA II 150 • A confiabilidade das informações; • A consistência; • A comparação de dados, já que se utiliza um único critério nas diversas atividades da empresa. Para saber mais sobre as vantagens competitivas do sistema ERP. Desvantagens do ERP Apesar de todas as vantagens que o sistema integrado oferece, a utilização do ERP nas empresas também apresenta problemas e desvantagens. Especificamente a decisão de se adotar o uso dessa ferramenta leva as empresas e departamentos de TI a se comprometerem com um novo modelo de disponibilização de sistemas de informação, trazendo uma série de novos desafios. Uma das principais desvantagens dos sistemas ERP é a grande dificuldade para sua implementação, pois seus processos são demorados e podem durar anos para serem completados. Essa dificuldade decorre da necessidade de se fazer mudanças profundas, pois as empresas precisam substituir seus procedimentos para se adaptarem às funcionalidades do pacote. Vamos ver um exemplo! Slack, Chambers e Johnston (2009) apresentam o caso da gigante americana Dow Chemical, que passou sete anos implantando seu sistema de ERP, que se tornou ultrapassado assim que acabou de ser implantado. A empresa FoxMeyer Drug afirma que os dispêndios e os problemas que teve para implantar seu ERP levaram-na à falência. Slack, Chambers e Johnston (2009) acrescentam que, longe de ser o ingrediente mágico que permite às operações integrarem todas suas informações, ERP é visto por muitos com uma das formas mais caras de se obter retorno. Isso é causado parcialmente pela necessidade de customizar o sistema, compreender suas implicações para a organização e treinar a equipe para utilizá-lo. Antes de uma organização implantar um sistema ERP, é necessário um estudo financeiro para analisar se realmente compensa sua compra, já que é um sistema que tem um alto custo e, muitas vezes, não comprova a relação custo/benefício. CONTROLADORIA II 151 Portanto, o planejamento financeiro, o treinamento e o tempo se tornam primordiais para o sucesso dessa empreitada, apesar de os sistemas ERP nem sempre conseguirem alcançar respostas positivas. Referências desta aula LAUDON, K. C.; LAUDON, J. P. Sistemas de informações gerenciais. 7. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007. O’BRIEN J. A. Sistema de informação e as decisões gerenciais na era da internet. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2004. PADOVEZE, C. L. Contabilidade Gerencial: um enfoque no sistema de informação contábil. São Paulo: Atlas, 2004. Exercícios de fixação Questão 1 Para atender aos objetivos de negócios, as informações precisam se adequar a certos critérios de controles, aos quais o CobiT denomina necessidades de informação da empresa. Baseados em abrangentes requisitos de qualidade, guarda e segurança, sete critérios de informação distintos e sobrepostos são definidos, sendo três deles listados a seguir. • Relaciona-se com a entrega da informação através do melhor (mais produtivo e econômico) uso dos recursos. • Relaciona-se com a fidedignidade e totalidade da informação bem como sua validade de acordo os valores de negócios e expectativas. • Relaciona-se com a aderência a leis, regulamentos e obrigações contratuais aos quais os processos de negócios estão sujeitos, isto é, critérios de negócios impostos externamente e políticas internas. Os critérios I, II e III são chamados, respectivamente, de: a) Eficácia, Disponibilidade e Confiabilidade. CONTROLADORIA II 152 b) Eficácia, Integridade e Conformidade. c) Eficiência, Integridade e Conformidade. d) Eficiência, Integridade e Confiabilidade. Questão 2 (CEGRANRIO–2012) Como um sistema integrado de gestão provê valor para uma empresa? a) Fixando o custo de troca futura e metas claras de resultado. b) Provocando o uso de padrões de dados e processos uniformes. c) Assegurando a simplificação da implementação de sistemas administrativos. d) Estimulando a centralização das decisões e da operação da organização. Questão 3 Considerando os conceitos de sistemas de informação e de tecnologia da informação, julgue os itens a seguir. • É importante distinguir dois níveis, no que diz respeito a sistemas de informação: nível de aplicação, em que se determinam os ambientes de aplicação como industrial, administrativo e governamental e nível físico, em que se definem as infraestruturas de hardware a utilizar. • A tomada de decisão nas organizações é facilitada pela utilização da tecnologia da informação, que permite criar, administrar e manter a gestão da informação de uma instituição por meio de dispositivos para acesso, operação e armazenamento de dados. • Hardware é formado pelo conjunto de circuitos eletrônicos e partes eletromecânicas. • Software consiste somente nos programas aplicativos; não sendo considerados softwares os Sistemas Operacionais. CONTROLADORIA II 153 • O Sistema Computacional é formado pelo conjunto de software básico e hardware. Está(ão) correta(s) apenas a(s) afirmativa(s): a) II, III e V. b) Todas as afirmativas estão corretas. c) Apenas I e III. d) II, III e IV. Questão 4 (FCC–2013–TRT 18ª–Analista Judiciário–Administrativa) O gerenciamento dos serviços de Tecnologia de Informação necessita prover pontos de controle que permitam avaliar seu processo de eficiência, eficácia, efetividade e economicidade, que constituem pontos de controle conhecidos como Indicadores-Chave de Desempenho (Key Performance Indicator − KPI). Os indicadores índice de custos contabilizados e índice de consultas atendidas dentro do prazo estabelecido são pontos de controle visualizados, respectivamente, nas seguintes perspectivas: a) Eficácia e eficiência dos prazos estabelecidos. b) Eficiência e eficácia do controle. c) Efetividade e eficácia do processo. d) Eficiência e economicidade. Questão 5 Analise as afirmações sobre administração de sistemas de informações e assinale a alternativa incorreta. CONTROLADORIA II 154 a) O propósito dos sistemas de informações é atuar como atividade fim, servindo a decisores, e não como atividade meio. Seu principal objetivo é que os decisores possam extrair e obter o máximo de dados. b) Sistemas de informação são componentes relacionados entre si atuando conjuntamente para coletar, processar, e prover informações aos sistemas ou processos de decisão, coordenando, controlando, analisando e visualizando processos internos às organizações. c) Um sistema de informações é um sistema integrado de homem e máquina para fornecer informações em apoio às funções de operação, administração e de tomada de decisões da organização. d) Sistema de informação é uma descrição para atividades de processamento de informações em apoio a administração. Questão 6 (CEGRANRIO–2010–PETROBRAS) Refletem possíveis dificuldades relacionadas a Sistemas Integrados de Gestão (ERP – Enterprise Resource Planning): • Problemas relativos à legislação da região onde a empresa se localiza. • Aceitação danova tecnologia pelos funcionários. • Falta de foco nos agentes externos da empresa. • Customização do software frente a necessidades específicas da empresa contratante. a) I e III, apenas. b) III e IV, apenas. c) I, II e IV, apenas. d) I, II, III e IV. CONTROLADORIA II 155 Questão 7 Em relação à implementação de um ERP em uma empresa, um aspecto que pode, ao mesmo tempo, se constituir em vantagem e desvantagem é a: a) Eliminação do uso de interfaces manuais. b) Eliminação da redundância de atividades. c) Incorporação de melhores práticas nos processos internos da empresa. d) Redução dos limites de tempo de resposta ao mercado. Questão 8 Coloque V para as questões verdadeiras e F para as falsas nas afirmativas sobre aplicativos de um sistema ERP: • ( ) O sistema verifica os níveis de estoque, informa os vendedores sobre a quantidade disponível, envia uma ordem de produção para a fábrica. • ( ) O sistema programa a produção e define os recursos necessários. • ( ) O sistema alerta o departamento de recursos humanos da necessidade de trabalhadores temporários. • ( ) O sistema informa o departamento de compras das matérias- primas que devem ser pedidas. • ( ) O cliente entra no sistema para acompanhar o status do pedido. • ( ) A gerência usa dados do ERP para avaliar e ajustar seu plano estratégico. A sequência correta, de cima para baixo, é: a) F, F, F, F, F, F. b) F, V, V, V, V, V. c) V, V, V, V, V, V. d) V, V, V, V, V, F. CONTROLADORIA II 156 Questão 9 (FCC–2010) O Enterprise Resource Planning – ERP a) É um sistema interfuncional que atua como uma estrutura para integrar e automatizar muitos dos processos de negócios que devem ser realizados pelas funções de produção, logística, distribuição, contabilidade, finanças e de recursos humanos de uma empresa. b) É implantado integralmente, atendendo às necessidades das funções de produção, logística, distribuição, contabilidade e finanças. Os ERPs não atendem à área de recursos humanos da empresa. c) É um sistema organizacional que atua como uma estrutura para integrar e automatizar todos os processos de negócios que devem ser realizados apenas pelas funções de marketing e finanças de uma empresa. d) Fornece aos gerentes informação organizacional sobre o desempenho financeiro da empresa. Essas informações, por chegarem com algum tempo de atraso, não podem ser utilizadas na tomada de decisões. CONTROLADORIA II 157 Chaves de resposta Aula 1 Exercícios de fixação Questão 1 - B Questão 2 - C Questão 3 - D Questão 4 - D Questão 5 - B Questão 6 - A Justificativa: De acordo com os dados de que dispomos, temos: Valor agregado estimado de uma unidade do produto = R$ 54,00 (-) R$ 28,70 = R$ 25,30 Volume anual estimado de vendas = 70.000 unidades Valor agregado máximo anual = R$ 25,30 x 70.000 unidades = R$ 1.771.000,00 Questão 7 - C Questão 8 - B Questão 9 - D Justificativa: De acordo com os dados de que dispomos, temos: Valor agregado de uma unidade do produto = R$ 1.300 (-) R$ 700 = R$ 600 Volume anual = 8.000 conjuntos x 12 meses = 96.000 conjuntos Valor agregado máximo anual = R$ 600,00 x 96.000 unidades = R$ 57.600.000,00 Valor agregado anual R$ 57.600.000,00 (-) Gastos com as atividades = 1.000.000 x 12 = R$ (12.000.000,00) Lucro anual esperado R$ 45.600.000,00 Rentabilidade anual = R$ 45.600.000,00 ÷ R$ 55.500.000,00 = 82,16% Valor do investimento R$ 55.500.000,00 Custo de oportunidade do capital 8% CONTROLADORIA II 158 Lucro mínimo esperado R$ 4.440.000,00 (a) Lucro possível de ser obtido R$ 45.600.000,00 (b) Criação de valor (b - a) R$ 41.160.000,00 Questão 10 – A Aula 2 Exercícios de fixação Questão 1 - B Questão 2 - D, B, A, C Questão 3 - B Justificativa: De acordo com os dados de que dispomos, temos: Valor em 30/06/x1 Valor em 30/06/x2 CONTROLADORIA II 159 Questão 4 - F, V, V, F Questão 5 - A Questão 6 - D Questão 7 - A Questão 8 - C Questão 9 - B, A, D, C Questão 10 – B Aula 3 Exercícios de fixação Questão 1 - C Questão 2 - A Questão 3 - D Questão 4 - B Questão 5 - C Justificativa: A primeira opção diz respeito ao conceito de risco operacional, e não financeiro. A segunda e a terceira opções, por sua vez, apresentam a noção de risco financeiro, e não estratégico. Questão 6 - C Questão 7 - A Questão 8 - B Questão 9 - C Questão 10 – B Aula 4 Exercícios de fixação Questão 1 - A Questão 2 - C Questão 3 - V, V, F, V, F, V Justificativa: C Questão 4 - A CONTROLADORIA II 160 Questão 5 - C Questão 6 - A Questão 7 - D Questão 8 - A Questão 9 - C Questão 10 – D Aula 5 Exercícios de fixação Questão 1 - A Questão 2 - D Justificativa: Estão corretas: I, II, V E VII. Questão 3 - E, B, F, D, A, C Questão 4 - C Justificativa: A Questão 5 - F, V, F, F Questão 6 - D Justificativa: Questão 7 - A Questão 8 - C CONTROLADORIA II 161 Justificativa: alt=""/> Questão 9 – D Aula 6 Exercícios de fixação Questão 1 - C Questão 2 - B, A, C Questão 3 - C Questão 4 - D Questão 5 - A Questão 6 - B Justificativa: • Quantidade estimada de matéria-prima para o nível de produção previsto = 0,20 kg/unidade X 12.000 unidades = 2.400kg. • Quantidade realmente utilizada de matéria-prima = 0,19 kg/unidade X 11.900 unidades = 2.261kg. • Variação de preço da matéria-prima por kg = (8,50 - 8,00) = + R$ 0,50/kg. • Variação total de preço da matéria-prima = Variação de preço da matéria- prima por kg X quantidade padrão em kg = 0,50 X 2.400 = + R$ 1.200,00 (desfavorável!). • Variação unitária de preço da matéria-prima = R$ 1.200/12.000 unidades = R$ 0,10/unidade (desfavorável). CONTROLADORIA II 162 Questão 7 - B Justificativa: O custo padrão é utilizado para planejamento e controle de custos. Serve para compararmos o custo que realmente ocorreu com o que deveria ter ocorrido. Obs: R significa Real e P significa Padrão ou planejado. VC CIFs variáveis = (CIF variáveis real – CIF variáveis padrão) X volume real. VC CIFs variáveis = (0,85 – 0,8) X 120.500 = 6025,00. Questão 8 - A Justificativa: • A variação no custo da matéria-prima foi de R$0,73 favorável. Custo Padrão Matéria-prima 0,5 por unidade X R$4,00 kg = 2,00 Custo Real Matéria-prima 6.500kg ÷ 10.000 unidades = 0,65kg por unidade 0,65 por unidade X R$4,20 kg = 2,73 Variação negativa de R$0,73 (R$2,00 - R$2,73) • A variação no custo de mão de obra é devido unicamente à variação no preço. Custo Padrão Custo Real 2.500h X 60 minutos = 150.000 minutos ÷ 10.000 unidades = 15 minutos por unidade. O tempo não variou, então a variação deveu-se apenas ao preço. CONTROLADORIA II 163 • O custo padrão é de R$4,50, composto por R$2,00 relativos a custo de matéria-prima e R$2,50 de custo com mão de obra. Custo Padrão Matéria-prima = 0,5 por unidade X R$4,00 kg = 2,00 Mão de obra = R$10,00 por hora ÷ 60 minutos X 15 minutos = R$2,50 Total dos custos padrão = R$2,00 (matéria-prima) + R$2,50 (mão de obra) = R$4,50 • O custo real superou o custo padrão em R$1,23, e a diferença é devida às variações no custo da matéria-prima e no custo da mão de obra. Custo Padrão Matéria-prima = 0,5 por unidade X R$4,00 kg = 2,00 Mão de obra = R$10,00 por hora ÷ 60 minutos X 15 minutos = R$2,50 Total dos custos padrão = R$2,00 + R$2,50 = R$4,50 Custo Real Matéria-prima = 10.000 unidades ÷ 6.500 kg = 0,65 kg por unidade 0,65 por unidade X R$4,20 kg = 2,73 Mão de obra = 2.500hsX 60 minutos = 150.000 minutos ÷ 10.000 unidades = 15 minutos por unidade R$12,00 por hora ÷ 60 minutos X 15 minutos = R$3,00 Total dos custos padrão = R$2,73 + R$3,00 = R$5,73 Variação negativa de R$1,23 (R$5,73 - R$4,50) Questão 9 - D Questão 10 - C Justificativa: CONTROLADORIA II 164 Aula 7 Exercícios de fixação Questão 1 - D Questão 2 - C Questão 3 - A Justificativa: Questão 4 - D CONTROLADORIA II 165 Justificativa: Questão 5 - A Questão 6 - C Questão 7 - A Justificativa: Para a solução desta questão é necessário esclarecer os seguintes conceitos: Margem de contribuição, ponto de equilíbrio contábil, ponto de equilíbrio econômico e ponto de equilíbrio financeiro. Veja aqui a memória de cálculo. Questão 8 - C Questão 9 - V, F, F, F Questão 10 - A Aula 8 Exercícios de fixação Questão 1 - C Questão 2 - B Questão 3 - A Questão 4 - B Questão 5 - B Questão 6 - D Questão 7 - C Questão 8 - B Questão 9 - A CONTROLADORIA II 166 CONTROLADORIA II 167 Conteudista Rosângela Venâncio Nunes é Mestre em Logística e Pesquisa Operacional pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Atualmente, é professora do Centro Universitário Estácio do Ceará e do Instituto UFC Virtual. Realiza consultoria nas áreas de custos, com ênfase em avaliação do desempenho logístico, atuando com os seguintes temas: custos, logística, gestão da cadeia de suprimentos, avaliação do desempenho, desenvolvimento sustentável e Arranjos Produtivos Locais (APLs). Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/6523273774216962. Apresentação Aula 1: Sistema de empresas e geração de valor Introdução Objetivo Resumo do conteúdo Conteúdo Conceituação econômica do sistema empresa Missão e visão da empresa: uma questão de eficiência Teoria da decisão Geração de valor empresarial Criação de valor: atividade produtiva e valor agregado Atividades internas e apropriação do valor agregado Valor Econômico Adicionado ou custo de oportunidade Lucro econômico x lucro contábil Controladoria e sistema contábil Aprenda Mais Referências desta aula Exercícios de fixação Aula 2: Avaliação emp. e era do conhecimento Introdução Objetivo Resumo do conteúdo Conteúdo Papel da controladoria: criação de valor Principais critérios para apuração do valor da empresa Sociedade do conhecimento Era da inovação Ativo Ativo intangível Capital Intelectual Mensuração do Capital Intelectual Aprenda Mais Referências desta aula Exercícios de fixação Aula 3: Riscos empresariais Introdução Objetivo Resumo do conteúdo Conteúdo Definições de Risco Exemplos e fatores representativos dos riscos Fatores internos e externos Tipos de riscos Gerenciamento de risco e os seus principais modelos Estruturação do gerenciamento de risco Metodologia IFAC Metodologia Famá, Cardoso e Mendonça Metodologia do FMEA adaptada ao gerenciamento do risco corporativo Aprenda Mais Referências desta aula Exercícios de fixação Aula 4: Avaliação de desempenho organizacional Introdução Objetivo Resumo do conteúdo Conteúdo Avaliação de desempenho Etapas gerais da avaliação de desempenho Definição e funções dos indicadores de desempenho Tipos de indicadores Indicadores-Chave ou Key Performance Indicators (KPIs) Balanced Scorecard (BSC) Perspectivas do Balanced Scorecard (BSC) Indicadores Objetivos e importância da utilização do BSC Referências desta aula Exercícios de fixação Aula 5: Orçamento empresarial Introdução Objetivo Resumo do conteúdo Conteúdo Conceito de Orçamento empresarial Orçamento como modelo de mensuração Orçamento como plano financeiro Objetivos do orçamento Objetivos do orçamento Tipos de orçamento Orçamento operacional Orçamento financeiro Orçamento estático e orçamento flexível Orçamento para planejamento e controle Referências desta aula Exercícios de fixação Aula 6: Custo padrão e análise de variações Introdução Objetivo Resumo do conteúdo Conteúdo Definição de custo padrão Finalidades do uso do custo padrão Substituição do custo real Tipos de custo padrão Construção do padrão Análise de variações Variações de preço e de eficiência Análise de variações de materiais e mão de obra direta Variações de Preços e consumo de materiais diretos Análise de variações de CIFs variáveis e CIFs Fixos Referências desta aula Exercícios de fixação Aula 7: Margem de contrib. e cust. de trans. Introdução Objetivo Resumo do conteúdo Conteúdo Modelo e decisão da margem de contribuição Margem e razão de contribuição Análise com fator limitante Ponto de equilíbrio Ponto de equilíbrio contábil, econômico e financeiro Margem de segurança Custos de transação Tomada de decisões e obtenção de vantagem competitiva Referências desta aula Exercícios de fixação Aula 8: Sistemas de informação Introdução Objetivo Resumo do conteúdo Conteúdo Conceito de sistema de informação Elementos de sistema de informação Características do sistema de informação de O’Brian Qualidade da informação Armazenamento de recursos de dados A importância da administração de sistema de informação Conceito de Enterprise Resource Planning (ERP) Conceito de Customer Relationship Management – CRM Sistemas especialistas Necessidade de implementação do ERP na organização Objetivos do ERP na organização Vantagens competitivas oferecidas por um ERP Desvantagens do ERP Referências desta aula Exercícios de fixação Chaves de resposta Aula 1 Exercícios de fixação Aula 2 Exercícios de fixação Aula 3 Exercícios de fixação Aula 4 Exercícios de fixação Aula 5 Exercícios de fixação Aula 6 Exercícios de fixação Exercícios de fixação Aula 8 Exercícios de fixação Conteudista