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METODOLOGIA CIENTÍFICA Aula 1 Metodologia Científica OBJETIVOS DA AULA 1.Identificar os tipos de conhecimentos; 2.Distinguir os conceitos de senso comum, conhecimento filosófico, científico e discurso religioso. INTRODUÇÃO A todo momento nos interrogamos sobre o significado e a função da Metodologia Científica, bem como seu ponto de partida, que recai sobre atitudes que não são espontâneas à existência humana. Porém, dominar a linguagem não depende do desenvolvimento natural dos sujeitos, mas de habilidades e competências para uma postura reflexiva e crítica. Veja agora como esta disciplina está dividida: Metodologia Científica 1 Metodologia Científica 2 Esta aula faz parte do primeiro bloco e visa uma maior aproximação da Metodologia Científica e do processo de desenvolvimento e aquisição do conhecimento. Metodologia Científica 3 VOCÊ JÁ OUVIU FALAR EM METODOLOGIA CIENTÍFICA, MAS SERÁ QUE SABE DE FATO O QUE É? Metodologia científica é o estudo dos métodos de conhecer, de buscar o conhecimento. É uma forma de pensar para se chegar à natureza de um determinado problema, seja para explicá-lo ou estudá-lo. KAHLMEYER-MERTENS et al. Como elaborar projetos de pesquisa: linguagem e método. Rio de janeiro: FGV, 2007. p. 15 Para nós, método é um conjunto de etapas, ordenadamente dispostas, a serem vencidas na investigação da verdade, no estudo de uma ciência, ou para alcançar determinado fim. E metodologia (do grego methodos + logia) significa o “estudo do método”. Metodologia Científica 4 Quanto à palavra ciência, durante muito tempo ela serviu para indicar conhecimento em sentido amplo, genérico, como na expressão “tomar ciência”, cujo significado é “ficar sabendo”. Aos poucos, porém, como veremos, ganhou também sentido restrito, passando a designar o conjunto de conhecimentos precisos e metodicamente ordenados em relação a determinado domínio do saber. (RAMPAZZO, Lino. Metodologia científica: para alunos dos cursos de graduação e pós-graduação. 3. ed. São Paulo: Loyola, 2005. p. 13.) Metodologia significa, na origem do termo, estudo dos caminhos, dos instrumentos usados para se fazer ciência. É uma disciplina instrumental a serviço da pesquisa. Ao mesmo tempo visa conhecer caminhos do processo Metodologia Científica 5 científico, também problematiza criticamente, no sentido de indagar os limites da ciência, seja com referência à capacidade de conhecer, seja com referência à capacidade de intervir na realidade. (DEMO, Pedro. Metodologia científica em ciências sociais. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2007. p. 11.) A metodologia científica está dentro de duas grandes áreas... ... E essas duas áreas se completam! •Epistemologia Epistemologia vem de episteme = termo grego que designa ciência; logia/logos = estudo. Metodologia Científica 6 Também conhecida como Filosofia da C i ê n c i a , a á r e a s e o c u p a d a fundamentação da ciência. “A ciência sem a epistemologia – na medida em que tal seja imaginável – é primitiva e confusa” Albert Einstein •Metodologia Científica Aplicada A Metodologia Científica está destinada à pesquisa e à elaboração de trabalhos acadêmicos e científicos. E POR QUE TENHO QUE ESTUDAR METODOLOGIA CIENTÍFICA? Metodologia Científica 7 Se considerarmos o conhecimento e a verdade como algo dinâmico e histórico, encontraremos o ser humano como razão e fundamento desse saber. Assim, não será preciso mais fazer perguntas do tipo: por que tenho que estudar? Já que a resposta está na célebre frase de Descartes, “penso, logo existo”. Porque essa é a nossa essência. Aliás, muitos são os motivos para estudar Metodologia Científica. Vamos ver alguns deles: 1. Porque o conhecimento científico não existe sem método, sem uma linguagem específica, ou um rigor próprio. 2. Porque o maior desafio da Instituições de Ensino Superior está em desenvolver a postura de um pesquisador ao longo do processo educacional. 3. Porque é preciso desenvolver a autonomia do pensamento, muito presente no meio acadêmico. No exercício profissional, o sucesso está intimamente relacionado à capacidade de planejar e de organizar o pensamento, muitas vezes adquirida por meio da busca do conhecimento, através das práticas de leitura e da participação das atividades acadêmicas. Metodologia Científica 8 Ao ler as definições sugeridas para Metodologia Científica podemos perceber que todas mencionam a palavra conhecimento (capacidade de conhecer). E pra você... O que significa conhecer? Significa incorporar um conceito novo, ou original, sobre um fato ou fenômeno qualquer. Qual o valor do conhecimento para a vida humana? É o resultado das experiências que acumulamos em nossa vida cotidiana. O conhecimento pode ser obtido de diversos modos, através do método científico, das hipóteses, das leis e teorias científicas, bem como por meio da pesquisa científica e da elaboração de trabalhos acadêmicos. Há muitas maneiras de estudar a realidade... No mundo acadêmico os modos de conhecer são classificados em: • Senso comum ou conhecimento empírico; • Conhecimento Científico; •Conhecimento Filosófico; • Discurso Religioso ou Conhecimento teológico. Metodologia Científica 9 SENSO COMUM OU CONHECIMENTO EMPÍRICO COMO PODEMOS DEFINIR O SENSO COMUM? Aquilo que assimilamos por tradição. Ideias que nos ajudam a interpretar a vida e a julgar certas situações. Na verdade, estamos mergulhados no senso comum, que geralmente se apresenta como um saber ingênuo, fragmentado e por vezes conservador. O senso comum pode ser caracterizado em: ★Espontâneo Primário, simples e elementar. Nasce da tentativa do homem resolver seus problemas no dia a dia. ★Ametódico Porque não possui um método, ou seja, um procedimento, uma técnica. ★Empírico Se baseia na experiência cotidiana comum. ★Ingênuo ou acrítico Não é crítico, não se coloca como problema e não se questiona enquanto saber. ★Subjetivo É relativo ao sujeito do conhecimento. É formado por juízos pessoais a respeito das coisas, ocorrendo o envolvimento emocional e valorativo de quem observa. Metodologia Científica 10 ATENÇÃO É preciso ressaltar que senso comum não é o mesmo que bom senso, uma vez que este revela certo refinamento das ideias, uma elaboração mais coerente do saber comum. Conhecimento Filosófico O QUE PODEMOS ENTENDER POR FILOSOFIA? Segundo Maria Lúcia Arruda Aranha e Maria Helena Pires Martins dizem que: “A filosofia é um modo de pensar que acompanha o ser humano na tarefade compreender o mundo e agir sobre ele. Mais que postura teórica, é uma atitude diante da vida, tanto nas condições corriqueiras como nas s i tuações- l imi tes que exigem decisões cruciais.” (ARANHA; MARTINS, 2003, p. 81) Agora veja como essas autoras caracterizam o conhecimento filosófico: ★RADICAL Originada do Latin radix, radicis significa raiz e, no sentido figurado, “fundamento”, “base”. A filosofia é considerada radical porque busca explicitar os conceitos que estão na base do pensar e do agir. Investiga as Metodologia Científica 11 raízes, os princípios que orientam nossa existência. ★RIGOROSO O conhecimento filosófico pode ser rigoroso, pois o filósofo deve dispor de um método a fim de proceder com rigor na investigação. São vários métodos para proceder a i n v e s t i g a ç õ e s e d e s e n v o l v e r u m pensamento rigoroso, fundamentado, coerente e expresso numa linguagem também rigorosa. Os conceitos devem ser claramente definidos. ★SABER DE CONJUNTO Ter como característica o Saber em conjunto. Significa que a filosofia é globalizante porque, ao examinar, observa os diversos aspectos de um problema e p o r v i s a r o t o d o , e l a s e t o r n a interdisciplinar. ATENÇÃO Conclui-se então, que o conhecimento filosófico… “...nos permite ter mais de uma dimensão (...). É a filosofia que dá o distanciamento para a Metodologia Científica 12 avaliação dos fundamentos dos atos humanos e dos fins a que eles se destinam. (...) Portanto, a filosofia é a possibilidade de transcendência humana, ou seja, a capacidade de superar a situação dada e não escolhida. (...) A filosofia impede a estagnação.” Em Filosofia não estudamos dados ou fatos puramente exteriores, mas pensamentos. Portanto, o conhecimento filosófico não é um conhecimento ordinário, empírico, prático, mas uma interioridade. CONHECIMENTO CIENTÍFICO O CONHECIMENTO CIENTÍFICO ESTÁ ESTRITAMENTE LIGADO A CIÊNCIA. MAS AFINAL, O QUE É CIÊNCIA? Ciência é um saber racional e objetivo, que se atém aos fatos podendo transcendê-los. A Ciência depende da investigação metódica o que a torna analítica e requer exatidão e clareza na busca e aplicação de leis, podendo se usar de predições úteis, porém verificáveis. QUAIS AS CARACTERÍSTICAS DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO? Metodologia Científica 13 ★Saber racional que obedece a regras, leis, princípios e se contrapõe ao saber ilusório, às emoções e às crenças; ★Saber lógico e sistemático porque as ideias formam uma ordem coerente; ★Saber verificável e metódico, pois é passível de exame para ter sua pretensão confirmada ou não. Para tanto segue uma técnica, um procedimento. ATENÇÃO No mundo acadêmico, fazer ciência é importante porque nos permite alterar a natureza e a nós mesmos. É da academia que saem o maior número de cientistas-pesquisadores. D ISCURSO RELIG IOSO OU CONHECIMENTO TEOLÓGICO VOCÊ SABE O QUE SIGNIFICA A PALAVRA RELIGIÃO? Enquanto o conhecimento científico se fundamenta na evidência dos fatos observáveis e a Filosofia na lógica de seus enunciados, o conhecimento teológico se preocupa com a revelação divina Metodologia Científica 14 O conhecimento teológico ou religioso passa necessariamente por representações abstratas que influenciam as ações no mundo da vida, bem como conferem sentido às angústias e inquietações da consciência. Neste ponto não só representa uma explicação sobre a origem de todas as coisas como desvela o modo de determinada cultura entender e interpretar a sua própria existência. Nesta aula, você: • Identificou os tipos de conhecimentos; • Distinguiu os conceitos de senso comum, conhecimento filosófico, conhecimento científico e discurso religioso. Metodologia Científica 15 REGISTRO DE PARTICIPAÇÃO 1. Correlacione as colunas, identificando o nome de cada uma das características do senso comum, descritas abaixo: 1. Espontâneo; 2. Ametódico; 3. Empírico; 4. Acrítico; 5. Subjetivo. ( 3 ) Saber que se baseia na experiência cotidiana comum. ( 4 ) Saber que não se coloca como problema e não se questiona enquanto sabedoria. ( 5 ) Saber formado por juízos pessoais a respeito de coisas, ocorrendo o envolvimento emocional e valorativo de quem observa. ( 1 ) Saber primário, elementar e simples. ( 2 ) Saber que não apresenta um método ou técnica. Qual a sequência encontrada? 1) 4-3-5-2-1 2) 3-4-5-1-2 3) 1-2-4-5-3 4) 4-5-3-2-1 Metodologia Científica 16 2. Coloque F para falso e V para verdadeiro, nas afirmativas abaixo: ( F ) O conhecimento do senso comum será sempre um saber que se afasta da verdade. ( V ) O saber racional é aquele que obedece regras e se afasta das emoções e crendices. ( F ) A ciência que desenvolvemos hoje, de forma sistemática e racional já estava presente nas civilizações da antiguidade. ( F ) O conhecimento científico é racional, metódico e infalível. 1) F-V-F-F 2) V-V-F-F 3) V-F-V-F 4) F-V-V-F 3. Observe a letra da música de Ivan Lins e Vitor Martins, “Daquilo que eu sei”, e assinale a opção correta: Daquilo que eu sei Nem tudo me deu clareza Nem tudo foi permitido Nem tudo me deu certeza... Daquilo que eu sei Metodologia Científica 17 Nem tudo foi proibido Nem tudo me foi possível Nem tudo foi concebido... Não fechei os olhos Não tapei os ouvidos Cheirei, toquei, provei Ah Eu! Usei todos os sentidos Só não lavei as mãos E é por isso que eu me sinto Cada vez mais limpo! Cada vez mais limpo! Cada vez mais limpo! 1) A música nos lembra do sentido do uso da razão típico do conhecimento científico. 2) A música nos remete ao método como procedimento para o conhecimento racional. 3) A música apresenta o e lemento subjetivo característico do senso comum permeado pelas certezas cotidianas. 4) A música desvela o conhecimento não sistemático típico do conhecimento científico. Metodologia Científica 18 4. Coloque a letra C para Ciência e a letra S para senso comum: ( S ) O camponês sabe como tratar o solo, utilizar adubos e providenciar as defesas para sua plantação, porque adquiriu o conhecimento necessário na sua vida cotidiana. ( C ) O pneumologista Irwin Ziment demonstrou que o frango durante o cozimento libera cisteína, um aminoácido, similar ao fármaco receitado para os casos de bronquite. ( S ) “No inverno, faz frio porque a Terra está muito longe do Sol. No verão, ao contrário, a Terra se encontra mais próxima.” ( C ) “A física demonstra que as cores não existem em si mesmas, mas são ondas luminosas de cumprimentos diferentes, obtidas pela refração e reflexão.” ( S ) “Água mole em pedra dura tanto bate até que fura.” 1) S-C-S-C-S 2) C-S-S-C-S 3) S-S-C-C-S 4) C-S-C-C-C MetodologiaCientífica 19 CEL0476_EX_A1_201102276103 Disciplina: CEL0476 - METODOLOGIA CIENTÍF. Período Acad.: 2014.1 - EAD (G) / EX 1a Questão O conhec imento popu lar, também denominado de vulgar, empírico ou senso comum, resulta do modo espontâneo e corrente de conhecer. PORTANTO O conhecimento popular é sistemático, já que se trata de um saber ordenado logicamente, formando um sistema de ideias (teorias) e não conhecimentos dispersos e desconexos. Nesse sentido, podemos afirmar que: A 1ª afirmativa é falsa e a 2ª é verdadeira. Ambas as afirmativas são falsas. Ambas as afirmativas são verdadeiras. A 1ª afirmativa é verdadeira e a 2ª completa a primeira. Metodologia Científica 20 X A 1ª afirmativa é verdadeira e a 2ª falsa. 2a Questão Em relação ao conhecimento científico, assinale V (verdadeiro) para as alternativas verdadeiras e (F) para as falsas e escolha a sequência correta. ( ) O conhecimento é uma forma de compreender a realidade. ( ) O conhecimento científico tem como base o conhecimento teológico. ( ) O conhecimento empírico surge das experiências em laboratório. ( ) A ciência pode ser definida como uma forma de investigação metódica e organizada. V, F, V, V X F, V, V, F V, F, F, V. V, V, F, F. F, F, V, F. Metodologia Científica 21 AULA 2 CONHECIMENTO OBJETIVOS DA AULA 1.Avaliar a importância do m é t o d o p a r a a p r á t i c a científica; 2.Descrever a classificação das ciências. INTRODUÇÃO Depois de estudarmos os diferentes tipos de conhecimento, podemos destacar que o conhecimento científico se caracteriza como racional, sistemático e metódico. Quando pensamos em conhecimento racional, estamos tomando como ponto de partida a possibilidade de pensar a realidade, formulando indagações sobre o mundo e sobre a nossa própria existência, a fim de encontrarmos algumas respostas que se aproximem da realidade. Metodologia Científica 22 A Razão O que podemos entender pelo termo razão? O termo racional vem da palavra razão e pode ter várias acepções como: razão humana, razão particular, razão universal, razão divina etc. Cada adjetivo adicionado ao termo altera o sentido do conceito razão. Pressupondo que razão e intelecto se equiparam e considerando a ideia de razão como uma faculdade humana, podemos nos questionar: E racionalidade? O que é? Racionalidade liga-se à ideia de racional, compreendendo dessa maneira que o ser humano é um ser racional, que os meios que utilizam são racionais, que o mundo é racional, ou seja, acreditamos que o ser humano e o mundo são inteligíveis, suscetíveis de serem entendidos. Galileu, por exemplo, acredita que o homem e o mundo são inteligíveis e suscetíveis de entendimento ao tentar refutar uma das ideias de Aristóteles. Metodologia Científica 23 O Sistemático O que significa Sistemático? O termo sistemático liga-se à ideia de sistema, que denota o sentido de um todo organizado, interconectado em suas partes. Uma pesquisa, por exemplo, segue um método sistemático porque é um processo de construção do conhecimento a partir de objetivos gerais e específicos que visam alcançar algum fim. Cada etapa da pesquisa dever estar interconectada f o r m a n d o u m s i s t e m a c o e r e n t e d e procedimentos e ideias, constituindo, assim, um todo organizado. Pode-se notar que a intenção de Galileu era remontar um cenário, dentro de um sistema, que desmistificasse os feitos de Aristóteles baseado nos fatos. É interessante observar que, ao falarmos em termos como racional e sistema, nos vinculamos ao sentido de método. O Método E o que seria Método? Metodologia Científica 24 A palavra método vem do grego μέθοδος (méthodos) ― caminho para chegar a um fim. Nossos dicionários definem método como o conjunto de procedimentos para atingir um objetivo, ou seja, uma maneira ordenada e sistemática de agir. Assim fez Galileu, de maneira ordenada, provando que Aristóteles estava errado através da queda das esferas.” Portanto, Metodologia é um conjunto de métodos. Por isso, nos acostumamos a dizer que uma pessoa é metódica quando segue um método de trabalho ou quando se preocupa com os detalhes. O que é o Método Científico? “Trata-se de um conjunto de procedimentos por intermédio dos quais se propõe problemas científicos e colocam-se à prova as hipóteses científicas.” (BUNGE apud LAKATOS, 2000, p. 44) O método científico é um conjunto de regras básicas para desenvolver uma experiência a fim de produzir novo conhecimento, corrigir e integrar conhecimentos pré-existentes. Metodologia Científica 25 Na maioria das disciplinas científicas, o método científico consiste em juntar evidências observáveis, empíricas (baseadas apenas na experiência) e mensuráveis e analisá-las com o uso da lógica. Isso aconteceu no experimento que acabamos de ver. Nele se tornou observável a mudança do estado da água de sólido para líquido e depois para gasoso por meio do calor do fogo. Usou-se, então, a lógica aplicada à ciência, como defendem muitos autores. No sentido literal, a Metodologia representa o estudo dos métodos e, especialmente, do método da ciência, que se supõe universal. Mas você já analisou por que o método é tão importante? Veja, então, a sua utilidade: ★ Ajuda a compreender o processo de investigação; ★ Possibilita a demonstração; ★ Disciplina suas ações; ★ Ajuda a perceber erros; ★ Auxilia as decisões do cientista. Metodologia Científica 26 O método é, então, um plano de ação, em que a técnica utilizada é o modo ou a maneira de realizar a atividade pretendida, permitindo que o procedimento escolhido ocorra de maneira hábil e, se possível, perfeita. CURIOSIDADE Você sabia que o método científico pode ser visto como a ISO 9000 da ciência? “Não diz se o produto serve, não diz se o achado científico é importante, apenas diz que o processo de busca seguiu as regras do jogo. A evidência foi corretamente coletada, os procedimentos estatísticos e o t r a t a m e n t o d o s d a d o s s ã o apropriados.” (CASTRO, 2006, p.59) O método científico pode se sustentar em dois procedimentos: Metodologia Científica 27 Método Dedutivo Exemplo O cão estava desolado, o seu sofrimento por amor estava lhe consumindo. Não havia reciprocidade de sentimentos. A cadela nem sabia da sua existência e vivia no seu mundo paralelo. Tudo era triste até o momento em que o cão escutou algo que mudou a sua vida... Metodologia Científica 28 Pesquisas comprovam a existência de coração em todos os mamíferos. O cão pensou: Todo mamíferotem um coração; Todos os cães são mamíferos; Logo, todos os cães têm um coração. Você observou que todas as premissas e a conclusão – segundo a lógica ― são verdadeiras? Concluir que todos os cães têm coração, ideia presente nas premissas, significa dizer que o argumento dedutivo enuncia uma informação ou ideia já conhecida, ou seja, o método dedutivo tem o propósito de explicar o conteúdo dos enunciados, apresentando uma conclusão inevitável, a partir de dados gerais para dados particulares. Metodologia Científica 29 Amor... Você tem coração!!! Método Indutivo Durante a manutenção de um poste de energia, o eletricista, ainda novo no ramo, notou que existia uma instalação irregular, feita com cobre, zinco e cobalto e pensou... O cobre conduz energia. O zinco conduz energia. O cobalto conduz energia... ...Logo, todo metal conduz energia. Observe que o Eletricista passa por 3 etapas: ★Observação dos fenômenos; ★Descoberta da relação entre eles; ★Generalização da relação. Uma crítica ao Método indutivo: David Hume (1711-1776), empirista inglês, investigou o método de indução, colocando o seguinte problema: como podemos transportar uma informação part icular (de um fato observado) para uma lei geral? Ou, dizendo de outro modo, como podemos fazer conexões lógicas e necessárias entre as coisas? Metodologia Científica 30 Sua resposta apontou para a ideia segundo a qual os conhecimentos oriundos da experiência podem ser considerados verdadeiros. Todavia, partindo de tal constatação, não seria possível alcançar as generalizações feitas pelo intelecto, uma vez que não há garantias de veracidade nesse segundo momento, o que significa dizer que nada legitima a passagem de uma experiência singular para um enunciado universal, como acredita o empirismo clássico. C A R A C T E R Í S T I C A S Q U E D I S T I N G U E M O S ARGUMENTOS: A té aqui es tudamos duas abordagens importantes para o método científico: a abordagem dedutiva (dependente da lógica) e a indutiva (dependente da experiência empírica). Se por um lado podemos criticar o método dedutivo por não ampliar o conhecimento, por outro podemos apontar que ele nos traz um conhecimento provável, pois somente um exame de todos os elementos garantiria uma indução perfeita. Neste caso, se algumas induções não se confirmam, deve-se buscar os elementos que Metodologia Científica 31 resultaram em erro, não abandonando a investigação. Assim, encontramos duas características que distinguem os argumentos: DEDUTIVO INDUTIVO Se todas as premissas forem verdadeiras, a conclusão será verdadeira. Se todas as premissas forem verdadeiras, a conclusão será provável. Toda a informação contida na conclusão já estava presente nas premissas. A conclusão apresenta informação que não estava presente nas premissas. No método dedutivo, partimos de uma ideia geral para uma especifica. Já no método indutivo, partimos de experiências específicas para alcançarmos uma regra geral. EXEMPLO Um pesquisador decide estudar determinada planta. Ele parte de conhecimentos prévios sobre o objeto escolhido. Metodologia Científica 32 Em certo momento ele percebe que as folhas cobertas por pelos (tricomas) não foram atacadas por lagartas de borboletas. Fato que ocorre frequentemente com as folhas sem pelos. O pesquisador, então, faz o seguin te questionamento: é possível afirmar que a presença de pelos nas folhas da planta dificulta a predação? Em seguida, apresenta a hipótese: a presença de pelos em folhas de plantas dificulta a predação por lagartas de borboletas. Neste ponto, o cientista realiza a testagem de sua hipótese. Separa algumas folhas com pelos e outras sem pelos e verifica a predação para observar a hipótese formulada. MÉTODO HIPOTÉTICO-DEDUTIVO Karl Popper (1922-1996) criticou o método indutivo e lançou as bases do método chamado hipotético-dedutivo que consiste na construção de hipóteses, cujas predições devem se submeter ao critério da falseabilidade. Metodologia Científica 33 Popper dizia que qualquer enunciado que só tenha termos observacionais poderia dizer mais do que se pode ver. Como assim? Quer d izer que, se o c ient is ta seguir rigorosamente cada fase desse método e, ao final, constatar que sua hipótese deve ser refutada, como no caso do líquido do copo que deixa de ser água, poderá encontrar argumentos científicos suficientes para formular críticas às teorias existentes e seus paradigmas. Essas teorias foram consideradas como ponto de partida para novas pesquisas. Toda hipótese contém uma predição, ou seja, uma suposição e prec isa passar pelo falseamento. O cientista testará sua hipótese, analisará os resultados para alcançar a confirmação de sua suposição ou refutá-la. Se a hipótese não for corroborada, poderá, a partir dos dados obtidos, construir nova hipótese. Atenção: as hipóteses científicas não podem ser vistas como verdades absolutas, mas, sim, como explicações plausíveis. Metodologia Científica 34 Nesta aula, você: ★Estudou os tipos o processo de aquisição do conhecimento com base no método científico e nos seus principais procedimentos - dedutivo e indutivo; ★Analisou também o conceito de falseabilidade. Metodologia Científica 35 REGISTRO DE PARTICIPAÇÃO 1. “Todos os metais conduzem eletricidade. A prata é um metal. Logo, a prata conduz eletricidade.” Neste silogismo encontramos o argumento: 1) ( ) Indutivo ― do particular para o geral. 2) ( ) Dedutivo ― do particular para o geral 3) ( ) Indutivo ― do geral para o particular. 4) ( ) Dedutivo ― do geral para o particular. 2. “Terra, Marte, Vênus e Júpiter são desprovidos de luz própria. Terra, Marte, Vênus e Júpiter são planetas. Logo, todos os planetas são desprovidos de luz própria.” Neste silogismo encontramos o argumento: 1) Dedutivo ― do particular para o geral. 2) Indutivo ― do geral para o particular. 3) Indutivo ― do particular para o geral. 4) Dedutivo ― do geral para o particular. Metodologia Científica 36 3. Karl Popper, filósofo da ciência, afirmou que uma teoria só poderá ser considerada científica se puder ser falseável ou refutável. Ser falseável significa, exceto: 1) Que a ciência não oferece verdades, mas probabilidades. 2) Se há alguma verdade na ciência, esta será sempre provisória, enquanto não for testada e negada. 3) Há na ciência a absoluta convergência entre o pensamento científico e a realidade. 4) Que o objetivo da ciência não é a busca de certezas inabaláveis. CEL0476_EX_A2_201102276103 Disciplina: CEL0476 - METODOLOGIA CIENTÍF. Período Acad.: 2014.1 - EAD (G) / EX 1. Uma teoria científica NÃO pode ser entendida comoMetodologia Científica 37 ( X ) um sistema baseado em hábitos, preconceitos, tradições cristalizadas e sistematizadas pela exigência de coerência social, de forma a traduzir a verdade sobre a realidade existente. ( ) um conjunto de atitudes e atividades racionais dirigidas ao sistemático conhecimento com objeto limitado, capaz de ser submetido à verificação. ( ) conhecimento que resulta de um trabalho racional. ( ) uma sistematização de conhecimentos, um conjunto de proposições logicamente correlacionadas sobre o comportamento de certos fenômenos que se decide estudar. ( ) um sistema ordenado e coerente de proposições baseadas em um pequeno número de princípios, cuja finalidade é descrever, explicar e prever do modo mais completo possível um conjunto de fenômenos. 2. O Método Científico consiste na análise dos métodos de pesquisa, partindo do princípio de que existem quatro tipos de conhecimentos que embasam e formam o pensamento ( X ) Senso comum, filosófico, científico e religioso Metodologia Científica 38 ( ) Científico, fenomenológico, religioso e senso comum ( ) científico, premonitório, religiosos e filosófico ( ) Senso comum, cientifico, supersticioso e religioso ( ) supersticioso, religioso, filosófico e científico 3. O senso comum é uma p rodução de conhecimento significativa e de grande abrangência societária. Podemos indicar como pressupostos básicos do senso comum: I. Crenças sobre os fenômenos naturais e sociais. II. Produção de valores transmitida pelas relações sociais. III. Conhecimento produzido através de rigorosa coleta de dados. ( ) Somente a opção I está correta. ( ) Somente a opção II está correta. ( ) Somente a opção III está correta. ( ) Somente as opções II e III estão corretas. ( X ) Somente as opções I e II estão corretas. Metodologia Científica 39 AULA 3 METODOLOGIA APLICADA À PESQUISA 1.Reconhecer a importância da pesquisa e seus benefícios na construção científica; 2.Listar as classificações da pesquisa para fins de aplicabilidade; 3.Estabelecer os benefícios e riscos de se pesquisar na internet. Você sabia... ...que brasileiros adoram reality shows? Ficou comprovado que 2687 brasileiros adoram reality shows. E a maioria dos telespectadores dos chamados “shows da vida” são mulheres entre 18 e 35 anos. Quer conhecer mais sobre a afinidade dos brasileiros com os reality shows? Então acesse o site Web2engagebrasil. O texto acima nos dá margem para alguns questionamentos: •De onde ou de quem parte a motivação para saber a relação entre brasileiros e reality shows? •Como é feito esse levantamento? Metodologia Científica 40 Como vimos nas aulas passadas, tudo surge do conhecimento que se tem e do desejo e/ou necessidade de desvendar e provar coisas novas. E é da sede de conhecimento que nascem as pesquisas. Essas pesquisas começam com ideias, ou seja, experiências individuais, teorias, observações de fatos, leitura de artigos etc. Na tela anterior, por exemplo, dissemos que brasileiros adoram reality shows e indagamos: •De onde ou de quem parte a motivação para saber a relação entre brasileiros e reality shows? Já pensou que a motivação para essa pesquisa pode partir das próprias emissoras interessadas no tipo de programa que atrai mais os telespectadores ou mesmo da área de humanas interessada em saber a influência desses programas na vida das pessoas? São muitos os tipos de interesse nesses dados. •Como é feito esse levantamento? Como mostra o site Web2engagebrasil, ele é feito através de um painel online, em que os t e l e s p e c t a d o r e s p r e e n c h e m s u a s considerações. Assim, o levantamento desses dados serve para comprovar a adoração dos Metodologia Científica 41 brasileiros pelo estilo de programa em questão. Então dizemos que pesquisa é… .. uma atividade voltada para a solução de problemas por meio dos processos do método científico. Segundo Eva Maria Lakatos (1992, p. 43), a p e s q u i s a p o d e s e r c o n s i d e r a d a u m p roced imen to f o rma l com mé todo de pensamento reflexivo que requer um tratamento científico e se constitui no caminho para se conhecer a realidade ou para descobrir verdades parciais. Significa muito mais do que apenas procurar a verdade: é encontrar respostas para questões propostas, uti l izando métodos científicos . Podemos, assim, indicar três elementos que caracterizam a pesquisa: ✴o levantamento de algum problema; ✴a solução à qual se chega; ✴os meios escolhidos para chegar a essa solução, como os instrumentos científicos e os procedimentos adequados. Metodologia Científica 42 Exemplo: Pesquisa revela que custo para cultivar morango orgânico é menor do que o do convencional Dados foram coletados em duas propriedades, localizadas nos municípios de Atibaia e de Monte Alegre do Sul, no Estado de São Paulo Um estudo realizado por pesquisadores da A g ê n c i a P a u l i s t a d e Te c n o l o g i a d o s Agronegócios (Apta) e da Embrapa apontou que o custo de produção do morango orgânico (R$ 18.967,04) é inferior ao custo do cultivo convenc iona l (R$ 22 .010 ,76) , quando comparados em uma escala de 10 mil plantas. Levantamento do problema: P o r q u e o c u s t o d e c u l t i v o convencional é maior que o do orgânico? Os pesquisadores coletaram dados em duas propriedades, localizadas nos municípios de Atibaia e de Monte Alegre do Sul, no Estado de São Paulo. O morango orgânico tem uma produção média de 787 gramas por planta, com o custo de R$1,90 e índice de lucratividade de 60,74%. Já no cultivo convencional, a produção média foi de 871 gramas por planta e custo médio de R$1,93, com índice de lucratividade de 49,46%. Metodologia Científica 43 Método escolhido para chegar a uma conclusão: Nos cálculos do custo de produção foram incluídos mão de obra de duas pessoas, colheita, embalagem e limpeza do cultivo, além de gastos com os insumos próprios para o cultivo. Segundo os pesquisadores, uma das soluções para diminuir os custos em ambos os sistemas é a produção de embalagens mais econômicas, ou ainda a aquisição de mudas de empresas certificadas, que ofereçam um preço melhor. Solução a qual se chega D i m i n u i r o s c u s t o s c o m a produção de embalagem mais econômica Começamos a refletir sobre pesquisa e agora chegou a hora de defini-la: A pesquisa... ✴é uma atividade essencial da ciência; ✴possibilita uma aproximação e o entendimento da realidade investigada; ✴é um processo permanentemente inacabado; ✴fornece informações para uma intervenção no real. Metodologia Científica 44 E quanto ao termo pesquisa científica, do que se trata? Se trata do tipo de pesquisa que objetiva contribuir para o d e s e n v o l v i m e n t o d o conhecimento humano em t o da s a s á r e a s , s e n d o sistematicamente planejada e executada segundo critérios rigorosos de processamento das informações. Uma pesquisa será considerada científica, se for objeto de investigação planejada, desenvolvida e redigida conforme as normas metodológicas consagradas pela ciência. Tem por base procedimentos racionais e sistemáticos ou seja, é a atitude científica pela qual se descobre a realidade. De acordo com Antônio Carlos Gil, duas são as razões para se fazer uma pesquisa: •As razões de ordem intelectual, que decorrem do desejo de conhecer, são comuns nas dissertações de mestrado, nas monografias, nos artigos e nos trabalhos de conclusão de curso, em que a pesquisa é voltada para fins de conhecimento. Metodologia Científica 45 •Já as razões de ordem prática, como próprio título diz, vem do desejo de conhecer com vistas a fazer algo, que muitas vezes pode vir a ser útil e beneficiar a própria sociedade. Quanto ao Pesquisador... É importante destacar que a possibilidade de êxito na tarefa de pesquisa depende das razões e motivações do pesquisador. Curiosidade, criatividade, integridade intelectual, atitude autocorretiva, sensibilidade social, imaginação discipl inada, perseverança, paciência e confiança na experiência são ações e atitudes que devem ser incorporadas à pessoa que for ou estiver no papel de pesquisador. Fazer pesquisa não é uma tarefa fácil É preciso ter planejamento e considerar aspectos como classificação, abordagem, objetivo e procedimentos, pois estes delimitam a busca do que se pretende pesquisar. CLASSIFICAÇÃO DA PESQUISA A classificação da pesquisa está relacionada à sua natureza, ou seja, àquilo que compõe a essência da pesquisa: Metodologia Científica 46 Pesquisa pura Conhecida também por básica ou teórica, a Pesquisa Pura objetiva gerar novos conhecimentos úteis para o avanço da ciência sem aplicação prática prevista. Envolve verdades e interesses universais. É motivada basicamente pela curiosidade intelectual do pesquisador. Exemplo: A origem do universo. Pesquisa aplicada É aquela que objetiva gerar conhecimentos para a aplicação prática, dirigidos à solução de problemas específicos. Envolve verdades e interesses locais. Exemplo: A busca de uma vacina contra a AIDS. ABORDAGEM DA PESQUISA Quanto à abordagem, a pesquisa pode ser dividida em: ✴Qualitativa Neste enfoque não há medição numérica, como nas descrições. Metodologia Científica 47 Seu propósito está em reconsiderar ou reconstruir a realidade observada. Assim, considera a existência de uma relação dinâmica entre mundo real e o sujeito. É descritiva e utiliza o método indutivo. O processo é o foco principal. ✴Quantitativa Neste tipo de pesquisa temos a coleta e a análise de dados para dar conta das questões que envolvem a pesquisa. Ela utiliza métodos estatísticos e traduz em números opiniões e informações para classificá-los e organizá-los. OBJETIVO DA PESQUISA Quanto aos objetivos, a pesquisa pode ser: Descritiva - A pesquisa descritiva tem como objetivo principal descrever as características de algum fenômeno observado, descobrir a frequência com que ocorre, sua relação e sua conexão com outros fenômenos. Esta modalidade é típica das ciências humanas e sociais. Metodologia Científica 48 Neste tipo de pesquisa, o estudante deve observar, registrar, analisar e correlacionar fatos ou fenômenos variáveis, sem manipulá- los. Veja alguns exemplos: •características de um grupo social; •nível de atendimento de determinada empresa prestadora de serviço; •levantamento de opiniões, atitudes e crenças de um segmento da sociedade; •pesquisas eleitorais que apontam a p r e f e r ê n c i a p o l í t i c o - p a r t i d á r i a d e determinados grupos etc. Exploratória - A pesquisa exploratória é considerada o passo inicial de qualquer pesquisa. Trata-se de uma observação, ou seja, consiste em recolher e registrar os fatos da realidade, com o objetivo de proporcionar maior familiaridade com o problema para torná-lo mais explícito ou viabilizar a construção de uma hipótese. Neste modelo temos a possibilidade do aprimoramento de ideias. Geralmente, neste tipo de pesquisa, há o levantamento bibliográfico, entrevistas com pessoas que Metodologia Científica 49 experimentaram situações que estejam sendo pesquisadas e análise de exemplos. A pesquisa bibliográfica e o estudo de caso são exemplos de pesquisas exploratórias. Explicativa - Aqui o objeto é identificar os fatores que determinam ou contribuem para a ocorrência dos fenômenos. N e s t e m o d e l o t e m o s u m e f e t i v o aprofundamento de conhecimentos, porque se busca entender ou explicar as razões das coisas ― fato que amplia o entendimento. Nada impede que uma pesquisa explicativa seja a continuação de uma pesquisa descritiva ou exploratória. Nas ciências naturais, por exemplo, utiliza-se o m é t o d o experimental. Nas c i ê n c i a s s o c i a i s utilizam-se outros métodos, tais como o fenomenológico e dialético, além de exigir elevado grau de controle. Metodologia Científica 50 PROCEDIMENTOS DA PESQUISA Os procedimentos estão relacionados à maneira de agir, ao modo de fazer a pesquisa. Pesquisa bibliográfica É uma etapa fundamental em todo trabalho científico que influenciará toda pesquisa, na medida em que dá o alicerce teórico que servirá de base ao trabalho. Consiste no levantamento, seleção, fichamento e arquivamento de informações relacionadas à pesquisa. L e v a n d o e m consideração que b i b l i o g r a fi a é o conjunto dos livros e s c r i t o s s o b r e d e t e r m i n a d o assunto, por autores c o n h e c i d o s e i d e n t i fi c a d o s o u a n ô n i m o s , a pesquisa bibliográfica é o exame de uma bibliografia para levantamento e análise do que já se produziu sobre o assunto que assumimos como tema da pesquisa científica. Metodologia Científica 51 Há dois tipos de fontes: ✴Primárias Q u a n d o o i n v e s t i g a d o r f o i o observador direto dos eventos ou utiliza materiais de primeira mão. ✴Secundárias Quando os eventos foram observados e reportados por outras pessoas e não diretamente pelo investigador. Neste caso, os dados exigem cuidadosa e objetiva análise a fim de avaliar sua autenticidade e relevância. Pesquisa documental Trata-se de uma pesquisa realizada através de certos documentos como: documentos pessoais, cartas, diários, j o r n a i s , b a l a n c e t e s , m i c r o fi l m e s , fotografias, memorandos, ofícios, vídeos, documentos estatísticos etc. Metodologia Científica 52 Para Antônio Carlos Gil (1991), a pesquisa documental assemelha-se muito à pesquisabibliográfica, mas possui uma diferença: “A diferença está no fato de a bibliográfica utilizar fundamentalmente as contribuições dos diversos autores sobre determinado assunto. A documental utiliza materiais que não receberam o tratamento analítico, ou que ainda podem ser reelaborados.” Pesquisa de campo É a investigação empírica, i s t o é b a s e a d a n a experiência, realizada no local onde ocorre ou ocorreu um fenômeno. Pode incluir entrevistas, aplicação de questionamentos, testes e observações. Segundo Antônio Joaquim Severino, na pesquisa de campo “o objeto é abordado em seu próprio meio. A coleta de dados é feita nas condições naturais em que os fenômenos ocor rem, sendo ass im diretamente observados.” (2007, p. 123) Metodologia Científica 53 Pesquisa histórica D e t a l h e s c o m o v e s t u á r i o , compor tamento, l inguajar, arquitetura, papel de cada p e r s o n a g e m e t c . s ã o detalhes levantados por meio da pesquisa histórica, pois é ela que descreve o que já aconteceu, sob a forma de investigação, registro, análise e interpretação de fatos ocorridos no passado, para poder compreender o presente. Os dados podem ser coletados por meio das: •Fontes Primárias Q u a n d o o i n v e s t i g a d o r f o i o observador direto dos eventos ou utiliza materiais de primeira mão. •Fontes Secundárias Quando os eventos foram observados e reportados por outras pessoas e não diretamente pelo investigador. Neste caso, os dados exigem cuidadosa e objetiva análise a fim de avaliar sua autenticidade e relevância. Metodologia Científica 54 Pesquisa comparada A pesquisa comparada p r o c u r a e s t a b e l e c e r semelhanças e diferenças e n t r e s i t u a ç õ e s , fenômenos e coisas, por meio de relações entre os elementos que são comparados. Um bom exemplo de pesquisa comparativa está nos levantamentos sobre os aparelhos tipo smartphones, sempre realizados quando há lançamentos de novos modelos e tecnologias. Estudo de caso É o estudo restrito a uma ou poucas unidades entendidas, como uma pessoa, uma família, um produto, uma empresa, um órgão, uma comunidade ou um país. O Estudo de Caso constitui-se em uma metodologia de ensino participativa, voltada para o envolvimento do aluno. Há Estudos de Casos, por exemplo, que apresentam situações em que empresas e pessoas reais precisam tomar decisões Metodologia Científica 55 sobre um determinado dilema. A condução do método envolve um processo de discussão, em que alunos devem se colocar no lugar do tomador de decisão, gerar e avaliar alternativas para o problema, e propor um curso de ação. Com a globalização, a internet se tornou uma grande fonte de pesquisa. Nela encontramos muitas informações através dos sites de busca. Por isso, ao se fazer a opção de utilizar a internet como fonte de pesquisa é importante se preocupar em buscar informações apenas em sites confiáveis. As informações extraídas da internet podem ajudar muito na elaboração da pesquisa. Contudo, é preciso ter atenção quanto à propriedade intelectual do material que se está utilizando. Em qualquer situação é importante respeitar as regras de utilização das informações disponíveis. Nunca utilize informações de outros sem fazer referência à fonte. Metodologia Científica 56 Além disso, observe se as informações postadas na Web são verdadeiras e revise o texto, adaptando o conteúdo para o público do seu trabalho. Você sabia que propriedade intelectual e direitos autorais são coisas diferentes? Nesta aula, você: •Analisou a importância da pesquisa e seus benefícios na construção científica; •Reconheceu as classificações da pesquisa para fins de aplicabilidade; e •Distinguiu os benefícios e riscos de se pesquisar na internet. Registro de Participação 1.Do ponto de vista de sua natureza, podemos entender por pesquisa pura: (1)A busca por conhecimentos novos e úteis, sem aplicação prática prevista. (2)A busca por gerar conhecimentos para aplicação prática dirigidos à solução de problemas específicos. (3)Traduz em números opiniões e informações para classificá-los e organizá-los. (4)Cons is te no levantamento , se leção, fichamento e arquivamento de informações relacionadas à pesquisa Metodologia Científica 57 2.Quanto aos procedimentos, observe os tipos de pesquisas e correlacione as colunas: 1. Bibliográfica; 4. Histórica; 2. Documental; 5. Comparada; 3. Pesquisa de Campo; 6. Estudo de Caso; ( 5 ) Procura estabelecer semelhanças e diferenças entre situações, fenômenos e coisas, por meio de relações entre os elementos que são comparados. ( 4 ) Descreve o que era, o que já aconteceu, sob a forma de investigação, registro, análise e interpretação de fatos ocorridos no passado, para poder compreender o presente. ( 1 ) É uma etapa fundamental em todo trabalho científico que influenciará todas as etapas de uma pesquisa, na medida em que der o embasamento teórico para o trabalho. ( 2 ) Trata-se de uma pesquisa realizada através de documentos que podem ser: documentos pessoais, cartas, diários, jornais, balancetes, microfilmes, fotografias, memorandos, ofícios, vídeos, documentos estatísticos e outros. ( 3 ) É a investigação empírica realizada no local onde ocorre ou ocorreu um fenômeno. Pode incluir entrevistas, aplicação de questionamentos, testes e observações. Metodologia Científica 58 ( 6 ) É o estudo circunscrito a uma ou poucas unidades, entendidas essas como uma pessoa, uma família, um produto, uma empresa, um órgão, uma comunidade ou um país. 1) 1-2-4-5-6-3 2) 5-4-1-2-3-6 3) 4-1-2-3-5-6 4) 3-2-1-4-5-1 3. Do ponto de vista de sua abordagem, a pesquisa poderá ser: (1)Pesquisa Quantitativa, quando traduz em números opiniões e informações para classificá-las e organizá-las. Pesquisa Qualitativa, quando considera uma análise valorativa do fenômeno investigado. (2)Pesquisa Qualitativa, quando motivada apenas pela curiosidade intelectual do pesquisador, sem aplicação prática. Pesquisa Quantitativa, quando considera uma análise valorativa do fenômeno investigado. (3)Pesquisa Quantitativa, quando não traduz em números opiniões e informações para classificá-las e organizá-las. Pesquisa Qualitativa, quando considera a investigação empírica realizada no local onde ocorre ou ocorreu um fenômeno. Metodologia Científica 59 (4)Pesquisa Quantitativa, quando procura estabelecer semelhanças e diferenças entre situações, fenômenos e coisas, por meio de relações entre os elementos que são comparados. Pesquisa Qualitativa, quando considera uma análise valorativa do fenômeno investigado. METODOLOGIA CIENTÍFICA Exercício: CEL0476_EX_A3_201102276103 1a Questão (Ref.: 201102316259) Na ciência há um Método que se baseia na premissa que parte sempre do conhecimento geral para o particulare que considera que se as premissas forem verdadeiras a conclusão também o será. Este método é denominado: ( X ) Dedutivo ( ) Filosófico ( ) Teológico ( ) Indutivo ( ) Dedutivo-indutivo Metodologia Científica 60 2a Questão (Ref.: 201102316258) Que Método Científico está contido na seguinte premissa: "Todo molusco rasteja. A lesma é um molusco. Logo, a lesma rasteja": ( X ) Método dedutivo ( ) Método indutivo ( ) Método racional ( ) Método filosófico ( ) Método teológico 3a Questão (Ref.: 201102315498) O cientista utiliza um método na apreensão da realidade. Através do método podemos descobrir como chegar a um objetivo. É uma forma de pensar para se chegar à natureza de determinado problema. Nesse sentido, denomina-se método: ( ) O conjunto de estudos teóricos através dos quais é possível conhecer determinada realidade ( ) O conjunto obras já construídas que definem a realidade social. ( X ) O conjunto de procedimentos através dos quais é possível conhecer determinada realidade ( ) O conjunto de textos através dos quais é possível conhecer determinada área de saber ( ) O conjunto de investigações puramente racionais através dos quais é possível conhecer determinada realidade Metodologia Científica 61 AULA 4 DIFERENTES TÉCNICAS DE ESTUDO 1.Reconhecer a leitura como principal fonte de matéria-prima para o desenvolvimento do conhecimento; 2.Comparar técnicas de estudo; 3.Diferenciar as funções da Resenha e do Resumo na produção científica. Acostumamo-nos a ouvir que as tecnologias i n v a d i r a m n o s s a experiência cotidiana, não é mesmo? Muitos acreditam que os jovens se afastaram da leitura em razão de um s u p o s t o e x c e s s o d e t e c n o l o g i a s . E s s e a fas tamento , consequentemente , te r ia provocado um empobrecimento da linguagem. Há quem diga também que não tem paciência para ler um livro, que ver um filme é muito melhor. Ou, ainda, saem com frases do tipo: “o que não tenho é tempo!” Metodologia Científica 62 Será que isso é verdade? Ou estamos diante de alguém que não criou o hábito de ler? É natural não termos tempo para certas coisas. Ninguém tem tempo, no final das contas, mas todos querem saber tudo, não é? Vamos descobrir nesta aula que a leitura não foi deixada de lado e que ela é o primeiro passo para colocar em prática as técnicas de estudo e desenvolver as atividades acadêmicas. Durante a leitura, experimentamos um mundo totalmente novo ou melhoramos o nosso. E isso é muito gratificante, não é mesmo? Saber ler de maneira eficiente nos ajuda a descobrir novos caminhos, fertiliza a inteligência, nos ajuda a compreender a vida e a viver melhor ao lado do outro. Uma mente fertilizada tem mais chance diante da crise. Tudo bem que agora não é necessário adquirir um livro para ler um bom texto, já que as mídias eletrônicas possibilitam a leitura em telas. Metodologia Científica 63 Porém, mesmo com essa tecnologia, as principais fontes de pesquisa e conhecimento ainda são os bons e velhos livros, principalmente no meio acadêmico. Por isso, vamos começar com a escolha deles. O que você faz quando chega numa livraria? Vamos ver um passo a passo de como escolher um livro... 1. Título Observe o título e o subtítulo, se houver. Na maioria das vezes, ele indica o assunto e, às vezes, até a intenção do autor. 2. Orelha Se o livro apresentar “orelhas”, faça a leitura da informação trazida nelas. Na que acompanha a capa, geralmente encontramos uma apreciação da obra feita por alguém de prestígio. 3. Ficha Catalográfica Em seguida, leia a ficha catalográfica e verifique as qualificações da obra e do autor. Atente-se Metodologia Científica 64 para a data da publicação e certifique-se de que é a versão mais atualizada. 4. Sumário Verifique o sumário. Nesta parte você encontrará uma divisão em tópicos de como o livro foi organizado. Muitas vezes é ele que nos dá a dica de que o livro traz exatamente o assunto que estamos pesquisando. 5. Prefácio Se possível, leia a introdução ou o prefácio, se houver. Neste, o autor apresenta a metodologia usada e os objetivos do trabalho realizado ou até mesmo um resumo do livro. 6. Orelha Na “orelha” que acompanha a contracapa é comum encontramos informações sobre o autor do livro e suas obras publicadas. 7. Contracapa A contracapa ajuda muito na nossa escolha. Ela costuma conter um texto de apresentação, a sinopse, ou mesmo um trecho do livro, dando uma espécie de amostra do que vamos encontrar nele. Metodologia Científica 65 AGORA A LEITURA NOS LEVARÁ ÀS TÉCNICAS DE ESTUDO Bem, já sabemos a importância da leitura, já sabemos identificar as partes do livro que nos ajudam a escolhê-lo, agora vamos aprender algumas técnicas de estudo, baseadas obviamente na leitura, que nos ajudarão a organizar as ideias encontradas nos textos e, melhor ainda, nos ajudarão a recuperar essas ideias quando mais precisarmos delas. Você lembra que na aula 3 vimos que a pesquisa bibliográfica é a etapa fundamental do trabalho científico? É ela que influenciará toda pesquisa, na medida em que dá o alicerce teórico que servirá de base ao trabalho. Pois bem, essa é a fase que consiste no l e v a n t a m e n t o , s e l e ç ã o , fi c h a m e n t o e arquivamento de informações relacionadas ao que se pretende estudar. O fichamento, por exemplo, configura um aperfeiçoamento da pesquisa bibliográfica, porque contém comentários pessoais sobre a leitura e algumas citações-chave. Ou seja, trata- se de uma técnica de estudo que ajuda na organização do conhecimento. Metodologia Científica 66 Agora, você terá a oportunidade de conhecer, através do Banco Internacional de objetos educacionais do MEC, tudo sobre fichamento. Vamos lá? FICHAMENTO: QUANDO UTILIZAR E COMO ELABORAR Apresenta sobre como e quando se devem utilizar os fichamentos. Mostra como elaborar os fichamentos de forma adequada para cada tipo de documento ou trabalho a ser representado. Aborda de forma simples como confeccionar os textos em fichamentos. Para prosseguir selecione por onde deseja começar: Quando utilizar os fichamentos O fichamento é uma prática de redação que ajuda organizar estudos e pesquisas de forma mais efetiva. Agrega em suas características o resumo do documento ou texto consultado, sua referência, sua localização física e metodologia de arquivamento para posterior recuperação de todas estas informações. O fichamento é um meio de desenvolver as técnicas de redação como resumo e resenha dependendo de sua finalidade. Auxilia a treinar a elaboração de referências, redação científica (resumo e resenha), identificação de Metodologia Científica 67 assuntos, pesquisa em centros de informação e bibliotecase práticas de arquivamento. Os fichamentos feitos em meio acadêmico e em sala de aula, não necessitam da metodologia para armazenamento, sendo assim não precisam conter o local da obra (a não ser que seja pedido) e o espaço para identificação da ficha. As técnicas empregadas para o fichamento científico utilizado em meio acadêmico é muito semelhante à redação de resumos e resenhas científicas. Já os fichamentos para fins de pesquisa e estudo levam mais em consideração identificar o assunto do que foi fichado logo no início da ficha, assim como seu código de armazenamento que pode ser numérico, alfabético ou alfanumérico e a localização física da obra original. O meio mais utilizado para armazenagem das fichas é em papel, porém existem programas que auxiliam na confecção e armazenagem eletrônica de fichamentos. Neste módulo não vamos focar no meio físico utilizado para a Metodologia Científica 68 armazenagem do fichamento e sim nas suas técnicas e regras de elaboração. Para diferenciar as regras de um fichamento científico e o utilizado para estudo e pesquisas veremos como elaborar a redação de cada um e como estruturar a apresentação e disposição das informações em um fichamento. É importante na prática de fichamentos seguir os conselhos de Medeiros (2000) que diz: "... a prática eficaz do fichamento assusta o estudante que depara pela primeira vez com a m e t o d o l o g i a ; a prática contínua, no entanto, poderá levá- lo a alterar ponto de vista e julgamento, fazendo-o perceber que o pequeno trabalho inicial reverte-se em ganho de tempo futuro, quando precisar escrever sobre determinado assunto. Não se recomenda, porém o armazenamento de assuntos pelos quais não se tem nenhum interesse." (MEDEIROS, 2000, p. 97) Metodologia Científica 69 Como elaborar fichamentos Elaboração do texto A montagem e elaboração do texto de um fichamento dependerão do seu tipo. Para cada tipo de fichamento é necessário empregar diferentes regras devido a suas características. O fichamento inicia com a escolha do seu tipo que pode ser: de transcrição ou citação, de resumo ou conteúdo e de comentário ou crítico. Após escolher o tipo de fichamento deve- se inserir o assunto geral do fichamento e caso deseje o assunto mais específico t a m b é m d e f o r m a q u e f a c i l i t e o aprendizado e a localização posterior do livro ou documento. Identificado o tipo de fichamento e os assuntos da ficha é inserida a referência bibliográfica. As regras para elaboração de referências se encontram na norma NBR/ ABNT 6023 (2002). Basicamente os itens que compõem a referência bibliográfica são: Metodologia Científica 70 •Autor •Título •Local da edição •Editora •Data e número de páginas O fichamento de resumos ou conteúdo utiliza as mesmas regras para início de uma ficha: tipo, assunto geral, assunto específico e referência. Seu texto utiliza as mesmas regras e normas de um resumo que podem ser revisadas no módulo Resumo: quando utilizar e como elaborar. O fichamento de comentário ou crítico utiliza as mesmas regras para início de uma ficha: tipo, assunto geral, assunto específico e referência. Seu texto utiliza as mesmas regras e normas de um resumo que podem ser revisadas no módulo Resenha: quando utilizar e como elaborar. Terminado o texto do fichamento, caso a finalidade deste seja para estudo ou pesquisa utiliza a idenficação da ficha que pode ser a l fabét ico, numér ico ou alfanumérico, conforme facilitar a busca posterior pelas fichas. Metodologia Científica 71 Geralmente os fichamentos acadêmicos não necessitam da identificação de tipo, assunto geral e assunto específico. O tipo de fichamento mais utilizado em sala de aula é o de comentário ou crítico. Para averiguar o modo correto em que estes elementos são dispostos na referencia e possíveis informações adicionais, deve ser consultada a norma NBR/ABNT 6023 (2002). Para o fichamento de transcrição ou citação utilizam-se no início e no final do texto as aspas, pois o fichamento de transcrição é a passagem do texto original diretamente para a ficha. Segundo Medeiros (2000) de três formas é realizado o fichamento de transcrição que são os seguintes: •Fichamento de transcrição sem cortes •Fichamento de transcrição com corte intermediário de algumas palavras (utiliza reticências "..." para indicar a omissão das palavras); •Fichamento de transcrição com corte de parágrafo intermediário (utiliza um traço Metodologia Científica 72 contínuo, ou pontilhados para indicar a omissão dos parágrafos) Todo mundo sabe o que é um resumo (ou pelo menos acha que sabe). Mas e a resenha? Você sabe o que é? Toda resenha deverá conter um resumo da obra e um juízo crítico a respeito dos argumentos do autor. Nesse sentido, a diferença entre resumo e resenha está justamente nesta parte do texto em que se elabora uma crítica. Mas fique tranquilo, nesta aula estudaremos com detalhes a resenha e você ficará craque no assunto. O fichamento de leitura ajuda na construção de análises textuais como os resumos e resenhas. Vamos agora conhecer um pouco mais sobre essas análises que diversificam a atividade de estudo e propiciam informações e novos conhecimentos. Metodologia Científica 73 RESENHA Segundo apontam Lakatos e Marconi (1996, p. 211), a resenha apresenta um c o n t e ú d o c r í t i c o s o b r e d e t e r m i n a d a o b r a . S u a importância está em desenvolver a capacidade de proferir juízos críticos sobre a leitura: Resenha (...) é a apresentação do conteúdo de uma obra. Consiste na leitura, no resumo e na crítica, formulando, o resenhista, um conceito sobre o valor do livro. (...) a resenha em geral é feita por cientistas que, além do conhecimento sobre o assunto, têm capacidade de juízo crítico. Também pode ser feita por estudantes; neste caso, como um exercício de compreensão e crítica. Para iniciar-se nesse tipo de trabalho, a maneira mais prática seria começar por resenhas de capítulos. Etapas para elaborar uma resenha •Situar as ideias do autor no contexto geral de seu próprio pensamento; •Situar o autor em um contexto mais amplo, mostrando o sentido de sua perspectiva e Metodologia Científica 74 destacando os pontos importantes ou originais de seu pensamento; •Desvelar os pressupostos que aparecem e que justificam a posição assumida pelo autor; •Comparar as ideias do texto com ideias afins; •Crítica: formular um juízo crítico, uma avaliação, uma tomada de posição. O que uma resenha deve conter? •Referência da obra; •Informações sobre o autor; •Nome do resenhista e titulação; •Perspectiva teórica da obra; •Breve síntese e principais argumentos do autor; •Reflexão crítica da obra. No caso da técnica de estudo da resenha, elaboramos uma análise interpretativa. Como você já percebeu, o resenhista precisa terconhecimentos na área. Você deve iniciar-se na prática, começando pela elaboração de resumos para, pouco a pouco, adquirir habilidades para vir a elaborar uma resenha. Metodologia Científica 75 RESUMO Mas, afinal, o que significa resumir? Seria copiar frases do texto? Resumo é uma síntese sob forma de redação do fichamento de l e i t u r a , b u s c a n d o compreender o s e n t i d o d o t e x t o . U m a apresentação s u c i n t a e ordenada das ideias centrais do texto lido, sem a utilização de citação (SANTOS; MOLINA; DIAS, 2007, p. 105). Dentro do campo científico, a técnica de resumo pode ser: ✴Parte de um trabalho técnico-cientifico Produção seguida de palavras-chaves, que faz parte dos elementos pré-textuais de trabalho técnico científico e que deve estar em língua vernácula e língua estrangeira. Metodologia Científica 76 ✴Um trabalho acadêmico Não tem número definido de palavras, deve apresentar um cabeçalho (nome da IES, curso, período, turma, disciplina, professor, aluno) e constar a referência completa da obra estudada. Quando elaboramos um resumo, produzimos uma análise temática do texto lido. É o momento da compreensão do texto, entendendo as ideias do autor. Segundo Severino (2007), ao elaborar um resumo, o leitor deve fazer as seguintes perguntas: • Qual é o tema? • Qual a perspectiva da abordagem? • Como o assunto foi problematizado? • Como o autor responde ao problema? • Que posição assume? • Que ideia defende? • O que quer demonstrar? • Como o autor comprova sua tese? Metodologia Científica 77 Na análise temática percebemos o raciocínio do autor e sua argumentação. O resumo de um texto é a síntese do raciocínio do autor e não a mera redução de parágrafos. Como vimos lá no início da aula, muitos acreditam que os jovens não leem mais por causa dos avanços tecnológicos e isso teria causando um empobrecimento da linguagem. Acreditam também que essa preguiça esteja afetando a qualidade dos trabalhos acadêmicos devido ao uso excessivo de obras de terceiros sem as devidas referências, já que é muito mais fáci l “copiar e colar” do que cr iar. E, convenhamos, quem não lê não escreve bem e prefere “roubar” as palavras dos outros. É óbvio que a tecnologia ajuda na busca de informações. Porém, quando encontramos o que queremos, o nosso problema está apenas parcialmente resolvido, pois é preciso saber apresentar suas descobertas. Será por meio das técnicas de estudo vistas nesta aula — fichamento, resumo e resenha — que você terá meios para desenvolver um texto que apresente as ideias pesquisadas para seus possíveis leitores. Metodologia Científica 78 Você é o autor, valorize a sua escrita! Nesta aula, você: •Analisou a leitura como principal fonte para as técnicas de estudo, relacionou as diferentes técnicas de estudo e diferenciou as funções da Resenha e do Resumo na produção científica. Registro de Participação 1.Observe as afirmativas e depois marque a única opção possível. i. A a n á l i s e t e x t u a l é o m o m e n t o d a compreensão do texto, refazendo as ideias do autor, sua ideia central , raciocínio e argumentos; ii.Na análise interpretativa há a possibilidade de um juízo crítico, uma tomada de posição, uma avaliação; iii.O fichamento é um trabalho que permite sistematizar a leitura e elaborar um material sintético para consulta permanente e, nesse sentido, aproxima-se da ideia de uma análise textual; iv.Uma das vantagens da análise interpretativa é que propicia informações e conhecimentos, tornando o texto mais claro. Metodologia Científica 79 (1)II e IV estão corretas. (2)III e I estão corretas. (3)II e III estão corretas. (4)III e IV estão corretas. 2. Ao elaborarmos um trabalho científico como artigo, monografia, dissertação ou tese temos que apresentar em poucas linhas a síntese de nosso trabalho. Definimos este item como: (1)Resumo (2)Fichamento (3)Epígrafe (4)Resenha 3. Identifique e relacione corretamente as partes de uma resenha: 1. Identificação 2. Resumo 3. Apreciação crítica 4. Conclusão (4) Apresentação de informações acerca da leitura do documento, tais como: foi válida a leitura do livro? Por quê? Quais as principais contribuições? Quais as principais falhas? Metodologia Científica 80 (1) Referência bibliográfica completa do texto (conforme ABNT – NBR 6023/02) e o perfil básico. (3) Vínculo teórico com os autores discutidos ou estudados nas disciplinas, a experiência profissional, a visão de mundo e a noção histórica do país e/ou região que possui o autor que está elaborando a resenha. (2) Apresentação das ideias principais e das secundárias que sustentam o pensamento de quem escreveu a obra. 1) 4/1/3/2 2) 2/1/4/3 3) 4/2/1/3 4) 3/4/1/2 Metodologia Científica 81 AULA 5 PLANEJAMENTO E TIPOS DE TRABALHO CIENTÍFICO NESTA AULA 1.Relacionar os tipos de trabalho científico; 2.Relacionar o planejamento como fonte primordial para o desenvolvimento de um trabalho científico; 3.Listar os tipos de trabalhos acadêmicos mais comuns, suas funções e particularidades. Você sabe por onde começar um TRABALHO ACADÊMICO A primeira fase de qualquer trabalho de pesquisa é a definição do que será estudado. Se o tema da pesquisa não f o r e s t a b e l e c i d o p e l o p r o f e s s o r , v o c ê t e r á l iberdade para fazê- lo. Po rém, você deve te r cautela ao escolher o assunto que pretende investigar, porque essa flexibilidade pode te colocar em uma enrascada. Metodologia Científica 82 Pensamos logo em escolher um tema de nosso interesse pelo nosso gosto, não é mesmo? Algo sobre o qual queremos saber mais e achamos atraente. Mas isso pode não ser nada produtivo. Ao escolher um tema, devemos levar em consideração, por exemplo, se há uma bibliografia considerável sobre o assunto, se esta é fácil de ser encontrada, se estamos seguros para desenvolver os argumentos etc. Não podemos escolher algo sobre o qual não conseguiremos falar, não é verdade? Isso, sem dúvida, comprometerá o desenvolvimento do trabalho. Antes de iniciar uma pesquisa você deverá seguir os seguintes passos: 1. Escolha do tema O que vou pesquisar? A inspiração para o tema pode vir de um aspecto ou uma área de interesse de um assunto que se deseja provar ou desenvolver. Metodologia Científica 83 A vivência diária, as questões polêmicas, reflexão, leituras, debates, discussões também nos servem como fontes de assuntos. 2. Originalidade Precisa ser original? Originalidade não é pré-requisito. Você pode pesquisar um tema mesmo que este não seja inédito.3. Revisão de Literatura Se o tema não é inédito, quem já pesquisou algo semelhante? É importante saber quem já pesquisou o assunto escolhido e que contribuição deu para o seu desenvolvimento/conclusão. Para isso, procure trabalhos semelhantes ou idênticos e pesquise publicações na área. Depois liste os argumentos e veja quais textos você poderá utilizar para apoiar suas ideias. Essa revisão da literatura o ajudará até mesmo a organizar a estrutura do trabalho. Metodologia Científica 84 4. Justificativa • Por que estudar esse tema? • Que vantagens e benefícios a pesquisa proporcionará? • Qual a importância profissional e cultural da pesquisa? As respostas dessas questões são as razões que o levarão a estudar o tema escolhido. 5. Formulação do problema: levantamento das questões norteadoras Que questões estou disposto a responder? Deve-se definir claramente o problema, apresentá-lo no formato de perguntas e delimitá- lo em termos de tempo e espaço. 6. Determinação de objetivos O que pretendo alcançar com a pesquisa? É importante formular um único objetivo geral que apresente o propósito da pesquisa. Os objetivos específicos representam a divisão do objetivo geral em outros menores. Metodologia Científica 85 EXEMPLO Tema: Liderança autoritária e a motivação Problematização: Como a liderança autoritária pode comprometer a motivação dos funcionários da Empresa XYZ? Objetivo Geral: Investigar como o estilo de liderança autoritária compromete a motivação dos funcionários na Empresa XYZ. Objetivos específicos: Definir o conceito de liderança autoritária; Descrever alguns exemplos de liderança autoritária na Empresa XYZ; Definir o conceito de motivação; Analisar a relação entre liderança e motivação nas organizações. • Você percebeu que os objetivos específicos desdobram o objetivo geral da pesquisa? Que estão inseridos nesse contexto maior? • Você observou também que o objetivo geral expressa exatamente o que se pretende provar a partir da problematização do tema? • Por meio da pesquisa e da dedicação você delimitará facilmente tanto o objetivo geral quanto os específicos. Metodologia Científica 86 Planejar e pesquisar são o lema Seguindo os passos que acabamos de analisar fica fácil perceber como é importante fazer um planejamento do trabalho, não é mesmo? Então, antes de iniciar qualquer trabalho acadêmico, dedique-se ao planejamento, procure traçar o caminho mais eficiente para ficar claro o que se pretende com ele. Esse planejamento o ajudará a e n c o n t r a r u m t e m a interessante e sem obstáculos que comprometam a sua p e s q u i s a . A s s i m , v o c ê c a m i n h a r á c o m m a i s segurança ao real izar o t r a b a l h o , a u m e n t a n d o inclusive as chances de terminá-lo no prazo sem passar apertos, já que tem uma boa ideia de quanto tempo precisará dedicar a cada fase da pesquisa. Vale o esforço! O planejamento ainda contribui para a escolha de um tema que pode levar seu trabalho a ter uma aplicação prática. O que é uma bela recompensa, não é mesmo? Metodologia Científica 87 Prepare-se bem e você economizará tempo mais tarde e não terá a chance de escolher um tema improdutivo. Tenha certeza! Problematizar, eis a questão! Depois de escolhido o tema, deve-se pensar no problema a ser estudado. Sabemos que o mais comum ao ouvirmos a palavra problema é pensarmos em obstáculo, contratempo, situação difícil, conflito, não é? Mas, no nosso caso, o problema é científico e significa assunto controverso, isto é, refletir sobre um assun to que a inda não fo i satisfatoriamente respondido, em qualquer campo de conhecimento. Este problema, então, faz de um tema um objeto de pesquisas científicas ou discussões acadêmicas , em qua lquer domín io do conhecimento. Metodologia Científica 88 A clareza na formulação do problema científico refletirá na formulação dos objetivos e, consequentemente, no sucesso de sua pesquisa. Por que elaborar problemas científicos? Problematizar consiste em formular questões sobre o tema, ou seja, apresentar um questionamento que envolve o tema da pesquisa. É preciso esclarecer, portanto, que não se trata de uma simples pergunta, mas de um enunciado construído pela observação e investigação a partir de leituras aprofundadas sobre o tema escolhido. Essa tarefa envolve habilidades do pesquisador, o domínio do assunto, bem como a bibliografia disponível. Veja estes três exemplos: •PROBLEMA DE ENGENHARIA Como fazer algo de maneira eficiente. Veja dois exemplos: Metodologia Científica 89 “Como fazer para melhorar os transportes urbanos?” “Como aumentar a produtividade no trabalho?” •PROBLEMA DE VALOR Aqueles que indagam se algo é bom ou mau, desejável ou indesejável, certo ou errado, melhor ou pior, se algo deve ou não ser feito. Veja dois exemplos: “Os pais devem dar palmadas nos filhos?” “Qual a melhor técnica para a propaganda?” •PROBLEMA CIENTÍFICO Cada problema científico formulado conta com duas variáveis. EXEMPLO “Os alunos de Administração são mais conservadores do que os de Ciência Sociais.” Metodologia Científica 90 A variável relacionada ao Curso é independente em re lação à var iáve l re lac ionada ao Conservadorismo. Por isso, é mais importante. Conservadorismo, por sua vez, é uma variável dependente da primeira (Curso). Sendo, assim, menos importante. “A classe social da mãe influencia no tempo de amamentação dos filhos.” A variável relacionada à Classe social é independente em relação à variável relacionada ao Tempo de amamentação. Por isso, é mais importante. Tempo de amamentação, por sua vez, é uma variável dependente da primeira (Classe social). Sendo, assim, menos importante. Metodologia Científica 91 Dos problemas às hipóteses Ao seguirmos a ordem das razões, podemos afirmar que a f o r m u l a ç ã o d e u m a hipótese de pesquisa decorre da problematização. As hipóteses são as possíveis respostas encontradas para o problema formulado. A problematização requer possibilidades de respostas, que compõem alternativas que devem ser consideradas e examinadas. Exemplo de hipótese Tema: mortalidade infantil Problematização: em que medida o fenômeno da mortal idade infant i l está relacionado à desnutrição da criança? Você percebeu que o pesquisador ao constatar a relação entre as variáveis (mortalidade infantil e desnutrição) formulou uma hipótese? Metodologia Científica 92 RELATÓRIO O Relatório é a parte final de uma pesquisa. Seu objetivo consiste em dar ao leitor o resultado completo do estudo,apresentando fatos, dados, procedimentos utilizados, resultados obtidos, chegando a certas conclusões e recomendações (RAMPAZZO, 2005). O Relatório está estruturado em: Elementos Pré-texto •Capa • Folha de rosto Elementos Textuais •In t rodução : esco lha do assun to , delimitação, justificativa e objetivos; •Revisão da bibliografia: apresentação da pesquisa bibliográfica sobre o assunto; •Metodologia: procedimentos empregados para obtenção dos dados; •Conclusão: análise e interpretação dos dados. Elementos pós-textuais •Lista de referências usadas no texto. As referências devem ser elaboradas conforme as normas da ABNT. Metodologia Científica 93 COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA OU PAPER Segundo a ABNT (1989), paper é um pequeno artigo científico elaborado sobre determinado tema ou resultados de um projeto de pesquisa. É uti l izado nas comunicações em congressos e reuniões científicas, sujeitos à sua aceitação por julgamento. A finalidade de um paper é formar um problema, estudá-lo, adequar hipóteses, cotejar dados, prover uma metodologia p r ó p r i a e , fi n a l m e n t e , c o n c l u i r o u eventualmente recomendar. Por ser bastante técnico, o paper pode conter fórmulas, gráficos, citações e pés de página, anexos, adendos e referências. A última coisa que se destaca neste tipo de trabalho é a opinião do autor. Por isso, em um paper, o julgamento de quem o escreveu é velado e tem a aparência imparcial e distante, não deixando transparecer tão claramente as crenças e as preferências do escritor. Conforme Carmo-Neto (1996), os dados de um paper são geralmente experimentais, mensuráveis objetivamente. Mesmos os mais Metodologia Científica 94 intuitivos ou hipotéticos sempre imprimem certo aspecto científico e quase sempre são formados a partir de uma metodologia própria para aquele fim. SEMINÁRIO É um procedimento didático que consiste em levar o aluno a pesquisar a respeito de um tema, a fim de apresentá-lo e discuti-lo cientificamente. Poderá funcionar com um só grupo ou dividir- se em subgrupos, dedicando cada um deles ao estudo de aspectos particulares de um mesmo tema ou temas diferentes de uma disciplina. C a d a i n t e g r a n t e t e r á u m a t a r e f a individualizada. Neste caso, a exposição poderá ficar a cargo de um representante do grupo ou poderá haver a apresentação de cada integrante individualmente. Para a dinâmica desta atividade em grupo, Eva Maria Lakatos (2004) sugere que o Metodologia Científica 95 trabalho seja organizado com os seguintes participantes: COORDENADOR O Coordenador é representado pelo professor. É ele que propõe os temas, indica a bibliografia inicial, estabelece a agenda de trabalho e fixa a duração das apresentações. ORGANIZADOR O Organizador é representado por um i n t e g r a n t e d o g r u p o . E s t e fi c a r á responsável pelas reuniões, coordenará as etapas da pesquisa e poderá designar tarefas para cada componente do grupo. RELATOR O Relator será o componente responsável pela exposição dos resultados dos estudos do grupo, porém não é o único a falar em sala de aula. SECRETARIO O Secretário será representado pelo integrante designado pelo professor para anotar as conclusões finais, após os debates. COMENTADOR Os Comentadores são os escolhidos pelo professor para o aprofundamento crítico do tema. Devem estudar com antecedência o Metodologia Científica 96 tema a ser apresentado com o intuito de fazer críticas adequadas à exposição, antes da discussão e por ocasião do debate com os demais participantes. DEBATEDOR Os Debatedores são todos os alunos da classe. Participam fazendo perguntas, pedindo esclarecimentos, colocando objeções, reforçando argumentos ou dando alguma contribuição. Depois do que analisamos, podemos concluir que a atividade do seminário se resume em: •Reunião da classe sob a orientação do coordenador; •Apresentação dos resultados da pesquisa do(s) relator(es), em aula; •Após a exposição, intervenção do comentador com os subsídios e críticas; •Participação da classe nas discussões e debates, através de indagações, sugestões e/ ou dúvidas; •Para finalizar, o coordenador do seminário faz uma síntese e encaminha para as conclusões finais, fazendo a avaliação do seminário. Metodologia Científica 97 ANTEPROJETO DE PESQUISA Tra ta -se de um documento temático que apresenta de maneira concisa o conteúdo de um projeto de pesquisa. É um estudo preparatório, esboço ou conjunto dos estudos preliminares, que irá constituir, depois das necessárias alterações, as diretrizes básicas do projeto definitivo. Um anteprojeto de pesquisa divide-se em: ELEMENTOS PRÉ-TEXTUAIS Folha de rosto Sumário ELEMENTOS TEXTUAIS Introdução: enunciar e delimitar o tema; objetivo geral; justificativa do estudo e bibliografia disponível; Metodologia: elaborar o esquema de trabalho: coleta e tratamento de dados e método de pesquisa adotado; Metodologia Científica 98 Embasamento Teórico: é a parte da pesquisa em que o estudante apresenta os autores que serão utilizados na pesquisa e seus principais conceitos; Cronograma: se refere às etapas da pesquisa e ao lapso de tempo que cada uma exige. ELEMENTOS PÓS-TEXTUAIS Lista de referências. As referências devem ser elaboradas conforme as normas da ABNT. PROJETO DE PESQUISA O projeto de pesquisa apresenta os pontos principais que revelam a definição de um problema, a revisão sucinta da bibliografia e a metodologia. Assim, a primeira parte apresenta a introdução, o objet ivo, a just ificat iva, as questões norteadoras ou hipóteses do estudo. Já a segunda parte contempla a metodologia, indicando o tipo de pesquisa que será desenvolvida e os instrumentos a serem utilizados. Metodologia Científica 99 Um projeto de pesquisa divide-se em: ELEMENTOS PRÉ-TEXTUAIS Capa Folha de rosto Sumário Resumo Lista de abreviaturas ELEMENTOS TEXTUAIS Introdução: enunciar e delimitar o tema; objetivo geral; justificativa do estudo e bibliografia disponível. Divide-se em: ★ Considerações iniciais; ★ Problematização (questão norteadora); ★ Objetivos; ★ Justificativa. Metodologia Científica 100 Embasamento Teórico: é a parte da pesquisa em que o estudante apresenta os autores que serão utilizados na pesquisa e seus principais conceitos; Metodologia: elaborar o esquema de trabalho ― coleta e tratamento de dados e método de pesquisa adotado; Cronograma: se refere às etapas da pesquisa e ao lapso de tempo que cada uma exige. ELEMENTOS PÓS-TEXTUAIS Lista de referências Glossário (opcional) Apêndice (opcional) Anexos (opcional) Índice (opcional)Metodologia Científica 101 ARTIGO CIENTÍFICO É um pequeno estudo que trata de uma questão científica e destina-se a publicações em revistas ou periódicos. Difere-se da monografia pela sua reduzida dimensão e conteúdo (RAMPAZZO, 2005). O artigo também deve ser estruturado em três partes (NBR 6022): elementos pré-textuais; textuais e pós-textuais. Estrutura de um artigo científico: ELEMENTOS PRÉ-TEXTUAIS Título – termo ou expressão que indica o conteúdo do artigo; Autoria – nome do autor, acompanhado de breve currículo (mesmo que seja para informar a condição de formando); Resumo - parágrafo que sintetiza os objetivos pretendidos, a metodologia empregada, resultados e conclusões; Palavras-chave - termos indicativos do conteúdo do artigo. Metodologia Científica 102 ELEMENTOS TEXTUAIS O corpo do artigo é estruturado em: Introdução – expõe o problema investigado, a finalidade do artigo e a metodologia utilizada para alcançar a finalidade; Desenvolvimento – trata a matéria de forma abrangente e objetiva; Conclusão – destaca os resultados obtidos. ELEMENTOS PÓS-TEXTUAIS Lista de referências usadas no texto. As referências devem ser elaboradas conforme as normas da ABNT. Observação: Em artigos científicos evita-se o uso de notas de rodapé, anexos e apêndices. Devem-se evitar, também, citações diretas longas. Metodologia Científica 103 MONOGRAFIA Segundo Geller (2011), monografia, no sentido etimológico, significa “dissertação a respeito de um assunto único”, pois monos (mono) significa “um só” e graphein (grafia) significa “escrever”. A monografia é um trabalho científico que se caracteriza pela especificação, ou seja, a redução da abordagem a um só assunto, a um só problema. Portanto, monografia é um trabalho com tratamento escrito de um tema específico que resulte de interpretação científica com a finalidade de apresentar uma contribuição relevante ou original à ciência. Subtipos de monografia: TCC Significa “Trabalho de Conclusão de Curso”. Trata-se de um documento que representa o resultado de um estudo, devendo expressar conhecimento do assunto escolhido e elaborado sob a coordenação de um orientador. DISSERTAÇÃO A Dissertação é um tipo de trabalho apresentado no final do curso de pós- graduação stricto sensu, visando obter o título Metodologia Científica 104 de mestre. Este tipo de trabalho acadêmico requer defesa pública. Como estudo teórico, de natureza reflexiva, a dissertação requer sistematização, ordenação e interpretação dos dados. (RAMPAZZO, 2005) TESE Tese é o trabalho científico, escrito, original, sobre um tema específico, cuja contribuição amplia os conhecimentos do tema escolhido. Representa, portanto, um avanço na área científica em que se situa. Possui a mesma estrutura da monografia e da dissertação, mas distingue-se no que concerne à profundidade, à originalidade, extensão e objetividade (RAMPAZZO, 2005). Também é um tipo trabalho apresentado no final do curso de pós-graduação stricto sensu e confere ao seu escritor o título de doutor. EXERCÍCIO Descubra os trabalhos acadêmicos 1. Parte final de uma pesquisa. Seu objetivo consiste em dar ao leitor o resultado completo do estudo. R: RELATÓRIO Metodologia Científica 105 2. Tipo de trabalho que tem 3 subtipos. R: MONOGRAFIA 3. Muitas pessoas estão envolvidas na elaboração deste trabalho. R: SEMINÁRIO 4. Estudo preparatório, esboço ou conjunto dos estudos preliminares, que irão constituir as diretrizes básicas do projeto definitivo. R: ANTEPROJETO 5. Pontos principais que revelam a definição de um problema, a revisão sucinta da bibliografia e a metodologia. R: PESQUISA Chegamos ao final de mais uma aula Nesta aula aprendemos que planejar não é perda de tempo! Agora vai outra dica importante: após delimitar o tema, procure ler o que os autores falam sobre ele e anote como eles problematizaram esse tema. Metodologia Científica 106 Observe como levantaram questões norteadoras da pesquisa, bem como responderam a essas questões formuladas. Isso o ajudará a formular a questão que será respondida no seu trabalho. E, lembre-se, é muito importante ter consciência do tipo de trabalho que se pretende escrever e sua função para obter sucesso na apresentação de suas pesquisas. Nesta aula, você: Analisou a estrutura os tipos de trabalho científico e relacionou o planejamento como fonte primordial para o desenvolvimento de um trabalho científico. Além disso, conheceu os tipos de trabalhos acadêmicos mais comuns, suas funções e particularidades METODOLOGIA CIENTÍFICA Exercício: CEL0476_EX_A5_201102276103 1a Questão (Ref.: 201102540461) O êxito de uma pesquisa depende do procedimento seguido pelo pesquisador, que é delineado no planejamento. Quais são as fases do planejamento de uma pesquisa? Metodologia Científica 107 [ ] Decisória, construtiva e redacional. [ ] Decisória, maturação e redacional. [ ] Exploratória, coleta e publicação. [ ] Reflexão, decisória, e redacional. [X ] Exploratória, decisória e redacional. 2a Questão (Ref.: 201102318364) Selecionar e delimitar o problema de pesquisa é importante para: [X] Diminuir a extensão do assunto a ser abordado, evitando percorrer caminhos desnecessários, possibilitando o aprofundamento dentro dos aspectos que realmente são fundamentais ao desenvolvimento da pesquisa. [ ] Escolhermos um recorte físico que possibilite uma aceleração da pesquisa, estudando todas as partes que compõem o trabalho de uma só vez. [ ] O progresso científico quase sempre surge de uma análise simplificada de aspectos de uma necessidade imediata, não considerando estudar "pedaços" por vez. [ ] Auxiliar na escolha da bibliografia a ser estudada, que deve ser a mais resumida possível, de forma a não estender a pesquisa por um longo tempo, mesmo que isso acarrete um aprofundamento superficial. Metodologia Científica 108 [ ] Considerar a possibilidade de desenvolver a pesquisa acadêmica de forma a utilizar todas as fontes possíveis, ainda que isso amplie consideravelmente o prazo inicialmente destinado ao desenvolvimento da mesma. 3a Questão (Ref.: 201102315552) Contextualizar as idéias de um autor quanto ao quadro de ideias de uma época, comparar as ideias do texto com outras afins e assumir uma tomada de posição faz parte da: [ ] Análise de fontes [ ] Análise textual [X ] Análise interpretativa [ ] Análise interativa [ ] Análise temática Metodologia Científica 109 AULA 6 ESTRUTURA E FORMATAÇÃO OBJETIVOS 1.Analisar a ABNT enquanto órgão regulador; 2.Distinguir os elementos que formam a estrutura deum trabalho científico; 3.Esboçar a formatação de um trabalho científico. EVITANDO O CAOS Imagine se cada aluno que produzisse um trabalho acadêmico o organizasse como bem entendesse? I m a g i n e - s e f a z e n d o u m a p e s q u i s a e encontrando os livros organizados de formas d i f e r e n t e s : u n s c o m e ç a n d o p e l o desenvolvimento, seguido da conclusão e terminando com a introdução; outros começando pela conclusão, seguida da introdução e do desenvolvimento. Que confusão, não é mesmo? É para dar uma sequência lógica, evitar o caos e, claro, a perda de tempo, que organizamos a ordem do texto. Metodologia Científica 110 Aprendemos isso nas aulas de redação, lembra? Pr imeiro, vem a introdução, depois, o desenvolvimento e, por último, a conclusão. Essa ordem se estende a outras produções textuais, inclusive os trabalhos acadêmicos. E é disso que vamos tratar nessa aula: estrutura, formatação e organização de nossas produções científicas. E sabe quem dita as regras? Vamos descobrir! A FAMOSA ABNT Fundada em 1940, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) é o órgão responsável pela normalização técnica no país, fornecendo a base necessária ao desenvolvimento tecnológico brasileiro. Mas você deve estar se perguntando: No que ela interfere no meu trabalho acadêmico? Algumas normas da ABNT servem de padrão para as instituições de ensino no que diz respe i to à apresentação de t raba lhos acadêmicos e científicos. Metodologia Científica 111 Por isso, quando não houver especificação por parte da instituição quanto à normatização de um trabalho científico, adote as normas da ABNT. VAMOS COMEÇAR PELA ESTRUTURA Muitos dos trabalhos acadêmicos são compostos pelos chamados elementos pré-textuais, textuais e pós-textuais que nos ajudam a organizar o conteúdo. E s s e s e l e m e n t o s d e v e m a p r e s e n t a r uniformidade gráfica e seguir a seguinte estrutura: Metodologia Científica 112 Você reparou que alguns elementos foram classificados como obrigatórios? Pois, então, veja quais são as partes que não podem faltar no seu trabalho: OBRIGATÓRIOS • Capa • Folha de rosto • Folha de aprovação • Resumo na língua vernácula Metodologia Científica 113 • Resumo na língua estrangeira • Sumário OPCIONAIS • Lombada • Ficha catalográfica • Errata • Agradecimento • Dedicatória • Epígrafe • Lista de Ilustrações • Lista de tabelas • Lista de abreviaturas e siglas • Lista de símbolos ELEMENTOS PRÉ-TEXTUAIS Os elementos pré-textuais são aqueles que antecedem o texto com informações que contribuem para a identificação e utilização do trabalho. • CAPA • FOLHA DE ROSTO • FOLHA DE APROVAÇÃO • DEDICATÓRIA • AGRADECIMENTOS • RESUMO EM LÍNGUA VERNÁCULA • RESUMO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA • SUMÁRIO • LISTA DE ILUSTRAÇÕES • LISTA DE TABELAS Metodologia Científica 114 CAPA A capa, elemento obrigatório que identifica o trabalho, deve conter as informações na ordem estabelecida pela NBR 14724, entretanto, por uma questão de praticidade, usaremos os elementos identificadores na seguinte ordem: • Nome da Universidade: localizado na margem superior, centralizado, letras maiúsculas, fonte 16 e em negrito. • Nome do curso: logo abaixo do nome da Universidade, em letras maiúsculas, centralizado, fonte 16 e em negrito. • Título do trabalho: em letras maiúsculas, centralizado, fonte 16, negrito. • Nome(s) do(s) autor(es): nome e sobrenome do(s) autor(es), em ordem alfabética, em l e t r a s m a i ú s c u l a s , c e n t r a l i z a d o , (considerando o alinhamento horizontal), fonte 14 e em negrito. • Local e ano: nas duas últimas linhas da folha, em letras maiúsculas, centralizado, fonte 12 e em negrito. Tais elementos devem ser distribuídos de maneira eqüidistantes na folha. Metodologia Científica 115 FOLHA DE ROSTO A Folha de Rosto, elemento obrigatório, é a repetição da capa com a descrição da natureza e objetivo do trabalho, portanto, contém detalhes da identificação do trabalho na mesma ordem. • Natureza e objetivo do trabalho: trata-se de uma nota explicativa de referência ao texto. Deve ser impresso em espaço simples, fonte 10 e com o texto alinhado a partir da margem direita. FOLHA DE APROVAÇÃO Esta folha deve ser impressa, a partir da metade da página. Grafado em letras maiúsculas, fonte 12, em negrito, BANCA EXAMINADORA. Abaixo desta, imprimir quatro linhas para as assinaturas dos membros da banca examinadora. É utilizada, como elemento obrigatório, nos trabalhos que são avaliados por bancas, como por exemplo, nos TCCs. Metodologia Científica 116 DEDICATÓRIA Esta é a folha em que o(s) autor(es) dedica(m) o trabalho e/ou faz(em) uma citação ou ainda, presta(m) uma homenagem. É um elemento opcional, porém, se utilizada, o texto é impresso em itálico, fonte 10, na parte inferior da folha, à direita e a folha é encabeçada pela palavra "Ded ica tó r ia " , cen t ra l i zado , em le t ras maiúsculas, fonte 14, em negrito. AGRADECIMENTOS Esta folha é opcional. Quando utilizada deve privilegiar, àqueles que merecem destaque por sua contribuição ao trabalho. Desse modo, agradecimentos e contribuições rotineiras, não são, em geral, destacados. Esta folha é encabeçada pela palavra AGRADECIMENTO, em letras maiúsculas, centralizada, fonte tamanho 14, em negrito. Em geral inclui agradecimentos: ao coordenador e/ ou orientador, professores, instituições, empresas e/ou pessoas que colaboraram de forma especial na elaboração do trabalho. O texto é composto utilizando-se a fonte tamanho12. subir Metodologia Científica 117 RESUMO EM LÍNGUA VERNÁCULA É a condensação do trabalho, enfatizando-se seus pontos mais relevantes de modo a passar ao leitor uma idéia completa do teor do trabalho. Deve ser desenvolvido, apresentando de forma clara, concisa e objetiva, a informação referente aos objetivos, metodologia, resultados e conclusões do trabalho. O título RESUMO deve estar centralizado, letras maiúsculas, fonte 14, em negrito. O texto será apresentado três espaços abaixo do título, em espaço simples entrelinhas, sem parágrafo. O resumo deverá conter entre 200 e 500 palavras. É redigido na terceira pessoa do singular, com o verbo na voz ativa e não deve incluir citações bibliográficas. É um elemento obrigatório e deverá conter também as palavras representativas do conteúdo do trabalho, isto é, palavras-chave ou descritores. Quando utilizado em Anais de Congressos, S e m i n á r i o s e t c , d e v e r ã o c o n s t a r , obrigatoriamente, na parte superior da folha e centralizados: título do trabalho, nome completo dos autores, do orientador e da instituição a que pertencem.Metodologia Científica 118 RESUMO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA O resumo deve ser, necessar iamente, apresentado em pelo menos, mais um idioma além do original utilizado na língua vernácula. Deste modo, temos: em inglês ABSTRACT, em espanhol RESUMEN, em francês RÈSUMÉ, por exemplo; é apresentado em página separada. Nos TCC's , t ra ta -se de um e lemento obrigatório. SUMÁRIO É um elemento obrigatório, constituído pela enumeração das principais divisões, seções e outras partes do trabalho, na mesma ordem em que aparecem no seu desenvolvimento, ou seja, deve conter exatamente os mesmos títulos, subtítulos que constam no trabalho e as respectivas páginas em que aparecem. O título SUMÁRIO deve estar em letras maiúsculas, fonte 14, centralizado e em negrito. Após três espaços, serão grafados os capítulos, títulos, itens e/ou subitens, conforme aparecem no corpo do texto. Metodologia Científica 119 LISTA DE ILUSTRAÇÕES É um elemento opcional que se destina a identificar os elementos gráficos, na ordem em que aparecem no texto, indicando seu título e o número da página em que estão impressos. É grafado o título: LISTA DE ILUSTRAÇÕES no centro da página, em letras maiúsculas, fonte 14, negrito. LISTA DE TABELAS São opcionais e correspondem às listas de abreviaturas, siglas, símbolos e/ou grandezas; obedecem às mesmas regras das Listas de Elementos Gráficos. São ut i l izadas, se necessárias, para dar ao leitor as melhores condições de entendimento do trabalho. O QUE É FORMATAÇÃO? Entende-se por formatação a ação de dar forma, de organizar a disposição dos elementos visuais em um arquivo gráfico ou de texto. Metodologia Científica 120 É a formatação, portanto, que nos ajudará a dar a forma mais apropriada, segundo a ABNT, aos nossos trabalhos acadêmicos e projetos. Ela nos auxiliará a adaptar o conjunto de características visuais próprias do texto ― como o itálico, o sublinhado, o negrito, o tamanho de fonte, o espaço de linhas etc. ― ao padrão estabelecido. FORMATAÇÃO DE TRABALHOS ACADÊMICOS E CIENTÍFICOS Observe agora a lguns dos i tens mais impor tantes a serem cons iderados na formatação de um trabalho acadêmico: Fonte R e c o m e n d a - s e utilizar em todo o trabalho a fonte Arial ou Times New Roman , no rma l , tamanho 12. A utilização do itálico é feita apenas nas palavras em outro idioma. Nas legendas das tabelas, figuras, ilustrações, citações longas e nos textos das notas de rodapé o tamanho da fonte a ser utilizada é 11. Metodologia Científica 121 Espaço O espaçamento a ser adotado é o de 1 , 5 c m n a s entrelinhas, com recuo de primeira linha do parágrafo (1,25 cm – corresponde a 1 tab.) e texto justificado. Nas citações com mais de três linhas, nas legendas das tabelas, figuras e ilustrações o espaçamento é simples. Observe ainda o espaço simples nas referências bibliográficas, colocadas em ordem alfabética por sobrenome do autor, alinhadas à margem esquerda e separadas entre si por dois espaços simples. Margem Segundo as normas da ABNT o papel deve ser branco, com formato A4 (21,0 cm x 29,7cm). As páginas devem apresentar margem esquerda e superior de 3,0 cm, direita e inferior de 2,0 cm. Metodologia Científica 122 Capa A capa é elemento obrigatório em alguns tipos de trabalho acadêmico, apresenta uma formatação específica e deve conter os elementos essenciais para identificação do autor do trabalho (ABNT, NBR 14724). A ABNT normatiza que seja usada a fonte Times New Roman ou Arial, tamanho 14, e o espaço entre as linhas deve ser simples. Sua capa deverá conter as seguintes informações na ordem sugerida: 1. Identificação da Instituição de Ensino Superior - IES (caixa alta); 2. Identificação do curso (caixa alta); 3.Tipo de trabalho (caixa alta); 4.Nome do acadêmico (caixa alta); 5.Título do projeto (caixa alta); 6.Cidade, ano (caixa alta). A régua vertical do editor de texto ajudará na formatação da capa. Assim, no marco 1 da régua do editor, indique o nome da universidade (IES). No marco 1,5, indique o curso. No marco 2, especifique o tipo de trabalho. Metodologia Científica 123 No marco 7, inserira o nome completo do acadêmico. No marco 12, mencione o título do trabalho. No marco 23, insira a cidade e ano. Metodologia Científica 124 Folha de rosto A folha de rosto é um complemento da capa e deve apresentar: • a identificação da disciplina em que o trabalho será apresentado, • o curso, • a instituição de ensino, • o aluno e • o professor orientador. Na hipótese de dissertações de mestrado e teses de doutorado, no verso da folha de rosto, deve constar a ficha catalográfica. Quanto a numeração das páginas, vale ressaltar que todas as folhas a partir da folha de rosto devem ser contadas, mas a numeração começa a partir da primeira parte textual (introdução). O número deve estar expresso em algarismo arábico, fonte 11, no canto superior da folha. Metodologia Científica 125 1 2 3 NOTA 4 1º - Nome do acadêmico (caixa alta); 2º - Título do trabalho (caixa alta); 3º - Nota indicativa do tipo de trabalho: em recuo esquerdo de 8 cm, espaço simples, alinhamento justificado e fonte 12. Inserir a seguinte nota: (Tipo de trabalho) apresentado à disciplina de (nome da disciplina), do (nome do curso), da (nome da Instituição de ensino). Professor(a) Orientador(a): nome completo do professor 4º - Cidade, ano. Metodologia Científica 126 Sumário Para muita gente, fazer sumário no Word é um martírio. Ele nunca fica conforme o esperado quando criado manualmente. Quando utilizamos a função automática do Word, ou não saímos do canto ou o resultado foge totalmente aos requisitos normativos, não é mesmo? Para esclarecer as dúvidas sobre Sumário, assista ao vídeo e veja o passo a passo que mudará a sua vida! Citações Entende-se por citação a menção de uma informação extraída de outra fonte. A citação pode ser direta ou indireta Referência bibliográfica Referência é o “[...] conjunto padronizado de elementos descrit ivos, ret irados de um documento, que permite sua identificação individual” (ABNT, 2002, p. 2) no todo ou em parte, impressos ou registrados em diversos tipos de suporte. Metodologia Científica 127 Para finalizar... ...Veja agora algumas representações gráficas da formatação que te ajudarão na hora de montar seu anteprojeto ou projeto de pesquisa e seu TCC. FORMATAÇÃO DE UM ANTEPROJETO DE PESQUISA: •Capa •Folha de rosto •Folha de aprovação ➡ Dedicatória ➡ Agradecimentos ➡ Apígrafe•Sumário •Resumo •Abstract ➡ Lista de abreviaturas •Introdução •Desenvolvimento •Conclusão •Embasamento teórico •Metodologia •Cronograma •Referência ➡ Apêndice / Glossário ➡ Anexos / Índice Metodologia Científica 128 Nesta aula, você: Analisou a estrutura os tipos de trabalho científico e relacionou o planejamento como fonte primordial para o desenvolvimento de um trabalho científico. Metodologia Científica 129 AULA 7 CITAÇÃO OBJETIVOS 1.Aplicar as normas da ABNT nos trabalhos acadêmicos; 2.Distinguir as formas de se fazer citação em trabalhos acadêmicos. QUAL É O PROPÓSITO DE UM TEXTO CIENTÍFICO? Segundo Azevedo (1997, p. 109), “o propósito de um texto científico é comunicar os resultados e as ideias a que se chegou, após a coleta e análise dos dados”. Porém, é muito comum recorrer às palavras dos próprios autores quando queremos escrever sobre nossas pesquisas. Muitas vezes, recorremos a citações ou porque não conseguimos superar a fala do autor ou porque queremos intencionalmente mostrar ao nosso leitor como ele abordou o assunto. Antes de tudo... Em um trabalho cuidadoso, você deve ler diferentes autores sobre o assunto a ser pesquisado e, assim, organizar o pensamento, Metodologia Científica 130 fundamentando as ideias antes de iniciar a redação do trabalho. Nesse aspecto, o fichamento bibliográfico e o de leitura configuram fases imprescindíveis para a elaboração de seu trabalho acadêmico. Somente após uma leitura cuidadosa, você poderá destacar as citações-chave que utilizará, caso seja necessário. MAS O QUE SIGNIFICA CITAR? COMO DEVO ORGANIZAR UMA CITAÇÃO? As citações são trechos transcritos ou informações extraídas de publicações consultadas e devem ser inseridas em um texto com a finalidade de esclarecer ou complementar as ideias. Em todas as hipóteses, a fonte deve ser mencionada. Segundo ABNT, citação é a “menção a uma informação extraída de outra fonte”. (NBR 10520:2002) Elas estão divididas em três tipos: •CITAÇÃO DIRETA •CITAÇÃO INDIRETA •CITAÇÃO DE CITAÇÃO Metodologia Científica 131 Citação direta As citações diretas são aquelas que copiamos, sem mudar nada, do texto original que consultamos. Como esclarece João Bosco Medeiros (2003, p. 187), é a referência a uma obra colhida de outra fonte “para esclarecer, comentar, ou dar como prova uma autoridade no assunto”. É importante observar que este tipo de citação só se justifica quando o pensamento expresso pe lo au tor consu l tado é e fe t i vamente significativo, claro e necessário à exposição, pois excessos de citações diretas, tabelas, gráficos, podem acarretar prejuízo à estratégia de comunicação, comprometendo o trabalho. As citações devem ser apresentadas conforme a ABNT - NBR 10520. As transcrições com até três (03) linhas permanecem no corpo do parágrafo, entre aspas duplas, e são denominadas citações diretas curtas. Exemplo 1 João Medeiros (2003, p. 189) observa que “a c i t ação d i re ta ex ige a lguns cu idados Metodologia Científica 132 elementares com o texto, salientando-se entre outros: pontuação, maiúscula, destaques”. Assim, as citações diretas, com até três linhas, devem ser transcritas no seu próprio parágrafo, entre aspas duplas. A questão da sustentabilidade está em alta no momento. Percebemos que, se continuarmos consumindo os recursos do nosso planeta desse j e i t o , a f e t a r e m o s a v i d a d e n o s s o s descendentes. Para evitar isso, temos que nos comprometer com as próximas gerações, repensando o “desenvolvimento econômico e material sem agredir o meio ambiente e começando a usar os recursos naturais de forma inteligente para que eles não se esgotem. Seguindo estes princípios, podemos garantir o desenvolvimento sustentável”. (SILVA, 2011, p. 57) Você reparou como é feita a referência ao nome dos autores nessas citações? Os nomes dos autores citados no texto devem ser grafados em letras maiúsculas, se estiverem entre parênteses, e em letra normal, se estiverem fora dos parênteses. Exemplo: Segundo Silva (1982, p. 50) ou (SILVA, 1982, p. 50). Metodologia Científica 133 As transcrições com mais de três (03) linhas devem ter um recuo de 4 cm da margem esquerda e digitadas com letra menor que a do texto, e em espaçamento simples. São chamadas de citações diretas longas. Os trechos de citação com mais de três linhas são apresentados em parágrafos separados, com espaço simples, letra menor do que a utilizada no texto e sem aspas duplas. Exemplo 1 ) ) Por meio de um processo literário composto não somente pela ironia, mas também pelo drama e pela sátira, Manuel Rui nos oferece uma aparente displicência, em que estes recursos organizam a comédia do discurso. Comédia dolorosa, em que nós leitores também participamos com um riso que não deixa de compartilhar a dor daqueles personagens e nem de perceber o absurdo que está sendo denunciado naquelas páginas: Sangrando. Por vezes de mãos crispadas. Em silêncio. E com vontade de protestar. Sim, algo de chaplinesco vibra na transparência desse caos organizado. E a sua força Metodologia Científica 134 dramática promana dessa participação indireta do autor-narrador que dir-se-ia obscuro quando afinal se nos revela por inteiro comprometido com o destino deste mundo que incomoda. 31 A especificidade da ironia utilizada nos contos de Manuel Rui consiste no fato dele tê-la escolhido como estratégia para narrar as contradições presentes em Angola, dando maior enfoque ao comportamento social dos personagens inseridos num ambiente contraditório, desumanizado e alienante. Citações diretas com mais de três linhas devem figurar em parágrafo autônomo, com recuo de 4 cm da margem da esquerda, fonte Arial ou Times New Roman, tamanho 12, espaçamento simples e sem aspas duplas. CITAÇÃO INDIRETA As citações indiretas apresentam formatação diferente por tratar-se de textos baseados na obra de um autor consultado e não uma cópia de suas palavras. Nesta hipótese, então, não é necessário o emprego das aspas duplas, porque a citação Metodologia Científica 135 indireta mantém a ideia original do texto lido, mas é reescrita por quem está elaborando o trabalho. A citação indireta é tambémdenominada p a r á f r a s e e , s e g u n d o a A B N T ( N B R 10520:2002), configura uma transcrição livre do texto do autor. João Bosco Medeiros (2003) esclarece que a citação indireta pode configurar um resumo, comentário de uma ideia, ou expressar o mesmo conteúdo, mas utilizando outras palavras. E explicar as ideias que encontramos no texto original é muito mais produtivo do que apenas reproduzi-las, não é mesmo? Por isso, parafrasear é muito melhor do que a citação direta. Veja um exemplo: Israel Belo de Azevedo (1997) esclarece que toda palavra tem um peso de acordo com sua capacidade de sintetizar uma ideia de maneira clara e concisa. Metodologia Científica 136 No exemplo acima vemos que a ideia de Israel Belo de Azevedo foi apresentada e que foi informado o ano em que encontramos a publicação dela. Porém, o trecho que contém o conceito foi reescrito por quem está elaborando o trabalho. Assim, não houve a necessidade de utilizar as aspas duplas. O conteúdo original foi reelaborado e, por isso, não se usam as aspas. Essa é uma forma também de você explicar ao seu leitor, com as suas palavras, a ideia do autor que você estudou. CITAÇÃO DA CITAÇÃO Em algumas leituras verificamos que o autor apresenta uma citação direta ou indireta de outro autor, certo? E essa citação não é perfeita apenas para o autor que estamos lendo, ela é perfeita para nós também. Só que, na maioria das vezes, não temos acesso à obra que esta sendo citada por ele. Como resolver isso? Metodologia Científica 137 Estamos diante de uma citação da citação que exige o uso da expressão apud que significa citado por. Alguns autores denominam a citação da citação como citação dependente, porque o autor escolhido para citação não foi lido diretamente, mas tomado por empréstimo de outro autor. Não abuse deste recurso. Ele é apenas uma solução emergencial. Devemos sempre que possível recorrer à obra original. Atenção! Segundo a ABNT (NBR 10520:2002), quando os dados forem obtidos em palestras, debates, seminários etc., deve-se indicar entre parênteses a expressão “informação verbal” e depois mencionar os dados disponíveis, em nota de rodapé. Além disso, para enfatizar trechos da citação direta, deve-se destacá-los indicando esta alteração em relação ao original com a expressão grifo nosso entre parênteses, após a referência da citação, ou grifo do autor, caso o destaque tenha sido feito pelo próprio autor da obra. Metodologia Científica 138 Veja dois exemplos: “[...] para que não tenha lugar a produção de degenerados, quer físicos quer morais, misérias, verdadeiras ameaças à sociedade”. (SOUTO, 1916, p. 46, grifo nosso) “[...] desejo de criar uma literatura independente, diversa, de vez que aparecendo o classicismo como manifestação de passado colonial”. (CÂNDIDO, 1993, p. 12, grifo do autor) Existem algumas regras para compor citações diretas e notas. Veja: Acréscimos ou interpolações Significa a inserção de expressões que não constam do original ― entre colchetes. Pode ocorrer a necessidade de se acrescentar uma palavra ao texto citado, para torná-lo mais compreensível. Exemplo: “Envolve uma redação simplificada do texto [estudado], substituindo a linguagem do autor por expressões diretas e com sentenças Metodologia Científica 139 inteligíveis. A ideia continua sendo do autor, porém elaborada pelo próprio estudante, demonstrando sua capacidade de assimilação e entendimento das informações obtidas no decorrer da leitura do assunto em questão”. (FACHIN, 2006, p. 127) Supressões Não devemos citar frases ou parágrafos longos demais. O importante é apresentar o que realmente interessa ao desenvolvimento da argumentação ou à apresentação das ideias. Para supr imi r as par tes que não são importantes, devemos substituí-la pelas reticências entre colchetes/parênteses: (...) ou [...]. Exemplos: “A física moderna (...) considera a lei da inércia sua lei mais fundamental.” (KOYRÉ, 1982, p. 182) “[...] A ideia continua sendo do autor, porém elaborada pelo próprio estudante, demonstrando sua capacidade de assimilação e entendimento Metodologia Científica 140 das informações obtidas no decorrer da leitura do assunto em questão”. (FACHIN, 2006, p. 127) Incorreções Na hipótese do texto citado apresentar um erro, uma expressão politicamente incorreta ou equívoco gramatical, entre outros problemas, chame a atenção, pelo uso, ao lado da palavra, do vocábulo sic (assim, em latim) entre colchetes e em itálico. “Zenão de Cício (334-262 a.C.) fundou a escola estóica [sic] Ele costumava palestrar de sua varanda, chamada stoa, daí o nome estóico [sic]”. (MANNION, 2008, p. 48) A ata registra a seguinte declaração do diretor: “isto é pra mim [sic] fazer!” COMO INDICAR A SUPRESSÃO DE PARÁGRAFOS? E quando não precisamos utilizar todos os parágrafos? Como indicar isso ao nosso leitor? A supressão de um ou mais parágrafos intermediários é indicada por uma linha pontilhada. Veja um exemplo: Metodologia Científica 141 O conhecimento, o modo de compreender a realidade, muda de acordo com a época, à medida que coloca em dúvida o conceito de verdade estabelecido. Quando conhecemos um fato, sempre nos perguntamos se e le corresponde ou não à realidade. Assim, a verdade é uma atividade histórica, e o homem foi dando fundamentos a essa verdade de acordo com sua vivência, conhecimento e crenças. .............................................................................. Para explicar a realidade ou ainda os fenômenos da natureza, os povos primitivos criavam histórias nas quais utilizam as figuras dos deuses na tentativa de compreender a origem das coisas. (SANTOS MOLINA; DIAS, 2007, p. 21) QUAIS SÃO OS ERROS MAIS COMUNS? ➡ Excesso ou escassez de citações diretas. O melhor é reescrever o texto estudado, creditando a passagem ao seu autor; ➡ Uso de bibliografia inadequada; ➡ Presença no texto de informações que deveriam estar em notas de rodapé; ➡ Citações sem discussão; ➡ Não há necessidade de se citar frases ou parágrafos completos, longos demais. Metodologia Científica 142 ➡ Tr a n s c r e v a a p e n a s a u n i d a d e d e pensamento que realmente interessa. Para tanto, use a supressão; ➡ Inserir os títulos das obras citadas no texto sem colocá-las em itálico. As citações devem ser indicadas no texto por um sistema numérico ou autor-data. Qualquer que seja o sistema adotado, este deve ser seguido ao longo de todo o trabalho. Conheça um pouco mais sobre eles: Sistema numérico •No sistema numérico, a fonte da citação utilizada deve aparecer em nota de rodapé. Neste caso, a numeração das fontes deve ser única e consecutiva, em algarismos arábicos; •Todas as referências devem ser repetidas na lista de referências ao final do trabalho; •A numeração das notas de rodapé deverestringir-se às referências bibliográficas; •Uso de asterisco (*): para explicar ou comentar uma ideia; •Podemos usar: (1), [1], 1 (sobrescrito). Metodologia Científica 143 Quando escolhemos o sistema numérico não devemos usar notas explicativas em rodapé para informações adicionais. Elas são aquelas que aparecem ao pé das páginas em que são mencionadas e servem para abordar pontos que não devem ser incluídos no texto. Exemplo “A pesquisa é uma atividade voltada para investigação de problemas teóricos ou práticos por meio do emprego de processos científicos”. 1 “A pesquisa é uma atividade voltada para investigação de problemas teóricos ou práticos por meio do emprego de processos científicos”. (1) “pesquisa é uma atividade voltada para investigação de problemas teóricos ou práticos por meio do emprego de processos científicos”. [1] 1CERVO, A.; BERVIAN, P. A.; SILVA, R. da. Metodologia científica. 6. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007. p. 57. Metodologia Científica 144 E COMO DEVE SER A NOTA DE RODAPÉ? Os elementos essenciais e complementares da referência devem ser inseridos na sequência sugerida pela ABNT: SOBRENOME, Prenome. Título. Edição. Cidade: editora, ano. (página na hipótese de citação direta). Veja o exemplo abaixo: 1 CERVO, A.; BERVIAN, P. A.; SILVA, R. Metodologia científica. 6. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007. p. 57. ATENÇÃO As aspas devem aparecer antes ou depois da pontuação? Segundo a ABNT, devem-se colocar as aspas antes da pontuação, exceto nos casos de pontos de interrogação e exclamação que façam parte do texto citado. Você sabia que existem um conjunto de expressões latinas que são usadas no sistema numérico? C0NFIRA Metodologia Científica 145 EXPRESSÕES LATINAS NO SISTEMA NUMÉRICO Há um conjunto de expressões latinas que são usadas no sistema numérico. Após inserir as notas de rodapé no sistema numérico observe a sequência das obras e substitua pela expressão latina, em itálico, correspondente. Idem id. (o mesmo autor): ocorre quando duas obras de um mesmo autor forem sequenciais. Exemplo: _________________ SILVA, Tomaz Tadeu da. Que produz e o que reproduz em educação: ensaios de sociologia da educação. Porto Alegre: Artes Médicas, 199 2. p.121. Id. Documentos de identidade: uma introdução às teorias do currículo. 2. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2000. p. 305. Ibidem ou ibid. (na mesma obra): deve ser usada quando ocorre a citação da mesma obra do mesmo autor sequencialmente no texto Exemplo: ________________ SILVA, Tomaz Tadeu da. Que produz e o que reproduz em educação: ensaios de sociologia da educação. Porto Alegre: Artes Médicas, 1992. p. 121. Ibid., p.139. Metodologia Científica 146 Opus citatum, opere citato ou op.cit. (obra citada): deve ser usada quando uma mesma obra aparecer mais de uma vez no texto, independente da sequência das citações. Exemplo: ______________________ 1 SILVA, Tomaz Tadeu da. Que produz e o que reproduz em educação: ensaios de sociologia da educação. Porto Alegre: Artes Médicas, 1992. p. 121. 2 NEY, João Luiz. Prontuário de Redação Oficial. 15. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2000. p. 24. 3 SILVA, op.cit., p. 151. Passim (aqui e ali, em diversas passagens): usa-se essa expressão apenas quando há referências a passagens , sem identificação. Exemplo: _______________________ 1 SILVA, Tomaz Tadeu da. Que produz e o que reproduz em educação: ensaios de sociologia da educação. Porto Alegre: Artes Médicas, 1992, passim . Metodologia Científica 147 Cf. (confira, conforme, confronte): usa-se para recomendar a consulta a notas do mesmo trabalho ou obra de outros autores. Exemplo: __________________ 1 Cf. SILVA,1992. Nesta aula, você: •Aprendeu a fazer citações em trabalhos acadêmicos segundo as normas da ABNT. Metodologia Científica 148 AULA 8 REFERÊNCIA, BIBLIOGRAFIA E REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS OBJETIVOS 1.Distinguir como se fazem referências em trabalhos acadêmicos, segundo as normas da ABNT; 2.Aplicar as diversas formas de se fazer uma re fe rênc ia b ib l i og ráfica , l evando em consideração os diferentes elementos da referenciação. Você sabe qual é a diferença entre Referência, Bibliografia e Referências bibliográficas? Vamos começar pela definição de Referência e Bibliografia. REFERÊNCIA O Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa indica que pelo termo referência deve-se considerar uma nota informativa de remissão em uma publicação. A origem etimológica do termo nos remete à palavra inglesa reference que significa “ato de referir ou consultar; sinal ou indicação que remete o leitor a outra fonte de informação”. Metodologia Científica 149 Já a ABNT observa que a referência é o conjunto padronizado de elementos descritivos, retirados de um documento. Assim, deve ser constituída de elementos essenciais e, quando necessário, acrescida de elementos complementares. Porém, a ABNT não faz comentário algum sobre a possível diferença entre os termos. Portanto, entende-se pelo termo referências o conjunto padronizado de informações que permitem a identificação de documentos citados em um trabalho acadêmico. BIBLIOGRAFIA. Bibliografia é a relação das obras consultadas ou citadas por um autor na criação de determinado texto ou seção em que se faz uma relação de livros e outras publicações. Trata-se de uma lista de fontes de consulta utilizadas no desenvolvimento de um trabalho, com o objetivo de documentá-lo, mostrando que ele está aparentemente sustentado, pois foi baseado naquelas fontes descritas. Metodologia Científica 150 E QUANTO AO REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO, DO QUE SE TRATA? Em um trabalho acadêmico devemos mencionar apenas as obras efetivamente citadas, o que reforça o uso do termo referências. Vale ressaltar também que o termo referência bibliográfica não é mais usado, pois foi substituído apenas pela palavra referências. Agora que você aprendeu a principal diferença entre Referência e Bibliografia, vamos entender quais são as partes de uma Referência e as suas funções. Vamos começar, observando a estrutura correta de uma referência: A Referência é dividida em: ELEMENTOS ESSENCIAIS São aqueles indispensáveis na identificação do documento, tais como: autor(es), título, edição, local, editora e data da publicação. ELEMENTOS COMPLEMENTARES São opcionais e podem ser acrescentados para uma melhoridentificação do documento, tais como: coleção, série, número do ISBN, número de páginas (como o "06 p." do Metodologia Científica 151 exemplo) , se ed ição exc lus iva para assinantes, se inclui algum brinde etc. EXEMPLO PATACO, Vera Lúcia P.; VENTURA, Magda Ma r i a ; RESENDE, É r i ca dos San tos . Metodologia para trabalhos acadêmicos e normas de apresentação gráfica. 4. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2008, 06 p. O s e l e m e n t o s q u e c o m p õ e m a referenciação devem ser obtidos na ficha catalográfica do documento, ou seja, retirados do próprio documento e inseridos conforme a sequência sugerida pela ABNT. VAMOS APRENDER A REFERENCIAR? Agora que você já conhece a estrutura de uma referência, vamos nos aprofundar em cada parte que as compõem. Analisando o exemplo acima, siga a ordem e fique especialista no assunto. PATACO, Vera Lúcia P.; VENTURA, Magda Maria; RESENDE, Érica dos Santos. Metodologia Científica 152 Como devo indicar os autores? Na lista de referências, o autor é indicado pelo último sobrenome, escrito em caixa alta, seguido do nome, por extenso ou abreviado. O sobrenome é separado do nome por vírgula. E se for mais de um autor, o que fazer? Na hipótese de obra escrita por até três autores todos devem ser mencionados na mesma ordem em que aparecem na publicação. É só conferir a ficha catalográfica, no verso da folha de rosto. Os nomes de cada autor devem ser separados uns dos outros por ponto e vírgula: Exemplo: LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. A. M A C E D O , L u i z R o b e r t o D i a s d e ; CASTANHEIRA, Nelson Pereira; ROCHA, Alex. E se forem mais de três? Na eventual hipótese de a obra ter mais de três autores, somente o primeiro deve ser indicado, seguido da expressão et al. Exemplo: Metodologia Científica 153 ALVES, João et al. ATENÇÃO Se for autoria coletiva deve ser indicado o nome do responsável, seguido da abreviatura da palavra que caracteriza a sua responsabilidade no trabalho, entre parêntese: Editor (Ed.); Coordenador (Coord.); Organizador (Org.); Compilador (Comp.). Exemplo: ALVES, João (Org.) ALVES, João (Coord.) ALVES, João (Ed.) Algumas observações interessantes! 1. Sobrenomes que indicam parentesco (Júnior, Filho, Neto, Sobrinho) acompanham o último sobrenome e não devem ser considerados como entrada. CÂMARA JÚNIOR, Joaquim Matoso. Título. 2. No caso de sobrenomes compostos, a entrada é feita por expressão composta. CASTELLO BRANCO, H. A. Título. 3. Já sobrenomes ligados por hífen e com prefixos devem ser transcritos por extenso. ALVES-MAZZOTTI, A. J. Título. LAS CASAS, A. Título. Metodologia Científica 154 E quando a autoria é desconhecida? Nesta hipótese, inicia-se pela primeira palavra do título em caixa alta. Se a palavra for precedida por um artigo este também deve ser escrito em caixa alta. Veja dois exemplos: A EDUCAÇÃO ambiental no séc. XX. AUDITORIA interna de empresas. Quando se trata de uma instituição e não de um autor pessoa física? Os documentos de responsabilidade de entidades (insti tuições, organizações, empresas) têm entrada pelo nome delas, escrita por extenso e em CAIXA ALTA. Observe: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6023 : i n fo rmação e documentação: referências e elaboração. Rio de Janeiro, 2002. Metodologia Científica 155 SÃO PAULO (Estado). Secretaria do Meio Ambiente. Diretrizes para a política ambiental do Estado de São Paulo. São Paulo, 1993. 35 p. Como faço a referência quando se trata de publicações técnicas? Quando se tratar de publicações técnicas e administrativas, indica-se o nome da entidade. No caso de entidades governamentais, quando se tratar de órgãos da administração direta (Ministérios, Secretarias), indica-se o nome geográfico antes do nome da entidade. Exemplo: BRASIL. Ministério da Ciência e Tecnologia. DICA Uma regrinha importante! Nos casos em que foram usadas várias fontes do mesmo autor, estes podem ser substituídos por um traço equivalente a seis dígitos seguido de um ponto (______.), nas referências subsequentes. Metodologia Científica 156 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6022 : i n fo rmação e documentação: artigo em publicação periódica científica impressa: apresentação. Rio de Janeiro, 2003. 5p. _ _ _ _ _ _ _ . N B R 6 0 2 3 : i n f o r m a ç ã o e documentação: referências: elaboração. Rio de Janeiro, 2002. 3p. Como devo escrever o título na Referência? Metodologia para trabalhos acadêmicos e normas de apresentação gráfica. Títulos Os títulos devem ser escritos na forma em que se apresentam nos documentos, sendo apenas a primeira palavra iniciada com letra maiúscula e destacados com negrito. Já os subtítulos (informações apresentadas após o título para complementá-lo) devem ser precedidos por dois pontos e não recebem qualquer destaque gráfico. Exemplo: RUCH, Gastão. História geral da civilização: da antiguidade ao século XX. Metodologia Científica 157 E quando há tradutor? Deve ser mencionado? Quando há tradutor, atualizador, revisor, ilustrador, entre outros, deve ser mencionado logo após o título. Veja o modelo: SOBRENOME, Prenome. Título: subtítulo. Tradução. Edição. Local: Editora, data. Edição Preciso mencionar a Edição? Quando houver a indicação da edição, esta deve ser inserida na sua referência, utilizando-se abreviaturas dos numerais ordinais e da palavra edição. 4ª edição = 4. ed. 5ª edição = 5. ed. Exemplo: PATACO, Vera Lúcia P.; VENTURA, Magda Maria; RESENDE, Érica dos Santos. Metodologia para trabalhos acadêmicos e normas de apresentação gráfica. 4. ed. [...] Metodologia Científica 158 E quanto a Cidade? Cidade A cidade é item obrigatório na referenciação. Não se esqueça! O nome da cidade deve ser grafado como aparece na obra, e não “traduzido”, nos casos de obras estrangeiras. Em alguns casos, principalmente nas obras de outros países, é preciso especificar também o Estado ou País a que a cidade pertence. Outro ponto importante é quando não se sabe a cidade de publicação. Para isso, coloca-se [s. l.], abreviação de “sine loco” que significa “sem local” [de publicação]. Quandoa cidade é conhecida mas não aparece na obra, coloca-se o nome da cidade entre colchetes. Nos casos mais comuns, segundo a ABNT, a cidade de publicação fica alocada conforme mostra o exemplo abaixo: PATACO, Vera Lúcia P.; VENTURA, Magda Ma r i a ; RESENDE, É r i ca dos San tos . Metodologia para trabalhos acadêmicos e normas de apresentação gráfica. 4. ed. Rio de Janeiro: [...] Metodologia Científica 159 ATENÇÃO Quando uma das cidades de mesmo nome é mais antiga e mais conhecida do que a outra, só se coloca o complemento na cidade menos conhecida. Por exemplo: não é necessário informar que a cidade de Paris fica na França, mas é necessário indicar o Estado quando se tratar da cidade de Paris que fica no Texas. Não se costuma também indicar que a famosa cidade de Cambridge fica na Inglaterra, mas indica-se que a “outra” Cambridge fica no Estado de Massachusetts. Editora Como devo mencionar o nome da editora? ➡O nome da editora é indicado conforme aparece na publicação, seguido de vírgula, eliminando-se as palavras que identificam sua natureza comercial ou jurídica como: S/A, Ltda, Editora, Livraria etc. ➡Quando houver duas editoras, ambas devem ser indicadas com seus respectivos locais, seguidas de dois pontos e separadas por ponto e vírgula. ➡ Se tiver mais que duas editoras, indica-se somente a primeira ou a que estiver em destaque na publicação. Metodologia Científica 160 Exemplo: Rio de Janeiro: Expressão e Cultura; São Paulo: EDUSP, 1997. E se não há identificação da editora? Quando a editora não puder ser identificada, utiliza-se a expressão latina sine nonime, que significa “sem nome”, de forma abreviada entre colchetes [s.n.]. Exemplo: FRANCO, I. Discursos: de outubro de 1992 a agosto de1993. Brasília, DF: [s.n.], 1993. 107 p. E se a editora for a própria instituição? Quando a editora for a própria instituição ou pessoa responsável pela autoria da obra e já tiver sido mencionada, não é necessário ser indicada. Exemplo: UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA. Catálogo de graduação, 1994-1995. Viçosa, MG, 1994. 385 p. O nome da editora deveria estar aqui, mas não é necessário repetir. SAIBA MAIS A obra não menciona local e editora! Como devo fazer a referência? Metodologia Científica 161 Na impossibilidade de local e editor da publicação, emprega-se a notação S.i. (ausência de local – letra “S” em maiúscula seguida de ponto e letra “l” em minúscula) Exemplo: GONÇALVES, F. B. A história de Mirabor. [S.i.: s.n.], 1993. Ano de Publicação Para que o ano? Preciso mencionar o ano da publicação? O ano de publicação do documento deve ser indicado em algarismos arábicos (1,2,3..), mesmo que nele apareça em algarismos romanos. E x e m p l o : L E I T E , C . B . O s é c u l o d o desempenho. São Paulo: LTr, 1994. Se não constar data de publicação, o que faço? Você poderá inserir uma data provável entre colchetes de acordo com as regras de referenciação. Metodologia Científica 162 Exemplo: FLORENZANO, Everton. Dicionário de ideias semelhantes. Rio de Janeiro: Ediouro, [1993]. 383 p. ) ) ) Ano provável É necessário colocar o volume? Volume Preciso mencionar o volume? Nas referências com vários volumes, o número de volumes da obra deve ser indicado após a data e o ponto final, com a palavra volume abreviada. Exemplo: RUCH, Gastão. História geral da civilização: da Antiguidade ao século XX. Rio de Janeiro: F. Briguiet, 1940. 4 v. Não confundir 2 v. (dois volumes) com v. 2 (volume 2) Páginas Precisa dizer a Página? A q u a n t i d a d e d e p á g i n a s é u s a d a principalmente para referenciação de capítulos de livros. Metodologia Científica 163 Mas como se faz para referenciar capítulos de livros? A autoria do capítulo pode ser referenciada de duas formas: Quando a autoria do capítulo é diferente da autoria do livro: SOBRENOME, Prenome (autor do capítulo). Título. In: SOBRENOME, Prenome (autor da obra). Título: subtítulo. Local: Editora, ano. Página inicial e final. Exemplo: ROMANO, Giovani. Imagens da juventude na era moderna. In: LEVI, G.; SCHMIDT, J. (Org.). História dos jovens 2: a época contemporânea. São Paulo: Companhia das Letras, 1996. p. 7-16. Quando a autoria do capítulo é igual à autoria da obra: SOBRENOME, Prenome (autor do capítulo). Título (do capítulo). In: ______. Título: subtítulo. Local: Editora, ano. Número do capítulo (se houver), página inicial e final. Metodologia Científica 164 Exemplo: SANTOS, F. R. dos. A colonização da terra do Tucujús. In: ______. História do Amapá, 1º grau. 2. ed. Macapá: Valcan, 1994. cap. 3. p. 15-24. E quando a fonte foi publicada em meio eletrônico? A s r e f e r ê n c i a s e m m e i o s eletrônicos seguem o modelo de re fe rênc ias b ib l i og ráficas , acrescentando-se informações relativas à descrição física do meio ou suporte. Para as obras consultadas online são essenciais as informações sobre o endereço eletrônico, apresentado entre <brackets>, precedido da expressão: “Disponível em:” A data de acesso ao documento, precedida da expressão: “Acesso em:” deve conter o dia, o mês abreviado e o ano (04 abr. 2010.). Exemplo: SOBRENOME, Nome. Título: subtítulo. Cidade: Editora, ano. Disponível em: <endereço eletrônico>. Acesso em: dia mês ano. Metodologia Científica 165 A referência abaixo apresenta erros em sua estruturação, reparou? MELLO, Luiz Antonio. A onda maldita: como nasceu a Fluminense FM. Disponível em: http:// www.actech.com.br/aondamaldita/creditos.html. Acesso em: 13 out. 1997. Niterói: Arte & Ofício, 1992. A forma correta é: MELLO, Luiz Antonio. A onda maldita: como nasceu a Fluminense FM. Niterói: Arte & Ofício, 1992. Disponível em: <http://www.actech.com.br/ aondamaldita/creditos.html>. Acesso em: 13 out. 2012. O erro estava na inversão dos elementos cidade, fonte e acesso. Além de exercitar as normas da ABNT, depois de realizar esta atividade, você não esquecerá mais que as referências em meios eletrônicos seguem o modelo de referências bibl iográficas, acrescentando-se, é claro, as informações relativas à descrição física do meio ou suporte em que o material foi publicado. Metodologia Científica 166 Veja também outras formas de referência. Dicionários e enciclopédias SOBRENOME, Prenome. Título: subtítulo. Edição. Local: Editora, data. Exemplo: FERREIRA, Aurélio Buarque de Hollanda. Novo dicionário da língua portuguesa. 2. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. Artigo de Jornal SOBRENOME, Prenome. Título: subtítulo do artigo. Título do jornal, local, dia, mês e ano. Título do caderno, seção ou suplemento, página inicial e final. Exemplo: NAVES,P. Lagos andinos dão banho de beleza. Folha de S. Paulo, São Paulo, Maio de 2009. Caderno 8, Folha Turismo, p. 20. Monografias, Dissertações e Teses SOBRENOME, prenome. Título: subtítulo. Ano de entrega. Total de folhas. Tipo de trabalho (grau e área) – instituição, Local, Ano de defesa. Metodologia Científica 167 Exemplo: SILVA, M. L. C. Reimplante dentário. 1990. 51f. Trabalho de Conclusão de Curso (Especialização) – Faculdade de Odontologia, Universidade Estácio de Sá, Rio de Janeiro, 1990. CD-ROM e DVD AUTOR. Título. Edição. Local de publicação: Editora, data. Tipo de mídia. Exemplo: PIZZOTT, R. Enciclopédia básica da mídia eletrônica. São Paulo: SENAC, 2003. 1 DVD. Entrevista ENTREVISTADO. Título. Local: data. Nota da Entrevista. Exemplo: CRUZ, Joaquim. A Estratégia para Vencer. São Paulo, 14 set. 1988. Entrevista concedida a J. A. Dias Lopes. Site Institucional INSTITUIÇÃO.Título. Disponível em < endereço eletrônico>. Acesso em: data. Metodologia Científica 168 Exemplo: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Disponível em: http:// www.abnt.org.br. Acesso em: 30 mar. 2010. Artigo de Revista SOBRENOME, Prenome. Título: subtítulo do artigo. Título do periódico, local, volume, fascículo, página inicial e final, mês e ano. Exemplo: SEKEFF, Gisela. O emprego dos sonhos. Domingo, Rio de Janeiro, ano 26, n. 1344, p. 30-36, 3 fev. 2002. Nesta aula, você: •Aprendeu a fazer referências em trabalhos acadêmicos, segundo as normas da ABNT. METODOLOGIA CIENTÍFICA Exercício: CEL0476_EX_A8_201102276103 1a Questão (Ref.: 201102547774) Segundo a NBR 6023 da ABNT, referência é conjunto padronizado de elementos descritivos, retirados de um documento, que permite a sua identificação individual. Assinale a ÚNICA referência que está de acordo com as normas da ABNT: Metodologia Científica 169 [ ] ADES, C. Os animais também pensam e têm consciência. Jornal da Tarde, São Paulo, p. 40, 15 abr. 2001. [ ] FOUCAULT, M. Historia da sexualidade: a vontade de saber. 3. ed. Rio de Janeiro: Graal, 1980. [ ] BRITO, Edson Vianna, et al. Imposto de renda das pessoas físicas: livro prático de consulta diária. 6. ed. atual. São Paulo: Frase Editora, 1996. 288 p. [ ] OLIVEIRA, V. B.; BOSSA, N. A. (Org.). Avaliação psicopedagógica da criança de sete a onze anos. Petrópolis: Vozes, 1996. 182 p. [X] GRIZE, J. B. Psicologia genética e lógica. In: BANKS-LEITE, L. (Org.). Percursos piagetianos. São Paulo: Cortez, 1997. p. 63-76. 2a Questão (Ref.: 201102314472) O estudo de Thomas Kuhn, A estrutura das Revoluções Científicas, é o texto que trouxe à tona o uso do conceito de paradigma nos anos 1970/80, aplicado à história do fazer científico. Um primeiro aspecto que chama a atenção é o fato do autor dirigir sua análise sob a perspectiva de que a visão paradigmática tenciona orientar a quem se prepara para ingressar na atividade científica. Diz explicitamente que "o estudo dos paradigmas [...] é o que prepara basicamente o Metodologia Científica 170 estudante para ser membro da comunidade científica na qual atuará mais tarde". p. 31. A partir do texto acima, julgue as seguintes asserções. Isso significa que para Kuhn esse candidato a cientista irá estudar modelos do campo científico de seu interesse, a fim de moldar-se nos fundamentos da "ciência normal". Porque Permite a assimilação de um roteiro. Ao adquirir um paradigma, ele adquire igualmente um critério para a escolha de problemas que, enquanto o paradigma for aceito, é considerado como dotado de uma solução possível. [ ] A primeira asserção é uma proposição verdadeira, e a segunda é uma proposição falsa. [ ] As duas asserções são verdadeiras, mas a segunda não é uma justificativa correta da primeira. [ ] A primeira asserção é uma proposição falsa, e a segunda é uma proposição verdadeira. [X] As duas asserções são verdadeiras, e a segunda é uma justificativa correta da primeira. [ ] Tanto a primeira como a segunda asserções são falsas. Metodologia Científica 171 3a Questão (Ref.: 201102540922) Assinale a referência incorreta: [ ] SILVA, Maria Stela, ECARD, Tania, e CAMACHO, Regina. Metodologia da Pesquisa - um desafio em construção. Rio de Janeiro: Luzes, 2013. [ ] GAMBOA, Silvio. Pesquisa em educação: métodos e epistemologias. Chapecó: Argos, 2007. [ ] MARCELO GARCÍA, Carlos. Desenvolvimento profissional docente: passado e futuro. Sísifo / Revista de Ciências da Educação. Nº 8, jan./abr. 2009. P. 7-22. Disponível em: http://sisifo.fpce.ul.pt/. Acesso em: 13 de maio de 2011. [X] ZEICHNER, Kenneth. A formação reflexiva de professores: ideias e práticas. Editora Educa: Lisboa, 1993. [ ] MORAES, Maria Cândida. O paradigma educacional emergente. 8. Ed. Campinas: Papirus, 2002. Metodologia Científica 172 AULA 9 A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO NA UNIVERSIDADE OBJETIVOS 1.Definir o papel da educação superior na construção do conhecimento; 2.Reconhecer a importância das agências de fomento e da Plataforma Lattes. Segundo WANDERLEY (1988, p. 23.): "A universidade tem o papel de formar a cidadania. Cabe-lhe e, talvez seja essa a s u a p r i n c i p a l f u n ç ã o , desenvolver a inquietude do ser social”. É papel da universidade em nossos dias promover a interdisciplinaridade, que é a capacidade de diálogo entre cientistas, provenientes de horizontes diversos trabalhando sobre um tema comum. E cada um contribuindo com sua metodologia específica para os conteúdos estudados. Sempre foi assim? No século XIX, nas concepções de Fichte, de Humboldt e de outros autores do período, Metodologia Científica 173 persiste a tensão inerente à necessidade de compatibilizar a expansão indefinida da liberdade de pensar com um certo ordenamento de cará ter po l í t i co , ju r íd ico e mesmo simplesmente escolar. O problema comum a todos os ideólogos do sistema universitário de então era o de delimitar e definir, dentro de certos parâmetros e de acordo com a precisão possível, uma atividade que dependia tanto da total abertura de horizontes quanto de uma especificação que a qualificasse e determinasse o seu alcance e o seu valor. Como surgiram as Universidades? O surgimento da Universidade marcou um momento de t rans ição na h is tó r ia da humanidade. Com o começo da vida urbana, do pensamento racional e da busca de novos paradigmas foi necessário criar espaços destinados à reflexão. Levando esse fato em consideração podemos afirmar que a Universidade encontra suas raízes na Europa medieval, por volta do século XII e XIII, tornando-se o lugar de debates e polêmicas, sofrendo intervenções reais e eclesiásticas. Metodologia Científica 174 Apesar de uma única história, cada parte do mundo, desenvolveuum modelo específico. Vamos conhecer agora um pouco do surgimento das Universidades e alguns destes modelos. O surgimento da Universidade e alguns dos seus modelos Europa A partir do final do século XII, começaram a surgir em diversas cidades europeias as primeiras Universidades que eram controladas diretamente pela Igreja Católica, destacando-se a de Paris, Oxford, Salamanca e Boloña. E s s a s p r i m e i r a s u n i v e r s i d a d e s e r a m frequentadas somente por pessoas que possuíam condições econômicas, além, é claro, da forte influência católica que essas pessoas tinham. Outra caraterística dessas Universidades era a falta de autonomia em relação à publicação de ideias que poderiam não agradar aos membros do clero, que fiscalizavam a produção intelectual. Foi somente a partir do período conhecido por Renascimento, em meados do século XV e XVI, Metodologia Científica 175 que os intelectuais conquistaram mais autonomia para criar alternativas a esse padrão de educação controlado pela Igreja. Japão A universidade Japonesa é oriunda do modelo capitalista de Meiji que contribuiu para o fim do Xogunato. Cada grupo específico da população teria a sua universidade, embora não houvesse fortes diferenças sociais entre esses grupos. Quem controla a parte de pesquisa dessas universidades atualmente é o próprio governo do Japão. Estados Unidos Os Estados Unidos constituíram um sistema u n i v e r s i t á r i o c o m p e t i t i v o , s e l e t i v o e completamente voltado para o mercado de trabalho. Trata-se um sistema privado, porém sem fins lucrativos, pois toda a arrecadação é destinada aos centros de pesquisa. Metodologia Científica 176 A universidade Americana tem inserido no seu modelo o Junior College que são centros universitários para a formação massiva de profissionais. Brasil O Brasil trabalha com um sistema universitário mais autônomo, desde o fim da Ditadura Militar. Aqui se tem um sistema normatizado e politizado, com uma gestão de múltiplos conselhos. Existem modelos de Universidades Públicas e Privadas e ambos respondem ao governo, mas as regras internas, inclusive a dos currículos, são particulares. Mas que função especial a Universidade desempenha na vida das pessoas? Sua função primordial é educar pessoas para trabalhar com o saber, fornecendo as condições para que estas pessoas sejam capazes de utilizar o conhecimento em um mundo complexo que não raras vezes é pensado de maneira simplificada ou ingênua. Metodologia Científica 177 É nesse aspecto que podemos afirmar que o debate entre estudantes e as pesquisas realizadas e apresentadas em espaços acadêmicos fortalecem a sua razão de ser. O q u e p o d e m o s e n t e n d e r p o r u m a construção crítica do conhecimento? Trata-se de um ensino cuja preocupação deve focalizar o pensamento crítico do estudante. Isso implica o compromisso com o pensamento autônomo e deve estimular uma conduta proativa e criativa. O que significa dizer que o estudante precisa estar consciente do que acontece em sua sociedade e no mundo e deve entender o processo de construção, expressão e articulação do conhecimento, pois aprender é recriar. A p rodução c ien t í fica es t imu lada nas universidades tem como objetivo o exercício da nossa capacidade de pensar e discernir, direcionados para análises de ambientes, dados e situações diversas. O que exige procedimentos intelectuais e técnicos (Gil, 1991). Metodologia Científica 178 Mas o que podemos entender por produção científica? Podemos entender como o conjunto de atividades acadêmicas desenvolvidas por docentes e discentes nas instituições de ensino superior. Tais atividades são divulgadas através de publicações especializadas e/ou fóruns para debate público que apresentam à sociedade o resu l tado de pesqu isas que apon tam informações, alternativas, caminhos para solução de problemas em diversas áreas de saber. Agências de Fomento As agências de fomento CAPES e CNPq, bem como as fundações de amparo à pesquisa, assumem função importante nesse processo de incentivo à produção científica. A CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), por exemplo, foi criada em 1951, pelo Decreto nº 29.741, com o objetivo de “assegurar a existência de pessoal especializado em quantidade e qualidade suficientes para atender às necessidades dos Metodologia Científica 179 empreendimentos públicos e privados que visam ao desenvolvimento do país”. Assim, oferecem bolsas de estudos para iniciação científica, Mestrado, Doutorado e Pós- Doutorado. Além de auxílios à pesquisa, à part ic ipação em reuniões científicas, à editoração, entre outros. A Plataforma Lattes A Plataforma Lattes é um sistema de informação curricular desenvolvido pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), que integra dados de currículos e instituições com o objetivo de avaliar a competência de candidatos à obtenção de bolsas e auxílios, selecionar consultores e membros de comitês e de grupos assessores e subsidiar a avaliação da pesquisa e da pós- graduação brasileira. Esse sistema é utilizado por várias instituições de ensino superior e também pela comunidade c i e n t í fi c a b r a s i l e i r a , a q u a l e n v o l v e pesquisadores, estudantes, gestores e profissionais. Metodologia Científica 180 A plataforma registra as atividades acadêmicas realizadas pelos pesquisadores sendo, hoje, elemento essencial à análise de mérito e competência por ocasião em que apresentam projetos de pesquisa às Agências de Fomento. Para isso, os bolsistas de pesquisa, em diferentes níveis — Mestrado, Doutorado e Iniciação Científica —, os orientadores e outros membros da comunidade devem estar cadastrados na Plataforma Lattes. Qual é o principal objetivo das agências de fomento, como CAPES e CNPq? As agências de fomento, bem como as fundações de amparo a pesquisa, têm como principal objetivo incentivar a produção científica. Esse incentivo muitas vezes vem através da concessão de financiamento de capital fixo e de giro associado a projetos. Concluindo... Podemos dizer que falar de pesquisa é, na verdade, refletir sobre o papel da Universidade e seu compromisso com a sociedade, com o conhecimento e desenvolvimento da cultura, Metodologia Científica 181 porque as ações realizadas no interior das instituições de ensino podem gerar mudanças sociais significativas. E você faz parte desse processo! Como ensina João Álvaro Ruiz (2008, p. 19): Quem acaba de ingressar numa faculdade precisa ser informado sobre a maneira de tirar o máximo proveito do curso que vai fazer. Em primeiro lugar, o calouro vai perceber que muita coisa mudou em comparação àquilo com que estava acostumado em seus cursos de primeiro e segundo graus. E quem não souber compreenderdevidamente o espírito da nova situação para adaptar-se ativa e produtivamente a ela perderá preciosa oportunidade de integrar- se desde o início no ritmo desta nova etapa de ascensão no saber, que se chama vida universitária. Segundo SEVERINO (2002) “é preciso não perder de vista a historicidade da existência humana, não se deixando iludir pela ideia de que o fim das utopias do progresso humano possa significar igualmente o fim da história. Metodologia Científica 182 Portanto, ter bem presente que a atual situação tem também uma configuração histórica que, como tal, terá seus desdobramentos, cuja orientação dependerá em muito da própria ação e decisão dos homens.(...) (...)Do mesmo modo, é bom ter presente que crise da razão não é crise do processo de conhecimento. A alegada crise dos paradigmas da razão moderna não atinge o conhecimento em si, o poder do homem em produzir e dispor do conhecimento, mas suas formas históricas (a ciência positiva, a filosofia idealista, as metanarrativas); a própria crítica que a elas são feitas, o são pelo exercício e aplicação do próprio conhecimento.” Os momentos de ruptura assinalam a necessidade de uma visão de totalidade nas relações sociais, políticas e culturais, através da análise crítica dos componentes científicos e t ecno lóg i cos em função de um novo redirecionamento na desconstrução/ construção do conhecimento, no contexto da modernidade. É necessário avaliar as transformações contemporâneas para que a Universidade possa se colocar junto às necessidades concretas da sociedade. Metodologia Científica 183 Como a universidade pode fazer isto acontecer? ‣ Quais os desafios que se colocam na contemporaneidade? ‣ Quais os significados que o conceito de qualidade têm no discurso? ‣ O que é competência? ‣ Como é refletir sobre aprender e ensinar? ‣ Como se evidencia a construção do conhecimento? Compreender supõe, antes de tudo, perguntar- se algo e abrir com isso um espaço de novas significações e sentidos. (Josep Maria Puig) Severino (2002, p. 11) afirma: (...) numa sociedade organizada, espera-se que a educação, como prática institucionalizada, contribua para a integração dos homens no tríplice universo das práticas que tecem sua existência histórica concreta: no universo do trabalho, âmbito da produção material e das re lações econômicas; no universo da sociabilidade, âmbito das relações políticas, e no universo da cultura simbólica, âmbito da consciência pessoal, da subjetividade e das relações intencionais. Metodologia Científica 184 Na sociedade em que vivemos, o conhecimento transformou-se no principal fator de produção, no elemento fundamental para a p rodução de riquezas, explicitando-se com muita nitidez sua imediata vinculação com o universo do trabalho. D e m o d o g e r a l , a importância decisiva da Educação para uma justa "distribuição" desse "bem" tem sido reconhecida, e as Universidades, como centros de criação de conhecimento, desempenham, nesse cenário, um papel de destaque. (Machado, 2001) Nesta aula, você: •Examinou o papel da educação superior na construção do conhecimento e reconheceu o papel das agências de fomento e da Plataforma Lattes. Metodologia Científica 185 METODOLOGIA CIENTÍFICA Exercício: CEL0476_EX_A9_201102276103 1a Questão (Ref.: 201102540684) A Universidade tem o papel de fomentar à prática da pesquisa, ou seja, o aluno deve ser capaz de uma produção de conhecimento autônoma. Para tanto, o que deve ser privilegiado: [ ] A habilidade de realizar boas sínteses (resumos) das principais teorias da sua área de conhecimento. [X] A possibilidade de sistematizar e problematizar novas ideias, a partir dos conceitos e métodos estudados. [ ] A capacidade de memorizar a bibliografia estudada ao longo do curso [ ] A rejeição de novos autores, já que em toda área é fundamental a divulgação dos teóricos clássicos de cada área de conhecimento. [ ] O domínio e a capacidade de reproduzir os conteúdos específicos aprendidos em seu curso. Metodologia Científica 186 2a Questão (Ref.: 201102540225) A palavra Universidade provém do latim universitate e significa universalidade, totalidade, conjunto, corpo, companhia, corporação e comunidade. Porém, seu significado se expandiu e também serve para indicar o lugar de construção do conhecimento e da cultura. Configurando, assim, uma instituição que tem a tarefa de promover a [ ] sociedade entre os professores [ ] reflexão dos alunos [ ] reflexão dos reitores [X] reflexão crítica da sociedade [ ] sociedade burguesa 3a Questão (Ref.: 201102541867) A produção científica na universidade tem como objetivo o exercício da nossa capacidade de pensar e discernir, direcionados para análises de ambientes, dados e situações diversas. O que exige procedimentos intelectuais e técnicos (Gil, 1991). No procedimento técnico está incluída a pesquisa acadêmica cujo objetivo é construir: [ ] Um conhecimento ingênuo, simples, preciso, verificável e eficaz da realidade [ ] Um conhecimento informal que interfira nas teorias preexistentes Metodologia Científica 187 [ ] Um conhecimento inteligível, complexo, preciso, definitivo e aplicável à realidade [ ] Um conhecimento empírico verificável que interfira de forma indireta na realidade [X] Um conhecimento inteligível, simples, preciso, verificável e eficaz na realidade Metodologia Científica 188 AULA 10 PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO OBJETIVOS 1.Definir o que é um Projeto Político pedagógico; 2.Reconhecer no Projeto Político Pedagógico os elementos essenciais à sua formação. O que significa a palavra Projeto? Projeto vem do latim projectu, particípio passado do verbo projecere, que significa lançar para diante ou, conforme coloca Moacir Gadotti (2001), lançar-se para frente, denotando o sentido de movimento ou mudança. O termo, então, assume o sentido de plano ou descr i ção esc r i ta e de ta lhada de um empreendimento. Já Vasconcellos (1995, p. 143) diz que “Projeto [...] é um instrumento teórico-metodológico que visa ajudar a enfrentar os desafios do cotidiano [...], só que de uma forma refletida, consciente, sistematizada, orgânica e, o que é essencial, participativa. É uma metodologia de trabalho que possibilita ressignificar a ação de todos os agentes da instituição.” Metodologia Científica 189 Mas o que Vasconcellos quer dizer com Instrumento teórico-metodológico que visa ajustar a enfrentar os desafios do cotidiano? Na verdade César Vasconcellos, ao falar de instrumento teórico-metodológico que visa ajudar a enfrentar os desafios do cotidiano, estava se referindo ao PPP — Projeto Político Pedagógico. Mas você sabe o que é isso? Toda instituiçãode ensino (principalmente as escolas) tem “objetivos que deseja alcançar, metas a cumprir e sonhos a realizar. O conjunto dessas aspirações, bem como os meios para concretizá-las, é o que dá forma e vida ao chamado Projeto Político Pedagógico ― o famoso PPP.” (LOPES, 2013). Perceba que as palavras que compõem o nome do documento já dão muitas pistas sobre ele: Projeto = Propostas de ação concreta a executar durante determinado período de tempo. Político = Considera a escola como um espaço de formação de cidadãos conscientes, responsáveis e críticos, que atuarão individual e coletivamente na sociedade, modificando os rumos que ela vai seguir. Metodologia Científica 190 Pedagógico = Define e organiza as atividades e os projetos educativos necessários ao processo de ensino e aprendizagem. Fica claro que o mais importante é o compromisso das instituições de ensino com uma reflexão sobre sua intencionalidade educativa. Na verdade, o PPP nada mais é do que a organização das prát icas pedagógicas, considerando todos os agentes envolvidos: a l u n o s , p r o f e s s o r e s , c o o r d e n a d o r e s , comunidade etc. Você viu que a palavra projeto vem do verbo projetar, lançar-se para frente, denotando o sentido de movimento ou mudança. Porém, este termo assume sentido diferente quando pensamos no papel da Universidade, certo? Então, marque a única opção abaixo que oferece uma informação errada acerca do Projeto Político Pedagógico: [ ] Projeto Político Pedagógico é um instrumento teórico-metodológico que visa ajudar a enfrentar os desafios do cotidiano. Metodologia Científica 191 [ ] É um estudo que deve ser consciente, sistematizado, orgânico e participativo. [ ] É uma metodologia de trabalho que possibilita ressignificar a ação de todos os agentes de uma instituição de ensino. [X] É o mesmo que extensão, ou seja, ações da Universidade junto à comunidade, disponibilizando o conhecimento adquirido com o ensino e a pesquisa. A última opção está errada, pois o Projeto Polí t ico Pedagógico não pode ser confundido com as atividades de extensão desenvolvidas pelas Universidades. É Projeto Político Pedagógico ou Projeto Pedagógico? Vamos encontrar documentos que usam os dois termos. Segundo alguns autores, os nomes projeto pedagógico ou projeto pol í t ico pedagógico não apresentam diferenças. São duas formas que podemos usar para designar o mesmo sentido de projetar, de lançar, de orientar, ou dar sentido a uma ideia. A colocação da palavra político ressalta que não há ação pedagógica sem o compromisso com Metodologia Científica 192 uma ação transformadora, formando para o exercício da cidadania. Assim, em sua construção são observadas as seguintes questões (BAFFI, 2002): ‣Concepção de homem e mundo; ‣Concepção de sociedade; ‣Concepção de educação; ‣Concepção de universidade; ‣Concepção de cidadão; ‣Concepção de profissional; ‣Concepção de conhecimento; ‣Concepção de currículo; ‣Relação teoria e prática. E no Ensino Superior, qual é o papel do Projeto Pedagógico? O processo de globalização, o avanço da tecnologia e da ciência, o cuidado na utilização de novas l inguagens na construção do conhecimento exige muito mais das instituições de ensino em todos os níveis, concorda? Por isso, todos os profissionais que atuam no ensino vêm se preocupando com a melhor maneira de adequar-se aos novos tempos e em mudar a cara da educação. Metodologia Científica 193 É nesse sentido que precisamos pensar na visão de mundo subjacente às nossas ideias e práticas. Assim, o ensino superior assume o papel de articulador da sociedade que contribui de maneira efetiva para a formação de profissionais capazes de pensar e agir criticamente. E, para que isso ocorra, não basta a simples ideia, mas um processo para torná-la realidade através de um planejamento. Na Universidade cada curso expressa a sua leitura de mundo e deve contribuir, em seu conjunto, para uma discussão sobre os rumos da sociedade. É preciso, então, pensar a construção do conhecimento a fim de elaborar um saber sobre a prática que realiza. E essa é a função de um Projeto Pedagógico. No Brasil, a Lei nº 9394/94 ― Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional ―, em seu art. 12, inciso I, prevê que “os estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino, têm a incumbência de elaborar e executar sua proposta pedagógica”. Metodologia Científica 194 Logo, o Projeto Pedagógico de uma instituição de ensino é elaborado a partir de um conjunto de leituras e informações sobre as diretrizes que fundamentam os princípios e métodos da prática educativa, seu compromisso social de maneira contextualizada. Nesse instrumento são apresentados os currículos das diversas áreas com seus objetivos e especificidades. O currículo de um curso representa a síntese dos conhecimentos e valores que caracterizam determinada área de saber. Na atividade de planejamento do PPP são definidas as finalidades e necessidades dos alunos, professores, enfim, dos cursos de graduação. Por isso, não deve ser entendido como um documento acabado, mas em construção, considerando-se que, ao longo do tempo, algumas práticas precisam ser revistas e modificadas. Até aqui você viu o que significa projeto pedagógico e observou que este apresenta a concepção de sua identidade quando define padrões referenciais, conceituais e estruturais. Metodologia Científica 195 Mas o que são padrões referenciais? Padrões referencia is são aqueles que expressam a visão de sociedade, da instituição, bem como a determinação e análise das necessidades e problemas prioritários da área de estudo no país. Quando se pensa em padrões conceituais, focaliza-se no perfil baseado nas competências do profissional a ser formado. Nessa ótica, quando observamos os padrões estruturais, repensamos conteúdos, métodos e sistema de avaliação em sintonia com as concepções construídas nas etapas anteriores. Sem desconsiderar a relação entre ensino, pesquisa e extensão. No que consiste um perfil baseado em competências? Segundo o INEP, “competências são as modalidades estruturais da inteligência, ou melhor, ações e operações que utilizamos para estabelecer relações com e entre objetos, situações, fenômenos e pessoas que desejamos conhecer”. Metodologia Científica 196 A essa modalidade estrutural dá-se o nome de CHA, que significa Conhecimento, Habilidades e Atitudes. Metodologia Científica 197Capriche no CHA e não o deixe esfriar! Trabalhar o conhecimento, as habilidades e as atitudes é muito importante para ter um bom desempenho profissional fora da Universidade. Por isso, aproveite todas as ações inseridas no PPP do seu curso e desenvolva suas competências. O Projeto Pedagógico compreende, portanto, a forma como a Universidade pretende realizar seu ideal pedagógico e, assim, configura o material básico que direciona a ação de todas as unidades acadêmicas, orientando suas práticas pedagógicas, em especia l os pro jetos pedagógicos dos cursos que a integram, p e n s a n d o s e m p r e n a c o n s t r u ç ã o d o conhecimento, habilidades e atitudes que constituem a competência do aluno em formação. Agora que você conhece um pouco mais sobre este assunto, poderá compreender o projeto pedagógico de alguns dos curso da Estácio: Metodologia Científica 198 Nesta aula, você: •Identificou o que é um Projeto Pedagógico e os elementos essenciais à sua formação. METODOLOGIA CIENTÍFICA Exercício: CEL0476_EX_A10_201102276103 1a Questão (Ref.: 201102531331) E s t u d a m o s s o b r e p r o j e t o p o l í t i c o pedagógico(PPP) na aula 10 e vimos que a inclusão da palavra político nesse termo PPP expressa um conceito importante para a sociedade contemporânea. Qual é esse conceito? [ ] Que aluno e professor precisam discutir a política brasileira em sala de aula e procurar caminhos para inseri-la no ambiente de trabalho [ ] Que o universitário precisa conhecer a política partidária e dela participar para se tornar um cidadão participativo. [ ] Que a política no currículo universitário formará a consciência política no jovem para participar conscientemente das manifestações atuais. [X] Que a ação pedagógica no ensino superior precisa ser transformadora e preparar o Metodologia Científica 199 universitário para o exercício da cidadania e de sua profissão. [ ] Que com a inserção da política social no currículo o estudante compreenderá que a política é importante para a constituição da cidadania, compreendendo a importância dee seus direitos e deveres. 2a Questão (Ref.: 201102538045) Segundo a Lei 9394/94,a universidade deve exercer suas práticas educativas,com uma inserção social contextualizada.E para tal t a r e f a , d e v e o b s e r v a r P a d r õ e s Referenciais,focado no perfil de competências e habi l idades.O que são competências e habilidades? [ ] São modalidades que estruturam o ensino fundamental. [X] São modalidades que estruturam a inteligência(ações e operações). [ ] São modalidades que estruturam o ensino técnico. [ ] São modalidades que estruturam a política. [ ] São modalidades que estruturam a moral. 3a Questão (Ref.: 201102540915) A Universidade apresenta uma função primordial que busca educar pessoas para trabalhar com o saber, formando um lugar natural para o diálogo Metodologia Científica 200 e inovações. Esta postura formadora de profissionais e pesquisadores em todas as áreas estimula a Universidade a desenvolver reflexões sobre suas práticas, sua missão e sua identidade. Todos estes atributos estão suportados por um instrumento de grande importância para a educação, qual seria este instrumento? [ ] Plano Partidário Pedagógico [X] Plano Político Pedagógico [ ] Plano Partidário Preterido [ ] Plano Plurianual Partidário [ ] Plano Pedagógico Partidário Metodologia Científica 201 METODOLOGIA CIENTÍFICA Simulado: CEL0476_SM_201102276103 V.1 1a Questão (Ref.: 201102314277) Pontos: 0,0 / 1,0 O planejamento de uma pesquisa dependerá basicamente de três fases: I. fase decisória: referente à escolha do tema, à definição e à delimitação do problema de pesquisa. II. fase construtiva: referente à construção de um plano de pesquisa e à execução da pesquisa propriamente dita. III. fase redacional: referente à coleta dos dados e informações obtidas na fase construtiva. [ ] Apenas a afirmativa II está correta. [ ] Apenas a afirmação III está correta. [ ] Apenas a afirmativa I está correta. [ ] As afirmações II e III estão corretas. [X] As afirmativas I e II estão corretas. 2a Questão (Ref.: 201102315498) Pontos: 1,0 / 1,0 O cientista utiliza um método na apreensão da realidade. Através do método podemos descobrir como chegar a um objetivo. É uma forma de pensar para se chegar à natureza de determinado problema. Nesse sent ido, denomina-se método: Metodologia Científica 202 [X] O conjunto de procedimentos através dos quais é possível conhecer determinada realidade [ ] O conjunto de estudos teóricos através dos quais é possível conhecer determinada realidade [ ] O conjunto de textos através dos quais é possível conhecer determinada área de saber [ ] O conjunto obras já construídas que definem a realidade social. [ ] O conjunto de investigações puramente racionais através dos quais é possível conhecer determinada realidade 3a Questão (Ref.: 201102316201) Pontos: 0,0 / 1,0 A escolha de um método é fundamental para que o pesquisador execute os objetivos e chegue a resultados conclusivos. Assim, a forma correta de se reconhecer um método científico é: [ ] explicitar porque o pesquisador chegou as conclusões sem ter traçado objetivos para a pesquisa [ ] explicitar porque razões o pesquisador optou por chegar a uma conclusão sem ter traçado hipótese para a pesquisa [ ] explicitar por que motivos o pesquisador foi obrigado a adotar certa análise e porque chegou a determinada conclusão [ ] explicitar porque o pesquisador optou pela religiosidade para as explicações científicas Metodologia Científica 203 [X] explicitar porque motivos o pesquisador escolheu determinados caminhos e como chegou a determinada conclusão 4a Questão (Ref.: 201102315560) Pontos: 1,0 / 1,0 Análise temática é de grande relevância para estudos e trabalhos, ela consiste em: [X] Identificar o assunto, a tese do autor, sua abordagem e posicionamento. [ ] Elaborar um esquema mostrando a estrutura do texto. [ ] Elaborar um fichamento para melhor entendimento das ideias do autor. [ ] Situar o autor no contexto mais amplo, destacando os pontos originais de sua obra. [ ] Formular um juízo crítico sobre a obra do autor. 5a Questão (Ref.: 201102316193) Pontos: 1,0 / 1,0 O Método Científico consiste na análise dos métodos de pesquisa, partindo do princípio de que existem quatro tipos de conhecimentos que embasam e formam o pensamento [ ] Científico, fenomenológico, religioso e senso comum [ ] supersticioso, religioso, filosófico e científico Metodologia Científica 204 [X] Senso comum, filosófico, científico e religioso [ ] Senso comum, cientifico, supersticioso e religioso [ ] científico, premonitório, religiosos e filosófico 6a Questão (Ref.: 201102315552) Pontos: 0,0 / 1,0 Contextualizar as idéias de um autor quanto ao quadro de ideias de uma época, compararas ideias do texto com outras afins e assumir uma tomada de posição faz parte da: [ ] Análise textual [ ] Análise temática [ ] Análise interativa [ ] Análise de fontes [X] Análise interpretativa 7a Questão (Ref.: 201102315501) Pontos: 1,0 / 1,0 Assinale APENAS as afirmações que contêm características pertinentes ao conhecimento científico. I. Lida com fatos II. Contingente, pois suas hipóteses têm a sua veracidade ou falsidade conhecida através da experimentação III. Sistemático, pois o saber é ordenado logicamente Metodologia Científica 205 IV. Infalível em virtude de ser definitivo, absoluto ou final. [ ] As afirmativas I, II e IV estão corretas [X] As afirmativas I, II e III estão corretas [ ] As afirmativas II,III e IV estão corretas [ ] As afirmativas I e II estão corretas [ ] As afirmativas II e IV estão corretas 8a Questão (Ref.: 201102314243) Pontos: 0,0 / 1,0 Existem várias formas de classificação da pesquisa científica. São duas formas clássicas de classificação do ponto de vista da sua natureza : [ ] aplicada e dialética [ ] básica e circunstancial [ ] básica e exploratória [ ] aplicada e conceitual [X] básica e aplicada 9a Questão (Ref.: 201102476123) Quando elaboramos um resumo, produzimos uma ANÁLISE TEMÁTICA do texto lido. Este é o momento da compreensão do texto, refazendo as ideias do autor. Registre três tipos de pergunta que o leitor deve fazer para realizar uma boa leitura temática. Metodologia Científica 206 Resposta: Qual o tema?; Qual a perspectiva da a b o r d a g e m ? ; C o m o o a s s u n t o f o i problematizado?; Como o autor responde ao problema?; Que posição assume?;Que ideia defende? O que quer demonstrar? Como o autor comprova sua tese? 10a Questão (Ref.: 201102455428) Imagine que você deseje escrever a história de um bairro da cidade em que mora. Você começa o estudo pelo livro de estatísticas locais para ver que tipo de gente mora ali. Decidiu-se por uma pesquisa qualitativa. Explique esse tipo de pesquisa e diga que tipos de técnicas podem ser utilizados. Resposta (sugestão): É um processo de reflexão e análise de realidade através da utilização de métodos e técnicas para compreensão do objeto de estudo. Em pesquisa de abordagem qualitativa todos os fatos e fenômenos são significativos e relevantes. Principais técnicas: entrevistas, observações, análises de conteúdo, estudo de caso e estudos etnográficos (descritivo de g rupos de pessoas quan to às suas característ icas antropológicas, sociais, políticas, econômicas e educacionais). Metodologia Científica 207