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Equilíbrio de uma partícula no plano MECÂNICA DOS SÓLIDOS I PROF. MURILO BARBOSA DE CARVALHO UNIDADE I I – ESTÁTICA DAS PARTÍCULAS Componentes ortogonais Resultante de várias forças sobre uma partícula (componentes ortogonais ou retangulares) - Para iniciar o entendimento do equilíbrio de um ponto material no plano, iremos decompor as diversas forças segundo os eixos x-y, que definem um sistema de eixos ortogonais. - Para obter a resultante de mais de duas forças, é mais fácil determinar as componentes dos eixos especificados e somar algebricamente, ao invés de realizar sucessivas aplicações da lei do paralelogramo. Apesar de um eixo ser horizontal e outro vertical, podem estar orientados com qualquer inclinação, como na figura ao lado. Componentes ortogonais - A decomposição de uma força pode ser feita em suas componentes ortogonais, conforme esquema abaixo: Denomina-se F a intensidade da força F e o ângulo entre F e o eixo x, medido a partir deste eixo no sentido anti-horário. São válidas as relações: y x O yF xF F sCartesiana sComponente :, yx FF yx FFF 22 yx x y FFFe F F tg Como na Lei do paralelogramo: Componentes ortogonais A notação que representa de direção dos componentes retangulares pode ser feito de duas formas: • Notação escalar – Os componentes retangulares podem ser expressos em termos de escalares algébricos, onde está indicado a intensidade (valor) e o sentido (positivo ou negativo), já que estão orientado ao longo dos eixos x-y que têm direções definidas. Utilizados apenas para fins de cálculo. • Notação vetorial – Mais vantajoso em problemas tridimensionais, auxiliados por vetores unitários para designar as direções dos eixos x e y. Pode ser expresso como: jFiFF yx Componentes ortogonais Conceito de Vetores Unitários - São vetores de módulo igual a 1, orientados segundo os eixos positivos x e y. Os escalares Fx e Fy são chamados de componentes escalares da força F, enquanto as forças componentes Fxi e Fyj são denominadas componentes vetoriais de F. Os seus valores são positivos quando têm o mesmo sentido do vetor unitário, e negativo quando têm o sentido oposto. y x i j Logo: iFF xx jFF yy jFiFF yx Então: 1 ij e Componentes ortogonais Usando notação vetorial: Componentes ortogonais Usando notação escalar: 𝐹𝑅𝑥 = 𝐹𝑥 𝐹𝑅𝑦 = 𝐹𝑦 Componentes ortogonais Adição de forças pela soma das componentes segundo x e y - Quando devem ser adicionadas três ou mais forças, não se pode obter uma solução trigonométrica prática da regra do polígono de forças que defina a resultante destas forças. Portanto, uma solução analítica do problema pode ser obtida pela decomposição de cada uma destas forças em duas componentes cartesianas. Componentes ortogonais - Na Fig. 1 são apresentadas três forças agindo sobre um ponto material, e em seguida apresenta-se a resultante, obtida a partir da soma das componentes cartesianas destas forças. - Considerando as forças F1, F2 e F3, onde: FR = F1 + F2 + F3. Fig. 1 - Resultante obtida a partir da soma das componentes ortogonais. Decompondo-se cada força em suas componentes cartesianas, tem-se: j.Fi.FF j.Fi.FF j.Fi.FF yx yx yx 333 222 111 x y yxR yxR F F tg FFF j.Fi.FF 1 22 θ Exemplo 1 Um homem puxa, com uma força de 300 N, uma corda fixada a uma construção. Quais as componentes horizontal e vertical da força exercida pela corda no ponto A. Exemplo 2 Três forças atuam em um elemento estrutural, como mostrado na figura. Determine as componentes x e y de cada força e a força resultante, indicando sua intensidade e sentido. Exemplo 3 Duas cargas estão na ponta C da haste BC. Determine a tração no cabo AC, sabendo que a resultante das três forças que atuam em C deve ter a direção de BC. Equilíbrio de uma partícula no plano Condição para o Equilíbrio de uma Partícula - Objetos considerados como partículas só podem ser submetidos a sistemas de forças concorrentes, isto é, todas as forças passam pelo ponto em que está a partícula: 1F 2F 3F 4F FFFFFFR 4321 Equilíbrio de uma partícula no plano - A condição de equilíbrio de uma partícula (obedecendo à primeira lei de Newton) pode ser enunciada como: “Quando a resultante de todas as forças que atuam sobre uma partícula é zero, tem-se o equilíbrio”. Então, as condições necessárias e suficientes para o equilíbrio de uma partícula no plano são: 0F Então, 0 jFiF yx 0 jFiF yx 0e0 YX FF Equilíbrio de uma partícula no plano 1F 2F 1F 2F RF RF RF RF 1F 2F RF 0F Equilíbrio de uma partícula no plano - Quando da realização do equilíbrio de uma partícula, pode-se aplicar o diagrama de corpo livre (DCL), que é um esquema que mostra todas as forças exercidas sobre um determinado ponto material, convenientemente escolhido. HIBBELER, R. C. Mecânica Estática. Prentice Hall, São Paulo, 2005. Procedimento para traçar um Diagrama de Corpo Livre (DCL) Como devemos considerar todas as forças que atuam sobre o ponto material ao aplicar as equações de equilíbrio, não devemos dar ênfase excessiva à importância de desenhar primeiro o diagrama de corpo livre. Para construí-lo é necessário seguir estes passos: Desenhe o contorno do ponto material a ser estudado. Imagine que o ponto material esteja isolado, ou ‘seccionado’, ou ‘livre’ de seu entorno, e desenhe o contorno de sua forma. Mostre todas as forças. Indique nesse esboço todas as forças que atuam sobre o ponto material. Essas forças podem ser ativas, tendendo a pôr o ponto material em movimento, ou reativas, que são o resultado de restrições ou apoios que tendem a impedir o movimento. Para se considerarem todas as forças, é interessante traçar o contorno em torno do ponto material, anotando cuidadosamente cada força que age sobre ele. Identifique cada força. As forças conhecidas devem ser marcadas com suas intensidades, direções e sentidos. São usadas letras para representar as intensidades, direções e sentidos das forças desconhecidas. Equilíbrio de uma partícula no plano É preciso conhecer dois tipos de conexões frequentemente encontrados em problemas de equilíbrio do ponto material • Molas: - O comprimento da mola variará em relação direta com a força que atua sobre ela. A rigidez da mola está associada a constante K. - A intensidade da força que atua na mola de rigidez K e apresenta deformação s, é dada por: 𝐹 = 𝑘s Molas Equilíbrio de uma partícula no plano Cabos e Polias Vamos considerar inicialmente que os cabos tem peso desprezível e são indeformáveis Os cabos suportam apenas forças de Tração, que atua na direção deste Ao passar pela polia, para qualquer ângulo formado pelo cabo, a tensão a que está submetido é constante ao longo do seu comprimento, então a força de tração é a mesma. Exemplo 4 Determine as trações nos cabos das figuras abaixo. A) B) Exemplo 5 Uma caixa e seu conteúdo pesam 480 kg. Determine o menor comprimento da corrente, ACB, que pode ser usada para levantar a caixa e seu conteúdo se a tração na corrente não pode exceder 3650 N. Exemplo 6 As três forças concorrentes que atuam sobre o poste produzem uma força resultante Fr =0. Se F2=(1/2)F1 e F1 estiver a 90° de F2, como mostrado, determine a intensidade necessária de F3 expressa em termos de F1 e do ânguloθ. Exemplo 7 Determine a intensidade da força F, de modo que a resultante Fr das três forças seja a menor possível. Exemplo 8 O comprimento sem deformação da mola AB é de 2 m. Com o bloco mantido na posição de equilíbrio mostrada, determine a massa dele em D. Exemplo 9 A carga da figura tem massa de 15 kg e é levantada pelo sistema de polias mostrado. Determine a força F na corda em função do ângulo θ. Faça um gráfico da função da força F versus o ângulo θ para 0 ≤ θ ≤ 90°.