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Prévia do material em texto

Autoras: Profa. Giane Elis de Carvalho Sanino
 Profa. Mônica Santos Braga 
Epidemiologia 
e Saúde Pública
Professora conteudista: Giane Elis de Carvalho Sanino /
Mônica Santos Braga
Giane Elis de Carvalho Sanino
Doutoranda em Educação na linha de pesquisa Políticas em Educação, possui graduação em Enfermagem pela 
Universidade de Mogi das Cruzes (1996) e mestrado em Educação pela Universidade Cidade de São Paulo (2003). Profissional 
com experiência na área clínica e educacional, com atividade clínica voltada para a nefrologia e atuação em clínicas e hospitais 
(particulares e públicos). Possui vivência acadêmica em escolas técnicas e universidades, atuando tanto na parte administrativa 
quanto na pedagógica, professora adjunta da UNIP nos cursos de Enfermagem, Farmácia e Nutrição, líder das disciplinas 
Políticas de Atenção à Saúde do Adulto, Políticas de Atenção à Saúde da Criança e do Adolescente, Prática Gerencial em 
Saúde Coletiva, Enfermagem Integrada na Prática Gerencial I, Prevenção e Controle das Infecções em Instituições de Saúde. 
Docente convidada do Curso de Especialização em Enfermagem Pediátrica e Neonatal da Faculdade de Enfermagem do 
Hospital Israelita Albert Einsten. Atualmente, estuda as temáticas juventude e formação, pedagogia da simulação e políticas 
públicas de educação e saúde, na esfera das políticas de saúde, insere-se no interesse pela temática epidemiologia, que está 
intrinsecamente relacionada às Políticas Públicas de Saúde, como um dos pilares do Sistema Único de Saúde (SUS).
Mônica Santos Braga
Natural da cidade de São Paulo, onde nasceu em 1966. Graduou-se em Enfermagem pela Escola Paulista de Medicina 
(1988), atual Universidade Federal de São Paulo, onde concluiu o mestrado na área de Epidemiologia Hospitalar pela disciplina 
de Infectologia, em 2006. Professora adjunta na Universidade Paulista (UNIP) desde 2007, nos cursos de graduação de 
Enfermagem e Nutrição, ministrando as disciplinas de Epidemiologia; Microbiologia; Imunologia; Parasitologia; Prevenção e 
Controle das Infecções em Instituições de Saúde; Políticas de Saúde e Enfermagem Integrada. Atualmente é líder da disciplina 
Biossegurança e professora convidada dos cursos de Especialização em Enfermagem do Trabalho e MBA em Serviços de Saúde 
na UNIP, ministrando as disciplinas de Epidemiologia e Biossegurança, respectivamente. Professora convidada dos cursos de 
Especialização em Cardiologia e Unidade de Intensiva pela Universidade São Camilo, onde ministra disciplina relacionada à 
prevenção das infecções relacionadas à assistência à saúde em áreas distintas (UTI, cardiologia e neonatologia). Atuou por 
quatorze anos como enfermeira epidemiologista do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar, nos Hospitais Nove de Julho 
(1990/2000) e Bandeirantes (2000/2004). Foi colaboradora na empresa de consultoria de enfermagem Pimentel e Associados, 
à qual deu suporte nas áreas de Controle de Infecção e Educação em Serviço de grandes hospitais localizados na região 
metropolitana de São Paulo. 
© Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou 
quaisquer meios (eletrônico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem 
permissão escrita da Universidade Paulista.
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
S224e Sanino, Giane Elis de Carvalho.
Epidemiologia / Giane Elis de Carvalho Sanino. - São Paulo: 
Editora Sol, 2013.
 
168 p., il.
1. Epidemiologia. . Enfermagem. 3. Indicadores de Saúde. I. 
Título.
CDU 616-036.22
Prof. Dr. João Carlos Di Genio
Reitor
Prof. Fábio Romeu de Carvalho
Vice-Reitor de Planejamento, Administração e Finanças
Profa. Melânia Dalla Torre
Vice-Reitora de Unidades Universitárias
Prof. Dr. Yugo Okida
Vice-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa
Profa. Dra. Marília Ancona-Lopez
Vice-Reitora de Graduação
Unip Interativa – EaD
Profa. Elisabete Brihy 
Prof. Marcelo Souza
Profa. Melissa Larrabure
 Material Didático – EaD
 Comissão editorial: 
 Dra. Angélica L. Carlini (UNIP)
 Dr. Cid Santos Gesteira (UFBA)
 Dra. Divane Alves da Silva (UNIP)
 Dr. Ivan Dias da Motta (CESUMAR)
 Dra. Kátia Mosorov Alonso (UFMT)
 Dra. Valéria de Carvalho (UNIP)
 Apoio:
 Profa. Cláudia Regina Baptista – EaD
 Profa. Betisa Malaman – Comissão de Qualificação e Avaliação de Cursos
 Projeto gráfico:
 Prof. Alexandre Ponzetto
 Revisão:
 Andréia Andrade
 Luanne Batista
Sumário
Epidemiologia e Saúde Pública
APRESENTAçãO ......................................................................................................................................................9
INTRODUçãO ...........................................................................................................................................................9
Unidade I
1 A HISTÓRIA DA EPIDEMIOLOGIA, DOS PRIMÓRDIOS À ATUALIDADE ........................................ 11
2 CONCEITOS E APLICAçÕES DA EPIDEMIOLOGIA ............................................................................... 14
3 HISTÓRIA NATURAL DA DOENçA ............................................................................................................ 17
3.1 Conceito de saúde e doença .......................................................................................................... 17
3.2 Período pré-patogênico e patogênico ......................................................................................... 19
3.3 Níveis de prevenção ............................................................................................................................ 20
3.4 Modelos explicativos do processo saúde-doença ................................................................... 22
4 INDICADORES DE SAÚDE ............................................................................................................................ 28
4.1 Aplicações no diagnóstico de saúde ........................................................................................... 28
4.2 Principais índices, proporções e taxas ........................................................................................ 29
4.3 Doenças não infecciosas, demografia e perfil de morbidade ............................................. 36
4.4 Medidas de frequência (morbidade) ............................................................................................. 46
4.4.1 Incidência e prevalência ....................................................................................................................... 46
4.5 Processo epidêmico: epidemia e doenças endêmicas .......................................................... 49
4.6 Investigação e controle de epidemias ......................................................................................... 51
5 DOENçAS INFECCIOSAS ............................................................................................................................... 54
5.1 Cadeia do processo infeccioso ....................................................................................................... 54
5.1.1 Reservatório .............................................................................................................................................. 56
5.1.2 Fonte de infecção ................................................................................................................................... 56
5.1.3 Vias de eliminação .................................................................................................................................. 59
5.1.4 Fatores do agente ................................................................................................................................... 59
5.1.5 Modo de transmissão .........................................................................................................................60
5.1.6 Vias de penetração ................................................................................................................................. 63
5.2 Aspectos estruturais e funcionais na prevenção e na exposição às doenças ............ 63
5.3 Conceitos e tipos de imunidade ..................................................................................................... 65
5.4 Contexto epidemiológico das doenças infecciosas transmissíveis ................................ 69
5.4.1 Doenças transmissíveis com tendência descendente .............................................................. 71
5.4.2 Doenças transmissíveis com quadro de persistência .............................................................. 76
5.4.3 Doenças transmissíveis emergentes e reemergentes ............................................................... 84
5.5 Vigilância epidemiológica ................................................................................................................ 91
5.5.1 Notificação e controle de doenças .................................................................................................. 93
5.5.2 Doenças de notificação compulsória ............................................................................................ 96
6 A EPIDEMIOLOGIA EM DIVERSAS ÁREAS ............................................................................................109
6.1 Vigilância Sanitária ............................................................................................................................109
6.2 Epidemiologia Molecular ................................................................................................................112
6.3 Epidemiologia Clínica .......................................................................................................................113
6.4 Epidemiologia Ambiental e Saúde Ocupacional ....................................................................113
7 SISTEMAS DE INFORMAçãO EM SAÚDE (SIS) ...................................................................................118
7.1 Programa nacionais ...........................................................................................................................120
7.2 Rede Interagencial de Informações para a Saúde (Ripsa) .................................................132
7.3 Classificação Internacional de Doenças, Traumatismos e
 Causas de Morte (CID) ...........................................................................................................................133
8 PESQUISA EPIDEMIOLÓGICA ....................................................................................................................138
8.1 Orientações gerais sobre o estudo .............................................................................................138
8.2 Projeto de pesquisa ..........................................................................................................................142
8.3 Análise dos dados .............................................................................................................................143
8.4 Estudos epidemiológicos .................................................................................................................145
8.4.1 Estudo observacional ......................................................................................................................... 145
8.4.2 Estudo transversal (ou de prevalência) ...................................................................................... 146
8.4.3 Estudo de coorte .................................................................................................................................. 146
8.4.4 Estudo caso-controle ......................................................................................................................... 147
8.4.5 Estudo experimental ou de intervenção ................................................................................... 148
8.4.6 Estudos ecológicos .............................................................................................................................. 150
Unidade II
1 SISTEMAS DE SAÚDE: ORIGENS, COMPONENTES E DINâMICA .................................................171
1.1 Síntese histórica das políticas de saúde: do Brasil Colonial ao desenvolvimento 
populista (1500-1963) .............................................................................................................................173
1.2 Síntese histórica das políticas de saúde no Brasil: do Golpe Militar à Reforma 
Sanitária (1964-1990) .............................................................................................................................175
2 SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS): PRINCÍPIOS, DIRETRIZES E ORGANIZAçãO ..................176
2.1 Princípios e Diretrizes do SUS .......................................................................................................180
2.1.1 Universalidade ........................................................................................................................................181
2.1.2 Equidade ...................................................................................................................................................181
2.1.3 Integralidade .......................................................................................................................................... 182
2.1.4 Regionalização ou hierarquização ................................................................................................ 182
2.1.5 Descentralização .................................................................................................................................. 183
2.1.6 Participação dos cidadãos (controle social) .............................................................................. 183
2.1.7 Resolubilidade/racionalização ........................................................................................................ 184
3 LEGISLAçãO DO SUS....................................................................................................................................184
3.1 Norma Operacional Básica (NOB) ................................................................................................206
3.2 Norma Operacional da Assistência à Saúde Noas-SUS 01/02 .........................................211
4 PACTO PELA SAÚDE 2006 ..........................................................................................................................215
5 CONFERÊNCIAS INTERNACIONAIS RELACIONADAS À PROMOçãO 
DA SAÚDE: ALMA-ATA, OTTAWA, ADELAIDE E SUNDSVALL .............................................................220
5.1 Conferência Internacional sobre Cuidados Primários de Saúde .....................................221
5.2 Primeira Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde .....................................223
5.3 Segunda Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde.....................................228
5.4 Terceira Conferência Internacional de Promoção da Saúde .............................................234
6 CONFERÊNCIAS INTERNACIONAIS RELACIONADAS À PROMOçãO DA SAÚDE: 
BOGOTÁ, JACARTA, MÉXICO, BANGKOK E BUENOS AIRES ...............................................................239
6.1 Conferência Internacional de Promoção da Saúde ..............................................................239
6.2 Quarta Conferência Internacional de Promoção da Saúde ..............................................243
6.3 Quinta Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde ........................................248
6.4 Sexta Conferência Global de Promoção da Saúde ...............................................................250
6.5 Conferência Internacional de Saúde para o Desenvolvimento .......................................2557 APLICAçãO DAS POLÍTICAS DE SAÚDE ................................................................................................258
7.1 Estratégia Saúde da Família (ESF) ................................................................................................258
8 COMENTÁRIO FINAL .....................................................................................................................................259
8
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APrESEntAção
A disciplina Epidemiologia consiste no estudo dos fundamentos teóricos, dos métodos e das técnicas 
relacionados à epidemiologia e sua importância para o desenvolvimento das atividades do profissional 
de saúde, enfatizando a necessidade do uso do conhecimento do perfil epidemiológico da população e 
dos principais determinantes do processo saúde-doença, com o enfoque de risco, para a adequação da 
assistência à saúde.
Introdução
A figura a seguir trata da distribuição dos casos da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), 
causada pelos agentes etiológicos influenza H1N1 e influenza sazonal com relação a 2009:
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Faixa etária (anos)
Influenza A (H1N1) (n = 7.953) Influenza sazonal (n = 1.062) 
<2 >603 a 4 5 a 14 15 a24 25 a 29 30 a 49 50 a 59
Figura 1 - Distribuição por faixa etária entre casos de síndrome respiratória aguda 
grave (SRAG) com influenza, até a semana epidemiológica 35 
MS alerta sobre condutas frente a casos de gripe
O Ministério da Saúde alerta os profissionais de saúde para a chegada do inverno, no dia 
22 de junho, época em que se intensifica a circulação dos vários subtipos do vírus da influenza, 
exigindo atenção redobrada para as medidas de vigilância epidemiológica e de assistência 
apropriadas. Particularmente, é preciso esclarecer bem e implantar as recomendações do 
Ministério sobre possíveis casos de influenza pelo subtipo do vírus de influenza A/H1N1 
2009. O subtipo do vírus de influenza denominado A/H1N1 2009 surgiu no início daquele 
ano, no México, e foi responsável pela pandemia de influenza registrada naquele ano. Em 
agosto de 2010, com base nos dados epidemiológicos registrados, a Organização Mundial 
da Saúde (OMS) declarou a pandemia como encerrada. Uma pandemia ocorre quando 
aparece um subtipo completamente novo do vírus da influenza. Nessa situação, como 
toda a população é suscetível, há uma disseminação rápida desse novo subtipo. No século 
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passado, esse fenômeno ocorreu três vezes, em 1918, 1957 e 1968. Na pandemia de 2009, a 
grande maioria dos casos foi leve, com cura espontânea, sem complicações. Entretanto, em 
alguns casos, houve a ocorrência de casos graves, principalmente em alguns grupos como 
gestantes, crianças pequenas, idosos, obesos e portadores de doenças crônicas.
Mesmo com o fim da pandemia, o subtipo A/H1N1 2009 continua circulando no mundo 
inteiro, agora produzindo apenas surtos localizados, porque a maioria das pessoas já está 
protegida contra ele, seja porque tiveram a infecção natural em 2009 (estima-se que 
até 30% da população pode ter tido influenza pelo subtipo A/H1N1 2009) ou porque se 
vacinaram nas campanhas realizadas em 2010, 2011 e 2012. Esses surtos vêm ocorrendo 
em praticamente todos os países do mundo, e também no Brasil. Para responder a essa 
situação, a OMS manteve esse subtipo entre os três que fazem parte da composição da 
vacina contra a influenza, protegendo os grupos mais vulneráveis às complicações, como as 
mulheres grávidas, as crianças menores de 2 anos e os idosos. Em nosso país, a campanha 
de influenza para o inverno de 2012, recentemente realizada, atingiu cobertura acima de 
80%, uma das mais altas do mundo”. 
Fonte: Brasil (2012).
O texto anterior retrata a expansão dos riscos, das doenças e dos problemas sanitários junto com a 
necessidade de agir, coletiva e coordenadamente, em prol da saúde das populações. Nesse contexto, a 
epidemiologia surge como ciência relevante para respaldar as ações em saúde. Nossas ações de saúde, 
preventivas e/ou curativas, conseguem melhorar a saúde da população?
Prezado aluno, analisar todas as etapas epidemiológicas que subsidiaram as ações da OMS e do 
Ministério da Saúde, no caso do surto pelo vírus da Influenza A/H1N1, bem como compreender o gráfico 
que vimos há pouco e vários conceitos utilizados no texto (vigilância epidemiológica, pandemia, surtos, 
população suscetível, disseminação, casos, dados epidemiológicos, vacina) e/ou ter subsídios teóricos 
para responder à questão acima, é o que pretendemos desenvolver neste livro-texto.
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EpidEmiologia E SaúdE pública
Unidade I
1 A HIStÓrIA dA EPIdEMIoLoGIA, doS PrIMÓrdIoS À AtuALIdAdE
De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde/Opas (2010), a história da epidemiologia 
pode ser dividida em três fases distintas (estatística sanitária/paradigma miasmático; epidemiologia das 
doenças infecciosas/paradigma microbiano; epidemiologia de doenças crônicas/paradigma dos fatores 
de risco), de acordo com o paradigma científico predominante. Embora não se excluam totalmente, há 
na contemporaneidade uma tendência de associação de fases com a inclusão de novos conhecimentos 
científicos.
 Saiba mais
Para saber mais sobre os fatores de risco individuais, acesse o estudo 
Vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por 
inquérito telefônico (Vigitel), o qual aborda, especificamente, hábito de 
fumar, presença de excesso de peso ou de obesidade, características do 
padrão de alimentação e da atividade física, consumo abusivo de bebidas 
alcoólicas, autoavaliação do estado de saúde, referência a diagnóstico 
médico de hipertensão arterial, diabetes e asma (incluindo também 
bronquite asmática, bronquite crônica ou enfisema), proteção contra 
radiação ultravioleta e realização de mamografia e citologia oncótica para 
detecção de câncer de colo de útero. 
Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/vigitel_2010.
pdf>.
Importantes estudiosos contribuíram para o desenvolvimento da Epidemiologia, como:
Hipócrates – há mais de dois mil anos, realizou observações de que os fatores ambientais 
influenciavam a ocorrência de doenças. Foi o primeiro a quantificar os padrões da natalidade, da 
mortalidade e da ocorrência de doenças, identificando a existência de diferenças entre os sexos, 
a distribuição urbano-rural, a elevada mortalidade infantil e as variações sazonais. São também 
atribuídas a ele as primeiras estimativas de população e a elaboração de uma tábua de mortalidade. 
Tais trabalhos conferem-lhe o mérito de ter sido o fundador da bioestatística e um dos precursores 
da epidemiologia (BARATA, 1998).
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 William Petty (1648) – um dos pioneiros no estudo quantitativo dos fenômenos sociais, inclusive 
dos problemas sociais da saúde e da doença, criando o que ele denominava de “aritmética política” 
(OPAS, 2010). 
John Graunt (1662) – realizou estudos sobre as leis da mortalidade, relatando as diferenças da 
mortalidade entre gêneros, regiões urbanas e rurais,grupos etários, estações do ano etc.; construiu 
as primeiras tábuas de vida, com base na experiência de mortalidade da população de Londres (OPAS, 
2010). 
James Lind (1747) – investigou as causas do escorbuto e sugeriu as potencialidades da análise 
cartesiana na elucidação causal (OPAS, 2010). 
Daniel Bernouilli (1760) – aperfeiçoou a construção das tábuas de vida de Graunt, utilizando 
conhecimentos matemáticos e estatísticos e o cálculo da esperança de vida para avaliar o impacto da 
vacinação antivariólica sobre a população (OPAS, 2010). 
Johann Peter Frank (1766) – propôs, na Alemanha, a criação de uma “polícia médica” para fazer 
cumprir legalmente a política de saúde. A vigilância foi reconhecida como parte integral do fornecimento 
de saúde para a população; essa proposta teve grande impacto nos países vizinhos (OPAS, 2010). 
Louis Villermé (1826) – realizou estudo sobre a mortalidade dos operários industriais e as condições 
de trabalho nas fábricas (BARATA, 1998).
Pierre Charles Alexandre Louis (1836) – introduziu o método estatístico na investigação da doença 
para avaliar a eficácia de tratamento clínico e estudos de morbidade na Inglaterra (OPAS, 2010). 
William Farr (1838) – estabeleceu, na Inglaterra, a certificação médica universal de óbitos e fundou 
as bases para um sistema moderno de vigilância (OPAS, 2010). 
Ignaz Philipp Semmelweiss (1843) – sugeriu em seu livro A contagiosidade da febre puerperal 
que a febre puerperal fosse uma doença contagiosa transmitida pelas mãos e pelos aventais sujos 
dos médicos que atendiam os pacientes, ao afirmar “a febre puerperal é causada pela condução, à 
mulher grávida, de partículas pútridas, derivadas de organismos vivos, pela mediação dos dedos dos 
examinadores” (BRASIL, 2000).
Lemuel Shattuch (1850) – EUA recomendaram a execução de um censo decenal, com a padronização 
da nomenclatura de doenças e causas de morte e a coleta de dados de saúde por idade, sexo, ocupação, 
localidade e nível socioeconômico (OPAS, 2010). 
John Snow (1854) – realizou estudo sobre o risco de contrair cólera em Londres, relacionando a 
doença ao consumo de água proveniente de determinada companhia. Ele identificou o local de moradia 
de cada pessoa que morreu por cólera entre 1848-49 e 1853-54, notando evidente associação entre a 
origem da água utilizada para beber e as mortes ocorridas. A partir disso, comparou o número de óbitos 
por essa moléstia em áreas abastecidas por diferentes companhias e verificou que a taxa de mortes foi 
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EpidEmiologia E SaúdE pública
mais alta entre as pessoas que consumiam água fornecida pela companhia Southwark. Baseado nessa 
investigação, construiu a teoria sobre a transmissão das doenças infecciosas em geral e sugeriu que a 
cólera era disseminada por meio da água contaminada, propondo dessa forma melhorias no suprimento 
de água, mesmo antes da descoberta do micro-organismo causador da doença; além disso, sua pesquisa 
teve impacto direto sobre as políticas públicas de saúde, visando à melhora do saneamento; por isso é 
considerado o pai da epidemiologia (BONITA et al., 2010).
 No século XIV, em Veneza, ocorreu o estabelecimento do conceito de quarentena. Foram 
designados três guardiões da saúde pública para detectar casos de peste e deter por quarenta dias os 
barcos com pessoas infectadas a bordo, a fim de evitar a disseminação da epidemia. 
A tabela e a figura a seguir ilustram o estudo de John Snow:
Tabela 1
Distritos, segundo a 
companhia responsável pelo 
abastecimento de água
População
(censo de 1851)
Mortes por 
cólera
Taxa de óbitos por 
cólera por 1.000 
habitantes
Somente Southwark & 
Vauxhall 167.654 844 5,0
Somente Lambeth 19.133 18 0,9
Ambas as companhias 300.149 652 2,2
Fonte: Waldman; Rosa (1998).
Fuentes de suministro de água
Muertes de cólera
0 metros 200
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1877/1887 – Louis Pasteur descobriu três bactérias causadoras de doenças – estafilococos, 
estreptococos e pneumococos. 
1963 – Alexander Langmuir promoveu o conceito moderno de vigilância, com ênfase no 
monitoramento das condições de saúde da população.
1965 – a OMS estabeleceu, em Genebra (Suíça), a primeira unidade de vigilância epidemiológica. 
Desde 1970, a OMS expandiu a vigilância para incluir uma gama mais ampla de problemas de saúde 
pública. Em 1980, utilizou a vigilância como guia para os programas de erradicação da varíola (OPAS, 
2010). 
1992 – o Centro de Controle de Doenças (CDC) dos EUA desenvolveu o conceito amplo de vigilância 
em saúde pública (OPAS, 2010). 
2 ConCEItoS E APLICAçÕES dA EPIdEMIoLoGIA 
Segundo Bonita et al. (2010, p. 4), “a palavra ‘epidemiologia’ é derivada das palavras gregas: epi 
‘sobre’, demos ‘povo’ e logos ‘estudo’”. De forma simplista, poderíamos conceituá-la como o estudo das 
doenças e suas causas. Contudo, a epidemiologia vai além, ela pode ser mais bem conceituada como o 
estudo que inclui a vigilância, a observação, o teste de hipóteses e pesquisas analíticas e experimentais, 
que analisa a distribuição quanto ao tempo, pessoas, lugares e grupos de indivíduos afetados, sobre os 
fatores determinantes do estado de saúde (biológicos, químicos, físicos, sociais, culturais, econômicos, 
genéticos e comportamentais). Os estados ou eventos de saúde estão relacionados com as doenças, as 
causas de óbito, os hábitos comportamentais, os aspectos positivos em saúde, as reações a medidas 
preventivas, a utilização e a oferta de serviços de saúde, entre outros. A população inclui todos os 
indivíduos com características específicas (crianças, adultos, mulheres etc.) e tem por objetivo promover, 
proteger e restaurar a saúde pública. 
Dessa forma, o enfoque epidemiológico considera que a doença na população não ocorre 
por acaso nem está distribuída de forma homogênea. Há fatores associados que, para serem 
causais, cumprem com os seguintes critérios: temporalidade (toda causa precede a seu efeito, o 
chamado princípio do determinismo causal); força de associação; consistência da observação; e a 
especificidade da causa, o gradiente biológico (efeito dose-resposta) e a plausibilidade biológica. O 
enfoque epidemiológico também considera que a doença na população é um fenômeno dinâmico 
e sua propagação depende da interação entre a exposição e a suscetibilidade dos indivíduos 
e grupos constituintes na população aos fatores determinantes da presença da doença (OPAS, 
2010).
Os fatores de risco referem-se aos aspectos de hábitos pessoais ou de exposição ambiental, que 
estão associados ao aumento da probabilidade de ocorrência de alguma doença. Uma vez que os 
fatores de risco podem ser modificados, as medidas que os atenuem podem diminuir a ocorrência 
de doenças. O impacto dessas intervenções pode ser determinado por meio de medidas repetidas, 
utilizando-se os mesmos métodos e definições (BONITA et al., 2010).
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EpidEmiologia E SaúdE pública
Os agentes podem ser infecciosos ou não infecciosos e são necessários, mas nem sempre 
suficientes, para causar a doença. Os agentes nãoinfecciosos podem ser químicos ou físicos. Os 
fatores do hospedeiro são os que determinam a exposição de um indivíduo, sua suscetibilidade e 
capacidade de resposta e suas características de idade, grupo étnico, constituição genética, gênero, 
situação socioeconômica e estilo de vida. Por último, os fatores ambientais englobam o ambiente 
social, físico e biológico (OPAS, 2010). 
Por algum tempo, prevaleceu a ideia de que a Epidemiologia restringia-se ao estudo de epidemias 
de doenças transmissíveis. Na atualidade, é reconhecido que essa ciência trata de qualquer evento 
relacionado a saúde ou a doença da comunidade. Suas aplicações variam desde a descrição das condições 
de saúde da população, da investigação dos fatores determinantes de doenças, da avaliação do impacto 
das ações para alterar a situação de saúde até a avaliação da utilização dos serviços de saúde, incluindo 
custos de assistência.
Assim, a Epidemiologia contribui para o melhor entendimento da saúde da população e parte 
do conhecimento profundo das causas e dos fatores que a determinam, gerando subsídios para o 
planejamento a fim de prevenir e controlar as doenças. 
A figura a seguir apresenta os principais fatores determinantes do processo saúde-doença:
Fatores socioeconômico, 
cultural, político e 
ambiental
Incluindo:
– Globalização
– Urbanização
– Envelhecimento populacional
Fatores de riscos comuns 
modificáveis
– Tabagismo
– Consumo abusivo de álcool
– Dieta não sudável
– Sedentarismo
Fatores de risco não 
modificáveis
– Idade
– Sexo
– Dieta não sudável
– Hereditariedade
Fatores de risco 
intermediários
– Elevação da pressão 
sanguínea
– Elevação da glicemia
– Sobrepeso/obesidade
Principais doenças 
crônicas
– Doença cardíaca
– Acidente vascular 
cerebral
– Câncer
– Diabetes
– Doença respiratória 
crônica
 
Figura 3- Determinantes subjacentes da saúde e seu impacto sobre as doenças crônicas
Segundo Bonita et al. (2010), as aplicações da epidemiologia ao longo do tempo têm sido marcadas 
por uma história de sucessos. Listamos a seguir alguns exemplos práticos de sua contribuição para a 
saúde da população: 
• identificação de medidas sanitárias apropriadas para serem adotadas em saúde pública, 
para prevenção de doenças de veiculação hídrica, por meio dos estudos de John Snow de 
1848-54;
• o bócio e o cretinismo foram inicialmente descritos há cerca de quatrocentos anos. Contudo, os 
efeitos profiláticos e terapêuticos do sal iodado fizeram que fosse introduzido somente em 1924, 
em larga escala em vários países.
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• identificação da causa e do controle da doença de Minamata, conhecida como uma das primeiras 
epidemias causadas pela poluição ambiental, na década de 1950. Compostos de mercúrio foram 
liberados na água de uma indústria em Minamata, no Japão, o que levou à acumulação de 
metilmercúrio nos peixes, envenenando as pessoas que os ingeriram. Foi observado que a maioria 
dos 121 pacientes com a doença residiam próximo à baía de Minamata e pertenciam a famílias 
que tinham como ocupação a pesca e alimentação à base de peixe. Concluiu-se que algo presente 
nos peixes causava o envenenamento e que a doença não era transmissível nem geneticamente 
determinada;
• a descoberta do poder carcinogênico do tabaco, por meio dos estudos de Richard Doll e Andrew 
Hill em 1950;
• associação da febre reumática e a doença cardíaca reumática com o baixo nível socioeconômico, 
particularmente, e habitações precárias e aglomeração familiar, situações essas que favorecem a 
disseminação de infecções estreptocócicas das vias aéreas superiores;
• erradicação da varíola no mundo, em 8 de maio de 1980. Quando o programa de erradicação foi 
proposto pela OMS em 1967, de 10 a 15 milhões de novos casos e 2 milhões de mortes ocorriam 
anualmente em 31 países. A imagem a seguir é do agente etiológico da varíola, um vírus do DNA 
do gênero Orthopoxvirus, da subfamília Chordopoxvirinae, da família Poxviridae. Trata-se de um 
dos vírus mais resistentes aos agentes físicos (BRASIL, 2012).
Figura 4
• a síndrome da imunodeficiência adquirida (Aids) é uma das maiores epidemias infecciosas já 
registradas na história da humanidade. Foi identificada, inicialmente, como uma doença 
completamente distinta em 1981, nos EUA. Em 1990, foi estimado que 10 milhões de pessoas 
estivessem infectadas pelo vírus da imunodeficiência adquirida (HIV). Desde essa época, 25 milhões 
de pessoas morreram de Aids e mais 40 milhões foram infectadas pelo HIV. A Epidemiologia tem 
agido ativamente na sua prevenção, por meio do controle de qualidade do sangue doado, do 
incentivo à prática de sexo seguro, do tratamento de outras doenças sexualmente transmissíveis, 
da proibição do compartilhamento de seringas e da prevenção da transmissão do vírus da mãe 
para a criança pela administração de drogas antirretrovirais. O gráfico a seguir apresenta a curva 
de mortalidade da doença no país:
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EpidEmiologia E SaúdE pública
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Ano de óbito
 Brasil Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste
2000 2002 2004 2006 20082001 2003 2005 2007 2009 2010
Figura 5
• com o aumento da expectativa de vida, a incidência de fratura de quadril tenderá a aumentar 
proporcionalmente, os esforços serão dirigidos à prevenção de acidentes nessa população;
De forma sucinta, as atividades desenvolvidas pela Epidemiologia podem ser assim agrupadas:
• vigiar as tendências de mortalidade, morbidade e risco e monitorar a 
efetividade dos serviços de saúde;
• identificar determinantes, fatores e grupos de risco na população;
• priorizar problemas de saúde na população;
• proporcionar evidências para a seleção racional de políticas, 
intervenções e serviços de saúde, bem como para a alocação eficiente 
de recursos;
• avaliar medidas de controle e intervenções sanitárias e respaldar o 
planejamento dos serviços de saúde (OPAS, 2010, p. 30). 
3 HIStÓrIA nAturAL dA doEnçA 
3.1 Conceito de saúde e doença 
O conceito de saúde da Organização Mundial de Saúde (OMS), foi, em 1948, divulgado na carta 
de princípios de 7 de abril – considerado o Dia Mundial da Saúde. Segundo Scliar (2007, p. 37), foi 
estabelecido: “Saúde como um estado de completo bem-estar mental e social, e não apenas a ausência de 
doenças”, pensamento que pode ser considerado como negativo, na medida em que remete diretamente 
a condição de saúde a algo ideal, inatingível; a partir dessa definição, fica praticamente inviável ter a 
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saúde postulada, o que faz com que esse conceito de saúde não possa ser utilizado como meta pelos 
serviços assistenciais.
Segundo Bonita et al. (2010, p. 15):
Definições mais práticas de saúde e doença tornam-se necessárias; a 
epidemiologia concentra-se em aspectos da saúde que são relativamente 
mais fáceis de medir e prioritários à ação, tendem a ser extremamentesimples, como, por exemplo, “doença presente” ou “doença ausente”. O 
desenvolvimento de critérios para determinar a presença de uma doença 
requer a definição de “normalidade” e “anormalidade”. Entretanto, pode ser 
difícil definir o que é normal, e frequentemente não há uma clara distinção 
entre normal e anormal, especialmente quando são consideradas as variáveis 
contínuas com distribuição normal que podem estar associadas a diversas 
doenças. 
A OMS, talvez como forma de resposta às duras reações negativas provenientes dos estudiosos do tema 
a esse conceito idealizado de saúde e também de responder aos novos anseios sociais – determinados 
pelas modificações socioeconômicas ocorridas três décadas após a 2ª Guerra Mundial –, promoveu, 
em 1978 a Conferência Internacional de Assistência Primária à Saúde, realizada estrategicamente na 
cidade de Alma Ata (atual Cazaquistão). Na declaração final do evento, foi determinada a necessidade 
da implantação urgente, por todos os povos, de cuidados primários de saúde, adaptados às condições 
econômicas, socioculturais e políticas de cada região, e que os países deveriam incluir pelo menos: 
educação em saúde, nutrição adequada, saneamento básico, cuidados materno-infantis, planejamento 
familiar, imunizações, prevenção e controle de doenças endêmicas e de outros frequentes agravos à 
saúde, e a provisão de medicamentos essenciais, bem como uma maior integração entre o setor da 
saúde e os demais setores sociais (BRASIL, 2001).
 Já o conceito de saúde adotado pelo Brasil, foi expresso na Constituição Federal de 1988, no artigo 196:
A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas 
sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros 
agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para a 
promoção, proteção e recuperação.
Essa definição de saúde não aborda qual, de fato, seria o conceito de saúde, mas enfatiza os 
mecanismos para consegui-la, por meio da adoção de medidas nas esferas dos cuidados primários 
de saúde, que vão diretamente ao encontro das aplicações da epidemiologia na saúde da população. 
Diversos estudiosos evidenciaram que não existe um pensamento de saúde separada da doença, e sim 
um complexo processo saúde-doença, que envolve várias manifestações da população, sendo um campo 
propício para a atuação da saúde pública. Nessa perspectiva, o que surge é um conceito ampliado de 
saúde, que engloba todas as manifestações sociais. Dessa forma, a saúde não é a mera ausência da 
doença, e sim a garantia de acesso a serviços de saúde e condições dignas de vida, saúde é ter qualidade 
de vida, é ter uma vida digna e saudável.
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EpidEmiologia E SaúdE pública
A história natural da doença pode ser definida como o desenvolvimento da dela desde o início 
até sua resolução, na ausência de intervenção; é o modo próprio de evoluir que tem toda doença ou 
processo patológico. O processo tem início com a exposição do hospedeiro suscetível a um agente 
etiológico e termina com a cura, sequela ou óbito (OPAS, 2010). A figura a seguir esquematiza as etapas 
da história natural da doença:
Exposição
Fase suscetível Fase de doença 
subclínica
Fase de doença com 
manifestações clínicas
Fase de recuperação, 
incapacidade ou morte
Alterações 
patológicas
Horizonte clínico
(início dos sintomas)
Momento mais frequente
do diagnóstico
Figura 6 – Esquema da história natural das doenças
3.2 Período pré-patogênico e patogênico
A história natural da doença pode ser dividida em dois períodos:
a) Pré-patogênico ou pré-patogênese: são importantes as definições dos fatores determinantes, 
que podem estar intrinsecamente relacionados com a probabilidade de risco do desenvolvimento de 
doenças ou agravos em saúde. Subdivide-se em:
• fase inicial ou de susceptibilidade: nesse período, ainda não existe a doença, mas podem estar 
presentes as condições que favorecem seu desenvolvimento. Dependendo da existência de fatores 
de risco ou de proteção, alguns indivíduos estarão mais ou menos propensos a determinadas 
doenças do que outros. Exemplo: indivíduos sedentários, com consumo elevado de sódio e 
obesos, apresentam risco maior para desenvolver doenças cardiovasculares, em comparação com 
indivíduos que têm um padrão de dieta nutricionalmente adequado e praticam atividade física 
regularmente;
• fase patológica pré-clínica: a doença não é evidente, mas já está instalada, como ocorre 
com a diminuição da função renal, nos renais crônicos. Somente quando houver a perda de 
aproximadamente 70 a 80% dos néfrons, os sinais e os sintomas vão ficar mais evidentes.
b) Período patogênico: corresponde ao desenvolvimento da doença. Subdivide-se em:
• fase clínica: é o período em que ocorrem manifestações evidentes da doença. Ainda no 
exemplo da doença renal crônica, o edema de membros inferiores torna-se evidente, pode 
ocorrer aumento da pressão arterial, presença de êmese e pirose, devido à impregnação 
urêmica, entre outros.
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• fase de incapacidade residual: por último, se a doença não evoluir para a morte nem for curada, 
ocorrem as sequelas; ou seja, aquele indivíduo que teve falência renal, por uma hipertensão 
arterial ou diabete mellitus não controlada, terá de realizar uma terapia renal substituta, antes 
que a instabilidade hemodinâmica e a toxemia urêmica levem-no ao óbito.
3.3 níveis de prevenção
Os níveis de prevenção são diferentes, de acordo com os períodos de desenvolvimento da doença, e 
dividem-se em: primordial, primário, secundário e terciário.
a) Prevenção primordial: o objetivo é evitar o surgimento e o estabelecimento de padrão 
de vida social, econômica e cultural que contribua para um elevado risco de doença. Sua 
importância, em geral, é reconhecida tardiamente; no caso de doenças crônicas, deveria incluir 
políticas nacionais e programas sobre nutrição, envolvendo setores da agricultura, indústria 
alimentícia e de importação e exportação de alimentos, aliadas a programas de incentivo à 
prática regular de atividade física. 
Esse nível de prevenção foi identificado devido ao crescente conhecimento epidemiológico 
das doenças cardiovasculares. Existem estudos científicos que comprovam que essas doenças 
ocorrem mais frequentemente se os fatores de risco estiverem presentes, como, por exemplo, em 
uma dieta rica em gordura animal saturada. Em localidades onde essa causa está ausente, como 
na China e no Japão, a doença coronariana é considerada uma causa rara de morbimortalidade, 
apesar da alta frequência de outros fatores de risco, tais como tabagismo e hipertensão arterial 
sistêmica. Entretanto, o câncer de pulmão decorrente do tabagismo e o acidente vascular 
encefálico, que têm como fatores predisponentes a hipertensão arterial, são comuns nesses 
países (BONITA et al., 2010).
b) Prevenção primária: são medidas de proteção da saúde, em geral por meio de esforços 
pessoais e comunitários; têm por objetivo limitar a incidência de doenças por meio do controle 
das causas específicas e dos fatores de risco. Desenvolve-se a partir de atividades dirigidas a toda 
comunidade para reduzir o risco médio, conhecidas como estratégias de massa/populacional. Sua 
principal vantagem é que não há necessidade de identificar um grupo de risco, e apresenta como 
principal desvantagem o oferecimento de benefíciopequeno a muitos indivíduos, visto que os 
riscos absolutos de doença são muito baixos. Pode também desenvolver estratégias destinadas 
a um grupo específico, a pessoas de alto risco, como resultado de uma exposição em particular. 
Como forma de proteger pessoas suscetíveis, é mais eficiente para pessoas com maiores riscos 
para doenças específicas; porém, essas pessoas podem contribuir pouco no perfil epidemiológico 
predominante na população (BONITA et al., 2010).
 Na prevenção primária, podem ser adotadas medidas gerais de promoção à saúde e proteção 
específica, como saneamento básico e vacinas, respectivamente.
c) Prevenção secundária: seu objetivo é a redução das consequências mais graves da doença, 
por meio do diagnóstico precoce e do tratamento. Estão incluídas medidas individuais e coletivas que 
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permitem diagnóstico precoce e intervenção imediata e efetiva. Suas ações são dirigidas ao período 
compreendido entre o início da doença e o momento em que normalmente seria feito o diagnóstico. 
Dessa forma, pode ser aplicada a doenças cuja história natural inclua um período inicial, em que possa 
ser facilmente identificada e tratada, de modo a interromper sua progressão. Seu objetivo não é reduzir 
a incidência da enfermidade, e sim sua prevalência, gravidade e duração, complicações e a letalidade 
(BONITA et al., 2010).
Os programas de rastreamento populacional, como as campanhas massivas de exame de colpocitologia 
oncótica para detecção e tratamento precoce do câncer de colo de útero ou o autoexame das mamas, 
na prevenção do câncer de mama, a triagem neonatal, também são exemplos desse tipo de prevenção, 
identificando precocemente a fenilcetonúria, o hipotireoidismo congênito, a anemia falciforme, a fibrose 
cística, entre outras patologias tiradas.
d) Prevenção terciária: visa à redução do progresso e das sequelas da doença estabelecida, mediante 
a adoção de medidas para reduzir sequelas e deficiências, minimizar o sofrimento e facilitar a adaptação 
dos pacientes a seu ambiente, objetivando a manutenção da qualidade de vida e o retorno às atividades 
sociais (OPAS, 2010). Ex.: reabilitação de pessoas que sofreram acidente vascular encefálico e a cirurgia 
plástica reconstrutiva no caso do câncer de mama. 
A figura a seguir é uma apresentação dos períodos pré-patogênico e patogênico e as fases de 
prevenção:
Antes da
doença
Interação do
agente hospedeiro
Promoção à 
saúde
Proteção 
específica
Diagnóstico precoce e 
tratamento imediato Limitação do dano
Reabilitação
Curso da doença no homem
Horizonte 
clínico
Sinais e 
sintomas
Estado 
crônico
Óbito
Defeito ou dano
Mudança tissular
Período de latência
Interação - estímulo Hospedeiro Reação do hospedeiro
Ambiente
Estímulo
Prevenção primária Prevenção secundária Prevenção terciária
Período
pré-patogênico Período patogênico
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 Lembrete
Período pré-patogênico – prevenção primária com medidas de 
promoção à saúde/proteção específica. No patogênico – prevenção 
secundária objetiva diagnosticar/instaurar tratamento precoce para limitar 
dano. Período patogênico – prevenção terciária visa à reabilitação.
3.4 Modelos explicativos do processo saúde-doença
Os modelos explicativos em Epidemiologia consistem em formas para explicar o processo 
saúde-doença; dividem-se em:
a) Mágico-religioso: modelos dominantes entre os povos da antiguidade e também responsáveis 
pela manutenção da coesão social e pelo desenvolvimento inicial da prática médica. Nas diferentes 
culturas, o papel da cura estava entregue a indivíduos iniciados: os sacerdotes incas; os xamãs e pajés 
entre os índios brasileiros; as benzedeiras e os curandeiros na África. Os líderes espirituais mantinham 
contato com o universo sobrenatural e com as forças da natureza e eram encarregados de realizar 
a cura, erradicando o mal e reintegrando o doente a partir de diferentes recursos de convocação, 
captura e afastamento dos espíritos malignos. Para alcançar seus objetivos, utilizavam cânticos, danças, 
instrumentos musicais, infusões, emplastros, plantas psicoativas, jejum, restrições dietéticas, reclusão, 
tabaco, calor, defumação, massagens, fricção, escarificações, extração da doença pela provocação do 
vômito, entre outros recursos terapêuticos (BATISTELLA, 2007).
Esse modelo mantém um forte encaixamento histórico nas mais diferentes culturas; a visão 
mágico-religiosa ainda exerce muita influência nas formas de pensar o processo saúde-doença na 
contemporaneidade. Não é incomum encontrarmos o uso de chás, o recurso das rezas, benzedeiras, 
simpatias, oferendas e os ritos de purificação, presentes nas diversas crenças e religiões – católica, 
evangélica, espírita, candomblé, entre outras(BATISTELLA, 2007).
b) Teoria miasmática: ao lado das concepções mágico-religiosas, aos poucos foi sendo 
desenvolvida outra explicação para o processo saúde-doença. Hipócrates (460-377 a.C.), ao 
observar as funções do organismo e suas relações com o meio ambiente (periodicidade das chuvas, 
ventos, calor ou frio) e social (trabalho, moradia, posição social etc.), estabeleceu uma relação 
para a compreensão do processo. Entendia a saúde como homeostase (equilíbrio entre o homem e 
o ambiente) e a doença como um desequilíbrio dos quatro humores fundamentais do organismo: 
sangue, linfa, bile amarela e bile negra. A teoria dos miasmas explicava o surgimento das doenças 
a partir da emanação do ar de regiões insalubres (a origem da palavra malária vem daí: maus ares), 
a inalação dos miasmas atacava os humores do corpo, desequilibrando-os e provocando a doença. 
A partir desses postulados, propôs medidas higiênicas e sanitárias para o controle das doenças. 
Essa teoria permaneceu até meados do século XIX; somente com o advento da bacteriologia é que 
seus postulados começaram a ser questionados (BATISTELLA, 2007).
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EpidEmiologia E SaúdE pública
c) Unicausalidade: o modelo unicausal de compreensão da doença estava baseado na existência 
de apenas uma causa para um agravo ou doença. Alguns marcos importantes no desenvolvimento 
científico forneceram subsídios para o fortalecimento dessa teoria. 
Ao estudar falhas na fermentação de vinhos e cervejas, no final do século XIX, Louis Paster 
observou que os micro-organismos tinham um papel fundamental nesse processo e que era 
possível corrigir essas falhas a partir de sua supressão, por meio de aquecimento por um período 
curto, a certa temperatura, preservando aqueles fermentos desejados – pasteurização. Em 1876, 
Robert Koch conseguiu comprovar que um micro-organismo específico poderia ser a causa de 
determinada doença, a partir do desenvolvimento de meios de cultura e de coloração apropriados 
para o cultivo e estudos das bactérias, pois Pasteur não tinha ainda condições para comprovar a 
participação de bactérias específicas para cada doença, e os meios de cultura utilizados ainda não 
permitiam o isolamento (BATISTELLA, 2007). 
Edward Jenner, considerado o pai da vacina, no final do século XVIII, descobriuuma forma de evitar 
a transmissão da varíola. Por meio de seus experimentos, observou o líquido que saía das feridas das 
vacas que tinham úlceras semelhantes às provocadas pela varíola e que sua inoculação no ser humano 
conferia imunidade à doença (BATISTELLA, 2007). 
O cirurgião Joseph Lister, no final do século XIX, deu importante contribuição ao descobrir os 
mecanismos antissépticos ideais para evitar a septicemia pós-cirúrgica, sugerindo o tratamento químico 
das feridas com fenol (BATISTELLA, 2007). 
Nos primeiros anos do século XX, foram desvendadas a participação de vetores na transmissão de 
doenças e o papel dos portadores sadios na manutenção da cadeia epidemiológica. Dessa forma, estava 
posta a possibilidade de aplicar o princípio da imunidade ativa e passiva às doenças infecciosas (febre 
tifoide, tuberculose, febre amarela, poliomielite, difteria, tétano, envenenamento por picada de animais 
peçonhentos etc.) (BATISTELLA, 2007). 
A figura a seguir representa o modelo de unicausalidade:
Indivíduo 
infectado
Indivíduo 
infectado
Indivíduo 
suscetível
Indivíduo 
suscetívelAgente
Micróbio
AgenteVetor
Figura 8 – Modelo unicausal
Essa concepção permitiu o sucesso na prevenção de diversas doenças infecciosas. Contudo, reduziu 
o processo saúde-doença à ação única de um agente específico, foi incapaz de responder a todas as 
questões inerentes ao adoecimento dos indivíduos e das comunidades.
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d) Modelo de multicausalidade: após a Segunda Guerra, as explicações unicausais para o 
processo saúde-doença começaram a enfraquecer, principalmente nos países industrializados, 
que passaram a vivenciar uma transição epidemiológica, relacionada à mudança nos estilos de 
vida, o que caracterizou a diminuição da importância das doenças infectoparasitárias como causa 
de adoecimento e morte e o aumento das doenças crônico-degenerativas, que estão associadas a 
múltiplos fatores de risco. Esse modelo trabalha com o conceito desenvolvido na história natural 
da doença, também conhecido como modelo ecológico, e seus níveis de prevenção abrangem 
a ocorrência das doenças em domínios: o meio externo onde atuam determinantes e agentes 
exteriores (natureza física, biológica, política e sociocultural) e o meio interno onde se desenvolve 
a doença (mudanças bioquímicas, fisiológicas e histológicas), e atuariam os fatores hereditários, 
congênitos, as alterações orgânicas consequentes. 
A figura a seguir representa o modelo de multicausalidade:
Idade, sexo, raça, 
hábitos, costumes 
etc.
Ambiente
Idade, sexo, raça, 
hábitos, costumes 
etc.
Idade, sexo, raça, 
hábitos, costumes 
etc.
Agente Hospedeiro
Figura 9 – Modelo multicausal: a tríade ecológica
Esse modelo foi proposto por Leavell e Clark em 1976 e tem recebido diversas críticas, pois, 
embora tenha gerado avanços no conhecimento dos fatores condicionantes no processo saúde-
doença, suas análises estabeleceram relações quantitativas entre os fatores causais, tratando 
todos os elementos da mesma forma, como se a dinâmica das relações entre o ambiente, o 
hospedeiro e o agente ocorresse de forma neutra no contexto social, sem nenhuma distinção 
hierárquica.
 Dessa forma, pode-se fazer o reconhecimento da existência dos aspectos sociais envolvidos no 
processo saúde-doença, mas eles podem ficar relegados a um segundo plano, se comparados com 
os aspectos biológicos, esquecendo que o ser humano produz de maneira histórico-social sua vida 
(BATISTELLA, 2007).
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e) Modelo Diderichsen et al. – estratificação social e produção de doenças: esse modelo de 
Diderichsen e Hallqvist, de 1998, foi adaptado por Diderichsen Evans e Whitehead em 2001. Enfatiza 
a criação da estratificação social pelo contexto social, delega aos indivíduos posições sociais distintas, 
determina suas oportunidades de saúde. A seguir, figura esquemática do modelo: 
Contexto 
socioeconômico
e político
• Governança
• Políticas 
macroeconômicas
• Políticas sociais, 
mercado de 
trabalho, habitação, 
terra
• Políticas públicas 
Educação, saúde, 
proteção social
• Cultura e valores 
sociais
Determinantes estruturais das iniquidades em 
saúde
Determinantes intermediários da 
saúde
Posição 
socioeconômica
Educação
Ocupação
Renda
Classe social
Gênero
Etnia (racismo)
Impacto sobre 
a equidade 
em saúde e o 
bem-estar
Coesão social & capital social
Circunstâncias materiais 
(condições de moradia e 
trabalho, disponibilidade 
de alimentos etc.)
Fatores comportamentais 
e biológicos
Fatores psicossociais
Sistema de saúde
Figura 10
I: principais mecanismos sociais que geram e distribuem o poder, a riqueza e os riscos, como o 
sistema educacional e as políticas de trabalho;
II: a estratificação social determina as condições que causam danos à saúde e ao diferencial de 
vulnerabilidade; 
III: consequências que geram diferenças entre o estado de saúde dos grupos em maior ou menor 
vantagem;
IV: consequências sociais, o impacto que certo evento pode ter sobre as circunstâncias 
socioeconômicas que afetam indivíduos e/ou famílias. 
As ações de políticas sobre os determinantes sociais de saúde identificam as opções principais 
(estratificação social; diferencial de exposição; vulnerabilidade e consequências). A primeira ação 
é alterar a estratificação social, para reduzir as desigualdades (poder, prestígio e riqueza) ligadas às 
posições socioeconômicas diferentes; outras ações políticas podem atuar para diminuir o diferencial 
de exposição a fatores de risco à saúde, diminuindo a vulnerabilidade das pessoas em desvantagem e a 
intervenção no sistema de saúde para reduzir o diferencial das consequências dos agravos de saúde. As 
políticas devem fornecer evidências para o grupo de intervenções (tanto sobre doenças quanto sobre 
o ambiente social) que reduzirão a possibilidade de consequências desiguais nos agravos de saúde 
(SOLAR; IRWIN, 2005).
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f) Modelo de Mackenbach: inclui o ambiente na infância, os fatores culturais e psicológicos, 
demonstra os mecanismos que geram as desigualdades na saúde: seleção versus causa, tanto como 
fator de seleção como causal. A figura a seguir apresenta o modelo:
Posição 
socioeconômica 
do adulto
Incidência de problemas de saúde na
idade adulta
d - ambiente na infância
e - fatores culturais
f - fatores psicológicos 
a - Fatores relacionados ao estilo 
de vida
b - Fatores estruturais/ambientais
c - Fatores relacionados ao estresse 
psicossocial 
g - saúde na infância 
1
1
1
1
1
2
2
2 2
Figura 11
O número 1 na figura representa os processos de seleção dos efeitos dos problemas de saúde em 
idade adulta sobre a posição socioeconômica desses adultos e dos efeitos da saúde na infância sobre 
a posição socioeconômica dos adultos e sobre os problemas de saúde em idade adulta. Enquanto o 
número 2 apresenta os fatores relacionados aos mecanismos causais sobre os três grupos de fatores de 
risco intermediários entre a posiçãosocioeconômica e os problemas de saúde (estilo de vida, estruturais/
ambientais, psicológicos e relacionados ao estresse) (SOLAR; IRWIN, 2005).
g) Modelo de Brunner, Marmot e Wilkinson – múltiplas influências no decorrer da vida: foi 
incluído no relatório Acheson da Grã-Bretanha, utilizado como forma de ilustrar como as desigualdades 
socioeconômicas interferem na saúde, são consequência direta das diferenças de exposição ao risco 
ambiental, psicológico e comportamental no decorrer da vida. Inicialmente havia sido desenvolvido 
para unir as perspectivas da saúde clínica (curativa) às perspectivas da saúde pública (preventiva); 
posteriormente foi aplicado ao processo social para avaliar as desigualdades na saúde. Relaciona o 
padrão social à saúde e à doença por caminhos materiais, psicossociais, comportamentais, fatores 
genéticos, de infância e culturais (SOLAR; IRWIN, 2005).
Cultura
Estrutura social
Ambiente 
social
Trabalho
Fatores materiais
Psicológico
Infância
Genética
Mudanças patofísicas
Comprometimento dos órgãos
 Bem-estar
 Mortalidade
 Morbidez
Cérebro
Resposta neuroendócrina e 
do sistema imunológicoComportamento de 
saúde
Figura 12
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EpidEmiologia E SaúdE pública
 observação
O modelo descrito a seguir é preconizado pelo Ministério da Saúde; 
além de incluir os fatores externos e internos, os determinantes do 
processo saúde-doença levam em consideração o contexto social no 
processo.
h) Modelo de Dahlgren e Whitehead: embora existam diferentes propostas de modelos 
de determinação social da saúde, que buscam explicar com mais detalhes as relações e as 
mediações entre os diversos níveis de determinação social da saúde e a gênese das iniquidades 
em saúde, esse foi o modelo que a Comissão Nacional sobre Determinantes Sociais da Saúde 
escolheu para utilizar no Brasil, por sua simplicidade e fácil compreensão para vários tipos de 
público e clara visualização gráfica dos diversos determinantes sociais da saúde. A figura a 
seguir apresenta esse modelo:
Co
ndi
çõe
s so
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nômicas, culturais e ambientais gerais
Red
es soc
iais e comunitárias
Est
ilo d
e vida dos indivíduos
Idade, sexo e fatores 
hereditários
Produção 
agrícola e de 
alimentos
Educação Serviços sociais 
de saúde
Ambiente
de trabalho
Condiçoes de vida e
de trabalho
Água e esgoto
Desemprego
Habitação
Figura 13 – Modelo da determinação social da saúde de Dahlgren e Whitehead
Os determinantes sociais da saúde estão dispostos em camadas concêntricas. Segundo o nível de 
abrangência, a camada proximal fica mais perto dos determinantes individuais, até a camada mais distal, 
onde estão os macrodeterminantes. O modelo enfatiza as interações: estilos individuais envoltos (redes 
sociais/comunitárias/condições de vida/trabalho) relacionam-se com o ambiente amplo (econômico/
cultural). 
Segundo Mendes (2012), a análise do modelo leva a opções políticas para intervenção nos diferentes 
níveis de determinação: 
• determinantes distais (macro/camada 5): implantar macropolíticas saudáveis (reduzir pobreza/
desigualdade/superar iniquidades de gênero, etnia/educação universal-inclusiva/preservação do 
meio ambiente);
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• determinantes intermediários (camada 4): visa às condições de vida/trabalho/acesso a serviços 
essenciais (educação/serviços sociais/habitação, saneamento/saúde). Intervenções para promover 
equidade em saúde (organização de projetos intersetoriais);
• determinantes sociais (camada 3): são as redes de suporte social (para transferência de capital 
social acumulado). Implementação de sistemas de seguridade social inclusivos/fortalecimento 
da participação social ampla no processo democrático/equipamentos para interações sociais 
nas comunidades (promoção de trabalho coletivo nas prioridades de saúde), considerar minorias 
étnicas, pobres, mulheres, idosos, crianças;
• determinantes proximais (camada 2): afastar barreiras estruturais de comportamentos saudáveis. 
Reforçar a necessidade de mudanças das condições de vida/trabalho com ações de educação 
em saúde em pequenos grupos para mudança de comportamentos não saudáveis (tabagismo, 
uso excessivo de álcool e outras drogas, alimentação inadequada, sobrepeso/obesidade, sexo não 
protegido, estresse);
• determinantes individuais/não modificáveis (camada 1): ação dos serviços de saúde sobre fatores 
de risco biopsicológicos (hipertensão arterial, depressão, dislipidemias, intolerância à glicose) e/ou 
sobre condições de saúde estabelecidas/estratificadas de acordo com o grau de risco.
As condições de vida e trabalho, o gradiente social da saúde nos países, as desigualdades sanitárias 
dentre e dentro dos países são provocados pela distribuição desigual (mundial/nacional/regional), por 
consequentes injustiças nas condições de vida (não é um fenômeno natural, mas, sim, uma determinação 
social), de forma imediata e visível. A equidade tem como objetivo corrigir as desigualdades injustas, 
como uma questão de justiça social; nessa perspectiva deve ser compreendia como um imperativo ético 
e seu alcance deve ser estruturado em três linhas de ação: melhorar as condições de vida; lutar contra 
a distribuição desigual de poder e recursos; medir a magnitude do problema; avaliar as intervenções; 
ampliar a base de conhecimentos e dotar de pessoal capacitado em determinantes sociais da saúde 
(MENDES, 2012). 
4 IndICAdorES dE SAÚdE 
4.1 Aplicações no diagnóstico de saúde 
Os indicadores de saúde são utilizados para analisar objetivamente a situação sanitária de uma 
população, assim como na descrição da evolução da situação de saúde da população brasileira e como 
subsídio para programação das ações de saúde baseadas nas evidências levantadas. Tiveram início com 
o registro sistemático dos dados de mortalidade e de sobrevivência. Com os avanços no controle das 
doenças infecciosas e a compreensão do conceito e dos determinantes saúde, os dados de morbidade, 
incapacidade, acesso e qualidade dos serviços, condições de vida e fatores ambientais passaram também 
a ser analisados (RIPSA, 2008). 
Sua elaboração consiste em um processo complexo, que varia desde a simples contagem direta de 
casos de determinada doença até o calculo de proporções, razões, taxas ou índices mais sofisticados, 
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como a esperança de vida ao nascer. Espera-se que possam ser analisados e interpretados com facilidade; 
sua qualidade dependerá das propriedades dos componentes utilizados em sua formulação (frequência 
de casos, tamanho da população em risco) e precisão dos sistemas de informação empregados (registro, 
coleta, transmissão dos dados). Seu grau de excelência pode ser definido por sua validade (capacidade 
de medir o que se pretende) e confiabilidade (reproduzir os mesmos resultados quando aplicado em 
condições similares). E sua validade é determinada pela sensibilidade (capacidade de detectar o fenômeno 
analisado), necessita ser mensurável (baseado em dados disponíveis), deve ser relevante (respondera 
prioridades de saúde) e custo-efetivo –justificar o investimento de tempo e recursos (RIPSA, 2008).
Os indicadores podem também refletir as tendências da situação e identificar grupos humanos 
com maiores necessidades de saúde, para estratificar o risco epidemiológico e identificar áreas críticas, 
facilitam o monitoramento de objetivos e metas em saúde, estimulam o fortalecimento da capacidade 
analítica das equipes e promovem o desenvolvimento de sistemas de informação (RIPSA, 2008). 
Existem diversas formas de medir a saúde, dependendo de qual é a sua definição; uma definição 
ampla mediria o nível de saúde e bem-estar, a capacidade funcional, a investigação e promoção 
de condições saudáveis, em dimensões tais como a saúde mental, a autoestima, a satisfação com 
o trabalho, o exercício físico, a presença e causas de doenças e óbito e a expectativa de vida das 
populações. Entre as formas mais úteis e comuns de medir as condições gerais de saúde da população, 
destacam-se os censos nacionais (realizados a cada dez anos em vários países), que proporcionam a 
contagem periódica da população, a descrição de suas características e permitem fazer estimativas e 
projeções (OPAS, 2010).
4.2 Principais índices, proporções e taxas 
 a) Esperança de vida/expectativa de vida: mede o estado geral de saúde de uma população, 
definida como o número médio de anos que se espera viver. Nem sempre é fácil interpretar as razões 
para as diferenças encontradas na expectativa de vida entre países, pois diferentes padrões podem surgir 
conforme o tipo de medida utilizada (BONITA et al., 2010).
A figura a seguir apresenta a esperança de vida do brasileiro até 2030:
85
80
75
70
65
60
2010 2020 2022 2025 2050
Total
Homens
Mulheres
Figura 14 – Esperança de vida ao nascer: Brasil 2010-2030
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b) Mortalidade: representa o risco, a probabilidade ou a morte de qualquer pessoa na população, em 
decorrência de determinada doença, acidentes, tabagismo ou outras causas. Geralmente é apresentada 
por números absolutos, proporções ou taxas por idade, sexo e causas específicas. A seguir, apresentamos 
os coeficientes mais utilizados em saúde pública:
— Coeficiente/taxa de mortalidade geral: pode ser calculado conforme a equação a seguir:
Nº total de óbitos de residentes em 1 ano X 1.000 
 População total residente na área
Representa a relação entre o total de óbitos de um determinado local pela população exposta 
ao risco de morrer e possibilita a comparação em uma série de anos para o mesmo local. Sua 
principal desvantagem é o fato de não levar em conta que o risco de morrer varia conforme o 
sexo, a idade, a raça, a classe social, entre outros fatores. Não se deve utilizar esse coeficiente para 
comparar diferentes períodos de tempo ou diferentes áreas geográficas. Por exemplo, o padrão de 
mortalidade entre residentes em áreas urbanizadas, que geralmente possuem mais famílias jovens, 
é provavelmente diferente daquele verificado entre residentes à beira-mar, onde há um número 
maior de pessoas aposentadas; dessa forma, quando for comparar o coeficiente de mortalidade 
entre grupos com diferente estrutura etária, devem-se utilizar coeficientes padronizados (OPAS, 
2010).
— Mortalidade por causa: pode ser calculado conforme a equação a seguir:
Nº de óbitos por determinada doença no ano x 100.000
 População total
Relaciona o número de óbitos por uma determinada causa pela população exposta; possibilita a 
análise dos riscos de morrer por causa específica e serve para adoção de medidas preventivas. Nas 
doenças transmissíveis, é um bom indicador para avaliar as ações de saneamento, eficácia e impacto de 
medidas de prevenção e controle adotadas (BONITA et al., 2010, p. 27).
— Letalidade/fatalidade/taxa de letalidade: pode ser calculado conforme a equação a 
seguir:
Nº de óbitos por determinada doença no ano X 1.000
 Nº de casos da doença
Relaciona o número de óbitos por determinada causa e o número de pessoas que foram acometidas 
pela causa, fornece a gravidade do agravo, pois indica o percentual de pessoas que morreram devido 
à doença e pode também informar sobre a qualidade da assistência em saúde ofertada à população. 
Enquanto a mortalidade refere-se aos óbitos entre a população (sadia ou doente), a letalidade refere-se 
aos óbitos entre a população doente, é importante para avaliar a severidade de uma epidemia (OPAS, 
2010, p. 19).
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— Coeficiente/taxa de mortalidade infantil: apresenta dois componentes: 
mortalidade neonatal (precoce/tardia) e mortalidade pós-neonatal. Essa 
subdivisão é decorrente da diferença dos determinantes de morte no período neonatal 
e pós-neonatal. No início da vida extrauterina (período neonatal), são mais relevantes 
como determinantes de óbitos as consequências de agressões sofridas intraútero, as 
condições de parto e de assistência ao recém-nato; já no período pós-neonatal, 
predominam os determinantes ambientais e socioeconômicos. Dessa forma, sociedades 
com maior desenvolvimento humano apresentam taxas de mortalidade infantil baixas, 
predominando o componente neonatal (principalmente o precoce), enquanto, nas 
regiões subdesenvolvidas as taxas de mortalidade infantil são altas e predomina o 
componente pós-neonatal (UFF, 2012).
A taxa de mortalidade infantil pode ser calculada conforme a equação a seguir:
Nº de óbitos em < de 1 ano em 1 ano X 1.000
 Total de nascidos vivos do ano 
Mede a proporção de crianças que morrem antes de completar o primeiro ano de vida em relação 
aos nascidos vivos, em determinada área e período; serve como medida do estado geral de saúde 
de uma comunidade, baseia-se no pressuposto de que é particularmente sensível a mudanças 
socioeconômicas e intervenções na saúde; diminuiu em todas as regiões do mundo, mas persistem 
ainda grandes diferenças dentro e entre os países (BONITA et al., 2010).
A figura a seguir apresenta a evolução do perfil de mortalidade infantil no país de 1999 a 2007, por 
regiões:
80
70
60
50
40
30
20
10
0
Norte
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Nordeste Sudeste Sul Centro-oeste
1990
2000
2007
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A figura a seguir apresenta a evolução do perfil de mortalidade infantil no país de 2000 a 2010:
35
30
25
20
15
10
5
0
2000
29,7 por mil
15,6 por mil
47,6%Mortalidade infantil
2010
Figura 16
— Coeficiente de mortalidade neonatal precoce: pode ser calculado conforme a equação a 
seguir:
Nº de óbitos de residentes de 0 a 6 dias de idade X 1.000
 Nº de nascidos vivos de mães residentes
Número de óbitos de 0 a 6 dias de vida, por mil nascidos vivos, na população residente em determinado 
espaço geográfico, no ano considerado. Estima o risco de um nascido vivo morrer durante a primeira 
semana de vida, reflete as condições socioeconômicas e de saúde da mãe, bem como a assistência 
pré-natal e ao parto edo recém-nascido. Serve para analisar variações populacionais, geográficas e 
temporais da mortalidade neonatal precoce, identificando tendências e situações de desigualdade que 
demandem ações e estudos específicos (RIPSA, 2008, p. 110).
— Coeficiente de mortalidade neonatal tardia: pode ser calculado conforme a equação 
a seguir:
Nº de óbitos de residentes de 7 a 27 dias de idade X 1.000
 Nº de nascidos vivos de mães residentes
Número de óbitos de 7 a 27 dias de vida completos, por mil nascidos vivos, na população residente 
em determinado espaço geográfico. Estima o risco de um nascido vivo morrer dos 7 aos 27 dias de vida, 
reflete, de maneira geral, as condições socioeconômicas e de saúde da mãe, bem como a assistência 
pré-natal e ao parto do recém-nascido. Serve para analisar variações populacionais, geográficas e 
temporais da mortalidade neonatal tardia, identificando tendências e situações de desigualdade que 
demandem ações e estudos específicos (RIPSA, 2008).
— Taxa de mortalidade para menores de 5 anos: pode ser calculada conforme a equação a 
seguir:
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EpidEmiologia E SaúdE pública
 Nº de óbitos de residentes < de 5 anos X 1.000
 Total de nascidos vivos de mães residentes
Refere-se a óbitos ocorridos entre crianças com idades entre 1 e 5 anos, para cada mil nascidos vivos, 
também é utilizada como um indicador básico de saúde. Acidentes, desnutrição e doenças infecciosas 
são causas comuns de óbito nessa faixa etária.
— Taxa de mortalidade materna: pode ser calculada conforme a equação a seguir:
Nº de óbitos maternos relacionados a gestação, parto, puerpério em 1 ano X 1.000
 Total de nascidos vivos durante o mesmo ano
Refere-se ao risco de morte materna em decorrência de causas associadas a complicações durante 
a gestação, ao parto e ao puerpério em até um ano após o parto. Essa importante estatística é 
frequentemente negligenciada devido à dificuldade para calculá-la de forma precisa. 
— Taxa de mortalidade entre adultos: pode ser calculada conforme a equação a seguir:
Nº de óbitos de indivíduos de determinado sexo/idade no ano x 1.000
 População total do mesmo sexo e idade
Forma de avaliar as diferenças no nível de saúde entre países na faixa etária de 15 a 60 anos, que é 
a de maior atividade econômica da população economicamente ativa. A probabilidade de morte na vida 
adulta é maior entre homens na quase totalidade dos países (BONITA et al., 2010). A figura a seguir, sobre 
a pirâmide etária, serve para ilustrar a diferença na mortalidade entre homens e mulheres:
80+
75-79
70-74
65-69
60-64
55-59
50-54
45-49
40-44
35-39
30-34
25-29
20-24
15-19
10-14
5-9
0-4
(10.000.000) (8.000.000) (6.000.000) (4.000.000) (2.000.000) 0 (2.000.000) (4.000.000) (6.000.000) (8.000.000) (10.000.000)
MulheresHomens
Figura 17 – Pirâmide etária: Brasil 2022
— Razão de mortalidade proporcional ou índice de Swaroop-Uemura: pode ser calculado 
conforme a equação a seguir:
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Nº de óbitos em 50 anos em dado local e período x 100
 Total de óbitos no mesmo local e período
Mede a proporção de óbitos de pessoas com 50 anos ou mais, em relação ao total de óbitos 
ocorridos em um dado local e período, é um indicador do nível de vida, do qual as condições de saúde e 
socioeconômicas fazem parte. Óbitos abaixo de 50 anos são, de forma geral, considerados evitáveis; 
assim, quanto maior a proporção de óbitos entre indivíduos maiores de 50 anos, melhores são as 
condições de vida e saúde da população Ex.: em uma comunidade em que todos morrem com 50 anos 
ou mais, o índice é de 100%. 
c) Curva de Nelson Moraes: é uma representação gráfica da mortalidade proporcional por 
idade; pode ser representada das seguintes formas: 
Curva em N Invertido – condições de vida e saúde muito baixas
45
40
35
30
25
20
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10
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< 1a
%
 ó
bi
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s
5 - 19a1 - 4a 50a e +20 - 49a
Figura 18 – Curva de Nelson Moraes (tipo 1)
Curva em L ou J invertido – condições de vida e saúde baixas
60
50
40
30
20
10
0
< 1a
%
 ó
bi
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s
5 - 19a1 - 4a 50a e +20 - 49a
Figura 19 – Curva de Nelson Moraes (tipo 2)
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EpidEmiologia E SaúdE pública
Curva em V ou U – condições de vida e saúde regulares
45
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30
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< 1a
%
 ó
bi
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s
5 - 19a1 - 4a 50a e +20 - 49a
Figura 20 – Curva de Nelson Moraes (tipo 3)
Curva em J – condições de vida e saúde elevada
80
70
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50
40
30
20
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0
< 1a
%
 ó
bi
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s
5 - 19a1 - 4a 50a e +20 - 49a
Figura 21 – Curva de Nelson Moraes (tipo 4)
Somente a mortalidade não fornece um panorama completo de como as diferentes causas afetam 
o estado de saúde das populações. A longevidade de uma população associada a alguma noção da sua 
qualidade de vida é refletida nas seguintes medidas: Expectativa de Vida Saudável (EVS); Expectativa 
de Vida Livre de Incapacidade (EVLI); Qualidade de Vida Ajustada para Anos de Vida (QVAV). 
(BONITA et al., 2010).
d) Anos Potenciais de Vida Perdidos (APVP): anos de vida perdidos em decorrência de morte 
prematura (antes de uma idade arbitrariamente determinada); calcula-se a partir do número de mortes 
de cada idade multiplicado pela expectativa de vida global padronizada por idade em que a morte 
ocorreu (BONITA et al., 2010).
e) Anos de Vida Perdidos Ajustados por Incapacidade (AVAIs): um AVAI significa um ano 
saudável de vida perdido, refere-se à diferença entre o estado atual de saúde da população e aquele de 
uma situação ideal, em que todos vivem até uma idade avançada e livres de incapacidade. O AVAI foi 
designado para orientar as políticas de investimento do Banco Mundial no setor saúde e para informar 
prioridades globais em pesquisa e programas internacionais em saúde. Em virtude da variedade de causas 
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e fatores de risco envolvidos, sua análise fornece novas perspectivas a respeito da relativa importância 
da prevenção de doenças em diferentes áreas (BONITA et al., 2010).
Uma população normal tem como referência uma expectativa de vida de 82,5 anos para mulheres e 
80,0 anos para os homens. No cálculo da AVAI no relatório mundial sobre saúde da OMS, quanto menor 
a idade, menor a sua contribuição para a AVAI-padrão. Dessa forma, um óbito ocorrido na infância 
corresponde a 33 AVAI, contra 36 AVAI, se ocorrido entre 5 e 20 anos de idade (BONITA et al., 2010). 
A tabela a seguir apresenta o perfil dos AVAIs no país:
Tabela 2 - Carga de doenças em anos de vida perdidos ajustados por incapacidade (AVAIs, 
Brasil, 1998)
Grupo de doenças Taxa por mil habitantes %
Infecciosas, parasitárias e desnutrição 34 14,7
Causas externas 19 10,2
Condições maternas e perinatais 21 8,8
Doenças crônicas 124 66,3
Total 232100,0
4.3 doenças não infecciosas, demografia e perfil de morbidade
Segundo Bonita (2010), morbidade é um termo genérico usado para designar o conjunto de casos de 
uma doença ou agravos à saúde que atingem um grupo de indivíduos, em um intervalo de tempo, em 
uma comunidade específica, de forma a indicar o comportamento das doenças e dos agravos à saúde 
na população. 
As taxas de mortalidade são úteis na investigação de doenças com alta letalidade. Entretanto, muitas 
doenças apresentam baixa letalidade, como infecções, cânceres, acidentes de trabalho, a maioria das 
doenças mentais, musculoesqueléticas, entre outras; nessas situações, os dados de morbidade podem 
ser mais úteis do que as taxas de mortalidade (BONITA et al., 2010).
Os indicadores de morbidade medem a frequência de problemas de saúde específicos frequentemente 
estudados segundo quatro indicadores básicos: incidência, prevalência, taxa de ataque e distribuição 
proporcional. As fontes de dados para análise costumam ser provenientes de admissões e altas 
hospitalares, consultas ambulatoriais, notificação de doenças, entre outros.
Nas últimas três décadas, o Brasil experimentou sucessivas transformações nos determinantes 
sociais das doenças e na organização dos serviços de saúde. Entre 1970 e 2000, o país passou por uma 
transição demográfica que interferiu conjuntamente com as transições epidemiológicas e nutricionais 
nas mudanças das taxas de mortalidade e morbidade: a proporção de pessoas com mais de 60 anos 
(10% em 2009) dobrou e a urbanização aumentou de 55,9% para 80% (PAIM et al. 2011). O gráfico a 
seguir apresenta essa alteração do padrão demográfico:
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EpidEmiologia E SaúdE pública
(2.000.000) (2.000.000)(2.000.000) (2.000.000)(1.500.000) (1.500.000)(1.500.000) (1.500.000)(1.000.000) (1.000.000)(1.000.000) (1.000.000)(500.000) (500.000)(500.000) (500.000)População População
Mulheres MulheresHomens Homens
Brasil: pirâmide etária absoluta
Brasil - 2005
Brasil: pirâmide etária absoluta
Brasil - 2030
75
70
65
60
55
50
45
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35
30
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70
65
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55
50
45
40
35
30
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10
5
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Figura 22 – Pirâmides etárias da população brasileira, anos 2005 e 2030
As taxas de fertilidade diminuíram (de 5,8 em 1970 para 1,9 em 2008), assim como a mortalidade 
infantil (de 114 por 1.000 nascidos vivos, em 1970, para 19,3 por 1.000 nascidos vivos, em 2007), a 
expectativa de vida ao nascer aumentou cerca de 40%, chegando aos 72,8 anos, em 2008 (PAIM et al., 
2011, p. 16). 
A figura a seguir demonstra a queda na taxa de fertilidade:
2009
1,94
2010
1,76
2020
1,53
2022
1,52
2025
1,51
2030
1,50
Figura 23 – Taxa de fecundidade total: Brasil 2009/2030.
Nesse período, os coeficientes de mortalidade infantil foram substancialmente reduzidos, com taxa 
anual de decréscimo de 5,5% nas décadas de 1980 e 1990 e 4,4% no período 2000-2008, atingindo 
vinte mortes por 1.000 nascidos vivos em 2008. As mortes neonatais foram responsáveis por 68% das 
mortes infantis. As figuras a seguir apresentam o declínio da mortalidade infantil no país e as principais 
causas:
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80
70
60
50
40
30
20
10
0
1990
Meta para o Brasil em 2015: 15,7 óbitos por 1000 NV
28,3
47,1 44,6
42,3 40,2 38,2
35,7 33,7 31,9 30,4 28,4 26,8 25,6 24,3 23,6 22,6 21,2 20,2 19,3
27,2
29,731,6
33,935,5
37,239,2
41,444,3
47,1
50,4
53,356,4
59,1
63,0
67,1
71,4
75,8
26,9 25,7 24,5 23,5
20,5 19,2 17,5 17,2 17,0 16,4 16,0 15,5 15,0 13,8 13,3 12,9
18,7
1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007
Brasil Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste
Ta
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00
 N
V
Figura 24
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Potencial
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 1
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00
 n
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Má formação 
congênita
Infecções 
respiratórias
Diarreia Outras 
infecções
1990
2000
2007
Figura 25 – Mortalidade infantil por causa e ano
Déficits de altura entre crianças menores de 5 anos diminuíram de 37%, em 1974-1975, para 7%, em 
2006-2007. As diferenças regionais referentes aos déficits de altura e à mortalidade de crianças foram 
igualmente reduzidas. O acesso à maioria das intervenções de saúde dirigidas às mães e às crianças 
foi substancialmente ampliado, quase atingindo coberturas universais, e as desigualdades regionais de 
acesso a tais intervenções foram notavelmente reduzidas. As figuras a seguir apresentam as prevalências 
do déficit de altura por renda familiar, ano e região:
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EpidEmiologia E SaúdE pública
100
80
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40
20
0
1 2 3 4 5
1974 - 75
1989
1996
2006 - 07
Dé
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 (%
)
O quinto da renda familiar
Figura 26 - Prevalência de déficit de altura por renda familiar e ano do inquérito
60
50
40
30
20
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Norte
Pr
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al
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 (%
)
Nordeste Sudeste
Região
Sul Centro-Oeste
1974 - 75
1989
1996
2006 - 07
Figura 27 - Prevalência de déficit de altura por região e ano
A duração mediana da amamentação aumentou de 2,5 meses nos anos 1970 para 14 meses 
em 2006-2007. Estatísticas oficiais revelaram níveis estáveis de mortalidade materna durante 
os últimos quinze anos, e estimativas baseadas em modelos estatísticos indicaram uma redução 
anual de 4%. Trata-se de uma tendência que pode não ter sido observada nos dados de registro, 
devido às melhorias no sistema de notificação de óbitos e à ampliação das investigações sobre 
óbitos de mulheres em idade reprodutiva (VICTORA et al., 2011). Existem desigualdades geográficas 
e sociais nas taxas de morbidade e mortalidade; em 2006, a taxa de mortalidade infantil da região 
Nordeste era 2,24 vezes mais alta que a da região Sul, embora essa desigualdade tenha diminuído 
(PAIM et al., 2011). 
A figura a seguir apresenta o perfil de mortalidade infantil relacionado à renda em comparação com 
outros países:
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0 400 2.000 4.000 10.000 20.000 40.000 100.0001.000
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Produto bruto doméstico (ajustado à inflação)
Figura 28 – Renda por pessoa e mortalidade infantil no Brasil (1960-2006) e no resto do mundo
No Brasil, as pessoas que identificam sua raça como parda ou preta tendem a pertencer a 
grupos de renda mais baixa e menor escolaridade, e existem desigualdades nas condições de saúde 
(como a prevalência de hipertensão, anemia falciforme, diabetes, problemas de saúde mental, 
miomas uterinos) entre pessoasde diferentes raças. Entretanto, no caso de outros indicadores, 
como a autoavaliação do estado de saúde, os desfechos são essencialmente semelhantes, após o 
ajuste para a posição socioeconômica, fato esse que por si só revela a discriminação racial (PAIM 
et al., 2011).
As doenças do aparelho circulatório são a principal causa de morte, seguidas pelas neoplasias e por 
causas externas (sobretudo homicídios e acidentes de trânsito). Estima-se que 40 a 50% dos brasileiros 
com mais de 40 anos sejam hipertensos e que 6 milhões sejam diabéticos, o que representa um enorme 
desafio para um sistema de saúde que está organizado predominantemente para oferecer cuidados a 
enfermidades agudas (PAIM et al., 2011). O gráfico a seguir apresenta a mudança no perfil de mortalidade 
no país:
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EpidEmiologia E SaúdE pública
100%
90%
80%
70%
60%
50%
40%
30%
20%
10%
0%
1930 1935 1940 1945 1950 1955 1960 1965 1970 1975 1980 1985 1990 1995 2000 2005 2009
Outras diferenças
Causas externas
Aparelho circulatório
Neoplasias
Infecciosas e parasitárias
Figura 29 – Evolução da mortalidade proporcional segundo causas: Brasil, 1930 a 2009
As doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) tornaram-se a principal prioridade na área 
da saúde no Brasil; 72% das mortes ocorridas em 2007 foram atribuídas a elas. Representam a 
principal fonte da carga de doença, e os transtornos neuropsiquiátricos detêm a maior parcela de 
contribuição. A morbimortalidade causada pelas DCNT é maior na população mais pobre. Apesar 
da mortalidade bruta causada pelas DCNT ter aumentado 5% entre 1996 e 2007, a mortalidade 
padronizada por idade diminuiu 20%. A diminuição ocorreu particularmente em relação às 
doenças cardiovasculares e respiratórias crônicas, em conjunto com a implantação bem-sucedida 
de políticas de saúde que levaram à redução do tabagismo e à expansão do acesso à atenção 
básica em saúde (SCHMIDT et al., 2011).
Todavia, a prevalência de diabetes e hipertensão está aumentando, paralelamente à prevalência 
de excesso de peso; esses aumentos estão associados a mudanças desfavoráveis na dieta e na 
atividade física. O Brasil tem posto em prática importantes políticas de prevenção das DCNT, e a 
mortalidade por DCNT ajustada por idade vem diminuindo 1,8% ao ano. As tendências adversas da 
maioria dos fatores de risco trazem um enorme desafio e demandam ações e políticas adicionais e 
oportunas, especialmente as de natureza legislativa e regulatória e aquelas que fornecem atenção 
custo-efetiva a condições crônicas para indivíduos afetados por DCNT.
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A figura a seguir apresenta as taxas de mortalidade das DCNT no país:
800
700
600
500
400
300
200
100
Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste
19
96
19
96
19
96
19
96
19
96
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Outras doenças
Diabetes
Respiratórias
Câncer
Cardiovasculares
Figura 30 - Taxas de mortalidade por doenças não transmissíveis, por região, em 1996 e 2007
A prevalência de sobrepeso e de obesidade está aumentando; 47,3% dos homens que vivem 
nas capitais brasileiras estão acima do peso. Contudo, cerca de um terço das famílias afirmam 
não dispor de comida suficiente para se alimentar. Embora apenas 19% dos adultos, nas capitais, 
declarem comer quantidade suficiente de frutas e legumes (cinco porções de frutas ou suco de 
frutas e legumes por dia, cinco dias por semana ou mais), outros dados apontam que a qualidade 
da dieta da população parece estar melhorando com o tempo, mas a prática de atividade física é 
baixa nas capitais. 
A tabela a seguir apresenta a prevalência dos fatores de risco para as DCTN na população das capitais 
brasileiras: 
Tabela 3 - Prevalência dos fatores de risco para as doenças crônicas segundo estimativas do 
Vigitel, inquérito telefônico entre adultos residentes das capitais brasileiras, 2006 e 2010
2006 2010 Diferença
Tabagismo
Fumante atual 16,2% (15,4 – 17,0) 15,1% (14,2 – 16,0) -1,1% (0,02)
Ex-fumante 22,1% (21,3 – 22,9) 22% ( 21,1 – 22,9) - 0,1% (0,81)
Atividade física
Atividade física no lazer 14,8% (14,2 – 15,5) 14,9% (14,1 – 15,8) 0,1% (0,78%)
Alimentação
Consumo de carnes com gorduras 39,1% (38,8 – 39,7) 34,2% (33,0 – 35,3) -4,9% (< 0,001)
Consumo regular de frutas e hortaliças 28,9% (28,6 – 29,6) 29,9% (28,9 – 30,9) 1% (0,03)
Consumo de bebidas alcoólicas
Consumo excessivo nos últimos trinta dias 16,2% (15,5 – 16,9) 18% (17,2 – 18,9) 1,8% (<0,001)
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EpidEmiologia E SaúdE pública
Excesso de peso 42,8% (41,8 – 43,8) 48,1% (46,9 – 49,3) 5,3% (<0,001)
Obesidade 11,4% (10,8 -12,0) 15,0% (14,2 -15,8) 3,6% (<0,001)
Fonte: Brasil (2011).
Os dados são % (IC de 95%) ou % (valor p) – valor estabelecido por regressão de Poison, que 
comparou porcentagens nos anos de 2006, 2007, 2008, 2009 e 2010.
O tabagismo diminuiu em virtude do Programa Nacional de Controle do Tabaco. Em 2008, 17,2% da 
população fumava, em comparação com 34,5% em 1989, quando o programa teve início. O abuso do 
álcool é outro desafio; 17,6% das pessoas com 15 anos de idade ou mais afirmam passar por episódios 
de ingestão excessiva de bebida alcoólica (PAIM et al., 2011).
Embora existam sinais de declínio, homicídios, lesões e óbitos relacionados ao trânsito no Brasil 
representam quase dois terços dos óbitos devidos a causas externas. Em 2007, a taxa de homicídios 
era de 26,8 por 100.000 pessoas e a mortalidade relacionada ao trânsito era de 23,5 por 100.000. A 
violência doméstica talvez não leve a tantos óbitos na população adulta, mas sua parcela de morbidade 
relacionada à violência é grande. Esses são importantes problemas de saúde pública que levam a 
enormes custos individuais e coletivos. Homens jovens, negros e pobres são as principais vítimas e 
os principais agressores na comunidade, ao passo que mulheres e crianças negras desfavorecidas 
são as principais vítimas da violência doméstica. As diferenças regionais são também significativas 
(REICHENHEIM et al., 2011). 
A figura a seguir apresenta a distribuição da mortalidade por causas externas:
36,4%
29,3%
6,8%
6,3%
4,6%8,7%
6,5%
1,4%
Homicídios
Óbitos relacionados ao trânsito
Suicídios
Quedas
Afogamentos
Lesões de intenção indeterminada
Outras lesões acidentais
Outras causas externas
Figura 31 - Distribuição proporcional de óbitos por causas externas, 2007
Dados estatísticos sobre as principais causas de internação no SUS apontaram a gravidez, o parto, o 
puerpério (24%), as doenças do aparelho respiratório (16%) e do aparelho circulatório (10%). Ocorreu 
um aumento significativo da participação das doenças crônico-degenerativas na composição da 
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mortalidade;a doença cerebrovascular aguda mal definida representou a principal causa básica de 
óbito, entre as causas diagnosticadas, seguida do infarto agudo do miocárdio, de insuficiência cardíaca 
e de diabetes mellitus. Para as neoplasias malignas, as principais localizações, no sexo masculino, foram 
traqueia, brônquios e pulmão, seguido de estômago, enquanto, para o sexo feminino, destacaram-se as 
localizações em mama, estômago e colo de útero. A figura a seguir apresenta a evolução da mortalidade 
de homens e mulheres para os principais tipos de neoplasias:
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Estômago
Pulmão
Próstata
Esôfago
Colorretal
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Mulheres
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Mama
Colo do útero
Estômago
Colorretal
Pulmão
Figura 32 - Mortalidade para os principais locais de câncer em homens e mulheres, 1980-2006
Entre as causas externas de mortalidade, destacaram-se os acidentes de trânsito por veículo a motor 
e homicídio por arma de fogo, sendo essa última a que apresentou as maiores taxas de crescimento no 
decorrer da última década, conforme dados das figuras a seguir:
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EpidEmiologia E SaúdE pública
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Figura 33 - Mortalidade total por homicídio (por 100.00 habitantes) e por gênero, 1991-2007
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Ano
1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007
Ta
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Centro-Oeste Brasil
Norte Nordeste
Sul Sudeste
Figura 34 - Mortalidade nacional relacionada ao trânsito (por 100.000 habitantes) e por macrorregião, 1991-2007
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A figura a seguir resume os principais fatores de risco para as doenças não transmissíveis e os níveis 
de prevenção:
Estrutura social
(nível socioeconômico)
• Classe social
• Idade
• Sexo
• Etnia
• Localização geográfica
• Condições de moradia
• Riscos ocupacionais
• Acesso a serviços
• Tabagismo
• Dieta
• Atividade física
• Fatores psicossociais
• Pressão arterial
• Colesterol
• Obesidade
• Fatores psicossociais
Influências ambientais
locais
Estilo de vida 
(comportamento do 
indivíduo)
Influências biológicas
(organismo)
Política de saúde pública
Intervenções comunitárias 
e em organizações
Prevenção primária e 
secundária
Prevenção primária e 
secundária
Doenças transmissíveis
Figura 35 - Fatores de risco para as principais doenças não transmissíveis
4.4 Medidas de frequência (morbidade)
A medida da morbidade, ou seja, a mensuração da frequência de eventos relacionados à saúde em 
populações específicas, está entre o objeto de estudo da Epidemiologia. A estimativa quantificada da 
morbidade pode ser uma tarefa simples e fácil, e até complexa. 
O termo frequência, que para o leigo tem significado muito claro – de número de vezes que 
um evento ocorre –, necessita ser mais bem definido em epidemiologia. Daí a distinção que se faz 
entre incidência e prevalência, com o intuito de separar determinados aspectos que, se não levados 
em conta, com o intuito de separar determinados aspectos, dificultam a comparação de frequência 
(PEREIRA, 2008).
A morbidade de uma doença reflete o número de casos de uma doença em população de determinado 
território (país, estado, município, distrito municipal, bairro), em dado intervalo do tempo. É definida 
como o comportamento das doenças e dos agravos à saúde em uma população, e é frequentemente 
estudada utilizando-se de quatro indicadores básicos: incidência e prevalência; indicadores amplamente 
utilizados; taxa de ataque e de distribuição proporcional. 
4.4.1 Incidência e prevalência
A incidência de uma doença, em determinado local e período, é o número de casos novos dela 
surgidos no mesmo local e período. Alta incidência significa alto risco coletivo de adoecer. 
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EpidEmiologia E SaúdE pública
Segundo Pereira (2008), incidência é o termo utilizado para se referir aos casos novos de uma doença 
e prevalência dos casos existentes desta. 
A incidência e a prevalência expressam a relação entre casos e a população, mas medem aspectos 
diferentes da morbidade. A incidência denota a intensidade com que acontece uma doença numa 
população e mede a frequência ou probabilidade de ocorrência de casos novos dela na população. 
Reflete também a dinâmica com que os casos aparecem no grupo; por exemplo, permite conhecer 
em um grupo de sadios quantos se tornam doentes em determinado período de tempo ou quantos 
evoluíram ao óbito na mesma situação. 
A prevalência mede a proporção da população que apresenta a doença, por isso representa o estoque 
de casos, e também depende diretamente da incidência (casos novos). E também aumenta com os casos 
novos e decresce com o número de cura e óbitos.
As doenças crônicas, que não têm cura e podem ser prolongadas em decorrência da melhoria 
do tratamento médico, implicam o aumento do número de casos da doença na população e, 
consequentemente, na taxa de prevalência. Em contrapartida, as condições de evolução aguda de uma 
doença, ou as rapidamente fatais, apresentam baixa prevalência na população. 
 Lembrete
Para ficar mais fácil a compreensão entre incidência e prevalência: 
incidência é como se fosse um “filme” sobre a ocorrência da doença, é 
dinâmica, diferindo da “prevalência”, que analisa apenas a situação 
instantânea ou momentânea da doença, é estática.
Prevalência 
Básica
Prevalência 
Aumentada
Incidência (casos novos)
 
Figura 36 – Fatores que contribuem para o aumento da prevalência 
 
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Prevalência
Mortes e cura
Incidência
Figura 37 – Eventos que influenciam na prevalência de doenças 
Mortes e cura
Prevalência 
Básica
Prevalência 
Diminuída
Figura 38 – Fatores que contribuem para a diminuição da prevalência
Cálculo do coeficiente de incidência:
 Número de casos novos em um determinado período X Constante
 Número de pessoas expostas ao risco no mesmo período
Cálculo do coeficiente de prevalência:
 Número de casos existentes em uma população X Constante
 População exposta ao risco 
Quadro 1 – Diferenças entre incidência eprevalência
Incidência Prevalência
Numerador Número de novos casos de doença durante um período específico de tempo.
Número de casos existentes (novos e velhos) de 
uma doença em um ponto do tempo.
Denominador 
População em risco. População em risco.
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EpidEmiologia E SaúdE pública
Foco Se o evento é um novo caso; tempo de início da doença.
Presença ou ausência de doença; o período de 
tempo é arbitrário, pode ser um curto espaço de 
tempo.
Utilização
Expressa o risco de tornar-se doente; 
é a principal medida para doenças ou 
condições agudas, mas pode, também, ser 
utilizada para doenças crônicas; mais útil 
em estudos de causalidade.
Estima a probabilidade de a população estar 
doente no período do tempo em que o estudo está 
sendo realizado; mais útil em estudos que visam 
determinar a carga de doenças crônicas em uma 
população e suas implicações para os serviços de 
saúde.
Fonte: OMS (2010).
Letalidade: mede a severidade de uma doença, ou seja, quanto mais grave é a doença, maior a taxa 
de letalidade. É definida como a proporção de mortes entre aqueles doentes por uma causa específica 
em certo período de tempo.
Letalidade (%) = Número de mortes de determinada doença em certo período X 100
 Número de doentes por determinada doença no mesmo período
4.5 Processo epidêmico: epidemia e doenças endêmicas 
De acordo com Rouquayrol e Almeida Filho (2003), certa doença em relação a uma população, que 
atinja ou possa vir a atingir, pode ser qualificada como presente em nível endêmico, em nível epidêmico, 
com casos esporádicos ou inexistente. 
Epidemia não significa obrigatoriamente um número elevado de casos de uma mesma doença, assim 
como o entendimento de que um único caso de determinada doença não possa ser classificado como 
epidemia. Entre os exemplos dessas situações, citamos os 241 casos de coqueluche ocorridos na Bahia 
no ano 2000 que não foram tidos como uma epidemia. Tal fato é explicado quando se conhece a 
situação epidemiológica local. A Bahia teve de 63 a 1.300 casos da doença/ano registrados nos anos que 
antecederam essa situação. E, na contramão desse fato, um único caso pode ser tido como epidêmico, 
como o que aconteceu nos anos 1990 em um município brasileiro, ao identificar o primeiro caso de 
cólera, sendo acionada a saúde pública para combater o surto.
Segundo a OMS (2010), epidemia é a situação em que o número de casos de uma doença supera 
o número de casos esperado. Para caracterizar uma epidemia é importante especificar o período (dias, 
semanas ou meses), a região geográfica e outras particularidades da população em que os casos 
ocorreram. O número de casos também é variável, e vai depender de vários fatores, como o agente que 
está causando a doença, o tamanho, o tipo e a suscetibilidade da população exposta, além do momento 
e do local da ocorrência da doença. 
Para a identificação de uma epidemia, deve-se realizar uma análise da frequência usual da doença 
na região, no mesmo grupo populacional, durante a mesma estação do ano. Ao contrário do que muitas 
pessoas acreditam, um pequeno número de casos de uma doença pode ser considerado uma situação de 
epidemia, desde que essa situação não tenha ocorrido anteriormente na região. Como exemplo, citamos 
a Aids. Os primeiros casos identificados, em quatro jovens homossexuais do sexo masculino, foram 
devido à ocorrência de pneumonia por Pneumocystis carinii, sendo que anteriormente já havia sido 
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associada ao sistema imunológico comprometido. Chamou a atenção também a ocorrência crescente de 
casos de Sarcoma de Kaposi, um tipo de câncer de pele que acomete pacientes imunocomprometidos, 
que ocorreu em Nova York e foi caracterizada como surto. 
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Figura 39 – Casos de sarcoma de Kaposi em Nova York
A OMS criou a Rede Mundial de Alerta e Resposta a Surtos Epidêmicos (Goarn, sigla em 
inglês para Global Outbreak Alert and Response Network), uma rede de colaboração de diferentes 
instituições que une recursos humanos e técnicos para a rápida identificação, confirmação e 
resposta a surtos de importância internacional. Esta contribui para a segurança da saúde global 
e tem entre seus objetivos combater a dispersão internacional de surtos; assegurar que uma 
apropriada assistência técnica alcance rapidamente as regiões afetadas; e contribuir para a 
preparação da resposta às epidemias e ao aumento da capacidade no longo prazo. Todos os países 
são obrigados a informar a Organização Mundial da Saúde os casos de doenças potenciais à saúde 
pública, de acordo com os termos do Regulamento Sanitário Internacional (OMS, 2010).
Segundo o CDC, Center for Disease Control and Prevention, para entendermos alguns conceitos 
em epidemiologia, é importante revermos como os surtos ocorrem. Temos alguns termos que são 
comumente usados, mas muitas vezes incompreendidos, como epidemia ou surto. Uma epidemia é a 
ocorrência de mais casos de doença do que seria normalmente esperado em um lugar específico ou 
grupo de pessoas por um período determinado de tempo. Para um epidemiologista, ao utilizar o termo 
foco, está se referindo basicamente ao aumento no número de casos, portanto, é a mesma coisa dizer 
surto ou epidemia. Na mente do público, no entanto, epidemia tem uma conotação muito mais grave 
do que surto. Por essa razão, surto é frequentemente usado para evitar sensacionalismo. Além desses, 
dois outros termos muito utilizados são endemia, ou seja, taxa elevada de incidência ou prevalência da 
doença, e pandemia, que significa doença muito difundida, muitas vezes global (CDC, 2012). 
 observação
O Regulamento Sanitário Internacional tem objetivo de garantir a 
proteção contra a dispersão de doenças entre países, minimizando a 
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EpidEmiologia E SaúdE pública
interferência sobre o comércio e as viagens internacionais. Esse documento 
existe desde 1969 e foi criado com a intenção de controlar quatro doenças 
infecciosas: cólera, praga, febre amarela e varíola (já erradicada no mundo). 
4.6 Investigação e controle de epidemias
Segundo a OMS (2010), a investigação de uma epidemia de doença transmissível visa a identificar a 
causa da epidemia, bem como a melhor maneira de controlá-la. Para tanto, a condução da investigação 
e do controle da epidemia deverá ser sistemática e detalhada, envolvendo os seguintes passos, que 
poderão ser realizados sequencialmente ou simultaneamente:
• investigação – verificar o diagnóstico dos casos suspeitos, confirmar a epidemia e formular 
hipóteses sobre a fonte e disseminação da doença, e, se possível, realizar as primeiras intervenções.
• identificação e notificação dos casos – criar uma definição clara do que vem a ser um caso. 
• coleta e análise dos dados – coletar informações detalhadas de pelo menos uma amostra dos casos 
é importante, assim como a contagem criteriosa de todos os casos para permitir uma descrição 
completa da extensão da epidemia.
• manejo e controle – o manejo envolveo tratamento dos casos, prevenindo a propagação da 
doença e a monitoração dos efeitos das medidas de controle. A imunização é uma ferramenta 
poderosa no controle e manejo das doenças infecciosas. Os programas de vacinação sistemática 
podem ser muito efetivos. Por exemplo, na década de 1980, a maioria dos países da América 
Latina incorporou a vacinação contra o sarampo nos seus programas de imunização, e muitos 
fizeram campanhas de vacinação com o objetivo de vacinar todas as crianças e interromper a 
transmissão do sarampo.
Doenças endêmicas – de acordo ainda com a OMS (2010), as doenças transmissíveis tidas 
como endêmicas são aquelas que apresentam um padrão de ocorrência relativamente estável, com 
elevada incidência ou prevalência em uma mesma área geográfica ou grupo populacional, podem 
se tornar epidêmicas se houver mudanças nas condições do hospedeiro, do agente ou do ambiente. 
A malária, por exemplo, representa um dos principais problemas de saúde em países tropicais de 
baixa renda. 
 Saiba mais
O livro Pandemias, escrito pelo médico infectologista Stefan Cunha 
Ujvari, examina a história de epidemias globais e avalia a possibilidade 
de o fenômeno se repetir no futuro. Esse autor também escreveu outros 
livros sobre essa questão: A história da humanidade contada pelos vírus, A 
história e suas epidemias, Meio ambiente e epidemias e perigos ocultos nas 
paisagens brasileiras.
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 resumo
A saúde pública tem como missão proteger a saúde das populações, e 
a Epidemiologia é sua aliada nessa tarefa, tendo como objetivos identificar 
o agente causal ou os fatores relacionados à causa dos agravos à saúde; 
definir os modos de transmissão das doenças; identificar e explicar os 
padrões de distribuição geográfica das doenças; estabelecer os métodos 
e as estratégias de controle dos agravos à saúde; estabelecer medidas 
de prevenção; descrever os aspectos clínicos das doenças e sua história 
natural; identificar fatores de risco de uma doença e grupos de indivíduos 
que apresentam maior risco de serem atingidos por determinado agravo; 
avaliar a resposta das instituições de saúde às necessidades das populações; 
testar a eficácia e o impacto de estratégias de intervenção, a qualidade, o 
acesso e a disponibilidade dos serviços de saúde para controlar, prevenir e 
tratar os agravos de saúde na comunidade.
O modo como o processo saúde-doença foi compreendido na história 
da humanidade pode ser dividido por fases, nas quais predominava 
determinado paradigma: estatística sanitária/paradigma miasmático: a 
doença na população era atribuída às emanações/miasmas da matéria 
orgânica na água, no ar e no solo. O controle da doença na população 
estava concentrado no saneamento e na drenagem; epidemiologia 
das doenças infecciosas/paradigma microbiano: as descobertas de 
Koch definiram que a doença na população era atribuída a um agente 
microbiano, único e específico pela doença, que se reproduzia e se 
isolava em condições experimentais. O controle da doença na população 
foi focado na interrupção da transmissão e na propagação do agente; 
epidemiologia de doenças crônicas/paradigma dos fatores de risco: 
a doença na população é atribuída à interação pela exposição e/ou à 
suscetibilidade dos indivíduos a múltiplos fatores de risco. O controle da 
doença é focado na redução dos riscos individuais de adoecer por meio 
de intervenções sobre os estilos de vida. 
A história natural da doença pode ser dividida em dois períodos: a) 
pré-patogênico ou pré-patogênese: são importantes as definições dos 
fatores determinantes, que podem estar intrinsecamente relacionados com 
a probabilidade de risco do desenvolvimento de doenças ou agravos em 
saúde; b) período patogênico: corresponde ao desenvolvimento da doença. 
Os níveis de prevenção são diferentes, de acordo com os períodos 
de desenvolvimento da doença, e dividem-se em: primordial, primário, 
secundário e terciário. No período pré-patogênico, a prevenção primária 
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constitui-se de medidas de promoção à saúde e proteção específica. 
No período patogênico, a prevenção secundária objetiva diagnosticar/
instaurar tratamento precoce para limitar dano, e a prevenção terciária 
visa à reabilitação.
Os determinantes sociais em saúde são as condições em que as pessoas 
vivem e trabalham. Atuar sobre esses determinantes é a forma mais justa 
para melhorar a saúde das pessoas. Receber cuidado de saúde adequado é 
essencial, mas há fatores que podem afetar a saúde das pessoas, como nível 
socioeconômico, condições de moradia, risco ocupacional, que precisam 
ser abordados a fim de que o bem-estar seja alcançado.
Os coeficientes e as taxas mais utilizados em saúde pública, para avaliar 
o estado de saúde de uma população, são: coeficiente de mortalidade 
geral; coeficiente de mortalidade por sexo; coeficiente de mortalidade por 
idade; coeficiente de mortalidade por causa; coeficiente de mortalidade 
materna; coeficiente de mortalidade infantil; coeficiente de mortalidade 
infantil precoce (neonatal); coeficiente de mortalidade neonatal tardia; 
mortalidade proporcional por causas; mortalidade proporcional de 50 anos 
ou mais; coeficiente de letalidade (ou fatalidade); razão de mortalidade 
proporcional (RMP) ou indicador de Swaroop-Uemura ou RMP.
Condições ambientais e sociais desfavoráveis podem, também, resultar 
em comportamentos adversos, os quais favorecem a atuação dos principais 
fatores de risco sobre as doenças crônicas não transmissíveis. O país está 
passando por uma transição demográfica acelerada: redução dos níveis 
de fecundidade/mortalidade, formato triangular com base alargada 
(2005) cederá lugar (2030) à pirâmide com parte superior mais larga, 
típica de sociedades envelhecidas (crescente incremento das condições 
crônicas). Junto com a situação epidemiológica de tripla carga de doenças: 
superposição de etapas – persistência concomitante de doenças infecciosas/
carências (agenda não concluída de infecções, desnutrição e problemas de 
saúde reprodutiva); doenças crônicas (tabagismo, sobrepeso, inatividade 
física, uso excessivo de álcool e outras drogas, alimentação inadequada); 
doenças reemergentes (dengue, febre amarela); e forte crescimento das 
causas externas.
A morbidade é definida como o comportamento das doenças e dos 
agravos à saúde em uma população. Entre os indicadores de morbidade 
mais utilizados, estão a incidência, que se refere aos casos novos de 
uma doença, e a prevalência, que se refere aos casos existentes da 
doença. As doenças ou os agravos à saúde em uma população podem 
estar presentes em nível endêmico, epidêmico, com casos esporádicos 
ou inexistentes. 
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Epidemia é a situação em que o número de casos de uma doença 
supera o número de casos esperado; endemia refere-se às doenças 
que apresentam um padrão de ocorrência relativamente estável, com 
elevada incidência ou prevalência, em uma mesma área geográfica ou 
grupo populacional.
5 doEnçAS InFECCIoSAS
5.1 Cadeia do processo infeccioso 
O agente etiológiconas doenças infecciosas é um ser vivo denominado de patógeno, palavra que 
pode ser traduzida em agente gerador de doença.
De acordo com Leser et al. (2002), o estímulo à doença pode ser estabelecido por três formas, que 
são: a) infecção: consiste na penetração e multiplicação de um agente, no organismo do homem e 
do animal; b) infestação: alojamento, com ou sem desenvolvimento, e reprodução de artrópodes na 
superfície do corpo ou nas vestes; c) absorção: refere-se aos casos em que não ocorre por infecção, mas 
pelas toxinas produzidas fora do hospedeiro.
A infecção é um processo biológico comum, que pode ou não resultar em uma doença 
infecciosa, aparente ou inaparente. O agente infeccioso ou patógeno possui variado grau de 
complexidade, podendo ser vírus, bactéria, fungo, protozoário, helminto ou rickéttsia. E, de 
acordo com as diferentes formas que esses agentes assumem no ciclo reprodutivo, como larva, 
esporo, cisto etc. e a penetração em outro ser vivo, podem se desenvolver e/ou multiplicar-se, 
de acordo com a predisposição do hospedeiro ou dos seus fatores intrínsecos, gerando ou 
não um estado patológico denominado por doença infecciosa (ROUQUAYROL; ALMEIDA FILHO, 
2006). 
A doença infecciosa corresponde a qualquer enfermidade causada por um 
agente infeccioso específico, ou seus produtos tóxicos, que se manifesta 
pela transmissão deste agente ou de seus produtos, de uma pessoa ou 
animal infectados ou de um reservatório a um hospedeiro suscetível, direta 
ou indiretamente por meio de um hospedeiro intermediário, de natureza 
vegetal ou animal, de um vetor ou do meio ambiente inanimado (ALMEIDA 
FILHO; BARRETO, 2012, p. 460).
 observação
Apenas a presença de microrganismos, mesmo que potenciais 
causadores de doenças, em roupas, objetos e em superfície do corpo, não 
deve ser denominada de infecção, mas, sim, de contaminação. Portanto, 
devemos dizer que a água é contaminada ao invés de infectada.
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Alguns termos relacionados às doenças infecciosas podem, muitas vezes, ser utilizados como 
sinônimos, mas por conceito possuem significado diferente, como o termo doença transmissível, 
que não deve ser utilizado como sinônimo de doença infecciosa. Doença transmissível, segundo a 
Organização Pan-Americana de Saúde (1983): 
É qualquer doença causada por um agente infeccioso específico, ou seus 
produtos tóxicos, de uma pessoa ou animal infectados ou de um reservatório 
a um hospedeiro suscetível, direta ou indiretamente, por meio de um 
hospedeiro intermediário, de natureza vegetal ou animal, de um vetor ou do 
meio ambiente inanimado.
“Temos como exemplo algumas doenças infecciosas, mas não transmissíveis, ou seja, não são 
transmitidas do doente para outra pessoa, como o tétano, a malária e a leptospirose” (ALMEIDA FILHO; 
BARRETO, 2012, p. 460).
Outro termo que também pode causar confusão é doença contagiosa, que é aquela transmissível, 
já que o doente a transmite para outra pessoa; entretanto, esse termo é utilizado nos casos em que a 
doença é transmitida pelo contato direto.
As doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) são exemplos de doenças contagiosas, assim como o 
sarampo, transmitido por secreções da orofaringe. 
 Lembrete
Toda doença contagiosa é infecciosa, mas nem toda doença infecciosa 
é contagiosa.
Há situações em que não há necessidade da introdução do agente no interior do organismo para 
que a pessoa adoeça, pois alguns micro-organismos produzem substâncias tóxicas (exotoxinas) em 
algum meio que, se ingeridas por indivíduos suscetíveis, podem posteriormente causar doenças. O 
botulismo exemplifica bem essa situação, pois é uma forma de intoxicação alimentar que ocorre 
pela ingestão da toxina produzida pelo bacilo Clostridium botulinum, presente em alimentos 
malconservados, carnes, embutidos e alimentos (ROUQUAYROL; ALMEIDA FILHO, 2006). 
Para que a doença infecciosa ocorra, é necessário que haja a interação de vários fatores: a) existência 
de um agente infeccioso em número suficiente; b) via de acesso ao hospedeiro; c) porta de entrada; d) 
hospedeiro suscetível. 
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Agente
Contato direto
Porta de 
entrada
Gotículas
Contato diretoVia aérea
Vetor
Veículo
 Figura 40 – Representação esquemática da cadeia do processo infeccioso
Na cadeia do processo infeccioso, devemos considerar os seguintes fatores: reservatório; fonte de 
infecção; vias de eliminação; fatores do agente; modo de transmissão; vias de penetração.
5.1.1 Reservatório
De acordo com o Ministério da Saúde, o reservatório corresponde ao hábitat onde o agente infeccioso 
vive, cresce e multiplica-se, e difere da fonte de infecção, tendo como principal característica o fato de 
ser indispensável para a perpetuação do agente. 
A situação em que as doenças infecciosas são transmitidas de animais para o homem é conhecida 
como zoonose. Em geral, são transmitidas de animal para animal, e o homem é uma vítima acidental. 
Entre essas doenças e seus respectivos reservatórios, temos: a leptospirose – roedores e equinos; a raiva 
– várias espécies de mamíferos; e a doença de Chagas – mamíferos silvestres. 
O ambiente, representado pelas plantas, pela água e pelo solo, também pode atuar como importante 
reservatório para determinados agentes. Entre alguns exemplos, temos o fungo Paracoccidioides 
brasiliensis, que tem como reservatório alguns vegetais, e o solo pode causar no homem uma 
doença denominada de blastomicose. A água também atua como reservatório da bactéria Legionella 
pneumophila, encontrada com certa frequência em sistemas de aquecimento de água e de circulação 
de ar, ou umidificadores, e é responsável pela doença dos legionários. 
5.1.2 Fonte de infecção
A fonte de infecção (ou infestação) é a responsável pela eventual transmissão do agente. Para o 
melhor entendimento das fontes de infecção, é necessário elucidar alguns conceitos pertinentes: 
Período de incubação – trata-se do intervalo de tempo entre a exposição ao agente infeccioso e o 
aparecimento dos sinais e sintomas da doença. Nesse período, os sinais clínicos e os sintomas da doença 
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ainda são inespecíficos. Como manifestações, temos a febre, a coriza e a congestão nasal, além de 
náuseas, vômitos, dor de cabeça e tosse, presentes no quadro inicial de várias doenças, como sarampo, 
gripe, dengue etc.
O período de incubação é variável conforme a doença, pode ser de horas até anos. As características 
do hospedeiro, do agente infeccioso e a interação entre eles, além da dose infectante, são responsáveis 
por essa variação. 
Período de transmissibilidade – corresponde ao período emque o agente etiológico pode ser 
transferido ou eliminado de um indivíduo infectado ou de um animal a outro indivíduo ou animal, 
de forma direta ou indireta. Esse período está presente em várias doenças, como sífilis, tuberculose, 
caxumba, rubéola, sarampo, entre outras, e pode ser curto ou longo. Em algumas doenças, ele pode 
iniciar já no período de incubação; em outras, só se inicia no período prodrômico.No caso do sarampo, 
a transmissibilidade inicia-se no final do período de incubação e continua no período prodômico, e é 
interrompida logo após o aparecimento do exantema.
Período prodrômico – corresponde ao período em que o indivíduo apresenta sinais e sintomas 
inespecíficos da doença, e muitas vezes ele antecede o período em que há manifestação dos sinais e 
sintomas característicos da doença em curso.
De acordo com Leser et al. (2002), as fontes de infecção podem ser classificadas como:
• doentes típicos – aqueles que apresentam as manifestações típicas da doença.
• doentes atípicos – apresentam a doença em decorrência da infecção, mas as manifestações são 
mais brandas do que nos casos típicos, ou seja, os sinais e sintomas são muitas vezes insignificantes. 
Esses casos, muitas vezes, não são diagnosticados. Entretanto, a eliminação do agente ocorre 
da mesma forma que os casos típicos. Também podem ser definidos como casos subclínicos e 
corresponder ao período prodrômico.
Portadores ou não doentes: são aqueles que não apresentam sinais e sintomas da doença, mas 
podem transmitir o agente, representam uma fonte de infecção em potencial. Podem ser divididos em 
três categorias:
• em incubação: não estão doentes, mas estão em período de incubação e manifestarão a doença 
após esse período.
• convalescentes: não estão doentes, mas já tiveram a doença. Esses portadores podem ainda ser 
classificados como temporários e crônicos (ou permanentes). 
É importante salientar que, em algumas situações, o indivíduo infectado não apresentará sinais e 
sintomas da doença, ou seja, não ultrapassará o chamado horizonte clínico; porém, poderá eliminar 
o agente por um período variável. E, ainda, mesmo que ultrapasse o horizonte clínico, isto é, que 
apresente manifestação da doença em decorrência da infecção, os sinais e sintomas poderão ser tão 
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brandos (subclínico) que o indivíduo não procura por atendimento médico, o que dificulta o diagnóstico 
e favorece a transmissão da doença.
Infecção inaparente
Manifestações clínicas moderadas
Casos gravesProporção de 
casos clinicamente 
discerníveis
Proporção de casos 
não discerníveis 
clinicamente
Linha do horizonte clínicoÓbitos
Figura 41 – Conceito de icebergs em doenças infecciosas
 observação
De acordo com Centers for Diseases Control, CDC (2012), podemos dizer 
que o hospedeiro é a pessoa ou o organismo sensível ao efeito do agente. 
Segundo Rouquayrol e Almeida Filho (2006), as doenças infecciosas podem se manifestar de 
diferentes formas no hospedeiro, como:
• doença manifesta – é aquela que apresenta todas as características típicas de uma doença;
• forma fulminante da doença – é aquela que se apresenta de forma grave e com alto índice de 
letalidade;
• forma inaparente ou subclínica da doença – é quando o hospedeiro não apresenta sinais ou 
sintomas da doença. Essa situação é preocupante, já que são pessoas sadias, infectadas, mas 
que podem transmitir o agente a outros suscetíveis, os quais poderão ou não manifestar a 
doença. Em alguns casos, como na meningite e na pólio, a proporção de infecções subclínicas 
é maior que as infecções manifestas. O portador assintomático, por desconhecer sua situação, 
fica mais suscetível a transmitir o agente entre outros suscetíveis. O conceito de iceberg 
facilita no entendimento dessa questão, pois ilustra que esses portadores assintomáticos 
ficam abaixo do horizonte clínico, por não apresentarem sinais e sintomas, portanto, 
dificilmente são identificados.
• sãos – aqueles que nunca estiveram e nunca estarão doentes.
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5.1.3 Vias de eliminação
Trata-se do trajeto percorrido pelo agente etiológico, do reservatório ou fonte de infecção até 
alcançar o ambiente. As principais vias são: os tratos respiratórios e digestório, por meio de secreções e 
excreções como urina, sangue, pele e mucosas. Segundo Leser (2012), as vias de eliminação podem ser: 
• secreções nasobucofaríngeas: algumas infecções das mucosas que revestem as vias respiratórias 
ocasionam o aumento da umidade do local, facilitando a eliminação de partículas, por meio 
da tosse ou espirro que transportam pelas gotículas, ou da expiração (aerossóis) dos agentes 
infecciosos que se encontram na mucosa de revestimento. Entre os exemplos desses agentes, 
temos o vírus do resfriado, da gripe, difteria, meningite, sarampo e outros. 
• fezes: esta é a via natural de eliminação de alguns agentes, como os vírus da pólio, da coxsackie, 
de algumas enterobactérias, como a Shigella e a Salmonella, e alguns protozoários, como a 
Entamoeba histolytica e a Giardia lamblia. 
• genitourinária: diversos agentes de infecções urogenitais são eliminados pela urina, além dos 
agentes infecciosos da leptospirose, da hepatite A e E, da cólera e da amebíase, febre tifoide, Aids, 
gonorreia e outras doenças de transmissão sexual.
• sangue: pode representar uma importante fonte de infecção em alguns casos, como transfusão 
sanguínea por meio de agulhas ou materiais perfurocortantes contaminados. Em outros casos, há 
necessidade da presença de um artrópode hematófago, como na malária e na febre amarela. 
• secreções, exsudatos e descamações do tecido epitelial: nesse grupo, existe uma variedade de 
condições, como as secreções oculares, uretral e de mucosas, e as lesões superficiais abertas – 
cancro duro, na sífilis. 
• leite: entre os agentes eliminados por essa via de contaminação não humana, temos a brucelose 
e a febre aftosa, e nos casos de contaminação humana, o vírus HIV.
• placenta: o agente é transmitido ao feto por meio da placenta, que em geral é uma barreira 
efetiva de proteção do feto contra infecções congênitas: doença de Chagas, HIV, rubéola, sífilis.
• pele: pelo contato direto com lesões superficiais, como na herpes zoster, na sífilis e na varicela, 
ou ainda por picadas, mordidas, perfuração por agulha ou outro mecanismo que tenha contato 
com sangue infectado, como na sífilis, na doença de Chagas, na malária, na leishmaniose, na febre 
amarela, na hepatite B etc.
5.1.4 Fatores do agente
Os agentes etiológicos possuem características que regem a relação com o hospedeiro, as quais 
podem ser determinantes para a ocorrência das doenças, como:
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• infectividade: é definida como a capacidade do agente etiológico de penetrar, desenvolver-se ou 
multiplicar-se no hospedeiro, ocasionando a infecção. Podemos dizer que os fungos, em geral, 
têm como característica a baixa infectividade, pois, mesmo presentes no ambiente, dificilmente 
levam a um quadro infeccioso. Já o vírus da gripe, é tido como altamente infeccioso, pois se 
propaga facilmente entre os suscetíveis.
• patogenicidade: representa a capacidade do patógeno de, quando instalado no organismo do 
hospedeiro, homem ou animal, produzir sintomas em maior ou menor intensidade. O vírus 
do sarampo é tido como altamente patogênico, porque, uma vez instalado no organismo do 
hospedeiro, frequentemente irá ocasionará sinais e sintomas específicos. O mesmo não acontececom o vírus da pólio, que tem uma baixa patogenicidade, já que muitas pessoas infectadas por 
esse agente não apresentam sinais nem sintomas.
• virulência: é definida como a capacidade de o agente etiológico provocar casos graves ou fatais de 
infecção, e está relacionada a algumas características do agente, como a capacidade de produzir 
toxinas e multiplicar-se no organismo do hospedeiro. Embora o vírus do sarampo tenha alta 
patogenicidade e infectividade, é de baixa virulência, já que raramente causa quadro grave da 
doença. Em contrapartida, o botulismo é uma doença altamente virulenta.
• imunogenicidade (ou poder imunogênico): representa a capacidade de o agente induzir o 
hospedeiro à imunidade. Alguns são reconhecidos pelo alto poder imunogênico, como os vírus 
da rubéola, do sarampo, da caxumba e da varicela. Alguns, ao infectar o hospedeiro, induzem à 
imunidade permanente, outros, conferem apenas imunidade temporária ao hospedeiro, como o 
vírus da gripe e da dengue (ROUQUAYROL; ALMEIDA FILHO, 2006).
5.1.5 Modo de transmissão 
Entende-se por transmissão a transferência de um agente etiológico do reservatório ou fonte de 
infecção para um novo hospedeiro suscetível. 
Quanto às vias de transmissão, é importante considerar que o meio externo é, em geral, desfavorável 
para a sobrevida dos agentes etiológicos. Entretanto, alguns agentes possuem formas especiais (cistos, 
ovos, esporos) que conferem resistência quando expostos ao meio externo, além de alguns poderem 
encontrar no nesse ambiente condições que possibilitem a realização das diferentes fases do seu ciclo 
biológico. Contudo, o comportamento dos agentes é diferente na presença de fatores variáveis de 
umidade, radiações, temperatura etc.
A classificação das vias de transmissão considera o tempo entre a eliminação do agente pela fonte 
de infecção e a sua entrada em outro hospedeiro. Via de transmissão em que a permanência do agente 
no meio externo é curta ou nula também pode ser denominada de transmissão direta.
• contágio imediato: o tempo de exposição do agente ao meio externo é nulo, como nos casos de 
transferência do agente por meio de relações sexuais, do beijo na boca, nas infecções congênitas 
e na mordedura.
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• contágio mediato: o tempo de exposição do agente ao meio externo é relativamente curto, o que 
assegura sua sobrevida. As formas de contágio mediato ocorrem por:
— gotículas: a eliminação do agente pela fonte ocorre pela fala, pela tosse ou pelo espirro; 
podem manter-se em suspensão no ambiente conforme seu tamanho e peso.
— fômites: são representados por objetos, como talheres, copos, brinquedos, chupetas, entre 
outros.
— por meio das mãos/boca: ocorre por meio das mãos do novo hospedeiro, contaminadas com 
material infectante recentemente eliminado pela fonte de infecção. O agente é transferido 
ao novo hospedeiro quando suas mãos entram em contato com a boca ou mucosa nasal ou 
conjuntival. 
A via de transmissão que exige exposição mais prolongada do agente no meio exterior também pode 
ser denominada de transmissão indireta. Nesse caso, é essencial que os agentes consigam sobreviver 
fora do organismo durante certo tempo, além da presença de veículos (insetos, por exemplo) que 
transportem os micro-organismos ou parasitas de um lugar a outro. 
Quadro 2 – Modos de transmissão de um agente infeccioso
Transmissão direta Transmissão indireta 
• Mãos
• Beijo
• Respiratória (gotículas decorrentes da fala, da 
tosse ou do espirro) 
• Transfusão de sangue
• Relação sexual
• Transmissão vertical (transplacentária ou 
amamentação)
• Outras formas: parto, injeção endovenosa, 
procedimentos médicos etc.
• Veículos (alimentos contaminados, 
água, toalhas, instrumentos agrícolas 
etc.)
• Vetores (insetos e animais)
• Respiratória – longa distância (poeira e 
aerossóis)
• Parenteral (injeção com seringas 
contaminadas)
A classificação da transmissão indireta dá-se segundo a natureza do veículo de transmissão:
• Transmissão por vetores: em epidemiologia o termo vetor se relaciona a artrópodes que participam 
da transmissão de agentes infecciosos. E podem ser divididos em biológicos e mecânicos:
— vetor biológico: é aquele vetor essencial, ou obrigatório, na disseminação da doença. Portanto, 
se erradicarmos o vetor biológico, a doença que ele transmite desaparecerá. Os anofelinos que 
transmitem a malária são exemplos desse tipo de vetor.
— vetor mecânico: é um vetor acidental e representa mais uma modalidade de transmissão 
do agente etiológico. Sua erradicação retira apenas um dos componentes da transmissão da 
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doença. Exemplo: as moscas, que podem transmitir agentes eliminados pelas fezes, na medida 
em que os transportam em suas patas ou asas após pousarem em matéria fecal. 
Figura 42 – Vetor biológico 
A) Transmissão por ar e poeira.
B) Transmissão indireta por fômites.
C) Transmissão por alimentos.
D) Transmissão pelo solo.
E) Transmissão com hospedeiro invertebrado “intercalado”.
Quadro 3 – Principais mecanismos de transmissão dos agentes de doenças infecciosas
Modo de 
transmissão Via de transmissão Veículo Meio de transmissão Doenças (exemplos)
Direta
 Respiratória Ar Gotícula de Flügge 
Meningite por meningococo, 
sarampo, coqueluche, rubéola, 
gripe 
Digestiva Fezes/fômites Oral/fecal Hepatite A, poliomielite, febre tifoide
Sexual Secreções sexuais
Solução de 
continuidade da pele e 
feridas
Sífilis, HPV, Aids 
Pele Fômites, pele Pele íntegra Escabiose
Intrauterina Sangue materno Placenta
Rubéola, toxoplasmose, Aids, 
sífilis
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Indireta
Sanguínea Fômites Sangue e secreções Hepatite B, Aids, Doença de Chagas (transfusão) 
Digestiva Água e alimentos alimentar
Cólera, febre tifoide, 
toxicoinfecções alimentares e 
hepatite A 
Pele Solo, água Penetração ativa Esquistossomose mansoni, ancilostomíase, estrongiloidíase.
Vetor Saliva ou fezes do vetor Picada de artrópode Dengue, febre amarela, malária.
Fonte: adaptado de Almeida Filho; Barreto (2012, p. 462).
5.1.6 Vias de penetração
As portas de saída e entrada nem sempre são as mesmas. Temos como exemplo as intoxicações 
alimentares por estafilococos, em que o agente entra no novo hospedeiro, por meio de alimentos 
contaminados com secreção da lesão, e é eliminado por uma lesão aberta da pele (OPAS/MS, 2010).
5.2 Aspectos estruturais e funcionais na prevenção e na exposição às 
doenças 
De acordo com a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), 2010, o corpo humano possui 
alguns aspectos estruturais e funcionais que podem atuar tanto como mecanismo de defesa como para 
aumentar a suscetibilidade do hospedeiro em desenvolver doenças. 
A pele e as membranas mucosas proporcionam ao corpo uma barreira de proteção contra muitos 
parasitas vivos e agentes químicos. As membranas mucosas são mais permeáveis do que a pele intacta, 
o que muitas vezes acaba servindo de porta de entrada a vários patógenos.
Os reflexos, a tosse e o espirro, porexemplo, representam uma tentativa de limpar as vias 
respiratórias de substâncias nocivas. As secreções mucosas, como as lágrimas e a saliva, possuem 
uma ação limpante e também podem conter anticorpos específicos contra micro-organismos 
patogênicos.
As secreções gástricas (acidez gástrica), o peristaltismo e os anticorpos inespecíficos: os 
micro-organismos, ao invadirem o corpo, enfrentam uma série de mecanismos de defesa imunológica, 
tanto do tipo celular (linfócitos T, macrófagos e outras células que apresentam antígenos) como do 
tipo humoral (linfócitos B, anticorpos e outras substâncias). A inflamação que ocorre no lugar da 
invasão é devida ao estímulo dos micro-organismos extracelulares, sendo que os anticorpos produzidos 
pela infecção natural ou vacinação poderiam prevenir ou limitar a invasão do hospedeiro (memória 
imunológica). A imunossupressão decorrente de infecção pelo HIV, do uso de drogas imunossupressoras 
ou de doenças crônicas facilita a multiplicação de outros micro-organismos, como o bacilo da tuberculose 
ou de agentes oportunistas, como o Pneumocistis carinii. 
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A idade é um aspecto importante, uma vez que a gravidade de muitas doenças no indivíduo 
relaciona-se a ela. As doenças benignas da infância, como varicela, sarampo e rubéola, são 
exemplos de como a esse fator influencia na ocorrência das doenças contagiosas. Crianças 
pequenas apresentam maior risco de adquirir a infecção e desenvolver a doença, devido a sua 
alta suscetibilidade (pela ausência de memória imunológica) e alto grau de exposição. Entre as 
doenças que acometem os adultos com mais frequência, estão a tuberculose e a esquistossomose. 
Na velhice, predominam as degenerativas, como o câncer, e as doenças cardiovasculares, como 
hipertensão, diabetes e cardiopatias. 
O gênero também pode influenciar na suscetibilidade de certas infecções, mas essas diferenças 
relacionadas intrinsecamente ao sexo são mais difíceis de demonstrar. Sabe-se que a transmissão 
sexual de algumas doenças, como a gonorreia ou a clamídia, é maior nas mulheres do que nos 
homens, devido em parte aos aspectos anatômicos, fisiológicos e à presença de coinfecções (duas 
ou mais infecções simultaneamente). As variações na ocorrência da doença entre homens e 
mulheres refletem os diferentes graus de exposição a riscos, devido a outros aspectos e diferentes 
estilos de vida.
Nas mulheres, além da gravidez, que predispõe à infecção das vias urinárias, também são mais 
comuns a ocorrência de algumas doenças crônicas, como tirotoxicose, diabete mellitus, colecistite, 
colelitíase, obesidade, artrite e psiconeurose. Entretanto, são mais frequentes nos homens a 
ocorrência de úlcera péptica, câncer de pulmão, hérnia inguinal, acidentes, suicídio e cardiopatia 
arterioesclerótica.
A etnia e o grupo familiar também podem ser relevantes para o hospedeiro. Esse fato se deve às 
características genéticas que compartilham. Além das características físicas (o fenótipo), também pode 
ocorrer um aumento na suscetibilidade ou na resistência aos agentes específicos da doença. Esse conceito 
é de fácil compreensão, mas demonstrar que as diferenças na incidência da doença são geneticamente 
determinadas é difícil, já que devemos considerar também a associação dos fatores ambientais e 
socioeconômicos. A resistência à tuberculose, maior na população europeia do que na indígena, é um 
exemplo claro da interferência da etnia. Embora seja uma característica importante, principalmente pelo 
componente genético, o aspecto cultural das diferentes etnias também pode influenciar a ocorrência 
das doenças. Esses padrões determinam o estilo de vida e as percepções específicas da realidade, o que 
influencia diretamente nas suas condutas frente ao risco e, portanto, no seu potencial de exposição a 
fatores causais de doença.
Os indivíduos que integram um grupo familiar, assim como ocorre com os grupos étnicos, podem 
diferir entre si em relação à suscetibilidade a doenças geneticamente determinadas. É importante 
salientar que não apenas os fatores hereditários podem contribuir para a ocorrência de doenças, deve-
se considerar as múltiplas influências sociais e ambientais que atingem a família como grupo, incluindo 
seu nível socioeconômico, dieta, nível educacional, grau de coesão social e a exposição comum a agentes 
infecciosos.
As infecções estão intimamente relacionadas com o estado nutricional do hospedeiro. O 
sistema imunológico pode ser deteriorado pala desnutrição grave, tornando o hospedeiro mais 
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suscetível às doenças bacterianas. Uma criança com desnutrição proteico-calórica tem risco 
muito maior de adquirir algumas doenças e manifestá-las na sua forma mais grave, ficando 
também mais propensa a complicações, sequelas e deficiência permanente. No início dos anos 
1990, ocorreu em Cuba uma epidemia de neuropatia, em decorrência da supressão brusca de 
nutrientes, deixando claro o papel dos macrodeterminantes socioeconômicos na produção de 
doenças na população, bem como a utilidade da epidemiologia para controlar oportunamente os 
problemas de saúde. 
Atualmente, um dos maiores problemas de saúde pública em países desenvolvidos, inclusive no 
Brasil, está relacionado à nutrição, que levou ao aumento na incidência da obesidade. Esta é considerada 
fator do hospedeiro, que o torna mais suscetível às doenças crônicas como hipertensão arterial, doenças 
cardiovasculares, diabetes e redução da qualidade e esperança de vida. 
5.3 Conceitos e tipos de imunidade
A origem da imunologia é atribuída a Edward Jenner. Em 1796, ele verificou que a proteção induzida 
pelo vírus da varíola bovina também era eficiente contra a varíola humana. Esse processo foi, então, 
chamado de vacinação, em decorrência do significado da palavra vacina; em latim, vaccinus significa 
relativo à vaca, das vacas. Jenner notou que as ordenhadoras que se recuperavam da varíola bovina 
não contraíam a varíola humana. Dessa forma, resolveu injetar o material de uma pústula de varíola 
no braço de um menino de 8 anos e, mais tarde intencionalmente, inoculou a varíola na criança para 
estudar o que ocorreria. Como resultado, a doença não se desenvolveu. Em 1798, escreveu seu tratado 
sobre vacinação, descrevendo os resultados de sua experiência (EPM, 2012). A figura a seguir ilustra a 
pesquisa de Jenner:
Figura 43 – Células e órgãos do sistema imune 
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No entanto, existem outros relatos sobre as tentativas da humanidade referentes à descoberta da 
vacina. Na antiguidade, os chineses já inalavam o pó das crostas secas das pústulas de varíola ou as 
inseriam em pequenos cortes na pele, em busca de proteção (MOLINARO, 2009). 
 Lembrete
As vacinas fazem parte das medidas de prevenção primária à saúde 
como ações de proteção específica, que dentro da história natural da 
doença devem ser adotadas no período pré-patogênico.
O sistema imunológico é o conjunto de células, tecidos, órgãos e moléculas utilizado para a eliminação 
de antígenos, com a finalidade de manter a homeostasia orgânica. Os mecanismosfisiológicos desse 
sistema consistem numa resposta coordenada dessas células e moléculas diante dos antígenos, o que 
leva ao aparecimento de respostas específicas e seletivas, inclusive com o desenvolvimento de memória 
imunológica contra patógenos específicos, que também pode ser criada artificialmente por meio das 
vacinas (MOLINARO, 2009).
Os conceitos de imunidade e resistência são bem similares; a imunidade pode ser definida como 
o estado de resistência conferida pelo sistema imune, que geralmente está associada à presença de 
anticorpos com ação específica sobre os micro-organismos patogênicos ou suas toxinas. Já resistência, 
é o conjunto de mecanismos que serve de defesa contra a invasão ou multiplicação de agentes 
infecciosos, ou contra os efeitos nocivos de seus produtos tóxicos. A pessoa imune possui anticorpos 
protetores específicos e/ou imunidade celular, como consequência de uma infecção ou imunização 
anterior (OPAS, 2010). 
A imunidade pode ser classificada de formas diferentes:
a) imunidade inata: determinada geneticamente, está presente desde o nascimento (pele, secreções, 
mucosas e cílios), sem especificidade; é a primeira linha de defesa contra antígenos. Divide-se em:
• humoral: principal função das células B e dos plasmócitos, que secretam anticorpos na corrente 
circulatória e em outros líquidos corpóreos, resultando em efeitos protetores. Os anticorpos 
são moléculas agrupadas em uma classe de substâncias denominadas imunoglobulinas 
(IgA, IgD, IgE, IgG e IgM). A resposta humoral conduz à destruição dos micro-organismos 
extracelulares e seus produtos nocivos ao ser humano.
• celular: linfócitos T, macrófagos, neutrófilos, eosinófilos, mastócitos e células NK. Diferente das 
imunoglobulinas e não são secretados, precisam migrar até as áreas de lesão para exercer seus 
efeitos protetores, por meio do contato direto com a célula-alvo ou para influenciar as atividades 
de outras células do sistema imune.
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b) Imunidade adquirida: também conhecida como específica ou adaptativa, está ausente no 
nascimento, é decorrente da exposição a antígenos específicos, o que pode aumentar sua intensidade. 
Essa característica é conhecida como efeito de memória. A figura a seguir apresenta a divisão da 
imunidade adquirida:
Imunidade
Ativa
Natural (doença)
Natural (transplacentária)
Artificial (vacina)
Artificial (soros)
Passiva
Figura 44 – Tipos de imunidade
• passiva: tem efeito de curta duração, alguns dias a vários meses; é obtida naturalmente por 
transmissão materna (via transplacentária/vertical) ou artificialmente, por inoculação de 
anticorpos protetores específicos prontos (soro antitetânico e antidiftérico, gamaglobulina 
etc.). Ex.: mãe/filho – quando a gestante toma vacina dT – dupla adulto, os anticorpos 
produzidos por ela passam para o feto por meio da placenta, que evita que o RN tenha o 
tétano neonatal.
• ativa: tem ação, em geral, duradoura; pode ser adquirida naturalmente como 
consequência de uma infecção clínica ou subclínica ou artificialmente por inoculação 
de frações ou produtos de um agente infeccioso ou do mesmo agente, morto, atenuado 
ou recombinado a partir de técnicas laboratoriais específicas (como a engenharia 
genética) – vacinas (OPAS, 2010).
— massa/rebanho: imunização de grande parcela da população, fazendo com que o 
agente etiológico infeccioso tenha menor probabilidade de disseminação no ambiente. 
O controle de doenças, como o sarampo no ser humano ou a raiva no cão, pode servir 
como exemplo dessa situação. Seria desejável saber exatamente que proporção da 
população deve ser imune para que a disseminação de uma infecção seja altamente 
improvável. Ainda que não seja fácil contarmos com informação precisa a esse respeito, 
dispomos de estimativas razoáveis para algumas doenças. Por exemplo, estima-se que, 
para interromper a transmissão da difteria na população, requer-se de 75 a 85% de 
população imune, pois os modelos matemáticos e a análise de epidemias demonstraram 
que a proporção da população imune não precisa ser de 100% para que a disseminação 
da doença na população se detenha (OPAS, 2010). 
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A figura a seguir apresenta um esquema da imunidade de rebanho:
Caso índice Caso índice
Suscetível ou infectado Suscetível ou infectado
Imune Imune
Disseminação de doença infecciosa 
numa comunidade com elevada 
proporção de suscetíveis
Comunidade protegida pela 
imunização
Figura 45 – Esquema da imunidade de rebanho
 Saiba mais
Para saber mais sobre vacinas e seu desenvolvimento histórico, consulte:
<http://www.saude.gov.br/svs>
<http://www.portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/manual_pni_
consulta.pdf >
<http://www.butantan.gov.br> 
<http://www.pasteur.saude.sp.gov.br> 
<http://www.sbim.org.br>
PONTE, C. F. (Org.). Na corda bamba de sombrinha: a saúde no fio da 
história. Rio de Janeiro: Fiocruz/EPSJV, 2010.
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5.4 Contexto epidemiológico das doenças infecciosas transmissíveis 
Segundo a OMS (2006), 14,2 milhões de óbitos por ano são decorrentes de doenças transmissíveis, 
representando 30% dos óbitos que ocorrem em todo o mundo e 39% da carga global de incapacidade. 
Aproximadamente 80% dessas mortes são decorrentes de infecção respiratória aguda (3,76 milhões); 
HIV/AIDS (2,8 milhões); doenças diarreicas (1,7 milhão); tuberculose (1,6 milhão); malária (1 milhão); e 
sarampo (0,8 milhão). A maioria dessas mortes ocorre em países em desenvolvimento. A OMS estima 
que nos próximos dez anos haverá uma redução de 3% no total de mortes resultantes dessas doenças 
infecciosas, em decorrência da melhoria na prevenção.
Doenças emergentes e reemergentes, como Síndrome Respiratória Aguda Severa (Sara), difteria, febre 
amarela, antraz, praga, dengue e influenza, representam uma ameaça não só à saúde dos indivíduos, 
consequentemente à segurança das populações, mas também aos sistemas de saúde, particularmente 
nos países em desenvolvimento. Embora os países desenvolvidos tenham menor mortalidade por 
doenças transmissíveis, a morbidade elevada ainda é um problema de saúde nesses países. Podemos 
citar as infecções do trato respiratório superior, que acometem e matam os grupos de idades extremas 
(idosos e jovens).
O desafio para os profissionais de saúde é o uso de métodos epidemiológicos na investigação e 
no controle das doenças transmissíveis; entretanto, as investigações frequentemente se limitam pela 
escassez de recursos (BONITA, 2010). 
O Ministério da Saúde no Brasil (2005) reconhece que, apesar da redução da morbidade e da 
mortalidade pelas doenças infecciosas parasitárias (DIP), ainda se observa o reaparecimento de 
problemas de saúde pública como a cólera e a dengue, evidenciado nas duas últimas décadas, 
que, além de exporem a fragilidade nas estruturas ambientais urbanas em nosso país, tornando 
as populações vulneráveis a doenças que pareciam superadas, contribuem para o aumento da 
carga de doenças da população. Esses fatores somam-se ao surgimento de novas doençasou 
novas formas de manifestação das doenças na população, ao aumento na severidade, causado 
pelo surgimento de novas cepas patogênicas, à ampliação da resistência aos antimicrobianos e à 
persistência de problemas como a desnutrição e doenças endêmicas como a tuberculose. Situação 
essa que requer manutenção de estruturas altamente dispendiosas de atenção básica à saúde, 
as quais já são escassas e poderiam ser utilizadas na solução de questões de saúde de maior 
magnitude, caso não houvesse esses problemas. 
O Ministério da Saúde entende que a melhoria da qualidade da assistência médica, 
principalmente no que diz respeito ao correto diagnóstico e tratamento dos pacientes, associada 
ao encaminhamento e adoção das medidas de controle indicadas em tempo hábil, desempenha 
importante papel na redução de uma série de doenças infecciosas e parasitárias. Por isso, elaborou 
um guia de bolso sobre as DIPs (2005), para divulgar aos profissionais de saúde, especialmente 
aos médicos, orientações sobre as estratégias que devem ser adotadas como contribuição a esse 
processo.
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Tabela 4 – Classificação das causas de óbito no mundo
Classificação Causa Total de mortes
1 Doença isquêmica do coração 6.894.057
2 Acidente vascular cerebral 5.101.446
3 Pneumonias 3.866.321
4 Aids 2.942.901
5 COPD 2.522.983
6 Diarreias infecciosas 2.124.032
7 Tuberculose 1.660.411
8 Doenças de infância 1.385.445
9 Acidentes de trânsito 1.259.838
10 Câncer de pulmão, brônquios e traqueia 1.212.635
11 Malária 1.079.877
12 Baixo peso ao nascer 1.025.584
13 Hipertensão 940.818
14 Injúrias autônomas 814.778
15 Diabetes mellitus 809.685
Total 33.640.821
Fonte: OMS (2010).
No Brasil, de acordo com a análise da situação de saúde realizada pelo Ministério da Saúde (2004), 
a principal causa de morte na década de 1930 eram as doenças transmissíveis, e nas áreas rurais, onde 
não havia registro adequado, a situação era ainda pior. Com os avanços da tecnologia, das mediadas 
de controle, como vacinas, antibióticos e vigilância epidemiológica, além da melhoria no acesso aos 
serviços de saúde, essa situação pôde ser revertida.
Entre as tendências atuais observadas, está a redução da mortalidade por doenças infecciosas e 
parasitárias, que a partir dos anos 1960, passaram a ocupar a quinta posição entre as causas de óbitos no 
Brasil, o aumento dos agravos relacionados aos acidentes e à violência, as doenças crônico-degenerativas, 
como as neoplasias e doenças respiratórias, e as doenças do aparelho circulatório. Essa última é responsável, 
a partir deste momento, por representar a principal causa de mortalidade no país. 
Apesar da redução significativa na mortalidade pelas doenças transmissíveis, o impacto sobre a 
morbidade, principalmente por aquelas doenças que não contam com mecanismos eficazes de prevenção, 
está associado a outras causas – ambientais, sociais e econômicas.
A mudança do quadro de morbimortalidade e a diminuição da importância das doenças transmissíveis no 
Brasil nos últimos anos podem dar a ideia errônea de que essas doenças deixaram de ser um problema de saúde 
pública. Pior, estariam extintas ou próximas da extinção, o que não é condizente com realidade do país e de 
outros países do mundo. O enorme êxito alcançado na prevenção e no controle de várias dessas doenças, de 
fato, contribuiu para a queda no número de casos, mas não significa que foram erradicadas. 
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As doenças transmissíveis ainda constituem um dos principais problemas de saúde pública no 
mundo. A crença de que todas seriam, naturalmente, erradicadas fez com que, no passado, as ações de 
prevenção e controle fossem sendo subestimadas na agenda de prioridades em saúde, resultando em 
capacidade de resposta governamental ineficiente e perda de oportunidade na tomada de decisão sobre 
medidas que teriam tido um impacto positivo nessa área. 
Também se observam doenças que estão sendo eliminadas no continente americano, como o 
sarampo, que ainda tem alta incidência em países da Europa, o que representa um risco de disseminação 
para os países que já conseguiram a sua eliminação ou têm a incidência controlada, como o Brasil.
A situação das doenças transmissíveis no Brasil é complexa e pode ser resumida em três grandes 
tendências: a) doenças transmissíveis com tendência descendente; b) doenças transmissíveis com 
quadro de persistência e c) doenças transmissíveis emergentes e reemergentes.
Uma das doenças que melhor retratam a situação epidemiológica atual das doenças transmissíveis 
é a Aids, doença emergente e com alta morbimortalidade no mundo.
Tabela 5 – Taxas das principais dez causas de óbito: Brasil, 2005 
Ordem Causas Número de óbitos
Taxa bruta de 
mortalidade 
(óbitos/100.000 hab.)
 %
Total de óbitos 1.006.827
Causas mal definidas 104.455 115,2 10,4
Total de óbitos por causas definidas 902.372 995,2 100
1 Doenças cerebrovasculares (160-169) 90.006 99,3 10,0
2 Doenças isquêmicas do coração (120-125) 84.945 93,7 9,4
3 Agressões (homicídios) (X85-Y89) 47.578 52,5 5,3
4 Diabetes mellittus (E10-E14) 40.317 44,5 4,5
5 Influenza e pneumonia (J10-J18) 36.053 39,8 4,0
6 Doenças crônicas das vias respiratórias inferiores (J40-J47) 36.555 40,3 4,1
7 Acidentes de transporte terrestre (V00-V89) 35.994 39,7 4,0
8 Doenças hipertensivas (110-115) 33.487 36,9 3,7
9 Insuficiência cardíaca (150-159) 31.054 34,2 3,4
10 Certas afecções originadas no período perinatal (P00-P96) 29.799 32,9 3,3
Fonte: Brasil (2005). 
5.4.1 Doenças transmissíveis com tendência descendente
O Brasil tem obtido grandes conquistas na redução de muitas doenças transmissíveis, demonstrando 
que os instrumentos de prevenção e controle têm sido eficazes, causando reduções drásticas nos índices 
de incidência. A varíola está erradicada desde 1978; a poliomielite recebeu a certificação da Organização 
Mundial da Saúde pela erradicação da transmissão autóctone em 1994, e desde 2000 não há casos 
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autóctones de sarampo. A incidência do tétano neonatal apresenta um patamar muito abaixo do 
estabelecido (1/1.000 nascidos vivos) para ser considerado eliminado como problema de saúde pública, 
ou seja, está caminhando para a erradicação. As próximas doenças a serem erradicadas são a raiva 
humana, transmitida por animais domésticos, e a rubéola congênita. A difteria, a coqueluche e o tétano 
acidental, doenças imunopreveníveis, são outras moléstias transmissíveis que tendem ao declínio, devido 
aos investimentos realizados na detecção precoce dos casos suspeitos, na adoção de ações de vigilância 
epidemiológica e na cobertura vacinal de rotina, visando a atingir níveis adequados nos municípios. A 
Doença de Chagas, endêmica há várias décadas em nosso país; a febre tifoide, associada a condições 
sanitárias precárias; e a oncocercose, a filariose e a peste, todas estas têm áreas de ocorrência restritas. 
Difteria – trata-se de uma doença infecciosa aguda causada por bacilo que se aloja mais 
frequentemente nas vias aéreas superiores:nariz, faringe e amídalas. Devido ao aumento da cobertura 
vacinal da tríplice bacteriana (DTP), o número de casos da doença no Brasil vem decrescendo 
progressivamente.
Coqueluche – o número de casos da doença caiu abruptamente a partir de década de 1980, e vem 
desde então mantendo uma tendência decrescente. No início da década 1980, foram notificados mais 
de 40 mil casos anuais, mas a partir de 1996 esse número ficou em torno de 2.000.
Entre as estratégias adotadas pelo Ministério da Saúde para seu controle, estão a intensificação 
da vigilância epidemiológica, a detecção precoce dos casos e o bloqueio vacinal imediatamente ao ser 
detectado algum foco de surto, além da manutenção de cobertura vacinal, em todos os municípios, de 
95% para crianças menores de 1 ano com a vacina tetravalente (DTP + Hib), sendo que a partir de 2012 
passou a ser administrada a vacina pentavalente (DTP + Hib + HB).
Tétano – é uma doença transmissível, mas não contagiosa, que apresenta duas formas de 
ocorrência: acidental e neonatal. A forma acidental acomete pessoas que sofreram lesões ou 
ferimentos com materiais contaminados ou se expuseram ao bacilo pela manipulação do solo. 
O tétano neonatal, por instrumentos cortantes ou material de hemostasia durante a secção do 
cordão umbilical, ou por meio de substâncias contaminadas, como teia de aranha, pó de café e 
fumo, colocados no coto umbilical.
Em 1982, foram notificados 2.226 casos da doença, e vinte anos depois, apenas 600, o que 
demonstra uma redução acentuada na incidência. Essa situação é de suma importância, considerando 
que a letalidade da doença é de aproximadamente 70%; portanto, houve uma redução acentuada na 
mortalidade neonatal.
As estratégias utilizadas na redução do tétano acidental consistem no uso da vacina DTP na infância 
e na dupla adulto (dT) em adultos, além do reforço que deve ser realizado a cada dez anos. A vacina 
apresenta uma eficácia de 100%, portanto é extremamente importante a realização da manutenção do 
esquema vacinal preconizado e ainda a adoção de procedimentos adequados de limpeza de ferimentos 
ou lesões nas unidades de saúde e a conscientização de profissionais expostos ao risco de contato com 
material contaminado por meio de lesões e ferimentos. 
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EpidEmiologia E SaúdE pública
Entre as estratégias de prevenção do tétano neonatal, a mais eficaz consiste na vacinação das 
gestantes durante o pré-natal, e também a realização de parto asséptico ou limpo e o tratamento 
correto do coto umbilical. Sem dúvida alguma, com essas medidas, a eliminação da doença está cada 
vez mais próxima.
Poliomielite (paralisia infantil) – é uma doença que pode deixar graves sequelas e evoluir ao 
óbito. Até a década de 1970, acometeu um alto número de crianças, foram notificados 3.596 casos 
em 1975. Entretanto, com a adoção de medidas de controle, como a vacinação em massa nos anos 
1980 e a intensificação da vigilância epidemiológica, o número de casos confirmados foi reduzindo 
drasticamente, até culminar na notificação do último caso, em 1989. Graças a esse feito, o Brasil recebeu 
da Organização Mundial de Saúde (OMS) o certificado de erradicação da doença.
Estratégias para a manutenção da erradicação da doença, como a vacinação homogênea em todo o 
território nacional e a vigilância das paralisias flácidas, ainda vêm sendo utilizadas. A manutenção dessas 
estratégias se deve à persistência da poliomielite em outros continentes, o que leva ao permanente risco 
de importação do vírus.
Sarampo – é uma doença transmissível e contagiosa que chegou a acometer 3 milhões de crianças 
na década de 1970; em 1980, ocorreram 3.236 mortes. Entretanto, após a adoção de ações de controle, 
foi possível chegar às últimas duas mortes ocorridas no país, em 1999, ano em que o Ministério da 
Saúde implantou o Plano de Erradicação do Sarampo. Esse plano conta com várias estratégias: a 
manutenção do Grupo Tarefa – que atua nos 26 estados e no Distrito Federal, intensificando as ações 
de vigilância epidemiológica, que têm como objetivo primordial a detecção e investigação de todos os 
casos suspeitos; a realização do bloqueio vacinal nos casos suspeitos, além da garantia de cobertura 
vacinal de 95% nas crianças de 1 ano.
Após a interrupção da transmissão do vírus nos país, em outubro de 2000, não houve mais registros 
de mortes. Desde então, alguns casos da doença vêm sendo confirmados, mas provenientes de outros 
países, como Japão, Alemanha e França. 
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Região Norte Região Nordeste Região Sudeste
Região Sul Região Centro-Oeste Brasil
Figura 46 - Casos confirmados de sarampo: Brasil e grandes regiões, 1990-2006
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Rubéola – 30 mil casos foram notificados em 1997, ano em que o Brasil sofreu sua última epidemia. 
Entretanto, por meio da implementação do Plano de Erradicação do Sarampo, em 1999, houve um 
decréscimo na incidência da doença, devido às ações de vigilância epidemiológica e ao controle da 
rubéola. Em 2002, foram noticiados 443 casos no Brasil, o que representa uma queda de 90%, quando 
comparada ao número de casos registrados em 1997. 
Uma das estratégias adotadas para o controle dessa doença foi realização de campanha de vacinação 
em massa em todo o país entre 1998 e 2002, para mulheres em idade fértil, com cobertura vacinal de 
95%, acarretando a redução na ocorrência da síndrome da rubéola congênita (SRC).
 Saiba mais
Acesse o relatório da verificação dos critérios de eliminação da 
transmissão dos vírus endêmicos do sarampo, da rubéola e da síndrome 
da rubéola congênita (SRC) no Brasil, de 2010. Disponível no site do 
Ministério da Saúde, no link <http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/
pdf/livro_relatorio_rubeol. pf>. Consulte também o Programa Nacional de 
Controle da Malária, no link: <http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/
pdf/pncm.pdf>. 
Raiva humana – é uma doença infecciosa viral aguda transmitida por mamíferos. Pode ser urbana 
ou silvestre, tem letalidade 100%, ou seja, todas as pessoas que a contraem evoluem ao óbito. Está aí 
justificada a grande importância de atenção pela saúde pública.
Os cães e gatos representam as principais fontes de infecção no ciclo urbano no Brasil, e o morcego 
hematófago é o principal responsável pelo ciclo silvestre.
Nas últimas três décadas, houve redução significativa do número de casos da doença em humanos. 
A maior concentração de casos ocorre nas regiões Norte e Nordeste do país; na região Sul e em alguns 
estados da região Sudeste, a raiva humana transmitida pelo cão está controlada. Entre as estratégias de 
controle, estão o monitoramento da circulação viral e a intensificação da vacinação antirrábica canina 
nas áreas de maior risco.
O aumento do número de casos de raiva em outros mamíferos, como morcegos, raposas e saguis, 
além de outros aspectos de transmissão da doença, indicam uma mudança no perfil epidemiológico em 
nosso país. Portanto, o desafio atual do Ministério da Saúde é o estabelecimento e a criação de novas 
estratégias para o controle dessa doença.
Doença de Chagas – é transmitida principalmente por insetos hematófagos – os barbeiros. No final 
da década de 1970, foram registrados até 100 mil novos casos anuais da doença no Brasil. Atualmente,está controlada graças às estratégias utilizadas, como a identificação e o combate do vetor com 
inseticidas específicos e as melhorias habitacionais nas áreas endêmicas.
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O inquérito sorológico realizado sistematicamente entre 1989 e 1990 em todos os estados endêmicos 
encontrou uma prevalência de 0,13% da doença. Com esses resultados, além de outras evidências, a 
Organização Pan-americana de Saúde (Opas) conferiu o certificado de interrupção da doença em dez 
estados brasileiros: São Paulo, Paraíba, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, 
Tocantins e Piauí, além dos Estados do Paraná e do Rio Grande do Sul, certificados posteriormente.
Hanseníase – é uma doença endêmica com declínio do número de casos nos últimos anos. A meta 
proposta pela Organização Mundial da Saúde (OMS) era alcançar 1,0 caso para cada 10 mil habitantes, 
vislumbrando a sua eliminação no transcorrer dos anos.
Em 2007, a prevalência da hanseníase no Brasil era de 1,54/10 mil habitantes, sendo a região Sul a 
que apresenta o menor número de casos. 
A estratégia para diminuir a incidência está voltada para a atenção básica, por meio do diagnóstico 
e do tratamento precoce, impedindo a cadeia de transmissão. 
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Ano
1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007
Nº casos novos Conf. de detecção
Figura 47 – Série histórica do número de casos novos e coeficiente de detecção, Brasil, 1990-2007
Norte
152.574
Sudeste
174.259
Nordeste
246.135
Centro-Oeste
124.353
Sul
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Nº casos novos Coef. de detecção
Figura 48 – Somatório dos casos novos de hanseníase e coeficiente de detecção, por região, Brasil, 1990-2007
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33.190 38.263 40.505 45.125 42.444 43.817 43.817 46.874 49.476 51.941 50.58 48.464 43.862 40.126 39.047 37.810 34.894
1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 20082006 20092007 2010
Pacientes em tratamento Casos novos
Figura 49 – Pacientes em tratamento e casos novos de hanseníase no Brasil, 1994 a 2010
5.4.2 Doenças transmissíveis com quadro de persistência 
Apesar de o Brasil já ter conseguido sucesso no controle de muitas doenças, algumas ainda 
não foram controladas e apresentam quadro de persistência. A tuberculose e as hepatites virais, 
especialmente as B e C, fazem parte desse grupo. Essa denominação se dá em função das altas 
prevalências, da ampla distribuição geográfica e do potencial evolutivo para formas graves que 
podem levar a óbito. Entretanto, pela adoção de medidas preventivas, como a disponibilidade 
de tratamento específico de alta eficácia, foram alcançados resultados favoráveis na redução da 
mortalidade pela tuberculose. Outro impacto positivo poderá ser evidenciado em médio prazo na 
incidência da hepatite B, devido à implantação universal da vacinação, inclusive para adolescentes, 
que se deu no final dos anos 1990.
A leptospirose, por apresentar grande número de casos nos meses mais chuvosos e pela alta 
letalidade, assume relevância para a saúde pública. Por sua vez, as meningites também se inserem nesse 
grupo de doenças, principalmente as infecções causadas pelos meningococos B e C, que apresentam 
níveis importantes de transmissão e taxas médias de letalidade acima de 10%. A meningite causada por 
H. influenzae tipo B evoluiu com significativa redução do número de casos, muito provavelmente em 
consequência da implantação da vacinação em menores de 1 ano, a partir de 1999. 
Algumas doenças, como as leishmanioses (visceral e tegumentar) e a esquistossomose, ainda mantêm 
índices elevados de prevalência, em decorrência das modificações ambientais provocadas pelo homem, 
pelos deslocamentos populacionais originados de áreas endêmicas e também pela infraestrutura na 
rede de água e esgoto precária.
A malária apresentava níveis de incidência persistentemente elevados na região amazônica, 
onde se concentram mais de 99% dos casos registrados no país, e a partir de 1999 a redução de 
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EpidEmiologia E SaúdE pública
número de casos foi superior a 40%. O Plano de Intensificação das Ações de Controle da Malária, 
criado em julho de 2000, além de ampliar o acesso ao diagnóstico e tratamento por intermédio da 
descentralização e da integração com as ações de atenção básica e de melhor equacionamento das 
ações seletivas de controle vetorial, também possibilitou a implementação de importantes ações 
extrassetoriais a partir do estabelecimento de normas específicas voltadas para a instalação de 
assentamentos rurais e projetos de desenvolvimento. Entretanto, em 2003 voltou a aumentar o 
número de casos da doença em grande parte dos Estados da região amazônica, deixando evidente 
que as ações de controle foram descontinuadas. 
Mesmo após a eliminação do ciclo urbano da febre amarela, em 1942, ciclos de epidemia 
têm sido observados na transmissão silvestre, como os ocorridos em 2000 (Goiás), 2001 e 2003 
(Minas Gerais). Contudo, a partir do ano 2000, tem se observado uma redução na incidência da 
doença. Com a ampla dispersão do mosquito Aedes aegypti no Brasil, aumenta a possibilidade 
de reintrodução do vírus amarílico no ambiente urbano; por isso, como medida de controle, foi 
realizada intensa atividade de vacinação que resultou em mais de 60 milhões de doses aplicadas 
entre 1998 e 2003. Atualmente, em decorrência dos eventos adversos graves associados a essa 
vacina, a vacinação teve de ser ajustada, passando a ter uma cobertura mais focalizada, ao invés 
da vacinação universal, para a área de circulação natural do vírus amarílico e também para a 
área de transição. 
Grande parte dos fatores de endemicidade dessa doença está voltada para as questões externas ao 
setor da saúde, que são as alterações ambientais sofridas ao longo dos anos, os processos migratórios e 
as grandes obras de infraestrutura.
Malária – na década de 1940, acometia 6 milhões de brasileiros por ano. Atualmente mais de 
99% dos casos registrados concentram-se na região da Amazônia Legal. Os casos notificados nas 
outras regiões são quase na sua totalidade importados da região amazônica, ou provenientes de 
outros países.
Em 1999, o número de casos aumentou 34% em relação ao ano anterior, devido aos aspectos 
socioeconômicos, como o deslocamento de grupos para o interior das florestas, e a fatores ambientais 
(variação dos índices pluviométricos). Por essa razão, passou a vigorar no período de 2000 a 2002 o 
Plano de Intensificaçãodas Ações de Controle da Malária (PIACM). As ações realizadas contribuíram 
para a redução de aproximadamente 50% nessa incidência. Atualmente o Ministério da Saúde vem 
adotando uma política permanente para a prevenção e controle dessa doença por meio do Programa 
Nacional de Controle da Malária.
Tuberculose – a média anual, nos últimos anos, de novos casos dessa doença foi de 85 mil. O 
advento da Aids, na década de 1980, contribuiu para o crescimento do número de casos em todo o 
mundo. No Brasil, a associação de tuberculose e Aids é de 25%, o que significa que ¼ dos pacientes com 
tuberculose também são infectados pelo HIV.
O Ministério da Saúde, nos últimos anos, tem investido nas ações de controle, mantendo, ano a 
ano, a taxa de incidência da doença, como princípio para o controle a descentralização do atendimento 
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do paciente. As ações estratégicas para o controle da tuberculose no Brasil são fundamentalmente: 1) 
a garantia da continuidade do tratamento pelo paciente, o que é possível por meio da implantação do 
tratamento supervisionado pela equipe de saúde, a fim de impedir o abandono determinante para a 
ocorrência de resistência bacteriana, além da mudança no tratamento realizada recentemente pelo MS; 
2) a ampliação da capacidade de detecção de novos casos da doença; e 3) o aumento no percentual de 
cura. Entretanto, o impacto da adoção de tais medidas só poderá ser avaliado nos próximos anos.
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Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste
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Figura 50 – Taxa de incidência de TB por região: Brasil, 2001 a 2009
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Figura 51 – Distribuição de tuberculose no mundo
Meningites – a meningite é um processo inflamatório das meninges em decorrência ou não de 
agentes infecciosos, como vírus, bactérias, fungos e protozoários. As meningites mais relevantes em 
saúde pública são as causadas por bactérias e vírus. O quadro clínico da meningite é variável conforme 
a etiologia do agente causador, mas em algumas situações o quadro clínico pode ser grave e levar o 
indivíduo à morte.
Diferentes bactérias podem provocar a meningite; as mais preocupantes são a meningocócica, 
causada pela bactéria Neisseria meningitidis, a causada pelo pneumococo e pela bactéria Haemophilus 
influenzae tipo b e a tuberculosa. 
Na década de 1970, ocorreu no Brasil uma grande epidemia de doença meningocócica, forma mais 
grave da doença, devido à infecção da corrente sanguínea pela bactéria. A situação era tão grave que, 
de acordo com dados não oficiais, apenas na cidade de São Paulo ocorreram 12.330 casos, uma média 
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EpidEmiologia E SaúdE pública
de 33 novos casos por dia. Aproximadamente 900 pessoas morreram em decorrência da doença, que só 
foi controlada com a vacinação em massa e possivelmente devido ao esgotamento de suscetíveis.
Ao longo dos anos, o Ministério da Saúde vem investindo nas medidas de controle, como a notificação 
imediata dos casos suspeitos de meningite meningocócica, a quimioprofilaxia para os comunicantes e a 
vacinação de bloqueio. Mais recentemente, o Ministério da Saúde, junto com gestores do SUS, aprimorou 
o diagnóstico ambulatorial, a assistência médica, implantou a vacina meningocócica AC e C em casos 
de surto, aumentou a cobertura vacinal de BCG e incluiu no calendário vacinal básico a vacina contra 
o Haemophilus influenzae tipo b (1999), para todas as crianças menores de 5 anos; posteriormente 
(2012), a vacina contra o meninococo C. Após a introdução da vacina contra o haemophilus influenzae, 
foi observada uma redução de 95% na incidência de meningite por esse agente. 
Quadro 4 – Calendário de Vacinação Infantil (2012)
Idade Vacina Dose
Ao nascer
BCG-ID Dose única
Hepatite B 1ª dose
2 meses
Pentavalente (DTP+Hib+HB)
1ª dose
Vacina poliomielite inativada
Vacina oral Rotavírus Humano
Vacina pneumocócica 10
3 meses Vacina meningocócica C 1ª dose
4 meses
Pentavalente (DTP+Hib+HB)
2ª dose
Vacina poliomielite inativada
Vacina oral Rotavírus Humano
Vacina pneumocócica 10
5 meses Meningocócica C 2ª dose
6 meses
Pentavalente (DTP+Hib+HB)
3ª dose
Vacina oral poliomielite
Vacina pneumocócica 10
9 meses Febre amarela Dose inicial
12 meses
Tríplice viral 1ª dose
Vacina pneumocócica 10 Reforço
15 meses
Tríplice bacteriana (DTP) 1º reforço
Vacina oral poliomielite
Reforço
Meningocócica C
4 anos
Tríplice bacteriana (DTP) 2º reforço
Tríplice viral 2ª dose
10 anos Febre amarela Uma dose a cada 10 anos
Opcionais para crianças
Menores de 5 anos Vacina oral de poliomielite
De 6 meses a menores de 2 anos Vacina Influenza (gripe)
 Fonte: Brasil (2012). 
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Leishmaniose Tegumentar Americana (LTA) – é uma doença originalmente silvestre que 
acometia as pessoas, ocasionalmente, quando em contato com a doença. Entretanto, os estudos 
epidemiológicos realizados a respeito nos últimos anos indicam mudanças no comportamento 
da doença, que começou a se expandir geograficamente para áreas rurais desmatadas e para 
as regiões periféricas das cidades, com ocorrência de novos casos praticamente em todos os 
estados brasileiros.
Uma característica própria da LTA é a constante mudança no padrão epidemiológico de 
transmissão, devido à associação de diferentes fatores decorrentes da ação do homem, como 
a grande diversidade de vetores, agentes etiológicos e reservatórios, o que sem dúvida acaba 
dificultando seu controle.
Para o controle efetivo da LTA, é importante que as estratégias utilizadas sejam específicas para a 
situação epidemiológica de cada área. E, para isso, é fundamental o conhecimento dos casos suspeitos 
e da área de transmissão, a realização do diagnóstico, o tratamento precoce e a adoção de medidas 
específicas que reduzam a exposição do homem ao vetor, o que é possível pelo uso de inseticidas, entre 
outras medidas.
Febre amarela silvestre – existem duas formas da doença – urbana e silvestre. A forma urbana foi 
erradicada no Brasil em 1942. Entretanto, a silvestre é praticamente impossível de ser erradicada, porque 
o ciclo da doença se dá entre os primatas das florestas tropicais. 
A última epidemia foi registrada em 2003 no estado de Minas Gerais, onde ocorreram 58 dos 
64 casos notificados no Brasil e 21 óbitos (75%). Essa epidemia mobilizou o Ministério da Saúde, 
em conjunto com as secretarias estaduais de saúde, órgãos de turismo e transporte, a realizar uma 
campanha de divulgação, visando a alertar os viajantes que se deslocavam para áreas endêmicas 
sobre o risco da doença e a importância de se vacinar previamente. Para isso, o acesso à vacina na 
rede pública precisou ser ampliado. 
A meta do Ministério da Saúde para o controle da febre amarela é alcançar a cobertura vacinal 
de 100% em todos os municípios endêmicos. Uma das estratégias utilizadas consistena vacinação de 
grupos de maior vulnerabilidade, como moradores de áreas de assentamento e de acampamento de 
sem-terra, boias-frias, caminhoneiros e grupos indígenas.
Hepatites virais – apresentam variações no perfil epidemiológico de acordo com a região do país. 
Nos países com condições socioeconômicas e de saneamento básico precárias, a maior prevalência da 
doença é pelos vírus A e E.
A hepatite B tem alta prevalência entre populações de risco e em países em que não há controle na 
transmissão vertical e intradomiciliar. Segundo estimativa da OMS, “2 bilhões de pessoas no mundo já 
tiveram contato com o vírus”. 
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EpidEmiologia E SaúdE pública
Tabela 6 – Dados preliminares de hepatites virais notificados entre 1999 e 2011
Hepatite Número de casos 
A 138.305
B 120.343
C 82.041
D 2.197
E 967
Fonte: Brasil (2012).
No Brasil, segundo dado divulgado pelo Ministério da Saúde, a forma da doença mais notificada 
entre 1999 e 2011 foi a hepatite A, seguida pelas hepatites do tipo B, C, D e E, respectivamente. Ainda a 
infecção pelo vírus da hepatite B (HBV) tem se mostrado muito dinâmica, com taxas muito variáveis de 
prevalência. A região Sul do país apresenta índice menor de 2% da doença, porém a região amazônica 
uma alta prevalência, com índice superior a 7%.
A prevalência da hepatite C no mundo pode oscilar de índices abaixo de 1% (países do Reino Unido) 
a índices em torno de 26% (Cairo). No Brasil, ainda não é possível estabelecer uma prevalência confiável 
devido aos poucos estudos realizados sobre essa questão. Estudo realizado no município de São Paulo 
detectou uma prevalência em torno de 1,42% de portadores anti-HCV. 
Dados do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) do Estado de São Paulo mostram que o número de casos 
noticiados de hepatites B e C foi ascendente no período de 2000 a 2009, devido provavelmente à intensificação 
da notificação dessas doenças. Embora os dados mostrem alto número de casos de hepatite B no Estado de São 
Paulo, essa situação tende a diminuir gradativamente, graças à introdução da vacina da hepatite B no Estado 
para menores de 15 anos, o que levará a uma diminuição da circulação do vírus entre a população. 
7.000
6.000
5.000
4.000
3.000
2.000
1.000
0
2000 2004 20082001 2005 20092002 2006
Ano
172
N
úm
er
o
20102003 2007 2011 2012
147
309
917 1.207
1.348
2.271
2.029
2.338 2.465
3.009
3.455
4.344
HEP B = 29.059
HEP C = 52.804
5.242
5.660
6.292
6.491 6.579
5.732
6.087
3.940
1.785
2.421
3.405
3.887
331
Figura 52 - Número de casos de hepatite B e C por ano de notificação: Estado de São Paulo – 2002 a 2012 
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A figura a seguir mostra que a fonte de infecção mais provável para a hepatite C, no Estado de São 
Paulo, foi o uso de drogas (34%), e para a hepatite B foi sexual (57%), o que pode ser evidenciado na 
distribuição dos casos notificados de hepatite B, por sexo e idade, que mostra que a doença acomete 
principalmente pessoas na faixa etária de 20 a 49 anos.
Um dos grandes problemas relacionados às hepatites virais é o fato de a grande maioria dos 
infectados apresentarem forma assintomática ou branda de manifestação da doença, o que inviabiliza 
a captação do doente pela vigilância epidemiológica e torna o controle mais difícil.
Sexual
57%
Domiciliar
1%
Transfuncional 
6%
Transfuncional 
23%
Vertical 
4%
Vertical 
1%
Outros
17% Outros
22%
Acid. Trab.
0%
Acid. Trab.
1%Domiciliar
8%
Hepatite B Hepatite C
Drogas
7% Drogas
34%
Hemodiálise
0%
Hemodiálise
1%
Sexual
18%
Figura 53 - Distribuição porcentual das prováveis fontes/mecanismos de transmissão definidos 
dos casos de hepatites virais B e C: Estado de São Paulo, 2000 a 2012
5000
4000
3000
2000
1000
0
< 1 ano 01 a 04 
anos
05 a 09 
anos
15 a 14 
anos
15 a 19 
anos
40 a 49 
anos
20 a 29 
anos
50 a 59 
anos
70 a 79 
anos
30 a 39 
anos
60 a 69 
anos
80 e + 
anos
Masc.
Fem.
Figura 54 - Número de casos de hepatite B de acordo com a faixa etária e sexo: Estado de São Paulo, 2000 a 2012
Esquistossomose – a esquistossomose mansônica, embora apresente uma ampla distribuição 
geográfica no Brasil, devido ao processo de urbanização e migração, tem o maior número de casos na 
região Nordeste e norte de Minas Gerais.
A prevalência da doença tem diminuído desde a década de 1950, assim como os indicadores de 
morbidade e mortalidade hospitalar por formas graves da doença. A ocorrência da forma hepatoesplênica, 
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que ainda ocorre nas áreas endêmicas da região Nordeste do país, porém, representa um importante 
problema de saúde pública, devido à gravidade dessa forma da doença, que pode evoluir ao óbito em 
consequência da hemorragia digestiva.
A evolução nas condições de saneamento básico refletiu positivamente na melhoria dos indicadores 
de esquistossomose, assim como a maior oferta de assistência médica e o tratamento adequado vêm 
contribuindo para a redução dos indicadores de morbidade e mortalidade.
O controle da doença no Brasil teve início na década de 1970, com a investigação de portadores 
por meio da coleta e análise das fezes. Também foram enfatizados a melhoria no tratamento dos 
portadores, nas condições de saneamento básico, no tratamento dos criadouros e na educação 
em saúde.
A tendência atual do controle da doença consiste na descentralização das ações de controle por 
meio das secretarias municipais de saúde.
Leptospirose – é uma zoonose que pode sazonalmente evoluir para situação de surto ou epidemia 
em decorrência das condições climáticas, de infraestrutura sanitária, climática e de infestação de 
roedores. Os principais reservatórios da doença são os roedores sinantrópicos – ratazanas, camundongos 
e ratos de telhado, mas outros animais como cães, porcos, cabras, bois e cavalos também são afetados, 
podendo atuar como portadores. A doença atinge tanto área rural como urbana, sendo mais frequente 
em capitais e regiões metropolitanas.
 Lembrete
Animais sinantrópicos são geralmente aqueles indesejáveis, por 
transmitirem doenças, inutilizar ou destruir alimentos, mas que preferem 
viver próximos ao homem, mesmo que este não o deseje, devido à oferta 
de alimento e abrigo. Entre eles, estão baratas, mosquitos, ratos, carrapato, 
escorpião, formiga, morcego, pulga, entre outros.
A leptospirose pode ocorrer quando o homem entra em contato com a urina de roedores, e o risco 
de exposição é maior quando ele tem contato com água e lama contaminadas, situação mais frequente 
no caso de enchentes e chuvas fortes.
 Algumas categorias profissionais têm maior risco de adquirir a doença devido ao risco de exposição ao 
agente; entre eles estão os trabalhadores em limpeza urbana e desentupimento de esgotos, veterinários, 
agricultores, pescadores, bombeiros etc. 
Entre 1994 e 2003, a média anual de leptospirose foi de 3.324 casos e de 334 óbitos, o que corresponde 
a uma taxa de letalidadede aproximadamente 10%.
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É extremamente importante para o controle da doença que a rede de atenção à saúde identifique os 
casos suspeitos e forneça tratamento adequado aos doentes para diminuir a letalidade da doença por 
esse agente. 
6.000
5.000
4.000
3.000
2.000
1.000
0
20001997 2004 200820011998 2005 200920021999 2006
Ca
so
s
20102003 2007 2011 2012
Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste
Figura 55 - Casos anuais confirmados de leptospirose: Brasil e grandes regiões, 1997-2012
5.4.3 Doenças transmissíveis emergentes e reemergentes
De acordo com o guia elaborado pelo Ministério da Saúde (2005, p. 42):
Doenças transmissíveis emergentes são as que surgiram, ou foram 
identificadas, em período recente ou aquelas que assumiram novas condições 
de transmissão, seja devido a modificações das características do agente 
infeccioso, seja passando de doenças raras e restritas para constituírem 
problemas de saúde pública. As reemergentes, por sua vez, são as que 
ressurgiram, como problema de saúde pública, após terem sido controladas 
no passado. 
A epidemia de Aids no Brasil teve início em 1980, com crescimento acelerado até 1997; a seguir 
houve diminuição na velocidade de crescimento da epidemia, com redução da incidência. A taxa de 
letalidade da Aids sofreu uma queda importante, de 50%, entre 1995 e 1999, em comparação aos 
primeiros anos do início da epidemia, quando era de 100%. O advento dessa doença no país impactou 
na ocorrência de uma série de outras doenças infecciosas, em particular a tuberculose. A qualidade de 
vida para os portadores da infecção pelo HIV, porém, melhorou com a disponibilidade de novas drogas, 
que têm propiciado o aumento na sobrevida.
A cólera foi introduzida em 1991 no Brasil, levando a uma situação de epidemia em 1993, com 60.340 
casos. Sua incidência foi reduzida drasticamente com os esforços do sistema de saúde, mesmo diante de 
situação ambiental e sanitária precárias em parte da população, dispondo de ambiente favorável para sua 
disseminação e persistência. Diante dessa situação, foram registrados surtos da doença, principalmente 
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nas pequenas localidades do Nordeste, com maior dificuldade de acesso à água tratada e deficiência 
de saneamento básico. A partir de 2001, a sua transmissão foi interrompida. Entretanto, novos casos 
ocorreram na região Nordeste em 2004, com intensidade reduzida.
Uma das maiores campanhas de saúde pública realizadas no Brasil desde 1982 é a de combate à 
dengue. Embora o Aedes aegypti, mosquito transmissor, tenha sido erradicado nas décadas de 1950 
e 1960 em vários países do continente americano, retornou na década de 1970, em decorrência das 
falhas na vigilância epidemiológica e das mudanças sociais e ambientais propiciadas pela urbanização 
acelerada. Eliminar um mosquito domiciliado que se multiplica em diversos recipientes que armazenam 
água tem exigido um substancial esforço do setor de saúde. Entretanto, esse trabalho necessita ser 
articulado com outras políticas públicas e a necessidade de a população manter seu ambiente livre do 
mosquito. A mudança de hábitos da população tem sido apontada como uma das medidas mais efetivas 
na prevenção da infestação do mosquito. Entretanto, a introdução de novos sorotipos, DEN-3, DEN-4, 
colabora para o aumento na incidência da dengue, além de propiciar aumento na ocorrência da febre 
hemorrágica, que contribui para o aumento da mortalidade causada pela doença. 
Os primeiros casos de hantaviroses, no Brasil, foram detectados em 1993, em São Paulo, e essa 
doença tem sido registrada com maior frequência nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. O aumento 
na capacidade de detecção do vírus permite conhecer melhor a situação epidemiológica no Brasil e a 
adoção de medidas adequadas de prevenção. Entre as medidas de controle da doença, estão a implantação 
de vigilância epidemiológica, o desenvolvimento da capacidade laboratorial para realizar diagnóstico, 
a divulgação das medidas adequadas de tratamento para reduzir a letalidade e o conhecimento da 
situação de circulação dos hantavírus nos roedores silvestres brasileiros.
Aids – o primeiro caso no Brasil foi identificado em 1980, sendo que, desde o início da epidemia 
até junho de 2011, foram registrados 608.230 casos com manifestação da doença. Em 2010, foram 
notificados 34.218 casos, com taxa de incidência de 17,9 casos por 100 mil habitantes.
Até meados de 2003, aproximadamente 70% de todos os casos notificados no Brasil foram verificados 
em homens. Entretanto, entre os 5.761 novos casos em 2003, notou-se um aumento importante no 
número de casos em mulheres (2.069). Até 2010, observou-se maior número de casos entre homens, 
mas a tendência é de que essa diferença diminua ainda mais. Esse dado pode ser observado pela razão 
dos sexos (número de casos em homens dividido pelo número de casos em mulheres); enquanto em 
1989 a razão era de seis casos de Aids em homens para um caso em mulheres (6:1), em 2010, passou a 
ser 1,7 caso em homens para cada 1 em mulheres (1,7:1).
Em relação à faixa etária, a de 25 a 49 anos é a mais incidente em ambos os sexos. Entretanto, entre 
adolescentes de 13 a 19 anos, o número de casos é maior entre mulheres, mostrando um aumento na 
incidência de Aids em adolescentes do sexo feminino. A justificativa provável para esse fato é o início da 
atividade sexual, cada vez mais precoce, que se dá geralmente com homens mais velhos, experientes e 
também mais expostos aos riscos de contaminação pelo HIV.
A principal forma de transmissão do HIV ocorre pela relação sexual, sendo que, em 2010, 42,4% dos 
casos registrados em homens ocorreram por relações heterossexuais; 22% por relações homossexuais; 
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e 7,7% por bissexuais; 83,1% das mulheres contraíram o HIV em decorrência de relações heterossexuais 
com pessoas infectadas pelo HIV. Outras formas menos frequentes de transmissão são a transfusão 
sanguínea e a transmissão vertical (de mãe para filho).
O número de casos em crianças menores de 5 anos sofreu uma redução de 55% de 2000 para 2010, 
o que confirma a eficácia da política de redução da transmissão vertical.
A chance de transmissão vertical cai para menos de 1%, quando todas as medidas preventivas são 
adotadas. O Ministério da Saúde recomenda o uso de medicamentos antirretrovirais durante o período 
de gravidez e no trabalho de parto, além de realização de cesárea para as mulheres que têm carga 
viral elevada ou desconhecida. Para o recém-nascido, a determinação é de substituição do aleitamento 
materno por fórmula infantil (leite em pó) e uso de antirretrovirais.
O boletim epidemiológico Aids e DST 2011 (Ministério da Saúde) sinaliza queda de 17% na taxa de 
mortalidade em doze anos. A taxa de incidência baixou de 7,6 para 6,3 a cada 100 mil pessoas. 
Estudo realizado com mais de 35 mil meninos jovens de 17 a 20 anos de idade indica que a 
prevalência do HIV nessa população passou de 0,09% para 0,12%, em cinco anos. O estudo também 
revela que o percentual de infectadospelo vírus da Aids é maior no grupo com menor escolaridade 
(prevalência de 0,17% entre os meninos com Ensino Fundamental incompleto e 0,10% entre os com 
Ensino Fundamental completo).
A infecção pelo HIV está relacionada, principalmente, ao número de parcerias (quanto mais parceiros, 
maior a vulnerabilidade), além da coinfecção com outras doenças sexualmente transmissíveis e as 
relações homossexuais (BRASIL, 2011).
De acordo com a OMS (2010), cada vez mais a epidemiologia tem contribuído no controle e no 
tratamento das doenças, por meio da identificação das epidemias, da determinação do padrão de 
disseminação das doenças, da identificação de fatores de risco e seus determinantes, assim como na 
avaliação de intervenções.
As principais formas de controle do HIV são a prática de sexo seguro, que deve ser incentivada, o 
controle de qualidade do sangue doado, o tratamento de outras DSTs, a proibição do compartilhamento 
de seringas e a prevenção da transmissão do vírus da mãe para a criança por meio da administração de 
drogas antirretrovirais.
Nos últimos anos, a qualidade de vida de portadores do vírus HIV/Aids melhorou muito, assim como 
o aumento na expectativa de vida. Esse fato se deve ao desenvolvimento de novas drogas antirretrovirais 
administradas de forma combinada. Entretanto, o alto custo das drogas limita seu uso, uma vez que 
a maioria dos portadores de HIV não têm acesso a esse tipo de tratamento. Por isso, um dos grandes 
desafios globais é universalizar o acesso, já que somente o conhecimento não garante a realização de 
ações preventivas apropriadas sobre essa doença (BONITA, 2010).
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3,0
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0,0
19931990 1997
Ano
200119941991 1998 200219951992 1999
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15
 e
 4
9 
an
os
20031996 2000
Número de pessoas vivendo com HIV e AIDS
Prevalência (%) de HIV entre pessoas de 15 e 49 anos
Figura 56 - Epidemia mundial de Aids entre 1990 e 2003
40,0
35,0
30,0
25,0
20,0
15,0
10,0
5,0
0,0
1998
Ano de diagnóstico
1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 20082006 20092007 2010
Ta
xa
 d
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in
ci
dê
nc
ia
Norte NordesteBrasil Sudeste Sul Centro-Oeste
Figura 57 - Taxa de incidência de Aids (por 100.000 hab.), segundo região 
de residência por ano de diagnóstico: Brasil, 1998 a 2010
N
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1,7
Masculino Razão de sexos (M.F)Feminino
Figura 58 – Número de casos de Aids e razão de sexos, segundo ano de diagnóstico: Brasil, 1987 a 2010
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Masculino NordesteBrasil
Figura 59 – Taxa de incidência da Aids (por 100.000 hab.) em jovens de 15 a 24 anos, 
por sexo e ano de diagnóstico: 1985 a 2010
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Ano de diagnóstico
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2,4 2,1 1,8 1,4 1,3 1,1 1,0 0,9 0,9 0,9 0,9 0,9 1,0 1,0 1,1 1,2 1,2 1,4
Masculino Razão de sexos (M.F)Feminino
4,4 4,5
Figura 60 – Número de casos de jovens de 15 a 24 anos e razão de sexos, segundo ano de diagnóstico, 1985 a 2010
Cólera – foi responsável na década de 1990 pela ocorrência da sétima pandemia a acometer a humanidade. 
Em dez anos (1991-2001), a doença atingiu todas as regiões do Brasil, mais acentuadamente a Nordeste.
O número total de casos notificados nesse período foi de 168.598, com 2.035 evoluindo a óbito. É 
importante salientar que a doença se torna mais vulnerável em situação de pobreza extrema.
A partir de 1995, por meio de esforços do sistema de saúde, foi possível reduzir drasticamente 
o número de casos da doença. Em 2001, foram notificados apenas sete casos na região Nordeste. 
E, após dois anos consecutivos sem que houvesse registro, novas ocorrências foram identificados a 
partir de 2003.
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EpidEmiologia E SaúdE pública
Quanto às ações de prevenção da cólera, as equipes de saúde das três esferas governamentais 
têm trabalhado na investigação dos casos suspeitos, na coleta de amostras clínicas do ambiente e de 
água, com objetivo de descartar a possível contaminação nos mananciais que abastecem o sistema de 
captação de água para o consumo humano.
A estratégia que tem se mostrado eficaz para o controle da doença no Brasil é o sistema de vigilância 
denominado de Monitorização das Doenças Diarreicas Agudas (MDDA), implantado em mais de 4.000 
municípios. A manutenção desse sistema e o fortalecimento no sistema de vigilância que controla a 
qualidade da água para o consumo humano garantem o controle da doença no Brasil.
Dengue – doença causada pelo mosquito Aedes aegypti que chegou a ser erradicada nas décadas 
de 1950 e 1960 de países do continente americano, mas devido às grandes mudanças ambientais e 
sociais que impulsionaram a aceleração da urbanização, somadas às falhas de vigilância que ocorreram 
na época, o mosquito retornou na década de 1970. Atualmente, além do Brasil, ele também pode ser 
encontrado em uma faixa do continente que inclui Venezuela, Cuba, Paraguai e sul dos EUA.
O Ministério da Saúde criou o Programa Nacional de Controle da Dengue e tem investido 
aproximadamente R$ 1 bilhão no controle da doença. O grande desafio é estender as ações de controle 
além da área da saúde, considerando também outras políticas públicas, como limpeza urbana e educação, 
que implicam a necessidade de conscientização e mobilização da sociedade.
As dificuldades no controle da doença decorrem da facilidade encontrada pelo mosquito em se 
procriar, pois se multiplica em diferentes tipos de recipientes que armazenam água, pneus, latas, garrafas, 
vasos, latas de lixo, entre outros.
O fato de a dengue apresentar diferentes subtipos do vírus em circulação em nosso meio impulsiona 
o aumento no número de casos, uma vez que grande parcela da população ainda se mostra suscetívelà 
doença. E a circulação de mais de um sorotipo favoreceu o aumento na incidência da febre hemorrágica 
e, consequentemente, também na mortalidade causada pela doença.
O Brasil já passou por quatro grandes epidemias: 1998, 2002, 2008, 2010, todas associadas à mudança 
do sorotipo predominante. O primeiro caso suspeito do tipo 4 ocorreu em Roraima, em julho de 2010, 
sendo que esse sorotipo já havia circulado no Brasil vinte e oito anos atrás.
A Secretária de Vigilância em Saúde, em conjunto com as secretarias estaduais e municipais, vem 
executando as seguintes ações:
(1) a intensificação das ações de combate ao vetor, focalizando os municípios com maior participação 
na geração dos casos; (2) o fortalecimento das ações de vigilância epidemiológica e entomológica para 
ampliar a oportunidade da resposta ao risco de surtos; (3) a integração das ações de vigilância e de 
educação sanitária com o Programa de Saúde da Família e de Agentes Comunitários de Saúde; (4) e 
uma forte campanha de mobilização social e de informação para garantir a efetiva participação da 
população. Tem sido priorizada também a melhoria na capacidade de detecção de casos de dengue 
hemorrágica, com vistas a reduzir a letalidade por essa forma da doença (BRASIL, 2004, p. 333).
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Incidência/ 100.000 Hab.
Menor que 100,000 (baixa)
100,0 a 300,0 (média)
Maior que 300,0 (alta)
Figura 61 - Distribuição dos Estados por áreas de incidência, Brasil, 2007
 observação
O Ministério da Saúde adverte que a dengue é um dos principais 
problemas de saúde pública no mundo. A Organização Mundial da Saúde 
(OMS) estima que entre 50 e 100 milhões de pessoas se infectem anualmente 
em mais de 100 países de todos os continentes, exceto a Europa. Cerca 
de 550 mil doentes necessitam de hospitalização e 20 mil morrem em 
consequência da dengue. 
 Saiba mais
Conheça mais sobre o programa de combate à dengue do Ministério da 
Saúde acessando: <http://www.combatadengue.com.br/index.php>.
Hantaviroses – a infecção no homem ocorre, na maioria das vezes, pela inalação de aerossóis 
formados a partir de secreções e excreções dos reservatórios, que são roedores silvestres. A doença pode 
se manifestar de duas formas clínicas principais, a renal, mais frequente na Europa, e a cardiopulmonar, 
presente apenas no continente americano. 
Os primeiros casos no Brasil foram detectados em São Paulo, em 1993, e até 2003 foram registrados 
338 casos em 11 Estados, com uma letalidade média de 44,5%. Além do Estado de São Paulo, ocorreram 
outros casos em Minas Gerais e no Mato Grosso. 
O Ministério da Saúde adotou como medidas de controle dessa doença a implantação da vigilância 
epidemiológica, a implementação no diagnóstico laboratorial, a divulgação das medidas adequadas 
dispensadas no tratamento e que visam a reduzir a letalidade, assim como da situação epidemiológica 
referente à circulação de alguns hantavírus nos roedores silvestres brasileiros. Com a adoção de tais 
medidas, foi possível aumentar a capacidade de detecção, possibilitando controle mais efetivo da doença. 
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5.5 Vigilância epidemiológica 
O Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica (SNVE) foi instituído em 1975 e formalizado 
pelos seguintes dispositivos legais: Lei nº 6.259/75 e Decreto nº 78.231/76 e, em 1990, a vigilância 
epidemiológica foi definida na Lei Orgânica da Saúde – nº 8080/90, conhecida como Lei do SUS:
§ 2º – Entende-se por vigilância epidemiológica um conjunto de ações 
que proporcionam o conhecimento, a detecção ou prevenção de qualquer 
mudança nos fatores determinantes e condicionantes de saúde individual ou 
coletiva, com a finalidade de recomendar e adotar as medidas de prevenção 
e controle das doenças ou agravos (BRASIL, 1990).
A Vigilância Epidemiológica faz parte da Vigilância da Saúde. Para Teixeira et. al. (2012), a Vigilância 
da Saúde corresponde à superação da dicotomia entre as chamadas práticas coletivas (vigilância 
epidemiológica e sanitária) e as práticas individuais (assistência ambulatorial e hospitalar), obtida por 
meio da incorporação das contribuições do planejamento urbano, da epidemiologia, da administração 
estratégica e das ciências sociais em saúde, tendo como suporte político-institucional o processo de 
descentralização e de reorganização dos serviços e das práticas de saúde em nível local. Apresenta como 
características básicas: intervenção sobre problemas de saúde, (danos, riscos e/ou determinantes); ênfase 
em problemas que requerem atenção e acompanhamento contínuos; operacionalização do conceito de 
risco; articulação entre ações promocionais, preventivas e curativas e atuação intersetorial. 
O quadro a seguir ilustra essa mudança de paradigma em Saúde: 
Quadro 5 – Modelos assistencias e Vigilância da Saúde
Modelo Sujeito Objeto Meios de Trabalho Formas de Organização
Modelo médico-
assistêncial 
privatista
Médico
- especialização
- complementariedade 
(paramédicos)
Doença
(patologia e outras)
Doentes
(clínica e cirurgia)
Tecnologia médica
(indivíduo)
Rede de serviços de Saúde
Hospital
Modelo 
sanitarista
Sanitarista
- auxiliares
Modos de 
transmissão
Fatores de risco
Tecnologia sanitária
Campanhas sanitárias
Programas especiais
Sistemas de vigilância 
epidemiológica e sanitária
Vigilância da 
saúde
Equipe de saúde
População (cidadãos)
Danos, riscos, 
necessidades e 
determinantes dos 
modos de vida e 
saúde (condições de 
vida e trabalho)
Tecnologias de 
comunicação social, 
de planejamento e 
programação local 
situacional e tecnologias 
médico-sanitárias
Políticas públicas 
saudáveis
Ações intersetoriais
Intervenções específicas
 (promoção, prevenção e 
recuperação)
Operações sobre problemas 
e grupos populacionais
Fonte: Teixeira; Paim; Vilasbôas (1998).
A Vigilância Epidemiológica desenvolve ações de observação sistemática e contínua da frequência 
e distribuição dos determinantes dos eventos de saúde e suas tendências na população, não é uma 
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atividade isolada no tempo, e não pode ser executada sem métodos; consiste no processo de verificação 
de tendências e realiza a comparação, entre o observado e o esperado, para detectar ou antecipar 
mudanças na frequência, na distribuição ou nos determinantes do processo de saúde e doença na 
comunidade. 
A figura a seguir sintetiza as áreas de atuação da Vigilância Epidemiológica:
Pesquisa
Nível nacional Nível local e regional
Sistema Nacional de Saúde
Subsistema de Inteligência 
Epidemiológica
– analisar com fundamento 
científico;
– estabelecer as bases técnicas para 
o controle;
– induzir a pesquisa;
– incorporar novos conhecimentos;
– disseminar recomendações 
técnicas.
Informação para a agilização 
das ações de controle
– coleta dos dados;
– organização dos dados;
– análise;
– interpretação;
– ampla disseminação.
Ações de Saúde Pública
– estabelecer um conjunto de 
prioridades;
– planejar, implementar e 
avaliar continuamente aassistência integral à saúde;
– investigar surtos;
– prevenir e controlar a 
ocorrência de eventos 
adversos à saúde.
Pesquisa Serviço de saúde
Figura 62 – Áreas de atuação da Vigilância Epidemiológica
Segundo a Opas (2010, p. 25), os tipos de vigilância que podem ser realizados nos serviços de saúde 
são:
a) passiva: cada nível de saúde envia informações, de forma 
rotineira e periódica, sobre os eventos sujeitos à vigilância ao nível 
imediatamente superior; é fácil, de baixo custo e mais sustentável 
no tempo.
b) ativa: os profissionais de saúde buscam diretamente os dados objetos 
de vigilância, revisando até mesmo os registros rotineiros do serviço 
de saúde e os registros diários de atenção às pessoas. Garante maior 
integridade ao sistema, reduz a probabilidade de não detectar casos 
que efetivamente estejam ocorrendo, está indicada nas situações 
onde a integridade das informações é o mais importante: como nas 
doenças em fase de erradicação e eliminação (sarampo etc.); danos 
de alta prioridade sanitária (mortalidade infantil e materna etc.); após 
uma exposição ambiental da comunidade (dejetos tóxicos, poluição no 
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sistema de abastecimento de água etc.); ou durante e imediatamente 
depois de uma epidemia. 
c) sentinela: baseia-se na informação proporcionada por um grupo 
selecionado como fonte de notificação do sistema. As unidades 
sentinelas comprometem-se a estudar uma amostra preconcebida de 
indivíduos e/ou grupo populacional específico, no qual é avaliada a 
presença de evento de interesse para a vigilância.
5.5.1 Notificação e controle de doenças
A notificação é um procedimento importante para a vigilância epidemiológica, pois consiste na 
obrigatoriedade das instituições de saúde em informar à autoridade sanitária a suspeita da doença, 
antes da confirmação do caso. A espera pode implicar perda da oportunidade de adotar as medidas 
de prevenção e controle indicadas em tempo hábil, antes de evitar a propagação e/ou consequência 
mais grave. Essa notificação deve ser sigilosa e não pode ser divulgada fora do âmbito das instituições 
de saúde, para a preservação do direito do sigilo das informações dos usuários dos serviços de saúde. 
Quando não forem registrados casos de doenças notificáveis no decorrer do período, deve-se proceder 
à notificação negativa, ou seja, da não ocorrência de doenças de notificação compulsória na área de 
abrangência da unidade de saúde, o que demonstra que o sistema de vigilância e os profissionais da área 
estão alerta para a ocorrência de tais eventos.
A notificação e o controle de doenças seguem alguns passos:
• identificar e integrar a rede de pessoas e serviços: deve-se fornecer sistematicamente os 
dados aos profissionais, que serão capacitados com regularidade (pessoal de saúde, hospitais, 
laboratórios, registro civil, líderes comunitários etc.).
• utilizar os instrumentos apropriados para a transmissão de dados: o fluxo de informações 
(formulários, visitas aos serviços, telefones, fax, rádio, e-mail etc.) deve ser contínuo e periódico 
entre as unidades notificadoras e a unidade de vigilância, para manter sempre atualizada a 
notificação de casos. 
• organizar registros simples de dados na unidade de vigilância: os formulários de notificação 
(folhas de trabalho diário, cartões, livros, fichários, bases de dados etc.) devem ser instrumentos 
padronizados e de aplicação sistemática e homogênea em todos os pontos do sistema de 
notificação. Seu número deve ser o suficiente para manter o processo eficiente e oportuno; é 
importante evitar a proliferação de formatos e registros intermediários. De forma geral, cada 
unidade notificadora deveria empregar sistematicamente um instrumento de resumo de vigilância 
que consolide a informação, usualmente por semanas epidemiológicas.
• coleta de dados/pesquisa de casos e surtos: a qualidade de um sistema de vigilância é medida 
frequentemente pela qualidade dos dados coletados, que é o componente mais oneroso e difícil 
de um sistema de vigilância. As atividades de coleta de dados são compostas pela detecção, 
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notificação e confirmação dos dados do evento de saúde. Para a detecção de casos, é necessário 
aplicar uma definição de caso padronizada que seja suficientemente sensível para captar os casos 
verdadeiros de forma simples e rápida, e suficientemente específica para evitar que o número de 
casos falsos positivos seja excessivo. Essa atividade inclui estudos de laboratório, que devem estar 
acessíveis aos serviços.
Além da clareza e da simplicidade na pesquisa dos casos, a estabilidade e a validação em campo 
também são importantes. A estabilidade da definição refere-se ao fato de a pesquisa não sofrer 
modificações no tempo, com o objetivo de permitir comparações válidas durante a análise das tendências 
do evento. Toda definição de caso adotada no nível local deve ter sido testada em campo, para verificar 
que funciona de modo satisfatório no contexto local. Para as doenças com período de latência longo ou 
de evolução crônica, é importante que na definição de caso fique estabelecida a fase mais apropriada 
de vigilância (período pré-clínico ou clínico). 
Os casos podem se dividir em: caso suspeito – é aquele que apresenta sinais e sintomas compatíveis 
da doença, sem evidência de laboratório (ausente pendente ou negativa); caso provável – é aquele 
que apresenta sinais e sintomas compatíveis com a doença, sem evidência definitiva de laboratório (ex.: 
realização de exames inespecíficos); caso confirmado – é aquele que apresenta evidência definitiva de 
laboratório, com ou sem sinais e/ou sintomas compatíveis com a doença.
• Fontes de dados: as fontes de dados mais comuns para vigilância são as notificações; os 
registros e as pesquisas de casos e surtos. Contudo, variado número de fontes de dados podem 
ser utilizadas, além dos dados obtidos de registro rotineiro, como os prontuários; outros podem 
ser obtidos por esforços especiais de investigação ou a partir de bases de dados coletados 
com outro propósito. As fontes podem variar de lugar para lugar, dependendo do nível de 
desenvolvimento dos serviços de saúde e de outras instituições, da qualidade e cobertura 
dos laboratórios, da disponibilidade das redes informatizadas e outros recursos, além das 
características locais das doenças. A coleta de dados nem sempre se baseia exclusivamente 
na notificação rotineira de casos atendidos na consulta de todos os serviços de saúde de uma 
localidade. A vigilância pode e deve proporcionar informações relevantes para a ação em saúde, 
a partir da coleta de dados de distintas fontes, com o objetivo de tornar mais eficiente o 
processo de coleta e controlar a qualidade dos dados.
• Validação dos dados: as informações são obtidas por processo contínuo de coleta de dados 
sujeitos a mudança, que provém de diversas fontes e unidades de notificação. Assim, a adoção 
de um protocolo básico de controle de qualidade possibilita a manutenção da integridade, 
da consistência, da uniformidade e da confiabilidade dos dados, considerando os aspectos 
relacionados à possibilidade de ocorrência de viés e duplicidade e também como forma de evitar 
as causas da subnotificação, que são múltiplas e, em algumas ocasiões, difíceis de eliminar. Em 
geral, os dados elementares que costumam acompanharcada caso definido são idade e sexo; local 
de residência; data de início da doença e/ou agravo e medidas de atenção à saúde adotadas. 
• Análise dos dados: consiste no processo de descrição e comparação de dados com relação a 
características e atributos de tempo, lugar e pessoa, entre os diferentes níveis organizacionais do 
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sistema de saúde. Tem o objetivo de estabelecer as tendências da doença para detectar e antecipar 
a ocorrência de mudanças em seu comportamento, sugerir os fatores associados com o possível 
aumento ou redução de casos e/ou óbitos e identificar os grupos vulneráveis e identificar as áreas 
geográficas que requerem medidas de controle. A distribuição dos casos no tempo permite o 
estabelecimento de hipóteses sobre o comportamento da doença, que pode ser sazonal (padrão 
de variação entre as estações do ano); secular (padrão de variação ao longo do tempo); e cíclica 
– padrão de variação em períodos maiores do que um ano. 
• Os dados podem ser analisados conforme o lugar onde ocorreram, sendo importante tentar 
localizar o lugar no qual se originou a doença e também aquele no qual se encontrava o 
paciente no momento da detecção. Para a identificação de uma epidemia, é necessário conhecer 
a frequência precedente da doença; dessa forma, é útil construir uma curva epidêmica para 
representar graficamente as frequências diárias, semanais ou mensais da doença em um mapa.
• Interpretação dos dados: serve para a geração de hipóteses, para definir o grau e a extensão 
das recomendações de ação voltadas para o controle do problema, bem como a necessidade 
de realizar estudos específicos e de avaliar o sistema de vigilância. Fatores como o aumento da 
população, a migração, a introdução de novos métodos diagnósticos, o aperfeiçoamento dos 
sistemas de notificação, a mudança na definição de casos, o aparecimento de novos tratamentos 
e a possibilidade de problemas com a validade dos dados de vigilância, por subnotificação, viés ou 
duplicidade de notificações, podem produzir resultados falsos.
• Divulgação de informação: etapa crucial que consiste na retroalimentação do sistema, deve 
chegar a todos os níveis. Cada nível deve gerar relatórios periódicos com os dados de vigilância 
voltados ao nível anterior e às organizações, instituições, autoridades políticas e cidadãs de seu 
âmbito, assim como à população em geral. Esse processo ajuda a envolver os notificadores nas 
tarefas de vigilância, deixando evidente a utilidade e a necessidade dos dados que geram com 
uma imagem mais ampla e integral do problema objeto de controle. Dessa forma, o sistema se 
fortalece, para desenvolver a capacidade resolutiva da equipe local, cuja participação é estimulada 
com o retorno de relatórios consolidados da situação epidemiológica, que permitem avaliar sua 
própria contribuição ao desenvolvimento das ações de controle.
• Avaliação dos sistemas de vigilância: a avaliação tem como propósito maximizar a efetividade 
do sistema, para melhorar a capacidade de conseguir resultados benéficos para a população, em 
função do uso mais racional dos recursos disponíveis nas circunstâncias cotidianas; consiste no 
exercício analítico de comparação entre o observado e o esperado. Baseado nesses resultados, 
deve-se promover o melhor uso dos recursos da saúde pública para o controle de doenças e 
agravos, garantindo que os problemas importantes estejam sob vigilância e que os sistemas 
de vigilância e de prevenção e controle funcionem eficientemente. Para avaliar a qualidade do 
sistema, os seguintes atributos devem ser levados em consideração:
— simplicidade – facilidade de operação do sistema como um todo e cada um de seus componentes 
(definições de caso, procedimentos de notificação etc.). Geralmente, um sistema de vigilância 
deve ser o mais simples possível, pois proporciona dados oportunos, com poucos recursos.
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— flexibilidade – habilidade de se adaptar às mudanças requeridas nas condições de 
funcionamento ou às necessidades de informação, com um custo adicional mínimo em tempo, 
pessoal ou recursos financeiros. Pode ser necessária quando ocorrem mudanças nas definições 
de caso e permite de maneira fácil adicionar novas doenças notificáveis, situações sanitárias 
ou mais grupos populacionais.
— aceitabilidade – reflete a vontade dos indivíduos e das organizações para participarem do 
sistema; depende da importância da percepção dos eventos sob vigilância, do reconhecimento 
das contribuições individuais ao sistema e do tempo requerido para elaborar os relatórios.
— sensibilidade – habilidade de detectar casos ou eventos de saúde que o sistema se propõe a 
detectar, requer validar os dados encontrados pelo sistema (surtos, epidemias etc.); verificar a 
qualidade dos dados notificados em termos de precisão e proporção; e estimar a proporção 
do número total de casos que ocorreram na comunidade que foram detectados pelo sistema 
(fração de notificação).
— oportunidade – está relacionada à simplicidade do sistema e da definição de caso; depende dos 
recursos disponíveis e do tipo de eventos notificados. Reflete o intervalo entre a ocorrência do 
evento, a recepção da notificação com a coleta de dados; o tempo subsequente requerido para 
identificar um problema, com a análise e interpretação dos dados, e a divulgação das medidas 
de controle. Para a maioria das doenças infecciosas, a resposta deve ser rápida, enquanto, para 
as doenças crônicas, uma notificação mais lenta pode ser adequada (OPAS, 2010). 
5.5.2 Doenças de notificação compulsória 
As doenças de notificação compulsória fazem parte das atividades do Sistema Nacional de Vigilância 
Epidemiológica (SNVE), gerenciado pela Secretaria de Vigilância da Saúde (SVS). 
O Regulamento Sanitário Internacional (RSI), que teve a sua primeira versão em 1969 para o 
controle da peste, da cólera, da febre amarela e da varíola, objetivou maximizar a proteção contra 
a dispersão internacional de doenças, enquanto procura minimizar a interferência sobre o comércio 
e viagens internacionais, o que representa um instrumento de acordo entre países. No ano de 
2005, foi revisado para incluir o controle de situações de emergência para a saúde pública mundial, 
independentemente do patógeno. Foram estabelecidos alguns critérios para a definição de um evento 
como emergência em saúde pública de relevância internacional, que são: gravidade e repercussão em 
saúde pública; evento inesperado ou raro; risco de propagação internacional; e risco de imposição de 
restrição a viagens ou comércio. 
 observação
A campanha de erradicação da varíola, instituída em 1966, foi relevante 
para a instalação do atual sistema de notificação e investigação de casos 
suspeitos de doenças e agravos no país.
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O RSI obriga os países a notificar a Organização Mundial da Saúde (OMS) todas as situações de 
emergência para a saúde pública mundial; verificar a ocorrência de surtos, quando solicitado pela OMS; 
ter capacidade para detectar rapidamente e responder aos eventos e cooperarcom a rápida avaliação e 
assistência nas epidemias (BONITA et al., 2010). 
A figura a seguir apresenta o fluxograma de definição de evento de relevância internacional:
Repercussão em saúde 
pública é grave
Risco de propagação 
internacional
Risco de propagação 
internacional
Risco de restrições 
internacionais
Doença de notificação
Evento inesperado? Evento inesperado?
Notificar evento sob o Regulamento Sanitário Internacional
Reavaliar 
com base em 
novos dados
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Não
Não
Não
Não
Não
Não
Figura 63
No Brasil, a lista nacional de doenças de notificação compulsória (atualizada em 25 de janeiro de 
2011, pela Portaria nº 104) inclui inúmeras doenças e agravos à saúde, com as seguintes divisões:
Anexo I — Lista de Notificação Compulsória (LNC): 
1. Acidentes por animais peçonhentos.
2. Atendimento antirrábico.
3. Botulismo.
4. Carbúnculo ou antraz.
5. Cólera.
6. Coqueluche.
7. Dengue.
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8. Difteria.
9. Doença de Creutzfeldt-Jakob.
10. Doença meningocócica e outras meningites.
11. Doenças de Chagas Aguda.
12. Esquistossomose.
13. Eventos adversos pós-vacinação.
14. Febre amarela.
15. Febre do Nilo Ocidental.
16. Febre maculosa.
17. Febre tifoide.
18. Hanseníase.
19. Hantavirose.
20. Hepatites virais.
21. Infecção pelo vírus da imunodeficiência humana – HIV em gestantes e crianças 
expostas ao risco de transmissão vertical.
22. Influenza humana por novo subtipo. 
23. Intoxicações exógenas (por substâncias químicas, incluindo agrotóxicos, gases 
tóxicos e metais pesados). 
24. Leishmaniose tegumentar americana.
25. Leishmaniose visceral.
26. Leptospirose.
27. Malária.
28. Paralisia flácida aguda.
29. Peste.
30. Poliomielite.
31. Raiva humana.
32. Rubéola.
33. Sarampo.
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34. Sífilis adquirida.
35. Sífilis congênita.
36. Sífilis em gestante;
37. Síndrome da Imunodeficiência Adquirida – Aids.
38. Síndrome da Rubéola Congênita.
39. Síndrome do Corrimento Uretral Masculino.
40. Síndrome Respiratória Aguda Grave associada ao Coronavírus (Sars-CoV). 
41. Tétano.
42. Tuberculose.
43. Tularemia.
44. Varíola. 
45. Violência doméstica, sexual e/ou outras violências.
 Anexo II – Lista de Notificação Compulsória Imediata (LNCI) 
I – Caso suspeito ou confirmado de: 
1. Botulismo; 
2. Carbúnculo ou Antraz; 
3. Cólera.
4. Dengue nas seguintes situações: 
— Dengue com complicações (DCC); 
— Síndrome do Choque da Dengue (SCD); 
— Febre Hemorrágica da Dengue (FHD);
— Óbito por dengue;
— Dengue pelo sorotipo Denv 4 nos estados sem transmissão endêmica desse 
sorotipo; 
5. Doença de Chagas Aguda; 
6. Doenças conhecidas sem circulação ou com circulação esporádica no território 
nacional que não constam do Anexo I da Portaria, como: Rocio, Mayaro, 
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Oropouche, Saint Louis, Ilhéus, Mormo, Encefalites Equinas do Leste, Oeste e 
Venezuelana, Chikungunya, Encefalite japonesa, entre outras;
7. Febre Amarela;
8. Febre do Nilo Ocidental;
9. Hantavirose;
10. Influenza humana por novo subtipo;
11. Peste;
12. Poliomielite;
13. Raiva Humana;
14. Sarampo;
15. Rubéola;
16. Síndrome Respiratória Aguda Grave associada ao Coronavírus (Sars-CoV);
17. Varíola;
18. Tularemia; e
19. Síndrome de Rubéola Congênita (SRC).
II – Surto ou agregação de casos ou óbitos por: 
1. Difteria; 
2. Doença Meningocócica; 
3. Doença Transmitida por Alimentos (DTA) em embarcações ou aeronaves; 
4. Influenza Humana; 
5. Meningites Virais.
6. Outros eventos de potencial relevância em saúde pública, após a avaliação de risco, de 
acordo com o Anexo II do RSI 2005, destacando-se:
a) alteração no padrão epidemiológico de doença conhecida, independentemente 
de constar do Anexo I da Portaria; 
b) doença de origem desconhecida; 
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c) exposição a contaminantes químicos;
d) exposição à água para consumo humano fora dos padrões preconizados pela SVS; 
e) exposição ao ar contaminado, fora dos padrões preconizados pela resolução do 
Conama; 
f) acidentes envolvendo radiações ionizantes e não ionizantes por fontes não 
controladas, por fontes utilizadas nas atividades industriais ou médicas e 
acidentes de transporte com produtos radioativos da classe 7 da ONU; 
g) desastres de origem natural ou antropogênica, quando houver desalojados ou 
desabrigados; 
h) desastres de origem natural ou antropogênica, quando houver comprometimento 
da capacidade de funcionamento e infraestrutura das unidades de saúde locais 
em consequência evento. 
III – Doença, morte ou evidência de animais com agente etiológico que podem acarretar 
a ocorrência de doenças em humanos, destaca-se entre outras classes de animais: 
1. Primatas não humanos 
2. Equinos 
3. Aves 
4. Morcegos
 Raiva: morcego morto sem causa definida ou encontrado em situação não usual, 
tais como: voos diurnos, atividade alimentar diurna, incoordenação de movimentos, 
agressividade, contrações musculares, paralisias, encontrado durante o dia no chão ou em 
paredes. 
5. Canídeos 
Raiva: canídeos domésticos ou silvestres que apresentaram doença com sintomatologia 
neurológica e evoluíram para morte num período de até 10 dias ou confirmado laboratorialmente 
para raiva. Leishmaniose visceral: primeiro registro de canídeo doméstico em área indene, 
confirmado por meio da identificação laboratorial da espécie Leishmania chagasi;
6. Roedores silvestres 
Peste: roedores silvestres mortos em áreas de focos naturais de peste. 
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C) Anexo III – Lista de Notificação Compulsória em Unidades Sentinelas (LNCS)
1. Acidente com exposição a material biológico relacionado ao trabalho; 
2. Acidente de trabalho com mutilações; 
3. Acidente de trabalho em crianças e adolescentes; 
4. Acidente de trabalho fatal;
5. Câncer Relacionado ao Trabalho;
6. Dermatoses ocupacionais;
7. Distúrbios Ostemusculares Relacionados ao Trabalho (Dort);
8. Influenza humana; 
9. Perda Auditiva Induzida por Ruído – Pair relacionada ao trabalho; 
10. Pneumoconioses relacionadas ao trabalho;
11. Pneumonias;
12. Rotavírus;
13. Toxoplasmose adquirida na gestação e congênita; 
14. Transtornos Mentais Relacionados ao Trabalho.
A seguir, apresentamos alguns modelos das fichas de notificação compulsória de doenças e/ou 
agravos à saúde:103
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Ficha de notificação de dengue
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Ficha de notificação de acidentes de trabalho com material biológico
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6 A EPIdEMIoLoGIA EM dIVErSAS ÁrEAS
6.1 Vigilância Sanitária
Segundo relatos históricos, a Vigilância Sanitária surgiu por volta dos séculos XVII na Europa e 
XVII no Brasil. Contudo, seu início foi posterior a esse período, pois suas ações, como forma de 
resposta ao desenvolvimento das cidades, tendo como um dos reflexos da aglomeração urbana os 
problemas decorrentes da convivência social, já estavam presentes na história da humanidade, desde o 
nascimento das primeiras cidades. Mesmo quando não se conheciam todos os elementos da cadeia do 
processo infeccioso, já existia a preocupação por como as doenças se propagavam entre as pessoas, e 
empiricamente eram instituídos cuidados com a água, os alimentos e os resíduos, como uma tentativa 
de contenção da transmissão de inúmeras doenças, como a hanseníase, a peste, a cólera, a varíola e a 
febre tifoide, que assolavam a população nesse período. 
No Brasil, as ações da Vigilância Sanitária foram definidas por meio da Lei Orgânica da Saúde, 
nº 8080/90:
§ 1º — Entende-se por vigilância sanitária um conjunto de ações capaz de 
eliminar, diminuir ou prevenir riscos à saúde e de intervir nos problemas 
sanitários decorrentes do meio ambiente, da produção e circulação de bens 
e da prestação de serviços de interesse da saúde (...) (BRASIL, 1990).
Posteriormente, em 1999, foi criada a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), pela Lei 
nº 9.782, substituindo a Secretaria Nacional de Vigilância Sanitária, definindo suas atividades em:
[...] promover a proteção da saúde da população, por intermédio do 
controle sanitário da produção e da comercialização de produtos e serviços 
submetidos à Vigilância Sanitária, inclusive dos ambientes, dos processos, 
dos insumos e das tecnologias a eles relacionados, bem como o controle de 
portos, aeroportos e fronteiras (BRASIL, 1999).
Para melhor compreensão das atividades desenvolvidas pela Vigilância Sanitária, é importante 
conhecer os riscos a que a população pode estar exposta:
a) ambientais: provenientes do consumo de água; decorrentes do esgoto; resíduos (doméstico, 
industrial, hospitalar); vetores de doenças (insetos, artrópodes, animais sinantrópicos e domésticos); 
poluição do ar, do solo e de recursos hídricos, transporte de produtos perigosos etc.
b) ocupacionais: decorrentes do processo de produção; manipulação de substâncias tóxicas; 
intensidade, ritmo e ambiente de trabalho.
c) Iatrogênicos: decorrentes de tratamento de saúde e uso de serviços, medicamentos, sangue, 
hemoderivados, radiações ionizantes e tecnologias médico-sanitárias.
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d) institucionais: os que podem ocorrer em ambientes onde exista a circulação de várias pessoas, 
como creches, escolas, clubes, hotéis, motéis, portos, aeroportos, fronteiras, estações ferroviárias e 
rodoviárias, salão de beleza, saunas etc. 
Segundo a Lei nº 9.782, a Vigilância Sanitária desenvolve as seguintes ações:
a) Controlar 
Bens de consumo – que direta ou indiretamente se relacionem com a saúde da população, 
compreendidas todas as etapas de processo, desde a produção até o consumo.
Prestação de serviços – que se relacionam direta ou indiretamente com a saúde, por meio de saberes 
e práticas interdisciplinares (química, farmacologia, epidemiologia, engenharia civil, administração 
pública, planejamento, biossegurança e bioética).
Poder de polícia sanitária – sempre precedido de ações educativas, de informações amplas sobre 
as restrições legais, sobre as atividades desenvolvidas nas esferas públicas e privadas, e da notificação, 
com o fim de alertar para as irregularidades constatadas. É um instrumento de defesa caracterizado pelo 
objetivo de evitar eventos prejudiciais à saúde da população. 
b) Inspecionar
Estrutura – das instalações fixas e móveis, das instituições que possam oferecer riscos à população.
Matéria-prima – de todos os produtos que forem colocados em contato direto/indireto com a 
população.
Operacional – de todas as técnicas utilizadas na produção de bens de consumo, como na prestação 
de serviços à comunidade.
c) Atuar
Portos, aeroportos e fronteiras.
Lojas e áreas de lazer, como shoppings, cinemas, ginásios de esporte, postos de gasolina, 
piscinas, clubes, estádios e academias de ginástica; indústria (cosméticos, medicamentos, produtos 
para a saúde e saneantes – produtos de limpeza, perfumes); laboratórios; banco de sangue e 
hemoderivados.
Indústria e postos de venda de agrotóxico.
Instituições que utilizem radiação ionizante para uso em diagnóstico e/ou tratamento, como 
hospitais, clínicas médicas e odontológicas.
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Locais públicos, como escolas, cemitérios, presídios, hospitais, clínicas, farmácias, salões de beleza e 
instituições de longa permanência para idosos, bancos de órgãos/leite humano, práticas alternativas, 
casas de massoterapia, tatuagem etc.
d) Fiscalizar 
 Produtos e serviços que estejam correlacionados com as ações apresentadas no itens a, b e c, 
desenvolvidos anteriormente.
e) Interditar 
Locais de fabricação, controle,importação, armazenamento, distribuição e venda de produtos e de 
prestação de serviços, em caso de violação da legislação pertinente ou de risco iminente à saúde.
f) Emitir 
Caderneta sanitária, guias de recolhimento de taxa anual de inspeção sanitária e demais documentos 
necessários para o desenvolvimento das atividades de vigilância.
g) Analisar 
Projetos arquitetônicos de estabelecimentos considerados de alto risco sanitário (hospitais, clínicas 
de terapia renal substitutiva, unidades de quimioterapia, bancos de sangue, serviços de radiologia, 
radioterapia e medicina nuclear).
h) Autorizar 
Funcionamento de empresas de fabricação, distribuição e importação dos produtos.
i) Dispensar 
Registros de produtos.
j) Fomentar e realizar 
Estudos sobre os aspectos de sua área de atuação.
k) Conceder/cancelar 
Certificado de cumprimento de boas práticas de fabricação.
Para que as atividades desenvolvidas pela Vigilância Sanitária surtam o efeito desejado, faz-se 
necessário o trabalho em conjunto com os serviços de gestão de Vigilância Sanitária, compostos dos 
seguintes órgãos: Coordenação de Vigilância em Saúde (Covisa), que está sob a jurisdição das Secretarias 
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Municipais de Saúde, que mantém a seguinte estrutura: Gerência de Administração e Finanças; Gerência 
de Apoio Técnico; Gerência do Centro de Controle de Doenças; Gerência do Centro de Controle de 
Zoonoses; Gerência de Vigilância em Saúde Ambiental e do Trabalhador; Gerência de Vigilância Sanitária 
de Produtos e Serviços de Interesse da Saúde; Supervisão de Vigilância em Saúde (Suvis), que constituem 
as unidades descentralizadas da Covisa. 
Ainda fazem parte do sistema da Vigilância Sanitária as Secretarias Estaduais de Saúde, os Centros de 
Vigilância Sanitária Estaduais, os Laboratórios Centrais de Saúde Pública (Lacens), o Instituto Nacional de 
Controle de Qualidade em Saúde (INCQS), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e os Conselhos Estaduais, 
Distrital e Municipais de Saúde.
6.2 Epidemiologia Molecular
A Epidemiologia Molecular é definida como uma subespecialidade da Epidemiologia que investiga a 
distribuição e os fatores determinantes das doenças nas populações humanas. Seu objetivo primordial 
é fornecer subsídios para a intervenção na promoção, na prevenção e no controle dos agravos à saúde.
O uso de técnicas de Biologia Molecular tem papel importante na epidemiologia genética e nos 
estudos sobre a interação gene/ambiente como determinantes de doenças. E ela também pode ser 
empregada no estudo de diversos agravos à saúde, como doenças nutricionais e infecciosas e neoplasias. 
A incorporação de técnicas moleculares na Epidemiologia das Doenças Infecciosas permite 
aprofundar e estratificar os dados conforme as características genotípicas do micro-organismo 
causador da doença. Isso é possível devido às técnicas de tipagem molecular. Essas técnicas possibilitam 
identificar subtipos de agentes infecciosos que nem sempre seriam identificados pelo uso de técnicas 
convencionais (fenotípicas) de tipagem. Quando se conhece o subtipo do micro-organismo associado 
à doença infecciosa, é possível classificar os pacientes de acordo com o subtipo do micro-organismo 
causador da doença, como, por exemplo, separar os pacientes acometidos pela dengue de acordo com o 
subtipo: Den-1, Den-2, Den-3 e Den-4 (entrou em circulação mais recentemente). Essa estratificação na 
análise do caso permite a criação de novas definições de caso e identificar possíveis fatores associados 
a subtipos específicos.
Outros tipos de estudos, definidos como estudos de filogenia, empregam as técnicas moleculares 
em micro-organismos, visando à identificação da linhagem de descendência ou o entendimento da 
evolução desse micro-organismo. 
As finalidades das técnicas de Biologia Molecular aplicadas em estudos de doenças infecciosas são:
1) Permitir o diagnóstico da doença; 2) confirmar a ocorrência de surtos; 3) 
identificar surtos entre os que parecem casos endêmicos ou esporádicos; 4) 
identificar fatores de risco; 5) determinar desfechos em estudos prospectivos; 
e 6) determinar a dinâmica da transmissão espacial e temporal de doenças 
(ALMEIDA FILHO; BARRETO, 2012, p. 338).
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6.3 Epidemiologia Clínica
De acordo com Almeida Filho e Barreto (2012), a epidemiologia Clínica é definida como um ramo da 
Epidemiologia que estuda os determinantes e os efeitos das decisões clínicas. 
Até meados da década de 1960, era mais comum que o médico tomasse uma decisão clínica 
baseando-se apenas no conhecimento de Fisiopatologia e Farmacologia, não levando em consideração 
as evidências das pesquisas clínico-epidemiológicas. A partir dos anos 1960, alguns clínicos iniciaram a 
discussão da necessidade de avaliar as inovações tecnológicas voltadas para diagnóstico, tratamento e 
prevenção da doença, bem como o impacto destas sobre a saúde do paciente. 
Evidências geradas pelas pesquisas clínico-epidemiológicas têm crescido nos últimos anos e, 
consequentemente vem aumentando o número e a complexidade das opções diagnósticas, terapêuticas 
e preventivas, o que exige do clínico uma análise mais criteriosa das evidências científicas, além da 
necessidade de envolver o paciente e a família na tomada de decisão relacionada ao tratamento da 
doença. O envolvimento do paciente e do familiar é importante por considerar os valores e as preferências 
individuais. 
O novo cenário da medicina é referido como Medicina Baseada em Evidências (BEM). Embora esse 
termo tenha se referido inicialmente à medicina, seus conceitos aplicam-se a outra áreas da saúde, com 
base em evidências que implicam a análise crítica das provas levantadas, integrando-as à experiência 
individual, a fim de chegar à melhor decisão em saúde. Entretanto, para que isso se torne viável, é 
importante seguir alguns passos: 1) identificar problemas relevantes e convertê-los em questões que 
conduzam a respostas; 2) pesquisar formas eficientes de obter evidências que conduzam a repostas 
às questões levantadas; 3) analisar de forma crítica a qualidade da evidência, avaliando o valor de 
uma determinada conduta como positiva ou negativa; 4) avaliar as situações específicas buscando a 
melhoria dos cuidados de saúde.
A prática de MBE compreende o uso consciente das melhores evidências disponíveis para a tomada 
de decisão acerca de cuidado do paciente. Não basta apenas entender a fisiopatologia da doença, ter 
experiência clínica pessoal (ou do serviço) ou contar com a opinião de peritos (professores, especialistas 
na área, palestrantes, autores de livros). É fundamental que a tomada de decisão baseie-se nas melhores 
evidências disponíveis e avalie benefícios, riscos ambientais e sociais, custos, entre outros.
6.4 Epidemiologia Ambiental e Saúde ocupacional
De acordo com Rothman (1993, p. 21), Epidemiologia Ambiental é o “estudo de distribuição de 
eventos relacionados com o estado de saúde em populações humanas que tenham na sua determinação 
fatores ambientais, sejam físicos, biológicos ou químicos”.
Os fatores ambientais compreendem tudo aquilo que não é genética, como alimentação, tabagismo, 
atividade física, entre outros. Contudo, a Epidemiologia Ambiental tem uma conotação mais restrita, 
referindo-se apenas aos fatores ambientais que estão fora do controleimediato.
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Fumar, portanto, não seria incluído como fator na Epidemiologia Ambiental, mas o efeito da fumaça 
do cigarro colocado no ar seria. Outras formas de exposição de interesse para os epidemiologistas 
ambientais incluem a poluição do ar, da água, a exposição ocupacional aos agentes físicos e químicos. 
A disseminação de agentes infecciosos por meio dos alimentos, da água ou de outros meios também 
poderia ser estudada pelos epidemiologistas ambientais, mas essa é uma área que tem sido tratada pelos 
especialistas em infectologia. 
A Epidemiologia Ambiental tem sido cada vez mais abrangente, não se preocupando apenas com a 
saúde do ambiente, mas principalmente com o impacto na saúde humana e de outras espécies. Também 
é importante considerar os fatores psicossociais, já que a população pode ter um papel importante no 
efeito dos fatores ambientais, e isso ocorre muitas vezes pelo desconhecimento dos riscos aos quais está 
exposta. Um exemplo dessa situação pode ser percebido em estudos envolvendo populações que vivem 
próximas das linhas de energia elétrica ou de usinas de energia nuclear. Esse tipo de estudo não deve 
ser realizado sem antes se avaliar claramente a percepção da população quanto aos riscos ambientais 
para sua saúde.
De acordo com Almeida Filho e Lima Barreto (2012), dentro do contexto atual da Epidemiologia 
diferentes temas têm sido estudados, como uso de hormônio na alimentação animal, impacto na saúde 
das fontes de emissão de gases industriais e por veículos a motor, bem como dos pesticidas em alimentos 
e em fontes de abastecimento de água, depósito de resíduos perigosos, potenciais efeitos das irradiações 
de telefones celulares, entre outros.
As preocupações com as questões ambientais, como aquecimento global, condições extremas de 
temperatura, poluentes químicos que comprometem o abastecimento alimentar e que contaminam os 
mananciais de abastecimento de água, são situações que já afetam a saúde e o bem-estar. Por essas 
razões, a Epidemiologia Ambiental vem assumindo um papel decisivo na construção da agenda global 
de sustentabilidade voltada às questões da saúde. 
Os estudos na área têm enfatizado a compreensão de como o ambiente pode promover a sobrevivência 
humana e contribuir para o adoecimento ou levar à morte precoce de populações humanas. Entre os 
fatores que promovem a vida humana, estão água para consumo, ar limpo para respirar, camada de 
ozônio para a proteção contra os raios ultravioletas, espaço para prática de exercício e recreação, regras 
para preparação de alimentos, reciclagem e disposição dos resíduos. E, dentre os fatores que ameaçam 
a vida humana, estão má qualidade do ar, presença de agentes infecciosos, alterações ambientais 
(inundações, secas, deslizamentos de terra, terremotos, maremotos), má qualidade da água, decorrente 
da contaminação dos mananciais, do transporte, armazenamento e tratamento inadequados, e ainda 
as mudanças ambientais globais e as perturbações sociais decorrentes das guerras, do terrorismo e das 
armas biológicas e químicas.
Na saúde ocupacional, desde a década de 1960, tem crescido a aplicação da Epidemiologia. No 
início, era dada maior ênfase às questões que envolviam a poluição atmosférica, os contaminantes da 
água, a utilização de metais pesados, os pesticidas e a evolução de algumas doenças, especialmente 
o câncer. Mais recentemente, a Epidemiologia Ambiental vem acumulando conhecimentos relevantes 
nessa área, os quais puderam ser incorporados na elaboração de políticas púbicas, promovendo a redução 
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de poluentes e contaminantes no ar, na água e no solo, medidas que impactam diretamente na saúde 
humana.
Entre as aplicações da Epidemiologia Ambiental, estão:
• água e esgoto – no mundo, a precariedade relacionada ao saneamento básico, ao fornecimento 
de água e a condições de higiene ainda representa um problema em países com condições 
precárias de saúde pública. Tal situação acaba impactando negativamente na saúde da população, 
especialmente na mortalidade infantil, em decorrência de diarreia. Muitos estudos realizados em 
diferentes países têm demonstrado impacto positivo na saúde humana, em populações de países 
em desenvolvimento, mediante as melhorias na água potável, no sistema de esgoto sanitário e na 
prática de higiene.
• qualidade do ar – a poluição do ar, tanto no ambiente externo como no interno, tem se mostrado um 
problema de saúde pública universal e responsável, segundo estimativas, por 2 milhões de mortes 
prematuras no mundo. Existem evidências científicas de que a diminuição de carga de poluentes 
na atmosfera pode ajudar a reduzir a carga global de doenças por infecções respiratórias, doenças 
cardíacas e câncer de pulmão. Embora algumas recomendações internacionais estabeleçam limites 
para os poluentes atmosféricos, tais como material particulado em suspenção, ozônio, dióxido de 
nitrogênio e dióxido de enxofre, muitas cidades do mundo excedem muito esses valores.
• solo e contaminantes alimentares – a principal forma de contaminação pelo solo ocorre com 
a ingestão de alimentos, ocasionando doenças de natureza infecciosa ou tóxica, causadas por 
agentes que penetram no organismo por meio de ingestão de alimentos. Não é possível avaliar o 
impacto que essa forma de contaminação traz para a saúde humana, mas uma grande proporção 
dos óbitos por doenças diarreicas pode ser atribuída a essa via. Os surtos causados por alimentos 
podem se transformar em eventos de grandes proporções. 
Entre os contaminantes químicos que representam uma ameaça à saúde humana, estão os pesticidas, 
os fertilizantes e os metais pesados (cádmio, chumbo, mercúrio, arsênio). Resíduos de metais pesados, 
como chumbo e mercúrio, podem trazer graves consequências à saúde e afetar de forma irreversível 
principalmente o sistema nervoso central de crianças. A exposição ao cádmio pode causar danos aos 
rins. Os metais pesados podem contaminar os alimentos não somente por meio do solo, mas também 
pela poluição do ar e da água.
Outros problemas relacionados aos alimentos – a encefalopatia espongiforme bovina, também 
conhecida como doença da vaca louca ou doença de Creutzfeldt-Jakob, é decorrente do consumo de 
animais (bovinos ou outros) contaminados com príons. Já os poluentes orgânicos persistentes (POP) são 
compostos químicos que se acumulam por não serem degradados, como os pesticidas, que entram em 
cadeias alimentares, podendo chegar aos alimentos consumidos pelos seres humanos.
A questão dos alimentos derivados da biotecnologia, como os transgênicos, modificados 
geneticamente em laboratório, também representa um grande desafio para a segurança alimentar. 
Uma das razões para a produção de alimentos geneticamente modificados é possibilitar que algumas 
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plantas desenvolvam maior resistência às pragas (insetos e micro-organismos em geral) e herbicidas. Os 
alimentos produzidos por meio dessa técnica desenvolvem características potencialmente capazes de 
provocar efeitos na saúde, embora os riscos ainda não possamser bem avaliados. No momento atual, é 
imprescendível a realização de novos estudos e debates relacionados ao tema.
O impacto de novas tecnologias na saúde humana 
Os campos eletromagnéticos gerados por diferentes tecnologias têm sido considerados como 
fatores de risco efetivos ou potenciais à saúde humana. Os aparelhos móveis utilizam essa tecnologia 
e representam a mais importante fonte de exposição, uma vez que há a estimativa de que mais de 
3,8 bilhões de telefones celulares estão em funcionamento no mundo, o que corresponde a mais da 
metade da população mundial. Portanto, por menor que seja o risco, pode significar um grande impacto 
epidemiológico. 
A relação entre o uso do aparelho celular e a ocorrência de doenças, como o câncer e algumas 
doenças neurológicas (glioma, neuroma ou menigioma), mesmo com algumas evidências científicas, 
ainda é contraditória, o que requer maiores informações para avaliar o impacto da exposição a longo 
prazo.
 
Mudança 
climática
Perda da 
biodiversidade e de 
funções do ecossistema
Redução da água 
potável
Depleção de ozônio 
na estratosfera Degradação da terra
Saúde humana
Conflito
Caminhos diversos
Exposição de raios 
ultravioleta
Produtividade do
Declínio de 
diversas funções do 
ecossistema potável
Quantidade de água 
adequada ao consumo
agroecossistema
 Figura 67 – Como as mudanças climáticas afetam a saúde
 resumo
As doenças transmissíveis eram, no passado, a principal causa de morte 
no mundo. No transcorrer dos anos, com as mudanças na sociedade, 
como a industrialização, as melhorias da nutrição, moradia, saneamento, 
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água potável e drenagem, e ainda por meio de medidas de controle 
paulatinamente adotadas na área da saúde, como a introdução de vacinas 
e o desenvolvimento dos antibióticos, além da implantação do sistema 
de vigilância epidemiológica, essas doenças passaram a ser controladas, 
consequentemente a mortalidade infantil vem diminuindo e a expectativa 
de vida, aumentando. 
Apesar da redução significativa na mortalidade pelas doenças 
transmissíveis, elas ainda apresentam impacto sobre a morbidade. A 
mudança do quadro de morbimortalidade e a diminuição da importância 
das doenças transmissíveis no Brasil nos últimos anos podem dar a ideia 
errônea de que essas doenças deixaram de ser um problema de saúde 
pública e, pior, estariam extintas ou próximas da extinção, o que não 
condiz com realidade do Brasil e de outros países do mundo. O enorme 
êxito alcançado na prevenção e no controle de várias dessas doenças, de 
fato, contribuiu para a queda no número de casos, mas não significa que 
foram todas erradicadas. 
A situação das doenças transmissíveis no Brasil é complexa e pode 
ser resumida em três grandes tendências: a) doenças transmissíveis 
com tendência descendente; b) doenças transmissíveis com quadro de 
persistência; e c) doenças transmissíveis emergentes e reemergentes. 
Portanto, o profissional de saúde deve conhecer a epidemiologia das 
doenças transmissíveis no Brasil e no mundo, assim como a cadeia do 
processo infeccioso e as medidas empregadas nas diferentes situações para 
o controle dessas doenças.
O sistema imunológico é o conjunto de células, tecidos, órgãos e 
moléculas utilizado para a eliminação de antígenos, com a finalidade de 
manter a homeostasia orgânica. Os mecanismos fisiológicos desse sistema 
consistem numa resposta coordenada dessas células e moléculas diante 
dos antígenos, o que leva ao aparecimento de respostas específicas e 
seletivas, inclusive com o desenvolvimento de memória imunológica contra 
patógenos específicos, que também pode ser criada artificialmente por 
meio das vacinas.
A notificação de casos representa a coluna vertebral dos sistemas 
rotineiros de vigilância em saúde. Trata-se de um processo sistemático e 
contínuo de comunicação de dados que envolve toda a equipe de saúde e a 
comunidade, é de caráter obrigatório e está respaldado por lei. A notificação 
consiste na declaração oficial da ocorrência de cada caso de um evento sob 
vigilância, detectado na população, conforme a definição de caso vigente e 
a transmissão dos dados relacionados a cada caso. 
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As etapas e as atividades básicas do sistema de vigilância são:
a) coleta de dados – realizada pela operacionalização das diretrizes 
normativas, que são identificação e classificação, notificação e validação 
dos dados, que são realizadas pelas autoridades de saúde municipais, 
estaduais e nacionais e as equipes de saúde.
b) análise dos dados – consiste na consolidação de dados pela análise 
das variáveis epidemiológicas básicas, realizada pelas autoridades de saúde 
municipais, estaduais e nacionais.
c) interpretação da informação – comparação com dados prévios 
e inclusão de outras informações de relevância local, realizada pelas 
autoridades de saúde municipais, estaduais e nacionais.
d) divulgação da informação – elaboração de materiais de divulgação 
para distintos níveis de decisão, realizada pelas autoridades de saúde 
municipais, estaduais e nacionais.
A avaliação dos sistemas de vigilância deve subsidiar as propostas de 
melhoria dos pontos críticos identificados. 
A Vigilância Sanitária consiste num conjunto de ações que são capazes 
de eliminar, diminuir ou prevenir riscos à saúde e de intervir nos problemas 
sanitários decorrentes do meio ambiente, da produção e da circulação de 
bens e da prestação de serviços de interesse da saúde, que abrangem o 
controle de bens de consumo que, direta ou indiretamente, se relacionem 
com a saúde, compreendidas todas as etapas de processo da produção ao 
consumo e o controle da prestação de serviços que se relacionam direta ou 
indiretamente com a saúde.
7 SIStEMAS dE InForMAção EM SAÚdE (SIS)
São conjuntos de informações sistematizadas para a correta tomada de decisões em todos 
os níveis dos serviços de saúde. A quantificação dos problemas de saúde na população requer 
procedimentos e técnicas estatísticas diversas, algumas delas de relativa complexidade. Devido 
aos inúmeros fatores causais dos agravos à saúde, a avaliação qualitativa realizada por meio de 
programas informatizados facilita o manuseio e a análise de dados para a compreensão dos fatores 
determinantes da saúde (OPAS, 2010).
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EpidEmiologia E SaúdE pública
 Lembrete
Os principais indicadores em saúde utilizados para avaliar a qualidade 
de vida no país são provenientes de dados demográficos, socioeconômicos, 
mortalidade, morbidade e fatores de risco, recursos e cobertura.
A mensuração do estado de saúde da população é uma tradição em saúde pública que foi iniciada 
com o registro sistemático de dados de mortalidade e de sobrevivência. Com os avanços no controle 
das doenças infecciosas e a mudança de paradigma sobre a compreensão do processo saúde-doença, a 
análise da situação sanitária passou a incorporar outras dimensões do estado de saúde, sendo incluídos 
análise dos indicadores de morbidade, incapacidade, acesso a serviços, qualidade da atenção,condições 
de vida e fatores ambientais.
De acordo com Souza e Horta (2012), embora as informações em saúde estejam presentes nas 
políticas públicas desde a década de 1950, somente em 1990, por intermédio da Lei Orgânica da Saúde 
nº 8.080/90, que o SIS passou a ser legitimado como eixo operacional das ações epidemiológicas em 
saúde, e sua estruturação foi alicerçada por meio dos seguintes dispositivos legais: Norma Operacional 
Básica do SUS (NOB 91, 93 e 96); Norma Operacional da Assistência a Saúde (NOA 2000 e 2001); Lei 
nº 8.490, que dispôs sobre a organização dos ministérios federais (o Ministério da Saúde foi legitimado 
como o responsável pelas informações em saúde).
 observação
O Departamento de Informática do SUS (Datasus) é o órgão responsável 
pela parte tecnológica da informática, bem como pelo suporte dos 
programas computacionais que servem de base para o SIS.
Os sistemas de informação em saúde necessitam, para a construção dos indicadores de saúde, dos 
registros que são realizados por diversas instituições públicas ou privadas, com o objetivo de registrar 
regularmente a ocorrência dos eventos como nascimentos, óbitos, hospitalizações, imunizações, 
acidentes de trânsito, poluição ambiental, assistência escolar e ocupacional, entre outros. Segundo a 
Opas (2012, p. 23), os registros mais comuns utilizados são decorrentes de:
• censos e anuários estatísticos;
• relatórios de laboratório;
• histórias clínicas hospitalares;
• protocolos de necropsia hospitalares e forenses;
• monitoramento ambiental e climático;
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• registros civis (nascimentos, óbitos, casamentos etc.); consulta externa e serviços de urgência 
(públicos e particulares); doenças de notificação obrigatória, câncer e outras doenças crônicas; 
policiais, de denúncias de fatos violentos; frequência e absenteísmo escolar e trabalhista; 
veterinários de reservatórios animais; venda e utilização de medicamentos e produtos biológicos.
 Saiba mais
Sites úteis:
<http://www2.datasus.gov.br>. Disponibiliza uma lista de indicadores 
de saúde, e é possível consultar indicadores prontos, realizando a procura 
pelo nome do indicador. Alguns já vêm tabulados e podem ser acessados 
por capitais e regiões metropolitanas.
<http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/saude/
arquivos/prestacaocontas/Indicadores_Pacto_Camara_Vereadores_2011.
pdf>, análise dos indicadores de saúde do município de São Paulo no ano 
de 2011.
<http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/pacto/2010/pactdescr.htm>, 
apresenta os dados dos indicadores referentes ao Pacto pela Saúde 
2010/2011.
Livros:
ESCOLA POLITÉCNICA DE SAÚDE JOAQUIM VENâNCIO (Org.). Uso 
integrado de base de dados na avaliação em saúde. Material didático 
(tutorial). Rio de Janeiro: EPSJV, 2008. 62 p. 
EDE Interagencial de Informação para a Saúde – Ripsa. Indicadores 
básicos para a saúde no Brasil: conceitos e aplicações. 2. ed. Brasília: 
Organização Pan-Americana da Saúde, 2008.
7.1 Programa nacionais
O Decreto nº 7.508/2011, que regulamentou a Lei nº 8.080/1990, passou a exigir uma nova dinâmica 
na organização e na gestão do sistema de saúde. Dessa forma, o Ministério da Saúde instituiu o Contrato 
Organizativo da Ação Pública (Coap) como um instrumento administrativo da gestão compartilhada 
entre os entes federados (União, Estados e Municípios), com o objetivo de definir as responsabilidades 
de cada ente para que cada região de saúde seja dotada de unicidade conceitual, com diretrizes e metas 
(BRASIL, 2011).
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Entre as cláusulas do Coap, a solidariedade foi definida como um novo princípio do SUS:
 O princípio da solidariedade que informa este contrato se define como a 
partilha da responsabilidade entre os entes Signatários pela integralidade 
da assistência à saúde do cidadão, ante a impossibilidade de um ente em 
prestar determinadas ações e serviços de saúde ao seu cidadão e o direito 
em referenciá-lo a outros serviços da Região de Saúde ou entre Regiões de 
Saúde (BRASIL, 2011d, p. 12).
Ficou determinada, na cláusula oitava do planejamento da saúde integrado, que os signatários 
se comprometerão a manter atualizados os seguintes sistemas de informação em saúde de base 
nacional:
• Sistema de Informação da Atenção Básica (Siab);
• Sistema de Informação sobre Agravos de Notificação (Sinan);
• Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações (SI-PNI);
• Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (Sinasc);
• Sistema de Informação Ambulatorial (SIA);
• Cadastro Nacional de Estabelecimentos e Profissionais de Saúde (CNES);
• Sistema de Apoio ao Relatório de Gestão (SargSus);
• Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM);
• Sistema de Informação Hospitalar (SIH), nos casos onde houver assistência.
• Hospitalar;
• Comunicação de Internação Hospitalar (CIH);
• Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Saúde (Siops) 
(BRASIL, 2011l, p. 20).
A seguir, apresentaremos os SIS de maior relevância no cenário epidemiológico:
a) Sistema de Informação da Atenção Básica (Siab) – foi implantado em 1998, em substituição ao 
Sistema de Informação do Programa de Agentes Comunitários de Saúde (Sipacs), para o acompanhamento 
das ações e dos resultados das atividades realizadas pelas equipes do Programa Saúde da Família – PSF, 
atual Estratégia de Saúde da Família (ESF). Por meio do Siab, obtêm-se informações sobre cadastros de famílias, 
condições de moradia e saneamento, situação de saúde, produção e composição das equipes de saúde.
O Siab incorporou em sua formulação conceitos como território, problema e responsabilidade 
sanitárias, estando completamente inserido no contexto de reorganização do SUS, o que fez com que 
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assumisse características distintas dos demais sistemas existentes (microespacialização dos problemas 
de saúde e avaliação de intervenções; utilização mais ágil e oportuna das informações; produção de 
indicadores capazes de cobrir todo o ciclo de organização das ações de saúde, a partir da identificação 
dos problemas; consolidação progressiva da informação). Essas características significaram avanços 
concretos no campo da informação em saúde.
b) Sistema de Informação sobre Agravos de Notificação (Sinan) – implantado em 1993, 
esse sistema é alimentado pela notificação e investigação de casos de doenças e agravos que 
constam da lista nacional de doenças de notificação compulsória, mas é facultado aos Estados e 
municípios incluírem outras doenças e/ou agravos de saúde importantes epidemiologicamente 
em sua região. Sua utilização permite a realização do diagnóstico dinâmico da ocorrência de 
um evento na população, podendo fornecer subsídios para explicações causais dos agravos de 
notificação compulsória, além de vir a indicar riscos aos quais as pessoas estão mais propensas 
ao agravo, contribuindo, dessa forma, para a identificação da realidade epidemiológica 
(BRASIL, 2012).
O Sistema contribui para a democratização da informação, pois permite que todos os profissionais 
de saúde tenham acessoà informação e as tornem disponíveis para a comunidade, sendo um dispositivo 
relevante para auxiliar o planejamento da saúde, definir prioridades de intervenção e, concomitantemente, 
permite avaliar o impacto das intervenções das ações de saúde (BRASIL, 2012l).
A Ficha Individual de Notificação (FIN) é preenchida pelas unidades de saúde para cada 
paciente, quando ocorre suspeita do agravo, ocorrência de notificação compulsória ou de 
interesse nacional, estadual ou municipal, que deve ser encaminhado aos serviços responsáveis 
pela informação e/ou vigilância epidemiológica das secretarias municipais, que devem repassar 
semanalmente os arquivos em meio magnético para as Secretarias Estaduais de Saúde (SES). 
(BRASIL, 2012l).
A comunicação das SES com a SVS deverá ocorrer quinzenalmente (de acordo com o cronograma 
anual da Secretaria de Vigilância em Saúde – SVS); em caso da não ocorrência de suspeita de doença, 
as unidades devem preencher o formulário de notificação negativa. Os municípios que não alimentarem 
o banco de dados do Sinan, por dois meses consecutivos, poderão ter suspensos os recursos do Piso 
de Assistência Básica (PAB). Além da Ficha Individual de Notificação (FIN), que consiste no roteiro para 
investigação da fonte de infecção e dos mecanismos de transmissão da doença, também constam 
a planilha e o boletim de acompanhamento de surtos e os boletins de acompanhamento de hanseníase 
e tuberculose (BRASIL, 2012l).
c) Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações (SI-PNI) – tem por objetivo 
possibilitar aos gestores do programa uma avaliação dinâmica do risco quanto à ocorrência de surtos 
ou epidemias, a partir do registro dos imunobiológicos aplicados e da taxa de cobertura vacinal da 
população; além disso, possibilita o controle do estoque dos imunobiológicos necessários, as informações 
geradas por faixa etária, período de tempo e área geográfica (BRASIL, 2012j).
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EpidEmiologia E SaúdE pública
O SI-PNI é composto por um conjunto de sistemas:
• Avaliação do Programa de Imunização (API) – registra, por faixa etária, as doses de imunobiológicos 
aplicadas e calcula a cobertura vacinal por unidade básicas, do município, regional da Secretaria 
Estadual de Saúde, Estado e país. Fornece informações sobre vacinação de rotina e campanhas, 
taxa de abandono e envio de boletins de imunização.
• Estoque e Distribuição de Imunobiológicos (EDI) – gerencia o estoque e a distribuição dos 
imunobiológicos, nas instâncias federal, estadual, regional e municipal.
• Eventos Adversos Pós-Vacinação (EAPV) – permitem o acompanhamento de casos de reação 
adversa ocorridos pós-vacinação e a rápida identificação e localização de lotes de vacinas, nas 
instâncias federal, estadual, regional e municipal. 
• Programa de Avaliação do Instrumento de Supervisão (Pais) – utilizado pelos supervisores e assessores 
técnicos para padronização do perfil de avaliação, capaz de agilizar a tabulação de resultados.
• Programa de Avaliação do Instrumento de Supervisão em Sala de Vacinação (Paissv) – desenvolvido 
para a supervisão das salas de vacina, é utilizado pelos coordenadores estaduais de imunizações 
para padronização do perfil de avaliação, capaz de agilizar a tabulação de resultados. 
• Apuração dos Imunobiológicos Utilizados (AIU) – utilizado nas instâncias federal, estadual, 
regional e municipal, permite realizar o gerenciamento das doses utilizadas e das perdas físicas 
para calcular as perdas técnicas a partir das doses aplicadas. 
• Sistema de Informações dos Centros de Referência em Imunobiológicos Especiais (Sicrie) – registra 
os atendimentos nos Centros de Referência em Imunobiológicos Especiais (Cries) e informa a 
utilização dos imunobiológicos especiais e eventos adversos.
A figura a seguir representa a Família Gotinha, composta por crianças, trabalhadores da saúde, 
indígenas aldeados, idosos e gestantes:
Figura 68
d) Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (Sinasc) – foi implantado em 1990 com o 
objetivo de reunir informações epidemiológicas referentes aos nascimentos informados em todo 
território nacional. Sua implantação ocorreu, de forma lenta e gradual, em todas as unidades federativas 
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e em muitos municípios, já apresenta um número de registros maior do que o publicado pelo IBGE, com 
base nos dados de Cartório de Registro Civil (BRASIL, 2012i).
As informações do Sinasc, bem como o acompanhamento da evolução de suas séries históricas, 
permite a identificação de prioridades de intervenção, o que contribui para efetiva melhoria do sistema 
de saúde, na medida em que possibilita subsidiar intervenções relacionadas à saúde materna e do 
recém-nascido (RN), em todos os níveis do SUS. Além dos benefícios diretos, o sistema apresenta as 
seguintes funcionalidades: declaração de nascimento informatizada; geração de arquivos de dados em 
várias extensões para análises em outros aplicativos; retroalimentação das informações ocorridas em 
municípios diferentes da residência do paciente; controle de distribuição das declarações de nascimento 
(municipal, regional, estadual e federal); transmissão de dados automatizada utilizando o Sisnet, que 
possibilita a tramitação dos dados de forma ágil e segura entre os entes federados (BRASIL, 2012i).
Segundo Brasil (2012i), a Declaração de Nascido Vivo (DN), padronizada no país, constitui o 
documento de entrada do sistema, que é fundamentada nos seguintes dispositivos legais:
• Lei nº. 6.015, de 31 de dezembro de 1973 (Lei dos Registros Públicos), em seu Capítulo IV (artigos 51 a 
67), definiu as normas e providências para registro dos nascimentos em todo o território nacional. 
• Decreto n° 4.726, de 9 de junho de 2003 (Presidência da República), que aprovou a estrutura 
regimental do Ministério da Saúde e criou SVS.
• Portaria nº 20, de 3 de outubro de 2003 (SVS), que regulamentou as rotinas de coleta de dados, 
fluxo e periodicidade de envio das informações sobre óbitos.
• Portaria nº 1.929, de 9 de outubro de 2003, que definiu as atribuições da SVS e do DataSus 
referente ao SIS.
• Portaria nº 16, de 23 de abril de 2004, que constituiu o Comitê Técnico Assessor do Sistema de 
Informações sobre Nascidos Vivos (CTA-Sinasc).
• Lei nº. 12.662, de 6 de junho de 2012, mediante a qual a DNV passou a valer como documento de 
identidade provisória, seu número de identificação deverá constar obrigatoriamente na certidão 
de nascimento, realizada nos cartórios. 
Apresentamos a seguir o modelo da DN:
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EpidEmiologia E SaúdE pública
Figura 69 – Modelo da declaração de nascido vivo 
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A DN é impressa em três vias previamente numeradas, sob a responsabilidade do Ministério da Saúde, 
e distribuída gratuitamente às secretarias estaduais de Saúde, que a disponibiliza para às secretariasmunicipais de Saúde para serem repassadas aos estabelecimentos de saúde e ao cartório. 
Dependendo se o parto for hospitalar ou domiciliar, cada uma das três vias da DN terá um fluxo 
diferente:
a) partos hospitalares: a 1ª via permanece no estabelecimento de saúde até ser coletada, por 
busca ativa, pelos órgãos estaduais ou municipais responsáveis pelo sistema; a 2ª via é utilizada para 
o registro do nascimento (fica retida no cartório de registro civil, após o registro do nascimento); a 3ª 
via é arquivada no estabelecimento de saúde onde ocorreu o parto e também poderá ser utilizada para 
a localização das parturientes/RN, visando ao planejamento de ações específicas de saúde. A figura a 
seguir descreve o fluxo das informações nesse caso:
DN 3ª via
DN 2ª via
Hospital
DN 1ª via
Órgão de 
processamento
Família
Cartório 
 
Figura 70 - Fluxo da informação - Declaração de Nascido Vivo, partos hospitares
b) partos domiciliares: a DN será preenchida pelo profissional responsável – 1ª via: Secretaria 
Municipal de Saúde; 2ª via: responsável legal, para ser utilizada na obtenção da Certidão de Nascimento 
no cartório do registro civil (reterá o documento); 3ª via: responsável legal, para ser apresentada na 
primeira consulta em unidade de saúde. 
c) partos domiciliares sem profissional de saúde: a DN será preenchida pelo cartório de 
registro civil – 1ª via: cartório de registro civil, até ser recolhida pela Secretaria Municipal de 
Saúde; 2ª via: responsável legal, para ser utilizada na obtenção da Certidão de Nascimento no 
cartório de registro civil (a reterá); 3ª via: responsável legal, para ser apresentada na primeira 
consulta na unidade de saúde.
d) Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) – reúne dados quantitativos e 
qualitativos sobre óbitos ocorridos na nação, sendo considerado uma importante ferramenta 
de gestão na área da saúde. Foi desenvolvido pelo Ministério da Saúde, em 1975, resulta da 
unificação de mais de quarenta modelos de instrumentos utilizados ao longo dos anos, possui 
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EpidEmiologia E SaúdE pública
variáveis que permitem, a partir da causa do óbito atestada, construir indicadores e processar 
análises epidemiológicas que contribuam para a eficiência da gestão em saúde. Em 1979, foi 
informatizado e com a implantação do SUS, em 1990, teve sua coleta de dados repassada à 
atribuição dos Estados e Municípios, por meio das Secretarias de Saúde (BRASIL, 2012i).
Segundo o Manual de Instruções para o preenchimento da Declaração de Óbito do Ministério 
da Saúde, a Declaração de Óbito (DO) é impressa em papel especial autocopiativo, em três vias, 
que compõem um jogo; em função das características do óbito (por causa natural ou por causa 
acidental e/ou violenta) ou do local de sua ocorrência (hospital, outros estabelecimentos de saúde, 
via pública, domicílio), o fluxo da DO pode variar de acordo com as causas do óbito. 
As figuras a seguir descrevem os diferentes fluxos da DO: 
3ª via
2ª via
Hospital
1ª via
Secretaria 
de Saúde
Família
Cartório de 
registro civil
Preenche
Arquiva
Encaminha
Figura 71 - Fluxo da informação óbitos hospitalares
3ª via
2ª via
1ª via
Secretaria de Saúde
Cartório de 
registro civil
Preenche
Arquiva
Encaminha
Figura 72 - Óbitos por causas naturais em localidades sem médicos
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No Brasil, o modelo do documento é padronizado, tem sequência numérica única, em conjuntos de 
três vias autocopiativas, e duas grandes funções: padrão para coleta de informações sobre mortalidade, 
subsidiando as estatísticas vitais e epidemiológicas, e liberação do corpo para o sepultamento e outras 
medidas legais. 
O controle da numeração e a emissão e distribuição dos formulários às secretarias estaduais 
de Saúde é de competência exclusiva do Ministério da Saúde. As Secretarias são responsáveis 
pela distribuição dos formulários diretamente ou por meio de suas instâncias regionais de saúde 
às Secretarias Municipais de Saúde e aos Distritos Sanitários Especiais Indígenas, que controlam a 
distribuição e utilização do documento em sua esfera de gerenciamento do sistema. Já as secretarias 
municipais de Saúde, são responsáveis pelo fornecimento e controle da utilização dos formulários 
entregues às unidades notificadoras, que nesse caso assumem também a responsabilidade solidária 
pela série numérica recebida. 
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EpidEmiologia E SaúdE pública
A seguir, apresentamos o modelo da DO:
Figura 73 - Modelo da Declaração de Óbito
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Em 2009, foi instituída pela Portaria SVS nº 116, de 11 de fevereiro de 2009, a Declaração de Óbito 
Epidemiológica (DO Epidemiológica), que consiste em um documento padrão de uso obrigatório em 
todo o território nacional para a coleta de dados de óbitos conhecidos tardiamente pelo sistema de 
saúde, em circunstâncias em que não seja mais possível emitir uma DO normal (geralmente quando já 
houve o sepultamento e não é mais possível verificar o óbito).
Esse tipo de DO não é considerado documento válido para a emissão da Certidão de Óbito pelo Cartório 
de Registro Civil. Contudo, seu objetivo é expandir a cobertura sobre os registros de óbitos na nação, 
contribuindo diretamente com a melhoria da qualidade dos dados informados, e seu preenchimento 
poderá ser feito por outros profissionais de saúde, além dos médicos. 
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EpidEmiologia E SaúdE pública
A seguir, apresentamos o modelo da DO Epidemiológica:
Figura 74 – Modelo da Declaração de Óbito Epidemiológica
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7.2 rede Interagencial de Informações para a Saúde (ripsa)
A Opas instituiu, em 1995, a Iniciativa Regional de Dados Básicos em Saúde, para atender sua função 
de documentar e difundir a situação da saúde e suas tendências nas Américas. O trabalho empreendido 
motivou os gestores nacionais a aperfeiçoaram seus sistemas e bases de dados para se produzirem e 
divulgarem informações segundo critérios comuns. Diante dos objetivos em comum dessa iniciativa, o 
Ministério da Saúde e a Opas formalizaram em 1996 um Termo de Cooperação para o Aperfeiçoamento 
de Informações para a Saúde no país, instituindo a Ripsa.
A Ripsa é constituída por um grupo de trabalho multidisciplinar das seguintes instituições: MS; Opas; 
IBGE;Associação Brasileira de Pós-graduação em Saúde Coletiva (Abrasco); Faculdade de Saúde Pública 
da USP; Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea); Fundação Seade (Sistema Estadual de Análises 
de Dados); Biblioteca Virtual de Saúde (BVS); Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em 
Ciências da Saúde (Bireme); Portal da Ripsa na Biblioteca Virtual de Saúde (BVS-Ripsa). O objetivo da 
rede é contribuir para o aperfeiçoamento da capacidade nacional de produção e o uso de informações 
para as políticas de saúde, estruturadas em indicadores específicos que se referem aos determinantes 
sociais, econômicos e organizacionais de saúde da população.
 Em 2002, foi lançada a primeira publicação da Ripsa, visando a oferecer aos interessados no estudo 
das condições de saúde do país material destinado a orientar a utilização dos Indicadores e Dados 
Básicos para a Saúde (IDB – que foi publicado de forma completa na internet em <http://www.datasus.
gov.br/idb). O IDB compreende um conjunto de indicadores construídos a partir de bases de dados e 
pesquisas nacionais sobre diversos aspectos da situação da saúde no país.
A publicação também é disponibilizada em folheto impresso desde 1997, o qual sintetiza dados 
referentes ao ano anterior. Os dados brutos utilizados no cálculo são apresentados em planilha 
eletrônica padronizada, preparada pelo DataSus ou obtida diretamente das bases de dados disponíveis 
dos indicadores, e IDB, por unidade geográfica; as informações são categorizadas de acordo com idade; 
sexo; cor/raça; situação de escolaridade; condição social; situação urbana ou rural do domicílio. Sua 
classificação é realizada por meio de seis subconjuntos temáticos: demográficos; socioeconômicos; 
mortalidade; morbidade e fatores de risco; recursos; cobertura. No total, são 120 indicadores, sendo que 
a produção de cada indicador é de responsabilidade da instituição-fonte/parceira da rede que mais se 
identifica com o tema.
De acordo com a Opas, o DataSus é o órgão responsável pela elaboração e montagem do folheto, e 
a editora do Ministério da Saúde ficou encarregada da produção da arte e distribuição dos exemplares 
impressos. As informações são organizadas em fichas de qualificação, que apresentam a seguinte 
estrutura:
a) conceituação – informações que definem o indicador e sua forma de expressão, agregando 
elementos para a compreensão de seu conteúdo (somente se houver necessidade).
b) interpretação – explicação sucinta do tipo de informação obtida e seu significado.
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EpidEmiologia E SaúdE pública
c) usos – indica as principais finalidades da utilização dos dados, a serem consideradas na análise 
do indicador.
d) limitações – fatores que restringem a interpretação do indicador, referentes tanto ao próprio 
conceito quanto às fontes utilizadas.
e) fontes – instituições responsáveis pela produção dos dados utilizados no cálculo do indicador 
pelos sistemas de informação a que correspondem.
f) método de cálculo – define os elementos que compõem a fórmula utilizada para calcular o indicador.
g) categorias sugeridas para análise – níveis de desagregação definidos pela sua potencial 
contribuição para interpretação dos dados que estão disponíveis.
h) dados estatísticos e comentários – consistem em uma tabela que apresenta os dados referentes 
às grandes regiões do país, em anos, selecionados desde o início da série histórica, de forma 
resumida e comentada, que ilustra a aplicação do indicador em situação real. 
7.3 Classificação Internacional de doenças, traumatismos e Causas de 
Morte (CId) 
Desde 1662, estatisticamente, a morte era classificada como decorrente de causa única, de doença 
ou lesão que teve início em uma sucessão de eventos e que culminou com o óbito ou, nos casos de 
acidentes ou violências, as circunstâncias em que estes ocorreram (LAURENTI, 2007).
De acordo com Laurenti (1991, pp. 4, 5 e 9), a classificação das causas de óbitos percorreu um longo 
caminho histórico:
No século XVIII, François Bosieer de Lacroix realizou a primeira tentativa de 
uma classificação sistemática de doenças, a qual denominou de Sauvages/
Nosologia Methodica. 
1785 – William Cullen de Edimburgo realizou uma classificação que foi 
publicada com o título de Synopsis Nosologiae Methodicae. 
Século XIX – Willian Farr, considerado como o primeiro estatístico médico, 
observou que os serviços públicos usavam a classificação de Cullen, que 
ainda não incluía os avanços da medicina, o que era uma condição limitante 
para usá-la com fins estatísticos e até mesmo clínicos. Descreveu os 
princípios que deveriam reger uma classificação de doenças e sugeriu uma 
nomenclatura uniforme. A classificação de doenças sempre esteve ligada 
às estatísticas de causa de morte. Farr postulava que era desejável estender 
o mesmo sistema de nomenclatura às doenças que não eram mortais, mas 
que causavam incapacidade na população. 
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1853/primeiro Congresso Internacional de Estatística – Bruxelas – foi 
discutida a necessidade da classificação de causas de morte por doenças que 
fossem uniformes.
1858/Congresso de Estatística em Paris – Farr/Marc e D`Espine tiveram 
a incumbência de preparar uma classificação uniforme de causas de 
morte para a aplicação internacional. Farr defendia que a classificação 
deveria ser dividida em cinco grupos: doenças epidêmicas; doenças 
constitucionais (gerais); doenças localizadas, classificadas conforme o sítio 
anatômico; doenças do desenvolvimento e doenças consequentes direta de 
traumatismo. Marc D`Espine classificou as doenças segundo sua natureza 
(gotosa, herpética etc.). 
1864 – as duas classificações foram revisadas. 
1874, 1880 e 1886 – foram realizadas revisões no modelo de classificação 
proposto por Farr. Embora não tendo recebido aprovação mundial, esse 
modelo de classificação de doenças, segundo a localização anatômica com 
base na lista internacional de causas de morte, acabou se tornando padrão.
1860 – IV Congresso Estatístico Internacional em Londres – Florence 
Nightingale insistiu que se adotasse a classificação de Farr para a tabulação 
da morbidade hospitalar. 
1885/Viena – Jacques Bertillón, chefe de estatística em Paris, foi solicitado 
pelo Instituto Internacional de Estatística para realizar uma classificação das 
causas de morte. Apresentou a síntese das classificações inglesa, alemã e 
suíça; utilizou a classificação regida pelos princípios de Farr (fazer distinção 
entre doenças gerais; localizadas em órgãos/sítio anatômico específico). Sua 
classificação foi aprovada e acolhida por vários países. 
1986/I Conferência Internacional sobre promoção da Saúde – Ottawa, 
Canadá – a Associação de Saúde Pública (APHA) sugeriu que os registros 
civis do Canadá, do México e dos Estados Unidos da América (EUA) 
adotassem a classificação de Bertillón e que a mesma fosse revisada a cada 
dez anos. A medição do estado de saúde requer sistemas harmonizadores 
e unificados, como a Classificação Estatística Internacional de Doenças e 
Problemas Relacionados à Saúde (CID), que está na sua décima revisão, 
cujos XXII capítulos iniciam com certas doenças infecciosas e parasitárias 
(A00-B99) e terminam com o capítulo referente aos códigos para propósitos 
especiais (U00-U99). 
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A tabela a seguir apresenta os capítulos da CID-10:
Tabela 7 - Capítulos da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas 
Relacionados à Saúde/CID 10
Capítulos Títulos Códigos
I Algumas doenças infecciosas e parasitárias A00 – B99
II Neoplasias (tumores) C00 – D48
III Doenças do sangue e dos órgãos hematopoiéticos e alguns transtornos imunitários D50 – D89
IV Doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas E50 – E90
V Transtornos mentais e comportamentais F00 – F99
VI Doenças do sistema nervoso G00 – G99
VII Doenças do olho e anexos H00 – H59
VIII Doenças do ouvido e da apófise mastoide H60 – H95
IX Doenças do aparelho circulatório I00 – I99
X Doenças do aparelho respiratório J00 – J99
XI Doenças do aparelho digestivo K00 – K93
XII Doenças da pele e do tecido subcutâneo L00 – L99
XIII Doenças do sistema osteomuscular e do sistema conjuntivo M00 – M99
XIV Doenças do aparelho geniturinário N00 – N99
XV Gravidez, parto e puerpério O00 – O99
XVI Algumas afecções originadas no período perinatal P00 – P96
XVII Malformações congênitas, deformidades e anomalias Q00 – Q99
XVIII Sintomas, sinais e achados anormais de exames clínicos e laboratório NCOP R00 – R99
XIX Lesões, envenenamentos e algumas outras consequências de causas externas S00 – T99
XX Causas externas de morbidade e mortalidade V01 – Y98
XXI Fatores que influenciam o estado de saúde e o contato com os serviços de saúde Z00 – Z99
Fonte: Laurenti (2007).
A CID-10 começou a ser utilizada em 1993 e foi aprovada em 1989. Trata-se da classificação mais 
recente de uma série iniciada em 1900, que se tornou o padrão de classificação diagnóstica para todos 
os propósitos epidemiológicos e de registros em saúde. É utilizada para classificar doenças e outros 
problemas de saúde em diferentes tipos de registros, como atestados de óbito e registros hospitalares, o 
que permite resgatar informações clínicas e epidemiológicas e compará-las com estatísticas nacionais 
de morbimortalidade.
Laurenti (2007) abordou as outras revisões antes de chegar à décima revisão atual:
• 1ª revisão/1900; 2ª/1909 e 3ª revisão/1920: foram baseadas na classificação das causas de morte; 
Bertillón adotou uma classificação paralela para morbidade.
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• 1923 – Michel Huber/Instituto Internacional de Estatística /Organização de Higiene da Sociedade 
de Nações – estudaram a classificação de doenças e causas de morte.
• 1928/Huber – apresentou uma monografia detalhando a ampliação da Lista Internacional de 
Causas de Morte, para ser utilizada na tabulação das estatísticas de morbidade.
• 4ª revisão/1929 – a proposta de Huber foi usada na classificação das doenças.
• 1938/5ª revisão – propostas da comissão de higiene para alteração nas listas das doenças infecciosas e 
parasitárias, devido às mudanças nas afecções puerperais, acidentes e os progressos científicos.
• 1940/EUA – lista de doenças e traumatismos para a tabulação de estatísticas de morbidade; foi 
considerada a vantagem de ter uma lista única de doenças.
• 1946 – a OMS revisou as listas internacionais das causas de morte e as listas internacionais de 
causas de morbidade e aceitou a classificação elaborada pelos EUA para as causas conjuntas 
de morte. Nesse momento, surgiu a denominação de Classificação Internacional de Doenças, 
Traumatismos e Causas de Morte.
• 1948/6ª revisão – foi adotada a classificação elaborada pela OMS, e, a partir daí, começou uma 
nova era nas estatísticas vitais e de saúde em âmbito internacional, em que foram estabelecidos 
comitês nacionais de estatísticas vitais e de saúde, nos quais as atividades eram coordenadas em 
articulação com a OMS. 
• 1955/7ª revisão – mudanças essenciais, correção de alguns erros e inconsistências. 
• 1965/8ª revisão – não ocorreu nenhuma modificação relevante, apenas adequações.
• 1975/9ª revisão – estabeleceu regras para a seleção de causa única para a tabulação da morbidade.
• 1989/10ª revisão – classificação atual. 
A tabela a seguir apresenta o resumo dessas revisões: 
Tabela 8 - Revisões da Classificação Internacional de Doenças segundo o ano em que foi 
adotada, anos de uso e número de categorias
Categorias
Revisões Ano da conferência que a adotou Anos de uso Doenças
Causas 
externas
Motivos Assistência 
Saúde Total
Primeira 1900 1900 - 1909 157 22 179
Segunda 1909 1910 - 1920 157 32 189
Terceira 1920 1921 - 1929 166 39 205
Quarta 1929 1930 - 1938 164 36 200
Quinta 1938 1939 - 1948 164 36 200
Sexta 1948 1949 - 1957 769 153 88 1.010
Sétima 1955 1958 - 1967 800 153 88 1.041
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Oitava 1965 1968 - 1978 858 182 48 1.088
Nona 1975 1979 - 1992 909 192 77 1.178
Décima 1989 1993 - Atual 1.575 373 82 2.032
 Fonte: adaptada Laurenti (2007).
A décima revisão consiste em um livro dividido em capítulos, categorias e subcategorias que 
classificam todas as doenças. Após aplicar regras de seleção/modificação, define-se a causa básica, que 
não tem eixo de classificação definido: alguns capítulos do eixo etiológico; outros anatômicos; outros 
como causas maternas e doenças perinatais ou período particular da vida.
O modelo da DO que é utilizado foi proposto e adotado pela OMS e aceito internacionalmente a partir 
de 1948 (CID-6). Apresenta dados referentes à identificação do falecido e outras variáveis de interesse 
administrativo e demográfico, é constituído por duas partes: I e II. Para a parte I, foram propostas três 
linhas a), b) e c). A partir da CID-10, a OMS propôs uma quarta linha na Parte I, a linha d), que foi adotada 
no país em 1999. Sob as linhas a), b) e c) está escrita a frase: “Devido a ou como consequência de”. O 
médico deve declarar a causa básica na última linha utilizada da Parte I e, acima dela, as complicações 
ou causas intervenientes (LAURENTI, 2007). 
O caso clínico e a figura a seguir servem para exemplificar como deve ser esse preenchimento:
Feminino, 48 anos, portadora de diabetes tipo II há cinco anos, quando 
ocorreu o óbito estava em grau extremo de caquexia, com metástases 
generalizadas em decorrência de câncer primário de colo de útero, que foi 
diagnosticado há dois anos (LAURENTI, 2007, p. 12)
CAUSA DA MORTE
PARTE I 
Doença ou estado mórbido que 
causou diretamente a morte.
CAUSAS ANTECEDENTES
Estados mórbidos, se existirem, 
que produziram a causa acima 
registrada.
Menciona-se em último lugar a
CAUSA BÁSICA
PARTE II
Outros estados patológicos significativos 
que contribuíram para a morte, porém 
não relacionadas com a doença ou estado 
patológico que a produziu
a)
b)
c)
d)
meses
Devido ou consequência de
Intervalo entre 
as doenças
Devido ou consequência de
meses
2 anos
Caquexia
Metasteses generalizadas
Câncer no colo do útero
Diabetes
Figura 75
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13A fim de compor as estatísticas de mortalidade e morbidade, que objetivam aumentar o conhecimento 
e a compreensão do perfil epidemiológico de adoecimento e óbito da população, para o adequado 
planejamento das ações de prevenção, promoção, proteção, cura e reabilitação em saúde, espera-se que 
o preenchimento da DO tenha a melhor qualidade possível, sem nenhuma omissão ou duplicidade de 
dados.
Nessa perspectiva, Laurenti (2007) afirmou que, caso o médico declare uma causa (cardiopatia, 
nefropatia, doença etc.) ou uma complicação (septicemia, embolia, asfixia etc.), de maneira incompleta 
ou inadequada, cabe ao codificador, diretamente ou via seu superior, solicitar informações com o 
médico que assinou o atestado de óbito. Esses esclarecimentos podem ser solicitados por telefone, carta, 
e-mail, fax etc., sendo que, nesse caso específico, a forma mais adequada é a carta, já padronizada para 
favorecer a confidencialidade dos dados.
8 PESQuISA EPIdEMIoLÓGICA
8.1 orientações gerais sobre o estudo 
Se você planeja realizar um estudo epidemiológico, as unidades anteriores deste livro-texto poderão 
fornecer informações para ajudá-lo nessa tarefa. De acordo com Bonita (2010), é importante que você 
procure boas questões para serem respondidas por meio da pesquisa, assim como seu delineamento, 
principalmente por meio da metodologia a ser utilizada. Isso é fundamental para a qualidade do estudo. 
O projeto de pesquisa deverá ser claro e coerente e, após a aprovação do projeto, deve-se executar a 
pesquisa, da melhor maneira, escrever e apresentar o trabalho. Mesmo que se trate de uma pesquisa 
para a obtenção de títulos na área acadêmica (graduação ou especialização), é importante que se dê 
continuidade ao trabalho, submetendo-o para análise em uma revista científica, a fim de obter a sua 
publicação. 
A melhor forma de começar a pesquisa é procurando conhecer, de forma aprofundada, uma doença 
específica ou os problemas de saúde pública. Por meio deste livro-texto, você poderá entender alguns 
princípios básicos da epidemiologia das doenças. O saber epidemiológico deve ser complementado 
pela revisão da literatura em livros, artigos científicos, teses, entre outros materiais, a fim de obter 
conhecimento relacionado à patologia, ao tratamento clínico, à farmacologia, reabilitação e ao impacto 
econômico da doença. Também pode ser necessário conhecimento mais detalhado de aspectos de 
prevenção, impacto econômico ou mudança no padrão ou perfil epidemiológico. Além de focar numa 
doença específica, também é possível escolher um fator de risco a ser pesquisado, como exposição ao 
fumo, entre outros. 
Em virtude da enorme quantidade de informações disponíveis e de artigos publicados na área da 
saúde, sabemos que manter-se informado e atualizado, mesmo em uma área restrita do conhecimento, 
não é uma tarefa fácil, e sim quase impossível. Para isso, é importante selecionar publicações relevantes 
e confiáveis, mas essa habilidade precisa ser desenvolvida; por isso, quanto maior a prática, melhor será 
a qualidade dos artigos levantados e, consequentemente, mais fácil realizar o delineamento do estudo, 
com mais chances de ser assertivo. Uma sugestão para sistematizar a leitura é agrupar os artigos por 
categorias: 
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1) história natural da doença;
2) distribuição geográfica; 
3) causalidade da doença; 
4) tratamento ou intervenções realizadas por diferentes categorias profissionais (nutrição, 
enfermagem, fisioterapia, entre outras).
Em Epidemiologia, não há escassez de material para leitura. A seguir, indicamos uma lista de revistas 
que utilizam revisão por pares, um processo que consiste em submeter o trabalho científico para a revisão 
de um ou mais especialistas, anonimamente, do mesmo nível do autor. Esses revisores contribuem para 
a qualidade do trabalho a ser publicado. Frequentemente os estudos epidemiológicos são publicados em 
revistas de medicina geral, e algumas publicações contam com a colaboração da OMS para tornar seu 
conteúdo gratuito, ou com baixo custo na internet. O nome dado a essa iniciativa é Hinari, e detalhes 
sobre como registrar-se podem ser obtidos no site da OMS (http://www.who.int/hinari/en). 
 Saiba mais
Apresentamos, a seguir, com base em Bonita et al. (2010), algumas 
recomendações de livros-texto, agências governamentais, não governamentais 
e intergovernamentais. 
BAKER, D. et al. (Org.) Environmental epidemiology. Document WHO/
SDE/OEH/99.7. Geneva: World Health Organization, 1999.
BRADFORD, H. A. Principles of medical statistics. 12. ed. Lubrecht & 
Cramer Ltda., 1991.
CHECKOWAY, H.; PEARCE, N.; CRAWFORD BROWN, D. Research methods 
in occupational epidemiology. Nova York: Oxford University Press, 1989.
COGGON, D.; ROSE, D.; BARKER, D.J.P. Epidemiology for the uninitiated. 
Londres: BMJ Publishing Group, 1997. 
DETELS, R.; MCEWEN, J.; BEAGLEHOEL, R.; TANAKA, H. Oxford textbook 
of public health. Nova York: Oxford University Press, 2002.
FRISS, R. H.; SELLERS, T. A. Epidemiology for public health practice. 
Maryland: Aspen, 1996.
GORDIS, L. Epidemiology. 2. ed. Filadélfia, Saunders, 2000.
HALPERIN, W.; BAKER LR, E. L.; MONSON, R. R. Public health surveillance. 
Nova York: Van Nostrand Reinhold, 1992.
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KAHN, H. A. Statistical methods in epidemiology. Nova York: Oxford 
University Press, 1989.
KLEINBAUM, D. G.; BARKER, N.; SULLIVAN, K. M. ActiviEpi companion 
textbook. Springer, 2005.
LILIENFELD, D. E.; STOLLEY, P. D. Foundations of epidemilogy. 3. ed. Nova 
York: Oxford University Press, 1994.
MACMAHON, B.; TRICHOPOLOUS, D. Epidemiology: principles and 
methods. 2. ed. Boston: Little Brown, 1996.
MACMAHON, B. Epidemiology: principles and methods. 2. ed. 
Hagerstown: Lippincott-Raven, 1997.
MAUSNER, J. S.; KRAMER, S. Mausner 7 Bahn epidemiology: an 
introductory text. Filadélfia: W. B. Saundes, 1985.
MEINERT, C. L. Clinical trials: design, conduct, and analysis. Nova York: 
Oxford University Press, 1986.
MORTON, R. F.; HEBEL, J. R.; MCCARTER, R. J. A sutdy guide to 
epidemiology and biostatistics. Jones and Bartlett Publishers, 2004.
NOREL, S. E. A short course in epidemiology. Nova York: Raven Press, 1992.
PEARCE, N. A short introduction to epidemiology. Occasional Report 
Series 2. Wellington: Centre for Public Health Research.
PETITTI, D. B. Meta-analysis, decision analysis, and cost-effectiveness 
analysis: methods for quantitative synthesis. 2. ed. Nova York: Oxford 
University Press, 2000.
ROTHMAN, K. J.; GREENLAN, S. Modern epidemiology. Lippincott 
Williams & Wilkins, 1998.
ROTHMAN, K. J. Epidemiology: an introduction. Nova York: Oxford 
University Press, 2002.
SACKETT, D. L.; HAYNES, R. B.; TUGWELL, P. Clinical epidemiology: a basic 
science for clinical medicine. Nova York: Little Brown, 1985.
SZKLO, M.; NIETO, F. J. Epidemiology: beyond the basics. Gaithersburg: 
Aspen, 2000.
WASSERTHEIL-SMOLLER, S. Biostatistics and epidemiology: a primer for 
health and biomedical professionals. Springer, 2004.
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Ao iniciar a pesquisa, deve estar claro qual será o assunto pesquisado; depois, como primeiro passo, 
é necessário definir os objetivos do estudo, ou seja, a questão que se deseja abordar ou a hipótese que 
se deseja testar. Deve-se, também, questionar se os resultados serão relevantes para o trabalho, para daí, 
então, prosseguir com a leitura dos artigos. O método de pesquisa ou o tipo de estudo também deverão 
ser estabelecidos, a fim de responder aos objetivos ambicionados. Exemplo, se o objetivo do estudo é 
conhecer a prevalência de uma determinada doença ou algum fator de risco, o método adequado é o 
estudo transversal. Se a intenção é avaliar a eficácia do tratamento ou de algum tipo de intervenção, o 
tipo de estudo mais apropriado é o estudo clínico randomizado. O estudo de coorte é apropriado para 
avaliar a causalidade da doença, e o estudo do tipo caso-controle é utilizado para identificar os fatores 
de risco para uma doença.
Também deverá ser pensado qual será a população do estudo, quem será incluído ou excluído dele, 
avaliar se a amostra selecionada representa a população-alvo, se ela é suficiente e como foi selecionada.
Se o estudo a ser realizado for do tipo observacional, devem-se considerar algumas questões, como: 
os métodos foram bem descritos, estão claros e objetivos? O processo utilizado para a coleta de dados 
está adequado (incluindo delineamento do questionário e pré-testagem)? Foi prevista a possibilidade 
de os pesquisados não responderem a alguma questão ou não terem resposta para a pergunta? E que 
técnica foi usada para lidar com essa situação, os não respondentes e os dados incompletos?
Ao tabular os dados, avaliar se as tabelas e os gráficos estão em número suficiente, se os números são 
consistentes, se foi considerada toda a amostra. Ao calcular as médias, observar se foram apresentados 
com outros dados estatísticos, como os desvios padrão, os intervalos de confiança, os coeficientes de 
regressão ou outros dados necessários.
Ao avaliar e interpretar os resultados, veja se o estudo é válido e relevante, e se vale a pena seguir 
adiante.
No caso de um estudo observacional, veja se os resultados encontrados no grupo controle 
correspondem ao que esperava – se as médias obtidas se assemelham às da população geral.
Na avaliação final do estudo, considere alguns pontos; por exemplo se a pesquisa forneceu sugestão 
para ação; se a questão do estudo foi respondida; se melhoraria o delineamento do estudo; se faltou 
alguma informação que impedisse uma adequada avaliação; se foram considerados os resultados de 
estudos prévios sobre o mesmo assunto; se está satisfeito com o estudo, se ele lhe forneceu informações 
válidas e relevantes.
 Lembrete
A investigação epidemiológica depende da escolha de um delineamento 
(tipo) de estudo apropriado, sendo que todos os tipos de estudo 
epidemiológicos têm vantagens e desvantagens.
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Os aspectos éticos, como em qualquer outra ciência, também são 
fundamentais em Epidemiologia.
8.2 Projeto de pesquisa
Entre as etapas envolvidas no planejamento de um projeto de pesquisa, temos: escolha do 
projeto, redação do protocolo, aprovação do comitê de ética, condução do projeto, análise de dados e 
apresentação dos resultados.
O orientador deve ter um papel ativo na escolha e na condução do estudo. Em virtude do pouco 
tempo e da limitação de recursos disponíveis, os projetos dos alunos não deveriam ser muito ambiciosos, 
e preferencialmente ter importância local e ser relevantes para algum serviço de saúde. 
Pontos necessários na elaboração do protocolo
• Descreva claramente o problema e como poderá resolvê-lo.
• Na justificativa, descreva a importância da questão de sua pesquisa e como contribuirá para o 
conhecimento.
• Descreva a população e o lugar do estudo, bem como as intervenções ou observações a serem 
realizadas.
• No delineamento do estudo, descreva os detalhes, como a estratégia de amostragem, o número 
de participantes, as variáveis de interesse, incluindo potenciais fatores de confusão, o método de 
coleta de dados, com pré-testagem de instrumentos, coleta e digitação dos dados, processamento e 
análise dos dados. Também é importante incluir o orçamento e o cronograma do estudo, descrever 
funções e responsabilidades de todos os envolvidos, as questões éticas do estudo e incluir um plano 
de publicação que contemple as formas como os resultados da pesquisa serão disseminados. E ainda 
elaborar um plano de retorno dos resultados aos que participaram do estudo.
 Saiba mais
Alguns endereços na web sobre publicação de artigos científicos e sites 
que disponibilizam análise epidemiológica:
<http://www.icmje.org/index.html>
<http://www.publicationethics.org.uk>
<http://www.consort-statement.org/news> 
<http://www.ajph.org/chi/content/full/94/3/361>
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EpidEmiologia E SaúdE pública
<http://www.consort-statement.org>
<http://www.wma.net/e/policy/b3.htm>
8.3 Análise dos dados 
Existem vários programas para análise estatística e de epidemiologia, que vão desde planilhas que 
fazem análises limitadas, programas construídos para alguns tipos de análise ou mesmo que realizam 
quase todas as análises estatísticas necessárias à pesquisa epidemiológica. Há um catálogo de recursos 
epidemiológicos, disponível gratuitamente ou por um custo mínimo, produzido pelo Epidemiology 
Monitor (http://www.consort-statement.org/evidence.htm#quorom). O programa Rothman Episheet 
pode ser baixado do endereço <http://77www.oup-usa.org/epi/rothman>. Há também alguns programas 
considerados de domínio público e distribuídos livremente, como OpenEpiou o Epi Info™ do Centers for 
Disease Control and Prevention (CDC).
De acordo com Bonita et al. (2010, p. 183):
[...] na escolha de um software, você deve avaliar como o programa trabalha 
com a entrada de dados e com variáveis com valores desconhecidos, qual a 
capacidade do programa para atualizar e juntar bancos de dados, os tipos de 
análise que pode realizar e a possibilidade de editar textos e produzir figuras, 
gráficos etc.
 Saiba mais
A seguir, exemplos de revistas com revisão por pares que publicam 
pesquisas epidemiológicas:
American Journal of Epidemiology
<http://aje.oxfordjournals.org>
American Journal of Public Health
<http://www.ajph.org>
Annals of epidemiology
<http://www.annalsofepidemiology.org>
Bulletin of the World Health Organization
<http://www.who.int/bulletin/en>
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Cadernos de Saúde Pública
<http://www.ensp.fiocruz.br/csp>
Emerging Infectious Diseases
<http://www.cdc.gov/ncidod/EID>
Environmental Health Perspectives 
<http://www.ehponline.org>
Zadig, Salute Scienza de Ambiente 
<http://www.zadig.it/eprev>
Epidemiologic Review
<http://www.epirev.oxfordjournals.org>
Epidemiology
<http://www.epidem.com>
European Journal of Epidemiology
<http://www.springerlink.com/link.asp?id=102883>
Journal of Clinical Epidemiology
<http://journals.elsevierhealth.com/periodical/jce>
Journal of Epidemiology and Communiy Health
<http://jech.bmjjournals.com>Public Library of Science Medicine
<http://medicine.plosjournals.org>
Revista de Saúde Pública
<http://www.fsp.usp.br/rsp>
Revista Panamericana de Salud Pública
<http://revista.paho.org>
The British Medical Journal
<http://bmj.bmjjournals.com>
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EpidEmiologia E SaúdE pública
The Lancet
<http://www.thelancet.com>
Weekly Epidemiologic Record
<http://www.who.int/wer/en>
8.4 Estudos epidemiológicos
Os estudos epidemiológicos são divididos em dois ramos da Epidemiologia distintos: a Epidemiologia 
descritiva, que descreve como o agravo se distribui na população, e a Epidemiologia analítica, que 
analisa como e de que forma o agravo atinge a população. 
No planejamento da pesquisa, é fundamental definir o desenho do estudo que será utilizado, o qual 
deverá estar relacionado não só com a natureza da questão, mas também outros fatores deverão ser 
considerados para essa decisão, como o tempo e o recurso financeiro disponíveis e a prevalência dos 
fatores de exposição (é um fator raro? Ou comum?), a frequência do evento, que também pode ser raro 
ou comum, a necessidade da obtenção rápida dos resultados, assim como conhecer as vantagens e 
desvantagens de cada modelo e as características de cada tipo de estudo.
Os estudos epidemiológicos podem também ser classificados como agregados, constituídos por 
populações ou individuado; o estudo de observação pode ser transversal (analisa um determinado 
período, é instantâneo) ou longitudinal (observa a doença ou a manifestação dela no transcorrer 
do tempo); de intervenção (experimentação); retrospectivo (já aconteceu) ou prospectivo (irá 
acontecer).
8.4.1 Estudo observacional
Nesse tipo de estudo, não existe nenhuma manipulação do fator estudado. Pode ser dividido em 
descritivo e analítico. 
Estudo observacional descritivo 
O objetivo do estudo descritivo é informar sobre a distribuição de um evento (ex. doença) na 
população, de forma quantitativa e de acordo com as diversas exposições ou características da população 
observada (sexo ou gênero, idade, raça, nível socioeconômico), do local (hospital, escola, bairro, cidade, 
país etc.) e tempo. Ele avalia a morbidade de um evento ou agravo à saúde e pode ser de incidência ou 
prevalência. 
Os estudos descritivos identificam os grupos de risco, visando a estabelecer uma relação com 
as medidas de prevenção e o planejamento em saúde. Eles são especialmente úteis para conhecer a 
frequência de um evento, a história natural ou os determinantes de uma doença.
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Estudo observacional analítico
Tem como objetivo avaliar, além de descrever, se a ocorrência de um determinado evento é diferente 
entre grupos expostos e não expostos a um determinado fator. O objetivo específico desse tipo de 
estudo é testar hipóteses.
8.4.2 Estudo transversal (ou de prevalência) 
Nesse estudo, cada indivíduo é avaliado quanto ao fator de exposição à doença em determinado 
momento, a fim de determinar a prevalência de uma doença ou agravo à saúde. 
A causa (exposição) e o efeito (doença) são observados no mesmo momento. A análise é feita por 
meio da identificação dos grupos de interesse, os expostos, os não expostos, os doentes e os sadios, de 
modo a investigar a associação entre exposição e doença .
O cálculo de associação é feito por meio do risco relativo (RR), porém, denomina-se razão de 
prevalência (relação entre a prevalência entre expostos e não expostos). O cálculo também pode ser 
feito pelo odds ratio.
Vantagens – baixo custo; alto potencial descritivo; simplicidade analítica; rapidez; objetividade na 
coleta dos dados; facilidade de obter amostra representativa da população etc.
Desvantagens – vulnerabilidade a vieses, que consiste no erro sistemático ou na tendenciosidade, 
especialmente de seleção; baixo poder analítico, portanto, inadequado para testar hipóteses causais; os 
pacientes curados ou falecidos não aparecem na amostra, o que leva a um viés de prevalência; a relação 
cronológica dos eventos pode não ser facilmente detectável; não determina risco absoluto.
Exposição
(causa)
Doença
(efeito)
Obesidade
Fumo
Toxoplasmose
Vacina
Medicamento
Diabetes
Câncer
Anomalia congênita
Proteção à doença
Cura
Exposição Doença
Tipos de estudos
Estudos de caso
Estudos de caso-controle
Estudo transversal
Figura 76 – Diferença entre estudo caso-controle de coorte e transversal
8.4.3 Estudo de coorte
Assim como no estudo Ensaio Clínico Randomizado, o estudo de coorte também parte da causa em 
direção ao efeito. A diferença é que, neste caso, os grupos são formados por observação das situações 
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na vida real, e não por alocação aleatória da exposição. E também se compara a incidência de casos nos 
grupos de expostos e não expostos.
Vantagens – simplicidade do desenho; alto poder analítico; produz medidas diretas de risco (risco 
relativo); facilidade de análise; a cronologia dos eventos é facilmente determinada; não há problemas 
éticos quanto a decisões de expor as pessoas a fatores de risco; muitos desfechos clínicos podem ser 
investigados etc.
Desvantagens – alto custo relativo, longo tempo de acompanhamento; vulnerável a perdas; 
inadequado para doenças de baixa frequência (pois teria de ter um grande contingente de pessoas); 
pode ser afetado por mudanças de critérios diagnósticos, por mudanças administrativas e nos grupos 
(indivíduos que mudam de hábitos), devido ao longo tempo de seguimento e à presença de variáveis 
confundidoras; permite que outros fatores de risco contribuam para as diferenças encontradas, 
pois os dois grupos, de casos e controles, talvez sejam diferentes em termos de local de residência 
(ou procedência), classe social, condições de parto, assistência médica, peso ao nascer e outros que 
confundem a interpretação.
Pessoas sem
a doença
Doença
Sem Doença
Expostos
Não Expostos
Doença
Sem Doença
Tempo
Direção do estudo
População
Figura 77– Delineamento de um estudo de coorte
8.4.4 Estudo caso-controle
De acordo com o An Introduction to Epidemiology (CDC), em um estudo caso-controle, parte-se 
do efeito (doença) e se vai em direção à causa (fator de risco). Por essa razão, os estudos são muitas 
vezes referidos como retrospectivos. Os participantes são selecionados de acordo com a presença 
ou ausência da doença e separados em dois grupos, o grupo de pessoas (casos) com a doença e 
outro sem a doença (controles). Esses grupos são, então, comparados para determinar a presença 
de riscos específicos ou fatores de risco. Por exemplo, você poderia escolher um grupo de pessoas 
com câncer de pulmão e outro sem câncer de pulmão, e depois compará-los em relação a sua 
história de exposição ao fumo. A relação entre a exposição e o desfecho em um estudo de caso-
controle é quantificado pelo cálculo do odds ratio.
Vantagens: é possível examinar exposições múltiplas para um único resultado; são indicados 
para o estudo de doenças raras e aqueles com longos períodos de latência; exigem uma população 
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de estudo menor de casos e controles; são geralmente mais rápidos e menos dispendiosos do que 
os estudos de coorte, o que os torna adequados para as condições de uma investigação do surto.
Desvantagens: não são adequados para o estudo de exposições raras; estão sujeitos a vieses 
por causa do método utilizado para selecionar os controles; não permitem medir a incidência da 
doença. 
Tempo
Inicia com:
Direção do estudo
População
Casos
(pessoas com a doença)
Controles
(pessoas sem a doença)
Expostos
Não Expostos
Expostos
Não Expostos
 Figura 78 – Delineamento de estudo caso-controle
 observação
A OMS (2012) descreve um exemplo conhecido de estudo caso – 
controle, responsável pela identificação – entre os bebês nascidos na 
Alemanha entre 1959 e 1960, a relação da talidomida e os defeitos dos 
membros do corpo. O estudo concluiu que o momento exato da ingestão 
da droga foi crucial para determinar a relevância da exposição. 
8.4.5 Estudo experimental ou de intervenção 
Nesse tipo de estudo, parte-se da causa em direção ao efeito. Nos estudos experimentais, as 
diferentes etapas ficam teoricamente sob um “controle maior” do investigador. Em pesquisas realizadas 
com seres humanos, esse controle é mais difícil de ser conseguido, comparado aos estudos realizados 
com animais, células ou tecidos. Entre as razões que limitam o estudo em seres humanos, está a ética, 
que impossibilita o estudo de causar malefícios aos participantes. Os estudos experimentais em seres 
humanos podem ser subdivididos em experimentos laboratoriais, ensaios clínicos randomizados e 
intervenção comunitária. 
O estudo pelo ensaio clínico e aleatório (por acaso), ou seja, randomizado, vai usar um remédio e 
um placebo. 
Experimentos laboratoriais em humanos: em estudos dessa natureza, os indivíduos são geralmente 
expostos a uma intervenção por um período curto (minutos, horas ou poucos dias) e se limitam ao 
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enfoque terapêutico/preventivo. Exemplo: analisar a reação química cerebral quando o indivíduo é 
exposto a uma situação que afete a emoção.
Ensaio clínico randomizado: é usado mais comumente para testar o efeito de um medicamento, 
vacinas, alguma intervenção ou procedimento, ou alguma medida ou programa de prevenção. Nesse 
ensaio, os participantes são colocados aleatoriamente para formar os grupos: o de estudo e o de controle, 
objetivando formar grupos com características semelhantes. Procede-se à intervenção em apenas um 
deles (o de estudo), o outro (controle) serve para comparação dos resultados.
Nesse estudo, procura-se verificar a incidência de casos, nos grupos de expostos e não expostos. A 
relação entre os grupos é expressa pelo risco relativo.
Vantagens – alta credibilidade como produtora de evidências científicas; não há dificuldade de 
grupo controle, há determinação da cronologia dos eventos; a interpretação dos resultados é simples 
etc.
Desvantagens – por questões éticas, muitas situações não podem ser estudadas por esse método; 
possibilidade de perdas e recusas por parte das pessoas pesquisadas; necessidade de manter uma 
estrutura administrativa e técnica bem preparada, tendo custo, em geral, elevado etc.
Interpretação do exemplo:
O risco relativo (RR = 0,2) foi inferior a 1.
Esse estudo é de cunho preventivo, pois se encontraram menos casos de doença no grupo.
Vacinado: apenas dois casos por cem vacinados, contra dez casos por cem no grupo não vacinado, 
o que aponta para a utilidade do produto na proteção da saúde da população.
RandomizaçãoPopulação
Intervenção
(tratamento)
Controle
(placebo)
Doença
Sem Doença
Doença
Sem Doença
Figura 79 - Delineamento de um ensaio clínico randomizado 
Intervenção (ensaio) comunitária(o): nesse tipo de estudo, a intervenção é feita ao nível da 
comunidade. Ex.: comparar a taxa de cáries dentárias em comunidades que tiveram flúor adicionado à 
água com comunidades que não tiveram.
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8.4.6 Estudos ecológicos
Os estudos ecológicos (ou de correlação) são úteis para gerar hipóteses. Neles, não é possível conhecer 
os dados individuais, ou seja, só se conhecem os totais entre expostos e não expostos e entre doentes 
e sadios.
Nesse estudo, a unidade de observação é um conjunto de indivíduos que pode ser comparado por 
áreas geográficas. Permite comparar as populações em diferentes lugares ao mesmo tempo ou, ainda, a 
mesma população pode ser observada em diferentes momentos (estudo de série temporal). A vantagem 
do estudo de série temporal é minimizar o efeito de confusão causado pelo nível socioeconômico, que 
é um grande problema nos estudos ecológicos.
Normalmente, são fáceis de realizar, mas frequentemente difíceis de interpretar, uma vez que 
raramente é possível encontrar explicações para os resultados obtidos. Em geral, baseiam-se em dados 
coletados com outros propósitos (dados de rotina ou secundários); assim, dados de diferentes exposições 
e de fatores socioeconômicos podem não estar disponíveis. Além disso, uma vez que a unidade de análise 
é uma população ou um grupo populacional, a relação entre exposição e efeito no nível individual não 
pode ser estabelecida. 
Vantagens – capacidade de geração de hipóteses; permite utilizar dados de diferentes populações 
com características muito diversas ou extraídos de diversas fontes de dados; facilidade e rapidez de 
execução; baixo custo relativo; simplicidade analítica. 
Desvantagens – a coleta de dados é feita por diversas fontes, significando pouco controle sobre 
a qualidade da informação; baixo poder analítico; pouco desenvolvimento das técnicas de análise de 
dados; dificuldade de controlar os vieses (BONITA et al., 2010).
 resumo
O Sistema de Informação em Saúde (SIS) consiste num conjunto de 
informações sistematizadas para a correta tomada de decisões em todos 
os níveis dos serviços de saúde. Utiliza os principais indicadores em saúde 
para avaliar a qualidade de vida no país, que são provenientes de dados 
demográficos, socioeconômicos, mortalidade, morbidade e fatores de 
risco, recursos e cobertura. O DataSus disponibiliza informações sobre os 
indicadores de saúde, que podem servir para subsidiar análises objetivas 
da situação sanitária, tomadas de decisão baseadas em evidências e 
elaboração de programas de ações de saúde. Existem diversos SIS; a seguir, 
descreveremos os mais relevantes, para análise do perfil epidemiológico 
populacional:
Sistema de Informação da Atenção Básica (Siab) – foi implantado 
em substituição ao Sistema de Informação do Programa de Agentes 
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EpidEmiologia E SaúdE pública
Comunitários de Saúde (Sipacs) para o acompanhamento das ações e dos 
resultados das atividades realizadas pelas equipes da Estratégia de Saúde 
da Família (ESF); Sistema deInformação sobre Agravos de Notificação 
(Sinan) – é alimentado pela notificação e investigação de casos de 
doenças e agravos que constam da lista nacional de doenças de notificação 
compulsória, permite a realização do diagnóstico da ocorrência de um 
evento na população, podendo fornecer subsídios para explicações causais 
dos agravos de notificação compulsória, além de vir a indicar riscos aos 
quais as pessoas estão mais propensas ao agravo; Sistema de Informação 
do Programa Nacional de Imunizações (SI-PNI) – possibilita avaliar o 
risco quanto à ocorrência de surtos ou epidemias, a partir do registro dos 
imunobiológicos aplicados e da taxa de cobertura vacinal da população, 
também possibilita o controle do estoque dos imunobiológicos necessários. 
As informações são geradas por faixa etária, período de tempo e área 
geográfica; Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (Sinasc) – 
reúne informações epidemiológicas referentes aos nascimentos no país; 
a Declaração de Nascido Vivo (DN) constitui o documento de entrada do 
sistema; Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) – importante 
ferramenta de gestão na área da saúde, reúne dados quantitativos e 
qualitativos sobre óbitos ocorridos na nação; a Declaração de Óbito (DO) 
constitui o documento de entrada do sistema. Em 2009, foi instituída a 
Declaração de Óbito Epidemiológica, para a coleta de dados de óbitos 
conhecidos tardiamente pelo sistema de saúde, geralmente quando 
já houve o sepultamento e não é mais possível verificar o óbito. Não é 
considerada documento válido para a emissão da certidão de óbito, e seu 
preenchimento poderá ser feito por outros profissionais de saúde além dos 
médicos.
A Opas instituiu em 1995 a Iniciativa Regional de Dados Básicos em 
Saúde, para atender sua função de documentar e difundir a situação 
da saúde e suas tendências nas Américas. Diante dos objetivos em 
comum dessa iniciativa, o Ministério da Saúde e a Opas formalizaram, 
em 1996, um termo de cooperação para o aperfeiçoamento de 
informações para a saúde, instituindo a Ripsa, que é constituída por 
um grupo de trabalho multidisciplinar e publica anualmente, de forma 
eletrônica e impressa, seus indicadores de saúde. Sua classificação 
é realizada por meio de seis subconjuntos temáticos: demográficos; 
socioeconômicos; mortalidade; morbidade e fatores de risco; recursos; 
cobertura. No total, são 120 indicadores, sendo produção de cada um 
de responsabilidade da instituição-fonte/parceira da rede que mais se 
identifica com o tema.
A codificação consiste em atribuir um código ao diagnóstico e classificar 
esse diagnóstico, segundo categoria ou subcategoria. O CID-10 começou a 
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ser utilizado em 1992. Trata-se da classificação mais recente de uma série 
iniciada em 1900, que se tornou o padrão de classificação diagnóstica para 
todos os propósitos epidemiológicos e de registros em saúde; é utilizado 
para classificar doenças e outros problemas de saúde em diferentes tipos 
de registros, incluindo atestados de óbito e registros hospitalares, o que 
permite resgatar informações clínicas e epidemiológicas e compará-las 
com estatísticas nacionais de morbimortalidade. 
Os estudos epidemiológicos são divididos em descritivos e 
analíticos. 
No planejamento da pesquisa, é fundamental definir o desenho do 
estudo que será utilizado, o qual deverá estar relacionado não só com a 
natureza da questão, mas também outros fatores deverão ser considerados 
para essa decisão, como o tempo e o recurso financeiro disponível e a 
prevalência dos fatores de exposição.
Os estudos epidemiológicos podem também ser classificados como 
agregados, constituídos por populações ou individuados; o estudo de 
observação pode ser transversal (analisa um determinado período, é 
instantâneo) ou longitudinal (observa a doença ou a manifestação dela no 
transcorrer do tempo); de intervenção (experimentação); retrospectivo (já 
aconteceu) ou prospectivo (irá acontecer).
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EpidEmiologia E SaúdE pública
FIGURAS E ILUSTRAçõES
Figura 1
BRASIL. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. Guia de 
vigilância epidemiológica. 7. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2009.
Figura 2
OPAS. Módulo 5: pesquisa epidemiológica de campo. In: Módulos de princípios de epidemiologia para 
o controle de enfermidades. Módulo Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde; Ministério da 
Saúde, 2010. p. 42.
Figura 3
BONITA, R.; BEAGLEHOLE, R.; KJELLSTRÖM, T. Epidemiologia básica. São Paulo: Santos. 2010. p. 103.
Figura 4
BRASIL. Ministério da Saúde. Portal da Saúde. Varíola. Disponível em: <http://portal.saude.gov.br/
portal/saude/profissional/area.cfm?id_area=1579>. Acesso em: 25 nov. 2012.
Figura 5
MOLINA, F. Pesquisador da FSP debate Aids no país e fala em “epidemia silenciosa”. In: USP on-line – 
destaque. Disponível em: <http://www5.usp.br/17005/pesquisador-da-saude-publica-debate-quadro-
atual-da-Aids-no-pais-e-fala-em-epidemia-silenciosa>. Acesso em: 25 nov. 2012.
Figura 6
WALDMAN, E. A.; ROSA, T. E. C. Estrutura epidemiológica. In: SANTA CATARINA (Estado). Secretaria de 
Saúde. Vigilância em saúde pública. Disponível em: <http://portalses.saude.sc.gov.br/arquivos/sala_de_
leitura/saude_e_cidadania/ed_07/05_02_03.html>. Acesso em: 25 nov. 2012.
Figura 7
OPAS. Módulo 5: pesquisa epidemiológica de campo. In: Módulos de princípios de epidemiologia para 
o controle de enfermidades. Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde; Ministério da Saúde, 2010. 
p. 24.
Figura 8
BATISTELLA, C. Saúde, doença e cuidado: complexidade teórica e necessidade histórica. In: FONSECA, A. 
F. (Org.). O território e o processo saúde-doença. Rio de Janeiro: EPSJV/Fiocruz, 2007. p. 43.
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Figura 9
BATISTELLA, C. Saúde, Doença e cuidado: complexidade teórica e necessidade histórica. In: FONSECA, 
A. F. (Org.). O território e o processo saúde-doença. Rio de Janeiro: EPSJV/Fiocruz, 2007. p. 45.
Figura 10
FIOCRUZ. A saúde no Brasil em 2030: diretrizes para a prospecção estratégica do sistema de saúde 
brasileiro. Rio de Janeiro: Fiocruz/Ipea/Ministério da Saúde/Secretaria de Assuntos Estratégicos da 
Presidência da República, 2012. p. 45.
Figura 11
SOLAR, O.; IRWIN, A. Ensaio para apreciação da comissão de determinantes sociais de saúde. In: 
FIOCRUZ. Comissão de Determinantes Sociais de Saúde. Disponível em: <http://www.determinantes.
fiocruz.br/pdf/texto/T4 2_CSDH_Conceptual%20Framework%20%20tradu%C3%A7%C3%A3o%20
APF.pdf>. Acesso em: 27 nov. 2012.
Figura 13
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Figura 14
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Figura 15
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Figura 17
FIOCRUZ. A saúde no Brasil em 2030: diretrizes para a prospecção estratégica do sistema de saúde 
brasileiro. Rio de Janeiro: Fiocruz/Ipea/Ministério da Saúde/Secretaria de Assuntos Estratégicos da 
Presidência da República, 2012. p. 85.
Figura 18
UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE. Departamento de Epidemiologia e Bioestatística do Instituto 
de Saúde da Comunidade. E-PID, pesquisa, informação e desenvolvimento em epidemiologia. Curva de 
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EpidEmiologia E SaúdE pública
Nelson Moraes. Disponível em: <http://www.uff.br/e-pid/curvadenelsonmoraes.htm>. Acesso em: 28 
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Figura 19
UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE. Departamento de Epidemiologia e Bioestatística do Instituto 
de Saúde da Comunidade. E-PID, pesquisa, informação e desenvolvimento em epidemiologia. Curva de 
Nelson Moraes. Disponível em: <http://www.uff.br/e-pid/curvadenelsonmoraes.htm>. Acesso em: 28 
jan. 2013.
Figura 20
UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE. Departamento de Epidemiologia e Bioestatística do Instituto 
de Saúde da Comunidade. E-PID, pesquisa, informação e desenvolvimento em epidemiologia. Curva de 
Nelson Moraes. Disponível em: <http://www.uff.br/e-pid/curvadenelsonmoraes.htm>. Acesso em: 28 
jan. 2013.
Figura 21
UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE. Departamento de Epidemiologia e Bioestatística do Instituto 
de Saúde da Comunidade. E-PID, pesquisa, informação e desenvolvimento em epidemiologia. Curva de 
Nelson Moraes. Disponível em: <http://www.uff.br/e-pid/curvadenelsonmoraes.htm>. Acesso em: 28 
jan. 2013.
Figura 22
MENDES, E. V. O cuidado das condições crônicas na atenção primária à saúde: o imperativo da consolidação 
da estratégia da saúde da família. Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde, 2012. p. 36.
Figura 23
FUNDAçãO OSWALDO CRUZ. A saúde no Brasil em 2030: diretrizes para a prospecção estratégica 
do sistema de saúde brasileiro. Rio de Janeiro: Fiocruz/Ipea/Ministério da Saúde/Secretaria de 
Assuntos Estratégicos da Presidência da República, 2012. p. 88.
Figura 24
BRASIL. Ministério da Saúde. Portal Saúde. Mortalidade em declínio. Disponível em: <http://portal.
saude.gov.br/portal/saude/profissional/visualizar_texto.cfm?idtxt=3220>. Acesso em: 1º dez. 2012.
Figura 25
VICTORA, C. G. et al. Saúde de mães e crianças no Brasil: progressos e desafios. In: The Lancet Saúde 
no Brasil. Disponível em: <www.thelancet.com >. Acesso em: 1º dez. 2012.
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Figura 26
VICTORA, C. G. et al. Saúde de mães e crianças no Brasil: progressos e desafios. In: The Lancet Saúde 
no Brasil. Disponível em: <www.thelancet.com >. Acesso em: 1 dez. 2012.
Figura 27
VICTORA, C. G. et al. Saúde de mães e crianças no Brasil: progressos e desafios. In: The Lancet Saúde 
no Brasil. Disponível em: <www.thelancet.com>. Acesso em: 1º dez. 2012.
Figura 28
VICTORA, C. G. et al. Saúde de mães e crianças no Brasil: progressos e desafios. In: The Lancet Saúde 
no Brasil. Disponível em: <www.thelancet.com >. Acesso em: 1º dez. 2012.
Figura 29
MENDES, E. V. O cuidado das condições crônicas na atenção primária à saúde: o imperativo da consolidação 
da estratégia da saúde da família. Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde, 2012. p. 38.
Figura 30
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Análise de Situação 
de Saúde. Plano de ações estratégicas para o enfrentamento das doenças crônicas não transmissíveis 
(DCNT) no Brasil. Brasília: Ministério da Saúde, 2011. p. 31.
Figura 31
REICHENHEIM, M. et al. Violência e lesões no Brasil: efeitos, avanços alcançados e desafios futuros. In: 
The Lancet Saúde no Brasil. Disponível em: <www.thelancet.com>. Acesso em: 1 dez. 2012.
Figura 32
SCHMIDT, M. I. et al. Doenças crônicas não transmissíveis no Brasil: carga e desafios atuais. In: The 
Lancet saúde no Brasil. Disponível em: <www.thelancet.com>. Acesso em: 1 dez. 2012.
Figura 33
REICHENHEIM, M. E. Violência e lesões no Brasil: efeitos, avanços alcançados e desafios futuros. In: The 
Lancet Saúde no Brasil. Disponível em: <www.thelancet.com>. Acesso em: 1 dez. 2012.
Figura 34
REICHENHEIM, M. E. Violência e lesões no Brasil: efeitos, avanços alcançados e desafios futuros. In: The 
Lancet Saúde no Brasil. Disponível em: <www.thelancet.com>. Acesso em: 1 dez. 2012.
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EpidEmiologia E SaúdE pública
Figura 35
BONITA, R.; BEAGLEHOLE, R.; KJELLSTRÖM, T. Epidemiologia básica. São Paulo: Santos. 2010. p. 87.
Figura 39
BONITA, R.; BEAGLEHOLE, R.; KJELLSTRÖM, T. Epidemiologia básica. São Paulo: Santos. 2010. p. 88.
Figura 40
CADEIA do processo infeccioso. In: SANTA CATARINA. Secretaria da Saúde. Vigilância em saúde 
pública. Disponível em: <http://portalses.saude.sc.gov.br/arquivos/sala_de_leitura/saude_e_cidadania/
ed_07/05_01_02.html>. Acesso em: 3 fev. 2013.
Figura 43 
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SãO PAULO. Escola Paulista de Medicina. Células e órgãos do sistema 
imune. Disponível em: <http://www.virtual.epm.br/material/tis/curr-bio/trab2004/2ano/imuno/
historico.htm>. Acesso em: 6 dez. 2012.
Figura 44
OPAS. Módulo 2: Saúde e doença na população. In: Módulos de princípios de epidemiologia para o 
controle de enfermidades. Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde; Ministério da Saúde, 2010. 
p. 45.
Figura 45 
WALDMAN, E. A.; ROSA, T. E. C. Alguns conceitos básicos para compreensão do processo infeccioso. In: 
SANTA CATARINA. Secretaria da Saúde. Vigilância em saúde pública. Disponível em: <http://portalses.
saude.sc.gov.br/arquivos/sala_de_leitura/saude_e_cidadania/ed_07/05_02_03.html>. Acesso em: 25 
nov. 2012. 
Figura 46 
BRASIL. Ministério da saúde. Portal da Saúde. Casos confirmados de sarampo: Brasil e grandes regiões. 
1990-2006. Disponível em: <http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/gif/casos_sarampo.gif>. Acesso 
em: 10 dez. 2012.
Figura 47 
BRASIL. Ministério da saúde. Portal da Saúde. Doença de Chagas. In: Série histórica do número de 
casos novos e coeficiente de detecção: Brasil, 1990-2007. Disponível em: http://portal.saude.gov.br/
portal/arquivos/gif/serie_casos_coef_2007.gif>. Acesso em: 8 dez. 2012.
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Figura 48 
BRASIL. Ministério da Saúde. Portal da Saúde. Somatório dos casos novos de hanseníase e coeficiente 
de detecção por região: Brasil 1990-2007. Disponível em: <http://portal.saude.gov.br/portal/
arquivos/gif/somatorio_casos.gif>. Acesso em: 8 dez. 2012.
Figura 49 
BRASIL. Ministério da Saúde. Portal da Saúde. Distribuição da hanseníase no Brasil. Disponível em: <http://
portal.saude.gov.br/portal/saude/profissional/visualizar_texto. cfm?idtxt=31200>. Acesso em: 8 dez. 2012.
Figura 50 
BRASIL. Ministério da Saúde. Portal da Saúde. Taxa de incidênciade tuberculose: região Sudeste, 
1990-2011. Disponível em: http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/taxa_incidencia_
tuberculose_1990_2011_30_05_2012.pdf. Acesso em: 8 dez. 2012.
Figura 51 
OMS. Global Tuberculosis Report 2012. Disponível em <http://www.who.int/tb/publications/global_
report/en/>. Acesso em: 8 dez. 2012.
Figura 52 
SãO PAULO (Estado). Secretaria da Saúde. Centro de Vigilância Epidemiológica. Número de casos de 
hepatite B e C por ano de notificação: Estado de São Paulo, 2002 a 2012. Disponível em: <http://www.
cve.saude.sp.gov.br/htm/hepatite/hepa_graficos.htm>. Acesso em: 9 dez. 2012.
Figura 53 
SãO PAULO (Estado). Secretaria da Saúde. Centro de Vigilância Epidemiológica. Distribuição porcentual 
das prováveis fontes mecanismos de transmissão definidos, dos casos de hepatites virais B e C: Estado 
de São Paulo, 2002 a 2012. Disponível em: <http://www.cve.saude.sp.gov.br/htm/hepatite/hepa_
graficos.htm>. Acesso em: 9 dez. 2012.
Figura 54
SãO PAULO (Estado). Secretaria da Saúde. Centro de Vigilância Epidemiológica. Número de casos 
de hepatite B de acordo com faixa etária e sexo: Estado de São Paulo, 2000 a 2012. Disponível em: 
<http://www.cve.saude.sp.gov.br/htm/hepatite/hepa_graficos.htm>. Acesso em: 9 dez. 2012.
Figura 55
BRASIL. Ministério da saúde. Portal da Saúde. Saúde profissional ... . Disponível em <http://portal.
saude.gov.br/portal/saude/profissional/area.cfm?id_area=1562>. Acesso em: 21 nov. 2012.
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EpidEmiologia E SaúdE pública
Figura 56 
BONITA, R.; BEAGLEHOLE, R.; KJELLSTRÖM, T. Epidemiologia básica. Tradução e revisão científica: Juraci 
A. César. São Paulo: Santos, 2010.
Figura 57 
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância Sanitária. Departamento de DST, Aids e Hepatites 
virais. Taxa de incidência de Aids (por 100 mil hab.), segundo região de residência por ano de 
diagnóstico: Brasil, 1998 a 2010. Brasília: Ministério da Saúde, s/d.
Figura 58 
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância Sanitária. Departamento de DST, Aids e Hepatites 
virais. Número de casos de Aids e razão de sexos, segundo ano de diagnóstico: Brasil, 1987 a 2010. 
Brasília: Ministério da Saúde, s/d.
Figura 59 
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância Sanitária. Departamento de DST, Aids e Hepatites 
virais. Taxa incidência de Aids (por 100 mil hab) em jovens de 15 a 24 anos por sexo e ano de 
diagnóstico: Brasil, 1985 a 2010. Brasília: Ministério da Saúde, s/d.
Figura 60
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância Sanitária. Departamento de DST, Aids e Hepatites 
virais. Número de casos de Aids em jovens de 15 a 24 anos e razão de sexos, segundo ano de 
diagnóstico: Brasil, 1985 a 2010. Brasília: Ministério da Saúde, s/d.
Figura 61 
BRASIL. Ministério da Saúde. Portal da Saúde. Balanço dengue: janeiro a julho de 2007. Disponível em: 
<http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/dengue_0210.pdf>. Acesso em 2 fev. 2012.
Figura 62 
WALDMAN, E. A.; ROSA, T. E. C. A vigilância como instrumento de saúde pública. In: SANTA CATARINA. 
Secretaria da Saúde. Portal da Saúde. Disponível em: <http://portalses.saude.sc.gov.br/arquivos/sala_
de_leitura/saude_e_cidadania/ed_07/05_02_03.html>. Acesso em: 25 nov. 2012.
Figura 63
BRASIL. Ministério da Saúde. Módulo 4: vigilância em saúde pública. In: Módulos de princípios de 
epidemiologia para o controle de enfermidades. Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde, 2010. p. 18.
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Figura 64
SãO PAULO (Estado). Secretaria da Saúde. Centro de Vigilância Epidemiológica. Fichas de investigação 
epidemiológica. Disponível em: <http://www.cve.saude.sp.gov.br/htm/cve_fichas.htm>. Acesso em: 8 
dez. 2012.
Figura 65
SãO PAULO (Estado). Secretaria da Saúde. Centro de Vigilância Epidemiológica. Fichas de investigação 
epidemiológica. Disponível em: <http://www.cve.saude.sp.gov.br/htm/cve_fichas.htm>. Acesso em: 8 
dez. 2012.
Figura 66
SãO PAULO (Estado). Secretaria da Saúde. Centro de Vigilância Epidemiológica. Fichas de investigação 
epidemiológica. Disponível em: <http://www.cve.saude.sp.gov.br/htm/cve_fichas.htm>. Acesso em: 8 
dez. 2012.
Figura 67
BONITA, R.; BEAGLEHOLE, R.; KJELLSTRÖM, T. Epidemiologia básica. São Paulo: Santos, 2010.
Figura 68
BRASIL. Ministério da Saúde. Portal da Saúde. SI-PNI – Sistema de Informação do Programa Nacional 
de Imunizações. Disponível em: <http://portal.saude.gov.br/portal/saude/profissional/area.cfm?id_
area=1448>. Acesso em: 8 dez. 2012.
Figura 69
BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de procedimentos de informações sobre nascidos vivos. Brasília: 
Fundação Nacional de Saúde, 2001. p. 27.
Figura 70
BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de procedimentos de informações sobre nascidos vivos. Brasília: 
Fundação Nacional de Saúde, 2001. p. 29.
Figura 71
BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de procedimentos do sistema de informações sobre mortalidade. 
Brasília: Fundação Nacional de Saúde, 2001. p. 35.
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Figura 72
BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de procedimentos do sistema de informações sobre mortalidade. 
Brasília: Fundação Nacional de Saúde, 2001. p. 36.
Figura 73
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Análise de Situação 
de Saúde. Manual de instruções para o preenchimento da declaração de óbito. Brasília: Ministério da 
Saúde, 2011. p. 28.
Figura 74
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Análise de Situação 
de Saúde. Manual de instruções para o preenchimento da Declaração de Óbito. Brasília: Ministério da 
Saúde, 2011. p. 29.
Figura 75
LAURENTI, R. Manual de treinamento – codificação em mortalidade. São Paulo: Universidade de São 
Paulo, Faculdade de Saúde Pública, 2007. p. 12.
Figura 78
BONITA, R.; BEAGLEHOLE, R.; KJELLSTRÖM, T. 2. ed. Epidemiologia básica. São Paulo: Santos, 2010. p. 45.
Figura 79
BONITA, R.; BEAGLEHOLE, R.; KJELLSTRÖM, T. Epidemiologia básica. São Paulo: Santos, 2010. p. 50.
REFERÊNCIAS
Textuais
ALMEIDA FILHO, N.; BARRETO, M. L. Epidemiologia e saúde: fundamentos, métodos, aplicações. Rio de 
Janeiro: Guanabara Koogan, 2012.
ARROIO, A. Louis Pasteur: um cientista humano. Disponível em: <http://www.cdcc.usp.br/ciencia/
artigos/art_31/EraUmaVez.html>. Acesso em: 25 nov. 2012.
BAKER, D. et al. (Org.) Environmental epidemiology. Document WHO/SDE/OEH/99.7. Geneva: World 
Health Organization, 1999.
BATISTELLA, C. Saúde, doença e cuidado: complexidade teórica e necessidade histórica. In: FONSECA, A. 
F. (Org.). O território e o processo saúde-doença. Rio de Janeiro: EPSJV/Fiocruz, 2007. 
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BONITA, R.; BEAGLEHOLE,R.; KJELLSTRÖM, T. Epidemiologia básica. São Paulo: Santos, 2010.
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