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UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE 
ESCOLA DE ENFERMAGEM AURORA DE AFONSO COSTA 
LICENCIATURA E BACHARELADO EM ENFERMAGEM 
DEPARTAMENTO DE ENFERMAGEM MATERNO-INFANTIL 
ENFERMAGEM NA SAÚDE DA MULHER II 
 
 
 
 
 
 
BIANCA DAMASCENO BARROSO 
JULIANA VERÍSSIMO DE MOURA 
MARCOS DOUGLAS DOS SANTOS PIMENTA JÚNIOR 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ESTUDO DE CASO I – Anemia na Gestação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
NITERÓI- RJ 
2017 
BIANCA DAMASCENO BARROSO 
JULIANA VERÍSSIMO DE MOURA 
MARCOS DOUGLAS DOS SANTOS PIMENTA JÚNIOR 
 
 
 
 
 
 
 
ESTUDO DE CASO I: ANEMIA NA GESTAÇÃO. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Trabalho apresentado à 
disciplina de Enfermagem na 
Saúde da Mulher II do curso 
de Graduação em 
Licenciatura e Bacharelado 
em Enfermagem da 
Universidade Federal 
Fluminense, como requisito 
parcial de avaliação da 
disciplina. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
NITERÓI, RJ 
2017 
ANEMIA NA GESTAÇÃO 
1. INTRODUÇÃO 
A World Human Organization define a anemia como a condição na qual o 
número de células vermelhas do sangue e a sua capacidade de transporte de oxigênio 
são insuficientes para atender às necessidades fisiológicas, que variam de acordo com 
idade, sexo, altura, fumo e gravidez. 
De acordo com o Ministério da Saúde, a anemia na gestação, por sua vez, é a 
condição na qual o conteúdo de hemoglobina (Hb) no sangue está abaixo de 11 g/dL, o 
que pode ocasionar aumento da mortalidade materna e infantil e parto prematuro (sua 
ocorrência está ligada a 40% de todas as mortes perinatais maternas). Concentrações de 
Hb correspondentes às anemias moderada e grave são associadas com aumento de 
mortalidade materno-fetal e doenças infecciosas. Mesmo as concentrações em torno de 
11 g/dL, próximas ao nascimento a termo, podem acarretar consequências ao concepto, 
como baixo peso e prematuridade. O rastreamento deve ser oferecido a toda gestante o 
mais precocemente na vinculação do pré-natal e novamente com aproximadamente 28 
semanas. 
Em países desenvolvidos, a diminuição dos níveis de ferro no sangue raramente 
é grave, principalmente em mulheres que mantêm uma dieta adequada. Nos países em 
desenvolvimento, a quantidade de ferro e folato obtida na alimentação pode não atender 
às demandas adicionais impostas às reservas maternas de ferro pelo feto em 
crescimento, pela placenta e pelo aumento da massa de hemácias materna. Estima-se 
que a anemia não fisiológica acomete 20% a 80% das gestações. Destas, a anemia por 
deficiência de ferro é a mais comum. Estima-se, ainda, que aproximadamente 50% das 
grávidas em todo o mundo são anêmicas, sendo que 52% encontram-se em países não-
industrializados e 23% em países industrializados. 
 
2. TIPOS DE ANEMIA 
2.1- Anemia Falciforme 
O Ministério da Saúde define a doença falciforme como uma alteração genética 
hereditária causada por uma mutação do gene que produz a hemoglobina. Em vez da 
hemoglobina A, é produzida a hemoglobina S, que tem formato arredondado e assume 
uma forma de meia-lua ou foice (daí o nome “falciforme”). Nesse formato, as hemácias 
não exercem a função de oxigenação do corpo de forma satisfatória e causam diversas 
complicações em órgãos e sistemas: além da anemia crônica, há episódios de dores 
osteoarticulares, dores abdominais, infecções, infartos, entre outros agravos. Embora a 
referida doença não tenha cura, existe tratamento. 
Mulheres com doença falciforme apresentam maior risco de abortamento e 
complicações durante o parto (bebê natimorto, prematuridade, placenta prévia e 
descolamento prematuro de placenta, entre outras). A maioria das pessoas desconhece o 
diagnóstico e só descobre a doença quando elas estão grávidas devido aos sintomas. A 
indicação para mulheres com doença falciforme é que o parto aconteça no oitavo mês, 
pois é alta a probabilidade de ocorrer calcificação da placenta no nono mês de gestação. 
O parto não deve ser natural/fisiológico, pois há risco de hemorragia e outras 
complicações (como falta de sangue na maternidade, por exemplo), que podem acarretar 
morte. 
Os eventos maternos mais graves ocorrem principalmente no terceiro trimestre 
de gestação, durante o parto e o puerpério. Assim que a doença for detectada, a gestante, 
agora de alto risco, deve ser encaminhada para um serviço de referência para a 
realização do seu pré-natal. Embora a referida gestante seja de alto risco, ela continuará 
a ser atendida, concomitantemente, pela equipe de atenção básica. 
2.2- Anemia Por Perda Sanguínea Aguda 
São hemorragias que acontecem no início da gravidez, causadas, geralmente, por 
abortos, gravidez ectópica e mola hidatiforme. Já na fase puerperal, podem decorrer de 
sangramento no local de implantação da placenta, da episiotomia, de lacerações 
vaginais, de lóquios e incisão da cesariana. 
 
2.3- Anemia Ferropriva 
A anemia por deficiência de ferro destaca-se como uma das complicações mais 
comuns de uma gravidez e dependendo da gravidade, pode acarretar prejuízo para mãe 
e/ou feto. A anemia está diretamente relacionada aos mecanismos de expansão do 
volume sanguíneo e plasmático que aumentam em torno de 50% durante a gestação. 
Além disso, observa-se um aumento das necessidades de ferro para o 
desenvolvimento do feto, da placenta e cordão umbilical, e para as perdas sanguíneas 
decorrentes do parto e puerpério. Essa elevação na demanda de ferro, devido à formação 
de glóbulos vermelhos da mãe, do feto e da placenta, faz com que a necessidade diária 
do ferro aumente um miligrama (mg), sendo que na segunda metade da gestação pode 
atingir uma média de 6 a 7 mg de ferro por dia. 
Com o propósito de solucionar essa deficiência, o organismo materno absorve uma 
maior quantidade de ferro na dieta e mobiliza seus estoques. Para gestantes, a 
necessidade de ferro durante todo o período gestacional é de 1.000 mg. Deste total, 300 
mg são transferidos ativamente para o feto e placenta, 200 mg são perdidos através de 
várias vias de excreção normal e 500 mg são consumidos na segunda metade da 
gestação. Nesse período, a gestante utiliza mais ferro, em torno de 6 a 7 mg por dia. 
Entretanto, a quantidade de ferro absorvido na dieta, juntamente com o ferro mobilizado 
das reservas, geralmente é insuficiente para atender à demanda imposta pela gravidez. 
 
2.4- Anemia Perniciosa 
A anemia perniciosa é menos comum do que a anemia ferropriva, e ocorre devido a 
um déficit de vitamina B12, uma vez que esta vitamina desempenha um papel 
importante na produção de glóbulos vermelhos. 
A vitamina B12, que recebe também o nome de cobalamina ou cianocobalamina e 
faz parte das vitaminas do complexo B. Possui papel fundamental no processo de 
eritropoiese, em parte do metabolismo dos aminoácidos e dos ácidos nucléicos; é 
indispensável na formação sanguínea; necessário para uma boa manutenção do sistema 
nervoso. Suas fontes são todas de origem animal 
Sua carência é rara em indivíduos onívoros. Normalmente acontece devido 
à problemas na sua absorção, quando há produção insuficiente de enzimas digestivas, 
ácido estomacal e fatores intrínsecos que, por sua vez, estão envolvidos no transporte 
dessa vitamina até o jejuno, onde será absorvida. Quando ocorre, pode causar anemia 
perniciosa, dos quais os sintomas são: alterações neurológicas; progressivas e mortais 
quando não é realizado um tratamento adequado; fraqueza; convulsões e dano 
irreversível na parede gástrica. 
Além de causar este tipo de anemia, o déficit de vitamina B12 tem outras 
consequênciasnegativas, como o aumento do risco de malformações congênitas, 
nomeadamente defeitos no tubo neural, ou ainda parto prematuro. 
 
2.5- Anemia Megaloblástica 
Tal como a anemia perniciosa, a anemia megaloblástica é menos comum do que a 
anemia ferropriva, tendo sua origem na carência de ácido fólico (vitamina B9), que 
provoca alteração no tamanho e na maturidade das hemácias, além da diminuição de 
leucócitos e plaquetas. No hemograma as células apresentam-se normocrômicas 
(coloração normal) e macrocíticas (tamanho aumentado), resultando numa menor 
oxigenação dos tecidos e restrição do crescimento do feto. 
É muito comum se confundir anemia megaloblástica com anemia perniciosa. A 
anemia perniciosa é um tipo de anemia causada pela deficiência de vitamina B12 devido 
à inibição do fator intrínseco, sendo assim, uma das causas da anemia megaloblástica, e 
não a mesma patologia com denominação diferente. Assim como o déficit de vitamina 
B12, o déficit de ácido fólico pode resultar em malformações congênitas e parto 
prematuro. 
 
3. SINAIS E SINTOMAS 
Independente do tipo de anemia, os sinais e sintomas maternos são sempre: 
 Palidez (pele, lábios e unhas); 
 Comprometimento do desempenho físico e mental; 
 Maior risco pré-eclâmpsia; 
 Alterações cardiovasculares; 
 Diminuição da função imunológica; 
 Menor tolerância às perdas sanguíneas do parto, resultando em maior risco 
de anemia pós-parto e hemotransfusão. 
 
4. FATORES DE RISCO PARA O DESENVOLVIMENTO DE ANEMIA NA 
GESTAÇÃO 
Devido a fatores fisiológicos ou nutricionais, algumas mulheres têm maior 
propensão para desenvolver anemia durante a gravidez. Entre os principais fatores de 
risco estão: 
 Gravidez de gêmeos ou múltipla: As necessidades de ferro e nutrientes 
essenciais são mais elevadas no caso de uma gravidez múltipla, o que faz 
aumentar o risco de anemia. 
 Intervalo reduzido entre duas gestações consecutivas: Um menor tempo 
de recuperação entre duas gestações reduz as reservas de ferro, o que pode 
resultar em anemia. 
 Vômito devido a enjôo: O vômito dificulta a absorção de nutrientes, 
podendo resultar em anemia se for demasiado frequente. 
 Dieta pobre em vitaminas e minerais: Uma dieta pobre em ferro, ácido 
fólico e vitamina B12 poderá causar anemia se as reservas das mesmas não 
forem respostas. 
 História de anemia prévia: A tendência para desenvolver anemia pode 
resultar num risco acrescido durante a gravidez, devido à maior exigência de 
produção de hemoglobina. 
 Gravidez na adolescência: Devido ao fato de estar ainda em fase de 
crescimento, existe uma maior chance de uma adolescente desenvolver 
anemia durante a gravidez. Além disso, a alimentação de baixo valor 
nutricional que é comum em muitos adolescentes, pode contribuir também 
para o desenvolvimento do problema. 
 
5. DIAGNÓSTICO, TRATAMENTO E PREVENÇÃO 
A anemia é diagnosticada através do exame de sangue de rotina, apontado 
quando há uma baixa taxa de hemoglobina no sangue. Seu tratamento e prevenção 
são praticamente baseados na alimentação do paciente e atividades físicas, porém 
cabe ao enfermeiro à orientação sobre os alimentos corretos, explicação sobre quais 
nutrientes são necessários e em qual alimento consegui-los. A clareza na informação 
ajuda na seriedade que esse paciente vai ter com a sua patologia, levando assim a 
uma melhora rápida e significativa. 
 
6. CUIDADOS DE ENFERMAGEM 
6.1- Geral 
 Monitorar os sinais e sintomas de anemia: letargia, fraqueza, fadiga, palidez 
aumentada, dispneia ao esforço (durante o exame físico). 
 Monitorar os valores laboratoriais, incluindo a contagem completa dos 
componentes sanguíneos. 
 Aplicar a escala de dor, monitorar os sintomas, e intervir de acordo com a 
intensidade relatada pelo paciente. 
 
6.2- Na Anemia Ferropriva 
 Evitar chá, café, leite e seus derivados antes e após as refeições, pois 
prejudicam a absorção de ferro no organismo. 
 Orientar o consumo de alimentos ricos em vitamina C para ajudar na 
absorção de ferro. 
 
7. CONCLUSÃO 
De todos os tipos de anemia destaca-se a anemia ferropriva como a mais comum 
em gestantes devido ao consumo de ferro dobrado (da gestante e do bebê) que ocasiona 
em uma baixa taxa desse nutriente no organismo. Isso pode gerar problemas na mãe 
como a fraqueza, o principal sintoma nesses casos, ou até no bebê como: baixo peso, 
atraso no crescimento e/ ou parto prematuro. 
Com isso concluímos que o pré-natal é indispensável para a gestante, pois a 
acompanha durante toda a sua gravidez, seja instruindo essa mãe em algumas dúvidas 
comuns ou na coleta de dados através de exames rotineiros. Quando aparecem algumas 
intercorrências, os dados do pré-natal ajudam a fechar um diagnóstico mais rápido e 
com isso resolver com mais eficácia a patologia dessa mãe de modo que não afete a 
gestante nem o bebê, assim evitando também o stress da mesma. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS: 
 
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Atenção ao Pré-natal 
de baixo risco. Cadernos de Atenção Básica. Brasília (DF); 2012. 
 
CUNNINGHAM, F. G. et al. Williams Obstetrícia. 23ª ed. Porto Alegre: AMGH 
Editora; 2012. 
 
CONTRAN, R. S., KUMAR, V.; ROBBINS, S. Patologia estrutural e funcional. 
Guanabara: Rio de Janeiro, 1986. 
LEHMAN, D. D., SACKEIM, G. I. Química e Bioquímica para Ciências 
Biomédicas. Manole: Barueri: 2001. 
PESSOA, L. S.; SAUNDERS, C.; BELFORT, G. P.; SILVA, L. B. G.; VERAS, L. S.; 
ESTEVES, A. P. V. S. Evolução temporal da prevalência de anemia em 
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Ginecol. Obstet. Vol.37. No. 5. Rio de Janeiro, 2015. 
 
MODOTTI, M. T. C. F.; MODOTTI, C. C.; MARCELINO, M. Y.; OLIVA, T. B.; 
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THAME, G.; SHINOHARA, E. M. G.; SANTOS, H. G.; MORON, A. F. Folato, 
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http://www.scielo.br/pdf/rbgo/v20n8/a04v20n8.pdf>. 
 
LIMA. M. M. S.; DINIZ, C. P.; SOUZA, A. S. R.; MELO, A. S. O.; NETO, C. N. 
Ácido Fólico na prevenção de gravidez acometida por morbidade fetal: aspectos 
atuais. Rev. Femina, vol. 37. No. 10. 2009. Disponível em: < 
http://files.bvs.br/upload/S/0100-7254/2009/v37n10/a010.pdf>. 
 
BARROS, S. M. O.; COSTA, C. A. R. Consulta de enfermagem a gestantes com 
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Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-
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