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Educação e Saúde Vânia Vieira Costa Adaptada por Marcelo S. Bellini Lucas (setembro/2012) É com satisfação que a Unisa Digital oferece a você, aluno(a), esta apostila de Educação e Saúde, parte integrante de um conjunto de materiais de pesquisa voltado ao aprendizado dinâmico e autônomo que a educação a distância exige. O principal objetivo desta apostila é propiciar aos(às) alunos(as) uma apresentação do conteúdo básico da disciplina. A Unisa Digital oferece outras formas de solidificar seu aprendizado, por meio de recursos multidis- ciplinares, como chats, fóruns, aulas web, material de apoio e e-mail. Para enriquecer o seu aprendizado, você ainda pode contar com a Biblioteca Virtual: www.unisa.br, a Biblioteca Central da Unisa, juntamente às bibliotecas setoriais, que fornecem acervo digital e impresso, bem como acesso a redes de informação e documentação. Nesse contexto, os recursos disponíveis e necessários para apoiá-lo(a) no seu estudo são o suple- mento que a Unisa Digital oferece, tornando seu aprendizado eficiente e prazeroso, concorrendo para uma formação completa, na qual o conteúdo aprendido influencia sua vida profissional e pessoal. A Unisa Digital é assim para você: Universidade a qualquer hora e em qualquer lugar! Unisa Digital APRESENTAÇÃO SUMÁRIO INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................... 5 1 EDUCAÇÃO EM SAúDE .................................................................................................................... 7 1.1 Atuação no Espaço Escolar ..........................................................................................................................................8 1.2 Resumo do Capítulo .......................................................................................................................................................9 1.3 Atividades Propostas ...................................................................................................................................................10 2 CRESCIMENTO INFANTIL ............................................................................................................... 11 2.1 Intercorrências no Crescimento ..............................................................................................................................12 2.2 Resumo do Capítulo ....................................................................................................................................................14 2.3 Atividades Propostas ...................................................................................................................................................14 3 NUTRIÇÃO ................................................................................................................................................ 15 3.1 Importância do Aleitamento Materno .................................................................................................................15 3.2 Benefícios do Aleitamento ........................................................................................................................................17 3.3 Composição do Leite Humano ................................................................................................................................18 3.4 Nutrição e seus Distúrbios ........................................................................................................................................19 3.5 Desnutrição e Aprendizagem ..................................................................................................................................20 3.6 Obesidade Infantil ........................................................................................................................................................21 3.7 Anorexia e Bulimia Nervosa ......................................................................................................................................24 3.8 Resumo do Capítulo ....................................................................................................................................................26 3.9 Atividades Propostas ...................................................................................................................................................26 4 DESENVOLVIMENTO INFANTIL: PROMOÇÃO À SAúDE .......................................... 27 4.1 Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) ........................................................................27 4.2 Desenvolvimento Odontológico: Saúde Bucal .................................................................................................29 4.3 Desenvolvimento Oftalmológico: Saúde Ocular ..............................................................................................33 4.4 Resumo do Capítulo ....................................................................................................................................................34 4.5 Atividades Propostas ...................................................................................................................................................35 5 IMUNIZAÇÃO .......................................................................................................................................... 37 5.1 Resumo do Capítulo ....................................................................................................................................................44 5.2 Atividades Propostas ...................................................................................................................................................44 6 PROMOÇÃO DA SEGURANÇA INFANTIL ............................................................................ 45 6.1 Resumo do Capítulo ....................................................................................................................................................46 6.2 Atividades Propostas ...................................................................................................................................................46 7 MEDIDAS PREVENTIVAS NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA ................................... 47 7.1 Violência e Vitimização Infantil ................................................................................................................................47 7.2 Resumo do Capítulo ....................................................................................................................................................48 7.3 Atividades Propostas ...................................................................................................................................................49 8 EDUCAÇÃO AMBIENTAL ................................................................................................................ 51 8.1 Bases da Educação Ambiental e Documentos ..................................................................................................52 8.2 Educação Ambiental no Espaço Escolar ..............................................................................................................53 8.3 A Educação Ambiental Atual e Perspectivas Futuras .....................................................................................53 8.4 Resumo do Capítulo ....................................................................................................................................................54 8.5 Atividades Propostas ...................................................................................................................................................54 9 CONSIDERAÇÕES FINAIS ...............................................................................................................55 RESPOSTAS COMENTADAS DAS ATIVIDADES PROPOSTAS ..................................... 57 REFERÊNCIAS ............................................................................................................................................. 61 Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 5 INTRODUÇÃO É uma alegria estar escondido, mas um desastre não ser achado. (Winnicott) Caro(a) aluno(a), A disciplina – Educação e Saúde – contribui para a formação de um profissional capaz de estabele- cer um elo entre os desejos e as expectativas da nossa população por uma vida melhor e a oportunidade de autoconhecimento, em busca de um equilíbrio de ordem biológica, psicológica e social. Tem como objetivo formar educadores que formam pessoas, e com isso propiciar condições para um desenvolvi- mento humano pautado na responsabilidade, na autonomia e no conhecimento dos direitos sobre a saúde. Educação e Saúde significa preparar o profissional para atuar em prol da promoção da saúde no ambiente escolar e também em circunstâncias que necessitem de um trabalho educativo para o desen- volvimento humano, como construção de projetos dirigidos à comunidade. A presença do educador com uma nova visão torna-se imprescindível e fundamental, pois é pre- ciso que o saber seja extensivo a todos. Como um facilitador, deve fornecer elementos para que o aluno e a comunidade se apropriem do conhecimento científico a respeito da saúde integral, considerando, ainda, o ser humano com sua subjetividade, emoções, sentimentos, pensamentos, desejos e necessida- des, como também identificar e conhecer os fatores de risco determinantes do processo saúde-doença. A proposta de uma disciplina que abarque temas relacionados à saúde deve-se à necessidade ur- gente em romper conceitos de uma visão de homem fragmentado, para assim minimizar, por meio da educação, as desigualdades sociais e as doenças, em função delas, geradas. Abordaremos a importância de se considerar os aspectos preventivos de educação em saúde, in- cluindo o espaço escolar, os determinantes do crescimento infantil e os prejuízos ocasionados por falhas orgânicas, afetivas e sociais no campo da nutrição. Destacamos a importância do aleitamento materno como base para a saúde infantil e coletiva, os principais transtornos da alimentação, desnutrição e aprendizagem, obesidade infantil, anorexia e buli- mia nervosa. No campo do desenvolvimento infantil, apresentamos os principais distúrbios, entre eles, o TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade), seus sintomas e causas, desenvolvimento odontoló- gico e a promoção da saúde bucal, desenvolvimento oftalmológico e a promoção da saúde ocular. No que se refere à saúde individual e coletiva, apontamos os agravos decorrentes no campo da imunização, promoção da segurança infantil, medidas preventivas na infância e adolescência, com foco na violência e vitimização infantil. Assim, ressaltamos que dentro do campo da saúde e educação, os conteúdos aqui apresentados servem de referenciais para um melhor aprofundamento, já que não há pretensão de abarcar a magnitu- de e complexidade dos temas relacionados, considerando ainda dados epidemiológicos que constante- mente são atualizados, fruto da comunidade científica na área da saúde. Espero que o conteúdo possa ser aproveitado ao máximo. Um forte abraço e bons estudos! Profa. Vânia Vieira Costa Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 7 EDUCAÇÃO EM SAúDE1 Caro(a) aluno(a), Para você, o que é mais importante: a saúde ou a educação? É sobre esse assunto que vamos tratar agora. Certamente, as duas áreas são igualmen- te importantes, complementam-se e funcionam com mecanismos interdependentes, já que mes- mo com as rápidas transformações advindas dos progressos políticos, econômicos, sociais, am- bientais e dos avanços científicos e tecnológicos, podem ser observadas, ainda, desigualdades nas condições de saúde e de vida entre países, regiões e grupos sociais. Sem saúde não há educação, e sem educação não há saúde. Assim, instala-se um processo de vulnera- bilidade social que acomete a população, impe- dindo-a de expressar suas potencialidades, com- prometendo sua saúde, e, certamente, as crianças são as mais atingidas, considerando suas fases de crescimento e desenvolvimento. Representativamente, as doenças orgânicas respondem pela maioria dos casos de morbimor- talidade que acometem a criança e o adolescen- te; porém, as doenças de ordem psicológica e so- cial são indicadas como as causas de morte mais significativas nesse período. Mas quais as principais doenças que são consideradas de ordem psicológica e social? Estudos consistentes e com metodolo- gia controlada apontam: violência, drogadição, prostituição infantil, gravidez, trabalho na infân- cia etc., e as causas externas representadas pelos acidentes, homicídios e suicídios, seguidas de neoplasias (ZAN, 2001). Há, então, a necessidade de ampliação do conceito de saúde, ao qual se atribui, no senso co- mum, apenas o significado de ausência de doen- ças. Deve ser considerado um bem-estar físico, mental e social, como proposto pela Organização Mundial da Saúde. DicionárioDicionário Drogadição: fenômeno complexo resultante de três fatores primordiais – sujeito, produto (droga) e contexto sociocultural. Morbidade: provém da palavra latina morbus, que significa tanto doença física, enfermidade, quanto doença do espírito, paixão. Podemos uti- lizar o seguinte significado: número de casos de uma doença em um grupo populacional. Nessa acepção, constitui um índice epidemiológico, o índice de morbidade, que se desdobra nos coefi- cientes de incidência e de prevalência. Mortalidade: define-se como a ação da morte sobre uma população e é um dos componentes centrais da dinâmica demográfica. O ritmo no qual ocorrem os óbitos em uma população varia muito entre as diversas regiões do mundo, grupos socio- econômicos, sexo etc. A maneira como as pessoas morrem é uma boa representação das condições nas quais vivem. AtençãoAtenção Então qual o conceito de saúde? De maneira mais abrangente, adota-se o conceito de que a saúde é um bem-estar biopsicossocial, ou seja, resultante das condições de alimentação, habitação, educação, renda, meio ambiente, tra- balho, lazer, liberdade, acesso e posse da terra e acesso a serviços de saúde (BRASIL, 2006). Vânia Vieira Costa Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 8 Conforme Leonello e L’Abbate (2006) e Mo- rais e Souza (2001), as práticas de saúde apontam para uma mudança de paradigma, passando de um modelo curativo e assistencial para um inte- gral. Com essa transformação, o educador deve instrumentalizar-se por meio de formação ade- quada que possibilite articular teoria e prática às condições de vida da população. Não se descon- sidera a importância da atuação e integração da equipe de saúde na escola, mas deve haver uma interação para que se articulem estratégias de promoção à saúde com essa equipe. As dificulda- des na construção de estratégias e projetos volta- dos para educação e promoção em saúde são de- correntes de distorções conceituais dos termos. Green e Kreuter (apud CANDEIAS, 1997) recorrem às definições operacionais, em que se entende por educação em saúde as experiências e atividades planejadas de aprendizagem, objeti- vando facilitar ações não coercitivas conducentes à saúde. Quanto à promoção em saúde, define- -se como: práticas que considerem os fatores determinantes da saúde (genéticos, ambientais, serviços de saúde e estilo de vida), com uma mul- tiplicidade de intervenções, utilizando a educa- ção como apoio para integrá-la às circunstâncias sociais; políticas; econômicas; organizacionais e reguladoras; relacionadas ao comportamento humano, caracterizando, assim, umainteração complexa, constituída pela cultura, normas e pelo ambiente socioeconômico com seu significado histórico. Nesse aspecto, a Educação em Saúde exerce uma função determinante, já que pretende: “[...] colaborar na formação de uma consciência críti- ca no escolar, resultando na aquisição de práticas que visem à promoção, manutenção e recupera- ção da própria saúde e da saúde da comunidade da qual faz parte.” (FOCESI, 1992, p. 19). O Ministério da Saúde (BRASIL, 2006) con- ceitua os objetivos da Educação em Saúde como sendo o desenvolvimento, no ser humano, do senso de responsabilidade por sua saúde e capa- cidade de participar da vida comunitária de ma- neira construtiva. A construção de práticas para a promoção da saúde dependerá da necessidade de defini- rem-se os campos de ação para o redireciona- mento do enfoque das políticas de saúde, bus- cando o fortalecimento e sua ampliação por meio de parcerias e da participação popular para criar mudanças individuais e coletivas como: “[...] cons- trução de políticas públicas saudáveis e ambien- tes favoráveis; reorientação dos serviços de saú- de; desenvolvimento de habilidades individuais e reforço da ação comunitária por meio da respon- sabilidade social.” (SILVEIRA, 2000, p. 34). Sabemos que no Brasil há uma tendência significativa de queda na mortalidade infantil nos últimos anos, porém muitos avanços são neces- sários para se atingir um padrão ideal que atenda ao acordo que prevê a redução da mortalidade infantil em 75% até 2015. No Brasil, entre os anos de 1990 e 2007, houve uma redução na mortalidade infantil de 59,7%, mas muito ainda deve ser feito! CuriosidadeCuriosidade 1.1 Atuação no Espaço Escolar Pense a respeito: é possível a escola traba- lhar com o tema saúde? Esse é o espaço adequa- do para tal? De acordo com Fernandes, Rocha e Souza (2005), a escola, por desenvolver um trabalho contínuo e sistematizado e ser um lugar de for- mação e inclusão, assume um papel importante na construção de hábitos e atitudes nos educan- dos, já que os valores expressos nessa instituição geralmente são apreendidos pelas crianças em suas vivências diárias. Educação e Saúde Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 9 Taddei et al. (2006) referem que o professor é o agente multiplicador do processo educativo para a saúde, tanto na atenção individual quanto na coletiva dos escolares, exercendo atividades pontuais e reconhecendo os múltiplos fatores relacionados à vida e à saúde. O autor cita, ain- da, que se deve seguir um modelo estruturado que compreenda temas básicos sobre as fases do crescimento e desenvolvimento humano, neces- sidades e distúrbios nutricionais nas diferentes faixas etárias com foco na prevenção de agravos, estímulo ao comportamento preventivo na saúde física, mental e social. Ações que visem à educação e à promoção da saúde devem compreender o ser humano em seus aspectos biopsicossociais, bem como os vín- culos, saudáveis ou não, existentes entre eles. As- sim, o Ministério da Saúde (BRASIL, 2007) ampliou e atualizou a Caderneta de Saúde da Criança, a qual traz informações sobre cidadania e cuidados para seu crescimento saudável, como dicas de alimentação e amamentação. Servirá como uma cartilha de orientação para mães, familiares e cui- dadores, para tratar e acompanhar o crescimento da criança. A concepção da educação como exercício de cidadania é apontada nos Parâmetros Curricu- lares Nacionais (PCNs), formulados a partir da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei Federal nº 9.934), aprovada em 20 de dezembro de 1996. Nesse documento, conteúdos referentes à Educação em Saúde foram selecionados e organi- zados em blocos, abarcando as esferas individuais e sociais da saúde com foco no autoconhecimen- to para o autocuidado e a vida coletiva. Assim, os temas devem ser trabalhados transversalmente às disciplinas básicas, de forma multidisciplinar, nos denominados Temas Transversais (BRASIL, 1997). A prática de Educação em Saúde não deve ser confundida com o ensino da saúde, especia- lidade esta pertencente à Biologia; deve ser uma atividade que se correlacione a outras disciplinas ou áreas visando a desenvolver, com os alunos, conhecimentos específicos das matérias afins e relações destas com situações que favoreçam ou não as condições de vida e saúde. Sugerem-se, então, diretrizes que permitam aos professores nortear o trabalho de Educação em Saúde, privile- giando os temas transversais para a saúde (ZAN, 2001). AtençãoAtenção Então, qual o principal foco de atuação do edu- cador? O foco de atuação do educador é sempre a pre- venção! Ele atua sempre com a saúde, e não com a doença. Saiba maisSaiba mais Desse modo, os temas propostos são: sexualida- de e saúde; prevenção ao uso indevido de drogas; atividade e saúde; nutrição e saúde; prevenção de acidentes; primeiros socorros; infecções, endemias e doenças infectocontagiosas; entornos escolares saudáveis. 1.2 Resumo do Capítulo Caro(a) aluno(a), neste capítulo nós abordamos a importância do tema Saúde, a ampliação do seu conceito e os modelos de atuação preventiva que o educador deve conhecer para sua prática, já que é no ambiente escolar que a atenção deve ser direcionada tanto para a saúde coletiva quanto individual. As diretrizes propostas seguiram os conteúdos referidos nos PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais), já que o educador deve nortear sua prática nesse documento. Vânia Vieira Costa Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 10 1.3 Atividades Propostas Agora, prezado(a) aluno(a), responda às questões abaixo: 1. Por quais motivos há uma necessidade da ampliação do conceito de saúde? 2. Por quais motivos a disciplina Educação e Saúde é importante? Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 11 CRESCIMENTO INFANTIL2 Vamos pensar: crescimento e desenvolvi- mento são sinônimos? Embora haja uma interface entre os termos, diferenciar crescimento e desenvolvimento é pri- mordial para a compreensão da espécie humana, já que não podem ser utilizados como sinônimos. Assim, o termo crescimento é utilizado, em geral, para se referir ao aumento em tamanho do orga- nismo ou das partes dele, podendo, dessa forma, conceituar-se crescimento como uma somatória de fenômenos celulares, bioquímicos, biofísicos e morfogenéticos, na qual a interação do ho- mem com o ambiente exerce grande importância (MARCONDES, 2002; LISSAUER; CLAYDEN, 2003; BRASIL, 2007). Quanto ao desenvolvimento, adota-se o conceito da aquisição ou aperfeiçoamento de funções orgânicas, capacidades cognitivas, emo- cionais ou sociais adquiridas no decorrer da vida humana. É um processo que se estende ao longo de toda a vida, por meio das interações estabe- lecidas com a sociedade, nas quais cada pessoa, adulta ou criança, desempenha um papel funda- mentalmente ativo e contextual, determinado por fatores históricos (ALMEIDA et al., 2000; FER- REIRA; AMORIN; SILVA, 2000). Siqueira (1991) refere que, quanto melhor, em um dado grupo social, o conjunto das crian- ças que conseguem expressar seu potencial de crescimento e cumprir etapas do seu desenvolvi- mento, tanto melhores deverão ser, nesse grupo, as condições gerais de saúde. No Brasil, observam-se as diferenças em áreas urbanas e rurais: no NDU (Nordeste Urba- no); NDR (Nordeste Rural); SPU (São Paulo Urba- no) e SPR (São Paulo Rural), incluindo o estrato socioeconômico e o seu grau (Figura 1): AtençãoAtenção Crescimento: refere-se a um processo concreto correspondente ao aumento em tamanho do organismo ou das partes dele e suas dimensões. Desenvolvimento: refere-se às funções progres- sivas mais complexas. Pode-se dizer que o cres- cimento ocorre até um determinado momento, mas o desenvolvimentose dá por toda a vida. Figura 1 – Interferências no crescimento físico. Fonte: Brasil (2002). Vânia Vieira Costa Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 12 A velocidade do crescimento é mais acelerada em três períodos, certo? Mas quais são esses perí- odos? Logo, a velocidade do crescimento é mais acelerada em três períodos: vida intrauterina, até os 2 anos de idade e durante a puberdade. CuriosidadeCuriosidade Em termos de velocidade do crescimen- to, ele ocorre da seguinte forma: do nascimento aos 2 anos de idade, varia em torno de 12 a 15 cm/ano, e até os 10 anos de idade, a estatura terá um aumento, em média, de 6 a 8 cm/ano até a aceleração puberal. Quanto ao desenvolvimento das diferentes partes do corpo, verificaremos que este se apresenta em ritmos diferentes: no feto, aos 2 meses de vida intrauterina, a cabeça re- presenta, proporcionalmente, 50% do corpo; no recém-nascido, 25%; e, na idade adulta, a cabeça representa 10% (Figura 2): Figura 2 – Interferências no crescimento físico. 2.1 Intercorrências no Crescimento O crescimento é um indicador fundamen- tal da saúde geral na infância, resultado de uma complexa interação entre fatores genéticos, nu- tricionais hormonais e psicossociais (LESTER; MIL- LER-LONCAR, 2000; BRASIL, 2006, 2007). Costa (2002) assinala que, apesar de uma ingestão calórica adequada, a carência de afeto pode ser a causa de retardo de crescimento. Produz-se, então, um déficit da estatura para a idade, enquanto considerado um retardo de crescimento linear. De origem multifatorial, observa-se que, em crianças com idade inferior a 2 anos, esse déficit pode refletir o estado nutri- cional atual; em contraste, nas crianças maiores, a baixa estatura passa a ser um reflexo de déficit de crescimento no passado. Norgan (1999) refere tendências de muitas sociedades a associar o indivíduo de alta estatura a status, força física, poder, posições de liderança, relacionando-os àqueles mais bem-sucedidos social e economicamente. Dessa forma, as crian- ças que são acometidas por um retardo estatural, além de ser rotuladas como menos competentes, AtençãoAtenção Aqui falamos sobre a baixa estatura de causa nu- tricional, diferente da originada por síndromes específicas que comprometem o crescimento. Fonte: Brasil (2002). Educação e Saúde Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 13 têm de se ajustar aos padrões de força e capacida- de impostos pela sociedade. Buscando compreender as causas da baixa estatura, estudos referem diversos fatores que atuam sobre o crescimento, entre eles os endóge- nos, determinantes internos do indivíduo, como características genéticas, raciais e hormonais; e os exógenos, originados por características exter- nas ao organismo, como nutrientes, alimentação, aspectos sociais e econômicos, ambientais e psi- coafetivos, bem como a vinculação de tais fatores. Muitas vezes, a presença de lares desagregados, marcados pela ausência de relações familiares significativas, somados às dificuldades socioeco- nômicas, resultam em importante carência afeti- va. Conduz-se, então, à desaparição ou à perda da unidade de valores e do sentimento de segu- rança familiar e social, predominando um círculo vicioso, com ruptura de afeto entre os pais, destes com os filhos, levando, também, à desagregação de toda a família com a sociedade em geral (FAL- CONE, 2001). Ratificando essa situação, Cecconello e Kol- ler (2000) estudam a competência social de crian- ças em situações de pobreza e consideram, nessa condição adversa, uma ameaça constante, que aumenta a vulnerabilidade, podendo determinar desnutrição, privação social e desvantagem edu- cacional, limitando suas oportunidades de desen- volvimento. Mais do que tal limitação, a miséria econômica, oriunda de desigualdades sociais, e a má distribuição de renda, enquanto fator de ris- co, podem afetar o desenvolvimento da criança, conduzindo-a a carência afetiva. Nóbrega e Campos (2000) apontam que a baixa estatura dificilmente encontra causa orgâ- nica para sua explicação. Identifica-se a mãe como o ser de maior con- tato com os filhos desde o nascimento, principal- mente pelo compromisso emocional que se esta- belece desde as primeiras experiências. À medida que a criança é privada de afeto, podem surgir dificuldades relacionadas à alimentação que, se intensificadas, possibilitam o comprometimen- to estatural. Os autores, estudando a conduta socioafetiva precária da mãe com a criança com atraso de crescimento, concluem que a inexistên- cia de modelos parentais afetivos e experiências prazerosas fez parte de sua vida, impedindo-a, as- sim, de reproduzir a vivência gratificante que “ser amado” proporciona ao ser humano. Tais infortúnios, quando não elaborados, semeiam marcantes sentimentos de incapacida- de e insuficiência, convertendo-se em uma ambi- valência materna, afetando, muitas vezes, apenas um dos filhos dessa família. Westphal (1989) explica que, com tais atitu- des, ocorre uma perda da real percepção materna em relação à criança, a qual se propaga aos de- mais membros da família e, depois, na escola, aos que convivem com ela. Decorre, assim, uma visão deturpada da criança, que passa a ser tratada de acordo com sua aparência física, com subesti- mação de sua capacidade. Consequentemente, a criança incorpora tais referências, tornando-se frágil e imatura, o que resulta em comportamen- tos infantilizados, que se perpetuarão na intera- ção com seus pares e figuras de autoridade, com- prometendo a relação com o segundo elemento importante na formação da criança depois da fa- mília: a escola. Saiba maisSaiba mais O ambiente exerce uma influência tanto positiva quanto negativa de até 12 cm no crescimento, e a genética influencia em apenas 3,5 cm. AtençãoAtenção Muitas vezes, a baixa estatura é resultante não só de privação alimentar, possivelmente ocorrida no início de vida da criança, mas também devido à ausência de afeto materno. Vânia Vieira Costa Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 14 Neste capitulo, nós abordamos os temas Crescimento Infantil e as intercorrências que podem comprometer a saúde da criança e do adulto. Conceitos diferentes, para fins didáticos, como Cresci- mento e Desenvolvimento, auxiliam você a criar estratégias de atuação preventiva, além de reconhecer os fatores biológicos, psicológicos e sociais que atuam de maneira positiva e negativa no crescimento humano. Você viu também neste capítulo que a genética exerce influência na estatura final do indiví- duo, mas é o ambiente que poderá determinar mudanças significativas, pois crianças, quando expostas a condições precárias, possuem uma estatura final menor quando comparadas àquelas com estrato socioeconômico mais elevado. Foi visto, ainda, que a velocidade do crescimento ocorre de maneira mais acelerada em três períodos; sendo que com esse conhecimento você poderá começar a pensar em estratégias para melhorar a condição estatural da criança brasileira. AtençãoAtenção Na desnutrição, há um ciclo de privações afetivas, e a criança de baixa estatura deve ser tratada de acordo com sua idade cronológica, e não conforme sua aparência! 2.2 Resumo do Capítulo 2.3 Atividades Propostas 1. Analise a Figura 1 (Interferências no crescimento físico) e compare-a com a importância de se considerar o crescimento da população, em especial as crianças. 2. Quais as causas estudadas que explicam a baixa estatura de causa nutricional? Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 15 NUTRIÇÃO3 3.1 Importância do Aleitamento Materno Você pode questionar agora: o aleitamento materno é mesmo importante? Por quê? Sim, sua prática é muito importante, e vere-mos por quê. Elemento de importância significativa no campo da saúde infantil e coletiva, especialmente na redução da mortalidade infantil, o aleitamento materno exerce uma função vital na espécie hu- mana (ALMEIDA, 2004). Segundo Ricco, Del Ciam- po e Almeida (2000), o campo da ciência aponta que quando o aleitamento materno é praticado, evidenciam-se vantagens e benefícios para a du- pla – mãe e filho –, a curto, médio e longo prazos, estendendo-se à família e à sociedade, as quais devem manter vivo e atualizado o estímulo a essa prática. Questões como a determinação do tempo ideal de amamentação exclusiva, até que idade o leite materno supre as necessidades nutricio- nais da criança e o momento adequado para a introdução de alimentos sólidos são temas que ainda geram controvérsias e que mantêm as re- comendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) sob contínuas revisões. Em 2001, a OMS desenvolveu uma revisão sistemática de publica- ções científicas sobre a duração da amamentação exclusiva, reconhecendo a necessidade de alterar a recomendação anterior de quatro a seis meses desta para seis meses, complementando com ou- tros alimentos até os 2 anos (WHO, 2001). Desde 2007, as definições de aleitamento materno são adotadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e reconhecidas no mundo inteiro com as seguintes classificações: Aleitamento materno exclusivo – quando a criança recebe somente leite materno, direto da mama ou ordenhado, ou leite humano de outra fonte, sem outros líqui- dos ou sólidos, com exceção de gotas ou xaropes contendo vitaminas, sais de rei- dratação oral, suplementos minerais ou medicamentos. Aleitamento materno predominante – quando a criança recebe, além do leite materno, água ou bebidas à base de água (água adocicada, chás, infusões), sucos de frutas e fluidos rituais. Aleitamento materno – quando a criança recebe leite materno (direto da mama ou ordenhado), independentemente de re- ceber ou não outros alimentos. Aleitamento materno complementado – quando a criança recebe, além do leite materno, qualquer alimento sólido ou semi-sólido com a finalidade de com- plementá-lo, e não de substituí-lo. Nessa categoria a criança pode receber, além do leite materno, outro tipo de leite, mas Saiba maisSaiba mais Segundo dados do Unicef, o Brasil ocupa o segundo lugar no ranking de países capazes de atingir a meta de redução da mortalidade infantil em dois terços, de acordo com os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, da Organização Mundial da Saúde. Vânia Vieira Costa Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 16 este não é considerado alimento comple- mentar. Aleitamento materno misto ou parcial – quando a criança recebe leite materno e outros tipos de leite. Além de água, vitaminas e sais minerais, o leite materno contém imunoglobinas, algumas enzimas e lisozimas e muitos outros fatores que ajudam a proteger a criança contra infecções, in- cluindo-se anticorpos, hormônios e outros com- ponentes que não estão presentes em outras fór- mulas infantis de leite (SANTOS; SOLER; AZOUBEL, 2005; NÓBREGA, 2008). Os programas de incentivo ao aleitamento materno exclusivo fazem parte de uma experiên- cia realizada em 1990, na Itália, idealizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), cujo objetivo foi mobilizar profissionais de saúde e autoridades para mudanças nas rotinas das insti- tuições de saúde, visando a prevenir o desmame precoce. Contando com a participação do Brasil, nesse encontro foi elaborado o documento De- claração de Inoccenti, contendo um conjunto de metas para a prática da amamentação de forma exclusiva até os quatro ou seis meses de vida e com a introdução de alimentos complementares até o segundo ano de vida ou mais. Ainda nesse encontro, foi idealizada a Iniciativa Hospital Ami- go da Criança, que inclui os 10 passos para orien- tar gestantes sobre os benefícios da amamenta- ção e das desvantagens do uso de substitutos de leite materno (AAP, 1997). O consenso estabelecido em nível inter- nacional, sobre o papel protetor do aleitamento materno, justifica a meta das Nações Unidas, es- tabelecida na década passada, no sentido de que fossem oferecidas condições para que todas as mulheres do mundo pudessem amamentar seus filhos, de forma exclusiva, nos seis primeiros me- ses de vida, prolongando a amamentação, com- binada com outras práticas alimentares, até o se- gundo ano de vida (UNICEF, 1990; BRASIL, 2005). Dessa forma, a educação, na promoção des- sa prática, deve considerar que as mães e seus familiares precisam de orientações que conside- rem suas vivências, evitando o abandono precoce diante de possíveis dificuldades nessa prática. Re- lata-se um risco maior para o desmame precoce quando são apresentadas dificuldades do tipo in- gurgitamento mamário, fissuras, problemas com o mamilo e mastite nos primeiros dias, havendo necessidade constante do estímulo e do apoio a essas mães, principalmente de profissionais de- vidamente capacitados (CALDEIRA; GOULART, 2000). Muitas vezes, em consequência de o bebê não conseguir mamar, a mãe sente-se angustiada, o que inibe ainda mais a ejeção láctea, podendo conduzir ao fracasso da amamentação. Uma dú- vida frequente refere-se ao tempo das mamadas. O esvaziamento gástrico do lactente, alimentado somente com leite materno, é de aproximada- mente uma hora e meia, sendo possível que ele volte a sentir fome após esse período. Considera-se conveniente que o lactente esvazie uma mama antes de se lhe oferecer a ou- tra, de forma que ele receba o leite do final da ma- mada, porque contém um maior teor de gordura (VALDÉS; SANCHES; LABBOK, 1996). A percepção da mãe ao considerar que seu leite é inadequado para suprir as necessidades nutricionais da criança é apontada como uma das Saiba maisSaiba mais Recomenda-se amamentar pelo sistema de livre demanda, ou seja, quando o lactente solicita, e não com um horário preestabelecido. O número de ma- madas no período de recém-nato deve oscilar entre 7 e 12, nas 24 horas, incluindo-se, pelo menos, uma mamada durante a noite. AtençãoAtenção Oferecer ambos (esquerdo e direito) e permitir o esvaziamento total de cada um para que o bebê ingira o leite maduro/posterior, no qual há maior concentração de gordura e energia. Isso permite que o bebê ganhe peso e fique saciado. Educação e Saúde Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 17 razões para a interrupção prematura da amamen- tação ao seio. Isso é um motivo importante para que as políticas públicas estimulem os programas de intervenção e programas educacionais que orientem as mães para os benefícios e o manejo da amamentação (SPYRIDES et al., 2005). Tão necessária quanto a prática correta do aleitamento materno exclusivo até os seis meses de idade é a introdução oportuna de alimentos após essa idade. Em função disso, o Ministério da Saúde elaborou o Guia Alimentar para Crianças Menores de Dois Anos, no qual salienta que após os seis meses, no entanto, apenas o leite materno pode não ser suficiente para prover as necessi- dades nutricionais das crianças, cabendo aos ali- mentos complementares suprir essa lacuna, em especial a de energia e ferro (BRASIL, 2005). 3.2 Benefícios do Aleitamento Muitos estudos demonstram que crianças amamentadas ao seio materno são beneficiadas nos aspectos nutricionais (proteínas, gorduras, água, vitaminas e minerais), afetivos (fortaleci- mento do vínculo entre mãe e filho) e preventivos a doenças (menor risco de contaminação quando comparado com a alimentação artificial, proteção contra alergias alimentares), além de contribuir na redução da mortalidade e ocorrência de enfer- midades, como diarreia, anemia,doenças respi- ratórias, otite média, diabetes, câncer, problemas ortodônticos e doenças cardiovasculares na ida- de adulta (MAHAN; KRAUSE, 1990; CTENAS; VITO- LO, 1999; ISSLER; LEONE; MARCONDES, 1999). Quanto aos benefícios para as mães, a lite- ratura descreve que mulheres que amamentam apresentaram menor predisposição para o de- senvolvimento de câncer de mama, consideran- do que quanto maior o tempo de aleitamento, menor é o risco; rapidez na involução do útero ao tamanho pré-gestacional; recuperação do peso pré-gestacional; e benefícios psicológicos decor- rentes da realização na função materna (GOU- VÊIA, 1998; RICCO; DEL CIAMPO; ALMEIDA, 2000; SANTOS; SOLER; AZOUBEL, 2005). Na busca de condutas preventivas, foram elaboradas recomendações para uma alimen- tação saudável, expressas em “Dez Passos para uma Alimentação Saudável: Guia Alimentar para Crianças Menores de Dois Anos”, publicadas em um manual técnico para subsidiar os profissionais de saúde a promover práticas alimentares saudá- veis para a criança pequena (BRASIL, 2002). Para que a dupla possa usufruir de todas as vantagens, deve haver orientações tanto dos be- nefícios quanto dos cuidados necessários para a prática, como refere o álbum Promovendo o Alei- tamento Materno, disponibilizado pelo Ministério da Saúde e UNICEF (Figura 3). Saiba maisSaiba mais A maioria dos estudos aponta que as crianças ama- mentadas apresentam melhor desenvolvimento cognitivo quando comparadas com as não ama- mentadas, principalmente as com baixo peso de nascimento. Não amamentar pode significar sacrifícios para uma família com pouca renda. Em 2004, o gasto médio mensal com a compra de leite para ali- mentar um bebê nos primeiros seis meses de vida no Brasil variou de 38 a 133% do salário-mínimo, dependendo da marca da fórmula infantil. A esse gasto devem-se acrescentar custos com mama- deiras, bicos e gás de cozinha, além de eventuais gastos decorrentes de doenças, que são mais co- muns em crianças não amamentadas. CuriosidadeCuriosidade Vânia Vieira Costa Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 18 Figura 3 – Álbum promovendo o aleitamento materno. 3.3 Composição do Leite Humano O leite materno é um alimento biologica- mente apto para o ser humano. Para melhor se adaptar às necessidades de crescimento de um recém-nascido, ele modifica a sua composição com o passar do tempo. Nos primeiros dias de vida, antes da che- gada do leite definitivo, o bebê alimenta-se de colostro, um leite denso e amarelado, chamado de primeiro leite, que possui substâncias nutriti- vas, é rico em proteínas e sais minerais e é impor- tante para os primeiros dias de vida. Ele fornece ao bebê determinados anticorpos, que atuarão como substâncias de defesa para protegê-lo de possíveis agressões de germes e vírus. Próximo ao terceiro ou quarto dia, o colos- tro modifica seu aspecto, tornando-se mais claro e cremoso. É o leite de transição, que serve para acomodar o bebê ao leite definitivo que virá a seguir. Aos poucos, diminuem as proteínas e au- menta o conteúdo de açúcares, indispensável para o crescimento dos tecidos cerebrais, e de gordura, que se transforma em energia. Ao completar 10 dias, o seio materno pro- duz o leite perfeito, mais fluido e de sabor doce. Por possuir um aspecto mais aguado, muitas mães podem acreditar que o leite se tornou fraco, interrompendo precocemente a prática do aleita- mento (ISSLER; LEONE; MARCONDES, 1999). Estudando a composição do leite materno, verifica-se que ele é uma importante fonte de água, constituindo 87% de seu total, o que garan- te o equilíbrio hídrico do organismo do bebê; os outros 13% correspondem às substâncias nutriti- vas, como as proteínas, responsáveis pela cons- trução e pelo crescimento de células e tecidos; os açúcares (principalmente a lactose, responsável pelo desenvolvimento do cérebro humano, pela proteção contra germes e vírus e pela absorção do cálcio, fundamental para o crescimento ósseo da criança); as gorduras (que servem para o de- senvolvimento das células do sistema nervoso); e as vitaminas e os sais minerais (quantidade sufi- ciente de vitamina C, D e E, além de cálcio, fósforo e um pouco de ferro) (CTENAS, 1999). AtençãoAtenção A composição do leite materno é de 87% de água e de 23% de todos os nutrientes necessários ao crescimento e ao desenvolvimento do bebê. Fonte: Brasil (2007). Educação e Saúde Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 19 Reflita agora: a desnutrição é causada ape- nas pela ausência do alimento? Não. A desnutrição infantil é multifatorial, ou seja, há muitos fatores envolvidos: fatores de ordem biológica, psicológica e social. Sabemos que, quando expostas a condi- ções precárias, as crianças, por serem mais vulne- ráveis, são as que sofrem os efeitos deletérios da pobreza e das iniquidades sociais. Seu potencial é corrompido, muitas vezes, por eventos que se sucedem nos primeiros 2 anos de vida, princi- palmente pela desnutrição energético-proteica. Esta, sintetizada no termo desnutrição, por indicar sua forma primária, deriva da ação de múltiplos fatores, entre eles a ingestão alimentar inadequa- da e insuficiente, agravada por processos infec- ciosos gastrintestinais e repetitivas infecções das vias aéreas respiratórias, configurando-se em um dos principais problemas da saúde mundial na medida em que é a mais prevalente alteração do estado nutricional e do crescimento infantil (TAD- DEI; SIGULEM, 1998). Muitos são os profissionais que se preocu- pam em buscar determinantes da desnutrição infantil e suas consequências na baixa estatura em população de baixa renda (AMIGO et al., 2001; COSTA, 2002). Entre os fatores de risco estudados, têm- -se, enquanto condições biológicas/reprodutivas, idade e estatura materna baixa, peso ao nascer (menor que 2.500 gramas), tipo de parto, ordem de nascimento e aleitamento materno. Quanto às psicológicas, têm-se a disfunção familiar, incluin- do fatores estressantes durante a gestação, a falta de apoio de pessoas significativas e a separação do parceiro (FALCONE, 2001). Nas condições so- cioeconômicas e culturais, configuram-se baixa escolaridade materna (menor e igual a 4 anos de estudo), renda familiar e condições de moradia (MALTA; GOULART; COSTA, 1998). 3.4 Nutrição e seus Distúrbios Moyses e Collares (1997) referem sobre dois conceitos distintos: fome e desnutrição. A fome é sintetizada como a necessidade básica de ali- mento, que, quando não satisfeita, diminui a dis- ponibilidade de qualquer ser humano para as ati- vidades cotidianas e também para as atividades intelectuais. Quando satisfeita a necessidade de alimen- tação, cessam todos os seus efeitos negativos, sem quaisquer sequelas. Já a desnutrição ocorre quando a fome se mantém em intensidade e tem- po tão prolongados que passam a interferir no suprimento energético do organismo. Para man- ter seu metabolismo em funcionamento, o corpo adota uma série de medidas de “contenção de gasto”. Nos casos mais leves (a chamada desnutri- ção grau I ou leve), o organismo diminui a taxa de crescimento: o corpo mantém todo o metabolis- mo normal à custa do sacrifício na velocidade de crescimento. Entretanto, as crianças que sofrem de desnutrição grave e, por causa dela, de com- prometimento neurológico, não estão na escola, entre outras razões, porque a taxa de mortalida- de infantil, mesmo reduzida, ainda é significativa. Desse modo, a merenda escolar oferecida não chega às crianças com desnutrição grave, como tampouco tem sido suficiente para alterar o esta- do nutricional de qualquer criança. Sabe-se que a merenda pode, no entanto, resolver a «fome do dia», ou seja, o problema do estômagovazio, que compromete a capacidade de atenção, a disposi- ção para aprender de qualquer ser humano. AtençãoAtenção Os fatores de risco não são determinantes. Não há uma relação de causa e efeito. Há, sim, uma maior chance, um risco maior desses fatores biopsicossociais. Vânia Vieira Costa Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 20 Agora que você já sabe um pouco mais so- bre desnutrição, reflita: a desnutrição causa fra- casso escolar? Não. Estudos mostram que somente nos casos de desnutrição grave ocorrem alterações no sistema nervoso central (responsável pelas funções intelectuais dos indivíduos), que incidem sobre a anatomia do cérebro (redução do peso, do tamanho, do volume, do número de células, da quantidade de mielina etc.). Não se sabe como as sinapses nervosas pro- duzem ações inteligentes. Não há consenso sobre como os estímulos do ambiente provocam altera- ções funcionais no cérebro (se há aumento de li- gações nervosas, se eles ativam capacidades que seriam ativadas se não houvesse oportunidade de uso). Enfim, não se sabe o quanto os estímulos do ambiente, as oportunidades culturais, educa- cionais, alteram o sistema nervoso. Todavia, crian- ças que sofreram de desnutrição grave no início da vida e, portanto, tiveram alterações irrever- síveis no seu sistema nervoso, mas não viveram em condição de pobreza, testadas aos 18 anos de idade, revelaram um desenvolvimento intelectual equivalente ao de adolescentes normais e apre- sentaram bom desempenho acadêmico (SAWA- YA, 2006). 3.5 Desnutrição e Aprendizagem Questiona-se como ocorre a avaliação da capacidade intelectual de uma pessoa. É possível avaliar a capacidade intelectual de uma pessoa ou medir apenas o uso dessas capacidades, to- mando como norma-padrão os usos estabeleci- dos pelos conhecimentos escolares? Sabe-se que o potencial que se imagina medir é, na verdade, construído em um complexo processo de intera- ção entre o indivíduo, desde o seu nascimento, e o meio social em que vive. Por sua vez, o meio social é produto de uma construção histórica que definiu as ações sociais, os modos de relação hu- mana e o conjunto dos conhecimentos que ali circulam, bem como as condições de acesso e uso desses conhecimentos, distribuídos de forma desigual (VYGOTSKY, 1984; COLLARES; MOYSES, 1997; PATTO, 2000). A diferença de desempenho nos testes de inteligência, cujos resultados apontam para um grande contingente de crianças com QI limítrofe ou abaixo da média, é sinal de incapacidade da criança ou produto das desigualdades sociais? São as desigualdades que impedem o acesso das crianças de classes populares a um ensino de qualidade, aos conhecimentos científicos, às for- mas de pensar produzidas pela escola (SAWAYA, 2006). A autora ainda descreve que a maioria das crianças com desnutrição vive em condição de miséria e não tem acesso aos bens culturais e aos benefícios da sociedade. Desse modo, já não é mais possível separar os efeitos da desnutrição no organismo das crianças dos efeitos negativos pro- duzidos pela precariedade de vida em que estão imersas. Até que ponto, porém, a condição de mi- séria material, a falta de acesso aos conhecimen- tos escolares e a desigualdade social comprome- tem a capacidade cognitiva dessas famílias e de seus filhos, as suas capacidades de falar, pensar, argumentar, lutar pela própria vida, construir uma vida digna, educar seus filhos e alimentá-los? Saiba maisSaiba mais Alterações anatômicas não permitem nenhuma conclusão sobre os seus efeitos no funcionamento cerebral (SAWAYA, 2006). A desnutrição pode acarretar alterações neuroló- gicas e intelectuais, porém certamente a FALTA DE ESTÍMULOS nas classes socioeconômicas bai- xas desempenha um importante papel na gênese da deficiência intelectual. CuriosidadeCuriosidade Educação e Saúde Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 21 Alguns dados revelam que, apesar dos inú- meros problemas enfrentados por essa popula- ção, houve, nas últimas décadas, uma queda na taxa de desnutrição na população com menos de 5 anos (IBGE, 1975; INAN, 1989). Nos últimos 30 anos, de 1974 a 2006, houve queda de 90% na proporção de crianças menores de 5 anos com desnutrição aguda (recente). As explicações que comumente são atribuídas, na área da saúde, à diminuição na taxa de desnutrição no Brasil, re- ferem-se à mudança do campo para a cidade e à melhoria do acesso aos serviços de saúde, apesar de ter havido, no mesmo período, um crescimen- to da pobreza e do desemprego no Brasil. Desse modo, a melhora nos índices de desnutrição não pode ser explicada pela melhoria nas condições de renda dessa população. Antes, a queda preci- sa ser considerada também a partir das inúmeras estratégias de sobrevivência que as populações de baixa renda encontram para driblar a fome e a miséria absoluta. Sawaya (2002) refere que é preciso questio- nar as formas de avaliação do desempenho inte- lectual das crianças que sofrem de desnutrição atual ou pregressa, para evitar a conclusão falha, em países como o Brasil, de que as crianças são deficientes, já que há uma série de variáveis psi- cológicas, sociais e culturais que pode atuar no fracasso escolar da criança que é ou foi desnutri- da, incluindo o oferecimento de propostas peda- gógicas inadequadas. O que acontece é que tais crianças são “rotuladas” como deficientes, mas se lhes forem oferecidos estímulos adequados, prá- ticas pedagógicas estimulantes e atrativas, pode- rão desenvolver-se plenamente. 3.6 Obesidade Infantil Sobre a obesidade, é importante que você reflita: a obesidade infantil ocorre em maior nú- mero em qual condição social? A obesidade é considerada uma síndrome multifatorial na qual a genética, o metabolismo e o ambiente interagem, assumindo diferentes quadros clínicos, nas diversas realidades socioe- conômicas. Entre os transtornos decorrentes de mudanças socioculturais, encontra-se a obesida- de. Nas últimas décadas, a alimentação adqui- riu papel superior ao simples fornecimento das necessidades fisiológicas necessárias à manuten- ção do corpo, tendo uma função social e afetiva. Atualmente, é considerada uma condição de elevada prevalência, que suscita a atenção do clínico, do pesquisador, assim como dos que tra- balham na área social e sanitária (CATANEO; CAR- VALHO; GALINDO, 2005). A prevalência de obesidade em crianças e adolescentes pertencentes à maior parte dos paí- ses tem crescido, traduzindo-se em um dos mais significativos problemas nutricionais da atualida- de. É considerada um dos problemas de saúde pública atuais, com impacto tão grande quanto o do tabagismo sobre a integridade dos indiví- duos. Sua frequência é elevada, mesmo em na- ções em desenvolvimento, nas quais persistem regiões e grupos sociais submetidos a contextos de fome e desnutrição, como pode ser observa- do na Figura 4. Vânia Vieira Costa Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 22 Figura 4 – Obesidade e desnutrição. Fonte: Brasil (2006). A obesidade infantil vem aumentando sig- nificativamente no mundo todo. A prevalência da obesidade nos EUA e no Brasil aumentou em torno de 50% na última década, e cerca de um quarto das crianças é obesa ou apresenta sobre- peso. Cerca de 40 a 80% das crianças obesas serão adultos obesos. Diversos estudos estimam que aproximadamente 50% das crianças obesas aos 7 anos serão adultos obesos, e cerca de 80% dos adolescentes obesos tornar-se-ão adultos obesos (OLIVEIRA, 2000). Estudos buscam identificar, entre os fatores biológicos, psicológicos e sociais, aqueles asso- ciados à ocorrência da obesidade. A relação en- tre o nível socioeconômico e a obesidade infantil não tem sido consistente na literatura, porém,inversamente, há redução da obesidade, com o aumento da renda familiar. A influência da esco- laridade materna também tem revelado resulta- dos discrepantes (RIBEIRO; TADDEI; COLUGNATTI, 2003; GIUGLIANO; CARNEIRO, 2004). As atividades físicas realizadas pela criança na escola e as brincadeiras desenvolvidas no lar contribuem na regulação do peso corporal e, con- sequentemente, atuam na prevenção da obesida- de. Em oposição, o tempo que a criança assiste à televisão, quando maior e igual a quatro horas (≥ 4 horas), apresenta-se como variável indicadora da inatividade física e com influência significativa na prevalência da obesidade infantil (STRONG et al., 2005). A literatura tem apontado uma associação significativa entre a obesidade dos pais e obesi- Na década de 1980, 5 a 6% das crianças no mun- do tinham de peso; hoje, 30%, ou seja, 1 a cada 10 crianças (ORgANIzAçãO MUNDIAL DA SAúDE, 2010). No Brasil, nos últimos 30 anos, passou de 3 para 15% o índice de crianças obesas (SOCIEDA- DE BRASILEIRA DE PEDIAtRIA, 2009). CuriosidadeCuriosidade Educação e Saúde Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 23 dade dos filhos, lembrando que os fatores gené- ticos têm grande influência, mas são os fatores ambientais que poderão determinar no proces- so saúde-doença (MARTINELLI JÚNIOR; SALES, 2000). Portanto, o ambiente continua sendo im- portante no desencadeamento da obesidade in- fantil. Quanto aos aspectos psicológicos envolvi- dos na obesidade, há os referentes à dupla mãe e filho, a qual, sob influência da ansiedade familiar em manter o filho “gordinho” (já que há conceitos errôneos em considerar que a criança gordinha é bonita e forte), gera um ciclo de condutas ina- dequadas, que vão desde hábitos incorretos até comportamentos exibidos pelos familiares em re- forçar esse conceito. Guimarães et al. (2006) referem que medi- das de intervenção precisam levar em conta o contexto familiar e socioeconômico da criança, e que políticas de alimentação e nutrição preci- sariam assegurar atuações no ambiente escolar, com medidas efetivas do setor de saúde para a promoção de alimentação saudável, da vigilância dos problemas nutricionais e do acompanhamen- to dos escolares com distúrbios já detectados. Campos (1993) identificou as seguintes ca- racterísticas psicológicas no que diz respeito às crianças obesas: elas são mais regredidas e in- fantilizadas, tendo dificuldades de lidar com suas experiências de forma simbólica, de adiar satisfa- ções e obter prazer nas relações sociais, de lidar com a sexualidade, além de uma baixa autoesti- ma e dependência materna. Cataneo, Carvalho e Galindo (2005) citam que, em trabalhos que visem à assistência e ao tratamento aos casos de obesidade, devem-se compreender as questões emocionais envolvi- das, mas sem rotular que obesidade é sinônimo de problemas psicológicos. Essa concepção deve ser mudada, principalmente junto aos pais que, possivelmente, por dificuldades em administrar uma alimentação mais balanceada a seus filhos, buscam enxergar problemas de ordem emocio- nal como fatores de explicação para a ocorrência do excesso de peso. O grande aumento na incidência da obesi- dade nas últimas décadas reforça a participação do estilo de vida na gênese da obesidade, tan- to na diminuição da prática de esportes quanto no uso indevido de tecnologias que permitem ao homem exercer as mesmas atividades diárias com o mínimo dispêndio de energia. Em busca de novas estratégias de comba- te à obesidade, a educação nutricional vem sen- do abordada como novo binômio a ser seguido – educação/nutrição, além do já elencado ren- da/nutrição. A relação entre conhecimentos em nutrição e estado nutricional sugere que outros fatores, como falta de ambiente favorável na pra- ticabilidade das intenções de melhorar a quali- dade da dieta, são fundamentais para modificar o estado nutricional ou prevenir a obesidade. As intervenções, portanto, devem ir muito além de apenas promover conhecimentos nutricionais. São necessárias ações integradas que visem à saúde das crianças, envolvendo famílias, escolas, comunidades e indústria alimentícia, além de um sistema de saúde que priorize a prevenção de doenças (TRICHES; GIUGLIANI, 2005). Na escola, os professores têm condições de colocar em prática programas de educação nutricional, promovendo, no ambiente escolar e familiar, a produção e o consumo de alimentos saudáveis. Como referido por Davanço, Taddei e Gaglianone (2004), acredita-se que docentes que assumem como atribuição estimular hábi- tos saudáveis entre os alunos estejam mais aptos a realizar ações de promoção de saúde. Assim, evidencia-se a importância da capacitação de professores, em nutrição, para o seu bom desem- penho na saúde e na nutrição escolar. AtençãoAtenção tanto para as causas quanto para as consequên- cias da obesidade, devem-se considerar os fato- res biopsicossociais. Vânia Vieira Costa Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 24 3.7 Anorexia e Bulimia Nervosa É importante que você reflita agora: existe um corpo perfeito? Essa preocupação interfere na anorexia e na bulimia nervosa? Não. Não existe um corpo perfeito, já que o padrão de beleza é subjetivo e o sujeito desen- volve ao longo da vida características pessoais e comportamentais sobre esse tema, mas há cons- tantes influências que podem alterar ou não suas particularidades e que irão interferir na ocorrên- cia da anorexia e bulimia nervosa. Os transtornos alimentares são doenças que afetam particularmente adolescentes e adul- tos jovens do sexo feminino, levando a prejuízos psicológicos, sociais e aumento de morbidade e mortalidade da população. A anorexia nervosa caracteriza-se por perda de peso intensa e intencional à custa de dietas ex- tremamente rígidas com uma busca desenfreada pela magreza, uma distorção grosseira da ima- gem corporal e alterações do ciclo menstrual. O termo ‘anorexia’, sabidamente, não é o mais adequado do ponto de vista psicopatoló- gico, na medida em que não ocorre uma perda real do apetite, ao menos nos estágios iniciais da doença (CORDAS, 2004). A preocupação com o corpo torna-se cada vez mais marcante, ocasionando uma preocupa- ção excessiva com o corpo, transformando-se em um culto à beleza que, na maioria das vezes, gera sofrimento, acarretando em enfermidades signi- ficativas. Para o diagnóstico, são necessários critérios que possibilitem a exatidão da doença: Quadro 01, segundo o DSM-IV (Diagnostic and Statistical Manual, IV) (APA, 1994) e a CID-10 (Classificação Internacional de Doenças, 10. ed.) (OMS, 1993). O termo ‘anorexia’ deriva do grego “an-”, deficiên- cia, e “orexis”, apetite, falta de apetite. Na anorexia nervosa, esse termo não deve ser utilizado em seu sentido etimológico, uma vez que a recusa e o controle da ingestão dos alimentos têm como objetivo perder peso ou o medo de ganhá-lo, sem, necessariamente, apresentar real perda de apetite (CORDAS, 2002, p. 3-6). CuriosidadeCuriosidade Quadro 1 – Critérios diagnósticos para anorexia nervosa segundo o DSM-IV (APA, 1994) e a CID-10. Fonte: APA (1994) e OMS (1993). Educação e Saúde Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 25 A bulimia nervosa caracteriza-se por grande ingestão de alimentos com sensação de perda de controle, os chamados episódios bulímicos. Uma preocupação excessiva com o peso e a imagem corporal leva o paciente a métodos compensató- rios inadequados para o controle de peso, como vômitos autoinduzidos, uso de medicamentos (diuréticos, inibidores de apetite, laxantes), dietas e exercícios físicos. Devem-se, também, seguir os seguintes cri- térios diagnósticos segundo o DSM-IV e a CID-10: O termo ‘bulimia’ vem de “boulimos”, derivado do grego “bous”, boi e “limos”,fome, ou seja, uma fome muito grande. Séculos antes de Cristo, Hi- pócrates já empregava o termo “boulimos” para se referir a uma fome doentia e diferente da fisiológi- ca. Os vômitos autoinduzidos são comportamen- tos encontrados desde a antiguidade. Hipócrates indicava essa prática como prevenção de doen- ças diversas (CORDAS, 2002, p. 3-6). CuriosidadeCuriosidade Quadro 2 – Critérios diagnósticos para bulimia nervosa segundo o DSM-IV (APA, 1994) e a CID-10. A presença de tais distúrbios acomete a população adolescente e adulta, mas é por meio da educação preventiva, visando à construção da autoestima, que a ocorrência de tais enfermida- des pode ser minimizada, principalmente no am- biente escolar. Mas, diante desses conteúdos, você pode se questionar: Qual a função do educador com os conhecimentos sobre anorexia e bulimia nervosa? Pois bem, agora você já sabe que a anorexia e a bulimia atingem a população adolescente e adulta, quais são os sintomas e quais são os fato- res de influência, certo? Então, agora é o momento de retomar al- gumas questões vistas até aqui. Se o trabalho do educador é atuar com a prevenção diante de tais transtornos, sua atuação é anterior ao estabeleci- mento desses transtornos. Como isso ocorre? Desde a mais tenra idade, o educador deve atuar na construção da autoesti- ma, da autoaceitação, favorecendo a diminuição da pressão cultural e familiar com relação à valo- rização de aspectos físicos, fornecendo informa- ções a respeito dos riscos dos regimes rigorosos para obtenção de uma silhueta “ideal”. Fonte: APA (1994) e OMS (1993). Vânia Vieira Costa Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 26 Caro(a) aluno(a), neste capítulo você viu os principais aspectos da nutrição: a importância do aleita- mento materno, os benefícios dessa prática, a composição do leite materno, a nutrição e seus distúrbios – desnutrição, obesidade infantil e os transtornos –, a anorexia e a bulimia nervosa. Sobre o aleitamento materno certamente você deve ter pensado: “eu não sabia disso!” Por esse motivo vamos relembrar que a prática do aleitamento materno é considerada a mais importante no combate à mortalidade (mortes) e morbidade (doenças) tanto da criança quanto do adulto, já que oferece benefícios a curto, médio e longo prazos. Vamos relembrar ainda sobre o tempo: não esqueça, a recomendação é de apenas o leite materno exclusivo até o sexto mês de vida, sem introdução de líquidos nesse período. Após os seis meses e até dois anos a alimentação deve ser complementada, já que há outras necessidades nutricionais que devem ser atendidas conforme o crescimento infantil. Na desnutrição, você observou que há uma dife- rença entre a fome e a desnutrição. Irá depender da intensidade, frequência e período. Assim, fica mais claro iniciar o conhecimento de que a desnutrição é multifatorial e não apenas a ausência do alimento, o que desmistifica a crença de que toda criança que é ou foi desnutrida terá dificuldades de aprendizagem. Lembre-se de que desde a vida intrauterina ela conviveu com situações biológicas, psicológicas e sociais que poderão exercer influências no seu desenvolvimento, o que impede o rótulo de que essa criança não irá aprender porque foi desnutrida. Ela precisa tanto de estímulos adequados quanto um ensino de qualidade, como qualquer outra criança que não esteja nessa condição nutricional. Já na obesidade você observou, por meio das leituras, que cresce significativamente na população de menor poder aquisitivo e que, assim como a desnutrição, a baixa escolaridade materna é um fator de vulnerabilidade. Chamamos a atenção para as causas e consequências biológicas, psicológicas e sociais, e, mais uma vez, certamente você observou que a genética influencia, mas não determina. O ambiente mais uma vez ocupa um cená- rio de estudo e intervenção do educador. Falando em intervenção, você conheceu as principais caracte- rísticas da Anorexia e da Bulimia Nervosa, certo? Então, deve ter ficado com o seguinte questionamento: “tenho habilidades para fazer o diagnóstico?”. A resposta é simples: esses quadros são diagnosticados pelo profissional da área da Saúde, mas você, educador, vai atuar antes que esses transtornos se desen- volvam, ou seja, na construção de valores e construtos que ampliem o conceito de beleza. O modelo de atuação será anterior ao adoecimento: será no fortalecimento da autoestima, no reconhecer e valorizar as diferenças e diversas formas de “beleza”, e valorizar atributos pessoais além dos estéticos. Mas para tal você precisou conhecer os transtornos. 3.8 Resumo do Capítulo 3.9 Atividades Propostas Agora, reúna todas as informações sobre a nutrição e responda: 1. Qual a recomendação proposta pela Organização Mundial da Saúde para o tempo do aleita- mento materno? 2. Quais os períodos de benefício do aleitamento materno tanto para o bebê quanto para a mãe? 3. Descreva os fatores de risco encontrados para explicar a desnutrição infantil. 4. Quais as explicações para a desnutrição e o fracasso escolar da criança? 5. Comente sobre as características psicológicas da criança obesa. 6. Comente qual a principal diferença entre os sintomas da anorexia e da bulimia nervosa. Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 27 DESENVOLVIMENTO INFANTIL: PROMOÇÃO À SAúDE4 4.1 Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) Pense mais um pouco: você conhece algu- ma criança ou adulto hiperativo? Certamente, sim. Mas será que ter um com- portamento hiperativo é suficiente para afirmar que a pessoa possui o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade? Não, pois são neces- sários critérios diagnósticos específicos. Você vai saber mais sobre esse transtorno agora. O transtorno de déficit de atenção/hiperati- vidade (TDAH) é o distúrbio do neurodesenvolvi- mento mais comum na infância. A apresentação clínica do TDAH compreende três categorias prin- cipais de sintomas – desatenção, impulsividade e hiperatividade –, que se manifestam em ambien- tes diferentes e causam comprometimento fun- cional (MERCUGLIANO, 1999). A prevalência mencionada em estudos ri- gorosos é de 4 a 12% da população geral de crian- ças de 6 a 12 anos de idade. O impacto do TDAH na comunidade é ainda maior quando se con- sidera que esse transtorno acarreta morbidade continuada na adolescência (85% das crianças) e na idade adulta (50 a 70%) (VASCONCELOS et al., 2003). As características nucleares do transtorno na infância são a desatenção, a hiperatividade e a impulsividade. Elas afetam de modo adverso o desempenho acadêmico, os relacionamentos fa- miliar e social e o ajustamento psicossocial; por- tanto, devem ser alvo de intervenção. Além dos sintomas básicos do transtorno, em mais de 50% dos casos, existe comorbidade com transtornos do aprendizado, do humor, de ansiedade, do comportamento e transtornos do abuso de subs- tâncias tóxicas e de álcool (CONNERS, 1999). O TDAH caracteriza-se por uma combina- ção dos seguintes sintomas: desatenção, hipera- tividade-impulsividade. Na infância, associa-se às dificuldades na escola e ao relacionamento com demais crianças, pais e professores. As crian- ças são percebidas como desatentas, inquietas e impulsivas. Os meninos tendem a ter mais sinto- mas de hiperatividade e impulsividade do que as meninas, mas todos são desatentos. Crianças e adolescentes com TDAH podem apresentar mais problemas de comportamento, como, por exem- plo, dificuldades com regras e limites. Em adultos, ocorrem problemas de desatenção, memória e in- quietude, associados, em alguns casos, a proble- mas como uso de drogas, ansiedade e depressão (PEREIRA; ARAUJO; MATTOS, 2005). De acordo com o DSM-IV (APA, 1994), o diagnóstico é obtido quando o paciente atende a, pelo menos, seis dos nove critérios de um ou de ambos os domíniosda síndrome (hiperativi- dade/impulsividade e desatenção) em, pelo me- nos, dois locais de avaliação distintos, como, por exemplo, em casa e na escola. Confere-se, assim, a Em 2007, foi publicado um dos estudos conside- rados como mais importantes sobre a prevalência de tDAH. Esse estudo avaliou os resultados de mais de 8 mil estudos em todo o mundo e con- seguiu demonstrar que a estimativa mais correta para a prevalência de tDAH seria de 5% da popu- lação infantil mundial (COUtINHO et al. 2009). Para explicar melhor a relevância desses achados, ima- gine uma classe de 40 alunos. Considerando uma taxa de 5%, a estimativa é de que, ao menos, duas crianças da classe sejam portadoras de tDAH! CuriosidadeCuriosidade Vânia Vieira Costa Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 28 classificação de tipo predominantemente “Hipe- rativo/Impulsivo” (apenas presentes seis ou mais dos critérios de impulsividade/hiperatividade), de tipo predominantemente “Desatento” (apenas presentes seis ou mais dos critérios de desaten- ção) ou do tipo “Combinado” (Quadro 3). Quadro 3 – Critérios diagnósticos para TDAH segundo o DSM-IV. Estudos científicos mostram que indivíduos com TDAH têm alterações na região frontal e nas suas conexões com o resto do cérebro. A região frontal orbital é uma das mais desenvolvidas no ser humano em comparação com outras espécies animais e é responsável pela inibição do compor- tamento (isto é, controlar ou inibir comportamen- tos inadequados), pela capacidade de prestar atenção, pela memória, pelo autocontrole, pela organização e pelo planejamento. O que parece estar alterado nessa região cerebral é o funciona- mento de um sistema de substâncias químicas chamadas neurotransmissores (principalmente dopamina e noradrenalina), que passam informa- ção entre as células nervosas (neurônios). Existem causas que foram investigadas para essas altera- ções nos neurotransmissores da região frontal e suas conexões, como: hereditariedade; substân- cias ingeridas pela mãe na gravidez; sofrimento fetal; exposição a chumbo; problemas familiares, ou seja, elevado grau de discórdia conjugal; bai- xa instrução da mãe; famílias com apenas um dos pais; funcionamento familiar caótico e famílias com nível socioeconômico mais baixo, lembran- do que as dificuldades familiares podem ser mais consequências do que causas do TDAH (na crian- ça e mesmo nos pais). Outras causas incluem co- rante amarelo, aspartame, luz artificial, deficiência hormonal (principalmente da tireoide) e deficiên- cias vitamínicas na dieta (ROHDE et al., 2004; PAS- TURA; MATTOS; ARAUJO, 2005; ABDA, 2006). Saiba maisSaiba mais O tDAH é um transtorno multifatorial, com intera- ção entre fatores genéticos, ambientais e neuroquí- micos. Estudos apontam que quando se estuda a concordância entre relato de pais e professores para sintomas de tDAH, na metade dos casos os pais re- lataram mais sintomas do transtorno do que profes- sores. Sugere-se, nesses estudos, que informações acerca da sintomatologia de tDAH não são bem divulgadas para professores brasileiros, indicando a necessidade de se investir em sessões educacionais sobre o transtorno, tendo em vista a importância do relato de profissionais de educação para o diagnós- tico. Fonte: APA (1994). Educação e Saúde Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 29 4.2 Desenvolvimento Odontológico: Saúde Bucal Pensando agora sobre a saúde bucal: você sabe o que é dente decíduo? Sabe, também, quando deve ser iniciada a higienização bucal do bebê? Para essas e outras questões importantes sobre promoção da saúde bucal, você vai saber que: O Brasil é frequentemente referido como um país detentor de altos índices de prevalência de doenças bucais, em particular a cárie dentária. Esses indicadores são semelhantes aos da saúde de forma geral. Trata-se de um país com um qua- dro de morbimortalidade típico de países com grandes desigualdades sociais e, portanto, com alta concentração de renda em conjunto com uma atuação inexpressiva do Estado no combate a essas desigualdades (BRASIL, 2003). O Ministério da Saúde iniciou, no ano 2000, uma discussão sobre o tema, que levou à criação de um subcomitê responsável pela elaboração do Projeto e pelo apoio na sua execução, identifica- do como SB Brasil: Condições de Saúde Bucal na População Brasileira. Tal projeto envolveu a parti- cipação de vários profissionais. Aproximadamen- te 2 mil trabalhadores (cirurgiões-dentistas, au- xiliares e agentes de saúde, entre outros) de 250 municípios estiveram envolvidos na realização do estudo. A amostra pesquisada torna os dados re- presentativos por macrorregião do Estado e por porte populacional das cidades envolvidas, além do próprio município para alguns agravos e faixas etárias (BRASIL, 2003). Para a validação da metodologia e dos ins- trumentos desenhados para o estudo, foi reali- zado, em 2001, o estudo-piloto em duas cidades de diferentes portes populacionais – Canela-RS e Diadema-SP. Em seguida, foi executado o sor- teio dos municípios amostrais, realizando-se, em 2002 e 2003, após treinamento e calibração das equipes, o trabalho de campo, com realização dos exames e das entrevistas. No total, foram exami- nadas 108.921 pessoas, entre crianças (18 a 36 meses, 5 e 12 anos); adolescentes (15 a 19 anos); adultos (35 a 44 anos); e idosos (65 a 74 anos) nas zonas urbana e rural de 250 municípios brasileiros (50 por macrorregião) (BRASIL, 2006). Conclui-se que, apesar da expressiva redu- ção dos níveis de cárie dentária na população in- fantil nas duas últimas décadas no Brasil, persis- tem, ainda, elevados índices de doenças bucais em determinados grupos populacionais, e grande parte da população permanece desassistida, com elevados índices de CPO-D (índice que mede o número médio de dentes permanentes cariados, perdidos e obturados). Os resultados revelaram aproximadamente 14 dentes atacados pela cárie entre a adolescência e a idade adulta (Figura 5). Figura 5 – Médias de CPO-D e participação dos componentes de acordo com a idade. Fonte: Brasil (2003). Vânia Vieira Costa Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 30 Outro resultado importante foi que a doen- ça periodontal mostrou-se alta em todas as faixas etárias, com menos de 22% da população adulta e menos de 8% dos idosos apresentando gengivas sadias. Comparando-se os dados de edentulismo, ou seja, a perda total dos dentes, em nosso país e as metas estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde para o ano 2000 (Tabela 1), observa-se que o Brasil está aquém dessas metas, com ape- nas 10% dos idosos com vinte ou mais dentes. Somente entre as crianças de 12 anos a meta da OMS foi atingida; ainda assim, a cárie, nessa ida- de, representa um grave problema de saúde pú- blica, com marcantes diferenças macrorregionais e com cerca de três quintos dos dentes atingidos pela doença sem tratamento. Com relação às de- mais metas, os resultados obtidos encontram-se distantes do que foi estipulado pela OMS para o ano 2000. Tabela 1 – Programa de Saúde Bucal. Fonte: Brasil (2006). Segundo dados do levantamento epidemiológico em saúde bucal, conclui-se, também, a presença de dados relativos à cárie e à condição gengival em diferentes faixas etárias, obtidos em 2003 (Quadro 4): Quadro 4 – Programa de Saúde Bucal. Fonte: Brasil (2006). Além da incorporação de outras faixas etá- rias, o Projeto SB Brasil 2003 pesquisou, também, informações sobre problemas nunca abordados em levantamentos anteriores. Entre eles, podem ser destacadas a fluorose e a má oclusão. Emre- lação à prevalência de fluorose, esta foi detectada em cerca de 9% das crianças de 12 anos e em 5% dos adolescentes de 15 a 19 anos. Para a idade de 12 anos, os maiores índices foram encontra- dos nas regiões Sudeste e Sul (em torno de 12%), enquanto os menores, nas regiões Centro-Oeste e Nordeste (cerca de 4%). Sobre má oclusão, os Educação e Saúde Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 31 dados de prevalência na idade de 5 anos revelam problemas oclusais moderados ou severos em 14,5% da população nessa idade, variando de um mínimo de 5,6% na região Norte a um máximo de 19,4% na região Sul. A prevalência da condição oclusal muito severa ou incapacitante foi de cerca de 21% nas crianças de 12 anos e de 19% em ado- lescentes de 15 a 19 anos. A avaliação do acesso da população aos serviços odontológicos apon- tou que mais de 13% dessa faixa populacional nunca foi ao dentista. Entre a população adulta, quase 3% nunca foi ao dentista, e na população idosa, esse número chega a quase 6%. Em ambas as faixas etárias, a região Nordeste apresentou o maior índice de pessoas que nunca foram ao den- tista, e a região Sul, os melhores valores relativos ao acesso aos serviços odontológicos (BRASIL, 2006). Unfer e Saliba (2000) salientam a impor- tância do esclarecimento da população sobre o processo saúde-doença bucal, enfatizando a possibilidade de intervenção precoce e de con- trole dos problemas de saúde, podendo, a partir daí, evitar tratamentos restauradores e reabilita- dores, visto que estes não restituem plenamente a saúde bucal. Um estudo realizado com 25 professores de uma escola pública de Belo Horizonte teve como objetivo avaliar os conhecimentos em saúde bu- cal dos professores, a forma de aquisição desses conhecimentos, o interesse dos professores e de seus alunos pelo tema e pelo desenvolvimento de projetos pedagógicos integrados junto aos ci- rurgiões dentistas. Quando analisados os dados referentes à formação dos professores participan- tes, observou-se uma escolaridade bem superior à encontrada na maioria das escolas de Ensino Fundamental, sendo 4% doutores, 40% mestres, 32% especialistas e 24% graduados. Apesar disso, nas questões referentes aos conhecimentos bási- cos quanto aos temas saúde e higiene bucal, suas respostas não se diferenciaram das do senso co- mum da população, ocorrendo, com frequência, confusão de conceitos quanto ao papel da pasta de dente, do fio dental, do flúor e dos alimentos favoráveis e desfavoráveis aos dentes. Quanto à aquisição dos conhecimentos em saúde e higie- ne bucal, 56% dos professores nunca estudaram esses conteúdos ao longo de sua formação. Dos 44% que estudaram, 81% relatam o 1º Grau como a principal fonte de informação. Quanto ao de- senvolvimento do tema saúde e higiene bucal em sala de aula, 64% dos professores nunca abordam esses conteúdos. Dos outros 36%, 8% abordam apenas ocasionalmente. Esse estudo conclui que a escola é um espaço importante de informação em saúde e deve ser aproveitado de forma mais efetiva; os professores e alunos têm interesse pelo conteúdo de saúde bucal; os professores necessi- tam de mais informações para abordar com segu- rança esses conteúdos em sala de aula (VASCON- CELLOS et al., 2003). O ensino de saúde oral nas escolas de pri- meiro grau mostra-se deficiente e não está de acordo com as necessidades apresentadas pelos escolares. Alguns autores relatam a necessidade de uma melhor formação dos professores de en- sino fundamental a respeito de aspectos bucais, para que estes possam atuar como agente edu- cativo junto aos escolares (SANTOS; RODRIGUES; GARCIA, 2003). Ferreira et al. (2005), estudando conhe- cimentos sobre saúde bucal entre alunos con- cluintes de Pedagogia, concluem que: 83% dos 100 participantes tiveram acesso a informações de odontologia preventiva, 64% pelo cirurgião- -dentista. Há pouco conhecimento sobre placa bacteriana (31%), ao contrário da etiologia da cá- rie dentária (55%). Quanto aos hábitos orais, em- bora 92% dos concluintes afirmem ser a chupeta prejudicial ao desenvolvimento facial da criança, apenas 9% identificaram a idade limite de desuso. Adicionalmente, 20% acertaram o momento ideal do primeiro contato entre criança e dentista. Esse estudo concluiu que os estudantes apresentam conhecimento razoável em relação à saúde bucal, mas sugere-se que as instituições adotem progra- mas educativos dentro do currículo acadêmico, uma vez que esses futuros profissionais contri- buirão para a formação da criança, estabelecendo práticas diárias capazes de gerar saúde. Tal formação exige um trabalho integrado, Vânia Vieira Costa Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 32 reconhecendo as anormalidades em estágios pre- coces de desenvolvimento para que a interven- ção ocorra mais cedo possível. Deve-se conhecer a boca do bebê, a qual apresenta características particulares para cada idade em que se encontra, pois se sabe que toda criança, desde a mais tenra idade, pode apresentar problemas na cavidade bucal. A partir dos dentes decíduos, conhecidos como dentes de leite, os problemas aumentam, já que há possibilidade do desenvolvimento da lesão de cárie, a qual, quando negligenciada, evo- lui para situações extremas, podendo ocasionar a perda do elemento dental. É importante lembrar que os dentes decíduos merecem cuidados, pois, quando não tratados, prejudicam a erupção dos dentes permanentes, inclusive ocasionando a má oclusão da arcada dentária (ZUANON, 2000). São conhecimentos importantes ao educa- dor: prevalência no Brasil da cárie infantil; crono- logia da erupção; início das atividades de higiene e sua importância; cárie de mamadeira – conceito e medidas preventivas; função dos dentes; hábi- tos orais inadequados e transmissibilidade das cáries. Zuanon (2000) descreve que a cronologia de erupção corresponde à data em que o den- te irrompe na cavidade bucal, e a sequência de erupção é a ordem com que os dentes vão apa- recendo na boca. A sequência eruptiva também representa grande importância, pois uma se- quência correta proporciona condições ideais para que todos os dentes ocupem o espaço cor- reto, evitando problemas de má oclusão. Quan- do ocorre a erupção dos dentes no bebê, alguns apresentam algum tipo de manifestação geral ou local no momento, como, por exemplo, irritabili- dade, redução de apetite, sono intranquilo, sali- vação abundante, entre outros. Como a erupção dos primeiros dentes coincide com a ocasião em que a criança experimenta o mundo, ou seja, en- gatinha, ela leva as mãos à boca, faz contato com objetos possivelmente contaminados, adapta-se e experimenta diversos alimentos. A autora cita que desde o nascimento da criança deve-se realizar a higienização da cavida- de bucal, com a utilização de uma gaze embebida em água filtrada sobre a gengiva, que, além de remover resíduos provenientes da amamentação, massageia a gengiva, habituando a criança a re- ceber a higienização bucal. Refere, ainda, que, após a erupção dos pri- meiros dentes, deve-se realizar a escovação com escovas dentais apropriadas, bem como o uso mí- nimo de creme dental, pois nessa idade a criança irá deglutir a maior parte do creme dental. A par- tir de 2 anos, deve haver o incentivo para a reali- zação de higiene acompanhada do fio dental, in- formando a maneira correta e a dieta apropriada para uma dentição saudável. Uma preocupação significativa dos profis- sionais da saúde bucal refere-se à cárie de mama- deira. Ela manifesta-se na primeira infância e de- senvolve-se rapidamente. É causada pela oferta indiscriminada de mamadeira ou peito, durante longo período de tempo, principalmente durante a noite, quando se associa à ausência de higieni- zação. Tem um potencial mais agressivo quandose relaciona a uma alimentação incorreta, como, por exemplo, hábito de adoçar a chupeta com mel, uso indiscriminado de açúcar e uso de xa- ropes. A elevada frequência desse tipo de lesão deve servir como orientação de projetos preven- tivos, já que muitas mães acreditam no falso mito de que os dentes podem já nascer com a cárie, desconhecendo as ações preventivas de higiene (ZUANON, 2000). Saiba maisSaiba mais tais fatores devem ser considerados para que não haja atribuição de que a erupção dos dentes decí- duos é algo que causa sofrimento ao bebê, não es- quecendo, ainda, que as características individuais do bebê podem atuar positiva ou negativamente nesse período. Educação e Saúde Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 33 Agora, reflita: você conhece algum adulto que identificou a necessidade de tratamento of- talmológico por indicação de um professor na in- fância? Será que a escola pode identificar o com- portamento de uma criança que precisa desse tratamento? Certamente, você deve conhecer alguém que teve a oportunidade de ser “visto” por um professor de maneira adequada. A escola pode, sim, identificar o comportamento da criança que necessite de tratamento oftalmológico. Vejamos como: É importante saber que cerca de 85% do contato do homem com o mundo se faz por meio da visão, sendo que um déficit representa prejuí- zo para aprendizado e socialização da criança. A escola, por meio do professor, tem tido o impor- tante papel de detectar as dificuldades visuais apresentadas pelos educandos. O contato diário e prolongado com alunos favorece a observação do estado de saúde e o desempenho visual e inte- lectual dos escolares pelo professor. No entanto, o professor nem sempre dispõe de conhecimentos, atitudes, habilidades e práticas no campo da saú- de ocular (RUSS; TEMPORINI; JOSÉ, 2004). Segundo Mabtum (2000), a idade em que a criança se apresenta para sua primeira avalia- ção está além ou próxima ao final de desenvolver sensorialmente a capacidade de enxergar, já que o desenvolvimento da capacidade visual se faz em espaço de tempo bastante curto de vida das crianças, do nascimento até por volta dos 8 anos. 4.3 Desenvolvimento Oftalmológico: Saúde Ocular São conhecidos os altos percentuais de pro- blemas oftalmológicos que afetam a população brasileira e a desigual distribuição dos recursos humanos e financeiros para a sua abordagem. Os problemas visuais respondem por grande parce- la de evasão e repetência escolar, pelo desajuste individual no trabalho, por grandes limitações na qualidade de vida, mesmo quando não se trata ainda de cegueira. Os dados epidemiológicos disponíveis para o Brasil mostram que 30% das crianças em idade escolar e 100% dos adultos com mais de 40 anos apresentam problemas de visão que interferem em seu desempenho diário e, consequentemen- te, na sua autoestima, na sua inserção social e em sua qualidade de vida. Buscando minimizar tais problemas e reconhecendo as dificuldades de acesso da população brasileira não só à consulta oftalmológica, mas também à aquisição dos ócu- los, os Ministérios da Saúde e da Educação lança- ram o Projeto Olhar Brasil, por meio da Portaria Interministerial nº 15 de 24 de abril de 2007 (BRA- SIL, 2008). Com a finalidade de suprir as deficiências da atenção à saúde ocular das crianças brasileiras, foi criada a Campanha Nacional de Reabilitação Vi- sual “Olho no Olho”; em 1999, a Campanha aten- deu 2 milhões e 280 mil escolares em 480 muni- cípios com mais de 50 mil habitantes. Em 2000, atendeu 3 milhões e 100 mil escolares, envolven- do 4.500 oftalmologistas, 75 mil professores, 607 municípios com mais de 40 mil habitantes. Foram encaminhadas 300 mil crianças para exame of- talmológico, além de prescritos e doados 120 mil óculos (OLIVEIRA; JOSÉ; ARIETA, 2001). A Campanha “Veja bem Brasil”, desenvolvi- da pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia em conjunto com o Ministério da Educação, desde 1998, tem obtido bons resultados, e, segundo os respondentes, resultou em melhora do rendimen- to escolar. Porém, apesar dessa relativa facilidade de detecção de alterações visuais pelo professor, AtençãoAtenção Não há idade fixa para uma consulta ao oftalmo- logista, mas deve ser realizada antes do final de seu desenvolvimento, para que, se for detecta- da alguma anomalia, possa realizar-se a devida correção. Esse é o principal motivo pelo qual o educador exerce fundamental importância na prevenção e na promoção da saúde ocular dos educandos. Vânia Vieira Costa Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 34 apenas 13% dos profissionais que participaram do treinamento eram professores regentes. A maior parte do grupo foi formada por diretores, pedagogos, orientadores educacionais e auxi- liares administrativos, que têm um contato pe- queno com a classe. A dificuldade de deslocar o professor da sala de aula, seja para o treinamento, seja a para aplicação do teste de acuidade visual, foi apontada como uma dificuldade encontrada na realização da campanha. Além disso, apesar de a maioria dos professores considerar a triagem muito importante, uma proporção ínfima acha que a triagem compete ao professor. Os demais concordam que a aplicação do teste deve-se aos profissionais da área da saúde, para maior repro- dutibilidade. Outra queixa frequente é o período ideal para realização do exame: 87,20% concor- dam que o primeiro trimestre letivo é o período ideal, associado a uma extensão do cronograma, visto que a mudança do calendário possibilita- ria melhor seguimento dos alunos. A Campanha teve seus objetivos alcançados pela demonstra- ção dos números de adesão: quase a totalidade das crianças triadas foi atendida, e a maioria dos óculos foi entregue. Dos alunos que tiveram ócu- los prescritos, houve melhora do rendimento es- colar compatível com dados da literatura (RUSS; TEMPORINI; JOSÉ, 2004). Faz-se necessária a sensibilização dos pro- fessores, pois em sala de aula contam com situa- ção ímpar em relação à observação das dificulda- des visuais e queixas desses alunos nas atividades escolares. O aluno nem sempre consegue verba- lizar as dificuldades visuais, por isso, o professor deve ficar atento para possíveis manifestações, como dificuldade de locomoção, ler, copiar, entre outros. A escola pode e deve participar de ações de promoção da saúde ocular, de identificação e encaminhamento de alunos a especialistas. Po- rém, o professor deve ser capacitado para poder realizar as atividades de prevenção. 4.4 Resumo do Capítulo Você viu neste capítulo conteúdos sobre Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), Saúde Bucal e Ocular. Provavelmente você deve ter se lembrado de muitas crianças que talvez tenham TDAH, mas lembre-se: para o diagnóstico deve haver critérios específicos quanto aos sintomas, tempo e local para a manifestação. Vimos muitas crianças e adultos que possuem sintomas de desatenção, hipe- ratividade e impulsividade, mas não possuem o TDAH. Por esse motivo é importante saber reconhecer para não rotular aquelas que possuem esses comportamentos por outros motivos. Lembre-se de que o educador é sempre solicitado pela equipe médica para emissão de um relatório sobre o comportamento da criança em sala de aula. Dessa forma, o auxílio do educador no diagnóstico é imprescindível. Sobre a Saúde Bucal, os conhecimentos adquiridos pelo educador devem ir além do processo de higienização. Deve-se reconhecer a cronologia da erupção dos dentes, as diversas práticas em cada faixa etária, os hábitos orais inadequados e principalmente o papel preventivo junto às gestantes. Na Saúde Ocular, a prevenção aos agravos pode ser realizada no momento em que o educador reconhece a di- ferença comportamental entre os sintomas das principais patologiasoculares. Assim, precocemente o educador atuar na identificação, garantindo a Saúde Ocular. Educação e Saúde Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 35 Agora, vamos verificar se você compreendeu esses tópicos. Responda às questões abaixo: 1. O TDAH (transtorno de déficit de atenção e hiperatividade) é mais comum em meninos? Jus- tifique. 2. Cite quais as três manifestações principais do TDAH e os locais que devem ser frequentes para a caracterização do diagnóstico. 3. Sobre a saúde bucal, preencha as lacunas: Os dentes __________________, também conhecidos como __________________, devem ser tra- tados, pois há uma crença inadequada de que não devem ser tratados, já que serão substituídos com a segunda dentição. Sobre a saúde ocular, preencha as lacunas: O contato diário e prolongado com alunos favorece a observação do estado de ______________e o desempenho ________________ e _________________ dos escolares pelo professor. 4.5 Atividades Propostas Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 37 IMUNIZAÇÃO5 Você sabia que muitos pais deixam de par- ticipar do programa de imunização, ou seja, não levam seus filhos para administração das vacinas por acreditarem em mitos e crenças errôneas? Pois é, essa situação permite que a população fique desprotegida e mais vulnerável ao adoeci- mento. Para atuar na prevenção é importante que o educador obtenha algumas informações sobre as vacinas e o programa de imunização. As imunizações constituem uma das ações básicas em saúde da criança de relevada impor- tância, já que apresentam impacto direto nos coe- ficientes de morbidade e mortalidade infantil em todo o mundo, os quais são principalmente ob- servados nos países subdesenvolvidos, que ainda apresentam verdadeiras epidemias de doenças infectocontagiosas preveníveis. Del Ciampo et al. (2000) conceituam a imu- nização como o processo artificial de induzir a imunidade, e a ativa (vacinação), como o proces- so de desenvolver mecanismos imunológicos efi- cazes que defendam o organismo contra micror- ganismos. O programa de imunização visa, em pri- meira instância, à ampla extensão da cobertura vacinal, para alcançar adequado grau de prote- ção imunológica da população contra as doen- ças transmissíveis por ele abrangidas (SESSP/CVE, 2006). A partir de 2004, o Ministério da Saúde (BRASIL, 2011) passou a adotar três calendários obrigatórios de vacinação em todo o território nacional. Estabeleceu as vacinas, as doses e os pe- ríodos de vacinação do Calendário Básico de Va- cinação da Criança, do Calendário de Vacinação do Adolescente e do Calendário de Vacinação do Adulto e do Idoso, conforme Quadros 5, 6 e 7. Vânia Vieira Costa Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 38 Quadro 5 – Calendário de vacinação da criança. (1) Vacina BCG: Administrar o mais preco- cemente possível, de preferência após o nascimento. Nos prematuros com menos de 36 semanas, administrar a vacina após completar 1 (um) mês de vida e atingir 2 kg. Administrar uma dose em crianças me- nores de 5 anos de idade (4 anos, 11 meses e 29 dias) sem cicatriz vacinal. Contatos in- tradomiciliares de portadores de hansenía- se menores de 1 (um) ano de idade, com- provadamente vacinados, não necessitam da administração de outra dose de BCG. Contatos de portadores de hanseníase com mais de 1 (um) ano de idade, sem cicatriz – administrar uma dose. Contatos compro- vadamente vacinados com a primeira dose – administrar outra dose de BCG. Manter o intervalo mínimo de seis meses entre as doses da vacina. Contatos com duas doses – não administrar nenhuma dose adicional. Na incerteza da existência de cicatriz vaci- nal ao exame dos contatos intradomicilia- res de portadores de hanseníase, aplicar uma dose, independentemente da idade. Para criança HIV positiva, a vacina deve ser administrada ao nascimento ou o mais pre- cocemente possível. Para as crianças que chegam aos serviços ainda não vacinadas, a vacina está contraindicada na existência de sinais e sintomas de imunodeficiência, não Fonte: Brasil (2011). Educação e Saúde Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 39 se indica a revacinação de rotina. Para os portadores de HIV, a vacina está contraindi- cada em qualquer situação. (2) Vacina hepatite B (recombinante): Administrar preferencialmente nas primei- ras 12 horas de nascimento ou na primeira visita ao serviço de saúde. Nos prematuros, menores de 36 semanas de gestação ou em recém-nascidos a termo de baixo peso (menor de 2 kg), seguir esquema de quatro doses: 0, 1, 2 e 6 meses de vida. Na preven- ção da transmissão vertical em recém-nas- cidos (RN) de mães portadoras de hepatite B, administrar a vacina e a imunoglobulina humana anti-hepatite B (HBIG), disponíveis nos Centros de Referência para Imunobio- lógicos Especiais – CRIE, nas primeiras 12 horas ou, no máximo, até sete dias após o nascimento. Administrar a vacina e a HBIG em locais anatômicos diferentes. A ama- mentação não traz riscos adicionais ao RN que tenha recebido a primeira dose da va- cina e a imunoglobulina. (3) Vacina adsorvida difteria, tétano, pertússis e Haemophilus influenzae b (conjugada): Administrar aos 2, 4 e 6 me- ses de idade. Intervalo entre as doses de 60 dias e mínimo de 30 dias. Para a vacina adsorvida difteria, tétano e pertússis (DTP), são indicados dois reforços. Administrar o primeiro reforço aos 15 meses de idade, e o segundo, aos 4 (quatro) anos. Importante: a idade máxima para administrar essa vacina é aos 6 anos 11 meses e 29 dias. Diante de um caso suspeito de difteria, avaliar a situa- ção vacinal dos comunicantes. Para os não vacinados menores de 1 ano, iniciar esque- ma com DTP+ Hib; não vacinados na fai- xa etária entre 1 e 6 anos, iniciar esquema com DTP. Para os comunicantes menores de 1 ano com vacinação incompleta, deve- -se completar o esquema com DTP + Hib; crianças na faixa etária de 1 a 6 anos com vacinação incompleta, completar esquema com DTP. Crianças comunicantes que to- maram a última dose há mais de cinco anos e que tenham 7 anos ou mais devem ante- cipar o reforço com dT. (4) Vacina poliomielite 1, 2 e 3 (atenua- da): Administrar três doses (2, 4 e 6 meses). Manter o intervalo entre as doses de 60 dias e mínimo de 30 dias. Administrar o reforço aos 15 meses de idade. Considerar para o reforço o intervalo mínimo de 6 meses após a última dose. (5) Vacina oral rotavírus humano G1P1 [8] (atenuada): Administrar duas doses se- guindo rigorosamente os limites de faixa etária: primeira dose: 1 mês e 15 dias a 3 meses e 7 dias. segunda dose: 3 meses e 7 dias a 5 me- ses e 15 dias. O intervalo mínimo preconizado entre a primeira e a segunda dose é de 30 dias. Nenhuma criança poderá receber a segun- da dose sem ter recebido a primeira. Se a criança regurgitar, cuspir ou vomitar após a vacinação, não repetir a dose. (6) Vacina pneumocócica 10 (conjuga- da): No primeiro semestre de vida, admi- nistrar 3 (três) doses, aos 2, 4 e 6 meses de idade. O intervalo entre as doses é de 60 dias e mínimo de 30 dias. Fazer um reforço, preferencialmente, entre 12 e 15 meses de idade, considerando o intervalo mínimo de seis meses após a 3ª dose. Crianças de 7 a 11 meses de idade: o esquema de vacina- ção consiste em duas doses com intervalo de pelo menos 1 (um) mês entre as doses. O reforço é recomendado preferencialmente entre 12 e 15 meses, com intervalo de, pelo menos, 2 meses. (7) Vacina meningocócica C (conjugada): Administrar duas doses aos 3 e 5 meses de idade, com intervalo entre as doses de 60 Vânia Vieira Costa Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 40 dias e mínimo de 30 dias. O reforço é reco- mendado preferencialmente entre 12 e 15 meses de idade.(8) Vacina febre amarela (atenuada): Ad- ministrar aos 9 (nove) meses de idade. Du- rante surtos, antecipar a idade para 6 (seis) meses. Indicada aos residentes ou viajantes para as seguintes áreas com recomenda- ção da vacina: Estados de Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima, Tocan- tins, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Distrito Federal e Minas Ge- rais e alguns municípios dos Estados de Piauí, Bahia, São Paulo, Paraná, Santa Cata- rina e Rio Grande do Sul. Para informações sobre os municípios desses Estados, buscar suas Unidades de Saúde. No momento da vacinação, considerar a situação epidemio- lógica da doença. Para os viajantes que se deslocarem para os países em situação epi- demiológica de risco, buscar informações sobre administração da vacina nas embai- xadas dos respectivos países a que se desti- nam ou na Secretaria de Vigilância em Saú- de do Estado. Administrar a vacina 10 (dez) dias antes da data da viagem. Administrar reforço a cada dez anos após a data da úl- tima dose. (9) Vacina sarampo, caxumba e rubéola: Administrar duas doses. A primeira dose aos 12 meses de idade, e a segunda, aos 4 (quatro) anos de idade. Em situação de circulação viral, antecipar a administração de vacina para os 6 (seis) meses de idade, porém deve ser mantido o esquema vaci- nal de duas doses e a idade preconizada no calendário. Considerar o intervalo mínimo de 30 dias entre as doses. Nos casos de adolescentes, empregam-se as seguintes vacinas: Quadro 6 – Calendário de vacinação do adolescente. Fonte: Brasil (2011). (1) Vacina hepatite B (recombinante): Administrar em adolescentes não vacina- dos ou sem comprovante de vacinação an- terior, seguindo o esquema de três doses (0, 1 e 6) com intervalo de um mês entre a primeira e a segunda dose e de seis meses entre a primeira e a terceira dose. Aqueles com esquema incompleto, completar o es- quema. A vacina é indicada para gestantes não vacinadas e que apresentem sorologia negativa para o vírus da hepatite B após o primeiro trimestre de gestação. (2) Vacina adsorvida difteria e tétano - dT (Dupla tipo adulto): Adolescente sem vacinação anteriormente ou sem compro- Educação e Saúde Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 41 vação de três doses da vacina, seguir o es- quema de três doses. O intervalo entre as doses é de 60 dias e no mínimo de 30 (trin- ta) dias. Os vacinados anteriormente com 3 (três) doses das vacinas DTP, DT ou dT, ad- ministrar reforço, a cada dez anos após a data da última dose. Em caso de gravidez e ferimentos graves, antecipar a dose de re- forço, sendo a última dose administrada há mais de 5 (cinco) anos. Deve ser administra- da pelo menos 20 dias antes da data pro- vável do parto. Diante de um caso suspeito de difteria, avaliar a situação vacinal dos co- municantes. Para os não vacinados, iniciar esquema de três doses. Nos comunicantes com esquema de vacinação incompleto, este dever completado. Nos comunicantes vacinados que receberam a última dose há mais de 5 (cinco) anos, deve-se antecipar o reforço. (3) Vacina febre amarela (atenuada): Indicada 1 (uma) dose aos residentes ou viajantes para as seguintes áreas com re- comendação da vacina: Estados de Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Ro- raima, Tocantins, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Distrito Fede- ral e Minas Gerais e alguns municípios dos Estados de Piauí, Bahia, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Para informações sobre os municípios desses Estados, buscar suas Unidades de Saúde. No momento da vacinação, considerar a situação epidemiológica da doença. Para os viajantes que se deslocarem para os paí- ses em situação epidemiológica de risco, buscar informações sobre administração da vacina nas embaixadas dos respectivos países a que se destinam ou na Secretaria de Vigilância em Saúde do Estado. Adminis- trar a vacina 10 (dez) dias antes da data da viagem. Administrar dose de reforço a cada dez anos após a data da última dose. Precaução: A vacina é contraindicada a ges- tante e mulheres que estejam amamentan- do. Nesses casos, buscar orientação médica do risco epidemiológico e da indicação da vacina. (4) Vacina sarampo, caxumba e rubéola – SCR: Considerar vacinado o adolescente que comprovar o esquema de duas doses. Em caso de apresentar comprovação de apenas uma dose, administrar a segunda dose. O intervalo entre as doses é de 30 dias. Nos casos de adultos e idosos, empregam- -se as seguintes vacinas: Quadro 7 – Calendário de vacinação do adulto e do idoso. Fonte: Brasil (2011). Vânia Vieira Costa Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 42 (1) Vacina hepatite B (recombinante): Oferecer aos grupos vulneráveis não vaci- nados ou sem comprovação de vacinação anterior, a saber: gestantes, após o primei- ro trimestre de gestação; trabalhadores da saúde; bombeiros, policiais militares, civis e rodoviários; caminhoneiros, carcereiros de delegacia e de penitenciárias; coletores de lixo hospitalar e domiciliar; agentes fu- nerários, comunicantes sexuais de pessoas portadoras de VHB; doadores de sangue; homens e mulheres que mantêm relações sexuais com pessoas do mesmo sexo (HSH e MSM); lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT); pessoas reclusas (pre- sídios, hospitais psiquiátricos, instituições de menores, forças armadas, entre outras); manicures, pedicures e podólogos; popula- ções de assentamentos e acampamentos; potenciais receptores de múltiplas transfu- sões de sangue ou politransfundido; pro- fissionais do sexo/prostitutas; usuários de drogas injetáveis, inaláveis e pipadas; por- tadores de DST. A vacina está disponível nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE) para as pessoas imunodeprimidas e portadores de deficiência imunogênica ou adquirida, conforme indicação médica. (2) Vacina adsorvida difteria e tétano - dT (dupla tipo adulto): Adultos e idosos não vacinados ou sem comprovação de três doses da vacina, seguir o esquema de três doses. O intervalo entre as doses é de 60 (sessenta) dias e no mínimo de 30 (trin- ta) dias. Os vacinados anteriormente com 3 (três) doses das vacinas DTP, DT ou dT, admi- nistrar reforço dez anos após a data da últi- ma dose. Em caso de gravidez e ferimentos graves, antecipar a dose de reforço, sendo a última dose administrada há mais de cinco (5) anos. Deve ser administrada no mínimo 20 dias antes da data provável do parto. Diante de um acaso suspeito de difteria, avaliar a situação vacinal dos comunican- tes. Para os não vacinados, iniciar esquema com três doses. Nos comunicantes com es- quema incompleto de vacinação, este deve ser completado. Nos comunicantes vacina- dos que receberam a última dose há mais de 5 anos, deve-se antecipar o reforço. (3) Vacina febre amarela (atenuada): In- dicada aos residentes ou viajantes para as seguintes áreas com recomendação da vacina: Estados de Acre, Amazonas, Ama- pá, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Distrito Federal e Minas Gerais e alguns municípios dos Estados de Piauí, Bahia, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Para informações sobre os municípios desses Estados, buscar suas Unidades de Saúde. No momento da va- cinação, considerar a situação epidemio- lógica da doença. Para os viajantes que se deslocarem para os países em situação epi- demiológica de risco, buscar informações sobre administração da vacina nas embai- xadas dos respectivos países a que se desti- nam ou na Secretaria de Vigilância em Saú- de do Estado. Administrar a vacina 10 (dez) dias antes da data da viagem. Administrardose de reforço a cada dez anos após a data da última dose. Precaução: A vacina é contraindicada a ges- tantes e mulheres que estejam amamen- tando. Nos casos de risco de contrair o ví- rus, buscar orientação médica. A aplicação da vacina para pessoas a partir de 60 anos depende da avaliação do risco da doença e do benefício da vacina. (4) Vacina sarampo, caxumba e rubéola – SCR: Administrar 1 (uma) dose em mu- lheres de 20 (vinte) a 49 (quarenta e nove) anos de idade e em homens de 20 (vinte) a 39 (trinta e nove) anos de idade que não apresentarem comprovação vacinal. Educação e Saúde Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 43 (5) Vacina influenza sazonal (fracionada, inativada): Oferecida anualmente duran- te a Campanha Nacional de Vacinação do Idoso. (6) Vacina pneumocócica 23-valente (po- lissacarídica): Administrar 1 (uma) dose durante a Campanha Nacional de Vacina- ção do Idoso, nos indivíduos de 60 anos a mais que vivem em instituições fechadas, como casas geriátricas, hospitais, asilos, ca- sas de repouso, com apenas 1 (um) reforço 5 (cinco) anos após a dose inicial. Issler, Leone e Marcondes (1999) referem que muitas mães deixam de proteger seus filhos por acreditarem em falsas contraindicações às vacinas, perdendo a oportunidade de administra- ção. Entre elas, destacam-se: doenças benignas com febre inferior a 38,5 ºC, tais como diarreia e infecções respiratórias; doenças neurológicas não evolutivas, como a síndrome de Down e a paralisia cerebral; doenças crônicas cardiovascu- lares, pulmonares, renais e hepáticas; dermato- ses, eczemas ou infecções cutâneas localizadas; reações localizadas, ligeiras ou moderadas, após a inoculação de um antígeno; terapêutica com antibióticos, corticosteroides (até 20 mg por dia) e esteroides tópicos; antecedentes familiares e pessoais de alergia à penicilina, rinite alérgica, febre do feno, asma e outras manifestações ató- picas; história familiar de complicações e reações graves pós-vacinais; história familiar de síndrome da morte súbita infantil; antecedentes familiares de convulsões; períodos de convalescença das doenças; períodos de incubação de doenças in- fecciosas; gravidez da mãe ou de outros contatos; prematuridade e baixo peso ao nascer; história de icterícia neonatal; aleitamento materno e desnu- trição. Assim, o educador pode, no ambiente esco- lar, desenvolver com as crianças práticas voltadas às melhores condições de saúde, tanto da criança quanto da população. Succi, Wickbold e Succi (2005), em um estu- do que buscou avaliar o conteúdo dos livros do ensino fundamental nos conceitos e nas infor- mações que trazem sobre vacinação, analisaram 50 livros escolares da área de Ciências e Biologia para verificar o seu conteúdo de vacinação e en- contraram que, destes, 17 (34%) não continham qualquer informação sobre vacinação. Dos 33 li- vros com informações sobre vacinas, 19 (57,6%) continham informações incorretas: erros na de- finição de vacina, erro no calendário vacinal, de- satualização e omissão de conteúdo e ilustração inadequada. Entre os erros, foram encontrados: citação de vacinas inexistentes (dengue) ou em desuso (varíola); o conceito de que vacina é um remédio; a indicação de vacinação apenas para crianças; associação de vacinas com dor e des- conforto. Conclui-se que, apesar da importância do tema vacinação e das recomendações do MEC (Ministério da Educação e Cultura), mais da me- tade dos livros pesquisados apresentou alguma informação errada sobre o assunto. Os autores citam, ainda, que o acesso à edu- cação leva a melhores níveis de saúde e bem-es- tar, por meio da disseminação dos conhecimen- tos de higiene e das formas de prevenção das doenças, e que promover a educação em saúde é um importante meio de possibilitar que a criança execute, na prática, as medidas de proteção à saú- de que aprendeu na sala de aula. Vânia Vieira Costa Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 44 5.1 Resumo do Capítulo Neste capítulo, você relembrou alguns conhecimentos e certamente adquiriu outros sobre as va- cinas. O Brasil possui um destaque mundial nessa área, pois, além de desenvolver vacinas importantes, também consegue de maneira adequada erradicar com algumas doenças, graças às campanhas ampla- mente divulgadas. Sua participação no que se refere a esse conteúdo está em conhecer os mitos e as falsas contraindi- cações que impossibilitam muitas mães de não vacinarem seus filhos e que impedem, dessa forma, que a população fique protegida de doenças que colaboram de maneira significativa para a saúde individual e coletiva. 5.2 Atividades Propostas Agora que você fez a leitura sobre as imunizações, responda às questões a seguir: 1. Por que as imunizações constituem uma das ações básicas em saúde da criança? 2. Qual o conceito de imunização? 3. Cite três das principais falsas contraindicações às vacinas. Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 45 PROMOÇÃO DA SEGURANÇA INFANTIL6 Convido você a perguntar aos seus colegas: o acidente com crianças é uma fatalidade? Em se tratando do conceito científico sobre acidentes na infância, ele nunca pode ser abor- dado como fatalidade, já que sempre passa pela ação do adulto, ou seja, pode e deve ser evitado. As crianças e os adolescentes têm seus di- reitos assegurados por lei. O Estatuto da Criança e do Adolescente, criado em 1990, assegura à criança e ao adolescente oportunidades e facili- dades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento biopsicossocial. Diversas instituições particulares e públicas vêm alertando acerca da questão dos acidentes e das violências como um grave proble- ma de saúde pública e tomando iniciativas para assegurar os direitos das crianças e dos adoles- centes (BRASIL, 2006). As escolas vêm assumindo uma importân- cia crescente na promoção de saúde, na preven- ção de doenças e na prevenção de acidentes en- tre crianças e adolescentes. No Brasil, a sociedade civil também se mo- biliza para a prevenção de acidentes. A organiza- ção Criança Segura, iniciada em 2001, dedica-se exclusivamente à prevenção de acidentes entre crianças e adolescentes de até 14 anos. Atualmen- te, atua em São Paulo, Recife, Londrina e Curitiba, por meio do desenvolvimento de pesquisas sobre o assunto e informação à população. Essa orga- nização implementou o programa Criança Segura nas Escolas, cujo objetivo é expor as crianças ao tema prevenção de acidentes por meio de ativi- dades desenvolvidas em sala de aula e da abor- dagem do tema de forma transversal (CRIANÇA SEGURA, 2006). Minayo (1994, p. 10) salienta que “os even- tos violentos e os traumatismos não são aciden- tais, não são fatalidades, não são falta de sorte: eles podem ser enfrentados, prevenidos e evita- dos.” Essa cultura deve ser concebida pelos edu- cadores, pois se trata de um conceito científico sobre acidentes, principalmente com crianças, considerando que toda e qualquer ação preven- tiva ou imprudente passa pela ação do adulto, o qual tem responsabilidade sobre o menor, e que toda e qualquer ação preventiva ou imprudente sempre passa, também, pela ação do adulto. A modificação do ambiente de modo a torná-lo mais seguro é uma medida de preven- ção passiva de forte impacto para redução de aci- dentes, pois permite maior liberdade da criança, sem intervenção imperiosa dos pais e/ou respon- sáveis. Dessa forma, em Criança Segura (2006), salienta-se a importância de se considerar o de- senvolvimento infantil para a adoção de medidas, já que o ambiente deve oferecer segurança espe- cífica para cada faixa etária. Liberal et al. (2005) sugerem programas que atuem na prevenção, como, por exemplo, Edu- cação em Saúde, os quais devem ser abordados AtençãoAtenção Os acidentes e as violências representam, hoje,o primeiro lugar em morbimortalidade de crian- ças e adolescentes entre 5 e 19 anos de idade. As causas externas de morbimortalidade, os aciden- tes e as violências, de acordo com a Classificação Internacional de Doenças – 10ª Revisão – CID-10 (OMS, 1993), são constituídos por homicídios, suicídios, acidentes de trânsito ou outros (intoxi- cações, acidentes de trabalho, queimaduras, que- das, afogamentos, entre outros). Vânia Vieira Costa Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 46 como tema transversal. O aluno deve ser estimu- lado a adotar um estilo de vida seguro e saudável por intermédio de estratégias de ensino e méto- dos interativos, que envolvam o escolar no apren- dizado sobre a prevenção de violências e lesões não intencionais. Recomenda-se, também, capa- citar os educadores e prover meios para as ativi- dades educativas sobre prevenção de violências e lesões não intencionais. 6.1 Resumo do Capítulo Prezado(a) aluno(a), neste capítulo, tratamos do conceito sobre acidentes na infância. Ele nunca pode ser abordado como fatalidade, já que sempre passa pela ação do adulto, ou seja, pode e deve ser evitado. Nas escolas, é crescente a promoção de saúde, a prevenção de doenças e a prevenção de aciden- tes entre crianças e adolescentes. Segundo Minayo (1994, p. 10), “os eventos violentos e os traumatismos não são acidentais, não são fatalidades, não são falta de sorte: eles podem ser enfrentados, prevenidos e evitados.” Portanto, é preciso modificar o ambiente de modo a torná-lo mais seguro; dessa forma, permite maior liberdade da criança. Assim, o aluno é estimulado a ter um estilo de vida seguro e saudável por intermédio de estratégias de ensino e métodos interativos. A promoção da segurança infantil é muito importante, não é mesmo? Então, para você revisar os conteúdos, responda: 1. Qual o conceito científico sobre acidentes que deve ser concebido por pais e educadores quando se trata de prevenção de acidentes na infância? 2. Preencha a lacuna: Salienta-se a importância de se considerar o ________________________ para a adoção de medidas preventivas, já que o ambiente deve oferecer segurança específica para ___________________________. 6.2 Atividades Propostas Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 47 MEDIDAS PREVENTIVAS NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA7 7.1 Violência e Vitimização Infantil Encerrando nosso conteúdo com o tema violência e vitimização infantil, reflita sobre os di- reitos da criança e do adolescente e os tipos de violência que você conhece. Que tal descrever em suas anotações os tipos de violência antes de continuar a leitura deste material? Em relação à visão dos direitos das crianças e dos adolescentes, a instalação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) (Brasil, 2006) tor- nou-se um instrumento importante para a pro- teção de crianças e jovens, além de responsável por muitas mudanças no cenário brasileiro. Cabe destacar a obrigatoriedade estabelecida pelo ECA em seu artigo 245, de que todo profissional das áreas social, educação ou saúde, deva comunicar à autoridade competente os casos de seu conhe- cimento envolvendo suspeita ou confirmação de maus-tratos contra a criança ou o adolescente, cabendo pena prevista caso tal comunicação não ocorra. As definições acerca dos tipos de violência utilizados aqui foram os que se encontram no ma- nual de maus-tratos contra a Criança e o Adoles- cente, editado pelo Ministério da Saúde (BRASIL, 2002): Violência física – são atos violentos com uso da força física de forma intencional, não acidental, praticados por pais, res- ponsáveis, familiares ou pessoas próxi- mas da criança ou do adolescente, com o objetivo de ferir, lesar ou destruir a ví- tima, deixando ou não marcas eviden- tes em seu corpo. Abuso sexual – consiste em todo ato ou jogo sexual, relação heterossexual ou homossexual cujo agressor está em es- tágio de desenvolvimento psicossexual mais adiantado que a criança ou o ado- lescente. Apresenta-se sobre a forma de práticas eróticas e sexuais impostas à criança ou ao adolescente pela violên- cia física, por ameaças ou por indução de sua vontade. Negligência/abandono – omissão dos pais ou de outros responsáveis (inclu- sive institucionais) pela criança e pelo adolescente, quando deixam de prover as necessidades básicas para seu desen- volvimento físico, emocional e social. O abandono é considerado uma forma extrema de negligência. Abuso psicológico – toda forma de rejei- ção, depreciação, discriminação, desres- peito, cobranças exageradas, punições humilhantes e utilização da criança ou do adolescente para atender às neces- sidades psíquicas dos adultos. Um estudo apresentado no Boletim Epi- demiológico Paulista (BEPA) (GAWRYSZEWSK et al., 2007), com o objetivo de investigar os fatores envolvidos na violência contra a criança, analisou 776 fichas de notificação cujas vítimas eram me- Vânia Vieira Costa Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 48 nores de 18 anos. As variáveis analisadas foram: sexo, idade, tipo de violência, local de ocorrência e relação vítima/agressor. O sexo feminino foi pre- dominante, responsável por 473 casos (61%), e o sexo masculino teve 298 casos (38,4%). A razão feminino/masculino encontrada foi 1,6. A idade média foi de 8,4 anos. Os resultados acerca do tipo de violência mostraram que a negligência e o abuso/violência sexual foram predominantes, sendo responsáveis por 264 (34%) e 261 casos (33,6%), respectivamente. Como violência física, foram classificados 146 casos (24,9%). O local de ocorrência com maior número de casos foi a pró- pria residência das vítimas (413; 53,2% do total), seguindo-se a via pública, com 87 casos (11,5%) (GAWRYSZEWSK et al. 2007). Em estudo realizado com 149 profissionais da área da educação, com o objetivo de verificar as práticas de escolas públicas e privadas da cidade de São Paulo diante da identificação de casos de violência doméstica contra crianças e adolescen- tes, foi encontrado que esses profissionais conse- guem identificar situações de maus-tratos envol- vendo seus alunos, mas não os encaminham às autoridades competentes. A violência doméstica nessas escolas é tratada da mesma forma como são resolvidos os problemas escolares, por meio da convocação e da orientação dos pais, o que indica que os profissionais da educação, além de não estarem preparados para abordar adequada- mente essa questão, podem estar colocando em risco seus alunos (VAGOSTELLO et al., 2006). Assim, é importante que o educador conhe- ça integralmente seu aluno, identificando sinais, não apenas físicos, mas comportamentais que indiquem algum tipo de violência sofrida pela criança e pelo adolescente, além de indicadores comportamentais dos responsáveis. Vale ressaltar que o educador deve ter o conhecimento de que esses “abusadores” e “agressores” foram também vítimas no passado, evitando, assim, qualquer tipo de julgamento, sabendo que o agressor deve ser punido e tratado. O educador poderá atuar preventivamente no rompimento desse ciclo, desde que esteja capacitado pessoal e academi- camente sobre esse assunto (LARA, 2000). AtençãoAtenção Como características da criança que aumentam sua vulnerabilidade para o abuso físico, destacam- -se: idade menor do que 5 anos, complicações no nascimento, deficiências físicas e mentais e com- portamentos considerados difíceis. Como variá- veis de relacionamento que podem aumentar a probabilidade de abuso, têm-se: viver em um lar no qual há violência doméstica ou discórdia ma- rital, pertencer a famílias com histórias intergera- cionais de abuso e baixo status socioeconômico (LARA, 2000). Neste capítulo, caro(a) aluno(a), estamos finalizando nosso conteúdo com o tema violência e viti- mização infantil,pois os direitos das crianças e dos adolescentes, a instalação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) (BRASIL, 2006), tornou-se um instrumento importante para a proteção de crianças e jovens contra os tipos de violência e maus-tratos, como: Violência física, Abuso sexual, Negligência/ aban- dono, Abuso psicológico. Alguns estudos apontam fatores envolvidos na violência contra a criança com vítimas menores de 18 anos. Outro estudo buscava verificar as práticas de escolas públicas e privadas da cidade de São Paulo diante da identificação de casos de violência doméstica contra crianças e adolescen- tes e constatou que a violência doméstica nessas escolas é tratada da mesma forma como são resolvidos os problemas escolares, por meio da convocação e da orientação dos pais, o que indica que os profissio- nais da educação, além de não estarem preparados para abordar adequadamente essa questão, podem estar colocando em risco seus alunos (VAGOSTELLO et al., 2006). Lembre-se de que a violência física e sexual, a negligência e o abuso psicológico vividos pela criança e adolescente devem ser identificados 7.2 Resumo do Capítulo Educação e Saúde Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 49 7.3 Atividades Propostas pelo educador por meio da observação comportamental e não apenas por sinais orgânicos. Quando o educador passa a reconhecer um comportamento diferenciado que a criança ou adolescente apresente, deve atuar de maneira multidisciplinar, ou seja, conjuntamente com outros profissionais e órgãos para realizar a intervenção necessária, considerando sempre que o agressor é também uma vítima do passa- do, portanto deve ser tratado e punido. Terminamos aqui o conteúdo, mas certamente você dará continuidade a outras fontes para am- pliar seu conhecimento. Mas, antes, responda às questões a seguir e, se possível, descreva um projeto de intervenção que você faria. Dê um nome a ele, descreva o público destinado, o objetivo, ou seja, quais conteúdos seriam abordados, os materiais utilizados e o tempo de realização. 1. Quais os principais resultados sobre violência contra a criança e o adolescente encontrados no estudo do BEPA em 2007? 2. No estudo de Vagostello, os resultados são preocupantes. Explique quais são os motivos. Meu projeto de intervenção: Nome:________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 51 EDUCAÇÃO AMBIENTAL8 O que é Educação Ambiental? Proteção de florestas e reciclagem? Não apenas isso. Na reali- dade o termo é muito mais amplo. No século XVIII, o movimento ambientalista iniciou os primeiros passos em Educação Ambiental, com as primeiras conquistas resultantes de escaladas aos pontos mais altos (cumes) da Europa, enfatizando a des- coberta de novos mundos (CASCINO, 1999). Para- lelamente às grandes conquistas de locais antes desconhecidos, o economista britânico Thomas Robert Malthus, em seus estudos, publicou um ensaio que possibilitou o desenvolvimento da teoria demográfica, relacionando o crescimento populacional que se desenvolvia na época rapi- damente, em progressão geométrica (2, 4, 8, 16, 32...) com a produção de alimentos, que crescia em progressão aritmética (2, 4, 6, 8, 10...). Porém, apesar das críticas de pesquisadores atuais sobre sua teoria, ele não estava totalmente errado, visto que, atualmente, existem tecnologias que possi- bilitam o aumento na produção de alimentos em uma mesma área de 80 anos antes, mas há uma má distribuição de alimentos e renda (MOREIRA; SENE, 2005). Durante os dois séculos que se seguiram, houve muitas transformações humanas, como a Revolução Francesa que transformou cidades pequenas e redesenhou estados, surgindo as grandes metrópoles (CASCINO, 1999). O pensa- mento de Charles Darwin, com a publicação da teoria da origem das espécies, motivou as popu- lações a voltarem o olhar para o mundo natural, relacionando-o aos humanos. Após as guerras, em geral houve um grande avanço em pesquisas, principalmente tecnológicas, porém, com isso, os meios de transporte e desenvolvimento urbano progridem, afetando diretamente a convivência entre humano e ambiente (CASCINO, 1999). Os primórdios da Educação Ambiental ocorreram em 1968, com a publicação de um documento intitulado Os limites do crescimento, abordando o consumo, principalmente de recursos naturais, sob a ótica da capacidade de resiliência do pla- neta frente ao crescimento populacional (CAS- CINO, 1999). Em 1971, a International Union for the Conservation of Nature (IUCN), mencionou o início do que no futuro tornar-se-ia a Educação Ambiental, contudo restringiu-se à conservação das formas de vida (IUCN, 1971), mas foi na Con- ferência de Estocolmo, 1972, que houve a am- pliação para outras áreas e surgiu formalmente. Durante a Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental realizada em Tsibilisi (EUA), no ano de 1977, surgiram as primeiras manifes- tações formais em Educação Ambiental no âmbi- to mundial, a princípio com o intuito de formar o “cidadão ecológico”, aliando interdisciplinaridade e complexidade ambiental (JACOBI, 2003; SATO, 2003), e definiu-se que No início do século XXI, a produção de alimentos era suficiente para alimentar uma população de 9 bilhões de pessoas. Quando o estudo foi reali- zado, a população mundial ultrapassava pouco mais de 6 bilhões de pessoas. Nesse caso, obser- va-se que Educação Ambiental é muito mais do que apenas reciclar! CuriosidadeCuriosidade Vânia Vieira Costa Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 52 a Educação Ambiental é um processo de reconhecimento de valores e clarificação de conceitos, objetivando o desenvol- vimento das habilidades e modificando as atitudes em relação ao meio, para en- tender e apreciar as inter-relações entre os seres humanos suas culturas e seus meios biofísicos. A Educação Ambiental também está relacionada com a prática das tomadas de decisões e a ética que conduzem para a melhoria da qualidade de vida. A Educação Ambiental é, portanto, um pro- cesso de contínuo aprendizado sobre o ambien- te, respeitando todas as formas de biodiversidade em nosso planeta, como unidades fundamentais para o equilíbrio do ecossistema. O conhecimen- to sobre o meio em que vivemos tende à forma- ção de valores relacionados ao planeta em que vivemos, partindo de vivências e transformações individuais e coletivas, mitigando os fatores que possibilitam o aumento da desigualdade entre povos e diminuindo a visão do planeta em função dos humanos, aprendendo, assim, a conviver em harmonia global, a partir de mudanças iminentes na consciência ambiental (SATO, 2003). 8.1 Bases da Educação Ambiental e Documentos Durante o segundo congresso de Educação Ambiental ocorrido em 1987 na ex-URSS, em um cenário onde rediscutiam a forma de vida impos- ta às pessoas no momento por meio do regimecomunista, houve um agrupamento de especia- listas para discussão de pontos referentes ao meio ambiente e desenvolvimento, intitulado “Nosso futuro comum”, embasando debates durante a realização da RIO-92 ou ECO-92 (CASCINO, 1999). Após quase duas décadas, com as primeiras publicações formais em Educação Ambiental, a visão do homem mudou muito, entendendo os processos para a diminuição da degradação do planeta e transformando ideias em soluções, in- teriorizando o termo “Desenvolvimento Sustentá- vel” aos princípios, dessa forma, contemporânea e interdisciplinar de Educação (CASCINO, 1999). No decorrer da ECO-92, surgiram iniciativas, grupos especializados em Educação Ambiental e fortalecimento de outras ações (SATO, 2003). Nesse contexto, foi criada a Agenda 21, um pro- grama de ação com 40 capítulos, propondo uma mudança no desenvolvimento para o século XXI. Além da Agenda 21 global, no Brasil há a Agenda 21 brasileira, com propostas destinadas ao desen- volvimento sustentável em nosso país, e as Agen- das 21 locais, com o mesmo objetivo de implantar políticas públicas sustentáveis (MMA, 2012). Na Constituição Federal de 1988, há um ar- tigo destinado ao meio ambiente e desenvolvi- mento: “Art. 225. Todos têm direito ao meio am- biente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletivi- dade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.” Em 1999, o Governo Federal, decretou a Lei de Educação Ambiental (Lei nº 9.795/1999), que em seu caput “dispõe sobre a educação ambiental, institui a Política Nacional de Educação Ambien- tal e dá outras providências”, regulamentando a Educação Ambiental no país e instituindo que a mesma deva ser inserida nos currículos escolares de todos os níveis de ensino e faixas etárias. Educação e Saúde Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 53 O assunto deve ser tratado partindo do ponto da integração entre os alunos no meio am- biente, estimulando, por meio de aulas teóricas na sala de aula e em atividades no campo, a cons- ciência sobre a temática ambiental (DIAS, 1992). No ambiente escolar, devemos estabelecer meios para que os alunos compreendam quais atitudes individuais e coletivas podem ser toma- das para a convivência harmoniosa com o am- biente (EFFTING, 2007). Na escola, o educador deve estimular a construção de ações de cidadania com os alunos, informando-os como interferem na natureza e no ambiente, localmente e buscando a modificação 8.2 Educação Ambiental no Espaço Escolar 8.3 A Educação Ambiental Atual e Perspectivas Futuras de atitudes lesivas ao meio ambiente (EFFTING, 2007). Esses conteúdos podem ser trabalhados por meio de atividades lúdicas, brincadeiras e jo- gos relacionados à temática ambiental, enfocan- do aspectos locais e globais, pautados em vivên- cias do dia a dia (TELLES et. al., 2002). Os alunos sensibilizados pelas atividades relacionadas ao respeito ao meio ambiente, no futuro, poderão ser multiplicadores da informa- ção em suas casas e no ambiente de trabalho, melhorando a relação de respeito e consequen- temente transformando o local onde vivemos em um ambiente adequado às condições de vida (EFFTING, 2007). As futuras gerações crescerão em um plane- ta onde a cultura estará voltada à sustentabilida- de e menos com atitudes predatórias, e sem haver a centralidade do homem como ser superior no ambiente, e sim como parte integrante do meio ambiente (EFFTING, 2007). A Educação Ambiental é um processo pelo qual as pessoas percebem o real papel que desempenham no planeta, de que forma afetam e como remediar as atitudes degra- dantes (DIAS, 2000). AtençãoAtenção Os recursos naturais são infinitos? Não. A huma- nidade utiliza mais de 20% dos estoques de re- cursos naturais do que a terra é capaz de repor, ameaçando a população atual e as futuras gera- ções. Vânia Vieira Costa Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 54 Caro(a) aluno(a), Neste capítulo, aprendemos um tema relativamente novo e em franca expansão. Ao longo das décadas após as primeiras manifestações em Educação Ambiental na década de 1960, onde o assunto era tratado como utópico e extremamente complexo e que seria impossível a mudança de comporta- mentos em um primeiro momento, muitos trabalhos desenvolvidos têm demonstrado que aos poucos é possível estabelecer mudanças de atitudes e comportamentos. Com o surgimento de normatizações, leis e grupos destinados ao estudo da Educação Ambiental, o tema evoluiu e foi integralizado às vivências escolares, e cada vez mais as gerações futuras poderão crescer aprendendo a respeitar o planeta sob um enfoque ecológico, econômico e social. 8.4 Resumo do Capítulo 8.5 Atividades Propostas 1. Como o educador pode trabalhar os conteúdos de Educação Ambiental com os alunos, em um mundo cada vez mais competitivo e sem contato com o meio ambiente? 2. Na atual situação em que vivemos em relação à segurança, como possibilitar aos alunos o con- tato com o meio, fortalecendo ações em Educação Ambiental? Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 55 Diante de conteúdos que abarquem a saúde integral do ser humano em todos os ciclos da vida, cabe ao educador atuar preventivamente em prol de uma sociedade mais saudável em todos os aspec- tos: biológicos, psicológicos e sociais. Deve-se lembrar de que os conteúdos aqui expostos são fundamentados em pesquisas na área da saúde e da educação. Assim, cabe ao educador atuar sempre na área da pesquisa científica, a fim de ampliar e atualizar seus conhecimentos nesta e em toda área de atuação. CONSIDERAÇÕES FINAIS9 Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 57 CAPÍTULO 1 1. Mesmo após descobertas significativas na área da saúde, no que diz respeito à melhoria do acesso à educação ainda há um conceito errôneo, no qual se atribui saúde somente à ausên- cia de doenças. Esse modelo ampliado deve considerar o bem-estar biopsicossocial, já que o maior índice de adoecimentos e mortes ocorre por causas além das orgânicas, mas psicosso- ciais. 2. Sua importância é devidamente atribuída por abordar a prevenção, por oferecer ao ser hu- mano conhecimentos que o capacitem para atuar em prol da sua saúde, em busca de seus direitos, construção da autonomia e responsabilidade social. CAPÍTULO 2 1. Observa-se, na figura, que há diferenças quanto ao crescimento infantil em diferentes áreas, expostas às várias condições socioeconômicas. Os grupos expostos a condições desfavoráveis não conseguem atingir uma estatura adequada quando comparados aos que pertencem a classes socioeconômicas mais elevadas. 2. Estudos apontam que há fatores endógenos (internos) e exógenos (externos) ao indivíduo. No primeiro, são as características genéticas e raciais, e no segundo, os nutrientes e as condições psicossociais. Lembre-se de que a genética influencia, mas não irá determinar a estatura. Você deve conhecer uma criança que possui pais de baixa estatura, mas cujos filhos atingiram uma estatura maior! Esse é um clássico exemplo de que a genética é importante, mas o ambiente é que pode mudar tanto positiva quanto negativamente. CAPÍTULO 3 1. A proposta é a de que haja o aleitamento materno exclusivo até o sexto mês de vida do bebê, e, após esse período, até 2 anos de idade, seja complementado. Isso porque até os seis meses o aleitamento materno oferece todos os nutrientes, mas a partir desse período não supre so- zinho as necessidades do bebê. 2. Os períodos são a curto, médio e longo prazo. Estudos apontam que o aleitamento materno oferece um efeito protetor a várias doenças na idade adulta. 3. Entre os fatores de risco estudados, têm-se, enquanto condições biológicas/reprodutivas, ida- de e estatura materna baixa, pesoao nascer (menor que 2.500 gramas), tipo de parto, ordem de nascimento e abandono ao aleitamento materno. RESPOSTAS COMENTADAS DAS ATIVIDADES PROPOSTAS Vânia Vieira Costa Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 58 Quanto às psicológicas, têm-se a disfunção familiar, incluindo fatores estressantes durante a gestação, falta de apoio de pessoas significativas, separação do parceiro e fraco vínculo mãe- -filho. Quanto às sociais, baixa escolaridade materna (menor e igual a 4 anos de estudo), renda fami- liar e condições de moradia precária. 4. As explicações não são advindas do componente orgânico, mas das condições sociais, psico- lógicas e educacionais, em especial a exclusão, na qual se atribui um rótulo de que a criança não irá aprender. O fracasso é social (exclusão) e educacional (há despreparo de alguns educadores em traba- lhar com essa realidade). 5. Campos (1993) identificou as seguintes características psicológicas no que diz respeito às crianças obesas: elas são mais regredidas e infantilizadas, tendo dificuldades de lidar com suas experiências de forma simbólica, de adiar satisfações e obter prazer nas relações sociais, de lidar com a sexualidade, além de uma baixa autoestima e dependência materna. 6. Na anorexia não há ingestão suficiente de alimentos, e na bulimia há uma compulsão em ali- mentos calóricos com práticas compensatórias para prevenir o ganho de peso (por exemplo: vômito autoinduzido, abuso de laxantes). CAPÍTULO 4 1. O TDAH acomete ambos os sexos, porém as meninas apresentam mais o TDAH com predomí- nio da desatenção. 2. As manifestações são: desatenção, hiperatividade e impulsividade. Para caracterização do diagnóstico, é importante a presença em dois locais de vivência do paciente, como, por exem- plo, em casa e na escola. Não esqueça que o diagnóstico é comportamental, pois não há exa- mes laboratoriais que identifiquem o TDAH. Por esse motivo, a observação do comportamen- to feita pelo professor é de real importância no diagnóstico. 3. Os dentes decíduos, também conhecidos como dentes de leite, devem ser tratados, pois há uma crença inadequada de que não devem ser tratados, já que serão substituídos com a se- gunda dentição. 4. O contato diário e prolongado com alunos favorece a observação do estado de saúde e o desempenho visual e intelectual dos escolares pelo professor. CAPÍTULO 5 1. Porque apresentam impacto direto nos coeficientes de morbidade e mortalidade infantil em todo o mundo. 2. Del Ciampo et al. (2000) conceituam a imunização como o processo artificial de induzir a imu- nidade, e a ativa (vacinação), como o processo de desenvolver mecanismos imunológicos efi- cazes que defendam o organismo contra microrganismos. 3. Doenças benignas com febre baixa, diarreias e infecções respiratórias. Educação e Saúde Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 59 CAPÍTULO 6 1. Minayo (1994, p. 10) salienta que “os eventos violentos e os traumatismos não são acidentais, não são fatalidades, não são falta de sorte: eles podem ser enfrentados, prevenidos e evita- dos.” Essa cultura deve ser concebida pelos educadores, considerando que toda e qualquer ação preventiva ou imprudente passa pela ação do adulto, o qual tem responsabilidade sobre o menor, e que toda e qualquer ação preventiva ou imprudente sempre passa, também, pela ação do adulto. 2. Salienta-se a importância de se considerar o desenvolvimento infantil para a adoção de medidas preventivas, já que o ambiente deve oferecer segurança específica para cada faixa etária. CAPÍTULO 7 1. O sexo feminino foi predominante, responsável por 473 casos (61%), e o sexo masculino teve 298 casos (38,4%). A razão feminino/masculino encontrada foi 1,6. A idade média foi de 8,4 anos. Os resultados acerca do tipo de violência mostraram que a negligência e o abuso/vio- lência sexual foram predominantes, sendo responsáveis por 264 (34%) e 261 casos (33,6%), respectivamente. Como violência física, foram classificados 146 casos (24,9%). O local de ocor- rência com maior número de casos foi a própria residência das vítimas (413; 53,2% do total), seguindo-se a via pública, com 87 casos (11,5%). 2. Foi encontrado que esses profissionais conseguem identificar situações de maus-tratos envol- vendo seus alunos, mas não os encaminham às autoridades competentes. A violência domés- tica nessas escolas é tratada da mesma forma como são resolvidos os problemas escolares, por meio da convocação e da orientação dos pais, o que indica que os profissionais da edu- cação, além de não estarem preparados para abordar adequadamente essa questão, podem estar colocando em risco seus alunos. CAPÍTULO 8 1. Por meio da inserção de conteúdos relacionados às boas práticas do dia a dia e que promo- vam a proteção global do ambiente, transformando a consciência ambiental dos alunos em vivências transmitidas posteriormente aos pais, irmãos e a toda a comunidade em que vivem. 2. Com a atual situação de insegurança em que vivemos, não é mais possível levar os alunos para uma área natural simplesmente para ministrar atividades em estudo do meio, porém há locais específicos para esse fim, com educadores capacitados para transmitir conhecimentos específicos de acordo com a necessidade do aluno ou escola. Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 61 REFERÊNCIAS AMERICAN ACADEMY OF PEDIATRICS (AAP). Breastfeeding and the use of human milk. Pediatrics, 100, p. 1035-1039, 1997. AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION (APA). Diagnostic and statistical manual of mental disorders. 4th ed. Washington DC, 1994. AMIGO, H. et al. Growth deficits in Chilean school children. J. Nutr., v. 131, p. 251-254, 2001. 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INTRODUÇÃO 1 educação em saúde 1.1 Atuação no Espaço Escolar 1.2 Resumo do Capítulo 1.3 Atividades Propostas 2 CRESCIMENTO INFANTIL 2.1 Intercorrências no Crescimento 2.2 Resumo do Capítulo 2.3 Atividades Propostas 3 NUTRIÇÃO 3.2 Benefícios do Aleitamento 3.3 Composição do Leite Humano 3.4 Nutrição e seus Distúrbios 3.5 Desnutrição e Aprendizagem 3.6 Obesidade Infantil 3.7 Anorexia e Bulimia Nervosa 3.8 Resumo do Capítulo 3.9 Atividades Propostas 4 DESENVOLVIMENTO INFANTIL: PROMOÇÃO À SAÚDE 4.2 Desenvolvimento Odontológico: Saúde Bucal 4.3 Desenvolvimento Oftalmológico: Saúde Ocular 4.4 Resumo do Capítulo 4.5 Atividades Propostas 5 IMUNIZAÇÃO 5.1 Resumo do Capítulo 5.2 Atividades Propostas 6 PROMOÇÃO DA SEGURANÇA INFANTIL 6.1 Resumo do Capítulo 6.2 Atividades Propostas 7 MEDIDAS PREVENTIVAS NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA 7.2 Resumo do Capítulo 7.3 Atividades Propostas 8 EDUCAÇÃO AMBIENTAL 8.1 Bases da Educação Ambiental e Documentos 8.2 Educação Ambiental no Espaço Escolar 8.3 A Educação Ambiental Atual e Perspectivas Futuras 8.4 Resumo do Capítulo 8.5 Atividades Propostas 9 CONSIDERAÇÕES FINAIS RESPOSTAS COMENTADAS DAS ATIVIDADES PROPOSTAS REFERÊNCIAS