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O movimento artístico que chamamos “Renascimento” nasceu na Itália, em Florença, nas primeiras décadas do século XV. Nos finais de 1400, tinha-se espalhado por toda a Itália. Na primeira metade do século seguinte, quando Roma se sobrepunha a Florença como principal centro artístico, tinha alcançado os resultados mais clássicos. Nessa mesma época, começou a difundir-se pelo resto da Europa, iniciando uma completa revolução artística, cujos efeitos perdurariam, com constantes acontecimentos, durante séculos, até quase o limiar da nossa época. Este movimento, embora bastante complexo e variado internamente, estabeleceu princípios, métodos e, sobretudo, formas originais e típicas, mas comuns. Tais formas provem de duas principais fontes: a reutilização, após um intervalo de quase um milênio, das formas características da arte clássica – arte grega e arte romana. E a aplicação de uma nova descoberta técnica: a perspectiva, conjunto de regras matemáticas e de desenho que permitem reproduzir sobre uma folha de papel ou sobre qualquer superfície plana, o aspecto real dos objetos. Além de reviver a antiga cultura greco-romana, ocorreram nesse período muitos progressos e incontáveis realizações no campo das artes, da literatura e das ciências, que superaram a herança clássica. O ideal do humanismo foi, sem dúvida, o motel desse progresso e tornou-se o próprio espírito do Renascimento. Trata-se de uma volta deliberada, que propunha a ressurreição consciente (do renascimento) do passado, considerado agora como fonte de inspiração e modelo de civilização. Num sentido amplo, esse ideal pode ser entendido como a valorização do homem (Humanismo) e da natureza, em oposição ao divino e ao sobrenatural, conceitos que haviam impregnado a cultura da Idade Média. Características gerais: Racionalidade; Dignidade do Ser Humano; Rigor Científico; Ideal Humanista; Reutilização das artes greco-romana. A expansão marítima com a exploração de novos continentes e a pesquisa científica proclamavam a confiança no homem e, ao mesmo tempo, a Reforma Protestante diminuía o domínio da Igreja. O resultado foi que o estudo de Deus como Ser Supremo foi substituído pelo estudo do ser humano, inclusive com o estudo da anatomia. Desde retratos detalhistas, como a intensidade emocional e a iluminação surreal, a arte foi o meio de explorar todas as facetas da vida na terra. ARQUITETURA Na renascença italiana formada nos mesmos princípios da geometria harmoniosa em que se baseavam a pintura e a escultura, a arquitetura recuperou o esplendor da Roma Antiga. Os arquitetos renascentistas mais notáveis foram Leon Battista Alberti, Filippo Brunelleschi, Donato Bramante, Andrea Palladio e Michelangelo Buonarotti. Alberti (1404-72) escritor, pintor, escultor e arquiteto, foi o maior teórico da Renascença e deixou tratados de pintura, escultura e arquitetura. Ele menosprezava o objetivo religioso da arte e propunha que os artistas buscassem no estudo das ciências, como a história, a poesia e a matemática, os fundamentos de seu trabalho. Alberti escreveu o primeiro manual sistematizado de perspectiva, oferecendo aos escultores as normas das proporções humanas ideais. Outro renascentista de múltiplos talentos foi Brunelleschi (1377-1446). Excelente ourives, escultor, matemático, relojoeiro e arquiteto, ele é mais conhecido, porém, como o pai da engenharia moderna. Brunelleschi não só descobriu a perspectiva matemática como lançou o projeto da igreja em plano central, que veio substituir a basílica medieval. Somente ele foi capaz de construir o domo da Catedral de Florença, chamada então da oitava maravilha do mundo. Tal técnica constitui em construir duas células, uma apoiando a outra, encimadas por uma claraboia estabilizando o conjunto. No projeto da Capela Pazzi, em Florença, Brunelleschi utilizou motivos clássicos na fachada, ilustrando a retomada das formas romanas e a ênfase renascentista na simetria e na regularidade. Em 1502, Bramante (1444-1514) construiu o Tempietto (Pequeno Templo) em Roma, no local onde São Pedro foi crucificado. Embora pequeno, é protótipo perfeito da igreja com plano central encimado por domo, expressando os ideias renascentistas de ordem, simplicidade e proporções harmoniosas. Famoso por suas vilas e seus palácios, Palladio (1508-80) teve enorme influência sobre os séculos posteriores através do seu tratado Quatro Livros de Arquitetura. Pioneiros do neoclássico se basearam no manual de Palladio. A “Villa Rotonda” incorporou detalhes gregos e romanos, como pórticos, colunas jônicas, domo plano, como o do Panteon, e aposentos dispostos simetricamente em torno de uma rotonda central. Destaca-se também, Michelangelo Buonarotti (1475-1564) que em seus últimos anos dedicou-se à arquitetura, supervisionando a reconstrução da Basílica de São Pedro, em Roma. Acreditava que “os membros da arquitetura são derivados dos membros humanos”. As unidades arquitetônicas deveriam cercar simetricamente um eixo central vertical, assim com braços e pernas flanqueiam o tronco humano. Outro exemplo desse estilo inovador é a Colina Capitolina em Roma, o primeiro grande centro cívico da Renascença. Quebrou as normas renascentistas ao desenhar essa praça com ovais interligados e variações do ângulo reto.Sendo um dos percursores do Maneirismo. Na arquitetura renascentista, a ocupação do espaço pelo edifício baseia-se em relações matemáticas estabelecidas de tal forma que o observador possa compreender a lei que o organiza de qualquer ponto em que se coloque. “Já não é o edifício que possui o homem, mas este que, aprendendo a lei simples do espaço, possui o segredo do edifício”. (Bruno Zevi, Saber Ver a Arquitetura) As principais características da arquitetura renascentista são: Ordens Arquitetônicas;Arcos de Volta-Perfeita; Simplicidade na construção; A escultura e a pintura se desprendem da arquitetura e passam a ser autônomas; Construções: palácios, igrejas, vilas (casa de descanso fora da cidade), fortalezas (funções militares) e planejamento urbanístico. ARQUITETURA RENASCENTISTA NA EUROPA, EXCETO A ITÁLIA O Renascimento caracterizou-se como um movimento praticamente restrito ao universo cultural italiano durante seus dois primeiros séculos de evolução (entre os séculos XIV e XVI, aproximadamente), período durante o qual, no restante da Europa, sobreviviam estilos arquitetônicos, em geral, ligados ao gótico ou ao tardo-românico. No seu auge, na Itália, a estética clássica começou a ser difundida em diversos países europeus devido a motivos diversos (como guerras, anexações de territórios, pelo fato de os artistas italianos viajarem pela Europa ou serem contratados por cortes diversas). Independente das razões, é certo que esta difusão fatalmente se dará já pela assimilação de certos ideais anticlássicos trazidos pelo Maneirismo, estilo em voga naquele momento (início do século XVI). É um momento em que a tratadística clássica está plenamente desenvolvida, de forma que os arquitetos, de uma forma geral, possuem um bom domínio das regras compositivas clássicas e de sua canonização, o que lhes permite certa liberdade criativa. Esta leve liberdade de que gozam os artistas do período será naturalmente absorvida pela produção renascentista dos países fora do espectro cultural italiano. Há que se notar, porém, que existem estudiosos que não consideram o Maneirismo como um movimento ligado ao Renascimento, mas um estilo novo e radicalmente contrário a este. Desta forma, a produção dita maneirista dos demais países europeus pode vir, eventualmente, a não ser considerada como uma arquitetura genuinamente renascentista. Em certo sentido é possível dizer, segundo tal ponto de vista, que tais países “pularam” diretamente de uma produção tipicamente medieval para uma arquitetura pós-renascentista (como na França). Como as formas de difusão diferem de país para país, ainda que a arquitetura produzida por aqueles países neste momento seja efetivamente renascentista, existe um Renascimento diferente para cada região da Europa(pelo menos do ponto de vista arquitetônico). Será possível falar em um Renascimento francês, um Renascimento espanhol e um Renascimento flamenco, por exemplo. Em Portugal, as formas clássicas irão se difundir apenas durante um breve período, sendo logo substituídas pela arquitetura manuelina, uma espécie de releitura dos estilos medievais e considerada por alguns como o efetivo representante do Renascimento neste país, ainda que prossiga uma estética distante do classicismo (insere-se, de fato, no estilo gótico tardio). PINTURA Talvez nenhuma época artística tenha sido igualmente rica e tão talentososa com grandes pintores como o Renascimento. Piero dela Francesca, Fra Angelico, Botticelli, Mantegna, Leonardo da Vinci, Michelangelo, Antononello da Messina, isto para citar só alguns. E depois, Masaccio, Perugino, o supremo Rafael, os Bellini, Giorgione, Ticiano, Paolo Uccello, Lucas Signorelli, os dois Lippi, Ghirlandaio, Carpaccio, Cosmè Tura. Qualquer um deles bastaria para nobilizar um período e uma nação. Mas, todos eles viveram no mesmo país e na mesma época, ou quase. As principais características da pintura são: Perspectiva: arte de figura, no desenho ou pintura, as diversas distâncias e proporções que têm entre si os objetos vistos à distância, segundo os princípios da matemática e da geometria; Uso do claro-escuro: pintar algumas áreas iluminadas e outras na sombra, esse jogo de contrastes reforça a sugestão de volume dos corpos; Realismo: o artista do Renascimento não vê mais o homem como simples observador do mundo que expressa a grandeza de Deus, mas como a expressão mais grandiosa do próprio Deus. E o mundo é pensado como uma realidade a ser compreendida cientificamente, e não apenas admirada; Inicia-se o uso da tela e da tinta à óleo; Tanto a pintura como a escultura que antes apareciam quase que exclusivamente como detalhes de obras arquitetônicas, tornam-se manifestações independentes; Surgimento de artistas com um estilo pessoal, diferente dos demais, já que o período é marcado pelo ideal de liberdade e, consequentemente, pelo individualismo. Vamos comentar brevemente os mais conhecidos pintores desse período: Giotto di Bondone (1267-1337), mais conhecido simplesmente por Giotto, pintor e arquiteto italiano. Nasceu perto de Florença, foi discípulo de Cinni di Pepo, mais conhecido na história da arte pela introdução da perspectiva na pintura, durante o Renascimento. É considerado um dos precursores do Renascimento. Devido ao alto grau de inovação de seu trabalho, ele é considerado o introdutor da perspectiva na pintura da época, Giotto é considerado o elo entre o Renascimento e a pintura medieval e a bizantina. A característica principal do seu trabalho é a identificação da figura dos santos como seres humanos de aparência comum. Esses santos com ar humanizado eram os mais importantes das cenas que pintava, ocupando sempre posição de destaque na pintura. Assim, a pintura de Giotto vem ao encontro de uma visão humanista do mundo, que vai cada vez mais se firmando até o Renascimento. Leonardo da Vinci (1452-1519) foi o artista que mais perto chegou do ideal “homem da Renascença”, que significa um indivíduo de talentos múltiplos, que irradiava saber. Tinha múltiplos talentos, deixou cadernos e mais cadernos com suas pesquisas e estudos. Possuía grande curiosidade e vontade de voar como os pássaros. Essa busca constante por entender todo o “mecanismo” que o cercava, não deixou grande quantidade de obras na pintura, mas é incontestável a sua genialidade. Dominou com sabedoria o jogo expressivo de luz e sombra, gerador de uma atmosfera que parte da realidade, estimulando a imaginação do observador. Foi possuidor de um espírito versátil que o tornou capaz de pesquisar e realizar trabalhos em diversos campos do conhecimento humano. Michelangelo Buonarotti (1475-1564) foi o maior contribuinte para elevar o status da atividade do artista. Acreditando que a criatividade era uma inspiração divina, quebrou todas as normas. Os admiradores se referiam a ele como o “Divino Michelangelo”, mas o preço da glória foi a solidão. Entre 1508 e 1512 trabalhou na pintura do teto da Capela Sistina, no Vaticano. Para essa capela, concebeu e realizou grande número de cenas do Antigo Testamento. Dentre tantas que expressam a genialidade do artista, uma particularmente representativa é a “Criação do Homem” e o afresco “O Juízo Final”, que foi concluído 29 anos depois da pintura do teto, e essa pintura impressiona pela atmosfera sinistra. Rafael Sanzio (1483-1520) foi, dentre as maiores figuras da escola da Alta Renascença (Leonardo, Michelangelo e Rafael) eleito o mais popular. Enquanto os outros dois eram reverenciados, Rafael era adorado. Um contemporâneo dos três, chamado Vasari, que escreveu a primeira história da arte, afirmou que Rafael era “tão amável e bondoso que até os animais o amavam”. O pai de Rafael, um pintor menor, ensinou ao precoce filho os rudimentos da pintura. Aos 17 anos de idade, Rafael era considerado um mestre independente. Aos 26 anos, chamado a Roma pelo Papa para decorar os aposentos do Vaticano, ele pintou os afrescos, com ajuda de 50 discípulos, no mesmo ano que Michelangelo terminou o teto da Capela Sistina. “Tudo que ele sabe, aprendeu comigo” disse Michelangelo. De Leonardo, ele assimilou a composição piramidal e aprendeu a modelar rostos em luz e sombra (chiaroscuro). De Michelangelo, Rafael adotou as figuras dinâmicas, de corpo inteiro e a pose de “contraposto”. Foi o grande pintor das Madonas. Morreu com 37 anos e toda a corte “mergulhou em luto” segundo Vasari. Sandro Botticelli (1445-1510) foi um dos mais importantes artistas do Renascimento Cultural Italiano. Desde jovem, dedicou-se à pintura mostrando grande talento para as artes. Em suas obras seguiu temáticas religiosas e mitológicas. Resgatou, de forma brilhante, vários aspectos culturais e artísticos das civilizações grega e romana. Chegou também a fazer retratos de pessoas famosas da época, como príncipes, integrantes da burguesia e nobres. As pinturas de Botticelli são marcadas por um forte realismo, movimentos suaves e cores vivas. Para ele, a beleza estava associada ao ideal cristão. Por isso, as figuras humanas de seus quadros são belas porque manifestam a graça divina, e, ao mesmo tempo, melancólicas porque supõem que perderam esse dom de Deus. Uma de suas obras mais conhecidas, até os dias de hoje é “O Nascimento de Vênus”, que o pintor fez no ano de 1485. Nesta linda obra, observamos a valorização das forças da natureza, o realismo e o resgate da mitologia. Ticiano (c.1473-90-1576), como seus contemporâneos venezianos, dominou o mundo da arte durante sessenta anos, usava cores fortes como principal meio expressivo. Primeiro pintava a tela de vermelho, para dar calor ao quadro, depois pintava o fundo e as figuras em matizes vividos e acentuava as tonalidades usando trinta a quarenta camadas vidradas. Esse trabalhoso método possibilitava uma pintura convincente de qualquer textura, do metal polido ao brilho da seda, de cabelos louro-dourados à pele cálida. Um dos primeiros artistas a abandonar os painéis de madeira, Ticiano adotou o óleo sobre tela como suporte característico. Assim como Michelangelo, Ticiano foi um dos percursores do movimento Maneirismo. A PINTURA NOS PAÍSES DO NORTE DA EUROPA A marca registrada dos artistas do norte da Europa era o incrível talento para retratar a natureza realisticamente, nos mínimos detalhes. Artistas dos Países Baixos: Com formação de miniaturista e iluminador de manuscritos, Jan Van Eyck (1390-1441) pintou detalhes microscópicos em cores vivas. Um dos primeiros mestres da nova arte de pintar retratos, Van Eyck chegou a pintar detalhes ínfimos como pontinhos de barba no queixo da figura. Seu “ Homem com Turbante Vermelho”, que talvez seja um autorretrato, foi a primeira pintura a mostrar o modelo olhando o espectador. Num dos mais celebres quadros da Renascença do Norte, “Casamento dos Arnolfini”, Van Eyck captou com exatidão a aparência e atextura das superfícies e produziu efeitos de luz direta e difusa ao mesmo tempo. Hieronymus Bosch (1450-1516) foi eleito pelos surrealistas do século XX o seu santo padroeiro, o que não é difícil de entender, visto que a sua pintura moralista sugere criativas formas de tortura aplicadas como punição aos pecadores. Imagens grotescas – monstros híbridos, meio humanos, meio animais – habitam suas entranhas nas perturbadoras paisagens. Sua pintura parece mostrar que a humanidade, seduzida e corrompida pelo mal, deveria sofrer consequências catastróficas. O pintor flamengo Pieter Bruegel, “O Velho” (1525-1569) foi influenciado pelo pessimismo e pela abordagem satírica de Bosch. Ele adotou o tema de vida campestres, cenas de pessoas humildes no trabalho, em festas e danças, em que sempre aparece também um aspecto que mostra a pouca nobreza humana. No quadro ”Casamento no Campo” mostra os convidados comendo e bebendo gulosamente. Além de elevar a pintura do gênero da vida cotidiana, Bruegel ilustrou provérbios, como “Um Cego Conduzindo Outro” com expressões faciais horrendas, bestiais, típicas das cenas bíblicas de Bosch. Da Alemanha, temos: Hans Holbein, o Jovem (1497-1543) é conhecido como um dos maiores retratistas de todos os tempos. Assim como Albrecht Dürer, Holbein misturava os pontos fortes do Norte e do Sul, unindo a técnica germânica de linhas e precisão realistas à composição equilibrada, ao chiaroscuro, à forma escultural e à perspectiva italiana. Embora nascido na Alemanha, Holbein começou a trabalhar em Basel. Quando a Reforma decretou a decoração “papal” das igrejas, as encomendas desapareceram e ele mudou-se para a Inglaterra. O impressionante talento de Holbein valeu-lhe a posição de pintor da corte de Henrique VIII, onde pintou retratos do rei e de quatro das suas esposas. Ele pintava rostos com a mesma acurácia de Dürer, mas, em vez da intensidade dos retratos deste pintor adotava a expressão neutra característica da arte italiana. O estilo Holbein estabeleceu os padrões para os retratos, que continuaram a ser a mais importante forma de arte na Inglaterra nos três séculos seguintes. Albrecht Dürer (1471-1528), primeiro artista nórdico de espírito renascentista, combinou o talento detalhista do Norte com as conquistas da Renascença italiana. Chamado de “Leonardo do Norte” pela diversidade de interesses, Dürer era fascinado pela natureza e se aprofundou em estudos de botânica. Publicou tratados de perspectivas e proporções ideais. Além disso, assumiu a posição de artista como cavalheiro e erudito, elevando o status da profissão, até então comparável a mero artesão, a uma importância digna de um príncipe. Foi o primeiro a se deixar cativar pela própria imagem, deixando uma série de autorretratos (o primeiro, pintado aos 13 anos de idade). Em seu autorretrato, de 1500, pintou-se numa pose semelhante à de Cristo, indicando a exaltação do status do artista, para não mencionar a alta conta em que se tinha. A sua maior reputação como artista Renascentista do Norte, se deve aos trabalhos gráficos de Dürer. Antes dele, as gravuras eram estudos primitivos em contraste preto e branco. Como gravador, usava o adensamento das linhas para expressar diferenças de textura e tons, tão sutis quanto na pintura à óleo. Dürer foi o primeiro a usar a gravura como forma de arte maior. ESCULTURA Ao contrário, por exemplo, da arte grega, o Renascimento já não sentiu a necessidade de elaborar para a escultura uma série de regras comparáveis às da arquitetura. O que não quer dizer que faltassem, na escultura renascentista, formas e tendências características. Simplesmente, a passagem da arte do período anterior é menos brusca, é mais uma questão de gosto do que de teoria. Acima de tudo, o reconhecimento de uma escultura renascentista é feito procurando os motivos de fundo em que ela se inspira. Os principais motivos são: Acentuado naturalismo, ou seja, a procura de verossimilhança; Um forte interesse pelo homem, pela forma de seu corpo, da sua expressão; Gosto marcado não só pelo conhecimento e técnica, como pela ostentação de conhecimento; Aspiração pela monumentalidade; Esquemas compositivos, quer dizer formas globais, geometricamente simples. A escultura, assim como a pintura, já não fazia parte do projeto arquitetônico como ornamentação do edifício. Conquistaram autonomia e brilhavam pela sua própria expressão. A extrema importância que o Humanismo dava ao homem traduz-se em imagens em que o próprio homem é representado com a maior “verdade” possível. Tal conceito surge como continuação do interesse pela natureza. E, tal como na realidade predominam as linhas curvas e sinuosas. O maior de todos os escultores renascentista foi Michelangelo Buonarroti usando esquemas geométricos para suas esculturas: Pietá, na Basílica de São Pedro; Davi, na Academia de Belas Artes de Florença; Pietá de Rondanini, no Castelo Sforza em Milão. Donato di Niccoló di Betto Bardi (1386-1466), conhecido como Donatello, seus primeiros conhecimentos artísticos vieram do treinamento que recebeu numa oficina de ourives. Trabalhou também, ainda na juventude, um curto período de tempo na oficina do artista Lorenzo Ghiberti. Elaborou grandes esculturas e na cidade de Pádua esculpiu uma estátua equestre, em mármore, de Erasmo da Narni, conhecido como Gattamelata. Donatello usou como inspiração desta obra a estátua equestre de Marco Aurélio, em Roma. Uma das suas esculturas mais conhecidas é “Davi”, feita em bronze e encontra-se no Museu Nacional em Florença. Andrea di Francesco di Cione (1435-1488), mais conhecido como Andrea del Verrocchio foi filho de um oleiro, e durante sua infância a família sofreu com a pobreza. Diz a tradição que foi treinado por um ourives chamado Giuliano Verrocchi, de quem teria adotado o sobrenome. Em torno de 1460, começou a estudar pintura. Alguns anos mais tarde, com a morte de Donatello, que era o favorito dos Médici, assumiu seu lugar como protegido, e para eles produziu pinturas e esculturas, além de desenhos para decorações, vestimentas e armaduras. Tornado conservador das coleções de antiguidades da família, restaurou muitos bustos e estátuas romanas. Então sua fama começou a se espalhar, abriu uma grande oficina que atraiu muitos discípulos, entre eles Leonardo da Vinci e Perugino. Apesar de sua fama como pintor e de sua produção, que se supõe ter sido significativa, hoje, quase nada pode ser atribuído a ele com certeza. Dedicou-se com mais ênfase à escultura, mas também nesse campo suas obras autenticadas, embora em maior número, são ainda poucas. Sua primeira grande encomenda foi uma tumba para Pedro e João de Médici na antiga sacristia de São Lourenço. Sua reputação como um dos grandes escultores de baixo-relevo do século XV se estabeleceu com o Cenotáfio do Cardeal Niccolò Forteguerri para a Catedral de Pistoia, sendo concluído somente após sua morte. SaibaMaisA Capela Sistina foi construída por ordem do Papa Sisto IV (retângulo de 40mx13m e 20m altura). E é na própria Capela que se faz o Conclave, reunião com os cardeais após a morte do Papa para proceder a eleição do próximo. A lareira que produz fumaça negra, indica que o Papa ainda não foi escolhido, a fumaça branca, que o Papa acaba de ser escolhido, avisando o povo na Praça de São Pedro, no Vaticano. Michelangelo dominou a escultura e o desenho do corpo humano maravilhosamente bem, pois tendo dissecado cadáveres por muito tempo, assim como Leonardo da Vinci, sabia exatamente a posição de cada músculo, cada tendão, cada veia. Além de pintor, Leonardo da Vinci, foi grande inventor. Dentre as suas invenções estão: “Parafuso Aéreo”, primitiva versão do helicóptero, a ponte levadiça, o escafandro, um modelo de asa-delta, dentre outras. Quando deparamos com o quadro da famosa Mona Lisa não conseguimos desgrudar os olhos do seu olhar, parece que ele nos persegue. Por que acontece isso? Será que seus olhos podem se mexer? Este quadro foi pintado, pelo famoso artista e inventor italiano Leonardo da Vinci, e qual será o truque queele usou para dar esse efeito? Quando se pinta uma pessoa olhando para a frente (olhando diretamente para o espectador) tem-se a impressão que o personagem do quadro fixa seu olhar em todos que o observam. Isso acontece porque os quadros são lisos. Se olharmos para a Mona Lisa de um ou de outro lado estaremos vendo-a sempre com os olhos e a ponta do nariz para a frente e não poderemos ver o lado do seu rosto. Aí está o truque em qualquer ângulo que se olhe a Mona Lisa a veremos sempre de frente. Outra característica do quadro Mona Lisa, de Leonardo da Vinci é o uso da técnica do Sfumato, que é usada para gerar suaves gradientes entre as tonalidades. A palavra vem do italiano sfumare, que significa “de tom baixo” ou “evaporar como fumaça”. Nessa pintura é difícil perceber as pinceladas e as variações de tons na passagem da luz para sombra, amenizando os contornos dos seres e objetos. Em materiais de fricção como grafite, pastel seco ou carvão, o sfumato pode ser realizado esfregando-se o dedo no suporte pictórico, para que os riscos desapareçam e fique apenas o degradê. Outro recurso é usar o esfuminho, um tipo de lápis com algodão na ponta, que substitui o dedo a fim de evitar a interferência da oleosidade da pele. MANEIRISMOHistória das Artes > No Mundo > Arte Renascentista > Maneirismo Paralelamente ao renascimento clássico, desenvolve-se em Roma, por volta de 1520 até meados de 1610, um movimento artístico afastado conscientemente do modelo da Antiguidade Clássica: o Maneirismo (a palavra maniera, em italiano, significa maneira). Uma evidente tendência para a estilização exagerada e um capricho nos detalhes começa a ser sua marca, extrapolando assim as rígidas linhas dos cânones clássicos. Alguns historiadores o consideram uma transição entre o renascimento e o barroco, enquanto outros preferem vê-lo como um estilo, propriamente dito. O certo, porém, é que o maneirismo é uma consequência de um renascimento clássico que entra em decadência. Os artistas se veem obrigados a partir em busca de elementos que lhes permitam renovar e desenvolver todas as habilidades e técnicas adquiridas durante o renascimento. Uma de suas fontes principais de inspiração é o espírito religioso reinante na Europa nesse momento. Não só a Igreja, mas toda a Europa estava dividida após a Reforma de Lutero. Carlos V, depois de derrotar as tropas do sumo pontífice, saqueia e destrói Roma. Reinam a desolação e a incerteza. Os grandes impérios começam a se formar, e o homem já não é a principal e única medida do universo. Pintores, arquitetos e escultores são impelidos a deixar Roma com destino a outras cidades. Valendo-se dos mesmos elementos do renascimento, mas agora com um espírito totalmente diferente, criam uma arte de labirintos, espirais e proporções estranhas, que são, sem dúvida, a marca inconfundível do estilo maneirista. Mais adiante, essa arte acabaria cultivada em todas as grandes cidades europeias. O maneirismo foi um protesto contra o que era sentido como racionalismo estéril e propriedade conservadora do classicismo. Os rebeldes maneiristas dobraram, racharam e quase romperam com a mentalidade dirigida por regras. Seus projetos eram excêntricos, complexos, cheios de surpresas e contradições. Para os classicistas, o ritmo regular era Deus. Para um maneirista, divino era o não convencional. De fato, todos os artistas de desse período que procuraram deliberadamente criar algo novo e inesperado, mesmo à custa da beleza “natural” estabelecida pelos grandes mestres, talvez tenham sido os primeiros artistas “modernos”. Veremos, de fato, que aquilo que é hoje designado por arte “moderna” pode ter tido suas raízes num impulso semelhante para evitar o óbvio e conseguir efeitos que diferem da convencional beleza natural. ARQUITETURA A arquitetura maneirista dá prioridade à construção de igrejas de plano longitudinal, com espaços mais longos do que largos, com a cúpula principal sobre o transepto, deixando de lado as de plano centralizado, típicas do renascimento clássico. No entanto, pode-se dizer que as verdadeiras mudanças que este novo estilo introduz refletem-se não somente na construção em si, mas também na distribuição da luz e na decoração. As principais características da arquitetura das igrejas são as naves escuras, iluminadas apenas de ângulos diferentes; coros com escadas em espiral, que na maior parte das vezes não levam a lugar nenhum, produzem uma atmosfera de rara singularidade. A decoração mais marcante desse estilo são as guirlandas de frutas e flores, balaustradas povoadas de figuras caprichosas; caracóis, conchas e volutas cobrem muros e altares, lembrando uma exuberante selva de pedra que confunde a vista. Nos ricos palácios e casas de campo, encontramos formas convexas que permitem o contraste entre luz e sombra prevalecer sobre o quadrado disciplinado do Renascimento. A decoração de interiores ricamente adornada e os afrescos das abóbadas coroam esse caprichoso e refinado estilo, que, mais do que marcar a transição entre duas épocas, expressa a necessidade de renovação. Michelangelo Buonarotti foi o primeiro a jogar com o estilo antigo, dando a seus projetos um toque de subversão. Ele que sempre insistiu em ser um escultor, provou ser igualmente versado em arquitetura, Ele tratava um edifício ou um conjunto de edifícios como uma massa de sólidos e vãos esculturais a serem moldados. Na Capela dos Médici em San Lorenzo, Florença, Michelangelo citou o vocabulário clássico apenas como blasfêmia. Ele rejeitou as ordens usuais, projetos janelas lisas que se afilavam mais do que inscreviam retângulos perfeitos, excluiu os capitéis das pilastras e, em geral, zombou de todos os preceitos sagrados. A Biblioteca Laurentiana (projetada em 1524) joga fora os ideais renascentistas de proporção equilibrada e estabilidade, pondo o interior em turbulento movimento. Michelangelo comprimiu colunas, como estátuas, dentro de nichos, mas – contra toda a evidência visual e intuitiva – elas sustentavam o peso do telhado. Sua imensa escadaria tripla obstinadamente ocupa a maior parte do espaço na área. Na arte inferior, cai como uma cascata. Tal desafio à tradição fez Vasari descrever Michelangelo como tendo “feito quebras tão bizarras no contorno dos degraus, distanciando-se tanto do uso comum, que todos ficaram admirados”. Michelangelo tratou todo interior da biblioteca como um apela de escultura, dando às paredes e escadas uma composição dinâmica. Seu novo projeto da Pizza Campidoglio, em Roma, é um triunfo da composição orgânica. Essa praça, no Monte Capitolino, perto do Fórum Romano, onde Rômulo supostamente fundou a cidade era pobre e deselegante. Michelangelo criou um projeto público imponente, no qual todos os elementos interagem. Inscreveu o espaço central ao redor de uma antiga estátua do imperador Marco Aurélio com um desenho oval no piso que, visto de cima, parece uma abóboda. Projetou escadarias imponentes e novas fachadas para as duas edificações já existentes, e acrescentou outra construção para criar um espaço trapezoidal. Nos edifícios que ficavam de frente, ele usou primeiro a ordem gigantesca (pilastras coríntias de 14m de altura que se estendiam por dois pavimentos) para sugerir uma unidade monumental. Andrea Palladio (1518-1580) o interesse que tinha pelas teorias de Vitrúvio se reflete na totalidade de sua obra arquitetônica, cujo caráter é rigorosamente clássico e no qual a clareza de linhas e a harmonia das proporções preponderam sobre o decorativo, reduzido a uma expressão mínima. Somente dez anos depois iria se dedicar à arquitetura sacra em Veneza, com a construção das igrejas San Giorgio Maggiore e Il Redentore. Não se pode dizer que Palladio tenha sido um arquiteto tipicamente maneirista, no entanto, é um dos mais importantes desse período. A obra de Palladio foi uma referência obrigatória para os arquitetos ingleses e franceses do barroco. A Villa Rotonda ou Casa Redonda, perto de Vinceza também foi um capricho do artista, pois têm quatro lados idênticos, cada um deles comum pórtico em forma de fachada de templo, agrupados em torno de um corpo central que recorda o Panteão romano. Por mais bela que seja a combinação, dificilmente se pode considerar um edifício em que se gostaria de viver. A busca de novidade e de efeitos insólitos interferiu na finalidade essencial da arquitetura. Bartolomeo Ammanatti (1511-1592) realizou trabalhos em várias cidades italianas. Decorou também o palácio dos Mantova e o túmulo do conde da cidade. Conheceu a poetisa Laura Battiferi, com quem se casou, e juntos se mudaram para Roma a pedido do papa Júlio II, que o incumbiu da construção de sua vila na Porta del Popolo. Começaram assim seus primeiros passos como arquiteto. No ano de 1555, com a morte do papa, voltou para Florença, onde venceu um concurso para a construção da fonte da Piazza della Signoria. Seu interesse pela arquitetura o levou a estudar os tratados de Alberti e Brunelleschi, com base nos quais planejou uma cidade ideal. De acordo com os preceitos dos jesuítas, que proibiam o nu nas obras de arte, legou a eles todos os seus bens. Giorgio Vasari (1511-1574) é conhecido por sua obra literária Le Vite (As Vidas), na qual, além de fazer um resumo da arte renascentista, apresenta um relato às vezes pouco fiel, mas muito interessante sobre os grandes artistas da época, sem deixar de fazer comentários mal-intencionados e elogios exagerados. Sob a proteção de Aretino, conseguiu realizar uma de suas únicas obras significativas: os afrescos do palácio Cornaro. Vasari também trabalhou em colaboração com Michelangelo em Roma, na década de 30. Suas biografias, publicadas em 1550, fizeram tanto sucesso que se seguiram várias edições. Passou os últimos dias de sua vida em Florença, dedicado à arquitetura. PINTURA É na pintura que o espírito maneirista se manifesta em primeiro lugar. São os pintores da segunda década do século XV que, afastados dos cânones renascentistas, criam esse novo estilo procurando deformar uma realidade que já não os satisfaz e tentando revalorizar a arte pela própria arte. As principais características da pintura maneirista são: Composição em que uma multidão de figuras se comprime em espaços arquitetônicos reduzidos. O resultado é a formação de planos paralelos, completamente irreais, e uma atmosfera de tensão permanente. Nos corpos, as formas esguias e alongadas substituem os membros bem torneados do renascimento. Os músculos fazem agora contorções absolutamente impróprias para os seres humanos. Rostos melancólicos e misteriosos surgem entre as vestes, de um drapeado minucioso e cores brilhantes. A luz se detém sobre objetos e figuras, produzindo sombras inadmissíveis. Os verdadeiros protagonistas do quadro já não se posicionam no centro da perspectiva, mas em algum ponto da arquitetura, onde o olho atento deve, não sem certa dificuldade, encontrá-lo. Valorização das interpretações individuais, pelo dinamismo e complexidade de suas formas, a fim de se conseguir maior emoção, elegância, poder e tensão. Rosso Fiorentino (1494-1540), nascido Giovan Battista di Jacopo, foi pintor e decorador italiano, um dos fundadores da Escola Fontainebleau, no Castelo de Fontainebleau. Ele foi aprendiz de Andrea del Sarto, combinava influências de Michelangelo e do gótico do Norte. Jacopo Pontormo (1494-1557), nascido Jacopo Carucci, foi um pintor italiano da Escola Florentina. Famoso pelo uso de poses contorcidas, perspectiva distorcida cores marcadamente incomuns e peculiares, que pareciam espelhar seu temperamento neurótico e inquieto. Pintou somente em Florença, com o patrocínio da Família Médici. Em 1522, com a peste em Florença, Pontormo partiu para Certosa di Galuzzo, um monastério da Ordem dos Cartuxos, onde pintou uma série de afrescos. O grande altar construído por Brunelleschi para a Capela Capponi, na Igreja de Santa Felicita, em Florença, é considerada sua obra-prima. Seu estilo compartilhava com o maneirismo de Rosso Fiorentino e Parmigianino. De alguma forma, antecipou o Barroco e as tensões de El Greco. Parmgianino (1503-1540), nascido Girolano Francesco Maria Mazzolla, foi influenciado pela obra de Rafael e Michelangelo, afastou o seu conceito de beleza da realidade observável e natural. Para ele, a função da arte era transmitir sensações estranhas e excitantes, para o que teria de criar um necessário artificialismo. Assimilaria de Correggio o classicismo, convertendo-o em maneirismo, mantendo o ilusionismo do primeiro, mas traduzindo-o em modelos mais decorativos e com maior vitalidade das formas. Tintoretto (1518-1594) chamava-se Jacopo Robusti, apelidado de Tintoretto, também estava cansado da beleza simples nas formas e cores que Ticiano havia mostrado aos venezianos. Resolveu contar suas histórias de maneira diferente e fazer com que o espectador sentisse a emoção e o drama intenso dos eventos que pintava. Por sua energia fenomenal em pintar, foi chamado Il Furioso, e sua dramática utilização da perspectiva e dos efeitos da luz fez dele um dos precursores do Barroco. Seu pai, Battista Comin, trabalhava tingindo seda, o que lhe valeu o apelido. O que distingue a pintura de Tintoretto de qualquer outro pintor á a sua carga energética e a sua capacidade para tornar plausível o visionário. E se essa energia se liberta, enche de vida os seus personagens e transmite às cenas uma força sobrenatural e porque, perante o frio esteticismo dos maneiristas centro-italianos, cada vez mais encerrados em questões formais, cada vez mais afastados dos acontecimentos interiores, Tintoretto pensa que o fato artístico não se esgota em si próprio, mas que tem como fim primordial a comunicação, e ainda mais, a persuasão. Ele soube captar em Michelangelo o que aqueles que lhe foram mais próximos não puderam ver: a tensão criadora, a autenticidade, o valor significativo da forma. El Greco (1541-1614) nascido na ilha grega de Creta, com nome de Domenico Theotocopoulos, que foi apelidado de El Grego (“o grego”). Em seu berço natal, deve ter-se habituado a ver imagens de santos à antiga maneira bizantina: solenes, rígidas e remotas de qualquer semelhança com o aspecto natural. Não estando treinado a estudar quadros pelo seu desenho correto, nada viu de chocante na arte de Tintoretto, e sim muita coisa que o fascinou. Pois também ele, ao que parece, era um homem apaixonado e devoto que sentia uma necessidade imperiosa de contar as histórias sagradas de uma nova e emocionante forma. Após sua estada em Veneza, instalou-se em uma região distante da Europa – Em Toledo, na Espanha, onde era também improvável que não fosse perturbado e mortificado pelos críticos que exigiam desenho correto e natural – por enquanto, na Espanha as ideias medievais sobre a arte ainda persistiam. Isso talvez explique porque a arte de El Grego supera até a de Tintoretto no audacioso descaso de formas e cores naturais, e em sua visão dramática e emocionante. Em Toledo, trabalhou muito praticamente com exclusividade para a corte de Filipe II, para os conventos locais e para a nobreza toledana. Entre suas obras mais importantes estão O Enterro do Conde de Orgaz, a meio caminho entre o retrato e a espiritualidade mística; Homem com a Mão no Peito; O Sonho de Filipe II e O Martírio de São Maurício. Esta última lhe custou à expulsão da corte. Nos países setentrionais, Alemanha, Holanda e Inglaterra, os artistas defrontavam-se com uma crise muito mais real do que seus colegas na Itália e Espanha. Pois os artistas do Sul tinham apenas que lidar com o problema de como pintar de uma nova e surpreendente maneira. No Norte defrontavam-se logo com outra questão bem mais séria: Se a pintura poderia e deveria continuar. Essa grande crise foi provocada pela Reforma. Muitos protestantes objetavam à existência de quadros ou estátuas de santos em igrejas e consideraram-nos um sinal de idolatria papista. Assim, os pintores nas regiões protestantes perderam suas melhores fontes de renda: a pintura de retábulos. Os mais rigorosos entre os calvinistas censuravam até outras espécies de luxo, como as alegres decoraçõesdas casas, e mesmo quando estas eram permitidas em teoria, o clima e o estilo de construções eram usualmente impróprios para os grandes afrescos decorativos, como a nobreza italiana encomendava nos palácios. Tudo o que restava como fonte regular de renda para os artistas era a ilustração de livros e a pintura de retratos, e era duvidoso que isso bastasse para ganhar decentemente a vida. Dentre os principais artistas alemães dessa geração, destacamos Hans Holbein, o Jovem (1497-1543) nasceu em Augsburg, uma rica cidade mercantil com estreitas relações de comércio com a Itália. Cedo se transferiu para Basileia, um renomado centro do Novo Saber. Tinha pouco mais de 30 anos quando pintou o maravilhoso retábulo da Virgem com a família do burgomestre (prefeito) de Basileia como doadores. Estava a caminho de se tornar o mais eminente pintor de língua alemã, quando o turbilhão da Reforma pôs fim a todas essas esperanças. E 1526, ele trocou a Suíça pela Inglaterra, com uma carta de recomendação do grande humanista Erasmo de Roterdã. Um dos primeiros encargos de Holbein na Inglaterra foi preparar um grande retrato da família do humanista, Sir Thomas More. Depois recebeu o título oficial de Pintor da Corte, concedido por Henrique VIII, nesse período já não pintava mais madonas, desenhou joias e móveis, vestuários para festividades e decorações para salas, armas e taças. A sua principal tarefa, entretanto, era pintar retratos da Casa Real e deve-se ao olho infalível de Holbein nós termos ainda uma imagem tão vivida dos homens e mulheres do período de Henrique VIII. O maior dos mestres flamengos do gênero no século XVI foi Pieter Bruegel, o Velho (1525-69). Pouco se sabe de sua vida, exceto que esteve na Itália, como tantos outros artistas setentrionais de seu tempo, e que viveu e trabalhou na Antuérpia e Bruxelas, onde pintou a maioria de seus quadros na década de 1560, na mesma década em que o austero Duque de Alba chegou aos países baixos. A dignidade da arte e dos artistas era provavelmente tão importante para Bruegel quanto para Dürer ou Cellini, pois em um dos seus esplêndidos desenhos decidiu claramente sublinhar o contraste entre o orgulhoso pintor e o homem de óculos e semblante atoleimado que remexe em sua bolsa enquanto espreita por sobre o ombro do artista. O gênero de pintura em que Bruegel se concentrou foram cenas da vida camponesa. Pintou aldeões divertindo-se em festejos, no trabalho, e por isso, as pessoas acabaram pensando que ele era um dos camponeses flamengos. Giuseppe Arcimboldo (1527-1593) pintor italiano. Trabalhou inicialmente com seu pai Biaggio Arcimboldo, artista que trabalhava em afrescos. A partir de 1562 morou em Praga, então capital do reino da Boêmia e hoje da República Tcheca, onde consolidou sua carreira como artista. Serviu nas corte dos Habsburgos. Ele foi admirado como artista pelos monarcas, tornou-se pintor da corte e chegou a ser nomeado Conde Palatino. Praga transformou-se no século XVI em um dos maiores centros culturais da Europa, de intensa e diversa atividade cultural e científica. Seus governantes eram vistos, além de seus domínios, como simpatizantes do exótico. Nesse contexto, as singularidades da arte de Arcimboldo encontraram solo fértil para florescer. Suas obras principais incluem a série “As Quatro Estações”, onde usou, pela primeira vez, imagens da natureza, tais como frutas, verduras e flores, para compor fisionomias humanas. ESCULTURA Na escultura, o maneirismo segue o caminho traçado por Michelangelo: às formas clássicas soma-se o novo conceito intelectual da arte pela arte e o distanciamento da realidade. Em resumo, repetem-se as características da arquitetura e da pintura. Não faltam as formas caprichosas, as proporções estranhas, as superposições de planos, ou ainda o exagero nos detalhes, elementos que criam essa atmosfera de tensão tão característica do espírito maneirista. A composição típica desse estilo apresenta um grupo de figuras dispostas umas sobre as outras, num equilíbrio aparentemente frágil, as figuras são unidas por contorções extremadas e exagerado alongamento dos músculos. O modo de enlaçar as figuras, atribuindo-lhes uma infinidade de posturas impossíveis, permite que elas compartilhem a reduzida base que têm como cenário, isso sempre respeitando a composição geral da peça e a graciosidade de todo o conjunto. Benvenuto Cellini (1500-71) foi um artista típico desse período, escultor e ourives florentino, ele descreveu sua própria vida num livro famoso, que nos oferece um quadro imensamente colorido e vívido de sua época. Ele era implacável, fútil, mas é difícil ficar irritado com o homem porque nos conta a história de suas aventuras e façanhas com tanta volúpia e agilidade que pensamos estar lendo um romance de Dumas. Em sua vaidade, extravagância e temperamento irrequieto, que o impeliram de cidade em cidade, e de corte em corte, criando conflitos e brigas, e ganhando os louros, Cellini é um verdadeiro produto de seu tempo. Para ele ser artista já não era o ser respeitável e acomodado proprietário de uma oficina; era ser um virtuose por cujos favores príncipes e cardeais deveriam competir. Uma de suas obras inusitadas é um saleiro de mesa feito em 1543 para o Rei da França, que possui duas figuras que representam a terra, uma mulher, e o mar, um homem. Giambologna (1529-1608), nascido como Jean de Boulogne, de origem flamenga, a quem os italianos chamavam Giovanni Bologna, deu seus primeiros passos como escultor na oficina do escultor e arquiteto francês Jacques du Broeucq. Poucos anos depois se mudou para Roma, em 1550, onde se supõe que teria colaborado com Michelangelo em muitas de suas obras. Em 1563, foi chamado a Bologna para realizar o Netuno da fonte na Piazza Maggiore, que fazia parte da renovação urbanística da cidade ordenada pelo papa Pio IV. Enquanto trabalhava no Netuno o delegado papal solicitou a Giambologna uma estátua para ser instalada no pátio da sede da Universidade de Bolonha, que deveria representar Mercúrio apontando para o céu, simbolizando a origem divina do saber. O projeto acabou não sendo realizado, mas resultou num modelo que constitui a primeira de uma série de estátuas do deus que culmina no célebre Mercúrio voando, muito mais dinâmico do que o projeto original, pousando apenas a ponta do pé sobre o sopro de um zéfiro, o que lhe confere uma sensação notável de ausência de peso, liberdade de movimento e graça. De volta a Florença em 1556, o escultor apresentou o Mercúrio aos Médici, que, entusiasmados, ordenaram a sua fundição para enviá-lo como presente diplomático ao imperador Maximiliano II, como parte dos entendimentos entre a corte florentina e a austríaca para a o casamento de Francesco I com Joana da Áustria. Considerada uma obra-prima, O Rapto das Sabinas, é uma façanha em termos de técnica, esculpida em um único bloco de mármore, com 4,10 m de altura, a composição é do tipo figura serpentinata, de movimento helicoidal que pode ser visto em qualquer ângulo com sucesso. Giambologna está para o Maneirismo assim como Michelangelo está para o Renascimento. SaibaMaisPalazzo de Tè: um Manifesto Maneirista. Giulio Romano (1492-1546) levou o maneirismo ao extremo. Na villa campestre, o Palazzo del Tè (iniciado em 1524), ele deliberadamente violou todas as regras. Cada fachada é diferente, marcada pelo uso excêntrico dos motivos clássicos. O projeto é intencionalmente assimétrico, com colunas e arcos em ritmo irregular. No interior, a sensação de insegurança é reforçada por um teto em afresco, mostrando a batalha entre gigantes e deuses. Blocos de pedra, rochas e colunas inclinadas parecem cair sobre as cabeças dos espectadores. Percorrendo a sala, Vasari observou que: um visitante “só pode temer que tudo desabe sobre ele”. BARROCO História das Artes > No Mundo > Arte Barroca > Barroco A arte barroca estendeu-se por todo o século XVII e pelas primeiras décadas do XVIII. A sua difusão abrangeu quase toda a Europa e a América Latina. Estes são, porém, seus limites máximos. O aparecimentodas formas barrocas dá-se em épocas diferentes em cada país. Outro tanto se pode dizer do seu declínio. Tais formas, no entanto, embora nascendo claramente de um fundo comum, diferem muitíssimo de nação para nação. E não só: vulgaríssimas em alguns países, em outros são muito raras. As razões destas diferenças, não são só geográficas, como também históricas. O barroco nasceu e desenvolveu-se, nos princípios do século XVII, na Roma dos papas. Mais do que um estilo definido, era uma tendência comum a todos as artes: um gosto, resumindo. Em seguida, espalhou-se a partir de Roma pelo resto da Europa e pelos países sob sua influência. É compreensível que suas formas características vão surgindo nas várias nações com um atraso tanto maior quanto se distanciavam da Itália. A isto, se junta um segundo fator, onde quer que o clima cultural, religioso e político fossem semelhantes ao italiano, o barroco era bem acolhido e espalhava-se rapidamente, ao passo que era recusado nos locais em que as condições históricas eram diferentes. A arte barroca conseguiu se casar à técnica avançada e o grande porte da Renascença com a emoção, a intensidade e a dramaticidades do Maneirismo, fazendo do estilo barroco o mais suntuoso e ornamentado na história da arte. Embora o termo Barroco seja às vezes usado no sentido negativo de super elaboração e ostentação, o século XVII não só produziu gênios excepcionais, como Rembrandt e Velásquez, mas também expandiu o papel da arte para a vida cotidiana. Artistas chamados de barrocos acorreram à Roma, vindos de toda a Europa, para estudar as obras primas da antiguidade clássica e da Alta Renascença. Voltando à terra de origem, acrescentaram às suas obras as particularidades culturais de cada região. Enquanto os estilos abrangiam desde o realismo italiano ao exagero francês, o elemento comum era a sensibilidade e o absoluto domínio da luz para obter o máximo impacto emocional. As obras barrocas romperam o equilíbrio entre o sentimento e a razão ou entre a arte e a ciência, que os artistas renascentistas procuraram realizar de forma muito consciente; na arte barroca predominam as emoções e não o racionalismo da arte renascentista. É uma época de conflitos espirituais e religiosos. O estilo barroco traduz a tentativa angustiante de conciliar forças antagônicas: Bem e Mal, Deus e Diabo, Céu e Terra, Pureza e Pecado, Alegria e Tristeza, Paganismo e Cristianismo, Espírito e Matéria. Suas características gerais são: Emocional sobre o racional; seu propósito é impressionar os sentidos do observador, baseando-se no princípio segundo o qual a fé deveria ser atingida através dos sentidos e da emoção e não apenas pelo raciocínio. Busca de efeitos decorativos e visuais, através de curvas, contracurvas, colunas retorcidas; Entrelaçamento entre a arquitetura e escultura; Violentos contrastes de luz e sombra; Pintura com efeitos ilusionistas, dando-nos às vezes a impressão de ver o céu, tal a aparência de profundidade conseguida. ARQUITETURA Possui arquitetura dinâmica. O barroco não renega as formas clássicas – colunas, arcos, frontões, frisos – mas transforma-os de uma maneira fantasiosa e subjetiva. O barroco amava o movimento, a curvatura das fachadas tornou-se num dos motivos característicos da arquitetura desse período. A procura de formas complicadas, como por exemplo, a cúpula da igreja de São Lourenço, em Turim na Itália, seu entrelaçar de arcos (talvez inspirados nos exemplos árabes) leva até quase aos limites uma forma complicada, mas com base em regras bem definidas. Outro aspecto peculiar da arte barroca é a importância do uso da luz. Para a arquitetura barroca, a luz é um elemento fundamental. Os fortes contrastes entre partes vivamente iluminadas e partes quase na escuridão, são típicos dos edifícios da época e contribuem para dar dramaticidade à atmosfera. O barroco na França assume características mais sóbrias do que na Itália. Os arquitetos franceses lançaram as bases para um estilo autônomo mais comedido, quase clássico, que se impôs pouco a pouco como o estilo dominante na Europa. O palácio de Versalhes talvez não seja a sua expressão máxima. A fachada do lado do jardim revela um único fator de movimento: as três pequenas galerias sobrepostas, em dois planos, à própria fachada. O recorte do palácio foi pensado, mais do que como fim em si mesmo, mas como pano de fundo para o imenso parque. Na Áustria e na Alemanha, o barroco tanto se inspirou nos exemplos franceses como nos italianos. Dois exemplos: o palácio de Schonbrunn, em Viena segue mais o estilo francês e por sua vez a igreja Karlskirche, também em Viena acompanha mais o estilo italiano. O barroco espanhol traz uma arquitetura repleta de ornamentações, enquanto que o francês é sóbrio e imponente. Um exemplo clássico desse estilo é a Igreja de São Tiago de Compostela. Porém, a arquitetura barroca não se limitou aos edifícios, também alargou sua atenção aos novos campos de ação: estradas, praças e jardins. O que hoje chamamos de urbanismo. Era uma evolução que fazia parte intima do espirito do tempo, muito teatral. Por outro lado, a capacidade técnica dos mestres barrocos estava à altura de dominar os novos e complexos temas. A praça de São Pedro, em Roma, de autoria de Gian Lorenzo Bernini, é o exemplo mais conhecido do aspecto urbanístico do barroco. E não podemos deixar de citar a fusão de diversas artes que é típico da arquitetura barroca, como: obeliscos egípcios, as fontes, as colunas adaptadas a esse estilo, as escadarias grandiosas e com aspecto de cenário, a pintura das paredes com salões com cenas arquitetônicas e naturalistas que simulam a continuação, até o infinito, da arquitetura real e as galerias – largo corredor coberto que desimpede as salas e se transformam em lugar de particular elegância. PINTURA As características da pintura barroca são: Composição assimétrica, em diagonal – que se revela num estilo grandioso, monumental, retorcido, substituindo a unidade geométrica e o equilíbrio da arte renascentista; Acentuado contraste de claro-escuro (expressão dos sentimentos) – era um recurso que visava a intensificar a sensação de profundidade; Realista, abrangendo todas as camadas sociais; Escolha de cenas no seu momento de maior intensidade dramática; A decoração em “trompe l’oeil”. Dos principais pintores Italianos, temos: Caravaggio (1571-1610) foi o pintor mais original do século XVII, veio injetar vida nova na pintura italiana após a artificialidade do Maneirismo. Conduziu o realismo a novas alturas, pintando corpos em estilo absolutamente “barra pesada”, em oposição aos pálidos fantasmas maneiristas. Desse modo, Caravaggio secularizou a arte religiosa, fazendo os santos parecer gente comum e os milagres, eventos do cotidiano. Embora se especializasse em grandes pinturas religiosas, Caravaggio defendia a “pintura direta” da natureza – ao que parece diretamente dos cortiços mais sórdidos. Na obra, ”Chamado de São Mateus”, por exemplo, o futuro apóstolo está numa taverna escura, cercado de homens chiques contando dinheiro, quando Cristo ordena: “Siga-me”. Um foco de luz diagonal ilumina a expressão aterrada e o gesto de perplexidade do coletor de impostos. Caravaggio usa a perspectiva de modo a trazer o espectador para dentro da ação. Andrea Pozzo (1642-1709) realizou grandes composições de perspectiva nas pinturas dos tetos das igrejas barrocas, causando a ilusão de que as paredes e colunas da igreja continuam no teto, e de que este se abre para o céu, de onde santos e anjos convidam os homens para a santidade. Este mestre também adotou também, a composição centrifuga , ou seja, a aglomeração das figuras nos lados da pintura, deixando abrir-se ao centro uma larga zona do céu. Exemplo da sua pintura é o teto da igreja Santo Inácio, em Roma, conhecida como “A Glória de Santo Inácio.” A Itália foi o centro irradiador do estilo barroco. Dentre os pintores mais representativos, de outros países da Europa, temos: Diego Velázquez (1599-1660) pintor espanhol, batizadode Diego Rodriguez da Silva y Velázquez, além de retratar as pessoas da corte espanhola do século XVII, procurou registrar em seus quadros também os tipos populares do seu país, documentando o dia-a-dia do povo espanhol num dado momento da história. Usava os princípios da pintura barroca, como os efeitos luminosos são usados – não através de contrastes ásperos, mas sim com uma continua e gradual mudança de intensidade nas várias zonas da tela – para fazer da composição um jogo de anotações coloristas simbólicas, escondidas atrás de uma aparência de absoluta adesão ao tema. Rubens (1577-1640) nascido em Flandres, atualmente Bégica, como Sir Peter Paul Rubens conhecido como “Príncipe dos pintores e pintor dos príncipes” teve uma vida sofisticada, que o levou às cortes da Europa como pintor e diplomata. Um raro gênio criativo, tinha uma formação clássica e era sociável, bonito , vigoroso e viajado. Falava fluentemente vários idiomas e tinha uma energia inextinguível. Além de um colorista vibrante, se notabilizou por criar cenas que sugerem, a partir das linhas contorcidas dos corpos e das pregas das roupas, um intenso movimento. Em seus quadros, é geralmente, no vestuário que se localizam as cores quentes – o vermelho, o verde e o amarelo – que contrabalançam a luminosidade da pele clara das figuras humanas. Rembrandt (1606-1669), holandês, nascido Rembrandt van Rijn, teve grande sucesso como pintor de retratos, mas sua fama também repousa nos quadros sérios, introspectivos, de seus últimos anos, pinturas em que o sombreado sutil implica uma extraordinária profundidade emocional. O que dirige nossa atenção nos quadros deste pintor não é propriamente o contraste entre luz e sombra, mas a gradação da claridade, os meios-tons, as penumbras que envolvem áreas de luminosidade mais intensa. Rembrandt evoluiu dos pequenos detalhes para figuras de tamanho grande, pintadas com grandes borrões de tinta. Ele praticamente entalhava o pigmento, espalhando com a espátula uma pasta pesada espessa e desenhando na camada de tinta malhada com o cabo do pincel. O efeito é uma pintura irregular que cria um brilho ao refletir e difundir a luz, enquanto as zonas escuras levam uma fina camada vidrada para realçar a absorção da luz. Frans Hals (c.1582-1666), um dos maiores retratistas da história da pintura, o holandês Frans Hals cumpriu um destino comum a outros grandes nomes da pintura: o extraordinário talento convivendo com intermináveis problemas financeiros. Nascido em Antuérpia, ele arrastou uma vida quase pacata em Haarlem, no norte os Países Baixos, e pouco se preocupou, durante sua carreira, com o estilo e as realizações dos grandes mestres italianos de sua época – como fez seu contemporâneo Van Dyck. Criador, entre outras, de telas memoráveis como Cavaleiro Sorridente, talvez o mais admirado retrato do mundo depois da Mona Lisa, Hals foi, em essência, um autodidata responsável, com seus belos retratos, pela criação de uma pintura independente em seu país. Anton van Dyck (1599-1641) nascido em Antuérpia, foi um dos retratistas de maior sucesso da história da arte. Suas imagens fascinantes da corte de Carlos I influenciaram artistas de seu tempo e determinaram o curso do retratismo inglês nos duzentos anos seguintes. Brilhante e precoce, foi muito influenciado por Rubens, que o considerava seu melhor discípulo, embora Van Dyck tenha sido mais seu ajudante que um verdadeiro aluno. Acima de tudo um autodidata, ele adquiriu fama na Itália, executando retratos da aristocracia genovesa. De volta a Antuérpia foi ali também um artista muito requisitado: em seu estúdio, ajudantes e alunos acotovelavam-se com os clientes. Depois de designado pintor da corte de Bruxelas, para a Regente Isabel, foi feito primeiro-pintor do Rei Carlos I, da Inglaterra. Vermeer (1632-1675), holandês de nome Johannes Veermer, apresentou muita técnica do uso da luz, enquanto outros pintores usavam uma gama de cinza, verde, marrom, as cores Veermer eram mais puras e vívidas, com uma intensidade de brilho jamais vista. Veermer usou uma “câmera escura” para obter maior perfeição do desenho. Consiste numa caixa escura com uma abertura minúscula por onde se projeta a imagem do objeto a ser traçado numa folha de papel. No entanto, Veermer não se limitava a copiar as linhas da cena projetada. Seu manuseio da tinta também foi revolucionário, usava de tal forma que se aproximava do pontilhismo dos impressionistas. Um crítico descreveu essa superfície como uma “mistura de pérolas socadas”. William Hogarth (1697-1764), inglês que inventou um novo gênero – a tira cômica – ou uma sequência de quadros anedóticos que zombava das cenas do cotidiano. As massas compravam gravuras, tiradas aos milhares, baseadas nesses quadros, e Hogarth tornou-se o primeiro inglês a ser amplamente conhecido no estrangeiro. Nicolas Poussin (1594-1665) embora o mais famoso pintor francês do século XVII não trabalhou na França, mas em Roma. Apaixonado pela antiguidade, ele baseou seus quadros nos antigos mitos e na história de Roma e na escultura grega. A ampla influência da obra de Poussin reviveu o estilo da antiguidade, que veio a ser influência artistas nos duzentos anos seguintes. Claude Lorrain (1600-1682) De origem humilde, confeiteiro e depois assistente de um pintor decorativo, Claude Gelée de Lorraine transformou-se num dos mais seletos paisagistas do seu tempo. Passou praticamente toda a vida em Roma e trabalhando para os mais nobres clientes. Estudou à exaustão os efeitos da luz e a atmosfera dos campos vizinhos de Roma, suas representações da luz resultaram em imagens espetaculares. Lorrain deu um sentido de seriedade moral à pintura de paisagens. Suas paisagens imaginárias foram inspiração para outros pintores paisagistas da Europa, ao longo das gerações seguintes. Lorrain morreu em sua cidade adotiva aos 82 anos. ESCULTURA A primeira preocupação dos escultores barrocos é de se fundirem nas outras artes. Na realidade, nestas obras não se conseguem separar os dois aspectos: o conjunto é claramente arquitetônico, mas o papel principal foi confiado às estatuas. As esculturas barrocas já não são concebidas segundo esquemas geométricos, mas sim combinando movimentos, soltos e vivos, das figuras. Suas características são: o predomino das linhas curvas, dos drapeados das vestes e do uso do dourado; e os gestos e os rostos das personagens revelam emoções violentas e atingem uma dramaticidade desconhecida no Renascimento Gianlorenzo Bernini (1598-1610) foi mais que um escultor do período barroco. Foi também arquiteto, urbanista, decorador, teatrólogo, compositor e cenógrafo. Algumas de suas obras serviram de elementos decorativos das igrejas, como, por exemplo, o baldaquino e a cadeira de São Pedro, ambos na Basílica de São Pedro, no Vaticano. SaibaMaisBarroco é um termo de origem espanhola ‘Barrueco’, aplicado para designar pérolas de forma irregular. Com o barroco, veio juntar-se um novo gênero de pintura aos tradicionais, o da natureza morta, composição mais ou menos complexa com objetos da vida cotidiana: flores, livros, peças de caça e outros. É uma pintura de estúdio, de interior, na qual a representação pormenorizada do tema através das luzes e das sombras encontra o seu campo de aplicação máxima. Caravaggio é um representante importante desse tipo de pintura, assim como Jan Brueghel, o Velho e Francisco de Zurbarán. Caravaggio teve muitos seguidores, entre estes encontra-se a italiana Artemisia Gentileschi (1593-1653) a primeira mulher a ser conhecida e apreciada como pintora. Artista extremamente talentosa, que viajava para muitos lugares e tinha uma vida cheia e independente, coisa rara para uma mulher naqueles tempos. Gentileschi pintou temas feministas no estilo de Caravaggio, jogando a iluminação nas figuras principais contra um fundo escuro, quase liso.[ BARROCO História das Artes > No Brasil > Arte no Século 18 > Barroco O estilo barroco desenvolveu-se plenamente no Brasil durante o século XVIII, perdurando ainda no início do século XIX. Obarroco brasileiro é claramente associado à religião católica. Duas linhas diferentes caracterizam o estilo barroco brasileiro. Nas regiões enriquecidas pelo comércio de açúcar e pela mineração, encontramos igrejas com trabalhos em relevos feitos em madeira – as talhas – recobertas por finas camadas de ouro, com janelas, cornijas e portas decoradas com detalhados trabalhos de escultura. Já nas regiões onde não existia nem açúcar nem ouro, as igrejas apresentam talhas modestas e os trabalhos foram realizados por artistas menos experientes e famosos do que os que viviam nas regiões mais ricas. O ponto culminante da integração entre arquitetura, escultura, talha e pintura aparece em Minas Gerais, sem dúvida a partir dos trabalhos de: Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho – seu projeto para a igreja de São Francisco, em Ouro Preto, por exemplo, bem como a sua realização, expressam uma obra de arte plena e perfeita. Desde a portada, com um belíssimo trabalho de medalhões, anjos e fitas esculpidos em pedra-sabão, o visitante já tem certeza de que está diante de um artista completo. Além de extraordinário arquiteto e decorador de igrejas foi também incomparável escultor. O Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo, é constituído por uma igreja em cujo adro estão as esculturas em pedra-sabão de doze profetas, cada um desses personagens numa posição diferente e executa gestos que se coordenam. Com isso, ele conseguiu um resultado muito interessante, pois torna muito forte para o observador a sugestão de que as figuras de pedra estão se movimentando. Características da escultura de Aleijadinho: Olhos espaçados Nariz reto e alongado Lábios entreabertos Queixo pontiagudo Pescoço alongado em forma de V Manuel da Costa Ataíde – suas pinturas em tetos das igrejas seguiam as características do estilo barroco, e aliavam-se perfeitamente às esculturas e arquitetura de Aleijadinho. SaibaMaisO Mestre Ataíde pintou várias igrejas de Minas Gerais com um estilo próprio e bem brasileiro. Usava cores vivas e alegres e gostava muito do azul. Ataíde utilizava tanto a tinta a óleo (que era importada da Europa) como a têmpera. Os pintores da época nem sempre podiam importar suas tintas. Faziam então suas próprias cores com pigmentos e solventes naturais aqui da terra. Entre outros, usavam terra queimada, leite e óleo de baleia, clara de ovo, além de extratos de plantas e flores. E é claro criavam suas próprias receitas que eram mantidas em segredo. Talvez por isso é que se diz que não existe, no mundo inteiro, um colorido como o das cidades mineiras da época do barroco.[ ROCOCÓ História das Artes > No Mundo > Arte Barroca > Rococó Rococó é o estilo artístico que surgiu na França como desdobramento do barroco, mais leve e intimista que aquele e foi usado inicialmente em decoração de interiores. Primeiramente, desenvolveu-se na França, no século XVIII, e difundiu-se por toda a Europa. No Brasil, foi introduzido pelo colonizador português e sua manifestação se deu principalmente no mobiliário, conhecido por estilo ”Dom João V”. Na França, o rococó é também chamado estilo Luís XV e Luís XVI. Para alguns historiadores é um estilo que durou entre 1720 a 1780, ficou vigoroso até o advento da reação neoclássica, por volta de 1770, irradiou-se da França para o resto da Europa, principalmente na parte católica na Alemanha, na Prússia e em Portugal. O termo rococó deriva do francês rocaille, que em português, por aproximação significa “concha”, isso é significativo na media em que muitas vezes podemos perceber as linhas de uma concha associadas aos elementos decorativos desse estilo. Também pode ser associado à palavra “embrechado” que é uma técnica de incrustação de conchas e fragmentos de vidro utilizados originariamente na decoração de grutas artificiais. A expressão “época das Luzes” é, talvez, a que mais frequentemente se associa ao século XVIII. Século de paz relativa na Europa, marcado pela Revolução Americana, em 1776, e pela Revolução Francesa, em 1789. No âmbito da história das formas e expressões artísticas, o Século das Luzes começou ainda sob o signo do Barroco. Quando terminou, a gramática estilística do Neoclassicismo dominava a criação dos artistas. Entre ambos, existiu o Rococó. Para entender melhor os valores que essa tendência artística passa a refletir, é preciso voltar ao século XVII e verificar que durante o reinado de Luís XIV, ou seja, entre 1643 e 1715, a França viveu sob um governo centralizador e autoritário, que deu às artes uma feição clássica. Quando Luís XIV morreu, em 1715, a corte mudou-se de Versalhes para Paris e aí entrou em contato com os ricos e bem-sucedidos homens de negócios, financistas e banqueiros que, por nascimento, não pertenciam à aristocracia. Mas graças à riqueza que possuíam, tinham condições de proteger os aristas, atitude que lhes dava prestígio pessoal para serem aceitos na sociedade aristocrata. Tronaram-se, por isso, os clientes preferidos dos artistas que passaram a produzir quadros pequenos e as estatuetas de porcelana para uso doméstico, muito ao gosto da sociedade na época. A arte rococó refletia, portanto, os valores de uma sociedade fútil que buscava nas obras de arte algo que lhe desse prazer e a levasse a esquecer de seus problemas reais. Os temas utilizados eram cenas eróticas ou galantes da vida cortesã e da mitologia, pastorais, alusões ao teatro da época, motivos religiosos e farta estilização naturalista do mundo vegetal em ornatos nas molduras. Na ourivesaria, no mobiliário, na pintura ou na decoração dos interiores dos hotéis parisienses da aristocracia, encontram-se os elementos que caracterizam o rococó: as linhas curvas, delicadas e fluídas, as cores suaves, o caráter lúdico e mundano dos retratos e das festas galantes, em que os pintores representaram os costumes e as atitudes de uma sociedade em busca da felicidade, da alegria de viver e dos prazeres sensuais. Além disso, possui leveza, caráter intimista, elegância, alegria, frivolidade e exuberância. ARQUITETURA Durante o Iluminismo, entre 1700 e 1780, o rococó foi a principal corrente da arte e da arquitetura pós-barroca. Nos primeiros anos do século XVIII, o centro artístico da Europa transferiu-se de Roma e para Paris. Na França surgiu com a obra do decorador Pierre Lepautre. As principais características da arquitetura rococó no exterior são: Menores proporções e normalmente edifícios com apenas dois andares baixos; Fachadas mais alinhadas e alisadas, pois são abolidos os elementos clássicos decorativos (colunas, frontões e esculturas), mantiveram-se as balaustradas, as cornijas e os entablamentos, os ângulos retos foram suavizados por curvas; Telhados de duas águas; Portas e janelas maiores e com arcos de volta-perfeita; Decoração exterior concentra-se nas portas e janelas, nas consolas (peça arquitetônica saliente que serva para colocar estatuetas e vasos, também chamadas de mísulas); e Utilização de ferro forjado, em grades para jardins, lagos, portas e varandas. Os jardins continuam a ser parte da arquitetura civil, tal como no barroco, e compõe-se de grandes relvados com arvoredos, esculturas, rampas e lagos, pavilhões de caça, pequenos apartamentos, pagodes chineses e quiosques turcos. Estes espaços servem de locais de reuniões íntimas com fogos de artificio, festas de máscaras e celebrações públicas. Destacamos as características mais presentes no interior da arquitetura: O salão principal é o centro das dependências à volta do qual há algumas salas secundárias e escadaria para o andar superior, onde ficam as divisões privadas dos donos da casa; As divisões são baixas, pequenas, independentes, arredondadas e com pavimento parquet (tacos de madeira), iluminadas pelas portas-janelas, pelos vários espelhos e pelos candeeiros e lustres; A decoração das divisões é feita com diferentes tipos de móveis: cômodas, escrivaninhas, grandes relógios, poltronas, etc. Em cima deles eram colocados bibelôs de prata e porcelana; Uso de materiais que pintados imitammármores; As paredes são cobertas de decoração com cores claras, misturando-se com dourado e prateado das molduras das telas, tapeçarias, afrescos e relevos; e Os cantos e os limites das paredes desaparecem totalmente sob esta decoração imensa e pela utilização dos sofitos – superfícies curvas que ligam o teto às paredes. São exemplos dessa arquitetura, o Hôtel de Soubise, construído por Germain Boffrand e decorado por Nicolas Pineau, em Paris, entre 1736 e 1739 e o Petit Trianon, construído por Jacques-Ange Gabriel, em Versalhes, entre 1762 e 1768. O Hôtel de Soubise, sobretudo o Salão da Princesa, é um exemplo típico do estilo rococó Nicolas Pineau criou um estuque, frisos, que emolduram quadros e espelhos, guirlandas que se entrelaçam em sucessivas linhas curvas, enfim, um ambiente tão decorado que o olhar do observador é atraído sucessivamente para os mais diversos detalhes. Em terras alemãs, o estilo barroco vindo da Itália penetrou lentamente e só conseguiu plena afirmação no século XVIII, quando a Itália á se encontrava, por sua vez, assimilando as influências do rococó. Por esse motivo, é difícil estabelecer a distinção entre os estilos barroco e rococó na Alemanha. A maioria dos edifícios barrocos da Alemanha foi construída no sul católico, por volta de 1710-50, após a devastadora Guerra dos Trinta Anos. Os construtores de igrejas na Bavária foram especialmente influenciados pelo estilo rococó, exibindo uma mistura entre as diversas artes. Os irmãos Asam – Cosmas Damian (1686-1739), pintor de afrescos e o escultor Egid Quirin Asam (1692-1750) – combinaram seus talentos em igrejas com iluminação melodramática, espaços ilusórios e apelo emocional. O altar da Igreja do Mosteiro de Assunção, em Rohr, inclui uma imagem da Virgem Maria, que realmente paira no ar. Iluminada lateralmente e sustentada por barras ocultas, ela levita como se por milagre. Os irmãos Zimmermann – Dominikus e Johann – projetaram abadias e igrejas de peregrinação em estilo rococó, como o famoso Die Wies (1745-54), na Bavária. A mistura das cores branca e rosa, delicada como porcelana predominou na igreja que se assemelha a uma caixa de joias. O mais rococó de todos foi o Pavilhão de Amalienburg de François Cuvilliés (1734-39), em Nymphenburg. O antigo anão da corte e brilhante projetista criou uma sala circular, com aproximadamente 15m de diâmetro, revestida por vidros. Madeiras esculpidas e filigranas em prata descem pelas paredes com displicência. Os ornamentos em estuque (esculpido por Johann Zimmermann), como harpas, violinos, borboletas e pássaros emprestam uma aparência suave. Com fundo em azul pálido, a sala possui uma delicadeza etérea que desmente o seu propósito. O exterior da agradável cúpula do pavilhão era um posto de caça ao faisão. O maior mestre barroco da Alemanha foi Balthasar Neumann (1687-1753). Engenheiro por treinamento, ele projetou o Palácio Episcopal em Würzburg, entre 1737 e 1742. Outra obra-prima de Neumann é a igreja de Vierzehnheiligen (Igreja dos Catorze Santos Auxiliares), erguida na Baviera entre 1732 e 1772. Ela é formada por planos ovais contínuos do piso à abóboda, com iluminação entrando pelas janelas transparentes. A decoração rococó invade o espaço, criando uma sensação de movimento. Entre aproximadamente 1690 e 1730, a Áustria produziu a sua cota de fantásticos edifícios nos estilos barroco e rococó. Johann Fischer Von Erlach (1656-1723) foi um classicista que combinou a contida decoração interior com elementos fantásticos da Antiguidade. No lado externo do pórtico em forma de Panteon do seu Karlskirche (iniciado em 1716), em Viena, encontram-se duas torres gêmeas, como algo nunca visto desde as Colunas de Trajano. Em Potsdam, nos arredores de Berlim, fica o fabuloso Parque Sanssouci, um dos mais belos complexos palacianos da Europa. O Palácio Sanssouci é a construção mais antiga do enorme parque, que possui 287 hectares. Construído em estilo rococó entre 1745 e 1747 para ser a residência de verão de Frederico, o Grande, rei da Prússia. O palácio possui um belo jardim, a leve colina foi cortada em terraços e cada degrau recebeu videiras protegidas por 168 portas envidraçadas. Profusão, sensualidade e divertimento davam o tom fundamental do barroco alemão e austríaco, complexo e dinâmico como a música de Bach ou Haydn. O rococó era alegre como uma ópera cômica de Mozart. PINTURA A pintura do Rococó divide-se em dois campos nitidamente diferenciados. Um deles forma um documento visual intimista e despreocupado do modo de vida e da concepção de mundo das elites europeias do século XVIII, e o outro, adaptando elementos constituintes do estilo à decoração monumental de igrejas e palácios, serviu como meio de glorificação da fé e do poder civil. Apesar de seu valor como obra de arte autônoma, a pintura rococó era concebida muitas vezes como parte integrante de uma concepção global de decoração de interiores. Começou a ser criticada a partir de meados do século XVIII, com a ascensão dos ideais iluministas, neoclássicos e burgueses, sobrevivendo até a Revolução Francesa, quando então caiu em descrédito completo, acusada de superficial, frívola, imoral e puramente decorativa. A partir da década de 1830, voltou a ser reconhecida como testemunho importante de uma determinada fase da cultura europeia e do estilo de vida de um estrato social específico, e como um bem valioso por seu mérito artístico único e próprio, onde se levantam questões sobre estética que floresceriam mais tarde e se tornariam centrais para a arte moderna. O Rococó denota uma nova maneira de viver e sentir a arte. Os temas trazem cenas pastoris, festas galantes, traduzindo amor, sedução, erotismo e hedonismo (doutrina filosófica que faz do prazer o objeto da vida). Temas tratados de forma ligeira e superficial, com referência à deuses e a pequenos cupidos. Teatralidade próprias do estilo rococó, opostas à ansiedade e tristeza do barroco. A tradição do retrato continuou, mas tornou-se mais histórico, sereno, burguês, sensível, psicológico, delicado de tons suaves e gradações cromáticas que fazem lembrar o sfumato renascentista. As composições são próprias para decorar interiores e, por isso, são exuberantes e rítmicas. Fazem parte da composição elementos marinhos, como conchas e ondas, as cores são baseadas nos brancos, azuis, rosas, nacarados do mar e das conchas. Trazem leveza e graciosidade dos gestos, movimento, ritmo e sentido cênico. Dentre os pintores deste período, destacamos: Jean-Antoine Watteau (1684-1721) era oriundo de Valenciennes, mas instalou-se em Paris, onde faleceu aos 37 anos de idade, de tuberculose. É considerado um verdadeiro mestre da pintura rococó francesa. Seus personagens são joviais e parecem dedicados ao gozo das coisas boas da vida, à busca de uma cultura perfeita e da alegria de um viver tranquilo. Ele começou a pintar suas próprias visões de uma vida divorciada de todas as privações e trivialidades, uma vida fictícia de alegres piqueniques em parques de sonho onde nunca chove, de saraus musicais onde todas as damas são belas e todos os enamorados graciosos, uma sociedade em que todos se vestem de sedas sem ostentação, e onde a vida dos pastores e pastoras parece ser uma sucessão de minuetos. Mas há um toque de tristeza e melancolia, certo ar de tédio em meio ao prazer. Tal como Rubens, a quem ele admirava. Watteau era capaz de transmitir a impressão de carne palpitante através de uma pitada de giz ou cor. Jean-Baptiste Siméon Chardin (1699-1779) foi mais racional e pintou cenas de gênero e naturezas-mortas reveladoras da vida cotidiana. Tinha uma situação econômica melhor do que a de Watteau. Esse fato permitiu-lhe uma criação mais livre independente dos favores da corte e das expectativas artísticas da aristocracia. Por isso, seus quadros, em vez de apresentarem o mundo fantasioso e frívolo dos cortesãos, retratam cenas da vida cotidiana e burguesa da França. A principal característica de Chardin é a sua composição nítida e unificadora de todos os elementos retratados.A pintura dele conserva o mesmo toque luminoso de Watteau, mas os temas de interesse desse dois artistas, apesar de pertencerem ao mesmo movimento artístico, são muito diferentes. François Boucher (1703-1770) pintou expressões ingênuas e maliciosas em suas numerosas figuras de deusas e ninfas em trajes sugestivos e atitudes graciosas e sensuais não evocavam a solenidade clássica, mas a alegre descontração do estilo rococó. Além dos quadros de caráter mitológico, pintou, sempre com grande perfeição no desenho, alguns retratos, paisagens (“O Casario de Issei”) e cenas de interior (“O pintor em seu estúdio”). Jean-Honoré Fragonard (1732-1806), francês, desenhista e retratista de talento, Fragonard destacou-se principalmente como pintor do amor e da natureza, de cenas galantes em paisagens idílicas. Foi um dos últimos expoentes do período rococó, caracterizado por uma arte alegre e sensual, e um dos mais antigos precursores do impressionismo. Canaletto (1697-1768) seu nome era Giovanni Antonio Canal, era filho do pintor Bernardo Canal, daí o apelido Canaletto. Pintor veneziano requintado, sutil, minucioso e sóbrio. Destaca-se da sua pintura o tratamento da luminosidade e suas paisagens urbanas de Veneza sob o ângulo barroco, captando a visão de suas ruas e canais, envoltos em luzes e sombras. Em 1730, passou a usar a câmara escura, um instrumento óptico que permitia a passagem dos raios solares por uma lente e refletia a imagem que se queria pintar, como base de suas obras. Conseguiu assim mais precisão no desenho, mais luminosidade e um contraste mais brilhante entre as cores. Morou na Inglaterra (1746-1755), onde o cônsul inglês em Veneza, Joseph Smith, apresentou o artista a importantes clientes que desejavam paisagens de Veneza como recordação de viagem. Giambattista Tiepolo (1696-1770) italiano, de Veneza, foi o mais importante dos decoradores rococó. Uma das suas obras primas é o teto da escadaria do Palácio Episcopal de Würzburg, que ilustra o rococó como uma manifestação de puro deleite, há extraordinária diversidade dos seres, pois a pintura representa os quatro continentes: Europa, Ásia, América e África. As alegorias imaginadas por Tiepolo parecem unir-se num cortejo para expressar as belezas próprias de cada região da terra: na África, estão imponentes avestruzes e camelos; na América, lindas jovens com coares de penas coloridas cavalgam exóticos crocodilos; e na Ásia, tigres e elefantes majestosos fazem parte de um rico desfile. Francesco Guardi (1712-1793) pintou cenas imaginárias onde mistura o real e o surreal. A arquitetura é fantasiada e já pinta com uma cor e luminosidade quase impressionista. As primeiras obras dele guardam nítida influência com as obras de Canaletto e Lucas Carlevarijs. Com o passar do tempo, no entanto, o pintor se dirigiu rumo à criação de um estilo próprio. Fazendo largo uso do sfumato e da chamada pittura di tocco, estilo baseado em pequenas e enérgicas pinceladas pontuais, o artista criou um estilo de pintura mais solto, em contraposição às pinturas sólidas e organizadas de Canaletto e Tiepolo. ESCULTURA Na escultura e na pintura da Europa oriental e central, ao contrário do que ocorreu na arquitetura, não é possível traçar uma clara linha divisória entre o barroco e o rococó, quer cronológica, quer estilisticamente. Mais do que nas peças esculpidas, é em sua disposição dentro da arquitetura que se manifesta o espírito rococó. Os grandes grupos coordenados dão lugar a figuras isoladas, cada uma com existência própria e individual, que dessa maneira contribuem para o equilíbrio geral da decoração interior das igrejas. Aparecem novos cânones estéticos: As linhas curvas e contracurvas do barroco continuam, tornam-se mais delicadas e fluídas, organizadas em S ou em C, ou contracurvas duplas; Em relação à figura humana, utiliza-se o cânone anatômico maneirista (corpo alargado e silhueta caprichosa), mas dão leveza e graciosidade aos gestos, atitudes e posições, tornando-os sempre de certa forma galantes, cortesãos e muito elegantes; Grupos escultóricos em que as composições têm movimento e ritmo, um sentido cênico faz o enquadramento da escultura como cenário a ela destinado. Os escultores têm preferência pelas esculturas decorativas e ornamentais que complementam a arquitetura, de forma a cobrir todas as estruturas e superfícies. A estatuária de pequeno porte, destinadas às decorações dos interiores, com pequenos objetos, sem função utilitária (bibelôs, bustos, estatuetas religiosas, composições mitológicas e alegóricas). Recuperam-se materiais que até então tinham sido ignorados – madeira, argila, gesso, ouro e prata, porcelana (biscuit), este último foi o verdadeiro material do rococó, foi extremamente popular e o mais usado para a produção de pequenas esculturas. Nas grandes obras escultóricas são utilizados pedra e bronze e nas esculturas de pequena dimensão e objetos ornamentais são usados o bronze, o ouro, a prata, porcelana, na decoração mural, a argila, a madeira, estuque e gesso. Abandonam-se os temas sérios e nobres e dá-se preferência aos temas menores, irônicos, alegres, jocosos, sensuais e galantes, na estuaria de pequenas dimensões, já na estatuária monumental, os temas são comemorativos e honoríficos. Nos temas mitológicos preferem-se os deuses menores e nos temas profanos dá-se mais valor aos aspectos mais íntimos do cotidiano, em gestos galantes, graciosos e requintados. O tema religioso (usado sobretudo na Alemanha) mantém-se, mas é tornado menos sério, utilizando-se roupagens mais luxuosas e poses galantes. Jean-Antoine Houdon (1741-1828) foi escultor francês que destacou varias esculturas retratando personagens importantes da história francesa e universal, como Voltaire e Diderot. Johann Michael Feichtmayr (1709-1772), escultor alemão, membro de um grupo de famílias de mestres da moldagem no estuque, distinguiu-se pela criação de santos e anjos de grande tamanho, obras-primas dos interiores rococós. Ignaz Günther (1725-1775), escultor alemão, um dos maiores representantes do estilo rococó em seu país. Suas esculturas eram em geral feitas em madeira e a seguir policromadas. “Anunciação”, “Anjo da guarda”, “Pietà”. No rococó também se destacou a criação das estatuetas decorativas, a partir da invenção da porcelana por dois cientistas alemães, Tischirnhaus e Boettger, em 1708. Já em 1709 apareceram as primeiras pelas decorativas em porcelana. Durante o século XVIII, os escultores rococós alemães, franceses, italianos e espanhóis criaram modelos para a manufatura de estatuetas, reproduzindo temas mitológicos, campestres e da sociedade cortesã. Desses escultores decorativos, destacamos: François Boucher (1703-1770) francês, nascido em Paris, foi pintor, gravador e desenhista das porcelanas reais. É conhecido por suas pinturas idílicas, pelans de volume e carisma, que recorriam aos temas mitológicos e evocavam a Antiguidade Clássica. Teve vários patronos, entre eles Madame de Pompadour. Étienne Maurice Falconet (1716-1791), francês, nasceu em uma família pobre Primeiro foi aprendiz de carpinteiro, mas algumas de suas figuras de barro, com que ocupava suas horas de lazer, atraíram a atenção do escultor Jean-Baptite Lemoyne, que fez dele seu aprendiz. A influência do pintor François Boucher e do teatro e ballet são igualmente nítidas em suas formas doces, elegantes e eróticas. Além de trabalhar em Sévresm foi convidado por Catarina, a Grande, em 1766, para trabalhar em São Petersburgo, onde executou uma estátua colossal de Pedro, o Grande, em bronze, conhecida como o Cavaleiro de Bronze. SaibaMaisNo mobiliário, o estilo Luís XV se desenvolve na França durante o seu reinado, entre aproximadamente 1730 e 1750-60 (não englobando todo o período do reinado até 1774). Este estilo é influenciado pelas linhas fluidas e graciosas do rococó e pelo seu repertório de motivos ornamentais, situando-se entre o estilo regência, onde já dá os primeiros passos, e o estilo Luís XVI, que se caracteriza por uma maior rigidez e austeridade. Estilopróprio de uma elite aristocrática e intelectual, amante da alegria, do natural e do convívio. Biscuit é um tipo especial de porcelana que é cozida por duas vezes e não é vidrada. Material preferido na produção de pequenas e esculturas. Tornou-se o verdadeiro e inato material do rococó. NEOCLÁSSICO História das Artes > No Mundo > Arte no Século 18 > Neoclássico Nas duas últimas décadas do século XVIII e nas três primeiras do século XIX, uma nova tendência estética predominou nas criações dos artistas europeus. Trata-se do Neoclassicismo (neo = novo), que expressou os valores próprios de uma nova e fortalecida burguesia, que assumiu a direção da Sociedade europeia após a Revolução Francesa e principalmente com o Império de Napoleão. Nas palavras de Edgar Allan Poe “a glória que foi a Grécia, e a grandeza que foi Roma”. Esse reviver do austero Classicismo na pintura, na escultura, na arquitetura e no mobiliário constituiu uma clara reação contra o enfeitado do estilo rococó. O século XVIII tinha sido a Idade das Luzes, quando os filósofos pregavam o evangelho da razão e da lógica. Essa fé na lógica levou à ordem e às virtudes “enobrecedoras” da arte neoclássica. O iniciador da tendência foi Jacques-Louis David pintor e democrata francês que imitava a arte grega e romana para inspirar a nova republica francesa. A Arte “politicamente correta” era séria, ilustrando temas da história antiga ou da mitologia, em vez da frivolidade rococó. Em 1783, a mania da arqueologia varreu a Europa, à medida que as escavações em Pompéia e Herculano ofereciam a primeira visão da arte antiga bem preservada levaram ao exagero da imitação da vida grega da antiguidade chegando ao ridículo em atitudes. A linha mestra do estilo neoclássico eram as figuras severas, desenhadas com exatidão, que apareciam em primeiro plano, sem a ilusão de profundidade dos relevos romanos. A pincelada era suave, de modo que a superfície da pintura parecia polida e as composições eram simples, para evitar o melodrama rococó. Os fundos, em geral, incluíam toques romanos, como arcos ou colunas, e a simetria e as linhas retas substituíam as curvas irregulares. As antigas ruinas também inspiraram arquitetura. Imitações dos templos gregos e romanos se multiplicaram da Rússia à América. O pórtico do Panteon de Paris, com colunas e cúpulas coríntias, copiava exatamente o estilo romano. Em Berlim, o portão de Brandenburgo era a réplica da entrada da Acrópole de Atenas, com uma carruagem romana em cima. Resumem-se as principais características: Retorno ao passado, pela imitação dos modelos antigos greco-latinos; Academicismo nos temas e nas técnicas, isto é, sujeição aos modelos e às regras ensinadas nas escolas ou academias de belas-artes; Arte entendida como imitação da natureza, num verdadeiro culto à teoria de Aristóteles; Estilo sóbrio, antidecorativo, linear, antissensual, volta-se ao desenho, simplicidade da natureza, nobre, sereno, histórico. ARQUITETURA Os fundadores da jovem ciência da arqueologia proporcionaram as bases documentais dessa nova arquitetura de formas clássicas. Surgiram assim os edifícios grandiosos, de estética totalmente racionalista: pórticos de colunas colossais com frontispícios triangulares, pilastras despojadas de capitéis e uma decoração apenas insinuada em guirlandas ou rosetas e frisos de meandros. Utilização de materiais nobres tradicionais como mármores, granito e madeira, e modernos como ladrilho cerâmico e ferro fundido, de baixo custo e maior funcionalidade. Sistemas de construção simples (trilítico) ou complexos, estruturados a partir do arco de 180 graus de inspiração romana e adaptados aos modernos processos técnicos. Tetos planos, abóbodas e berço ou de aresta emoldurada e cúpulas nas zonas centrais das construções e assentes em tambores rodeados de colunas com entablamentos circulares. As cidades tiveram de se adaptar a essas construções gigantescas. Desenharam-se largas avenidas para abrigar os novos edifícios públicos, academias e universidades, muitos dos quais conservam ainda hoje a mesma função. ESCULTURA Os escultores neoclássicos foram marcados pelo rigor e pela passividade e sua produção academicista é considerada fria. Estátuas de heróis uniformizados, mulheres envoltas em túnicas de Afrodite, ou crianças conversando com filósofos, foram os protagonistas da fase inicial da escultura neoclássica. Mais tarde, na época de Napoleão, essa disciplina artística se restringiria às estátuas equestres e bustos focalizados na pessoa do imperador. A referência estética foi encontrada na estatuária da antiguidade clássica, por isso as obras possuíam um naturalismo equilibrado. Respeitavam-se movimentos e posições reais do corpo, embora a obra nunca estivesse isenta de certo realismo psicológico, plasmado na expressão pensativa e melancólica dos rostos. A busca do equilíbrio exato entre naturalismo e beleza ideal ficava evidente nos esboços de terracota, nos quais os volumes e as variações das posições do corpo eram estudados com cuidado. O escultor neoclássico encontrou o dinamismo na sutileza dos gestos e suavidade das formas. Quanto aos materiais utilizados, os mais comuns eram o bronze, o mármore e a terracota, embora, a partir de 1800, o mármore branco, que permitia o polimento da superfície até a obtenção do brilho natural da pele, tenha adquirido preponderância sobre os demais. Entre os escultores mais importantes desse período destacam-se o italiano Antonio Canova, escultor exclusivo da família Bonaparte, e o dinamarquês Bertel Thorvaldsen, que chegou a presidir a Accademia di San Lucca, em Roma. PINTURA A pintura desse período foi inspirada principalmente na escultura clássica grega e na pintura renascentista italiana, sobretudo em Rafael, mestre inegável do equilíbrio da composição. Características da pintura: Formalismo na composição, refletindo racionalismo dominante; Exatidão nos contornos; sobriedade nos ornamentos e no colorido, pinceladas que não marcavam a superfície, dando à obra um aspecto impessoal onde predominava o desenho sobre a cor; Harmonia e equilíbrio do colorido. Os maiores representantes da pintura neoclássica são: Jacques-Louis David (1748-1825) pintor francês, foi considerado o pintor da Revolução Francesa, mais tarde, tornou-se o pintor oficial do Império de Napoleão. Durante o governo de Napoleão, registrou fatos históricos ligados à vida do imperador. Suas obras geralmente expressam um vibrante realismo, mas algumas delas exprimem fortes emoções. David demonstrou a diferença entre o velho e o novo através do contraste dos contornos retos e rígidos dos homens com as formas curvas, suaves das mulheres. Situou cada figura como uma estátua, iluminada por um feixe de luz, contra um fundo simples de arcos romanos. Com o fim de assegurar a precisão histórica, vestiu manequins com roupas romanas e fez capacetes romanos para então copiar. Por três décadas a arte de David foi o modelo oficial do que considerava ser a arte francesa e, por extensão, a arte europeia. Jean Auguste Dominique Ingres (1780-1867) francês, pintor que foi uma espécie de cronista visual da sociedade de seu tempo. Ingres acreditava que a tarefa primordial da arte era produzir quadros históricos. Ardoroso defensor da pureza das formas, ele afirmava, por exemplo, que desenhar uma linha perfeita era muito mais importante do que colorir. “A pincelada deve ser tão fina como a casca de uma cebola”, repetia a seus alunos. Sua obra abrange, além de composições mitológicas e literárias, nus, retratos e paisagens, mas a crítica moderna vê nos retratos e nus o seu trabalho mais admirável. Ingres soube registrar a fisionomia da classe burguesa do seu tempo, principalmente no gosto pelo poder e na sua confiança na individualidade. Amante declarado da tradição. Ingres passou a vida brigando contra a vanguarda artística francesa representada pelo pintor romântico Eugène Delacroix, contudo foi Ingres, e não o retórico e inflamado Delacroix, o mais revolucionário dos dois. A modernidade de Ingresestá justamente na visão distanciada que tinha de seus retratados, na recusa a produzir qualquer julgamento moral a respeito deles, numa época em que se consumava o processo de aliança entre a nobreza e a burguesia. O detalhismo também é uma das suas marcas registradas. Seus retratos são invariavelmente enriquecidos com mantos aveludados, rendas, flores e joias. SaibaMaisO termo Neoclássico foi criado no século XIX com rótulo pejorativo para denunciar o vazio e a carência, consequentemente para encontrar a beleza racional é necessário estudar em academias, isso acabava sufocando a liberdade artística. O aparecimento do Neoclassicismo também se deu pela ação de Winckelmann, Mengs e Piranesi que estudaram in loco as ruínas de Roma entre outras cidades, assim como as coleções do Vaticano. A partir dos estudos destas coleções, Winckelmann, arqueólogo alemão, publicou o livro História da Arte na Antiguidade (1764). Mengs e Piranesi contribuíram para o estudo das civilizações ao realizarem gravuras e pinturas dos mais importantes monumentos de Roma. Todos esses documentos foram importantes centros de informação e elementos de estudos e ensino nas Academias. Winckelmann (1717-1768) sob a influência das descobertas de Pompeia, escreve o livro “Pensamentos sobre a Imitação das Artes Gregas” onde teoriza os princípio do Neoclassicismo. Para ele, a beleza não pode ser encontrada na natureza, porque esta é imperfeita. Por isso, o artista deve procurar “o belo ideal”, seja, a síntese abstrata de todas as belezas. Entretanto essa busca é vã, uma vez que esse ideal já foi atingido e elevado ao máximo pelos antigos gregos; a tarefa do artista é, portanto, imitar a Antiguidade. Prega ainda pela volta aos temas gregos, o abandono da ilusão de movimento nas obras de arte, assim elas se aproximariam da imobilidade majestosa das antigas estátuas. Com isso, o artista deixa de ser um criador para tornar-se um mero copista da Antiguidade. De fato, o que Pompeia pusera à luz do dia não era a verdadeira ate clássica da Grécia, mas um classicismo romano que copiava obras gregas. As ideias de Winckelmann se impõem de tal maneira que a arte se converte numa “grecomania”, desprezando o gótico como sendo um estilo bárbaro, assim como o barroco e o rococó como estilos ligados ao poder do Ancien Régime. Com o início das escavações de Pompeia, no início do século XVIII, começou a arqueologia moderna. Forte influência da arquitetura neoclássica foi a descoberta arqueológica das cidades italianas de Pompéia e Herculano que, no ano de 79 d.C., foram cobertas pelas lavas do vulcão Vesúvio. A cidade de Pompeia, coberta não de lava fluída, mas de lapilli (pedaços de lava, ficando soterrada e conservada). As escavações começaram em 1748, emocionando toda a Europa, a maior parte dos objetos encontrados foi confiada ao Museu de Nápoles, hoje Museu Arqueológico Nacional de Nápoles. Depois de 1860, as escavações foram dirigidas com sucesso cada maior, pelo arqueólogo italiano Giuseppe Fiorelli (1823-1896). Diante daquelas construções, num erro de interpretação, os historiadores de arte acreditavam que os edifícios gregos eram recobertos com mármore branco, ocasionando a construção de tantos edifícios brancos, como por exemplo, a Casa Branca nos Estados Unidos. Outro ponto é que o classicismo de Winckelmann era evidentemente falso. Negando que as estátuas gregas tinham sido pintadas, criou uma antiguidade pálida, como de gesso, da qual todos os elementos dionisíacos e órficos de espírito grego ficavam excluídos: uma antiguidade grega bastante racional, capaz de agradar eruditos de gabinete e burgueses. ROMANTISMO História das Artes > No Mundo > Arte no Século 19 > Romantismo O século XIX foi agitado por fortes mudanças sociais, políticas e culturais causadas por acontecimentos do final do século XVIII pela Revolução Industrial, que gerou novos inventos com o objetivo de solucionar os problemas técnicos decorrentes do aumento de produção, provocando a divisão do trabalho e o início da especialização da mão-de-obra, e pela Revolução Francesa, que lutava por uma sociedade mais harmônica, em que os direitos individuais fossem respeitados, traduziu-se essa expectativa na Declaração dos Direitos do homem e do Cidadão. Do mesmo modo, a atividade artística tornou-se mais complexa. Um dos primeiros movimentos artísticos que surge em reação ao Neoclassicismo do século XVIII é o Romantismo e historicamente situa-se entre 1820 e 1850. Os artistas românticos procuraram se libertar das convenções acadêmicas em favor da livre expressão da personalidade do artista. O termo romântico foi empregue pela primeira vez na Inglaterra para definir o tema das novelas pastoris e de cavalaria que existiam nessa época. Romântico significava pitoresco: expressão de uma emoção que é definida e que foi provocada pela visão de uma paisagem. O termo romântico passou depois a ser adotado no movimento artístico-filosófico Romantismo, que seguiu as ideias políticas e filosóficas do século das luzes (liberdade de expressão e afirmação dos direitos dos indivíduos) e também as ideias de um movimento alemão chamado – Strürm und Drang (que tinha como principais elementos o sentimento e a natureza). Características Cultivo da emoção, da fantasia, do sonho, da originalidade, evasão para mundos exóticos onde se podia fantasiar e imaginar; Exaltação da natureza; Gosto pela Idade Média (porque tinha sido o tempo de formação das nações); Defesa dos ideais nacionalistas (liberdade individual, liberdade do povo); Panteísmo (doutrina segundo a qual Deus não é um ser pessoal distinto do mundo, Deus e o mundo seriam uma só substância); Individualismo, visão de mundo centrada nos sentimentos do indivíduo. Subjetivismo, o artista idealiza temas, exagerando em algumas das suas características (por exemplo, a mulher é vista como uma virgem frágil; a noção de pátria também é idealizada). É na Alemanha que se manifesta pela primeira vez a estética da interioridade, que considera a arte como um instrumento para se atingir o cerne da criação, para se entrar em contato com a natureza infinita, através do sentimento sublime. É o início da pintura moderna de paisagem, capaz de exprimir, melhor do que outro, certos aspectos da sensibilidade do homem oitocentista. No século XIX aparece um movimento de reação que procura os fundamentos da arte nas antigas realidades nacionais. O gosto pela arqueologia torna-se extensivo à Idade Média e redescobre-se o românico e o gótico, que os artistas tentam fazer reviver em suas obras. Dedicam-se à redescoberta das técnicas construtivas desses dois estilos, chegando à conclusão que as soluções técnicas da Idade Média eram tão racionais como as clássicas greco-romanas. O romantismo procura elementos rústicos e entrega-se às realizações espontâneas, o que dá origem à incorporação, na nossa cultura, de vários conhecimentos acumulados pelos povos primitivos ou que se desenvolveram longe da Europa civilizada. Isto leva ao estudo das artes chinesa, japonesa, indiana e a africana. Com o regresso à Idade Média, o romantismo recusa as regras impostas pelas academias neoclássicas, pois estas eram inspiradas nos valores clássicos (ordem, proporção, simetria e harmonia). Os arquitetos românticos preferem: Irregularidades nas estruturas espaciais e volumétricas; Preferência pelas geometrias mais complexas e pelas formas curvas; Efeitos de luz; Movimentos dos planos; Pitoresco de decoração (tudo o quer pode ser pintado ou representado em imagem). Com a recuperação das formas artísticas medievais (românico e o gótico) acompanhada do gosto pelo exótico contido nas culturais orientais (bizantina, chinesa e árabe) evidenciando as características de revivalismo, ecletismo, historicismo e exotismo. Exemplos de arquitetura romântica Construções Neogóticas O novo edifício do parlamento inglês, que tomou lugar do antigo Palácio de Westminster, destruído por um incêndio em 1834, é um testemunho de revivalismo gótico e do entusiasmo dos ingleses por esteestilo. O incêndio destruiu grande parte da construção, apenas o Westminster Hall, a Torre das Joias, a cripta da Capela de Santo Estevão e os claustros sobreviveram. Foi nomeada uma Comissão Real para estudar a reconstrução do palácio e decidir se este deveria ser reedificado no mesmo local, bem como o estilo que deveria seguir. Foi decidido que deveria evitar-se um traço neoclássico, semelhante ao da Casa Branca ou do Capitólio, ambos nos Estados Unidos, devido às suas conotações com a revolução e o republicanismo. O estilo gótico incorporava valores conservadores. Em 1836, depois de estudar 97 propostas rivais, a Comissão Real escolheu o projeto de Charles Barry para um palácio em estilo gótico. A Primeira Pedra foi colocada em 1840; a Câmara dos Lordes ficou completa em 1847 e a Câmara dos Comuns em 1852. Apesar de a maior parte do trabalho estar pronta em 1860, a construção só foi finalizada uma década depois. Em Paris temos a Igreja de Santa Clotilde que na sua construção foram utilizados materiais modernos, exemplo disso é a abóboda central construída com vigas de ferro e aço. A restauração da igreja de Notre-Dame de Paris, por Viollet-le-Duc, também utilizou elementos de construção modernos. O Castelo de Neuschwanstein, na Baviera, foi inspirado na obra do grande amigo e protegido de Luís II da Baviera, o compositor Richard Wagner. Foi desenhado por desenhista de cenários teatrais e não por um arquiteto. Possui 6 mil metros quadrados, 4 andares e 80 metros e altura. Recorreu às estruturas moderna como por exemplo: engenhos a vapor elétricos, ventilação moderna e canalizações de aquecimento. A decoração de algumas salas é inspirada nas obras de Wagner, uma delas reproduz uma gruta com muitas estalagmites e, no reinado de Luís II, tinha uma cascata. Nos Estados Unidos destacamos a Catedral de Saint Patrick com características neogóticas como as altas torres pontiagudas e a decoração de vitrais e esculturas. Foi construída entre 1858 e 1878 e projetdada pelo arquiteto James Renwick, Jr. Construções Neorromânicas Um bom exemplo de construção Neorromânica são as muralhas da cidadela de Carcassone, que teve a ocupação dos Celtas, Galo-romanos e Visigodos. No final do século XIX, foi redescoberta por turistas ingleses, já em ruínas, foi, então, encomendado o restauro do arquiteto Viollet-le-Duc. Construções Neobarrocas A Ópera de Paris tem seu edifício sobrecarregado e de uma vulgaridade luxuosa. Reflete o gosto da classe criada pela Revolução Industrial, novos ricos que se viam a si próprios como herdeiros da velha aristocracia e assim achavam os estilos pré-revolucionários mais atraentes que o Clássico ou o Gótico. Construções Neomedievais O Castelo de Pierrefonds é original do século XII, no século XVII foi sitiado e invadido pelas tropas de Richelieu e chegou ao século XIX em ruínas. Em 1810, foi comprado por Napoleão Bonaparte por 3 mil francos. Em virtude da redescoberta da arquitetura da Idade Média, em 1857, o Imperador Napoleão III contrata o arquiteto Eugéne Viollet-le-Duc para a restauração do edifício. Era para ser uma simples recuperação no estado das partes habitáveis, devendo permanecer as ruínas como decoração, mas em 1861, o projeto ganha amplitude e se faz dele uma residência imperial. Em 1885 os trabalhos foram paralisados e a decoração das salas permaneceu inacabadas. O arquiteto não se baseou na história do edifício, mas inventou e recriou, utilizando vários estilos (ecletismo), exemplo disso são as galerias renascentistas e as pinturas policromas medievais. O homem desta época desenvolveu o gosto pelas viagens, dando asas ao seu espírito romântico, irrequieto, sonhador e sempre insatisfeito. Utilizou a música e a literatura para visualizar terras e ambientes desconhecidos. Havia o hábito de colecionar estampas japonesas e coisas vindas do Oriente, através do comércio intercontinental que começava a chegar ao Ocidente. A sociedade desta época alimentou o gosto pelo exótico e raro, pois a alta burguesia apoiava-se no seu dinheiro para cultivar a sua excentricidade, demonstrada pelas viagens e pelo consumo da arte. Esta nova tendência utiliza a arquitetura para recriar ambientes e cenários de outras culturas. Assimetrias deliberadas e composições pitorescas permitiram aos arquitetos a introdução de novos efeitos visuais, a demonstrar diferentes relações com a natureza e originar sensações aprazíveis. Os arquitetos depararam-se com uma diversidade formal que lhes permitia construir estruturas mais elaboradas e com efeitos visuais completamente novos que originam uma nova tendência: o Exotismo. Construções Neoárabes O Pavilhão Real, em Brighton na Inglaterra, apresenta cúpulas em forma de cebola, derivam da arquitetura mongol, é uma metáfora exótica que representa o Império Britânico. Chaminés disfarçadas de minaretes e grades trabalhadas em formato de ferradura. Outras construções neoárabes na Inglaterra são: a Casa Sezincote, em Gloucestershiree o Pagode Chinês dos Jardins de Kew. Em Portugal a arquitetura romântica chegou por um estrangeiro casado com a Rainha de Portugal, D. Maria II, Fernando de Saxe-Coburgo-Gotha, um príncipe alemão amigo do Barão de Eschwege, um arquiteto que trabalhava há muito para a família real e que o ajudou na primeira grande obra desse estilo: o Palácio da Pena. O Palácio do Buçaco é um revivalismo de duas construções portuguesas que simbolizam o Manuelino: a Torre de Belém e o Mosteiro dos Jerónimos. O corpo central é uma réplica da Torre de Belém e a arcada do claustro é uma réplica do Mosteiro dos Jerónimos. No decurso do palácio existem ainda várias alusões decorativas ao Convento de Cristo em Tomar. Estação do Rossio, em Lisboa também representa o estilo neomanuelino. Já o Palácio da Regaleira é considerada uma construção eclética, pois utiliza revivalismos góticos, manuelinos, renascentistas e românicos. Assim como o Santuário de Santa Luzia que revive os estilos românico, bizantino e gótico. PINTURA Enquadramos a pintura dentro período de 1820-1850 que traz influências da pintura pré-romântica de finais do século XVIII, do Grupo Os Nazarenos, que era um grupo de pintores alemães do tempo do neoclassicismo que formaram em Roma uma comunidade para estudar e pintar a partir da arte italiana do Renascimento e dos pré-rafaelitas, que era um grupo de pintores que surgiu na Inglaterra cerca de 1848 e que procurava inspiração nos pintores italianos anteriores à Rafael. Foi este grupo que trabalhou no período tardo-romântico e fez a transição para o Realismo e para o Simbolismo. As principais características da pintura romântica são: Corte com o academicismo neoclássico; O artista emancipa-se da encomenda e faz a sua obra baseado nos impulsos da sua alma e na sua própria inspiração; A pintura é bastante individualizada e diversificada no que diz respeito ao próprio estilo e aos temas; Pretende integrar o observador, tal como no barroco, mas agora ela já não se serve dos desconcertantes efeitos trompe l’oeil, que diluem fronteira entre a aparência e a realidade. Aqui o observador, assim como os personagens representados principalmente de costas, contempla as paisagens distantes que se desdobram à sua frente; Uma pintura romântica pretende ser contemplada e o observador terá que dar um significado à pintura consoante às suas emoções; O pintor lança um olhar subjetivo sobre o mundo objetivo e apresenta-nos uma imagem filtrada pelas suas emoções. O artista torna-se o intérprete do mundo. Os temas da pintura romântica são divididos em três grupos. O primeiro, não são temas novos, mas são tratados com a mentalidade romântica e seus novos conceitos artísticos: históricos, literários, mitológicos, retratos e autorretratos. O segundo, são temas que representam a alma romântica, emocional e apaixonada, idealista e simples, como: Retirados da atualidade político-social da época (naufrágios, revoltas sociais, lutas nacionalistas e seus heróis, lutas pela libertação de minorias); Inspirados no mundo dos sonhos e do fantástico (mundointerior do artista) Costumes populares (feiras e romarias) Tradições, hábitos e raças exóticas (civilizações não europeias, como a China, Japão, Índia e Norte da África) Vida animal (animais selvagens e indomados) Paisagens (retratadas com simplicidade e nostalgia, de uma forma dramática e emocional, projetando o estado de espírito do próprio artista). E o terceiro grupo, retrata a pintura de paisagem revelando-se o gênero predileto desse período. São composições solitárias e indefesas perante as forças da natureza, olhando nostalgicamente para o horizonte ou composições com árvore mortas e ruínas cobertas por vegetação, que mostram a passagem do tempo e o ciclo da evolução. Das características do estilo, destacamos: A cor prevalece sobre o desenho linear e são utilizadas cores variadas explorando contrastes fortes e não harmoniosos. Os intensos efeitos de claro-escuro dão um lado mais artificial e dramático à luz. A luz focaliza-se sobre o ponto que se quer evidenciar na composição, acentuando a expressividade e o sentimentalismo das cenas; Utilização do óleo e da aquarela; A composição utiliza estruturas agitadas, movimentadas, orientadas por linhas oblíquas, diagonais e sinuosas que reforçam o sentido trágico, dramático e heroico dos temas. Caspar David Friedrich (1774-1840) pintor alemão, observou e desenhou a natureza, para depois pintar seus quadros no ateliê, porém não se limitou a representa-las, ele dá-lhe um significado suplementar, expresso através de símbolos, como a figura de costas, as nuvens, a neblina, o horizonte. O homem de costas é como se fosse um emblema da experiência romântica da natureza: sozinho nas alturas, olha para um ponto inatingível e o que vê é, ao mesmo tempo, algo de exterior e a projeção do seu Eu. Francisco José de Goya y Lucientes (1746-1828) foi pintor e gravador espanhol. Conhecido simplesmente como Goya, sua arte retratava uma mitologia povoada por sonhos e pesadelos, seres deformados, tons opressivos. Senhor absoluto da caricatura do seu tempo. Trabalhou temas diversos: retratos de personalidades da corte espanhola e de pessoas do povo, os horrores da guerra, a ação incompreensível de monstros, cenas históricas e as lutas pela liberdade. Joseph Mallord William Turner (1775-1851) foi pintor inglês, considerado por alguns um dos precursores da modernidade na pintura, em função dos seus estudos sobre cor e luz. Turner representou grandes movimentos da natureza, mas por meio do estudo da luz que a natureza reflete, procurou descrever uma certa atmosfera da paisagem. Uma das primeiras vezes que a arte registra a presença da máquina, uma locomotiva, foi na sua pintura Chuva, Vapor e Velocidade. Parece ser a tomada de consciência do artista de que a máquina invadiu o espaço natural e começou a fazer parte do universo da pintura. John Constable (1776-1837) ao contrário de Turner, a natureza retratada por esse pintor inglês é serena e profundamente ligada aos lugares onde o artista nasceu, cresceu e trabalhou ao lado do pai. Muitos elementos de suas paisagens, moinhos de vento, barbaças carregadas de cereais, faziam parte da vida cotidiana do artista quando jovem. Através de uma gama de cores conseguida por meio da observação e do contato direto com a natureza, o artista obteve efeitos de admirável vivacidade. William Blake (1757-1827) inglês que viveu num período significativo da história, marcado pelo iluminismo e pela Revolução Industrial na Inglaterra. Poeta, pintor e gravador, ilustra os seus próprios livros e trena traduzir em imagens a grande força visionária da sua inspiração poética e linguística, contribuindo para a renovação da sensibilidade que é típica do romantismo. Eugène Delacroix (1798-1863) é considerado o mais importante representante do romantismo francês. Suas obras apresentam forte comprometimento político e o valor da pintura é assegurada pelo uso das cores, das luzes e das sombras, dando-nos a sensação de grande movimentação. Representava assuntos abstratos personificando-os (alegorias). Culto, dono de uma língua ferina, rico e namorador. Amigo do compositor Frèderic Chopin, inimigo do romancista Honoré de Balzac, admirado pelo poeta Charles Baudelaire e indiferente às demais celebridades de seu tempo, Delacroix tinha noção da própria grandeza. “A principal qualidade de um quadro é ser uma festa para os olhos”, escreveu na derradeira nota de seus famosos diários, em 1963, menos de dois meses antes de morrer. Nascido num momento crucial da História da França, aquele em que a burguesia revolucionária colhia os frutos de seu triunfo sobre a monarquia dos reis Capeto, o pintor viveu a maior parte da vida jovem e adulta num mundo que voltava aos poucos à antiga ordem natural das coisas. Assistiu à ascensão e queda de Napoleão Bonaparte, a restauração da dinastia dos Bourbon e, finalmente, a entronização do rei Luís Felipe, em 1830. Seu quadro mais conhecido A Liberdade Guiando o Povo, muitas vezes tomado como um símbolo das lutas populares e republicanas, foi feito por inspiração do movimento que levou Luís Felipe ao trono da França. Jean-Louis André Théodore Géricault (1791- 1824) pintor francês que nos seus primeiros quadros demonstrou grande admiração pelos cânones neoclássicos. Depois de prestar o serviço militar, Géricault viajou para Itália, onde estudou profundamente as obras de Rafael e Michelangelo. Na colta, e, 1817, iniciou o que seria sua obra-prima, A Balsa da Medusa. Embora o tema do naufrágio seja coerente com o desespero romântico, o quadro faz uma crítica à culpa do governo pelo acidente. Sua obsessão chegou a leva-lo a falar com sobreviventes nos hospitais e inclusive a fazer esboços dos mortos no necrotério. A doença, a loucura e o desespero são uma constante nos seus quadros. Morreu, vítima de um acidente. O Romantismo no Brasil teve raízes nas primeiras décadas do século XIX, com o aparecimento de vários naturalistas estrangeiros que vinham em busca de terras ainda por explorar. Além da motivação puramente científica dessas expedições, entre eles havia diversos pintores e ilustradores impulsionados pela tendência romântica de valorização da natureza e pelo fascínio para com o exótico. ESCULTURA A escultura teve que encontrar meios técnicos de expressividade para representar o espírito romântico exaltando sentimentos e emoções. Expressa reação ao Neoclassicismo, evitando as composições estáticas e as superfícies lisas e polidas. Há a exaltação da expressividade através de composições movimentadas e de sentido dramático. A temática em geral era natureza, animais e plantas, temas heroicos e cenas de fantasia e da imaginação. Destacamos alguns escultores românticos: Antoine-Louis Barye (1796-1875) francês nascido em Paris, começou sua carreira como ourives e estudou na École des Beaux Arts, em 1818, mas foi só em 1823 que descobriu sua vocação, ao iniciar seus estudos em desenho e modelagem de esculturas em escala reduzida. É considerado um dos principais artistas em representação de animais da escola francesa. François Rude (1784-1855) nasceu em Dijon, na França, extremamente patriótico e devoto de Napoleão, ele foi um dos escultores que participou artisticamente na construção do monumento Arco do Triunfo, em Paris, com sua obra em alto relevo A Partida dos Voluntários. Jean-Baptiste Carpeaux (1827-1875), nasceu em Valenciennes, na França. Em 1842, foi para Paris e trabalhou em diversos lugares para pagar alguns e completar sua formação. SaibaMaisA palavra romantismo designa uma maneira de se comportar, de agir, de interpretar a realidade. O comportamento romântico caracteriza-se pelo sonho, por uma atitude emotiva diante das coisas e esse comportamento pode ocorrer em qualquer tempo da história. O ballet nasceu em 1489, em Itália, quando se realizou um espetáculo por ocasião do casamento do duque de Milão. Nessa altura, só havia bailarinos masculinos, já que as mulheres não estavam autorizadas a dançar e as roupas eram pesadas, o que limitava a variedade de passos; a presença das mulheres apenas começoua ser aceita em finais do século XVII. O ballet surgiu na sequência dos espetáculos que os nobres ofereciam aos visitantes, onde havia poesia, música, mímica e dança. Leonardo Da Vinci chegou a desenhar cenários para estes espetáculos. O balé romântico buscava através da técnica a expressão, a fluidez do corpo e do movimento. Temos como característica dele a idealização do amor, a elevação do espírito, a divisão entre Vivos X Espíritos. No balé romântico encontramos a mulher idealizada, etérea, inacessível, inalcançável. A dança na ponta de pés, uma imagem de marca do ballet, apareceu no século XIX, usavam a sapatilha de ponta como instrumento técnico que deixava a mulher mais leve e mais expressiva. Tinha cenários sombrios e camponeses idealizados. A grande parte dos balés românticos era composta por dois atos, um em um mundo real e o outro no mundo espiritual que se chamava ato branco. REALISMO História das Artes > No Mundo > Arte no Século 19 > Realismo Durante a primeira metade do século XIX, enquanto se travava o embate entre Neoclassicismo e Romantismo, o Realismo, força que iria dominar a arte na segunda metade do século, começa lentamente a aparecer. O homem europeu, diante da industrialização e aprendido a utilizar o conhecimento científico e a técnica para interpretar e dominar a natureza, se convenceu de que precisava ser realista, inclusive em suas criações artísticas, deixando de lado as visões subjetivas e emotivas da realidade. Em certo sentido o realismo tinha sempre feito parte da arte ocidental. Durante a Renascença, os artistas superaram as limitações técnicas e representavam a natureza com a acuidade fotográfica. O “novo” Realismo insistia na imitação precisa de percepções visuais sem alteração. Também eram diferentes em seus temas, os artistas se limitavam a fatos do mundo moderno à medida que os experimentavam pessoalmente; somente o que podiam ver ou tocar era considerado real. Deuses, deusas e heróis da antiguidade estavam “fora”. Camponeses e a classe trabalhadora urbana estavam “dentro”. Em tudo, de cor ao tema, o Realismo trazia para a arte uma sensação de sobriedade silenciosa. São características gerais: O cientificismo; A valorização do objeto; O sóbrio e o minucioso; A expressão da realidade e dos aspectos descritivos. ARQUITETURA Os arquitetos e engenheiros procuram responder adequadamente às novas necessidades urbanas, criadas pela industrialização. As cidades não exigem mais ricos palácios e templos. Elas precisam de fábricas, estações, ferroviárias, armazéns, lojas, bibliotecas, escolas, hospitais e moradias, tanto para os operários quanto para a nova burguesia. Em 1850, Joseph Paxton construiu o Palácio de Cristal que abrigou a 1ª Feira Mundial em Londres, demonstrou as possibilidades estéticas do uso do ferro fundido. Em 1889, Gustavo Eiffel levanta, em Paris, a Torre Eiffel, hoje logotipo da “Cidade Luz”. Triunfo da engenharia moderna ostenta seu esqueleto de ferro e aço, sem alusões a estilos arquitetônicos do passado. ESCULTURA René-François-Auguste Rodin (1840-1917) foi um importante escultor francês. Desde criança demonstrou grande interesse por esculturas. Aos 13 anos de idade, entrou para uma academia de arte para aprender os princípios básicos das artes plásticas. Interessou-se e estudou também, por conta própria, anatomia humana para utilizar os conhecimentos na elaboração de suas esculturas. Aos 18 anos de idade, começou a trabalhar como modelador e ornamentista. Especializou-se na elaboração de esculturas em bronze. Auguste Rodin não se preocupou com a idealização da realidade. Ao contrário, procurou recriar os seres tais como eles são. Além disso, os escultores preferiam os temas contemporâneos, assumindo muitas vezes uma intenção política em suas obras. Sua característica principal é a fixação do momento significativo de um gesto humano. PINTURA Características da pintura: Representação da realidade com a mesma objetividade com que um cientista estuda um fenômeno da natureza, ou seja, o pintor buscava representar o mundo de maneira documental; Ao artista não cabe “melhorar” artisticamente a natureza, pois a beleza está na realidade tal qual ela é; Revelação dos aspectos mais característicos e expressivos da realidade. Temas da pintura: Politização: a arte passa a ser um meio para denunciar uma ordem social que consideram injustas; a arte manifesta um protesto em favor dos oprimidos. Pintura social denunciando as injustiças e as imensas desigualdades entre a miséria dos trabalhadores e a opulência da burguesia. As pessoas das classes menos favorecidas – o povo, em resumo – tornaram-se assunto frequente da pintura realista. Os artistas incorporavam a rudeza, a fealdade, a vulgaridade dos tipos que pintavam, elevando esses tipos à categoria de heróis. Heróis que nada têm a ver com os idealizados heróis da pintura romântica. Principais pintores: Gustave Coubert (1819-1877) homem de grande pragmatismo desafiou o gosto convencional por pinturas históricas e temas poéticos, insistindo que a “pintura é essencialmente uma arte concreta e tem de ser aplicada às coisas reais existentes”. Sua crença era “tudo que não aparece na retina está fora do domínio da pintura”. Foi considerado o criador do realismo social na pintura, pois procurou retratar em suas telas temas da vida cotidiana, principalmente das classes populares. Manifesta sua simpatia particular pelos trabalhadores e pelos homens mais pobres da sociedade no século XIX. Jean-François Millet (1814-1875) pintor romântico e um dos fundadores da Escola de Barbzon na França rural. É conhecido como percursor do realismo, pelas suas representações de trabalhadores rurais.Junto com Courbet, Millet foi um dos principais representantes do realismo europeu surgido em meados do século XIX. Sua obra foi uma resposta à estética romântica, de gostos um tanto orientais e exóticos, e deu forma à realidade circundante, sobretudo a das classes trabalhadoras. Sensível observador da vida campestre, criou uma obra realista na qual o principal elemento é a ligação atávica do homem com a terra. Foi educado num meio de profunda religiosidade e respeito pela natureza. Trabalhou na lavoura desde muito cedo. Seus numerosos desenhos de paisagens influenciaram, mais tarde, Pissarro e Van Gogh. SaibaMaisCourbet dizia: “Sou democrata, republicano, socialista, realista, amigo da verdade e verdadeiro”. A palavra realismo designa uma maneira de agir, de interpretar a realidade. Esse comportamento caracteriza-se pela objetividade, por uma atitude racional das coisas pode ocorrer em qualquer tempo da história. IMPRESSIONISMO História das Artes > No Mundo > Arte no Século 19 > Impressionismo Impressionismo foi um movimento artístico que revolucionou profundamente a pintura e deu início às grandes tendências da arte do século XX. Havia algumas considerações gerais, muito mais práticas do que teóricas, que os artistas seguiam em seus procedimentos técnicos para obter os resultados que caracterizaram a pintura impressionista. Principais características da pintura: A pintura deve registrar as tonalidades que os objetos adquirem ao refletir a luz solar num determinado momento, pois as cores da natureza se modificam constantemente, dependendo da incidência da luz do sol. As figuras não devem ter contornos nítidos, pois a linha é uma abstração do ser humano para representar imagens. As sombras devem ser luminosas e coloridas, tal como é a impressão visual que nos causam, e não escuras ou pretas, como os pintores costumavam representá-las no passado. Os contrastes de luz e sombra devem ser obtidos de acordo com a lei das cores complementares. Assim, um amarelo próximo a um violeta produz uma impressão de luz e de sombra muito mais real do que o claro-escuro tão valorizado pelos pintores barrocos. As cores e tonalidades não devem ser obtidas pela mistura das tintas na paleta do pintor. Pelo contrário, devem ser puras e dissociadas nos quadros em pequenas pinceladas. É o observador que, ao admirar a pintura,combina as várias cores, obtendo o resultado final. A mistura deixa, portanto, de ser técnica para se óptica. A primeira vez que o público teve contato com a obra dos impressionistas foi numa exposição coletiva realizada em Paris, em abril de 1874. Mas, o público e a crítica reagiram muito mal ao novo movimento, pois ainda se mantinham fiéis aos princípios acadêmicos da pintura. Principais artistas: Claude Monet (1840-1926) francês e o mais célebre dos impressionistas. Foi incessante pesquisador da luz e seus efeitos, pintou vários motivos em diversas horas do dia e em várias épocas do ano, a fim de estudar as mutações coloridas do ambiente com sua luminosidade. Monet teve uma catarata no fim da sua vida. A doença o atacou por causa das muitas horas com seus olhos expostos ao sol. Durante sua doença Monet não parou de pintar, usou nessa época de sua vida cores mais fortes como o vermelho-carne e vermelho goiaba, cor tijolo, entre outros verdes, rosas, vermelhos e cores mais fortes. Em 1911, com o falecimento de Alice, sua esposa, e seu problema de visão, Monet perdeu um pouco a vontade de viver e pintar. Pierre-Auguste Renoir (1841-1919) foi o pintor francês impressionista que ganhou maior popularidade e chegou mesmo a ter o reconhecimento da crítica, ainda em vida. Seus quadros manifestam otimismo, alegria e a intensa movimentação da vida parisiense do fim do século XIX. Pintou o corpo feminino com formas puras e isentas de erotismo e sensualidade, preferia os nus ao ar livre, as composições com personagens do cotidiano, os retratos e as naturezas mortas. Edgar Degas (1834-1917) parisiense, sua formação acadêmica e sua admiração por Ingres fizeram com que valorizasse o desenho e não apenas a cor, que era a grande paixão do Impressionismo. Além disso, foi pintor de poucas paisagens e cenas ao ar livre. Os ambientes de seus quadros são interiores e a luz é artificial. Sua grande preocupação era flagrar um instante da vida das pessoas, aprender um momento do movimento de um corpo ou da expressão de um rosto. Adorava o teatro de bailados. Jacob Abraham Camille Pissarro (1830-1903) francês, co-fundador do Impressionismo, sua pintura se caracterizou por uma paleta de cores cálidas e pela firmeza com que consegue captar a atmosfera, por meio de um trabalho preciso da luz. A estrutura dos quadros de Pissarro encontra total correspondência na obra de Cézanne, já que foi mútua a influência entre ambos. Como professor teve como alunos Paul Gauguin e seu filho Lucien Pissarro. Ao jovem Gauguin aconselhou a utilização das cores – esses conselhos surtiram efeito e Gauguin começa a utilizar a cor no seu estado puro. Alfred Sisley (1839-1899) nasceu em Paris, filho de pais ingleses, seus primeiros quadros revelaram uma certa influência da obra de Jean-Baptiste Camille Corot, mas pouco a pouco começou a se diferenciar dele, dando mais importância à cor do que à forma. Dono de uma capacidade surpreendente de observação, Sisley era capaz de captar os matizes mais sutis da luz, habilidade que demonstra em seus quadros das estações do ano. Também é muito singular o modo como consegue homogeneizar água, terra e céu, inundando suas paisagens de uma paz transcendental. Berthe Morisot (1841-1895) pintora francesa, iniciou a sua formação em pintura com os mestres Chocarne-Moreau, Guichard e Corot, e em escultura com Millet. Quando conheceu Manet, posou para ele como modelo e apaixonou-se por Eugênio, irmão do pintor, com quem se casou. A obra dessa artista representa uma reflexão afirmativa da obra de Manet, embora com pinceladas mais longas e suaves, com tendência para a verticalização, numa tentativa de organizar a composição. Édouard Manet (1832-1883) foi pintor e artista gráfico francês. Os gostos de Manet não vão para os tons fortes utilizados na nova estética impressionista. Prefere os jogos de luz e de sombra, restituindo ao nu a sua crueza e a sua verdade, muito diferente dos nus adocicados da época. O trabalhado das texturas é apenas sugerido, as formas, simplificadas. Os temas deixaram de ser impessoais ou alegóricos, passando a traduzir a vida da época. Manet era criticado não apenas pelos temas, mas também por sua técnica, que escapava às convenções acadêmicas. Frequentemente inspirado pelos mestres clássicos e em particular pelos espanhóis do Século de Ouro, Manet influenciou, entretanto, certos precursores do impressionismo, em virtude da pureza de sua abordagem. No Brasil, destaca-se o pintor Eliseu Visconti, ele já não se preocupa mais em imitar modelos clássicos, procura, decididamente, registrar os efeitos da luz solar nos objetivos e seres humanos que retrata em suas telas. Ganhou uma viagem à Europa, onde teve contato com a obra dos impressionistas. A influência que recebeu desses artistas foi tão grande que ele é considerado o maior representante dessa tendência na pintura brasileira. ESCULTURA Assim como a pintura, a escultura trouxe uma grande inovação na sua linguagem. Os três conceitos básicos dessa inovação foram: A fusão da luz e das sombras; A ambição de obter estátuas visíveis a partir do maior número possível de ângulos; Obra inacabada, como exemplo ideal do processo criativo do artista. Os temas da escultura impressionista, como na pintura, surgiram do ambiente cotidiano e da literatura clássica em voga na época. SaibaMaisO termo impressionismo surgiu devido a um dos primeiros quadros de Monet, “Impressão, nascer do sol”, de uma crítica feita ao quadro pelo pintor e escritor Louis Leroy: “Impressão, nascer do Sol – eu bem o sabia! Pensava eu, justamente, se estou impressionado é porque há lá uma impressão. E que liberdade, que suavidade de pincel! Um papel de parede é mais elaborado que esta cena marinha…” A expressão foi usada originalmente de forma pejorativa, mas Monet e seus colegas adotaram o título, sabendo da revolução que estavam iniciando na pintura. O quadro Mulheres no Jardim, de Monet, foi pintado totalmente ao ar livre e sempre com a luz do sol e foi realizado no jardim da casa do artista, em Giverny. O movimento impressionista foi idealizado nas reuniões com seus principais pintores e elas aconteciam no estúdio fotográfico de Nadar, na Rue de Capucines, Paris. NEOIMPRESSIONISMO História das Artes > No Mundo > Arte no Século 19 > NeoimpressionismoO termo foi utilizado pela primeira vez em 1886, na última exibição impressionista em Paris, pelo crítico de arte Félix Féneon (1861-1944), diante da obra Um Domingo de Verão na Grande Jatte, de Georges Seurat, reconhecido como líder da nova tendência artística. Se a famosa tela de Seurat compartilha o gosto impressionista pelas pinturas ao ar livre e pela representação da luz e da cor, o resultado obtido indica outra direção. Em lugar do naturalismo e da preocupação com os efeitos momentâneos de luz, próprio dos impressionistas, o quadro de Seurat expõe figuras de corte geométrico que se apresentam como manequins sobre um plano rigorosamente construído com base em eixos horizontais e verticais. Os intervalos calculados entre uma figura e outra, as sombras formando ângulos retos e a superfície pontilhada atestam a fidelidade a um programa teórico apoiado nos avanços científicos da época. Georges Seurat fundou o estilo por volta de 1884 como Cromoluminarismo, inspirando-se em seu próprio entendimento das teorias científicas de Charles Henry, Michel Eugène Chevreul, Odgen Rood, e David Sutter. O Divisionismo desenvolveu-se junto com outro estilo, o Pontilhismo, que se define especificamente pelo uso de pontos de pintura e não tem como enfoque a separação das cores. Quando Monet passou a pintar sistematicamente a mesma igreja para mostrar as modificações trazidas pela luz incidindo sobre um objeto, tem início uma renovação dentro do Impressionismo. O Neoimpressionismo é uma reação ao empirismo e à improvisação impressionista, a tudo o que é ocasional ou passageiro. Os artistas neoimpressionistas pesquisam a cor retínica e o espaço ótico a partir das leis da fisiologia da visão.Esses artistas acreditavam que a separaçãodas cores transmitia uma maior vibração aos olhos do observador do que a mistura convencional dos pigmentos na paleta. A cor é levada à tela por pequenos toques (pontos), dividida em tom e subtom, daí em o termo Pontilhismo e Divisionismo. O pintor neoimpressionista volta ao ateliê, trabalha de modo sistemático, científico e racional, estruturando a formalidade na pintura. As cores não são representadas diretamente: elas nascem da justaposição de tons, calculados em função de seus efeitos óticos. O olho recompõe a distância o conjunto de pontos e traços minúsculos aplicados sobre a tela de forma paralela ou perpendicular. O pontilhismo provoca uma geometrização das formas, que são conectadas umas às outras, de modo cadenciado, por arabescos decorativos. TEORIA DA COR Gramática das artes no Design, por Charles Blanc, introduziu Seurat nas teorias de cor e visão que estimularia o Cromoluminarismo. A obra de Blanc, recorrendo à teorias de Michel Eugène Chevreul y Eugène Delacroix, expôs que a mistura ótica produziria cores mais vibrantes e puras que o processo tradicional de misturar pigmentos. Misturar os pigmentos fisicamente é um processo subtrativo da cores primárias, vermelho, amarelo e azul. Por outro lado, caso se misture a luz da cor, uma mistura aditiva resulta, um processo no qual as cores primárias são vermelho , amarelo e azul. A mistura ótica que caracterizou o Divisionismo – o processo de mistura cor por justaposição de pigmentos- é diferente das misturas subtrativas e aditivas, ainda que combinar cores em misturas óticas funcione da mesma maneira que uma mistura aditiva, as cores primárias são as mesmas. Na realidade, os quadros de Seurat não conseguiram a mistura ótica verdadeira; para ela, a teoria mais útil para causar vibrações de cor, onde as cores opostas colocadas perto intensificariam a relação entre as cores enquanto preservariam sua identidade singular. Na teoria de cor divisionista, os artistas representaram a literatura científica depois de fazer a luz operar em um dos seguintes contextos: Cor local: como o elemento dominante do quadro, a cor local refere-se a verdadeira cor do tema, tal como a grama é verde e o céu é azul. Sol Direto: Corresponde aos amarelos e laranas, que representam a ação do sol intercalando-se com cores naturais para dar o efeito da luz solar direta. Sombra: Pode-se utilizar cores como azul, vermelho e roxo para simular escuridão e sombras. Luz refletida: Um objeto que está ao lado de outro em um quadro poderia projetar cores refletidas. Contraste: Para tirar proveito da teoria do efeito de contraste Chevreul , pode-se colocar as cores opostas muito próximas. Destacamos alguns artistas: Georges Seurat (1859-1891) pintor francês. ele se formou na Escola de Belas Artes, e, como tal, suas obras iniciais eram mais no estilo clássico. Em 1883, Seurat e seus colegas começaram a explorar maneiras para expressar toda luz possível na tela. Em 1884, com a exposição da sua primeira obra importante, Um Banho em Asnieres, seu etilo começou a tomar forma com uma consciência do impressionismo, mas não estabeleceu sua teoria de Cromoluminarismo até a finalização da grande obra Um Domingo de Verão na Grande Jatte, em 1886. A princípio essa obra foi pintada com o estilo divisionista, até que Seurat a revisou no inverno de 1885-6, realizando suas propriedades óticas segundo suas interpretações sobre as teorias cientificas de cor e luz. Tal como Mondrian e Leonardo da Vinci, Seurat também recorreu à técnica da simetria dinâmica usando retângulos de ouro nas suas pinturas. A causa da morte de Seurat é incerta, e tem sido atribuída a uma difteria. Seu filho morreu duas semanas depois dele da mesma doença. Seu último trabalho ambicioso, O Circo, foi deixado inacabado. Paul Signac (1863-1935) pintor francês, famoso por desenvolver a técnica pontilhista junto com Georges Seurat. As teorias de Seurat intrigaram muitos de seus contemporâneos, pois eram artistas que buscavam uma reação contra o impressionismo associado ao movimento neoimpressionista. Paul Signac, em particular, tornou-se um dos principais proponentes da teoria de divisão, especialmente após a morte de Seurat em 1891. Na verdade, o livro de Signac, chamado De Eugène Delacroix ao Neoimpressionismo, publicado em 1899, foi onde ele cunhou o termo Divisionismo e foi amplamente reconhecido como o manifesto do Neoimpresionismo. Henri-Edmond Cross (1856-1910) pintor francês. Ele estudou na Escola Acadêmica de Design e Arquitetura de Lillle. Mudou-se para Paris em 1881 e continuou seu treinamento no estudo do atelier de Émile Dupont-Zipcy. Naquele ano, exibia seus quadros pela primeira vez. Decidiu trocar seu verdadeiro sobrenome Delacroix para Cross, para não ser confundido com o famoso pintor romântico Eugène Delacroix. Colaborou com a Sociedade dos Artistas Independentes, onde conheceu os pintores neoimpressionista Seurat, Dubois-Pillet e Angrand. O ano de 1891, com a morte de Seurat, foi decisivo em sua carreira. Nela, ele pintou sua primeira pintura neo-impressionista, Retrato da Sra Cruz, e por causa de problemas com reumatismo, mudou-se para viver no sul da França, primeiro a Cabasson e, finalmente, Saint-Clair, onde permaneceu pelo resto de sua vida, com exceção das duas estadias na Itália, em 1903 e 1908 e as visitas anuais à Paris para expor no Salão dos Independentes. Ele morreu de câncer em 16 de maio de 1910, em Saint-Clair. ART NOUVEAU História das Artes > No Mundo > Arte no Século 20 > Art Nouveau O Art Nouveau ou Arte Nova foi um movimento artístico que surgiu no final do século XIX na Bélgica, fora do contexto em que normalmente surgem as vanguardas artísticas. Vigorou entre 1880 e 1920, aproximadamente. Existia na sociedade em geral o desejo de buscar um estilo que refletisse e acompanhasse as inovações da sociedade industrial. A segunda metade do século XIX marcou uma mudança estética nas artes, a inspiração na antiguidade vigorava desde o século XV, e as fórmulas baseadas no Renascimento começam a dissipar-se dando lugar a Arte Nova, que se opunha ao historicismo e tinha como tônica de seu discurso a originalidade, a qualidade e a volta ao artesanato. A sociedade aceitou novos objetos, móveis, anúncios, tecidos, roupas, joias e acessórios criados a partir de outras fontes: curvas assimétricas, formas botânicas, angulares, além dos motivos florais. Fosse chamado de “Jugendstil” (Estilo Jovem) na Alemanha, “Modernistas” na Espanha, “Sezessionstil” na Áustria, “Stile Liberty” na Itália ou “Style Moderne” na França, o Art Nouveau era facilmente reconhecível pelas linhas graciosas, exageradas e espiraladas, traços alongados formando arabescos e entrelaçamentos de folhagens e flores e graças a isso ficou conhecido também como “estilo floral”. Principais características da Art Nouveau: Exuberância decorativa, formas ondulantes e elegantes; Era industrial quebra a autoridade das formas clássico- histórica; Arquitetura dos séculos XVIII ao XIX foi de revivescência; Novos materiais e tecnologias favorecem essa ruptura radical; Formatos de folhagens e contornos sinuosos usados a exaustão, principalmente o formato do lírio aquático; Orientado basicamente para o design; A decoração torna-se elaborada e exótica, as vezes mórbida; O sentido ascendente, entrelaçado e sugere o mover das árvores e das chamas; Com influências das gravuras japonesas, do barroco e do rococó francês. ARTISTAS E OBRAS Foi usado com a máxima de eficiência na arquitetura de Antonio Gaudí e do belga Victor Horta, além de aparecer em design de interior por todo o período, em geral. Na Espanha se destaca a Casa Milá, de Antoni Gaudi pela ausência de linhas retas e planas, a construção parece moldado por algum material mole que depois seca. E as aberturas arredondadas sem simetria dão a sensação de algo gasto pela erosão. O belga Henry van de Velde – foi um dos maiores expoentes da arquitetura da Art Noveau e pioneiro da Bauhaus. Alfons Mucha, foi símbolo da Art Noveau em Praga, Republica Checa. Hector Guimard,autor da edícula da estação do metrô Porta Dauphine em Paris. O local onde a Art Nouveau foi mais elegante foi na Escócia, em uma escola de Glasgow, principalmente pelo trabalho do arquiteto Mackintosh. A linha tinha um caráter decorativo e linear, tensa e elegante. Onde era desenvolvida uma ornamentação simbólica, independente da função estrutural do objeto. O pintor Gustav Klimt interpretou de maneira própria a Art Nouveau em seus quadros. Outros artistas importantes, além dos citados: Aubrey Beardsley, René Lalique, Charles Rennie, Louis Comfort Tiffany. SaibaMaisO Palau de la Musica Orfeó Catalã, em Barcelona é um teatro maravilhoso, em estilo Art Nouveau, projetado por Lluis Domènech i Montaner, um dos maiores representantes do modernismo da Catalunha. Os vitrais do teto, as colunas estampadas do terraço, os detalhes resumem a suntuosidade desse movimento artístico.