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Exposição Bíblica
de Efésios
Apostila elaborada pelo
Prof. David J. Merkh
©2015
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
A Mensagem das Epístolas Paulinas
_____________________________ o Tema das Escrituras e Centro da nossa Vida
(Jo 3.30)
Ef 1.10; Cl 1.15-20
A Volta de Cristo
I, II Tessalonicenses
Os Ministros de
Cristo
II Corintios
Tito
I, II Timóteo
A Igreja de Cristo
I Coríntios
Filipenses
Filemon
Apostasia de Cristo
Colossenses
Gálatas
A Primazia de Cristo
Colossenses
Justificação em Cristo
Romanos
Efésios
Gálatas
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
Efésios:
Andando Digno "Em Cristo"
A. A Estrutura Clássica:
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Chamado
Conduta
Conflito
Posição (indicativo)
Prática (Imperativo)
Andando de modo digno . . . "em Cristo"
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
B. Uma Estrutura Alternativa
I. ADORAÇÃO
A. Por Bênçãos Espirituais (1.3-14)
B. Por Salvação pela Graça (2.1-22)
II. adORAÇÃO
A. Pela Compreensão das Bênçãos Espirituais (1.15-23)
B. Pela Apropriação das Bênçãos Espirituais (3.14-21)
III. adorAÇÃO (4-6)
6 ANDARES CONSTRUIDOS SOBRE O ALICERCE DA POSIÇÃO EM CRISTO (4-6)
A. Andando em Unidade (4:1-16)
B. Andando em Santidade (4:17-32)
C. Andando em Amor (5:1-6)
D. Andando na Luz (5:7-14)
E. Andando em Sabedoria (5:15-20)
F. Andando em Submissão (5:21-6:9)
Conclusão: Permanecendo em Vitória (6.10-24)
AD/OR/AÇÃO
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
Pano de Fundo da Carta1
Data: c. 60 d.C.
Mensagem: “Privilégios espirituais no Cristo exaltado devem levar o corpo ao crescimento em união, à
santificação na vida diária e ao triunfo no conflito espiritual” (COP, 345).
A Igreja em Efésios:
1. O Corpo de Cristo (2:16, 4:4,12)
2. Um Mistério (3:3)
3. Um Edifício (2:21)
4. Uma Família (2:19; cp. 5:32)
5. Um Santuário (2:21)
6. Uma Habitação de Deus (2:22)
Outros Temas: (veja a Armadura de Deus Ef 6.10-20!)
"corpo" (8x) "em" (120x, grego) "graça" (13x) "espírito" ou "espiritual" (13x)
"andar" (8x) "celestiais" (5x) "mistério" (5x)
Importância no Cânon:
1. Epístolas às Igrejas x Epístolas a Indivíduos
2. Epístolas da Prisão: Efésios, Filipenses, Colossenses, Filemom
3. Efésios e Colossenses são epístolas gêmeas
Efésios Colossenses
O Corpo de Cristo, a Igreja
O Cabeça do Corpo, Cristo
A posição do cristão em Cristo
A posição de Cristo no cristão
A prática digna do nome de Cristo A prática digna do nome de Cristo
1 Veja Hiebert, 253 ss., COP (Foco – pp 335-339), Stott, (cp. 1 “Efésios 1.1,2 Introdução à Carta”).
Propósito
Foi escrito para encorajar os crentes a viverem em amor e unidade no
corpo de Cristo baseado na sua posição exaltada em Cristo Jesus.
Versículo Chave
"Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno
da vocação a que fostes chamados" (Ef 4:1)
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
Textos Paralelos entre Efésios e Colossenses
78 dos 155 vv. de Efésios têm correspondentes em Colossenses.
Efésios
Assunto
Colossenses
2:1-3
Mortos no Pecado
2:13
4:21-24
Despojar/Vestir
2:20-3:4
4:25
Mentira
3:9
4:26,27,31
Ira
3:9
4:24
Novo Homem
3:10
4:32
Perdão
3:13
5:3-5
Fornicação e Impureza
3:5-7
5:19,20
Vida interior
3:16,17
5:22-24
Esposas
3:18
5:25-33
Maridos
3:19
6:1-3
Filhos
3:20
6:4
Pais
3:21
6:5-8
Escravos
3:22,23
6:9
Senhores/mestres
4:1
6:18-20
Oração
4:2-4
Fatos Interessantes e Pontos Notáveis:
1. A frase "em Cristo" (ou frases semelhantes) ocorre cerca de 35 vezes!
2. Efésios parece ser a carta mais "impessoal" das epístolas paulinas, apesar do grande apóstolo ter gasto
muito tempo em Éfeso. Será que ele não fez referências pessoais para evitar favoritismo? Cp. Cl 4, 1Co 16, Rm
16.
3. Efésios é um ótimo resumo da teologia paulina - excelente para começar um estudo das suas cartas. (Por
exemplo, Ef 2:1-10 é um microcosmos do livro de Romanos).
O Que Alguns Tem Falado . . .
"Uma das mais divinas composições humanas..." (Coleridge)
"Minha carta predileta" (Calvino)
"A coroa das escrituras paulinas" (Armitage Robinson)
"A rainha das epístolas" (Barclay)
Outros Destaques:
*Alguns consideram Efésios a epístola paulina mais profunda e mais difícil
*Contém 42 palavras únicas no NT, e 39 únicas nas epístolas paulinas
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
Parte 2: Análise
Efésios 1.1-2: A Saudação de Graça e Paz
Introdução e Panorama:
Nesta pequena introdução, Paulo já nos dá uma previsão do tema principal nos capítulos 1-3: Nossa posição "em
Cristo", i.e., o que temos pelo fato de que pertencemos à família divina.
I. O Autor - Παῦλος (1a)
(Veja COP 335-336 para uma defesa da autoria paulina de Efésios.)
A. A Vida de Paulo
*Dois nomes (Saulo/Paulo; cf. At 13.4-12)
B. A Situação do Autor
1. Na prisão (3;1,4:1, 6:20)
2. Provavelmente em Roma (At. 28:30-31), a.d. 62, depois de ficar preso em Jerusalém (At. 21:31ss.) e
Cesaréia (At. 23:23-25; 24:27). É interessante notar que Paulo foi falsamente acusado pelos judeus de
introduzir/levar um efésio (Trófimo) para dentro do Templo, e por issofoi preso! (At. 21:29; cf. Ef. 3:1-13!)
3. A carta foi enviada junto com Tíquico (Cl. 4:7,8; Ef. 6:21,22) na sua viagem em que levou Onésimo de
volta para Filemom.
Aplicação: Paulo continuava seu ministério mesmo sendo preso. As circunstâncias adversas não
limitavam o impacto de sua vida na vida de outros. Não importava onde, ele conseguia glorificar a Deus e
ser útil para o reino de Jesus!
C. Como Paulo se identifica em Efésios: Note sua humildade (Is 57.15; 1 Pe 5,5,6; Tg 4.10) e o
cumprimento da profecia de Atos 9.15,16.
1. 1:1 apóstolo
2. 3:1 prisioneiro de Cristo
3. 3:7 ministro
4. 3:8 o menor
5. 4:1 o prisioneiro do Senhor
6. 6:20 embaixador em cadeias
Aplicação:
1) Paulo estava sempre ciente do privilégio e da responsabilidade de ser um ministro de Cristo.
Não perdeu sua perspectiva sobre o ministério maravilhoso que Deus lhe deu.
2) Mesmo como prisioneiro, Paulo mantinha um ministério ativo e abrangente. Circunstâncias não podem
(nem devem) limitar nosso ministério.
3) Paulo não murmurava por causa das suas circunstâncias, mas as aproveitava ao máximo (cf. Fp 1:12,13)
Propósito
Paulo começa a carta aos Efésios com a saudação unicamente cristã de graça e paz, para lembrá-los
da sua verdadeira identidade em Cristo.
} Note o paradoxo!
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
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D. Sua Comissão: “Apóstolo pela Vontade de Deus” - ἀπόστολος Χριστοῦ Ἰησοῦ διὰ θελήματος
θεοῦ
1. Qualificações do apóstolo: escolhido por Cristo (At 1:21, 22, 24-26), viu o Cristo ressurreto (At
1:15, 4.33, 20:22, 1Co 9:1; 2 Pe 1.6; 1 Jo 1.1)
2. Definição de um apóstolo: "alguém enviado com uma comissão". No grego clássico, o termo foi
usado para navios enviados com carga ou para guerra.
3. "Pela vontade de Deus" (cf. At 9): Paulo nunca esqueceu a graça do Senhor na sua conversão e
no seu chamado! Não foi por vontade própria, nem por presunção ou egoísmo que ele assumiu o título. Tinha
convicção de um chamado divino que o sustentava nas horas mais difíceis, inclusive na prisão, na perseguição,
nas críticas e nos ataques. A frase também indica sua humildade, pois não foi por sua escolha, nem por seus
méritos que se tornou um apóstolo.
4. Este título identifica a carta no seu caráter oficial. O termo se usa 4x em Efésios (1.1, 2.20, 3.5,
4.11)
5. Outros “apóstolos”: Barnabé – At 14.4, 14; 1 Co 9.5-7; Tiago - 1 Co 15.7, Gl 1.19; Apolo – 1 Co
4.6,9; Silvano (?) – 1 Ts 1.1, 2.6; Tito – 2 Co 8.23; Epafrodito – Fp 2.25; Andônico e Júnio (?) – Rm 16.7
Aplicação:
1) Paulo não afirmava autoridade própria, mas a autoridade conferida a ele pelo Senhor. Assim nossa
autoridade é "emprestada" da Palavra de Deus, e não baseada na nossa experiência, formação, etc.
2) É interessante notar pessoas hoje que se autodenominam “apóstolos”, “bispos”, “patriarcas”, etc.
3) Paulo mantinha em mente uma perspectiva sadia da sua comissão, e não voltou para trás, mesmo em
circunstâncias difíceis. Saber que foi DEUS quem nos chamou nos dá ânimo nas horas difíceis em que
somos tentados a desistir! “Deus não nos trouxe até aqui para nos abandonar!”
4) Somente a graça de Deus pode transformar um perseguidor do evangelho num mensageiro do
evangelho! Em nós mesmos somos "vasos de barro" (1 Co. 4:7). Veja 1 Co. 15:9, Gl 1:13-15, 1Tm
1:12-16 para ver o equilíbrio no pensamento paulino sobre si mesmo.
E. O Envio da Carta
Pessoas Envolvidas na Transmissão das Epístolas Paulinas:
Autor (Paulo) (Ef 1.1)
[Secretário (amanuense) (Rm 16.22, 1 Co 16.21, Gl 6.11)]
Carteiro (Tíquico) (Ef 6.21-22)
Destinatários (Ef 1.1,2; Cl 4.16)
II. Os Destinatários
1. Os Efésios
*Todos os títulos nos manuscritos antigos incluem "Aos Efésios"
*Todos os manuscritos de Ef. 1:1, menos 8, incluem as palavras "em Éfeso”
*Nenhum manuscrito inclui o nome de outro lugar
*A tradição da igreja cita Éfeso como destino desta carta
*1:1 não faz muito sentido sem o destino
*Todas as outras epístolas incluem um lugar
*Paulo não cita nomes, conforme seu costume, pois conhecia TANTA gente . . .
*Depois de alguns anos fora da cidade, ele só havia "ouvido" da fé de alguns (cf. 1:15,16; 3:2)
2. Carta circular (alguns argumentos a favor da ideia de que Efésios foi escrita como carta circular e não
necessariamente para os Efésios):
*3 manuscritos importantes antigos (alexandrinos) não incluem "em Éfeso" (veja a seguir) no
versículo
*É estranho que Paulo não cita nomes no lugar onde mais ministrou
*É estranho que Paulo só havia "ouvido" da fé de alguns desta igreja (1:15,16; 3:2)
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
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*O tom impessoal e distante não parece combinar com Éfeso (Paulo não chama os leitores de irmãos
na carta)
Sugerimos que a carta realmente foi direcionada aos Efésios, mas como todas as outras epístolas do NT que foram
logo reconhecidas como possuindo autoridade divina, teria sido circulada logo após ser recebida pelos
destinatários originais.
O que podemos aprender sobre a identidade do cristão à luz da introdução da carta aos efésios?
A. SANTOS (a perspectiva divina) - τοῖς ἁγίοις
1. Definição:
Separado, escolhido para serviço especial. (Cp. os sacerdotes, reis, profetas, utensílios no VT.)
*1 Pe 2:9,10; 2:5; 1:14,15 - Ser um "santo" implica em privilégio e responsabilidade. Fui
separado por Deus para Seu uso especial!
*Hb 7:25, 1Jo 2:1,2; Rm 8:34 A nossa posição como santos não se mantém pelos nossos
méritos, mas pelo ministério de intercessão de Jesus. Satanás acusa (Jó 1, Zc 3:1-8, Ap 12.10-
12), mas Jesus intercede por nós!
2. Aplicação:
*A questão em Efésios: uma vez que sabemos quem somos (santos) precisamos viver de
acordo com a nossa posição. Vamos andar dignos na prática, como somos em posição!
*Muitas vezes não me sinto como um santo... nestas horas preciso voltar para o fato da minha
posição em Cristo, lembrar que já morri para o pecado e para o mundo, e que sou coberto com
a justiça de Jesus
2Co 5:21 Zc 3:1-8 Rm 6:11-13
* A vida cristã é uma jornada em que descubro mais e mais quem eu realmente sou, e pelo
Espírito de Deus vou ajustando minha vida para viver digno da minha posição.
B. PEREGRINOS: "Em Éfeso" - [ἐν Ἐφέσῳ]
A Igreja em Éfeso2:
Origem: Talvez pessoas presentes no Pentecostes começaram a igreja (At. 2:9); na segunda
viagem missionária de Paulo ele visitou a sinagoga em Éfeso durante um fim de semana e depois deixou
2 Para mais informações sobre Éfeso e a igreja, veja COP, pp 338-339.
Em Éfeso?
*A grande maioria dos manuscritos incluem as palavras
*A distribuição geográfica dos manuscrito que incluem as palavras foi grande
(os 3 manuscritos antigos que não os incluem - p46, X*, B* - são todos da mesma região)
*Todas as tradições e manuscritos incluem o título "Aos Efésios"
*Não existem manuscritos com espaços em branco ou com outros nomes
*O fato de que Paulo não menciona indivíduos é um argumento de silêncio, e seria esperado depois que ele
gastou tanto tempo com os Efésios (problema de mencionar um e não outro). De fato, Paulo citava mais nomes
nas cartas para igrejas que ele ainda não conhecia (cp. Cl. 4, Rm. 16)
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
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Áquila e Priscila no lugar (At. 18:18-21). Apolo foi discipulado e instruído pelo casal (At. 18:24-26) e
depois foi enviado para Acaia (18:27), tudo isso antes do apóstolo realmente se acomodar na cidade.Ministério de Paulo: Na terceira viagem missionária começou a pregar na sinagoga, até que
oposição o forçou a formar um grupo distinto na escola de Tirano (At. 19:8-10), um ministério que teve
grande impacto na cidade e região (19:10). O impacto no culto a Artemis e na venda de artes mágicas
foi tão grande que criou um distúrbio na cidade (At. 19:26, 18,19) e levou o apóstolo a deixar a cidade
(At. 20:31). Esta foi a igreja onde Paulo investiu mais tempo!
Ministros: Áquila e Priscila, Apolo, Paulo, Timóteo, presbíteros, e João (conforme tradição e Ap.
2:1-7)
Desafio:
*Como está meu “primeiro amor” por Jesus (At 2.4,5)?
*Continuo sendo “eterno otimista” (Fp 1.6)?
*Vivo uma vida de louvor e gratidão pelas bênçãos celestiais “em Cristo” (Ef 1.3-14) ou
resmungando e reclamando pelas circunstâncias?
A História de Éfeso
Éfeso foi um centro comercial de grande importância no litoral oeste da Ásia Menor, na entrada do Rio Cayster,
450 km. de Corinto. Nos tempos de Paulo a cidade ficava mais ou menos 5 km. do mar. Sua posição geográfica
favoreceu em muito sua prosperidade. De fato não foi a capital da província, mas sim Pérgamo. Porém foi o
centro religioso e comercial da região, a "primeira cidade" daquela parte de Ásia Menor, o portão natural pelo
qual governadores e visitantes do oeste entravam na província.
Observe que um princípio de ministério missionário na vida do apóstolo Paulo foi de alcançar os
grandes centros metropolitanos, para que de lá o evangelho expandisse para as regiões do "interior".
A glória principal de Éfeso foi o Templo de Diana (nome romano) ou Ártemis (nome grego), considerado uma
das sete maravilhas do mundo antigo. Construído de mármore, ficava acima de uma plataforma de c. de 130 m.
por 75 m. O templo em si media 115 m. por 55 m., tinha 100 colunas de 20 m. de altura. Artemis foi uma deusa
"caída do céu" (At. 19:35), deusa da fertilidade (com múltiplos seios).
Além do Templo, Éfeso tinha um grande teatro que cabia até 50.000 pessoas, conforme alguns relatos.
A cidade foi conhecida como centro de artes mágicas (cf. At. 19:13-19), relacionadas à adoração de Ártemis. Foi
uma cidade de astrologia, mágica, amuletos, exorcismos, etc.
Havia muitos judeus nesta cidade com uma população de talvez 300.000 pessoas (e muitos escravos).
Conforme 1:3 temos "bênçãos celestiais", mas infelizmente ainda precisamos viver na Terra! Esta é a tensão
constante na vida cristã.
A História de Éfeso nos adverte contra os perigos de não prosseguir na fé e no amor, de não aproveitar dos
privilégios que temos. Veja a lista de obreiros que investiram nesta igreja:
Apolo - erudito, zeloso, ousado, conhecedor das Escrituras (At 18:24,28)
Áquila e Priscila -bondade, edificação de vidas, diligência (At 18:18, 26)
Timóteo -jovem, discípulo de Paulo, fiel, sincero (1Tm 1:3)
João (Ap 2:1-7, tradição)
Presbíteros (At 20:13-35)
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Conforme Ap 2:1-7 a igreja deixava um bom exemplo em muitas áreas (principalmente doutrinárias) mas faltava
uma coisa: Primeiro Amor!
Aplicação:
*Temos um problema geográfico. Santos no céu ainda têm que viver na terra!
Por isso gememos em nós (Rm 8:23), somos estrangeiros e peregrinos (Hb 11:9,10, 13-16,
38), cidadãos de outra pátria (Fp 3:20)
*Corremos um risco: O perigo de "Éfeso" entrar no meu coração. (Cp. o povo de Israel no
Êxodo; cf. 1Jo 2:15-17)
*É difícil e perigoso viver "em Éfeso", mas é por pouco tempo. (Rm 8:17,18)
*O maior perigo para o peregrino: Perder seu primeiro amor, apesar de todos os privilégios!
(cp. 1 Tm. 1:5, Ap. 2:4,5; cf. 1 Jo. 2:15-27) Esquecer de que somos estrangeiros, perder a
paixão pela pátria, pelo Pai.
C. Somos CRENTES (fiéis) em Cristo (a perspectiva humana) - καὶ πιστοῖς ἐν Χριστῷ Ἰησοῦ,
a) A frase chave "em Cristo" aparece muito em 1:1-14. Esta é a nossa posição e identidade, porque
cremos "em Cristo". Antes, estávamos "em Adão". Adquirimos a identidade e a vida de Cristo pela fé (Gl 2:20).
Paulo se refere a Cristo Jesus através de pronome ou nome não menos de 18 vezes nos primeiros 14 versículos!
"Em Cristo"
Designa a nossa posição--Onde Ele está, nós estamos (nas regiões celestiais)
Define o nosso privilégio--O que Ele é, nós somos (filhos de Deus)
Descreve as nossas posses--O que Ele tem, nós temos (herdeiros de Deus)
Determina a nossa prática: O que Ele faz, nós fazemos (cristãos - Gl 2:20)
b) "fiéis" tem 2 significados (mesma palavra no grego):
*os que creem . . .
*os que são fiéis . . .
Ser crente é devido a um milagre de regeneração pelo Espírito Santo. Cremos, contra a nossa natureza! Por que
cremos, devemos ser fiéis a Ele.
Os "fiéis" são as mesmas pessoas como os "santos" e não um grupo especial, os "espirituais" na igreja (veja a
presença de um artigo só no grego antes dos dois termos).
Aplicações:
1) Infelizmente, hoje ser chamado de "crente" é um termo pejorativo (cp Rm. 1:16)
2) Não existem duas classes de pessoas na igreja. Os "santos" também devem ser "fiéis"
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
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D. Somos CARENTES de GRAÇA e PAZ - χάρις3 ὑμῖν καὶ εἰρήνη4
a) Saudação dupla, unicamente cristã:
Graça = chairein, saudação grega (cf. Tg 1:1)
Paz = shalom, saudação hebraica (tranquilidade, bem estar geral; BGD 227c)
Este é um reflexo do "novo homem" (4:17-24) em Cristo, judeus/gentios . . . unidos (Gl 3:28)
Stott (p.11) escreve: “Estes dois substantivos [graça e paz] são especialmente apropriados no começo de Efésios:
"graça" indica a iniciativa salvadora e gratuita de Deus, e "paz" indica o nível de vida em que passamos a viver
desde que ele reconciliou os pecadores consigo mesmo e uns com os outros na sua nova comunidade”.
b) Graça e paz é o primeiro voto do apóstolo, pois sabe o quanto precisamos destes dois favores
divinos. Em nós mesmos somos incapazes. Graça é a causa e paz é a consequência.
c) Somos carentes, mas também já recebemos de Deus graça (2:5,7,8; 4:7; cf. 3:2,7) e paz (1:2;
2:14,15,172 6:15, 23). Tudo é de Deus! (Veja o princípio 4:7 - 1Co 4:7, 2Co 4:7) Cf. Fp 4:13, Jo 15:5.
Aplicações:
*Gratidão (pelo que já recebemos)
*Dependência (pelo que ainda precisamos)
E. Somos FILHOS de Deus - ἀπὸ θεοῦ πατρὸς ἡμῶν
Rm 8:14-17, Gl 4:5-7 - Não somos mais escravos, mas filhos! Somos servos de Deus num outro
sentido, ou seja, escravos voluntários, por amor ao mestre. Este era o costume no VT quando o servo queria
sempre servir ao Mestre; furava sua orelha como sinal de que pertencia a outro. Neste sentido somos "escravos"
de Deus - por amor! No VT, Deus aparece como “Pai”somente 15x. No NT, 245 vezes.
F. Somos SÚDITOS do Rei Jesus - καὶ κυρίου Ἰησοῦ Χριστοῦ.
Mt 6:24, 33 - "Ninguém pode servir a dois mestres (...) Buscai, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus
Js 24:15b - "Eu e a minha casa serviremos ao Senhor"
Stott escreve (p. 11): “O Senhor Jesus Cristo domina a mente de Paulo e enche a sua visão. Parece que ele se
sente compelido a incluir Jesus Cristo em cada frase que escreve, pelo menos no começo desta carta. Pois é
através de Jesus Cristo, e em Jesus Cristo, que a nova sociedade de Deus veio a existir.”
Aplicações:
1) Obedecer, sem questionar, as ordens do nosso Rei!
2) Fazer súditos do seu reino no mundo inteiro (Mt 28:18-20). A Grande Comissão = fazer discípulos
do Rei = fazer súditos de Cristo. Como crentes em Cristo Jesus, como fiéis, como peregrinos, somos
leaisa outro Rei. Pertencemos a outro Reino e outro Rei!
3 χάρις 155x no NT, 100x em Paulo, 12x em Efésios (1.2,6,7; 2.5,7,8; 3.2,7,8; 4.7,29; 6,24
4 εἰρήνη 43x em Paulo, 8x em Efésios
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Efésios 1:3-14: Adoração por Bênçãos Espirituais
Introdução e Panorama
O Apóstolo Paulo não se contém enquanto contempla as maravilhas do EVANGELHO e suas implicações PARA
O CRISTÃO EM EFÉSIOS 1.3-14.
O copo da ira de Deus a nós destinado (Sl 75.8; Ap 14.10; Rm 1.19,20) foi drenado por Jesus (Lc 22.41,42). Se
Deus simplesmente nos devolveu um copo vazio seria uma bênção incontável. Se ele nos desse um copo com
UMA GOTA de bênção, seria além de compreensão. MAS DEUS NOS DEU UM COPO CHEIO DE TODA
BÊNÇÃO ESPIRITUAL EM CRISTO! (Veja A Gospel Primer, Milton Vincent, pp 47-48)
*Um "hino de louvor" elegantemente estruturado
*Uma "avalanche" de bênçãos
*Um parágrafo compacto, cheio de profundidade teológica!
*Uma sinfonia de adoração que contém, mesmo de forma sutil, todas as sucessivas melodias que se
seguirão (Stott, 13, citando Mackay, p.75)
*Uma destilação da essência do EVANGELHO e suas implicações para quem está
“em Cristo”! (O texto revela a importância de “pregar o Evangelho para nós mesmos
*Note a mudança de ordem normal nas cartas paulinas: louvor vem ANTES dos agradecimentos.
Contexto: Na saudação inicial da carta Paulo já destacou 6 aspectos da identidade do cristão,
respondendo a pergunta "Quem somos?": Somos santos, peregrinos, crentes (fiéis) em Cristo Jesus, filhos de
Deus, súditos do Rei Jesus. Ele continua esclarecendo a nossa posição "em Cristo" (caps. 1-3) em 1:3-14, agora
respondendo a pergunta "O que temos?" e “Porque Deus deve ser louvado?” Somente na eternidade é que
teremos condições de realmente compreender as bênçãos que Deus nos dá em Cristo. Talvez por isso Paulo ora
logo depois (1:15-23) para que possamos compreender e nos apropriar destas riquezas tão profundas.
Síntese/Estrutura:
*Uma sentença só no original (a sentença mais comprida no NT!)
*A Trindade em foco
*Movimento do geral (tese – v. 3) para o específico (a base de louvor – vv 4-14)
*Abrange de eternidade a eternidade
Propósito
Paulo revela a obra redentora da Trindade que abrange toda a eternidade e garante nossa
salvação eterna para renovar a perspectiva do cristão sobre suas posses espirituais e
provocar louvor à glória de Deus.
Grande Ideia
Louve a Deus pela sua posição em Cristo!
Exercício: Quantas vezes o nome de Jesus ou uma preposição/pronome que se refere a Ele aparece
em: Ef 1.1-14? [cf 1 Co 1.1-10] Quantas vezes a frase “em Cristo” ou algo semelhante ocorre?
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I. A Tese: "Bendito Seja Deus!" (3)
Observe o movimento do "geral" para o específico neste parágrafo: A tese ("Bendito seja Deus") leva para
a base (as razões por que Deus deve ser louvado). Note também como Paulo sutilmente inclui a Trindade neste
versículo: Deus o Pai, o Senhor Jesus Cristo e a bênção "espiritual" (ou, "que vem do Espírito").
(O único outro livro bíblico com “elogio” logo após a saudação é 1 Pe 1.3-12.)
Exercício: Alistar as bênçãos espirituais que pertencem ao cristão nos vv. 3-14; (cf as 7 doutrinas que nos
unem na Trindade em 4.4-7):
Vamos observar o texto, respondendo algumas perguntas básicas:
A. Quem nos Abençoou? Deus, o Pai - ὁ θεὸς καὶ πατὴρ τοῦ κυρίου ἡμῶν Ἰησοῦ Χριστοῦ
*A segunda menção em dois versículos de Deus como nosso "Pai"
*cf. Tg 1:5 "o dando-Deus"
*cp. Mt 7:7-11 e a natureza de Deus como Pai
Aplicação: Como é seu conceito de Deus? O que você pensa quando ouve o nome de Deus é a coisa
mais importante sobre sua pessoa (Tozer)! Você pensa em Deus como Alguém satisfeito com você pelos méritos
de Cristo? Ou sempre bravo, desapontado, esperando e exigindo mais e mais até que você fique exausto? Você
se vê como filho ou escravo? Aceito ou rejeitado?
B. O Que? "Bendito" (louvor) - Εὐλογητὸς5 ὁ θεὸς
*O propósito principal deste parágrafo, o ponto de partida, é LOUVOR AO PAI!
*Esse termo foi usado somente de Deus no NT
*cf. Sl 103
Aplicação:
1) O homem abençoa a Deus com palavras de louvor, reconhecendo as bênçãos que Ele nos
concedeu e pelo que Ele é.
2) Como Deus é um BOM PAI! Como Ele gosta de dar! Louve a Deus que Ele é seu PAI!
3) Note que o foco de Paulo não está nos “presentes” materiais, mas espirituais, que Deus dá. Qual
tem sido seu foco – o material e efêmero, ou o espiritual e eterno?
5 Εὐλογητὸς – 43x na LXX (traduzindo “Baruch” em relação a Deus: “bendito é Deus”; 8x no NT (Mc 14.61; Lc 1.68; Rm
1.25; 9.5; 2 Co 1.3, 11.31; Ef 1.3; 1 Pe 1.3)
Um Hino de Louvor ao Deus Triúno
Tese: Bendito seja Deus, porque Ele nos abençoou! (3)
Primeira Estrofe: "Separados por Deus Pai" (4-6)
Coro: Para o louvor da sua glória (6)
Segunda Estrofe: "Salvos por Cristo Jesus (7-12)
Coro: Para o louvor da sua glória (12)
Terceira Estrofe: "Selados pelo Espírito Santo" (13,14)
Coro: Para o louvor da sua glória (14)
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C. Quando Deus nos abençoou?
1) No passado ("nos tem abençoado")
2) Já temos tudo que precisamos em Cristo! cf. 2 Pe 1:3
Aplicações:
1) Não existe uma "segunda bênção", nem duas (ou três) classes de cristãos (os que têm e os
que não têm). Tais classificações dividem o Corpo de Cristo e negam essa verdade.
2) A vida cristã consiste em se apropriar cada vez mais das bênçãos que já temos em Cristo.
3) Precisamos reavaliar nossa dependência em fontes não bíblicas para estabelecer nossa
filosofia de vida e de ministério. Qual a fonte de verdade para o cristão? Deus nos deu ou não
tudo que precisamos para uma vida santa e boa?
D. Por causa de Quem nos abençoou? "nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual em
Cristo" - ὁ εὐλογήσας ἡμᾶς ἐν πάσῃ εὐλογίᾳ πνευματικῇ ἐν τοῖς ἐπουρανίοις ἐν Χριστῷ
1) 2Pe 1:3 - já temos tudo que precisamos: a Palavra de Deus (autoridade final e absoluta), as bênçãos
de Deus (segurança na nossa posição perante Deus)
2) Conforme, João 1.16, as bênçãos de Deus são como ondas do mar, em que recebemos pelos
méritos de Cristo “graça sobre graça”, ou seja, graça no lugar de mais graça! Cf. 2Co 4:18, Cl 3:1-
4, 2Co 6:4-10
3) Note bem a frase "em Cristo" de novo (cerca de 130x nas epístolas paulinas)! É somente pelos
méritos de Cristo que somos abençoados por Deus! Sua justiça fornece as bênçãos! A frase “em
Cristo” (ou paralelos) ocorre 36x em Efésios! (Veja Hoehner, p. 173). A ideia é de união com uma
nova cabeça. (Cp “em Abraão” – Gn 12.3, 18.18; “em Adão”- 1 Co 15.22; Rm 5.12-14).
4) Veja as bênçãos da Nova Aliança (Jr 31:31-34) que são espirituais em contraste com as bênçãos
da Velha Aliança (Dt 28) que eram (principalmente) materiais. (O termo ἐπουρανίοις ocorre 19x
no NT e 5x em Efésios.
5) "Bênçãos espirituais" podem significar
a) privilégios não materiais ou
b) benefícios que provêm do Espírito de Deus
De certa forma, ambas as possibilidades têm razão.
Aplicações:
1) A ênfase constante do NT está em bênçãos espirituais, não materiais. É uma aberração do
evangelho enfatizar benefícios materiais!
2) Não corramos atrás de coisas materiais para achar nossa satisfação. Já tenho tudo que
preciso para a eternidade, mesmo na aflição!3) Porque nos preocuparmos com pequenas brigas, irritações, inconveniências, quando temos
todos os recursos do nosso Pai celeste ao nosso dispor? Reclamar e resmungar porque?
E. Onde nos abençoou? "Nas regiões celestiais" - ἐν τοῖς ἐπουρανίοις
1) 3 níveis de "céu" no NT:
*A atmosfera
*As estrelas
*A presença de Deus (a ênfase aqui - nossa posição perante Deus)
2) A esfera em que os "principados e potestades" operam (3:10, 6:12) onde Cristo reina supremo e
seu povo junto com ele (1:20, 2:6) e onde Deus nos abençoa com toda sorte de bênçãos espirituais
em Cristo (1:3) (Stott, 35).
3) Confere Cl 3:1,2: Devemos ter corações sempre focalizando Deus e nossa posição no alto
Aplicação:
Precisamos iniciar o dia focalizando verdades eternas para nos ajudar a concentrar em realidades espirituais.
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II. A Base (razão) do Louvor: A Obra da Trindade na nossa Salvação (1:4-14)
Estes versículos esclarecem exatamente porque Deus deve ser louvado.
vv.
Quando?
Quem?
O Quê?
Para Que?
4-6
"Antes da fundação do
mundo" (Eternidade
passada)
Deus Pai,
Autor da Salvação
Selecionou
Louvor da sua Glória
7-12
Na crucificação de Cristo e
no momento da salvação
(Passado-Agora)
Jesus Cristo, o Filho,
Agente da Salvação
Salvou (e se
sacrificou)
Louvor da sua Glória
13,14
No momento da salvação até
a eternidade futura.
O Espírito Santo,
"Aplicador" da Salvação
Selou
Louvor da sua Glória
Note como a doutrina da Trindade se repete tantas vezes nesta carta que enfatiza “unidade em diversidade”: 1.3-
14; 17; 2.18, 22; 3.4,5; 3.14-17; 4.4-6; 5.18-20.
(Uma maneira de estudar esse texto seria pensar como seria nossa vida se o OPOSTO das bênçãos espirituais
fosse verdade, ou seja, se NÃO fossemos eleitos, predestinados, redimidos, selados, etc.)
A. Selecionados por Deus Pai (1:4-6)
1. Eleição: O entendimento errado desta doutrina tem causado divisão e confusão quando na verdade
seu alvo é de consolar e encorajar os irmãos. Precisamos adquirir uma perspectiva bíblica e sadia. (Note o uso da
voz média do verbo ἐξελέξατο que traz a ideia de intenso interesse pessoal da parte de Deus. Veja Apêndice 1
para um resumo da doutrina de eleição/predestinação.)
a. A Doutrina: Deus escolhe alguns para a vida eterna (nunca para reprovação).
3 grupos na Bíblia foram escolhidos
*Israel (Dt 7:6-8, Is 45:4)
*Indivíduos para serviço especial (Levi, os 12)
*Pessoas para a salvação
b. O Agente - "nEle" ἐν αὐτῷ
c. O Tempo: "antes da fundação do mundo" - πρὸ καταβολῆς κόσμου
Cinco vezes a frase foi usada para descrever atividades da eternidade passada:
"Antes da Fundação do Mundo"
Jo 17:24 - O Pai amou ao Filho
1Pe 1:20 - O Pai planejou a redenção pelo Filho
Mt 25:34 - Deus planejou o reino de Cristo
Ef 1:4 - O Pai planejou nossa salvação
Ap 17:8 - Nossos nomes foram escritos no livro da vida
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d. O Objetivo: "para sermos santos e irrepreensíveis perante ele em amor" - εἶναι ἡμᾶς
ἁγίους καὶ ἀμώμους κατενώπιον αὐτοῦ ἐν ἀγάπῃ
*O substantivo ἀγάπῃ ocorre 10x em Efésios, e 10x aparece como verbo;
*Veja 5:27, Cl 1:22
*"irrepreensível" nos lembra dos sacrifícios sem defeito no VT
Aplicações:
1) Jonas 2:9: "Salvação pertence ao Senhor"
2) Louvor é a resposta principal à doutrina da eleição, não a discussão!
3) Devemos manter o equilíbrio bíblico, afirmando a soberania divina e a responsabilidade
humana.
4) O conhecimento desta doutrina deve sempre nos levar à humildade, nunca ao orgulho!
5) O fato desta escolha de Deus ter acontecido antes da fundação do mundo tira o desânimo, a
culpa e a amargura, e renova a perspectiva sobre a obra de Deus em minha vida!
6) A eleição de Deus antes da fundação do mundo garante minha salvação de eternidade à
eternidade. Mesmo sabendo como eu seria, Deus me escolheu!
2. Predestinação - προορίσας ἡμᾶς
Precisamos distinguir entre eleição e predestinação. Não são iguais. Predestinação trata do destino final daqueles
que creem, não daqueles que rejeitam a Jesus. Tem a ver com a experiência do cristão depois da salvação,
enquanto a eleição trata do fato da escolha para vida eterna. Predestinação sempre inclui um objeto (somos
predestinados PARA alguma coisa).
a. A Doutrina: Deus ordenou que todos que creem em Seu Filho serão conformes à imagem
de Jesus, santos e irrepreensíveis perante Ele. Existem razões por trás da escolha divina, mas o homem é incapaz
de sondá-las. O termo ocorre 6x no NT (At 4.28; Rm 8.28,29; 1 Co 2.7; Ef 1.5,11).
b. Alguns textos:
At 4.28 Rm 8:28,29 1 Co 2.7 Gl 4:1-7 Ef 1:5, 11
b. O Objetivo ("para ele") εἰς αὐτόν
Aplicações:
1) Fp 1:6 - Deus ainda não completou Sua obra em mim. Ele não desistiu de mim!
2) O meu futuro está garantido - serei como Jesus em posição e em prática!
3) Um dia serei como Jesus. Por enquanto enfrento a luta diária com a velha natureza. Sou
diferente dos demais em posição. Devo ser diferente na prática.
3. Adoção - προορίσας ἡμᾶς εἰς υἱοθεσίαν
a. A Doutrina: Recebemos o título "filhos de Deus" com todos os direitos e privilégios que
isso implica. Adoção na cultura judaica tratava mais o casamento levirato. Adoção romano significa uma
transferência de autoridade e responsabilidade para alguém que seria um herdeiro legítimo do pai. (Note como
fomos transferidos da família do diabo para a família de Deus – Ef 2.2,3; Jo 8.38,44). Temos acesso imediato à
nossa herança e ao trono do Pai por estarmos "em Cristo". (Obs.: Adoção no NT não significa o que adoção
significa hoje. Naquela época a "adoção" acontecia quando o filho legítimo era reconhecido como herdeiro.) O
termo υἱοθεσία ocorre 5x no NT (Rm 8.15, 23, 9.4; Gl 4.5; Ef 1.5)
b. Outros textos:
Jo 20:17 Gl 4:4-7 Rm 8:22,23,15 Gl 3:26ss
Aplicações:
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1) Devo apreciar e apropriar minha posição como filho, por exemplo, aparecendo sempre
perante o "trono da graça" (Hb 4:16, 10:19-25)
2) Devo me considerar como filho, não como escravo (veja David Seamands, O Poder
Curador da Graça, pp. 18,19). Minha posição está segura!
4. O Propósito: "para louvor da glória de sua graça . . . "
B. Salvos por Cristo Jesus (1:7-12)
1. Redenção (7a)
a. A Doutrina: Fomos "comprados do mercado de escravidão para sermos livres em Cristo";
Deus tira de nós o poder do pecado. Dos termos para salvação, "redenção" talvez tenha sido o predileto dos
santos na história da igreja, porque descreve o benefício imediato da obra de Cristo na vida dos santos. Veja este
diagrama:
b. Pano de Fundo: Alguns calculam que havia cerca de 6.000.000 de escravos no império romano.
Paulo emprestou uma figura bem conhecida da sua época. Quando um escravo era "redimido", pelo menos três
coisas aconteciam:
*alguém pagou o preço de sua liberdade
*ele foi declarado livre
*foi escrito um documento provando sua liberdade
c. Alguns Textos:
*Lc 21.28 *Rm 3.24 *Rm 8.23 *1 Co 1.30
*Ef 1.7 *Ef 4.30 *Cl 1.14,30 *Hb 9.15
Cf: 1 Pe 1:18s; Gl 5:1, 1:4; Jo 8:34; Rm 7:14
d. Uma ilustração: Oséias e Gômer (Os 3:1)
Aplicações:
1) O pecado não é mais meu mestre(Rm 6.11-14)! Preciso relembrar constantemente que o
pecado perdeu seu poder (morreu) na cruz.
2) Mesmo sendo livre do pecado, ainda posso escolher viver debaixo do seu controle. Mas não
é normal viver assim (Rm 6)
3) A redenção leva à santidade de vida (1Co 6:19,20; 1Pe 1:16-25)
O Pai
Eu O Filho
Propiciação Justificação
Redenção
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2. Remissão dos Pecados (7b, 8) - τὴν ἄφεσιν τῶν παραπτωμάτων
a. A Doutrina: Nossos pecados foram "mandados embora". Não mais constituem um
obstáculo entre Deus e nós. Foram removidos para sempre. Assim Deus tira de nós a presença de pecado em
termos da nossa posição perante Ele. Satanás nos acusa (Ap 12.10) mas Jesus nos defende (1 Jo 2)
.
b. A ilustração: O Dia da Expiação (Lv 16.21) e o Bode Expiatório.
c. Outros textos: *1Jo 1:9 *Sl 103:3,10,12 *Pv 28.13
Aplicações:
1) Embora haja consequências (cicatrizes) do pecado, não há por que andar com culpa. O preço
do pecado já foi pago!
2) Satanás não tem direito de nos acusar (Ap 12:10, Jó 1). Jesus Cristo vive intercedendo por
nós, aplicando seu sangue ao nosso pecado passado, presente e futuro (Hb 7:25, Rm 8:34, 1Jo
2:1,2)
3. Revelação do Plano de Deus (9-11)
a. A Doutrina: Em Cristo somos conhecedores do plano maravilhoso de Deus que tem Seu
Filho no centro da história.
b. O "Mistério" de Deus = fazer seu filho o ponto central de toda a história do universo (uma
verdade escondida antes, mas agora revelada!) Este é o segredo do universo que agora pode e deve ser proclamado
abertamente. A revelação deste plano aconteceu, como sempre, no tempo perfeito (vv. 10; cf. Gl 4:4). Em Cristo
Deus cristaliza todos os planos do universo. Ele é a soma de tudo que existe, a consumação dos propósitos de
Deus para a raça humana! (cf. Rm 13:9). Se tivéssemos que escolher um versículo para resumir a mensagem
da Bíblia, talvez Efésios 1.10 seria a melhor opção! Deus planeja fazer todo o universo convergir na
adoração do Seu Filho, Jesus!
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c. O Plano inclui a "Herança" dos santos
i. Somos a herança de Deus, joias para Ele (Dt 4:20, 9:29, 32:9; Sl 33:12; 1Rs 8:51; Sl
106:40, 135:4, Jr 10:16, Zc 2:12; cf. 1Pd 2:4,5). Parece ser esta a ênfase do texto – somos a propriedade particular
de Deus em Cristo.
ii. Recebemos uma herança em Deus, junto com Cristo. Essa é uma verdade paralela,
destacada em outros textos (cf Rm 8.17,18).
4. O Propósito (12): "para louvor da sua glória"
A salvação de homens perdidos transforma-os em seres que adorarão a Deus para toda a eternidade, trazendo
glória a Ele para todo sempre! Somos troféus da graça de Deus!
C. Selados pelo Espírito Santo – as outras bênçãos perdem significado sem a presença do Espírito que
garante sua apropriação.
1. O Selo
a. Pano de fundo: O Selo no Mundo Antigo (2 Co 1.22; Ef 4.30; 2 Tm 2.19)
b. Significado:
*Posse - pertencemos a Deus (2Co 1:22; Ef 4:30; 2Tm 2:19)
(ilustração: ticket para receber bagagem depois de um voo)
*Autenticidade/Prova - o selo prova que somos de fato filhos de Deus (Rm 8:9, 16,17;
1Co 9:2; Jo 3:33, 6:27) (ilustração: certificado de nascimento com carimbo; reconhecimento de firma)
*Segurança - o selo indica que a autoridade por trás do selo garante a segurança daquilo
que é selado para o destino determinado (ex.: Daniel na cova dos leões, Dn 6:17; o túmulo de Jesus (Mt 27:64-
66); uma oferta (Rm 15:28); os rolos de Apocalipse (5:1,2,5,9, 6:1,3,5,7,9,12; 7:2, 8:1, 9:4). Somente uma
autoridade maior será capaz de removê-lo. Destes significados do selo, o primeiro e último parecem ser mais
importantes em Efésios 1. Somos filhos de Deus atestados pela presença do Espírito Santo em nossas vidas, que
também garante que chegaremos ao nosso destino final.
c. Ocasião: "depois que ouvistes a palavra da verdade . . . tendo nele também crido"
As palavras "ouvistes" e "crido" são particípios aoristos que podem indicar ação contemporânea ou antecedente
da ação do verbo principal ("fostes selados"). Neste caso parece que recebemos o "selo" simultaneamente com a
nossa conversão. A tradução "depois que" dá uma ideia errônea neste texto que seria melhor traduzido “quando”
ouvistes....
d. Condições
*Ouvir a palavra
*Crer em Cristo
Note bem: Não há nenhum outro requisito para receber o selo do Espírito, como, por exemplo, falar em línguas,
orar, receber o "sopro do Espírito", etc.
Aplicações:
1) Pertencemos a Deus como propriedade particular, especial, para o uso exclusivo dele!
2) Somos seguros em nossa posição em Cristo. O Maligno não nos toca (1Jo 4:4) pois o selo
de Deus nos identifica como sua propriedade, protegido por ele (2 Tm 1.12; 2.19)
2. O Penhor
a. Pano de Fundo: O Penhor no Mundo Antigo e Hoje
Alguns "mistérios" no NT:
1Tm 3:16 Deus se fez homem
Ef 6:19 A cruz de Cristo (a ressurreição, evangelização)
Rm 11:25 A rejeição do Messias por Israel
Ef 3:3-6 A existência da igreja
Cl 1:27 Cristo habitando em nós
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b. Uso: O termo aparece também em 2 Co 1.22 e 5.5
c. Significado:
*Uma garantia presente de um destino futuro (Rm 8:18-23)
Ilustração: Compra de uma casa, imóvel, etc.
*Uma promessa: o melhor ainda está por vir (1Jo 3:1-3)
Ilustração: Aliança de noivado (É interessante observar que o termo "penhor" no
grego moderno é usado da aliança de noivado!)
Aplicações:
1) O mesmo Deus que nos escolheu antes da fundação do mundo nos deu seu Santo Espírito
como "depósito" garantindo que seremos dele até o final do mundo!
2) Gememos em nós mesmos enquanto nesta vida, mas aguardamos outra Pátria onde Deus
habitará conosco para sempre!
3) Somos diferentes do mundo. Nadamos contra a maré. Agonizamos com as lutas deste
corpo contra o pecado, mas um dia tudo será diferente.
Aplicações Finais:
1) A nossa salvação é garantida desde eternidade passada até a eternidade futura. Ninguém pode apagar
nossos nomes do livro da vida!
2) O cristão deve estar sempre com a boca aberta, joelhos dobrados, coração palpitando e fronte curvada
perante as maravilhas da sua salvação. De tantos bilhões, Ele me escolheu para pertencer à sua família.
Louvado seja seu nome!
3) Focalizar nestas verdades sublimes, tira as distrações de pequenas irritações, reclamações, frustrações,
briguinhas, inconveniências e eleva nossos olhos para realidades eternas. Se pudéssemos sempre meditar
nestas bênçãos nas "regiões celestiais" tantas outras questões insignificantes acabariam sendo esquecidas!
“O homem caído, aprisionado no seu próprio ego minúsculo, tem uma confiança quase
ilimitada no poder da sua própria vontade, e um apetite quase insaciável pelo louvor da sua
glória pessoal. Mas o povo de Deus, pelo menos, já começou a ser virado pelo avesso. A
nova sociedade tem novos valores e novos ideais. O povo de Deus é a possessão de Deus
que vive pela vontade de Deus e para a glória de Deus." (Stott, 28)
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Efésios 1:15-23 Oração por Apropriação das Bênçãos
Introdução e Panorama
O que você pede por uma pessoa que já tem tudo? A resposta: conhecimento e apropriação das suas posses! (veja
Hoehner, p. 247).
Contexto: "Por isso . . . " Διὰ τοῦτο - Note a importância das ligações entre parágrafos principalmente na
literatura epistolar da Bíblia;
É bomsaber das nossas bênçãos em Cristo, mas... e daí? Que diferença faz? São invisíveis, abstratas e
intangíveis. Como entender e, além disso, nos apropriar delas? Podemos estudar, dissecar, examinar, discutir, e
ainda não compreendê-las de forma prática. "Por isso" Paulo ora por conhecimento espiritual resultando na
apropriação prática da nossa posição em Cristo. (Essa é a segunda maior de oito sentenças cumpridas em Efésios,
e tem 169 palavras no original!)
Estrutura: Nesta oração o argumento de Paulo se desenvolve da seguinte maneira:
1. Gratidão pela fé/fidelidade dos efésios exemplificada em amor sacrificial
2. Petição por compreensão espiritual de tudo que têm em Cristo
3. O resultado (propósito?) final da oração: apropriação prática das bênçãos espirituais
e do poder de Deus
4. O exemplo principal deste poder foi manifestado na ressurreição e exaltação
de Cristo.
Desafio: Estudar e ensinar as orações de Paulo e do “Pai Nosso” de Jesus para transformar sua
maneira de orar.
I. Oração de Gratidão por Uma Vida Cristã Verdadeira (1:15-16)
Gratidão é uma forma de louvor, pois reconhece que somos "obrigados" a Deus por alguma coisa. Neste caso, é
uma expressão de gratidão pela atuação de Deus na vida de outros.
Paulo destaca as marcas de um cristão verdadeiro, motivos de louvor:
A. A razão pela oração: (15) Paulo dá graças porque ficou sabendo do seu . . .
1. Relacionamento vertical: Fé no Senhor Jesus
"também eu" – Significa que Paulo, junto com outras pessoas, soube da sua fé, que Paulo,
juntamente com Deus....
"tendo ouvido" - O particípio, que tem força causal (“pelo fato de que ouvi”) ou temporal
(“quando ouvi”) levanta uma dúvida: Porque Paulo só ouviu da fé deles, se ministrou tanto tempo em Éfeso?
(Muitos entendem que a carta aos Efésios foi originalmente uma carta circular por causa dessa expressão.) Mas,
depois de mais de 5 anos desde sua última visita aos efésios, haveria muitos novos convertidos e muito progresso
na fé. Os relatórios da fé deles seria como se tivesse ouvido pela primeira vez. Cf. Fm 4,5; Cl 1:4
"fé" pode ser traduzida por "fidelidade". Qual seria melhor aqui? Qual seria a diferença entre
as duas traduções: 1) Desde que ouvi da sua fé no Senhor Jesus e 2) Desde que ouvi da sua fidelidade no Senhor
Jesus?
Propósito
Paulo ora com gratidão pelos efésios, pedindo por sua compreensão de
realidades espirituais, para que eles se apropriem no dia-a-dia de sua
posição em Cristo numa vida transformada pelo poder de Deus.
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Esta fé foi provocada pelo próprio Senhor (Ef 2:8,9; Fp 1:29) e Paulo simplesmente dá graças a Deus por isso.
2. Relacionamentos horizontais: Amor para com todos os santos.
O cristão verdadeiro ama seus irmãos na fé - esta é uma marca da nossa família (1 Jo 4:7-11). Fé vertical
manifesta-se em amor horizontal.
Aplicação:
1) Possuo estas marcas de um crente de verdade? Fé em Deus e amor pelos santos? Se não,
devo questionar se realmente estou na fé (2 Co 13:5)
2) Dou graças a Deus pelo progresso espiritual que vejo na vida de meus irmãos, ou fico com
ciúmes?
3) Estou crescendo na minha fé e no meu amor?
B. A frequência da oração (16)
"não cesso de dar graças" (cp. 1Ts 5:17) – Paulo não se esqueceu daqueles para quem já ministrou!
Aplicação:
1) Oro com gratidão pelas pessoas para quem já ministrei a Palavra?
2) Oro pelas pessoas para quem ministro?
3) Oro com gratidão pelas pessoas para quem ministro?
4) Oro pela recepção da Palavra pelas pessoas para quem ministro? (At 6.4)
5) Gratidão é a marca de grife do cristão (Cl 3.15-17).
II. Pedido por Compreensão Espiritual (17-18a)
Sabendo como somos limitados na nossa visão espiritual, e como seria difícil realmente vivermos cientes da nossa
identidade em Cristo, Paulo continuamente orava pela compreensão espiritual da parte dos seus discípulos.
A. Esta oração está baseada no CARÁTER de Deus!
1. "Deus de nosso Senhor Jesus Cristo" (de novo! Cp 1.1,2)
2. O genitivo “Pai DA glória” pode ser de fonte (“Pai que deu origem à glória”), objetivo (“Pai sobre
a glória”) ou, melhor, atributivo (“Pai glorioso”) (cp 1.6, 12, 14). “Glória” representa a essência do ser, o resumo
dos atributos divinos (Hoehner, p. 255).
B. O CONTEÚDO da Oração
Há somente UM pedido na oração.
1. "Espírito de sabedoria e de revelação"
*O primeiro problema é se o texto deve ser traduzido “espírito (disposição, capacitação)” ou
Espírito (Santo)? (veja Hoehner, pp 257-58)
*O genitivo "espírito DE sabedoria e DE revelação” provavelmente é atributivo, “um espírito
sábio e iluminado”
*Obs. nas orações paulinas quantas vezes Paulo ora por sabedoria/compreensão espiritual:
3:18, Fp 1:10, Cl 1:9
2. "Pleno conhecimento dele"
*Obs.: nas orações paulinas quantas vezes Paulo ora pelo conhecimento de Deus: 3:17,19; Fp
1:9; Cl 1:9,10).
C. A CAPACIDADE de receber a resposta (18a). Essa é a razão por que Paulo podia fazer a oração.
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
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1. "iluminados" - o tempo deste particípio (perfeito) indica uma ação passada com resultados
continuando até agora. Paulo aqui cita a razão por que pode ter tanta certeza de que sua oração por compreensão
espiritual será respondida. Muitos fazem desta frase mais um pedido de Paulo, mas o fato é que, para os
filhos de Deus, seus olhos já são iluminados espiritualmente.
2. "os olhos do vosso coração" - uma figura de linguagem que significa “compreensão espiritual”.
Aplicação
1. Temos a capacidade de entender o plano de Deus para o universo! (cf 1:9-10; cf Sl 119.97-
100)
2. Já temos tudo que precisamos em Cristo e nas Escrituras (Ef 1:3; 2Pe 1:3)
3. Cp. 2Co 4:3,4. Os incrédulos são espiritualmente cegos! Só Deus pelo Espírito pode
abrir seus olhos.
4) Precisamos conhecer a Deus (o verdadeiro Deus, não aquele pequeno deus que alguns
tentam manipular). Este deve ser um dos objetivos principais das nossas orações.
5) Sou completo "em Cristo"! Já recebi tudo que preciso para viver a vida que Deus quer.
III. Três Resultados da Oração (18b-23)
O objetivo final (propósito? resultado?) desta oração paulina é a apropriação da nossa posição privilegiada em
Cristo Jesus. Em outras palavras, Paulo quer que experimentemos ("para saberdes" têm a conotação de
conhecimento adquirido por experiência) na vida real o que somos em posição. Ele alista três áreas onde o cristão
se apropriará das suas bênçãos, se ele adquirir a compreensão espiritual:
A. Apropriação da Posição em Cristo: "A Esperança do seu Chamamento" (18b)
*Em Efésios, nosso chamado é para glorificarmos a Deus (1:11-12); andar unidos "em Cristo" (4:1)
de modo digno desta honra sublime de ser Seus filhos! O nosso chamado nos faz elevar os olhos e reconhecer
tudo que temos e teremos pelos méritos de Jesus.
* cf. Hb 11:10; Cl 3:1,2 (temos um chamado no passado, certeza no presente, e uma cidade no
futuro!)
* "esperança" significa "certeza". Em outras palavras, a certeza do nosso futuro está baseada na
garantia do seu chamado (cf. 1:3-14)
*o genitivo “esperança DO seu chamamento” é de fonte ou origem: “A esperança QUE VEM do
chamamento”
B. Apreciação da nossa Posse por Cristo: "a riqueza da glória da sua herança nos santos"
Há 2 opções:
1) Recebemos uma herança de Deus (cf. 1:11; 14 "SUA propriedade; Rm 8.17,18)
2) Somos a herança de Deus. Parece que esta é a ideia neste texto (emboratambém tenhamos
uma herança em Cristo). Somos joias de Deus e parte do seu tesouro, pedras preciosas que refletem a glória da
sua pessoa!! Somos obras de arte (2:10) na galeria de Deus (2:7, 1:6,12,14; 2:10, 3:10,11), assim como filhos
são a glória dos pais, que gostam de mostrar suas fotos.
*O genitivo “riqueza DA glória” é atributivo “riqueza gloriosa”
*O genitivo “DA herança” é apositivo: “riqueza gloriosa QUE É a herança”
Ilustração: O livro de Jó e as provações do caráter de Jó serviam como demonstração para o universo
de que Deus é digno de louvor e que não precisa “comprar” o louvor de ninguém!
C. Experiência do Poder de Cristo (19-23). Aqui é o foco e o clímax da oração. Note a ênfase em “poder”
pela repetição de sinônimos, como se o texto falasse “segundo o poder do poder do seu poder” (Hoehner p. 269).
Os termos descrevem o poder como potência, ativa e nata.
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
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1. O Pedido por Apropriação/Experiência Própria (19; veja Hoehner p. 272)
2. O Perfil (as possibilidades) do Poder (20-23)
ressuscitou Cristo dos mortos (20a) (1Ts 4:13; 1Co 15:55ss.)
glorificou a Cristo (20b) (quando? veja Hb 2:8)
exaltou a Cristo acima de poderes celestiais e espirituais, especialmente demoníacos (21) (traz
conforto! 1Jo 4:4)
subjugou todas as coisas a Cristo . . .
o o universo
o a igreja
Pergunta: Tudo está agora sujeito a Cristo? Como sim? Como não? (cf. 1Co 15:27, 28;
Hb 2:8)
Pergunta: Qual o significado da frase "a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas"? Cristo é enchido
pela igreja, ou a igreja é enchida por Cristo?
Note que, assim como o poder de Deus foi manifestado na ressurreição de Cristo e na exaltação de Cristo, no
próximo parágrafo Paulo vai afirmar a mesma coisa sobre nós: fomos ressuscitados juntamente com Cristo e ele
nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo (2:6)! Assim o poder de Deus já se manifestou em nossas vidas
também!
Aplicação: Este poder é para o homem interior (3:16), não um "show" evangélico
*Poder para viver a vida cristã vem da dependência dele! Zc 4:6; Jo 15:5; Fp 4:13;
*Poder para transformação de vida:
superar um mau hábito
dar disciplina e coragem para desligar a televisão
capacidade para jogar fora CDs e fitas que fazem mal para seus pensamentos
para quebrar o hábito de masturbação, ou homossexualismo, ou pornografia
poder para resistir tentação com sua namorada ou noiva mesmo que ainda tenha um bom
tempo até o casamento
poder para parar de ser uma pessoa irada, irritada
poder para confiar mais na sua posição perante Deus do que em sua aparência física
poder para testemunhar para seus amigos e colegas descrentes
poder para resistir às tentações no serviço para sonegar, relaxar
poder para não falar mal dos seus irmãos em Cristo
poder para ter alegria em sua vida cristã!
A Oração Paulina...e a Nossa (Ef 1.15-23)
PAULO NÓS
Motivada por conceitos espirituais (1.3-14) Motivada por interesse próprio (sucesso, fama, bênção
material)
Gratidão pela obra de Deus na vida de outros (15,16) Reivindicação de “direitos”pessoais
Pedido por compreensão espiritual (conhecimento de
Deus) (17, 18ª)
Pedido por coisas materiais
Perspectiva eterna, espiritual e altruísta (18b-23) Perspectiva terrestre, material e egoísta
Orientada para o futuro Orientada para o presente
Preocupada com a herança divina Preocupada com a herança humana
Clímax em poder interior com mudança de vida Clímax em poder exterior e “show”
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Efésios 2:1-10 Salvação pela Graça
Introdução e Panorama
No antigo Coliseu, em Roma, depois de brigas entre gladiadores, o imperador é quem tinha o poder para
executar ou poupar o indivíduo derrotado. Isso era feito por um sinal de positivo ou negativo – o dedão para
cima ou para baixo - após um breve suspense.
No texto de Ef 2.1-10, o cristão é que encontra-se totalmente derrotado, digno somente de morte (2.1-3). Mas,
para nossa completa surpresa, na hora do maior desespero, nosso Imperador se mostra alguém misericordioso,
amoroso e gracioso, que nos faz reviver em Cristo.6
Às vezes é difícil lembrar de onde viemos, o que éramos e o que fazíamos ANTES da nossa conversão. O passado
parece ser tão distante! Ou talvez fomos criados num lar evangélico, e achamos que nunca experimentamos os
"grandes" pecados do mundão afora. Mas todos nós precisamos entender e apreciar o que éramos sem Cristo para
podermos louvar a Deus pelo que Ele fez por nós no sacrifício de Jesus na cruz. Precisamos ser confrontados com
a sujeira do nosso próprio coração para compreendermos o que Cristo tem feito por nós.
Contexto: A palavra "E" (Καὶ) no início do texto nos faz voltar a atenção primeiro para o texto
imediatamente anterior, 1:21-23. Lá fala do poder de Deus que opera em nós e também operou em Cristo. A
pergunta lógica é: Como recebemos este poder? Mas a ligação pode ser ainda maior, incluindo o parágrafo das
bênçãos espirituais concedidas pela Trindade (1:3-14). O texto de 2.1-10 texto responde as perguntas "Como
recebemos as bênçãos espirituais em Cristo, e como que o poder de Cristo chegou até nós?" A resposta é clara:
Foi pela GRAÇA divina, e não pelas obras humanas! Também deixa claro que o mesmo poder que ressuscitou a
Cristo e o exaltou, também atua em nós, nos ressuscitando e exaltando COM Cristo.
Neste parágrafo Paulo faz uma transição de "vós" para "nós" (cf. 1, 3, 4,5). Alguns já percebem aqui uma distinção
sutil entre judeus e gentios (que veremos claramente no próximo parágrafo, 2:11-22). Mas esta distinção
provavelmente não está em vista ainda. Paulo está simplesmente se referindo em termos gerais aos crentes de
Éfeso, e depois ele se inclui com eles no mesmo grupo.
No contexto maior, o próximo parágrafo será mais específico, revelando como gentios que estavam longe de Deus
foram aproximados pelo sangue de Cristo para formar um "novo homem" em Cristo, judeus e gentios em um só
corpo perante Deus. O fluxo do argumento destes dois parágrafos é semelhante: o que éramos, o que Deus (Cristo)
fez, o que somos agora.
Estrutura:
Encontramos neste parágrafo uma miniatura do livro de Romanos...e do Evangelho!
- vv. 1-3 Condenação (nossa ruína completa; cp Rm 1-3)
- vv. 4-9 Salvação (o remédio completo de Deus; cp Rm 4,5)
- v. 10 Santificação (nossa nova vida em Cristo; cp. 6-8)
A estrutura to texto centraliza-se nos verbos principais no coração do parágrafo, todos os quais são verbos
compostos com a preposição συν “com” ou “junto com”, assim destacando a íntima associação entre nós e Cristo:
"Ele nos deu vida" (5) (συνεζωοποίησεν)
“nos ressuscitou" (6) (συνήγειρεν)
"nos fez assentar" (6) (συνεκάθισεν)
6 Ilustração fornecida por Rafael Fonseca, pregação Ef 2.1-10, 2013.
Aplicação: A estrutura desse texto (e do próximo parágrafo, 2.11-22) nos fornece um modelo para
o testemunho cristão:
1) O que eu era sem Cristo
2) O que Deus fez para mim em Cristo
3) O que eu faço com Cristo (a diferença que ele fez)
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
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John Stott observa que o mesmo poder que ressuscitou a Cristo e o exaltou também NOS ressuscitou e exaltou
COM CRISTO!
Encontramos alguns termos qualificadores importantes destes verbos que respondem perguntas chaves:
1) Quando ele nos deu vida? (1-3: enquanto ainda estávamos mortos, nos pecados,sob o
domínio de Satanás, etc.)
2) Como nos deu vida? (4,5: pela misericórdia, amor e graça)
3) Para que nos deu vida? (7-10) Foi para:
a) demonstrar para o universo a graça de Deus
b) eliminar o orgulho humano
c) possibilitar boas obras
I. O Que Éramos Sem Cristo: Mortos e Perdidos (1-3; cf. 2:11, 12 cf. Mt 18:11, Lc 19:10)
Precisamos entender o que éramos, mas também precisamos entender que a natureza humana pecaminosa é a
razão pelo conflito em que continuamos (veja Rm 7.15-24; Gl 517). Versículos 1-7 constituem uma sentença de
124 palavras no original – a 3ª maior de 8 sentenças cumpridas em Efésios.
Como já vimos, "ele nos deu vida" (συνεζωοποίησεν) é suprido em muitas versões no vs. 1, mas só aparece
no vs. 5. As palavras foram supridas pelos tradutores para evitar confusão. Mas a ênfase paulina está na nossa
posição sem Cristo, literalmente, "E vós sendo mortos . . . ."
Encontramos pelo menos cinco descrições da nossa posição desesperada antes de sermos convertidos:
A. Cadáveres espirituais (mortos no pecado) (1) - ...νεκροὺς... ἁμαρτίαις,
Note que Paulo não explica graça antes de expor a necessidade do ser humano.
"mortos" (νεκροὺς) = separados de Deus (morte física é separação do corpo da alma; morte
espiritual é separação da alma de Deus) cf. 4:18. Quando Adão pecou o contato íntimo que tivemos com Deus
foi rompido, mas em Cristo é restaurado (2Co 5:17)
-Morte significa incapacidade total
-Morte implica em corrupção total (uma questão de tempo! Compare o cadáver deixado
ao sol Amazônico e aquele congelado na Sibéria; ambos estão mortos, mas um “fede” mais que o outro)
"nos delitos e pecados" (τοῖς παραπτώμασιν καὶ ταῖς ἁμαρτίαις ὑμῶν) = a esfera e a causa de
morte espiritual. Adão e Eva, no momento em que comeram (desobedeceram) já morreram conforme a Palavra
de Deus. Iniciaram uma ruptura entre o homem e Deus (Is 59:2).
Os dois termos para pecado são muitas vezes intercambiáveis (Rm 5:12-21, 4:25, 1Co 15:3; Cl 1:7,
2:13, 14; Cf. Sl 2:13, Rm 6:11)
"delitos" (παραπτώμασιν) significa estar fora do caminho, pisando errado; sair do caminho
marcado
"pecados" (ταῖς ἁμαρτίαις) significa errar o alvo, não atingi-lo
Propósito
Paulo revela que salvação foi pela graça que partiu única e exclusivamente de Deus
que Ele derramou sobre judeus e gentios, tornando-os participantes das bênçãos
espirituais em Cristo, para motivar seu eterno louvor e boas obras na Terra.
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
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Quando é que "pecamos"? Em Rm 5:15 "todos pecaram" em Adão; cf. 18. Em 1Co 15:22 Adão representou a
raça humana. Ele pecou propositalmente, mas também nos representou. Ele fez o que eu teria feito. "Nossa
natureza pecaminosa nos faz pecar, não é o nosso pecado que nos dá uma natureza pecaminosa"
A doutrina da "depravação total" do ser humano não significa que o homem é tão ruim como podem ser, mas que
está sem mérito qualquer perante Deus (Is 64:6). Em termos da PRÁTICA ele pode ser melhor ou pior que outros
pecadores; em termos de POSIÇÃO está totalmente alienado de Deus.
Aplicação: A ausência de ‘reação’ espiritual (diante da Palavra de Deus, do povo de Deus, etc.) pode
bem indicar a falta de vida espiritual (2 Co 13.5) Quando não há sede por Deus nem pela Palavra de
Deus, ou estamos muito doentes, ou mortos. Já que a sensibilidade ao pecado e às coisas espirituais
pode revelar uma alma viva diante de Deus.
B. Cidadãos (Prisioneiros) do Mundo (2a)
Pela primeira de 8x em Efésios a palavra “andar” aparece (32x em Paulo).
O descrente anda de acordo com os padrões deste mundo e abraça os valores temporais desta era. Paulo destaca
aqui os três inimigos do cristão: o mundo, a carne e o diabo; um por cima, um por dentro e outro por volta! Mas
Paulo em suas cartas também nos revela nossas defesas contra esses inimigos:
O Mundo Céu (a esperança do chamamento; Ef 1:18)
O Diabo O Ministério de Intercessão de Jesus que nos livra das acusações do diabo
(Hb 7:25, Rm 8:34, 1Jo 2:1, 2; Ap 12.9,10)
A Carne A Presença do Espírito Santo (A Nova Aliança - Jr 31:31-34, Ez 36:26ss; Rm 8,
Gl 5)
"o curso deste mundo" (κατὰ τὸν αἰῶνα τοῦ κόσμου τούτου) - Conforme 1Jo 2:15-17, o mundo nos
influencia através do prazer (o desejo da carne), da posição (o desejo dos olhos) e das posses (a soberba da vida
ou, melhor, das coisas possuídas). “O ‘mundo’ representa tudo que é hostil a Deus, perdido no pecado, contrário
a tudo que é divino” (BAGD 7).
"o curso" deste mundo é de domínio satânico (2Co 4:4, 1Co 2:6, 8, Gl 1:4) em que prazeres e paixões,
sabedoria humana e maldade são características principais (2Tm 4:10, 2:12, 1Tm 6:17; 1Co 1:20, 2:6, 3:18; cp.
Rm 12:2)
C. Cativos (Súditos) de Satanás (2b)
O enganador dos irmãos (Ap 12:10) que muitas vezes aparece como anjo de luz (2Co 11:14) é muito esperto, e
usa o que pode para nos cativar (p.e. materialismo, sincretismo, sensualidade, fama, poder, posses, etc.; cf. 1Pe
5:8). Ele usa o que funciona!
"o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua . . ." Paulo faz uma série de descrições do
inimigo que domina este sistema mundial hostil a Deus. Ele é:
1. O governador deste mundo
2. Um espírito maligno
3. Operante em descrentes em geral
"nos filhos da desobediência" - alguns preferem identificar esses “filhos” como descrevendo descrentes
em geral, outros com gentios e outros com judeus. Não é necessário limitar a referência a um grupo ou outro.
Satanás atua em todos que não conhecem a Cristo!
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
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Pergunta: É possível o descrente fazer obras realmente consideradas "boas"? Qual a implicação deste texto para
a criação de filhos? O que adianta disciplinar uma criança ainda não crente? (veja Is 64.6)
Aplicação: O problema com o "jugo desigual" é que duas pessoas servem a dois mestres! É impossível
haver harmonia e intimidade verdadeira no jugo desigual! (Mt 6.24; 2 Co 6.14)
Aplicação: Não podemos esquecer de que estamos numa guerra espiritual (veja 6.10-20). Por trás da
sujeira e miséria do mundo existe um inimigo que também atua em seus “filhos”!
D. Controlados pela Carne (3a)
Para Paulo, a "carne" é o instrumento principal do pecado, sujeito ao pecado de tal forma que, onde quer que a
carne esteja, todas as formas do pecado também estão presentes, e nada de bom pode conviver com ela (BAGD,
7). Éramos prisioneiros das paixões! Alguns chamam isso de "liberdade", mas é o auge da escravidão!
Outrora, andamos “entre” os filhos da desobediência. Éramos iguais a eles – todos nós! Escravos das nossas
próprias paixões, fazendo “as vontades” da carne “à vontade”.
O particípio presente ποιοῦντες reflete uma atividade contínua, e o substantivo “vontades” ou “desejos”
θελήματα da carne (somente no plural aqui entre 62 usos no NT – mas cp At 13.22) indica o vício no mal. Não
somente éramos cativos, mas tínhamos prazer nisso. Não foi um “acidente de percurso” mas algo premeditado.
Pergunta: Se estávamos mortos nos pecados, incapazes de dar qualquer resposta espiritual, e se o nosso "velho
homem" com seu pecado foram crucificados com Cristo (Rm 6:1-18), como podemos dizer que o cristão ainda
pode obedecer a sua velha natureza? Existe um conflito, ou será que a palavra "morrer" está sendo usada em dois
sentidos diferentes? Veja Cl 3.3,5 onde o paradoxo fica ainda mais evidente: “Vós morrestes...Fazei, pois, morrer
a vossa natureza terrena.”
E. Condenados pela ira de Deus (3b) - cf. Jo 3:18,36
"por natureza filhos da ira" – Essa era a nossa natureza sem Cristo- filhos da ira! Tivemos um relacionamento
íntimos com a ira e não com Deus, que é trágico. O genitivo ὀργῆς (“da ira”) provavelmente é um genitivo de
propósito, “para ira” ou seja, destinados para sofrer a ira justa de Deus contra nós e nosso pecado: “A ira de Deus
se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça” (Rm 1.18).
Somos “livres” para obedecer a nossa natureza. O não cristão, morto em seus delitos, debaixo do poder de Satanás
e da sua própria carne, cidadão do mundo, tinha liberdade para obedecer a sua natureza pecaminosa – e não a
Deus. Cf. Rm 6:18. "Filhos da ira" significa que estávamos caminhando desesperadamente para a destruição
como objetos da condenação divina. Se Deus não fizesse nada, estávamos perdidos.
A "ira" de Deus não é como a ira humana, instável, imprevisível, explosiva, mas sim aquela atitude eternamente
hostil contra todo pecado e injustiça. O arrependimento representa uma mudança de atitude, pensamento e direção
quanto ao pecado, que faz com que não mais andemos contra a correnteza dos atributos de Deus e debaixo da
condenação, mas junto com ela.
Note os contrastes entre o que somos (1:1, 2) com o que éramos (2.1-3):
O Que Éramos (2:1-3)
Quem Somos? (1:1, 2)
Pecadores mortos
Santos
Cidadãos do mundo
Peregrinos ("em Éfeso")
"nos delitos e pecados" ("em" Satanás)
Crentes "em Cristo"
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
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"Filhos de ira" (condenados) Objetos de Graça e Paz
Filhos de Desobediência/Ira
Filhos de Deus
Súditos de Satanás
Súditos do Senhor Jesus
Aplicação:
1) O cristão não deve esperar nem exigir que o descrente comporte-se como o cristão! Nossa tarefa
principal não é reformar o mundo, mas transformar o coração! (Sl 58:3; 51:5; cp. 1Co 5:9, 10 - não
separar-se dos incrédulos)
2) Nunca podemos transformar o mundo por meios políticos, econômicos, sociais. . . a verdadeira
transformação do mundo vem somente pela conversão da velha natureza! (Cp. a teologia da
libertação)
3) "Tais fostes alguns de vós" (1Co 6:9-11). "Se alguém está em Cristo é nova criatura . . ." (2Co
5:17). Uma nova natureza requer novo comportamento! Precisamos tomar cuidado com o engano
do nosso velho mestre! Ele está bravo, pois perdeu muitos súditos!
4) Se alguém não tem interesse nas coisas de Deus, precisa se perguntar se ainda está morto. Precisa
correr para a cruz, antes que seja tarde demais!
Resumo:
1) Fizemos o que todos fazem
2) Fizemos o que o diabo queria
3) Gostamos disso
4) Era NATURAL (parte da nossa natureza)
II. O Que Deus Fez por Nós Em Cristo (4-6; cf. 2:13-18)
Como mencionamos em “Estrutura” acima, esse é o centro teológico do texto. A identidade do cristão em Cristo
vem pela IDENTIFICAÇÃO do cristão COM Cristo! Cf. Rm 6:1-14, Gl 2:20
"mas Deus"- (ὁ δὲ θεὸς) Ficam entre as palavras mais bonitas na Bíblia! cf. 2:13 "mas agora, em Cristo Jesus"
Deus interrompeu a história humana e invadiu a minha história!
A. A Razão pela Atuação de Deus: Seu Caráter (4,5)
O texto lista 3 atributos maravilhosos do caráter do nosso Deus:
1. "misericórdia" (ἐλέει ) significa não receber o que mereço (condenação, morte). Deus está
"rico" em misericórdia no sentido de que nunca haverá falta! "Misericórdia" é a palavra mais comum na LXX e
NT para traduzir o termo chesed do VT, descrevendo a lealdade e fidelidade de Deus em guardar suas alianças
(Barth I:218).
2. "amor" (ἀγάπην) atributo fundamental de Deus (1Jo 4:7, 8); significa sempre "buscar o melhor
do outro"; sacrifício em benefício do outro, como escolha e não por compulsão. O amor de Deus não foi baseado
no fato de que éramos amáveis, mas sim na escolha de Deus (Rm 9:13, 11:28, Rm 1:7, Cl 3.12; cf. Dt 7:7-9, Ex
34:6)!
3. "graça" (χάριτί ἐστε σεσῳσμένοι) – O particípio perifrástico perfeito enfatiza o resultado
presente e contínua da ação salvífica de Deus em nossas vidas. Se misericórdia significa não receber o que mereço,
a graça significa receber o que não mereço (ou seja, a própria justiça e vida de Cristo) cf. 2Co 5:21; Gl 2:20. Esta
declaração é uma exclamação por Paulo em que ele revela a verdadeira base da nossa salvação!
B. A Atuação de Deus em Cristo (5-6)
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
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1. Deu-nos vida (συνεζωοποίησεν) = (Essa é a outra metade do evangelho, muitas vezes esquecido
pelos cristãos, mas que reflete o poder para viver a vida cristã! Não simplesmente recebemos o perdão do pecado,
mas adquirimos a vida de Cristo! Ele tirou o pecado, a culpa e a morte, e nos deu a SUA justiça e vida.)
"Juntamente" no texto pode significar "com Cristo" ou "junto com os judeus" ou talvez ambos! Cf. Cl 2:13.
2. Ressuscitou-nos (συνήγειρεν) = a morte não tem mais poder! Nunca mais estaremos separados
de Deus pelos méritos de Jesus! Um dia seremos como Ele é (1Jo 3:1, 2); cf. 1:20, Cl 3.1,2
Quando pensamos em mudanças de vida, pensamos em termos de sintomas. Mas Deus trabalha de dentro para
fora. Deus muda nossa posição para depois mudar nossa prática. Cf. 1Co 15:12-19, 20-22, 55-57
3. Nos fez assentar (συνεκάθισεν)
Já estamos "sentados" com Cristo (aoristo constativo), ou é um evento que acontecerá no futuro (aoristo
futurístico)? Quais as implicações desta figura?
Opções: 1) Participaremos no reino futuro (Mc 10:37-40, Mt 19:28, Lc 22:30)
2) Já temos uma posição de autoridade que será consumada no futuro. Cristo está sentado, mas
ainda não vemos todos os inimigos sujeitos a Ele. Assim também estamos com ele, mas ainda
não vemos todos os inimigos derrotados. (1:20; Hb 2:8, 10:12, 13; Sl 110:1)
Os três verbos de identificação com Cristo sugerem uma renovação total da imagem de Deus em nós! cf. 1:20.
Em Cristo o homem pode mais uma vez cumprir o seu papel no mundo como vice-regente de Deus (Sl 8, Gn 1,2)
Somos amigos íntimos do Rei!
Aplicação:
1) Só podemos louvar a Deus pela Sua iniciativa em nos colocar “em Cristo” e “com Cristo!”
2) Santidade é a única resposta razoável diante de tudo que Deus fez por nós em Jesus (temos
uma nova perspectiva de vida como pessoas ressurretas dos mortos!)
3) A Morte não mais nos aterroriza (Hb 2.14,15; 1Co 15:55, 56) (A doutrina da ressurreição é
preciosa!)
4) Desafio: Viver a vida ressuscitada aqui na terra!
III. O que Fazemos com Cristo (7-10; cf. 2:19-22)
A conclusão do parágrafo deixa claro que tudo é por Deus e para Deus (Rm 11.36)! Deus está no centro destes
versículos! ("a riqueza da sua glória, o dom de Deus, dele somos feitura, Deus de antemão preparou")
Observe a sequência temporal:
Passado: O que Éramos (1-3);
Presente: O Que Somos (4-6);
Futuro: O Que Faremos (7).
Três grandes perguntas orientam o texto:
1) Por que Deus nos salvou?
2) Para que Deus nos redimiu?
3) Por que continuamos aqui na terra?
Vemos três propósitos (resultados) da nossa salvação que nos dão direção e propósito de vida!
A. Mostrar para o universo a graça de Deus (7)
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
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Mais uma vez, Paulo destaca o propósito universal do Evangelho (cf 1.10; cp. Ef 3:10, Ef 1:6, 12,14; 1Tm 1:15,
16; Jo 17:20-23, 20:29
"mostrar" (ἐνδείξηται) - o termo parece ter conotações legais, em que nós um dia seremos testemunhas
ou "evidências" para o universo da justiça divina (Rm 3:25, 26; Fp 1:28; cp. Rm 2:15). A "prova"já começou
através da igreja (2Co 8:24, 1Tm 1:16, Tt 2:10, 3:2, cf. Ef 3:10), assim como a natureza no VT foi "testemunha"
contra Israel nos litígios divinos (Dt 4:26, 30:19, 31:28, 32:1, Sl 50:4, Is 1:2; cf 3.10).
"riqueza da graça" (πλοῦτος τῆς χάριτος) – já destacada pela segunda de três vezes nestes versículos.
Antes, Paulo falou que Deus é “rico em misericórdia”, agora que Ele tem riquezas de graça” ou seja, a fonte é
inesgotável! (O genitivo é apositivo: “a riqueza que é a graça” ou atributivo: “riqueza graciosa”).
"bondade" (χρηστότητι)- geralmente indica as bênçãos materiais (mas também espirituais) dadas por
Deus àqueles em aliança com Ele. (cf. Jó)
B. Dar glória a Deus, e não ao homem (8,9; cf 1Co 4:7, 2Co 4:7)
Paulo dá uma explicação (γὰρ "pois") da graça a ser demonstrada através do cristão. Destaca que graça era a única
esperança para nós!
"sois salvos" (ἐστε σεσῳσμένοι) - um particípio perifrástico perfeito, que significa que o crente está hoje
no estado de salvação (contínua) como resultado da salvação no passado.
"por meio da fé" (διὰ πίστεως)- essa é a responsabilidade humana, a maneira pela qual a graça de Deus
foi apropriada. O texto deixa claro que fé não é uma obra. Fé significa DEIXAR de trabalhar e CONFIAR na
obra final de Jesus.
"isto não vem de nós” τοῦτο οὐκ ἐξ ὑμῶν, θεοῦ τὸ δῶρον·
O que não vem de nós: a Fé? O processo da salvação? Alguns fatores:
*O termo "isto" é neutro enquanto "fé" é feminina. Por isso, provavelmente não se refere a "fé", mas sim
à salvação como um todo.
*Fp 1:29 - o "crer" foi dado para nós
*No contexto, tudo é de Deus e para seu louvor
*Geralmente é salvação que vem de Deus e não fé (Rm 5:15-17, Rm 6:23)
*Mais uma vez encontramos o paradoxo entre a soberania divina e a responsabilidade humana
“não de obras, para que ninguém se glorie” (οὐκ ἐξ ἔργων, ἵνα μή τις καυχήσηται)
Qualquer acréscimo pelo homem estraga tudo! Essa é a mensagem de Gálatas! Fé mais qualquer outro ingrediente
não é fé salvadora. Todo e qualquer acréscimo à pureza e simplicidade do Evangelho acaba diminuindo a glória
que pertence única e exclusivamente a Cristo!
C. Realizar a obra de Cristo na terra (10) e (cf. 2Tm 3:17, Tt 2:4, Cl 1:10, Mt 5:16, 2Co 9:8, Mt 7:21,
1Pe 2:12)
Note o paradoxo: Muitos tentam produzir frutos pela carne! Todo esforço, todo serviço cristão feito na força da
carne, por motivos egoístas, sem o alicerce da graça de Deus, mas feito para " provar" algo para Deus será como
palha queimada (1Co 3). Uma árvore ruim não produz fruto bom! (Mt 7.16-20; Gl 3:1-3)
Pergunta: Qual o papel de boas obras na vida cristã?
1) Condição para a salvação?
2) Consequência inevitável de uma conversão verdadeira?
3) Parte integral do propósito de Deus para o cristão?
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
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(Não trabalhamos para sermos aceitos por Deus, mas porque somos aceitos. Cp. todas as outras religiões do
mundo - sempre antropocêntricas; cf. Gl 2:20, Cl 3:1-4)
"somos feitura dele” (αὐτοῦ γάρ ἐσμεν ποίημα) - no grego, "dele" vem primeiro em posição enfática
("dele, pois, somos feitura")
O termo "feitura" (ποίημα ) ocorre somente 2x no NT (Rm 1:20) e significa "o que é feito, uma obra, criação"
geralmente de criação divina (BAGD). Pode também ter a conotação de "obra de arte" (Barth, I:226),
especialmente uma obra de poesia . Na LXX o termo indica o produto do caráter da pessoa que realiza uma ação,
i.e. iniquidade/rebeldia (1Sm 8:8, Es 9:13, Ne 6:14), a vaidade do homem (Ec 1:14, 2:4), e o caráter de Deus (Sl
64:9, 92:4, 143:5; cf. Ec 3:11, 7:13, 8:17, 11:5). O universo revela o caráter de Deus (Rm 1:20). Em outras
palavras, neste texto a vida do cristão reflete o caráter de Deus (2Co 5:17, Gl 2:20, 6:15).
“criados em Cristo Jesus” (κτισθέντες ἐν Χριστῷ)
Salvação é uma recriação, e o cristão deve manifestar individualmente (2:10) e no Corpo de Cristo (4:24) a
imagem do "novo homem" à imagem de Deus (2 Co 5.17). Fomos restaurados ao nosso propósito original em
Cristo! O verbo “criar” usado aqui somente foi usado para a obra de Deus (cp Gl 6.15).
"de antemão preparou" (προητοίμασεν ὁ θεός)
Pergunta: Deus preparou cada ato específico que o crente fará, ou Ele preparou um estilo de vida segundo Seu
caráter, que consiste em boas obras em geral entre as quais o cristão escolhe algumas? (Tt 2:14, 3:8)
“para que andássemos nelas” (ἵνα ἐν αὐτοῖς περιπατήσωμεν.)
O tema da PRÁTICA aparece pela primeira vez através da figura do “andar” do cristão, uma metáfora que será
amplamente desenvolvida na segunda metade do livro (4.1, 17, 5.2, 8, 15; veja Tito 2.14, 3.8)
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Efésios 2.11-22 Aproximação pelo Sangue
Introdução e Panorama
A falta de “paz” entre homens é uma constante na história do mundo. A ausência de paz com Deus é uma constante
na história espiritual de cada indivíduo. Fora Cristo Jesus não existe paz entre Deus e o homem; por isso, não há
paz entre homens, e não há paz no “homem interior”. Como Agostino declarou, “Tu nos fizeste para ti, e nosso
coração não descansa até que repouse em Ti.”
O grito por paz entre homens também é refletido na ausência de paz no homem. As drogas e o sexo livre lideram
a marcha para escapar a dura realidade e encontrar sossego interior.
O texto de Efésios 2.11-22 talvez seja o trecho mais importante no livro de Efésios, pois nele encontramos as
sementes teológicas que brotarão no restante do livro: Paz (reconciliação) com Deus, paz entre judeus e gentios,
a Igreja como habitação de Deus, acesso ao Pai, o "Novo Homem" em Cristo, etc.
Contexto: O texto começa com a palavra Διὸ ("portanto"), que serve como ligação com o contexto
anterior. Em 2:1-10 Paulo revelou que a fonte da nossa herança espiritual encontra-se única e exclusivamente na
graça de Deus. O poder de Deus na ressurreição e na glorificação de Cristo se manifestou em nós também! Em
2:11-22 Paulo revela as implicações comunitárias e raciais desta graça salvadora. O poder de Deus na cruz aboliu
a inimizade que existia entre o homem e Deus e entre judeus e gentios. 2.1-10 mostra o efeito individual da graça;
2.11-22, as implicações corporativas dessa graça. ESSE TEXTO SERVE COMO BASE PARA O RESTO DA
EPÍSTOLA.
Estrutura: Há várias maneiras de encarar a estrutura deste trecho. O que fica óbvio é que Paulo repete a
mesma sequência de pensamento que já vimos em 2.1-10. Não deve nos surpreender, pois esse é um esboço do
Evangelho Verdadeiro (cp. Romanos e seu argumento!). Veja o gráfico:
Esboço Texto: 2.1-10 (Todos/Judeus -
INDIVIDUAIS)
Texto: 2.11-22 (Gentios –
RACIAIS)
O que
éramos SEM
CRISTO
Cadáveres Espirituais (1)
Cidadãos do Mundo (2ª)
Cativos de Satanás (2b)
Controlados pela Carne (3ª)
Condenados pela Ira de Deus (3b)
Gentios odiados (Desprezados) (11)
Sem o Messias (Desanimados) (12ª)
Sem cidadania (Deslocados) (12b)
Sem alianças (Desprovidos) (12c)
Sem esperança (Desesperados) (12d)
Sem Deus, no mundo (Desamparados)
(12e)
“Mas
Deus...” (a
dobradiça)
“Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por
causa do grande amor com que nos amou...nos
deu vida juntamente com Cristo – pela graça
sois salvos – e juntamente com ele nos
ressuscitou e nos fez assentar nos lugares
celestiais em Cristo Jesus (2.4-6)
“Mas agora em Cristo Jesus, vós, que antes
estáveis longe, fostes aproximados pelo
sangue de Cristo. Porque ele é a nossa paz”
(2.13,14)
Os
resultados
(“em
Cristo”)
*Mostrar para o universo a graça deDeus (7)
*Dar glória a Deus e não ao homem (8,9)
*Realizar a obra de Cristo na terra (10)
*Reconciliação entre judeus e gentios (13-
15)
*Reconciliação entre o homem e Deus (16-
22)
O Argumento
A sequência de argumento do apóstolo parece ser o que segue:
1) ANTES DE CRISTO: À luz do poder de Deus manifestado na salvação de cada indivíduo pela graça de
Deus, nós (gentios) devemos lembrar o desespero da nossa alienação de Deus e do Seu povo (11,12)
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
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2) EM CRISTO: Recebemos uma nova aproximação a Deus pelo sacrifício de Cristo na cruz, e somos
reconciliados com o povo de Deus (13)
3) DEPOIS DE CRISTO: Como resultado desta missão de paz de Jesus, desfrutamos dos benefícios de
reconciliação com o povo de Deus (o “novo homem”) e com o próprio Deus (paz, acesso e habitação de
Deus) (14-22).
I. O Que Éramos (como Gentios) ("A.C.: Antes de Cristo" 2:11,12)
Mais uma vez Paulo nos exorta a lembrar continuamente (imperativo presente - Διὸ μνημονεύετε) nosso estado
anterior. "Quem não sabe de onde veio não pode valorizar onde está!" Cp. 2:1-3. Poderíamos resumir estes dois
versículos com uma única palavra que descreve nossa condição como gentios sem Cristo: Desesperados! "A vida
com Cristo é uma infinita esperança; sem Ele, um desesperado fim."
Aplicação:
1) A lembrança do nosso passado sem Cristo é a chave para não perdermos nosso primeiro amor (Ap
2.1-7; cp 2 Pe 1.12, 15; 3.1,2,5). Precisamos descobrir maneiras de lembrar a nós mesmos do que
éramos sem Cristo e do que Deus fez por nós em Cristo. A renovação com as verdades do Evangelho
é chave! (Rm 12.1,2)
2) A lembrança do nosso passado sem Cristo nos leva ao louvor pelo que somos em Cristo.
Para nós hoje, depois de quase 2000 anos de história, talvez seja difícil valorizar o que éramos como "gentios".
Mas precisamos recordar as implicações tão sérias do nosso estado "longe" da comunidade de Israel. Paulo traça
seis descrições (um resumo mais cinco implicações) da nossa condição desesperada "sem Cristo". (Para um texto
paralelo, veja Rm. 9:4,5 e cf Ef. 2:19.)
Antes de Cristo éramos . . .
A. Gentios (Desprezados) (11) - O termo "gentio" para o povo judaico foi muito pejorativo. Veja os
termos que ele usa para descrever o gentio naquele tempo:
1. Gentios na carne - ὑμεῖς τὰ ἔθνη ἐν σαρκί: O termo “gentios” inclui todos que não são da
nação de Israel. (Nosso termo para grupos “étnicos” foi derivado do termo “gentios” ou “ethnos”.)
2. Chamados incircuncisão – (cf Gn 17.9-14). Circuncisão foi um sinal da aliança entre Deus
e os descendentes de Abraão, uma marca de identidade no próprio corpo do homem. Servia como lembrança
constante de que o povo de Israel era um povo especial, propriedade particular de Deus, diferente dos demais
povos (embora alguns outros povos também praticavam a circuncisão). "Incircuncisão" foi outro termo pejorativo
que os judeus usavam para os gentios.
Ao mesmo tempo, Paulo dá uma dica de que as coisas não são sempre como parecem. Diz que aqueles que
menosprezavam os gentios eram “os que se intitulam circuncisos, na carne, por mãos humanas.” A frase nos
lembra de outros textos que enfatizam a importância da circuncisão DO CORAÇÃO e não da carne (Rm 2.29, Cl
2.11, Fp 3.2,3; cf Dt 10.14; 3.6; Jr 4.4, 9.26).
Aplicação: Deus sempre está mais preocupado com o que está no nosso coração, o “verdadeiro eu”, do
que com aparências externas. Nossa tendência, porém, é de nos preocupamos muito mais com o que outros pensam
a nosso respeito do que com a opinião de Deus sobre o “homem interior”. Veja 1 Sm 16.7b, Gl 1.10, Pv 29.25.
Propósito
Pelo sangue (sacrifício) de Cristo, gentios e judeus têm paz com Deus e uns com
os outros no Corpo de Cristo, a habitação de Deus no Espírito.
Em Cristo Jesus temos paz com honra--com Deus e com os homens.
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B. Sem o Messias (Cristo) (12a) =Desanimados - ὅτι ἦτε τῷ καιρῷ ἐκείνῳ χωρὶς Χριστοῦ
Antes de conhecermos a Jesus, estávamos no estado oposto de sermos "em Cristo", quer dizer, estávamos "sem
Cristo", literalmente sem esperança de um "Messias". O termo/título identifica Jesus como o "Ungido" de Deus,
Profeta-Sacerdote-Rei. Os gentios não aguardavam o "Servo do Senhor" como os judeus. Não tinham a esperança
de um Redentor-Rei.
Alguns encaram a frase “sem Cristo” como um resumo de todos os “sem” que seguem. São implicações ou
consequências de estar fora da esfera da bênção dEle.
Aplicação: Todas as bênçãos que agora possuímos “em Cristo” ficavam fora do nosso alcance “sem
Cristo”. Louvado seja Deus que agora estamos “por dentro”!
C. Sem Cidadania (Alienados) do Povo de Deus (12b) = Deslocados
O termo "separados" (ptcp perfeito que representa algo passado e presente) traz a ideia de "alienação". O termo
aparece somente aqui, em 4:18 e Cl. 1:20-22 no NT Havia inimizade entre o povo de Deus (Israel) e os gentios.
Estávamos condenados a sermos sempre estrangeiros, sempre desajeitados, nunca aceitos, sempre alheios,
excluídos de todas as bênçãos, promessas e oportunidades de acesso ao Criador. Nunca poderíamos realizar o
propósito pelo qual Deus nos criou. Foi um destino amargo!
Havia oportunidade para os povos gentios conhecerem a Deus no VT, mas sempre através do povo escolhido de
Deus. "A janela do céu abria sobre Israel." Foi somente através de proselitismo que um gentio podia se aproximar
de Deus. Mesmo assim, temos que lembrar que o povo de Israel nunca ficou muito entusiasmado com a tarefa de
ser canal de bênção para os gentios (Gn 12.1-3; Ex 19.6; cp Jonas).
Aplicação: Será que nós também temos falhado na tarefa de sermos canais do conhecimento de Deus
para as pessoas ao nosso redor? “Se não por mim, por quem será?”
D. Sem Alianças (12c) = Desprovidos
A próxima frase, “estranhos às alianças da promessa” esclarece o significado de estar “sem cidadania” com o
povo de Israel. Como “estranhos” ou “estrangeiros” estávamos presentes no país mas sem direitos. A ideia é de
não podermos ter relacionamento com Deus! Fomos excluídos da participação com o povo de Deus dos benefícios
diretos das alianças de Deus. Desde a Aliança Abraâmica, todas as alianças foram feitas exclusivamente com
Israel. Incluíam aspectos mais abrangentes que tocavam em outros povos (a Aliança Abraâmica, Gn. 12:1-3,
estipulava que o povo de Israel fosse uma bênção, i.e. mediadores do conhecimento de Deus para os povos). Mas
o plano de Deus colocava o povo de Israel no centro das alianças. Os gentios ficavam em segundo plano.
Aplicação: Estávamos condenados a viver sem a possibilidade de obedecer a Deus “de coração”. A “lei
escrita no coração” que faz parte da Nova Aliança estava totalmente fora do nosso alcance até que Cristo nos
reconciliou com Deus.
E. Sem Esperança (12d) = Desesperados - ἐλπίδα μὴ ἔχοντες
Como consequência de não ter o Messias, estar excluídos do povo de Deus e sem promessas, os gentios ficavam
sem esperança. Não tinham esperança de reencontrar seus familiares queridos já falecidos. Note a posição
antecipada da palavra “esperança” na cláusula para enfatizar esse desespero: “ESPERANÇA não tendo...”. Não
tínhamos expectativas – nada para nos animar quanto ao futuro.
Para o cristão é diferente. Como um amigo disse, "Com cada ano que passa, quanto mais queridos tenho no céu,
mas preciosa se torna a doutrina da ressurreição!" Mas como gentios sem Cristo, não tínhamos expectativa de
Pr. Isaias ChristalEfésios CMM-2017
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receber nada de Deus. (Cf. 1 Co. 15:12-19)
Aplicação: A desobediência do povo de Deus em levar a mensagem de salvação para todos os povos da
terra deixa-os totalmente sem esperança de alcançar a graça de Deus.
F. Sem Deus, no Mundo (12e) = Desamparados - καὶ ἄθεοι ἐν τῷ κόσμῳ.
Esta, a última descrição do nosso estado sem Cristo, é como o segundo pedaço de pão de um sanduíche amargo.
Estávamos "sem Cristo" e "sem Deus" mas ao mesmo tempo, o "recheio" é que estávamos "no mundo". Seria
difícil imaginar um quadro mais triste. A separação de Deus na terra é análoga à separação eterna de Deus que é
o inferno.
Aplicação:
A lembrança do nosso passado sem Cristo é chave para não perder nosso primeiro amor (Ap. 2:1-7). A lembrança
do nosso passado sem Cristo nos leva ao louvor pelo que somos em Cristo. Reconhecendo nosso estado anterior
nos leva a querer conhecer nosso "fazedor de paz". Cabe a nós contemplarmos a condição desesperada daqueles
ao nosso redor que precisam enfrentar a "barra" desta vida sem amparo, sem para onde recorrer. Temos a resposta
que tantos precisam!
II. O Que Cristo Fez ("E.C.: Em Cristo" 2:13)
Assim como em 2:4, o adversativo "Mas" é uma dobradiça no texto, trazendo esperança onde não existia. Se não
fosse por Cristo, teríamos ficado na nossa condição desesperada sem Cristo. A transição é de noite para dia. Tudo
mudou, por causa de Cristo.
Há ironia nesta colocação por Paulo. Ao invés do povo de Israel ser "bênção" (Gn. 12:1-3) e "luz" para os povos
através do testemunho do Templo (veja 1 Rs. 8:41-43), eles impediram que as nações chegassem a Deus. "Mas
em Cristo" . . . os gentios foram aproximados, não pela observância da Lei, mas pela morte do Messias e a anulação
da Lei, mesmo estando na condição de pecadores! No VT, o templo dos judeus foi para atrair gentios para Deus.
No NT, os gentios fazem parte do novo templo que inclui judeus mas que é a habitação de Deus!
Versículo 13 dá um resumo do conceito de "Reconciliação" que será abordado logo em seguida. A morte
sacrificial ("o sangue"; cf. Hb. 9:22) de Cristo efetuou uma aproximação/reconciliação dupla, entre gentios e
judeus, e entre Deus e o homem.
A. Aproximação (Cf. Is. 59:2): Havia uma lacuna enorme entre nós e o Criador. O pecado fazia
separação entre nós e Deus. A única maneira de fechar a distância seria se Deus assumisse carne humana,
tornando-se um homem. O pecado fez separação, levou à morte espiritual e física, mas Jesus se fez homem, se
fez pecado (2 Co 5.21) e morreu em nosso lugar, para que nós fossemos feitos a justiça de Deus!
B. Reconciliação: O texto clássico sobre reconciliação está em 2 Co. 5:17-21, onde aprendemos:
a) Deus é quem reconcilia, através de Cristo (18)
b) Recebemos o ministério de reconciliação pelo fato de termos obtido paz com Deus (18b).
c) Somos "fazedores de paz", embaixadores que revelam as boas novas de reconciliação para pessoas que eram
inimigas de Deus (19,20)
d) Reconciliação com Deus somente é possível por causa da cruz de Cristo (Ef. 2:16). Ele se fez pecado por nós,
i.e. ele levou sobre si o castigo dos nossos pecados e assim satisfez a ira justa de Deus. Se não fosse pela cruz,
ninguém de nós teria como restabelecer comunhão com Deus (19,20,21; cf. Is. 59:2).
Aplicação: Como consequência da obra de Cristo devemos:
1) Ficar cheios de louvor e gratidão, sempre
2) Compartilhar o evangelho, como ministros de reconciliação, proclamando as boas novas de paz entre
Deus e os homens!
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
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III. Os Resultados da Obra de Cristo ("D.C.: Depois de Cristo" 2:14-22)
Versículo 14 começa com uma explicação (γάρ "porque") da razão porque vs. 13 pôde afirmar que gentios foram
incluídos nas bênçãos do Messias. Podemos resumir a estrutura de vss. 14-22 em duas partes. Primeiro, mostram
a reconciliação que Cristo efetuou entre os dois grupos hostis, gentios e judeus. Segundo, como Ele reconciliou
os homens pecadores e Deus.
É interessante notar que as primeiras palavras que Jesus falou aos discípulos depois da ressurreição foram "Paz
seja convosco!" (Jo. 20:19,21). Pelo fato de que Cristo é a nossa paz, temos paz com Deus e uns com os outros.
A. Reconciliação entre Gentios e Judeus (14,15)
Paz humana é superficial e falsa.
A frase "Ele é a nossa paz" (Αὐτὸς γάρ ἐστιν ἡ εἰρήνη ἡμῶν ) significa que Jesus é a causa de agora sermos
reconciliados com Deus e uns com os outros. Para esclarecer exatamente como Cristo estabeleceu paz, Paulo
alista quatro obras específicas que Ele fez entre judeus e gentios:
1. Cristo fez os dois um (14a)
A frase pode se referir à união entre Deus e o homem, ou entre judeus e gentios. Mesmo que vs 16 use uma frase
semelhante (“reconciliasse ambos em um só corpo com Deus”) no contexto de versículos 14 e 15 parece que a
união étnica está mais em vista aqui. Judeu e gentio agora compõe a Igreja. Este foi um fato difícil de engolir
pelos judeus!
Aplicação: Para aqueles que estão “em Cristo” não existe desculpa por inimizade, hostilidade, contas não
acertadas, brigas, inveja, etc. Isso não quer dizer que não haverá diferenças de opinião, interpretação ou
preferência. Cristo não aboliu DIFERENÇAS no Corpo de Cristo mas, sim, DIVISÕES (cf. 1 Co 12; Gl 3.28; Jo
17; Ef 4.1-3). Esta verdade aplica-se em muitos contextos: a igreja local, a família, nas denominações,
organizações evangélicas, escolas cristãs, etc.
Para Refletir: Até que ponto devemos ser unidos com outros irmãos? É certo ou errado ter denominações
diferentes? Quando que o cristão deve afastar-se de seus irmãos que têm práticas, crenças, atitudes ou hábitos
diferentes?
2. Cristo quebrou a parede de divisão entre eles (14b)
Cristo acabou com a causa principal da inimizade entre judeu e gentio, aquela parede que os separava.
O que significa a “parede” da separação? (O genitivo é apositivo: a “parede” é a separação).
a) O sentimento de hostilidade entre as raças
b) A Lei (At 15.21,22)
c) A parede (literal) entre o átrio dos Gentios e dos Judeus no Templo que limitou seu acesso ao "Santo
Lugar"
d) O véu entre o Santo Lugar e o Santo dos Santos (Mt 27.51)
Neste contexto parece que Paulo está se referindo simbolicamente à parede que separava o Átrio dos Gentios e o
Templo próprio, impedindo acesso dos gentios sob a pena de morte. Em Cristo aquela distinção (aqui representada
pela figura simbólica daquela parede) não existe mais. Ambos agora têm pleno acesso ao Pai, juntos como iguais.
(Observe que ele dará continuidade a esta figura nos vss. 19-22.)
[Parêntese: É interessante notar que Paulo foi preso justamente por ser acusado de introduzir um éfeso, Trófimo,
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
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para dentro do Templo! Cf. At. 21:28-31. No próximo parágrafo, 3:1-13, ele consolará os corações dos leitores
que poderiam se culpar pelas circunstâncias do apóstolo.]
Aplicação: A igreja deve dar testemunho ao mundo da unidade que supera diferenças individuais! Pare
para refletir sobre as divisões que existem hoje entre pessoas no Corpo de Cristo. Como podemos tolerar a divisão
do Corpo de Cristo? Como podemos tornar a igreja mais heterogênea? O ponto do texto não é abolir as diferenças
mas a DESUNIÃO.
Homens x Mulheres Jovens x Anciãos "Leigos" x Pastores
Rico x Pobre Judeus x Gentios "Tradicionais" x "Renovados"
Até que ponto tais divisões são válidas? Até que ponto devemos lutar para anulá-las?3. Cristo aboliu as leis que faziam separação entre eles (15a)
Baseado em Mt. 5:17,18 não podemos afirmar que Cristo acabou com a lei moral, mas sim as leis cerimoniais e
civis que distinguiam Israel dos outros povos. O texto se refere a leis alimentares, celebrações e festas judaicas,
lavagens, etc. Em Cristo não há mais necessidade de observar estas distinções. Cf. Cl. 2:11, 16-21.
Para muitos hoje parece ser um ponto pacífico, mas a questão causava muita dificuldade na igreja primitiva. Cf.
At. 15 e o Concílio de Jerusalém, Gl. 2 e o conflito entre Paulo e Pedro, At. 10 e a comida "imunda" etc.
Para Refletir: Até que ponto o cristão pode ou deve observar festas, rituais e leis judaicas?
4. Cristo criou um "novo homem" (15b),
A teologia do "novo homem" é muito importante para o resto desta carta, e também para o NT. Pode se referir a
indivíduos, transformados espiritualmente (cf. 2 Co. 5:17, Gl. 6:15, Cl. 3:10, Ef. 2:10, Rm. 6:6). Mas neste
contexto parece melhor entender o "novo homem" como sendo uma "raça" nova, uma nova "espécie" de ser
humano que não é judeu nem gentio, mas sim o "Em-Cristo-Homem". Cf. Gl. 3:28, Ef. 4:24.
A verdadeira prova se você experimentou paz com Deus pela cruz é se você consegue viver em paz (perdão) com
seus irmãos. Corie ten Boom, depois de dar seu testemunho sobre a paz de Deus e a capacidade divina de perdoar
por que somos perdoados, encontrou com um dos soldados responsáveis por muitos abusos no acampamento de
concentração . . . "Você me perdoa?" ele perguntou para ela. Foi extremamente difícil, humanamente impossível,
mas Deus lhe deu paz e reconciliação com aquele homem. Reconciliação entre seres humanos é uma obra
sobrenatural!
Aplicação: Em Cristo não há mais barreiras étnicas, raciais, nacionais, etc. Todos pertencem ao mesmo
Corpo, todos têm os mesmos direitos, privilégios e responsabilidades, todos têm igual acesso ao Pai! Podemos
dizer que hoje existem dois tipos de pessoas - as que estão "em Adão" (sem Cristo), e as que estão "em Cristo",
novas criaturas, novas imagens.
B. Reconciliação entre o Homem e Deus (16-22)
Teríamos esperado que Paulo tivesse colocado a reconciliação entre Deus e o homem em primeiro lugar, pois
logicamente precede todas as outras reconciliações. Há duas sugestões por que ele inverteu a ordem aqui:
a) Queria chegar ao clímax da reconciliação do homem com Deus e a habitação de Deus no “novo homem”,
a igreja
b) Queria enfatizar as implicações práticas de paz entre os membros do Corpo de Cristo, principalmente
entre judeu e gentio.
1. Paz com Deus pela cruz (16,17): (Cf. Rm. 5:1!)
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
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"reconciliasse" (καὶ ἀποκαταλλάξῃ) O termo aparece somente aqui e Cl 1.20,22. Fica evidente que foi Deus
quem tomou a iniciativa para estabelecer paz entre a criatura e o Criador (cf. Ef. 2:1,5,8,9). Ele removeu as
barreiras!
"ambos em um só corpo" (τοὺς ἀμφοτέρους ἐν ἑνὶ σώματι τῷ θεῷ) Tanto judeus quanto gentios precisavam
ser reconciliados com Deus. Quando Deus assim fez, juntou os dois em um só corpo, o Corpo de Cristo, a Igreja.
O grupo (unido) foi reconciliado.
"por intermédio da cruz destruindo por ela a inimizade"
"E, vindo, evangelizou paz . . ."
Jesus é a paz e anunciou a paz (por meio dos apóstolos). Quando e como Cristo pregou as boas novas desta paz?
Veja Is 57.19. Certamente não o fez antes da sua morte. Mesmo depois, entre a ressurreição e a ascensão fica
difícil achar uma ocasião em que esta paz foi pregada. Talvez seja melhor entender a frase como sendo a revelação
destas verdades através dos apóstolos. Cf. At. 10:36, Ef. 6:15
Aplicação: Eu sou embaixador, ministro da reconciliação? Entendo o privilégio e a responsabilidade de
proclamar estas boas novas, o fato de que a hostilidade entre Deus e o homem não precisa existir mais?
2. Acesso imediato e igual ao Pai (18)
Pelo fato de que agora existe paz entre Deus e os homens, não existe mais barreiras impedindo nossa entrada
espontânea na presença de Deus. Note a ênfase: “por Ele” temos acesso (termo usado somente 3x no NT: Rm
5.2, Ef 2.18 e 3.12).... Talvez seja um dos privilégios menos valorizados e menos aproveitados! Por Jesus temos
acesso 24-7 diante do "trono da graça" (Hb. 10:19-25; 4:16)! Em Cristo somos limpos. Em Cristo podemos nos
apresentar como filhos perante o Criador do universo.
O texto enfatiza que isso acontece para “ambos” (judeus e gentios – agora iguais) “em um Espírito” (o Espírito
Santo, Autor da unidade – Ef 4.3), em quem fomos “batizados” quando cremos (1 Co 12.13).
Note que todos os membros da Trindade são mencionados juntos neste versículo.
Aplicação:
1) Não há cidadãos de primeira ou segunda classe no Corpo de Cristo. Todos têm igual acesso ao Pai.
Não existem grupos diferenciados, i.e. “os que têm” e “os que não têm”. Tais distinções tendem
sempre à desarmonia e à divisão, e não são de Deus.
2) Devemos apropriar deste privilégio de entrar no Santo dos Santos perante o trono de Deus. Devemos
fazê-lo com seriedade mas também com regularidade.
3. Habitação santa de Deus no Espírito (19-22)
O texto termina com mais um resultado da obra de Cristo na cruz, reconciliando o homem e Deus. Não é somente
o fato de que temos acesso constante perante Ele, mas o próprio Deus habita junto conosco! Constituímos uma
habitação, melhor, um novo Templo de Deus na terra.
Veja a analogia do Templo neste parágrafo. Em 2.14 Paulo emprestou a figura da parede que fazia separação entre
o átrio dos gentios e de Israel. Mas em Cristo, os gentios têm igual acesso com os judeus ao Pai. Mas muito além
deste privilégio, Paulo acrescenta algo inacreditável: os próprios gentios, junto com judeus, agora constituem o
verdadeiro “Templo” (habitação) de Deus! Em outras palavras, o mesmo Deus que habitava o Tabernáculo e o
Templo, e que “fez sua tenda em carne humana” na encarnação de Jesus (Jo 1.14), agora pelo seu Espírito faz seu
Templo em cristãos! Que privilégio, mas que responsabilidade! (Veja 1 Pe 2.4-10)
Vs. 19 mostra que Cristo reverteu aquele quadro tão desanimador (veja vss 11 e 12), tornando-nos concidadãos
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
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da Pátria (Reino) celestial e membros da família de Deus. Por isso Deus é nosso Pai, e outros cristãos são nossos
irmãos.
Vs. 20 muda a metáfora de “pátria” (ou “Reino”) e “família” para “edifício” (veja 1 Tm 3.14,15). A imagem é de
um novo Templo composto de judeus e gentios, construído sobre um alicerce dos apóstolos e profetas (neo-
testamentários) com Cristo como “pedra angular”.
Aplicação: Como Templo de Deus, temos a responsabilidade dupla de...
1) Manifestar Sua glória na terra, assim como o Templo no VT fazia (cf 1 Rs 8.41-43). Esta é a obra
missionária da Igreja.
2) Sermos santos como Ele é santo.
Precisamos analisar estas figuras para entender exatamente o que Paulo tem em mente. Conforme este texto, temos
3 coisas em comum:
a) O fundamento dos apóstolos e profetas: O fundamento não são os homens em si, mas a doutrina
divulgada por eles como representantes de Deus. A ordem "apóstolos e profetas" sugere que os profetas não são
aqueles do Velho Testamento, mas sim do Novo. Foi a doutrina apostólica que servia como alicerce da Igreja.
Nas construções antigas, o fundamento de uma construção foi feito por uma valeta enchida de pedras (sem
cimento) e depois niveladas para suportar o peso das paredes e telhado. Dava estabilidade, permanência e suporte
para a casa (cf 1 Co 3.10,11; Rm 15.20).
A pregaçãoapostólica foi o fundamento da igreja que dava estabilidade, permanência e suporte para a casa de
Deus. Sem a base de sã doutrina, não há condições para o edifício durar muito tempo. (cf 1 Co 2.2, At 20.20,21;
Ap 21.14).
O ministério pioneiro dos apóstolos foi autenticado através de milagres (2 Co 12.12: “as credenciais do apostolado
foram apresentadas...por sinais, prodígios e poderes miraculosos”; Hb 2.4,5 – “dando Deus testemunho
juntamente com eles, por sinais, prodígios e vários milagres, e por distribuições do Espírito Santo segundo a sua
vontade.”)
Outros também contribuem para a edificação do Templo.
c) Pedra Angular--Cristo Jesus:
A pedra angular foi muito mais importante naqueles dias do que hoje. Foi "angular" pois determinava os
“ângulos” das paredes. Por isso foi muito cuidadosamente formada e colocada. A pedra angular ficava no canto
do prédio e foi o ponto referencial para todas as outras pedras na construção. Assim o Senhor Jesus dá direção à
construção deste novo Templo (1 Pe 2.6; Is 28.16).
Veja 1 Pe. 2:4-10. O texto acrescenta muito para nossa compreensão desta figura. Aprendemos que:
*Cristo foi rejeitado pelos homens como pedra na construção que ELES queriam fazer. Eles não queriam
construir conforme os ângulos traçados pela sua vida (4,7)
*Deus pegou a Pedra Rejeitada e colocou-a como a principal do prédio! (4)
*Somos “pedras vivas” e sacerdócio santo, parte do edifício feito por Deus (5)
*Os que não aceitam o Evangelho tropeçam sobre a Pedra Angular (6)
*O propósito das “pedras vivas” é proclamar as virtudes de Deus (9).
Aplicação: A base da nossa unidade é a doutrina dos apóstolos e a Pessoa de Cristo Jesus. Os ângulos traçados
pela sua vida, junto com os ensinamentos dos seus seguidores, estabelecem os limites da nossa cooperação na
causa de Deus. Hoje o ecumenismo está construindo em cima do fundamento do amor, mas está minando o
alicerce verdadeiro de doutrina sólida e sã.
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
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União entre homens não está baseada em filosofias ou ideologias; não é uma questão política, nem religiosa, mas
espiritual.
3. Destino Comum: Crescimento como Santuário de Deus
Seguindo as linhas traçadas pela Pedra Angular, o novo Templo de Deus está crescendo pouco a pouco, sempre
bem-ajustado (21). As pedras vivas são acrescentadas uma por uma, bem selecionadas, bem variadas entre si,
mas totalmente preparadas para tomar seu lugar no Santuário. A ideia é que cada pedra foi lapidada e
cuidadosamente encaixada e que o prédio cresce JUNTO. Um dia o edifício será completo, e Cristo voltará para
buscá-lo.
Descobrimos nos vss. 21 e 22 que o alinhamento dado pela Pedra Angular serve para ajustar todo o prédio, e que
este novo Templo continua crescendo com o acréscimo de judeus e gentios juntos em suas paredes. Juntos
constituímos uma "habitação de Deus no Espírito." A ênfase neste texto está na habitação de Deus na Igreja
(universal), não no corpo do crente e não na igreja local. Veja o gráfico a seguir:
Texto Habitação de Deus
1 Co 6.19,20
Ef 3.17, 18
Cristãos como indivíduos são habitados pelo Espírito de Deus (por isso, devemos cuidar do
corpo). Cristo habita pela fé no coração do crente.
1 Co 3.16.17 A igreja local é uma habitação do Espírito de Deus (por isso, devemos cuidar da igreja;
Deus há de destruir pessoas que destroem a igreja loca.)
Ef 2.19-22 A igreja “universal” é uma habitação de Deus no Espírito (por isso, devemos cuidar da
unidade que existe entre nós.)
Para Mais Estudo: Um estudo fascinante é o conceito da “habitação de Deus com os homens”, desde Gênesis
no Jardim até o Novo Céu e a Nova Terra. Veja alguns destes textos: Gn 1-3, Ex 40.34; 1 Rs 8.10; Ez 8.6ss, 9.3,
10.3, 18, 19; 11.23; Jo 1.14; Ap 21.3.
Aplicação:
1) Deus não produz pedras vivas “em massa” ou numa fábrica de linha. É sempre uma por uma.
2) Deus tem espaço para todo tipo de pedra no Seu Templo. Precisamos aprender a nos ajustar
conforme a Pedra Angular, e não forçar outros a serem iguais a nós, mas sim valorizar cada
pedra pela sua contribuição única ao prédio.
3) Como pedras vivas, devemos ser limpas para formar um edifício santo e agradável ao Senhor.
4) Quem faz parte da igreja “invisível” deve também fazer parte de uma igreja – é o único
contexto em que a verdade da união no corpo pode ser vista e provada!
5) Faço parte de um novo Templo habitado por Deus! Por isso, “Sejamos santos...”.
Quando Jesus Cristo proclama "Paz em nosso tempo! Paz com honra!" podemos ter certeza que não é uma paz
superficial, imprevisível ou frágil. Paz com Deus, pas com os homens e paz interior são os fundamentos da
posição do novo homem em Cristo. Paz em nosso tempo? Sim! Paz com Deus, paz com os irmãos e paz interior
são possíveis pelo fato de que nosso destino é seguro. Paz com honra? Sem dúvida, pois temos o privilégio de
pertencermos a Pátria Celestial, como membros da família de Deus, pedras vivas no Santuário de Deus. Temos
paz com Deus, e pleno acesso a Ele 24 horas por dia. Temos paz com os irmãos, e nenhuma razão de fomentar
desarmonia.
Em Cristo Jesus temos paz com honra--com Deus e com os homens.
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
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Efésios 3:1-13 Proclamação do Mistério
Introdução e Panorama
Sofrimento por causa do evangelho - como entendê-lo? Se Deus é soberano, se Cristo Jesus já venceu, se estamos
assentados com Ele nas regiões celestiais, então como explicar o fato de que os cristãos em geral, e ministros do
Evangelho em particular sofrem tanto?
Contexto: "Por esta causa" (Τούτου χάριν) traça uma ligação íntima com o contexto anterior. Paulo se refere à
incompreensível graça e ao amor derramados na vida dos crentes, provocando uma unidade no Corpo de Cristo
entre judeus e gentios. A profundidade destes conceitos, especialmente a ideia de que agora judeus e gentios
constituem "pedras vivas" no Novo Templo, habitação de Deus, leva Paulo à beira de uma oração por experiência
prática deste poder de Deus no homem interior e a uma valorização maior do tremendo amor de Deus por cristãos.
Mas no momento em que iria iniciar a oração (cp o início do vs 1 e o início do vs 14), a menção que faz de ser
“prisioneiro de Cristo” o leva em outra direção. O parágrafo de vv 2-13 representa a 4ª maior sentença no livro,
com 189 palavras no original.
Estrutura: É fundamental observar a estrutura deste texto para poder formular seu argumento. Muitos estudiosos
têm observado que os vv. 2-13 são uma digressão no fluxo de pensamento paulino, e que a oração que Paulo
queria começar no v.1 ("Por esta causa . . .") só começa a partir do v.14 ("Por esta causa me ponho de joelhos . .
."). Note, porém, que embora seja uma digressão gramatical, o texto não é uma digressão teológica. (Para outros
exemplos de digressões em Paulo, veja Rm 5.13-17 e 15.23-28).Os vv. 2-13 harmonizam muito bem com o
contexto e o argumento da carta, explicando o papel de Paulo na revelação das riquezas espirituais possuídas pela
igreja, e a natureza deste mistério de igualdade entre judeus e gentios na nova entidade chamada igreja. O
sofrimento do ministro pelo Evangelho da paz demonstra a glória deste ministério!
A estrutura do texto e sua função no argumento do parágrafo seguem:
v.1 - início de uma oração por poder (experiência prática do poder de Deus no homem interior)
vv.2-13 - parêntese provocado pela menção por Paulo do seu cativeiro, fato que facilmente poderia ter
desanimado seus leitores. Estes versículos estão numa forma lógica com prótase"se . . ." (v.2) e "portanto" v.13.
Sabendo o efeito que a sua encarceração poderia ter surtido nos leitores, Paulo abre uma cortina celestial para
mostrar a grandeza e o privilégio de ser um ministro escolhido por Deus para levar a mensagem do evangelho
para os confins da terra. Tal ministério, que no plano de Deus necessitou o sofrimento do ministro (cf. At 9:15,16)
deve ser motivo de glória e não de desânimo para os leitores. Sem este ministério glorioso, eles não teriam
encontrado o Senhor Jesus! Glória, pois o sofrimento de Paulo é uma demonstração do amor que tem pelo
Evangelho e pelos leitores.
v.14 - Reinício da oração
Note o paradoxo do plano de Deus: Prisão leva para multiplicação e perseguição leva para a glória de Deus!
I. O Mensageiro (1)
No v.1 parece que Paulo queria começar uma oração (veja "contexto" acima) mas ao mencionar o fato de que ele
era prisioneiro (pela primeira vez na carta), ele muda o rumo do seu pensamento. O fato da sua detenção em
Roma pode levantar um "pepino" na mente e no coração dos leitores, e ele precisa tratá-lo antes de continuar a
oração.
Propósito
Paulo revela que sua detenção (o cativeiro) foi por causa da proclamação universal do mistério de
Deus (o fato de que judeus e gentios constituem um só corpo, a Igreja, em Cristo) para reanimar
seus leitores pelo soberano controle de Deus em toda a história.
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
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Cinco outras vezes Paulo começa “Eu, Paulo” (2 Co 10.1; Gl 5.2; Cl 1.2,3; 1 Ts 2.18; Fm 19) que transmite uma
ideia amigável, de envolvimento pessoal.
Ele une dois conceitos importantes neste versículo:
1) Ele era prisioneiro dentro do plano divino, i.e. "prisioneiro de Cristo Jesus" e não de Roma, Nero ou
qualquer outro César.
2) Ele era prisioneiro por causa dos gentios. Este cativeiro de Paulo, que talvez atingisse cinco anos de
duração nesta época, foi provocado em termos gerais pela sua pregação do evangelho aos gentios. Em termos
mais específicos, foi provocado em Jerusalém quando alguns acusaram Paulo falsamente, de ter levado um gentio
- um efésio, Trófimo - para dentro do Átrio dos Judeus no Templo (At 21:17ss; 22:21ss.). De fato, ele era
prisioneiro não somente por causa dos gentios, mas por causa dos efésios! (Para outros textos que falam desta
comissão de Paulo como ministro dos gentios, veja 2 Tm 1:11,12; Rm 11:13; Gl 1:16, 2:7,8) Mas, o sofrimento
de Paulo estava dentro do plano divino, conforme revelado na hora de seu encontro com Jesus (At 9:15,16).
Aplicação:
1) Não há surpresas para Deus! Ninguém sofre circunstâncias fora do Seu controle!
2) Sofrimento dentro da vontade de Deus é uma possibilidade séria e talvez um fato garantido
para aquele que deseja viver de maneira fiel a Deus (cf. 2Tm 3.12)
3) Ninguém pode prender a Palavra de Deus (2 Tm 2.9; veja a mensagem do livro de Atos).
Mesmo na prisão durante boa parte da sua carreira missionária, nada impedia que Paulo
espalhasse o evangelho para mais e mais pessoas.
II. O Mistério (vv.2-6)
Paulo responde possíveis dúvidas que talvez iriam surgir na mente dos seus leitores, provocadas pela ironia de
um Deus soberano que tem abençoado os crentes com toda sorte de bênção espiritual, mas que deixa seus ministros
presos na cadeia. Como explicar tal paradoxo? Como reconciliar bênçãos espirituais nas regiões celestiais com
sofrimento físico nas regiões terrestres? Será que Deus sabia o que estava fazendo?
Sim! Vem a resposta do apóstolo. Deus sabe o que faz, pois está tecendo um desenho maravilhoso no tapete da
história, um desenho com implicações universais e celestiais.
A. A Definição do "Mistério" (τὸ μυστήριον): O termo tem a conotação de "segredo" no NT, mas um
segredo revelado. A ideia é de uma verdade "escondida antes, revelada agora".
A natureza do "mistério" revelada para Paulo e para os outros apóstolos, e o significado do termo "mistério"
influencia a posição que alguns adotam como sistema hermenêutico: dispensacionalismo ou aliancismo. Se a
"igreja", entidade composta de judeus e gentios em um só corpo, foi um "mistério" nunca encontrado nas páginas
do VT, então há bastante apoio para um esquema dispensacionalista, que divide a história em várias épocas ou
"economias" ("dispensações") em que Deus trabalha com grupos específicos, dando revelações específicas da Sua
vontade, com provas da obediência humana e no fim uma mudança de "plano", sempre dentro de uma ótica da
graça de Deus como único meio para salvação do homem.
Se o "mistério" da igreja já foi revelado no VT, se de fato a igreja já existia no VT, então o aliancismo melhor
descreve a natureza do relacionamento entre Deus, o homem e a história. Veja abaixo para uma descrição mais
completa do "mistério" aqui e no NT.
B. A Defesa do Ministério de Paulo na Revelação do "Mistério" (2-4)
1) Eles já ouviram sobre seu ministério (2)
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
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(Obs.: Alguns têm questionado o uso de "se" neste texto ("se é que tendes ouvido a respeito . . ."). Se Paulo
gastou três anos entre os efésios, como poderia levantar essa dúvida sobre o conhecimento deles do seu ministério?
Podemos explicar assim:
a) O texto grego usa uma condição de primeira classe, que pode ser traduzido, "pelo fato de
que" ou "desde que".
b) Qualquer sombra de dúvida sobre o conhecimento dos leitores pode ser atribuída à ausência
do apóstolo durante os últimos cinco anos. O crescimento da igreja teria naturalmente introduzido muitas pessoas
novas em sua comunhão que não conheciam pessoalmente o apóstolo. Cinco ou seis anos já se passaram com
Paulo longe deles.
Paulo recebeu o ministério de ser um mordomo da graça de Deus. Esta é a primeira de três vezes que Paulo
menciona a graça de Deus como sendo a fonte do seu ministério, que por sua vez nos remete para Ef 2.5-9 (cf.
vv.7 e 8). "Dispensação" neste versículo é a palavra οἰκονομίαν, ou seja, "administração". Os leitores sabiam
que Paulo foi incumbido da tarefa de ser o agente principal na distribuição gratuita da graça de Deus aos gentios.
2. O mistério foi revelado diretamente por Deus a Paulo (3a)
Outro argumento forte no arsenal do apóstolo é o fato de que ele recebeu sua comissão diretamente de Deus.
3. Paulo já tinha escrito sobre seu ministério (3b)
"Conforme escrevi há pouco, resumidamente" parece ser uma referência aos capítulos 1 e 2 da carta, em que Paulo
já revelou aspectos deste plano grandioso de Deus em unir gentios e judeus em um Novo Templo (cf. 2:19-22)
4. Os leitores podem verificar a compreensão do mistério que Paulo tinha pela leitura de sua(s)
carta(s) (4)
Nada ficava escondido, e se os leitores queriam se aprofundar ainda mais no assunto, poderiam ler os escritos do
autor. Certamente isso esclareceria para eles o quanto ele dominava o assunto!
C. A Descrição do "Mistério" (5,6)
Nestes versículos Paulo faz a mais clara descrição do que constitui o "mistério" de Deus uma vez escondido e
agora revelado. O mistério é a união de judeus e gentios em um novo homem, em uma família, em um só corpo,
o Corpo de Cristo!
1. Quando foi revelado?
O texto diz "em outras gerações não foi dado a conhecer aos filhos dos homens, foi revelado aos seus santos
apóstolos . . ." Muito debate focaliza as palavras ὡς νῦν "como agora". Podem representar uma diferença
quantitativa ou qualitativa.
*No sentido QUANTITATIVO: “O mistério não foi dado a outras gerações” (ponto final) =
DESCRITIVO (tipo).
*No sentido QUALITATIVO: “O mistério não foidado tanto quanto agora" = RESTRITIVO (grau)
A resposta é mais importante do que parece, pois tem tudo a ver com a presença da igreja no VT.
Uma grande ajuda encontra-se de forma mais clara no texto paralelo de Cl 1:26 - "o mistério que estivera oculto
dos séculos e das gerações; agora, todavia, se manifestou aos seus santos . . ." Em outras palavras, a resposta é
quantitativa, i.e., o mistério de igualdade entre judeus e gentios num só corpo não foi revelado no VT.
2. A quem foi revelado
"aos seus santos apóstolos e profetas, no Espírito". (Encontramos os mesmos "apóstolos e profetas" que já
conhecemos em 2:20 como fundamento da igreja.)
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
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3. O que foi revelado?
Paulo define a natureza do mistério: Não foi a possibilidade de salvação dos gentios – esse fato foi claramente
visto no VT (Gn 12:1-3, Jonas, Rute, Zc 11,12). Paulo define o conteúdo do mistério nos termos mais claros
possíveis: que os gentios são coerdeiros (2:19), co-membros (2:12; Gl 3:29), coparticipantes (2:16) com judeus
nas promessas em Cristo Jesus! Em outras palavras, eles também podem participar nos benefícios da Nova
Aliança (Jr 31, Ez 36)! Eles adquiriram todos os direitos e privilégios que os judeus curtiam. Esta mudança
radical e totalmente inesperada não somente pelos judeus, mas também pelos anjos, pegou todo mundo de
surpresa! Ninguém imaginava que a teocracia em Israel seria terminada e substituída por uma comunidade
internacional, a igreja; que a igreja seria o "Corpo de Cristo", unido a ele; e que judeus e gentios seriam incluídos
em Cristo e na sua igreja como iguais, sem distinção entre eles. Esta foi uma novidade totalmente inesperada
revelada para Paulo.
O mistério não é soteriológico mas eclesiológico!
4. Como os gentios adquiriram este "status" com os judeus? - διὰ τοῦ εὐαγγελίου,
Foi por meio do evangelho, do qual Paulo foi ministro.
III. O Ministério (7-12)
Tendo elaborado a natureza do mensageiro e o conteúdo do mistério, Paulo continua esclarecendo a natureza do
seu ministério. De novo, mesmo com humildade, ele exalta o privilégio de ser considerado um instrumento nas
mãos de Deus para revelar verdades profundas e escondidas desde a fundação do mundo. Por que ficar desanimado
com o sofrimento do apóstolo, quando isso somente fazia parte de um ministério com dimensões universais?
Nestes versículos descobrimos a extensão deste ministério tão glorioso.
O ministério de Paulo foi como uma pedrinha que cai numa lagoa - as ondas de sua influência acabam atingindo
a lagoa toda. Nestes versículos descobrimos três esferas de atuação do apóstolo - seu ministério como mordomo
do mistério começou com os gentios, expandiu para incluir todos os homens, e teve seus reflexos entre seres
celestiais.
A. Ministério aos Gentios (7, 8)
A frase "a mim" (ἐμοὶ em posição enfática no texto grego e em português) reflete um pouco da emoção e
admiração que o apóstolo experimentava ao considerar sua comissão como apóstolo aos gentios: "A mim - de
todas as pessoas!" O perseguidor se tornou pregador pela graça de Deus. Por isso ele se refere a si mesmo como
sendo "menor de todos os santos" (τῷ ἐλαχιστοτέρῳ πάντων ἁγίων - ele usa uma forma comparativa do
superlativo, literalmente "menor que os menores"). Será que foi uma falsa modéstia, ou será que Paulo realmente
se considerava assim? Pelas outras ocorrências de descrições semelhantes, parece que ele, sem diminuir sua
autoridade como representante oficial do Senhor Jesus, nunca esqueceu de que era um inimigo de Cristo (cf. 1Co
15:9, 2Co 12:11, 1Tm 1:15). Paulo reconheceu a importância de seu ministério, mas sempre no contexto da graça
divina.
"insondáveis riquezas de Cristo" (τὸ ἀνεξιχνίαστον πλοῦτος τοῦ Χριστοῦ ) descreve o conteúdo da
mensagem das "boas novas" que Paulo proclamava. A palavra "insondável" foi usada na Septuaginta (Jó 5:9,
9:10, 34:24) e alguns pais da igreja para descrever o que não pode ser traçado, "infinito, incompreensível, sem
fim". No NT, somente aqui e Rm 11.33. As riquezas de Cristo nunca se esgotam (cf. 1:7, 2:7, Rm 11:33) e estão
à disposição de todos os crentes! Que privilégio ficar encarregado com a responsabilidade de declarar essas boas
novas a pessoas que nunca teriam como desfrutá-las!
Para este "menor que os menores" foi entregue uma comissão para proclamar uma mensagem "melhor que as
melhores" - o plano de salvação em Cristo, o mistério do Novo Homem (judeu e gentio em um corpo), e as
riquezas espirituais possuídas pelo crente em Cristo.
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
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Aplicação: Também temos o privilégio de sermos portadores de "boas novas"! O evangelho de
reconciliação é uma proclamação das riquezas espirituais que o crente tem em Cristo Jesus. Encaremos esta tarefa
como um privilégio e não um fardo! Deus entregou a mensagem para nós para ser compartilhada com outros!
B. Ministério para "Todos" (9) - καὶ φωτίσαι [πάντας]
A segunda esfera de influência do ministério de Paulo foi para "todos". Infelizmente a palavra "todos" não aparece
na Bíblia Atualizada, supostamente por fato da omissão da palavra em alguns manuscritos antigos. Mas a maioria
dos manuscritos antigos, o papiros 46 e várias versões incluem a palavra. NVI diz "e esclarecer a todos a
administração deste mistério que, durante as épocas passadas, foi mantido oculto em Deus, que criou todas as
coisas." O termo inclui não somente os gentios, mas todos os seres humanos. Pela pregação do evangelho e a
revelação do "novo" plano de Deus, Paulo foi responsável pela divulgação do mistério do Corpo de Cristo. Este
"mistério" continua sendo revelado para todos os homens através da igreja.
Embora vv.8 e 9 sejam semelhantes na maneira de descrever a extensão e o conteúdo do ministério de Paulo, há
diferenças notáveis. O verbo muda no v.9 de "pregar as boas novas" (εὐαγγελίσασθαι lit. "evangelizar") para
"iluminar" φωτίσαι ou seja "revelar, manifestar, esclarecer". Talvez Paulo tivesse em mente a cegueira causada
por Satanás (2Co 4:6) e sua própria experiência de "iluminação" no caminho para Damasco (At 26:17,18).
O texto usa três frases de qualificação para fazer-nos valorizar ainda mais o privilégio dado para Paulo na
revelação deste mistério. Diz que o mistério:
1) "foi oculto desde os séculos" - ἀποκεκρυμμένου ἀπὸ τῶν αἰώνων (o particípio "oculto" está no
tempo perfeito, indicando algo que foi escondido e continuou assim até o momento); os "séculos" transmite a
ideia "desde que o mundo começou", interpretação apoiada pela referência logo depois ao Deus "que criou todas
as coisas".
2) "em Deus" - ἐν τῷ θεῷ - a frase torna o mistério ainda mais misterioso, pois foi guardado dentro dos
conselhos particulares da Trindade.
3) "que criou todas as cousas" - τὰ πάντα κτίσαντι - uma referência ao poder de Deus como "Criador"
e, indiretamente, à grandeza do plano agora sendo revelado.
Que privilégio para Paulo ser um dos responsáveis por divulgar para toda a Criação este mistério de Deus!
Aplicação: A igreja continua revelando o maravilhoso plano de Deus de unir gentios e judeus (ricos
e pobres, velhos e jovens, pretos e brancos) em um só corpo. Unidade no corpo ilumina o plano de Deus para o
homem, envergonha a Satanás, e testifica o poder do evangelho. A igreja deve ser uma família de pessoas
heterogêneas, cujas diferenças servem para aumentar a glória daquilo que têm em comum: Cristo!
C. Ministério para Seres Celestiais (10-12)
A terceira e última esfera de ministério pelo apóstolo realmente desafia a imaginaçãodo leitor. Ele não somente
tinha o privilégio de revelar aos gentios a possibilidade da sua inclusão no Corpo de Cristo; como consequência,
não somente acabou revelando o plano de Deus para todos os homens; mas o impacto do seu ministério foi sentido
por seres celestiais, que receberam uma aula sobre a incrível sabedoria de Deus!
Foi por revelação direta que Paulo recebeu a mensagem do "mistério" de Deus; foi pela proclamação verbal do
evangelho e das riquezas em Cristo que tornou-se conhecido pelos gentios e "todos"; foi pelo modelo visual da
igreja unida que seres celestiais entenderam o mistério (Stott).
"Agora" (νῦν)- em contraste com "desde os séculos" enfatizando mais uma vez o caráter contemporâneo da
revelação.
"principados e potestades nos lugares celestiais" (ταῖς ἀρχαῖς καὶ ταῖς ἐξουσίαις ἐν τοῖς ἐπουρανίοις) –
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
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Há várias possibilidades para a frase aqui:
1) Anjos (1Pe 1:12, Cl 1:16)
2) Demônios (Ef 6:12, 1Co 2:8, Cl 2:14ss.)
3) Ambos
À luz do contexto, não há razão de limitar a referência a anjos ou demônios. Parece que Paulo está enfatizando a
extensão do seu ministério para todos os seres celestiais. Em outras palavras, todo o cosmos está incluído neste
ministério!
Há outros textos fascinantes que revelam o interesse que estes seres têm no ministério da igreja:
Hb 1:14: são espíritos que ministram para os santos
1Pe 1:10-12: anelam entender as verdades da salvação
Lc 15:10: se alegram quando o pecador se converte
1Co 11:10: assistem cultos da igreja
"pela igreja a multiforme sabedoria de Deus torne conhecida" - a igreja como comunidade de várias raças,
culturas e grupos étnicos forma um desenho único entre as instituições e comunidades humanas.
"segundo o eterno propósito que estabeleceu . . ." o plano não aconteceu "por acaso" mas foi determinado antes
do fundamento do mundo.
"pelo qual temos ousadia e acesso com confiança" - esta última frase no v.12 "fecha o círculo" do pensamento
paulino. Ele volta para o imenso privilégio pessoal possuído por cada cristão em Cristo Jesus. Por causa do plano,
e por causa da revelação do plano pela pregação do evangelho, os efésios desfrutavam de uma nova posição
privilegiada. Por causa do ministério confiado a Paulo, eles, mesmo sendo gentios, podiam aparecer perante o
"trono de graça" (cf. 2:18; Hb 3:6, 4:16, 10:19,35) a qualquer momento do dia (Ef 2:18, Rm 5:2).
"mediante a fé nele" (διὰ τῆς πίστεως αὐτοῦ )- a frase é literalmente "mediante a fé dele" que admite duas
interpretações no original:
1) baseada na fidelidade de Cristo temos ousadia, acesso e confiança
2) baseada na nossa fé em Cristo temos ousadia, acesso e confiança
Neste texto a primeira opção parece ser melhor, pois enfatiza a santificação do cristão como fruto da obra de
Cristo e sua fidelidade em cumprir a Aliança Abraâmica. Por causa dele recebemos estes privilégios, e por causa
do ministério de Paulo sabemos o que temos!
Aplicações:
1) Temos um grande privilégio e uma responsabilidade maior. Vivemos num século que
outros esperavam ver (1 Pe 1:10-11). Temos mais em termos de literatura, livros de referência,
história da igreja e entendimento geral do plano de Deus do que 99,9% dos que já viveram.
Vamos aproveitar o nosso privilégio!
2) É um enorme privilégio estarmos incluídos junto com judeus nos benefícios da Nova
Aliança (cf. Jr 31:31-34; Ez 36). Louvado seja Deus!
3) O "mistério" hoje está em nossas mãos. "Cristianismo é sempre uma geração removida da
extinção."
4) Aproveitemos do nosso acesso direto ao Pai.
5) Nunca devemos desprezar qualquer pessoa no corpo, por classe social, raça, etc.
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Efésios 3:14-21 Oração por Amor e Poder
Introdução e Panorama
Neste texto de Efésios 3:14-21 encontramos mais uma oração do apóstolo, muito semelhante à primeira oração
do capítulo. 1. Mais uma vez Paulo é levado a expressar diante de Deus o desejo profundo do seu coração.
Abrimos a cortina por um instante para descobrir a motivação por trás da vida e do ministério do apóstolo. É assim
que devemos orar! Os pedidos de Paulo devem ser nossos pedidos! A preocupação dele para com as pessoas
para quem ministrava deve ser nossa preocupação! O conteúdo destas orações realmente ensina-nos como orar!
Ambas as orações de Paulo nos cps 1-3 pedem por:
1) Compreensão espiritual
2) Experiência do poder de Deus no dia-a-dia
Ao mesmo tempo, descobrimos o que significa orar em nome de Jesus, conforme a sua vontade. Uma maneira
"garantida" de receber a resposta a suas orações é orar pelas coisas que Deus nos mandou orar! Se conformarmos
as nossas orações ao padrão bíblico, sabemos que estamos orando dentro da sua vontade, "em nome de Jesus".
Contexto: "Por esta causa" (Τούτου χάριν) traça uma ligação íntima com o contexto anterior. Paulo se refere à
incompreensível graça e ao amor derramados na vida dos crentes, provocando uma unidade no Corpo de Cristo
entre judeus e gentios. A profundidade destes conceitos, especialmente a ideia de que agora judeus e gentios
constituem "pedras vivas" no Novo Templo, habitação de Deus, leva Paulo à beira de uma oração por experiência
prática deste poder de Deus no homem interior e a uma valorização maior do tremendo amor de Deus por cristãos.
No parágrafo anterior (3:1-13) podemos ver que o apóstolo estava pronto para iniciar a oração, mas desviou-se
para explicar a glória e o privilégio do seu ministério, mesmo sendo prisioneiro. No v.14 ele retoma esta linha de
pensamento e inicia a oração. "Por esta causa" também reflete o conteúdo de 3:1-13 em que Paulo exaltou o
ministério glorioso de revelar o mistério da união de gentios e judeus em um só corpo, a Igreja.
Estrutura: Neste texto, que é a 5ª maior sentença de Efésios (86 palavras no original) encontramos um argumento
tipicamente paulino, em que cada ponto no seu desenvolvimento leva para o próximo. Em outras palavras, cada
pedido na oração é o resultado do pedido anterior. Podemos descrever este tipo de estrutura como uma escada,
ou talvez um telescópio, em que cada divisão leva para a próxima.
Há três declarações de propósito (ou resultado) nesta oração, nos vv. 16, 18 e 19b. Num desenvolvimento
homilético, podemos identificar essas três cláusulas como sendo os pedidos de oração do apóstolo. (Em termos
gramaticais, os últimos dois são os resultados do primeiro pedido.)
I. Paulo ora para um Pai soberano (14,15)
II. Paulo ora por fortalecimento no poder de Deus (16,17)
III. Paulo ora para que o fortalecimento manifeste-se (resulte) em firmeza (18,
19ª) (compreensão) no amor de Deus (18,19a)
IV. Paulo ora para que a formação do caráter de Deus seja um resultado
(19b) da compreensão do tamanho do amor que Deus tem para conosco (19b)
V. Paulo louva a Deus pela certeza da resposta da sua oração
(20,21) (20,21)
Importante: Observe as figuras de linguagem neste texto. Na interpretação bíblica é sempre importante
esclarecermos o significado de figuras:
Propósito
Paulo ora com confiança no nosso poderoso Pai celeste, para que nós também aprendamos a orar,
que outros crentes sejam controlados por Cristo, resultando no pleno conhecimento do seu amor e
na demonstração do seu caráter.
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
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Figura Significado
"me ponho de joelhos" Paulo ora humilde e dependentemente
"no homem interior" no caráter, na essência da pessoa"habite Cristo nos vossos corações" todos os aspectos da vida abertos
para o senhorio de Cristo
"arraigados e alicerçados" salvos, firmes e seguros
"largura, comprimento, altura, profundidade" amor sem medida!
Comparações Entre as Orações de 1:15-23 e 3:14-21
1:15-23
3:14-19
"Por isso também eu"
"Por esta causa"
o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória . . .
diante do Pai, de quem toma o nome toda família,
tanto no céu como sobre a terra,
o Pai da glória vos conceda . . .
do Pai . . . segundo a riqueza da sua glória, vos
conceda . . .
iluminados os olhos do vosso coração (ptcp. perfeito
reflete uma realidade passada dando condições agora
para compreender . . .)
arraigados e alicerçados em amor (ptcp. perfeito
reflete uma realidade passada dando condições
agora para compreender . . .)
os olhos do vosso coração
habite Cristo nos vossos corações
qual a riqueza da glória da sua herança
segundo a riqueza da sua glória
qual a suprema grandeza do seu poder
que sejais fortalecidos com poder . . .
espírito de sabedoria e de revelação no pleno
conhecimento dele . . .
a fim de poderdes compreender . . . e conhecer o
amor de Cristo
I. O Pedido por Fortalecimento no Poder de Deus (14-17a)
A. O Objeto da Oração (14,15): Paulo ora para Deus como Pai soberano, autor e protótipo da paternidade.
1. "Dobrar os joelhos" (14): submissão, dependência, humildade. Veja as posturas usadas para
oração nas Escrituras:
*Em pé (geralmente louvor ou gratidão: Gn 18:22, 1Rs 8:22)
*Prostrado (geralmente pedindo misericórdia: Mt 26:39)
*Sentado (1Cr 17:16)
*Curvado (At 7:60, 9:40, 20:36, 21:5)
2. Deus como Pai – Deus é o Padrão da paternidade na terra (15). Ele é O modelo. Aqui percebemos
o quanto Paulo entendia que a Igreja é como uma família. O livro de 1 Timóteo, também direcionado para os
Efésios, enfatiza muito esse tema da igreja como família (cf 1 Tm 3.14,15; 5.1,2). (Deus como Pai em Efésios:
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
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1.2,3,17; 2.18; 3.14; 4.6; 5.20; 6.23). O texto enfatiza a soberania de Deus, que dá nome a cada “família” no céu
e na terra.
Aplicação:
1) A oração mais importante é a oração por transformação espiritual.
2) Pare para refletir sobre a prioridade que a oração tinha na vida do apóstolo. Até que ponto
temos o mesmo compromisso com a oração?
3) Se queremos fruto que permanece, devemos aprender a orar como Paulo - por
transformações profundas e não superficiais, por qualidade e não quantidade, por mudanças
radicais e não superficiais. Quando pregamos, não oremos para que tenhamos sucesso, que
sejamos populares, que recebamos uma boa oferta, mas que Deus transforme profundamente
as pessoas e que o poder de Deus opere de dentro para fora (há muitos que trabalham somente
com aparências, com sintomas . . .)
B. O Objetivo da Oração (16-17) (Pedido Principal):
1. Fortalecimento no Homem Interior (16)
*O Recurso τὸ πλοῦτος τῆς δόξης: segundo a riqueza da Sua glória - Deus tem todo o poder para efetuar
esta mudança! Já vimos como Deus é rico em misericórdia (2.4) e graça (2.7) e agora rico em glória.
*O Agente: mediante o Seu Espírito διὰ τοῦ πνεύματος (Veja o livro de Atos em que o Espírito Santo é
o agente de poder; 59x, 1/4 das vezes no NT!). O Espírito nos dá condições de transformação de caráter e
transformação de vidas!
Observe aqui mais uma referência à Trindade em Efésios (cf. 1:13,14; 1:17; 2:18,22; 3:4,5; 3.14-17 4.4-6; 5.18-
20), algo notável em Efésios cujo tema tem a ver com “unidade em diversidade” no Corpo de Cristo!
*O Lugar: no homem interior τὸν ἔσω ἄνθρωπον. Significa que o poder se manifesta principalmente no caráter
transformado, não necessariamente em milagres. (Cf. 2Co 4:16)
2. Esclarecimento do Pedido (17a) (um resultado do pedido)
*A Definição: Poder = Cristo ficando "à vontade" no coração (na vida) do homem
"habitar" κατοικῆσαι significa “ficar à vontade”. Cristo já mora em nós pelo Espírito (Rm 8:9,10; 1Co 6:19)
mas este texto diz que ele quer habitar, ou seja, fazer sua casa, ficar "em casa" mesmo. Ela quer ter a liberdade
de entrar em qualquer quarto e saber que o ambiente será adequado.
*O Instrumento: Fé
*O Lugar: no coração (fig. = na vida)
Aplicações:
1) Nossa visão é tão limitada! Queremos ver resultados! Queremos ver manifestações de
poder . . . queremos reconhecimento. Mas precisamos esperar num Deus que faz sua
obra, às vezes lentamente.
2) A prioridade no nosso ministério deve ser mudança de coração - motivos, ambições, etc.
3) Cuidado com o desejo ambicioso de ter grandes oportunidades sem desenvolver grande
profundidade de dependência do poder de Deus!
4) Oremos com a autoridade de Deus, fazendo pedidos que sabemos que Ele vai atender. O
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
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pedido que Deus mais quer atender é o pedido por crescimento no poder e no amor de
Deus para que a vida dEle seja manifesta na terra. Isso traz glória para Deus!
5) Cuidado com alguns pregadores "poderosos" que dizem ter a unção de Deus, o poder de
Deus, porque fazem milagres em nome de Deus, expelem demônios, curam
enfermidades, pregam para milhares, mas não manifestam as verdadeiras provas do
poder de Deus em seu caráter e no seu dia a dia. (cf. Mt 7:22-23)
II. O Pedido por Firmeza no Amor de Deus (17b-19)
O poder dos vv.16,17 tem que ser arraigado no amor de Deus. Poder sem amor leva para autoritarismo. Amor
sem poder é impotência sentimental. Mas poder com amor leva para transformações eternas de vida.
A. A Base: Arraigados e estabelecidos em amor (17b)
Os dois particípios estão no tempo perfeito, indicando uma ação antecedente com resultados continuando até o
presente. Em outras palavras, a base do pedido de Paulo por compreensão do amor de Deus é o fato de que eles
de fato já estão neste amor. A referência provavelmente é à salvação deles.
Paulo mistura as metáforas: Árvore (raízes) e Fundamento (alicerce); em ambas, quanto mais profundo, mais
forte.
B. O Pedido: Poder para Compreender o Amor de Deus (18a)
Qual o significado das dimensões mencionadas aqui? As duas possibilidades principais são a sabedoria de Deus
(várias referências no VT - mas será que os gentios em Éfeso teriam entendido estas referências?) e o amor de
Deus (muito mais provável baseado no contexto anterior e posterior).
Parece que o apóstolo extrapola os limites da linguagem humana para descrever as dimensões do amor de
Cristo. Como John Stott sugere, esse amor é largo o suficiente para abraçar toda a humanidade (especialmente
judeus e gentios!); comprido para durar por toda a eternidade; profundo para alcançar o mais miserável pecador;
alto o suficiente para nos exaltar até aos céus! A cruz de Cristo ilustra de forma material e espiritual as
dimensões desse amor!7
Aplicações: Quando é que realmente valorizamos o amor de Deus? Quando conhecemos primeiro a
nós mesmos, a carência da nossa alma, a podridão da nossa carne, mas depois experimentamos a graça e o perdão
de Cristo! Quando vejo a minha necessidade, as motivações do meu coração e sua sujeira, então posso valorizar
o quanto Deus me ama. Quando vejo meu egoísmo, impaciência e irritação, aprecio ainda mais o amor de Deus.
Isso parece ser um resumo da ideia do apóstolo em Romanos 7 e 8.
1) O amor deDeus se estende e aceita pessoas que estavam envolvidas nos piores pecados
2) Nada nos separará deste amor de Deus (Rm. 8:35, 36)
3) Pessoas que não sabem o quanto Deus as ama tornam-se pessoas críticas, duras, impacientes,
autoritárias. Não sabem receber crítica, não podem ser desafiadas, precisam muito que os outros
reconheçam seu esforço, vivem procurando os elogios dos homens. Pessoas que não compreendem
que Deus as ama vivem suas vidas tentando provar para Deus que são dignas da sua graça. Com
facilidade tornam-se legalistas, pois é através de regras, leis, padrões e expectativas que garantem
sua própria aceitação perante Deus e avaliam todos ao seu redor para ver se conseguem chegar ao
mesmo patamar.
7 Stott, p. 137.
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
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C. A Ironia: Compreender o Incompreensível! (19a)
*Conhecer = experiência prática do amor de Deus
*Deus é capaz de fazer o impossível. Vamos gastar toda a eternidade explorando tamanho amor que
Deus tem por nós.
*Só Paulo usa o termo ὑπερβάλλ2 Co 3.10, 9.14; Ef 1.19; 2.7; 3.19)
III. O Pedido pela Formação do Caráter de Deus (19b)
O Resultado final desta oração é que os crentes sejam tomados pela plenitude (4x em Efésios – 1.10; 3.19;
4.13) de Deus, ou seja, pelo Caráter de Deus! (19b)
Pela terceira vez neste texto temos uma frase de propósito (ou resultado) "para que".
v.16 - "para que . . . vos conceda que sejais fortalecidos com poder . . . no homem interior."
v.18 - "a fim de poderdes compreender . . . e conhecer o amor de Cristo."
v.19 - "para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus"
Este texto parece ser paralelo a outros como:
*a plenitude do Espírito (Ef 5.18-21) (evidências são voltadas para o caráter do cristão: gratidão, louvor,
submissão, edificação dos santos)
*cp. a plenitude da Palavra (Cl 3:16,17)
*cp. o fruto do Espírito (Gl 5:22)
O que é a plenitude de Deus? É a pessoa de Jesus, seu caráter, seus atributos comunicáveis, formado em nós! É
Cristo vivendo sua vida através de nós. Diariamente somos transformados de glória em glória, de dentro para
fora. É o poder de Deus manifestado no caráter dos seus filhos.
Jo 1:18 - "o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou";
Rm 8:29 - "predestinados para serem conformes a imagem de seu filho . . ."
Gl 2:20 - "Estou crucificado com Cristo, logo já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse
viver que agora tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim."
Cl 1:28,29 - "apresentar todo homem perfeito em Cristo;
Gl 4:19 - até ser Cristo formado em vós"
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
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IV. A Doxologia: A Garantia que Deus há de Completar a Boa Obra (3:20,21)
Como saber se Deus vai responder nossa oração a favor das pessoas que tanto amamos e para quem ministramos,
visando fruto eterno? Paulo termina com uma doxologia que, NO CONTEXTO, revela que essa oração tanto
agrada a Deus que Ele promete respondê-la muito acima das nossas expectativas!
Esta doxologia está diretamente aplicável ao pedido e à oração de 3:14-19, mas também encerra os caps. 1-3.
Deus há de completar a boa obra começada em nós (Fp 1.6). Um dia vamos, sim, entender quem somos, o que
temos, como viver de forma digna da nossa posição. Vamos, sim, experimentar o poder transformador de Cristo
em nós, e seremos como Cristo. Gastaremos a eternidade explorando as maravilhas do amor de Deus para conosco.
A capacidade de Deus de responder esta oração é fortemente indicada.
*Ele pode fazer o que pedimos, porque ele ouve nossas orações.
*Ele pode fazer o que pensamos, porque ele sabe nossos pensamentos.
*Ele pode fazer tudo do que pedimos ou pensamos, pois sabe tudo e pode tudo.
*Ele pode fazer mais do que pedimos ou pensamos, pois suas expectativas são mais altas que nossas.
*Ele pode fazer muito mais (infinitamente mais), pois não há limites no que Deus pode fazer.
Paulo fala do amor de Deus que ultrapassa a compreensão, e depois do poder de Deus que ultrapassa nossa
imaginação; de amor sem limite para poder sem limite. Que Deus nos conceda essa compreensão e esse poder
para vivermos de modo digno do Seu nome!
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
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Efésios 4:1-16 Andando em Unidade
Introdução e Panorama
Depois da grande doxologia com que Paulo terminou sua exposição da posição do crente nos capítulos 1-3, ele
revela suas implicações práticas na vida diária do cristão. Os capítulos 4-6 revelam o dever que segue a doutrina
da nossa identidade em Cristo.
Posição------Prática
Doutrina-----Dever
Condição----Conduta
Exposição---Exortação
Indicativo---Imperativo
Somente UM imperativo aparece nos capítulos 1-3, mas QUARENTA nos capítulos 4-6. (Veja Romanos, onde
há 13 imperativos nos capítulos 1-11, e 49 nos capítulos 12-16).
Se a frase chave dos cps. 1-3 foi "em Cristo", a palavra chave da segunda metade do livro é "andar". O termo se
repete não menos de cinco vezes, dando-nos a base da nossa divisão destes capítulos no nosso esboço (veja
também 2.10):
4:1----andeis de modo digno da vocação . . .
4:17--não mais andeis como também andam os gentios . . .
5:2---andai em amor . . .
5:8---andai como filhos da luz . . .
5:15--vede prudentemente como andais, não como néscios, e, sim, como sábios
Para Paulo não era suficiente ter conhecimento doutrinário se não acompanhado por mudança de vida. Mas
também procurar transformação de vida sem um alicerce doutrinário leva para legalismo ou superficialidade.
Nunca deve haver unidade a custo da verdade (veja como II e III João desenvolvem os conceitos de "amor" e
"verdade" lado a lado). Baseado na verdade dos cps. 1-3, Paulo apela por unidade na prática entre os efésios.
Para Pensar: Onde devemos traçar a linha entre unidade e sã doutrina? Que doutrinas são essenciais?
Quando seria melhor separar-nos do que preservar uma unidade meramente superficial (externa)? Está certa ou
errada a divisão da igreja universal em denominações? A igreja local deve ser heterogênea, ou homogênea?
Contexto: Nesta primeira unidade de pensamento na segunda metade do livro, Paulo faz a transição de
posição para prática. A implicação principal da nossa identidade em Cristo é um andar em unidade. Não
poderíamos esperar menos que isso, depois que Paulo abordou as implicações corporativas do novo homem, da
igreja como união de judeus e gentios em um Corpo, e de crentes como habitação de Deus no Espírito. Se somos
unidos em posição, cabe a nós sermos unidos na prática.
Estrutura:
1-3 - O Pedido por Unidade (baseado na posição de indivíduos e da igreja "em Cristo")
4-6 - A Possibilidade para Unidade (baseada em doutrinas fundamentais e na unidade em diversidade
da Trindade)
7-12 - A Provisão para Unidade: Dons Espirituais
13-16 - O Propósito da Unidade (e dos dons espirituais): Crescimento espiritual e corporativo
Propósito
Crentes devem preservar a unidade criada pelo Espírito Santo usando os dons espirituais para a
edificação do Corpo. (Devemos usar os dons espirituais para manter a unidade e o crescimento do
Corpo de Cristo.)
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
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I. O Pedido por Unidade (1-3)
O versículo 1 é o versículo chave do livro. Num estilo tipicamente paulino, o autor resume as duas metades do
livroneste texto "dobradiça". "Pois" olha para o conteúdo de cps. 1-3, especificamente o "chamado" (a posição)
de todo cristão "em Cristo". Baseado em tantas bênçãos que recebemos, e na alta posição "nas regiões celestiais"
que possuímos, temos um dever. Privilégios implicam em responsabilidades, não para ganhar a salvação, mas
como fruto de amor e gratidão por tudo que Deus tem feito por nós. Encontramos a mesma lógica em Rm 12:1-
2 e Cl 3:1,2.
A. O Mandamento (1): Viver Digno da Nossa Posição em Cristo
"Rogo-vos" (Παρακαλῶ ) é um termo que une autoridade com urgência para dar uma ordem apostólica. Paulo
apela por um andar digno (figura que significa "viver" continuamente, em todos os contextos e em todos os
momentos), i.e., compatível com sua alta posição em Cristo. Ao mesmo tempo Paulo nos lembra do custo que
este viver pode significar - ele mesmo era "o prisioneiro no Senhor" (veja 3:1). Não foi somente o Senhor Jesus
que pagou um "alto preço" para nós desfrutarmos dos privilégios do evangelho. Também somos chamados a
sofrer com Ele.
A frase "de modo digno" (ἀξίως ) reflete uma palavra só no original. O termo traz a ideia de equilíbrio, de algo
compatível, de duas coisas que "batem" ou "combinam". A vida do cristão deve ser coerente ou correspondente
com sua alta posição em Cristo. Este é um conceito repetido muitas vezes em Paulo (cf Cl 1:10, Fp 1:27, 1Ts
2:12, 2Ts 1:11.
Os próximos três capítulos abordarão muitos dos aspectos de uma vida digna de Cristo. Serão exemplos práticos
da manifestação da vida de Cristo na vida diária.
Mas qual a "vocação" para que fomos chamados? O texto literalmente diz, "do chamado com que fostes
chamados". Nos cps. 1-3 o chamado de Deus em Cristo Jesus foi para salvação, que resultou numa posição de
unidade (entre judeus e gentios) e santidade. São justamente estes os conceitos que serão desenvolvidos de forma
prática nos últimos três capítulos. Conforme os vv. 2 e 3, parece que Paulo tem a ideia de "unidade" no “novo
homem” em mente.
Aplicações:
1) Nunca sacrificamos a verdade em nome da unidade, mas devemos avaliar muito bem as
verdades pelas quais vamos nos separar de outros irmãos.
2) A divisão de uma igreja é algo muito sério ao olhos de Deus (1Co 3:17)
3) Somente quando entendo quem eu sou e o que tenho em Cristo é que serei capaz de viver
uma vida realmente digna de Cristo.
B. A Maneira de Andar Digno (2,3): Viver seguro, procurando o bem-estar do outro antes do meu
Depois do mandamento, Paulo usa uma série de preposições "com" e particípios modais para explicar exatamente
como podemos manter unidade no Corpo de Cristo tão diversificado. Ele alista não menos de cinco características
que devem marcar a vida de alguém vivendo de forma coerente com sua posição em Cristo. Pelo fato de ele estar
seguro na sua verdadeira identidade, esta pessoa fica livre para amar outras pessoas, abrir mão de seus próprios
direitos, e preservar uma unidade criada pelo próprio Espírito de Deus.
Se existe algo em comum nesta lista, talvez seja o fato de que cada item exalta o outro acima de si mesmo.
Somente uma pessoa segura, capacitada pelo Espírito Santo, seria capaz destas atitudes. São frutos do poder de
Deus na vida do cristão.
1. Humildade: Em termos gerais, humildade não foi considerada uma virtude pelos gregos, mas um
sinal de fraqueza. Mas o padrão cristão é outro (Fp 2:3-8). Humildade significa colocar os interesses do outro
acima dos meus. Implica numa autoavaliação cuidadosa (Rm 12:3) que leva em conta tudo que sou em Cristo, e
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
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tudo que não sou em minha própria força (cf. Jo 15:5). Esta avaliação nos motiva a viver humildes, sempre
pensando no outro primeiro. Humildade é absolutamente essencial para unidade, pois se todos se preocupassem
primeiramente com o próximo, desunião seria impossível.
2. Mansidão: Muitos definem mansidão como "força sob controle". É a prontidão de sacrificar
meus "direitos" em prol dos outros. Jesus era manso (cf. Mt 11:29) pois nunca defendeu a si mesmo, mas sim, os
indefesos ao seu redor. Moisés foi considerado o homem mais "manso" na face da terra, talvez pelo fato de que
nunca defendeu a si mesmo quando criticado pelo povo de Israel (cf. Nm 12:3) Era tão seguro que podia sofrer
o dano em vez de danificar (cf. 1Co 6:7).
3. Longanimidade: Mais uma vez, a saúde do Corpo toma precedência sobre interesses particulares.
Para o bem do Corpo, e pelo fato de que confiamos na soberania e justiça de Deus, podemos aguentar males,
atritos, irritações e frustrações por amor a Cristo. O termo aqui já deixa claro que "preservar a unidade" não será
fácil. Paulo era realista, e reconhecia as dificuldades existentes quando "dois ou três se reúnem em nome de
Cristo” - lá existem duas ou três opiniões diferentes sobre a cor das cortinas na cozinha da igreja!
"Longanimidade" é aquela virtude que não se vinga, continua firme e paciente no sofrimento. Foi usado para
descrever a atitude de Deus no seu relacionamento com o homem (Rm 2:4). Representa alguém "devagar" para
ficar irritado, relutante para construir barreiras com outras pessoas, mas pronto para sofrer o mal antes de
prejudicar o outro.
4. Suportando-vos uns aos outros em amor: Outra vez, Paulo usa uma frase que deixa claro que
haverá atritos no Corpo. A palavra "suportando" traz a ideia de "aguentar" (não de dar sustento). O amor consegue
reconhecer que eu também sou pecador como os outros, e por isso devo tratá-los com a mesma graça e paciência
que me alcançou. Todos nós somos falhos e fracos, carentes da graça de Deus e uns dos outros.
5. Esforçando-vos por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz: Pela terceira vez em
seguida, Paulo usa uma frase que indica a dificuldade de preservar unidade. "Esforçando" é um termo forte, que
significa não poupar esforço algum, fazer tudo no seu poder para evitar divisão.
É importante ressaltar que o cristão não "cria" unidade, mas "preserva" ou "guarda" a unidade já estabelecida pelo
Espírito Santo (genitivo de fonte ou origem, "que vem do Espírito"). Quando o Espírito Santo nos selou (Ef 1:13),
quando fomos "batizados no Espírito" no momento da nossa conversão (1Co 12:13), fomos feitos participantes
do Corpo de Cristo. Como Corpo, somos unidos, membros uns dos outros (cf. 1Co 12). Esta é a unidade
posicional que deve ser preservada a qualquer custo e de forma prática. Paulo termina o v.3 enfatizando este
princípio pela repetição do termo "paz", tema já desenvolvido em 2:11-22 com respeito ao Corpo de Cristo
composto de judeus e gentios.
Aplicações:
1) Será que estou tão seguro na minha posição em Cristo que posso abrir mão de direitos e
privilégios por amor ao Corpo de Cristo e ao meu irmão?
2) Sou uma pessoa que pensa nos outros antes de mim mesmo, que não me defendo, e que
trata outras pessoas com a mesma paciência e graça com que Ele me trata?
3) Estou me esforçando para manter relacionamentos sadios com outros membros do Corpo,
sem barreiras ou obstáculos entre nós?
4) Reconheço como o Espírito Santo fica entristecido por divisões no Corpo, quando Ele é o
Autor da unidade? (Cf. 4:30, que fala da tristeza do Espírito num contexto de "palavras torpes"
entre irmãos).
II. A Possibilidade de Unidade (4:4-6)
A ligação dos vv.4-6 com vv. 1-3 tem confundido muito intérpretes. O estilo é abrupto - não há nenhum verbo
principal nestes três versículos (a palavra "há" foi inserida pelos tradutores). Isso serve para enfatizar ainda mais
a palavra chave: "um". Numa série de sete palavras "um" Paulo destaca a base da unidadeque ele pediu nos
primeiros versos. Em outras palavras, ele revela a possibilidade de unidade baseada na Santa Trindade e Suas
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
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obras na vida da igreja. (N.B. a presença da Trindade mais uma vez neste livro. Será que a "unidade em
diversidade" que caracteriza a Trindade está na mente de Paulo como sendo a verdadeira base da unidade?)
Nestes versículos encontramos sete doutrinas fundamentais que unem o Corpo de Cristo, dando-lhe a mesma
direção, tirando a competição, focalizando no mesmo Alvo. Estes são os "denominadores comuns" entre todos
os verdadeiros cristãos. Sem harmonia nestas doutrinas, não há unidade verdadeira. Note a ausência de
conjunções (“asindeton”) que enfatiza a importância de cada item na lista.
As doutrinas parecem estar agrupados em blocos de três, três, e um item começando com o Espírito e terminando
com Deus Pai. Existe unidade na igreja universal e no Espírito Santo e também deve haver unidade no corpo local
de crentes (Hoehner, p. 515):
A. Há um Espírito Santo que criou um Corpo pelo chamado para uma única esperança de salvação.
As doutrinas destacadas aqui são:
Pneumatologia
Eclesiologia
Soteriologia
B. Há um Senhor Jesus por quem, quando cremos, fomos batizados no Corpo (εἷς κύριος, μία πίστις,
ἓν βάπτισμα). As doutrinas destacadas são:
Cristologia
Soteriologia
[Eclesiologia/Pneumatologia]
C. Há um só Deus e Pai soberano. A doutrina destacada aqui é:
Teologia (própria)
Aplicação:
1) Não existe unidade verdadeira à parte da verdade. Precisamos verificar se estamos de
acordo com outros "irmãos" nestas doutrinas essenciais da fé cristã.
2) Por causa da obra da Santa Trindade há possibilidade de unidade entre as pessoas mais
diferentes! Somente em Cristo isso é possível.
3) A igreja "invisível" (a verdadeira igreja, na mente de Deus) é tão indivisível como o próprio
Deus que a criou!
III. A Provisão para Unidade (4:7-12)
Mais uma vez cabe ao intérprete perguntar sobre a função dos vv. 7-12 no argumento do texto. Tendo feito o
pedido por unidade baseado na obra de Cristo, e depois de esclarecer a possibilidade de unidade fundamentada
em sete doutrinas essenciais, Paulo revela uma provisão que Deus fez para realizar esta obra tão difícil e
sobrenatural. Ele deu um presente para a Igreja, justamente para facilitar a harmonia no Corpo. O presente foi
homens (e mulheres) divinamente capacitados com dons espirituais para a unidade e edificação do Corpo de
Cristo.
Ao mesmo tempo, entendemos que unidade não significa uniformidade! (cf. 1Co 12:4-11). De fato,
diversidade no Corpo (como na Trindade) aumenta sua beleza e a profundidade da unidade. Estes versículos
começam com uma palavra grega que pode ser traduzida "mas" ou "e" (δὲ), mostrando uma ligação lógica com
os vv. 4-6 e provavelmente 1-6. Até aqui a ênfase tem sido corporal. Agora parece ser mais individual. Mas
mesmo este fato não diminui a força do apelo por unidade, pois a capacitação de indivíduos ("cada um") visa o
fortalecimento de unidade no Corpo.
A. A Distribuição de Dons Espirituais (7-10)
O versículo 7 nos ensina muito sobre a natureza dos dons espirituais, aqui chamados "a graça" (ἡ χάρις):
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1. Quem os recebe? ( Ἑνὶ δὲ ἑκάστῳ ἡμῶν ) "Cada um" recebeu pelo menos um dom espiritual. Nenhum
crente pode reclamar que não recebeu nada; ao mesmo tempo, "cada um" também significa que não há necessidade
de procurar uma "segunda obra" da graça de Deus para receber um ou outro dom. Observe que Paulo faz uma
transição de "todos" (repetido várias vezes no v.6) para "cada um".
2. Quando os recebemos? "Cada um" implica no fato de que todo crente já tem seu dom. Ninguém “cai fora”:
não há cristãos "de segunda classe". (Cf. 1Co 12:7)
3. Como os recebemos? Conforme a vontade de Deus, segundo a proporção do dom de Cristo. Por isso ninguém
deve reclamar porque tem este e não outro dom; ao mesmo tempo, não deve ficar tão insatisfeito que procura
outros dons mais "atraentes".
4. De quem os recebemos? Junto com Ef 4:7, 1Co 12:4-7 indica que toda a Trindade está envolvida na
distribuição dos dons espirituais.
5. Para que? Para uso no Corpo, para unidade e edificação (veja vv. 8-16).
6. O que são? São produtos da graça de Deus, não de esforço humano, capacidades sobrenaturais para realizar
a obra de Deus no poder de Deus para a glória de Deus.
7. Quantos recebemos? Depende da vontade de Deus que distribui os dons sob a medida pré-determinada por
Ele.
Os versículos 8-11 fazem uma citação e exposição de Sl 68:19 para defender o precedente de distribuição de
presentes (dons) por um "Conquistador". Paulo faz um RESUMO do Sl 68 que PARECE com o texto do vv. 18.
Há vários problemas nestes versículos, mas os dois principais são:
1) Como que Paulo cita o VT? (Há pelo menos duas mudanças na sua citação do texto de Sl 68: da segunda
pessoa singular para a terceira pessoa, e do verbo "concedeu" para "recebeu". Alguns afirmam que Paulo não
quis fazer uma citação direta. Outros apontam para a palavra hebraica para "recebeu" que também pode trazer a
ideia de "concedeu" em alguns textos. Ainda outros resolvem o problema considerando o espírito do contexto de
Sl 68, em que o vencedor de uma guerra tem o direito tanto de receber quanto de conceder dons. Esta última
explicação parece harmonizar bem com Ef 4:8-10. Paulo está sendo coerente com a intenção do Sl 68, embora
"livre" em sua citação/paráfrase do texto.
2) O que significa "descido até as regiões inferiores da terra (τὰ κατώτερα [μέρη] τῆς γῆς)? Para onde
Cristo foi, e qual a implicação para o argumento deste texto? Há pelo menos três opções:
*Desceu até a terra (genitivo apositivo = "partes inferiores que são a terra" ou seja, a encarnação e a
humilhação de Cristo na terra (cf. Fp 2:3-8); Cristo se fez homem, fato que qualificou-o para ser nosso redentor,
e, eventualmente, o Vencedor com direito de distribuir dons para seus seguidores.
*Desceu até o sepulcro (genitivo comparativo = “partes mais baixos que a terra”, ou seja, Cristo morreu;
sua morte foi o golpe mortal que matou a Morte! Por isso, como Vencedor, ele pode dar dons aos homens.
*Desceu até o inferno (genitivo comparativo = “partes mais baixos que a terra”, ou seja, Cristo desceu para
o Hades para anunciar sua vitória (cp. 1Pe 3:19). Em seguida ele demonstrou o espólio da sua vitória dando dons
aos homens.
Destas opções, a primeira parece ser mais provável neste texto, especialmente à luz da comparação com a "subida"
de Jesus para o céu (8,9).
Os versículos 9, 10 e 11 analisam a citação do v. 8, expondo o significado primeiro de "subiu" e depois de "deu"
na citação. Aquele que subiu (na sua ascensão e exaltação como Vencedor) é o mesmo que desceu (na sua
encarnação), e aquele que desceu é aquele que subiu para ser soberano sobre todos.
Aplicação: A vitória de Cristo sobre a Morte e o Pecado deu-lhe o direito de distribuir dons. Dons
espirituais são um sinal de que nosso lado já ganhou a guerra!
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B. A Diversidade de Dons Espirituais (11)
Este versículo continua a exposição do Sl 68:18, agora destacando o significado da frase "deu". O versículo
destaca a variedade que se encontra nos dons, ou melhor, nos homens capacitados dados para a igreja. Há uma
transição aqui entre dons dados para homens (v.7) e homens dotados dados para a igreja. Ao mesmo tempo emque são ofícios (os dons capacitam estas pessoas a desempenharem certas funções no Corpo) também logicamente
refletem certos dons espirituais. (Para outras listas de dons, veja 1Co 12 e Rm 12)
1. Apóstolos (note que existem 3 tipos de “apóstolo” no NT: os discípulos; Paulo; aqueles que
tiveram o dom de apóstolo (Barnabé, Tiago, Apolo, Silvano, Tito, Epafrodito)
2. Profetas
3. Evangelistas
4. Pastores-mestres (δὲ ποιμένας καὶ διδασκάλους - o uso de um artigo só com os dois termos
parece juntá-los em um conceito só, em que a função principal do pastor é de ensinar/alimentar o rebanho, ou
seja, o primeiro “pastores” está contido no segundo “mestres”)
Há muito debate sobre a continuidade destes e outros dons espirituais. Basta dizer que, no sentido mais técnico,
é de duvidar se apóstolos e profetas ainda existem hoje, especialmente pelo fato de que Paulo se refere a eles como
sendo parte do fundamento da igreja (2:20; 3:6), enquanto evangelistas e pastores-mestres parecem ter um papel
contínuo.
C. O Dever de Homens Capacitados (12)
O versículo 12 é um texto clássico para uma descrição da filosofia de ministério de um obreiro. Há três cláusulas
de propósito/resultado. Poderiam ser interpretadas como se fossem as três responsabilidades de cada ministro, ou
seja, que o ministro tem a responsabilidade de 1) aperfeiçoar os santos, 2) fazer a obra do ministério, e 3) edificar
o Corpo. Mas é melhor entender os três itens como sendo uma escada em que cada degrau leva até o próximo.
Em outras palavras, homens capacitados foram dados à igreja para:
o aperfeiçoamento dos santos, para que
eles (os santos) fizessem o ministério com o resultado de que
o Corpo de Cristo seria edificado.
A palavra "aperfeiçoamento" (τὸν καταρτισμὸν) tem vários usos no NT (consertar, emendar redes; preparar,
equipar, aperfeiçoar), mas neste texto a ideia principal é de "equipar". O ministro deve ter como objetivo principal
o equipamento de outros para realizar a obra do Senhor na terra, com o resultado que a igreja seja edificada.
Aplicação:
1) Nossa filosofia de ministério deve priorizar discipulado, equipando a igreja para fazer o
ministério.
2) A igreja não é uma "pirâmide" com o pastor em cima. A liderança serve o povo equipando-
o para um "colegiado" de ministérios em que todos participam.
IV. O Propósito da Unidade (4:13-16)
Nesta última parte da discussão sobre o andar em unidade, Paulo revela três propósitos dos dons espirituais e do
ministério de homens e mulheres capacitados no Corpo:
A. Maturidade Espiritual (13): Semelhança a Cristo
O primeiro propósito dos dons é o desenvolvimento do caráter de Cristo. Tecnicamente o versículo fala do tempo
em que os dons serão operantes ("até que . . .") mas o efeito maior é de revelar a obra que os dons efetuam no
Corpo. (Para outro texto semelhante que descreve o tempo em que os dons estarão funcionando, veja 1Co 13:10).
Paulo alista uma série de descrições de maturidade cristã:
*unidade da fé
*pleno conhecimento do Filho de Deus
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
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*perfeita varonilidade
*medida da estatura da plenitude de Cristo
Embora cada item apresente uma nuance um pouco diferente desta obra completa dos dons, a ideia é de
conformidade à imagem de Cristo, ou seja, "Cristo formado em nós" (cf. Cl 1:28,29; Rm 8:29)
B. Estabilidade de Vida/Doutrina (14)
O segundo propósito dos dons é maturidade doutrinária caracterizada por estabilidade na fé. Homens capacitados
têm o dever de alicerçar seus discípulos na sã doutrina para que não sejam levados por toda novidade que passa
na rua.
C. Identidade com Cristo (Edificação do Corpo) (15,16)
O texto termina com uma exortação que traça o terceiro propósito dos dons, e que "fecha o círculo" aberto no v.1.
Dons espirituais são a provisão de Deus para promover/preservar unidade e crescimento no Corpo! Por meio da
"justa cooperação de cada parte, pelo auxílio de toda junta" o Corpo cresce! Esta é a obra maravilhosa que Cristo
Jesus começou quando fomos incluídos "nele", judeus e gentios juntos, cada um com uma capacidade sobrenatural
que Deus usa para o crescimento e a unidade do Corpo.
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Efésios 4:17-32 Andando em Santidade
Introdução e Panorama
A dignidade do nome familiar ("cristão") exige responsabilidades correspondentes. A nova vida em Cristo deve
ser positiva, não negativa. Deve edificar, não destruir; formar e não fraturar.
Contexto: Como de costume, em 4:1-16 Paulo deu uma ordem para os Efésios (viverem em união), e logo depois
mostrou como cumprir aquela ordem. Deus não somente exige, mas supre. Os dons espirituais foram dados por
Deus para edificar o Corpo e preservar sua unidade.
No parágrafo que começa com 4.17 e a palavra "portanto" (οὖν), descobrimos um pouco mais sobre o que os
dons realizam no Corpo: ajudam o Corpo a crescer não somente em unidade mas também em santidade!
Estrutura: Uma característica marcante nesta parte do livro (até 5:21!) é como intercala proibições,
mandamentos, e a razão ou o resultado de obedecer ou desobedecer aos mandamentos.
No texto de 4:17-24 Paulo primeiro condena o "velho homem" (17-19) para depois "recomendar" o novo homem
(20-24). Depois, em 4:25-32, desenvolve uma série de aplicações especificas e gráficas de comportamento que
deve ser despojado (como o velho homem) e "revestido" (como o novo homem). Geralmente cada série de itens
inclui uma proibição, um mandamento, e a razão por trás (que corresponde à ideia da renovação da mente).
Aplicação: A própria estrutura do texto nos ensina uma lição importante - não é suficiente ensinar a igreja o que
não deve fazer, como também o que deve fazer. Em outras palavras, não somente os "nãos" da fé, mas os "sims"
também. Não devemos tirar o velho sem acrescentar o novo! Muitos erram por seguir o pêndulo para um ou
outro extremo - dizendo "não" para tudo, tornam-se legalistas; sempre dizendo "sim" acabam na libertinagem.
2 Co 3.18 Gl 4.19
Resumo Ação Símbolo
Despojar Ver e Arrepender Coração (velha natureza)
Revestir Correr e Crer Cruz (graça e misericórdia)
Renovar Oferecer-se e Obedecer Altar (apresentação de tudo)
Rm 6.11-14 Rm 12.1,2 Ef 4.17-24 Cl 3.8-17
Um Desafio: Você consegue identificar as áreas onde Deus está trabalhando em sua vida para tirar o
velho e acrescentar o que é novo? Sua vida hoje é mais parecida com Jesus?
I. Andai como Novos Homens (4:17-24)
Pelo fato de agora estarmos "em Cristo", devemos viver em santidade, não na impureza que caracterizava nossa
velha vida.
A. Condenação do Velho Homem (17-19)
Propósito
Os cristãos devem viver em santidade e edificação porque são novos homens em Cristo.
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1. Sua Posição (17,18) O texto nos lembra de Rm 1:21ss. O velho homem vai de mal a pior (cp.
Ef 2:1-3, 11,12). Veja os termos usados para descrever o "velho homem", a pessoa sem Cristo, e note o destaque
MENTAL em vários deles:
*vaidade dos pensamentos
*obscurecidos de entendimento
*alheios à vida de Deus
*ignorância em que vivem
*dureza dos seus corações
*insensíveis (v. 19)
2. Sua Prática (19): Outros termos fortes descrevem o estilo de vida destas pessoas:
*dissolução
*avidez
*impureza
Veja Romanos 1:24,26,28 para um texto paralelo que traça o mesmo espiral para degradação. A pessoa sem
Cristo temuma mente poluída que leva a uma vida pervertida.
Aplicação: O fim do velho homem é imoralidade. Satanás gostaria que nós também chegássemos
ao mesmo fim. Mas nosso chamamento é bem mais alto - no céu! Precisamos nos comportar
conforme nossa posição com Jesus no céu, não conforme os incrédulos na sarjeta da terra. Não
podemos deixar que o mundo faça nossa cabeça ou estabeleça nossos padrões. Meu propósito não
deve ser viver para agradar a carne, mas a Cristo.
B. Recomendação do Novo Homem (20-24)
Note como o problema da mente (que leva ao problema de imoralidade - 4.17-19) encontra sua solução na mente
(20,21 – a doutrina de Cristo) que por sua vez produz mudança de vida (22-24).
1. A Doutrina de Cristo (20,21)
Poderíamos parafrasear o pensamento paulino da seguinte maneira: "Vocês não são mais gentios, mas um novo
homem em Cristo. Agora são borboletas; não vivam como lagartas!"
O que significa a frase "aprender a Cristo" (ὑμεῖς δὲ οὐχ οὕτως ἐμάθετε τὸν Χριστόν,)? Provavelmente dá a
ideia de "assumir o caráter dele" (cf. 2Co 5:17).
2. O Dever do Cristão (22-24)
Há muito debate sobre a identidade do "velho homem"( τὸν παλαιὸν ἄνθρωπον) e do "novo homem" (τὸν
καινὸν ἄνθρωπον). O novo homem se refere ao Corpo de Cristo composto de gentios e judeus, como já vimos
antes (cf. 2:15)? Ou é uma referência ao indivíduo e seu comportamento pessoal? Ou será que ambos estão na
mente de Paulo? O outro problema trata do significado da frase "vos despojeis do velho homem" (veja a
crucificação e a morte do velho homem em Rm 6:6). Em que sentido ele morreu? Se morreu mesmo, por que
tenho tanta dificuldade com ele? Se sua morte foi somente em termos de posição, como torná-la uma realidade
em minha vida? Se continua vivo, qual a influência que exerce na minha vida? (Note o paradoxo ainda mais
nítido em Colossenses: “Morrestes...fazei, pois, morrer” - Cl 3.3,5).
É interessante notar o tempo verbal dos três verbos "despojeis (ἀποθέσθαι). . . renoveis (ἀνανεοῦσθαι) . . .
revistais (ἐνδύσασθαι )". O primeiro e o último estão no tempo aoristo, que neste caso simplesmente indica um
fato ocorrido (sem comentário sobre sua continuidade ou não). Pelo contexto entendemos que são atos que já
aconteceram e que não precisam ser repetidos. Em outras palavras, são verdades do passado que precisamos
experimentar na vida diária. Esta é a tensão entre nossa posição e nossa prática. Mas Paulo muda o tempo verbal
de "renoveis" para o presente, que traz a ideia de uma ação contínua e repetida. Em outras palavras, devemos
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
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constantemente renovar a mente sobre o fato ocorrido da nossa morte ao pecado e ressurreição para a justiça!
(Veja Cl 3:5,9,10 e Rm 6:11-13.)
Aplicação: A vida cristã precisa de uma renovação diária (constante) da mente. O problema é que
estamos sempre nos esquecendo de quem somos e do que temos em Cristo. A renovação da mente
nos lembra de verdades espirituais e assim afeta nosso comportamento moral.
II. Andai em Edificação (4:25-32)
Neste texto Paulo progride do geral (vv. 17-24) para o específico (25-32). Explica como andar como novos
homens. Veja o gráfico a seguir:
Texto/
Citação
Proibição (negativo:
DESPOJAR)
Mandamento
(positivo: REVESTIR)
Razão/Propósito
(RENOVAR)
v.25
Zc 8:16
Deixando a mentira
("pare de mentir")
(ἀποθέμενοι τὸ
ψεῦδος)
Fale a verdade
(λαλεῖτε ἀλήθειαν)
Somos membros uns dos outros
(mentira destrói o Corpo de
Cristo)
(ὅτι ἐσμὲν ἀλλήλων μέλη)
vv. 26,27
Sl 4:4
Não pequeis ("pare de
pecar")
(μὴ ἁμαρτάνετε)
Irai-vos (resolva sua
ira)
(ὀργίζεσθε)
Ira dá oportunidade para o diabo
(μηδὲ δίδοτε τόπον τῷ διαβόλῳ)
v.28
Não furte
(μηκέτι κλεπτέτω)
Trabalhar para dar
(κοπιάτω
ἐργαζόμενος ταῖς
[ἰδίαις] χερσὶν τὸ
ἀγαθόν)
Em vez de prejudicar, poderemos
ajudar ao irmão
(ἵνα ἔχῃ μεταδιδόναι τῷ χρείαν
ἔχοντι)
vv.29-30
Não saia da boca
palavras "torpes"
(πᾶς λόγος σαπρὸς ἐκ
τοῦ στόματος ὑμῶν μὴ
ἐκπορευέσθω)
Fale para edificar
(ἀλλὰ εἴ τις ἀγαθὸς
πρὸς οἰκοδομὴν τῆς
χρείας)
Transmitiremos graça pelas
palavras; não entristeceremos o
Espírito que cria unidade no
Corpo
(ἵνα δῷ χάριν τοῖς ἀκούουσιν . . .
μὴ λυπεῖτε τὸ πνεῦμα τὸ ἅγιον
τοῦ θεοῦ)
vv.31,32
Longe de vós . . .
amargura, cólera, ira,
gritaria, blasfêmia,
malícia
(πᾶσα πικρία καὶ
θυμὸς καὶ ὀργὴ καὶ
κραυγὴ καὶ
βλασφημία ἀρθήτω
ἀφʼ ὑμῶν σὺν πάσῃ
κακίᾳ.)
Perdoe uns aos outros
(32 γίνεσθε [δὲ] εἰς
ἀλλήλους χρηστοί,
εὔσπλαγχνοι,
χαριζόμενοι ἑαυτοῖς)
Deus em Cristo nos perdoou (Mt
6:12-15)
(καθὼς καὶ ὁ θεὸς ἐν Χριστῷ
ἐχαρίσατο ὑμῖν.)
(Observe como esse texto e o próximo – 5.1-6 – tratam de seis dos dez mandamentos: #’s 9, 6, 8, 7 e 10,
respectivamente.)
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A. Falando a Verdade (25)
Aplicação: Mentira é como um câncer que destrói o corpo de Cristo de dentro para fora. Talvez
seja a pior forma de traição na igreja e na família. Mentira mostra que a pessoa não valoriza o corpo,
não se considera membro do corpo (ou família), ou não se importa muito com a outra pessoa. É uma
forma de autoproteção de uma pessoa que não entende o que significa viver pela graça de Deus e não
sabe quem ela é em Cristo. Algumas formas de mentira:
*Colar numa prova *Copiar o trabalho de outros sem dar crédito
*Fofoca *Exagero
*Bajulação (Pv 28.23,25) *Engano (Jr 9.5,6)
Quando um mentiroso deixa de ser mentiroso? A resposta é: quando começa a falar a verdade!
B. Controlando sua Ira (26,27)
Há ocasiões em que o cristão cheio do Espírito Santo TEM que ficar irado, assim como Jesus na presença dos
abusos da casa de Seu Pai. Mas mesmo a ira justa precisa ter vida curta, e nunca ser uma questão pessoal. A
razão dada no vs. 27 é que ira não resolvida cria uma brecha que o diabo explora para dividir o Corpo de Cristo,
a família e a sociedade.
Aplicação: Devemos resolver nossa ira assim que possível fazê-lo. O diabo usa ira (relacionamentos
quebrados) para criar divisões no corpo de Cristo e assim atrapalhar a obra do Espírito Santo (veja
v.30; cp. 1Pe 5:8)
C. Trabalhando para Contribuir (28)
Algumas pessoas pensam que são honestas somente por que nunca foram pegas roubando!
Aplicação:
1) Como que "furtamos"?
*Sendo preguiçosos no serviço
*Marcando hora no serviço
*Mentindo na declaração de imposto
*Copiando CDs, programas de computador, e o trabalho de outros sem permissão
2) Nossa filosofia de trabalho não é simplesmente para providenciar coisas e mais coisas para
mim e para minha família, mas deve abençoar pessoas carentes ao meu redor. Conforme a
Bíblia, devo trabalhar para:
a) Suprir as necessidades da minha família (1Tm 5:8)
b) Cuidar das minhas necessidades (2Ts 3:10-13)
c) Contribuir para as necessidades de outros (Ef 4:28)
d) Sustentar os ministros do evangelho (Gl 6:6)
D. Falando para Edificar (29,30)
Basta perguntar se a influência da minha vida nos ambientes em que me encontro deixa as pessoas mais parecidas
com Jesus, ou pelo menos com mais desejo de conhecê-lo.
A palavra "torpe" significa mais do que "podre"; foi usada para fruto "inútil", i.e., que não era comestível (cf. Mt
7:17,18; 12:33-37; 13:47,48). As minhas palavras realmente têm poder para destruir vidas ou para ministrar ofavor não merecido de Deus como canais de graça (Veja Cl 4:6).
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É interessante notar a estrutura deste parágrafo, pois afeta a interpretação do v.30. O mandamento para não
entristecer o Espírito Santo pode se referir a todos os pecados já alistados nos vv.25-29, mas neste caso teríamos
que perguntar por que os pecados do v.31 não estão incluídos. Parece melhor entender que pecados com a língua
são especialmente tristes, pois destroem a unidade que é obra prima do Espírito (4:3). Quando fofocamos ou
quando não usamos nossa língua para uma causa nobre, acabamos minando a obra de Deus pelo Espírito. Este
mandamento, então, é mais uma razão para não pecarmos com a língua.
E. Perdoando uns aos Outros (31,32)
Como alguém disse, "Aquele que não sabe perdoar, destrói a ponte pela qual ele mesmo algum dia terá que
passar." Guardar mágoas é como tomar veneno e esperar que seu inimigo morra!
Perdão é a marca de grife do cristão. Somente os perdoados sabem perdoar. Por isso, Jesus cita uma vida de
perdão como sendo a evidência vital de uma vida cristã (veja Mt 6.11-15; 18.21-35). Perdoar não é pré-requisito
para salvação, mas uma demonstração de que realmente compreendemos o tamanho da nossa própria dívida para
com Deus e Sua infinita graça em nos perdoar.
Estes versículos são ótimos exemplos da importância de estudos de vocábulos para realmente seguir as nuances
de pensamento do autor. O que estes termos têm em comum? Qual o significado de cada um?
Amargura (πικρία)
Cólera (θυμὸς)
Ira (ὀργὴ)
Gritaria (κραυγὴ)
Blasfêmias (βλασφημία)
Malícia (κακίᾳ)
Benignos (χρηστοί )
Compassivos (εὔσπλαγχνοι)
Perdoando (χαριζόμενοι)
Aplicação:
*Sou responsável pela minha REAÇÃO diante do mal, não pela AÇÃO do outro.
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Efésios 5:1-6 Andando em Amor
Introdução e Panorama
A liberdade para amar vem de sermos amados e seguros no amor do Pai!
Contexto: “Pois” (οὖν ) reflete uma ligação com os parágrafos anteriores em que Paulo contrastou o
comportamento do velho homem e do novo homem em Cristo. O elo está especialmente forte com o v.32 no
contexto imediato, que destaca o fato de que foi a graça de Deus que nos perdoou livremente. Por causa deste
grande amor que nos transformou e nos aceitou, devemos viver como imitadores dele. O atributo principal do Pai
em vista aqui é seu amor.
Estrutura: A estrutura deste pequeno parágrafo é simples. Paulo dá uma ordem de seguir o modelo de amor
incondicional do Pai, amor auto-sacrificial e puro (vv. 1 e 2), seguido por uma descrição do “amor” falso que é o
padrão do mundo, um amor erótico, sujo e egoísta que distorce o padrão divino (vv. 3 e 4). Mais uma vez, então,
descobrimos o mesmo contraste entre o comportamento do “velho homem” e o “novo homem”. Finalmente, o
v.5 dá a razão por que o cristão genuíno deve fugir desta forma de paixão egoísta: é característica daqueles que
não conhecem a Deus e não têm esperança de vida eterna.
Resumo:
1. Amor Verdadeiro (1,2)
A Exigência: Seguir o Modelo do Pai (1, 2a)
O Exemplo: O Amor de Cristo (2b)
2. Amor Falso (3-6)
A Responsabilidade: Fugir das Paixões do Mundo (3,4)
A Razão: A Incompatibilidade do Cristão com o Mundo (5,6)
I. Imitadores de Amor Verdadeiro (1,2)
No final de capítulo 4 Paulo exortou os efésios a seguirem o modelo de perdão estabelecido por Deus, e não o
padrão do mundo de ira, gritarias, cólera, etc. Benignidade, compaixão, e perdão devem caracterizar o tratamento
que os cristãos dão para outras pessoas. Neste parágrafo Paulo é mais explícito ainda, chamando todos nós para
uma vida que segue o padrão do amor divino. Nestes primeiros dois versículos uma forma da palavra “amor”
(ἀγάπῃ ) ocorre três vezes: filhos amados, andai em amor, assim como Cristo vos amou.
A. A Exigência: Seguir o Modelo do Pai (1,2a) O primeiro versículo já estabelece o novo padrão de vida para
o cristão “em Cristo” - não é nada menos que o padrão de amor divino. Devemos ser “imitadores” constantes
(γίνεσθε οὖν μιμηταὶ - imperativo presente) do próprio Deus! No contexto, descobrimos que o que Paulo tem
em mente é o padrão de amor sacrificial que Deus demonstrou para o mundo em Cristo. Certamente este não é
um amor natural, mas ao mesmo tempo é a marca que distingue o cristão: “Aquele que não ama não conhece a
Deus, pois Deus é amor . . . Nisto consiste o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos
amou, e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados” (1Jo 4:8,10).
Em outras palavras, amor é a marca que distingue alguém como pertencendo à família de Deus. Assim como
algumas famílias têm aspectos da sua fisionomia que as distinguem das outras famílias, amor caracteriza aqueles
nascidos na família de Deus.
Propósito
O filho de Deus deve possuir os mesmos atributos como seu Pai celeste, imitando Seu amor
sacrificial e santo e não a paixão egoísta e exploradora do mundo.
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
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Mais uma vez encontramos um mandamento para “andar” (περιπατεῖτε) na esfera de uma virtude moral. O
imperativo presente “andai em amor” traz a ideia de “viver constantemente pelo padrão divino de buscar o melhor
do outro acima do seu próprio bem-estar”.
Para dois outros textos semelhantes, que exigem do cristão um comportamento semelhante ao Pai:
*Mt. 5:48: Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste.
*Lc 6:36: Sede misericordiosos, como também é misericordioso vosso Pai.
(cf. Hb 6:11,12; 1Pe 3:13)
Pelo fato de que Paulo seguia o exemplo de Deus Pai, pediu que seus discípulos também seguissem o seu exemplo:
*Fp 3:17: Irmãos, sede imitadores meus e observai os que andam segundo o modelo que tendes em vós.
*1Co 4:16 Admoesto-vos, portanto, a que sejais meus imitadores . . .
*1Co 11:1 Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo.
Paulo apela para o fato de que somos “filhos amados” (ὡς τέκνα ἀγαπητὰ) e por isso devemos imitar nosso Pai
celeste. Fica nítida aqui a alusão à imitação tão comum entre um filho e o pai que admira. A coisa mais natural
no mundo é de ter uma criança que imita seu pai - fazendo a barba . . . consertando uma máquina . . . dirigindo o
carro. Para Paulo, esta imitação natural deve acontecer a exemplo do amor sobrenatural do Pai.
B. O Exemplo: Amor de Cristo (2b). Paulo deixa claro que este amor não é algo meramente
sentimental, muito menos um conceito abstrato. O amor a ser imitado pelo cristão é objetivo, concreto, um amor
que age. O exemplo maior deste amor é o Senhor Jesus, que nos amou de forma sacrificial (καθὼς καὶ ὁ Χριστὸς
ἠγάπησεν ἡμᾶς). Ele “se entregou” (καὶ παρέδωκεν ἑαυτὸν ὑπὲρ ἡμῶν) por nós como uma oferta e sacrifício
a Deus. Aqui descobrimos mais especificamente o que Paulo tem em mente quando estabelece o padrão de amor
divino - é um amor que dá de si mesmo para o bem do outro, que abre mão de seus próprios direitos para o
benefício do outro. Este tipo de amor altruísta será contrastado com o “amor” do mundo que é egocêntrico e
sensual. (A referência à oferta e sacrifício de Cristo nos lembra de Rm 12:1,2 em que somos chamados para
entregar nossos corpos como “sacrifício vivo” para Deus.)
Aplicações:
1) Até que ponto estou disposto a abrir mão dos meus “direitos” a favor de outras pessoas,
especialmente pessoas não amáveis (como Cristo fez)?
2) Em mim mesmo sou incapazde amar como Cristo amou. Somente o poder dele operante
em mim pelo Espírito é suficiente para produzir este amor. Talvez por isso o amor verdadeiro
é marca que distingue o verdadeiro cristão.
2. “Fugitivos” do Amor Falso (3-6)
A pequena palavra “mas” (δὲ) é o elo entre os vv. 2 e 3. Introduz um contraste entre o amor divino e o “amor”
mundano. De novo, encontramos o contraste entre o comportamento do “velho homem” e do “novo homem”.
Quase todas as palavras alistadas aqui têm conotações sensuais/sexuais, e revelam o que o mundo considera como
seu padrão de “amor”. Em termos bíblicos são perversões do padrão divino de auto-abnegação e auto-sacrifício.
A paixão do mundo é egocêntrica, perversa, suja. Enquanto o amor verdadeiro (divino) sacrifica a si mesmo para
o bem-estar do outro, o “amor” mundano sacrifica o outro para seu próprio bem-estar.
A. A Responsabilidade: Fugir das Paixões do Mundo (3,4)
Paulo dá mais uma ordem, que o comportamento que caracteriza o amor falso não sequer seja
nomeado entre os verdadeiros cristãos, pelo fato de que tal comportamento é incoerente com sua alta posição
como filhos de Deus. Em outras palavras, não deve haver nenhuma sombra da presença destes pecados entre os
crentes. A lista de comportamentos indesejáveis tem um denominador comum - todos refletem o padrão de
sensualidade que distorce o amor divino.
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
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*impudicícia - (πορνεία)
*impurezas - (ἀκαθαρσία)
*cobiça - (πλεονεξία)
*conversação torpe - (αἰσχρότης)
*palavras vãs - (μωρολογία)
*chocarrices - (εὐτραπελία)
A lista termina com um item que causa pelo menos uma pequena surpresa - “com ações de graça” (εὐχαριστία).
Embora difícil entender a ligação lógica que Paulo tinha em mente entre gratidão e a lista de pecados sensuais
mencionados acima, talvez a melhor resposta seja que gratidão caracteriza uma pessoa contente, satisfeita com
aquilo que tem e que usa sua língua para expressar este contentamento, enquanto a pessoa sensual tende a ser
descontente, insatisfeita, e expressa seu descontentamento pelo que fala (observe que os últimos três pecados têm
sua origem na língua).
Aplicações:
1) Alguém disse que há duas indicações boas do caráter de uma pessoa: o que a faz rir, e o que
a faz chorar.
2) Será que minha conversa tem sujado o padrão de amor bíblico através de piadas com duplo
sentido?
3) Será que o padrão de amor falso do mundo tem “feito a minha cabeça”?
4) Sou caracterizado por gratidão ou cobiça?
B. A Razão: A Incompatibilidade do Cristão com as Paixões do Mundo (5,6)
Este parágrafo termina dando duas razões por que o cristão não deve seguir o padrão de paixão mundana que não
passa de sensualidade desenfreada. Mais uma vez encontramos, de forma implícita, a ideia de “viver digno da
vocação . . . em Cristo”.
1. Primeira razão: O comportamento do mundo é incompatível com a alta posição do crente!
Importante: O versículo 5 não está dizendo que a pessoa que pratica qualquer um dos pecados listados acima
vai para o inferno. O ponto é que pessoas caracterizadas por estes comportamentos são destinados para o inferno,
e que o cristão não tem nada a ver com eles.
2. Segunda razão: O comportamento do mundo leva para perdição.
No versículo 6 o apóstolo adverte contra o engano de pessoas que tentaram convencer os efésios de que um estilo
de vida sensual era “normal”. As “palavras vãs” ou “vazias” são os argumentos contrariando o padrão bíblico por
uma moralidade santa. Paulo revela a razão porque este comportamento não convém aos santos: a ira de Deus há
de cair sobre pessoas que assim vivem, ignorando o padrão divino.
Aplicações:
1) O amor divino é um amor ativo, não meramente sentimental (cp. Jo 3:16). Nosso amor
também deve ser visível.
2) Precisamos conhecer a Deus e o seu amor cada vez melhor para poder imitá-lo.
3) Muitas vezes podemos verificar o caráter de um homem pela sua língua.
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
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Efésios 5:7-14 Andando na Luz
Introdução e Panorama
Mais uma vez Paulo exorta aos efésios a “andarem”, esta vez “na luz” (ὡς τέκνα φωτὸς περιπατεῖτε). Esta
figura tão comum nas Escrituras refere-se à santidade do cristão, um comportamento que reflete o caráter de Deus
Pai. No texto Paulo primeiro chama todos os crentes para não participar com os incrédulos nas suas vidas
pervertidas, estilo de vida que caracterizava suas vidas sem Cristo (7-10). Depois ele pede que eles não participem
nas obras das trevas (11-14). No texto ele alista várias razões porque santidade deve caracterizar o andar deles,
mas o principal parece ser o mesmo que já foi destacado tantas vezes no livro - o crente tem uma nova posição
em Cristo, e a velha vida não mais convém para ele.
Contexto: “Portanto” (οὖν) sinaliza uma nova direção no pensamento paulino. Refere-se ao contexto
imediatamente anterior, especialmente vv.3-6 em que o estilo de vida pervertido dos incrédulos foi condenado.
Baseado nesta condenação, os efésios têm uma responsabilidade de andar em novidade de vida, ou seja, na luz.
Estrutura: Este parágrafo segue uma estrutura em que ordem/proibição é intercalada com razões pelo
comportamento exigido ou proibido:
Proibição: “Não sejais participantes com eles” (7)
Razão: “Pois éreis trevas” (8a)
Ordem: “Andai como filhos da luz” (8b)
Razão: “porque o fruto da luz consiste em toda a bondade . . .” (9)
Resultado: “provando sempre o que é agradável ao Senhor” (10)
Proibição: “não sejais cúmplices nas obras infrutíferas das trevas (11a)
Ordem: “antes, porém, reprovai-as” (11b)
Razão 1: “porque o que eles fazem em oculto, o só referir é vergonha” (12)
Razão 2: “porque tudo que se manifesta é luz” (13, 14a)
Razão 3: porque pessoas vão aceitar Cristo (14b)
Observação: Há muitas figuras de linguagem importantes neste texto que precisam ser explicadas:
“éreis trevas”
“sois luz”
“andai como filhos da luz” (metáfora dupla)
“o fruto da luz” (metáfora dupla)
“obras infrutíferas das trevas”
“reprovadas pela luz”
1. Evitar Obreiros Maus (7-10)
A. A Proibição: Não participantes (7). Paulo começa chamando os efésios a uma vida santa, i.e.,
separada dos incrédulos: “não sejais participantes com eles” (μὴ οὖν γίνεσθε συμμέτοχοι αὐτῶν· ). A forma
da frase no original dá a seguinte ideia: “Parem de ser sócios com os incrédulos nas suas perversões.” Por esta
frase entendemos no contexto que o crente não deve ter vínculos fortes com as pessoas cujas vidas são
caracterizadas pelos pecados sensuais alistados acima. Um texto paralelo é 2Co 6:14-7:1 (“Não vos ponhais em
jugo desigual com os incrédulos, porquanto que sociedade pode haver entre a justiça e a iniquidade? ou que
Propósito
Os crentes devem evitar maldade e expor o caráter maldoso dos ímpios através de vidas santas,
para que outros possam ser salvos.
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
71
comunhão da luz com as trevas? . . . Por isso, retirai-vos do meio deles, separai-vos, diz o Senhor, não toqueis
em cousas impuras, e eu vos receberei . . . purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne, como do espírito,
aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus.”)
Ao mesmo tempo tomemos cuidado para não interpretarmos estes versículos como se o cristão tivesse que isolar-
se do mundo e de todo contato com incrédulos. Muito pelo contrário! O ponto é de não ser sócios com eles na
perversão. Paulo deixa isso muito claro em 1Co 5:9-11: Já em carta vos escrevi que não vos associásseiscom os
impuros; refiro-me com isto não propriamente aos impuros deste mundo, ou aos avarentos, ou roubadores, ou
idólatras, pois neste caso teríeis de sair do mundo. Mas agora vos escrevo que não vos associeis com alguém
que, dizendo-se irmão, for impuro . . . com este tal nem ainda comais.”
B. A Razão: Nova Vida em Cristo (8): Mais uma vez encontramos a motivação principal por trás das
exortações éticas de Paulo. Não é legalismo, ativismo ou aparência que alicerçam a conduta cristã, mas sim sua
identidade em Cristo. Éramos trevas (ἦτε γάρ ποτε σκότος- a metáfora é bem direta - não diz que andávamos
como trevas, mas que éramos trevas!). Somos luz no Senhor (νῦν δὲ φῶς ἐν κυρίῳ·). De novo encontramos a
frase chave “em Cristo” (“no Senhor”), como a base da nossa identidade.
C. A Ordem: Viver como Filhos da Luz (ὡς τέκνα φωτὸς περιπατεῖτε -8b) A nossa alta e nova
posição nos leva a ter um andar muito diferente, como “filhos da luz”. A metáfora mescla a ideia de família com
a ideia de luz, i.e., de sermos regenerados por um Deus santo. “Tal Pai, tal filho . . .” Assim como Deus é santo,
e assim como somos cobertos pela santidade de Jesus, devemos viver na santidade, não na perversão.
Cf. Mt 5:14; 1Jo 1:5,6; Jo 8:12
D. A Razão: Experimentar as Virtudes de Cristo (9) Mais uma vez uma razão segue um mandamento.
Paulo explica que devemos andar como “filhos da luz” (ὁ γὰρ καρπὸς τοῦ φωτὸς ἐν πάσῃ ἀγαθωσύνῃ καὶ
δικαιοσύνῃ καὶ ἀληθείᾳ) porque a luz produz fruto (mais uma metáfora misturada), e este fruto consiste em
três virtudes que caracterizam a vida do crente: bondade, justiça e verdade. Em contraste com o “fruto” podre das
trevas, aqueles que vivem a verdadeira vida cristã experimentam as mesmas virtudes que marcaram a vida de
Cristo.
E. O Resultado: Experimentar o que Agrada ao Senhor (10) O fim deste processo de evitar os
obreiros maus e andar na plena luz é que experimentaremos pessoalmente o que agrada ao Senhor. A palavra
“experimentar” (δοκιμάζοντες) traz a ideia de testar ou provar e verificar como genuíno. O cristão que vive de
acordo com o padrão divino terá provas concretas em sua vida das virtudes que agradam a Deus. (Este versículo
nos lembra de Rm 12:2, que traz o resultado de uma vida consagrada no altar de serviço cristão: “para que
experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”)
Aplicações:
1) O cristão deve evitar vínculos formais e compromissos com incrédulos cujas vidas são
caracterizadas por perversões e “trevas”. Pergunta: Um cristão pode (deve) ter um descrente
como melhor amigo? Namorado?
2) Será que a minha vida está sendo caracterizada pelas virtudes de Cristo: bondade, justiça e
verdade?
2. Evitar Obras Más (11-14) Mais uma vez uma proibição (negativa) precede uma ordem (positiva) seguidas
por algumas razões. A ênfase nestes versículos não é principalmente a não participação com os obreiros maus,
mas com suas obras.
A. A Proibição: Não Sejais Cúmplices nas Obras Infrutíferas (καὶ μὴ συγκοινωνεῖτε τοῖς ἔργοις
τοῖς ἀκάρποις τοῦ σκότους - 11a) Uma nova proibição esclarece a anterior. O cristão não se associa com
homens pervertidos porque as obras deles são perversas. Logo, não deve ter nada a ver com os homens nem com
estas obras. Exige coragem para o cristão ser “diferente”, mas ele precisa se distanciar de tudo que poderia sujar
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
72
seu testemunho. (O livro de Provérbios fala muito sobre o homem pervertido e suas obras. Veja Pv 2:12-15,
3:31-35, et al.)
É interessante notar o contraste entre os vv. 9 e 11, entre o fruto da luz e as obras infrutíferas das trevas.
B. A Ordem: Reprovai as Obras Infrutíferas (μᾶλλον δὲ καὶ ἐλέγχετε - 11b) A segunda metade
neste conjunto de imperativos mostra “o outro lado da moeda”. O cristão não somente não participa nas obras
das trevas, mas sua vida as condena.
Uma pergunta muito prática levanta-se aqui: Como que o cristão “reprova” ( ἐλέγχετε) as obras das trevas? Há
duas opções principais:
1) Pela sua língua (expondo-as verbalmente)
2) Pela sua vida (expondo-as por contraste com sua vida exemplar)
O verbo em si pode ter qualquer um destes dois significados, mas à luz do v.12 (“o que eles fazem em oculto, o
só referir é vergonha”) parece melhor entender que a reprovação vem mais pelo estilo de vida do cristão do que
por condenações verbais. Em vez de o crente gastar tempo e energia condenando e esclarecendo as perversidades
do nosso mundo, sua própria vida já serve como testemunho gritante para o mundo.
C. As Razões (12-14) Seguem três razões por que o cristão não deve ter nada a ver com as obras das
trevas, e por que sua própria vida já serve como reprovação das trevas.
1. Primeira Razão: É uma vergonha mencionar os pecados dos perversos (γὰρ κρυφῇ
γινόμενα ὑπʼ αὐτῶν αἰσχρόν ἐστιν καὶ λέγειν - 12) Como já vimos, não é a responsabilidade do cristão ficar
“cavando na sujeira” dos perversos. Infelizmente alguns ministérios falam mais das trevas do que da luz. Paulo
prefere que nossa vida reflita, por contraste, a diferença entre luz e trevas.
2. Segunda Razão: A luz revela o caráter verdadeiro das trevas (13, 14a)
A segunda razão porque a vida do cristão já serve como testemunho para os perversos é porque sua natureza como
luz significa que penetra as trevas (τὰ δὲ πάντα ἐλεγχόμενα ὑπὸ τοῦ φωτὸς φανεροῦται, 14 πᾶν γὰρ τὸ
φανερούμενον φῶς ἐστιν) O princípio nos lembra da vida e do ministério de Jesus em João 1:5,6: A vida
estava nele, e a vida era a luz dos homens. A luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra
ela.” A luz sempre conquista as trevas. Onde há luz, não pode haver trevas. A vida do cristão já serve para
condenar as trevas. Isso explica por que os homens reagem de forma negativa quando confrontados pela luz (veja
os exemplos de José, Daniel, Davi, Jesus e Estevão perante seus perseguidores). Os homens perversos amam as
trevas porque escondem suas obras malignas.
(Este texto também recorda as palavras de Jesus em Mt 5:14-15 “vós sois a luz do mundo . . .”).
3. Terceira Razão: Pessoas vão aceitar Cristo (14b)
A última razão porque a vida do cristão deve servir como testemunho para as “trevas” é porque como luz,
“acordará” os que dormem nas trevas –
O texto citado aqui é difícil. A fórmula “pelo que diz” (διὸ λέγει), parece iniciar uma citação de alguma fonte
autoritária, mas é complicado identificar exatamente qual seja a fonte. Alguns percebem aqui uma compilação
de textos do Velho Testamento (Is 26:19, 51:17, 52:1, 60:1). Outros acham que foi uma citação de um hino de
batismo do primeiro século. Em qualquer caso, o ponto fica claro: uma vida de luz pode ser usada pelo Senhor
para ganhar pessoas para Cristo! Assim como uma luz forte no rosto de alguém dormindo tem o efeito de
acordá-lo, a luz de uma vida santa pode despertar pessoas das trevas para nova vida em Cristo.
Aplicações:
1) Até que ponto é válido expor/advertir o rebanho acerca das “obras das trevas” que nos
cercam?
2) Cuidado com a desculpa do fato que você não evangeliza pelo fato de que sua vida é um
testemunho. Não falemos em termos explícitos das obras das trevas, mas sejamos fiéis em
compartilhar verbalmente o evangelho.
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
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Efésios 5:15-21 Andando em Sabedoria
Introdução e Panorama
Este texto está entre os mais conhecidos no livro de Efésios. Encontramos aqui a doutrina da plenitude do Espírito
como característica indispensável do andar “sábio” do cristão. Ao mesmo tempo descobrimos ainda mais
implicações práticasdo nosso novo andar “em Cristo”. É uma vida que reconhece que as oportunidades para
ministrar a graça de Cristo passam rápido, e que precisamos viver em conformidade com a Palavra para conhecer
a Sua vontade. Precisamos permitir que o Espírito de Deus (Ef 5.18) use a Palavra de Deus (Cl 3.16) para nos
transformar e controlar. As evidências deste controle (plenitude) são várias, mas incluem edificação, louvor,
gratidão e submissão mútua.
Contexto: “Portanto” (οὖν) liga este parágrafo com o contexto anterior. Se o comportamento do cristão será
como luz que “acorda” o descrente, terá que ser um andar bastante sábio. Baseado na transferência do cristão do
reino das trevas para o reino da luz, e conforme a dignidade da sua alta posição em Cristo, ele tem a
responsabilidade de “andar” de forma sábia, dentro da vontade de Deus, cheio do Espírito Santo.
Estrutura: Mais uma vez, a estrutura deste texto segue o modelo tão bem conhecido pelo leitor: imperativos
negativos e positivos (proibições e ordens) seguidos por palavras de explicação do apóstolo. Esta estrutura tem
como ponto de partida a discussão de Paulo em Ef 4:17-24 sobre o “velho homem” e o “novo homem” e o
comportamento que caracteriza cada um. O conceito que une o parágrafo é a ideia do “Andar Sábio”.
Cada ciclo de imperativos revela um pouco mais sobre como este “andar” funciona na prática: é uma vida que (1)
aproveita todas as oportunidades que Deus concede para ministério; (2) experimenta a vontade de Deus baseada
na Palavra; e (3) mostra as evidências de uma vida controlada pelo Espírito de Deus. Assim sendo, o argumento
é como uma escada em que cada “degrau” leva para o próximo.
Andai em sabedoria (15)
1. Não como néscios
2. Sim como sábios
Maneira: Remindo as oportunidades para ministério (16)
Compreendei a vontade de Deus (17)
1. Não vos torneis insensatos
2. Sim procurai compreender qual a vontade do Senhor
Enchei-vos do Espírito (18-21)
1. Não vos embriagueis com vinho
2. Enchei-vos do Espírito
Resultados (evidências) da plenitude do Espírito:
1. Louvor congregacional (edificação)
2. Alegria (louvor) pessoal
3. Gratidão
4. Submissão
Outra maneira de encarar a estrutura do texto alista três características do andar "sábio". O andar “sábio”:
1. Aproveita as oportunidades para ministério no Corpo (15,16)
2. Compreende a vontade de Deus (17)
3. É controlado pelo Espírito Santo (18-21)
Importante: Este parágrafo leva naturalmente para o próximo, em que o apóstolo abordará as implicações de
submissão mútua no contexto do lar. Em termos técnicos, então, o próximo parágrafo deve ser subordinado a
este. Mas pelo fato de que Paulo pega carona na ideia de submissão em Ef 5:21 e desenvolve-o tão detalhadamente
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
74
em 5:22-6:9, decidimos isolar aquele parágrafo como outro passo no argumento dele. Chamamos isso o “Andar
em Submissão”.
Tese: O Andar Sábio (15)
Esta nova divisão do livro repete a palavra chave dos capítulos 4-6, “andar”. É a última vez que a palavra será
usada em Efésios. De certa forma, este parágrafo é o início do fim da carta. O pensamento de 5:15-6:9 baseia-se
no mandamento de “andar em sabedoria”.
A ordem que Paulo dá é “vede prudentemente . . . como andais” (Βλέπετε οὖν ἀκριβῶς πῶς περιπατεῖτε). Ele
qualifica a ordem dando um aspecto negativo (não como néscios - μὴ ὡς ἄσοφοι) e positivo (sim, como sábios
- ἀλλʼ ὡς σοφοί). Esta terminologia nos lembra dos dois caminhos em Provérbios (veja Pv 1-9).
O cristão tem a responsabilidade de continuamente cuidar (περιπατεῖτε - imperativo presente) do seu "andar"
(viver). Há muitos inimigos procurando derrubá-lo, entre os quais o diabo (veja 6:10-20; cp. 1 Pe 5:8) e suas
forças hostis.
Há uma pequena dúvida quanto ao advérbio “prudentemente” (ἀκριβῶς). Pode estar relacionado ao imperativo
“vede” (Βλέπετε - “vede prudentemente”) ou ao verbo “andais” (περιπατεῖτε -“vede que andais
prudentemente”). A diferença de interpretação é muito pequena - em ambos os casos, o cristão precisa tomar
muito cuidado com seu estilo de vida. A palavra “prudentemente” traz a ideia de equilíbrio, i.e como se
estivéssemos balançando numa linha muito fina, com perigos por ambos os lados. Por isso o cristão sábio está
sempre esperto, não ignorante das estratégias do seu inimigo (2Co 2:11).
Para andar de forma “sábia” o cristão terá que adquirir a perspectiva de Deus sobre tudo que acontece na vida. A
verdadeira sabedoria começa com o temor do Senhor (um relacionamento com Deus - Pv 1:7, 9:10) e cresce com
o conhecimento de Deus através de Sua Palavra. Não adquirimos a perspectiva de Deus por osmose, mas sim
pelo estudo diligente e a prática consistente da Sua Palavra.
Aplicação:
1) Não podemos ser cuidadosos demais com nosso “andar”. Nosso adversário está sempre
procurando alguém para devorar (1 Pe 5:8). Estamos numa guerra espiritual (Ef 6:10-20) e
não podemos nunca “abaixar nosso guarda”.
2) A Palavra de Deus é nossa fonte principal de sabedoria, a maneira pela qual adquirimos a
perspectiva divina sobre as decisões e circunstâncias de vida.
Transição: A ordem principal do texto é para andar em sabedoria. Segue uma série de ordens que explicam como
ser sábio no dia-a-dia. São passos concretos para o andar sábio, mas também são evidências naturais deste andar.
I. O Andar Sábio Aproveita as Oportunidades para Ministério (16)
O versículo 16 começa com um particípio modal no grego que explica como andar de forma sábia. A resposta é,
“remindo” o tempo (ἐξαγοραζόμενοι τὸν καιρόν, ὅτι αἱ ἡμέραι πονηραί εἰσιν.).
A palavra “remir” (ἐξαγοραζόμενοι) traz a ideia de “comprar” de volta. “Tempo” (τὸν καιρόν) pode ser
traduzido por “ocasião” ou “oportunidade”. Sabedoria exige que sejamos espertos quanto às oportunidades que
diariamente se apresentam perante nós. Devemos “resgatar” ou “aproveitar” estes momentos preciosos da melhor
Propósito
O cristão que entende sua posição em Cristo viverá sua vida de forma sábia, aproveitando as
oportunidades que Deus lhe concede para ministério enquanto sendo controlado pelo Espírito
Santo.
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
75
forma possível para gerar frutos para eternidade. Dois textos paralelos encontram-se nos Salmos: “Os dias da
nossa vida sobem a setenta anos, ou em havendo vigor, a oitenta . . . tudo passa rapidamente, e nós voamos . . .
Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio” (Sl 90:10,12). “Dá-me a conhecer,
Senhor, o meu fim, e qual a soma dos meus dias, para que eu reconheça a minha fragilidade” (Sl 39:4; veja vv.5-
7; cf. 1Co 7:29-32)
Mas exatamente que tipo de oportunidades devem ser remidas? No parágrafo anterior, encontramos a ideia de
evangelismo (vivendo como luz para “acordar” incrédulos, v.14). A mesma ideia se repete no texto paralelo em
Colossenses 4:5,6 “Portai-vos com sabedoria para com os que são de fora; aproveitai as oportunidades. A vossa
palavra seja sempre agradável (lit. “com graça”), temperada com sal, para saberdes como deveis responder a
cada um.” No contexto maior encontramos a ideia de aproveitar oportunidades para edificar o corpo (4:29). Estas
duas ideias - evangelismo e edificação - prevalecem neste texto.
A razão principal pela qual vivemos "resgatando" as oportunidades de evangelismo e edificação é porque “os dias
são maus” (ὅτι αἱ ἡμέραι πονηραί εἰσιν). Em outras palavras, o tempo é curto, o mundo vai de mal a pior,
pessoas estão morrendo e indo para o inferno, e nós mesmos “passamos rapidamente”. Setenta anos de vidaé
muito pouco em comparação com a eternidade. Que Deus nos dê a graça de investi-los de forma sábia!
Aplicação:
1) Será que sou sensível às muitas oportunidades que Deus me dá para evangelismo? Estou
“comprando de volta” estes momentos para ministrar Sua graça na vida de outros?
2) Será que sou sensível às oportunidades que Deus me dá para ministrar para irmãos em Cristo
que precisam ouvir uma palavra de graça?
3) Estou investindo minha vida para eternidade, ou gastando-a a toa? Como uso o recurso
mais precioso que Deus me concedeu (meu tempo)? Sou bom mordomo? Quanto tempo gasto
desnecessariamente em atividades como:
*assistir TV *leitura do jornal *”bate-papos” frívolos
*procrastinação *conversas no telefone *esportes
4) Será que poderia aproveitar melhor os momentos “vagos” da minha vida - por exemplo,
enquanto estou dirigindo o carro . . . andando no caminho . . . comendo . . . fazendo tarefas
manuais, etc.?
II. O Andar Sábio Compreende a Vontade de Deus (17)
Este versículo começa com uma frase que liga com os vv. 15 e 16: “por esta causa” (διὰ τοῦτο). Pelo fato de
que nosso tempo é curto e muitas vezes perdemos oportunidades preciosas que poderiam ser “remidas” para o
Senhor, precisamos adquirir uma sensibilidade ainda maior à vontade de Deus. A proibição e a ordem deste
versículo praticamente repetem a ideia do v.15 (“não ser néscios, e sim, sábios”).
Para andarmos de forma “sábia” é necessário compreender a vontade de Deus para nossas vidas. Como já
mencionamos, esta é a definição da verdadeira sabedoria - conhecer e fazer a vontade de Deus! Deus não esconde
sua vontade de nós. Não quer que fiquemos confusos ou perdidos. De fato, Ele já colocou sua vontade “debaixo
do meu nariz” - na sua Palavra. Em 66 livros, 1189 capítulos e 31.173 versículos descubro a vontade de Deus
para minha vida. A Bíblia é fruto do imenso amor de Deus para comigo, para que eu tenha certeza como conduzir
minha vida pelo labirinto de decisões e opções que se apresentam perante mim diariamente.
A tradução “procurai compreender”, que reflete uma palavra só no original, parece diminuir a força do imperativo,
que é simplesmente "compreendei!” (συνίετε) Tantas pessoas acham ser impossível compreender a vontade de
Deus, pois associam sua vontade com ideias esotéricas, místicas e obscuras. Mas a vontade de Deus neste texto
é algo objetivo, revelado por Deus, e por isso dentro do alcance de todo cristão. Se começássemos nos
preocupando mais com a parte da vontade de Deus já revelada para nós, teríamos muito menos dificuldade em
saber sobre a parte ainda não revelada (Dt. 29.29).
Um bom lugar para começar a entender a vontade de Deus para nossas vidas está neste livro de Efésios. A vontade
de Deus é que andemos unidos com nossos irmãos na fé, puros e santos no nosso envolvimento com o mundo.
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
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Outro ponto de partida para entender a "vontade de Deus" para a vida do cristão é o estudo da frase "esta é a
vontade de Deus" que ocorre somente três vezes no Novo Testamento:
1) Comunhão constante com Deus (1Ts 5:16-18)
2) Santificação nos relacionamento interpessoais (1Ts 4:1-8)
3) Submissão às autoridades da nossa vida (1Pe 2:13-15)
O livro de Provérbios é outra fonte excelente para determinar a vontade de Deus nos detalhes da nossa vida.
Aplicações:
1) Uma vida dedicada ao conhecimento de Deus e de sua Palavra, e a prática da mesma, leva
para a sabedoria divina.
2) Deus não esconde sua vontade de nós!
3) É pecado não saber a vontade de Deus para minha vida - pelo menos a parte da vontade já
revelada em sua Palavra (Dt 29.29).
4) Parte principal da vontade de Deus é o bom uso do meu tempo para fins eternos.
III. O Andar Sábio é Controlado pelo Espírito Santo (18-21)
A palavra "e" (καὶ) no v.18 continua a discussão sobre o andar sábio. O andar sábio implica numa vida dirigida
por impulsos não carnais, mas espirituais. Mais uma vez encontramos uma proibição seguida por uma ordem
seguida por uma explicação.
A. A Proibição: Não ser dominados pelo vinho (18a)
Os costumes carnais dos efésios incluíram festas e orgias em adoração ao deus do vinho. Paulo proibiu que os
crentes continuassem (imperativo presente) naquela vida carnal.
Podemos encarar o efeito da bebida de duas maneiras. Por um lado, faz a pessoa perder controle de si, ou seja,
ser des-controlada. Ela se solta, e muitas vezes faz coisas que nunca faria enquanto sóbrio. A palavra
"dissolução" (ἀσωτία) traz esta ideia de vida fora do controle.
Por outro lado, podemos dizer que a bebida alcoólatra controla a pessoa dominada por ela, pois tem poder para
mudar radicalmente sua personalidade, seu comportamento, suas atitudes, etc.
B. A Ordem: Ser Controlados pelo Espírito Santo (18b)
A segunda parte do v.18 dá a ordem positiva, em contraste com a proibição de não ser dominados pelo vinho
conforme o "velho homem". O "novo homem" em Cristo também perde controle de si, e é dominado por outro -
o Espírito de Deus. A simples frase "enchei-vos do (no) Espírito" (ἀλλὰ πληροῦσθε ἐν πνεύματι ) está cheia
de implicações práticas:
1. Conforme o contraste com a bebedice, entendemos que a pessoa "cheia" do Espírito também perde controle de
si. Ele se "solta" para ser algo que nunca seria em si mesmo. A vida de Cristo vivida através dele pelo poder do
Espírito capacita-o a ter atitudes, comportamentos, etc. que nunca teria.
2. Conforme o contraste com a bebedice, entendemos que a pessoa "cheia" do Espírito também é controlada por
Outro. A ideia de "controle" parece ser chave neste texto. Ser "cheio do Espírito" não significa ter mais do
Espírito, mas que o Espírito "tem mais de mim"!
3. O tempo presente do imperativo πληροῦσθε indica que a "plenitude" não é um evento que acontece "uma vez
para sempre", mas que temos o dever de ser continuamente dominados pelas atitudes e comportamentos coerentes
com o Espírito de Deus.
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
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4. A voz passiva do verbo "enchei-vos" (lit. "sede enchidos") dá a ideia de que nossa responsabilidade é de criar
o ambiente favorável para a plenitude do Espírito, mas que é a responsabilidade dele de nos controlar.
5. O fato de que "enchei-vos" é uma ordem significa que nós realmente temos responsabilidade para criar o
ambiente favorável para este controle.
6. O texto paralelo em Cl 3:16-17 alista praticamente a mesma série de evidências que temos em Efésios, só que
seguem a ordem "habite ricamente em vós a Palavra de Cristo". A implicação? Que o Espírito de Deus usa a
Palavra de Deus para controlar o povo de Deus! Nunca devemos divorciar a atuação do Espírito de Deus da
Palavra de Deus, de que Ele é o Autor! Ele não pode contrariar a si mesmo!
7. O conceito de "plenitude" já apareceu no livro em referência ao Pai (3:19) e ao Filho (4:10)!
Observação 1: Alguns afirmam que a frase “no Espírito” (ἐν πνεύματι) no original não se refere ao Espírito
Santo, mas ao espírito humano: "enchei-vos na esfera do vosso espírito". Assim seria um contraste entre o
"controle" na esfera física (com vinho) com o controle na esfera não física (o espírito). Esta interpretação, embora
possível, parece fugir da ênfase no contexto sobre "controle" e o significado de vida "em Cristo". Também
devemos notar a repetição em Efésios do conceito da agência do Espírito Santo (2:22, 3:5, 6:18) na vida cristã, e
a ênfase da Trindade na área de "plenitude" (3:19, 4:10)
Observação 2: Há uma diferença entre:
1) O batismo no (do) Espírito, queconforme 1Co 12:13 acontece com todos os crentes (por implicação,
no momento da conversão, assim colocando o cristão no Corpo de Cristo). Jesus Cristo batiza o cristão no
"elemento" do Espírito e coloca o Espírito em cada cristão. Não é fruto de uma segunda obra de graça, mas uma
característica de todos que creem em Cristo. É tudo ou nada.
2) A habitação do Espírito Santo no crente (Jo 14:17, Rm 8:9). Esta presença identifica o cristão como
filho de Deus e capacita-o a obedecer a Deus de coração.
3) A plenitude do Espírito Santo que é o controle diário do crente pelo Espírito Santo que usa a Palavra
de Deus para transformar o caráter. Pode haver "graus" de plenitude dependendo de quanto o crente é controlado
pelo Espírito.
4) O fruto do Espírito Santo (Gl 5:22) pode ser considerado um resultado do batismo, da presença e da
plenitude do Espírito. São transformações de caráter efetuados pelo Espírito de Deus na vida do cristão.
C. Evidências da plenitude do Espírito:
O próximo passo no argumento do texto é uma explicação da ordem "enchei-vos do Espírito". Seguem cinco
particípios (gerúndios no texto português). A força destes particípios precisa ser analisada e avaliada à luz do
contexto e da teologia bíblica. Se eles dão passos concretos sobre como ficar "cheios" do Espírito (particípios
modais), reduzimos a vida cristã a uma "fórmula mágica" e sujeitamos o Espírito Santo a nossa vontade. Por
outro lado, se os particípios refletem resultado, temos uma série de evidências do controle do Espírito que Ele
mesmo produz na vida do cristão que se submete à direção da Palavra de Deus em sua vida. Esta última opção
parece ser muito mais coerente com o argumento paulino e a teologia bíblica. Em ambos os casos, ainda podemos
perceber uma força de imperativo também nos particípios: as atividades que são frutos da atuação do Espírito em
nossas vidas também são obrigações para todos nós.
Importante: Não encontramos no texto nenhuma ordem para orar pela plenitude do Espírito. Se a plenitude do
Espírito significa ser controlado pelo Espírito no homem interior pela Palavra de Deus, não precisamos orar que
Ele nos encha, mas sim obedecer às ordens e princípios já revelados na palavra!
Podemos resumir estas evidências de uma vida controlada pelo Espírito de Deus (e pela Palavra de Deus) em
quatro áreas:
A. Edificação mútua (louvor congregacional) 19a
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
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Infelizmente a Bíblia Atualizada altera a forma do texto original em 5:19a. A tradução deve seguir a NVI
("falando entre si com salmos hinos e cânticos espirituais" e não "falando entre vós com salmos, entoando e
louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais.")
A ênfase da primeira frase,"falando entre vós com salmos e hinos e cânticos espirituais" parece ser uma referência
à edificação mútua que acontece em louvor congregacional. Seria difícil distinguir nitidamente entre as várias
expressões de louvor cantado, mas o ponto é que o Espírito promove este tipo de louvor congregacional, talvez
pelo fato de que tem o efeito de "provocar ao amor e boas obras" (cf. Hb 10:25).
Aplicação: Há muito valor no louvor comunitário. Não devemos deixar de congregar-nos!
B. Adoração/Alegria individual (καὶ ψάλλοντες τῇ καρδίᾳ ὑμῶν τῷ κυρίῳ - 19b)
O texto continua com mais dois particípios: "entoando e louvando com vosso coração ao Senhor". Pode ser uma
explicação paralela à primeira, esclarecendo ainda mais a natureza da "melodia no coração" dos adoradores. Mas
seria melhor entender a frase como uma segunda evidência da plenitude do Espírito em nível individual. O
Espírito de Deus dá alegria e segurança tão profundas, que a pessoa vive adorando a Deus com melodias no
coração.
Aplicação: A música é fruto de um coração controlado pelo Espírito!
C. Gratidão - 20
Pela terceira vez na carta Paulo menciona gratidão (1:16, 5:6; cf. Cl 3:15). O Espírito Santo não é o autor de
reclamação, mas de gratidão, apesar das circunstâncias. A gratidão é "sempre", "por tudo", em nome de nosso
Senhor Jesus Cristo. (Observe que Paulo estava na prisão quando pediu que eles fossem gratos; cf. 1:16, 5:4,20;
Cl 1:3,12; 2:7; 3:17; 4:2; Fp 1:3)
Aplicação: Uma pessoa que vive reivindicando seus direitos, criticando os outros, sendo rebelde às autoridades
em sua vida, reclamando, fazendo demandas egoístas, demonstra não ser uma pessoa controlada pelo Espírito de
Deus.
D. Submissão Mútua (ὑποτασσόμενοι ἀλλήλοις ἐν φόβῳ Χριστοῦ - 21) (5:21-6:9)
O versículo 21 deve estar incluído com o parágrafo 5:15-21, embora sirva como "ponte" para a próxima divisão da
carta. A quarta manifestação do controle pelo Espírito é uma submissão mútua entre os membros do Corpo de Cristo.
Esta "submissão" acontece quando o crente voluntariamente se alinha ou arranja debaixo de uma autoridade em sua
vida. Não significa uma inferioridade essencial, mas uma hierarquia funcional. O crente que está contente com seu
lugar no plano de Deus e que se submete voluntariamente às autoridades em sua vida revela um coração controlado
sobrenaturalmente pelo Espírito de Deus. Esta submissão não é uma resposta do homem natural. Exige controle
divino.
Esta última evidência de "plenitude" é tão importante para Paulo, que ele vai desenvolvê-lo em suas implicações no
"laboratório" do lar, a partir de 5:22 e até 6:9.
Aplicação: Uma pessoa que se diz estar cheio do Espírito Santo não pode ser rebelde ou insubmisso às autoridades
que Deus colocou em sua vida.
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
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Efésios 5.22-6.9
Andando em Submissão...no Lar
(Famílias Refeitas pelo Poder do Espírito e pela Palavra)
Introdução
O lar é o lugar onde a realidade do tema central de Efésios – a posição em Cristo que culmina numa prática
digna de Cristo – mais claramente se vê! Serve como perfeito desfecho do livro.
Muitas pessoas hoje, oram por um reavivamento geral na igreja, no Brasil, no mundo. Mas muitos estão olhando
para o lugar errado. O verdadeiro reavivamento, conforme a Palavra de Deus, começa justamente no lugar que
Satanás primeiro atacou: o coração humano, e seu lar. Deus criou a família, em parte, para espelhar e espalhar Sua
imagem na Terra. Mas o Inimigo infiltrou o Jardim do Éden, contaminou o coração do primeiro casal com o
veneno de suas mentiras, desfigurando aquela imagem de Deus, mesmo sem apagá-la completamente.
Os efeitos da Queda foram desastrosos. Mas Deus tinha um plano de resgate, que começou com a cruz e a
ressurreição de Cristo. Agora, fazemos parte desse plano quando, cheios do Espírito Santo, resgatamos vidas, uma
vida de cada vez, para serem refeitas conforme a imagem de Jesus.
Note como o pecado atingiu os 3 propósitos de Deus para nós, e como a plenitude do Espírito que vem pela
habitação da Palavra (Ef 5.18 e Cl 3.16) redime o que foi perdido:
Propósito (Gn 1.26-28) Pecado (3.16-19) Redenção (Ef 5,18-6.9/
Cl 3.16-4.1)
Refletir a imagem de Deus
Conflito conjugal (7-10, 16b) Casamento redimido
Reproduzir a imagem de Deus
Dor na criação dos filhos (16ª)
Paternidade redimida
Representar a imagem de Deus Trabalho doloroso e morte (17-19)
Trabalho redimido
Percebemos os efeitos da obra de Cristo no lar quando comparamos os textos gêmeos de Efésios 5 e Colossenses 3:
Efésios 5.18-6.9
A Plenitude do Espírito
Colossenses 3.16-4.1
A Habitação (plenitude) da Palavra
Edificação mútua Edificação mútua
Adoração Adoração
Gratidão Gratidão
Submissão mútuaSubmissão mútua
VIDA NO LAR
-mulheres
-homens
-filhos
-pais
-servos
-senhores
VIDA NO LAR
-mulheres
-homens
-filhos
-pais
-servos
-senhores
Por que essas ordens para cada um no lar? Porque representam as áreas de maior luta, dentro das esferas de
responsabilidade dada a cada um desde a Criação, deturpadas na Queda e constantemente atacadas por Satanás.
O Lar é o lugar onde somos o que somos!
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
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“A realidade (ou não) da minha vida cristã é mais evidenciada nas escolhas que faço no lar com meu
cônjuge e meus filhos do que em qualquer outro contexto de vida.”
I. O Relacionamento entre Marido e Esposa (5.22-33)
Chegamos a um dos textos mais discutidos no livro de Efésios, pois trata dos papéis de marido e esposa, pai e filho
e senhores e servos (contexto: doméstico) dentro do lar. Há muito desequilíbrio, muita emoção e muita confusão
por todos os lados sobre essa questão, pois é sensível e difícil manter objetividade. Nosso alvo será de levantar
algumas das questões básicas, e tentar compreender não somente o sentido exato do texto mas também seu papel na
teologia bíblica da família.
Precisamos fazer algumas observações iniciais:
1) A implicação do versículo 21 “sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo” é que TODOS nós temos
a responsabilidade de nos sujeitar (ou submeter)
2) Podemos definir “submissão” como “o ato de voluntariamente se colocar debaixo de uma autoridade
divinamente instituída”. Todos têm uma autoridade a ser seguida. Para o homem, sua autoridade é Cristo,
e sua submissão a Ele manifesta-se no amor sacrificial para com sua esposa (cf 1 Co 11.3)
3) Para entendermos este texto, precisamos compreender a teologia bíblica sobre os papéis do homem e da
mulher. Entendemos pela Palavra que:
*Deus fez homens e mulheres diferentes
*Deus deu valor igual a homens e mulheres como seres criados à Sua imagem, porém com papéis
diferentes (“iguais no ser, diferentes no fazer”)
*Deus nos ensina que a realização pessoal somente vem quando homem e mulher negam a si
mesmos e vivem vidas de submissão mútua e submissão a Deus dentro dos papéis instituídos por Ele
Contexto: O último resultado/evidência da plenitude do Espírito mencionada por Paulo no versículo 21, submissão
mútua inicia um efeito dominó na mente do autor. O apóstolo explica como submissão mútua e a Deus manifesta-
se no contexto do lar. Há implicações para o relacionamento entre marido e esposa, pais e filhos, mestres e seus
empregados (servos, que constituíam uma maioria no Império Romano da época). É justamente no lar que pessoas
revelam-se como realmente são e é neste contexto que verificamos se somos controlados pelo Espírito Santo, ou
não. Os parágrafos de 5.22-6.9 são subordinados à ideia do andar sábio (5.15-21) mas são considerados aqui
separadamente, por causa do destaque especial que recebem pelo apóstolo.
Estrutura: Continuamos no meio de uma estrutura telescópica em que cada divisão do livro abre para a próxima.
Este texto é uma continuação da discussão começada em 5.15 sobre o “andar sábio” em que a quarta evidência da
plenitude do Espírito em minha vida é uma disposição para me submeter ao papel que Deus me deu dentro do lar.
Veja as “escadas” dessa estrutura:
Andai em sabedoria (5.15-6.9)
Evidências:
1) Edificação mútua
2) Adoração
3) Gratidão
4) Submissão mútua no lar
“Se o Espírito me controlar,
os resultados serão vistos no meu lar!”
A Grande Ideia
Cristo refaz famílias destruídas
pela tragédia do pecado!
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
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*entre esposas e maridos (5.22-33)
*entre filhos e pais (6.1-4)
*entre servos e mestres (6.5-9)
O Papel da Esposa: Submissão (22-24)
Versículo 22 é uma continuação da ideia de “sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo.” As palavras
“sejam submissas” não se constam no original deste versículo, mas são claramente entendidas como continuação
do pensamento do vs. 21. O texto literalmente diz, “sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo, as mulheres
aos seus próprios maridos como ao Senhor”. (cf Cl 3.18).
Os Textos: Cl 3.18 1 Pe 3.1 Tito 2.5 Ef 5.22-24, 33
O Que a Submissão da Mulher NÃO Significa
1. Submissão não é uma responsabilidade EXCLUSIVA da mulher (Ef 5.21)
TODOS têm a responsabilidade de submissão:
-Todos para Deus (Tg 4.7, Hb 12.9)
-Cidadãos para o governo (Rm 13.1,5; 1 Pe 2.13; Tito 3.1)
-Ovelhas para pastores (Hb 13.17; 1 Co 16.16)
-Cristãos uns aos outros (Ef 5.21)
-Esposas para maridos (Ef 5.22ss; Cl 3.18)
-Filhos para pais (Ef 6.1-3; Cl 3.20)
-Servos para mestres (Ef 6.5; Cl 3.22)
2. Submissão não significa INFERIORIDADE (Gn 1.27, 2.18; 1 Co 11.3; Gl 3.28)
Mulheres na Bíblia mais capazes que homens:
-Débora (Baraque)
-Priscila (Áquila)
Observação: O padrão de submissão nestes versículos sempre é o Senhor!
5.22 “como ao Senhor”
5.24 “como a igreja está submissa a Cristo”
5.25 “como Cristo amou a igreja”
5.29 “como Cristo também o faz com a igreja”
5.32 “eu me refiro a Cristo e à igreja”
6.1 “obedecei a vossos pais no Senhor”
6.4 “criai-os na disciplina e admoestação do Senhor
6.5 “obedecei a vossos senhores...na sinceridade do vosso coração, como a Cristo”
6.6 “como servos de Cristo”
6.7 “servindo de boa vontade como ao Senhor”
6.8 “receberá isso outra vez do Senhor”
6.9 “deixando as ameaças, sabendo que o Senhor está nos céus”
Propósito
A plenitude do Espírito manifesta-se no lar cristão através de submissão mútua em que cada um
desempenha seu respectivo papel dentro dos padrões divinos como reflexo de Cristo e a Igreja.
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
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-Maria, Marta, etc. (os discípulos)
A Mulher de Pv 31.10-31 poderia ser uma alto-executiva de multinacionais, mas ela concentra o esforço
dela no lar.
3. Submissão não é GENERALIZADO para todos os homens em todos os contextos.
Cl 3.18 1 Pe 3.1 Ef 5.22 Tito 2.5 “Ao seu próprio marido”
4. Submissão não significa escravidão mas COMPLEMENTAÇÃO (Gn 2.15-20)
5. Submissão não significa AUTONOMIA masculina no lar (Gn 1.27, 2.15-18, 24)
O Que a Submissão da Mulher Significa
1. Submissão é OFERECIDA pela mulher ao próprio marido, não EXIGIDA por ele (Ef 5.22, Cl
3.18, 1 Pe 3.1, Tito 2.5)
Teste: Você entende que sua submissão ao marido é um ato de louvor a Deus?
2. Submissão é uma ORDEM, não uma OPÇÃO (Ef 5.22, Cl 3.18, etc.)
Teste: Você está disposta a obedecer a DEUS ao submeter-se ao seu marido?
3. Submissão significa ALINHAR-SE debaixo da liderança do marido, assim como a igreja debaixo
de Cristo (Ef 5.22-24; Gn 2.15-20)
ὑποτασσόμενοι = alinhar-se
“submissão” = apoiar o marido no cumprimento da sua missão (Gn 2.15-20)
Teste: Você apoia e encoraja seu marido no cumprimento das tarefas que Deus deu a ele?
4. Submissão significa RESPEITAR o marido (Ef 5.33; 1 Pe 3.5,6)
“respeitar” = “temer”
Teste: Seu marido sente-se respeitado por você?
5. Submissão requer uma obra SOBRENATURAL no coração da mulher
Gn 3.16 cp Gn 4.7
Ef 5.18
Teste: Você quer depender, humildemente, do poder do Espírito para realizar essa obra em vida?
Conclusão:
Em Cristo Jesus a mulher outra vez ocupa seu lugar como companheira fiel do marido!Perguntas:
1) Como encorajar o marido a ser o líder do lar quando ele não assume?
2) O que fazer se a esposa for transferida a serviço?
3) O que fazer quando há conflito entre linhas de autoridade (patrão, marido, pastor, etc.)?
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
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4) E o marido indigno de respeito? O que fazer?
5) O que fazer quando o marido exige algo contrário às Escrituras?
Aplicação
1) O plano de Deus é perfeito. Realização pessoal só vem quando a esposa cumpre seu papel dentro do lar.
2) Há dignidade, contentamento e alegria quando se segue o padrão divino.
3) Submissão não se exige mas se oferece. Maridos que exigem submissão não a recebem da maneira que
Deus planejou.
A. O Papel do Marido: Amor Sacrificial (5.25-32)
Paulo dedicou 3 versículos para o papel da mulher, mas reservou 8 para o marido dela. A responsabilidade dele
resume-se na palavra grega ágape – um amor que se dá, que se entrega, que sempre procura o bem-estar do outro
acima do seu próprio.
Como Deus define a masculinidade? (Ef 4.13)
O Problema: Homens na mira de Satanás (1 Pe 5.8)
Hoje é necessário refazer a masculinidade conforme o plano de Deus!
“Se o lar não vai bem, comece com o líder!”
Os versículos: Efésios 5.25-33 Colossenses 3.19 1 Pedro 3.7
A responsabilidade do homem numa palavra: AMAR!
O amor bíblico:
*oferece-se pelo marido, não é exigido pela esposa
*é uma ordem, não uma opção
*exige uma obra sobrenatural do Espírito Santo, produzindo a vida de Cristo no marido
*é uma escolha, não uma emoção (o homem que diz “Não te amo mais” quer dizer “Tomei uma
decisão de desobedecer a Deus e escolher não te amar.”
A Escultura de um Homem de Verdade:
5 Características do Homem que Ama
I. O amor bíblico do marido segue o PADRÃO do sacrifício de Cristo (Ef 5.25; cf Is 53.3-7)
Enquanto o exemplo da igreja estabelece o modelo de submissão para a esposa, o exemplo de Cristo dá para o
homem seu padrão de comportamento. Percebe-se novamente a necessidade da “plenitude do Espírito” para poder
cumprir esta tarefa sobrenatural. O homem não domina sobre sua família, mas entrega-se a si mesmo para cada
um, e especialmente para sua esposa. Esta forma de liderança é uma pirâmide invertida! O marido serve, protege,
santifica sua esposa, como Cristo fez quando se sacrificou pela Igreja.
O amor de Cristo foi um amor que se sacrificou para salvar sua “esposa”, a Igreja. Assim o marido deve se
sacrificar diariamente para o bem estar da sua esposa. É uma coisa morrer pela esposa; é outra coisa viver por ela.”
O marido prepara a esposa para ser tudo que Deus quer que seja!
Teste: Será que minha família percebe que sacrifico tudo para o bem estar deles, ou sempre parece que
estou pedindo que eles se sacrifiquem por mim?
O homem verdadeiro está disposto não somente a
morrer pela família, mas a viver por ela também.
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
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II. O amor bíblico do marido exige a PURIFICAÇÃO da esposa (Ef 5.26,27)
O amor de Cristo fez (e faz) de tudo para purificar a Igreja. Assim o marido deve investir na vida de sua esposa
como sua primeira responsabilidade ministerial. Ele deve ser um líder espiritual no lar, sempre zelando pelo
crescimento dela na graça e no conhecimento de Cristo (1 Pe 3.7b; 1 Co 14.35)
Teste: Sou o líder espiritual do lar, pastoreando a alma daqueles que Deus confiou a mim?
III. O amor bíblico do marido exige a PROTEÇÃO da esposa (Ef 5.28-30; 1 Pe 3.7)
A razão principal que Paulo cita porque o marido deve amar sua esposa é lógica, baseada nas ordenanças da criação
quando Deus institui o casamento como união entre homem e mulher. Em termos positivos, pelo fato de que o
marido e a esposa constituem um só corpo, o marido deve amar a esposa por que ela é como seu próprio corpo.
Em termos negativos, é um absurdo o marido não cuidar, proteger, ensinar, purificar sua esposa, pois acaba
prejudicando a si mesmo. Marido e mulher constituem um time no plano divino. Não deve haver competição mas
complementação. Um supre o que falta no outro e vice-versa. “Uma esposa triste é a maior vergonha para seu
marido” (1 Co 7.33; Dt 24.5)
Teste: Eu sou o provedor e protetor da minha família?
IV. O amor bíblico do marido implica na PRESENÇA integral do homem no lar (1 Pe 3.7)
Teste: Estou marcando presença, ou realmente PRESENTE no meu lar?
V. O amor bíblico do marido implica na PRESIDÊNCIA (liderança) do homem no lar (Gn 1-3; 1 Tm 3.4,5;
Tito 1.6)
Masculinidade bíblica exige que os homens sejam líderes: servos-líderes!
1 Tm 3.4ª; 3.12b “Que governe bem a própria casa”
1 Tm 3.4b: “criando os filhos sob disciplina, com todo respeito”
Teste: Sou o presidente da minha família, governando BEM a casa e a vida daqueles que Deus me deu?
Evidências de Liderança Masculina em Gênesis
1. Adão foi feito primeiro (Gn 1.27; 2.7, 15-23; cf 1 Tm 2.13)
2. A mulher (Eva) foi feita para o homem (Gn 2.18, 20-23; 1 Tm 2.13)
3. A raça humana é chamada pelo nome do homem (Gn 5.2)
4. Adão deu nome para a mulher, assim exercendo liderança (autoridade) no lar
(2.20, 23, 3.20)
5. Deus culpa o homem (Rm 5.12, 17-21) em primeiro lugar e o responsabiliza pela
entrada do pecado na raça humana (3.9)
6. Deus culpou o homem em 2 esferas de responsabilidade:
a. PRIMEIRO, pelo abandono da liderança (“visto que atendestes à voz da tua
mulher” 3.17)
b. SEGUNDO, pela desobediência (“e comestes da árvore que eu te ordenara não
comesses” 3.17)
7. Deus anunciou a morte de ADÃO como cabeça da raça (Ef 5.23; 1 Co 11.3)
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Conclusão:
Versículo 32 dá um sentido ainda mais especial para toda esta discussão. Embora seguir o padrão divino seja
muito importante para o bom funcionamento do lar, existe outra razão porque o casal deve desenvolver um
relacionamento conforme a vontade de Deus: o casamento é um reflexo visível do relacionamento entre Cristo e a
Igreja! Por isso, o casamento é uma instituição sagrada, que deve ser protegida a qualquer custo.
Aplicação
1) O homem não casa para ganhar uma faxineira, cozinheira, costureira ou amante, mas para ter alguém que
complementa-o no serviço a Deus e como reflexo do amor de Cristo para com a Igreja
2) O homem não lidera o lar como ditador, mas como servo humilde que sacrifica os seus interesses e desejos
na consideração pela sua família
3) O homem deve ser um líder espiritual da sua esposa, como motivador do crescimento espiritual dela
4) Os sacrifícios do marido devem ser práticos e não somente teóricos.
5) O relacionamento a dois deve ser protegido a qualquer custo, inclusive contra a interferência de terceiros,
pois reflete a exclusividade do relacionamento entre Cristo e a Igreja e até entre os membros da Trindade
(Gn 1.26,27).
6) Uma vez casados, o ministério marido-esposa toma precedência sobre todos os outros relacionamentos e
ministérios do casal. O marido vive para agradar sua esposa (1 Co 7.33; cf Dt 24.5). Não significa que o
ministério marido-esposa compete com os outros ministérios, mas que é fundamental para todos os outros.
“Como você ama a sua esposa é a coisa mais importante que você faz como homem!”
B. Resumo: O Papel de Ambos (5.33)
Paulo encerra a discussão sobre os papéis de marido e esposa com um resumo que esclarece ainda mais o bom
funcionamento do lar. Invertea ordem, começando com o marido que deve “amar sua esposa como a si mesmo” e
terminando com a esposa que deve “temer” ou “respeitar” seu marido (cf 1 Pe 3.2). A ideia de “respeito” que o
apóstolo acrescenta nos ajuda a entender um pouco melhor o que ele quer diz com a palavra “submissão”.
Aplicação
1) Para solteiros: agora é a hora de desenvolver as qualidades de caráter que contribuirão para seu futuro lar –
amor sacrifical, respeito, serviço, etc.
2) Submissão não implica em inferioridade ou frustração, mas em harmonia de propósito dentro de diferenças
de função.
Efésios 6:1-4 O Relacionamento entre Filhos e Pais
Introdução e Panorama
Ainda tratando das evidências da plenitude do Espírito no contexto do lar, Paulo mostra como o relacionamento entre
pais e filhos é restaurado. Também trata-se de uma reversão daquilo que aconteceu quando o pecado invadiu a história
humana. A multiplicação da imagem de Deus (Gn 1.28) que virou multiplicação de dor com o nascimento de filhos (Gn
3.16) agora é resgatada em Cristo. Como o último versículo do Velho Testamento profetizou, “o coração dos pais se
converterá aos filhos, e o coração dos filhos a seus pais” (Ml 4.6).
Contexto: A discussão sobre o relacionamento entre pais e filhos insere-se logo após a abordagem sobre o papel da
esposa e do marido, ambos resultados da plenitude do Espírito (5.18) e da Palavra (Cl 3.16). Logo após o apóstolo tratará
de outro relacionamento doméstico, entre servos e senhores (6.5-9).
Estrutura: O texto divide-se naturalmente em duas partes:
1. O Papel dos Filhos: Obediência e Honra (1-3)
2. O Papel dos Pais: Treinamento com Paciência (4)
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A. O Papel dos Filhos: Obediência e Honra (6.1-3)
Uma versão moderna do texto diria, “Pais, obedecei aos vossos filhos, pois isso os manterá alegres e trará paz para
o vosso lar.” (Wiersbe)
Observações:
1) Mais uma vez, as ordens desse texto são impossíveis para o homem natural. Exigem uma obra sobrenatural
pela graça de Deus. Todas estas atividades--submissão, amor, discipulado, disciplina--ultrapassam a capacidade
humana! Exigem uma obra interior de controle pelo Espírito Santo. Filhos nunca vão obedecer e honrar seus pais
naturalmente. Alguém precisa ensiná-los!
Pv. 22:15 "A estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da disciplina a afastará dela."
2) Os filhos são chamados a obedecer aos pais “no Senhor”, ou seja, conforme a Palavra dEle.
Paulo motiva obediência quando destaca o fato de ser esse o primeiro mandamento “com promessa”. Mas, em que
sentido esse é o primeiro mandamento com promessa? Há várias possibilidades:
*O primeiro mandamento aprendido pelos filhos na vida
*O mandamento mais importante
*O primeiro mandamento que inclui resultados, ou seja, a motivação para obedecê-lo
*O primeiro que oferece uma promessa aos filhos
3) Mas, qual o significado da promessa “para que te vá bem, e sejas de longa vida sobre a terra”? Algumas
possibilidades:
*significa QUALIDADE não QUANTIDADE de vida (ou seja, para ter uma vida BOA e AGRADÁVEL
enquanto vive)
*refere-se ao povo de ISRAEL, primeiro na Terra Prometida, que ficaria por longo tempo na Terra
*trata-se de um PRINCÍPIO, como no livro de Provérbios, em que, todas as coisas sendo iguais, obediência
e honra resultariam NORMALMENTE numa vida longa e boa, individual e coletivamente.
4) Pergunta: Quem vai ensinar o filho a obedecer aos seus pais? O instrumento que Deus usa são os pais! Ele
deu para os pais a responsabilidade de ensinar obediência (Ef. 6:4). Obediência é o alicerce de um caráter
verdadeiramente cristão. O filho que não sabe obedecer não pode seguir o plano de Deus para sua vida.
Lembramos do que aconteceu com os filhos de Eli, Hofni e Finéias, os filhos de Samuel, e os filhos do próprio rei
Davi - os pais não lhes ensinaram obediência bíblica, e acabaram rejeitados ou mortos pelo Senhor.
Muitas vezes não são os filhos que demoram tanto em aprender o padrão bíblico de obediência, mas os pais que não
ensinam seus filhos. Podemos considerar obediência bíblica como a pedra fundamental no desenvolvimento do
caráter dos nossos filhos, ou talvez melhor, como um diamante que resplandece em suas vidas. Mas para os filhos
serem transformados de carvão para brilhantes, precisam ser lapidados cuidadosamente. Vamos considerar 3 facetas
deste diamante de obediência na vida dos filhos que precisam ser continuamente trabalhadas pelos pais. São
descrições do que é de fato obediência aos olhos de Deus.
1. Obediência é Imediata
Deus não aceita obediência atrasada, depois de ameaças, gritos, chantagem ou suborno. A história do povo de Israel
no deserto ilustra isso em Nm. 14:6-9; 39-45. Pronto para entrar na terra prometida, o povo se tornou rebelde e
desobediente, recusando seguir a ordem de Deus de entrar na Terra. O resultado da sua desobediência foi o castigo
Propósito
Em Cristo o relacionamento entre pais e filhos é resgatado e evidenciado na obediência e honra
prestadas pelos filhos e no investimento paciente dos pais na educação dos seus filhos.
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divino, culminando na morte de uma geração inteira e 40 anos perdidos vagueando no deserto. (É interessante notar
que, depois de receber o decreto de disciplina divina, de repente o povo decidiu “obedecer”, só que mais uma vez,
contra as ordens do Senhor. Mas já era tarde demais.)
Aplicação:
*Obediência da primeira vez, em tom normal de voz. Se os filhos conseguem aprender a “obedecer” depois
do grito ou da ameaça, por que não depois de uma ordem calma?
*Sem repetição e ameaça. Não é obediência bíblica quando a criança só “obedece” depois de ameaças do
tipo, "Vou te bater . . . vou pegar o chinelo . . . estou indo pegar o chinelo . . . estou com o chinelo na mão . . . estou
levantando o chinelo”
*Sem suborno. “Se você obedecer a mamãe, vou te comprar um picolé . . . Se você limpar seu quarto, vou
te comprar um brinquedo. . . . Se você se comportar direitinho na igreja, vou te levar pescar . . . pode assistir mais
um vídeo." Esta forma de negociação é inaceitável na família. Obediência bíblica não se compra.
2. Obediência Inteira
Não existe “obediência parcial” aos olhos de Deus (veja 1 Sm. 15:9-11, 22). É tudo
ou nada. Obediência parcial é desobediência, e é a rachadura no caráter de uma pessoa que leva-a para destruição
(vs. 22; cf Nm. 20:11-13--Moisés bateu 2 vezes na rocha . . . )
Aplicação:
*Negociação em conflito: os pais aceitam uma porcentagem de obediência em vez de obediência completa
para evitar um caso, uma briga; em outras palavras, a criança ganha.
*Rebeldia passiva: A criança substitui sua própria forma de "obediência" no lugar da obediência do pai.
Muitas vezes uma coisa boa, mas que não foi o que o pai mandou.
3. Obediência Interior (sem desafio, sem reclamação, com alegria)
Atitude é tudo! Nosso alvo é atingir o coração, não nos contentar com mera obediência do lado
de fora! (cf Mt. 15:7-9; Is. 29:13, 15)
Como ensinar este tipo de obediência?
1) Ensinar o padrão, as expectativas (tanto a si mesmo, quanto as crianças)
2) Esclarecer as consequências (Deus faz isso muitas vezes na Bíblia, tanto as conseq. positivas quanto
negativas)
3) Afirmar obediência
4) Disciplinar desobediência
Pais cristãos têm a responsabilidade de treinar o coração dos seus filhos ao padrão bíblico de obediência imediata,
inteira e interior.
B. O Papel dos Pais: Treinamento com Paciência(6.4)
Deus espera que os pais ensinem seus filhos como obedecer imediatamente, inteiramente, e interiormente, e que
também insistem no respeito que reflete submissão do filho a autoridade divina. A primeira grande responsabilidade
dos pais é não provocar, irritar, desanimar os filhos, ou seja, não encorajá-los a andarem longes do Senhor.
Mas como que os pais provocam seus filhos à ira? Exatamente o que significa? E quais as maneiras que pais
incentivam seus filhos a pecar?
1. O Que Significa: Pais Cristãos não Incentivam seus Filhos a Pecar
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
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A palavra “pais” não é o termo genérico para “pai e mãe” que encontramos no versículo 1, mas o termo que muitas
vezes destaca o homem (πατέρες - pais). A responsabilidade principal pela criação dos filhos recai sobre os
ombros largos do pai! Isso não significa que ele fará todo o treinamento e toda a disciplina, pois certamente delega
boa parte dessas atividades à mulher. Mas não pode abandonar sua responsabilidade como mordomo e
“presidente” do lar. Ele prestará contas a Deus pelo andamento da sua família. (Implícito é que ambos os pais
precisam tomar cuidado para não provocar os filhos, mas especialmente o pai.)
"Provoqueis" (μὴ παροργίζετε) (Não é tanto a ira quanto o pecado que a ira produz que está em vista.)
Veja Ef. 4:26 e Tg 1.19,20. Ira facilmente leva para pecado.
2. O que não significa: não disciplinar, desagradar, chatear; A natureza de disciplina bíblica é que no momento
é muito desagradável ("Toda disciplina, com efeito, no momento não parece ser motivo de alegria, mas de
tristeza; ao depois, entretanto, produz fruto pacífico aos que têm sido por ela exercitados, fruto de justiça"
Hb. 12:11)
Deus está nos advertindo contra mais que ira . . . ira é a última parada numa viagem que leva à estação do pecado.
O oposto de provocar a ira é criar nos caminhos do Senhor. Não fazer nada pelo filho significa condená-lo à estultícia
do seu coração. (Pv. 22:15). Por implicação, os pais não violam este princípio somente quando deixam seus filhos
bravos, mas quando fazem qualquer coisa que encoraja o filho no caminho de pecado. Em outras palavras, por não
criar os filhos nos caminhos do Senhor, instruindo, corrigindo, discipulando e disciplinando os filhos, os pais estão
incentivando seus filhos a andarem em caminhos alheios, ou seja provocando a ira.
Provocação Direta - ridicularizar, brigar, pegar no pé, xingar, menosprezar
Provocação Indireta - negligenciar, abandonar, não cuidar (cp. a segunda parte do versículo em que o oposto
é colocado como expectativa "MAS, criai-os . . . " O oposto de criar seria não criar, cuidar, disciplinar, ensinar,
treinar! Poucos de nós provocaríamos nossos filhos intencionalmente com frequência; mas a provocação indireta
pela negligência é muito comum.)
(Veja o texto paralelo: "Não irriteis os vossos filhos, para que não fiquem desanimados" - Cl. 3:21)
As irritações que provocam podem ser bem negativas, empurrando o filho para atitudes e comportamentos errados.
Brigas familiares entre marido e esposa têm este efeito na vida do filhos. Críticas constantes, sem elogios; pais que
não dão amor incondicional aos filhos fazem o mesmo. Pais que nunca ficam satisfeitos com nada que o filho faz
podem levá-lo a isso. Pais que mostram favoritismo por um filho, ou que fazem comparações entre filhos podem
desanimar seus filhos.
3. Como que os pais Provocam (Irritam, Desanimam) seus Filhos ao Pecado?
Descobriremos na Bíblia muitos exemplos de pais que criaram situações que incentivaram os filhos à ira e ao pecado.
Exemplos Bíblicos de Pais que "Incentivaram" seus Filhos a Pecar
1. Incentivamos os filhos a pecar através dos vícios (Noé, Gn. 9:20-29)
2. Incentivamos nossos filhos a pecar quando mentimos (Abraão e Isaque, Gn. 12:13, 20:2, cf. Gn. 26:7)
3. Incentivamos nossos filhos a pecar quando abraçamos o mundo (Ló e filhas)
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4. Incentivamos nossos filhos a pecar através de conflitos familiares (Isaque, Rebeca, Esaú e Jacó, Gn. 27; Jacó
e José) (O Pecado dos pais repetido na vida dos filhos)
5. Incentivamos nossos filhos ao pecado quando não assumimos a liderança do lar (Simeão, Levi, Diná, Jacó;
Gn. 34:5, 7, 13ss.; cp. Davi no caso de Amnon e Tamar, Absolão)
6. Incentivamos nossos filhos a pecar quando não transmitimos para eles a nossa fé (Dt. 6:6-12; Jz. 2:10-15)
7. Incentivamos nossos filhos ao pecado quando não os disciplinamos, ou disciplinamos errado (Eli; cf. Samuel
e Davi; cf Pv. 23:13,14
8. Incentivamos nossos filhos a pecar quando nos afastamos deles (Davi/Absolão, 2 Sm. 14:24, 28)
9. Incentivamos nossos filhos ao pecado quando não os criamos (gastar tempo com eles) (Ef. 6:4b--criar)
Efésios 6:5-9 O Relacionamento entre Senhores e Servos
Note que a ênfase continua sendo DOMÉSTICA. A manifestação da plenitude do Espírito e da Palavra é vista no
relacionamento entre a liderança do lar e os servidores do lar.
A ênfase do texto recai sobre ATITUDE. A razão dada por este alto padrão é que o Senhor há de galardoar aqueles
que seguem Seu padrão de relacionamentos empregatícios no lar.
A. O Papel dos Servos: Obediência e Serviço como a Cristo (6.5-8)
As atitudes recomendadas aos servos:
1) Obediência
2) Temor (respeito)
3) Tremor
4) Sinceridade (dedicação e propósito, reconhecendo que todo serviço é um ato de adoração a Cristo)
5) De coração (lit. “de alma” – não somente para ser visto, mas por amor à virtude)
6) De boa vontade
7) Com confiança num galardão futuro
Aplicação:
1) Estas atitudes devem caracterizar a obediência e o serviço dos nossos filhos. Será que este é o padrão para
qual direcionamos nosso esforço como pais?
2) Estas atitudes devem caracterizar nosso serviço no emprego, na escola etc.
B. O Papel dos Senhores: Bondade (6.9)
1. Deixando ameaças
2. Respeitando outros seres humanos (o servo é “gente” amada por Deus, igual ao mestre)
Pergunta: Até que ponto estes princípios se aplicam aos empregados e patrões de hoje?
Aplicação:
1) Nunca deve haver acepção de pessoas da parte dos mestres (patrões, ricos, etc.)
2) Pessoas são iguais para Deus!
Para Refletir
Como que Deus podia apoiar a instituição de escravidão? Por que ele não a
proibiu de vez? Quais as implicações do livro de Filemom ao assunto?
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Efésios 6:10-20 Permanecendo em Vitória
Introdução e Panorama
Este é um dos textos mais bem conhecidos no livro de Efésios, mas também uma das partes menos entendidas. "A
Armadura de Deus" tem sido pregada e ensinada com tanta ênfase em descrições de cada elemento da armadura de um
soldado romano, que corremos o risco de perder a verdadeira ênfase deste texto. Sem dúvida a armadura é importante
como veículo criativo pelo qual o apóstolo faz o desfecho do livro. Mas devemos prestar mais atenção às qualidades
éticas de cada aspecto da armadura. Vamos descobrir que Paulo, pela inspiração do Espírito de Deus, achou a maneira
perfeita de concluir o livro. Ele emprega a imagem do soldado romano, que ele mesmo conhecia tão bem na sua condição
como prisioneiro do império. Com esta imagem indelevelmente estampada na sua memória, Paulo associa elementos
desta armadura com os conceitos chaves que ele vem desenvolvendo no livro inteiro. Em outras palavras, a armadura
de Deus serve como visual para lembrar o leitorda mensagem central de Efésios: Viver de modo digno, apropriando
cada aspecto da vitória de Cristo sobre o adversário numa vida ética compatível com Cristo.
Neste texto aprendemos a identidade do nosso verdadeiro inimigo - não são pessoas, mas sim a força maligna por trás
delas. Nunca podemos esquecer a natureza e a seriedade do conflito: a vida cristã é um campo de batalha, não um parque
de recreação! (Para outros textos sobre a realidade de guerra veja: Jó 1; Dn 10; 1Pe 5:8; 2Co 4:3-6; cf. também Lc 14:27,
31-33.)
Contexto: Depois de desenvolver as implicações éticas da nossa posição "em Cristo" em termos da unidade, santidade,
integridade e harmonia (submissão mútua no contexto do lar), Paulo nos choca com a lembrança de uma realidade brava
- estamos em guerra!
O texto começa com as palavras "Quanto ao mais" ou "finalmente" (Τοῦ λοιποῦ,), sinalizando um resumo ou sumário
do conteúdo do livro até aqui. "Recapitulando" traz a ideia.
Em vez de dar mais uma exortação para "andar" conforme vimos muitas vezes nesta metade do livro, o apóstolo muda a
figura para "permanecendo” (13,14). A ideia parece ser de manter uma posição já ganha, i.e., de nos apropriar de nossa
posição em Cristo através de uma ética genuinamente cristã. Nossa posição em Cristo deve ser aplicada na prática diária
para que fiquemos firmes contra Satanás.
Estrutura: Podemos dividir este último parágrafo do corpo do livro em 4 partes:
1. O Chamado para ser Fortalecidos (10)
2. As Características do Conflito (11,12)
3. A Convocação às Armas (13-17)
4. O Complemento da Armadura: Oração (18-20)
I. O Chamado para ser Fortalecidos (10)
O primeiro versículo já usa 3 termos para força ou poder, deixando claro que a fonte é o Senhor (“sede fortalecidos no
Senhor e na força do seu poder” - ἐνδυναμοῦσθε ἐν κυρίῳ καὶ ἐν τῷ κράτει τῆς ἰσχύος αὐτοῦ.) A ideia da posição
do cristão "em Cristo" se repete mais uma vez. É interessante notar que são os mesmos termos usados em 1:19 em
referência ao poder de Deus na ressurreição de Cristo. Este poder é operante em nós para resistir às forças do Inimigo. O
v.10 nos lembra do chamado para Josué ser "forte e corajoso" (Js 1:6,7,9). Cf. 2Tm 2:1 para uma construção paralela.
Aplicações:
1) O cristão precisa lembrar que "a batalha é do Senhor". Ele foi arregimentado pelo General para o
Propósito
Como crentes devemos resistir às ciladas do diabo vivendo uma vida diária compatível com nossa alta
posição em Cristo.
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
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conflito, mas a responsabilidade pelos resultados e dEle.
2) Não é a força ou poder do soldado, mas do seu comandante, que há de ganhar a vitória (cf. Zc 4:6;
Fp 4:13).
3) Muitas vezes a guerra espiritual manifesta-se primeiro no lar.
II. As Características do Conflito (11,12)
No desenvolvimento lógico entre o v.10 e os vv. 11 e 12 o texto responde duas perguntas: "como?" e "por quê?".
"Como podemos ser fortes e fortalecidos na força do Senhor?"
A resposta - aproveitando a armadura de Deus
"Por que precisamos ser fortes?"
A resposta - por que estamos envolvidos numa luta sobrenatural, não contra forças visíveis e humanas,
mas invisíveis e espirituais.
É notável neste texto que Paulo não chama o soldado cristão para avançar ou atacar, mas para permanecer ou "ficar
firme". Não precisamos atacar, pois Cristo Jesus já venceu (cf. 1Co 15:56,57,58). Nosso dever é de segurar a posição
já alcançada.
O cristão fica firme contra as "ciladas" do diabo. O termo "ciladas" traduz o grego " e significa
"estratégias". Foi usado em 4:14 no contexto de "artimanhas e astúcia dos homens" levando ao engano.
John Stott nos lembra de três características principais dos nossos inimigos destacadas nestes versículos. A luta não é
uma brincadeira, e o inimigo não poupa nenhum esforço para nos derrubar:
1) São poderosos
2) São malignos
3) São enganosos
Neste texto Paulo identifica o inimigo pelo seu nome "diabo", termo que reflete sua natureza como "acusador". É
justamente nesta sua obra como acusador que percebemos a necessidade do cristão continuar firme em sua posição em
Cristo. Cp. 1Pe 5:8, Ap 12:7-11; Mt 4:3, Jo 8:44.
No v.12 encontramos a razão porque devemos continuar firmes e fortes - por causa da verdadeira natureza do conflito
em que estamos envolvidos. Não é uma batalha em que as armas humanas prestarão serviço, pois o inimigo é invisível,
espiritual, sobrenatural, organizado, maligno e feroz.
É interessante reparar no fato de que, assim como cada peça da armadura representa um conceito chave em Efésios,
também os vv.10-12 repetem termos e conceitos chaves:
"Sede fortalecidos" (10) (1:19ss., 3:16)
"no Senhor" (10) (cerca de 35x no livro)
"Revesti-vos" (11) (4:24)
"diabo, principados, potestades, etc." (1:21, 3:10, 4:27)
"mundo tenebroso" (5:8,11)
"regiões celestiais" (1:3,20, 2:6, 3:10)
Para Pensar: Qual o significado da divisão das forças do inimigo em 4 grupos: "principados, potestades, dominadores
deste mundo tenebroso, forças espirituais do mal"? Será que representam divisões de força e poder? "ranking"?
Aplicação:
1) Nunca podemos esquecer de que o nosso inimigo não são homens pecadores, mas sim as forças
hostis por trás do comportamento humano.
2) Satanás é o grande acusador dos irmãos (Ap 12:10) mas graças a Deus Jesus vive para interceder
por nós, aplicando seu sangue para nossos pecados (Hb 7:25, 1Jo 2:1,2).
3) Satanás faz tudo para nos derrotar. Ele e seus hostes estão determinados a derrubar o cristão a
qualquer custo. Será que tenho levado a sério este meu inimigo? Será que estou "brincando" com a
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
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guerra?
III. A Convocação às Armas (13-17)
Tendo esclarecido a natureza do nosso conflito, Paulo convoca o cristão a engajar-se nele através do uso apropriado da
armadura providenciada pelo General, Cristo Jesus. Nada nesta armadura é novidade - cada peça já foi descrita mais
cedo no livro como aspecto imprescindível da posição do cristão em Cristo. O que o apóstolo faz agora é recapitular os
conceitos chaves da posição do cristão em Cristo, e pedir que cada um viva de forma digna desta posição. A armadura
serve como ilustração marcante da função de uma ética cristã baseada na nossa posição em Cristo - é a melhor maneira
de resistir às investidas do inimigo!
A ideia de "armadura espiritual" não é nova. O conceito aplica-se a Jeová em Is 59:17. A armadura e as armas são dele
(a armadura de Deus), mas agora ele as compartilha conosco (Stott).
Em termos práticos, então, o que devemos fazer? Devemos viver uma vida digna de Cristo Jesus em todas as áreas éticas
e morais da nossa vida, i.e., sempre falando e promovendo a verdade, vivendo em justiça e retidão (santidade),
promovendo unidade (paz) no Corpo e proclamando paz aos homens perdidos, confiando sempre em Deus, seguros e
certos da nossa vitória, sempre armados com a Palavra de Deus para resistir às tentações do diabo, orando sempre por
compreensão espiritual e poder.
O seguinte gráfico mostra como cada peça da armadura reflete um conceito chave não somente no livro de Efésios, mas
na teologia bíblica também.
Arma VT NT Efésios
"Cingindo-vos . . . verdade" (14a)
περιζωσάμενοι τὴν ὀσφὺν
ὑμῶν ἐν ἀληθείᾳ
Is 11:5 1:13, 4:15, 21,24,25, 5:9
"Viver em verdade" (liberdade de
movimento)
"Couraça da justiça" (14b)
τὸν θώρακα τῆς δικαιοσύνης
Is 59:17 1Ts 5:8 4:24, 5:9
Viver em justiça (proteção contra
maldade)"Calçai os pés . . . preparação do
evangelho da paz" (15)
ὑποδησάμενοι τοὺς πόδας ἐν
ἑτοιμασίᾳ τοῦ εὐαγγελίου τῆς
εἰρήνης,
Is 52:7 (Na
1:15)
Rm 10:15 1:2, 2:13-18, 4:3, 6:23
Viver em paz com Deus e na
igreja; espalhar paz no mundo.
"Escudo da fé" (16)
τὸν θυρεὸν τῆς πίστεως
Sl 7:13 1:13, 15,19; 2:8, 3:12, 17; 4:5, 13
Viver em confiança em Deus com
fidelidade; Segurança contra
dúvidas.
"Capacete da salvação" (16)
τὴν περικεφαλαίαν τοῦ
σωτηρίου
Is 59:17 1Ts 5:8 1:13, 2:5,8, 5:23
Segurança e certeza que temos a
vitória
"Espada do Espírito" (17)
τὴν μάχαιραν τοῦ πνεύματος,
Is 11:4,
49:2, Os 6:5
Hb 4:12 5:26 (1:13)
"Oração" (18-20) 1:15-23; 3:14-21
Pr. Isaias Christal Efésios CMM-2017
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Aplicações:
1) O cristão não precisa fazer algo novo para vestir a armadura de Deus; ele precisa se apropriar do
que Cristo já fez por ele.
2) Como cristãos, já temos a vitória e tudo que precisamos para uma vida digna e santa (2Pe 1:3).
Nada nos falta, a não ser manter nossa posição até a vitória final contra o inimigo.
3) Devemos tomar muito cuidado para não ir além das Escrituras na especulação sobre guerra
espiritual. Podemos afirmar o que a Bíblica afirma, mas não mais que isso. O fato é que a informação
que temos sobre a batalha é limitada. Se Deus quisesse que soubéssemos mais, teria revelado para
nós.
Para refletir: "A espada do Espírito" é uma arma defensiva como as demais, ou ofensiva? Existe um significado especial
no usa da palavra "" ("palavra" de Deus) e não "logos"?
IV. O Complemento da Armadura: Oração (18-20)
Embora não associada a nenhuma peça específica da armadura de Deus, a oração é o complemento que acompanha o
uso de todas as outras peças. Paulo enfatiza a urgência e a importância de oração em guerra espiritual pela repetição da
palavra "todo": "com toda oração...orando em todo tempo...vigiando com toda perseverança...por todos os santos".
Através da oração o soldado mantém contato constante com seu General. Oração é a maneira mais objetiva e prática
pela qual o cristão demonstra sua dependência em Cristo. Oração revela um coração convencido de que "sem mim
(Jesus), nada podeis fazer" (Jo 15:5).
Enquanto a oração deve ser por todos os santos, Paulo também pede orações específicas por ele mesmo como ministro
do evangelho. Talvez nos surpreenda descobrir que o apóstolo também tinha dificuldade em ser uma testemunha ousada
e fiel, pois foi justamente este o pedido que ele faz. Paulo pede que os efésios lembrem-se de orar para que ele seja
ousado em declarar Cristo para todos com quem ele entra em contato.
Há ironia na frase "embaixador em cadeias". O embaixador geralmente está isento de perseguição criminal, mas o
representante do Rei dos reis neste caso foi prisioneiro justamente daqueles para quem ele tinha que entregar a mensagem
do Rei.
Aplicações:
1) Se o apóstolo Paulo sofria medo e falta de ousadia na proclamação do evangelho, não devo
imaginar que eu serei isento do mesmo. Posso pedir que companheiros de oração orem por mim
para ter ousadia na evangelização.
2) Oração é uma questão de sobrevivência em guerra espiritual. É a fonte de poder para que a vida
de Jesus seja vivida através de mim, e não na minha própria força.
3) Este mundo não reconhece a dignidade do filho de Deus como embaixador do Rei dos reis, e
muitas vezes trata-o de forma errada, mas um dia receberá o seu galardão.
Efésios 6:21-24 Conclusão/Bênção
Introdução e panorama
Paulo termina o livro com uma saudação final que inclui vários termos chave do livro, e alguns últimos detalhes sobre o
envio da carta.
1. Informações Finais (21,22).
Para Paulo foi muito importante manter contato com seus discípulos e filhos na fé. Mantinha correspondência com tantas
igrejas e tantos indivíduos, edificando-os e exortando-os para verificar que o seu labor não fosse em vão. Ao mesmo
tempo, estes elos afetivos e ministeriais necessitavam que ele informasse seus amigos sobre suas próprias condições.
Na conclusão da carta a cortina do coração do apóstolo se abre mais uma vez, e aprendemos ainda mais sobre seu amor
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para com seus discípulos em geral e os efésios em particular. Paulo foi "outrocêntrico" até o final, mais preocupado com
o ânimo deles do que com suas próprias circunstancias.
No v.22 Paulo diz que Tíquico daria notícias a "nosso respeito". Na carta paralela aos Colossenses, Paulo identifica
alguns dos seus companheiros nesta época (Cl 4:10-15):
Aristarco Marcos Jesus (Justo)
Epafras Lucas Demas
Tíquico foi o mensageiro encarregado com a entrega desta epístola e também das cartas aos Colossenses (4:7-9) e
Filemom, na companhia de Onésimo. Também tinha a responsabilidade de informar os efésios sobre as circunstancias
pessoais do apóstolo. Pelo fato de que Paulo conhecia tantos de Éfeso, e que Tíquico iria representá-lo pessoalmente, o
apóstolo não incluiu saudações pessoais nesta carta.
O nome de Tíquico aparece em 4 outros textos:
*At 20:4 - companheiro do apóstolo
*2Tm 4:12 - enviado outra vez para Éfeso
*Tt 3:12 - mensageiro para Tito
*Cl 4:7,8 - irmão amado, fiel ministro, conservo no Senhor
*Ef 6:21,22 - irmão amado, fiel ministro
Nestes versículos descobrimos que ele era um dos mensageiros prediletos de Paulo, um homem digno do evangelho de
Cristo, um exemplo do comportamento que o livro vem encorajando desde o início.
Aplicação:
1) Paulo estava sempre cercado por homens fiéis em cujas vidas ele investia (2Tm 2:2). Será que eu
tenho um Timóteo, ou Tito, ou Tíquico que posso descrever como sendo irmão amado, fiel ministro,
conservo no Senhor?
2) Será que meus relacionamentos ministeriais são fruto de um investimento profundo da minha vida,
ou simplesmente parte do meu "dever" e de curto prazo?
3) Será que eu poderia ser descrito como "fiel ministro, conservo no Senhor"?
2. Saudação/Bênção (23,24)
Os versículos finais do livro não deixam de dar uma última recapitulação do seu conteúdo, pois mencionam não menos
de 6 conceitos chaves já desenvolvidos até aqui.
*paz
*amor
*fé/fidelidade
*Deus o Pai
*Cristo o Senhor
*graça
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Apêndice
Eleição e Predestinação: Algumas Reflexões
Princípios:
1) A soberania de Deus e a responsabilidade do homem quase sempre aparecem lado a lado, sem explicação
ou harmonização. "Envolve um paradoxo que o NT não procura resolver, e que nossas mentes finitas não podem
compreender em sua profundidade" (Foulkes, p. 40). Veja Jo 6:37, 1:12,13, At 13:48, Ef 2:8,9, At 18:10;)
2) O propósito da predestinação não é exaltar ao homem predestinado, mas louvar a graça de um Deus
misericordioso.
3) “Eleição” se refere especificamente à escolha de Deus para salvação, enquanto “predestinação” se relaciona
mais com a doutrina da santificação. Descrentes são eleitos para salvação, enquanto crentes são predestinados para
santificação. Predestinação se trata do destino final do crente.
4) A Bíblia nunca afirma a predestinação ou eleição de alguns para o inferno. A ênfase divina está sempre na
misericórdia de Deus que resgata alguns da certeza de destruição eterna.
5) Deus ordena tanto o fato da salvação como o meio; sem a pregação feita por homens (não anjos!) junto com
a oração, ninguém será salvo.
6) Não se fala desta doutrina para descrentes. Esse é um “segredo da família”. A Bíblia nos ensina sobreeleição
e predestinação por pelo menos duas razões:
a) O cristão necessita perceber que sua fé descansa completamente sobre a obra de Deus
b) O cristão precisa entender que Deus nos escolheu para sermos santos e irrepreensíveis perante Ele.
Eleição não é apenas para salvação, mas para santidade de vida (Foulkes, 40)
7) A atitude de submissão e humildade é absolutamente necessária para apreciarmos esta doutrina. O homem
orgulhoso não quer ouvir que ele não contribui nada enquanto Deus é tudo!
Objeções à Doutrina:
1) Acaba com o "livre arbítrio" do homem.
a) Adão e Eva realmente estavam "livres"
b) Depois da Queda, também ficamos livres – só que, livres para agir de acordo com nossa natureza
pecaminosa e NÃO livres para obedecer de coração a Deus
c) Ser livre para agir de acordo com nossa natureza pecaminosa significa que não somos livres para agir
contra ela (i.e., escolher a Deus; cf. Ef 2:1-4, 11-13).
d) Deus precisa interferir com nossa "liberdade" pecaminosa para nos "arrastar" para o Evangelho (Jo
6:44)
e) Eleição resgata a livre vontade do homem, pois faz dele uma nova criatura (2Co 5:17) que é capaz de
agir dentro de uma nova natureza.
2) Não é justo.
a) É mais que justo: Todos merecem o inferno pela justiça de Deus. Mas Cristo satisfez a justiça de
Deus quando tomou sobre si nossos pecados e nosso castigo. O fato de que Deus salva alguns é devido à sua
misericórdia. Veja Rm 9:14-24.
b) A pergunta que devo fazer não é "Por que Deus não escolheu fulano?", mas "Por que Deus me
escolheu?"
3) Acaba com a responsabilidade humana (evangelismo, oração, etc.)
a) Pelo contrário, o entendimento correto de eleição garante o sucesso do evangelismo!
b) Temos a garantia de Deus de que alguns certamente crerão (cf. At 18:10)!
c) Se não fosse essa doutrina, ninguém por si mesmo escolheria a Deus (Ef. 2:1-3, 11-13)
d) Todos nós concordamos com esta doutrina, se não intelectualmente, pelo menos nas nossas orações
quando oramos, "Senhor, salva _____________".
4) A doutrina pode levar alguns a viver como o diabo
a) A doutrina de eleição é sempre um estímulo à santidade (Ef 1:4)
b) O fato de que alguns abusam a doutrina não a anula.