Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Legislação Tributária
Aula 01
Aula 1: Direito Tributário e Financeiro
Orçamento
É o ato complexo dos poderes executivo e legislativo que prevê e fixa despesas e receitas para um determinado período, instrumentalizando assim, o poder executivo de recursos monetários - a receita pública - para atendimento das necessidades públicas, satisfazendo-as através das despesas públicas. 
Por princípio constitucional, o orçamento é estabelecido anualmente. O orçamento anual é o instrumento de operacionalização de curto prazo da programação constante dos planos setoriais e regionais de médio prazo, os quais, por sua vez, cumprem o marco fixado pelos planos globais de longo prazo, em que estão definidos os grandes objetivos e metas, os projetos estratégicos e as políticas básicas. 
Sendo assim, a principal matéria-prima utilizada para a elaboração da proposta de orçamento é buscada em elementos integrantes do sistema de planejamento.
A Constituição Federal de 1988, estabelece, no Artigo 165, quais as leis orçamentárias que deverão ser propostas para regular as finanças do Estado.
O Poder Executivo é o responsável pela elaboração da proposta orçamentária. 
O orçamento, sendo um só, deve atender também aos Poderes Legislativo e Judiciário. Considerando que os três Poderes são independentes e harmônicos, as propostas parciais das unidades orçamentárias do Legislativo e Judiciário são negociadas em um nível superior àquele que vigora para os setores do Executivo.
Seção II 
DOS ORÇAMENTOS
Art. 165. Leis de iniciativa do Poder Executivo estabelecerão:
I - o plano plurianual;
II - as diretrizes orçamentárias;
III - os orçamentos anuais.
§ 1º - A lei que instituir o plano plurianual estabelecerá, de forma regionalizada, as diretrizes, objetivos e metas da administração pública federal para as despesas de capital e outras delas decorrentes e para as relativas aos programas de duração continuada.
§ 2º - A lei de diretrizes orçamentárias compreenderá as metas e prioridades da administração pública federal, incluindo as despesas de capital para o exercício financeiro subsequente, orientará a elaboração da lei orçamentária anual, disporá sobre as alterações na legislação tributária e estabelecerá a política de aplicação das agências financeiras oficiais de fomento.
§ 3º - O Poder Executivo publicará, até trinta dias após o encerramento de cada bimestre, relatório resumido da execução orçamentária.
§ 4º - Os planos e programas nacionais, regionais e setoriais previstos nesta Constituição serão elaborados em consonância com o plano plurianual e apreciados pelo Congresso Nacional.
§ 5º - A lei orçamentária anual compreenderá:
I - o orçamento fiscal referente aos Poderes da União, seus fundos, órgãos e entidades da administração direta e indireta, inclusive fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público;
II - o orçamento de investimento das empresas em que a União, direta ou indiretamente, detenha a maioria do capital social com direito a voto;
III - o orçamento da seguridade social, abrangendo todas as entidades e órgãos a ela vinculados, da administração direta ou indireta, bem como os fundos e fundações instituídos e mantidos pelo Poder Público.
§ 6º - O projeto de lei orçamentária será acompanhado de demonstrativo regionalizado do efeito, sobre as receitas e despesas, decorrente de isenções, anistias, remissões, subsídios e benefícios de natureza financeira, tributária e creditícia.
§ 7º - Os orçamentos previstos no § 5º, I e II, deste artigo, compatibilizados com o plano plurianual, terão entre suas funções a de reduzir desigualdades inter-regionais, segundo critério populacional.
§ 8º - A lei orçamentária anual não conterá dispositivo estranho à previsão da receita e à fixação da despesa, não se incluindo na proibição a autorização para abertura de créditos suplementares e contratação de operações de crédito, ainda que por antecipação de receita, nos termos da lei.
§ 9º - Cabe à lei complementar:
I - dispor sobre o exercício financeiro, a vigência, os prazos, a elaboração e a organização do plano plurianual, da lei de diretrizes orçamentárias e da lei orçamentária anual;
II - estabelecer normas de gestão financeira e patrimonial da administração direta e indireta bem como condições para a instituição e funcionamento de fundos.
Art. 166. Os projetos de lei relativos ao plano plurianual, às diretrizes orçamentárias, ao orçamento anual e aos créditos adicionais serão apreciados pelas duas Casas do Congresso Nacional, na forma do regimento comum.
§ 1º - Caberá a uma Comissão mista permanente de Senadores e Deputados:
I - examinar e emitir parecer sobre os projetos referidos neste artigo e sobre as contas apresentadas anualmente pelo Presidente da República;
II - examinar e emitir parecer sobre os planos e programas nacionais, regionais e setoriais previstos nesta Constituição e exercer o acompanhamento e a fiscalização orçamentária, sem prejuízo da atuação das demais comissões do Congresso Nacional e de suas Casas, criadas de acordo com o art. 58.
§ 2º - As emendas serão apresentadas na Comissão mista, que sobre elas emitirá parecer, e apreciadas, na forma regimental, pelo Plenário das duas Casas do Congresso Nacional.
§ 3º - As emendas ao projeto de lei do orçamento anual ou aos projetos que o modifiquem somente podem ser aprovadas caso:
I - sejam compatíveis com o plano plurianual e com a lei de diretrizes orçamentárias;
II - indiquem os recursos necessários, admitidos apenas os provenientes de anulação de despesa, excluídas as que incidam sobre:
a) dotações para pessoal e seus encargos;
b) serviço da dívida;
c) transferências tributárias constitucionais para Estados, Municípios e Distrito Federal; ou
III - sejam relacionadas:
a) com a correção de erros ou omissões; ou
b) com os dispositivos do texto do projeto de lei.
§ 4º - As emendas ao projeto de lei de diretrizes orçamentárias não poderão ser aprovadas quando incompatíveis com o plano plurianual.
§ 5º - O Presidente da República poderá enviar mensagem ao Congresso Nacional para propor modificação nos projetos a que se refere este artigo enquanto não iniciada a votação, na Comissão mista, da parte cuja alteração é proposta.
§ 6º - Os projetos de lei do plano plurianual, das diretrizes orçamentárias e do orçamento anual serão enviados pelo Presidente da República ao Congresso Nacional, nos termos da lei complementar a que se refere o art. 165, § 9º.
§ 7º - Aplicam-se aos projetos mencionados neste artigo, no que não contrariar o disposto nesta seção, as demais normas relativas ao processo legislativo.
§ 8º - Os recursos que, em decorrência de veto, emenda ou rejeição do projeto de lei orçamentária anual, ficarem sem despesas correspondentes poderão ser utilizados, conforme o caso, mediante créditos especiais ou suplementares, com prévia e específica autorização legislativa.
PROPOSTA ORÇAMENTÁRIA
• Mensagem com exposição circunstanciada da situação econômico-financeira
• Projeto de Lei do Orçamento
• Tabelas explicativas 
• Especificação dos programas especiais custeados por dotações globais
• Descrição sucinta das principais finalidades de cada unidade administrativa com a respectiva legislação.
Crédito nada mais é que a captação de recursos pecuniários, na figura de empréstimos, para pagá-los no prazo e nas condições acordadas a curto, médio e longo prazo. 
O Estado documenta-o em papéis de crédito público de vários tipos, tais como Bônus do Tesouro, Letras do Tesouro, Apólices da Dívida Pública, Títulos da Dívida Agrária etc.
Para compreender o Sistema Tributário Nacional, é necessário compreender o mecanismo a ser utilizado pelo Poder Público de utilizar de suas prerrogativas de Direito Público, através do cumprimento das normas, obrigando o particular a entregar valores aos cofres públicos, independentemente de sua vontade. 
Entretanto, também faz parte deste contexto um planejamento orçamentário, que deverá corresponder não só à obtenção de receitas, mas também à administração das despesas e créditos.A partir do Século XX, observa-se um crescimento em relação às despesas públicas para manter um processo de evolução em relação à manutenção da vida como, por exemplo:
• introdução de novas tecnologias;
• avanço industrial;
• surgimento de novos empreendimentos;
• relação internacional com outros Estados no campo da exportação e importação. 
Ou seja, a busca do desenvolvimento econômico fez surgir investimentos, gastos, despesas e receitas. Para isso, o Estado através do mecanismo de uma atividade financeira pode inserir no contexto dessa evolução funções fiscais, tais como promover ajustes na alocação de recursos e na distribuição de renda, bem como manter a estabilidade econômica.
Como a principal finalidade do Estado é promover o bem comum, satisfazendo as necessidades públicas, exerce então funções para cujo custeio é preciso de recurso financeiro ou receita (É a quantia recolhida aos cofres públicos não sujeita à restituição, ou a importância que integra o patrimônio do Estado em caráter definitivo.).
Para obter os recursos necessários, o Estado utiliza do seu poder soberano, ou seja, o  direito de tributar pelo qual pode fazer derivar para seus cofres uma parcela do patrimônio das pessoas sujeitas a sua administração, originando as receitas derivadas.
Mas, não é só de receitas derivadas que sobrevive o Estado para suprir uma demanda em relação às despesas públicas, ele também utiliza receitas originárias, provenientes do patrimônio do Estado, através de aluguéis, vendas, leilões etc.
E qual a conclusão?
A Receita Pública (É a entrada que, integrando-se no patrimônio público sem quaisquer reservas, condições ou correspondência no passivo vem acrescer o seu vulto como elemento novo e positivo. (Aliomar Baleeiro)) é composta pelos ingressos financeiros que, em tese, têm o objetivo de satisfazer as despesas públicas.
Então, ela é a soma de ingressos, impostos, taxas, contribuições e outras fontes de recursos arrecadados para atender às Despesas Públicas, cuja classificação econômica da receita orçamentária é estabelecida pela Lei n.º 4.320/64, para sustentar o conceito com base no ingresso de recursos financeiros e, não, pelo reconhecimento do direito.
O Estado tem duas fontes nitidamente distintas para a atividade financeira correspondente à aquisição de receita. Clique para detalhá-las.
As receitas originárias são provenientes do patrimônio do Estado, cujo regime jurídico predominante é de Direito Privado, e tem como característica principal o Estado explorando seu próprio patrimônio.
É representada pela forma de aumento patrimonial semelhante à utilizada por qualquer outra pessoa, física ou jurídica, envolvendo transações e negócios tipicamente privados, como doações, heranças, venda de produtos, prestação de serviços etc. O Estado tem acesso a esse tipo de receita por uma relação negocial, como se fosse uma empresa, uma pessoa jurídica de direito privado. 
A mais significativa receita originária é representada pelo Preço, englobando rendimento e remuneração de bens e serviços de empresas estatais, sob a regência de normas de Direito Privado. 
São exemplos, os resultados positivos de empresas como Petrobras, Embratel, Banco Do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bancos Estaduais e Companhias de Energia, Água e Esgotos, além de outras instituições tanto no plano Federal como no Estadual e Municipal.
As receitas derivadas originam-se do patrimônio do particular, cujo regime jurídico é de Direito Público, com características de um Estado que usa o seu poder e obriga o particular a contribuir em dinheiro através dos tributos, multas, penalidade etc.
Envolve aquisição de receita mediante o exercício do poder de império do Estado, compelindo a comunidade a efetuar pagamentos compulsórios, sem mais aquela condição negocial de igualdade entre credor e devedor, evidenciada na receita originária. 
É representada pelos tributos e pelas penalidades pecuniárias. Aqui, o Estado mobiliza a sua característica de soberania e exige recursos financeiros, recolhendo compulsoriamente do patrimônio dos indivíduos. 
Embora subordinando-se a limitações e controles jurídicos precisamente definidos, os aparelhos fiscais das entidades tributantes fazem valer o predomínio estatal sobre a sociedade e exigem Imposto de Renda, IPI, ICMS ou taxa de iluminação pública de quem os deve, sem que para tanto celebrem acordo, lavrem-se instrumentos contratuais ou, pelo menos, seja esperada concordância mínima nos elementos postos na condição de devedores.
O Ingresso Público significa todo dinheiro recolhido aos cofres públicos, mesmo sujeito à restituição e compreende as importâncias e valores realizados a qualquer título:
• os tributos, que são impostos, taxas e contribuição de melhoria; e
• as rendas da atividade econômica do estado (preços), que são ingressos ou entradas (não restituíveis) e as fianças, cauções, empréstimos públicos (restituíveis).
 Nesta aula, vamos dar foco às receitas derivadas, especificamente a modalidade tributos.
originam-se do patrimônio do particular = tributos (taxas,  impostos e contribuições de melhorias)
A destinação da Receita Pública é o processo pelo qual os recursos públicos são vinculados a uma despesa específica ou a qualquer que seja a aplicação de recursos desde a previsão até o efetivo pagamento das despesas constantes dos programas e ações governamentais. 
A destinação de Receita Pública, para fins de aplicação, é dividida da seguinte forma:
A despesa pública é a utilização de dinheiro do erário público para objetivos públicos. 
Tanto para obter receitas quanto para realizar despesas, o Poder Público deverá obedecer o princípio da legalidade, previsto no Artigo 37, da Constituição Federal, que constitui regra consagrada pela doutrina e textos constitucionais, estrangeiros e pátrios, consubstanciados nos direitos e garantias individuais. 
Conforme esse dispositivo constitucional, "ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa a não ser em virtude de lei". Esse princípio visa combater o poder arbitrário e determina que só a lei pode criar obrigação para o indivíduo, significando um Estado Democrático de Direito.
No âmbito da administração pública, a autoridade só poderá desempenhar as suas funções dentro do que determina a lei. O servidor público, no exercício de suas atribuições, somente poderá exigir das pessoas fazer ou deixar de fazer alguma coisa na hipótese da ocorrência de lei que as obrigue.
Uma vez que a receita, antes de consignada no orçamento, é objeto de lei. De igual forma, há que se ter legislação que determine ou autorize a despesa pública.
É com base na lei, por exemplo, que um tributo poderá ser aumentado, excluído ou até mesmo extinto.
O Artigo 13 classifica as despesas, observada a classificação da categoria econômica, de acordo com a especificação ou elemento.
Segundo a categoria econômica, Artigo 12, Lei n.º 4320/64, as despesas serão classificadas conforme abaixo. Clique para detalhá-las.
Aula 02
Aula 2: Direito Constitucional Tributário e Hermenêutica Tributária
O objetivo desta aula é introduzir um novo vocabulário, uma nova linguagem para determinar o entendimento dos termos trazidos pela legislação. 
O estudo fixará as principais diferenças entre a competência para legislar sobre direito tributário e a competência tributária; o entendimento da expressão “legislação tributária” e sua vigência  no tempo e no espaço, aplicando os princípios necessários à eficácia das normas no campo do Direito Tributário, permitindo ao Estado aplicar o poder soberano de fazer com que a sociedade cumpra com as obrigações de pagar, ou seja, de inserir dinheiro nos cofres públicos.
Ao final desta aula, você será capaz de:
• identificar Competência Tributária: conceito, atributos, classificações e capacidade tributária ativa;
• reconhecer limitações constitucionais ao poder de tributar: conceito, natureza jurídica, segurança jurídica, justiça tributária, liberdade fiscal, federalismo fiscal e imunidades; 
• verificar as fontesdo direito tributário e a vigência da legislação tributária no tempo e no espaço.
A Constituição Federal não criou os tributos, apenas estabeleceu a competência (regra matriz de cada tributo) para que as pessoas políticas os criassem através de lei. Assim, não é a Constituição Federal que obriga o pagamento de um tributo, mas a lei.
Competência Tributária
Complementando, a expressão Competência Tributária pode ser definida como o poder, atribuído pela Constituição Federal, observadas as normas gerais de Direito Tributário, de instituir, cobrar e fiscalizar o tributo, compreendendo a competência legislativa, administrativa e judicante. 
Acompanhe outras definições:
• parcela do poder de tributar conferida pela Constituição a cada ente político para criar tributos;
• aptidão para criar, in abstracto, tributos;
• limite do poder fiscal para legislar e cobrar tributos.
A distribuição da Competência Tributária vem explícita no Artigo 145 da Constituição Federal, quando diz que a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir tributos, em seus Artigos 153, 155 e 156, sob as epígrafes "Dos impostos da União", "Dos impostos dos Estados e do Distrito Federal" e "Dos impostos dos Municípios", estabelecendo a competência desses entes políticos. Há de se atentar ainda para a competência residual da União, Artigo 154 da Carta Constitucional.
O Artigo 146, II, da CRFB, também atribui à lei complementar a regulação das limitações constitucionais ao poder de tributar, assim como exemplo o legislador constituinte imunizou o patrimônio, a renda e os serviços das instituições de educação sem fins lucrativos, ou seja, não há arrecadação de tributos, podendo observar também o Artigo 195, § 7º., da CRFB.
O Artigo 146, I, da CRFB, prevê que a lei complementar dispõe sobre conflitos de competência, em matéria tributária entre os entes da federação, como por exemplo, a quem compete arrecadar o IPTU e o ITR, já que ambos incidem sobre propriedade de imóveis, mas se for urbano (IPTU), se for rural (ITR), a dificuldade encontra-se em definir se um imóvel é urbano ou rural. Para resolver o problema, o Código Tributário Nacional menciona em seu Artigo 32, as características essenciais.
A Constituição Federal atribui a competência em matéria tributária e traça os contornos gerais do Estado nas suas três esferas de poder. 
Como expressão pura desse pacto, distribui as competências tributárias entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, formando, juntamente com os princípios e as normas de direito tributário, o Sistema Tributário Nacional.
A Constituição determina as principais limitações ao exercício da competência tributária, com base no Artigo 150, CRFB, compreende então que as garantias ali determinadas formam um roal não exaustivo, visto que existem outras (Artigo 5º, XXXIV, CRFB).
Essas limitações constituem proteção e garantias individuais ao contribuinte. O Artigo 64, § 4º. CRFB, como exemplo garantidor, determina que é possível a realização de emendas que ampliem ou melhorem a proteção que a Constituição Federal atribui ao contribuinte.
As limitações à competência tributária, previstas nos Artigos 9º a 11º  do CTN, consistem em princípios e normas jurídicas,  consubstanciadas em vedações constitucionais, que têm por objetivo a garantia do cidadão contra o abuso do poder de tributar do Estado.
Os princípios constitucionais são "aqueles que guardam os valores fundamentais da ordem jurídica. Isto só é possível na medida em que estes não objetivam regular situações específicas, mas sim desejam lançar a sua força sobre todo o mundo jurídico". Celso Antônio de Melo afirma que:
Por isso, as limitações constitucionais ao poder de tributar são consideradas como verdadeiros Princípios Constitucionais Tributários.
São Princípios Constitucionais Tributários:
• Princípio da legalidade;
• Princípio da isonomia;
• Princípio da irretroatividade e da anterioridade;
• Princípio Da vedação do efeito confiscatório, da imunidade e isenção tributária.
Inalterabilidade
A Constituição Federal atribuiu competência tributária, por exemplo, aos Estados-membros para instituir impostos sobre causa mortis (Artigo 153, I, CF), e, à União para instituir impostos sobre importação de produtos. 
É fato que a alteração de competência só será admissível por meio de Emenda Constitucional, não se permitindo, assim, que o princípio da Federação seja abalado por modificações advindas da vontade do legislador infraconstitucional.
Privatividade
Em razão da titularidade de competência tributária que os entes políticos detêm por expressa determinação constitucional, por óbvio que a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios gozam de privatividade para instituir, cobrar e fiscalizar o tributo de sua competência. 
Essa assertiva "implica a exclusividade e consequente proibição de seu exercício por quem não tenha sido consagrado com esse direito”.
Facultatividade
A facultatividade do exercício da competência é um dos pressupostos da competência tributária, "em razão do que a falta de seu exercício não lhes afasta o direito assegurado pela Constituição, que não estabeleceu qualquer espécie de perda em razão de mera inércia legislativa". 
Assim, o fato da União não ter instituído o Imposto sobre Grandes Fortunas, não lhe retira a faculdade de exercer a sua competência para tal, em qualquer oportunidade.
Incaducabilidade
A distribuição de competências referida na Constituição da República em momento algum fez menção, ainda que implicitamente, a um lapso temporal para o exercício da competência tributária conferida a um ente político. 
In casu, a doutrina de forma sucinta e clara tem reverberado o entendimento segundo o qual "o Artigo 8º do CTN diz que o eventual não exercício da competência tributária não a defere a qualquer outra pessoa jurídica de Direito Público diversa daquela a quem a Constituição haja entregue referida competência".
Indelegabilidade e Irrenunciabilidade
O Artigo 7º do CTN dispõe que a competência tributária é indelegável, o que, não obstante, inviabiliza a delegação de uma pessoa jurídica de direito público a outra, mediante convênio, as funções de arrecadar, fiscalizar, executar leis, serviços. 
Essa delegação compreende as garantias e os privilégios processuais (Artigo 7º, § 1º, do CTN), podendo ser revogada, a qualquer tempo, por ato unilateral de quem a delegou, mas é sempre em caráter precário.
A irrenunciabilidade, ao contrário, estabelece que "a pessoa política detentora da competência tributária não poderá renunciar a ela, no todo ou em parte".
Agora que você já compreendeu a competência tributária e as devidas limitações do poder de tributar, saiba que a Constituição Federal estipula as regras procedimentais para a produção das normas. 
A validade está presente quando o processo de produção e formação da lei houver observado as diretrizes e requisitos procedimentais na Constituição Federal. 
Com sua publicação, nasce a presunção de que todos conhecem a lei, não sendo permitido a ninguém escusar-se de cumpri-la alegando desconhecimento (Artigo 3º da Lei de Introdução ao Código Civil). Para obrigar os destinatários a cumprir a lei, é necessário que a mesma esteja em vigor.
A LICCB - Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, Decreto-lei 4.657 de 4/09/1942, Lei de Ordem Pública aplicável a todos os ramos do direito, é a regra geral aplicada ao direito tributário por força do Artigo 101 do CTN, ressalvados em especial, os Artigos 103 e 104 do CTN. Acompanhe do que trata os principais Artigos dessa lei.
Artigo 1°
Salvo disposição em contrário, a lei começa a vigorar em todo o país quarenta e cinco dias depois de oficialmente publicada.
Artigo 2°
Trata dos critérios normativos para soluções de antinomias aparentes. São eles:
• Critério Hierárquico;
• Critério Cronológico; 
• Critério da Especialidade.
Artigo 2º. Critérios normativos para soluções de antinomias aparentes:
• critério hierárquico, baseado na superioridadede uma fonte de produção jurídica sobre outras. Lei de superior hierarquia revoga lei de inferior hierarquia. Em caso de conflito entre normas de diferentes níveis, a de nível mais alto, qualquer que seja a ordem cronológica, terá prevalência em relação à de nível mais baixo;
• critério cronológico, se duas normas forem conflitantes, e do mesmo nível ou escalão, prevalecerá a que por último foi editada;
• critério da especialidade, uma norma é especial se contém todos os elementos típicos da norma geral e mais alguns denominados especializantes. A norma especial acresce um elemento próprio a descrição legal do tipo previsto na norma geral. O tipo geral está contido no especial, ou seja, a norma especial contém todos os elementos da geral mais um, que é a diferença específica. É necessário sempre a presença da incompatibilidade para haver a revogação.
Artigo 2º. Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue, § 1º. A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente amatéria de que tratava a lei anterior, § 2º. A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga (salvo se houver incompatibilidade) nem a modifica a lei anterior, § 3º. Salvo disposição em  contrário, a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência.
Para exemplificar o § 3º da LICCB: Lei municipal (A) fixando alíquota de ISS em 2% é revogada por outra lei (B) que majora a alíquota para 5%. Caso a lei (B) seja revogada por uma outra lei (C), e a (C) nada disponha sobre o tema, a lei (A) que fixava a alíquota em 2% não voltará a ter vigência, criando-se assim uma ausência de alíquota para se exigir o ISS dos contribuintes por que não ocorreu o efeito repristinatório, que só existe quando expressamente previsto em um diploma legal.
Acompanhe mais 3 artigos da LICCB também aplicáveis ao Direito Tributário:
Artigo 3º. Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece.
Artigo 4º. Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito.
Artigo 5º. Na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum.
Artigo 6º. A lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada. 
Fonte: http://jus.uol.com.br/revista/texto/6651/vigencia-aplicacao-interpretacao-e-integracao-da-legislacao-tributaria
Sobre a vigência de uma lei
O legislador tem o poder discricionário para determinar o termo inicial da vigência de uma lei.
Em relação à matéria tributária o Artigo 101, do CTN, acolhe o princípio da vigência da legislação tributária no âmbito espacial e temporal.
A LICC deve ser utilizada para a vigência da legislação tributária (Artigo 101, CTN), desde que o instrumento legal não seja uma norma complementar (Artigo 103, CTN), ou que não seja uma lei tratando das hipóteses previstas no Artigo 104 do CTN, pois para esta última, deve-se respeitar o princípio da anterioridade.
Sobre a aplicação da lei
A aplicação da lei deve respeitar, no geral, o princípio da irretroatividade. Aplica-se, normalmente, a lei no que se concerne aos fatos futuros (princípio da irretroatividade da lei) e aos pendentes, assim compreendidos como aqueles cuja ocorrência tenha se iniciado, mas não tenha se completado, conforme Artigo 105 e 116 do CTN.
Para aplicar a legislação tributária, é preciso que se busque, sempre, o sentido da lei, verificando-se o alcance da norma.
O intérprete não cria, apenas limita-se a declarar o alcance e o significado da norma.
Sobre a integração da lei
A integração da legislação tributária, por sua vez, consiste em não se permitir que nenhum evento do mundo real não se inclua nas previsões legais. 
Como todos os fatos devem estar previstos e o legislador, na sua condição limitada de ser humano, não pode abarcar todas as situações reais no conjunto de leis, impera a necessidade de se integrar a legislação, preenchendo-se as lacunas legais.
Pode-se afirmar, que a integração é uma atividade “criadora”, mas, vinculada a normas pré-existentes.
Conclusão
A vigência da legislação tributária no Código Tributário Nacional, tem sua determinação no Artigo 101, do CTN. Objetivando a interpretação da vigência espacial, que tem por fim revelar qual o âmbito territorial cada norma integrante da legislação tributária vigora, cada ente federativo possui um território claramente demarcado, em que as normas expedidas por um ente só têm vigência dentro do seu respectivo território, não sendo aplicáveis aos fatos ocorridos nos território dos demais.
Já o Artigo 102, do CTN, determina a regra da territorialidade.
Em relação à vigência temporal da legislação tributária, pode-se verificar de imediato ou após um lapso de temporal no próprio texto legal, denominado vacatio legis, com base no Artigo 1º da Lei de Introdução ao Código Civil. 
Publicada uma lei tributária, a vigência se dará de acordo com a cláusula própria que deve constar do texto legal, no caso de inexistência de disposição expressa, deve-se observar o prazo de quarentena e cinco dias após a data de publicação para o início da vigência.
Os Artigos 100 e 103, do CTN dispõem sobre as regras de vigência das normas. Por isso, o estudo da capacidade tributária, da legislação tributária e sua aplicação no nosso ordenamento, deve ser entendido em conformidade com os princípios tributários e com as fontes do direito para poder verificar a proteção ao contribuinte cidadão.
Síntese da Aula 2 – Direito Constitucional Tributário e Hermenêutica Tributária
Nesta aula, você:
• compreendeu a nova linguagem sobre sistema Tributário Nacional;
• aprendeu sobre a Competência Tributária;
• analisou as limitações constitucionais ao poder de tributar;
• compreendeu as principais fontes do direito tributário, bem como a vigência da legislação tributária no tempo e no espaço, sua interpretação e integração da legislação tributária.
Aula 03
Ao analisar os pontos referentes às disciplinas Direito Tributário e Direito Fiscal, observa-se as normas que regulam a tributação, bem como as relações jurídicas entre tributantes e tributados.
Sempre observando a ótica do Estado no dever de arrecadar dinheiro aos cofres públicos com o objetivo de realizar o bem comum, o ponto a ser estudado é em relação a natureza jurídica da relação tributária, que se origina e se desenvolve em torno de um vínculo jurídico estabelecido entre dois sujeitos, através do qual um deve dar, fazer ou não fazer alguma coisa em relação ao outro, tratando-se de uma relação jurídica obrigacional.
Aula 3: Teoria Geral do Direito Tributário
Ao final desta aula, você será capaz de:
•  identificar as obrigações tributárias e suas respectivas responsabilidades;
• verificar o procedimento administrativo para lançamento e realização do Crédito Tributário;
• reconhecer as causas de suspensão, extinção e exclusão do crédito tributário.
Com base na teoria geral das obrigações, entende-se que a Obrigação Tributária constitui-se em dois tipos de obrigação, acompanhe.
Obrigação Principal
É a prestação a qual se obriga o sujeito passivo, sendo de natureza patrimonial. 
É sempre uma quantia em dinheiro, ou seja, uma obrigação de dar dinheiro, de pagar.
O não pagamento enseja em uma penalidade pecuniária.
Obrigação Acessória
É uma obrigação de fazer, um dever e é sempre não patrimonial. 
Por exemplo, emitir nota fiscal, escriturar livros, inscrever-se no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas – CNPJ.
A Obrigação Tributária é o primeiro momento da relação tributária.
Seu conteúdo ainda não é determinado e o sujeito passivo não está formalmente identificado. Por isso mesmo ainda não é exigível e seu campo é abstrato.
Já o Crédito Tributário decorre da Obrigação Tributária e tem a mesma natureza desta, surge com o lançamento, que confere à relação tributárialiquidez e certeza. 
O campo do Crédito Tributário é materializado, então torna-se aquilo que era ilíquido e incerto, em líquido e certo.
O artigo 113, §3° do CTN traz que “a obrigação acessória, pelo simples fato de sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária.” A Obrigação Acessória descumprida é fato gerador de uma Obrigação Principal.
A Obrigação Tributária decorre de Lei, a vontade não interfere no nascimento. Então, as fontes da Obrigação Tributária são: a lei (fonte formal) e o fato gerador (fonte material).
 Clique nos itens e acompanhe os tipos de fato gerador da Obrigação Tributária.
Sujeito Ativo: pessoa jurídica de direito público titular da competência para exigir o seu cumprimento (Artigo 119 do CTN). 
É aquele que, por exemplo, pode promover execução fiscal, arrecadar ou fiscalizar tributos, executar leis, serviços, atos ou decisões administrativas em matéria tributária (artigo 7º do CTN). 
São Pessoas de Direito Privado. As pessoas naturais não podem ser qualificadas como sujeitos ativos de obrigação tributária.
Sujeito Passivo: pessoa natural ou jurídica que tem o dever de cumprir a obrigação principal, que é pagar, contribuir (Artigo 121 do CTN). Pode ser:
 • Contribuinte: quando tem relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador;
• Responsável: quando, sem revestir condição de contribuinte, sua obrigação decorra de Lei.
•  Sucessão Imobiliária; 
•  Sucessão Causa Mortis; 
•  Sucessão Comercial (Artigo 132 do CTN);
•  Responsabilidade de Terceiros - quando houver impossibilidade da exigência da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis:
     - os pais, pelos tributos devidos pelos seus filhos;
     - os tutores e curadores, pelos tributos devidos por seus tutelados e curatelados;
     - os administradores de bens de terceiros, pelos tributos devidos por estes;
     - o inventariante, pelos tributos devidos pelo espólio;
     - o síndico e o comissário, pelos tributos devidos pela massa falida ou pelo concordatário;
     - os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício, pelos tributos devidos sobre os atos praticados por eles, ou perante eles, em razão de ofício;
     - os sócios, no caso de liquidação da sociedade de pessoas.
Não podemos confundir Obrigação Tributária e Crédito Tributário, pois eles possuem conceitos distintos e finalidades que resultam no cumprimento da Obrigação Tributária.
No campo da Obrigação Tributária, estamos diante da questão tributária ilíquida e incerta, já no Crédito Tributário estamos no campo líquido e certo, materializando a obrigação tributária principal. 
A lei descreve a hipótese em que o tributo é devido e, ocorrendo a situação descrita na norma (fato gerador), surge a Obrigação Tributária. Nesse momento, o Estado ainda não pode exigir o tributo, nem a penalidade decorrente de descumprimento de obrigação acessória. 
Entretanto, para realizar o Crédito Tributário, é necessário que o Estado realize um procedimento administrativo denominado Lançamento para constituir um Crédito em seu favor. A partir do Lançamento, poderá exigir o objeto da prestação obrigacional, o pagamento do tributo ou da penalidade e identificar o sujeito.
Crédito Tributário
É o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado pode exigir do particular o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária.
 As circunstâncias que modificam o crédito tributário, sua extensão ou seus efeitos, as garantias ou os privilégios a ele atribuídos, ou que excluem sua exigibilidade não afetam a obrigação tributária que lhe deu origem. O crédito tributário, como realidade formal, pode ser afetado, sem que seja afetada a sua substância (obrigação tributária). Se no procedimento de lançamento houve qualquer irregularidade – por exemplo, não foi observado o contraditório - a obrigação tributária não é afetada, sendo anulado o procedimento e feito novo lançamento tributário. 
O crédito tributário regularmente constituído somente se modifica, se extingue, tem sua exigibilidade suspensa ou excluída, nos casos previstos na Lei, fora dos quais não podem ser dispensadas, sob pena de responsabilidade.
A constituição do Crédito Tributário é de Competência Privativa da Autoridade Administrativa, ou seja, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Ainda que o sujeito passivo calcule e recolha o tributo, como acontece em determinadas espécies tributárias, é necessária homologação pela autoridade administrativa.
Lançamento
É o procedimento administrativo que busca verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular ou, por outra forma, definir o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.
 Com a determinação do valor do crédito tributário e a notificação do particular (fase oficiosa), só pode ser alterado em virtude de: 
 • impugnação do sujeito passivo (fase contenciosa); 
• recurso de ofício; 
• iniciativa da própria autoridade administrativa, nos caso previstos em lei (Artigo 149 do CTN).
 São três as modalidades de lançamento:
 • de Ofício;
• por Declaração;
• por Homologação.
• Suspensão do Crédito Tributário
 • Extinção do Crédito Tributário
 • Exclusão do Crédito Tributário
Importante
Sem prejuízo dos privilégios especiais sobre determinados bens, que sejam previstos em lei, responde pelo pagamento do crédito tributário a totalidade dos bens e das rendas, de qualquer origem ou natureza, do sujeito passivo, seu espólio ou sua massa falida, inclusive os gravados por ônus real ou cláusula de inalienabilidade ou impenhorabilidade, seja qual for a data da constituição do ônus ou da cláusula, excetuados unicamente os bens e rendas que a lei declare absolutamente impenhoráveis.
Síntese da Aula 3 – Teoria Geral do Direito Tributário
Nesta aula, você:
•  conheceu o procedimento administrativo de lançamento, que é imprescindível para constituição do Crédito Tributário;
• compreendeu o surgimento da obrigação tributária e da relação jurídica.
Aula 04
Aula 4: Direito Tributário: Conceito e Classificação de Tributos
Esta aula trata da competência e dos princípios constitucionais tributários. O Poder Público, como qualquer particular, precisa cumprir metas, objetivos e finalidades (que são citadas no Artigo 3º. da Constituição Federal), e necessita de recursos financeiros para a realização desses objetivos. 
Por isso, este assunto está interligado a todas as questões referentes à atividade financeira do Estado, o qual será responsável pela arrecadação e aplicação desses recursos, bem como saber gerenciar todo o orçamento.
Ao final desta aula, você será capaz de:
• identificar os tributos no Sistema Tributário Brasileiro;
• verificar as espécies de tributos;
• reconhecer a natureza jurídica dos tributos.
Tributo é uma prestação pecuniária (em dinheiro) e compulsória (obrigatória) que não constitua sanção de ato ilícito (contrário à lei) instituído em lei (só a lei cria tributos) e cobrado mediante atividade administrativa plenamente vinculada, ou seja, a lei diz como o tributo deve ser cobrado.
A Constituição Federal cita cinco espécies tributárias, são elas:
1. Taxa - Artigos 77, 78 e 79 do CTN e Artigo 145, II da Constituição Federal.
Taxa é um tributo vinculado, porque há uma contraprestação do Estado específica, sua cobrança é feita justamente:
• pela prestação do serviço estatal específico e divisível; ou 
• pelo regular poder de polícia.
É um tributo que pode ser cobrado em razão do exercício efetivo do poder de polícia (poder da administração de limitar e disciplinar direito, interesse ou liberdade) e, ainda, pela utilização efetiva ou potencial de serviços públicos prestados ou colocados a sua disposição.
Exemplos de taxas:
 • de Inspeção Sanitária – cobrada poralguns municípios que quando, efetivamente, utilizando o seu "poder de polícia", fiscalizam as instalações sanitárias de bares e restaurantes. 
• de Coleta de Lixo – também de competência dos municípios, é cobrada a partir de uma contraprestação por parte da Administração Pública de prestar efetivamente o serviço de limpeza e coleta de lixo.
O Artigo 79 do CTN trata dos serviços públicos mencionados no Artigo 77. Clique nos itens para conhecê-los.
2. Contribuição de Melhoria - Artigo 81 e 82 , CTN e Artigo 145, III da Constituição Federal.
A Contribuição de Melhoria é um tributo vinculado a uma contraprestação do Estado pela valorização de um imóvel em razão de uma obra pública.
Este tributo é cobrado para custear obras públicas de que decorra valorização imobiliária. Ou seja, se a Administração pública faz uma obra e, como consequência, o imóvel passa a ter um maior valor de mercado, o poder público, respeitando os limites da constituição federal e do código tributário nacional, pode cobrar pela mesma.
3. Imposto
Artigo 16 do CTN e Artigo 145, I, § 1o. da Constituição Federal.
O Imposto é um tributo não vinculado pelo fato de sua cobrança ser feita independente de uma contraprestação específica do Estado. Existe apenas para gerar riqueza (Artigo 167, IV, Constituição Federal).
É um tributo cujo fato gerador da obrigação de pagar é uma situação independe de qualquer atividade estatal específica em relação ao contribuinte. 
O que se arrecada com o tributo é usado para fazer frente às despesas gerais, como por exemplo: 
• pagamento de servidores;
• construção de escolas, estradas e hospitais.
O benefício não é individual, mas para toda a comunidade. E a constituição federal é quem diz quais são os impostos e quem tem a competência para instituí-los e cobrá-los.
Atualmente, são permitidas as cobranças dos impostos de acordo com os termos dos Artigos 153, 155 e 156, da Constituição Federal.
4. Empréstimo Compulsório - Artigo 148 da Constituição Federal.
O Empréstimo Compulsório é um tributo de competência exclusiva da União e poderá ser instituído em casos de:
Ou seja, a União, nos casos excepcionais citados, poderá obrigar a população ou parte dela a emprestar-lhe dinheiro com a promessa de devolvê-lo após o período determinado.
5. Contribuições parafiscais (ou especiais) - Artigos 149 e 149-A da Constituição Federal.
Contribuições parafiscais (ou especiais) são tributos que, em princípio, compete exclusivamente à União. 
Estão subdivididas em três espécies, clique em cada uma para ver exemplos.
Contribuição Social
Programa de Integração Social - PIS. 
Apesar de ser de competência exclusiva da União, existe previsão constitucional para que os Estados o DF e os Municípios possam instituir contribuições sociais.
Contribuição de intervenção no domínio econômico
Contribuição para controle de produção de açúcar, café, laranja etc.
Contribuição de interesse de categorias profissionais ou econômicas
Contribuições para a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Agora que você já aprendeu sobre as cinco espécies tributárias, vamos conhecer quem pode instituir tributos...
Os tributos podem ser instituídos pela União, Estados, Municípios e o Distrito Federal podem, por lei, instituir os tributos de sua competência. 
Essa competência é dada pela Constituição Federal.
Código Tributário Nacional
Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada.
Art. 4º A natureza jurídica específica do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação, sendo irrelevantes para qualificá-la:
I - a denominação e demais características formais adotadas pela lei;
II - a destinação legal do produto da sua arrecadação.
Art. 5º Os tributos são impostos, taxas e contribuições de melhoria
Constituição Federal
Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos:
I - impostos;
II - taxas, em razão do exercício do poder de polícia ou pela utilização, efetiva ou potencial, de serviços públicos específicos e divisíveis, prestados ao contribuinte ou postos a sua disposição;
III - contribuição de melhoria, decorrente de obras públicas.
Com base no conceito de tributo, determinado pelo Artigo 3º do CTN, pode-se analisar o tributo em etapas:
Prestação Pecuniária Compulsória
Prestação em dar dinheiro de forma obrigatória, de pagar.
Em moeda corrente ou cujo valor nela se possa exprimir
Tal obrigação deve ser feita em dinheiro.
Que não constitua sanção de ato ilícito
Tributo não é multa, visto que sanção de ato ilícito é multa, ou seja, penalidade pecuniária e não tributo.
Instituído por lei
Apenas a norma LEI poderá exigir um tributo, ou seja, somente por determinação da lei com base nos Artigos 150, I da Constituição Federal e do Artigo 97, do CTN.
Em regra, um tributo é cobrado através de lei ordinária, seja federal, estadual ou municipal.  Decretos e portarias nunca poderão criar tributos.
Cobrado mediante atividade administrativa plenamente vinculada
O poder de tributar é de competência do Estado e somente ele poderá cobrar tributos. 
O Estado ao arrecadar os tributos determina sobre as finalidades a serem designadas.
Tributo Fiscal é aquele criado como uma única finalidade: arrecadação.
Exemplo: IPVA, ICMS, ISS, IR.
Tributo Para fiscal é aquele tributo cobrado para cobrir despesas de determinadas atividades estatais.
Exemplo: PIS, PASEP, COFINS, INSS, CSLL.
Tributo Extrafiscal é aquele cuja principal finalidade é equilibrar a economia, pois o Estado não tem como objetivo principal a arrecadação, mas sim o equilíbrio econômico.
Exemplo: II, IE, IOF. 
Síntese da Aula 4 –Direito Tributário: Conceito e Classificação de Tributos
Nesta aula, você:
• identificou o conceito de tributos e suas espécies, tais como taxa e contribuição de melhoria;
• reconheceu a natureza jurídica dos tributos e suas finalidades.
Aula 05
Legislação Tributária
Você deve estar se perguntando: eu já estudei Legislação Tributária nas unidades anteriores? Sim, mas de forma ampla para o seu entendimento em relação ao Sistema Tributário Nacional, uma visão geral e complexa, misturando termos legais e os princípios.
Nesta aula você entenderá, passo a passo, as normas que envolvem o Ordenamento Financeiro do Estado, ou seja, se o Poder Público pode instituir tributos, aumentar, extinguir, excluir, suspender, conceder imunidades, facilitar a livre concorrência etc. – tudo isso tem como base a lei.
Ao final desta aula, você será capaz de:
• identificar as normas do Sistema Tributário;
• verificar as principais diferenças entre leis, decretos, portarias, tratados, convenções e acordos internacionais;
• reconhecer que a expressão “Legislação Tributária" compreende as leis, os tratados, as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas.
O que é Legislação?
Legislação é o conjunto de normas que regula determinado ramo do direito. 
O CTN regula a Legislação Tributária nos Artigos 96 e 100.
O Artigo 96 do CNT não específica qual o tipo de lei, então a interpretação pode estender as leis complementares, ordinárias e delegadas, mas a maioria dos tributos no Brasil são cobrados mediante lei ordinária.
Entretanto, existem exceções determinadas pela Constituição Federal (Artigos 154, I e 148), com base no Artigo 97, que pode-se entender como um dos artigos mais importantes do CTN, visto que traz a obrigatoriedade em relação ao jurídico-tributário a serem tratadas apenas pela norma lei. Esse artigo deve ser interpretado juntamente com o Artigo 150, I da Constituição Federal.
LEI No 5.172, DE 25 DE OUTUBRO DE 1966
Denominado Código Tributário Nacional Dispõe sobre o Sistema Tributário Nacional e institui normas gerais de Direito Tributário aplicáveis à
União, aos Estados e aos Municípios.DISPOSIÇÃO PRELIMINAR
Art. 1o. Esta Lei regula, com fundamento na Emenda Constitucional no 18, de 1o de dezembro de 1965, o sistema tributário nacional e estabelece, com fundamento no art. 5o, inciso XV, alínea b, da Constituição Federal, as normas gerais de direito tributário aplicáveis à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, sem prejuízo da respectiva legislação complementar, supletiva ou regulamentar.
DISPOSITIVO
Art. 96 do CTN
LIVRO SEGUNDO
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
TÍTULO I
Legislação Tributária
CAPÍTULO I
Disposições Gerais
SEÇÃO I
Disposição Preliminar
Art. 96. A expressão “legislação tributária” compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes.
Art. 97 do CTN
Somente a lei pode estabelecer:
I - a instituição de tributos, ou a sua extinção;
II - a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65;
III - a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV - a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65;
V - a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas;
VI - as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades.
§ 1º Equipara-se à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em torná-lo mais oneroso.
§ 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo.
É importante saber que:
• a criação de um tributo, com base no princípio da legalidade, somente poderá ser feita pela lei, bem como sua extinção. Lei ordinária federal, municipal ou estadual.
 • o aumento ou a redução de um tributo somente serão possíveis através de lei.
Por exemplo, se a União for aumentar o IR (Imposto de Renda), necessita de uma lei ordinária federal, aprovada pelo Congresso Nacional.
 • o fato gerador da obrigação tributária principal também será feito por lei, já é a situação jurídica que, se praticada, acarretará uma obrigação fiscal, seja principal (pagamento) ou acessória (obrigação de fazer e não fazer).
Por exemplo, se uma pessoa tiver um carro terá que pagar o IPVA, porque existe uma lei ordinária do Estado do Rio de Janeiro estabelecendo que esta situação é um fato gerador para o pagamento do tributo devido, identificando o sujeito e a matéria tributável.
 • a base de cálculo e alíquota somente poderão ser fixadas por lei.
Para aprofundar seus estudos consulte: NOGUEIRA, Roberto Wagner Lima. Vigência, aplicação, interpretação e integração da legislação tributária. Jus Navigandi, Teresina, ano 10, n. 667, 3 maio 2005. Disponível em: http://jus.uol.com.br/revista/texto/6651.
O Artigo 2º da LICCB trata dos critérios normativos para soluções de antinomias aparentes.
Critério Hierárquico 
Baseado na superioridade de uma fonte de produção jurídica sobre outras. Uma lei de superior hierarquia revoga a lei de inferior hierarquia. 
Em caso de conflito entre normas de diferentes níveis, a de nível mais alto, qualquer que seja a ordem cronológica, terá prevalência em relação à de nível mais baixo.
Critério Cronológico
Se duas normas forem conflitantes, e do mesmo nível ou escalão, prevalecerá a que foi editada por último.
Critério da Especialidade 
Uma norma é especial se contém todos os elementos típicos da norma geral e mais alguns denominados especializantes. 
A norma especial acresce um elemento próprio à descrição legal do tipo previsto na norma geral. 
O tipo geral está contido no especial, ou seja, a norma especial contém todos os elementos da geral, mais um, que é a diferença específica. 
É necessária sempre a presença da incompatibilidade para haver a revogação.
Sobre a existência da regra jurídica
Além da vigência, pode-se também falar do conceito de existência da regra jurídica. 
Uma regra jurídica existe quando editada por fonte de direito reconhecida pelo sistema jurídico. A regra que entrou no plano da existência "é". Existindo, pode ser:
VÁLIDA
se obedecidas as condições formais (órgão competente) e materiais (ratione materiae) de sua produção e consequente integração no sistema; ou
INVÁLIDA
caso contrário, contudo, a regra inválida existe e produz eficácia.
Vigência ou eficácia jurídica: é qualidade da regra jurídica (que existe é válida ou inválida) e que está apta a produzir efeitos jurídicos, isto é, incidir/juridicizar o fato ocorrido no mundo real que anteriormente foi previsto em abstrato. 
Eficácia social ou efetividade: é a repercussão dos efeitos normativos ocorridos no mundo real, na ordem dos fatos sociais, por força da incidência que produz efeito na realidade.
O juiz singular não declara apenas a inconstitucionalidade da regra, corta a sua existência, desconstituindo-a no caso concreto. Para realidade do processo (que é uma realidade distinta do direito material) ele a invalida. 
O dizer nulo do juiz com relação à regra jurídica em questão, é dizer que a regra jurídica ingressou no sistema. i.e, existe, porém, invalidamente, por isso o magistrado expurga-a. 
Nulificar não é declarar, é mais: é desconstituir. O que se declara é inexistência ou existência de algo e o enunciado de invalidade proferido pelo magistrado é mais do que isso, é mais do que declarar, é desconstitutivo (constitutivo negativo).
Do ponto de vista de uma legitimidade do Direito, porque todo Direito há de ser uma tentativa de "um direito justo" na dicção de Stamler mencionada por Miguel Reale, pode-se falar de:
• validade formal (das regras jurídicas no plano dogmático);
• eficácia social (da repercussão das regras nos fatos sociais); e 
• ponderação ético-jurídica (observância dos valores/princípios jurídicos via dimensão de peso). 
Eis aí a tridimensionalidade de Miguel Reale. A regra jurídica para ser legítima, conceito que é mais amplo que o conceito de validade formal-dogmática, há que observar estes três aspectos essenciais da realidade jurídica.
Sobre a aplicação da Legislação Tributária – Artigos 105 e 106 do CTN
Para Sacha Calmon Navarro Coelho, na verdade não existe o "fato gerador pendente". 
Pendente será o negócio jurídico ou a situação fática e não o fato gerador. O fato gerador ocorre ou não ocorre. Clique no ícone e veja um exemplo.
Exemplo: alguém promete vender uma loja dentro de 10 meses, se o comprador lhe entregar um touro reprodutor afamado, que ainda está por nascer. Trata-se de um negócio jurídico sob condição suspensiva. 
Esse é um fato gerador "pendente" do imposto sobre a transmissão de bem imóvel. Se o negócio tornar-se perfeito e acabado pela realização da condição suspensiva, incidirá a norma do imposto, cuja aplicação será daquela vigente no momento anterior ao implemento da condição suspensiva do negócio eleito como gerador do imposto.
Exemplo: para Hugo de Brito Machado, o imposto de renda é exemplo típico de um tributo que pode revelar um fato gerador pendente. Para ele, a não ser nas hipóteses de incidência na fonte, e em outras nas quais o fato gerador é instantâneo, só no final do ano-base se considera consumado, completo o fato gerador. 
Assim, se antes disso surge uma lei nova, ela se aplica imediatamente, e isto segundo ele não é aplicação retroativa, mas sim, aplicação imediata a fatos geradores pendentes. Muito embora ele faça esta análise que parece a princípio favorável ao fisco, ao final ele se manifesta contra a aplicação imediata a fatos já iniciados (no período-base) no que tange ao imposto de renda, e sustenta que a lei agrava os encargos dos contribuintes e somente deve ser aplicada no ano seguinte ao de sua publicação.
Sobre a aplicação da Legislação Tributária – Artigos105 e 106 do CTN
A lei nova que tenha reduzido a alíquota de certo tributo, só se aplica para o futuro, sendo vedada aplicá-la ao passado, exceto se houver expressa previsão legal no corpo da mesma. 
Já nos casos de sanções tributárias o CTN em seu Artigo 106, II, "c", manda aplicar retroativamente a lei nova, quando mais favorável ao acusado do que a lei vigente à época da ocorrência do fato, prevalece assim, a lei mais branda ou lex mitior na dicção de Luciano Amaro. É a chamada retroatividade benigna em matéria de infrações.
No RE 407190/RS, do Ministro Marco Aurélio, julgado em 27.10.2004, o STF entendeu que a retroação benigna em matéria de infrações não pode sofrer limitação temporal por lei ordinária como tentou o INSS através da Lei nº 9.528/97 que deu nova redação ao Artigo 35 da Lei nº 8.212/91.
Síntese da Aula 5 – Legislação Tributária
Nesta aula, você:
• compreendeu a Legislação Tributária, com base nos Artigos 96 ao 112 do CTN, não só sob o ponto de aplicação, mas também sob o aspecto da vigência e aplicação no dia a dia do contribuinte.
• identificou como deve ser aplicado um tributo;
• verificou como fica um tributo que tem sua alíquota reduzida e como se dá a questão do seu prazo de vigência.
Aula 06
Aula 6: Fato Gerador e Sujeito Passivo
Até agora, você estudou o Sistema Tributário para compreender o aspecto de inserção de dinheiro nos cofres públicos, ou seja, quem, como e para quê a sociedade paga tributos.
Nesta unidade, você vai estudar justamente os pontos principais que geram a cobrança dos tributos, bem como sua incidência. Identificará o motivo e a motivação que leva a obrigatoriedade da sociedade de pagar e do Estado de ter o dever  de administrar, fiscalizar, arrecadar e promover o Bem Comum à sociedade  (contribuinte).
Ao final desta aula, você será capaz de:
• identificar a regra matriz de incidência do tributo;
• verificar o fato gerador da obrigação acessória e obrigação principal;
• interpretar o Artigo 114 do CTN;
• caracterizar o fato jurídico;
• identificar os sujeitos da obrigação principal e acessória.
Fato Gerador
Os elementos que compõem um fato gerador são:
• lei;
• situação jurídica;
• sujeitos passivos; e
• sujeitos ativos.
Os aspectos do fato gerador são:
• material; 
• pessoal; 
• temporal; 
• espacial; e
• valorativo.
As situações do fato gerador podem ser:
• de fato, aquela em que o fato se concretizará independentemente da condição futura. A realização do fato gerador é automática, por exemplo a exportação de uma mercadoria, o ato de exportar, já realiza o fato gerador do Imposto de Exportação);
• de direito, aquela em que o fato será definitivamente concretizado quando houver a realização de uma condição futura. Por exemplo, a doação de um imóvel, pois somente após a doação se realizará a incidência do Imposto ITD.
Vários são os termos que surgiram para designar o antecedente da norma tributária, que é o fato que deve ocorrer para que, produzindo seus efeitos, forme a relação jurídica tributária. As expressões mais comuns estabelecidas pela doutrina são “fato gerador” e “hipótese de incidência“.
O fato gerador indica a ocorrência de um determinado procedimento que gera, no mundo fenomênico, uma obrigação tributária. Porém, para surgir esta obrigação tributária é imprescindível que a ocorrência da situação - fato - esteja prevista em lei.
“costuma-se definir o fato gerador como uma situação abstrata, descrita na lei, a qual, uma vez ocorrida em concreto enseja o nascimento da obrigação tributária. Logo, essa expressão fato gerador pode ser entendida em dois planos: no plano abstrato da norma descritiva do ato ou do fato e no plano da concretização daquele ato ou fato descritos. 
(Kiyoshi Harada)”
O fato que gera uma obrigação tributária é utilizado como sinônimo da hipótese de incidência, mas há um diferencial entre as duas expressões, acompanhe.
Fato Gerador
É a ocorrência de um fato concretamente, é o acontecimento do fato.
Hipótese de Incidência
É a descrição abstrata de um fato na lei que gerará uma obrigação tributária, caso ocorra.
Conclusão
Para ambas as situações factuais, concreta e abstrata, é utilizada a expressão “fato gerador”, inclusive como sinônimo de “hipótese de incidência” sendo apenas uma questão de divergência terminológica. 
Estas expressões foram adotadas pelo Código Tributário Nacional em 1966 e, até mesmo depois, a Constituição de 1988 mostra mais uma vez as mesmas como sinônimos. 
Como exemplos, o Código Tributário Nacional anuncia os fatos geradores (hipóteses de incidência) de cada tributo:
• o Artigo 46, que define a hipótese de incidência do IPI, dizendo que “o imposto, de competência da União, sobre produtos industrializados tem como fato gerador: (...)”; 
• o Artigo 63, que define a hipótese de incidência do IOF, “o imposto, de competência da União, sobre operações de crédito, câmbio e seguro, e sobre operações relativas a títulos e valores mobiliários tem como fato gerador: (...)”; ou 
• ainda a hipótese de incidência do ICM/S, discriminada no Artigo 1° do Decreto-lei nº 406, de 31.12.1968, diz que “o Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias tem como fato gerador: (...)”.
A questão desta dúbia interpretação é somente o resultado da exatidão linguística indispensável no trabalho e na pesquisa científica, utilizada pelos doutrinadores do Direito.
Ainda, a Constituição de 1988, no mesmo sentido adotado pelo CTN, emprega a expressão também no sentido de previsão abstrata - hipótese de incidência. Temos o exemplo do inciso I do artigo 154, no qual impede que sejam instituídos impostos cujo fato gerador ou base de cálculo seja próprio dos impostos já discriminados na Constituição.
Outro exemplo, porém no sentido de fato gerador concreto de uma obrigação tributária, está contido no parágrafo 7° do artigo 150, onde diz que “a lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento de imposto ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido”.
O que é relevante sobre esta altercação para distinguir os tipos dos conceitos terminológicos corretos a serem empregados é ter ciência de empregá-los no sentido corrente que a expressão “fato gerador” tem no âmbito do Direito Tributário.
Acompanhe, agora, os conceitos de fato gerador da obrigação principal e acessória clicando nos itens.
O Artigo 114 do CTN, diz que "fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência", ou seja, é a situação de fato que gera a obrigação tributária de pagamento imposta ao sujeito passivo a crédito do sujeito ativo.
Para a ocorrência do fato gerador da obrigação principal é preciso que esteja este fato, definido em “lei”, ou seja, é matéria compreendida na reserva legal, não podendo a legislação infralegal discriminar a situação hipotética geradora da obrigação principal. 
O fato gerador da obrigação principal está submetido ao princípio da estrita legalidade descrita na Constituição Federal no inciso I, do Artigo 150, quando diz ser vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça.
O fato gerador da obrigação acessória está descrito no Artigo 115 do CTN, como sendo qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Quando o Artigo 115 diz “na forma da legislação aplicável”, está dizendo que não necessariamente deva ser definido por “lei”, pode ser definido pela legislação infralegal.
Hugo de Brito Machado, ilustrando o nascimento de um fato gerador de uma obrigação acessória, exemplifica dizendo que “A situação de quem é estabelecido comercialmente faz nascer as obrigações acessórias de não receber mercadorias sem o documento fiscal correspondente e de tolerar a fiscalização em seus livrose documentos”. 
Assim, o fato gerador da obrigação acessória não necessariamente está ligado à obrigação principal, estão ligados independentemente, ou seja, uma situação factual pode ser fato gerador de uma obrigação acessória sem haver essencialmente uma obrigação principal a cumprir.
Síntese da Aula 6 - Fato Gerador e Sujeito Passivo
Nesta aula, você:
• identificou a regra matriz de incidência tributária e o motivo que leva o Poder Público arrecadar tributos da sociedade;
• reconheceu quem tem a o dever de arrecadar e fiscalizar;
• reconheceu quem tem a obrigação de pagar, de fazer ou de não fazer.
Aula 07
Aula 7: Crédito Tributário, Lançamento e Hipótese de Suspensão do Crédito Tributário
Ao final desta aula, você será capaz de:
• conceituar Crédito Tributário;
• identificar o procedimento administrativo lançamento;
• verificar a hipótese de suspensão do Crédito Tributário.
O que é crédito tributário?
É a quantia devida a título de tributo, isto é, o objeto da obrigação jurídica tributária. 
O crédito decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. (Artigo 139 do CTN)
Geralmente, o crédito tributário surge ilíquido, não podendo ser voluntariamente pago pelo contribuinte e nem exigido pela Fazenda Pública, dependendo, portanto, de uma liquidação (seja certo quanto à existência e determinado quanto ao objeto). 
Tal liquidação é feita pelo lançamento. Com o lançamento, a obrigação jurídica tributária que já existia, mas é ilíquida e incerta, passa a ser líquida e certa, exigível em data e prazo predeterminado.
Uma vez constituído o crédito, a autoridade não pode dispensá-lo sem expressa autorização legal, sob pena de responsabilidade funcional. 
O crédito tributário regularmente constituído somente se modifica ou extingue, ou tem sua exigibilidade suspensa ou excluída, nos casos previstos em lei, fora dos quais não podem ser dispensadas, sob pena de responsabilidade funcional na forma da lei, a sua efetivação ou as respectivas garantias. (Artigo 141 do CTN)
O Artigo 151 - Parágrafo único, do Código Tributário Nacional, estabelece que, embora suspensa a exigibilidade do tributo, não ficará suspenso o dever de cumprir as obrigações acessórias. Por exemplo, o dever de preencher livros fiscais, emitir notas fiscais e faturas. 
É relevante destacar que as causas suspensivas do crédito tributário também suspendem o prazo prescricional.
Código Tributário Nacional
 “Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre: 
I - suspensão ou exclusão do crédito tributário; 
II - outorga de isenção; 
III - dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias.” 
(Artigo 111, I, II e III do CTN)
Lançamento
É o ato administrativo que torna líquido o crédito tributário, ou seja, o ato que consubstancia o mesmo, declarando formal e solenemente quem é o contribuinte e quanto ele deve à Fazenda Pública.  
O lançamento é um mecanismo jurídico que dá liquidez, certeza e exigibilidade ao tributo que lhe é lógica e cronologicamente anterior, assim não é o lançamento que dá nascimento ao tributo, mas sim a ocorrência do fato imponível.
Depois que o contribuinte é notificado do lançamento, o tributo está em condições de ser recolhido pelo mesmo e recebido pela Fazenda Pública, mas nada impede que ocorra um evento novo, previsto em lei, que adie a exigibilidade do tributo. 
Estes eventos, que adiam a exigibilidade do crédito tributário, são suas causas suspensivas.
De acordo com o Artigo 142, do Código Tributário Nacional (CTN), entende-se por lançamento o procedimento administrativo vinculado que:
Pelo lançamento, que é da competência privativa da autoridade administrativa tributária, se constitui o crédito tributário. Caso não realize esse procedimento, seus servidores ficam sujeitos à responsabilidade funcional. 
No lançamento, a lei aplicável é aquela da data da ocorrência do fato gerador, no entanto, na aplicação de penalidades prevalece o princípio da lei mais benéfica ao contribuinte. Como o crédito tributário é constituído com o lançamento, a partir do momento da notificação feita ao sujeito passivo, somente pode ser modificado nas seguintes situações: 
• impugnação do sujeito passivo; 
• recurso de ofício; 
• iniciativa da própria autoridade administrativa.
Existem três modalidades de lançamento, são elas:
Lançamento de ofício (direto)
Lançamento por declaração (misto)
Lançamento por homologação (autolançamento)
Lançamento de ofício (direto)
Conceito
A autoridade realiza todo o procedimento administrativo, obtém as informações e realiza o lançamento, sem qualquer auxílio do sujeito passivo ou de terceiro.
Exemplos
São exemplos mais comuns deste tipo de lançamento: 
• IPTU;
• IPVA.
Características
São características deste tipo de lançamento: 
• de iniciativa da autoridade tributária; 
• independe de qualquer colaboração do sujeito passivo.
Lançamento por declaração (misto)
Conceito
O sujeito passivo presta informações à autoridade tributária quanto à matéria de fato; cabendo a administração pública apurar o montante do tributo devido.
Exemplos
Um exemplo deste tipo de lançamento é a apuração do imposto de importação, decorrente de declaração do passageiro que desembarca do exterior.
Exemplos
Um exemplo deste tipo de lançamento é a apuração do imposto de importação, decorrente de declaração do passageiro que desembarca do exterior.
Lançamento por homologação (autolançamento)
Conceito
O sujeito antecipa o pagamento em relação ao lançamento, sem prévio exame da autoridade tributária, ficando a declaração sujeita à confirmação posterior da autoridade administrativa.
Exemplos
São exemplos deste tipo de lançamento: 
• IR;
• ICMS;
• IPI;
• ISS.
Características
São características deste tipo de lançamento: 
• sujeito passivo antecipa o pagamento; 
• não há prévio exame da autoridade tributária; 
• a autoridade tributária faz a homologação posterior; 
• pode ocorrer homologação tácita, não confirmação após 5 anos.
Sobre a suspensão do crédito tributário (Artigo 151 do CTN):
• suspende-se a exigibilidade e não o  Crédito Tributário;
• tem natureza temporária;
• diz respeito à obrigação principal – pagar tributo ou penalidade pecuniária;
• pode ocorrer antes ou depois de constituído o Crédito Tributário.
• Moratória (Artigo151, I do CTN).
• Depósito do seu montante integral (Artigo 151, II do CTN).
• Reclamações e os recursos nos termos da lei reguladora do processo tributário administrativo (Artigo 151, III do CTN).
• Concessão de medida liminar em mandado de segurança (Artigo 151, IV do CTN).
• Concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial (Artigo 151, V do CTN): foi 
introduzido com a LC 104/01, mas a doutrina já admitia esta hipótese. 
• Parcelamento (Artigo 151, VI do CTN): foi introduzido com a LC 104/01, mas a doutrina já o admitia. Há autores que afirmam que o parcelamento nada mais é do que uma modalidade de moratória, visto que ambos encontra-se na mesma seção. Ele deve ser concedido por meio de lei específica (Artigo 155 - A do CTN). 
“Salvo disposição em contrária o parcelamento do crédito tributário não exclui a incidência de juros e multas.” (Artigo 155-A 
§1º do CTN)
“Aplica-se, subsidiariamente ao parcelamento as disposições desta lei, relativas à moratória.” (Artigo 150-A, §2º do CTN)
Diferença entre moratória e parcelamento
A Moratória prorroga ou adia o vencimento da dívida, enquanto o Parcelamento dilata o prazo de pagamento da dívida vencida, nessa caso incluem-se encargos e pressupõe mora.
Síntese da Aula 7 - Crédito Tributário, Lançamento e Hipótese de Suspensão do Crédito Tributário
Nesta aula, você conheceu os seguintes conceitos:
• crédito tributário, que é a quantia devida a título de tributo, isto é, o objeto da obrigação jurídica tributária;
• lançamento, que é o ato administrativo que torna líquido o crédito tributário, ou seja, o ato que consubstancia o mesmo, declarando formal e solenementequem é o contribuinte e quanto ele deve à Fazenda Pública.
Aula 08
Aula 8: Extinção do Crédito Tributário 
Para o direito tributário brasileiro, a extinção do crédito tributário é qualquer ato jurídico ou fato jurídico que faça desaparecer a obrigação respectiva existente na relação instituída entre sujeito passivo e sujeito ativo na "Constituição do Crédito".
Ao final desta aula, você será capaz de:
• interpretar o Artigo 156 do CTN;
• verificar a ocorrência da extinção do Crédito Tributário;
• analisar as principais diferenças entre remissão e remição.
A nomenclatura causas extintivas do crédito tributário é questionada, pois na verdade você irá estudar as causas extintivas do tributo. Extinguindo-se o crédito tributário (objeto da obrigação jurídica tributária) normalmente extingue-se o próprio tributo.
A nomenclatura causas extintivas do crédito tributário é questionada, pois na verdade você irá estudar as causas extintivas do tributo. Extinguindo-se o crédito tributário (objeto da obrigação jurídica tributária) normalmente extingue-se o próprio tributo.
Confusão
Na Confusão, o Fisco, por qualquer motivo, torna-se ao mesmo tempo credor e devedor do mesmo tributo, fazendo com que o tributo desapareça. 
Exemplo: herança vacante.
Desaparecimento
No Desaparecimento sem sucessor do sujeito ativo ou do sujeito passivo do tributo, se qualquer deles desaparece, também desaparece a obrigação jurídica tributária.
Entretanto, se o sujeito ativo desaparece e deixa sucessor este sub-roga-se nos direitos e deveres do sucedido. Se o sujeito passivo desaparece e deixa sucessor, este não responderá pela obrigação jurídica tributária, senão até os limites da herança.
A extinção do crédito tributário ocorre nas seguintes modalidades. Clique nas modalidades para detalhá-las.
Todas as causas (modalidades) extintivas do crédito tributário previstas no Código Tributário Nacional têm a mesma força de fazer desaparecer o crédito tributário (de gerar certidão negativa do crédito fiscal). O rol não é taxativo.
Acompanhe agora a relação dessas causas nos respectivos artigos. A seguir, aprenda em detalhes sobre as causas em destaque.
Modos de pagamento
Cheque
No pagamento em cheque recebe-se uma quitação provisória até a compensação do mesmo. “O crédito pago com cheque somente se considera extinto com o resgate pelo sacado.” (Artigo 162, §2º do CTN). Na prática, os bancos relutam em receber pagamentos em cheque. 
 “A legislação tributária pode determinar as garantias exigidas para o pagamento em cheque ou vale postal, desde que não o torne impossível ou mais oneroso que o pagamento em moeda.” (Artigo 162, §1º do CTN).
 Título da dívida pública resgatável (já conversível em pecúnia)
Se o contribuinte tem obrigações do tesouro nacional em seu favor já vencidas, poderá pagar tributos com estes títulos. É uma forma de compensação, mas não deixa de ser pagamento.
 Pagamento em selo
Exemplos: marcas de cigarro (ICMS); zona azul (taxa de serviço); bebidas alcoólicas.
 “O crédito pagável em estampilha considera-se extinto com a inutilização daquela, ressalvado o disposto no Artigo 150.” (Artigo 162, §3º do CTN). 
“A perda ou destruição da estampilha, ou erro no pagamento por esta modalidade não dá direito à restituição, salvo nos casos expressamente previstos na legislação tributária, ou naquele em que o erro seja imputável a autoridade administrativa.” (Artigo 162, §4º do CTN).
Imputação
Existindo simultaneamente dois ou mais débitos vencidos do mesmo sujeito passivo para com a mesma pessoa jurídica de direito público, relativos ao mesmo ou a diferentes tributos, ou provenientes de penalidade pecuniária ou juros de mora, a autoridade administrativa competente para receber o pagamento determinará a respectiva imputação, obedecida as seguintes regras, na ordem em que enumeradas (Artigo 163 do CTN), a saber:
• primeiro os débitos por obrigação própria; segundo os decorrentes de responsabilidade tributária (Artigo163, I do CTN);
• primeiro as contribuições de melhoria, depois as taxas e por fim os impostos (Artigo 163, II do CTN);
• na ordem crescente dos prazos de prescrição (Artigo 163, III do CTN);
• na ordem decrescente dos montantes (Artigo 163, IV do CTN).
Repetição do indébito
O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do pagamento indevido, ressalvado o disposto no Artigo 162, §4º do CTN (Artigo 165 do CTN). A Fazenda Pública não pode ficar com aquilo que não lhe é devido.
Clique nos itens para detalhá-los.
3) • Transação (Artigo 156, IIII do CTN).
É um acordo celebrado, com base em lei, entre o Fisco e o contribuinte pelo qual as partes, mediante concessões recíprocas, põem fim a um litígio judicial (Artigo 171 do CTN).
 É necessário que haja uma lei específica autorizando a transação. A Fazenda Pública não pode transacionar livremente com o contribuinte por força do princípio da legalidade e da indisponibilidade do interesse público.
“A lei indicará a autoridade competente para autorizar a transação em cada caso.” 
(Artigo 171, parágrafo único do CTN)
4) • Remissão (Artigo 156, IV do CTN).
É uma medida de política fiscal semelhante à moratória, que confere o perdão ao débito tributário, por meio de lei. Não confunda com remição (grafada com ç), que é pagamento.
 A Fazenda Pública não pode perdoar débitos tributários sem respaldo na lei, em razão da indisponibilidade do interesse público. 
 Somente lei específica da pessoa política competente para instituir o tributo (lei remissiva) pode conceder remissão ao crédito tributário. “Qualquer subsídio, isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no artigo 155, §2º, XII, “g”.” (Artigo 150, §6º da CF). Com relação ao ICMS, cabe à lei complementar regular a forma como, mediante liberação dos Estados e Distrito Federal, isenções, incentivos e benefícios fiscais serão concedidos e revogados.
 “A lei pode autorizar a autoridade administrativa a conceder, por despacho fundamentado, remissão total ou parcial do crédito tributário, atendendo: I - à situação econômica do sujeito passivo; II - ao erro ou ignorância escusáveis do sujeito passivo, quanto a matéria de fato; III - à diminuta importância do crédito tributário; IV - a considerações de equidade, em relação com as características pessoas ou materiais do caso; V - às condições peculiares a determinada região do território da entidade tributante.” (Artigo 172, I, II, III, IV e V do CTN). O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, assim a remissão pode ser revogada de ofício, conforme o Artigo 155 do CTN.
5) • Prescrição e Decadência (Artigo 156, V do CTN).
São categorias gerais de direito que pertencem a todos os ramos do mesmo. 
Antes do lançamento pode-se ter a decadência, mas depois somente a prescrição. Assim, quem paga o crédito tributário prescrito não pode repetir o que pagou, mas quem paga crédito que decai pode repetir.
Fonte: http://www.webjur.com.br/doutrina/Direito_Tribut_rio/Cr_dito_tribut_rio.htm
8) • Consignação em pagamento, nos termos do disposto no §2º do Artigo 164 (Artigo 156, VIII do CTN).
São hipóteses de consignação judicial do crédito:
 • recusa do recebimento ou subordinação deste ao pagamento de outro tributo ou penalidade, ou ao cumprimento de obrigação acessória (Artigo 164, I do CTN);
• subordinação do recebimento ao cumprimento de exigências administrativas sem fundamento legal (Artigo 164, II do CTN);
• exigência, por mais de uma pessoa jurídica de direito público, de tributo idêntico sobre mesmo fato gerador (Artigo 164, III do CTN).
Sendo improcedente a consignação, no todo ou em parte, cobra-se o crédito acrescido de juros da mora,sem prejuízo das penalidades cabíveis (Artigo 164, §2º do CTN).
Aula 09
Aula 9: Exclusão do Crédito Tributário
“Art. 175. Excluem o crédito tributário: 
I - a isenção; 
II - a anistia.
Parágrafo único. A exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela consequente”.
Isenção:
A isenção é uma exceção à regra tributária, na qual o sujeito passivo deveria pagar, mas foi perdoado por esta lei isentiva.
Na isenção ocorre o fato gerador, há a obrigação tributária, mas o crédito tributário não chega a ser constituído pelo lançamento. A alíquota zero se assemelha à isenção, que poderá ser concedida em caráter geral ou condicional.
Pode ser classificada quanto:
• forma; 
• natureza; 
• tempo; e 
• lugar.
Ainda quando prevista em contrato, a isenção é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Pode ser restrita à determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela peculiares.
O que diz a legislação?
A isenção é uma hipótese de exclusão do Crédito Tributário e está prevista nos Artigos 176 a 179 do CTN (verificar também o Artigo 97, VI, CTN).
De acordo com o Artigo 177, salvo disposição de lei em contrário, a isenção não é extensiva às taxas e às contribuições de melhoria e aos tributos instituídos posteriormente a sua concessão. 
No caso de concessão por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do Artigo 104 do CTN. 
Quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. 
Tratando-se de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido no Artigo 179 do CTN, será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. Tal despacho não gera direito adquirido, aplicando-se, quando cabível, o disposto no Artigo 155 do CTN (a concessão da moratória em caráter individual).
Anistia
Significa esquecimento, perdão ou graça, onde há o perdão das penalidades pecuniárias.
De acordo com o CTN, a anistia abrange exclusivamente as infrações cometidas anteriormente à vigência da lei que a concede, não se aplicando aos atos qualificados em lei como crimes ou contravenções e aos que, mesmo sem essa qualificação, sejam praticados com dolo, fraude ou simulação pelo sujeito passivo ou por terceiro em benefício daquele e, salvo disposição em contrário, às infrações resultantes de conluio entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas.
A anistia poderá ser concedida em caráter geral ou limitadamente:
• às infrações da legislação relativa à determinado tributo;
• às infrações da legislação relativa à determinado tributo;
• à determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela peculiares;
• sob condição do pagamento de tributo no prazo fixado pela lei que a conceder ou cuja fixação seja atribuída pela mesma lei à autoridade administrativa.
Caso não seja concedida em caráter geral, a anistia é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com a qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei para sua concessão. 
Esse despacho também, não gera direito adquirido, aplicando-se, quando cabível, o disposto no artigo 155 do CTN (a concessão da moratória em caráter individual). 
Quando a anistia for concedida em caráter individual, o interessado deverá requerer junto ao Fisco  seus benefícios. O fisco exclui o lançamento e o crédito tributário.
Síntese da Aula 9 – Exclusão do Crédito Tributário
Nesta aula, você conheceu os seguintes conceitos:
• Exclusão do Crédito Tributário significa retirar a existência de um débito fiscal que, normalmente, seria devido. 
• A legislação brasileira prevê duas modalidades de exclusão: isenção e anistia.
• A isenção é uma exceção à regra tributária, na qual o sujeito passivo deveria pagar, mas foi perdoado por esta lei isentiva.
• Anistia significa esquecimento, perdão ou graça, onde há o perdão das penalidades pecuniárias.
Aula 10
Aula 10: Processo Administrativo Fiscal
Após os estudos em relação ao Sistema Tributário, identificando os conceitos de tributo, compreendendo as principais diferenças entre as obrigações tributárias e a realização do crédito tributário, pode-se agora identificar as causas e os efeitos do não cumprimento de uma obrigação tributária ou mesmo cumprindo-a de forma a burlar a legislação e o fisco.
Nesta aula, você vai compreender como e de que forma o contribuinte ou o responsável poderá sofrer com um processo fiscal tributário e por que isso ocorre.
Ao final desta aula, você será capaz de:
• compreender o processo administrativo tributário que culmina com a inscrição da dívida apurada no Livro da Dívida Ativa – Artigo 201 do CTN e Artigo 2º, § 5º, da Lei 6830/80);
• identificar que a Fazenda pode propor contra o contribuinte ou responsável as medidas judiciais necessárias;
• interpretar as normas jurídicas.
Para iniciar esta aula, antes de tratar sobre o Processo Administrativo Fiscal, leia dois textos importantes e consulte o link indicado.
A Administração Tributária integra o Poder Executivo e é um órgão encarregado de executar uma função administrativa:
• cuidando da atividade administrativa relacionada à captação de receita tributária; e
• exercendo uma função fiscal, visto que na relação jurídica entre o sujeito ativo e o sujeito passivo encontra-se o tributo.
A Administração Tributária faz valer a função fiscal no âmbito da obtenção das receitas (tributos), ou seja, o cumprimento da obrigação tributária. A função fiscal então é exercida no âmbito de um processo que, por ser desenvolvido pela Administração e por ter como finalidade o cumprimento de obrigações tributárias, acessória e principal, recebe o nome de Processo Administrativo Fiscal.
Esse processo passa a ser a sucessão de atos praticados pela Administração que exigem do sujeito passivo o cumprimento de uma obrigação tributária, que por lei é imposta de forma compulsória.
Os atos relacionados ao processo administrativo fiscal englobam suspensão da exigibilidade, extinção e exclusão do crédito tributário, bem como restituição, revisão de base de cálculo e retificação de declarações.
Fonte: BRITO, Maria do Socorro Carvalho. O processo administrativo tributário no sistema brasileiro e a sua eficácia. Jus Navigandi, Teresina, ano 8, n. 66, 1 jun. 2003. Disponível em: <http://jus.uol.com.br/revista/texto/4112>. Acesso em: 30 jan. 2011.
Apesar do Poder Estar demonstrar sua supremacia, não há uma liberdade para prática de seus atos quanto a instituir ou exigir o pagamento de um tributo, existe uma limitação do poder de tributar previsto na Carta Magna (vide súmula nº 473, do STF).
O processo administrativo nasceu com o estado de direito, em que as garantias individuais constituem direitos fundamentais. 
Possivelmente, nos estados totalitários, a vontade do Estado se sobrepõe aos direitos individuais e pratica-se a arbitrariedade, em que a vontade do Estado é a do seu governante.
Encontra-se na doutrina informações que nos leva a crer que o processo administrativo teve sua origem no due pross of law, surgido na Grã-Bretanha, sendo que, inicialmente, era de cunho eminentemente processual penal.
O processo administrativo nasceu com o estado de direito, em que as garantias individuais constituem direitos fundamentais. 
Possivelmente, nos estados totalitários, a vontade do Estado sesobrepõe aos direitos individuais e pratica-se a arbitrariedade, em que a vontade do Estado é a do seu governante.
Encontra-se na doutrina informações que nos leva a crer que o processo administrativo teve sua origem no due pross of law, surgido na Grã-Bretanha, sendo que, inicialmente, era de cunho eminentemente processual penal.
Na América Latina, o mesmo autor faz referência aos antecedentes, evolução e tendência da cláusula due process of law, abordadas por José Afonso da Silva no prefácio do livro de Carlos Roberto de Siqueira, intitulado O devido processo legal e a razoabilidade das leis na nova Constituição:
No Brasil, na época do regime militar, algum progresso, considerando a época, pode ser registrado em relação ao contencioso tributário, como por exemplo a abolição da garantia da instância na esfera administrativa - Decreto-Lei nº 822, de 5 de setembro de 1969, baixado pelo AI 5, de 13.09.1968; a autorização para o Executivo regular processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários federais, penalidades, empréstimos compulsórios e o de consulta.
Atualmente, várias legislações exigem como condição do recurso o depósito de parte do crédito tributário, como é o caso do Estado de Pernambuco – Lei nº 10. 654/91, alterada pela Lei nº 11.903/2000 - e da própria União, Decreto nº 70.235/72. 
Isso é bastante eficaz, pois serve de obstáculo aos recursos meramente procrastinatórios e, por outro lado, já garante parte do crédito, que se converterá em renda com o trânsito em julgado da decisão administrativa. 
Entretanto, há quem afirme ser inconstitucional tal exigência, sob o argumento de que o depósito constitui cerceamento do direito de defesa, o que já foi rechaçado pelo Supremo Tribunal Federal.
AG. REG. EM RECURSO EXTRAORDINARIO- AGRRE-287785 / RJ
Relator(a): Min. MAURÍCIO CORRÊA
Publicação: DJ DATA-24-08-01 PP-00058 EMENT VOL-02040-08 PP-01621
Julgamento: 22/05/2001 - Segunda Turma
Ementa
EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. DEPÓSITO PRÉVIO. Processo administrativo. Imposição de multa. Exigência do depósito prévio como pressuposto de admissibilidade e garantia recursal. Legitimidade. Agravo regimental a que se nega provimento.
RECURSO EXTRAORDINARIO- RE-215979 / RS
Relator(a): Min. MAURÍCIO CORRÊA
Publicação: DJ DATA-04-05-01 PP-00036 EMENT VOL-02029-05 PP-01053
Julgamento: 28/11/1997 - Segunda Turma
Ementa
EMENTA: EXTRAORDINÁRIO. INFRAÇÃO ÀS NORMAS TRABALHISTAS. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. PENALIDADE. NOTIFICAÇÃO. RECURSO PERANTE A DRT. EXIGÊNCIA DO DEPÓSITO PRÉVIO DA MULTA. PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE E GARANTIA RECURSAL. AFRONTA AO ART. 5º, LV, CF. INEXISTÊNCIA. 1. Processo administrativo. Imposição de multa. Prevê a legislação especial que, verificada a infração às normas trabalhistas e lavrado o respectivo auto, o infrator dispõe de dez dias, contados do recebimento da notificação, para apresentar defesa no processo administrativo (art. 629, § 3º, CLT) e, sendo esta insubsistente, exsurge a aplicação da multa mediante decisão fundamentada (art. 635, CLT). Não observância ao princípio do contraditório e da ampla defesa: alegação improcedente. 2. Recurso administrativo perante a DRT. Exigência de comprovação do depósito prévio. Pressuposto de admissibilidade e garantia recursal. 2.1. Ao infrator, uma vez notificado da sanção imposta em processo administrativo regular, é facultada a interposição de recurso no prazo de dez dias, instruído com a prova do depósito prévio da multa (art. 636, § 2º, CLT), exigência que se constitui em pressuposto de sua admissibilidade. 2.2. Violação ao art. 5º, LV, CF. Inexistência. Em processo administrativo regular, a legislação pertinente assegurou ao interessado o contraditório e a ampla defesa. A sua instrução com a prova do depósito prévio da multa não constitui óbice ao exercício do direito constitucional do art. 5º, LV, CF, por se tratar de pressuposto de admissibilidade e garantia recursal, dado que a responsabilidade do infrator, representada pelo auto de infração, restou aferida em decisão fundamentada. Recurso conhecido e provido.
RECURSO EXTRAORDINARIO- RE-253085 / MG
Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO
Rel. Acórdão
Min. MAURÍCIO CORRÊA
Publicação: DJ DATA-04-08-00 PP-00038 EMENT VOL-01998-11 PP-02236
Julgamento: 21/03/2000 - Segunda Turma
Ementa
EMENTA: EXTRAORDINÁRIO. INFRAÇÃO ÀS NORMAS TRABALHISTAS. PROCESSO ADMINISTRATIVO. DEPÓSITO PRÉVIO. Processo administrativo. Imposição de multa. Exigência do depósito prévio como pressuposto de admissibilidade e garantia recursais. Legitimidade. Recurso conhecido e provido.
Base legislativa do processo administrativo tributário no Brasil
O processo administrativo tributário encontra seu fundamento de validade no Artigo 5º, LV da Constituição Federal, no Código Tributário Nacional e na legislação específica de cada ente.
Sempre que houver uma obrigação tributária, seja ela principal ou acessória, que espontaneamente não tenha sido satisfeita pelo contribuinte, ou por aquelas pessoas a quem a lei transfere ou incumbe essas obrigações, pode ser exigido pelo Fisco o pagamento do tributo ou a penalidade pecuniária decorrente, mediante o seu lançamento, o que poderá dar ensejo a um conflito e nascimento do processo administrativo. Acompanhe agora o que é falado sobre obrigação principal e acessória clicando nos itens.
Obrigação Principal
De acordo com o Código Tributário Nacional, Artigo 113, a "obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente" (§ 1º).
Obrigação Acessória
Já a "obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos" (§ 2º). 
Pode, ainda, a obrigação acessória converter-se em principal, caso seja inobservada, em relação a penalidade pecuniária (§ 3º).
Lançamento
Segundo definição do próprio Código Tributário Nacional, Artigo 142, é procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor, a aplicação da penalidade cabível.
De salientar que "a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional" (Artigo 142, Parágrafo único, do CTN).
Na fase do lançamento, não há que se falar em processo administrativo, mas sim em procedimento que, na lição de Rui Barbosa Nogueira é a forma administrativa de exame e apuração das possíveis obrigações e, como elas, igualmente regulado por lei e, por isso mesmo, a própria forma de proceder constitui um direito assegurado às partes. É o ‘devido processo legal’. Para que a solução não venha a ser errônea ou resulte em injustiça, a lei prevê um método, uma carta ordem. O procedimento fiscal é, pois, um ordenamento do modo de proceder para que tanto a imposição, como a arrecadação e a fiscalização sejam feitas na medida e na forma previstas na lei.
Estando o contribuinte de acordo com o lançamento, o que é difícil ocorrer, e efetuando o pagamento no prazo estabelecido, a obrigação se extingue. Mas, como pode acontecer, o contribuinte não acata a imposição e socorre-se do processo administrativo, muitas vezes, tendo ou não razão, seja para ganhar tempo, seja porque considera que é indevida, ilegal ou inconstitucional a exação ou a forma de proceder do fisco.
Na assertiva de James Marins 
a etapa contenciosa (processual) caracteriza-se pelo aparecimento formalizado do conflito de interesses, isto é, transmuda-se a atividade administrativa de procedimento para processo no momento em que o contribuinte registra seu inconformismo com o ato praticado pela administração, seja ato de lançamento de tributo ou qualquer outro ato que, no seu entender, lhe cause gravame, comoa aplicação de multa por suposto incumprimento de dever instrumental. A mera bilateralidade do procedimento não é suficiente para caracterizá-lo como processo. Pode haver participação do contribuinte na atividade formalizadora do tributo e isso se dá, por exemplo, quando este junta documentos contábeis que lhe foram solicitados ou quando comparece ao procedimento para esclarecer esta ou aquela conduta ou procedimento fiscal que tenha adotado na sua atividade privada. Até esse ponto não se fala em litigiosidade ou em conflito de interesse, até porque o Estado ainda não formalizou sua pretensão tributária. Há mero procedimento que apenas se encaminha para a formalização de determinada obrigação tributária (ato de lançamento). Após essa etapa, que se pode mostrar mais ou menos complexa, praticado o ato de lançamento e portanto, formalizada a pretensão fiscal do Estado, abre-se ao contribuinte a oportunidade de insurgência, momento em que, no prazo legalmente fixado, pode manifestar seu inconformismo com o ato exacional oferecendo sua impugnação, que é o ato formal do contribuinte em que este resiste administrativamente à pretensão tributária do fisco. A partir daí instaura-se verdadeiro processo informado por seus peculiares princípios (que são desdobramentos do due process of law) e delimita-se o instante, o momento em que se dá a alomorfia procedimento processo modificando a natureza jurídica do atuar administrativo.
Este mesmo autor assevera que:
o processo administrativo tributário contempla o conjunto de normas que disciplinam o regime jurídico processual aplicável às lides tributárias deduzidas perante a administração pública (pretensões tributárias e punitivas do Estado impugnadas administrativamente pelo contribuinte). Integra, ao lado do Processo Judicial Tributário, o Direito Processual Tributário.
Há um conjunto de normas que integra o ordenamento jurídico tributário brasileiro, chamado de sistema tributário, que rege o processo administrativo.
Estuda-se o processo administrativo tributário, não como um processo uniforme para todos os entes da federação, como é o processo civil e o penal, por exemplo, pois somente no âmbito judicial tem-se a nítida compreensão do processo.
Observa-se que o processo administrativo tributário busca na Constituição Federal (Artigo 5º LV) e no Código Tributário Nacional (Artigo 145) as linhas mestras para sua constituição, cabendo aos entes da federação, obedecidos os ditames da Lei Maior, estipular as demais condições ou "ritos" procedimentais.
Lei nº 10.654, de 27.11.1991, do Estado de Pernambuco
Art. 2º O processo administrativo inicia-se:
I - de ofício, com a lavratura de:
a) Auto de Infração;
b) Auto de Apreensão.
II - Voluntariamente, por meio de :a)impugnação, quando indeferido o pedido de restituição na forma do § 1º, do artigo 47; (Lei nº 11.289/95);
b) consulta sobre a legislação tributária aplicável à situação concreta e de interesse do contribuinte, vedada a indagação sobre direito em tese;
c) contestação de reavaliação de bens sujeitos ao Imposto Sobre a Transmissão "Causa Mortis" e Doação de Quaisquer Bens e Direitos - ICD;
d) impugnação relativa a aplicação de multas regulamentares pela Diretoria de Administração Tributária - DAT.;
III - por meio de Notificação de Débito a ser emitida, de ofício, pela autoridade fazendária, competente, nas seguintes hipóteses:
a) não recolhimento do imposto lançado nos livros fiscais;
b) não recolhimento do imposto declarado:
1 - em documento de informação econômico-fiscal, nos termos do § 11, do artigo 64, a Lei nº 10.259, de 27 de janeiro de 1989;
2. em DMI - Desembaraço de Mercadorias Importadas, nos termos da legislação específica.
§ 1º Na hipótese do inciso III do "caput", será observado o seguinte:
I - a ciência da Notificação de Débito será dada ao sujeito passivo por meio de publicação de edital no Diário Oficial do Estado, quando ela for emitida pelo Departamento da Receita Tributária - DRT da Secretaria da Fazenda;
II - nos demais casos, a ciência do que trata o inciso anterior dar-se-á na forma prevista no artigo 19.
§ 2º O contribuinte terá o prazo de 30 (trinta) dias, a contar da data da ciência da Notificação de Débito para efetuar ou iniciar o recolhimento do crédito tributário objeto da medida.
§ 3º A inobservância do prazo previsto no parágrafo anterior implicará na inscrição do débito em dívida ativa, sem direito a impugnação.
Depreende-se desta lei que o processo administrativo, iniciado por meio de Notificação de Débito, não comporta impugnação, sendo o débito não pago, de logo inscrito na Dívida Ativa, tornando-se apto à sua execução.
Comando normativo este que abre uma exceção ao princípio do contraditório, perfeitamente legal, como reiteradamente vem entendendo o Superior Tribunal de Justiça.
No âmbito federal, encontra-se o processo administrativo fiscal disciplinado pelo Decreto nº 70.235/72, que prevê:
Art. 7º O procedimento fiscal tem início com:
I – o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto;
II – a apreensão de mercadorias, documentos e livro;
III – o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada.
Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito.
Síntese da Aula 10 – Processo Administrativo Fiscal
Nesta aula, você:
• compreendeu o processo administrativo tributário;
• identificou que a Fazenda pode propor contra o contribuinte ou responsável as medidas judiciais, como, por exemplo, execução fiscal, ação cautelar fiscal, arrestos, sequestro etc.;
• interpretou as normas jurídicas.

Mais conteúdos dessa disciplina