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UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ CENTRO DE CIÊNCIAS DEPARTAMENTO DE BIOLOGIA FISIOLOGIA ANIMAL COMPARADA PROF. DRA. ANA DE FÁTIMA FONTENELE URANO CARVALHO DETERMINAÇÃO DA PRESSÃO ARTERIAL HUMANA Relatório Apresentado à disciplina de Fisiologia Animal Comparada GABRIELA ALVES VALENTIM Fortaleza 2016 INTRODUÇÃO O sistema circulatório é parte essencial do organismo de seres de grande porte ou de elevada taxa metabólica, onde a difusão seria insuficiente para transportar nutrientes, metabólitos e outras substâncias necessárias ao corpo. Apesar de ainda não ter sido adequadamente estudada, sabe-se que a circulação é fundamental também para seres de tamanhos pequenos, como, por exemplo, os anelídeos. A vantagem de ter um líquido circulando pelo corpo é que o transporte de nutrientes importantes é facilitado e acontece de forma muito mais rápida, permitindo, por exemplo, o aumento da complexidade. Sendo formado por uma estrutura de bombeamento e por um complexo de vasos, atribui-se a este sistema a importância de executar diversas funções, como, por exemplo, o transporte de gases, de outros solutos, de calor, de produtos de excreção e também transmissão de força. O sangue e a hemolinfa são exemplos de fluidos que circulam pelo corpo. A hemolinfa está presente, por exemplo, em artrópodes e na maioria dos moluscos. Esta trata-se de um fluído que preenche vasos e hemocele destes animais. Costuma ser encontrada em organismos de sistema circulatório aberto, ou seja, onde o fluído é capaz de sair de dentro dos canais fechados e fluir livremente pelos tecidos antes de retornar aos túbulos e ir de volta para o coração. Por sua vez, o sangue é encontrado costumeiramente em animais com sistema circulatório fechado, ou seja, nestes animais uma bomba impele o fluído através de túbulos fechados, como veias, vasos e capilares, sem nunca sair de dentro destes. O sangue é composto por plasma, células sanguíneas e plaquetas, sendo encontrado, por exemplo, nos seres humanos. Para que funcione adequadamente, o sistema circulatório necessita de uma ou mais bombas e de canais para condução do fluido circulante. Os movimentos de contração e relaxamento desta bomba garantem que o fluido permaneça circulando pelo organismo. Uma estrutura de bombeamento de fluídos costuma chamar-se de coração. No entanto, existem também animais que não possuem corações e neles o sangue é impelido através do sistema circulatório por meio de movimentos peristálticos dos vasos. Um importante atributo de um coração é conhecido como débito sanguíneo. O débito sanguíneo é o volume de sangue bombeado pelo coração por unidade de tempo (mL/minuto). O débito sanguíneo é dado como o produto da frequência cardíaca (batimentos/minuto) pelo volume sistólico (mL/batimento). A pressão sanguínea é produzida pelo coração e é a principal responsável pelo fluxo do sangue através dos vasos sanguíneos. Ela pode ser definida como a quantidade de pressão sanguínea que excede a pressão ambiental. A pressão arterial trata da pressão que o sangue exerce sobre as paredes das artérias, sendo afetada por diferenças na pressão do sangue e pela resistência periférica dos vasos. Assim, ela é interpretada como um produto da frequência cardíaca e da resistência vascular. A pressão arterial pode ser expressa em duas unidades de medida, quilopascais (kPa) ou milímetros de mercúrio (mmHg). O ciclo de batimentos cardíacos encontra-se dividido em dois momentos, a sístole e a diástole. A sístole caracteriza o momento em que o ventrículo cardíaco se contrai para ejetar o sangue pelo sistema de vasos. Neste período a pressão sanguínea atinge seu valor mais alto, pois o sangue é impelido pelas veias com muita força devido a contração do músculo cardíaco. O valor mais alto da pressão sanguínea, encontrado no momento da sístole, é chamado de pressão sistólica. Já na diástole, o ventrículo se distende para receber o sangue. Durante a diástole é obtida a pressão sanguínea mais baixa, chamada de pressão diastólica. As pressões sistólica e diastólica sofrem constantes variações fisiológicas devido a mudança das condições e do estado físico do organismo. Atividades físicas e emoções são fatores que contribuem para mudanças no débito cardíaco, fazendo com que a pressão arterial se altere. Assim, o corpo se prepara para responder a diversas situações, como, por exemplo, a necessidade de enviar oxigênio rapidamente para os músculos da perna para que se possa correr. Diante disso, com o objetivo de demonstrar algumas das variações fisiológicas da pressão arterial, devido a diferentes condições e estados físicos, realizou a prática de determinação da pressão arterial humana. Através desta prática buscou-se também familiarizar o aluno com os processos esfigmomanométricos e estimulá-los a discutir os causadores das variações fisiológicas observadas em seus colegas de turma. MATERIAIS E MÉTODOS A prática aqui discutida foi realizada com a turma da disciplina de Fisiologia Animal Comparada, disciplina ofertada pelo Departamento de Biologia da Universidade Federal do Ceará (UFC) e lecionada pela professora Dra. Ana de Fátima Fontenele Urano, no dia 12 de setembro de 2016. Os materiais necessários para a realização da prática foram um esfigmomanômetro e estetoscópio ou um medidor de pressão arterial digital. Os estudantes foram divididos em 6 equipes e um aluno de cada grupo foi escolhido como modelo, podendo o voluntário ser do sexo masculino ou feminino. A metodologia consistiu na aferição da pressão arterial do membro voluntário da equipe em diferentes situações. No primeiro momento, o voluntário da equipe permaneceu sentado e relaxado. O medidor digital foi encaixado no pulso do modelo e mantido na mesma altura do coração para aferição da pressão sistólica e diastólica. A pressão arterial também foi aferida com o voluntário deitado, após levantar-se bruscamente e após realizar uma série de pulos e polichinelos até que estivesse cansado, tomando sempre o cuidado de manter o medidor digital na mesma altura que o coração durante a aferição. Ao fim da prática, os resultados das aferições dos voluntários foram expostos no quadro para todos os alunos. RESULTADOS E DISCUSSÃO Os resultados das aferições da pressão sistólica e diastólica dos voluntários das equipes podem ser observados na tabela 01. Indivíduos jovens e saudáveis costumam ter sua pressão arterial em repouso próxima de 120x80 mmHg. Dos indivíduos avaliados, 5 se mantiveram em torno destes valores. Apenas o indivíduo 6 apresentou uma pressão arterial em repouso com um valor notoriamente inferior, de 90x60 mmHg. Tabela 1 - Aferições de pressão arterial de indivíduos submetidos a diferentes situações. Voluntários Sentado Deitado Levantando bruscamente Após exercício Indivíduo 01 120x80 mmHg 90x60 mmHg 110x70 mmHg 100x60 mmHg Indivíduo 02 110x60 mmHg 100x70 mmHg 130x90 mmHg 150x80 mmHg Indivíduo 03 100x80 mmHg 100x50 mmHg 100x80 mmHg 130x70 mmHg Indivíduo 04 130x80 mmHg 110x70 mmHg 150x100 mmHg 140x100 mmHg Indivíduo 05 100x70 mmHg 100x50 mmHg 110x60 mmHg 120x70 mmHg Indivíduo 06 90x60 mmHg 90x60 mmHg 90x60 mmHg 110x60 mmHg Fonte: Elaborada pela autora. Na tabela 02 foi evidenciada a alteração percentual entre as aferições da pressão arterial dos voluntários em diferentes situações. A pressão aferida com o indivíduo sentado foi interpretada como o valor controle, servindo como parâmetro de comparação unicamente para as outras aferições do mesmo indivíduo. Tabela 2 - Alteração percentual entre as aferições da pressãoarterial de indivíduos submetidos a diferentes situações. Voluntários Pressão Padrão (Sentado) Deitado Levantando bruscamente Após exercício Indivíduo 01 Sistólica 120 mmHg ↓ 25% ↓ 8.3% ↓16.6% Diastólica 80 mmHg ↓ 25% ↓12.5% ↓ 25% Indivíduo 02 Sistólica 110 mmHg ↓ 9% ↑ 18.2 % ↑ 36.3% Diastólica 60 mmHg ↑ 16.6% ↑ 50% ↑33.3% Indivíduo 03 Sistólica 100 mmHg 0% 0% ↑ 30% Diastólica 80 mmHg ↓ 37.5% 0% ↓12.5% Indivíduo 04 Sistólica 130 mmHg ↓ 15.4% ↑ 15.4% ↑ 7.7% Diastólica 80 mmHg ↓12.5% ↑ 25% ↑ 25% Indivíduo 05 Sistólica 100 mmHg 0% ↑ 10% ↑ 20% Diastólica 70 mmHg ↓ 28.5% ↓ 14.2% 0% Indivíduo 06 Sistólica 90 mmHg 0% 0% ↑ 22.2% Diastólica 60 mmHg 0% 0% 0% Fonte: Elaborada pela autora. Em jovens saudáveis o valor de pressão considerado ótimo seria de 120x80 mmHg. Os indivíduos 01 a 05 mantiveram suas pressões sistólica e diastólica em torno desta média. No indivíduo 06 podemos observar uma pressão arterial controle notadamente mais baixa. Este valor pode ter sido afetado devido ao fato da voluntária pertencer ao sexo feminino, já que mulheres possuem uma pressão arterial comumente mais baixa que a de homens. Questões genéticas e condicionamento físico também podem influenciar estes valores. Nas aferições realizadas enquanto os voluntários estavam deitados apenas os indivíduos 01 e 04 tiveram a redução esperada da pressão sistólica e diastólica. O indivíduo 06 não apresentou mudança na pressão arterial e os indivíduos 03 e 05 não apresentaram alteração na pressão diastólica. O indivíduo 02, no entanto, sofreu um aumento de 16,6% no valor da pressão diastólica. No momento em que o indivíduo está deitado a pressão arterial em todas as partes do corpo tende a se igualar, já que a gravidade está atuando igualmente em todo o corpo, não sendo necessário um grande esforço para que o sangue circule, assim a pressão arterial é reduzida. No caso dos indivíduos 02 e 06, essa diferença pode ser creditada a situação em que a medição estava acontecendo. Deitar no chão de uma sala de aula pode ser uma situação incomum, contribuindo para que a pressão arterial dos indivíduos demore a baixar. A aferição também pode ter sido realizada antes que a pressão arterial fosse capaz de se igualar em todas as partes do corpo ou antes que o voluntário relaxasse. Após levantar-se rapidamente, os indivíduos 02 e 04 apresentaram elevação da pressão arterial. Os indivíduos 03 e 06 não apresentaram alterações. O indivíduo 05 sofreu uma redução no valor da pressão diastólica. Enquanto o indivíduo 01 apresentou uma redução das pressões sistólica e diastólica. Ao levantar-se rapidamente o indivíduo comprime seus vasos sanguíneos e pouco oxigênio chega até o cérebro. O sistema nervoso, então, manda um sinal para que a pressão arterial aumente e leve oxigênio para o órgão. A esse valor atribui-se o nome de pressão arterial postural. No caso do indivíduo 01, apesar de o valor aferido ser menor que o valor controle, a condição observada pode ter sido afetada pelo estado físico anterior. O voluntário estava deitado e sua pressão havia reduzido 25% em comparação ao valor controle. Assim, pode-se notar que a pressão arterial subiu ao levantar rapidamente, porém, ainda não havia se tornado mais elevada que o valor controle, o que pode ser uma consequência do condicionamento físico do voluntário, que pratica exercícios regularmente, podendo torna a elevação da sua pressão arterial mais lenta. Os indivíduos 03 e 06 podem não ter levantado de forma tão brusca, permitindo que os valores de suas pressões arteriais não fossem fortemente alterados ou talvez tenha havido algum erro na aferição, onde a pressão sanguínea poderia ter sido mensurada após já ter se estabilizado, enquanto deveria ser aferida logo que os voluntários levantassem. Após a realização de um exercício físico, os indivíduos 02 e 04 apresentaram aumento da pressão arterial. Os indivíduos 05 e 06 apresentaram elevação apenas da pressão sistólica. O indivíduo 03 apresentou redução da pressão diastólica. O indivíduo 01, no entanto, apresentou redução das pressões sistólica e diastólica. Após a realização de um exercício físico os valores das pressões sistólica e diastólica do indivíduo deveria subir, devido ao aumento da demanda de oxigênio dos tecidos. Para atender a esta demanda, pode haver o aumento da frequência cardíaca ou do volume sistólico, culminando no aumento do débito cardíaco. Nos indivíduos 01 e 03 a redução da pressão arterial, apesar de incomum, pode ser influenciada por diversos fatores, como, por exemplo, nível de hidratação. Seria necessário um estudo aprofundado do ritmo cardíaco e das condições físicas dos voluntários para que se possa entender o motivo da redução da pressão arterial. Não se pode descartar, também, a possibilidade de falha do aparelho digital ao aferir a pressão sanguínea. CONCLUSÕES A partir da realização da prática e análise dos resultados obtidos, é possível concluir que as pressões sistólica e diastólica notadamente sofrem variações fisiológicas devido a alterações do estado físico. Fatores como emoções, nível de hidratação e condicionamento físico também parecem contribuir para que os valores da pressão arterial sejam afetados. Para aprimorar a realização desta prática, fica a sugestão de que os voluntários escolhidos compartilhem com a turma um pouco sobre sua condição física e nível de atividade física, o que facilitaria o entendimento dos padrões encontrados. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Hipertensão Arterial Sistêmica para o Sistema Único de Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2006. HILL, R. W., WYSE, G. A., ANDERSON, M. Fisiologia Animal. 2. ed. 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