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Universidade Federal do Rio Grande do Sul Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica UFRGS/PROMEC MEC109 – Projeto de Sistemas Mecatrônicos Professor Eduardo André Perondi Laboratório de Mecatrônica e Controle - LAMECC Departamento de Engenharia Mecânica Rua Sarmento Leite, 425/204 Porto Alegre - RS -Brasil - CEP.:90.046-902 2 Sumário 1. INTRODUÇÃO .............................................................................................................................. 1 1.1 Definição de Mecatrônica ...................................................................................................... 1 1.1.1 Esquema Geral de um Sistema Mecatrônico .......................................................................... 7 1.1.2 Características de um Sistema Mecatrônico ........................................................................... 7 1.1.3 Níveis de Abordagem .............................................................................................................. 8 1.1.4 O Futuro da Mecatrônica ......................................................................................................10 1.2 Tipos de Controle ................................................................................................................. 10 1.2.1 Controle Contínuo .................................................................................................................10 1.2.1.1 Conceituação de Sistema ...........................................................................................11 1.2.1.2 Tipos de Controle Contínuo .......................................................................................14 1.2.1.3 Exemplos de Sistemas de Controle Contínuo ............................................................17 1.2.2 Controle Discreto ..................................................................................................................21 1.2.2.1 Comandos ..................................................................................................................21 1.2.2.2 Sinais Analógicos, Digitais e Binários .........................................................................23 1.2.2.3 Sistemas Numéricos ...................................................................................................26 1.2.2.4 Conversão Analógico‐Digital ......................................................................................27 1.2.2.5 Comandos Binários ....................................................................................................28 1.2.2.6 Fundamentos da Lógica Booleana .............................................................................35 1.2.2.7 Postulados, Propriedades e Teoremas da Álgebra Booleana ....................................48 1.2.2.8 Exercícios Propostos ...................................................................................................58 2. SENSORES e CONTROLADORES .................................................................................................. 60 2.1 Sistemas de Medição ........................................................................................................... 60 2.2 Características/Especificações .............................................................................................. 61 2.3 Principais Sensores Utilizados em Sistemas de Automação .................................................. 62 2.3.1 Sensor Magnético ou “Reed‐Switch” ....................................................................................62 2.3.2 Sensor Capacitivo ..................................................................................................................63 2.3.3 Sensor Indutivo .....................................................................................................................68 2.3.4 Sensor Óptico ........................................................................................................................74 2.3.5 Chaves Fim‐de‐Curso .............................................................................................................83 2.3.6 Encoders ................................................................................................................................87 2.3.7 Outros Sensores ....................................................................................................................92 2.4 Controladores Lógicos Programáveis .................................................................................... 92 2.5 Seleção de Sensores ............................................................................................................. 96 2.6 A Linguagem Ladder ............................................................................................................. 62 2.6.1 Programação em Linguagem Ladder .....................................................................................99 2.6.2 Exemplos de Programação Através da Linguagem Ladder ................................................ 100 3. ATUADORES INDUSTRIAIS ....................................................................................................... 103 3.1 Definições de Atuador........................................................................................................ 103 3.2 Atuadores Pneumáticos ..................................................................................................... 103 3.3 Atuadores Hidráulicos ........................................................................................................ 108 3.4 Atuadores Elétricos ............................................................................................................ 110 3.5 Algumas Comparações entre os Tipos de Atuadores .......................................................... 115 3 4. COMANDOS COMBINATÓRIOS ................................................................................................ 117 4.1 Exemplos de Projetos de Comandos Combinatórios Simples .............................................. 118 4.1.1 Controle de uma Prensa com Segurança ........................................................................... 118 4.1.2 Acionamento de uma Esteira Transportadora de Peças .................................................... 121 4.1.3 Expulsão de Peças de uma Esteira Transportadora ........................................................... 123 4.1.4 Máquina de Distribuição de Refrigerantes ........................................................................ 125 4.2 Comandos Combinacionais com Memória .......................................................................... 128 4.2.1 Memória RS ........................................................................................................................ 128 4.2.2 Exemplo de um Comando Combinatório com Memória: Dispositivo Dosador de Grãos ........................................................................................................................................... 129 4.2.3 Travamento e Intertravamento ......................................................................................... 133 4.2.3.1 Intertravamento ...................................................................................................... 133 4.2.3.2 Exemplo de Aplicação de Intertravamento de Memórias ...................................... 133 4.3 Outros Comandos Combinatórios ......................................................................................135 4.3.1 Temporizadores .................................................................................................................. 135 4.3.2 Contadores ......................................................................................................................... 136 4.3.3 Detectores de Limiar (ou de Borda) ................................................................................... 138 4.4 Exercícios Propostos .......................................................................................................... 140 5. O PROJETO DE COMANDOS SEQUENCIAIS ............................................................................... 147 5.1 Descrição das Tarefas Associadas ao Projeto de um Comando Sequencial pelo Método Passo a Passo .................................................................................................................................... 147 5.1.1 Definição do Esquema de Instalação do Sistema ............................................................... 148 5.1.2 Formulação Verbal do Problema ........................................................................................ 148 5.1.3 Representação Gráfica de um Comando Sequencial ......................................................... 149 5.1.3.1 O Diagrama Trajeto‐Passo ....................................................................................... 149 5.1.3.2 Representação Através de Diagramas Funcionais .................................................. 151 5.2 O Método Passo a Passo .................................................................................................... 152 5.2.1 Comando Sequencial de uma Fresadora ............................................................................ 154 5.2.2 Comando Especiais ............................................................................................................. 157 5.3 Representação Através de Diagrama de Estados ................................................................ 160 5.3.1 Exemplos de Solução de Problemas Através de Máquinas de Estados ............................. 161 6. BIBLIOGRAFIA .......................................................................................................................... 173 4 1. INTRODUÇÃO O presente curso visa a transmitir aos alunos do mestrado profissional em Engenharia de Minas, Metalúrgica e de Materiais os fundamentos dos conceitos associados à Mecatrônica. Para tanto, temas como aquisição de dados, softwares de controle e supervisão, sistemas de medição (sensores, condicionadores e transdutores), controladores lógicos programáveis e lógica de programação para automação, além de sistemas de atuação e de transmissão mecânica serão abordados. A seguir serão discutidos os principais aspectos relacionados à mecatrônica, visando a proporcionar uma visão moderna dos fundamentos associados a esta área da Engenharia. Nos Capítulos que seguem estes tópicos serão tratados de forma mais específica, sempre procurando relacioná-los com as soluções de problemas práticos encontrados no dia a dia das empresas através de exemplos ilustrativos e problemas propostos. 1.1 Definição de Automatização Não é de hoje que componentes eletrônicos (tais como sensores, atuadores eletro- mecânicos e circuitos de controle) são utilizados no controle e acionamento de sistemas mecânicos. No entanto, foi o recente desenvolvimento dos circuitos integrados que possibilitou a produção em larga escala e baixo custo de microprocessadores dedicados, conhecidos como microcontroladores. Antigamente, as máquinas ferramentas e de manufatura em geral eram compostas por mecanismos para sincronização de movimentos, sendo normalmente acionados por um só atuador (em geral, um motor elétrico). A grande complexidade dos mecanismos exigia precisão elevada para diminuir folgas e dispositivos de lubrificação para reduzir atritos. Hoje, as técnicas de controle baseadas em realimentação permitem que equipamentos mecânicos mais simples apresentem desempenho superior, com maior precisão e flexibilidade de operação. Hoje, os dispositivos eletrônicos estão presentes não apenas em máquinas e equipamentos industriais, mas também nos automóveis, nas máquinas de lavar roupas, nos sistemas de ar condicionado, aparelhos de vídeo, etc. Os sistemas mecânicos sofreram profundas modificações conceituais com a incorporação da capacidade de processamento, o que permitiu torná-los mais rápidos, eficientes e confiáveis, a custos cada vez menores. O avanço vertiginoso da Microeletrônica tem resultado em circuitos eletrônicos cada vez mais rápidos e poderosos e cada vez menores, mais baratos e econômicos. Os desenvolvimentos acelerados dos computadores digitais e das Ciências da Computação e da Microeletrônica estabeleceram um círculo virtuoso em que computadores mais poderosos favorecem o desenvolvimento de aplicações mais complexas, que por sua vez exigem cada vez mais poder computacional. O surgimento de Controladores Lógicos Programáveis (CLPs) possibilitou grandes modificações na indústria com a automação de processos, melhorando o desempenho e a qualidade dos produtos. A introdução do Controle Numérico Computadorizado (CNC) possibilitou a obtenção de peças com formas tridimensionais complexas. As aplicações de computação em Engenharia Mecânica evoluíram a partir do início da década de 80 com a evolução vertiginosa do poder de processamento dos computadores, acompanhado por um imenso declínio de preços. Antes disso, programas para análise estrutural, térmica ou fluida eram processados em computadores tipo main frame com entrada de dados em cartões perfurados e saídas em forma de listagens. Atualmente os programas de análise oferecem excelentes interfaces gráficas para o usuário, tanto relacionadas à entrada de dados como apresentação dos resultados. Além disso, modelos matemáticos sofisticados e cada vez mais 5 complexos podem ser simulados mesmo em computadores pessoais. Nas plantas de manufatura, a mecatrônica está intimamente relacionada à robotização. Os projetos na área de Robótica impulsionaram o desenvolvimento de outras áreas, tais como o controle realimentado a partir da fusão de informações de medições, tecnologias de sensores e atuadores, programação de alto nível, cinemática e dinâmica. O grande avanço na área de Robótica somente foi possível com o surgimento dos microprocessadores, pois o controle de trajetória dos robôs articulados envolve cálculos complexos que devem ser realizados em tempo real. Todos estes fatos levaram ao estágio atual da mecatrônica, sendo que a própria conceituação de mecatrônica foi-se adaptando às alterações ocorridas ao longo das últimas décadas e ao contexto específico onde está inserida. Assim, no escopo do presente curso, o termo mecatrônica será sempre associado aos processos, dispositivos e metodologias utilizados para automatizar sistemas mecânicos (máquinas, equipamentos, implementos, transportadores, etc.). Um conceito moderno das atividades de mecatrônica associadas às máquinas e equipamentos pode ser expresso como “integração de Mecânica; Eletrônica e Computação de forma concorrente”, isto é, deve-se ter uma visão simultânea das possibilidades nas diferentes disciplinas envolvidas, em contraste com as abordagens tradicionais que geralmente tratam os problemas separadamente. Atualmente, a mecatrônica é entendida como uma atividade relacionada à aplicação combinada de conhecimentos de áreas tradicionais como a Engenharia Mecânica, Eletrônica e Computação de forma integrada e concorrente. Uma combinação, para ser concorrente, deve extrair o que há de mais adequado em cada uma das áreas, de tal forma que o resultado final é mais do que a simples soma de tais especialidades, mas sim uma integração entreelas. A Fig. 1.1 apresenta uma representação desta integração. Figura 1.1 – Áreas envolvidas na Mecatrônica. Geralmente, na área de máquinas e equipamentos, os principais objetivos da mecatrônica são: Engenharia Eletrônica Ciência da Computação Engenharia Mecânica Automatização 6 1. Com o auxílio da eletrônica e informática, simplificar os sistemas mecânicos projetados. 2. Reduzir os tempos de desenvolvimento e custos através do uso de técnicas apropriadas. 3. Obter produtos com elevado grau de flexibilidade e capacidade de adaptação a diferentes condições de operação. Para atingir aos seus objetivos, a mecatrônica se vale da combinação adequada das seguintes áreas de conhecimento: 1. Materiais (resistência dos materiais, comportamento térmico, etc.) 2. Mecanismos (cinemática, dinâmica), 3. Sensores, 4. Atuadores, 5. Eletrônica, 6. Processamento digital (controle, processamento de sinais, simulação, projeto auxiliado por computador) Figura 1.2 – Esquema ilustrativo da inter-relação entre as áreas do conhecimento envolvidas no desenvolvimento de sistemas mecatrônicos. Outras tecnologias também podem estar associadas à mecatrônica. Por exemplo, o uso de sistemas CAD/CAM para gerar um produto complexo como, por exemplo, um robô, pode ser entendido como atividades de mecatrônica. A implementação de um sistema flexível de manufatura no chão-de-fábrica de uma empresa também pode ser entendido como um processo mecatrônico. O desenvolvimento de técnicas de controle de processos químicos utilizando sensores e atuadores controlados por um processador digital também pode ser entendido por engenheiros químicos como uma processo mecatrônico aplicado a planta de processos. Tecnologia de Sensores Engenharia de sistemas Modelagem Simulação Otimização Engenharia de potência eletrônica Controle de posição Processamento de dados e sinais Eletrônica de condicionamento de sinais 7 1.1.1 Esquema Geral de um Sistema Mecatrônico O esquema apresentado na Fig. 1.3 consiste de uma representação de sistemas com níveis variados de complexidade. Figura 1.3 – Esquema geral de um sistema mecatrônico. Basicamente, os sensores captam as informações do mundo físico. Estas medições são processadas digitalmente, resultando em ações de controle. O sistema de controle age sobre o sistema físico através de atuadores, resultando em uma ação de controle realimentado. 1.1.2 Características de um Sistema Mecatrônico A aplicação das técnicas desenvolvidas no âmbito dos sistemas mecatrônicos permite identificar propriedades comuns a estes sistemas, tanto no projeto como no próprio produto. As principais propriedades encontradas (e que caracterizam os sistemas mecatrônicos) são as seguintes: • Flexibilidade de operação: • Programabilidade; • Inteligência: capacidade para sensoriar e processar informações para se adaptar a diferentes condições de operação; • Auto-monitoração e prevenção ativa de acidentes; • Auto-diagnóstico em caso de falhas; • Redução do custo de manutenção e consumo de energia; • Elevado grau de precisão e confiabilidade. Atuadores Sistema Mecânico Ações Informações Sensores Processamento Digital 8 1.1.3 Níveis de Abordagem A atuação dos profissionais envolvidos em projetos de sistemas mecatrônicos está relacionada com o grau exigido de compreensão dos fenômenos físicos envolvidos. Assim, de acordo com o aprofundamento necessário, tem-se diferentes níveis de abordagem. Os níveis básicos de abordagem são os seguintes: • Componente (por exemplo, circuitos integrados, sensores, atuadores, mecanismos) - este nível exige o maior grau de domínio dos fenômenos físicos envolvidos; • Máquina (máquinas de usinagem, medição, inspeção, movimentação, embalagem) - este nível exige grau intermediário de domínio dos fenômenos físicos envolvidos; • Sistema (FMS - flexible manufacturing system, FAS - factory automation system, CIM - computer integrated manufacturing) – este nível requer o menor grau de domínio dos fenômenos físicos. Quanto mais próximo dos fenômenos físicos, maior deve ser o domínio sobre eles. Por outro lado, conforme se afasta do nível físico, menor a complexidade física envolvida e maior, porém, o nível de abstração e a complexidade lógica do sistema. Este afastamento geralmente exige um poder maior de processamento para lidar com uma quantidade maior de informação, conforme mostra o esquema da figura abaixo. Figura 1.4 – Níveis de complexidade: a complexidade física é maior no nível de componente, enquanto que a complexidade lógica é maior no nível de sistema. Complexidade física menor Sistema Máquina Componente Complexidade lógica maior Complexidade lógica menor Complexidade física maior 9 Seguem alguns exemplos de níveis de abordagem ao nível de componente, máquina e sistema: Exemplo de abordagem ao nível de componente: Sensor de temperatura - a informação desejada é o valor real de uma temperatura, e seu processamento envolve a transdução para um sinal elétrico. Para seu projeto é necessário dominar: 1. Os fenômenos físicos que podem ser utilizados para realizar a medida (variação de resistência, dilatação térmica, junção termopar, etc.), 2. As vantagens e desvantagens de cada um, as condições em que a medida deverá ser feita (tempo de resposta, faixa de temperatura, precisão e condições ambientais adversas), 3. A eletrônica necessária para condicionar o sinal e permitir a sua leitura. Exemplo de abordagem ao nível de máquina: Projeto de Máquinas – O projeto de máquinas envolve conhecimentos sobre os fenômenos físicos que envolvem a transformação da matéria prima em um componente acabado, das técnicas e normas de projeto, sendo, para tanto, necessário dominar 1. As técnicas e metodologias de projeto: 2. Dinâmica das máquinas, 3. Resistência de materiais, 4. Técnicas de projeto visando facilitar a manutenção, 5. Ajustes e tolerâncias, 6. Tratamentos de materiais, 7. Vantagens e desvantagens dos processos de transformação de matéria prima em componentes acabados, etc. Exemplo de abordagem ao nível de sistema: Sistema de Automação de Fábrica (FAS) - A geração de um planejamento otimizado de produção (O que produzir, quando e como) e o posterior controle da produção (com correções ocorrendo ao longo do trabalho) exige o conhecimento preciso e instantâneo de todas estas variáveis e de muitas outras mais, além de envolver algoritmos sofisticados para tomada de decisões, devendo assim lidar com informações bastante abstratas, tais como: 1. Adequação de estoques, 2. Capacidade produtiva das máquinas, 3. Previsões de demanda, escalas de manutenção, 4. Possibilidade de falhas, 5. Limites de consumo de energia, etc. 10 1.1.4 O Futuro da Mecatrônica O ponto importante do conceito de mecatrônica aplicado às máquinas e equipamentos mecânicos é a combinação concorrente da Mecânica, Eletrônica e Computação visando à obtenção de características de flexibilidade e inteligência no produto e projetos de sistemas mecânicos mais simples, com redução de custos e facilidade para se introduzirem modificações. Os grandes desafios impostos pela mecatrônica envolvem a atualização constante dos processos e a elaboração de projetos visando à integração de conhecimentos de diferentes áreas.A integração, sendo uma característica importante dos projetos de sistemas mecatrônicos, exige dos profissionais conhecimentos técnicos abrangentes e habilidade para trabalhar em equipe (é geralmente muito difícil um único profissional ter domínio total sobre todas as áreas envolvidas). O rápido desenvolvimento científico e tecnológico inviabiliza a formação de profissionais com profundo domínio de todas as especialidades que compõem a atividade de mecatrônica, o que exige que a educação ocorra de forma continuada mesmo após a conclusão do curso de formação superior. 1.2 Tipos de Controle A aplicação dos conceitos de mecatrônica a máquinas ou de processos é realizada basicamente por conjuntos de procedimentos automáticos (ou algoritmos) que realizam ações sem a intervenção direta dos seres humanos. Para diferenciar duas subáreas do conhecimento (controle discreto e controle contínuo) que tratam do mesmo tema com abordagens diferentes, no presente texto, os algoritmos de controle serão denominados, comandos e controladores, respectivamente, com relação à abordagem discreta ou contínua. Assim, o termo comando fica associado a ações que são controladas de forma discreta. Em contrapartida, o termo controlador fica associado a ações de controle contínuas. Diferencia-se assim o controle discreto (efetuado através de comandos) do controle contínuo (realizado através de controladores). O controle discreto geralmente é associado a indústrias manufatureiras, onde ações automáticas controlam a manipulação de unidades de materiais, peças e componentes. Esta forma de controle está mais associada à lógica das ações automáticas e ao seu sequenciamento. As formalizações matemáticas normalmente utilizadas nos projetos dos comandos baseiam-se em lógica binária e álgebra de Boole. Já, o controle contínuo é o associado a operações em que uma ou mais variáveis (geralmente físicas, como, por exemplo, temperatura, pressão, posição, vazão, etc.) são controladas de forma que seus valores, monitorados continuamente ao longo do tempo, assumam valores adequados, segundo requisitos operacionais previamente definidos. Enquanto o controle discreto comanda um sistema para que em determinados momentos seus estados estejam com valores adequados, o controle contínuo monitora e condiciona ininterruptamente os valores das variáveis de interesse. Seguem, nas próximas seções, os principais conceitos e definições que caracterizam os controladores de sistemas contínuos e os comandos de sistemas discretos. 1.2.1 Controle Contínuo O enfoque moderno das aplicações de mecatrônica está intimamente relacionado com a área clássica de estudo de controle de sistemas físicos, usualmente denominada como Engenharia de Controle, a qual trata principalmente dos temas relacionados com o controle contínuo de sistemas físicos. Portanto, para tanto, é necessário que o conceito de sistema esteja definido de maneira adequada. 11 1.2.1.1 Conceituação de Sistema Define-se como sistema todo o conjunto de elementos inter-relacionados, onde o comportamento de cada elemento afeta o comportamento dos demais e do sistema como um todo. Exemplos de sistemas: a) Sistemas biológicos - células, tecidos, seres vivos, comunidades. b) Sistemas ecológicos (ou ecossistemas) – espécies animais ou vegetais que convivem em um determinado ambiente natural c) Sistemas legais – leis, códigos penais, constituição de um país. d) Sistemas químicos – elementos químicos em uma substância, substâncias em uma determinada mistura. e) Sistemas políticos – partidos políticos, confederações de estados, poderes de um estado. f) Sistemas sociais – grupos sociais com diferentes características que convivem em um determinado ambiente geográfico ou sob um mesmo regime político. g) Sistemas computacionais – sistemas operacionais, programas computacionais, bancos de dados relacionais. h) Sistemas físicos (ou plantas) – mecânicos, elétricos, fluídicos, térmicos. Sistemas físicos: Os sistemas físicos caracterizam-se por apresentarem respostas mensuráveis a ações, propositais ou não, impostas aos sistemas. Exemplos de respostas de sistemas físicos: pressão (absoluta ou manométrica), força, temperatura (absoluta ou relativa), posição, velocidade, aceleração e jerk (angulares ou translacionais), luminosidade, radiação, etc. Tipos de respostas de sistemas físicos: escalares (apenas uma grandeza física )(ty ) e vetoriais (conjunto de grandezas físicas mensuráveis )(ty ). Figura 1.5 - Resposta )(ty de uma planta a uma excitação )(tu Modelo matemático: descreve matematicamente a relação entre a excitação e a resposta de um sistema (nos casos em que as respostas independem das excitações, as entidades em estudo não podem ser classificadas como sistemas). Planta )(tu )(ty 12 Transferência de um sistema: é o quociente entre a saída e a entrada de um sistema, ou seja, T tu ty )( )( (2.1) A transferência de um sistema pode ser uma constante ou uma função do tempo ou ainda de outras variáveis (como da frequência, por exemplo). Classes de plantas: 1) por tipo de transferência: a) Sistemas lineares b) Sistemas não-lineares 2) por número de entradas e saídas: a) Sistemas MIMO (multiple input – multiple output) b) Sistemas SISO (single input – single output) 3) por comportamento quanto à amplitude da resposta: a) Estáveis (sistemas BIBO – bounded input – bounded output) b) Instáveis 4) por tipo de distribuição de propriedades: a) a parâmetros concentrados b) a parâmetros distribuídos 5) quanto ao seu comportamento ao longo do tempo: a) variantes (autônomos) b) invariantes (não autônomos) Os sistemas lineares e invariantes no tempo constituem uma classe a parte de sistemas denominados de LTI (linear time invariant). Os sistemas LTI são regidos pelas conhecidas equações diferenciais lineares a coeficientes constantes, as quais podem ser de ordem 0, 1 ou 2 o que identifica a classe de sistema. A ordem do sistema determina o comportamento da planta correspondente. Os tipos de sistemas LTI são os seguintes: a) Sistemas de ordem zero (estáticos ou estacionários) - o modelo matemático apresenta a seguinte forma: )()( tKuty , onde K é uma constante. Este tipo de sistema está representado na Fig. 1.6. 13 Figura 1.6 - Exemplo de resposta de um sistema de ordem 0 (momento resultante da aplicação de uma força em uma alavanca). b) Sistemas de ordem 1 – o modelo matemático consiste de uma equação diferencial de 1ª ordem do tipo: )()()()( 0101 tubtubtyatya , 01 a . Figura 1.7 - Exemplo de sistema de ordem 1 (reservatório aberto esvaziando). Figura 1.8 - Exemplo de resposta de sistema de ordem 1 (comportamento da diferença de pressão em um reservatório aberto esvaziando). )(tM )(tF P0 0,368 Po t 0 T 2T 3T 4T e p (t)= 1 P 0 -t/T P1(t) 14 c) Sistemas de ordem 2 – o modelo matemático consiste de uma equação diferencial de 2ª ordem do tipo 012012 )()()()()( btubtubtyatyatya , 02 a . Figura 1.9 - Exemplo de sistema de ordem 2 (sistema massa-mola-amortecedor) Figura 1.10 - Exemplo de resposta de um sistema de ordem 2 (posição da massa ao longodo tempo decorrente da aplicação de uma função passo a um sistema massa-mola- amortecedor). 1.2.1.2 Tipos de Controle Contínuo A planificação, projeto e colocação em operação de sistemas de controle requerem uma comunicação clara entre as partes envolvidas. Para tanto, é importante entender a principal classificação que diferencia os sistemas de controle. Para manter uma quantidade física, como a posição, velocidade pressão, vazão ou temperatura em um nível desejado durante um processo pode-se empregar tanto um controle em malha aberta como em malha fechada, os quais são definidos a seguir. 1) Controle em Malha Aberta Os sistemas de controle nos quais a saída não têm efeito sobre a lógica que executa a ação de controle são denominados de sistemas de controle em malha aberta. Em outras palavras, em um sistema de controle em malha aberta, a saída não é medida e retroalimentada para ser comparada com a entrada. Um exemplo prático é constituído por uma lavadora de roupa doméstica. A centrifugação, a lavagem e o enxágue na lavadora são 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 0 0.2 0.4 0.6 0.8 1 1.2 1.4 )(ty t K F(t) M C )(ty 15 executados de acordo com uma base de tempos. A máquina não mede o sinal de saída, ou seja, a limpeza da roupa. Em qualquer sistema de controle em malha aberta não se compara a saída com a entrada de referência. Portanto, para cada entrada de referência corresponde uma condição de operação fixa. Assim, a precisão do sistema depende da calibração. Na presença de perturbações, um sistema de controle em malha aberta geralmente não cumpre sua função adequadamente. Na prática, somente se pode utilizar o controle em malha aberta se a relação entre a entrada e a saída é conhecida e se não ocorrem perturbações tanto internas como externas. Tais sistemas não são sistemas de controle retroalimentados. Note-se que os sistemas de controle que funcionam sobre uma base de tempos são sistemas em malha aberta. Por exemplo, o controle de tráfego com sinais acionados em função de tempos consiste em outro caso de controle em malha aberta. A tarefa do operador ilustrado na Fig. 1.11 é a de ajustar a pressão (p2) em uma tubulação por meio de uma válvula de controle. Para este propósito, utiliza-se um valor desejado que determine certo sinal de controle (y) através de um dispositivo de ajuste remoto para cada ponto de ajuste (w) (set point). Dado que este método de controle não considera possíveis flutuações na vazão, ele é recomendado unicamente em sistemas onde as perturbações não afetem a variável de controle. Figura 1.11 - Sistema de controle em malha aberta. A Fig. 1.12 apresenta um esquema representativo de um sistema de controle genérico em malha aberta. Figura 1.12 – Diagrama esquemático de um sistema de controle em malha aberta. 2) Controle em Malha Fechada Em um sistema de controle em malha fechada (ou com laço fechado), a variável a ser controlada (x) é continuamente medida e comparada com um valor predeterminado (variável controlador atuador sistema controlado sistema de controle w 1z 2z y Axcontrolador atuador sistema controlado sistema de controle w 1z 2z y Ax 16 de referência w). Se existe uma diferença entre estas duas variáveis (erro e/o desvio do sistema x-w), são realizados ajustes até que, em um caso ideal, a diferença quantificada é eliminada e a variável controlada iguala-se à variável de referência. Com frequência denominam-se estes sistemas como sistemas de controle em malha fechada ou sistemas de controle retroalimentados. Na prática, se utiliza indistintamente a denominação controle retroalimentado ou controle a malha fechada (ou em laço fechado). O sinal de erro atuante, que é a diferença entre a entrada e a retroalimentação (que pode ser o sinal de saída ou uma função do sinal de saída e suas derivadas), entra no controlador para reduzir o erro e levar a saída do sistema a um valor desejado. O termo malha fechada implica sempre no uso da ação de controle retroalimentado para reduzir o erro do sistema. A função do operador da Figura 1.13 é a de monitorar a pressão p2 em uma tubulação para a qual existe uma demanda variável. Quando o consumo aumenta, a pressão na tubulação decresce. O operador verifica que a pressão cai e altera a pressão de controle da válvula de controle pneumática até que a pressão desejada p2 é alcançada de novo. Através do monitoramento da pressão e da reação imediata, o operador assegura que a pressão seja mantida no nível desejado. Figura 1.13 - Controle em malha fechada. Uma vantagem do sistema de controle em malha fechada é que o uso da realimentação faz com que a resposta do sistema seja relativamente insensível a perturbações externas e a variações internas de parâmetros do sistema. Deste modo, é possível utilizar componentes relativamente imprecisos e econômicos e obter a precisão de controle requerida em determinada planta, o que seria impossível ou apenas aproximado em um controle em malha aberta. A Fig. 1.14 apresenta um esquema representativo de um sistema de controle genérico em malha fechada. Figura 1.14 – Diagrama esquemático de um sistema de controle em malha fechada. controlador atuador sistema controlado sistema de controle w 1z 2z y xcontrolador atuador sistema controlado sistema de controle w 1z 2z y x 17 É mais fácil obter-se comportamento estável nos sistemas de controle em malha aberta. Por outro lado, nos sistemas em malha fechada, a estabilidade consiste em um requisito importante, pois, por sua tendência de corrigir erros, tais sistemas podem produzir oscilações de amplitude constante ou variável. Deve-se destacar que para sistemas cujas entradas são conhecidas previamente e nos quais não existem perturbações significativas, é mais adequado utilizar controle em malha aberta. Os sistemas de controle em malha fechada apresentam vantagem somente nas situações em que ocorrem perturbações não previsíveis e/ou variações imprevisíveis de componentes do sistema. Note-se que a potência de saída determina parcialmente o custo, peso e tamanho de um sistema de controle. A quantidade de componentes utilizados em um sistema de controle em malha fechada é geralmente maior que o correspondente a um sistema de controle em malha aberta. Por outro lado, os componentes dos sistemas em malha aberta devem geralmente ser mais precisos. 1.2.1.3 Exemplos de Sistemas de Controle Contínuo Nesta seção são apresentados alguns esquemas representativos de sistemas de controle contínuo (no caso, aplicados à sistemas automotivos). 1) Air-bag Figura 1.15 – Diagrama esquemático de um sistema de controle de air-bag. Durante um acidente, quando a aceleração (no caso, a aceleração negativa ou desaceleração) ultrapassa em módulo o valor de referência, ocorre o envio de um sinal da unidade de comando para a unidade de ignição. Esta, por sua vez, estabelece uma centelha que atua sobre um conjunto de pastilhas propelentes que ocasionam a imediata expansão de gases, fazendo com que o air-bag se expanda rapidamente, protegendo o passageiro de eventuais danos ocasionados pelo choque mecânico. Este sistema opera em malha aberta, apesar de a aceleração (medida através de um acelerômetro) ser monitorada e comparada continuamente com um set-poit de aceleração máxima aceitável. Este sistema não é realimentado, pois o sistema não é projetado para atuar sobre a variável comparada com a referência, ouseja, o sistema não autua sobre a aceleração (a qual está sendo medida) e sim sobre os seus efeitos (forças inerciais e de choque, por exemplo). Em outras palavras, o air-bag não modifica a aceleração do veículo, atuando apenas no sentido de minimizar os seus efeitos sobre os passageiros. 18 2) Ignição Eletrônica Figura 1.16 – Esquema de funcionamento de um sistema de ignição eletrônica. O funcionamento da ignição eletrônica inicia após o acionamento da chave do veículo (A). Como consequência, a energia elétrica sai da bateria (B) e passa pela bobina (C) e pela centralina (E). A unidade de processamento eletrônico (d) controla a centralina (E) que distribui as centelhas para as velas (F). 3) Injeção Eletrônica Figura 1.17 – Esquema de funcionamento de um sistema de injeção eletrônica. Todo o processo de injeção é controlado por uma unidade eletrônica de controle (G). Após o acionamento do acelerador (A), a bomba (B) envia combustível para o bico injetor (C). O ar que vem do filtro (D) mistura-se com o combustível que vem do bico injetor (E). O sinal do nível de O2 proveniente da sonda lambda realimenta o sistema de controle. Injeção eletrônica sinal de referência ECU bico injetor acelerador injeção de ar C E A G combustível bico injetor ar injeção de combustível sinal de referência ECU bico injetor acelerador injeção de ar C E A G combustível bico injetor ar injeção de combustível distribuidor de alta potência sinais medidos ECU bobina velas descarga elétrica interruptor D C E F A distribuidor de alta potência sinais medidos ECU bobina velas descarga elétrica interruptor D C E F A 19 4) Controle de Cruzeiro Figura 1.18 – Esquema de funcionamento de um sistema de controle automático de velocidade. Quando o veículo está em regime, na velocidade desejada, o controle de velocidade é acionado através de um botão específico. O sistema assume então o controle da movimentação da borboleta do acelerador, procurando manter a velocidade aproximadamente constante, mesmo em situações de ocorrência de perturbações (presença de curvas, ação do vento, elevações e declives na pista, etc.). Assim, nesta situação, quando a velocidade do veículo diminui, ocorre uma abertura proporcional a esta diminuição na borboleta do acelerador, fazendo com que o veículo acelera até atingir a velocidade desejada. Por outro lado, em um pequeno declive, por exemplo, se a velocidade do veículo aumenta, o sistema de controle envia uma ação para diminuir a abertura da borboleta do acelerador, fazendo com que a velocidade diminua (por efeito de freio-motor) até atingir a velocidade desejada. Se, em um declive acentuado, a velocidade do veículo aumenta demasiadamente, o condutor deverá entrar em ação, atuando através do sistema de freio, para que o veículo diminua adequadamente a velocidade. Para que isso ocorra adequadamente, quando o sistema de controle percebe o acionamento do pedal de freio, o sistema automático é desabilitado, passando o controle do veículo integralmente para o condutor. 20 5) ABS Figura 1.19 – Esquema de funcionamento de um sistema de freio autoblocante. A unidade eletrônica de controle (ECU) recebe os sinais dos quatro sensores de velocidade ( 321 ,, e 4 ). Na situação em que o pedal de freio está acionado simultaneamente com o travamento de uma das rodas (ou seja, quando um dos sensores acusa velocidade zero, diferente da velocidade média de translação, obtida a partir da média das velocidades angulares das quatro rodas) a ECU envia o sinal de controle para o sistema de comando hidráulico fazendo com que a pressão alivie até que o travamento da roda seja eliminado. Com isso, evita-se a derrapagem da roda e melhoram-se as condições de frenagem e de dirigibilidade. sinal de referência pedal do freio velocidade de giro das rodas 1 2 3 4 ECU cilindro de freio 1 cilindro de freio 2 cilindro de freio 3 cilindro de freio 4 Sensores e condicionadores roda 1 roda 2 roda 3 roda 4 sistema de comando hidráulico forçaspressões sinal de referência pedal do freio velocidade de giro das rodas 1 2 3 4 ECU cilindro de freio 1 cilindro de freio 2 cilindro de freio 3 cilindro de freio 4 Sensores e condicionadores roda 1 roda 2 roda 3 roda 4 sistema de comando hidráulico forçaspressões ABS 21 1.2.2 Controle Discreto A teoria de controle contínuo enfatiza o controle de sistemas físicos, ou seja, o projeto de sistemas de controle automático que objetivam a obtenção de um desempenho adequado de uma ou mais variáveis físicas controladas continuamente no tempo. Quando é necessária a integração de um sistema deste tipo com outros sistemas (de natureza puramente física ou não), utilizam-se geralmente técnicas de projeto de sistemas de controle dotados de algum tipo de “inteligência”, ou seja, com capacidade de comunicação e tomada de decisões de acordo com os eventos que se sucedem no sistema e com as ações de entrada e saída com relação ao “meio externo”. Os sistemas de controle que gerenciam a integração dos diferentes sistemas normalmente apresentam uma lógica de natureza discreta e são baseados em ações lógicas denominadas genericamente de comandos. Serão utilizados, nesta seção, exemplos com elementos da eletricidade, eletrônica, pneumática e eletropneumática, visando a possibilitar uma melhor compreensão dos temas abordados. Esses componentes físicos serão representados por sua simbologia específica, ressaltando seu aspecto funcional. 1.2.2.1 Comandos Uma ação de comando difere-se de uma ação de controle por apresentar a característica de ação lógica descontínua. Assim, nas ações de comando, o monitoramento das variáveis de saída se dá apenas pontualmente, em alguns estados importantes do processo. Além disso, o comando executa uma ação lógica a partir de uma combinação de estados e/ou de acordo com um sequenciamento pré-estabelecido. Portanto, o comando é definido como sendo um processo em um sistema, mediante o qual uma ou mais grandezas de entrada influenciam uma ou mais grandezas de saída de acordo com as características próprias deste sistema [DIN 19226]. As grandezas físicas envolvidas em um sistema de controle podem ser analógicas ou digitais. As grandezas binárias constituem um tipo importante de grandeza digital, pois são muito utilizados na informática e na microeletrônica. Figura 1.20 – Exemplificação de um comando lógico. O comando apresentado esquematicamente na Fig. 1.20 e exemplificado na forma de um sistema pneumático na Fig. 1.21 estabelece uma condição mediante a qual só ocorrerá a ação (saída) S1 quando as duas entradas E1 e E2 forem acionadas simultaneamente. Uma característica da ação do comando é a de que ele não prevê meios para que as grandezas de saída atuem nas entradas do sistema, no sentido de garantir valores de saída desejados, tomados como referência. Perturbações externas sobre o sistema, tais como variações de temperatura e forças de trabalho não conseguem ser compensadas ou corrigidas peloscomandos. SISTEMA E1 E1 S1 22 Figura 1.21 - Exemplo de um comando pneumático com duas variáveis de entrada (E1 e E2) e uma de saída (S1) A ação do comando da Fig. 1.21, por exemplo, é a de provocar a ativação da saída S1, sem, todavia, influenciar na força e velocidade de avanço, que serão funções da pressão disponível, da área do êmbolo e das forças externas de trabalho. As grandezas de entrada de um sistema de comando podem ser externas ao sistema, como válvulas de comando manual, botões, interruptores, chaves e sensores, e/ou internas como fins de curso e sensores do próprio sistema os quais podem ter seus valores alterados ao longo do processo. As grandezas de saída têm como objetivo produzir acionamentos ou outras manifestações externas, através de atuadores como os cilindros e motores. Em ambos os casos, os níveis de energia são normalmente bem mais altos que os dos componentes internos do sistema de comando, que trabalham com fluxos de energia de pequena potência, na forma de sinais. Por essa razão é possível distinguir-se dois grupos de grandezas importantes em um comando: -o grupo da energia, correspondente aos componentes de entrada e saída do comando, e -o grupo do processamento de sinais, referente ao conjunto dos componentes que combinam e transmitem os sinais segundo as características desejadas para o comando. Interfaceando estes dois grupos existem componentes de detecção, transformação e transmissão dos sinais que recebem e transformam as grandezas de entrada para transmiti-las na forma de sinais em níveis adequados de energia. Inversamente, para o caso das grandezas de saída, são necessários elementos de transformação, de ampliação e de atuação. Na Fig. 1.21, as entradas 1.2 e 1.4 recebem os comandos mecânicos de entrada e transformam-nos em sinais pneumáticos. Na saída, a válvula 1.8 amplifica o sinal pneumático ao nível de energia necessário para produzir o efeito mecânico desejado no cilindro. Neste exemplo simples, o processamento do sinal se dá apenas na válvula pneumática de simultaneidade 1.6 (elemento B). As metodologias de projeto dos comandos visam essencialmente o projeto lógico do processamento dos sinais. 23 1.2.2.2 Sinais Analógicos, Digitais e Binários Os sinais são responsáveis pelo fluxo de informações em um sistema e são geralmente classificados em analógicos, digitais e binários. Os sinais analógicos são contínuos no tempo, enquanto que os sinais digitais são discretos, obtidos por amostragens realizadas geralmente em intervalos fixos de tempo. Os sinais binários consistem de um tipo específico muito importante de sinais discretos. Em uma abordagem mais ampla, todos os sinais são essencialmente analógicos. Dependendo do nível de abstração do sistema em estudo, os sinais poderão apresentar um comportamento lógico contínuo (analógico) ou discreto (digital). Um sinal é dito analógico quando varia continuamente no tempo, estabelecendo a marcação ou registro de infinitos valores dentro de certo intervalo de medição. Um sinal analógico é usualmente uma quantidade elétrica cuja amplitude, frequência e fase fornecem informações de variáveis físicas ou processos. O registro dos dados é contínuo no tempo e na quantidade. Dentro de certos limites, os sinais analógicos refletem qualquer variação quantitativa que ocorrem ao longo do tempo. A tecnologia de processamento analógico fornece os meios para processar estes sinais. O processamento analógico básico consiste nas ações de filtragem e amplificação, que podem ser complementadas com operações matemáticas, tipo adição, multiplicação, diferenciação, integração, etc. O amplificador operacional é um circuito integrado de extrema importância na tecnologia analógica. Os sistemas analógicos, porém, apresentam componentes com características de respostas que se alteram ao longo do tempo e que são suscetíveis a efeitos ambientais, como, por exemplo, flutuações de temperatura. Além disso, o processo de fabricação dos componentes muitas vezes apresenta incertezas, exigindo calibrações específicas dos sistemas. São exemplos de sinais analógicos: a temperatura medida com termopares, a pressão medida com manômetros, a tensão elétrica, as velocidades e forças nos cilindros pneumáticos, etc. Os sinais analógicos estão normalmente associados ao controle contínuo. Como foi já descrito, o controle contínuo trata do problema de obtenção de uma saída de um sistema ou processo que convirja para um determinado estado, apresentando, ao mesmo tempo, um comportamento dinâmico adequado. O estado desejado pode ser escolhido entre infinitos estados, pois o domínio da resposta é contínuo. Assim, por exemplo, um torno CNC pode ser programado para a execução de infinitos tipos de trajetória, dependendo do perfil das peças a serem trabalhadas. Também, um robô manipulador pode ser programado para executar tarefas contínuas, como, por exemplo, depositar um cordão de solda entre duas chapas de aço de perfis variados. Para execução das ações de controle contínuo são necessárias informações ininterruptas do comportamento do sistema controlado ao longo do tempo. Associa-se, portanto, a necessidade de disponibilidade de sinais analógicos à possibilidade de aplicação de um controle contínuo para um determinado processo. Porém, muitas vezes, dependendo da taxa de aquisição, os sinais digitais podem substituir os sinais analógicos em aplicações de controle contínuo. Neste caso, a amostragem dos sinais medidos e o sinal de controle (ou seja, o ciclo de processamento do sinal de controle) devem ser realizados a uma frequência muito maior que a maior frequência relativa aos fenômenos que influem significativamente no comportamento dinâmico do sistema. Assim, por exemplo, se a posição de uma ferramenta necessita ser conhecida continuamente ao longo de um processo, o sistema de medição (mesmo que seja digital) deve possuir uma resolução tal que as medidas aproximem-se de um estado contínuo de medição. O controle discreto consiste nas técnicas de projeto de comandos empregados para executar as ações em que os estados intermediários não são importantes, ou seja, o principal objeto de estudo é a ordenação de execução das ações e seus resultados. Assim, um sistema de controle discreto geralmente necessita dispor de informações 24 apenas de determinados pontos de funcionamento do sistema para que os comandos possam ser executados adequadamente. Por exemplo, o início e o fim de curso de um sistema de posicionamento ponto a ponto. Em um sistema discreto, o controle é geralmente realizado através do uso de sinais binários, ou seja, sinais digitais (discretos) que possuem base numérica 2, ou seja, definidas apenas por dois estados, como os exemplos apresentados na Tabela 1.1: Tabela 1.1 – Exemplo de estados binários: Ligado Desligado 24V 0V 6 bar 1 bar Acionado Desacionado 1 0 Um exemplo clássico da aplicação de controle discreto consiste nos sistemas pneumáticos de movimentação de peças ponto a ponto, como o apresentado na Fig. 1.21. Na maioria destes sistemas, o curso do cilindro corresponde exatamente ao comprimento da trajetória desejada, podendo, porém, existir sensores de posição intermediários que definem posições fixas onde, segundo alguma lógica de controle pré-estabelecida, o sistema deve realizar paradas. Nem sempre, porém, os sistemas de posicionamento ponto a ponto são sistemas de controle discretos. Por exemplo, se uma furadeira automática trabalha de forma que a posição de perfuração possa ser alterada para qualquer outra posição dentro do seu espaçode trabalho, apesar de seu movimento controlado ser ponto a ponto, o seu controle deve ser contínuo, pois o domínio das possíveis posições de perfuração é contínuo. Assim, evidencia-se novamente que em sistemas automáticos de manufatura distinguem-se as duas situações: a do controle contínuo, onde a precisão da resposta está associada ao conhecimento profundo dos fenômenos físicos envolvidos e a de controle discreto, onde as ações de controle devem obedecer a uma lógica de funcionamento conjugado dos elementos que compõem o sistema. Evidentemente, os sistemas mecatrônicos envolvem os dois tipos de controle de forma integrada. Nestes sistemas, as ações discretas (incluindo a inter-relação entre os sistemas) são normalmente gerenciadas por um sistema supervisor, enquanto que as ações de controle contínuo são tratadas localmente por um sistema dedicado. Quando os sinais só podem assumir um número discreto de valores, variando aos saltos, eles são denominados de sinais digitais, como ocorre em contadores ou mostradores numéricos de instrumentos de medição. Os microprocessadores e os computadores trabalham com sinais digitais obtidos através de determinadas ordenações (códigos) de sinais binários. Os sistemas pneumáticos também atuam como comandos binários. Isto decorre do fato de que as grandezas em jogo têm apenas dois valores significativos, como, por exemplo, os apresentados na Tabela 1.2: Tabela 1.2 – Exemplo de estados binários em sistemas pneumáticos: Válvula aberta Válvula fechada Cilindro avançado Cilindro recuado Com pressão Sem pressão 25 As pressões do ar comprimido podem assumir uma infinidade de valores dentro da faixa de trabalho. Todavia, no que concerne aos sinais de entrada no sistema de comando e ao fluxo de sua informação no interior do sistema, só interessa saber se a pressão existe (nível alto, representado por 1) ou se não existe (nível baixo, representado por 0). A Fig. 1.22 ilustra as faixas usuais de valores de pressão referentes a componentes pneumáticos utilizados como elementos binários. O sinal de pressão é considerado 1 (sim) quando assume valores de 3 a 8 bar e 0, (não) quando está na faixa de valores de 0 a 0,8 bar. Figura 1.22 - Faixa de valores de pressão em um comando pneumático binário A aplicação direta da informática aos sistemas mecatrônicos baseia-se na amostragem e digitalização de sinais analógicos, no seu processamento e na transformação destes sinais em informações úteis a tomadas de decisão ou ao controle de um processo ou sistema. Faz-se necessário, portanto, o estudo do processo de digitalização das informações fornecidas pelos sistemas de medição. A medição de uma determinada grandeza a ser observada por um sistema de instrumentação eletrônica fornece informações através de dispositivos com mostradores digitais (displays) ou com mostradores analógicos (ponteiros, ou ondas, como no osciloscópio). Porém, tanto o dispositivo “digital” quanto o dispositivo “analógico” são evidentemente sistemas analógicos que operam sinais que podem ser digitais ou analógicos. Enfatiza-se aqui que mesmo os sinais “digitais” são em essência analógicos, sendo apenas a lógica de manipulação dos sinais realmente caracterizável como analógica ou digital. Ainda assim, um instrumento analógico pode estar operando internamente com lógica digital em algum circuito (um transistor operando como chave) ou um instrumento digital operando com lógica analógica (um transistor utilizado como amplificador). Apesar de a base numérica da lógica de programação do microprocessador empregado poder ser diferente da binária, hexadecimal, por exemplo, na essência, os circuitos digitais e os microprocessadores, portanto, operam informações em dois níveis: nível alto e nível baixo, também chamados de nível lógico 1 e nível lógico 0, respectivamente. Cada nível estabelece um valor de tensão, dependendo da tecnologia digital empregada (CMOS, TTL, etc.). Uma das vantagens de operar com sinais com lógica digital é que, mesmo com variações de tensão devido a ruídos internos produzidos por chaves e externos produzidos por flutuações na rede e outras interferências, os circuitos digitais podem ainda diferenciar entre a presença ou ausência em uma boa margem de valores. Por exemplo, o zero binário continua sendo zero, apesar de poder existir um sinal diferente de zero, mas com amplitude abaixo do limiar da tecnologia empregada. Devido a seu baixo custo de produção e versatilidade, o padrão digital mais difundido (incluindo um grande número de circuitos integrados, dentre eles os microcomputadores 0,0 0,8 3,0 8,0 Faixa de segurança Sinal 1 p re ss ão (b ar ) Sinal 0 26 compatíveis com IBMPC) consiste no padrão conhecido como TTL (transistor-transistor logic). Na figura abaixo, pode-se observar que para entradas acima de 2,0 [V] os circuitos TTL reconhecem o nível lógico “1”. Por outro lado, para sinais abaixo de 0,8 [V], os circuitos TTL reconhecem o nível lógico “0”. Se o sinal na entrada possui valores entre 0,8 e 2,0 [V] ele encontra-se em uma faixa de indefinição que será normalmente entendida como um erro que irá acionar um procedimento de diagnóstico de falhas. a) Níveis de entrada b) Níveis de saída Figura 1.23 - Portas TTL Os níveis de tensão de saída diferem-se dos níveis de entrada. Assim, para a saída do nível lógico “1” o sistema será projetado para fornecer tensões acima de 2,4 [V], enquanto que, para nível lógico “0”, o sinal de saída deverá ser abaixo de 0,4 [V]. Se o componente fornecer sinais entre 0,4 e 2,4 [V] ele estará funcionando fora das especificações do padrão TTL e o seu sinal de saída poderá não ser compreendido como um sinal digital pelos componentes conectados à sua saída. 1.2.2.3 Sistemas Numéricos. Por facilidades operacionais, as linguagens de máquinas (ou assembler) associadas a diversos microprocessadores apresentam-se com códigos em sistemas não binários. Além da base decimal também são normalmente empregadas as seguintes bases: decimal (0 1 2 3 4 5 6 7 8 9), octal (1 2 3 4 5 6 7 8) e hexadecimal (0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 A B C D E F). A notação para representar um algarismo em uma determinada base consiste na grafia do algarismo com a definição da base colocada como subscrito à sua direita. Assim, por exemplo, o número 16 na base dez é grafado como 1610 enquanto que na base hexadecimal fica F16. Normalmente números representados na base 10 têm sua base omitida. Qualquer número representado em uma determinada base pode ser decomposto em uma forma polinomial, como um somatório de potências com expoente igual à base do sistema. Exemplo, 342,3410= 300 + 40 + 2 + 0,3 + 0,04 = 3.10 2 + 4.10 + 2.10 0 + 3.10 -1 + 4.10 -2 . No sistema binário tem-se também: 10102 = 1.2 3 + 0.2 2 + 1.2 1 + 0.2 0 = 1010. Qualquer algarismo de um número binário é denominado “bit”. Por exemplo, 10102 apresenta 4 bits. Um conjunto de 8 bits denomina-se “byte”. A um conjunto de 4 bits atribui- se a denominação de “nibble” ou tétrada. Uma palavra (word) é a unidade básica de operação de um microprocessador. Existem, por exemplo, microprocessadores que operam com palavras de 8, 16 e 32 bits. 1 0 5,0 Vi 2,0 0,84 1 0 5,0 Vs 2,4 0,4 27 1.2.2.4 Conversão Analógico-Digital. A conversão para sinais digitais consiste na transição do sinal analógico para o registro numérico da sua amplitude no tempo, ou seja, na amostragemnumérica periódica dos valores da amplitude do sinal em intervalos de tempo espaçados de um determinado período. Os valores amostrados são quantificados através de um algoritmo de conversão, resultando em valores com uma resolução limitada, ou seja, com valores dentro de certa faixa. Uma palavra de n algarismos (bits) permite representar n2 diferentes valores, ou seja, 256 para 8 bits e 65536 para 16 bits. Por exemplo, uma tensão de 5 [V] (VFE) resulta em uma resolução de 39256/10 [mV] para um sistema com 8 bits e 15,065536/10 [mV] para um sistema com 16 bits. Na Fig. 1.24 está apresentado um exemplo de conversão analógico digital onde o sinal convertido apresenta o efeito da resolução limitada do conversor utilizado. Figura 1.24 - Conversão digital típica de um sinal analógico. Na palavra de um sistema de aquisição, o bit com o maior valor é denominado MSB (most significant bit), e o bit inferior é denominado LSB (least significant bit). Normalmente, a variação mínima da tensão de entrada (sensibilidade) do sistema irá adquirir é de uma vez o valor do LSB. Seja TA o passo de amostragem da digitalização, a taxa de amostragem será então AA Tf /1 . Segundo o teorema de Nyquist, ao menos 2 amostras por ciclo são necessárias para definir uma componente de frequência existente no sinal analógico original. Portanto, a máxima frequência que pode ser definida em um registro com uma taxa de amostragem AT/1 é dada por )2/(1 AT [Hz]. Esta frequência de dobra )2/(1 Ac Tf é chamada de frequência de Nyquist ou de dobra (folding). As frequências acima de cf no sinal original poderão ter seus efeitos transferidos para a faixa de frequências de 0 a cf e serão confundidas com os dados nesta faixa inferior de frequências. Este efeito é conhecido como alising e está caracterizado na Fig. 1.25. Para uma frequência f na faixa cff 0 , as frequências que podem ser confundidas com f são ),...2(),....,4(),2( fnfffff ccc Exemplo: se AT = 0,02 [s], fc = 10 [Hz]. Para fr = 60 [Hz], as componentes de frequência que serão acrescentadas são as de 60 – 10 = 50 [Hz] e 60 + 10 = 70 [Hz]. 0 2 4 6 8 10 ms tempo te n sã o 0 2 4 V 0 2 4 6 8 10 ms tempo TA = 1ms 0 2 4 Y (K T A ) 28 Figura 1.25 - Fenômeno de alising em uma conversão A/D. Existem dois métodos práticos para tratar o problema de alising: 1) O primeiro método consiste na filtragem dos dados antes da amostragem, de forma que a informação acima de uma frequência máxima de interesse seja eliminada pela filtragem. Assim, a escolha de AT de modo que cf seja igual à máxima frequência de interesse, irá fornecer valores acurados para frequências abaixo de cf . 2) O segundo método consiste na escolha de AT suficientemente pequeno, de modo que a correspondente frequência de dobra cf seja grande o suficiente para que a existência de componentes nos sinais analógicos acima da correspondente frequência de dobra torne-se fisicamente inviável. Exemplo: para um sistema em que a informação importante está na faixa entre 0 e 1000 [Hz], o tempo de amostragem 50,0AT [ms] é tecnicamente suficiente. Porém, se nos sinais medidos houver valores significativos de componentes até 2000 [Hz], a frequência de dobra para evitar o efeito de alising deve ser 2000cf [Hz], o que implica em 25.0AT [ms]. 1.2.2.5 Comandos Binários Comandos binários são os sistemas de comando que funcionam predominantemente com sinais binários. Os comandos binários são compostos por funções lógicas, tais como SIM, NÃO, E, OU, NÃO E, NÃO OU, OU EXCLUSIVO, E EXCLUSIVO e MEMÓRIAS, bem como também de componentes eletrônicos com saídas binárias, tais como os temporizadores e os contadores. Neste curso consideraremos apenas os chamados comandos binários assíncronos, ou seja, de comandos que não são ativados por um sinal cíclico de um clock interno, mas sim, apenas por sinais de entrada. Os comandos binários se dividem basicamente em combinatórios e sequenciais, conforme mostra a Fig. 1.26. 10cf Hz 50Af Hz 60rf Hz Sinal amostrado (com alising) Sinal de 60Hz Amostragens de 50Hz 29 Figura 1.26 - Principais tipos de comandos binários 1) Comandos binários combinatórios Nos comandos combinatórios, os sinais de saída S ocorrem unicamente em função de uma determinada combinação lógica dos sinais de entrada: S = f(E). Estas combinações lógicas são definidas pelas funções booleanas. Na Fig. 1.27, por exemplo, o sinal de saída S1 existirá se forem acionados os elementos de sinal E1 ou E2 (função OU) desde que também exista o sinal E3 (função E). Figura 1.27 - Fluxograma lógico de um comando binário combinatório. Na Fig. 1.28 está ilustrada a execução física, com componentes pneumáticos, do comando combinatório da Fig. 1.21. O sinal S1 (saída) aciona a válvula de comando do cilindro 1.0, produzindo o seu avanço, se estiver acionada a válvula 1.6 e uma das duas válvulas 1.2 ou 1.4 (sinais de entrada). COMANDOS BINÁRIOS COMBINATÓRIOS SEQUENCIAIS DE TEMPO PROGRAMADO DE TRAJETÓRIA PROGRAMADA >=1 & & S1 S2 E1 E2 E3 E4 30 Figura 1.28 - Comando combinatório executado fisicamente com componentes pneumáticos. Há casos em que a simples combinação dos sinais de entrada não é condição suficiente para se determinar univocamente uma determinada saída do comando. São situações em que se faz necessária a utilização de MEMÓRIAS, trabalhando-se então com os comandos combinatórios com memória. Além disto, pode também se fazer necessário o uso de temporizadores e contadores nos comandos combinatórios. Estes assuntos estão relacionados com a metodologia de projeto dos comandos combinatórios e serão abordados com mais detalhes mais adiante neste curso. 2) Comandos Binários Sequenciais Comandos sequenciais são comandos de sistemas que produzem uma sequência predeterminada de ações, em que a passagem de uma para a outra se dá em função do cumprimento de condições de prosseguimento, de acordo com a programação. Essas condições de prosseguimento são sinais de entrada E externos, como também grandezas internas I do próprio sistema (grandezas de estado do sistema). Assim, para cada ação da sequência, a saída S será dada por S = f(E, I). Em um sistema de automação com vários cilindros, por exemplo, as grandezas internas deste sistema poderão ser as posições das suas hastes (recolhidas ou avançadas), detectadas por elementos de sinal de fim de curso (detectores de fim de curso). Assim, a posição de uma haste do cilindro será a condição de prosseguimento do evento seguinte, como por exemplo, o avanço ou o recuo de outros cilindros, segundo uma programação predefinida. Neste caso, trata-se de um comando sequencial de trajetória programada. A Fig. 1.29 exemplifica um comando sequencial de quatro passos, de trajetória programada, executado com elementos pneumáticos: avanço do cilindro 1.0, avanço do cilindro 2.0, recuo do cilindro 1.0 e, finalmente, recuo do cilindro 2.0. O avanço do cilindro 2.0, porexemplo, se dá após o acionamento do fim de curso 2.2 (sinal interno do sistema cumprindo a função de condição de prosseguimento). 31 Figura 1.29 – Exemplo de um comando sequencial de trajetória programada. Caso se utilize o tempo como uma variável de estado interna para se definir uma determinada sequência de eventos, com os sinais de temporizadores, ter-se-á um comando sequencial de tempo programado. A maioria dos comandos binários de sistemas de automação se constitui de combinações dos tipos definidos acima. Num comando sequencial, por exemplo, cada passo é, na realidade, a saída de um comando combinatório, cujos sinais de entrada são os sinais externos e internos mencionados acima. Os comandos binários definidos acima pertencem à classe dos comandos assíncronos, ou seja, são comandos cujo principal sinal de entrada que detona a saída não é gerado por um "relógio", mas sim, por elementos de sinal do próprio sistema comandado, como por exemplo, os detectores de posição eletromecânicos ou eletrônicos. 3) Estrutura e Tipos dos Comandos Binários Os sistemas de automação modernos e, em particular, os comandos binários em sistemas eletropneumáticos, trabalham com diversas formas de grandezas físicas, destacando-se: -grandezas elétricas (tensões, correntes, forças magnéticas). -grandezas mecânicas (posição, velocidade, pressão, temperatura). Nos sistemas de comando essas grandezas podem ocorrer na forma de sinais (informação) ou na forma de energia. A geração e propagação dessas grandezas é realizada através dos diversos componentes constituintes do sistema (que podem ser mecânicos, elétricos, eletrônicos ou microeletrônicos) agrupados segundo seu papel no comando desejado. Nos comandos eletropneumáticos (e/ou pneutrônicos), os componentes do grupo de energia costumam ser denominados de elementos de trabalho, ao passo que os sistemas de detecção, transformação, transmissão e processamento dos sinais são agrupados em elementos de sinal e elementos de processamento de sinal. A transformação dos sinais de saída visando a sua utilização sobre os acionamentos pneumáticos se dá através dos chamados elementos de comando. A Fig. 1.30 apresenta a disposição usual dos quatro grupos básicos acima nos esquemas dos comandos pneumáticos, eletropneumáticos ou pneutrônicos e os principais componentes físicos correspondentes. 32 Figura 1.30 - Principais grupos de componentes em comandos pneumáticos, eletropneumáticos ou pneutrônicos. A Fig. 1.28 apresenta os componentes de um comando pneumático puro, ou simplesmente, de um comando pneumático, agrupados e posicionados segundo a disposição apresentada na Fig. 1.30. Neste caso o processamento dos sinais é realizado por elementos lógicos pneumáticos, o que determina também a natureza dos elementos de sinal e do acionamento dos elementos de comando. No comando eletropneumático o processamento dos sinais é realizado por componentes elétricos, tais como chaves, interruptores e principalmente por relés. Quando o processamento do sinal é realizado por componentes eletrônicos, microprocessadores, controladores programáveis e/ou computadores, configurar-se ao comando pneutrônico. Nestes dois últimos casos os elementos de sinal deverão ser elétricos ou eletrônicos (sensores) e o acionamento dos elementos de comando será feito por solenoides (válvulas direcionais com duplo ou simples solenoide). O projeto dos comandos combinatórios pneumáticos ou eletropneumáticos é tradicionalmente feito pelo método intuitivo. Para os comandos sequenciais são utilizados métodos de projeto bastante específicos da tecnologia empregada, tais como o da cascata e o do passo a passo para os comandos sequenciais pneumáticos e os métodos da sequência mínima e da sequência máxima para os comandos sequenciais eletropneumáticos, com linguagem e apresentação diferenciada para cada caso, apesar de sua lógica básica ter origem comum. O advento dos comandos pneutrônicos e a necessidade de se integrar os comandos pneumáticos e eletropneumáticos a estruturas mais complexas de automação industrial requerem a utilização da álgebra booleana, que proporciona uma linguagem e metodologias unificadas para a representação e o projeto de comandos binários. 4) Exemplos de aplicações de comandos binários Segue uma série de exemplos descritivos de aplicações de comandos (aplicados principalmente a sistemas pneumáticos). ELEMENTOS DE TRABALHO Cilindros, motores pneumáticos rotacionais. ELEMENTOS DE COMANDO ELEMENTOS DE PROCESAMENTO DE SINAL ELEMENTOS DE SINAL Válvulas direcionais 5/2, 4/2 Válvulas pneumáticas, relés, memórias, temporizadores, contadores, controladores programáveis Válvulas direcionais, fins de curso, sensores. 33 Figura 1.31 – Exemplo de controle discreto em que um dispositivo realiza as funções de alimentar, fixar e expulsar peças. Figura 1.32 – Exemplo de controle discreto em que um dispositivo é utilizado para semiautomatizar o embutimento e a posterior fixação das peças com a introdução de um pino. Figura 1.33 – Exemplo de controle discreto em uma estação de parafusamento onde componentes pneumáticos posicionam a peça e realizam a introdução dos parafusos. 34 Figura 1.34 – Exemplo de controle discreto de um equipamento de dobramento de peças realizado em duas etapas. Figura 1.35 – Exemplo de controle discreto em que um dispositivo para a furação de pequenas peças. Figura 1.36 – Exemplo de controle discreto de um sistema de furação automática de peças, com mesa rotativa, depósito de peças e expulsão das peças por sopro. Os cilindros de avanço das furadeiras são hidropneumáticos. 35 Figura 1.37 – Exemplo de controle discreto em que um dispositivo para automatizar a fresagem de pequenas peças: o cilindro C, que produz o avanço da peça contra a ferramenta de corte é hidropneumático. 1.2.2.6 Fundamentos da Lógica Booleana Em problemas de automação de sistemas e processos é necessário o projeto de algoritmos que estabeleçam a relação funcional e temporal entre os diversos elementos, coordenando as suas ações de modo que as tarefas sejam realizadas correta e sincronizadamente. Existem várias técnicas de projeto destes algoritmos, que envolvem diferentes graus de inteligência. Há, desde técnicas baseadas em métodos puramente heurísticos, até sistemas complexos, baseados em redes neurais, esquemas adaptativos, lógica difusa ou algoritmos genéticos. Uma alternativa eficiente para o projeto de sistemas de controle automático que envolvem baixo grau de inteligência consiste na utilização da lógica booleana. A lógica booleana consiste em uma formalização da lógica binária, cuja origem remonta da Grécia antiga a partir do trabalho de Aristóteles (384 - 322 AC) que foi o primeiro a documentar a lógica formal, mostrando a correta sequência de uma série de pensamentos utilizados para obter uma correta conclusão. Em 1854, o matemático britânico George Boole (1815 - 1864) representou a lógica formal em uma estrutura algébrica, sem, todavia, associá- la a aplicações práticas. Do trabalho de Boole resultou a chamada Álgebra Booleana. Somente em 1938 iniciou-se a utilização da Álgebra Booleana na estruturação lógica de circuitos elétricos com relés aplicados à comutação telefônica. A lógica booleana é hoje, possivelmente, o meio mais utilizado para controlar ações discretas através do processamento das informações utilizando o sistema de numeraçãobinária (com dois níveis lógicos, ou seja, 0 e 1). Como metodologia para o projeto de comandos binários, a Álgebra Booleana apresenta as seguintes vantagens: -Sistematização do projeto de comandos combinatórios. Contribui com a diminuição de ocorrências de erros e com a supervisão e manutenção dos sistemas projetados (principalmente quando se considera que uma alternativa muito utilizada é a de aplicação de técnicas puramente heurísticas); -Metodologia geral para o projeto dos comandos sequenciais. Permite substituir os tradicionais métodos da pneumática e eletropneumática (cascata, passo a passo, 36 sequência mínima e sequência máxima) por uma metodologia mais geral e de fácil compreensão e manutenção; -Integração entre áreas multidisciplinares. Por adotar uma mesma abordagem, a integração entre áreas multidisciplinares facilita a comunicação entre os técnicos das áreas de pneumática, eletricidade, eletrônica, microeletrônica e informática; -Combinação eficiente de várias tecnologias para a execução física dos sistemas de automação. Permite combinar adequadamente as vantagens típicas dos diferentes sistemas de atuação (elétricos, hidráulicos e pneumáticos) com as da microeletrônica e da informática. A) Estados lógicos A lógica booleana baseia-se na caracterização de proposições lógicas como verdadeiras ou falsas, estabelecendo uma relação direta com uma chave elétrica, que pode também apresentar dois estados: ligado (verdadeiro) ou desligado (falso), conforme apresentado na Fig. 1.38. Figura 1.38 – Estados lógicos (sistema elétrico). O projeto do processamento do sinal de um comando binário realizado através da álgebra booleana não se reportando à natureza física das grandezas em jogo, mas sim, à existência de sinal ou a não existência de sinal. Consequentemente as definições, as funções, os teoremas e métodos da álgebra booleana se referem genericamente aos sinais de entrada e aos sinais de saída de um comando, tratados como variáveis binárias, a ser representadas por El, E2, E3,...En e S1, S2, S3, . .. . .Sn, respectivamente, (veja Fig. 1.39). Figura 1.39 – Representação genérica de um comando chave fechada chave aberta Comando binário E1 E2 En S1 S2 Sn 37 B) Tabela-Verdade A tabela-verdade (ou tabela de combinações lógicas) consiste em uma ferramenta que auxilia na compreensão de um problema que envolve algum tipo de lógica e, como será visto mais adiante, é muito importante na determinação das leis que regem um determinado problema lógico. A tabela-verdade representa as funções lógicas em forma tabular, enquanto que a equação booleana as descreve analiticamente. A tabela verdade deve conter todas as combinações possíveis para as n variáveis de entrada, cada qual assumindo os valores 0 e 1, e os valores das variáveis de saída, correspondentes a cada uma dessas combinações. A montagem de uma tabela-verdade implica em escrever todas as combinações possíveis entre as das variáveis de um sistema discreto relacionando-as ao estado lógico resultante de cada combinação. O número de combinações possíveis para n variáveis é de 2 n , assim, por exemplo, no caso da prensa descrita na Seção 3.1, tem-se 4 combinações possíveis. Cada tabela-verdade possui 2 linhas para representar as combinações possíveis e tantas colunas quantas forem as variáveis de entrada e de saída. Para a montagem da tabela-verdade de um problema de lógica é interessante discriminar todos os casos possíveis. Por exemplo, para o caso do comando da prensa da Fig. 1.21 tem-se: 1. chave A aberta, chave B aberta prensa não acionada 2. chave A aberta, chave B fechada prensa não acionada 3. chave A fechada, chave B aberta prensa não acionada 4. chave A fechada, chave B fechada prensa acionada O próximo passo consiste na montagem da tabela-verdade propriamente dita. Assim, associa-se a cada variável de entrada (ou premissa) um estado correspondente (“F” falso e “V” verdadeiro, ou “0” falso e “1” verdadeiro). Para o exemplo do comando de uma prensa, tem-se: Tabela 1.4 – Tabela-verdade para o estudo lógico do comando de uma prensa ou, Tabela 1.5 – Tabela-verdade alternativa para o estudo lógico do comando de uma prensa Tabela-verdade A B Y F F F F V F V F F V V V Tabela-verdade A B Y 1 1 0 1 0 0 0 1 0 0 0 1 38 A utilização dos estados lógicos binários “0” e “1” permite a aplicação direta das operações da álgebra de Boole aos problemas de lógica, como será visto a seguir. C) Operações lógicas A relação entre duas ou mais variáveis que representam estados binários é estabelecida por meio de três operações lógicas fundamentais: 1. produto lógico função e; 2. soma lógica função ou; 3. inversão função não. Para melhor entender as operações lógicas suponha novamente o caso do operador de uma prensa hidráulica. Um procedimento usual de segurança para evitar acidentes com o esmagamento das mãos dos operadores é de permitir que a prensa seja acionada apenas quando ambas as mãos do operador estão em posição segura. Uma maneira bastante simples de executar este sistema de segurança é através de dois botões de chaveamento NA posicionados em posições suficientemente distante do volume de trabalho da prensa. A prensa somente e pode entrar em operação quando ambas as chaves estiverem acionada. Evidentemente, os botões devem estar em posições tais que impeçam que o operador os acione com apenas uma mão. Assim, denominando as chaves de “A” (direita) e “B” (esquerda) a ação prensagem será execut5ada apenas na condição em que as chaves “A” e “B” estiverem acionadas. Suponha agora que Y seja a proposição de que a prensa esteja ou não em condição de operação (verdadeiro ou falso, respectivamente). Y será verdadeiro quando A e B forem verdadeiros. Se a chave A ou a chave B ou ambas estiverem abertas, Y será necessariamente uma proposição falsa. As relações entre os estados A e B consistem de operações lógicas e Y representa a saída da função lógica entre A e B. D) Funções lógicas As funções lógicas consistem de aplicações de conjuntos de operações lógicas através de uma formalização algébrica. Nesta formalização, a imagem da operação é restrita apenas aos valores representados pelos níveis lógicos binários (0 e 1). Assim, por exemplo, no caso da prensa hidráulica descrito anteriormente, pode-se, a partir da observação da tabela-verdade, descrever os possíveis estados lógicos através da equação lógica Y=A*B, onde o símbolo “*” representa a operação algébrica de multiplicação que corresponde à função lógica E (ou and). A seguir são apresentadas as funções lógicas básicas seguidas de sua tabela-verdade, o circuito elétrico equivalente, seus correspondentes símbolos eletrônicos e seu diagrama de contatos. Todo e qualquer arranjo físico capaz de efetuar uma operação lógica, seja ele mecânico, elétrico, eletrônico, pneumático ou hidráulico é correntemente denominado como porta lógica. Usualmente se emprega este termo para os componentes eletrônicos construídos com os circuitos integrados e destinados a executar um conjunto amplo de funções lógicas básicas e derivadas. As funções lógicas básicas da álgebra booleana são as funções SIM, NÃO, E e OU. Por mais complexo que seja o comando binário da automação de um processo ou de uma máquina, sua estrutura lógica poderá ser projetada com uma combinação destasfunções. 39 As funções lógicas básicas são suficientes para a solução de qualquer comando binário por mais complexo que seja. Todavia, os métodos de solução mais usuais e as tecnologias existentes para a execução física dos comandos usam grupos de funções lógicas básicas que ocorrem mais frequentemente, denominados funções lógicas derivadas. As principais funções lógicas derivadas, cujo conhecimento e uso facilitam a elaboração de projetos de comandos binários são as funções: NÃO E, NÃO OU, REJEIÇÃO, INIBIÇÃO, OU EXCLUSIVO, EQUIVALÊNCIA, IMPLICAÇÃO e, em especial, o importante grupo das MEMÓRIAS. Na próxima seção são apresentadas as funções lógicas básicas seguidas de algumas funções derivadas importantes. São apresentados para cada função a sua tabela-verdade, os circuitos elétrico e pneumático equivalentes, seus correspondentes símbolos eletrônicos e o seu diagrama de contatos. As figuras 1.41 a 1.44 exemplificam as funções elementares em seis formas análogas distintas de representação: diagrama de contatos, tabela-verdade, representação tradicional e moderna da equação booleana pelos símbolos da eletrônica digital, circuito elétrico equivalente e por componentes pneumáticos. 1) Função “SIM” (identidade). Operação: Y = A Na função SIM, a saída terá o sinal 1 quando a entrada tiver o sinal 1. Por ou lado, a saída será nula quando não existir sinal na entrada. A Fig. 1.40 apresenta um dispositivo para detectar a presença de peças em uma esteira transportadora, exemplificando a função SIM. O sensor ótico de reflexão é sensibilizado, "acionado" pela presença da peça (A = 1), produzindo um sinal elétrico de saída (Y = 1). Figura 1.40 – Sensor ótico de reflexão difusa, executando a função SIM para indicar a presença de peça em uma esteira transportadora. Na Fig. 1.40 é exemplificada a função SIM. O circuito elétrico, por exemplo, representa a função SIM através de uma chave normalmente aberta, NA. Ao se acionar o botão elétrico (A = 1) haverá energia para a lâmpada acender (Y = 1). A mesma função é representada pneumaticamente através de uma válvula de duas posições e três vias, com acionamento manual (normalmente fechada do ponto de vista pneumático). No sistema pneumático, acionando-se manualmente a válvula pneumática (A = 1), haverá pressão na sua saída (Y = 1). 40 Diagrama de contatos: Y = A Tabela Verdade Representação tradicional da eletrônica digital Representação moderna da eletrônica digital (IEEE) Circuito elétrico equivalente Válvula pneumática Figura 1.41 – Função lógica SIM 2) Função “OU” (disjunção). Operação: Y = A + B Na função OU a condição suficiente para que exista sinal de saída (Y = 1) é que exista apenas um dos dois sinais de entrada. A Fig. 1.42 resume as principais informações da função OU. Na sua equação booleana leia-se: “Y é igual a A ou B”. Note que, por exemplo, a ligação em paralelo de chaves NA realiza essa função eletricamente neste caso. A A 1 Y A Y = A A Y 0 0 1 1 + A _ Y Y A 41 Diagrama de contatos: Y = A + B Tabela Verdade Representação tradicional da eletrônica digital Representação moderna da eletrônica digital (IEEE) Circuito elétrico equivalente Válvulas pneumáticas (ambas equivalem à função “ou”) Figura 1.42 – Função lógica OU 3) Função “E” (conjunção). Operação: Y = A * B Na função E, só existe sinal de saída (Y = 1) quando existem os dois sinais de entrada (A = 1 e B = 1). Nos circuitos elétricos esta função é realizada com a ligação em série de chaves NA. A lâmpada do esquema elétrico apresentado na Fig. 1.43, por exemplo, só se acende quando os dois interruptores elétricos NA forem acionados. Na pneumática pode-se realizar a função E com representações por uma das duas válvulas, apresentadas na Fig. 1.43. + B A B _ Y Y A B Y = A + B A B Y 0 0 0 0 1 1 1 0 1 1 1 1 A B A+B 1 Y Y 42 Observa-se com a utilização de uma destas válvulas que só haverá pressão na saída Y quando houver pressão nas entradas A e B. A equação booleana é lida como: “Y é igual a A e B”. Observe que a tabela-verdade contém 2 2 = 4 linhas para as combinações possíveis dos dois sinais de entrada. Diagrama de contatos: Y = A * B Tabela Verdade Representação tradicional da eletrônica digital Representação moderna da eletrônica digital (IEEE) A B A.B & Circuito elétrico equivalente Válvulas pneumáticas Figura 1.43 – Função lógica AND 4) Função “NÃO” (negação). Operação Y = A Na função NÃO o sinal de saída apresenta o valor 1 quando a entrada for igual a 0 e o valor 0 no caso contrário. No sistema de detecção de peças apresentado na Fig. 1.40 o sensor ótico poderia ser do tipo de detecção por barreira de luz, com emissor e receptor, e as ligações elétricas serem tais que exista um sinal de saída (Y = 1) quando não houver peça (A =0). + A _ B Y Y B A Y = A * B A B Y 0 0 0 0 1 0 1 0 0 1 1 1 B A Y A B Y 43 A Fig. 1.44 exemplifica a função NÃO realizada pela chave elétrica normalmente fechada, NF e da válvula pneumática de três vias normalmente aberta (NA). A lâmpada estará acesa se a chave NF não for acionada, como no caso da válvula pneumática, haverá pressão na saída se a válvula não for acionada. A operação “NÃO” (ou N0T) Y = A é lida como “A negado” ou “complemento de A”. Diagrama de contatos: Y = A Tabela Verdade Representação tradicional da eletrônica digital Representação moderna da eletrônica digital (IEEE) Circuito elétrico equivalente Válvula pneumática Figura 1.44 – Função lógica NÃO 5) Funções Derivadas As funções lógicas apresentadas a seguir são derivadas das funções lógicas básicas e, por isso, muitas vezes denominadas de funções lógicas derivadas ou derivativas. A exemplo das figuras anteriores, as figuras 1.45 a 1.47 exemplificam as principais funções derivadas em seis formas análogas distintas de representação. A Y Y = A A Y 0 1 1 0 Y A + A _ R Y A A E 44 1) Função “NÃO OU” (nor). Operação BAY . Diagrama de contatos: BAY Tabela Verdade Representação tradicional da eletrônica digital Representação moderna da eletrônica digital (IEEE) Circuito elétrico equivalente Válvulas pneumáticas Figura 1.45 – Função lógica NOR Y Tabela-verdade:BAY A B Y 0 0 1 0 1 0 1 0 0 1 1 0 Y A B A B BA BA A B BA A B A+B 1 1 BA A B 1 BA = + B _ R Y A Y 45 2) Função “NÃO E” (nand). Operação B*AY . Diagrama de contatos: B*AY Tabela Verdade Representação tradicional da eletrônica digital Representação moderna da eletrônica digital (IEEE) Circuito elétrico equivalente Válvulas pneumáticas Figura 1.46 – Função lógica NAND B*AY A B Y 0 0 1 0 1 1 1 0 1 1 1 0 Y B A + _ R Y A B A B A*B & 1 B*A A B &= B*A Y Y A B A B 46 3) Função “OU Exclusivo” (exclusive or). Operação B*AB*AY . Diagrama de contatos: B*AB*AY Tabela Verdade Representação tradicional da eletrônica digital Representação moderna da eletrônica digital (IEEE) Circuito elétrico equivalente Válvulas pneumáticas Figura 1.47 – Função lógica XOR Y B A B*AB*AY A B Y 0 0 0 0 1 1 1 0 1 1 1 0 A B B*AB*A A B 1 B*AB*A Y B A B A 47 4) Generalização das Funções E e OU As definições apresentadas nas seções anteriores se reportam apenas a duas variáveis de entrada. Por outro lado, a generalização das funções E e OU admite um número n genérico delas. Assim, em uma função AND com n variáveis de entrada, somente existe sinal de saída 1 quando todas as variáveis de entrada apresentam valor 1. No caso da função OU, a saída apresenta valor 1 quando qualquer um dos n sinais de entrada for também igual a 1. Figura 1.48 – Funções E e OU generalizadas. Muitas tecnologias (como no caso da pneumática) operam apenas com elementos cujas portas lógicas só permitem duas entradas. Nestas situações, se for necessário realizar a execução física de uma função E ou uma função OU generalizada com n entradas, serão necessários n-1 elementos, como mostra a figura 1.49 (que necessita de 4 elementos para o caso de 5 entradas). Figura 1.49 – Diagrama de uma função OU generalizada realizada com componentes de duas portas lógicas. Muitas vezes as expressões booleanas obtidas inicialmente como solução de um problema podem ser muito complexas e necessitar de muitos componentes para serem implementadas fisicamente. Outras vezes, a substituição de determinadas portas lógicas por combinações equivalentes também se faz necessário, seja para diminuir o custo (através da utilização de componentes mais baratos), seja para suprir a ausência de uma determinada porta lógica (deficiência da tecnologia ou mesmo falta de componente adequado em estoque). Para executar as tarefas de simplificação dispõe-se de ferramentas derivadas da Álgebra de Boole, assunto que é tratado na seção a seguir. & & E1 E2 En Y Y = E1.E2.E3........En S2 Sn & 1 E1 E2 En Y Y = E1.E2.E3........En 1 1 1 1 Y E1 E2 E3 E4 E5 48 1.2.2.7 Postulados, Propriedades e Teoremas da Álgebra Booleana Nesta seção são apresentados os dez postulados que embasam a álgebra booleana, as propriedades mais importantes dos operadores lógicos booleanos básicos e também os seus principais teoremas. 1) Postulados Assim como na álgebra convencional, os postulados servem de base e sustentação aos teoremas. A seguir são apresentados os dez principais postulados que embasam a álgebra booleana. Tabela 1.6 – Postulados da álgebra booleana União (OU) Intersecção (E) Negação das constantes 0 + 0 = 0 0 + 1 = 1 1 + 0 = 1 1 + 1 = 1 0 * 0 = 0 0 * 1 = 0 1 * 0 = 0 1 * 1 = 1 01 10 2) Propriedades As funções E e OU apresentam propriedades semelhantes às das operações algébricas tradicionais. Seguem as principais propriedades destas funções. Tabela 1.7 – Propriedades da álgebra booleana Comutatividade A * B = B * A A + B = B + A Associatividade A*(B*C) = (A*B) *C A+(B+C) = (A+B)+C Elemento Neutro 1*A = A 0 + A = A Distributividade A*(B+C) = A*B + A*C A+(B*C) = (A+B) * (A+C) Complemento 0A*A 1AA Com exceção da propriedade de distributividade da operação OU em relação à operação E (ou seja, A+(B*C) = (A+B) * (A+C)) e da existência de um complemento das operações E (ou seja, 0A*A ) e OU ( 1AA ), todas as demais propriedades apresentam correspondentes na álgebra convencional. A operação E tem prioridade sobre a operação OU da mesma forma que as operações de multiplicação e divisão apresentam prioridade sobre as de soma e subtração da álgebra tradicional. Valem as mesmas regras para a utilização de parêntesis, colchetes e chaves. 3) Teoremas Os teoremas da álgebra booleana são baseados nos dez postulados apresentados na Tabela 3.6. A seguir, na Tabela 3.8 são apresentados os teoremas mais importantes utilizados na simplificação das equações booleanas. 49 Tabela 1.8 – Teoremas da álgebra booleana Teoremas envolvendo uma variável e as constantes A * 0 = 0 A * 1 = A A + 0 = A A + 1 = 1 Teoremas envolvendo uma variável e sua negação 0A*A AA*A AAA 1AA (convolução) AA Teoremas de redução BABB*A B*AB)A(*A AB)*A(A BAB*AA AB)A(*A Teoremas de De Morgan ...*C*B*A...CBA ...CBA...*C*B*A 4) Funções booleanas Foi visto que, a partir das operações lógicas e, ou e não, definem-se as funções lógicas básicas e derivadas. Além das funções lógicas derivas supra-apresentadas, pode-se definir também funções booleanas próprias (ou seja, definidas para uma determinada aplicação específica). Uma função booleana envolve um conjunto arbitrário de variáveis binárias (A, B e C, por exemplo) e pode ser representada através de um termo com o nome da função (“F”, por exemplo) seguida de um subíndice com o nome das variáveis envolvidas, (o que resulta, por exemplo, FABC). Pode-se, assim, definir uma função genérica, que, de acordo com os sinais de entrada (ou seja, os valores assumidos pelas variáveis A, B e C) fornece os sinais de saída. Seja, por exemplo, a função lógica FAB = B*AA de duas variáveis binárias (com domínio de 0 e 1). A função FAB possui 2n possíveis combinações de valores, onde n é o número de variáveis envolvidas. Assim, FAB apresenta 4 possibilidades de combinações que dependem dos valores assumidos pelas variáveis de entrada. No caso, por exemplo, em que A = 1 e B = 1, FAB = 1. Por outro lado, no caso em que A = 0 e B = 0, FAB = 0. Note que da tabela-verdade de uma dada expressão lógica abrange todo o domínio e a respectiva imagem da função booleana correspondente. Através dos exemplos anteriores, verifica-se que, como ocorre na álgebra convencional, uma mesma função lógica pode ser expressapor diversas formas equivalentes. Assim, uma mesma tabela-verdade pode corresponder a inúmeras expressões algébricas que executam a mesma função ou operação lógica. A obtenção de uma função lógica a partir da tabela-verdade pode ser realizada a partir dos seguintes métodos: A) Método da soma dos produtos. Este método permite, para uma determinada tabela- verdade, obter-se uma função booleana na chamada soma padrão de produtos (também denominada forma disjuntiva). Cada parcela da soma de produtos é denominada de mini- termo. Esta denominação é importante no estudo dos chamados mapas de Karnaugh, utilizados na simplificação de expressões algébricas complexas. Seja, por exemplo, a seguinte tabela-verdade: 50 Tabela 1.13 – Tabela-verdade referente a um processo genérico A aplicação do método da soma padrão de produtos a partir da tabela-verdade acima (1.13) pode ser realizada através das seguintes etapas: i) Assinalam-se as proposições cujas saídas assumem o estado lógico 1. Tabela 1.14 – Tabela-verdade com as saídas com estado lógico 1 assinaladas ii) Para cada proposição assinalada deve-se realizar o produto das variáveis que compõem a função, utilizando o complemento (sinal com a barra superior) quando a variável assume o nível lógico zero na tabela. B*AY1 , B*AY2 , B*AY3 (1.1) iii) A função resultante será a soma das parcelas individuais. B*AB*AB*AYYYF 321AB (1.2) B) Método do produto das somas. Este método permite, para uma determinada tabela- verdade, a obtenção de uma função booleana no chamado produto padrão das somas (também denominada forma conjuntiva). Cada parcela da soma de produtos é denominada de maxi-termo. Esta denominação também é importante no estudo dos mapas de Karnaugh que serão vistos mais adiante. Seja, por exemplo, a tabela-verdade apresentada na figura abaixo: Tabela 1.15 –Tabela-verdade referente a um processo genérico )B*A(B*AY A B Y 0 0 1 0 1 1 1 0 0 1 1 1 Tabela-verdade: )B*A(B*AY A B Y 0 0 1 0 1 1 1 0 0 1 1 1 Y1 Y2 Y3 )B*A(B*AY A B Y 0 0 1 0 1 1 1 0 0 1 1 1 51 Para o mesmo exemplo, o método do produto padrão das somas pode ser aplicado através das seguintes etapas: i) Assinale as proposições cujas saídas assumem o estado lógico 0. Tabela 1.16 – Tabela-verdade com as saídas com estado lógico 0 assinalada ii) Para cada proposição assinalada realize a soma das variáveis que compõem a função, utilizando o complemento (sinal com a barra superior) quando a variável assume o nível lógico 1 na tabela. BAY1 (1.3) iii) A função resultante será o produto das somas individuais. BAYYF 1AB (1.4) Evidentemente, a igualdade BAB*AB*AB*AY é válida e pode ser comprovada através da aplicação dos teoremas, propriedades e postulados da álgebra booleana sobre a expressão B*AB*AB*A , como segue: BA)BA(*)1()BA(*A)A(B)*A(A B*A)1(*AB*AB)B(*AB*AB*AB*A (1.5) 5) Minimização de Funções Booleana Através de Mapas de Karnaugh A minimização de uma função booleana consiste na obtenção de uma expressão algébrica mais simples de uma determinada função. Como se viu, a aplicação dos postulados e teoremas, apesar de poder executar esta tarefa, pode ser bastante trabalhosa. Uma alternativa importante para a obtenção de expressões booleanas simplificadas é através do uso dos chamados mapas de Karnaugh. A) Mapas de Karnaugh Consistem em uma forma gráfica da aplicação dos postulados, propriedades e teoremas da lógica booleana. Foram desenvolvidos concomitantemente pelo engenheiro americano Edward W. Veitch e por Maurice Karnaugh em 1952. São, por isso, muitas vezes denominados de mapas de Veitch-Karnaugh, ou diagramas KV. Os mapas (ou diagramas) de Karnaugh consistem de uma forma alternativa de apresentar as tabelas-verdade. Os mapas de Karnaugh são formados por arranjos retangulares compostos por 2 n quadrados, geralmente denominados de “celas”, “campos” ou “células” (n representa novamente o número de variáveis envolvidas). Adota-se aqui uma forma padrão para a representação das operações booleanas através de mapas de Karnaugh. Ressalta-se que, a exemplo das representações dos sistemas binários, existem várias maneiras de descrever as operações e variáveis através destes mapas. Tabela-verdade: )B*A(B*AY A B Y 0 0 1 0 1 1 1 0 0 1 1 1 Y1 52 Para a representação algébrica, a cada cela é atribuído um nome resultante do cruzamento entre a linha e a coluna a que ela pertence no mapa. Na figura abaixo é apresentado o mapa de Karnaugh para o caso em que ocorrem apenas duas variáveis. Tabela 1.17 – Mapa de Karnaugh para duas variáveis de entrada. A, B A A B B Às células são atribuídos valores da seguinte forma: i) a célula superior esquerda corresponde ao resultado de B*A ii) a célula inferior esquerda corresponde ao resultado de B*A iii) a célula superior direita corresponde ao resultado de B*A iv) a célula inferior direita corresponde ao resultado de B*A Assim, os mapas são rotulados de forma que os quadrados horizontais adjacentes diferem apenas de uma variável ( A A ). Da mesma forma, os rótulos das celas verticais diferem-se também apenas de uma variável ( B B ). Para cada acréscimo de variável de entrada utiliza-se a imagem especular do mapa de Karnaugh já existente. Na aplicação clássica, cada campo representa um termo da equação na forma da soma padrão de produtos (também pode ser utilizada a forma do produto padrão das somas). As figuras abaixo apresentam as tabelas dos mapas de Karnaugh para um número crescente de variáveis de entrada. Tabela 1.18 – Mapa de Karnaugh para três variáveis de entrada: espelhamento horizontal. A, B, C C C A A A A B B Tabela 1.19 – Mapa de Karnaugh para três variáveis de entrada: espelhamento vertical. A, B, C A A C B B C B B 53 Tabela 1.20 – Mapa de Karnaugh para quatro variáveis de entrada. A, B, C, D C C A A A A D B B D B B Tabela 1.21 – Mapa de Karnaugh para cinco variáveis de entrada. A, B, C, D, E E E C C C C A A A A A A A A D B B D B B Observações. Algumas observações devem ser feitas sobre as tabelas que servem de matrizes para os mapas de Karnaugh: i) As linhas horizontais externas superiores e inferiores são consideradas adjacentes, bem como as linhas verticais externas da direita e da esquerda. Veja linhas H1 e H2, V1 e V2 na figura abaixo. ii) Alguns autores utilizam nomenclaturas alternativas para descrever os campos dos mapas de Karnaugh. Uma nomenclatura utilizada por alguns programas computacionais está exemplificada abaixo para duas, três e quatro variáveis de entrada. Tabela 1.22 – Mapa de Karnaugh para duas variáveis de entrada. A B 0 1 0 1 Tabela 1.23 – Mapa de Karnaughpara três variáveis de entrada (espelhamento horizontal). A BC 00 01 11 10 0 1 H1 H2 V1 V2 54 Tabela 1.24 – Mapa de Karnaugh para três variáveis de entrada: espelhamento vertical. AB C 0 1 00 01 11 10 Tabela 1.25 – Mapa de Karnaugh para quatro variáveis de entrada. AB CD 00 01 11 10 00 01 11 10 B) Construção de mapas de Karnaugh A construção de um mapa de Karnaugh deve ser realizada através da sequência de etapas descritas abaixo. 1) Montagem da tabela, conforme os procedimentos apresentados acima. 2) A partir da expressão lógica que define um problema ou da própria tabela-verdade, deve ser realizada a identificação das proposições cujos termos de saída correspondem ao estado lógico 1 e demarcação dos campos que correspondem a estas proposições na tabela já previamente definida. 3) A seguir deve-se executar o agrupamento do número máximo possível de campos adjacentes que apresentam o valor 1. Estes agrupamentos devem considerar as observações e restrições apresentadas a seguir: i) Deve-se criar tantos grupos quanto forem necessários para que cada campo com valor 1 apareça em ao menos um grupo. Assim, se houver um campo com valor 1 sem nenhum outro campo adjacente (também com valor 1) este será considerado um grupo com apenas um termo. ii) Um mesmo campo pode aparecer em mais de um grupo. iii) O número de campos adjacentes agrupados deve necessariamente se uma potência de 2 (1, 2, 4, 8, 16,...). iv) A figura geométrica resultante dos agrupamentos deve ser retangular (quadrados incluídos). v) Os agrupamentos válidos para a obtenção da função lógica simplificada são os compostos por variáveis de entrada que se mantém inalteradas ao longo de todo o respectivo agrupamento. vi) Agrupamentos que estão totalmente englobados por outros agrupamentos válidos são redundantes e devem ser descartados. 55 4) Utilizando o método da soma dos produtos deve-se obter um termo minimizado de cada agrupamento obtido no item anterior. A soma dos termos referentes a todos os agrupamentos resulta na expressão para a equação booleana. Esta expressão pode ainda ser reduzida (simplificada) através da aglutinação dos termos e da aplicação dos postulados e teoremas da álgebra de Boole. C) Aplicações dos Mapas de Karnaugh Exemplo de aplicação: Obter a expressão lógica minimizada através de mapas de Karnaugh para a seguinte tabela-verdade (1.26) de três variáveis de entrada. Tabela 1.26 – Tabela-verdade para exemplificação do uso de mapas de Karnaugh Utilizando a soma dos produtos, obtém-se para a tabela-verdade (1.26) a seguinte expressão: C*B*AC*B*AC*B*AC*B*AY (1.6) Que pode ser simplificada através da replicação e combinação do termo C*B*A com os demais, como segue: C*B*AC*B*AC*B*AC*B*AC*B*AC*B*AY (1.7) B*A*)CC(C*A*B)B(C*B*A)A(Y (1.8) O que resulta na seguinte expressão simplificada: B*AC*AC*BY (1.9) Adotando um mapa de Karnaugh para três variáveis com espelhamento horizontal, tem-se: Tabela 1.27 – Mapa de Karnaugh para três variáveis (A, B e C) A BC 00 01 11 10 0 0 0 1 0 1 0 1 1 1 Tabela-verdade A B C Y 0 0 0 0 0 0 1 0 0 1 0 0 0 1 1 1 1 0 0 0 1 0 1 1 1 1 0 1 1 1 1 1 A A B B C C C 56 Cada célula possui duas coordenadas. Neste caso, com espelhamento horizontal, o mapa apresenta a coordenada das ordenadas correspondente à variável de entrada A e a coordenada das abscissas correspondente às variáveis B e C. Além disso, estão assinalados na tabela 6 grupo (veja os colchetes) correspondentes aos estados que podem ser assumidos pelas variáveis de entrada. Os termos lógicos “1” e “0” relacionam-se matricialmente com os da tabela-verdade. Assim, por exemplo, o termo correspondente ao par ordenado (0, 00) (ou seja, o termo superior mais à esquerda) resulta da combinação A=0, B = 0, C=0, que corresponde à 1ª linha da tabela-verdade, equivalendo a uma saída Y = 0. Por outro lado, o termo correspondente ao par ordenado (1, 10) (ou seja, o termo inferior mais à direita) resulta da combinação A=1, B = 1, C=0, que corresponde à penúltima linha da tabela-verdade, equivalendo a uma saída Y = 1. A partir deste mapa, a minimização das expressões é realizada com a demarcação inicial dos conjuntos de algarismos “1” adjacentes, tanto na direção horizontal, quanto na vertical, ou ambas, lembrando que os grupos assinalados devem sempre conter um número de elementos igual a 2 n , onde n é um número inteiro. Verifica-se para este exemplo a existência de três grupos que satisfazem estas especificações: Tabela 1.28– Mapa de Karnaugh com os conjuntos assinalados por elipses. A BC 00 01 11 10 0 0 0 1 0 1 0 1 1 1 É necessário obter a expressões booleanas relativas a cada um dos grupos assinalados. Iniciando pelo conjunto assinalado verticalmente, referente aos termos (0,11) e (1,11). A elipse engloba os dois possíveis valores de A, assim, a variável A é eliminada do equacionamento referente a este conjunto. Como os dois termos englobados pela elipse que definem este conjunto correspondem à intersecção entre os grupos B e C, o termo booleano correspondente a este conjunto é B*C. Da mesma forma, o conjunto assinalado horizontalmente, referente aos termos (1,01) e (1,11), corresponde à intersecção entre os grupos A e C (note que esta elipse engloba os dois possíveis valores de B, assim, a variável B é eliminada do equacionamento referente a este conjunto) e o termo booleano resulta então A*C. Analogamente, o terceiro conjunto, também assinalado horizontalmente e referente aos termos (1,1) e (1,10), corresponde à intersecção entre os grupos A e B (neste caso, pelos mesmos motivos anteriores para as variáveis A e B, C é eliminado do equacionamento resultante), correspondendo, portanto, ao termo A*B. A expressão é reduzida, portanto, à soma destes três termos, o que resulta: B*AC*AC*BY (1.10) que é idêntica à Eq. (1.9) obtida a através do método da soma dos produtos a partir da tabela- verdade e reduzida através de manipulação algébrica. A A B B C C C 57 D) Mapas de Karnaugh para Estados Lógicos Indiferentes Algumas vezes não é necessário saber se ocorre um estado lógico 1 ou 0 para alguns conjuntos de entradas. Pode ocorrer que estas entradas nunca ocorram ou que somente sejam importantes em alguma condição específica que não se aplica na situação específica em estudo. Por exemplo, no caso em que se tem uma palavra de 4 bits que podem codificar de 0dec (0000) 9 dec (1001). Os demais códigos (1010 a 1111) não são utilizados. Neste exemplo considera-se o conjunto de números primos de 0 a 9 cuja tabela-verdade será: Tabela 1.29– Tabela-verdade dos números primos de 0 a 9 As saídas representadas pela letra “d” correspondem à situação lógica indiferente (ou não se aplica), pois as combinações dos valores das entradas não irão ocorrer em qualquer situação, pois estão fora do domínio definido pelo sistema. Para este caso, o mapa de Karnaugh será o seguinte (observe a colocação dos símbolos “d”): Tabela 1.30 –Mapa de Karnaugh para quatro variáveis de entrada. AB CD 00 01 11 10 00 0 1 1 1 01 0 1 1 0 11 d d d d 10 d d O grupo formado inteiramente por situações lógicas “1” corresponde à expressão A B C D Y 0 0 0 0 0 0 0 0 1 1 0 0 1 0 1 0 0 1 1 1 0 1 0 0 0 0 1 0 1 1 0 1 1 0 0 0 1 1 1 1 1 0 0 0 0 1 0 0 1 0 1 0 1 0 d 1 0 1 1 d 1 1 0 0 d 1 1 0 1 d 1 1 1 0 d 1 1 1 1 d C C D D D A A B B B 58 D*A e a região de combinação de estados lógicos “1” e “d” (na verdade, representada pela combinação da região delimitada por dois arcos) corresponde à expressão C*B . Assim, se a situação não permitida de entrada 1011 ocorresse, a saída deveria ser “1”, enquanto que se a situação não permitida de entrada 1100 ocorresse, sua saída deveria ser “0”. A expressão minimizada será C*BD*AY . Note que se os casos de situação lógica “d” e ter, portanto, sido formado um círculo ao redor dos dois casos “1” adjacentes apenas, a expressão resultante teria sido mais complexa, C*B*A ao invés de C*B . 1.2.2.8 Exercícios Propostos 1.1) Escreva a equação booleana correspondente ao circuito apresentado abaixo: Figura 1.50 – Diagrama de contatos (chaves NA) 1.2) Escreva a equação booleana correspondente ao circuito apresentado abaixo: Figura 1.51 – Diagrama de contatos (chaves NA e NF) 1.3) Escreva a equação booleana correspondente ao diagrama lógico apresentado abaixo: Figura 1.52 – Diagrama lógico. 1.4) Mostre que C)(A*B)(AC)*(BA . 1.5) Mostre que C)*(AB)*(AC)(B*A . 1.6) Mostre que DD*)C*B(D . 1.7) Mostre que C*BAC*B)(AC*A . 59 1.8) Mostre que CAC*AC*B*AA . 1.9) Mostre que BAB*AA . 1.10) Mostre que ) B*CC*B(*AB*AC*AC*B*A . 1.11) Mostre que )C*A C(*BC*B*AC*B*AC*B*A 1.12) Mostre que B*A BB*AB*AB*A 1.13) Mostre que C*A C*B*AC*B*A 1.14) Dada a seguinte tabela-verdade, Tabela 1.31– Tabela-verdade com 4 variáveis de entrada. Obter a expressão simplificada correspondente através de mapas de Karnaugh. A B C D Y 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 1 0 0 0 0 1 1 1 0 1 0 0 0 0 1 0 1 1 0 1 1 0 0 0 1 1 1 1 1 0 0 0 0 1 0 0 1 0 1 0 1 0 1 1 0 1 1 1 1 1 0 0 0 1 1 0 1 1 1 1 1 0 1 1 1 1 1 1 60 2. SENSORES E CONTROLADORES Neste capítulo são abordados alguns dos principais componentes correntemente utilizados para aquisição de sinais representativos de variáveis físicas e nas ações de controle em sistemas de automação. 2.1 Sistemas de Medição Em sistemas de automação industrial, as principais aplicações para os sensores de grandezas físicas são em sistemas de medição ou como elementos de sinal. Os sistemas de medição realizam o monitoramento contínuo de variáveis físicas. Neste caso, as medições podem ser utilizadas para alimentar painéis, mostradores, alarmes ou outro tipo de dispositivo de comunicação com os operadores (pessoas responsáveis pelo gerenciamento da planta ou processo) ou para realimentar os sistemas automáticos de controle. Nos sistemas de medição, os sensores são utilizados para proporcionar medidas precisas, mais próximas possível dos valores reais das grandezas físicas medidas. Os sinais obtidos pelos sistemas de medição são geralmente utilizados para monitoramento ou controle de um processo físico. Para evitar interpretações dúbias no decorrer dos textos e planilhas de relatórios, é fundamental que haja um vocabulário metrológico bem definido. O “Internacional Vocabulary of Basic and General Terms in Metrology” (Vocabulário Internacional de Termos Fundamentais e Gerais de Metrologia) passou desde 1995 a ser adotado como terminologia oficial brasileira através da portaria 029/95 do INMETRO, Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial. Seguem as principais definições de termos de metrologia utilizados no projeto e especificação de sistemas de medição: a) Medição: Conjunto de operações que tem por objetivo determinar um valor de uma grandeza. b) Mensurado: Objeto da medição. Grandeza específica submetida à medição. c) Instrumento de medição: Dispositivo utilizado para uma medição, sozinho ou em conjunto com dispositivos complementares. d) Transdutor de medição: Dispositivo que fornece uma grandeza de saída que tem uma correlação determinada com a grandeza de entrada. Exemplos: termopar e transformador de corrente. e) Sistema de medição: Conjunto completo de instrumentos de medição e outros equipamentos acoplados para executar uma medição específica. f) Sistemas generalizado de medição: A análise sistêmica de diversos sistemas de medição revela a existência de três elementos funcionais bem definidos que se repetem com grande frequência na maioria dos sistemas de medição em uso. Em termos genéricos, um sistema de medição pode ser dividido em três módulos funcionais: o sensor/transdutor, a unidade de tratamento de sinal e o dispositivo mostrador. Cada módulo pode constituir uma unidade independente ou pode estar fisicamente integrada ao sistema de medição. A figura a seguir mostra genericamente este sistema de medição. 61 Figura 2.1 – Sistema generalizado de medição No caso de utilização de sensores como elementos de sinal, os sensores são utilizados como componentes que geram os sinais necessários para a realização de uma ação de comando. Estes sinais são transmitidos adequadamente aos elementos de processamento do sinal. O elemento de sinal consiste, portanto, em um dispositivo que transforma uma grandeza física como deslocamento, pressão, posição, velocidade, aceleração, força, temperatura, etc., em um sinal adequado para os elementos de processamento. Muitas vezes, como, por exemplo, pressões em sistemas pneumáticos, a própria energia contida na grandeza medida é utilizada para executar a ação lógica de controle. Estudam-se aqui os principais tipos de sensores utilizados em sistemas de automação industrial. 2.2 Características/Especificações Algumas características e especificações necessárias aos sensores são: Distância Sensora Nominal: é a distância de operação nominal para a qual um sensor é projetado. Esta especificação é atingida usando-se um critério padronizado sob condições médias. Histerese: é a diferença entre os pontos de operação (ligado) e a liberação (desligado) quando o alvo distancia-se da face sensora. Sem histerese, um sensor de proximidade irá ligar e desligar continuamente, oscilando enquanto houver vibração excessiva aplicada ao alvo ou sensor. Repetibilidade: é a habilidade do sensor de detectar o mesmo objeto à mesma distância, todas as vezes. Expresso como um percentual da distância sensora nominal, esse número é baseado em uma temperatura ambiente constante e tensão da fonte. Frequência de comutação: é o número de operações de comutação por segundo alcançável sob condições padronizadas. Em termos gerais, é a velocidade relativa do sensor. 62 2.3 Principais Sensores Utilizados em Sistemas de Automação Alguns dos sensores mais utilizados em sistemas de automação abrangem os sensores magnéticos, chaves,sensores de posição indutivos e capacitivos e sensores ópticos entre outros. Nos tópicos a seguir serão abordados o funcionamento e as principais características desses sensores. 2.3.1 Sensor Magnético ou “Reed-Switch” Os sensores magnéticos são compostos por um contato feito de material ferro- magnético (ferro, níquel, etc.) que é acionado ao ser atraído por um campo magnético de forma que um circuito elétrico é chaveado pelo contato dos bornes, conforme apresentado na figura a seguir. Figura 2.2 – Sensor magnético (reed-switch) a) b) Figura 2.3 – Dois tipos diferentes de sensores magnéticos, a) de uma única saída e de b) duas saídas. Alguns exemplos podem ser observados nas figuras a seguir. Figura 2.4 – Exemplos de sensores magnéticos. fonte: http://www.online-hardware.com e http://pt.digikey.com/1/2/reed-switches. 63 O princípio de funcionamento de um sensor reed-switch é bastante simples. A aproximação de um imã do sensor ocasiona a atração das chapas de metal pelo campo magnético fazendo com que o contato elétrico se feche. Estes sistemas são utilizados para detectar fins de curso em sistemas automáticos de posicionamento. 2.3.2 Sensor Capacitivo Estes sensores valem-se da propriedade capacitiva de elementos elétricos para fornecer informações sobre a posição relativa de corpos móveis. A propriedade capacitiva está associada à propriedade de armazenas cargas elétricas apresentada por elementos condutores isolados eletricamente. O material isolante é conhecido como dielétrico. O valor da capacitância de um capacitor é diretamente proporcional à área das placas e à constante dielétrica do material isolante e inversamente proporcional à distância entre essas placas (veja figura a seguir). Figura 2.5 – Capacitor elétrico. A equação que rege o comportamento da relação entre a intensidade de corrente que atravessa um capacitor e a variação da diferença de potencial entre os terminais do mesmo é expressa por dttCdeti cc /)()( . A capacitância se opõe, assim, às variações de tensão na linha, atuando como filtros em circuitos eletrônicos. Seja o circuito fechado operando em corrente contínua apresentado na figura a seguir, Figura 2.6 – Circuito CC com capacitor ligado em série com resistência R. 64 O capacitor carrega e descarrega de forma exponencial, segundo a constante de tempo RCT , ou seja, )1()( /Ttc eVTe para a carga e Tt c eVTe / 0)( para a descarga. Em corrente alternada, os efeitos dinâmicos capacitivos do componente fazem com que ele uma apresente uma impedância, ou seja, desempenhe um comportamento dinâmico que se opõe à passagem de corrente (semelhante ao de uma resistência elétrica em um circuito CC, porém sem dissipar energia). A diferença de construção fundamental entre um sensor capacitivo e um capacitor convencional é que no caso do sensor, as placas são colocadas uma ao lado da outra (ao invés de uma na frente da outra), conforme mostra a figura a seguir. Figura 2.7 – Sensor capacitivos com placas dispostas lado a lado. No sensor capacitivo, portanto, o dielétrico é o ar, cuja constante dielétrica é igual a 1. Quando algum objeto, que normalmente apresenta constante dielétrica superior à do ar é aproximado do sensor, a sua capacitância aumenta e, conseqüentemente a intensidade de corrente também, conforme está apresentado na figura a seguir. Figura 2.8 – Dinâmica do sensor capacitivo. O circuito de condicionamento deve identificar esta variação, calculando a proximidade do objeto. Estes sensores são utilizados normalmente para monitorar a presença de corpos não magnéticos. Seu funcionamento se dá na seguinte forma, na face sensora há uma placa capacitora. No momento em que a alimentação é aplicada ao sensor, um campo eletrostático é gerado e reage às alterações de capacitância. Quando o objeto está fora do campo eletrostático, o oscilador fica desativado. À medida que o objeto se aproxima, a capacitância varia e quando atinge um limite determinado, o oscilador é ativado, acionando o circuito de saída para comutar os estados entre LIGADO (ON) e DESLIGADO (OFF). 65 Figura 2.9 – Desenhos esquemáticos do funcionamento do sensor capacitivo. Detecção capacitiva é uma tecnologia própria para identificar a presença de materiais não metálicos (sólidos e líquidos). Pode detectar metais, porém o custo é mais elevado que o indutivo. A detecção está diretamente ligada à constante dielétrica. Quanto maior o valor da constante dielétrica de um material, mais fácil ele é detectado. As tabelas a seguir mostras alguns valores para a constante dielétrica (K) para uma gama de materiais. Tabela 2.1 – Constantes dielétricas para diferentes tipos de materiais. 66 Tabela 2.1 – Constantes dielétricas para diferentes tipos de materiais (continuação). Como vantagens podem ser citadas: 1. Podem detectar metais e não metais (líquidos e sólidos) 2. Podem "ver através" de certos materiais (caixas de produto, por exemplo) 3. Estado sólido, com vida útil longa 4. Diversas configurações de montagem Suas principais desvantagens são: 1. Distância sensora curta (1 polegada ou menos) varia amplamente de acordo com o material a ser detectado 2. Muito sensível aos fatores ambientais - umidade em climas litorâneos podem afetar o resultado da detecção 3. Nem um pouco seletivo em relação ao alvo - o controle do que se aproxima do sensor é essencial A Fig. 2.10 apresenta alguns exemplos de sensores capacitivos industriais. 67 Figura 2.10 – Exemplos de sensores capacitivos comerciais. Fonte: http://coelhocortesao.com/main_mat_elect.htm Algumas aplicações do uso de sensores capacitivos podem ser observadas nas figuras 2.11 a 2.14. Figura 2.11 – Verificação do nível de líquido em reservatórios. Fonte: http://www.baumerelectric.com/usa Figura 2.12 – Verificação do nível de líquido em um frasco. 68 Figura 2.13 – Verificação de existência de peças em uma esteira. Fonte: http://www.ifm.com Figura 2.14 – Verificação de presença de peças através do deslocamento vertical de uma esteira pela ação de um peso. 2.3.3 Sensor Indutivo O elemento que concentra mais intensamente a propriedade de indutância em um circuito elétrico é denominado de indutor. Geralmente o indutor é um componente elétrico composto de um núcleo envolto por uma bobina. Quando circula uma corrente por essa bobina forma-se um campo magnético no núcleo, conforme está apresentado na Fig. 2.15. 69 Figura 2.15 – Campo magnético em um indutor. Este campo magnético consiste em uma forma de armazena energia no núcleo. Assim, quando a corrente da bobina for interrompida, ainda haverá um pouco de corrente sendo transmitida para a carga do circuito elétrico. Essa corrente é devida à contração das linhas de campo magnético que estão ao redor do núcleo (veja figura a seguir). Figura 2.16 – Carga e descarga de um indutor. A equação dinâmica que relaciona a tensão entre os terminais com a intensidade de corrente que atravessa um indutor é dttLdite LL /)()( . Verifica-se, portanto, que o indutor se opõe às variações de corrente (assim como os capacitores às variações de tensão). Em correntealternada, os efeitos dinâmicos indutivos do componente fazem com que ele, a exemplo do capacitor, apresente também uma impedância, ou seja, desempenhe um comportamento dinâmico que se opõe à passagem de corrente. Seja um circuito CC composto por uma indutância e por uma resistência em série, conforme apresentado na figura a seguir. Figura 2.17 – Circuito RL em série. 70 Como a indutância depende do núcleo do indutor. Conforme pode ser observado através da Fig. 2.18, caso o núcleo do indutor se desloque ao longo do corpo da bobina, sua impedância mudará ocasionando a variação da corrente sobre a resistência R. O sensor indutivo utiliza essa característica como princípio de funcionamento. Figura 2.18 – Mudança da tensão em R como decorrência da posição do núcleo. Conforme pode ser observado na Fig. 2.19, o núcleo do sensor indutivo é aberto, assim, o campo magnético passa necessariamente pelo ar e sua intensidade é menor. Quando uma peça metálica é aproximada do núcleo do indutor, o campo magnético passa por ela, aumentando sua intensidade. Portanto, ao se ligar o indutor com núcleo aberto em um circuito RL trabalhando com corrente alternada (CA), ocorrerá uma variação da tensão entre os terminais do resistor, de acordo com a distância da peça (conforme mostra a Fig. 2.19). Figura 2.19 – Alteração do campo magnético de um sensor indutivo devido à aproximação de um corpo metálico. 71 Um sensor indutivo de proximidade é composto geralmente pelos seguintes componentes: 1. Conjunto de Núcleo de Bobina e Ferrite 2. Oscilador 3. Circuito acionador 4. Circuito de saída Figura 2.20 – Estrutura de um sensor indutivo. Fonte: http://www.balluff.com.br Como características de um sensor indutivo, pode-se citar: • Não estão sujeitos à avaria ou desgaste mecânicos. • Não são afetados pelo acúmulo de contaminantes tais como: pó, graxa, óleo ou fuligem, na face sensora. • Detectam tanto os metais ferrosos (que contêm ferro) quanto os não-ferrosos. • Seu princípio de funcionamento baseia-se na geração de um campo eletromagnético. • Quando um objeto metálico penetra nesse campo, correntes de superfície são induzidas no objeto metálico, o que resulta na perda de energia no circuito do oscilador e, conseqüentemente, há uma redução na amplitude de oscilação. O circuito acionador detecta essa alteração e gera um sinal para comutar a saída em LIGAR ou DESLIGAR. Quando o objeto se afasta da área do campo eletromagnético, o oscilador se regenera e o sensor retorna ao seu estado normal (veja figura a seguir). Figura 2.21 – Perturbação do campo por um objeto metálico. 72 Figura 2.22 – Algumas características dos sensores indutivos. Fonte: http://www.balluff.com.br Normalmente, os sensores comerciais possuem internamente um circuito oscilador. Esta técnica permite sua utilização com tensões contínuas. Nas figuras 2.23 a 2.25 estão apresentados alguns sensores indutivos típicos com exemplos de fixação. Figura 2.23 – Fixação de um sensor indutivo Figura 2.24 – Diferentes sensores com suas fixações. Fonte: http://www.electroautomacao.com.br/ 73 A montagem de um sensor indutivo pode ser realizada utilizando-se um único sensor, ou dois dispostos em oposição, quando se possui grandes distâncias entre o sensor e o objeto. Figura 2.25 – Situações de montagem dos sensores. Fonte: http://www.balluff.com.br Algumas vantagens do uso de sensores indutivos são: 1. Não são afetados pela umidade 2. Não são afetados pelos ambientes com poeira/sujeira 3. Sem partes móveis/sem desgaste mecânico 4. Não dependem de cor 5. Menor superfície dependente do que outras tecnologias sensoras 6. Sem zona cega Por outro lado, podem-se citar também algumas vantagens da sua aplicação: 1. Detectam somente a presença de alvos metálicos 2. A amplitude operacional é menor do que em outras tecnologias sensoras 3. Podem ser afetados por campos eletromagnéticos fortes Nas figuras 2.26 e 2.27 são mostrados alguns exemplos de aplicações típicas de sensores indutivas em sistemas de automação. Figura 2.6 - Exemplos de aplicação na indústria. Fonte: http://www.sabereletronica.com.br/secoes/leitura/81 74 Figura 2.27 – Exemplos de aplicação na indústria 2.3.4 Sensor Óptico Um sensor óptico é formado por um emissor e um receptor de luz. O emissor de luz óptico pode ser um LED (diodo emissor de luz) ou uma lâmpada. O receptor é um componente fotossensível (fototransistores, fotocélulas, fotodiodos, ou LDRs) que são componentes eletrônicos cuja resistência elétrica diminui quando sobre ele incide energia luminosa, possibilitando o desenvolvimento de sensores que são ativados ou desativados quando sobre ele incide energia luminosa. Assim, todos os sensores fotoelétricos operam detectando uma mudança na quantidade de luz recebida por um detector de luz. A mudança na intensidade da luz permite que o sensor detecte a presença ou a ausência do objeto, bem como seu tamanho, sua forma, sua capacidade refletora, opacidade, transparência ou cor. Na Fig. 2.28 está apresentado o princípio básico de funcionamento de um sensor óptico e um exemplo de um sensor típico. 75 a) princípio de funcionamento b) sensor óptico típico Figura 2.28 – Sensor óptico. Um circuito oscilador gera uma onda que é convertida em luz pelo emissor. Quando um objeto é aproximado do sensor óptico, ele reflete a luz do emissor para o receptor. Um circuito eletrônico identifica essa variação e emite um sinal ao sistema de condicionamento. Um sensor fotoelétrico é geralmente constituído por cinco componentes básicos: 1. Fonte de luz 2. Detector de luz 3. Lentes 4. Circuito lógico 5. Saída Figura 2.29 – Esquema de um sensor fotoelétrico típico. Geralmente, como fonte de luz, os sensores ópticos utilizam LEDs Infravermelhos (light-emitting diodes). Um LED é um semicondutor de estado sólido que emite luz quando uma corrente é aplicada. Os LEDs são projetados para emitir comprimentos específicos de onda, ou cores, de luz, sendo que LEDs infravermelhos e de cores visíveis vermelha, verde e azul são utilizados como fonte de luz na maior parte dos sensores fotoelétricos. Figura 2.30 – Desenho esquemático de um LED. 76 Uma das maiores vantagens da fonte de luz do LED é sua habilidade de ligar e desligar rapidamente. Isso permite a pulsação e modulação da fonte de luz. Figura 2.31 – Desenho esquemático da modulação de um LED. A modulação é utilizada para filtrar a luz natural (operação realizada continuamente), filtrar a luz artificial (geralmente a 60 Hz) e aumentar a potência do LED (com ciclo de trabalho menor que 5%) Um elemento detector de luz típico é um elemento de estado sólido conhecido como fototransistor, que sofre uma alteração na corrente conduzida que depende da quantidade de luz detectada. Os detectores de luz são mais sensíveis a certos comprimentos de onda de luz. Na Fig. 2.32 está apresentada uma curva representativa da relação entre comprimento de onda e eficiência relativa de um LED típico. Figura 2.32 – Desenho esquemático da relação entre comprimento de onda e eficiência relativa de um LED. Os sensores ópticos são capazes de detectar vários tipos de objetos, porém objetos translúcidos geralmente não podem ser detectados.Caso esse sensor funcione por reflexão, objetos escuros também poderão não ser detectados. Quando o ambiente de trabalho apresenta partículas em suspensão (fuligem, pó ou poeira) deve-se tomar cuidado na utilização dos sensores ópticos. Caso não possam ser substituídos por sensores de outro tipo (magnético, capacitivo, etc.) deve-se ter um plano que contemple a limpeza periódica das lentes, a fim de evitar seu mau funcionamento. Existem três formas de operação de sensores ópticos: a) Reflexão: a luz é refletida no objeto e o sensor é acionado. Figura 2.34 – Sensoriamento por reflexão. 77 b) Barreira: o objeto bloqueia a passagem da luz, e a saída do sensor é acionada. Figura 2.35 – Sensoriamento por barreira do corpo. c) Emissor-receptor: neste caso, o emissor e o receptor estão montados separadamente. Quando o raio de luz é interrompido pelo objeto, a saída é ativada. Figura 2.35 – Emissor/receptor. Na Fig. 2.36 estão exemplificadas as formas de operação de sensores ópticos por interrupção e por reflexão. a) interrupção b) reflexão c) exemplo de foto- transistor comercial Figura 2.36 – Desenho esquemático do funcionamento da emissão de luz por um LED e a recepção por um LDR. Fonte: http://www.blikstein.com Dessas três formas pode-se ter ainda alguns desdobramentos, que são apresentados a seguir: a) Barreira (feixe transmitido). Neste modo de detecção, o emissor e o receptor de luz estão em invólucros separados. As duas unidades estão posicionadas em lados opostos de forma que a luz do emissor brilhe diretamente sobre o receptor. O feixe entre o receptor e a fonte de luz deve ser interrompido para a detecção do objeto. Este modo está apresentado na Fig. 2.36. 78 Figura 2.36 – Sensoriamento por barreira. b) Retro-refletido. Um sensor retro-refletido contém tanto o emissor quanto o receptor em um invólucro. O feixe de luz do emissor é propagado do refletor (ou de material refletivo especial) e detectado pelo receptor. O objeto é detectado quando intercepta esse feixe de luz. Este modo está apresentado na Fig. 2.37. Figura 2.37 – Sensoriamento por um sensor retro-refletido. 79 Figura 2.38 – Exemplo de sensoriamento por um sensor retrorrefletido. Fonte: http://www.micromaxsa.com.au c) Retro-refletido Polarizado. Os sensores retro-refletidos polarizados contêm filtros polarizadores em frente do emissor e do receptor que orientam a luz em um único plano. Esses filtros são perpendiculares ou ficam posicionados 90° fora de fase entre si. Nas figuras 2.39 e 2.40 estão apresentados exemplos desta configuração. Figura 2.39 – Sensoriamento por um sensor retrorrefletido polarizado. 80 Figura 2.40 – Exemplo de sensoriamento por um sensor retro-refletido polarizado. Fonte: http://www.micromaxsa.com.au d) Difuso. Neste tipo, é detectado um reflexo diretamente a partir do objeto. A superfície do objeto espalha a luz em todos os ângulos; uma pequena parte é refletida em direção ao receptor. Esse modo de detecção é denominado detecção difusa. Nas figuras 2.41 e 2.42 estão apresentados exemplos desta configuração. Figura 2.41 – Sensoriamento por um sensor difuso. Figura 2.42 – Sensoriamento por um sensor difuso. Fonte: http://www.balluff.com/ 81 e) Fibra Óptica. Os cabos de fibra óptica podem ser montados em locais que seriam inacessíveis para sensores fotoelétricos. Eles podem ser usados onde há alta temperatura ambiente e em aplicações onde há vibração. Os cabos de fibra óptica podem também ser usados para detectar objetos pequenos. Como exemplo de aplicações, as figuras 2.43 a 2.46 fornecem idéias da variedade de possibilidades de uso. Figura 2.43 – Exemplo de aplicação na identificação de passagem de caixas plásticas. Fonte: http://www.balluff.com/ Figura 2.44 – Exemplo de aplicação na medição de orifícios. Figura 2.45 – Exemplo de configurações de aplicação. Fonte: www.ab.com/sensors 82 Figura 2.46 – Exemplo de aplicação na indústria alimentícia. Os diferentes tipos de sensores óticos possuem uma série de vantagens e desvantagens de uso, essas vantagens e desvantagens podem ser resumidas e condensadas na tabela a seguir: Tabela 2.2 - Vantagens e precauções dos modos de detecção fotoelétrica. Modo de Detecção Aplicações Vantagens Precauções Feixe transmitido Detecção geral Contagem de peças Alta margem para ambientes contaminados, longas distâncias, não é afetado por reflexos de uma segunda superfície. Alto custo (necessário emissor e receptor separados), necessário alinhamento, não adequado a materiais transparentes Retrorefletido Detecção geral Distâncias sensoras moderadas. Menor custo quando comparado com de feixe transmitido, fácil alinhamento Margem menor do que de feixe transmitido pode detectar reflexos dos objetos brilhantes Retrorefletido Polarizado Detecção geral de objetos brilhantes Ignora os reflexos da primeira superfície, utiliza feixes vermelhos visíveis para facilitar o alinhamento. Distância sensora menor do que o retrorefletido padrão. Possibilidade de detecção de reflexos da segunda superfície. Difusão padrão Aplicações em que ambos os lados do objeto não podem ser acessados Acesso somente a um dos lados do objeto. Não há necessidade de refletor, fácil alinhamento. Dificuldade em se aplicar quando o fundo do objeto for reflexivo e próximo. Fibra ótica Permite a detecção fotoelétrica em área onde o sensor não pode ser montado devido ao ambiente ou a distância. Cabos de fibra otica de vidro permitem a aplicação em alta temperatura ambiental, são resistentes a choques e vibrações. Cabos plásticos podem ser usados em locais com movimento contínuo. São imunes a ruídos, e podem ser instalados em ambientes corrosivos e em espaços limitados. Alto custo quando comparado com sensores óticos. Distância sensora curta. 83 2.3.5 Chaves Fim-de-Curso As chaves fim-de-curso, como o próprio nome sugere, são aplicadas para detectar o fim do movimento de translação de elementos. Na Fig. 2.47 está apresentada uma chave fim- de-curso típica e o princípio de funcionamento de uma chave fim-de-curso normalmente fechada. a) aspecto externo b) princípio de funcionamento Figura 2.47 – Chave fim-de-curso típica. Figura 2.48 – Vista em corte de uma chave de fim de curso. Fonte: http://eletrowiki.blogspot.com/2011/02/chave-fim-de-curso.html Seu princípio de funcionamento é muito simples, tratando-se geralmente apenas de uma chave eletromecânica convencional. A chave fim-de-curso pode ser normalmente aberta (NA) ou normalmente fechada (NF). As principais características de uma chave de fim de curso são: 1. Uma chave fim de curso é um dispositivo eletromecânico que consiste de um atuador mecanicamente conectado a um conjunto de contatos. 2. Quando um objeto entra em contato com o atuador, o dispositivo faz com que os contatos façam ou desfaçam uma conexão elétrica. 3. As chaves fim de curso são utilizadas numa variedade de aplicações e ambientesdevido à robustez, fácil instalação e confiabilidade de operação. 84 4. Podem determinar a presença ou ausência, passagem, posicionamento e término do curso de um objeto, por isso o nome de "chave fim de curso". A figura 2.49 apresenta diferentes formas e tipos de chaves de fim de curso comerciais. Figura 2.49 – Exemplos de chaves de fim de curso comerciais. Fontes: http://www.mecatron-pa.com.br/teste/produtos_ diversos.htm, http://www.automatizesensores.com.br/chavesfimdecurso.html, http://www.logismarket.ind.br/stemmann/chave-fim-de-curso/1418701458-147 6124041-p.html Como vantagens das chaves de fim de curso, pode-se destacar: • Vantagens mecânicas: • Fácil utilização • Operação visível simples • Invólucro duradouro • Boa vedação para operação de segurança • Alta resistência para diferentes condições de ambiente encontradas nos segmentos industriais • Alta repetibilidade 85 • Vantagens elétricas: • Adequação para comutação de cargas de potência mais elevada que outras tecnologias sensoras (típico 5 A a 24Vcc ou 10 A a 120Vca) • Imunidade à interferência de ruídos elétricos • Imunidade à interferência de rádio frequência (walkie-talkies) • Ausência de fuga de corrente • Queda mínima da tensão • Operação simples normalmente aberta e/ou normalmente fechada Já, as desvantagens das chaves de fim de curso são: • • Vida de contato mais curta do que as tecnologias de estado sólido • Peças mecânicas móveis podem apresentar desgaste • Nem todas as aplicações podem usar detecção por contato Em termos de aplicações típicas pode-se destacar: • Sistemas transportadores • Máquinas de transferência • Tornos automáticos • Máquinas de fresa e perfuração • Furadeiras e fresadoras • Equipamento de produção de alta velocidade As figuras 2.50 e 2.51 fornecem uma idéia geral das principais possibilidades de uso das chaves de fim de curso. Figura 2.50 – Exemplos de aplicação de chaves de fim de curso no sistema de operação de abertura de portas em elevadores. (fonte: http://www.elevatec.com.br) 86 Figura 2.51 – Detalhes da aplicação de chaves de fim de curso em aberturas de portas de elevadores. (fonte: http://www.elevatec.com.br) 2.3.6 Encoders O encoder é um dispositivo transdutor capaz de medir deslocamentos angulares ou lineares. Ele é formado por sensores ópticos associados a componentes mecânicos com partes móveis. Os encoders funcionam através de um processo óptico-eletrônico, com princípio de funcionamento muito semelhante ao dos mouses dos PCS. Na figura a seguir está apresentado o aspecto interno de um encoder. O princípio de funcionamento pode ser entendido observando a Fig. 2.52, que mostra o aspecto interno de um encoder. Uma fonte emite raios luminosos que, depois de passarem por lentes, atravessam um disco perfurado (graduado). A cada janela do disco a luz consegue atingir os foto elementos do lado oposto. Uma marca de referência no disco serve para indicar que uma rotação foi concluída. Na saída são geralmente fornecidos sinais digitais compatíveis com a tecnologia TTL. Externamente, um encoder geralmente se parece fisicamente com um pequeno motor CC. 87 Figura 2.52 – Aspecto interno de um encoder. Na Fig. 2.53 está apresentado em corte um encoder típico. Figura 2.53 – Aspecto interno de um encoder. Fonte: http://www.carldyke.com/courses/plc-troubleshooting-two Na Fig. 2.54 está apresentado um encoder rotacional típico. 88 Figura 2.54 – Encoder rotacional típico. Fonte: http://313dg.com/eddie-3m-encoder/ Figura 2.55 – Encoder rotacional típico. Fonte: http://www.servotek.com/ Quando o eixo do encoder é conectado mecanicamente ao eixo de um motor ou de uma mesa móvel de uma máquina, ele passa a ser submetido a uma rotação, proporcionando assim um conjunto de sinais elétricos a cada volta do seu eixo. Esses sinais, ainda na forma analógica, são convertidos em pulsos digitais podendo, então, ser processados e traduzidos em medidas de deslocamento. 89 Geralmente, os sensores ópticos dos encoders fornecem internamente dois sinais defasados que apresentam uma forma harmônica (senoidal), conforme apresentado na Fig. 2.56. Figura 2.56 – Sinais fornecidos pelos sensores ópticos. A resolução de um encoder está associada à sua graduação, ou seja, à distância entre as janelas da escala graduada. Quanto menor a graduação, maior o número de pulsos emitidos por rotação. Quanto maior o número de pulsos, maior a resolução, e vice-versa. Os encoders geralmente encontrados no mercado apresentam de 1048 a 5000 pulsos por rotação. Isto, porém, não fornece um indicativo conclusivo quanto à resolução, pois o sistema eletrônico subseqüente pode realizar um processo de interpolação dos sinais fornecidos pelo sensor óptico. Esta interpolação pode ser feita dentro do próprio transdutor ou pelos circuitos eletrônicos do sistema a que ele está conectado (CNC, por exemplo). A finalidade da interpolação é aumentar a resolução do sistema, visto que ela aumenta as divisões dos sinais. Na figura a seguir está apresentada a saída de um encoder após a operação do sinal pela eletrônica interna. Note que, muitas vezes, o sinal que sai do dispositivo de medição (do encoder propriamente dito) são os próprios sinais de forma senoidal. Nestes casos, a eletrônica subseqüente é realizada por um dispositivo externo (driver), ou pela própria unidade de processamento computacional. Figura 2.57 – Exemplo de pulsos fornecidos por um encoder. Encoders translacionais (também conhecidos como réguas ópticas) são utilizados em algumas máquinas no lugar dos encoders rotacionais. A principal diferença entre os dois sistemas está na parte mecânica. Ao invés apresentar um disco perfurado rotativo, os encoders 90 translacionais possuem uma régua linear com janelas. Da mesma forma que no encoder rotacional, uma fonte de luz de um lado do elemento móvel reticulado, emite raios luminosos para o outro lado, em direção de foto-elementos receptores. Ao contrário do encoder rotacional, que mede o deslocamento através da rotação do motor, a régua é um sistema de medida direta, pois mede o deslocamento através do movimento linear do eixo da máquina (conforme apresentado na figura a seguir). Figura 2.58 – Encoder linear. Figura 2.59 – Encoder linear comercial. Fonte: http://www.newall.com/ Figura 2.60 – Encoder linear comercial. Fonte: http://www.velmex.com/manual_encoders.html Há dois tipos de encoder: o incremental e o absoluto. O encoder incremental gera pulsos seriais para a eletrônica subseqüente (CNC, por exemplo). Quando ele está com seu 91 eixo parado, não há sinal algum em sua saída, portanto, para que a máquina saiba onde seu eixo está, é necessário que haja a movimentação do encoder. A partir daí, a máquina conta o número de pulsos gerados, e através desse número, seu programa computacional calcula em que posição o eixo se encontra. Uma máquina equipada com esse tipo de encoder, sempre quando desligada, precisa ser referenciada, antes da sua operação normal. Em máquinas- ferramenta, por exemplo, essa operação chama-se Home machine. Nessa operação, a máquina desloca seus eixos até sensores fim-de-curso.Quando os encontra, "zera" seu contador e, a partir daí, mede os deslocamentos dos eixos através da contagem dos pulsos enviados pelo encoder. O encoder absoluto, entretanto, gera um conjunto de 6 a 8 bits de uma única vez. Ao contrário do incremental, o absoluto (mesmo parado) tem uma palavra digital em seus terminais de saída. Sendo assim, uma máquina que funciona com um encoder absoluto não precisa movimentar seus eixos para saber onde eles estão. A vantagem desse sistema é de não necessitar referenciar a máquina (fazer o set-up), após ela ter sido desligada. Figura 2.61 – Exemplos de discos internos de encoders incrementais e absolutos. Uma das aplicações mais comuns do encoder é a máquina ferramenta. Através de um fuso de esferas, o movimento rotativo do motor transforma-se em um linear, que desloca o eixo da máquina. O encoder, muitas vezes, vem colocado dentro do próprio motor. Quando utilizamos essa tecnologia, dizemos que estamos fazendo uma medida "indireta", pois medimos a posição linear do eixo da máquina-ferramenta (X, y, ou z) através de “voltas" (movimento angular) do motor. Outras aplicações comuns são para medir as rotações dos elos de robôs e em impressoras domésticas e profissionais para medir a posição do cabeçote de impressão. Os encoders incrementais fornecem informações através de três canais de informações, muitas vezes denominados de A, B e Z. Os canais A e B são os que fornecem a indicação da posição e também do sentido de giro do encoder. O sentido de giro é obtido através da defasagem entre os sinais A e B. Assim, se o canal A estiver 90º avançado em relação ao canal B, o encoder estará girando no sentido horário; e seo canal A estiver atrasado 90º em relação ao canal B, o encoder estará girando no sentido anti-horário. O dimensionamento de um encoder é realizado através da determinação do número de pulsos mínimo por volta para fornecer uma determinada resolução de operação do equipamento ou máquina. Tomemos como exemplo o caso de uma máquina-ferramenta que deve ser automatizada devendo apresentar as seguintes características: passo de fuso de esferas = 5mm. Resolução da máquina = m1 (0,001mm). Suponha também que a eletrônica do CNC funcione com uma interpolação de 4 vezes. 92 O número de pulsos por rotação do encoder (sem considerar a interpolação) deverá ser determinado através da divisão do passo do fuso pela resolução desejada para a máquina. Para obter o número de pulsos necessário deve-se dividir o número de pulsos obtido na operação anterior pelo número de vezes que o sinal é interpolado. A equação resultante fica então: Np = PA/(Int Res), onde Np é o número de pulsos do encoder, PA é o passo do fuso, Int é o fator de interpolação e Res é a resolução desejada para a máquina. Substituindo os valores dados na fórmula acima, obtém-se: Np=1250 pulsos por revolução. 2.3.7 Outros Sensores Existem muitos outros sensores que por terem aplicações mais específicas não serão abordados aqui: 1) Temperatura a) par bi-metálico b) termistores (resistência variável) c) junção semicondutora (alteração da corrente de saturação em função da temperatura) d) Termopares 2) Presença e posição a) switches b) potenciométricos c) transformador linear diferencial variável (LVDT) d) ultra-som 3) Força a) Extensômetros b) Piezelétricos 4) Velocidade a) Tacômetro b) Ultra-som (efeito dopler) c) Magnéticos 5) Pressão a) Extensométricos 6) Som a) Microfone b) Piezelétricos 7) Aceleração a) Sistema massa-mola com sensor de posição b) Piezelétricos 2.4. Seleção de Sensores Em de cada sistema industrial há muitos processos e operações (fabricação, montagem, embalagem, pintura, manuseio de material, etc.) que podem ser divididos em eventos menores (como contagem, indexação, ejeção, pulverização, preenchimento e transporte). Um sensor pode ser útil para detectar as condições de mudança associadas com uma ação ou evento. Assim, se faz necessário determinar onde um sensor pode ser útil para identificar o que o sistema faz ou o que é desejado que ele faça. Assim, a seleção de um 93 sensor pode considerar as seguintes perguntas: “É necessário contar produtos? Classificar? Verificar a qualidade? Determinar a direção das peças?”. Além disso, é também necessário identificar a Área de Foco, ou seja, a região na superfície onde o foco do sistema de emissão da luz é aplicado. Nesta situação, é importante verificar também o tipo de verificação, ou seja, se é feita sobre a peça ou sobre o mecanismo. Figura 2.62 – Exemplo de operação com identificação de área (ou superfície). Uma vez definida a aplicação, deve-se determinar também a alimentação disponível, os requerimentos de saída do sinal e da carga de alimentação necessária, as características da superfície alvo e as condições ambientais. A identificação das fontes de alimentação também é importante. Baseado na tensão comumente disponível em campo, os sensores são geralmente designados para se enquadrar em uma das quatro faixas de tensão: 10-30 Vcc 20-130 Vca 90-250 Vca 20-250 Vca/Vcc Os sensores CA e as chaves podem receber alimentação diretamente da rede ou de uma fonte filtrada. Os sensores CC necessitam de uma fonte separada para isolar a parte CC do sinal CA. Entretanto, com tensões tipicamente inferiores a 30V, a CC é considerada mais segura que a CA. 94 Os sensores CC estão disponíveis em versões de condicionamento por intensidade de corrente elétrica, como mostram as figuras 2.63 e 2.64. Source (PNP) fornece alimentação para a carga que deve se referir ao aterramento ou à fonte negativa da fonte de alimentação. Figura 2.63 - Esquema de versão de corrente em PNP. Sink (NPN) fornece aterramento para a carga que deve se referir à tensão positiva que compartilha o mesmo aterramento. Figura 2.64 - Esquema de versão de corrente em NPN. Os consumos típicos de alimentação para cada tipo de sensor são: – Fotoelétrico 35mA – Ultrassônico 70mA – Indutivo 15mA – Capacitivo 15mA Assim como a especificação da tensão, é importante a determinação dos requisitos de carga. Na identificação destes requisitos convém considerar qual é o dispositivo que o sensor vai controlar diretamente e quais são as suas características. Os componentes elétricos em série entre a saída do sensor e alimentação ou aterramento constituem a chamada carga de saída do sensor. Assim, é possível determinar a corrente máxima de saída do sensor. Além disso, é importante verificar se o sensor necessita condicionar a saída a fim de que seja útil para o dispositivo com o qual faz interface. Se o evento que se está detectando é rápido, pode ser necessário que o sensor ou um circuito de condicionamento forneça um pulso de saída mais longo que a duração do evento (ou que seja definido um dispositivo de controle (geralmente um CLP) que possa fazer a leitura deste sinal através de uma “entrada rápida”). A corrente de chaveamento é uma das características mais importantes dos sensores que operam com corrente contínua, pois determina a máxima corrente que pode ser comutada pelo transistor de saída sem danificá-lo. 95 O tipo de saída a ser escolhido depende da interface da sua aplicação e dos tipos de saída disponíveis para os sensores. As mais saídas comuns são: i. Relé (eletromecânica) ii. Chave (eletromecânica) iii. Transistor (estado sólido) iv. Triac (estado sólido) Um relé eletromecânico (ou "contato seco") é atuadopela energização da fiação de uma bobina a qual atrai magneticamente uma armadura para abrir e fechar um circuito fisicamente. Por outro lado, um relé com contato aberto em estado de repouso (ou desernegizado) é considerado Normalmente Aberto (N.A.). Um relé com um contato fechado em estado de repouso é considerado Normalmente Fechado (N.F.). Na Fig. 2.65 estão apresentados exemplos de relés eletromecânicos. Figura 2.65 - Esquema de um relé eletromecânico e alguns exemplos. Fonte: http://www.teletronic.ind.br As saídas de estado sólido devem ser consideradas para as aplicações que requerem chaveamento freqüente ou de baixa tensão em baixas correntes. Uma chave de estado sólido é puramente eletrônica, não possuindo partes móveis. Os transistores são geralmente dispositivos de saída de estado sólido para sensores CC de baixa tensão enquanto que os TRIAC são dispositivos de saída de estado sólido projetados apenas para comutação CA. Na Fig. 2.66 estão apresentados exemplos de relés de estado sólido. Figura 2.66 - Esquema de um relé de estado sólido e alguns exemplos. Fonte: http://www.teletronic.ind.br 96 Para qualquer função de detecção, deve-se identificar o item que se deseja detectar, pode ser um objeto inteiro ou uma característica desse objeto. Deve-se também determinar as variáveis associadas ao objeto - presença, posição, direção, e como essas variáveis afetam o processo. Algumas considerações sobre as propriedades (tamanho, material, cor, opacidade etc.) determinarão o uso de uma tecnologia específica e definirão limitações dentro dessa tecnologia. Por exemplo, sensores indutivos somente detectarão objetos metálicos. Entretanto, o tamanho e o material do objeto afetam a faixa e a velocidade de detecção. As condições ambientais e seus efeitos devem também ser verificadas de forma a assegurar que os arredores não contêm fatores que afetem a tecnologia o que é um grande aspecto de confiabilidade da aplicação. Por exemplo, para detectar mudanças nas cores, deve-se utilizar luz. Um sensor que utiliza luz para detectar mudanças (um sensor fotoelétrico) nas cores do nosso alvo pode ter problemas para visualizar o alvo se os arredores estiverem muito opacos para transmitir a luz ou se o fundo refletir mais luz que o alvo. 2.5 Controladores Lógicos Programáveis Os controladores lógicos programáveis, ou CLPs, são equipamentos eletrônicos empregados para controlar sistemas de automação flexíveis. Possuem diversos tipos de saídas, nas quais são conectados os atuadores encarregados de fornecer energia para o funcionamento do sistema físico a ser controlado. Dispõem, ainda, de diversos tipos de entrada, onde são conectados sensores encarregados de medir as variáveis físicas próprias do sistema. Os CLPs permitem desenvolver e alterar facilmente a lógica para o acionamento das suas saídas em função das entradas, mudando assim a estratégia de controle de um de terminado sistema. Logo, é possível utilizar os sinais de entrada fornecidos pelos sensores no controle do diversos atuadores conectados nos pontos de saída. Durante a década de 50, o recurso mais usado no controle lógico de linhas de produção e em máquina isoladas era constituído de mecanismos baseados em dispositivos eletromecânicos. Tais dispositivos eram principalmente relés, e a complexidade dos processos produtivos exigia instalações em painéis d controle com centenas deles e, conseqüentemente, um número ainda maior de interconexões entre eles. Freqüentemente aconteciam problemas derivados do espaço ocupado pelo equipamento de controle, espaço que devia ser preservado de poeira, umidade, calor, etc., e a quantidade de falhas, sempre difíceis de achar e consertar, costumava ser excessiva. Uma outra circunstância comprometedora consistia no fato de que, como a programação lógica do processo era realizada por conexões elétricas fixas, eventuais alterações nessa lógica exigiam interrupções do processo produtivo para re-conectar os dispositivos. No final da década de 50 e início dos anos 60, com o surgimento da tecnologia de estado sólido, dispositivos transistorizados passaram a ser utilizados, reduzindo assim alguns dos problemas existentes, entre eles, o tamanho dos painéis de controle. Porém, foi a criação dos componentes eletrônicos interados em larga escala (LSI) e, principalmente, o desenvolvimento dos microprocessadores, nos anos 70, que permitiram a miniaturização dos controladores digitais de processos e o aparecimento dos Controladores Lógicos Programáveis. Essa primeira geração de CLPs foi melhorando com a inclusão de outros recursos importantes, entre eles, interfaces de operação e programação de fácil utilização, instruções aritméticas, lógicas e de manipulação de dados, recursos de comunicação via redes de CLP possibilidades de configuração específica para cada aplicação mediante o uso de módulos específicos intercambiáveis, canais únicos de transferência de dados, ou barramentos, onde são conectadas quantidades consideráveis de sensores e atuadores, entre outros muitos recursos. 97 Como em qualquer computador, o processador do CLP opera com uma série de instruções e dados codificados em forma de números binários, que ele pode entender; esse código é conhecido como código-objeto. Porém, a realização de programas diretamente em código-objeto é inadequada, devido à dificuldade de lembrar a instrução que cada número representa, além de haver uma grande possibilidade de errar ao digitar-se um programa constituído por números e muita dificuldade para encontrar os erros, caso o programa não execute as ações desejadas. Por essa razão, nasceram as linguagens de programação, que permitem ao programador editar o programa utilizando sentenças e estruturas escritas em forma bem mais próxima da sua linguagem cotidiana e que representam melhor a ação a ser executada. Nos computadores tradicionais, algumas linguagens já são muito conhecidas e de domínio de uma grande quantidade de programadores, tais como C ou Pascal. O texto do programa escrito nessas linguagens é conhecido como programa fonte, e deve passar por um processo chamado compilação, que consiste em traduzir as sentenças escritas nessas linguagens ao código-objeto que o processador possa entender, para o programa poder ser executado. Os CLPs nasceram com a necessidade de substituir os painéis de controle a relés; portanto, uma linguagem de programação que fosse familiar à experiência dos técnicos e engenheiros, acostumados com essa lógica, seria a escolha mais adequada para a geração de programas próprios para CLPs. É por essa razão que foi desenvolvida uma linguagem conhecida como ladder (ou diagrama de contatos), que hoje em dia constitui a linguagem padrão, mas não a única, de programação desses Controladores. Os editores de programas na linguagem ladder (normalmente para microcomputadores), possuem um ambiente gráfico onde o programador vai desenhando o diagrama de contatos seguindo a lógica do programa a ser implementado. Além disso, os editores possuem uma opção de compilação para traduzir o diagrama desenhado em um programa em código-objeto, o qual pode ser armazenado como um arquivo executável. O programa executável deve ser transferido do computador ao CLP (operação conhecida como download), o que geralmente é feito por melo de um cabo de conexão entre portas seriais de ambos equipamentos. Transferido o aplicativo, o programa executor do CLP pode executá-lo dispensando o computador, que pode assim ser desconectado. Alguns modelos de CLP possuem uma bateria para manter armazenado o aplicativo na memória RAM sem perdê-lo ao desligaro equipamento. Entretanto, outros modelos de CLP possuem um keypad com teclas com os contatos, entre outras opções, de maneira tal que o programador pode ir introduzindo o programa diretamente no CLP sem necessidade de desenhar o diagrama previamente no computador. Esses CLPs possuem na sua memória um programa monitor, que vai lendo o teclado e gerando o código-objeto correspondente na área de memória destinada ao aplicativo. Com os recursos oferecidos pelas novas gerações de microprocessadores, a representação simbólica dos programas tornou-se, em alguns casos, impossível de ser implementada por melo de um diagrama de contatos. É o caso das sentenças que representam chamadas a sub-rotinas, ou saltos a outras instruções, chamadas a procedimentos e funções, e algumas sentenças de processamento aritmético ou lógico. Por essa razão, alguns programas de editoração de aplicativos para CLP possuem outras linguagens alternativas de programação, que contemplam essas outras opções. A mais utilizada dessas outras linguagens é a de mnemônicos booleanos, que consiste em um conjunto de instruções representadas por pequenas palavras, chamadas de mnemônicos, seguidas de dados sobre os quais a instrução opera como, por exemplo, os números de entradas e saídas, operandos em uma operação aritmética ou lógica, etc. Essa linguagem, muito próxima da linguagem Assembly, para microprocessadores, embora seja mais difícil de programar, é mais condizente com a forma como os processadores operam e, portanto, a maneira mais racional de programar um CLP. 98 Finalmente, cabe observar que tais linguagens não são únicas para todos os tipos de CLPs, mas que cada modelo possui um conjunto de instruções específicas, e por tal motivo, recomenda-se que, ao se implementarem programas reais, realize-se primeiramente um estudo detalhado do manual fornecido pelo próprio fabricante. Alguns exemplos de CLPs podem ser vistos na figura a seguir. Figura 2.67 – Exemplos de CLPs comerciais. Fonte: http://www.movimatic.com.br/clp/, http://www.iconetec.com.br/, http://www.zycon.com.br 2.6 A Linguagem Ladder A linguagem de programação Ladder (que é uma extensão da representação de sistemas lógicos por diagramas de contatos) surgiu como decorrência da experiência de técnicos e engenheiros no projeto e aplicação dos painéis de controle a relés. Hoje em dia, esta é a linguagem padrão (mas não a única) de programação dos CLPs. Os programas de edição de códigos na linguagem ladder são normalmente utilizados em microcomputadores e possuem um ambiente gráfico no qual o programador desenha o diagrama de contatos seguindo a lógica do programa a ser implementado. Além disso, estes editores possuem uma opção de compilação para traduzir o diagrama desenhado em um programa em código-objeto, o qual pode ser armazenado como um arquivo executável. O programa executável deve ser transferido do computador ao CLP (operação conhecida como download), o que geralmente é feito por meio de um cabo de conexão entre portas de comunicação (seriais, paralelas ou USB – Universal Serial Bus) de ambos equipamentos. Transferido o código, o programa executor do CLP pode executá-lo dispensando o computador, que pode assim ser desconectado. Alguns modelos de CLP utilizam uma bateria para manter armazenado o aplicativo na memória RAM sem perdê-lo ao desligar o equipamento. Outros modelos de CLP possuem um teclado com teclas de programação de instruções, dentre outras opções, de maneira tal que o programador pode ir introduzindo o programa diretamente no CLP sem necessidade de desenhar o diagrama previamente no computador. Esses CLPs possuem na sua memória um programa monitor, que vai lendo o teclado e gerando o código-objeto correspondente na área de memória destinada ao aplicativo. É importante ressaltar que a representação simbólica em linguagem de diagramas de contatos de programas que utilizam recursos mais avançados dos microprocessadores tornou- se, em muitos casos, impossível de ser implementada. Isto ocorre, por exemplo, no caso das chamadas a sub-rotinas, procedimentos e funções, nos saltos a outras instruções e em algumas sentenças de processamento aritmético ou lógico. Por essa razão, alguns programas de 99 editoração de aplicativos para CLP possuem outras linguagens alternativas de programação, que contemplam essas outras opções. Algumas linguagens alternativas consistem de uma extensão da linguagem Ladder, com a introdução de novos elementos específicos de cada CLP que representam as instruções que a linguagem Ladder tradicional não contempla. Outra linguagem alternativa utilizada é a de mnemônicos booleanos, que consiste em um conjunto de instruções representadas por pequenas palavras, chamadas de mnemônicos, seguidas de dados sobre os quais a instrução opera como, por exemplo, os números de entradas e saídas operandos em uma operação aritmética ou lógica, etc. Essa linguagem é muito próxima da linguagem assembler para microprocessadores e, embora ela seja mais difícil de implementar do que a linguagem ladder, apresenta-se geralmente mais de acordo com a forma como os processadores operam. Estas linguagens não são únicas para todos os tipos de CLPs, sendo que cada modelo possui um conjunto de instruções específicas, podendo, assim variar bastante a forma como os mesmos são programados. É necessário, portanto, que os manuais específicos de cada equipamento seja minuciosamente estudado antes de iniciar qualquer atividade de programação. 2.6.1 Programação em Linguagem Ladder A linguagem Ladder de programação de controladores programáveis é ainda hoje a mais empregada por indústrias e empresas de automação. Esta linguagem é inteiramente baseada nos métodos de projetos elétricos para controles por relés e circuitos discretos. A programação em Ladder atende a algumas convenções: - Existe uma barra de energia (+V) à esquerda e uma barra de 0V à direita do circuito desenhado. - As conexões do circuito sempre obedecem a este sentido de fluxo de energia: para ligar um relé ele precisa ter uma extremidade conectada (diretamente ou através de outros circuitos) à barra de energia e a outra extremidade conectada na barra de 0V. - Um relé pode ter diversos contatos auxiliares. - O retorno de algum sinal, como a saída de um temporizador para sua própria entrada (formando um oscilador), somente pode ser feita através de um relé (acionado pelo temporizador) e um contato auxiliar deste relé conectado na entrada do temporizador. Chaves (NA e NF) podem ser representadas por relés e contatos auxiliares empregados na linguagem Ladder. O controle de uma chave funciona como a bobina do relé e os contatos da chave como os contatos do relé. Um relé pode ter mais de um contato auxiliar o que simula uma situação em que se utiliza mais de uma chave com os controles unidos para serem atuadas todos de uma vez só. 100 Figura 2.68 – Exemplo de implementação das operações AND, NOR e XOR em linguagem Ladder. 2.6.2 Exemplos de Programação Através da Linguagem Ladder Conforme visto anteriormente, a linguagem Ladder baseia-se na representação de circuitos lógicos através de desenhos formados por duas linhas verticais, que simulam os pólos positivo e negativo de uma bateria ou fonte de alimentação genérica. Entre essas duas linhas verticais são desenhados ramais horizontais que possuem chaves, que podem ser de lógica normalmente aberta ou fechada, e que representam os estados dasentradas do circuito. Nesses ramais horizontais são representadas (em geral com uma variável entre dois parêntesis ou por um círculo) as saídas do circuito de maneira tal que o estado delas depende do estado das entradas desse mesmo ramal. A Fig. 2.69 mostra um pequeno programa feito em Ladder que serve para controlar a lógica de operação de uma prensa (hipotética). Figura 2.69 – Exemplo de aplicação de programação Ladder (comando de uma prensa). 101 As botoeiras B1 e B2 servem para iniciar a operação e precisam ser acionadas juntas (na prática elas devem ser montadas distantes de forma que o operador precise das duas mãos para pressionar as botoeiras). Uma vez iniciada a operação o relé auxiliar R1 é ligado (já que o contato auxiliar do relé R2 é normalmente fechado). O primeiro contato auxiliar de R1 irá manter o próprio R1 ligado mesmo que as botoeiras sejam liberadas (travamento). O segundo contato auxiliar de R1 energiza o relé S1 que, na prática, deve atuar uma válvula solenóide. Esta válvula comanda o movimento da prensa. No fim do movimento da prensa um sensor tipo fim de curso é atuado ligando o relé auxiliar R2. Este relé, quando ligado, abre seu contato auxiliar desligando o relé R1, que desligará a saída S1, com a lógica toda voltando ao estado inicial. Já foi visto que as funções booleanas básicas (and e or, dentre outras) podem ser facilmente representadas na forma de diagramas de contatos Evidentemente, em muitas situações devem-se programar lógicas correspondentes a expressões algébricas mais complexas, devido ao fato de que o estado do atuador pode depender de combinações complexas de estados de vários sensores. Isso é possível programar através da utilização de variáveis intermédias. Por exemplo, suponha-se que se deseja implementar em um diagrama de contatos à lógica representada pela seguinte expressão algébrica: BA*BCB*AS , onde o estado de saída S depende dos estados de três variáveis binárias de entrada denominadas A, B e C. A título de ilustração será implementado um diagrama de contatos seguindo a lógica dessa expressão sem simplificação alguma (é claro que, utilizando o mapa de Karnaugh e/ou as leis de De Morgan e as propriedades da álgebra de Boole é possível simplificar inicialmente essa expressão antes de implementar o diagrama de contatos). Tal diagrama poderá ter o aspecto apresentado na Fig. 2.69. Nesta figura as variáveis de entrada A, B e C são descritas pelas entradas E1, E2, e E3, respectivamente. A variável de saída é descrita diretamente por S. Como na expressão lógica aparece mais de uma vez a mesma variável, aqui também é utilizada a mesma entrada em mais de um ramal. Isso não acrescenta qualquer inconveniente à representação por diagrama de contatos. Quando o programa executor efetua os ciclos de varredura, ele lê os estados das três entradas E1, E2, e E3, e escreve os seus valores nas posições de memória correspondentes (M1 a M7) que correspondem aos estados respectivos de acordo com a lógica descrita pelo programa. Finalmente, ao término de cada passo de varredura é estabelecido o estado da saída S segundo a lógica programada. Vale salientar que apesar de serem utilizadas memórias internas do microcontrolador, este caso não caracteriza um sistema lógico com memória, pois, a lógica é direta, ou seja, para cada conjunto de variáveis de entrada E1, E2, e E3 existe apenas uma respectiva variável de saída S possível, caracterizando uma relação unívoca entre a saída e as entradas. 102 E1 E2 (M1) E3 E2 1 M2 M1 M3 M4 M5 M7 (M2) (M3) (S) (M4) (M5) E1 E2 (M6) M6 (M7) Figura 2.70 – Diagrama de contatos (linguagem Ladder) para a expressão lógica BA*BCB*AS . 103 3. ATUADORES INDUSTRIAIS Neste capítulo são apresentados alguns conceitos necessários ao entendimento dos assuntos que seguem. Apresenta-se o conceito de atuador e seus diferentes tipos. 3.1 Definições de Atuador Um atuador é um dispositivo destinado a executar uma ação: a) Ligação um motor; b) Movimentação de uma esteira; c) Abertura/fechamento de uma válvula; d) Dosagem de material. Esta ação é o resultado do controle de um processo de produção, normalmente feito por um CLP. Esses dispositivos podem ser elétricos, hidráulicos ou pneumáticos, cada um com suas características: I. Acionamento Hidráulico 1. Permite valores elevados de velocidade e de força. 2. A grande desvantagem é o seu elevado custo. 3. Preferíveis em ambientes nos quais os motores elétricos poderão causar incêndios, como seja na pintura II. Acionamento Elétrico 1. Oferecem menor velocidade e força (comparativamente aos hidráulicos). 2. Permitem maior precisão, maior repetibilidade e mais “limpos” na utilização. 3. Dois tipos de acionamentos elétricos: motores passo a passo (controle em malha fechada ou aberta) e servo motores DC (controle em malha fechada). 4. Os últimos são os mais utilizados, permitindo movimentos controláveis de forma contínua e suave. III. Acionamento Pneumático 1. Utilizado em atuadores de pequeno porte, mas de alta velocidade. 2. Baixo custo (mais econômico que os anteriores). 3.2. Atuadores Pneumáticos Os atuadores pneumáticos são semelhantes aos atuadores hidráulicos, porém a diferença é a utilização de ar ao invés de óleo. Entretanto o ar é altamente compressível, o que causa uma baixa precisão e força, porém, como vantagem, esses atuadores possuem alta velocidade. Atuadores pneumáticos lineares (cilindros) requerem sistemas sofisticados e complexos quando se deseja um grande controle da posição em pontos ao longo do curso. Justamente por 104 isso, são pouco utilizados em aplicações que tenham tal necessidade. Porém, diversas tarefas de produção podem ser automatizadas com atuadores pneumáticos lineares trabalhando entre os extremos de posição, ou seja, totalmente recolhido ou totalmente estendido, que apresentam boa repetibilidade. Estas tarefas em geral são simples, consistindo de movimentação de material, fixação de peças e separação de objetos, chamadas genericamente de operações “pega e põe”. Os atuadores pneumáticos são compostos de cilindros, válvulas e solenóides. Alguns exemplos podem ser observados nas figuras a seguir. Figura 3.1 – Exemplos de alguns atuadores pneumáticos. O baixo custo dos atuadores pneumáticos e da geração de ar-comprimido faz com que a automação pneumática seja a mais adequada se o trabalho a ser realizado for simples. Pode-se utilizar o acionamento pneumático em juntas rotativas de forma direta (atuadores rotativos) ou com redutores (motores pneumáticos de lóbulos ou palhetas). Tais aplicações são, contudo, muito especificas e indicadas apenas quando houver restrições quanto ao acionamento elétrico ou hidráulico. A programação de sistemas pneumáticos pode ser realizada com controladores lógicos programáveis (PLC), ou mesmo por chaves distribuidoras e chaves fim de curso. Este tipo de programação permite certa flexibilidade na seqüência de acionamentos, porem é bastante limitada no que se refere a mudanças na forma e no tipo de tarefa executada. Pode-se dizer, portanto, que sistemas pneumáticos estão mais próximos de uma automação fixa do que da automação programável. Por definição atuador pneumático gera energia mecânica através do deslocamento linear (haste) ou rotativo (eixo), com a utilização de ar-comprimido. Possuindo como principais características: a. Ar altamente compressível;b. Volume dentro do recipiente não é constante; c. Compressão do ar gera calor, resultando em perda de energia mecânica transformada em energia térmica d. Maior trabalho; e. Menor eficiência do sistema Os atuadores pneumáticos podem ser classificados por: a) Lineares: i. Simples Ação Realiza o trabalho em um único sentido Aplicação: fixação, expulsão, extração, compressão de peças, etc. Exemplos: 105 Retorno por mola interna Retorno por força externa Avanço por mola externa ii. Dupla Ação Realiza o trabalho nos dois sentidos Exemplos: Sem amortecimento Com amortecimento não regulável Com amortecimento regulável em ambos os lados b) Rotativos i. Cilindros Rotativos - Giro limitado Giro Limitado Constituído por um cilindro com uma haste dentada que movimenta uma engrenagem Pode girar nos dois sentidos; Torque depende das pressões de trabalho, das áreas de cilindro e da relação de transmissão. Aplicações • Virar grandes peças • Curvar tubos • Girar dispositivos de engrenagens 106 Constituído à base de uma aleta giratória Muito utilizado para giros menores com pequenos torques; Possui dispositivo para ajuste de giro sem escalonamento. Aplicações • Dispositivos de manipulação de peças • Dispositivos de testes de duração • Abertura de pequenas portas ii. Motores Pneumáticos - Giro ilimitado Giro Ilimitado Menores que os motores elétricos Possibilidade de variação contínua de velocidades de rotação e de seu torque; Altos torques em baixas rotações; Sobrecargas ou paradas de rotação com alto torque sem problemas de segurança ou danos; Altas rotações (até 20.000 rpm em motores de palheta e 200.000 rpm em minúsculas turbinas); Fácil reversão do movimento rotativo, obtida com a simples comutação da válvula de suprimento de ar. Podem ser: • Motores de palhetas • Construção mais simples • Pequeno peso 107 • Podem atingir rotações entre 3000 e 8500 rpm com potências que vão de 0,1 à 24 cv, à pressão normal. • Motores de pistão • Mais complexos e caros • Ideais potências maiores • Motores de turbinas • Rotações muito altas • Baixas potências • Motores de engrenagens • Construção simples • Menor custo • Rendimento menor que o dos motores de palhetas. 108 c) Outros i. Garras ii. Músculos 3.3. Atuadores Hidráulicos Em um atuador hidráulico têm-se uma série de componentes e os principais desse sistema atuador são: motor, cilindro, bomba de óleo, válvula e tanque de óleo. O motor é responsável pelo fluxo de óleo no cilindro em direção ao pistão que movimenta a junta. Assim, este tipo de acionador é geralmente associado a equipamentos de maior porte, quando comparados aos atuadores pneumáticos e elétricos. Entretanto a precisão em relação aos atuadores elétricos é menor. Existem diversos tipos diferentes de motores hidráulicos, como motor de palheta, de engrenagem, de lóbulos, etc., e todos eles apresentam características de alto torque especifico, ou seja, torque elevado com massa e volume reduzidos. São, portanto, apropriados para equipamentos que manipulam grandes cargas. Em contrapartida, a exigência de elementos de controle e pressurização do fluido hidráulico faz com que o custo destes sistemas seja elevado, tornando-se vantajoso apenas em braços de grande porte. Apresentam, adicionalmente, problemas de manutenção, já que podem ocorrer vazamentos do fluido e desgaste na bomba e motores. Deve ser mencionado, finalmente, que os atuadores hidráulicos lineares são mais compactos e robustos do que seus equivalentes elétricos ou mesmo pneumáticos, e com isso são indicados para uso em pequenos espaços como, por exemplo, robôs do tipo pórtico ou esféricos, que utilizam juntas prismáticas. Assim como os atuadores pneumáticos, os atuadores hidráulicos são compostos de cilindros, válvulas e motores. Alguns exemplos podem ser observados nas figuras a seguir. 109 Figura 3.2 – Exemplos de alguns atuadores hidráulicos. Por definição, um atuador hidráulico gera energia mecânica através do deslocamento linear (haste) ou rotativo (eixo), com a utilização de líquido em alta pressão. Tem como funcionamento o princípio dos vasos comunicantes - Lei de Pascal (exemplificada na figura a seguir). Figura 3.3 – Princípio de Pascal, F é a força e A é a área do cilindro. Os atuadores hidráulicos podem ser classificados por: a) Pistão i. Movimento linear Figura 3.4 – Exemplos de alguns atuadores hidráulicos com movimento linear. 110 b) Motor hidráulico ii. Movimento rotativo Figura 3.5 – Exemplos de alguns atuadores hidráulicos com movimento linear. 3.4. Atuadores Elétricos Geralmente equipamentos de tamanho pequeno a médio utilizam atuadores elétricos. Os atuadores elétricos mais comuns em uso nos sistemas automatizados são: motor de corrente continua ou DC, servo-motor e motor de passo, ale é claro do motor de corrente alternada. Esses tipos de atuadores não propiciam muita velocidade ou potência, quando comparados com atuadores hidráulicos, porém atingem maior precisão. Em geral são dotados de redutores para reduzir a velocidade e aumentar o torque. Acionamentos elétricos podem ser inclusive, utilizados em juntas prismáticas, com a transformação do movimento rotativo do motor em movimento linear por meio de um fuso. Motores elétricos lineares não são comumente utilizados, pois produzem forças de pequena intensidade. O custo do acionamento elétrico cresce com o torque necessário para o acionamento, já o tamanho do motor é praticamente proporcional ao conjugado produzido. Por outro lado, a simples redução da velocidade, por meio de redutor, embora propicie maior precisão e maior torque, reduz significativamente a produtividade. Maior torque significa maior velocidade ou maior carga, e ambos são desejáveis. O custo de atuadores hidráulicos cresce também com a demanda de torque, porém de forma mais lenta, já que tais motores tendem a ser mais compactos. Adicionalmente o custo dos equipamentos de condicionamento e controle do fluido hidráulico é alto e pouco influenciado pela escala. Isto indica que o acionamento elétrico é mais vantajoso economicamente em equipamentos de pequeno e médio porte, ao passo que o acionamento hidráulico é melhor quando se trata de gerar grandes potências e cargas. 111 Os atuadores elétricos, também são compostos de cilindros e com maior diversidade tecnológica dos motores. Como ilustração a seguir são mostrados alguns exemplos que podem ser observados. Figura 3.6 – Exemplos de alguns atuadores elétricos. Por definição, um atuador elétrico gera energia mecânica através da conversão de energia elétrica. Podem ser construídos e controlados nas mais diferentes formas, entre as principais pode-se destacar: a) Motores AC – Corrente Alternada i. Aplicações Industriais ii. Grande volume iii. Dificuldade no controle de velocidade e torque iv. Velocidade e Torque elevados v. Podem ser: Síncronos – velocidade de rotação diretamente proporcional a frequência de alimentação Assíncronos – velocidade de rotação não proporcional a frequência de alimentação. 112 http://www.gallantmotor.com/acvsdc Figura 3.7 – Exemplos de alguns motores elétricos de corrente alternada. b) Motores DC – Corrente Contínua i. Aplicação:Robótica ii. Torque elevado em volumes reduzidos iii. Dificuldade de controle da posição do eixo e velocidade de rotação iv. Utilização de sistema de malha fechada com sensor de posição e/ou velocidade v. Movimentação suave e contínua vi. Motores sem escova: Com o avanço dos computadores e transistores de potência, tornou-se possível "colocar o motor para fora" e eliminar as escovas. Em um motor CC sem escovas (BLDC), colocam-se os ímãs permanentes no rotor e transfere os eletroímãs para o estator. Dessa forma, é possível utilizar um computador (conectado a transistores de potência) para energizar os eletroímãs enquanto o eixo gira. Esse sistema traz várias vantagens: 113 Como, em vez de escovas mecânicas, é um computador que controla o motor, ele é mais preciso. O computador também pode controlar a velocidade do motor na equação, deixando os motores sem escovas mais eficientes: Não há centelhas e muito menos ruído elétrico; Não há escovas para se desgastarem; Com os eletroímãs no estator, eles são arrefecidos com mais facilidade; É possível ter vários eletroímãs no estator para aumentar a precisão do controle. A única desvantagem de um motor sem escovas é seu maior custo inicial, mas normalmente dá para recuperar esse custo devido à maior eficiência obtida durante a vida do motor. Figura 3.8 – Exemplos de alguns motores elétricos de corrente contínua. c) Motor de Passo – Pulsos Elétricos - um motor de passo é um motor cuja movimentação é controlada por pulsos elétricos enviados para as suas bobinas. Os motores de passo podem ser bipolares ou unipolares. Em ambos os casos as fontes utilizadas são de tensão continua e requerem um circuito digital que produza as sequências de sinais para que o motor funcione corretamente. A forma com que o motor irá operar dependerá bastante do que se deseja controlar. Existem casos em que o torque é mais importante, em outras a precisão ou mesmo a velocidade são mais relevantes. Ao trabalhar com motores de passo, precisa-se de algumas 114 características de funcionamento, como a tensão de alimentação, a máxima corrente elétrica suportada nas bobinas, o grau (precisão), o torque. Motores de passo podem ser acionados de diversas formas. As duas formas mais comuns são: passo completo e meio passo. No modo de operação em passo completo pode-se acionar apenas uma ou duas bobinas a cada passo. No primeiro caso apenas uma bobina é energizada a cada passo, o torque gerado é menor, assim como o consumo. Os motores de passo são usados em aplicações de serviço relativamente leves e algumas das suas características de desempenho são apresentadas a seguir: i. Rotação em sentido horário e anti-horário; ii. Variações incrementais de precisão angular; iii. Repetição de movimentos bastante exatos; iv. Baixo torque; v. Um torque de sustentação a velocidade zero; vi. Possibilidade de controle digital. Figura 3.9 – Num motor de passo, o rotor é atraído por um par de pólos do estator e a seguir, por outro. O rotor movimenta-se por etapas discretas, pausando em cada orientação, até que novo comando do computador ative um jogo diferente de eletroímãs. Figura 3.10 – Exemplos de alguns motores elétricos de passo. 115 d) Servo Motor - um servo motor é um dispositivo cujo posicionamento acompanha um sinal de entrada (ele é escravo ou servo de um sinal). Servo motores são compostos por motores DC e um redutor de velocidade, junto com um sensor de posição e um sistema de controle realimentado. Em outras palavras, os servo motores podem ser considerados como sendo motores comandados em posição (angular ou linear), já que, do ponto de vista de quem os utiliza, o controle interno em malha fechada é irrelevante. Os servo motores são pequenos, com ampla variação de torques. O mecanismo de posicionamento ajusta a posição angular por meio de um sinal codificado que lhe é enviado. Enquanto esse código estiver na entrada, o servo irá manter a sua posição angular. Em geral o sinal e do tipo PWM (Pulse Width Modulation), ou seja, a posição angular ira depender da largura do pulso enviado. OBS: Utilizam-se os motores de passo para construir servo motores. vii. Servo oferece controle mais suave viii. Giram para um ponto específico ix. Oferecem um bom torque e controle x. Ideais para potência em braços de robô etc. xi. Entretanto: Grau de revolução é limitado Não são apropriados para aplicativos que exigem rotação contínua xii. Contém motor, caixa de redução, driver controlador e potenciômetro xiii. Três cabos – 0V, 5V e PIC sinal xiv. Potenciômetro conectado a caixa redutora – movimento monitorado xv. Fornece retroalimentação xvi. Se posição é distorcida a correção é automática Figura 3.7 – Exemplos de alguns servo motores. 3.5. Algumas Comparações entre os Tipos de Atuadores Para fins de comparação a tabela a seguir mostra algumas comparações comumente realizadas entre os diferentes tipos de atuadores. 116 Tabela 3.1 - Algumas Comparações entre os Tipos de Atuadores: Tipo Capacidade de Carga Rigidez (sem transmissão) Inércia Tamanho (Peso/Volume) Qualidade de movimento Elétrico Baixa/Média Baixa Alto Alto Alto Pneumático Média Baixa Baixa Média Baixa Hidráulico Alto Alto Baixa Baixa Média Característica Hidráulico Pneumático Elétrico Relação Carga/Peso Alta Alta Baixa (sem transmissão) Relação Rigidez/Peso Alta Média Baixa (sem transmissão) Relação Inércia/Peso Baixa Baixa Alta Tipo Limitação de movimento Repetibilidade Velocidade Facilidade de Controle Custo Elétrico Sem limitação Média/Alta (limitada pela transmissão) Alta Alta Médio Pneumático Alta limitação (pistão) Baixa Alta Média com o uso de válvulas proporcionais Baixa Hidráulico Alta limitação (pistão) Alta Média Boa com o uso de servo válvulas Alto 117 4. COMANDOS COMBINATÓRIOS Viu-se no item 1.2.2.5, que os comandos binários podem ser divididos em dois tipos essenciais: combinatórios e sequenciais. As aplicações dos comandos binários, tanto combinatórios quanto sequenciais, podem conter elementos tipo memória, temporizadores e contadores. A Fig. 4.1 apresenta uma visão geral do estudo de comandos binários: Figura 4.1 – Tipos de comandos binários Essencialmente, a diferença entre comandos combinatórios e comandos sequenciais reside no fato de que no caso dos comandos combinatórios, a execução das ações de saída depende apenas do estado lógico das entradas, enquanto que, no caso dos comandos sequenciais, a execução das ações depende tanto do estado lógico das entradas quanto do estado lógico de variáveis internas ao comando. Neste capítulo será abordado o estudo dos comandos combinatórios. Os comandos sequenciais serão estudados no Capítulo 6. Serão estudadas inicialmente as aplicações dos comandos combinatórios simples. Estes comandos caracterizam-se pelo fato de que a cada combinação lógica dos sinais de entrada corresponde apenas uma saída. As saídas são funções unívocas dos sinais de entrada, não necessitando de nenhum processamento adicional para serem determinadas. O projeto de sistemas com comandos combinatórios pode ser sistematizado através das seguintes etapas: 1) Formulação verbal do problema: consiste principalmente do entendimento do problema a ser resolvido através da ótica de projeto de sistemas mecatrônicos. Envolvem visitas de campo, discussãocom operadores, compilação de dados e, principalmente, descrição do problema e suas possíveis soluções. 2) Elaboração de uma tabela de correspondência lógica: esta tabela deverá contemplar a listagem das variáveis envolvidas no problema, sua descrição e correspondente notação. 3) Elaboração da tabela-verdade: a tabela-verdade deverá estabelecer as interdependências entre as variáveis envolvidas no problema e estabelecer as relações lógicas entre elas. Muitas vezes a elaboração da tabela-verdade envolve situações não previstas nas etapas anteriores, fazendo com que elas sejam revistas. 4) Obtenção da equação booleana simplificada: É realizada através da utilização do diagrama de Karnaugh e/ou das simplificações analíticas através da álgebra de Boole. COMANDOS BINÁRIOS COMBINACIONAIS SEQUENCIAIS Sem memória Com memória Com temporizadores Com contadores Sem memória Com memória Com temporizadores Com contadores 118 5) Elaboração de um fluxograma lógico: Esta etapa consiste na apresentação da equação booleana simplificada do sistema de controle discreto na forma de um diagrama elaborado com a simbologia das funções lógicas (através dos símbolos eletrônicos, diagramas de contatos, circuito elétrico análogo ou de qualquer outro sistema capaz de representar sistemas e relações lógicas). Esta é muitas vezes a última fase do projeto lógico de um sistema de controle discreto. O fluxograma lógico projetado com base na lógica booleana pode ser utilizado para a implementação de qualquer tipo de tecnologia (pneumática, hidráulica, elétrica, eletrônica ou microeletrônica) pois consiste em uma linguagem comum de comunicação entre os profissionais das diversas áreas envolvidas nos projetos de sistemas multitecnológicos. 6) Projeto da execução física do sistema de controle discreto. 7) Escolha da forma de programação. 4.1 Exemplos de Projetos de Comandos Combinatórios Simples Seguem alguns exemplos de aplicação de comandos combinatórios simples à solução de problemas de automação industrial. 4.1.1 Controle de uma Prensa com Segurança Neste exemplo, a técnica apresentada na seção anterior é aplicada ao projeto de um comando binário empregado para garantir a segurança no acionamento de uma prensa hidráulica. Verbalização do problema: O cilindro de uma prensa para estampagem deve avançar com, no mínimo, uma das seguintes condições de comando satisfeita: 1) Os dois botões manuais devem estar acionados 2) A grade de proteção deve estar fechada e o pedal acionado 3) A grade de proteção deve estar fechada e um dos dois comandos manuais deve estar acionado Tabela 4.1 – Tabela de correspondência Tabela de correspondência Variáveis de entrada Notação Correspondência lógica Acionamento manual 1 E1 Botão 1 acionado: E1 = 1 Acionamento manual 2 E2 Botão 2 acionado: E2 = 1 Acionamento por pedal E3 Pedal acionado: E3 = 1 Sensor: grade fechada E4 Grade fechada: E4 = 1 Variáveis de saída Sinal para avanço do cilindro S Cilindro avança: S = 1 119 Tabela 4.2 – Tabela-verdade Tabela-verdade Linha D C B A E4 E3 E2 E1 S 00 0 0 0 0 0 01 0 0 0 1 0 02 0 0 1 0 0 03 0 0 1 1 1 * 04 0 1 0 0 0 05 0 1 0 1 0 06 0 1 1 0 0 07 0 1 1 1 1 + 08 1 0 0 0 0 09 1 0 0 1 1 * 10 1 0 1 0 1 * 11 1 0 1 1 1 + 12 1 1 0 0 1 * 13 1 1 0 1 1 + 14 1 1 1 0 1 + 15 1 1 1 1 1 + As linhas assinaladas com “*” correspondem às condições mínimas de acionamento do cilindro, de acordo com a formulação verbal do problema. As combinações assinaladas com “+” satisfazem às condições mínimas, mas de maneira redundante. Elas não impedem o avanço do cilindro pois correspondem a situações em que a segurança do operador já está garantida por outras condições. Mais adiante será visto como estas condições podem ser eliminadas, simplificando o projeto e tornando sua execução física mais simples e, possivelmente, mais econômica. A combinação das linhas com saídas com sinal com estado alto (1) através do método da soma dos produtos resulta na seguinte equação booleana: 1E*E2*E3*E4E1*E2*E3*E4E1*E2*E3*E4 E1*E2*E3*E4E1*E2*E3*E4E1*E2*E3*E4 E1*E2*E3*E4E1*E2*E3*E4E1*E2*E3*E4S (4.1) Note-se que esta equação booleana para um comando discreto, obtida diretamente a partir da sua tabela-verdade é bastante extensa para um problema relativamente simples. É necessário, portanto, simplificar esta expressão para que seja mais prática de ser executada fisicamente. Isto será realizado através da utilização do diagrama de Karnaugh para quatro variáveis, conforme apresentado a seguir (note-se que somente estão marcados inicialmente os campos com saída 1). 120 Tabela 4.3 – Mapa de Karnaugh com 4 variáveis A, B, C, D C C A A A A D B B 1 1 D B 1 1 1 1 B 1 1 1 São, a seguir, determinados os maiores agrupamentos retangulares possíveis de campos adjacentes sem alteração das variáveis de entrada. Tabela 4.4 – Grupo 1 (termo do grupo B*D) A, B, C, D C C A A A A D B B 1 1 D B 1 1 1 1 B 1 1 1 Tabela 4.5 – Grupo 2 (termo do grupo A*B) A, B, C, D C C A A A A D B B 1 1 D B 1 1 1 1 B 1 1 1 Tabela 4.6 – Grupo 3 (termo do grupo A*D) A, B, C, D C C A A A A D B B 1 1 D B 1 1 1 1 B 1 1 1 121 Tabela 4.7 – Grupo 4 (termo do grupo C*D). A, B, C, D C C A A A A D B B 1 1 D B 1 1 1 1 B 1 1 1 A equação booleana simplificada correspondente resulta então: S =A*B + B*D + A*D + C*D (4.2) É possível ainda aglutinar os termos acima, resultando: S =A*B + D*(A + B + C) (4.3) Tendo em vista a verbalização do projeto desejado, a análise desta equação permite concluir que ela representa de forma sucinta o cumprimento de todas as exigências especificadas de projeto. Apresenta-se a seguir o fluxograma lógico da equação booleana simplificada. E3 & >=1 E2 Y E4 1 1 1 E1 1 & >=1 >=1 Figura 4.2 – Fluxograma lógico da equação booleana S =A*B + D*(A + B + C) 4.1.2 Acionamento de uma Esteira Transportadora de Peças Uma esteira transportadora de peças deve entrar em movimento quando seus dois botões de comando forem acionados simultaneamente, ou quando um sensor indicar a presença de carga na mesma (neste problema não é necessário o circuito pneumático: a saída Y representa a energia elétrica para o motor da esteira, apresentar também a solução por relés - eletropneumática convencional). Apresentar a tabela de correspondência, construir a tabela- verdade, escrever a equação booleana, simplificar esta equação (gráfica ou analiticamente), elaborar o diagrama lógico e o diagrama de contatos. 122 Tabela 4.7 – Correspondências Variáveis de entrada Notação Correspondência lógica Botão 1 E1 Acionado: E1 = 1 Botão 2 E2 Acionado: E2 = 1 Sensor de carga E3 Com carga: E3 = 1 Variáveis de saída Notação Correspondência lógica Energia para o motor Y Motor acionado:Y = 1 Tabela 4.8 – Tabela-verdade Linha E1 E2 E3 Y 0 0 0 0 0 1 0 0 1 1 2 0 1 0 0 3 0 1 1 1 4 1 0 0 0 5 1 0 1 1 6 1 1 0 1 7 1 1 1 1 Obtenção da equação lógica simplificada: 321321321321321 E*E*E E*E*E E*E*E E*E*E E*E*ES (4.4) 32121212121 E*E*E)E*E E*E E*E E*E(S (4.5) 3213221221 E*E*EE*))E E(*E )E E(E(S (4.6) 321311 E*E*EE*)EE(S (4.7) 2133213 E*EEE*E*EES (4.8) A equação lógica simplificada equivalente é, então, 213 E*EES . E1 E2 & >=1 E3 Y Figura 4.3 – Diagrama lógico 123 E1 E3 E2 (Y) Figura 4.4 – Diagrama de contatos E1 E3 E2 Y Figura 4.5 – Solução por relés 4.1.3 Expulsão de Peças de uma Esteira Transportadora Um cilindro pneumático de ação simples, com retorno por mola, avança para expulsar um recipiente plástico de uma esteira transportadora se: o comando estiver na posição manual e uma válvula com comando por pedal for acionada pelo operador o comando estiver na posição automática e o recipiente não estiver com a abertura para cima Apresentar a tabela de correspondência, construir a tabela-verdade, escrever a equação booleana, simplificar esta equação (gráfica ou analiticamente), elaborar o diagrama lógico, o diagrama de contatos e o circuito pneumático. Tabela 4.9 – Correspondências Variáveis de entrada Notação Correspondência lógica Comando manual/automático E1 Manual: E1 = 1 Pedal E2 Acionado: E2 = 1 Sensor (recipiente para cima) E3 Acionado: E3 = 1 Variáveis de saída Notação Correspondência lógica Pressão para o cilindro Y Expulsão do recipiente: Y = 1 124 Tabela 4.10 – Tabela-verdade Linha E1 E2 E3 Y 0 0 0 0 1 1 0 0 1 0 2 0 1 0 1 3 0 1 1 0 4 1 0 0 0 5 1 0 1 0 6 1 1 0 1 7 1 1 1 1 Obtenção da equação lógica simplificada: 321321321321 E*E*E E*E*E E*E*E E*E*ES (4.9) )E E(*E*E )E(E*E*ES 33212231 (4.10) 2131 E*E E*ES (4.11) E3 E1 & >=1 E2 Y & Figura 4.6 – Diagrama lógico E3 E2 E1 (Y) E1 Figura 4.7 – Diagrama de contatos 125 Figura 4.8 – Solução pneumática 4.1.4 Máquina de Distribuição de Refrigerantes Uma máquina de distribuição de refrigerantes trabalha com água e quatro sucos concentrados (limão, laranja, uva e maracujá). Os registros das tubulações que conduzem cada ingrediente são controlados por cinco cilindros pneumáticos de ação simples que abrem os registros ao avançar. O operador selecionará o refrigerante desejado por meio de quatro válvulas acionadas manualmente, de forma que só poderá ser escolhido um sabor de cada vez. Portanto, se o operador acionar duas ou mais válvulas ao mesmo tempo, a máquina permanecerá parada. Apresentar a tabela de correspondência, construir a tabela-verdade, escrever a equação booleana, simplificar esta equação (gráfica ou analiticamente), elaborar o diagrama lógico, o diagrama de contatos e o circuito pneumático. Tabela 4.11 – Correspondências Variáveis de entrada Notação Correspondência lógica Botão 1 – limão E1 Acionado: E1 = 1 Botão 2 – laranja E2 Acionado: E2 = 1 Botão 3 – uva E3 Acionado: E3 = 1 Botão 4 – maracujá E4 Acionado: E4 = 1 Variáveis de saída Notação Correspondência lógica Cilindro 1 – limão S1 Avanço: S1 = 1 Cilindro 2 – laranja S2 Avanço: S2 = 1 Cilindro 3 – uva S3 Avanço: S3 = 1 Cilindro 4 – maracujá S4 Avanço: S4 = 1 Cilindro 5 – água Y Avanço: Y = 1 126 Tabela 4.12 – Tabela-verdade Linha E1 E2 E3 E4 S1 S2 S3 S4 Y 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 1 0 0 0 1 1 2 0 0 1 0 0 0 1 0 1 3 0 0 1 1 0 0 0 0 0 4 0 1 0 0 0 1 0 0 1 5 0 1 0 1 0 0 0 0 0 6 0 1 1 0 0 0 0 0 0 7 0 1 1 1 0 0 0 0 0 8 1 0 0 0 1 0 0 0 1 9 1 0 0 1 0 0 0 0 0 10 1 0 1 0 0 0 0 0 0 11 1 0 1 1 0 0 0 0 0 12 1 1 0 0 0 0 0 0 0 13 1 1 0 1 0 0 0 0 0 14 1 1 1 0 0 0 0 0 0 15 1 1 1 1 0 0 0 0 0 Obtenção da equação lógica simplificada: Seja 43211 E*E*E*ES , 43212 E*E*E*ES , 43213 E*E*E*ES e 43214 E*E*E*ES , define-se a saída Y como 4321 SSSSY (4.12) Para facilitar a montagem do diagrama lógico e posteriormente circuito pneumático, é possível fazer-se algumas modificações nas equações lógicas considerando-se os teoremas da álgebra booleana, assim, temos inicialmente para a saída 1, 43211 E*E*E*ES , aplicando- se o Segundo Teorema de Morgan, obtém-se )E*(E*E*ES 43211 , aplicando novamente o mesmo teorema, obtém-se finalmente )EE(E*ES 43211 . Fazendo o mesmo para as demais saídas obtém-se também: )EE(E*ES 43122 , )EE(E*ES 42133 e )EE(E*ES 32144 . Estas equações são as utilizadas para a confecção do diagrama lógico e do circuito pneumático. 127 E3 E1 >=1 E2 Y E4 S4 S3 S2 S1&>=1 &>=1 &>=1 & >=1 Figura 4.9 – Diagrama lógico E1 E2 (S1) E3 E4 E1 E2 (S2) E3 E4 E1 E2 (S3) E3 E4 E1 E2 (S4) E3 E4 E1 E2 (Y) E3 E4 E1 E2 E3 E4 E1 E2 E3 E4 E1 E2 E3 E4 Figura 4.10 – Diagrama de contatos 128 Figura 4.11 – Circuito Pneumático 4.2 Comandos Combinacionais com Memória Os exemplos apresentados na Seção 4.1 correspondem à aplicação da lógica combinacional simples, isto é, uma lógica onde o estado das variáveis de saída depende exclusivamente dos estados das variáveis de entrada neste momento. Porém, comandos combinatórios simples são insuficientes para os casos em que a solução de um problema apresenta a necessidade de saídas diferentes para uma mesma combinação dos valores dos sinais de entrada, ou seja, não existe uma relação unívoca entre as combinações dos sinais de entrada e os valores das variáveis que definem as ações de saída. Dependendo da tecnologia utilizada, podem existir diversos tipos e configurações para as memórias, desde as mais simples da pneumática pura até memórias sofisticadas existente em microprocessadores e computadores. Iremos nos ater inicialmente ao estudo da memória RS, que consiste de um dos tipos mais comuns de memória e pode ser implementada em diversas tecnologias. 4.2.1 Memória RS Uma das representações para a memória RS está apresentada na figura a seguir: Figura 4.12 – Diagrama lógico para a função 21 E*S)(E . S1 S2 Y S3 S4 E1 E2 E3 E4 1 1E1 2E*S)1(E & E2 21 E*S)(E 129 A função 21 E*S)(E caracteriza um exemplo de circuito com memória simples, normalmente conhecido com memória RS (set-reset). Neste caso, para conhecer o estado da saída S quando as entradas E1 e E2 estiverem desativadas é necessário conhecer o estado anterior destas entradas; isto quer dizer que a saída já não mais depende exclusivamente da condição das entradas neste momento, mas de um histórico desses estados. Se, inicialmente, a entrada E1 estiver desativada, seja qual for o estado da entrada E2, a saída S estará desativada. Ao se ativar a entradaE1 (mantendo E2 desativada), se fechará o caminho entre a entrada e a saída, ativando a saídas S. Ao ativar a saída S, se fechará também o circuito pelo ramal de realimentação. Assim, se posteriormente for desativada a chave E1, a saída S permanecerá ativada, uma vez que o circuito permanece fechado pelo ramal de realimentação. O estado da saída apresenta-se alterado com relação à sua situação original mesmo estando as duas entradas novamente desativadas. Esta situação persiste até ativar-se a entrada E2, abrindo o circuito e desativando a saída S. Portanto, depois ativar E2, o circuito permanece aberto até que E1 seja novamente acionada. Em síntese, E1 é chamado de pulsador de start (ou set), pelo fato de que, ao ser pressionado, ativa a saída, a qual permanece nessa condição mesmo depois de soltar o pulsador, e E2 é chamado pulsador de stop (ou reset), porque ao ser pressionado desativa a saída, a qual permanece nesse estado mesmo após desativar E2. Este circuito de memória também é conhecido como circuito de relé, devido ao fato de que a sua lógica também pode ser implementada com um relé convencional. Figura 4.13 – Representação tradicional do bloco RS (set-reset). 4.2.2 Exemplo de um Comando Combinatório com Memória: Dispositivo Dosador de Grãos Um dispositivo para dosar a quantidade de grãos para ensacamento recebe-os de um outro reservatório alimentador, como mostra a figura a seguir. Quando o nível de grãos atinge a altura do sensor ótico de barreira E2, o cilindro A deve abrir a saída do dosador enquanto que o cilindro B fecha a alimentação. Quando o nível dos grãos atinge o sensor ótico E1, os cilindros A e B devem recuar, fechando-se, portanto, a saída do dosador e abrindo-se novamente a saída do alimentador. a) Mostrar que a equação booleana do comando combinatório deste sistema resulta em Y1 = E2*(Y1+E1)+Y1*E1. b) Mostrar que, conforme interpretação do funcionamento, também é possível se chegar à solução Y1 = E1*(E2+Y1); 1 1E1 2E*S)1(E & E2 = E1 E2 S R S 21 E*S)(E 130 c) Existe uma situação na tabela-verdade que só pode acontecer caso o sensor E1 esteja com defeito. Faça com que nesta situação soe um alarme (Y2). d) Apresentar a tabela-verdade para as situações acima, e mostrar como se obtém as correspondentes equações booleanas simplificadas através do diagrama Karnaugh. Figura 4.14 – Dispositivo dosador para ensacamento de grãos Para solucionar este problema é importante listar e identificar as variáveis de entrada e saída envolvidas. Isto pode ser realizado através da chamada tabela de correspondências apresentada a seguir. Tabela 4.13 – Tabela de correspondências 1 Variáveis de entrada Notação Correspondência lógica Sensor inferior do dosador E1 Com grãos: E1 = 1 Sensor superior do dosador E2 Com grãos: E2 = 1 Memória da variável de saída Ya Variáveis de saída Notação Correspondência lógica Acionamento dos cilindros Y1 Dosador aberto: Y1=1 B A 131 Tabela 4.14 – Tabela-verdade 1 Linha Ya E1 E2 Y1 0 0 0 0 0 1 ** 0 0 1 0 2 0 1 0 0 3 0 1 1 1 4 1 0 0 0 5 ** 1 0 1 1 6 1 1 0 1 7 1 1 1 1 **Estados impossíveis de ocorrer: recipiente com grãos na parte superior e sem grãos na parte inferior. Tabela 4.15 – Mapa de Karnaugh 1 Ya aY E1 1E 1E E1 E2 1 1 1 2E 1 Obtenção da equação booleana simplificada a partir do mapa de Karnaugh 1: a2a1211 Y*EY*EE*EY (4.13) 1a1a21 E*Y)E(Y*EY (4.14) O caso anterior considerou que quando houver falhas no sensoriamento, o sistema deverá manter o estado de funcionamento anterior (enchendo ou esvaziando). A equação descrita acima embute este conceito. Se o problema for interpretado diferentemente, fazendo troca da ação quando houver a indicação de uma situação impossível (reservatório com grãos na sua parte superior e vazio na inferior) obtêm-se outra equação booleana que descreve a lógica do problema, a partir de uma nova tabela-verdade: Tabela 4.16 – Tabela-verdade 2 Linha Ya E1 E2 Y1 0 0 0 0 0 1 ** 0 0 1 1 2 0 1 0 0 3 0 1 1 1 4 1 0 0 0 5 ** 1 0 1 0 6 1 1 0 1 7 1 1 1 1 132 Tabela 4.17 – Mapa de Karnaugh 2 Ya aY E1 1E 1E E1 E2 1 0 1 1 2E 1 Equação booleana a partir do mapa de Karnaugh 2 21a1 EE*YY (4.15) Obs. Esta equação é válida também para o caso em que se prefere não alterar o funcionamento quando ocorre a falha nos sensores durante a ação de esvaziamento do dosador (ou seja, a linha 5 da tabela-verdade 2 não se alterar com relação à tabela-verdade 1). Tabela 4.18 – Tabela de correspondências 2 Variáveis de entrada Notação Correspondência lógica Sensor inferior do dosador E1 Com grãos: E1 = 1 Sensor superior do dosador E2 Com grãos: E2 = 1 Memória da variável de saída Ya Variáveis de saída Notação Correspondência lógica Acionamento dos cilindros Y1 Dosador aberto: Y1=1 Acionamento do alarme Y2 Acionado: Y2=1 Tabela 4.19 – Tabela-verdade 3 Linha Ya E1 E2 Y1 0 0 0 0 0 1 0 0 1 1 2 0 1 0 0 3 0 1 1 0 4 1 0 0 0 5 1 0 1 1 6 1 1 0 0 7 1 1 1 0 Tabela 4.20 – Mapa de Karnaugh 3 Ya aY E1 1E 1E E1 E2 1 1 2E 133 Equação booleana simplificada obtida a partir do mapa de Karnaugh 3: 212 EEY (4.16) O alarme deverá servir para informar à equipe de manutenção que existe algum tipo de problema no sensoriamento ou funcionamento do sistema, seja devido a falhas mecânicas nos sensores 1 e 2 ou a algum outro tipo de inconveniente (tipo compactação excessiva do material a ser dosado, o que pode fazer com que na hora da descarga apenas a parte inferior do mesmo saia do recipiente, mantendo material na sua parte superior). 4.2.3 Travamento e Intertravamento As condições para o acionamento de uma memória são chamadas de condições de travamento. Nas situações em que a saída de uma memória é a condição de ativação de outra ocorre o chamado intertravamento de memórias. 4.2.3.1 Intertravamento Na figura a seguir está apresentado um esquema de intertravamento de duas memórias através da entrada de ativação (set). & E1 E2 S R S1 S R S2& E3 E4 Figura 4.15 – Intertravamento de memórias. Este esquema é utilizado quando é necessário programar um sistema de controle para dois processos que devam operar de maneira excludente, ou seja, que não possam ser executados ao mesmo tempo. Assim, a primeira memória só poderá ser ativada pela entrada E1 se S2 = 0. Portanto, enquanto a segunda memória estiver ativada a memória da saída S1 não poderá ser ativada. 4.2.3.2 Exemplo de Aplicação de Intertravamento de Memórias O acionamento independente de três comportas pode ser executado através da aplicação da propriedade de exclusão característico dos intertravamentos de memórias. 134 Seja, por exemplo, o caso de um ambiente de atmosfera controlada que só pode ser acessado ou abandonado através de três comportas que definem duas antecâmaras intermediárias entre o interior e o exterior desse ambiente. As portas são deslizantes, abertas cadaqual por um cilindro pneumático. A abertura de cada porta é lenta, comandada pelo sinal vindo de botões, instalados um de cada lado das mesmas. O fechamento é rápido, e se dá assim que a porta atinge sua abertura máxima, detectada por um sensor eletromecânico. Nunca poderá ocorrer a abertura de mais de uma porta, mesmo que dois ou três botões de início de abertura sejam acionados por diferentes operadores. Cada cilindro é comandado por uma válvula direcional 5/2 (VD 5/2) acionada por simples solenóide e retorno por mola. A solução deste problema pode ser obtida diretamente da aplicação de um conjunto de memórias RS em situação operacional de intertravamento. A tabela a seguir apresenta a correspondência lógica das variáveis de entrada e saída. Tabela 4.21 – Correspondências das variáveis. Variáveis de entrada Notação Variáveis de saída Sinal de abertura da porta 1 E1 Abrir porta E1=1 Sinal de abertura da porta 2 E2 Abrir porta E2=1 Sinal de abertura da porta 3 E3 Abrir porta E3=1 Fim de curso da porta 1 E4 Porta totalmente aberta E4=1 Fim de curso da porta 2 E5 Porta totalmente aberta E5=1 Fim de curso da porta 3 E6 Porta totalmente aberta E6=1 Variáveis de saída Solenóide da VD do cilindro 1 Y1 Porta abrindo Y1=1 Solenóide da VD do cilindro 2 Y2 Porta abrindo Y2=1 Solenóide da VD do cilindro 3 Y3 Porta abrindo Y3=1 A abertura das portas é lenta, em contrapartida ao sinal vindo dos botões de acionamento, que tem duração momentânea. Assim, quando um botão é acionado, a sua ação deve ser memorizada, mantendo o sinal para o solenóide da válvula do cilindro correspondente, até que a porta esteja integralmente aberta. Neste instante, o respectivo sensor de fim de curso deve desativar a memória (reset), retirando o sinal de acionamento do solenóide, permitindo o rápido fechamento da porta. Se um solenóide encontra-se energizado, nenhum dos outros dois poderá ser ativado, mesmo que os correspondentes botões de abertura estejam sendo acionados. Este conjunto de condições poderá ser cumprido através da combinação de memórias RS (obtido heuristicamente) apresentada na Fig. 4.16. Figura 4.16 – Solução para o problema de abertura excludente de 3 comportas. Observa-se, por exemplo, que após acionado o botão E2, que corresponde à abertura da comporta 2, tem-se Y2=1. Assim, esta ação, além de ocasionar a abertura da comporta 2, também impede que as memórias correspondentes às outras duas portas sejam acionadas, pois estará agindo no reset das suas entradas. Esta situação se manterá até a abertura completa da porta 2. S R >=1 Y1 E1 E4 Y2 Y3 S R >=1 Y2 E2 E5 Y1 Y3 S R >=1 Y3 E3 E6 Y1 Y2 135 4.3 Outros Comandos Combinatórios As tecnologias utilizadas na programação e implementação de comandos combinatórios disponibilizam, muitas vezes, algumas funções binárias derivadas especiais, cuja importância reside na sua grande utilidade e aplicabilidade. Nesta seção são apresentadas algumas destas funções. 4.3.1 Temporizadores A maioria das tecnologias atuais de implementação de sistema lógicos possui recursos de retardo de tempo, ou temporizadores (timers). Estes dispositivos (ou instruções, no caso de sistemas microprocessados) utilizados em comandos binários são funções que estabelecem uma relação lógica dependente do tempo entre um sinal de entrada e um sinal de saída. Os sinais de entrada e de saída são binários e o tempo é programado em valores que podem variar desde frações de segundo até, por exemplo, 999 segundos. A maneira como ele é inserido na implementação do controle, assim como algumas particularidades sobre seu uso, são próprias de cada tecnologia. Sob o enfoque de projeto de comandos combinatórios, os temporizadores enquadram- se como funções binárias derivadas. Em controladores programáveis, os temporizadores são geralmente disponíveis como funções já predefinidas. A forma de programá-los nas listas de instruções, e sua simbologia no diagrama de contatos ou no fluxograma lógico varia com o fabricante. Porém, geralmente é necessário que o integrador forneça algumas informações básicas, tipo, o tempo de retardo (preset value) que é um múltiplo de uma base de tempo e a própria base de tempo que, em geral, pode ser escolhida entre algumas opções pré- determinadas. Por exemplo, se a base de tempo escolhida é de 0,l s e o preset value é PV=300, obtém-se um retardo de 30 s. Existem diversos tipos de temporizadores sendo que os mais comumente usados na técnica de comandos são os temporizadores de impulso e os temporizadores de retardo, subdividindo-se ainda nos seguintes modos de funcionamento: - temporizadores de impulso: Como mostra o diagrama da Fig. 4.17 (a), assim que o sinal de entrada E passa de 0 a 1, existira o sinal de saída (S = 1) iniciando-se a contagem do tempo T programado. A saída existira no máximo durante o tempo T, caso a entrada subsista mais demoradamente. Se a entrada for desligada no tempo menor que T, a saída também deixará de existir. - temporizadores de impulso prolongado: Neste caso, assim que o sinal de entrada passa de 0 a 1, existirá o sinal de saída S com a duração do tempo programado T, independentemente do tempo de permanência do sinal de entrada E, conforme mostra a Fig. 4.17 (b). - temporizadores de retardo na ligação: Dado um sinal de entrada E, haverá um sinal de saída após o tempo programado T, desde que o sinal de entrada E permaneça existindo. Assim que o sinal E passa de 1 a 0, a saída também deixa de existir (S = 0). Para um tempo de entrada menor que T, nem chegará a haver sinal de saída. A Fig. 4.17 (c) apresenta o diagrama no tempo do temporizador de retardo na ligação. - temporizadores de retardo no desligamento: O sinal de saída é ativado junto com o de entrada e desativado no tempo T após o desligamento da entrada E, conforme mostra o diagrama da Fig. 4.17 (d). 136 Figura 4.17 – Diagramas de funcionamento dos principais tipos de temporizadores Na Fig. 4.18, exemplifica-se a programação de um temporizador de atraso na ligação de um controlador programável, via diagrama de contatos. O temporizador é programado para 10s. Neste caso, portanto, assim que houver sinal 1 na entrada 0 do controlador programável, após 10 segundos haverá sinal na saída (interna) do temporizador, ou seja, haverá sinal no contato T 00 e consequentemente na saída 10 do controlador programável, a ser usada para acionar, por exemplo, uma válvula eletropneumática. Figura 4.18 – Exemplo de programação de um temporizador em linguagem ladder. 4.3.2 Contadores Um outro recurso muito útil que a maioria das tecnologias permite implementar consiste nos elementos de contagem (contadores), os quais permitem quantificar a ocorrência de eventos e executar uma determinada ação depois de um determinado número de eventos. Os contadores podem efetuar a contagem de eventos de qualquer tipo, desde que possam ser S E E S S E t >T T T1 t <T t t a) temporizador de impulso S E E S S E T T2 T t >T t <T t t b) temporizador de impulso prolongado S E E S T T3 t >T t <T 0 t t c) temporizadorde retardo no acionamento S E E S T T T4 0 t t d) temporizador de retardo no desligamento T 00 0 T 00 Y 10s 137 traduzidos em sinais elétricos por sensores ou transdutores em geral que devem receber um comando de ativação e um número que indica a contagem desejada. Os contadores são, na prática, utilizados em comandos combinatórios e sequenciais. A maneira de implementar um contador em um programa de controle pode variar bastante de uma tecnologia para outra. Também podem existir diferentes tipos de contadores disponíveis para uma mesma tecnologia. Em alguns casos, os contadores são apenas crescentes ou apenas decrescentes, enquanto que em outros há contadores com uma entrada de contagem crescente e outra decrescente. No caso do contador crescente, assim que ele for ativado define-se um valor interno inicial como zero. A cada sinal 1 na entrada (borda de subida de 0 a 1) vai sendo somada uma unidade ao valor inicial, até que se chegue ao valor ajustado para a contagem, quando então se tem uma modificação no sinal de saída. No contador decrescente se toma como valor inicial o numero da contagem desejada e a cada evento subtrai-se dele uma unidade. Ao reinicializar-se o valor interno ocorre modificação no sinal de saída. Muitas vezes, os contadores são construídos a partir de memórias digitais (flip-flops) com o objetivo de gerar um determinado sinal ou uma sequência específica de pulsos nas suas saídas, a partir de uma determinada sequência de pulsos nas suas entradas. Geralmente, os contadores digitais possuem uma entrada de reset para reinicialização da contagem, uma constante de comparação com o número de ocorrências que deve ser fornecida pelo usuário para que a saída seja acionada e apresenta um registro interno que acumula o número de iterações já executadas. Este registro é reinicializado quando a entrada de reset é acionada. Nos controladores programáveis os contadores estão disponíveis como funções a ser programadas segundo uma sintaxe própria de cada fabricante. De uma forma geral, os principais parâmetros de programação dos contadores são: - de definição do tipo de contador - de informação do valor a ser contado - de início da contagem - de saída do sinal apos o cumprimento da contagem programada - de sinal de desativação ou reativação a qualquer momento intermediário Na Fig. 4.19 está apresentado o diagrama de contatos e o formato da instrução de um controlador programável, bem como a relação entre os sinais de entrada e saída do mesmo. Suponha-se que é desejado o envio para a saída de um sinal elétrico após a contagem de três eventos. A entrada 0 do controlador programável está associada a um sensor ótico que produz um sinal 1 (borda de subida 0 a 1) a cada peça que passa a sua frente. A contagem é decrescente: a cada borda de subida o controlador programável subtrai uma unidade do valor programado (3, no caso). Quando a contagem chega a zero, a saída terá sinal 1, ou seja, C50 = 1 e haverá uma sinal para uma carga externa a partir da saída 11 do controlador programável. A entrada 1 do controlador programável está associada ao comando de reiniciar o contador (a saída é desligada e a contagem reinicializada). O RESET neste caso é prioritário, ou seja, podemos, por exemplo, provocar o início da contagem com o desligamento do botão associado à entrada 1. 138 Fig. 4.19 – Exemplo de aplicação de um contador 4.3.3 Detectores de Limiar (ou de Borda) Existem algumas situações em que é necessário registrar não o estado de uma entrada, mas o instante em que essa entrada comuta. Isso é realizado por meio de circuitos de detecção de limiar, que podem detectar tanto o flanco ascendente (instante de ativação da entrada), como o flanco descendente (instante de desativação da entrada). No caso de uso de controle microprocessado, os circuitos se aproveitam da sua característica discreta e do tempo de varredura em que a CPU demora a ler os estados das entradas. Observe o exemplo apresentado na figura a seguir. & E1 )1E*1E(S1 1 1ES2 1 Figura 4.20 – Circuito de detecção de limiar de subida. Inicialmente, quando a entrada E1 está desativada, as variáveis S1 e S2 estão em estado lógico 0. Quando o programa executor lê um estado lógico 1 na entrada E1 e um estado lógico 0 na variável S2, ele coloca um estado lógico 1 nas variáveis S1 e S2. Porém, no ciclo de varredura seguinte, ao ter lido um 1 na variável S2, ele coloca um 0 na variável de saída S1. Isso implica que a variável S1 permanecerá em estado lógico 1 apenas durante um ciclo de varredura, o que normalmente perdura por algumas frações de segundo. O estado desta variável será um impulso de curta duração que aparece no instante de ativação da entrada E1. Na realidade, a saída S1 não muda de estado no exato instante de comutação de E1, que é o instante de ativação do sensor conectado nessa entrada, mas a partir do ciclo seguinte de varredura, permanecendo em estado lógico 1 apenas durante um ciclo. Um exemplo de aplicação prática desse circuito é quando se deseja ativar e desativar uma saída com um único pulsador. Quando este é pressionado uma vez a saída é ativada, e quando pressionado pela segunda vez, a saída é desativada, e assim por diante. O circuito completo para essa implementação pode ficar com o aspecto exibido na figura a seguir. C 50 3 11 C 50 1 0 0 1 C 50 1 2 3 a) Diagrama de contados b) Diagrama de tempos 139 E1 S1 1 S2 1 & & 1 & 1 1 S3 Figura 4.21 – Exemplo de aplicação de circuito de detecção de limiar. Parte do circuito é igual ao anterior. A variável S1 só é ativada quando o pulsador conectado à entrada E1 passa ao estado lógico 1. Depois de ativada, S1 permanece assim durante um pulso de processamento. Ao se ativar E1, S3 passa ao estado lógico 1 devido ao laço superior de realimentação. Um ciclo de varredura depois (quando E1 é desativada), S3 ainda continua 1. Assim, devido ao laço inferior de realimentação S3 mantém-se ativada. Ao se ativar pela segunda vez E1, é ativada a variável S1, o que abre o laço inferior e desativa S3. No ciclo seguinte de varredura, ao se desativar a variável S1, a saída S3 permanece desativada, pois o laço inferior mantém-se ainda aberto. 140 4.4 Exercícios Propostos 1) Um cilindro para alimentação de peças a partir de um depósito (magazine), deve avançar após ser dado um sinal de acionamento manual ou pedal, se houver peças no referido depósito. Caso não haja peças, além de não acontecer o avanço do cilindro, deve ser dado um alarme sonoro assim que, e somente se, for dado o sinal de início do comando, por pedal ou manualmente. Figura 4.22 – Esquema da instalação física. Tabela 4.21 – Correspondências Variáveis de entrada Notação Correspondência lógica Variáveis de saída Notação Correspondência lógica Tabela 4.22 – Tabela-verdade Linha E3 E2 E1 S1 S2 0 0 0 0 1 0 0 1 2 0 1 0 3 0 1 1 4 1 0 0 5 1 0 1 6 1 1 0 7 1 1 1 Tabela 4.23 – Mapa de Karnaugh E1, E2, E3 3E 3E 1E 1E 1E 1E 2E 2E 141 2) Em uma esteira transportadora devem ser separadas as peças maiores que um determinado comprimento, conforme mostra o esquema de instalação a seguir. Estão instalados quatro sensores eletrônicos de tal forma que as peças queproduzam o sinal simultaneamente em dois ou mais deles são aquelas que devem ser movimentadas para fora da esteira pelo cilindro pneumático. O quarto sensor existe para poder-se detectar e contar as peças que sensibilizam os quatro sensores simultaneamente. Elaborar o projeto lógico do comando de separação das pacas. Figura 4.23 – Esquema da instalação física. Tabela 4.24 – Correspondências Variáveis de entrada Notação Correspondência lógica Variáveis de saída Notação Correspondência lógica Tabela 4.25 – Tabela-verdade Linha E4 E3 E2 E1 S1 0 0 0 0 0 1 0 0 0 1 2 0 0 1 0 3 0 0 1 1 4 0 1 0 0 5 0 1 0 1 6 0 1 1 0 7 0 1 1 1 8 1 0 0 0 9 1 0 0 1 10 1 0 1 0 11 1 0 1 1 12 1 1 0 0 13 1 1 0 1 14 1 1 1 0 15 1 1 1 1 E1 E2 E3 E4 142 Tabela 4.26 – Mapa de Karnaugh para o problema de separação de peças em uma esteira transportadora E1, E2, E3, E4 3E 3E C 1E 1E 1E 1E 4E 2E 2E 4E 2E 2E 143 3) Uma comporta acionada por um cilindro pneumático deve ser comandada a partir de três lugares distintos, por botões manuais com trava. Qualquer dos três botões (sozinho) aciona a sua abertura. Quando qualquer um segundo comando for acionado, estando o primeiro ainda acionado, a comporta deve fechar. A comporta deve abrir novamente ao se acionar um terceiro botão. Tabela 4.27 – Correspondências Variáveis de entrada Notação Correspondência lógica Variáveis de saída Notação Correspondência lógica Tabela 4.28 – Tabela-verdade Linha E1 E2 E3 Y 0 0 0 0 1 0 0 1 2 0 1 0 3 0 1 1 4 1 0 0 5 1 0 1 6 1 1 0 7 1 1 1 Tabela 4.29 – Mapa de Karnaugh E1, E2, E3 3E 3E 1E 1E 1E 1E 2E 2E 144 4) Um portão residencial é acionado por um cilindro sem haste comandado por uma válvula direcional VD 5/3, duplo solenóide, centrada por mola. Está válvula tem o seu centro bloqueado para poder parar o portão em qualquer posição, conforme esquema da Fig. 4.24. Projetar um comando para atender as seguintes situações: 1. Automática: acionado instantaneamente o botão abrir ou fechar, o portão deve seguir até o fim da abertura ou do fechamento, a não ser que se acione um botão de parar. Se houver duplo comando, priorizar a ação de abrir. A abertura ou o fechamento total são acusados por detectores de fim de curso. 2. Por toque: o portão só se movimenta enquanto se estiver acionando o botão de abrir ou de fechar. Terminado o acionamento, ele pára onde estiver. Figura 4.24 – Portão com abertura total (automática) ou parcial (por toque) Tabela 4.30 – Correspondências Variáveis de entrada Notação Correspondência lógica Variáveis de saída Notação Correspondência lógica automático toque abrir parar fechar E2 E1 Y1 Y2 145 5) Uma prensa pneumática deve atuar somente se dois botões manuais, devidamente afastados, forem acionados praticamente ao mesmo tempo, como, por exemplo, dentro de um intervalo de 0,2s. Os botões são representados como entradas E1 e E2, conforme a Fig. 4.25. Figura 4.25 – Pensa industrial. Se um dos botões for acionado sozinho e o outro após algum tempo (0,2s), o cilindro da prensa não deve avançar. Isto impede, por exemplo, que o operador fixe, por exemplo, um dos dois comandos manuais na posição acionada e tente trabalhar daí por diante apenas com o outro botão. Além disso, para garantir a segurança, assim que um dos botões é desacionado, o cilindro deve recuar imediatamente. Tabela 4.31 – Correspondências Variáveis de entrada Notação Correspondência lógica Variáveis de saída Y E1 E2 146 Tabela 4.32 – Tabela-verdade. Linha 00 0 0 0 0 01 0 0 0 1 02 0 0 1 0 03 0 0 1 1 04 0 1 0 0 05 0 1 0 1 06 0 1 1 0 07 0 1 1 1 08 1 0 0 0 09 1 0 0 1 10 1 0 1 0 11 1 0 1 1 12 1 1 0 0 13 1 1 0 1 14 1 1 1 0 15 1 1 1 1 147 5. O PROJETO DE COMANDOS SEQUENCIAIS Os comandos sequenciais são comandos binários que produzem determinada sucessão de ações ou eventos em um sistema. A passagem de uma ação a outra se dá em função do cumprimento de condições de prosseguimento, de acordo com a programação desejada. Será abordado neste capítulo o chamado método passo a passo para a elaboração de projetos de comandos sequenciais. Este método baseia-se na adequada descrição e representação gráfica do sistema e do seu comando desejado, resultando na consequente elaboração do fluxograma lógico correspondente. Uma vez obtidas as funções lógicas e as suas interligações basta definir a tecnologia para a implementação física e programação do sistema de comando. O método passo a passo aplicado corretamente geralmente garante uma rápida elaboração, facilidade para manutenção, supervisão, modificações e fácil integração da tecnologia de potência (pneumática, hidráulica ou elétrica) com a microeletrônica e a informática, vantagens essas encontradas nos métodos baseados na lógica binária. Na pneumática são usados tradicionalmente os métodos de projeto conhecidos sob os nomes de método em cascata e método passo a passo e, na eletropneumática, respectivamente, método da sequência mínima e método da sequência máxima. A metodologia de projeto de comandos sequenciais inicia com a análise do sistema e das ações do comando desejado, através de esquemas e da formulação verbal do problema, para, em seguida, sistematizar estas informações com alguma forma de representação gráfica. Para facilitar o entendimento, os termos ação, etapa, passo e estado deverão ser definidos de acordo com a aplicação da metodologia de projeto de comando sequenciais pelo método passo a passo: -Ação: é a manifestação externa do comando, como por exemplo, fixar uma peça, acender uma lâmpada, ligar um motor, etc.; -Etapa: é cada uma das partes em que pode ser dividido o comando sequencial à qual se pode associar um conjunto de ações afins. Em uma etapa, furar, por exemplo, podem-se ter três ações: ligar o motor, avançar o cilindro da broca e ligar um jato de ar de limpeza; -Passo: é a passagem de uma etapa à seguinte com a realização do conjunto de ações associadas à etapa de origem. É normalmente iniciado com a ativação da memória correspondente; -Estado: é o conjunto dos valores das variáveis binárias do sistema, como, por exemplo, o conjunto dos valores dos sinais dos botões de início do comando, dos fins de curso, de sensores de posição e das memórias associadas às etapas do comando. A ocorrência de um passo causa a mudança de estado pela passagem de uma etapa a outra. Muitas vezes, o termo passo se confunde com o de ação porque frequentemente existe apenas uma ação associada ao passo. 5.1 Descrição das Tarefas Associadas ao Projeto de um Comando Sequencial pelo Método Passo a Passo Para a correta aplicação do métodopasso a passo é importante também definir-se claramente as tarefas necessárias à sua execução. Segue, portanto, uma breve descrição de cada uma destas tarefas. 148 5.1.1 Definição do Esquema de Instalação do Sistema O esquema da instalação ou o esquema do processo visa familiarizar o projetista com a tecnologia da máquina ou do processo a ser comandado e fornecer condições de perceber as relações espaciais das partes do sistema comandado. Serve também como referência para permitir maior clareza e precisão para a realização da formulação verbal. A Fig. 5.1, mostra, a título de exemplo, o esquema da instalação de um dispositivo para o dobramento semiautomático de chapas. Figura 5.1 – Esquema de um equipamento para dobramento semi-automático de chapas. 5.1.2 Formulação Verbal do Problema A formulação verbal do problema visa deixar explícito ao projetista do comando as informações suficientes para o processo de automatização que deverá ser executado. Assim, as seguintes informações (dentre outras) devem ser levantadas e descritas claramente: ações e etapas que devem ocorrer sequenciamento destas ações relacionamento no tempo entre as ações condições previstas para o início do comando sequencial elementos de sinal (botões, fins de curso, sensores) previstos movimentos previstos (e, consequentemente, elementos de trabalho e acionamentos) relações entre o operador e o comando exigências de forças, velocidades e precisão No exemplo do dobramento semi-automático de chapas descrito na Fig. 5.1, a formulação verbal pode ser a seguinte: 1. A chapa é colocada manualmente, encostando-a em um apoio de referência; 2. Ainda mantendo a chapa fixada, comanda-se, através de um pedal (E0, não apresentado na figura), o avanço do cilindro A de simples ação com retorno por mola para a fixação da peça; 3. Fixada a peça (fim de curso E2 acionado), o cilindro B, de dupla ação, avança para a realização da primeira dobra da chapa; Fixação Cilindro A Primeira dobra Cilindro B E1 – E2 – - E3 - E4 Cilindro C | E5 | E6 Segunda dobra 149 4. Terminado o primeiro dobramento ( E4 acionado), o cilindro B retoma; 5. Terminado o retorno de B (E3 acionado), procede-se o segundo dobramento da chapa, com o avanço do cilindro C, de dupla ação; 6. Após o segundo dobramento (E6 acionado), o cilindro C retoma; 7. A peça é solta (recuo do cilindro A) após o completo retorno do cilindro C (E5 acionado); 8. Um novo ciclo comandado pelo operador, só deve recomeçar após o completo retomo do cilindro A (El acionado); 9. Condições ambientais: não há previsão de temperaturas e umidades diferentes das ambientais normais; 10. A precisão do dobramento é dada pelo molde, desde que a força exercida pelo cilindro seja suficiente para a espessura da chapa. As forças e velocidades no caso dos cilindros A, B e C são importantes dados para a escolha dos seus diâmetros e valores nominais das suas válvulas de comando, mas não são dados necessários para o projeto lógico do comando. O completo retorno dos cilindros B e C, antes de se iniciar o movimento seguinte, pode ser exigido por questões de segurança do operador e/ou para se evitar avarias no equipamento. Neste primeiro exemplo optou-se também pela simplificação que esta condição acarreta no projeto. Em casos mais complexos pode-se fazer necessária a elaboração de uma tabela de correspondência das variáveis de entrada e de saída. Na maioria dos casos, porém a representação gráfica do comando é suficiente para complementar as informações necessárias nesta fase de análise. 5.1.3 Representação Gráfica de um Comando Sequencial A representação gráfica dos comandos sequenciais visa traduzir de uma forma sistemática a formulação verbal do problema apresentando-a em forma de gráfico ou tabela, objetivando facilitar o projeto lógico do comando e o melhor entendimento com o usuário. Dentre as formas mais conhecidas de representação gráfica dos comandos sequenciais, serão abordadas neste capítulo as mais diretamente orientadas aos objetivos deste texto: o diagrama trajeto-passo, diagrama funcional e diagrama de estados. 5.1.3.1 O Diagrama Trajeto-Passo O diagrama trajeto passo (DTP) representa as posições recuada ou avançada das hastes dos cilindros pneumáticos do sistema em todas as etapas do comando sequencial, lembrando que o passo é a passagem de uma etapa a outra. Na Fig. 5.2 é apresentado o formulário típico para o diagrama trajeto-passo segundo a norma VDI 3200. Os campos B, C e D descrevem todos os cilindros do sistema, informando, respectivamente, o tipo do cilindro, sua notação no esquema e a convenção da posição adotada para representar seu estado avançado ou recuado. No campo A numeram-se simplesmente as linhas do diagrama. Os campos E, F e G são subdivididos em tantas colunas quantos forem os passos da sequência, indicando-se eventualmente os seus tempos em E, a numeração do inicio e fim de cada passo (etapas do comando) em F. No campo G se representa o avanço ou o recuo de todos os cilindros para cada um dos passos da sequência, além de se registrar os elementos de sinal que indicam o fim de um e o começo do seguinte. 150 GPFAI - UFRGS - EE – DEMEC Componentes Tempo (s) 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 n o Designação Notação Estado Passo 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 1 2 3 4 5 6 ........... ... ... ... ... ... ... ... ... ... Figura 5.2 – Formulário típico para o diagrama trajeto-passo. Na Fig. 5.3 é apresentado o diagrama trajeto-passo do comando para o dobramento de chapas formulado verbalmente no item anterior. Para um mesmo cilindro, a parte inferior representa cilindro recuado e a superior avançado. O avanço do cilindro A, por exemplo, que se dá na passagem do estado l do sistema para o estado 2, é representado pela linha inclinada que sobe. Entre os estados 2 e 6 permanece avançado (fixação da peça), para depois recuar, de 6 a 7, terminando o ciclo, acionando o fim de curso El. O elemento de sinal E2, fim de curso do cilindro A, determina o início do avanço do cilindro B. GPFAI - UFRGS - EE – DEMEC Componentes Tempo (s) 0 1 2 3 4 5 6 7 n o Designação Notação Estado Passo 1 2 3 4 5 6 7=1 1 cilindro de simples ação - fixação A avançado recuado E2 2 E0 E1 3 4 cilindro de dupla ação – dobra1 B avançado recuado E4 5 6 E3 7 cilindro de dupla ação – dobra2 C avançado recuado E6 8 9 E5 10 11 12 ........... ... ... ... ... ... ... ... ... ... Figura 5.3 – Diagrama trajeto-passo do comando para o dobramento de chapas. A B C D E F A B C D E F G 151 Os diagramas trajeto-passo são usados tradicionalmente na pneumática e na eletropneumática. São muito fáceis de elaborar e representam suficientemente bem os comandos que apresentam sequências simples de eventos os quais podem ser relacionados apenas ao avanço ou ao recuo das hastes dos cilindros. Tornam-se, todavia mais complexos e de difícil leitura quando as sequênciasapresentam eventos paralelos ou alternativos, saltos e/ou repetições de passos. Não prevêem também a indicação de outras formas de acionamento, tais como motores ou outros tipos de saídas, como sinais de luz, alarmes, etc. 5.1.3.2 Representação Através de Diagramas Funcionais Os diagramas funcionais também conhecidos como esquema de funcionamento, ou fluxograma do processo, representam o comando sequencial dividido em etapas, as quais são associadas às ações externas do comando, identificando também os elementos de sinal e as condições de ativação de cada uma das etapas e da consequente liberação das ações correspondentes. A Fig 5.4 apresenta o conjunto básico de retângulos que representam uma etapa de um comando sequencial, segundo as normas DIN 40719. Figura 5.4 – Bloco básico do diagrama de funcionamento, correspondente a uma etapa de um comando sequencial, segundo a norma DIN 40719. A Fig. 5.6 segue as seguintes convenções: 1. o campo a) indica o número identificador do passo e, opcionalmente, a sua função 2. os campos b), c) e d) referem-se às ações deste passo 3. b) indica alguma propriedade do sinal que gera a ação, tal como: memorizado (S), atrasado no tempo (D), limitado no tempo (L), etc. 4. c) designa a ação, tal como, "cilindro A avança" 5. d) indica o elemento de sinal que confirma a realização da ação, como por exemplo, o fim de curso do avanço do cilindro A 6. o item e) define as condições para a ativação da etapa, ou seja, as condições de liberação das ações correspondentes e E1, E2,...En: são entradas de sinal & E1 E2 E3 a) a) a) e) b) c) d) 152 Na Fig.5.5 é apresentado o diagrama funcional proposto para o comando para o sistema de dobramento de chapas apresentado na Fig. 5.1: Figura 5.5 – Diagrama funcional proposto para o comando do sistema de dobramento de chapas. Obs. A norma IEC848 unificou na nomenclatura “function chart” os procedimentos do diagrama GRAFCET da norma francesa e os do diagrama funcional (“funktionsplan”) da norma alemã DIN40719. 5.2 O Método Passo a Passo O método passo a passo baseia-se na subdivisão dos comandos sequenciais em passos aos quais são associadas memórias tipo RS. A ativação de cada memória e a consequente realização das ações do passo correspondente a esta memória ocorre com o cumprimento de determinadas condições de transição de um passo para outro. Início & peça posicionada pedal acionado cilindro C recuado 1 Fixação S Avanço do cilindro A E2 2 1ª dobra Avanço do cilindro B E4 3 Retorno S Recuo do cilindro B E3 4 2ª dobra Avanço do cilindro C E6 5 Retorno S Recuo do cilindro C E5 6 Soltura S Recuo do cilindro A E1 peça fixada (cilindro A avançado) peça dobrada (1ª dobra) cilindro B recuado peça dobrada (2ª dobra) cilindro C recuado E2 E4 E3 E6 E5 E1 153 As principais tarefas associadas à aplicação do método passo a passo estão sumarizadas a seguir: 1. Elaborar o diagrama funcional do comando sequencial desejado, definindo bem os seus passos e suas ações correspondentes; 2. A cada passo (já configurado no diagrama funcional) associar uma memória RS do tipo desligar dominante; 3. Elaborar o comando lógico de forma que o SET da memória produza um sinal de comando para a realização das ações do passo correspondente; 4. As memórias são intertravadas de forma que ao se ativar a memória n, será desativada a memória n-1 e habilitada a memória n+1, ou seja, a memória n+1 já estará recebendo um sinal necessário para sua ativação, colocando-a em prontidão para ser ativada assim que as demais condições necessárias forem cumpridas. Deve-se destacar que o comando sequencial deve projetado de forma que as memórias associadas a cada passo sejam acionadas individualmente. Assim, apenas uma delas poderá estar acionada a cada instante. Isto aumenta a confiabilidade de que a sequência irá ocorrer conforme predeterminado. No caso de sequências que necessitem ocorrer simultaneamente, esta observação vale para cada uma das sequências que deverão ocorrer em paralelo. Figura 5.6– Módulo lógico básico do método passo a passo. A seguir será apresentado um exemplo de aplicação do método passo a passo ao comando sequencial de uma fresadora. 154 5.2.1 Comando Sequencial de uma Fresadora Uma fresadora deve abrir canais em peças de madeira para molduras, conforme o esquema de instalação e esquema eletropneumático apresentados na figura a seguir: Figura 5.7– Esquema de instalação e esquema eletropneumático de uma fresadora A peça é introduzida manualmente e fixada na mesa móvel por um cilindro pneumático após ser acionado um pedal. Assim que o cilindro A executa a fixação, o cilindro eletro- pneumático B avança, movendo a mesa com a peça na direção da ferramenta até o ponto desejado para a fresagem. Note que o cilindro de fixação A avança com a mesa. Uma vez terminada a fresagem, o cilindro B realiza o retorno da ferramenta, para, em seguida, o cilindro A recuar, soltando a peça. Um novo ciclo apenas deve recomeçar se os dois cilindros estiverem recuados. Elaborar o projeto do comando pelo método passo a passo, apresentando esquemas representativos a través de diagrama trajeto-passo, diagrama lógico, diagrama funcional e esquema pneumático. O diagrama trajeto-passo está apresentado na Fig. 5.8. GPFAI - UFRGS - EE – DEMEC Componentes 2 Designação Notação Estado Passo 1 2 3 4 5=1 2 3 4 5=1 A Cilindro de dupla ação (fixação) A Avançado Recuado 1 0 B Cilindro de dupla ação (avanço) B Avançado Recuado 1 0 Figura 5.8 – Diagrama trajeto-passo cilindro de fixação (A) unidade de avanço (|B) fresa peça de trabalho (A) (B) E2 E4 E3 E3 E1 E1 E4 E2 E0,E1,E3 155 Na Fig. 5.9 está apresentado o diagrama lógico para o problema. Nele pode-se observar os sensores de fim de curso dos cilindros A e B representados por El, E2, E3 e E4, respectivamente. O botão E0 é o botão de início do processo e E6 é o botão para desativar externamente as memórias RS. A e B representam, respectivamente, os avanços dos cilindros A e B. Observe-se que, neste exemplo, o uso de uma válvula direcional duplo solenóide ou duplo piloto, implica na necessidade de um sinal de valor 1 para se provocar o recuo do cilindro. Figura 5.9 – Diagrama lógico & A - E0 E1 E3 0 B + E6 & A + E2 1 B - E6 & B + E4 1 A - E6 & B - E3 1 E6 S R S R S R S R A + A - B - B + A + 156 Note, na Fig. 5.9, que A + =1corresponde ao avanço do cilindro A e que esta condição somente ocorre se A - =1 e com E1 e E3 acionados (ou seja, A e B recuados). Assim que A + assume a condição A + =1, o segundo bloco de memória RS fica habilitado enquanto que a memória do passo anterior é desabilitada (correspondente ao recuo do cilindro A). Quando A + =1 e E2=1, a ação correspondene a B + é executada e a memória RS correspondente ao avanço do cilindro A é desabilitada. Assim, com B + =1, a mesa avança e ocorre a fresagem e a ação seguinte (de retorno da mesa) é habilitada. O retorno da mesa inicia quando ela chega ao fim de curso (E4=1). Nesta situação é desabilitada a memória de avanço de B e é habilitada a ação de retorno de A, que deverá ocorrer quando E3=1, ou seja, o cilindro B totalmente recuado, com A - =1. Finalmente, o processo reinicia nesta situação (A - =1) e com as entradas E0=1, *E1=1 e E3=1. Figura 5.9 – Diagrama funcional Na Fig. 5.10 está apresentado o diagrama pneumático. Note que nos elementos lógicos do mesmo existem quatro blocos lógicos pneumáticos que reproduzem os quatro flip-flops apresentados no diagrama lógico da Fig. 5.9 com suas respectivas lógicas de set e reset. Início & 1 fixação S Avanço do cilindro A E2 2 fresamento Avanço do cilindro B E4 3 recuo Recuo do cilindro B E3 4 soltura S Recuo do cilindro A E1 E2 E4 E3 =1 E0 E1 E3 157 Figura 5.10 – Esquema pneumático 5.2.2 Comandos Especiais Programas especiais, no âmbito dos comandos sequenciais, são alterações que podem ocorrer a partir de uma sequência normal de passos, causadas por variações previstas nas condições de prosseguimento. Os principais casos de programas especiais, são: - os programas alternativos, ou bifurcações alternativas; - os programas simultâneos, ou bifurcações simultâneas; - os saltos; - as repetições. No diagrama de funcionamento, os programas alternativos ou simultâneos configuram subconjuntos ou ramos de um comanda sequencial enquanto que os saltos e repetições apresentam laços condicionais. Estes programas especiais podem ocorrer isolada ou combinadamente, obtendo-se inúmeras variações que permitem atender as mais diversas demandas de automação. A chave para se criar um programa especial a partir de uma certa etapa na programação pelo método passo a passo, é a utilização adequada das condições de prosseguimento combinadas com a habilitação das memórias das etapas seguintes, tanto na sua representação pelos diagramas de funcionamento, como nos próprios fluxogramas lógicos do projeto do comando. Seguem alguns exemplos de diagramas funcionais de comandos especiais. 158 Figura 5.11 – Diagrama funcional com um programa alternativo Figura 5.12 – Diagrama funcional com programas paralelos (bifurcação simultânea) 159 Figura 5.13 – Diagrama funcional com um salto 160 Figura 5.14 – Diagrama funcional com um loop de repetição 5.3 Representação Através de Diagrama de Estados Uma forma muito poderosa de representação de um processo cíclico é através de diagrama de estados ou “máquina” de estados. Esta forma de representação baseia-se na identificação dos estados do processo a ser automatizado e, a seguir, determinar quais as condições que devem ser cumpridas para que o sistema de comando passe de um estado para outro. Com isso, gera-se um diagrama no qual as elipses representam os estados e as setas indicam as condições para passar de um estado para outro. Os exemplos a seguir irão esclarecer melhor o uso desta técnica. Esta maneira de representação é, muitas vezes, conhecida como máquina de estados. Figura 5.15 – Exemplo de representação de um comando genérico através de diagrama de estado ESTADO 1 ESTADO 2 ESTADO 4 ESTADO 3 Condição 1 Condição 2 Condição 3 Condição 4 Condição 5 161 5.3.1 Exemplos de Solução de Problemas Através de Máquinas de Estados Seguem alguns exemplos de problemas de comandos sequenciais abordados segundo a ótica de solução através da representação por máquinas de estados 1) Dispositivo para teste automático de lâmpadas fluorescentes compactas Foi apresentado o seguinte problema ao departamento de engenharia de determinada empresa: programar um dispositivo para teste automático de lâmpadas fluorescentes compactas utilizado um controlador programável para esta automação. Formulação verbal a) O operador insere a lâmpada no soquete de teste e pressiona uma botoeira que deve estar ligada à entrada E1 do CLP. Ao ser pressionada a botoeira o teste é iniciado. b) A entrada E2 do CLP está ligada a um sensor de luminosidade, que verifica se o brilho da lâmpada sob teste está dentro das normas. c) Ao ser acionada E1, o CLP deve então verificar se a entrada E2 está ou não ligada. Caso E2 esteja acionada, a saída S2 ficará ligada durante 1 segundo (indicando erro, pois o ambiente está iluminado por outra fonte que não é a da lâmpada a ser testada, pois a mesma encontra-se ainda desligada). O processo deve então ser reinicializado. Caso a entrada E2 esteja desligada, a saída S1 deve então ser acionada (acionamento da lâmpada sob teste) durante 3 segundos e, no instante final este tempo, deve ser verificada novamente a entrada E2. Caso a lâmpada esteja ligada (E2 acionada) significa que ela passou no teste e o CLP deve ligar a saída S3 (indicação de teste OK) por 1 segundo e reiniciar processo. Caso E2 não esteja ativada, o CLP deve indicar erro, ligando a saída S2 por 1 segundo e reiniciar processo. Este problema é adequado a uma abordagem por máquina de estados. Para facilitar o entendimento, convém desenhar um diagrama de estados para o problema: Figura 5.16 – Diagrama de estados para programa de teste de lâmpadas P A R A D O V E R I F I C A L Â M P A D A A P A G A D A E R R O L I G A L Â M P A D A V E R I F I C A L Â M P A D A L I G A D A L Â M P A D A O K N E N H U M A C I O N A M E N T O N E N H U M A C I O N A M E N T O S A Í D A S 2 L I G A D A S A Í D A S 1 L I G A D A S A Í D A S 1 L I G A D A S A Í D A S 3 L I G A D A E S T A D O 0 E S T A D O 1 E S T A D O 5 E S T A D O 2 E S T A D O 3 E S T A D O 4 E 1 E 2 E 2 1 s e g u n d o E 2 3 s e g u n d o s E 2 1 s e g u n d o 162 Uma vez definido o diagrama de estados, é necessário transladá-lo para a linguagem de programação do CLP. Note que existem 6 estados, e as setas indicam as condições para a troca de estados. Assim, do estado 0 (em espera) para o estado 1 (verificação do estado apagado para a lâmpada) a condição é que a botoeira (E1) seja pressionada. Então, segundo a metodologia passo a passo, a partir da representação por máquina de estados, pode-se definir a seguinte tabela de transições de estados: Tabela 5.1 – Tabela de transições de estados Estado Inicial Estado Final Condição 0 (Parado) 1 (Verifica lâmpada apagada) E1 acionado (botoeira) 1 (Verifica lâmpada apagada) 2 (Liga lâmpada) E2 desacionado (sensorótico) 1 (Verifica lâmpada apagada) 5 (Erro) E2 acionado (sensor ótico) 2 (Liga lâmpada) 3 (Verifica lâmpada ligada) Intervalo de 3 segundos 3 (Verifica lâmpada ligada) 4 (Lâmpada OK) E2 acionado (sensor ótico) 3 (Verifica lâmpada ligada) 5 (Erro) E2 desacionado (sensor ótico) 4 (Lâmpada OK) 0 (Parado) Intervalo de 1 segundo 5 (Erro) 0 (Parado) Intervalo de 1 segundo Tabela 5.2 – Tabela de ações vinculadas aos estados Estado Acionamentos 0 Nenhum acionamento 1 Nenhum acionamento 2 Saída S1 (Liga lâmpada) 3 Saída S1 (Liga lâmpada) 4 Saída S3 (Lâmpada OK) 5 Saída S2 (Erro) A partir destas tabelas e do diagrama de estados deve ser construída a programação do CLP para executar as ações do comando sequencial utilizando a linguagem específica do CLP utilizado. 2) Comunicação de um robô com um centro de usinagem CNC através de um controlador lógico programável Formulação verbal: A tarefa a ser executada pelo sistema consiste de um processo de usinagem no qual o Robô é o responsável pela alimentação de peças do CNC. Uma restrição para o controle do processo consiste no fato de o CLP disponível possuir apenas quatro entradas e quatro saídas. O processo a ser comandado deve iniciar em um estado onde o CNC está em estado de espera, como, por exemplo, ao término da usinagem de uma peça, sendo esta informação enviada para o CLP. Este por sua vez deve acionar o atuador responsável pela abertura da porta do centro de usinagem e informar ao robô que a mesma já está aberta, possibilitando que ele troque a peça. O robô deve então informar ao CLP a conclusão da sua tarefa e o controlador deve, por sua vez, acionar o fechamento da porta do CNC, possibilitando 163 que o CNC usine uma nova peça. O sistema automático de abertura da porta do CNC é realizado através de um atuador pneumático com retorno automático através de mola e dois sensores fim de curso, um para porta aberta e outro para porta fechada. A escolha de um atuador com retorno automático reduz o número de sinais de saída do CLP para comandar a abertura e o fechamento da porta do CNC. De posse destas especificações é possível definir as variáveis de entradas e saídas necessárias para o controle da célula, conforme mostrado na Tabela a seguir. Tabela 5.3 – Correspondências O passo seguinte para a criação do comando sequencial é a montagem de um Diagrama de Estados. Para a construção do mesmo, discrimina-se cada estado da sequência, definindo-se as transições associadas às trocas de estados. O Diagrama de Estados, elaborado para descrever o sistema em questão, pode ser observado na Fig. 5.17. Figura 5.17 – Diagrama de Estados Variáveis de Entrada Notação Correspondência Lógica E1 Sinal CNC E1=1 E2 Porta Aberta E2=1 E3 Robô no Set Point E3=1 E4 Porta Fechada E4=1 Variáveis de Saída Notação Correspondência Lógica S1 Atuador (abrir) S1=1 S2 Robô Atuando S2=1 S3 Nova Tarefa CNC S3=1 Porta abrindo Chave Start Porta aberta Robô atuando Porta fechando Porta fechada CNC atuando Robô parado Robô e CNC parados CNC parado Sensor porta aberta acionado Robô fora do Set Point Robô no Set Point Atuador desacionado Sensor porta fechada acionado CNC usinando 164 1. O estado Zero, ou estado inicial, é caracterizado pela alimentação do CLP acionada por meio de chave. Neste momento o CLP deve estar recebendo o sinal de que o robô está parado no set point, o sinal do CNC de que a peça já foi usinada e o sinal de porta fechada. Esta combinação de sinais, característica deste estado, faz com que o comando envie um sinal para o atuador abrir a porta do CNC. 2. Neste instante a sequência entra em um estado transitório, quando a porta está entreaberta, ou seja, nenhum dos sensores de fim de curso está acionado, devendo, portanto, ser mantido o sinal de abertura da porta acionado no estado 1. 3. A condição de troca para o estado 2 é o recebimento do sinal de que a porta está aberta. Neste momento aciona-se um sinal para que o robô realize a troca da peça. 4. O sinal que indica que o robô está atuando é a condição de troca para o estado 3. 5. O recebimento do sinal de que o robô retornou ao set point é a condição para a troca de estado. No estado 4, a desativação do sinal para o atuador corresponde ao comando de fechamento da porta. 6. O sinal de porta fechada é a condição para a troca de estado. Neste momento existe novamente um estado intermediário, mas com todas as saídas desligadas. 7. No estado 6 é acionado o sinal para que o CNC usine nova peça. O não recebimento do sinal do CNC indica que o CNC está usinando e caracteriza o estado 7. 8. O recebimento do sinal de que o CNC está pronto é a condição para a transição para o novo estado, onde inicia-se um novo ciclo da sequência. Com base nestes dados, estrutura-se a tabela-verdade para o problema. Tabela 5.4 – Tabela-Verdade Estado E1 E2 E3 E4 S1 S2 S3 0 1 0 1 1 1 0 0 1 1 0 1 0 1 0 0 2 1 1 1 0 1 1 0 3 1 1 0 0 1 0 0 4 1 1 1 0 0 0 0 5 1 0 1 0 0 0 0 6 1 0 1 1 0 0 1 7 0 0 1 1 0 0 0 Através da análise da tabela verdade, observa-se que existem estados com combinações das variáveis de entrada iguais, mas com saídas diferentes, ou seja, as saídas não são funções lógicas unívocas dos sinais de entrada. Devido ao fato de não poder-se utilizar outro sinal de controle, restrição imposta pelo CLP, deve-se, neste caso, realimentar-se dois sinais de entrada de forma a utilizá-los para a caracterização unívoca dos estados distintos entre si. 165 A realimentação dos sinais E1 e E2, aqui denominados de E1a e E2a, permite diferenciar todos estados entre si, resultando em uma nova tabela-verdade. A utilização dos dois sinais realimentados acrescenta mais duas variáveis ao sistema, fazendo com que o mapa de Karnaugh- Veitch passasse a apresentar 64 termos, uma vez que existem 2 n combinações possíveis, sendo n o número de variáveis. Tabela 5.5 – Nova tabela-verdade Estado E1 E2 E3 E4 E1a E2a S1 S2 S3 0 1 0 1 1 0 0 1 0 0 1 1 0 1 0 1 0 1 0 0 2 1 1 1 0 1 0 1 1 0 3 1 1 0 0 1 1 1 0 0 4 1 1 1 0 1 1 0 0 0 5 1 0 1 0 1 1 0 0 0 6 1 0 1 1 1 0 0 0 1 7 0 0 1 1 1 0 0 0 0 Existem programas computacionais que fornecem diretamente os algoritmos de controle através da tabela verdade. Porém, as versões de divulgação disponíveis estão restritas a no máximo quatro variáveis de entrada, impossibilitando sua aplicação no problema. Assim, de posse destes dados, montaram-se manualmente os mapas de Karnaugh para cada saída, conforme as tabelas a seguir. Tabela 5.6 – Mapa de Karnaugh para S1. E1, E2, E3, E4, E1a e E2a Ē1a E1a Ē3 E3 E3 Ē3 Ē1 E1 E1 Ē1 Ē1 E1 E1 Ē1 Ē2a Ē4 Ē2 0 0 0 0 0 1 0 0 E2 0 0 0 0 0 1 0 0 E4 Ē2 0 0 1 0 0 0 0 0 E2 0 0 0 0 0 0 0 0 E2a E4 E2 0 0 0 0 0 0 0 0 Ē2 0 0 0 0 0 0 0 0 Ē4 E2 0 0 0 0 0 0 1 0 Ē2 0 0 0 0 0 0 0 0 166 Tabela 5.7 – Mapa de Karnaugh de S2. E1, E2, E3, E4, E1a e E2a Ē1a E1a Ē3 E3 E3 Ē3 Ē1 E1 E1 Ē1 Ē1 E1 E1 Ē1 Ē2a Ē4 Ē2 0 0 0 0 0 0 0 0 E2 0 0 0 0 0 1 0 0 E4 Ē2 0 0 0 0 0 0 0 0 E2 0 0 0 0 0 0 0 0 E2a E4 E2 0 0 0 0 0 0 0 0 Ē2 0 0 0 0 0 0 0 0 Ē4 E2 0 0 0 0 0 0 0 0 Ē2 0 0 0 0 0 0 0 0 Tabela 5.8 – Mapa de Karnaugh de S3. E1, E2, E3, E4, E1a e E2a Ē1a E1a Ē3 E3 E3Ē3 Ē1 E1 E1 Ē1 Ē1 E1 E1 Ē1 Ē2a Ē4 Ē2 0 0 0 0 0 0 0 0 E2 0 0 0 0 0 0 0 0 E4 Ē2 0 0 1 0 0 0 0 0 E2 0 0 0 0 0 0 0 0 E2a E4 E2 0 0 0 0 0 0 0 0 Ē2 0 0 0 0 0 0 0 0 Ē4 E2 0 0 0 0 0 0 0 0 Ē2 0 0 0 0 0 0 0 0 Para a obtenção do comando simplificado deve-se agrupar o maior número possível de campos adjacentes que contém valor 1, sendo que estes devem ser termos que só se diferenciam por uma variável. Além disso, deve-se levar em conta que o número de campos adjacentes deve ser uma potência de 2 (2 n ), e que a forma geométrica do agrupamento deve ser retangular. Obtêm-se, assim, as seguintes funções para as saídas do sistema: S1 = E1*E3*Ē4*E1a*Ē2a*(E2+ Ē2) + E1*Ē2*E3*E4*Ē1a*Ē2a +E1*E2*Ē3 *Ē4*E1a*E2a S2 = E1*E2*E3*Ē4*E1a*Ē2a S3 = E1*Ē2*E3*E4*Ē1a*Ē2a ..... O fluxograma lógico que representa estas equações está apresentado na Fig. 5.18. 167 Figura 5.18 – Diagrama lógico Nota-se que o diagrama lógico obtido é bastante complexo, dificultando o entendimento do funcionamento do sistema e, consequentemente, aumentando a dificuldade de detecção de possíveis erros. É também dificultoso programar no CLP a partir desta configuração. Note-se que a lógica do problema envolve um sequenciamento com intertravamento das memórias RS, segundo a lógica de projeto de comandos sequenciais pelo método passo a passo. 168 Assim, a memória do estado inicial é acionada através da combinação dos seus respectivos sinais de entrada com um pulso inicial ou, no caso do reinício da sequência, com o sinal de acionamento do último estado. Este sinal aciona as ações do mesmo e serve como condição para a configuração do próximo estado. A combinação de sinais de entrada, junto com o sinal de saída da memória do estado anterior, garante que a execução da sequência seja obedecida mesmo que existam estados com combinações de sinais iguais, conforme pode ser observado na Figura 5.19. Assim, uma vez configurado determinado estado, uma das ações do mesmo deve ser o desacionamento do estado anterior. Figura 5.19 – Comando passo a passo sequencial O Diagrama Trajeto-Passo estruturado a partir das considerações anteriores está apresentado na Figura 5.20. Figura 5.20 – Diagrama Trajeto-Passo. Esta representação torna o comando muito mais simples de ser compreendido. Sua representação através do Diagrama funcional está apresentado na Fig. 5.21. O diagrama funcional, associado ao diagrama trajeto-passo, representa graficamente as condições de troca de estados, ou etapas, e suas ações. GPFAI - UFRGS - EE – DEMEC Componentes Tempo (s) 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Designação Notação Estado Passo 1 2 3 4 5 6 7 8 9 1 Robô Trocando Peça Parado E3 = 0 2 3 E3 = 1 4 Atuador Avançado Recuado E2 5 6 E4 7 CNC Usinando Parado E1 = 0 8 9 E1 = 1 169 Figura 5.21 – Diagrama funcional Para a implementação em um CLP, é necessário utilizar-se a sua própria linguagem de programação. Será apresentado aqui a sua programação em um CLP Dexter µDX Série 100 Plus, através do software de programação PG. Este software facilita a programação do µDX, pois é baseado em ícones (blocos de funções), ligados por fios (nodos), desenhados em tela gráfica com a utilização do mouse para seu posicionamento. A linguagem utilizada é a PDE (Programação por Diagrama Esquemático). A PDE é baseada em um método de programação intuitiva e visual. A programação é feita com a montagem do circuito através do simples arrasto, com o mouse, dos ícones que estão dispostos em forma de menu na lateral direita da tela, como pode ser observado na Fig. 5.22. Os ícones são, na realidade, blocos de funções, sendo necessário que o programador configure as características dos mesmos. Uma vez dispostos na área de programação, deve-se realizar a união dos blocos, desenhando–se as linhas com as setas do teclado. Figura 5.22 – Área de trabalho do Programador Gráfico 170 Se, por exemplo, quiséssemos fazer com que um relé temporizado fosse acionado com um determinado tempo de atraso com relação a sua ativação da entrada correspondente moveríamos para a área de programação uma entrada, um bloco de atraso e uma saída. Após o posicionamento dos mesmos, desenham-se as linhas de contato conforme mostrado na Fig. 5.23. Figura 5.23 – Relé com atraso em relação à ativação da entrada Para configurar o bloco de funções deve-se manter pressionada a tecla ¨E¨ e ciclar com o botão esquerdo do mouse sobre o mesmo. No exemplo citado, configura-se o tempo de atraso da função. Ao implementar-se esta configuração proposta para o controle da célula no CLP algumas modificações foram realizadas. A principal modificação foi decorrente do fato de o programa do CLP trazer consigo entre as funções lógicas uma função capaz de atribuir valores às variáveis do sistema. Com isso, podem-se distinguir os estados através da atribuição de valores distintos à variável, criando a possibilidade de direcionamento da mesma para condições de troca para o estado que tenha o mesmo valor associado. Uma das grandes vantagens para a implementação do algoritmo neste CLP é o fato de poderem-se utilizar rótulos que possibilitam a interligação de partes do programa sem a necessidade de desenhar as linhas de conexão. Assim, a existência de dois rótulos com o mesmo valor em pontos distintos do programa equivalem a uma ligação entre os mesmos. Este fato torna-se vantajoso por deixar a representação gráfica mais enxuta e, por consequência, melhorar sua compreensão. Na linguagem do μDX, os rótulos 0, 1, 2 e 3 são reservados para as ligações com as entradas e os rótulos 4, 5, 6 e 7 para as saídas. Já o rótulo 62 é o terra e o 63 é a energia. No programa elaborado para o comando criou-se uma memória RS para cada saída. Esta pode ser obtida com uma chave normalmente fechada em paralelo com um curto circuito, o que gera um looping do sinal ¨set¨ até que o sinal ¨reset¨ seja acionado interrompendo- o. Esta ação consequentemente desliga o relé de saída montada conforme figura a seguir. Optou- se como sinal ¨set¨ os rótulos 8, 9 e 10 e como sinal reset os rótulos 10, 11 e 12 para as saídas S1, S2 e S3, respectivamente. Figura 5.24 – Memória RS ligada à saída S1. Para iniciar o programa foi utilizado um bloco que produz um pulso quando o CLP é energizado. Este, por sua vez, atribui o valor 0 à variável v0, conforme Figura 5.25. 171 Figura 5.25 – Atribuição inicial a variável v0 Com isso, energiza-se a segunda linha que contém as condições de troca para o estado de abertura da porta, que no caso são E1 e E3. Optou-se neste momento, por utilizar apenas estes dois sinais como condições de troca de estado, pois, nesta configuração, a sequência não só é iniciada com a porta fechada, mas também com a porta aberta ou entreaberta. Quando satisfeitas estas condições, é atribuído à variável v0 o valor 1 e esta, por sua vez, será direcionada à linha que tem o mesmo valor atribuído à variável, realizando a respectiva ação. Nesta mesma linha estão dispostas as condições para a troca para o próximo estado, como pode ser observado no programa da sequência apresentado na Fig. 5.26. Figura 5.26 – Linha 1 e Linha 2 As condições de trocas, neste caso, foram colocadas na mesma sequência daTabela- Verdade anteriormente apresentada. Pode–se observar que a combinação correta permite, através do acionamento das chaves dispostas, o fechamento do circuito que leva a atribuição do novo valor à variável. Para tanto, coloca-se uma chave normalmente aberta para aquele sinal que deve estar ligado e uma chave normalmente fechada para aquele que deve estar desligado. Por questão de segurança, colocou-se todo o conjunto de sinais como condição de troca de estado para que antes que o mesmo ocorra haja uma varredura que possibilite a localização de possíveis falhas provenientes dos dispositivos ou do meio físico de comunicação. O programa completo pode ser visualizado na Fig. 5.27. 172 Figura 5.27 – Programa utilizando linguagem do CLP Dexter. 173 6. BIBLIOGRAFIA Bollmann, A., “Fundamentos da automação Industrial Pneutrônica, Projetos de Comandos Binários Eletropneumáticos”. 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Introdução.pdf 2 Sensores e Controladores.pdf 3 Atuadores.pdf 4 Comandos combinatórios.pdf 5 Comandos Sequenciais.pdf 6 Bibliografia.pdf