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Direito Econômico
O Instituto IOB nasce a partir da 
experiência de mais de 40 anos da IOB no 
desenvolvimento de conteúdos, serviços de 
consultoria e cursos de excelência.
Por intermédio do Instituto IOB, 
é possível acesso a diversos cursos por meio 
de ambientes de aprendizado estruturados 
por diferentes tecnologias.
As obras que compõem os cursos preparatórios 
do Instituto foram desenvolvidas com o 
objetivo de sintetizar os principais pontos 
destacados nas videoaulas.
institutoiob.com.br
Direito Econômico / Obra organizada pelo Instituto 
IOB – São Paulo: Editora IOB, 2013.
ISBN 978-85-63625-98-4
Informamos que é de inteira 
responsabilidade do autor a emissão 
dos conceitos.
Nenhuma parte desta publicação 
poderá ser reproduzida por qualquer 
meio ou forma sem a prévia 
autorização do Instituto IOB.
A violação dos direitos autorais é 
crime estabelecido na Lei nº 
9.610/1998 e punido pelo art. 184 
do Código Penal.
Sumário
Capítulo 1 – Introdução ao Direito Econômico, 5
1. Introdução ao Direito Econômico, 5
2. Direito Econômico e a Ordem Econômica, 8
3. Princípios do Direito Econômico, 11
Capítulo 2 – Contexto para Identificação de Infrações, 14
1. Meios de Atuação do Estado na Área Econômica, 14
2. Funções de Fiscalização e Incentivo do Estado, 17
3. A Livre Concorrência como Princípio Constitucional, 20
Capítulo 3 – Livre Concorrência, 23
1. Benefícios Proporcionados pela Livre Concorrência, 23
2. A Lei da Defesa da Concorrência, 26
3. A Vertente Repressiva – Lei nº 8.884/1994. A Livre Concorrência 
como Direito Difuso e Ações Coletivas para sua Tutela, 28
Capítulo 4 – Infrações à Ordem Econômica, 31
1. Contexto para Identificação de Infrações à Ordem Econômica 
nos Termos da Lei nº 8.884/1994 – Introdução ao Contexto de 
Mercado Relevante, 31
2. Contexto para Identificação de Infrações à Ordem Econômica nos 
Termos da Lei nº 8.884/1994 – Poder de Mercado, 33
3. Barreiras à Entrada e Ausência de Rivalidade Concorrencial, 35
Capítulo 5 – Sistema Brasileiro de Defesa da Livre Concorrência, 37
1. Os Cartéis, 37
2. Os Cartéis: Natureza e Contexto, 39
3. Atuação Estatal na Economia em Regime de Monopólio, 42
Capítulo 6 – Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência, 46
1. Questões Processuais e Formas de Atuação – Parte 1, 46
2. Questões Processuais e Formas de Atuação – Parte 2, 48
3. Questões Processuais e Formas de Atuação – Parte 3, 50
Capítulo 7 – Regulação e Agências Reguladoras, 52
1. Estado como Agente Normativo e Regulador da Atividade 
Econômica, 52
2. Agências Executivas, 56
3. Agência Reguladora em Espécie, 58
Capítulo 8 – Propriedade na Ordem Econômica, 62
1. O Direito de Propriedade – Restrições e Função Social da 
Propriedade, 62
2. Agências Reguladoras, 66
3. Noções Introdutórias, Lei nº 4.131/1992 – Procedimentos de 
Registro de Investimentos Externos Diretos no Banco Central do 
Brasil, 69
Capítulo 9 – Ordem Econômica Internacional, 72
1. Globalização – Soberania – Mercosul, 72
2. GATT e OMC, 75
3. OMC – Sistema de Solução de Controvérsias, 77
Gabarito, 82
Capítulo 1
Introdução ao Direito 
Econômico
1. Introdução ao Direito Econômico
1.1 Apresentação
Nesta unidade, serão abordados os aspectos introdutórios do Direito 
Econômico.
1.2 Síntese
As origens históricas do Direito Econômico remontam à Constituição Me-
xicana de 1917, que é considerada um marco do Direito Constitucional.
Antes da Carta Mexicana, as constituições eram marcadas por um “cons-
titucionalismo político”, ou seja, as disposições constitucionais voltavam-se à 
organização do Estado e à fixação de direitos e garantias.
Após a promulgação da Constituição Mexicana de 1917, surgiu o chamado 
constitucionalismo político, econômico e social, que fez com que fossem in-
corporados temas sociais e econômicos nas leis fundamentais.
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A nova Carta estabeleceu a igualdade da posição jurídica entre trabalhado-
res e empresários na relação contratual de trabalho, e também criou a respon-
sabilidade dos empregadores por acidentes ocorridos com seus funcionários. 
Os doutrinadores costumam dizer que essa Constituição lançou as bases para a 
construção do moderno Estado Social de Direito.
A Carta Magna de 1917 fez surgir a ideia de Constituição Econômica, mas a 
que foi responsável pela maior difusão dessa ideia foi a Constituição de Weimar, 
promulgada em 1919. Ambas as Constituições (a Mexicana e a de Weimar) fo-
ram marcos do surgimento do Estado Social Democrático.
No Brasil, a primeira Constituição a sistematizar a matéria foi a de 1934, 
muito embora nas Constituições de 1824 e 1891 seja possível identificar re-
flexos e influências do liberalismo econômico de Adam Smith, conforme será 
visto mais à frente.
A Constituição de 1946 encerrou a ditadura de Vargas e consagrou o reesta-
belecimento da democracia no país, conciliando diferentes tendências políticas.
O Legislativo voltou a funcionar e o uso da propriedade foi condicionado 
ao bem-estar social. Ao mesmo tempo, o monopólio estatal que foi concebi-
do ainda no tempo da ditadura acabou sendo introduzido na Constituição de 
1946.
O art. 146 da Magna Carta dizia que a União poderia, mediante lei es-
pecial, intervir no domínio econômico e monopolizar determinada indústria 
ou atividade. A intervenção teria por base o interesse público e por limite os 
direitos fundamentais assegurados na lei maior.A matéria mostra a grande re-
lação entre a Economia e o Direito: Ao se falar de Direito Econômico temos 
de, necessariamente, abordar a interface da Economia e do Direito, mas em 
primeiro lugar vamos falar sobre a Economia.
Conforme a definição dada pelo Prof. Fábio Nusdeo, a economia é uma 
ciência social que existe porque os recursos são sempre escassos frente à multi-
plicidade das necessidades humanas.
Portanto, a necessidade de normatização e regulamentação da exploração e 
utilização de bens e serviços por todos nós revela facilmente o relacionamento 
dessas duas ciências, Economia e Direito.
A partir do momento em que o Estado passou a intervir na Economia, o 
papel do Direito passou a ter muita importância. Foi assim que se deu início 
aos estudos que englobam essas duas disciplinas (esses estudos também são 
chamados de law and economics, conforme os norte-americanos e britânicos). 
Outro ponto que merece atenção é que a interdisciplinaridade que existe entre 
os campos de Direito e Economia não é novidade. Pode ser visto neste sentido 
a teoria de Adam Smith.
A teoria de Adam Smith, que era dedicada à verificação econômica da le-
gislação sobre mercados, é tida por muitos doutrinadores como a velha análise 
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econômica do Direito. A finalidade dessa teoria era aplicar a normatividade 
econômica ao direito. O direto naquela época era então considerado como 
uma ciência completa.
Entre a segunda metade do século XIX até meados do século passado, com 
o predomínio do utilitarismo, ficou consolidada por muito tempo, a visão de 
que, direito e economia seriam disciplinas separadas.
Atualmente essa visão encontra-se ultrapassada, e o estudo do Direito pas-
sou a dar muito mais importância a outras disciplinas (notadamente a econo-
mia e a filosofia) que hoje são consideradas como disciplinas complementares 
ao Direito, pois essa interdisciplinaridade faz com que a aplicação do Direito 
seja muito mais eficiente.
Vale observar a contribuição de Keynes para o nosso modelo atual, pois isso 
já foi questionado em concursos recentes. O economista John Maynard Keynes 
defendeu ideais que influenciaram a macroeconomia moderna, tanto na teoria 
quanto na prática.
A macroeconomia é um dos pilares do estudo da economia, que surgiu 
como forma de oposição ao sistema mercantilista vigente na Europa. Esse mo-vimento foi chamado por Keynes de Revolução Clássica. Os dois dogmas mer-
cantilistas atacados pelos clássicos eram a crença de que a riqueza e o poder 
de uma nação estavam no acúmulo de metais preciosos, e a crença na neces-
sidade de intervenção estatal para direcionar o desenvolvimento do sistema 
capitalista. O termo macroeconomia teve origem na década de 1930, a partir 
da Grande Depressão que teve início em 1929, momento em que foram inten-
sificados os estudos das questões macroeconômicas. Nesse sentido, destacou-se 
o livro “Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda”, do economista John 
Maynard Keynes, que deu origem à chamada Revolução Keynesiana, que era 
oposta aos conceitos ortodoxos da Economia Clássica.
Keynes defendeu uma política econômica de Estado intervencionista, por 
meio da qual os governos usariam medidas fiscais e monetárias para mitigar 
os efeitos adversos dos ciclos econômicos – recessão, depressão e booms. Suas 
ideias serviram de base para a escola de pensamento conhecida como econo-
mia keynesiana e justificam ainda hoje a intervenção do Estado na economia. 
Keynes defendia uma participação do Estado na atividade econômica, gerando 
empregos, garantindo expansão de renda e consequente recuperação econômi-
ca. Mas esse economista também destacava uma intervenção estatal moderada 
na economia, proporcionando uma nova visão de ação governamental, sem os 
rigores do intervencionismo socialista.
Atualmente, o ponto fundamental que trouxe a consciência da importância 
da Economia para o Direito, e vice-versa, está no fato de que as instituições do 
Direito exercem profundas implicações sobre os ganhos de eficiência e sobre o 
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crescimento econômico, trazendo equilíbrio ao mercado. Deve ser observado 
que é cada vez maior a interação entre juristas e economistas e é inegável que 
o Direito Econômico possui um papel relevante na ordem jurídica nacional e 
mundial.
Exercício
1. (Tribunal de Contas – DF-2002 – Cespe) Acerca da evolução cons-
titucional do Brasil, julgue o item abaixo:
Na Constituição da República de 1946 era permitida a intervenção 
da União no domínio econômico, o que incluía o estabelecimento 
de monopólio de determinada indústria ou atividade.
2. Direito Econômico e a Ordem Econômica
2.1 Apresentação
Nesta unidade, serão tratados os aspectos introdutórios da ordem econô-
mica, incluindo os conceitos e características principais.
2.2 Síntese
No Brasil o tipo de economia adotada é o da chamada Economia de 
Mercado em que se caracteriza a predominância do particular na atividade 
econômica sendo secundária a atuação do Poder Público. Tendo em vista os 
princípios basilares da CF de 1988, vale lembrar que a finalidade principal da 
ordem econômica deve ser garantida a todos, a uma existência digna respeitan-
do os direitos e garantias fundamentais que incluem a autodeterminação, as 
condições mínimas de sobrevivência humana e autonomia de tomar decisões 
próprias que sejam essenciais, entre outros.
Os fundamentos da ordem econômica são o trabalho e a livre iniciativa que 
também estão previstos na CF.
O Direito Econômico pode então ser conceituado como um conjunto de 
normas que regula a organização econômica de um país.
É também um ramo do Direito que tem por objeto o tratamento jurídico 
da política econômica. Como tal, é o conjunto de normas de conteúdo econô-
mico que assegura a defesa e harmonia dos interesses individuais e coletivos, de 
acordo com a ideologia adotada na ordem jurídica.
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Para tanto, utiliza-se o princípio da economicidade.
De tal conceito, pode-se inferir:
Sujeitos de Direito Econômico: são os agentes econômicos que atuam no 
mercado, podendo ser citados em caráter exemplificativo:
•	 Poder público (edita normas e intervém no domínio econômico);
•	 Indivíduo (atua no domínio econômico por meio do trabalho e do con-
sumo);
•	 Empresa (atua como unidade de produção e consumo);
•	 Órgãos internacionais (que podem atuar de modo a intervir na economia);
•	 Associações (que fazem parte da economia do Estado);
•	 Comunidades (que participam da economia);
•	 Consumidores (que são entes relevantes para o comércio e para a pro-
dução);
•	 Investidores (que podem alavancar a economia e desempenhar um pa-
pel relevante na ordem econômica);
•	 Produtores (que podem atuar de forma a gerar empregos, capital e bens).
O sistema econômico e a ordem econômica são conceitos distintos.
Sistema econômico é definido como a forma política, social e econômica 
pelo qual está organizada uma sociedade.
É, ainda, responsável pelos estoques de recursos produtivos ou fatores de 
produção, os recursos humanos, o capital, a terra, as reservas naturais e a tecno-
logia. É também responsável pelo complexo de unidades de produção que são 
constituídas pelas empresas e pelo conjunto de instituições políticas, jurídicas, 
econômicas e sociais, que constituem a base de organização da sociedade.
O sistema econômico caracteriza-se, no plano teórico, na forma de como 
uma determinada sociedade empreende sua atividade macroeconômica. Pode 
ser classificado geralmente como capitalista, socialista ou uma mistura de ambos.
Diferentemente do sistema capitalista puro, em um regime de Estado in-
tervencionista socialista, todas as atividades econômicas estão sob a responsa-
bilidade do Estado.
A ordem econômica brasileira foi disciplinada pelo legislador no Título VII 
da CF, dos arts. 170 ao 192 e assenta-se no sistema econômico capitalista, pois 
adotou a liberdade de iniciativa e reforçou a propriedade privada.
A CF, em seu art. 177, prevê as formas de intervenção do Estado na eco-
nomia de forma direta e indireta. Isso não descaracteriza o sistema capitalista, 
pelo contrário, acaba atendendo aos seus interesses, na medida em que objetiva 
corrigir as falhas do mercado, tais como formação de monopólio, cartel etc.
A atividade econômica privada submete-se, então, à intervenção regu-
latória, que é direcionada ao atendimento de políticas públicas que visam 
o desenvolvimento econômico e social. Exemplos: geração de empregos, 
serviços sociais, entre outros.
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Objeto do Direito Econômico: realizar, por meio de política econômica, 
a justiça. Como exemplos do alcance dessa justiça podem ser citados a in-
tervenção do Estado no domínio econômico, o direito concorrencial (Lei nº 
8.884/1994) e as normas disciplinares da política econômica.
Tipos de normas no Direito Econômico:
•	 Normas programáticas: trazem enunciados e orientações a serem segui-
das pelo poder público.
•	 Normas objetivas: visam concretizar políticas públicas.
•	 Normas premiais: concedem incentivos e estímulos.
Campo de atuação do Direito Econômico: Previsto no art. 24, I, da CF. 
Além do direito econômico menciona o direito tributário, financeiro, peniten-
ciário e urbanístico.
Exercício
2. (TRF 5 – Juiz Federal – 2009) Acerca do Direito Econômico, assina-
le a afirmativa correta:
a) Sistema econômico é a forma por meio da qual o Estado estru-
tura sua política e organiza suas relações sociais de produção.
b) Ordem econômica, consoante o tratamento dado pelo legisla-
dor da constituição de 1988, admite duas vertentes conceituais. 
Para a vertente ampla, a ordem econômica constitui uma parce-
la da ordem de direito inerente ao mundo do dever ser.
c) O modelo do estado intervencionista econômico é fortemente 
influenciado pela doutrina de John Mayner, que sustentou que 
os níveis de emprego e de desenvolvimento socioeconômico 
devem-se muito mais às políticas públicas geradas pelo governo 
e a certos fatores gerais macroeconômicos, e não meramente ao 
somatório dos comportamentos microeconômicos individuais 
empresariais.
d) O estado intervencionista socialista atua com o fitode garantir 
o exercício racional das liberdades individuais e sua política in-
tervencionista não visa ferir os postulados liberais, mas apenas 
coibir o exercício abusivo e pernicioso do liberalismo.
e) No que tange à atuação do Estado no domínio econômico, a 
intervenção regulatória ocorre quando o Estado, nos casos ex-
pressos e devidamente autorizados no ordenamento jurídico, 
atua em regime de igualdade com o particular, na exploração 
da atividade econômica.
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3. Princípios do Direito Econômico
3.1 Apresentação
Nesta unidade, serão tratados os princípios jurídicos do Direito Eco-
nômico.
3.2 Síntese
O tratamento específico dado ao Direito Econômico na Constituição Fede-
ral de 1988 aparece em seu Título VII – Da Ordem Econômica e Financeira, 
o qual se compõe de quatro capítulos:
•	 Princípios Gerais da Atividade Econômica;
•	 Política Urbana;
•	 Política Agrícola e Fundiária e da Reforma Agrária e
•	 Sistema Financeiro Nacional.
Entre todos os dispositivos do Título VII da Constituição Federal, destaca-
-se o caput do art. 170 que diz: “A ordem econômica, fundada na valorização 
do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos exis-
tência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes 
princípios.”
O art. 170 é um princípio específico da ordem econômica. Os princípios 
norteadores enumerados em mencionado artigo são os seguintes:
•	 Soberania Nacional: uma vez que um Estado tenha assegurada sua so-
berania política, terá viabilidade para implementação de suas políticas 
econômicas.
•	 Propriedade Privada: um princípio típico de Estados capitalistas, que 
estimula a atuação dos agentes econômicos no mercado.
•	 Função Social da Propriedade.
•	 Livre concorrência: oportunidade de competição justa no mercado, de 
forma a evitar os abusos do poder econômico e a dominação de mercado.
•	 Defesa do Consumidor: é matéria tratada pelo Estado de duas formas:
1. criação de legislação protetiva.
2. criação de órgãos que tenham como incumbência a proteção do 
consumidor.
Defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado 
conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços de seus processos de 
elaboração e prestação: a defesa do meio ambiente deve ser alcançada por meio 
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do desenvolvimento sustentável, que consiste no equilíbrio entre a exploração 
feita pelo homem e a capacidade dos ecossistemas.
Redução das desigualdades regionais e sociais: deve dar-se por meio de 
ações afirmativas do Estado, ou seja, medidas do poder público destinadas à 
erradicação da discriminação.
Busca do pleno emprego: o pleno emprego mostra-se fundamental em uma 
sociedade capitalista, necessário para a obtenção de recursos que movimentem 
a economia.
Tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob 
as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no país.
Livre exercício da atividade econômica: está contemplado no parágrafo 
único do art. 170. O livre exercício da atividade econômica pode ser praticado 
com base em alguns fatores específicos:
•	 liberdade comercial, industrial ou de prestação de serviços, desde que 
lícitos;
•	 liberdade de contratar;
•	 respeito à função social da propriedade privada e
•	 independência de autorização de órgão público, salvo exigência legal.
Os arts. 171 a 192 e 219 da CF contemplam outros aspectos do Direito Eco-
nômico. Entre eles, podem ser mencionadas as disposições sobre qualificação 
das empresas brasileiras, formas de atuação do Estado no domínio econômico, 
mercado interno, política urbana, política agrícola, fundiária e reforma agrária 
e o sistema financeiro nacional.
Exercícios
3. (Cespe – Consultor Legislativo Senado – 2002) A Constituição da 
República consagra expressamente a livre iniciativa como um dos 
fundamentos do estado democrático de direito, atribuindo-lhe a qua-
lidade de valor social ao lado do trabalho. Julgue os seguintes itens:
a) Sistema econômico que deve vigorar no Brasil é o capitalismo.
b) Liberdade de iniciativa é um valor supremo, vedada ao Estado a 
inciativa pública.
c) Liberdade de ação econômica deve ser assegurada nos termos da 
lei, sendo o trabalho um direito inalienável de cada brasileiro.
d) Livre iniciativa compreende a liberdade dos agentes econômi-
cos de iniciar ou cessar atividade econômica, devendo qualquer 
restrição dos poderes públicos ser imposta por lei.
e) Livre iniciativa rege-se pelas leis de mercado, competindo tão 
somente ao Poder Judiciário a correção de eventuais abusos.
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4. (Procurador Federal – AGU-2004 – Cespe) Quanto aos princípios 
gerais da ordem econômica, julgue o item a seguir:
A defesa do meio ambiente, como princípio geral da ordem econômi-
ca, permite tratamento diferenciado para produtos e serviços em ra-
zão do impacto ambiental decorrente de sua produção ou execução.
5. (Procurador do Estado – PB-2008 – Cespe) Acerca da ordem econô-
mica, julgue o item:
Inclui-se, entre os princípios da ordem econômica, a defesa do meio 
ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o 
impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de 
fabricação e prestação.
Capítulo 2
Contexto para Identificação de 
Infrações
1. Meios de Atuação do Estado na Área 
Econômica
1.1 Apresentação
Nesta unidade, serão abordados os meios de atuação do Estado na econo-
mia, como agente econômico em sentido estrito, como prestador de servi-
ços públicos e como agente econômico em regime de monopólio.
1.2 Síntese
A atuação do Estado na área econômica pode dar-se de duas formas básicas: 
direta e indireta.
A atuação direta ocorre quando o Estado assume a função de agente econô-
mico (Estado-empresário), atuando por meio de pessoas jurídicas por ele cons-
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tituídas e sob seu controle na produção de bens ou na prestação de serviços de 
conteúdo econômico. Também pode ocorrer por meio do regime de monopó-
lio, ao que se dá o nome de absorção ou em concorrência com outras empresas 
do setor privado, ao que se dá o nome de participação. Conforme se verificará 
mais adiante, a partir da análise do art. 173 da Constituição Federal, a atuação 
direta do Estado na economia tem caráter subsidiário, de forma a preencher 
lacunas surgidas quando uma determinada atividade é exercida pelo setor pri-
vado, ou em casos que envolvam interesse coletivo e segurança nacional.
A atuação indireta, por sua vez, pode dar-se de formas diversas, visando ao 
objetivo de corrigir distorções verificadas quando os agentes econômicos par-
ticulares atuem de modo livre no mercado. Entre essas distorções podem ser 
citadas a formação de oligopólios, de cartéis, prática de dumping, entre outros. 
As formas de atuação indireta do Estado são:
•	 Indução: O Poder Público direciona a atuação dos agentes econômi-
cos privados, incentivando determinadas atividades e desestimulando 
outras. A indução pode ser positiva, quando consistir em fomento rea-
lizado pelo Estado, por exemplo, a concessão de benefícios fiscais, ou, 
ainda, negativa, quando consistir em desestímulo, como a tributação 
exacerbada de determinado produto lesivo à saúde.
•	 Fiscalização: manifesta-se pelo exercício do poder de polícia do Estado, 
de forma a evitar prejuízos à população que sejam causados por deter-
minadas práticas de atividades privadas.
•	 Planejamento: por meio do planejamento, o Poder Público identifica 
necessidades de grupos sociais e orienta a atuação dos agentes econômi-
cos de forma a atingir determinados fins.
Atuação do Estado como agente econômico em sentido estrito
Conforme explicitado pelo art. 173 da CF, a exploração da atividade eco-nômica é desempenhada por agentes privados, de forma a reservar a atuação do 
Estado para situações que envolvam segurança nacional ou interesse coletivo, 
ou, ainda, em caráter subsidiário, para exploração de atividades em que não 
haja suficiência ou interesse de atuação de entes particulares.
Nessas situações, portanto, a atuação direta do Estado pode ser realizada 
por intermédio de pessoas jurídicas por ele constituídas: empresas públicas ou 
sociedades de economia mista.
Atuação do Estado como prestador de serviços públicos
A CF, no caput do art. 175, disciplina a atuação do Estado como prestador 
de serviços públicos:
Art. 175. “Incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente ou sob 
regime de concessão ou permissão, sempre através de licitação, a prestação de 
serviços públicos.”
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As atividades que são objeto de serviços públicos disciplinados no art. 175 
supramencionado, os quais devem possuir conteúdo econômico com possibi-
lidade de exploração destinada à obtenção de lucros, são de titularidade exclu-
siva do Estado, não se classificando como atividades livres à iniciativa privada.
A conceituação de serviço público não está expressa na CF, cabendo à dou-
trina. Há diferentes correntes doutrinárias com vistas a conceituar os serviços 
públicos. Veja-se:
a) Corrente essencialista: de acordo com essa corrente, uma atividade será 
classificada como serviço público quando atender às necessidades da 
coletividade;
b) Corrente formalista: uma atividade será considerada serviço público 
quando houver previsão legal ou constitucional nesse sentido.
Por motivos de maior segurança jurídica, o Brasil adota a corrente forma-
lista.
A prestação de serviços públicos também possui classificação, podendo ser 
verificada de maneira direta ou indireta.
A prestação direta é aquela realizada pela Administração Pública, tanto 
pela Administração Direta, quanto pela Indireta. Diferentemente, tem se pres-
tação indireta quando o serviço é prestado por particulares, aos quais, mediante 
delegação do Poder Público, é atribuída a sua mera execução.
Atuação do Estado como agente econômico em regime de monopólio:
A exploração de atividades econômicas é reservada à União em lista exaus-
tiva de possibilidades enumeradas no art. 177 da CF:
Art. 177. “Constituem monopólio da União:
I – a pesquisa e a lavra das jazidas de petróleo e gás natural e outros hidro-
carbonetos fluidos;
II – a refinação do petróleo nacional ou estrangeiro;
III – a importação e exportação dos produtos e derivados básicos resultantes 
das atividades previstas nos incisos anteriores;
IV – o transporte marítimo do petróleo bruto de origem nacional ou de 
derivados básicos de petróleo produzidos no País, bem assim o transporte, por 
meio de conduto, de petróleo bruto, seus derivados e gás natural de qualquer 
origem;
V – a pesquisa, a lavra, o enriquecimento, o reprocessamento, a industria-
lização e o comércio de minérios e minerais nucleares e seus derivados, com 
exceção dos radioisótopos cuja produção, comercialização e utilização pode-
rão ser autorizadas sob regime de permissão, conforme as alíneas “b” e “c” do 
inc. XXIII do caput do art. 21 desta Constituição Federal. (Redação dada pela 
Emenda Constitucional nº 49, de 2006).”
Verifica-se, da leitura de mencionado artigo, que a CF exclui a possibilida-
de de exploração de atividades econômicas em regime de monopólio por par-
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ticulares ou por entes públicos que não sejam a União. Dessa forma, o Distrito 
Federal, os Estados, Municípios e particulares não têm a prerrogativa de exer-
cício de monopólio e a União não pode criar novas possibilidades de atividades 
a serem exploradas em tal regime.
Exercício
6. (14ª PGR) Pelo texto constitucional vigente, a exploração estatal di-
reta da atividade econômica:
a) É a regra.
b) É subsidiária.
c) Em hipótese alguma é permitida, dado o tipo de economia ado-
tado.
d) Pode ser livremente partilhada entre os setores públicos e privados.
2. Funções de Fiscalização e Incentivo do 
Estado
2.1 Apresentação
Nesta unidade, será abordado estudo sobre as funções de fiscalização, 
incentivo e planejamento do Estado.
2.2 Síntese
O Estado também pode atuar como agente regulador. É a chamada atua-
ção indireta do Estado na economia, que está disposta no art. 174 da CF, 
que diz:
“Como agente normativo e regulador da atividade econômica, o Estado 
exercerá, na forma da lei, as funções de fiscalização, incentivo e planejamento, 
sendo este determinante para o setor público e indicativo para o setor privado.”
O art. 174 define a nova função do Estado, que é de agente normativo e re-
gulador da atividade econômica. Cabe ao Estado fiscalizar, incentivar e plane-
jar o que é determinante para o setor público e indicativo para o setor privado.
É com base nesse artigo que procura ser justificada a possibilidade de efe-
tivação e criação das agências reguladoras no contexto jurídico-econômico 
nacional, pois são os agentes privados que passam a desempenhar atividades 
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que até então eram habituais do setor público e os agentes passam a atuar em 
setores de interesse público, como o setor de telecomunicações.
É possível afirmar que o art. 174 delineia o papel do Estado na nova ordem 
econômico-jurídica. A atuação do Estado como agente normativo e regulador 
verifica-se no exercício de funções de fiscalização, incentivo e planejamento.
Doutrinariamente distingue-se agente normativo de agente regulador no 
seguinte sentido:
•	 O Estado atua como agente normativo quando da edição de normas 
que interfiram no curso natural da economia. Por outro lado, a atua-
ção como agente regulador traduz-se quando da edição de normas com 
disposições específicas sobre a atuação dos agentes econômicos, isto é, 
condicionando, coordenando e disciplinando a atividade econômica 
privada e delineando os denominados marcos regulatórios de cada setor 
econômico.
Surgem, nesse âmbito, as denominadas agências reguladoras, chamadas 
em decorrência de sua finalidade específica na economia. As funções de fis-
calização, incentivo e planejamento, decorrentes da função do Estado como 
agente normativo e regulador serão estudadas detalhadamente:
– Fiscalização: é o exercício do poder de polícia, tanto administrativa, 
repressiva, quanto preventiva, nos âmbitos ambiental, sanitário, de mer-
cado de capitais, entre outros.
Exemplo: Agência Nacional de Vigilância Sanitária e Comissão de Valores 
Mobiliários.
•	 Incentivo: também é denominado fomento, e pode ser verificado quan-
do da concessão de benefícios fiscais, de subsídios ou quando da con-
cessão de investimentos em infraestrutura e de outros modos de indu-
ção positiva. A política de aplicação das agências financeiras oficiais de 
fomento será estabelecida pela lei de Diretrizes Orçamentárias.
•	 Planejamento: está expresso no final do art. 174 da CF, que diz que o 
planejamento é determinante para o setor público e indicativo para o 
setor privado.
Embora o Estado Brasileiro não seja uma economia planificada, os planos 
econômicos elaborados pelo Poder Público deverão ser obrigatoriamente ob-
servados pelo setor público, mas não são impositivos ao setor privado. Desta 
forma, caberá às empresas públicas, às sociedades de economia mista e outras 
empresas sob controle estatal a atuação conforme o planejamento econômico 
do Poder Público.
Os arts. 178 e 180 da CF estabelecem as regras específicas acerca da orde-
nação dos transportes e da promoção e incentivo ao turismo.
Por meio da análise dos arts. 24, I e 30, II, da CF, pode-se depreender 
a competência legislativa para elaboração de normas que tratem de Direito 
Econômico.
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19Art. 24. “Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar con-
correntemente sobre:
I – direito tributário, financeiro, penitenciário, econômico e urbanístico.”
O art. 30 complementa trazendo a competência dos municípios, afirmando 
que compete aos municípios:
II – “suplementar a legislação federal e a estadual no que couber.”
A competência legislativa em matéria de Direito Econômico é, portanto, 
do tipo concorrente, ou seja, pertence à União, aos Estados e aos Municípios.
No que tange à repartição de tarefas entre os entes federativos, as normas 
gerais que tratem de Direito Econômico devem ser estabelecidas pela União. 
Quando da elaboração de normas gerais pela União, cabe aos Estados e ao 
Distrito Federal especificar as normas gerais em seus respectivos territórios, ao 
que se dá o nome de competência legislativa suplementar, e caso a União não 
edite as normas gerais que tratem de Direito Econômico, aos Estados e ao 
Distrito Federal caberá legislar normas gerais e específicas de seus respectivos 
territórios, ao que se dá o nome de Competência Legislativa Plena.
No caso da União editar normas gerais supervenientes às normas gerais edi-
tadas pelos Estados e pelo Distrito Federal, essas normas que são supervenien-
tes irão prevalecer em relação às anteriores, podendo ser aproveitadas apenas as 
normas estaduais e distritais naquilo que não contrariarem as normas federais.
Aos municípios cabe a edição de normas suplementares às legislações fede-
ral e estadual no que for aplicável.
Exercícios
7. (Procurador Federal AGU-2006 – Cespe) Indicar se a assertiva está 
correta ou incorreta. A respeito do direito econômico, julgue o item:
A Constituição da República reservou ao Estado o papel de agen-
te normativo e regulador da atividade econômica, o qual deve, na 
forma da lei, exercer as funções de fiscalização, incentivo e plane-
jamento econômico não lhe sendo permitida a exploração direta de 
atividade econômica, salvo em situações excepcionais definidas em 
lei ou na Constituição.
8. (Procurador do Estado/ES-2008 – Cespe) Em relação à ordem eco-
nômica e financeira, disciplinada na Constituição Federal de 1988, 
julgue os itens a seguir:
a) A concessão de desconto de 50% para ingressos de cinema e 
teatro aos doadores de sangue constitui norma de intervenção 
estatal por indução no mercado.
b) O Estado no seu papel de agente normativo e regulador do mer-
cado econômico exerce funções determinantes de planejamen-
to para o setor privado.
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3. A Livre Concorrência como Princípio 
Constitucional
3.1 Apresentação
Nesta unidade, será estudada a livre concorrência como princípio consti-
tucional, criação de mecanismos que assegurem o princípio da livre con-
corrência e o histórico da livre concorrência nas Constituições brasileiras.
3.2 Síntese
A Constituição Federal de 1988, em consonância com o contexto da glo-
balização econômica, privilegiou em seus artigos o regime de economia de 
mercado: tipo de economia característico dos sistemas capitalistas pautado na 
livre iniciativa e caracterizado pela pouca interferência do Estado nas relações 
comerciais.
Em decorrência da adoção desse tipo de economia, a Constituição Federal 
prevê, dentre os princípios da ordem econômica enumerados em seu art. 170, a 
chamada livre concorrência, de forma a garantir aos entes econômicos a opor-
tunidade de competição justa no mercado.
A livre concorrência está prevista na Constituição Federal nos arts. 170, IV 
e 173, § 4º, este mais especificamente tratando da repressão ao abuso do poder 
econômico, prejudicial à livre competição, como se verifica:
Art. 170. “A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho huma-
no e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, confor-
me os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios:
IV – livre concorrência.”
Art. 173. “Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração 
direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária 
aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, con-
forme definidos em lei.
§ 4º A lei reprimirá o abuso do poder econômico que vise à dominação dos 
mercados, à eliminação da concorrência e ao aumento arbitrário dos lucros”. 
A repressão a abusos de poder econômico é realizada pela chamada atua-
ção indireta do Estado na economia, especialmente na forma de fiscalização.
Histórico da Livre Concorrência nas Constituições Brasileiras
• Constituição de 1824: Essa Constituição tinha como característica mar-
cante a influência do liberalismo de Adam Smith, e não legitimavam 
maior atuação do Estado na economia.
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• Constituição de 1934: Inspirada pela Constituição de Weimar (1919) e 
pela Constituição Mexicana (1917), marcadas pelo constitucionalismo 
político, econômico e social.
• Constituição de 1937: Aprofundou-se no tema, e condicionou a livre 
iniciativa à intervenção estatal em casos de deficiência da iniciativa de 
agentes particulares e em hipóteses envolvendo a coordenação de fato-
res de produção, de modo a privilegiar a defesa dos interesses da nação.
Em grande avanço, tal Carta previa, ainda, regras acerca de crimes contra 
a economia popular, visando desde então à repressão ao abuso do poder eco-
nômico exercido por meio de condutas anticompetitivas, como a fixação de 
preços ou ainda a prática dos chamados preços predatórios. Embora de grande 
importância e influência para as normas em vigor atualmente, o Decreto nº 
869/1938 que instituiu a disposição acerca dos crimes contra a economia po-
pular teve reduzida aplicabilidade à época.
d) Constituição de 1946: No período da vigência da Constituição de 1946 
pode-se ressaltar um importante marco nas disposições relativas à livre 
concorrência no ordenamento jurídico brasileiro. No ano de 1962 foi 
aprovada a Lei nº 4.137, a primeira lei brasileira de defesa da concor-
rência, cujo projeto era de autoria do Ministro Agamenon Magalhães e 
tramitava no Congresso Nacional desde o ano de 1948. Vale ressaltar, 
entretanto, que tal diploma não teve grande aplicabilidade, e o advento 
da ditadura militar, marcada por forte intervencionismo estatal, dificul-
tou ainda mais a aplicação de dispositivos de defesa da concorrência.
• Constituições de 1967 e 1969: Tiveram vigência durante o período dita-
torial militar, eram marcadas pela segurança do Estado, de modo que a 
forte política intervencionista acabou por gerar um modelo econômico 
em que não havia privilégios à concorrência e, por conseguinte, não 
haveria a necessidade de implementação de um sistema efetivo para 
sua defesa.
Durante um longo período, o CADE foi um órgão de utilidade questioná-
vel, cujas decisões, em grande parte, tinham eficácia meramente formal. Essa 
situação somente foi modificada quando houve o processo de redemocratiza-
ção do país, que resultou na promulgação da Constituição de 1988.
A partir do momento em que o Estado reduziu seu poder de intervenção na 
economia, assumindo em contrapartida funções de incentivo, planejamento e 
fiscalização, a política de defesa da concorrência voltou a ter importância no 
cenário econômico brasileiro.
• Constituição de 1988: É o art. 170 da Constituição Federal de 1988 o 
responsável pela positivação do princípio da livre concorrência, devido 
ao privilégio que oferece à valorização do trabalho humano e da livre 
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iniciativa como fundamentos da ordem econômica. Verifica-se que o 
Estado tem função subsidiária, dando aos agentes particulares a liber-
dade de atuação na economia. Ainda, ao reconhecer a possibilidade 
de distorções no mercado decorrentes do poder econômico de entes 
particulares, a Lei previu a atuação indireta do Estadocomo ente fisca-
lizador de forma a assegurar a livre concorrência.
Exercícios
9. (MPF) O princípio básico do liberalismo econômico assenta-se:
a) Na função social da propriedade.
b) No tratamento favorecido às empresas brasileiras de capital na-
cional de pequeno porte.
c) Na redução das desigualdades regionais e sociais e na busca do 
pleno emprego.
d) Na liberdade de iniciativa e na economia de mercado.
10. (Procurador da República – 1997) A CF, no título da ordem econô-
mica e financeira, adota o padrão:
a) Liberal, em que predomina exclusivamente a liberdade de ini-
ciativa.
b) Social.
c) Coletivista.
d) Corporativista.
Capítulo 3
Livre Concorrência
1. Benefícios Proporcionados pela Livre 
Concorrência
1.1 Apresentação
Nesta unidade, serão tratados os temas sobre a livre concorrência, os be-
nefícios proporcionados por ela e o objetivo tutelado, e também o sistema 
brasileiro de defesa da concorrência – SBDC.
1.2 Síntese
A Lei nº 8.884/1994 sofreu alteração em 2011, com a entrada em vigor da 
Lei nº 12.529/2011.
A livre concorrência maximiza o bem-estar social, traduzindo-se de diferen-
tes formas. Promove o bem-estar social oferecendo diferentes tipos de produtos 
aos consumidores.
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O objetivo central da livre concorrência é preservar o processo de competi-
ção, e não meramente manter ou aumentar o número de competidores. Nota-
-se que o que se visa é a proteção da concorrência propriamente dita.
A Lei de Concorrência verificará se o mercado que está monopolizado está 
sendo, de alguma forma, prejudicial ou não para o consumidor. Não há preo-
cupação em controlar os competidores, pois o que se busca é o bem-estar social.
O Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência é formado por um con-
junto de órgãos competentes para atuação na prevenção e repressão de infra-
ções de ordem econômica.
O Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência realiza suas atividades por 
meio dos chamados atos de concentração ou apreciação e julgamento de even-
tuais condutas anticoncorrenciais. É responsável pela difusão da cultura da 
defesa da concorrência.
Há três tipos de atuação: controle de estruturas, de condutas e, por fim, 
divulgação da cultura da defesa da concorrência.
Atualmente o CADE possui nova estrutura, tendo maiores poderes.
O art. 6º da nova lei dispõe: “O Tribunal Administrativo, órgão judicante, 
tem como membros um Presidente e seis Conselheiros escolhidos dentre cida-
dãos com mais de 30 (trinta) anos de idade, de notório saber jurídico ou econô-
mico e reputação ilibada, nomeados pelo Presidente da República, depois de 
aprovados pelo Senado Federal.”
Traz seu § 1º: “O mandato do Presidente e dos Conselheiros é de 4 (quatro) 
anos, não coincidentes, vedada a recondução.”
O § 2º estabelece: “Os cargos de Presidente e de Conselheiro são de dedi-
cação exclusiva, não se admitindo qualquer acumulação, salvo as constitucio-
nalmente permitidas.”
O art. 9º traz diversas competências inerentes ao Plenário do Tribunal:
Art. 9o “Compete ao Plenário do Tribunal, dentre outras atribuições pre-
vistas nesta Lei:
I – zelar pela observância desta Lei e seu regulamento e do regimento in-
terno;
II – decidir sobre a existência de infração à ordem econômica e aplicar as 
penalidades previstas em lei;
III – decidir os processos administrativos para imposição de sanções admi-
nistrativas por infrações à ordem econômica instaurados pela Superintendên-
cia-Geral;
IV – ordenar providências que conduzam à cessação de infração à ordem 
econômica, dentro do prazo que determinar;
V – aprovar os termos do compromisso de cessação de prática e do acordo 
em controle de concentrações, bem como determinar à Superintendência-
-Geral que fiscalize seu cumprimento;
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VI – apreciar, em grau de recurso, as medidas preventivas adotadas pelo 
Conselheiro-Relator ou pela Superintendência-Geral;
VII – intimar os interessados de suas decisões;
VIII – requisitar dos órgãos e entidades da administração pública federal 
e requerer às autoridades dos Estados, Municípios, do Distrito Federal e dos 
Territórios as medidas necessárias ao cumprimento desta Lei;
IX – contratar a realização de exames, vistorias e estudos, aprovando, em 
cada caso, os respectivos honorários profissionais e demais despesas de proces-
so, que deverão ser pagas pela empresa, se vier a ser punida nos termos desta 
Lei;
X – apreciar processos administrativos de atos de concentração econômica, 
na forma desta Lei, fixando, quando entender conveniente e oportuno, acordos 
em controle de atos de concentração;
XI – determinar à Superintendência-Geral que adote as medidas adminis-
trativas necessárias à execução e fiel cumprimento de suas decisões;
XII – requisitar serviços e pessoal de quaisquer órgãos e entidades do Poder 
Público Federal;
XIII – requerer à Procuradoria Federal junto ao Cade a adoção de provi-
dências administrativas e judiciais;
XIV – instruir o público sobre as formas de infração da ordem econômica;
XV – elaborar e aprovar regimento interno do Cade, dispondo sobre seu 
funcionamento, forma das deliberações, normas de procedimento e organiza-
ção de seus serviços internos;
XVI – propor a estrutura do quadro de pessoal do Cade, observado o dispos-
to no inciso II do caput do art. 37 da Constituição Federal;
XVII – elaborar proposta orçamentária nos termos desta Lei;
XVIII – requisitar informações de quaisquer pessoas, órgãos, autoridades e 
entidades públicas ou privadas, respeitando e mantendo o sigilo legal quando 
for o caso, bem como determinar as diligências que se fizerem necessárias ao 
exercício das suas funções; e
XIX – decidir pelo cumprimento das decisões, compromissos e acordos.”
Ainda, as decisões do Tribunal serão tomadas por maioria, com a presença 
mínima de 4 (quatro) membros, sendo o quorum de deliberação mínimo de 3 
(três) membros, de acordo com o disposto no § 1º do art. 9º.
O art. 12, § 1º, dispõe: “O Superintendente-Geral será escolhido dentre 
cidadãos com mais de 30 (trinta) anos de idade, notório saber jurídico ou eco-
nômico e reputação ilibada, nomeado pelo Presidente da República, depois de 
aprovado pelo Senado Federal.”
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Exercício
11. (16º Concurso – Procurador da República) Segundo a Lei nº 8.884, 
de 11.06.94, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica:
a) É de natureza jurídica autárquica.
b) É órgão da administração federal direta.
c) É órgão da administração federal centralizada.
d) tem competência para “decidir sobre a existência de infrações 
à ordem econômica e aplicar as penalidades previstas em lei”, 
equiparando-se suas decisões, por ser um Tribunal administrati-
vo, a órgão do Poder Judiciário.
2. A Lei da Defesa da Concorrência
2.1 Apresentação
Nesta unidade, será tratado o tema sobre a Lei da Defesa da Concor-
rência.
2.2 Síntese
A Nova Lei Antitruste Brasileira (NLAB), Lei nº 12.529, que substitui a Lei 
nº 8.884/1994 estrutura em seu art. 1º o Sistema Brasileiro de Defesa da Con-
corrência – SBDC e dispõe sobre a prevenção e a repressão às infrações contra 
a ordem econômica, orientada pelos ditames constitucionais de liberdade de 
iniciativa, livre concorrência, função social da propriedade, defesa dos consu-
midores e repressão ao abuso do poder econômico.
A coletividade é a titular dos bens jurídicos protegidos pela NLAB, refor-
çando a ampla proteção pretendida pela Constituição Federal no que diz res-
peito ao princípio da livre concorrência.
A Lei de defesa da concorrência divide a atuação principal em duas verten-
tes: a vertente preventiva e a repressiva.
A vertente preventiva está contemplada pelos arts. 88 e seguintes da NLAB 
que trata sobre o controle de atos que resultem em concentraçãoeconômica 
quando forem atingidos alguns critérios de faturamento estabelecidos em Lei.
O controle dos atos de concentração será prévio e realizado em, no máxi-
mo, 240 (duzentos e quarenta) dias, a contar do protocolo de petição ou de sua 
emenda.
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Os prazos somente poderão ser prorrogados em duas hipóteses: por até 60 
(sessenta) dias, improrrogáveis, mediante requisição das partes envolvidas na 
operação; ou por até 90 (noventa) dias, mediante decisão fundamentada do 
Tribunal.
Os atos não podem ser consumados antes de apreciados, sob pena de 
nulidade, sendo ainda imposta multa pecuniária, de valor não inferior a R$ 
60.000,00 (sessenta mil reais) nem superior a R$ 60.000.000,00 (sessenta 
milhões de reais), sem prejuízo da abertura de processo administrativo, nos 
termos do art. 69 da NLAB. Empresas concorrentes que trocam informações 
antes da permissão da autoridade, em alguns casos tal ato pode ser conside-
rado cartel.
Até a decisão final sobre a operação, deverão ser preservadas as condições 
de concorrência entre as empresas envolvidas, sob pena de aplicação das san-
ções previstas.
Serão proibidos os atos de concentração que impliquem eliminação da 
concorrência em parte substancial de mercado relevante, que possam criar 
ou reforçar uma posição dominante ou que possam resultar na dominação de 
mercado relevante de bens ou serviços, ressalvado o disposto no § 6º do art. 88.
As concentrações econômicas a que se refere a vertente preventiva podem 
ser classificadas em:
•	 concentrações horizontais: quando essas concentrações são no mesmo 
mercado. Exemplo: mercado de cerveja.
•	 concentrações verticais: no caso de empresa que compra outra produ-
tora de seu insumo, tem um produto complementar utilizado no seu 
processo produtivo.
•	 concentrações conglomeradas: não tem uma relação direta, mas ajuda 
a complementar o portfólio de algumas empresas ou grupos econômi-
cos de porte relevante.
Realiza-se um ato de concentração quando:
1. duas ou mais empresas anteriormente independentes se fundem.
2. uma ou mais empresas adquirem, direta ou indiretamente, por compra 
ou permuta de ações, quotas, títulos ou valores mobiliários conversíveis 
em ações, ou ativos, tangíveis ou intangíveis, por via contratual ou por 
qualquer outro meio ou forma, o controle ou partes de uma ou outras 
empresas.
3. ou mais empresas incorporam outra ou outras empresas.
4. duas ou mais empresas celebram contrato associativo, consórcio ou 
joint venture.
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Exercício
12. (Procurador da República) Na ordem econômica vigente, orientada, 
entre outros, pelos princípios constitucionais da liberdade de inicia-
tiva e da livre concorrência, a que a Lei nº 8.884/1994 disciplina, 
particularmente, com vistas a prevenir e reprimir o abuso do poder 
econômico, o fato “concentração”:
a) É vedado.
b) É consentido e, em alguns casos, até estimulado.
c) É figura não prevista na legislação brasileira.
d) Não figura como conteúdo das normas de direito econômico.
3. A Vertente Repressiva – Lei nº 8.884/1994. 
A Livre Concorrência como Direito Difuso 
e Ações Coletivas para sua Tutela
3.1 Apresentação
Nesta unidade, será abordada a vertente repressiva da NLAB, a livre con-
corrência como Direito Difuso e as ações coletivas para sua tutela.
3.2 Síntese
A vertente repressiva está relacionada à punição de práticas anticompeti-
tivas, capazes de alterar o equilíbrio econômico em determinados mercados.
Entende-se que a tipologia aberta, adotada pelo legislador, é essencial nas 
relações econômicas para que se possam combater as infrações concorrenciais.
Algumas práticas restritivas à ordem econômica estão indicadas no art. 36 
da NLAB, tais como:
a) Subordinar a venda de um bem à aquisição de outro ou à utilização de 
um serviço (venda casada).
b) Limitar ou impedir o acesso de novas empresas ao mercado.
c) Impedir o acesso de concorrente às fontes de insumo, matérias-primas, 
equipamentos ou tecnologia, bem como aos canais de distribuição.
d) Utilizar meios enganosos para provocar a oscilação de preços de tercei-
ros, entre outras.
No âmbito do SBDC, os responsáveis por práticas anticompetitivas poderão 
ser condenados às penas de caráter pecuniário e não pecuniário. As penas po-
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dem ser aplicadas não somente às empresas, mas a todos que estão envolvidos 
naquela conduta, como os administradores.
As penas pecuniárias atingem a empresa, em multas que variam de 0,1% 
(um por cento) a 20% (vinte por cento) do valor do faturamento bruto da em-
presa, grupo ou conglomerado obtido, no último exercício anterior à instau-
ração do processo administrativo, no ramo de atividade empresarial em que 
ocorreu a infração, a qual nunca será inferior à vantagem auferida, quando for 
possível sua estimação.
As demais pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou privado, bem 
como quaisquer associações de entidades ou pessoas constituídas de fato ou de 
direito, ainda que temporariamente, com ou sem personalidade jurídica, que 
não exerçam atividade empresarial, não sendo possível utilizar-se o critério do 
valor do faturamento bruto, a multa será entre R$ 50.000,00 (cinquenta mil 
reais) e R$ 2.000.000.000,00 (dois bilhões de reais).
No caso de administrador, direta ou indiretamente responsável pela infra-
ção cometida, quando comprovada a sua culpa ou dolo, multa de 1% (um por 
cento) a 20% (vinte por cento) daquela aplicada à empresa.
O inquérito administrativo, procedimento investigatório de natureza inqui-
sitorial, será instaurado pela Superintendência-Geral para apuração de infra-
ções à ordem econômica.
A NLAB estabelece que a coletividade é a titular dos bens jurídicos protegi-
dos, destacando o caráter difuso da livre concorrência.
Os interesses ou direitos difusos são de natureza indivisível, e seus titulares 
são pessoas indeterminadas e ligadas entre si por circunstâncias de fato (art. 81, 
I, do CDC).
A livre concorrência é direito difuso, sendo cabíveis os seguintes mecanis-
mos de ação coletiva para sua tutela: a) Ação Civil Pública, e b) Ação Coletiva 
para Tutela de Direitos Individuais Homogêneos.
O art. 47 da NLAB dispõe: “Os prejudicados, por si ou pelos legitimados re-
feridos no art. 82 da Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990, poderão ingressar 
em juízo, em defesa de seus interesses individuais ou individuais homogêneos, 
obter a cessação de práticas que constituam infração da ordem econômica, 
bem como o recebimento de indenização por perdas e danos sofridos, indepen-
dentemente do inquérito ou processo administrativo, que não será suspenso em 
virtude do ajuizamento de ação.”
A existência de um Processo Administrativo em curso no CADE não obsta 
a propositura de ação judicial que tenha por objeto a cessação da prática em 
questão, e a reparação dos danos causados.
Não há que se falar em bis in idem, uma vez que a natureza da multa impos-
ta pelo CADE e da condenação em dinheiro que pode ser imposta pelo Poder 
Judiciário é distinta.
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Há também uma diferença material, pois a multa possui uma função dis-
suasória, visando a desestimular o agente econômico a praticar a conduta, 
enquanto a condenação judicial apresentará uma função reparatória, visando 
compensar a sociedade ou os lesados em razão dos prejuízos causados pela 
conduta.
Podem ocorrer os seguintes resultados:
•	 Condenação em dinheiro na ação civil pública;
•	 Condenação em dinheiro na ação coletiva para tutela de direitos indivi-
duais homogêneos;
•	 Condenação em obrigação de fazer e não fazer na ação civil pública.
Exercício
13. (Procurador da República) Constitui violação à ordem econômica:
a) Subordinar a venda de um bem à utilização de um serviço.b) Vender mercadoria sem margem de lucro.
c) Recusar, mesmo que justificadamente, a venda de bens e a pres-
tação de serviços.
d) Nenhuma das assertivas acima é verdadeira.
Capítulo 4
Infrações à Ordem Econômica
1. Contexto para Identificação de Infrações à 
Ordem Econômica nos Termos da Lei nº 
8.884/1994 – Introdução ao Contexto de 
Mercado Relevante
1.1 Apresentação
Nesta unidade, será tratada a introdução ao contexto para identificação 
de infrações à ordem econômica nos termos da Lei Brasileira de Defesa 
da Concorrência.
1.2 Síntese
A identificação de infrações à ordem econômica deve obedecer a um ro-
teiro que privilegie parâmetros consolidados de avaliação. A Lei Brasileira de 
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Defesa da Concorrência trará conceitos básicos e necessários para identificação 
ou não de infração em determinado mercado.
O Brasil, por meio da lei (tanto lei antiga como a NLAB), traz o princípio 
da territorialidade (quando se fala em práticas cometidas no todo ou em parte 
no Território Nacional) e também o princípio dos efeitos (chamada também 
de teoria dos efeitos) uma vez que a lei é aplicável aos agentes que produzam 
ou possam produzir efeitos no Brasil. Não importa onde a empresa se localiza 
ou atua, o importante são os efeitos da conduta para o território nacional, por 
exemplo, o cartel. Este princípio está ligado à teoria dos efeitos, pois esta lei é 
aplicada uma vez que é sentida no território nacional.
Deve ser definido o âmbito de ocorrência da suposta infração à ordem eco-
nômica.
O mercado afetado pela suposta prática anticoncorrencial é chamado de 
mercado relevante.
O conceito de Mercado Relevante é um dos mais importantes na análise 
realizada pelo Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência.
Para o estabelecimento de uma análise antitruste, é essencial que se delimite 
o escopo de incidência material e territorial de uma infração.
O mercado relevante é o ambiente delimitado em que se travam as relações 
de concorrência ou em que atua o agente econômico cujo comportamento 
está sendo analisado. Exemplo: geograficamente o mercado relevante é o do 
município.
Para a delimitação do mercado relevante, podem ser utilizadas diferentes 
técnicas, que utilizam conceitos extraídos da teoria econômica, tais como os 
seguintes testes:
• Teste do Monopolista Hipotético;
• Teste da elasticidade preço da demanda; e
• Teste da elasticidade cruzada preço da demanda.
Na prática, a determinação do mercado relevante ocorre por meio de uma 
análise que tem como ponto de partida duas perspectivas: a do produto e a 
geográfica.
Perspectiva do Produto ou material/substancial: essa perspectiva considera que 
os bens e serviços concorrem apenas com produtos semelhantes, e pelos quais pos-
sam ser substituídos, tanto pelo lado da oferta, como pelo lado da demanda.
Uma vez delimitado o escopo material referente ao mercado analisado, 
cumpre definir seus limites territoriais, o que leva à segunda perspectiva de 
determinação do mercado relevante: o mercado relevante geográfico.
Perspectiva Geográfica: essa perspectiva considera que a concorrência en-
tre produtos e serviços dá-se nos limites de um espaço geográfico, dentro do 
qual se verifiquem vantagens econômicas, e em que seja possível o acesso a 
consumidores e clientes.
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No que tange à delimitação geográfica do mercado relevante, há outros 
aspectos que devem ser considerados que, conforme o caso podem revelar-se 
prejudiciais ao mercado e à livre concorrência, tais como:
•	 hábitos dos consumidores;
•	 incidência de custos de transporte (custo do frete);
•	 características qualitativas do produto;
•	 barreiras regulatórias de todos os gêneros e
•	 existência de barreiras à entrada de novos agentes econômicos no 
mercado.
Exercício
14. (Procurador da República) A Lei Antitruste vigente, ao determinar 
sua aplicação às práticas atentatórias à ordem econômica, cometidas 
no país ou fora dele, mas que, neste último caso, firam ou possam 
ferir interesses dos agentes nacionais, adota:
a) Exclusivo critério da territorialidade.
b) Critério da nacionalidade dos agentes.
c) Critério do local de verificação dos efeitos.
d) Os critérios da territorialidade e dos efeitos, conjugados.
2. Contexto para Identificação de Infrações à 
Ordem Econômica nos Termos da Lei nº 
8.884/1994 – Poder de Mercado
2.1 Apresentação
Nesta aula será abordado outro conceito importante da Lei de Defesa da 
Concorrência que é o conceito de poder de mercado.
2.2 Síntese
Considerando-se o âmbito geográfico e do produto (também chamado ma-
terial) em que é verificada determinada conduta anticompetitiva, é necessário 
se verificar, em seguida, o poder de mercado do agente a quem é imputada 
uma infração à ordem econômica.
A avaliação do poder de mercado e da participação de mercado, também 
conhecida como market share, mostra-se essencial para que se demonstre a 
probabilidade de exercício unilateral e abusivo de posição dominante.
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Presume-se posição dominante sempre que uma empresa ou grupo de 
empresas for capaz de alterar unilateral ou coordenadamente as condições de 
mercado ou quando controlar 20% (vinte por cento) ou mais do mercado rele-
vante, podendo este percentual ser alterado pelo Cade para setores específicos 
da economia (art. 36, § 2º, NLAB).
O Cade avalia se existe poder de mercado ou posição dominante de uma 
empresa, da mesma forma quando existem casos de concentração.
A conquista de mercado resultante de processo natural fundado na maior 
eficiência de agente econômico em relação a seus competidores não caracte-
riza o ilícito previsto no inc. II do caput deste artigo (art. 36, § 1º, NLAB). O 
Cade não interfere na competição quando esta ocorre de forma natural; algu-
mas empresas são monopolistas, mas não fazem nada de forma a prejudicar o 
ambiente concorrencial, às vezes simplesmente desenvolveram algum produto 
que não tem concorrência.
A participação de mercado a partir de 20% (vinte por cento) caracteriza a 
ocorrência de posição dominante, o que viabiliza, em tese, o exercício de poder 
de mercado.
Embora não seja esse o único requisito para identificar e confirmar a exis-
tência de poder de mercado, é a participação de mercado o principal fator uti-
lizado para a delimitação do domínio da empresa a quem está sendo imputada 
conduta, ou condutas anticoncorrenciais.
No que tange à presunção iuris tantum de poder de mercado (ou de po-
sição dominante), tal critério deve ser flexibilizado conforme o mercado em 
questão e o caso concreto, devido à existência de mercados específicos.
O Cade analisou casos de empresas que possuem participação de mercado 
elevada, mas que não têm poder, porque acima das autopeças, por exemplo, 
existem as montadoras que fazem cotações internacionais.
Há outros elementos que devem ser identificados quando da avaliação do 
poder de mercado de uma empresa, objeto de investigação. Dentre esses ele-
mentos, podem ser citadas as barreiras à entrada no mercado em questão, e a 
possibilidade de substituição dos produtos e serviços via importações.
Exercício
15. (Procurador da República) A chamada posição dominante no mer-
cado de bens e serviços:
a) É tolerada sem restrições segundo a ordem econômica vigente.
b) É estranha ao nosso ordenamento jurídico-econômico.
c) É excepcionalmente admitida na prática de atos, desde que con-
dicionada a certos objetivos político-econômicos.
d) Constitui, em qualquer hipótese, infração à ordem econômica.
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3. Barreiras à Entrada e Ausência de 
Rivalidade Concorrencial
3.1 Apresentação
Nesta unidade, serão tratados os temas sobre as barreiras à entrada e 
ausência da rivalidade concorrencial.3.2 Síntese
Barreiras à entrada são os empecilhos existentes em um determinado mer-
cado que provoquem desvantagens a um competidor eficiente em relação aos 
demais agentes econômicos estabelecidos.
Em determinados mercados, a marca do produto é muito forte. Ainda, ou-
tro tipo de barreira está relacionado aos custos.
As barreiras naturais são aquelas que decorrem da própria estrutura do merca-
do. Já as artificiais são aquelas que decorrem de ações e/ou omissões dos agentes 
econômicos, com o fim de preservar uma posição privilegiada no mercado.
O agente detentor de mercado deve provar que não incorre em abuso, ou 
seja, deve ser demonstrada a razoabilidade da conduta.
É importante ressaltar que a interação entre os princípios da livre iniciativa 
e da livre concorrência deve ser tida como uma interação dinâmica.
O art. 45 da nova lei dispõe:
“Na aplicação das penas estabelecidas nesta Lei, levar-se-á em consideração:
I – a gravidade da infração;
II – a boa-fé do infrator;
III – a vantagem auferida ou pretendida pelo infrator;
IV – a consumação ou não da infração;
V – o grau de lesão, ou perigo de lesão, à livre concorrência, à economia 
nacional, aos consumidores, ou a terceiros;
VI – os efeitos econômicos negativos produzidos no mercado;
VII – a situação econômica do infrator; e
VIII – a reincidência.”
A prescrição está estabelecida no art. 46, que traz: “Prescrevem em 5 (cin-
co) anos as ações punitivas da administração pública federal, direta e indireta, 
objetivando apurar infrações da ordem econômica, contados da data da prática 
do ilícito ou, no caso de infração permanente ou continuada, do dia em que 
tiver cessada a prática do ilícito.”
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Dispõe o § 1º: “Interrompe a prescrição qualquer ato administrativo ou ju-
dicial que tenha por objeto a apuração da infração contra a ordem econômica 
mencionada no caput deste artigo, bem como a notificação ou a intimação da 
investigada.”
Estabelece o § 2º: “Suspende-se a prescrição durante a vigência do compro-
misso de cessação ou do acordo em controle de concentrações.”
O § 3º traz: “Incide a prescrição no procedimento administrativo paralisado 
por mais de 3 (três) anos, pendente de julgamento ou despacho, cujos autos 
serão arquivados de ofício ou mediante requerimento da parte interessada, sem 
prejuízo da apuração da responsabilidade funcional decorrente da paralisação, 
se for o caso.”
O § 4º dispõe: “Quando o fato objeto da ação punitiva da administração tam-
bém constituir crime, a prescrição reger-se-á pelo prazo previsto na lei penal.”
O art. 47 estabelece: “Os prejudicados, por si ou pelos legitimados referidos 
no art. 82 da Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990, poderão ingressar em 
juízo para, em defesa de seus interesses individuais ou individuais homogê-
neos, obter a cessação de práticas que constituam infração da ordem econômi-
ca, bem como o recebimento de indenização por perdas e danos sofridos, inde-
pendentemente do inquérito ou processo administrativo, que não será suspenso 
em virtude do ajuizamento de ação.”
Exercício
16. (Cespe/UNB – 2009 – Tribunal de Contas de Tocantins) Assinale a 
opção correta, acerca da lei antitruste.
a) Para que se constitua infração da ordem econômica, a condu-
ta de aumentar arbitrariamente os lucros depende de culpa ou 
dolo do infrator.
b) As penas de cisão de sociedade, transferência de controle so-
cietário e venda de seus ativos somente poderão ser aplicadas 
isoladamente.
c) Constitui infração da ordem econômica a conduta de dividir os 
mercados de serviços ou produtos, acabados ou semiacabados.
d) As infrações da ordem econômica prescrevem no prazo de dois 
anos, a contar da prática do ato ilícito.
e) O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) é fun-
dação pública federal vinculada ao Ministério do Desenvolvi-
mento, Indústria e Comércio Exterior.
Capítulo 5
Sistema Brasileiro de Defesa 
da Livre Concorrência
1. Os Cartéis
1.1 Apresentação
Nesta unidade, serão tratadas as chamadas práticas restritivas horizontais, 
especialmente da prática de cartel.
1.2 Síntese
Determinados acordos realizados entre concorrentes podem simplesmente 
eliminar a concorrência, restringindo indevidamente a produção e elevando 
os preços, como podem também, ao mesmo tempo, atender a alguns objetivos 
pró-competitivos. Assim, uma análise caso a caso costuma ser realizada pelas 
autoridades de defesa da concorrência.
No Brasil, o acordo entre concorrentes não é considerado uma violação. A 
análise é feita sob a Regra da Razão (racionalidade da conduta).
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Geralmente os acordos horizontais (realizados em um mesmo nível da ca-
deia produtiva) tendem a neutralizar a concorrência entre os agentes econômi-
cos que atuam no mesmo mercado relevante.
Os agentes econômicos, com vistas a justificar a uniformização de suas con-
dutas comerciais, acabam assumindo o pressuposto de que, sem a concorrência 
lícita, poderão auferir lucros maiores, tornando suas atividades econômicas mais 
rentáveis do que seriam num ambiente repleto de rivalidade concorrencial.
Consiste em eliminar a concorrência, especialmente por meio de acordos 
anticoncorrenciais, e viola os interesses da coletividade.
A livre concorrência tem como consequência a geração de constantes in-
centivos à melhoria dos padrões de eficiências nos mercados (por exemplo, por 
meio do aumento da qualidade dos produtos e serviços, e da necessidade de 
investimentos em tecnologia etc.), o que contribui para a geração de benefícios 
à coletividade.
Os acordos horizontais ilícitos são comumente chamados de restrições “fla-
grantes” ao comércio.
A coordenação de decisões, entre duas ou mais empresas, que envolvam 
preços, quantidades ofertadas ou adquiridas, qualidade dos produtos, localiza-
ções da venda dos produtos, entre outras variáveis, é denominada cartel.
Dentre os acordos horizontais, a maioria dos países considera os acordos de 
cartéis como as mais graves ofensas à concorrência.
No Brasil a prática de cartel é objeto de processo administrativo e criminal.
O cartel, também chamado de conluio ou atuação comercial uniforme, 
é um acordo empresarial cujo objetivo é elevar os preços ao comprador ou 
reduzir ao máximo os preços dos vendedores de insumos, por meio da redução 
da concorrência, aproximando o resultado do mercado, em aspectos de lucra-
tividade, à situação de monopólio.
O cartel tem um efeito direto sobre o bem-estar econômico na medida 
em que, elevando compulsoriamente os preços ao comprador, ou reduzindo 
sobremaneira os preços dos vendedores, transfere renda da sociedade para seus 
integrantes.
Em razão de seus efeitos e objetivos, o cartel é considerado como infração 
à ordem econômica em todos os países que aplicam as leis de defesa da concor-
rência, inclusive no Brasil.
Normalmente a formação de cartéis é facilitada em mercados concentra-
dos e com produtos homogêneos, nos quais poucas empresas respondem por 
boa parte das vendas ou das compras.
Os principais fatores, identificados pela doutrina e jurisprudência Brasilei-
ra, que facilitam a formação de um cartel são:
•	 quanto menor o número de empresas envolvidas (ou mais precisamen-
te, quanto mais concentrado o mercado em questão);
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•	 quanto maior a disponibilidade de informações públicas ou confiáveis 
sobre os preços praticados (ou quantidades comercializadas);
•	 quanto menores as flutuações autônomas de preços e
•	 quanto maior a semelhança e a concentração das vendas em poucos 
canais de distribuição.
Se um acordo não restringe a livre concorrência e não acarreta a incidência 
do art. 36 da Lei nº 12.529, de 2011, não se pode, então, falar em cartel.
Exercício
17. (Procurador da República) Define-secomo prática ilícita tipificada 
na Lei Antitruste:
a) Redução, em larga escala, da produção.
b) Aumento de lucros.
c) Venda abaixo do preço de custo.
d) Promoção de conduta concertada.
2. Os Cartéis: Natureza e Contexto
2.1 Apresentação
Nesta unidade, falaremos sobre os cartéis e novos aspectos.
2.2 Síntese
No Brasil, cartel é um ilícito de natureza administrativa e penal, não sendo 
necessário que haja dois processos concomitantes.
O art. 36 da nova Lei Antitruste dispõe:
“Constituem infração da ordem econômica, independentemente de culpa, 
os atos sob qualquer forma manifestados, que tenham por objeto ou possam 
produzir os seguintes efeitos, ainda que não sejam alcançados:
I – limitar, falsear ou de qualquer forma prejudicar a livre concorrência ou 
a livre iniciativa;
II – dominar mercado relevante de bens ou serviços;
III – aumentar arbitrariamente os lucros; e
IV – exercer de forma abusiva posição dominante.”
De acordo com o § 3º, há condutas que devem ser observadas para que, 
ocorrendo, sejam penalizadas.
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§ 3º “As seguintes condutas, além de outras, na medida em que configurem 
hipótese prevista no caput deste artigo e seus incisos, caracterizam infração da 
ordem econômica:
I – acordar, combinar, manipular ou ajustar com concorrente, sob qual-
quer forma:
a) os preços de bens ou serviços ofertados individualmente;
b) a produção ou a comercialização de uma quantidade restrita ou limitada 
de bens ou a prestação de um número, volume ou frequência restrita ou limi-
tada de serviços;
c) a divisão de partes ou segmentos de um mercado atual ou potencial de 
bens ou serviços, mediante, dentre outros, a distribuição de clientes, fornece-
dores, regiões ou períodos;
d) preços, condições, vantagens ou abstenção em licitação pública;
II – promover, obter ou influenciar a adoção de conduta comercial unifor-
me ou concertada entre concorrentes;
III – limitar ou impedir o acesso de novas empresas ao mercado;
IV – criar dificuldades à constituição, ao funcionamento ou ao desenvolvi-
mento de empresa concorrente ou de fornecedor, adquirente ou financiador 
de bens ou serviços;
V – impedir o acesso de concorrente às fontes de insumo, matérias-primas, 
equipamentos ou tecnologia, bem como aos canais de distribuição;
VI – exigir ou conceder exclusividade para divulgação de publicidade nos 
meios de comunicação de massa;
VII – utilizar meios enganosos para provocar a oscilação de preços de terceiros;
VIII – regular mercados de bens ou serviços, estabelecendo acordos para 
limitar ou controlar a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico, a produção 
de bens ou prestação de serviços, ou para dificultar investimentos destinados à 
produção de bens ou serviços ou à sua distribuição;
IX – impor, no comércio de bens ou serviços, a distribuidores, varejistas e 
representantes preços de revenda, descontos, condições de pagamento, quan-
tidades mínimas ou máximas, margem de lucro ou quaisquer outras condições 
de comercialização relativos a negócios destes com terceiros;
X – discriminar adquirentes ou fornecedores de bens ou serviços por meio 
da fixação diferenciada de preços, ou de condições operacionais de venda ou 
prestação de serviços;
XI – recusar a venda de bens ou a prestação de serviços, dentro das condi-
ções de pagamento normais aos usos e costumes comerciais;
XII – dificultar ou romper a continuidade ou desenvolvimento de relações 
comerciais de prazo indeterminado em razão de recusa da outra parte em 
submeter-se a cláusulas e condições comerciais injustificáveis ou anticoncor-
renciais;
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XIII – destruir, inutilizar ou açambarcar matérias-primas, produtos inter-
mediários ou acabados, assim como destruir, inutilizar ou dificultar a operação 
de equipamentos destinados a produzi-los, distribuí-los ou transportá-los;
XIV – açambarcar ou impedir a exploração de direitos de propriedade in-
dustrial ou intelectual ou de tecnologia;
XV – vender mercadoria ou prestar serviços injustificadamente abaixo do 
preço de custo;
XVI – reter bens de produção ou de consumo, exceto para garantir a cober-
tura dos custos de produção;
XVII – cessar parcial ou totalmente as atividades da empresa sem justa causa 
comprovada;
XVIII – subordinar a venda de um bem à aquisição de outro ou à utilização 
de um serviço, ou subordinar a prestação de um serviço à utilização de outro 
ou à aquisição de um bem; e
XIX – exercer ou explorar abusivamente direitos de propriedade industrial, 
intelectual, tecnologia ou marca”.
O art. 37 estabelece as penas sobre aqueles que incorrerem na conduta a 
ser penalizada.
Em caso de reincidência, de acordo com o § 1º, as multas cominadas serão 
aplicadas em dobro.
Exercício
18. (MPF) Quando agentes revendedores de derivados do petróleo se 
acertam para estabelecer preços uniformes desses produtos, em de-
terminada região, essa prática:
a) Não se configura como infringente da Lei Antitruste, eis que es-
ses acordos partem de pequenos agentes detentores de reduzido 
poder econômico atuante em restrito setor da economia.
b) Conceitua-se, segundo os mercados relevantes em que atuam, 
como acordo vertical.
c) Constitui atuação cartelizada, visto que pode eliminar ou dimi-
nuir a concorrência.
d) Não constitui cartel por lhe faltar o fato durabilidade.
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3. Atuação Estatal na Economia em Regime 
de Monopólio
3.1 Apresentação
Nesta unidade, será tratado o tema sobre a Atuação Estatal na Econo-
mia em Regime de Monopólio.
3.2 Síntese
Como explicitado pelo art. 173 da Constituição Federal, a exploração da 
atividade econômica é desempenhada, em regra, por agentes privados, de for-
ma a reservar a atuação do Estado apenas para situações que envolvam seguran-
ça nacional ou interesse coletivo. A atuação estatal na economia pode, então, 
ocorrer de duas formas: direta e indireta.
Há duas formas de exploração direta da atividade econômica pelo Estado, 
no Brasil. Uma é o monopólio, e a outra, embora a Constituição não diga, é 
a necessária, ou seja, quando exigir a segurança nacional ou interesse coleti-
vo relevante, conforme definidos em lei (que está no art. 173). Vale lembrar 
que não se trata aqui de participação suplementar ou subsidiária da iniciativa 
privada. Assim, se ocorrerem aquelas exigências, será legítima a participação 
estatal direta na atividade econômica, independentemente de preferência ou 
de suficiência da iniciativa privada.
A atuação direta ocorre quando o Estado assume a função de agente econô-
mico (Estado-empresário), atuando por meio de pessoas jurídicas por ele cons-
tituídas e sob seu controle na produção de bens ou na prestação de serviços de 
conteúdo econômico. Entre os meios de atuação direta do Estado na economia 
inclui-se a atuação em regime de monopólio, ao que pode chamar-se, também, 
atuação por absorção.
A atuação estatal em regime de monopólio está prevista na Constituição 
Federal, em seu art. 177, que já foi visto em aulas anteriores. Pode ser verifica-
do por meio da leitura desse artigo que a Constituição Federal traz uma lista 
exaustiva de possibilidades para sua atuação em regime de absorção, excluindo 
a suscetibilidade de exploração de atividades econômicas em regime de mo-
nopólio por particulares ou por entes públicos que não sejam a União. Dessa 
forma, o Distrito Federal, os Estados, Municípios e particulares, em regra, não 
têm a prerrogativa de exercício de monopólio, e a União não pode criar novas 
possibilidades de atividades a serem exploradas em tal regime.
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As áreas da economia sujeitas à atuação estatal em regime de monopólio 
são basicamente três:
•	 petróleo;
•	 gás natural e
•	 minérios ou minerais nucleares.Conforme o § 1º do art. 177 e, de acordo com as condições previstas em 
lei, as atividades descritas nos incs. I a IV (que são as atividades relacionadas ao 
petróleo e ao gás natural), embora sujeitas ao monopólio da União, podem ser 
objeto de contrato entre esta e empresas estatais ou privadas. Conforme anali-
sam Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino, essa situação, usualmente referida 
como flexibilização do monopólio foi trazida pela EC nº 09/1995.
Como se vê, as atividades constantes desses incs. I a IV do § 1º do art. 177 
não estão exatamente sob regime de monopólio, ou, pelo menos, estão sob mo-
nopólio facultativo. Sendo assim, se julgar mais adequado ao interesse público, 
a União tem a possibilidade de explorá-las sob o regime de monopólio.
Diferentemente, caso a União considere mais condizente com o interesse 
público o seu exercício por empresas estatais ou privadas, pode então contratar 
esse exercício com as empresas estatais ou privadas. Note-se, ainda, que a deci-
são sobre contratar ou não é exclusiva da União.
Portanto, quando for interesse da União a autorização a terceiros para a 
exploração dessas atividades, caberá a ela contratar esse exercício por meio do 
regime de concessão, conforme dispõe o art. 176 da Constituição Federal. Nes-
se caso, o poder concedente estará identificado na pessoa da União, enquanto o 
concessionário será interessado na exploração das atividades. A possibilidade de 
configuração como concessionário está restrita aos brasileiros, podendo ou não 
coincidir com o proprietário da terra onde tenham sido encontrados os recursos 
minerais. Caso o proprietário seja pessoa diversa do concessionário, ele terá di-
reito a uma porcentagem do rendimento da exploração, que é definida em lei.
Ainda no que se refere aos incs. I a IV do art. 177, cabe detalhar o significa-
do de alguns termos expressos em seu conteúdo. Dessa forma:
•	 Recursos minerais: são os recursos inorgânicos encontrados na natureza;
•	 Jazida: depósito natural de recursos minerais;
•	 Mina: local a ser explorado pelo homem; e
•	 Lavra: exploração feita pelo homem.
As atividades descritas no inc. V do art. 177 (atividades relacionadas a miné-
rios e minerais nucleares) não possuem flexibilização quanto ao seu regime de 
exploração, estando efetivamente sob o monopólio da União.
É oportuno detalhar, entretanto, que o advento da Emenda Constitucional 
nº 49/2006 modificou o panorama de monopólio puro e absoluto característico 
da exploração de minérios e minerais nucleares.
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A Emenda Constitucional nº 49/2006 trouxe ao ordenamento jurídico a 
possibilidade de contratação de outras empresas, em regime de permissão, para 
alguns casos específicos relacionados à exploração dessas atividades. Assim, 
conforme o art. 21, XXIII, “b” e “c”, da Constituição Federal, os chamados 
radioisótopos para pesquisa e usos médicos, agrícolas e industriais e dos radioi-
sótopos de meia-vida igual ou inferior a duas horas, podem ter sua produção, 
comercialização e utilização autorizadas sob o regime de permissão.
Cabe ainda esclarecer que a alínea “d” do mencionado inciso traz a dispo-
sição de que a responsabilidade de danos nucleares independe da existência 
de culpa, o que leva em consideração a chamada teoria do risco, utilizada no 
âmbito do Direito Civil.
E como fica a questão do monopólio em uma análise realizada pelo Cade? 
Uma pergunta que sempre é feita: O fato de uma operação gerar um monopó-
lio, ou uma concentração elevada, por exemplo, de mais de 80% do mercado, 
por si só, já configuraria uma infração à ordem econômica? Ou o fato de uma 
empresa ser monopolista já seria condenável?
Na prática, uma empresa apenas sofreria investigação ou condenação caso 
venha a abusar de sua posição dominante. Ou seja, o monopólio per se não é 
uma infração. Entre as práticas que podem ser consideradas como abusivas 
existem, ainda:
•	 Acordos de exclusividade com fornecedores ou distribuidores, para di-
ficultar o acesso por concorrentes a insumos ou canais de distribuição, 
respectivamente.
•	 Discriminação ou recusa no fornecimento de bens e serviços a concor-
rentes atuais ou potenciais.
•	 Dificultar injustificadamente o licenciamento de tecnologias.
•	 Obrigação de aquisição de produtos em conjunto (ou seja, a venda 
casada).
•	 Cobrança de preços abaixo do custo, para exclusão de concorrentes (ou 
seja, preço predatório).
•	 Oferecimento de descontos a distribuidores que tenham o efeito de im-
pedir a entrada de novos fornecedores.
•	 Destruição de matérias-primas sem justa causa.
Exercício
19. (Cespe – AGU – 2004)
Uma das formas de intervenção do Estado na economia é a explo-
ração direta de atividade econômica, o que deve ocorrer quando 
motivos como a segurança nacional assim a recomendarem. Nesse 
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sentido, é admissível a criação de uma empresa pública que fabrique 
aviões para a Força Aérea Brasileira, devendo ela ser subordinada às 
mesmas normas de Direito Comercial, Tributário, Civil e Trabalhis-
ta, aplicáveis às empresas privadas em geral.
Capítulo 6
Sistema Brasileiro de Defesa 
da Concorrência
1. Questões Processuais e Formas de Atuação 
– Parte 1
1.1 Apresentação
Nesta unidade, serão abordadas questões processuais do Sistema Brasilei-
ro de Defesa da Concorrência.
1.2 Síntese
Atuação do SBDC (Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência) apoia-se 
em três ações principais: preventiva, repressiva e educativa.
Ação preventiva: ocorre por meio da análise das operações de concen-
tração (ex.: fusões, aquisições e incorporações de empresas) e cooperação 
econômica (ex.: determinadas joint ventures, que são parcerias entre duas 
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empresas para desenvolver um produto novo). Analisa se determinada fusão, 
por exemplo, pode gerar algum aspecto negativo para a concorrência.
Ação repressiva: dá-se por meio da investigação e punição de condutas an-
ticompetitivas. São exemplos de práticas lesivas à concorrência: o cartel e as 
práticas abusivas de empresas dominantes (como os acordos de exclusividade, 
vendas casadas, preços predatórios etc.). Trata de condutas que já existem.
Ação educativa: surge por meio da difusão da cultura da concorrência. O 
SBDC promove seminários, palestras, cursos e publicações de relatórios e ma-
térias em revistas especializadas para difundir a importância da concorrência 
para a sociedade.
Quaisquer das empresas ou pessoas físicas partes da operação são respon-
sáveis pela apresentação do ato ao SBDC quando estes atingem o critério de 
faturamento exigido pela NLAB, A qual estabelece que quando uma operação 
(grupo econômico) tiver um faturamento de 750 milhões de reais no ano an-
terior à operação e a outra parte tiver 75 milhões reais, tal operação deve ser 
notificada ao Cade.
As operações apresentadas podem receber tratamento confidencial confor-
me estabelecido em Regulamento.
O plenário do Cade, após analisar uma operação, poderá aprová-la, (mais 
comum), ou então, nos casos mais complexos em que sejam identificados po-
tenciais efeitos negativos, ele determina que a operação seja desfeita, total ou 
parcialmente, por exemplo, através de distrato, cisão de sociedade, venda de 
ativos, cessação parcial de atividades ou qualquer outro ato ou providência que 
entenda que elimine os efeitos nocivos à ordem econômica.
A reprovação total de uma operação é rara, mas já ocorreu em alguns casos, 
como o da Nestlé/Garoto (Ato de Concentração nº 08012.001697/2002-89).
Existem acordos celebrados como condição da aprovação de alguns atos de 
concentração julgados pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica.
Tais compromissos objetivam, de maneira geral, a adoção de determinadas 
restrições comportamentais por parte do compromissário,tendo em vista a ma-
nutenção das condições concorrenciais no mercado da operação.
Exercício
20. (Procuradoria da Fazenda Nacional – 2006). O Plenário do Conse-
lho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) pode, nos termos 
da Lei nº 8.884/1994, definir compromissos de desempenho, de 
modo a assegurar:
a) O cumprimento das condições estabelecidas na lei para a auto-
rização dos atos de concentração.
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b) A cessação de prática infrativa à ordem econômica.
c) O cumprimento da recomendação às autoridades competentes, 
contida na decisão terminativa do processo administrativo.
d) O cumprimento das determinações contidas na medida pre-
ventiva adotada pelo Secretário de Direito Econômico ou pelo 
Conselheiro-Relator.
e) Que não haja continuidade dos atos ou situações que configu-
rem infração à ordem econômica.
2. Questões Processuais e Formas de Atuação 
– Parte 2
2.1 Apresentação
Nesta unidade, será analisado o termo de compromisso de cessação pre-
visto no Capítulo VI (art. 85 e seguintes) da NLAB.
2.2 Síntese
Os Termos de Compromisso de Cessação são meios alternativos de solução 
de conflitos que envolvam direitos transindividuais colocados em risco em de-
corrência de práticas supostamente anticoncorrenciais. Exemplo: empresa que 
começa a cobrar tarifa de telefonia.
Por meio do Termo de Compromisso de Cessação, o investigado compro-
mete-se a cessar a prática, supostamente ilícita, o que faz com que as autorida-
des interrompam a investigação administrativa em curso.
Os termos são celebrados entre o Conselho Administrativo de Defesa Eco-
nômica, no polo ativo e, no polo passivo, pode figurar qualquer pessoa natural 
ou jurídica, de natureza pública ou privada, que esteja sendo investigada em 
processo administrativo de apuração sempre que, em juízo de conveniência e 
oportunidade, devidamente fundamentado, entender que atende aos interesses 
protegidos por lei.
A proposta de termo de compromisso de cessação de prática somente pode-
rá ser apresentada uma única vez e poderá ter caráter confidencial. Quando a 
empresa decide firmar o termo de compromisso de cessação com a autoridade, 
ela pode negociar os termos de forma confidencial.
A apresentação de proposta de termo de compromisso de cessação de prática 
não suspende o andamento do processo administrativo.
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O termo de compromisso de cessação de prática terá caráter público, de-
vendo o acordo ser publicado no sítio do Cade em 5 (cinco) dias após a sua 
celebração. Tal termo constitui título executivo extrajudicial.
O processo administrativo ficará suspenso enquanto estiver sendo cumpri-
do o compromisso e será arquivado ao término do prazo fixado, se atendidas 
todas as condições estabelecidas no termo. A suspensão do processo administra-
tivo dar-se-á somente em relação ao representado que firmou o compromisso, 
seguindo o processo seu curso regular para os demais representados. Não basta 
meramente assinar o termo de compromisso. Existem regras e elementos que 
devem ser seguidos e que têm prazo estabelecido para que não haja a suspensão 
do mesmo.
Uma vez declarado o descumprimento do compromisso, o Cade aplicará 
as sanções nele previstas e determinará o prosseguimento do processo admi-
nistrativo e as demais medidas administrativas e judiciais cabíveis para sua 
execução.
Nos casos de investigação da prática de infração relacionada ou decorrente 
das condutas previstas nos incs. I e II do § 3º do art. 36 da NLAB, entre as 
obrigações a que se refere o inc. I do § 1º do art. 85 da NLAB, necessariamente 
decorre a obrigação de recolher ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos, um 
valor pecuniário que não poderá ser inferior ao mínimo previsto no art. 37 da 
NLAB.
Exercício
21. (Procuradoria da Fazenda Nacional – 2004) O compromisso de 
cessação de prática lesiva à ordem econômica, previsto na Lei nº 
8.884/1994, não se aplica a uma das seguintes condutas:
a) Limitar ou impedir o acesso de novas empresas ao mercado.
b) Obter ou influenciar a adoção de conduta comercial uniforme 
ou concertada entre concorrentes.
c) Utilizar meios enganosos para provocar a oscilação de preços de 
terceiros.
d) Discriminar adquirentes ou fornecedores de bens ou serviços 
por meio da fixação diferenciada de preços, ou de condições 
operacionais de venda ou prestação de serviços.
e) Impedir o acesso de concorrente às fontes de insumo, matérias-
-primas, equipamentos ou tecnologia, bem como aos canais de 
distribuição.
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3. Questões Processuais e Formas de Atuação 
– Parte 3
3.1 Apresentação
Nesta unidade, serão abordados especialmente os acordos de leniência, 
as buscas e apreensões e inspeções nos termos da NLAB.
3.2 Síntese
De acordo com o art. 86 da NLAB, o Cade, por intermédio da Superin-
tendência-Geral, poderá celebrar acordo de leniência, com a extinção da ação 
punitiva da administração pública ou a redução de 1 (um) a 2/3 (dois terços) 
da penalidade aplicável, com pessoas físicas e jurídicas que forem autoras de 
infração à ordem econômica, desde que colaborem efetivamente com as inves-
tigações e o processo administrativo.
A colaboração do leniente deve resultar em:
•	 identificação dos demais envolvidos na infração e
•	 obtenção de informações e documentos que comprovem a infração no-
ticiada ou sob investigação.
O acordo de leniência somente poderá ser celebrado se preenchidos, 
cumulativamente, os seguintes requisitos:
•	 A empresa ser a primeira a se qualificar com respeito à infração noti-
ciada ou sob investigação; a empresa cessar completamente seu envol-
vimento na infração noticiada ou sob investigação a partir da data de 
propositura do acordo.
•	 A Superintendência-Geral não dispor de provas suficientes para assegu-
rar a condenação da empresa ou pessoa física por ocasião da propositura 
do acordo; Se a autoridade já tiver provas do cartel, não faz sentido 
firmar um acordo de leniência.
•	 A empresa confessar sua participação no ilícito e cooperar plena e per-
manentemente com as investigações e o processo administrativo, com-
parecendo, sob suas expensas, sempre que solicitada, a todos os atos 
processuais, até seu encerramento.
O acordo de leniência firmado com o Cade, por intermédio da Superinten-
dência-Geral, estipulará as condições necessárias para assegurar a efetividade 
da colaboração e o resultado útil do processo.
Compete ao Tribunal, por ocasião do julgamento do processo administrati-
vo, verificado o cumprimento do acordo:
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•	 Decretar a extinção da ação punitiva da administração pública em favor 
do infrator, nas hipóteses em que a proposta de acordo tiver sido apre-
sentada à Superintendência-Geral sem que essa tivesse conhecimen-
to prévio da infração noticiada; ou nas demais hipóteses, reduzir de 1 
(um) a 2/3 (dois terços) as penas aplicáveis, observado o disposto no art. 
45 desta Lei, devendo ainda considerar na gradação da pena a efetivi-
dade da colaboração prestada e a boa-fé do infrator no cumprimento do 
acordo de leniência.
A proposta de acordo é sigilosa, salvo no interesse das investigações e do 
processo administrativo.
Em caso de descumprimento do acordo de leniência, o beneficiário ficará 
impedido de celebrar novo acordo pelo prazo de 3 (três) anos, contado da data 
de seu julgamento.
Já o caput do art. 35-B determina que a União, por intermédio da SDE, 
poderá celebrar acordo de leniência com pessoas físicas e jurídicas que forem 
autoras de infração à ordem econômica, com a extinção da ação punitiva da 
administração pública ou a redução de 1 (um) a 2/3 (dois terços) da penalidade 
aplicável, desde que colaborem efetivamente com as investigações e o processo 
administrativo. Mais sobreo acordo de leniência será visto daqui a pouco.
Nos crimes contra a ordem econômica, tipificados na Lei nº 8.137, de 27 
de dezembro de 1990, e nos demais crimes diretamente relacionados à prática 
de cartel, tais como os tipificados na Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, e 
os tipificados no art. 288 do Decreto-lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 
– Código Penal, a celebração de acordo de leniência determina a suspensão 
do curso do prazo prescricional e impede o oferecimento da denúncia com 
relação ao agente beneficiário do acordo.
Com o cumprimento do acordo de leniência pelo agente, extingue-se auto-
maticamente a punibilidade dos crimes.
No Brasil, o primeiro acordo foi assinado em 2003 no Caso “Cartel dos 
Vigilantes”, condenado pelo Cade em 2007. Segundo o Conselho as empresas 
atuavam de forma concertada para fraudar licitações públicas no Rio Grande 
do Sul. A decisão do Cade recebeu a primeira sentença judicial que a con-
firmou em 17 de junho de 2008, na primeira instância da Justiça Federal do 
Distrito Federal.
Exercício
22. Quais são os requisitos que devem ser preenchidos para a celebração 
de um acordo de leniência?
Capítulo 7
Regulação e Agências 
Reguladoras
1. Estado como Agente Normativo e 
Regulador da Atividade Econômica
1.1 Apresentação
Nesta unidade, será tratado o tema sobre a regulação econômica e agên-
cias reguladoras.
1.2 Síntese
A atuação do Estado como agente normativo e regulador, chamada atua-
ção indireta do Estado na economia, está disposta no art. 174 da Constituição 
Federal:
“Como agente normativo e regulador da atividade econômica, o Estado 
exercerá, na forma da lei, as funções de fiscalização, incentivo e planejamento, 
sendo este determinante para o setor público e indicativo para o setor privado.”
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O art. 174 caracteriza a atuação do Estado de dois modos: agente normativo 
e agente regulador. Embora na legislação não haja distinção entre esses dois 
aspectos, a doutrina traz algumas considerações relevantes.
Dessa forma:
1) Agente Normativo: quando da edição de normas que interfiram no curso 
natural da economia. Exemplos: as leis que prevejam isenções tributárias para 
exploração econômica de determinadas regiões não desenvolvidas ou ainda 
aquelas que instituam as contribuições de intervenção no domínio econômico 
previstas no art. 149 da Constituição Federal que diz: “Compete exclusivamen-
te à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômi-
co e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento 
de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 
150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às con-
tribuições a que alude o dispositivo.”
Um caso concreto de edição de contribuição de intervenção no domínio 
econômico foi a adição do § 4º do art. 177 da Constituição Federal, incidente 
em operações com petróleo, gás natural e álcool combustível, determinando a 
destinação dos recursos com ela arrecadados:
Art. 177. “Constituem monopólio da União:
§ 4º A lei que instituir contribuição de intervenção no domínio econômi-
co relativa às atividades de importação ou comercialização de petróleo e seus 
derivados, gás natural e seus derivados e álcool combustível deverá atender aos 
seguintes requisitos:
I – a alíquota da contribuição poderá ser:
a) diferenciada por produto ou uso;
b) reduzida e restabelecida por ato do Poder Executivo, não se lhe aplican-
do o disposto no art. 150, III, b;
II – os recursos arrecadados serão destinados:
a) ao pagamento de subsídios a preços ou transporte de álcool combustível, 
gás natural e seus derivados e derivados de petróleo;
b) ao financiamento de projetos ambientais relacionados com a indústria 
do petróleo e do gás;
c) ao financiamento de programas de infraestrutura de transportes.”
2) Agente Regulador: quando da edição de normas com disposições espe-
cíficas sobre a atuação dos agentes econômicos em determinados setores da 
economia.
As funções de fiscalização, incentivo e planejamento decorrentes da atuação 
do Estado como agente normativo e regulador podem ser assim clarificadas:
• Fiscalização: exercício do poder de polícia administrativa repressiva e 
preventiva nos âmbitos ambiental, sanitário, mercados de capitais, en-
tre outros.
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• Incentivo: também denominado fomento, pode ser verificado quando 
da concessão de benefícios fiscais, subsídios, investimentos em infraes-
trutura e outros modos de indução positiva.
• Planejamento: conforme expresso no art. 174, in fine, da Constituição 
Federal, “o planejamento é determinante para o setor público e indica-
tivo para o setor privado”.
Cabe ressaltar, ainda, os arts. 178 e 180 da CF que estabelecem regras 
específicas acerca da ordenação dos transportes e da promoção e incentivo ao 
turismo.
Introdução e Histórico das Agências Reguladoras
As origens históricas das agências reguladoras remontam à criação, no Par-
lamento Inglês, de entes autônomos para aplicar as leis e dirimir conflitos a 
partir do ano de 1834. A denominação agências reguladoras deriva diretamen-
te da terminologia inglesa regulatory agencies ou ainda regulatory comissions. 
Em 1887 foi criada, nos Estados Unidos da América, a Interstate Commerce 
Comission, que objetivava regular os serviços de transporte ferroviário entre 
os estados. As agências reguladoras americanas são geralmente criadas para 
organizar e racionalizar o mercado, evitando a concorrência predatória e con-
tribuindo para um melhor aproveitamento de recursos. Nos EUA foi criado 
um novo modelo organizativo que influenciaria o Direito Administrativo de 
tradição francesa muitos anos depois.
No Brasil, a criação das agências reguladoras deu-se num cenário marcado 
pelo movimento crescente de privatizações na década de 1990. Quando da 
criação da Constituição de 1988 já havia disposições sobre a descentralização 
das atividades e exploração por entes particulares, mas a cessão de serviços pú-
blicos foi tratada posteriormente pelas Emendas Constitucionais.
 Por meio das agências reguladoras, os serviços que tinham antes natureza 
pública são passados para a iniciativa privada, não de modo definitivo, mas 
através da concessão das atividades. Assim, a partir do momento em que ocorre 
a concessão, a responsabilidade do Estado passa a ser a de regular e fiscalizar o 
fornecimento desses serviços essenciais à população.
Há duas vertentes justificadoras da realização de privatizações:
a) Justificativas estruturais:
•	 Defesa da livre iniciativa (justificativa ideológica).
•	 Eficiência decorrente da atuação pautada nos parâmetros do mercado.
•	 Modificação de setores estratégicos de exploração.
•	 Fortalecimento do setor privado.
•	 Evitar que o Estado aja em setores de atuação da iniciativa priva-
da, o que poderia motivar desestímulos dos investimentos privados 
(efeito crowding-out).
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b) Justificativas conjunturais:
•	 Credibilidade política, com vistas a atrair investimentos estrangeiros.
•	 Abatimento da dívida pública.
•	 Atuação de acordo com as limitações do orçamento público.
•	 Efeitos na economia, como o fortalecimento do mercado de capitais.
Agências Reguladoras – Conceito
Tendo em vista a melhor compreensão do papel e dos diversos aspectos 
das agências reguladoras como um todo e em âmbitos específicos de atuação, 
cabe ser destacada a sua conceituação. A agência reguladora independente é 
uma autarquia especial, sujeita a regime jurídico que assegura sua autonomia 
em face da Administração direta, e investida de competência para a regulação 
setorial. São órgãos criados pelo Governo para regular e fiscalizar os serviços 
prestados por empresas privadasque atuam na prestação de serviços, que em 
sua essência seriam públicos.
A partir das conceituações de agências reguladoras e executivas conclui-se 
que: são qualificações dadas a autarquias que integram a administração indire-
ta, para que possam atuar no domínio econômico por meio da regulação, ou 
então executando atividades administrativas e aperfeiçoando serviços, como é 
o caso das agências executivas.
Exercício
23. (TJ/SC – Juiz de Direito Substituto – 2003) Em se tratando da or-
dem econômica e financeira estabelecida na Constituição Federal, é 
correto afirmar:
a) A partir de 1988, a exploração direta de atividades econômicas 
pelo Estado é permitida apenas quando indispensável aos impe-
rativos de segurança nacional.
b) As empresas públicas gozam de benefícios fiscais que não se es-
tendem ao setor privado.
c) Como agente regulador da atividade econômica, o Estado 
exercerá as funções de fiscalização, incentivo e planejamento, 
de forma determinante, tanto para o setor público como para 
o privado.
d) A importação e exportação de produtos dos derivados básicos 
resultante da refinação de petróleo é monopólio da União.
e) Nenhuma das alternativas é correta.
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2. Agências Executivas
2.1 Apresentação
Nesta unidade, será tratado o tema sobre as agências executivas.
2.2 Síntese
Conceito de agências executivas: é a qualificação dada às autarquias ou 
fundações públicas, que continuam a exercer atividades de competência exclu-
siva do Estado, mas com maior autonomia gerencial e financeira. O objetivo 
é revitalizar essas entidades da administração pública federal, com o propósito 
de aprimorar a gestão.
Tal qualificação como agência executiva não altera a natureza jurídica das 
entidades.
Os aspectos comuns das agências executivas e reguladoras são: ambas são 
qualificações dadas às autarquias que integram a administração indireta para 
que possam atuar no domínio econômico por meio da regulação.
O Estado determina, como regra, a exploração de atividades econômicas 
por entes privados, e reserva para si, além daquelas atividades exercidas em 
regime de monopólio, as funções de agente normativo e regulador da ativida-
de econômica por meio do exercício das funções de fiscalização, incentivo e 
planejamento.
Quando da atuação indireta do Estado na economia, dá-se ensejo à criação 
das agências reguladoras, destinadas a atuar no ambiente econômico em situa-
ções em que se mostra relevante a intervenção do Estado, notadamente por 
meio da regulação, com vistas à defesa do bem-estar social.
As acepções do termo regulação referem-se às formas de organização da 
atividade econômica pelo Estado, tanto pela concessão de serviços públicos 
quanto pelo poder de polícia. Especificamente no campo econômico, diz res-
peito à redução da intervenção direta do Estado e à concentração econômica.
Há algumas escolas doutrinárias que analisam a atuação do Estado na eco-
nomia por meio da regulação e seus objetivos:
• Escola do Interesse Público: entende que o principal objetivo da regula-
ção é buscar o bem público, destacando-se como meios de atendimento 
a essas necessidades a concessão de serviços públicos e o exercício do 
poder de polícia pelo Estado;
• Escola Neoclássica ou Econômica da Regulação: de acordo com esse 
posicionamento, nega-se o interesse público como objetivo principal, 
privilegiando-se a afirmação da correção do mercado pela regulação.
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A regulação insere-se em um panorama que, embora haja exploração por 
particulares, existem mercados imperfeitamente competitivos, geralmente mo-
nopolizados ou oligopolizados. Para que se viabilize o bem-estar econômico do 
consumidor, deve-se atentar para os princípios gerais da regulação, quais sejam:
• Princípio do Acesso Necessário: refere-se às relações entre concorren-
tes, evoca as ponderações relativas à liberdade de iniciativa e ao direito 
concorrencial e o acesso dos consumidores aos bens e serviços.
• Função social da propriedade: a restrição da propriedade absoluta por 
meio do princípio da função social da propriedade refere-se ao benefí-
cio da concorrência e seus privilégios para a coletividade e
• Intervenção assimétrica: garante o funcionamento do mercado por 
meio do oferecimento de condições semelhantes às de empresas pree-
xistentes aos entrantes em um determinado mercado.
Características das Agências Reguladoras
Embora haja influência terminológica das regulatory agencies da tradição 
britânica e norte-americana, o atual modelo de agência reguladora brasileiro 
não contempla as mesmas características daquelas. No Brasil, as agências re-
guladoras são as chamadas autarquias especiais, que possuem lei instituidora 
própria, integram a Administração Federal Indireta e estão vinculadas ao Mi-
nistério relativo à atividade que desempenham. Dessa forma, podem ser enu-
meradas as seguintes características:
• Poderes normativos: solucionadores de conflitos, investigativos, fomen-
tadores e fiscalizadores nas vertentes preventiva e repressiva;
• Autonomia: para que possam estabelecer normas próprias, restringindo 
a subordinação à Administração Pública Direta;
• Atividade fiscalizadora: para regular as atividades prestadas pelo serviço 
público, pelo particular em atividade que seria prestada por regime de 
monopólio pela União, ou ainda aquelas atividades exercidas por agen-
tes privados, por meio do exercício de poder de polícia;
• Atividade sancionatória: que decorre diretamente da atividade fiscali-
zadora;
• Atividade julgadora: para que possam decidir, em âmbito administrati-
vo, os conflitos entre os agentes (delegatários, poder concedente e usuá-
rios) atuantes no mercado;
• Regime de pessoal: instituído pela Lei nº 8.112/1990, que se refere ao 
regime jurídico dos servidores públicos civis da União, das autarquias, 
inclusive as especiais, e das fundações públicas federais;
• Autonomia financeira: assegurada pela cobrança de taxas regulatórias 
(cobradas dos entes regulados) e por dotações orçamentárias, a partir do 
envio de proposta de orçamento ao Ministério a que são vinculadas;
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• Autonomia em relação ao Poder Legislativo: que é reduzida, tendo em 
vista que o legislador pode alterar o regime jurídico das agências e até 
mesmo extingui-la;
• Transparência e prestação de contas: pois deve ser dada publicidade aos 
atos das agências reguladoras para que se possibilite o acompanhamen-
to por parte dos administrados, o que inclui as contas, ações realizadas, 
apresentação de resultados e de diretrizes de trabalho.
Exercício
24. (UNB/CESP – AGU – Advogado da União – 2009) Relativamente à 
administração indireta, julgue o item seguinte:
As agências reguladoras são autarquias sob regime especial, as quais 
têm, regra geral, a função de regular e fiscalizar os assuntos relativos 
às suas respectivas áreas de atuação. Não se confundem os conceitos 
de agência reguladora e de agência executiva, caracterizando-se esta 
última como a autarquia ou fundação que celebra contrato de gestão 
com o órgão da administração direta a que se acha hierarquicamente 
subordinada, para melhoria da eficiência e redução de custos.
3. Agência Reguladora em Espécie
3.1 Apresentação
Nesta unidade, será abordado o tema da agência reguladora em espécie.
3.2 Síntese
Agências reguladoras em espécie, ou seja, a lei de criação, competência e 
outros aspectos.
Agência Nacional de Energia Elétrica – Aneel
Foi a primeira agência reguladora instituída no Brasil pela Lei nº 9.427/1996, 
posteriormente regulamentada pelo Decreto nº 2.235/1997 e pela Portaria nº 
349/1997 do Ministério das Minas e Energia, ao qual essa agência é vinculada; 
Possui natureza jurídica de direito público e é denominada conformeseu art. 
1º como autarquia especial. Tem como competência a regulação e fiscalização 
dos serviços de geração, transmissão, distribuição e comercialização da ener-
gia elétrica, por meio de atendimento e agente e consumidores e por meio 
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da mediação de conflitos existentes entre agentes do setor elétrico, tais como 
concessionárias, permissionárias, autorizadas, produtores e independentes e 
autoprodutores com os consumidores.
Um de seus diretores deve ser indicado no respectivo decreto de constitui-
ção, como responsável por desempenhar a função de ouvidor, a fim de zelar 
pela qualidade do serviço público de energia elétrica e de receber, apurar e 
solucionar reclamações dos usuários.
Agência Nacional de Telecomunicações – Anatel
A Agência Nacional de Telecomunicações – Anatel foi criada pela Emenda 
Constitucional nº 8/1995, dando nova redação ao art. 21, XI, da Constitui-
ção Federal instituída pela Lei nº 9.472/1997, regulamentada pelo Decreto nº 
2.338/1997 e pela Resolução Anatel nº 270/2001, que aprovou seu regimento 
interno.
O art. 21, XI, da CF diz: “Explorar, diretamente ou mediante autorização, 
concessão ou permissão, os serviços de telecomunicações, nos termos da lei, 
que disporá sobre a organização dos serviços, a criação de um órgão regulador 
e outros aspectos institucionais.”
A Agência classifica-se como autarquia especial, com independência ad-
ministrativa e autonomia financeira e sem subordinação hierárquica a órgãos 
governamentais. A competência dessa agência está enumerada no art. 19 da 
Lei nº 9.472/1997 e resume-se basicamente na promoção e desenvolvimento 
das telecomunicações no Brasil a fim de constituir uma moderna e eficiente in-
fraestrutura de telecomunicações apta a oferecer à sociedade em todo território 
nacional serviços adequados, diversificados e com preço justo.
Cabe à Anatel entre outras competências:
•	 A implementação da política nacional de telecomunicações.
•	 A proposição da instituição ou eliminação da prestação de modalidade 
de serviço no regime público.
•	 A proposição do plano geral de outorgas.
•	 A proposição do plano geral de metas para universalização dos serviços 
de telecomunicações.
•	 A administração do espectro de radiofrequência e uso de órbitas.
•	 A composição administrativa de conflitos de interesses entre prestadoras 
de serviços de telecomunicações.
•	 A defesa e a proteção de direitos dos usuários.
•	 O controle, prevenção e repressão das infrações de ordem econômica, 
no âmbito das telecomunicações, ressalvadas as competências legais do 
Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
•	 A imposição de restrições, limites ou condições a grupos empresariais 
para obtenção de transferência de concessões, permissões e autoriza-
ções a fim de garantir a competição e impedir a concentração econômica 
no mercado.
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•	 Estabelecimento de estrutura tarifária para cada modalidade de serviço 
prestado em regime público.
A Anatel conta com uma instância contenciosa administrativa por meio da 
qual pode dar solução a petições e encaminhados por qualquer pessoa.
Agência Nacional do Petróleo – ANP
A Agência Nacional do Petróleo – ANP foi instituída pela Lei nº 9.478/1997 
e tem sua atuação prevista na Constituição Federal no art. 177, § 2º, III, o qual 
foi incluído pela Emenda Constitucional nº 09/1995. É, ainda, autarquia es-
pecial integrada à Administração Pública e vinculada ao Ministério de Minas 
e Energia.
Podem ser enumeradas como competências da ANP a promoção, regula-
ção, contratação e fiscalização das atividades relacionadas à indústria petrolífe-
ra, assim como a prestação de informações relativas ao setor.
Por tratar-se de uma agência com caráter monopolístico, a ANP acabou 
por afastar a participação da sociedade em seu âmbito de atuação. Entretanto, 
existe previsão de ação parajudicial da agência para resolver pendências entre 
agentes econômicos e entre esses e consumidores e usuários de bens e serviços 
da indústria do petróleo. Esses procedimentos serão de conformidade com os 
estabelecidos no regimento interno do órgão, que deverá dar ênfase à concilia-
ção e à arbitragem.
Agência Nacional de Águas – ANA
A Agência Nacional de Águas – ANA foi criada pela Lei nº 9.984/2000 e 
regulamentada pelo Decreto nº 3.692/2000. É autarquia de regime especial 
subordinada ao Ministério do Meio Ambiente.
Entre suas competências podem ser citadas a regulação do uso da água dos 
rios e lagos de domínio da União, visando solucionar problemas relacionados 
às secas prolongadas e à poluição dos rios. Para atender seus objetivos, a ANA 
conta com a participação dos governos municipais, estaduais e a sociedade 
civil. Essa agência instituiu quatro tipos de órgãos em nível federal:
•	 Conselho Nacional de Recursos Hídricos;
•	 Conselhos de Recursos Hídricos dos Estados e do Distrito Federal;
•	 Comitês de Bacia Hidrográfica e
•	 Agências de Água.
Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa foi instituída pela Me-
dida Provisória nº 1.791/1998. É regulamentada ainda pela Lei nº 9.782/1999, 
pelo Decreto nº 3.029/1999 e pela Portaria Anvisa nº 593/2000. É autarquia de 
regime especial vinculada ao Ministério da Saúde e possui independência po-
lítica de seus gestores, técnica decisional, normativa, gerencial, orçamentária 
e financeira.
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A Anvisa tem como competência a promoção e proteção da saúde da po-
pulação pelo controle sanitário, da produção e comercialização de produtos 
e serviços submetidos à vigilância sanitária, incluindo ambientes, processos, 
insumos e tecnologias a ela relacionados. Também é de sua competência o 
controle de portos, aeroportos e fronteiras, bem como a interlocução junto ao 
Ministério das Relações Exteriores e instituições estrangeiras para tratar de as-
suntos internacionais na área de vigilância sanitária.
Os produtos sujeitos à ação não são apenas medicamentos, mas também 
alimentos, inclusive bebidas e águas envasadas; cosméticos, produtos de higie-
ne pessoal e perfumes; saneantes; equipamentos e materiais médico-hospitala-
res, odontológicos e hemoterápicos e de diagnóstico laboratorial e por imagem; 
imunobiológicos e suas substâncias ativas; sangue e hemoderivados; órgãos, 
tecidos humanos e veterinários para uso em transplantes ou reconstituições; 
radioisótopos; cigarros e qualquer outro produto fumígeno.
Exercícios
25. (Cespe – AGU – 2002) Acerca das agências reguladoras e executivas, 
julgue o item a seguir [certo ou errado].
Na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), um de seus dire-
tores deve ser indicado no respectivo decreto de constituição como 
o responsável por desempenhar a função de ouvidor, a fim de zelar 
pela qualidade do serviço público de energia elétrica e de receber, 
apurar e solucionar as reclamações dos usuários.
26. Embora integre a administração pública na qualidade de autarquia 
especial e detenha certo grau de independência administrativa e fi-
nanceira, bem como mandato fixo e estabilidade para seus dirigen-
tes, a Anatel mantém vínculo hierárquico em relação ao Ministro de 
Estado das Comunicações, a cujo ministério é vinculada.
Capítulo 8
Propriedade na Ordem 
Econômica
1. O Direito de Propriedade – Restrições e 
Função Social da Propriedade
1.1 Apresentação
Nesta unidade, o tema de estudos será sobre propriedade na ordem 
econômica.
1.2 Síntese
O direito de propriedade tem previsão constitucional de direito fundamen-
tal conforme se pode verificar na leitura do art. 5º da CF, em seu inc. XXII que 
diz: “é garantido o direito de propriedade.”
Como item característico da época do chamado liberalismo clássico, a pro-
priedade privada era considerada comoum direito absoluto, ou seja, um direito 
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consubstanciado nos poderes de usar, fruir, dispor da coisa (seriam os famosos 
brocardos latinos jus utendi, jus fruendi e jus abutendi).
A propriedade privada era também um direito absoluto que permitia ao seu 
proprietário reivindicá-la de alguém que indevidamente a possuísse. Portanto, 
esse direito seria oponível a todas as demais pessoas que, de alguma forma, não 
respeitassem o domínio do proprietário.
Além de ser um direito fundamental, a propriedade privada está prevista 
constitucionalmente como princípio da ordem econômica, no inc. II do art. 
170 da CF, que diz: “A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho 
humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, 
conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: II – 
propriedade privada.”
O direito à propriedade privada é típico e é essencial às economias capita-
listas, pois a sua ausência implica em insegurança aos agentes econômicos para 
atuarem nos mercados.
Isso acontece porque por meio da propriedade privada, os entes/agentes 
podem deter os meios de produção, o que fortalece a ordem econômica, de 
forma que a segurança desse direito motiva a economia capitalista para que os 
membros da sociedade trabalhem e produzam em busca de ter a garantia da 
sua propriedade.
Esse princípio é tão importante que está previsto na ordem jurídica brasilei-
ra desde a Constituição de 1891, e é assegurado também pelos ordenamentos 
de diversos países, como Alemanha, Argentina, Chile, entre outros.
Nos tempos modernos, ao contrário do que era característico no Libera-
lismo Clássico, o direito de propriedade encontra-se limitado em função do 
princípio da função social da propriedade, também previsto na Constituição 
Federal.
O direito de propriedade não é absoluto, isto por que a função social da 
propriedade também é princípio da ordem econômica, previsto no inc. III do 
art. 170 da CF.
Isto mostra que o princípio da função social da propriedade confirma o 
direito do indivíduo à propriedade privada, mas restringe seu exercício ao su-
jeitar a propriedade ao cumprimento de sua função social, de forma a não 
aceitar o direito de propriedade absoluta e seu exercício pleno, que eram ca-
racterísticas marcantes do liberalismo e que estavam fixadas nas Constituições 
de 1824 e 1891.
Essa mudança passou a ser observada a partir da CF de 1946, quando a 
propriedade deixou de ser tratada exclusivamente na esfera do direito privado, 
de forma que a sua finalidade social passou a ser superior em relação às demais 
funções desempenhadas.
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A própria axiologia constitucional remodelou os conceitos do direito de 
propriedade, originando um direito de propriedades. Isso significa também que 
a medida em que se passa a compreender esse instituto como um direito adap-
tado, justamente em razão da função social a que se destina a propriedade, não 
é possível igualar toda e qualquer propriedade.
Por outro lado, apesar de restringir o exercício do direito de propriedade, a 
função social serve também como garantia, porque todos exercem o seu direito 
de propriedade, dentro dos ditames da função social, e podem ter o direito de 
propriedade assegurado.
Hoje a propriedade não pode mais ser entendida como ocorria no século 
XVIII e mesmo no XIX. Isto por que, naquela época, houve o apogeu da cha-
mada ideologia individualista, que supervalorizou o direito de propriedade.
Muitas vezes a propriedade era utilizada de forma a satisfazer meramente 
os caprichos do proprietário, sem gerar nenhuma contribuição para o bem-
-estar da coletividade.
A propriedade privada não é mais garantida pelo Texto Constitucional com 
base na ideologia individualista, mas em sua função social.
Tanto o direito à propriedade, como o princípio da função social não se 
aplicam exclusivamente à propriedade de bens, sejam esses bens móveis ou 
imóveis.
O direito à propriedade aplica-se igualmente à propriedade industrial, tais 
como as marcas e patentes.
A propriedade industrial tem como finalidade a proteção de invenções, mo-
delos de utilidade, desenhos industriais, marcas e indicações geográficas.
A lei de propriedade industrial trata de bens imateriais aplicáveis na indús-
tria, ou seja, de bens que possam ser convertidos em materiais industrializáveis.
Tem função essencial para o desenvolvimento tecnológico do país. É re-
conhecidamente um direito protegido pela Constituição de 1988, já que está 
sujeita aos limites constitucionais impostos a toda e qualquer propriedade pri-
vada, conforme se verifica da leitura da Constituição Federal em seu art. 5º, 
XXIX, que diz: “A lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio 
temporário para sua utilização, bem como proteção às criações industriais, à 
propriedade das marcas, aos nomes de empresas e a outros signos distintivos, 
tendo em vista o interesse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico 
do País.”
A propriedade industrial deve observar também ao princípio da função so-
cial da propriedade e, ainda, por ela estar relacionada à atividade econômica, 
também deve observar o princípio constitucional que determina que a ordem 
econômica funda-se na valorização do trabalho e da livre iniciativa, conforme 
os ditames da justiça social.
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No que tange ao direito de propriedade, especialmente a propriedade in-
dustrial, e ao seu exercício de acordo com o princípio da função social, há um 
mecanismo que ilustra bem a interligação entre esses dois elementos: são as 
chamadas licenças compulsórias.
As licenças compulsórias, de modo amplo e genérico, aplicam-se aos casos 
em que as patentes são licenciadas para uso de terceiros interessados, por não 
cumprirem com a sua função social, por exemplo, devido a não utilização ou 
utilização apenas como medida defensiva de seu titular.
Desse modo, a legislação infraconstitucional permite a concessão da licen-
ça compulsória quando o privilégio deixa de favorecer o interesse da coletivida-
de e o desenvolvimento do país, violando os objetivos expressamente previstos 
na Constituição.
O mesmo pode ser dito sobre o exercício da função social da propriedade 
no que se refere ao respeito às normas ambientais, ou sobre o respeito às nor-
mas de vizinhança, entre outras regras que estão previstas nas leis civis.
Outro ponto comumente questionado em concurso, é que as políticas de 
reforma urbana e agrária, e de concretização constitucional, também devem 
ser contempladas pelo princípio da função social da propriedade.
Hoje em dia a dificuldade do acesso à terra tem sido fator relevante gerador 
de desigualdades sociais. Nas cidades, por exemplo, os altos preços do solo ur-
banizado determinam a segregação populacional por extratos de renda.
Muitas vezes os mais pobres são os que arcam com os custos mais elevados 
de transporte e de acesso a bens e serviços urbanos, pois são obrigados a buscar 
alojamento em áreas distantes e precariamente providas, ou até mesmo despro-
vidas de serviços públicos.
Portanto, todos esses elementos de fundo são importantes para compreen-
der o fato de a doutrina e o texto constitucional caracterizarem o cumprimento 
da função social da propriedade como pressuposto para a tutela do direito de 
propriedade.
Ao tratar do princípio da função social da propriedade, não especifica qual 
o tipo de propriedade que deve ser compreendido; entende-se que a chamada 
propriedade pública também tem uma função social.
A propriedade pública se dirige, ou deveria se dirigir, ao atendimento dos inte-
resses de todas as pessoas, e é por isso mesmo que fazer referência à função social 
da propriedade pública costuma parecer dispensável, ou uma repetição inútil.Não se pode dizer que a propriedade pública é exatamente voltada ao in-
teresse público. Portanto, o reconhecimento de sua função social impõe uma 
verificação de conformidade entre esses dois interesses.
Têm sido frequentes as controvérsias surgidas em decorrência da utilização 
de bens públicos por empresas concessionárias de serviços públicos e também 
porque o Estatuto da Cidade fala em função social da cidade, com base no art. 
182, caput, da CF.
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Apesar de expressamente o princípio da função social da propriedade priva-
da estar na Constituição, o princípio da função social da propriedade pública 
está também inserido de forma implícita em alguns dispositivos constitucionais 
que versam sobre a política urbana.
Cabe ao poder público disciplinar, por lei, o uso dos bens públicos, que 
podem ser ampliados ou restringidos, e neste caso, é o interesse público que vai 
balizar as decisões de ampliação ou restrição.
A ideia de função social envolvendo deveres de utilização não é incompatível 
com a propriedade pública, isto por que ela já tem uma finalidade pública que 
lhe é inerente e que pode ser ampliada para atender melhor ao interesse público, 
em especial aos objetivos que estão estabelecidos na CF, voltados ao desenvolvi-
mento das funções sociais da cidade e à garantia do bem-estar dos cidadãos.
A função social da propriedade pública impõe para o poder público um de-
ver, isto significa que existe para os cidadãos um direito de natureza coletiva que 
é exigível judicialmente e que pode ser buscado pela ação popular civil pública.
Cabe ressaltar que, sendo os brasileiros e estrangeiros residentes no país os 
destinatários dos direitos e garantias fundamentais previstos na Constituição, 
o direito de propriedade e as implicações do princípio da função social serão 
assegurados também aos estrangeiros, conforme trecho do art. 5º, caput, da CF 
que diz: “garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a 
inviolabilidade do direito à propriedade.”
O oferecimento dessa garantia tem como objetivo motivar os investimentos 
de capital estrangeiro no país.
Exercício
27. (AGU – 2002 – Cespe) Certo ou errado. Historicamente, a origem 
do direito de propriedade imprimiu-lhe a característica privatística 
que até hoje possui, embora atenuada pela disciplina que o texto 
constitucional lhe impõe. No entanto, o tratamento jurídico mais 
expressivo da propriedade limita-se a esses dois ramos do direito: o 
civil e o constitucional.
2. Agências Reguladoras
2.1 Apresentação
Nesta unidade, será dada continuidade ao tema da regulação e tópico 
específico das agências reguladoras.
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2.2 Síntese
Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS
Foi instituída pela Lei nº 9.961/2000 e regulamentada pelo Decreto nº 
3.327 e pela Resolução RDC (ANS) nº 593/2000. Trata-se de autarquia espe-
cial vinculada ao Ministério da Saúde.
A ANS tem como competência promover o interesse público no que tange 
à assistência suplementar de saúde e regular operadoras setoriais e suas relações 
com prestadores e consumidores, além de contribuir para o desenvolvimento 
das ações de saúde no território nacional.
Agência Nacional de Transportes Aquaviários – Antaq
A Agência Nacional de Transportes Aquaviários – Antaq foi criada pela Lei 
nº 10.233/2001. É autarquia federal vinculada ao Ministério dos Transportes.
Como competência da Agência podem ser destacadas a implementação 
de políticas estabelecidas pelo Ministério dos Transportes e pelo Conselho 
Nacional de Integração de Políticas de Transporte (CONIT), e a supervisão 
e fiscalização de atividades relacionadas à prestação de serviços de transpor-
te aquaviário e de exploração de infraestrutura portuária e aquaviária, quando 
exercida por terceiros.
Agência Nacional de Transportes Terrestres – ANTT
A Agência Nacional de Transportes Terrestres – ANTT foi criada pela Lei 
nº 10.233/2001, sendo uma autarquia especial vinculada ao Ministério dos 
Transportes.
A competência da ANTT resume-se na regulação e fiscalização da presta-
ção de serviços de transporte terrestre, por meio de concessões (exploração de 
infraestrutura), permissões (transporte de passageiros não associados à explo-
ração de infraestrutura) e autorizações (transporte de passageiros por empresa 
de turismo e sob regime de fretamento) em diversas áreas de atuação, como 
transporte ferroviário, rodoviário, dutoviário, multimodal e exploração de ter-
minais e vias.
Agência Nacional do Cinema – Ancine
A Agência Nacional do Cinema – Ancine foi criada pela Medida Provisória 
nº 2.219/2001. É o órgão oficial de fomento, regulação e fiscalização das in-
dústrias cinematográfica e videofonográfica, sendo vinculado ao Ministério da 
Cultura. Quando de sua criação, a Ancine era vinculada à Casa Civil da Presi-
dência da República e passou a vincular-se ao Ministério da Cultura em 2003.
Além das atividades de fomento, regulação e fiscalização, cabe ressaltar sua 
competência para combater a pirataria de obras audiovisuais.
Agência Nacional de Aviação Civil – Anac
A Agência Nacional de Aviação Civil – Anac foi criada pela Lei nº 
11.182/2005 e é autarquia especial vinculada ao Ministério da Defesa, pos-
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suindo independência administrativa, autonomia financeira, ausência de su-
bordinação e mandato fixo de seus dirigentes. Compete à Anac a regulação 
e fiscalização de atividades de aviação civil e de infraestrutura aeronáutica e 
aeroportuária.
Com o objetivo de harmonizar suas relações institucionais na área de defe-
sa e promoção da concorrência, a Anac celebrará convênios com as autorida-
des competentes na matéria. Quando no exercício de suas atribuições tomar 
conhecimento do fato que configure ou possa configurar infração contra a or-
dem econômica, ou que comprometa a defesa e a promoção da concorrência, 
deverá comunicá-lo aos órgãos competentes, para que adotem as providências 
cabíveis.
Banco Central do Brasil – Bacen
O Banco Central do Brasil – Bacen foi criado pela Lei nº 4.595/1964, e é 
autarquia federal integrante do Sistema Financeiro Nacional. A Constituição 
Federal de 1988 contém importantes dispositivos que disciplinam a atuação do 
Bacen, especialmente no que tange à competência da União para emissão de 
moeda, a vedação da concessão direta ou indireta de empréstimos ao Tesouro 
Nacional e a substituição da Lei nº 4.595/1964 e redefinição das atribuições da 
sua estrutura. De acordo com o art. 16, constituem receita do Banco Central 
do Brasil as rendas:
•	 Das operações financeiras e outras aplicações de seus recursos.
•	 Das operações de câmbio, de compra e venda de ouro e de quaisquer 
outras operações em moeda estrangeira.
•	 Eventuais, inclusive as derivadas de multas e de juros de mora aplicados 
por força do disposto na legislação em vigor.
Superintendência de Seguros Privados – Susep
A Superintendência de Seguros Privados – Susep foi criada pelo Decreto-
-lei nº 73/1966 e é autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda. É de sua 
competência o controle e fiscalização dos mercados de seguro, previdência 
privada aberta, capitalização e resseguros no Brasil.
Exercício
28. (Bacen – Procurador – 2006) A afirmação da competência do Banco 
Central do Brasil para apreciar atos de concentração envolvendo ins-
tituições financeiras, afastando a atuação do Conselho Administra-
tivo de Defesa Econômica – Cade, tem como argumento favorável 
aquele decorrente da:
a) Especialização funcional, pois o CADE é órgão incumbido de 
regulação geral, ao passo que o Banco Central do Brasil é órgão 
incumbido da fiscalização setorial.
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b) Inconstitucionalidade da Lei nº 4.595/1964, uma vez que o sis-
temafinanceiro nacional deveria ser regulado por leis comple-
mentares, consoante dispõe o art. 192 da Constituição.
c) Análise das competências constitucionais atribuídas a ambos os 
órgãos, o que enseja a compatibilização de dispositivos contradi-
tórios da Constituição.
d) Hierarquia administrativa, porque o Banco Central do Brasil, 
entidade da administração indireta, tem primazia sobre o Cade, 
órgão integrante da administração direta subordinado ao Minis-
tério da Fazenda.
e) Primazia do sistema brasileiro de defesa da concorrência, em 
razão de a Lei nº 8.884/1994 afirmar sua aplicação a todas as 
pessoas físicas ou jurídicas, independentemente da natureza de 
sua atividade.
3. Noções Introdutórias, Lei nº 4.131/1992 
– Procedimentos de Registro de 
Investimentos Externos Diretos no Banco 
Central do Brasil
3.1 Apresentação
Nesta unidade, veremos as noções introdutórias sobre investimentos de 
capital estrangeiro e aspectos da CF de 1988 e da Lei nº 4.131/1962.
3.2 Síntese
O estudo dos investimentos estrangeiros teve seu início marcado no período 
pós-2ª Guerra, em que a expressão “bens estrangeiros” foi suprida pela expressão 
“investimentos estrangeiros”, que é mais moderna e dinâmica e aplicada pelos 
estudiosos de diversas disciplinas até os dias de hoje. Dentre essas disciplinas, 
merecem especial destaque as ciências econômicas e as ciências jurídicas.
A ciência econômica, ou economia, define o investimento estrangeiro ou 
internacional como toda aplicação de recursos em atividade econômica, bem 
como o desenvolvimento dessa atividade econômica, feita pelo nacional de um 
Estado em outro Estado, que seria o receptor do investimento.
Para caracterizar um investimento estrangeiro, essa aplicação de recursos 
deve ser por um período de médio ou de longo prazo. Considera-se médio 
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prazo um investimento de aproximadamente três anos e longo prazo, um inves-
timento de aproximadamente sete anos, sendo que o investidor deve assumir 
os riscos da operação.
Ainda sobre o conceito de investimento estrangeiro, a ciência jurídica não 
consegue contar com uma única definição de investimentos estrangeiros.
Isso acontece porque o conceito é dinâmico, isto é, ele muda com o decor-
rer do tempo em razão da influência que exercem os interesses dos envolvidos 
no tema.
O art. 171 da CF, revogado pela Emenda Constitucional nº 6/1995, dizia 
que eram consideradas empresas brasileiras aquela constituída sob as leis bra-
sileiras e que tivesse sua sede e administração no país; empresa brasileira de 
capital nacional cujo controle efetivo estivesse em caráter permanente sob a ti-
tularidade direta ou indireta de pessoas físicas domiciliadas e residentes no país 
ou de entidades de direito público interno, entendendo-se por controle efetivo 
da empresa a titularidade da maioria de seu capital votante e o exercício, de 
fato e de direito, do poder decisório para gerir suas atividades.
O panorama dos investimentos estrangeiros no Brasil era protecionista, di-
ferenciando o tratamento dado à empresa brasileira e à empresa brasileira de 
capital nacional.
O panorama econômico do Brasil, no início da década de 1990, foi mar-
cado pela abertura comercial, justamente porque o Brasil estava buscando se 
inserir nas economias de mercado, situação que não condizia com as diferen-
ciações do art. 171 que eram aplicados às empresas.
Dessa forma, foi declarada a inconstitucionalidade da distinção entre em-
presas brasileiras e empresas brasileiras de capital nacional, permanecendo em 
vigor o já mencionado art. 172, que prevê a realização de investimentos estran-
geiros conforme disposições legais. Consideram-se capitais estrangeiros, para 
os efeitos desta Lei, os bens, máquinas e equipamentos entrados no país sem 
o dispêndio inicial de divisas, destinados à produção de bens e serviços, bem 
como os recursos financeiros ou monetários, introduzidos no país, para aplica-
ção em atividades econômicas, desde que em ambas as hipóteses, pertençam 
a pessoas físicas ou jurídicas residentes, domiciliadas ou com sede no exterior.
Há outros fatores que podem ser identificados como propulsores de um au-
mento no número de investimentos estrangeiros, como incentivos tributários, 
reformas legislativas, reforma cambial entre outros.
Quando do envio de remessa de capital estrangeiro ao Brasil, faz-se ne-
cessário observar alguns procedimentos relativos ao registro dessas operações 
perante o Banco Central – Bacen conforme art. 3º da Lei nº 4.131/1962.
Os registros citados neste artigo viabilizam a eliminação das barreiras ao 
ingresso e saída de investimentos, e também agilizam as atividades dos investi-
dores, já que reduzem restrições operacionais e burocráticas.
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A nova regulamentação de registro de investimento estrangeiro direto e em-
préstimo externo estão inseridos na política de liberação cambial iniciada pelo 
Bacen, que acabou ocorrendo em razão da crescente competitividade entre os 
mercados de capitais mundiais.
Atualmente o panorama normativo correspondente ao registro de investi-
mentos é caracterizado pela consolidação das normas, efetivação do registro 
pelo próprio interessado via on-line, eliminação de formulários e obtenção ime-
diata de extratos consolidados de investimentos.
Essas características revelam a evolução do sistema brasileiro de registros, 
principalmente se se considerar que antigamente os procedimentos baseavam-
-se em normas esparsas e confusas que ocorriam através de protocolos físicos 
de formulários, o que acabava gerando uma grande demora para a emissão dos 
Certificados de Registro.
As importações com cobertura cambial envolvem remessa de lucros ao ex-
terior, como forma de pagamento à apropriação de um bem.
Exercício
29. (Defensor – Maranhão – 2009) Relativamente ao exercício de ativi-
dade econômica, a Constituição da República:
a) Assegura a todos o livre exercício de qualquer atividade econô-
mica independentemente de autorização de órgãos públicos, 
sem ressalvas.
b) Garante tratamento favorecido para empresas de pequeno porte 
constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e admi-
nistração no país.
c) Estabelece que a lei disciplinará, com base no interesse nacio-
nal, os investimentos de capital estrangeiro e incentivará os re-
investimentos, vedando a remessa de lucros para o exterior.
d) Autoriza a exploração de atividade econômica pelo Estado ape-
nas quando necessário aos imperativos da segurança nacional.
e) Prevê que o Estado exercerá funções de fiscalização, incentivo e 
planejamento da atividade econômica, sendo o último determi-
nante para os setores público e privado.
Capítulo 9
Ordem Econômica 
Internacional
1. Globalização – Soberania – Mercosul
1.1 Apresentação
Nesta unidade, será tratado o tema sobre a ordem econômica internacional, 
globalização, soberania e Mercosul.
1.2 Síntese
A ordem econômica mundial foi constituída a partir da ONU, sobre uma 
forte influência dos Estados Unidos.
O avanço da globalização tem feito com que as fronteiras econômicas entre 
os países fiquem menos claras, contrapondo-se ao tema da soberania dos Estados.
A globalização é fato e geralmente é também considerada como a remoção 
das barreiras ao livre comércio resultando na maior integração das economias 
nacionais.
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A globalização é algo presente na vida de milhões de habitantes. Muitas 
vezes criticada, ela deve ser vista com cautela, mas também com naturalidade. 
Não se deve defender a globalização como algo definitivo para a humanidade, 
mas também esta não deve ser rechaçada, como se fosse um mal por si.
A globalização deve ser entendida para que se possa ver o que ela oferece 
de positivo e de negativo.
SegundoJoseph E. Stiglitz, a reação violenta contra a globalização extrai 
sua força não só dos danos percebidos causados aos países em desenvolvimento 
por políticas impulsionadas por ideologias, mas também das injustiças do sis-
tema comercial global.
A globalização indica o fenômeno econômico de busca de conquista de 
mercados sem restrições às fronteiras nacionais ou fenômeno cultural das in-
fluências recíprocas entre habitantes de países diversos.
Desde a antiguidade a soberania é abordada nos pensamentos políticos, 
teológicos e jurídicos. Na idade média prevalece o entendimento da harmonia 
divina para governar o mundo na união da humanidade, sendo o imperador 
a pessoa a ocupar a figura de Cristo.
Em 1576, teve início a moderna teoria política, com um conceito de sobe-
rania limitável e divisível característico da doutrina jus naturalista.
A soberania, assim, não se traduzia em absolutismo, pois os príncipes subor-
dinavam-se tanto às leis divinas quanto às naturais.
No jus naturalismo moderno do século XVII prevaleceram os princípios 
do direito natural.
Inicialmente, interpretou-se a sociedade como anterior ao indivíduo e, na 
sequencia, Hobbes declarou a anterioridade do indivíduo à sociedade. Daí o 
entendimento do contrato entre os indivíduos desagregados para constituir um 
Estado e um soberano.
Rousseau, ao retomar as ideias da antiguidade, e reformulando parte do 
conceito de Hobbes, concebeu o Estado (Leviatã) como o ponto de chegada 
em que o homem poderia viver eternamente, isto é, solução para os problemas 
da sociedade civil.
O princípio da soberania é defendido por Rousseau sob a ótica revolucio-
nária, em que se aceita um direito de revolução permanente, segundo o qual se 
finda a subordinação à lei quando o povo for soberano.
Kelsen, abordando a temática da soberania, acabou colocando-a como uma 
ordem superior da conduta humana.
Carl Schmitt interpreta cientificamente o Direito, buscando conceituar a 
soberania por meio da análise histórica. O soberano, numa primeira análise 
schmitiana, seria aquele que decide em estado de exceção.
A soberania em sua concepção moderna se revela uma exigência política 
e jurídica para o exercício do controle em determinado território. O estabele-
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cimento de acordos internacionais que promoveram o respeito de um Estado 
em não interferir nos assuntos internos de outro e assim confirmar o poder do 
Estado sobre a sociedade foi fator que contribuiu para o desenvolvimento da 
soberania.
O Mercosul
No início do século XXI, as relações econômicas e políticas entre os países 
da América Latina foram marcadas por uma complexa rede de interdependên-
cia muito profunda e sofisticada. Desde 1980, e em especial durante a década 
de 1990, os países da América Latina desenvolveram uma mudança funda-
mental em suas políticas, evidenciado por alto grau de integração regional em 
busca de crescimento econômico.
O Tratado de Assunção, assinado em 26 de março de 1991, ao criar o Mer-
cosul faz referência à elaboração de normas comunitárias, oriundas de um 
poder legislativo comum e de aplicação geral em todos os países integrados. 
Assim, para se atingir essa meta, tem-se como pré-requisito a coordenação das 
políticas internas de seus Estados-partes. Ao contrário do Tratado de Roma que 
instituiu as comunidades europeias sob a égide de um direito supranacional, o 
Tratado de Assunção não tratou especificamente de regras comunitárias, de-
legando essa tarefa aos Estados-partes. Os membros do Mercosul são: Brasil, 
Paraguai, Uruguai e Argentina.
O art. 1º do Tratado de Assunção determinou que o objetivo geral a ser al-
cançado por seus Estados-partes é a integração, por meio da constituição de um 
mercado comum com livre circulação de bens e serviços. Os países-membros 
do Mercosul também assumiram o compromisso de harmonizar suas legisla-
ções para o fortalecimento do processo de integração.
Exercício
30. (TRF 5ª Região – Juiz Substituto) Assinale a opção correta, acerca 
do Mercosul:
a) O Mercosul, criado pelo Protocolo de Recife como ente dotado 
de personalidade jurídica de direito público, apresenta estrutura 
orgânica intergovernamental, sendo suas decisões tomadas por 
votação, respeitando-se a maioria dos votos.
b) Ao Conselho do Mercado Comum, órgão superior do Mercosul 
cabe a condução política do processo de integração e a tomada 
de decisões para assegurar o cumprimento dos objetivos estabe-
lecidos pelo Tratado de Assunção, devendo esse conselho reu-
nir-se, pelo menos, uma vez por bimestre, com a participação 
dos presidentes dos Estados-partes.
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c) Constituem órgãos do Mercosul, de capacidade decisória e na-
tureza intergovernamental, o Conselho do Mercado Comum, 
o Grupo Mercado Comum e a Comissão de Comércio, bem 
como o Tribunal Permanente de Revisão e o Parlamento do 
Mercosul.
d) São funções e atribuições do Grupo Mercado Comum a proposi-
tura de projetos de decisões ao Conselho do Mercado Comum e 
o exercício da titularidade da personalidade jurídica do Mercosul.
e) Quaisquer controvérsias entre os Estados-partes a respeito da 
interpretação, da aplicação ou do descumprimento das disposi-
ções contidas no Tratado de Assunção e dos acordos celebrados 
no âmbito desse tratado devem ser submetidas exclusivamente 
aos procedimentos de solução estabelecidos no Protocolo de 
Ouro Preto.
2. GATT e OMC
2.1 Apresentação
Nesta unidade, ainda tratando da Ordem Econômica, serão expostas as 
explicações quanto à OMC e ao GATT.
2.2 Síntese
A história do sistema multilateral de comércio remonta ao encontro de 
Bretton Woods, que ocorreu no final da II Guerra Mundial, momento em que 
os países vencedores buscaram instituir órgãos reguladores da economia in-
ternacional. Foi nesse encontro que houve um consenso sobre a necessidade 
de criação de um Fundo Monetário Internacional (FMI), de um banco fi-
nanciador da reconstrução europeia e seu desenvolvimento (BIRD ou Banco 
Mundial), e por fim, de uma organização internacional que regulamentasse os 
fluxos comerciais (Organização Internacional do Comércio – OIC).
O BIRD e o FMI foram criados, mas a OIC não, por conta de uma diver-
gência da política interna norte-americana. A formação desta organização, sem 
a participação dos EUA, era impraticável naquele período, e assim foi aprova-
do, em 1947, o Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT).
O GATT de 1947 é um conjunto de normas direcionadas, primeiramente, 
para a redução das tarifas alfandegárias no comércio internacional e passou a ser-
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vir como um amplo foro de negociações. Os seus principais pilares eram a Cláu-
sula da Nação Mais Favorecida (NMF) e o princípio do Tratamento Nacional.
O propósito da Cláusula da Nação Mais Favorecida foi fazer desaparecer as 
restrições ao livre comércio, diminuindo as barreiras alfandegárias e as medidas 
de proteção aos mercados. O princípio da não discriminação foi instrumenta-
lizado pela Cláusula NMF, tem a finalidade de proteger o livre comércio. A 
criação desta cláusula demonstra a necessidade de se abolir as discriminações 
ocasionadas pela concessão de preferências comerciais que geralmente preju-
dicam os países de menor representatividade econômica e comercial.
Por isso, se os EUA concedem uma preferência comercial para a Alema-
nha, essa preferência deve ser estendida aos outros países, com base na Cláusu-
la NMF e no princípio da não discriminação. Para atingir então esse objetivo 
de eliminar e reduzir os obstáculos ao comércio internacional, as reduções ta-
rifárias passaram a ser negociadas em longas rodadas periódicas. Foi no acordo 
de Marraqueche que se criou a Organização Mundial do Comércio (OMC) e 
definiu-se o início de suas atividades para 1º de janeirode 1995.
A OMC é uma organização internacional que tem como funções princi-
pais facilitar a aplicação das regras de comércio internacional, acordadas inter-
nacionalmente entre seus Membros, e servir de foro para negociações de novas 
regras ou temas relacionados ao comércio. É importante lembrar que a OMC 
é dotada também de um sistema de solução de controvérsias.
Também tem como objetivo garantir o cumprimento das normas que regu-
lam o comércio internacional. Nesse contexto, essa Organização deve procurar 
assegurar que as normas sejam estáveis, transparentes e equitativas.
Entretanto, os países em desenvolvimento (entre eles o Brasil) são, em ge-
ral, muito críticos, sobretudo com relação a essa suposta “equanimidade” das 
normas e de sua implementação.
A OMC tem como funções:
•	 Facilitar a aplicação, a gestão e o funcionamento dos diversos acordos 
comerciais.
•	 Constituir um fórum para as negociações comerciais multilaterais.
•	 Resolver os litígios comerciais através do Órgão de Solução de Contro-
vérsias.
•	 Acompanhar as políticas comerciais nacionais dos seus membros.
•	 Cooperar com as outras organizações internacionais a fim de assegurar 
uma coerência na elaboração das políticas econômicas ao nível mundial.
No plano estrutural, a Conferência Ministerial é composta por represen-
tantes de todos os países-membros, que se reúnem ao menos uma vez, de dois 
em dois anos. Na estrutura jurídica criada a partir da OMC, a Conferência 
Ministerial é o órgão de cúpula, que por consenso toma as decisões mais im-
portantes para a Organização.
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Do Conselho Geral dependem três órgãos subsidiários:
•	 Conselho do Comércio de Mercadorias;
•	 Conselho do Comércio de Serviços e
•	 Conselho dos Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacio-
nados com o Comércio.
É O Conselho Geral que nomeia um diretor-geral encarregado de dirigir o 
Secretariado da OMC.
O mecanismo do Sistema de Solução de Controvérsias da OMC é adminis-
trado pelo Órgão de Solução de Controvérsias, que está vinculado ao Conselho 
Geral da OMC.
As decisões devem ser tomadas por consenso, com exceção daquelas volta-
das para o estabelecimento de um painel, para a adoção do relatório do painel 
e do Órgão Permanente de Apelação, da espécie consenso negativo.
Em princípio, a OMC toma as suas decisões por consenso. Todos os mem-
bros da OMC podem apresentar à conferência ministerial propostas de alteração 
relativas às disposições dos diferentes acordos comerciais multilaterais da OMC.
Na sua estrutura jurídica, a conferência ministerial é o Órgão de Cúpula 
que por consenso toma as decisões mais importantes para a organização.
Pela agenda de Doha, as negociações envolveriam três tipos de temas:
•	 os temas cujas regras poderão ser revisadas ou alargadas, que seriam 
serviços, agricultura, barreiras tarifárias, comércio e meio ambiente, 
regras de implementação, propriedade intelectual, defesa comercial e 
reforma do sistema de solução de controvérsias da OMC.
•	 a proposta de inclusão de regras sobre matérias ainda não regulamen-
tadas pelo sistema multilateral do comércio, denominadas “questões 
de Cingapura”, regras sobre investimentos, políticas de concorrência, 
transparência nas compras governamentais e facilitação ao comércio.
•	 as questões decorrentes dos principais acordos da OMC, regras para 
pequenas economias, comércio e transferência de tecnologia, relação 
entre comércio e dívida externa e a relação entre a propriedade intelec-
tual e a saúde pública.
3. OMC – Sistema de Solução de 
Controvérsias
3.1 Apresentação
Nesta unidade, será tratado o tema sobre o Sistema de Solução de 
Controvérsias da OMC.
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3.2 Síntese
É importante entender que o Entendimento sobre Solução de Controvér-
sias – ESC (Dispute Settlement Understanding – DSU) constante do Anexo 2 
do Tratado de Marraqueche, introduziu um modelo mais claro e organizado 
de solução de controvérsias que o procedimento adotado pelo antigo GATT. 
O objetivo central do sistema de solução de controvérsias da OMC é o de dar 
segurança e previsibilidade ao sistema multilateral de comércio.
As disputas dentro do sistema de solução de controvérsia surgem quando 
um país adota uma medida de política comercial ou faz algo que um ou mais 
membros da OMC considerem que viole os acordos da própria organização. 
Somente podem participar do sistema os países-membros da OMC, seja como 
parte ou como terceiro interessado.
O sistema adotado pelo Entendimento de Solução de Controvérsias da 
OMC não tem como objetivo estimular a litigiosidade e, por isso, as soluções 
consentidas pelas partes são preferíveis, desde que não contrariem nenhum 
acordo firmado entre os membros da OMC.
Portanto, dentro da OMC existem outras formas de solução de controvér-
sias que não necessitam de recursos para o painel. O ESC também prevê a pos-
sibilidade de arbitragem como forma alternativa de solução de controvérsias.
Os trabalhos do painel são confidenciais: as reuniões são realizadas em re-
gime fechado, sendo permitida apenas a presença das partes diretamente en-
volvidas na disputa e dos estados-membros que são terceiros interessados, que 
não têm direito à apelação. Assim, as deliberações do painel, bem como as 
petições e arrazoados apresentados são cobertas pela confidencialidade. Outro 
ponto interessante é que os painéis estabelecem os prazos para a produção dos 
arrazoados das partes, e isso varia caso a caso.
O procedimento de solução de controvérsias na OMC é dividido em quatro 
fases:
• consultas;
• painéis;
• apelação e
• implementação.
Consultas
As consultas são o primeiro passo que a parte demandante deve tomar. Isso 
está previsto no art. 4º do Entendimento sobre Solução de Controvérsias. As-
sim, é importante lembrar que é imprescindível comunicar a outra parte sobre 
a possibilidade de uma disputa. A parte demandada deve responder ao pedido 
em 10 dias e as consultas ocorrem em até 30 dias.
Durante essa fase ocorre uma discussão que é restrita às partes e caso elas 
não cheguem a um acordo, a parte demandante pode pleitear o estabelecimen-
to de um Painel ao Órgão de Solução de controvérsias.
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Painel: funciona de forma semelhante a um tribunal e é considerado a 1ª 
instância do OSC. Geralmente o painel é composto por três, e excepcional-
mente por cinco especialistas selecionados para o caso. Isso significa que não 
há um painel permanente na OMC. Ou seja, em cada caso as partes devem 
indicar, de comum acordo, e com base em nomes sugeridos pelo Secretariado, 
os seus componentes.
Outro ponto importante que os senhores devem gravar é que a parte de-
mandante, caso deseje estabelecer um painel, deve fazer requerimento por 
escrito e apenas o consenso de todos os membros do OSC pode impedir o 
estabelecimento dele.
Se o painel for estabelecido, ele tem o prazo de seis meses para apresentar 
o relatório final, mas antes disso reuniões com as partes devem ocorrer para 
fixar os prazos que serão adotados. O painel também tem o dever de entregar 
às partes um relatório preliminar, depois da apreciação da petição inicial e da 
contestação. Esse relatório só se transforma em relatório final após ser revisto 
pelo painel e traduzido para os três idiomas oficiais da OMC (inglês, francês e 
espanhol) e adotado pelo Órgão de Solução de Controvérsias – OSC quando 
finalmente o acesso ao teor é público.
Órgão de Apelação – ou Corpo de Apelação da OMC: deve ser estabele-
cido pelo Órgão de Solução de Controvérsias – OSC. Esse corpo é composto 
por sete membros, entre os quais três são escolhidos para analisar um caso indi-
vidual. A escolha dos membros é feita em um sistema de rotação estabelecido 
nos procedimentos do corpo de apelação.Os membros do Órgão de Apelação têm um mandato de quatro anos, sen-
do possível cada membro ser renomeado apenas uma vez. Nesse caso, as vagas 
são sempre preenchidas de acordo com o surgimento de uma nova. Em adição, 
vale lembrar que os membros escolhidos devem ser pessoas de reconhecida 
autoridade, possuir grande experiência em direito, comércio internacional e 
outras matérias abordadas pela organização.
Em geral, o processo de apelação não deve levar mais de 60 dias da data 
em que é feita a notificação pela parte apelante ao Órgão de Apelação. De 
todo modo, caso o Órgão de Apelação entenda que não será possível a tomada 
de decisão nesse prazo, ele deve enviar ao OSC seus motivos, por escrito, jus-
tificando o atraso e indicando o tempo estimado que será necessário. Mesmo 
nesse caso, o Órgão não pode levar mais de 90 dias.
Outro ponto bastante importante diz respeito ao objeto da apelação, que 
deve ser sempre restrita a questões de direito trazida pelo painel em seus docu-
mentos e de suas possíveis interpretações. Deve, também, ser sempre providen-
ciado ao Órgão de Apelação todo suporte administrativo e jurídico.
Os custos do Órgão de Apelação (por exemplo, custos de viagem, paga-
mento) devem ser cobertos pela OMC de acordo com os critérios adotados 
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pelo Conselheiro Geral, que está baseado em recomendações do Comitê de 
Orçamento, Finanças e Administração.
Procedimentos para o Órgão de Revisão
Os procedimentos de trabalho devem ser descritos pelo Órgão de Apelação 
em consulta com o presidente do OSC e com o Diretor-Geral, mas são sempre 
comunicados aos membros. Esses procedimentos são confidenciais e os rela-
tórios preparados pelo Órgão de Apelação são elaborados sem a presença das 
partes que participam da disputa.
Todas as opiniões expressadas pelos participantes do Órgão também devem 
ser confidenciais e anônimas. Ao Órgão de Apelação é concedido o poder de 
sustentar, alterar ou inverter as decisões proferidas pelo painel.
Adoção dos Relatórios do Corpo de Apelação
A decisão do Órgão de Apelação deve ser aceita pelo OSC e incondicio-
nalmente pelas partes da disputa, a não ser que o OSC decida por consenso 
não aceitar a decisão proferida dentro do prazo de 30 dias, a partir da data de 
circulação entre as partes da decisão que foi proferida.
Como funciona a Implementação da Decisão?
Após a decisão, comprovado que um país agiu de forma incorreta, este deve 
imediatamente modificar a sua conduta e, caso continue a violar o acordo, 
deve oferecer uma compensação ou sofrer uma penalidade. Mesmo após o 
término do caso, existe algo mais a ser feito além das sanções comerciais im-
postas. A prioridade é fazer com que o membro que perdeu a disputa modifi-
que a sua conduta para se adequar às regras e recomendações do Órgão. Se o 
cumprimento das determinações se provar impraticável, poderá ser concedido 
um “tempo razoável” para a implementação da decisão e, caso mesmo assim o 
perdedor não cumpra a decisão, o país perdedor deverá entrar em negociação 
com o vencedor para a determinação conjunta de uma forma de compensa-
ção. Se após 20 dias nenhuma medida satisfatória for tomada, o vencedor pode 
pedir ao OSC a permissão para impor sanções comerciais contra a outra parte. 
Nesse caso, o OSC é obrigado a responder o pedido em 30 dias após a expira-
ção do chamado período de tempo razoável concedido, a não ser que haja um 
consenso contra tal ato.
Exercício
31. (TRF/5ª Região – Juiz Substituto) Assinale a opção correta no que 
concerne ao GATT e à OMC. Vejamos cada uma das assertivas.
a) O GATT foi promulgado em 1970 com a finalidade de expandir 
o comércio internacional e reduzir os direitos alfandegários, por 
intermédio de contingenciamentos, acordos preferenciais e bar-
reiras pecuniárias.
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b) A cláusula de habilitação, um dos princípios do GATT, estabe-
lece que todo e qualquer favorecimento alfandegário oferecido 
a uma nação deve ser extensível às demais.
c) A OMC, fórum permanente de negociação para a solução de 
controvérsias quanto às práticas desleais e de combate a medi-
das arbitrárias de comércio exterior, foi criado pelo Acordo de 
Tóquio, de 1985, e está vinculado ao Fundo Monetário Interna-
cional.
d) O Conselho Geral é o órgão da OMC incumbido da resolução 
de disputas e mecanismos de revisão de política comercial. Do-
tado de função análoga à judiciária, esse conselho vale-se, via 
de regra, de mecanismos de composição extrajudicial, como a 
arbitragem.
e) O sistema de solução de controvérsias da OMC conta com ape-
nas três fases: formulação de consultas pelos Estados envolvidos, 
constituição de grupo especial e prolação de decisão.
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Gabarito
1. Correta.
2. Letra C.
3. a) Correta, b) Incorreta, c) Cor-
reta, d) Correta, e) Incorreta.
4. Correta.
5. Correta.
6. Letra B.
7. Correta.
8. a) Incorreta, b) Incorreta.
9. Letra D.
10. Letra B.
11. Letra A.
12. Letra B.
13. Letra A.
14. Letra D
15. Letra C
16. Letra C.
17. Letra D.
18. Letra C.
19. Correta.
20. Letra A.
21. Letra B.
22. O acordo de leniência somente 
poderá ser celebrado se preen-
chidos, cumulativamente, os 
seguintes requisitos:
	 •	a	empresa	seja	a	primeira	a	se	
qualificar com respeito à infração 
noticiada ou sob investigação;
	 •	 a	 empresa	 cesse	 completa-
mente seu envolvimento na 
infração noticiada ou sob inves-
tigação a partir da data de pro-
positura do acordo;
	 •	 a	 Superintendência-Geral	
não disponha de provas sufi-
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cientes para assegurar a conde-
nação da empresa ou pessoa fí-
sica por ocasião da propositura 
do acordo e
	 •	 a	 empresa	 confesse	 sua	 par-
ticipação no ilícito e coopere 
plena e permanentemente com 
as investigações e o processo 
administrativo, comparecendo, 
sob suas expensas, sempre que 
solicitada, a todos os atos proces-
suais, até seu encerramento (art. 
86, § 1º, da NLAB).
23. Letra D.
24. Incorreta.
25. Correta.
26. Incorreta.
27. Incorreta.
28. Letra A.
29. Letra B.
30. Letra C.
31. Letra D.

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