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Símbolos
Tanto para Clifford Geertz quanto para David Schneider, símbolos são a cultura já que a cultura provém de sistemas simbólicos. Para esclarecer melhor, para Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, a palavra símbolo significa:
Aquilo que, por um princípio de analogia, representa ou substitui outra coisa: A balança é o símbolo da justiça. Aquilo que, por sua forma ou sua natureza, evoca, representa ou substitui, num determinado contexto, algo abstrato ou ausente (FERREIRA, 1986).
Clifford Geertz desenvolve uma definição de homem a partir da definição de cultura, rompendo com as ideias Iluministas e com as ideias da Antropologia Clássica. Schneider, apesar de ter ideias próximas as de Geertz, apresenta algumas diferenças. Apesar de Geertz concordar que Cultura é um sistema de símbolos, afirma que “(...) os dois devem ser considerados independentes um do outro (...)” (Kuper, 2002, p. 173).
Dessa forma, David Schneider (1995, caput Kuper, 2002) definia símbolo como,
Algo que representa algo mais, em que não existe uma relação necessária ou intrínseca entre o símbolo e aquilo que ele simbolizava [...] não apenas os símbolos são arbitrários, mas os próprios referentes. As coisas ou ideias que eles representam, são constructos culturais. (Pode ser que não tenham nenhuma realidade objetiva) (p. 173-174).
Ocorre, em tal circunstância, o afastamento da ideia de Geertz, para quem a cultura é a expressão do real e o comanda, transmitindo modelos de vida. A definição de Clifford Geertz de cultura provém da Semiótica, devido à questão da interpretação de símbolos e busca de significados e ainda de Max Weber, que crê que a cultura é “o legado de uma parcela finita da infinidade de fatos do mundo sem significado, que tem significado e importância do ponto de vista dos seres humanos” (caput Kuper,2002. p. 59). 
Resumindo, para Geertz (1989):
Acreditando, como Max Weber, que o homem é um animal suspenso a teias de significado que ele mesmo teceu, assumo a cultura como sendo essas teias e a sua análise: portanto, não uma ciência experimental em busca de leis, mas como uma ciência interpretativa à procura do significado. É justamente uma explicação que eu procuro ao construir expressões sociais enigmáticas na sua superfície. (p. 15)
DIREITO
O Direito ou o Poder Judiciário comumente são representados por uma balança. 
Os símbolos do advogado, cujo direito de uso é assegurado pelo inciso XVIII do artigo 7o da Lei nº 8.906/94 e regrado pelo Provimento nº 08/64 do C.F.O.A.B. (influenciado pelo I.A.B.), são representados (i) pela figura mitológica de Têmis – deusa grega que personifica a Justiça -, equilibrada pela balança e imposta pela força da espada; (ii) pela Balança, que representa o mencionado equilíbrio das partes; e (iii) pela Beca, usada pelo profissional do direito como lembrança do seu sacerdócio e respeito ao Judiciário. (Tribunal de Ética e Disciplina da OAB/SP, 2004).
Para que seja possível compreender o significado de cada figura que representa o Direito, faz-se necessário retornar no tempo através da história do Direito, diretamente para a Grécia Antiga, onde os deuses eram idolatrados. Alguns dos símbolos são representados por deusas, outros são a balança, a espada, o martelo, a beca e a própria cegueira referente às deusas.
Têmis
Essa deusa grega é tida como a filha de Urano, Deus do Céu, e de Gaia, Deusa de Terra. Ela era conhecida como uma guardiã dos juramentos tanto do homem quanto da Lei e nos julgamentos, perante os magistrados, era invocada.
Com o passar dos anos, Têmis teve três filhas: Eunônia (disciplina), Diké (justiça) e Eiriné (paz).
Esta deusa tem uma venda em seus olhos, que representa a imparcialidade, a igualdade, perante um julgamento.
Em síntese, a deusa Têmis 
É uma divindade grega por meio da qual a justiça é definida, no sentido moral, como o sentimento da verdade, da equidade e da humanidade, colocado acima das paixões humanas. Por este motivo, sendo personificada pela deusa Têmis, é representada de olhos vendados e com uma balança na mão. Ela é a deusa da justiça, da lei e da ordem, protetora dos oprimidos. (GRIMAL, 1997, p. 435 apud stf.jus.br).
Diké
Filha de Zeus e de Têmis, não usava vendas, já que o Direito era exercido quando a balança entrava em equilíbrio e ela precisava ver a balança.
Diké, em resumo foi
Divindade grega que representa a Justiça, também conhecida como Dice, ou ainda, Astreia. Filha de Zeus e Têmis, ela não usa vendas para julgar. De acordo com Ferraz Júnior (2003, p. 32-33), os gregos colocavam a balança com os dois pratos na mão esquerda da deusa Diké, mas sem o fiel no meio, e em sua mão direita estava uma espada e estando de pé com os olhos bem abertos declarava existir o justo quando os pratos estavam em equilíbrio. “O fato de que a deusa greg tinha uma espada e a romana não, mostra que os gregos aliavam o conhecer o direito à força para executá-lo.” (FERRAZ JÚNIOR apud stf.jus.br).
Iustitia
Essa deusa era romana, diferentemente das duas anteriores e representava justiça. Essa deusa tem uma venda em seus olhos, uma espada em uma mão e a balança em outra.
[...] Apresenta-se com os olhos vendados, segurando a balança com as duas mãos, os pratos alinhados e o fiel bem no meio, às vezes sentada. Ela ficava de pé e declarava o direito (jus, significando o que a deusa diz) quando o fiel estava completamente vertical, direito (rectum), ou seja, perfeitamente reto, de cima para baixo (de+rectum). Os olhos vendados mostram que sua concepção do direito era mais um saber agir, um equilíbrio entre a abstração e o concreto. (FERRAZ JÚNIOR, apud stf.jus.br).
Balança
A representação deste símbolo é a igualdade em atos processuais, o equilíbrio sem pesar para nenhum dos lados. Pesasse somente os fatos. 
Este contexto de julgamento remete a diversas tradições religiosas, como o deus egípcio Osires, que pesava o coração dos mortos para medir suas culpas e a São Miguel, o Arcanjo do Julgamento, na tradição católica. (RENAN, Pedro.)
Espada
A espada no Direito representa a coercibilidade. Quando na mão de alguma deusa, representa que a justiça esta em ação, punindo a quem desrespeitou às leis.
Uma coisa importante a ser citada, é esta concepção de Rudolf Von Ihering (2010):
A espada sem a balança é a força bruta, a balança sem a espada é a impotência do Direito. Uma completa a outra. O verdadeiro Estado de Direito só pode existir quando a justiça bradir a espada com a mesma habilidade com que manipula a balança.
Martelo
No Direito o martelo representa o sinal de alerta, respeito e mando para o silêncio. O Martelo impõe a ordem, chama atenção e exige respeito ao ressoar sua força pelo tribunal. Em outra analogia, é ele, com ajuda do cinzel, que lapida a pedra bruta para torná-la adequada e correta. 
Cegueira
A venda representa a imparcialidade perante julgamentos. De certa forma, essa imparcialidade é vista como justiça no Direito, uma vez que se o magistrado é imparcial, julgará apenas o fato desconsiderando a pessoa.
É símbolo da ignorância e do “deslumbramento”, mas também da imparcialidade e do abandono ao destino, e desse modo exprime o desprezo pelo mundo exterior face à “luz interior”. Por este motivo, adivinhos (Tirésias) e poetas (Homero) da antiga Grécia eram representados como cegos, e dizia-se com frequência que os cegos viam segredos reservados aos deuses. Na antiga Roma, Amor (cupido) muitas vezes era representado com olhos fechados, como símbolo do amor terreno que despreza toda a razão. Quando, de acordo com o Evangelho, Jesus fez com que cegos vissem, esse fato foi considerado nos primórdios do cristianismo como símbolo da iluminação espiritual por meio do ensinamento do Salvador. Isidoro de Sevilhas (570—636 d.C.) interpretou o pecado original de Adão e Eva como obscurecimento do mundo, uma cegueira que só com o aparecimento de Cristo teria sido suprimida. Como consequência, na Idade Média a “Sinagoga”, personificação do judaísmo, teria sido representadacom olhos vendados, pois se recusava a ver a luz da salvação. – Também a deusa da sorte, Fortuna, era representada com os olhos vendados, assim como a Justiça, a personificação dessa virtude, que “sem ver a pessoa” pesa decisões (Balança). (BIEDERMANN apud STF.jus.br) 
BECA
A beca representa o trabalho em forma de mérito, de forma honrosa e decorosa.
[...] a Beca, túnica negra usada pelos catedráticos, magistrados e em algumas ocasiões pelos advogados, é um símbolo que remete ao verdadeiro sacerdócio que deve pautar a atuação deste profissional, isto é, trabalhar de forma honrada, meritória e decorosa. (RENAN, Pedro).
Referências
KUPER, Adam. Cultura – a visão dos antropólogos. Bauru, SP: EDUSC, 2002.
GEERTZ, Clifford. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: LTC, 1989.
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. 1ª Ed. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1986.
Tribunal de Ética e Disciplina. E-3.048/04. Acesso em: <http://www.oabsp.org.br/tribunal-de-etica-e-disciplina/melhores-pareceres/E304804> Acessado em: 04/08/16.
SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Símbolos da Justiça. Disponível em
http://www.stf.jus.br/portal/principal/principal.asp
RENAN, Pedro. Símbolos da advocacia: origem e significado. Acesso em: <http://blog.wedologos.com.br/simbolos-da-advocacia/> Acessado em: 04/08/16
LHERING,Rudolf von. A luta pelo direito. 4ª Ed. Rio de Janeiro: Sextante, 2010.

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