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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO PIAUÍ- UESPI-CAMPUS DE FLORIANO CURSO: BACHARELADO EM DIREITO DISCIPLINA: DIREITO DO TRABALHO II PROFESSOR: JOÃO LUIZ ROCHA DO NASCIMENTO BLOCO IV DIREITO DO TRABALHO II – AULA II I – REMUNERAÇÃO E SALÁRIO – TEORIA GERAL. 1. NOTAS INTRODUTÓRIAS. REMUNERAÇÃO aspecto visível da onerosidade (elemento fático jurídico da relação de emprego). 2. REMUNERAÇÃO E SALÁRIO – DISTINÇÕES. 2.1. REMUNERAÇÃO – vários sentidos. 1º SIGNIFICADO: remuneração e salário são expressões sinônimas. * a expressão remuneração é utilizada de forma indiscriminada para enfatizar a natureza salarial de determinadas parcelas. 2º SIGNIFICADO: a) remuneração: gênero das parcelas contraprestativas devidas e pagas ao empregado em função da prestação de serviços ou da simples existência da relação de emprego; b) salário: espécie ou principal parcela contraprestativa paga ao empregado. 3º SIGNIFICADO: adotado pela CLT e mais abrangente – artigos 76 e 457 – CLT. Remuneração: somatório da contraprestação paga diretamente pelo empregador (em pecúnia e/ou utilidades) com a quantia recebida de terceiros pelo empregado, a título de gorjeta; Remuneração = Salário (pago pelo empregador) + gorjetas (pago por terceiros) – CLT, art. 457. Salário : parcela contraprestativa devida e paga diretamente pelo empregador em decorrência da prestação de serviço ou da simples existência da relação de emprego. Ou seja: a natureza da parcela é salarial se paga diretamente pelo empregador (origem). Gorjetas – retribuição do cliente ao empregado. Geralmente fornecida aos garçons e aos trabalhadores em hotéis. Não corresponde a salário, mas remuneração, eis que paga por terceiro, enquanto o salário é pago pelo empregador. É parte integrante da remuneração, não do salário. No Brasil o cliente não é obrigado a pagar gorjeta. Súmula 354 – TST: Incomunicabilidade entre remuneração e salário. Afasta qualquer possibilidade das gorjetas comporem a base de cálculo salarial mensal para efeitos rescisórios ou pagamento de algumas parcelas, tais como férias, horas extras, adicionais, FGTS, aviso prévio. Essa era a intenção do legislador, segundo a doutrina. Caso contrário, não teria sentido fazer a distinção entre remuneração (que inclui as gorjetas) e salário. Há outro entendimento no sentido de que as gorjetas repercutem sobre; FGTS (art. 15, da Lei 8.036/90), 13º salário, salário contribuição para efeitos previdenciários (art. 29, § 1º, CLT). OBS: A REMUNERAÇÃO NÃO PODERÁ SER FIXADA EXCLUSIVAMENTE À BASE DE GORJETAS. SE O VALOR DAS GORJETAS FOR SUPERIOR AO SALÁRIO MÍNIMO LEGAL, AINDA ASSIM O EMPREGADOR SE OBRIGA A PAGAR O SALÁRIO MÍNIMO OU PISO SALARIAL DA CATEGORIA. CASO PRÁTICO: GARÇONS DE SHOPING. SALÁRIO – DENOMINAÇÃO. salário: figura central, histórica e emblemática do Direito do Trabalho. DENOMINAÇÕES IMPRÓPRIAS. não guardam relação direta com o Direito do Trabalho. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO; SALÁRIO DE BENEFÍCIO; SALÁRIO FAMÍLIA; SALÁRIO MATERNIDADE; SALÁRIO EDUCAÇÃO; SALÁRIO SOCIAL. DENOMINAÇÕES PRÓPRIAS. salário mínimo legal; salário profissional; salário-normativo; salário-base (Súmula 191 – TST); salário complessivo (Súmula 91 – TST). 2.3. ELEMENTOS CARACTERÍSTICOS a) HABITUALIDADE: elemento preponderante. a presença ou não da habitualidade (em contraponto à eventualidade) é fator importante para aferir a natureza salarial ou não de determinadas parcelas acerca das quais e dependendo do caso concreto, pairam dúvidas quanto à sua caracterização. Exemplos: Considera-se salário in natura quando há habitualidade no fornecimento das utilidades. Horas extras pagas habitualmente, por exemplo, integram indenização de antiguidade (Sum. 24, TST), o 13º salário (Sum. 45, TST) e o FGTS (Sum. 63, TST). Adicionais de insalubridade e periculosidade pagos habitualmente integram a remuneração (Sum. 132, 139, TST). b) QUANTIFICAÇÃO : o salário deve ser quantificável. Em regra, não pode ser estabelecido o pagamento sob certas condições. Isso decorre do princípio da alteridade e do risco do empreendimento que é do empregador – art. 2º, CLT. Decorrência da quantificação é a vedação do pagamento de salário complessivo (conjunto) sem discriminação das parcelas recebidas. Salário, horas extras, adicionais, etc. A finalidade é evitar a fraude. c) PERIODICIDADE: – não há trabalhado subordinado gratuito, o pagamento deve ser feito após a prestação de serviços, onde se combina o acordo entre as partes e com observância dos prazos já previamente fixados na norma legal conforme combinado (semanal, quinzenal, mensal). d) RECIPROCIDADE: elemento que decorre do caráter o sinalagmático da relação (obrigações recíprocas: prestação de serviços x contraprestação (salário). OBS: em alguns casos o salário é devido ainda que não haja prestação de serviço: falta justificada, interrupção do contrato de trabalho, quando se encontra à disposição do empregador (art. 4º, CLT.). COMPOSIÇÃO DO SALÁRIO. §§ 1º e 2 do art. 457 da CLT. * comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador - se pagas habitualmente, integram o salário. Gratificação de função: em regra tem o caráter de mera liberalidade do empregador. A supressão da função retira o direito da gratificação, exceto na hipótse da Súmula 372 – TST:Gratificação de função por 10 anos ou mais do empregado público – incorporação – Súmula nº 372 do TST. 4. CLASSIFICAÇÃO Salário por unidade de tempo – independe do serviço ou da obra, mas depende do tempo gasto. Assim se fixa o salário por hora, dia, por semana, por quinzena, por mês. Salário por unidade de obra – não se leva em conta o tempo, mas o próprio serviço. É possível o pagamento por peça, mas o empregador não pode reduzir unilateralmente o trabalho do empregado de forma a reduzir seu salário (CLT, art. 483, g). Salário por tarefa – O empregado deve realizar durante a jornada este serviço que lhe é determinado pelo empregador. Terminado o serviço, pode retirar-se. Também não pode haver redução injustificada (CLT, art. 483, g). 5. MEIOS DE PAGAMENTO. SALÁRIO EM DINHEIRO – O salário deve ser pago em dinheiro (CLT, art. 483), evitando-se, assim, o chamado truck system, ou seja, pagamento através de vales, cupons, ou em moeda estrangeira. Salário em utilidades – salário in natura – Permissão – CLT, art. 458. Fonte – costume ou o próprio contrato de trabalho Critérios – habitualidade e gratuidade do empregador. Não se considera – CLT, art. 458, § 2º. Se a utilidade é fornecida pela prestação de serviços terá natureza salarial. Se a utilidade e fornecida para a prestação de serviços, estará descaracterizada a natureza salarial. Percentagem – por analogia aplica-se o art. 82, par. único, da CLT, no sentido de que pelos 30% do salário contratual deve ser pago em dinheiro, sendo que o restante, 70% podem ser pagos em utilidade. Veículo e cigarro – Súmula n. 367, TST. Remuneração variável – A CF garante salário, nunca inferior ao mínimo, para os que percebem remuneração variável – art. 7º, VII. É possível o pagamento de salário exclusivamente variável, isto é, à base de comissões e porcentagens, desde que haja complementado para o mínimo se o empregado não atingiu venda suficiente para alcançar tal valor. É admissível o comissionista puro. 6. PROTEÇÃO DO SALÁRIO CONTRA OS ABUSOS DO EMPREGADOR – proibição de pagamento de salário complessivo, de descontos ilegais (CLT, art. 462), de redução individual CONTRAS CREDORES DO EMPREGADR – CLT, art. 449 – direitos trabalhistas subsistirão em caso de falência ou dissolução das empresas. CONTRAS CREDORES DO EMPREGADO – CPC, art. 649, IV. Salários são impenhoráveis, salvo para pagamento de Pensão Alimentícia. 6.1. COMPENSAÇÃO – Somente dívida de natura trabalhista – Súmula n.. 18, TST. 7. TIPOS DE SALÁRIO ABONOS – Consistenuma antecipação em dinheiro, numa antecipação salarial ou num valor a mais que é concedido ao empregado. CLT, art. 457, § 1º – diz que os abonos podem integrar o salário. A regra geral, então, é essa, salvo se legislação específica dispuser em contrário. ADICIONAIS É algo que acrescenta. Adicional de horas extras – pelo menos 50% sobre a hora normal. CF, art. 7º, XVI. O advogado tem direito a adicional não inferior a 100% – art. 20, § 2º, da Lei nº 8.906/94. Se as horas extras são pagas com habitualidade, integram o cálculo de outras verbas, tais como 13º salário (Sum. 45, TST), FGTS, (Sum. 63, TST), aviso prévio indenizado (CLT, art. 487, § 5º, CLT), férias (CLT, art. 142, § 5º), o DSR (Sum. 172, TST).. Comissionista – horas extras – Sum. 340, TST. Supressão de horas extras – indenização – Sum. 291, TST. Horas extras não sofrem repercussão do adicional de insalubridade, eis que este é calculado com base no salário mínimo (CLT, art. 192). As bases de cálculos são distintas. Em relação ao adicional de periculosidade o cálculo é feito sobre o salário básico, à exceção dos eletricitários (Sum. 191, TST). A base de cálculo é: 44h ou 7h20min por dia, o que corresponde a 7,33 x 30dias = 220h. 44h/6dias trabalhados é igual a 7,33h (não incluído o DSR). Então 220 h é o divisor para quem segue o módulo de 44h semanais. Ex: R$ 500,00/220h = 2,27h normal. Para saber a hora extra, basta aplicar o adicional de 50%. Se a jornada de trabalho é de 6h, como o bancário, aplica-se o divisor de 180h. Tem-se 30h/5dias é igual a 6 x 30 que é igual a 180h. Assim, tem-se 6h x 30dias = 180h. Segue-se o mesmo raciocínio acima mencionado para se saber a hora extra. Adicional noturno Para o trabalhador urbano, noturno é o trabalhado executado entre às 22h de um dia e às 5h do dia seguinte. O adicional é de 20% sobre a hora diurna. Cada hora será computada com 52min30s, ou seja, o trabalhador vai trabalhar 7h de 60min; tudo conforme art. 73 da CLT. Por exemplo, se há uma hora normal de R$ 1,00; tem-se a extra de R$ 1,50. Se há trabalho noturno, tem-se a hora de R$ 1,20. Se for extra e noturna tem-se a hora de R$ 1,80 (1,20 x 50% = 0,6. Então 1,20 + 0,6 = R$ 1,80. Adicional noturno do advogado é de 25% para o período laborado entre às 20h e 5h do dia seguinte. (art. 20, § 3º, da Lei nº8906/94) Adicional noturno pago com habitualidade integra o cálculo do salário para todos os efeitos legais (Súm. 60, TST). A transferência para o período diurno implica a perda do adicional noturno (Sum 265, TST). Adicional de insalubridade Insalubre é prejudicial à saúde, que causa doença. Calculado sobre o salário mínimo (CLT, art. 192). Pode ser em grau máximo (40%), médio (20%) ou mínimo (10%). Não é calculado sobre o salário contratual, mas sim sobre o salário mínimo (OJ nº 2, SDI-1, TST), mesmo em face da CF de 88 que vedou qualquer vinculação. Não integra o DSR, pois o adicional tem pagamento mensal, que já inclui o primeiro (art. 7º, Lei 605/49). Mesmo o trabalho executado em condições intermitentes motiva o pagamento do adicional (Sum, 47, TST). Se fornecido EPI pelo empregador isso não impede o pagamento do adicional de insalubridade (Sum. 289, TST). Deve ser verificado através de Perícia, mesmo em caso de revelia. Adicional de periculosidade Devido ao empregado que presta serviços em contato permanente com inflamáveis e explosivos. O adicional será de 30% sobre o salário do empregado, sem os acréscimos resultantes de gratificações, prêmios ou participações nos lucros da empresa (CLT, art. 193). Se for pago habitualmente integra as parcelas de férias, décimo terceiro salário, aviso prévio e FGTS. Não integra o DSR, pois se trata de um pagamento mensal que já engloba este (DSR), conforme art. 7º da Lei 605/49. Incide apenas sobre o salário básico do empregado, e não sobre tal salário acrescido de outros adicionais, à exceção dos eletricitários, cujo adicional deve incidir sobre parcelas de natureza salarial. (Sum. 191, TST). Adicional de transferência Devido na razão de 25% sobre o salário. Só é devido quando houver transferência provisória para outro local, desde que importe mudança de domicilio (CLT, art. 469). Não é devido nas transferências definitivas, só nas provisórias e desde que ocorra mudança de domicílio. Adicional por tempo de serviço Pode ser previsto em norma coletiva. Integra o salário para todos os efeitos legais – Sum. 203, TST. Integra o cálculo das horas extras – Enun. 226, TST. Diárias Não ficam sujeitas à comprovação. Diárias próprias – indenizam o empregado das despesas ocorridas. Diárias impróprias – caráter retributivo, sendo, portanto, salário. Sum. 101, TST – Diz que integram o salário, por seu valor total, as diárias de viagem que excedam 50% dos salários dos empregados. O mais correto seria adotar o critério de se verificar a destinação do pagamento feito ao empregado. Se não tem por objetivo reembolso de despesa, poderá ser considerado como salário. Ajuda de custo A diferença entre diárias e ajuda de custo é que as primeiras são para viagens, e as segundas não. Não se incluem no salário – CLT, art. 457, § 2º. Prêmios Depende do próprio esforço do empregado Decorre da produtividade do trabalhador Se houver pagamento habitual, terá natureza salarial, integrando as demais verbas trabalhistas pela média. 8. EQUIPARAÇÃO SALARIAL IGUALDADE SALARIAL – CLT, ART. 461. Não há direito de equiparação à remuneração, mas ao salário. REQUISITOS Matéria bem detalhada na Súmula 06 do TST. IDENTIDADE DE FUNÇÕES – No DT não existe distinção precisa entre cargo e função, como no Direito Administrativo. A CLT não usa o termo cargo, mas função. TRABALHADO DE IGUAL VALOR – a própria CLT define trabalho de igual valor no art. 461, § 1º. MESMA LOCALIDADE – Significa mesmo município, ou a municípios distintos que pertençam a mesma região metropolitana, conforme já pacificou o TST. (Súmula n. 6, item X).. MESMO EMPREGADOR – O trabalho realizado pelo equiparando e pelo paradigma deve ser prestado ao mesmo empregador. SIMULTANEIDADE NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS – inexistindo simultaneidade na prestação de serviços, mas sucessividade, ou seja, o empregado vem a suceder outra pessoa que deixou a empresa, não é o caso de equiparação salarial. INEXISTÊNCIA DE QUADRO DE CARREIRA – É necessária a homologação do quadro pelo Ministério do Trabalho e Emprego (Sum. 6, TST). Competência da Justiça do Trabalho – Sum, 19, TST. EQUIVALÊNCIA SALARIAL Hipótese do art. 460 da CLT. Requisitos – que não haja estipulação do salário no início da contratação; que não exista prova sobre a importância ajustada. SALÁRIO SUBSTITUIÇÃO – CLT, art. 450. DESVIO DE FUNÇÃO – Não existe previsão legal para pagamento de diferenças salariais decorrentes de desvio de função, mas devem ser pagas com base no princípio da razoabilidade. �PAGE � �PAGE �7�