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Gestão Pública 
Este conteúdo é referente ao período de: 
2025/4 
As disciplinas Abordadas são: 
- Introdução ao curso de Gestão pública (Guia do curso de Gestão pública) 
- Fundamentos da Gestão pública 
Esse material pertence a: 
Filipe Vitoriano Marinho de Souza 
RA: 395731 
 
Curso iniciado 10/25 
 
 
 
 
 1 
 
GUIA DO CURSO DE GESTÃO PÚBLICA 
Prezado (a) Acadêmico(a), 
Bem-vindo(a)! É com grande satisfação que apresentamos o Guia do Curso de 
Gestão Pública, na modalidade a distância, conferindo o título de Tecnólogo em 
Gestão Pública. 
Temos como objetivo atender a você que deseja uma formação de qualidade. 
Assim, desenvolvemos uma proposta de ensino e aprendizagem composta por 
diferentes processos e práticas para seu processo educativo. Para isso apresentamos 
as informações sobre seu curso Superior em Gestão Pública. 
Por meio de nosso Projeto Pedagógico, buscamos oferecer a você estudante 
uma formação de qualidade por meio de uma sólida formação técnica e científica, com 
o intuito de torná-lo(a) um(a) profissional com competências para compreender e 
desenvolver atividades de forma interdisciplinar. 
Buscamos desenvolver uma proposta de ensino e aprendizagem em que o 
estudante tenha conhecimento de todas as ferramentas e atividades que envolvam 
sua atividade profissional, com o objetivo de formá-lo para atuar em diferentes 
segmentos do mercado. 
Nesta fase inicial de sua trajetória é necessário que você compreenda a 
organização do seu curso pelos quais seu estudo e seus compromissos acadêmicos 
serão cumpridos. 
Portanto, apresentamos neste Guia do Curso, o funcionamento do curso e suas 
especificidades. Pela leitura atenta e necessária, esperamos que você possa obter 
dicas importantes para um processo acadêmico de qualidade. 
Estamos muito felizes com sua presença e participação em nossa instituição e 
esperamos construir juntos um excelente curso superior. 
 A coordenação. 
 
 
 
 
 
 
 2 
 
APRESENTAÇÃO DO CURSO 
A criação da FATECIE ocorreu em 2007, por meio da união de um grupo de 
professores com elevada experiência profissional na Educação Básica, envolvidos 
com estudos de formação continuada e pesquisa que, motivados pelo ideal de 
promover novas oportunidades de continuidade de estudos aos jovens egressos do 
ensino médio na cidade de Paranavaí e trazer para a região a modalidade de ensino 
superior tecnológico. A FATECIE tem por finalidade formar e qualificar profissionais, 
nos vários níveis e modalidades de ensino, para os diversos setores e realizar o 
desenvolvimento tecnológico de novos processos, produtos e serviços, em estreita 
articulação com os setores produtivos e a sociedade, oferecendo mecanismos para a 
educação continuada. Para tanto iniciou suas atividades na Área Tecnológica e, a 
partir de 2012, gradativamente na modalidade Bacharelado, atuando ainda na Pós-
Graduação no nível de Lato Sensu, pesquisa, extensão e iniciação científica. 
A FATECIE foi credenciada pelo Ministério da Educação - MEC por meio da 
Portaria 1.179 de 5/12/2007, publicada no D.O.U. de 6/12/2007. 
A oferta do Curso Superior de Tecnologia em GESTÃO PÚBLICA na 
modalidade EaD da UniFatecie atende a Resolução CNE/CES n.º 3, de 7 de novembro 
de 2001 - Institui Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso, e dá outras providências 
e demais legislações nacionais vigentes, a legislação utilizada para o embasamento 
do projeto é a Lei n.º 9.394/1996, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 
(LDB); Resolução CNE/CP n.º 03/2002; Parecer CNE/CP n.º 29/2002; Portaria n.º 
10/2006; Parecer CNE/CES n.º 436/2001; Parecer CNE/CES n.º 261/2006 e Parecer 
CNE/CES n.º 277/2006. A Lei n.º 11.645/2008, que trata da História e Cultura Afro-
Brasileira e Indígena, e a Lei n.º 10.639/2003, que versa sobre a História e Cultura 
Afro-Brasileira, alteram a Lei n.º 9.394/1996; o Parecer CNE/CP n.º 003/2004, que 
estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações 
Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana, e a 
Resolução n.º 1/2004, que Institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para a 
Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-
Brasileira e Africana, são temas desenvolvidos nos conteúdos curriculares e/ou como 
disciplinas optativas: Relações étnico-raciais e responsabilidade social; Língua 
brasileira de sinais – LIBRAS; Ética e responsabilidade socioambiental; O Parecer 
CNE/CP n.º 8/2012 e a Resolução n.º 1/2012, que estabelecem as Diretrizes 
 
 
 
 
 3 
 
Nacionais para a Educação em Direitos Humanos; a Lei n.º 9.795/1999, que institui a 
Política Nacional de Educação Ambiental, o Decreto n.º 4.281/2002, que regulamenta 
a Lei no 9.795/1999, e a Resolução n.º 2/2012, que estabelece as Diretrizes 
Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental. 
Em linhas gerais, o Curso de Tecnologia em GESTÃO PÚBLICA adota uma 
concepção pedagógica Piagetiana, buscando desenvolver competências e, em 
especial, dar destaque a um SABER mais abrangente, integral, "por inteiro", relevante 
a qualquer formação e intervenção profissional: o SER, o FAZER e o AGIR. 
O projeto pedagógico do Curso de Tecnologia em GESTÃO PÚBLICA, no que 
se refere à forma, concepção filosófica, metodologia, definição "do que fazer" e "como 
fazer", foi desenvolvido em consonância com as Diretrizes Curriculares Nacionais do 
Curso de Tecnologia em GESTÃO PÚBLICA, definidas pela Resolução CNE/CES n.º 
004, de 13 de julho de 2005 e princípios instituídos pela Lei de Diretrizes e Bases da 
Educação Nacional (LDB), estabelecidos pela Lei n.º 9.394, de 20 de dezembro de 
1996. 
A concepção do curso permite comodidade ao acesso do conteúdo completo 
com recursos de multimídia em Ambiente Virtual, além do suporte integral de uma 
tutoria especializada (professores, orientadores, coordenadores), biblioteca virtual 
com vasto acervo de diversas áreas do conhecimento, plantões interativos e via e-
mail exclusivo da graduação em EaD. 
A proposta inovadora sob o ponto de vista educacional e tecnológico vem ao 
encontro da tendência mundial de universalização, socialização e acessibilidade total 
ao ensino e aprendizagem; bem como ao encontro da necessidade de um cidadão 
que busca o conhecimento e crescimento profissional. O curso em questão é dotado 
de um formato flexível e adaptado às necessidades e disponibilidade do aluno, em 
que cada uma passa a ser gestor de sua própria carreira. 
 
 
 
 
 
 4 
 
OBJETIVOS DO CURSO (Geral e Específicos) 
O Curso de Tecnologia em GESTÃO PÚBLICA na modalidade de Ensino à 
Distância do Centro Universitário UNIFATECIE, com o propósito de que seus 
graduandos exerçam um papel fundamental na sociedade brasileira, respeitando os 
pressupostos éticos e a necessidade de aperfeiçoamento profissional contínuo, 
definem como objetivo geral a formação de cidadãos e profissionais que, amparados 
por sólido suporte histórico-cultural, apreendam o indivíduo como um ser 
biopsicossocial para a promoção da qualidade de vida dos indivíduos, grupos, 
organizações e comunidades a partir da compreensão histórico-crítica dos processos 
sociais, econômicos, culturais e políticos do país. 
Objetivo Geral 
Possui como objetivo geral formar profissionais capazes de atuar nos diversos 
setores das organizações públicas, da administração direta e indireta, e 
principalmente nas três esferas de governo que demandem relações organizacionais 
e processos da GESTÃO PÚBLICA, dentro da legalidade e demais princípios da 
administração pública, sempre buscando o aprimoramento constante das atividades 
públicas, atuação ética e transparente, na gestão dos recursos públicos, buscando a 
economicidade e eficiência, fazendo uso de ferramentas adequadas e tecnologias 
para o desenvolvimento sustentável da sociedade em suas relações públicas, políticas 
e sociais. 
Esses profissionais serãoe garantem os direitos fundamentais dos 
cidadãos. 
Até a próxima! 
 
 
 
 
 
 
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LEITURA COMPLEMENTAR 
O que é o sistema de freios e contrapesos? 
O Sistema de Freios e Contrapesos – chamado também de Teoria da 
Separação dos Poderes – consiste na ideia do controle do poder pelo próprio poder. 
Nessa teoria, há a ideia de que as diferentes funções desenvolvidas pelo Estado 
precisam se autorregularem. Assim, torna-se necessário a criação de três poderes 
distintos – Executivo, Legislativo e Judiciário para propiciar uma maior segurança aos 
cidadãos quanto aos seus desejos em sociedade. 
Leia na íntegra em: IGNACIO, Julia. Sistema de freios e contrapesos: o que é?. 
2020. Politize. Disponível em: https://www.politize.com.br/sistema-de-freios-e-
contrapesos/. Acesso em: 06 abr. 2024. 
 
 
 
 
 
 
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MATERIAL COMPLEMENTAR 
LIVRO 
Título: Os clássicos da política. 
Autor: Francisco C. Weffort (org). 
Editora: Editora Ática. 
Sinopse: 
Os Clássicos da Política reúne personagens que acompanharam a formação 
do Estado moderno, processo que durou séculos na história europeia. 
Fundamental para a compreensão do pensamento de Maquiavel e de sua 
dura visão sobre o poder, no século XVI: de Hobbes e Locke, testemunhas 
da Inglaterra conturbada e revolucionária do século XVII; de Montesquieu, 
admirador da política liberal inglesa sob o absolutismo francês do século 
XVIII; de Rousseau, precursor do pensamento democrático moderno e 
inspirador dos ideais da Revolução Francesa; de Madison, Hamilton e Jay. 
Defensores da Constituição dos Estados Unidos da América de 1787. 
 
 
FILME/VÍDEO 
Título: O EXERCÍCIO DO PODER 
Autor: Direção de Pierre Schöller, com Michel Blanc e Oliver Gourmet. 
Ano: 2012. 
Sinopse: 
O cotidiano de um ministro da República Francesa revela a multiplicidade de 
conflitos envolvidos na atividade de quem exerce uma função de governo 
num sistema democrático. Além das contradições internas do poder 
executivo, que reflete os atritos entre os integrantes do partido majoritário, 
destacam-se os embates com os demais poderes e – o que é pouco comum 
no cinema político – as asperezas e ambiguidades no relacionamento entre 
os detentores de cargos políticos ou eletivos e os funcionários de carreira, 
ou seja, os gestores profissionais do estado. 
 
FILME/VÍDEO 
Título: Síntese de Hobbes, Locke e RousseauAno: 2013.Sinopse: Síntese do pensamento político de 
Thomas Hobbes, John Locke e Jean-Jacques Rousseau a respeito do processo de formação do Estado 
moderno.Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=jz3AcQLx2_0 
 
 
 
 
 
 
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UNIDADE 2 - ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA BRASILEIRA: CONCEPÇÃO 
HISTÓRICA E REFORMAS 
Professor Me. Heider Jeferson Gonçalves 
PLANO DE ESTUDO 
⦁ Evolução Histórica da Administração Pública no Brasil; 
⦁ Reformas da Administração Pública; 
⦁ Modelos de Administração Pública. 
Objetivos da Aprendizagem 
⦁ Apresentar os principais aspectos das evoluções históricas brasileiras; 
⦁ Apresentar as principais características e reformas constitucionais e estruturais 
ocorridas no Estado Brasileiro; 
⦁ Apresentar a necessidade de reformas na Administração Pública; 
⦁ Conceituar e apresentar os modelos de Administração Pública: 
patrimonialismo, burocratismo e gerencialismo. 
 
 
 
 
 
 
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INTRODUÇÃO 
Olá, querido(a) aluno(a)! 
Seguimos nossa jornada na disciplina de Fundamentos da Gestão Pública. 
Nesta segunda unidade você irá estudar sobre os principais aspectos históricos 
da evolução da Administração Brasileira, abordando os principais aspectos das 
evoluções históricas no que tange a reformas constitucionais e estruturais ocorridas 
no Estado Brasileiro e necessidade de reformas na Administração Pública. 
A história do Brasil é marcada por uma série de transformações e reformas, 
com destaque especial para as mudanças constitucionais ao longo do tempo. Nesse 
contexto, vamos focar mais nas reformas da Constituição e em aspectos relevantes 
da Administração Pública, especialmente em seus esforços para melhorar a gestão 
dos assuntos públicos e buscar maior eficiência nos serviços prestados pelo setor 
público. 
Inicialmente, vamos explorar brevemente alguns marcos importantes da 
história do Brasil, desde a época colonial e as capitanias hereditárias, até o período 
em que o país se tornou sede do Império português, passando pela República Velha 
e os períodos do primeiro e segundo reinado. 
Em seguida, vamos nos concentrar nos aspectos constitucionais e estruturais 
de cada período, começando pelo Varguismo na década de 30, seguido pelo 
desenvolvimentismo e o início das reformas, até chegar ao regime militar, ao estatismo 
e à reforma de 1967, assim como à reforma de 1995. Dessa forma, iremos traçar a 
trajetória da República, a Redemocratização e a promulgação da Constituição de 
1988, que marcou o início de um período democrático, com importantes emendas 
constitucionais e uma significativa modernização na administração pública a partir da 
década de 90. 
Por fim, vamos explorar as etapas que levaram às reformas na administração 
pública, destacando os modelos de administração do Estado, como o patrimonialismo, 
a administração burocrática e a administração gerencial, e o que cada um representa 
em termos de formas de governar e administrar o país. 
E lembre-se, o caminho faz parte do sucesso! Bons Estudos. 
 
 
 
 
 
 
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TÓPICO 1 - EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA NO BRASIL 
Descrever essa visão histórica é crucial para entender os eventos significativos 
e as mudanças fundamentais que conduziram às reformas constitucionais e 
estruturais em nossa nação. É essencial examinar as principais reformas, 
desenvolvimentos e atributos da Administração Pública. 
1.1 Breve Histórico da Administração Colonial e as Capitanias Hereditárias 
Apresentamos aqui um breve panorama que destaca a trajetória histórica do 
Brasil, abrangendo momentos fundamentais como a Administração Colonial, a era em 
que o país foi sede do Império português, a República Velha, e os períodos do primeiro 
e segundo reinados. No próximo tópico iremos nos aprofundar na época do Varguismo 
(na década de 30), o desenvolvimentismo, o início das reformas, o regime militar, o 
estatismo e as reformas de 1967 e 1995. 
Resumidamente, de acordo com Costin (2010), examinaremos os principais 
marcos históricos, como o patrimonialismo inicial, as capitanias hereditárias e o início 
das reformas constitucionais e estruturais do Estado Brasileiro: 
⦁ O Patrimonialismo chegou ao Brasil com os colonizadores portugueses, 
introduzindo um sistema de administração política e pública que misturava 
os interesses do Estado com os interesses privados. Esse modelo surgiu 
em um contexto em que o mercantilismo buscava nas colônias condições 
para alcançar uma balança comercial favorável. 
⦁ As capitanias hereditárias foram estabelecidas como um sistema de 
colonização e administração pelo qual a coroa portuguesa concedia 
territórios a amigos e nobres chamados donatários. A doação de uma 
capitania vinha com obrigações, como a partilha de uma porcentagem dos 
recursos descobertos com a coroa, a administração da justiça, o 
estabelecimento de vilas e engenhos, além do pagamento de tributos pelos 
colonos, regulamentado pela Carta Foral. 
⦁ Para fortalecer a colonização e dificultar a interferência de estrangeiros, 
como franceses, holandeses e espanhóis, Portugal criou o sistema de 
Governo Geral em 1548. 
⦁ O Governador Geral passou a dividir o poder com os donatários, 
permanecendo até 1808, quando a família real portuguesa se instalou no 
Brasil. Durante esse período, foram permitidos o livre comércio e a criação 
de entidades públicas e ministérios. No entanto, em 1820, após a 
Revolução Liberal do Porto, a família real retornou a Portugal, revertendo o 
status do Brasil para o de uma colônia, mas deixando um embrião damáquina pública. 
 
 
 
 
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⦁ O primeiro reinado, de 1822 a 1831, foi marcado pelo Partido Português, 
que buscava a reunificação com Portugal e o fortalecimento do poder 
imperial. D. Pedro I, após proclamar a Independência do Brasil, promulgou 
a Constituição de 1824, que instituiu o chamado poder moderador, pelo 
qual o imperador nomeava autoridades vitais do Estado, presidentes das 
províncias, autoridades eclesiásticas, senadores vitalícios, magistrados e 
ministros. 
⦁ O segundo reinado, sob D. Pedro II, adotou um sistema parlamentarista 
e foi caracterizado por um período de modernização e desenvolvimento 
econômico, embora o poder permaneça concentrado nas mãos do 
imperador, por meio do poder moderador. 
1.2 Reformas Constitucionais E Estruturais 
Segundo Costin (2010), a Constituição Brasileira de 1824, outorgada durante o 
período monárquico, estabeleceu uma forte centralização de poder nas mãos do 
imperador D. Pedro I, introduzindo o conceito do quarto poder moderador e o direito 
de veto. A primeira revisão constitucional ocorreu em 1834, seguida por uma em 1888, 
que marcou a abolição da escravatura. 
A Constituição de 1891 inaugurou o regime republicano e o federalismo, 
garantindo a independência dos poderes em todos os níveis. A partir de 1930 surgiu 
um novo modelo de administração, com a modernização promovida pelo 
Departamento Administrativo do Setor Público (DASP) visando a racionalização do 
Estado. 
A redemocratização e a promulgação da Constituição de 1988 representaram 
marcos importantes na consolidação da democracia no país, seguidos por 
significativas emendas constitucionais e uma significativa modernização na 
administração pública a partir da década de 90. Agora, vamos destacar alguns dos 
principais momentos dessa trajetória histórica, bem como as reformas constitucionais 
e estruturais que moldaram o Estado brasileiro. 
1.3 A República 
De acordo com Costin (2010), a Proclamação da República marcou uma fase 
de importantes transformações, incluindo a reorganização das antigas províncias em 
Estados federativos. A Constituição de 1891 consagrou o Federalismo, abolindo o 
poder moderador e estabelecendo a independência dos poderes, além de manter o 
sistema bicameral no Congresso Nacional, com a Câmara dos Deputados e o Senado. 
Nesse período, a configuração da Administração Pública foi significativamente 
influenciada pela política dos governadores e pelo fenômeno do Coronelismo, 
caracterizado pelo favorecimento político. Essa era marcou uma nova fase do 
patrimonialismo presente no Império, agora federalizado. A reestruturação só ocorreu 
 
 
 
 
 45 
 
em 1930, durante o período varguista, dando origem a uma nova forma de 
administração conhecida como Estado Novo (Costin, 2010; Pereira, 2018). 
Em suma, algumas reestruturações e reformas importantes ocorreram ao longo 
do tempo (Costin, 2010): 
⦁ Em 1934, foi promovida uma mudança significativa com a introdução de 
concursos públicos, visando a impessoalidade e a valorização do 
conhecimento técnico. Surgiram o Estatuto do Funcionário Público em 
1939, além da criação da Fundação Getúlio Vargas e do SENAI, para 
preparar pessoas para atuar na administração pública e privada. 
⦁ Em 1945, o Estado Novo entrou em crise, resultando em uma reforma 
constitucional em 1946 que reintroduziu a Federação, antes suprimida pela 
centralização do Estado Novo. Esse período foi marcado pelo esforço 
desenvolvimentista de Juscelino Kubitschek e contratação de dívidas junto 
ao FMI. 
⦁ Em 1956, foi instituída a CEPA (Comissão de Estudos e Projetos 
Administrativos) para modernizar a máquina pública, embora não tenha 
resultado em mudanças significativas. Esse período antecedeu a 
Revolução de 1964, que depôs o presidente João Goulart e implementou o 
PAEG (Plano de Ação Econômica do Governo) para reduzir a inflação e 
reestruturar a economia. 
⦁ A década de 1960 foi marcada pela consolidação da Administração 
Burocrática, culminando na nova Constituição de 1967, com emendas em 
1969, estabelecendo leis relacionadas à segurança nacional, imprensa e 
censura, sob a gestão da junta militar. 
⦁ O ano de 1967 foi um marco para a Reforma Administrativa, com a 
implementação do Decreto-Lei n.º 200 e da Lei Orgânica do Tribunal de 
Contas, caracterizando-se por planejamento com viés desenvolvimentista 
e descentralização das atividades entre as esferas governamentais. 
⦁ No final da década de 1970, a desburocratização tornou-se tema central. 
Com a instauração da Nova República em 1985, surgiram desafios 
relacionados à inflação, afetando severamente as instituições 
democráticas. 
1.4 Redemocratização e Constituição de 1988 
Alguns críticos argumentam que a Constituição Federal de 1988 representou 
um retrocesso, sendo apelidada de Constituição Cidadã durante o processo de 
redemocratização. Isso se deve ao fortalecimento dos controles burocráticos e à maior 
restrição da autonomia de gestão dos líderes públicos. Por outro lado, a CF marcou o 
retorno à democracia e desempenhou um papel significativo na descentralização do 
 
 
 
 
 46 
 
poder, fortalecendo os laços entre a população e o setor público. Além disso, a 
Constituição trouxe benefícios substanciais aos cidadãos por meio da implementação 
de políticas públicas em todas as esferas de governo (federal, estadual e municipal) 
(Costin, 2010). 
Costin (2010) destaca diversos pontos importantes dos direitos sociais, 
abrangendo áreas como educação, saúde, trabalho, lazer, segurança, previdência 
social, proteção à maternidade e a universalização da saúde para os trabalhadores 
informais. Além disso, houve uma ampliação dos direitos trabalhistas e dos 
mecanismos de participação popular, com a Emenda Constitucional n.º 29 de 1998 
aumentando a participação dos usuários nos serviços públicos. 
Na década de 80, conhecida como “a década perdida” e marcada pela primeira 
geração de reformas, as mudanças concentraram-se na resolução das crises 
econômicas, ajustes fiscais, cortes nos gastos públicos, reformas tributárias, 
desregulação e privatização. Nascimento (2020) aponta que a partir de 1990, iniciou-
se a segunda geração de reformas estruturais, visando a estabilidade 
macroeconômica e promovendo importantes mudanças nas áreas trabalhista, 
judiciária, fiscal, regulatória e nas relações governamentais. 
Durante a década de 90, em meio à crise econômica e à necessidade de 
ajustes fiscais, o governo de Collor enfatizou a redução do tamanho do Estado em 
busca de eficiência. No entanto, seu governo foi marcado por escândalos, levando à 
abertura de um processo de impeachment e sua subsequente renúncia à presidência 
do Brasil. 
Saiba mais 
O contraste mais evidente entre Collor e seus antecessores residia em sua 
determinação em privatizar empresas estatais e combater a inflação de forma radical. 
Ao assumir o poder, ele enfrentou um cenário econômico caótico, com taxas de 
inflação astronômicas, declínio nas exportações, desvalorização cambial, déficit 
público insustentável, baixos investimentos e uma burocracia ineficiente e excessiva. 
Diante dessa situação, medidas urgentes e corretivas precisavam ser adotadas. Como 
resposta, a maior parte dos depósitos bancários, salários e preços foram congelados, 
causando impactos imediatos na economia. Apesar de várias tentativas, a inflação 
permanecia fora de controle. Após o impeachment de Collor, a economia continuou 
instável, até que em 1993, com a indicação de Fernando Henrique Cardoso, e a 
implementação do Plano Real em 1994, o país experimentou uma mudança 
econômica significativa. 
Fonte: Nascimento (2020). 
 
 
 
 
 
 
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TÓPICO 2 - REFORMAS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
De acordo com Bresser-Pereira (2010), o Brasil evoluiu de um sistema político 
absoluto no seu nascimento para um sistema político liberal no século XIX, e 
finalmente adotou a democracia no século XX.Como organização, o Estado brasileiro 
começou como uma organização patrimonial e evoluiu para um modelo burocrático 
até o final do século XX. No final desse período, iniciou-se a transição para um modelo 
gerencial. As principais tendências de modificação do padrão burocrático de Weber 
pelo debate do modelo gerencial, conforme Denhardt (2017), incluem: 
⦁ Adoção de parcerias com o setor privado e o terceiro setor; 
⦁ Implementação de mecanismos de avaliação de desempenho, qualidade 
e produtividade; 
⦁ Concessão de autonomia às agências governamentais; 
⦁ Descentralização das políticas, baseada no princípio do poder de 
decisão do cidadão; 
⦁ Realização de planejamento estratégico; 
⦁ Flexibilização das regras do Direito Administrativo; 
⦁ Flexibilização da política de pessoal, mantendo a profissionalização e 
carreira; 
⦁ Motivar e valorizar a ética no serviço público; 
⦁ Desenvolver habilidades gerenciais (produtividade, qualidade,
 inovação, modernização do fluxo de decisões, entre outros). 
2.1 Da Reforma Burocrática até a Gestão Pública Gerencial 
Conforme Nascimento (2020), as reformas administrativas no setor público 
podem ser classificadas da seguinte maneira: 
⦁ Implementação da burocracia durante a era Vargas e a criação do 
DASP; 
⦁ Regime autoritário e o Decreto-lei n.º 200; 
⦁ Início da administração gerencial durante a crise do Estado no governo 
FHC com o MARE; 
⦁ Governança voltada para aumentar a eficiência do Estado, garantir os 
direitos dos cidadãos e melhorar os processos decisórios das políticas 
públicas. 
Para Pereira (2018), duas reformas administrativas significativas ocorreram: 
 
 
 
 
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⦁ Reforma burocrática: começou na segunda metade do século XIX, 
marcando a transição do Estado Patrimonial para o Estado Burocrático 
(segundo o modelo weberiano); 
⦁ Reforma da gestão pública: representou a transição do Estado 
Burocrático para o Estado Gerencial. 
 2.2 A Reforma da Gestão Pública de 1995 
Fernando Henrique Cardoso (FHC), com o objetivo de reformar o Estado, 
nomeou Bresser-Pereira para o Ministério da Administração Federal e Reforma do 
Estado (MARE). Apesar do ceticismo inicial, o plano de reforma buscava combater o 
clientelismo e a corrupção, adotando uma abordagem mais gerencial. 
Segundo Costin (2010) e Matias-Pereira (2018), o Plano Diretor da Reforma do 
Aparelho do Estado (PRAE) abrange quatro setores: (1) Núcleo Estratégico, que inclui 
o governo e os poderes; (2) Atividades Exclusivas, serviços que apenas o Estado pode 
prestar; (3) Serviços Não Exclusivos, realizados por entidades não estatais 
(publicização); e (4) Produção de Bens e Serviços para o Mercado, envolvendo a 
privatização de empresas. Conforme Nascimento (2020), FHC, além de focar nas 
reformas econômicas, comprometeu-se a reformar o Estado brasileiro para recuperar 
a eficiência governamental. A emenda constitucional proposta por ele introduziu 
princípios para a Administração Pública, como o princípio da Eficiência, a flexibilização 
da estabilidade, o fim do regime jurídico único, permitindo a contratação além de 
estatutários, a participação popular, a proteção aos usuários dos serviços públicos, os 
contratos de gestão para controle de resultados e a ampliação da autonomia 
gerencial, além do estágio probatório de três anos para efetivação dos servidores 
públicos. 
Nascimento (2020) destaca que FHC conseguiu modificar a ordem econômica, 
desmantelar monopólios estatais de energia, telecomunicações, petróleo e gás, e 
iniciou, ainda que parcialmente, a reforma da previdência e da Administração Pública, 
promovendo mudanças constitucionais que modernizaram o Estado e fortaleceram a 
economia de mercado. 
Segundo Costin (2010), novos modelos organizacionais, como agências 
executivas, agências reguladoras e organizações sociais, foram introduzidos. Essas 
reformas continuaram a ser implementadas mesmo após a mudança de governo e 
enfrentaram oposição do Partido dos Trabalhadores. 
Os avanços mais significativos ocorreram na esfera estadual e essas reformas 
foram impulsionadas por diversos fatores, conforme destacam Abrucio e Gaetani 
(2008) citados por Costin (2010): 
⦁ As crises financeiras enfrentadas pelos estados; 
⦁ A disseminação das ideias da Nova Gestão Pública (NGP); 
 
 
 
 
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⦁ A adoção de boas práticas e inovações administrativas; 
⦁ O fortalecimento de espaços federativos, exemplificado pelo CONSAD 
(Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Administração); 
⦁ A rede de colaboração entre a União e os estados, incluindo a 
proposição e negociação do Programa Nacional de Apoio à Modernização 
da Gestão e do Planejamento dos Estados e do Distrito Federal (PNAGE); 
⦁ Um programa de financiamento para a modernização das 
administrações públicas contratado pelo BID em 2006. 
Ainda segundo Costin (2010), apesar dos resultados não serem uniformes em 
todo o país, houve a introdução da gestão por programas articulada com os Planos 
Plurianuais (PPA), a criação de Organizações Sociais nas áreas de saúde, educação, 
pesquisa e cultura, a contratualização de resultados, inclusive com a Administração 
Direta, o fortalecimento do Núcleo Estratégico e a formação de especialistas em 
políticas públicas. 
 
 
 
 
 
 
 50 
 
TÓPICO 3 - MODELOS DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
Desde o surgimento do Estado Moderno, a Administração Pública tem passado 
por três principais formas de atuação: a Administração Pública Patrimonialista, a 
Administração Pública Burocrática e a Administração Pública Gerencial. 
Conforme Chiavenato (2022), durante os períodos de 1930 e 1960-64, houve 
um esforço para modernizar a Administração Pública utilizando o modelo Burocrático. 
No entanto, em 1995, a proposta evoluiu de um aparato estatal provedor para um 
regulador, com ênfase na transição do modelo burocrático para o gerencial. A seguir, 
uma síntese desses modelos é apresentada (Chiavenato, 2022; Nascimento, 2020; 
Pereira, 2018; Costin, 2010): 
 01. Administração Pública Patrimonialista 
Características Principais: 
⦁ Confusão entre o público e o privado. 
⦁ Administração baseada no favor, na concessão e no privilégio. 
⦁ Ausência de regras formais e procedimentos padronizados. 
⦁ Impacto na Administração: 
⦁ Corrupção e nepotismo frequentes. 
⦁ Baixa eficiência e falta de profissionalismo. 
02. Administração Pública Burocrática 
Características Principais: 
⦁ Separação clara entre público e privado. 
⦁ Estrutura hierárquica rígida e impessoalidade. 
⦁ Procedimentos formais e padronizados. 
⦁ Ênfase na legalidade e na formalidade. 
⦁ Impacto na Administração: 
⦁ Aumento da eficiência e da previsibilidade. 
⦁ Redução da corrupção e do nepotismo. 
⦁ Rigidez excessiva e lentidão nos processos. 
03. Administração Pública Gerencial 
Características Principais: 
⦁ Foco em resultados e eficiência. 
 
 
 
 
 51 
 
⦁ Flexibilidade e descentralização. 
⦁ Ênfase no desempenho e na qualidade dos serviços públicos. 
⦁ Parcerias com o setor privado e terceiro setor. 
⦁ Impacto na Administração: 
⦁ Melhoria na qualidade dos serviços públicos. 
⦁ Maior autonomia e responsabilidade para gestores. 
⦁ Introdução à avaliação de desempenho e gestão por resultados. 
Essa síntese oferece uma visão geral das principais mudanças e características dos 
modelos de administração pública ao longo do tempo, destacando suas vantagens e 
desafios. 
3.1 Administração Pública Patrimonialista 
As reformas no modelo patrimonialista não foram implementadas de maneira 
impositiva ou autoritária, mas surgiram como uma necessidade para adaptar a gestão 
do Estado ao seu contexto político. Durante o período do Estado Absoluto, quando os 
monarcas governavam, a administração podia ser patrimonialista, pois não havia uma 
distinção clara entre o patrimônio pessoal dos monarcas e o patrimônio público. No 
entanto, com a chegada do Estado Liberal, tornou-se essencial separar opatrimônio 
do governo do patrimônio dos cidadãos, que ao pagar impostos, passaram a exigir 
garantias de suas liberdades. 
Na Administração Pública Patrimonialista, o aparelho do Estado funcionava 
como uma extensão do poder do monarca. Os servidores eram vistos como nobres, e 
os cargos públicos eram distribuídos como recompensas, o que gerava nepotismo, 
favorecia a corrupção e permitia que os soberanos controlassem os órgãos públicos. 
Esse tipo de administração é característico de estados pré-capitalistas, 
especialmente das monarquias absolutistas que precederam o capitalismo e a 
democracia. Embora o Estado tenha uma estrutura formal, ele não atua visando o 
interesse público. A administração patrimonialista confunde o patrimônio privado do 
governante com o patrimônio público e, apesar de ser mais comum em regimes pré-
democráticos, pode sobreviver em democracias imperfeitas através do clientelismo. 
Principais características da administração patrimonialista: 
⦁ Fusão entre o público e o privado: não há distinção clara entre o 
patrimônio do governante e o patrimônio público. 
⦁ Distribuição de cargos por recompensa: os cargos são dados como 
recompensas, o que leva ao nepotismo. 
 
 
 
 
 52 
 
⦁ Foco no poder do monarca: o Estado funciona como uma extensão do 
poder do monarca. 
⦁ Prática de corrupção: o controle do órgão público pelo soberano favorece 
a corrupção. 
⦁ Ausência de interesse público: a administração não visa ao interesse 
público, mas sim aos interesses do governante e seus aliados. 
⦁ Sobrevivência em regimes imperfeitos: mesmo em democracias, 
práticas patrimonialistas podem persistir através do clientelismo. 
Esse modelo de administração é uma herança dos tempos em que não havia a 
necessidade de separar o que era do governante do que era do Estado, mas suas 
características problemáticas levaram à necessidade de reformas e à evolução para 
sistemas mais modernos e eficientes. 
 3.2 Administração Pública Burocrática 
A administração pública burocrática surgiu na segunda metade do século XIX 
com o objetivo principal de combater a corrupção e o nepotismo presentes na 
administração patrimonialista. Esse modelo administrativo foi adotado para substituir 
a administração patrimonialista das monarquias absolutas, onde não havia distinção 
clara entre o patrimônio público e privado, e o Estado era considerado propriedade do 
rei. Nesse sistema anterior, o nepotismo e a corrupção eram comuns e incompatíveis 
com o capitalismo industrial e as democracias parlamentares emergentes do século 
XIX. 
Características da administração pública burocrática: 
⦁ Dominação racional-legal: baseia-se na teoria de Max Weber, que 
propõe uma dominação racional-legal. Neste modelo, a autoridade é 
legitimada por um sistema de normas e leis impessoais, contrastando com 
a autoridade tradicional e carismática da administração patrimonialista. 
⦁ Serviço civil profissional: introduz um serviço civil baseado na 
competência e na profissionalização dos servidores públicos. A seleção dos 
funcionários é feita por mérito, geralmente através de concursos públicos, 
para garantir a impessoalidade e a eficiência na administração. 
⦁ Universalismo dos procedimentos: a administração burocrática segue 
normas rígidas e procedimentos padronizados, aplicáveis de forma 
universal. Essas normas visam assegurar que todos os processos 
administrativos sejam conduzidos de maneira uniforme e previsível, 
minimizando a influência de interesses pessoais ou políticos. 
⦁ Combate ao nepotismo e à corrupção: o modelo burocrático foi 
estruturado especificamente para reduzir práticas de nepotismo e 
 
 
 
 
 53 
 
corrupção, comuns na administração patrimonialista. Ao estabelecer 
normas claras e procedimentos padronizados, busca-se evitar favoritismos 
e garantir que as decisões sejam tomadas com base em critérios objetivos. 
⦁ Incompatibilidade com sistemas tradicionais: a administração 
burocrática é incompatível com o modelo de administração patrimonialista, 
pois requer uma separação clara entre o patrimônio público e privado. Além 
disso, é mais adequada para suportar o desenvolvimento do capitalismo 
industrial e das democracias parlamentares que surgiram no século XIX. 
A administração pública burocrática representa um avanço significativo na 
gestão estatal, proporcionando um sistema mais justo e eficiente. No entanto, apesar 
de suas vantagens, pode ser criticada por sua rigidez excessiva e falta de flexibilidade, 
aspectos que a reforma gerencial tentou abordar posteriormente. 
Suas principais características incluem desenvolvimento, profissionalização, 
ideia de carreira pública, hierarquia funcional, impessoalidade, formalismo-legalidade, 
e poder legal, com o objetivo principal de eliminar o nepotismo e a corrupção. Nesse 
contexto, torna-se essencial um controle rigoroso dos processos e do ingresso na 
carreira pública, com regras claras para a admissão. 
Esse controle também se aplica às compras públicas, visando evitar abusos, 
ineficiência e incapacidade. Com o tempo, as regras começaram a se sobrepor aos 
interesses da sociedade, tornando-se inadequadas sob a perspectiva das 
necessidades sociais. O modelo foi eficaz por muito tempo, quando o Estado era 
menor. Baseava-se em normas rígidas, o que não exigia um sistema de gestão 
descentralizado, pois conseguia executar seus serviços. 
No entanto, à medida que o Estado se torna democrático e assume a 
responsabilidade de gerar o bem comum, atendendo às necessidades crescentes da 
população, suas funções nos campos socioeconômico e político se ampliam. Esse 
aumento de demandas e a incapacidade do Estado Burocrático de atender 
satisfatoriamente resultaram na reforma da gestão pública – o Estado Gerencial. 
 3.3 Administração Pública Gerencial 
Com a redefinição de seu papel, o Estado deixa de ser diretamente responsável 
pelo desenvolvimento econômico e social por meio da produção de bens e serviços, 
adotando um novo papel gerencial. Isso marca o início da transferência de atividades 
para o setor privado, que pode ser regulado pelo mercado. 
Nesse contexto, a transparência ganha destaque, pois a corrupção enfraquece 
a democracia, reduz a confiança no Estado, compromete a legitimidade dos governos 
e corrói a moral pública. O foco na gestão eficiente e transparente visa melhorar a 
prestação de serviços e a relação entre o Estado e a sociedade. Segundo Pereira 
(2018, p.117): 
 
 
 
 
 54 
 
É oportuno ressaltar que grande parte das reformas de segunda e terceira 
geração no Brasil depende da criação de novas instituições, de mudanças 
constitucionais ou de alterações profundas no sistema administrativo. Como 
essas mudanças afetam grandes interesses políticos e econômicos, fica 
evidenciado que os próximos governos devem continuar priorizando as 
reformas que o país ainda necessita promover. É preciso incluir também na 
agenda política a criação de um consistente programa nacional de combate 
à corrupção, que possa garantir, de maneira eficiente, eficaz e efetiva, a 
transparência e a ética na Administração Pública. 
A abordagem atual no âmbito público tem sido descentralizada e centrada no 
controle por resultados. O Estado tem transferido para empresas uma variedade de 
serviços, bem como para entidades públicas estatais, como as organizações sociais, 
uma parcela significativa dos serviços sociais e científicos. Além dessas mudanças, 
que visam aumentar a eficiência do Estado Democrático, observa-se um aumento no 
número de agências reguladoras. 
Essa evolução enfatiza a gestão e o controle com base em resultados, 
promovendo maior autonomia gerencial para os administradores públicos. Isso inclui 
a avaliação dos efeitos, produtos e resultados das políticas e serviços públicos, além 
de uma estrutura de poder menos centralizada e hierárquica, que permite a prestação 
de serviços e a participação dos usuários.Surgem também contratos de gestão, 
incentivos de desempenho e novas parcerias institucionais, como as Parcerias 
Público-Privadas (PPPs) e as Organizações Sociais. 
A Administração Pública Gerencial é caracterizada por uma série de elementos 
distintivos que visam melhorar a eficiência, a transparência e a responsabilidade na 
gestão dos recursos públicos. Aqui estão algumas das principais características: 
⦁ Orientação para resultados: prioriza a obtenção de resultados 
mensuráveis e tangíveis, focando na entrega eficaz de serviços públicos e 
no alcance de metas e objetivos pré-definidos. 
⦁ Autonomia gerencial: concede maior autonomia aos gestores públicos 
para tomada de decisões, permitindo flexibilidade na gestão de recursos e 
processos, desde que alinhados com os objetivos organizacionais. 
⦁ Avaliação de desempenho: implementa sistemas de avaliação que 
permitem monitorar e medir o desempenho dos servidores públicos e das 
políticas públicas, com base em indicadores claros e objetivos. 
⦁ Foco no cidadão: coloca o cidadão no centro das políticas e serviços 
públicos, buscando atender às suas necessidades e expectativas, e 
promovendo uma prestação de serviços mais eficiente e de qualidade. 
⦁ Parcerias e colaborações: estabelece parcerias estratégicas com o setor 
privado, organizações da sociedade civil e outras entidades, visando a 
prestação de serviços públicos de forma mais eficaz e inovadora. 
 
 
 
 
 55 
 
⦁ Inovação e tecnologia: utiliza novas tecnologias e práticas inovadoras 
para otimizar processos, reduzir custos e melhorar a entrega de serviços 
públicos, promovendo a modernização da gestão pública. 
⦁ Transparência e prestação de contas: prioriza a transparência nas ações 
governamentais e a prestação de contas à sociedade, garantindo o acesso 
à informação e promovendo a responsabilidade dos gestores públicos. 
Essas características fundamentais da Administração Pública Gerencial 
refletem uma abordagem moderna e orientada para resultados na gestão dos 
assuntos públicos, buscando garantir uma maior eficiência, eficácia e qualidade nos 
serviços prestados pelo Estado. 
De acordo com Pereira (2018), a transição para a Administração Pública 
Gerencial atende à necessidade de adaptação ao desenvolvimento tecnológico, à 
abertura e expansão dos mercados, e à globalização da economia mundial. Essa 
reforma não representa um rompimento com os princípios anteriores, mas sim uma 
maior flexibilidade para melhorar o desempenho, sempre priorizando o interesse 
público. O cidadão é visto como um contribuinte de impostos e como cliente dos 
serviços oferecidos pelo Estado, destacando a importância de atender às suas 
necessidades e expectativas. 
 Reflita 
Os indivíduos, o povo, a população, ou seja, a sociedade civil deve ser tratada como 
cliente ou cidadão? 
 
 
 
 
 
 
 
 56 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
Caro(a) estudante, esta unidade foi extremamente esclarecedora, fornecendo 
uma visão abrangente e detalhada sobre a evolução da Administração Pública no 
contexto histórico brasileiro. Inicialmente, abordamos de forma sucinta a trajetória 
histórica do Brasil, desde os períodos coloniais até as reformas constitucionais e 
estruturais que moldaram a Administração Pública do país. 
Exploramos os momentos-chave da história política e estrutural do Brasil, 
destacando a transição do período colonial para o Império e, posteriormente, para a 
República. Analisamos também os períodos do Varguismo, o regime militar e as 
reformas que ocorreram ao longo do tempo, como o decreto-lei 200 de 1967 e a 
instauração da Nova República. 
É importante ressaltar que esses eventos históricos foram fundamentais para 
compreender a necessidade de reformas na Administração Pública. Categorizamos 
as reformas administrativas em diferentes períodos, identificando a implementação da 
burocracia e do gerencialismo como estratégias para melhorar a eficiência e a eficácia 
dos serviços públicos. 
Por fim, a Administração Pública busca constantemente aprimorar seu 
desempenho e oferecer serviços de qualidade aos cidadãos e clientes. Esta unidade 
proporcionou uma visão abrangente desses esforços de melhoria contínua na gestão 
pública brasileira. 
 
 
 
 
 
 
 57 
 
LEITURA COMPLEMENTAR 
 Entrevista Realizada em 23/03/2016, em São Paulo: 
Entrevistado: Luiz Carlos Bresser-Pereira, professor da Fundação Getúlio 
Vargas (FGV-EAESP) e Ex-Ministro da Administração Federal e Reforma do Estado 
(1995-1998). 
Entrevistador: Amon Barros, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV-
EAESP). 
Pergunta: entre a administração pública gerencial e a democracia, ou seja, 
como essas duas coisas se relacionam? 
[BP]: acho que países democráticos são necessariamente países que têm um 
sistema, um amplo sistema de serviços universais. E quando você tem tudo isso, 
precisa ter uma administração gerencial. O Estado Absoluto, a ele corresponde uma 
administração pública patrimonialista. A um Estado Liberal, século XIX, corresponde 
uma administração burocrática ou weberiana, e a um Estado Social e Democrático, 
democrático e social, corresponde, necessariamente, uma gerencial. Não pode ser 
outra. Estão casados. Há aqueles que começam a dizer: “não, porque precisa ter uma 
terceira forma mais social ainda”. Isso é brincadeira. Claro que terá governos 
diferentes. Agora mesmo tenho aqui uma administração gerencial e essa 
administração está na Inglaterra, por exemplo, em uma certa época na mão do Brown 
e, em outra época, está na mão do Cameron. Quer dizer, está no partido social-
democrata e no partido conservador. Então muda um pouco por causa disso, é 
inevitável. Uma vai ser mais conservadora que a Administração Pública e Gestão 
Social, 9(3), jul.-set., 2017, 237-242 241 outra e os líderes vão tentar empurrar para 
esse lado ou para aquele lado. Isso é normal, mas, para mim, o que me parece 
absurdo é ficar discutindo. Acho que foi Christina Andrews quem inventou um terceiro 
tipo. Dessa forma, têm-se a burocrática, a gerencial e a social. Isso é ridículo. Isso 
aconteceu agora comigo também. É verdade que eu nunca tinha juntado as duas 
coisas. Desde que eu saí do governo, venho desenvolvendo todo um sistema teórico 
novo chamado de novo desenvolvimentismo, que é uma alternativa ao 
desenvolvimentismo clássico do Prebisch, do Celso Furtado, do Myrdal, dessas 
pessoas. Eu e um grupo, que já está ficando maior, estamos desenvolvendo uma série 
de ideias. Aí vem uns engraçadinhos e dizem: “não, em vez de novo 
desenvolvimentismo nós propomos um desenvolvimentismo social ou social 
desenvolvimentismo”. 
Porém, dizem isso sem nenhuma teoria. Eu tenho todo um sistema, eles só têm 
uma coisa. Então, dentro do novo desenvolvimentismo, conforme você for mais 
conservador ou mais progressista, e conforme forem as relações de poder que há, 
você fará mais uma coisa ou outra, mas você tem uma teoria. E a mesma coisa vale 
para uma teoria que tenho de como é que se organiza e administra o Estado: era a 
teoria burocrática, agora tem a teoria gerencial. Essas administrações burocrática e 
 
 
 
 
 58 
 
gerencial podem ser feitas tanto por um governo mais conservador ou por um partido 
mais progressista [...]. Isso vai acontecer inevitavelmente, mas eu não posso criticar 
a administração gerencial dizendo que ela não é suficientemente social, ou o inverso, 
que não é suficientemente conservadora. Isso é bobagem porque fica por conta dos 
governantes no aqui e agora. 
Leia mais em: http://www.bresserpereira.org.br/papers/interviews/2017/17.06-
BP-Reforma-gerencial-Estado-APGS.pdf 
 
 
 
 
 
 
 59 
 
MATERIAL COMPLEMENTAR 
LIVRO 
Título: INTRODUÇÃO À GESTÃO PÚBLICA. 
Autor: Clezio Saldanha Santos. 
Editora: Saraiva. 
Sinopse: 
esse livro reúne conceitos sobre o processo administrativo e as grandes 
áreas funcionais da gestão pública. A evolução da ciência administrativa 
remeteu pesquisadorese professores para o aprofundamento teórico desses 
temas em várias áreas, contudo, para auxiliar a práxis da gestão pública, 
propõe-se aqui o conhecimento dos marcos conceituais e de seus 
desbravadores em uma publicação moderna. Acredita-se que a partir da 
leitura dessa obra, confrontando os dados concretos da realidade das 
organizações públicas brasileiras, contribui-se para o entendimento sobre as funções e intervenções 
do Estado brasileiro. Enquanto cidadão ou servidor público, essas reflexões contribuem cada vez mais 
para a evolução e transformações dos sistemas administrativos públicos, assim como para a 
construção da cidadania brasileira 
 
FILME/VÍDEO 
Título: JANGO. 
Ano: 1984. 
SINOPSE: 
como, quando e o porquê se depõe um presidente da República. Em 1984, a 
campanha das “Diretas Já” mobilizou o Brasil: O povo, personalidades 
artísticas e políticas em todo país exigiam democracia. Nessa época, 2 obras 
expressam os anseios do povo brasileiro: O filme “Jango”, de Sílvio Tendler, e 
uma das músicas de sua trilha sonora, “Coração de Estudante”, de Wagner 
Tiso e Milton Nascimento, que se tornou o hino das “Diretas Já”. “Jango” 
narrado por José Wilker, foca a trajetória de João Goulart que, deposto pelo 
Golpe de 64, se tornou o único presidente brasileiro morto em exílio. O filme 
visto por 1 milhão de pessoas ganhou vários prêmios e está entre os documentários mais importantes 
do Brasil. 
Link: https://www.youtube.com/watch?v=SaU6pIBv9f4 
 
WEB 
Título: Besser - Pereira. 
Resumo: O Website de Bresser-Pereira oferece uma gama de escritos do autor 
na língua portuguesa e inglesa, além de diversas informações sobre a Política 
e a Administração Pública Brasileira, bem como de temas atuais mundiais. 
Link: https://www.bresserpereira.org.br/ 
 
 
 
 
 
 
 60 
 
UNIDADE 3 - MODELOS DE GESTÃO PÚBLICA E DESAFIOS 
Professor Me. Heider Jeferson Gonçalves 
Plano de Estudos 
⦁ Reformas e a Nova forma de Administração e Gestão Pública. 
⦁ A Nova Gestão Pública (NGP), o New Public Management (NPM) e o New 
Service Public (NSP). 
⦁ Gestão Pública Estratégica e Governança no serviço Público. 
⦁ Formas de Atuação da Administração Pública. 
⦁ Qualidade e Excelência na Gestão Pública. 
Objetivos da Aprendizagem 
⦁ Conceituar a Nova Gestão Pública (NGP), New Public Management (NPM) e o 
New Service Public (NSP). 
⦁ Caracterizar a gestão pública estratégica e a governança no serviço público, 
distinguindo suas principais características. 
⦁ Demonstrar quais são as formas de atuação na administração pública direta e 
indireta. 
⦁ Apresentar o papel das organizações sociais, PPPs e agências reguladoras. 
⦁ Apresentar algumas características de gestão da qualidade buscada pelas 
organizações públicas. 
 
 
 
 
 
 
 61 
 
INTRODUÇÃO 
Olá, querido(a) aluno(a)! 
Seguimos adiante com nossa jornada na disciplina de Fundamentos da Gestão 
Pública. 
Nesta terceira unidade, você entenderá que os aspectos atuais da 
administração e gestão pública destacam os pontos fortes e fracos das novas 
abordagens em administração, gestão e governança pública. Para compreender como 
os novos gestores e administradores públicos atendem às expectativas dos cidadãos, 
consumidores e usuários, surgiram alguns modelos na administração, como a Nova 
Gestão Pública (NGP), New Public Management (NPM) e o New Service Public (NSP). 
A Nova Gestão Pública, impulsionada por reformas, busca aproximar cada vez 
mais a administração pública da gestão privada. No entanto, é importante lembrar que, 
embora se aproximem, a administração pública e a gestão privada são distintas. 
Apesar dessas diferenças, é essencial que as organizações públicas adotem a gestão 
estratégica e busquem uma governança eficaz no serviço público. Desde 1967, com 
o Decreto Lei Federal n.º 200, o Brasil tem se esforçado para modernizar os serviços 
públicos. Isso inclui a atuação direta e indireta na prestação de bens e serviços, 
apresentando as características de diferentes tipos de organizações, como fundações, 
autarquias e empresas públicas. 
Para promover a eficiência no serviço público, tornou-se necessário o uso de 
organizações sociais, parcerias público-privadas (PPPs) e agências reguladoras. 
Portanto, é nosso papel apresentar essas entidades e distinguir suas principais 
características. 
Por fim, discutiremos algumas características da gestão da qualidade buscada 
pelas organizações públicas, que se esforçam para alcançar a Excelência em Gestão 
Pública (MEGP). Isso significa buscar uma gestão eficiente, eficaz e efetiva, sempre 
com foco na qualidade. 
E não se esqueça, as dificuldades do percurso nos preparam para o sucesso! 
Vamos em frente! 
 
 
 
 
 
 
 62 
 
TÓPICO 1 - REFORMAS E A NOVA FORMA DE ADMINISTRAÇÃO E GESTÃO 
PÚBLICA 
As primeiras reformas administrativas foram implementadas na Europa e nos 
Estados Unidos nas décadas de 1980 e 1990 (Nascimento, 2020). No Brasil, as 
reformas gerenciais ou de gestão pública foram integradas pelo Plano Diretor da 
Reforma do Aparelho do Estado Brasileiro. O movimento global em direção à Nova 
Gestão Pública envolve privatizações, contratos de gestão com o segundo e terceiro 
setores e a redução do tamanho do Estado (Dias, 2017). 
É necessário ter cautela com as reformas administrativas, pois muitas mantêm 
características do modelo weberiano e continuam a enfatizar a função de controle, 
além de adotarem políticas simbólicas. Políticos, servidores de carreira e 
empreendedores políticos, de modo geral, procuram manipular a percepção pública 
sobre as organizações estatais, focando mais na autopromoção e na retórica do que 
em realizações concretas (Costin, 2010). 
Segundo Chiavenato (2022), a reforma gerencial é benéfica porque melhora os 
métodos de controle dos serviços públicos, promovendo maior transparência nas 
decisões administrativas através do controle social e aumentando a responsabilização 
dos gestores públicos. Na administração, isso permite que os resultados a serem 
alcançados sejam negociados entre os criadores das políticas públicas e a instituição 
responsável pela sua execução. 
Nascimento (2020) faz algumas observações sobre as relações entre Estado, 
sociedade e mercado. Ele argumenta que a reforma da máquina pública também 
envolve a transformação do Estado, o que implica em novas dimensões e papéis, 
especialmente nas suas interações com a sociedade. Portanto, apesar de utilizar 
modelos técnico-gerenciais do setor privado, não se deve confundir o Estado com uma 
organização privada. A nova gestão pública é inspirada pela teoria organizacional 
empresarial, mas se diferencia dela. 
 
 
 
 
 
 
 63 
 
TÓPICO 2 - A NOVA GESTÃO PÚBLICA (NGP), A NEW PUBLIC MANAGEMENT 
(NPM) E O NEW PUBLIC SERVICE (NPS) 
Os diagnósticos inspirados pela Nova Gestão Pública (NPM) focam em 
resultados e são baseados no conceito de cidadão, usuário ou cliente, superando a 
ideia de cidadão-eleitor que deseja ter voz no processo político-eleitoral. Em outras 
palavras, essa abordagem sugere que o cidadão prefere ser atendido pelo Estado do 
que ser ouvido por ele. Portanto, as estratégias de reforma voltadas para a NPM não 
colocam Estado e Mercado em oposição, mas buscam sua complementaridade, 
resultante de uma manifestação democrática que permite à cidadania expressar sua 
insatisfação com a qualidade e quantidade de serviços públicos a que têm direito 
(Dias, 2017). 
Dessa maneira, observa-se que a Administração Pública busca soluções para 
os problemas, colocando o cidadão no centro das atenções. Nesse sentido, a forma 
de administrar e o suporte às tecnologias, entre outras ferramentas, devem contribuir 
para atender à sociedade, que agora possui expectativas crescentes em relação à 
melhoria do atendimento e dos serviços prestados pela Administração Pública. 
Destaca-se também a Nova Gestão Pública de Serviços (NPS), desenvolvida 
por Denhardt,que busca a participação direta do cidadão com o objetivo de servir ao 
público e contribuir para o nível de cidadania. Isso ocorre por meio de atividades de 
co-produção entre comunidades, órgãos públicos, privados e não-governamentais, 
tornando possível estimular a sociedade para uma maior participação, cidadania e 
accountability (Pereira, 2020). 
Entretanto, é importante destacar, como Costin (2010) observa, que muitos 
serviços públicos são difíceis de medir em termos de eficiência e desempenho, o que 
torna sua aplicação muito complicada. Existem também outras questões significativas, 
como a explicação da orientação pública e política que enfatiza a participação popular 
em um país que imita o setor privado, apesar de ambos terem objetivos diferentes. 
Devido à sua rigidez excessiva, que dificulta a capacidade do Estado em expandir os 
meios de comunicação com a sociedade, e à sua ênfase predominante na eficiência 
administrativa, esse modelo de gestão não tem se mostrado adequado para lidar com 
a complexidade da vida política. 
Além disso, ao imitar a administração do setor privado, a administração pública 
gerencial adia o desenvolvimento de ideias, modelos e práticas administrativas que 
atendam às especificidades do setor público e às demandas de participação popular 
(Costin, 2010, p. 18). 
Denhardt (2017) destaca alguns pontos cruciais estudados por cientistas da 
Administração e cientistas políticos relacionados à Nova Gestão Pública (NGP): 
1. Política e Administração - Questões importantes não são decididas apenas pela 
burocracia, pois as organizações públicas focam no público e ajudam a 
estabelecer valores na sociedade. 
 
 
 
 
 64 
 
2. Fatos versus valores - O que gera mais valor? É necessário examinar as 
normas e valores e agir sobre eles. 
3. Eficiência versus Equidade - A eficiência (racional) é escolhida como valor 
básico, mas impede a atenção a outros valores, como a equidade social e a 
participação, resultando em despersonalização e objetificação. A equidade 
envolve um senso de justiça, ou seja, corrigir desequilíbrios na distribuição de 
valores sociais e políticos. 
4. Hierarquia versus participação - Como se reestruturar e alcançar mais 
envolvimento e participação sem que esses esforços se tornem meros artifícios 
para a manipulação gerencial? A liderança pode depender menos de sistemas 
hierárquicos e mais de poder e participação compartilhados. 
Autores como Pereira (2020) e Dias (2017) apontam que a Nova Gestão 
Pública (NGP) apresenta sérios problemas. Um desses problemas é a suposição de 
que a gestão empresarial é superior e predominante sobre a gestão pública, reduzindo 
o papel dos cidadãos ao de consumidores. 
Para Pereira (2020), outro problema é que o New Public Management (NPM) 
insiste na descentralização e na eliminação de níveis intermediários, enquanto 
enfatiza a necessidade de controle financeiro e coordenação orçamental, o que gera 
incoerências e contradições no processo de decisão e implementação das políticas 
públicas. 
Para Nascimento (2020), a reforma de 1995 não deixou de lado os 
fundamentos da burocracia, como o profissionalismo e a impessoalidade, mas 
procurou fortalecê-los dentro de um modelo de gestão gerencial. Ao mesmo tempo, 
buscou corrigir as falhas que ainda existiam no sistema burocrático da administração 
pública. 
E, segundo Pereira e Motta (2019), principal responsável pela reforma e então 
Ministro da Administração Federal e Reforma do Estado de 1995 a 1998, essa 
mudança foi influenciada pelos princípios da reinvenção do governo e da nova gestão 
pública. 
Maximiano e Nohara (2017) afirmam que a Nova Gestão Pública teve origem 
na Inglaterra durante a década de 1980, quando Margaret Thatcher, como primeira-
ministra, implementou uma política focada na redução de custos, aumento da 
eficiência do setor público, desregulamentação, privatizações, controle de gastos, 
gestão financeira e auditoria dos serviços públicos, entre outras ações. 
Eles ainda destacam que essas políticas foram continuadas pelos líderes que 
vieram depois dela, onde o principal objetivo dessa reforma era enfrentar a crise fiscal 
e adotar um modelo de administração pública mais enxuto e eficiente. Iniciativas 
semelhantes já estavam sendo desenvolvidas em cidades dos Estados Unidos, e 
governos como o da Austrália e da Nova Zelândia também aderiram a esse 
movimento. 
 
 
 
 
 65 
 
À medida que essas mudanças avançavam, estudiosos da administração 
pública identificaram elementos comuns nessas reformas e deram a elas o nome de 
Nova Gestão Pública (New Public Management). A Nova Gestão Pública impulsionou 
diversos estudos sobre seus fundamentos teóricos e suas principais características. 
Para os autores, não se pode interpretar tais momentos como uma sequência 
cronológica de evolução, já que características do patrimonialismo nunca 
desapareceram completamente da Administração Pública no Brasil. Além disso, a 
reforma gerencial proposta em 1995 não atingiu totalmente suas metas, em grande 
parte por causa da resistência dos servidores públicos. É importante destacar também 
que a Nova Gestão Pública, que serviu de inspiração para essa reforma, passou por 
mudanças em seu enfoque ao longo do tempo. Ela atravessou diferentes fases, 
resumidas em: gerencialismo puro, consumerismo e uma orientação voltada para o 
serviço público. 
 
 
 
 
 
 
 66 
 
TÓPICO 3 - GESTÃO PÚBLICA ESTRATÉGICA E A GOVERNANÇA NO SERVIÇO 
PÚBLICO 
Atualmente, a Gestão Pública Estratégica e a Governança no Serviço Público 
são práticas de grande importância, pois refletem o novo papel das organizações 
públicas. Além de ser uma escolha estratégica, essas práticas ajudam a elevar o 
posicionamento das organizações públicas no mercado de maneira transparente e 
responsável. Segundo Nascimento (2020, p. 5), “o novo contexto de governança 
contemporânea se caracteriza por uma multiplicidade de atores e modelos de gestão 
envolvidos na produção de bens públicos.” 
Para Pereira (2020), a governança não possui uma definição única. A 
governabilidade, por exemplo, envolve as condições substantivas e materiais para o 
exercício do poder e a legitimidade diante dos múltiplos interesses da sociedade, 
enquanto a governança está relacionada à capacidade do governo de formular e 
implementar suas políticas. Exemplos disso incluem a gestão de finanças públicas, 
gerencial e técnica, com os agentes públicos ou servidores do Estado sendo 
essenciais para a formulação e implementação adequada das políticas públicas. 
Dias (2017) destaca que a governabilidade depende de várias questões, entre 
elas: a) a qualidade das instituições políticas na mediação de interesses; b) a 
existência de mecanismos de responsabilização dos políticos e burocratas perante a 
sociedade; e c) a qualidade do contrato social básico. Essas dimensões remetem à 
reforma política, essencial para a reforma do Estado no Brasil. 
Segundo Pereira (2020), uma boa governança está relacionada aos seguintes 
princípios: relações éticas, conformidade em todas as suas dimensões, transparência 
e prestação responsável de contas. De acordo com a International Federation of 
Accountants (IFAC) (2001 apud BRASIL, 2014, p. 13): 
[...] para melhor atender aos interesses da sociedade, é importante garantir o 
comportamento ético, íntegro, responsável, comprometido e transparente da 
liderança; controlar a corrupção; implementar efetivamente um código de 
conduta e de valores éticos; observar e garantir a aderência das organizações 
às regulamentações, códigos, normas e padrões; garantir a transparência e 
a efetividade das comunicações; balancear interesses e envolver 
efetivamente os stakeholders (cidadãos, usuários de serviços, acionistas, 
iniciativa privada). 
A gestão estratégica busca integrar e conectar todas as partes envolvidas em 
um plano estratégico em um único processo, garantindo queas mudanças 
necessárias possam ser implementadas com a participação de diversos níveis 
organizacionais envolvidos na tomada de decisões. De acordo com Maximiano e 
Nohara (2017, p. 35), a gestão estratégica “tem como pilares: o ambiente 
socioeconômico, o cliente-cidadão, as organizações públicas e privadas, o governo e 
as demandas socioculturais”. 
 
 
 
 
 67 
 
Assim, a partir da gestão estratégica, a Administração Pública viabiliza a 
avaliação das práticas públicas sob várias perspectivas, colocando em ação a 
estratégia para alcançar objetivos que refletem a visão de futuro, traduzidos na 
missão, valores e princípios da Administração Pública. A Governança Pública, por sua 
vez, deve se concentrar em “liderança, integridade, compromisso (relacionados à 
qualidade pessoal), responsabilidade em prestar contas, integração e transparência” 
(Oliveira, 2015, p. 47). 
Segundo Maximiano e Nohara (2017), na Administração Pública, o conceito de 
governança é semelhante ao das empresas privadas, sendo basicamente o conjunto 
de mecanismos voltados a garantir o interesse dos cidadãos que utilizam serviços 
públicos e da sociedade em geral. No nível operacional, esse conjunto inclui códigos 
de ética, transparência por meio do acesso à informação, canais de comunicação, leis 
anticorrupção, mecanismos de gestão participativa e todo o sistema de controle, como 
auditorias, fiscalizações, órgãos de aprovação, o Ministério Público e os Tribunais de 
Contas. Esses mecanismos atuam tanto de maneira preventiva quanto corretiva para 
garantir o cumprimento das normas pelos gestores públicos. 
Esses mesmos autores destacam que o Banco Mundial propôs indicadores 
para avaliar a governança, que é definida como: 
[...] as tradições e instituições que regem o exercício da autoridade em um 
país. Esse conceito abrange o processo de seleção, monitoramento e 
substituição de governos; a capacidade do governo de formular e 
implementar políticas eficazes; e o respeito dos cidadãos e do Estado pelas 
instituições que regulam as interações econômicas e sociais entre eles. 
Ainda Maximiano e Nohara (2017), relatam que o Banco Mundial estabelece 
seis conjuntos principais de indicadores para avaliar a governança pública: 
1. Participação e responsabilização (voice and accountability) - Esse indicador 
avalia o quanto os cidadãos de um país podem participar da escolha de seus 
governantes, além de medir a liberdade de expressão, a liberdade de 
associação e a liberdade de imprensa. 
2. Estabilidade política e ausência de violência/terrorismo - Esse indicador mede 
a percepção da probabilidade de ocorrerem instabilidades políticas e/ou 
violência motivada politicamente, incluindo o terrorismo. 
3. Efetividade governamental (government effectiveness) - Esse indicador avalia 
a qualidade dos serviços públicos, a competência dos servidores públicos e sua 
independência em relação às influências políticas, além da qualidade no 
desenvolvimento e implementação de políticas públicas e o compromisso do 
governo com elas. 
4. Qualidade do ambiente regulatório (regulatory quality) - Esse indicador mede a 
capacidade do governo de desenvolver e aplicar políticas e regulamentações 
que promovam o crescimento do setor privado, como liberdade para 
 
 
 
 
 68 
 
investimentos, facilidade de abrir empresas, controle de preços, barreiras 
comerciais, entre outros. 
5. Estado de direito (rule of law) - Este indicador analisa o nível de confiança dos 
cidadãos nas regras da sociedade, a qualidade da aplicação de contratos, a 
proteção dos direitos de propriedade, o funcionamento da polícia e do sistema 
judicial, bem como a probabilidade de ocorrência de crimes e violência. 
6. Controle da corrupção - Esse indicador examina as percepções sobre o uso do 
poder público para ganho privado, abrangendo tanto casos de corrupção 
menores quanto maiores, além da captura do Estado por elites e interesses 
privados. 
Segundo Dias (2020), a accountability é um termo trazido da governança 
corporativa para o campo da governança pública. Essencialmente, refere-se à 
obrigação do gestor de prestar contas de forma transparente às partes interessadas 
nas organizações da Administração Pública. 
Embora seja uma palavra em inglês, accountability pode ser traduzida para o 
português como algo próximo de responsabilização, que tem um significado distinto 
de responsabilidade. Enquanto responsabilidade se refere a uma atribuição ou 
encargo, a responsabilização envolve a necessidade de responder pelos resultados 
de atos e decisões. 
Também pode ser entendida como prestação de contas. 
Quando alguém é accountable, significa que essa pessoa é responsável pelo 
que ocorre, devendo prestar contas, especialmente se algo der errado ou se houver 
uma decisão, processo ou comportamento que não esteja em conformidade com as 
normas (compliance). 
 
 
 
 
 
 
 69 
 
TÓPICO 4 - FORMAS DE ATUAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
A Administração Pública pode operar de maneira direta e indireta, realizando 
uma administração centralizada e descentralizada através da transferência de 
atividades de bens e serviços para outras esferas da administração pública, utilizando 
entes delegados ou outorgados. 
De acordo com Nascimento (2020, p. 37), “o objetivo da reforma gerencial foi 
concentrar o gestor público em suas funções estratégicas, delegando a produção de 
seus bens e serviços públicos para o setor privado ou terceiro setor.” 
 4.1 Administração Direta e Indireta 
A reforma da administração pública começou com a promulgação do Decreto 
Lei n.º 200 em 1967, que promoveu a transferência das atividades de produção de 
bens e serviços para autarquias, fundações, empresas públicas e sociedades de 
economia mista, pois o modelo anterior não atendia mais às expectativas da 
sociedade, focando agora no cidadão (Dias, 2017; Chiavenato, 2022). 
1. Administração Direta (centralização administrativa) - É composta pela 
Presidência da República, pelos Ministérios e pelos órgãos dos Poderes 
Legislativo e Judiciário. Esses órgãos não têm personalidade jurídica própria, 
pois exercem diretamente as competências da União. No âmbito do Executivo 
Federal, a administração direta é formada pela Presidência da República, os 
Ministérios e as Secretarias. 
2. Administração Indireta (descentralização administrativa) - Consiste em 
entidades que possuem personalidade jurídica e patrimônio próprios, sendo 
vinculadas e supervisionadas pelos Ministérios ou outros órgãos da 
Administração Direta em todas as esferas. 
 A Administração Indireta (Art. 5º do Decreto-Lei n.º 200/1967) é composta por: 
1. Fundações Públicas: possuem personalidade jurídica de direito privado e são 
sem fins lucrativos. Exemplos incluem a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), 
a Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e a Fundação 
Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro). 
2. Empresas Públicas: têm personalidade jurídica de direito privado, com 
patrimônio próprio e capital exclusivo da União. Exemplos são a Caixa 
Econômica Federal (CEF), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico 
e Social (BNDES), e a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT). 
3. Sociedades de Economia Mista: possuem personalidade jurídica de direito 
privado, e suas ações com direito a voto pertencem majoritariamente à União. 
Exemplos incluem a Petrobras, a Bolsa de Valores e o Banco do Brasil. 
4. Autarquias: têm personalidade jurídica, patrimônio e receitas próprios para 
executar atividades típicas da Administração Pública. Exemplos conhecidos 
são o Banco Central, as Agências Reguladoras, o Instituto Nacional de Estudos 
e Pesquisas Educacionais (INEP), o Conselho Administrativo de Defesa 
 
 
 
 
 70 
 
Econômica (CADE), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e 
Tecnológico (CNPq), e as Universidades Federais. 
Essa descentralizaçãoadministrativa ocorre de duas maneiras: 
1. Outorga: o Estado cria uma entidade e transfere a ela, por lei, a titularidade de 
determinado serviço público, geralmente por prazo indeterminado. 
2. Delegação: o Estado, por contrato ou ato unilateral, concede apenas a 
execução do serviço para que a entidade delegada o realize em seu próprio 
nome e por sua conta e risco, sob a fiscalização do Estado, por prazo 
determinado, como ocorre em Contratos de Concessão ou Atos de Permissão. 
Para Maximiano e Nohara (2017), a reforma de 1967 foi essencialmente um 
esforço do governo durante um período de regime autoritário. Seu objetivo principal 
era dar mais dinamismo e eficiência à Administração Pública, ajustando-a às 
necessidades da sociedade e à missão central de promover o desenvolvimento do 
país. Entre suas principais contribuições estão a definição da estrutura da 
Administração Pública, a melhoria na gestão de recursos humanos (como a 
classificação de cargos, capacitação e ingresso por meio de concurso público), além 
de avanços nas compras governamentais e em alguns aspectos do processo 
administrativo, visando garantir o funcionamento adequado dessa estrutura. O 
Decreto-Lei 200 determinava que o Ministério do Planejamento e Coordenação Geral 
seria responsável por liderar a reforma. 
4.2 Organizações Sociais e Parcerias Público Privadas (PPPs) 
As organizações sociais (entidades privadas sem fins lucrativos, como 
associações, fundações ou sociedades civis) e as parcerias público-privadas (PPPs) 
permitiram que o serviço público firmasse contratos de gestão com o Governo Federal. 
Isso possibilitou ao gestor público realizar contratos de concessão e obras e serviços 
de infraestrutura com o setor privado. Segundo Pereira e Motta (2019), a Lei Federal 
n.º 9.637, de 15 de maio de 1998, conhecida como Lei das Organizações Sociais, 
possibilitou que o gestor público delegasse ao terceiro setor a execução de políticas 
nas áreas de educação, cultura, saúde e pesquisa científica. Dessa forma, os 
contratos de gestão são tornados públicos pelo setor público. 
Na administração gerencial, os resultados a serem alcançados devem ser 
negociados entre os formuladores da política pública e a instituição responsável por 
sua implementação. Nesse contexto, a identificação precisa dos objetivos e metas a 
serem alcançados, assim como dos responsáveis por atingi-los em todos os níveis da 
organização, justifica a celebração do contrato de gestão (Dias, 2017). 
Por sua vez, as PPPs, conforme descrito por Oliveira (2019), foram 
regulamentadas pela Lei n.º 11.079, de 30 de dezembro de 2004, tornando-se uma 
alternativa para que o Estado terceirizasse obras e serviços que antes eram 
totalmente públicos. Isso permitiu que o setor privado, considerado um parceiro 
 
 
 
 
 71 
 
estratégico, investisse recursos. Os planos, projetos, processos e a cobrança de 
tarifas dos usuários são regulados pelo setor público. 
O regime jurídico das parcerias público-privadas promoveu modificações no 
regime geral de concessões, para atrair investidores privados, inclusive estrangeiros, 
a celebrar contratos com o Poder Público. 
Como destaca Pereira e Motta (2019), diante da escassez de recursos públicos 
para financiar operações custosas e do risco de colapso nos sistemas portuário, 
ferroviário, rodoviário e elétrico, as parcerias público-privadas (PPP) surgem como 
uma alternativa mais atraente que as concessões tradicionais. No caso, a concessão 
patrocinada (PPP) é vista como uma forma de superar os “gargalos” de infraestrutura, 
promovendo o desenvolvimento do país. 
Essas parcerias geralmente envolvem mudanças no regime de concessões de 
serviços públicos, com o objetivo de atrair investimentos para obras de infraestrutura, 
como a construção de estradas, hidrelétricas, ferrovias, estádios, hospitais e 
instalações portuárias. Essas alterações ocorrem em um contexto em que o Estado 
tem o orçamento comprometido e busca tornar o regime de concessões mais atrativo 
para o setor privado. 
Segundo Oliveira (2019), nos contratos de PPP, o parceiro privado é 
responsável, principalmente, pela construção da infraestrutura pública, sendo 
remunerado posteriormente tanto pelos usuários dos serviços quanto pelo próprio 
governo. Além da lei das parcerias, existem entidades do terceiro setor que são 
regulamentadas por leis específicas. 
Entre essas entidades estão as Organizações Sociais (OS), regidas pela Lei 
9.637/98, e as Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscips), 
regulamentadas pela Lei 9.790/99. 
As Organizações Sociais (OS) são pessoas jurídicas de direito privado, sem 
fins lucrativos, criadas por iniciativa de particulares para realizar atividades voltadas 
para o ensino, a pesquisa científica, o desenvolvimento tecnológico, a proteção 
ambiental, a cultura e a saúde, conforme a Lei 9.637/98. O vínculo legal entre o 
governo e as Organizações Sociais se dá por meio do contrato de gestão, que permite 
a formação de parcerias para promover e executar serviços sociais que não são 
exclusividade do Estado. Para se qualificarem como OS, essas entidades precisam 
se habilitar junto ao ministério competente (Oliveira, 2015). Já as Organizações da 
Sociedade Civil de Interesse Público (Oscips) são qualificações concedidas pela Lei 
9.790/99 a pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, cujos objetivos 
sociais atendem a pelo menos uma das finalidades listadas no artigo 3º da referida 
lei.O instrumento legal que formaliza a relação entre o governo e as Oscips é o termo 
de parceria. Para obter essa qualificação, as Oscips devem se habilitar junto ao 
Ministério da Justiça e, uma vez qualificadas, podem receber apoio do Estado. Ao 
 
 
 
 
 72 
 
contrário das OS, a qualificação das Oscips é um ato automático, desde que 
preencham os requisitos legais (Oliveira, 2019). 
4.3 Agências Reguladoras 
A redução significativa da intervenção direta do Estado exige uma nova 
abordagem, onde o Estado assume o papel de regulador. Como poder político, o 
Estado garante a existência de contratos e da propriedade, intervindo na vida 
econômica e social quando necessário. A criação das agências reguladoras é 
resultado dessa mudança de papel, onde o Estado deixa de ser produtor para se 
tornar regulador, destacando sua capacidade regulatória (Pereira, 2020). 
As agências reguladoras fazem parte da administração indireta e são 
consideradas pessoas jurídicas de direito público - autarquias especiais, com a 
principal função de controlar entidades privadas que prestam serviços públicos (por 
concessão ou permissão). 
Elas são responsáveis por regular, organizar e fiscalizar a prestação de 
serviços públicos, garantindo a qualidade desses serviços para os usuários. 
No entanto, é importante notar que nem todas as atividades regulatórias 
necessitam de agências reguladoras para serem exercidas. As atividades regulatórias 
dessas agências geralmente envolvem áreas econômicas (como criar condições de 
concorrência, regular preços, qualidade, barreiras de entrada e saída, e proteção ao 
consumidor), mas também abrangem questões de saúde, segurança e meio 
ambiente. Alguns exemplos de órgãos e entidades com funções regulatórias, 
conforme descrito por Pereira e Motta (2019, p. 21), incluem: 
Secretaria da Receita Federal, Departamento de Aviação Civil e Ministério do 
Trabalho e Emprego (órgãos da administração direta); Instituto Nacional do Seguro 
Social (INSS), Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), Instituto 
Brasileiro de Turismo (Embratur), Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e 
Qualidade Industrial (Inmetro), Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), 
Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Superintendência de Seguros Privados 
(Susep), Departamento Nacional da Produção Mineral (DNPM), e o Instituto Nacional 
do Meio Ambiente e dos Recursos NaturaisRenováveis (Ibama) - todos são 
autarquias, sendo o Ibama uma autarquia especial. No modelo brasileiro, conforme 
afirma Pereira (2020, p. 165), “temos um sistema de regulação bastante complexo, 
pois novos entes governamentais participam desse processo.” Nesse contexto, 
participam as agências reguladoras, o governo, as concessionárias e os usuários dos 
serviços públicos. As responsabilidades das agências reguladoras podem ser 
econômicas, sociais ou administrativas, dependendo de suas finalidades. 
De acordo com Pereira e Motta (2019) e Pereira (2020): 
1. Regulação econômica: estabelece uma estrutura institucional para agentes 
econômicos, empresas e mercados, com o objetivo de facilitar, limitar ou 
 
 
 
 
 73 
 
intensificar os fluxos e trocas de mercado através de políticas tarifárias, 
princípios de confiabilidade do serviço público e regras de entrada e saída do 
mercado. 
2. Regulação social: atua na provisão de bens públicos e na proteção do interesse 
público, estabelecendo parâmetros para saúde, segurança e meio ambiente, 
bem como os mecanismos para a oferta desses bens. 
3. Regulação administrativa: envolve a intervenção nos procedimentos 
administrativos e burocráticos, assim como na relação com os administrados. 
Entre as agências reguladoras existentes no Brasil, o Portal GOV.BR (online, 
2024) destaca: 
1. Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel): criada em 1997, promove o 
desenvolvimento das telecomunicações no país. 
2. Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP): 
estabelecida em 1998, regula as atividades da indústria de petróleo, gás natural 
e biocombustíveis. 
3. Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel): fundada em 1996, regula e 
fiscaliza a geração, transmissão, distribuição e comercialização de energia 
elétrica. 
4. Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS): criada em 2000, é vinculada 
ao Ministério da Saúde. 
5. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa): estabelecida em 1999, 
possui independência administrativa e autonomia financeira, sendo vinculada 
ao Ministério da Saúde. 
6. Agência Nacional de Águas (ANA): criada em 2000, é vinculada ao Ministério 
do Meio Ambiente (MMA), mas tem autonomia administrativa e financeira. 
7. Agência Nacional do Cinema (Ancine): fundada em 2001, é uma autarquia 
especial com independência administrativa e financeira, vinculada ao Ministério 
da Cultura (MinC). Seu principal objetivo é fomentar a produção, distribuição e 
exibição de obras cinematográficas e videofonográficas. 
8. Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq): criada em 2001, é 
vinculada ao Ministério dos Transportes e possui autonomia financeira e 
administrativa. 
9. Agência Nacional dos Transportes Terrestres (ANTT): estabelecida em 2001, 
é vinculada ao Ministério dos Transportes, com independência administrativa e 
financeira. É responsável pela concessão de ferrovias, rodovias e transporte 
ferroviário relacionado à exploração da infraestrutura, bem como pela 
permissão de transporte coletivo regular de passageiros por rodovias e 
ferrovias. 
10. Agência Nacional de Aviação Civil (Anac): criada em 2005 para substituir o 
Departamento Nacional de Aviação Civil, regula e fiscaliza as atividades do 
setor. 
 
 
 
 
 74 
 
Reflita 
De que modo as Agências Reguladoras contribuem para melhorar a capacidade de 
governo do Estado? 
 
 
 
 
 
 
 75 
 
TÓPICO 5 - QUALIDADE E EXCELÊNCIA NA GESTÃO PÚBLICA 
Conforme Dias (2017), o código da qualidade dos serviços públicos, criado em 
1998, é um instrumento destinado a assegurar a qualidade dos serviços de natureza 
pública, tais como: energia elétrica, água e esgoto, telecomunicações, saúde pública, 
educação básica, segurança pública, proteção do meio ambiente e transporte, entre 
outros (Dias, 2017). 
Já o Modelo de Excelência em Gestão Pública (MEGP) é um sistema de gestão 
que busca alcançar eficiência, eficácia e efetividade na gestão com qualidade. Ele 
utiliza uma estrutura sistêmica nas organizações públicas, fundamentando-se nos 
pilares da Gespública - Programa Nacional de Gestão Pública e Desburocratização, 
criado pelo Decreto 5.378/05 (Oliveira, 2019). 
5.1 A reinvenção do governo e a administração empreendedora 
Segundo Oliveira (2015), em 1993, o presidente Clinton lançou a Revisão 
Nacional do Desempenho, que, em 1998, evoluiu para a Aliança Nacional para a 
Reinvenção do Governo. A Aliança era um grupo interministerial criado para reformar 
o governo federal dos Estados Unidos. Suas principais áreas de foco incluíam atender 
melhor às necessidades das pessoas, eliminar regulamentos desnecessários, reduzir 
o número de funcionários e despesas, e fechar repartições públicas. Esse movimento 
representava a aplicação da nova gestão pública no contexto do governo federal 
americano. 
O livro Reinvenção do Governo, lançado em 1992, documenta casos bem-
sucedidos de reforma da Administração Pública em comunidades americanas. A data 
de publicação sugere que essas experiências ocorreram antes da iniciativa de Clinton. 
Os princípios dessas reformas recomendavam o empreendedorismo governamental, 
a ênfase em resultados, a descentralização de autoridade, a redução da burocracia e 
a promoção de competição tanto dentro quanto fora do governo. Os clientes são vistos 
como consumidores com a capacidade de escolher entre diferentes prestadores de 
serviços, como escolas, planos de saúde e opções de moradia (Nascimento, 2020). 
Cada um dos dez capítulos do livro propõe um princípio para reinventar o 
governo: 
1. Governo catalisador (ou acelerador): em vez de apenas executar tarefas, o 
governo deve orientar e dirigir, separando a função de pilotar (guiar e liderar) 
da de remar (produzir bens e serviços). 
2. Poder da comunidade sobre o governo: focar em capacitar a comunidade em 
vez de apenas servi-la. A supervisão da burocracia deve vir da comunidade, 
que exerce controle sobre o governo. 
3. Governo competitivo: introduzir competição na prestação de serviços públicos. 
Isso não significa necessariamente privatizar, mas acabar com o monopólio 
estatal na oferta de serviços. 
 
 
 
 
 76 
 
4. Governo orientado por missões: transformar a organização de uma baseada 
em regras para uma orientada por objetivos. Governos orientados por missões 
são menos regulados e possuem sistemas simplificados (orçamento, pessoal, 
compras). Cada departamento define sua missão e seus gerentes têm 
liberdade para decidir como alcançá-la dentro dos limites legais. 
5. Governo orientado por resultados: focar nos resultados em vez de nos insumos. 
Governos orientados por resultados mudam a responsabilidade dos inputs 
(recursos) para os outputs (resultados). O desempenho é avaliado e os 
resultados são recompensados. 
6. Governo orientado pelo consumidor: atender às necessidades dos 
consumidores em vez das demandas burocráticas. Esses governos buscam 
entender as necessidades dos cidadãos e oferecer escolhas de serviços, 
ouvindo-os por meio de pesquisas e grupos focais. 
7. Governo empreendedor: focar em gerar receita em vez de apenas gastar. 
Governos empreendedores se concentram na criação de recursos através de 
taxas e outras formas de arrecadação. 
8. Governo antecipatório: priorizar a prevenção em vez da correção. O governo 
antecipatório busca evitar problemas antes que eles surjam, redesenhando 
sistemas de orçamento, contabilidade e recompensas para criar incentivos 
adequados. 
9. Governo descentralizado: promover a participação e o trabalho em equipe em 
vez de manter uma estrutura hierárquica rígida. Os governos descentralizados 
transferem a autoridade para tomar decisões para as pessoas e organizações 
na base da hierarquia. 
10. Governo orientado para o mercado: utilizar mecanismos de mercado em vez 
de programas administrativos para fornecer bens e serviços ao público. 
Governos orientados para o mercado buscam alavancarcapacitados e qualificados ao exercício profissional, 
dotados de senso analítico e crítico, visão humanista, comprometidos com os valores 
de sua profissão. 
Objetivos específicos 
Formar profissionais éticos, íntegros e comprometidos com a 
transformação da sociedade como um todo e da comunidade que os 
cercam; 
Diagnosticar o cenário político, econômico, social e legal na totalidade da 
gestão pública; 
Desenvolver e aplicar inovações científicas-tecnológicas nos processos de 
gestão pública; 
 
 
 
 
 5 
 
Planejar, implementar, supervisionar e avaliar projetos e programas de 
políticas públicas voltados para o desenvolvimento local e regional; 
Aplicar metodologias inovadoras de gestão, baseadas nos princípios da 
administração pública, legislação vigente, tecnologias gerenciais, aspectos 
ambientais e ética profissional; 
Planejar e implantar ações vinculadas à prestação de serviços públicos que 
se relacionam aos setores e segmentos dos processos de gestão; 
Formar profissionais com competências técnicas, humanas e conceituais; 
Formar profissionais que sejam capazes de compreender as variáveis de 
uma organização (Tarefas, Pessoas, Estrutura, Ambiente e Tecnologia) 
sendo capaz de tomar decisão e interferir para melhoria dos processos; 
Desenvolver no acadêmico o raciocínio lógico, crítico e analítico para lidar 
com as mudanças rápidas e inesperadas diante no campo de 
conhecimento; 
Proporcionar ao acadêmico uma formação de qualidade, visando o 
atendimento de princípios éticos e de responsabilidade social; 
Desenvolver capacidade de transferir conhecimentos, estimular a pesquisa 
científica bem como os trabalhos de assessoria e consultoria; 
Formar profissionais com ampla capacidade de atuação nas áreas 
funcionais de gestão, de sua formação na gestão pública e áreas afins; 
Assegurar no seu relacionamento interpessoal, a individualidade e o caráter 
humano, defendendo sua integridade, privacidade e seus direitos; 
Avaliar e emitir parecer técnico em sua área de formação. 
 
 
 
 
 
 
 6 
 
FORMAÇÃO E MERCADO PROFISSIONAL 
ATUAÇÃO PROFISSIONAL 
A formação sólida e generalista contribuirá para a atuação profissional do 
gestor que cuidará das relações das entidades pelo contexto contemporâneo de uma 
sociedade globalizada e em constante transformação, para a pesquisa e para o 
ensino, que assegurará uma consciência crítica dos fenômenos sociais, econômicos, 
culturais e políticos, fundamental ao exercício da cidadania e da profissão, respeitando 
os princípios éticos e a promoção da qualidade de vida dos indivíduos, grupos e 
organizações. 
Nesse contexto, o aluno será estimulado a desenvolver competências e 
habilidades pertinentes à profissão, a fim de participar ativa e inovadoramente no 
desenvolvimento das organizações como campo de conhecimento e atuação 
profissional por meio da educação continuada que pede o aprimoramento contínuo 
articulado às demandas atuais. 
De acordo com a Resolução CNE/CP No. 3 de 18 de dezembro de 2002, que 
institui as Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a organização e o 
funcionamento dos cursos superiores de tecnologia, o currículo dos referidos cursos 
deve contemplar o desenvolvimento de competências profissionais, definidas no seu 
Art. 7º como "a capacidade pessoal de mobilizar, articular e colocar em ação 
conhecimentos, habilidades, atitudes e valores necessários para o desempenho 
eficiente e eficaz de atividades requeridas pela natureza do trabalho e pelo 
desenvolvimento tecnológico. 
O CST em GESTÃO PÚBLICA da UniFatecie tem o compromisso de formar 
profissionais de nível superior com conhecimentos teóricos e práticos em GESTÃO 
PÚBLICA voltados para entidades públicas da administração direta e indireta. Pensa-
se num tecnólogo que tenha habilidades e competências para resolver ou encaminhar 
os problemas relacionados às operações do dia-a-dia do seu ambiente de trabalho. 
Que tenha visão estratégica e capacidade de desenvolver, executar e controlar as 
organizações públicas, em suas esferas de governo, nos poderes constituídos e tanto 
na administração direta quanto da indireta. Que tenha postura ética e inovadora, bem 
como, capacidade técnica, para enfrentar as dificuldades impostas pelo exercício da 
profissão, de forma a contribuir com o desenvolvimento da sociedade. 
 
 
 
 
 7 
 
O profissional egresso desse curso terá o domínio de conhecimentos, 
habilidades e atitudes específicas da área de "GESTÃO PÚBLICA" tais como os 
previstos no Catálogo Nacional de Cursos Superiores de Tecnologia (2016) e exigidos 
pelo mercado, em que: 
Diagnostica o cenário político, econômico, social e legal na totalidade da gestão 
pública. Desenvolve e aplica inovações científicas científicas nos processos de gestão 
pública. Planeja, implanta, supervisiona e avalia projetos e programas de políticas 
públicas voltados para o desenvolvimento local e regional. Aplica metodologias 
inovadoras de gestão, baseadas nos princípios da administração pública, legislação 
vigente, tecnologias gerenciais, aspectos ambientais e ética profissional. Planeja e 
implanta ações vinculadas à prestação de serviços públicos que se relacionam aos 
setores e segmentos dos processos de gestão. Avalia e emite parecer técnico em sua 
área de formação. 
Além disso, o PPI da UniFatecie define e indica como perfil do egresso que a 
Instituição pretende colocar no mercado um profissional cidadão e ético, com visão 
humana, social e profissional. 
MERCADO DE TRABALHO 
O egresso do Curso Superior de Tecnologia em GESTÃO PÚBLICA da 
UniFatecie está apto a disputar o mercado de trabalho, em igualdade de condições 
com os egressos das demais instituições do país. Este Curso Superior de Tecnologia 
em GESTÃO PÚBLICA busca, sobretudo, habilitar profissionais comprometidos e 
preparados para o desempenho das funções que podem ser ocupadas por gestores 
com visão estratégica e capacidade de desenvolver, executar e controlar as 
organizações públicas, sejam elas da administração direta ou indireta, com postura 
ética e inovadora, bem como, capacidade técnica, para enfrentar as dificuldades 
impostas pelo exercício da profissão, compreender, desenvolver e implantar projetos 
nas áreas sociais, políticas, fiscais, financeira, ambientais, mas principalmente em na 
gestão dos recursos públicos, de forma a contribuir com o desenvolvimento da 
sociedade. 
O mercado de trabalho para o profissional de Gestão Pública inclui atividades 
em organizações governamentais e não governamentais, podendo assumir a chefia 
 
 
 
 
 8 
 
de um departamento, núcleo ou divisão, atuar como auditor, analista de processos 
públicos, planejamento, entre outros. 
Assim, a demanda por profissionais especializados e qualificados na área 
pública é crescente, visando o desenvolvimento da sociedade por meio de 
profissionais para administrar as organizações do setor público com qualificação, ética 
e responsabilidade, fazendo bom uso dos bens e recursos confiados à sua gestão, e 
direcionando esforços para o bem coletivo. Sempre buscando gerar soluções 
empreendedoras e criativas para questões atuais. Profissionais estes para o exercício 
do planejamento, implantação e gerenciamento de programas e projetos de políticas 
públicas, no âmbito das instituições públicas, nas esferas federal, estadual ou 
municipal, a partir de sólida fundamentação teórico-metodológica, que lhes permita a 
capacidade de identificação das oportunidades de mudança e melhorias na gestão, 
contribuindo para a otimização da capacidade de governo e da prestação de bons 
serviços à sociedade 
Atento às Diretrizes Curriculares Nacionais, a UniFatecie preocupou-se em 
criar um Projeto Pedagógico atual e ajustado às exigências legais, fixando em seu 
âmbito variados itens e subprojetos, buscando a integral formação do acadêmico, de 
modo a oferecer os subsídios necessários para enfrentar os desafiosmudanças através das 
dinâmicas do mercado. 
Outros países seguiram os exemplos dos Estados Unidos e da Inglaterra, 
incluindo o Brasil. Essas experiências foram consolidando o conceito de nova gestão 
pública, que busca incorporar para o setor público princípios e práticas da iniciativa 
privada, como núcleo estratégico, gestão pela qualidade total, indicadores de 
desempenho, aumento da eficiência, foco no cliente-cidadão, política de recursos 
humanos, sistema Toyota e administração enxuta (Nascimento, 2020). 
De acordo com Pereira (2020), a gestão pública com uma visão 
empreendedora surgiu para atender às demandas crescentes dos cidadãos. Essa 
abordagem é caracterizada por avaliações sistemáticas da sociedade para ajustar 
estratégias, planos, objetivos e ações, com o objetivo de alcançar melhores 
resultados. O empreendedorismo na administração pública, que incorpora métodos e 
ferramentas da iniciativa privada, começou a se desenvolver na América Latina na 
metade dos anos 1990. No entanto, a primeira evidência de uma cultura 
empreendedora na administração pública apareceu no final dos anos 1970 e início 
 
 
 
 
 77 
 
dos anos 1980. Esse novo modelo, conhecido como Nova Gestão Pública (NGP), 
originou-se na Inglaterra e se expandiu para os Estados Unidos, Oceania e, mais 
tarde, para várias nações europeias. Esses conceitos e práticas acabaram se 
difundindo para outras partes do continente americano. 
Ainda conforme Pereira (2020), os primeiros indícios da introdução de uma 
nova cultura gerencial no Brasil começaram com a reforma de 1995 e podem ser 
divididos em dois períodos: 
- Período de 1995 a 1998: nesta fase houve uma revisão da legislação vigente e 
a adoção de ferramentas gerenciais inovadoras, como programas de inovação 
e qualidade e contratos de gestão. Foram criadas organizações sociais e 
agências executivas, e houve mudanças na política de remuneração, além de 
um foco maior na capacitação para promover uma mudança cultural e valorizar 
os servidores. 
- Período de 1999 a 2002: com o lançamento do Plano Plurianual, introduziu-se 
um novo conceito de programa e houve um aprimoramento no uso da 
tecnologia da informação. Essas mudanças tinham como objetivo modernizar 
a administração pública, melhorando o atendimento ao cidadão, tanto no 
relacionamento com o mercado quanto na promoção da transparência. 
O desafio de incorporar o pensamento empreendedor da iniciativa privada à 
administração pública tem gerado intensos debates. Enquanto alguns se opõem, 
argumentando que resultados e empreendedorismo não são aplicáveis ao setor 
público, outros reconhecem que existem pontos de convergência que justificam a 
adaptação de práticas de um setor para o outro. 
Hoje em dia, não é surpreendente que o tema benchmarking — uma técnica de 
análise comparativa do setor privado destinada a melhorar práticas para alcançar 
desempenho superior — seja amplamente utilizado, especialmente na indústria. 
Embora de forma menos intensa, o conceito também está ganhando espaço no setor 
público, especialmente com a introdução da reforma gerencial. 
5.2 O Programa Nacional de Gestão Pública e Desburocratização – Gespública 
A sustentação do Modelo de Excelência em Gestão Pública baseia-se no 
Gespública, com foco no cidadão e na qualidade. Seus fundamentos são derivados 
de modelos de excelência em gestão de mais de 60 países, considerando critérios 
públicos e privados, incluindo o President’s Quality Award (específico para 
organizações públicas) nos EUA, o Malcoln Baldrige National Quality Award, e o 
Prêmio Nacional da Qualidade no Brasil (Oliveira, 2019; Nascimento, 2020). 
Os 13 princípios do Gespública estão baseados nos seguintes pilares: 
1. Pensamento Sistêmico: as organizações possuem uma relação de 
interdependência entre si, com o meio ambiente e a sociedade. 
 
 
 
 
 78 
 
2. Aprendizado Organizacional: envolve a busca contínua de conhecimento, tanto 
individual quanto coletivo, através da percepção, reflexão, avaliação e 
compartilhamento de informações e experiências. 
3. Cultura da Inovação: promove um ambiente favorável à criatividade, 
experimentação e implementação de novas ideias, diferenciando a 
organização em sua atuação. 
4. Liderança e Constância dos Propósitos: a liderança é um elemento chave da 
gestão, responsável pela orientação, estímulo e comprometimento, visando 
alcançar resultados de forma aberta, democrática, inspiradora e motivadora, 
desenvolvendo a cultura de excelência organizacional e protegendo o interesse 
público. 
5. Orientação por Processos e Informações: compreende e segmenta o conjunto 
de atividades e processos da organização que agregam valor às partes 
interessadas, utilizando critérios de desempenho. 
6. Visão de Futuro: capacidade de estabelecer um rumo para a organização, 
alinhado ao processo decisório e à gestão estratégica, atendendo às 
necessidades e expectativas dos cidadãos e da sociedade. 
7. Geração de Valor: alcançar resultados consistentes que aumentem o valor 
tangível e intangível de forma sustentável para as partes interessadas. 
8. Comprometimento com as Pessoas: melhora a qualidade das relações de 
trabalho, permitindo que as pessoas se realizem tanto profissionalmente 
quanto pessoalmente, maximizando seu desempenho através de 
oportunidades de desenvolvimento de competências e incentivo ao 
reconhecimento. 
9. Foco no Cidadão e na Sociedade: atender regularmente e continuamente às 
necessidades dos cidadãos e da sociedade, como sujeitos de direito e 
beneficiários de serviços públicos de qualidade. 
10. Desenvolvimento de Parcerias: atividades conjuntas com outras organizações 
para utilizar plenamente suas competências e desenvolver sinergias expressas 
em cooperação e coesão. 
11. Responsabilidade Social: assegurar condições de cidadania, garantindo 
acesso aos bens e serviços essenciais, enquanto preserva a biodiversidade e 
os ecossistemas naturais, capacitando as gerações futuras para atender suas 
próprias necessidades. 
12. Controle Social: relacionado à transparência e participação social, essenciais 
para o controle social efetivo. A organização deve incentivar a sociedade a 
exercer seu papel. 
13. Gestão Participativa: estilo de gestão que proporciona às pessoas autonomia 
para alcançar metas, promovendo cooperação, compartilhamento de 
informações e confiança. As pessoas assumem desafios e processos de 
trabalho, participam das decisões, criam e inovam, gerando um ambiente 
organizacional saudável. 
 
 
 
 
 79 
 
Atualmente, o Programa Nacional de Gestão Pública e Desburocratização 
(Gespública) passou por algumas mudanças significativas. Originalmente instituído 
pelo Decreto n.º 5.378 de 2005, o decreto foi revogado pelo Decreto n.º 9.094 de 2017, 
que focou na simplificação do atendimento aos usuários dos serviços públicos, 
eliminando a necessidade de reconhecimento de firma e autenticação de documentos. 
Mais recentemente, o Programa de Gestão e Desempenho (PGD) foi instituído 
pelo Decreto n.º 11.072 de 2022 e regulamentado pela Instrução Normativa n.º 24 de 
2023 do Ministério da Gestão e Inovação (MGI). Esse programa já foi implementado 
em 149 órgãos da administração pública federal e continua a promover a eficiência e 
a melhoria contínua na gestão pública. 
Enfim, a Gespública foi um Programa Nacional de Gestão Pública e 
Desburocratização, criado com o objetivo de melhorar a qualidade dos serviços 
públicos prestados aos cidadãos e aumentar a competitividade do país. Ela visou 
promover a gestão democrática, participativa, transparente e ética, além de eliminar o 
déficit institucional e aumentar a eficiência na administração pública. 
Infelizmente, o decreto que regulamentava a Gespública foi revogado, mas seu 
impacto ainda é relevante em áreas como fiscalização e controle. 
Saiba mais 
Paraná é o único estado do Sul em premiação sobre boas práticas na gestãopública 
O Paraná é o único estado da região Sul do Brasil finalista do Prêmio 
Excelência em Competitividade 2024. A premiação é do Centro de Liderança Pública 
(CLP) uma organização da sociedade civil. O Governo do Paraná concorre à 
premiação com o Escritório de Projetos Executivos de Engenharia e Arquitetura e 
Urbanismo (Projetek), um programa estratégico desenvolvido pela Secretaria da 
Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), por meio das sete universidades 
estaduais. 
Os vencedores da premiação nacional serão anunciados durante a cerimônia 
de lançamento do Ranking de Competitividade dos Estados 2024, previsto para 
acontecer em 21 de agosto, em Brasília. O Paraná disputa um dos três primeiros 
lugares da classificação com o estado de Minas Gerais, do Sudeste do Brasil; Goiás 
e Mato Grosso do Sul, do Centro-Oeste; e Maranhão e Pernambuco, da região 
Nordeste. 
Fonte: https://www.bemparana.com.br/noticias/economia/parana-e-o-unico-
estado-do-sul-em-premiacao-sobre-boas-praticas-na-gestao-publica/ 
 
 
 
 
 80 
 
 
Reflita 
Qual a importância das Tecnologias da Informação (TICS) na eficiência da Gestão 
Pública? 
 
 
 
 
 
 
 81 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
É importante destacar que esta unidade traz considerações importantes sobre 
as reformas, a atuação da administração pública e seus parceiros, e as novas formas 
de Administração e Gestão Pública necessárias para os gestores na esfera pública. 
Foram abordados os conceitos da Nova Gestão Pública (NGP), New Public 
Management (NPM), e New Service Public (NSP). Independente do conceito adotado, 
todos compartilham a preocupação com o cliente, usuário e cidadão como foco 
central. Uma questão relevante é a orientação pública e política para enfatizar a 
participação popular, similar ao setor privado, embora com objetivos distintos. Outras 
questões abordam a racionalidade buscada versus os valores, equidade e 
participação da sociedade na administração pública. 
Nesse contexto, as organizações, buscando atuar de maneira mais racional, 
realizam o planejamento estratégico público para fortalecer as organizações públicas 
no mercado, atuando com governabilidade e governança pública. 
Para melhorar a eficiência, a Administração Pública utiliza a administração 
direta (centralizada) e a administração indireta (descentralizada), transferindo a 
produção de bens e serviços para autarquias, fundações, empresas públicas, 
sociedades de economia mista, parcerias público-privadas (PPPs) e organizações 
sociais. 
Com a redução da intervenção direta nos bens e serviços demandados pela 
sociedade civil, surge a necessidade de uma nova forma de intervenção do Estado, 
através das agências reguladoras que desempenham papéis de regulação 
econômica, social e administrativa. 
Visando garantir a qualidade dos serviços públicos, a Administração busca 
atender a sociedade civil com mais eficiência, eficácia e efetividade, utilizando a 
gestão da qualidade fundamentada no Gespública - Programa Nacional de Gestão 
Pública e Desburocratização. Suas ações têm o objetivo de melhorar a qualidade dos 
serviços e bens produzidos pela Administração e Gestão Pública, que apesar de 
revogado, teve impacto relevante em áreas como fiscalização e controle na Gestão 
Pública. 
 
 
 
 
 
 
 82 
 
LEITURA COMPLEMENTAR 
Gestão defende avanço na transformação digital para melhoria da qualidade 
dos serviços públicos prestados à população 
A importância do Sistema Eletrônico de Informações (SEI) foi o destaque de 
um dos debates da Semana de Inovação da Enap 
Publicado em 13/11/2023 17h42. Atualizado em 08/04/2024 17h10 
A transformação digital é o presente; não é mais um “tema do futuro”, e se 
consolida, a cada dia, como exigência para que União, estados e municípios avancem 
no incremento da qualidade dos serviços que prestam à população. Essa constatação 
esteve no centro da exposição feita nesta quinta-feira (9/11), pela diretora do 
Departamento de Informações, Serviços e Sistema de Gestão do Ministério da Gestão 
e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), Priscila Cabral, durante painel na Semana 
da Inovação, realizada pela Escola Nacional de Administração Pública (Enap), em 
Brasília. Ela destacou, nesse contexto, a importância do Sistema Eletrônico de 
Informações (SEI), que integra o Processo Eletrônico Nacional (PEN). “A tecnologia é 
meio, não um fim. É essencial investir em pessoas”, ressaltou 
Priscila Cabral ao defender a importância da valorização de indivíduos e 
equipes para a prestação de serviços públicos de mais qualidade à população. 
“Uma gestão pública mais eficiente e justa fortalece a democracia”, afirmou 
Priscila no painel “Inovações Federativas: Processo Eletrônico (SEI) e soluções para 
transformação de Estados e Municípios”, afirmou Priscila Cabral. 
Ao analisar a capacidade de contribuição do SEI nesse sentido, a diretora do 
MGI ressaltou que, hoje, mais de 440 órgãos da administração pública nos âmbitos 
federal, estadual e municipal já utilizam o sistema e detalhou as etapas de sua 
implantação, entre as quais a adesão ao PEN, montagem da equipe, preparação da 
infraestrutura de Tecnologia da Informação (TI), apresentação do plano de 
implantação e investimento em capacitação e treinamento. 
A diretora do MGI elencou os benefícios internos da implantação do SEI, como 
a possibilidade de acesso aos processos de qualquer computador, a qualquer 
momento; trabalho colaborativo e simultâneo entre as equipes; transparência ativa 
(acesso externo a processos); aumento da produtividade e redução de custos. Os 
principais benefícios externos apontados são a maior proximidade com o cidadão, 
transparência e sustentabilidade. 
1. Relato de experiências 
O objetivo do MGI é expandir a implantação do SEI em estados e municípios, 
apoiando-os para a modernização e qualificação dos seus serviços. O painel sobre 
Inovações Federativas contou com relatos de dois gestores, um municipal e outro 
estadual: 
 
 
 
 
 83 
 
o secretário-executivo de Transformação Digital da Prefeitura de Recife, Felipe 
Cadena, e o superintendente de Processos Administrativos Eletrônicos da Secretaria 
de Estado de Transformação Digital do Rio de Janeiro, Felipe Oliveira. 
Eles falaram sobre as experiências na implantação do SEI nas capitais 
pernambucana e carioca. A redução dos documentos impressos, com os 
consequentes benefícios da agilização e da sustentabilidade, foi um dos pontos 
destacados. A importância da estratégia de implantação também recebeu atenção 
especial. No caso de Recife – salientou Felipe Cadena –, isso foi fundamental para 
realizar a implantação de um “sistema transversal para 17 mil pessoas”. 
O painel foi mediado pelo coordenador-geral de Cooperação Federativa em 
Governo Digital do MGI, Enzo Tessarolo. “A cooperação é um método que a gente 
vem perseguindo no Ministério”, disse Tessarolo, referindo-se à construção de uma 
“visão de futuro em comum” no serviço público brasileiro. 
 2. Semana de Inovação 
Realizada pela Enap desde 2015, a Semana de Inovação se propõe a discutir 
e refletir sobre agendas mundiais, ampliar o debate público e reforçar a confiança de 
que mudanças são possíveis. O tema desta edição foi “Reconectar para Reconstruir” 
e as atividades foram realizadas entre os dias 7 e 9 de novembro. 
Servidores e autoridades do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços 
Públicos lideraram uma série de palestras, painéis e oficinas durante toda a 
programação da Semana. Entre os temas estão transformação digital, infraestrutura 
de dados, iniciativas do GOV.BR (Startup GOV.BR, LABQ, Rede GOV.BR), 
governança de dados, privacidade e segurança, uso de dados na gestão de pessoas, 
inovação na gestão pública, ciências comportamentais aplicadas ao serviço público, 
liderança, processo eletrônico, diálogo federativo, ações do LaboraGOV, entre outros. 
Leia na fonte original em: https://www.gov.br/gestao/pt-br/assuntos/processo-eletronico-nacional/noticias/2023/gestao-defende-avanco-na-transformacao-digital-
para-melhoria-da-qualidade-dos-servicos-publicos-prestados-a-populacao 
 
 
 
 
 
 
 84 
 
MATERIAL COMPLEMENTAR 
LIVRO 
Título: Parcerias Público-Privadas E Agências Reguladoras: Questões 
Críticas 
Autor: Ilton Garcia da Costa e Gilberto Giacoia. 
Editora: Verbatim 
Sinopse: este livro conduz o leitor a um pensamento reflexivo sobre a 
compreensão do tema PPP e Agências Reguladoras a partir da constatação 
dos professores Costa e Giacoia sobre os problemas que o Brasil enfrenta no 
aperfeiçoamento do serviço público e da infraestrutura imprescindível para a 
materialização da eficiência e qualidade no serviço público. 
 
FILME/VÍDEO 
Título: INSIDE JOBAno: 2010.Sinopse: A crise financeira mundial que 
aconteceu em 2008, causou a perda de milhões de empregos e casas e 
mergulhou os Estados Unidos em uma profunda recessão econômica. O que 
é mais interessante neste filme é que demonstra que as agências reguladoras 
falharam na condução da crise, pois não cumpriram seu papel de fiscalização, 
uma vez que o filme retrata a corrupção sistêmica existente no país. A 
pergunta que devemos nos fazer é sobre o papel das reguladoras para evitar 
a corrupção em um país. O documentário fornece uma análise detalhada dos 
elementos que levaram ao colapso e identifica peças-chave do mundo 
financeiro e político. O diretor Charles Ferguson realiza uma gama de 
entrevistas e traça a história dos Estados Unidos para a China, para a Islândia 
e para outros mercados financeiros mundiais. 
WEB 
Site: Governo Federal 
Resumo: O portal da Previdência Social é um exemplo da qualidade dos 
serviços públicos atrelado ao uso da tecnologia e a simplificação do serviço 
público. Por meio dele o cidadão realiza o agendamento, consulta os serviços 
realizados pelo INSS, tem acesso a diversas informações sobre os direitos 
por tempo de contribuição, acidentes, aposentadorias, dentre outras. 
Disponível em: Ministério da Previdência Social (www.gov.br) 
 
 
 
 
 
 
 85 
 
UNIDADE 4 - INSTRUMENTOS DA GESTÃO PÚBLICA 
Professor Me. Heider Jeferson Gonçalves 
Plano de Estudos 
⦁ Políticas Públicas; 
⦁ Orçamento Público; 
⦁ Processos de Compras e Repasses do Estado; 
⦁ Relações entre Estado, Governo e Mercado. 
Objetivos da Aprendizagem 
⦁ Apresentar o instrumento de ação Política Pública no Brasil; 
⦁ Apresentar o ciclo de políticas públicas-elaboração, implementação e 
avaliação; 
⦁ Caracterizar e descrever as principais características do orçamento público; 
⦁ Demonstrar como ocorre o sistema de compras e repasses do Estado; 
⦁ Apresentar algumas características das relações do Estado, Governo e 
Mercado. 
 
 
 
 
 
 
 86 
 
INTRODUÇÃO 
Olá, querido(a) aluno(a)! 
Chegamos ao último capítulo de nossa jornada na disciplina de Fundamentos 
da Gestão Pública. 
Nesta quarta e última unidade, você entenderá melhor o papel e o processo de 
implementação de políticas públicas, compreendendo como elas surgem e são 
elaboradas pelos poderes governamentais. Além disso, vamos explorar como 
funciona o orçamento geral, sua evolução e o ciclo orçamentário. Você perceberá que 
esse processo envolve planejamento, utilizando ferramentas como o Plano Plurianual 
(PPA), guiado pelas diretrizes estabelecidas na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) 
e na Lei Orçamentária Anual (LOA). No esforço de tornar a Administração Pública 
mais eficiente, sem perder o controle, 
foram estabelecidas normas para o processo de compras governamentais, a 
Lei das Licitações e suas peculiaridades. Quando a contratação de fornecedores não 
é feita de forma direta, pode ser necessário firmar um Contrato Administrativo, que 
formaliza essa relação. Esses contratos podem ser realizados por meio de termos de 
cooperação, convênios, contratos de gestão e planos operativos. As parcerias podem 
ocorrer entre entidades da administração pública ou com Organizações Sociais (OS) 
e Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIPs), além de empresas 
privadas. 
Também discutiremos a relação entre governo, estado e mercado, destacando 
algumas funções do Estado na economia e os órgãos responsáveis por garantir o 
funcionamento dos serviços públicos. Isso pode influenciar tanto a atração quanto o 
desestímulo de investimentos diretos, sejam internacionais ou privados. 
Por fim, abordaremos a transparência na Administração Pública e a importância 
de modificar os mecanismos de controle sobre os serviços prestados e as decisões 
tomadas pelos gestores. Discutiremos a responsabilização desses administradores e 
a importância do controle social e da participação cidadã no fortalecimento da 
democracia. 
Estamos quase lá! Vamos fechar com chave de ouro a nossa jornada do 
conhecimento. Avante para o Sucesso e bons estudos! 
 
 
 
 
 
 
 87 
 
TÓPICO 1 - POLÍTICAS PÚBLICAS 
De acordo com Chiavenato (2022), as políticas públicas começaram a surgir na 
República Velha, durante o governo de Getúlio Vargas. No entanto, foi apenas a partir 
da Constituição de 1988 que essas políticas ganharam um suporte jurídico e político, 
buscando estabelecer padrões de bem-estar social. Antes disso, entre 1964 e 1988, 
as políticas públicas eram utilizadas como instrumentos de controle, sendo seletivas, 
fragmentadas, excludentes e limitadas a determinados setores. 
Segundo Pereira (2018), as políticas públicas refletem o poder do Estado em 
resposta aos problemas sociais, adaptando-se aos diferentes contextos e às 
demandas da sociedade. Elas passam por ajustes constantes para se alinhar às 
necessidades emergentes da população. 
Maximiano e Nohara (2017), apoiados por Pereira (2020), afirmam que as 
decisões e ações coletivas ocorrem através do governo. Para resolver problemas de 
forma eficaz, é necessário um esforço catalisador que envolva toda a comunidade, 
além de um consenso em relação à visão de futuro e ao caminho a ser seguido. 
1.1 O papel das Políticas Públicas no Brasil 
As mudanças nas organizações, nas relações de trabalho e na rotina dos 
trabalhadores, bem como no papel do trabalho na sociedade, impactam os direitos 
individuais, como educação, saúde, moradia, lazer e vida privada. Isso leva à 
ampliação das funções do Estado, que passa a ter maior controle sobre a produção e 
a assumir parte dos custos sociais. Nesse contexto, as Políticas Sociais e Públicas 
desempenham funções econômicas, transferindo recursos e bens direta ou 
indiretamente para os cidadãos mais necessitados, por meio de serviços sociais como 
saúde, educação e assistência social. Elas também têm funções sociais e políticas 
(Dias, 2017). 
As Políticas Públicas não podem ser vistas apenas como um conjunto de 
regras, procedimentos e instrumentos, nem somente como programas 
governamentais. É essencial compreendê-las como parte de um processo político e 
de relações sociais, através do qual o governo pode também adquirir legitimidade. 
Como aponta Oliveira (2019, p. 2), “uma política pública é uma diretriz criada 
para enfrentar um problema público”. Assim, o conceito central das Políticas Públicas 
é o problema (uma situação inadequada) que é público (importante para a 
coletividade). Diversos atores devem, ou deveriam, ter o direito de influenciar a 
construção das políticas públicas de um país. Isso naturalmente implica em uma 
mudança no papel do Estado, que deve ser menos hierárquico e monopolista na busca 
de soluções para os problemas públicos. 
Segundo Pereira (2018), um dos principais pontos de discordância reside no 
papel do Estado na elaboração de políticas públicas. Esse processo exige o 
engajamento de atores não estatais, promovendo um modelo de coprodução e gestão. 
 
 
 
 
 88 
 
Nesse contexto, embora a importância do Estado deva ser mantida, seu papel deve 
ser redefinido para enfatizar a implementação, coordenação e controle das políticas,em vez de ser o protagonista exclusivo. 
1.2 Ciclo de políticas públicas-elaboração, implementação e avaliação 
As pautas políticas são desenvolvidas pelos poderes públicos e pelo Estado 
em conformidade com a Constituição Federal e a legislação vigente, dentro do âmbito 
governamental. Isso significa que elas combinam os objetivos e princípios das 
políticas de Estado, previstos nas leis e na Constituição, com as políticas 
governamentais, que surgem das negociações políticas nas esferas federal, estadual 
e municipal. 
De acordo com Chiavenato (2022) e Pereira (2018), o processo de políticas 
públicas, ou ciclo de políticas públicas, pode ser dividido em sete etapas: 
1. Identificação do problema – Quando um problema é detectado por políticos, 
agentes não governamentais ou representantes da sociedade civil, ele pode 
ser incluído na lista de prioridades, conhecida como agenda. 
2. Formação da agenda – A agenda representa um conjunto de problemas ou 
questões que a comunidade política considera merecedores de intervenção 
pública. Sua inclusão dependerá da atenção que o problema recebe 
(especialmente de grupos de interesse), da viabilidade de resolução (ações 
possíveis) e da competência (ligação com responsabilidades públicas). 
3. Formulação de alternativas – Nesta etapa, são criados métodos, programas, 
estratégias ou ações para atingir os objetivos. Isso pode ser feito por meio de 
mecanismos de comportamento, como premiação, coerção, conscientização 
ou soluções técnicas, que também influenciam nos custos. São usadas 
técnicas como prognósticos, previsões e suposições. 
4. Tomada de decisão – Esse é o momento em que os interesses dos diferentes 
atores são conciliados, e as intenções (objetivos e métodos) para enfrentar o 
problema são definidas. A decisão pode ser baseada em critérios de 
otimização, satisfação, acordo ou até casualidade. 
5. Implementação – Esta fase vem após a tomada de decisão e antecede os 
primeiros esforços de avaliação. Aqui, as regras, rotinas e processos sociais 
são transformados em ações concretas. A implementação pode seguir um 
modelo de cima para baixo (top-down), onde as decisões vêm da esfera 
política, ou de baixo para cima (bottom-up), onde burocratas e redes de atores 
locais decidem como executar. 
6. Avaliação – Consiste em julgar de forma deliberada a validade das ações 
públicas, determinando se os projetos implementados tiveram sucesso ou 
falharam. A avaliação pode ser feita em três momentos: ex ante (antes da 
implementação), in itinere (durante o monitoramento) e ex post (após a 
implementação). Os principais critérios avaliados são a economicidade, 
 
 
 
 
 89 
 
eficiência econômica e administrativa, eficácia e equidade. Esses critérios 
podem resultar na continuidade, reestruturação ou extinção da política pública. 
7. Extinção – Uma política pode ser extinta porque o problema original foi 
resolvido, porque foi ineficaz, ou porque o problema perdeu relevância e saiu 
das agendas políticas e formais. Assim como o surgimento de uma política, sua 
extinção depende de janelas de oportunidade, como reformas ministeriais, 
mudanças de mandato ou a aprovação de novos orçamentos públicos. 
 
 
 
 
 
 
 90 
 
TÓPICO 2 - ORÇAMENTO PÚBLICO 
O orçamento surgiu como uma ferramenta de controle político no Parlamento 
Francês em 1789, e seus princípios foram adotados por várias nações ao redor do 
mundo, incluindo o Brasil. Historicamente, ele foi oficialmente introduzido no Brasil em 
1824, mas somente em 1830 foi criado o primeiro Orçamento Geral, referente ao 
exercício financeiro de 1830-1831. Desde então, o Brasil passou por três fases de 
evolução orçamentária (Nascimento, 2020): 
1. Orçamento tradicional – Neste modelo, as despesas são fixadas com base na 
estimativa de receitas, e a unidade administrativa é autorizada a gastar de 
acordo com esse limite. Os órgãos públicos não gastavam com base no que 
pretendiam realizar, mas sim com base no que foi gasto no exercício anterior. 
2. Orçamento de desempenho – Esse tipo de orçamento estabelece objetivos e 
metas para justificar a necessidade dos créditos, mas ainda não estava 
integrado a um sistema de planejamento adequado. 
3. Orçamento-programa – Somente em 1972 foi criada uma estrutura de 
planejamento que estabelecia propósitos, objetivos e metas a serem cumpridos 
pela administração. Seguindo o artigo 10 do Decreto-Lei n.º 200/67, esse 
orçamento solicitava fundos com base na identificação dos custos e dados 
quantitativos dos trabalhos realizados em cada programa. Sua elaboração 
envolvia planejamento, programação, projetos e orçamentação, e deveria ser 
classificada conforme as funções do governo, de acordo com a função 
programática. 
4. Orçamento base zero – Este método alternativo foi desenvolvido para combater 
o uso indiscriminado de orçamentos incrementais. Em vez de usar o orçamento 
do ano anterior como ponto de partida, ele começa do zero, ignorando os 
programas anteriores. Embora desconsidere os projetos em andamento, ele 
representa uma evolução do orçamento tradicional e cria condições para a 
elaboração do orçamento-programa. 
2.1 O Ciclo Orçamentário 
O ciclo orçamentário é um processo que envolve o planejamento e utiliza instrumentos 
como o Plano Plurianual (PPA). Esse planejamento é complementado por planos 
nacionais, regionais e setoriais, cujas diretrizes orçamentárias (LDO) orientam a 
elaboração e execução da Lei Orçamentária Anual (LOA). É importante destacar que 
o ciclo orçamentário não deve ser confundido com o exercício financeiro, pois abrange 
um período mais longo e é contínuo e sistemático. Segundo Nascimento (2020), as 
principais características desses instrumentos são: 
- PPA(Plano Plurianual): serve para alcançar programas e metas 
governamentais através de um processo de planejamento e orçamento voltado 
para ações de médio prazo (4 anos). Tem o objetivo de refletir os resultados 
desejados pelos governantes e possibilita o monitoramento e avaliação da 
execução dos programas, além da revisão de objetivos e metas. Baseia-se na 
 
 
 
 
 91 
 
integração com as LDOs e LOAs, bem como na Lei de Responsabilidade Fiscal 
(LRF). O PPA é composto por uma base estratégica formada pela análise 
econômica e social, diretrizes, análise setorial e avaliação regional, e pelos 
programas, com metas e objetivos para mais de um ano. Após aprovação, 
vigora por três anos e se estende ao primeiro ano da gestão seguinte. 
- LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias): é proposta pelo chefe do Executivo e 
aprovada pelo legislativo, podendo ser emendada pelos parlamentares. Sua 
função é alinhar as ações do governo (contempladas no PPA) às reais 
possibilidades financeiras dentro de um ano de governo, respeitando as 
diretrizes do PPA. Define os parâmetros dos recursos do orçamento anual para 
garantir que as metas e objetivos sejam alcançados. Atua como um elo entre o 
PPA e os orçamentos anuais, ajustando as diretrizes do plano à estimativa das 
disponibilidades financeiras para o exercício. 
- LOA (Lei Orçamentária Anual): relaciona-se ao gerenciamento orçamentário e 
financeiro da Administração Pública Federal, com o objetivo principal de 
equilibrar receitas e despesas públicas. Reúne os orçamentos fiscais, de 
seguridade social e de investimentos das empresas estatais em um orçamento 
geral, respeitando os princípios da universalidade e da unidade orçamentária. 
Entidades que não recebem subvenções ou transferências do orçamento da 
União, como autarquias, fundações, empresas públicas e sociedades mistas, 
também são incluídas na LOA. Deve ser compatível com a LDO e emitir 
demonstrativos sobre receitas e despesas, sendo vedado incluir no orçamento 
itens que não estejam na LDO. 
O ciclo orçamentário, também chamado de processo orçamentário, abrange a 
elaboração, aprovação, execução, controle e avaliação da programação de despesas 
públicas,tanto físicas quanto financeiras. Esse ciclo pode se estender além do 
exercício financeiro, que vai de 1º de janeiro a 31 de dezembro de cada ano. O 
processo segue os seguintes passos, desde a elaboração da proposta até sua 
aprovação ou veto, integrando o PPA, a LDO e a LOA (Nascimento, 2020): 
- Elaboração da proposta: deve estar alinhada com os planos e diretrizes que 
foram previamente apresentadas ao Legislativo por meio da LDO. A proposta 
deve contemplar os gastos previstos no PPA, incluindo recomendações sobre 
arrecadação tributária, política de endividamento e participação de fontes 
internas e externas no financiamento das despesas. 
- Tramitação do projeto de Lei: regida pela lei complementar (art. 165, §9º), que 
define os períodos e prazos do exercício financeiro com base no PPA, na LDO 
e na LOA. 
- Discussão, votação e aprovação da proposta: o projeto é enviado à comissão 
mista de planos, orçamentos públicos e fiscalização, que vai analisar e emitir 
pareceres sobre o projeto no legislativo. 
- Sanção e veto: de acordo com o artigo 66 da Constituição Federal, o presidente 
tem 15 dias úteis para sancionar a proposta, podendo vetá-la total ou 
 
 
 
 
 92 
 
parcialmente. A Constituição não permite a rejeição da LDO, mas admite a 
rejeição da LOA. 
 Reflita 
Qual a importância das peças orçamentárias (PPA, LDO, LOA) para o 
desenvolvimento sustentável do país, cidades ou uma região? 
 Fonte: o autor (2024). 
 
 
 
 
 
 
 93 
 
TÓPICO 3 - PROCESSO DE COMPRAS E REPASSES DO ESTADO 
A busca por uma proposta que equilibre preço e qualidade nos produtos e/ou 
serviços oferecidos é uma exigência obrigatória para a União, Estados, Distrito 
Federal, Municípios, autarquias, empresas públicas, sociedades de economia mista e 
fundações (Rodrigues, 2021). A seleção dessas propostas, conhecida como a 
proposta mais vantajosa, segue normas específicas e é feita entre os interessados em 
firmar contrato com a Administração Pública, atendendo à convocação realizada por 
meio de edital. 
Em outras palavras, contratar de maneira mais vantajosa significa buscar o 
melhor custo-benefício. Ou seja, para que uma oferta seja realmente vantajosa para 
a Administração Pública, além de ter o menor preço em relação às concorrentes, deve 
cumprir todos os requisitos estipulados no edital, incluindo a qualidade do produto. 
Portanto, podemos afirmar que a proposta mais vantajosa reúne preço, qualidade e 
as demais exigências previamente estabelecidas no edital. 
Segundo Costin (2010, p. 185), “o impacto das compras governamentais na 
economia é sempre relevante”. Na Administração Pública, foram estabelecidas 
normas para regulamentar o processo de compras governamentais com o objetivo de 
desburocratizar a área sem comprometer o controle da corrupção, ao mesmo tempo 
em que se preserva a competição entre os fornecedores. Essas normas foram 
estabelecidas inicialmente pela Lei n.º 8.666/1993 (Lei Geral de Licitações) e pela Lei 
n.º 10.520/2002 (Lei do Pregão), ambas integravam o antigo sistema de licitações, 
que definiam como era realizada a escolha dos fornecedores, começando pela 
seleção do objeto. 
Atualmente, é a Lei 14.133/2021, que estabelece as diretrizes gerais para os 
processos de licitação e contratação na administração pública. No entanto, é um erro 
pensar que essa legislação se aplica a todos os entes federativos sem distinção. Em 
outras palavras, há entes em que a lei é aplicada de forma integral, outros que 
possuem regulamentos próprios e, portanto, não estão sujeitos à sua aplicação, 
exceto em situações específicas, e ainda aqueles em que a aplicação da lei ocorre de 
forma subsidiária (Rodrigues, 2021): 
Por exemplo, quando a compra não é realizada diretamente, é necessário 
formalizar a transação por meio de um contrato. Nesses casos, a formalização pode 
ser feita através de convênios, parcerias ou cooperações, onde o sistema de repasse 
utilizado para gerenciar esses processos é o sistema conhecido como SICONV 
(Sistema de Gestão dos Convênios e Contratos de Repasse), que já passou por 
diversas atualizações e evoluiu no tempo desde sua criação, e que hoje compõe uma 
plataforma mais completa para a gestão de recursos governamentais. 
 3.1 A Nova Lei de Licitações e Contratos Públicos (Lei n.º 14.133/2021) 
A Nova Lei de Licitações e Contratos Públicos (Lei n.º 14.133/2021) foi 
sancionada em 1º de abril de 2021, com o objetivo de modernizar e unificar as normas 
 
 
 
 
 94 
 
que regem os processos de contratação pública no Brasil. Ela substitui as leis 
anteriores que tratavam do tema, como a Lei n.º 8.666/1993, a Lei do Pregão (Lei n.º 
10.520/2002) e parte do Regime Diferenciado de Contratações (Lei n.º 12.462/2011). 
A Lei 14.133/2021 trouxe uma série de inovações importantes, com foco em 
maior eficiência, transparência e competitividade nos processos licitatórios. Entre os 
principais pontos, destacam-se (Rodrigues, 2021): 
1. Planejamento e eficiência: a nova lei reforça a importância do planejamento 
prévio para as contratações públicas, exigindo a elaboração de planos de 
contratações anuais, o que facilita o acompanhamento e o controle dos 
processos. 
2. Critério da proposta mais vantajosa: a escolha da proposta deve considerar o 
melhor custo-benefício para a administração pública, o que vai além do simples 
menor preço. A lei destaca a importância de levar em conta fatores como 
qualidade, inovação e sustentabilidade. 
3. Inovação tecnológica: a lei incentiva o uso de tecnologia nos processos 
licitatórios, com a adoção de sistemas eletrônicos para melhorar a eficiência e 
reduzir a burocracia. O uso obrigatório de plataformas digitais para as licitações 
é um exemplo dessa modernização. 
4. Modalidades de licitação: a nova legislação unifica e reduz o número de 
modalidades de licitação. Entre as principais estão a concorrência, o pregão, o 
concurso, o leilão e o diálogo competitivo, este último uma novidade, voltado 
para contratações complexas, em que o ente público dialoga com os licitantes 
antes de definir a solução mais adequada. 
5. Combate à corrupção: a lei 14.133/2021 traz mecanismos mais rígidos para 
coibir práticas corruptas, incluindo a responsabilização solidária dos agentes 
envolvidos em atos ilícitos e o fortalecimento de mecanismos de controle 
interno e externo, além da transparência nos contratos. 
6. Contratos públicos: a nova lei também regula de forma detalhada os contratos 
administrativos, incluindo cláusulas de equilíbrio econômico-financeiro, formas 
de execução e fiscalização dos contratos, além de prever mecanismos para 
solução de conflitos. 
Vejamos o que nos diz o art. 1º da Lei 14.133/2021, acerca da temática (Brasil, 
2021): 
Art. 1º Esta Lei estabelece normas gerais de licitação e 
contratação para as Administrações Públicas diretas, 
autárquicas e fundacionais da União, dos Estados, do Distrito 
Federal e dos Municípios, e abrange: 
⦁ - Os órgãos dos Poderes Legislativo e Judiciário da União, 
dos Estados e do Distrito Federal e os órgãos do Poder 
 
 
 
 
 95 
 
Legislativo dos Municípios, quando no desempenho de função 
administrativa; 
⦁ - Os fundos especiais e as demais entidades controladas 
direta ou indiretamente pela Administração Pública. 
§ 1º Não são abrangidas por esta Lei as empresas públicas, as 
sociedades de economia mista e as suas subsidiárias, regidas 
pela Lei n.º 13.303, de 30 de junho de 2016, ressalvado o 
disposto no art. 178 desta Lei (grifo nosso). 
§ 2º As contratações realizadas no âmbito das repartições 
públicas sediadas no exterior obedecerão às peculiaridades 
locais e aos princípios básicos estabelecidos nesta Lei, na forma 
de regulamentação específica a ser editada por ministro de 
Estado. 
[…] 
§ 5º As contratações relativas à gestão, direta e indireta, das 
reservas internacionais do País, inclusive as de serviços 
conexos ou acessórios a essaatividade, serão disciplinadas em 
ato normativo próprio do Banco Central do Brasil, assegurada a 
observância dos princípios estabelecidos no caput do art. 37 da 
Constituição Federal. 
A Lei n.º 14.133/2021 representa uma tentativa de modernizar e aperfeiçoar o 
processo de contratações públicas no Brasil, buscando maior transparência, eficiência 
e controle social nas compras governamentais. 
 Reflita 
De que modo a Lei n.º 14.133/2021 veio contribuir para melhorar a capacidade de 
governo do Estado e o combate contra a corrupção? 
3.2 Contratação, Convênios, Parcerias e Cooperação e o Sistema de Repasses 
De acordo com Costin (2010), quando a contratação não é feita diretamente 
pelo órgão que necessita, pode ser necessário um processo de licitação para 
formalizar o acordo. Um Contrato Administrativo estabelece a relação entre a 
Administração Pública e uma organização privada ou pública com o objetivo de 
atender ao interesse público. Esses contratos podem assumir as seguintes formas: 
A. Termo de Cooperação: envolve a colaboração entre entidades públicas para 
alcançar objetivos comuns. 
B. Convênio: utilizado para a realização de objetivos de interesse comum entre 
entidades públicas e privadas. A licitação é dispensada em alguns casos, como 
na cessão de uso de equipamentos, repasse de recursos como incentivo, e no 
 
 
 
 
 96 
 
fornecimento de recursos humanos, materiais e imóveis. O convenente deve 
prestar contas ao concedente. 
C. Contrato de Gestão: trata-se de uma parceria entre o poder público e entidades 
privadas, como organizações sociais e OSCIPs (Organizações da Sociedade 
Civil de Interesse Público). Essas parcerias dispensam a licitação para 
compras. 
D. Plano Operativo: ferramenta utilizada no âmbito do SUS (Sistema Único de 
Saúde) para definir e implementar ações e serviços de saúde, estabelecendo 
metas qualitativas e quantitativas entre gestores e prestadores de serviços, 
sejam públicos ou privados. 
O Tribunal de Contas da União (TCU), em colaboração com a Corregedoria 
Geral da União (CGU) e os Ministérios da Fazenda e do Planejamento, Orçamento e 
Gestão, criou o SICONV como um instrumento para gestão e controle social, com foco 
na fiscalização. O portal oferece informações à sociedade civil sobre os gastos 
públicos, promovendo a transparência ao longo do ciclo de vida dos convênios, 
contratos de repasse e termos de parceria (Oliveira, 2019). 
De acordo com o portal do SICONV, instituído pelo Decreto n.º 6.170/2007 e 
posteriormente revogado pelas Portarias Interministeriais n.º 127/2008 e n.º 507/2011, 
o sistema tem como objetivo garantir ao Governo Federal um controle total das 
transferências voluntárias, ele busca proporcionar maior eficiência, agilidade e 
transparência no processo de liberação de recursos para estados, municípios e 
organizações não governamentais (ONGs), incluindo especialmente as Organizações 
Sociais (OS) e as Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIPs) 
(DIAS, 2017). 
O Sistema de Gestão de Convênios e Contratos de Repasse (SICONV) surgiu 
em 2007 como uma plataforma digital voltada para melhorar a gestão, transparência 
e eficiência dos recursos públicos destinados a convênios e contratos de repasse 
entre a União, estados, municípios, consórcios públicos e entidades privadas sem fins 
lucrativos. O principal objetivo do SICONV era centralizar, informatizar e padronizar 
os processos de transferências voluntárias, contribuindo para a redução de fraudes, 
irregularidades e para o aprimoramento da fiscalização (Oliveira, 2019). 
Segundo Nascimento (2020), são características do SICONV: 
A. Gestão Unificada: o SICONV permitia o acompanhamento de todas as etapas 
dos convênios e contratos de repasse, desde a celebração do convênio até a 
prestação de contas. 
B. Transparência: a plataforma oferecia maior transparência ao processo, 
permitindo que a sociedade e órgãos de controle acompanhassem a execução 
dos recursos públicos. 
 
 
 
 
 97 
 
C. Capacitação: o sistema também facilitava a capacitação de servidores e 
gestores públicos na condução dos processos de convênios e contratos de 
repasse. 
Em 2019, o governo brasileiro lançou a Plataforma +Brasil, que substituiu o 
SICONV como a principal ferramenta de gestão de convênios e contratos de repasse. 
A mudança não foi apenas uma simples atualização de software, mas um redesenho 
completo para tornar o sistema mais moderno, eficiente e ampliado para diversos tipos 
de transferências (Oliveira, 2019). 
Vejamos algumas das principais Inovações da Plataforma +Brasil: 
1. Integração Ampliada: a plataforma passou a integrar vários tipos de 
transferências de recursos federais, como emendas parlamentares, termos de 
fomento e colaboração, além de convênios e contratos de repasse. 
2. Simplicidade e Usabilidade: foi adotado um layout mais intuitivo e acessível, 
simplificando a navegação dos gestores públicos e facilitando o uso por 
diferentes órgãos e entidades. 
3. Automatização: a Plataforma +Brasil automatizou várias etapas dos processos 
de celebração e acompanhamento de convênios, o que reduziu o tempo de 
tramitação e aumentou a eficiência. 
4. Transparência e Controle Social: o sistema continuou fortalecendo a 
transparência e o controle social, permitindo que o público acompanhasse a 
execução orçamentária e financeira dos convênios em tempo real. 
Já em 2023, o governo federal anunciou o TransfereGov, um novo sistema que 
vai complementar e, em alguns casos, substituir a Plataforma +Brasil, com o objetivo 
de unificar ainda mais as transferências de recursos federais, aprimorar a 
transparência e facilitar a gestão dos recursos. O TransfereGov visa ser uma 
plataforma ainda mais abrangente, gerenciando todas as modalidades de 
transferências de recursos públicos federais, incluindo não apenas os convênios, mas 
também os acordos de cooperação técnica, transferências diretas, termos de parceria, 
e outros instrumentos jurídicos (Dias, 2017). 
Principais Inovações com o TransfereGov: 
1. Unificação Completa: o TransfereGov promete unificar todas as formas de 
transferência de recursos da União em uma única plataforma. 
2. Eficiência e Desburocratização: assim como nas plataformas anteriores, o foco 
estará na redução da burocracia e no aumento da eficiência dos processos, 
usando tecnologia avançada. 
3. Inteligência de Dados: o novo sistema vai incorporar ferramentas de 
inteligência de dados, permitindo maior controle e previsibilidade nos repasses. 
4. Transparência Ampliada: o TransfereGov deve ampliar ainda mais a 
transparência, com funcionalidades que permitam a sociedade acompanhar de 
forma ainda mais detalhada a destinação dos recursos federais. 
 
 
 
 
 98 
 
A evolução do SICONV para a Plataforma +Brasil e, agora, para o 
TransfereGov, reflete o esforço contínuo do governo brasileiro em melhorar a gestão 
dos recursos públicos. Com essas plataformas, houve uma significativa melhoria nos 
processos de fiscalização, controle e eficiência nas transferências voluntárias e 
demais recursos federais. Além disso, a transparência e a participação social se 
fortaleceram, permitindo que a sociedade, órgãos de controle, como os Tribunais de 
Contas, e demais interessados possam acompanhar, em tempo real, como os 
recursos são aplicados (Oliveira, 2019). 
Essa evolução também reforça o papel da tecnologia no combate à corrupção, 
uma vez que a digitalização e a automação de processos tornam os procedimentos 
mais rastreáveis e menos suscetíveis a fraudes e irregularidades. 
 
 
 
 
 
 
 99 
 
TÓPICO 4 - RELAÇÕES ENTRE ESTADO, GOVERNO E MERCADO 
De acordo com Costin (2010), o Brasil apresenta uma cultura profundamente 
enraizada de clientelismo e uma tendência significativa à corrupção nas interações 
entre o setor público e o privado, além de favoritismo e riscos para os investimentos. 
Com a democracia e a crescentedemanda dos cidadãos por serviços de melhor 
qualidade, a lógica governamental precisou ser reformulada não apenas para 
melhorar a eficiência, mas também para promover a moralidade, o que gerou desafios 
para empresas e indivíduos que interagem com o governo. 
Conforme Pereira (2020), o Estado obtém e utiliza recursos para financiar suas 
atividades com base na política fiscal, que se divide em política tributária (captação 
de recursos) e política orçamentária (gestão dos gastos e aplicação dos recursos). 
Isso é essencial para o funcionamento dos serviços públicos e para que o Estado 
desempenhe seus papéis na economia, respeitando os princípios da responsabilidade 
fiscal, estabelecidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) – Lei Complementar 
nº 101 de 4 de maio de 2000 – e pela Constituição Federal de 1988. 
Segundo Nascimento (2020) e Pereira (2020), a participação do governo na 
economia pode ser dividida em três funções principais: 
1. Alocativa: refere-se à intervenção do Estado na alocação de recursos. 
2. Distributiva: relaciona-se ao bem-estar e ao desenvolvimento econômico, 
abrangendo a distribuição de renda e riqueza. 
3. Estabilizadora: envolve a aplicação de políticas econômicas para promover 
emprego, desenvolvimento e estabilidade, especialmente quando o mercado 
não consegue atingir esses objetivos por conta própria. 
O Brasil precisa de crescimento econômico, e para alcançar isso, é essencial 
atrair investimentos privados. No entanto, algumas organizações podem influenciar 
negativamente a atratividade para investimentos diretos internacionais e privados 
locais. Entre essas organizações estão as agências reguladoras mencionadas 
anteriormente, como a ANA, ANP, ANT, ANELL, ANATEL e ANVISA. Além dessas, 
outras entidades descritas a seguir também podem ter impacto sobre a capacidade 
de estimular investimentos (Costin, 2010): 
QUADRO 1: EXEMPLOS DE AGÊNCIAS E ORGANIZAÇÕES GOVERNAMENTAIS 
APEX (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos): Coordena 
e implementa políticas voltadas para a promoção do comércio e exportações. 
ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial): Foca na coordenação e 
implementação de políticas para o desenvolvimento industrial e inovação, similar à 
APEX na promoção de exportações. 
CAMEX (Câmara de Comércio Exterior): Formula, adota e coordena políticas 
relacionadas ao comércio exterior, regulamentação e certificação de empresas para 
 
 
 
 
 100 
 
operações internacionais, classificação de produtos, regras de origem e procedência, 
e acordos multilaterais e bilaterais. 
MDICE (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior): Responsável 
pela promoção de indústrias, comércio e serviços, incluindo a propriedade intelectual 
e transferência de tecnologias, além de normas e mecanismos internacionais. 
Também supervisiona a SUFRAMA (Superintendência da Zona Franca de Manaus). 
INMETRO (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial): 
Estabelece regras técnicas e jurídicas, harmoniza medidas com padrões 
internacionais e coordena certificações compulsórias e voluntárias de produtos, 
processos, serviços e pessoal. 
BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social): Apoia projetos 
que contribuem para o desenvolvimento econômico e social do país. 
SDA (Secretaria de Defesa Agropecuária): Coordena o sistema de defesa 
agropecuária e a vigilância agropecuária internacional. 
CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica): Atua como órgão antitruste, 
orientando, auditando, investigando e prevenindo comportamentos abusivos de 
empresas que dominam o mercado. Também julga casos e pode impedir fusões e 
aquisições. 
IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis): 
Implementa políticas ambientais, controla e investiga o uso de recursos naturais e 
realiza o licenciamento de investimentos que podem ter impactos ambientais. 
Fonte: Portal GOV.BR (2022). 
Para lidar com disputas burocráticas, o governo criou o SISCOMEX (Sistema 
de Comércio Exterior), que visa simplificar os procedimentos para exportação e 
importação. O sistema contribui para a redução da documentação necessária, oferece 
suporte por meio de tecnologia da informação e facilita o monitoramento, controle e 
orientação das empresas. No entanto, ainda é necessário aprimorar a definição dos 
papéis dos governos em relação às exigências competitivas de cada nível, incluindo 
a incorporação das exigências ambientais. É fundamental que as instituições políticas 
sejam livres de clientelismo e paternalismo e que haja investimentos em educação 
técnica e em carreiras científicas para promover um ambiente mais competitivo e 
eficiente (Costin, 2010). 
4.1 A Transparência na Administração Pública 
A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), estabelecida pela Lei Complementar 
n.º 101 de 4 de maio de 2000, tem como objetivo regulamentar a Constituição Federal 
de 1988 no que diz respeito à tributação e ao orçamento. Ela estabelece normas de 
finanças públicas voltadas para a gestão fiscal. 
 
 
 
 
 101 
 
Segundo Nascimento (2020), a LRF visa assegurar a transparência através de 
três principais medidas: a) a participação popular (art. 48), b) a disponibilização das 
contas dos administradores para consulta pública (art. 49), e c) a emissão de relatórios 
periódicos de gestão fiscal (arts. 54 e 55) e de execução orçamentária (arts. 52 e 53) 
que devem ser acessíveis ao público e divulgados. 
O controle é visto como um instrumento essencial da democracia, servindo para 
monitorar as finanças públicas e garantir que as atividades estatais sejam realizadas 
no interesse público. A sociedade tem o direito e o dever de exigir a prestação de 
contas dos gestores públicos sobre a administração dos recursos públicos (Oliveira, 
2019). 
A administração pública, ao implementar mudanças nas formas de controle dos 
serviços, aumentou a transparência das decisões administrativas e a responsabilidade 
dos gestores. Atualmente, o governo utiliza a Internet como uma ferramenta 
tecnológica para reduzir custos e melhorar a transparência para os cidadãos. 
Um dos principais órgãos que atua em defesa do patrimônio público e na 
promoção da transparência da gestão é a CGU (Controladoria Geral da União), que 
realiza atividades de controle interno, auditoria pública, correição, prevenção e 
combate à corrupção, e ouvidoria (Pereira, 2020). 
Segundo Oliveira (2019), a Constituição Federal, em seus artigos 70 a 74, 
define as diretrizes para a fiscalização contábil, financeira e orçamentária. O controle 
político é de responsabilidade exclusiva do Poder Legislativo, enquanto o controle 
externo é assistido pelo Tribunal de Contas ou órgão equivalente. Além disso, a Lei 
de Orçamento (Lei n.º 4.320, de 1964) regula a estrutura de controle e execução 
orçamentária. O controle externo realizado pelo Tribunal de Contas é regulamentado 
pela Lei n.º 8.443/92, e o controle interno é estabelecido pela Lei n.º 10.180 de 2001. 
Esses controles são executados por meio de auditorias (controle interno) e 
tribunais de contas (controle externo). Entre os responsáveis pelo controle estão os 
Tribunais de Contas da União (TCU), os Tribunais de Contas dos Estados (TCE) e os 
Tribunais de Contas Municipais (TCM) (Pereira, 2020). 
 Saiba Mais 
Para realizar o controle social, a população pode se valer, por exemplo, do portal da 
transparência, instituído no programa de combate a corrupção pelo CGU, lançada em 
2004 para assegurar a boa e correta aplicação dos recursos públicos com o objetivo 
de aumentar a transparência pública permitindo que o cidadão acompanhe como o 
dinheiro está sendo utilizado e ajude a fiscalizar. 
Saiba mais acessando o link: http://www.portaltransparencia.gov.br/ 
 
 
 
 
 102 
 
 
 4.2 Democracia Participativa e Controle Social 
A Constituição Federal de 1988 estabeleceumecanismos para a participação 
da sociedade civil no controle da gestão das políticas sociais, criando ferramentas 
para implementar e supervisionar essas políticas. Com a convocação da Assembleia 
Constituinte, foram incorporados mecanismos participativos para atender às 
demandas dos cidadãos (Oliveira , 2019). 
Oliveira (2019) afirma que nesse contexto, a democracia participativa utiliza 
instrumentos como plebiscitos, referendos e projetos de iniciativa popular. A Lei n.º 
9.709/98 regula a execução desses instrumentos, que são convocados por decreto 
legislativo. De acordo com o artigo 2º dessa lei: 
[...] plebiscito e referendo são consultas ao povo sobre questões de grande 
relevância, sejam de natureza constitucional, legislativa ou administrativa. O 
plebiscito ocorre antes de um ato legislativo ou administrativo, permitindo ao 
povo aprovar ou rejeitar a proposta submetida. O referendo ocorre após um 
ato legislativo ou administrativo, permitindo ao povo ratificar ou rejeitar a 
decisão tomada. 
Para Dias (2017), a criação de conselhos compostos por representantes de 
diversos segmentos da sociedade civil é uma das principais inovações nas políticas 
sociais. Esses conselhos permitem que os cidadãos colaborem na implementação, 
execução e controle das políticas sociais, garantindo representatividade em diferentes 
níveis governamentais. 
Além disso, Pereira (2020, p. 185) destaca que as comissões parlamentares de 
inquérito (CPI) têm se tornado um importante instrumento de controle social. O 
controle social é um avanço na construção de uma sociedade democrática, 
possibilitando a garantia de serviços de maior qualidade. 
Saiba Mais 
Aprovado em 1999, o PPA Federal 2000/2003 representou um grande desafio 
organizacional, abrangendo gestão, planejamento e recursos humanos, com o 
objetivo de aumentar a transparência na alocação de recursos e na obtenção de 
resultados. O PPA visou implementar uma nova abordagem gerencial, focada em 
eficiência, eficácia, custo e efetividade, em contraste com a abordagem da Lei nº 
4.320/64, que se centrava apenas na efetividade. Essa nova perspectiva trouxe uma 
reforma gerencial no orçamento, abrangendo controle, gestão e planejamento. 
 
 
 
 
 103 
 
Durante o período de 2000 a 2003, o Programa Avança Brasil foi orientado por 
quatro programas da Secretaria de Gestão do Ministério do Planejamento, Orçamento 
e Gestão: 
A. Gestão Pública Empreendedora: Focada na transformação da gestão pública 
para ampliar os resultados para os cidadãos e reduzir custos. 
B. Qualidade dos Serviços Prestados aos Cidadãos: Visava melhorar a qualidade 
dos serviços públicos oferecidos. 
C. Desburocratização: Objetivava reduzir a opressão burocrática sobre as 
pessoas. 
D. Valorização do Servidor Público: Voltada para a flexibilização do pessoal, 
ampliação da autonomia e responsabilização dos servidores. 
Esses programas tinham o propósito de responder às demandas da sociedade 
e foram integrados no PPA, aumentando a visibilidade das oportunidades de 
investimento e potencializando o uso de recursos extra-orçamentários por meio de 
parcerias com diferentes esferas da federação. Os eixos de Integração e 
Desenvolvimento Nacional proporcionaram uma visão estratégica de longo prazo, 
identificando problemas, vocações e potencialidades de cada região. 
 Fonte: Pereira, 2018. 
Saiba mais 
O que é controle social? 
O controle social é a participação da sociedade na administração pública, com 
objetivo de acompanhar e fiscalizar as ações de Governo, a fim de solucionar os 
problemas e assegurar a manutenção dos serviços de atendimento ao cidadão. O 
desenvolvimento do controle social é uma das diretrizes da Lei de Acesso à 
Informação. 
Assim como é fundamental o desenvolvimento da cultura da transparência 
dentro da Administração Pública, também é necessário que a sociedade tome 
conhecimento do seu direito de acesso à informação, e saiba como usá-lo para 
acompanhar as ações governamentais. 
Utilizando as informações públicas de maneira eficiente, o cidadão amplia suas 
possibilidades de participar do debate público e da gestão do Estado. Entre outras 
coisas, o cidadão pode verificar onde e como está sendo aplicado o dinheiro dos seus 
impostos, podendo ajudar a decidir os gastos futuros, colaborando com o orçamento 
participativo, e até detectando má aplicação e desvios. 
Na prática, isso significa o fortalecimento do controle social, que também é uma 
importante ferramenta para o combate à corrupção e à má gestão. 
Fonte: https://abre.ai/ltyT 
 
 
 
 
 104 
 
 
 
 
 
 
 
 105 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
Nesta última unidade de nossa disciplina, exploramos vários aspectos dos 
instrumentos utilizados pela Administração Pública, incluindo políticas públicas, 
orçamento público, processos de compras e sistemas de repasse, bem como as 
relações entre Estado, governo e mercado, e a transparência das ações 
governamentais, além da participação cidadã no controle social. 
Começamos destacando a importância das Políticas Públicas, que são 
respostas do poder público aos problemas sociais em diferentes contextos, visando 
solucionar questões e atender às demandas da sociedade. Discutimos o ciclo das 
políticas públicas, que compreende sete etapas: identificação do problema, formação 
da agenda, formulação de alternativas, tomada de decisão, implementação, avaliação 
e extinção da política. 
Em seguida, apresentamos a evolução do orçamento público no Brasil, desde 
o orçamento tradicional até o orçamento-programa atual. O orçamento-programa deve 
alinhar-se com o ciclo orçamentário, que inclui o planejamento por meio do Plano 
Plurianual (PPA) e as diretrizes orçamentárias (LDO) que orientam a elaboração e 
execução da Lei Orçamentária Anual (LOA). O processo orçamentário envolve a 
elaboração da proposta, tramitação do projeto de lei, discussão, votação e aprovação, 
além da conformidade com o PPA, a LDO e a LOA, podendo ser sujeito a sanção ou 
veto. 
Discutimos também a nova Lei Geral de Licitações e Contratos de Repasse, a 
Lei n.º 14.133/2021, que integra atualmente e consolida o novo sistema de licitações 
e compras do Estado. Na contratação indireta, os contratos administrativos podem ser 
formalizados por termos de cooperação, convênios, planos operativos e contratos de 
gestão. 
Além disso, abordamos as funções econômicas da Administração Pública, que 
são alocativa, distributiva e estabilizadora. Algumas organizações podem influenciar 
a atração ou desestímulo de investimentos diretos internacionais e privados locais, 
como as agências reguladoras. Por fim, destacamos que a transparência é promovida 
pelo controle dos poderes com o auxílio do controle social. 
 
 
 
 
 
 
 106 
 
LEITURA COMPLEMENTAR 
POLÍTICA PÚBLICA 
Publicado em 13/11/2023 17h42. Atualizado em 08/04/2024 17h10 
Política Pública define-se como o conjunto de ações, decisões e programas 
implementados por governos ou instituições governamentais para abordar questões e 
problemas de interesse público. É o conjunto de medidas e diretrizes que um governo 
adota para atingir metas específicas e atender às necessidades da sociedade como 
um todo. 
Uma política pública geralmente envolve a formulação de objetivos claros, a alocação 
de recursos, a implementação de programas e a avaliação dos resultados alcançados. 
Ela pode abranger uma ampla gama de áreas, como educação, saúde, segurança, 
meio ambiente, economia, transporte e bem-estar social. 
As políticas públicas são desenvolvidas com base em análises e pesquisas sobre as 
necessidades e demandas da sociedade, bem como nas considerações políticas, 
econômicas e legais. Elas são projetadas para lidar com desafios e problemas 
coletivos, buscando melhorar a qualidade de vida das pessoas, promover a igualdade, 
proteger os direitos humanos e alcançar o bem comum. 
As políticas públicas podem ser implementadasem diferentes níveis de governo, 
desde governos locais até governos nacionais e internacionais. Elas podem variar em 
escopo e abrangência, desde políticas específicas, que visam resolver um problema 
pontual, até políticas mais abrangentes, que abordam questões sociais complexas. 
01. Política Pública na Constituição Federal brasileira de 1988 
Muito embora a Constituição Brasileira, de 1988, não traga uma definição explícita do 
conceito de política pública, nela estão estabelecidos diretrizes e princípios, que 
orientam a formulação e a implementação das políticas públicas no país. Alguns dos 
dispositivos constitucionais relevantes nesse sentido são: 
- Princípio da igualdade: a Constituição Federal estabelece que todos são iguais 
perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo a igualdade de 
direitos e oportunidades. 
- Direito à saúde, educação, trabalho, moradia, entre outros: a Constituição 
assegura o direito de todos os cidadãos brasileiros a uma série de políticas 
públicas, como a saúde, a educação, o trabalho digno, a moradia, entre outros. 
- Princípio da dignidade da pessoa humana: a Constituição estabelece que a 
dignidade da pessoa humana é um dos fundamentos do Estado brasileiro, 
direcionando as políticas públicas para a promoção do bem-estar e da 
qualidade de vida dos cidadãos. 
- Direitos sociais e econômicos: a Constituição prevê direitos sociais e 
econômicos, como o direito à seguridade social, ao meio ambiente equilibrado, 
 
 
 
 
 107 
 
à cultura, ao lazer, entre outros, indicando a necessidade de políticas públicas 
voltadas para a garantia desses direitos. 
- Participação popular: a Constituição estabelece a participação popular como 
um dos princípios fundamentais da democracia brasileira, prevendo 
mecanismos de participação da sociedade na formulação, implementação e 
controle das políticas públicas. 
Estes são os principais fundamentos e diretrizes, fornecidos na Constituição 
Federal Brasileira, de 1988, para promover o desenvolvimento dessas políticas, no 
intuito de promover a igualdade, o bem-estar social e a participação da sociedade na 
construção de políticas, que atendam às necessidades da população. 
Leia na íntegra em: https://semil.sp.gov.br/educacaoambiental/prateleira-ambiental/ 
politica-publica/ 
 
 
 
 
 
 
 108 
 
MATERIAL COMPLEMENTAR 
LIVRO 
Título: VOZES DO BOLSA FAMÍLIA: AUTONOMIA, DINHEIRO E 
CIDADANIA 
Autor: REGO, Walquiria L. e PINZANI, Alessandro. 
Editora: UNESP. 
Sinopse: 
Os dados empíricos que fundamentam a análise presente no livro são as 
vozes das mulheres beneficiárias do Programa Bolsa Família, perspectiva 
essencial e oportuna para quem quer se debruçar sobre essa realidade 
complexa que é viver em condições de pobreza extrema, o que vem 
acompanhado de formas de exploração e violência de toda natureza.Vozes 
do Bolsa Família, pelo rigor teórico que fundamenta o tratamento dado ao discurso dessas mulheres, 
associado à sensibilidade dos pesquisadores, traz preciosos elementos para pensar em que consiste, 
efetivamente, a democracia social e política neste país. E mais que isso: que os caminhos até aqui 
trilhados apontam de certa forma na direção correta, mas ainda há muito a percorrer para que sejamos 
uma sociedade mais justa, que permita aos indivíduos terem projetos de futuro, para si e seus 
descendentes. Eis aí, portanto, uma leitura obrigatória. 
 
FILME/VÍDEO 
Título: ERA O HOTEL CAMBRIDGE. 
Ano: 2016. 
Sinopse: 
Refugiados recém-chegados ao Brasil dividem com um grupo de sem-
tetos um velho edifício abandonado no centro de São Paulo. Mostra a 
chaga brasileira dos sem-teto espelhando-a, de forma harmoniosa e 
inventiva, na questão global do deslocamento imposto pela violência e 
pela miséria. É uma base para analisar o papel do Estado, a 
Administração da propriedade pública e as políticas de bem estar social. 
Durante uma assembleia para discutir a ameaça de despejo do prédio 
abandonado que ocuparam no centro de São Paulo, os moradores 
brasileiros do local questionam a participação de imigrantes de 
diferentes países que ali encontraram abrigo. Um rapaz vindo do Congo 
fala sobre o paradoxo de o Brasil ser tão receptivo aos expatriados e, 
ao mesmo tempo, oferecer muito pouco para que os estrangeiros tenham aqui uma vida digna em 
quesitos como trabalho, moradia e educação. 
 
 
 
 
 
 
 109 
 
CONCLUSÃO GERAL 
Prezado (a) aluno (a), 
Espero que ao fim dessa jornada, você tenha se interessado um pouco mais 
pela Administração e Gestão Pública. Nosso país precisa de pessoas motivadas e 
comprometidas para aprimorar o funcionamento do Estado Brasileiro. 
Independentemente do papel que você escolheu – seja como gestor, político, usuário 
ou cidadão – o importante é que você contribua com seus conhecimentos para tornar 
a Administração e Gestão Pública mais eficiente, eficaz e efetiva. 
Na Unidade I, você aprofundou seu conhecimento a partir da teoria clássica, ou 
seja, da Teoria Contratualista, com pensadores como Hobbes, Locke e Rousseau, 
além de Montesquieu, que introduziu o conceito de separação de poderes. Esse 
sistema de “freios e contrapesos”, adotado no Brasil, divide o Estado entre os poderes 
Legislativo, Executivo e Judiciário. Também abordamos o modelo ideal proposto por 
Max Weber, que buscava dar legitimidade ao Estado e à Administração Pública. 
Reforçamos que o Brasil é um Estado republicano, democrático e representativo, 
guiado por uma constituição e regido por leis, decretos e regulamentos, sendo um 
Estado Democrático de Direito. 
Na Unidade II, exploramos a evolução histórica da Administração Pública no 
Brasil. Analisamos o período colonial, a era Vargas (década de 1930), o 
desenvolvimentismo, o início das reformas administrativas, o regime militar e as 
reformas de 1967 e 1995. Essas reformas foram fundamentais para entender as 
mudanças nos modelos de gestão e administração pública que moldaram o Estado 
Brasileiro, exigindo uma nova postura dos gestores públicos. 
A Unidade III tratou de conceitos contemporâneos como a Nova Gestão Pública 
(NGP), a New Public Management (NPM) e o New Public Service (NPS). Nesse 
contexto, vimos como as organizações públicas, buscando maior racionalidade, 
utilizam o planejamento estratégico para fortalecer sua atuação. Exploramos também 
o papel da governança e governabilidade pública, além de como a administração 
pública se organiza por meio de uma estrutura direta (centralizada) e indireta 
(descentralizada). Falamos sobre autarquias, fundações, empresas públicas, 
sociedades de economia mista, parcerias público-privadas (PPPs) e Organizações 
Sociais. Com a crescente redução da intervenção estatal direta, abordamos o papel 
das agências reguladoras, responsáveis pela regulação econômica, social e 
administrativa, assim como a importância dos Programas de modernização da Gestão 
Pública e Desburocratização. 
Por fim, na Unidade IV, discutimos os principais instrumentos usados pela 
Administração Pública, como as políticas públicas, o orçamento público, os processos 
de compras governamentais (introdução a Lei Nº14.133/2021), sistemas de repasse 
e a relação entre Estado, governo e mercado. Abordamos como essas ações 
precisam ser transparentes e como o controle social é fundamental. Analisamos como 
 
 
 
 
 110 
 
as políticas públicas surgem para atender aos problemas sociais e devem ser 
incluídas no orçamento público. Também tratamos dos contratos administrativos, das 
funções econômicas do Estado (alocativa, distributiva e estabilizadora) e do papel das 
agências reguladoras. A importância da transparência e do controle social para a 
supervisão dos poderes foi destacada ao final. 
Esse percurso mostrou como cada um de nós pode contribuir para uma gestão 
pública mais transparente e eficiente, colaborando para o desenvolvimento e 
fortalecimento do Estado. 
Até uma próxima oportunidade.Sucesso e Muito Obrigado! 
 
 
 
 
 
 
 111 
 
REFERÊNCIAS 
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Desempenho - PGD da administração pública federal direta, autárquica e fundacional. 
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Administração Federal, estabelece diretrizes para a reforma administrativa e dá outras 
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da Administração Federal, estabelece diretrizes para a Reforma Administrativa e dá 
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34, 35, 156, 160, 167 e 198 da Constituição Federal, e dá outras providências. 
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NASCIMENTO, Edson R. Gestão pública. São Paulo: Editora Saraiva, 2020. E-book. 
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OLIVEIRA, Saulo Barbará de. Instrumentos de gestão pública. Rio de Janeiro: Grupo 
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PEREIRA, José Matias. Administração Pública, 5ª edição. São Paulo: Grupo GEN, 
2018. E-book. ISBN 9788597016093. Disponível em: 
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PEREIRA, José Matias. Manual de Gestão Pública Contemporânea. Rio de Janeiro: 
Grupo GEN, 2020. E-book. ISBN 9788597024753. Disponível em: https://integrada. 
minhabiblioteca.com.br/#/books/9788597024753/. Acesso em: 06 abr. 2024. 
PEREIRA, Luiz C. Bresser; MOTTA, Fernando C. P. Introdução à organização 
burocrática. São Paulo: Cengage Learning Brasil, 2019. E-book. ISBN 
9788522128495. Disponível em: 
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788522128495/. Acesso em: 06 
abr. 2024. 
RODRIGUES, Rodrigo B. Nova Lei de Licitações e Contratos Administrativos. Rio de 
Janeiro: Grupo GEN, 2021. E-book. ISBN 9786555598230. Disponível em: 
https://integrada. minhabiblioteca.com.br/#/books/9786555598230/.advindos da área 
organizacional. 
Em consonância com a Resolução CNE/CP N.º 3/2002, o perfil profissional 
seguirá a tendência de mercado, podendo ainda ocupar postos de trabalho tais como: 
Profissional liberal ou não; 
Elaboração de pareceres, relatórios, planos, projetos, laudos; 
Realização de perícias, arbitragens, assessoria e consultoria em geral, 
pesquisas, estudos, análises, interpretações, planejamento, implantação, 
coordenação e controle de trabalhos; 
Exercício de funções de chefia ou direção, intermediária ou superior 
assessoramento e consultoria em órgãos, ou seus compartimentos, da Gestão de 
entidades públicas, cujas atribuições envolvam principalmente, a aplicação de 
conhecimentos inerentes às técnicas de sua formação; 
 
 
 
 
 9 
 
Magistério em matérias técnicas dos campos da formação. 
PERFIL DO EGRESSO 
O profissional formado pelo Curso de GESTÃO PÚBLICA do Centro 
Universitário UniFatecie deve ser: 
Generalista, técnico-científico e humano, com habilidades para agir e interagir 
na realidade em constante transformação e atuar com competência nas organizações, 
respeitando as leis e a comunidade. 
Crítico e criativo, empenhado em um constante aprendizado, identificando 
problemas e propondo soluções; comprometido com a cidadania, acessibilidade, 
educação ambiental, educação em direitos humanos, educação das relações étnico-
raciais e para o ensino de história e cultura afro-brasileira, africana e indígena e o 
direito universal à saúde. 
Reconhecer sua responsabilidade para com a profissão, exigindo condições e 
atuando de forma a manter um grau de excelência na qualidade dos serviços 
executados. 
O perfil profissional do egresso deverá englobar um profissional com visão 
sistêmica da organização para promover ações internas, criando sinergia entre 
pessoas e recursos disponíveis e gerando processos eficazes. Portanto, deverá ser 
um articulador nas organizações. 
Competências Profissionais 
Reconhecer e definir problemas, equacionar soluções, pensar 
estrategicamente, introduzir modificações no processo de gestão, atuar 
preventivamente, transferir e generalizar conhecimentos e exercer, em 
diferentes graus de complexidade, o processo de tomada de decisão; 
Desenvolver expressão e comunicação compatíveis com o exercício 
profissional; 
Refletir e atuar criticamente sobre a esfera da gestão pública, 
compreendendo sua posição e função na estrutura sob seu controle e 
gerenciamento; 
 
 
 
 
 10 
 
Desenvolver raciocínio lógico, crítico e analítico para operar com valores e 
formulações econômicas presentes nas relações formais e causais entre 
as atividades da gestão pública, administrativos e de controle; 
Ter iniciativa, criatividade, determinação, vontade política e administrativa, 
abertura às mudanças e consciência da qualidade e das implicações éticas 
do seu exercício profissional; 
Desenvolver capacidade de transferir conhecimentos da vida e da 
experiência cotidianas para o ambiente de trabalho e do seu campo de 
atuação profissional, em diferentes modelos públicos organizacionais; 
Desenvolver capacidade para elaborar, implementar e consolidar projetos 
e; 
Desenvolver capacidade para realizar consultoria, pareceres e perícias 
administrativas, gerenciais, organizacionais, estratégicas e operacionais. 
FUTURO DA PROFISSÃO 
A profissão de Tecnólogo em Gestão Pública tem um futuro promissor, já que 
o setor público necessita cada vez mais de profissionais éticos e comprometidos com 
a sociedade e seu desenvolvimento sustentável. 
Com a globalização e as relações internacionais, assim como o surgimento de 
novas tecnologias, as organizações públicas precisam de profissionais preparados e 
com habilidades especializadas nesse setor, para navegar pelos desafios e 
oportunidades desse novo mundo. 
Algumas das principais tendências que devem moldar o futuro da profissão do 
Tecnólogo em Gestão Pública incluem: 
Transformação digital: A digitalização dos processos está se acelerando, o 
que significa que os profissionais precisam se manter atualizados sobre as 
tecnologias emergentes e as tendências de digitalização para garantir sua 
atuação segura e sustentável. 
A transformação digital está revolucionando o setor público ao alavancar a 
tecnologia para melhorar a eficiência, a acessibilidade e a prestação de 
serviços. Os governos estão adotando plataformas digitais, computação 
 
 
 
 
 11 
 
em nuvem, análise de dados e inteligência artificial (IA) para simplificar 
processos, aprimorar o envolvimento do cidadão e otimizar a alocação de 
recursos. A transformação digital permite serviços on-line integrados, 
tomadas de decisão baseadas em dados e experiências personalizadas 
dos cidadãos. 
Dados Abertos e Transparência: os governos estão adotando cada vez 
mais iniciativas de dados abertos para promover a transparência e a 
responsabilidade. Ao disponibilizar gratuitamente ao público, dados não 
confidenciais do governo, cidadãos, pesquisadores e empresas podem 
acessar informações valiosas, incentivar a inovação e responsabilizar os 
governos. As iniciativas de dados abertos promovem a colaboração, 
aprimoram a formulação de políticas e permitem a tomada de decisões com 
base em evidências para enfrentar os desafios sociais de maneira eficaz. 
Governança Colaborativa: a governança colaborativa enfatiza a 
importância de parcerias e colaboração entre governos, organizações da 
sociedade civil e cidadãos. Os governos estão envolvendo ativamente os 
cidadãos nos processos de tomada de decisão, buscando sua opinião e 
criando políticas e serviços. As abordagens de governança colaborativa 
capacitam os cidadãos, promovem a inclusão e alavancam a inteligência 
coletiva para lidar com problemas complexos e promover a confiança do 
público. 
Sustentabilidade: a sustentabilidade está se tornando cada vez mais 
importante para as organizações globalmente, e os gestores públicos 
precisam estar cientes das regulamentações e tendências em torno da 
sustentabilidade para garantir que suas ações cumpram as normas 
ambientais e sociais, mas também da transparência e da legalidade. 
O setor público prioriza cada vez mais a sustentabilidade e a resiliência em 
suas políticas e operações. Os governos estão lidando com a mudança climática, 
promovendo energia renovável, implementando infraestrutura verde e adotando 
princípios de economia circular. Práticas sustentáveis, como compras ecologicamente 
corretas, redução de resíduos e iniciativas de conservação, estão sendo integradas 
às estratégias do setor público para criar comunidades mais verdes e resilientes. 
 
 
 
 
 12 
 
Cibersegurança e Privacidade: à medida que a digitalização avança, o setor 
público enfrenta crescentes ameaças à segurança cibernética e 
preocupações com a privacidade. Os governos estão investindo em 
medidas robustas de segurança cibernética, regulamentos de proteção de 
dados e estruturas de privacidade para proteger as informações dos 
cidadãos e manter a confiança do público. Fortalecer os recursos de 
segurança cibernética, implementar práticas seguras de dados e promover 
a alfabetização digital são prioridades críticas para o setor público na era 
digital. 
Em resumo, o futuro da profissão na Gestão Pública parece brilhante, com 
muitas oportunidades para aqueles que têm habilidades especializadas nessa área e 
podem ajudar as organizações em suas ações junto ao desenvolvimento da 
sociedade. 
Além disso, não podemos ignorar as tendências que seguem: 
Inteligência Artificial: Através da Inteligência Artificial, as máquinas são 
capazes de realizar tarefas de forma mais rápida e segura do que seres 
humanos. A perspectiva é que isso cresça cada vez mais com o passar dos 
anos e sejam desenvolvidos novos equipamentos que realizarão tarefas 
cada vez mais complexas, automatizando processos e transformando as 
relações no mercado. 
AnáliseAcesso em: 06 
abr. 2024. 
WEBER, Max. Os fundamentos da organização burocrática: uma construção do tipo 
ideal. In Sociologia da Burocracia. Organização, introdução e tradução de Edmundo 
Campos. Rio de Janeiro, FGV, 1996. 
 
 
 
 
 
 
 115 
 
ENDEREÇO MEGAPOLO SEDE 
Praça Brasil , 250 - Centro CEP 87702 - 320 
Paranavaí - PR - Brasil 
TELEFONE (44) 3045 - 9898 
	GUIA DO CURSO DE GESTÃO PÚBLICA
	APRESENTAÇÃO DO CURSO
	OBJETIVOS DO CURSO (Geral e Específicos)
	Objetivo Geral
	Objetivos específicos
	FORMAÇÃO E MERCADO PROFISSIONAL
	ATUAÇÃO PROFISSIONAL
	MERCADO DE TRABALHO
	PERFIL DO EGRESSO
	Competências Profissionais
	FUTURO DA PROFISSÃO
	SOBRE O CURSO
	DIRETRIZES DO CURSO
	CONTEÚDOS CURRICULARES
	METODOLOGIA
	SISTEMA DE AVALIAÇÃO
	INFORMAÇÕES ADICIONAIS
	ATIVIDADES COMPLEMENTARES
	SEMANA ACADÊMICA
	QUESTÕES LEGAIS
	COMISSÃO PRÓPRIA DE AVALIAÇÃO INSTITUCIONAL (CPA)
	CONSIDERAÇÕES FINAIS
	FUNDAMENTOS DA GESTÃO PÚBLICA
	APRESENTAÇÃO
	SUMÁRIO
	UNIDADE 1 - ESTADO E ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
	INTRODUÇÃO
	TÓPICO 1 - O ESTADO E A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
	TÓPICO 2 - FUNÇÃO DO ESTADO E A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
	TÓPICO 3 - O SISTEMA DE FREIOS E CONTRAPESOS DE MONTESQUIEU
	TÓPICO 4 - PRINCIPAIS INSTITUIÇÕES POLÍTICAS NO BRASIL
	CONSIDERAÇÕES FINAIS
	UNIDADE 2 - ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA BRASILEIRA: CONCEPÇÃO HISTÓRICA E REFORMAS
	INTRODUÇÃO
	TÓPICO 1 - EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA NO BRASIL
	TÓPICO 2 - REFORMAS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
	TÓPICO 3 - MODELOS DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
	CONSIDERAÇÕES FINAIS
	UNIDADE 3 - MODELOS DE GESTÃO PÚBLICA E DESAFIOS
	INTRODUÇÃO
	TÓPICO 1 - REFORMAS E A NOVA FORMA DE ADMINISTRAÇÃO E GESTÃO PÚBLICA
	TÓPICO 2 - A NOVA GESTÃO PÚBLICA (NGP), A NEW PUBLIC MANAGEMENT (NPM) E O NEW PUBLIC SERVICE (NPS)
	TÓPICO 3 - GESTÃO PÚBLICA ESTRATÉGICA E A GOVERNANÇA NO SERVIÇO PÚBLICO
	TÓPICO 4 - FORMAS DE ATUAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
	TÓPICO 5 - QUALIDADE E EXCELÊNCIA NA GESTÃO PÚBLICA
	CONSIDERAÇÕES FINAIS
	UNIDADE 4 - INSTRUMENTOS DA GESTÃO PÚBLICA
	INTRODUÇÃO
	TÓPICO 1 - POLÍTICAS PÚBLICAS
	TÓPICO 2 - ORÇAMENTO PÚBLICO
	TÓPICO 3 - PROCESSO DE COMPRAS E REPASSES DO ESTADO
	TÓPICO 4 - RELAÇÕES ENTRE ESTADO, GOVERNO E MERCADO
	CONSIDERAÇÕES FINAIS
	CONCLUSÃO GERAL
	REFERÊNCIASSombria: Analisar dados faz parte da rotina de todo gestor e essa 
análise, geralmente, é utilizada para avaliar riscos, custos e até mesmo 
tendências. Com estes dados, o gestor pode preparar estratégias em busca 
de mais resultados dentro das organizações, por exemplo. 
Automação de processos: A automação de processos foi crescente em 
2018 até 2022, mas com certeza ganhará ainda mais força nos próximos 
anos, algo que as startups e fintechs já adotam desde a sua criação. A 
oferta de tecnologias que focam em automação é enorme atualmente. 
Existem softwares e plataformas para agilizar e automatizar praticamente 
todo tipo de tarefa e operação nos diversos setores organizacionais, como 
 
 
 
 
 13 
 
o financeiro, por exemplo, mas também na área pública, como nas 
licitações e convênios. 
 
 
 
 
 
 
 14 
 
SOBRE O CURSO 
DIRETRIZES DO CURSO 
 
CONTEÚDOS CURRICULARES 
Os conteúdos curriculares definidos para o curso estão em consonância com o 
que preconiza as Diretrizes Curriculares Nacionais e buscam possibilitar, com 
qualidade, o desenvolvimento do perfil profissional do egresso, considerando, em uma 
análise sistêmica e global, os aspectos: coerência com as DCNs e objetivos do curso, 
necessidades locais e regionais, acessibilidade plena, adequação das cargas horárias 
(em horas), adequação da bibliografia e abordagem de conteúdos pertinentes às 
políticas de educação ambiental, de educação em direitos humanos, de educação das 
relações étnico-raciais e ao ensino de história e cultura afro-brasileira, africana e 
indígena, estabelecidas na disciplina de Formação Sociocultural. O curso gera bem-
 
 
 
 
 15 
 
estar à comunidade local e regional, considerando os aspectos mencionados 
anteriormente, promovendo uma formação de qualidade para o seu futuro egresso. 
METODOLOGIA 
Como se sabe, historicamente, a grande preocupação da Educação Superior 
voltou-se para o ensino, em um paradigma de transmissibilidade do conhecimento, 
permeada pela concepção bancária de ensino, em um modelo centrado no professor. 
Nesse modelo, o professor é aquele que explica, que comunica, é o detentor de todo 
conhecimento que deve transmitir aos alunos, os quais se mantêm de forma passiva, 
são receptores e devem, nas atividades avaliativas, reproduzir a fala do professor 
(FREIRE, 1996). Em contrapartida a essa conjuntura, a sociedade atual requer a 
formação de um novo perfil profissional muito mais ativo, reflexivo, que seja capaz de 
tomar as iniciativas e que esteja apto para acompanhar o rápido desenvolvimento 
tecnológico. 
Atualmente vive-se em momento histórico no qual o avanço, contínuo e veloz, 
da tecnologia requer dos profissionais a capacidade criativa e inovadora de 
acompanhar e desenvolver novas técnicas e novos saberes, o tempo todo. Nesse 
sentido, a educação superior necessita, com urgência, de uma revisão substantiva do 
processo de aprendizagem, revisão metodológica e conteudista, somada a uma 
reflexão sobre o fazer docente no ensino. 
No Curso Superior de Tecnologia em Gestão Pública, na modalidade a 
Distância, o ensino é centrado no acadêmico, incentivando-o ao crescimento 
exponencial, visando o desenvolvimento de competências e habilidades por 
fundamentos científicos da área. Embora os dados e as informações colhidas no 
mundo real sejam as mesmas, a organização do conhecimento é individual, sendo 
que cada aluno se torna capaz de investigar determinado tema sob a ótica do seu 
conhecimento de mundo integrado ao teórico, apreendido no curso, juntamente com 
seu pensamento crítico e criativo e construir um conhecimento novo, mudando e 
transformando a sociedade. 
A metodologia adotada para promover uma aprendizagem significativa na 
modalidade de ensino a distância do Centro Universitário UNIFATECIE está em 
consonância com os pressupostos apresentados e a legislação vigente. Sendo assim, 
 
 
 
 
 16 
 
o modelo pedagógico baseia-se na premissa de que o aluno deve desenvolver 
iniciativa e autonomia no processo de apreensão e construção do conhecimento. 
SISTEMA DE AVALIAÇÃO 
O resultado final do desempenho acadêmico é composto pela soma das 
provas, atividades objetivas, fóruns e atividades desenvolvidas ao longo do módulo, 
que levará o aluno à aprovação ou reprovação nas disciplinas e, consequentemente, 
nos módulos do curso. No decorrer das disciplinas, os professores formadores e 
tutores apresentam ao aluno todos os critérios básicos que norteiam o processo de 
avaliação e as atividades que serão solicitadas. Para que se tenha um bom resultado, 
nos estudos é necessário cumprir todas as atividades estabelecidas nas diferentes 
etapas do curso. 
Tabela: Sistemas de avaliação da aprendizagem 
 
Cálculo para Aprovação: a média final de cada disciplina será calculada através 
da soma de todas as avaliações. Sobre a Nota para APROVAÇÃO: igual ou maior que 
6,0 (seis) pontos por disciplina. 
Sobre a REPROVAÇÃO nas disciplinas: se o aluno não conseguir alcançar a 
média necessária para aprovação, ele deverá realizar a prova substitutiva como forma 
de segunda oportunidade. Se não alcançar a média para aprovação com a prova 
substitutiva, o aluno deverá cursar a disciplina novamente em regime de dependência. 
 
 
 
 
 17 
 
O planejamento de disciplinas partiu do perfil profissional a ser desenvolvido e 
de competências profissionais requeridas. A partir desses elementos são definidas 
unidades temáticas. Todas com material didático elaborado e em consonância com 
os princípios pedagógicos expressos no PPC, e que se integram a conteúdos e 
atividades no AVA e atividades tutoriais on-line. 
Na EaD da UniFatecie, utiliza-se da metodologia sala de aula invertida 
conforme apresentada no PPC, em que o material didático (apostila, videoaula, 
leituras complementares, dentre outros) atende ao desenvolvimento de conteúdo, 
sendo disponibilizado no ambiente virtual de aprendizagem. A mediação é feita na 
sequência, com estratégias de aprendizagem e acompanhamento contínuo das 
atividades. Assim, o aluno assume o protagonismo de seu processo de ensino e o 
tutor a mediação desse processo, no qual coaduna-se com as práticas pedagógicas 
que estimulam a ação discente em uma relação teoria-prática, habilidades e 
competências, sendo claramente inovadora e mostra-se que o acesso a esses 
recursos proporciona aprendizagens diferenciadas. A acessibilidade pedagógica é 
fornecida por meio de atendimento especializado mediado pelo Núcleo de Apoio 
Pedagógico (NAP), além da disponibilização de softwares, que facilitam o 
aprendizado. A mediação do tutor é feita com autonomia: uma forma de promover a 
acessibilidade metodológica. 
A organização curricular do curso está estruturada em módulos e semestres, 
de forma que seus componentes curriculares evidenciam interdisciplinaridade, o 
cumprimento da formação dos objetivos do curso, perfil do egresso, habilidades e 
competências. 
Dessa forma, a metodologia do ensino a distância da UniFatecie foi 
desenvolvida para que os estudantes tenham acesso ao Curso Superior de 
Tecnologia em Gestão Pública na modalidade a Distância, através da internet, pelo 
portal de estudos, AVA e também por meio de materiais didáticos, livros em PDF 
preparado por professores qualificados. 
 
 
 
 
 
 
 18 
 
INFORMAÇÕES ADICIONAIS 
ATIVIDADES COMPLEMENTARES 
O acadêmico deve realizar a carga horária de atividades acadêmicas 
complementares conforme a matriz curricular do curso. Essas atividades estão 
regulamentadas, institucionalizadas na UniFatecie, sendo disponibilizadas no "Manual 
do Aluno EaD", postado no espaço de "Ambientação" no AVA. Há descrição de várias 
opções de atividades complementares a fim de que o aluno tenha diferentes 
experiências educacionais ao longo de sua graduação, considerando a diversidade 
de atividades e suas formas de aproveitamento constante no PPC. As atividades 
devem ser correlatasaos núcleos básicos ou específico do curso, de forma a garantir 
o seu aproveitamento para a formação profissional do egresso. A carga horária 
atribuída a cada uma das atividades está definida no Regulamento de Atividades 
Complementares da Educação a Distância. Essas atividades devem ser realizadas 
durante o período de integralização curricular. As atividades complementares 
consideram a diversidade de atividades e são gerenciadas pelo coordenador do AVA. 
SEMANA ACADÊMICA 
O curso de GESTÃO PÚBLICA oferece todos os anos uma Semana 
Acadêmica/Pedagógica, em que os acadêmicos terão acesso a palestras diárias com 
professores renomados e qualificados, a fim de desenvolver e adquirir conhecimentos 
inovadores relevantes para a profissão. 
QUESTÕES LEGAIS 
O Sistema CFA/CRA é composto pelo Conselho Federal e outros 27 Conselhos 
Regionais de Administração referentes a cada Unidade Federativa brasileira e o 
Distrito Federal. Cada CRA fica responsável por executar as diretrizes estabelecidas 
pelo Conselho Federal, além de: fiscalizar o exercício de profissões ligadas à 
Administração e à Gestão; organizar e manter o registro dos profissionais; julgar as 
infrações e impor as penalidades; expedir as Carteiras Profissionais; além de elaborar 
o seu Regimento para exame e aprovação pelo CFA. 
COMISSÃO PRÓPRIA DE AVALIAÇÃO INSTITUCIONAL (CPA) 
A CPA – Comissão Própria de Avaliação do Centro Universitário UNIFATECIE 
encaminha anualmente ao Ministério da Educação o relatório annual da autoavaliação 
institucional. 
Um CPA realiza MINI-CPA'S ao longo do ano visando identificar possíveis 
problemas e insatisfações que podem ser corrigidas de imediato. A satisfação do 
aluno tem sido uma meta atingida e identificada pela CPA. 
Os discentes do Curso Superior, na modalidade a Distância do Centro 
Universitário UNIFATECIE, participarão do acompanhamento/atualização do Projeto 
Pedagógico do Curso mediante as reuniões com o colegiado do curso superior e será 
registrada ata de todas as intervenções e solicitações pretendidas. Os discentes serão 
 
 
 
 
 19 
 
disseminadores do conhecimento aos demais colegas. Da mesma forma que 
compartilharão as informações, poderão também receber demandas dos alunos, 
compartilhando-as em discussões em próximas reuniões. 
 
 
 
 
 
 
 20 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
Com esse Guia, esperamos ter contribuído ainda mais para que você 
compreenda alguns dos aspectos mais importantes de seu curso de graduação. 
Nesse sentido, as orientações mais específicas sobre o seu dia a dia são divulgadas 
pela Coordenação de Curso, Professores, Tutores e toda equipe pedagógica 
UniFatecie. 
Importante ressaltar para estar sempre atento às informações que 
compartilhamos pelos diversos canais de comunicação, acompanhar todos os dias o 
calendário acadêmico do seu curso e seu e-mail, para não perder o prazo de nenhuma 
atividade ou avaliação. Lembre-se de sempre acessar o seu AVA (Ambiente Virtual 
de Aprendizagem) para contatar seu tutor a distância. Não deixe de participar dos 
fóruns de discussão das disciplinas, pois essa é uma oportunidade rica em 
experiências e saberes. 
Lembre-se também que no polo de apoio presencial você conta com uma 
equipe que estará à sua disposição para que sua vida acadêmica transcorra da melhor 
maneira possível, com a Coordenação do polo e seus colaboradores. 
Conte conosco sempre, sucesso! 
 
 
 
 
 
 
 
 21 
 
FUNDAMENTOS DA GESTÃO PÚBLICA 
AUTOR 
Professor Me. Heider Jeferson Gonçalves 
⦁ Mestre em Administração pela MUST University - Florida/USA. 
⦁ Bacharel em Ciências Contábeis (2000) e Administração (2008), pela Faculdade 
Estadual de Educação, Ciências e Letras de Paranavaí - PR (FAFIPA/UNESPAR). 
⦁ Especialista em Gestão de Políticas Públicas pelo Instituto ESAP / Faculdades 
Iguaçu. 
⦁ Especialista em Gestão Ambiental para Municípios pela Universidade Tecnológica 
Federal do Paraná, UTFPR. 
⦁ Professor Formador EAD - UniCesumar. 
⦁ Professor Formador e Conteudista do Centro Universitário UNIFATECIE, no Núcleo 
de EAD (Educação a Distância). 
⦁ Coordenador do Núcleo de Cursos da Área de Contabilidade e Economia (Educação 
a Distância) da UniFatecie. 
Ampla experiência na área de Administração com ênfase em Administração de 
Empresas e na Administração Pública, com ênfase em Práticas Legislativas, sendo 
Vereador por dois mandatos consecutivos (2005-2008 / 2009-2012). Atuou também 
na área pública como Chefe de Gabinete do Poder Executivo Municipal (2013-2016), 
atuando por doze anos na administração pública. 
Informações e contato: 
Currículo Plataforma Lattes: http://lattes.cnpq.br/7038635031377474 
 
 
 
 
 
 
 22 
 
APRESENTAÇÃO 
Prezado(a) aluno(a), seja muito bem-vindo (a)! 
É com grande satisfação que apresento a você o livro que será utilizado na 
disciplina Fundamentos da Gestão Pública. A equipe da UNIFATECIE e eu 
preparamos este material com muito cuidado para garantir que você adquira os 
conhecimentos essenciais sobre Administração e Gestão Pública. Ao longo das quatro 
unidades deste livro, iremos guiá-lo para alcançar esse objetivo. 
Na Unidade I, você aprofundará sua compreensão sobre o papel do Estado e 
da Administração Pública. Começaremos estudando a teoria contratualista de 
Hobbes, Locke e Rousseau, abordando a formação dos sistemas sociais e políticos. 
Em seguida, exploraremos o conceito de “freios e contrapesos” de Montesquieu e as 
principais instituições políticas do Estado Brasileiro. 
A Unidade II discutirá a evolução histórica do Estado Brasileiro e suas reformas 
constitucionais e estruturais. Também abordaremos a transição dos modelos de 
Administração Pública, começando pelo Patrimonialismo, passando pela 
Administração Burocrática e chegando à Administração Gerencial. 
Na Unidade III, focaremos nos principais aspectos contemporâneos da 
Administração e Gestão Pública, destacando as novas abordagens, como o papel das 
organizações sociais, as parcerias público-privadas (PPPs) e as agências 
reguladoras. Também será dada ênfase à importância da governança e à busca por 
qualidade na gestão pública, sempre pensando no atendimento às demandas dos 
cidadãos. 
Por fim, na Unidade IV, serão apresentados os principais instrumentos de 
atuação do Estado. De forma resumida, essa unidade abordará o funcionamento das 
políticas públicas, as características do orçamento público, o processo de compras, 
os contratos administrativos e os repasses realizados pelo Estado, tanto para a 
administração pública quanto para a iniciativa privada. Também exploraremos as 
relações entre o Estado, o Governo e o Mercado, além da importância do controle 
social e da participação cidadã. 
Essa apostila foi estruturada para proporcionar uma base sólida de 
conhecimentos que contribuirão para sua atuação futura na gestão pública. 
Sucesso e bons estudos! 
 
 
 
 
 
 
 23 
 
SUMÁRIO 
UNIDADE 1 
Estado e administração pública 
UNIDADE 2 
Administração pública brasileira: concepção histórica e reformas 
UNIDADE 3 
Modelos de gestão pública e desafios 
UNIDADE 4 
Instrumentos da gestão pública 
 
 
 
 
 
 
 24 
 
UNIDADE 1 - ESTADO E ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
Professor Me. Heider Jeferson Gonçalves 
PLANO DE ESTUDO 
Plano de Estudos 
⦁ O Estado e a Administração Pública; 
⦁ Função do Estado e a Administração Pública; 
⦁ O sistema de freios e contrapesos de Montesquieu; 
⦁ Principais Instituições Políticas no Brasil. 
Objetivos da Aprendizagem 
⦁ Apresentar a teoria contratualista na visão dos pensadores Hobbes, Locke e 
Rousseau; 
⦁ Conceituar e contextualizar a definição de Estado e dos sistemas sociais; 
⦁ Conceituar e contextualizar a Administração Burocrática por Weber; 
⦁ Apresentar o sistema de freios e contrapesos de Montesquieu; 
⦁ Apresentar as principais instituições políticas no Brasil. 
 
 
 
 
 
 
 25 
 
INTRODUÇÃO 
Olá, querido(a) aluno(a)!Seja bem-vindo (a) à disciplina Fundamentos da Gestão Pública. 
Nesta primeira unidade, você estudará os aspectos fundamentais que lhe irão 
possibilitar maior compreensão sobre o papel do Estado e sua formação enquanto 
Administração Pública e Política. Portanto, será apresentado a você, a teoria 
contratualista na visão dos pensadores Hobbes, Locke e Rousseau; em seguida, a 
necessidade da formação dos sistemas sociais com ênfase na organização 
burocrática e na administração pública e o motivo pelo qual houve a necessidade do 
sistema de freios e contrapesos de Montesquieu. Ao final, sucintamente, será 
apresentada as principais instituições políticas no Brasil. 
Iniciaremos esta unidade trazendo pontos cruciais sobre a formação e 
necessidade do Estado, a partir da Teoria Clássica, ou seja, da Teoria Contratualista 
de Hobbes, Locke e Rousseau, explicando sobre o Estado de Natureza, a sociedade 
civil, a necessidade de Estado e do Contrato Social. 
Em seguida, será apresentada a função tríplice do Estado e alguns conceitos 
sobre os sistemas sociais e político e sua forma de organização. Neste momento, será 
apresentada a necessidade da legitimação deste Estado enquanto soberano e de 
como essa legitimidade poderia se fortalecer por meio do sistema político, com o 
enfoque na Burocracia de Weber, a qual é considerada o modelo ideal para a 
Administração Pública, pois apresenta algumas características que podem colaborar 
com a eficiência dos serviços prestados pelo Estado ao seu povo. 
Por fim, será apresentado o sistema de freios e contrapesos de Montesquieu, 
e como o próprio nome já diz, é um sistema que serve de controle para o poder político 
que é concretizado por meio da constituição dos três poderes: legislativo, executivo e 
judiciário. Na Administração Pública será apresentado o seu conceito básico bem 
como estas Instituições Políticas executam o seu papel no Sistema Brasileiro. 
Lembre-se, todo caminho começa pelo primeiro passo! Bons Estudos e conte 
comigo. 
 
 
 
 
 
 
 26 
 
TÓPICO 1 - O ESTADO E A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
O Estado surgiu em um contexto histórico influenciado por diversos elementos 
sociais, políticos e econômicos, com o propósito de estabelecer uma nova ordem 
institucional de autoridade (Costin, 2010). 
Foi a partir do século XVII que surgiu a Teoria Clássica do Estado, impulsionada 
pelo domínio econômico e político na Europa. Esse período foi marcado pelo declínio 
do sistema feudal devido a conflitos internos e transformações significativas na 
concentração e centralização do poder em determinadas regiões. 
O feudalismo enfrentou sua queda com o surgimento das monarquias 
absolutistas e seu fim definitivo ocorreu com o advento da industrialização e a 
ascensão da classe burguesa, marcando o estabelecimento do sistema capitalista. 
Esse sistema, por sua vez, passou por um processo de burocratização e 
racionalização, à medida que a unidade primária de produção mudava da família para 
a empresa burocrática, na qual as organizações e o Estado exerciam domínio 
(Bresser-Pereira; Mota, 2003). 
Nesse contexto, o Estado foi chamado a desempenhar o papel de um agente 
civilizador, especialmente durante um período de mudanças significativas que viu o 
desenvolvimento da Teoria do Estado Liberal. Essa teoria se baseava nos direitos 
individuais e na atuação do Estado em prol do bem comum, rompendo com a 
autoridade divina e estabelecendo uma abordagem política e econômica mais 
racional. 
1.1 Teoria Contratualista 
No final do século XVII houve uma redefinição do conceito de Estado de 
Natureza, que representa a condição natural do ser humano, com a formulação dos 
direitos individuais. Esses direitos passaram a substituir a autoridade divina como 
base das hierarquias políticas da época. Segundo Carnoy (2018), enquanto Maquiavel 
procurava aprimorar a arte de governar, instruindo os príncipes a ampliarem seu 
domínio por meio de uma abordagem científica e positiva, outros filósofos 
fundamentavam suas teorias políticas na natureza humana, no comportamento 
individual e nas relações interpessoais. 
Hobbes e Rousseau, em seu pensamento político, concordam que a 
propriedade privada não é um direito natural, mas um direito civil, ou seja, mesmo que 
no estado de natureza (em Hobbes) e no estado de sociedade (em Rousseau) os 
indivíduos obtenham terras e bens, sem as leis essa posse não é garantida, por isso 
a necessidade de um contrato social a partir de um decreto soberano (Chauí, 2019). 
Os três clássicos que melhor representam a teoria clássica do Estado é 
Hobbes, Locke e Rousseau (Carnoy, 2018). 
1.1.1 Thomas Hobbes 
 
 
 
 
 27 
 
Segundo Carnoy (2018), o livro “Leviatã” de Thomas Hobbes (1968), 
originalmente publicado em 1651, representou uma abordagem completamente nova 
para entender a sociedade política. Seu objetivo era sistematizar o comportamento 
político humano utilizando a lógica dedutiva e os conceitos do século XVII. O propósito 
do livro era oferecer um modelo para o comportamento individual baseado na teoria 
política, em vez de focar na eficácia estatal. Hobbes argumentava que os indivíduos 
deveriam renunciar parte de seu poder em favor de um poder soberano que garantisse 
a satisfação de seus desejos e a prevenção de seus receios, como a morte e conflitos. 
Hobbes argumenta que os indivíduos devem renunciar parte de seu poder em 
favor de um soberano, pois a constante luta pelo poder levaria à desintegração da 
sociedade e ao aumento da violência, resultando em maior probabilidade de morte 
violenta. Ele sugere que é prudente ceder todo o poder a um soberano capaz de evitar 
esse colapso. Hobbes introduz seu argumento a partir da ideia abstrata do homem e 
do “Estado de Natureza”, uma condição hipotética na qual não há autoridade central 
para controlar os indivíduos, nem leis coercitivas, incentivando assim a transição para 
um estado civilizado. 
Ocorre que no Estado de Natureza há também direitos naturais humanos a 
serem preservados. Segundo Carnoy (2018, p. 27), “por essa razão há uma tensão 
entre preservar a liberdade vantajosa no estado de natureza e o medo da violência e 
da guerra, que logicamente esse estado produz”. Neste sentido, isso levaria à 
renúncia do poder individual em favor de um soberano, reduzindo-o à impotência. 
Hobbes se opõe primeiro porque a sujeição é melhor que a guerra e a morte; e 
segundo porque não seria de interesse do soberano tirar sua liberdade, já que sua 
força vem do vigor dos súditos. 
Com a ausência de submissão, as paixões individuais se intensificaram, 
especialmente no contexto da troca de bens no mercado livre. Nesse ambiente, as 
paixões dos homens se concentraram na maximização de seus interesses 
econômicos, resultando em uma diminuição da violência na busca pelo lucro em um 
contexto pacífico de mercado. 
1.1.2 John Locke 
Mais de quarenta anos após Hobbes, em 1692, surge John Locke em um 
período histórico marcado pelas guerras e pelo surgimento da burguesia em oposição 
ao feudalismo na Inglaterra. Ao invés de considerar um “Estado de Natureza” primitivo, 
Locke descreve esse estado como uma condição de liberdade individual perfeita, na 
qual os indivíduos possuem direitos, incluindo o direito de assegurar e preservar sua 
propriedade, além de atuar como juízes e executores da lei natural. No entanto, Locke 
adverte que esse estado de natureza pode degenerar em um estado de guerra, no 
qual os homens podem submeter uns aos outros ao seu poder absoluto (Carnoy, 
2018). 
 
 
 
 
 28 
 
Diante dessa perspectiva, Locke propõe que os homens se unam em uma 
sociedade política para se protegerem contra o estado de guerra. Essa sociedade 
seria sustentada por um conjunto de leis, nas quais os indivíduos renunciam ao direito 
de autopreservação da propriedade em favor da comunidade (o Estado). Ao contrário 
de Hobbes, Locke discorda da ideia de um soberano absolutoe argumenta que a 
monarquia absoluta é incompatível com a sociedade civil. 
Assim, Locke defende que o poder deve ser concedido a um corpo coletivo de 
homens, representado por um poder legislativo responsável por elaborar e aplicar leis 
que garantam a segurança pessoal e a preservação da propriedade individual. Esse 
poder, segundo Locke, reside nos indivíduos que compõem a sociedade civil, os quais 
têm o direito de dissolver esse poder se necessário. Portanto, tanto o poder legislativo 
quanto o executivo possuem autoridade política, desde que representem a vontade 
dos membros individuais da sociedade, que detêm o verdadeiro poder político. 
Segundo Chauí (2019), para Hobbes, o soberano pode assumir diversas 
formas, como um rei, um grupo de aristocratas ou uma assembleia democrática. O 
aspecto crucial não é o número de governantes, mas a identificação da entidade que 
detém o poder soberano de maneira absoluta, representada pelo Estado por meio de 
suas instituições públicas. 
O Estado possui a autoridade para legislar e aplicar leis, estabelecendo e 
protegendo a propriedade privada, ao mesmo tempo em que exige obediência 
irrestrita dos governados. No entanto, essa obediência é condicionada ao Estado 
respeitar dois direitos naturais inalienáveis: o direito à vida e à paz. 
Dessa forma, o soberano detém tanto o poder coercitivo (simbolizado pela 
espada) quanto o poder legislativo (representado pela lei), enquanto os governados 
possuem o direito à vida e à propriedade dos bens. 
1.1.3 Jean-Jacques Rosseau 
Para Rousseau, o conceito de sociedade civil difere de Locke, pois ele a 
enxerga como uma descrição da forma como os homens são encontrados na 
sociedade, não como uma construção ideal ou hipotética, mas como uma realidade 
concreta. Rousseau argumenta que o homem é inerentemente amoroso, porém sem 
moralidade, e é corrompido não pela natureza, mas pela aquisição da propriedade e 
pela formação da sociedade civil, a qual ele considera corrupta (Carnoy, 2018). 
Em contrapartida, Locke vê a posse da propriedade como a base de uma 
sociedade justa e equitativa, enquanto Rousseau a encara como a origem do mal e 
da desigualdade, resultante da ganância do homem mais rico e poderoso, que forma 
uma sociedade em prol de seus interesses, sem necessariamente beneficiar as 
massas. Nesse contexto desigual, Rousseau argumenta que é necessário manter a 
ordem, reprimir tentativas de usurpação e legitimar a exploração dos pobres pelos 
ricos (Carnoy, 2018). 
 
 
 
 
 29 
 
De acordo com Chauí (2019), Locke defende que os homens, ao se unirem na 
sociedade civil, renunciam às suas liberdades naturais em troca de segurança, o que 
é visto como um produto da racionalidade humana. Essa transição do estado de 
natureza para a sociedade civil ocorre por meio de um contrato social, no qual os 
indivíduos abdicam de sua liberdade natural, incluindo a posse de bens, riquezas e 
armas, transferindo esse poder ao soberano, que é investido com autoridade política 
para criar e aplicar as leis. 
Rousseau, conforme citado por Carnoy (2018), retrata o Estado não como uma 
entidade benéfica para todos, mas como um mecanismo destinado a preservar a 
desigualdade política e social. Ele acredita que os indivíduos desejam viver como 
iguais e livres, o que está em sua obra On the social contract (O Contrato Social) de 
1762, em que ele estabelece os fundamentos desse contrato social e defende que o 
Estado deve agir de acordo com a vontade geral da população. 
Tanto Locke quanto Rousseau concordam que, embora a vontade geral busque 
tratar todos os cidadãos de forma equitativa, nem todos são iguais. Eles reconhecem 
a possibilidade de existirem diferentes classes de cidadãos, baseadas no mérito do 
nascimento ou na posse de propriedade, mas não em classes sociais. 
Em seu Discourse on political economy (Discurso sobre a Economia Política) 
em 1755, Rousseau argumenta que a intervenção do Estado é necessária para 
prevenir a extrema desigualdade de riqueza. Ele sugere que o governo não deve 
expropriar a riqueza, mas sim eliminar os meios pelos quais as pessoas acumulam 
riqueza desproporcionalmente. Além disso, ele propõe que o Estado proteja os 
cidadãos para evitar que se tornem pobres, através de medidas como educação e 
prevenção do desenvolvimento da desigualdade (Carnoy, 2018). 
Reflita 
Se o poder do soberano é conferido pelo povo, para legitimar a teoria do 
contrato social, como isso é possível? Se a função do estado é garantir e defender a 
propriedade privada contra nobres e pobres, então, qual é o poder do soberano? Qual 
sua legitimidade? 
 
 
 
 
 
 
 30 
 
TÓPICO 2 - FUNÇÃO DO ESTADO E A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
De acordo com Chauí (2019), Locke, influente precursor da teoria liberal, assim 
como os líderes da Independência norte-americana, os protagonistas da Revolução 
Francesa e pensadores como Max Weber, delineiam uma visão sobre a função do 
Estado que pode ser resumida em três aspectos: 
⦁ O Estado é responsável por assegurar o direito natural de propriedade 
dos indivíduos por meio das leis e do uso legítimo da força, exercida pelo 
exército e pela polícia, enquanto respeita a liberdade econômica dos 
proprietários privados. 
⦁ Nessa perspectiva, o Estado não exerce um papel instituinte, mas sim 
atua como um garantidor e árbitro dos conflitos que possam surgir, 
intervindo por meio das leis e, quando necessário, da força para resolver 
disputas. 
⦁ Além disso, o Estado tem o poder de legislar e regular tudo que pertence 
à esfera da vida pública, porém, não deve interferir na consciência dos 
governados, exceto em situações em que haja ameaça direta à própria 
existência do Estado, podendo então aplicar censura, mas apenas em 
circunstâncias extremas. 
O sistema capitalista foi crucial para o surgimento e o desenvolvimento da 
burocracia, pois gerou a necessidade de uma administração precisa, eficiente e 
altamente organizada. Isso conferiu à burocracia um papel central na sociedade, 
tornando-a essencial na gestão de grandes populações (Weber, 1996). 
Dentro do contexto da liderança estatal, em uma comunidade em que o Estado 
detém o monopólio legítimo do uso da força física em seu território, a legitimidade é 
fundamental. 
Weber explora os elementos fundamentais que compõem o Estado e destaca 
a importância da autoridade e legitimidade. Para que o Estado seja efetivo é crucial 
que a população aceite a autoridade conferida pelos detentores do poder. Por isso, é 
essencial que esses detentores tenham seu poder legitimado, e Weber identifica três 
tipos de autoridade: racional-legal, tradicional e carismática (Weber, 1996). 
A autoridade racional-legal, que é o foco principal de nosso interesse, conforme 
Weber (1996), baseia-se na crença na validade das leis e na competência funcional, 
estabelecidas por meio de regras criadas de forma racional. Quando essa autoridade 
racional-legal se manifesta em uma estrutura administrativa organizada, ela se 
apresenta na forma de uma burocracia, um tema que será amplamente explorado a 
seguir. A autoridade tradicional é legitimada por procedimentos considerados 
legítimos e aceitos em nome de uma tradição reconhecida como válida. Já a 
autoridade carismática é baseada em um tipo de apelo que desafia as bases de 
legitimidade da ordem estabelecida e institucionalizada. 
 
 
 
 
 31 
 
2.1 Weber - Estado, Organização Burocrática e a Administração Pública 
Conforme destacado por Bresser-Pereira e Motta (2003), um sistema social é 
composto por grupos ou famílias que variam em termos de formalização de sua 
estrutura organizacional, podendo ser mais ou menos organizados. No extremo mais 
organizado desse espectro encontram-se as organizações ou as burocracias, que 
tendem a se aproximar do modelo ideal de organização burocrática. Max Weber 
concebe as organizações como um dos tipos de sistemas sociais. Essas são 
estruturassociais racionais, caracterizadas pela especialização e divisão do trabalho, 
sendo a eficiência o critério principal que guia sua operação. A seguir, a demonstração 
dos sistemas sociais. 
FIGURA 1: A ORGANIZAÇÃO BUROCRÁTICA ENTRE OS SISTEMAS SOCIAIS 
 
Fonte: Karl Mannheinn (p. 104, citado por Bresser-Pereira; Motta, 2003). 
Max Weber é reconhecido na área da Administração Pública por sua análise da 
burocracia racional e do conceito de burocracia de tipo ideal, dentro de um contexto 
de dominação social. Ele discute o sistema de autoridade como um meio de 
 
 
 
 
 32 
 
estabelecer e garantir a crença na sua legitimidade, destacando que isso pode variar 
dependendo do tipo de pessoal administrativo que apoia essa autoridade. Em termos 
específicos, Weber identifica três tipos puros de autoridade ou dominação legítima 
(Denhardt, 2017): 
⦁ Autoridade legal, que se fundamenta na crença na legalidade de certos 
padrões ou regras, e no reconhecimento do direito daqueles que possuem 
autoridade legal para emitir ordens; 
⦁ Autoridade tradicional, que se baseia na importância das tradições 
duradouras e dos líderes que mantêm essas tradições; 
⦁ Autoridade carismática, que se apoia no afeto ou devoção a um indivíduo 
específico. 
Conforme Denhardt (2017), a autoridade legal exercida por um staff 
administrativo burocrático delineia as características fundamentais do funcionamento 
de uma organização burocrática e do comportamento esperado de seus funcionários: 
1. Os funcionários têm liberdade pessoal, mas estão sujeitos à autoridade em 
relação às suas responsabilidades impessoais. 
2. Eles estão organizados em uma hierarquia claramente definida. 
3. Existe uma clara definição de competências para cada posição. 
4. A seleção e a contratação ocorrem de forma livre para preencher os cargos 
disponíveis. 
5. Os candidatos são selecionados com base em suas qualificações técnicas e, 
em seguida, nomeados ou eleitos. 
6. A remuneração é composta por um salário fixo, frequentemente com direito a 
pensão, e em determinadas circunstâncias, a autoridade empregadora tem o 
direito de anular uma nomeação, considerando a responsabilidade e o status 
social do ocupante do cargo. 
7. O cargo é a principal ocupação do titular. 
8. O cargo representa uma carreira, e a promoção é baseada no desempenho, 
conforme avaliado pelos superiores. 
9. Os funcionários realizam seu trabalho sem associação à propriedade dos 
meios de administração e sem a apropriação de suas posições. 
10. Os funcionários estão sujeitos à disciplina e aos controles necessários para 
conduzir suas atribuições de forma eficaz. 
Conforme apontado por Bresser-Pereira e Motta (2003), as burocracias 
derivam sua legitimidade do poder racional-legal. Portanto, as organizações são 
consideradas sistemas sociais racionais, caracterizados por serem formais, 
impessoais e geridos por administradores profissionais. 
 
 
 
 
 
 
 33 
 
TÓPICO 3 - O SISTEMA DE FREIOS E CONTRAPESOS DE MONTESQUIEU 
Conforme Maldonado (2003) destaca, a separação dos poderes implica na restrição 
do poder político, visando garantir uma representação equitativa dos interesses tanto 
dos ricos quanto dos pobres, dentro do quadro aristotélico. Anteriormente, a vontade 
do soberano se confundia com a vontade do Estado, o que gerava um cenário de 
concentração de poder. Diante disso, a doutrina da separação dos poderes foi 
sistematicamente desenvolvida por Locke e Montesquieu como uma técnica para 
limitar o poder governamental. Mas qual seria a finalidade dos contrapesos? 
JOHN H. GARVEY e T. ALEXANDER ALEINTKOFF ensinam que o balance 
(contrapesos, equilíbrio) surge na Inglaterra, a partir da ação da Câmara dos 
Lordes (nobreza e clero) equilibrando (balanceando) os projetos de leis 
oriundos da Câmara dos Comuns (originados do povo), a fim de evitar que 
leis demagogas, ou formuladas pelo impulso momentâneo de pressões 
populares, fossem aprovadas. Na verdade, o objetivo implícito era conter o 
povo, principalmente contra as ameaças aos privilégios da nobreza 
(Maldonado, 2003, p. 15). 
Segundo Maldonado (2003, p. 6), enquanto Locke atribui ao legislativo o papel 
central, com os demais poderes derivando e sendo subordinados a ele, é a 
Montesquieu que se credita a inclusão dos poderes fundamentais do Estado. Ele 
justifica a presença da Câmara Alta, composta por nobres, ao lado da Câmara Baixa, 
formada por representantes do povo. Além disso, Montesquieu introduz duas 
importantes ferramentas no sistema de freios e contrapesos: o veto e o impeachment. 
Nesse sentido, a separação de poderes visa garantir um equilíbrio entre o 
Executivo, representado pelo Presidente, o Legislativo e o Judiciário. O Presidente 
não participa diretamente do processo legislativo, mas possui o poder de veto, que lhe 
permite impedir que uma legislação seja promulgada. Por sua vez, o impeachment é 
um mecanismo legal que possibilita ao parlamento controlar os atos do chefe do 
Executivo, seja o Rei ou o Presidente, supervisionando o exercício de suas funções. 
De acordo com Maldonado (2003), segundo a Constituição de 1988: 
A. O Executivo exerce controle sobre o Legislativo por meio do poder de veto. 
B. O Executivo exerce controle sobre o Judiciário através da fiscalização e 
correção das atividades jurisdicionais. 
C. O Judiciário controla o Legislativo por meio da análise jurisdicional das leis 
produzidas. 
D. O Judiciário também exerce controle sobre o Executivo através de medidas de 
sanção, havendo ainda uma relação de controle e correção entre Judiciário e 
Legislativo sobre o Executivo. 
E. O Legislativo fiscaliza o Executivo. 
F. O Legislativo controla o Judiciário por meio de comissões parlamentares de 
inquérito, como as CPIs. 
 3.1 Poderes Fundamentais do Estado Brasileiro 
 
 
 
 
 34 
 
No Brasil, a estrutura de poder segue o modelo clássico tripartite concebido por 
Montesquieu. Segundo Costin (2010), a Constituição Brasileira foi elaborada por uma 
Assembleia Constituinte com o intuito de garantir os direitos políticos e sociais dos 
cidadãos. Dessa forma, os poderes da União são divididos em três, conforme 
estabelecido no artigo 2º da Constituição Federal de 1988: Art. 2º São Poderes da 
União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário 
(Brasil, 1988). 
⦁ O poder legislativo tem como principal função a elaboração de leis e o 
acompanhamento de sua aplicação, além de exercer certas atividades 
administrativas e judiciais, como a gestão interna e o julgamento de casos 
específicos. Seu propósito central é criar normas jurídicas que se apliquem 
a toda a sociedade, e sua atuação abrange a fiscalização de aspectos 
como orçamentos públicos, processos licitatórios, contratos e contratação 
de servidores públicos. O Congresso Nacional, composto pela Câmara dos 
Deputados e pelo Senado Federal, opera sob um sistema bicameral. 
⦁ O poder executivo tem como missão administrar os interesses nacionais. 
Seus representantes têm como responsabilidade primária a gestão dos 
assuntos públicos, garantindo o cumprimento das leis em todos os níveis 
de atuação governamental. Além de suas funções administrativas, o poder 
executivo também pode exercer atividades legislativas e judiciais, 
assegurando a execução das leis em toda a esfera pública. Ele é 
representado por uma variedade de órgãos encarregados de fornecer e 
administrar serviços públicos. 
⦁ O poder judiciário é responsável por aplicar a lei a casos específicos, 
decidindo sobre sua adequação ou inadequação diante de conflitos de 
interesses e questões administrativas e legislativas. Os órgãos do poder 
judiciário incluem o Supremo Tribunal Federal (STF), o Superior Tribunal 
de Justiça (STJ), os tribunais regionais federais (TRF) e os diversos ramos 
da Justiça, como a Justiça Federal, do Trabalho, eleitoral e Militar, além das 
Justiças Estaduais.35 
 
TÓPICO 4 - PRINCIPAIS INSTITUIÇÕES POLÍTICAS NO BRASIL 
Conforme Couto (2013) argumenta, as instituições são construções sociais que 
influenciam as ações dos indivíduos em diferentes grupos. Essas instituições 
abrangem tanto as formas informais de organização social quanto as estruturas 
econômicas, além das instituições políticas, que estão intrinsecamente ligadas ao 
Estado e integram sua estrutura. 
Têm o Estado em vista, sem propriamente o integrar, os partidos políticos, os 
grupos de pressão, e outras organizações sociais que buscam operá-lo, 
influenciá-lo, tomá-lo ou reformá-lo. Todo Estado também é um conjunto ou 
sistema de instituições, como a lei, os órgãos da burocracia pública e os 
ramos de governo (Couto, 2013, p. 480). 
Para Nascimento (2020), as instituições são caracterizadas como um sistema 
de regras e incentivos, desprovidas de objetivos ou metas específicas, mas com 
propósitos ou funções sistêmicas. Portanto, sua eficácia não é medida em termos de 
eficácia ou ineficácia, mas sim de funcionalidade ou disfuncionalidade dentro de uma 
determinada estrutura de governança. A organização política de um país demanda a 
presença de hierarquias organizacionais. 
4.1 Principais Instituições Políticas no Estado Brasileiro 
A estrutura institucional do Estado é fundamentada em normas tanto formais 
quanto informais, compreendendo um conjunto de regras e regulamentos que não se 
limitam a objetivos e metas, mas também incluem propósitos e funções. Assim, essas 
instituições podem ser consideradas funcionais ou disfuncionais, dependendo da 
presença ou ausência de governança adequada. Enquanto a instituição Estado 
desempenha um papel funcional, as organizações vinculadas a ele operam com o 
intuito de alcançar objetivos específicos. 
Portanto, o Estado é composto por uma variedade de organizações que 
colaboram para suas operações e propósitos (Nascimento, 2020). 
Matias-Pereira (2018, p. 177) expõe acerca da expressão Administração 
Pública, cujo conceito expressa, em um sentido amplo, como: 
[...] todo o sistema de governo, todo o conjunto de ideias, atitudes, normas, 
processos, instituições e outras formas de conduta humana, que determinam: 
(a) como se distribui ou se exerce a autoridade política; (b) como se atendem 
aos interesses públicos. 
O Brasil é uma República democrática e representativa, operando sob um 
sistema federativo e presidencialista, no qual os três poderes - Executivo, Legislativo 
e Judiciário - são independentes. A federação é composta pela união de 26 Estados, 
Municípios e Distrito Federal, organizados em três níveis de governo: União, Estados 
e Municípios. O país é regido por um Estado Democrático de Direito, cujas leis são 
estabelecidas por uma constituição, leis, decretos e regulamentos (Costin, 2010). 
 
 
 
 
 36 
 
A estrutura organizacional do Estado, ou seja, a Administração Pública em seu 
sentido amplo, engloba esses poderes. Portanto, a Administração Pública abrange o 
governo, representado pelos líderes dos três poderes, um corpo de funcionários 
públicos e as forças militares (Chiavenato, 2022; Matias-Pereira, 2018; Nascimento, 
2020). 
Assim, os três poderes são exercidos de maneira compartilhada entre os 
diferentes entes federativos (União, Estados e Municípios), com o papel do Executivo 
considerado preponderante, uma vez que é responsável por exercer o poder de polícia 
dos Estados, que vai desde a fiscalização do cumprimento das normas até a punição 
dos infratores. 
Por sua vez, o Legislativo detém o poder central, enquanto o Judiciário atua 
como mediador na relação entre o governante e a assembleia. Com base nas 
prerrogativas constitucionais, o governo tem como objetivo definir planos de ação e 
políticas públicas, além de dirigir e comandar a Administração Pública. Esta, por sua 
vez, representada pelo conjunto de órgãos e agentes que exercem a função 
administrativa, transforma as decisões do governo em ações concretas, aplicando o 
poder de polícia e fornecendo serviços públicos, ao mesmo tempo em que intervém e 
fomenta no domínio econômico (Nascimento, 2020; Costin, 2010). 
Conforme Nascimento (2020, p. 5), a estrutura administrativa é ajustada de 
acordo com os serviços disponibilizados pelos entes estaduais e municipais à 
população. 
 
 
 
 
 
 
 37 
 
Saiba mais 
A Teoria Contratualista 
Em primeiro lugar pode dizer-se que, se não houve realmente contrato, então 
nem os governos, nem as pessoas estão “obrigadas” a cumprir as suas promessas. 
Isto que faz que — de acordo com o contratualismo — nenhum governo seja legítimo. 
Defende-se, como alternativa, que essa consequência é implausível, uma vez que o 
que legitima os governos atuais — e a obrigação que lhes é devida — é a justiça das 
suas ações, e não a sua hipotética origem contratual. Também que a insistência na 
justificação contratualista acaba por abranger não só os governos justos, mas também 
os injustos. Um contratualista pode defender-se dizendo que as pessoas assinam um 
contrato que estimula a obediência apenas a governos justos e, assim, pode falar-se 
de um “contrato hipotético” entre governados e governantes. Contudo, se o contrato é 
meramente hipotético, então, novamente, nada obriga a que promessas hipotéticas 
tenham de ser cumpridas, uma vez que ninguém se comprometeu, de fato, com 
nenhuma obrigação. 
Em segundo lugar, a teoria do contrato social justifica a obediência aos 
governos pela necessidade de cumprir as nossas promessas. O ponto é que podemos 
sempre colocar a pertinente questão de saber por que deveremos nós cumprir as 
nossas promessas. Os contratualistas caem no erro de substituir um dever já em si 
duvidoso — a obediência — por outro também duvidoso — o cumprimento de 
promessas. 
Fonte: BETTENCOURT, Luís Filipe. Crítica à teoria contratualista. 2004. 
Crítica: Revista de filosofia. ISSN 1749-8457. Disponível em: 
http://criticanarede.com/teoriacontratualista.html. Acesso em: 06 abr. 2024. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 38 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
Caro(a) aluno(a), 
Nesta unidade você teve a oportunidade de aprofundar seu entendimento sobre 
a formação do Estado, sua legitimidade como autoridade soberana e a introdução do 
sistema de freios e contrapesos de Montesquieu como um mecanismo de controle 
destinado a preservar os interesses coletivos. Também foi apresentada uma 
abordagem racional e organizada de Weber, que propôs um modelo ideal para conferir 
legitimidade ao Estado e à Administração Pública e Política. 
Inicialmente, exploramos a teoria clássica, destacando as contribuições de 
Hobbes, Locke e Rousseau. Hobbes e Locke concordam sobre a importância da 
propriedade privada como um direito civil, mas enfatizam a necessidade de leis para 
garantir sua proteção, justificando assim a necessidade de um contrato social com um 
soberano. 
A burocracia, juntamente com o sistema de freios e contrapesos de 
Montesquieu, desempenha um papel central em nossa sociedade, tornando-se um 
elemento fundamental na administração estatal. A autoridade legal exercida na 
burocracia reflete as características essenciais de uma organização burocrática, 
fundamentada na validade do estatuto legal e na competência funcional, regida por 
regras racionais e envolvendo um corpo administrativo bem estruturado. 
Também exploramos o sistema de freios e contrapesos de Montesquieu, 
observando como o Brasil adota a abordagem tripartite clássica, na qual os poderes 
legislativo, executivo e judiciário atuam de forma independente como forma de garantir 
o controle. 
Por fim, discutimos as principais características do Estado brasileiro, 
destacando sua natureza republicana, democrática e representativa, com três poderes 
independentes: Executivo, Legislativo e Judiciário. O Brasil é reconhecido como um 
Estado Democrático de Direito, regido por uma constituição, leis, decretos e 
regulamentos que orientam suas atividades

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