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Centro Universitário São José de Itaperuna (UNIFSJ) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
JÉSSICA ROSA DE AZEVEDO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
RELATÓRIO DE ESTÁGIO BÁSICO SUPERVISIONADO: OBSERVACIONAL 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Itaperuna, RJ 2026 
 
JÉSSICA ROSA DE AZEVEDO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
RELATÓRIO DE ESTÁGIO BÁSICO SUPERVISIONADO: OBSERVACIONAL 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Trabalho apresentado à disciplina de Estágio 
Básico Supervisionado: Observacional do Curso 
de Psicologia do Centro Universitário São José de 
Itaperuna, como requisito de aprovação na 
disciplina. 
 
Orientação: Profª Hemilly Rios 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Itaperuna, RJ 2026 
 
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SUMÁRIO 
 
INTRODUÇÃO ........................................................................................................................... 4 
1 DESCRIÇÃO DO CAMPO DE ESTÁGIO ............................................................................. 6 
2 ATIVIDADES REALIZADAS .............................................................................................. 7 
3 RELAÇÃO ENTRE TEORIA E PRÁTICA ...................................................................... 13 
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................................ 18 
REFERÊNCIAS ........................................................................................................................ 19 
ANEXOS 
 
 
 
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INTRODUÇÃO 
O estágio básico supervisionado observacional é uma etapa importante da formação em 
Psicologia, pois permite aproximar os conhecimentos estudados no curso da realidade profissional. 
Essa experiência favorece o desenvolvimento de uma postura ética, responsável e atenta diante das 
relações humanas e dos processos de aprendizagem e desenvolvimento. 
De acordo com a Lei nº 11.788/2008, o estágio é um ato educativo escolar supervisionado, 
realizado em ambiente de trabalho, com o objetivo de preparar o estudante para o trabalho e para 
a vida cidadã. As atividades devem estar relacionadas ao projeto pedagógico do curso e contar 
com o acompanhamento de um professor orientador e de um supervisor da instituição concedente. 
O estágio será realizado na área da Psicologia Escolar e Educacional, na Creche Escola 
Leão Adherbal Carneiro Terra, em Itaperuna, Rio de Janeiro. A escolha dessa área está relacionada 
à importância da Educação Infantil para o desenvolvimento da criança, para a formação das 
primeiras relações sociais, para a aprendizagem e para a construção da autonomia. 
O tema deste relatório é a relação entre a rotina escolar e o desenvolvimento infantil. A 
questão que orienta o estágio é: de que maneira as atividades de cuidado, aprendizagem, 
brincadeira e convivência realizadas na creche podem contribuir para o desenvolvimento das 
crianças? 
O objetivo geral é acompanhar e compreender a rotina de uma instituição de Educação 
Infantil, relacionando suas atividades ao desenvolvimento das crianças. Os objetivos específicos 
são identificar as principais atividades realizadas durante o dia; observar as formas de acolhimento, 
interação, comunicação e cuidado; compreender a importância do brincar e das atividades 
pedagógicas; e refletir sobre as possibilidades de contribuição da Psicologia no contexto escolar. 
Esses objetivos estão de acordo com a finalidade do estágio prevista na Lei nº 11.788/2008 
e com as orientações do Conselho Federal de Psicologia para a atuação na Educação Básica. Essas 
orientações destacam a importância de considerar as relações sociais, institucionais e educativas 
presentes no ambiente escolar. A Lei nº 13.935/2019 também é uma referência para a relação entre 
Psicologia e Educação, pois prevê a atuação de equipes multiprofissionais nas redes públicas de 
educação básica, com ações voltadas à melhoria do ensino-aprendizagem e à mediação das 
relações sociais e institucionais. Como a creche não foi identificada como integrante da rede 
pública, essa lei será utilizada apenas como referência geral. 
Espera-se que o estágio possibilite maior compreensão sobre o funcionamento de uma 
instituição de Educação Infantil e sobre a relação entre cuidado, aprendizagem e desenvolvimento. 
Também se espera ampliar os conhecimentos sobre a Psicologia Escolar e Educacional e 
desenvolver uma postura adequada de observação e registro. 
O estágio será realizado por uma estudante do 6º período do curso de Psicologia da 
Fundação São José de Itaperuna. A carga horária será de 80 horas, cumpridas das 7h às 12h, às 
terças, quintas e sextas-feiras, conforme o termo de compromisso e o plano de atividades. A 
 
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supervisão no campo será realizada pela coordenadora pedagógica da creche, que acompanhará as 
atividades e assinará os documentos do estágio. Durante esse período, será acompanhada a rotina 
geral da instituição, sem a realização de atendimentos psicológicos, diagnósticos ou intervenções 
clínicas. 
O relatório será organizado com a apresentação do campo de estágio, o registro das 
atividades acompanhadas e a análise das experiências com base nos conhecimentos da Psicologia. 
Caso sejam incluídos anexos, eles serão identificados no texto e apresentados de acordo com sua 
finalidade, como cronograma, plano de atividades ou documentos autorizados. 
 
 
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1 DESCRIÇÃO DO CAMPO DE ESTÁGIO 
 A Creche Escola Leão Adherbal Carneiro Terra está localizada na Rua Coronel José Cardoso, 
nº 321, no bairro Niterói, em Itaperuna, Rio de Janeiro. A instituição funciona há mais de 40 anos 
e realiza um trabalho voltado para a educação e os cuidados na primeira infância. Seu espaço é 
destinado ao acolhimento, à aprendizagem, à convivência e ao desenvolvimento das crianças. 
Atualmente, a creche atende 45 crianças, distribuídas em três turmas da Educação Infantil: 
Berçário II, Maternal I e Maternal II. A equipe é formada por 10 funcionários, que participam das 
atividades pedagógicas e dos cuidados diários, como alimentação, higiene, descanso, recreação e 
acompanhamento das crianças. 
A rotina institucional começa com a chegada das crianças, entre 7h e 8h. Por volta das 7h30, é 
servido o café da manhã. As crianças que não levam lanche de casa recebem leite com cacau e 
frutas oferecidos pela creche. 
Depois do café da manhã, acontece a acolhida nas salas. Esse momento pode envolver oração, 
músicas, conversa sobre o tempo e outras interações. Em seguida, são realizadas as atividades 
pedagógicas planejadas para cada turma, de acordo com a idade e as características das crianças. 
Essas propostas podem envolver linguagem, movimento, criatividade, percepção, interação e 
socialização. 
Por volta das 10 horas, é servido o almoço. Após a refeição, as crianças realizam a higiene e 
escovam os dentes com o acompanhamento dos profissionais. Depois, são preparadas para o 
descanso, que acontece aproximadamente entre 11h30 e 13h30. 
Às 13h30, as crianças acordam e fazem o café da tarde. Em seguida, participam das atividades 
de recreação, que podem incluir brincadeiras com massinha, brinquedos diversos e momentos no 
parquinho. As propostas são escolhidas pelo profissional responsável pela turma, considerando a 
idade, os interesses das crianças e os materiais disponíveis. 
A brincadeira faz parte da rotina da creche e contribui para a interação, a criatividade, a 
comunicação e a aprendizagem. Segundo Vygotsky (1998), o desenvolvimento infantil está 
relacionado às interações sociais e às experiências vivenciadas pela criança. A saída acontece às 
16 horas, quando as crianças são entregues aos pais ou responsáveis. 
Assim, a rotina da creche reúne educação, cuidado, alimentação, higiene, descanso, 
brincadeiras e convivência. A descrição apresentada nesta seção corresponde à organização geral 
e habitual da instituição. As situações e atividades acompanhadasdurante os dias de estágio serão 
apresentadas posteriormente, de acordo com as datas e os registros realizados. 
 
 
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2 ATIVIDADES REALIZADAS 
Durante o estágio realizado na Creche Escola Leão Adherbal Carneiro Terra, foi possível 
acompanhar diferentes momentos da rotina institucional e conhecer melhor o trabalho 
desenvolvido com as crianças da Educação Infantil. A experiência permitiu observar não apenas 
as atividades realizadas em sala, mas também os momentos de alimentação, higiene, descanso, 
brincadeiras, organização da escola, planejamento pedagógico e relação com as famílias. Dessa 
forma, foi possível compreender que o trabalho desenvolvido na creche envolve várias pessoas e 
setores, que atuam em conjunto para garantir o cuidado, a aprendizagem e o desenvolvimento das 
crianças. 
Um dos primeiros momentos acompanhados foi um lanche compartilhado entre as turmas 
do Berçário II, Maternal I e Maternal II, realizado em comemoração à Semana da Educação 
Infantil. A atividade foi diferente da rotina comum da instituição, pois reuniu as crianças em um 
mesmo espaço para que pudessem lanchar e conviver umas com as outras. Durante esse momento, 
foi possível perceber que as crianças participaram de forma ativa e demonstraram interesse pela 
presença dos colegas de outras turmas. Algumas interagiam com facilidade, enquanto outras 
permaneciam mais próximas das professoras e cuidadoras. As profissionais acompanharam todo 
o lanche, ajudando na organização e oferecendo o suporte necessário. 
Após o lanche, as turmas retornaram para suas salas. Essa mudança permitiu perceber que 
cada grupo possui características próprias e apresenta necessidades diferentes. Algumas crianças 
demonstraram maior agitação e dificuldade para seguir determinadas orientações, enquanto outras 
conseguiram acompanhar a organização da sala com mais tranquilidade. As professoras e 
cuidadoras procuraram conduzir as situações com atenção e paciência, orientando as crianças e 
ajudando-as a compreender os limites e as regras da convivência. Foi possível perceber que a 
atuação dessas profissionais é importante para manter a organização e, ao mesmo tempo, oferecer 
segurança e acolhimento. 
Também foram acompanhados os momentos de chegada das crianças à instituição. Cada 
uma apresentava uma maneira diferente de vivenciar esse momento. Alguns chegavam animados 
e demonstravam alegria ao encontrar os colegas e as profissionais. Outras chegavam mais quietas, 
inseguras ou chorando, precisando de maior atenção para se adaptar ao ambiente. Essa observação 
permitiu compreender que cada criança possui seu próprio ritmo e que a forma como é recebida 
pode influenciar sua adaptação à rotina escolar. O acolhimento realizado pelas professoras e 
cuidadoras ajuda a criança a se sentir segura e a iniciar o dia de maneira mais tranquila. 
O café da manhã também fazia parte da rotina observada. Algumas crianças já realizavam 
essa refeição em casa, enquanto outras tomavam café na própria creche. Mesmo com essa 
diferença, o grupo seguia para a cozinha e participava desse momento junto. Além de atender às 
necessidades de alimentação, o café da manhã favorecia a convivência e a socialização. A 
alimentação era acompanhada pelas profissionais, que auxiliavam as crianças quando necessário 
 
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e observavam suas necessidades. Depois das atividades, também eram acompanhados o almoço, a 
escovação dos dentes e o descanso. Esses momentos mostraram que o cuidado diário está 
diretamente relacionado à educação na primeira infância. 
Em uma das turmas acompanhadas, o Berçário II, estavam crianças com aproximadamente 
1 ano e meio a 2 anos de idade. Foi possível perceber que, de modo geral, elas já estavam 
familiarizadas com o espaço, com as professoras e com a organização da creche. As crianças 
demonstravam proximidade com as profissionais e apresentavam segurança durante os momentos 
da rotina. Por serem pequenas, estavam em uma fase marcada por descobertas e novas 
aprendizagens. Desenvolviam suas habilidades por meio das brincadeiras, da observação, da 
exploração dos materiais e da interação com os adultos e com outras crianças. 
Nessa turma, foi acompanhada uma atividade relacionada a um projeto de leitura. A 
história trabalhada apresentava uma vaca como um dos elementos principais. Depois da leitura, as 
crianças participaram da confecção de vaquinhas. Mesmo sendo pequenas, algumas demonstraram 
curiosidade e envolvimento com a proposta. Elas fizeram perguntas, realizaram comentários e 
tentaram relacionar a história com aquilo que já conheciam. A professora conduziu a atividade de 
maneira simples, incentivando a participação e respondendo às dúvidas apresentadas. 
Essa experiência mostrou a importância do contato com os livros e as histórias desde os 
primeiros anos de vida. Mesmo antes de desenvolver completamente a linguagem, a criança 
consegue demonstrar interesse, fazer associações e participar das propostas. A leitura pode 
estimular a atenção, a imaginação, a comunicação, a curiosidade e a interação. A atividade também 
mostrou que as propostas realizadas com crianças pequenas precisam respeitar sua idade, seu 
tempo de concentração e suas formas de expressão. 
Outra turma acompanhada foi o Maternal I. O grupo possui 19 crianças matriculadas, mas 
normalmente frequentam entre 14 e 15 por dia. Durante a observação, foram percebidas algumas 
dificuldades relacionadas ao comportamento e ao cumprimento das regras. As crianças 
demonstravam bastante agitação e, em alguns momentos, tinham dificuldade para permanecer em 
uma mesma atividade por determinado período. Também nem sempre respondiam prontamente às 
orientações das professoras, o que tornava a organização da sala mais desafiadora. 
A partir dos relatos das profissionais, foi possível compreender que o trabalho com essa 
turma exige paciência, atenção, organização e estratégias adequadas. Cada criança apresenta uma 
forma própria de se comportar e de responder às orientações. Por isso, as profissionais precisam 
observar o grupo e, ao mesmo tempo, considerar as necessidades individuais. As situações de 
agitação e dificuldade para seguir regras não devem ser compreendidas apenas como problemas, 
mas como comportamentos que precisam ser observados e trabalhados de maneira cuidadosa. 
Durante esse período, também foi possível refletir sobre a relação entre a instituição e as 
famílias. Quando a creche procura os responsáveis para conversar sobre comportamentos ou 
dificuldades observadas no ambiente escolar, algumas famílias podem apresentar resistência ou 
 
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entender a comunicação como uma tentativa de diagnóstico. No entanto, conversar com os 
responsáveis sobre uma situação observada não significa diagnosticar a criança. Essa comunicação 
tem o objetivo de compartilhar informações, conhecer melhor a realidade da criança e buscar 
estratégias que possam contribuir para seu desenvolvimento. 
Também foi relatado que existem famílias mais abertas ao diálogo e dispostas a colaborar 
com a instituição. Em alguns casos, os responsáveis procuram o apoio de outros profissionais, 
formando uma rede de acompanhamento quando necessário. Essa diferença demonstra que a 
relação entre família e escola pode ocorrer de diferentes maneiras. Algumas famílias estabelecem 
uma parceria mais próxima, enquanto outras precisam de mais tempo e acolhimento para 
compreender as situações apresentadas pela creche. 
A observação dessa relação permitiu compreender que a parceria entre família e escola é 
construída gradualmente, por meio da comunicação, da confiança e do respeito. A criança está 
inserida em diferentes ambientes, e as experiências vividas em casa e na instituição influenciam 
seu desenvolvimento, sua aprendizagem e sua forma de se relacionar. Por esse motivo, é 
importante que a comunicação seja feita com cuidado, evitando julgamentos e rótulos. Quando a 
família e a escolatrabalham juntas, torna-se mais fácil compreender as necessidades e as 
potencialidades da criança. 
Também foi acompanhado o trabalho realizado pela secretaria da instituição. Esse setor 
desenvolve atividades importantes para o funcionamento da creche, embora muitas delas não 
aconteçam diretamente dentro das salas de aula. Entre as tarefas observadas estava a organização 
dos materiais pedagógicos e a impressão das atividades que seriam utilizadas pelas turmas durante 
a semana. Esse trabalho contribui para que as professoras tenham os recursos necessários para 
realizar suas propostas. 
A secretaria também realiza o controle da merenda escolar. São organizadas planilhas e 
acompanhada a saída dos alimentos utilizados diariamente. Esse controle ajuda a manter o estoque 
organizado e contribui para o planejamento da alimentação oferecida às crianças. Também foram 
observados registros relacionados aos alunos matriculados, à frequência e à organização dos 
documentos escolares. 
Outro aspecto acompanhado foi o contato com as famílias quando alguma criança 
apresenta muitas faltas. Nesses casos, a secretaria envia mensagens aos responsáveis para 
compreender o motivo das ausências e incentivar o retorno da criança à instituição. Essa ação, 
conhecida como busca ativa, demonstra que a secretaria também participa do acompanhamento da 
vida escolar das crianças. Assim, foi possível compreender que seu trabalho vai além de tarefas 
burocráticas, contribuindo para a organização da creche e para a comunicação com as famílias. 
Também foi observado o trabalho da orientadora pedagógica. Uma de suas atividades é 
conferir os planos de aula elaborados pelas professoras. Nesse processo, são analisados os 
conteúdos, as propostas e a adequação das atividades para cada turma. Quando necessário, são 
 
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feitas correções e orientações para que o planejamento esteja de acordo com a idade e as 
necessidades das crianças. 
A orientadora também acompanha os diários escolares e participa da elaboração dos 
relatórios mensais. Esses registros permitem documentar as atividades realizadas e os conteúdos 
trabalhados. Quando as famílias solicitam relatórios individuais, a orientadora auxilia na 
organização e na correção das informações apresentadas pelas professoras. Também participa de 
reuniões com os responsáveis quando alguma situação precisa ser discutida com mais atenção. 
A observação permitiu perceber que a orientação pedagógica não envolve apenas 
documentos. O trabalho também inclui acompanhamento, orientação e diálogo com as professoras 
e com as famílias. A orientadora contribui para que as atividades sejam planejadas de forma mais 
organizada e para que as necessidades das crianças sejam consideradas no cotidiano da instituição. 
Em outra turma, o Maternal II A, formada por crianças com aproximadamente 3 a 4 anos, 
foi possível observar um nível maior de autonomia em algumas atividades. Muitas crianças já 
conseguiam realizar determinadas ações com pouca ajuda dos adultos, demonstrando iniciativa e 
segurança. No entanto, também foi possível perceber que cada criança apresenta um ritmo 
diferente de desenvolvimento. 
O conteúdo trabalhado nessa turma foi a letra F. Inicialmente, a professora contou uma 
história relacionada à letra, utilizando uma forma lúdica para apresentar o assunto. Em seguida, as 
crianças realizaram uma atividade de registro, reproduzindo a letra no papel. Durante a proposta, 
algumas apresentaram dificuldade para segurar o lápis, manter a atenção ou controlar a força usada 
no traçado. Outras demonstraram maior facilidade e conseguiram realizar a atividade com mais 
autonomia. 
Depois, foi realizada uma pintura de uma formiga. Nessa atividade, também foram 
observadas diferenças na coordenação motora fina e na percepção do espaço. Algumas crianças 
tiveram dificuldade para pintar dentro dos limites do desenho, enquanto outras apresentaram maior 
controle dos movimentos. Essa situação mostrou que crianças com idades próximas podem estar 
em momentos diferentes do desenvolvimento. As atividades de desenho, pintura e traçado 
contribuem para o desenvolvimento da coordenação motora, da atenção, da percepção espacial e 
da autonomia. 
Também foi acompanhada uma atividade de pintura em outra turma, seguida de momentos 
de brincadeira. Durante a pintura, algumas crianças realizaram a proposta com autonomia, 
enquanto outras precisaram da ajuda da professora. Nas brincadeiras, as crianças interagiram, 
compartilharam brinquedos e vivenciaram algumas situações de disputa. Nesses momentos, a 
professora realizou a mediação por meio do diálogo e da orientação, ajudando as crianças a 
compreenderem a importância de dividir, esperar e respeitar os colegas. 
Essas situações permitiram perceber que as brincadeiras são importantes para o 
desenvolvimento infantil. Por meio delas, as crianças podem expressar sentimentos, desenvolver 
 
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a criatividade, exercitar a comunicação e aprender formas de convivência. A presença e a mediação 
das professoras são importantes para transformar os conflitos em oportunidades de aprendizagem 
e para ajudar as crianças a lidar com as regras e com as relações estabelecidas no grupo. 
Além das atividades realizadas em sala, fomos convidadas a retornar à creche para 
participar da Festa da Primavera. O evento reuniu as crianças, seus familiares e os profissionais da 
instituição em um momento diferente da rotina. As crianças usaram roupas coloridas e 
participaram de uma apresentação musical relacionada ao tema da primavera, demonstrando 
envolvimento e entusiasmo. 
Durante a festa, também foi realizada uma exposição dos trabalhos produzidos pelas 
crianças durante o projeto da primavera. Os familiares puderam conhecer e apreciar as atividades 
desenvolvidas. A exposição valorizou o esforço e a participação das crianças, mostrando que suas 
produções são importantes e podem ser compartilhadas com as pessoas próximas. 
A festa contou ainda com a venda de alimentos e bebidas, como cachorro-quente, bolo e 
refrigerante. Esses momentos possibilitaram a convivência entre as famílias e os profissionais em 
um ambiente mais descontraído. Também aconteceu a coroação do Rei e da Rainha da Primavera, 
organizada por meio de uma campanha de arrecadação de votos. A atividade envolveu as crianças 
e seus familiares e aproximou ainda mais a comunidade da instituição. 
A participação nesse evento permitiu observar que as atividades escolares não se limitam 
ao que acontece dentro das salas. Eventos como a Festa da Primavera criam oportunidades de 
integração, valorizam as aprendizagens e fortalecem os vínculos entre as crianças, as famílias e a 
creche. A presença dos responsáveis também demonstra a importância da participação da família 
na vida escolar das crianças. 
De maneira geral, as experiências realizadas durante o estágio permitiram conhecer 
diferentes aspectos do funcionamento da creche. Foi possível acompanhar a rotina das turmas, 
observar as formas de acolhimento e cuidado, conhecer o trabalho das professoras e cuidadoras, 
compreender as funções da secretaria e da orientação pedagógica e refletir sobre a relação entre a 
instituição e as famílias. 
Também foi possível compreender que a Educação Infantil envolve muito mais do que 
atividades pedagógicas. A alimentação, a higiene, o descanso, o acolhimento, as brincadeiras, a 
convivência e a atenção às necessidades individuais fazem parte do processo educativo. Cada 
momento da rotina oferece oportunidades de aprendizagem e contribui para o desenvolvimento 
das crianças. 
As observações realizadas contribuíram para relacionar os conhecimentos da Psicologia 
com situações presentes no cotidiano escolar. Foi possível perceber a importância de respeitar o 
ritmo de cada criança, evitar comparações e oferecer um ambiente seguro, acolhedor e estimulante. 
A experiência também mostrou que o trabalho desenvolvidona creche depende da participação de 
diferentes profissionais e da parceria com as famílias. Dessa forma, o estágio contribuiu para 
 
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ampliar a compreensão sobre a Psicologia Escolar e Educacional e sobre a importância de um olhar 
atento para o desenvolvimento integral das crianças. 
 
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3 RELAÇÃO ENTRE TEORIA E PRÁTICA 
Ao acompanhar o cotidiano da Creche Escola Leão Adherbal Carneiro Terra, foi possível 
perceber que cada momento vivido pelas crianças possui importância para o seu desenvolvimento. 
A chegada, a alimentação, a higiene, o descanso, as atividades pedagógicas e as brincadeiras não 
acontecem de forma isolada. Esses momentos formam uma rotina que organiza a vida da 
instituição e oferece às crianças oportunidades de aprender, conviver e construir maior segurança 
e autonomia. É nesse sentido que este estágio se concentrou na relação entre a rotina escolar e o 
desenvolvimento infantil, com atenção especial aos aspectos socioemocionais. 
Maria Carmen Silveira Barbosa (2006) explica que a rotina é uma categoria central das 
pedagogias da Educação Infantil, pois organiza os usos do tempo, dos espaços, dos materiais e das 
relações dentro da instituição. Essa organização pode oferecer estabilidade para as crianças, mas 
não deve ser transformada em uma sequência rígida e sem sentido. Uma rotina de qualidade precisa 
considerar as necessidades do grupo, permitir mudanças e criar oportunidades para a participação 
infantil. Essa ideia ajuda a compreender que os horários observados na creche não servem apenas 
para controlar as atividades. Eles também ajudam as crianças a reconhecer o ambiente, antecipar 
acontecimentos e desenvolver formas de participação no cotidiano. 
A Base Nacional Comum Curricular apresenta as interações e as brincadeiras como eixos 
estruturantes da Educação Infantil. O documento também estabelece os direitos de conviver, 
brincar, participar, explorar, expressar e conhecer-se. Esses direitos mostram que a criança deve 
participar ativamente das experiências oferecidas pela instituição, e não apenas receber cuidados 
ou cumprir atividades planejadas pelos adultos (BRASIL, 2018). Essa compreensão foi percebida 
durante o estágio, pois os diferentes momentos da rotina permitiam que as crianças interagissem, 
explorassem materiais, expressassem sentimentos e construíssem conhecimentos. 
A importância do ambiente também pode ser relacionada às contribuições de Donald 
Winnicott. Em sua teoria, o desenvolvimento emocional depende de um ambiente suficientemente 
bom, capaz de oferecer proteção, continuidade e cuidados confiáveis. Na instituição escolar, isso 
não significa substituir a família, mas construir relações estáveis e sensíveis, nas quais a criança 
possa ser acolhida e gradualmente desenvolver confiança para explorar o espaço. Benedito e 
Pinheiro (2018), ao discutirem a teoria winnicottiana, destacam que o ambiente tem função 
importante no processo de integração emocional. Essa ideia se aproxima do que foi observado na 
creche, especialmente nos momentos de entrada, alimentação, descanso e transição entre as 
atividades. 
A rotina observada começava com a chegada das crianças à creche. Alguns chegavam 
animadas, enquanto outras demonstravam insegurança ou choravam. Essa diferença mostra que a 
entrada não é igual para todos e que cada criança possui seu próprio ritmo de adaptação. Na prática, 
foi possível observar que o acolhimento das professoras e cuidadoras ajudava as crianças a se 
sentirem mais seguras. A recepção, a conversa, o contato afetivo e a atenção oferecida nesse 
 
14 
 
momento contribuíam para que elas conseguissem iniciar o dia e participar das atividades. 
Essa situação também pode ser compreendida a partir das contribuições de Henri Wallon. 
Para Wallon, o desenvolvimento infantil envolve a integração entre afetividade, movimento, 
inteligência e relações sociais. A criança não aprende apenas por meio de atividades intelectuais, 
pois suas emoções e seus vínculos com os adultos também participam desse processo. Assis, 
Oliveira e Santos (2022) ressaltam que, na teoria, o ambiente escolar exerce influência na formação 
da pessoa e precisa respeitar as particularidades de cada criança. Assim, a maneira como a 
professora recebe uma criança que chega insegura ou chorando pode favorecer sua adaptação e 
sua participação nas atividades. 
Essa situação pode ser relacionada à perspectiva histórico-cultural de Vigotski, segundo a 
qual o desenvolvimento da criança acontece por meio das relações sociais e da participação em 
experiências compartilhadas. A criança não se desenvolve isoladamente, pois aprende nas relações 
com os adultos, com outras crianças e com o ambiente. Dessa forma, o acolhimento realizado pelas 
profissionais não é apenas uma atitude de cuidado. Ele também cria condições para a participação, 
a comunicação e a aprendizagem. 
A alimentação também mostrou a relação entre cuidado e educação. O café da manhã e o 
almoço atendiam às necessidades físicas das crianças, mas também eram momentos de 
convivência e aprendizagem. As crianças aprendiam a permanecer em grupo, esperar, compartilhar 
o espaço e seguir orientações. As profissionais acompanhavam a refeição, auxiliavam quem 
precisava de ajuda e observavam as necessidades de cada criança. Na Educação Infantil, cuidar e 
educar não são ações separadas. A própria BNCC afirma que as práticas de cuidados pessoais, 
como alimentar-se e higienizar-se, fazem parte das experiências educativas (BRASIL, 2018). 
Essa compreensão também se relaciona ao relatório da UNESCO e do UNICEF sobre a 
educação e o cuidado na primeira infância. O documento destaca que o desenvolvimento infantil 
depende de diferentes fatores, como segurança, nutrição, relações responsivas e oportunidades de 
aprendizagem. Assim, o desenvolvimento não ocorre somente durante uma atividade pedagógica 
planejada. Ele também acontece nos momentos de cuidado e nas relações estabelecidas no 
cotidiano da instituição (UNESCO; UNICEF, 2024). 
Após as refeições, as crianças realizavam a higiene, incluindo a escovação dos dentes, e 
depois eram encaminhadas para o descanso. Esses momentos demonstraram que a rotina oferece 
referências e previsibilidade. Quando a criança reconhece a sequência das atividades, pode se 
sentir mais segura para participar e desenvolver gradualmente sua autonomia. A repetição dos 
horários e das ações não significa que todos os dias sejam iguais. Pelo contrário, a organização 
permite que as crianças saibam o que acontecerá e tenham melhores condições para se envolver 
nas experiências propostas. 
As atividades pedagógicas observadas mostraram que o desenvolvimento infantil acontece 
de forma gradual e apresenta diferenças entre as crianças. No Maternal II A, por exemplo, foi 
 
15 
 
realizada uma atividade sobre a letra F, seguida de uma pintura. Algumas crianças seguravam o 
lápis com mais facilidade e realizavam os traços com maior controle. Outras ainda apresentavam 
dificuldades para manter a atenção, controlar a força da mão ou respeitar os limites do desenho. 
Essas diferenças não devem ser vistas apenas como falhas. Elas fazem parte dos diferentes ritmos 
de desenvolvimento e indicam a necessidade de propostas adequadas e de acompanhamento 
individualizado. 
Nesse sentido, a teoria contribui para que a observação da prática não seja baseada em 
comparações ou julgamentos. Ao compreender que o desenvolvimento ocorre de maneira singular, 
o profissional pode oferecer auxílio sem desvalorizar a criança. Atividades de pintura, desenho e 
traçado favorecem o desenvolvimento da coordenação motora fina, da atenção, da percepção 
espacial e da autonomia. Ao mesmo tempo, permitem que a criança experimente, tente novamente 
e perceba suas próprias conquistas. 
A mesma relação entre teoria e prática foi percebida no projeto de leitura realizado com o 
Berçário II. A professora contouuma história sobre uma vaca e, depois, as crianças participaram 
da confecção de vaquinhas. Mesmo sendo pequenas, elas demonstraram curiosidade, fizeram 
perguntas e participaram da proposta. A atividade mostrou que a leitura pode ser utilizada desde 
os primeiros anos de vida para estimular a linguagem, a imaginação, a atenção e a comunicação. 
A leitura não precisa ser compreendida apenas como uma atividade para ensinar letras ou 
palavras. Na primeira infância, ela também possibilita o contato com diferentes imagens, sons, 
personagens e situações. A criança pode fazer perguntas, relacionar a história com suas 
experiências e expressar o que compreendeu. O relatório da UNESCO e do UNICEF destaca que 
experiências de linguagem, como ouvir histórias, conversar e interagir com adultos, contribuem 
para o desenvolvimento de habilidades importantes para a aprendizagem (UNESCO; UNICEF, 
2024). 
As brincadeiras observadas também mostraram a importância das interações entre as 
crianças. Durante os momentos de recreação, elas compartilhavam brinquedos, interagiam e, 
algumas vezes, disputavam objetos. Nessas situações, a mediação das professoras era necessária 
para ajudar o grupo a compreender regras de convivência, esperar a vez, dividir e respeitar os 
colegas. O conflito, quando acompanhado por um adulto, pode se transformar em uma 
oportunidade de aprendizagem social. 
Oliveira (2025), em estudo sobre as interações e as brincadeiras na Educação Infantil, 
mostra que as crianças não apenas seguem as propostas dos adultos. Elas também interpretam, 
transformam e dão novos sentidos às experiências. A autora destaca que o brincar favorece a 
construção de conhecimentos, a linguagem, a expressão, a autonomia, a formação de vínculos e a 
negociação de regras. Essa compreensão esteve presente na prática observada, pois as crianças 
aprendiam enquanto brincavam e se relacionavam. 
A brincadeira também apareceu nas atividades com massinha, brinquedos e no parquinho. 
 
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Essas propostas permitiam que as crianças explorassem materiais, movimentassem o corpo, 
criassem situações e interagissem com os colegas. Solís-Cordero et al. (2023), em estudo realizado 
com crianças pequenas na cidade de São Paulo, encontraram associação positiva entre a presença 
do brincar na rotina e alguns domínios do desenvolvimento infantil, principalmente entre crianças 
com até 18 meses. Embora o estudo tenha sido realizado no ambiente doméstico e não possa ser 
aplicado diretamente à realidade da creche, ele reforça a importância de compreender o brincar 
como parte das experiências diárias e não apenas como um intervalo entre atividades consideradas 
mais importantes. 
A prática observada também mostrou que o brincar precisa ser acompanhado com atenção. 
A participação dos adultos não deve controlar todas as ações das crianças, mas oferecer segurança, 
organizar o espaço e intervir quando necessário. O adulto pode ajudar a ampliar as possibilidades 
da brincadeira, fazer perguntas, apresentar materiais e mediar conflitos. Ao mesmo tempo, é 
importante permitir que as crianças tenham liberdade para criar, experimentar e fazer escolhas. 
Outro aspecto relacionado ao tema foi a observação da turma do Maternal I, que 
apresentava maior agitação e dificuldade para seguir algumas regras. Essa situação mostrou que a 
rotina precisa ser organizada, mas também flexível. Crianças da mesma idade não respondem da 
mesma forma às orientações e não permanecem concentradas pelo mesmo tempo. Por isso, as 
professoras precisam utilizar estratégias variadas, considerando o ritmo e as necessidades do 
grupo. 
A organização da rotina não significa exigir que todas as crianças tenham o mesmo 
comportamento. Ela deve oferecer referências para que elas desenvolvam gradualmente a 
capacidade de participar das atividades e conviver com os outros. A mediação dos adultos é 
importante porque as crianças ainda estão aprendendo a controlar suas ações, expressar 
sentimentos e compreender as regras sociais. Com o tempo e com o apoio adequado, elas podem 
desenvolver maior autonomia e participação. 
A rotina também contribui para o desenvolvimento socioemocional porque oferece 
situações em que a criança precisa lidar com sentimentos, esperar, negociar, pedir ajuda e conviver 
com outras pessoas. Essas aprendizagens acontecem de maneira gradual e dependem da presença 
de adultos que orientem as crianças sem desconsiderar suas emoções. Quando a criança se sente 
acolhida, pode encontrar melhores condições para expressar o que sente e aprender formas mais 
adequadas de lidar com frustrações e conflitos. 
A relação entre família e escola também fez parte das observações e mostrou que o 
desenvolvimento infantil não depende apenas da instituição. As famílias possuem informações 
importantes sobre a criança e fazem parte de sua história. Ao mesmo tempo, a escola observa 
comportamentos e aprendizagens que podem não aparecer em casa. A troca entre esses dois 
espaços permite uma compreensão mais ampla das necessidades da criança. 
A revisão sistemática realizada por Otero-Mayer et al. (2026) identificou três dimensões 
 
17 
 
principais da participação familiar na Educação Infantil: o envolvimento em casa, a participação 
na escola e a comunicação entre família e instituição. Esse resultado ajuda a compreender que a 
parceria não se limita à presença dos responsáveis em eventos. Ela também envolve diálogo, troca 
de informações e colaboração no acompanhamento da criança. 
Durante o estágio, foi possível perceber que algumas famílias eram abertas ao diálogo, 
enquanto outras demonstravam resistência quando a escola comunicava alguma dificuldade 
relacionada ao comportamento ou à aprendizagem. Essa situação mostra a necessidade de uma 
comunicação cuidadosa, que não rotule nem diagnostique a criança. O papel da escola deve ser 
compartilhar observações e buscar, junto à família, formas de compreender e apoiar o 
desenvolvimento infantil. 
O trabalho da secretaria e da orientação pedagógica também ajudou a compreender que a 
rotina escolar é construída por diferentes profissionais. A secretaria organiza materiais, acompanha 
a merenda, registra a frequência e mantém contato com as famílias. A orientação pedagógica 
acompanha os planos de aula, os diários, os relatórios e o trabalho das professoras. Essas atividades 
nem sempre são percebidas pelas crianças, mas influenciam diretamente a organização do espaço 
e a qualidade das experiências oferecidas. 
A Festa da Primavera demonstrou ainda que a rotina da instituição pode ser ampliada por 
momentos de participação coletiva. A apresentação musical, a exposição dos trabalhos, a presença 
das famílias e as atividades de confraternização criaram oportunidades de convivência e 
valorização das produções infantis. O evento mostrou que as aprendizagens também podem ser 
compartilhadas com a comunidade escolar, fortalecendo os vínculos entre crianças, famílias e 
profissionais. 
A relação entre teoria e prática, portanto, permitiu compreender que o desenvolvimento 
infantil acontece no conjunto das experiências vividas na creche. Ele não depende de uma única 
atividade, mas da forma como a instituição organiza os espaços, os horários, as relações e as 
propostas. Uma rotina acolhedora e planejada oferece segurança, mas também precisa permitir 
participação, movimento, brincadeira, expressão e escolhas. 
Conclui-se que observar a relação entre a rotina escolar e o desenvolvimento infantil foi 
importante para compreender a Educação Infantil de maneira mais ampla. A prática mostrou que 
cuidar, educar, brincar e interagir são ações relacionadas. As teorias estudadas ajudaram a 
interpretar as situações observadas sem reduzir as crianças aos seus comportamentos ou 
dificuldades. A experiência também reforçou a importância de respeitar os diferentes ritmos de 
desenvolvimento, valorizar a participação das crianças, apoiaro trabalho das profissionais e 
fortalecer a comunicação com as famílias. 
 
 
18 
 
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
A realização do estágio possibilitou uma aproximação importante com a realidade da 
Educação Infantil e com o trabalho desenvolvido nesse contexto. Durante o período de observação, 
foi possível compreender que a creche não é apenas um local onde as crianças permanecem 
enquanto seus responsáveis trabalham. Trata-se de um espaço de cuidado, aprendizagem, 
convivência, desenvolvimento e construção de vínculos. Cada atividade realizada ao longo do dia 
participa, de alguma forma, da formação das crianças. 
A observação da rotina permitiu perceber que os momentos de chegada, alimentação, 
higiene, descanso, atividades pedagógicas, brincadeiras e saída possuem importância para o 
desenvolvimento infantil. A rotina oferece uma organização para o dia e ajuda as crianças a 
compreenderem a sequência dos acontecimentos. Ao reconhecer os horários e as atividades, elas 
podem se sentir mais seguras e desenvolver gradualmente maior autonomia. No entanto, também 
foi possível compreender que a rotina precisa ser flexível e respeitar as necessidades e os diferentes 
ritmos de cada criança. 
Durante o estágio, observou-se que as crianças apresentam características, 
comportamentos e formas de participação diferentes. Algumas demonstravam mais facilidade para 
interagir, realizar as atividades e seguir as orientações, enquanto outras precisavam de maior 
atenção e auxílio. Essas diferenças fazem parte do desenvolvimento infantil e não devem ser vistas 
apenas como dificuldades. Elas mostram a importância de um acompanhamento atento, capaz de 
respeitar a individualidade e oferecer apoio de acordo com as necessidades de cada criança. 
As atividades de leitura, pintura, desenho, traçado e brincadeiras mostraram que a 
aprendizagem acontece de maneira significativa quando a criança participa, explora e interage. O 
brincar não deve ser compreendido apenas como um momento de distração. Ele contribui para o 
desenvolvimento da linguagem, da criatividade, da coordenação motora, da autonomia e das 
relações sociais. Da mesma forma, uma história, uma pintura ou uma atividade simples pode 
estimular a curiosidade, a comunicação e a capacidade de expressão das crianças. 
Também foi possível perceber a importância da atuação das professoras e cuidadoras. Esses 
profissionais acompanham as crianças nos diferentes momentos do dia, oferecendo ajuda, 
orientação e acolhimento. Além de organizar as atividades, precisam lidar com conflitos, 
diferenças de comportamento, inseguranças e necessidades individuais. A forma como conduzem 
essas situações influencia o ambiente da sala e contribui para que as crianças aprendam a conviver, 
compartilhar, esperar e respeitar os colegas. 
O estágio também permitiu conhecer o trabalho realizado pela secretaria e pela orientação 
pedagógica. A secretaria contribui para a organização dos materiais, dos documentos, da merenda 
e da frequência das crianças. A orientação pedagógica acompanha os planos de aula, os registros 
e os relatórios, além de auxiliar as professoras e manter contato com as famílias. Essas experiências 
mostraram que o funcionamento da creche depende do trabalho conjunto de diferentes 
 
19 
 
profissionais e que cada setor possui importância para a qualidade do atendimento oferecido às 
crianças. 
Outro aprendizado importante esteve relacionado à parceria entre família e escola. A 
comunicação entre esses espaços é fundamental para compreender melhor as necessidades e o 
desenvolvimento da criança. Também foi possível perceber que essa relação pode apresentar 
dificuldades e exigir diálogo, paciência e respeito. A instituição deve compartilhar suas 
observações com cuidado, sem realizar julgamentos ou diagnósticos, enquanto a família precisa 
ter espaço para falar, esclarecer dúvidas e participar do acompanhamento da criança. 
A participação na Festa da Primavera também foi significativa, pois permitiu observar a 
comunidade escolar reunida em um momento de convivência e valorização das crianças. A 
presença das famílias, a apresentação musical, a exposição dos trabalhos e as atividades realizadas 
mostraram que os eventos escolares podem fortalecer os vínculos entre a instituição, as crianças e 
seus responsáveis. Esses momentos também valorizam as aprendizagens construídas durante o 
projeto e permitem que as crianças reconheçam a importância de suas produções. 
A experiência contribuiu para relacionar os conhecimentos estudados na graduação com 
situações concretas do cotidiano escolar. As teorias sobre desenvolvimento infantil, afetividade, 
interação, brincadeira e aprendizagem ajudaram a compreender que as crianças se desenvolvem 
nas relações com os adultos, com os colegas e com o ambiente. A prática também mostrou que o 
desenvolvimento não ocorre de forma igual para todas as crianças e que é necessário respeitar os 
diferentes ritmos, oferecendo oportunidades de participação e aprendizagem. 
Conclui-se que o estágio foi importante para ampliar a compreensão sobre a Psicologia 
Escolar e Educacional e sobre as possibilidades de atuação nesse campo. A experiência permitiu 
desenvolver um olhar mais atento para as relações, os comportamentos e as necessidades presentes 
na instituição. Também possibilitou compreender que o trabalho da Psicologia na escola deve 
considerar não apenas a criança individualmente, mas toda a comunidade escolar, incluindo 
profissionais, famílias e a organização da instituição. 
Dessa forma, o estágio contribuiu para a formação acadêmica e profissional, fortalecendo 
a importância de uma atuação ética, acolhedora e comprometida com o desenvolvimento integral 
das crianças. As experiências vivenciadas demonstraram que cuidar e educar são ações 
inseparáveis na Educação Infantil e que uma rotina organizada, afetiva e flexível pode favorecer a 
segurança, a autonomia, a aprendizagem e o desenvolvimento socioemocional. Esse aprendizado 
representa uma contribuição importante para a construção da identidade profissional e para a 
continuidade da formação em Psicologia. 
 
 
20 
 
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