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Centro Universitário São José de Itaperuna (UNIFSJ) JÉSSICA ROSA DE AZEVEDO RELATÓRIO DE ESTÁGIO BÁSICO SUPERVISIONADO: OBSERVACIONAL Itaperuna, RJ 2026 JÉSSICA ROSA DE AZEVEDO RELATÓRIO DE ESTÁGIO BÁSICO SUPERVISIONADO: OBSERVACIONAL Trabalho apresentado à disciplina de Estágio Básico Supervisionado: Observacional do Curso de Psicologia do Centro Universitário São José de Itaperuna, como requisito de aprovação na disciplina. Orientação: Profª Hemilly Rios Itaperuna, RJ 2026 3 SUMÁRIO INTRODUÇÃO ........................................................................................................................... 4 1 DESCRIÇÃO DO CAMPO DE ESTÁGIO ............................................................................. 6 2 ATIVIDADES REALIZADAS .............................................................................................. 7 3 RELAÇÃO ENTRE TEORIA E PRÁTICA ...................................................................... 13 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................................ 18 REFERÊNCIAS ........................................................................................................................ 19 ANEXOS 4 INTRODUÇÃO O estágio básico supervisionado observacional é uma etapa importante da formação em Psicologia, pois permite aproximar os conhecimentos estudados no curso da realidade profissional. Essa experiência favorece o desenvolvimento de uma postura ética, responsável e atenta diante das relações humanas e dos processos de aprendizagem e desenvolvimento. De acordo com a Lei nº 11.788/2008, o estágio é um ato educativo escolar supervisionado, realizado em ambiente de trabalho, com o objetivo de preparar o estudante para o trabalho e para a vida cidadã. As atividades devem estar relacionadas ao projeto pedagógico do curso e contar com o acompanhamento de um professor orientador e de um supervisor da instituição concedente. O estágio será realizado na área da Psicologia Escolar e Educacional, na Creche Escola Leão Adherbal Carneiro Terra, em Itaperuna, Rio de Janeiro. A escolha dessa área está relacionada à importância da Educação Infantil para o desenvolvimento da criança, para a formação das primeiras relações sociais, para a aprendizagem e para a construção da autonomia. O tema deste relatório é a relação entre a rotina escolar e o desenvolvimento infantil. A questão que orienta o estágio é: de que maneira as atividades de cuidado, aprendizagem, brincadeira e convivência realizadas na creche podem contribuir para o desenvolvimento das crianças? O objetivo geral é acompanhar e compreender a rotina de uma instituição de Educação Infantil, relacionando suas atividades ao desenvolvimento das crianças. Os objetivos específicos são identificar as principais atividades realizadas durante o dia; observar as formas de acolhimento, interação, comunicação e cuidado; compreender a importância do brincar e das atividades pedagógicas; e refletir sobre as possibilidades de contribuição da Psicologia no contexto escolar. Esses objetivos estão de acordo com a finalidade do estágio prevista na Lei nº 11.788/2008 e com as orientações do Conselho Federal de Psicologia para a atuação na Educação Básica. Essas orientações destacam a importância de considerar as relações sociais, institucionais e educativas presentes no ambiente escolar. A Lei nº 13.935/2019 também é uma referência para a relação entre Psicologia e Educação, pois prevê a atuação de equipes multiprofissionais nas redes públicas de educação básica, com ações voltadas à melhoria do ensino-aprendizagem e à mediação das relações sociais e institucionais. Como a creche não foi identificada como integrante da rede pública, essa lei será utilizada apenas como referência geral. Espera-se que o estágio possibilite maior compreensão sobre o funcionamento de uma instituição de Educação Infantil e sobre a relação entre cuidado, aprendizagem e desenvolvimento. Também se espera ampliar os conhecimentos sobre a Psicologia Escolar e Educacional e desenvolver uma postura adequada de observação e registro. O estágio será realizado por uma estudante do 6º período do curso de Psicologia da Fundação São José de Itaperuna. A carga horária será de 80 horas, cumpridas das 7h às 12h, às terças, quintas e sextas-feiras, conforme o termo de compromisso e o plano de atividades. A 5 supervisão no campo será realizada pela coordenadora pedagógica da creche, que acompanhará as atividades e assinará os documentos do estágio. Durante esse período, será acompanhada a rotina geral da instituição, sem a realização de atendimentos psicológicos, diagnósticos ou intervenções clínicas. O relatório será organizado com a apresentação do campo de estágio, o registro das atividades acompanhadas e a análise das experiências com base nos conhecimentos da Psicologia. Caso sejam incluídos anexos, eles serão identificados no texto e apresentados de acordo com sua finalidade, como cronograma, plano de atividades ou documentos autorizados. 6 1 DESCRIÇÃO DO CAMPO DE ESTÁGIO A Creche Escola Leão Adherbal Carneiro Terra está localizada na Rua Coronel José Cardoso, nº 321, no bairro Niterói, em Itaperuna, Rio de Janeiro. A instituição funciona há mais de 40 anos e realiza um trabalho voltado para a educação e os cuidados na primeira infância. Seu espaço é destinado ao acolhimento, à aprendizagem, à convivência e ao desenvolvimento das crianças. Atualmente, a creche atende 45 crianças, distribuídas em três turmas da Educação Infantil: Berçário II, Maternal I e Maternal II. A equipe é formada por 10 funcionários, que participam das atividades pedagógicas e dos cuidados diários, como alimentação, higiene, descanso, recreação e acompanhamento das crianças. A rotina institucional começa com a chegada das crianças, entre 7h e 8h. Por volta das 7h30, é servido o café da manhã. As crianças que não levam lanche de casa recebem leite com cacau e frutas oferecidos pela creche. Depois do café da manhã, acontece a acolhida nas salas. Esse momento pode envolver oração, músicas, conversa sobre o tempo e outras interações. Em seguida, são realizadas as atividades pedagógicas planejadas para cada turma, de acordo com a idade e as características das crianças. Essas propostas podem envolver linguagem, movimento, criatividade, percepção, interação e socialização. Por volta das 10 horas, é servido o almoço. Após a refeição, as crianças realizam a higiene e escovam os dentes com o acompanhamento dos profissionais. Depois, são preparadas para o descanso, que acontece aproximadamente entre 11h30 e 13h30. Às 13h30, as crianças acordam e fazem o café da tarde. Em seguida, participam das atividades de recreação, que podem incluir brincadeiras com massinha, brinquedos diversos e momentos no parquinho. As propostas são escolhidas pelo profissional responsável pela turma, considerando a idade, os interesses das crianças e os materiais disponíveis. A brincadeira faz parte da rotina da creche e contribui para a interação, a criatividade, a comunicação e a aprendizagem. Segundo Vygotsky (1998), o desenvolvimento infantil está relacionado às interações sociais e às experiências vivenciadas pela criança. A saída acontece às 16 horas, quando as crianças são entregues aos pais ou responsáveis. Assim, a rotina da creche reúne educação, cuidado, alimentação, higiene, descanso, brincadeiras e convivência. A descrição apresentada nesta seção corresponde à organização geral e habitual da instituição. As situações e atividades acompanhadasdurante os dias de estágio serão apresentadas posteriormente, de acordo com as datas e os registros realizados. 7 2 ATIVIDADES REALIZADAS Durante o estágio realizado na Creche Escola Leão Adherbal Carneiro Terra, foi possível acompanhar diferentes momentos da rotina institucional e conhecer melhor o trabalho desenvolvido com as crianças da Educação Infantil. A experiência permitiu observar não apenas as atividades realizadas em sala, mas também os momentos de alimentação, higiene, descanso, brincadeiras, organização da escola, planejamento pedagógico e relação com as famílias. Dessa forma, foi possível compreender que o trabalho desenvolvido na creche envolve várias pessoas e setores, que atuam em conjunto para garantir o cuidado, a aprendizagem e o desenvolvimento das crianças. Um dos primeiros momentos acompanhados foi um lanche compartilhado entre as turmas do Berçário II, Maternal I e Maternal II, realizado em comemoração à Semana da Educação Infantil. A atividade foi diferente da rotina comum da instituição, pois reuniu as crianças em um mesmo espaço para que pudessem lanchar e conviver umas com as outras. Durante esse momento, foi possível perceber que as crianças participaram de forma ativa e demonstraram interesse pela presença dos colegas de outras turmas. Algumas interagiam com facilidade, enquanto outras permaneciam mais próximas das professoras e cuidadoras. As profissionais acompanharam todo o lanche, ajudando na organização e oferecendo o suporte necessário. Após o lanche, as turmas retornaram para suas salas. Essa mudança permitiu perceber que cada grupo possui características próprias e apresenta necessidades diferentes. Algumas crianças demonstraram maior agitação e dificuldade para seguir determinadas orientações, enquanto outras conseguiram acompanhar a organização da sala com mais tranquilidade. As professoras e cuidadoras procuraram conduzir as situações com atenção e paciência, orientando as crianças e ajudando-as a compreender os limites e as regras da convivência. Foi possível perceber que a atuação dessas profissionais é importante para manter a organização e, ao mesmo tempo, oferecer segurança e acolhimento. Também foram acompanhados os momentos de chegada das crianças à instituição. Cada uma apresentava uma maneira diferente de vivenciar esse momento. Alguns chegavam animados e demonstravam alegria ao encontrar os colegas e as profissionais. Outras chegavam mais quietas, inseguras ou chorando, precisando de maior atenção para se adaptar ao ambiente. Essa observação permitiu compreender que cada criança possui seu próprio ritmo e que a forma como é recebida pode influenciar sua adaptação à rotina escolar. O acolhimento realizado pelas professoras e cuidadoras ajuda a criança a se sentir segura e a iniciar o dia de maneira mais tranquila. O café da manhã também fazia parte da rotina observada. Algumas crianças já realizavam essa refeição em casa, enquanto outras tomavam café na própria creche. Mesmo com essa diferença, o grupo seguia para a cozinha e participava desse momento junto. Além de atender às necessidades de alimentação, o café da manhã favorecia a convivência e a socialização. A alimentação era acompanhada pelas profissionais, que auxiliavam as crianças quando necessário 8 e observavam suas necessidades. Depois das atividades, também eram acompanhados o almoço, a escovação dos dentes e o descanso. Esses momentos mostraram que o cuidado diário está diretamente relacionado à educação na primeira infância. Em uma das turmas acompanhadas, o Berçário II, estavam crianças com aproximadamente 1 ano e meio a 2 anos de idade. Foi possível perceber que, de modo geral, elas já estavam familiarizadas com o espaço, com as professoras e com a organização da creche. As crianças demonstravam proximidade com as profissionais e apresentavam segurança durante os momentos da rotina. Por serem pequenas, estavam em uma fase marcada por descobertas e novas aprendizagens. Desenvolviam suas habilidades por meio das brincadeiras, da observação, da exploração dos materiais e da interação com os adultos e com outras crianças. Nessa turma, foi acompanhada uma atividade relacionada a um projeto de leitura. A história trabalhada apresentava uma vaca como um dos elementos principais. Depois da leitura, as crianças participaram da confecção de vaquinhas. Mesmo sendo pequenas, algumas demonstraram curiosidade e envolvimento com a proposta. Elas fizeram perguntas, realizaram comentários e tentaram relacionar a história com aquilo que já conheciam. A professora conduziu a atividade de maneira simples, incentivando a participação e respondendo às dúvidas apresentadas. Essa experiência mostrou a importância do contato com os livros e as histórias desde os primeiros anos de vida. Mesmo antes de desenvolver completamente a linguagem, a criança consegue demonstrar interesse, fazer associações e participar das propostas. A leitura pode estimular a atenção, a imaginação, a comunicação, a curiosidade e a interação. A atividade também mostrou que as propostas realizadas com crianças pequenas precisam respeitar sua idade, seu tempo de concentração e suas formas de expressão. Outra turma acompanhada foi o Maternal I. O grupo possui 19 crianças matriculadas, mas normalmente frequentam entre 14 e 15 por dia. Durante a observação, foram percebidas algumas dificuldades relacionadas ao comportamento e ao cumprimento das regras. As crianças demonstravam bastante agitação e, em alguns momentos, tinham dificuldade para permanecer em uma mesma atividade por determinado período. Também nem sempre respondiam prontamente às orientações das professoras, o que tornava a organização da sala mais desafiadora. A partir dos relatos das profissionais, foi possível compreender que o trabalho com essa turma exige paciência, atenção, organização e estratégias adequadas. Cada criança apresenta uma forma própria de se comportar e de responder às orientações. Por isso, as profissionais precisam observar o grupo e, ao mesmo tempo, considerar as necessidades individuais. As situações de agitação e dificuldade para seguir regras não devem ser compreendidas apenas como problemas, mas como comportamentos que precisam ser observados e trabalhados de maneira cuidadosa. Durante esse período, também foi possível refletir sobre a relação entre a instituição e as famílias. Quando a creche procura os responsáveis para conversar sobre comportamentos ou dificuldades observadas no ambiente escolar, algumas famílias podem apresentar resistência ou 9 entender a comunicação como uma tentativa de diagnóstico. No entanto, conversar com os responsáveis sobre uma situação observada não significa diagnosticar a criança. Essa comunicação tem o objetivo de compartilhar informações, conhecer melhor a realidade da criança e buscar estratégias que possam contribuir para seu desenvolvimento. Também foi relatado que existem famílias mais abertas ao diálogo e dispostas a colaborar com a instituição. Em alguns casos, os responsáveis procuram o apoio de outros profissionais, formando uma rede de acompanhamento quando necessário. Essa diferença demonstra que a relação entre família e escola pode ocorrer de diferentes maneiras. Algumas famílias estabelecem uma parceria mais próxima, enquanto outras precisam de mais tempo e acolhimento para compreender as situações apresentadas pela creche. A observação dessa relação permitiu compreender que a parceria entre família e escola é construída gradualmente, por meio da comunicação, da confiança e do respeito. A criança está inserida em diferentes ambientes, e as experiências vividas em casa e na instituição influenciam seu desenvolvimento, sua aprendizagem e sua forma de se relacionar. Por esse motivo, é importante que a comunicação seja feita com cuidado, evitando julgamentos e rótulos. Quando a família e a escolatrabalham juntas, torna-se mais fácil compreender as necessidades e as potencialidades da criança. Também foi acompanhado o trabalho realizado pela secretaria da instituição. Esse setor desenvolve atividades importantes para o funcionamento da creche, embora muitas delas não aconteçam diretamente dentro das salas de aula. Entre as tarefas observadas estava a organização dos materiais pedagógicos e a impressão das atividades que seriam utilizadas pelas turmas durante a semana. Esse trabalho contribui para que as professoras tenham os recursos necessários para realizar suas propostas. A secretaria também realiza o controle da merenda escolar. São organizadas planilhas e acompanhada a saída dos alimentos utilizados diariamente. Esse controle ajuda a manter o estoque organizado e contribui para o planejamento da alimentação oferecida às crianças. Também foram observados registros relacionados aos alunos matriculados, à frequência e à organização dos documentos escolares. Outro aspecto acompanhado foi o contato com as famílias quando alguma criança apresenta muitas faltas. Nesses casos, a secretaria envia mensagens aos responsáveis para compreender o motivo das ausências e incentivar o retorno da criança à instituição. Essa ação, conhecida como busca ativa, demonstra que a secretaria também participa do acompanhamento da vida escolar das crianças. Assim, foi possível compreender que seu trabalho vai além de tarefas burocráticas, contribuindo para a organização da creche e para a comunicação com as famílias. Também foi observado o trabalho da orientadora pedagógica. Uma de suas atividades é conferir os planos de aula elaborados pelas professoras. Nesse processo, são analisados os conteúdos, as propostas e a adequação das atividades para cada turma. Quando necessário, são 10 feitas correções e orientações para que o planejamento esteja de acordo com a idade e as necessidades das crianças. A orientadora também acompanha os diários escolares e participa da elaboração dos relatórios mensais. Esses registros permitem documentar as atividades realizadas e os conteúdos trabalhados. Quando as famílias solicitam relatórios individuais, a orientadora auxilia na organização e na correção das informações apresentadas pelas professoras. Também participa de reuniões com os responsáveis quando alguma situação precisa ser discutida com mais atenção. A observação permitiu perceber que a orientação pedagógica não envolve apenas documentos. O trabalho também inclui acompanhamento, orientação e diálogo com as professoras e com as famílias. A orientadora contribui para que as atividades sejam planejadas de forma mais organizada e para que as necessidades das crianças sejam consideradas no cotidiano da instituição. Em outra turma, o Maternal II A, formada por crianças com aproximadamente 3 a 4 anos, foi possível observar um nível maior de autonomia em algumas atividades. Muitas crianças já conseguiam realizar determinadas ações com pouca ajuda dos adultos, demonstrando iniciativa e segurança. No entanto, também foi possível perceber que cada criança apresenta um ritmo diferente de desenvolvimento. O conteúdo trabalhado nessa turma foi a letra F. Inicialmente, a professora contou uma história relacionada à letra, utilizando uma forma lúdica para apresentar o assunto. Em seguida, as crianças realizaram uma atividade de registro, reproduzindo a letra no papel. Durante a proposta, algumas apresentaram dificuldade para segurar o lápis, manter a atenção ou controlar a força usada no traçado. Outras demonstraram maior facilidade e conseguiram realizar a atividade com mais autonomia. Depois, foi realizada uma pintura de uma formiga. Nessa atividade, também foram observadas diferenças na coordenação motora fina e na percepção do espaço. Algumas crianças tiveram dificuldade para pintar dentro dos limites do desenho, enquanto outras apresentaram maior controle dos movimentos. Essa situação mostrou que crianças com idades próximas podem estar em momentos diferentes do desenvolvimento. As atividades de desenho, pintura e traçado contribuem para o desenvolvimento da coordenação motora, da atenção, da percepção espacial e da autonomia. Também foi acompanhada uma atividade de pintura em outra turma, seguida de momentos de brincadeira. Durante a pintura, algumas crianças realizaram a proposta com autonomia, enquanto outras precisaram da ajuda da professora. Nas brincadeiras, as crianças interagiram, compartilharam brinquedos e vivenciaram algumas situações de disputa. Nesses momentos, a professora realizou a mediação por meio do diálogo e da orientação, ajudando as crianças a compreenderem a importância de dividir, esperar e respeitar os colegas. Essas situações permitiram perceber que as brincadeiras são importantes para o desenvolvimento infantil. Por meio delas, as crianças podem expressar sentimentos, desenvolver 11 a criatividade, exercitar a comunicação e aprender formas de convivência. A presença e a mediação das professoras são importantes para transformar os conflitos em oportunidades de aprendizagem e para ajudar as crianças a lidar com as regras e com as relações estabelecidas no grupo. Além das atividades realizadas em sala, fomos convidadas a retornar à creche para participar da Festa da Primavera. O evento reuniu as crianças, seus familiares e os profissionais da instituição em um momento diferente da rotina. As crianças usaram roupas coloridas e participaram de uma apresentação musical relacionada ao tema da primavera, demonstrando envolvimento e entusiasmo. Durante a festa, também foi realizada uma exposição dos trabalhos produzidos pelas crianças durante o projeto da primavera. Os familiares puderam conhecer e apreciar as atividades desenvolvidas. A exposição valorizou o esforço e a participação das crianças, mostrando que suas produções são importantes e podem ser compartilhadas com as pessoas próximas. A festa contou ainda com a venda de alimentos e bebidas, como cachorro-quente, bolo e refrigerante. Esses momentos possibilitaram a convivência entre as famílias e os profissionais em um ambiente mais descontraído. Também aconteceu a coroação do Rei e da Rainha da Primavera, organizada por meio de uma campanha de arrecadação de votos. A atividade envolveu as crianças e seus familiares e aproximou ainda mais a comunidade da instituição. A participação nesse evento permitiu observar que as atividades escolares não se limitam ao que acontece dentro das salas. Eventos como a Festa da Primavera criam oportunidades de integração, valorizam as aprendizagens e fortalecem os vínculos entre as crianças, as famílias e a creche. A presença dos responsáveis também demonstra a importância da participação da família na vida escolar das crianças. De maneira geral, as experiências realizadas durante o estágio permitiram conhecer diferentes aspectos do funcionamento da creche. Foi possível acompanhar a rotina das turmas, observar as formas de acolhimento e cuidado, conhecer o trabalho das professoras e cuidadoras, compreender as funções da secretaria e da orientação pedagógica e refletir sobre a relação entre a instituição e as famílias. Também foi possível compreender que a Educação Infantil envolve muito mais do que atividades pedagógicas. A alimentação, a higiene, o descanso, o acolhimento, as brincadeiras, a convivência e a atenção às necessidades individuais fazem parte do processo educativo. Cada momento da rotina oferece oportunidades de aprendizagem e contribui para o desenvolvimento das crianças. As observações realizadas contribuíram para relacionar os conhecimentos da Psicologia com situações presentes no cotidiano escolar. Foi possível perceber a importância de respeitar o ritmo de cada criança, evitar comparações e oferecer um ambiente seguro, acolhedor e estimulante. A experiência também mostrou que o trabalho desenvolvidona creche depende da participação de diferentes profissionais e da parceria com as famílias. Dessa forma, o estágio contribuiu para 12 ampliar a compreensão sobre a Psicologia Escolar e Educacional e sobre a importância de um olhar atento para o desenvolvimento integral das crianças. 13 3 RELAÇÃO ENTRE TEORIA E PRÁTICA Ao acompanhar o cotidiano da Creche Escola Leão Adherbal Carneiro Terra, foi possível perceber que cada momento vivido pelas crianças possui importância para o seu desenvolvimento. A chegada, a alimentação, a higiene, o descanso, as atividades pedagógicas e as brincadeiras não acontecem de forma isolada. Esses momentos formam uma rotina que organiza a vida da instituição e oferece às crianças oportunidades de aprender, conviver e construir maior segurança e autonomia. É nesse sentido que este estágio se concentrou na relação entre a rotina escolar e o desenvolvimento infantil, com atenção especial aos aspectos socioemocionais. Maria Carmen Silveira Barbosa (2006) explica que a rotina é uma categoria central das pedagogias da Educação Infantil, pois organiza os usos do tempo, dos espaços, dos materiais e das relações dentro da instituição. Essa organização pode oferecer estabilidade para as crianças, mas não deve ser transformada em uma sequência rígida e sem sentido. Uma rotina de qualidade precisa considerar as necessidades do grupo, permitir mudanças e criar oportunidades para a participação infantil. Essa ideia ajuda a compreender que os horários observados na creche não servem apenas para controlar as atividades. Eles também ajudam as crianças a reconhecer o ambiente, antecipar acontecimentos e desenvolver formas de participação no cotidiano. A Base Nacional Comum Curricular apresenta as interações e as brincadeiras como eixos estruturantes da Educação Infantil. O documento também estabelece os direitos de conviver, brincar, participar, explorar, expressar e conhecer-se. Esses direitos mostram que a criança deve participar ativamente das experiências oferecidas pela instituição, e não apenas receber cuidados ou cumprir atividades planejadas pelos adultos (BRASIL, 2018). Essa compreensão foi percebida durante o estágio, pois os diferentes momentos da rotina permitiam que as crianças interagissem, explorassem materiais, expressassem sentimentos e construíssem conhecimentos. A importância do ambiente também pode ser relacionada às contribuições de Donald Winnicott. Em sua teoria, o desenvolvimento emocional depende de um ambiente suficientemente bom, capaz de oferecer proteção, continuidade e cuidados confiáveis. Na instituição escolar, isso não significa substituir a família, mas construir relações estáveis e sensíveis, nas quais a criança possa ser acolhida e gradualmente desenvolver confiança para explorar o espaço. Benedito e Pinheiro (2018), ao discutirem a teoria winnicottiana, destacam que o ambiente tem função importante no processo de integração emocional. Essa ideia se aproxima do que foi observado na creche, especialmente nos momentos de entrada, alimentação, descanso e transição entre as atividades. A rotina observada começava com a chegada das crianças à creche. Alguns chegavam animadas, enquanto outras demonstravam insegurança ou choravam. Essa diferença mostra que a entrada não é igual para todos e que cada criança possui seu próprio ritmo de adaptação. Na prática, foi possível observar que o acolhimento das professoras e cuidadoras ajudava as crianças a se sentirem mais seguras. A recepção, a conversa, o contato afetivo e a atenção oferecida nesse 14 momento contribuíam para que elas conseguissem iniciar o dia e participar das atividades. Essa situação também pode ser compreendida a partir das contribuições de Henri Wallon. Para Wallon, o desenvolvimento infantil envolve a integração entre afetividade, movimento, inteligência e relações sociais. A criança não aprende apenas por meio de atividades intelectuais, pois suas emoções e seus vínculos com os adultos também participam desse processo. Assis, Oliveira e Santos (2022) ressaltam que, na teoria, o ambiente escolar exerce influência na formação da pessoa e precisa respeitar as particularidades de cada criança. Assim, a maneira como a professora recebe uma criança que chega insegura ou chorando pode favorecer sua adaptação e sua participação nas atividades. Essa situação pode ser relacionada à perspectiva histórico-cultural de Vigotski, segundo a qual o desenvolvimento da criança acontece por meio das relações sociais e da participação em experiências compartilhadas. A criança não se desenvolve isoladamente, pois aprende nas relações com os adultos, com outras crianças e com o ambiente. Dessa forma, o acolhimento realizado pelas profissionais não é apenas uma atitude de cuidado. Ele também cria condições para a participação, a comunicação e a aprendizagem. A alimentação também mostrou a relação entre cuidado e educação. O café da manhã e o almoço atendiam às necessidades físicas das crianças, mas também eram momentos de convivência e aprendizagem. As crianças aprendiam a permanecer em grupo, esperar, compartilhar o espaço e seguir orientações. As profissionais acompanhavam a refeição, auxiliavam quem precisava de ajuda e observavam as necessidades de cada criança. Na Educação Infantil, cuidar e educar não são ações separadas. A própria BNCC afirma que as práticas de cuidados pessoais, como alimentar-se e higienizar-se, fazem parte das experiências educativas (BRASIL, 2018). Essa compreensão também se relaciona ao relatório da UNESCO e do UNICEF sobre a educação e o cuidado na primeira infância. O documento destaca que o desenvolvimento infantil depende de diferentes fatores, como segurança, nutrição, relações responsivas e oportunidades de aprendizagem. Assim, o desenvolvimento não ocorre somente durante uma atividade pedagógica planejada. Ele também acontece nos momentos de cuidado e nas relações estabelecidas no cotidiano da instituição (UNESCO; UNICEF, 2024). Após as refeições, as crianças realizavam a higiene, incluindo a escovação dos dentes, e depois eram encaminhadas para o descanso. Esses momentos demonstraram que a rotina oferece referências e previsibilidade. Quando a criança reconhece a sequência das atividades, pode se sentir mais segura para participar e desenvolver gradualmente sua autonomia. A repetição dos horários e das ações não significa que todos os dias sejam iguais. Pelo contrário, a organização permite que as crianças saibam o que acontecerá e tenham melhores condições para se envolver nas experiências propostas. As atividades pedagógicas observadas mostraram que o desenvolvimento infantil acontece de forma gradual e apresenta diferenças entre as crianças. No Maternal II A, por exemplo, foi 15 realizada uma atividade sobre a letra F, seguida de uma pintura. Algumas crianças seguravam o lápis com mais facilidade e realizavam os traços com maior controle. Outras ainda apresentavam dificuldades para manter a atenção, controlar a força da mão ou respeitar os limites do desenho. Essas diferenças não devem ser vistas apenas como falhas. Elas fazem parte dos diferentes ritmos de desenvolvimento e indicam a necessidade de propostas adequadas e de acompanhamento individualizado. Nesse sentido, a teoria contribui para que a observação da prática não seja baseada em comparações ou julgamentos. Ao compreender que o desenvolvimento ocorre de maneira singular, o profissional pode oferecer auxílio sem desvalorizar a criança. Atividades de pintura, desenho e traçado favorecem o desenvolvimento da coordenação motora fina, da atenção, da percepção espacial e da autonomia. Ao mesmo tempo, permitem que a criança experimente, tente novamente e perceba suas próprias conquistas. A mesma relação entre teoria e prática foi percebida no projeto de leitura realizado com o Berçário II. A professora contouuma história sobre uma vaca e, depois, as crianças participaram da confecção de vaquinhas. Mesmo sendo pequenas, elas demonstraram curiosidade, fizeram perguntas e participaram da proposta. A atividade mostrou que a leitura pode ser utilizada desde os primeiros anos de vida para estimular a linguagem, a imaginação, a atenção e a comunicação. A leitura não precisa ser compreendida apenas como uma atividade para ensinar letras ou palavras. Na primeira infância, ela também possibilita o contato com diferentes imagens, sons, personagens e situações. A criança pode fazer perguntas, relacionar a história com suas experiências e expressar o que compreendeu. O relatório da UNESCO e do UNICEF destaca que experiências de linguagem, como ouvir histórias, conversar e interagir com adultos, contribuem para o desenvolvimento de habilidades importantes para a aprendizagem (UNESCO; UNICEF, 2024). As brincadeiras observadas também mostraram a importância das interações entre as crianças. Durante os momentos de recreação, elas compartilhavam brinquedos, interagiam e, algumas vezes, disputavam objetos. Nessas situações, a mediação das professoras era necessária para ajudar o grupo a compreender regras de convivência, esperar a vez, dividir e respeitar os colegas. O conflito, quando acompanhado por um adulto, pode se transformar em uma oportunidade de aprendizagem social. Oliveira (2025), em estudo sobre as interações e as brincadeiras na Educação Infantil, mostra que as crianças não apenas seguem as propostas dos adultos. Elas também interpretam, transformam e dão novos sentidos às experiências. A autora destaca que o brincar favorece a construção de conhecimentos, a linguagem, a expressão, a autonomia, a formação de vínculos e a negociação de regras. Essa compreensão esteve presente na prática observada, pois as crianças aprendiam enquanto brincavam e se relacionavam. A brincadeira também apareceu nas atividades com massinha, brinquedos e no parquinho. 16 Essas propostas permitiam que as crianças explorassem materiais, movimentassem o corpo, criassem situações e interagissem com os colegas. Solís-Cordero et al. (2023), em estudo realizado com crianças pequenas na cidade de São Paulo, encontraram associação positiva entre a presença do brincar na rotina e alguns domínios do desenvolvimento infantil, principalmente entre crianças com até 18 meses. Embora o estudo tenha sido realizado no ambiente doméstico e não possa ser aplicado diretamente à realidade da creche, ele reforça a importância de compreender o brincar como parte das experiências diárias e não apenas como um intervalo entre atividades consideradas mais importantes. A prática observada também mostrou que o brincar precisa ser acompanhado com atenção. A participação dos adultos não deve controlar todas as ações das crianças, mas oferecer segurança, organizar o espaço e intervir quando necessário. O adulto pode ajudar a ampliar as possibilidades da brincadeira, fazer perguntas, apresentar materiais e mediar conflitos. Ao mesmo tempo, é importante permitir que as crianças tenham liberdade para criar, experimentar e fazer escolhas. Outro aspecto relacionado ao tema foi a observação da turma do Maternal I, que apresentava maior agitação e dificuldade para seguir algumas regras. Essa situação mostrou que a rotina precisa ser organizada, mas também flexível. Crianças da mesma idade não respondem da mesma forma às orientações e não permanecem concentradas pelo mesmo tempo. Por isso, as professoras precisam utilizar estratégias variadas, considerando o ritmo e as necessidades do grupo. A organização da rotina não significa exigir que todas as crianças tenham o mesmo comportamento. Ela deve oferecer referências para que elas desenvolvam gradualmente a capacidade de participar das atividades e conviver com os outros. A mediação dos adultos é importante porque as crianças ainda estão aprendendo a controlar suas ações, expressar sentimentos e compreender as regras sociais. Com o tempo e com o apoio adequado, elas podem desenvolver maior autonomia e participação. A rotina também contribui para o desenvolvimento socioemocional porque oferece situações em que a criança precisa lidar com sentimentos, esperar, negociar, pedir ajuda e conviver com outras pessoas. Essas aprendizagens acontecem de maneira gradual e dependem da presença de adultos que orientem as crianças sem desconsiderar suas emoções. Quando a criança se sente acolhida, pode encontrar melhores condições para expressar o que sente e aprender formas mais adequadas de lidar com frustrações e conflitos. A relação entre família e escola também fez parte das observações e mostrou que o desenvolvimento infantil não depende apenas da instituição. As famílias possuem informações importantes sobre a criança e fazem parte de sua história. Ao mesmo tempo, a escola observa comportamentos e aprendizagens que podem não aparecer em casa. A troca entre esses dois espaços permite uma compreensão mais ampla das necessidades da criança. A revisão sistemática realizada por Otero-Mayer et al. (2026) identificou três dimensões 17 principais da participação familiar na Educação Infantil: o envolvimento em casa, a participação na escola e a comunicação entre família e instituição. Esse resultado ajuda a compreender que a parceria não se limita à presença dos responsáveis em eventos. Ela também envolve diálogo, troca de informações e colaboração no acompanhamento da criança. Durante o estágio, foi possível perceber que algumas famílias eram abertas ao diálogo, enquanto outras demonstravam resistência quando a escola comunicava alguma dificuldade relacionada ao comportamento ou à aprendizagem. Essa situação mostra a necessidade de uma comunicação cuidadosa, que não rotule nem diagnostique a criança. O papel da escola deve ser compartilhar observações e buscar, junto à família, formas de compreender e apoiar o desenvolvimento infantil. O trabalho da secretaria e da orientação pedagógica também ajudou a compreender que a rotina escolar é construída por diferentes profissionais. A secretaria organiza materiais, acompanha a merenda, registra a frequência e mantém contato com as famílias. A orientação pedagógica acompanha os planos de aula, os diários, os relatórios e o trabalho das professoras. Essas atividades nem sempre são percebidas pelas crianças, mas influenciam diretamente a organização do espaço e a qualidade das experiências oferecidas. A Festa da Primavera demonstrou ainda que a rotina da instituição pode ser ampliada por momentos de participação coletiva. A apresentação musical, a exposição dos trabalhos, a presença das famílias e as atividades de confraternização criaram oportunidades de convivência e valorização das produções infantis. O evento mostrou que as aprendizagens também podem ser compartilhadas com a comunidade escolar, fortalecendo os vínculos entre crianças, famílias e profissionais. A relação entre teoria e prática, portanto, permitiu compreender que o desenvolvimento infantil acontece no conjunto das experiências vividas na creche. Ele não depende de uma única atividade, mas da forma como a instituição organiza os espaços, os horários, as relações e as propostas. Uma rotina acolhedora e planejada oferece segurança, mas também precisa permitir participação, movimento, brincadeira, expressão e escolhas. Conclui-se que observar a relação entre a rotina escolar e o desenvolvimento infantil foi importante para compreender a Educação Infantil de maneira mais ampla. A prática mostrou que cuidar, educar, brincar e interagir são ações relacionadas. As teorias estudadas ajudaram a interpretar as situações observadas sem reduzir as crianças aos seus comportamentos ou dificuldades. A experiência também reforçou a importância de respeitar os diferentes ritmos de desenvolvimento, valorizar a participação das crianças, apoiaro trabalho das profissionais e fortalecer a comunicação com as famílias. 18 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS A realização do estágio possibilitou uma aproximação importante com a realidade da Educação Infantil e com o trabalho desenvolvido nesse contexto. Durante o período de observação, foi possível compreender que a creche não é apenas um local onde as crianças permanecem enquanto seus responsáveis trabalham. Trata-se de um espaço de cuidado, aprendizagem, convivência, desenvolvimento e construção de vínculos. Cada atividade realizada ao longo do dia participa, de alguma forma, da formação das crianças. A observação da rotina permitiu perceber que os momentos de chegada, alimentação, higiene, descanso, atividades pedagógicas, brincadeiras e saída possuem importância para o desenvolvimento infantil. A rotina oferece uma organização para o dia e ajuda as crianças a compreenderem a sequência dos acontecimentos. Ao reconhecer os horários e as atividades, elas podem se sentir mais seguras e desenvolver gradualmente maior autonomia. No entanto, também foi possível compreender que a rotina precisa ser flexível e respeitar as necessidades e os diferentes ritmos de cada criança. Durante o estágio, observou-se que as crianças apresentam características, comportamentos e formas de participação diferentes. Algumas demonstravam mais facilidade para interagir, realizar as atividades e seguir as orientações, enquanto outras precisavam de maior atenção e auxílio. Essas diferenças fazem parte do desenvolvimento infantil e não devem ser vistas apenas como dificuldades. Elas mostram a importância de um acompanhamento atento, capaz de respeitar a individualidade e oferecer apoio de acordo com as necessidades de cada criança. As atividades de leitura, pintura, desenho, traçado e brincadeiras mostraram que a aprendizagem acontece de maneira significativa quando a criança participa, explora e interage. O brincar não deve ser compreendido apenas como um momento de distração. Ele contribui para o desenvolvimento da linguagem, da criatividade, da coordenação motora, da autonomia e das relações sociais. Da mesma forma, uma história, uma pintura ou uma atividade simples pode estimular a curiosidade, a comunicação e a capacidade de expressão das crianças. Também foi possível perceber a importância da atuação das professoras e cuidadoras. Esses profissionais acompanham as crianças nos diferentes momentos do dia, oferecendo ajuda, orientação e acolhimento. Além de organizar as atividades, precisam lidar com conflitos, diferenças de comportamento, inseguranças e necessidades individuais. A forma como conduzem essas situações influencia o ambiente da sala e contribui para que as crianças aprendam a conviver, compartilhar, esperar e respeitar os colegas. O estágio também permitiu conhecer o trabalho realizado pela secretaria e pela orientação pedagógica. A secretaria contribui para a organização dos materiais, dos documentos, da merenda e da frequência das crianças. A orientação pedagógica acompanha os planos de aula, os registros e os relatórios, além de auxiliar as professoras e manter contato com as famílias. Essas experiências mostraram que o funcionamento da creche depende do trabalho conjunto de diferentes 19 profissionais e que cada setor possui importância para a qualidade do atendimento oferecido às crianças. Outro aprendizado importante esteve relacionado à parceria entre família e escola. A comunicação entre esses espaços é fundamental para compreender melhor as necessidades e o desenvolvimento da criança. Também foi possível perceber que essa relação pode apresentar dificuldades e exigir diálogo, paciência e respeito. A instituição deve compartilhar suas observações com cuidado, sem realizar julgamentos ou diagnósticos, enquanto a família precisa ter espaço para falar, esclarecer dúvidas e participar do acompanhamento da criança. A participação na Festa da Primavera também foi significativa, pois permitiu observar a comunidade escolar reunida em um momento de convivência e valorização das crianças. A presença das famílias, a apresentação musical, a exposição dos trabalhos e as atividades realizadas mostraram que os eventos escolares podem fortalecer os vínculos entre a instituição, as crianças e seus responsáveis. Esses momentos também valorizam as aprendizagens construídas durante o projeto e permitem que as crianças reconheçam a importância de suas produções. A experiência contribuiu para relacionar os conhecimentos estudados na graduação com situações concretas do cotidiano escolar. As teorias sobre desenvolvimento infantil, afetividade, interação, brincadeira e aprendizagem ajudaram a compreender que as crianças se desenvolvem nas relações com os adultos, com os colegas e com o ambiente. A prática também mostrou que o desenvolvimento não ocorre de forma igual para todas as crianças e que é necessário respeitar os diferentes ritmos, oferecendo oportunidades de participação e aprendizagem. Conclui-se que o estágio foi importante para ampliar a compreensão sobre a Psicologia Escolar e Educacional e sobre as possibilidades de atuação nesse campo. A experiência permitiu desenvolver um olhar mais atento para as relações, os comportamentos e as necessidades presentes na instituição. Também possibilitou compreender que o trabalho da Psicologia na escola deve considerar não apenas a criança individualmente, mas toda a comunidade escolar, incluindo profissionais, famílias e a organização da instituição. Dessa forma, o estágio contribuiu para a formação acadêmica e profissional, fortalecendo a importância de uma atuação ética, acolhedora e comprometida com o desenvolvimento integral das crianças. As experiências vivenciadas demonstraram que cuidar e educar são ações inseparáveis na Educação Infantil e que uma rotina organizada, afetiva e flexível pode favorecer a segurança, a autonomia, a aprendizagem e o desenvolvimento socioemocional. Esse aprendizado representa uma contribuição importante para a construção da identidade profissional e para a continuidade da formação em Psicologia. 20 REFERÊNCIAS ASSIS, Letícia Alexandra de; OLIVEIRA, Guilherme Saramago de; SANTOS, Anderson Oramisio. As contribuições da teoria de Henri Wallon para a educação. Cadernos da Fucamp, v. 21, n. 52, p. 60-75, 2022. Disponível em: https://www.revistas.fucamp.edu.br/index.php/cadernos/article/view/2817/1763. Acesso em: 30 out. 2026. BARBOSA, Maria Carmen Silveira. 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Relatório global sobre cuidado e educação na primeira infância: o direito a uma base sólida. Paris: UNESCO, 2024. Disponível em: https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000390215. Acesso em: 30 out. 2026. VYGOTSKY, Lev Semionovich. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. 6. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998. https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000390215?utm_source=chatgpt.com