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Nebulosas
N A R C I S A A M Á L I A
por Belisa Monteiro
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D
isponibilizado por Jardim
 da Babilônia 
Poliedro Sistema de Ensino
T. 12 3924-1616
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COLEÇÃO AOL
Copyright © Poliedro Sistema de Ensino Ltda., 2025.
Todos os direitos de edição reservados ao Poliedro Sistema 
de Ensino Ltda. Reprodução proibida. Art. 184 do Código 
Penal, Lei n° 9.610, de 19 de fevereiro de 1998.
ISBN 978-85-7901-953-1
Presidente: Nicolau Arbex Sarkis 
Autoria: Belisa Monteiro
Gerência editorial: Marcela Regina Silva de Pontes
Projeto editorial: Roberta Amendola
Coordenação de projeto editorial: Rogério Fernandes 
Salles
Edição de conteúdo: Cláudio Leyria e Luana Barbosa Vieira
Coordenação de revisão: Renata Ultramari
Revisão: Ana Luísa Ruggieri, Bianca da Silva Rocha, Camila 
Coutinho, Diego Carrera Guimil, Ellen Barros e Eric Luzzi
Coordenação de arte: Leonardo Carvalho
Ilustração: Olavo Costa
Coordenação de licenciamento e iconografia: Letícia 
Palaria de Castro Rocha
Analista de licenciamento: Izilda Monte Alto da Silva 
Canosa
O Poliedro Sistema de Ensino Ltda. pesquisou, junto às fontes apropriadas, 
a existência de eventuais detentores dos direitos de todos os textos e de todas 
as imagens presentes nesta obra didática. Em caso de omissão, involuntária, de 
quaisquer créditos, colocamo-nos à disposição para avaliação e consequentes 
correção e inserção nas futuras edições, estando, ainda, reservados os direitos 
referidos no art. 28 da Lei no 9.610/98.
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N A R C I S A A M Á L I A
Nebulosas
por Belisa Monteiro
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Nebulosas é o título da única obra de 
Narcisa Amália, uma das primeiras 
poetas românticas do Brasil. Seus poemas 
apresentam uma linguagem introspectiva, 
profunda, rica em uso de figuras de 
linguagem, abordam temáticas diversas 
que expressam seu universo lírico, além de 
refletir criticamente sobre a sociedade de 
sua época. Narcisa Amália foi uma escritora 
que usou a sua voz para instigar seus leitores 
a refletir sobre a realidade que viviam, 
estando, por isso, muito à frente de seu 
tempo. A seguir, vamos conhecer um pouco 
mais de sua vida e obra. Aproveite para se 
envolver com a escrita inspiradora dessa 
autora. Seus poemas, escritos no século XIX,
são ainda capazes de nos fazer sentir 
emoções profundas e refletir sobre questões 
que permanecem atuais.
Os trechos da obra reproduzidos nesta análise foram extraídos do livro: 
Nebulosas, de Narcisa Amália. 2. ed. Rio de Janeiro: Gradiva, 2017.
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INTRODUÇÃO
Narcisa Amália, nascida em 1852 no Rio de Janeiro, 
foi tradutora, poeta, escritora, crítica literária, jor-
nalista e professora. A obra Nebulosas, composta 
de 44 poemas organizados em três partes, foi pu-
blicada, em 1872, quando a escritora tinha apenas 
20 anos de idade. Suas poesias são marcadas por 
uma sensibilidade aguçada e um forte sentido de 
justiça, evidenciando uma voz feminina poderosa 
em um período dominado por escritores homens. 
Nebulosas reflete temas frequentes do período 
romântico brasileiro, como a exaltação da natureza, 
o amor à pátria, o sentimentalismo, o amor idea-
lizado e a melancolia, mas também se destaca por 
abordar questões sociais e políticas, especialmente 
a luta pelos direitos das mulheres e a abolição 
da escravatura. 
A sociedade brasileira do século XIX era es-
cravocrata e patriarcal. A economia era centrada 
na agricultura, em especial na produção de café e 
açúcar, com a exploração da mão de obra de pessoas 
escravizadas, submetidas cotidianamente a condições 
desumanas. O acesso à educação era bastante restrito 
e a maioria das pessoas não tinha oportunidades 
de desenvolvimento intelectual ou profissional. Na 
época, as principais funções relegadas às mulheres 
referiam-se às tarefas domésticas e à maternidade. 
A publicação da obra de Narcisa Amália é, portanto, 
um marco importante por quebrar as barreiras de 
gênero e introduzir em nosso repertório literário 
uma perspectiva feminina inovadora. Apesar disso, a 
poeta fluminense permaneceu durante muitos anos 
apagada da história da literatura brasileira. 
Neste material, vamos compreender por que 
Narcisa Amália merece ser lembrada tanto por 
sua produção lírica quanto por seu ativismo social. 
Suas poesias nos permitem imergir na sensibilida-
de romântica, por meio de uma linguagem rica e 
emotiva, e também compreender questões sociais 
relevantes da época, com poemas que refletem 
sobre o contexto histórico brasileiro do século XIX. 
Nessa perspectiva, realizaremos a leitura e a aná-
lise de trechos de alguns dos poemas significativos 
de sua antologia, aqueles que representam as prin-
cipais características de sua produção poética, além 
de refletir aspectos do Romantismo brasileiro. São 
eles: “Nebulosas”, “O Itatiaia”, “A Resende”, “Agonia”, 
“Aflita”, “Sete de Setembro” e “O africano e o poeta”.
Afora sua produção poética, Narcisa Amália foi 
uma jornalista ativa, servindo-se de suas habilida-
des de escrita para promover causas sociais. Sua 
atuação em jornais e revistas da época foi crucial 
para a difusão de ideias abolicionistas e em defesa 
dos direitos das mulheres.
PARA SABER MAIS
Literatura e jornalismo no oitocentos: o discurso 
da poeta Narcisa Amália em favor da instrução 
intelectual da mulher no semanário O Sexo 
Feminino, de Nataly Rafaele Ternero. Revista 
(Entre Parênteses), v. 8, n. 2, 2019.
Disponível em: https://publicacoes.unifal-mg.edu.br/revistas/
index.php/entreparenteses/article/view/1084/pdf. 
Acesso em: 30 ago. 2024.
O artigo contextualiza o cenário político-cultural brasileiro 
dos anos 1800, analisando a contribuição das mulheres 
intelectuais da época para a literatura e para a imprensa, 
com foco na atuação de Narcisa Amália.
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SOBRE A AUTORA
Breve biografia
Narcisa Amália de Campos nasceu em 1852 em São João da Barra (RJ) e seu 
único livro, Nebulosas, foi lançado quando ela tinha 20 anos, conquistando 
elogios do escritor Machado de Assis e do imperador D. Pedro II. Narcisa 
morreu em 1924, aos 72 anos, no Rio de Janeiro.
Narcisa Amália nasceu na cidade litorânea de São João da Barra, no 
Rio de Janeiro, em 3 de abril de 1852. Essa cidade, a 334 km da capital, 
marcou profundamente sua carreira, sendo fonte de inspiração para 
poemas que retomavam a sua infância em um cenário acolhedor, onde 
vivia brincando pelas ruas de paralelepípedos. Sua família não tinha 
muitos recursos financeiros, mas a futura poeta sempre esteve cerca-
da dos elementos culturais da época. Os pais de Narcisa Amália foram 
fundamentais para que ela tivesse acesso à educação e conseguisse 
realizar o feito de publicar uma obra. Seu pai, Jácome de Campos, foi 
um educador, poeta e jornalista que colaborou em diversos jornais da 
imprensa fluminense e paulista, além de ser cofundador e redator do 
primeiro jornal de São João da Barra, chamado O Paraybano (1859-1870). 
Sua mãe, Narcisa Inácia de Campos, também era professora e teve papel 
crucial na educação da filha. Ambos criaram um ambiente favorável ao 
aprendizado e incentivaram o florescimento de sua vida intelectual. Além 
do contato com os conhecimentos compartilhados pelos pais, Narcisa 
aprendeu latim e francês com o padre Joaquim Francisco da Cruz Paula.
Aos 11 anos, mudou-se com a família para Resende, também no 
Rio de Janeiro. A mudança representou não apenas uma alteração 
geográfica, mas também a ruptura com seu universo seguro e familiar. 
Esse fato reverberará nos poemas em que Narcisa Amália evoca uma 
constante saudade da infância e rememora lembrançassentidos
Concerta aos gemidos 
De seu coração.
AMÁLIA, Narcisa. Nebulosas. 2. ed. Gradiva: Rio de Janeiro, 
2017. p. 130.
Identifica-se nesses versos:
A) patriotismo, ao exaltar as mudanças sociais 
ocorridas com a declaração da Independência.
B) crítica social, pela expressão da dor e da vio-
lência sofridas pelas pessoas escravizadas.
C) revolta diante da morte, revelando a poesia 
como uma ferramenta a serviço de causas 
sociais.
D) valorização do indígena como típico homem 
nacional, apresentando a natureza como 
refúgio e local de acolhimento.
E) resistência aos exageros sentimentais, 
exaltando o ufanismo e o orgulho do país.
GABARITO
1. A
2. B
3. E
4. C
5. C
6. A
7. D
8. C
9. E
10. B
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RESOLUÇÕES
1 A
Ao contrário do afirmado na alternativa a, no 
Romantismo houve o rompimento com as rígidas 
formas prevalecentes até então, especialmen-
te se considerarmos o movimento anterior, o 
Arcadismo. O Romantismo apresenta maior 
liberdade formal para expressão das emoções 
e sentimentos individuais, com o uso de versos 
livres e brancos (versos sem rima e sem métrica).
2 B
Alternativa A: incorreta. Os poetas românticos 
não poderiam combater os efeitos deixados 
pelos poetas parnasianos, pois sua geração é 
posterior ao movimento romântico brasileiro. 
Alternativa C: incorreta. A literatura romântica é 
fortemente embasada na expressão da imagina-
ção e na expressão dos sentimentos individuais, 
ao contrário do afirmado nesta alternativa, que 
se refere à expressão de teses abstratas. 
Alternativa D: incorreta. A prosa romântica bra-
sileira não é caracterizada pela ironia e ela não 
se incumbiu de rebater, mas, sim, de reafirmar 
a convicção dos autores nacionalistas. 
Alternativa E: incorreta. Os poetas românticos não 
poderiam se inspirar no Naturalismo, visto que 
essa escola literária é posterior ao Romantismo 
brasileiro. 
3 E
Nesta questão, é imprescindível reconhecer as 
principais características das diferentes fases do 
Romantismo brasileiro. Apenas uma das alterna-
tivas apresenta a ordem das características das 
gerações de forma correta. Portanto, ao identificar 
que a primeira assertiva “abolicionismo” é uma 
característica pertencente à terceira geração 
romântica, sobram apenas duas alternativas 
possíveis (c e e). Ao seguir com a categorização, 
a assertiva “condoreirismo” só pode ser relacio-
nada à terceira geração romântica, o que exclui a 
alternativa c como uma possibilidade de resposta. 
4 C
Nesta questão, é muito importante reconhecer 
as principais características do Romantismo 
brasileiro para excluir algumas alternativas 
de possibilidades de resposta. Teocentrismo 
é uma visão filosófica que considera Deus 
como o centro de todo o Universo e foi a base 
da cultura e do modo de vida medieval. Além 
disso, a alegria, o otimismo, a descontração e 
a crença no futuro são características opostas 
às do Romantismo. 
5 C
Nesta questão, é muito importante saber dife-
renciar as características das diferentes gerações 
do Romantismo brasileiro e as especificidades 
das obras dos escritores mais representativos de 
cada época para escolher quais das afirmativas 
estão corretas. 
Afirmativa III: incorreta. A obra de Castro Alves, 
principal nome da terceira geração romântica, 
não apresenta ligações com a estética barroca 
nem tom religioso na maioria de seus poemas, 
tendo como foco a crítica social e a luta contra 
a escravidão. 
6 A
O trecho apresentado na questão retoma a 
descrição da personagem Virgília, de Memórias 
póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, 
obra inaugural do Realismo brasileiro. Essa 
escola literária se opôs ao estilo romântico 
ao empregar uma linguagem objetiva, por 
meio da qual era possível retratar a socieda-
de de maneira mais real, sem idealizações. 
A questão exige habilidades de interpretação 
de texto para reconhecer a crítica feita de 
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forma sutil ao estilo romântico. Para reco-
nhecer a alternativa correta, pode-se reler 
cada uma das frases dentro do contexto do 
trecho apresentado. A frase que precede a 
alternativa correta “porque isto não é um 
romance” expressa, de forma clara, a contra-
posição que o narrador pretende fazer ao que 
se caracterizava como um romance típico da 
época “em que o autor sobredoura a reali-
dade e fecha os olhos às sardas e espinhas”. 
No Romantismo, os autores costumavam 
apresentar a mulher de forma idealizada, 
tornando-a uma espécie de musa inatingível. 
O narrador ressalta que vai descrever a per-
sonagem de forma objetiva e real, apresen-
tando, inclusive, características que podem 
ser consideradas defeitos. 
7 D
Algumas pistas textuais que indicam que o autor 
se refere ao movimento romântico estão nas 
descrições da “atitude subjetiva e egocêntrica” 
que costumam “fazer referência aos nossos 
sentimentos”. O estilo romântico é caracterizado 
pela ênfase na emoção e na expressão de sen-
timentos profundos e experiências subjetivas, 
o que o torna um movimento de “linguagem 
literária universal”, com o qual as pessoas podem 
se relacionar e se identificar.
8 C
Alternativas A, B e E: incorretas. O primeiro 
verso da estrofe já indica que o eu lírico faz uma 
descrição dignificadora da natureza brasileira 
ao invocar o termo “gigante brasílio”, portanto 
a descrição da paisagem não é realizada de 
forma irônica, descrente ou triste. 
Alternativa D: incorreta. Não faz parte das carac-
terísticas do Romantismo expressar profundos 
sentimentos de felicidade.
9 E
Alternativa A: incorreta. Não é característica 
do Romantismo o uso da ironia, ainda que o 
pessimismo e o tédio sejam explorados pelos 
poetas da segunda geração. 
Alternativa B: incorreta. Não há misticismo 
na estrofe de Narcisa Amália, além da fuga 
da realidade que está comumente associada 
à morte em poemas da segunda geração do 
Romantismo brasileiro. 
Alternativa C: incorreta. Embora apresen-
te características comuns aos textos do 
Romantismo, estas não são identificadas no 
poema “Sete de Setembro”.
Alternativa D: incorreta. O sentimento em rela-
ção à natureza é de exaltação, e não de aversão. 
10 B
Alternativa A: incorreta. Não há sentimento 
de patriotismo nos versos de “O africano e o 
poeta”, ao contrário, o eu lírico faz uma dura 
crítica à sua pátria. 
Alternativa C: incorreta. Apesar de o poema 
servir como ferramenta em uma luta social, 
não há revolta diante da morte, mas, sim, da 
escravidão. 
Alternativa D: incorreta. Não há menção à figura 
do indígena no poema, conforme explícito no 
próprio título. 
Alternativa E: incorreta. Há, nos versos lidos, 
um movimento de exagero de sentimentos, que 
servem, porém, não para exaltar o país, mas 
para destacar a dor do africano escravizado.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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AMÁLIA, Narcisa. Nebulosas. Apresentação e posfácio de Anna Faedrich. 
2. ed. Rio de Janeiro: Gradiva; Fundação Biblioteca Nacional, 2017.
BARBOSA, Gisele Oliveira Ayres. Aspectos sociais e políticos da poesia 
de Narcisa Amália. In: SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA (ANPUH), 
22., 2003, João Pessoa. Anais […]. João Pessoa: Anpuh, 2003. 
Disponível em: https://anpuh.org.br/uploads/anais-simposios/pdf/
2019-01/1548177543_234815c43b1388dac39ccfdcae203d4f.pdf. 
Acesso em: 15 jun. 2024.
FAEDRICH, Anna. Narcisa Amália e as intempéries da produção literária 
feminina. Palimpsesto, Rio de Janeiro, ano 15, n. 22, p. 138-155, 
jan./jun. 2016. Disponível em: www.pgletras.uerj.br/palimpsesto/
num22/dossie/palimpsesto22dossie09.pdf. Acesso em: 15 jun. 2024.
FAEDRICH, Anna. Narcisa Amália, poeta esquecida do séculoXIX. 
Soletras, Rio de Janeiro, n. 34, jul./dez. 2017. Disponível em: www.e-
publicacoes.uerj.br/soletras/article/download/30950/22323/104272. 
Acesso em: 15 jun. 2024.
PAIXÃO, Sylvia Perlingeiro. Narcisa Amália. In: MUZART, Zahidé L. (org.). 
Escritoras brasileiras do século XIX. 2. ed. rev. Florianópolis: 
Mulheres; Santa Cruz do Sul: Edunisc, 2000.
TAPIOCA NETO, Renato Drummond. Transgressão feminina na im-
prensa brasileira: as jornalistas do século XIX. Rainhas trágicas, 
21 nov. 2021. Disponível em: https://rainhastragicas.com/2015/11/21/
as-jornalistas-do-seculo-xix/. Acesso em: 15 jun. 2024.
TEIXEIRA, Maria de Lurdes; DELUCA, Naná. Conheça Narcisa Amália, 
poeta e primeira jornalista brasileira. Folha de S.Paulo, 2 mar. 2020. 
Disponível em: www1.folha.uol.com.br/folha-100-anos/2020/03/
narcisa-amalia.shtml. Acesso em: 15 jun. 2024.
TERNERO, Nataly Rafaele. Literatura e jornalismo no oitocentos: o 
discurso da poetisa Narcisa Amália em favor da instrução inte-
lectual da mulher no semanário o sexo feminino. Revista (Entre 
Parênteses), n. 8, v. 2, 2019. Disponível em: https://doi.org/10.32988/
rep.v2n8.1084. Acesso em: 15 jun. 2024.
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O estudo das obras promove a 
compreensão e o aprofundamento 
do texto, revela as intenções de cada 
autor e elucida as características da 
escola literária da qual a obra faz parte. 
Ler é condição fundamental para 
compreender o mundo, os seres, os 
fenômenos e os acontecimentos.
Entender e desvendar uma obra é 
compreender o prazer da leitura e da 
busca de novos saberes. É encontrar a 
beleza da essência de cada autor.
Para saber mais sobre esta obra, 
assista à videoaula no P+:
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 da Babilôniaafetivas dessa 
fase, conferindo um tom nostálgico à sua escrita. 
Em Resende, a 146 km da capital, atuou como professora, auxiliando 
sua mãe, desde os 13 anos de idade, na escola em que ela fundou na ci-
dade. Casou-se, aos 14 anos, com João Batista da Silveira, artista de vida 
imprevisível, de quem se separou alguns anos depois. Ainda em Resende, 
começou a fazer suas primeiras traduções para periódicos, dentre os quais 
o Astro Resendense, o Monitor Campista e o Correio Fluminense.
Aos 20 anos, publicou, pela editora Garnier, Nebulosas, com a 
reunião de 44 de seus poemas. A publicação da obra, foi possibili-
tada, na época, pela influência de seu pai, Jácome de Campos, que 
B
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incentivou a sua inserção no universo literário. O prefácio foi feito por 
Pessanha Póvoa, escritor brasileiro e antigo aluno de Campos, o que 
conferiu certa legitimidade à obra. Em seu prefácio, sobre a poesia 
de Narcisa, o escritor preconiza:
Há em todas as suas composições poéticas um ponto de fixidez 
imaginativa que anda ao par da vivacidade de emoções, e a 
expressão do sentimento é sempre forte e concisa. 
A sua individualidade literária acusa um caráter leal e capaz 
de todos os sacrifícios pelas grandes causas.
PÓVOA, Pessanha. Prefácio. In: AMÁLIA, Narcisa. Nebulosas. 2. ed. Rio de Janeiro: 
Gradiva, 2017. p. 28.
 Após a publicação daquela que seria sua única obra, os poemas de 
Narcisa Amália foram apreciados e elogiados por figuras como Machado 
de Assis e o imperador D. Pedro II. Na apresentação da segunda edição, 
a crítica literária Anna Faedrich retoma o seguinte trecho da apreciação 
de Machado de Assis, publicada no jornal Semana Ilustrada: 
A leitura das Nebulosas causou-me a este respeito excelente 
impressão. Achei uma poetisa, dotada de sentimento verdadeiro 
e real inspiração, a espaços de muito vigor, reinando em todo o 
livro um ar de sinceridade e modéstia que encanta, e todos estes 
predicados juntos, e os mais que lhe notar a crítica, é certo que 
não são comuns a todas as cultoras de poesia. 
ASSIS, Machado de. apud AMÁLIA, Narcisa. Apresentação. Nebulosas. 2. ed. Rio de 
Janeiro: Gradiva, 2017. p. 7.
Nebulosas rendeu dois prêmios: a Lira de Ouro, em 1873, e o prêmio 
da Mocidade Acadêmica do Rio de Janeiro, em 1874.
Aos 28 anos, casou-se pela segunda vez com Francisco Cleto da 
Rocha. Após alguns anos de casamento, decidiu se separar novamente, 
devido aos ciúmes constantes do marido relacionado aos encontros 
e amizades de suas atividades intelectuais. Após a separação, sofreu 
difamações de seu ex-marido, que alegava que seus versos não eram 
de sua autoria. O fato de ser uma mulher desquitada causou muita 
adversidade para a vida pessoal de Narcisa Amália, tendo em vista 
que era algo incomum para sua época.
Em 1889, a poeta decidiu se mudar para outro município fluminen-
se, São Cristóvão, onde se dedicou à educação e fundou o periódico 
O Gazetinha, no qual publicava artigos com seus ideais republicanos, 
abolicionistas e em defesa dos direitos das mulheres. Após 1902, ela 
abandonou a escrita para lecionar em uma escola pública. Narcisa 
Amália faleceu na cidade do Rio de Janeiro, em 24 de junho de 1924, 
cega e paralítica, sem o devido reconhecimento pela sua obra. 
PARA SABER MAIS
Letras & Memória, de 
TV Brasil.
Disponível em: https://tvbrasil.ebc.
com.br/tags/letras-e-memoria. 
Acesso em: 22 set. 2024.
No contexto da Festa Literária 
Internacional de Paraty (Flip) de 2018, 
a TV Brasil produziu uma série de 
13 programas, com um minuto de 
duração, sobre importantes nomes 
da nossa literatura que entraram em 
domínio público. Entre esses nomes, 
estavam os de autoras do século XIX 
cujas obras sofreram com o descaso e 
o esquecimento: Ignez Sabino, Úrsula 
Garcia, Maria Firmina dos Reis, Adélia 
Fonseca, Júlia Lopes de Almeida e 
Narcisa Amália. 
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A autora e seu período
O século XIX é um período da história do Brasil marcado por constantes 
transformações sociais, políticas e econômicas. A seguir, vamos conhecer 
alguns dos principais marcos desse período, tanto os que antecederam o 
nascimento de Narcisa Amália, quanto os posteriores, que foram importantes 
para a construção da sua identidade e da sua produção artística.
No ano de 1808, a Família Real Portuguesa, fugindo das tropas de Napoleão 
Bonaparte, chegou ao Brasil, então, colônia de Portugal, convertendo-o, 
com isso, em sede da Coroa. Exatamente 30 anos antes do nascimento de 
Narcisa Amália, em 1822, com a Proclamação da Independência no dia sete de 
setembro, tornamo-nos uma nação soberana, organizada como monarquia, 
sob o governo de D. Pedro I. 
O período pós-Independência trouxe consigo a necessidade de cons-
trução de uma identidade para o país, descolada da influência portuguesa, 
que refletisse uma nova noção de povo, nação e cultura, criando um terreno 
fértil para a popularização do Romantismo. Foram os romancistas e poetas 
da chamada Primeira Geração Romântica, ou indianista, que se incumbiram 
de exaltar a natureza, expressar sentimentos nacionalistas e determinar 
novos símbolos nacionais. 
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O governo de D. Pedro I perdurou até 1831, quando ele abdicou 
do trono e retornou a Portugal para tornar-se rei. Seu filho e suces-
sor, D. Pedro II, tinha apenas 5 anos e não poderia assumir o trono 
até atingir a maioridade legal, aos 18 anos. Foi então instituído um 
período de Regência, que se estendeu até 1840, quando D. Pedro II 
foi enfim coroado imperador do Brasil, com apenas 14 anos de idade, 
por meio de um movimento político parlamentar conhecido como 
“Golpe da Maioridade”. O início de seu reinado foi caracterizado por 
uma grande reorganização política do país, com a instauração, em 
1847, do Parlamentarismo. 
A economia brasileira ainda era fortemente agrária e dependente 
da mão de obra escravizada. Contudo, havia um enorme processo 
de modernização e urbanização que questionava o modo como o 
país funcionava, ao mesmo tempo, a sociedade mudava sua forma 
de organização: de rural e senhorial para urbana e burguesa. Por 
consequência, a escravidão enfrentava uma crescente oposição no 
país. Em 1850, o imperador D. Pedro II proibiu o tráfico de escravi-
zados, por meio da Lei Eusébio de Queirós, um dos primeiros passos 
para a abolição da escravatura.
Em 1852, Narcisa Amália nasceu, em meio a esse contexto de 
constante transformação e progresso social. Durante seu crescimen-
to, assistiu à crise do regime monárquico no Brasil e, por ter grande 
sensibilidade social e política, rapidamente se tornou uma figura que 
fez uso de sua voz para contestar a estrutura social vigente. 
As ideias em torno do fim do regime escravocrata ganhavam força 
na sociedade, mobilizando intelectuais e artistas, os quais usavam 
suas obras para denunciar as injustiças e promover a emancipação 
das pessoas escravizadas. Em 1872, Narcisa publicou sua antologia 
de poemas que refletiam sobre a liberdade, a justiça, e a condição 
feminina, apresentando uma perspectiva crítica e sensível sobre a 
sociedade brasileira de então, utilizando sua escrita como um ins-
trumento para a conscientização e a transformação social.
Esse contexto de constantes mudanças sociais culminaria, anos 
depois, na abolição da escravidão, com a assinatura da Lei Áurea, 
em 1888. 
E é em meio dessa efervescência social que Nebulosas é pu-
blicado, tornando-se um marco na literatura brasileira, não apenas 
pelo seu conteúdo, mas também por representar a emergência de 
uma voz feminina e abolicionista na cena literária. Em um período no 
qual a sociedade brasileira era profundamentepatriarcal e racista, 
sua publicação serviu como um chamado à mudança.
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18
70 TRADUÇÕES*
Tradução do francês de 
Os climas antigos, de 
Gaston de Saporta.
(1870)**
Nebulosas
(1872)
POESIA
A PRODUÇÃO LITERÁRIA
Obras 
Tradução de História da 
minha vida, de George 
Sand
Tradução de Romance 
de uma mulher que 
amou, de Arsène 
Houssaye
1890O quinze de novembro do 
sexo feminino
(1890)
PERIÓDICOS
A família
(1889-1890)
O sexo feminino
(1875-1890)
Jornal das senhoras
(1852-1855)
R
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du
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o
R
ep
ro
du
çã
o
* Não há registros do ano em que as traduções foram feitas.
** Segundo o periódico Diário do Rio de Janeiro (nº 328 de 27 de novembro de 1870, 1)
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ASPECTOS GERAIS DA 
PRODUÇÃO LITERÁRIA
O conjunto de poemas de Narcisa Amália publicados em Nebulosas 
foi produzido durante o período do Romantismo no Brasil, um estilo 
marcado pela expressão da subjetividade. Culturalmente, o país estava 
em processo de construção de uma identidade nacional, buscando se 
afastar das influências coloniais e europeias. Os textos românticos 
se dedicavam a exaltar a beleza natural do Brasil e o passado indígena, 
contribuindo para a consolidação de uma literatura genuinamente 
brasileira. Em meio a essas transformações, a poesia de Narcisa Amália 
se destacou por sua sensibilidade e engajamento social.
Em geral, seus poemas possuem um tom introspectivo, marcado 
pela expressão de suas emoções. Por vezes, apresentam reflexões 
sobre questões sociais vigentes da época. A diversidade temática 
contemplada na obra nos permite reconhecer características de todas 
as gerações do Romantismo brasileiro: há os poemas que apresentam 
aspectos nacionalistas, os que tratam do sofrimento do amor romântico, 
da saudade da terra e da infância e os que são engajados em críticas 
às injustiças, abordando temas abolicionistas e antiescravistas. 
A sua obra se destacou por apresentar uma abordagem inovadora 
sobre o universo feminino e envolvente de temas sociais, utilizando uma 
linguagem lírica que buscava sensibilizar e conscientizar seus leitores 
sobre as questões de sua época. Entretanto, até então, sua vida e sua 
obra foram excluídos da historiografia literária brasileira, seus textos não 
foram citados em antologias representativas da época e seu nome não 
costuma aparecer na lista de autores do nosso cânone literário. Muitas 
vezes, as mulheres escritoras foram subestimadas ou desvalorizadas, 
o que reflete as barreiras enfrentadas por elas na sociedade em geral.
Neste material, vamos conhecer os principais aspectos de sua obra, 
nos sensibilizar com sua expressão lírica e refletir criticamente sobre 
diversos temas sociais e políticos. 
COMO ESTUDAR
Para estudar os aspectos abordados 
nessa obra, consulte os seguintes 
conteúdos em seu material didático:
As três gerações do Romantismo no 
Brasil:
• Primeira geração – indianista: 
nacionalismo, valorização da 
natureza, idealização do passado 
indígena do país. Gonçalves Dias 
é um dos principais nomes dessa 
geração.
• Segunda geração – ultrarromântica: 
individualismo, sentimentalismo 
e pessimismo. Principais nomes: 
Álvares de Azevedo, Casimiro de 
Abreu e Fagundes Varela.
• Terceira geração – condoreira: 
preocupação com as questões 
sociais do país, com foco no 
abolicionismo. Principais nomes: 
Castro Alves e Sousândrade.
O Romantismo no panorama dos 
movimentos literários pré e 
pós-século XIX: 
• No que se refere à linguagem, 
o Romantismo apresenta maior 
liberdade formal em comparação ao 
movimento anterior, o Arcadismo.
• O Realismo, movimento 
imediatamente posterior ao 
Romantismo, apresentava, por seu 
turno, uma linguagem mais objetiva, 
impessoal e racional.
• A primeira geração romântica é 
retomada, num movimento de 
negação, pelos modernistas da 
primeira fase, que também tinham 
como objetivo a construção de 
uma identidade nacional, mas, 
ao contrário do preconizado pelo 
Romantismo, sem idealizações.
DICA PARA O VESTIBULAR
Ao estudar as obras que se enquadram no período do Romantismo, como a de 
Narcisa Amália, atente às características específicas das fases de cada geração. Essas 
características costumam ser cobradas nos vestibulares.
• A primeira geração (1836-1853) é indianista e nacionalista. 
• A segunda geração (1853-1870) é ultrarromântica e marcada pela evasão da 
realidade, o pessimismo e expressão do sofrimento. 
• A terceira geração (1870-1881) é sociopolítica e expressa uma visão crítica da 
realidade.
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Durante a leitura e a análise de alguns poemas de Narcisa Amália, 
vamos observar que parte deles se aproximam bastante do primeiro 
período do Romantismo, apresentando aspectos ufanistas de exaltação 
da pátria e elevação das nossas riquezas naturais. Além disso, alguns 
poemas apresentam um tom saudosista e idealizado da infância e da 
terra. Outros poemas exploram a tristeza, a melancolia, a morte, dialo-
gando com a geração ultrarromântica. Por fim, conforme mencionamos, 
alguns de seus poemas expressam críticas sociais, especialmente 
direcionadas à monarquia, além de versar sobre temas abolicionistas 
e antiescravistas, refletindo as características do terceiro período do 
Romantismo brasileiro, também conhecido como Condoreirismo.
A escolha do título da obra de Narcisa Amália já nos incita a procurar 
e atribuir diversos sentidos interpretativos. “Nebulosas” são as nuvens 
formadas por poeira cósmica e diversos gases que se desprendem das 
estrelas. Também utilizamos a palavra “nebulosa” para nos referir a tudo 
aquilo que é de difícil compreensão, obscuro, misterioso e ambíguo. Nesse 
sentido, adentraremos no mundo poético de Narcisa Amália partindo da 
premissa de que encontraremos poemas que expressam coisas etéreas, 
profundas e de difícil compreensão. Uma obra que reflete aquilo que há 
de mais profundo em seu íntimo, ao mesmo tempo que remete ao que 
há de mais inatingível na natureza: a poeira cósmica das estrelas que viajam 
pelo espaço e que são compostas dos mesmos átomos e elementos que 
nos constituem enquanto seres humanos. 
“Nebulosas” é, enfim, o título do poema que compreende a pri-
meira parte da obra, composto de nove estrofes que exploram temas 
introspectivos e a conexão com a natureza. Esta última é exaltada não 
apenas como cenário, mas como elemento essencial que se conecta 
profundamente com as emoções e o espírito humano. A observação 
noturna dos astros permite que o eu lírico sonhe e reflita sobre questões 
que transcendem a compreensão humana. Também é possível obser-
var, nesse primeiro poema, a idealização da natureza como espaço de 
fuga e liberdade, por meio do uso de metáforas e outras figuras de 
linguagem que expressam a relação do ser humano com o Universo.
A leitura desse primeiro poema nos convida a refletir a respeito 
das nossas percepções sobre o cosmos e a capacidade humana de 
maravilhar-se diante do Universo. A linguagem, apesar de simples, 
pode trazer algumas dificuldades para os leitores contemporâneos, 
por isso, vamos realizar uma análise pormenorizada de algumas 
estrofes, a fim de esmiuçar os significados de algumas palavras e os 
sentidos de alguns versos. 
PARA IR ALÉM
Apagamento histórico
A obra poética de Narcisa Amália 
dialoga com a dos grandes 
nomes da poesia romântica 
brasileira. Apesar de refletirem 
sobre a época em que foram escritos, 
seus poemas nunca alcançaram o 
mesmo reconhecimento daqueles 
escritos por seus contemporâneos 
homens. A discussão sobre o 
apagamento histórico de mulheres 
na literatura é crucial para uma 
compreensão mais profunda da história 
literária. Esse apagamento impediu que 
as vozes femininas fossemouvidas e 
valorizadas. Reconhecê-lo e 
corrigi-lo por meio do resgate da obra 
de autoras esquecidas nos permite 
promover uma literatura mais diversa 
e inclusiva, que reflete a riqueza das 
experiências humanas. No link indicado 
a seguir, é possível conhecer um 
pouco mais da história de diversas 
mulheres que tiveram que usar alguns 
subterfúgios para que suas obras 
fossem aceitas e publicadas 
no mercado editorial.
COSTA, Camilla. As escritoras que tiveram 
de usar pseudônimos masculinos — e agora 
serão lidas com seus verdadeiros nomes. 
BBC, 15 abr. 2018. Disponível em: 
https://www.bbc.com/portuguese/
geral-43592400. Acesso em: 30 jul. 2024.
ASPECTOS GERAIS SOBRE A OBRA ANALISADA
HABILIDADES DA BNCC 
MOBILIZADAS
EM13LGG101, EM13LGG202, 
EM13LGG203, EM13LGG302, 
EM13LGG401, EM13LGG601.
EM13LP01, EM13LP02, 
EM13LP03, EM13LP06, 
EM13LP08, EM13LP23, 
EM13LP45, EM13LP47, 
EM13LP48, EM13LP49, 
EM13LP51.
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Nebulosas
No seio majestoso do infinito,
– Alvos cisnes do mar da imensidade, –
Flutuam tênues sombras fugitivas
Que a multidão supõe densas caligens,
E a ciência reduz a grupos validos;
Vejo-as surgir à noite, entre os planetas,
Como visões gentis a flux dos sonhos;
E as esferas que curvam-se trementes,
Sobre elas desfolhando flores d’ouro,
Roubam-me instantes ao sofrer recôndito!
(p. 31)
Caligem: Nevoeiro denso, névoa.
A flux: Abundantemente.
Tremente: Que treme.
Recôndito: Escondido, oculto.
DICA PARA O VESTIBULAR
Ao estudar as obras que se enquadram no período do Romantismo, como Nebulosas, atente-se ao uso das figuras de 
linguagem que provocam diversos efeitos de sentido a esses textos. A identificação de suas características costuma ser 
cobrada nos vestibulares.
Veja algumas das principais figuras de linguagem utilizadas nos textos românticos:
• Metáfora: consiste na comparação implícita entre dois elementos distintos, sugerindo uma semelhança entre eles. No 
Romantismo, as metáforas são amplamente empregadas para expressar sentimentos profundos e subjetivos, como o 
amor idealizado e a angústia existencial. 
• Hipérbole: caracteriza-se pelo exagero intencional de uma ideia ou um sentimento. No Romantismo, a hipérbole é 
usada para enfatizar a grandiosidade das emoções e das experiências humanas.
• Antítese: consiste na oposição de ideias ou palavras para criar um contraste. No Romantismo, a antítese é frequentemente 
utilizada para expressar sentimentos opostos como o amor e o ódio, a vida e a morte, a esperança e o desespero.
• Personificação: consiste na atribuição de características humanas a seres inanimados ou abstratos. No Romantismo, a 
personificação é utilizada para criar um vínculo emocional entre o leitor e os elementos da natureza ou conceitos abstratos. 
A linguagem empregada nos textos líricos do Romantismo apresenta grande liberdade formal e costuma ser subjetiva 
e confessional. As figuras de linguagem foram muito utilizadas pelos autores para enriquecer o texto, aprofundando a 
expressão dos sentimentos e a capacidade de comunicação emocional com o leitor.
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Falaz: Que engana, ilude.
Pompa: Luxo, ostentação.
Potestade: Que impõe vontade, poder, 
força; refere-se a divindades, ao coro de 
anjos da sexta hierarquia.
Triclínio: Tipo de sofá-cama que 
integrava a sala de jantar dos antigos 
romanos.
Adejar: Agitar as asas para se manter em 
voo.
Sólio: Trono, poder real.
Exânime: Desanimado, morto.
 O primeiro verso, “No seio majestoso do infinito”, 
Estabelece um cenário imensurável aos olhos do 
observador, remetendo à visão de imensidão que 
temos ao olhar para o céu. Nesse trecho, a palavra 
“seio” refere-se à curva do planeta ao ser avistada 
da terra. O segundo verso, “Alvos cisnes do mar da 
imensidade”, faz referência às nebulosas e às galáxias 
distantes, avistadas apenas como simples manchas 
no céu noturno. A imagem criada é uma metáfora que 
pode ser interpretada de várias maneiras. “Cisnes 
brancos” simbolizam os corpos celestes que, em sua 
leveza e graciosidade, remetem à elegância dos cisnes. 
Frequentemente associados à pureza e à beleza, nesse 
poema, os cisnes, embora possam parecer belos e 
inofensivos, são na verdade complexos e misteriosos. 
O infinito e a beleza do cosmos são temas recorrentes 
na poética de Narcisa Amália. 
O eu lírico expressa sua solidão por compreender 
o céu com encanto e fascínio, diferentemente de 
outros dois grupos de observadores: as pessoas 
comuns que observam o céu vendo simples ne-
voeiros (“Que a multidão supõe densas caligens”) 
e o grupo especializado de cientistas que o reduz a 
categorizações técnicas (“E a ciência reduz a grupos 
validos”). Essa dualidade entre a percepção do leigo 
e a da análise científica sugere uma tensão entre os 
diferentes tipos de conhecimento, com o eu lírico 
posicionando-se em algum lugar entre esses dois 
extremos, aspirando a uma compreensão mais 
profunda e espiritual da realidade.
O verso “Como visões gentis a flux dos sonhos” 
captura a natureza quase mágica da contemplação 
do eu lírico que se permite sonhar e se maravilhar 
ao observar o céu. Os três últimos versos da estrofe 
podem, ainda, ser interpretados como uma repre-
sentação poética dos fenômenos astronômicos, cuja 
beleza e movimento oferecem um breve alívio ao 
“sofrer recôndito” do eu lírico. 
No decorrer do poema, o eu lírico descreve 
um processo de transformação pessoal, no qual a 
contemplação do infinito e a inspiração derivadas da 
beleza celestial oferecem uma fuga do “deserto”, 
da desesperança e do desânimo. A imensidão do 
cosmos serve como uma metáfora para os próprios 
mistérios e profundezas da alma humana.
Assim nasceram os meus tristes versos,
Que do mundo falaz fogem às pompas!
Não dormem eles sob os áureos tetos
Das térreas potestades, que falecem
De morbidez nos flácidos triclínios!
Cortando as brumas glaciais do inverno
Adejam nas estâncias consteladas
Onde elas pairam; e à luz da liberdade
Devassando os mistérios do infinito,
Vão no sólio de Deus rolar exânimes!...
(p. 34) 
Nessa última estrofe, em um movimento meta-
linguístico, o eu lírico conclui que sua poesia nasce de 
um sentimento de tristeza que dá à luz a expressão 
de sua alma, sugerindo uma reação às injustiças e 
desilusões do mundo, corroboradas no verso “que do 
mundo falaz fogem às pompas”. Em outras palavras, 
remetendo à figura idealizada do poeta romântico, 
seus versos revelam valores opostos aos de um 
mundo cheio de falsidades e superficialidades, do 
qual o eu lírico procura se distanciar. 
Esse trecho eleva os sentimentos verdadeiros 
em contraposição à superficialidade das convenções 
sociais. Os versos do eu lírico não se acomodam “sob 
os áureos tetos/Das térreas potestades,” ou seja, não 
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encontram repouso nem valor nas riquezas materiais 
e efêmeras que, apesar de sua aparência de força 
e poder, são descritas como falsas e decadentes. 
Na continuação da estrofe, em “Cortando as 
brumas glaciais do inverno/Adejam nas estân-
cias consteladas/onde elas pairam [...]”, o verbo 
“cortar” sugere uma transcendência por meio das 
dificuldades; em busca de algo mais elevado, as 
“estâncias consteladas” representam um espaço 
de pureza e verdade. 
O anseio e a busca pela verdade e pelo co-
nhecimento que se encontram além dos limites 
do entendimento humano ficam claros na menção 
à “luz da liberdade” e aos “mistérios do infinito”. 
Finalmente, o último verso evoca a ideia de que, 
em sua busca e em sua pureza, a poesia alcança 
o divino, mas tal encontro é tão avassalador que 
deixa exânimes os versos, ou seja, sem vida, num 
paradoxo que sugere que, ao tocar o divino, a ex-
pressão humanaatinge seu ápice e seu fim.
O poema reflete um tom lírico e profundo, carac-
terizado por uma estrutura que mescla versos livres 
com rimas dispersas, criando um ritmo mais fluido e 
menos restrito do que formas poéticas tradicionais. 
O anseio por uma compreensão mais profunda do 
Universo é uma característica marcante desse poema, 
em que o eu lírico busca, por meio da expressão do 
individual, tocar o universal, revelando um contraste 
entre o efêmero e o eterno, entre o mundano e o divino. 
Nele também conseguimos observar algumas das 
principais características do Romantismo: a glorificação 
da natureza, a intensa expressão dos sentimentos e a 
fuga para um mundo de sonhos e fantasias. 
A seguir, vamos analisar outros poemas de
Nebulosas, identificando neles características das 
diferentes gerações do Romantismo brasileiro. É o 
caso de “O Itatiaia”, que reflete a primeira geração 
romântica, marcada pelo nacionalismo e pela exaltação 
da natureza. Nesses textos, Narcisa celebra a beleza 
do Brasil, suas paisagens exuberantes, evocando um 
sentimento de orgulho nacional e identidade cultural. 
Compondo a segunda parte do livro, o poema 
“O Itatiaia” faz referência a uma das montanhas 
mais altas e icônicas do Brasil, situada na Serra da 
Mantiqueira, entre os estados de Minas Gerais e 
Rio de Janeiro. Nesses versos, há a valorização da 
natureza local, além da exaltação da singularidade 
e da grandiosidade da nação. O enaltecimento da 
paisagem natural reflete o desejo romântico de criar 
uma identidanacional, enraizada nas características 
físicas e culturais do país. 
Em 15 estrofes, o eu lírico de “O Itatiaia” busca 
encontrar significados profundos na imensidão das 
montanhas e convida o leitor a compartilhar de uma 
experiência de maravilhamento ao observá-las.
O Itatiaia 
Ante o gigante brasíleo,
Ante a sublime grandeza
Da tropical natureza, 
Das erguidas cordilheiras,
Ai! quanto me sinto tímida!
Quanto me abala o desejo
De descrever n’um arpejo
Essas cristas sobranceiras! (p. 69)
O primeiro verso do poema posiciona o eu lírico 
diante do “gigante brasíleo”, invocando a beleza 
imponente do Itatiaia. Ao personificar a natureza, 
a imagem se torna mais viva e próxima ao leitor, 
atribuindo-lhe um caráter épico. Essa amplidão 
brasílica é reforçada durante toda a estrofe, em um 
tom de admiração e respeito diante da imponência 
natural da cordilheira. 
Ao mesmo tempo, no verso “Ai! quanto me sinto 
tímida!”, é revelada a humildade do eu lírico em relação 
ao sentimento de arrebatamento diante da natureza. 
Brasíleo: Relativo ao Brasil (grafia atual: 
brasílio).
Arpejo: Acorde em que as notas são 
tocadas de forma contínua.
Sobranceira: Que está no alto.
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Plúmbeo: Que tem 
a cor acinzentada do 
chumbo.
Saios: Vestuário 
amplo, com abas.
Etérea: Pura, divina, 
espiritual.
Os versos seguintes sugerem a vontade do eu lírico de expressar, 
de maneira rápida, como uma nota musical, as intensas emoções que 
parece sentir. O poema prossegue com descrições sobre a contemplação 
da natureza, empregando imagens vívidas e emotivas, que ressaltam o 
maravilhamento inicial. 
Mais adiante, na décima terceira estrofe, lemos:
Rasgando o horizonte plúmbeo
O sol te envia seus raios;
As nuvens formam-te saios
Quais ligeiras nebulosas!
Miram-te as flores etéreas,
Cobrem-te espumas de neve, 
Dão-te o pranto fresco e leve
Da noite as fadas formosas! (p. 72) 
O primeiro verso sugere a imagem do Sol surgindo e trazendo 
luz e cor para onde antes havia monotonia. Em seguida, nos versos 
“As nuvens formam-te saios/Quais ligeiras nebulosas!”, há o uso da 
metáfora para descrever as nuvens como “saias”, leves e etéreas, que 
vestem e enfeitam o céu. 
Há, ainda, uma referência às nebulosas, relacionando as nuvens 
às formações cósmicas distantes que, como vimos anteriormen-
te, são descritas de forma misteriosa e arrebatadora pela poeta. 
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Aqui, podemos compreender que o céu, o etéreo 
e o mistério do cosmos são temas recorrentes na 
obra de Narcisa Amália. 
Os versos “Miram-te as flores etéreas,/Cobrem-
-te espumas de neve” personificam a natureza, 
com a imagem das flores observadoras e trazem 
um elemento místico ao caracterizá-las como “eté-
reas”, também evocado nos dois últimos versos na 
figura das fadas. Em “espumas de neve”, as nuvens, 
por sua característica visual gélida, são postas em 
contraste com o calor do sol. 
O poema faz uma celebração da natureza, carac-
terizando sua beleza e caráter místico, convidando 
o leitor a observar e se maravilhar com a interação 
entre o céu, a terra e a imaginação, onde o eu lírico 
encontra refúgio para expressar as suas emoções.
Em “Saudades”, poema de oito estrofes que 
também integra a segunda parte de Nebulosas, 
podemos observar o tom saudosista e idealizado 
da infância. O eu lírico expressa saudades dos 
“formosos lares” onde viveu uma infância feliz, 
destacando a importância emocional e sentimental 
desses lugares. Além disso, o poema manifesta, em 
sua última estrofe, a idealização da morte como fuga 
da dor e do sofrimento da vida cotidiana, aspecto 
característico do Romantismo. 
Saudades
Tenho saudades dos formosos lares 
Onde passei minha feliz infância;
Dos vales da dulcíssima fragrância; 
Da fresca sombra dos gentis palmares.
[...]
Abrem-me n’alma as dores da saudade
Um sulco de profundas agonias
Morreram-me pra sempre as alegrias...
Só me resta um consolo... a eternidade!
(p. 38-39)
Este mesmo sentimento de saudosismo tam-
bém pode ser observado no célebre poema “Canção 
do exílio”, de Gonçalves Dias. Os dois poemas 
estão conectados pela temática da saudade e 
pelo uso de elementos naturais como símbolos 
de um passado idealizado. Em ambos os poemas, 
também podemos ver a saudade da terra natal 
descrita com cores vivas e emotivas, expressando 
o amor pelo seu lugar de pertencimento e a dor 
da distância. 
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Tanto em Narcisa quanto em Gonçalves Dias, 
vemos refletidas a universalidade do sentimento de 
nostalgia e a busca pelo reencontro com as origens 
e com momentos marcantes da vida. Assim, a na-
tureza se torna um cenário Recorrente e poderoso 
na representação das memórias de cada eu lírico.
Ainda no tema da exaltação da terra, ainda na 
segunda parte, o poema “A Resende”, composto de 
11 estrofes, apresenta um eu lírico que sofre com 
a distância de sua cidade natal e manifesta um 
profundo lirismo na expressão de sentimentos de 
desolação e melancolia, que são consolados quan-
do o eu lírico avista no horizonte o lugar exaltado. 
A Resende
Enfim te vejo, estrela da alvorada, 
Perdida nas celagens do horizonte!
Enfim te vejo, vaporosa fada,
Dolente presa de um sonhar insonte!
Enfim, de meu peregrinar cansada, 
Pouso em teu colo a suarenta fronte, 
E, contemplando as pétreas cordilheiras, 
Ouço o rugir de suas cachoeiras! (p. 80)
Logo no primeiro verso, o eu lírico expressa 
seu alívio ao avistar a cidade de Resende, exalan-
do alegria ao reencontrar sua fonte de inspiração 
e segurança, há muito tempo perdida. Nota-se 
que esse eu lírico tem voz feminina e se confunde 
com a autora, que Civeu grande parte da sua vida 
em Resende, mas de onde foi obrigada a se exilar 
após o fim do seu primeiro casamento. Descrita 
como uma “estrela da alvorada”, frequentemente 
associada ao planeta Vênus devido a sua aparição 
brilhante no céu antes do amanhecer, a visão da 
cidade evoca uma imagem de luz e esperança após 
um longo período de dificuldade, já que representa 
também o início de um novo dia.
Há, contudo, certo contraste entre essa luz e 
as “celagens”, nuvens ou neblinas que se formam 
nohorizonte e dificultam a visão da paisagem. 
Além disso, esse elemento imprime uma áurea 
de mistério à descrição e faz parecer que o reen-
contro com a terra natal está repleto de obstácu-
los, dando ênfase às sensações de melancolia e 
sofrimento. O encontro com a estrela da alvorada 
seria, portanto, um vislumbre de beleza pura e 
inspiradora, apesar das dores e lutas, fazendo com 
que a cidade permaneça como força inspiradora 
para o eu lírico.
Nos últimos versos dessa estrofe, Resende é 
personificada como um ser capaz de acolher o eu 
lírico em seu colo. Esse ato de repouso não é ape-
nas físico, mas também simbólico, indicando um 
momento de introspecção e conexão emocional 
com o lugar. E é desse colo que o eu lírico con-
templa a imponência das montanhas rochosas que 
contrastam com a fluidez e o movimento selvagem 
das cachoeiras.
Essa estrofe condensa em si o relato de uma 
jornada pessoal repleta de adversidades, mas que 
culmina em um momento sublime de reencontro e 
admiração diante da magnitude da natureza. Nele 
podemos observar importantes características do 
Romantismo brasileiro: a exaltação da natureza, 
o saudosismo da própria terra e de um espaço 
de pertencimento, a valorização da expressão 
dos sentimentos do indivíduo e a intensidade 
emocional.
Narcisa Amália também incorporou em sua pro-
dução elementos da segunda fase do Romantismo, 
conhecida pelo tom mais subjetivo e introspectivo. 
Os seus poemas que dialogam com essa fase são 
mais pessoais e emotivos, explorando temas como 
o amor não correspondido, a solidão, a efemerida-
de da vida e a melancolia. Além disso, sua poesia 
também reflete uma busca pela espiritualidade 
e uma tentativa de compreender os mistérios da 
existência humana. 
Celagem: A cor do céu ao nascer e 
ao pôr do sol.
Dolente: Magoado, triste.
Insonte: Inocente.
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Uma importante característica dessa geração 
é o escapismo, que se manifesta na idealização 
da morte como uma forma de fuga das dores e do 
sofrimento da vida cotidiana. Como podemos ver na 
última das cinco estrofes do poema “Agonia”, que 
integra a segunda parte da obra, há a referência a 
um convite para que o eu lírico se dirija à “luz do 
Círio” a fim de “dormir o eterno sono”, um eufemismo 
para a morte. A estrofe encapsula um sentimento 
de resignação diante da inevitabilidade da morte, 
utilizando uma linguagem rica em simbolismo para 
expressar a dor e a aceitação do destino. 
Agonia
[...]
Assim foram-se as rosas de meu peito
Sem os rocios de outono...
Vejo apenas a palma do martírio
Convidando-me a ir à luz do Círio
Dormir o eterno sono. (p. 52)
O poema “Aflita”, também na segunda parte, 
é composto de sete estrofes que revelam, com 
intensidade, a melancolia provocada pela separa-
ção da pessoa amada. Nele identificamos outras 
características da segunda geração romântica, 
como a expressão da subjetividade, a intensidade 
das emoções, quase sempre negativas, e a idea-
lização do amor.
Aflita
Desde a hora fatal em que partiste, 
Turbou-se para mim o azul do céu!
Velei-me na mantilha da tristeza,
Como Safo na espuma do escarcéu! (p. 43)
O verso inicial do poema revela o instante da 
separação como um momento trágico para o eu 
lírico, evidenciado pela palavra “fatal”. O tom de 
AMÉRICO, Pedro. Independência ou Morte, 1888. Óleo sobre tela, 415 × 760 cm. Museu Paulista da USP, São Paulo.
Rocio: Orvalho, gotas de umidade.
Luz do Círio: Representa a luz de Cristo.
Turbar: Tornar-se turvo, causar ou sofrer 
perturbação, desequilíbrio.
Mantilha: Véu feminino largo e comprido que 
cobre a mulher da cabeça até os ombros.
Escarcéu: Confusão, exagero.
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despedida cria uma atmosfera de luto que permeia 
todo o poema. No segundo verso, a imagem do céu 
que escurece é a metáfora utilizada para representar 
a mudança drástica na percepção de mundo do 
eu lírico que, após a partida do ser amado, vê a 
realidade de forma sombria e triste.
O verso seguinte, “Velei-me na mantilha da 
tristeza”, sugere uma busca por conforto e prote-
ção na própria tristeza, como se a dor emocional 
fosse um manto que envolve e, contraditoriamente, 
ampara o eu lírico. O último verso dessa estrofe 
faz referência a Safo de Lesbos, célebre poeta da 
Grécia Antiga. Safo é frequentemente lembrada 
por uma poética que expressa paixões intensas e, 
segundo a lenda, a poeta teria se atirado ao mar 
por sofrer um amor não correspondido. Assim, ao 
evocar Safo, o eu lírico intensifica a expressão de 
desespero amoroso por meio da referência a uma 
figura histórica que simboliza a paixão trágica. 
No decorrer do poema, o eu lírico revela uma 
intensa carga emocional de quem ainda está à espera 
do ser amado, como observamos na quinta estrofe: 
Desde então, comprimindo atrás angústias,
Vou te esperar à beira do caminho;
Voltam cantando ao sol as andorinhas,
Só tu não volves ao deserto ninho. (p. 43)
Nesses versos, predomina o tom de saudade e 
esperança. O sentimento de espera e a angústia pela 
demora são revelados pelo uso de comparações com 
a natureza. 
O verso “Desde então, comprimindo atrás angús-
tias”, deixa implícito que o eu lírico está carregando 
uma grande tristeza desde o momento da separação. 
A expressão “comprimindo atrás” dá a ideia de que a 
angústia está sendo suprimida continuamente.
Essa angústia é diminuída, ainda que breve-
mente, no verso seguinte, que expressa a paciên-
cia na espera. A expressão “à beira do caminho” 
simboliza um lugar de passagem, indicando que 
o eu lírico está à espera de um reencontro que 
pode acontecer a qualquer momento.
Nos últimos versos da estrofe, por meio de um 
hipérbato, ou seja, da inversão da ordem direta da 
oração, a menção às andorinhas que “voltam cantando 
ao sol” contrasta com a solidão do “deserto ninho”, 
criando um paralelo entre a alegria da natureza e a 
tristeza do eu lírico que permanece à espera. 
As andorinhas são aves que migram e retornam 
com a mudança das estações, no entanto, o ninho 
deserto representa um lar vazio e desolado. 
Por fim, na última estrofe, o poema apresenta 
uma mensagem de esperança e acolhimento, 
anunciada como uma proposta:
Pois bem! Se enfim voltares desse exílio, 
Ave errante, fugindo à quadra hiberna,
Vem à sombra do val: sob os ciprestes
Comigo fruirás ventura eterna. (p. 44)
A promessa do eu lírico é a da “ventura eterna”, 
sugerindo que, ao retornar, o ser amado, comparado 
a uma “ave errante”, que voa sem rumo, encon-
trará a felicidade duradoura. Esse compromisso 
de eternidade e paz contrasta fortemente com a 
emergência emocional das estrofes anteriores, 
proporcionando um fechamento que oferece tanto 
a esperança de redenção quanto a perpetuação do 
amor para além da dor e da separação.
 Em parte de sua obra, Narcisa Amália adota 
uma postura mais crítica e engajada, alinhando-se 
à terceira fase do Romantismo brasileiro, marcada 
pela preocupação com questões sociais e políticas. 
Seus poemas abordam temas como a injustiça da 
escravidão, a opressão e a luta pela liberdade, 
destacando seu compromisso com a defesa dos 
direitos humanos. Por meio de sua poesia, Narcisa 
denuncia as desigualdades da sociedade brasileira 
Volver: Voltar-se.
Quadra hiberna: Inverno, tempo de adversidades.
Val: Vale, monte.
Fruir: Desfrutar.
Ventura: Felicidade.
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e clama por mudanças. Porém, em sua época, a 
autora foi calada. Ela sofreu difamação, como se não 
fosse autora dos próprios poemas. Sua obra não só 
representa as diferentes fases do Romantismo no 
Brasil, mas também oferece uma visão rica e mul-tifacetada da sociedade e da cultura de sua época.
Exemplo dessa faceta de Narcisa é o poema 
“Sete de Setembro”, que, como o título entrega, 
celebra a independência do Brasil, ocorrida nesse 
dia em 1822. O poema integra a segunda parte 
da obra e é composto de 13 estrofes, em que a 
primeira e a última se repetem, como o refrão de 
um hino. Essa repetição cria ritmo e musicalidade, 
o que torna o poema agradável ao ser transmitido 
oralmente, fazendo com que a mensagem seja 
transmitida de forma mais eficiente ao leitor. 
A Independência do Brasil é exaltada com entu-
siasmo e reverência, vista não apenas como evento 
político, mas como um renascimento coletivo do 
amor à pátria.
Sete de setembro
Salve! Dia feliz, data sublime
Que despertas o sacro amor da pátria
Em nossos corações!
Salve! Aurora redentora que eternizas
A era em que o Brasil entrara ovante
No fórum das nações! (p. 93)
A estrofe que se repete no início e no fim do 
poema celebra o dia da Independência do Brasil 
com tom de reverência e exaltação patriótica, uti-
lizando uma linguagem grandiosa para destacar a 
importância desse dia na história nacional, o que 
nos remete ao ufanismo da primeira geração ro-
mântica. A repetição do “Salve!” no início de duas 
frases transmite entusiasmo, reforçado na carac-
terização do sete de setembro como “dia feliz” e 
Sacro: Relativo ao que é divino, sagrado.
Redentor: Que liberta.
Ovante: Triunfante.
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“data sublime”, que desperta o amor patriótico do 
leitor, visto como algo sagrado. 
A caracterização desse dia como “aurora re-
dentora” sugere, ainda, um novo começo, uma luz 
que ilumina o futuro promissor do país. A poeta faz 
o uso da hipérbole para perpetuar esse momento 
de libertação e orgulho nacional, destacando sua 
importância histórica. 
Na quarta estrofe, distanciando-se do tom 
ufanista, o eu lírico faz referência ao período em 
que o país estava “cortado / pela infame cadeia 
dos cativos”, uma menção clara à escravidão e à 
dominação colonial. 
Um dia... ai! despertou, vendo cortado
Pela infame cadeia dos cativos
 O nobre pulso seu;
Estremecera em ânsias: lava ardente
Rugira incendiada pelas fibras
 Do novo Prometeu!... (p. 94)
Nesses versos, expõe-se a imagem do “nobre 
pulso” do Brasil retido pelas correntes da servidão. 
Essa prisão, contudo, desperta ânsias por emanci-
pação, como “lava ardente”, uma força poderosa e 
incontrolável que surge das profundezas da nação, 
representando o espírito pela busca da liberdade. Há, 
ainda, a menção à figura mitológica de Prometeu, o 
titã que roubou o fogo dos deuses da antiga Grécia 
e deu aos humanos, simbolizando a coragem e o 
sacrifício necessários para conquistar essa liberdade.
A complexidade da escravidão continua a ser 
explorada na nona estrofe, que amplia seu signifi-
cado para além das correntes físicas:
Mas não se cinge a escravidão à algema:
A terra que sagrar vieste livre
 Do futuro no altar,
Rasgado o seio por voraz abutre,
Vê-se ora entregue à escravidão dos erros,
 Sem forças, vacilar! (p. 95)
No primeiro verso, ao sugerir que a escravidão 
não se limita apenas à prisão física, com o uso de 
objetos, o eu lírico atesta que ela se manifesta 
também de outras formas, nas falhas humanas, 
como pode ser visto nos versos finais: “Vê-se 
ora entregue à escravidão dos erros,/Sem forças, 
vacilar!”.
Os versos “A terra que sagrar vieste livre/Do 
futuro no altar” aludem a uma nação que está 
destinada a ser livre e próspera; no entanto, essa 
terra cheia de potencial tem o seio rasgado “por 
voraz abutre”, uma imagem forte e visceral que re-
presenta a exploração perpetuada pela escravidão. 
O abutre, ave necrófaga que se alimenta de animais 
mortos, refere-se aos senhores de escravos, que 
demonstram desumanidade e dilaceram o que 
antes era puro e promissor.
Presa aos próprios erros e falhas, a Nação se 
vê enfraquecida e vacilante, sem a força necessária 
para se libertar da escravidão. Essa passagem reflete 
uma visão pessimista, destacando como os erros 
podem continuar a aprisionar mesmo aqueles que 
aspiravam à liberdade.
Na estrofe seguinte, o eu lírico evoca uma 
memória histórica, em um apelo ao sentimento 
de patriotismo:
Ah! Não te esqueças deste augusto dia!
Ampara o débil povo que se curva
 Ante um falso poder!
Desdobra tuas asas refulgentes
Sobre o leito funéreo em que repousa
 O mártir Xavier! (p. 95)
No primeiro verso da estrofe, o dia da 
Independência é visto como uma forma de amparo 
ao “débil povo”, outrora oprimido por forças nocivas, 
“que se curva / Ante um falso poder”. Em seguida, 
há uma menção a Joaquim José da Silva Xavier, o 
Tiradentes, que lutou ativamente na Inconfidência 
Cingir: Conter, envolver.
Augusto: Digno de respeito, sagrado.
Débil: Sem força, sem ânimo.
Refulgir: Brilhar, resplandecer
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Mineira, no século XVIII, e foi alçado a herói da nação 
com a Independência. A lembrança do sacrifício do 
mártir é posta sob “asas refulgentes”, representando 
a esperança de um futuro mais justo e livre.
O poema, portanto, além de celebrar a Inde-
pendência do Brasil, homenageia uma importante 
figura da nossa história e faz um apelo para que a 
sua memória seja mantida viva, exaltando a cora-
gem e a determinação que foram necessárias para 
a conquista da liberdade. 
A seguir, vamos conhecer um dos poemas que nos 
convida a refletir sobre a injustiça e a desigualdade, 
ao mesmo tempo que exalta a beleza da poesia como 
forma de resistência e expressão. Em 12 estrofes, 
“O africano e o poeta”, poema da terceira parte de 
Nebulosas, provoca mais uma reflexão acerca da 
escravidão e da condição do negro no Brasil do 
século XIX. Nesse poema, observamos um diálogo 
com a poética de Castro Alves, conhecido como o 
“poeta dos escravos” e reconhecido pelo seu pro-
fundo engajamento social e político, especialmente 
na luta contra a escravidão.
O africano e o poeta
No canto tristonho
Do pobre cativo
Que elevo furtivo,
Da lua ao clarão 
Na lágrima ardente
Que escalda-me o rosto,
De imenso desgosto
Silente expressão;
Quem pensa? – O poeta
Que os carmes sentidos
Concerta aos gemidos 
De seu coração. (p. 130)
Essa estrofe evoca sentimentos de tristeza e 
sofrimento por meio da representação da situação 
dolorosa do escravizado cativo em seu “canto tris-
tonho”. A figura do africano retrata todos aqueles 
que foram brutalmente arrancados de suas terras 
e submetidos a condições desumanas de trabalho 
e de vida. Os versos “Do pobre cativo/que elevo 
furtivo” sugerem que o eu lírico deseja representar 
seu triste canto, elevá-lo de alguma maneira, sim-
bolizando a voz da consciência e da humanidade, 
que não pode permanecer indiferente diante do 
sofrimento. 
No verso seguinte, há a demonstração de uma 
intensa preocupação, indicando que o eu lírico 
deixa-se levar da noite até o amanhecer envolvido 
por essa questão. Além disso, tais versos também 
podem indicar que o lamento do africano escra-
vizado será retirado da obscuridade, recebendo a 
luz necessária ao ser entoado. 
Os versos seguintes reforçam a intensidade da 
dor sentida pelo ser humano diminuído à condição de 
escravizado, uma dor que chega a ser física, provocando 
lágrimas que queimam a pele. Ao mesmo tempo, esses 
sentimentos de angústia e suplício são silenciados. 
A estrofe, porém, captura a aflição do poeta, que 
assiste à provação do outro e compartilha do mesmo 
sentimento. A construção “Quem pensa? - O poeta”, 
repetida, com variações, no decorrer do poema, sugere 
que o poeta é aquele que contempla profundamente, 
que se dedica a explorar e a expressar, nos “carmes 
sentidos”, as emoções e os pensamentos humanos.
PARA SABER MAIS
Joaquim. Direção: Marcelo Gomes. 2017.
Ofilme explora a biografia de Joaquim José da Silva 
Xavier, um dentista comum de Minas Gerais, e os 
acontecimentos peculiares que o mobilizaram para 
o ativismo político, transformando-o em um importante 
herói nacional e mártir que veio a liderar o levante popular 
conhecido como Inconfidência Mineira. Assista ao trailer no 
link: www.youtube.com/watch?v=xp-_QoyX1E0. 
Acesso em: 22 set. 2024.
Furtivo: Disfarçado.
Escaldar: Queimar, arder, castigar.
Carme: Canto, poema.
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Todos esses sentimentos são assimilados pelo 
poeta e confundidos com seus próprios “gemidos”, 
suas próprias dores, indicando um compromisso da 
poesia com a coletividade e sua função de atribuir 
ordem e sentido ao mundo. Em essência, o poema 
sugere que a poesia é uma forma de canalizar e 
compreender as emoções mais profundas, conver-
tendo o sofrimento em beleza através das palavras. 
Trata-se, enfim, de uma celebração poética da 
resistência dos oprimidos e de uma denúncia das 
injustiças da escravidão.
Aspectos interdisciplinares
Literatura e Geografia
A aproximação entre a Geografia e a Literatura 
ocorre na compreensão de que a organização 
espacial influencia as relações humanas. Assim 
sendo, uma obra literária representa a realidade dos 
indivíduos de determinado lugar. A seguir, vamos 
compreender como o primeiro censo demográfico 
realizado no país nos ajuda a interpretar alguns 
aspectos da obra de Narcisa Amália. 
Censo demográfico e escravidão
O primeiro Censo Demográfico do Brasil foi 
realizado em 1872, durante o período do Império, 
sob o reinado de D. Pedro II. Esse recenseamento 
foi um marco importante na história do país, pois 
representou o primeiro esforço sistemático para 
coletar dados sobre a população brasileira. 
Os dados coletados mostraram que a popu-
lação total do Brasil era de aproximadamente 
10 milhões de pessoas. Dentre essas, cerca de 
1,5 milhão eram escravizadas, representando apro-
ximadamente 15% da população. Essa estatística 
evidenciava a profunda dependência do país em 
relação ao trabalho escravizado, especialmente 
nas regiões em que a agricultura era a principal 
atividade econômica.
Além dos números brutos, o Censo trouxe à 
tona a extensão da desigualdade social e racial no 
Brasil, o que inspirou muitos escritores românticos 
a abordar temas de injustiça e opressão em suas 
obras. A conscientização proporcionada pelo Censo 
permitiu que esses autores dessem voz às preo-
cupações sociais de sua época, contribuindo para 
a formação de uma literatura engajada e crítica, 
que buscava não apenas celebrar a identidade 
nacional, mas também promover a reflexão e a 
transformação social.
A leitura da obra única de Narcisa Amália 
revela a riqueza de sua expressão poética, que 
aborda temas e sentimentos representativos dos 
diferentes aspectos do Romantismo no Brasil. 
Como pudemos observar, a poesia de Narcisa 
Amália se destaca tanto pela profundidade de seu 
conteúdo quanto pela maestria de sua forma. Sua 
linguagem emprega grande variedade de recursos 
estilísticos, criando imagens vívidas e evocativas 
que representam sua habilidade técnica e seu 
estilo elegante e refinado.
Por meio da sua poesia, Narcisa Amália não 
só exemplifica os temas centrais do Romantismo, 
mas também oferece uma visão única e poderosa 
de um importante período da nossa história, enri-
quecendo o panorama literário brasileiro. Apesar 
de não ter sido devidamente reconhecida em sua 
época, hoje se faz necessário o resgate da leitura 
de seus poemas, para que possamos resgatar sua 
história e valorizar a sua relevância como escritora. 
PARA SABER MAIS
1º Censo do Brasil, feito há 150 anos, contou 
1,5 milhão de escravizados, de Ricardo Westin. 
Agência Senado, 5 ago. 2022.
Disponível em: http://p.p4ed.com/CAERK 
Acesso em: 22 set. 2024.
Por ocasião do aniversário de 150 anos do primeiro Censo 
Demográfico do Brasil, o Senado Federal preparou uma 
reportagem destacando a importância histórica da primeira 
coleta de dados da população brasileira.
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QUESTÕES
1. UFV-MG Assinale a alternativa falsa:
A) Romantismo, como estilo, não é modelado 
pela individualidade do autor; a forma pre-
domina sempre sobre o conteúdo.
B) Romantismo é um movimento de expressão 
universal, inspirado nos modelos medievais e 
unificado pela prevalência de características 
comuns a todos os escritores da época.
C) Romantismo, como estilo de época, consistiu 
basicamente num fenômeno estético-literário 
desenvolvido em oposição ao intelectualismo e 
à tradição racionalista e clássica do século XVIII.
D) Romantismo, ou melhor, o espírito romântico, 
pode ser sintetizado numa única qualidade: a 
imaginação. Pode-se creditar à imaginação 
a capacidade extraordinária dos românticos 
de criarem mundos imaginários.
E) Romantismo caracterizou-se por um complexo 
de características, como o subjetivismo, o 
ilogismo, o senso de mistério, o exagero, o 
culto da natureza e o escapismo.
2. PUC-Campinas 2020 
Literatura e realidade
Hoje está na moda dizer que uma obra 
literária é constituída mais a partir de outras 
obras, que a precederam, do que em função 
de estímulos diretos da realidade pessoal, 
social ou física. Deve haver boa dose de ver-
dade nisso. Todas as vezes, dizia Proust1, que 
um grande artista nasce, é como se o mundo 
fosse criado de novo, porque nós começamos 
a enxergá-lo conforme ele o mostra.
Para o Naturalismo, a obra era essencial-
mente uma transposição direta da realidade, 
como se o escritor conseguisse ficar diante 
dela na situação de puro sujeito em face do 
objeto puro, registrando (teoricamente sem 
interferência de outro texto) as noções e im-
pressões que iriam constituir seu próprio texto. 
Essa estética repousa na utopia da originali-
dade absoluta pela experiência imediata, que 
levava o escritor a desconfiar da influência 
mediadora de obras alheias.
Mas nós sabemos que, embora filha do mundo, 
a obra é um mundo, e que convém antes de tudo 
pesquisar nela mesma as razões que a sustêm 
como tal. A sua razão específica é a disposição 
dos núcleos de significado, formando uma com-
binação singular, segundo a qual a realidade do 
mundo foi reordenada, transformada, desfigurada 
ou até posta de lado, para dar nascimento ao 
outro mundo que a obra constitui.
Ver criticamente a obra é escolher um dos 
momentos do processo como plataforma de 
observação. Num extremo, é possível encará-la 
como uma duplicação da realidade, de maneira 
que o trabalho imitativo fique reduzido a um 
registro sem grandeza, pois se era para fazer 
igual, por que não deixar a realidade em paz? Já 
no outro extremo é possível ver a obra como um 
objeto manufaturado com arbítrio soberano, que 
alcança significação na medida em que nada tem a 
ver com a realidade. Mas seria melhor a visão que 
pudesse rastrear na obra o mundo como material 
de origem, para surpreender no processo vivo da 
montagem a singularidade da forma segundo a 
qual se dá a ver um mundo novo.
Obs. 1 Marcel Proust (1871-1922): romancista, ensaísta e crítico 
literário francês, autor de Em Busca do Tempo Perdido, 
publicada em sete volumes.
(Adaptado de: CANDIDO, Antonio. O discurso e a cidade. Rio 
de Janeiro: Ouro sobre azul, 2013, p. 107-108)
Embora muitos dos nossos escritores do 
Romantismo tenham acreditado que suas obras 
constituíssem um mundo inteiramente original, 
sabe-se que nossa literatura romântica:
A) combateu, na poesia, os efeitos já deixados 
pela geração dos parnasianos, que os líricos 
românticos viam como artificiais e rasos.
B) firmou-se sobre fortes traços universais que a 
norteavam, tais como a idealização da natureza e 
a obsessão pelos extremos do amor e da morte.
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C) caracterizou-se pela timidez da imaginação 
pessoal, uma vez que os escritores tendiam 
a se expressar por meio de teses abstratas.
D) rebateu, na sua prosa irônica, a convicção 
de autores nacionalistas, para quem o país 
recém-emancipado pedia forma própria de 
expressão.
E) deveu muito aos princípios do Naturalismo, 
que sustentava a crença segundo a qual a 
realidade se impõe à linguagem que a duplica.
3. FEI -SP Numere a coluna da esquerda, de acordo 
com a coluna da direita, tendo em vista a poesia 
romântica brasileira:
1. primeira geração
2. segunda geração
3. terceira geração
( ) abolicionismo
( ) condoreirismo
( ) autocomiseração 
exacerbada
( ) obsessão pela morte
( ) indianismo
( ) nacionalismo
Agora, escolha a alternativa que apresenta a 
sequência correta dos numerais:
A) 2 - 3 - 2 - 1 - 2 - 1;
B) 1 - 3 - 2 - 1 - 2 - 3;
C) 3 - 2 - 2 - 1- 2 - 2;
D) 2 - 1 - 2 - 2 - 1 - 1;
E) 3 - 3 - 2 - 2 - 1 - 1.
4. UEL-PR Assinale a alternativa que completa ade-
quadamente a asserção:
O Romantismo, graças à ideologia dominante e a 
um complexo conteúdo artístico, social e políti-
co, caracteriza-se como uma época propícia ao 
aparecimento de naturezas humanas marcadas 
por .
A) teocentrismo, hipersensibilidade, alegria, 
otimismo e crença.
B) etnocentrismo, insensibilidade, descontração, 
otimismo e crença na sociedade.
C) egocentrismo, hipersensibilidade, melancolia, 
pessimismo, angústia e desespero.
D) teocentrismo, insensibilidade, descontração, 
angústia e desesperança.
E) egocentrismo, hipersensibilidade, alegria, 
descontração e crença no futuro.
5. UFRGS Considere as afirmações abaixo sobre o 
Romantismo no Brasil.
I A primeira geração de poetas românticos no 
Brasil caracterizou-se pela ênfase no sen-
timento nacionalista, tematizando o índio, a 
natureza e o amor à pátria.
II Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu e 
Fagundes Varela, representantes da segunda 
geração da poesia romântica, expressam, 
sobretudo, um forte intimismo.
III A poesia de Castro Alves, cronologicamente 
inserida na terceira geração romântica, apre-
senta importantes ligações com a estética 
barroca, pela religiosidade e o tom místico 
da maioria dos poemas.
Quais estão corretas?
A) Apenas I.
B) Apenas II.
C) Apenas I e II.
D) Apenas II e III.
E) I, II e III.
6. Enem No trecho abaixo, o narrador, ao descrever 
a personagem, critica sutilmente um outro estilo 
de época: o Romantismo. 
Naquele tempo contava apenas uns quinze ou 
dezesseis anos; era talvez a mais atrevida 
criatura da nossa raça, e, com certeza, a mais 
voluntariosa. Não digo que já lhe coubesse 
a primazia da beleza, entre as mocinhas do 
tempo, porque isto não é romance, em que o 
autor sobredoura a realidade e fecha os olhos 
às sardas e espinhas; mas também não digo 
que lhe maculasse o rosto nenhuma sarda ou 
espinha, não. Era bonita, fresca, saía das mãos 
da natureza, cheia daquele feitiço, precário e 
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eterno, que o indivíduo passa a outro indivíduo, 
para os fins secretos da criação.
(ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas. Rio 
de Janeiro: Jackson, 1957.)
A frase do texto em que se percebe a crítica 
do narrador ao Romantismo está transcrita na 
alternativa:
A) … o autor sobredoura a realidade e fecha os 
olhos às sardas e espinhas …
B) … era talvez a mais atrevida criatura da nossa 
raça …
C) Era bonita, fresca, saía das mãos da natureza, 
cheia daquele feitiço, precário e eterno, …
D) Naquele tempo contava apenas uns quinze 
ou dezesseis anos …
E) … o indivíduo passa a outro indivíduo, para 
os fins secretos da criação.
7. Unesp 2019 Leia o texto a seguir. 
Tal movimento não era apenas um mo-
vimento europeu de caráter universal, con-
quistando uma nação após outra e criando 
uma linguagem literária universal que, em 
última análise, era tão inteligível na Rússia e na 
Polônia quanto na Inglaterra e na França; ele 
também provou ser uma daquelas correntes que, 
como o Classicismo da Renascença, subsistiu 
como fator duradouro no desenvolvimento 
da arte. Na verdade, não existe produto da 
arte moderna, nenhum impulso emocional, 
nenhuma impressão ou estado de espírito do 
homem moderno, que não deva sua sutileza e 
variedade à sensibilidade que se desenvolveu 
a partir desse movimento. Toda exuberância, 
anarquia e violência da arte moderna, seu 
lirismo balbuciante, seu exibicionismo irres-
trito e profuso, derivaram dele. E essa atitude 
subjetiva e egocêntrica tornou-se de tal modo 
natural para nós, tão absolutamente inevitável, 
que nos parece impossível reproduzir sequer 
uma sequência abstrata de pensamento sem 
fazer referência aos nossos sentimentos. 
(Arnold Hauser. História social da arte e da literatura, 1995. 
Adaptado.) 
O texto refere-se ao movimento denominado: 
A) Barroco
B) Arcadismo. 
C) Realismo. 
D) Romantismo
E) Simbolismo.
8. Leia a seguir a primeira estrofe do poema 
“O Itatiaia”, presente na obra Nebulosas, de 
Narcisa Amália. 
Ante o gigante brasíleo,
Ante a sublime grandeza
Da tropical natureza, 
Das erguidas cordilheiras,
Ai! quanto me sinto tímida!
Quanto me abala o desejo
De descrever n’um arpejo
Essas cristas sobranceiras!
AMÁLIA, Narcisa. Nebulosas. 2. ed. Gradiva: Rio de Janeiro, 
2017. p. 69.
Nesses versos, podemos compreender que o 
eu lírico
A) descreve a paisagem com um tom de ironia, 
revelando desprezo diante da grandiosidade 
da natureza – manifestando a tendência ro-
mântica de tecer críticas sobre a paisagem 
nacional, em prol das construções criadas 
pelo ser humano.
B) descreve a beleza da paisagem com um tom 
de descrença, revelando desgosto diante do 
sentimento de arrebatamento provocado pela 
grandiosidade da natureza – manifestando a 
tendência romântica de expressar profundos 
sentimentos de solidão.
C) descreve a beleza da paisagem com um tom 
de admiração e respeito, revelando humilda-
de diante do sentimento de arrebatamento 
provocado pela grandiosidade da natureza – 
manifestando a tendência romântica de 
valorizar a natureza nacional.
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D
isponibilizado por Jardim
 da Babilônia 
D) descreve a beleza da paisagem com um 
tom de otimismo, revelando alegria diante 
do sentimento de arrebatamento provocado 
pela grandiosidade da natureza – manifes-
tando a tendência romântica de expressar 
profundos sentimentos de felicidade como 
solução para o sofrimento.
E) descreve a beleza da paisagem com um 
tom de tristeza, revelando o sentimento de 
angústia alimentado pela constatação da ir-
reversibilidade do fim da vida – manifestando 
a tendência romântica de enxergar a morte 
como solução para o sofrimento.
9. Leia a seguinte estrofe do poema “Sete de 
Setembro”, de Narcisa Amália:
Salve! Dia feliz, data sublime
Que despertas o sacro amor da pátria
Em nossos corações!
Salve! Aurora redentora que eternizas
A era em que o Brasil entrara ovante
No fórum das nações!
AMÁLIA, Narcisa. Nebulosas. 2. ed. Gradiva: Rio de Janeiro, 
2017. p. 93.
Nessa estrofe, o eu lírico manifesta qual ten-
dência do Romantismo brasileiro?
A) a ironia romântica, expressa no tom de pes-
simismo e tédio. 
B) a tendência romântica ao misticismo e a 
natureza como fuga da realidade.
C) a exaltação dos sentimentos individuais, 
expressa no tom introspectivo e melancólico. 
D) a aversão à natureza, que reflete uma visão 
mais subjetiva e individualista do mundo.
E) a exaltação de momentos históricos que 
incentivavam o amor patriótico.
10. Leia atentamente os versos seguintes, que 
fazem parte do poema “O africano e o poeta”, 
de Narcisa Amália:
No canto tristonho
Do pobre cativo
Que elevo furtivo,
Da lua ao clarão; 
Na lágrima ardente
Quer escalda-me o rosto,
De imenso desgosto
Silente expressão;
Quem pensa? – O poeta
Que os carmes

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