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Ana Júlia Vidigal Heleodoro/ 3° período/ 2026/1 
DOENÇAS ARTERIAIS 
Doença Arterial Obstrutiva Periférica (DAOP) 
Acontece quando o fluxo sanguíneo de uma artéria diminui 
muito ou é totalmente interrompido. Ela geralmente 
acontece nas pernas, mas também pode acometer os 
braços. 
● Gera limitações importantes ao doente. 
● Acomete 20% da população acima de 70 anos. 
● Aponta para uma doença degenerativa sistêmica 
grave. 
 
Doença Cerebrovascular 
● O AVCi ainda é a principal causa de morte 
cardiovascular. 
● 29,9% é de origem cardioembólica. 
● 16,3% acomete grandes vasos (Stroke 2000). 
 
DAOP de Membros Inferiores e Amputações 
1. Amputações: 150 a 500 / milhão de habitantes / 
ano. 
2. História natural da amputação transtibial após 2 
anos: 
○ 30% mortos. 
○ 15% nova amputação ipsilateral. 
○ 15% amputação contralateral. 
○ 40% reabilitados. 
 
História Natural da DAOP A progressão da doença ocorre 
nas seguintes proporções: 
1. DAOP assintomática. 
2. Claudicação (7%). 
A claudicação intermitente é o sintoma clássico: uma dor 
muscular reprodutível pela atividade física e aliviada pelo 
repouso, causada pelo acúmulo de ácido lático devido à 
respiração anaeróbica 
3. Isquemia crítica (21%). 
4. Amputações (4 a 27%). 
 
Etiologia: As principais causas das doenças arteriais 
periféricas incluem: 
● Aterosclerose. 
● Cisto de artéria poplítea. 
● Arterites. 
● Tromboangeíte obliterante. 
● Síndrome do aprisionamento da artéria poplítea. 
 
Foco na Aterosclerose 
● Processo crônico, progressivo e sistêmico, 
decorrente de uma resposta inflamatória e 
proliferativa às agressões ao endotélio vascular. 
● Etiologia multifatorial ainda não totalmente 
estabelecida, possuindo componente inflamatório, 
genético e ambiental. 
● A evolução da placa de ateroma passa pelas fases 
de: Artéria saudável —> Início da placa —> 
Obstrução total. 
 
Fisiopatologia 
● O distúrbio fisiológico fundamental é a obstrução ao 
fluxo sanguíneo. 
● Lei de Poiseuille: P1-p2=V.8Ln/r^{2}=Q.8Ln/\Pi r^{4}. 
● Circulação Colateral: Desenvolve-se a partir do 
gradiente pressórico entre a artéria proximal e o 
leito distal após a obstrução. 
Quando ocorre uma oclusão arterial, o organismo 
desenvolve circulação colateral devido ao gradiente de 
pressão, mas a pressão distal nunca retorna aos níveis 
normais da artéria nativa. 
● Hemodinamicamente, uma estenose aumenta a 
velocidade do fluxo sanguíneo (até certo ponto), 
mas reduz o volume total de sangue e a oferta de 
oxigênio para os tecidos periféricos. 
Quadro Clínico (Anamnese) 
Principais sintomas: 
● Claudicação intermitente. 
● Neuropatia isquêmica. 
● Dor em repouso. 
Outras queixas: Queda de pêlos, alterações ungueais, 
esfriamento dos pés, alteração da cor da pele 
(palidez/cianose) e impotência erétil / impotência sexual. 
 
Características dos Sintomas: 
● Claudicação Intermitente: Ocorre sempre na mesma 
unidade muscular funcional, é reprodutível pela 
atividade física e aliviada pelo repouso. 
● Neuropatia Isquêmica: Caracterizada por distúrbios 
sensitivos inespecíficos, sendo pródromos da 
doença isquêmica. 
● Dor em Repouso: De forma insidiosa, piora à noite, 
não melhora com analgésicos comuns/opiáceos e 
alivia com o membro pendente. Quantidade de 
oxigênio é muito baixa por isso sente dor, a dor 
costuma ser na pele e não no múscular e piora de 
noite, é normal o paciente dormir com o pé fora da 
cama. 
● A Síndrome de Leriche é caracterizada por uma 
tríade clínica em homens: impotência sexual, 
claudicação glútea (nádegas) e ausência de pulsos 
femorais, indicando obstrução ao nível da aorta e 
ilíacas. 
 
Fatores de Risco 
Informações importantes que devem ser investigadas na 
anamnese para aterosclerose: 
● DM (Diabetes). 
● HAS (Hipertensão). 
● Tabagismo e Hiperlipidemia. 
● Idade e Sexo. 
● Sedentarismo. 
● Fibrinogênio elevado e Proteína C Reativa. 
Aviso Importante: Fumar causa impotência sexual. O 
paciente (ex: namorado) é impotente? Ele fuma? Palpe 
pulsos femorais! Na ausência de pulsos, mande parar de 
fumar e encaminhe ao Vascular, tem solução!! 
 
Exame Físico 
1. Inspeção 
● Avaliar alterações da cor e da trofia das 
extremidades, sempre comparando os dois 
membros. Algumas manobras podem tornar essas 
alterações mais evidentes. 
● Avaliar atrofia da massa muscular, pele seca e 
descamativa, ausência de pêlos, unhas espessadas 
e quebradiças. 
● A hiperemia reativa é um sinal importante: após 
elevar a perna e deixá-la pálida, ao abaixá-la, o pé 
fica intensamente vermelho porque os esfíncteres 
pré-capilares estão permanentemente dilatados 
pela falta de oxigênio. 
● Avaliar lesões tróficas: 
Gangrena seca: A gangrena seca acontece por falta de 
circulação, sem infecção inicial. O tecido fica seco, escuro e 
endurecido, com aspecto semelhante a couro ou papel. 
É mais comum em quem tem diabetes ou problemas nas 
artérias. Pode evoluir lentamente, mas ainda exige atenção 
médica. Entenda como a diabetes afeta a circulação. 
Quando está seco tem que revascularizar 
Gangrena úmida: A gangrena úmida ocorre quando há 
infecção no tecido afetado. A região fica inchada, úmida e 
com pus, além de apresentar cheiro forte. 
Esse tipo evolui rápido e é considerado uma emergência, 
pois a infecção pode se espalhar pelo corpo. 
Tem que amputar quando está úmido 
Gangrena gasosa: A gangrena gasosa é causada por 
bactérias que produzem gás dentro dos tecidos, 
principalmente Clostridium perfringens. 
Pode surgir após traumas e provoca dor intensa, inchaço e 
sensação de estalos na pele. É uma forma grave e de rápida 
progressão. 
 
2. Palpação e Ausculta 
Palpação: Gradiente de temperatura, palpação de pulsos 
arteriais e palpação de frêmito. 
Ausculta: Pesquisa de sopros, que podem indicar estenoses 
ou aneurismas. Não faz 
 
Manobras Especiais 
● Manobra da isquemia provocada (Teste de 
Buerguer): Em decúbito dorsal horizontal, 
observa-se as pernas e plantas dos pés. Eleva-se 
 
https://www.rededorsaoluiz.com.br/noticias/artigo/diabetes-agrava-problemas-circulatorios
Ana Júlia Vidigal Heleodoro/ 3° período/ 2026/1 
os membros até 90º e depois volta-se os membros 
para a posição horizontal. O retorno à coloração 
normal se dá em 5 a 10 segundos. 
● Manobra do enchimento venoso: Inicia-se com 
pernas pendentes. Eleva-se os membros durante 3 
minutos e esvazia-se as veias superficiais. O 
paciente retorna rapidamente a sentar-se com as 
pernas pendentes; observa-se o tempo de 
enchimento venoso (10 segundos). 
● Manobra da hiperemia reativa: Eleva-se os 
membros a 90º, esvazia-se as veias superficiais 
durante 3 minutos e insufla-se um manguito de 
largura adequada na coxa até acima da pressão 
sistólica. Os membros voltam à posição horizontal e 
o manguito é desinsuflado após 3 minutos. 
○ Em indivíduos normais, a hiperemia reativa 
dura cerca de 30 a 40 segundos, sem 
ultrapassar 2 minutos. 
○ Na isquemia, a hiperemia reativa demora 
mais para surgir e pode permanecer por até 
30 minutos. 
● Manobra da marcha: Restrita a pacientes 
claudicantes. O paciente caminha enquanto o 
examinador avalia parâmetros de distância e tempo 
até que surja a dor ou incapacidade funcional. 
● Teste em esteira rolante: Velocidade de 3,2 km/h e 
12 graus de inclinação. Caminha durante 5 minutos 
e mede-se a pressão de tornozelo no início e ao 
final do teste. 
 
Índice Tornozelo-Braquial (ITB/ABI): O ITB é calculado 
pela fórmula: Maior pressão sistólica de tornozelo / Maior 
pressão sistólica braquial. 
Interpretação do ABI (ITB) Condição 
> 1.30 Vasos não compressíveis 
(Noncompressible) 
0.91-1.30 Normal 
0.41-0.90 Doença arterial periférica leve a 
moderada (Mild-to-moderate) 
0.00-0.40 Doença arterial periférica 
severa (Severe) 
 
Classificação de Fontaine: A Classificação de Fontaine é 
utilizada para graduar a gravidade: I (Assintomático), II 
(Claudicação), III (Dor em repouso) e IV (Lesão 
tecidual/gangrena). 
 
Tromboangeíte Obliterante 
É uma inflamação grave e oclusiva que afeta artériase veias 
de pequeno e médio calibre, principalmente nas mãos e nos 
pés. Ela causa a formação de coágulos (trombos) que 
bloqueiam o fluxo sanguíneo. 
● Ocorre tipicamente em homem jovem, fumante, 
com flebites de repetição que sofrem com gangrena 
de extremidades. 
● É uma vasculite de vasos de pequenos e médios 
calibres. 
● Inicia-se com inflamação migratória de veias 
superficiais. 
● A inflamação depois passa a artérias de pequeno 
calibre e daí a de médios calibres e envolve nervo 
satélite. 
● Predomínio masculino (9:1) e tem estreita relação 
com o tabagismo. 
● O único tratamento eficaz para a Doença de 
Buerger é a cessação total do tabagismo, incluindo 
o uso de dispositivos eletrônicos (vapes). 
 
Fístulas Arteriovenosas 
Uma fístula arteriovenosa é um canal anormal entre uma 
artéria e uma veia. 
● Pode ser congênita, traumática, infecciosa ou 
terapêutica. 
● Apresenta palpação de frêmito e sopro contínuo, 
rude, em maquinaria. 
● Sinal de Nicoladoni-Branhann: O sinal de Nicoladoni 
ocorre quando a compressão da fístula causa 
bradicardia por diminuição abrupta da pré-carga; o 
sinal de Gundermann refere-se à hipertensão 
arterial gerada por essa mesma compressão devido 
ao aumento da resistência periférica. 
● Quando são fístulas próximas ao coração, podem 
gerar ICC (Insuficiência Cardíaca Congestiva). 
 
Oclusão Arterial Aguda 
● Interrupção súbita do fluxo sangüíneo para um 
membro, causando diminuição da sua perfusão e 
ameaçando sua viabilidade. 
● 17 casos / 100.000 pessoas a cada ano. 
● 25% mortalidade. 
● 20% amputação. 
 
Etiologia 
● Trombose (aterosclerose, dissecção, injeção 
intra-arterial, síndrome do desfiladeiro torácico, 
hipercoagulabilidade, câncer, aneurisma ou 
aprisionamento ou doença cística de artéria 
poplítea) - 50% MMII; 5% MMSS. Pessoas 
fumantes, mais de idade e ambas as pernas sem 
pulso 
● Embolia (cardiogênica, paradoxal, endocardite, 
mixoma atrial, ateroembolia, trombos murais) - 40% 
MMII; 90% MMSS. Uma perna branca e a outra 
normal 
● Iatrogenia. 
● Traumas arteriais. 
 
Quadro Clínico (6 p) 
Dor em repouso. 
Parestesia. 
Perda da força muscular. 
Frialdade. 
Palidez ou cianose. 
Sem pulso 
Exame Físico 
Inspeção: Palidez. Cianose fixa (trombose de leito vascular). 
Cianose não fixa (se passar o dedo e não mudar é pq n tem 
circulação). Colapso de veias superficiais. 
Palpação: Avaliar temperatura (comparar com membro 
contralateral, comparar com outras extremidades, comparar 
distal com proximal). Avaliar pulsos (não tem pulso nessa 
doença). Pulsos falso-positivos = 14% - exames físicos 
realizados por não especialistas. "Se o pulso é palpável a 
frequência cardíaca pode ser contada". 
Ausculta: Não serve, não usa. 
 
Categoria de Viabilidade da Extremidade (SVS/ISCVS) 
 
 
Síndromes de Compressão Neuro-vascular 
Cérvico-Braquial 
Síndrome do Desfiladeiro Torácico (SDT): Compressão de 
estruturas neurovasculares. 
○ 95-98% compressão neural. 
○ 2-3% compressão venosa. 
○ 1-2% compressão arterial. 
 
Classificação Neurogênica: Verdadeiro ou clássico: quando 
há comprometimento motor e sensitivo evidente (1 a 3% dos 
casos de SDT). 
Inespecífica: quando dor e sintomas sensitivos predominam 
no quadro clínico mas não há nenhum sinal neurológico 
objetivo ou alterações nos estudos neurofisiológicos (mais 
de 90% dos casos de SDT). 
 
Classificação Vascular: Compressões arteriais geralmente 
cursam com extremidade fria, fraqueza, cansaço do membro 
acometido, dor difusa e diminuição da amplitude do pulso 
arterial. 
● As alterações venosas apresentam-se 
freqüentemente com trombose venosa, distensão 
 
Ana Júlia Vidigal Heleodoro/ 3° período/ 2026/1 
dos vasos superficiais e graus variáveis de dor. 
Manobras Diagnósticas: Adson, Halsted, Wright, Roos. 
 
Isquemia Intestinal 
Isquemia Intestinal Crônica 
● Sintomas vagos e comuns a outras doenças 
abdominais. 
● Dor tipo cólica, peso ou empachamento, pode ser 
difusa ou epigástrica. 
● Começa de 15 a 30 minutos após alimentação e 
dura entre uma a 3 horas. 
● Relaciona-se à quantidade de alimento. 
● Emagrecimento pelo medo de comer. 
● Atenção: ATEROSCLEROSE!!!!. 
● Alterações dos hábitos intestinais é infrequente e 
inespecífico. 
● Sopro ou frêmito abdominal. 
 
Isquemia Intestinal Aguda 
● Dor abdominal intensa. Tipo cólica. Início súbito 
● Exame físico inocente, na palpação não tem 
irritação peritonial. 
● Vômitos e distensão abdominal. 
● Fezes com aspecto de geléia. 
● Alta mortalidade. 
 
Aneurismas Arteriais 
é uma dilatação focal anormal e permanente na parede de 
uma artéria, geralmente causada por enfraquecimento 
estrutural 
● >50% localizada. Podem ser do tipo Sacular ou 
Fusiforme. 
● Arteriomegalia: >50% difusa. 
● Ectasia: 50% do esperado para o 
local. 
 
Características Gerais 
● Muitas vezes não causam sintomas. 
● Sintomas = complicações. 
● AAA (Aneurisma de Aorta Abdominal): 30-40% são 
palpáveis. A maioria dos AAA quando 
diagnosticados são assintomáticos. 
● Mais frequentes: aorta, ilíacas e poplítea. 
● Toda artéria pode ter aneurisma. 
● Esplênica: rotura em gestantes. 
 
Sinais Clínicos e Palpação 
● Massa pulsátil. 
● Dor - sinal de estiramento/rotura. 
● Epigástrio livre - sinal de De Bakey. 
● Frêmito sistólico. 
● Tríade de rotura: 
hipotens\tilde{a}o+mucosas~descoradas+dor=rotura 
 
Aneurisma de Aorta Abdominal Rôto 
● Dor súbita, grave, no abdomem e com irradiação 
para dorso e flanco. 
● Anemia ou choque. 
● Dor abdominal + dor em flanco + massa pulsátil = 
26% dos casos. 
● 80% roturas em parede póstero-lateral. 
 
Fatores Relacionados ao Desenvolvimento de AAA 
● Tabagismo. 
● Hipercolesterolemia. 
● Sexo masculino. 
● História familiar. 
 
Diagnóstico 
● A maioria dos AAA são diagnosticados por exames 
de imagem, solicitados por outras razões ou para 
confirmação de suspeita diagnóstica. Exames 
utilizados: Radiografia, US Doppler, AngioTC. 
● Screening: Rastreamento com US em homens com 
mais de 65 anos diminuem a mortalidade por 
aneurisma de aorta (IA). 
Nota Histórica: Em 1948, o cirurgião Nissen realizou uma 
cirurgia abdominal que estendeu a vida de Albert Einstein 
por vários anos. 
"Acreditar na medicina seria a suprema loucura se não 
acreditar nela não fosse uma loucura maior ainda, pois 
desse acumular de erros, com o tempo, resultaram algumas 
verdades." 
 
 
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