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Universidade de Brasília Instituto de Física Métodos da Física Experimental (107697) Relatório 06: Resfriamento de Newton Grupo: 07 Ana Clara Rodrigues Monteiro 221021124 Cauã Pécora Rodrigues 251007117 Dominique Oliveira da Silva 221024260 Professora: Alexandra Mocellin 21 de maio de 2026 Resumo Neste experimento investigou-se a validade da Lei do Resfriamento de Newton por meio da aquisição temporal de dados de temperatura utilizando sensor termopar e software Hub- Temp. Foram analisados os efeitos do meio de resfriamento, da agitação e da temperatura do ambiente sobre a dinâmica térmica do sistema. Os ajustes exponenciais apresentaram elevada concordância com o modelo teórico, permitindo determinar os coeficientes carac- terísticos do processo. Os resultados mostraram aumento da eficiência do resfriamento em meios com maior eficiência de transferência térmica e sob condições de convecção intensificada. 1 Introdução A Lei do Resfriamento de Newton descreve a variação da temperatura de um corpo ao longo do tempo quando este é colocado em contato com um ambiente de temperatura diferente. Segundo essa lei, a taxa de variação da temperatura é proporcional à diferença entre a temperatura do corpo e a temperatura ambiente. A equação diferencial que descreve esse fenômeno é dada por: dT dt = −b(T − Ta) onde: • T é a temperatura do corpo; • Ta é a temperatura ambiente; • b é o coeficiente de transferência térmica. Esse coeficiente depende das propriedades do sistema e do meio, sendo influenciado por fatores como condutividade térmica, área de contato, calor específico e mecanismos de transferência de calor, como condução e convecção. A solução dessa equação resulta em: T (t) = Ta + (T0 − Ta)e −bt onde T0 representa a temperatura inicial do sistema. Define-se ainda a constante de tempo do sistema como: τ = 1 b que representa aproximadamente o intervalo necessário para que a diferença entre a temperatura do sistema e a temperatura ambiente seja reduzida para 1/e de seu valor inicial. Neste experimento, utilizou-se um sensor termopar conectado ao software HubTemp para monitorar o resfriamento em diferentes condições experimentais. 1 2 Objetivos • Verificar experimentalmente a Lei do Resfriamento de Newton; • Determinar os parâmetros de ajuste das curvas de resfriamento; • Comparar os coeficientes de resfriamento em diferentes meios; • Avaliar os efeitos da agitação e da temperatura ambiente no resfriamento. 3 Materiais Utilizados • Béquer de 80 mL; • Sensor termopar; • Software HubTemp; • Computador; • Manta térmica; • Balão de vidro; • Água; • Gelo. 4 Metodologia Inicialmente, a água foi aquecida em um balão de vidro com auxílio de manta térmica até aproximadamente 70 ◦C, permitindo que o sensor termopar atingisse equilíbrio térmico com o meio aquecido. Em seguida, o sensor foi transferido para diferentes meios e situações experimentais, enquanto o software HubTemp realizava a aquisição automática dos dados de temperatura ao longo do tempo. Para a aquisição experimental, utilizou-se tempo total de coleta de aproximadamente 100 segundos, com incremento de medida de 1 segundo entre aquisições consecutivas, conforme configuração do software. As curvas obtidas foram ajustadas utilizando a expressão exponencial: a0 + (a1 − a0)e −a2(x−a3) onde: • a0: temperatura de equilíbrio térmico com o meio; • a1: temperatura inicial do sensor; • a2: coeficiente de resfriamento (b); • a3: instante inicial efetivo do resfriamento. 2 Foram realizadas três etapas principais: 1. Comparação entre resfriamento em água e no ar; 2. Investigação do efeito da agitação sobre o resfriamento; 3. Estudo da influência da temperatura do meio externo. Na primeira etapa, comparou-se o comportamento térmico do sensor ao ser resfriado em água à temperatura ambiente e posteriormente em contato com o ar, permitindo avaliar a influência do meio na taxa de transferência de calor. Na segunda etapa, investigou-se o efeito da agitação sobre o resfriamento. Para isso, o sensor aquecido foi transferido para uma mistura de água e gelo, realizando-se inicialmente a coleta sem agitação e, em seguida, repetindo-se o procedimento com agitação contínua da mistura. Na terceira etapa, avaliou-se a influência da diferença inicial de temperatura entre o sensor e o meio externo, utilizando-se três condições distintas: água com gelo (apro- ximadamente 6 ◦C), água intermediária (aproximadamente 15 ◦C) e água à temperatura ambiente (aproximadamente 25 ◦C). Em todas as medições, a coleta foi mantida até que o sistema atingisse equilíbrio térmico aproximado com o ambiente. As principais fontes de incerteza experimental estão associadas à resolução do sen- sor termopar, ao tempo de resposta do sistema de aquisição, às oscilações térmicas do ambiente e a possíveis perturbações convectivas involuntárias durante a transferência do sensor. 5 Resultados 5.1 Parte A — Efeito do meio no resfriamento Tabela 1: Parâmetros de ajuste — Parte A Sistema a0 (◦C) b = a2 (s−1) τ = 1/b (s) R2 Resfriamento na água em temperatura ambiente 26,76 0,293 3,41 0,9982 Resfriamento no ar 35,49 0,0845 11,83 0,9848 Observa-se que o coeficiente de resfriamento obtido para a água foi significativamente superior ao obtido para o ar. Comparando os valores experimentais: 0, 293 0, 0845 ≈ 3, 47 verifica-se que o resfriamento em água ocorreu aproximadamente 3,5 vezes mais rapi- damente que no ar. Esse comportamento é esperado, pois a água apresenta maior eficiência na transfe- rência de calor quando comparada ao ar, devido à sua maior condutividade térmica e ao contato térmico mais efetivo com a superfície do sensor. A análise da constante de tempo reforça essa diferença. Para o resfriamento em água: 3 τgua = 1 0, 293 ≈ 3, 41 s enquanto para o resfriamento no ar: τar = 1 0, 0845 ≈ 11, 83 s Figura 1: Comparação entre as curvas experimentais de resfriamento do sensor em água à temperatura ambiente e em contato com o ar, com respectivos ajustes exponenciais segundo a Lei do Resfriamento de Newton. Isso indica que o sensor leva um tempo significativamente maior para se aproximar do equilíbrio térmico quando resfria no ar, evidenciando a menor eficiência desse meio na dissipação de calor. 5.2 Parte B — Efeito da agitação Tabela 2: Parâmetros de ajuste — Parte B Sistema a0 (◦C) b = a2 (s−1) τ = 1/b (s) R2 Água + gelo sem agitação 3,67 0,269 3,72 0,9812 Água + gelo com agitação 2,85 0,351 2,85 0,9964 A comparação entre os experimentos mostra aumento do coeficiente de resfriamento quando a mistura foi agitada. Comparando os valores experimentais: 0, 351 0, 269 ≈ 1, 30 observa-se que a agitação aumentou o coeficiente de resfriamento em aproximadamente 30%. A análise da constante de tempo evidencia esse comportamento. Sem agitação: τsem = 1 0, 269 ≈ 3, 72 s enquanto com agitação: τcom = 1 0, 351 ≈ 2, 85 s Isso demonstra que o sistema atingiu o equilíbrio térmico mais rapidamente quando houve movimentação do fluido. 4 Fisicamente, a agitação intensifica os mecanismos convectivos, reduzindo gradientes locais de temperatura próximos ao sensor. Sem agitação, forma-se uma camada de fluido parcialmente aquecido ao redor do termopar, diminuindo a eficiência da transferência de calor. A movimentação contínua do líquido renova essa região de contato, favorecendo maior troca térmica e acelerando o resfriamento. 5.3 Parte C — Influência da temperatura do meio Tabela 3: Parâmetros de ajuste — Parte C Experimento a0 (◦C) b = a2 (s−1) τ = 1/b (s) R2 Água em aproximadamente 6°C 6,07 0,312 3,21 0,9931 Água em aproximadamente 15°C 17,05 0,281 3,56 0,9910 Água em aproximadamente 25°C 24,74 0,264 3,79 0,9834 Observou-se uma tendência de aumento do coeficiente de resfriamento em meios mais frios, embora os valores permaneçam da mesma ordem de grandeza. As constantes de tempo obtidas para cada condição foram: τ6◦C = 1 0, 312 ≈ 3, 21 s τ15◦C = 1 0, 281 ≈ 3, 56 s τ25◦C = 1 0, 264 ≈ 3, 79 s Observa-se que, mesmo com pequenasvariações experimentais, os valores permanece- ram relativamente próximos. Embora a Lei do Resfriamento de Newton indique que a taxa instantânea de res- friamento depende da diferença de temperatura (T − Ta), os resultados sugerem que a constante de resfriamento b não varia drasticamente apenas devido a essa diferença, in- dicando que propriedades físicas do meio e mecanismos de transferência térmica possuem papel dominante. 6 Discussão Os ajustes apresentaram elevados valores de R2, indicando boa concordância entre o modelo teórico e os dados experimentais. Pequenas discrepâncias podem ser atribuídas a fatores experimentais como oscilações do sensor, perdas térmicas não controladas, trocas de calor com o ambiente externo e limitações instrumentais. Deve-se considerar também o tempo de resposta térmica do próprio termopar, que pode introduzir pequeno atraso nas medições. Os resultados confirmam que: • meios com maior eficiência de transferência térmica promovem resfriamento mais rápido; 5 • maior diferença de temperatura aumenta a taxa instantânea de resfriamento; • a agitação intensifica a transferência de calor por convecção. Esses comportamentos estão de acordo com a Lei do Resfriamento de Newton. Comparando os resultados da Parte A, conforme observado na Figura 1, o coeficiente de resfriamento obtido para a água foi significativamente superior ao obtido para o ar. 0, 293 0, 0845 ≈ 3, 47 evidenciando a maior eficiência da água como meio dissipativo. A constante de tempo também evidencia essa diferença. Para o resfriamento em água: τgua = 1 0, 293 ≈ 3, 41 enquanto para o ar: τar = 1 0, 0845 ≈ 11, 83 indicando que o sistema leva significativamente mais tempo para se aproximar do equilíbrio térmico quando resfria no ar. 7 Conclusão O experimento apresentou boa concordância com a Lei do Resfriamento de Newton. As curvas exponenciais ajustaram adequadamente os dados coletados, apresentando elevados valores de R2. Verificou-se que o meio de resfriamento exerce forte influência sobre a dinâmica térmica do sistema, sendo a água significativamente mais eficiente que o ar. Observou-se ainda que a agitação intensifica os processos convectivos, aumentando a taxa de transferência térmica e reduzindo a constante de tempo do sistema. A análise da temperatura do meio mostrou que a taxa instantânea de resfriamento depende da diferença de temperatura entre o sistema e o ambiente, enquanto o coeficiente b permaneceu da mesma ordem de grandeza entre diferentes condições experimentais. Os elevados valores de R2 obtidos nos ajustes reforçam a adequação do modelo expo- nencial utilizado para descrever o fenômeno observado. Assim, os resultados obtidos apresentaram boa concordância com o modelo teórico esperado. Referências • NUSSENZVEIG, H. M. Curso de Física Básica 2: Fluidos, Oscilações e Ondas, Calor. Editora Blucher. • HALLIDAY, D.; RESNICK, R.; WALKER, J. Fundamentos de Física: Gravitação, Ondas e Termodinâmica. 10. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2016. • YOUNG, H. D.; FREEDMAN, R. A. Física II: Termodinâmica e Ondas. 14. ed. São Paulo: Pearson, 2016. 6 • Roteiro experimental de Métodos da Física Experimental — Lei do Resfriamento de Newton. 7