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RESUMO COMPLETO DA Lei Orgânica da Assistência Social — LOAS Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993 (atualizada) | Concurso SEDES-DF ■ CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA E CONCEITUAL A LOAS foi promulgada em 7 de dezembro de 1993, cinco anos após a Constituição Federal de 1988 que, em seus artigos 203 e 204, reconheceu a assistência social como direito do cidadão e dever do Estado. Ela regulamentou esses artigos e transformou a assistência social em política pública não contributiva, rompendo com o modelo anterior de benevolência e favor. Em 2011, a Lei nº 12.435 aprofundou reformas ao incorporar o SUAS ao texto da LOAS, atualizando definições, objetivos e estrutura de gestão. O que significa ser NÃO CONTRIBUTIVA? • A pessoa não precisa ter contribuído ao INSS ou a qualquer sistema previdenciário • O acesso se dá pela necessidade social, não pela capacidade de pagamento • Integra o tripé da Seguridade Social: Saúde + Previdência + Assistência Social ■ CAPÍTULO I — DEFINIÇÃO E OBJETIVOS (Arts. 1º a 3º) Art. 1º — Definição A assistência social é direito do cidadão e dever do Estado, política de Seguridade Social não contributiva, que provê os mínimos sociais, realizada por meio de um conjunto integrado de ações de iniciativa pública e da sociedade, para garantir o atendimento às necessidades básicas. Art. 2º — Objetivos (3 grandes grupos) I — PROTEÇÃO SOCIAL • Visa à garantia da vida, à redução de danos e à prevenção da incidência de riscos ■ a) Proteção à família, maternidade, infância, adolescência e velhice ■ b) Amparo às crianças e adolescentes carentes ■ c) Promoção da integração ao mercado de trabalho ■ d) Habilitação/reabilitação de pessoas com deficiência e integração à vida comunitária ■ e) Garantia de 1 salário mínimo mensal à PcD e ao idoso sem meios de prover a própria manutenção (BPC) II — VIGILÂNCIA SOCIOASSISTENCIAL • Analisa territorialmente a capacidade protetiva das famílias • Identifica ocorrências de vulnerabilidades, ameaças, vitimizações e danos III — DEFESA DE DIREITOS • Garante o pleno acesso aos direitos no conjunto das provisões socioassistenciais ■ Parágrafo único: Para enfrentamento da pobreza, a assistência social se realiza de forma integrada às políticas setoriais, garantindo mínimos sociais e promovendo a universalização dos direitos sociais. Art. 3º — Entidades e Organizações de Assistência Social São entidades sem fins lucrativos que atuam de forma continuada, permanente e planejada. Dividem-se em: • De atendimento: prestam serviços, executam programas/projetos e concedem benefícios a pessoas em vulnerabilidade ou risco • De assessoramento: fortalecem movimentos sociais, organizações de usuários e formação de lideranças • De defesa e garantia de direitos: promovem a cidadania, enfrentamento de desigualdades e construção de novos direitos ■■ CAPÍTULO II — PRINCÍPIOS E DIRETRIZES (Arts. 4º e 5º) PRINCÍPIOS — Art. 4º (são 5) • Supremacia do atendimento às necessidades sociais sobre as exigências de rentabilidade econômica • Universalização dos direitos sociais • Respeito à dignidade, autonomia e direito a benefícios sem discriminação ou comprovação vexatória • Igualdade de direitos no acesso ao atendimento (populações urbanas e rurais) • Divulgação ampla dos benefícios, serviços, programas e projetos DIRETRIZES — Art. 5º (são 3) • Descentralização político-administrativa para estados, DF e municípios, com comando único em cada esfera • Participação da população por meio de organizações representativas na formulação das políticas e controle das ações • Primazia da responsabilidade do Estado na condução da política de assistência social em cada esfera de governo ■ Macete: 5 Princípios (Art. 4º) | 3 Diretrizes (Art. 5º). Cai muito em prova distinguir um do outro! ■■ CAPÍTULO III — ORGANIZAÇÃO E GESTÃO (Arts. 6º a 17) Art. 6º — O SUAS (Sistema Único de Assistência Social) A gestão das ações fica organizada sob a forma de sistema descentralizado e participativo, denominado SUAS. A instância coordenadora da Política Nacional de Assistência Social é o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). Objetivos do SUAS: • Consolidar a gestão compartilhada, o cofinanciamento e a cooperação técnica entre os entes federativos • Integrar a rede pública e privada de serviços, programas, projetos e benefícios • Estabelecer responsabilidades dos entes federativos • Definir os níveis de gestão, respeitando diversidades regionais e municipais • Implementar a gestão do trabalho e a educação permanente na assistência social • Estabelecer a gestão integrada de serviços e benefícios • Afiançar a vigilância socioassistencial e a garantia de direitos Art. 6º-A — Tipos de Proteção Social PROTEÇÃO SOCIAL BÁSICA • Visa PREVENIR situações de risco e vulnerabilidade • Desenvolve potencialidades e aquisições • Fortalece vínculos familiares e comunitários • Referência: CRAS PROTEÇÃO SOCIAL ESPECIAL • Atende a VIOLAÇÕES de direitos já ocorridas • Reconstrói vínculos familiares e comunitários • Subdivide-se em: Média Complexidade (CREAS) e Alta Complexidade (serviços de acolhimento) • Referência: CREAS / Unidades de Acolhimento Arts. 6º-C e 6º-D — CRAS e CREAS CRAS • Unidade pública MUNICIPAL de base territorial • Localizada em áreas com maiores índices de vulnerabilidade e risco • Articula serviços no território e presta proteção social BÁSICA • Deve ter espaços para atendimento individual, coletivo e comunitário • Acessível a idosos e PcD (normas ABNT) CREAS • Unidade pública municipal, estadual ou regional • Atende a indivíduos/famílias em situação de risco por VIOLAÇÃO de direitos • Presta proteção social ESPECIAL • Deve ter espaços compatíveis com os serviços ofertados • Acessível a idosos e PcD (normas ABNT) ■ Art. 6º-F: Institui o CadÚnico — registro público eletrônico para identificação e caracterização socioeconômica de famílias de baixa renda. A inscrição pode ser obrigatória para acesso a programas sociais federais. Competências dos Entes Federativos (Arts. 12 a 15) UNIÃO ESTADOS DISTRITO FEDERAL MUNICÍPIOS • Conceder e manter o BPC • Cofinanciar serviços e programas • Normas gerais e coordenação • Atender emergências • Monitorar e avaliar a política • Apoio pelo IGD-SUAS • Cofinanciar serviços • Destinar recursos aos municípios para benefícios eventuais • Prestar serviços regionais • Apoio técnico-financeiro a consórcios • Monitorar e avaliar • Atender emergências • Custear benefícios eventuais • Pagar auxílios natalidade e funeral • Executar projetos contra pobreza • Atender emergências • Prestar serviços assistenciais • Cofinanciar e monitorar • Custear benefícios eventuais • Pagar auxílios natalidade e funeral • Executar projetos contra pobreza • Atender emergências • Prestar serviços assistenciais • Cofinanciar e monitorar ■ IGD-SUAS (Art. 12-A): Índice de Gestão Descentralizada — mede resultados da gestão e define repasses financeiros da União aos estados, municípios e DF para aprimoramento da gestão do SUAS. Art. 16 — Conselhos de Assistência Social São instâncias de controle social, de caráter permanente e composição paritária (governo e sociedade civil). Existem nos três níveis federativos: CNAS (Nacional), CEAS (Estaduais), CMAS (Municipais) e CAS-DF (Distrito Federal). Art. 17 — CNAS (Conselho Nacional de Assistência Social) Órgão superior de deliberação colegiada. Composição: 18 membros — 9 representantes do governo e 9 da sociedade civil (usuários, trabalhadores do setor e entidades). Mandato de 2 anos, renovável por mais 2. Competências do CNAS (art. 18): • Aprovar a Política Nacional de Assistência Social (PNAS) • Apreciar e aprovar a proposta orçamentária da assistência social • Aprovar critérios de transferência de recursos para estados, DF e municípios • Acompanhar e avaliar a gestão de recursos e ganhos sociais • Aprovar a Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais • Deliberar sobre o financiamentoe orçamento da Assistência Social ■ CAPÍTULO IV — BENEFÍCIOS, SERVIÇOS, PROGRAMAS E PROJETOS (Arts. 20 a 26) Arts. 20 e 21 — BPC: Benefício de Prestação Continuada O BPC é o principal benefício da LOAS. Garante 1 salário mínimo mensal à pessoa idosa (65 anos ou mais) ou à pessoa com deficiência (PcD) de qualquer idade que comprovem não possuir meios de prover a própria manutenção. Operacionalizado pelo INSS. CRITÉRIO IDOSO PESSOA COM DEFICIÊNCIA Idade 65 anos ou mais Qualquer idade Deficiência Não se aplica Impedimentos de longo prazo (≥ 2 anos) de natureza física, mental, intelectual ou sensorial Renda Per capita familiar ≤ 1/4 do salário mínimo Per capita familiar ≤ 1/4 do salário mínimo Avaliação Cadastro no CadÚnico e registro biométrico Avaliação médica e social pelo INSS (biopsicossocial) Revisão A cada 2 anos (atualização CadÚnico) Periódica — reavaliação médica e social O que NÃO se aplica ao BPC: • Não paga 13º salário • Não gera pensão por morte • Não pode ser acumulado com outro benefício da Seguridade Social — salvo assistência médica e pensão especial indenizatória • Pode ser acumulado com o Bolsa Família, desde que a renda per capita não supere 1/4 do salário mínimo O que NÃO entra no cálculo da renda familiar para o BPC: • Benefício previdenciário de até 1 salário mínimo concedido a idoso (65+) ou PcD do grupo familiar — limitado a 1 por membro • Auxílio-inclusão e remuneração do beneficiário do auxílio-inclusão • Valores de auxílio temporário ou indenização por danos por rompimento de barragem Composição do grupo familiar para fins de BPC: • Requerente + cônjuge/companheiro + pais (ou madrasta/padrasto) + irmãos solteiros + filhos e enteados solteiros + menores tutelados — que vivam sob o mesmo teto ■ Pessoa com deficiência e trabalho: A PcD pode acumular o BPC com contrato de aprendizagem por no máximo 2 anos. Se ingressar no mercado de trabalho com renda de até 2 salários mínimos, o BPC é automaticamente convertido em Auxílio-Inclusão. Art. 22 — Benefícios Eventuais Provisões suplementares e provisórias prestadas a cidadãos e famílias em virtude de nascimento, morte, situações de vulnerabilidade temporária e calamidade pública. Critérios e valores definidos pelos Conselhos Municipais e do DF. • Auxílio-natalidade: por nascimento de criança • Auxílio-funeral: por morte de membro da família • Outras situações: vulnerabilidade temporária, calamidades Art. 23 — Serviços Socioassistenciais Atividades continuadas que visam à melhoria de vida da população, voltadas para necessidades básicas, organizadas nos termos da Tipificação Nacional (Resolução CNAS nº 109/2009). Prioridade para infância e adolescência em situação de risco. Art. 24 — Programas de Assistência Social Ações integradas e complementares com objetivos, tempo e área de abrangência definidos para qualificar, incentivar e melhorar benefícios e serviços assistenciais. Destacam-se: PAIF (art. 24-A), PAEFI (art. 24-B), PETI (art. 24-C). Art. 25 e 26 — Projetos de Enfrentamento da Pobreza Investimento econômico-social em grupos populares para garantir meios, capacidade produtiva e de gestão para melhoria das condições de subsistência, elevação da qualidade de vida e preservação do meio ambiente. Devem articular diferentes áreas governamentais e mecanismos de participação. ■ CAPÍTULO V — DO FINANCIAMENTO (Arts. 27 a 30) Fontes de Financiamento • Dotações orçamentárias da União, estados, DF e municípios • Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS) — gerido pelo MDS • Contribuições sociais previstas no art. 195 da CF (CSLL, COFINS, PIS/PASEP) • Receitas dos fundos de assistência social nos três níveis de governo Art. 28 — Cofinanciamento O financiamento dos benefícios, serviços, programas e projetos ocorre de forma tripartite: União + estados/DF + municípios. Os repasses federais são feitos por transferência fundo a fundo (diretamente do FNAS para os fundos estaduais e municipais), de forma automática, sem necessidade de convênio. Art. 30 — Plano de Assistência Social É o instrumento de planejamento estratégico que organiza e regula a execução da PNAS. Elaborado pelo órgão gestor e aprovado pelo respectivo Conselho de Assistência Social. Elaborado a cada 4 anos, alinhado ao PPA (Plano Plurianual). Condição para recebimento dos recursos federais. ■ Art. 30, parágrafo único: Para acesso aos recursos do FNAS, os municípios devem constituir e ter em funcionamento: Conselho + Fundo + Plano de Assistência Social — conhecidos como o tripé da gestão. ■ CAPÍTULO VI — DAS DISPOSIÇÕES GERAIS E TRANSITÓRIAS (Arts. 31 a 40) Aspectos Relevantes • Art. 31: As ações de assistência social devem ter caráter articulado com as demais políticas setoriais (educação, saúde, trabalho, habitação, etc.) • Art. 33: Habilitação/reabilitação de pessoas com deficiência deve ser prestada pelos órgãos competentes e articulada com o SUAS • Art. 35: As entidades de assistência social ficam isentas de recolhimento de COFINS e contribuições para a Seguridade Social, na forma da lei • Art. 36: Proíbe o uso de nomes, símbolos ou imagens de autoridades ou servidores públicos na divulgação dos serviços e benefícios ■ MAPA MENTAL — ESTRUTURA GERAL DA LOAS BLOCO CONTEÚDO PRINCIPAL ARTIGOS Definição e Objetivos Política não contributiva, 3 objetivos (Proteção Social, Vigilância, Defesa de Direitos), Entidades 1º a 3º Princípios e Diretrizes 5 Princípios (art. 4º) e 3 Diretrizes (art. 5º) 4º e 5º Organização e Gestão SUAS, Proteções Básica e Especial, CRAS, CREAS, CadÚnico, Competências dos entes, CNAS 6º a 17 Benefícios, Serviços, Programas e Projetos BPC (art. 20-21), Benefícios Eventuais (art. 22), Serviços (art. 23), Programas — PAIF, PAEFI, PETI (art. 24), Projetos de Combate à Pobreza (art. 25-26) 20 a 26 Financiamento FNAS, cofinanciamento tripartite fundo a fundo, Plano de Assistência Social (quadrienal), tripé da gestão 27 a 30 Disposições Gerais Articulação intersetorial, habilitação/reabilitação, isenções fiscais, vedação ao uso político da assistência 31 a 40 ■ DICAS QUENTES PARA A PROVA • A LOAS foi promulgada em 07/12/1993 e atualizada em 2011 pela Lei 12.435 (que incorporou o SUAS) • A assistência social é NÃO CONTRIBUTIVA — não exige contribuição prévia • São 5 princípios (art. 4º) e 3 diretrizes (art. 5º) — não confunda! • O BPC paga 1 salário mínimo, exige renda per capita ≤ 1/4 do salário mínimo, não tem 13º e não gera pensão por morte • BPC idoso: 65 anos ou mais | BPC PcD: impedimento de longo prazo (mínimo 2 anos) • PcD pode acumular BPC com aprendizagem por até 2 anos; ingresso no trabalho converte automaticamente em Auxílio-Inclusão • Tripé da gestão municipal para receber recursos federais: Conselho + Fundo + Plano • Repasse federal: fundo a fundo, automático, sem convênio • CNAS: 18 membros (9 governo + 9 sociedade civil), mandato de 2 anos, renovável por mais 2 • Plano de Assistência Social: elaborado a cada 4 anos, aprovado pelo Conselho • CRAS = Proteção Básica | CREAS = Proteção Especial | Centro POP = População em Situação de Rua • Entidades de Assistência Social: sem fins lucrativos e devem estar inscritas no Conselho de Assistência Social do município Resumo elaborado com base na Lei nº 8.742/1993 (LOAS) e atualizações posteriores | Concurso SEDES-DF • Junho/2026