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OBJETIVO 1 – Mecanismo de lesão hepática 
Na hepatite B, a lesão hepática não é causada diretamente pelo vírus, mas sim 
pela resposta imune do hospedeiro. O HBV é considerado um vírus não citopático, 
ou seja, ele não destrói o hepatócito por ação direta significativa. 
O dano ocorre principalmente pela ação dos linfócitos T citotóxicos (CD8⁺ ), que 
reconhecem peptídeos virais apresentados no MHC classe I (Complexo Principal 
de Histocompatibilidade classe I) dos hepatócitos infectados. A partir desse 
reconhecimento, esses linfócitos induzem apoptose das células hepáticas por 
dois mecanismos principais: liberação de perforinas e granzimas e ativação da 
via Fas-FasL. 
Na resposta imune adaptativa contra a hepatite B, os linfócitos T citotóxicos 
(CD8⁺ ) utilizam dois principais mecanismos para induzir a morte dos hepatócitos 
infectados: a via das perforinas e granzimas e a via de morte por receptor, 
conhecida como Fas-FasL. Ambos levam à apoptose, ou seja, uma morte celular 
programada e organizada, sem causar inflamação explosiva. 
As perforinas são proteínas liberadas pelos linfócitos T citotóxicos que têm a 
função de formar poros na membrana da célula-alvo. Após o reconhecimento do 
hepatócito infectado — mediado pelo MHC classe I — o linfócito T se liga 
firmemente a essa célula e libera grânulos citotóxicos no espaço entre eles . As 
perforinas então se inserem na membrana do hepatócito e criam canais, 
permitindo a entrada de outras moléculas. 
Entre essas moléculas estão as granzimas, que são enzimas proteolíticas. Uma 
vez dentro da célula, as granzimas ativam caspases, que são proteínas 
responsáveis por iniciar a cascata de apoptose. Esse processo leva à 
fragmentação do DNA, contração celular e, finalmente, à morte do hepatócito de 
forma controlada. 
Paralelamente, ocorre a ativação da via Fas-FasL, que é um mecanismo 
independente de perfuração da membrana. O Fas (CD95) é um receptor de morte 
presente na superfície do hepatócito, enquanto o Fas Ligante (FasL) é expresso 
pelo linfócito T citotóxico. Quando o FasL se liga ao Fas, ocorre a ativação de uma 
cascata intracelular que também leva à ativação de caspases e, 
consequentemente, à apoptose. 
Diferente da via das perforinas, que depende da entrada de enzimas na célula, a via 
Fas-FasL funciona como um “sinal externo de morte”, em que a própria célula 
recebe a ordem para se autodestruir. 
Esses dois mecanismos são fundamentais na hepatite B, pois explicam como o 
sistema imune elimina hepatócitos infectados. No entanto, também são 
responsáveis pelo dano hepático observado, já que a destruição das células leva 
à liberação de enzimas hepáticas, como ALT e AST, e contribui para o quadro clínico 
do paciente. 
Além disso, há liberação de citocinas inflamatórias, como IFN-γ e TNF-α, que 
amplificam o processo inflamatório hepático. Esse ambiente inflamatório contribui 
para o recrutamento de outras células imunes e perpetuação da lesão. 
Esse processo explica os achados clínicos do caso, como elevação importante de 
ALT e AST, refletindo necrose hepatocelular, e também a icterícia, decorrente da 
incapacidade do fígado lesado de metabolizar adequadamente a bilirrubina. 
Portanto, a gravidade da hepatite B está muito mais relacionada à intensidade 
da resposta imune do que à carga viral em si. 
 
Curiosidades - OBJETIVO 1 
1. O HBV não destrói diretamente o hepatócito — quem faz isso são os 
linfócitos T CD8⁺ , o que o classifica como vírus não citopático. 
2. Linfócitos T citotóxicos podem eliminar o vírus de duas formas: 
o matando a célula 
o ou inibindo a replicação viral sem matar a célula (efeito não 
citolítico via IFN-γ) 
 
Quanto mais ativo o mecanismo de morte (perforina/Fas), maior o dano 
hepático 
Ou seja: 
O próprio mecanismo que tenta eliminar o vírus é o que causa a doença 
 
E sobre tratamento atual? (isso cai MUITO bem em discussão) 
Hoje, terapias NÃO bloqueiam diretamente perforina ou Fas porque: 
 Isso causaria: 
• imunossupressão grave 
• persistência viral 
 
OBJETIVO 2 – Evolução aguda vs crônica 
 
Na hepatite aguda (lado esquerdo da imagem), observa-se um infiltrado 
mononuclear limitado no sistema portal, o que corresponde à resposta imune 
robusta e eficiente. Essa resposta é mediada principalmente por linfócitos T 
citotóxicos, que destroem hepatócitos infectados. 
Isso se reflete nas alterações celulares visíveis: 
• Degeneração em balonização dos hepatócitos → dano celular direto pela 
inflamação 
• Apoptose e necrose → morte dos hepatócitos induzida pela resposta imune 
• Agregados de macrófagos → remoção de células mortas 
• Colestase → causando prejuízo funcional transitório do fígado 
(A colestase é a redução ou interrupção do fluxo normal da bile, seja por alterações 
dentro dos hepatócitos ou por obstrução dos ductos biliares) 
 
Esses achados mostram uma inflamação intensa, porém autolimitada, 
compatível com a eliminação do vírus. Isso explica por que, clinicamente, há 
sintomas mais exuberantes e marcadores de infecção recente (HBsAg e Anti-HBc 
IgM). 
 
Já na hepatite crônica (lado direito), a imagem evidencia um cenário bem diferente, 
compatível com uma resposta imune ineficaz ou tolerante: 
• Infiltrado mononuclear denso → inflamação persistente, porém menos 
eficaz 
• Hepatite de interface (tipo de lesão) → ataque contínuo na região entre o 
espaço porta e o parênquima. Principalmente linfócitos — avançam do 
espaço portal e passam a agredir os hepatócitos adjacentes. 
• Necrose em ponte → destruição conectando áreas do fígado (se conectar, 
formando “pontes”) 
• Fibrose portal e fibrose em ponte → deposição progressiva de matriz 
extracelular 
• Apoptose contínua → dano celular persistente 
• Células em vidro fosco (hepatite B) → acúmulo de antígenos virais nos 
hepatócitos 
• Esteatose (hepatite C) → alteração metabólica associada 
Essas alterações estruturais mostram claramente a evolução para fibrose 
progressiva, que pode culminar em cirrose e aumentar o risco de carcinoma 
hepatocelular. 
 
Por fim, a diferença central entre os dois quadros — que a imagem ajuda a visualizar 
— está no equilíbrio entre: 
• Eliminação viral + dano agudo (hepatite aguda)vs. 
• Persistência viral + dano crônico progressivo (hepatite crônica) 
Isso reforça o ponto final do seu texto: 
• A forma aguda é mais inflamatória, sintomática e com chance de cura. 
• A forma crônica é mais silenciosa, porém estruturalmente destrutiva ao 
longo do tempo. 
Objetivo 3: Bilorrubina 
 
A imagem representa as etapas do metabolismo da bilirrubina no hepatócito, 
permitindo alinhar diretamente com a explicação clínica da hepatite B aguda. 
Inicialmente, a bilirrubina circula ligada à albumina (Albumin–Bilirubin) no 
sangue e chega ao fígado. 
 
Ela é então captada pelo hepatócito por meio de proteínas transportadoras na 
membrana sinusoidal (proteínas carreadoras). Na hepatite aguda, a inflamação 
hepatocelular prejudica essa etapa, reduzindo a eficiência de entrada da 
bilirrubina na célula. 
 
Uma vez no interior do hepatócito, a bilirrubina é conjugada pela enzima UGT1A1, 
utilizando UDP-ácido glicurônico (UDP-GA), formando a bilirrubina conjugada 
(Bilirubin-G). A imagem também destaca que alterações nessa enzima (como 
nas síndromes de Gilbert e Crigler-Najjar) afetam essa etapa. No contexto da 
hepatite B aguda, embora a enzima esteja presente, a célula inflamada perde 
eficiência funcional, comprometendo parcialmente essa conjugação. 
 
Após a conjugação, a bilirrubina deveria ser excretada para os canalículos biliares 
por transportadores como a MRP2. No entanto, a lesão hepatocelular e a 
inflamação também prejudicam essa excreção, levando ao acúmulo de bilirrubina 
conjugada dentro do hepatócito e seu refluxo para o sangue. 
 
Esse conjunto de falhas — captação, conjugação e principalmente excreção — 
explica o achado clínico descrito: elevação da bilirrubina total com predomínio 
da fração direta (conjugada). A bilirrubina conjugada,por ser hidrossolúvel, é 
filtrada pelos rins, resultando em colúria (urina escura), enquanto seu acúmulo no 
sangue leva à icterícia. 
 
Além disso, o Robbins em Bases Patológicas diz que como o fígado está 
funcionalmente sobrecarregado, pode haver também retenção de bilirrubina 
indireta, embora em menor grau. 
 
Assim, como a imagem demonstra, a hiperbilirrubinemia na hepatite B aguda não 
decorre de um único defeito isolado, mas de uma disfunção global do hepatócito, 
afetando todas as etapas do metabolismo da bilirrubina. 
 
 
OBJETIVO 4 – Educação em saúde 
No contexto de pessoas privadas de liberdade, a educação em saúde se insere 
principalmente dentro dos eixos de vigilância em saúde e prevenção 
combinada, conforme representado na imagem, sendo uma ferramenta essencial 
para o controle da hepatite B. 
A transmissão do HBV ocorre principalmente por via parenteral, sexual e 
vertical, e, como indicado no bloco de prevenção da transmissão, esses fatores 
tornam-se ainda mais relevantes em ambientes prisionais, onde há maior risco 
devido ao compartilhamento de objetos perfurocortantes, relações sexuais 
desprotegidas e acesso limitado à informação. 
Nesse cenário, a educação em saúde atua diretamente como estratégia de 
prevenção combinada, devendo orientar sobre as formas de transmissão, a 
importância do uso de preservativos, o não compartilhamento de objetos pessoais 
e a adesão ao acompanhamento clínico, integrando-se também às ações da 
atenção primária, responsável pelo seguimento contínuo desses pacientes. 
Além disso, conforme sugerido na articulação entre prevenção e acompanhamento 
na imagem, é fundamental reforçar a importância da vacinação, tanto para o 
paciente quanto para seus contactantes, como medida central de controle da 
doença. 
Outro ponto essencial, dentro da lógica da vigilância em saúde, é o combate ao 
estigma associado à hepatite B, promovendo um ambiente que favoreça o 
diagnóstico precoce, o encaminhamento adequado e o seguimento terapêutico. 
Assim, a educação em saúde, integrada aos níveis de atenção apresentados na 
imagem, não apenas reduz a transmissão, mas também melhora o prognóstico 
individual e coletivo dentro do sistema prisional.

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