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Together4Health: DIABETES E DISLIPIDEMIA health4moz.com André C. Carvalho, MD PhD Consultor em Endocrinologia. Serviço de Endocrinologia da Unidade Local de Saúde de Santo António, Porto, Portugal. Professor Associado Convidado do Mestrado Integrado em Medicina. ICBAS-Universidade do Porto, Portugal http://health4moz.com/ 1- Rever Epidemiologia, Diagnóstico e Tratamento Critérios atualizados e abordagens terapêuticas baseadas em evidência científica 2- Integrar Prevenção Cardiovascular Abordagem multifatorial para redução do risco cardiovascular global 3- Adaptar ao Contexto Local Estratégias práticas adequadas à realidade dos cuidados de saúde em Moçambique Together4Health: Diabetes e Dislipidemia Uma imagem com diagrama Descrição gerada automaticamente https://www.youtube.com/watch?v=e5eB03WCIHg 1- Rever Epidemiologia, Diagnóstico e Tratamento Epidemiologia O Crescente Desafio Metabólico em África A prevalência final combinada de dislipidemia foi de 52,8% - IC95% de 40,8–64.9 Dislipidemia Sub-diagnosticada A dislipidemia permanece largamente sub-diagnosticada na região, constituindo um fator de risco silencioso mas major para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. A falta de rastreio sistemático contribui para este problema. Together4Health: Diabetes e Dislipidemia Alerta: As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte em doentes diabéticos, representando mais de 50% das mortes nesta população. Obsa MS et al. Determinants of Dyslipidemia in Africa: A Systematic Review and Meta-Analysis. Front Cardiovasc Med. 2022 Feb 23;8:778891. 1- Rever Epidemiologia, Diagnóstico e Tratamento Diagnóstico e Classificação A dislipidemia caracteriza-se por alterações nos níveis séricos dos lípidos e lipoproteínas, constituindo um fator de risco major modificável para doença cardiovascular aterosclerótica Categorização de Risco Calculadores de Risco não Validados para África Together4Health: Diabetes e Dislipidemia Aaron Jonathan Deutsch et al. Phenotypic and Genetic Diversity in Diabetes Across Populations, The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, Volume 110, Issue 8, August 2025 2025 Classificação Etiológica: Primária (genética) ou secundária a diabetes, obesidade, hipotiroidismo, síndrome síndrome nefrótica, álcool ou fármacos. 1- Rever Epidemiologia, Diagnóstico e Tratamento Fisiopatologia Básica da Aterosclerose LDL-Colesterol: Motor da Aterogénese As lipoproteínas de baixa densidade (LDL) desempenham o papel central na formação da placa aterosclerótica. Quando oxidadas, tornam-se altamente aterogénicas, sendo fagocitadas por macrófagos que se transformam em células espumosas. O processo inicia-se com disfunção endotelial, permitindo a penetração do LDL na íntima arterial. A oxidação subsequente desencadeia uma cascata inflamatória que perpetua o crescimento da placa. HDL-Colesterol: O “Protetor” Cardiovascular O HDL-colesterol exerce múltiplos efeitos antiaterogénicos: transporte reverso do colesterol, propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes, e proteção da função endotelial. Together4Health: Diabetes e Dislipidemia Triglicéridos: Em hipertrigliceridemia grave (>500 mg/dL), existe risco acrescido de pancreatite aguda, requerendo intervenção urgente. 1- Rever Epidemiologia, Diagnóstico e Tratamento Categorização de Risco Calculadores de Risco não Validados para África SCORE2 / SCORE2-OP / SCORE2-DM ASCVD Framingham Heart Study score The American Heart Association PREVENT Together4Health: Diabetes e Dislipidemia https://www.escardio.org/Education/Practice-Tools/CVD-prevention-toolbox/SCORE-Risk-Charts# Together4Health: Diabetes e Dislipidemia 1- Rever Epidemiologia, Diagnóstico e Tratamento Categorização de Risco Calculadores de Risco não Validados para África SCORE2 / SCORE2-OP / SCORE2-DM ASCVD Framingham Heart Study score The American Heart Association PREVENT https://tools.acc.org/ascvd-risk-estimator-plus/#!/calculate/estimate/ Together4Health: Diabetes e Dislipidemia 1- Rever Epidemiologia, Diagnóstico e Tratamento Categorização de Risco Calculadores de Risco não Validados para África SCORE2 / SCORE2-OP / SCORE2-DM ASCVD Framingham Heart Study score The American Heart Association PREVENT https://www.framinghamheartstudy.org/fhs-risk-functions/hard-coronary-heart-disease-10-year-risk/ Together4Health: Diabetes e Dislipidemia 1- Rever Epidemiologia, Diagnóstico e Tratamento Categorização de Risco Calculadores de Risco não Validados para África SCORE2 / SCORE2-OP / SCORE2-DM ASCVD Framingham Heart Study score The American Heart Association PREVENT https://professional.heart.org/en/guidelines-and-statements/prevent-risk-calculator/prevent-calculator 1- Rever Epidemiologia, Diagnóstico e Tratamento Categorização de Risco Calculadores de Risco não Validados para África Particularidades na população Africana Menor carga lipídica hepática Menores níveis de TGs Menor relação entre adiposidade e inflamação Together4Health: Diabetes e Dislipidemia François Mach et al. ESC/EAS Scientific Document Group, 2025 Focused Update of the 2019 ESC/EAS Guidelines for the management of dyslipidaemias:, European Heart Journal, 2025 2025 1- Rever Epidemiologia, Diagnóstico e Tratamento Categorização de Risco Calculadores de Risco não Validados para África Particularidades na população Africana Menor carga lipídica hepática Menores níveis de TGs Menor relação entre adiposidade e inflamação Together4Health: Diabetes e Dislipidemia François Mach et al. ESC/EAS Scientific Document Group, 2025 Focused Update of the 2019 ESC/EAS Guidelines for the management of dyslipidaemias:, European Heart Journal, 2025 2025 1- Rever Epidemiologia, Diagnóstico e Tratamento Objectivos da intervenção Tempo de exposição ao Factor de Risco A DM2 como um equivalente de Evento CV Atenção aos outro factores determinantes de Risco CV Together4Health: Diabetes e Dislipidemia François Mach et al. ESC/EAS Scientific Document Group, 2025 Focused Update of the 2019 ESC/EAS Guidelines for the management of dyslipidaemias:, European Heart Journal, 2025 2025 1- Rever Epidemiologia, Diagnóstico e Tratamento Medidas Não Farmacológicas: Pilar do Tratamento As modificações do estilo de vida constituem a base fundamental do tratamento da dislipidemia, devendo ser implementadas em todos os doentes independentemente da necessidade de terapêutica farmacológica. Together4Health: Diabetes e Dislipidemia Dieta Cardioprotetora Adopção de padrão alimentar mais rico em leguminosas com redução das gorduras saturadas (• Rosuvastatina 5-40mg/dia • Monitorização enzimas hepáticas . Fibratos: Triglicéridos Elevados Particularmente eficazes na redução dos triglicéridos e elevação do HDL-colesterol. Indicados quando triglicéridos >200 mg/dL persistem após estatina. • Fenofibrato 145-200 mg/dia • Gemfibrozil 600 mg 2x/dia • Cuidado com combinação estatina+fibrato • Outros: Omega- 3, Eicosapente de etilo (EPA) Terapêuticas Avançadas Ezetimiba, Ácido Bempedóico e inibidores PCSK9 para casos refratários ou intolerância às estatinas. Redução adicional de 15-20% no LDL. Disponibilidade limitada em Moçambique, reservadas para casos selecionados. • Ezetimiba 10 mg/dia • Ác. Bempedóico 180mg/dia • Evolocumab, alirocumab (quando disponíveis) 1- Rever Epidemiologia, Diagnóstico e Tratamento Resultados espectáveis Together4Health: Diabetes e Dislipidemia François Mach et al. ESC/EAS Scientific Document Group, 2025 Focused Update of the 2019 ESC/EAS Guidelines for the management of dyslipidaemias:, European Heart Journal, 2025 Alta Intensidade ↓cLDL ≥ 50% Atorvastatina: 40 mg, 80 mg Rosuvastatina: 20 mg, 40 mg 2- Integrar Prevenção Cardiovascular Abordagem multifatorial para redução do risco cardiovascular global Associação à DM2 Estratégias Integradas Together4Health: Diabetes e Dislipidemia Uma imagem com diagrama Descrição gerada automaticamente https://www.youtube.com/watch?v=e5eB03WCIHg 2- Integrar Prevenção Cardiovascular Associação à DM2 A diabetes tipo 2 e a dislipidemia partilham mecanismos fisiopatológicos comuns, nomeadamente a resistência à insulina. Esta associação é particularmente frequente no contexto da síndrome metabólica. Perfil Lipídico Diabético • Triglicéridos elevados: Consequência da resistência à insulina • HDL-colesterol baixo: Associado à hipertrigliceridemia • LDL pequenas e densas: Mais aterogénicas que LDL normais • Partículas remanescentes: Aumentam o risco aterogénico Together4Health: Diabetes e Dislipidemia Abordagem Multifatorial Necessária: O controlo isolado da glicemia é insuficiente para reduzir o risco cardiovascular em diabéticos cardiovascular em diabéticos dislipidémicos. 2- Integrar Prevenção Cardiovascular Estratégias Integradas A abordagem do doente diabético com dislipidemia requer estratégia multifatorial coordenada, integrando o controlo de múltiplos fatores de risco cardiovascular numa perspetiva holística. Together4Health: Diabetes e Dislipidemia Evidência: A abordagem multifatorial intensiva em diabéticos pode reduzir em 50% o risco de eventos cardiovasculares major comparativamente ao tratamento convencional. Rastreio Lipídico Sistemático Todo o doente diabético deve ter avaliação lipídica no diagnóstico e anualmente. Considerar intervalos mais frequentes se objetivos não atingidos ou terapêutica modificada. Calculadoras de Risco CV Utilizar ferramentas de estratificação de risco adaptadas à população africana quando disponíveis, ou algoritmos simplificados baseados em fatores de risco major. Abordagem Multifatorial Tratamento simultâneo de glicemia, lípidos, pressão arterial e cessação tabágica. Esta abordagem integrada maximiza a redução do risco cardiovascular. Together4Health: Diabetes e Dislipidemia 2- Integrar Prevenção Cardiovascular A Dislipidemia não é tudo… Risco Cardiovascular Global Abordagem multifatorial para redução do risco cardiovascular global Factores de Risco Não-Modificáveis • Idade • Sexo • Genética / Hx familiar / Etnia Factores de Risco Modificáveis Principais • HTA • Tabagismo • Dislipidemia • Hiperglicemia Factores de Risco Ligados ao Estilo de Vida • Obesidade • Sedentarismo • Dieta Factores de Risco Emergentes • Determinantes Socio-Económicos • Stress crónico • Depressão / Ansiedade • SAOS • Factores inflamatórios • Poluição atmosférica Together4Health: Diabetes e Dislipidemia Neal Pohlman et al. Novel Cardiometabolic Medications in the Cardiovascular-Kidney-Metabolic Syndrome Era, The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, Vol110, Issue 8, 2025 Issue 8, 2025 2- Integrar Prevenção Cardiovascular A Dislipidemia não é tudo… Risco Cardiovascular Global Abordagem multifatorial para redução do risco cardiovascular global Síndroma Cardio-vasculo-reno-metabólico Estratégias integradas Individuais Populacionais 3- Adaptar ao Contexto Local Estratégias e práticas adequadas à realidade dos cuidados de saúde em Moçambique Desafios da Dislipidemia em Moçambique Together4Health: Diabetes e Dislipidemia Uma imagem com diagrama Descrição gerada automaticamente https://www.youtube.com/watch?v=e5eB03WCIHg 3- Adaptar ao Contexto Local Desafios da Dislipidemia em Moçambique Real prevalência populacional Risco Individual versus Populacional Abordagem Integrada Disponibilidade de terapêuticas Outros Together4Health: Diabetes e Dislipidemia 3- Adaptar ao Contexto Local Desafio – Infecção por VIH Risco CV subestimado Agravamento da Dislipidemia / Infecção / Tratamento Interações medicamentosas Metabolismo pelo Citocromo P450: A maioria das estatinas (e muitos fármacos da TARV) são metabolizados no fígado pelo Citocromo P450, especificamente a isoenzima CYP3A4. Interações com Inibidores da Protease (IP) e Cobicistat: Estes fármacos são inibidores potentes do CYP3A4. Quando administrados com uma estatina que também usa esta via (como a Simvastatina ou a Lovastatina), a concentração da estatina no sangue pode aumentar drasticamente – Risco de miopatia e rabdomiólise. Interações com o Efavirenz (ITRNN): O efavirenz é um indutor do CYP3A4, ou seja, acelera o metabolismo de algumas estatinas (como a Atorvastatina), podendo diminuir a sua eficácia. Together4Health: Diabetes e Dislipidemia François Mach et al. ESC/EAS Scientific Document Group, 2025 Focused Update of the 2019 ESC/EAS Guidelines for the management of dyslipidaemias:, European Heart Journal, 2025 3- Adaptar ao Contexto Local Together4Health: Diabetes e Dislipidemia Fármaco para Dislipidemia Considerações no VIH Recomendações de Segurança Pravastatina, Rosuvastatina São as estatinas PREFERIDAS. Metabolizadas por vias alternativas (não dependentes do CYP3A4), têm menor risco de interações. Dose habitual ou com ajuste moderado. São a primeira linha de escolha. Atorvastatina Pode ser usada, mas sofre alguma interação com inibidores da protease e cobicistat. Usar com a dose mais baixa possível (ex.: 10-20 mg) e aumentar com cautela, monitorizando efeitos adversos. Pitavastatina Excelente perfil, com mínimas interações medicamentosas. Uma opção muito segura e eficaz, embora o custo possa ser uma limitação. Simvastatina, Lovastatina CONTRAINDICADAS com inibidores da protease, cobicistat e possivelmente com elvitegravir/cobicistat. NUNCA devem ser usadas em doentes sob estes regimes. Ezetimiba Não tem interações significativas. Ótima opção em combinação com uma estatina quando o objetivo LDL não é alcançado. Fibratos Úteis para hipertrigliceridemia. Atenção ao risco aumentado de miopatia quando combinados com estatinas. Monitorizar função hepática. Mensagens-Chave para a Prática Clínica em Moçambique Together4Health: Diabetes e Dislipidemia Together4Health: DIABETES E DISFUNÇÃO SEXUAL health4moz.com André C. Carvalho, MD PhD Consultor em Endocrinologia. Serviço de Endocrinologia da Unidade Local de Saúde de Santo António, Porto, Portugal. Professor Associado Convidado do Mestrado Integrado em Medicina. ICBAS-Universidade do Porto, Portugal http://health4moz.com/ 1- Reconhecer a prevalência e impacto Identificar a alta prevalência da disfunção sexual em doentes diabéticos e compreender o seu impacto significativo na qualidade de vida 2- Compreender a fisiopatologia multifatorial Identificar os mecanismos principais: vascular, neurológico, hormonal e psicológico 3- Conhecer opções de manejo inicial no Contexto Local Estratégias práticas de diagnóstico e tratamento adequadas à realidade dos cuidados de saúde em Moçambique Together4Health:Diabetes e Disfunção Sexual Uma imagem com diagrama Descrição gerada automaticamente https://www.youtube.com/watch?v=e5eB03WCIHg 1- Reconhecer a prevalência e impacto Epidemiologia A prevalência final combinada de disfunção eréctil nos homens com DM foi de 71,5% (IC95% de 60,2– 82,7), manifestando-se de 10 a 15 anos antes do que em homens sem DM A verdadeira prevalência na mulher com DM ainda é desconhecida, principalmente devido à dissonância em suas definições, diagnóstico e impacto clínico. Complicação Sub-diagnosticada A disfunção sexual é uma complicação neuro-vascular frequente da DM, mas dramaticamente subdiagnosticada. Together4Health: Diabetes e Disfunção Sexual Shiferaw WS, et al. Risk factors of erectile dysfunction among diabetes patients in Africa: A systematic review and meta-analysis. J Clin Transl Endocrinol. 2020 Jul 3;21:100232. Mensagem-chave: A disfunção sexual não é uma consequência inevitável da diabetes - é uma complicação tratável que merece atenção médica adequada. 1- Reconhecer a prevalência e impacto Relevância Clínica Fundamental Impacto grave na qualidade de vida e autoestima Deterioração das relações interpessoais Marcador importante de doença vascular generalizada Associação direta com doença cardiovascular Frequentemente atribuída, de forma incorrecta, apenas à idade Together4Health: Diabetes e Disfunção Sexual 1- Reconhecer a prevalência e impacto Tipos de Disfunção Sexual associados à DM Disfunção Eréctil Perturbação do Desejo ou Interesse Sexual Hipoativo (diminuição da líbido) Perturbação do Orgasmo (ejaculação retardada ou ausente) Perturbação do Desejo ou Interesse Sexual Hipoativo (diminuição da líbido) Perturbação do Orgasmo (dificuldade/ausência orgásmica ) Perturbação de Dor Genito-Pélvica/Penetração (dispareunia) Together4Health: Diabetes e Disfunção Sexual Sexual Function and Dysfunction Shalender Bhasin; Susan R. Davis Williams Textbook of Endocrinology, 18, 751-783.e13 2- Compreender a fisiopatologia multifatorial Fisiopatologia: Visão Integrada A disfunção sexual na DM resulta de uma interação complexa entre múltiplos mecanismos fisiopatológicos. A hiperglicemia crónica funciona como o factor desencadeante inicial, mas a progressão da disfunção depende da contribuição relativa de cada via patológica. É fundamental compreender que raramente existe um único mecanismo isolado - a abordagem terapêutica deve considerar esta natureza multifatorial para obter sucesso clínico Together4Health: Diabetes e Disfunção Sexual 2- Compreender a fisiopatologia multifatorial Fisiopatologia: Visão Integrada Disfunção Endotelial e Doença Vascular A hiperglicemia crónica provoca disfunção endotelial generalizada, comprometendo a produção e biodisponibilidade do óxido nítrico (NO), essencial para a vasodilatação adequada. Microangiopatia Afecta directamente a perfusão dos tecidos eréteis nos corpos cavernosos e na região clitoridiana, comprometendo a resposta sexual normal. Macroangiopatia A doença arterial periférica reduz o fluxo sanguíneo para os órgãos genitais, exacerbando a disfunção sexual e servindo como marcador de risco cardiovascular elevado. Together4Health: Diabetes e Disfunção Sexual Sexual Function and Dysfunction Shalender Bhasin; Susan R. Davis Williams Textbook of Endocrinology, 18, 751-783.e13 2- Compreender a fisiopatologia multifatorial Fisiopatologia: Visão Integrada Neuropatia Autonómica A neuropatia autonómica desenvolve-se gradualmente e correlaciona-se com a duração e controlo da DM. Compromisso da Inervação A neuropatia autonómica afecta os nervos que controlam a função sexual, alterando a transmissão de impulsos nervosos essenciais Impacto nos Homens Prejuízo da vasodilatação arterial e do relaxamento do músculo liso cavernoso, comprometendo a ereção Impacto nas Mulheres Compromete a lubrificação vaginal natural e a congestão clitoridiana durante a excitação Together4Health: Diabetes e Disfunção Sexual Sexual Function and Dysfunction Shalender Bhasin; Susan R. Davis Williams Textbook of Endocrinology, 18, 751-783.e13 2- Compreender a fisiopatologia multifatorial Fisiopatologia: Visão Integrada Alterações Hormonais A avaliação hormonal deve ser considerada em casos de disfunção sexual significativa, especialmente quando há sintomas sugestivos de défice hormonal. A correcção de défices hormonais documentados pode melhorar consideravelmente a função sexual. Homens DM está associada a uma maior prevalência de hipogonadismo, tanto de origem central como periférica. Mulheres As alterações hormonais em mulheres diabéticas são complexas e multifactoriais. Together4Health: Diabetes e Disfunção Sexual Sexual Function and Dysfunction Shalender Bhasin; Susan R. Davis Williams Textbook of Endocrinology, 18, 751-783.e13 2- Compreender a fisiopatologia multifatorial Fisiopatologia: Visão Integrada Factores Psicogénicos e Relacionais Os factores psicológicos frequentemente amplificam os problemas físicos, criando um ciclo de disfunção que requer abordagem holística. O apoio psicológico e a educação do doente são componentes essenciais do tratamento. Ansiedade de Desempenho Impacto do Diagnóstico Depressão Conflitos Relacionais 3- Conhecer opções de manejo inicial no Contexto Local Abordagem ao Homem – Anamnese Pergunta direta: "Tem tido dificuldade em atingir ou manter uma ereção suficiente para uma relação sexual?“ Ferramenta Rápida - Questionário IIEF-5 (opcional) Avaliar líbido, fatores de risco CV, álcool e medicamentos Together4Health: Diabetes e Disfunção Sexual Medicamentos a Considerar:• Anti-hipertensores (especialmente betabloqueadores)• Antidepressivos• Diuréticos• Antihistamínicos Sexual Function and Dysfunction Shalender Bhasin; Susan R. Davis Williams Textbook of Endocrinology, 18, 751-783.e13 3- Conhecer opções de manejo inicial no Contexto Local Abordagem à Mulher – Anamnese Perguntas-chave: "Tem falta de desejo? Secura vaginal? Dor?" Normalizar a conversa: "É uma queixa muito comum." Padrão menstrual e menopausa História obstétrica Cirurgias ginecológicas prévias Uso de contracepção hormonal Sintomas depressivos ou ansiosos Together4Health: Diabetes e Disfunção Sexual Sexual Function and Dysfunction Shalender Bhasin; Susan R. Davis Williams Textbook of Endocrinology, 18, 751-783.e13 3- Conhecer opções de manejo inicial no Contexto Local Exame Objectivo Focado Avaliação Cardiovascular Pressão arterial em ambos os membros superiores Palpação de pulsos periféricos (pediosos, tibiais) Auscultação de sopros vasculares Avaliação Neurológica Sensibilidade tátil periférica (monofilamento) Reflexos aquilianos Sensibilidade vibratória periférica Avaliação da neuropatia autonómica Together4Health: Diabetes e Disfunção Sexual Sexual Function and Dysfunction Shalender Bhasin; Susan R. Davis Williams Textbook of Endocrinology, 18, 751-783.e13 Avaliação Hormonal (Homens) Desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários Volume testicular Distribuição pilosa Ginecomastia Considerações para Mulheres Encorajar rastreio ginecológico regular Avaliação de sinais de atrofia vulvovaginal Sinais de défice estrogénico Exame mamário se indicado 3- Conhecer opções de manejo inicial no Contexto Local Investigação Laboratorial no Contexto Moçambicano Investigações Obrigatórias HbA1c - Avaliação do controlo glicémico nos últimos 2-3 meses Perfil Lipídico - Colesterol total, cHDL, cLDL e triglicéridos Creatinina e função renal Investigações mais Específicas Para Homens: Testosterona total (colhida de manhã, entre 8-10h). Se alterada, considerar LH e FSH. Para Mulheres: Perfil E2/LH-FSH se indicado clinicamente (suspeita de menopausa precoce ou alterações hormonais significativas). Se Suspeita Clínica Função tiroideia (TSH, T4 livre) Prolactina Together4Health: Diabetes e Disfunção Sexual Sexual Function and Dysfunction Shalender Bhasin; Susan R. Davis Williams Textbook of Endocrinology, 18, 751-783.e13 3-Conhecer opções de manejo inicial no Contexto Local Diagnóstico Diferencial Não assumir que é sempre da diabetes! Uma anamnese cuidadosa e investigação dirigida são essenciais para identificar causas potencialmente reversíveis que podem coexistir com a diabetes. Medicamentos: Anti-hipertensores (especialmente betabloqueadores), antidepressivos, antihistamínicos, diuréticos e outros fármacos podem causar disfunção sexual independentemente da diabetes. Doenças Endócrinas: Disfunção tiroideia, hiperprolactinemia, deficiência de hormona do crescimento, e outras endocrinopatias podem mimetizar ou exacerbar a disfunção sexual diabética. Together4Health: Diabetes e Disfunção Sexual Sexual Function and Dysfunction Shalender Bhasin; Susan R. Davis Williams Textbook of Endocrinology, 18, 751-783.e13 3- Conhecer opções de manejo inicial no Contexto Local Diagnóstico Diferencial Não assumir que é sempre da diabetes! Uma anamnese cuidadosa e investigação dirigida são essenciais para identificar causas potencialmente reversíveis que podem coexistir com a diabetes. Doença Cardiovascular Primária: Aterosclerose generalizada, insuficiência cardíaca, ou outras condições cardiovasculares podem ser a causa principal, não apenas uma comorbilidade.. Causas Psicológicas Primárias: Depressão major, transtornos de ansiedade, problemas relacionais, ou trauma podem ser os factores predominantes, especialmente em doentes mais jovens. 3- Conhecer opções de manejo inicial no Contexto Local Pilares do Tratamento Controlo Glicémico Ótimo Estudos demonstram consistentemente que a melhoria do controlo glicémico pode prevenir, retardar a progressão, ou mesmo reverter parcialmente a disfunção sexual em doentes diabéticos. Percentagem de melhoria na função sexual com controlo adequado ~30% Manejo de Fatores de Risco CV (HTA, dislipidemia, tabagismo). Controlo da Hipertensão Arterial - Metade 11,5– 13,4). Dupla DM-VIH Aumento explosivo da prevalência de diabetes . A coexistência das duas condições não é acidental. Indivíduos com VIH têm um risco 1,5 a 4 vezes maior de desenvolver DM. Together4Health: Diabetes e Infecção VIH Alerta: Implica um duplo fardo nos Sistemas de Saúde. O manejo requer uma abordagem especializada. Mas também pode ser uma oportunidade para agregar cuidados! O Inquérito Nacional sobre o Impacto do HIV e SIDA em Moçambique - (INSIDA 2021) 1- Rever Epidemiologia e Fisiopatologia da dupla DM-VIH A associação entre VIH e DM resulta de múltiplos fatores interligados que redefinem o perfil de risco metabólico dos nossos doentes. Together4Health: Diabetes e Infecção VIH 1- Rever Epidemiologia e Fisiopatologia da dupla DM-VIH A patogénese da diabetes no contexto do VIH envolve uma complexa rede de mecanismos fisiopatológicos que se reforçam mutuamente. O principal “culpado” ainda é o esquema TARV Síndrome Lipodistrófica Together4Health: Diabetes e Infecção VIH Noubissi EC, Katte JC, Sobngwi E. Diabetes and HIV. Curr Diab Rep. 2018 Oct 8;18(11):125. doi: 10.1007/s11892-018-1076-3. PMID: 30294763. 2- Factores de Risco, Rastreio e Diagnóstico Fatores relacionados com o VIH: * TARV (esquemas específicos) Regimes contendo Inibidores da Protease ou ITRN mais antigos * Duração da infeção por VIH * Baixa contagem de CD4 nadir * Idade avançada * Lipodistrofia Fatores Tradicionais (também aplicáveis): * História familiar de DM, obesidade (especialmente abdominal), sedentarismo, dieta. Together4Health: Diabetes e Infecção VIH Noubissi EC, Katte JC, Sobngwi E. Diabetes and HIV. Curr Diab Rep. 2018 Oct 8;18(11):125. doi: 10.1007/s11892-018-1076-3. PMID: 30294763. 2- Factores de Risco, Rastreio e Diagnóstico Together4Health: Diabetes e Infecção VIH Classe/Medicamento Risco de Dislipidemia Risco de Resistência à Insulina/Diabetes Risco de Lipodistrofia Observações INSTIs (Dolutegravir, etc.) Baixo Baixo Baixo Base preferencial atual. Perfil metabólico favorável. ITRNs Modernos (TAF, Abacavir) Baixo a Moderado Baixo Baixo TAF pode elevar ligeiramente os lípidos. Abacavir com debate sobre risco cardiovascular. IPs (Darunavir, Lopinavir, etc.) Alto Alto Alto Associados ao síndrome metabólico. Usados quando outras opções falham. ITRNs Antigos (AZT) Alto Moderado Alto Raramente usados hoje em dia devido ao perfil de efeitos secundários. INSTIs - Inibidores da Transferência de Cadeia de Integrase; ITRNs - Inibidores da Transcriptase Reversa Análogos de Nucleósidos/Nucleótidos; IPs –inibidores da Protease Protease 2- Factores de Risco, Rastreio e Diagnóstico Quem Rastrear? Todos os pacientes com VIH no diagnóstico e anualmente. * Mais frequente se: obesidade, história familiar, uso de ARV diabetogénicos. Uma oportunidade! Muitas vezes existe uma maior consciência sobre os riscos e necessidade de tratamento para a infecção VIH do que para a DM Critérios Diagnósticos (segundo OMS/ADA): * Glicémia em jejum ≥ 126 mg/dL (7.0 mmol/L) * HbA1c ≥ 6.5% (Nota importante sobre limitações da HbA1c) * Glicémia casual ≥ 200 mg/dL (11.1 mmol/L) + sintomas * PTOG 2h ≥ 200 mg/dL (11.1 mmol/L) Together4Health: Diabetes e Infecção VIH 3- Estratégias de Manejo Integrado destes casos Intervenções no Estilo de Vida A Base do Sucesso Together4Health: Diabetes e Infecção VIH 3- Estratégias de Manejo Integrado destes casos Terapia Antidiabética de Primeira Linha Metformina: A metformina mantém-se como a pedra angular do tratamento da diabetes tipo 2 em doentes com VIH, oferecendo múltiplas vantagens no contexto moçambicano. Eficácia comprovada : Redução da glicémia e HbA1c (média de 1,5-2,0%) Perfil de peso favorável: Promove perda de peso ou neutralidade ponderal Segurança farmacológica: Poucas interações com ARV Custo acessível: Disponível no formulário nacional Together4Health: Diabetes e Infecção VIH Precaução: Monitorizar função renal reg ularm ente. C ontraind icad a em insuficiência renal (TFG3- Estratégias de Manejo Integrado destes casos Interações Farmacológicas Críticas O conhecimento das interações entre antirretrovirais e antidiabéticos é fundamental para a prescrição segura e eficaz. Estas interações podem alterar significativamente a eficácia e segurança dos tratamentos. Together4Health: Diabetes e Infecção VIH 3- Estratégias de Manejo Integrado destes casos Manejo dos Fatores de Risco Cardiometabólico O controlo abrangente dos fatores de risco cardiovascular é crucial, dado que pacientes com VIH e DM apresentam risco cardiovascular significativamente elevado. Controlo da HTA Objetivo: