Logo Passei Direto
Buscar

Formacao_Diabetes_Dislipidemia (2)

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

Together4Health:
DIABETES E DISLIPIDEMIA
health4moz.com André C. Carvalho, MD PhD
Consultor em Endocrinologia. Serviço de Endocrinologia da Unidade Local de Saúde de Santo António, Porto, Portugal.
Professor Associado Convidado do Mestrado Integrado em Medicina. ICBAS-Universidade do Porto, Portugal
http://health4moz.com/
1- Rever Epidemiologia, Diagnóstico 
e Tratamento
Critérios atualizados e abordagens terapêuticas baseadas 
em evidência científica
2- Integrar Prevenção Cardiovascular
Abordagem multifatorial para redução do risco 
cardiovascular global
3- Adaptar ao Contexto Local
Estratégias práticas adequadas à realidade dos cuidados 
de saúde em Moçambique
Together4Health: Diabetes e Dislipidemia
Uma imagem com diagrama
Descrição gerada automaticamente
https://www.youtube.com/watch?v=e5eB03WCIHg
1- Rever Epidemiologia, Diagnóstico 
e Tratamento
Epidemiologia
O Crescente Desafio Metabólico em África
A prevalência final combinada de dislipidemia foi de 
52,8% - IC95% de 40,8–64.9
Dislipidemia Sub-diagnosticada
A dislipidemia permanece largamente sub-diagnosticada 
na região, constituindo um fator de risco silencioso mas 
major para o desenvolvimento de doenças 
cardiovasculares. A falta de rastreio sistemático contribui 
para este problema.
Together4Health: Diabetes e Dislipidemia
Alerta: As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte em doentes diabéticos, representando mais de 
50% das mortes nesta população.
Obsa MS et al. Determinants of Dyslipidemia in Africa: A Systematic Review and Meta-Analysis. Front Cardiovasc Med. 2022 Feb 23;8:778891.
1- Rever Epidemiologia, Diagnóstico 
e Tratamento
Diagnóstico e Classificação
A dislipidemia caracteriza-se por alterações nos níveis 
séricos dos lípidos e lipoproteínas, constituindo um fator 
de risco major modificável para doença cardiovascular 
aterosclerótica
Categorização de Risco
Calculadores de Risco não Validados para África
Together4Health: Diabetes e Dislipidemia
Aaron Jonathan Deutsch et al. Phenotypic and Genetic Diversity in Diabetes Across Populations, The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, Volume 110, Issue 8, August 2025
2025
Classificação Etiológica: Primária (genética) ou secundária a diabetes, obesidade, hipotiroidismo, síndrome 
síndrome nefrótica, álcool ou fármacos.
1- Rever Epidemiologia, Diagnóstico 
e Tratamento
Fisiopatologia Básica da Aterosclerose
LDL-Colesterol: Motor da Aterogénese
As lipoproteínas de baixa densidade (LDL) desempenham o papel 
central na formação da placa aterosclerótica. Quando oxidadas, 
tornam-se altamente aterogénicas, sendo fagocitadas por macrófagos 
que se transformam em células espumosas.
O processo inicia-se com disfunção endotelial, permitindo a 
penetração do LDL na íntima arterial. A oxidação subsequente 
desencadeia uma cascata inflamatória que perpetua o crescimento da 
placa.
HDL-Colesterol: O “Protetor” Cardiovascular
O HDL-colesterol exerce múltiplos efeitos antiaterogénicos: transporte 
reverso do colesterol, propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes, e 
proteção da função endotelial.
Together4Health: Diabetes e Dislipidemia
Triglicéridos: Em hipertrigliceridemia grave (>500 mg/dL), existe risco acrescido de pancreatite 
aguda, requerendo intervenção urgente.
1- Rever Epidemiologia, Diagnóstico 
e Tratamento
Categorização de Risco
Calculadores de Risco não Validados para África
SCORE2 / SCORE2-OP / SCORE2-DM
ASCVD
Framingham Heart Study score
The American Heart Association PREVENT
Together4Health: Diabetes e Dislipidemia
https://www.escardio.org/Education/Practice-Tools/CVD-prevention-toolbox/SCORE-Risk-Charts#
Together4Health: Diabetes e Dislipidemia
1- Rever Epidemiologia, Diagnóstico 
e Tratamento
Categorização de Risco
Calculadores de Risco não Validados para África
SCORE2 / SCORE2-OP / SCORE2-DM
ASCVD
Framingham Heart Study score
The American Heart Association PREVENT
https://tools.acc.org/ascvd-risk-estimator-plus/#!/calculate/estimate/
Together4Health: Diabetes e Dislipidemia
1- Rever Epidemiologia, Diagnóstico 
e Tratamento
Categorização de Risco
Calculadores de Risco não Validados para África
SCORE2 / SCORE2-OP / SCORE2-DM
ASCVD
Framingham Heart Study score
The American Heart Association PREVENT
https://www.framinghamheartstudy.org/fhs-risk-functions/hard-coronary-heart-disease-10-year-risk/
Together4Health: Diabetes e Dislipidemia
1- Rever Epidemiologia, Diagnóstico 
e Tratamento
Categorização de Risco
Calculadores de Risco não Validados para África
SCORE2 / SCORE2-OP / SCORE2-DM
ASCVD
Framingham Heart Study score
The American Heart Association PREVENT
https://professional.heart.org/en/guidelines-and-statements/prevent-risk-calculator/prevent-calculator
1- Rever Epidemiologia, Diagnóstico 
e Tratamento
Categorização de Risco
Calculadores de Risco não Validados para África
Particularidades na população Africana
Menor carga lipídica hepática
Menores níveis de TGs
Menor relação entre adiposidade e inflamação
Together4Health: Diabetes e Dislipidemia
François Mach et al. ESC/EAS Scientific Document Group, 2025 Focused Update of the 2019 ESC/EAS Guidelines for the management of dyslipidaemias:, European Heart Journal, 2025
2025
1- Rever Epidemiologia, Diagnóstico 
e Tratamento
Categorização de Risco
Calculadores de Risco não Validados para África
Particularidades na população Africana
Menor carga lipídica hepática
Menores níveis de TGs
Menor relação entre adiposidade e inflamação
Together4Health: Diabetes e Dislipidemia
François Mach et al. ESC/EAS Scientific Document Group, 2025 Focused Update of the 2019 ESC/EAS Guidelines for the management of dyslipidaemias:, European Heart Journal, 2025
2025
1- Rever Epidemiologia, Diagnóstico 
e Tratamento
Objectivos da intervenção
Tempo de exposição ao Factor de Risco
A DM2 como um equivalente de Evento CV
Atenção aos outro factores determinantes de Risco CV
Together4Health: Diabetes e Dislipidemia
François Mach et al. ESC/EAS Scientific Document Group, 2025 Focused Update of the 2019 ESC/EAS Guidelines for the management of dyslipidaemias:, European Heart Journal, 2025
2025
1- Rever Epidemiologia, Diagnóstico 
e Tratamento
Medidas Não Farmacológicas: Pilar do Tratamento
As modificações do estilo de vida constituem a base 
fundamental do tratamento da dislipidemia, 
devendo ser implementadas em todos os doentes 
independentemente da necessidade de terapêutica 
farmacológica.
Together4Health: Diabetes e Dislipidemia
Dieta Cardioprotetora
Adopção de padrão alimentar mais rico em
leguminosas com redução das gorduras saturadas
(• Rosuvastatina 5-40mg/dia
• Monitorização enzimas hepáticas
.
Fibratos: Triglicéridos Elevados
Particularmente eficazes na redução dos 
triglicéridos e elevação do HDL-colesterol. 
Indicados quando triglicéridos >200 mg/dL 
persistem após estatina.
• Fenofibrato 145-200 mg/dia
• Gemfibrozil 600 mg 2x/dia
• Cuidado com combinação estatina+fibrato
• Outros: Omega- 3, Eicosapente de etilo (EPA)
Terapêuticas Avançadas
Ezetimiba, Ácido Bempedóico e inibidores PCSK9 
para casos refratários ou intolerância às estatinas. 
Redução adicional de 15-20% no LDL.
Disponibilidade limitada em Moçambique, 
reservadas para casos selecionados.
• Ezetimiba 10 mg/dia
• Ác. Bempedóico 180mg/dia
• Evolocumab, alirocumab (quando disponíveis)
1- Rever Epidemiologia, Diagnóstico 
e Tratamento
Resultados espectáveis
Together4Health: Diabetes e Dislipidemia
François Mach et al. ESC/EAS Scientific Document Group, 2025 Focused Update of the 2019 ESC/EAS Guidelines for the management of dyslipidaemias:, European Heart Journal, 2025
Alta 
Intensidade ↓cLDL ≥ 50% Atorvastatina: 40 mg, 80 mg 
Rosuvastatina: 20 mg, 40 mg
2- Integrar Prevenção Cardiovascular
Abordagem multifatorial para redução do risco cardiovascular global
Associação à DM2
Estratégias Integradas 
Together4Health: Diabetes e Dislipidemia
Uma imagem com diagrama
Descrição gerada automaticamente
https://www.youtube.com/watch?v=e5eB03WCIHg
2- Integrar Prevenção Cardiovascular
Associação à DM2
A diabetes tipo 2 e a dislipidemia partilham mecanismos 
fisiopatológicos comuns, nomeadamente a resistência à 
insulina. Esta associação é particularmente frequente no 
contexto da síndrome metabólica.
Perfil Lipídico Diabético
• Triglicéridos elevados: Consequência da resistência à 
insulina
• HDL-colesterol baixo: Associado à hipertrigliceridemia
• LDL pequenas e densas: Mais aterogénicas que LDL 
normais
• Partículas remanescentes: Aumentam o risco 
aterogénico
Together4Health: Diabetes e Dislipidemia
Abordagem Multifatorial Necessária: O controlo isolado da glicemia é insuficiente para reduzir o risco cardiovascular em diabéticos 
cardiovascular em diabéticos dislipidémicos.
2- Integrar Prevenção Cardiovascular
Estratégias Integradas
A abordagem do doente diabético com dislipidemia 
requer estratégia multifatorial coordenada, integrando o 
controlo de múltiplos fatores de risco cardiovascular numa 
perspetiva holística.
Together4Health: Diabetes e Dislipidemia
Evidência: A abordagem multifatorial intensiva em diabéticos pode reduzir em 50% o risco de 
eventos cardiovasculares major comparativamente ao tratamento convencional.
Rastreio Lipídico Sistemático
Todo o doente diabético deve
ter avaliação lipídica no
diagnóstico e anualmente.
Considerar intervalos mais
frequentes se objetivos não
atingidos ou terapêutica
modificada.
Calculadoras de Risco CV
Utilizar ferramentas de 
estratificação de risco 
adaptadas à população africana 
quando disponíveis, ou 
algoritmos simplificados 
baseados em fatores de risco 
major.
Abordagem Multifatorial
Tratamento simultâneo de 
glicemia, lípidos, pressão 
arterial e cessação tabágica. 
Esta abordagem integrada 
maximiza a redução do risco 
cardiovascular.
Together4Health: Diabetes e Dislipidemia
2- Integrar Prevenção Cardiovascular
A Dislipidemia não é tudo… Risco Cardiovascular Global
Abordagem multifatorial para redução do risco cardiovascular global
Factores de Risco Não-Modificáveis
• Idade
• Sexo
• Genética / Hx familiar / Etnia
Factores de Risco Modificáveis Principais
• HTA
• Tabagismo
• Dislipidemia
• Hiperglicemia
Factores de Risco Ligados ao Estilo de Vida
• Obesidade
• Sedentarismo
• Dieta
Factores de Risco Emergentes
• Determinantes Socio-Económicos
• Stress crónico
• Depressão / Ansiedade
• SAOS
• Factores inflamatórios
• Poluição atmosférica
Together4Health: Diabetes e Dislipidemia
Neal Pohlman et al. Novel Cardiometabolic Medications in the Cardiovascular-Kidney-Metabolic Syndrome Era, The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, Vol110, Issue 8, 2025
Issue 8, 2025
2- Integrar Prevenção Cardiovascular
A Dislipidemia não é tudo… Risco Cardiovascular Global
Abordagem multifatorial para redução do risco cardiovascular global
Síndroma Cardio-vasculo-reno-metabólico
Estratégias integradas
Individuais
Populacionais
3- Adaptar ao Contexto Local
Estratégias e práticas adequadas à realidade dos cuidados 
de saúde em Moçambique
Desafios da Dislipidemia em Moçambique
Together4Health: Diabetes e Dislipidemia
Uma imagem com diagrama
Descrição gerada automaticamente
https://www.youtube.com/watch?v=e5eB03WCIHg
3- Adaptar ao Contexto Local
Desafios da Dislipidemia em Moçambique
Real prevalência populacional
Risco Individual versus Populacional
Abordagem Integrada
Disponibilidade de terapêuticas
Outros
Together4Health: Diabetes e Dislipidemia
3- Adaptar ao Contexto Local
Desafio – Infecção por VIH
Risco CV subestimado
Agravamento da Dislipidemia / Infecção / Tratamento
Interações medicamentosas
Metabolismo pelo Citocromo P450: A maioria das estatinas (e muitos fármacos da TARV) são metabolizados no fígado pelo 
Citocromo P450, especificamente a isoenzima CYP3A4.
Interações com Inibidores da Protease (IP) e Cobicistat: Estes fármacos são inibidores potentes do CYP3A4. Quando 
administrados com uma estatina que também usa esta via (como a Simvastatina ou a Lovastatina), a concentração da estatina 
no sangue pode aumentar drasticamente – Risco de miopatia e rabdomiólise.
Interações com o Efavirenz (ITRNN): O efavirenz é um indutor do CYP3A4, ou seja, acelera o metabolismo de algumas estatinas 
(como a Atorvastatina), podendo diminuir a sua eficácia.
Together4Health: Diabetes e Dislipidemia
François Mach et al. ESC/EAS Scientific Document Group, 2025 Focused Update of the 2019 ESC/EAS Guidelines for the management of dyslipidaemias:, European Heart Journal, 2025
3- Adaptar ao Contexto Local
Together4Health: Diabetes e Dislipidemia
Fármaco para Dislipidemia Considerações no VIH Recomendações de Segurança
Pravastatina, Rosuvastatina
São as estatinas PREFERIDAS. 
Metabolizadas por vias alternativas (não 
dependentes do CYP3A4), têm menor 
risco de interações.
Dose habitual ou com ajuste moderado. 
São a primeira linha de escolha.
Atorvastatina
Pode ser usada, mas sofre alguma 
interação com inibidores da protease e 
cobicistat.
Usar com a dose mais baixa possível (ex.: 
10-20 mg) e aumentar com cautela, 
monitorizando efeitos adversos.
Pitavastatina Excelente perfil, com mínimas interações 
medicamentosas.
Uma opção muito segura e eficaz, embora 
o custo possa ser uma limitação.
Simvastatina, Lovastatina
CONTRAINDICADAS com inibidores da 
protease, cobicistat e possivelmente com 
elvitegravir/cobicistat.
NUNCA devem ser usadas em doentes 
sob estes regimes.
Ezetimiba Não tem interações significativas.
Ótima opção em combinação com uma 
estatina quando o objetivo LDL não é 
alcançado.
Fibratos Úteis para hipertrigliceridemia.
Atenção ao risco aumentado de miopatia 
quando combinados com estatinas. 
Monitorizar função hepática.
Mensagens-Chave para a Prática Clínica em Moçambique
Together4Health: Diabetes e Dislipidemia
Together4Health:
DIABETES E DISFUNÇÃO SEXUAL
health4moz.com André C. Carvalho, MD PhD
Consultor em Endocrinologia. Serviço de Endocrinologia da Unidade Local de Saúde de Santo António, Porto, Portugal.
Professor Associado Convidado do Mestrado Integrado em Medicina. ICBAS-Universidade do Porto, Portugal
http://health4moz.com/
1- Reconhecer a prevalência e 
impacto
Identificar a alta prevalência da disfunção sexual em 
doentes diabéticos e compreender o seu impacto 
significativo na qualidade de vida
2- Compreender a fisiopatologia 
multifatorial
Identificar os mecanismos principais: vascular, 
neurológico, hormonal e psicológico
3- Conhecer opções de manejo inicial 
no Contexto Local
Estratégias práticas de diagnóstico e tratamento 
adequadas à realidade dos cuidados de saúde em 
Moçambique
Together4Health:Diabetes e Disfunção Sexual
Uma imagem com diagrama
Descrição gerada automaticamente
https://www.youtube.com/watch?v=e5eB03WCIHg
1- Reconhecer a prevalência e 
impacto
Epidemiologia
A prevalência final combinada de disfunção eréctil 
nos homens com DM foi de 71,5% (IC95% de 60,2–
82,7), manifestando-se de 10 a 15 anos antes do que 
em homens sem DM
A verdadeira prevalência na mulher com DM ainda é 
desconhecida, principalmente devido à dissonância 
em suas definições, diagnóstico e impacto clínico.
Complicação Sub-diagnosticada
A disfunção sexual é uma complicação neuro-vascular 
frequente da DM, mas dramaticamente 
subdiagnosticada.
Together4Health: Diabetes e Disfunção Sexual
Shiferaw WS, et al. Risk factors of erectile dysfunction among diabetes patients in Africa: A systematic review and meta-analysis. J Clin Transl Endocrinol. 2020 Jul 3;21:100232.
Mensagem-chave: A disfunção sexual não é uma consequência inevitável da diabetes - é uma 
complicação tratável que merece atenção médica adequada.
1- Reconhecer a prevalência e 
impacto
Relevância Clínica Fundamental
Impacto grave na qualidade de vida e autoestima
Deterioração das relações interpessoais
Marcador importante de doença vascular generalizada
Associação direta com doença cardiovascular
Frequentemente atribuída, de forma incorrecta, apenas à 
idade
Together4Health: Diabetes e Disfunção Sexual
1- Reconhecer a prevalência e 
impacto
Tipos de Disfunção Sexual associados à DM
Disfunção Eréctil
Perturbação do Desejo ou Interesse Sexual Hipoativo 
(diminuição da líbido)
Perturbação do Orgasmo (ejaculação retardada ou 
ausente)
Perturbação do Desejo ou Interesse Sexual Hipoativo 
(diminuição da líbido)
Perturbação do Orgasmo (dificuldade/ausência 
orgásmica )
Perturbação de Dor Genito-Pélvica/Penetração 
(dispareunia)
Together4Health: Diabetes e Disfunção Sexual
Sexual Function and Dysfunction Shalender Bhasin; Susan R. Davis Williams Textbook of Endocrinology, 18, 751-783.e13
2- Compreender a fisiopatologia 
multifatorial
Fisiopatologia: Visão Integrada
A disfunção sexual na DM resulta de uma interação 
complexa entre múltiplos mecanismos fisiopatológicos. A 
hiperglicemia crónica funciona como o factor 
desencadeante inicial, mas a progressão da disfunção 
depende da contribuição relativa de cada via patológica.
É fundamental compreender que raramente existe um 
único mecanismo isolado - a abordagem terapêutica 
deve considerar esta natureza multifatorial para obter 
sucesso clínico
Together4Health: Diabetes e Disfunção Sexual
2- Compreender a fisiopatologia 
multifatorial
Fisiopatologia: Visão Integrada
Disfunção Endotelial e Doença Vascular
A hiperglicemia crónica provoca disfunção endotelial 
generalizada, comprometendo a produção e 
biodisponibilidade do óxido nítrico (NO), essencial para a 
vasodilatação adequada.
Microangiopatia
Afecta directamente a perfusão dos tecidos eréteis nos 
corpos cavernosos e na região clitoridiana, 
comprometendo a resposta sexual normal.
Macroangiopatia
A doença arterial periférica reduz o fluxo sanguíneo para 
os órgãos genitais, exacerbando a disfunção sexual e 
servindo como marcador de risco cardiovascular elevado.
Together4Health: Diabetes e Disfunção Sexual
Sexual Function and Dysfunction Shalender Bhasin; Susan R. Davis Williams Textbook of Endocrinology, 18, 751-783.e13
2- Compreender a fisiopatologia 
multifatorial
Fisiopatologia: Visão Integrada
Neuropatia Autonómica
A neuropatia autonómica desenvolve-se gradualmente e 
correlaciona-se com a duração e controlo da DM. 
Compromisso da Inervação
A neuropatia autonómica afecta os nervos que controlam 
a função sexual, alterando a transmissão de impulsos 
nervosos essenciais
Impacto nos Homens
Prejuízo da vasodilatação arterial e do relaxamento do 
músculo liso cavernoso, comprometendo a ereção
Impacto nas Mulheres
Compromete a lubrificação vaginal natural e a congestão 
clitoridiana durante a excitação
Together4Health: Diabetes e Disfunção Sexual
Sexual Function and Dysfunction Shalender Bhasin; Susan R. Davis Williams Textbook of Endocrinology, 18, 751-783.e13
2- Compreender a fisiopatologia 
multifatorial
Fisiopatologia: Visão Integrada
Alterações Hormonais
A avaliação hormonal deve ser considerada em casos de 
disfunção sexual significativa, especialmente quando há 
sintomas sugestivos de défice hormonal. A correcção de 
défices hormonais documentados pode melhorar 
consideravelmente a função sexual.
Homens
DM está associada a uma maior prevalência de 
hipogonadismo, tanto de origem central como periférica.
Mulheres
As alterações hormonais em mulheres diabéticas são 
complexas e multifactoriais.
Together4Health: Diabetes e Disfunção Sexual
Sexual Function and Dysfunction Shalender Bhasin; Susan R. Davis Williams Textbook of Endocrinology, 18, 751-783.e13
2- Compreender a fisiopatologia 
multifatorial
Fisiopatologia: Visão Integrada
Factores Psicogénicos e Relacionais
Os factores psicológicos frequentemente amplificam os 
problemas físicos, criando um ciclo de disfunção que 
requer abordagem holística. O apoio psicológico e a 
educação do doente são componentes essenciais do 
tratamento.
Ansiedade de Desempenho
Impacto do Diagnóstico
Depressão
Conflitos Relacionais
3- Conhecer opções de manejo 
inicial no Contexto Local
Abordagem ao Homem – Anamnese
Pergunta direta: "Tem tido dificuldade em atingir ou 
manter uma ereção suficiente para uma relação sexual?“
Ferramenta Rápida - Questionário IIEF-5 (opcional)
Avaliar líbido, fatores de risco CV, álcool e medicamentos
Together4Health: Diabetes e Disfunção Sexual
Medicamentos a Considerar:• Anti-hipertensores (especialmente betabloqueadores)• Antidepressivos• Diuréticos• 
Antihistamínicos
Sexual Function and Dysfunction Shalender Bhasin; Susan R. Davis Williams Textbook of Endocrinology, 18, 751-783.e13
3- Conhecer opções de manejo 
inicial no Contexto Local
Abordagem à Mulher – Anamnese
Perguntas-chave: "Tem falta de desejo? Secura vaginal? 
Dor?"
Normalizar a conversa: "É uma queixa muito comum."
Padrão menstrual e menopausa
História obstétrica
Cirurgias ginecológicas prévias
Uso de contracepção hormonal
Sintomas depressivos ou ansiosos
Together4Health: Diabetes e Disfunção Sexual
Sexual Function and Dysfunction Shalender Bhasin; Susan R. Davis Williams Textbook of Endocrinology, 18, 751-783.e13
3- Conhecer opções de manejo 
inicial no Contexto Local
Exame Objectivo Focado
Avaliação Cardiovascular
Pressão arterial em ambos os membros superiores
Palpação de pulsos periféricos (pediosos, tibiais)
Auscultação de sopros vasculares
Avaliação Neurológica
Sensibilidade tátil periférica (monofilamento)
Reflexos aquilianos
Sensibilidade vibratória periférica
Avaliação da neuropatia autonómica
Together4Health: Diabetes e Disfunção Sexual
Sexual Function and Dysfunction Shalender Bhasin; Susan R. Davis Williams Textbook of Endocrinology, 18, 751-783.e13
Avaliação Hormonal (Homens)
Desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários
Volume testicular
Distribuição pilosa
Ginecomastia
Considerações para Mulheres
Encorajar rastreio ginecológico regular
Avaliação de sinais de atrofia vulvovaginal
Sinais de défice estrogénico
Exame mamário se indicado
3- Conhecer opções de manejo 
inicial no Contexto Local
Investigação Laboratorial no Contexto Moçambicano
Investigações Obrigatórias
HbA1c - Avaliação do controlo glicémico nos últimos 2-3 
meses
Perfil Lipídico - Colesterol total, cHDL, cLDL e triglicéridos
Creatinina e função renal
Investigações mais Específicas
Para Homens: Testosterona total (colhida de manhã, 
entre 8-10h). Se alterada, considerar LH e FSH.
Para Mulheres: Perfil E2/LH-FSH se indicado clinicamente 
(suspeita de menopausa precoce ou alterações 
hormonais significativas).
Se Suspeita Clínica
Função tiroideia (TSH, T4 livre)
Prolactina
Together4Health: Diabetes e Disfunção Sexual
Sexual Function and Dysfunction Shalender Bhasin; Susan R. Davis Williams Textbook of Endocrinology, 18, 751-783.e13
3-Conhecer opções de manejo 
inicial no Contexto Local
Diagnóstico Diferencial
Não assumir que é sempre da diabetes!
Uma anamnese cuidadosa e investigação dirigida são 
essenciais para identificar causas potencialmente 
reversíveis que podem coexistir com a diabetes.
Medicamentos: Anti-hipertensores (especialmente 
betabloqueadores), antidepressivos, antihistamínicos, 
diuréticos e outros fármacos podem causar disfunção 
sexual independentemente da diabetes.
Doenças Endócrinas: Disfunção tiroideia, 
hiperprolactinemia, deficiência de hormona do 
crescimento, e outras endocrinopatias podem mimetizar 
ou exacerbar a disfunção sexual diabética.
Together4Health: Diabetes e Disfunção Sexual
Sexual Function and Dysfunction Shalender Bhasin; Susan R. Davis Williams Textbook of Endocrinology, 18, 751-783.e13
3- Conhecer opções de manejo 
inicial no Contexto Local
Diagnóstico Diferencial
Não assumir que é sempre da diabetes!
Uma anamnese cuidadosa e investigação dirigida são 
essenciais para identificar causas potencialmente 
reversíveis que podem coexistir com a diabetes.
Doença Cardiovascular Primária: Aterosclerose 
generalizada, insuficiência cardíaca, ou outras condições 
cardiovasculares podem ser a causa principal, não 
apenas uma comorbilidade..
Causas Psicológicas Primárias: Depressão major, 
transtornos de ansiedade, problemas relacionais, ou 
trauma podem ser os factores predominantes, 
especialmente em doentes mais jovens.
3- Conhecer opções de manejo 
inicial no Contexto Local
Pilares do Tratamento
Controlo Glicémico Ótimo
Estudos demonstram consistentemente que a melhoria 
do controlo glicémico pode prevenir, retardar a 
progressão, ou mesmo reverter parcialmente a disfunção 
sexual em doentes diabéticos.
Percentagem de melhoria na função sexual com controlo 
adequado ~30%
Manejo de Fatores de Risco CV (HTA, dislipidemia, 
tabagismo).
Controlo da Hipertensão Arterial - Metade 11,5–
13,4).
Dupla DM-VIH
Aumento explosivo da prevalência de diabetes .
A coexistência das duas condições não é acidental. 
Indivíduos com VIH têm um risco 1,5 a 4 vezes maior de 
desenvolver DM.
Together4Health: Diabetes e Infecção VIH
Alerta: Implica um duplo fardo nos Sistemas de Saúde. O manejo requer uma abordagem especializada. Mas também
pode ser uma oportunidade para agregar cuidados!
O Inquérito Nacional sobre o Impacto do HIV e SIDA em Moçambique - (INSIDA 2021)
1- Rever Epidemiologia e
Fisiopatologia da dupla DM-VIH
A associação entre VIH e DM resulta de múltiplos fatores interligados que redefinem o perfil de risco metabólico dos nossos 
doentes.
Together4Health: Diabetes e Infecção VIH
1- Rever Epidemiologia e
Fisiopatologia da dupla DM-VIH
A patogénese da diabetes no contexto do VIH 
envolve uma complexa rede de mecanismos 
fisiopatológicos que se reforçam mutuamente.
O principal “culpado” ainda é o esquema TARV
Síndrome Lipodistrófica
Together4Health: Diabetes e Infecção VIH
Noubissi EC, Katte JC, Sobngwi E. Diabetes and HIV. Curr Diab Rep. 2018 Oct 8;18(11):125. doi: 10.1007/s11892-018-1076-3. PMID: 30294763.
2- Factores de Risco, Rastreio e 
Diagnóstico
Fatores relacionados com o VIH:
 * TARV (esquemas específicos)
 Regimes contendo Inibidores da Protease ou ITRN 
mais antigos
 * Duração da infeção por VIH
 * Baixa contagem de CD4 nadir
 * Idade avançada
 * Lipodistrofia
Fatores Tradicionais (também aplicáveis):
 * História familiar de DM, obesidade (especialmente 
abdominal), sedentarismo, dieta.
Together4Health: Diabetes e Infecção VIH
Noubissi EC, Katte JC, Sobngwi E. Diabetes and HIV. Curr Diab Rep. 2018 Oct 8;18(11):125. doi: 10.1007/s11892-018-1076-3. PMID: 30294763.
2- Factores de Risco, Rastreio e 
Diagnóstico
Together4Health: Diabetes e Infecção VIH
Classe/Medicamento Risco de Dislipidemia Risco de Resistência à 
Insulina/Diabetes Risco de Lipodistrofia Observações
INSTIs (Dolutegravir, 
etc.) Baixo Baixo Baixo
Base preferencial 
atual. Perfil metabólico 
favorável.
ITRNs Modernos (TAF, 
Abacavir) Baixo a Moderado Baixo Baixo
TAF pode elevar 
ligeiramente os lípidos. 
Abacavir com debate 
sobre risco 
cardiovascular.
IPs (Darunavir, 
Lopinavir, etc.) Alto Alto Alto
Associados ao 
síndrome metabólico. 
Usados quando outras 
opções falham.
ITRNs Antigos (AZT) Alto Moderado Alto
Raramente usados 
hoje em dia devido ao 
perfil de efeitos 
secundários.
INSTIs - Inibidores da Transferência de Cadeia de Integrase; ITRNs - Inibidores da Transcriptase Reversa Análogos de Nucleósidos/Nucleótidos; IPs –inibidores da 
Protease
Protease
2- Factores de Risco, Rastreio e 
Diagnóstico
Quem Rastrear?
Todos os pacientes com VIH no diagnóstico e anualmente.
 * Mais frequente se: obesidade, história familiar, uso de ARV 
diabetogénicos.
Uma oportunidade! 
Muitas vezes existe uma maior consciência sobre os riscos e 
necessidade de tratamento para a infecção VIH do que para a DM
Critérios Diagnósticos (segundo OMS/ADA):
 * Glicémia em jejum ≥ 126 mg/dL (7.0 mmol/L)
 * HbA1c ≥ 6.5% (Nota importante sobre limitações da HbA1c)
 * Glicémia casual ≥ 200 mg/dL (11.1 mmol/L) + sintomas
 * PTOG 2h ≥ 200 mg/dL (11.1 mmol/L)
Together4Health: Diabetes e Infecção VIH
3- Estratégias de Manejo Integrado 
destes casos
Intervenções no
Estilo de Vida
A Base do Sucesso
Together4Health: Diabetes e Infecção VIH
3- Estratégias de Manejo Integrado 
destes casos
Terapia Antidiabética de Primeira Linha
Metformina:
A metformina mantém-se como a pedra angular do tratamento 
da diabetes tipo 2 em doentes com VIH, oferecendo múltiplas 
vantagens no contexto moçambicano.
Eficácia comprovada : Redução da glicémia e HbA1c (média de 
1,5-2,0%)
Perfil de peso favorável: Promove perda de peso ou neutralidade 
ponderal
Segurança farmacológica: Poucas interações com ARV
Custo acessível: Disponível no formulário nacional
 
Together4Health: Diabetes e Infecção VIH
Precaução: Monitorizar função renal reg ularm ente. C ontraind icad a em insuficiência renal (TFG3- Estratégias de Manejo Integrado
destes casos
Interações Farmacológicas Críticas
O conhecimento das interações entre antirretrovirais e antidiabéticos é fundamental para a prescrição segura e 
eficaz. Estas interações podem alterar significativamente a eficácia e segurança dos tratamentos.
Together4Health: Diabetes e Infecção VIH
3- Estratégias de Manejo Integrado 
destes casos
Manejo dos Fatores de Risco Cardiometabólico
O controlo abrangente dos fatores de risco cardiovascular é 
crucial, dado que pacientes com VIH e DM apresentam risco 
cardiovascular significativamente elevado.
Controlo da HTA
Objetivo:

Mais conteúdos dessa disciplina