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Lei de Diretrizes e Bases da educação
brasileira
Apresentação das diferentes Constituições brasileiras e suas formas de abordagem da Educação ao longo da
história, destacando a Constituição Cidadã de 1988 e a Lei 9394/96 (LDB), que estabelece os princípios, as
normas e as recomendações para a estrutura e o funcionamento da educação nacional.
Prof.ª Inês Barbosa de Oliveira
1. Itens iniciais
Propósito
Reconhecer a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e suas normas e recomendações a respeito dos
níveis e modalidades de ensino, compreendendo sua importância para a educação nacional e seu papel
estruturante e organizador no Sistema Nacional de Educação com base nos princípios emanados da
Constituição Federal.
Preparação
Antes de iniciar o conteúdo deste estudo, tenha em mãos um exemplar (físico ou digital) da Constituição Federal
de 1988 e do texto da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9394/96), devidamente atualizados.
Objetivos
Analisar as Constituições brasileiras, com destaque para a de 1988, e suas relações com a Educação.
Identificar os princípios da Educação, seus níveis e suas modalidades na LDB (Lei 9394/96).
Reconhecer, na LDB, os temas mais relevantes do cenário educacional brasileiro historicamente.
Introdução
É correto afirmar que o tema Educação está presente em todas as Constituições brasileiras apresentadas a
seguir. A cada uma dessas Constituições correspondeu uma perspectiva diferente de percepção e de
abordagem da Educação, situadas não só localmente no cenário nacional como também na sociedade em cada
período histórico. 
Para tratarmos da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), precisamos recuar às Constituições, às
perspectivas políticas mais ou menos democráticas que a inspiraram e a como isso foi feito, tanto por questões
políticas locais quanto por compreensões sociais mais amplas do papel da Educação no desenvolvimento da
nação e de seus sujeitos. 
Assim sendo, trabalharemos o tema da atual LDB e dos princípios e normas que a integram a partir das
concepções de nação e de Educação que habitaram nossas leis maiores desde a Independência. 
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1. As Constituições Brasileiras e a educação
As Constituições brasileiras e a Educação
Neste vídeo vamos conversar sobre as constituições brasileiras e como elas trataram da Educação ao longo do
tempo.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Apresentação das Constituições
Historicamente, o país contou com sete Constituições, a saber: 1824, 1891, 1934, 1937, 1946, 1967 e 1988. A
primeira Constituição brasileira, chamada de Constituição Política do Império do Brasil, foi outorgada em 1824
por D. Pedro I e vigorou por 65 anos. Já a atual Constituição da República Federativa do Brasil foi promulgada em
5 de outubro de 1988 pela Assembleia Nacional Constituinte. É considerada uma das mais modernas, complexas
e extensas do mundo.
Alguns historiadores consideram a Emenda n. 1 à Constituição Federal de 1967 como a Constituição de 1969,
outorgada pela Junta Militar. “Outorgada” é o termo utilizado para caracterizar as Constituições impostas de
maneira unilateral pelo agente revolucionário (grupo ou governante) que não recebeu do povo a legitimidade
para em nome dele atuar. No Brasil, as Constituições outorgadas foram a de 1824, do Império, a de 1937, na era
Vargas, e a de 1967, na época da ditadura militar. Uma Constituição promulgada, também chamada de
democrática, votada ou popular, é fruto do trabalho de uma Assembleia Nacional Constituinte eleita diretamente
pelo povo para atuar em nome dele, nascendo, portanto, da deliberação e da representação legítima popular. 
A Educação nas Constituições
A Constituição do Império (1824)
Juramento de Sua Majestade o
Imperador D. Pedro I à Constituição do
Império
Outorgada por D.
Pedro I, sem qualquer
participação da
nação, era curta e
dedicava somente um
artigo e dois incisos
para a Educação,
conforme reproduzido
a seguir:
 Art. 179. A inviolabilidade
dos Direitos Civis, e
Políticos dos Cidadãos
Brasileiros, que tem por base
a liberdade, a segurança
individual, e a propriedade, é
garantida pela Constituição
do Império, pela maneira
seguinte:
 XXXII. A
Instrução
primária,
e gratuita
a todos
os
Cidadãos.
 XXXIII.
Colégios, e
Universidades,
aonde serão
ensinados os
elementos das
ciências,
Belas Letras, e
Artes.
Constituição Republicana do Brasil (1891)
A escravidão, nesse
período, era comum no
país, sendo a noção de
cidadania ainda muito
restrita; portanto, quando
a Constituição estabelecia
“para todos os cidadãos”,
tratava-se de um grupo
muito limitado de pessoas,
com inúmeras exclusões.
 Logo após a
Proclamação da
República, em 15 de
novembro de 1889, foi
criada a primeira 
Constituição
Republicana do Brasil,
em 1891, elaborada por
Rui Barbosa
(1849-1923) e com a
participação do
Congresso Constituinte.
 Essa Constituição
trouxe uma
abordagem indireta
da Educação,
especificamente no
título IV, referente
aos cidadãos
brasileiros, e inserida
na Seção II, que
dispõe sobre as
declarações de
direitos.
Juramento da Constituição, c. 1891.
Promulgada a 1ª Constituição
Republicana, assumem o poder os
marechais Manuel Deodoro da Fonseca
(1827-1892) e Floriano Peixoto
(1839-1895).
Saiba mais
Constituição Republicana do Brasil Art 72. A Constituição assegura a brasileiros e a estrangeiros
residentes no País a inviolabilidade dos direitos concernentes à liberdade, à segurança individual e à
propriedade, nos termos seguintes: (...) § 6º Será leigo o ensino ministrado nos estabelecimentos públicos. 
O art. 72, § 6º dessa Carta consagrou o princípio da liberdade e da laicidade do ensino ministrado nos
estabelecimentos públicos, mas, em contrapartida, não abordou a questão da gratuidade destes. Sob o influxo
da Revolução de 1930, a Constituição promulgada em 16 de julho de 1934 representou um processo de
modernização do Estado, trazendo, pela primeira vez, o conceito de educação como um direito de todos,
cabendo sua responsabilidade às famílias e aos poderes públicos. Além disso, manteve a gratuidade do ensino
primário, propondo sua extensão a outros níveis de ensino.
Constituição de 1937
Capa da Constituição da República dos
Estados Unidos do Brasil, de 1937
Foi a segunda Carta brasileira outorgada, nesse
caso, pelo Estado Novo, em decorrência das
condições políticas e ideológicas observadas no
período, tanto interna quanto externamente.
Houve uma mudança clara a respeito de a quem
competia a responsabilidade da educação,
cabendo à família o ônus maior.
 Observa-se que o art.
130 manteve o ensino
primário como
obrigatório e gratuito,
porém com uma
responsabilidade
subsidiária do Estado.
Saiba mais
Art 130.  O ensino primário é obrigatório e gratuito. A gratuidade, porém, não exclui o dever de solidariedade
dos menos para com os mais necessitados; assim, por ocasião da matrícula, será exigida aos que não
alegarem, ou notoriamente não puderem alegar escassez de recursos, uma contribuição módica e mensal
para a caixa escolar. 
Constituição Federal de 1946
Promulgada em 18 de setembro de 1946, manteve o nome de Estados Unidos do Brasil, com regime
representativo, a Federação e a República, e o princípio de que “todo poder emana do povo e em seu nome será
exercido”.
Depois do ato repressor, passou-se a pregar a liberdade com o objetivo de permitir uma maior participação
popular na vida social e econômica do país. A educação passou a ser vista como um direito público subjetivo,
cabendo também à família o dever de educar seus filhos. Contudo, no que se refere ao direito à educação (art.
166), as ideias contidas nessa Constituição assemelham-se às da Carta de 1934.
Art. 166
Contudo, no que se refere ao direito à educação (art. 166), as ideias contidas nessa Constituição
assemelham-se às da Carta de 1934.
Assembleia Constituinte de 1946
Os incisos I e II do art.168 do capítulo II definem a obrigatoriedade e a gratuidade ao ensino primário oficial, no
entanto, reforça a subsidiariedade do Estado no provimento–, mas também utilizou a
rede privada para a criação de programas como
o PRONATEC, entendendo a dificuldade de
promover o número de formações necessárias.
 Não viveu o dualismo de
separar os estudantes
entre profissionais e
intelectuais, mas
manteve a contradição
em relação a
investimento público em
espaços privados.
Luís Inácio Lula da Silva
A reforma do ensino médio
Dilma Rousseff
Sem ter logrado grande sucesso, já que o ensino médio continuou sendo
um problema relevante na educação brasileira, por diferentes motivos e
dificuldades de constituição de uma identidade formadora, voltada pra
terminalidade ou para a continuidade dos estudos, em 2017 – após
discussão feita ao longo do governo Dilma Rousseff (2011-2016) – foi
aprovada uma ampla reforma do ensino médio, promovendo muitas
mudanças na LDB, expressa em detalhes na Lei n. 13.415/2017.
O governo Michel Temer e suas alterações
Em 2018, a LDB foi alterada pelo presidente Michel Temer, que, com a
Lei n. 13.632, apresentou a ideia de Educação ao longo da vida e a
educação especial ofertada ainda na educação infantil.
Michel Temer
As atualizações de 2019
Em 2019, o presidente Jair Messias Bolsonaro alterou a LDB sancionando quatro leis que versam sobre:
A escusa de consciência, prestações alternativas à aplicação de provas e à frequência a aulas realizadas em dia
de guarda religiosa com a Lei n. 13.796, de 3 de janeiro de 2019;
Jair Messias Bolsonaro
A notificação obrigatória de
faltas escolares ao Conselho
Tutelar quando superiores a
30% (trinta por cento) do
percentual permitido com
a Lei n. 13.803, de 10 de
janeiro de 2019;
 A divulgação do
resultado de processo
seletivo de acesso a
cursos superiores de
graduação com a Lei
n. 13.826, de 13 de
maio de 2019;
 A inclusão de
disposições
relativas às
universidades
comunitárias com
a Lei n. 13.868, de
3 de setembro de
2019.
A reforma do ensino médio recriou o dualismo no nosso sistema educacional de uma forma particularmente
perversa ao preconizar a formação de nível médio por meio de itinerários formativos que subtraíam dos currículos
obrigatórios um sem número de conhecimentos necessários ao ingresso no ensino superior. Definia-se a
profissionalização como um desses itinerários, a serem supostamente escolhidos pelos alunos, mas definidos
pelos sistemas de ensino de acordo com as suas possibilidades de oferta, levando o estudante, com apenas 15
anos de idade, a escolher se estudaria ciências exatas, humanas, ou naturais.
Saiba mais
Não deixe de conferir as leis n. 13.415/2017, n. 13.632/2018, n. 13.796/2019, n. 13.803/2019, n.
13.826/2019, n. 13.868/2019 indicadas no Explore Mais ao final deste estudo. 
Aspectos da inclusão na LDB
Ainda é necessário citar, no que se refere a esse dualismo na educação brasileira, o problema que envolve a
educação de jovens e adultos e a educação inclusiva.
Essas duas modalidades vêm buscando assegurar o direito à educação
plena aos seus alunos, lutando desde tempos imemoriais para garantir
àqueles que precisam frequentá-las o direito de acesso e de
permanência no sistema de ensino com o devido alcance aos
conhecimentos aos quais têm direito.
Seja para o prosseguimento dos estudos ou para uma formação mais completa, o direito de aprender dentro dos
seus ritmos e das suas possibilidades não vem sendo respeitado, já que, com frequência, não lhes são oferecidas
as condições mínimas para seguir. Nesses casos, não se trata mais de mero dualismo, mas de um processo de
reprodução ad infinitum de uma exclusão vivida, no caso da EJA, pelo não acesso ou não respeito aos ritmos de
aprendizagem dos estudantes que a procuram e dela necessitam, e no caso da educação inclusiva, pela
exclusão social de deficientes, independentemente das suas possibilidades, capacidades e necessidades de
aprendizagem. 
Nem a LDB, nem a legislação complementar têm sido capazes de superar esses problemas, incrustados em
nossa sociedade e, por isso, difíceis de enfrentar.
Durante este estudo, vimos muitos pontos relevantes: 
Ensino Religioso
Vimos que a sociedade brasileira é marcada pela influência da Igreja no Estado e, portanto, no sistema
educacional. Assim, vivenciam-se no país dificuldades e problemas na implantação de uma educação
laica, apesar de ela estar prevista na Constituição e na própria LDB. Um dos problemas enfrentados
atualmente em relação ao tema é o da crescente influência de religiões conservadoras e excludentes
no país, as quais vêm conseguindo impor seus valores e mesmo suas práticas de oração ao sistema
educacional. Com isso, imensas camadas sociais praticantes de outras religiões, desqualificadas,
desvalorizadas e mesmo não reconhecidas como legítimas, ou ainda famílias que optam por não
oferecer aos seus membros educação vinculada a qualquer tipo de religiosidade, são desrespeitadas
nos seus direitos à educação laica, pública e gratuita de qualidade.
Fianciamento da Educação
Vimos, também, o embate que envolve a problemática do financiamento da Educação e mais uma vez
percebemos a impossibilidade do Estado brasileiro de assumir em sua plenitude a sua obrigação de
oferecer educação pública para todos, financiando o sistema público sem privilegiar segmentos sociais
mais abastados ou mesmo investidores em Educação que buscam, muitas vezes de forma velada,
valorizar o seu capital e gerar lucro por meio de oferta educacional. Mesmo nos casos de filantropia, são
pontos de vista parciais e situados em interesses de determinados grupos sociais, resultando no
recebimento de verbas que deviam ser destinadas às escolas as quais buscam o interesse público mais
amplo, como é o caso da escola pública.
Educação para todos
Ainda vimos o polêmico tema da Educação para todos, do direito de todos à Educação e à
aprendizagem foi discutido na última parte deste estudo quando tratamos do dualismo existente, desde
o Império, na oferta da educação brasileira para ricos e pobres.
Polêmicas e dualidades nas políticas educacionais brasileiras
Neste vídeo, as especialistas respondem a perguntas sobre polêmicas e dualidades da educação brasileira:
ensino religioso, financiamento da educação pública e privada e propostas curriculares.
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Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
Reconhecendo a LDB como um instrumento de política pública
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O papel do Estado e da família na educação nacional e a legislação
pertinente
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Como podemos analisar o embate entre público e privado existente no quesito financiamento da Educação em
relação às dificuldades que o Estado brasileiro enfrenta no cumprimento de seu dever de assegurar a
universalização do acesso à educação pública, gratuita e de qualidade?
A
O uso de verbas públicas para instituições privadas, mesmo limitado a instituições sem fins lucrativos,
compromete o financiamento da educação pública e a necessária ampliação da oferta até que se possa ter
100% das crianças e adolescentes do país em escolas.
B
A coexistência de instituições públicas e privadas, que contribui para assegurar a pluralidade pedagógica e
amplia o direito de escolha das famílias, não pode servir de argumento para a precarização ou redução da
oferta da educação pública e gratuita de qualidade.
C
A escola pública é para todos e sua complementação por oferta de educação privada deve ser tão somente
uma opção para os que a desejam. Assim, o uso de verbas públicas para a educação privada só deveria ser
considerado depois que o Estado tiver assegurado, em todos os níveis e modalidades, o acesso de todos à
educação pública e gratuita de qualidade, conforme preconizado na Constituição e na LDB.
D
Do ponto de vista da política pública, o uso de verbas da Educação para a iniciativa privada é o Estado
terceirizar suas obrigações, passando-a a instituiçõesprivadas, oferecendo vagas que as instituições
públicas não conseguiriam.
E
A escola pública visa a complementação da oferta da educação privada. Neste sentido, a modalidade
principal de educação é a privada. Assim, o uso de verbas públicas é diminuído em todos os níveis e
modalidades.
A alternativa D está correta.
A possibilidade de o Estado intervir financeiramente nas instituições educacionais, enquanto as instituições
públicas apresentam dificuldades de manutenção, ao mesmo tempo que visa à ampliação do número de
vagas e ao controle de custos dessas instituições, enfraquece a possibilidade de investimento em instituições
públicas, as quais indicam não ter mais vagas por sucateamento.
Questão 2
São questões importantes, mas consideradas controversas na LDB 1996, as temáticas a seguir:
 
I. A isonomia, em uma proposta de educação igualitária e que permita a todos os que estejam em uma escola ter
o mesmo nível de informação e profundidade.
 
II. A gratuidade, uma vez que todos os cidadãos brasileiros têm direito à educação básica de forma gratuita e
universal, ainda que por opção o aluno possa seguir por instituição privada de ensino.
 
III. O ensino religioso previsto na LDB é uma questão complicada, pois ela se afirma laica como princípio
fundamental para a Educação, logo, seria possível debater teologia, e não religião.
 
IV. A questão do financiamento da educação pública, que permite parcerias com o setor privado, mas isso é visto
como uma contradição pela adoção de gastos públicos na manutenção de setores privados.
 
Estão corretas as afirmativas:
A I e II.
B I e III.
C III e IV.
D II e IV.
E I e III
A alternativa D está correta.
As questões de isonomia não se referem à ideia de um padrão máximo de conteúdo; o máximo são parâmetros
e bases para que as autonomias locais se manifestem. O ensino religioso é polêmico, mas a questão não é
curricular, é de princípio – laicidade ou não como fundamento.
4. Conclusão
Considerações finais
O estudo da LDB nos levou a inserir a legislação educacional nos diferentes contextos sociais e políticos em que
ela se inscreve e nos modos de expressão legal que, em cada momento, tocou o tema da Educação. Assim,
estudamos as Constituições nacionais, outorgadas nos momentos de caracterização autoritária dos governos, e
promulgadas quando gestadas por meio de processos mais democráticos. Buscamos elencar os modos como
encararam a questão da Educação e o espaço a ela dedicado, percebendo variações, ênfases e compreensões
distintas do fenômeno.
Um exame da LDB vigente foi apresentado e, posteriormente, um estudo mais detalhado dos principais aspectos
dessa lei, em seus princípios, finalidades e propostas mais relevantes. Neste estudo, tratamos de analisar a LDB
em sua relação com a Constituição para, posteriormente, nos dedicarmos a um estudo dos princípios e daquilo
que significam em termos de garantias legais e de tendências educacionais, assegurando a pluralidade de
ideias, de conteúdos e de métodos pedagógicos, respeito aos conhecimentos de alunos e de professores bem
como valorizando a carreira docente.
Quanto aos modos de organização do sistema educacional, pudemos ver como a articulação entre os níveis e as
modalidades de ensino previstos buscam cobrir diferentes necessidades, interesses e possibilidades de variados
grupos sociais do país, procurando viabilizar a inclusão de todos para uma efetiva universalização do exercício
do direito à Educação pelo conjunto de membros da sociedade brasileira.
A terceira parte deste estudo procurou mostrar a importância e a complexidade dos assuntos aos quais ele se
dedica, a relevância social dos debates que os envolvem e, portanto, a urgência desse mergulho mais profundo
nas discussões nele elencadas. O que precisamos guardar e aprender com este tema é a necessidade de
compreensão da complexidade social de um país de dimensões continentais, como é o Brasil, com tantas
diferenças sociais, culturais e políticas, as quais reverberam no sistema educacional.
Podcast
Para encerrar, ouça as pontuações sobre as mudanças históricas nas Constituições e como elas
influenciaram as políticas educacionais.
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Explore +
Para aprofundar seus conhecimentos neste tema, sugerimos as seguintes leituras:
 
Plano Nacional de Educação – Lei n. 13.005/2014;
 
LDB: o processo de tramitação, publicado no periódico Educação em Revista, n. 11, Curitiba, jan./dez,
1995.
 
A Lei da Educação – LDB: trajetória, limites e perspectivas, de Demerval Saviani, Campinas: Autores
Associados, 2008.
 
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O vigésimo ano da LDB – As 39 leis que a modificaram, de Demerval Saviani, publicado na Revista
Retratos da Escola, Brasília, v. 10, n. 19, p. 379-392, jul./dez. 2016.
 
Laicidade, ensino religioso e religiosidade na escola pública brasileira: questionamentos e reflexões, de
Gabriela Valente, publicado em Pro-Posições, v. 29, n. 1, Campinas, jan./abr. 2018.
 
Sobre financiamento, além dos documentos citados sobre FUNDEF e FUNDEB, recomendamos a leitura
de textos produzidos por especialistas do campo, notadamente os professores Nicholas Davies e José
Marcelino de Rezende Pinto, disponíveis online. Buscando pelos seus nomes, artigos que sejam de seu
interesse podem ser acessados.
 
Nos sites de entidades de educadores, como a Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em
Educação (ANPEd), a Associação Nacional pela Formação dos Profissionais da Educação (ANFOPE) e a
Academia Brasileira de Direito Civil (ABDC), há documentos produzidos em torno das relações entre a
LDB e alguns de seus temas principais, tocando, inclusive, no problema da formação e da valorização
docente e da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) dos ensinos fundamental e médio.
 
Contra a lei, ensino religioso é obrigatório em 49% de escolas públicas, de Fábio Campana.
 
Consulte também as leis que alteraram a LDB:
 
Lei n. 13.415, de 16 de fevereiro de 2017.
Lei n. 13.632 de 06 de março de 2018.
Lei n. 13.796, de 3 de janeiro de 2019.
Lei n. 13.803, de 10 de janeiro de 2019.
Lei n. 13.826, de 13 de maio de 2019.
Lei n. 13.868, de 3 de setembro de 2019.
Referências
ALMEIDA, W. R. A. Educação jesuítica no Brasil e o seu legado para a educação da atualidade. In: Revista
Griphos, n. 36/37, 2014, p. 117-126.
 
ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO. Nota do GT 5 sobre o
financiamento da Educação. ANPEd. Consultado na Internet em: 24 maio 2020.
 
AZEVEDO, F. et al. Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova (1932). In: Revista HISTEDBR Online, Campinas,
n. especial, p.188–204, ago. 2006.
 
AZEVEDO, F. et al. Manifesto dos educadores: mais uma vez convocados (1959). In: Revista HISTEDBR Online,
Campinas, n. especial, p.205–220, ago. 2006.
 
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Diário Oficial da União. Brasília,
1988.
 
BRASIL. Constituição (1891). Constituição da Republica dos Estados Unidos do Brazil. Diário Oficial. Rio de
Janeiro, 1891.
 
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BRASIL. Constituição (1824). Constituição do Império do Brazil. Leis do Império do Brasil – 1824. p. 7, v. 1.
 
BRASIL. Constituição (1934). Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil. Diário Oficial. Rio de
Janeiro: 1935.
 
BRASIL. Constituição (1937). Constituição dos Estados Unidos do Brasil. Diário Oficial. Rio de Janeiro, 1937.
 
BRASIL. Constituição (1946). Constituição dos Estados Unidos do Brasil. Diário Oficial da União. Rio de Janeiro,
1946, Seção 1, p. 13.059.
 
BRASIL. Constituição (1967). Constituição da República Federativa do Brasil. Diário Oficial da União. Brasília:
1967.
 
BRASIL. Emenda Constitucional (1969). Emenda à Constituição da República Federativa do Brasil de 1967. Diário
Oficial da União. Brasília, 1969.
 
BRASIL. Lei 4.024, de 20 de dezembro de 1961. Estabelece as diretrizes e bases da Educação Nacional. Diário
Oficial da União. Brasília, 1961, p. 11.429.
 
BRASIL.Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Diário
Oficial da União. Brasília, 1996, sec. I, n. 248, p. 27.833.
 
CURY, C. R. J. Ideologia e educação brasileira: católicos e liberais. São Paulo: Cortez e Moraes. 1978.
 
FAVERO, O. (Org.). A Educação nas Constituições Brasileiras, 1823-1988. 3. ed. Campinas: Autores Associados,
2005.
 
LENZA, P. Direito Constitucional esquematizado. 14. ed. São Paulo: Saraiva, 2010.
 
LOPES, E. M. T.; FARIA FILHO, L. M.; VEIGA, C. G. 500 anos de Educação no Brasil. Belo Horizonte: Autêntica,
2000.
 
MANHÃES, C. Entenda como funciona o financiamento da educação básica no Brasil. Instituto Nacional de
Estudos socioeconômicos. Brasília: INESC, 2019.
 
MARTINS, V. O público e o privado na educação brasileira. In: Revista Direitonet, 2006. p. 1-11.
NERY JÚNIOR, N. Teoria geral dos recursos. 7. ed. São Paulo: RT, 2014.
 
ROMANELLI, O. O. História da Educação no Brasil. 40. ed. Petrópolis: Vozes, 2014.
 
SAVIANI, D. História das ideias pedagógicas no Brasil. Campinas: Autores Associados, 2008. 474p.
	Lei de Diretrizes e Bases da educação brasileira
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Preparação
	Objetivos
	Introdução
	1. As Constituições Brasileiras e a educação
	As Constituições brasileiras e a Educação
	Conteúdo interativo
	Apresentação das Constituições
	A Educação nas Constituições
	A Constituição do Império (1824)
	Constituição Republicana do Brasil (1891)
	Saiba mais
	Constituição de 1937
	Saiba mais
	Constituição Federal de 1946
	Constituição de 1967
	Emenda Constitucional n. 1 de 1969
	Constituição de 1988
	Saiba mais
	A constituição cidadã e a Educação
	Conteúdo interativo
	Forma de governo
	Democracia
	Cidadania
	Desse artigo, podem-se deduzir alguns conceitos básicos
 envolvendo a educação:
	É um direito de todos
	É um dever do Estado
	É um dever da família
	Deve ser fomentada pela sociedade
	Também se pode inferir que os objetivos gerais da educação
 passam por:
	Pleno desenvolvimento da pessoa
	Preparo para o exercício da cidadania
	Qualificação para o trabalho
	Saiba mais
	Atividade discursiva
	Política pública e Educação
	Saiba mais
	Política educacional e as constituições brasileiras
	Conteúdo interativo
	Vem que eu te explico!
	A Educação nas Constituições
	Conteúdo interativo
	Constituição Federal de 1988 e a Educação
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	2. LDB e os princípios e níveis da educação
	Estrutura e propostas da Lei 9.394/96
	Conteúdo interativo
	A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional
	Competências políticas da Educação
	Temática 1
	Temática 2
	Temática 3
	Temática 4
	Temática 5
	Temática 6
	Temática 7
	Temática 8 e 9
	Princípios da educação Nacional
	Conteúdo interativo
	A LDB apresenta no título II, em seu artigo 3º:
	Saiba mais
	Atenção
	Níveis e modalidades de ensino segundo a LDB
	Educação Infantil
	Ensino Fundamental
	Ensino Médio
	Educação especial
	Educação a distância
	Educação profissional e tecnológica
	Educação de jovens e adultos
	Educação indígena
	Modificações no ensino fundamental
	Reforma do ensino médio
	Os princípios norteadores da LDB
	Conteúdo interativo
	Vem que eu te explico!
	Princípios que regem a educação nacional
	Conteúdo interativo
	Níveis e modalidades de ensino
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	3. A LDB e o cenário educacional brasileiro
	LDB: instrumento político e social
	Conteúdo interativo
	Comentário
	Laicidade
	Gratuidade
	Obrigatoriedade
	Coeducação
	A questão do ensino religioso
	Comentário
	Saiba mais
	Atividade discursiva
	Estado e família na Educação brasileira
	Conteúdo interativo
	Saiba mais
	Saiba mais
	O GT 5 ANPEd afirma:
	Educação e sociedade
	Conteúdo interativo
	A profissionalização
	A normatização do dualismo
	A tentativa de superação do dualismo
	LDB em constante construção
	Investimento em modelos técnicos
	Os Institutos Federais
	A reforma do ensino médio
	O governo Michel Temer e suas alterações
	As atualizações de 2019
	Saiba mais
	Aspectos da inclusão na LDB
	Ensino Religioso
	Fianciamento da Educação
	Educação para todos
	Polêmicas e dualidades nas políticas educacionais brasileiras
	Conteúdo interativo
	Vem que eu te explico!
	Reconhecendo a LDB como um instrumento de política pública
	Conteúdo interativo
	O papel do Estado e da família na educação nacional e a legislação pertinente
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	4. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
	Conteúdo interativo
	Explore +
	Referênciasdo ensino oficial posterior para aqueles que
provarem a falta ou a insuficiência de recursos. Faz parte deste pacote a Lei 4.024/1961 (Lei de Diretrizes e
Bases – LDB), sendo a primeira lei geral de educação que, posteriormente, foi substituída pela Lei 9.394/1996.
Capítulo II
A legislação do ensino adotará os seguintes princípios: I. o ensino primário é obrigatório e só será dado na
língua nacional;II. o ensino primário oficial é gratuito para todos; o ensino oficial ulterior ao primário sê-lo-á
para quantos provarem falta ou insuficiência de recursos. (...)
Constituição de 1967
De inspiração militar, foi decretada e promulgada pelo Congresso Nacional. O direito à educação foi previsto no 
art. 168, que tratou especificamente da família, da educação e da cultura. Manteve, ainda, alguns princípios
gerais da educação, como o direito de todos, a liberdade de ensino, a igualdade de oportunidades e a limitação
da gratuidade, mas, ao mesmo tempo, inaugurou o regime de bolsas de estudos restituíveis no ensino superior. A
seguir, veja a capa da Constituição de 1967.
Capítulo II
A legislação do ensino adotará os seguintes princípios: I. o ensino primário é obrigatório e só será dado na
língua nacional;II. o ensino primário oficial é gratuito para todos; o ensino oficial ulterior ao primário sê-lo-á
para quantos provarem falta ou insuficiência de recursos. (...)
Constituição brasileira de 1967
Emenda Constitucional n. 1 de 1969
De inspiração militar, foi decretada e promulgada pelo Congresso Nacional. O direito à educação foi previsto no 
art. 168, que tratou especificamente da família, da educação e da cultura. Manteve, ainda, alguns princípios
gerais da educação, como o direito de todos, a liberdade de ensino, a igualdade de oportunidades e a limitação
da gratuidade, mas, ao mesmo tempo, inaugurou o regime de bolsas de estudos restituíveis no ensino superior. A
seguir, veja uma foto do presidente do Brasil neste período.
Art. 168
A educação é direito de todos e será dada no lar e na escola; assegurada a igualdade de oportunidade,
deve inspirar-se no princípio da unidade nacional e nos ideais de liberdade e de solidariedade humana. § 1º
O ensino será ministrado nos diferentes graus pelos Poderes Públicos.§ 2º Respeitadas as disposições
legais, o ensino é livre à iniciativa particular, a qual merecerá o amparo técnico e financeiro dos Poderes
Públicos, inclusive bolsas de estudo.§ 3º A legislação do ensino adotará os seguintes princípios e normas: I.
o ensino primário somente será ministrado na língua nacional;II. o ensino dos sete aos quatorze anos é
obrigatório para todos e gratuito nos estabelecimentos primários oficiais;III. o ensino oficial ulterior ao
primário será, igualmente, gratuito para quantos, demonstrando efetivo aproveitamento, provarem falta ou
insuficiência de recursos. Sempre que possível, o Poder Público substituirá o regime de gratuidade pelo de
concessão de bolsas de estudo, exigido o posterior reembolso no caso de ensino de grau superior;
Marechal Artur da Costa e Silva (1899-1969), presidente do Brasil entre 1967 e
1969.
Constituição de 1988
Constituição de 1988 fortaleceu a
cidadania do trabalhador.
Em 5 de outubro de 1988, foi promulgada a atual “Constituição Cidadã”,
em que o direito à educação passou a ser considerado um direito social
(art. 205), tendo, inclusive, uma redação dedicada a ela. A
obrigatoriedade da família continua expressa, mas o seu art. 227 a
estende para a sociedade e o Estado, assegurando à criança e ao
adolescente, com absoluta prioridade, entre outros, o direito à educação.
Saiba mais
Art. 205  A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com
colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da
cidadania e sua qualificação para o trabalho. Art. 227 É dever da família, da sociedade e do Estado
assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à
alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à
convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência,
discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.  
Nos termos do art. 195, caput, a educação é essencial para o desenvolvimento humano integral, tornando-se
necessário garantir a igualdade de condições de acesso e permanência na escola.
Art. 195
A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei,
mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...)
A constituição cidadã e a Educação
Neste vídeo vamos tratar de como a Educação foi tratada na constituição de 1988, quanto a sua importância e
características.
Conteúdo interativo
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A Constituição de 1988 é considerada o marco da Nova República – período a partir da redemocratização e que
nos marca até os dias atuais. Suas proposições são ricas em debates sobre questões fundamentais para uma
nação democrática, destacando-se a presunção clara e indiscutível da educação como um bem nacional, um
objeto de política pública de primeira ordem e, por isso, reafirmada em seus princípios.
No preâmbulo da Constituição Federal de 1988, já surge como garantia:
(...) um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a
liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de
uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na
ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias (...) 
(BRASIL, 1988)
Estão presentes na Constituição de 1988 os seguintes temas:
Forma de governo
O artigo primeiro da CF/88 define a forma de governo a partir de então (República), constituída pela
federação indissolúvel da União, dos estados, dos municípios e do Distrito Federal, todos com governo
próprio e certa autonomia. O Brasil possui, atualmente, vinte e seis estados e o Distrito Federal, além de
mais de cinco mil municípios. Cada estado tem sua própria Constituição, e cada município tem sua Lei
Orgânica, que se trata do conjunto de legislações para funcionamento das prefeituras sendo regidas por
duas Constituições, a nacional e a estadual, e não pode se sobrepor a elas. Portanto, as legislações
devem estar, todas elas, dentro dos limites estabelecidos pela Constituição Federal.
Democracia
O artigo primeiro da CF/88 também dispõe que somos um Estado Democrático de Direito, isto é,
adotamos a democracia como forma de governo. Assim, o parágrafo único do art. 1º estabelece que
todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente. Desse
modo, a Constituição e as demais leis valem, sem exceção, para todos os cidadãos, que devem respeitar
e ter respeitados os direitos humanos e as garantias fundamentais.
Cidadania
A cidadania também é um dos fundamentos da Carta Magna de 1988. Isso significa que o cidadão
brasileiro possui direitos e deveres para que possa participar da vida em sociedade. Na Constituição
Federal de 1988, vida em sociedade é definida como: Art. 6º - São direitos sociais a educação, a saúde,
a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção
à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.
Cabe lembrar que a primeira Carta Constitucional Brasileira data de 1824, tendo sido feita, portanto,
ainda no tempo do Brasil Império. De lá para cá, tivemos sete Constituições, culminando com a atual
Constituição Federal de 1988, fruto de um longo caminho de lutas e de conquistas.
A parte denominada “A Ordem Social” (título VIII), mais especificamente no Capítulo III, é toda voltada para a
Educação (arts. 205 a 214). Logo no art. 205,a Constituição Federal dispõe que a educação é um direito de
todos e um de dever do Estado e da família, devendo ser promovida e incentivada com a colaboração da
sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, ao seu preparo para o exercício da cidadania e à sua
qualificação para o trabalho.
Desse artigo, podem-se deduzir alguns conceitos básicos envolvendo
a educação:
É um direito de todos É um dever do Estado
É um dever da família Deve ser fomentada pela sociedade
Também se pode inferir que os objetivos gerais da educação passam
por:
Pleno desenvolvimento da pessoa Preparo para o exercício da cidadania
Qualificação para o trabalho
O princípio de educação como direito de todos já fora expresso nas Constituições de 1934 e 1946. Contudo, o
que distingue a Constituição de 1988 das demais é o enquadramento da Educação como direito social (art. 6º),
ao mesmo tempo em que se torna um elemento da construção da dignidade da pessoa humana e, portanto, da
criação de um cidadão consciente, bem como um instrumento para a erradicação da pobreza e redução das
desigualdades sociais e regionais, promovendo o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor,
idade e quaisquer outras formas de discriminação.
A Constituição Cidadã de 1988 é uma profunda guinada para a Educação como um direito social (art. 6º), sendo,
portanto, um dever do Estado (art. 204). Pela primeira vez na história da educação brasileira, foi oficialmente e
universalmente consagrada pela Constituição Federal a gratuidade do ensino público em estabelecimentos
oficiais (art. 206, IV).
No art. 204, a Educação é garantida como direito de todos. O art. 5º da CF/88 dispõe sobre o princípio
constitucional da igualdade, segundo o qual todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza.
Nos diferentes incisos desse artigo, encontram-se afirmações acerca de formas e princípios de igualdade.
Todavia, a fim de garantir essa igualdade, o princípio estabelece que pessoas colocadas em situações diferentes
sejam tratadas de forma desigual para minimizar as disparidades, entendendo-se que dar tratamento isonômico
aos diferentes cidadãos significa tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na medida de suas
desigualdades.
É nesse princípio que se baseia o direito à diferença na educação no que concerne às populações
historicamente discriminadas, como negros, indígenas e pessoas com deficiência e, ainda, no que se refere ao
direito à educação de populações de todos os grandes ciclos etários da vida.
Saiba mais
O princípio da igualdade na Constituição Federal de 1988 encontra-se expresso no art. 5º, que afirma:
“Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos
estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à
propriedade (...)”. 
Atividade discursiva
Antes de nos aprofundarmos mais na próxima temática, responda:
 
A Constituição Federal de 1988 é chamada de Constituição Cidadã. O que é uma Constituição Cidadã? Como
ela pode ser caraterizada? Qual a relação entre sua caracterização cidadã e o modo como expressa o tema da
Educação?
Chave de resposta
Para entender a Constituição de 1988, é necessário reconhecer tanto a Constituição que vigorava antes
quanto o contexto político e social da época. Apesar de ambas as Constituições serem republicanas, a
Constituição de 1967 era toda voltada para os direitos centralizadores do Estado. A Constituição de 1988, por
sua vez, é democrática e voltada para os direitos e as garantias dos cidadãos brasileiros.
Política pública e Educação
Sessão solene do Congresso Nacional em
que foi promulgada a atual Constituição
da República Federativa do Brasil, no dia
5 de outubro de 1988.
A Constituição de 1988 restabeleceu a inviolabilidade de direitos e
liberdades básicas e instituiu uma vastidão de preceitos progressistas,
como a igualdade de gêneros, a criminalização do racismo, a proibição
da tortura e os direitos sociais, como educação, trabalho e saúde para
todos.
Além disso, reinstituiu o direito à livre manifestação de pensamento (vedado o anonimato) e a liberdade de
expressão intelectual, artística, científica e de comunicação (fim da censura), e garantiu a todo cidadão o
acesso a qualquer dado a seu respeito em arquivos do governo. Ela também restabeleceu o voto universal e
direto, sem distinção de classe ou gênero.
A Educação ganhou forma de direito fundamental na Constituição de 1988, devendo ser garantida, e faz parte da
própria constituição e da base do Estado Democrático. Entendida como garantidora para evitar novos arroubos
antidemocráticos, a Constituição constrói seu texto de forma a estruturar a Educação como um interesse
nacional.
O que é um Estado Democrático de Direito? Como podemos pensar o tema da educação pública a
partir dessa noção?
Trata-se de uma junção de dois conceitos anteriores de Estado: um Estado social de Direito somado ao Estado
de bem-estar social. Compreende uma série de medidas que devem ser atendidas pelo Estado soberano e
democrático, buscando garantir os elementos básicos, a fim de promover uma vida digna a todos os cidadãos e
todas as cidadãs.
Saiba mais
O Estado de Direito surgiu nos séculos XVII e XVIII no âmbito das Revoluções Inglesa e Francesa, em
contraposição aos governos autoritários e absolutistas. 
O direito à Educação aparece como meio de formação dos cidadãos das nações que vinham se constituindo
democraticamente. As Constituições foram o fundamento desse processo; a ideia de que ninguém estaria acima
das leis (ícone do modelo estamental do Antigo Regime) garantia um princípio de isonomia – lema da Revolução
Francesa: liberdade, igualdade e fraternidade –, realizando o princípio de que todos deveriam ser entendidos
como cidadãos de direitos.
Vencendo velhos traços que eram marcados pela exploração violenta, como a escravidão, o Direito dos Homens,
os Direitos Humanos, os Direitos da Crianças e os tratados do pós-guerra mundial transformaram o ideal
democrático em um valor, e a usurpação foi entendida como algo a ser combatido. Ainda que os regimes mais
ditatoriais se submetessem formalmente às Constituições e aos princípios que, embora de forma disfarçada,
tinham relevo constante no mundo dos séculos XX e XXI.
Política educacional e as constituições brasileiras
Neste vídeo, os professores respondem a perguntas sobre as diferentes políticas educacionais implementadas
no Brasil ao longo de suas sete Constituições.
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Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
A Educação nas Constituições
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Constituição Federal de 1988 e a Educação
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Considerando a Constituição de 1988, nota-se que a Educação é considerada como instrumento fundamental
para um Estado Democrático. Logo, ela precisa ser organizada, definindo quem são seus responsáveis. Nesse
sentido, a quem compete a obrigatoriedade da Educação?
A
Nos termos do art. 205 da Constituição Federal de 1988, a Educação, que é um direito de todos, constitui
dever tanto do Estado quanto da família, devendo ser promovida e incentivada por ambos e em colaboração
com a sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, ao seu preparo para o exercício da
cidadania e à sua qualificação para o trabalho.
B A obrigatoriedade é exclusiva da família, como expressa no art. 227, mas essa obrigatoriedade é também
da sociedade e do Estado de forma indireta.
C
De acordo com o art. 227, é dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e
ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, ao lazer, à profissionalização, à
cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivênciafamiliar e comunitária, além de colocá-los a
salvo de toda forma de negligência; apesar de não tratar diretamente da Educação, aborda seus aspectos de
entorno.
D
A Constituição Cidadã é tributária da Declaração do Direito das Crianças da UNESCO; nesse sentido,
determina no art. 205 da Constituição Federal de 1988 que é obrigação exclusiva do Estado, devendo fazer
parte de sua política pública a organização, a manutenção e a continuidade da Educação.
E A obrigatoriedade é exclusiva do Estado, como expressa no art. 227 da Constituição Brasileira de 1988,
mas essa obrigatoriedade é também da sociedade de forma indireta.
A alternativa A está correta.
Segundo a Constituição de 1988, a Educação é uma obrigação compartilhada da família, da sociedade e do
Estado, e o governo deve cuidar para que esta seja exercida, mantida e regulada.
Questão 2
As Cartas Magnas, independentemente do período, fornecem as bases fundamentais da política de um Estado
Nação e são fundamentais na organização de Estados efetivamente democráticos. Segundo esse princípio,
entendendo que o Brasil se constitui como um Estado Democrático de Direito e a Constituição é sua garantidora,
avalie as assertivas:
 
I- Nos termos do art. 205 da Constituição Federal de 1988, a Educação, que é um direito de todos, constitui
dever tanto do Estado quanto da família, devendo ser promovida e incentivada por ambos e em colaboração com
a sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, ao seu preparo para o exercício da cidadania e à sua
qualificação para o trabalho.
 
II- De acordo com o art. 205 da Constituição Brasileira, o ensino será ministrado com base nos seguintes
princípios de igualdade de condições para o acesso e permanência na escola: liberdade de aprender, ensinar,
pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber; definição das mais corretas e modernas
concepções pedagógicas; respeito à liberdade e valorização da identidade nacional.
 
III- Na Constituição de 1891, o art. 72 já consagrava o princípio da liberdade e da laicidade do ensino ministrado
nos estabelecimentos públicos, ainda que não fosse gratuito, e apontava para importância desse processo.
 
IV- Na Constituição de 1937, o art. 130 manteve o ensino primário como obrigatório e gratuito, porém com uma
responsabilidade subsidiária do Estado. Esse é um movimento importante pois, pela primeira vez, dava
ordenamento financeiro para que todos os entes federativos constituíssem sistemas de ensino.
 
Marque a alternativa correta:
A Somente I e II estão corretas.
B Somente II e III estão corretas.
C I, II e IV estão corretas.
D I, II e III estão corretas.
E Somente IV está correta.
A alternativa C está correta.
Alguns princípios constitucionais foram constantemente repetidos: a percepção de que o Estado faz parte do
compromisso da Educação, seja como estimulador, mantenedor, estabelecedor de regras e normas que
permitam seu amplo desenvolvimento. A questão visa ao seu entendimento de que esses princípios aparecem
mesmo em documentos diferentes. Assim, a alternativa B torna-se equivocada pela ausência da valorização
da pluralidade no olhar da Constituição de 1988.
2. LDB e os princípios e níveis da educação
Estrutura e propostas da Lei 9.394/96
Nesse vídeo vamos conversar sobre a lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional com enfoque especial
para as Competências políticas da Educação
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Na trajetória constitucional brasileira, o tema Educação foi tratado com maior ou menor ênfase em função de
diferentes fatores, mas o tema da Lei de Diretrizes e Bases para a Educação Nacional não foi sempre abordado.
É isso que veremos a seguir.
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional
Palácio Gustavo Capanema, também
conhecido como o prédio do Ministério
da Educação e Cultura (MEC).
A primeira Constituição Brasileira a cogitar uma lei de diretrizes para a
Educação foi a de 1934, que, no seu art. 5º, atribuía à União a
responsabilidade para traçar as diretrizes da educação nacional e de
fixar o Plano Nacional de Educação. Em seguida, a Constituição de 1937
traria diretrizes diferentes, e o projeto para uma ampla lei educacional foi
adiada.
Prevista na Constituição de 1946 e discutida política e academicamente no país por quinze anos, somente em
1961 foi publicada a Lei n. 4.024/61, oficialmente a primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Dez
anos depois, foi alterada tão profundamente pela Lei n. 5692/71, que esta foi considerada por muitos uma nova
LDB. A Lei n. 5692/71 durou até 1996, quando foi promulgada a Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996.
As principais razões da demora na aprovação da Lei n. 9.394/96, prevista na Constituição de 1988 e discutida ao
longo dos oito anos que as separam, foram os intensos debates, a preocupação democrática da tramitação e as
questões políticas do país (em efervescência no período).
A LDB de 1996 reafirma o direito à Educação, definindo-a como dever da
família e do Estado, inspirada nos princípios da liberdade e nos ideais de
solidariedade humana, buscando o pleno desenvolvimento do educando,
seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o
trabalho (art. 2º), seguindo o princípio constitucional da educação como
direito social (CF, art. 5º, caput).
Autoridades reunidas ao redor da Mulher
reclinada no dia da inauguração do
palácio Gustavo Capanema.
O art. 22, XXIV, da Constituição Federal, determina que compete privativamente à União legislar sobre os
deveres do Estado, as diretrizes e as bases da educação nacional, estabelecendo que a Educação é direito de
todos e dever do Estado e da família, devendo ser promovida e incentivada com a colaboração da sociedade,
visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, ao seu preparo para o exercício da cidadania e à sua qualificação
para o trabalho.
Competências políticas da Educação
Em linhas gerais, o texto da Lei 9.394/96 está dividido em nove temáticas:
Temática 1
A primeira define os limites da educação escolar (art. 1º).
Temática 2
No título II, são definidos os princípios e os fins da educação nacional, estabelecendo a Educação como
dever da família e do Estado (arts. 2º e 3º).
Temática 3
No título III, que aborda o direito à Educação e o dever de educar, encontramos a obrigatoriedade e a
gratuidade da educação básica, atualmente dos quatro aos dezessete anos de idade.
Temática 4
No título IV, a LDB aborda a organização da educação nacional, estabelecendo o regime de
colaboração entre a União, os estados e os municípios.
Temática 5
No título V, a educação brasileira é dividida em dois níveis: a educação básica e o ensino superior e
conta com diferentes modalidades de ensino e os modos possíveis de organização dos sistemas de
ensino e das propostas pedagógicas, preconizando a pluralidade de concepções pedagógicas como um
dos princípios da educação nacional. É proposta a gestão democrática da educação pública, com
progressiva autonomia pedagógica e administrativa, e a gestão financeira das unidades escolares.
Temática 6
O título VI é dedicado aos profissionais da educação (arts. 61 a 67), estabelecendo que sua formação
seja feita em curso superior de Pedagogia ou pós-graduação (art. 64), admitindo, para atuar na
educação básica, educação infantil e nas quatro primeiras séries do fundamental, formação em curso
Normal do ensino médio (art. 62).
Temática 7
O título VII é dedicado aos recursos financeiros, estabelecendo as fontes dos recursos destinados à
Educação e que a União deve gastar, no mínimo, 18% e os estados e municípios, no mínimo, 25% de
seus respectivos orçamentos na manutenção e no desenvolvimento do ensino público (art. 69);
Temática 8 e 9
Os dois últimos temas abordam as disposições gerais e transitórias que acompanham toda lei.
Princípios da educação Nacional
Neste vídeo vamos tratar dos princípios da educação nacional, lançando luz sob a temática da liberdade
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Debruçando-nos sobre o que afirma a LDB de 1996 em seus elementos de maior relevância, estudaremos a
seguir os princípios que regem a educação nacional (título II, arts. 2º e 3º) e as questões relacionadas à gestão
democrática e aos níveis e às modalidades de ensino nelas previstos.
A LDB apresenta no título II, em seu artigo 3º:
Art. 3º O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:
I. igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; 
II. liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber;
III. pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas; 
IV. respeito à liberdade e apreço à tolerância;
V. coexistência de instituições públicas e privadas de ensino;
VI. gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; 
VII. valorização do profissional da educação escolar;
VIII. gestão democrática do ensino público, na forma desta lei e da legislação dos sistemas de ensino;
IX. garantia de padrão de qualidade; 
X. valorização da experiência extraescolar;
XI. vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas sociais. 
O conjunto de onze princípios, dispostos no art. 3º da LDB (Lei 9394/96), indica a exigência de respeito a
princípios republicanos e constitucionais. Cabe analisá-los, então, nessa perspectiva, de princípios
educacionais que seguem a compreensão da Constituição Federal sobre os direitos dos cidadãos de uma
república democrática. Assim, trata-se de respeito à igualdade e à liberdade em diferentes formas e instâncias e,
também, de respeito a exigências democráticas mais amplas, relacionadas aos modos de gestão no sistema
público de educação, com a gestão democrática prevista no princípio VII, fortemente mutilado em relação à sua
versão anterior no projeto de lei substituído pelo de Darcy Ribeiro, que deu origem a esta LDB.
Darcy Ribeiro
Darcy Ribeiro (1922-1997) foi um antropólogo, educador e político brasileiro. Criador do projeto de
educação integral no Rio de Janeiro. Destacou-se como senador pela articulação para aprovação da LDB,
não acidentalmente chamada de Lei Darcy Ribeiro. 
Saiba mais
No caso da igualdade, trata-se de uma igualdade almejada entre diferentes – daí o princípio da presença
de pluralismo de ideias e concepções pedagógicas no sistema educacional e de respeito à liberdade e
apreço à tolerância, princípios que se articulam, também, ao tema da liberdade, já que a liberdade cidadã
tem como corolário o direito de acessar conhecimentos e informações plurais e isso precisa se fazer
presente no sistema educacional. 
Fachada do Ministério da Educação
(MEC) em Brasília
A efetivação desse princípio exige a liberdade de cátedra para o acesso
a conhecimentos plurais e perspectivas igualmente plurais para
compreensão deles, conforme elencado com precisão no princípio II, que
trata da liberdade de aprender, ensinar, pesquisar.
Ainda nesse sentido, os princípios X e XI dispõem a perspectiva de uma democracia na relação entre diferentes
conhecimentos no sistema educacional. Ao prever a valorização da experiência extraescolar (X) e a vinculação
entre a educação escolar, o trabalho e as práticas sociais (XI), a LDB assume que a garantia da democracia no
acesso, na permanência e no direito de aprender, subliminar à ideia da qualidade, só pode ser efetiva se (e
quando) os estudantes tiverem seus conhecimentos presentes no processo pedagógico pela valorização daquilo
que trazem para a escola e possam, por meio das aprendizagens escolares, potencializar sua inserção no meio
profissional e no exercício da cidadania plena, desenvolvendo e compreendendo mais amplamente as práticas
sociais.
No que se refere à igualdade específica de acesso e à permanência do primeiro princípio, entendemos que o
princípio da gratuidade (VI) lhe é complementar. E considerando o princípio V, da coexistência de instituições
públicas e privadas, torna-se indispensável sua complementação pelo princípio IX, da garantia de padrão de
qualidade.
Atenção
É condição sine qua non da igualdade assegurar que todos, em instituições públicas ou privadas, tenham
acesso a um ensino de qualidade. No mesmo sentido, podemos entender o princípio da valorização do
profissional de educação, que só assim pode atuar com qualidade, já que uma forma de valorização do
profissional é assegurar a ele condições materiais e intelectuais de atuação. Essa valorização, portanto,
embora também diga respeito a questões de remuneração, não se limita a isso. 
Níveis e modalidades de ensino segundo a LDB
Dimensão de forte relevância na LDB; em seu título V (arts. 21 a 60) encontramos a seguinte descrição dos
níveis e das modalidades de ensino: 
A educação básica é composta por três níveis:
Educação Infantil
Da creche (de 0 a 3 anos) e pré-escolas (de 4 e 5 anos).
É gratuita, mas não obrigatória até os 3 anos, sendo exigida a partir dos 4
anos de idade, desde a aprovação da Lei n. 12.796/2013, que atende ao
aprovado pela Emenda Constitucional n. 59 de 2009. É de competência
dos municípios (arts. 29 a 31).
Ensino Fundamental
Anos iniciais (do 1º ao 5º ano) e anos finais (do 6º ao 9º ano).
É obrigatório e gratuito. Desde 1971, com aprovação da Lei n. 5692/1971,
contava com oito anos de escolaridade. Desde 2006 (Lei n. 11.271/2006),
tem a duração de nove anos. A LDB estabele que, gradativamente, os
municípios serão os responsáveis por todo o ensino fundamental. Na
prática, os municípios estão atendendo aos anos iniciais e os estados, aos
anos finais (arts. 32 a 34) dessa etapa da educação básica.
Ensino Médio
O antigo 2º grau na Lei n. 5692/1971 (1º ao 3º ano) foi renomeado como
ensino médio na LDB. É de responsabilidade dos estados. Pode ser técnico
profissionalizante, ou propedêutico (arts. 35 e 36). Não obrigatório quando
da aprovação da LDB. Passou a sê-lo, para pessoas até 17 anos, a partir
de 2013, quando da aprovação da Lei n. 12.796/2013.
O ensino superior é de competência da União, podendo ser oferecido por estados e municípios, desde que eles
já tenham atendido aos níveis pelos quais são responsáveis em sua totalidade. Cabe à União autorizar e
fiscalizar as instituições privadas de ensino superior (arts. 43 a 57).
A educação brasileira conta ainda com algumas modalidades de educação que perpassam todos os níveis da
educação nacional. São elas:
Educação especial
Atende aos educandos com necessidades
especiais, preferencialmente na rede regular de
ensino.
Educação a distância
Atende aos estudantes em tempos e espaços
diversos, com a utilização de meios e
tecnologias de informação e comunicação (arts.
58 a 60).
Educação profissional e tecnológica
Visa preparar os estudantes a exercerem
atividades produtivas, atualizando e
aperfeiçoando conhecimentos tecnológicos e
científicos (arts. 39 a 42).
Educação de jovens e adultos
Atende às pessoas que não tiveram acesso à
Educação na idade apropriada (arts. 37 e 38).
Educação indígena
Atende às comunidades indígenas, respeitando a
cultura e a língua materna de cada tribo.
Essa estrutura prevista, organizada em níveis e modalidades de educação, traz novidades em relação às
anteriores, tanto em sua nomenclatura quanto em relação aos significados que pretende expressar. Resumindo
compreensivamente os itens elencados, podemos dizer que o ensino fundamental não sofre grandes alterações
na primeira versão da lei, já que herda o perfil do anterior ensino de 1º grau (Lei n. 5692/1971).
Modificações no ensino fundamental
Atualmente modificado, o ensino fundamental tem a duração de nove anos, não oito como incialmente
previsto, e tem ao seu lado como obrigatórios a educação infantil, a partir dos 4 anos de idade, e o
ensino médio, até 17 anos de idade.
Reforma do ensino médio
O ensino médio sofreu reforma recente (Lei n. 13.415/2017), tendo modificada sua estrutura, que previa
a oferta para todos os alunos do conhecimento de todas as áreas, para um modelo de itinerários
formativos, que supostamente devem ser escolhidos pelo estudante, mas oficialmente dependem da
oferta local deitinerários possíveis. Trata-se de levar o estudante a, desde os 15 anos, estudar apenas
os conhecimentos de uma área, ou o ensino profissionalizante, de acordo com o itinerário escolhido,
perspectiva que retoma o previsto na LDB 4.024/1961 e compromete a integralidade da formação.
A intenção das modalidades previstas na LDB era assegurar a universalização do acesso à educação básica,
viabilizando uma estrutura do sistema educacional que permitisse a todos os cidadãos exercerem seu direito
constitucional à Educação, respeitando suas trajetórias sociais, pertencimentos culturais, necessidades de
formação específica em função de deficiências diversas, necessidades de profissionalização ou de acesso ao
ensino não presencial.
É possível perceber – na LDB e na legislação complementar que a
regulamenta e vem atualizando – a vontade política de atendimento aos
preceitos da Constituição Cidadã de 1988 no que se refere ao direito
subjetivo de todos à Educação, explicitando compromissos que articulam
esse direito ao dever do Estado e da família em oferecê-lo. 
Dessa articulação, deriva a obrigatoriedade de oferta e frequência aos estudantes da educação básica. Nota-
se, na LDB, o respeito aos princípios republicanos da igualdade, da liberdade e da fraternidade no estudo do seu
artigo 3º, particularmente bem-sucedido no tratamento das necessidades não óbvias ligadas a esses princípios
quando se refere à importância dos conhecimentos não escolares e à necessidade de valorização docente.
Finalmente, a estrutura em grade – vertical e horizontal – do sistema traz para a legislação a possibilidade da
efetiva universalização do exercício do direito à Educação ao buscar assegurar às populações marginalizadas ou
esquecidas pelo sistema regular formal de ensino, o acesso a modalidades específicas de educação destinadas
ao atendimento de suas necessidades peculiares.
Os princípios norteadores da LDB
Neste vídeo, as especialistas respondem a perguntas sobre os princípios norteadores da LDB.
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Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
Princípios que regem a educação nacional
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Níveis e modalidades de ensino
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Considerando os aspectos fundamentais estabelecidos pela LDB, a Educação é uma função partilhada entre
vários grupos existentes na sociedade. Sobre a questão de a quem compete a obrigatoriedade da Educação,
analise as assertivas abaixo:
 
I - Nos termos do art. 205 da Constituição Federal de 1988, a Educação, que é um direito de todos, constitui
dever tanto do Estado quanto da família, devendo ser promovida e incentivada por ambos e em colaboração com
a sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua
qualificação para o trabalho.
 
II - A obrigatoriedade da família continua expressa no art. 227, mas essa obrigatoriedade é também da sociedade
e do Estado. Ainda de acordo com o art. 227, é dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança,
ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao
lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária,
além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e
opressão.
 
III – A LDB trabalha com a perspectiva de a educação formar a identidade nacional brasileira e, nesse sentido,
veda a possibilidade de fórmulas segregadoras, como a educação inclusiva separada da educação regular, a
educação de grupos étnicos – como índios e negros que têm o direito e o dever de serem inclusos no sistema de
ensino regular.
 
Assinale a alternativa correta:
A Somente I está correta.
B Somente I e II estão corretas.
C Somente I e III estão corretas.
D Somente II e III estão corretas.
E Somente III está correta.
A alternativa B está correta.
As assertivas constituem elementos importantes da LDB, no entanto, em seu princípio de tolerância e
reconhecimento da multiplicidade de formação, rompe com a ideia de amalgamar uma identidade nacional,
reconhecendo o direito à individualidade e a sua garantia. A título de exemplo, podemos falar da questão da
entrada na educação infantil e, ainda, para os grupos que não desejam integração, permite fundamentos e
organização próprios em uma modalidade de ensino, como o da educação do campo ou da educação
indígena.
Questão 2
A LDB foi organizada diante de importantes debates intelectuais de educadores brasileiros. De fato, ela é uma
demanda prevista e organizada a partir da Constituição. Partindo desses diálogos, ela tem alguns princípios
básicos. As assertivas abaixo apresentam alguns desses princípios:
 
I - Nos termos do art. 2º da LDB, a Educação, dever da família e do Estado (art. 205 da CF/88), inspirada nos
princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do
educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.
 
II - De acordo com o art. 3º da LDB, o ensino será ministrado com base nos seguintes princípios de igualdade de
condições para o acesso e permanência na escola: liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a
cultura, o pensamento, a arte e o saber; pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas; respeito à liberdade
e apreço à tolerância.
 
III – De acordo com os princípios V, VI e IX, a Educação passa a ser entendida como um bem público, logo, as
instituições privadas de ensino – não gratuitas – não devem possuir fins lucrativos. Essa perspectiva visa garantir
a igualdade para todos os sujeitos.
 
Assinale a alternativa correta:
A Somente a I está correta.
B Somente a II está correta.
C Somente I e II estão corretas.
D Somente II e III estão corretas.
E Somente III está correta.
A alternativa C está correta.
O princípio de igualdade – previsto na assertiva III – está correto, no entanto, o seu fundamento não é a
garantia de uma educação gratuita para todos, mas a responsabilidade de assegurar a gratuidade aos que
dela precisarem e o acesso à educação privada aos que por ela se interessarem.
3. A LDB e o cenário educacional brasileiro
LDB: instrumento político e social
Neste vídeo vamos conversar a LDB como instrumento político e social com enfoque na laicidade, gratuidade,
obrigatoriedade e coeducação. 
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Abordaremos alguns temas específicos que vêm se constituindo como focos de grandes debates entre campos
políticos distintos há muito tempo. São questões polêmicas que atravessam o tempo, e os debates em torno da
educação nacional, sua estrutura e características desembocam sobre problemas mais globais que envolvem:
 
A própria identidade nacional – como é o caso do ensino religioso;
Os princípios regentes da questão da coisa pública – como a gestão e o financiamento da Educação;
Os princípios e as necessidades da formação docente;
O embate entre a unificação e o respeito à pluralidade nacional, tanto no que se refere a propostas
curriculares quanto no que diz respeito às modalidades de ensino, com especial destaque ao problema da
profissionalização e do acesso ao ensino superior.
Esses diferentes temas perpassam nossa história e estão presentes no Manifesto dos Pioneiros da Educação
Nova, de 1932, como veremos a seguir.
Comentário
Os temas deste estudo se relacionam aos princípios para a educação pública preconizados pelo Manifesto
dos Pioneiros de 1932: laicidade, gratuidade e obrigatoriedade da escola básica – de 7 a 15 anos de idade –
além da chamada coeducação, ou seja, a não separação de meninas e meninos na escola pública. 
No documento, propunham seus signatários:• 
• 
• 
• 
Laicidade
Princípio o qual coloca o ambiente escolar acima de crenças e disputas religiosas, alheio a todo o
dogmatismo sectário, subtrai o educando, respeitando-lhe a integridade da personalidade em formação,
à pressão perturbadora da escola quando utilizada como instrumento de propaganda de seitas e
doutrinas.
Gratuidade
Princípio igualitário que torna a educação extensiva a todas as instituições oficiais, em qualquer de seus
graus, acessível não a uma minoria, por um privilégio econômico, mas a todos os cidadãos que tenham
vontade e estejam em condições de recebê-la.
Obrigatoriedade
Princípio que estabelece a obrigatoriedade do ensino a todos. Aliás, o Estado não pode tornar o ensino
obrigatório, sem torná-lo gratuito.
Coeducação
Princípio em que assenta a escola unificada e os quais decorrem tanto da subordinação à finalidade
biológica da educação de todos os fins particulares e parciais (de classes, grupos ou crenças), como do
reconhecimento do direito biológico que cada ser humano tem à educação. 
A questão do ensino religioso
O ensino religioso está presente nos embates educacionais brasileiros desde antes da Independência. Ainda no
século XVIII, um conflito entre a coroa portuguesa e os jesuítas levou à expulsão destes pelo Marquês de
Pombal, tanto de Portugal quanto de suas colônias.
Embora houvesse outras entidades educadoras no país, era a educação jesuítica e a catequese a ela associada
que prevaleciam no território nacional. A meta dessa educação era efetivamente mais a de recrutar fiéis e
servidores para uma Igreja Católica enfraquecida pela Reforma Luterana.
Educação jesuítica
Conforme Almeida (2014), a educação jesuítica no Brasil teve início em 1549, com a Companhia de Jesus,
representante da Igreja Católica, fundada por Inácio de Loyola, em um contexto de reação da Igreja
Católica à Reforma Protestante, sendo a protagonista do início de nossa história educacional, com
hegemonia do ensino brasileiro até 1759, quando os padres jesuítas foram expulsos de Portugal e de suas
colônias pelo Marquês de Pombal.
Assim, missões em comunidades indígenas e escolas foram criadas e atendiam a “curumins” e filhos de colonos
que trabalhavam nas missões e nas regiões nas quais elas se instalavam, dando lugar, posteriormente, a uma
educação destinada à formação das elites nacionais, excluindo as mulheres. 
Jogar Capoëra - Danse de la guerre por Johann Moritz Rugendas
Era um ensino desvinculado das características da sociedade brasileira, sem praticidade na formação e sem
compromisso com qualquer tipo de qualificação profissional, desnecessária em um cenário agrícola e
escravocrata.
De acordo com Almeida (2014), pode-se dizer que o ensino jesuítico contribuiu para a sistematização da
educação na colônia, educando as elites, excluindo, portanto, os menos afortunados, como mulheres, negros e
pobres. A expulsão dos jesuítas, no entanto, não provocou grandes mudanças nas propostas e práticas
educacionais do país, embora estivessem influenciadas pela adesão do Marquês ao ideário do enciclopedismo
europeu.
Esse momento marca, talvez, a primeira ruptura de uma série, que se manifestaria de múltiplas formas e
prossegue até os dias atuais, entre a Igreja e o Estado, o qual assumiu naquele momento, pela primeira
vez, a responsabilidade pela oferta da Educação no Brasil. 
Desde então, o embate entre perspectivas de educação centradas em valores da Igreja ou em perspectivas
sociais capitaneadas pelo Estado laico permanece. Entre crises, acordos e oposições entre a visão da Igreja e do
Estado em relação à Educação, um tema turbulento em todo debate educacional legal e político no Brasil,
expresso desde o início do período republicano no papel a ser atribuído ao ensino religioso pela legislação e os
modos de sua efetivação num país que tem como princípio a laicidade do Estado e da Educação.
Comentário
Desde a proclamação da República, o embate vem se expressando em documentos e discussões, ora mais
explicitamente, ora incorporado a temáticas mais amplas, como no caso do Manifesto dos Pioneiros. Na
LDB de 1996, muitas mudanças em relação à oferta do ensino religioso já ocorreram, bem como foi
polêmica sua inclusão na BNCC do ensino fundamental em 2017. Essas variações se relacionam com
conflitos presentes na sociedade entre grupos políticos mais progressistas e mais conservadores, ao
mesmo tempo em que refletem a posição das instituições religiosas e igrejas em diferentes momentos da
política nacional. 
Antigo Colégio dos Jesuítas em Salvador,
Bahia
Entre a força dos jesuítas e a educação ligada à catequese que
efetivavam a governos populares mais apartados das pressões religiosas
os quais privilegiavam aspectos da formação cidadã na perspectiva da
laicidade, muitas foram as formas por meio das quais a legislação
retratou o momento político.
Observemos as três versões da LDB: a Lei n. 4.024/1961, a Lei n. 5.692/1971 e, finalmente e de modo mais
atento, as diferentes versões da Lei n. 9394/1996 para dar consistência ao nosso debate.
Conforme a LDB, embora de oferta obrigatória, o ensino religioso não é financiado pelo Estado e tampouco os
docentes são ligados às escolas. Caberia, nessa perspectiva, às diferentes instituições religiosas indicar – e fica
subentendido – e remunerar os docentes, cabendo à escola pública apenas o papel de recebê-los. Já na
reformulação operada na Lei n. 5.692/1971, o ensino religioso parece perder espaço, sendo enunciado como 
parágrafo único do artigo 7º, em apenas duas linhas.
Parágrafo único do artigo 7º
Parágrafo único. O ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos horários normais dos
estabelecimentos oficiais de 1º e 2º graus.
No entanto, a ideia de que o ônus não cabe ao Estado desaparece, bem como a responsabilidade das
instituições religiosas pela indicação de docentes e o respeito às diferentes crenças. A primeira impressão de
perda de espaço é, portanto, ilusória. Percebe-se, a partir dessa nova redação, que o Estado se ocupará mais
efetivamente dessa oferta, sem abrir espaço para diferentes crenças, apenas assegurando a liberdade ao aluno
de não frequentar as aulas.
Já a Lei n. 9.394/1996, quando da sua aprovação, não previa o ônus do
Estado pela oferta, nos moldes da Lei n. 4.024/1961. No entanto, a forte
pressão de grupos religiosos logo fez com que o artigo 33 fosse alterado
e a obrigatoriedade da oferta do ensino religioso nas escolas públicas
passou a ser financiada pelo Estado a partir da redação dada pela Lei n.
9.475/1997.
Embora a liberdade do aluno em cursar ou não o ensino religioso tenha
permanecido e a ideia da pluralidade de crenças esteja na lei, o
crescimento da influência de religiões cristãs sobre o Estado nos últimos
anos vem produzindo efeitos sobre as escolas que, cada vez mais,
inserem orações cristãs em suas práticas cotidianas, sem que aos alunos
seja efetivamente facultada a possibilidade de não as frequentar.
Saiba mais
“Na maioria das escolas públicas brasileiras, para passar de ano, os alunos têm que rezar. Literalmente.
Levantamento feito pelo portal QEdu, a partir de dados do questionário da Prova Brasil 2011, do Ministério
da Educação, mostra que em 51% dos colégios há o costume de se fazer orações ou cantar músicas
religiosas. Apesar de contrariar a Lei de Diretrizes e Bases (LDB), segundo a qual o ensino religioso é
facultativo, 49% dos diretores entrevistados admitiram que a presença nas aulas dessa disciplina é
obrigatória. Para completar, em 79% das escolas não há atividades alternativas para estudantes que não
queiram assistir às aulas”. Fonte: Fábio Campana. Leia o artigo completo Contra a lei, ensino religioso é
obrigatório em 49% de escolas públicas, de Fábio Campana, indicado no Explore Mais. 
Atividade discursiva
Acerca do que falamos sobre o ensino religioso, propomos a seguinte reflexão:
 
O debate em torno do ensino religioso e do direito dos alunos a não o frequentarem vem ganhando contornos
cada vez mais vivos e polêmicos no cenário social epolítico. Lendo a notícia a seguir e considerando o que
prevê a legislação, como você se posicionaria diante do fato?
 
A., de 13 anos, estuda numa escola municipal em São João de Meriti em que o ensino religioso é confessional e
a presença nas aulas, obrigatória. Praticante de candomblé, ela diz sofrer discriminação por parte de três
professoras evangélicas, que tentam convertê-la. Com medo de retaliações, a menina pede que nem seu nome
nem o de seu colégio sejam identificados. Segundo seu relato, é obrigada não só a frequentar as aulas, como
também a fazer orações.
Chave de resposta
A aluna não poderia, nos termos do artigo 33 da LDB, ser obrigada a frequentar a aula de religião, já que a
matrícula nessa disciplina é facultativa. No entanto, sozinha em um ambiente que não assegura seu direito de
crença e, com isso, o de não se matricular no ensino religioso, previsto na Constituição e assegurado na LDB,
ela se vê discriminada em função de suas crenças e obrigada a obedecer à norma local, em confronto com a
legislação oficial. A atitude da escola fere a Constituição e a LDB, mas a inexistência de mecanismos
eficientes de proteção ao direito da aluna a obriga a seguir fazendo o que lhe dizem ser obrigatório.
Estado e família na Educação brasileira
Neste vídeo vamos conversar sobre o financiamento da Educação Brasileira, pública ou privada, no contexto da
Nova República
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Outra temática, também presente no Manifesto dos Pioneiros e em embates históricos em torno da educação
nacional, se relaciona com os princípios regentes da questão da coisa pública e as obrigações do Estado
perante os cidadãos.
Os temas da gratuidade e da obrigatoriedade da Educação e as questões relacionadas ao financiamento e à
gestão da educação pública são, possivelmente, os principais aspectos debatidos nesse embate dos limites e
das possibilidades de o Estado contemplar devidamente sua obrigação de oferta de educação pública de
qualidade para todos, financiando-a sem que entidades privadas se beneficiem dessa verba destinada à
Educação.
A preocupação explícita no Manifesto dos Pioneiros com a autonomia financeira do sistema educacional
preconizava que:
A autonomia econômica não se poderá realizar, a não ser pela instituição de um "fundo especial ou
escolar" que, constituído de patrimônios, impostos e rendas próprias, seja administrado e aplicado
exclusivamente no desenvolvimento da obra educacional pelos próprios órgãos do ensino incumbidos de
sua direção. (AZEVEDO et al., 2006)
(AZEVEDO et al., 2006) 
Apesar desse alerta já em 1932, apenas na Constituição Federal de 1988
ficou explicitado o modo como a educação pública deveria ser
financiada pelo Estado, assegurando menos instabilidade financeira ao
Sistema Público de Educação, já que a CF previu a garantia de verbas
para a Educação, entendendo como mínimo necessário 18% do valor
arrecadado para a União e 25% para estados e municípios.
O cálculo desses valores se faz com base na receita resultante dos impostos e das transferências
constitucionais, conforme assinalado no artigo 212 da Constituição. O objetivo oficial dessa normatização é
assegurar que municípios e estados mais pobres não sejam prejudicados em sua capacidade de garantir a oferta
de educação de qualidade por falta de verbas.
Constituição
Além disso, no artigo 211, § 1º, da Constituição Federal de 1988 está escrito:  A União organizará o sistema
federal de ensino e financiará as instituições de ensino públicas, federais e exercerá, em matéria
educacional, função redistributiva e supletiva, de forma a garantir equalização de oportunidades
educacionais e padrão mínimo de qualidade do ensino mediante assistência técnica e financeira aos
Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios. 
Posteriormente à LDB, ainda em 1996, foi criado o Fundo Nacional de Financiamento do Ensino
Fundamental e Valorização do Magistério (FUNDEF), ampliado a partir de 2007 ao restante da
educação básica, passando a se chamar Fundo Nacional de Financiamento da Educação Básica e
Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB). De acordo com informe elaborado por Cleo
Manhães (2019), do Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC), esses fundos representam uma
tentativa de racionalização do gasto com a educação.
Saiba mais
Nas palavras do próprio Instituto de Estudos Socioeconômicos: “No mundo em que vivemos, nada é mais
urgente do que a garantia de direitos humanos para todas e todos. Para isso acontecer, precisamos
melhorar processos democráticos, fortalecer cidadãos e movimentos populares e combater todas as
formas de opressão, desigualdade e preconceito.” 
Em relação ao problema do subfinanciamento, um dos motivos
apontados pela analista é o fato de a União subdimensionar o custo-
aluno para não ser obrigada a repassar os valores não atingidos por
estados e municípios, como previsto na normatização do FUNDEB. 
O cálculo do FUNDEB também é feito de acordo com o número de matrícula na educação básica pública de
acordo com os dados do último censo escolar, feito anualmente. Divide-se o montante pelo número de
matriculados para se obter o valor por aluno e em seguida repassar aos Estados e municípios a parte que cabe a
cada um. Aqueles que não atingirem o valor mínimo por aluno deverão ter complementação da União
(MANHÃES, 2019, p. 2).
Saiba mais
A transição do FUNDEF para o FUNDEB significou o aumento da complementação da União aos fundos
estaduais, de R$492 milhões, em 2006, para cerca de R$14 bilhões, em 2019. [...] Como sempre houve um
subfinanciamento da Educação, ao FUNDEB foram acrescidos novos recursos, como os oriundos do IPVA,
por exemplo, ampliando o financiamento e o número de alunos atendidos, mas não equacionando, ainda, a
questão do subfinanciamento (MANHÃES, 2019). 
O debate em torno da destinação das verbas públicas é tão antigo quanto o próprio debate em torno da
educação pública. E, no que se refere à legislação e aos debates públicos, tão oscilante quanto os demais
debates tratados neste estudo.
Em diferentes momentos e normatizações, houve impossibilidade de
acordo em relação ao tema e aos embates entre grupos que defendiam a
exclusividade de verbas públicas para a educação pública e os que
aceitam e defendem o financiamento de instituições privadas, alegando
a prestação de serviço por parte delas, considerado público, devendo,
portanto, receber parte da verba destinada à Educação.
O termo foi seguidamente usado em leis e normas para defender, sem garantir, a destinação das verbas ao
sistema público, sendo defendido por uns e criticado por outros a cada momento.
Em nota recente, o Grupo de Trabalho Estado e Política Educacional da Associação Nacional de Pós-graduação
e Pesquisa em Educação (GT 5 – ANPEd) assume claramente a defesa da exclusividade das verbas públicas
para a educação pública.
O GT 5 ANPEd afirma:
A ANPEd, por meio da atividade de pesquisadores(as) vinculados(as) ao GT 5 – Estado e Política
Educacional, tem desenvolvido inúmeros estudos sobre a relação entre o investimento público em
Educação e a diminuição das desigualdades educacionais, estabelecida como condição para a
viabilização do direito humano à Educação. Tal relação nos levou, historicamente, à defesa não apenas
da ampliação do montante de recursos públicos, mas também de sua destinação exclusiva à escola
pública, entendida segundo o art. 19 da LDB.
A transferência de recursos públicos para escolas privadas é uma nódoa histórica do Estado brasileiro
que acentua as desigualdades escolares, efetivando-se tradicionalmente de forma indiscriminada ou
clientelista. Apesar de mantida, com restrições pela Constituição Federal de 1988, fato inédito em nossa
legislação, a temática do repasse de recursos públicos para o setor privado arrefece nos anos seguintes
à aprovação da CF/88, mas reaparece sob novas formas, impulsionada por alterações constitucionais
levadas a cabo a partir do governo de Fernando Henrique Cardoso e estimulada pela aprovaçãoda
EC-95/2016 que fixa um teto para o investimento governamental em despesas primárias.
Na legislação atual, conforme prevê o artigo 213 da Constituição, os recursos públicos podem ser destinados
também a escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas, desde que comprovem não terem fins lucrativos
e se comprometam a aplicar excedentes financeiros em Educação. De acordo com o referido artigo, inciso II,
ainda é necessário que, em caso de encerramento de atividades, destinem seu próprio patrimônio a outra escola
comunitária, filantrópica ou confessional – ou ao poder público.
Longe de concluída, como se vê nos debates atuais e nas tantas idas e vindas legais e políticas do tema, a
questão do financiamento da Educação segue mobilizando defensores de diferentes posições, que vão desde a
exclusividade de verbas públicas para a Educação e a escola pública até a defesa do financiamento de escolas
e sistemas privados com fins lucrativos.
Em texto esclarecedor sobre essa questão financeira e a relação entre público e privado na educação nacional,
afirma-se que:
No plano da legislação ordinária, o artigo 20 da LDB, ao categorizar as chamadas instituições privadas de
ensino, entende que as particulares são definidas, em sentido estrito, como as escolas instituídas e
mantidas por uma ou mais pessoas físicas ou jurídicas de direito privado, sem as características das demais
escolas privadas, isto é, comunitárias, confessionais e filantrópicas 
(MARTINS, 2005)
São entendidas como confessionais, segundo a LDB, no inciso III do referido artigo, as escolas instituídas por
grupos de pessoas físicas ou por uma ou mais pessoas jurídicas que atendem à orientação confessional e
ideologia específicas. As escolas filantrópicas são regidas por lei própria.
As escolas comunitárias, a partir da Lei 11.183, que dá uma nova redação ao inciso II do caput do art. 20 da Lei n.
9.394/96, são consideradas as instituídas por grupos de pessoas físicas ou por uma ou mais pessoas jurídicas,
inclusive cooperativas de pais, professores e alunos, que incluam em sua entidade mantenedora representantes
da comunidade.
Educação e sociedade
Neste vídeo vamos conversar sobre a Educação e sociedade e como a LDB trata dessa relação. 
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O confronto entre a unificação da oferta e o respeito à pluralidade nacional representou, em diferentes
momentos de formulação e implementação de políticas educacionais e legislação que a fundamenta, um sério
embate político. Essa discussão aparece e se expressa no que se refere a:
 
Programas de inclusão;
Modos de organização do sistema;
Termos de normas nacionais em relação aos currículos escolares em diferentes níveis e modalidades;
Direitos de diferentes segmentos populacionais ao acesso e à permanência no sistema escolar.
Poderíamos tratar de aspectos diversos, como o financiamento público para a educação privada. De um lado
busca-se a excelência em gestão de recursos, atendendo a um púbico mais amplo do que o das instituições
públicas, com regras e burocracias que as deixam menos dinâmicas. De outro lado, essas mesmas instituições
alegam não atingir a modernização necessária por falta de investimento público. O dualismo se materializa em
contradição entre a ação necessária da política pública para atender aos anseios sociais e a necessidade de
cumprir o orçamento e as demandas do capital, os quais fazem parte do Estado e de suas necessidades.
O dualismo permeia a história da educação brasileira. Veja a seguir:
A profissionalização
O exemplo mais flagrante do dualismo na educação brasileira envolve a questão da profissionalização.
Já no texto da Reforma Capanema, de 1937, fica claro que a escola para as elites deve preparar para o
prosseguimento de estudos até níveis superiores e a escola para as populações menos afortunadas
deve se limitar a ensinar o necessário para a profissionalização rápida e o ingresso no mercado de
trabalho. O estudioso Saviani (2008) esclarece: o conjunto das reformas tinha caráter centralista,
fortemente burocratizado: dualista, separando o ensino secundário, destinado às elites condutoras, do
ensino profissional, destinado ao povo e concedendo apenas ao ramo secundário a prerrogativa de
acesso a qualquer carreira de nível superior; corporativista, pois vinculava estreitamente cada ramo ou
tipo de ensino às profissões e aos ofícios requeridos pela organização social.
A chamada Reforma Capanema reformulou a estrutura da escolarização e criou o ensino colegial, que
dava acesso às universidades, paralelamente ao ramo secundário técnico/profissional, com caráter de
terminalidade.
A normatização do dualismo
A LDB 4.024/61 manteve uma normatização dualista a qual não previa – para alunos que frequentaram o
ensino técnico, voltado à formação profissional – a possibilidade de ingresso no ensino superior,
especificamente referido como possibilidade aos concluintes do colegial (atual ensino médio). Talvez
surpreendentemente, a Lei n. 5.692/1971 rompe com esse dualismo em sua estrutura ao prever a
unificação, no que passou a ser chamado de segundo grau, entre a formação propedêutica destinada ao
ingresso no nível superior e a formação profissional. Segundo a lei, todos os estabelecimentos de
ensino, públicos e/ou privados, deveriam oferecer simultaneamente formação geral e profissional.
• 
• 
• 
• 
A tentativa de superação do dualismo
A nova legislação, a partir da fusão entre sistemas antes separados de formação técnica profissional e
formação propedêutica, assume como intenção a superação do dualismo que vigorava na norma
anterior. No entanto, ao contrário do que esperavam os legisladores, a norma foi um fracasso e retirada
da lei em 1982, quando foi aprovada a Lei n. 7.044/1982, que desobrigava as instituições de ensino a
formar profissionais e a preparar estudantes para o acesso ao ensino superior simultaneamente.
Concretamente, percebe-se que a lei produziu e aprofundou a legitimação da exclusão dos estudantes
que frequentavam escolas reconhecidas pela qualidade da sua formação profissional, já que essas
nunca conseguiram oferecer, em condições ideais, a formação geral necessária para o ingresso no nível
superior.
Os alunos que frequentavam o segundo grau técnico continuaram a ter dificuldade de ingressar nas
faculdades e universidades, porque não obtinham notas suficientemente altas para alcançar as vagas
pretendidas, as quais continuaram sendo ocupadas pelos estudantes provenientes das escolas de
excelência em formação geral. Essas, por sua vez, jamais conseguiram formar dignamente profissionais
de nível médio, mas isso não era um problema, considerando que a meta das elites era o ingresso na
universidade. A partir de 1982, então, voltamos a ter o mesmo problema antes observado, de um
dualismo, que se não era mais oficial, permanecia ativo e produzindo a exclusão das classes
trabalhadoras do nível superior.
LDB em constante construção
A partir deste momento, veremos as constantes alterações e reformulações que sofreu a LDB. Observe os
assuntos a seguir:
Investimento em modelos técnicos
Fernando Henrique Cardoso
A partir dos governos de Fernando
Henrique Cardoso (1995-2003) e Luiz
Inácio Lula da Silva (2003-2010),
manteve-se um foco sobre a
necessidade do investimento em
modelos técnicos, como política pública
relativa à exclusão e à necessidade de
entrada rápida no mercado de trabalho,
mas sem reduzir o estudante ao seu
ofício, segregação clássica e já
experimentada nos modelos tecnicistas.
 
As fórmulas mantiveram o
dualismo: o primeiro criava
centros estaduais e estimulava
seu fomento pelo Ministério de
Ciência e Tecnologia, mas
também abria linhas de
investimentos para o ensino
privado criar condições de
graduações “rápidas” e cursos
tecnólogos que permitissem a
entrada no mercado de
trabalho.
Os Institutos Federais
O governo Luís Inácio mudou isso, com a
criação de Institutos Federais – substituindo e
ampliando a antiga rede herdada de períodos da
ditadura civil-militar

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