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Supply Chain Management Unidade II Prof. Luis Alberto Porto Alegre Gudergues GUDERGUES, Luis Alberto Porto Alegre Supply Chain Management (livro-texto II) / Luis Alberto Porto Alegre Gudergues. São Paulo: Pós-Graduação Lato Sensu UNIP, 2018. 31 p. : il. 1. Logística. 2. Supply Chain. 3. Cadeia Global de Valor. Pós-Graduação Lato Sensu UNIP. III. Título. APRESENTAÇÃO DO PROFESSOR-AUTOR Luis Alberto Porto Alegre Gudergues é pós-graduado em Marketing pela ESPM e graduado em Administração com ênfase em Comércio Exterior pela Faculdade Ibero-americana. Profissional com mais de 27 anos de experiência nacional e internacional na reestruturação de empresas através da implantação de projetos estratégicos, gestão da mudança e inovação dos processos (incluindo o redesenho e modelagem) nas seguintes áreas: administrativa, comercial, operacional, logística, produção e manutenção. CEO e fundador da PYXIS Soluções em Negócios – consultoria de gestão da mudança e inovação de processos de negócios. Mentor de startups na Aliança Empreendedora e InovAtiva Brasil. Professor de MBA em Administração Geral, Compras, Marketing e Pedagogia Empresarial na UNIP. Membro do Grupo de Excelência em Relações Internacionais e Comércio Exterior do Conselho Regional de Administração do estado de São Paulo (CRA/SP). SUMÁRIO INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 5 1. CADEIA GLOBAL DE VALOR .............................................................................. 6 1.1 Clusters ........................................................................................................... 10 1.2 Arranjos Produtivos Locais (APL) .................................................................... 11 1.3 Setores e estrutura econômica ........................................................................ 12 1.4 Produtividade................................................................................................... 12 1.5 Gestão das empresas e seus processos ......................................................... 14 1.6 Cadeia integrada de suprimentos .................................................................... 16 1.7 A expansão internacional por meio extensão administrativa das empresas ... 20 1.8 Modelo de gestão de serviços de logística ...................................................... 22 2. LOGÍSTICA REVERSA NA CADEIA GLOBAL DE VALOR (CGV) ..................... 25 CONSIDERAÇÕES FINAIS ...................................................................................... 28 REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 30 5 INTRODUÇÃO Dando continuidade ao livro-texto anterior, neste material haverá a discussão sobre a importância da Cadeia Global de Valores (CGV) no cenário internacional e brasileiro e como as empresas podem se inserir e se beneficiar dele. As empresas e países, em busca da constante competitividade, têm transformado as relações de compra e venda internacional padronizando e otimizando processos e construindo parcerias e relacionamentos de forma a tornar os negócios internacionais mais competitivos. Será discutida a importância dos Arranjos Produtivos Locais (APL) como contribuintes para o melhor desempenho de setores econômicos, bem como da descrição dos participantes do processo. Parte da responsabilidade do desenvolvimento das CGV está concentrada no governo, que deve criar políticas e mecanismos de desenvolvimento econômico. Por outro lado, a empresa deverá entender suas capacidades e limites, bem como seu papel dentro deste processo, que deve ser contínuo e dinâmico. A gestão formal mais a capacidade da empresa em utilizar a criatividade, o empreendedorismo e a inovação são pontos fundamentais para a empresa se destacar no cenário internacional. Ao final, será discutida a Logística Reversa na Cadeia Global de Valores, bem como da visão particular de como os serviços são analisados sob o ponto de vista dos stakeholders na cadeia de suprimentos. Para o profissional da área internacional, a importância reside em uma visão mais ampla da cadeia de suprimentos, bem como que papel e responsabilidades desempenha para a concretização do negócio de uma forma mais completa. 6 1. CADEIA GLOBAL DE VALOR Cadeia Global de Valores (CGV), conforme a APEXBRASIL (2017) e como definição inicial para o estudo e seu desenvolvimento, trata da internacionalização da produção, da cadeia de suprimentos e tudo o que envolve esses processos, do recebimento da matéria-prima e processamento, até a saída da empresa, passando pelos canais de distribuição e, finalmente, chegando no cliente final internacional. Com o crescimento de negócios e a expansão além-mar, houve a necessidade de os negócios serem repensados não de forma individual, mas como um conjunto de empresas que podem ganhar força e muitos benefícios, como aumento do poder de barganha, aumento da produtividade e principalmente a expansão sustentada de um país de forma mais competitiva. Figura 1 – Cadeia Global de Valor (CGV) Fonte: RAIA (2019) Em um primeiro momento, essa CGV significa que existem países, regiões e localidades que possuem competências essenciais que se transformam em recursos econômicos. O Brasil, devido aos seus aspectos continentais, com extensas áreas que favorecem a produção agrícola e pecuária, concentra grande parte de seus resultados econômicos em bens primários. Essas atividades econômicas exigem consideráveis recursos e esforços com baixa margem de remuneração. Entretanto, se devidamente agrupadas e organizadas (clusters), proporcionam eficiência nos processos, eficácia na gestão e transformação e efetividade nos prazos e compromissos com o mercado e demais stakeholders. 7 Figura 2 – Visão sistêmica das atividades econômicas de um país As atividades econômicas de uma país estão diretamente relacionadas: À economia de países e seus respectivos fatores produtivos: países estão inseridos em diferentes estruturais industriais, o que já indica que competências possuem em relação ao seu mercado doméstico atual, mas deve indicar também que competências deverá desenvolver para manter o seu desenvolvimento econômico. Como exemplo, tem-se a Venezuela, que teve seu desenvolvimento econômico passado na extração de petróleo (recursos naturais). Entretanto, não ocorreram investimentos em outras áreas a partir da receita originada pela extração de recursos naturais, o que influenciou na atualidade a economia do país em parte devido às flutuações de preços internacionais, bem como à má gestão pública. Uma das formas de analisar o desenvolvimento econômico de um país é por meio de indicadores, como o Produto Interno Bruto (PIB) e a Balança Comercial, dentro de sua capacidade exportadora e inseridos em um contexto político, o que ratifica os pressupostos econômicos; entretanto, esse pensamento econômico pode apresentar limitações no desenvolvimento das estratégias privadas e principalmente governamentais, com o objetivo de obter a competitividade internacional. Uma das limitações é a utilização de técnicas a partir de premissas previamente aceitas pela comunidade em que a empresa está inserida, restringindo o alcance e a amplitude de possíveis ações inovadoras que ela pode desenvolver. A evolução da cadeia global de valor está diretamente relacionada ao crescimento econômico de cada país, ao desenvolvimento da classe média e outros fatores que influenciam o aumento da logística entre regiões e a necessidade de suprimentos e matéria-prima.8 Figura 3 – Desindustrialização Fonte: Abimaq (2019). Percebe-se a importância da indústria no processo de desenvolvimento, e um dos fatores que têm interferido na economia do Brasil é o fenômeno da desindustrialização, que consiste na realidade das empresas em produzir abaixo de sua capacidade instalada de produção. No Brasil, o aumento da classe média impulsionou o consumo interno, e as empresas preferiram não atender plenamente os consumidores por meio de sua produção, mas sim pela importação de bens manufaturados. Figura 4 – Visão sistêmica da desindustrialização brasileira Com essa mudança de posicionamento estratégico, gerou-se menos empregos e baixo nível de desenvolvimento tecnológico, aprofundando então o fenômeno da desindustrialização, o que impede, em parte, o país de ingressar de forma mais consistente na cadeia global de valores. Pode-se definir que a desindustrialização é um fenômeno que ocorre quanto as empresas não utilizam 9 plenamente a sua capacidade de produção instalada, influenciando o seu nível de desenvolvimento tecnológico. Pontos a serem considerados para o desenvolvimento/recrudescimento da CGV: Produção na sua correta concepção: Um dos paradigmas rompidos a partir da ideia da CGV está na relação na forma como se concebe o processo produtivo, gestão e distribuição em ambientes globalizados. O termo “produção” não está somente limitado ao verbo produzir, aglutinar, mas principalmente ao “transformar”. O comércio exterior e internacional se baseia em dados de exportação e importação diretamente relacionados ao produto manufaturado. Deve-se considerar, nesta nova concepção, todas as fases (processos) que conduziram este bem final e em que intensidade contribuíram para a transformação dos recursos, insumos e matéria-prima. Pensando desta forma, é possível identificar que regiões do país ou globalmente podem fazer parte deste processo de fabricação, sempre em decorrência das competências de cada país. Uma empresa de sucesso deve ter a capacidade de transformar os recursos e insumos, e não simplesmente agregá-los. Transferência de tecnologia: O termo está relacionado de forma mais ampla, não se restringindo somente à Tecnologia da Informação (TI), mas à capacidade de desenvolvimento de processos que permitem que haja produtividade, economia de escala e sinergia, ampliando a capacidade de produção com a qualidade e a escalabilidade do negócio. Dicken (2010, p.92) afirma que a mudança tecnológica depende, principalmente, da transformação das inovações utilizáveis e a posterior adoção e divulgação ou difusão dessas inovações. Na esfera econômica, isso é basicamente um processo empreendedor. Percebe-se, neste aspecto, conforme comentado anteriormente, que o governo deve identificar e planejar em que cenário futuro pretende que o país esteja e providenciar investimentos, inclusive em tecnologia, para a conquista do sucesso econômico. Indica, inclusive, o capital intelectual e o perfil da população, indicando que caminhos devem ser desenvolvidos para a capacitação e o desenvolvimento das competências dessa mesma população. Integração entre produção e tecnologia; Se anteriormente frisamos a importância de quebra da fabricação por partes (processos em regiões diferentes), um dos grandes desafios é a aglutinação de todos os esforços no produto final, de forma a fazer com que o consumidor final perceba o valor recebido. Esse valor recebido é a integração e sinergia que, somadas, resultam em valores maiores que a simples conta matemática, mesmo que se originem de países em níveis diferentes de desenvolvimento econômico e tecnológico. Desta forma, a aceitação será maior do bem por parte do mercado consumidor nacional e internacional. Inserção do país do comércio internacional: As operações de comércio exterior e internacional derivam dos itens anteriores. Desta forma, o desenvolvimento industrial automaticamente reflete na participação do país e do 10 perfil de suas empresas no cenário internacional, indicando que o governo deve, a partir do seu planejamento público, estabelecer objetivos e metas econômicas, incluindo o que pretende em relação ao mercado externo. As CGV podem acelerar ou fazer crescer a participação das empresas no mercado por meio da integração e colaboração entre as partes envolvidas. Finalmente, as políticas públicas, que devem partir da atual situação e participação do país na economia, bem como de como estas são lastreadas. De forma em geral, esse direcionamento está relacionado em bases econômicas, políticas e sociais, integrando o que muitos entendem como bases desenvolvimentistas e menos socialistas. O Ministério da Economia, Desenvolvimento, Indústria, Comércio Exterior e Serviços deve ser um dos responsáveis pelas diretrizes e formulação de objetivos para o desenvolvimento econômico do país. Adicionalmente, a Câmara de Comércio Exterior (CAMEX) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE) complementam, com o ministério citado anteriormente, as políticas e diretrizes do país para a sua inserção e desenvolvimento no mercado internacional. Para o profissional da área internacional e de logística, é importante a identificação de em qual composição de recursos produtivos a empresa está inserida no sentido de entender o que deverá adquirir, bem como comercializar; que políticas públicas são adotadas e como incorporar os possíveis benefícios e incentivos ao negócio de forma a ganhar competitividade. 1.1 Clusters Para entender melhor a CGV, temos de discutir o conceito de cluster. Na indústria, é a concentração de empresas que possuem características semelhantes e estão na mesma área geográfica, como a indústria calçadista da cidade de Franca (SP). Devido à concentração, existe a colaboração entre os envolvidos e os resultados se tornam mais fortes e eficientes. Porter (1990) afirma que as grandes empresas internacionais se concentram em poucos países e, em muitos casos, em regiões mais restritas. Esse fenômeno ocorre em decorrência dos fatores de produção, estrutura industrial e rivalidade entre as empresas, influenciando a vantagem competitiva das empresas sediadas em algumas regiões. Segundo Couromodas (2013), o Rio Grande do Sul (RS) é um dos principais clusters de couro e produtos calçadistas do mundo. Anteriormente, todo o sistema do estado não era organizado, tendo várias fazendas, criadoras de gado, abatedouros, frigoríficos, empresas calçadistas e exportadores, cada um operando de formas e objetivos diferentes. Com a padronização e concentração em clusters, a indústria calçadista se beneficiou, concentrando algumas das principais marcas de sapatos brasileiros. Seguem alguns itens que beneficiaram a indústria calçadista: 11 Concentração dos principais stakeholders que contribuem para o sistema de valor da indústria calçadista, incluindo, inclusive, os fornecedores de matéria- prima e serviços. Concentração da produção, inclusive com a de mão de obra especializada e a possível troca de tecnologia. Design dos calçados de acordo com as principais tendências da moda mundial, combinadas com a qualidade dos produtos. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), foram exportados 113,47 milhões de pares, equivalentes a US$ 976 milhões em 2018. Embora esse valor tenha sido menor comparativamente a anos anteriores, ainda assim é bastante representativo de como a “clusterização” é importante para os resultados de negócios. No caso da CGV, não existe a formalização nem a existência de uma outra empresa jurídica para gerenciar as empresas, havendo um consenso entre as partes, inclusive as governamentais. Essa situação não descarta a possibilidade das empresas de estabelecer ações conjuntas. Uma delas, vivenciada pelo autor desta unidade, é a união de alguns restaurantes da mesma região em São Paulo no sentidode realizar a aquisição de suas matérias-primas básicas, como arroz, feijão, óleo, açúcar, café e similares de forma cooperada (em conjunto), de forma a obter volume e poder de barganha junto aos seus fornecedores. 1.2 Arranjos Produtivos Locais (APL) De forma mais contemporânea, os clusters são reconhecidos como Arranjos Produtivos Locais (APL). Dependem de investimentos privados, porém grande parte da sua formação envolve a iniciativa da gestão pública quando identificada a oportunidade de expansão de negócios a partir de competências regionais. Segundo o Banco do Brasil (2019), os APL contribuem para o desenvolvimento sustentável do país, pois a organização da produção potencializa a força das empresas, em especial de pequeno porte, resultando na maior eficiência e competitividade nacional e internacional. A instituição, como entidade pública, promove a inserção em novos mercados, modernização e expansão do negócio, bem como a capacitação de profissionais, a cooperação, incentivos e governança corporativa. Nas políticas públicas, os APL devem estar contextualizados em: Identificação dos segmentos produtivos que podem apresentar potencialidade de negócios com diferenciais competitivos para se constituírem em APL, conforme sua significância regional, nacional e até internacional; Definição de ações conjuntas com o governo para os respectivos apoios e fortalecimento dos arranjos, respeitando os critérios e normas de órgãos municipais, estaduais e federais; 12 Estímulos no sentido de incentivar a parceria, a sinergia, a cooperação e a colaboração das partes envolvidas. Na anuência, deve haver algum tipo de formalização, mas não tão rígida como um acordo ou tratado internacional; Grau de rivalidade entre as possíveis empresas do arranjo, o que pode alavancar ou prejudicar a colaboração e contribuição conjuntas. Os interesses devem ser mútuos, embora sejam empresas com estruturas e objetivos possivelmente diferenciados; Propor modelos de gestão multissetorial nas ações privadas e principalmente das públicas para o desenvolvimento e fortalecimento das ações. Neste sentido, o próximo subcapítulo irá aprofundar o assunto. 1.3 Setores e estrutura econômica Cada país possui uma estrutura industrial que tem comportamentos específicos, que podem demandar mais ou menos esforços para o seu desenvolvimento. Como todo país, o Brasil é constituído por dezenas de empresas que podem ser agrupadas em setores econômicos, de acordo com a sua estrutura e objetivos econômicos, como o setor agrícola, pecuária, automobilística, têxtil, entre outros. Essa situação dificulta a implementação de programas econômicos e sociais, pois devem ocorrer incentivos e benefícios de forma individualizada por setor, e não por grupos de setores que se integram, como ocorre com o setor automobilístico norte-americano. Os Estados Unidos da América (EUA) possuem estrutura similar, mas que se interconectam. A indústria automobilística é um dos principais geradores de empregos e impostos em qualquer economia, e que se comunica estrategicamente com outros, como o de aço, de vidro, entre outros. O governo americano, então, tem facilidade em oferecer incentivos pontuais para determinados segmentos econômicos, como o automobilístico, e influenciar positivamente em outros setores. Voltando ao Brasil, temos setores considerados fortes, como o agropecuário, porém, que se interconecta com alguns setores como, por exemplo, o de máquinas agrícolas, rações e fertilizantes. 1.4 Produtividade O Brasil necessita desenvolver suas vantagens competitivas e, num primeiro momento, repensar o que acha que tem. Suas dimensões continentais, histórico e mão de obra conduzem ao agribusiness. Entretanto, para a inserção na nova economia e para se tornar competitivo, o país deve aprimorar sua produtividade. Produtividade é definida como a relação direta entre o que é produzido e os respectivos fatores econômicos – pessoas, máquinas, recursos e insumos – empregados. Trata-se de um importante indicador de gestão que permite avaliar se os fatores de produção estão sendo utilizados de forma produtiva e permite que possíveis gaps sejam identificados e corrigidos para obter mais produtividade. 13 Esses fatores econômicos (ou produtivos) podem ser desmembrados e podem ser atribuídos a eles “pesos” em decorrência de sua importância. Destaca-se nesta parte a importância da mão de obra. A baixa produtividade da mão de obra brasileira, bem como das empresas, decorre de vários fatores, como: Figura 4 – Produtividade do trabalhador Fonte: Conference Board (2013). Falta de qualidade das Instituições de Ensino Superior (IES), que apresentam programas (conteúdos) padronizados pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC) e não segmentados de acordo com as necessidades e competências centrais de cada região. Falta de profissionalismo por parte da mão de obra, que resulta em um perfil que necessita de extenso investimento em treinamentos e programas de capacitação onerando as empresas, que necessitam de profissionais especializados. Falta de monitoramento e auditoria de qualidade em muitos segmentos, que não avaliam os produtos e serviços das empresas. Neste caso, o grande problema é que quem será o principal avaliador será o mercado internacional, consumindo ou não o produto final. Desta forma, outro importante fator que influencia o ingresso do país nas CGV refere-se à capacidade instalada das empresas, que, em muitos casos, é influenciada pela desindustrialização, mas também pela baixa produtividade das empresas e de seu público interno e da qualidade dos serviços prestados, que diminuem consideravelmente a competitividade brasileira frente ao mercado internacional. 14 1.5 Gestão das empresas e seus processos A empresa pode optar por assumir toda a operação – desde a produção interna até a entrega ao consumidor final em outro país. Figura 5 – Visão sistêmica interna ao país Fonte: International Centre for Trade and Sustainable Development - OMC (2019) Os componentes do canal de distribuição podem ser representados por grandes empresas, bem como aqueles responsáveis por pequenas operações. Cavulgil, Knight e Riesenberger (2010, p.53) afirmam que há três categorias principais de intermediários: Baseados no país de origem, onde existem intermediários que se constituem como atacadistas que identificam oportunidades de compra e auxiliam os fabricantes na exportação de produtos, como no caso das tradings companies, conforme representação geral da figura 8. Baseados no mercado externo, onde o negócio conta com a participação de stakeholders presentes no país-destino, como representantes do fabricante, distribuidores e agentes externos, que podem desenvolver regionalmente pesquisas e ações de marketing para melhor sensibilizar o mercado. Os que operam pela internet, onde pode ocorrer a desintermediação, em que a empresa realiza as operações de compra e venda on-line diretamente para consumidor final. Esse processo beneficia as pequenas e médias empresas, pois pode fragmentar suas vendas para o mercado internacional. 15 Bowersox, Closs e Cooper (2007, p.18-19) afirmam que além do crescimento do volume de vendas, a empresa é impulsionada por aumentos na eficiência operacional, a saber: O mercado global oferece oportunidades significativas na aquisição estratégica de matéria-prima, peças e componentes, bem como de bens manufaturados. Kuazaqui (2007) conceitua a estratégia de global sourcing como a identificação do melhor fornecedor de matéria-prima e serviços, estando onde ele estiver no mundo, incluindo: Figura 6 – Global Sourcing Fonte: Industry Week (2019) A matéria-prima deve ter a intensidade de qualidade necessária para incorporar valor no processo de transformação para o produto final. Nem sempre o mercadodoméstico pode atender a empresa quanto ao volume e preços necessários; O preço deve ser considerado o mais justo e, neste sentido, aquele que incorporar o menor custo ao fabricante; esse preço pode ser obtido a partir dos volumes negociados e/ou da negociação com os fornecedores de matéria-prima e serviço da empresa; Deve ser dado maior prazo de pagamento, para que o fabricante tenha condições de adquirir, vender e pagar ao fornecedor internacional, diminuindo as suas despesas financeiras. É uma situação diferente da obtenção de adiantamentos de contratos de câmbio (ACC) ou de empréstimos de terceiros, por exemplo. A empresa obtém benefícios se puder adquirir matéria-prima no mercado interno e internacional em melhores condições e em escala, reduzindo riscos de falta e custos e aumentando a eficiência operacional e financeira, como acontece em vários setores da economia, como farmacêutica, automobilística, entre outros. Em outras palavras, o negócio se torna mais competitivo. 16 Existem editoras de fascículos no exterior, como na Espanha e na China, por exemplo, que adquirem matéria-prima como papel e tinta em grandes volumes, imprime regionalmente e realiza a exportação em idiomas diferentes para vários países, inclusive em português. Figura 7 – Fluxo de entrada e saída entre países Resta para as empresas eliminar e/ou reduzir as barreiras culturais e político- legais, que fazem parte do planejamento de internacionalização da empresa, como relações trabalhistas diferentes daquelas do país de origem, diferenças entre prestadores de serviços etc. A empresa deve identificar os porteiros e facilitadores, aqueles stakeholders que podem franquear a entrada e operação de negócios no país. As primeiras montadoras que entraram no mercado brasileiro, tiveram de importar as peças dos automóveis e posteriormente desenvolver os próprios fornecedores de matéria-prima, os canais de distribuição (concessionárias) e até os canais específicos que possibilitaram a exportação dos veículos. Esse movimento gerou consequências mais amplas no sistema de valor, como a oferta de cursos superiores para atender as demandas de mão de obra, capacitação e treinamento, bem como entidades como os sindicatos e a Anfavea, por exemplo. 1.6 Cadeia integrada de suprimentos Com as CGV, também se modificam os atores que participam das transações entre países. Se antes os bens eram exportados de acordo com as necessidades básicas de cada país importador, cujas operações eram processadas individualmente, a presença de clusters internacionais permite que as necessidades sejam relacionadas ao sistema de produção – o chamado “BtoB” (Business to Business). Resulta-se disso que as operações devem ser processadas 17 individualmente, dentro das capacidades e limites do planejamento estratégico da empresa, bem como todo o sistema de valores desencadeado pela CGV, conforme representa a figura a seguir. Figura 8 – Representação simplificada de processos de logística integrada no contexto de comércio exterior Os processos relacionados à logística e distribuição física devem ser executados em diferentes formas e em diferentes formatos organizacionais. Tudo vai depender da complexidade da operação e de outros fatores, como: Capacidade organizacional da empresa em realizar a gestão da operação, desde o início da aquisição de matéria-prima no país de origem até a confirmação do recebimento da mercadoria no país-destino. Estrutura do setor em que a empresa está inserida e como com ela se relaciona. Empresas podem horizontalizar, verticalizar ou adotar um modelo híbrido, de acordo com suas necessidades e situações que o ambiente de negócios pode oferecer. As empresas devem procurar a composição de acordo com as diferentes características de outras empresas. Presença e possibilidade de que todo o processo ou partes deste possa ser executado por uma empresa integrada e/ou grupo de empresas, como, por exemplo, atacadistas no país-destino. Existe a alteração da distribuição entre regiões, produção e consumo de bens e serviços. Cada vez mais, esses processos são por intermédio de fluxos complexos de transações e operações que ultrapassam fronteiras nacionais, exigindo uma 18 malha de transportes e comunicação interligados, restando somente as barreiras culturais e políticos-legais. A figura 7 apresenta uma CGV simplificada. Nem todos os negócios fazem parte do modelo de fluxo, pois nem todos fazem parte da geografia global. Dicken (2010, p.29) apresenta várias tendências: Processos localizantes, em que existem atividades econômicas geograficamente concentradas em algumas regiões e que contribuem pontualmente para a comunidade local, como determinados atrativos turísticos, e que se integram funcionalmente; Processos internacionalizantes, em que existe a possibilidade de expansão geográfica, como, por exemplo, do Brasil para países limítrofes, com menor nível de integração funcional; Processos globalizantes, em que existe a possibilidade de expansão geográfica ampla, como a presença da indústria automobilística norte-americana em vários países. Neste caso, com maior nível de integração funcional; Processos regionalizantes, em que existe a presença de processos altamente integrados, como da União Europeia, e apresenta um pequeno recorte, tendo a Alemanha como principal país fornecedor de insumos e outros países com partes do processo e fundamentados em tratados e acordos internacionais. Em síntese, pode-se afirmar que as grandes corporações, nos últimos anos, em busca de maior produtividade e competitividade, buscaram o aumento das vendas, a redução de custos e melhor qualidade. Tendo em vista as possibilidades de ampliação, dispersão e interconexão das atividades produtivas, comerciais e financeiras em escala global, as CGV se transformaram na força-motriz que está impulsionando as transformações e mudanças estruturais nas economias modernas (STURGEON et al., 2014): Fazem-se presentes nas agendas governamentais, pois estão relacionadas à infraestrutura dos países e economias, que melhora a produtividade e consequentemente os fluxos comerciais e investimentos, que revertem na própria sociedade e no negócio por meio de trabalho, renda e impostos. 19 Figura 9 – Representação de Cadeia Global de Valor (CGV) Fonte: OECD (2019). Incorporaram-se ao planejamento das empresas, influenciando suas estratégias das empresas e respectivos resultados econômicos, políticos, tecnológicos, sociais e de aprendizagem corporativa. O Brasil não tem uma indústria automobilística considerada essencialmente nacional, como modelos e marcas próprias, o que torna a nossa base econômica não tão forte como poderia ser. Entretanto, o país faz parte da cadeia automobilística de montadoras internacionais, o que influencia no desenvolvimento de stakeholders, como fornecedores de peças, acessórios e serviços diversos, como de mecânica, que têm propiciado o desenvolvimento de conhecimentos e competências que conduzem a um perfil qualificado de profissionais. O processo vai se intensificar e provavelmente será difícil encontrar um produto produzido 100% em determinado país. Conforme a Revista da ESPM (2015, p.4) o smartphone da Apple é comercializado nos EUA por US$ 400, sendo direcionados US$ 5,00 para a China, onde é realizada a montagem do aparelho; US$ 45,00 para o Japão e demais fornecedores que são responsáveis pelo chip. Para a Apple, que é responsável pela tecnologia, marketing e a marca, restam menos de US$ 350,00. Para o profissional da área internacional e de logística, a CGV consiste em: Identificação das estruturas em que a empresa está inserida e o mapeamento da cadeia, desde a estrutura produtiva, logística de distribuição e reversa até a venda ao consumidor final. Análise geográfica e econômica a fimde identificar que empresas compõem a cadeia, líderes e grupos estratégicos, processos produtivos semelhantes e forças que influenciam o setor e o comportamento das partes envolvidas. 20 Finalmente, o estabelecimento de normas e critérios que se constituem na governança da cadeia no sentido de apresentar um grupo de determinantes-chaves que moldam e regulam as relações dos agentes da cadeia, tanto no nível regional quanto nacional e internacional. As cadeias estão desenhadas em estruturas e é de responsabilidade da empresa a utilização, barganha e otimização da logística, dos canais de distribuição e comercialização, além da cadeia de suprimentos composta pelos fornecedores de matéria-prima e serviços. 1.7 A expansão internacional por meio extensão administrativa das empresas A dispersão e expansão geográfica podem ocorrer de forma fragmentada, utilizando outras empresas e parceiros internacionais e/ou com a presença da própria empresa com filiais e subsidiárias, principalmente, como extensão empresarial de um mesmo negócio. Com o crescimento das exportações, empresas podem entender que será de melhor proveito a instalação de escritórios comerciais, lojas, filiais e subsidiárias em outros países, o que implica: Demanda internacional suficiente para justificar os esforços e recursos a serem utilizados no curto, médio e longo prazo. Processos de internacionalização, como a abertura de uma loja em outro país, envolve maciços investimentos e recursos (humanos e de capital, entre outros) durante o período inicial de planejamento e introdução, cujo retorno será geralmente no médio e longo prazo, comprometendo outros investimentos e projetos que a empresa porventura deseje realizar. Necessidade de fontes competitivas de financiamento de origem própria (recursos próprios da empresa), de terceiros (das instituições financeiras, por exemplo), bem como a capitalização de capital por meio de stokholders e shareholders. Entraves legais e burocráticos operacionais no país de origem e no país- destino. Amatucci (2007, p.6) afirma que um dos pressupostos para avaliar se a empresa deve realizar um investimento direto em detrimento do comércio exterior reside na possibilidade de mobilidade de capital. Sem essa mobilidade, fabricar ou vender em representante próprio fora do país de origem não pode entrar nos projetos estratégicos e na alavancagem da competitividade da empresa. Para manter o controle de operações e a expansão sustentada dos negócios, a empresa pode optar pelas filiais ou subsidiárias. 21 Figura 10 – Filiais Fonte: F@360º Finanças (2019) A matriz mantém o controle gerencial principal e do negócio (posicionamento estratégico). As filiais representam e agem de acordo com as deliberações da matriz, mantendo um grau de subordinação de gestão. A subsidiária (ou controlada) é uma extensão da empresa, que desenvolve tarefas específicas para o prosseguimento dos negócios, com uma autonomia maior que a filial. Daniels & Daniels (1996) discutem duas maneiras pelas quais as empresas entendem o conceito de globalização e respectiva expansão internacional: Como a empresa pretende realiza as suas operações: Parte da premissa de que a empresa pode ter escolhas quanto ao como comprar, produzir e comercializar no ambiente interno e externo. Depende muito das estratégias combinadas e integradas, de forma a trazer melhores resultados à administração local. Onde a empresa pretende desenvolver seus negócios: Parte da premissa geográfica, em que a empresa procura ampliar o seu mercado a partir da diversificação geográfica, levando em consideração a abertura e/ou parcerias estratégicas para ampliar o alcance de seu portfólio de produtos. Nestes dois aspectos, a empresa procura a competitividade necessária e que aumente a lucratividade. Na indústria automobilística, a presença de montadoras em determinados países garante a produção mais econômica, seja na aquisição de insumos e recursos como a mão de obra, o que vai garantir o produto físico. Por outro lado, as estratégias globais conduzem às estratégias de marketing, que conduzem ao posicionamento estratégico dessas empresas. 22 Figura 11 – Grau de influência do processo de internacionalização Daniels & Daniels (1996, p.6) afirmam que empresas têm uma esfera de influência, conforme exemplificado na figura anterior, que está relacionada ao grau de influência dos relacionamentos empresariais. Está relacionada à capacidade de se estabelecer vínculos de relacionamentos estratégicos com as empresas e pessoas que fazem parte do seu negócio, bem como ao poder de barganha junto aos fornecedores de matérias-primas e serviços, instituições financeiras, canal de distribuição, clientes, entre outros. Instituições financeiras como bancos têm o dinheiro como principal matéria- prima. Podem utilizar recursos próprios, de seus clientes e do mercado interbancário nacional, negociando recursos (compra e venda de dinheiro) com outras instituições financeiras. A expansão além-mar, por meio de filiais, possibilita o acesso a novos mercados, com clientes e também acesso a novas fontes de recursos financeiros, que podem ser repassadas aos seus clientes domésticos. 1.8 Modelo de gestão de serviços de logística Tradicionalmente, a gestão da cadeia de suprimentos é tratada sempre sob o ponto de vista da transferência física da mercadoria. O olhar sobre como os serviços são executados pela empresa e demais stakeholders possibilita uma visão panorâmica de todo o sistema, em que a empresa pode identificar oportunidades como fazer melhor o seu negócio, bem como compartilhar responsabilidades com os seus principais parceiros-chave. O nível 1 trata da empresa e de seus processos, de suas capacidades e competências necessárias para atender o mercado com as necessidades que este determina. Trata da gestão regional, em que a empresa pode atuar de forma mais pontual na sua gestão interna no sentido de obter a eficiência, eficácia e efetividade empresarial. O nível 2 trata do ambiente externo da empresa e como os seus integrantes se relacionam a partir dos papéis que desempenham. Trata essencialmente do que estes stakeholders agregam ao consumidor final, como a efetividade e a segurança do que transportam e como se relacionam com os possíveis problemas que podem aparecer no desenvolvimento de seus serviços. 23 Figura 12 – Organização de serviços de logística Fonte: Dicken (2010, p. 443) Finalmente, o nível 3 trata dos serviços agregados que os stakeholders podem oferecer e desenvolver no ambiente externo, mais próximo do consumidor. Esses serviços são de extrema importância, pois estão diretamente relacionados às promessas oferecidas ao consumidor. Um ponto importante é que em todos os níveis apresentados, mas em especial neste, tem-se a capacidade de geração de dados e informações que podem propiciar à empresa uma fotografia atualizada do que deve ser mantido, descartado, atualizado e melhor desenvolvido. Fornecedor Cliente Principal provedor de logística Provedor baseado em ativos Transportador Serviços de Informação Serviços CD Serviços de encomenda Transporte Local Nível 1 Nível 2 Nível 3 24 A integração entre os stakeholders ao longo da CGV tem-se intensificado, principalmente nas economias mais desenvolvidas, sempre em busca de melhor competitividade. As colaborações entre as partes envolvidas, a troca de conhecimentos e tecnologia e objetivos comuns consolidam a ideia da importância da cadeia, bem como o surgimento de novos modelos de negócios e novas formas de ser, pensar e agir. 25 2. LOGÍSTICA REVERSA NA CADEIA GLOBAL DE VALOR (CGV) A logística reversa (ou logística inversa) é uma área da logística que trata do descartee/ou reaproveitamento de materiais com o objetivo de preservação ambiental e responsabilidade social, além de alcançar a sustentabilidade econômica do negócio. Toda empresa faz parte de um sistema de valor constituído por diversos stakeholders como fornecedores de matéria-prima e serviços, distribuidores, entre outros, que contribuem para a perenidade do negócio e da empresa. A logística reversa é definida como um instrumento de desenvolvimento econômico e social, em que a empresa, a partir de um conjunto de estratégias e ações, visa realizar a coleta e a devolução de resíduos sólidos e congêneres para os fabricantes de forma a não ocasionar nenhum dano ao ecossistema urbano. Nesta devolução, pode haver o descarte, bem como o reaproveitamento (reciclagem) em outros ciclos produtivos. A Cadeia de Porter (1990) representa as áreas internas da empresa, que servem como transformadoras para a entrega ao consumidor da empresa. A logística reversa deve analisar os processos internos de forma a eliminar possíveis gaps nas áreas e entre elas. Em um segundo momento, as empresas que fazem parte do negócio também podem contribuir para o alcance e sucesso das ações. Um parceiro externo à empresa importante são as transportadoras, que podem compor a distribuição física de bens e ser uma forma de devolução pelo mesmo canal de distribuição. Com a Revolução Industrial, desenvolvimento da tecnologia e da comunicação, o aprofundamento da globalização, além da revolução digital, propicia um ambiente favorável para o desenvolvimento das empresas, o crescimento vegetativo e o consumo nem sempre consciente. Todos esses fatores acontecem sem, contudo, políticas públicas consistentes que visem minimizar os impactos ambientais e sociais. Produtos como computadores, aparelhos de celular, pilhas, garrafas pet, papelão e latinhas são produtos acabados que sofrem o processo de reciclagem. Entretanto, considerando as operações do mercado internacional, existem outros que se incorporam tanto no produto final como nos seus agregados, como as embalagens de transporte internacional (container e as embalagens de bens importador). Computadores são produzidos em economias desenvolvidas, mas importadas por vários países que nem sempre têm condições de avaliar os danos e a aplicação de ações assertivas para conter o fenômeno. Oliveira (2008) comenta que uma das principais contribuições da empresa para a sociedade é o simples fato de ela existir, pois gera consumo, produtos, empregos e impostos. Por outro lado, empresas devem inserir nos seus objetivos e metas, ações e procedimentos que incorporem em suas práticas modos de atender a economia circular, a logística reversa para o bem-estar comum. 26 Figura 13– Logística reversa Fonte: Centro de Estudos Industriais e Tecnológicos (2019) Os benefícios não devem estar somente associados aos resultados econômicos, mas também à incorporação de processos sustentáveis obrigatórios na fabricação, distribuição e comercialização da empresa com o propósito de se adequar às exigências internacionais que protegem o meio ambiente internacional, subordinar-se às boas práticas empresariais e atender, de forma positiva, os diferentes grupos de interesse, como, por exemplo, consumidores finais, acionistas, governo e entidades governamentais (o termo evoluiu para economia circular). Trata-se de uma atualização do conceito, que anteriormente estava relacionado ao fato de a empresa ter um resíduo, descarte e/ou perda dentro do processo de fabricação; a empresa deveria ter uma solução para a reciclagem ou redução do dano ambiental. Sob nova roupagem, a Eeonomia circular traduz a necessidade de vivermos em um ambiente sustentado em que a empresa deva conceber todos os processos, desde a ideia até o descarte do produto pelo consumidor, dentro do seu plano de negócios. 27 Figura 14 – Economia circular Fonte: Texaco Lubrificantes (2019). Trata-se de um conceito econômico que tem relação com o desenvolvimento sustentado e que introduz nos processos da empresa etapas que incorporam formas de reaproveitar a matéria-prima e outros insumos de forma a garantir que resíduos deixem de ser perdas e se incorporem a novos produtos. O termo assume a comparação de que fatores de produção retornem para a natureza (neste caso, representada pela ecologia empresarial) e causem menor impacto na sociedade. Interessante comentar que esta ideologia corporativa pode ser associada à teoria desenvolvida por Geus (1999) de que a empresa é um ser vivo que depende e interage com o ambiente externo a ela. 28 CONSIDERAÇÕES FINAIS A partir de tudo que foi discutido nesta unidade, percebe-se que o fenômeno da Cadeia Global de Valores (CGC) é um processo irreversível e, cada vez mais, as estruturas de empresas e os países estarão aprofundando as relações entre as partes envolvidas. Figura 15 – Resumo do processo de expansão de negócios internacionais A gestão da cadeia de suprimentos, nacional e internacional, trará consequências nos processos, com a necessidade de estar sempre repensando o que está sendo feito, pois a área de logística é ainda uma das poucas áreas em que os gestores podem encontrar formas de reduzir custos e despesas. Baseado no que foi desenvolvido nas duas unidades da disciplina, pode-se destacar as principais conclusões sobre o país e a Cadeia Global de Valor: 29 Quadro I – Pontos fortes e pontos de melhoria do país, considerando a Cadeia Global de Valores Pontos fortes Pontos de melhoria País com dimensões continentais, com extensas áreas agrícola e pecuária. Sem competências essenciais definidas, com alto valor agregado. Mudanças de rota, política e econômica, a partir de premissas de novo governo em 2019. Ausência de políticas públicas definidas nos últimos anos. Reorganização da estrutura governamental, com a proposta de melhor competitividade. País em processo de desindustrialização. Empresas que adequaram suas práticas e procedimentos estratégicos. Falta de infraestrutura e mão de obra não especializada. Empresas que procuraram novas soluções nos mercados em decorrência das crises. Estrutura intersetorial, com diversos segmentos econômicos que não estão integrados. Desta forma, desafios e oportunidades despontam para todos aqueles que desenvolvem suas atividades na área, em especial a internacional, com foco na cadeia de suprimentos e logística. 30 REFERÊNCIAS ABIMAQ. Prejuízos acumulados com a desindustrialização. Disponível em:<https://www.conference-board.org/data/productivity.cfm>. Acesso em: 01 abr. 2019. AMATUCCI, Marcos (Org.). Internacionalização de empresas. Teorias, problemas e casos. São Paulo: Atlas, 2007. APEXBRASIL. 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