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Supply Chain Management 
 
 
 
 
Unidade II 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Luis Alberto Porto Alegre Gudergues 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
GUDERGUES, Luis Alberto Porto Alegre 
 
Supply Chain Management (livro-texto II) / Luis Alberto Porto 
Alegre Gudergues. São Paulo: Pós-Graduação Lato Sensu UNIP, 
2018. 
 
31 p. : il. 
 
 1. Logística. 2. Supply Chain. 3. Cadeia Global de Valor. 
Pós-Graduação Lato Sensu UNIP. III. Título. 
 
 
APRESENTAÇÃO DO PROFESSOR-AUTOR 
 
Luis Alberto Porto Alegre Gudergues é pós-graduado em Marketing pela 
ESPM e graduado em Administração com ênfase em Comércio Exterior pela 
Faculdade Ibero-americana. 
Profissional com mais de 27 anos de experiência nacional e internacional na 
reestruturação de empresas através da implantação de projetos estratégicos, gestão 
da mudança e inovação dos processos (incluindo o redesenho e modelagem) nas 
seguintes áreas: administrativa, comercial, operacional, logística, produção e 
manutenção. 
CEO e fundador da PYXIS Soluções em Negócios – consultoria de gestão da 
mudança e inovação de processos de negócios. 
Mentor de startups na Aliança Empreendedora e InovAtiva Brasil. Professor 
de MBA em Administração Geral, Compras, Marketing e Pedagogia Empresarial na 
UNIP. 
Membro do Grupo de Excelência em Relações Internacionais e Comércio 
Exterior do Conselho Regional de Administração do estado de São Paulo (CRA/SP). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 5 
1. CADEIA GLOBAL DE VALOR .............................................................................. 6 
1.1 Clusters ........................................................................................................... 10 
1.2 Arranjos Produtivos Locais (APL) .................................................................... 11 
1.3 Setores e estrutura econômica ........................................................................ 12 
1.4 Produtividade................................................................................................... 12 
1.5 Gestão das empresas e seus processos ......................................................... 14 
1.6 Cadeia integrada de suprimentos .................................................................... 16 
1.7 A expansão internacional por meio extensão administrativa das empresas ... 20 
1.8 Modelo de gestão de serviços de logística ...................................................... 22 
2. LOGÍSTICA REVERSA NA CADEIA GLOBAL DE VALOR (CGV) ..................... 25 
CONSIDERAÇÕES FINAIS ...................................................................................... 28 
REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 30 
 
 
 
 
 
5 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
Dando continuidade ao livro-texto anterior, neste material haverá a discussão 
sobre a importância da Cadeia Global de Valores (CGV) no cenário internacional e 
brasileiro e como as empresas podem se inserir e se beneficiar dele. 
As empresas e países, em busca da constante competitividade, têm 
transformado as relações de compra e venda internacional padronizando e 
otimizando processos e construindo parcerias e relacionamentos de forma a tornar 
os negócios internacionais mais competitivos. 
Será discutida a importância dos Arranjos Produtivos Locais (APL) como 
contribuintes para o melhor desempenho de setores econômicos, bem como da 
descrição dos participantes do processo. Parte da responsabilidade do 
desenvolvimento das CGV está concentrada no governo, que deve criar políticas e 
mecanismos de desenvolvimento econômico. 
Por outro lado, a empresa deverá entender suas capacidades e limites, bem 
como seu papel dentro deste processo, que deve ser contínuo e dinâmico. A gestão 
formal mais a capacidade da empresa em utilizar a criatividade, o 
empreendedorismo e a inovação são pontos fundamentais para a empresa se 
destacar no cenário internacional. 
Ao final, será discutida a Logística Reversa na Cadeia Global de Valores, bem 
como da visão particular de como os serviços são analisados sob o ponto de vista 
dos stakeholders na cadeia de suprimentos. Para o profissional da área 
internacional, a importância reside em uma visão mais ampla da cadeia de 
suprimentos, bem como que papel e responsabilidades desempenha para a 
concretização do negócio de uma forma mais completa. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
6 
 
 
1. CADEIA GLOBAL DE VALOR 
 
Cadeia Global de Valores (CGV), conforme a APEXBRASIL (2017) e como 
definição inicial para o estudo e seu desenvolvimento, trata da internacionalização 
da produção, da cadeia de suprimentos e tudo o que envolve esses processos, do 
recebimento da matéria-prima e processamento, até a saída da empresa, passando 
pelos canais de distribuição e, finalmente, chegando no cliente final internacional. 
Com o crescimento de negócios e a expansão além-mar, houve a 
necessidade de os negócios serem repensados não de forma individual, mas como 
um conjunto de empresas que podem ganhar força e muitos benefícios, como 
aumento do poder de barganha, aumento da produtividade e principalmente a 
expansão sustentada de um país de forma mais competitiva. 
 
Figura 1 – Cadeia Global de Valor (CGV) 
 
Fonte: RAIA (2019) 
 
Em um primeiro momento, essa CGV significa que existem países, regiões e 
localidades que possuem competências essenciais que se transformam em recursos 
econômicos. O Brasil, devido aos seus aspectos continentais, com extensas áreas 
que favorecem a produção agrícola e pecuária, concentra grande parte de seus 
resultados econômicos em bens primários. Essas atividades econômicas exigem 
consideráveis recursos e esforços com baixa margem de remuneração. 
Entretanto, se devidamente agrupadas e organizadas (clusters), 
proporcionam eficiência nos processos, eficácia na gestão e transformação e 
efetividade nos prazos e compromissos com o mercado e demais stakeholders. 
 
 
7 
 
Figura 2 – Visão sistêmica das atividades econômicas de um país 
 
 
 
As atividades econômicas de uma país estão diretamente relacionadas: 
 
 À economia de países e seus respectivos fatores produtivos: países 
estão inseridos em diferentes estruturais industriais, o que já indica que 
competências possuem em relação ao seu mercado doméstico atual, mas deve 
indicar também que competências deverá desenvolver para manter o seu 
desenvolvimento econômico. Como exemplo, tem-se a Venezuela, que teve seu 
desenvolvimento econômico passado na extração de petróleo (recursos naturais). 
Entretanto, não ocorreram investimentos em outras áreas a partir da receita 
originada pela extração de recursos naturais, o que influenciou na atualidade a 
economia do país em parte devido às flutuações de preços internacionais, bem 
como à má gestão pública. 
Uma das formas de analisar o desenvolvimento econômico de um país é por 
meio de indicadores, como o Produto Interno Bruto (PIB) e a Balança Comercial, 
dentro de sua capacidade exportadora e inseridos em um contexto político, o que 
ratifica os pressupostos econômicos; entretanto, esse pensamento econômico pode 
apresentar limitações no desenvolvimento das estratégias privadas e principalmente 
governamentais, com o objetivo de obter a competitividade internacional. Uma das 
limitações é a utilização de técnicas a partir de premissas previamente aceitas pela 
comunidade em que a empresa está inserida, restringindo o alcance e a amplitude 
de possíveis ações inovadoras que ela pode desenvolver. 
A evolução da cadeia global de valor está diretamente relacionada ao 
crescimento econômico de cada país, ao desenvolvimento da classe média e outros 
fatores que influenciam o aumento da logística entre regiões e a necessidade de 
suprimentos e matéria-prima.8 
 
Figura 3 – Desindustrialização 
 
Fonte: Abimaq (2019). 
 
Percebe-se a importância da indústria no processo de desenvolvimento, e um 
dos fatores que têm interferido na economia do Brasil é o fenômeno da 
desindustrialização, que consiste na realidade das empresas em produzir abaixo de 
sua capacidade instalada de produção. No Brasil, o aumento da classe média 
impulsionou o consumo interno, e as empresas preferiram não atender plenamente 
os consumidores por meio de sua produção, mas sim pela importação de bens 
manufaturados. 
 
Figura 4 – Visão sistêmica da desindustrialização brasileira 
 
 
Com essa mudança de posicionamento estratégico, gerou-se menos 
empregos e baixo nível de desenvolvimento tecnológico, aprofundando então o 
fenômeno da desindustrialização, o que impede, em parte, o país de ingressar de 
forma mais consistente na cadeia global de valores. Pode-se definir que a 
desindustrialização é um fenômeno que ocorre quanto as empresas não utilizam 
 
9 
 
plenamente a sua capacidade de produção instalada, influenciando o seu nível de 
desenvolvimento tecnológico. 
Pontos a serem considerados para o desenvolvimento/recrudescimento da 
CGV: 
 Produção na sua correta concepção: Um dos paradigmas rompidos a 
partir da ideia da CGV está na relação na forma como se concebe o processo 
produtivo, gestão e distribuição em ambientes globalizados. O termo “produção” não 
está somente limitado ao verbo produzir, aglutinar, mas principalmente ao 
“transformar”. 
O comércio exterior e internacional se baseia em dados de exportação e 
importação diretamente relacionados ao produto manufaturado. Deve-se considerar, 
nesta nova concepção, todas as fases (processos) que conduziram este bem final e 
em que intensidade contribuíram para a transformação dos recursos, insumos e 
matéria-prima. Pensando desta forma, é possível identificar que regiões do país ou 
globalmente podem fazer parte deste processo de fabricação, sempre em 
decorrência das competências de cada país. Uma empresa de sucesso deve ter a 
capacidade de transformar os recursos e insumos, e não simplesmente agregá-los. 
 Transferência de tecnologia: O termo está relacionado de forma mais 
ampla, não se restringindo somente à Tecnologia da Informação (TI), mas à 
capacidade de desenvolvimento de processos que permitem que haja produtividade, 
economia de escala e sinergia, ampliando a capacidade de produção com a 
qualidade e a escalabilidade do negócio. 
Dicken (2010, p.92) afirma que a mudança tecnológica depende, 
principalmente, 
 
da transformação das inovações utilizáveis e a posterior adoção e 
divulgação ou difusão dessas inovações. Na esfera econômica, isso é 
basicamente um processo empreendedor. 
 
Percebe-se, neste aspecto, conforme comentado anteriormente, que o 
governo deve identificar e planejar em que cenário futuro pretende que o país esteja 
e providenciar investimentos, inclusive em tecnologia, para a conquista do sucesso 
econômico. Indica, inclusive, o capital intelectual e o perfil da população, indicando 
que caminhos devem ser desenvolvidos para a capacitação e o desenvolvimento 
das competências dessa mesma população. 
Integração entre produção e tecnologia; Se anteriormente frisamos a 
importância de quebra da fabricação por partes (processos em regiões diferentes), 
um dos grandes desafios é a aglutinação de todos os esforços no produto final, de 
forma a fazer com que o consumidor final perceba o valor recebido. Esse valor 
recebido é a integração e sinergia que, somadas, resultam em valores maiores que 
a simples conta matemática, mesmo que se originem de países em níveis diferentes 
de desenvolvimento econômico e tecnológico. Desta forma, a aceitação será maior 
do bem por parte do mercado consumidor nacional e internacional. 
 Inserção do país do comércio internacional: As operações de comércio 
exterior e internacional derivam dos itens anteriores. Desta forma, o 
desenvolvimento industrial automaticamente reflete na participação do país e do 
 
10 
 
perfil de suas empresas no cenário internacional, indicando que o governo deve, a 
partir do seu planejamento público, estabelecer objetivos e metas econômicas, 
incluindo o que pretende em relação ao mercado externo. As CGV podem acelerar 
ou fazer crescer a participação das empresas no mercado por meio da integração e 
colaboração entre as partes envolvidas. 
 Finalmente, as políticas públicas, que devem partir da atual situação e 
participação do país na economia, bem como de como estas são lastreadas. De 
forma em geral, esse direcionamento está relacionado em bases econômicas, 
políticas e sociais, integrando o que muitos entendem como bases 
desenvolvimentistas e menos socialistas. O Ministério da Economia, 
Desenvolvimento, Indústria, Comércio Exterior e Serviços deve ser um dos 
responsáveis pelas diretrizes e formulação de objetivos para o desenvolvimento 
econômico do país. 
Adicionalmente, a Câmara de Comércio Exterior (CAMEX) e o Ministério das 
Relações Exteriores (MRE) complementam, com o ministério citado anteriormente, 
as políticas e diretrizes do país para a sua inserção e desenvolvimento no mercado 
internacional. 
Para o profissional da área internacional e de logística, é importante a 
identificação de em qual composição de recursos produtivos a empresa está inserida 
no sentido de entender o que deverá adquirir, bem como comercializar; que políticas 
públicas são adotadas e como incorporar os possíveis benefícios e incentivos ao 
negócio de forma a ganhar competitividade. 
 
1.1 Clusters 
 
Para entender melhor a CGV, temos de discutir o conceito de cluster. Na 
indústria, é a concentração de empresas que possuem características semelhantes 
e estão na mesma área geográfica, como a indústria calçadista da cidade de Franca 
(SP). Devido à concentração, existe a colaboração entre os envolvidos e os 
resultados se tornam mais fortes e eficientes. 
Porter (1990) afirma que as grandes empresas internacionais se concentram 
em poucos países e, em muitos casos, em regiões mais restritas. Esse fenômeno 
ocorre em decorrência dos fatores de produção, estrutura industrial e rivalidade 
entre as empresas, influenciando a vantagem competitiva das empresas sediadas 
em algumas regiões. 
Segundo Couromodas (2013), o Rio Grande do Sul (RS) é um dos principais 
clusters de couro e produtos calçadistas do mundo. Anteriormente, todo o sistema 
do estado não era organizado, tendo várias fazendas, criadoras de gado, 
abatedouros, frigoríficos, empresas calçadistas e exportadores, cada um operando 
de formas e objetivos diferentes. Com a padronização e concentração em clusters, a 
indústria calçadista se beneficiou, concentrando algumas das principais marcas de 
sapatos brasileiros. Seguem alguns itens que beneficiaram a indústria calçadista: 
 
 
11 
 
 Concentração dos principais stakeholders que contribuem para o sistema 
de valor da indústria calçadista, incluindo, inclusive, os fornecedores de matéria-
prima e serviços. 
 Concentração da produção, inclusive com a de mão de obra especializada 
e a possível troca de tecnologia. 
 Design dos calçados de acordo com as principais tendências da moda 
mundial, combinadas com a qualidade dos produtos. 
 
Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), 
foram exportados 113,47 milhões de pares, equivalentes a US$ 976 milhões em 
2018. Embora esse valor tenha sido menor comparativamente a anos anteriores, 
ainda assim é bastante representativo de como a “clusterização” é importante para 
os resultados de negócios. 
No caso da CGV, não existe a formalização nem a existência de uma outra 
empresa jurídica para gerenciar as empresas, havendo um consenso entre as 
partes, inclusive as governamentais. Essa situação não descarta a possibilidade das 
empresas de estabelecer ações conjuntas. Uma delas, vivenciada pelo autor desta 
unidade, é a união de alguns restaurantes da mesma região em São Paulo no 
sentidode realizar a aquisição de suas matérias-primas básicas, como arroz, feijão, 
óleo, açúcar, café e similares de forma cooperada (em conjunto), de forma a obter 
volume e poder de barganha junto aos seus fornecedores. 
 
1.2 Arranjos Produtivos Locais (APL) 
 
De forma mais contemporânea, os clusters são reconhecidos como Arranjos 
Produtivos Locais (APL). Dependem de investimentos privados, porém grande parte 
da sua formação envolve a iniciativa da gestão pública quando identificada a 
oportunidade de expansão de negócios a partir de competências regionais. 
Segundo o Banco do Brasil (2019), os APL contribuem para o 
desenvolvimento sustentável do país, pois a organização da produção potencializa a 
força das empresas, em especial de pequeno porte, resultando na maior eficiência e 
competitividade nacional e internacional. A instituição, como entidade pública, 
promove a inserção em novos mercados, modernização e expansão do negócio, 
bem como a capacitação de profissionais, a cooperação, incentivos e governança 
corporativa. Nas políticas públicas, os APL devem estar contextualizados em: 
 
 Identificação dos segmentos produtivos que podem apresentar 
potencialidade de negócios com diferenciais competitivos para se constituírem em 
APL, conforme sua significância regional, nacional e até internacional; 
 Definição de ações conjuntas com o governo para os respectivos apoios e 
fortalecimento dos arranjos, respeitando os critérios e normas de órgãos municipais, 
estaduais e federais; 
 
12 
 
 Estímulos no sentido de incentivar a parceria, a sinergia, a cooperação e a 
colaboração das partes envolvidas. Na anuência, deve haver algum tipo de 
formalização, mas não tão rígida como um acordo ou tratado internacional; 
 Grau de rivalidade entre as possíveis empresas do arranjo, o que pode 
alavancar ou prejudicar a colaboração e contribuição conjuntas. Os interesses 
devem ser mútuos, embora sejam empresas com estruturas e objetivos 
possivelmente diferenciados; 
 Propor modelos de gestão multissetorial nas ações privadas e 
principalmente das públicas para o desenvolvimento e fortalecimento das ações. 
Neste sentido, o próximo subcapítulo irá aprofundar o assunto. 
 
1.3 Setores e estrutura econômica 
 
Cada país possui uma estrutura industrial que tem comportamentos 
específicos, que podem demandar mais ou menos esforços para o seu 
desenvolvimento. Como todo país, o Brasil é constituído por dezenas de empresas 
que podem ser agrupadas em setores econômicos, de acordo com a sua estrutura e 
objetivos econômicos, como o setor agrícola, pecuária, automobilística, têxtil, entre 
outros. Essa situação dificulta a implementação de programas econômicos e sociais, 
pois devem ocorrer incentivos e benefícios de forma individualizada por setor, e não 
por grupos de setores que se integram, como ocorre com o setor automobilístico 
norte-americano. 
Os Estados Unidos da América (EUA) possuem estrutura similar, mas que se 
interconectam. A indústria automobilística é um dos principais geradores de 
empregos e impostos em qualquer economia, e que se comunica estrategicamente 
com outros, como o de aço, de vidro, entre outros. 
O governo americano, então, tem facilidade em oferecer incentivos pontuais 
para determinados segmentos econômicos, como o automobilístico, e influenciar 
positivamente em outros setores. 
Voltando ao Brasil, temos setores considerados fortes, como o agropecuário, 
porém, que se interconecta com alguns setores como, por exemplo, o de máquinas 
agrícolas, rações e fertilizantes. 
 
1.4 Produtividade 
 
O Brasil necessita desenvolver suas vantagens competitivas e, num primeiro 
momento, repensar o que acha que tem. Suas dimensões continentais, histórico e 
mão de obra conduzem ao agribusiness. Entretanto, para a inserção na nova 
economia e para se tornar competitivo, o país deve aprimorar sua produtividade. 
Produtividade é definida como a relação direta entre o que é produzido e os 
respectivos fatores econômicos – pessoas, máquinas, recursos e insumos – 
empregados. Trata-se de um importante indicador de gestão que permite avaliar se 
os fatores de produção estão sendo utilizados de forma produtiva e permite que 
possíveis gaps sejam identificados e corrigidos para obter mais produtividade. 
 
13 
 
Esses fatores econômicos (ou produtivos) podem ser desmembrados e 
podem ser atribuídos a eles “pesos” em decorrência de sua importância. Destaca-se 
nesta parte a importância da mão de obra. A baixa produtividade da mão de obra 
brasileira, bem como das empresas, decorre de vários fatores, como: 
 
Figura 4 – Produtividade do trabalhador 
 
Fonte: Conference Board (2013). 
 
 Falta de qualidade das Instituições de Ensino Superior (IES), que 
apresentam programas (conteúdos) padronizados pelo Ministério da Educação e 
Cultura (MEC) e não segmentados de acordo com as necessidades e competências 
centrais de cada região. 
 Falta de profissionalismo por parte da mão de obra, que resulta em um 
perfil que necessita de extenso investimento em treinamentos e programas de 
capacitação onerando as empresas, que necessitam de profissionais especializados. 
 Falta de monitoramento e auditoria de qualidade em muitos segmentos, 
que não avaliam os produtos e serviços das empresas. Neste caso, o grande 
problema é que quem será o principal avaliador será o mercado internacional, 
consumindo ou não o produto final. 
Desta forma, outro importante fator que influencia o ingresso do país nas CGV 
refere-se à capacidade instalada das empresas, que, em muitos casos, é 
influenciada pela desindustrialização, mas também pela baixa produtividade das 
empresas e de seu público interno e da qualidade dos serviços prestados, que 
diminuem consideravelmente a competitividade brasileira frente ao mercado 
internacional. 
 
 
14 
 
1.5 Gestão das empresas e seus processos 
 
A empresa pode optar por assumir toda a operação – desde a produção 
interna até a entrega ao consumidor final em outro país. 
 
Figura 5 – Visão sistêmica interna ao país 
 
Fonte: International Centre for Trade and Sustainable Development - OMC (2019) 
 
Os componentes do canal de distribuição podem ser representados por 
grandes empresas, bem como aqueles responsáveis por pequenas operações. 
Cavulgil, Knight e Riesenberger (2010, p.53) afirmam que há três categorias 
principais de intermediários: 
 Baseados no país de origem, onde existem intermediários que se 
constituem como atacadistas que identificam oportunidades de compra e auxiliam os 
fabricantes na exportação de produtos, como no caso das tradings companies, 
conforme representação geral da figura 8. 
 Baseados no mercado externo, onde o negócio conta com a participação 
de stakeholders presentes no país-destino, como representantes do fabricante, 
distribuidores e agentes externos, que podem desenvolver regionalmente pesquisas 
e ações de marketing para melhor sensibilizar o mercado. 
 Os que operam pela internet, onde pode ocorrer a desintermediação, em 
que a empresa realiza as operações de compra e venda on-line diretamente para 
consumidor final. Esse processo beneficia as pequenas e médias empresas, pois 
pode fragmentar suas vendas para o mercado internacional. 
 
 
15 
 
Bowersox, Closs e Cooper (2007, p.18-19) afirmam que além do crescimento 
do volume de vendas, a empresa é impulsionada por aumentos na eficiência 
operacional, a saber: 
 O mercado global oferece oportunidades significativas na aquisição 
estratégica de matéria-prima, peças e componentes, bem como de bens 
manufaturados. 
Kuazaqui (2007) conceitua a estratégia de global sourcing como a 
identificação do melhor fornecedor de matéria-prima e serviços, estando onde ele 
estiver no mundo, incluindo: 
 
Figura 6 – Global Sourcing 
 
Fonte: Industry Week (2019) 
 
 A matéria-prima deve ter a intensidade de qualidade necessária para 
incorporar valor no processo de transformação para o produto final. Nem sempre o 
mercadodoméstico pode atender a empresa quanto ao volume e preços 
necessários; 
 O preço deve ser considerado o mais justo e, neste sentido, aquele que 
incorporar o menor custo ao fabricante; esse preço pode ser obtido a partir dos 
volumes negociados e/ou da negociação com os fornecedores de matéria-prima e 
serviço da empresa; 
 Deve ser dado maior prazo de pagamento, para que o fabricante tenha 
condições de adquirir, vender e pagar ao fornecedor internacional, diminuindo as 
suas despesas financeiras. É uma situação diferente da obtenção de adiantamentos 
de contratos de câmbio (ACC) ou de empréstimos de terceiros, por exemplo. 
 
A empresa obtém benefícios se puder adquirir matéria-prima no mercado 
interno e internacional em melhores condições e em escala, reduzindo riscos de falta 
e custos e aumentando a eficiência operacional e financeira, como acontece em 
vários setores da economia, como farmacêutica, automobilística, entre outros. Em 
outras palavras, o negócio se torna mais competitivo. 
 
16 
 
Existem editoras de fascículos no exterior, como na Espanha e na China, por 
exemplo, que adquirem matéria-prima como papel e tinta em grandes volumes, 
imprime regionalmente e realiza a exportação em idiomas diferentes para vários 
países, inclusive em português. 
 
Figura 7 – Fluxo de entrada e saída entre países 
 
 
Resta para as empresas eliminar e/ou reduzir as barreiras culturais e político-
legais, que fazem parte do planejamento de internacionalização da empresa, como 
relações trabalhistas diferentes daquelas do país de origem, diferenças entre 
prestadores de serviços etc. A empresa deve identificar os porteiros e facilitadores, 
aqueles stakeholders que podem franquear a entrada e operação de negócios no 
país. 
As primeiras montadoras que entraram no mercado brasileiro, tiveram de 
importar as peças dos automóveis e posteriormente desenvolver os próprios 
fornecedores de matéria-prima, os canais de distribuição (concessionárias) e até os 
canais específicos que possibilitaram a exportação dos veículos. Esse movimento 
gerou consequências mais amplas no sistema de valor, como a oferta de cursos 
superiores para atender as demandas de mão de obra, capacitação e treinamento, 
bem como entidades como os sindicatos e a Anfavea, por exemplo. 
 
1.6 Cadeia integrada de suprimentos 
 
Com as CGV, também se modificam os atores que participam das transações 
entre países. Se antes os bens eram exportados de acordo com as necessidades 
básicas de cada país importador, cujas operações eram processadas 
individualmente, a presença de clusters internacionais permite que as necessidades 
sejam relacionadas ao sistema de produção – o chamado “BtoB” (Business to 
Business). Resulta-se disso que as operações devem ser processadas 
 
17 
 
individualmente, dentro das capacidades e limites do planejamento estratégico da 
empresa, bem como todo o sistema de valores desencadeado pela CGV, conforme 
representa a figura a seguir. 
 
Figura 8 – Representação simplificada de processos de logística integrada no contexto 
de comércio exterior 
 
 
 
Os processos relacionados à logística e distribuição física devem ser 
executados em diferentes formas e em diferentes formatos organizacionais. Tudo vai 
depender da complexidade da operação e de outros fatores, como: 
 Capacidade organizacional da empresa em realizar a gestão da operação, 
desde o início da aquisição de matéria-prima no país de origem até a confirmação 
do recebimento da mercadoria no país-destino. 
 Estrutura do setor em que a empresa está inserida e como com ela se 
relaciona. Empresas podem horizontalizar, verticalizar ou adotar um modelo híbrido, 
de acordo com suas necessidades e situações que o ambiente de negócios pode 
oferecer. As empresas devem procurar a composição de acordo com as diferentes 
características de outras empresas. 
 Presença e possibilidade de que todo o processo ou partes deste possa ser 
executado por uma empresa integrada e/ou grupo de empresas, como, por exemplo, 
atacadistas no país-destino. 
 
Existe a alteração da distribuição entre regiões, produção e consumo de bens 
e serviços. Cada vez mais, esses processos são por intermédio de fluxos complexos 
de transações e operações que ultrapassam fronteiras nacionais, exigindo uma 
 
18 
 
malha de transportes e comunicação interligados, restando somente as barreiras 
culturais e políticos-legais. 
A figura 7 apresenta uma CGV simplificada. Nem todos os negócios fazem 
parte do modelo de fluxo, pois nem todos fazem parte da geografia global. Dicken 
(2010, p.29) apresenta várias tendências: 
 Processos localizantes, em que existem atividades econômicas 
geograficamente concentradas em algumas regiões e que contribuem pontualmente 
para a comunidade local, como determinados atrativos turísticos, e que se integram 
funcionalmente; 
 Processos internacionalizantes, em que existe a possibilidade de 
expansão geográfica, como, por exemplo, do Brasil para países limítrofes, com 
menor nível de integração funcional; 
 Processos globalizantes, em que existe a possibilidade de expansão 
geográfica ampla, como a presença da indústria automobilística norte-americana em 
vários países. Neste caso, com maior nível de integração funcional; 
 Processos regionalizantes, em que existe a presença de processos 
altamente integrados, como da União Europeia, e apresenta um pequeno recorte, 
tendo a Alemanha como principal país fornecedor de insumos e outros países com 
partes do processo e fundamentados em tratados e acordos internacionais. 
Em síntese, pode-se afirmar que as grandes corporações, nos últimos anos, 
em busca de maior produtividade e competitividade, buscaram o aumento das 
vendas, a redução de custos e melhor qualidade. Tendo em vista as possibilidades 
de ampliação, dispersão e interconexão das atividades produtivas, comerciais e 
financeiras em escala global, as CGV se transformaram na força-motriz que está 
impulsionando as transformações e mudanças estruturais nas economias modernas 
(STURGEON et al., 2014): 
 Fazem-se presentes nas agendas governamentais, pois estão relacionadas 
à infraestrutura dos países e economias, que melhora a produtividade e 
consequentemente os fluxos comerciais e investimentos, que revertem na própria 
sociedade e no negócio por meio de trabalho, renda e impostos. 
 
 
19 
 
Figura 9 – Representação de Cadeia Global de Valor (CGV) 
 
Fonte: OECD (2019). 
 
 Incorporaram-se ao planejamento das empresas, influenciando suas 
estratégias das empresas e respectivos resultados econômicos, políticos, 
tecnológicos, sociais e de aprendizagem corporativa. 
 
O Brasil não tem uma indústria automobilística considerada essencialmente 
nacional, como modelos e marcas próprias, o que torna a nossa base econômica 
não tão forte como poderia ser. Entretanto, o país faz parte da cadeia 
automobilística de montadoras internacionais, o que influencia no desenvolvimento 
de stakeholders, como fornecedores de peças, acessórios e serviços diversos, como 
de mecânica, que têm propiciado o desenvolvimento de conhecimentos e 
competências que conduzem a um perfil qualificado de profissionais. 
O processo vai se intensificar e provavelmente será difícil encontrar um 
produto produzido 100% em determinado país. Conforme a Revista da ESPM (2015, 
p.4) o smartphone da Apple é comercializado nos EUA por US$ 400, sendo 
direcionados US$ 5,00 para a China, onde é realizada a montagem do aparelho; 
US$ 45,00 para o Japão e demais fornecedores que são responsáveis pelo chip. 
Para a Apple, que é responsável pela tecnologia, marketing e a marca, restam 
menos de US$ 350,00. 
 
Para o profissional da área internacional e de logística, a CGV consiste em: 
 
 Identificação das estruturas em que a empresa está inserida e o 
mapeamento da cadeia, desde a estrutura produtiva, logística de distribuição e 
reversa até a venda ao consumidor final. 
 Análise geográfica e econômica a fimde identificar que empresas 
compõem a cadeia, líderes e grupos estratégicos, processos produtivos 
semelhantes e forças que influenciam o setor e o comportamento das partes 
envolvidas. 
 
20 
 
 Finalmente, o estabelecimento de normas e critérios que se constituem na 
governança da cadeia no sentido de apresentar um grupo de determinantes-chaves 
que moldam e regulam as relações dos agentes da cadeia, tanto no nível regional 
quanto nacional e internacional. 
 
As cadeias estão desenhadas em estruturas e é de responsabilidade da 
empresa a utilização, barganha e otimização da logística, dos canais de distribuição 
e comercialização, além da cadeia de suprimentos composta pelos fornecedores de 
matéria-prima e serviços. 
 
1.7 A expansão internacional por meio extensão administrativa das 
empresas 
 
A dispersão e expansão geográfica podem ocorrer de forma fragmentada, 
utilizando outras empresas e parceiros internacionais e/ou com a presença da 
própria empresa com filiais e subsidiárias, principalmente, como extensão 
empresarial de um mesmo negócio. 
Com o crescimento das exportações, empresas podem entender que será de 
melhor proveito a instalação de escritórios comerciais, lojas, filiais e subsidiárias em 
outros países, o que implica: 
 Demanda internacional suficiente para justificar os esforços e recursos a 
serem utilizados no curto, médio e longo prazo. Processos de internacionalização, 
como a abertura de uma loja em outro país, envolve maciços investimentos e 
recursos (humanos e de capital, entre outros) durante o período inicial de 
planejamento e introdução, cujo retorno será geralmente no médio e longo prazo, 
comprometendo outros investimentos e projetos que a empresa porventura deseje 
realizar. 
 Necessidade de fontes competitivas de financiamento de origem própria 
(recursos próprios da empresa), de terceiros (das instituições financeiras, por 
exemplo), bem como a capitalização de capital por meio de stokholders e 
shareholders. 
 Entraves legais e burocráticos operacionais no país de origem e no país-
destino. 
 
Amatucci (2007, p.6) afirma que um dos pressupostos para avaliar se a 
empresa deve realizar um investimento direto em detrimento do comércio exterior 
reside na possibilidade de mobilidade de capital. 
 
Sem essa mobilidade, fabricar ou vender em representante próprio fora do 
país de origem não pode entrar nos projetos estratégicos e na alavancagem 
da competitividade da empresa. 
 
Para manter o controle de operações e a expansão sustentada dos negócios, 
a empresa pode optar pelas filiais ou subsidiárias. 
 
21 
 
Figura 10 – Filiais 
 
Fonte: F@360º Finanças (2019) 
 
A matriz mantém o controle gerencial principal e do negócio (posicionamento 
estratégico). As filiais representam e agem de acordo com as deliberações da matriz, 
mantendo um grau de subordinação de gestão. A subsidiária (ou controlada) é uma 
extensão da empresa, que desenvolve tarefas específicas para o prosseguimento 
dos negócios, com uma autonomia maior que a filial. 
Daniels & Daniels (1996) discutem duas maneiras pelas quais as empresas 
entendem o conceito de globalização e respectiva expansão internacional: 
 Como a empresa pretende realiza as suas operações: Parte da 
premissa de que a empresa pode ter escolhas quanto ao como comprar, produzir e 
comercializar no ambiente interno e externo. Depende muito das estratégias 
combinadas e integradas, de forma a trazer melhores resultados à administração 
local. 
 Onde a empresa pretende desenvolver seus negócios: Parte da 
premissa geográfica, em que a empresa procura ampliar o seu mercado a partir da 
diversificação geográfica, levando em consideração a abertura e/ou parcerias 
estratégicas para ampliar o alcance de seu portfólio de produtos. 
Nestes dois aspectos, a empresa procura a competitividade necessária e que 
aumente a lucratividade. Na indústria automobilística, a presença de montadoras em 
determinados países garante a produção mais econômica, seja na aquisição de 
insumos e recursos como a mão de obra, o que vai garantir o produto físico. Por 
outro lado, as estratégias globais conduzem às estratégias de marketing, que 
conduzem ao posicionamento estratégico dessas empresas. 
 
 
22 
 
Figura 11 – Grau de influência do processo de internacionalização 
 
Daniels & Daniels (1996, p.6) afirmam que empresas têm uma esfera de 
influência, conforme exemplificado na figura anterior, que está relacionada ao grau 
de influência dos relacionamentos empresariais. Está relacionada à capacidade de 
se estabelecer vínculos de relacionamentos estratégicos com as empresas e 
pessoas que fazem parte do seu negócio, bem como ao poder de barganha junto 
aos fornecedores de matérias-primas e serviços, instituições financeiras, canal de 
distribuição, clientes, entre outros. 
Instituições financeiras como bancos têm o dinheiro como principal matéria-
prima. Podem utilizar recursos próprios, de seus clientes e do mercado interbancário 
nacional, negociando recursos (compra e venda de dinheiro) com outras instituições 
financeiras. A expansão além-mar, por meio de filiais, possibilita o acesso a novos 
mercados, com clientes e também acesso a novas fontes de recursos financeiros, 
que podem ser repassadas aos seus clientes domésticos. 
 
1.8 Modelo de gestão de serviços de logística 
 
Tradicionalmente, a gestão da cadeia de suprimentos é tratada sempre sob o 
ponto de vista da transferência física da mercadoria. O olhar sobre como os serviços 
são executados pela empresa e demais stakeholders possibilita uma visão 
panorâmica de todo o sistema, em que a empresa pode identificar oportunidades 
como fazer melhor o seu negócio, bem como compartilhar responsabilidades com os 
seus principais parceiros-chave. 
O nível 1 trata da empresa e de seus processos, de suas capacidades e 
competências necessárias para atender o mercado com as necessidades que este 
determina. Trata da gestão regional, em que a empresa pode atuar de forma mais 
pontual na sua gestão interna no sentido de obter a eficiência, eficácia e efetividade 
empresarial. 
O nível 2 trata do ambiente externo da empresa e como os seus integrantes 
se relacionam a partir dos papéis que desempenham. Trata essencialmente do que 
estes stakeholders agregam ao consumidor final, como a efetividade e a segurança 
do que transportam e como se relacionam com os possíveis problemas que podem 
aparecer no desenvolvimento de seus serviços. 
 
 
23 
 
Figura 12 – Organização de serviços de logística 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: Dicken (2010, p. 443) 
 
Finalmente, o nível 3 trata dos serviços agregados que os stakeholders 
podem oferecer e desenvolver no ambiente externo, mais próximo do consumidor. 
Esses serviços são de extrema importância, pois estão diretamente relacionados às 
promessas oferecidas ao consumidor. Um ponto importante é que em todos os 
níveis apresentados, mas em especial neste, tem-se a capacidade de geração de 
dados e informações que podem propiciar à empresa uma fotografia atualizada do 
que deve ser mantido, descartado, atualizado e melhor desenvolvido. 
Fornecedor Cliente 
Principal 
provedor de 
logística 
Provedor 
baseado em 
ativos 
Transportador Serviços de 
Informação 
Serviços 
CD 
Serviços de 
encomenda 
Transporte 
Local 
Nível 1 
Nível 2 
Nível 3 
 
24 
 
A integração entre os stakeholders ao longo da CGV tem-se intensificado, 
principalmente nas economias mais desenvolvidas, sempre em busca de melhor 
competitividade. As colaborações entre as partes envolvidas, a troca de 
conhecimentos e tecnologia e objetivos comuns consolidam a ideia da importância 
da cadeia, bem como o surgimento de novos modelos de negócios e novas formas 
de ser, pensar e agir. 
 
 
25 
 
2. LOGÍSTICA REVERSA NA CADEIA GLOBAL DE VALOR (CGV) 
 
A logística reversa (ou logística inversa) é uma área da logística que trata do 
descartee/ou reaproveitamento de materiais com o objetivo de preservação 
ambiental e responsabilidade social, além de alcançar a sustentabilidade econômica 
do negócio. Toda empresa faz parte de um sistema de valor constituído por diversos 
stakeholders como fornecedores de matéria-prima e serviços, distribuidores, entre 
outros, que contribuem para a perenidade do negócio e da empresa. 
A logística reversa é definida como um instrumento de desenvolvimento 
econômico e social, em que a empresa, a partir de um conjunto de estratégias e 
ações, visa realizar a coleta e a devolução de resíduos sólidos e congêneres para os 
fabricantes de forma a não ocasionar nenhum dano ao ecossistema urbano. Nesta 
devolução, pode haver o descarte, bem como o reaproveitamento (reciclagem) em 
outros ciclos produtivos. 
A Cadeia de Porter (1990) representa as áreas internas da empresa, que 
servem como transformadoras para a entrega ao consumidor da empresa. A 
logística reversa deve analisar os processos internos de forma a eliminar possíveis 
gaps nas áreas e entre elas. Em um segundo momento, as empresas que fazem 
parte do negócio também podem contribuir para o alcance e sucesso das ações. Um 
parceiro externo à empresa importante são as transportadoras, que podem compor a 
distribuição física de bens e ser uma forma de devolução pelo mesmo canal de 
distribuição. 
Com a Revolução Industrial, desenvolvimento da tecnologia e da 
comunicação, o aprofundamento da globalização, além da revolução digital, propicia 
um ambiente favorável para o desenvolvimento das empresas, o crescimento 
vegetativo e o consumo nem sempre consciente. Todos esses fatores acontecem 
sem, contudo, políticas públicas consistentes que visem minimizar os impactos 
ambientais e sociais. 
Produtos como computadores, aparelhos de celular, pilhas, garrafas pet, 
papelão e latinhas são produtos acabados que sofrem o processo de reciclagem. 
Entretanto, considerando as operações do mercado internacional, existem outros 
que se incorporam tanto no produto final como nos seus agregados, como as 
embalagens de transporte internacional (container e as embalagens de bens 
importador). Computadores são produzidos em economias desenvolvidas, mas 
importadas por vários países que nem sempre têm condições de avaliar os danos e 
a aplicação de ações assertivas para conter o fenômeno. 
Oliveira (2008) comenta que uma das principais contribuições da empresa 
para a sociedade é o simples fato de ela existir, pois gera consumo, produtos, 
empregos e impostos. Por outro lado, empresas devem inserir nos seus objetivos e 
metas, ações e procedimentos que incorporem em suas práticas modos de atender 
a economia circular, a logística reversa para o bem-estar comum. 
 
 
 
 
26 
 
Figura 13– Logística reversa 
 
Fonte: Centro de Estudos Industriais e Tecnológicos (2019) 
 
Os benefícios não devem estar somente associados aos resultados 
econômicos, mas também à incorporação de processos sustentáveis obrigatórios na 
fabricação, distribuição e comercialização da empresa com o propósito de se 
adequar às exigências internacionais que protegem o meio ambiente internacional, 
subordinar-se às boas práticas empresariais e atender, de forma positiva, os 
diferentes grupos de interesse, como, por exemplo, consumidores finais, acionistas, 
governo e entidades governamentais (o termo evoluiu para economia circular). 
Trata-se de uma atualização do conceito, que anteriormente estava 
relacionado ao fato de a empresa ter um resíduo, descarte e/ou perda dentro do 
processo de fabricação; a empresa deveria ter uma solução para a reciclagem ou 
redução do dano ambiental. Sob nova roupagem, a Eeonomia circular traduz a 
necessidade de vivermos em um ambiente sustentado em que a empresa deva 
conceber todos os processos, desde a ideia até o descarte do produto pelo 
consumidor, dentro do seu plano de negócios. 
 
 
27 
 
Figura 14 – Economia circular 
 
Fonte: Texaco Lubrificantes (2019). 
 
Trata-se de um conceito econômico que tem relação com o desenvolvimento 
sustentado e que introduz nos processos da empresa etapas que incorporam formas 
de reaproveitar a matéria-prima e outros insumos de forma a garantir que resíduos 
deixem de ser perdas e se incorporem a novos produtos. O termo assume a 
comparação de que fatores de produção retornem para a natureza (neste caso, 
representada pela ecologia empresarial) e causem menor impacto na sociedade. 
Interessante comentar que esta ideologia corporativa pode ser associada à teoria 
desenvolvida por Geus (1999) de que a empresa é um ser vivo que depende e 
interage com o ambiente externo a ela. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
28 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
A partir de tudo que foi discutido nesta unidade, percebe-se que o fenômeno 
da Cadeia Global de Valores (CGC) é um processo irreversível e, cada vez mais, as 
estruturas de empresas e os países estarão aprofundando as relações entre as 
partes envolvidas. 
 
Figura 15 – Resumo do processo de expansão de negócios internacionais 
 
A gestão da cadeia de suprimentos, nacional e internacional, trará 
consequências nos processos, com a necessidade de estar sempre repensando o 
que está sendo feito, pois a área de logística é ainda uma das poucas áreas em que 
os gestores podem encontrar formas de reduzir custos e despesas. 
Baseado no que foi desenvolvido nas duas unidades da disciplina, pode-se 
destacar as principais conclusões sobre o país e a Cadeia Global de Valor: 
 
 
29 
 
Quadro I – Pontos fortes e pontos de melhoria do país, considerando a 
Cadeia Global de Valores 
Pontos fortes Pontos de melhoria 
País com dimensões continentais, com 
extensas áreas agrícola e pecuária. 
Sem competências essenciais 
definidas, com alto valor agregado. 
Mudanças de rota, política e econômica, 
a partir de premissas de novo governo 
em 2019. 
Ausência de políticas públicas definidas 
nos últimos anos. 
Reorganização da estrutura 
governamental, com a proposta de 
melhor competitividade. 
País em processo de 
desindustrialização. 
Empresas que adequaram suas práticas 
e procedimentos estratégicos. 
Falta de infraestrutura e mão de obra 
não especializada. 
Empresas que procuraram novas 
soluções nos mercados em decorrência 
das crises. 
Estrutura intersetorial, com diversos 
segmentos econômicos que não estão 
integrados. 
 
Desta forma, desafios e oportunidades despontam para todos aqueles que 
desenvolvem suas atividades na área, em especial a internacional, com foco na 
cadeia de suprimentos e logística. 
 
30 
 
 
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