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AULA 3 ADMINISTRAÇÃO PÚBLIC A ESTRATÉGICA – PLANEJAMENTO, FERRAMENTAS E IMPLANTAÇÃO 2 TEMA 1 – FERRAMENTAS DO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO Nesta aula veremos algumas ferramentas que podem ser aplicadas para implantar ou auxiliar a execução do planejamento estratégico. Já vimos algumas delas anteriormente, como a Matriz SWOT, os 5W2H e as Cinco Forças de Porter. Essas ferramentas são utilizadas por organizações públicas ou privadas que buscam otimizar suas ações no direcionamento de seu planejamento estratégico. Mas para que servem essas ferramentas? Qual é o seu propósito? Diversas ferramentas e técnicas foram desenvolvidas com o objetivo de auxiliar os gestores a identificar oportunidades e dificuldades da organização e do ambiente em que está inserida e tomar decisões referentes ao planejamento estratégico, considerando os aspectos envolvidos interna e externamente. Essas ferramentas procuram coordenar os esforços e organizar os recursos de maneira adequada para direcionar as atividades na execução daquilo que é previsto no planejamento. Podemos elencar como alguns dos benefícios advindos da utilização de ferramentas: • Ampliação do entendimento sobre ambiente de negócios, questões estratégicas, oportunidades e ameaças, o que ajuda a reduzir o risco envolvido na tomada de certas decisões; • Melhor compreensão das vantagens competitivas da organização pelos seus pontos fortes e minimização de possíveis problemas causados pelos pontos fracos conhecidos na empresa; • Desenvolvimento de cenários para compreender possíveis rumos da organização e minimização de riscos de investimentos errados ou tomadas de decisões imprecisas; • Estabelecimento de prioridades em algumas ações que devem concentrar mais esforços que outras em virtude de critérios como gravidade, urgência ou tendência; • Facilitação de comunicação entre os setores e a estrutura vertical da organização, pois envolve e estimula a participação de todos nas ações propostas. 3 Ainda neste primeiro tema, apresentaremos uma ferramenta que não é tão recente, mas que tem se popularizado devido à sua utilização em empresas de tecnologia, principalmente as grandes do Vale do Silício. Na sequência, nos demais temas, falaremos sobre ferramentas tradicionais utilizadas largamente por todos os tipos de companhias, públicas e privadas, e de todos os portes para auxiliar na elaboração, na implantação e no acompanhamento do planejamento estratégico. 1.1 Método objectives and keys results (OKR) O método objectives and keys results (OKR, objetivos e resultados chave) é um método de planejamento e estabelecimento de metas que se popularizou por ser utilizado como ferramenta de gestão e planejamento estratégico pelo Google, que vem apresentando um crescimento astronômico e inquestionável em termos de estrutura, faturamento, número de funcionários e sucesso nos últimos anos. O método OKR originou-se do management by objectives (MBO, gestão por objetivos), metodologia desenvolvida por Peter Drucker e posteriormente adaptada por Andy Grove, CEO da Intel, para o modelo de OKRs que as empresas utilizam atualmente. Um OKR consiste em um objetivo, que define uma meta a ser alcançada, e até cinco resultados chave, que medem o progresso em direção ao objetivo. Cada OKR também pode ter iniciativas, que descrevem o trabalho necessário para impulsionar o progresso nos principais resultados. Eles normalmente são usados para definir metas de curto prazo, pois são mais fáceis de monitorar e corrigir, mas também podem ser usados em um planejamento anual. Esse método inclui várias regras que ajudam os funcionários a priorizar, alinhar, focalizar e medir o resultado do trabalho que fazem. O método do OKR ajuda na disseminação da estratégia corporativa aos funcionários de forma mensurável para que todos saibam o que se espera de cada um. Também ajuda as empresas a passar de um planejamento no papel para uma abordagem baseada em resultados para o trabalho. 4 1.1.1 Conceitos fundamentais dos OKRs De acordo com Felipe Castro em The beginner’s guide to OKR (S.d.), não existe uma única maneira de usar o OKR, e cada organização deve adaptá-lo à sua realidade. Mas existem alguns pontos em comum, que são os chamados conceitos fundamentais da metodologia. Em vez de fazer um planejamento estático anual, o OKR adota uma abordagem ágil por meio de ciclos de objetivos mais curtos (bimestrais, mensais ou até diários, dependendo da agilidade da organização), que facilitam a adaptação a mudanças. O uso de OKR é simples e os objetivos e resultados devem ser fáceis de entender. No modelo original da Intel, segundo os autores, as metas eram definidas mensalmente, o que exigia um processo rápido para a época. Atualmente, as empresas que adotam o OKR reduzem o tempo gasto na definição de metas de meses para dias e assim, com esse tempo extra, podem dedicar seu tempo a atingir seus objetivos e não para defini-los. Analisaremos a seguir algumas características dos OKRs: • Ambiciosos: segundo essa metodologia, se sua empresa consegue facilmente atingir ou superar objetivos, alguma coisa está errada. Seus OKRs devem manter todos atentos e motivados para tentar conquistar os objetivos, pois somente assim será possível expandir o crescimento da empresa. Então, pense grande para prosperar; • Mensuráveis: cada resultado chave precisa ter um indicador preciso, por exemplo: "aumentar o número de atendimentos em 15%" em vez de simplesmente "ampliar o atendimento". Esse valor pode estar expresso em percentual, data de vencimento ou valor absoluto; • Colaborativos: todos os colaboradores devem conhecer os OKRs, não apenas os gerentes ou executivos. Essa participação de todos permite a colaboração entre indivíduos e departamentos, já que todos conhecem as tarefas em que todos estão trabalhando; • Graduados: No final do período (trimestre ou ano), a empresa deve atribuir uma nota para cada resultado chave, verificando se conseguiu atingir ou 5 não o previsto, ou quem sabe até superar ou ter que desistir. Essa comparação é importante para analisar os resultados e identificar onde poderiam ter sido investidos mais esforços, ou aquelas áreas em que a empresa realmente se superou. TEMA 2 – MATRIZ BCG Certamente, uma das ferramentas de estratégia mais conhecidas nos ambientes empresarial e acadêmico é a Matriz BCG – ou Matriz de Portfólio de Produto. Criada pelo Boston Consulting Group (de quem herdou o nome), a Matriz BCG fornece uma estrutura para análise de produtos considerando as variáveis de crescimento do produto e a participação de mercado da organização e de seus concorrentes. Essa matriz vem sendo utilizada desde a sua criação, na década de 1970, como uma ferramenta que auxilia o planejamento estratégico, direcionando as organizações a investir nos melhores produtos e aproveitar as oportunidades de crescimento de participação de mercado – se esse mercado também estiver em expansão. Com o conhecimento de seu crescimento e de sua participação no mercado, bem como das empresas concorrentes, a Matriz BCG reúne informações para facilitar o processo de tomada de decisão, mas não considera em sua abordagem: • Mudanças de cenários; • Mudanças no perfil do consumidor; • Novos produtos ou novos concorrentes; • Outras variações não previstas que possam ocorrer no ambiente externo. Assim como ocorre com outras ferramentas, existem muitos sites que disponibilizam modelos on-line da Matriz BCG. Por sua simplicidade, ela pode ser desenhada em um quadro ou no computador. Figura 1 – Matriz BGC 6 Créditos: mindroom14/Shutterstock. Comopodemos observar na Figura 1, existem quatro quadrantes, e uma linha horizontal e uma vertical. Analisaremos, então, cada um deles para que você compreenda a matriz e como o planejamento estratégico pode se utilizar dela para tomar decisões, desenhar ou redirecionar algum objetivo. Os quadrantes são distribuídos conforme as linhas de crescimento de mercado (linha vertical) e de participação de mercado (linha horizontal). Como as setas indicam, nos quadrantes inferiores, consideramos produtos cujo mercado está com baixo crescimento; nos quadrantes superiores, com alto crescimento. Com relação à participação de mercado, os produtos dos quadrantes da direita apresentam baixa participação em relação aos seus concorrentes, enquanto os da esquerda têm alta participação, tendo também maior representatividade no mercado do que a concorrência. Os quadrantes são representados por símbolos, como podemos ver na imagem: estrela (superior esquerdo); ponto de interrogação (superior direito); vaca leiteira (inferior esquerdo); e cachorro (inferior direito). A seguir, conheceremos as características de cada um deles separadamente. 7 2.1 Estrelas Representam os produtos com maior participação de mercado em um cenário com alto crescimento, ou seja, que são um sucesso de vendas. As estrelas são aquelas unidades de negócios ou produtos que mais trazem resultado para as organizações. Mas, da mesma maneira que geram muitos lucros, demandam muitos investimentos para se estabelecer em primeiro lugar. 2.2 Vaca leiteira Representa os produtos consolidados no mercado e que trazem mais dinheiro para as empresas do que consomem. São mais lucrativos, pois apresentam alta participação de mercado, são produzidos em larga escala e não têm grandes necessidades de novos investimentos em um mercado com baixas perspectivas de crescimento. Esses produtos podem fornecer capital para transformar os pontos de interrogação em possíveis líderes de mercado, cobrindo os custos e investimentos nesses novos negócios. Produtos do tipo vaca leiteira devem sempre ser mantidos pelas empresas para a manutenção da produtividade e a geração de capital para novos negócios. 2.3 Cachorro (ou abacaxi) Representa unidades ou produtos que têm uma baixa participação de mercado e uma baixa taxa de crescimento. Trata-se daqueles produtos que não demandam grandes investimentos, porém não trazem muito dinheiro para a empresa. Podem ser considerados um “investimento furado”, porque as empresas têm recursos presos a esses produtos e quase nenhum retorno. Podem ser considerados como os principais candidatos a desinvestimento. 2.4 Pontos de interrogação Representam os produtos considerados com grandes perspectivas de crescimento, mas com baixa participação de mercado. Demandam muitos recursos, mas não trazem resultados; fazem perder dinheiro, mas como têm 8 rápido crescimento, há potencial de se transformarem em um produto do tipo estrela. As empresas são aconselhadas a investir em produtos do tipo ponto de interrogação se eles tiverem potencial de crescimento ou se não forem vendidos. A situação ideal é aquela em que a empresa tenha produtos em todos os quadrantes para manter o equilíbrio entre investimento e retorno. Embora seja uma ótima ferramenta, a Matriz do BCG não é para todos os negócios. Algumas empresas acham que não têm produtos em todos os quadrantes, nem movimento constante de produtos entre os quadrantes à medida que progridem em seus ciclos de vida. Alguns consultores defendem o uso da Matriz GE/McKinsey, que veremos mais adiante, que oferece mais opções de categorização e mede os produtos de acordo com a força da unidade de negócios e a atratividade do setor em vez de participação de mercado, cuja complexidade pode estar fora do controle de uma empresa individual. Comparar os dois modelos pode revelar insights ocultos que estimulam o aumento do crescimento de sua empresa. TEMA 3 – MATRIZ GE/MCKINSEY De modo semelhante à Matriz BCG, a Matriz GE/McKinsey, elaborada pela General Eletric (GE) e pela empresa de consultoria McKinsey & Company na década de 1970, é uma ferramenta de estratégia que oferece uma abordagem sistemática para que a empresa de múltiplos negócios possa priorizar seus investimentos entre suas unidades. Também chamada de Nove Caixas, essa matriz ajuda a organização a priorizar os investimentos necessários para cada unidade de negócios de acordo com sua atratividade. No entanto, ela vai além da Matriz BCG, que é considerada por alguns como limitada por analisar apenas dois fatores para posicionar unidades de negócios estratégicas na matriz, enquanto na GE/McKinsey são utilizados vários fatores para avaliar a atratividade de produto/mercado, a saber: • Tamanho; • Taxas de crescimento; • Diversidade e estrutura competitivas; 9 • Rentabilidade; • Impactos tecnológicos; • Impactos sociais; • Impactos ambientais; • Impactos legais; • Impactos humanos. E, para avaliar a força dos negócios, essa matriz utiliza dez fatores: 1. Tamanho; 2. Taxa de crescimento; 3. Quota de mercado; 4. Rentabilidade; 5. Margens; 6. Posição tecnológica; 7. Forças e fraquezas; 8. Imagem; 9. Impacto ambiental; 10. Gestão. A GE acredita que esses são os fatores chave para seus negócios, que juntos influenciam o retorno sobre o investimento. Essa lista de fatores da GE pode ser modificada para cada empresa de acordo com suas próprias necessidades e particularidades. O importante é que sejam analisados os fatores que realmente causarão impacto na gestão e no planejamento da empresa. 3.1 Construção da Matriz GE/McKinsey Conhecendo-se as unidades de negócios ou produtos e os fatores apresentados anteriormente, devemos considerar os cinco passos a seguir para compilar a Matriz GE/McKinsey: 1. Identificar unidades estratégicas de negócios; 2. Determinar fatores que contribuam para a atratividade do mercado (não necessariamente serão analisados todos os fatores para todas as unidades, mas aqueles pertinentes a ela); 10 3. Determinar fatores que contribuam para a posição de negócios; 4. Estabelecer maneiras de medir a atratividade do mercado e a posição de negócios; 5. Classificar cada unidade de negócios de acordo com seu nível: ✓ Alto, médio ou baixo em força de negócios; ✓ Alto, médio ou baixo em atratividade do mercado. Com base nessas classificações, os produtos poderão estar distribuídos em nove caixas, como vemos a seguir: Figura 2 – GE/McKinsey matrix investment implications Fonte: General Eletric/Mckinsey & Company Conhecendo esses fatores e considerando a atratividade das unidades de negócio, podemos classificá-la de maneira abrangente em três categorias de atratividade: 1. Negócios nos quais investir: as empresas devem investir nas unidades de negócios que se enquadrem nessas caixas, pois são elas que prometem os maiores retornos no futuro. Essas unidades de negócios precisarão de 11 muito dinheiro porque estarão operando em indústrias em crescimento e terão que manter ou aumentar sua participação no mercado; 2. Caixa de seletividade/ganhos: você deve investir nessas unidades de negócios apenas se sobrar recursos dos investimentos no primeiro grupo de negócios. Não devem ser consideradas como bons negócios, pois há muita incerteza nesse investimento. 3. Colheita/desinvestimento: as unidades de negócios que operam em setores pouco atrativos não têm vantagens competitivas sustentáveis ou são incapazes de alcançá-las. Nesse momento, apresentam um desempenho relativamente baixo/desinvestimento. Com base nesses conhecimentos, a empresa pode estruturar seu planejamento estratégico considerando quais unidades de negócios, produtos e serviços são os mais atrativos e merecem maisatenção, além dos fatores que realmente pesam nessa decisão. A utilização de ferramentas como essa sempre colabora para a gestão das organizações, pois trazem maior confiabilidade e segurança para os negócios. Saiba mais Descubra algumas informações interessantes sobre a Matriz GE/McKinsey no artigo de Periard (2018), disponível em: . TEMA 4 – CANVAS O Business Model Canvas, mais conhecido apenas como Canvas ou BMC, foi desenvolvido por Alexander Osterwalder e pelo professor Yves Pigneur. Tratase de um modelo gráfico simples, que descreve nove componentes essenciais que levam em consideração o escopo completo de uma empresa distribuído em um layout que facilita o entendimento de como as peças se encaixam. É uma ferramenta de planejamento estratégico que nos permite esboçar modelos de negócios novos (para empreendedores que desejam elaborar seu plano de negócios) ou existentes. http://www.sobreadministracao.com/matriz-ge-mckinsey/ http://www.sobreadministracao.com/matriz-ge-mckinsey/ http://www.sobreadministracao.com/matriz-ge-mckinsey/ http://www.sobreadministracao.com/matriz-ge-mckinsey/ http://www.sobreadministracao.com/matriz-ge-mckinsey/ http://www.sobreadministracao.com/matriz-ge-mckinsey/ http://www.sobreadministracao.com/matriz-ge-mckinsey/ 12 O Canvas pode ser usado em uma ampla variedade de organizações de diferentes portes, setores e segmentos. Sua aplicação é muito simples, e é possível encontrar modelos em diversos aplicativos para celular e sites. É possível até mesmo usar uma simples parede ou quatro paredes em branco com divisões e post-its, contendo as informações que veremos na sequência, colados nos respectivos campos. Segundo os próprios desenvolvedores, ele pode ser considerado como uma “linguagem comum para descrever, visualizar, avaliar e alterar modelos de negócios” (Osterwalder; Pigneur, 2011, p. 12). Crédito: emojoez/Shutterstock. O desempenho de uma organização existente pode ser aprimorado com a aplicação do Canvas devido à sua facilidade de utilização. Ao observar os desenvolvimentos por categoria, uma organização pode ajustar sua proposta de valor, reorganizar seu planejamento e melhorar sua estratégia. Veremos a seguir um modelo de painel Canvas que, como foi dito, pode ser feito em qualquer base, seja ela eletrônica, seja ela uma folha de papel em branco. Primeiro são divididos os nove blocos: 1. Key partners (parceiros chave); 2. Key activities (atividades chave), 3. Key resources (recursos chave); 4. Value preposition (propostas de valor); 5. Customer relationships (relacionamento com os clientes); 6. Channels (canais); 7. Customer segments (segmentos de clientes); 13 8. Cost structure (estrutura de custos); 9. Revenue streams (fluxo de receitas). Crédito: Fluke Cha/Shutterstock. O Canvas sempre tem a mesma disposição com relação a esses nove blocos, que podem ser agrupados em duas grandes áreas. O lado esquerdo (emocional), que aborda os temas de relacionamento e interação entre os agentes, e o direito (racional), com foco no processo. No centro está a proposta de valor, que une os dois lados para os objetivos em comum da organização (Osterwalder, Pigneur, 2011). Na sequência, abordaremos brevemente as informações que cada bloco deve conter, mas apenas para que você entenda que eles são agrupados em quatro dimensões (similar ao 5W2H). Explicaremos, dessa maneira, a sequência da estruturação do Canvas (para quem, o quê, como e quanto). 4.1 Primeiro bloco do Canvas: para quem? Primeiro, precisamos saber para quem estruturamos nosso negócio, ou seja, temos que organizar as informações que se referem aos clientes: 14 4.1.1 Relacionamento com clientes É essencial interagir com clientes. Quanto mais ampla a base de clientes, mais importante é dividir seus clientes em diferentes grupos alvo. Cada grupo de clientes tem necessidades específicas. Ao antecipar as necessidades do cliente, a organização investe em diferentes clientes. Um bom serviço garante relacionamentos bons e estáveis que serão assegurados no futuro. 4.1.2 Canais Uma organização lida com canais de comunicação, distribuição e vendas. Não se trata apenas do contato com o cliente e da maneira como uma organização se comunica com ele. O local de compra e a entrega do produto e/ou serviço são elementos decisivos nesse processo. Os canais, para o cliente, têm cinco fases diferentes: 1. Consciência do produto; 2. Compra; 3. Entrega; 4. Avaliação; 5. Satisfação e pós-venda. A fim de fazer bom uso dos canais e atingir o maior número possível de clientes, é aconselhável combinar canais offline (lojas) e on-line (lojas virtuais). 4.1.3 Segmentos de clientes Como as organizações geralmente fornecem serviços para mais de um grupo de clientes, é sensato dividi-los em segmentos. Ao identificar as necessidades e os requisitos específicos de cada grupo e o valor que atribuem a isso, os produtos e serviços podem ser mais bem direcionados para essas necessidades e exigências. Isso levará à maior satisfação do cliente, o que, por sua vez, contribuirá para uma boa proposta de valor. 4.2 Segundo bloco do Canvas: o que fazer? 15 Nessa fase, deve ser elaborada a proposta de valor da organização. 4.2.1 Proposta de valor A proposta de valor é o diferencial da organização elaborada para atender às necessidades de seus clientes. Como uma organização se distingue da concorrência? Essa distinção se concentra na quantidade, como preço, serviço, velocidade e condições de entrega, por um lado, e por outro lado também se concentra na qualidade, incluindo design, status da marca e experiência e satisfação do cliente. 4.3 Terceiro bloco do Canvas: como fazer? Apresenta de que maneira a empresa entregará ao cliente a sua proposta de valor. 4.3.1 Parceiros chave Tanto para organizações iniciantes quanto para organizações existentes pode ser importante criar alianças com parceiros. Por exemplo, lutar contra a concorrência combinando conhecimento e especialização. Informações essenciais são adquiridas sabendo-se previamente quais parceiros poderão constituir um relacionamento valioso. 4.3.2 Atividades chave Uma boa compreensão da proposta de valor da organização é obtida quando há um bom conhecimento das principais atividades dela. Não se trata apenas de conhecer a produção, mas também da abordagem de solução de problemas, de rede e da qualidade do produto e/ou serviço. Quando a organização sabe qual é o valor agregado para o cliente, um relacionamento melhor pode se desenvolver com os clientes já existentes, o que pode ser útil na busca de novos clientes e, portanto, tornar mais fácil a manutenção da concorrência sob controle. 16 4.3.3 Recursos chave Recursos são meios que uma empresa precisa executar. Eles podem ser categorizados como físicos, intelectuais, financeiros ou humanos. Recursos físicos podem incluir ativos, como equipamentos comerciais; recursos intelectuais incluem, entre outras coisas, conhecimento, marcas e patentes. Os recursos financeiros estão relacionados ao fluxo de recursos e as fontes de renda e os recursos humanos abrangem o aspecto pessoal. 4.4 Quarto bloco do Canvas: quanto? O último bloco do Canvas relaciona os custos e as receitas inerentes ao projeto ou ao planejamento. 4.4.1 Estrutura de custos Ao obter uma visão da estrutura de custos, uma organização sabe qual deve ser o volume de negócios mínimo para obter lucro. A estrutura de custos considera economias de escala, custos constantes e variáveis e vantagens de lucro. Quando é óbvio que deve haver mais investimentos do que a organização está gerando em termos de receita, os custos têm que ser ajustados. Muitas vezes, uma organizaçãoopta por excluir vários recursos importantes. 4.4.2 Fluxos de receitas Além da estrutura de custos, os fluxos de receita fornecem uma visão clara do modelo de receita de uma organização. Por exemplo, de quantos clientes uma organização precisa anualmente para gerar lucro? Quanta receita é necessária para equilibrar o fluxo de caixa da organização (receita versus despesa)? Os fluxos de receita são direcionadores de custos. Além da receita da venda de mercadorias, as taxas de assinatura, a receita de locação, o licenciamento, o patrocínio e a publicidade também podem ser uma opção. 17 Saiba mais Leia o artigo de Lopes (2016) e saiba como o Canvas pode ser aplicado a modelos de negócios bancários. Disponível em: . TEMA 5 – BALANCED SCORECARD (BSC) O balanced scorecard (BSC) é um sistema de gerenciamento e de medição de desempenho organizacional. Segundo os autores Kaplan e Norton (1997, p. 24) “o Balanced Scorecard é, para os executivos, uma ferramenta completa que traduz a visão e a estratégia da empresa num conjunto coerente de medidas de desempenho”. É mais do que apenas um mapa estratégico; ele permite que você coloque sua estratégia em uma página, em uma linguagem que todos possam entender. Segundo o Balanced Scorecard Institute (BSI), o BSC trata-se de um sistema de planejamento e gerenciamento estratégico utilizado por empresas, indústrias, governos e organizações sem fins lucrativos em todo o mundo com os objetivos de: • Informar a todos suas realizações; • Coordenar as atividades diárias da empresa com o proposto na estratégia; Estabelecer prioridades para projetos, produtos e serviços; • Mensurar e controlar a evolução das atividades comparando-as com as metas estabelecidas. Saiba mais Visite o site do Balanced Scorecard Institute (BSI) e saiba tudo sobre o balaced scorecard (BSC). Disponível em: . O sistema conecta os pontos entre elementos de estratégia: missão, visão, valores e objetivos, além de outros elementos que auxiliam nas operações, como https://www.pucminas.br/PucVirtual/pesquisa/administracao/Documents/Aplica%C3%A7%C3%A3o%20do%20modelo%20canvas%20para%20o%20modelo%20de.pdf https://www.pucminas.br/PucVirtual/pesquisa/administracao/Documents/Aplica%C3%A7%C3%A3o%20do%20modelo%20canvas%20para%20o%20modelo%20de.pdf https://www.pucminas.br/PucVirtual/pesquisa/administracao/Documents/Aplica%C3%A7%C3%A3o%20do%20modelo%20canvas%20para%20o%20modelo%20de.pdf https://www.pucminas.br/PucVirtual/pesquisa/administracao/Documents/Aplica%C3%A7%C3%A3o%20do%20modelo%20canvas%20para%20o%20modelo%20de.pdf https://www.pucminas.br/PucVirtual/pesquisa/administracao/Documents/Aplica%C3%A7%C3%A3o%20do%20modelo%20canvas%20para%20o%20modelo%20de.pdf https://www.pucminas.br/PucVirtual/pesquisa/administracao/Documents/Aplica%C3%A7%C3%A3o%20do%20modelo%20canvas%20para%20o%20modelo%20de.pdf https://www.balancedscorecard.org/ https://www.balancedscorecard.org/ 18 indicadores de desempenho, metas, responsabilidade e iniciativas, proporcionando aos gestores uma visão rápida e abrangente de toda a empresa. O BSC é organizado em quatro perspectivas usadas para abranger as atividades de uma organização: 1. Financeira; 2. Dos processos internos; 3. De aprendizado e crescimento; 4. Do cliente. Crédito: Luna2631/Shutterstock. 5.1 Perspectiva financeira A perspectiva financeira é um dos principais focos do BSC, pois para muitas empresas ele é o grande indicador de que o planejamento está no rumo certo. Ela 19 tem por objetivo indicar se sua estratégia está contribuindo para melhores resultados financeiros. A saúde financeira de sua organização pode ser um indicador atrasado que mostra o resultado de decisões anteriores, mas ainda é de fundamental análise e controle. 5.2 Perspectiva de processos internos A perspectiva dos processos internos de negócios analisa a eficiência nos processos que podem gerar impacto nos serviços prestados e nos produtos entregues aos clientes. Trata-se de buscar reduzir eventuais desperdícios, acelerar etapas e buscar fazer mais com menos. Essa perspectiva também pode gerar novas ideias sobre produtos e serviços que atendam novos desejos e necessidades de clientes que ainda não tinham sido pensadas pela empresa para agora ou para o futuro. 5.3 Perspectiva de aprendizado e crescimento A perspectiva de aprendizado e crescimento analisa se a cultura corporativa global está voltada para geração de melhorias futuras. Nessa perspectiva, podem ser questionadas atitudes como: • Os colaboradores da organização estão atualizados sobre as últimas tendências do setor? • Existe alguma política interna para os funcionários colaborarem e compartilharem conhecimentos? • Existe alguma plataforma ou mecanismo que facilite esse compartilhamento de conhecimentos entre os funcionários? • Todos têm acesso a oportunidades de treinamento e educação continuada de forma igualitária? • Há uma política de capacitação e educação continuada? Os colaboradores conhecem e são incentivados a dar sugestões e partilhar seus interesses? 20 5.4 Perspectiva do cliente A perspectiva do cliente se concentra nas pessoas que realmente compram seus produtos e serviços. Com a estratégia proposta, sua empresa deve se questionar se está conquistando novos negócios ou, pelo menos, mantendo seus clientes atuais satisfeitos. É importante também compreender qual é a situação da empresa em comparação com a de suas concorrentes. Ela está mais bem posicionada ou é uma segunda opção para o cliente? Conhecer e buscar a satisfação do cliente é um excelente indicador de sucesso, não apenas em termos de atendimento cordial, mas de pontualidade em entregas, rapidez, eficiência, superação de expectativas, surpresa e fidelização cada vez maiores de seus consumidores. As organizações precisam se preocupar em atender bem para se perpetuar no mercado. REFERÊNCIAS BALANCED SCORECARD INSTITUTE. Disponível em: . Acesso em: 25 abr. 2019. CASTRO, F. The beginners’s guide to OKR: objectives and key results. S.d. Disponível em: . Acesso em: 24 abr. 2019. KAPLAN, R. S.; NORTON, D. P. A estratégia em ação: balanced scorecard. 13. ed. Rio de Janeiro: Campus, 1997. LOPES, H. E. G. Aplicação do modelo canvas para o modelo de negócios do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal. Revista Gestão & Tecnologia, Pedro Leopoldo, v. 16, n. 2, p. 73-99, maio/ago. 2016. Disponível em: . Acesso em: 25 abr. 2019. MELLO, F. S. H. Tudo o que você precisa saber sobre OKRs – Objectives and Key-Results. 2006. Disponível em: 21 . Acesso em: 25 abr. 2019. OSTERWALDER, A.; PIGNEUR, Y. Business model generation: inovação em modelos de negócios. Rio de Janeiro: Alta Books, 2011. PERIARD, C. V. Matriz GE/McKinsey: o que é e como funciona. Sobre Administração, 26 jun. 2018. Disponível em: . Acesso em: 25 abr. 2019.