Prévia do material em texto
Enfermagem Empreendedora: Inspiração e Ferramentas ENFERMAGEM EMPREENDEDORA: INSPIRAÇÃO E FERRAMENTAS Belo Horizonte, 2026 CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM DE MINAS GERAIS ©2026, Conselho Regional de Enfermagem de Minas Gerais. Qualquer parte desta publicação pode ser reproduzida, desde que citada a fonte. ENFERMAGEM EMPREENDEDORA: INSPIRAÇÃO E FERRAMENTAS. Publicação disponível no site do Coren-MG. 26-356085.0 CDD-610.73023 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Enfermagem empreendedora [livro eletrônico] : inspiração e ferramentas / [organizadores Andréia Oliveira de Paula Murta, Cássia Bianca de Souza Quintão, Carla Prado Silva]. -- Belo Horizonte, MG : Conselho Regional de Enfermagem de Minas Gerais, 2026. PDF Vários autores. Bibliografia. ISBN 978-85-54978-10-5 1. Consultórios médicos - Administração 2. Enfermagem como profissão 3. Enfermeiros - Formação profissional 4. Empreendedorismo 5. Inovação 6. Planejamento empresarial I. Murta, Andréia Oliveira de Paula. II. Quintão, Cássia Bianca de Souza. III. Silva, Carla Prado. Índices para catálogo sistemático: 1. Enfermagem como profissão 610.73023 Eliane de Freitas Leite - Bibliotecária - CRB 8/8415 APRESENTAÇÃO Este livro convida o proissional de enfermagem a releir e descobrir que o empreendedorismo não apenas é possível, como também é um caminho promissor e necessário para o fortalecimento da proissão. A obra parte de quesionamentos comuns entre enfermeiros — como a viabilidade de empreender, as áreas de atuação e os primeiros passos — e mostra que o espírito empreendedor sempre esteve presente na história da enfermagem, desde Florence Nighingale até grandes nomes brasileiros. Ao longo dos capítulos, o livro demonstra que o setor de saúde está em plena expansão e oferece amplas oportunidades para a atuação empreendedora do enfermeiro, apesar de ainda ser um caminho pouco explorado. São discuidos os desaios históricos, culturais e legais que limitam esse movimento, ao mesmo tempo em que se evidencia o enorme potencial inexplorado da categoria diante das novas demandas de saúde da população. A obra apresenta, de forma didáica e práica, os fundamentos do empreendedorismo em enfermagem, abordando aspectos éicos e legais, gestão, inovação, tecnologia, markeing, planejamento inanceiro e desenvolvimento de modelos de negócio. Também explora diversas possibilidades de atuação, como cuidados domiciliares, consultórios especializados, estéica, educação, tecnologia em saúde, gestão e telemedicina. Mais do que um manual técnico, o livro é um convite à mudança de mentalidade, incenivando o desenvolvimento de competências empreendedoras, inovação e protagonismo proissional. Seu objeivo é fornecer bases sólidas para que o enfermeiro inicie ou fortaleça sua jornada empreendedora, contribuindo para o crescimento pessoal, para o reconhecimento da enfermagem e para a melhoria da qualidade da assistência em saúde. PLENÁRIO DO COREN-MG (2024-2026) DIRETORIA DO COREN-MG Presidente Enfermeiro Bruno Souza Farias Vice-Presidente Enfermeira Maria do Socorro Pacheco Pena Primeiro-Secretário Enfermeiro Lucas Tavares Segundo-Secretário Enfermeiro Júlio César Baista Santana Primeira-Tesoureira Adriana Aparecida da Silva Pinheiro Segunda-Tesoureira Maria de Fáima Rodrigues de Oliveira MEMBROS EFETIVOS DO PLENÁRIO Débora Arreguy Silva Maria José Menezes Brito Messala Roberta Monteiro Pablo Silva Corrêa Richardson Miranda Machado Alexandre Nascimento da Silva Michelle Costa Leite Praça Queila Benildes Fonseca Pessoa Viviane Gizelli Moreira Sales SUPLENTES Cássia Bianca de Souza Quintão Clayton Lima Melo Daniel dos Santos Fernandes Helisamara Mota Guedes Matheus Medeiros e Melo Múcio Eduardo da Silva Junior Natasha Preis Ferreira Rômulo Lima Barroso de Queiroz Rudson Antônio Ribeiro Oliveira Ana Carolina de Carvalho Ana Paula Neves Rocha Trindade Anderson Pereira Estevam Daiana Crisina Peixoto de Oliveira Maia Ernandes Rodrigues Moraes Layza Nara Coelho Vieira DELEGADOS REGIONAIS Efeivo: Bruno Souza Farias. Suplente: Maria do Socorro Pacheco Pena ORGANIZADORES Andréia Oliveira de Paula Murta – Chefe da Câmara Técnica do Coren-MG Cássia Bianca de Souza Quintão – Conselheira de Referência da Câmara Técnica do Coren-MG Carla Prado Silva – Apoio Técnico da Câmara Técnica do Coren-MG AUTORES Ricardo Bezerra Cavalcante Helen Crisiny Teodoro Couto Ribeiro Lucielena Maria de Sousa Garcia Soares Eliete Albano de Azevedo Guimarães Fábio da Costa Carbogim Flávia Baista Barbosa de Sá Diaz Andréia Oliveira de Paula Murta Carla Prado Silva Ronilson Storck Ana Carolina Silva REVISORES Andréia Oliveira de Paula Murta Cássia Bianca de Souza Quintão Carla Prado Silva Ricardo Bezerra Cavalcante Helen Crisiny Teodoro Couto Ribeiro ACADÊMICOS COLABORADORES Giovanna Campolina de Souza Lisboa Isabella Stefani Meireles Souza Laura Stephany Silva Costa DIAGRAMAÇÃO Brígida Matos Ornelas REVISÃO ORTOGRÁFICA Leila Caeiro CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM DE MINAS GERAIS SEDE: Rua da Bahia, 916 - 2º andar - Centro - Belo Horizonte - MG - CEP: 30160-011 Telefone: (31) 3238-7500 E-mail: gab@corenmg.gov.br Site: www.corenmg.gov.br SUBSEÇÕES: Governador Valadares Avenida Sete de Setembro, 2716, Ediício Medical Center, 1º Andar Bairro: Centro - CEP: 35.010-172 E-mail: governadorvaladares@corenmg.gov.br Ipainga Rua Zita Soares de Oliveira, 212 , Sala 702, Bairro: Centro, CEP: 35.160-007 E-mail: ipainga@corenmg.gov.br Juiz de Fora Avenida Barao do Rio Branco, 2390, Sala 1702, Bairro: Centro, CEP: 36.015-510 E-mail: juizdefora@corenmg.gov.br Montes Claros Rua Correia Machado, 1025, Salas 103, 104 e 105, Bairro: Centro, CEP: 39.400-090 E-mail: montesclaros@corenmg.gov.br Passos Dr. Manoel Pai, 170, Salas 02 e 04, Bairro: Centro, CEP: 37.900-040 E-mail: passos@corenmg.gov.br Pouso Alegre Rua Adolfo Olinto, 121, Sala 03, Bairro: Centro CEP: 37.550-118E-mail: pousoalegre@corenmg.gov.br Teóilo Otoni Rua Doutor Manoel Esteves, 323, Sala 105 e 107, Bairro: Centro, CEP: 39.800-090 E-mail: teoilootoni@corenmg.gov.br Uberaba Av Leopoldino de Oliveira, 3490, 601, Bairro: Centro, CEP: 38.010-000 E-mail: uberaba@corenmg.gov.br Uberlândia Avenida Getulio Vargas, 275, Sala 605, Bairro: Centro, CEP: 38.400-299 E-mail: uberlandia@corenmg.gov.br Varginha Praça Champagnat, 29, 2º Andar, Bairro: Centro, CEP: 37.002-150 E-mail: varginha@corenmg.gov.br UAIS: Divinópolis Rua Goiás, 206, Bairro: Centro, CEP: 35.500-000 E-mail: uai.divinopolis@planejamento.mg.gov.br Patos de Minas Rua Jose de Santana, 1307, - de 202/203 Ao Fim. Bairro: Centro, CEP: 38.700-052 E-mail: uai.patosminas@planejamento.mg.gov.br SUMÁRIO INTRODUÇÃO 13 1. DESAFIOS DO EMPREENDEDORISMO DE NEGÓCIOS EM ENFERMAGEM 17 2. ASPECTOS ÉTICOS E LEGAIS NO EMPREENDEDORISMO 22 3. O PROCESSO DE ABERTURA E REGISTRO DE CONSULTÓRIOS, CLÍNICAS E EMPRESAS DE ENFERMAGEM 31 4. CONCEITOS: EMPREENDEDORISMO, INOVAÇÃO E TECNOLOGIA 40 5. MARCA PESSOAL / PROFISSIONAL E AS SKILLS NECESSÁRIAS PARA EMPREENDER 43 6. EMPREENDEDORISMO E MARKETING DIGITAL 47 7. INFORMAÇÃO E CONHECIMENTO COMO ELEMENTOS FUNDAMENTAIS PARA O EMPREENDEDORISMO EM ENFERMAGEM 53 8. EMPRESAS JUNIORES, INCUBADORAS E STARTUPS 63 9. EMPREENDEDORISMO TECNOLÓGICO EM SAÚDE 68 10. PROTEGENDO INVENÇÕES E INOVAÇÕES EM ENFERMAGEM 77 11. DESIGN THINKING NO DESENVOLVIMENTO DE UM SOFTWARE PROTÓTIPO PARA AVALIAÇÃO MULTIDIMENSIONAL DA PESSOA IDOSA 83 12. PLANO DE NEGÓCIO E MODELO DE NEGÓCIO: FERRAMENTAS DE GESTÃO ESTRATÉGICA PARA O ENFERMEIRO EMPREENDEDOR 94 13. PLANEJAMENTO FINANCEIRO 105 14. MINIMUM VIABLE PRODUCT (MVP) E PROTÓTIPO: ESTRATÉGIAS PARA TRANSFORMAR IDEIAS INOVADORAS EM SOLUÇÕES PRÁTICAS NA ENFERMAGEM 110 15. AVALIAÇÃO DE TECNOLOGIAS EMpara esses empreendimentos ainda geram dúvidas aos proissionais, destacando-se a Resolução Cofen nº 581/2018, que regulamenta o registro de ítulos de Pós-graduação Lato e Stricto Sensu concedidos a enfermeiros e aprova a lista das especialidades, que classiica as áreas de atuação em assistencial, de gestão, e de ensino, trazendo uma gama de possibilidades para a enfermagem que planeja empreender (Cofen, 2018). Este capítulo objeiva esclarecer o passo a passo para abertura e registro de consultórios, clínicas e empresas de enfermagem no Conselho de classe, assim como orientar conceitualmente e dirimir as principais dúvidas dos proissionais que chegam à Câmara Técnica do Coren-MG. 1) Tipos de Empreendimentos A Resolução Cofen nº 568/2018 traz em seu anexo todas as informações necessárias para o registro de consultórios e clínicas de enfermagem no Coren da jurisdição onde o proissional pretende atuar. Primeiramente, é importante entender a diferença entre consultórios, clínicas e empresas de enfermagem. 32 1.1 Consultório de Enfermagem O consultório de enfermagem é a área ísica onde se realiza a consulta de enfermagem e outras aividades privaivas do enfermeiro, para atendimento exclusivo da própria clientela (Cofen, 2018). É permiida a uilização do consultório de enfermagem por mais de um proissional, desde que as aividades de cada um não estejam, necessariamente, vinculadas ou condicionadas sob qualquer aspecto às dos demais (Cofen, 2018). Como exemplo, pode-se citar uma enfermeira esteta que realiza atendimentos em uma sala comparilhada com uma nutricionista. Às segundas e quartas, a enfermeira atende pacientes para realização de tratamentos estéicos, às terças e quintas, a nutricionista uiliza o mesmo espaço para consultas que focam o emagrecimento. Às sextas, a enfermeira ministra cursos para outras enfermeiras estetas. Ressalte-se que o enfermeiro de consultório coleivo responde solidariamente com os demais pela uilização indevida do local (Cofen, 2018). Os consultórios de enfermagem têm a prerrogaiva de poder ser registrados no Conselho Regional de Enfermagem (Coren) como pessoa ísica, com a Ceridão de Pessoa Física (CPF), ou como pessoa jurídica, com Ceridão Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), não sendo necessário solicitar a concessão de ART para a obtenção da CRT. O registro de consultório de enfermagem é isento do pagamento de anuidades e emolumentos. No entanto, o enfermeiro deve estar quite com sua situação inanceira e cadastral (Cofen, 2018). A área ísica do consultório de enfermagem precisa atender a todas as exigências de consultório de saúde descritas na Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 50/2002 e na RDC nº 307/2022, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e deve estar devidamente autorizada pelos órgãos sanitários competentes municipais e estaduais, para seu registro do consultório no Coren. Caso o enfermeiro venha a deixar de exercer a aividade no consultório registrado no Coren, deverá solicitar o imediato cancelamento do registro de consultório, isento de cobrança, visando resguardar a sua integridade proissional. O registro tem validade de 5 anos, devendo ser renovado antes do vencimento (Cofen, 2018). De acordo com o Sistema Integrado de Gestão (SIG) do Coren-MG, em outubro de 2025, o Estado de Minas Gerais possuía 140 consultórios de enfermagem registrados no Conselho. 1.2 Clínicas de Enfermagem Clínicas de enfermagem são estabelecimentos consituídos por consultórios e ambientes desinados ao atendimento de enfermagem individual, coleivo e/ou domiciliar (Cofen, 2018). De acordo com a Lei do Exercício Proissional de Enfermagem, o enfermeiro é responsável por supervisionar aividades de técnicos e auxiliares de enfermagem. No entanto, isso não é impedimento para os técnicos de enfermagem empreenderem, abrindo clínicas de enfermagem. Como proprietários, deverão cumprir a legislação, contratando enfermeiros para assumirem a responsabilidade técnica, para realizarem as aividades privaivas previstas na Lei e para supervisionarem as aividades de técnicos e auxiliares de enfermagem (Brasil, 1986). A clínica deve possuir CNPJ e estar em conformidade com as exigências sanitárias. As clínicas de enfermagem icam isentas do pagamento de taxa de ART e taxa de emissão de CRT. O Registro de Empresa tem validade de 5 anos, devendo ser renovado antes do vencimento (Cofen, 2018). Considerando que o enfermeiro pode realizar em consultórios e clínicas de enfermagem tudo que está previsto na Lei do Exercício Proissional de Enfermagem e nas Resoluções do Cofen, são exemplos de áreas de atuação: manejo da dor, saúde mental, obstetrícia, tratamento de lesões, estéica e práicas integraivas (Cofen 2018). De acordo com o Sistema Integrado de Gestão (SIG) do Coren-MG, em outubro de 2025, o Estado de Minas Gerais possuía 38 clínicas de enfermagem registradas no Conselho. 33 1.3 Empresas de Enfermagem Empresas de enfermagem são organizações caracterizadas com CNPJ, devidamente consituídas em órgãos de registro empresarial com descrição de aividades e/ou objeto social “Aividades de Enfermagem”. Essas empresas prestam e/ou executam serviços exclusivos na área de enfermagem. Além disso, devem arcar com a anuidade jurídica que é o valor ixado pelo Coren para recolhimento anual durante a vigência do registro da empresa, esipulado de acordo com o valor do capital social da empresa (Cofen, 2023). As empresas de enfermagem devem obter o Registro de Empresa (RE) junto ao Coren e deverão possuir enfermeiro Responsável Técnico (ERT) com a respeciva Ceridão de Responsabilidade Técnica (CRT) vigente, conforme Resolução Cofen especíica (Cofen, 2023). Pontua-se que de acordo com o Parecer nº 0042/2021 da Câmara Técnica de Legislação e Normas (CTLN) do Cofen, proissionais de enfermagem não podem atuar com CNPJ na modalidade de Microempreendedor Individual (MEI), uma vez que não estão inclusos nas aividades englobadas por essa categoria, que visa a formalização de proissionais autônomos e de proissões não regulamentadas (Cofen, 2021). 1.4 Outros ipos de empresas O enfermeiro possui diversas possibilidades autônomas e empreendedoras. Ele pode abrir o seu próprio negócio, atuar em home care, cooperaivas, como autônomo em consultoria e auditoria ou empresas, atendimento de eventos como dairy care, aividades de ensino como proprietário ou prestando serviços proissionais como vacinação, consultoria de amamentação, esterilização de material médico-hospitalar, transporte de pacientes, aluguel de equipamentos e comércio de produtos em áreas hospitalares (Bragagnolo et al., 2023). Somente empresas de enfermagem cuja descrição de aividades e/ou objeto social são aividades de enfermagem, precisam ser registradas no Coren (Cofen, 2023). 2) Registro de Consultórios, Clínicas e Empresas de Enfermagem no Conselho Regional de Enfermagem (Coren) – Documentação Necessária De acordo com a Resolução Cofen nº 568/2018, os consultórios e clínicas de enfermagem devem ser registrados no Coren (Cofen, 2018). De igual forma, as empresas de enfermagem cujas aividades forem da proissão enfermagem também devem ser registradas no Coren de acordo com a Resolução Cofen nº 721/2023 (Cofen, 2023). Para o registro de consultórios, clínicas e/ou empresas de enfermagem no Coren-MG, seguir o trâmite descrito no link: https://www.corenmg.gov.br/fiscalizacao/registro-de-empresas-consultorios-e-clinicas-de- enfermagem/ O Quadro 03, traz um comparaivo para registro no Coren da jurisdição do proissional, fundamentado nas Resoluções Cofen nº 568/2018 e nº 721/2023. Apenas o consultório de enfermagem tem a opção de realizar o registro com CPF ou CNPJ. Demais clínicas e empresas de enfermagem, somente podem ser registradas no Coren com CNPJ. 34 Quadro 03 – Comparaivo para Registro de Consultórios, Clínicas e Empresas de Enfermagem, Belo Horizonte-MG, Brasil, 2026. Item Consultórios Clínicas Empresas Registro CPF ouCNPJ Somente CNPJ Somente CNPJ Taxa de Registro Não se aplica Isentas - Isentas as empresas públicas, beneicentes e ilantrópicas - Recolhimento da taxa de RE para empresas privadas Taxa de ART/CRT Não se aplica Isentas Não especiicado Responsável Técnico com Ceridão de Responsabilidade Técnica Não se aplica Sim Sim Anuidade jurídica Isento Não especiicado Sim Fonte: Elaborado pelos autores, 2026. 3) Espaço Físico de Consultórios, Clínicas e Empresas É a área destinada à realização de atividades profissionais de enfermagem. A área física deve observar as resoluções dos órgãos sanitários competentes. A Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) consiste em uma série de normas regulamentares, cujo objetivo é atribuir responsabilidades a empresas e profissionais, a fim de garantir as Boas Práticas, mantendo os padrões de qualidade dos produtos e serviços destinados à saúde da população. O Decreto nº 10.139, de 28 de novembro de 2019, dispõe sobre a revisão e a consolidação dos atos normativos inferiores a decreto que são: Portarias, Resoluções, Instruções Normativas, Ofícios e Avisos, Orientações Normativas, Diretrizes, Recomendações, Despachos de Aprovação e qualquer outro ato inferior a decreto com conteúdo normativo. Entre as Resoluções, destaca-se a RDC nº 307, de 14 de novembro de 2022, que alterou, mas não revogou, a RDC nº 50, de 21 de fevereiro de 2002. Esta última dispõe sobre o Regulamento Técnico para planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde. No Quadro 04, constam as orientações detalhadas da RDC nº 50, de 21 de fevereiro de 2002, alterada pela RDC nº 307, de 14 de novembro de 2022. Apesar de não estabelecer normativas e regulamentações específicas para consultórios, clínicas ou empresas de enfermagem, a RDC orienta como deve ser a área física de todos os serviços de saúde nos quais estão incluídos os serviços de enfermagem. Quadro 04 – Orientações sanitárias para a área ísica de serviços de saúde (RDC nº 50/2002 e RDC nº 307/2022), Belo Horizonte-MG, Brasil, 2026. Itens descritos Como devem ser Paredes Laváveis Pisos Não porosos Ralos Tampas escamoteáveis Lixeiras Ideniicadas, tampas acessíveis sem toque de mãos 35 Banheiros Ideniicados Masculino/Feminino, dentro ou fora do consultório indiferenciado e anexo aos consultórios de ginecologia, proctologia e urologia. Portas de Banheiros Devem abrir de dentro pra fora para evitar acidentes com pacientes atrás das portas Torneiras de pias Acessíveis sem toque de mãos Sabão líquido, Álcool em gel e papel toalha Dispenser Consultórios (metragem) 7,5 m² Atendimento em grupo (metragem) 0,8 m² por pessoa Acessibilidade/segurança do paciente/ gestão de riscos Barras de proteção, rampas de acesso, ideniicação de pacientes Fonte: Elaborado pelos autores, 2026. O Quadro 05 traz informações referentes à documentação exigida pela Anvisa durante inspeção dos serviços de saúde para liberação de Alvará Sanitário em conformidade com a RDC nº 50/2002 e RDC nº 307/2022. Quadro 05 – Documentação exigida pela ANVISA para serviços de saúde, Belo Horizonte-MG, Brasil, 2026. Documentação exigida Como apresentar Programa de Gerenciamento de Resíduos Sólidos em Saúde (PGRSS) Elaborado por proissional competente com Ceridão de Responsabilidade Técnica (COFEN 2022) Controle de Insetos e Roedores Ceriicado de Desinseização e Desraização Higienização de Reservatório Hídrico Ceriicado de limpeza de caixa d’água Manual de Normas e Roinas Procedimento Operacional Padrão (POPs) Organização interna de trabalho Regimento Interno Fonte: Elaborado pelo autor, 2026. 4) Alvará Sanitário Para a Resolução da Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais (Resolução SES/MG nº 7.426, de 25 de fevereiro de 2021), que estabelece as regras do licenciamento sanitário e os prazos para resposta aos requerimentos de liberação de aividade econômica de que trata o Decreto Estadual n.º 48.036, de 10 de setembro de 2020, no âmbito da Vigilância Sanitária do Estado de Minas Gerais, o Alvará Sanitário, também conhecido como Alvará da Vigilância Sanitária, é “um documento expedido por intermédio de ato administraivo privaivo do órgão sanitário competente, permiindo o funcionamento de estabelecimentos sujeitos ao controle sanitário”, de acordo com a Classiicação Nacional de Aividades Econômicas (CNAE) (SES/MG, 2021). O Alvará Sanitário não se refere ao exercício proissional, mas ao estabelecimento: à área ísica, acessibilidade, projeto arquitetônico, hidráulico, elétrico, onde o proissional exercerá suas aividades 36 e é expedido pela Vigilância Sanitária Municipal mediante inspeção no local. Para obtenção do Alvará Sanitário, a área ísica deverá atender todos os critérios das RDC nº 50/2002 e RDC nº 307/2022. 5) Deinindo a Natureza Jurídica A Lei Federal nº 10.406, de 2002, que insitui o Código Civil Brasileiro, estabelece no arigo 40 que uma Pessoa Jurídica pode ter 3 classiicações disintas: • Pessoa Jurídica de Direito Público Interno: compreende Municípios, Estados, União, Territórios e autarquias. • Pessoa Jurídica de Direito Público Externo: abrange estados estrangeiros e pessoas que forem regidas pelo Direito Internacional (Arigo 42). • Pessoa Jurídica de Direito Privado: inclui as associações, sociedades e fundações, ONGs, paridos políicos, organizações religiosas (Arigo 44). Iniciam sua personalidade jurídica com inscrição do ato consituivo no respecivo registro, precedida, quando necessário, de autorização do Poder Execuivo. 5.1 Tipos de Pessoa Jurídica de Direito Privado (Sociedades) 5.1.1. Sociedade Limitada (Ltda): a mais uilizada quando se quer abrir uma empresa com mais pessoas. Requer contrato social com direitos e obrigações de todos os sócios. 5.1.2. Sociedade Anônima (S/A): consituídas por ações. Cada sócio é responsável de acordo com sua cota de ações 5.1.3. Microempreendedor Individual (MEI); não se aplica a proissionais de Enfermagem. Atende apenas proissões sem formação especíica ou que não possuem registro em conselho de classe 5.1.4. Sociedade Individual – EIRELI: Permite a formação com apenas uma pessoa, no entanto requer um capital mínimo referente a 100 salários mínimos vigentes. Ainda existem sociedades nesse formato. 5.1.5. Empresário Individual (EI): Permite a formação com apenas uma pessoa, no entanto não há separação entre o capital da pessoa ísica e o capital da pessoa jurídica podendo seus bens pessoais serem colocados como garania. 5.1.6. Sociedade Limitada Unipessoal (SLU): permite a formação com apenas uma pessoa, porém não tem valor mínimo de capital. A razão social é sempre o nome do proprietário seguido da palavra “limitada”. 6) Etapas da Abertura de uma Empresa a) Buscar consultorias/assessorias/mentorias (contábeis, jurídicas, de markeing, entre outras). b) Buscar o Código Nacional de Aividade Econômica - CNAE principal e/ou secundário que mais se adeque à aividade. c) Registrar no Coren de sua jurisdição quando se tratar de aividade de enfermagem. Quando o proissional de enfermagem decide empreender, deve, primeiramente, avaliar quais empreendimentos são compaíveis com sua formação. Enquanto consultórios de enfermagem são somente para enfermeiros, clínicas e empresas de enfermagem podem ser empreendimentos para enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem. No entanto, ao empreenderem, estes úlimos devem contratar enfermeiros para exercer as aividades privaivas da proissão e para a supervisão de enfermagem/RT para a equipe. Ao decidir empreender como pessoa jurídica, o proissional deverá buscar orientação contábil e jurídica para deinir qual a mais adequada para suas aividades (CNAE), de acordo com o item nº 5.1 ipos de Pessoa Jurídica de Direito Privado. No Quadro 06, encontram-se algumas perguntas presumidas para empreender em consultórios, clínicas e empresas de enfermagem. 37 Quadro 06 – Perguntas e Respostas para empreenderem Consultórios, Clínicas e Empresas de Enfermagem, Belo Horizonte-MG, Brasil, 2026. Perguntas Respostas Considerações Proissional de Enfermagem pode atuar apenas com CPF? Sim Em consultório de enfermagem, conforme Resolução Cofen nº 568/2018 Um Enfermeiro pode ser RT de uma clínica de estéica onde um proissional não Enfermeiro realiza procedimentos estéicos? Sim O enfermeiro é responsável técnico apenas ao que se refere às atividades de enfermagem (Resolução Cofen nº 782/2025) Um único consultório pode ser uilizado por vários proissionais sem conigurar uma clínica? Sim Desde que seja, um profissional por vez, em horários diferentes previamente acordados entre os profissionais, conforme orienta a Resolução Cofen nº 568/2018 O Enfermeiro precisa ter consultório para realizar atendimentos domiciliares? Não O atendimento domiciliar é regido pela Resolução Cofen nº 766/2024 e não faz nenhuma vinculação ao Consultório de enfermagem Fonte: Elaborado pelos autores, 2026. Considerações inais Este capítulo traz esclarecimentos aos proissionais de enfermagem que já empreendem ou pretendem empreender, abordando questões conceituais e operacionais relacionadas ao registro de consultórios, clínicas e empresas de enfermagem. No entanto, alguns desaios ainda se apresentam, como o desconhecimento, o medo de trocar a segurança dos vínculos de trabalho existentes pela experiência de empreender na enfermagem, preocupação em relação à aceitação do público. Espera-se que este conteúdo possa despertar os proissionais de enfermagem para o empreendedorismo, orientar os que desejam começar a empreender na enfermagem para que possam iniciar com segurança e conhecimento. Além disso, busca esclarecer dúvidas dos proissionais que já empreendem, propiciando uma maior compreensão para abertura e registro de novos consultórios, clínicas e empresas de enfermagem. 38 REFERÊNCIAS BRAGAGNOLO, E. G. F. et al. Empreendedorismo em enfermagem no Brasil: scoping review. Revista Recien - Revista Cieníica de Enfermagem, v. 13, n. 41, p. 581-594, 2023. DOI: 10.24276/ rrecien2023.13.41.581-594. Disponível em: htps://recien.com.br/index.php/Recien/aricle/view/768. Acesso em: 2 fev. 2024. BRASIL. Decreto-Lei nº 2.381, de 9 de julho de 1940. Aprova o quadro das aividades e proissões para o Registro das Associações Proissionais e dispõe sobre a consituição dos sindicatos. Diário Oicial da União, 9 jul. 1940. ______. Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986. Dispõe sobre a regulamentação do exercício da Enfermagem e dá outras providências. Diário Oicial da União, 25 jun. 1986. ______. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Insitui o Código Civil Brasileiro. Diário Oicial da União, 10 jan. 2002. ______. Decreto nº 10.139, de 28 de novembro de 2019. Dispõe sobre a revisão e consolidação dos atos normaivos inferiores a decreto. Diário Oicial da União, 28 nov. 2019. ______. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Resolução RDC nº 50, de 21 de fevereiro de 2002. Dispõe sobre o Regulamento Técnico para planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos ísicos de estabelecimentos assistenciais de saúde. Diário Oicial da União, Poder Execuivo, Brasília, 21 fev. 2002. ______. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Resolução RDC nº 307, de 14 de novembro de 2022. Altera a RDC nº 50/2002, que dispõe sobre o Regulamento Técnico para projetos ísicos de estabelecimentos assistenciais de saúde. Diário Oicial da União, Poder Execuivo, Brasília, 14 nov. 2022. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Resolução Cofen nº 463, de 3 de novembro de 2014. Normaiza a atuação da equipe de enfermagem na atenção domiciliar. Brasília: COFEN, 2014. ______. Resolução Cofen nº 568, de 9 de fevereiro de 2018. Regulamenta o Registro de Consultórios e Clínicas de Enfermagem. Brasília: COFEN, 2018. ______. Resolução Cofen nº 581, de 11 de julho de 2018. Atualiza os procedimentos para registro de ítulos de pós-graduação lato e stricto sensu concedidos a enfermeiros e aprova a lista de especialidades. Brasília: COFEN, 2018. ______. Resolução Cofen nº 721, de 23 de maio de 2023. Atualiza a norma técnica para Registro de Empresa no âmbito dos CORENs. Brasília: COFEN, 2023. ______. Resolução Cofen nº 766, de 5 de novembro de 2024. Aprova as normas e diretrizes para atuação da equipe de enfermagem na atenção domiciliar. Diário Oicial da União, Brasília, Seção 1, p. 118, 6 nov. 2024. Disponível em: htps://www.cofen.gov.br/resolucao-cofen-no-766-de-05-de-novembro- de-2024/. Acesso em: 25 jul. 2025. 39 ______. Resolução Cofen nº 782, de 2 de julho de 2025. Insitui os procedimentos necessários para concessão, renovação e cancelamento do registro da Anotação de Responsabilidade Técnica de Enfermagem e deine as atribuições do Enfermeiro Responsável Técnico. Brasília: COFEN, 2025. ______. Parecer de Câmara Técnica nº 0042, de 28 de maio de 2021. Disponível em: htps://www. cofen.gov.br/parecer-de-camara-tecnica-no-0042-2021-ctln-dgep-cofen/. Acesso em: 28 maio 2021. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Classiicações estaísicas nacionais. Comissão Nacional de Classiicação. Disponível em: htps://concla.ibge.gov.br/busca-online-cnae.html. Acesso em: 3 fev. 2024. MINAS GERAIS. Secretaria de Estado de Saúde. Resolução nº 7.426, de 25 de fevereiro de 2021. Estabelece regras para licenciamento sanitário no âmbito da Vigilância Sanitária do Estado de Minas Gerais. Diário Oicial do Estado de Minas Gerais, 25 fev. 2021. POLÔNIO, V. Como abrir sua empresa. Palestra ministrada no I Congresso da Enfermagem Maranhense, Conselho Regional de Enfermagem do Maranhão, São Luís, MA, jan. 2022. RAIOL, I. F. et al. A simulação realísica na consulta de enfermagem voltada ao idoso. Revista Enfermagem UFPE Online, p. 1–5, 2020. 40 4 CONCEITOS: EMPREENDEDORISMO, INOVAÇÃO E TECNOLOGIA Fábio da Costa Carbogim Introdução O panorama social contemporâneo, caracterizado pelo aumento da expectaiva de vida da população, aliado à globalização da economia, repercute decisivamente nos cenários e na forma de atuação proissional (Colichi et al., 2019). A interseção entre um mundo globalizado e a necessidade de avançar no conhecimento têm esimulado o desenvolvimento e a busca por novas sistemáicas criaivas. Nesse senido, empreender, inovar e produzir tecnologia tem ganhado cada vez mais espaço entre as proissões, com destaque para a enfermagem (Araújo et al., 2022). Para compreender como isso repercute na vida proissional é preciso entender o que cada um desses conceitos signiica e como eles se interconectam. O empreendedorismo foi deinido pela primeira vez por Joseph Alois Schumpeter (1883-1945) como uma caracterísica de quem propõe soluções a problemas de maneira oportuna e criaiva. De outro modo, signiica a capacidade do empreendedor para implementar um serviço, um produto ou um negócio que agregue valor de consumo à sociedade (Backhaus, 2006). Os empreendedores são pessoas pioneiras em mudanças em sua área, que têm capacidade de visualizar e explorar as oportunidades, produzindo tecnologias e/ou inovações (Colichi et al., 2019; Copelli et al., 2020). A tecnologia pode ser compreendida como a aplicação cieníica da técnica (conjunto de métodos e procedimentos) para desenvolver instrumentos que subsituam a ação humana (Veraszto et al., 2009). Cabe destacar que nem sempre uma inovação é tecnológica, apesar de a tecnologia gerar inovação. Desse modo, inovação envolve a combinação de instrumentos, processos e métodos com o objeivo de oimizar uma aividade (Veraszto et al., 2009). Por exemplo, a criação do cateter intravenoso é considerada uma tecnologia, mas as transformações empregadas ao longo dos anos para aperfeiçoá-lo, são inovações. Logo, tecnologia e/ou inovação se relacionam inimamente com o empreendedorismo e são fortes aliados para o estabelecimento de um novo negócio (Colichi et al., 2019; Copelliet al., 2020). No empreendedorismo, a criaividade, o pensamento críico, a iniciaiva, o trabalho em equipe e as redes de apoio são a base para produção de inovação e de tecnologia (Colichi et al., 2019). Empreendedorismo na Enfermagem o campo da Enfermagem, empreendedorismo signiica praicar de forma independente o próprio modNo campo da enfermagem, o empreendedorismo signiica praicar de forma independente o próprio modelo de prestação de cuidados/serviços com a inalidade de atender às necessidades do consumidor de cuidados (Soder et al., 2021). Porém, para se empreender, há necessidade de habilidades pessoais, de recursos técnicos e socioeconômicos que garantam a sustentação e o reinamento do empreendimento. Além disso, a literatura tem apontado que os enfermeiros empreendedores comparilham qualidades em comum, a saber: capacidade de acreditar no seu produto/serviço, iniciaiva para implementar algo novo; criaividade para mobilizar os recursos existentes e competência para assumir os riscos de modo planejado (Colichi et al., 2020; Copelli et al., 2019; Soder et al., 2021). Uma revisão integraiva ideniicou três modalidades de empreendedorismo em enfermagem: empreendedorismo social, empreendedorismo empresarial e intraempreendedorismo (Copelli et al., 2019). 41 O empreendedorismo social tem como principal objeivo promover soluções que impactem na realidade de pessoas e/ou comunidades. Assim, está vinculado a aividades, produtos e serviços oferecidos por organização versáil, sustentável e engajada com o desenvolvimento social (Araújo et al., 2022). Um exemplo dessa modalidade de empreendedorismo seria a oferta de consulta de enfermagem a uma comunidade ou a consultoria sobre parto e puerpério ou cursos para pessoas em situação de vulnerabilidade, a um custo acessível. O empreendedorismo empresarial é considerado uma modalidade tradicional, em que por necessidade ou oportunidade, alguém investe em um negócio próprio. Está vinculado ao meio empresarial, logo o enfermeiro atuará como um proissional autônomo (Colichi et al., 2020). Um exemplo do empreendedorismo empresarial seria a abertura de uma clínica de estéica e beleza. Essa modalidade de empreendedorismo impulsiona a conquista de novos campos de atuação da enfermagem, esimula o crescimento econômico e a visibilidade da proissão. O intraempreendedorismo consiste na práica de empreender dentro de uma insituição em que o proissional é colaborador. Geralmente, para que o intraempreendedorismo ocorra há necessidade de abertura ou esímulo à inovação por parte da empresa (Araújo et al., 2022; Colichi et al., 2020). Existem dois ipos de intraempreendedores: o de valor agregado e o “spin-of”. No primeiro caso, o colaborador agrega valor à empresa por meio da produção de inovação e tecnologia. Um exemplo seria o enfermeiro desenvolver um aplicaivo que facilite a triagem de atendimento de pacientes em um Pronto- Socorro. Já no segundo caso, o“spin-of”, o intraempreendedor produz uma modiicação que se diversiica da proposta inicial da empresa (Copelli et al., 2019). Um exemplo seria a proposta de criação de um setor em um hospital para consulta de enfermagem e aividades de promoção à saúde. Cabe destacar que o empreendedorismo vai além das possibilidades e dos meios necessários para inaugurar um novo negócio, produto ou ação. Para uma cultura empreendedora na enfermagem, há necessidade de formar o proissional a parir da gestão educacional empreendedora, com aprendizado de competências, habilidades e aitudes (Araújo et al., 2022; Colichi et al., 2020; Copelli et al., 2019). Considerações inais Para se estabelecer como empreendedor na área da Enfermagem, existem diversas oportunidades. No entanto, os peris que mais se destacam são aqueles que se valem da tecnologia, inovação, criaividade e liderança. Essas ferramentas, muitas vezes, estão à disposição no nosso coidiano, exigindo apenas sensibilidade para serem ideniicadas e uilizadas. 42 REFERÊNCIAS ARAÚJO, I. de F. L. et al. Empreendedorismo na enfermagem: quais signiicados são desvelados por estudantes e professores da graduação? Revista Baiana de Enfermagem, v. 36, 2022. Disponível em: htps://periodicos.uba.br/index.php/enfermagem/aricle/view/44570. Acesso em: 10 mai. 2024. BACKHAUS, J. G. Joseph Alois Schumpeter: entrepreneurship, style and vision. Berlin: Springer, 2006. Disponível em: htps://link.springer.com/content/pdf/10.1007/b101851.pdf. Acesso em: 8 abr. 2024. COLICHI, R. M. B. et al. Entrepreneurship and Nursing: integraive review. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 72, supl. 1, p. 321–330, 2019. DOI: 10.1590/0034-7167-2018-0498. ______. Proile and entrepreneurial intenion of nursing students: a comparison between Brazil and Chile. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 73, n. 6, e20190890, 2020. DOI: 10.1590/0034-7167-2019- 0890. COPELLI, F. H. D. S.; ERDMANN, A. L.; SANTOS, J. L. G. D. Entrepreneurship in Nursing: an integraive literature review. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 72, supl. 1, p. 289–298, 2019. SODER, R. M. et al. Entrepreneurship among Undergraduate Nursing Students at a public university. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 75, n. 1, e20201388, 2021. DOI: 10.1590/0034-7167-2020-1388. VERASZTO, E. V. et al. Tecnologia: buscando uma deinição para o conceito. Prisma.com, Portugal, n. 8, p. 19–46, 2009. Disponível em: htp://hdl.handle.net/20.500.11959/brapci/66904. Acesso em: 5 mar. 2024. 43 5 MARCA PESSOAL / PROFISSIONAL E AS SKILLS NECESSÁRIAS PARA EMPREENDER Ana Carolina Silva Introdução Desde a Segunda Grande Guerra e a criação das Nações Unidas, em 1945, e, de forma mais relevan- te, a parir de 1989, com a queda do muro de Berlim, iniciou-se um comportamento mundial diferente, nomeado como globalização. A divulgação mundial de informações e maior facilidade de acesso foram intensiicadas e facilitadas com o uso das tecnologias sendo que, atualmente, o Mundo está cada vez mais digital. Um cenário de constante e rápida transformação em que as interações, consumos, infor- mações e serviços são realizados cada vez mais virtualmente (Abreu et al., 2013). Durante a Pandemia, a teoria de Mundo BANI — conceito traduzido para o Português como “Frágil, Ansioso, Não linear e Incompreensível” — foi fundamentada e traduz o comportamento do mundo e do mercado de trabalho atuais (Vedfelt, 2022). A virtualização da atualidade relete-se em diferentes formas de consumo, comunicação, procura e oferta de trabalho e intensiica a importância do network, do aprendizado conínuo e do uso adequado das redes sociais, com posicionamentos, falas, condutas e provas sociais que evidenciem conquistas e bons resultados de trabalhos realizados (Abreu et al., 2013; Gamonar, 2022; Greco, 2022). Inseridos nesse contexto, é inegável a necessidade não só de entender o funcionamento desse mundo, mas também de aprender e executar estratégias para inserção no Mercado e conquista de oportunidades de acordo com as novas demandas. 1. O que é Marca Pessoal? Conceito e importância para a atualidade Para entender com facilidade o conceito de Marca Pessoal basta fazer uma analogia com o que signiica uma impressão digital. A impressão digital é um desenho formado por elevações da pele presentes nas polpas dos dedos das mãos, funcionando como uma forma única e intransferível de ideniicação pessoal(Silva, 2022). Ela pode revelar a idenidade de seu dono e atribuir-lhe responsabilidades, mesmo sem sua presença ísica ou argumentação no momento da análise. Da mesma forma, a Marca Pessoal é uma impressão deixada pelas aitudes, comunicações, resul- tados e registros que são vistos, percebidos e analisados com ou sem presença ísica, ciência e inter- pretação. Marca Pessoal é uma forma de ser lembrado, de gerar interesse pessoal e pelo seu trabalho por meio da memorização do que você faz e dos valores que transmite (Gamonar, 2022). No Mundo atual, as marcas pessoais são mais amplas, fáceis e rapidamente percebidase avaliadas devido à exposição virtual e às pesquisas digitais. Como a internet é um instrumento acessível a qual- quer pessoa ou empresa, esse entendimento reforça a importância de uma atenção adequada a essa forma de comunicar-se e promover-se (Gamonar, 2022; Sawicki, Stori, 2021). Essa exposição mais ampla do indivíduo atrela cada vez mais as imagens pessoal e proissional, en- tendidas agora como únicas. Aitudes anteriormente jusiicadas como realizadas somente em âmbito paricular não são mais aceitas, visto que os valores e aitudes pertencem à mesma pessoa que transita tanto em casa quanto no trabalho, com a família e amigos, e na sociedade. Você é a sua marca, o seu 44 negócio. Sua marca pessoal é você. Assim, ao estabelecer uma marca pessoal, estabelece-se, para- lelamente, uma marca proissional, e esse binômio pessoal/proissional não se dissocia em nenhum ambiente, seja ísico ou virtual (Gamonar, 2022; Montoya, 2010). É necessário trabalhar a Marca Pessoal para garanir uma comunicação mais eicaz que evidencie os valores e entregas que se é capaz e desperte interesse pelo que se tem a oferecer (Greco, 2022). As evidências dessa Marca Pessoal/Proissional é que irão determinar a qualidade e a existência, ou não, de ofertas proissionais. Especialistas em carreira, recrutamento e markeing digital, como Carolina Marins, Andréa Greco e Flávia Gamonar, demonstram, em suas publicações e arigos, a relação entre exposição virtual e oportunidades de trabalho, tradicionais ou empreendedoras, inclusive em relação à Enfermagem. Ser visível virtualmente, ter o trabalho e resultados divulgados e validados na internet e demais redes de relacionamento são vistos como provas sociais muito desejáveis e até necessárias atualmente. Dessa forma, não desenvolver e não evidenciar uma marca pessoal/proissional signiica perder chances de receber propostas de trabalho, ter mais diiculdade de inserção no mercado ou não con- seguir clientes para o seu negócio. Mas também, relete a importância de realizar um uso adequado das redes sociais de forma estratégica e que potencialize posiivamente o trabalho, produto ou serviço ofertado. A presença digital, seja produzindo conteúdo ou evidenciando trabalhos e qualiicações, é cada vez mais comum, necessária e desejável para que Enfermeiros conquistem oportunidades proissionais. No entanto, também vale ressaltar a importância do uso adequado das redes sociais, pois as consequên- cias dessa exposição podem ser negaivas ou posiivas, uma vez que dependem do posicionamento demonstrado (Colbert, Yee, George, 2016). De acordo com o já exposto, podemos concluir que o uso inteligente das redes sociais para trans- miir sua marca pessoal/proissional, aliado a interações adequadas e evidências do valor do trabalho exercido, consitui a melhor estratégia de posicionamento para conseguir as melhores oportunidades de contratação, parcerias e desenvolvimento de negócios empreendedores. Além de desenvolver uma marca pessoal/proissional forte, singular e coniável, há várias carac- terísicas, habilidades e aitudes que precisam compor o indivíduo empreendedor e que devem ser constantemente aprimoradas. 2. Sot skills necessárias para empreender Para ser empreendedor, é preciso estar disposto a transpor desaios, realizar autogestão, aprimorar- -se constantemente e entender que o foco é sempre ajudar outras pessoas, ser a solução para deter- minado problema que alige o cliente, por meio de produtos ou serviços inovadores, ou de melhorias de processos ou serviços já existentes, com ganhos efeivos para indivíduos, empresas e sociedade (Gimenes, Freitas, Alves, Pintor, 2021; Cuboup, 2022; Greco, 2022). Existem diversos setores em que é possível empreender, e são necessários conhecimentos especí- icos em cada um deles para atuar. Assim, algumas caracterísicas ligadas a aitudes, habilidades são comuns e necessárias aos indivíduos empreendedores, independentemente da área (Cuboup, 2022). Agrupando as orientações de todos os autores referenciados neste capítulo, essas são as principais habilidades comportamentais (sot skills) apresentadas como necessárias ao empreendedor: • Foco e equilíbrio emocional Foco é ter uma meta e não desviar desse objeivo até alcançá-la, mesmo com os desaios. Para isso, é fundamental desenvolver autocontrole, conseguir lidar com negaivas e fracassos e trabalhar estra- tégias para acalmar, controlar as emoções e manter esse foco. A práica de exercícios de respiração, exercícios ísicos, estar em ambientes agradáveis, tempo de repouso e lazer auxiliam muito. • Autoconhecimento Entender a si próprio, conhecer virtudes e defeitos, forças e fraquezas para deinir onde precisa trabalhar. Desvendar qual o seu propósito, anseios, o que mais importa, onde quer chegar e com quais 45 valores. Esse mapeamento interno irá impulsionar e direcionar os pensamentos, estratégias e ações para o alcance dos resultados pretendidos. • Estratégia Desenvolver um planejamento do que fazer, que caminhos percorrer, em quanto tempo, com quais recursos e com que ipo de network. É preciso traçar desde o ponto de parida até o objeivo que se pretende alcançar e realizar ajustes durante o percurso de acordo com os aprendizados e novas neces- sidades que surgirem. • Iniciaiva É necessário ser capaz de, por um motivo próprio, seja ele ideológico, emocional, social ou inan- ceiro, sair da zona de conforto e começar a construir algo novo. E esse impulso também precisa ser renovado repeidamente pelo próprio empreendedor. • Criaividade Capacidade de inovar, através de habilidades e competências próprias para solucionar problemas latentes ou desenvolver novas estratégias para facilitar a vida das pessoas. • Liderança Ser exemplo, estar junto e apoiar. Acreditar no sucesso do negócio e ser capaz de fazer parte do projeto e direcionar a si mesmo e seus colaboradores, se houver, para o alcance dos resultados deseja- dos. Inspirar, desenvolver pessoas, estabelecer as melhores estratégias e buscar coninuamente novas oportunidades. • Comunicação e network Independente da área em que se pretende atuar, é preciso uilizar a linguagem adequada para o público e o ambiente inerentes ao negócio. Conseguir difundir adequadamente a mensagem e os be- neícios que o produto ou serviço proporciona. Tão importante quanto comunicar de forma adequada, é realizar trocas genuínas, ter a capacidade de se relacionar com pessoas estratégicas e valiosas, com o objeivo de espelhar, aprender, impulsionar e indicar seu negócio. • Capacidades e competências, aprendizado e desenvolvimento conínuo Uilizar de forma inovadora conhecimentos, habilidades e competências desenvolvidas na acade- mia, em cursos e com experiências de vida e proissionais, para executar o melhor trabalho, diferencia- do e com foco no cliente. Entender que, mesmo nos assuntos que domina, é necessário aprimorar-se sempre, procurar novos conhecimentos e se atualizar coninuamente sobre a área de atuação e as tendências de mercado. Considerações Finais Empreender exige várias habilidades e a construção de uma marca pessoal e proissional forte e adequada. Portanto, não é mesmo para qualquer um. O caminho empreendedor pode ser muito solitário, estressante e desaiador, mas também emo- cionante, construivo, cheio de possibilidades e recompensador. Empreender é persisir, aprender com os erros, desenvolver-se coninuamente, evidenciar um valor único e necessário, manter o foco e ser feliz fazendo a diferença para a vida de muitas pessoas.Ideniicou-se? Então, comece ainda hoje a desenvolver sua marca pessoal e venha vivenciar os desaios e as graiicações do empreendedorismo. 46 REFERÊNCIAS ABREU, C. N.; EISENSTEIN, E.; ESTEFENON, S. G. B. (Org.). Vivendo esse mundo digital: impactos na saúde, na educação e nos comportamentos sociais. Porto Alegre: Artmed, 2013. COLBERT, A.; YEE, N.; GEORGE, G. The digital workforce and the workplace of the future. Academy of Management Journal, v. 59, n.3, p. 731–739, 2016. Disponível em: htps://www.researchgate.net/ publicaion/304004855_The_Digital_Workforce_and_the_Workplace_of_the_Future. Acesso em: 20 ago. 2022. CUBO UP. Empreendedorismo: o que é, qual a importância e os diferentes ipos de empreendedores. [S.l.], [2022]. Disponível em: htps://www.cuboup.s3.sa-east-1.amazonaws.com. Acesso em: 21 set. 2022. GAMONAR, F. Os 5 maiores erros com trabalho de marca pessoal, não apenas no LinkedIn. abr. 2020. Disponível em: htps://www.linkedin.com/pulse/os-5-maiores-erros-com-trabalho-de-marca-pessoal- -n%C3%A3o-apenas-gamonar/. Acesso em: 2 jul. 2022. ______. 10 ideias de temas para criar conteúdo no LinkedIn e destacar sua marca pessoal. jan. 2021. Disponível em: htps://www.linkedin.com/pulse/10-ideias-de-temas-para-criar-conte%C3%BAdo- -linkedin-e-destacar-gamonar/. Acesso em: 20 ago. 2022. GRECO, A. Como trabalhar sua marca pessoal e gerar engajamento? 2 jun. 2021. Disponível em: ht- tps://www.linkedin.com. Acesso em: 11 set. 2022. ______. Networking e empreendedorismo. 9 maio 2019. Disponível em: htps://www.linkedin.com. Acesso em: 10 out. 2022. ______. Seja protagonista da sua carreira. 22 jan. 2020. Disponível em: htps://www.linkedin.com. Acesso em: 10 out. 2022. LOPES, I. G. et al. Empreender para inovar: oportunidades para atuação na ciência. Revista Ciení- ica do CRO-RJ, v. 6, n. 2, maio/ago. 2021. Disponível em: htps://www.researchgate.net/publica- ion/358336437_EMPREENDER_PARA_INOVAR_OPORTUNIDADES_PARA_ATUACAO_NA_CIENCIA. Acesso em: 20 ago. 2022. MONTOYA, P. A marca chamada você: crie uma marca pessoal de destaque e expanda seus negócios. Tradução de Matheus Marins Corrêa. São Paulo: DVS Editora, 2010. MUNDO BANI: como preparar sua carreira olhando para as principais tendências do futuro do traba- lho. Texto de autoria de Klaus Vedfelt. 1 set. 2021. Disponível em: htps://exame.com/carreira/bani- -carreira/. Acesso em: 18 out. 2022. SAWICKI, D. P.; STORTI, A. T. Relexões sobre o markeing e marca pessoal no contexto proissional. Brazilian Journal of Business, Curiiba, v. 3, n. 3, p. 2009–2108, jul./set. 2021. Disponível em: htps:// ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJB/aricle/view/33170. Acesso em: 18 out. 2022. SILVA, F. Impressões digitais: por que somos únicos. [Texto de autoria de Fernando Silva, bolsista do Núcleo de Comunicação e Design]. [S.l.], [s.d.]. Disponível em: htps://www.ufmg.br/espacodoconhe- cimento/impressoes-digitais-por-que-somos-unicos/. Acesso em: 18 out. 2022. 47 6 EMPREENDEDORISMO E MARKETING DIGITAL Ana Carolina Silva Introdução O Markeing Digital é mais do que uma opção a ser analisada. Ele é cada vez mais indispensável e oferece muitas facilidades e vantagens ao empreendedor. Seus principais beneícios incluem: alcance global, maior possibilidade de interagir com o consumidor, maior foco e asserividade nos invesimentos segmentando públicos e nichos de mercado e reduzindo custos de campanha (Sebrae, 2022). Assim, na atualidade, entender o que é e como fazer Markeing Digital é fundamental para ter sucesso como empreendedor. 1. Markeing tradicional e digital – diferenças e vantagens Markeing é um conjunto de aividades que visa entender e atender às necessidades do cliente, consumidor ou usuário (Rez, 2023). O objeivo fundamental do markeing é entender o consumidor para que ele se torne cliente de uma empresa. Quando bem estruturado, faz com que o cliente se idelize à marca e os produtos se vendam praicamente sozinhos (Rez, 2023). Com a evolução da sociedade, o objeivo do Markeing sofreu ajustes, passando de gerar um cliente disposto a comprar para gerar algo elaborado para atender diretamente às necessidades do público (Rez, 2023). A atuação do markeing, que antes era orientada para o produto, passou a ser orientada para a venda, depois para o relacionamento com o cliente e, mais recentemente, para a responsabilidade social. Atualmente, o markeing visa compreender o fator emocional gerado por uma marca e o que leva o consumidor à compra, para que, assim, possa converter as dores, necessidades e desejos em vendas (Rez, 2023). As mudanças na forma de vender estão atreladas também à tecnologia. Mesmo para quem diz não gostar de muitas modernidades, da digitalização das relações e consumos via internet, essa é uma realidade inegável. Assim, não só a população, mas a publicidade e o markeing precisaram se adaptar. As pessoas hoje buscam o conteúdo que querem consumir e não icam mais pacíicas à espera de um produto que lhes será apresentado. Elas têm a escolha de não serem aingidas por propagandas, estão cada vez mais bloqueando opções de propaganda e pagando para ter plataformas sem propaganda. Por isso, é mais interessante a ideia de atrair o público até a marca do que interromper o cliente para ofertar produtos e serviços ou abordá-lo diretamente (Sebrae, 2022; Gomes, 2022; Siqueira, 2022). Ao invés de manter a estratégia tradicional de fazer propaganda diretamente para o público, pagando para mostrar o produto ou serviço (Outbound Markeing), uiliza-se cada vez mais o Markeing para atrair as pessoas por meio de conteúdos que agregam valor para um determinado público, com metodologia estruturada e geração de conteúdo relevante e interessante, com objeivo de gerar negócios (Inbound Markeing) (Gomes, 2022; Siqueira, 2022). Diante dessa perspeciva, e considerando que, em alguns momentos, é possível mesclar as estratégias, o Markeing Digital tornou-se muito mais poderoso que o tradicional. Isso se deve à sua abrangência muito maior e global, possibilidade de escutar o público, realizar interações e, consequentemente, fazer análises mais rápidas e precisas, reduzindo os custos e aumentando a asserividade dos invesimentos (Sebrae, 2022; Gomes, 2022). 48 2. Como desenvolver o Markeing Digital de um Empreendimento “Será que vou precisar contratar uma equipe para fazer o Markeing do meu negócio? Eu não tenho recursos para isso!” Essa é uma dúvida que permeia e bloqueia o empreendedor, principalmente em início de atuação. Mas, não deveria. Essa função pode ser aprendida e realizada até que a empresa prospere e para que tenha maior crescimento demande uma equipe especíica para esse im. O Enfermeiro possui formação gerencial e é plenamente capaz de realizar essa função e apreender os conhecimentos especíicos que não foram desenvolvidos na graduação e que serão apresentados a seguir. Para iniciar o Markeing Digital de um empreendimento, inclusive na Enfermagem, é preciso desenvolver 3 passos: (Sebrae, 2022) 2.1 Ter uma estratégia Desenhar um plano para colocar em práica a ideia de negócio sem desperdiçar tempo e recursos. Essa estratégia será baseada em 3 aspectos: 2.1.1 Moivo? Qual o objeivo principal do Markeing Digital para a empresa? Qual problema tem hoje? E como o Markeing Digital irá ajudar a solucionar? • Gerar leads - peril de público-alvo que pode ser abordado para vendas; • Aumentar Brand Awereness - percepção da marca, desejo e preferência; • Reduzir custos e educar o mercado - atender demandas proaivamente, entender as demandas do público e produzir conteúdo solucionando aquela dúvida. Isso faz com que a abordagem de venda seja muito mais fácil e efeiva e traz público mais qualiicado. 2.1.2 Para quem? Quem é o público que se deseja alcançar? É importante realizar pesquisas para entender qual é o público-alvo ou persona que deseja alcançar. Essa segmentação para um público bem especíico possibilita que o markeing seja muito mais eiciente. Buscar aingir e agradar todo mundo, um púbico muito amplo e com mensagem genérica diminui muito a eiciência. É preciso entender e falar para um público-alvo minimamente deinido, considerando aspectos como: sexo e gênero, faixa etária, peril inanceiro e localização. 2.1.3 Como? Como a estratégia será realizada? Quais caminhos e formatos de conteúdo serão uilizados? Os canais a serem abordados são descritos a seguir. 3. Deinir os canais que irá uilizar Os canaisou caminhos uilizados para o desenvolvimento do Markeing Digital precisam ser deinidos – site, plataformas, tecnologias. Conhecer as possibilidades e nomenclaturas uilizadas é muito válido para auxiliar na melhor escolha. 49 3.1. Canais tradicionais Os canais são locais para realizar e distribuir anúncios, como o AdNetworks e o Google AdSense. Existem várias ferramentas, gratuitas e pagas, disponíveis para encontrar leads através de landing pages (páginas especíicas oriundas de anúncios, com formulários para captar informações e direcionar conteúdos) e para analisar os comportamentos e interesses dos usuários (Soares, 2022). Todos eles trabalham com modelos de cobranças, como: • CPM (Custo por Mil Impressões) - uilizado para banner em sites. É contabilizado da seguinte forma: cada vez que a página é aberta é entendido que houve uma visualização. Muito úil para aumentar a visibilidade e conhecimento da marca. • CPC (Custo por Clique) – pagamento realizado somente quando alguém clica no link da propaganda. • CPA (Custo por Ação) – Pagamento somente se o usuário executar uma ação prevista e predeterminada como por exemplo, comprar o produto. 3.2. Redes Sociais Ótimos veículos para divulgação orgânica (de graça, por interesse do público pelo conteúdo) ou paga. Todas as redes sociais são válidas. É preciso analisar o tipo de negócio e a rede em que performa melhor, ou seja, que apresenta melhor desempenho com o público-alvo. 3.2.1. Redes Sociais: Instagram, Facebook (vale ressaltar que toda deinição de estratégia e gestão de campanha paga no Instagram é realizada via Facebook), YouTube, LinkedIn, TikTok. 3.2.2. E-mail: Esse canal já era uilizado antes do Markeing Digital e, atualmente, quando usado adequadamente, coninua sendo um óimo canal de comunicação, principalmente quando a própria pessoa se cadastra e fornece acesso ao seu e-mail. Além disso, o e-mail é uma forma de autorização de contato direto com ela e assim, é possível manter contato mais próximo, enviar conteúdos exclusivos e promoções. 3.2.3. Blogs: Um canal menos uilizado que os anteriores, mas muito úil para gerar forte conexão. 4. Uilizar os melhores formatos para comunicar com o público-alvo É possível utilizar mais de um canal ou todos para o mesmo empreendimento. Assim, como diferentes formatos para apresentação em cada canal. Os formatos ou ipos de conteúdo podem ser: • Textos • Imagens • Vídeos • Materiais mais complexos e com mais conhecimentos, como e-books É válido experimentar diferentes canais e formatos para avaliar e ideniicar aqueles com melhor desempenho. Isso deve estar sempre alinhado aos objeivos do negócio e à estratégia deinida. 5. Construindo um Markeing Digital de sucesso Ao contrário da crença popular, fazer Markeing Digital vai muito além de simplesmente fazer postagens nas mídias sociais. Envolve planejamento e muita análise de dados (Siqueira, 2022). Para garanir o sucesso do Markeing Digital, é preciso planejar qual ipo de conteúdo será produzido, em quais canais será publicado, com que frequência, em que formato e que ações irão contribuir para o objeivo inal. Não se esquecendo nunca de focar na persona, levando em conta que ipo de 50 informação será relevante para ela desde o primeiro contato com a empresa até o momento da compra (Siqueira, 2022). É necessário também saber o que medir. As métricas precisam ser definidas a partir dos objetivos do empreendimento, atrelando marketing e vendas e medir cada etapa do processo. Precisam ser planejadas, mensuráveis, aingíveis, com período de tempo determinado e custos (Siqueira, 2022; Ribemboim, 2022). Outro ponto fundamental é saber o momento certo para entregar cada ipo de conteúdo. Um conteúdo de qualidade é aquele que resolve o problema no momento em que o público precisa (Siqueira, 2022). E para entender esse momento, existe uma ferramenta amplamente uilizada para representar a jornada do cliente, desde o conhecimento da marca, geração de interesse, ideniicação clara de um problema, possíveis soluções e a compra da solução oferecida (Siqueira, 2022). A jornada do cliente é representada pelo Funil de Vendas: • Topo de funil – Geração de Tráfego – conteúdo focado no leitor, no público em geral para atrair pessoas em grande volume que tem dúvidas. O foco é resolver as dúvidas delas. • Meio de funil – Captura de Lead – após resolver as dúvidas é preciso convencer a pessoa a buscar uma solução, mostrar caminhos possíveis e oferecer ferramentas mais elaboradas. Para ter acesso, ela precisa se cadastrar, deixar contatos. • Fundo do funil – Nutrição do Lead – argumentos para compra. Mostrar beneícios ao adquirir a marca, produtos, serviços; mostrar depoimentos e cases de sucesso. Fonte: Curso Markeing digital para Empreendedores SEBRAE / Vitor Peçanha 51 Considerações Finais Os conceitos e orientações apresentados são fundamentais, mas é importante ressaltar que, certamente, as melhores estratégias para crescer no online incluem oferecer um serviço de qualidade, ouvir os clientes, ser lexível e criar metas realistas (Soares, 2022). Mais que uma opção, o Markeing Digital é imprescindível para o sucesso de qualquer modelo de empreendimento na atualidade. Trata-se de uma estratégia de visibilidade e vendas que pode ser realizada, mesmo sem invesimento inicial, pelo próprio empreendedor, baseado em estudos do conteúdo apresentado neste material e também por meio de cursos — como o curso gratuito do SEBRAE, indicado nas referências deste capítulo — amplamente disponíveis nas redes sociais e plataformas de ensino, tanto gratuitos quanto pagos. 52 REFERÊNCIAS GOMES, Diego. Vendas Inbound x Outbound. 23 mar. 2015. Atualizado em: 10 jul. 2018. Disponível em: htps://endeavor.org.br/markeing/indicadores-markeing-vendas/. Acesso em: 24 abr. 2022. REZ, Rafael. Markeing: o guia completo. 21 jan. 2020. Atualizado em: 17 dez. 2022. Disponível em: htp://novaescolademarkeing.com.br/markeing-o-guia-completo/. Acesso em: 15 abr. 2023. ______. O que é markeing: conceito e deinições. 11 jan. 2020. Atualizado em: 17 dez. 2022. Disponível em: htp://novaescolademarkeing.com.br/o-que-e-markeing-conceito-e-deinicoes/. Acesso em: 15 abr. 2023. RIBENBOIM, Alexandre. 5 pontos de atenção para seus indicadores em markeing e vendas. 20 ago. 2015. Atualizado em: 7 jan. 2019. Disponível em: htps://endeavor.org.br/markeing/indicadores- markeing-vendas/. Acesso em: 24 abr. 2022. SEBRAE. Curso Markeing Digital para Empreendedores SEBRAE / Vitor Peçanha. [S.l.], [s.d.]. Disponível em: htps://www.sebrae.com.br. Acesso em: 24 nov. 2022. SIQUEIRA, André. Markeing digital vai muito além de simplesmente fazer postagens nas mídias sociais. Envolve planejamento e muita análise de dados. 16 jun. 2016. Atualizado em: 7 jul. 2016. Disponível em: htps://endeavor.org.br/markeing/erros-markeing-digital/. Acesso em: 14 mai. 2022. SOARES, Antônio Carlos. 12 ferramentas para sua empresa crescer on-line. 10 mar. 2015. Atualizado em: 18 ago. 2017. Disponível em: htps://endeavor.org.br/markeing/12-canais-e-ferramentas-para- sua-empresa-crescer-online/. Acesso em: 14 mai. 2022. 53 7 INFORMAÇÃO E CONHECIMENTO COMO ELEMENTOS FUNDAMENTAIS PARA O EMPREENDEDORISMO EM ENFERMAGEM Ricardo Bezerra Cavalcante, PhD, RN Introdução Denomina-se a sociedade atual como da informação, do conhecimento, das tecnologias, mas também como das oportunidades de inovação (Castells, 2013, 2016, 2018; Deguchi et al., 2020; Gams; Kolenik, 2021). É neste contexto que o empreendedorismo ganha sustentação e possibilidades de ser desenvolvido na Enfermagem (İspir, Elibol e Sönmez, 2019; Jakobsen et al., 2021). Sabe-se que o conhecimento sempre fez parte essencial do entendimento para produção nos diversos períodos históricos, mas na era pós-capitalista, a concepção e o tratamento da informação passaram a ser um marco diferencial, permiindo o acúmulo de conhecimento-capital, considerado como fator de sucesso(Castells, 2013, 2016, 2018; Deguchi et al., 2020; Gams; Kolenik, 2021). A informação ganha força e se torna primordial nas relações sociais, comerciais e nos processos comunicaivos, cada vez mais em rede, fomentando as possibilidades de novas ideias, inovações e de empreender. A disseminação da informação e do conhecimento permite a incorporação de valores, tornando-se parte integrante da produção. Percebe-se que, nesse ciclo evoluivo, as pessoas necessitam ter conhecimento amplo e devem ser envolvidas nos processos de trabalho que movimentam a organização, a parir do comparilhamento de saberes e na disseminação da cultura organizacional (Chagas et al., 2018; Colichi et al., 2019;). Nesse contexto, o proissional de Enfermagem deve engajar- se na produção, disseminação e comparilhamento de informações com vistas a novas possibilidades de negócios (Colichi et al., 2019; Jakobsen et al., 2021). É importante ressaltar que a sociedade sofreu imensa transformação e mudança no campo da comunicação, gerada pela “explosão de informação” que foi impulsionada por mudanças comportamentais, sociais, políticas, econômicas e tecnológicas, entre outras. O aumento da necessidade por conhecimento, informações e noícias fundamentam essa inluência. Aliada aos avanços tecnológicos e à rapidez do acesso disponibilizado num universo cada vez mais interligado, muitas vezes em tempo real, promovem essa migração de forma consistente (Castells, 2013; 2016; 2018). Além disso, junto a essas mudanças, há o aumento da desinformação, com impactos signiicaivos sobre as várias áreas da sociedade (Cavalcante et al., 2022; Delgado et al., 2021). Desta feita, tem- se o advento tecnológico proporcionando possibilidades de novos empreendimentos e modalidades de trabalho diferenciadas, mas também há a emergência de um ecossistema desinformaivo que se conforma como um risco para o ambiente inovador e empreendedor (Cavalcante et al., 2022; Delgado et al., 2021). A pergunta que se lança neste capítulo é: “qual é a importância da informação e do conhecimento para o proissional de Enfermagem no que tange ao empreendedorismo?”. Busca-se, portanto apontar algumas possibilidades de respostas para o proissional de Enfermagem, visando instrumentalizá-lo na árdua e prazerosa caminhada do empreendedorismo. A primeira possibilidade a ser apontada é a necessidade de o empreendedor entender o processo de ser “sujeito cognoscente”, ou seja, aquele que se faz conhecimento. Isso é fundamental, é preciso conhecer a sua proposta de negócio. Para tanto, conforme descrito na igura 1 por Valenim (2013), os atos empreendidos por uma pessoa resultam de decisões que hierarquicamente são precedidas por algum conhecimento. A construção do conhecimento, estabelecida por uma relação da compreensão, 54 apreensão, apropriação e internalização do sujeito cognoscente, é consituída a parir de suas experiências, vivências e conhecimentos prévios. Por sua vez, todo o conhecimento adquirido é precedido por uma complexa rede de captação de informações. Figura 2 – Relação entre dados, informação, conhecimento, decisão e ação. Nesse senido, com base na igura 2 e nas proposições de Araújo e Gouveia (2022), é preciso que o empreendedor entenda a diferença entre os conceitos a seguir e direcione suas ações em cada um: 1 – DADOS: Coletar dados das diversas fontes possíveis sobre o principal objeto de seu negócio. Para isso, é necessário deinir: qual é esse objeto? O que se pretende vender? Quais são os principais dados sobre ele? O que o sustenta cieniicamente? Qual a sua relevância? Há demandas para sua aquisição? Fez-se uma avaliação do mercado? Dos concorrentes? Fez-se uma descrição do contexto? Quais seriam os impactos possíveis nos consumidores? Respondendo a essas perguntas, será possível mapear as necessidades de informação sobre o objeto ou a solução proposta. Levante dados, os mais variados possíveis, de diversas fontes. Mas ainda são apenas dados, é preciso contextualizá-los para serem transformados em informação, conhecimentos e decisão. 2 – INFORMAÇÃO: Analisar os dados coletados a parir de contextualizações e interpretações. Compare-os e sinteize-os em mapas conceituais ou outras formas de visualização do todo. Lembre-se sempre de que o contexto é fundamental para iniciar a compreensão do que está acontecendo. Isso ajudará a consolidar as suas futuras estratégias de implementação do negócio. Também é importante mapear as tendências, conformando-se como uma estratégia de visão além do momento atual. É imprescindível se perguntar: quais mudanças estão ocorrendo e como podem envolver o negócio ou a solução proposta? 3 – CONHECIMENTO E INTELIGÊNCIA COMPETITIVA: A parir da análise dos dados, deve-se confrontá-los com as vivências e experiências prévias. É importante discuir os seus dados com possíveis concorrentes, consultores ou outras pessoas que já tenham vivenciado experiências com o negócio em 55 que se pretende empreender. É preciso considerar o patamar da inteligência compeiiva. Trata-se do nível mais alto, no qual o empreendedor pode lançar mão de informações como oportunidades e conhecimentos contextualmente relevantes, permiindo uma atuação vantajosa no contexto em que se pretende empreender. É a oportunidade de aprofundar o conhecimento sobre o negócio ou a solução proposta. Ler e estudar “cases” de sucesso pode ajudar na elaboração de conhecimento. 4 – DECISÃO: A etapa da decisão alude ao momento de fazer escolhas. Decisões devem ser precedidas por avaliação e iltragem das possibilidades existentes. Algo ousado ou comedido? Optar sempre por aquilo que é mais seguro no momento, entendendo que o empreendedorismo é um processo de pequeno, médio e longo prazo. Então, as decisões devem estar atreladas a essas metas, cada uma a seu tempo. 5 – AÇÕES: Por im, as ações devem estar alinhadas às metas e aos objeivos traçados. Nesse momento, os indicadores avaliaivos são importantes para a avaliação do alcance dos resultados esperados para cada ação proposta. É importante ter sempre o luxo em mente (ação → metas/ objeivos → indicador avaliaivo → avaliação). A seguir, são apresentados alguns instrumentos/técnicas utilizados na gestão de informações e conhecimentos com vistas a potencializar a criação de proposições inovadoras e de fomento ao empreendedorismo em Enfermagem, considerando a inteligência compeiiva e o planejamento por cenários. Ressalta-se que a construção de cenários se apresenta como uma ferramenta úil para antecipar um “futuro” possível para o empreendimento. Para Lodi (2012, p. 285): Cenário é uma descrição detalhada e internamente consistente de como poderá ser o futuro, construída de forma disciplinada e, ao mesmo tempo, criaiva e baseada na análise dos principais fatos portadores do futuro, que reúne elementos qualitaivos e quanitaivos. A principal inalidade de um cenário é a tomada de decisões no presente sobre o posicionamento estratégico de uma empresa ou um empreendimento no futuro. No contexto do empreendedorismo em Enfermagem a construção de cenários é importante para o norteamento do negócio em que se deseja empreender, principalmente parindo do princípio da sustentabilidade da empresa e sua conínua (re)invenção. A estratégia empreendedora deve estar adequada aos cenários futuros à guisa de seu sucesso. Para icar clara a aplicabilidade e importância da metodologia dos cenários futuros pode-se lançar a seguinte proposição: “Um proissional de Enfermagem está planejando um empreendimento e já tem deinido o seu modelo de negócios. Entretanto, quesiona-se: Como planejar a sustentabilidade da estratégia empreendedora? Quais cenários futuros pode enfrentar? Como tais cenários podem impactar o seu negócio? Como planejar a estratégia empreendedora adequando-se aos prováveis cenários e mantendo-se compeiivo?”. Essas perguntas e suas respostas são fundamentais no mundo dos negócios. Assim, propõe-se a seguir quatro subprocessos doplanejamento de cenários futuros, podendo ser uilizados para o norteamento do empreendedorismo em Enfermagem. 1) Análise do ambiente e construção de cenários, relacionados ao empreendimento pretendido • Construir os fatos portadores de futuro (elementos centrais para a construção dos cenários) no microambiente (mais controlado – ex: variáveis internas de um empreendimento) e macroambiente (menos controlado – ex: políica externa, fatores ambientais e legais); • Disinguir os fatos portadores de futuro entre tendências consolidadas (trajetórias e desdobramentos futuros claros) e incertezas críicas (não são claros e tem alto grau de dependência de outras variáveis no futuro); 56 • Deinir o grau de previsibilidade e nível de impacto relacionado aos fatos portadores de futuro; • Construir de três a quatro cenários consistentes e plausíveis: análise minuciosa das inter-relações entre as incertezas críicas. 1. Três cenários: normaivo (visionário); livre de surpresas (business as usual); adverso (piores expectaivas do futuro); 2. Quatro cenários: normaivo (visionário); livre de surpresas (business as usual); favorável (melhores expectaivas do futuro); adverso (piores expectaivas do futuro). A igura 3 esquemaiza a análise do ambiente e a possível construção de cenários: Figura 3 – Proposição de instrumento sintéico para norteamento da análise de ambiente. FATOS PORTADORES DE FUTURO Macroambiente Políicos Econômicos Sociais Tecnológicos Ambientais Legais ou regulatórios Estruturas de poder e de decisão Opinião pública Atores en- volvidos po- liicamente Fontes e formas de risco Crescimento Inlação Emprego e renda Invesimento Taxa de câm- bio Taxa de juros Comércio internaciona Demogra- ia População economi- camente aiva Concen- tração de renda Sistemas de valores das clas- ses sociais Cultura e ideologia Organiza- ção social e cidada- nia Direciona- mento da inovação Mudanças tecnológicas Pesquisas na área Melhorias Patente Poluição Capacidade de reciclagem Sustentabilidade Fontes de energia Marcos legais e regulatórios de negócios Regulações es- pecíicas (inan- ceira, ambiental, etc) Tributação 57 Macroambiente Indústria/Concorrentes Mercado/consumidores (Finais e Industriais) Fatores críicos de sucessos Movimentos (novos entrantes, alianças, fusões, aquisições) Atração de recursos Restrições ou incenivos governamentais Ciclos e sazonalidades Tendências de volume, custos, preços e lucros Segmentação Demograia, geograia, localização e escala Status, esilo de vida e personalidade Abordagem/comportamento de compra Sensibilidade a preços e promoção ANÁLISE DE TENDÊNCIAS, INCERTEZAS E IMPACTO Tendências Consolidadas Incertezas Críicas Descrição Previsível ou imprevisível? Baixo im- pacto ou alto im- pacto? Descrição Previsível ou im- previsível? Baixo impacto ou alto impacto? Fonte: Adaptado de Lodi (2012) Além da análise do ambiente é preciso avaliar os possíveis impactos dos cenários propostos. Ressalta- se que a proposição ou manutenção de um empreendimento carece de planejar o seu presente e futuro, mas ariculado com possíveis cenários futuros. Desta feita, a Matriz SWOT (Strengths, Weaknesses, Opportuniies, Threats) deve ser construída buscando adequar a estratégia empreendedora aos cenários (igura 4). Figura 4 – Matriz SWOT para cada cenário futuro relacionado à uma estratégia empreendedora CENÁRIO: Ambiente externo Oportunidades Ameaças 1. 2. 1. 2. Ambiente interno Forças Fraquezas 1. 2. 1. 2. Fonte: Adaptado de Costa Júnior et al., (2021). Mais sobre a matriz Swot pode ser encontrado no documento “Plano de Trabalho do Enfermeiro”, disponível em: www.corenmg.gov.br/wp-content/uploads/2020/07/OFICIAL_Plano_de_trabalho_do_ Enfermeiro_2020.pdf 58 2) A ideniicação das Questões Estratégicas Críicas (QEC) que podem surgir e devem ser enfrentadas no futuro: Outra estratégia importante para o planejamento do empreendimento a parir dos cenários futuros é a ideniicação das “Questões Estratégicas Críicas – QEC” ou Key Intelligence Topics (KIT). Esse processo é considerado o ponto de partida do planejamento por cenários. Sugere-se utilizar a entrevista com decisores para delimitar o escopo e o horizonte dos cenários (Oraee, Sanatjoo e Ahanchian, 2021). Segue uma proposição de roteiro de entrevista para a construção de cenários. Figura 5 – Sugestão de roteiro de entrevista aberta para ideniicação das Questões Estratégicas Críicas (QEC). Entrevistado: __________________________________________________________________ 1. Você poderia descrever o plano estratégico do empreendimento? 2. Quais as principais ações e decisões relacionadas ao plano estratégico do empreendimento que devem ser tomadas nos próximos anos? 3. Quais são as questões críicas presentes no micro e macroambiente do negócio? 4. Quais são os possíveis resultados favoráveis ou desfavoráveis previstos para o micro e macro ambiente do negócio? 5. Quais são as tendências consolidadas relacionadas ao negócio pretendido? (questões que cer- tamente vão acontecer) 6. Quais são as incertezas críicas relacionadas ao negócio pretendido? (questões que não são pre- visíveis e que podem ter alto impacto no negócio) 7. Caso já tenha tentado empreender com o mesmo negócio proposto, que eventos o surpreende- ram no passado e que contribuíram para algum sucesso ou fracasso? (pode-se pensar também no caso de um empreendimento de outra pessoa que tenha ido sucesso ou fracasso) 8. Quais os principais atores do mercado envolvido no negócio pretendido? a) Concorrentes: ___________________________________________________________ b) Consumidores: __________________________________________________________ c) Fornecedores: ___________________________________________________________ d) Canais: ________________________________________________________________ e) Governos/agências reguladoras: _____________________________________________ f) Outros: _________________________________________________________________ Fonte: Adaptado de Oraee, Sanatjoo, Ahanchian, 2021. A entrevista não é o único instrumento de coleta de informações para o QEC. É necessário coletar informações adicionais a parir de fontes secundárias (noícias, arigos, publicações especializadas, bases de dados e outras fontes). Também é possível coletar informações com especialistas na área onde se pretende empreender a parir de entrevistas, grupos focais, painéis e empresas de consultoria. As informações coletadas a parir das fontes apontadas devem ser uilizadas para construir os cenários, alimentar os fatos portadores de futuro, analisar tendências, incertezas e seus impactos, bem como fomentar a matriz SWOT (Costa Júnior et al., 2021). 59 3) Descrição e acompanhamento dos peris dos principais concorrentes atuais e potenciais, avaliando coninuamente as forças e fraquezas da empresa Descrever e acompanhar os peris dos concorrentes (atuais e potenciais) é uma ferramenta imprescindível da inteligência compeiiva no planejamento por cenários. Trata-se de um mapeamento dos principais concorrentes, suas ofertas de produtos e serviços, bem como suas estratégias e fontes de vantagem compeiiva. Para isso, é necessário ideniicar no mercado empreendedores, empresas, empreendimentos e negócios similares. Sugere-se o norteamento a parir de algumas categorias: • Posicionamento estratégico; • Planos futuros; • Missão e Visão; • Metas; • Carteira de negócios • Elementos que permitam caracterizar movimentos futuros; • Capacidade de resposta às mudanças no ambiente de negócios; • Capacidade de resposta aos demais compeidores Além do mapeamento das categorias descritas anteriormente, é preciso descrever para cada concorrente (potencial e futuro) os seus recursos, capacidades e competências essenciais que podem sustentar suas forças e fraquezas em relação aos demais compeidores (Costa Júnior et al., 2021). Na igura6, Lodi (2012, p. 299) propõe uma Matriz de análise vis-à-vis das forças e fraquezas dos concorrentes. Figura 6 - Matriz de análise vis-à-vis das forças e fraquezas dos concorrentes Recursos, capacidades e competências essenciais (ideniicar dentro das dimensões a seguir) Principais concorrentes atuais e potenciais Análise de valor Alfa Beta Gama Delta Ômega Linha de produto Markeing e vendas Operações Inteligência Compeiiva Pesquisa e desenvolvimento tecnológico Recursos humanos Peris dos gerentes Estrutura organizacional Relacionamentos Finanças Escala: +2 bem mais forte +1 mais forte 0 igual à empresa -1 mais fraco -2 bem mais fraco Fonte: Adaptado de Lodi (2012, p. 299) 60 Considerações Finais Neste capítulo, pariu-se de uma questão norteadora: “qual é a importância da informação e do conhecimento para o proissional de enfermagem no que tange ao empreendedorismo?”. Para respondê-la, foi necessário, inicialmente, disinguir dados de informação, de conhecimento e inteligência compeiiva, bem como a tomada de decisão e ações. Trata-se de uma cadeia concatenada e conínua a ser considerada pelo enfermeiro empreendedor. Nesse senido, alguns instrumentos/técnicas foram propostos para serem uilizados na gestão de informações e conhecimentos, com o objeivo de nortear o empreendedorismo em enfermagem, balizando-se pela inteligência compeiiva e o planejamento por cenários futuros. Além disso, foram descritos os subprocessos do planejamento de cenários futuros, sugeridos para nortear o empreendedorismo na área. São eles: Análise do ambiente e construção de cenários relacionados ao empreendimento pretendido; ideniicação das Questões Estratégicas Críicas (QEC), que podem surgir e devem ser enfrentadas no futuro; e descrição e acompanhamento dos peris dos principais concorrentes atuais e potenciais, avaliando coninuamente as forças e fraquezas da empresa. Este capítulo endossa a necessidade de se usar tecnologias da informação, no senido de promover suporte à gestão das informações e dos conhecimentos, potencializando a inteligência compeiiva e o planejamento estratégico de um empreendimento em enfermagem. 61 REFERÊNCIAS ARAÚJO, P. S.; GOUVEIA, L. B. Empreendedorismo, responsabilidade social e tecnologia. 1. ed. Belo Horizonte: Conhecimento Editora, 2022. CASTELLS, M. A sociedade em rede. 23. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2013. ______. O poder da comunicação. 5. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2016. ______. O poder da idenidade. 1. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2018. CAVALCANTE, R. B. et al. Repercussões da infodemia associada ao COVID-19 na saúde mental do idoso no Brasil. Revista Cubana de Información en Ciencias de la Salud, v. 33, 2022. Disponível em: htp://hdl. handle.net/20.500.11959/brapci/194422. Acesso em: 5 out. 2022. CHAGAS, S. C. et al. O empreendedorismo de negócios entre enfermeiros. Revista Enfermagem UERJ, v. 26, e31469, 2018. DOI: 10.12957/reuerj.2018.31469. Disponível em: htps://www.e-publicacoes.uerj. br/index.php/enfermagemuerj/aricle/view/31469. Acesso em: 5 out. 2022. COLICHI, R. M. B. et al. Entrepreneurship and Nursing: integraive review. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 72, supl. 1, p. 321–330, 2019. DOI: 10.1590/0034-7167-2018-0498. Acesso em: 30 jan. 2023. COSTA JÚNIOR, J. F. da et al. The SWOT Matrix and its Subdimensions: a conceptual innovaion proposal. Research, Society and Development, v. 10, n. 2, e25710212580, 2021. DOI: 10.33448/rsd-v10i2.12580. Disponível em: htps://rsdjournal.org/index.php/rsd/aricle/view/12580. Acesso em: 30 jan. 2023. DEGUCHI, A. et al. What is Society 5.0? In: ______. Society 5.0. Singapore: Springer, 2020. DOI: 10.1007/978-981-15-2989-4_1. Acesso em: 30 jan. 2023. DELGADO, C. E. et al. COVID-19 infodemic and adult and elderly mental health: a scoping review. Revista da Escola de Enfermagem da USP, v. 55, e20210170, 2021. DOI: 10.1590/1980-220X-REEU SP-2021-0170. GAMS, M.; KOLENIK, T. Relaions between Electronics, Ariicial Intelligence and Informaion Society through Informaion Society Rules. Electronics, v. 10, n. 4, p. 514, 2021. DOI: 10.3390/ electronics10040514. Acesso em: 30 jan. 2023. İSPIR, Ö. et al. The relaionship of personality traits and entrepreneurship tendencies with career adaptability of nursing students. Nurse Educaion Today, v. 79, p. 41–47, 2019. DOI: 10.1016/j. nedt.2019.05.017. Acesso em: 30 jan. 2023. JAKOBSEN, L. et al. Entrepreneurship and nurse entrepreneurs lead the way to the development of nurses’ role and professional idenity in clinical pracice: a qualitaive study. Journal of Advanced Nursing, v. 77, n. 10, p. 4142–4155, 2021. DOI: 10.1111/jan.14950. Acesso em: 30 jan. 2023. LODI, C. F. G. Planejamento por cenários e inteligência compeiiva. In: STAREC, C. (Org.). Gestão da informação, inovação e inteligência compeiiva: como transformar a informação em vantagem compeiiva nas organizações. São Paulo: Saraiva, 2012. 62 ORAEE, N. et al. An exploratory study on compeiive intelligence: managers’ informaion needs in higher educaion sector. Malaysian Journal of Library & Informaion Science, v. 26, n. 2, p. 125–142, 2021. DOI: 10.22452/mjlis.vol26no2.7. Acesso em: 30 jan. 2023. VALENTIM, M. L. P.; SOUZA, J. S. F. Fluxos de informação que subsidiam o processo de inteligência compeiiva. Revista Eletrônica de Biblioteconomia e Ciência da Informação, v. 18, n. 38, p. 87–106, 2013. Disponível em: htps://periodicos.ufsc.br/index.php/eb/aricle/view/1518- 2924.2013v18n38p87/25958. Acesso em: 30 jan. 2023. 63 8 EMPRESAS JUNIORES, INCUBADORAS E STARTUPS Fábio da Costa Carbogim Introdução As Empresas Juniores (EJs) representam um elo entre a teoria acadêmica e a práica proissional, oportunizando o exercício das competências, habilidades e aitudes aprendidas no banco universitário (Santos, Bolina, 2020). As EJs são enidades civis sem ins lucraivos, geridas por estudantes universitários, com oferta de serviços e/ou produtos a custos inferiores aos encontrados no mercado. As EJs fazem parte de um movimento presente em diversas insituições de ensino ao redor do mundo, sendo uma práica comum em universidades e faculdades. Dessa forma, além de gerar recursos para sua manutenção, as EJs proporcionam uma vivência empresarial aos estudantes, sob supervisão de um docente (Trote et al., 2021). Alguns dos valores aspirados pelas EJs estão relacionados à qualidade, a cooperação, ao planejamento, ao dinamismo, ao proissionalismo, a éica e a inovação (Santos; Bolina, 2020). No senido de disciplinar a criação das EJs nas universidades e orientar sua organização e aividades, foi publicada, no ano de 2016, a Lei nº 13.267. As EJs passam a ter gestão autônoma em relação à coordenação da faculdade, mas obrigatoriamente deverá receber apoio e ser supervisionada por professores ou proissionais especializados. Para a abertura de uma EJ, alguns requisitos mínimos são necessários, tais como: elaboração de um projeto que descreva a viabilidade, planejamento, área de atuação e professor orientador da EJ; elaboração do estatuto e regulamento interno; aprovação pela faculdade à qual se vincula e registro jurídico como empresa. Os requisitos podem variar conforme a insituição, contudo envolve um processo colaboraivo entre estudantes, professores e a insituição de ensino. A transparência, o compromeimento e o alinhamento com as diretrizes da universidade são fundamentais para o sucesso da iniciaiva (Confederação Brasileira de Empresas Juniores, 2022). No contexto legal e éico, há aspectos fundamentais a serem considerados por essas organizações. Quanto aos aspectos legais, a EJ deve estar devidamente registrada como uma enidade jurídica adequada, é necessário cumprir com as obrigações iscais, considerando as isenções ou beneícios iscais aplicáveis a enidades sem ins lucraivos e deve seguir a legislação trabalhista em relação a estudantes e colaboradores, mesmo que não haja vínculo empregaício. Em relação aos aspectos éicos, deveSAÚDE: ABORDAGEM PARA ESTIMAR O CUSTO DE UMA TECNOLOGIA 116 16. ESTRATÉGIAS DE MARKETING 124 17. PRONTUÁRIO: ASPECTOS ÉTICOS E LEGAIS QUE ENVOLVEM OS REGISTROS DE ENFERMAGEM 129 18. MODELOS DE FERRAMENTAS QUE TODO EMPREENDEDOR PRECISA 137 19. MODELO DE NEGÓCIOS: ATENDIMENTO DOMICILIAR (Home Care) 145 20. MODELO DE NEGÓCIO: CUIDADO ÀS PESSOAS COM LESÃO CUTÂNEA CRÔNICA 151 21. MODELO DE NEGÓCIOS: ESTÉTICA 159 22. TELEATENDIMENTO E TELENFERMAGEM 163 23. IMPOSTOS E ENCARGOS FISCAIS: DESCOMPLICANDO OS TRIBUTOS PARA O PROFISSIONAL DE ENFERMAGEM EMPREENDEDOR 169 LISTA DE SIGLAS ANS – Agência Nacional de Saúde Suplementar ART – Anotação de Responsabilidade Técnica ATS – Avaliação de Tecnologias em Saúde CEFE – Código de Éica dos Proissionais de Enfermagem CEF – Caixa Econômica Federal CFT – Comissão de Finanças e Tributação CNAE – Classiicação Nacional de Aividades Econômicas CNES – Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde CNPL – Confederação Nacional de Proissões Liberais CNPJ – Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica COFEN – Conselho Federal de Enfermagem COREN – Conselho Regional de Enfermagem COFINS – Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social CPA – Custo por Ação CPC – Custo por Clique CPM – Custo por Mil Impressões CPP – Contribuição Patronal Previdenciária CPF – Cadastro de Pessoas Físicas CRT – Ceridão de Responsabilidade Técnica CSLL – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido EI – Empresário Individual EJ – Empresa Júnior EPP – Empresa de Pequeno Porte ERT – Enfermeiro Responsável Técnico E-SUS APS – Estratégia e-SUS Atenção Primária à Saúde FGTS – Fundo de Garania por Tempo de Serviço GPS – Guia da Previdência Social IA – Inteligência Ariicial ICMS – Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços INSS – Insituto Nacional do Seguro Social IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados IRPF – Imposto de Renda Pessoa Física IRPJ – Imposto de Renda Pessoa Jurídica ISS – Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza IoT – Internet das Coisas LC – Lei Complementar ME – Microempresa MEI – Microempreendedor Individual MVP – Minimum Viable Product (Produto Viável Mínimo) OMS – Organização Mundial da Saúde OPAS – Organização Pan-Americana da Saúde PASEP – Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público PE – Processo de Enfermagem PEC – Prontuário Eletrônico do Cidadão PF – Pessoa Física PJ – Pessoa Jurídica PGRSS – Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde PIS – Programa de Integração Social PL – Projeto de Lei POP – Procedimento Operacional Padrão PTS – Projeto Terapêuico Singular RDC – Resolução da Diretoria Colegiada (Anvisa) RFB – Receita Federal do Brasil RNDS – Rede Nacional de Dados em Saúde SEBRAE – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas SLU – Sociedade Limitada Unipessoal SUS – Sistema Único de Saúde URTE – Unidade de Referência de Trabalho de Enfermagem LISTA DE QUADROS Quadro 1 – Funções Privaivas e Coleivas do Enfermeiro Quadro 2 – Resoluções que norteiam o Empreendedorismo para a Enfermagem Quadro 3 – Comparaivo para Registro de Consultórios, Clínicas e Empresas de Enfermagem Quadro 4 – Orientações sanitárias para a área ísica de serviços de saúde (RDC nº 50/2002 e RDC nº 07/2022) Quadro 5 – Documentação exigida pela ANVISA para serviços de saúde Quadro 6 – Perguntas e Respostas para empreender em Consultórios, Clínicas e Empresas de Enfermagem Quadro 07 – Elementos e atributos da Teoria da Difusão da Inovação proposta por Rogers (2003)Quadro 08 – Etapas do Design Thinking Quadro 09 – As 10 Heurísicas de Nilsen Quadro 10 – Sugestões para melhoria do sotware apontada pelos usuários durante a testagem e implementação Quadro 11 – Capítulos de um Plano de Negócio Quadro 12 – Detalhamento de um Plano de Negócio Quadro 13 – Os 9 blocos do Business Model Canvas Quadro 14 – Tipos e caracterísicas das principais técnicas de avaliação econômica em saúde Quadro 15 – Pressupostos a serem observados ao escolher um método para análise de custos Quadro 16 – Descrição de variáveis especíicas do método ABC Quadro 17 – Fases de aplicação do Custeio ABC conforme suas inalidades Quadro 18 – Vantagens e Desvantagens dos Prontuários Físico e Eletrônico Quadro 19 – Perguntas, Respostas e Considerações sobre Telenfermagem LISTA DE FIGURAS Figura 1 – Funil de Vendas Figura 2 – Relação entre dados, informação, conhecimento, decisão e ação Figura 3 – Proposição de instrumento sintéico para norteamento da análise de ambiente Figura 4 – Matriz SWOT para cada cenário futuro relacionado à uma estratégia empreendedora Figura 5 – Sugestão de roteiro de entrevista aberta para ideniicação das Questões Estratégicas Críicas (QEC) Figura 6 – Matriz de análise vis-à-vis das forças e fraquezas dos concorrentes Figura 7 – Tela para busca dos pacientes, GerontoIA Figura 8 – Ícones do menu inicial sotware protóipo GerontoIA Figura 9 – Instruções e relato de erro no sotware protóipo GerontoIA Figura 10 – Síntese da avaliação mulidimensional no sotware protóipo GerontoIA Figura 11 – Sistema de comparilhamento de informações no sotware protóipo GerontoIA Figura 12 – Etapas para elaborar um Plano de Negócio Figura 13 – Business Model Canvas Figura 14 – Business Model Canvas dividido em partes esquerda e direita Figura 15 – Blocos originais do Business Model Canvas subsituídos no Lean Canvas Figura 16 – Business Model Canvas (2) Figura 17 – Lean Canvas Figura 18 – Detalhamento das etapas para esimar custos econômicos em saúde Figura 19 – Design Thinking. Figura 20 – Análise SWOT Figura 21 – Ferramenta 5W2H Figura 22 – Modelo de apresentações – Verde e Azul Aperto de mão Figura 23 – Exemplo de criação de pesquisa Figura 24 – Exemplo de planilha inanceira para controle de luxo de caixa Figura 25 – Exemplo de planilha de planejamento para controle de planos de ação Figura 26 – Modelos de Documentos Figura 27 – Business Model Canvas (3) Figura 28 – Canvas de Modelo de Negócio relacionado ao cuidado à pessoa com lesão cutânea crônica em atendimento domiciliar Figura 29 – Canvas de Modelo de Negócio relacionado ao cuidado à pessoa com lesão cutânea crônica em clínicas especializadas Figura 30 – Mapa Visual do Modelo de Negócios 13 INTRODUÇÃO Helen Crisiny Teodoro Couto Ribeiro Sou enfermeiro, posso empreender? O empreendedorismo na enfermagem é viável? Como posso empreender sendo um proissional de enfermagem? Não aprendi sobre empreendedorismo na faculdade ou no curso técnico, mesmo assim posso abrir meu próprio negócio? Quais áreas dentro da enfermagem oferecem oportunidades para empreender? Quais são os primeiros passos para começar a empreender na enfermagem? Como a experiência clínica pode ser uma vantagem no mundo do empreendedorismo? Estas perguntas podem estar passando pela sua mente ao abrir este livro, considerando que você pode pensar que o empreendedorismo é algo reservado para proissionais das áreas de administração e engenharia, onde o tema é comum e amplamente discuido. No entanto, o empreendedorismo por enfermeiros tem evidência desde o século XIX. Em 1860, Florence Nighingale, pioneira da enfermagem moderna e fundadora da primeira Escola de Enfermagem da Inglaterra no Hospital Saint Thomas, em Londres, aplicou princípios do empreendedorismo e da liderança, transformando a realidade e melhorando processos que resultaram na quebra de paradigmas (Copelli, Erdmann, Santos, 2019; Silva et al., 2023). Por meio dessa enfermeira empreendedora, a visão do cuidado foi vista como ciência e o paciente cuidado holisicamente, como um ser integral (Riechel et al., 2021; Altman, Brinker, 2016). A enfermeira Anna Nery também é considerada uma empreendedora por sua atuação na Guerra do Paraguai. Além disso, Wanda de Aguiar Horta, a primeira teórica brasileira da proissão, exempliica o espírito empreendedor na enfermagem (Copelli, Erdmann, Santos, 2019; Nascimento Filho,garanir a conidencialidade das informações dos clientes e parceiros, respeitando normas éicas e contratuais. Devem, ainda, considerar o impacto de suas aividades na comunidade local, buscando contribuir de maneira posiiva para o desenvolvimento sustentável, promovendo um ambiente inclusivo e diversiicado, com respeito à igualdade de oportunidades (Confederação Brasileira de Empresas Juniores, 2022). Atualmente, existem no país mais de 1.400 EJs, que entre os anos de 2019 e 2021 acumularam mais de 153 milhões de reais, ultrapassando a marca de 100.000 projetos (Confederação Brasileira de Empresas Juniores, 2022). Assim, ao passo que contribui com a formação empreendedora nas Universidades, as EJs promovem o desenvolvimento econômico e social do país. A im de apoiar a criação e o crescimento das EJs, existe o Movimento Empresa Júnior, que representa a integração das EJs e se organiza a parir das federações dos estados e da confederação brasileira de empresas juniores, a Brasil Júnior. É por meio da Brasil Júnior, que atualmente, o movimento se orienta e desenvolve (Confederação Brasileira de Empresas Juniores, 2022). 64 Destacam-se quatro EJs de Enfermagem no Estado de Minas Gerais: • Arterial: EJ da Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais. Criada em 2008, com o objeivo de capacitar o futuro Enfermeiro para desenvolver habilidades gerenciais e de liderança. • Humaniza: EJ da Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal de Viçosa. Criada em 2016, com o objeivo de oferecer serviços em Enfermagem voltados para a dimensão do cuidado e educação em Saúde em todos os ciclos vitais. • Amparo: EJ da Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal de Juiz de Fora. Criada em 2021, com o objeivo de fomentar o empreendedorismo no ambiente universitário, além de promover a prestação de serviços de excelência à comunidade por meio de projetos em saúde e assessoria. • Cuidare Jr: EJ da Faculdade de Ciências Biológicas e da Saúde da Universidade Federal dos Vales do Jequiinhonha e Mucuri (UFVJM). Criada em 2010, foi a primeira EJ de Enfermagem federada à FEJEMG. Buscam unir conhecimento acadêmico e necessidades reais da comunidade, formando proissionais mais preparados, inovadores e compromeidos com o cuidado de qualidade. Desenvolvimento do modelo de negócio Na Enfermagem, uma formação empreendedora representa a possível oferta e respostas às necessidades sociais da população e do sistema de saúde, com inovação e ampliação da visibilidade proissional (Spagnof; Bastos, 2015). Algumas possibilidades de atuação das EJs na Enfermagem envolvem a área de educação em saúde, educação permanente, treinamentos, consultorias e implementação das melhores evidências na práica assistencial, pesquisa em saúde, criação de protocolos e manuais, desenvolvimento de tecnologias digitais, avaliação de riscos à saúde em diversas insituições, sempre com acompanhamento de um Enfermeiro supervisor/orientador e vinculadas a uma insituição de ensino superior (Trote et al., 2021). Outra modalidade de empreendedorismo envolve as empresas vinculadas às Incubadoras. Essas empresas incubadas se valem do parque cieníico e tecnológico de uma universidade para funcionar. O termo “incubadora” faz referência aos equipamentos que proporcionam condições ambientais controladas de temperatura, umidade e luxo de ar para o desenvolvimento de crianças que nasceram prematuras (Associação Brasileira de Startups, 2021). Segundo a Associação Brasileira de Startups (2021), as empresas incubadas, por estarem geralmente vinculadas às universidades, recebem suporte técnico e gerencial para desenvolver o negócio. Nesse senido, contam com apoio jurídico, contábil, gestão inanceira, infraestrutura (salas, telefones, internet, secretaria), treinamentos e cursos. Muitas universidades têm centros de empreendedorismo ou programas de incubação e os interessados entram em contato para obter informações sobre o processo de candidatura. Cabe ressaltar que os micros e pequenos empreendedores têm ixado seus negócios junto às incubadoras com o objeivo de reduzir riscos, incertezas e oscilações do mercado (Vivaldini; Soriano, 2014). Dentre as incubadoras proeminentes no país, destacam-se: Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec), vinculada à Universidade de São Paulo; Inova, vinculada à Universidade Federal de Minas Gerais; Incubadora de Projetos Tecnológicos e Empresas do Inmetro, vinculada ao Insituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia; Programa de Incubação de Empresas de Base Tecnológica da UFPA, vinculada à Universidade Federal do Pará e Centro Empresarial para Laboração de Tecnologias Avançadas (CELTA), vinculada à Universidade Federal de Santa Catarina (Cozer, 2019). Outra modalidade reconhecida mundialmente são as Startups, ou novas empresas, que uilizam ou produzem tecnologias, com baixo custo de invesimento na fundação e na manutenção (Hausberg; Korreck, 2020). Essas empresas possuem alto potencial de crescimento ao oferecer soluções ou 65 aprimoramento de serviços, como oferta de tecnologia para agilizar mobilidade urbana, entrega de alimentos ou hospedagem (Saura; Palos-Sanchez; Grilo, 2019). Podemos citar a Uber, o Ifood e o Airbnb como exemplos de empresas que surgiram a parir de Startups. As modalidades de Startups podem ser classiicadas de acordo com a forma de invesimentos, a saber, (Peghini; Pereira, 2022): O capital semente é um ipo de invesimento para aquele empreendimento que se encontra em fase embrionária, ou seja, um projeto a ser colocado em práica. Geralmente, é organizado por meio de fundos de invesimentos. Também é conhecido como Seed Money ou Seed Capital. O invesimento bootstrapping que pode ser traduzido livremente com “inicialização” o que seria iniciar com poucos recursos. Nesse caso, o invesidor emprega seu próprio recurso inanceiro. O invesimento-anjo é aquele realizado por uma pessoa ísica (um mentor invesidor), que aplica capital próprio com a inalidade de fornecer aporte inanceiro, técnico, redes de apoio e conhecimentos. Geralmente, os invesidores são amigos ou familiares. A incubação de empresas ocorre quando as incubadoras auxiliam o empreendimento com conhecimentos, recursos técnicos, infraestrutura e possíveis invesidores através de um networking. Nessa modalidade, geralmente, não há aplicação direta de capital. A venture capital ou capital de risco em que o apoio ao negócio ocorre através de aquisição na paricipação acionária da empresa. O crowdfunding ou inanciamento coleivo realizado entre um grupo de pessoas interessadas na iniciaiva. Geralmente o engajamento do grupo é mobilizado pela internet, onde é apresentado o projeto ou proposta e os prazos, metas inanceiras e retornos. A venture building é uma modalidade de startup que produz novas startups. Também é conhecida como “fábrica de startups” que se concentra em aplicar e inanciar projetos, infraestrutura ísica, recursos humanos e demais aportes necessários. Parte do lucro da nova startup é recebido pela venture Building através de paricipação acionária. No computo geral, as EJs, as Incubadoras e as Startups se ixam como novos modelos de negócios emergentes, com o propósito de atender as demandas de consumidores, em um cenário de mudanças sociais de um mundo cada vez mais digital (Saura; Palos-Sanchez; Grilo, 2019). Na área de saúde ainda existem lacunas na oferta de tais modelos de negócios, o que gera oportunidade para Enfermeiros empreendedores e para usuários que buscam qualidade a custos menores. Nesse senido, modelos como as startups têm sido incentivadas por sistemas nacionais e internacionais de saúde, na modalidade de telemedicina, telenfermagem, telessaúde, saúde móvel, entre outros. Esses modelos de negócio conseguem suprir demandas onde o atendimento presencial não consegue chegar (Chakraborty; Ilavarasan; Edirippulige, 2021; Lim, 2020). No entanto, trata-se de um modelo emergenteno país e enfrentam muitos desaios, incluindo o risco de sobrevivência, para criar e capturar valores no mercado. Para isso, cabem políicas e inanciamentos governamentais de incenivo a projetos viáveis e que tragam inovação disrupiva para o sistema de saúde (Santos; Bolina, 2020). 66 Considerações inais Com a ampliação de oportunidades e modelos de negócios, a enfermagem avança aprendendo e experimentando o empreendedorismo e o potencial empreendedor da proissão. Contudo, acredita- se que durante a formação em enfermagem, abordagens sobre o tema possam contribuir com o desenvolvimento de competências, habilidades e aitudes empreendedoras. Cabe destacar que os modelos de negócios na área da enfermagem enfrentam uma série de desaios, muitos dos quais reletem as dinâmicas do setor de saúde como um todo. Aqui estão alguns dos desaios signiicaivos que empresas e empreendedores na área de enfermagem podem enfrentar: elevados custos iniciais; cumprimento de normas e regulamentações; integração de tecnologia; compeição e diferenciação, além da aceitação da inovação. Superar esses desaios requer uma abordagem estratégica, colaboração com as partes interessadas do setor de saúde e uma compreensão sólida das dinâmicas regulatórias e do mercado. Empresas que conseguem enfrentar esses desaios muitas vezes contribuem signiicaivamente para a melhoria da qualidade dos serviços de saúde e para a eicácia dos cuidados de enfermagem. 67 REFERÊNCIAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE STARTUPS (ABSTARTUPS). Incubadoras de empresas: o que é e para que serve? 2021. Disponível em: https://abstartups.com.br/incubadora-de-empresas-o-que-e-e-para- que-serve/. Acesso em: 3 fev. 2023. CHAKRABORTY, I.; ILAVARASAN, P. V.; EDIRIPPULIGE, S. Health-tech startups in healthcare service delivery: A scoping review. Social Science & Medicine, v. 278, 113949, 2021. doi:10.1016/j. socscimed.2021.113949. Acesso em: 3 fev. 2023. CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE EMPRESAS JUNIORES. *Planejamento estratégico da rede, 2022- 2024.* Brasília: Brasil Júnior, 2022. Disponível em: https://drive.google.com/file/d/1LDktJRsYXNniurT Zj5Oh0cQDEWD3u0Zr/view. Acesso em: 3 fev. 2023. COZER, C. Conheça as principais incubadoras e aceleradoras do Brasil. Whow, 2019. Disponível em: htps://www.whow.com.br/principais-incubadoras-e-aceleradoras-do-brasil/. Acesso em: 3 fev. 2023. HAUSBERG, J. P.; KORRECK, S. Business incubators and accelerators: a co-citation analysis-based, systematic literature review. The Journal of Technology Transfer, v. 45, n. 1, p. 151-176, 2020. doi:10.1007/s10961-018-9651-y. Acesso em: 3 fev. 2023. LIM, J. Y. et al. Identifying trends in nursing start-ups using text mining of YouTube content. PLOS ONE, v. 15, n. 2, e0226329, 2020. doi:10.1371/journal.pone.0226329. Acesso em: 3 fev. 2023. PEGHINI, C. C.; PEREIRA, R. R. C. O investidor anjo e a utilização da sociedade em conta de participação como forma de investimento nas startups. Revista Direito, Inovação e Regulações, v. 1, n. 1, p. 55-80, jan. 2022. Disponível em: htps://periodicos.univel.br/ojs/index.php/redir/aricle/ view/149/108. Acesso em: 3 fev. 2023. SANTOS, J.; BOLINA, A. Empreendedorismo na Enfermagem: uma necessidade para inovações no cuidado em saúde e visibilidade profissional. Enfermagem em Foco, v. 11, n. 2, 2020. doi:10.21675/2357-707X.2020.v11.n2.4037. Acesso em: 3 fev. 2023. SAURA, J. R.; PALOS-SANCHEZ, P.; GRILO, A. Detecting Indicators for Startup Business Success: Sentiment Analysis Using Text Data Mining. Sustainability, v. 11, n. 3, p. 917, 2019. doi:10.3390/ su11030917. Acesso em: 3 fev. 2023. SPAGNOF, C.; BASTOS, J. Empresa Júnior: espaço criativo e empreendedor de ensino-aprendizagem na Enfermagem. Enfermagem em Foco, v. 4, n. 3/4, p. 164-166, 2015. doi:10.21675/2357-707X.2013. v4.n3/4.541. Acesso em: 3 fev. 2023. TROTTE, L. A. C. et al. Entrepreneurial tendency of Nursing students: a comparison between graduating beginners and undergraduate students. Revista Laino-Americana de Enfermagem, v. 29, e3402, 2021. doi:10.1590/1518-8345.4397.3402. Acesso em: 3 fev. 2023. VIVALDINI, M.; SORIANO, J. E. Processos de negócios na cadeia de suprimentos: um estudo em incubadoras de empresas. Revista de Administração IMED, v. 4, n. 3, p. 286-299, 2014. Acesso em: 3 fev. 2023. 68 9 EMPREENDEDORISMO TECNOLÓGICO EM SAÚDE Ricardo Bezerra Cavalcante, PhD, RN Introdução A Organização Mundial da Saúde (OMS) deiniu a Estratégia Global de Saúde Digital como uma prioridade (Who, 2021). Trata-se de um conjunto de ações voltadas para a oferta de Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) nos serviços de saúde ao redor do mundo. Reconhece-se que o uso de tecnologias da informação tem contribuído para a práica assistencial, gerencial e controle social no campo da saúde (Hollis et al., 2017; Who, 2016). O Brasil, buscando acompanhar o processo de transformação digital na rede de saúde, vem desenvolvendo ações para atualizar e implantar sua Políica Nacional de Informação e Informáica em Saúde (PNIIS), criar a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), além de promover o Plano de Transformação Digital; o Plano de Ação, Monitoramento e Avaliação da Saúde Digital, e a Estratégia de Saúde Digital para o país (Brasil, 2020a; Brasil, 2020b; Brasil, 2021a). Ressalta-se que o termo “saúde digital” engloba o emprego das TICs para obter e disponibilizar informações coniáveis, incorporando inovações da tecnologia como novos signiicados, aplicações, Internet das Coisas (IoT), Inteligência Ariicial (IA), e-saúde, telenfermagem, telessaúde, telemedicina, saúde móvel, entre outras (Who, 2021). Quatro pilares da visão de saúde digital foram deinidas para o país (Brasil, 2020a):Governança e Recursos Organizacionais: aspectos de governança, liderança, estratégia, invesimento, políicas, legislação e regulamentação; • Padrões e Interoperabilidade: serviços e sistemas que implementam a saúde digital e os padrões e a interoperabilidade necessários para a sua operação; • Infraestrutura: infraestrutura de TI para que saúde digital funcione; • Trabalhadores de saúde: trabalhadores capacitados para uilizar a saúde digital. Nesse senido, há um contexto propício e de incenivo ao empreendedorismo tecnológico, mais especiicamente, voltado para o desenvolvimento de tecnologias e inovações fomentadoras da saúde digital no Brasil e no mundo. Para isso, é preciso uilizar metodologias e estratégias sistemaizadas para o desenvolvimento e avaliação de tais tecnologias. A seguir será apresentado um “case” que pode ilustrar o desenvolvimento de uma tecnologia e uma proposta de sua avaliação. O CASO: “Sistema Inteligente para avaliação mulidimensional de pessoas idosas no contexto da Atenção Primária à Saúde”. 1. Problema ou oportunidade: trata-se da ideniicação e descrição do problema/ oportunidade, bem como a sua fundamentação. Problema ou oportunidade: A necessidade de se fazer a Avaliação Mulidimensional de pessoas idosas e a gestão da informação deste processo com vistas a potencializar o cuidado de Enfermagem no contexto da Atenção Primária à Saúde. 1.1 Ideniicação e descrição do problema/oportunidade: No contexto da Atenção Primária à Saúde (APS), a gestão das informações produzidas na Atenção à Saúde da Pessoa Idosa ainda é desenvolvida pela coexistência de inúmeros instrumentos avaliaivos 69 em papel, com registros de dados realizados por diversos proissionais. Esses registros são pouco integrados e, portanto, insuicientes para a gestão do cuidado desse grupo populacional (Silva et al., 2022; Barbosa et al., 2022; Gomes et al.,2022). No Brasil, no âmbito da Rede de Atenção à Saúde, a gestão das informações relacionadas à assistência às pessoas idosas tem sido realizada por meio do Prontuário Eletrônico do Cidadão da Estratégia e-SUS Atenção Primária à Saúde (PEC e-SUS APS), desenvolvido pelo Ministério da Saúde, e com sotwares produzidos pelos municípios, ou adquiridos no mercado privado (Brasil,2019; Brasil, 2021b; Brasil, 2021c). Entretanto, essas tecnologias não incorporam a Avaliação Mulidimensional da Pessoa Idosa; não geram o Projeto Terapêuico Singular (PTS); não produzem o mapeamento dos idosos na área de abrangência de Unidades Básicas de Saúde (UBS) e não se baseiam em inteligência ariicial. Contrariamente à perspeciva do envelhecimento saudável, permanece nestes artefatos a visão biologicista e com foco nos problemas de saúde. 1.2 Fundamentação do problema/oportunidade com foco na análise de contexto, tendências, oportunidades e impactos: O envelhecimento da população mundial é um processo em franca ascensão. Para o ano de 2050, esima-se uma população mundial de 2 bilhões de pessoas com 60 anos ou mais, sendo que a maioria se concentra em países em desenvolvimento. No Brasil, em 2014, os idosos representavam 27,8 milhões (13,7%) da população brasileira, e em 2050, calcula-se que esse número chegue a 64 milhões (30% da população) (IBGE, 2018). Minas Gerais está entre os estados brasileiros com maior expectaiva de envelhecimento populacional nas próximas quatro décadas, saltando de 11,20% pessoas idosas em 2020, para 28,36% em 2060 (IBGE, 2018). Ressalta-se que o padrão de gastos com a saúde difere em função da idade, aumentando signiicaivamente com o avanço da idade, sobretudo nas úlimas décadas de vida. Os maiores gastos entre os idosos reletem o padrão de morbidade caracterísico desse grupo, marcado pela maior prevalência de doenças crônico-degeneraivas, o que implica um maior consumo de serviços de saúde, além de maiores taxas de internação e permanência hospitalar (Santos; Turra; Kenya, 2018). Assim, o Sistema Único de Saúde (SUS) deve se organizar para ser capaz de avaliar as pessoas com 60 anos ou mais, ideniicando as mais vulneráveis a agravo decorrente de doença crônica; as com maiores riscos de compromeimento à funcionalidade e as com mais necessidade de atenção, postergando-se, ao máximo, a perda da capacidade funcional e qualidade de vida no processo natural de envelhecimento (Santos; Turra; Kenya, 2018; Brasil, 2018a). Nesse contexto, a Avaliação Mulidimensional do Idoso (AMI) surge como ferramenta estruturada, de múliplas dimensões, interdisciplinar, capaz de determinar as deiciências ou as habilidades do ponto de vista clínico, psicossocial e funcional e de permiir formular um PTS, coordenado e integrado, a curto, médio e longo prazo, visando, especialmente, à recuperação e/ou a manutenção da capacidade funcional (OPAS, 2012; Brasil, 2018a). A AMI, prevista para a Implementação de Linha de Cuidado para Atenção Integral à Saúde da Pessoa Idosa no SUS se alinha à inalidade primordial da Políica Nacional de Saúde da Pessoa Idosa (PNSPI) de recuperar, manter e promover a autonomia e a independência dos idosos, direcionando medidas coleivas e individuais de saúde para esse im, em consonância com os princípios e diretrizes do SUS (Brasil, 2006; Brasil, 2018a). Ela pode ser implantada e desenvolvida nos diversos pontos da Rede de Atenção à Saúde, mas a sua adoção na Atenção Primária a Saúde (APS) é imprescindível, pois é central e ordenadora do cuidado. Vários instrumentos de AMI foram desenvolvidos; no entanto, eles demandam a coleta de muitas informações e, ainda, há a necessidade relacioná-las, classiicar o estado de saúde dos idosos, traçar possibilidades de riscos e o plano de cuidado. Tudo isso, manualmente, guiando-se por informações registradas em papel e na Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa (ainda não informaizada) (Brasil, 2018b). Assim, a assistência torna-se lenta, dependente unicamente do raciocínio humano, baseado 70 em informações registradas em disposiivos de papel, podendo gerar riscos à segurança dos idosos pela possibilidade de um registro precário, incompleto e com informações pouco ou não idedignas (de baixa qualidade) (Keen et al., 2019; Menon et al., 2017). 2. Solução tecnológica proposta (objeto de negócio/inovação): Apresenta-se uma solução tecnológica por meio do desenvolvimento de um Sistema Inteligente, capaz de gerenciar as informações necessárias à AMI e à deinição do PTS, ferramentas preconizadas pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS, 2012), Organização Mundial da Saúde (OMS, 2015), adotadas no Brasil (Brasil, 2018a), com vistas à assistência integral deste grupo etário (pessoas idosas) relevante às ações de promoção da saúde pela APS. Espera-se que essa tecnologia seja baseada nos pressupostos da inteligência ariicial: habilidade para uilizar conhecimentos, propor decisões e capacidade para trabalhar com mulivariáveis, simulando processos de inteligência humana, incluindo a aprendizagem e a autocorreção (Who, 2018; Who, 2019). A gestão das informações na APS vem sendo realizada pelo Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC), da Estratégia e-SUS APS, desenvolvido pelo Ministério da Saúde ou com sotwares produzidos/adquiridos pelos municípios (Brasil, 2022; Cavalcante et al., 2019a; Cavalcante et al., 2019b). Entretanto, estas tecnologias não proporcionam a AMI. Além disso, não incorporam a inovação da inteligência ariicial em seus constructos. Pretende-se, ao desenvolvimento do Sistema Inteligente que, futuramente, o mesmo se integre ao PEC, facilitando sua disponibilização no SUS, na APS; nos pontos da linha de cuidado ao idoso e em outros, cuja maior clientela são pessoas idosas, como os Serviços de Atenção Domiciliar, Núcleo de Apoio à Saúde da Família e Insituições de Longa Permanência para Idosos. 2.1 Síntese da solução tecnológica proposta: Desenvolvimento e validação de um Sistema Inteligente baseado na web para Avaliação Mulidimensional da pessoa idosa e nos pressupostos da Inteligência Ariicial. Pretende-se integrar a tecnologia, futuramente, ao Prontuário Eletrônico do Cidadão da Estratégia e-SUS Atenção Básica. Espera-se disponibilizar o sistema desenvolvido para as equipes de saúde da família e Insituições de Longa Permanência. O sistema deverá apresentar as seguintes funcionalidades: • Avaliação Mulidimensional de pessoas idosas (avaliação clínica, avaliação psicossocial, avaliação funcional); • Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa informaizada e incorporada ao sistema computacional; • Mapeamento da área de abrangência (idosos em situação de vulnerabilidade, classiicação de níveis de fragilidade entre os idosos, rastreamento e localização do idoso frágil e os potenciais para desenvolver fragilidade); • Predição de riscos em idosos, visando prevenir desfechos indesejáveis e monitorar a saúde do idoso; • Projeto Terapêuico Singular eletrônico incorporando os resultados da Avaliação Mulidimensional, a predição de riscos e o mapeamento dos idosos da área de abrangência, gerando intervenções individuais/familiares e plano de ação para o território; • Sistema de retaguarda para comparilhamento de informações por meio de mensageiros instantâneos para idosos, cuidadores e familiares, focando na prevenção aos riscos ideniicados e apontando intervenções básicas; • Painel de monitoramento e controle dos idosos assisidos no município com informações, relatórios e indicadores para gestores. 71 3. Metodologia para o desenvolvimento da tecnologia Realizou-se o desenvolvimento da tecnologia a parir do referencial de Protoipação, uilizando o modelo cascata: o levantamento de necessidades; diagrama de classes; projeto de banco de dados e modelo lógico; desenvolvimento de interfaces; aplicação do sistema e testagem (Pressman, 2011). Para o diagrama de classes (modelagem de classes, objetos, atributos e relações entre objetos), uilizou-se a linguagem UML (Uniied Model Language). Também foi desenvolvido o projeto de banco de dados, deinindo seu modelo lógico para representar o Diagrama de Enidade-Relacionamento e seus atributos. Posteriormente, implantou-se o modelo ísico do banco de dados (armazenamento dos dados coletados). Considerou-se a convergência tecnológica para a web por meio da metodologia ProgressiveWeb App. Para a avaliação mulidimensional dos idosos, geração do Projeto Terapêuico Singular com a sugestão de intervenções e algoritmos de predição de riscos, foi uilizado o Modelo da Linha de Cuidado para Atenção Integral à Saúde da Pessoa Idosa do SUS (Brasil, 2018a). Também foi proposto um algoritmo de aprendizagem baseado nos dados coletados a parir da uilização do sistema, buscando-se deinir um método para viabilizar o aperfeiçoamento automaizado do modelo de suporte a tomada de decisão. Para o comparilhamento de informações por meio de mensageiros instantâneos a parir do sistema inteligente com idosos, familiares e cuidadores, foram uilizados aplicaivos já conhecidos pelos usuários (WhatsApp, Instagram, Telegram, entre outros), por meio de uma integração entre aplicaivos e o sistema proposto. Ainda na protoipação do sistema, a parir dos dados coletados na avaliação mulidimensional, foi desenvolvido um painel de monitoramento e controle com informações sobre o mapeamento dos idosos no território, idosos em situação de vulnerabilidade, classiicação de níveis de fragilidade entre os idosos, rastreamento e localização do idoso frágil e os potenciais para desenvolver fragilidade. 4. Proposta de avaliação da tecnologia desenvolvida: Testagem e experimentação para gerar conhecimento e inteligência compeiiva: A avaliação da solução tecnológica envolveu a testagem e experimentação com vistas a gerar conhecimento e inteligência compeiiva, buscando informações que pudessem se conformar como vantagem e possibilidade de avanços. Para tanto, buscou-se a inserção de Enfermeiros empreendedores nos possíveis cenários de adoção da tecnologia proposta e entre os seus potenciais adotantes (proissionais de saúde, pessoas idosas, cuidadores e familiares). No intuito de sistemaizar o processo avaliaivo da tecnologia, realizou-se um estudo descriivo, com abordagem qualitaiva sobre a avaliação de usabilidade, com base nas dez heurísicas de Nielsen (1993), conforme destacado a seguir: a. Visibilidade – feedback (Visibilidade do status do sistema); b. Compaibilidade (Correspondência entre o sistema e o mundo real); c. Controle e liberdade do usuário (Suporte desfazer e refazer); d. Consistência e padrões; e. Prevenção de erros; f. Reconhecimento ao invés de memorização; g. Flexibilidade e eiciência de uso (atender a usuários inexperientes e experientes); h. Design estéico minimalista; i. Diagnósico e correção de erros; j. Ajuda e documentação. Para a coleta de dados foi uilizado um formulário eletrônico (online). Foram convidados intencionalmente, quatro proissionais com formação em Tecnologia da Informação (TI), com conhecimento em usabilidade e dois especialistas da área de gerontologia/geriatria. A eiciência do 72 método para quatro avaliadores ica em torno de 70%. Na inspeção das heurísicas, os avaliadores examinam a interface simulando o papel dos usuários reais do sotware avaliado (Nielsen, 1993). Ainda, norteados pela Teoria da Difusão da Inovação (Rogers, 2003) (Quadro 1), foi realizado um estudo de casos múliplos (Yin, 2015) na Atenção Primária à Saúde e Insituições de Longa Permanência para Idosos (ILPI) em três cidades de Minas Gerais. Quadro 07 – Elementos e atributos da Teoria da Difusão da Inovação proposta por Rogers (2003), Belo Horizonte-MG, Brasil, 2026. Elementos Atributos/Deinições Inovação Vantagem Relaiva: Percepção de que o uso da inovação é vantajoso, em relação às práicas anteriores. Compaibilidade: Percepção de que a inovação é consistente com os valores, experiências passadas e necessidades dos adotantes. Complexidade: O quanto o uso e a compreensão da inovação são considerados diíceis. Experimentação: O quanto a inovação pode ser experimentada. Observabilidade: Percepção de resultados obidos através da inovação. Canais de Comunicação Meios em que as mensagens circulam entre os indivíduos, considerando a natureza da troca de mensagens. Tempo A dimensão do tempo entre o contato com a inovação e a decisão de aceitar ou rejeitar. Sistema Social Unidades inter-relacionadas com objeivos semelhantes. Os membros ou unidades de um sistema social podem ser indivíduos, grupos informais ou organizações. Fonte: Adaptado de Rogers (2003) Em cada cidade, foram escolhidas, intencionalmente, uma ILPI e uma Equipe de Estratégia Saúde da Família (ESF) para os testes de validação. Em cada cidade, foram elencados como paricipantes: equipe mínima de ESF (Médico, Enfermeiro, Agente Comunitário de Saúde, Técnico de Enfermagem); nas ILPI (Médico, Enfermeiro, Técnico de Enfermagem e outros proissionais que paricipem da avaliação mulidimensional do idoso). Aos paricipantes foi disponibilizado, gratuitamente, o sotware para ser uilizado e avaliado durante a assistência os idosos das ILPI e ESF envolvidas. Para a coleta de dados, foram uilizadas entrevistas áudio gravadas com um roteiro semiestruturado aos paricipantes envolvidos. A observação não paricipante, a parir de um roteiro de observação, também foi uilizada para a coleta de dados. Os paricipantes foram observados em seu coidiano, nas ILPI e nas ESF, durante uma semana ípica de trabalho (segunda a sexta), ao uilizar o sistema nas consultas, visitas domiciliares, atendimentos aos idosos e reuniões para discussão de casos. O registro das observações ocorreu em um diário de campo, e as notas de observação foram codiicadas. Para encerramento do número de paricipantes, foi uilizada a técnica de fechamento do número amostral por saturação teórica (Nascimento et al., 2018). Todos os dados coletados (avaliação de usabilidade e difusão da inovação) foram organizados e tratados pela análise de conteúdo, na modalidade temáico-categorial (Bardin, 2015), com auxílio do sotware Atlas Ti. 73 Considerações Finais Neste capítulo, apresentamos um “case” de empreendedorismo tecnológico desenvolvido de forma sistemaizada, a parir de teorias e métodos, além de uma proposta de avaliação. Trata-se do desenvolvimento e da avaliação do “Sistema Inteligente para avaliação mulidimensional de pessoas idosas no contexto da Atenção Primária à Saúde”. Inicialmente, foi ideniicado o problema/oportunidade e feita sua descrição detalhada. Em seguida, procedeu-se à fundamentação do problema/oportunidade, com foco na análise de contexto, tendências, oportunidades e impactos. Posteriormente, realizou-se a síntese da solução tecnológica proposta, que permiiu a visualização de suas funcionalidades. A metodologia para o desenvolvimento da tecnologia foi detalhada, bem como a proposta de sua avaliação, a parir da testagem e experimentação para gerar conhecimento e inteligência compeiiva. Destaca-se que o empreendedorismo tecnológico traz, em seu arcabouço, grandes desaios, principalmente a transferência tecnológica e a relação que se estabelece entre o público e o privado. No entanto, é um caminho a ser percorrido, com vistas à transformação da realidade da saúde, à organização dos serviços e à sistemaização da gestão das informações em saúde. 74 REFERÊNCIAS BARDIN, L. Análise de conteúdo. 4. ed. Lisboa: Edições 70, 2015. BRASIL. Ministério da Saúde. Caderneta de saúde da pessoa idosa. 5. ed. Brasília, 2018. Disponível em: htps://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/caderneta_saude_pessoa_ idosa_5ed.pdf. Acesso em: 30 jan. 2023. ______. Ministério da Saúde. Estratégia e-SUS Atenção Primária: em busca de um SUS eletrônico. Brasília, 2021. Disponível em: htps://sisaps.saude.gov.br/esus/. Acesso em: 30 jan. 2023. ______. Ministério da Saúde. Estratégia e-Saúde para o Brasil. Brasília, 2020. Disponível em: htps://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/estrategia_saude_digital_Brasil.pdf. Acesso em: 30 jan. 2023. ______. Ministério da Saúde. Manual PEC versão 5.0. Brasília, 2022. Disponível em: htps:// cgiap-saps.github.io/Manual-eSUS-APS/. Acesso em: 30 jan. 2023. ______. Ministério da Saúde. Plano de ação, monitoramento e avaliação da estratégia de Saúde Digitalpara o Brasil 2019–2023. Brasília, 2020. Disponível em: htps://www.gov.br/saude/pt-br/ assuntos/saude-digital/a-estrategia-brasileira/PlanodeAoMonitoramentoeAvaliao.pdf. Acesso em: 30 jan. 2023. ______. Ministério da Saúde. Portaria nº 2.528, de 19 de outubro de 2006. Aprova a Políica Nacional de Saúde da Pessoa Idosa. Disponível em: htp://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/ pdf/2528_pnspi.pdf. Acesso em: 20 ago. 2020. ______. Ministério da Saúde. Resolução nº 659, de 26 de julho de 2021. Dispõe sobre a Políica Nacional de Informação e Informáica em Saúde (PNIIS). Disponível em: htps://in.gov.br/en/ web/dou/-/resolucao-n-659-de-26-de-julho-de-2021-408484357. Acesso em: 30 jan. 2023. ______. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Orientações técnicas para a implementação de Linha de Cuidado para Atenção Integral à Saúde da Pessoa Idosa no Sistema Único de Saúde – SUS. Brasília, 2018. Disponível em: htps://bvsms.saude.gov.br/bvs/ publicacoes/linha_cuidado_atencao_pessoa_idosa.pdf. Acesso em: 30 jan. 2023. CAVALCANTE, R. B. et al. Actor-networks and their inluences on the informaizaion of Primary Healthcare in Brazil. Interface, v. 23, e180364, 2019. DOI: 10.1590/interface.180364. ______. Computerizaion of primary healthcare in Brazil: the network of actors. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 72, p. 337–344, 2019. GOMES, D. S. et al. Implementaion of the Electronic Medical Record based on the Theory of the Innovaion Difusion: a case study. Online Brazilian Journal of Nursing, v. 21, e20226551, 2022. HOLLIS, C. et al. Annual Research Review: Digital health intervenions for children and young people with mental health problems. Journal of Child Psychology and Psychiatry, v. 58, n. 4, p. 474–503, 2017. 75 IBGE. Projeção da População 2018: número de habitantes do país deve parar de crescer em 2047. 2018. Disponível em: htps://agenciadenoicias.ibge.gov.br/agencia-sala-de- imprensa/2013-agencia-de-noicias/releases/21837-projecao-da-populacao-2018-numero-de- habitantes-do-pais-deve-parar-de-crescer-em-2047. Acesso em: 1 jan. 2019. IRANDA BARBOSA, J. L. et al. Telemonitoramento de idosos acompanhados em domicílio: uma revisão de escopo. Revista Cubana de Información en Ciencias de la Salud, v. 33, e2062, 2022. Disponível em: htp://scielo.sld.cu/scielo.php?script=sci_artext&pid=S2307- 21132022000100027&lng=es&nrm=iso. Acesso em: 30 jan. 2023. KEEN, J. et al. Networked informaion technologies and paient safety: a protocol for a realist synthesis. Systemaic Reviews, v. 8, n. 1, p. 307, 2019. DOI: 10.1186/s13643-019-1223-1. MENON, S. et al. Safety huddles to proacively idenify and address electronic health record safety. Journal of the American Medical Informaics Associaion, v. 24, n. 2, p. 261–267, 2017. DOI: 10.1093/jamia/ocw153. NASCIMENTO, L. C. N. et al. Theoreical saturaion in qualitaive research: an experience report in interview with schoolchildren. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 71, n. 1, p. 228–233, 2018. DOI: 10.1590/0034-7167-2016-0616. NIELSEN, J. Usability Engineering. Boston: Academic Press, 1993. OPAS. Atenção à saúde do idoso: aspectos conceituais. Brasília, 2012. Disponível em: htp:// apsredes.org/pdf/Saude-do-Idoso-WEB1.pdf. Acesso em: 3 mar. 2016. ORGANIZACIÓN MUNDIAL DE LA SALUD. Informe Mundial sobre el Envejecimiento y la Salud. Genebra, 2015. Disponível em: htps://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/186471/ WHO_FWC_ALC_15.01_spa.pdf. Acesso em: 30 jan. 2023. PRESSMAN, R. S. Engenharia de Sotware. 7. ed. Porto Alegre: AMGH, 2011. ROGERS, E. M. Difusion of Innovaion. 3. ed. New York: The Free Press, 2003. SANTOS, S. L.; TURRA, C. M.; NORONHA, K. Envelhecimento populacional e gastos com saúde: uma análise das transferências intergeracionais e intrageracionais na saúde suplementar brasileira. Revista Brasileira de Estudos de População, v. 35, n. 2, e0062, 2018. DOI: 10.20947/ s102-3098a0062. SILVA, I. M. et al. Difusão do prontuário eletrônico do cidadão: estudo de caso em Minas Gerais. Saúde Coleiva, v. 12, n. 72, p. 9394–9407, 2022. DOI: 10.36489/ saudecoleiva.2021v12i72p9394-9407. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Big data and ariicial intelligence for achieving universal health coverage. 2018. Disponível em: htps://apps.who.int/iris/handle/10665/275417. Acesso em: 30 jan. 2023. ______. Developing efecive policy to support ariicial intelligence in health and care. 2019. Disponível em: htps://apps.who.int/iris/handle/10665/332522. Acesso em: 30 jan. 2023. 76 ______. Global strategy on digital health 2020–2025. Genebra, 2021. Disponível em: htps:// www.who.int/docs/default-source/documents/gs4dhdaa2a9f352b0445babc79ca799dce4d.pdf. Acesso em: 30 jan. 2023. YIN, R. Estudo de caso: planejamento e métodos. 5. ed. Porto Alegre: Bookman, 2015. 77 10 PROTEGENDO INVENÇÕES E INOVAÇÕES EM ENFERMAGEM Ricardo Bezerra Cavalcante, PhD, RN Introdução Em um mundo cada vez mais compeiivo e norteado por diversas tecnologias, a Enfermagem se vê às voltas com a necessidade de resguardar a sua propriedade intelectual, patentear seus produtos e registrá-los em órgãos que possuem tal inalidade (Souza; Silvino; Souza, 2020). O ato de empreender acaba gerando inovações, criações, produtos, técnicas e processos que podem ser resguardados, registrados e patenteados (Cunha, 2022). Como isso, busca-se valorizar as produções de Enfermeiros empreendedores e contribuir para o crescimento tecnológico nacional e com repercussões no cenário internacional, enfaizando a criação e a inovação com vistas ao avanço do conhecimento e de produtos na área da Enfermagem e também no contexto das demais Ciências da Saúde, além de avanços tecnológicos no âmbito dos sistemas de saúde ao redor do mundo (Silva et al., 2022; Cofen, 2020). O quesionamento que emerge nesse contexto é: “Onde solicitar e proteger as invenções e inovações em Enfermagem?”. No Brasil, o Insituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) é o órgão responsável por todo e qualquer procedimento de pedido, concessão e negociação de propriedade industrial no território nacional (registro e concessão de Marcas, Patentes, Desenho Industrial, Transferência de Análise dos registros de patentes e sua Indicação Geográica, Programa de Computador e Topograia de Circuito Integrado). O INPI é considerado uma enidade autônoma, auxiliar e descentralizada da administração pública, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) (INPI, 2012). Além disso, o INPI tem por objeivo regulamentar as normas das Propriedades Industriais, iscalizar processos referentes aos registros no que tange à conveniência de assinatura, denúncias de convenções, tratados, convênios e acordos sobre a propriedade industrial (INPI, 2019). Desta feita, neste capítulo serão abordadas algumas temáicas de real interesse para a Enfermagem, a saber: 1) a propriedade intelectual; 2) a propriedade industrial e as patentes; 3) o desenho industrial e suas aplicabilidades para a Enfermagem; 4) as marcas e como podem ser úteis ao empreendedorismo em Enfermagem. 1. Propriedade Intelectual Para a Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI) a propriedade intelectual diz respeito “às criações do espírito humano e aos direitos de proteção dos interesses dos criadores sobre suas criações” (OMPI, 2016). Assim, o direito à propriedade intelectual está atrelado à proteção sobre a informação ou ao conhecimento presentes em um objeto e que poderia ser replicado em outro objeto em qualquer lugar, sendo um aivo intangível. A propriedade intelectual abarca três grandes grupos que podem ser assim divididos: 1.1 Direito autoral (Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998) (Brasil, 1998a): Direito de autor: são obras literárias, arísicas e cieníicas, programas de computador1, descobertas cieníicas. No caso das obras literárias, arísicas, cieníicas e descobertas cieníicas, o prazo de proteção pelo direito autoral vai desde a criação até 70 anos após o anosubsequente ao falecimento do autor. A obra entra em domínio público depois de vencido o prazo. Após a morte do autor, os 1 Lei nº 9.609, de 19 de fevereiro de 1998, conhecida como a Lei do Sotware (BRASIL, 1998b). 78 direitos são transmiidos a seus sucessores. No caso dos programas de computador o prazo de vigência do direito é de 50 anos, contados a parir de 1º de janeiro do ano subsequente ao da sua publicação ou, na ausência desta, da sua criação. Direitos conexos: referem-se as interpretações dos aristas intérpretes e as execuções, os fonogramas e emissões de radiodifusão2. Onde solicitar e obter o Direito Autoral: • Livros e textos: Fundação Biblioteca Nacional3. • Filmes: Agência Nacional do Cinema4. • Obras arísicas: Escola de Belas Artes5. • Parituras de músicas: Fundação Biblioteca Nacional6. • Plantas arquitetônicas/projetos: Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura – Unidade da Federação (CREA-UF) - Disponível em: . • Programas de computador7: Insituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). 2. A Propriedade industrial e as Patentes (Lei nº 9.279, de 14 de maio de 1996) (Brasil, 1996) Marca, patente, desenho industrial, indicação geográica, segredo industrial e repressão à concorrência desleal. Ressalta-se que um mesmo produto poderá ter várias proteções para as diferentes funcionalidades do mesmo. Exempliicando: Um produto A pode ter uma Marca, uma Patente, um Desenho industrial. De outra forma, um produto B pode ter uma Marca, um Programa de computador e Direitos de Autor. No contexto da propriedade industrial daremos ênfase nas patentes (patentes de invenção e modelos de uilidade), desenho industrial e marcas por se tratar de possibilidades predominantes na Enfermagem. • Patentes de invenção: Tem a inalidade de documentar e legiimar, temporariamente, a itularidade sobre uma invenção8. Aplica-se às criações já existentes ou às novas, mas precisa ter aplicação industrial (produção em larga escala). Podem ser de produto ou processo. A criação de um novo artefato para o cuidado em Enfermagem trata-se de um produto (patente de produto), já o método ou o processo de fabricação de um artefato existente para o cuidado em Enfermagem é uma invenção de processo (patente de processo). • Modelo de uilidade: Desina-se à proteção de um novo formato e aperfeiçoamentos de um produto. Deve apresentar novidade absoluta e aplicabilidade industrial. Como exemplo, pode ser um modelo de uilidade patenteável as alterações no formato e melhoramentos em um cateter já existente. • É fundamental realizar uma busca em bancos de patentes para se verificar acerca da novidade de uma invenção. Seguem algumas bases que podem ser consultadas: • Escritório Americano de Marcas e Patentes (United States Patents and Trademarks Oice – USPTO), • Escritório Europeu de Patentes (European Patent Oice – EPO), 2 Os direitos conexos protegem aqueles que interpretam uma canção (músicos e cantores), os produtores de uma gravação e as empresas de radiodifusão transmissoras da música (BRASIL, 1998b). 3 Disponível em: 4 Disponível em: 5 Disponível em: 6 Disponível em: 7 Tipos de programas de computador que podem ser protegidos. Disponível em:. 8 Invenção: nova solução (novidade absoluta não conhecida) para problemas técnicos. Quando a ideia inveniva (de um produto ou processo) for transformada em algo de relevância econômica será então denominada de “inovação”, podendo ser patenteada (OMPI, 2016). 79 • Escritório Japonês de Patentes (Japan Patent Oice – JPO) • Brasil (INPI)9 • Bases de universidades públicas no Brasil e em seus núcleos de inovação tecnológica; • Portal CAPES (Derwent Innovaions Index®); • Google Patent Search10 2.1 Passos para solicitação da patente: 1. Redigir um pedido de patente de acordo com as normas legais (ítulo do invento, descrição do campo técnico, descrição do invento): a. Anexar materiais para elucidar as descrições (materiais visuais, como desenhos, planos ou diagramas); b. Determinar a extensão da proteção a ser conferida pela patente. 2. Depositar o pedido de patente no INPI; 3. Veriicação pelo INPI dos requisitos legais; 4. Aguardar (aproximadamente 18 meses) a publicação do pedido na Revista de Propriedade Industrial11, editada semanalmente; 5. Texto disponível para consulta pública no banco de patentes do INPI; 6. Solicitar o exame técnico do mérito do invento em até 36 meses a contar da data de depósito; 7. A Carta Patente será expedida após o deferimento do pedido. 2.2 Prazos de validade para patentes de invenção e de modelos de uilidade: • Patente de invenção: vigência de 20 anos a parir da data de depósito ou no mínimo de 10 anos a contar da data de sua concessão; • Modelo de uilidade: válida por 15 anos a parir da data de depósito ou no mínimo de 7 anos contados da concessão. • Observação: Ao inal do prazo de vigência da patente, o invento cai em domínio público. A validade da patente é restrita ao território em que foi concedida, mas mediante acordos de cooperação internacional, é possível ter o depósito de pedido e proteção no exterior. Nem todos os inventos, mesmo que patenteáveis, são comercialmente viáveis, ou seja, podem não entrar em cadeia de produção e comercialização. Nesse senido, não é aconselhado o patenteamento, pois este é um processo oneroso. Alguns questionamentos podem nortear a decisão por patentear ou não o invento: a) Há uma demanda do mercado em Enfermagem ou na saúde para a invenção? b) Já existem inventos que atendem a demanda? c) O invento proposto é melhor do que os já existentes no mercado? d) O invento desina-se à melhoria ou ao desenvolvimento de um produto ou processo já existente? e) Há potenciais invesidores? f) O valor da invenção é compeiivo? g) Sua proteção é comercialmente uilizável? h) O invento é facilmente passível de engenharia reversa? i) O faturamento previsto com a exploração do invento é compaível com os custos do patenteamento? 9 Disponível em: 10 Disponível em: 11 Disponível em: 80 3. O Desenho industrial e suas aplicabilidades para a Enfermagem: A proteção de um desenho industrial12 refere-se aos aspectos estéicos de um objeto. Já a patente protege a funcionalidade (funções técnicas) deste mesmo objeto. Um novo produto pode combinar aperfeiçoamentos de suas funções técnicas com melhoramentos estéicos. Nesse senido, exempliicando no contexto da Enfermagem, uma cobertura para lesões cutâneas pode ter a proteção por patente de seus aprimoramentos funcionais (nova camada protetora, novo material esimulador de cicatrização) combinado com um aperfeiçoamento estéico (formato mais confortável, linhas mais modernas, tamanhos diferenciados). Assim, essa nova cobertura para lesões cutâneas poderá ser registrada e protegida por patente (aprimoramento das funcionalidades), bem como poderá ser registrada e protegida como desenho industrial. Assim como ocorre com as patentes, no Brasil, é o INPI o órgão responsável pela concessão do registro e pela proteção do desenho industrial. Ressalta-se que o desenho, para ser registrado e protegido, deve ser novo e original. Não pode ser idênico, muito similar ou conhecido como já existente por uso ou qualquer outro meio, antes da data de depósito do pedido, no Brasil ou no exterior. Dessa feita, é preciso fazer uma pesquisa na base de desenhos do INPI13 antes de efetuar o pedido de registro. Também é possível acessar a Classiicação Internacional de Desenhos Industriais, conhecida como Classiicação de Locarno14. No Brasil, o registro tem validade de 10 anos, podendo ser prorrogado por até 25 anos. 4. As Marcas e como podem ser úteis ao empreendedorismo em Enfermagem: Como “Marca” entende-sepor um “sinal disinivo”, visualmente percepível, ideniicador de um produto ou serviço. A marca simboliza para o consumidor caracterísicas como a qualidade, reputação, invesimentos e até os proissionais envolvidos na prestação do serviço atrelado àquela marca (Dannemann, 2003). A marca registrada de uma empresa lhe confere visibilidade e unicidade. Empresas como Coca-Cola®, IBM®, Microsot®, entre outras, são reconhecidas por suas marcas registradas. Os seus símbolos são associados pelos consumidores a produtos de qualidade e de reputação, que devem ser consumidos/ adquiridos sem preocupação. Assim, a marca é uma estratégia de inteligência compeiiva, colocando- as em vantagem em relação à concorrência.Tipos de marcas que podem ser registradas: • Marca de produto: anunciam um produto especíico (exemplo: um ipo de óleo mineral desenvolvido para o tratamento de lesões cutâneas) • Marca de serviços: anunciam um serviço especíico (exemplo: um serviço de home-care). Tanto a marca de produto quanto a marca de serviços podem ser coleivas ou de ceriicação. As marcas coleivas ideniicam uma coleividade, como, por exemplo, as cooperaivas de Enfermagem. Já as marcas de ceriicação indicam que os produtos ou serviços oferecidos estão dentro das normas, alcançaram um determinado patamar de qualiicação ou se adéquam a determinadas metodologias avaliaivas. Por exemplo, pode haver uma marca de ceriicação que ateste a qualidade dos cuidados de Enfermagem prestados em uma insituição de saúde, concedida por uma empresa de ceriicação de qualidade de cuidados em Enfermagem. Outra classiicação para as marcas é o fato de ser nominaiva, iguraiva ou mista. As marcas nominaivas são consituídas por palavras, letras, algarismos, siglas ou neologismos. Já as marcas iguraivas são consituídas por desenhos, símbolos, imagens, graismos e formas geométricas. As marcas mistas combinam elementos nominaivos e iguraivos. 12 Desenho industrial: trata-se do aspecto ornamental ou estéico de um objeto (forma, superície, padrões, linhas e cores) e, obrigatoriamente, deve ser possível a sua reprodução industrial (BRASIL, 1996). 13 Disponível em: 14 Disponível em: . Acesso em: 06 out. 2022. 81 Passos para o registro de uma marca: • Garanir as caracterísicas obrigatórias: • Ser diferente e sem ambiguidade (estar claro a que se desina); • Ser visualmente percepível; • Sem proibições legais (brasão, armas, medalha, bandeira, emblema; letra, algarismo e data, isoladamente; expressão, igura, desenho ou qualquer outro sinal contrário à moral); • Veriicar se já foi registrada no banco de marcas do INPI15; • Há escritórios habilitados16 que podem oferecer suporte na solicitação do registro e seu acompanhamento. • Realizar o pedido de registro diretamente no INPI ou por meio do e-Marcas17. O registro da marca é válido por 10 anos, podendo ser prorrogado por igual período e de forma sucessiva. O registro concedido pelo INPI tem validade apenas no Brasil. Considerações inais O avanço e a consolidação do empreendedorismo em Enfermagem dependem do desenvolvimento, da avaliação e da proteção de inovações e tecnologias. É importante que o Enfermeiro entenda do que se trata a propriedade intelectual e industrial, as patentes, o desenho industrial e as marcas. Além disso, é fundamental conhecer os caminhos regulamentados para a proteção das inovações e tecnologias desenvolvidas. 15 Disponível em: 16 Disponível em: 17 Disponível em: 82 REFERÊNCIAS BRASIL Lei nº 9.279, de 14 de maio de 1996. Regula direitos e obrigações relativos à propriedade industrial. Diário Oicial da União, Brasília, DF, 15 maio 1996. Disponível em: htp://www.planalto.gov. br/ccivil_03/Leis/L9279.htm. Acesso em: 22 out. 2022. ______. Lei nº 9.609, de 19 de fevereiro de 1998. Dispõe sobre a proteção da propriedade intelectual de programa de computador, sua comercialização no país, e dá outras providências. Diário Oicial da União, Brasília, DF, 20 fev. 1998. Disponível em: htp://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9609.htm. Acesso em: 21 out. 2022. ______. Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. Altera, atualiza e consolida a legislação sobre direitos autorais e dá outras providências. Diário Oicial da União, Brasília, DF, 20 fev. 1998. Disponível em: htp://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9610.htm. Acesso em: 20 out. 2022. ______. Insituto Nacional da Propriedade Industrial. Diretriz de exame de patentes de modelo de uilidade. Rio de Janeiro: INPI, 2012. Disponível em: htps://www.gov.br/inpi/pt-br/servicos/patentes/ pagina_consultas-publicas/arquivos/diretriz_de_mu_versao_2_original.pdf. Acesso em: 1 dez. 2022. ______. Insituto Nacional da Propriedade Industrial. Consulta à Base de Dados do INPI [Internet]. Rio de Janeiro: INPI; 2019 [citado 2022 dez 6]. Disponível em: https://gru.inpi.gov.br/pePI/jsp/ patentes/PatenteSearchBasico.jsp. Acesso em: 21 out. 2022. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM; ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE. Laboratório de Inovação em Enfermagem [Internet]. Brasília: APS Redes; 2020. Disponível em: htps://apsredes. org/enfermagem/. Acesso em: 24 ago. 2021 CUNHA, G. C. A prospecção tecnológica a partir de bases de dados de patentes. Revista Panorâmica Online, v. 34, 2022. Disponível em: htps://periodicoscieniicos.ufmt.br/revistapanoramica/index. php/revistapanoramica/aricle/view/1426. Acesso em: 25 nov. 2022. DANNEMANN, G. E. Marca: um guia práico e didáico sobre como proteger sua marca no Brasil. Rio de Janeiro: SEBRAE/RJ, 2003. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE PROPRIEDADE INTELECTUAL (OMPI). Understanding Copyright and Related Rights. 2016. Disponível em: htps://www.wipo.int/edocs/pubdocs/en/wipo_pub_909_2016. pdf. Acesso em: 30 out. 2022. SILVA, T. I. M. et al. Difusion of innovaions theory and its applicability in research studies on nursing and health. Texto & Contexto - Enfermagem, v. 31, e20210322, 2022. Disponível em: htps://doi. org/10.1590/1980-265X-TCE-2021-0322. Acesso em: 6 dez. 2022. SOUZA, C. J.; SILVINO, Z. R.; SOUZA, D. F. Análise dos registros de patentes na enfermagem brasileira e sua relação com o mestrado profissional. Revista Gaúcha de Enfermagem, v. 41, e20190358, 2020. doi:10.1590/1983-1447.2020.20190358. 83 11 DESIGN THINKING NO DESENVOLVIMENTO DE UM SOFTWARE PROTÓTIPO PARA AVALIAÇÃO MULTIDIMENSIONAL DA PESSOA IDOSA Ricardo Bezerra Cavalcante, PhD, RN Introdução O envelhecimento populacional é um fenômeno que tem se tornado cada vez mais evidente em todo o mundo, está próximo de se tornar uma das mudanças sociais mais relevantes do século XXI. Isso traz consequências abrangentes em todos os campos da sociedade - no âmbito proissional e econômico, na busca por produtos e serviços, como moradia, transporte e assistência social, e nas relações familiares e intergeracionais.1 De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU) esima- se que o número de idosos, com 60 anos ou mais, duplique até 2050 e mais do que triplique até 2100. Nota-se, portanto, a importância de os serviços de saúde buscarem estratégias tecnológicas que sejam direcionadas e eicazes, promovendo a saúde da população idosa, postergando-se, ao máximo, a perda da capacidade funcional e qualidade de vida no processo natural de envelhecimento.2 Em 2019, o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) e a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) promoveram, durante o 22º Congresso Brasileiro dos Conselhos de Enfermagem, a criação do “Laboratório de Inovação em Enfermagem”. O objeivo é “valorizar e fortalecer a saúde universal”, incenivando uma atuação mais autônoma, com ações inovadoras e a oportunidade de desenvolver tecnologias e inovações que atendam às demandasdos pacientes e às necessidades da proissão.3 Diante desse contexto, o Design Thinking (DT) emerge como uma abordagem criaiva e orientada para soluções, concentrando-se na resolução de problemas e na criação de inovações. Originado nos campos do design e da engenharia, no design expandiu-se para diversas áreas, incluindo negócios, tecnologia, enfermagem, saúde e educação. Sua metodologia é centrada no ser humano, enfaizando a compreensão profunda das necessidades, desejos e comportamentos das pessoas envolvidas. Uma das principais caracterísicas do DT é sua natureza iteraiva, permiindo que as equipes voltem a etapas anteriores para reinar e ajustar suas abordagens conforme necessário. Essa abordagem colaboraiva e experimental é projetada para incenivar a inovação, a resolução de problemas complexos e a criação de produtos, serviços ou processos que atendam às necessidades reais das pessoas. Desta feita, o DT é uma metodologia centrada no ser humano que busca resolver problemas de maneira criaiva e inovadora, envolvendo empaia, colaboração, experimentação e iteração ao longo de um processo iteraivo.4 Neste capítulo, busca-se descrever o desenvolvimento de um sotware protóipo de avaliação mulidimensional da pessoa idosa a parir da metodologia do Design Thinking. 1. O que é o Design Thinking? O Design Thinking (DT) é uma abordagem inovadora e colaboraiva para solução de problemas, se tornando uma ferramenta essencial para empreendedores autênicos. O DT vai muito além da simples estéica ou do layout de um produto, abrangendo também a usabilidade e a ideniicação das necessidades reais dos usuários. A origem do DT remonta ao inal do século XX, quando David Kelley, fundador da IDEO, uma renomada empresa de design e inovação, começou a aplicar uma abordagem mais humana e centrada nas pessoas em seus projetos. O conceito foi posteriormente aprimorado e difundido por Tim Brown, outro líder da IDEO, que destacou sua eicácia na resolução de problemas complexos em qualquer contexto.5 84 Segundo os designers, o DT pode ser aprendido e aplicado por qualquer pessoa, em diferentes campos, como negócios, ins sociais e educacionais. É um processo baseado na empaia, que exige uma abordagem holísica e mulidisciplinar, focada no usuário inal do produto. Com uma abordagem centrada no usuário que se alinha ao paradigma construivista e pode fortalecer a visão mulidisciplinar dos paricipantes, o DT pode contribuir para a resolução de problemas complexos. Além disso, o DT também tem o potencial de esimular a colaboração e a cocriação entre diferentes proissionais envolvidos no processo de desenvolvimento de soluções em saúde, como enfermeiros, médicos, engenheiros, designers e gestores.6 Essa colaboração possibilita uma visão mais ampla e integrada dos desaios e oportunidades, esimulando a criação de soluções mais eicazes e sustentáveis. Nessa perspeciva, observa-se que essa abordagem contribui para a condução da pesquisa e soluções tecnológicas, conigurando-se como um método sistemaizado de solucionar diversos problemas, inclusive, na área da saúde.7 Na Enfermagem, o DT possibilita o desenvolvimento do pensamento críico, fundamentado na observação da realidade, concentrado em novos modelos e paricularidades. Segue um raciocínio coerente e organizado, encorajado pela curiosidade, empaia e colaboração, no qual a análise da realidade é ariculada de forma objeiva, sem desconsiderar a subjeividade que envolve as relações, favorecendo a criaividade e o pensamento críico que impulsionam a área da saúde. Isso com o intuito de auxiliar os envolvidos no processo, permiindo a ariculação da criaividade e a sensibilidade ao pensamento críico, com o propósito de solucionar problemas.8 O DT deve ser pensado de forma não linear, já que a presença de disintos olhares humaniza o processo de inovação por meio da empaia, criando soluções de pessoas para pessoas e com pessoas. As etapas no DT possibilitam a solução de problemas complexos na saúde, abrangendo desde a reforma curricular até a melhoria do ambiente de aprendizado clínico. Isso requer pensamento criaivo para gerar soluções inovadoras. Para tanto, o Design Thinking é dividido em seis etapas, descritas na imagem a seguir.2,9 Quadro 08 – Etapas do Design Thinking, Belo Horizonte-MG, Brasil, 2026. Etapa Descrição 1. Empaia Conhecer as dores e desejos do público-alvo, compreender suas necessidades, desejos e diiculdades. 2. Deinir Procurar inovações que ajudem o público, encontrando soluções mais efeivas e alinhadas às suas expectaivas. 3. Ideação Reunião de equipes mulidisciplinares para gerar um luxo livre de ideias em um ambiente colaboraivo e sem julgamentos, favorecendo a criaividade e a inovação. 4. Protoipar Representação das melhores ideias, tornando-as visíveis e tangíveis. 5. Teste Realizar testes com clientes, uilizando um produto mínimo viável, analisar os resultados e realizar ajustes necessários. 6. Implementar Colocar em práica as soluções desenvolvidas. Fonte: Adaptado e traduzido pelo autor (2023), com base em Nielsen Norman Group. 2. O case sotware protóipo para avaliação mulidimensional de pessoas idosas Trata-se de uma experiência de desenvolvimento tecnológico uilizando-se da metodologia do DT. A tecnologia foi desenvolvida em conjunto por pesquisadores do Laboratório de Sistemas Inteligentes da Universidade Federal de São João Del Rei (UFSJ) e do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Políicas, Tecnologias e Envelhecimento (GAPESE) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), ambas 85 localizadas em Minas Gerais. O desenvolvimento foi guiado pela Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa, disponibilizada isicamente pelo Ministério de Saúde do Brasil, em conformidade com os objeivos da Políica Nacional de Saúde da Pessoa Idosa, contribuindo para a aplicação da Linha de Cuidado para Atenção Integral à Saúde da Pessoa Idosa no SUS. Seguindo as etapas descritas por Júnio (2020) 10, sendo elas: 3. Apresentação DESIGN THINKING Primeiramente, para que houvesse um maior entendimento e interação entre a equipe, foi explicado o método de modo a facilitar a comunicação e a esclarecer possíveis dúvidas. 3. 1 Etapa da Empaia: Durante a Consulta de Enfermagem em uma Insituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI), observou-se que os proissionais uilizavam vários instrumentos de avaliação para o atendimento às pessoas idosas. Por não estar informaizado, o preenchimento das informações demandava muito tempo da equipe, tornando o processo lento e dependente apenas do raciocínio humano. Além disso, estava fundamentada em dados registrados em meios de papel, podendo representar uma ameaça à segurança dos idosos, uma vez que havia a possibilidade de registros precários, incompletos e pouco coniáveis (de qualidade insuiciente), tornando-se um empecilho signiicaivo no âmbito da saúde e da Enfermagem 11,12. Parindo da interpretação e valorizando o ponto de vista dos envolvidos e suas necessidades, foi ideniicada a demanda. Os proissionais foram convidados a relatar suas percepções sobre a práica assistencial e a forma como a realizavam, com o objeivo de entender a real demanda daquele público. 3.2 Etapas da Deinição e da Ideação: Nas etapas da deinição e Ideação, buscou-se dar liberdade aos proponentes do grupo para expressarem suas experiências e expectaivas relacionadas ao problema, que foram então registradas a im de subsidiarem a deinição e a ideação. Iniciamos com uma tempestade de ideias (brainstorm), com um ime de proissionais que contava com enfermeiros, acadêmicos de enfermagem, proissionais da área de gerontologia, da ciência da informáica, e médicos, de modo que, como geradora de sugestões, viabilizou o aloramento da criaividade dos paricipantes envoltos sobre perspecivas diferentes sobre o assunto. Após análise da viabilidade das propostas, em votação aberta, concluiu-se que seria viável a informaização dos instrumentos uilizados para a consulta à pessoa idosa.Isso traria maior segurança das informações, prevenção de erros e oimização do atendimento. Como ideia inal, elegeu-se a construção de um sotware protóipo para avaliação mulidimensional da pessoa idosa. Para operacionalizar o projeto, os proissionais envolvidos foram divididos em dois grupos. O primeiro grupo foi composto por enfermeiros, graduandos em enfermagem e enfermeiros especializados em gerontologia, responsáveis pela construção e organização das informações que constariam no sotware. Já o segundo grupo foi composto por proissionais da área de ciência da computação, encarregados da construção do protóipo. Ambos atuaram em conjunto para oimizar o processo e garanir o sucesso do seu desenvolvimento. 3.3 Etapa da Protoipação: Na protoipação foi uilizado o modelo cascata. Para isso, foram realizados o levantamento de necessidades, a modelagem de classes, objetos, atributos e relações entre objetos por meio do diagrama de classes, o projeto do banco de dados e modelo lógico, o desenvolvimento de interfaces, a aplicação do sistema e a testagem.13 Na modelagem de classes, foi empregada a linguagem UML 86 (Uniied Model Language). O projeto de banco de dados foi elaborado para representar o Diagrama de Enidade-Relacionamento e seus atributos, deinindo-se também o modelo lógico. Em seguida, foi implantado o modelo ísico do banco de dados para o armazenamento dos dados coletados. Para convergir tecnologicamente com a web, adotou-se a metodologia Progressive Web App, que tem como objeivo proporcionar ao cliente inal uma experiência de uso que seja coniável e esteja disponível em qualquer local, disposiivo ou para qualquer pessoa.14 O sistema protoipado incluiu a informaização da caderneta de saúde e os instrumentos de avaliação da pessoa idosa. Para a avaliação mulidimensional dos idosos, foi uilizado o Projeto Terapêuico Singular com a sugestão de intervenções e algoritmos de predição de riscos, baseando-se no Modelo da Linha de Cuidado para Atenção Integral à Saúde da Pessoa Idosa do SUS.15 Além disso, foi proposto um algoritmo de aprendizagem com base nos dados coletados a parir da uilização do sistema, visando viabilizar o aperfeiçoamento automaizado do modelo de suporte à tomada de decisão. Para o comparilhamento de informações por meio de mensageiros instantâneos com idosos, familiares e cuidadores, integraram-se aplicaivos com o sistema proposto, como o WhatsApp, Instagram, Telegram, dentre outros. Desenvolveu-se ainda, um painel de monitoramento e controle com informações sobre o mapeamento dos idosos no território, idosos em situação de vulnerabilidade. O sistema permite a classiicação de níveis de fragilidade entre os idosos, o rastreamento e a localização do idoso frágil e, ainda, a ideniicação de potenciais casos de fragilidade. Para isso, o sistema Google Maps é integrado a modelos matemáicos, resultando no desenvolvimento do protóipo GerontoIA (Inteligência Ariicial para Avaliação Mulidimensional de pessoas Idosas) que representa uma versão simpliicada do produto inal.O GerontoIA é um sotware inovador baseado em inteligência ariicial, desenvolvido para auxiliar na avaliação mulidimensional de pessoas idosas. Integrando dados clínicos, funcionais, psicológicos e sociais, a plataforma oferece suporte a proissionais da saúde na tomada de decisões, promovendo um cuidado mais preciso, humanizado e personalizado. Com análises automaizadas e relatórios detalhados, o GerontoIA contribui para a ideniicação precoce de riscos, oimização de planos terapêuicos e a melhoria na qualidade de vida da população idosa. 3.4 Etapa da Testagem: Nesta fase, realizou-se a testagem do protóipo direcionado pelos padrões de qualidade da usabilidade, realizado a parir da análise das Heurísicas de Nilsen 16, 17(Quadro 2) e o grau de usabilidade por meio do SUS (System Usability Scale).18Os dados foram coletados com 11 proissionais e estudantes imersos na área de gerontologia com conhecimento prévio do Sistema Inteligente para Avaliação Mulidimensional da Pessoa Idosa. Para coleta de dados, foi realizado um convite via e-mail e WhatsApp, contendo o link de um formulário com 34 perguntas, sendo a primeira parte a de caracterização dos paricipantes. A segunda, contendo 28 questões abordando os padrões de qualidade de usabilidade, sendo 10 questões do SUS e 18 das Heurísicas de Nielsen. Para a análise, uilizou-se as estaísicas descriiva e inferencial e a inspeção heurísica. Com base nos resultados, foi possível fazer adequações ao sotware para o processo de validação. Quadro 09 – As 10 Heurísicas de Nielsen, Belo Horizonte-MG, Brasil, 2026. Heurísicas de Nielsen Descrição Visibilidade do status do sistema Informar os usuários sobre o que está acontecendo por meio de feedback apropriado em tempo hábil. Correspondência entre o sistema e o mundo real Falar a linguagem dos usuários, com palavras, frases e conceitos familiares a eles, em vez de termos técnicos ou jargões. Controle e liberdade do usuário Permiir que os usuários desfaçam ou saiam de ações indesejadas ou erradas e fornecer claramente essa opção. 87 Consistência e padrões Seguir convenções e padrões comuns para que os usuários não precisem pensar demais sobre como usar o sistema. Prevenção de erros Projetar o sistema para minimizar os erros dos usuários e ajudá-los a recuperar -sede erros inevitáveis. Reconhecimento em vez de lembrança Minimizar a carga de memória do usuário, tornando as informações e funções visíveis e facilmente acessíveis. Flexibilidade e eiciência de uso Oferecer atalhos e outras maneiras de acelerar a interação do usuário, mas sem sobrecarregar ou confundir os usuários menos experientes. Estéica e design minimalista Ser esteicamente agradável e ter um design limpo e simples, sem distrações ou informações desnecessárias. Ajuda os usuários a reconhecer, diagnosicar e corrigir erros Fornecer mensagens de erro claras e úteis para ajudar os usuários a ideniicar e corrigir problemas. Ajuda e documentação Fornecer documentação úil e facilmente acessível para os usuários, sempre que necessário. Fonte: Elaborado pelo autor, 2026. A análise da usabilidade do sotware realizada por meio das Heurísicas de Nilsen16 e SUS (System Usability Scale)18 possibilitou avaliar a usabilidade do sotware, onde houve a interação dos paricipantes e a avaliação dos aspectos da usabilidade, incluindo a eiciência, facilidade de aprendizado, memorização, lexibilidade e saisfação do usuário. Ademais, os paricipantes apontaram sugestões para o sotware (Quadro 3). Quadro 10 – Sugestões para melhoria do sotware apontada pelos usuários durante a testagem e implementação, Belo Horizonte-MG, Brasil, 2026. Item a ser alterado Sugestões para alterações Face do cliente Usar cores mais escuras para evitar diiculdades de leitura Caracterização do usuário Incluir nome social, orientação sexual, religião, se sabe ler e escrever; usar “outro” em vez de “sexo não determinado”; alterar “nome do responsável” para “contato de segurança”; ampliar o grau de parentesco; especiicar o contato como sendo do usuário ou do responsável; separar o item ocupação e renda; especiicar a data na condição de saúde/doença; incluir opções para outras drogas além do eilismo; adicionar itens sobre período menstrual e menopausa Itens da avaliação Adicionar um item de observação para cada segmento do corpo; incluir informações sobre aividades de vida diária, aividades instrumentais da vida diária e relacionadas à mobilidade; simpliicar o preenchimento de datas; usar opções mais coerentes para o item “sexo”; adicionar um item sobre coabitação Anos de estudo Sinteizar as opções para facilitar a seleção Ocupação e renda Separar os itens ocupação e renda; usar opções para a renda; especiicar a principal fonte de renda Condições de saúde e doença Usar termos mais especíicos para evitar incerteza ou imprecisão Substâncias Especiicar se o item se refere ao uso de substâncias psicoaivas Fonte:Elaborado pelo autor, 2026. 88 Por meio das contribuições obidas nesta etapa, foi possível desenvolver melhorias no sotware, aprimorando suas funcionalidades para um melhor desempenho, como destacado nas iguras abaixo (igura 7, 8 e 9). Figura 7 – Tela para busca dos pacientes, GerontoIA Figura 8 – Ícones do menu inicial sotware protóipo GerontoIA Com base nas sugestões dos especialistas, foi adicionado um ícone com instruções do funcionamento do sotware e um canal de comunicação, para esclarecimento de dúvidas ou para relato de algum erro. 89 Figura 9 – Instruções e relato de erro no sotware protóipo GerontoIA O Projeto Terapêuico Singular eletrônico incorporou os resultados da Avaliação Mulidimensional, a predição de riscos e o mapeamento das pessoas idosas da área, gerando resultados individuais e especíicos de cada paciente (igura 10). Figura 10 – Síntese da avaliação mulidimensional no sotware protóipo GerontoIA 90 Além disso, foi implementado um sistema de retaguarda para o comparilhamento de informações, por meio de mensageiros instantâneos (WhatsApp, Telegram, SMS, e-mail), para as pessoas idosas, cuidadores e familiares, focando na prevenção de riscos ideniicados e apontando as intervenções básicas (igura 11). Figura 11 – Sistema de comparilhamento de informações no sotware protóipo GerontoIA 3.5 Etapa da Implementação: Para iniciar a implementação do sotware, foram selecionadas três unidades ou locais especíicos em três cidades, como unidades piloto, em Unidades Básicas de Saúde (UBS), Insituições de Longa Permanência para Idosos (ILPI) e atendimentos domiciliares. Para assegurar que o sotware seja intuiivo e adaptado às necessidades especíicas, foram realizados testes práicos com os usuários inais. Desta forma, aprofundou-se a análise do ambiente e das demandas de atendimento às pessoas idosas nessas unidades piloto. Foi oferecido ainda, um treinamento abrangente tanto para os proissionais que uilizaram o sotware quanto para os cuidadores que também o uilizaram, para conhecerem o plano terapêuico singular comparilhado. Como se trata de um protóipo, espera-se que, após a implementação nas unidades piloto, sua aplicação seja ampliada para outras insituições e municípios. A coleta de feedbacks coninuam para fomentar as melhorias, conforme necessário e com base nas lições aprendidas, será expandido gradualmente para outros municípios e regiões. Será manido um processo de monitoramento e ajustes conínuos, com canais abertos para o feedback dos usuários, aprimoramentos e inovações no sotware. Nesse contexto, será possível realizar aprimoramentos no sistema, bem como em seus algoritmos, com o objeivo de promover a incorporação e a transferência tecnológica ao Sistema Único de Saúde (SUS). 91 Considerações Finais O desenvolvimento do protótipo, com base no Design Thinking, teve a participação, de maneira eficaz, de todos os integrantes, contemplando desde o momento de ideação até o produto disponibilizado. Oportunizou-se, ainda, o constante aprimoramento e a adequação do ideal proposto às demandas do público-alvo, criando soluções inovadoras e eficazes. A abordagem propiciou o amadurecimento da ideia, tornando-a algo tangível. O DT oferece potencialidades para o empreendedorismo em enfermagem,uma vez que coloca o paciente e seus cuidados no centro do processo de inovação. Essa abordagem permite que os empreendedores em enfermagem desenvolvam soluções mais humanizadas, eficientes e alinhadas às reais necessidades dos pacientes e das equipes de saúde. Espera-se que esse estudo contribua para a ampliação das discussões sobre o empreendedorismo na enfermagem e a inclusão de tecnologias no âmbito da saúde. 92 REFERÊNCIAS AGÊNCIA DE NOTÍCIAS - IBGE. Número de idosos cresce 18% em 5 anos e ultrapassa 30 milhões em 2017. Agência de Noícias, 2018. Disponível em: htps://agenciadenoicias.ibge.gov.br/agencia- noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/20980-numero-de-idosos-cresce-18-em-5-anos-e- ultrapassa-30-milhoes-em-2017. Acesso em: 28 set. 2023. BARBOSA, M. do S. A. et al. Design Thinking na construção da interface para avaliação da saúde mental em trabalhadores da saúde. Lecturas: Educación Física y Deportes, v. 27, n. 296, p. 169–184, 10 jan. 2023. Disponível em: htps://www.efdeportes.com/efdeportes/index.php/EFDeportes/aricle/ download/3640/1751. Acesso em: 28 set. 2023. CÔRTES JÚNIOR, J. C. de S. et al. Design Thinking na Reestruturação do Sistema de Avaliação de Disciplina em um Curso de Medicina. Revista Brasileira de Educação Médica, v. 44, p. e118, 21 ago. 2020. Disponível em: htps://www.scielo.br/j/rbem/a/vLTSrqXczd9tcst6k8wjKcR/?lang=pt. Acesso em: 12 jun. 2023. KEEN, J. et al. Networked information technologies and patient safety: a protocol for a realist synthesis. Systemaic Reviews, v. 8, n. 1, 2019. LOBO, R. Design Thinking as Meaning Creation: The Case of Descomplica. RAC - Revista de Administração Contemporânea (Journal of Contemporary Administraion), v. 26, n. 1, p. e190166, 2022. Disponível em: htps://ideas.repec.org/a/abg/anprac/v26y2022i11492.html. Acesso em: 28 set. 2023. MENON, S. et al. Safety huddles to proactively identify and address electronic health record safety. Journal of the American Medical Informaics Associaion, v. 24, n. 2, p. ocw153, 28 dez. 2016. MINISTÉRIO DA SAÚDE. e-SUS Atenção Básica: manual de uso do sistema com prontuário eletrônico do cidadão - PEC (versão 3.1). Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2018. Disponível em: htp://189.28.128.100/ dab/docs/portaldab/documentos/esus/Manual_PEc_3_1.pdf. Acesso em: 28 set. 2023. MORAIS, R. S.; FONSECA, L. R. da. O uso do Design Thinking no desenvolvimento de jogos digitais para o ensino da química na educação básica. Revista Tempos e Espaços em Educação, v. 15, n. 34, p. e17778, 12 set. 2022. Disponível em: htps://periodicos.ufs.br/revtee/aricle/view/17778. Acesso em: 28 set. 2023. NIELSEN, J.; MACK, R. L. Usability engineering. Boston: Academic Press, 1993. NUNES, D. R. B.; GUERRA, L. T. B.; CORREA, C. Design Thinking como Metodologia para Definição da Interface Gráfica de Usuário. SBC, 2020. Disponível em: htps://sol.sbc.org.br/index.php/encompif/ aricle/view/11059. Acesso em: 28 set. 2023. ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS (ONU). ONU quer mais apoio para população em envelhecimento. ONU News, 2023. Disponível em: htps://news.un.org/pt/story/2023/01/1807992. Acesso em: 28 set. 2023. PAIVA, E. D.; ZANCHETTA, M. S.; LONDOÑO, C. Inovando no pensar e no agir científico: o método de Design Thinking para a enfermagem. Escola Anna Nery, v. 24, n. 4, 2020. PADRINI-ANDRADE, L. et al. Evaluation of usability of a neonatal health information system according 93 to the user’s perception. Revista Paulista de Pediatria, v. 37, n. 1, p. 90–96, jan. 2019. Disponível em: htps://www.scielo.br/j/rpp/a/T5sJ3dTFcZJrxLhRv9XBQhM/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 28 set. 2023. PINELLE, D.; WONG, N.; STACH, T. Heurisic evaluaion for games: usability principles for video game design, 2008. Disponível em: htps://course.ccs.neu.edu/is4300f16/ssl/pinelle-chi08.pdf. Acesso em: 28 set. 2023. PRESSMAN, R. S. Engenharia de sotware: uma abordagem proissional. Porto Alegre: AMGH, 2011. SILVA, P. A.; LOURENÇO, M. P.; BALDISSERA, V. D. A. Educação permanente em saúde: Design Thinking para planejamento e construção de diretrizes. Escola Anna Nery, v. 27, 2023. Disponível em: htps:// www.scielo.br/j/ean/a/8CKp5npN9nvR5H8tvkvbfYz/abstract/?lang=pt. Acesso em: 28 set. 2023. STEIN, M.; COSTA, R.; GELBCKE, F. L. Nursing and design in the creation of health products: approaching areas and solving problems. Texto & Contexto - Enfermagem, v. 32, p. e20220160, 9 jan. 2023. Disponível em: htps://www.scielo.br/j/tce/a/SCp5BztZN4F7Rw3rMWPVpvn/. Acesso em: 28 set. 2023. TIOSSO, F.; IZAKI, B. K.; REIS, H. M. Progressive Web Apps. Revista Interface Tecnológica, v. 18, n. 1, p. 129–140, 3 nov. 2021. 94 12 PLANO DEet al., 2021). Atualmente, você, proissional da enfermagem, também pode empreender! Veja os conceitos de empreendedorismo no capítulo 4 deste livro, que trará a compreensão dos diferentes ipos de empreendedorismo. Escolha a sua forma de empreender, conforme o contexto onde se encontra e/ou o desejo e a necessidade. A indústria de cuidados de saúde é promissora e apresenta grandes expectaivas de crescimento. Prevê-se que o mercado global ainja mais de 10 trilhões de dólares em 2026 e no Brasil, mais de 200 bilhões de dólares até 2028 (Reportlinker, 2022; 2024). Dessa forma, o empreendedorismo nos cuidados de saúde e na enfermagem desempenham um papel signiicaivo na economia e pode transformar a sua vida e a das pessoas do seu entorno. No entanto, são poucos os enfermeiros empreendedores. De todos os enfermeiros que trabalham a nível mundial, apenas entre 0,5% a 1% decidiram seguir esse caminho (Jakobsen et al., 2021). Um estudo brasileiro revelou que a quanidade de novos negócios na área de enfermagem é menor em comparação com proissões mais recentemente estabelecidas no setor da saúde, como isioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia. Essa disparidade pode ser devido às barreiras encontradas pelos enfermeiros tais como: as culturas médico-centrada e de assistência hospitalar; as questões legais; as políicas de planos de saúde; a concorrência não qualiicada; e ainda, ao preconceito da sociedade em relação à competência técnica-cieníica (Colichi, et al., 2018; Silva et al., 2023). Isso signiica que a grande maioria dos enfermeiros coninua trabalhando em insituições de saúde tradicionais, como hospitais, clínicas e unidades de cuidados primários à saúde, desempenhando um papel essencial para a sociedade. Além disso, esses ambientes oferecem maior segurança inanceira ao proissional de enfermagem em relação à percepção de que empreender envolve risco (Colichi, et al., 2018). São muitos os desaios de se empreender na enfermagem (capítulo 1), mas é possível vencê-los. E o pequeno percentual de empreendedores na enfermagem é algo negaivo? A resposta é não! Na verdade, esse dado revela um potencial inexplorado dentro da enfermagem. As oportunidades para empreender na área da enfermagem nunca foram tão grandes, uma vez que o envelhecimento da população global e o aumento de doenças crônicas não transmissíveis resultam em uma crescente 14 demanda por serviços de saúde de qualidade e que resolvam os problemas de saúde. Há uma necessidade urgente de inovação e soluções criaivas no atendimento à saúde (Jakobsen et al., 2021). Diante desse cenário, para promover o desenvolvimento do empreendedorismo e uma cultura empreendedora na enfermagem, é imprescindível invesir em educação empreendedora (Silva et al., 2023; Chagas et al., 2018). A educação e o desenvolvimento da cultura empreendedora podem ser construídos desde o processo formaivo inicial até a educação coninuada dos proissionais já estabelecidos no mercado de trabalho. É necessário ampliar a discussão acerca do empreendedorismo na formação em enfermagem, tanto nas disciplinas obrigatórias e optaivas quanto no incenivo à construção de empresas juniores, incubadoras e startups (capítulo 8), uma vez que, nesses espaços, são desenvolvidos a cultura empreendedora e a formação de um ecossistema de inovação. Para os proissionais que já se formaram, o primeiro passo é proporcionar informação e conhecimento, elementos fundamentais para o empreendedorismo em enfermagem (capítulo 7). E é isso que este livro se propõe a fazer: fornecer a você, enfermeiro empreendedor, bases para o início da sua jornada. Para empreender com sucesso, é essencial que os proissionais de enfermagem compreendam os aspectos éicos e legais (capítulo 2) que permeiam essa aividade. A Lei Federal n° 7.498/1986, que regulamenta a proissão de enfermagem, e as Resoluções Cofen nº 567/2017 e nº 568/2018 (Brasil, 1986; Cofen, 2017; Cofen, 2018), normaizam diversas possibilidades empreendedoras na enfermagem. Essas possibilidades incluem desde a atuação como consultores nos mais diversos campos da saúde, oferecendo orientações e suporte técnico para clínicas, hospitais e outras insituições de saúde, até a abertura de empresas de cuidados domiciliares (capítulo 19), consultórios para pacientes com condições e/ou feridas crônicas e gerenciamento da dor (capítulos 3 e 20), clínicas de estéica (capítulo 21). Nessas áreas, conhecer os aspectos éicos e legais que envolvem os registros de enfermagem é essencial (capítulo 17). É possível, também, atuar na área educacional, realizando cursos, palestras e treinamentos para outros proissionais de enfermagem, da área de saúde e campos correlacionados. A área de tecnologia em saúde também é uma possibilidade de empreender na enfermagem (capítulo 9). O proissional pode atuar no desenvolvimento e/ou apoio na criação de novas tecnologias da informação voltadas para a enfermagem e para o campo da saúde, como sistemas de monitoramento remoto de pacientes, plataformas de telemedicina (capítulo 22), aplicaivos e sistemas inteligentes, entre outros. enfermeiros podem atuar também como gestores em empresas de saúde, planejando, organizando e coordenando serviços para melhorar a qualidade e segurança do atendimento e a eiciência operacional. Nesse contexto de diversas possibilidades de empreender e desenvolver novas tecnologias e práicas no setor de saúde e na enfermagem, é necessário realizar uma avaliação cuidadosa e conínua, tanto do ponto de vista econômico quanto da eicácia no atendimento. Assim, a Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS) (capítulo 15) surge como uma ferramenta importante para garanir que as inovações tragam, de fato, beneícios concretos para pacientes e proissionais. O enfermeiro empreendedor deve prezar por uma gestão de alta performance (Silva et al., 2023), construindo sua marca pessoal e proissional e o aperfeiçoamento das skills necessárias (capítulo 5). É essencial ter e/ou desenvolver caracterísicas e comportamentos como proaividade, determinação, compromeimento e visão de futuro, autonomia, tomada de decisão, coragem, resiliência, perseverança, empoderamento, criaividade, e acima de tudo, adotar uma visão inovadora que vá além dos padrões tradicionais (Silva et al., 2023; Richter et al., 2019; Carvalho, 2016). Ademais, para que um negócio seja bem-sucedido, você enfermeiro empreendedor, deve lançar mão de ferramentas para auxiliar na organização, planejamento e elaboração de planos de ação para o negócio (capítulo 18). É necessário também elaborar um plano e/ou modelo de negócios (capítulo 12) bem estruturado e um planejamento inanceiro robusto (capítulo 13). Isso é o que garante que o empreendimento não só seja viável no início, mas também sustentável a longo prazo. O conceito de Mínimo Produto Viável (MVP) e a protoipagem (capítulo 14) entram em cena como estratégias para testar a aceitação de novos serviços ou produtos no mercado, com um invesimento inicial controlado. 15 Paralelamente, o conhecimento em ferramentas como Design Thinking (capítulo 11) será essencial para projetar o negócio. Complementando o conhecimento, também é importante conhecer sobre impostos e encargos iscais (capítulo 23). Além disso, entender os conceitos básicos de empreendedorismo e markeing digital (capítulo 6), bem como as estratégias de markeing (capítulo 16), oferece uma vantagem compeiiva, pois essas ferramentas permitem expandir a visibilidade dos serviços prestados, dos produtos e processos inovadores, e assim, alcançar mais clientes aptos para pagar pelo seu negócio. É fundamental, ainda, que o enfermeiro empreendedor saiba como proteger suas invenções e inovações na área de enfermagem (capítulo 10), assegurando que suas ideias e criações tecnológicas estejam protegidas e recebam o devido reconhecimento no mercado. Nesse contexto, o empreendedorismo na enfermagem não é apenas viável, mas também fundamental para o avanço e o reconhecimentoNEGÓCIO E MODELO DE NEGÓCIO: FERRAMENTAS DE GESTÃO ESTRATÉGICA PARA O ENFERMEIRO EMPREENDEDOR Helen Crisiny Teodoro Couto Ribeiro Introdução O Enfermeiro empreendedor deve planejar o seu negócio. Planejamento é o oposto de improvisação de ações e soluções repeninas, e por isso, arriscadas. Infelizmente, o improviso é visto com frequência na práica assistencial e gerencial do Enfermeiro, porém a improvisação não faz parte de um negócio de sucesso e perene. No entanto, observa-se que a inexistência ou inadequação de um planejamento do negócio está entre as diiculdades do Enfermeiro em assumir o papel de empreendedor na condução de seus negócios (Colichi et al., 2019). O produto do planejamento é um plano, ou seja, um registro sistemaizado que antecipa e programa um conjunto estratégico de ações para se alcançar o objeivo do negócio. Este capítulo aborda o planejamento do negócio, destacando o Plano de Negócio e o Modelo de Negócio como instrumentos de gestão estratégicos, dinâmicos e indispensáveis para o Enfermeiro que já empreende e quer melhorar o seu negócio; ou para aquele que pretende iniciar um novo empreendimento. O desconhecimento de Enfermeiros em como elaborar o planejamento do seu negócio é relatado na literatura (Colichi et al., 2019). Por outro lado, a elaboração de um plano de negócios, aliado à criaividade e à inovação, foram fatores de sucesso na abertura de clínicas de Enfermagem dentro de grandes centros comerciais (Colichi et al., 2019), o que jusiica uma abordagem detalhada neste capítulo do Manual do Enfermeiro Empreendedor. A área da saúde tem aprendido muito com a aviação civil, uma vez que esta tem sido considerada um setor que oferece segurança aos seus usuários. Na aviação, o plano de voo é um conjunto de informações relaivas a um voo especíico para determinada aeronave, o qual deve ser enviado em determinado tempo e precisa de aprovação para que o piloto possa decolar (Canadá, 2016; Brasil, 2017). No caso da abertura de um empreendimento na área da Enfermagem, o voo é longo e desaiador. Um voo sujeito a turbulências para as quais o Enfermeiro empreendedor já pode se antecipar realizando um planejamento sistemaicamente conduzido, embasado em técnicas já validadas. Assim, este capítulo objeiva instruir o Enfermeiro empreendedor na elaboração do Modelo de Negócio e do Plano de Negócio. Pondera-se, no entanto, que o planejamento não elimina as turbulências e possíveis erros, mas certamente será um farol e ajudará o Enfermeiro empreendedor a enfrentar os desaios do negócio. 1. Plano de Negócio e Modelo de Negócio: qual a diferença? É importante que o Enfermeiro empreendedor entenda conceitualmente o significado de Plano de Negócio e de Modelo de Negócio, que embora tenham nomes semelhantes, são diferentes. O Plano de Negócio não dispensa o Modelo de Negócio e vice-versa. Ambas são ferramentas de gestão que se complementam. A atualização periódica é indispensável e imprescindível para as duas ferramentas.O Plano de Negócio (business plan) é um documento sistemaizado que integra um conjunto de dados e informações importantes de um empreendimento e deine suas principais caracterísicas e condições para proporcionar uma análise da sua viabilidade e dos seus riscos, bem como para facilitar sua 95 implantação ou melhoria de um negócio já existente (Chiavenato, 2021; Dornelas, 2023). Já o Modelo de Negócio é um esquema que “descreve a lógica de criação, entrega e captura de valor por parte de uma organização” (Osterwalder; Pigneur, 2011). Descrito conceitualmente as duas ferramentas acima, a parir de agora serão clariicadas as suas diferenças. O Plano de Negócio representa um levantamento exausivo de todos os elementos que compõem o negócio, tanto internos (o que deverá ser produzido, como, onde, quanto) quanto externos (para quem produzir, qual é o mercado, caracterísicas dos clientes ou consumidores, quais são os concorrentes, etc.) (Chiavenato, 2021). O Plano de Negócio é uma ferramenta tradicional no mundo corporativo, sua elaboração inicia-se a partir da ideia. Geralmente elaborado pelo empreendedor, em uma ação solitária ou com seus sócios, mas muitos terceirizam a sua elaboração para empresas e/ou consultores. Trata-se de um documento textual extenso, geralmente ultrapassa 20-40 laudas descritas e pode levar meses para sua elaboração, pois exige pesquisas profundas. Pode diicultar aproveitar oportunidades e contornar as turbulências. Porém, tem o beneício de aprofundar nos dados de mercado, mas pode engessar o negócio.O Modelo de Negócio é uma ferramenta, de certa forma, nova no empreendedorismo. Sua elaboração começa pela dor do cliente, ou seja, os seus problemas, inquietudes, necessidades. É elaborado com a paricipação de sócios, funcionários e parceiros em uma ação coleiva que dura poucas horas devido ao seu aspecto simples e práico. Duas ferramentas de modelagem de negócios serão tratadas neste capítulo: o Business Model Canvas e o Lean Canvas. Você, Enfermeiro empreendedor, deve estar se perguntando: quando elaborar estas ferramentas? Diante de um contexto social de rápidas transformações, em negócios em que há pouco conhecimento sobre o produto, o processo ou sobre o cliente, ou seja, negócios novos principalmente, recomenda- se elaborar primeiro o Modelo de Negócio, em vez de um Plano de Negócios mais detalhado, que demanda mais tempo. Lembrando que um não dispensa o outro e sim, se complementam. 2. Plano de Negócio O Plano de Negócio (business plan) pode ser desenvolvido e/ou atualizado/aprimorado em qualquer fase do negócio. Tem por objeivos principais: testar a viabilidade de um conceito de negócio; orientar o desenvolvimento da estratégia; viabilizar o desenvolvimento do plano táico (nível intermediário da gestão) e operacional (plano detalhado das operações); atrair recursos inanceiros, uma vez que é o cartão de visitas do empreendedor, solicitado pelos diversos fundos de invesimentos; transmiir credibilidade; além de atrair e desenvolver a equipe (Dornelas, 2023). Cada negócio é um negócio! Assim, o planejamento deve ser elaborado de forma especíica, detalhada e diferenciada, respeitando as suas peculiaridades. Cada Plano de Negócio deve ser personalizado e altamente moivador. De forma geral, o Plano de Negócio esclarece sobre: 1) o negócio: é interessante deinir o negócio em uma frase, discriminar quais produtos/serviços são ou serão oferecidos, as oportunidades que devem ser aproveitadas, as potencialidades para o sucesso e os objeivos a serem alcançados; 2) a gestão do negócio: a missão e a visão de futuro, quem será a liderança (formação e experiência), qualiicações da equipe e a estrutura organizacional; 3) o mercado: volume esperado de clientes potenciais, como abordá-los, concorrentes principais, fornecedores, diferencial compeiivo do negócio, meios de propaganda e divulgação, distribuição e logísica; 4) os aspectos inanceiros e econômicos: fontes de recursos e de capital, projeção de faturamento e orçamento de despesas, projeções mensais de luxo de caixa para o primeiro ano, volume de negócios para alcançar o ponto de equilíbrio, condições de venda e de faturamento, valor do capital imobilizado em instalações e equipamentos (Chiavenato, 2021). Você, Enfermeiro empreendedor, pode elaborar o Plano de Negócio do seu empreendimento de 96 forma on-line e gratuito na página eletrônica do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE). Acesse o link: htps://pnbox.sebrae.com.br/ O Plano de Negócio pode ser estruturado de várias maneiras, sendo geralmente, dividido em capítulos para facilitar a compreensão dos diversos componentes envolvidos. Um de seus objeivos é atrair e convencer sócios, invesidores, bancos e órgãos de fomento para obter capital para invesimento na ideia e/ou negócio já em andamento (Chiavenato, 2021). O Quadro 11 descreve uma possibilidade de divisão dos capítulos do Plano de Negócio. Quadro11 – Capítulos de um Plano de Negócio, Belo Horizonte-MG, Brasil, 2026. Capítulos Conteúdo dos capítulos 1) Sumário execuivo Introdução ao negócio. Dados pessoais do empreendedor e sócios, experiência proissional, atribuições, além de informações gerais sobre o empreendimento, missão do negócio, fontes de recursos, etc. 2) Análise do mercado Estudo dos clientes e de seu comportamento de compra, do mercado de fornecedores e dos concorrentes, de forma a mostrar o posicionamento do negócio. 3) Plano de markeing Apresentação dos produtos e serviços, caracterísicas, preço, estrutura e maneiras de comercialização e distribuição, estratégias promocionais e localização do negócio. 4) Plano operacional Arranjo ísico das instalações, processo produivo, máquinas e equipamentos, pessoal operacional, volume de produção inicial para proporcionar uma ideia da capacidade produiva. 5) Plano inanceiro Esimaiva de invesimentos (máquinas, equipamentos, móveis e utensílios, etc.). Capital de giro, luxo de caixa, prazo médio de vendas e de compras, necessidade média de estoques, esimaiva do faturamento mensal do negócio, custo unitário de matéria-prima e de materiais diretos e terceirização. Custos de comercialização, de mão de obra, de depreciação. Demonstraivo de resultados, projeções inanceiras, indicadores de viabilidade, ponte de equilíbrio, lucraividade, rentabilidade e prazo de retorno do invesimento efetuado. 6) Avaliação estratégica Análise da matriz de oportunidades, ameaças, pontos fortes e fracos do negócio. Fonte: Chiavenato (2021) Nesse senido, com todas as informações apresentadas, o Plano de Negócio funciona como um projeto para que se possa analisar e decidir sobre a viabilidade do negócio. A Figura 1, apresenta as etapas de elaboração de um Plano de Negócio. 97 Figura 1- Etapas para elaborar um Plano de Negócio Analisar o setor em que a empresa irá funcionar Caracterísicas do produto/serviço; Preço e condições de venda; Formatação jurídica do empreendimento; Estrutu- ra organizacional Realizar levantamento comple- to sobre as caracterísicas do empreendimento Condensação e resumo de todas as informações já descri- tas Elaborar um plano estratégico para empreendimento Deinição da missão, da visão e dos valores; Deinição do negócio; Determinação dos objeivos estra- tégicos de longo prazo; Estabelecimento da estratégia do negócio Elaborar um plano operacional para empreendimento Previsão de vendas; Planejamento da produção; Previsão de despesas gerais e luxo de caixa; Balancete simulado Realizar um resumo execuivo das informações Fonte: Chiavenato (2021). O enfermeiro empreendedor, em alguns casos, terá a necessidade de detalhar o Plano de Negócio do seu empreendimento, por exemplo, para um emprésimo em um banco nacional ou internacional. A seguir, o Quadro 12 apresenta algumas sugestões para esse detalhamento, que deve ir desde um sumário execuivo, uma análise completa e detalhada do setor do negócio e um resumo contendo simulações inanceiras até o plano estratégico e operacional do negócio. Quadro 12 – Detalhamento de um Plano de Negócio, Belo Horizonte-MG, Brasil, 2026. Capítulos Conteúdo dos capítulos 1) Sumário execuivo - Um parágrafo sobre a natureza do negócio e os aspectos mais importantes do empreendimento; inclui missão e visão do negócio. - Um parágrafo sobre as necessidades que o negócio vai atender no mercado. Inclua a responsabilidade social do empreendimento. - Resumo das caracterísicas do mercado do negócio, da forma como o mercado está se comportando em relação ao produto/ serviço do negócio. 2) Análise completa e detalhada do setor - Principais caracterísicas do setor; inclui as variáveis econômicas, sociais, demográicas e políicas que inluenciam o mercado. - Oportunidades encontradas no mercado. - Descrição da ideniicação dos fornecedores (matérias-primas, tecnologia, mão de obra etc.). 3) Natureza jurídica e estrutura organizacional da empresa - Apresentação dos currículos dos sócios do empreendimento (formação e as competências pessoais). - Descrição dos colaboradores necessários para o negócio que contenha o peril proissional e técnico de cada um. 98 4) Simulação de relatórios inanceiros - Descrição do balanço de abertura da empresa. - Previsão de receitas, luxo de caixa e balanço para o período coberto pelo planejamento. 5) Plano estratégico - Deinição do negócio, da missão e da visão da empresa. - Estabelecimento dos objeivos especíicos da empresa. - Deinição da estratégia da empresa e das premissas do planejamento. - Estabelecimento dos objeivos estratégicos de longo prazo. 6) Plano operacional - Previsão de vendas. - Planejamento da produção. - Orçamento de despesas gerais. - Previsão do lucro operacional. - Previsão do luxo de caixa e balancete. - Balanço patrimonial simulado. - Previsão de índices operacionais e inanceiros. 7) Apêndices - Contatos perinentes. - Informações técnicas. Fonte: Chiavenato (2021) O Plano de Negócio deve ser, ao mesmo tempo, conciso e abrangente, de forma que quem o avalie tenha uma ideia completa do empreendimento. Deve ser implementado e desenvolvido ao longo do tempo e requer execução por parte das pessoas envolvidas no negócio. Não se deve esquecer que as pessoas ocupam papel determinante na realização do plano e no sucesso do empreendimento (Chiavenato, 2021). 3. Modelos de Negócio 3.1 Business Model Canvas (Canvas/Quadro de Modelo de Negócio) Alexander Osterwalder e Yves Pigneur, embasados nos conceitos de design thinking desenvolveram o Business Modal Generaion (gerador de modelo de negócio) que viabilizou maior inovação na elaboração de modelos de negócio, protoipação e cocriação (criação colaboraiva), facilitando a análise da estrutura do negócio. Esta ferramenta criada foi nomeada como Canvas de Modelo de Negócio (Business Model Canvas). O Business Model Canvas tem revolucionado a forma como empreendedores e empresas passaram a construir seus novos negócios. Apresenta aspectos fundamentais de um negócio, de forma enxuta, em apenas um quadro com nove blocos, a saber: 1) Segmento de clientes; 2) Proposta de valor; 3) Canais; 4) Relacionamento com clientes; 5) Fontes de receita; 6) Recursos principais; 7) Aividades- chave; 8) Parcerias principais; 9) Estrutura de custo. Cada componente será descrito detalhadamente ainda neste capítulo (Figura 2). 99 Figura 13 - Business Model Canvas Fonte: SEBRAE (2021). Este formato do Canvas, que lembra uma tela de pintura, mas pré-formatada em blocos, propicia a cocriação e o envolvimento de várias pessoas, ligadas ou não ao negócio, de modo a apoiar, ajudar, colaborar na construção e análise do modelo. Para tanto, a impressão e exposição do quadro em uma grande superície (no mínimo uma folha A3) e o uso de anotações em adesivos (ipo Post-it®) ajudam muito na discussão, criaividade e análise do negócio (SEBRAE, 2021; Osterwalder; Pigneur, 2011). O uso das anotações em adesivos é muito práico, pois ica fácil remover, adicionar e modiicar a escrita durante a elaboração do Canvas, lembrando que nada é deiniivo e tudo deverá ser testado. A análise dos nove blocos do Canvas (quadro) e da interação entre eles permite compreender rapidamente de que ipo de negócio se trata (Figura 1). O Business Model Canvas é dividido em duas partes, como o cérebro humano, esquerda e direita. A parte da esquerda é composta pelas questões lógicas, racionais do negócio, ou seja, os blocos que correspondem à eiciência, à operacionalização do negócio. A parte do lado direito é composta pelos aspectos emocionais, o valor do negócio (Figura 3) (SEBRAE, 2021; Osterwalder; Pigneur, 2011). 100 Figura 14 - Business Model Canvas dividido em partes esquerda e direita. Fonte: SEBRAE (2021). O enfermeiro empreendedor deve preencher o Canvas tendo uma base lógica, iniciando pelo segmento de clientes, uma vez que os clientes são o coração de um Modelode Negócio. O Quadro 13 mostra, sequencialmente, cada bloco, sua deinição e os quesionamentos que devem ser feitos para atender aquele bloco. Quadro 13 – Os 9 blocos do Business Model Canvas, Belo Horizonte-MG, Brasil, 2026. Bloco Do que se trata Perguntas 1- Segmento de Clientes Os diferentes grupos de pessoas ou organizações que uma empresa busca alcançar e servir. Para quem o negócio cria valor? Quem são os consumidores mais importantes? 2- Proposta de valor Pacote de produtos e serviços que criam valor para um segmento de cliente especíico. Que valor o negócio entrega ao cliente? Qual problema o negócio ajuda a resolver? Que necessidades o negócio saisfaz? Que conjunto de produtos e serviços o negócio oferece para cada segmento de cliente? 3- Canais Como o negócio se comunica e alcança seus segmentos de clientes para entregar a proposta de valor. Quais serão os canais que os segmentos de clientes serão contatados? Como serão alcançados de imediato? Como os canais se integram? Qual funciona melhor e apresenta melhor custo-beneício? Como estão integrados à roina dos clientes? 101 4- Relacionamento com os clientes Tipos de relação que uma empresa estabelece com segmentos de clientes especíicos. Que ipo de relacionamento cada segmento de cliente espera que se estabeleça com eles? Quais já foram estabelecidos? Qual o custo de cada um? Como se integram ao restante do modelo de negócio da empresa? 5- Fontes de receita O dinheiro que uma empresa gera a parir de cada segmento de cliente (custos subtraídos da renda que gera lucro) Quais valores os clientes estão realmente dispostos a pagar? Pelo que eles pagam atualmente? Como pagam? Como prefeririam pagar? O quanto cada fonte de receita contribui para o total da receita? 6- Recursos principais Recursos mais importantes: ísicos (veículos, máquinas, sistemas, etc.), inanceiros, intelectuais (marcas, patentes, registros, etc.) e humanos. Podem ser adquiridos, alugados ou adquiridos com parceiros. Que recursos principais a proposta de valor requer? Quais são os canais de distribuição? Relacionamentos com os clientes? Fontes de receita? 7- Aividades- chave Ações mais importantes que a empresa deve realizar para seu negócio funcionar. Que aividades-chave a proposta de valor requer? Quais são os canais de distribuição? Relacionamentos com os clientes? Fontes de receita? 8- Parcerias principais Rede de fornecedores e parceiros que possibilitam o negócio funcionar. Quem são os principais parceiros? Quem são os principais fornecedores? Que recursos principais é adquirido dos parceiros? Que aividades-chave os parceiros executam? 9- Estrutura de custo Custos envolvidos na operação de um modelo de negócio. Quais os custos mais importantes no modelo de negócio? Que recursos principais são mais caros? Quais aividades-chave são mais caras? Fonte: Osterwalder; Pigneur (2011) Após preenchidos os nove blocos do Canvas, torna-se importante validar o Modelo de Negócio, realizando testes na práica. Assegure cinco aspectos fundamentais para o sucesso do negócio: 1) A proposta de valor atende adequadamente às necessidades de cada segmento de clientes? 2) Os canais e os relacionamentos permitem entregar a proposta de valor? 3) Os parceiros têm condições de complementar todas as aividades do negócio? 4) O negócio tem acesso a todos os recursos necessários às suas aividades-chave? 5) As receitas são suicientes para cobrir todos os custos e gerar lucro? (Chiavenato, 2021). O anexo 1 traz o Canvas em branco para ser preenchido, mas sugere-se que ele seja exposto em uma tela maior (quadro ou folha A3) e que se use adesivos autocolantes para a sua elaboração. 3.2 Lean Canvas A ferramenta Lean Canvas, criada por Ash Maurya com base no Business Model Canvas, e nas ideias de Lean Startups de Eric Ries é aplicável aos modelos de negócio em que há falta de certeza, quando há a existência de mais de uma possibilidade (Maurya, 2012). Nesse senido, embora tenha sido criada inicialmente para modelos de negócios de startups (empresa emergente, início de uma empresa), também pode ser usada para implementação de novos produtos ou processos, além de mudanças 102 em um negócio já existente.Ash Maurya subsituiu 4 dos 9 blocos originais do Business Model Canvas com foco em trabalhar aspectos de maior risco na criação de um negócio. O bloco Parceiros-chave do Business Model Canvas foi subsituído por Problema no Lean Canvas; Aividades-chave foi subsituído por Solução; Relacionamento com o cliente por Vantagem injusta, e; Recurso-chave foi subsituído por Métricas-chave, conforme apresentado na Figura 15. Figura 15 - Blocos originais do Business Model Canvas subsituídos no Lean Canvas Fonte: Maurya (2012). O Enfermeiro empreendedor, desde o início do negócio, segundo Maurya (2012) deve ter clareza, entender em profundidade o Problema que se quer solucionar, por isso esse bloco no Lean Canvas. Caso contrário, será desperdiçado tempo, dinheiro e esforço na construção de um produto errado. Após compreender o Problema, o Enfermeiro empreendedor conseguirá, de fato, deinir uma possível Solução (outro bloco no Lean Canvas). É importante pensar e repensar na Solução, haja vista que o empreendedor geralmente se apaixona pela primeira solução. Essa caixa na tela Lean Canvas é pequena e se alinha bem com o conceito de “Produto Mínimo Viável” (MVP) (Maurya, 2012), que será discutido em outro capítulo deste Manual. O bloco Métricas-chave refere-se às métricas de valor e, posteriormente, serão métricas que monitoram o crescimento do negócio. Sua deinição correta é importante desde o início do negócio, do contrário, serão realizadas aividades inúteis, como oimização prematura ou falência de recursos enquanto se persegue o objeivo errado (Maurya, 2012). O bloco Vantagem Injusta (ou Vantagem Compeiiva ou Barreiras de Entrada) referem-se àquilo que não pode ser facilmente copiado ou comprado, sendo o que de fato, diferencia seu negócio no mercado. Pode ocorrer que, no início do negócio, não haja uma vantagem verdadeiramente injusta, o que significa que esta caixa ficaria em branco, neste caso (Maurya, 2012). Para o primeiro preenchimento do Lean Canvas, o Enfermeiro empreendedor deve cronometrar no máximo 20 minutos. O objeivo é como irar uma “foto instantânea” da ideia, ainda que iquem blocos em branco. As ideias vêm a parir de um ou mais eventos ou gailhos especíicos e devem ser registradas. Use a tela do Lean Canvas para esse registro. Após elaborar seu Lean Canvas, o Enfermeiro empreendedor, segundo Maurya (2012) deve testar 103 seu modelo de gestão, validando qualitaivamente e veriicando quanitaivamente a proposta, perpassando pelo ciclo de construir-medir-aprender. O anexo 1 traz o Lean Canvas em branco para ser preenchido, mas sugere-se que ele seja exposto em uma tela maior (quadro ou folha A3) e que sejam usados adesivos autocolantes para a sua elaboração. Figura 16: Business Model Canvas (2). Fonte: Universidade de São Paulo (USP) 2021. Figura 17: Lean Canvas. Fonte: Universidade de São Paulo (USP) 2021. 104 REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério da Fazenda. Comando da Aeronáuica. Departamento de Controle do Espaço Aéreo. ICA 100-11: plano de voo. Rio de Janeiro, 2017. Disponível em: htps://publicacoes.decea.mil. br/publicacao/ICA-100-11. Acesso em: 16 out. 2023. CANADÁ. Organização de Aviação Civil Internacional. Procedures for air navigaion services – air traic management: Doc 4444. Montreal, 2016. COLICHI, R. M. B.; LIMA, S. G. S.; BONINI, A. B. B.; LIMA, S. A. M. Empreendedorismo de negócios e Enfermagem: revisão integraiva. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília, v. 72, supl. 1, p. 335-345, 2019. Disponível em: htps://www.scielo.br/j/reben/a/ yG78Ms3DvsZ49dM3NnrTLJy/?lang=pt&format=pdf. Acesso em: 16 out. 2023. DORNELAS, J. C. Plano de negócios: seu guia deiniivo. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2023. 187 p.MAURYA, A. Running lean: iterate from plan A to a plan that works. 2. ed. Sebastopol, CA: O’Reilly Media, 2012. OSTERWALDER, A.; PIGNEUR, Y. Business model generaion: inovação em modelos de negócios – um manual para visionários, inovadores e revolucionários. Rio de Janeiro: Alta Books, 2011. 300 p. SEBRAE. Business model canvas: como construir seu modelo de negócio? SEBRAE, 2021. Disponível em: htps://digital.sebraers.com.br/blog/estrategia/business-model-canvas-como-construir-seu- modelo-de-negocio/. Acesso em: 23 out. 2023. UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (USP). Lean Canvas. São Paulo: USP, 2021. Disponível em: htps:// edisciplinas.usp.br/mod/resource/view.php?id=3596202&forceview=1. Acesso em: 6 out. 2025. 105 13 PLANEJAMENTO FINANCEIRO Fábio da Costa Carbogim Introdução O planejamento inanceiro é essencial em um mundo onde as instabilidades econômicas são cres- centes e cada vez mais globais, impactando na vida dos cidadãos e empresas a todo momento (Brüg- gen et al.., 2017). Situações como as de guerras, de pandemias ou mesmo de recessões em economias centrais, como as dos Estados Unidos da América (EUA) e da China, podem inluenciar decisivamente na economia global, com redução da produção, comercialização e consumo de produtos e serviços (SEBRAE, 2023). Esse quadro, em um mundo globalizado, repercuirá na queda de faturamento e no aumento do índice de desempregos, o que leva à redução do consumo e da produção. Nesse senido, o planejamento inanceiro torna-se uma ferramenta importante para a gestão das necessidades do presente e futuro (Zonoto, 2020). No campo da gestão empresarial, o planejamento inanceiro refere-se ao estabelecimento de um roteiro ou guia programáico com metas para aperfeiçoar indicadores em um determinado espaço de tempo. Isso quer dizer, uilizar da situação atual para projetar melhorias para o futuro (Business School, 2021; Infomoney, 2022). Uma empresa ou negócio é geralmente criado para atender a uma demanda do mercado, gerar lu- cro e se tornar sustentável. Para isso, o planejamento inanceiro deve estar alinhado ao planejamento estratégico, a parir de projeções de custos e receitas (SEBRAE, 2023). É aconselhável que o processo de planeamento inanceiro comece com as metas de longo prazo, que guiarão as metas de curto e médio prazo, sendo estas mais operacionais. O planejamento delongo prazo está atrelado a um conjunto de metas de markeing e de produção, sendo estabelecidos prazos entre cinco a dez anos. Por outro lado, o planejamento de curto prazo, em que são estabelecidos para tomar decisões coidianas, o prazo é de um a dois anos (Leal; Nascimento, 2011). 1. Planejamento inanceiro: etapas, procedimentos e indicadores Para o planejamento inanceiro, existem cinco etapas importantes: avaliar a situação inanceira da empresa; deinir as metas inanceiras; levantar os dados e avaliar alternaivas, analisar dados em relação aos objeivos; criar e implementar o plano de ação inanceira; e rever/analisar o planejamento (Arquivel, 2018; Lucion, 2012). Desse modo, serão descritos abaixo cada um dos passos. 1º Passo – Avaliar a situação inanceira da empresa e o capital de giro A situação inanceira de uma empresa e o capital de giro estão intrinsecamente relacionados, sendo o capital de giro um importante indicador da saúde inanceira da organização. O capital de giro líqui- do (CGL) refere-se aos recursos inanceiros necessários para a operação diária de uma empresa. Ele representa a diferença entre os aivos circulantes (como contas a receber, estoque e reserva de caixa) e os passivos circulantes (como contas a pagar). Cerca da metade do total dos aivos de uma empresa correspondem ao capital de CGL. Logo, é importante realizar um levantamento contábil, com balanço patrimonial, para elencar aivos circulantes, saldos devedores e valores gastos. Além disso, descrever tempo de mercado, fortalezas e fragilidades, produto oferecido e público-alvo. Com esses dados, o gestor terá um mapeamento da realidade do negócio, tendo dessa forma, maior controle sobre as contas. 106 2º Passo – Deinir as metas inanceiras As metas funcionam como um roteiro que guiarão o planejamento inanceiro. Logo, devem ser re- vistas com frequência, de acordo com a relevância e o impacto desejado. Além disso, devem ser men- suráveis, concretas, plausíveis, com determinação de quem, como, onde e quando serão efeivadas. 3º Passo – Levantar os dados e avaliar alternaivas Através da coleta de dados será mais fácil compreender o cenário em que se realizará um inves- imento. Esses dados, conforme os objeivos estabelecidos previamente, dizem respeito aos riscos atuais de um invesimento, comportamento histórico, insumos, recursos e equipe. Também é muito importante pensar e descrever as fontes de recursos possíveis em caso de emergências e imprevistos. Outra orientação é estabelecer um plano de registro das movimentações inanceiras, ou seja, des- crever tudo que entra e sai no período estabelecido. 4º Passo - Implementar o plano de ação inanceira Para implementar o plano de ação inanceira é preciso listar todas as aividades necessárias para aingir os objeivos. Para isso, é importante deinir os prazos, estabelecer as responsabilidades e pro- visões de custos. Uma boa gestão depende de um bom plano de ação, pois auxilia na determinação dos recursos e quem estará em cada função. 5º Passo - Rever/analisar o planejamento Ao longo do tempo, revise e analise os objeivos e as metas, conforme resultados alcançados. O mo- nitoramento auxilia na previsão e ideniicação de problemas inanceiros antes que saiam do controle e se tornem irreversíveis. Nessa fase, é importante estabelecer indicadores de desempenho, que podem ser deinidos em operacionais, táicos e estratégicos. Os indicadores operacionais estão ligados às ações do dia a dia, como a execução de tarefas, procedimentos e conferências. Esses indicadores avaliam a performance e geralmente são empregados com conformidade e não conformidade.Os indicadores táicos estão alinhados aos indicadores de planejamento estratégico da empresa e estão conectados à gestão dos setores da empresa, sendo desinados a avaliar o desempenho departamental ou setorial, por exem- plo. Podemos dizer que seria o meio do caminho entre os indicadores operacionais e os indicadores estratégicos. Os indicadores estratégicos são mais gerais, estão conectados ao planejamento estratégico da em- presa. Dessa forma, são uilizados para medir se a empresa aingiu ou vem aingindo as metas em nível macro. Para as empresas que estão por iniciar, implementar o Mínimo Produto Viável (MPV), pode ser uma boa estratégia para raiicar a ideia e apresentar o produto com recursos inanceiros mais baixos (Tristão et al.., 2021). O MPV pode ser comparado a um teste piloto do produto para veriicar a sua viabilidade, uilizando o mínimo de recursos, com foco na principal função do produto para atender a uma demanda. Essa proposta pode ser colocada no planejamento inanceiro como uma primeira etapa para implementa- ção do produto no mercado. Isso permiirá adaptações e ajustes necessários sem comprometer todo o capital de invesimento (Shepherd; Gruber, 2021). Segundo Araújo et al. (2022), existem instrumentos que podem ser uilizados para operacionalizar o planejamento inanceiro, incluindo: 107 • Orçamento: Estabelece metas de receitas e despesas para um período especíico, ajudando na alocação eiciente de recursos. • Fluxo de Caixa: Registra e monitora todas as entradas e saídas de dinheiro, proporcionando uma visão clara da liquidez inanceira. • Balanço Patrimonial: Resume os aivos, passivos e patrimônio líquido em um determinado mo- mento, fornecendo uma imagem instantânea da situação inanceira. • Análise de Invesimentos: Avalia o retorno e o risco de diferentes oportunidades de invesimen- to, auxiliando na tomada de decisões de alocação de capital. • Contabilidade: Registra e analisa todas as transações inanceiras da organização,garanindo conformidade e precisão nos registros inanceiros. • Indicadores Financeiros: Métricas como ROI (Retorno sobre Invesimento), margem líquida, ín- dice de liquidez, entre outros, ajudam a monitorar o desempenho inanceiro e ideniicar áreas de melhoria. • Planejamento Tributário: Estratégias para minimizar a carga tributária, aproveitando incenivos iscais e evitando penalidades. • Sistemas de Informação Financeira: Uilização de sotwares e sistemas automaizados para co- letar, processar e apresentar dados inanceiros de forma eiciente e precisa. Para o planejamento inanceiro de empresas, além dos instrumentos operacionais mencionados anteriormente, também são importantes os instrumentos estratégicos que orientam as decisões de longo prazo e garantem a sustentabilidade inanceira. Alguns desses instrumentos incluem (Farah, Ca- valcani, Marcondes; 2020): • Análise SWOT: Ideniica as forças, fraquezas, oportunidades e ameaças relacionadas às inanças da empresa, ajudando a desenvolver estratégias para oimizar o desempenho inanceiro. • Metas Financeiras de Longo Prazo: Estabelecimento de objeivos inanceiros claros e mensurá- veis a longo prazo, alinhados com a visão e missão da empresa. • Planejamento de Invesimentos Estratégicos: Deine quais invesimentos são prioritários para o crescimento e desenvolvimento sustentável da empresa, levando em consideração os retornos esperados e os riscos envolvidos. • Estratégias de Financiamento: Determinação das fontes de inanciamento mais adequadas para as necessidades da empresa, considerando opções como capital próprio, emprésimos bancá- rios, emissão de ítulos, entre outros. • Gestão de Riscos Financeiros: Ideniicação, avaliação e miigação de riscos inanceiros que pos- sam afetar negaivamente os resultados da empresa, como riscos de mercado, crédito, liquidez, entre outros. • Análise de Cenários Financeiros: Realização de análises de cenários para avaliar os impactos inanceiros de diferentes contextos econômicos e operacionais, permiindo uma melhor prepa- ração e adaptação da empresa a mudanças no ambiente externo. • Gestão do Capital de Giro: Desenvolvimento de estratégias para gerenciar eicientemente os aivos circulantes e passivos circulantes da empresa, garanindo a liquidez e a eiciência opera- cional. • Políica de Dividendos: Deinição de uma políica consistente para distribuição de lucros aos acionistas, levando em conta as necessidades de reinvesimento e a maximização do valor para os acionistas. Esses instrumentos estratégicos são essenciais para garanir que o planejamento inanceiro da em- presa esteja alinhado com seus objeivos de longo prazo e seja capaz de enfrentar os desaios do am- biente de negócios de forma eicaz. 108 Considerações inais A realização do planejamento inanceiro, seja para uma empresa a ser criada ou já estabelecida é essencial, pois além de revelar a saúde inanceira atual, permite realizar ajustes e projetar crescimen- tos. É por meio do planejamento inanceiro que será possível estabelecer os custos, receitas, despesas, margens de lucro e invesimento da empresa. 109 REFERÊNCIAS ARAÚJO, A. M.; AYRES, M. A. C.; OLIVEIRA, A. P. M.; SALES, F. C. V. As demonstrações contábeis como instrumento para tomada de decisão de invesimentos das empresas. Humanidades & Inovação, v. 9, n. 2, p. 381-395, 2022. Disponível em: htps://revista.uniins.br/index.php/humanidadeseinovacao/ aricle/view/2770. Acesso em: 19 mai. 2025. ARQUIVEI. 5 etapas para o planejamento inanceiro eicaz. 2021. Disponível em: htps://arquivei. com.br/blog/5-etapas-para-um-planejamento-inanceiro-eicaz. Acesso em: 19 mai. 2025. BRÜGGEN, E. et al. Financial well-being: A conceptualizaion and research agenda. Journal of Busi- ness Research, v. 79, p. 228-237, 2017. DOI: htps://doi.org/10.1016/j.jbusres.2017.03.013. BUSINESS SCHOOL. Planejamento inanceiro empresarial: o que é, etapas e como fazer. 2021. Dis- ponível em: htps://ia.com.br/blog/planejamento-inanceiro-empresarial/. Acesso em: 19 mai. 2025. FARAH, O. E.; CAVALCANTI, M.; MARCONDES, L. P. Empreendedorismo estratégico: criação e ges- tão de pequenas empresas. Cengage Learning, 2020. Disponível em: htps://books.google.com.br/ books?id=YNUKEAAAQBAJ. Acesso em: 19 mai. 2025. INFOMONEY. Planejamento inanceiro: o que é e como fazer. 2022. Disponível em: htps://www. infomoney.com.br/guias/planejamento-inanceiro/. Acesso em: 19 mai. 2025. LEAL, C. P.; NASCIMENTO, J. A. R. Planejamento inanceiro pessoal. Revista de Ciências Gerenciais, v. 15, n. 22, 2011. Disponível em: htps://revista.pgsskroton.com/index.php/rcger/aricle/view/2101. Acesso em: 19 mai. 2025. LUCION, C. E. R. Planejamento inanceiro. Revista Eletrônica de Contabilidade, v. 2, n. 1, p. 160, 2012. DOI: 10.5902/198109466507. SEBRAE. 6 estratégias para organizar o planejamento inanceiro da sua empresa. 2023. Disponível em: htps://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/ufs/ce/arigos/6-estrategias-para-organizar-o- -planejamento-inanceiro-da-sua-empresa,55419a2091a3a710VgnVCM100000d701210aRCRD. Aces- so em: 19 mai. 2025. SHEPHERD, Dean A.; GRUBER, Marc. The lean startup framework: Closing the academic–prac- iioner divide. Entrepreneurship Theory and Pracice, v. 45, n. 5, p. 967-998, 2021. DOI: 10.1177/1042258719899415. TRISTÃO, Francisco Reis et al. Mínimo produto viável para aplicaivo de apoio: gestão do cuidado de enfermagem à pele do idoso. Cogitare Enfermagem, v. 26, 2021. DOI: htp://dx.doi.org/10.5380/ce. v26i0.74473. ZANOTTO, G. A importância do orçamento organizacional como suporte ao controle gerencial. Revista Ciência da Sabedoria, v. 1, n. 1, 2020. Disponível em: htps://revista.faciencia.com.br/index.php/rcs/ aricle/view/11. Acesso em: 19 mai. 2025. 110 14 MINIMUM VIABLE PRODUCT (MVP) E PROTÓTIPO: ESTRATÉGIAS PARA TRANSFORMAR IDEIAS INOVADORAS EM SOLUÇÕES PRÁTICAS NA ENFERMAGEM Helen Crisiny Teodoro Couto Ribeiro Introdução O empreendedorismo na Enfermagem, devido à sua importância, tem emergido como uma área de interesse crescente, embora ainda pouco explorada na literatura (Copelli et al., 2019; Polakiewicz et al., 2013). Isso é sobretudo evidente quando se consideram conceitos especíicos, como Minimum Viable Product (MVP) e Protóipo, e como são aplicados diretamente na práxis da Enfermagem. No entanto, a aproximação ao conceito de empreendedorismo (principalmente a compreensão e aplicação dos conceitos pelo Enfermeiro empreendedor), orienta a promoção de visibilidade social da Enfermagem, bem como o alcance de novos patamares de desenvolvimento proissional aos Enfermeiros (Copelli et al., 2019). Os conceitos de Minimum Viable Product (MVP) e Protóipo são importantes para que o proissional compreenda e aplique em suas ideias inovadoras, auxiliando na solução de problemas pragmáicos na Enfermagem. Assim, este capítulo se dedica a explorar os alicerces do MVP e do protóipo, evidenciando seus papéis fundamentais no empreendedorismo de Enfermeiros. 1. Fundamentos do Minimum Viable Product (MVP) e Protóipo Para um Enfermeiro empreendedor que busca inovar e introduzir soluções signiicaivas no campo da saúde, é essencial compreender os fundamentos do Minimum Viable Product (MVP) e do protóipo. Essas estratégias estão intrinsecamente ligadas ao ciclo de vida do serviço/processo ou produto que se pretende desenvolver como um negócio. Observa-se ainda um uso inadequado dos conceitos de MVP e de Protóipo. Por isso, é importante compreender os princípios fundamentais de ambas as estratégias. Para uma compreensão mais clara e para entender como os princípios podem ser aplicados de maneira eicaz no contexto da Enfermagem empreendedora, primeiramente será explorado os fundamentos do MVP e, em seguida, será abordado os princípios subjacentes aos Protóipos. O MVP (Minimum Viable Product), traduzido para o português como Produto Mínimo Viável, é uma estratégia fundamental que abre portas para a criação e teste de novos produtos, serviços e processos,mesmo em cenários permeados pela incerteza, como a área do cuidado em Enfermagem. Sua essência reside na capacidade de explorar e desenvolver propostas inovadoras, as quais podem ser impulsionadas tanto por descobertas cieníicas quanto pela exploração de novas perspecivas para tecnologias já existentes. Essa abordagem permite que os empreendedores na área da Enfermagem se arrisquem em territórios desconhecidos, coniando na viabilidade do produto mínimo necessário para iniciar o processo de validação junto ao público-alvo. Dessa forma, o MVP testa a aceitação do mercado e também lança produtos com possibilidades efeivas de resolver as necessidades dos usuários, proporcionando soluções tangíveis e relevantes (Ries, 2012; Sarmento; Costa, 2016). Antes de iniciar qualquer empreendimento, incluindo os projetos inovadores na área da Enfermagem, torna-se crucial realizar uma coleta detalhada de dados essenciais. Isso envolve compreender as caracterísicas dos potenciais clientes, analisar o comportamento do mercado, esimar os custos envolvidos e avaliar a possível receita que o negócio poderá gerar. O MVP desempenha um papel 111 vital nesse processo, permiindo que o Enfermeiro empreendedor avalie a viabilidade do seu negócio. Por meio de testes com o público-alvo do serviço, produto ou processo, é possível receber feedback valioso, que orienta ajustes e aprimoramentos para o desenvolvimento asserivo do empreendimento. O MVP representa uma versão simpliicada do produto, serviço ou processo em desenvolvimento, que é disponibilizada aos clientes para testes de mercado. Objeiva-se com o MVP nivelar a ideia e compreender como o mercado reagirá à oferta, facilitando o caminho que o Enfermeiro empreendedor deverá percorrer para a circulação bem-sucedida do seu produto, serviço ou processo. Essa abordagem é fundamental para minimizar riscos e garanir que o negócio atenda efeivamente às demandas e expectaivas do seu público-alvo (Sebrae, 2019; Gomes, 2020). Na atualidade, marcada pela velocidade das transformações, o lema “falhar rápido para falhar melhor” se torna essencial. Isso signiica que é necessário experimentar e rapidamente coletar dados de melhorias para oimizar produtos e serviços/processos. Os testes de aceitação do cliente, realizados por meio do MVP, proporcionam uma oportunidade de aprendizado rápido sobre o que é necessário para transformar uma ideia em realidade. Ao analisar o feedback dos clientes, o Enfermeiro empreendedor pode aplicar melhorias no desenvolvimento da sua ideia inicial. O MVP passa por constantes modiicações e evoluções em cada interação com o público-alvo. Trata-se de um ciclo conínuo, no qual o produto/serviço/processo é testado e reinado com base na opinião dos clientes, até que uma versão ideal do projeto seja alcançada. Essa abordagem interaiva, centrada no cliente, é fundamental para garantir que o produto final atenda às necessidades e expectativas do público-alvo (Sebrae, 2019), especialmente em um campo tão complexo quanto a área da saúde. Já, o protóipo tem a ver com a viabilidade técnica do produto ou serviço/processo a ser comercializado pelo negócio. Assim como o MVP, ele oferece uma representação simpliicada do produto, mas sem a necessidade de interação direta do cliente para uilizá-lo, testá-lo ou fornecer feedback ao Enfermeiro empreendedor. No entanto, o protóipo desempenha um papel fundamental ao transformar a ideia em algo tangível e concreto, consituindo-se como uma representação palpável do conceito inicial. Originária do grego, a palavra “protóipo” deriva de “protótupus”, que signiica “primeira forma”. Existem diversos ipos de protóipos, que variam desde os mais simples até os mais elaborados e iéis à ideia original. Todos eles são passíveis de aprimoramento por meio da coleta de feedback dos clientes, o que possibilita reinamentos conínuos até alcançar uma versão ideal do produto ou serviço/processo. Essa práica é fundamental para garanir a adequação do produto às necessidades e expectaivas do público-alvo, podendo ser um protóipo de baixa, média ou alta idelidade (Sebrae, 2019). Assim, na Enfermagem o protóipo deve ser desenvolvido até alcançar um estágio mínimo adequado para testes com o público-alvo do produto/serviço/processo, sejam pacientes, seus familiares, a comunidade ou grupos de pessoas, até mesmo os próprios Enfermeiros e suas equipes. Para clariicar os três ipos de protóipos, considere-se o seguinte exemplo: O Enfermeiro empreendedor, ao desenvolver um novo sistema de monitoramento remoto de pacientes, pode iniciar o processo criando um protóipo de baixa idelidade. Nesse estágio inicial, ele pode criar esboços ou modelos simples que representem as principais funcionalidades e caracterísicas do sistema. O Enfermeiro pode desenhar esboços de telas de interface do usuário, indicando como os dados do paciente serão exibidos e como o Enfermeiro interagirá com o sistema. Esse protóipo de baixa idelidade permite que o Enfermeiro valide conceitos básicos do sistema antes de invesir recursos signiicaivos no seu desenvolvimento. À medida que o conceito é reinado e novas ideias são incorporadas, o proissional pode progredir para um protóipo de média idelidade. Nesse estágio, ele pode desenvolver protóipos digitais interaivos usando ferramentas de design de interface do usuário, ou seja, o Enfermeiro pode criar um protóipo funcional usando um sotware de design de interface do usuário, permiindo que ele simule interações do usuário e teste a usabilidade do sistema. Esse protóipo de média idelidade oferece uma representação mais realista do sistema e permite a coleta de um feedback valioso dos usuários antes de prosseguir para o desenvolvimento completo do produto. Ao inal do processo, pode ser obido um protóipo de alta idelidade, que é uma representação precisa do sistema inal. Esse protóipo reinado e validado oferece uma base sólida para o desenvolvimento completo do sistema, garanindo que atenda de forma eicaz às necessidades e expectaivas do público-alvo. 112 Nesse contexto, o protóipo é menos reinado que um MVP pois traz as caracterísicas do resultado esperado, mas não necessariamente condições viáveis para sua construção. A ideia pode ser transformada em um protóipo de baixa idelidade (conceito inicial do negócio), que será incrementado e construído um protóipo com média idelidade, chegando a uma versão mais representaiva daquilo que se quer produzir, ou seja, uma alta idelidade da solução inal do produto/serviço/processo. É importante ressaltar que todo MVP é um protóipo, mas nem todo protóipo é um MVP (Sebrae, 2019). Coninuando o exemplo do desenvolvimento de um novo sistema de monitoramento remoto de pacientes, com o protóipo de alta idelidade validado em mãos, o Enfermeiro decide avançar para o desenvolvimento do MVP. Ele ideniica as funcionalidades essenciais que serão incluídas na primeira versão do sistema e trabalha com sua equipe de desenvolvimento para implementá-las. O MVP é então lançado para uma pequena amostra de Enfermeiros e pacientes para testes e feedback em um ambiente real. Este Enfermeiro seguiu uma abordagem incremental, começando com protóipos de baixa e média idelidade para explorar suas ideias e reiná-las com base no feedback recebido. Somente após validar completamente o conceito com os protóipos é que ele avançou para o desenvolvimento do MVP, garanindo assim que o produto inal atenda às necessidades do usuário e ofereça valor real. 2. Jusiicaivas para a elaboração de um Minimum Viable Product (MVP) e um Protóipo Recomenda-se fortemente que o Enfermeiro empreendedor desenvolva um MVP e/ou um protóipo como etapa inicial para apresentar e/ou validar sua ideia inicial. Essa abordagem permite reduzir os riscos técnicos, de mercado ou de saisfação do público-alvo, ao mesmo tempo em que oimiza o uso de recursos. Vale ressaltar que o MVP e/ou protóipo são alternaivas mais econômicas em comparação com o desenvolvimentodo produto inal, ou seja, permitem uma economia signiicaiva de recursos inanceiros, temporais e humanos. Ademais, a criação de um MVP e/ou protóipo oferece a oportunidade de obter feedback valioso do público-alvo. Essas informações são essenciais para entender o que precisa ser melhorado no produto, serviço ou processo, permiindo ajustes e melhorias antes do lançamento oicial no mercado. Dessa forma, o Enfermeiro empreendedor pode melhorar coninuamente, garanindo que o produto inal atenda às expectaivas e necessidades dos clientes. O MVP oferece uma abordagem mais ágil e eiciente para validar a viabilidade e aceitação do produto/serviço/processo. Ao permiir testes reais com os usuários, o MVP possibilita a obtenção de feedback valioso que pode ser uilizado para realizar ajustes e melhorias antes de realizar um invesimento completo no desenvolvimento do produto inal. Essa abordagem centrada no usuário contribui signiicaivamente para o sucesso do empreendimento ao garanir que o produto atenda verdadeiramente às necessidades e expectaivas do público-alvo. O MVP está intrinsecamente ligado à proposição de valor de um negócio. Não se trata apenas de entregar um produto/serviço/processo com funcionalidades simpliicadas, mas sim de criar algo que agregue valor para o cliente (Viable), enquanto uiliza um mínimo de recursos em um curto espaço de tempo (Product), de forma a se assemelhar a um produto acabado (Minimum), evitando uma lista elaborada e densa de funcionalidades desnecessárias. A essência desse processo reside na agilidade com que o novo empreendimento consegue desenvolver rapidamente um produto mínimo viável e buscar imediatamente a opinião do público-alvo. Essa abordagem ágil e centrada no cliente permite validar a ideia inicial e realizar ajustes com base no feedback real dos usuários, resultando em um produto inal mais alinhado às necessidades e expectaivas do mercado. Essa práica é essencial para garanir o sucesso do empreendimento e maximizar o retorno sobre o invesimento (Ries, 2012; Blank, 2013). Caso o Enfermeiro empreendedor opte por não uilizar o MVP, ele corre o risco de invesir recursos consideráveis em um produto/serviço/processo que pode não ser bem recebido pelo mercado de saúde. Além disso, ao ignorar a etapa de desenvolvimento do MVP, há a possibilidade de perder a oportunidade crucial de ideniicar e corrigir possíveis falhas ou deiciências antes do lançamento no mercado. 113 O MVP proporciona uma valiosa oportunidade de aprendizado, permiindo ao Enfermeiro empreendedor e sua equipe adquirir insights signiicaivos sobre como o público-alvo percebe o produto/serviço/processo de saúde, com um esforço relaivamente pequeno. Trata-se de um protóipo tangível que ganha vida no mundo real. Por exemplo, um MVP poderia ser um aplicaivo simpliicado de gerenciamento da saúde para idosos hipertensos, contendo apenas as funcionalidades essenciais, como o registro da pressão arterial diária e o acompanhamento das medicações. Este é então disponibilizado para testes junto aos idosos e seus familiares, permiindo a coleta valiosa de feedback sobre a experiência de uso. Esses insights são cruciais para entender as necessidades e preferências do público-alvo e para ideniicar possíveis melhorias ou ajustes antes de invesir recursos signiicaivos no desenvolvimento do produto inal. Somente após a validação e reinamento do MVP é que o produto é aprimorado, adicionando-se um design mais elaborado e melhorando e/ou acrescentando outras funcionalidades que se viu serem relevantes. Essa abordagem centrada no cliente proporciona uma base sólida para o sucesso do produto inal no mercado de saúde. Quanto ao protóipo, recomenda-se que o Enfermeiro empreendedor o desenvolva, mesmo que simples, mas suicientemente claro para possibilitar a visualização da ideia antes de sua execução. A protoipagem torna a ideia mais tangível e compreensível não apenas para a equipe de criação, mas também para potenciais sócios ou invesidores. Além disso, um protóipo oferece a lexibilidade necessária para fazer ajustes no produto/serviço/processo antes de avançar para etapas mais concretas em direção aos objeivos desejados do negócio. Segue um caso icício para jusiicar o desenvolvimento de um protóipo. Clara é uma Enfermeira obstétrica com uma década de experiência e uma paixão ardente por melhorar a experiência de parto das mulheres. Após anos trabalhando em uma maternidade pública, Clara ideniica uma necessidade e tem uma ideia para um disposiivo que pode auxiliar as mulheres no conforto durante o trabalho de parto. Determinada a empreender e desenvolver essa inovação, a Enfermeira Clara concebe um disposiivo de suporte ergonômico que facilita a posição ideal para o parto, enquanto emite ondas magnéicas para alívio da dor. Esse disposiivo é construído com materiais ajustáveis, almofadas de apoio e inclui recursos como monitoramento não invasivos. Com a visão clara em mente, a Enfermeira Clara convoca uma reunião com um engenheiro biomédico e um designer para explicar sua ideia. Apesar de sua explicação detalhada, eles solicitam que Clara crie um protóipo de baixa idelidade, ou seja, uma representação simples, como um esboço em uma folha de papel. Mesmo não sendo hábil em desenho, Clara se empenha em fazer alguns traços para transmiir sua ideia à equipe. Surpreendentemente, o protóipo rudimentar é suiciente para comunicar claramente a todos os envolvidos o conceito e funcionamento do disposiivo. 3. Exemplos de Minimum Viable Product (MVP) e Protóipo Ao se referir a Minimum Viable Product (MVP) e protóipo de produtos/serviços/processos na área da saúde e especiicamente na Enfermagem, os estudos são escassos. Há uma literatura que oferece uma visão ampla sobre as teorias e métodos relacionados a esses importantes conceitos em áreas como engenharia, administração, bioquímica e outros. Porém, por vezes os estudos se concentram apenas em aspectos conceituais e diretrizes gerais, sem mostrar como elas se desdobram em situações concretas, como foram desenvolvidas e testadas na vida real. Com isso, os conceitos de MVP e de protóipo podem icar abstratos e distantes da realidade dos Enfermeiros. Assim, buscou-se aqui exempliicar para inspirar e oferecer insights para Enfermeiros empreendedores a transformar ideias inovadoras em soluções práicas na Enfermagem por meio do MVP e do protóipo. Um estudo realizado em um município do Sul do Brasil (Tristão et al., 2021), teve por objeivo descrever o desenvolvimento de um MVP para um aplicaivo de apoio à decisão voltado para Enfermeiros, abrangendo prevenção, diagnósico e tratamento de lesões por fricção/pressão em idosos. As etapas para construção da ferramenta foram: revisão integraiva da literatura; invesigação qualitaiva, na qual os pesquisadores conduziram entrevistas com Enfermeiros das equipes de Estratégia Saúde da Família 114 (ESF); e a formatação e desenvolvimento de um MVP que uilizou o “Ciclo de Feedback construir-medir- aprender”, ou o “Build-Measure-Learn”, um componente do método Lean Startup. Esse ciclo envolveu três etapas: 1ª) revisão integraiva; 2ª) invesigação qualitaiva junto aos Enfermeiros das equipes de ESF; e 3ª) formatação e desenvolvimento do MVP (Tristão et al., 2021). Para deinir os peris dos usuários, foram uilizadas informações da invesigação qualitaiva e técnicas de personas, que são avatares criados com base nas caracterísicas reais dos usuários, levando em conta seus hábitos, comportamentos e anseios. A deinição das funcionalidades foi orientada pelas lacunas observadas pelos Enfermeiros durante a fase de construção dos peris dos usuários. A estrutura teórica do aplicaivo foi baseada nas informações obidas na revisão integraiva. O mapa de navegação foi transformado em Hypertext Markup Language (HTML) e Cascading Style Sheets (CSS), resultando em uma página web que foi adaptada para ser compaível com disposiivos móveis e desktops (Tristão et al.,2021). Para testar a praicidade do produto, foram uilizados critérios de teste de usabilidade, com a paricipação de três a cinco usuários representaivos, visando ideniicar pelo menos 80% dos problemas do produto. O MVP foi submeido a dois ciclos de feedback: no primeiro ciclo, foram ideniicadas necessidades de ajustes pelos proissionais; no segundo ciclo, após as adaptações, uma nova rodada de testes foi realizada, sem a necessidade de ajustes adicionais. Os resultados da pesquisa indicaram que o MVP do aplicaivo ofereceu suporte eicaz à tomada de decisão dos Enfermeiros, facilitando a condução de julgamentos críicos baseados em achados clínicos objeivos. Este exemplo ilustra, mais uma vez, como a abordagem do MVP é uma importante estratégia para o Enfermeiro empreendedor, permiindo o desenvolvimento de soluções eicazes que atendam às necessidades dos proissionais de saúde e dos pacientes (Tristão et al., 2021). Outro estudo initulado “Desenvolvimento de protóipo de chatbot para avaliação da maturação da ístula arteriovenosa” (Silva et al., 2023), os autores apresentam iguras ilustraivas e demonstram a construção do chatbot em 5 fases: construção da base de conhecimento; seleção do ipo de assistente virtual; roteirização do conteúdo; criação do diálogo no chatbot; e revisão do diálogo. A base de conhecimento do chatbot foi denominado “FAViana”, uilizaram o conteúdo de um protocolo de avaliação da maturação da ístula a parir da inspeção, palpação e ausculta. Foi simulado um diálogo estruturado usando o Google Forms®, o qual foi transformado em conversação por meio do complemento Chat Forms®. Os autores alinharam o “FAViana” à primeira etapa do processo de Enfermagem para documentação dos dados da avaliação e anormalidades da maturação da FAV e ao oferecimento de suporte para a interpretação dos dados anormais, indicando a provável complicação e sugerindo recomendações sobre a possível complicação. No estudo relatado, por se tratar de um protóipo, os autores não realizaram a interação do chatbot com o usuário em uma base dinâmica de informação. No entanto, airmam que, devido às caracterísicas de simpliicação do chatbot, essa funcionalidade será implementada em versões futuras, possivelmente com incorporação de inteligência ariicial (Silva et al., 2023). Considerações inais O MVP e protóipo são ferramentas valiosas para os Enfermeiros empreendedores. Isso porque ambas as estratégias permitem ao Enfermeiro empreendedor a compreensão das necessidades dos clientes, a demanda do mercado e quais ações são necessárias para oferecer resultados asserivos para o negócio. O Enfermeiro empreendedor, ao lançar mão do MVP e/ou do protótipo, tem no cliente o seu foco central, uma vez que o produto/serviço/processo é desinado a ele. É do cliente que virá o feedback essencial para os ajustes necessários. Essa interação conínua com os clientes, a parir do MVP e/ou protóipo, permite que o empreendedor reine sua modelagem de negócio até alcançar a resoluividade desejada. 115 REFERÊNCIAS BLANK, S. Why the lean start-up changes everything. Harvard Business Review, Canadá, maio 2013. Disponível em: htps://www.semanicscholar.org/paper/Why-the-Lean-Start-Up-Changes-Everything- Blank/cca9c1c15617dc1e194771b49c9c69903221d14. Acesso em: 2 fev. 2024. COPELLI, F. H. S.; ERDMANN, A. L.; SANTOS, J. L. G. Entrepreneurship in Nursing: an integraive literature review. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 72, p. 289-298, 2019. Disponível em: htps:// www.scielo.br/j/reben/a/PtQmTrvD78fnqTgN5frVvLQ/?lang=pt#. Acesso em: 2 fev. 2024. GOMES, Tallis. Nada easy. Editora Gente, 2020. POLAKIEWICZ, R. R. et al. Potencialidades e vulnerabilidades do enfermeiro empreendedor: uma revisão integraiva. Perspeciva Online: Biológicas & Saúde, v. 11, n. 3, p. 53-79, 2013. Disponível em: htps://ojs3.perspecivasonline.com.br/biologicas_e_saude/aricle/view/14. Acesso em: 19 fev. 2024. RIES, E. A startup enxuta: como os empreendedores atuais uilizam a inovação conínua para criar empresas extremamente bem-sucedidas. São Paulo: Editora Crown, 2012. Disponível em: htp://s- inova.ucdb.br/wp-content/uploads/biblioteca/a-startup-enxuta-eric-ries-livro-completo.pdf. Acesso em: 2 fev. 2024. SARMENTO, M. R. C.; COSTA, L. F. L. G. O papel das aceleradoras na consolidação de novas empresas de cultura empreendedora à luz da metodologia lean startup. EmpíricaBR, v. 1, n. 1, 2016. Disponível em: htps://www2.ifrn.edu.br/ojs/index.php/EmpiricaBR/aricle/view/4437. Acesso em: 13 fev. 2024. SEBRAE. Protóipo e MVP. Disponível em: htps://sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/ufs/pr/arigos/ protoipo-e-mvp,6e3fcfda70d8d610VgnVCM1000004c00210aRCRD. Acesso em: 13 fev. 2024. SILVA, A. B. et al. Desenvolvimento de protóipo de chatbot para avaliação da maturação da ístula arteriovenosa. Acta Paulista de Enfermagem, v. 36, eAPE012322, 2023. Disponível em: htps:// acta-ape.org/wp-content/uploads/aricles_xml/1982-0194-ape-36-eAPE012322/1982-0194-ape-36- eAPE012322.pdf. Acesso em: 9 ago. 2024. TRISTÃO, F. R. et al. Mínimo produto viável para aplicaivo de apoio: gestão do cuidado de enfermagem à pele do idoso. Cogitare Enfermagem, v. 26, e74473, 2021. Disponível em: htps:// www.scielo.br/j/cenf/a/PT9MHVhfnjtzTnqKQXMTDt/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 13 fev. 2024. 116 15 AVALIAÇÃO DE TECNOLOGIAS EM SAÚDE: ABORDAGEM PARA ESTIMAR O CUSTO DE UMA TECNOLOGIA Eliete Albano de Azevedo Guimarães Introdução A avaliação consitui-se como uma ferramenta gerencial com forte impacto no campo das inovações tecnológicas em saúde, e por isso, possui múliplas concepções e uma vasta diversidade terminológica, que deinem a avaliação como a capacidade de julgar o valor ou mérito de uma intervenção (Tanaka; Tamiki; 2012; Vieira-da-Silva, 2014; Brousselle et al., 2016). Entende-se por intervenção um conjunto de ações, serviços, programas, sistemas atuando em um determinado contexto e período, com o objeivo de transformar uma situação problemáica (Champagne et al., 2016). Em se tratando de tecnologias em saúde, uma intervenção vai além dos medicamentos, equipamentos e procedimentos usados na assistência à saúde. Tecnologias em saúde são todas as formas de conhecimento que podem ser aplicadas para a solução ou a redução dos problemas de saúde de indivíduos ou de populações (Panerai; Peña-Mohr, 1989). Isso inclui os sistemas organizacionais, educacionais, de informação e de suporte, além de programas, protocolos assistenciais, insumos uilizados e produtos (Anvisa, 2021; Brasil, 2009; 2014). A avaliação dessa variedade de tecnologias, de suas consequências e de seus custos contribui para uma melhor compreensão dos problemas ideniicados e para a decisão de como resolvê-los, buscando ampliar a resoluividade da atenção à saúde e consequentemente, a qualidade de vida do indivíduo e da população (Brasil, 2009). A Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS) é apresentada como uma área mulidisciplinar de estudos que invesiga as consequências clínicas, econômicas e sociais do desenvolvimento, difusão e uso das tecnologias nos contextos de atenção em saúde. Seu propósito é informar sobre os beneícios, riscos e custos para veriicar se a tecnologia é segura, eicaz e economicamente atraiva para melhorar o processo decisório nos serviços e nas práicas de cuidado prestadas pelos proissionais (Brasil, 2009; 2014; Garcia et al., 2016; Toma et al., 2017). Para avaliar as ATS, as pesquisas avaliaivas consituem-se como ferramentas valiosas para subsidiar processos de mudança na medida em que proporcionem aos envolvidos ou interessados – direta ou indiretamente – condições para decidir como enfrentar e resolver problemas no coidiano dos serviços, transformando as ideias, as práicas e os valores (Denis, 2010; Champagne et al., 2016). Alguns princípios prioritários precisam ser considerados na ATS, como a transparência no desenvolvimento da avaliação; o envolvimento de interessados relevantes no processo avaliaivo; a existênciade mecanismos de recurso de decisão; a existência de mecanismos claros de estabelecimento de prioridades; e a existência de uma ligação clara entre avaliação e tomada de decisão (Champagne et al., 2016; Pichon-Riviere et al., 2017). Esses princípios contribuíram para avanços de métodos e técnicas importantes no campo da avaliação, tornando-a cada vez mais completa (Dubois; Champagne; Bilodeau, 2016). Neste capítulo, serão apresentadas questões concernentes a uma técnica de estudo uilizada na Avaliação Econômica em Saúde (AES). A AES pode ser deinida como um conjunto de técnicas uilizadas para ideniicar, medir e valorizar custos e resultados das intervenções de saúde, apoiando-se em duas caracterísicas principais: a análise comparaiva de duas ou mais alternaivas com a mesma inalidade e a ideniicação da relação entre custos e consequências nas diferentes opções disponíveis, pois é com base nessas informações que se podem tomar as decisões (Brasil, 2014; Drummond et al., 2015). O uso de métodos cieníicos de AES pode torná-lo mais dinâmico, evitando vieses e confusão, além de permiir a validação do mesmo (Silva; Pereira, 2016; Gonçalves; Alemão, 2018). 117 Os estudos de AES preocupam-se em responder essencialmente a dois ipos de questões: • Vale a pena invesir neste bem ou serviço de saúde tendo em conta as outras uilizações que os mesmos recursos poderiam ter se fossem aplicados noutras aividades? • Consideramos aceitável que os recursos de cuidados de saúde necessários para que este bem ou serviço de saúde possa ser prestado sejam gastos desta forma e não de um modo alternaivo? Para responder a tais questões, quatro ipos de estudos estão entre os mais adotados na AES: custo- minimização; custo-uilidade; custo-efeividade; custo-beneício (Quadro 14). A análise de custos em saúde envolve a ideniicação, quaniicação e valoração de todos os recursos usados nos cuidados de saúde. O custo de uma aividade é o valor monetário de todos os recursos organizacionais consumidos para desempenhá-la (Brasil, 2014). Quadro 14 – Tipos e caracterísicas das principais técnicas de avaliação econômica em saúde, Belo Horizonte-MG, Brasil, 2026. Tipos Custos Desfechos em saúde Vantagens Desvantagens Custo- minimização Monetários aEspera-se desempenho igual das intervenções comparadas Praicidade, pois necessita apenas mensurar custos Aplicabilidade limitada, visto serem raras as intervenções com desfechos em saúde idênicos Custo-uilidade Monetários Monetários Facilita a comparação de vários estudos, pois todos são mensurados na mesma unidade de valor Diícil valorar monetariamente os desfechos em saúde Custo- efeividade Monetários Anos de vida ganhos; dias de incapacidade evitados Uiliza desfechos concretos da práica clínica Comparação dos estudos restrita a desfechos unidimensionais e comuns aos estudos Custo-uilidade Monetários bUilidade - QUALY - DALY Considera efeitos na mortalidade e na morbidade Eventuais problemas de validação dos instrumentos para mensuração de uilidade aPor exemplo, um mesmo desempenho entre medicamento genérico e de referência. bNormalmente é aferida por meio de anos de vida ajustados pela qualidade (QUALY, quality-adjustedlifeyears) ou anos de vida ajustados pela incapacidade (DALY, disability-adjustedlifeyears). Fonte: Silva; Silva; Pereira (2016). 118 Para os estudos que se propõem esimar custos econômicos em saúde recomenda-se seguir as etapas apresentadas na Figura 18. Figura 18 – Detalhamento das etapas para esimar custos econômicos em saúde Fonte: Adaptado de Brasil (2014); Gonçalves, Alemão (2018). 119 Seja qual for o método escolhido, pressupostos como Precisão, Consistência e Generalização, devem ser observados (Quadro 15). Quadro 15 – Pressupostos a serem observados ao escolher um método para análise de custos, Belo Horizonte-MG, Brasil, 2026. Pressuposto Conceito Precisão Representa a medida em que o cálculo de custos obido relete os custos reais incorridos. Consistência Representa a validade interna e signiica que as diferenças encontradas entre as esimaivas de custos não ocorreram devido a erros na metodologia de custeio. Generalização Representa a validade externa e demonstra que o cálculo de custos obido é coniável para generalizações a outras circunstâncias. Viabilidade Abrange a disponibilidade e o acesso aos dados demonstrando o quanto o método de cálculo de custos é aplicável na práica. Fonte: Adaptado de Swantan (2014). Há de se considerar que o desenvolvimento de um estudo de análise econômica encontra barreiras, que perpassam pela deinição do método, experiência do avaliador e disponibilidade de dados para conduzir a avaliação (Hendricks et al., 2014). Baseado na técnica Custeio Baseado em Aividades (ABC), desenvolvida em 1970 (Bornia, 2002; Johnson, 1992), apresenta-se a seguir um plano para avaliar o custo de uma intervenção/produto/serviço por microcusteio. 1. Notas Metodológicas O método de custeio ABC objeiva ideniicar os gastos de uma insituição para analisar e monitorar as possíveis formas de consumo dos recursos diretamente ideniicáveis, por meio das aividades mais relevantes e destas para os produtos e serviços prestados (Nakagawa, 2001). Esse método pressupõe que as aividades consomem recursos, gerando custos, e que os produtos uilizam tais aividades, absorvendo seus custos (Bornia, 2002; Kaplan; Cooper, 2000). O método ABC é composto por algumas variáveis especíicas - aividade, tarefa, objetos de custo e direcionadores de custo (cost drivers) - que estão descritas no Quadro 16 para melhor compreensão do leitor. Quadro 16 – Descrição de variáveis especíicas do método ABC, Belo Horizonte-MG, Brasil, 2026. Variáveis Conceito Aividade Conjunto de tarefas e operações necessárias ao desempenho de uma empresa. Tarefa Trabalho realizado por pessoas, equipamentos e instalações. É o elemento mais simples da aividade. Objetos de custo Ponto inal para o qual os custos são apropriados. Pode ser um produto, um cliente, ou qualquer serviço que se queira custear, para as mais diversas inalidades. Direcionadores de custos (cost drivers) São fatores que geram ou inluenciam o nível dos gastos de uma aividade ou de um objeto de custeio. Fonte: NAKAGAWA (2001). 120 Para aplicação do ABC pode-se adotar as bases propostas por alguns autores (Kaplan; Cooper, 2000; Nakagawa, 2001), consituídas por cinco fases (Quadro 17). Quadro 17 – Fases de aplicação do Custeio ABC conforme suas inalidades, Belo Horizonte-MG, Brasil, 2026. Fase Finalidade 1 – Diagnósico situacional da unidade de análise Conhecer e analisar as informações e as experiências existentes a respeito da insituição/ intervenção/produto a ser avaliado. 2 – Ideniicação das aividades geradoras de custos Ideniicar as aividades e as tarefas mais relevantes, bem como os direcionadores de recursos e os objetos de custos. 3 – Custeio das aividades Mensurar os custos envolvidos na execução das aividades. 4 – Custeio dos objetos de custo Mensurar os custos dos “objetos de custos”. 5 – Análise de sensibilidade Ideniicar a inluência dos principais direcionadores de custos. Fonte: adaptado de Kaplan; Cooper (2000); Nakagawa (2001). 1.1 Diagnóstico situacional da unidade de análise Nessa fase, propõe-se a análise de documentos disponíveis (como: portarias, normas técnicas, manuais, relatórios e materiais de divulgação), do processo de trabalho e da revisão de literatura cieníica, para construção do modelo teórico e compreensão do funcionamento do objeto de avaliação. 1.2 Ideniicação das aividades geradoras de custos A parir das informações levantadas no diagnósico situacional, deve-se mapear as principais aividades geradoras de custo, com descrição detalhada de cada uma delas, as tarefas realizadas em cada uma das aividades, bem como as respecivas medidas de consumo. Exemplo: Aividades Descrição Das Tarefas Medidas De Consumo 1 - Supervisão de Enfermagem Programare controlar a escala da equipe de Enfermagem Avaliar o desempenho da Enfer- magem. Horas trabalhadas do supervisor 1.3 Custeio das aividades Nessa fase, busca-se ideniicar os dados inanceiros sobre os gastos envolvidos na execução das aividades no período considerado para a avaliação (marco temporal). Deve-se considerar dados de departamento pessoal, contabilidade, almoxarifado, patrimônio e outros, no intuito de ideniicar e medir os recursos consumidos e, depois alocá-los às aividades, estabelecendo uma relação entre os recursos e as aividades, por meio de direcionadores de recursos ou de custos (cost drivers). 121 Exemplo: Recursos Uso dos Recursos Direcionadores Gastos com RH Salários e encargos Nº de horas trabalhadas 1.4 Custeio dos objetos de custo Nessa fase, busca-se determinar o custo de cada aividade de acordo com seu respecivo direcionador. No exemplo anterior, para o recurso “gastos com RH”, será preciso calcular o valor da hora trabalhada para a execução da aividade a ser custeada. Para cada aividade geradora de custo ideniicada na fase 2 será preciso determinar o custo, baseando-se nos direcionadores gerados na fase 3. Dessa forma, chegar-se-á ao custo total do objeto de avaliação. Exemplo: Aividade Direcionadores Custeio Supervisão de Enfermagem Nº de horas trabalhadas (dia, mês ou ano) 1º - Determinar o número de horas empenhadas para esta aividade. 2º - Calcular o custo/hora, dividindo o custo do trabalhador pelo número de horas gastas na aividade. 3º - Calcular o custo da aividade, muliplicando o custo hora pelo número de horas empenhadas para a aividade. 1.5 Análise de sensibilidade Nessa fase, busca-se ideniicar a inluência das principais categorias no custo inal, bem como analisar as variações dos desfechos. Recomenda-se para isso, uilizar análises estaísicas e sotwares que possibilitem melhor precisão do impacto dos direcionadores no custo inal e a análise por meio de cenários (mínimo e máximo) para avaliar as variações de custo, possibilitando ao tomador de decisão maior visão dos gastos. Exemplo: Caso o pesquisador esteja avaliando o custo de uma intervenção, onde vários itens (recursos humanos, equipamentos, serviços) esiverem sendo mensurados, a análise de sensibilidade irá estabelecer o nível de inluência que cada item terá sobre o custo total da intervenção, além de demonstrar valores para cenários de variações mínimas e máximas de custos. Dessa forma, o gestor poderá analisar as possibilidades e decidir, a parir desses cenários, onde alocar recursos. Considerações Finais Espera-se que este capítulo esimule o debate sobre a necessidade de metodologias de avaliação que possibilitem invesigar para além de resultados de intervenções, que sejam capazes de explorar a relação entre a inovação tecnológica e os seus custos. Esse roteiro pode apoiar futuras avaliações de custo por microcusteio de tecnologias desenvolvidas pelos proissionais de Enfermagem no Brasil. 122 REFERÊNCIAS AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Resolução RDC Nº 509, de 27 de maio de 2021: Dispõe sobre o gerenciamento de tecnologias em saúde em estabelecimentos de saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2021. BORNIA, A. C. Análise gerencial de custos: aplicação em empresas modernas. Porto Alegre: Bookman, 2002. BRASIL. Avaliação de tecnologias em saúde: ferramentas para a gestão do SUS. Brasília: Ministério da Saúde, Secretaria-Execuiva, Área de Economia da Saúde e Desenvolvimento, 2009. ______. Diretrizes metodológicas: Diretriz de Avaliação Econômica. 2. ed. Brasília: Ministério da Saúde, Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos, Departamento de Ciência e Tecnologia, 2014. ______. Instrução Normaiva nº 44, de 13 de fevereiro de 2014. Insitui o Comitê Permanente de Regulação da Atenção à Saúde no Âmbito da ANS. Brasília: Agência Nacional de Saúde Suplementar, 2014. BROUSSELLE, A. et al. Avaliação em saúde: conceitos e métodos. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2016. 2ª reimpressão. CHAMPAGNE, F. et al. A Avaliação no Campo da Saúde: conceitos e métodos. In: BROUSSELLE, A. et al. (Ed.). Avaliação em saúde: conceitos e métodos. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2016. p. 41-60. 2ª reimpressão. DENIS, J. L. Insitucionalização da avaliação na administração pública. Revista Brasileira de Saúde Materno Infanil, v. 10, supl. 1, p. 229-333, 2010. DUBOIS, C. A.; CHAMPAGNE, F.; BILODEAU, H. Histórico da Avaliação. In: BROUSSELLE, A. et al. (Ed.). Avaliação em saúde: conceitos e métodos. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2016. p. 19-39. 2ª reimpressão. DRUMMOND, M. F. et al. Methods for the economic evaluaion of health care programmes. 4. ed. Oxford: Oxford University Press, 2015. GARCIA, G. F. et al. Diretriz metodológica para estudos de avaliação econômica de tecnologias em saúde no Brasil. Journal of Brazilian Economic Health, v. 8, n. 3, p. 174-184, 2016. GONÇALVES, M. A.; ALEMÃO, M. M. Avaliação econômica em saúde e estudos de custos: uma proposta de alinhamento semânico de conceitos e metodologias. Revista Médica de Minas Gerais, v. 28, supl. 5, p. 185-196, 2018. HENDRIKS, M. E. et al. Step-by-step guideline for disease-speciic cosing studies in low-and middle- income countries: a mixed methodology. Global Health Acion, v. 7, n. 1, p. 1-10, 2014. JOHNSON, H. T. Its ime to stop overselling acivity-based concepts. Management Accouning, p. 26- 35, 1992. 123 KAPLAN, R. S.; COOPER, R. Custo & Desempenho: Administre Seus Custos para Ser Mais Compeiivo. São Paulo: Futura, 2000. NAKAGAWA, M. ABC: custeio baseado em aividades. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2001. PANERAI, R. B.; PEÑA-MOHR, J. Health technology assessment methodologies for developing countries. Washington: PAHO, 1989. PICHON-RIVIERE, A. et al. Evaluación de tecnologias sanitarias para la toma de decisiones en Lainoamérica: principios de buenas prácicas. Revista Panamericana de Salud Pública, v. 41, p. 1-8, 2017. SILVA, E. N.; SILVA, M. T.; PEREIRA, M. G. Estudos de avaliação econômica em saúde: deinição e aplicabilidade aos sistemas e serviços de saúde. Epidemiologia e Serviços de Saúde, v. 25, n. 1, p. 205-207, 2016. SILVA, H. P.; ELIAS, F. T. S. Incorporação de tecnologias nos sistemas de saúde do Canadá e do Brasil: perspecivas para avanços nos processos de avaliação. Cadernos de Saúde Pública, v. 35, supl. 2, p. 1-14, 2019. TANAKA, O. Y.; TAMAKI, E. M. O papel da avaliação para a tomada de decisão na gestão de serviços de saúde. Ciência & Saúde Coleiva, v. 17, n. 4, p. 821-828, 2012. TOMA, T. S. et al. (orgs). Avaliação de tecnologias de saúde & políicas informadas por evidências. São Paulo: Insituto de Saúde, 2017. 456 p. VIEIRA-DA-SILVA, L. M. Avaliação e políicas e programas de saúde. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2014. 110 p. 124 16 ESTRATÉGIAS DE MARKETING Fábio da Costa Carbogim Introdução Na literatura, várias são as deinições para markeing, uma palavra inglesa que em tradução livre signiica mercadologia ou estudo do mercado com o objeivo de atender ao consumidor. Para Kotler, Shalowitze Stevens (2010, p. 24), o markeing é entendido como “um conjunto de processos para criar, comunicar e fornecer valor para clientes e para gerenciar as relações com clientes de modo que beneiciem a organização e os principais envolvidos”. Desse modo, o markeing relaciona-se com uma série de aividades que reúne pessoas e organizações com o objeivo de entender, criar e trocar valores que contemplem consumidores especíicos e/ou a sociedade em geral (Ferreira et al., 2017). O markeing em saúde corresponde a um conjunto de estratégias e táicas para promover os serviços de saúde, conscienizar a comunidade sobre questões de saúde relevantes e estabelecer uma presença efeiva no setor. Isso envolve ideniicar o público-alvo; desenvolver mensagens educacionais; manter uma presença online estratégica; criar conteúdo relevante; implementar programas de idelidade; destacar testemunhos e históriasda enfermagem, um objeivo que deve ser de toda a categoria. Embora seja importante o reconhecimento da competência do enfermeiro na ciência do cuidado, os enfermeiros precisam, agora, expandir também suas habilidades empreendedoras e explorar novas oportunidades de atuação no campo da saúde. O convite deste livro é para que você, proissional da enfermagem, vá além da ciência do cuidado e explore também seu potencial empreendedor, contribuindo não apenas para o seu próprio crescimento, mas também para o avanço conínuo da enfermagem como uma proissão dinâmica e essencial na promoção, prevenção, tratamento, reabilitação da saúde da população, qualidade e segurança da assistência à saúde. Esperamos que esta jornada de descobertas sobre o empreender na enfermagem traga crescimento proissional e seja tão graiicante para você quanto foi para cada um dos autores, que dedicaram tempo e experise para elaborar esta obra. Os enfermeiros, com sua formação práica e cieníica, além de sua capacidade única de entender as necessidades dos pacientes, estão perfeitamente posicionados para preencher essas lacunas no mercado. Portanto, o baixo número de enfermeiros empreendedores deve ser visto como uma janela de oportunidades não apenas para o crescimento da proissão, mas também para a melhoria da qualidade de vida das pessoas que precisam de cuidados de saúde. 16 REFERÊNCIAS ALTMAN, M.; BRINKER, D. Nursing social entrepreneurship leads to posiive change. Nursing Management, [S.l.], v. 47, n. 7, p. 28-32, 2016. Disponível em: htps://pubmed.ncbi.nlm.nih. gov/27351119/. Acesso em: 22 jun. 2024. BRASIL. Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986. Dispõe sobre a regulamentação do exercício da enfermagem e dá outras providências. Diário Oicial da União: seção 1, Brasília, DF, 26 jun. 1986. Disponível em: htp://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L7498.htm. Acesso em: 22 jun. 2024. CARVALHO, D. P. et al. Caracterísicas empreendedoras de enfermeiras: um estudo no sul do Brasil. Revista Baiana de Enfermagem, Salvador, v. 30, n. 4, p. 1-11, 2016. Disponível em: htps://pesquisa. bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-1029981. Acesso em: 22 jul. 2024. CHAGAS, S. C. et al. O empreendedorismo de negócios entre enfermeiros. Revista Enfermagem UERJ, Rio de Janeiro, v. 26, e31469, 2018. Disponível em: htps://www.e-publicacoes.uerj.br/ enfermagemuerj/aricle/view/31469. Acesso em: 13 set. 2024. COLICHI, R. M. B.; LIMA, S. A. M. Empreendedorismo na enfermagem: comparação com outras proissões da saúde. Revista Eletrônica de Enfermagem, Goiânia, v. 20, e49358, 2018. Disponível em: htps://revistas.ufg.br/fen/aricle/view/49358. Acesso em: 10 jan. 2024. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (Cofen). Resolução Cofen nº 567, de 9 de novembro de 2017. Aprova o novo Código de Éica dos Proissionais de Enfermagem. Brasília, DF: Cofen, 2017. Disponível em: htp://www.cofen.gov.br/resolucao-cofen-no-5642017_59145.html. Acesso em: 10 jan. 2024. ______. Resolução Cofen nº 568, de 9 de fevereiro de 2018. Aprova o Regulamento dos Consultórios de Enfermagem e Clínicas de Enfermagem. Brasília, DF: Cofen, 2018. Disponível em: htps://www. cofen.gov.br/wp-content/uploads/2018/02/RESOLUCAO-COFEN-568-2018.pdf. Acesso em: 22 jul. 2024. COPELLI, F. H. S.; ERDMANN, A. L.; SANTOS, J. L. G. Empreendedorismo na enfermagem: revisão integraiva da literatura. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília, DF, v. 72, p. 301-310, 2019. Disponível em: htps://www.scielo.br/j/reben/a/PtQmTrvD78fnqTgN5frVvLQ/?lang=pt. Acesso em: 10 jan. 2024. JAKOBSEN, L. et al. Entrepreneurship and nurse entrepreneurs lead the way to the development of nurses’ role and professional idenity in clinical pracice: a qualitaive study. Journal of Advanced Nursing, [S.l.], v. 77, n. 10, p. 4142-4155, 2021. Disponível em: htps://onlinelibrary.wiley.com/ doi/10.1111/jan.14950. Acesso em: 10 jan. 2024. NASCIMENTO FILHO, H. M. et al. Enfermeiro: ator no empreendedorismo social. Revista Nursing, [S.l.], v. 24, n. 279, p. 6063-6068, 2021. Disponível em: htps://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/ pt/biblio-1343583. Acesso em: 22 jul. 2024. REPORTLINKER. Relatório do mercado global de serviços de saúde 2022. [S.l.], 2022. Disponível em: htps://www.globenewswire.com/news-release/2022/02/11/2383671/0/en/Healthcare-Services- Global-Market-Report-2022.html. Acesso em: 10 set. 2024. REPORTLINKER. Visão geral do mercado de saúde no Brasil. [S.l.], 2024. Disponível em: htps:// member.reportlinker.com/next/. Acesso em: 15 jul. 2025. 17 1 DESAFIOS DO EMPREENDEDORISMO DE NEGÓCIOS EM ENFERMAGEM Ricardo Bezerra Cavalcante, PhD, RN Introdução O empreendedorismo de negócios em enfermagem é um fenômeno crescente que se destaca pela iniciaiva de enfermeiros em criar e gerenciar empreendimentos relacionados à saúde. Envolve a aplicação de habilidades clínicas, liderança e visão empresarial para desenvolver soluções inovadoras que atendam às necessidades dos pacientes e do sistema de saúde (Chagas et al., 2018). Nesse contexto, nfermeiros empreendedores não apenas prestam cuidados diretos, mas também buscam oportunidades para criar valor e impactar posiivamente suas comunidades (Neergård, 2021). No mundo e no Brasil, o empreendedorismo de negócios em enfermagem desempenha um papel crucial na melhoria dos serviços de saúde. Em um cenário global, a escassez de recursos e as crescentes demandas por cuidados de saúde exigem novas abordagens e modelos de negócios inovadores (Thepna; Cochrane; Salmon, 2023; Copelli; Erdmann; Santos, 2019). No Brasil, um país marcado por desigualdades socioeconômicas e desaios estruturais no sistema de saúde, o empreendedorismo em enfermagem pode oferecer soluções adaptadas às necessidades locais, promovendo acesso equitaivo e qualidade nos serviços de saúde (Menegaz et al., 2023). Entretanto, é fundamental reconhecer os desaios enfrentados pelos enfermeiros empreendedores no Brasil. Questões como burocracia excessiva, carga tributária elevada, acesso limitado a inanciamento e falta de suporte insitucional podem representar barreiras signiicaivas para o desenvolvimento e sustentabilidade dos empreendimentos em saúde. Além disso, a necessidade de enfrentar a resistência cultural e a falta de reconhecimento do papel do enfermeiro como empreendedor são desaios adicionais que demandam atenção e ação estratégica (Menegaz et al., 2023). Diante desse contexto, é imperaivo que se considere não apenas as oportunidades, mas também os desaios enfrentados pelo empreendedorismo de negócios em enfermagem no Brasil. Somente por meio do reconhecimento e enfrentamento desses obstáculos será possível promover um ambiente propício ao crescimento e desenvolvimento dos empreendimentos liderados por enfermeiros, contribuindo assim para uma prestação de cuidados de saúde mais eicaz, inclusiva e sustentável. Empreendedorismo de negócios na enfermagem: desaios estruturais, culturais e econômicos O empreendedorismo de negócios em enfermagem no Brasil enfrenta uma série de desaios complexos e mulifacetados, releindo uma interação entre fatores estruturais, socioeconômicos e culturais. Um dos principais desaios é a burocracia excessiva e a carga tributária elevada (Silva, 2021). O processo de abertura e manutenção de um negócio no Brasil é frequentemente marcado por uma complexa e demorada burocracia, exigindo uma série de documentos, registros e procedimentos legais que consomem tempo e recursos consideráveis dos empreendedores. Além disso, a carga tributária elevada no país pode representar um peso signiicaivo sobre os lucros das empresas, reduzindo a capacidade de reinvesimento e crescimento (Silva, 2021). No âmbito da documentação, garanir a segurança e o cumprimento dos aspectos éicos também se apresenta como um desaio fundamental, especialmente em uma área como a enfermagem, que lida diretamente com a saúde e a vida das pessoas. Barreto et al. (2019) destacam que os registros de enfermagem devem ser completos e bem elaborados,de sucesso; realizar campanhas de conscienização; e paricipar de eventos e parcerias comunitárias. (Kotler, 2019; Navarro e Oliveira, 2022). Cabe destacar que a comunicação transparente e centrada no paciente é fundamental para construir coniança e relacionamentos duradouros. 1. O Markeing e as necessidades em saúde Tomando por base a Teoria das Necessidades Humanas de Maslow, compreendemos que à medida que as necessidades surgem e/ou expandem, aparecem novas demandas a serem supridas. Nesse senido, são consideradas demandas humanas em Maslow (Chiavenato, 2016; Lucieto, et al., 2015): necessidades isiológicas (respiração, comida, água, homeostase, excreção); necessidade de segurança (corpo, emprego, família, saúde, propriedade); necessidades de relacionamento (família, amigos, rede de apoio); necessidade de esima (coniança, autoesima, conquista, respeito); e realização pessoal (moralidade, criaividade, espontaneidade, solução de problemas, autodesenvolvimento). Na área de saúde, a compreensão das necessidades humanas e seus níveis de prioridade permite planejar e tomar decisões a parir do valor suscitado pelos consumidores (Lucieto, et al., 2015). Nesse senido, o markeing é uma ferramenta de gestão de uma organização ou serviço que, internamente, aumenta a saisfação e compromeimento e, externamente, ideliza os consumidores (Rodrigues, Queirós e Pires, 2016). 2. Variações suscintas de markeing e a interação entre o ambiente interno e externo dos serviços de saúde De acordo com Lucieto et al. (2015), na área de saúde, podemos encontrar quatro modalidades do markeing: serviços, relacionamento, social e digital. O markeing de serviços na área de saúde atende às demandas desse segmento da economia, ou seja, a saúde. Em sua maioria envolve o markeing externo (propor ações para promover o negócio e alcançar o maior número de clientes interessados); markeing interno (promover os colaboradores de modo que se envolvam e engajem na proposta da empresa/serviço) e markeing interaivo ou de relacionamento (oferecer um bom atendimento e oferecer um ambiente agradável para o trabalho) (Lucieto et al., 2015). 125 O markeing de relacionamento busca desenvolver a idelização do cliente por meio de vantagens compeiivas sustentáveis e diferenciação entre os concorrentes. Envolve três pilares para o engajamento de um usuário ou paciente e a criação de valor: coniança, saisfação e lealdade (Demo et al., 2021). O markeing social tem por objeivo atrelar a ideia da empresa/serviço a valores sociais que buscam eliminar ou diminuir desigualdades e danos à sociedade, como em relação aos aspectos de higiene, educação, nutrição, trabalho, dentre outros. Um exemplo na área de saúde seria um hospital oncológico realizar a doação de perucas para mulheres em tratamento para o câncer (Kotler, 2019). O markeing digital está atrelado às mídias sociais que veiculam propagandas e publicidade. Logo, o markeing digital representa um conjunto de aividades online com o objeivo de atrair clientes, promover relacionamentos e divulgar a marca ou produto (Lucieto et al., 2015). As estratégias de markeing digital na área da Enfermagem são adaptáveis e podem ser ajustadas de acordo com as necessidades especíicas da clínica, do proissional de Enfermagem ou da organização de saúde. O objeivo é criar uma presença online sólida, educaiva e envolvente para atender às necessidades da comunidade e estabelecer coniança (Navarro; Oliveira, 2022). A uilização de plataformas como Facebook, Instagram, LinkedIn, além da realização de webinars ao vivo para comparilhar conteúdo relevante, noícias de saúde, dicas de autocuidado e promover eventos e serviços, são alguns exemplos. As quatro modalidades de markeing não atuam de forma isolada, mas se complementam e funcionam de forma interligada, principalmente com o advento da internet, que encurtou distâncias e aproximou as pessoas. Porém, há uma tendência nas mídias sociais em possibilitar e propagar o markeing pessoal, uma ferramenta para a autopromoção com o objeivo de se destacar no âmbito proissional e inluenciar pessoas (Andrade; Cavalcante; Apostólico, 2017). O markeing pessoal é entendido como a capacidade de exercer a prerrogaiva compeiiva, apoiado na divulgação das próprias habilidades para alcançar o reconhecimento (Pereira; Leite-Filho, 2015). Na Enfermagem, não é diferente. A busca pelo sucesso pessoal e profissional tem levado Enfermeiros a apresentarem seus conhecimentos e habilidades para centenas e até milhares de pessoas. Isso foi visto na história recente, a parir da crise humanitária e sanitária provocada pela pandemia da Covid-19. Nesse contexto, a Enfermagem ganhou visibilidade em diversos meios de comunicação, com destaque para recuperação da saúde dos pacientes infectados, para seu papel na vacinação em massa e orientações para prevenção da doença (Navarro; Oliveira, 2022). Contudo, diante da grande circulação de informações nas redes sociais, torna-se premente, além de habilidades e conhecimento baseado em evidências cieníicas, o compromisso éico-legal. A im de preservar os preceitos da Enfermagem e garanir a integridade e saúde de terceiros, cabe ao proissional de Enfermagem inteirar-se das orientações e legislações perinentes (Andrade; Cavalcante; Apostólico, 2017). Um markeing bem feito pode ser um grande diferencial para o proissional que atua ou pretende atuar de forma autônoma. No entanto, é preciso atentar-se para os aspectos ético-legais que norteiam a divulgação. De acordo com o Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem (Resolução Cofen nº 564/2017), o profissional é proibido de anunciar qualiicações ou títulos que não possa comprovar (Cofen, 2017). Com o propósito de estabelecer regras, critérios e condutas em meios de comunicação em massa, o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) publicou a Resolução Cofen nº 554/2017. Dentre outras diretrizes, ica vedado ao proissional de Enfermagem associar seu nome a matérias desprovidas de rigor cieníico, oferecer tratamentos e resultados sem comprovação cieníica, expor imagem de pacientes sem o devido cuidado e autorização. Em caso de dúvidas, cabe ao proissional de Enfermagem consultar o Conselho Regional de Enfermagem ou, quando necessário, o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen, 2017). 126 Aspectos legais relacionados à exposição de imagens e ao sigilo proissional também estão descritos no arigo 5º da Consituição Federal, que garante o direito dos cidadãos à privacidade, no arigo 20º do Código Civil brasileiro que insitui regras para a publicação, a exposição ou a uilização da imagem de uma pessoa e no arigo 154 do Código Penal que versa sobre a violação do segredo proissional (Brasil, 1940; Brasil, 1988; Brasil, 2002). Considerações Finais Considera-se que um assessoramento proissional sobre aspectos éicos e legais pode auxiliar no markeing pessoal e proissional. Além disso, a realização de cursos ou treinamentos sobre comunicação eicaz, liderança, empreendedorismo e ferramentas do markeing são recursos importantes para agregar valor ao trabalho oferecido e fortalecer a imagem proissional. O markeing na Enfermagem pode enfrentar desaios especíicos, como regulamentações rigorosas, incluindo leis do exercício proissional, padrões éicos, diretrizes de publicidade, respeito à dignidade e à privacidade dos pacientes e à integridade proissional. A concorrência com grandes insituições de saúde, a necessidade de educar o público e a gestão da reputação online são desafios adicionais. 127 REFERÊNCIAS ANDRADE, J. B.; CAVALCANTE, M. B.; APOSTÓLICO, M. R. Markeing pessoal e enfermagem: projeção para visibilidade social do enfermeiro. Enfermagem em Foco, v. 8, n. 1, p. 82-86, 2017. Disponível em: htp://revista.cofen.gov.br/index.php/enfermagem/aricle/view/946. Acesso em: 18 jan. 2023. BRASIL. Consituição da República Federaiva do Brasil. Brasília: Senado Federal, 1988. Disponível em: htps://www.planalto.gov.br/ccivil_03/consituicao/consituicao.htm.Acesso em: 18 jan. 2023. ______. Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940. Dispõe sobre o Código Penal. Diário Oicial da União, Seção 1, 31 dez. 1940, p. 23911. Disponível em: htps://www2.camara.leg.br/legin/fed/ declei/1940-1949/decreto-lei-2848-7-dezembro-1940-412868-publicacaooriginal-1-pe.html. Acesso em: 18 jan. 2023. ______. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Insitui o Código Civil. Brasília: Senado Federal, 2002. Disponível em: htps://www.cvg.org.br/adm/upload/cvg-codigo-civil-brasileiro---lei-10406--- 2002---compilada-15921860015ee6d491d2eeb.pdf. Acesso em: 18 jan. 2023. CHIAVENATO, I. Administração de recursos humanos: fundamentos básicos. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2016. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Resolução COFEN nº 554, de 17 de julho de 2017. Estabelece os critérios norteadores das práicas de uso e de comportamento dos proissionais de enfermagem em meios de comunicação. Brasília: COFEN, 2017. Disponível em: htp://www.cofen.gov. br/resolucao-cofen--no-05542017_53838.html. Acesso em: 18 jan. 2023. ______. Resolução COFEN nº 564, de 6 de novembro de 2017. Aprova o novo Código de Éica dos Proissionais de Enfermagem. Brasília: COFEN, 2017. Disponível em: htp://www.cofen.gov.br/ resolucao-cofen-no-5642017_59145.html. Acesso em: 18 jan. 2023. DEMO, G. et al. Markeing de relacionamento no mercado de consumo: peril da produção cieníica e agenda de pesquisa. Journal of Research of Future Studies, v. 13, n. 2, p. 179-202, 2021. DOI: 10.24023/FutureJournal/2175-5825/2021.v13i2.569. Disponível em: htps://futurejournal.org/FSRJ/ aricle/view/569. Acesso em: 18 dez. 2022. FERREIRA, P. et al. Manual de gestão de markeing: da teoria à ação. 1. ed. Faro: Sílabas & Desaios, 2017. KOTLER, P.; SHALOWITZ, J.; STEVENS, R. J. Markeing estratégico para a área da saúde. Porto Alegre: Bookman, 2010. KOTLER, P. T. et al. Markeing social. São Paulo: Saraiva Educação, 2019. LUCIETTO, D. et al. Markeing para a saúde: conceitos, possibilidades e tendências. Revista Tecnológica, v. 3, n. 2, p. 30-50, 2015. NAVARRO, F.; OLIVEIRA, R. N. G. A representação das enfermeiras na mídia antes e durante a pandemia da COVID-19 no Brasil. Enfermagem em Foco, p. 1-8, 2022. Disponível em: htp:// biblioteca.cofen.gov.br/wp-content/uploads/2022/10/representacao-enfermeiras-midia-antes- durante-pandemia-covid-19-brasil.pdf. Acesso em: 18 jan. 2023. 128 PEREIRA, E. S.; LEITE-FILHO, G. A. A inluência do markeing no peril do proissional contábil. Pensar Contábil, v. 5, n. 15, 2015. Disponível em: htps://revistas.face.ufmg.br/index.php/ contabilidadevistaerevista/aricle/view/212. Acesso em: 18 jan. 2023. RODRIGUES, A.; QUEIRÓS, A.; PIRES, C. A inluência do markeing interno nas aitudes e comportamentos dos colaboradores: aplicação a uma organização de cuidados sociais e de saúde. Revista Portuguesa de Saúde Pública, v. 34, n. 3, p. 292-304, 2016. Disponível em: htps:// ubibliorum.ubi.pt/bitstream/10400.6/6539/1/4896_9705.pdf. Acesso em: 18 jan. 2023. 129 17 PRONTUÁRIO: ASPECTOS ÉTICOS E LEGAIS QUE ENVOLVEM OS REGISTROS DE ENFERMAGEM Lucielena Maria de Sousa Garcia Soares Introdução Embora a assistência à saúde não seja privaiva de nenhuma proissão, a assistência de Enfermagem é privaiva da proissão Enfermagem, conforme consta na alínea j, do Inciso I, do Arigo 11 da Lei nº 7.498/1986, que define a prescrição da assistência de Enfermagem como privaiva do Enfermeiro. (Brasil, 1986). Para que haja segurança e qualidade na assistência de Enfermagem há a necessidade de registro no prontuário. Em 2016, o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), por meio da Resolução nº 514, aprovou o Guia de Recomendações para registros de Enfermagem no prontuário do paciente (Cofen, 2016). O registro em prontuário refere-se ao procedimento proissional de anotar informações provenientes do processo de atendimentos de modo cronológico e sistemaizado. (Bombarda et al., 2022). Massad, Marin e Azevedo (2003, p. 2) revelam que Florence Nighingale, precursora da Enfermagem Moderna, quando tratava feridos na Guerra da Crimeia (1853-1856) já relatava que a documentação das informações relaivas aos doentes é de fundamental importância para a coninuidade dos cuidados ao paciente, principalmente no que se refere à assistência de Enfermagem (Silva, 2021). Para o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), os registros realizados no prontuário do paciente são considerados como um documento legal de defesa dos proissionais, devendo, portanto, estar imbuídos de autenicidade e de signiicado legal. Eles reletem todo o empenho e força de trabalho da equipe de Enfermagem, valorizando, assim, suas ações e a segurança do paciente (Cofen, 2016). O registro de caracterísicas individuais dos usuários, bem como a consolidação dos dados relaivos a agravos e serviços de saúde por atributos de pessoas, grupos e populações, em níveis municipal, regional, estadual e nacional, também podem ser registrados por meio de tecnologia. No Sistema Único de Saúde (SUS), esse processo é chamado de Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP) (Toledo, 2020). Com o desenvolvimento da informáica e suas tecnologias em diversas áreas, houve uma disseminação de prontuários eletrônicos para o registro e o acompanhamento das aividades realizadas pelo proissional ao paciente no setor da saúde (Benício, 2020). 1. Prontuário Houaiss (2009) relata que a palavra “prontuário” tem origem no laim promptuarium e signiica “lugar onde são guardadas coisas de que se pode precisar a qualquer momento”, “manual de informações úteis” ou, ainda, “icha que contém os dados perinentes de uma pessoa” (Silva, 2021). O Arigo 1º, da Resolução nº 1.638/2002 do Conselho Federal de Medicina (CFM) deine o prontuário como o documento único, consituído de um conjunto de informações, sinais e imagens registradas, geradas a parir de fatos, acontecimentos e situações sobre a saúde do paciente e a assistência a ele prestada. Trata-se de um documento de caráter legal, sigiloso e cieníico, que possibilita a comunicação entre membros da equipe muliproissional e a coninuidade da assistência prestada ao indivíduo (CFM, 2002). 130 Em 2022, o Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP) deiniu o prontuário como todo o acervo documental padronizado, organizado e conciso, referente ao registro de cuidados prestados ao paciente por todos os proissionais envolvidos na assistência de Enfermagem (Coren-SP, 2022). Para Silva Va (2019), o prontuário é um espaço de centralização das informações e da progressão do paciente. Por isso, as informações registradas devem receber a devida atenção de todos os proissionais envolvidos (Apud Gomes, 2020). O Ministério da Saúde (MS) lançou, em 2013, o sistema e-SUS Atenção Básica (e-SUS AB), uma estratégia de informaização da Atenção Primária à Saúde (APS), na qual todas as informações referentes aos pacientes icam armazenadas (Brasil, 2013). O Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC), que faz parte dos sistemas e-SUS AB, é um sotware que contempla informações detalhadas e individualizadas para cada usuário da Atenção Básica à Saúde (ABS) (Silva et al., 2022). Em 2018, a Lei nº 13.787, que dispõe sobre a digitalização e a utilização de sistemas informatizados para a guarda, o armazenamento e o manuseio do prontuário de paciente. O Art. 4º da referida lei estabelece que “Os meios de armazenamento de documentos digitais deverão protegê-los do acesso, do uso, da alteração, da reprodução e da destruição não autorizados” (Brasil, 2018). Existem vantagens do prontuário eletrônico em relação ao prontuário ísico, relacionadas à segurança e coniabilidade, disponibilidade, legibilidade, armazenamento, integralidade (Nunes Junior, 2021). Constam no Quadro 18 algumas das vantagens e desvantagens para o uso do prontuário ísico e eletrônico. Quadro 18 – Vantagens e Desvantagens dos Prontuários Físico e Eletrônico, Belo Horizonte-MG, Brasil, 2026. Prontuário Vantagens Desvantagens Físico - Simples manuseio.- Dispensa treinamentos especíicos - Arcaicos, podem ser inelegíveis, frágeis. - Susceível a ataques de insetos e roedores, incêndios, enchentes ou furtos. - Riscos de perdas. - Indisponíveis, consultas em um único local e só podem ser uilizados por um proissional por vez. - Espaço ísico para armazenamento com salas de venilação e controle de umidade. - Requer sistema de segurança como câmeras, equipes exclusivas, senhas e chaves 131 Eletrônico - Requer treinamento especíico e apoio da equipe da Tecnologia da Informação. - Integralidade: os dados se mantêm na forma original e só serão apagados ou alterados com a permissão do proprietário da informação. - Conidencialidade: dados protegidos e acessíveis apenas para pessoas autorizadas. - Disponibilidade: acesso sempre que necessário de qualquer disposiivo como tablet, celular, notebook. - Armazenamento: hardware e nuvem, mais seguro e menos espaço. - Pode ser criptografado - Ataque de hackers. - Esquecer o sistema logado. - Perda do hardware. Fonte: Elaborado pelo autor com base em Nunes Junior (2021). 2. Sobre Registros e Anotações de Enfermagem Santos e Damian (2017) declaram que a informação de registro médico e de Enfermagem no prontuário é considerada relevante no contexto de uma unidade de saúde, pois auxilia diretamente no processo de atendimento (Silva, 2021). Consta na Resolução Cofen nº 429/2012 que o prontuário do paciente e outros documentos próprios da Enfermagem, independente do meio de suporte, tradicional (papel) ou eletrônico, são uma fonte de informações clínicas e administraivas para tomada de decisão e um meio de comunicação comparilhado entre os proissionais da equipe de saúde (Cofen, 2012). O Guia de Recomendações para Registro de Enfermagem no Prontuário do Paciente e Outros Documentos de Enfermagem, lançado pelo Cofen em 2016, orienta de forma detalhada sobre os mais variados registros de ações de Enfermagem que são realizadas diuturnamente por Enfermeiros, Técnicos e Auxiliares de Enfermagem (Cofen, 2016). São alguns exemplos: Exemplo 01: Admissão (equipe de Enfermagem) Anotar nome completo, data e hora, procedência, como chegou (deambulando, cadeira de rodas, maca), nível de consciência, se acompanhado ou só, condições de higiene, presença de lesões prévias e sua topograia, uso de próteses e órteses, moivo da internação, procedimentos realizados, pertences do paciente, orientações feitas pelo proissional seguido de carimbo e assinatura do proissional que realizou a admissão. Exemplo 02: Manejo da dor (Enfermeiro) Escrever data e hora da avaliação, localização da dor, escala de dor uilizada com valor do score, presença de edema, distensão abdominal, condutas tomadas para alívio da dor, carimbo e assinatura do Enfermeiro. 132 A Resolução Cofen de nº 545/2017, que dispõe sobre anotação de Enfermagem e mudança nas siglas das categorias proissionais, traz todas as informações necessárias para anotações de Enfermagem, incluindo o nome completo do proissional, categoria proissional, número de registro do proissional no Conselho Regional de Enfermagem (Coren) e sigla do estado onde vai exercer a proissão (Cofen, 2017). De acordo com essa Resolução, a categoria proissional é indicada pelas siglas: ENF: Enfermeiro OBST: Obstetriz TE: Técnico de Enfermagem AE: Auxiliar de Enfermagem PAR: Parteira Fica estabelecido, por esta Resolução, que é obrigatório o uso do carimbo constando nome completo, categoria proissional, número do Coren e Estado onde o proissional exerce suas aividades proissionais, para recibos, registros relacionados ao exercício proissional, documentos dirigidos à autarquia e a autoridades em geral, quando em função do exercício proissional, em todo documento irmado no exercício proissional, em conformidade com o Código de Éica de Enfermagem (Cofen, 2016). Cabe ressaltar que a Consulta de Enfermagem é uma aividade privaiva do Enfermeiro estabelecida na Lei nº 7.498/1986 (Brasil, 1986). Portanto, a Consulta de Enfermagem realizada pelo Enfermeiro, seja em ambiente ísico como em clínicas, consultórios, empresas, no domicílio de pacientes; ou em teleatendimento, deve ser registrada detalhadamente no prontuário do paciente (Apêndice A). Ainda sobre Registros e Anotações de Enfermagem, a Resolução Cofen nº 564/2017 estabelece, nos seguintes arigos, que os proissionais de Enfermagem devem: 36 – Registrar no prontuário e em outros documentos as informações inerentes e indispensáveis ao processo de cuidar, de forma clara, objeiva, cronológica, legível, completa e sem rasuras.37 – Documentar formalmente as etapas do processo de Enfermagem em consonância com sua competência legal. Assim, na mesma Resolução, estabelece que é proibido: 87 – Registrar informações incompletas, imprecisas ou inverídicas sobre a assistência de Enfermagem prestada à pessoa, família ou coleividade.88 – Registrar e assinar as ações de Enfermagem que não executou bem como permiir que suas ações sejam assinadas por outro proissional. 3. Termo de Consenimento Livre e Esclarecido (TCLE) De acordo com a Resolução nº 466 de 2012 do Conselho Nacional de Saúde (CNS), que orienta as pesquisas cieníicas com seres humanos, o Termo de Consenimento Livre e Esclarecido (TCLE) é o documento no qual é explicitado o consenimento livre e esclarecido do paricipante e/ou de seu responsável legal, de forma escrita, devendo conter todas as informações necessárias, em linguagem clara e objeiva, de fácil entendimento, para o mais completo esclarecimento sobre a pesquisa a qual se propõe paricipar (Brasil, 2012). O Manual de Orientação sobre pendências frequentes em protocolos de pesquisa clínica, publicado pelo CNS em 2015, estabelece que o TCLE faz parte da documentação exigida para a realização de pesquisas com seres humanos, devendo constar todas as informações necessárias para que o convidado para pesquisas possa decidir com segurança se paricipa ou não. Nesse documento devem constar 133 as jusiicaivas, objeivos, riscos e beneícios e a disponibilidade do pesquisador e da insituição de prestar esclarecimentos em situações de dúvidas. Também deve assegurar ao paricipante o direito de suspender seu consenimento sem prejuízo do tratamento ou outra penalização. Deve ser assinado pelo pesquisador e pelo paricipante (Brasil, 2015). Os pesquisadores, ao uilizarem o Prontuário do Paciente como fonte primária de informação, necessitam obter o consenimento esclarecido do paciente, dono do prontuário ou seu representante legal, para o acesso às informações conidas nesse documento (Araújo et al., 2020). É comum encontrar dois enfoques sobre o TCLE: um voltado para pesquisas e outro para assistência em saúde. Quando o TCLE for referente à assistência em saúde, deverá conter dados relevantes ao caso clínico, com informações claras sobre os procedimentos a serem realizados. Tem inalidade jurídica e éica (Castro et al, 2020). O Código de Éica dos Proissionais de Enfermagem, aprovado pela Resolução Cofen nº 564/2017, determina no Art. 39 que é dever dos profissionais de Enfermagem “Esclarecer à pessoa, família e coleividade, a respeito dos direitos, riscos, beneícios e intercorrências acerca da assistência de Enfermagem” e no Art. 40, “Orientar à pessoa e família sobre preparo, beneícios, riscos e consequências decorrentes de exames e de outros procedimentos, respeitando o direito de recusa da pessoa ou de seu representante legal” (Cofen, 2017). Conforme Resoluções Cofen nº 696/2022 e nº 707/2022, no teleatendimento é imprescindível o consenimento do paciente (Cofen, 2022), podendo ser por escrito (impresso ou digital), ou de forma verbal, transcrita pelo Enfermeiro em prontuário ísico ou eletrônico, ou no registro de aividades de Enfermagem, conforme a Lei nº 14.510/2022 (Brasil, 2022). O TCLE deve ser numerado e rubricado em todas as páginas, além de assinado na úlima (Apêndice B). Proissionais de Enfermagem, devem avaliar a importânciae a necessidade de TCLE ao realizarem procedimentos em aividades empreendedoras. 4. Prontuários em Empresas, Clínicas e Consultórios de Enfermagem Considerando a importância do documento para registro e acompanhamento de toda a trajetória de atendimento do paciente, é necessário que os proissionais de Enfermagem decidam pelo melhor modelo de prontuário, podendo optar tanto pelo prontuário ísico quanto pelo eletrônico (vide Quadro 01). O prontuário, seja ísico ou digital, deverá ser preenchido em todos os atendimentos realizados e deve ser disponibilizado para consulta do paciente ou de seu representante, caso o paciente não consiga acompanhar, sempre respeitando o sigilo que lhe é devido (Cofen, 2016). Em 2024, o Cofen, por meio da Resolução nº 736/2024, determinou que o Processo de Enfermagem (PE) deve acontecer em todo contexto socioambiental onde ocorre o cuidado de Enfermagem. Consta nesta Resolução, no Art. 5º, que a consulta de Enfermagem, prevista na Lei nº 7.498, desde 1986, deve ser organizada e registrada conforme as etapas do Processo de Enfermagem (Cofen, 2024). O prontuário é o documento legal no qual devem constar todos os dados do atendimento prestado ao paciente, tanto pelo registro assistencial da internação quanto pelo atendimento em consultórios, tornando-se um arquivo essencial para a integralização da assistência (Benício, 2020). O registro em prontuário eletrônico permite a visualização das evoluções clínicas muliproissionais, dos exames laboratoriais e de imagem, e o desenvolvimento de prescrições de Enfermagem (Barbosa et al., 2020). A guarda do prontuário deve seguir o proposto na Lei nº 13.787/2018 que determina que podem ser uilizados sistemas informaizados para a guarda de documentos digitalizados (Brasil, 2018). O § 2º do arigo 1º deine que “No processo de digitalização será uilizado ceriicado digital emiido no âmbito da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileiras (ICP-Brasil) ou outro padrão legalmente aceito” (Brasil, 2018). 134 Consta ainda, no Art. 3º da referida lei, que “Os documentos originais poderão ser destruídos após a sua digitalização, observados os requisitos constantes do art. 2º desta Lei, e após análise obrigatória de comissão permanente de revisão de prontuários e avaliação de documentos, especiicamente criada para essa inalidade” (Brasil, 2018). Considerações inais O presente capítulo trouxe informações e orientações aos proissionais de enfermagem no que tange ao prontuário do paciente, visando à qualidade e à coninuidade da assistência proissional de enfermagem, bem como a segurança para pacientes e proissionais. Os proissionais de enfermagem devem estar atentos ao sistema de informação das insituições em que trabalham para realizar os registros e anotações de enfermagem nos prontuários, conforme determina a legislação atual e normaivas do Cofen. Os proissionais de enfermagem que são empreendedores, com negócios próprios — seja individual, no consultório de enfermagem, ou coleivamente, em clínicas e empresas de enfermagem — devem analisar o mercado para deinir sobre o prontuário, ísico ou eletrônico. De acordo com a escolha, devem cumprir todos os requisitos necessários de registro, acesso e guarda de prontuários, conforme previsto em legislação e normaivas do Cofen. Ainda existem muitos desaios para o uso de prontuário eletrônico pelos proissionais de enfermagem. Contudo, há a necessidade de conscienização de todos os proissionais da área, sejam empreendedores ou não, quanto à escolha, ao uso correto, aos registros e às anotações em conformidade com as normaivas da proissão, além da guarda e do armazenamento seguro dos dados dos pacientes. Espera-se que esses esclarecimentos possam contribuir para a conscienização da importância do prontuário, com registros precisos e eicazes, seja no âmbito insitucional — já amplamente estudado e discuido — seja em aividades empreendedoras, como empresas, clínicas e consultórios de enfermagem. 135 REFERÊNCIAS ARAUJO, N. C.; MOTA, F. R. L. Prontuário de paciente: questões éicas. Informação em Pauta, Fortaleza, v. 5, n. especial, p. 52-67, mar. 2020. DOI: htps://doi.org/10.36517/2525-3468. ip.v5iespecial1.2020.43512.52-67. BARBOSA, K. H. et al. O uso do prontuário eletrônico como ferramenta no exercício da Enfermagem: relato de experiência. Brazilian Journal of Health Review, v. 3, n. 6, p. 15803-15811, 2020. DOI: 10.34119/bjhrv3n6-015. Disponível em: htps://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJHR/ aricle/view/19485. Acesso em: 15 fev. 2024. BENÍCIO, D. H. P. Aplicação de mineração de texto e processamento de linguagem natural em prontuários eletrônicos de pacientes para extração e transformação de texto em dado estruturado. 2020. 66 f. Dissertação (Mestrado Proissional em Tecnologia da Informação) - Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2020. Disponível em: htps://repositorio.ufrn.br/ handle/123456789/31417. BOMBARDA, T. B.; JOAQUIM, R. H. V. T. Registro em prontuário hospitalar: historicidade e tensionamentos atuais. Cadernos Saúde Coleiva, v. 30, p. 265-273, 2022. BRASIL. Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986. Dispõe sobre a regulamentação do exercício da enfermagem e dá outras providências. Diário Oicial da União, 26 jun. 1986, Seção 1, p. 9273. BRASIL. Conselho Nacional de Saúde. Resolução CNS nº 466, de 12 de dezembro de 2012. Aprova diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humanos. Diário Oicial da União, 13 jun. 2013, Seção 1, p. 59. ______. Conselho Nacional de Saúde. Manual de orientação: pendências frequentes em protocolos de pesquisa clínica. Versão 1.0. Brasília: CNS, 2015. ______. Lei nº 13.787, de 27 de dezembro de 2018. Dispõe sobre a digitalização e a uilização de sistemas informaizados para a guarda, armazenamento e o manuseio de prontuário eletrônico de pacientes. Diário Oicial da União, 28 dez. 2018, Seção 1, p. 3. ______. Lei nº 14.510, de 27 de dezembro de 2022. Altera a Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, para autorizar e disciplinar a práica da telessaúde em todo o território nacional. Diário Oicial da União, 27 dez. 2022. ______. Ministério da Saúde. E-SUS Atenção Básica: Manual do Sistema com Coleta de Dados Simpliicada: CDS. Brasília: MS, 2014. Disponível em: htp://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/ documentos/manual_CDS_ESUS_1_3_0.pdf. Acesso em: 14 fev. 2020. CASTRO, C. F. de et al. Termo de consenimento livre e esclarecido na assistência à saúde. Revista Bioéica, v. 28, n. 3, p. 522-530, 2020. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Resolução Cofen nº 429, de 8 de junho de 2012. Dispõe sobre o registro das ações proissionais no prontuário do paciente. Brasília: COFEN, 2012. ______. Resolução Cofen nº 514, de 5 de maio de 2016. Aprova o Guia de Recomendações para registros de enfermagem no prontuário do paciente. Brasília: COFEN, 2016. 136 ______. Resolução Cofen nº 545, de 9 de maio de 2017. Atualiza a norma que dispõe sobre a forma de anotação e o uso do número de inscrição pelos proissionais de Enfermagem. Brasília: COFEN, 2017. ______. Resolução Cofen nº 564, de 6 de novembro de 2017. Aprova o novo código de éica dos proissionais de Enfermagem. Brasília: COFEN, 2017. ______. Resolução Cofen nº 696, de 17 de maio de 2022. Dispõe sobre a atuação da enfermagem na saúde digital, normaizando a telenfermagem. Brasília: COFEN, 2022. ______. Resolução Cofen nº 707, de 4 de agosto de 2022. Altera o Art. 5º da Resolução Cofen nº 696/2022. Brasília: COFEN, 2022. ______. Resolução Cofen nº 736, de 23 de janeiro de 2024. Dispõe sobre a implementação do Processo de Enfermagem. Brasília: COFEN, 2024. CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA. Resolução CFM nº 1.638, de 10 de julho de 2002. Deine prontuário médico e torna obrigatória a criação da Comissão de Revisão de Prontuários nas insituições de saúde. Brasília: CFM, 2002. CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM DE SÃO PAULO. Anotações de enfermagem. São Paulo: Coren-SP, 2022. GOMES, L. E. M.et al. O prontuário do paciente e o dever legal e éico de registro dos proissionais da saúde: uma revisão literária. Revista Eletrônica Acervo Saúde, v. 12, n. 7, p. e3615, 2020. NUNES JUNIOR, J.; SILVA, D.; MAGNAGNAGNO, O. Análise comparaiva dos prontuários eletrônico e ísico sobre a segurança das informações. FAG Journal of Health, v. 3, n. 2, p. 177-181, 2021. OLIVEIRA, F. N. F. Gerenciamento de transições para Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP): uma revisão integraiva. 2023. 50 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Sistemas de Informação) - Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2023. SILVA, C. R. da. Medical Records History: Evoluion of Tradiional Medical Records to Electronic Paient Record - PEP. Research, Society and Development, v. 10, n. 9, p. e28510918031, 2021. DOI: 10.33448/rsd-v10i9.18031. Disponível em: htps://rsdjournal.org/index.php/rsd/aricle/view/18031. Acesso em: 5 fev. 2024. SILVA, T. I. M. et al. Difusão do prontuário eletrônico do cidadão: estudo de caso em Minas Gerais. Saúde Coleiva, v. 12, n. 72, p. 9394-9407, 2022. TOLEDO, P. P. S. et al. Prontuário Eletrônico: uma revisão sistemáica de implementação sob as diretrizes da Políica Nacional de Humanização. Ciência & Saúde Coleiva, v. 26, n. 6, p. 2131-2140, 2021. DOI: htps://doi.org/10.1590/1413-81232021266.39872020. 137 18 MODELOS DE FERRAMENTAS QUE TODO EMPREENDEDOR PRECISA Ana Carolina Silva Introdução Empreender demanda ter uma boa ideia, coniar que ela é boa e colocá-la em práica. Trata-se de conseguir construir uma boa resposta para uma necessidade ainda não atendida. No entanto, para que esse negócio empreendedor tenha sucesso, é fundamental entender as diiculdades que irão surgir, enxergar problemas como oportunidades de aprendizado e ter controle sobre todo o empreendimento. Para isso, existem várias ferramentas de gestão que permitem acompanhar processos e resultados e também auxiliar na melhoria da qualidade, mediação de conlitos entre equipes e clientes, propostas de inovações e resolução de problemas (Pessôa, 2011; Casanovas, 2022; Guerra et. al., 2021). Essas ferramentas são úteis e necessárias, independentemente da área de atuação do empreendedor. Registros, controles inanceiros e de processos são importantes e precisam ser realizados para garanir o amparo legal e evolução do empreendimento. Alguns documentos serão construídos de acordo com a necessidade, o ipo de trabalho e idenidade de marca. Outros, são metodologias amplamente conhecidas e divulgadas e que são úteis para planejamento e gestão (Silva, 2022; Guerra et. al., 2021) A seguir, serão apresentadas as principais metodologias e os documentos mais uilizados pelo empreendedor. São ferramentas amplamente divulgadas, eicazes e de acesso gratuito. 1. Ferramentas para gestão de negócios empreendedores Existem ferramentas de grande valor para auxiliar na gestão, facilitar muito o dia a dia do trabalho e ajudar na organização, planejamento e elaboração de planos de ação. Algumas das principais ferramentas uilizadas: • Design Thinking Essa metodologia é uilizada para organização do processo criaivo que, através da coleta de informações de clientes e diferentes pontos de vista, orientam o desenvolvimento de melhores soluções para os desaios da empresa, ditam comportamentos e analisam necessidades futuras (Silva, 2022; Sebrae, 2022). Design Thinking é um processo de pensamento críico e criaivo que permite organizar informações e ideias, tomar decisões, aprimorar situações e adquirir conhecimento (Sebrae, 2022). 138 Figura 19: Design Thinking. Fonte: infográico MJV Tecnologia & Informação in Portal SEBRAE • Análise SWOT Esse método também é conhecido no Brasil como Matriz FOFA, devido à tradução do acrônimo que signiica Análise das Forças (S - Strengths), Oportunidades (O – Opportuniies), Fraquezas (W – Weaknesses) e Ameaças (T – Threats) da empresa (Pontes, 2022). Dessa forma, o empreendedor consegue analisar e trabalhar seus pontos de melhoria, aprimorar suas qualidades, entender o seu diferencial frente à concorrência e traçar estratégias para enfrentar os desaios (Pontes, 2022). Para que a análise seja realizada de forma eiciente, esses pontos são divididos em fatores internos (inerentes à empresa) e externos (inerentes ao Mercado, clientes, concorrentes, índices econômicos, políicos e sociais), da seguinte forma: (Turcacto, 2022). - Fatores internos: Forças e fraquezas - Fatores externos: Oportunidades e Ameaças Figura 20: Análise SWOT. Fonte: Turcacto, 2021. 139 • Ferramenta 5W2H Essa ferramenta é muito eiciente e de fácil aplicação, sendo úil sempre que precisar irar alguma ideia do papel e tomar decisões (VELOSO, 2022). Seu nome deriva das iniciais, em inglês, de 7 perguntas direcionadoras cujas respostas devem ser consideradas para o início do projeto desejado (SILVA, 2022). Os 5Ws signiicam: • What? (Como? - Como o projeto vai ser realizado?); • Why? (Por que? - Por que fazer? Qual a jusiicaiva? Qual a necessidade? Quais os objeivos?); • Where? (Onde? – Onde será realizado?); • When? (Quando? – Quando será realizado? Qual a data limite?); • Who? (Quem? - Quem será o responsável por cada ação?). Os 2Hs signiicam: • How? (Como? - Como deverá ser feito? Descrever as ações); • How much? (Quanto vai custar? – Qual será o custo do projeto e de cada etapa?) Figura 21: Ferramenta 5W2H. Fonte: Veloso, 2022. • Pitch Essa é a melhor forma de demonstrar resumidamente a ideia e o valor de um projeto ou negócio. É uma ferramenta que possibilita apresentação objeiva e em poucos minutos com a principal função de despertar interesse e curiosidade do cliente ou invesidor (Silva, 2022). É preciso conhecer bem o seu produto ou negócio, planejar e treinar bastante antes de realizar a apresentação para que ela contenha todos os pontos importantes dentro do pouco tempo disponibilizado. Existem modelos gratuitos disponíveis em vários sites e aplicaivos, como o Canva em que intuiivamente você pode alterar textos, imagens e cores para adequar à idenidade visual e contexto do negócio (Canva, 2022). Não existe um formato padronizado de Pitch. O fundamental é formatar uma apresentação com uma estrutura objeiva, simples e que contemple informações suicientes para o entendimento e a coniabilidade do que está sendo proposto. A imagem a seguir evidencia um exemplo de apresentação contemplando conteúdos indispensáveis. Mais e diferentes informações podem ser acrescidas de acordo com a necessidade do empreendimento. 140 Figura 22: Modelo de apresentações – Verde e Azul Aperto de mão. Fonte: Canva Além dessas ferramentas, existem documentos fundamentais como planilhas para controle inanceiro e organização de roinas e formulários para atendimento aos clientes e pesquisas. • Pesquisas e Formulários A maneira mais práica, fácil e gratuita de desenvolver pesquisas e formulários é uilizando o Google formulários (Google Forms, 2022). Através dele é possível uilizar modelos previamente confeccionados, personalizando itens, conteúdos e até cor. Também é possível criar pesquisas e formulários únicos da maneira que desejar. Esses documentos criados podem ser enviados para clientes, parceiros e invesidores através de links e e-mail. Toda resposta é computada e os resultados são contabilizados automaicamente e enviados para o responsável pela confecção do formulário. Pesquisas de saisfação, convites para eventos, formulários para inscrição em cursos e cadastro para 141 contratar serviços são algumas possibilidades para uilização desses formulários. Os dados coletados são valiosos para controle e entendimento do peril de clientes. Figura 23: Exemplo de criação de pesquisa. Fonte: Google Forms. • Planilhas Planilhas para controles inanceiro e de mercado, para planejamento e gestão de pessoal podem ser confeccionadas em Excel de acordo com a necessidade do negócio. Mas também é possível acessar gratuitamente planilhas para todasessas necessidades em aplicaivos e sites como o do SEBRAE (Sebrae, 2022). Nessa referência (Sebrae, 2022) é possível adquirir planilhas editáveis para facilitar a gestão empreendedora. Para tal, basta realizar o cadastro no site do SEBRAE e o acesso a todos os arquivos é liberado para download. Figura 24: Exemplo de planilha inanceira para controle de luxo de caixa. Fonte: SEBRAE, 2022. 142 Figura 25: Exemplo de planilha de planejamento para controle de planos de ação. Fonte: SEBRAE, 2022. • Documentos Dependendo da área de atuação empreendedora, principalmente na área educacional, alguns documentos serão necessários para orientações e comunicação com o cliente. Checklists, propostas comerciais, planos de ação, exercícios, orientações diversas e ceriicados são alguns exemplos. Esses documentos podem ser elaborados em Word e enviados em Word ou PDF para os clientes. Também é possível uilizar aplicaivos como o CANVA (Canva, 2022), modelos prontos e personalizar de acordo com a necessidade do produto ou serviço. Figura 26: Modelos de Documentos. Fonte: Canva. 143 Considerações inais Metodologias e documentos são mais do que burocracias desnecessárias. Tratam-se de ferramentas fundamentais para organizar, direcionar, facilitar e possibilitar a realização de serviços, além de imprimirem a personalidade da marca empreendedora. 144 REFERÊNCIAS CANVA. Plataforma de design gráico. Disponível em: www.canva.com. Acesso em: 31 out. 2022. CASANOVAS, Helena. Ferramentas para garanir o sucesso de seu negócio. In: CASANOVAS, Helena (Org.). Empreender sem complicação. v. 2. Rio de Janeiro: Agir, 2022. GOOGLE FORMS. Ferramenta para criação de formulários. Disponível em: htps://docs.google.com/ forms. Acesso em: 4 nov. 2022. GUERRA, Magda S.; JESUS, Élvio H.; ARAÚJO, Beatriz R. Empreendedorismo e enfermagem: que realidade? Gestão e Desenvolvimento, n. 29, p. 61-84, 2021. DOI: htps://doi.org/10.34632/ gestaoedesenvolvimento.2021.9781. PESSÔA, Luisa Regina. Manual do Gerente: desaios da média gerência na saúde. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2011. PONTES, Ellivelton. Guia: aprenda deiniivamente como fazer a análise de SWOT de uma empresa. 27 out. 2017. Disponível em: www.eadbox.com. Acesso em: 31 out. 2022. SEBRAE. Entenda o conceito de design thinking e como aplicá-lo aos negócios. 7 fev. 2022. Disponível em: htps://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/arigos/design-thinking-inovacao- pela-criacao-de-valor-para-o-cliente. Acesso em: 20 out. 2022. ______. Planilhas para gestão. Disponível em: htps://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/ arigos/baixe-planilhas-para-facilitar-sua-gestao. Acesso em: 4 nov. 2022. SILVA, Rafael Silvério da. 7 ferramentas para empreendedores que irão simpliicar a gestão do seu negócio. 15 mai. 2018. Disponível em: www.eadbox.com. Acesso em: 31 out. 2022. TURCACTO, Augusto. Análise SWOT: o que é e como fazer a matriz SWOT? 27 out. 2017. Disponível em: https://crmpiperun.com/. Acesso em: 31 out. 2022. VELOSO, Lee. 5W2H: o que é, como fazer e por que usar! 15 fev. 2022. Disponível em: www.moki. com.br/5w2h/. Acesso em: 31 out. 2022. 145 19 MODELO DE NEGÓCIOS: ATENDIMENTO DOMICILIAR (Home Care) Flávia Baista Barbosa de Sá Diaz Introdução O alto custo dos serviços de saúde, tanto públicos quanto privados, especialmente os da área hospitalar, as mudanças no peril demográico e epidemiológico e o envelhecimento populacional evidenciaram a necessidade de um novo modelo de assistência à saúde. Assim, a Atenção Domiciliar (AD) surgiu como uma modalidade alternaiva de atenção à saúde em resposta a estas demandas (Rehem & Trad, 2005; Rajão et al., 2020). A Portaria nº 825, de 25 de abril de 2016, que redeine a AD no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), a estabelece como uma modalidade de atenção integrada à Rede de Atenção à Saúde, caracterizada por um conjunto de ações de prevenção e tratamento de doenças, reabilitação, paliação e promoção à saúde, prestadas em domicílio, garanindo assim a coninuidade de cuidado. O principal objeivo da AD é reduzir a demanda por atendimento hospitalar, reduzir o período de permanência de pacientes internados, humanizar a atenção com a ampliação da autonomia dos pacientes, promover a desinsitucionalização e oimizar os recursos inanceiros e estruturais da rede de saúde (Brasil, 2016). O termo AD é usado para se referir à organização do sistema e das práicas de saúde das seguintes modalidades de cuidado: atendimento domiciliar, internação domiciliar e visita domiciliar (Cofen, 2014; Rajão et al., 2020). Vale ressaltar que, termos como atendimento domiciliar, assistência domiciliar, cuidado domiciliar e home care são considerados sinônimos de AD na literatura científica (Rajão et al., 2020). O Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) por meio da Resolução nº 464/2014 normaiza a atuação da equipe de Enfermagem na AD no âmbito da Atenção Primária e Secundária, destacando a paricipação do Técnico de Enfermagem neste serviço sob supervisão do Enfermeiro, assim como as funções privaivas do Enfermeiro (Cofen, 2014). As modalidades de cuidado realizadas na AD pela equipe de Enfermagem são detalhadas pelo Cofen a seguir (2014, p.1): I – Atendimento Domiciliar: compreende todas as ações, sejam elas educaivas ou assistenciais, desenvolvidas pelos proissionais de Enfermagem no domicílio, direcionadas ao paciente e seus familiares. II – Internação Domiciliar – é a prestação de cuidados sistemaizados de forma integral e conínua e até mesmo ininterrupta, no domicílio, com oferta de tecnologia e de recursos humanos, equipamentos, materiais e medicamentos, para pacientes que demandam assistência semelhante à oferecida em ambiente hospitalar. III – Visita Domiciliar: considera um contato pontual da equipe de Enfermagem para avaliação das demandas exigidas pelo usuário e/ou familiar, bem como o ambiente onde vivem, visando estabelecer um plano assistencial, programado com objeivo deinido. 146 A Resolução Cofen nº 766/2024 também enfaiza as competências privaivas do enfermeiro da AD, reforçando seu importante papel neste setor da saúde (Cofen, 2024, p.1): I – Dimensionar a equipe de Enfermagem; II – Planejar, organizar, coordenar, supervisionar e avaliar a prestação da assistência de Enfermagem; III – Organizar e coordenar as condições ambientais, equipamentos e materiais necessários à produção de cuidado competente, resoluivo e seguro; IV- Atuar de forma conínua na capacitação da equipe de Enfermagem que atua na realização de cuidados nesse ambiente; V- Executar os cuidados de Enfermagem de maior complexidade técnico- cieníica e que demandem a necessidade de tomar decisões imediatas. Destaca-se que a AD é composta por uma equipe muliproissional que geralmente inclui além dos proissionais de Enfermagem (Enfermeiro e Auxiliares/Técnico de Enfermagem), médicos, assistentes sociais, isioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas, odontólogos, psicólogos, farmacêuicos e terapeutas ocupacionais (Brasil, 2016). O mercado de trabalho em AD é amplo, sendo muito uilizado na área de saúde do idoso. Os idosos desejam viver o maior tempo possível em casa, mesmo diante de situações que limitem sua autonomia e independência, e a AD tem permiido aos mesmos subsituir os hospitais pelo cuidado em casa (Mah et al., 2021). Aliado a isso, existe um envelhecimento populacional crescente (Silva; Rowe; Jauregui, 2021) que aumenta ainda mais a busca por este ipo de serviço. Assim sendo, conhecer o cliente e os fatores que o levam a buscar pelo AD podem auxiliar os proissionais de saúde a se capacitarem melhor para atenderem de forma qualiicada e segura as demandas do mercado. Há ainda outros espaços para atuação proissional em AD como a prestação de cuidado com bebês prematuros e recém-nascidos, crianças com sequelas e doenças crônicas, adultos com múliplas doenças crônico-degeneraivas, indivíduos com necessidade de cuidados paliaivos, de suporte à vidae de reabilitação (Rajão; Marins, 2020). O mercado de trabalho na AD tem se expandido conforme as necessidades de saúde da sociedade contemporânea. 1. Atenção Domiciliar no Brasil: normas para regulamentação e funcionamento No Brasil, todos os serviços que prestam AD são regulamentados pelo Ministério da Saúde através da Resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) RDC nº 11, de 26 de janeiro de 2006 (Brasil, 2006). O serviço de AD tem como foco o gerenciamento e a operacionalização de assistência e/ou internação domiciliar, sendo necessário para seu funcionamento os seguintes procedimentos (Brasil, 2006): • Apresentar um alvará expedido pelo órgão sanitário competente • Ter como responsável técnico um proissional de nível superior da área da saúde habilitado junto ao respecivo conselho proissional (podendo ser o Enfermeiro).- Estar inscrito no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde - CNES. • Apresentar um regimento interno que deina o ipo de AD prestada e as diretrizes básicas sobre seu funcionamento.- Elaborar um manual de normas técnicas de procedimentos para a AD, de acordo com a especiicidade da assistência prestada. 147 Vale ressaltar que um paciente será atendido no serviço de AD quando um proissional de saúde que o acompanha indicar este ipo de serviço. Para isso, o proissional deverá encaminhar ao serviço de AD um relatório detalhado sobre as condições de saúde e doença do paciente contendo histórico, prescrições, exames e intercorrências. O paciente será atendido pelo serviço de AD que deverá elaborar um Plano de Atenção Domiciliar (PAD), contemplando os seguintes critérios, dentre outros (Brasil, 2006, p.3-4): - a prescrição da assistência clínico-terapêuica e psicossocial para o paciente; - os requisitos de infraestrutura do domicílio do paciente, necessidade de recursos humanos, materiais, medicamentos, equipamentos, retaguarda de serviços de saúde, cronograma de aividades dos proissionais e logísica de atendimento; - o tempo esimado de permanência do paciente no Serviço de Atenção Domiciliar (SAD), considerando a evolução clínica, superação de déicits, independência de cuidados técnicos e de medicamentos, equipamentos e materiais que necessitem de manuseio coninuado de proissionais; - a periodicidade dos relatórios de evolução e acompanhamento. Para obter informações detalhadas sobre as condições gerais para o funcionamento dos serviços ou empresas de AD, PAD, atendimento ao cliente, recursos humanos envolvidos, infraestrutura ísica, equipamentos, medicamentos, procedimentos de suporte técnico e logísico necessários, entre outros, consulte a íntegra da Resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) RDC nº 11, de 26 de janeiro de 2006 (Brasil, 2006). O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) elaborou um material com informações muito valiosas para o proissional que visa invesir em um serviço ou empresa de AD (Sebrae, 2023). Destaca-se aqui algumas considerações importantes para nortear o Enfermeiro que deseja empreender e iniciar este modelo de negócio. Inicialmente o empreendedor deve conhecer e estudar profundamente as variáveis deste negócio (Sebrae, 2023), tais como: 1. Mercado: avalie a demanda e a concorrência. Analise o peril demográico da região onde se pretende invesir. Algumas sugestões: faça pesquisas em fontes como prefeitura, guias, IBGE e associações de bairro para quaniicar o mercado-alvo, além da Agência Nacional de Saúde. Visite os concorrentes diretos para ideniicar os pontos fortes e fracos dos estabelecimentos que atuam no mesmo nicho; paricipe de seminários especializados. Paricipe de feiras de negócios como a Feira do Empreendedor – SEBRAE. 2. Localização da sede da empresa: as aividades econômicas da maioria das cidades são regulamentadas pelo Plano Diretor Urbano (PDU), que determina o ipo de aividade que pode funcionar em determinado endereço. A consulta de local junto à Prefeitura deve atentar para: • se o imóvel está regularizado, ou seja, se possui “Habite-se”; • se as aividades a serem desenvolvidas no local respeitam a Lei de Zoneamento do Município, pois alguns ipos de negócios não são permiidos em qualquer bairro; • se os pagamentos do IPTU referente ao imóvel estão em dia; • no caso de serem instaladas placas de ideniicação do estabelecimento, letreiros e outdoors, será necessário veriicar o que determina a legislação local sobre o licenciamento das mesmas; • exigências da legislação local e do Corpo de Bombeiros Militar. 148 3. Exigências legais e especíicas: um contador habilitado poderá auxiliá-lo nesta fase. Para abertura e registro da empresa será necessário realizar os seguintes procedimentos: • Registro na Junta Comercial; • Registro na Secretaria da Receita Federal (CNPJ); • Registro na prefeitura municipal, para obter o alvará de funcionamento; • Enquadramento na enidade sindical patronal: a empresa icará obrigada a recolher a contribuição sindical patronal, por ocasião da consituição e até o dia 31 de janeiro de cada ano; • Cadastramento junto à Caixa Econômica Federal no sistema “Conecividade Social – INSS/FGTS”; • Registro no Corpo de Bombeiros Militar: órgão que veriica se a empresa atende às exigências mínimas de segurança e de proteção contra incêndio, para que seja concedido o “Habite-se” pela prefeitura. Para estruturar seu negócio, consulte o material do SEBRAE para obter mais informações e dicas sobre: organização do processo produivo, automação do processo de gestão, canais de distribuição para comercialização do seu produto/serviço, invesimentos, capital de giro, custos, diversiicação e agregação de valor do seu produto/serviço, divulgação do seu produto/serviço e informações iscais e tributárias (Sebrae, 2023). Diante do exposto, observa-se que a AD é uma nova possibilidade proissional para a Enfermagem, que pode atuar tanto como responsável técnico neste ipo de serviço quanto na assistência oferecida. Pensando nisso, o Cofen aprovou a Resolução Cofen nº 270/2002 que aprova a regulamentação das empresas que prestam Serviços de Enfermagem Domiciliar e orienta a formação de seu quadro proissional (Cofen, 2002). Esta resolução foi um marco importante para atuação da Enfermagem no mercado de AD, cabendo aqui destacar alguns pontos essenciais para que as empresas que prestam serviços de Enfermagem Domiciliar se regulamentem (Anexo da Resolução Cofen nº 270/2002): I - Toda empresa de prestação de serviços de Enfermagem Domiciliar e/ou iliais deve ser dirigida por Proissional Enfermeiro devidamente inscrito e em dia com suas obrigações junto ao Conselho Regional de sua área de atuação. II - Toda empresa de prestação de serviços de Enfermagem Domiciliar e/ou iliais é obrigada a ter em seus quadros: - 01 (um) Enfermeiro responsável por turno. - 01 (um) Enfermeiro responsável técnico pela coordenação das aividades de Enfermagem. III - As equipes de Enfermagem das Empresas prestadoras de serviços de Enfermagem Domiciliar deverão ser compostas “exclusivamente” por Enfermeiros, Técnicos de Enfermagem e Auxiliares de Enfermagem, devidamente registrados e em dia com as obrigações junto aos Conselhos Regionais que jurisdicionam suas áreas de atuação. IV - Todos os Proissionais de Enfermagem deverão ser cadastrados na empresa e a listagem atualizada deverá ser enviada ao Coren de sua jurisdição, conforme Resolução Cofen nº 139/92. V - Toda empresa de prestação de serviços de Enfermagem Domiciliar deverá pautar o desenvolvimento de suas aividades, tomando como prerrogaiva a Resolução Cofen nº 267/2001 e seu anexo. VI - Quaisquer casos omissos deverão ser resolvidos pelo Conselho Regional da jurisdição perinente, depois de ouvido o Cofen. 149 Considerações Finais É importante ressaltar que o enfermeiro se depara com muitos desafios na AD no Brasil, como a necessidade de tomada de decisões importantes, muitas vezes sem poder contar com recursossuficientes, o que exige conhecimento, autonomia e capacidade de resolver problemas. No ambiente domiciliar, os recursos e equipamentos são limitados, o que, muitas vezes, exige criatividade da equipe de enfermagem para lidar com situações inesperadas. Os locais podem apresentar infraestrutura inadequada, problemas de acessibilidade, espaço físico limitado, além de condições inapropriadas para prestação do cuidado integral ao paciente. Enfrentar essas dificuldades exige não apenas habilidades clínicas, mas também competências em gestão e adaptação a diferentes contextos, tornando a atuação do enfermeiro na AD uma atividade desafiadora, porém fundamental para a promoção e recuperação da saúde dos pacientes em seu ambiente familiar. Apesar disso, observa-se um mercado de trabalho com várias oportunidades e uma crescente demanda na AD para os profissionais de enfermagem que desejam empreender e montar seu próprio negócio. Os avanços tecnológicos, a forma de fazer saúde e prestar o cuidado tem mudado muito, fazendo a enfermagem repensar e reinventar seus processos de trabalho. É necessário, cada vez mais, recriar possibilidades profissionais que gerem serviços qualificados e inovadores para pacientes, clientes, famílias e a sociedade. 150 REFERÊNCIAS AMARAL, N. N. do et al. Assistência Domiciliar à Saúde (Home Health Care). Revista Neurociências, v. 9, n. 3, p. 111-117, 2001. DOI: htps://doi.org/10.34024/rnc.2001.v9.8914. Disponível em: htps:// periodicos.unifesp.br/index.php/neurociencias/aricle/view/8914/6447. Acesso em: 3 jan. 2023. BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução RDC nº 11, de 26 de janeiro de 2006. Diário Oicial da União, 26 jan. 2006. Disponível em: htps://bvsms.saude.gov.br/ bvs/saudelegis/anvisa/2006/res0011_26_01_2006.html. Acesso em: 3 jan. 2023. ______. Ministério da Saúde. Portaria nº 825, de 25 de abril de 2016. Redeine a Atenção Domiciliar no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Diário Oicial da União, 25 abr. 2016. Disponível em: htps://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2016/prt0825_25_04_2016.html. Acesso em: 3 jan. 2023. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Resolução COFEN nº 270, de 2002. Aprova a regulamentação das empresas que prestam Serviços de Enfermagem Domiciliar. Brasília: COFEN, 2002. Disponível em: htp://www.cofen.gov.br/resoluo-cofen-2702002_4307.html. Acesso em: 4 jan. 2023. ______. Resolução COFEN nº 464, de 2014. Normaiza a atuação da equipe de enfermagem na atenção domiciliar. Brasília: COFEN, 2014. Disponível em: htp://www.cofen.gov.br/resolucao-cofen- no-04642014_27457.html. Acesso em: 4 jan. 2023. MAH, J. C. et al. Social factors inluencing uilizaion of home care in community-dwelling older adults: a scoping review. BMC Geriatrics, v. 21, n. 1, p. 145, 2021. DOI: 10.1186/s12877-021-02069-1. Disponível em: htps://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/aricles/PMC7912889/. Acesso em: 20 mar. 2023. RAJÃO, F. L.; MARTINS, M. Atenção Domiciliar no Brasil: estudo exploratório sobre a consolidação e uso de serviços no Sistema Único de Saúde. Ciência & Saúde Coleiva, v. 25, n. 5, p. 1863-1877, 2020. DOI: htps://doi.org/10.1590/1413-81232020255.34692019. Disponível em: htps://www.scielo.br/j/ csc/a/wqxNqstXtvkTvLxzHz3gJn/?lang=pt. Acesso em: 4 jan. 2023. REHEM, T. C. M. S. B.; TRAD, L. A. B. Assistência domiciliar em saúde: subsídios para um projeto de atenção básica brasileira. Ciência & Saúde Coleiva, v. 10, supl., p. 231-242, 2005. DOI: htps:// doi.org/10.1590/S1413-81232005000500024. Disponível em: htps://www.scielo.br/j/csc/a/ cPdZKCTvzRVcBxhNTjJLJRw/abstract/?lang=pt. Acesso em: 4 jan. 2023. SEBRAE. Ideias de negócios: Home Care. 2023. Disponível em: htps://sebrae.com.br/sites/ PortalSebrae/ideias/home-care,0fc7209a0720e610VgnVCM1000004c00210aRCRD#apresentacao-de- negocio. Acesso em: 5 jan. 2023. SILVA, J. B. Jr.; ROWE, J. W.; JAUREGUI, J. R. Healthy aging in the Americas. Revista Panamericana de Salud Pública, v. 45, e116, 2021. DOI: 10.26633/RPSP.2021.116. Disponível em: htps://www.ncbi. nlm.nih.gov/pmc/aricles/PMC8369107/. Acesso em: 20 mar. 2023. 151 20 MODELO DE NEGÓCIO: CUIDADO ÀS PESSOAS COM LESÃO CUTÂNEA CRÔNICA Helen Crisiny Teodoro Couto Ribeiro Ronilson Storck Introdução O cuidado de pessoas com lesões cutâneas crônicas, como úlceras por pressão, úlceras venosas e arteriais, além de feridas relacionadas ao diabetes, exige dos enfermeiros competências essenciais: conhecimento, aitude e habilidade. Essa área representa uma importante oportunidade de desenvolvimento do empreendedorismo na enfermagem. A atuação dos proissionais de enfermagem nessa área é regulamentada pelo Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), por meio da Resolução Cofen nº 787/2025, que assegura ao enfermeiro autonomia para realizar avaliações, elaborar protocolos, selecionar e indicar tecnologias adequadas à assistência em lesões cutâneas crônicas. Essa legislação também estabelece diretrizes para a abertura de clínicas ou consultórios voltados à prevenção e ao cuidado de pessoas com lesões cutâneas crônicas (Cofen, 2025). Embora o enfermeiro tenha respaldo legal para atuar nesta área, ela exige mais do que apenas a formação inicial; requer uma atualização constante para uma atuação segura e resoluiva. O campo das lesões cutâneas é dinâmico, com descobertas e diretrizes emergindo coninuamente. Por isso, é imprescindível que o enfermeiro, especialmente aquele que deseja empreender nessa área, desenvolva e mantenha suas competências tanto técnicas quanto legais, garanindo um atendimento éico, de qualidade e baseado nas melhores práicas (Kielo et al., 2020). A Resolução Cofen nº 787/2025 deine a paricipação dos proissionais de enfermagem na prevenção e no tratamento de lesões cutâneas, em consonância com as competências técnicas de cada categoria, conforme previsto na Lei do Exercício Proissional da Enfermagem e no Código de Éica de Enfermagem. Este úlimo, regulamentado pela Resolução Cofen nº 564/2017, ressalta a importância da práica proissional mediante consenimento prévio do paciente, seu representante ou responsável legal, ou por decisão judicial (Cofen, 2025; Cofen, 2017). Assim, tanto no atendimento domiciliar quanto em consultórios especializados no tratamento de feridas crônicas, o enfermeiro, de forma autônoma, oferece um cuidado integrado, eiciente e seguro. Esse ipo de atendimento favorece a cicatrização mais rápida, alivia o sofrimento do paciente e contribui signiicaivamente para a melhoria da qualidade de vida. Para empreender nessa área, é fundamental que o enfermeiro esteja familiarizado com a legislação vigente e uilize ferramentas que auxiliem no planejamento e no desenvolvimento de seu negócio voltado aos cuidados de pessoas com feridas crônicas. Neste livro, será apresentada a uilização do Business Model Canvas, ferramenta desenvolvida por Alexander Osterwalder e Yves Pigneur (Osterwalder & Pigneur, 2011). O Business Model Canvas (em português, Canvas de Modelo de Negócio) tem revolucionado a maneira como empreendedores estruturam seus negócios, o que jusiica a escolha e a indicação desta ferramenta para a modelagem de um negócio relacionado ao cuidado de pessoas com lesões cutâneas crônicas. O Business Model Canvas condensa os aspectos fundamentais de um negócio de maneira sucinta e eicaz em nove itens, apresentando-os em um único quadro, conforme apresentado na Figura 27, a seguir: 152 Figura 27 – Business Model Canvas (3). PARCEIROS- -CHAVE ATIVIDADES- -CHAVE PROPOSIÇÕES DE VALORES RELACIONAMENTO COM CLIENTES SEGMENTOS DE CLIENTES RECURSOS- -CHAVE CANAIS CUSTOS RECEITAS Fonte: Elaborado pelo autor, 2026. É importante que o enfermeiro empreendedor dedique tempo e esforço com sua equipe para preencher cada um destes blocos do Canvas de Modelo de Negócio com informações precisas e relevantes sobre o cuidado à pessoa com lesão cutânea crônica, seja a nível domiciliar ou em consultórios especializados. Vejao que é necessário releir e preencher em cada um dos nove itens. A elaboração e leitura do Canvas de Modelo de Negócio iniciam-se da direita para a esquerda. No item Segmento de clientes, descreva os diferentes grupos de pessoas que o negócio pretende alcançar e atender. É necessário e essencial compreender as necessidades, desejos e caracterísicas especíicas de cada segmento de clientes para oferecer soluções adequadas e eicazes (Osterwalder; Pigneur, 2011; Sebrae, 2021). Exemplo: pessoas com feridas cutâneas crônicas, feridas de diícil cicatrização, incisão cirúrgica, ferida traumáica, ferida por dermaite por inconinência, incluindo idosos, pessoas com doenças crônicas, pacientes acamados, diabéicos, crianças, jovens e adultos. O enfermeiro empreendedor pode escolher atender algum ou alguns dos segmentos de clientes. No caso de clientes com caracterísicas bem diferentes — por exemplo, idosos e jovens em cuidados paliaivos — recomenda-se fazer um Canvas de Modelo de Negócio separado para cada grupo. Isso porque as necessidades, preferências e comportamentos desses públicos podem variar signiicaivamente, exigindo abordagens personalizadas. Assim, um Canvas de Modelo de Negócio especíico para cada segmento auxilia a alinhar a melhor proposta de valor, os canais de comunicação e as estratégias de relacionamento especíicos (entre outros elementos do modelo de negócio), de forma a atender de maneira mais eicaz as demandas de cada grupo. O atendimento domiciliar pode ser especialmente úil para o segmento de pacientes idosos e em fase paliaiva, cujas feridas podem ser tratadas paricularmente com cuidados de im de vida. Após deinir o segmento de clientes, o próximo item é a Proposição de valor. Delineie o conjunto de produtos e serviços/processos únicos que o seu negócio sobre cuidado à pessoa com lesão cutânea crônicas oferece para resolver os problemas ou saisfazer as necessidades dos clientes. A proposta de 153 valor deve ser convincente e diferenciada para atrair e reter os clientes neste mercado compeiivo (Osterwalder; Pigneur, 2011; Sebrae, 2021). Recomenda-se que este item tenha no máximo 150 palavras, sendo o mais conciso e claro na transmissão do valor. A proposta de valor representa um dos itens mais importantes da ferramenta. A seguir, são apresentadas algumas possibilidades como forma de inspirar você, enfermeiro empreendedor, a elaborar a sua própria proposta de acordo com o seu negócio: 1) Prevenção e reabilitação especializada e personalizada para feridas cutâneas crônicas, com foco em acelerar a cicatrização, aliviar a dor e melhorar signiicaivamente a qualidade de vida dos pacientes. 2) Tratamento avançado e especializado de feridas crônicas, uilizando tecnologias de ponta e curaivos inovadores que promovem uma recuperação mais rápida e eicaz. 3) Plano de cuidado conínuo e integrado, assegurando um acompanhamento prolongado até a completa cicatrização da lesão crônica, garanindo resultados duradouros e a restauração total da integridade da pele. O item Canais é o próximo e deve especiicar os diversos meios pelos quais o negócio irá alcançar e interagir com os clientes (canais de comunicação, distribuição e venda). Exemplo: atendimento domiciliar com agendamento; consultório ísico para atendimento presencial; consultas on-line para orientação e acompanhamento remoto; parcerias com clínicas, hospitais e proissionais de saúde para encaminhamento de pacientes; parcerias com a Atenção Primária à Saúde e hospitais locais; e produção de conteúdo virtual para gerar relacionamento com os clientes pelas redes sociais. No modelo domiciliar, o atendimento é feito presencialmente no domicílio do paciente, com a possibilidade de atendimento remoto para monitoramento da cicatrização e ajustes no tratamento, sendo um canal com o cliente. Posteriormente, o enfermeiro empreendedor e sua equipe começam a discuir e preencher o item Relacionamento com Clientes, ou seja, como o negócio sobre cuidado à pessoa com lesão cutânea crônica planeja estabelecer e sustentar conexões signiicaivas com seus clientes ao longo do tempo (da aquisição inicial de clientes até a idelização e o suporte pós-venda) (Osterwalder; Pigneur, 2011; Sebrae, 2021). Exemplo: Atendimento humanizado e personalizado; acompanhamento durante todo o processo de tratamento; comunicação clara e transparente sobre o plano de tratamento e os resultados esperados, elaboração de plano de cuidado personalizado para cada cliente e suporte via WhatsApp. O atendimento domiciliar é caracterizado por um relacionamento de proximidade e coniança. O enfermeiro estomaterapeuta mantém contato direto e constante com o paciente e seus familiares, orientando-os sobre os cuidados necessários e oferecendo suporte por meio dos canais de comunicação, como WhatsApp, para sanar dúvidas e realizar o monitoramento remoto dos processos da cicatrização e dos ajustes no tratamento. O relacionamento com os pacientes em uma clínica especializada é baseado em proissionalismo e atendimento técnico, com a possibilidade de oferecer um cuidado mais detalhado e completo. O acompanhamento é feito de forma conínua e documentada, e o paciente recebe feedback sobre o progresso do tratamento com base em avaliações periódicas. Na sequência, em Fontes de Receitas é possível detalhar as diferentes maneiras pelas quais o negócio pretende gerar receita. Exemplo: Consultas e procedimentos especializados; venda de produtos relacionados ao tratamento de feridas, como curaivos especiais e cremes cicatrizantes; planos de acompanhamento mensal para pacientes em tratamento conínuo; terapias intensivas; consulta de enfermagem; atendimento de urgência aos inais de semana com preciicação diferenciada; terapia a vácuo; laserterapia; ozonioterapia; terapia ILIB; consultoria; treinamentos; palestras e cursos. Em uma clínica, a parceria com planos de saúde também pode gerar uma importante fonte de receitas, além da possibilidade de combinar diferentes terapias oferecidas por outros proissionais, para agregar valor e aumentar o icket. O item Recursos Principais é pensado de forma a destacar os recursos essenciais necessários para operar o negócio sobre cuidado à pessoa com lesão cutânea crônica de forma eicaz, como pessoal 154 qualiicado, infra-estrutura ísica, tecnologia e capital inanceiro (Osterwalder; Pigneur, 2011; Sebrae, 2021). Exemplo: Enfermeiros especializados em tratamento de feridas; instalações adequadas, incluindo consultórios equipados e sala de curaivos; tecnologias de ponta para o diagnósico e tratamento de feridas; estudo atualizado; meio de transporte para atendimento domiciliar; e malas apropriadas para o transporte dos curaivos e equipamentos para trocas dos curaivos. A clínica de cuidados à pessoa com lesão cutânea crônica uiliza estrutura ísica como seu principal recurso, mas também pode adotar plataformas online para agendamento e consultas iniciais. O sistema de gestão de pacientes também é um recurso essencial para organizar o luxo de atendimentos e a evolução do tratamento. Aividades-Chave é o próximo item de relexão do enfermeiro empreendedor que está modelando seu negócio de cuidado à pessoa com lesão cutânea crônica. Esse item descreve as principais tarefas e aividades que o negócio deve realizar para fornecer sua proposta de valor aos clientes e garanir o funcionamento adequado do negócio (Osterwalder; Pigneur, 2011; Sebrae, 2021). Exemplo: avaliação e diagnósico das feridas; compreensão da clínica do paciente; leitura de exames complementares; solicitação de exames; limpeza e desbridamento de feridas; aplicação de curaivos especializados; monitoramento e acompanhamento do processo de cicatrização; controle da ferida para evitar complicações; gestão da ferida; aplicação de terapias como laserterapia, ozonioterapia, terapia ILIB; gestão de manipulação de cremes; aplicação de bota de Unna; curaivo à vácuo; e compressão da atadura. É importante releire pontuar as Parcerias Principais do negócio sobre cuidado à pessoa com lesão cutânea crônica. Ideniique as colaborações estratégicas com outras empresas, fornecedores ou parceiros-chave que possam ajudar a fortalecer a oferta da empresa ou a reduzir custos e riscos. Exemplo: fabricantes e distribuidores de produtos para o tratamento de feridas; proissionais de saúde, como médicos, isioterapeutas, enfermeiros, técnicos de enfermagem e nutricionistas, para abordagem mulidisciplinar; seguradoras de saúde para a cobertura dos serviços oferecidos. As parcerias com hospitais e médicos para encaminhamento de pacientes são essenciais, uma vez que, grande parte do público-alvo pode ser transferida de ambientes hospitalares para o cuidado ambulatorial. Por úlimo, no item Estrutura de Custos o enfermeiro empreendedor deve listar todos os custos associados à operação do negócio, incluindo custos ixos e variáveis, despesas com pessoal, markeing, logísica, entre outros (Osterwalder; Pigneur, 2011; Sebrae, 2021). Exemplo: salários e beneícios dos funcionários; treinamento de equipe mulidisciplinar; aluguel e manutenção do espaço ísico; aquisição de equipamentos e materiais; custos com markeing e divulgação do consultório; despesas administraivas e operacionais; deslocamento para atendimento domiciliar; custos operacionais de sistemas de teleconsulta; e comunicação com os pacientes. As iguras 28 e 29 apresentam o Canvas de Modelo de Negócio relacionado ao cuidado à pessoa com lesão cutânea crônica, respecivamente em atendimento domiciliar e em clínicas especializadas. 155 Figura 28 – Canvas de Modelo de Negócio relacionado ao cuidado à pessoa com lesão cutânea crônica em atendimento domiciliar. Fonte: Elaborado pelo autor, 2023. 156 Figura 29 – Canvas de Modelo de Negócio relacionado ao cuidado à pessoa com lesão cutânea crônica em clínicas especializadas. Fonte: Elaborado pelo autor, 2023. O atendimento domiciliar para tratamento de feridas tem como proposta central o conforto e a conveniência para o paciente, permiindo que ele seja tratado em seu próprio ambiente. Isso é paricularmente vantajoso para pacientes com mobilidade reduzida ou que requerem cuidados conínuos e delicados, como no caso de feridas crônicas ou pós-cirúrgicas. O cuidado domiciliar também favorece a humanização do tratamento, com o proissional de saúde focado em um atendimento mais individualizado. Por outro lado, no atendimento em uma clínica de tratamento de feridas, tem-se a oferta de tecnologia avançada e um ambiente controlado, que possibilita um atendimento mais complexo. A clínica pode uilizar equipamentos de ponta, como terapia a vácuo e laserterapia, além de dispor de uma equipe mulidisciplinar composta por enfermeiros estomaterapeutas, médicos e isioterapeutas. O acompanhamento rigoroso e o acesso imediato a tratamentos mais complexos proporcionam uma recuperação mais eicaz em certos casos. 157 Considerações Finais A criação de um modelo de negócios permiirá que o enfermeiro empreendedor tenha maior habilidade para enfrentar adversidades no gerenciamento de seu negócio relacionado ao cuidado a pessoas com lesões cutâneas crônicas, seja no atendimento domiciliar isoladamente (enfermeiro autônomo) ou em uma clínica especializada. Um planejamento bem estruturado antecipa possíveis desaios e oferece soluções imediatas, evitando surpresas. O atendimento domiciliar proporciona uma experiência mais personalizada e conveniente, enquanto uma clínica especializada oferece um ambiente de alta tecnologia e um acompanhamento mais rigoroso. A escolha do modelo ideal depende das necessidades especíicas da clientela que o enfermeiro empreendedor irá atender; deve-se levar em consideração as preferências e, principalmente, a complexidade do tratamento necessário. É essencial desenvolver um modelo práico e eiciente, mas que também seja detalhado o suiciente para não deixar margem a dúvidas quanto ao processo estabelecido. Esse modelo pode sofrer ajustes à medida que o protóipo e/ou o MVP (Produto Mínimo Viável) forem sendo aprimorados. Além disso, é fundamental manter o negócio atualizado, em consonância com as mudanças sociais, uma vez que as necessidades da sociedade evoluem constantemente. Ao inalizar o Canvas de Modelo de Negócio, o enfermeiro empreendedor não apenas criará um modelo para o seu empreendimento, mas também estabelecerá uma base sólida para o sucesso de seu atendimento domiciliar ou consultório/clínica de enfermagem especializado em tratamento de lesões cutâneas crônicas. 158 REFERÊNCIAS CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Resolução Cofen nº 787, de 21 de agosto de 2025. Regulamenta a atuação da equipe de enfermagem na promoção, prevenção, tratamento e reabilitação de pessoas com lesões cutâneas. Diário Oicial da União, Brasília, DF, 26 ago. 2025. Disponível em: htps://www.cofen.gov.br/resolucao-cofen-no-787-de-21-de-agosto-de-2025/. Acesso em: 09 fev. 2026. GASSMANN, O.; FRANKENBERGER, K.; CSIK, M. O navegador de modelos de negócios. Rio de Janeiro: Alta Books, 2016. E-book. ISBN 9786555203622. Disponível em: htps://integrada.minhabiblioteca. com.br/#/books/9786555203622/. Acesso em: 1 jan. 2023. KEEN, P.; QURESHI, S. Organizaional Transformaion through Business Models: A Framework for Research and Pracice. Journal of Management Informaion Systems, v. 23, n. 4, p. 9-40, 2006. KIELO, E. et al. A systemaic and psychometric review of tests measuring nurses’ wound care knowledge. Internaional Wound Journal, v. 17, p. 1209-1224, 2020. DOI: 10.1111/iwj.13417. Disponível em: htps://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/iwj.13417. Acesso em: 1 jan. 2023. KLANG, D. J. H.; WALLNÖFER, M.; HACKLIN, F. The Anatomy of the Business Model: A Syntacical Review and Research Agenda. In: SUMMER CONFERENCE 2010 - OPENING UP INNOVATION, 2010, London. Anais... London: Imperial College London Business School, 2010. p. 1-31. OSTERWALDER, A. The Business Model Ontology – A proposiion in a design science approach. Lausanne: University of Lausanne, 2004. OSTERWALDER, A.; LAGHA, S.; PIGNEUR, Y. An ontology for developing e-business models. In: INTERNATIONAL CONFERENCE ON DECISION MAKING AND DECISION SUPPORT IN THE INTERNET AGE, 2002. Anais... 2002. Disponível em: htp://citeseerx.ist.psu.edu/viewdoc/ download?doi=10.1.1.24.404&rep=rep1&type=pdf. Acesso em: 1 jan. 2023. SCHIAVINI, J. M. et al. Modelos de negócios. Porto Alegre: Grupo A, 2020. E-book. ISBN 9786556900438. Disponível em: htps://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/ books/9786556900438/. Acesso em: 1 jan. 2023. ZOTT, C.; AMIT, R. The it between product market strategy and business model: implicaions for irm performance. Strategic Management Journal, v. 26, n. 1, p. 1-26, 2007. DOI: 10.1002/smj.642. 159 21 MODELO DE NEGÓCIOS: ESTÉTICA Fábio da Costa Carbogim Flávia Baista Barbosa de Sá Diaz Introdução A palavra estéica teve origem no termo grego aistheiké que inicialmente signiicava ‘perceber’ e se conectava ao ramo da ilosoia que estudava o belo e a arte que expressava a beleza (Schmitz et al., 2010). Com as transformações naturais das palavras ao longo do tempo, ‘estéica’ também se modiicou em senidos e signiicados. Atualmente, se izermos uma busca simples na internet, encontraremos estéica relacionada à beleza ísica e aos meios para alcançá-la através de produtos e procedimentos de saúde. No dicionário Michaelis (2023), estéica é deinida como “uma aividade proissional que visa à busca da beleza ísica por meio de tratamentos especiais para correção de problemas de pele, cabelo, formas do corpo, etc.”. Para isso, podem ser uilizadas variedades de cosméicos, técnicas, procedimentos cirúrgicos e não cirúrgicos (Camargo et al., 2011). Cabe destacar que o crescimento exponencial da estéica na área de saúde ocorreu a parir do inal da década de 1990 e início dos anos 2000. Isso se deveu, principalmente, a procedimentos menos invasivos e com resultados quase que imediatos.assegurando a qualidade da assistência e servindo 18 como respaldo legal para os proissionais. Além disso, o empreendedor deve estar preparado para a crescente judicialização da saúde, que exige não apenas um rigoroso cumprimento das normaivas legais e regulatórias, mas também um planejamento estratégico para miigar riscos jurídicos e proteger a sustentabilidade do negócio. Segundo Santos e Souza (2020), a judicialização da saúde no Brasil implica altos custos e realocação de recursos públicos, representando desaios signiicaivos para o Sistema Único de Saúde (SUS) e para os gestores de serviços de saúde. Enfermeiros empreendedores enfrentam desaios signiicaivos no acesso a inanciamento para iniciar ou expandir seus negócios na área da saúde, devido à falta de opções de inanciamento especíicas e à percepção de alto risco por parte das insituições inanceiras. Essa diiculdade em obter crédito ou invesimentos limita sua capacidade de implementar inovações e expandir serviços, impactando negaivamente o desenvolvimento e a qualidade dos cuidados de saúde (Chagas et al., 2018; Wilson; Whitaker; Whiford, 2012). Além disso, o invesimento inicial necessário para equipamentos, tecnologia e markeing, sem garania de retorno imediato, representa um risco inanceiro, especialmente para aqueles com responsabilidades inanceiras pessoais, exigindo mudanças nas políicas de crédito e maior reconhecimento do potencial dos negócios liderados por enfermeiros (Chagas et al., 2018). Além disso, a ausência de suporte insitucional e reconhecimento do papel do enfermeiro como empreendedor é uma barreira signiicaiva. Organizações de saúde e insituições acadêmicas nem sempre valorizam ou apoiam adequadamente iniciaivas empreendedoras dentro da enfermagem (Guerra; Jesus; Araujo, 2021; Chagas et al., 2018). A falta de incenivo insitucional para inovação e empreendedorismo pode desencorajar os proissionais de enfermagem a buscar novas oportunidades de negócio e limitar as possibilidades de colaboração e parceria com outras enidades. Adicionalmente, o setor de saúde, dominado por modelos tradicionais de carreira, muitas vezes não reconhece ou apoia iniciaivas empreendedoras na enfermagem. Esse cenário cria um ambiente onde as inovações lideradas por enfermeiros podem ser vistas como secundárias ou menos importantes, desmoivando aqueles que buscam transcender a práica clínica (Colichi; Lima, 2018; Jahani et al., 2016; Nikbakht- Nasrabadi; Shabany-Hamedan, 2016; Wall, 2013). As desigualdades socioeconômicas no Brasil são enormes (Cavalcante, 2020) e podem impactar o empreendedorismo de negócios em enfermagem. A falta de acesso a serviços de saúde de qualidade em áreas desfavorecidas diiculta o desenvolvimento de empreendimentos voltados para atender comunidades carentes (Dantas et al., 2021). Ademais, a infraestrutura de saúde deiciente pode limitar a viabilidade de negócios em regiões remotas ou economicamente desfavorecidas. Outro desaio crucial é a lacuna na formação empreendedora dos enfermeiros. A formação acadêmica em enfermagem muitas vezes não inclui disciplinas relacionadas ao empreendedorismo, deixando os proissionais despreparados para os desaios do mercado de trabalho. A formação de enfermeiros que possuam um impacto transformador no âmbito social, organizacional e políico demanda a incorporação de habilidades empreendedoras em sua formação acadêmica. Dessa forma, torna-se essencial esimular um espírito empreendedor nos estudantes durante o curso de enfermagem, com o objeivo de ampliar a percepção sobre o empreendedorismo na área e intensiicar o desejo por independência e aprimoramento proissional (Jofre et al., 2021). A inclusão de disciplinas, aividades extensionistas, projetos e outras aividades de empreendedorismo na graduação em enfermagem é fundamental para desenvolver competências empreendedoras, tais como ideniicação de oportunidades de negócio, desenvolvimento de planos de negócio, gestão inanceira e liderança (Chagas et al., 2018). A predominância do gênero feminino na proissão de enfermagem introduz barreiras culturais e sociais, várias vezes subesimando o potencial empreendedor dessas proissionais. Tais barreiras não são apenas externas, mas também internas, onde estereóipos de gênero podem inluenciar a autoconiança e a ambição empreendedora. Atrelado a isso, a conciliação entre a vida proissional e pessoal emerge como um desaio especialmente signiicaivo. Proissionais de enfermagem já enfrentam jornadas extenuantes e emocionalmente desgastantes; adicionar as responsabilidades de gerir um negócio pode parecer uma tarefa hercúlea. Isso exige não só habilidades de gestão do tempo 19 e priorização, mas também um suporte robusto de redes pessoais e proissionais (Colichi; Lima, 2018; Copelli; Erdmann; Santos, 2019). A proissão de enfermagem no Brasil enfrenta desaios culturais que limitam a atuação dos proissionais, tradicionalmente concentrada em ambientes hospitalares e de cuidados primários. Essa visão restrita é reforçada desde a formação acadêmica, onde o empreendedorismo não é amplamente abordado, resultando em uma preparação limitada para iniciaivas autônomas e inovadoras. Segundo Copelli, Erdmann e Santos (2019), a ausência de disciplinas voltadas ao empreendedorismo na graduação em enfermagem contribui para que os proissionais permaneçam restritos aos modelos assistenciais tradicionais, diicultando a exploração de novos nichos de mercado e a diversiicação da atuação proissional. Nos úlimos anos, entretanto, têm-se observado esforços de Conselhos e Associações de Enfermagem para promover uma cultura empreendedora na proissão. O Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) tem buscado parcerias com insituições como o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) para capacitar enfermeiros interessados em empreender, oferecendo cursos e recursos voltados para o desenvolvimento de competências em gestão, inovação e liderança (Cofen, 2021). Além disso, iniciaivas como a campanha internacional Nursing Now, promovida pelo Conselho Internacional de Enfermeiros e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), incenivam a liderança e a inovação na enfermagem, destacando a importância de práicas empreendedoras para a transformação dos serviços de saúde (Who, 2020). Essas ações buscam ampliar a percepção dos enfermeiros sobre as diversas possibilidades de atuação além dos contextos tradicionais, promovendo a autonomia proissional e a inserção em novos mercados. No cenário internacional, observa-se uma tendência crescente de enfermeiros assumindo papéis empreendedores, desenvolvendo soluções inovadoras e liderando mudanças nos sistemas de saúde. Estudos indicam que a promoção de uma cultura empreendedora na enfermagem pode ser uma estratégia eicaz para melhorar a qualidade dos cuidados e ampliar o acesso aos serviços de saúde (Santos; Souza, 2020). No entanto, para que essa mudança cultural se consolide, é fundamental que as insituições de ensino, os conselhos proissionais e a sociedade em geral reconheçam e apoiem o potencial empreendedor dos enfermeiros, proporcionando recursos e oportunidades para o desenvolvimento de iniciaivas inovadoras na área da saúde. Considerações inais Em suma, superar os desaios do empreendedorismo de negócios em enfermagem no Brasil requer uma abordagem integrada e abrangente. Mudanças nas políicas públicas, invesimentos em educação empreendedora e criação de redes de suporte e colaboração são essenciais para fortalecer o papel dos enfermeiros como agentes de inovação e transformação no setor de saúde brasileiro. Essas medidas são cruciais para promover o desenvolvimento de empreendimentos em saúde que atendam às necessidades da população e contribuam para a melhoria dos cuidados de saúde no país. É essencial uma abordagem mulifacetada que envolva educação empreendedora especíica para enfermeiros, políicas de incenivo ao empreendedorismo no setor de saúde, e o desenvolvimentoUm dos principais exemplos é o emprego da toxina botulínica para ins estéicos, atenuando linhas de expressão facial (Campion, 2012). A regulamentação do exercício proissional no campo da estéica, nas variadas proissões da área de saúde, ainda vem ocorrendo. Na Enfermagem, especiicamente, foi publicada a Resolução Cofen nº 529, de 9 de novembro de 2016, que regulamenta a atuação do Enfermeiro na área da Estéica. Esta resolução foi alterada pelas Resoluções Cofen nº 626, de 20 de fevereiro de 2020, e nº 715, de 31 de janeiro de 2023 (Cofen, 2020). Dentre as possibilidades de procedimentos que o Enfermeiro está respaldado legalmente a realizar, estão: • carboxiterapia, • cosméicos, cosmecêuicos, • dermopigmentação, • micropigmentação, • drenagem linfáica, • eletroterapia/eletrotermofototerapia, • terapia combinada de ultrassom e microcorrentes, • ultrassom cavitacional e • vacuoterapia (Cofen, 2020). Contudo, é importante ponderar que a abrangência de atuação tende a se expandir à medida que as tecnologias e capacitação proissional se expandem. Mas, como transformar a estéica em um modelo de negócio na Enfermagem? 1. O modelo de negócios para a Estéica O modelo de negócio é um projeto ou esboço que explicita como a empresa gera e entrega valor para os clientes. Logo, diz respeito ao que a sua empresa faz para alguém (Persegona et al., 2019). 160 Antes de montar o seu modelo de negócios é importante ter respostas para as quatro perguntas a seguir: Qual a minha proposta de valor a ser oferecida? Quem é meu público consumidor e como o atrairei? Quais recursos, aividades e parceiros tenho disponíveis? Quanto vou gastar para implementar o meu negócio e irá-lo do papel? A im de facilitar esse processo, o consultor e empresário suíço Alex Osterwalder criou a ferramenta denominada Business Model Canvas (Osterwalder, 2004; Sebrae, 2021). Trata-se de uma ferramenta de planejamento estratégico, no formato de mapa visual, subdividido em nove blocos, que podem ser preenchidos conforme as caracterísicas da sua empresa (Figura 30). Figura 30 – Mapa Visual do Modelo de Negócios. Fonte: Adaptado de Osterwalder (2004). A seguir, são descritos, segundo Osterwalder (2004), cada um dos nove blocos do Modelo de Negócios, com base nas respostas às perguntas: Como fazer? O que fazer? Para quem fazer? Quanto custa/gera? Como fazer? • Parceiros-chave: diz respeito à rede de prestadores de serviços e fornecedores que tornam o modelo de negócio viável e eiciente. • Aividades-chave: diz respeito às aividades essenciais para que a empresa funcione e envolve três categorias: ações de produção relacionadas ao desenvolvimento, fabricação e entrega do produto; resolução de problemas e plataforma ou rede de divulgação. • Recursos-chave: Os recursos que são necessários para criar valor pra o cliente. São considerados aivos da empresa e são necessários para manter e dar suporte ao negócio. Existem quatro ipos de recursos que geralmente são importantes para um negócio. O primeiro é o recurso físico, 161 representado pelo espaço onde as atividades serão desenvolvidas e os equipamentos necessários; o segundo é o recurso financeiro para manutenção das atividades; o terceiro é representado pelos recursos humanos e o quarto envolve os recursos intangíveis ou intelectuais, que incluem marca, patente, banco de dados, direitos autorais, entre outros. O que fazer? • São os produtos e serviços oferecidos pela empresa, procurando destacar o que a difere dos concorrentes. Para quem? • Relação com o cliente: a empresa estabelece vínculos com os seus diferentes segmentos de clientes. A Gestão do Relacionamento com o Cliente — Customer Relaionship Management — envolve o uso de ferramentas que automaizam e facilitam o contato com os consumidores.Segmentos de clientes: diz respeito ao público-alvo/consumidores para os quais os produtos da empresa/serviços serão direcionados. • Canais: referem-se aos meios pelos quais uma empresa disponibiliza produtos e serviços aos consumidores. Esse processo inclue as estratégias de markeing e o fornecimento do produto. Quanto custa/gera? • Estrutura de custos: envolve todos os custos para que a empresa funcione e entregue ao consumidor o que se propõe. • Fluxos de receita: é a forma como a empresa se moneiza/ganha dinheiro, podendo ser a parir de variados luxos de receitas. Considerações inais Em um empreendimento na área da estéica, a aplicação do modelo de negócios viabilizará um arcabouço estratégico para aingir resultados posiivos. O processo de elaboração envolve um constante movimento de aprendizagem e reavaliação, com o objeivo de prestar um óimo atendimento ao consumidor e facilitar a tomada de decisão pelo Enfermeiro. Desse modo, a integração da estéica à abordagem integral da Enfermagem, poderá garanir elevados níveis de saisfação, qualidade e segurança, proporcionando aos clientes uma experiência única que visa não apenas aprimorar a aparência externa, mas também promover o bem-estar. Essa integração não apenas amplia o leque de serviços oferecidos pela Enfermagem, mas também posiciona o negócio na vanguarda da prestação de cuidados centrados no cliente e na busca conínua pela excelência. 162 REFERÊNCIAS CAMARGO, B. V. et al. Representações sociais do corpo: estéica e saúde. Temas em Psicologia, Ribeirão Preto, v. 19, n. 1, p. 257-268, 2011. Disponível em: htp://pepsic.bvsalud.org/scielo. php?script=sci_artext&pid=S1413389X2011000100021. Acesso em: 19 mai. 2025. CAMPION, C. The history of aestheic nursing: part 3 (2005-2012). Journal of Aestheic Nursing, v. 1, n. 3, p. 156-161, 2012. DOI: 10.12968/joan.2012.1.3.156. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Resolução COFEN nº 626, de 20 de fevereiro de 2020. Altera a Resolução COFEN nº 529/2016 sobre atuação do Enfermeiro na área de Estéica. Diário Oicial da União, Brasília, 2020. Disponível em: htp://www.cofen.gov.br/resolucao-cofen-no-626-2020_77398. html. Acesso em: 19 mai. 2025. MICHAELIS. Dicionário da língua portuguesa. São Paulo: Melhoramentos, 2023. OSTERWALDER, A. The business model ontology: a proposiion in a design science approach. 2004. 172 f. Tese (Doutorado) - Université de Lausanne, Suíça, 2004. Disponível em: htp://www.hec.unil. ch/aosterwa/PhD/Osterwalder_PhD_BM_Ontology.pdf. Acesso em: 19 mai. 2025. PERSEGONA, M. F. M. et al. Conselho Federal de Enfermagem: Governança e gestão estratégica orientada para resultados das aividades inalísicas. Enfermagem em Foco, v. 10, n. 6, 2019. Disponível em: htp://revista.cofen.gov.br/index.php/enfermagem/aricle/view/3385/644. Acesso em: 19 mai. 2025. SCHMITZ, D. S.; LAURENTINO, L.; MACHADO, M. Estéica facial e corporal: uma revisão bibliográica. 2010. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Cosmetologia e Estéica) - Universidade do Vale do Itajaí, Balneário Camboriú, 2010. SEBRAE. Como construir um modelo de negócio para sua empresa. 2021. Disponível em: htps:// www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/arigos/como-construir-um-modelo-de-negocio-para-sua- empresa. Acesso em: 19 mai. 2025. 163 22 TELEATENDIMENTO E TELENFERMAGEM Lucielena Maria de Sousa Garcia Soares Introdução A Telessaúde é um termo que pode ser deinido como o uso de Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs) na saúde para dispor de atendimento à distância de qualidade de maneira efeiva. O termo surgiu na década de 1960 e a práica vem se aprimorando devido ao aparecimento de novas tecnologias e necessidades da saúde (Lisboa et al., 2023). Tem sido usada para ampliar aividades de serviços digitais de saúde, como diagnósico, tratamento e prevenção de doenças, pesquisa, avaliação e educação para promoção da saúde (Melo et al., 2023). De acordo com Chao Ling Wen (2008), a Telessaúde no Brasil foi lançada em três momentos diferentes, que o autor chama de “marcos”. O primeiro em 2005, com o Programa chamado “Insitutos do Milênio”. O segundo, em 2006, teve comode redes de apoio que reconheçam e valorizem o papel único dos enfermeiros como empreendedores. 20 REFERÊNCIAS BARRETO, J. J. S. et al. Registros de enfermagem e os desaios de sua execução na práica assistencial. REME - Revista Mineira de Enfermagem, Belo Horizonte, v. 23, e1234, p. 1-8, 2019. Disponível em: htps://periodicos.ufmg.br/index.php/reme/aricle/view/49755. Acesso em: 25 fev. 2025. CAVALCANTE, P. A. A questão da desigualdade no Brasil: como estamos e o que precisamos fazer. Texto para Discussão 2593. Brasília, DF: IPEA, 2020. Disponível em: htp://dx.doi.org/10.38116/ td2593. Acesso em: 25 fev. 2025. CHAGAS, S. C. et al. O empreendedorismo de negócios entre enfermeiros. Revista Enfermagem UERJ, Rio de Janeiro, v. 26, e31469, 2018. DOI: 10.12957/reuerj.2018.31469. Acesso em: 25 fev. 2025. COLICHI, R. M. B.; LIMA, S. A. M. Empreendedorismo na enfermagem: comparação com outras proissões da saúde. Revista Eletrônica de Enfermagem, Goiânia, v. 20, e20a11, 2018. Disponível em: htps://revistas.ufg.br/fen/aricle/view/49358. Acesso em: 25 fev. 2025. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Cofen e Sebrae estudam parceria que incenive o empreendedorismo. Brasília, DF, 2021. Disponível em: htps://www.cofen.gov.br/cofen-e-sebrae- estudam-parceria-que-incenive-o-empreendedorismo/. Acesso em: 25 fev. 2025. COPELLI, F. H. da S.; ERDMANN, A. L.; SANTOS, J. L. G. dos. Entrepreneurship in Nursing: an integraive literature review. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília, DF, v. 72, p. 289-298, 2019. DOI: 10.1590/0034-7167-2017-0523. Acesso em: 25 fev. 2025. DANTAS, M. N. P. et al. Fatores associados ao acesso precário aos serviços de saúde no Brasil. Revista Brasileira de Epidemiologia, São Paulo, v. 24, e210004, 2021. Disponível em: htps://www.scielo.br/j/ rbepid/a/Z4sYgLBvFbJqhXGgQ7Cdkbc/. Acesso em: 25 fev. 2025. GUERRA, M. S.; JESUS, É. H.; ARAÚJO, B. R. Empreendedorismo e enfermagem: que realidade? Gestão e Desenvolvimento, v. 29, p. 61-84, 2021. DOI: 10.34632/gestaoedesenvolvimento.2021.9781. Acesso em: 25 fev. 2025. JAHANI, S. et al. Iranian entrepreneur nurses’ perceived barriers to entrepreneurship: a qualitaive study. Iranian Journal of Nursing and Midwifery Research, [S.l.], v. 21, n. 1, p. 45-53, 2016. DOI: 10.4103/1735-9066.174749. Acesso em: 25 fev. 2025. JOFRE, A. et al. Peril empreendedor entre estudantes de graduação em enfermagem. Acta Paulista de Enfermagem, São Paulo, v. 34, eAPE001645, 2021. DOI: 10.37689/acta-ape/2021AO001645. Acesso em: 25 fev. 2025. MENEGAZ, J. do C. et al. Challenges and potenialiies of business entrepreneurship in nursing: analogies to Brazilian entrepreneurial acivity. Texto & Contexto - Enfermagem, Florianópolis, v. 32, e20220274, 2023. DOI: 10.1590/1980-265X-TCE-2022-0274. Acesso em: 25 fev. 2025. NEERGÅRD, G. B. Entrepreneurial nurses in the literature: a systemaic literature review. Journal of Nursing Management, [S.l.], v. 29, n. 5, p. 905-915, 2021. DOI: 10.1111/jonm.13210. Acesso em: 25 fev. 2025. 21 NIKBAKHT-NASRABADI, A.; SHABANY-HAMEDAN, M. Providing healthcare services at home - a necessity in Iran: a narraive review aricle. Iranian Journal of Public Health, [S.l.], v. 45, n. 7, p. 867- 874, 2016. Disponível em: htps://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/aricles/PMC4980340/. Acesso em: 25 fev. 2025. SANTOS, A. P.; SOUZA, L. F. A judicialização da saúde e o Sistema Único de Saúde: revisão integraiva. Cadernos Ibero-Americanos de Direito Sanitário, Brasília, DF, v. 9, n. 2, p. 45-58, 2020. Disponível em: htps://www.cadernos.prodisa.iocruz.br/index.php/cadernos/aricle/view/635. Acesso em: 25 fev. 2025. SILVA, D. V. A carga tributária brasileira e a curva de Lafer. Brazilian Journal of Development, Curiiba, v. 7, n. 10, p. 100696-100707, 2021. DOI: 10.34117/bjdv7n10-400. Acesso em: 25 fev. 2025. THEPNA, A.; COCHRANE, B. B.; SALMON, M. E. Advancing nursing entrepreneurship in the 21st century. Journal of Advanced Nursing, [S.l.], v. 79, p. 3183-3185, 2023. DOI: 10.1111/jan.15563. Acesso em: 25 fev. 2025. WALL, S. Nursing entrepreneurship: moivators, strategies and possibiliies for professional advancement and health system change. Nursing Leadership, [S.l.], v. 26, n. 2, p. 29-40, 2013. DOI: 10.12927/cjnl.2013.23450. Acesso em: 25 fev. 2025. WILSON, A. et al. Rising to the challenge of health care reform with entrepreneurial and intrapreneurial nursing iniiaives. Online Journal of Issues in Nursing, [S.l.], v. 17, n. 2, p. 5, 2012. Disponível em: htps://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22686113. Acesso em: 25 fev. 2025. WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Nursing Now campaign: empowering nurses to lead and innovate. 2020. Disponível em: htps://www.who.int/news-room/detail/27-02-2020-nursing-now- campaign. Acesso em: 25 fev. 2025. 22 2 ASPECTOS ÉTICOS E LEGAIS NO EMPREENDEDORISMO Lucielena Maria de Sousa Garcia Soares Introdução Florence Nighingale, conhecida como precursora da enfermagem moderna, aplicou as melhores evidências e práicas clínicas de seu tempo para melhorar os resultados dos pacientes por meio do aumento do acesso dos pacientes ao ar fresco, nutrição e saneamento (Paison et al., 2022). Florence, também conhecida como “dama da noite”, por acompanhar à noite os soldados que haviam sido feridos na guerra da Crimeia, deixou um legado que inaugurou um modelo de enfermagem que relete atualmente na idenidade da proissão (Donoso, 2020). No Brasil, a primeira manifestação legal sobre a enfermagem dá-se com o Decreto nº 791 de 1890 (Coleção de Leis do Brasil – 1890), que criou a Primeira Escola de Enfermagem, dentro do Hospício Nacional para alienados (Resende, 1961). Consta no Art. 1º do referido decreto, que a escola inha como objeivo formar enfermeiros para atenderem hospícios, hospitais civis e militares. E no Art. 3º, que os estudos teóricos seriam três vezes por semana seguidos de visitas às enfermarias, sendo dirigidos por internos e inspetoras, sob a iscalização de médico e superintendência geral (Brasil, 1890). Em 1923, o Decreto Federal nº 16.300 introduziu a iscalização do exercício proissional de enfermagem que deveria ser realizado pelo Departamento Nacional de Saúde Pública por intermédio da Inspetoria de Fiscalização do Exercício da Medicina. O arigo 238 estabelecia que enfermeiros, elencados juntamente com massagistas, manicures, pedicures e optometristas, ao se incumbirem do tratamento de doentes, não poderiam praicar atos que não fossem por ordem médica, ou que fossem de incumbência médica. A não observação dessa norma era considerada infração éica, tratada como exercício ilegal da medicina (Petry et al., 2021). O Decreto-Lei Federal nº 5.452, de 1943, regulamentou a Consolidação das Leis do Trabalho, que tratava dos direitos trabalhistas. Em 1946, o arigo 511 foi modiicado, ampliando o conceito de proissional liberal. Em 2002, a Confederação Nacional de Proissionais Liberais incorporou o conceito de Proissional Liberal discuido no IV Congresso Mundial das Proissões Liberais, organizado pela União Mundial das Proissões Liberais (UMPL) e realizado nos dias 14 e 15 de novembro de 2002, em Paris, França, no Centre du Conferénce da Organisaion Internaionale des Epizooies. O tema central foi “Statut liberal et profession libérale”. A parir de 1949, com a Lei Federal nº 775, o ensino de enfermagem passa a ser realizado por enfermeiros, tornando-se privaiva desses proissionais a direção e a coordenação de serviços de enfermagem em insituições hospitalares, públicas ou privadas (Brasil, 1949). Com a Lei Federal nº 2.604 de 1955, foram estabelecidos os critérios para o exercício proissional de enfermagem, deinindo quem poderia exercê-la e quais as condições para tal (Brasil, 1955). Um grande avanço para a enfermagem foi concreizado com a Lei Federal nº 5.905 de 1973, que insituiu o sistema Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) e Conselhos Regionais de Enfermagem (Coren). Esses órgãos têm como aividades inalísicas as ações de: iscalizar,disciplinar e normaizar o exercício proissional de enfermagem (Brasil, 1973). Com Lei Federal nº 7.498 de 25 de junho de 1986, que regulamenta o Exercício Proissional de Enfermagem, novos critérios foram estabelecidos para exercer a enfermagem, desde ações privaivas e coleivas do enfermeiro bem como normaivas do exercício proissional para todas as categorias de enfermagem (Brasil, 1986). Algumas leis, ainda que não especíicas para a enfermagem, conferem segurança e autonomia aos proissionais para exercê-la também fora do contexto insitucional na condição de empreendedores. Um exemplo é a Lei Federal nº 13.874, de 20 de setembro de 2019, que insitui a Declaração de Direitos 23 de Liberdade Econômica e estabelece garanias de livre mercado (Brasil, 2019). No início de 2024, a Lei Federal nº 14.816, de 16 de janeiro, trouxe importantes avanços para o empreendedorismo no Brasil, incluindo a criação do Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte. 1. Aspectos Legais A legislação mencionada acima tem papel importante no exercício proissional da enfermagem, no entanto, duas Leis merecem destaque: 1.1 Lei Federal nº 5.905/1973 A Lei de criação do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) e dos Conselhos Regionais de Enfermagem (Coren) determina que suas aividades inalísicas incluem disciplinar, iscalizar e normaizar o exercício proissional de enfermagem. Determina no Art. 2º que “O Conselho Federal e os Conselhos Regionais são órgãos disciplinadores do exercício da proissão de enfermeiro e das demais proissões compreendidas nos serviços de enfermagem”. Somente o Conselho Federal de Enfermagem e os Conselhos Regionais de Enfermagem têm legiimidade para disciplinar a proissão enfermagem, conigurando, portanto, uma aividade autônoma e independente, sem relação hierárquica com nenhuma outra proissão ou categoria proissional. O Art. 8º airma, no inciso III que cabe ao Cofen “elaborar o Código de Deontologia de Enfermagem e alterá-lo, quando necessário, ouvidos os Conselhos Regionais”. Somente o Cofen e os Conselhos Regionais de enfermagem têm legiimidade para estabelecer e airmar o que é éico para a proissão enfermagem e, para garanir o devido cumprimento éico da proissão, ica estabelecida a ação de iscalização proissional realizada pelos Conselhos Regionais. Ainda, o inciso X do Art. 8º estabelece como função do Sistema Cofen/Conselhos Regionais de Enfermagem “promover estudos e campanhas para aperfeiçoamento proissional”. A parir dessa ação são elaboradas e aprovadas as Resoluções que normaizam o exercício da enfermagem, com estudos e campanhas que culminam em conhecimento para o aperfeiçoamento proissional. 1.2 Lei Federal nº 7.498/1986 A Lei que regulamenta o Exercício Proissional de Enfermagem inicia airmando que “é livre o exercício da enfermagem em todo o território nacional...” (art. 1º), desde que sejam “... exercidas por pessoas legalmente habilitadas e inscritas no Conselho Regional de Enfermagem com jurisdição na área onde ocorre o exercício” (art. 2º). O Arigo 11, incisos I e II, deine as funções privaivas e coleivas do enfermeiro, sendo estas exercidas como integrante da Equipe de Saúde. Entre elas, destacam-se as apresentadas no Quadro 01: 24 Quadro 01 – Funções Privaivas e Coleivas do Enfermeiro, Belo Horizonte-MG, Brasil, 2026. Funções Privaivas - Inciso I Funções Coleivas - Inciso II Alínea c Planejamento, organização, coordenação, execução e avaliação dos serviços da assistência de enfermagem Alínea a Paricipação no planejamento, execução e avaliação da programação de saúde Alínea h Consultoria, auditoria e emissão de parecer sobre matéria de enfermagem Alínea c Prescrição de medicamentos estabelecidos em programas de saúde pública e em roina aprovada pela insituição de saúde Alínea i Consulta de Enfermagem Alínea e Prevenção e controle sistemáico da infecção hospitalar e de doenças transmissíveis em geral Alínea j Prescrição da assistência de enfermagem Alínea g, h, i Assistência de enfermagem à gestante, parturiente e puérpera Acompanhamento da evolução e do trabalho de parto Execução do parto sem distocia Fonte: Elaborado pelo autor, 2026. A Lei do Exercício Proissional de Enfermagem, além de deinir quem pode exercer a enfermagem, traz com detalhes as quatro (04) categorias proissionais que compõem a proissão: enfermeiro, técnicos de enfermagem, auxiliares de enfermagem e parteiras, além de determinar que as ações de enfermagem devem ser realizadas sob a supervisão do enfermeiro. Todas as categorias proissionais de enfermagem podem empreender em qualquer área de sua escolha, desde que contratem enfermeiros para atuarem nas aividades privaivas previstas na Lei do Exercício Proissional de enfermagem. Alguns exemplos: 1. O técnico de enfermagem ao optar por abrir uma clínica de enfermagem para tratamento de feridas, deverá cumprir todas as exigências estabelecidas, dentre eles deverá garanir a presença do enfermeiro para assumir a responsabilidade técnica, realizar a supervisão da equipe de enfermagem e todas as aividades privaivas do enfermeiro. 2. Se um grupo de auxiliares de enfermagem planejar abrir uma empresa de Home Care, deverá incluir no planejamento a contratação do enfermeiro para realizar todas as aividades privaivas desse proissional. Isso inclui a supervisão da assistência de enfermagem, além da atuação como responsável técnico. 2. Aspectos Éicos O Conselho Federal de Enfermagem realiza a aividade inalísica de normaizar o exercício proissional da enfermagem por meio da elaboração e publicação de Resoluções. Apesar de não serem todas especíicas para quem pretende empreender na enfermagem, são Resoluções que norteiam o exercício proissional nos mais diferentes cenários e contextos de trabalho. No Quadro 02, são 25 apresentadas as Resoluções do Cofen com número e ano de publicação e a ementa correspondente. Algumas Resoluções sofreram alterações por outras resoluções, decisões ou erratas, todas aprovadas em plenárias do Cofen. Quadro 02 – Resoluções que norteiam o Empreendedorismo para a Enfermagem, Belo Horizonte- MG, Brasil, 2026. Resoluções Ementa Resolução Cofen nº 554/2017 Estabelece os critérios norteadores das práicas de uso e de comportamento dos proissionais de enfermagem, nos meios de comunicação de massa: na mídia impressa, em peças publicitárias, de mobiliário urbano e nas mídias sociais. Resolução Cofen nº 564/2017 Aprova o novo Código de Éica dos Proissionais de Enfermagem. Resolução Cofen nº 568/2018 (Alterada pela Resolução Cofen nº 606/2019) Aprova o Regulamento dos Consultórios de Enfermagem e Clínicas de Enfermagem. Resolução Cofen nº 581/2018 (Alterada pela Resolução Cofen nº 625/2020 e Decisões Cofen nº 065/2021, nº 120/2021, nº 263/2023 e nº 264/2023) Atualiza, no âmbito do Sistema Cofen/Conselhos Regionais de Enfermagem, os procedimentos para Registro de Títulos de Pós- Graduação Lato e Stricto Sensu concedido a enfermeiros e aprova a lista das especialidades. Resolução Cofen nº 673/2021 (Alterada pela Errata da Resolução Cofen nº 673/2021) Estabelece a Unidade de Referência de Trabalho de Enfermagem (URTE) para indexar os valores mínimos dos seus honorários e atualiza os valores mínimos dos honorários da enfermagem em URTE. Resolução Cofen nº 696/2023 (Alterada pelas Resoluções Cofen nº 707/2023 e nº 717/2023) Dispõe sobre a atuação da enfermagem na Saúde Digital, normaizando a Telenfermagem. Resolução Cofen nº 721/2023 Atualiza a norma técnica para Registro de Empresa no âmbito dos Conselhos Regionais de Enfermagem. Resolução Cofen nº 731/2023 Regulamenta a realização de sutura simples pelo Enfermeiro. Resolução Cofen nº 782/2025 Insitui os procedimentos necessários para concessão, renovação e cancelamento do registro da Anotação de Responsabilidade Técnica de Enfermagem e deine as atribuições do Enfermeiro Responsável Técnico Fonte: Elaborado pelo autor, 2026. Abaixoinformações mais detalhadas sobre as Resoluções do Cofen que norteia empreendedorismo na enfermagem: • Resolução Cofen nº 554/2017 – Estabelece os critérios norteadores das práicas de uso e de comportamento dos proissionais de Enfermagem em meio de comunicação de massa, na mídia impressa, em peças publicitárias, de mobiliário urbano e nas mídias sociais. Ao realizar o cuidado de enfermagem, devem os proissionais de enfermagem atentar para requisitos quanto à exposição que venha permiir a ideniicação de pacientes sem a sua devida autorização. Exemplo 01: é comum a presença de celebridades nos diversos contextos de atendimento à saúde. E não é incomum que o proissional de enfermagem registre com fotos essas presenças. No entanto, essas fotos não devem ser expostas em redes sociais ou mesmo grupos de WhatsApp sem a devida autorização, de preferência, por escrito, da celebridade envolvida. 26 Exemplo 02: todos os pacientes têm algo de especial para a enfermagem. Alguns pacientes constroem relações mais próximas com proissionais de enfermagem, o que pode culminar em registros fotográicos ou conversas referentes ao atendimento, internação, procedimentos. Devem ser evitadas quaisquer referências que permitam a ideniicação de pacientes sem a sua devida autorização. • Resolução Cofen nº 564/2017 – Aprova o Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem. O Código de Éica dos Proissionais de Enfermagem (CEPE) é o conjunto de direitos, deveres, responsabilidades e proibições para o exercício da proissão enfermagem cujo não cumprimento, parcial ou total, pode culminar em penalidades mediante processo éico instaurado e instruído nos Conselhos Regionais de enfermagem. Todos os proissionais da área estão submeidos ao Código de Éica de Enfermagem, independente do ambiente de trabalho ou vínculo empregaício. Proissionais de enfermagem que empreendem em aividades que fazem parte do escopo da enfermagem estão sujeitos ao Código de Éica de Enfermagem. Conigura aividades de enfermagem Não conigura aividades de enfermagem O enfermeiro, no consultório de enfermagem, mesmo sozinho com o paciente para a consulta e procedimentos de enfermagem está submeido ao CEPE em todas as suas ações. O proissional de enfermagem empreende com uma fábrica de jalecos. Embora o jaleco seja um uniforme comum em proissionais de enfermagem, fabricar jalecos não faz parte das aividades especíicas de enfermagem e, nesse caso, não se caracteriza como exercício proissional da enfermagem. • Resolução Cofen nº 568/2018 – Aprova o Regulamento dos Consultórios de Enfermagem e Clínicas de Enfermagem. Foi complementada pela Resolução Cofen nº 606/2019 que inclui modelos de Requerimento de Cadastro de Consultório e de Clínicas de Enfermagem e modelo de Registro de Consultórios e de Clínicas de Enfermagem. A consulta de enfermagem consta como aividade privaiva do enfermeiro desde 1986 com a Lei do Exercício Proissional de Enfermagem, devendo ser realizada em todos os ambientes de atendimento como hospitais, ambulatórios, consultórios de atenção básica e serviços especializados. Em 2018, o Cofen também regulamentou os consultórios e clínicas de enfermagem para realização da consulta de enfermagem pelo enfermeiro (ver capítulo “Como montar seu Consultório de Enfermagem”). • Resolução Cofen nº 581/2018 – Atualiza os procedimentos para Registro de ítulos de pós-graduação Lato sensu e Stricto sensu concedidos a Enfermeiros e aprova a lista das especialidades. Foi atualizada pela Resolução Cofen nº 625/2020 quanto aos procedimentos para Registros de Títulos de Pós- Graduação Lato e Stricto Sensu, aprovando a lista das especialidades e sendo complementada pelas: • Decisão Cofen nº 065/2021, que reconhece a Enfermagem Nuclear. • Decisão Cofen nº 120/2021, que insere na Área III, Ensino e Pesquisa, do Anexo dessa Resolução, o item “Bases Epistemológicas e Filosóicas da Enfermagem”. • Decisão Cofen nº 263/2023, que reconhece a Podiatria Clínica como Especialidade do Enfermeiro 27 e a insere na Área I, Saúde Coleiva; Saúde da Criança e do Adolescente; Saúde do Adulto, do Anexo da Resolução Cofen nº 581/2018. • Decisão Cofen nº 264/2023 que reconhece a Especialização em Reabilitação como Especialidade do Enfermeiro e a insere na “Área I, Saúde Coleiva; Saúde da Criança e do Adolescente; Saúde do Adulto”, do Anexo da Resolução Cofen nº 581/2018. O registro das especialidades de enfermagem no Cofen contribui para o banco de dados de proissionais pós-graduados, especialistas, mestres e doutores, gerando informações sobre a proissão para diferentes insituições nacionais como a Agência Nacional de Saúde (ANS), Receita Federal e insituições internacionais como universidades e serviços de saúde. • Resolução Cofen nº 673/2021 – Estabelece a Unidade de Referência de Trabalho de Enfermagem (URTE) para indexar os valores mínimos dos seus honorários e atualiza os valores mínimos dos honorários da Enfermagem em URTE. (Redação dada pela Errata da Resolução Cofen nº 673/2021). A Resolução trata de valores mínimos de referência para atendimentos de proissionais de enfermagem que devem ser considerados pelos empreendedores ao fazerem cálculos de preciicação. Valores abaixo da tabela de honorários não devem ser praicados enquanto que valores acima são de livre negociação entre as partes. Exemplo: Para calcular o valor de um atendimento domiciliar, o enfermeiro deve considerar seus gastos tais quais: deslocamento até o local, alimentação se necessário, material a ser uilizado nos procedimentos que advirem da consulta de enfermagem, mecanismos para registro do atendimento. Os valores da tabela de honorários são para referência (ver capítulo de Preciicação). • Resolução Cofen nº 696/2022 – Dispõe sobre a atuação da Enfermagem na Saúde Digital, normaizando a Telenfermagem. Essa Resolução teve o Arigo 5º alterado pela Resolução Cofen nº 707/2022. Este livro tem um capítulo dedicado ao Teleatendimento de Enfermagem. (Ver capítulo “Teleatendimento e Telenfermagem”). • Resolução Cofen nº 721/2023 – Atualiza a norma técnica para Registro de Empresa no âmbito dos Conselhos Regionais de Enfermagem. Essa Resolução veio revogar a Resolução Cofen nº 255/2001, atualizando e trazendo esclarecimentos quanto ao registro de empresas de enfermagem. Com essa atualização, proissionais de enfermagem que possuem empresas que prestam serviços dentro do escopo da enfermagem, devem obter junto ao Coren de sua jurisdição o Registro de Empresa e cumprir as regulamentações previstas. Conigura aividades de enfermagem Não conigura aividades de enfermagem Enfermeiros que possuem uma empresa de transporte para pacientes deverão obter o Registro de Empresa junto ao Coren. Enfermeiros que possuem uma empresa para realização de eventos em geral estão desobrigados do registro por não se tratar de exercício proissional especíico da enfermagem. 28 • Resolução Cofen nº 731/2023 – Regulamenta a realização de sutura simples pelo enfermeiro. Enfermeiros empreendedores de negócios, seja em consultórios, clínicas ou empresas de enfermagem, poderão ampliar seu escopo de atendimento ofertando a realização de sutura simples mediante capacitação estabelecida na Resolução. • Resolução Cofen nº 782/2025 – Insitui os procedimentos necessários para concessão, renovação e cancelamento do registro da Anotação de Responsabilidade Técnica de Enfermagem e deine as atribuições do Enfermeiro Responsável Técnico. Permite a modalidade aplicada à prestação de serviços de enfermagem na gestão de áreas técnicas por meio do qual o enfermeiro assume a responsabilidade técnica por serviços ou procedimentos específicos, previamente delimitados por contrato ou instrumento legal. A atuação do ERT, nesse caso, restringe-se ao escopo técnico da atividade pactuada, sem interferência na organização do serviço de enfermagem da instituição contratante e/ou subordinação ao ERT coordenador da instituição, devendo,no entanto, respeitar as normativas e rotinas institucionais. Exemplo: Um enfermeiro pode ser convidado, no mesmo período, por 02 (duas) clínicas particulares de saúde para elaborar e acompanhar o Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos em Saúde (PGRSS) de cada uma delas. O enfermeiro já realiza essa atividade vinculado a instituições; no entanto, como empreendedor, precisa assinar como Responsável Técnico para atender a Vigilância Sanitária Com essa Resolução, o enfermeiro pode solicitar ao seu Coren uma ART para cada Clínica, elaborar o PGRSS e acompanhar sua execução, tendo o cuidado de cancelar o ART quando finalizado o trabalho. Considerações inais Para a práica segura da proissão, é necessário que enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem conheçam e se submetam à legislação de enfermagem em vigor no país. O arcabouço éico e legal existente dá sustentação para a práica proissional de enfermagem vinculada às insituições e para esses proissionais que desejam uilizar os conhecimentos adquiridos na formação de enfermagem em aividades empreendedoras. 29 REFERÊNCIAS BRASIL. Decreto nº 791, de 27 de setembro de 1890. Cria no Hospício Nacional de Alienados uma escola proissional de enfermeiros e enfermeiras. Coleção de Leis do Brasil, 1890, p. 2456, v. Fasc. IX. ______. Decreto nº 16.300, de 31 de dezembro de 1923. Aprova o regulamento do Departamento Nacional de Saúde Pública. Diário Oicial da União: seção 1, 1 fev. 1924, p. 3199. ______. Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943. Aprova a Consolidação das Leis do Trabalho. Diário Oicial da União, 1 maio 1943. ______. Decreto nº 8.937, de 15 de junho de 1946. Regulamenta o exercício de proissões liberais. Diário Oicial da União, 15 jun. 1946. ______. Lei nº 775, de 6 de agosto de 1949. Dispõe sobre o ensino de enfermagem no país e dá outras providências. Diário Oicial da União, 13 ago. 1949. ______. Lei nº 2.604, de 17 de setembro de 1955. Regula o exercício da enfermagem proissional. Diário Oicial da União, 21 set. 1955. ______. Lei nº 5.905, de 12 de julho de 1973. Dispõe sobre a criação dos Conselhos Federal e Regionais de Enfermagem e dá outras providências. Diário Oicial da União, 13 jul. 1973. ______. Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986. Dispõe sobre a regulamentação do exercício da enfermagem e dá outras providências. Diário Oicial da União, 25 jun. 1986. ______. Decreto nº 10.139, de 28 de novembro de 2019. Dispõe sobre a revisão e consolidação dos atos normaivos inferiores a decreto. Diário Oicial da União, 28 nov. 2019. ______. Lei nº 13.874, de 20 de setembro de 2019. Insitui a Declaração de Direitos de Liberdade Econômica; estabelece garanias de livre mercado. Diário Oicial da União: edição extra B, 20 set. 2019. ______. Lei nº 14.816, de 16 de janeiro de 2024. Altera a Lei nº 14.600, de 19 de junho de 2023, para criar o Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte. Diário Oicial da União, 17 jan. 2024, p. 2. CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE PROFISSIONAIS LIBERAIS. Conceito de Proissional Liberal. IV Congresso Mundial das Proissões Liberais, UMPL - União Mundial das Proissões Liberais, Paris, França, 14-15 nov. 2002. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Resolução Cofen nº 554, de 17 de julho de 2017. Estabelece critérios norteadores das práicas de uso e comportamento dos proissionais de enfermagem em meios de comunicação. Brasília: COFEN, 2017. ______. Resolução Cofen nº 564, de 6 de novembro de 2017. Aprova o Código de Éica dos Proissionais de Enfermagem. Brasília: COFEN, 2017. 30 ______. Resolução Cofen nº 568, de 9 de fevereiro de 2018. Regulamenta o Registro de Consultórios e Clínicas de Enfermagem. Brasília: COFEN, 2018. ______. Resolução Cofen nº 581, de 11 de julho de 2018. Atualiza procedimentos para registro de ítulos de pós-graduação lato e stricto sensu concedidos a enfermeiros e aprova lista de especialidades. Brasília: COFEN, 2018. ______. Cofen nº 606, de 5 de abril de 2019. Inclui modelos de requerimento para cadastro de consultórios e clínicas de enfermagem. Brasília: COFEN, 2019. ______. Cofen nº 625, de 19 de fevereiro de 2020. Altera a Resolução Cofen nº 581/2018 sobre registro de ítulos de pós-graduação. Brasília: COFEN, 2020. ______. Cofen nº 673, de 30 de julho de 2021. Estabelece a Unidade de Referência de Trabalho de Enfermagem (URTE) e atualiza valores mínimos de honorários. Brasília: COFEN, 2021. 2021a. ______. Resolução Cofen nº 696, de 23 de maio de 2022. Dispõe sobre a atuação da enfermagem em Saúde Digital e normaiza a Telenfermagem. Brasília: COFEN, 2022. ______. Resolução Cofen nº 721, de 17 de maio de 2023. Atualiza normas para registro de empresas no âmbito dos CORENs. Brasília: COFEN, 2023. ______. Resolução Cofen nº 731, de 13 de novembro de 2023. Regulamenta a realização de sutura simples pelo enfermeiro. Brasília: COFEN, 2023. ______. Resolução Cofen nº 782, de 2 de julho de 2025. Insitui os procedimentos necessários para concessão, renovação e cancelamento do registro da Anotação de Responsabilidade Técnica de Enfermagem e deine as atribuições do Enfermeiro Responsável Técnico. Brasília: COFEN, 2025. DONOSO, M. T. V.; WIGGERS, E. Discorrendo sobre os períodos pré e pós Florence Nighingale: a enfermagem e sua historicidade. Enfermagem em Foco, v. 11, n. 1, p. 1-10, 2020. PATTISON, N.; DEATON, C.; MCCABE, C. O legado de Florence Nighingale para acadêmicos clínicos: análise de referencial de uma rede docente clínica. Journal of Clinical Nursing, v. 31, p. 353-361, 2022. PETRY, S. et al. Curricular reforms in the transformaion of nursing teaching in a federal university. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 74, n. 4, e20201242, 2021. RESENDE, M. A. Ensino de Enfermagem. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 15, n. 2, p. 110-158, abr. 1961. 31 3 O PROCESSO DE ABERTURA E REGISTRO DE CONSULTÓRIOS, CLÍNICAS E EMPRESAS DE ENFERMAGEM Lucielena Maria de Sousa Garcia Soares Andreia Oliveira de Paula Murta Introdução Em 2018, o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) publicou a Resolução Cofen nº 568 que regulamentou o registro de clínicas e consultórios de enfermagem. Constam na Resolução informações referentes ao espaço ísico, documentação necessária e taxas praicadas quando cabíveis (Cofen, 2018). A consulta de enfermagem já estava estabelecida como aividade privaiva do enfermeiro desde 1986, conforme Arigo 11, inciso I, alínea i da Lei Federal nº 7.498, que é a Lei do Exercício Proissional de Enfermagem (Brasil, 1986). Por se tratar de aividade privaiva estabelecida por lei, a consulta de enfermagem deve ser realizada obrigatoriamente na assistência de enfermagem em todos os níveis de atenção à saúde, tanto em insituições públicas quanto privadas. A práica clínica é desenvolvida de forma oportuna no local apropriado onde ocorre a interação da díade enfermeiro-usuário, a construção do vínculo e a avaliação biopsicossocial, para realizar o cuidado integral (Raiol, 2020). Os enfermeiros, quando da atuação em consultórios e clínicas de enfermagem, poderão realizar as aividades e competências regulamentadas pela Lei Federal nº 7.498, de 25 de junho de 1986, pelo Decreto nº 94.406, de 08 de junho de 1987, e pelas Resoluções do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen, 2018). Em 2023, a Resolução Cofen nº 721 atualizou a norma técnica, que já exisia desde 2001, para o registro de empresas de enfermagem no âmbito dos Conselhos Regionais de Enfermagem. A Resolução traz informações detalhadas para orientar o registro das empresas que prestam aividades exclusivas de enfermagem (Cofen, 2023). Em 2025, o Cofen atualizou as normas para concessão, renovação e cancelamento de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) com a emissão da Ceridão de Responsabilidade Técnica (CRT) (Cofen, 2025). A publicação dessas resoluções consituiu importante respaldo para o empreendedorismo na enfermagem. Entretanto, os trâmites legais para abertura e registro no Conselho de classe