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Enfermagem Empreendedora: 
Inspiração e Ferramentas 
ENFERMAGEM 
EMPREENDEDORA: 
INSPIRAÇÃO E FERRAMENTAS 
Belo Horizonte, 2026
CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM DE MINAS GERAIS
©2026, Conselho Regional de Enfermagem de Minas Gerais.
Qualquer parte desta publicação pode ser reproduzida, desde que citada a fonte.
ENFERMAGEM EMPREENDEDORA: INSPIRAÇÃO E FERRAMENTAS.
Publicação disponível no site do Coren-MG.
26-356085.0 CDD-610.73023
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Enfermagem empreendedora [livro eletrônico] : 
 inspiração e ferramentas / [organizadores Andréia 
 Oliveira de Paula Murta, Cássia Bianca de 
 Souza Quintão, Carla Prado Silva]. -- 
 Belo Horizonte, MG : Conselho Regional de 
 Enfermagem de Minas Gerais, 2026.
 PDF 
 Vários autores. 
 Bibliografia.
 ISBN 978-85-54978-10-5
 1. Consultórios médicos - Administração 
2. Enfermagem como profissão 3. Enfermeiros - 
Formação profissional 4. Empreendedorismo 
5. Inovação 6. Planejamento empresarial 
I. Murta, Andréia Oliveira de Paula. II. Quintão,
Cássia Bianca de Souza. III. Silva, Carla Prado.
Índices para catálogo sistemático:
1. Enfermagem como profissão 610.73023
Eliane de Freitas Leite - Bibliotecária - CRB 8/8415
APRESENTAÇÃO
Este livro convida o proissional de enfermagem a releir e descobrir que o empreendedorismo 
não apenas é possível, como também é um caminho promissor e necessário para o fortalecimento 
da proissão. A obra parte de quesionamentos comuns entre enfermeiros — como a viabilidade de 
empreender, as áreas de atuação e os primeiros passos — e mostra que o espírito empreendedor 
sempre esteve presente na história da enfermagem, desde Florence Nighingale até grandes nomes 
brasileiros.
Ao longo dos capítulos, o livro demonstra que o setor de saúde está em plena expansão e oferece 
amplas oportunidades para a atuação empreendedora do enfermeiro, apesar de ainda ser um caminho 
pouco explorado. São discuidos os desaios históricos, culturais e legais que limitam esse movimento, 
ao mesmo tempo em que se evidencia o enorme potencial inexplorado da categoria diante das novas 
demandas de saúde da população.
A obra apresenta, de forma didáica e práica, os fundamentos do empreendedorismo em enfermagem, 
abordando aspectos éicos e legais, gestão, inovação, tecnologia, markeing, planejamento inanceiro 
e desenvolvimento de modelos de negócio. Também explora diversas possibilidades de atuação, como 
cuidados domiciliares, consultórios especializados, estéica, educação, tecnologia em saúde, gestão e 
telemedicina.
Mais do que um manual técnico, o livro é um convite à mudança de mentalidade, incenivando o 
desenvolvimento de competências empreendedoras, inovação e protagonismo proissional. Seu 
objeivo é fornecer bases sólidas para que o enfermeiro inicie ou fortaleça sua jornada empreendedora, 
contribuindo para o crescimento pessoal, para o reconhecimento da enfermagem e para a melhoria da 
qualidade da assistência em saúde.
PLENÁRIO DO COREN-MG (2024-2026)
DIRETORIA DO COREN-MG
Presidente
Enfermeiro Bruno Souza Farias
Vice-Presidente
Enfermeira Maria do Socorro Pacheco Pena
Primeiro-Secretário
Enfermeiro Lucas Tavares
Segundo-Secretário
Enfermeiro Júlio César Baista Santana
Primeira-Tesoureira
Adriana Aparecida da Silva Pinheiro
Segunda-Tesoureira
Maria de Fáima Rodrigues de Oliveira
MEMBROS EFETIVOS DO PLENÁRIO
Débora Arreguy Silva
Maria José Menezes Brito
Messala Roberta Monteiro
Pablo Silva Corrêa
Richardson Miranda Machado
Alexandre Nascimento da Silva
Michelle Costa Leite Praça
Queila Benildes Fonseca Pessoa
Viviane Gizelli Moreira Sales
SUPLENTES
Cássia Bianca de Souza Quintão
Clayton Lima Melo
Daniel dos Santos Fernandes
Helisamara Mota Guedes
Matheus Medeiros e Melo
Múcio Eduardo da Silva Junior
Natasha Preis Ferreira
Rômulo Lima Barroso de Queiroz
Rudson Antônio Ribeiro Oliveira
Ana Carolina de Carvalho
Ana Paula Neves Rocha Trindade
Anderson Pereira Estevam
Daiana Crisina Peixoto de Oliveira Maia
Ernandes Rodrigues Moraes
Layza Nara Coelho Vieira
DELEGADOS REGIONAIS
Efeivo: Bruno Souza Farias.
Suplente: Maria do Socorro Pacheco Pena
ORGANIZADORES
Andréia Oliveira de Paula Murta – Chefe da 
Câmara Técnica do Coren-MG
Cássia Bianca de Souza Quintão – Conselheira de 
Referência da Câmara Técnica do Coren-MG
Carla Prado Silva – Apoio Técnico da Câmara 
Técnica do Coren-MG
AUTORES
Ricardo Bezerra Cavalcante 
Helen Crisiny Teodoro Couto Ribeiro 
Lucielena Maria de Sousa Garcia Soares 
Eliete Albano de Azevedo Guimarães 
Fábio da Costa Carbogim 
Flávia Baista Barbosa de Sá Diaz 
Andréia Oliveira de Paula Murta
Carla Prado Silva 
Ronilson Storck 
Ana Carolina Silva
REVISORES
Andréia Oliveira de Paula Murta 
Cássia Bianca de Souza Quintão
Carla Prado Silva 
Ricardo Bezerra Cavalcante
Helen Crisiny Teodoro Couto Ribeiro 
ACADÊMICOS COLABORADORES
Giovanna Campolina de Souza Lisboa
Isabella Stefani Meireles Souza
Laura Stephany Silva Costa
DIAGRAMAÇÃO
Brígida Matos Ornelas
REVISÃO ORTOGRÁFICA
Leila Caeiro
CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM DE MINAS GERAIS
SEDE:
Rua da Bahia, 916 - 2º andar - Centro - Belo Horizonte - MG - CEP: 30160-011
Telefone: (31) 3238-7500 E-mail: gab@corenmg.gov.br Site: www.corenmg.gov.br
SUBSEÇÕES:
Governador Valadares
Avenida Sete de Setembro, 2716, Ediício Medical Center, 1º Andar
Bairro: Centro - CEP: 35.010-172
E-mail: governadorvaladares@corenmg.gov.br
Ipainga
Rua Zita Soares de Oliveira, 212 , Sala 702, Bairro: Centro, CEP: 35.160-007
E-mail: ipainga@corenmg.gov.br
Juiz de Fora
Avenida Barao do Rio Branco, 2390, Sala 1702, Bairro: Centro, CEP: 36.015-510
E-mail: juizdefora@corenmg.gov.br
Montes Claros
Rua Correia Machado, 1025, Salas 103, 104 e 105, Bairro: Centro, CEP: 39.400-090
E-mail: montesclaros@corenmg.gov.br
Passos
Dr. Manoel Pai, 170, Salas 02 e 04, Bairro: Centro, CEP: 37.900-040
E-mail: passos@corenmg.gov.br
Pouso Alegre
Rua Adolfo Olinto, 121, Sala 03, Bairro: Centro
CEP: 37.550-118E-mail: pousoalegre@corenmg.gov.br
Teóilo Otoni
Rua Doutor Manoel Esteves, 323, Sala 105 e 107, Bairro: Centro, CEP: 39.800-090
E-mail: teoilootoni@corenmg.gov.br
Uberaba
Av Leopoldino de Oliveira, 3490, 601, Bairro: Centro, CEP: 38.010-000
E-mail: uberaba@corenmg.gov.br
Uberlândia
Avenida Getulio Vargas, 275, Sala 605, Bairro: Centro, CEP: 38.400-299
E-mail: uberlandia@corenmg.gov.br
Varginha
Praça Champagnat, 29, 2º Andar, Bairro: Centro, CEP: 37.002-150
E-mail: varginha@corenmg.gov.br
UAIS:
Divinópolis
Rua Goiás, 206, Bairro: Centro, CEP: 35.500-000
E-mail: uai.divinopolis@planejamento.mg.gov.br
Patos de Minas
Rua Jose de Santana, 1307, - de 202/203 Ao Fim. Bairro: Centro, CEP: 38.700-052
E-mail: uai.patosminas@planejamento.mg.gov.br
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO 13
1. DESAFIOS DO EMPREENDEDORISMO DE NEGÓCIOS EM ENFERMAGEM 17
2. ASPECTOS ÉTICOS E LEGAIS NO EMPREENDEDORISMO 22
3. O PROCESSO DE ABERTURA E REGISTRO DE CONSULTÓRIOS, 
CLÍNICAS E EMPRESAS DE ENFERMAGEM 31
4. CONCEITOS: EMPREENDEDORISMO, INOVAÇÃO 
E TECNOLOGIA 40
 
5. MARCA PESSOAL / PROFISSIONAL E AS SKILLS
NECESSÁRIAS PARA EMPREENDER 43
6. EMPREENDEDORISMO E MARKETING DIGITAL 47
7. INFORMAÇÃO E CONHECIMENTO COMO ELEMENTOS 
FUNDAMENTAIS PARA O EMPREENDEDORISMO EM ENFERMAGEM 53
8. EMPRESAS JUNIORES, INCUBADORAS E STARTUPS 63
9. EMPREENDEDORISMO TECNOLÓGICO EM SAÚDE 68
10. PROTEGENDO INVENÇÕES E INOVAÇÕES EM ENFERMAGEM 77
11. DESIGN THINKING NO DESENVOLVIMENTO
DE UM SOFTWARE PROTÓTIPO PARA AVALIAÇÃO 
MULTIDIMENSIONAL DA PESSOA IDOSA 83
12. PLANO DE NEGÓCIO E MODELO DE NEGÓCIO: 
FERRAMENTAS DE GESTÃO ESTRATÉGICA PARA O ENFERMEIRO 
EMPREENDEDOR 94
13. PLANEJAMENTO FINANCEIRO 105
14. MINIMUM VIABLE PRODUCT (MVP) E PROTÓTIPO: 
ESTRATÉGIAS PARA TRANSFORMAR IDEIAS INOVADORAS 
EM SOLUÇÕES PRÁTICAS NA ENFERMAGEM 110
15. AVALIAÇÃO DE TECNOLOGIAS EMpara 
esses empreendimentos ainda geram dúvidas aos proissionais, destacando-se a Resolução Cofen nº 
581/2018, que regulamenta o registro de ítulos de Pós-graduação Lato e Stricto Sensu concedidos a 
enfermeiros e aprova a lista das especialidades, que classiica as áreas de atuação em assistencial, de 
gestão, e de ensino, trazendo uma gama de possibilidades para a enfermagem que planeja empreender 
(Cofen, 2018).
Este capítulo objeiva esclarecer o passo a passo para abertura e registro de consultórios, clínicas 
e empresas de enfermagem no Conselho de classe, assim como orientar conceitualmente e dirimir as 
principais dúvidas dos proissionais que chegam à Câmara Técnica do Coren-MG.
1) Tipos de Empreendimentos 
A Resolução Cofen nº 568/2018 traz em seu anexo todas as informações necessárias para o registro 
de consultórios e clínicas de enfermagem no Coren da jurisdição onde o proissional pretende atuar. 
Primeiramente, é importante entender a diferença entre consultórios, clínicas e empresas de enfermagem.
32
1.1 Consultório de Enfermagem
O consultório de enfermagem é a área ísica onde se realiza a consulta de enfermagem e outras 
aividades privaivas do enfermeiro, para atendimento exclusivo da própria clientela (Cofen, 2018).
É permiida a uilização do consultório de enfermagem por mais de um proissional, desde que 
as aividades de cada um não estejam, necessariamente, vinculadas ou condicionadas sob qualquer 
aspecto às dos demais (Cofen, 2018).
Como exemplo, pode-se citar uma enfermeira esteta que realiza atendimentos em uma sala 
comparilhada com uma nutricionista. Às segundas e quartas, a enfermeira atende pacientes para 
realização de tratamentos estéicos, às terças e quintas, a nutricionista uiliza o mesmo espaço para 
consultas que focam o emagrecimento. Às sextas, a enfermeira ministra cursos para outras enfermeiras 
estetas. Ressalte-se que o enfermeiro de consultório coleivo responde solidariamente com os demais 
pela uilização indevida do local (Cofen, 2018).
Os consultórios de enfermagem têm a prerrogaiva de poder ser registrados no Conselho Regional 
de Enfermagem (Coren) como pessoa ísica, com a Ceridão de Pessoa Física (CPF), ou como pessoa 
jurídica, com Ceridão Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), não sendo necessário solicitar a concessão 
de ART para a obtenção da CRT. O registro de consultório de enfermagem é isento do pagamento de 
anuidades e emolumentos. No entanto, o enfermeiro deve estar quite com sua situação inanceira e 
cadastral (Cofen, 2018).
A área ísica do consultório de enfermagem precisa atender a todas as exigências de consultório 
de saúde descritas na Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 50/2002 e na RDC nº 307/2022, da 
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e deve estar devidamente autorizada pelos órgãos 
sanitários competentes municipais e estaduais, para seu registro do consultório no Coren.
Caso o enfermeiro venha a deixar de exercer a aividade no consultório registrado no Coren, deverá 
solicitar o imediato cancelamento do registro de consultório, isento de cobrança, visando resguardar 
a sua integridade proissional. O registro tem validade de 5 anos, devendo ser renovado antes do 
vencimento (Cofen, 2018).
De acordo com o Sistema Integrado de Gestão (SIG) do Coren-MG, em outubro de 2025, o Estado de 
Minas Gerais possuía 140 consultórios de enfermagem registrados no Conselho.
1.2 Clínicas de Enfermagem
Clínicas de enfermagem são estabelecimentos consituídos por consultórios e ambientes desinados 
ao atendimento de enfermagem individual, coleivo e/ou domiciliar (Cofen, 2018).
De acordo com a Lei do Exercício Proissional de Enfermagem, o enfermeiro é responsável por 
supervisionar aividades de técnicos e auxiliares de enfermagem. No entanto, isso não é impedimento 
para os técnicos de enfermagem empreenderem, abrindo clínicas de enfermagem. Como proprietários, 
deverão cumprir a legislação, contratando enfermeiros para assumirem a responsabilidade técnica, 
para realizarem as aividades privaivas previstas na Lei e para supervisionarem as aividades de 
técnicos e auxiliares de enfermagem (Brasil, 1986).
A clínica deve possuir CNPJ e estar em conformidade com as exigências sanitárias. As clínicas de 
enfermagem icam isentas do pagamento de taxa de ART e taxa de emissão de CRT. O Registro de 
Empresa tem validade de 5 anos, devendo ser renovado antes do vencimento (Cofen, 2018).
Considerando que o enfermeiro pode realizar em consultórios e clínicas de enfermagem tudo que 
está previsto na Lei do Exercício Proissional de Enfermagem e nas Resoluções do Cofen, são exemplos 
de áreas de atuação: manejo da dor, saúde mental, obstetrícia, tratamento de lesões, estéica e práicas 
integraivas (Cofen 2018).
De acordo com o Sistema Integrado de Gestão (SIG) do Coren-MG, em outubro de 2025, o Estado 
de Minas Gerais possuía 38 clínicas de enfermagem registradas no Conselho.
33
1.3 Empresas de Enfermagem
Empresas de enfermagem são organizações caracterizadas com CNPJ, devidamente consituídas 
em órgãos de registro empresarial com descrição de aividades e/ou objeto social “Aividades de 
Enfermagem”. Essas empresas prestam e/ou executam serviços exclusivos na área de enfermagem. 
Além disso, devem arcar com a anuidade jurídica que é o valor ixado pelo Coren para recolhimento 
anual durante a vigência do registro da empresa, esipulado de acordo com o valor do capital social da 
empresa (Cofen, 2023).
As empresas de enfermagem devem obter o Registro de Empresa (RE) junto ao Coren e deverão 
possuir enfermeiro Responsável Técnico (ERT) com a respeciva Ceridão de Responsabilidade Técnica 
(CRT) vigente, conforme Resolução Cofen especíica (Cofen, 2023).
Pontua-se que de acordo com o Parecer nº 0042/2021 da Câmara Técnica de Legislação e Normas 
(CTLN) do Cofen, proissionais de enfermagem não podem atuar com CNPJ na modalidade de 
Microempreendedor Individual (MEI), uma vez que não estão inclusos nas aividades englobadas por 
essa categoria, que visa a formalização de proissionais autônomos e de proissões não regulamentadas 
(Cofen, 2021). 
1.4 Outros ipos de empresas
O enfermeiro possui diversas possibilidades autônomas e empreendedoras. Ele pode abrir o seu 
próprio negócio, atuar em home care, cooperaivas, como autônomo em consultoria e auditoria 
ou empresas, atendimento de eventos como dairy care, aividades de ensino como proprietário ou 
prestando serviços proissionais como vacinação, consultoria de amamentação, esterilização de 
material médico-hospitalar, transporte de pacientes, aluguel de equipamentos e comércio de produtos 
em áreas hospitalares (Bragagnolo et al., 2023). 
Somente empresas de enfermagem cuja descrição de aividades e/ou objeto social são aividades 
de enfermagem, precisam ser registradas no Coren (Cofen, 2023).
2) Registro de Consultórios, Clínicas e Empresas de Enfermagem no Conselho Regional de 
Enfermagem (Coren) – Documentação Necessária
De acordo com a Resolução Cofen nº 568/2018, os consultórios e clínicas de enfermagem devem 
ser registrados no Coren (Cofen, 2018). De igual forma, as empresas de enfermagem cujas aividades 
forem da proissão enfermagem também devem ser registradas no Coren de acordo com a Resolução 
Cofen nº 721/2023 (Cofen, 2023). 
Para o registro de consultórios, clínicas e/ou empresas de enfermagem no Coren-MG, seguir o 
trâmite descrito no link: 
https://www.corenmg.gov.br/fiscalizacao/registro-de-empresas-consultorios-e-clinicas-de-
enfermagem/
O Quadro 03, traz um comparaivo para registro no Coren da jurisdição do proissional, fundamentado 
nas Resoluções Cofen nº 568/2018 e nº 721/2023. Apenas o consultório de enfermagem tem a opção 
de realizar o registro com CPF ou CNPJ. Demais clínicas e empresas de enfermagem, somente podem 
ser registradas no Coren com CNPJ.
34
Quadro 03 – Comparaivo para Registro de Consultórios, Clínicas e Empresas de Enfermagem, Belo 
Horizonte-MG, Brasil, 2026.
Item Consultórios Clínicas Empresas
Registro CPF ouCNPJ Somente CNPJ Somente CNPJ
Taxa de Registro Não se aplica Isentas
- Isentas as empresas 
públicas, beneicentes e 
ilantrópicas
- Recolhimento da taxa de 
RE para empresas privadas
Taxa de ART/CRT Não se aplica Isentas Não especiicado 
Responsável Técnico com 
Ceridão de Responsabilidade 
Técnica 
Não se aplica Sim
Sim
Anuidade jurídica Isento Não especiicado Sim
Fonte: Elaborado pelos autores, 2026.
3) Espaço Físico de Consultórios, Clínicas e Empresas
É a área destinada à realização de atividades profissionais de enfermagem. A área física deve 
observar as resoluções dos órgãos sanitários competentes. A Resolução da Diretoria Colegiada 
(RDC) consiste em uma série de normas regulamentares, cujo objetivo é atribuir responsabilidades a 
empresas e profissionais, a fim de garantir as Boas Práticas, mantendo os padrões de qualidade dos 
produtos e serviços destinados à saúde da população.
O Decreto nº 10.139, de 28 de novembro de 2019, dispõe sobre a revisão e a consolidação dos 
atos normativos inferiores a decreto que são: Portarias, Resoluções, Instruções Normativas, Ofícios 
e Avisos, Orientações Normativas, Diretrizes, Recomendações, Despachos de Aprovação e qualquer 
outro ato inferior a decreto com conteúdo normativo. Entre as Resoluções, destaca-se a RDC nº 307, 
de 14 de novembro de 2022, que alterou, mas não revogou, a RDC nº 50, de 21 de fevereiro de 2002. 
Esta última dispõe sobre o Regulamento Técnico para planejamento, programação, elaboração e 
avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde.
No Quadro 04, constam as orientações detalhadas da RDC nº 50, de 21 de fevereiro de 2002, 
alterada pela RDC nº 307, de 14 de novembro de 2022. Apesar de não estabelecer normativas e 
regulamentações específicas para consultórios, clínicas ou empresas de enfermagem, a RDC orienta 
como deve ser a área física de todos os serviços de saúde nos quais estão incluídos os serviços de 
enfermagem.
Quadro 04 – Orientações sanitárias para a área ísica de serviços de saúde (RDC nº 50/2002 e RDC 
nº 307/2022), Belo Horizonte-MG, Brasil, 2026.
Itens descritos Como devem ser
Paredes Laváveis
Pisos Não porosos
Ralos Tampas escamoteáveis
Lixeiras Ideniicadas, tampas acessíveis sem toque de mãos
35
Banheiros
Ideniicados Masculino/Feminino, dentro ou fora do 
consultório indiferenciado e anexo aos consultórios de 
ginecologia, proctologia e urologia.
Portas de Banheiros
Devem abrir de dentro pra fora para evitar acidentes 
com pacientes atrás das portas
Torneiras de pias Acessíveis sem toque de mãos
Sabão líquido, Álcool em gel e papel 
toalha
Dispenser 
Consultórios (metragem) 7,5 m²
Atendimento em grupo (metragem) 0,8 m² por pessoa
Acessibilidade/segurança do paciente/ 
gestão de riscos
Barras de proteção, rampas de acesso, ideniicação de 
pacientes 
Fonte: Elaborado pelos autores, 2026.
O Quadro 05 traz informações referentes à documentação exigida pela Anvisa durante inspeção dos 
serviços de saúde para liberação de Alvará Sanitário em conformidade com a RDC nº 50/2002 e RDC 
nº 307/2022.
Quadro 05 – Documentação exigida pela ANVISA para serviços de saúde, Belo Horizonte-MG, Brasil, 
2026.
Documentação exigida Como apresentar
Programa de Gerenciamento de 
Resíduos Sólidos em Saúde (PGRSS)
Elaborado por proissional competente com Ceridão 
de Responsabilidade Técnica (COFEN 2022)
Controle de Insetos e Roedores Ceriicado de Desinseização e Desraização
Higienização de Reservatório Hídrico Ceriicado de limpeza de caixa d’água
Manual de Normas e Roinas Procedimento Operacional Padrão (POPs)
Organização interna de trabalho Regimento Interno
Fonte: Elaborado pelo autor, 2026.
4) Alvará Sanitário
Para a Resolução da Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais (Resolução SES/MG nº 7.426, de 
25 de fevereiro de 2021), que estabelece as regras do licenciamento sanitário e os prazos para resposta 
aos requerimentos de liberação de aividade econômica de que trata o Decreto Estadual n.º 48.036, de 
10 de setembro de 2020, no âmbito da Vigilância Sanitária do Estado de Minas Gerais, o Alvará Sanitário, 
também conhecido como Alvará da Vigilância Sanitária, é “um documento expedido por intermédio 
de ato administraivo privaivo do órgão sanitário competente, permiindo o funcionamento de 
estabelecimentos sujeitos ao controle sanitário”, de acordo com a Classiicação Nacional de Aividades 
Econômicas (CNAE) (SES/MG, 2021).
O Alvará Sanitário não se refere ao exercício proissional, mas ao estabelecimento: à área ísica, 
acessibilidade, projeto arquitetônico, hidráulico, elétrico, onde o proissional exercerá suas aividades 
36
e é expedido pela Vigilância Sanitária Municipal mediante inspeção no local. Para obtenção do Alvará 
Sanitário, a área ísica deverá atender todos os critérios das RDC nº 50/2002 e RDC nº 307/2022.
5) Deinindo a Natureza Jurídica
A Lei Federal nº 10.406, de 2002, que insitui o Código Civil Brasileiro, estabelece no arigo 40 que 
uma Pessoa Jurídica pode ter 3 classiicações disintas:
• Pessoa Jurídica de Direito Público Interno: compreende Municípios, Estados, União, Territórios 
e autarquias.
• Pessoa Jurídica de Direito Público Externo: abrange estados estrangeiros e pessoas que forem 
regidas pelo Direito Internacional (Arigo 42).
• Pessoa Jurídica de Direito Privado: inclui as associações, sociedades e fundações, ONGs, paridos 
políicos, organizações religiosas (Arigo 44). Iniciam sua personalidade jurídica com inscrição 
do ato consituivo no respecivo registro, precedida, quando necessário, de autorização do 
Poder Execuivo.
5.1 Tipos de Pessoa Jurídica de Direito Privado (Sociedades)
5.1.1. Sociedade Limitada (Ltda): a mais uilizada quando se quer abrir uma empresa com mais 
pessoas. Requer contrato social com direitos e obrigações de todos os sócios.
5.1.2. Sociedade Anônima (S/A): consituídas por ações. Cada sócio é responsável de acordo com 
sua cota de ações
5.1.3. Microempreendedor Individual (MEI); não se aplica a proissionais de Enfermagem. Atende 
apenas proissões sem formação especíica ou que não possuem registro em conselho de classe
5.1.4. Sociedade Individual – EIRELI: Permite a formação com apenas uma pessoa, no entanto 
requer um capital mínimo referente a 100 salários mínimos vigentes. Ainda existem sociedades nesse 
formato.
5.1.5. Empresário Individual (EI): Permite a formação com apenas uma pessoa, no entanto não há 
separação entre o capital da pessoa ísica e o capital da pessoa jurídica podendo seus bens pessoais 
serem colocados como garania.
5.1.6. Sociedade Limitada Unipessoal (SLU): permite a formação com apenas uma pessoa, porém 
não tem valor mínimo de capital. A razão social é sempre o nome do proprietário seguido da palavra 
“limitada”.
6) Etapas da Abertura de uma Empresa
a) Buscar consultorias/assessorias/mentorias (contábeis, jurídicas, de markeing, entre outras).
b) Buscar o Código Nacional de Aividade Econômica - CNAE principal e/ou secundário que mais se 
adeque à aividade.
c) Registrar no Coren de sua jurisdição quando se tratar de aividade de enfermagem.
Quando o proissional de enfermagem decide empreender, deve, primeiramente, avaliar quais 
empreendimentos são compaíveis com sua formação. Enquanto consultórios de enfermagem são 
somente para enfermeiros, clínicas e empresas de enfermagem podem ser empreendimentos para 
enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem. No entanto, ao empreenderem, estes úlimos 
devem contratar enfermeiros para exercer as aividades privaivas da proissão e para a supervisão de 
enfermagem/RT para a equipe.
Ao decidir empreender como pessoa jurídica, o proissional deverá buscar orientação contábil e 
jurídica para deinir qual a mais adequada para suas aividades (CNAE), de acordo com o item nº 5.1 
ipos de Pessoa Jurídica de Direito Privado. No Quadro 06, encontram-se algumas perguntas presumidas 
para empreender em consultórios, clínicas e empresas de enfermagem. 
37
Quadro 06 – Perguntas e Respostas para empreenderem Consultórios, Clínicas e Empresas de 
Enfermagem, Belo Horizonte-MG, Brasil, 2026.
Perguntas Respostas Considerações
Proissional de Enfermagem pode 
atuar apenas com CPF?
Sim
Em consultório de enfermagem, 
conforme Resolução Cofen nº 568/2018
Um Enfermeiro pode ser RT de 
uma clínica de estéica onde 
um proissional não Enfermeiro 
realiza procedimentos estéicos?
Sim
O enfermeiro é responsável técnico 
apenas ao que se refere às atividades 
de enfermagem (Resolução Cofen nº 
782/2025)
Um único consultório pode ser 
uilizado por vários proissionais 
sem conigurar uma clínica? Sim
Desde que seja, um profissional por vez, 
em horários diferentes previamente 
acordados entre os profissionais, 
conforme orienta a Resolução Cofen nº 
568/2018
O Enfermeiro precisa ter 
consultório para realizar 
atendimentos domiciliares?
Não
O atendimento domiciliar é regido pela 
Resolução Cofen nº 766/2024 e não faz 
nenhuma vinculação ao Consultório de 
enfermagem
Fonte: Elaborado pelos autores, 2026.
Considerações inais
Este capítulo traz esclarecimentos aos proissionais de enfermagem que já empreendem ou 
pretendem empreender, abordando questões conceituais e operacionais relacionadas ao registro de 
consultórios, clínicas e empresas de enfermagem. No entanto, alguns desaios ainda se apresentam, 
como o desconhecimento, o medo de trocar a segurança dos vínculos de trabalho existentes pela 
experiência de empreender na enfermagem, preocupação em relação à aceitação do público.
Espera-se que este conteúdo possa despertar os proissionais de enfermagem para o 
empreendedorismo, orientar os que desejam começar a empreender na enfermagem para que possam 
iniciar com segurança e conhecimento. Além disso, busca esclarecer dúvidas dos proissionais que já 
empreendem, propiciando uma maior compreensão para abertura e registro de novos consultórios, 
clínicas e empresas de enfermagem.
38
REFERÊNCIAS 
BRAGAGNOLO, E. G. F. et al. Empreendedorismo em enfermagem no Brasil: scoping review. 
Revista Recien - Revista Cieníica de Enfermagem, v. 13, n. 41, p. 581-594, 2023. DOI: 10.24276/
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RAIOL, I. F. et al. A simulação realísica na consulta de enfermagem voltada ao idoso. Revista Enfermagem 
UFPE Online, p. 1–5, 2020.
40
4
CONCEITOS: EMPREENDEDORISMO, INOVAÇÃO 
E TECNOLOGIA
Fábio da Costa Carbogim
Introdução
O panorama social contemporâneo, caracterizado pelo aumento da expectaiva de vida da 
população, aliado à globalização da economia, repercute decisivamente nos cenários e na forma de 
atuação proissional (Colichi et al., 2019). A interseção entre um mundo globalizado e a necessidade 
de avançar no conhecimento têm esimulado o desenvolvimento e a busca por novas sistemáicas 
criaivas. Nesse senido, empreender, inovar e produzir tecnologia tem ganhado cada vez mais espaço 
entre as proissões, com destaque para a enfermagem (Araújo et al., 2022).
Para compreender como isso repercute na vida proissional é preciso entender o que cada um 
desses conceitos signiica e como eles se interconectam.
O empreendedorismo foi deinido pela primeira vez por Joseph Alois Schumpeter (1883-1945) como 
uma caracterísica de quem propõe soluções a problemas de maneira oportuna e criaiva. De outro 
modo, signiica a capacidade do empreendedor para implementar um serviço, um produto ou um 
negócio que agregue valor de consumo à sociedade (Backhaus, 2006). Os empreendedores são pessoas 
pioneiras em mudanças em sua área, que têm capacidade de visualizar e explorar as oportunidades, 
produzindo tecnologias e/ou inovações (Colichi et al., 2019; Copelli et al., 2020).
A tecnologia pode ser compreendida como a aplicação cieníica da técnica (conjunto de métodos e 
procedimentos) para desenvolver instrumentos que subsituam a ação humana (Veraszto et al., 2009). 
Cabe destacar que nem sempre uma inovação é tecnológica, apesar de a tecnologia gerar inovação. 
Desse modo, inovação envolve a combinação de instrumentos, processos e métodos com o objeivo 
de oimizar uma aividade (Veraszto et al., 2009). Por exemplo, a criação do cateter intravenoso é 
considerada uma tecnologia, mas as transformações empregadas ao longo dos anos para aperfeiçoá-lo, 
são inovações. Logo, tecnologia e/ou inovação se relacionam inimamente com o empreendedorismo e 
são fortes aliados para o estabelecimento de um novo negócio (Colichi et al., 2019; Copelliet al., 2020).
No empreendedorismo, a criaividade, o pensamento críico, a iniciaiva, o trabalho em equipe e as 
redes de apoio são a base para produção de inovação e de tecnologia (Colichi et al., 2019).
Empreendedorismo na Enfermagem
o campo da Enfermagem, empreendedorismo signiica praicar de forma independente o próprio 
modNo campo da enfermagem, o empreendedorismo signiica praicar de forma independente o próprio 
modelo de prestação de cuidados/serviços com a inalidade de atender às necessidades do consumidor 
de cuidados (Soder et al., 2021). Porém, para se empreender, há necessidade de habilidades pessoais, de 
recursos técnicos e socioeconômicos que garantam a sustentação e o reinamento do empreendimento. 
Além disso, a literatura tem apontado que os enfermeiros empreendedores comparilham qualidades 
em comum, a saber: capacidade de acreditar no seu produto/serviço, iniciaiva para implementar algo 
novo; criaividade para mobilizar os recursos existentes e competência para assumir os riscos de modo 
planejado (Colichi et al., 2020; Copelli et al., 2019; Soder et al., 2021).
Uma revisão integraiva ideniicou três modalidades de empreendedorismo em enfermagem: 
empreendedorismo social, empreendedorismo empresarial e intraempreendedorismo (Copelli et al., 
2019).
41
O empreendedorismo social tem como principal objeivo promover soluções que impactem na 
realidade de pessoas e/ou comunidades. Assim, está vinculado a aividades, produtos e serviços 
oferecidos por organização versáil, sustentável e engajada com o desenvolvimento social (Araújo 
et al., 2022). Um exemplo dessa modalidade de empreendedorismo seria a oferta de consulta de 
enfermagem a uma comunidade ou a consultoria sobre parto e puerpério ou cursos para pessoas em 
situação de vulnerabilidade, a um custo acessível.
O empreendedorismo empresarial é considerado uma modalidade tradicional, em que por 
necessidade ou oportunidade, alguém investe em um negócio próprio. Está vinculado ao meio 
empresarial, logo o enfermeiro atuará como um proissional autônomo (Colichi et al., 2020). Um 
exemplo do empreendedorismo empresarial seria a abertura de uma clínica de estéica e beleza. 
Essa modalidade de empreendedorismo impulsiona a conquista de novos campos de atuação da 
enfermagem, esimula o crescimento econômico e a visibilidade da proissão.
O intraempreendedorismo consiste na práica de empreender dentro de uma insituição em que o 
proissional é colaborador. Geralmente, para que o intraempreendedorismo ocorra há necessidade de 
abertura ou esímulo à inovação por parte da empresa (Araújo et al., 2022; Colichi et al., 2020).
Existem dois ipos de intraempreendedores: o de valor agregado e o “spin-of”. No primeiro caso, 
o colaborador agrega valor à empresa por meio da produção de inovação e tecnologia. Um exemplo 
seria o enfermeiro desenvolver um aplicaivo que facilite a triagem de atendimento de pacientes em 
um Pronto- Socorro. Já no segundo caso, o“spin-of”, o intraempreendedor produz uma modiicação 
que se diversiica da proposta inicial da empresa (Copelli et al., 2019). Um exemplo seria a proposta de 
criação de um setor em um hospital para consulta de enfermagem e aividades de promoção à saúde. 
Cabe destacar que o empreendedorismo vai além das possibilidades e dos meios necessários para 
inaugurar um novo negócio, produto ou ação. Para uma cultura empreendedora na enfermagem, há 
necessidade de formar o proissional a parir da gestão educacional empreendedora, com aprendizado 
de competências, habilidades e aitudes (Araújo et al., 2022; Colichi et al., 2020; Copelli et al., 2019).
Considerações inais
Para se estabelecer como empreendedor na área da Enfermagem, existem diversas oportunidades. 
No entanto, os peris que mais se destacam são aqueles que se valem da tecnologia, inovação, 
criaividade e liderança. Essas ferramentas, muitas vezes, estão à disposição no nosso coidiano, 
exigindo apenas sensibilidade para serem ideniicadas e uilizadas.
42
REFERÊNCIAS 
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VERASZTO, E. V. et al. Tecnologia: buscando uma deinição para o conceito. Prisma.com, Portugal, n. 
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mar. 2024.
43
5
MARCA PESSOAL / PROFISSIONAL E AS SKILLS 
NECESSÁRIAS PARA EMPREENDER
Ana Carolina Silva
Introdução
Desde a Segunda Grande Guerra e a criação das Nações Unidas, em 1945, e, de forma mais relevan-
te, a parir de 1989, com a queda do muro de Berlim, iniciou-se um comportamento mundial diferente, 
nomeado como globalização. A divulgação mundial de informações e maior facilidade de acesso foram 
intensiicadas e facilitadas com o uso das tecnologias sendo que, atualmente, o Mundo está cada vez 
mais digital. Um cenário de constante e rápida transformação em que as interações, consumos, infor-
mações e serviços são realizados cada vez mais virtualmente (Abreu et al., 2013).
Durante a Pandemia, a teoria de Mundo BANI — conceito traduzido para o Português como “Frágil, 
Ansioso, Não linear e Incompreensível” — foi fundamentada e traduz o comportamento do mundo e 
do mercado de trabalho atuais (Vedfelt, 2022).
A virtualização da atualidade relete-se em diferentes formas de consumo, comunicação, procura e 
oferta de trabalho e intensiica a importância do network, do aprendizado conínuo e do uso adequado 
das redes sociais, com posicionamentos, falas, condutas e provas sociais que evidenciem conquistas e 
bons resultados de trabalhos realizados (Abreu et al., 2013; Gamonar, 2022; Greco, 2022).
Inseridos nesse contexto, é inegável a necessidade não só de entender o funcionamento desse 
mundo, mas também de aprender e executar estratégias para inserção no Mercado e conquista de 
oportunidades de acordo com as novas demandas.
1. O que é Marca Pessoal? Conceito e importância para a atualidade
Para entender com facilidade o conceito de Marca Pessoal basta fazer uma analogia com o que 
signiica uma impressão digital.
A impressão digital é um desenho formado por elevações da pele presentes nas polpas dos dedos 
das mãos, funcionando como uma forma única e intransferível de ideniicação pessoal(Silva, 2022). 
Ela pode revelar a idenidade de seu dono e atribuir-lhe responsabilidades, mesmo sem sua presença 
ísica ou argumentação no momento da análise.
Da mesma forma, a Marca Pessoal é uma impressão deixada pelas aitudes, comunicações, resul-
tados e registros que são vistos, percebidos e analisados com ou sem presença ísica, ciência e inter-
pretação.
Marca Pessoal é uma forma de ser lembrado, de gerar interesse pessoal e pelo seu trabalho por 
meio da memorização do que você faz e dos valores que transmite (Gamonar, 2022).
No Mundo atual, as marcas pessoais são mais amplas, fáceis e rapidamente percebidase avaliadas 
devido à exposição virtual e às pesquisas digitais. Como a internet é um instrumento acessível a qual-
quer pessoa ou empresa, esse entendimento reforça a importância de uma atenção adequada a essa 
forma de comunicar-se e promover-se (Gamonar, 2022; Sawicki, Stori, 2021).
Essa exposição mais ampla do indivíduo atrela cada vez mais as imagens pessoal e proissional, en-
tendidas agora como únicas. Aitudes anteriormente jusiicadas como realizadas somente em âmbito 
paricular não são mais aceitas, visto que os valores e aitudes pertencem à mesma pessoa que transita 
tanto em casa quanto no trabalho, com a família e amigos, e na sociedade. Você é a sua marca, o seu 
44
negócio. Sua marca pessoal é você. Assim, ao estabelecer uma marca pessoal, estabelece-se, para-
lelamente, uma marca proissional, e esse binômio pessoal/proissional não se dissocia em nenhum 
ambiente, seja ísico ou virtual (Gamonar, 2022; Montoya, 2010).
É necessário trabalhar a Marca Pessoal para garanir uma comunicação mais eicaz que evidencie 
os valores e entregas que se é capaz e desperte interesse pelo que se tem a oferecer (Greco, 2022). As 
evidências dessa Marca Pessoal/Proissional é que irão determinar a qualidade e a existência, ou não, 
de ofertas proissionais.
Especialistas em carreira, recrutamento e markeing digital, como Carolina Marins, Andréa Greco 
e Flávia Gamonar, demonstram, em suas publicações e arigos, a relação entre exposição virtual e 
oportunidades de trabalho, tradicionais ou empreendedoras, inclusive em relação à Enfermagem. Ser 
visível virtualmente, ter o trabalho e resultados divulgados e validados na internet e demais redes de 
relacionamento são vistos como provas sociais muito desejáveis e até necessárias atualmente.
Dessa forma, não desenvolver e não evidenciar uma marca pessoal/proissional signiica perder 
chances de receber propostas de trabalho, ter mais diiculdade de inserção no mercado ou não con-
seguir clientes para o seu negócio. Mas também, relete a importância de realizar um uso adequado 
das redes sociais de forma estratégica e que potencialize posiivamente o trabalho, produto ou serviço 
ofertado.
A presença digital, seja produzindo conteúdo ou evidenciando trabalhos e qualiicações, é cada vez 
mais comum, necessária e desejável para que Enfermeiros conquistem oportunidades proissionais. No 
entanto, também vale ressaltar a importância do uso adequado das redes sociais, pois as consequên-
cias dessa exposição podem ser negaivas ou posiivas, uma vez que dependem do posicionamento 
demonstrado (Colbert, Yee, George, 2016).
De acordo com o já exposto, podemos concluir que o uso inteligente das redes sociais para trans-
miir sua marca pessoal/proissional, aliado a interações adequadas e evidências do valor do trabalho 
exercido, consitui a melhor estratégia de posicionamento para conseguir as melhores oportunidades 
de contratação, parcerias e desenvolvimento de negócios empreendedores.
Além de desenvolver uma marca pessoal/proissional forte, singular e coniável, há várias carac-
terísicas, habilidades e aitudes que precisam compor o indivíduo empreendedor e que devem ser 
constantemente aprimoradas.
2. Sot skills necessárias para empreender
Para ser empreendedor, é preciso estar disposto a transpor desaios, realizar autogestão, aprimorar-
-se constantemente e entender que o foco é sempre ajudar outras pessoas, ser a solução para deter-
minado problema que alige o cliente, por meio de produtos ou serviços inovadores, ou de melhorias 
de processos ou serviços já existentes, com ganhos efeivos para indivíduos, empresas e sociedade 
(Gimenes, Freitas, Alves, Pintor, 2021; Cuboup, 2022; Greco, 2022).
Existem diversos setores em que é possível empreender, e são necessários conhecimentos especí-
icos em cada um deles para atuar. Assim, algumas caracterísicas ligadas a aitudes, habilidades são 
comuns e necessárias aos indivíduos empreendedores, independentemente da área (Cuboup, 2022).
Agrupando as orientações de todos os autores referenciados neste capítulo, essas são as principais 
habilidades comportamentais (sot skills) apresentadas como necessárias ao empreendedor:
• Foco e equilíbrio emocional
Foco é ter uma meta e não desviar desse objeivo até alcançá-la, mesmo com os desaios. Para isso, 
é fundamental desenvolver autocontrole, conseguir lidar com negaivas e fracassos e trabalhar estra-
tégias para acalmar, controlar as emoções e manter esse foco. A práica de exercícios de respiração, 
exercícios ísicos, estar em ambientes agradáveis, tempo de repouso e lazer auxiliam muito.
• Autoconhecimento
Entender a si próprio, conhecer virtudes e defeitos, forças e fraquezas para deinir onde precisa 
trabalhar. Desvendar qual o seu propósito, anseios, o que mais importa, onde quer chegar e com quais 
45
valores. Esse mapeamento interno irá impulsionar e direcionar os pensamentos, estratégias e ações 
para o alcance dos resultados pretendidos.
• Estratégia
Desenvolver um planejamento do que fazer, que caminhos percorrer, em quanto tempo, com quais 
recursos e com que ipo de network. É preciso traçar desde o ponto de parida até o objeivo que se 
pretende alcançar e realizar ajustes durante o percurso de acordo com os aprendizados e novas neces-
sidades que surgirem.
• Iniciaiva
É necessário ser capaz de, por um motivo próprio, seja ele ideológico, emocional, social ou inan-
ceiro, sair da zona de conforto e começar a construir algo novo. E esse impulso também precisa ser 
renovado repeidamente pelo próprio empreendedor.
• Criaividade
Capacidade de inovar, através de habilidades e competências próprias para solucionar problemas 
latentes ou desenvolver novas estratégias para facilitar a vida das pessoas.
• Liderança
Ser exemplo, estar junto e apoiar. Acreditar no sucesso do negócio e ser capaz de fazer parte do 
projeto e direcionar a si mesmo e seus colaboradores, se houver, para o alcance dos resultados deseja-
dos. Inspirar, desenvolver pessoas, estabelecer as melhores estratégias e buscar coninuamente novas 
oportunidades.
• Comunicação e network
Independente da área em que se pretende atuar, é preciso uilizar a linguagem adequada para o 
público e o ambiente inerentes ao negócio. Conseguir difundir adequadamente a mensagem e os be-
neícios que o produto ou serviço proporciona. Tão importante quanto comunicar de forma adequada, 
é realizar trocas genuínas, ter a capacidade de se relacionar com pessoas estratégicas e valiosas, com 
o objeivo de espelhar, aprender, impulsionar e indicar seu negócio.
• Capacidades e competências, aprendizado e desenvolvimento conínuo
Uilizar de forma inovadora conhecimentos, habilidades e competências desenvolvidas na acade-
mia, em cursos e com experiências de vida e proissionais, para executar o melhor trabalho, diferencia-
do e com foco no cliente. Entender que, mesmo nos assuntos que domina, é necessário aprimorar-se 
sempre, procurar novos conhecimentos e se atualizar coninuamente sobre a área de atuação e as 
tendências de mercado.
Considerações Finais
Empreender exige várias habilidades e a construção de uma marca pessoal e proissional forte e 
adequada. Portanto, não é mesmo para qualquer um. 
O caminho empreendedor pode ser muito solitário, estressante e desaiador, mas também emo-
cionante, construivo, cheio de possibilidades e recompensador. Empreender é persisir, aprender com 
os erros, desenvolver-se coninuamente, evidenciar um valor único e necessário, manter o foco e ser 
feliz fazendo a diferença para a vida de muitas pessoas.Ideniicou-se? Então, comece ainda hoje a 
desenvolver sua marca pessoal e venha vivenciar os desaios e as graiicações do empreendedorismo.
46
REFERÊNCIAS 
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saúde, na educação e nos comportamentos sociais. Porto Alegre: Artmed, 2013.
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47
6
EMPREENDEDORISMO E MARKETING DIGITAL
Ana Carolina Silva
Introdução
O Markeing Digital é mais do que uma opção a ser analisada. Ele é cada vez mais indispensável e 
oferece muitas facilidades e vantagens ao empreendedor. 
Seus principais beneícios incluem: alcance global, maior possibilidade de interagir com o 
consumidor, maior foco e asserividade nos invesimentos segmentando públicos e nichos de mercado 
e reduzindo custos de campanha (Sebrae, 2022).
Assim, na atualidade, entender o que é e como fazer Markeing Digital é fundamental para ter 
sucesso como empreendedor.
1. Markeing tradicional e digital – diferenças e vantagens
Markeing é um conjunto de aividades que visa entender e atender às necessidades do cliente, 
consumidor ou usuário (Rez, 2023).
O objeivo fundamental do markeing é entender o consumidor para que ele se torne cliente de 
uma empresa. Quando bem estruturado, faz com que o cliente se idelize à marca e os produtos se 
vendam praicamente sozinhos (Rez, 2023).
Com a evolução da sociedade, o objeivo do Markeing sofreu ajustes, passando de gerar um cliente 
disposto a comprar para gerar algo elaborado para atender diretamente às necessidades do público 
(Rez, 2023).
A atuação do markeing, que antes era orientada para o produto, passou a ser orientada para a 
venda, depois para o relacionamento com o cliente e, mais recentemente, para a responsabilidade 
social. Atualmente, o markeing visa compreender o fator emocional gerado por uma marca e o que 
leva o consumidor à compra, para que, assim, possa converter as dores, necessidades e desejos em 
vendas (Rez, 2023).
As mudanças na forma de vender estão atreladas também à tecnologia. Mesmo para quem diz não 
gostar de muitas modernidades, da digitalização das relações e consumos via internet, essa é uma 
realidade inegável. Assim, não só a população, mas a publicidade e o markeing precisaram se adaptar. 
As pessoas hoje buscam o conteúdo que querem consumir e não icam mais pacíicas à espera de um 
produto que lhes será apresentado. Elas têm a escolha de não serem aingidas por propagandas, estão 
cada vez mais bloqueando opções de propaganda e pagando para ter plataformas sem propaganda.
Por isso, é mais interessante a ideia de atrair o público até a marca do que interromper o cliente para 
ofertar produtos e serviços ou abordá-lo diretamente (Sebrae, 2022; Gomes, 2022; Siqueira, 2022).
Ao invés de manter a estratégia tradicional de fazer propaganda diretamente para o público, 
pagando para mostrar o produto ou serviço (Outbound Markeing), uiliza-se cada vez mais o Markeing 
para atrair as pessoas por meio de conteúdos que agregam valor para um determinado público, com 
metodologia estruturada e geração de conteúdo relevante e interessante, com objeivo de gerar 
negócios (Inbound Markeing) (Gomes, 2022; Siqueira, 2022).
Diante dessa perspeciva, e considerando que, em alguns momentos, é possível mesclar as estratégias, 
o Markeing Digital tornou-se muito mais poderoso que o tradicional. Isso se deve à sua abrangência 
muito maior e global, possibilidade de escutar o público, realizar interações e, consequentemente, fazer 
análises mais rápidas e precisas, reduzindo os custos e aumentando a asserividade dos invesimentos 
(Sebrae, 2022; Gomes, 2022).
48
2. Como desenvolver o Markeing Digital de um Empreendimento
“Será que vou precisar contratar uma equipe para fazer o Markeing do meu negócio? Eu não tenho 
recursos para isso!”
Essa é uma dúvida que permeia e bloqueia o empreendedor, principalmente em início de atuação. 
Mas, não deveria. Essa função pode ser aprendida e realizada até que a empresa prospere e para que 
tenha maior crescimento demande uma equipe especíica para esse im.
O Enfermeiro possui formação gerencial e é plenamente capaz de realizar essa função e apreender 
os conhecimentos especíicos que não foram desenvolvidos na graduação e que serão apresentados a 
seguir.
Para iniciar o Markeing Digital de um empreendimento, inclusive na Enfermagem, é preciso 
desenvolver 3 passos: (Sebrae, 2022)
2.1 Ter uma estratégia
Desenhar um plano para colocar em práica a ideia de negócio sem desperdiçar tempo e recursos. 
Essa estratégia será baseada em 3 aspectos:
2.1.1 Moivo?
Qual o objeivo principal do Markeing Digital para a empresa?
Qual problema tem hoje? E como o Markeing Digital irá ajudar a solucionar?
• Gerar leads - peril de público-alvo que pode ser abordado para vendas;
• Aumentar Brand Awereness - percepção da marca, desejo e preferência;
• Reduzir custos e educar o mercado - atender demandas proaivamente, entender as demandas do 
público e produzir conteúdo solucionando aquela dúvida. Isso faz com que a abordagem de venda 
seja muito mais fácil e efeiva e traz público mais qualiicado.
2.1.2 Para quem?
Quem é o público que se deseja alcançar? 
É importante realizar pesquisas para entender qual é o público-alvo ou persona que deseja alcançar.
Essa segmentação para um público bem especíico possibilita que o markeing seja muito mais 
eiciente. 
Buscar aingir e agradar todo mundo, um púbico muito amplo e com mensagem genérica diminui 
muito a eiciência.
É preciso entender e falar para um público-alvo minimamente deinido, considerando aspectos 
como: sexo e gênero, faixa etária, peril inanceiro e localização.
2.1.3 Como?
Como a estratégia será realizada?
Quais caminhos e formatos de conteúdo serão uilizados?
Os canais a serem abordados são descritos a seguir.
3. Deinir os canais que irá uilizar 
Os canaisou caminhos uilizados para o desenvolvimento do Markeing Digital precisam ser 
deinidos – site, plataformas, tecnologias.
Conhecer as possibilidades e nomenclaturas uilizadas é muito válido para auxiliar na melhor 
escolha.
49
3.1. Canais tradicionais
Os canais são locais para realizar e distribuir anúncios, como o AdNetworks e o Google AdSense. 
Existem várias ferramentas, gratuitas e pagas, disponíveis para encontrar leads através de landing 
pages (páginas especíicas oriundas de anúncios, com formulários para captar informações e direcionar 
conteúdos) e para analisar os comportamentos e interesses dos usuários (Soares, 2022).
Todos eles trabalham com modelos de cobranças, como:
• CPM (Custo por Mil Impressões) - uilizado para banner em sites. É contabilizado da seguinte 
forma: cada vez que a página é aberta é entendido que houve uma visualização. Muito úil para 
aumentar a visibilidade e conhecimento da marca.
• CPC (Custo por Clique) – pagamento realizado somente quando alguém clica no link da 
propaganda.
• CPA (Custo por Ação) – Pagamento somente se o usuário executar uma ação prevista e 
predeterminada como por exemplo, comprar o produto.
3.2. Redes Sociais
Ótimos veículos para divulgação orgânica (de graça, por interesse do público pelo conteúdo) ou 
paga. Todas as redes sociais são válidas. É preciso analisar o tipo de negócio e a rede em que performa 
melhor, ou seja, que apresenta melhor desempenho com o público-alvo.
3.2.1. Redes Sociais: Instagram, Facebook (vale ressaltar que toda deinição de estratégia e gestão 
de campanha paga no Instagram é realizada via Facebook), YouTube, LinkedIn, TikTok.
3.2.2. E-mail: Esse canal já era uilizado antes do Markeing Digital e, atualmente, quando usado 
adequadamente, coninua sendo um óimo canal de comunicação, principalmente quando a própria 
pessoa se cadastra e fornece acesso ao seu e-mail. 
Além disso, o e-mail é uma forma de autorização de contato direto com ela e assim, é possível 
manter contato mais próximo, enviar conteúdos exclusivos e promoções.
3.2.3. Blogs: Um canal menos uilizado que os anteriores, mas muito úil para gerar forte conexão.
4. Uilizar os melhores formatos para comunicar com o público-alvo
É possível utilizar mais de um canal ou todos para o mesmo empreendimento. Assim, como 
diferentes formatos para apresentação em cada canal. Os formatos ou ipos de conteúdo podem ser:
• Textos
• Imagens
• Vídeos
• Materiais mais complexos e com mais conhecimentos, como e-books
É válido experimentar diferentes canais e formatos para avaliar e ideniicar aqueles com melhor 
desempenho. Isso deve estar sempre alinhado aos objeivos do negócio e à estratégia deinida.
 5. Construindo um Markeing Digital de sucesso
Ao contrário da crença popular, fazer Markeing Digital vai muito além de simplesmente fazer 
postagens nas mídias sociais. Envolve planejamento e muita análise de dados (Siqueira, 2022).
Para garanir o sucesso do Markeing Digital, é preciso planejar qual ipo de conteúdo será produzido, 
em quais canais será publicado, com que frequência, em que formato e que ações irão contribuir 
para o objeivo inal. Não se esquecendo nunca de focar na persona, levando em conta que ipo de 
50
informação será relevante para ela desde o primeiro contato com a empresa até o momento da compra 
(Siqueira, 2022).
É necessário também saber o que medir. As métricas precisam ser definidas a partir dos objetivos 
do empreendimento, atrelando marketing e vendas e medir cada etapa do processo. Precisam ser 
planejadas, mensuráveis, aingíveis, com período de tempo determinado e custos (Siqueira, 2022; 
Ribemboim, 2022).
Outro ponto fundamental é saber o momento certo para entregar cada ipo de conteúdo. Um 
conteúdo de qualidade é aquele que resolve o problema no momento em que o público precisa 
(Siqueira, 2022).
E para entender esse momento, existe uma ferramenta amplamente uilizada para representar a 
jornada do cliente, desde o conhecimento da marca, geração de interesse, ideniicação clara de um 
problema, possíveis soluções e a compra da solução oferecida (Siqueira, 2022).
A jornada do cliente é representada pelo Funil de Vendas:
• Topo de funil – Geração de Tráfego – conteúdo focado no leitor, no público em geral para atrair 
pessoas em grande volume que tem dúvidas. O foco é resolver as dúvidas delas.
• Meio de funil – Captura de Lead – após resolver as dúvidas é preciso convencer a pessoa a buscar 
uma solução, mostrar caminhos possíveis e oferecer ferramentas mais elaboradas. Para ter acesso, 
ela precisa se cadastrar, deixar contatos.
• Fundo do funil – Nutrição do Lead – argumentos para compra. Mostrar beneícios ao adquirir a 
marca, produtos, serviços; mostrar depoimentos e cases de sucesso. 
 
 
 
 
Fonte: Curso Markeing digital para Empreendedores SEBRAE / Vitor Peçanha
51
Considerações Finais
Os conceitos e orientações apresentados são fundamentais, mas é importante ressaltar que, 
certamente, as melhores estratégias para crescer no online incluem oferecer um serviço de qualidade, 
ouvir os clientes, ser lexível e criar metas realistas (Soares, 2022).
Mais que uma opção, o Markeing Digital é imprescindível para o sucesso de qualquer modelo 
de empreendimento na atualidade. Trata-se de uma estratégia de visibilidade e vendas que pode 
ser realizada, mesmo sem invesimento inicial, pelo próprio empreendedor, baseado em estudos 
do conteúdo apresentado neste material e também por meio de cursos — como o curso gratuito 
do SEBRAE, indicado nas referências deste capítulo — amplamente disponíveis nas redes sociais e 
plataformas de ensino, tanto gratuitos quanto pagos.
52
REFERÊNCIAS 
GOMES, Diego. Vendas Inbound x Outbound. 23 mar. 2015. Atualizado em: 10 jul. 2018. Disponível 
em: htps://endeavor.org.br/markeing/indicadores-markeing-vendas/. Acesso em: 24 abr. 2022.
REZ, Rafael. Markeing: o guia completo. 21 jan. 2020. Atualizado em: 17 dez. 2022. Disponível em: 
htp://novaescolademarkeing.com.br/markeing-o-guia-completo/. Acesso em: 15 abr. 2023.
______. O que é markeing: conceito e deinições. 11 jan. 2020. Atualizado em: 17 dez. 2022. 
Disponível em: htp://novaescolademarkeing.com.br/o-que-e-markeing-conceito-e-deinicoes/. 
Acesso em: 15 abr. 2023.
RIBENBOIM, Alexandre. 5 pontos de atenção para seus indicadores em markeing e vendas. 20 ago. 
2015. Atualizado em: 7 jan. 2019. Disponível em: htps://endeavor.org.br/markeing/indicadores-
markeing-vendas/. Acesso em: 24 abr. 2022.
SEBRAE. Curso Markeing Digital para Empreendedores SEBRAE / Vitor Peçanha. [S.l.], [s.d.]. 
Disponível em: htps://www.sebrae.com.br. Acesso em: 24 nov. 2022.
SIQUEIRA, André. Markeing digital vai muito além de simplesmente fazer postagens nas mídias 
sociais. Envolve planejamento e muita análise de dados. 16 jun. 2016. Atualizado em: 7 jul. 2016. 
Disponível em: htps://endeavor.org.br/markeing/erros-markeing-digital/. Acesso em: 14 mai. 2022.
SOARES, Antônio Carlos. 12 ferramentas para sua empresa crescer on-line. 10 mar. 2015. Atualizado 
em: 18 ago. 2017. Disponível em: htps://endeavor.org.br/markeing/12-canais-e-ferramentas-para-
sua-empresa-crescer-online/. Acesso em: 14 mai. 2022.
53
7
INFORMAÇÃO E CONHECIMENTO COMO ELEMENTOS 
FUNDAMENTAIS PARA O EMPREENDEDORISMO
EM ENFERMAGEM
Ricardo Bezerra Cavalcante, PhD, RN
Introdução
Denomina-se a sociedade atual como da informação, do conhecimento, das tecnologias, mas 
também como das oportunidades de inovação (Castells, 2013, 2016, 2018; Deguchi et al., 2020; Gams; 
Kolenik, 2021). É neste contexto que o empreendedorismo ganha sustentação e possibilidades de 
ser desenvolvido na Enfermagem (İspir, Elibol e Sönmez, 2019; Jakobsen et al., 2021). Sabe-se que 
o conhecimento sempre fez parte essencial do entendimento para produção nos diversos períodos 
históricos, mas na era pós-capitalista, a concepção e o tratamento da informação passaram a ser um 
marco diferencial, permiindo o acúmulo de conhecimento-capital, considerado como fator de sucesso(Castells, 2013, 2016, 2018; Deguchi et al., 2020; Gams; Kolenik, 2021).
A informação ganha força e se torna primordial nas relações sociais, comerciais e nos processos 
comunicaivos, cada vez mais em rede, fomentando as possibilidades de novas ideias, inovações e de 
empreender. A disseminação da informação e do conhecimento permite a incorporação de valores, 
tornando-se parte integrante da produção. Percebe-se que, nesse ciclo evoluivo, as pessoas necessitam 
ter conhecimento amplo e devem ser envolvidas nos processos de trabalho que movimentam a 
organização, a parir do comparilhamento de saberes e na disseminação da cultura organizacional 
(Chagas et al., 2018; Colichi et al., 2019;). Nesse contexto, o proissional de Enfermagem deve engajar-
se na produção, disseminação e comparilhamento de informações com vistas a novas possibilidades 
de negócios (Colichi et al., 2019; Jakobsen et al., 2021).
É importante ressaltar que a sociedade sofreu imensa transformação e mudança no campo 
da comunicação, gerada pela “explosão de informação” que foi impulsionada por mudanças 
comportamentais, sociais, políticas, econômicas e tecnológicas, entre outras. O aumento da 
necessidade por conhecimento, informações e noícias fundamentam essa inluência. Aliada aos 
avanços tecnológicos e à rapidez do acesso disponibilizado num universo cada vez mais interligado, 
muitas vezes em tempo real, promovem essa migração de forma consistente (Castells, 2013; 2016; 
2018). Além disso, junto a essas mudanças, há o aumento da desinformação, com impactos signiicaivos 
sobre as várias áreas da sociedade (Cavalcante et al., 2022; Delgado et al., 2021). Desta feita, tem-
se o advento tecnológico proporcionando possibilidades de novos empreendimentos e modalidades 
de trabalho diferenciadas, mas também há a emergência de um ecossistema desinformaivo que se 
conforma como um risco para o ambiente inovador e empreendedor (Cavalcante et al., 2022; Delgado 
et al., 2021).
A pergunta que se lança neste capítulo é: “qual é a importância da informação e do conhecimento 
para o proissional de Enfermagem no que tange ao empreendedorismo?”. Busca-se, portanto apontar 
algumas possibilidades de respostas para o proissional de Enfermagem, visando instrumentalizá-lo na 
árdua e prazerosa caminhada do empreendedorismo.
A primeira possibilidade a ser apontada é a necessidade de o empreendedor entender o processo 
de ser “sujeito cognoscente”, ou seja, aquele que se faz conhecimento. Isso é fundamental, é preciso 
conhecer a sua proposta de negócio. Para tanto, conforme descrito na igura 1 por Valenim (2013), os 
atos empreendidos por uma pessoa resultam de decisões que hierarquicamente são precedidas por 
algum conhecimento. A construção do conhecimento, estabelecida por uma relação da compreensão, 
54
apreensão, apropriação e internalização do sujeito cognoscente, é consituída a parir de suas 
experiências, vivências e conhecimentos prévios. Por sua vez, todo o conhecimento adquirido é 
precedido por uma complexa rede de captação de informações.
Figura 2 – Relação entre dados, informação, conhecimento, decisão e ação.
Nesse senido, com base na igura 2 e nas proposições de Araújo e Gouveia (2022), é preciso que 
o empreendedor entenda a diferença entre os conceitos a seguir e direcione suas ações em cada um:
1 – DADOS: Coletar dados das diversas fontes possíveis sobre o principal objeto de seu negócio. 
Para isso, é necessário deinir: qual é esse objeto? O que se pretende vender? Quais são os principais 
dados sobre ele? O que o sustenta cieniicamente? Qual a sua relevância? Há demandas para sua 
aquisição? Fez-se uma avaliação do mercado? Dos concorrentes? Fez-se uma descrição do contexto? 
Quais seriam os impactos possíveis nos consumidores? Respondendo a essas perguntas, será possível 
mapear as necessidades de informação sobre o objeto ou a solução proposta. Levante dados, os mais 
variados possíveis, de diversas fontes. Mas ainda são apenas dados, é preciso contextualizá-los para 
serem transformados em informação, conhecimentos e decisão.
2 – INFORMAÇÃO: Analisar os dados coletados a parir de contextualizações e interpretações. 
Compare-os e sinteize-os em mapas conceituais ou outras formas de visualização do todo. Lembre-se 
sempre de que o contexto é fundamental para iniciar a compreensão do que está acontecendo. Isso 
ajudará a consolidar as suas futuras estratégias de implementação do negócio. Também é importante 
mapear as tendências, conformando-se como uma estratégia de visão além do momento atual. É 
imprescindível se perguntar: quais mudanças estão ocorrendo e como podem envolver o negócio ou a 
solução proposta?
3 – CONHECIMENTO E INTELIGÊNCIA COMPETITIVA: A parir da análise dos dados, deve-se 
confrontá-los com as vivências e experiências prévias. É importante discuir os seus dados com possíveis 
concorrentes, consultores ou outras pessoas que já tenham vivenciado experiências com o negócio em 
55
que se pretende empreender. É preciso considerar o patamar da inteligência compeiiva. Trata-se 
do nível mais alto, no qual o empreendedor pode lançar mão de informações como oportunidades 
e conhecimentos contextualmente relevantes, permiindo uma atuação vantajosa no contexto em 
que se pretende empreender. É a oportunidade de aprofundar o conhecimento sobre o negócio ou a 
solução proposta. Ler e estudar “cases” de sucesso pode ajudar na elaboração de conhecimento.
4 – DECISÃO: A etapa da decisão alude ao momento de fazer escolhas. Decisões devem ser 
precedidas por avaliação e iltragem das possibilidades existentes. Algo ousado ou comedido? Optar 
sempre por aquilo que é mais seguro no momento, entendendo que o empreendedorismo é um 
processo de pequeno, médio e longo prazo. Então, as decisões devem estar atreladas a essas metas, 
cada uma a seu tempo. 
5 – AÇÕES: Por im, as ações devem estar alinhadas às metas e aos objeivos traçados. Nesse 
momento, os indicadores avaliaivos são importantes para a avaliação do alcance dos resultados 
esperados para cada ação proposta. É importante ter sempre o luxo em mente (ação → metas/
objeivos → indicador avaliaivo → avaliação). 
A seguir, são apresentados alguns instrumentos/técnicas utilizados na gestão de informações e 
conhecimentos com vistas a potencializar a criação de proposições inovadoras e de fomento ao 
empreendedorismo em Enfermagem, considerando a inteligência compeiiva e o planejamento 
por cenários. Ressalta-se que a construção de cenários se apresenta como uma ferramenta úil para 
antecipar um “futuro” possível para o empreendimento. Para Lodi (2012, p. 285):
Cenário é uma descrição detalhada e internamente consistente de como 
poderá ser o futuro, construída de forma disciplinada e, ao mesmo tempo, 
criaiva e baseada na análise dos principais fatos portadores do futuro, 
que reúne elementos qualitaivos e quanitaivos. A principal inalidade de 
um cenário é a tomada de decisões no presente sobre o posicionamento 
estratégico de uma empresa ou um empreendimento no futuro.
No contexto do empreendedorismo em Enfermagem a construção de cenários é importante para 
o norteamento do negócio em que se deseja empreender, principalmente parindo do princípio da 
sustentabilidade da empresa e sua conínua (re)invenção. A estratégia empreendedora deve estar 
adequada aos cenários futuros à guisa de seu sucesso. Para icar clara a aplicabilidade e importância 
da metodologia dos cenários futuros pode-se lançar a seguinte proposição: “Um proissional de 
Enfermagem está planejando um empreendimento e já tem deinido o seu modelo de negócios. 
Entretanto, quesiona-se: Como planejar a sustentabilidade da estratégia empreendedora? Quais 
cenários futuros pode enfrentar? Como tais cenários podem impactar o seu negócio? Como planejar 
a estratégia empreendedora adequando-se aos prováveis cenários e mantendo-se compeiivo?”. 
Essas perguntas e suas respostas são fundamentais no mundo dos negócios. 
Assim, propõe-se a seguir quatro subprocessos doplanejamento de cenários futuros, podendo ser 
uilizados para o norteamento do empreendedorismo em Enfermagem.
1) Análise do ambiente e construção de cenários, relacionados ao empreendimento pretendido
• Construir os fatos portadores de futuro (elementos centrais para a construção dos cenários) no 
microambiente (mais controlado – ex: variáveis internas de um empreendimento) e macroambiente 
(menos controlado – ex: políica externa, fatores ambientais e legais); 
• Disinguir os fatos portadores de futuro entre tendências consolidadas (trajetórias e desdobramentos 
futuros claros) e incertezas críicas (não são claros e tem alto grau de dependência de outras 
variáveis no futuro);
56
• Deinir o grau de previsibilidade e nível de impacto relacionado aos fatos portadores de futuro;
• Construir de três a quatro cenários consistentes e plausíveis: análise minuciosa das inter-relações 
entre as incertezas críicas.
1. Três cenários: normaivo (visionário); livre de surpresas (business as usual); adverso (piores 
expectaivas do futuro);
2. Quatro cenários: normaivo (visionário); livre de surpresas (business as usual); 
favorável (melhores expectaivas do futuro); adverso (piores expectaivas do futuro). 
A igura 3 esquemaiza a análise do ambiente e a possível construção de cenários:
Figura 3 – Proposição de instrumento sintéico para norteamento da análise de ambiente.
FATOS PORTADORES DE FUTURO
Macroambiente
Políicos Econômicos Sociais Tecnológicos Ambientais Legais ou 
regulatórios
Estruturas 
de poder e 
de decisão
Opinião 
pública
Atores en-
volvidos po-
liicamente
Fontes e 
formas de 
risco
Crescimento
Inlação
Emprego e 
renda
Invesimento
Taxa de câm-
bio
Taxa de juros
Comércio 
internaciona
Demogra-
ia
População 
economi-
camente 
aiva
Concen-
tração de 
renda
Sistemas 
de valores 
das clas-
ses sociais
Cultura e 
ideologia
Organiza-
ção social 
e cidada-
nia
Direciona-
mento da 
inovação
Mudanças 
tecnológicas
Pesquisas na 
área
Melhorias
Patente
Poluição
Capacidade de 
reciclagem
Sustentabilidade
Fontes de energia
Marcos legais e 
regulatórios de 
negócios
Regulações es-
pecíicas (inan-
ceira, ambiental, 
etc)
Tributação
57
Macroambiente
Indústria/Concorrentes Mercado/consumidores (Finais e Industriais)
Fatores críicos de sucessos
Movimentos (novos entrantes, alianças, 
fusões, aquisições)
Atração de recursos
Restrições ou incenivos governamentais
Ciclos e sazonalidades
Tendências de volume, custos, preços e 
lucros
Segmentação
Demograia, geograia, localização e escala
Status, esilo de vida e personalidade
Abordagem/comportamento de compra
Sensibilidade a preços e promoção
ANÁLISE DE TENDÊNCIAS, INCERTEZAS E IMPACTO
Tendências Consolidadas Incertezas Críicas
Descrição Previsível ou 
imprevisível?
Baixo im-
pacto ou 
alto im-
pacto?
Descrição Previsível ou im-
previsível?
Baixo impacto ou 
alto impacto?
Fonte: Adaptado de Lodi (2012)
Além da análise do ambiente é preciso avaliar os possíveis impactos dos cenários propostos. Ressalta-
se que a proposição ou manutenção de um empreendimento carece de planejar o seu presente e futuro, 
mas ariculado com possíveis cenários futuros. Desta feita, a Matriz SWOT (Strengths, Weaknesses, 
Opportuniies, Threats) deve ser construída buscando adequar a estratégia empreendedora aos 
cenários (igura 4). 
Figura 4 – Matriz SWOT para cada cenário futuro relacionado à uma estratégia empreendedora
CENÁRIO:
Ambiente 
externo
Oportunidades Ameaças
1. 
2. 
1. 
2. 
Ambiente 
interno
Forças Fraquezas
1. 
2. 
1. 
2. 
Fonte: Adaptado de Costa Júnior et al., (2021).
 
Mais sobre a matriz Swot pode ser encontrado no documento “Plano de Trabalho do Enfermeiro”, 
disponível em: 
www.corenmg.gov.br/wp-content/uploads/2020/07/OFICIAL_Plano_de_trabalho_do_
Enfermeiro_2020.pdf 
58
2) A ideniicação das Questões Estratégicas Críicas (QEC) que podem surgir e devem ser 
enfrentadas no futuro:
Outra estratégia importante para o planejamento do empreendimento a parir dos cenários futuros 
é a ideniicação das “Questões Estratégicas Críicas – QEC” ou Key Intelligence Topics (KIT). Esse processo 
é considerado o ponto de partida do planejamento por cenários. Sugere-se utilizar a entrevista com 
decisores para delimitar o escopo e o horizonte dos cenários (Oraee, Sanatjoo e Ahanchian, 2021). 
Segue uma proposição de roteiro de entrevista para a construção de cenários.
Figura 5 – Sugestão de roteiro de entrevista aberta para ideniicação das Questões Estratégicas 
Críicas (QEC).
Entrevistado: __________________________________________________________________
1. Você poderia descrever o plano estratégico do empreendimento?
2. Quais as principais ações e decisões relacionadas ao plano estratégico do empreendimento que 
devem ser tomadas nos próximos anos?
3. Quais são as questões críicas presentes no micro e macroambiente do negócio?
4. Quais são os possíveis resultados favoráveis ou desfavoráveis previstos para o micro e macro 
ambiente do negócio?
5. Quais são as tendências consolidadas relacionadas ao negócio pretendido? (questões que cer-
tamente vão acontecer)
6. Quais são as incertezas críicas relacionadas ao negócio pretendido? (questões que não são pre-
visíveis e que podem ter alto impacto no negócio)
7. Caso já tenha tentado empreender com o mesmo negócio proposto, que eventos o surpreende-
ram no passado e que contribuíram para algum sucesso ou fracasso? (pode-se pensar também 
no caso de um empreendimento de outra pessoa que tenha ido sucesso ou fracasso)
8. Quais os principais atores do mercado envolvido no negócio pretendido?
a) Concorrentes: ___________________________________________________________
b) Consumidores: __________________________________________________________
c) Fornecedores: ___________________________________________________________
d) Canais: ________________________________________________________________
e) Governos/agências reguladoras: _____________________________________________
f) Outros: _________________________________________________________________
Fonte: Adaptado de Oraee, Sanatjoo, Ahanchian, 2021.
 
A entrevista não é o único instrumento de coleta de informações para o QEC. É necessário coletar 
informações adicionais a parir de fontes secundárias (noícias, arigos, publicações especializadas, 
bases de dados e outras fontes). Também é possível coletar informações com especialistas na área 
onde se pretende empreender a parir de entrevistas, grupos focais, painéis e empresas de consultoria. 
As informações coletadas a parir das fontes apontadas devem ser uilizadas para construir os cenários, 
alimentar os fatos portadores de futuro, analisar tendências, incertezas e seus impactos, bem como 
fomentar a matriz SWOT (Costa Júnior et al., 2021). 
59
3) Descrição e acompanhamento dos peris dos principais concorrentes atuais e potenciais, 
avaliando coninuamente as forças e fraquezas da empresa
Descrever e acompanhar os peris dos concorrentes (atuais e potenciais) é uma ferramenta 
imprescindível da inteligência compeiiva no planejamento por cenários. Trata-se de um mapeamento 
dos principais concorrentes, suas ofertas de produtos e serviços, bem como suas estratégias e fontes 
de vantagem compeiiva. Para isso, é necessário ideniicar no mercado empreendedores, empresas, 
empreendimentos e negócios similares. Sugere-se o norteamento a parir de algumas categorias:
• Posicionamento estratégico;
• Planos futuros;
• Missão e Visão;
• Metas;
• Carteira de negócios
• Elementos que permitam caracterizar movimentos futuros;
• Capacidade de resposta às mudanças no ambiente de negócios;
• Capacidade de resposta aos demais compeidores 
Além do mapeamento das categorias descritas anteriormente, é preciso descrever para cada 
concorrente (potencial e futuro) os seus recursos, capacidades e competências essenciais que podem 
sustentar suas forças e fraquezas em relação aos demais compeidores (Costa Júnior et al., 2021).
 Na igura6, Lodi (2012, p. 299) propõe uma Matriz de análise vis-à-vis das forças e fraquezas dos 
concorrentes.
Figura 6 - Matriz de análise vis-à-vis das forças e fraquezas dos concorrentes
Recursos, capacidades e competências essenciais 
(ideniicar dentro das dimensões a seguir)
Principais concorrentes atuais e potenciais
Análise de valor Alfa Beta Gama Delta Ômega
Linha de produto
Markeing e vendas
Operações
Inteligência Compeiiva
Pesquisa e desenvolvimento tecnológico
Recursos humanos
Peris dos gerentes
Estrutura organizacional
Relacionamentos
Finanças
Escala: +2 bem mais forte +1 mais forte 0 igual à empresa -1 mais fraco -2 bem mais fraco
Fonte: Adaptado de Lodi (2012, p. 299)
60
Considerações Finais
Neste capítulo, pariu-se de uma questão norteadora: “qual é a importância da informação 
e do conhecimento para o proissional de enfermagem no que tange ao empreendedorismo?”. 
Para respondê-la, foi necessário, inicialmente, disinguir dados de informação, de conhecimento e 
inteligência compeiiva, bem como a tomada de decisão e ações. Trata-se de uma cadeia concatenada 
e conínua a ser considerada pelo enfermeiro empreendedor.
Nesse senido, alguns instrumentos/técnicas foram propostos para serem uilizados na gestão de 
informações e conhecimentos, com o objeivo de nortear o empreendedorismo em enfermagem, 
balizando-se pela inteligência compeiiva e o planejamento por cenários futuros. Além disso, 
foram descritos os subprocessos do planejamento de cenários futuros, sugeridos para nortear o 
empreendedorismo na área. São eles: Análise do ambiente e construção de cenários relacionados 
ao empreendimento pretendido; ideniicação das Questões Estratégicas Críicas (QEC), que podem 
surgir e devem ser enfrentadas no futuro; e descrição e acompanhamento dos peris dos principais 
concorrentes atuais e potenciais, avaliando coninuamente as forças e fraquezas da empresa.
Este capítulo endossa a necessidade de se usar tecnologias da informação, no senido de promover 
suporte à gestão das informações e dos conhecimentos, potencializando a inteligência compeiiva e o 
planejamento estratégico de um empreendimento em enfermagem.
61
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63
8
EMPRESAS JUNIORES, INCUBADORAS E STARTUPS
Fábio da Costa Carbogim
Introdução
As Empresas Juniores (EJs) representam um elo entre a teoria acadêmica e a práica proissional, 
oportunizando o exercício das competências, habilidades e aitudes aprendidas no banco universitário 
(Santos, Bolina, 2020). 
As EJs são enidades civis sem ins lucraivos, geridas por estudantes universitários, com oferta 
de serviços e/ou produtos a custos inferiores aos encontrados no mercado. As EJs fazem parte de 
um movimento presente em diversas insituições de ensino ao redor do mundo, sendo uma práica 
comum em universidades e faculdades. Dessa forma, além de gerar recursos para sua manutenção, 
as EJs proporcionam uma vivência empresarial aos estudantes, sob supervisão de um docente (Trote 
et al., 2021). Alguns dos valores aspirados pelas EJs estão relacionados à qualidade, a cooperação, ao 
planejamento, ao dinamismo, ao proissionalismo, a éica e a inovação (Santos; Bolina, 2020). 
No senido de disciplinar a criação das EJs nas universidades e orientar sua organização e aividades, 
foi publicada, no ano de 2016, a Lei nº 13.267. As EJs passam a ter gestão autônoma em relação à 
coordenação da faculdade, mas obrigatoriamente deverá receber apoio e ser supervisionada por 
professores ou proissionais especializados. 
Para a abertura de uma EJ, alguns requisitos mínimos são necessários, tais como: elaboração de 
um projeto que descreva a viabilidade, planejamento, área de atuação e professor orientador da EJ; 
elaboração do estatuto e regulamento interno; aprovação pela faculdade à qual se vincula e registro 
jurídico como empresa. Os requisitos podem variar conforme a insituição, contudo envolve um 
processo colaboraivo entre estudantes, professores e a insituição de ensino. A transparência, o 
compromeimento e o alinhamento com as diretrizes da universidade são fundamentais para o sucesso 
da iniciaiva (Confederação Brasileira de Empresas Juniores, 2022).
No contexto legal e éico, há aspectos fundamentais a serem considerados por essas organizações. 
Quanto aos aspectos legais, a EJ deve estar devidamente registrada como uma enidade jurídica 
adequada, é necessário cumprir com as obrigações iscais, considerando as isenções ou beneícios 
iscais aplicáveis a enidades sem ins lucraivos e deve seguir a legislação trabalhista em relação a 
estudantes e colaboradores, mesmo que não haja vínculo empregaício. Em relação aos aspectos 
éicos, deveSAÚDE: 
ABORDAGEM PARA ESTIMAR O CUSTO 
DE UMA TECNOLOGIA 116
16. ESTRATÉGIAS DE MARKETING 124
17. PRONTUÁRIO: 
ASPECTOS ÉTICOS E LEGAIS QUE ENVOLVEM 
OS REGISTROS DE ENFERMAGEM 129
18. MODELOS DE FERRAMENTAS QUE TODO 
EMPREENDEDOR PRECISA 137
19. MODELO DE NEGÓCIOS: ATENDIMENTO DOMICILIAR (Home Care) 145
20. MODELO DE NEGÓCIO: 
CUIDADO ÀS PESSOAS COM LESÃO CUTÂNEA CRÔNICA 151
21. MODELO DE NEGÓCIOS: ESTÉTICA 159
22. TELEATENDIMENTO E TELENFERMAGEM 163
23. IMPOSTOS E ENCARGOS FISCAIS: 
DESCOMPLICANDO OS TRIBUTOS PARA O PROFISSIONAL 
DE ENFERMAGEM EMPREENDEDOR 169
LISTA DE SIGLAS
ANS – Agência Nacional de Saúde Suplementar
ART – Anotação de Responsabilidade Técnica
ATS – Avaliação de Tecnologias em Saúde
CEFE – Código de Éica dos Proissionais de Enfermagem
CEF – Caixa Econômica Federal
CFT – Comissão de Finanças e Tributação
CNAE – Classiicação Nacional de Aividades Econômicas
CNES – Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde
CNPL – Confederação Nacional de Proissões Liberais
CNPJ – Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica
COFEN – Conselho Federal de Enfermagem
COREN – Conselho Regional de Enfermagem
COFINS – Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social
CPA – Custo por Ação
CPC – Custo por Clique
CPM – Custo por Mil Impressões
CPP – Contribuição Patronal Previdenciária
CPF – Cadastro de Pessoas Físicas
CRT – Ceridão de Responsabilidade Técnica
CSLL – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido
EI – Empresário Individual
EJ – Empresa Júnior
EPP – Empresa de Pequeno Porte
ERT – Enfermeiro Responsável Técnico
E-SUS APS – Estratégia e-SUS Atenção Primária à Saúde
FGTS – Fundo de Garania por Tempo de Serviço
GPS – Guia da Previdência Social
IA – Inteligência Ariicial
ICMS – Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços
INSS – Insituto Nacional do Seguro Social
IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados
IRPF – Imposto de Renda Pessoa Física
IRPJ – Imposto de Renda Pessoa Jurídica
ISS – Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza
IoT – Internet das Coisas
LC – Lei Complementar
ME – Microempresa
MEI – Microempreendedor Individual
MVP – Minimum Viable Product (Produto Viável Mínimo)
OMS – Organização Mundial da Saúde
OPAS – Organização Pan-Americana da Saúde
PASEP – Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público
PE – Processo de Enfermagem
PEC – Prontuário Eletrônico do Cidadão
PF – Pessoa Física
PJ – Pessoa Jurídica
PGRSS – Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde
PIS – Programa de Integração Social
PL – Projeto de Lei
POP – Procedimento Operacional Padrão
PTS – Projeto Terapêuico Singular
RDC – Resolução da Diretoria Colegiada (Anvisa)
RFB – Receita Federal do Brasil
RNDS – Rede Nacional de Dados em Saúde
SEBRAE – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas
SLU – Sociedade Limitada Unipessoal
SUS – Sistema Único de Saúde
URTE – Unidade de Referência de Trabalho de Enfermagem
LISTA DE QUADROS
Quadro 1 – Funções Privaivas e Coleivas do Enfermeiro
Quadro 2 – Resoluções que norteiam o Empreendedorismo para a Enfermagem
Quadro 3 – Comparaivo para Registro de Consultórios, Clínicas e Empresas de Enfermagem
Quadro 4 – Orientações sanitárias para a área ísica de serviços de saúde (RDC nº 50/2002 e RDC nº 
07/2022)
Quadro 5 – Documentação exigida pela ANVISA para serviços de saúde
Quadro 6 – Perguntas e Respostas para empreender em Consultórios, Clínicas e Empresas de 
Enfermagem
Quadro 07 – Elementos e atributos da Teoria da Difusão da Inovação proposta por Rogers (2003)Quadro 
08 – Etapas do Design Thinking
Quadro 09 – As 10 Heurísicas de Nilsen
Quadro 10 – Sugestões para melhoria do sotware apontada pelos usuários durante a testagem e 
implementação
Quadro 11 – Capítulos de um Plano de Negócio
Quadro 12 – Detalhamento de um Plano de Negócio
Quadro 13 – Os 9 blocos do Business Model Canvas
Quadro 14 – Tipos e caracterísicas das principais técnicas de avaliação econômica em saúde
Quadro 15 – Pressupostos a serem observados ao escolher um método para análise de custos
Quadro 16 – Descrição de variáveis especíicas do método ABC
Quadro 17 – Fases de aplicação do Custeio ABC conforme suas inalidades
Quadro 18 – Vantagens e Desvantagens dos Prontuários Físico e Eletrônico
Quadro 19 – Perguntas, Respostas e Considerações sobre Telenfermagem
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 – Funil de Vendas
Figura 2 – Relação entre dados, informação, conhecimento, decisão e ação
Figura 3 – Proposição de instrumento sintéico para norteamento da análise de ambiente
Figura 4 – Matriz SWOT para cada cenário futuro relacionado à uma estratégia empreendedora
Figura 5 – Sugestão de roteiro de entrevista aberta para ideniicação das Questões Estratégicas Críicas 
(QEC)
Figura 6 – Matriz de análise vis-à-vis das forças e fraquezas dos concorrentes
Figura 7 – Tela para busca dos pacientes, GerontoIA
Figura 8 – Ícones do menu inicial sotware protóipo GerontoIA
Figura 9 – Instruções e relato de erro no sotware protóipo GerontoIA
Figura 10 – Síntese da avaliação mulidimensional no sotware protóipo GerontoIA
Figura 11 – Sistema de comparilhamento de informações no sotware protóipo GerontoIA
Figura 12 – Etapas para elaborar um Plano de Negócio
Figura 13 – Business Model Canvas
Figura 14 – Business Model Canvas dividido em partes esquerda e direita
Figura 15 – Blocos originais do Business Model Canvas subsituídos no Lean Canvas
Figura 16 – Business Model Canvas (2)
Figura 17 – Lean Canvas
Figura 18 – Detalhamento das etapas para esimar custos econômicos em saúde
Figura 19 – Design Thinking.
Figura 20 – Análise SWOT
Figura 21 – Ferramenta 5W2H
Figura 22 – Modelo de apresentações – Verde e Azul Aperto de mão
Figura 23 – Exemplo de criação de pesquisa
Figura 24 – Exemplo de planilha inanceira para controle de luxo de caixa
Figura 25 – Exemplo de planilha de planejamento para controle de planos de ação
Figura 26 – Modelos de Documentos
Figura 27 – Business Model Canvas (3)
Figura 28 – Canvas de Modelo de Negócio relacionado ao cuidado à pessoa com lesão cutânea crônica 
em atendimento domiciliar
Figura 29 – Canvas de Modelo de Negócio relacionado ao cuidado à pessoa com lesão cutânea crônica 
em clínicas especializadas
Figura 30 – Mapa Visual do Modelo de Negócios
13
INTRODUÇÃO
Helen Crisiny Teodoro Couto Ribeiro
Sou enfermeiro, posso empreender? O empreendedorismo na enfermagem é viável? Como posso 
empreender sendo um proissional de enfermagem? Não aprendi sobre empreendedorismo na 
faculdade ou no curso técnico, mesmo assim posso abrir meu próprio negócio? Quais áreas dentro da 
enfermagem oferecem oportunidades para empreender? Quais são os primeiros passos para começar 
a empreender na enfermagem? Como a experiência clínica pode ser uma vantagem no mundo do 
empreendedorismo?
Estas perguntas podem estar passando pela sua mente ao abrir este livro, considerando que você 
pode pensar que o empreendedorismo é algo reservado para proissionais das áreas de administração 
e engenharia, onde o tema é comum e amplamente discuido.
No entanto, o empreendedorismo por enfermeiros tem evidência desde o século XIX. Em 1860, 
Florence Nighingale, pioneira da enfermagem moderna e fundadora da primeira Escola de Enfermagem 
da Inglaterra no Hospital Saint Thomas, em Londres, aplicou princípios do empreendedorismo e da 
liderança, transformando a realidade e melhorando processos que resultaram na quebra de paradigmas 
(Copelli, Erdmann, Santos, 2019; Silva et al., 2023). Por meio dessa enfermeira empreendedora, a visão 
do cuidado foi vista como ciência e o paciente cuidado holisicamente, como um ser integral (Riechel et 
al., 2021; Altman, Brinker, 2016). A enfermeira Anna Nery também é considerada uma empreendedora 
por sua atuação na Guerra do Paraguai. Além disso, Wanda de Aguiar Horta, a primeira teórica brasileira 
da proissão, exempliica o espírito empreendedor na enfermagem (Copelli, Erdmann, Santos, 2019; 
Nascimento Filho,garanir a conidencialidade das informações dos clientes e parceiros, respeitando 
normas éicas e contratuais. Devem, ainda, considerar o impacto de suas aividades na comunidade 
local, buscando contribuir de maneira posiiva para o desenvolvimento sustentável, promovendo um 
ambiente inclusivo e diversiicado, com respeito à igualdade de oportunidades (Confederação Brasileira 
de Empresas Juniores, 2022).
Atualmente, existem no país mais de 1.400 EJs, que entre os anos de 2019 e 2021 acumularam 
mais de 153 milhões de reais, ultrapassando a marca de 100.000 projetos (Confederação Brasileira de 
Empresas Juniores, 2022). 
Assim, ao passo que contribui com a formação empreendedora nas Universidades, as EJs promovem 
o desenvolvimento econômico e social do país. A im de apoiar a criação e o crescimento das EJs, existe 
o Movimento Empresa Júnior, que representa a integração das EJs e se organiza a parir das federações 
dos estados e da confederação brasileira de empresas juniores, a Brasil Júnior. É por meio da Brasil 
Júnior, que atualmente, o movimento se orienta e desenvolve (Confederação Brasileira de Empresas 
Juniores, 2022). 
64
Destacam-se quatro EJs de Enfermagem no Estado de Minas Gerais:
• Arterial: EJ da Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais. Criada 
em 2008, com o objeivo de capacitar o futuro Enfermeiro para desenvolver habilidades 
gerenciais e de liderança.
• Humaniza: EJ da Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal de Viçosa. Criada em 
2016, com o objeivo de oferecer serviços em Enfermagem voltados para a dimensão do 
cuidado e educação em Saúde em todos os ciclos vitais.
• Amparo: EJ da Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal de Juiz de Fora. Criada 
em 2021, com o objeivo de fomentar o empreendedorismo no ambiente universitário, 
além de promover a prestação de serviços de excelência à comunidade por meio de 
projetos em saúde e assessoria.
• Cuidare Jr: EJ da Faculdade de Ciências Biológicas e da Saúde da Universidade Federal dos 
Vales do Jequiinhonha e Mucuri (UFVJM). Criada em 2010, foi a primeira EJ de Enfermagem 
federada à FEJEMG. Buscam unir conhecimento acadêmico e necessidades reais da 
comunidade, formando proissionais mais preparados, inovadores e compromeidos com 
o cuidado de qualidade.
Desenvolvimento do modelo de negócio
Na Enfermagem, uma formação empreendedora representa a possível oferta e respostas às 
necessidades sociais da população e do sistema de saúde, com inovação e ampliação da visibilidade 
proissional (Spagnof; Bastos, 2015).
Algumas possibilidades de atuação das EJs na Enfermagem envolvem a área de educação em saúde, 
educação permanente, treinamentos, consultorias e implementação das melhores evidências na práica 
assistencial, pesquisa em saúde, criação de protocolos e manuais, desenvolvimento de tecnologias 
digitais, avaliação de riscos à saúde em diversas insituições, sempre com acompanhamento de um 
Enfermeiro supervisor/orientador e vinculadas a uma insituição de ensino superior (Trote et al., 2021).
Outra modalidade de empreendedorismo envolve as empresas vinculadas às Incubadoras. Essas 
empresas incubadas se valem do parque cieníico e tecnológico de uma universidade para funcionar. 
O termo “incubadora” faz referência aos equipamentos que proporcionam condições ambientais 
controladas de temperatura, umidade e luxo de ar para o desenvolvimento de crianças que nasceram 
prematuras (Associação Brasileira de Startups, 2021).
Segundo a Associação Brasileira de Startups (2021), as empresas incubadas, por estarem geralmente 
vinculadas às universidades, recebem suporte técnico e gerencial para desenvolver o negócio. Nesse 
senido, contam com apoio jurídico, contábil, gestão inanceira, infraestrutura (salas, telefones, 
internet, secretaria), treinamentos e cursos. Muitas universidades têm centros de empreendedorismo 
ou programas de incubação e os interessados entram em contato para obter informações sobre o 
processo de candidatura.
Cabe ressaltar que os micros e pequenos empreendedores têm ixado seus negócios junto às 
incubadoras com o objeivo de reduzir riscos, incertezas e oscilações do mercado (Vivaldini; Soriano, 
2014). 
Dentre as incubadoras proeminentes no país, destacam-se: Centro de Inovação, Empreendedorismo 
e Tecnologia (Cietec), vinculada à Universidade de São Paulo; Inova, vinculada à Universidade Federal 
de Minas Gerais; Incubadora de Projetos Tecnológicos e Empresas do Inmetro, vinculada ao Insituto 
Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia; Programa de Incubação de Empresas de Base 
Tecnológica da UFPA, vinculada à Universidade Federal do Pará e Centro Empresarial para Laboração 
de Tecnologias Avançadas (CELTA), vinculada à Universidade Federal de Santa Catarina (Cozer, 2019). 
Outra modalidade reconhecida mundialmente são as Startups, ou novas empresas, que uilizam 
ou produzem tecnologias, com baixo custo de invesimento na fundação e na manutenção (Hausberg; 
Korreck, 2020). Essas empresas possuem alto potencial de crescimento ao oferecer soluções ou 
65
aprimoramento de serviços, como oferta de tecnologia para agilizar mobilidade urbana, entrega de 
alimentos ou hospedagem (Saura; Palos-Sanchez; Grilo, 2019). Podemos citar a Uber, o Ifood e o Airbnb 
como exemplos de empresas que surgiram a parir de Startups.
As modalidades de Startups podem ser classiicadas de acordo com a forma de invesimentos, a 
saber, (Peghini; Pereira, 2022):
O capital semente é um ipo de invesimento para aquele empreendimento que se encontra em 
fase embrionária, ou seja, um projeto a ser colocado em práica. Geralmente, é organizado por meio 
de fundos de invesimentos. Também é conhecido como Seed Money ou Seed Capital. 
O invesimento bootstrapping que pode ser traduzido livremente com “inicialização” o que seria 
iniciar com poucos recursos. Nesse caso, o invesidor emprega seu próprio recurso inanceiro. 
O invesimento-anjo é aquele realizado por uma pessoa ísica (um mentor invesidor), que aplica 
capital próprio com a inalidade de fornecer aporte inanceiro, técnico, redes de apoio e conhecimentos. 
Geralmente, os invesidores são amigos ou familiares.
A incubação de empresas ocorre quando as incubadoras auxiliam o empreendimento com 
conhecimentos, recursos técnicos, infraestrutura e possíveis invesidores através de um networking. 
Nessa modalidade, geralmente, não há aplicação direta de capital. 
A venture capital ou capital de risco em que o apoio ao negócio ocorre através de aquisição na 
paricipação acionária da empresa.
O crowdfunding ou inanciamento coleivo realizado entre um grupo de pessoas interessadas na 
iniciaiva. Geralmente o engajamento do grupo é mobilizado pela internet, onde é apresentado o 
projeto ou proposta e os prazos, metas inanceiras e retornos.
A venture building é uma modalidade de startup que produz novas startups. Também é conhecida 
como “fábrica de startups” que se concentra em aplicar e inanciar projetos, infraestrutura ísica, 
recursos humanos e demais aportes necessários. Parte do lucro da nova startup é recebido pela venture 
Building através de paricipação acionária. 
No computo geral, as EJs, as Incubadoras e as Startups se ixam como novos modelos de negócios 
emergentes, com o propósito de atender as demandas de consumidores, em um cenário de mudanças 
sociais de um mundo cada vez mais digital (Saura; Palos-Sanchez; Grilo, 2019).
Na área de saúde ainda existem lacunas na oferta de tais modelos de negócios, o que gera 
oportunidade para Enfermeiros empreendedores e para usuários que buscam qualidade a custos 
menores. Nesse senido, modelos como as startups têm sido incentivadas por sistemas nacionais e 
internacionais de saúde, na modalidade de telemedicina, telenfermagem, telessaúde, saúde móvel, 
entre outros. Esses modelos de negócio conseguem suprir demandas onde o atendimento presencial 
não consegue chegar (Chakraborty; Ilavarasan; Edirippulige, 2021; Lim, 2020).
No entanto, trata-se de um modelo emergenteno país e enfrentam muitos desaios, incluindo o risco 
de sobrevivência, para criar e capturar valores no mercado. Para isso, cabem políicas e inanciamentos 
governamentais de incenivo a projetos viáveis e que tragam inovação disrupiva para o sistema de 
saúde (Santos; Bolina, 2020).
66
Considerações inais
Com a ampliação de oportunidades e modelos de negócios, a enfermagem avança aprendendo e 
experimentando o empreendedorismo e o potencial empreendedor da proissão. Contudo, acredita-
se que durante a formação em enfermagem, abordagens sobre o tema possam contribuir com o 
desenvolvimento de competências, habilidades e aitudes empreendedoras.
Cabe destacar que os modelos de negócios na área da enfermagem enfrentam uma série de 
desaios, muitos dos quais reletem as dinâmicas do setor de saúde como um todo. Aqui estão alguns 
dos desaios signiicaivos que empresas e empreendedores na área de enfermagem podem enfrentar: 
elevados custos iniciais; cumprimento de normas e regulamentações; integração de tecnologia; 
compeição e diferenciação, além da aceitação da inovação.
Superar esses desaios requer uma abordagem estratégica, colaboração com as partes interessadas 
do setor de saúde e uma compreensão sólida das dinâmicas regulatórias e do mercado. Empresas que 
conseguem enfrentar esses desaios muitas vezes contribuem signiicaivamente para a melhoria da 
qualidade dos serviços de saúde e para a eicácia dos cuidados de enfermagem.
67
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68
9
EMPREENDEDORISMO TECNOLÓGICO EM SAÚDE
Ricardo Bezerra Cavalcante, PhD, RN
Introdução
A Organização Mundial da Saúde (OMS) deiniu a Estratégia Global de Saúde Digital como uma 
prioridade (Who, 2021). Trata-se de um conjunto de ações voltadas para a oferta de Tecnologias da 
Informação e Comunicação (TIC) nos serviços de saúde ao redor do mundo. Reconhece-se que o uso 
de tecnologias da informação tem contribuído para a práica assistencial, gerencial e controle social no 
campo da saúde (Hollis et al., 2017; Who, 2016).
O Brasil, buscando acompanhar o processo de transformação digital na rede de saúde, vem 
desenvolvendo ações para atualizar e implantar sua Políica Nacional de Informação e Informáica 
em Saúde (PNIIS), criar a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), além de promover o Plano de 
Transformação Digital; o Plano de Ação, Monitoramento e Avaliação da Saúde Digital, e a Estratégia de 
Saúde Digital para o país (Brasil, 2020a; Brasil, 2020b; Brasil, 2021a). Ressalta-se que o termo “saúde 
digital” engloba o emprego das TICs para obter e disponibilizar informações coniáveis, incorporando 
inovações da tecnologia como novos signiicados, aplicações, Internet das Coisas (IoT), Inteligência 
Ariicial (IA), e-saúde, telenfermagem, telessaúde, telemedicina, saúde móvel, entre outras (Who, 
2021).
Quatro pilares da visão de saúde digital foram deinidas para o país (Brasil, 2020a):Governança 
e Recursos Organizacionais: aspectos de governança, liderança, estratégia, invesimento, políicas, 
legislação e regulamentação;
• Padrões e Interoperabilidade: serviços e sistemas que implementam a saúde digital e os 
padrões e a interoperabilidade necessários para a sua operação;
• Infraestrutura: infraestrutura de TI para que saúde digital funcione;
• Trabalhadores de saúde: trabalhadores capacitados para uilizar a saúde digital.
Nesse senido, há um contexto propício e de incenivo ao empreendedorismo tecnológico, mais 
especiicamente, voltado para o desenvolvimento de tecnologias e inovações fomentadoras da saúde 
digital no Brasil e no mundo. Para isso, é preciso uilizar metodologias e estratégias sistemaizadas 
para o desenvolvimento e avaliação de tais tecnologias. A seguir será apresentado um “case” que pode 
ilustrar o desenvolvimento de uma tecnologia e uma proposta de sua avaliação.
 
O CASO: “Sistema Inteligente para avaliação mulidimensional de pessoas idosas no 
contexto da Atenção Primária à Saúde”.
1. Problema ou oportunidade: trata-se da ideniicação e descrição do problema/
oportunidade, bem como a sua fundamentação.
Problema ou oportunidade: A necessidade de se fazer a Avaliação Mulidimensional de pessoas 
idosas e a gestão da informação deste processo com vistas a potencializar o cuidado de Enfermagem 
no contexto da Atenção Primária à Saúde. 
1.1 Ideniicação e descrição do problema/oportunidade:
No contexto da Atenção Primária à Saúde (APS), a gestão das informações produzidas na Atenção 
à Saúde da Pessoa Idosa ainda é desenvolvida pela coexistência de inúmeros instrumentos avaliaivos 
69
em papel, com registros de dados realizados por diversos proissionais. Esses registros são pouco 
integrados e, portanto, insuicientes para a gestão do cuidado desse grupo populacional (Silva et al., 
2022; Barbosa et al., 2022; Gomes et al.,2022).
No Brasil, no âmbito da Rede de Atenção à Saúde, a gestão das informações relacionadas à 
assistência às pessoas idosas tem sido realizada por meio do Prontuário Eletrônico do Cidadão da 
Estratégia e-SUS Atenção Primária à Saúde (PEC e-SUS APS), desenvolvido pelo Ministério da Saúde, 
e com sotwares produzidos pelos municípios, ou adquiridos no mercado privado (Brasil,2019; Brasil, 
2021b; Brasil, 2021c). Entretanto, essas tecnologias não incorporam a Avaliação Mulidimensional 
da Pessoa Idosa; não geram o Projeto Terapêuico Singular (PTS); não produzem o mapeamento dos 
idosos na área de abrangência de Unidades Básicas de Saúde (UBS) e não se baseiam em inteligência 
ariicial. Contrariamente à perspeciva do envelhecimento saudável, permanece nestes artefatos a 
visão biologicista e com foco nos problemas de saúde.
1.2 Fundamentação do problema/oportunidade com foco na análise de contexto, tendências, 
oportunidades e impactos:
O envelhecimento da população mundial é um processo em franca ascensão. Para o ano de 2050, 
esima-se uma população mundial de 2 bilhões de pessoas com 60 anos ou mais, sendo que a maioria 
se concentra em países em desenvolvimento. No Brasil, em 2014, os idosos representavam 27,8 
milhões (13,7%) da população brasileira, e em 2050, calcula-se que esse número chegue a 64 milhões 
(30% da população) (IBGE, 2018). Minas Gerais está entre os estados brasileiros com maior expectaiva 
de envelhecimento populacional nas próximas quatro décadas, saltando de 11,20% pessoas idosas em 
2020, para 28,36% em 2060 (IBGE, 2018). 
Ressalta-se que o padrão de gastos com a saúde difere em função da idade, aumentando 
signiicaivamente com o avanço da idade, sobretudo nas úlimas décadas de vida. Os maiores gastos 
entre os idosos reletem o padrão de morbidade caracterísico desse grupo, marcado pela maior 
prevalência de doenças crônico-degeneraivas, o que implica um maior consumo de serviços de saúde, 
além de maiores taxas de internação e permanência hospitalar (Santos; Turra; Kenya, 2018). 
Assim, o Sistema Único de Saúde (SUS) deve se organizar para ser capaz de avaliar as pessoas 
com 60 anos ou mais, ideniicando as mais vulneráveis a agravo decorrente de doença crônica; as 
com maiores riscos de compromeimento à funcionalidade e as com mais necessidade de atenção, 
postergando-se, ao máximo, a perda da capacidade funcional e qualidade de vida no processo natural 
de envelhecimento (Santos; Turra; Kenya, 2018; Brasil, 2018a).
Nesse contexto, a Avaliação Mulidimensional do Idoso (AMI) surge como ferramenta estruturada, 
de múliplas dimensões, interdisciplinar, capaz de determinar as deiciências ou as habilidades do 
ponto de vista clínico, psicossocial e funcional e de permiir formular um PTS, coordenado e integrado, 
a curto, médio e longo prazo, visando, especialmente, à recuperação e/ou a manutenção da capacidade 
funcional (OPAS, 2012; Brasil, 2018a). 
A AMI, prevista para a Implementação de Linha de Cuidado para Atenção Integral à Saúde da Pessoa 
Idosa no SUS se alinha à inalidade primordial da Políica Nacional de Saúde da Pessoa Idosa (PNSPI) 
de recuperar, manter e promover a autonomia e a independência dos idosos, direcionando medidas 
coleivas e individuais de saúde para esse im, em consonância com os princípios e diretrizes do SUS 
(Brasil, 2006; Brasil, 2018a). Ela pode ser implantada e desenvolvida nos diversos pontos da Rede de 
Atenção à Saúde, mas a sua adoção na Atenção Primária a Saúde (APS) é imprescindível, pois é central 
e ordenadora do cuidado. 
Vários instrumentos de AMI foram desenvolvidos; no entanto, eles demandam a coleta de muitas 
informações e, ainda, há a necessidade relacioná-las, classiicar o estado de saúde dos idosos, traçar 
possibilidades de riscos e o plano de cuidado. Tudo isso, manualmente, guiando-se por informações 
registradas em papel e na Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa (ainda não informaizada) (Brasil, 
2018b). Assim, a assistência torna-se lenta, dependente unicamente do raciocínio humano, baseado 
70
em informações registradas em disposiivos de papel, podendo gerar riscos à segurança dos idosos 
pela possibilidade de um registro precário, incompleto e com informações pouco ou não idedignas (de 
baixa qualidade) (Keen et al., 2019; Menon et al., 2017). 
2. Solução tecnológica proposta (objeto de negócio/inovação):
Apresenta-se uma solução tecnológica por meio do desenvolvimento de um Sistema Inteligente, 
capaz de gerenciar as informações necessárias à AMI e à deinição do PTS, ferramentas preconizadas 
pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS, 2012), Organização Mundial da Saúde (OMS, 2015), 
adotadas no Brasil (Brasil, 2018a), com vistas à assistência integral deste grupo etário (pessoas idosas) 
relevante às ações de promoção da saúde pela APS. Espera-se que essa tecnologia seja baseada nos 
pressupostos da inteligência ariicial: habilidade para uilizar conhecimentos, propor decisões e 
capacidade para trabalhar com mulivariáveis, simulando processos de inteligência humana, incluindo 
a aprendizagem e a autocorreção (Who, 2018; Who, 2019). 
A gestão das informações na APS vem sendo realizada pelo Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC), da 
Estratégia e-SUS APS, desenvolvido pelo Ministério da Saúde ou com sotwares produzidos/adquiridos 
pelos municípios (Brasil, 2022; Cavalcante et al., 2019a; Cavalcante et al., 2019b). Entretanto, estas 
tecnologias não proporcionam a AMI. Além disso, não incorporam a inovação da inteligência ariicial 
em seus constructos. Pretende-se, ao desenvolvimento do Sistema Inteligente que, futuramente, o 
mesmo se integre ao PEC, facilitando sua disponibilização no SUS, na APS; nos pontos da linha de 
cuidado ao idoso e em outros, cuja maior clientela são pessoas idosas, como os Serviços de Atenção 
Domiciliar, Núcleo de Apoio à Saúde da Família e Insituições de Longa Permanência para Idosos.
2.1 Síntese da solução tecnológica proposta: 
Desenvolvimento e validação de um Sistema Inteligente baseado na web para Avaliação 
Mulidimensional da pessoa idosa e nos pressupostos da Inteligência Ariicial. Pretende-se integrar 
a tecnologia, futuramente, ao Prontuário Eletrônico do Cidadão da Estratégia e-SUS Atenção Básica. 
Espera-se disponibilizar o sistema desenvolvido para as equipes de saúde da família e Insituições de 
Longa Permanência. O sistema deverá apresentar as seguintes funcionalidades: 
• Avaliação Mulidimensional de pessoas idosas (avaliação clínica, avaliação psicossocial, 
avaliação funcional);
• Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa informaizada e incorporada ao sistema computacional;
• Mapeamento da área de abrangência (idosos em situação de vulnerabilidade, classiicação de 
níveis de fragilidade entre os idosos, rastreamento e localização do idoso frágil e os potenciais 
para desenvolver fragilidade);
• Predição de riscos em idosos, visando prevenir desfechos indesejáveis e monitorar a saúde do 
idoso;
• Projeto Terapêuico Singular eletrônico incorporando os resultados da Avaliação 
Mulidimensional, a predição de riscos e o mapeamento dos idosos da área de abrangência, 
gerando intervenções individuais/familiares e plano de ação para o território;
• Sistema de retaguarda para comparilhamento de informações por meio de mensageiros 
instantâneos para idosos, cuidadores e familiares, focando na prevenção aos riscos ideniicados 
e apontando intervenções básicas;
• Painel de monitoramento e controle dos idosos assisidos no município com informações, 
relatórios e indicadores para gestores. 
 
71
3. Metodologia para o desenvolvimento da tecnologia
Realizou-se o desenvolvimento da tecnologia a parir do referencial de Protoipação, uilizando o 
modelo cascata: o levantamento de necessidades; diagrama de classes; projeto de banco de dados 
e modelo lógico; desenvolvimento de interfaces; aplicação do sistema e testagem (Pressman, 2011). 
Para o diagrama de classes (modelagem de classes, objetos, atributos e relações entre objetos), 
uilizou-se a linguagem UML (Uniied Model Language). Também foi desenvolvido o projeto de banco 
de dados, deinindo seu modelo lógico para representar o Diagrama de Enidade-Relacionamento e 
seus atributos. Posteriormente, implantou-se o modelo ísico do banco de dados (armazenamento 
dos dados coletados). Considerou-se a convergência tecnológica para a web por meio da metodologia 
ProgressiveWeb App. 
Para a avaliação mulidimensional dos idosos, geração do Projeto Terapêuico Singular com a sugestão 
de intervenções e algoritmos de predição de riscos, foi uilizado o Modelo da Linha de Cuidado para 
Atenção Integral à Saúde da Pessoa Idosa do SUS (Brasil, 2018a). Também foi proposto um algoritmo de 
aprendizagem baseado nos dados coletados a parir da uilização do sistema, buscando-se deinir um 
método para viabilizar o aperfeiçoamento automaizado do modelo de suporte a tomada de decisão. 
Para o comparilhamento de informações por meio de mensageiros instantâneos a parir do sistema 
inteligente com idosos, familiares e cuidadores, foram uilizados aplicaivos já conhecidos pelos 
usuários (WhatsApp, Instagram, Telegram, entre outros), por meio de uma integração entre aplicaivos 
e o sistema proposto. Ainda na protoipação do sistema, a parir dos dados coletados na avaliação 
mulidimensional, foi desenvolvido um painel de monitoramento e controle com informações sobre o 
mapeamento dos idosos no território, idosos em situação de vulnerabilidade, classiicação de níveis de 
fragilidade entre os idosos, rastreamento e localização do idoso frágil e os potenciais para desenvolver 
fragilidade.
4. Proposta de avaliação da tecnologia desenvolvida: Testagem e experimentação para 
gerar conhecimento e inteligência compeiiva:
 
A avaliação da solução tecnológica envolveu a testagem e experimentação com vistas a gerar 
conhecimento e inteligência compeiiva, buscando informações que pudessem se conformar como 
vantagem e possibilidade de avanços. Para tanto, buscou-se a inserção de Enfermeiros empreendedores 
nos possíveis cenários de adoção da tecnologia proposta e entre os seus potenciais adotantes 
(proissionais de saúde, pessoas idosas, cuidadores e familiares). 
No intuito de sistemaizar o processo avaliaivo da tecnologia, realizou-se um estudo descriivo, 
com abordagem qualitaiva sobre a avaliação de usabilidade, com base nas dez heurísicas de Nielsen 
(1993), conforme destacado a seguir:
a. Visibilidade – feedback (Visibilidade do status do sistema); 
b. Compaibilidade (Correspondência entre o sistema e o mundo real); 
c. Controle e liberdade do usuário (Suporte desfazer e refazer); 
d. Consistência e padrões; 
e. Prevenção de erros; 
f. Reconhecimento ao invés de memorização; 
g. Flexibilidade e eiciência de uso (atender a usuários inexperientes e experientes); 
h. Design estéico minimalista; 
i. Diagnósico e correção de erros; 
j. Ajuda e documentação.
Para a coleta de dados foi uilizado um formulário eletrônico (online). Foram convidados 
intencionalmente, quatro proissionais com formação em Tecnologia da Informação (TI), com 
conhecimento em usabilidade e dois especialistas da área de gerontologia/geriatria. A eiciência do 
72
método para quatro avaliadores ica em torno de 70%. Na inspeção das heurísicas, os avaliadores 
examinam a interface simulando o papel dos usuários reais do sotware avaliado (Nielsen, 1993). 
Ainda, norteados pela Teoria da Difusão da Inovação (Rogers, 2003) (Quadro 1), foi realizado um 
estudo de casos múliplos (Yin, 2015) na Atenção Primária à Saúde e Insituições de Longa Permanência 
para Idosos (ILPI) em três cidades de Minas Gerais.
Quadro 07 – Elementos e atributos da Teoria da Difusão da Inovação proposta por Rogers (2003), 
Belo Horizonte-MG, Brasil, 2026.
Elementos Atributos/Deinições
Inovação
Vantagem Relaiva: Percepção de que o uso da inovação é vantajoso, 
em relação às práicas anteriores.
Compaibilidade: Percepção de que a inovação é consistente com os 
valores, experiências passadas e necessidades dos adotantes.
Complexidade: O quanto o uso e a compreensão da inovação são 
considerados diíceis.
Experimentação: O quanto a inovação pode ser experimentada.
Observabilidade: Percepção de resultados obidos através da inovação.
Canais de
 Comunicação
Meios em que as mensagens circulam entre os indivíduos, considerando 
a natureza da troca de mensagens.
Tempo
A dimensão do tempo entre o contato com a inovação e a decisão de 
aceitar ou rejeitar.
Sistema Social
Unidades inter-relacionadas com objeivos semelhantes. Os membros 
ou unidades de um sistema social podem ser indivíduos, grupos 
informais ou organizações.
Fonte: Adaptado de Rogers (2003)
Em cada cidade, foram escolhidas, intencionalmente, uma ILPI e uma Equipe de Estratégia Saúde da 
Família (ESF) para os testes de validação. Em cada cidade, foram elencados como paricipantes: equipe 
mínima de ESF (Médico, Enfermeiro, Agente Comunitário de Saúde, Técnico de Enfermagem); nas 
ILPI (Médico, Enfermeiro, Técnico de Enfermagem e outros proissionais que paricipem da avaliação 
mulidimensional do idoso). 
Aos paricipantes foi disponibilizado, gratuitamente, o sotware para ser uilizado e avaliado durante 
a assistência os idosos das ILPI e ESF envolvidas. Para a coleta de dados, foram uilizadas entrevistas 
áudio gravadas com um roteiro semiestruturado aos paricipantes envolvidos. A observação não 
paricipante, a parir de um roteiro de observação, também foi uilizada para a coleta de dados. Os 
paricipantes foram observados em seu coidiano, nas ILPI e nas ESF, durante uma semana ípica de 
trabalho (segunda a sexta), ao uilizar o sistema nas consultas, visitas domiciliares, atendimentos aos 
idosos e reuniões para discussão de casos. O registro das observações ocorreu em um diário de campo, 
e as notas de observação foram codiicadas. 
Para encerramento do número de paricipantes, foi uilizada a técnica de fechamento do número 
amostral por saturação teórica (Nascimento et al., 2018). Todos os dados coletados (avaliação 
de usabilidade e difusão da inovação) foram organizados e tratados pela análise de conteúdo, na 
modalidade temáico-categorial (Bardin, 2015), com auxílio do sotware Atlas Ti.
73
Considerações Finais
Neste capítulo, apresentamos um “case” de empreendedorismo tecnológico desenvolvido de 
forma sistemaizada, a parir de teorias e métodos, além de uma proposta de avaliação. Trata-se do 
desenvolvimento e da avaliação do “Sistema Inteligente para avaliação mulidimensional de pessoas 
idosas no contexto da Atenção Primária à Saúde”.
Inicialmente, foi ideniicado o problema/oportunidade e feita sua descrição detalhada. Em seguida, 
procedeu-se à fundamentação do problema/oportunidade, com foco na análise de contexto, tendências, 
oportunidades e impactos. Posteriormente, realizou-se a síntese da solução tecnológica proposta, que 
permiiu a visualização de suas funcionalidades. A metodologia para o desenvolvimento da tecnologia 
foi detalhada, bem como a proposta de sua avaliação, a parir da testagem e experimentação para 
gerar conhecimento e inteligência compeiiva.
Destaca-se que o empreendedorismo tecnológico traz, em seu arcabouço, grandes desaios, 
principalmente a transferência tecnológica e a relação que se estabelece entre o público e o privado. 
No entanto, é um caminho a ser percorrido, com vistas à transformação da realidade da saúde, à 
organização dos serviços e à sistemaização da gestão das informações em saúde.
74
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77
10
PROTEGENDO INVENÇÕES E INOVAÇÕES EM ENFERMAGEM
Ricardo Bezerra Cavalcante, PhD, RN
Introdução
Em um mundo cada vez mais compeiivo e norteado por diversas tecnologias, a Enfermagem se vê 
às voltas com a necessidade de resguardar a sua propriedade intelectual, patentear seus produtos e 
registrá-los em órgãos que possuem tal inalidade (Souza; Silvino; Souza, 2020). O ato de empreender 
acaba gerando inovações, criações, produtos, técnicas e processos que podem ser resguardados, 
registrados e patenteados (Cunha, 2022). 
Como isso, busca-se valorizar as produções de Enfermeiros empreendedores e contribuir para o 
crescimento tecnológico nacional e com repercussões no cenário internacional, enfaizando a criação 
e a inovação com vistas ao avanço do conhecimento e de produtos na área da Enfermagem e também 
no contexto das demais Ciências da Saúde, além de avanços tecnológicos no âmbito dos sistemas de 
saúde ao redor do mundo (Silva et al., 2022; Cofen, 2020).
O quesionamento que emerge nesse contexto é: “Onde solicitar e proteger as invenções e inovações 
em Enfermagem?”. No Brasil, o Insituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) é o órgão responsável 
por todo e qualquer procedimento de pedido, concessão e negociação de propriedade industrial no 
território nacional (registro e concessão de Marcas, Patentes, Desenho Industrial, Transferência de 
Análise dos registros de patentes e sua Indicação Geográica, Programa de Computador e Topograia 
de Circuito Integrado). O INPI é considerado uma enidade autônoma, auxiliar e descentralizada da 
administração pública, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior 
(MDIC) (INPI, 2012). 
Além disso, o INPI tem por objeivo regulamentar as normas das Propriedades Industriais, iscalizar 
processos referentes aos registros no que tange à conveniência de assinatura, denúncias de convenções, 
tratados, convênios e acordos sobre a propriedade industrial (INPI, 2019).
Desta feita, neste capítulo serão abordadas algumas temáicas de real interesse para a Enfermagem, 
a saber: 1) a propriedade intelectual; 2) a propriedade industrial e as patentes; 3) o desenho industrial 
e suas aplicabilidades para a Enfermagem; 4) as marcas e como podem ser úteis ao empreendedorismo 
em Enfermagem.
1. Propriedade Intelectual
Para a Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI) a propriedade intelectual diz 
respeito “às criações do espírito humano e aos direitos de proteção dos interesses dos criadores sobre 
suas criações” (OMPI, 2016). Assim, o direito à propriedade intelectual está atrelado à proteção sobre a 
informação ou ao conhecimento presentes em um objeto e que poderia ser replicado em outro objeto 
em qualquer lugar, sendo um aivo intangível.
A propriedade intelectual abarca três grandes grupos que podem ser assim divididos:
1.1 Direito autoral (Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998) (Brasil, 1998a): 
Direito de autor: são obras literárias, arísicas e cieníicas, programas de computador1, descobertas 
cieníicas. No caso das obras literárias, arísicas, cieníicas e descobertas cieníicas, o prazo de 
proteção pelo direito autoral vai desde a criação até 70 anos após o anosubsequente ao falecimento 
do autor. A obra entra em domínio público depois de vencido o prazo. Após a morte do autor, os 
1 Lei nº 9.609, de 19 de fevereiro de 1998, conhecida como a Lei do Sotware (BRASIL, 1998b).
78
direitos são transmiidos a seus sucessores. No caso dos programas de computador o prazo de vigência 
do direito é de 50 anos, contados a parir de 1º de janeiro do ano subsequente ao da sua publicação 
ou, na ausência desta, da sua criação.
Direitos conexos: referem-se as interpretações dos aristas intérpretes e as execuções, os fonogramas 
e emissões de radiodifusão2. 
Onde solicitar e obter o Direito Autoral:
• Livros e textos: Fundação Biblioteca Nacional3.
• Filmes: Agência Nacional do Cinema4.
• Obras arísicas: Escola de Belas Artes5.
• Parituras de músicas: Fundação Biblioteca Nacional6.
• Plantas arquitetônicas/projetos: Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura – Unidade da 
Federação (CREA-UF) - Disponível em: .
• Programas de computador7: Insituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
2. A Propriedade industrial e as Patentes (Lei nº 9.279, de 14 de maio de 1996) (Brasil, 1996)
Marca, patente, desenho industrial, indicação geográica, segredo industrial e repressão à 
concorrência desleal. Ressalta-se que um mesmo produto poderá ter várias proteções para as diferentes 
funcionalidades do mesmo. Exempliicando: Um produto A pode ter uma Marca, uma Patente, um 
Desenho industrial. De outra forma, um produto B pode ter uma Marca, um Programa de computador 
e Direitos de Autor.
No contexto da propriedade industrial daremos ênfase nas patentes (patentes de invenção e 
modelos de uilidade), desenho industrial e marcas por se tratar de possibilidades predominantes na 
Enfermagem. 
• Patentes de invenção: Tem a inalidade de documentar e legiimar, temporariamente, a 
itularidade sobre uma invenção8. Aplica-se às criações já existentes ou às novas, mas precisa 
ter aplicação industrial (produção em larga escala). Podem ser de produto ou processo. 
A criação de um novo artefato para o cuidado em Enfermagem trata-se de um produto 
(patente de produto), já o método ou o processo de fabricação de um artefato existente 
para o cuidado em Enfermagem é uma invenção de processo (patente de processo). 
• Modelo de uilidade: Desina-se à proteção de um novo formato e aperfeiçoamentos de um 
produto. Deve apresentar novidade absoluta e aplicabilidade industrial. Como exemplo, pode 
ser um modelo de uilidade patenteável as alterações no formato e melhoramentos em um 
cateter já existente. 
• É fundamental realizar uma busca em bancos de patentes para se verificar acerca da novidade 
de uma invenção. Seguem algumas bases que podem ser consultadas:
• Escritório Americano de Marcas e Patentes (United States Patents and Trademarks Oice – 
USPTO), 
• Escritório Europeu de Patentes (European Patent Oice – EPO), 
2 Os direitos conexos protegem aqueles que interpretam uma canção (músicos e cantores), os produtores de uma gravação 
e as empresas de radiodifusão transmissoras da música (BRASIL, 1998b).
3 Disponível em: 
4 Disponível em: 
5 Disponível em: 
6 Disponível em: 
7 Tipos de programas de computador que podem ser protegidos. Disponível em:. 
8 Invenção: nova solução (novidade absoluta não conhecida) para problemas técnicos. Quando a ideia inveniva (de um 
produto ou processo) for transformada em algo de relevância econômica será então denominada de “inovação”, podendo 
ser patenteada (OMPI, 2016).
79
• Escritório Japonês de Patentes (Japan Patent Oice – JPO)
• Brasil (INPI)9 
• Bases de universidades públicas no Brasil e em seus núcleos de inovação tecnológica;
• Portal CAPES (Derwent Innovaions Index®);
• Google Patent Search10 
2.1 Passos para solicitação da patente:
1. Redigir um pedido de patente de acordo com as normas legais (ítulo do invento, descrição do 
campo técnico, descrição do invento):
a. Anexar materiais para elucidar as descrições (materiais visuais, como desenhos, planos ou 
diagramas);
b. Determinar a extensão da proteção a ser conferida pela patente.
2. Depositar o pedido de patente no INPI;
3. Veriicação pelo INPI dos requisitos legais;
4. Aguardar (aproximadamente 18 meses) a publicação do pedido na Revista de Propriedade 
Industrial11, editada semanalmente;
5. Texto disponível para consulta pública no banco de patentes do INPI;
6. Solicitar o exame técnico do mérito do invento em até 36 meses a contar da data de depósito;
7. A Carta Patente será expedida após o deferimento do pedido. 
2.2 Prazos de validade para patentes de invenção e de modelos de uilidade:
• Patente de invenção: vigência de 20 anos a parir da data de depósito ou no mínimo de 10 anos 
a contar da data de sua concessão;
• Modelo de uilidade: válida por 15 anos a parir da data de depósito ou no mínimo de 7 anos 
contados da concessão. 
• Observação: Ao inal do prazo de vigência da patente, o invento cai em domínio público. A 
validade da patente é restrita ao território em que foi concedida, mas mediante acordos de 
cooperação internacional, é possível ter o depósito de pedido e proteção no exterior.
Nem todos os inventos, mesmo que patenteáveis, são comercialmente viáveis, ou seja, podem não 
entrar em cadeia de produção e comercialização. Nesse senido, não é aconselhado o patenteamento, 
pois este é um processo oneroso. Alguns questionamentos podem nortear a decisão por patentear ou 
não o invento:
a) Há uma demanda do mercado em Enfermagem ou na saúde para a invenção? 
b) Já existem inventos que atendem a demanda?
c) O invento proposto é melhor do que os já existentes no mercado?
d) O invento desina-se à melhoria ou ao desenvolvimento de um produto ou processo já existente? 
e) Há potenciais invesidores? 
f) O valor da invenção é compeiivo? 
g) Sua proteção é comercialmente uilizável? 
h) O invento é facilmente passível de engenharia reversa? 
i) O faturamento previsto com a exploração do invento é compaível com os custos do 
patenteamento?
9 Disponível em: 
10 Disponível em:
11 Disponível em:
80
3. O Desenho industrial e suas aplicabilidades para a Enfermagem: 
A proteção de um desenho industrial12 refere-se aos aspectos estéicos de um objeto. Já a 
patente protege a funcionalidade (funções técnicas) deste mesmo objeto. Um novo produto pode 
combinar aperfeiçoamentos de suas funções técnicas com melhoramentos estéicos. Nesse senido, 
exempliicando no contexto da Enfermagem, uma cobertura para lesões cutâneas pode ter a proteção 
por patente de seus aprimoramentos funcionais (nova camada protetora, novo material esimulador 
de cicatrização) combinado com um aperfeiçoamento estéico (formato mais confortável, linhas 
mais modernas, tamanhos diferenciados). Assim, essa nova cobertura para lesões cutâneas poderá 
ser registrada e protegida por patente (aprimoramento das funcionalidades), bem como poderá ser 
registrada e protegida como desenho industrial.
Assim como ocorre com as patentes, no Brasil, é o INPI o órgão responsável pela concessão do registro 
e pela proteção do desenho industrial. Ressalta-se que o desenho, para ser registrado e protegido, 
deve ser novo e original. Não pode ser idênico, muito similar ou conhecido como já existente por uso 
ou qualquer outro meio, antes da data de depósito do pedido, no Brasil ou no exterior. Dessa feita, 
é preciso fazer uma pesquisa na base de desenhos do INPI13 antes de efetuar o pedido de registro. 
Também é possível acessar a Classiicação Internacional de Desenhos Industriais, conhecida como 
Classiicação de Locarno14. No Brasil, o registro tem validade de 10 anos, podendo ser prorrogado por 
até 25 anos. 
4. As Marcas e como podem ser úteis ao empreendedorismo em Enfermagem:
Como “Marca” entende-sepor um “sinal disinivo”, visualmente percepível, ideniicador de um 
produto ou serviço. A marca simboliza para o consumidor caracterísicas como a qualidade, reputação, 
invesimentos e até os proissionais envolvidos na prestação do serviço atrelado àquela marca 
(Dannemann, 2003). 
A marca registrada de uma empresa lhe confere visibilidade e unicidade. Empresas como Coca-Cola®, 
IBM®, Microsot®, entre outras, são reconhecidas por suas marcas registradas. Os seus símbolos são 
associados pelos consumidores a produtos de qualidade e de reputação, que devem ser consumidos/
adquiridos sem preocupação. Assim, a marca é uma estratégia de inteligência compeiiva, colocando-
as em vantagem em relação à concorrência.Tipos de marcas que podem ser registradas:
• Marca de produto: anunciam um produto especíico (exemplo: um ipo de óleo mineral 
desenvolvido para o tratamento de lesões cutâneas)
• Marca de serviços: anunciam um serviço especíico (exemplo: um serviço de home-care).
Tanto a marca de produto quanto a marca de serviços podem ser coleivas ou de ceriicação. As 
marcas coleivas ideniicam uma coleividade, como, por exemplo, as cooperaivas de Enfermagem. 
Já as marcas de ceriicação indicam que os produtos ou serviços oferecidos estão dentro das normas, 
alcançaram um determinado patamar de qualiicação ou se adéquam a determinadas metodologias 
avaliaivas. Por exemplo, pode haver uma marca de ceriicação que ateste a qualidade dos cuidados 
de Enfermagem prestados em uma insituição de saúde, concedida por uma empresa de ceriicação 
de qualidade de cuidados em Enfermagem.
Outra classiicação para as marcas é o fato de ser nominaiva, iguraiva ou mista. As marcas 
nominaivas são consituídas por palavras, letras, algarismos, siglas ou neologismos. Já as marcas 
iguraivas são consituídas por desenhos, símbolos, imagens, graismos e formas geométricas. As 
marcas mistas combinam elementos nominaivos e iguraivos.
12 Desenho industrial: trata-se do aspecto ornamental ou estéico de um objeto (forma, superície, padrões, linhas e cores) 
e, obrigatoriamente, deve ser possível a sua reprodução industrial (BRASIL, 1996). 
13 Disponível em:
14 Disponível em: . Acesso em: 06 out. 2022.
81
Passos para o registro de uma marca:
• Garanir as caracterísicas obrigatórias: 
• Ser diferente e sem ambiguidade (estar claro a que se desina);
• Ser visualmente percepível;
• Sem proibições legais (brasão, armas, medalha, bandeira, emblema; letra, algarismo e data, 
isoladamente; expressão, igura, desenho ou qualquer outro sinal contrário à moral);
• Veriicar se já foi registrada no banco de marcas do INPI15;
• Há escritórios habilitados16 que podem oferecer suporte na solicitação do registro e seu 
acompanhamento.
• Realizar o pedido de registro diretamente no INPI ou por meio do e-Marcas17.
O registro da marca é válido por 10 anos, podendo ser prorrogado por igual período e de forma 
sucessiva. O registro concedido pelo INPI tem validade apenas no Brasil.
Considerações inais
O avanço e a consolidação do empreendedorismo em Enfermagem dependem do desenvolvimento, 
da avaliação e da proteção de inovações e tecnologias. É importante que o Enfermeiro entenda do 
que se trata a propriedade intelectual e industrial, as patentes, o desenho industrial e as marcas. 
Além disso, é fundamental conhecer os caminhos regulamentados para a proteção das inovações e 
tecnologias desenvolvidas.
15 Disponível em:
16 Disponível em:
17 Disponível em:
82
REFERÊNCIAS 
BRASIL Lei nº 9.279, de 14 de maio de 1996. Regula direitos e obrigações relativos à propriedade 
industrial. Diário Oicial da União, Brasília, DF, 15 maio 1996. Disponível em: htp://www.planalto.gov.
br/ccivil_03/Leis/L9279.htm. Acesso em: 22 out. 2022.
______. Lei nº 9.609, de 19 de fevereiro de 1998. Dispõe sobre a proteção da propriedade intelectual 
de programa de computador, sua comercialização no país, e dá outras providências. Diário Oicial da 
União, Brasília, DF, 20 fev. 1998. Disponível em: htp://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9609.htm. 
Acesso em: 21 out. 2022.
______. Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. Altera, atualiza e consolida a legislação sobre 
direitos autorais e dá outras providências. Diário Oicial da União, Brasília, DF, 20 fev. 1998. Disponível 
em: htp://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9610.htm. Acesso em: 20 out. 2022.
______. Insituto Nacional da Propriedade Industrial. Diretriz de exame de patentes de modelo de 
uilidade. Rio de Janeiro: INPI, 2012. Disponível em: htps://www.gov.br/inpi/pt-br/servicos/patentes/
pagina_consultas-publicas/arquivos/diretriz_de_mu_versao_2_original.pdf. Acesso em: 1 dez. 2022.
______. Insituto Nacional da Propriedade Industrial. Consulta à Base de Dados do INPI [Internet]. 
Rio de Janeiro: INPI; 2019 [citado 2022 dez 6]. Disponível em: https://gru.inpi.gov.br/pePI/jsp/
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CUNHA, G. C. A prospecção tecnológica a partir de bases de dados de patentes. Revista Panorâmica 
Online, v. 34, 2022. Disponível em: htps://periodicoscieniicos.ufmt.br/revistapanoramica/index.
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doi:10.1590/1983-1447.2020.20190358.
83
11
DESIGN THINKING NO DESENVOLVIMENTO 
DE UM SOFTWARE PROTÓTIPO PARA AVALIAÇÃO 
MULTIDIMENSIONAL DA PESSOA IDOSA
Ricardo Bezerra Cavalcante, PhD, RN
Introdução
O envelhecimento populacional é um fenômeno que tem se tornado cada vez mais evidente em 
todo o mundo, está próximo de se tornar uma das mudanças sociais mais relevantes do século XXI. 
Isso traz consequências abrangentes em todos os campos da sociedade - no âmbito proissional e 
econômico, na busca por produtos e serviços, como moradia, transporte e assistência social, e nas 
relações familiares e intergeracionais.1 De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU) esima-
se que o número de idosos, com 60 anos ou mais, duplique até 2050 e mais do que triplique até 2100. 
Nota-se, portanto, a importância de os serviços de saúde buscarem estratégias tecnológicas que sejam 
direcionadas e eicazes, promovendo a saúde da população idosa, postergando-se, ao máximo, a perda 
da capacidade funcional e qualidade de vida no processo natural de envelhecimento.2
Em 2019, o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) e a Organização Pan-Americana de Saúde 
(OPAS) promoveram, durante o 22º Congresso Brasileiro dos Conselhos de Enfermagem, a criação do 
“Laboratório de Inovação em Enfermagem”. O objeivo é “valorizar e fortalecer a saúde universal”, 
incenivando uma atuação mais autônoma, com ações inovadoras e a oportunidade de desenvolver 
tecnologias e inovações que atendam às demandasdos pacientes e às necessidades da proissão.3
Diante desse contexto, o Design Thinking (DT) emerge como uma abordagem criaiva e orientada 
para soluções, concentrando-se na resolução de problemas e na criação de inovações. Originado nos 
campos do design e da engenharia, no design expandiu-se para diversas áreas, incluindo negócios, 
tecnologia, enfermagem, saúde e educação. Sua metodologia é centrada no ser humano, enfaizando 
a compreensão profunda das necessidades, desejos e comportamentos das pessoas envolvidas. Uma 
das principais caracterísicas do DT é sua natureza iteraiva, permiindo que as equipes voltem a etapas 
anteriores para reinar e ajustar suas abordagens conforme necessário. Essa abordagem colaboraiva e 
experimental é projetada para incenivar a inovação, a resolução de problemas complexos e a criação 
de produtos, serviços ou processos que atendam às necessidades reais das pessoas. Desta feita, o 
DT é uma metodologia centrada no ser humano que busca resolver problemas de maneira criaiva e 
inovadora, envolvendo empaia, colaboração, experimentação e iteração ao longo de um processo 
iteraivo.4 Neste capítulo, busca-se descrever o desenvolvimento de um sotware protóipo de avaliação 
mulidimensional da pessoa idosa a parir da metodologia do Design Thinking.
1. O que é o Design Thinking?
O Design Thinking (DT) é uma abordagem inovadora e colaboraiva para solução de problemas, 
se tornando uma ferramenta essencial para empreendedores autênicos. O DT vai muito além da 
simples estéica ou do layout de um produto, abrangendo também a usabilidade e a ideniicação das 
necessidades reais dos usuários. A origem do DT remonta ao inal do século XX, quando David Kelley, 
fundador da IDEO, uma renomada empresa de design e inovação, começou a aplicar uma abordagem 
mais humana e centrada nas pessoas em seus projetos. O conceito foi posteriormente aprimorado e 
difundido por Tim Brown, outro líder da IDEO, que destacou sua eicácia na resolução de problemas 
complexos em qualquer contexto.5
84
Segundo os designers, o DT pode ser aprendido e aplicado por qualquer pessoa, em diferentes 
campos, como negócios, ins sociais e educacionais. É um processo baseado na empaia, que exige 
uma abordagem holísica e mulidisciplinar, focada no usuário inal do produto. Com uma abordagem 
centrada no usuário que se alinha ao paradigma construivista e pode fortalecer a visão mulidisciplinar 
dos paricipantes, o DT pode contribuir para a resolução de problemas complexos. Além disso, o 
DT também tem o potencial de esimular a colaboração e a cocriação entre diferentes proissionais 
envolvidos no processo de desenvolvimento de soluções em saúde, como enfermeiros, médicos, 
engenheiros, designers e gestores.6
Essa colaboração possibilita uma visão mais ampla e integrada dos desaios e oportunidades, 
esimulando a criação de soluções mais eicazes e sustentáveis. Nessa perspeciva, observa-se que essa 
abordagem contribui para a condução da pesquisa e soluções tecnológicas, conigurando-se como um 
método sistemaizado de solucionar diversos problemas, inclusive, na área da saúde.7 
Na Enfermagem, o DT possibilita o desenvolvimento do pensamento críico, fundamentado na 
observação da realidade, concentrado em novos modelos e paricularidades. Segue um raciocínio 
coerente e organizado, encorajado pela curiosidade, empaia e colaboração, no qual a análise da 
realidade é ariculada de forma objeiva, sem desconsiderar a subjeividade que envolve as relações, 
favorecendo a criaividade e o pensamento críico que impulsionam a área da saúde. Isso com o intuito 
de auxiliar os envolvidos no processo, permiindo a ariculação da criaividade e a sensibilidade ao 
pensamento críico, com o propósito de solucionar problemas.8
O DT deve ser pensado de forma não linear, já que a presença de disintos olhares humaniza o 
processo de inovação por meio da empaia, criando soluções de pessoas para pessoas e com pessoas. 
As etapas no DT possibilitam a solução de problemas complexos na saúde, abrangendo desde a 
reforma curricular até a melhoria do ambiente de aprendizado clínico. Isso requer pensamento criaivo 
para gerar soluções inovadoras. Para tanto, o Design Thinking é dividido em seis etapas, descritas na 
imagem a seguir.2,9
Quadro 08 – Etapas do Design Thinking, Belo Horizonte-MG, Brasil, 2026.
Etapa Descrição
1. Empaia Conhecer as dores e desejos do público-alvo, compreender suas necessidades, 
desejos e diiculdades.
2. Deinir Procurar inovações que ajudem o público, encontrando soluções mais efeivas e 
alinhadas às suas expectaivas.
3. Ideação
Reunião de equipes mulidisciplinares para gerar um luxo livre de ideias em 
um ambiente colaboraivo e sem julgamentos, favorecendo a criaividade e a 
inovação.
4. Protoipar Representação das melhores ideias, tornando-as visíveis e tangíveis.
5. Teste
Realizar testes com clientes, uilizando um produto mínimo viável, analisar os 
resultados e realizar ajustes necessários.
6. Implementar Colocar em práica as soluções desenvolvidas.
Fonte: Adaptado e traduzido pelo autor (2023), com base em Nielsen Norman Group.
2. O case sotware protóipo para avaliação mulidimensional de pessoas idosas
Trata-se de uma experiência de desenvolvimento tecnológico uilizando-se da metodologia do DT. 
A tecnologia foi desenvolvida em conjunto por pesquisadores do Laboratório de Sistemas Inteligentes 
da Universidade Federal de São João Del Rei (UFSJ) e do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Políicas, 
Tecnologias e Envelhecimento (GAPESE) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), ambas 
85
localizadas em Minas Gerais. O desenvolvimento foi guiado pela Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa, 
disponibilizada isicamente pelo Ministério de Saúde do Brasil, em conformidade com os objeivos da 
Políica Nacional de Saúde da Pessoa Idosa, contribuindo para a aplicação da Linha de Cuidado para 
Atenção Integral à Saúde da Pessoa Idosa no SUS. Seguindo as etapas descritas por Júnio (2020) 10, 
sendo elas:
3. Apresentação DESIGN THINKING
Primeiramente, para que houvesse um maior entendimento e interação entre a equipe, foi explicado 
o método de modo a facilitar a comunicação e a esclarecer possíveis dúvidas.
3. 1 Etapa da Empaia:
Durante a Consulta de Enfermagem em uma Insituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI), 
observou-se que os proissionais uilizavam vários instrumentos de avaliação para o atendimento às 
pessoas idosas. Por não estar informaizado, o preenchimento das informações demandava muito 
tempo da equipe, tornando o processo lento e dependente apenas do raciocínio humano. Além disso, 
estava fundamentada em dados registrados em meios de papel, podendo representar uma ameaça à 
segurança dos idosos, uma vez que havia a possibilidade de registros precários, incompletos e pouco 
coniáveis (de qualidade insuiciente), tornando-se um empecilho signiicaivo no âmbito da saúde e 
da Enfermagem 11,12. Parindo da interpretação e valorizando o ponto de vista dos envolvidos e suas 
necessidades, foi ideniicada a demanda. Os proissionais foram convidados a relatar suas percepções 
sobre a práica assistencial e a forma como a realizavam, com o objeivo de entender a real demanda 
daquele público. 
3.2 Etapas da Deinição e da Ideação:
Nas etapas da deinição e Ideação, buscou-se dar liberdade aos proponentes do grupo para 
expressarem suas experiências e expectaivas relacionadas ao problema, que foram então registradas a 
im de subsidiarem a deinição e a ideação. Iniciamos com uma tempestade de ideias (brainstorm), com 
um ime de proissionais que contava com enfermeiros, acadêmicos de enfermagem, proissionais da 
área de gerontologia, da ciência da informáica, e médicos, de modo que, como geradora de sugestões, 
viabilizou o aloramento da criaividade dos paricipantes envoltos sobre perspecivas diferentes sobre 
o assunto. Após análise da viabilidade das propostas, em votação aberta, concluiu-se que seria viável a 
informaização dos instrumentos uilizados para a consulta à pessoa idosa.Isso traria maior segurança 
das informações, prevenção de erros e oimização do atendimento. Como ideia inal, elegeu-se a 
construção de um sotware protóipo para avaliação mulidimensional da pessoa idosa.
Para operacionalizar o projeto, os proissionais envolvidos foram divididos em dois grupos. O primeiro 
grupo foi composto por enfermeiros, graduandos em enfermagem e enfermeiros especializados em 
gerontologia, responsáveis pela construção e organização das informações que constariam no sotware. 
Já o segundo grupo foi composto por proissionais da área de ciência da computação, encarregados da 
construção do protóipo. Ambos atuaram em conjunto para oimizar o processo e garanir o sucesso 
do seu desenvolvimento.
3.3 Etapa da Protoipação:
Na protoipação foi uilizado o modelo cascata. Para isso, foram realizados o levantamento de 
necessidades, a modelagem de classes, objetos, atributos e relações entre objetos por meio do 
diagrama de classes, o projeto do banco de dados e modelo lógico, o desenvolvimento de interfaces, 
a aplicação do sistema e a testagem.13 Na modelagem de classes, foi empregada a linguagem UML 
86
(Uniied Model Language). O projeto de banco de dados foi elaborado para representar o Diagrama 
de Enidade-Relacionamento e seus atributos, deinindo-se também o modelo lógico. Em seguida, foi 
implantado o modelo ísico do banco de dados para o armazenamento dos dados coletados. Para 
convergir tecnologicamente com a web, adotou-se a metodologia Progressive Web App, que tem como 
objeivo proporcionar ao cliente inal uma experiência de uso que seja coniável e esteja disponível em 
qualquer local, disposiivo ou para qualquer pessoa.14 O sistema protoipado incluiu a informaização 
da caderneta de saúde e os instrumentos de avaliação da pessoa idosa.
Para a avaliação mulidimensional dos idosos, foi uilizado o Projeto Terapêuico Singular com a 
sugestão de intervenções e algoritmos de predição de riscos, baseando-se no Modelo da Linha de 
Cuidado para Atenção Integral à Saúde da Pessoa Idosa do SUS.15 Além disso, foi proposto um algoritmo 
de aprendizagem com base nos dados coletados a parir da uilização do sistema, visando viabilizar o 
aperfeiçoamento automaizado do modelo de suporte à tomada de decisão. Para o comparilhamento 
de informações por meio de mensageiros instantâneos com idosos, familiares e cuidadores, 
integraram-se aplicaivos com o sistema proposto, como o WhatsApp, Instagram, Telegram, dentre 
outros. Desenvolveu-se ainda, um painel de monitoramento e controle com informações sobre o 
mapeamento dos idosos no território, idosos em situação de vulnerabilidade. O sistema permite a 
classiicação de níveis de fragilidade entre os idosos, o rastreamento e a localização do idoso frágil e, 
ainda, a ideniicação de potenciais casos de fragilidade. Para isso, o sistema Google Maps é integrado 
a modelos matemáicos, resultando no desenvolvimento do protóipo GerontoIA (Inteligência Ariicial 
para Avaliação Mulidimensional de pessoas Idosas) que representa uma versão simpliicada do 
produto inal.O GerontoIA é um sotware inovador baseado em inteligência ariicial, desenvolvido 
para auxiliar na avaliação mulidimensional de pessoas idosas. Integrando dados clínicos, funcionais, 
psicológicos e sociais, a plataforma oferece suporte a proissionais da saúde na tomada de decisões, 
promovendo um cuidado mais preciso, humanizado e personalizado. Com análises automaizadas 
e relatórios detalhados, o GerontoIA contribui para a ideniicação precoce de riscos, oimização de 
planos terapêuicos e a melhoria na qualidade de vida da população idosa.
3.4 Etapa da Testagem:
Nesta fase, realizou-se a testagem do protóipo direcionado pelos padrões de qualidade da 
usabilidade, realizado a parir da análise das Heurísicas de Nilsen 16, 17(Quadro 2) e o grau de usabilidade 
por meio do SUS (System Usability Scale).18Os dados foram coletados com 11 proissionais e estudantes 
imersos na área de gerontologia com conhecimento prévio do Sistema Inteligente para Avaliação 
Mulidimensional da Pessoa Idosa. Para coleta de dados, foi realizado um convite via e-mail e WhatsApp, 
contendo o link de um formulário com 34 perguntas, sendo a primeira parte a de caracterização dos 
paricipantes. A segunda, contendo 28 questões abordando os padrões de qualidade de usabilidade, 
sendo 10 questões do SUS e 18 das Heurísicas de Nielsen. Para a análise, uilizou-se as estaísicas 
descriiva e inferencial e a inspeção heurísica. Com base nos resultados, foi possível fazer adequações 
ao sotware para o processo de validação. 
Quadro 09 – As 10 Heurísicas de Nielsen, Belo Horizonte-MG, Brasil, 2026.
Heurísicas de Nielsen Descrição
Visibilidade do status do sistema Informar os usuários sobre o que está acontecendo por meio 
de feedback apropriado em tempo hábil.
Correspondência entre o sistema e 
o mundo real
Falar a linguagem dos usuários, com palavras, frases e 
conceitos familiares a eles, em vez de termos técnicos ou 
jargões.
Controle e liberdade do usuário Permiir que os usuários desfaçam ou saiam de ações 
indesejadas ou erradas e fornecer claramente essa opção.
87
Consistência e padrões Seguir convenções e padrões comuns para que os usuários 
não precisem pensar demais sobre como usar o sistema.
Prevenção de erros Projetar o sistema para minimizar os erros dos usuários e 
ajudá-los a recuperar -sede erros inevitáveis.
Reconhecimento em vez de 
lembrança
Minimizar a carga de memória do usuário, tornando as 
informações e funções visíveis e facilmente acessíveis.
Flexibilidade e eiciência de uso Oferecer atalhos e outras maneiras de acelerar a interação 
do usuário, mas sem sobrecarregar ou confundir os usuários 
menos experientes.
Estéica e design minimalista Ser esteicamente agradável e ter um design limpo e simples, 
sem distrações ou informações desnecessárias.
Ajuda os usuários a reconhecer, 
diagnosicar e corrigir erros
Fornecer mensagens de erro claras e úteis para ajudar os 
usuários a ideniicar e corrigir problemas.
Ajuda e documentação Fornecer documentação úil e facilmente acessível para os 
usuários, sempre que necessário.
Fonte: Elaborado pelo autor, 2026.
A análise da usabilidade do sotware realizada por meio das Heurísicas de Nilsen16 e SUS 
(System Usability Scale)18 possibilitou avaliar a usabilidade do sotware, onde houve a interação dos 
paricipantes e a avaliação dos aspectos da usabilidade, incluindo a eiciência, facilidade de aprendizado, 
memorização, lexibilidade e saisfação do usuário. Ademais, os paricipantes apontaram sugestões 
para o sotware (Quadro 3).
Quadro 10 – Sugestões para melhoria do sotware apontada pelos usuários durante a testagem e 
implementação, Belo Horizonte-MG, Brasil, 2026.
Item a ser alterado Sugestões para alterações
Face do cliente Usar cores mais escuras para evitar diiculdades de leitura
Caracterização do usuário Incluir nome social, orientação sexual, religião, se sabe ler e 
escrever; usar “outro” em vez de “sexo não determinado”; alterar 
“nome do responsável” para “contato de segurança”; ampliar o 
grau de parentesco; especiicar o contato como sendo do usuário 
ou do responsável; separar o item ocupação e renda; especiicar 
a data na condição de saúde/doença; incluir opções para outras 
drogas além do eilismo; adicionar itens sobre período menstrual 
e menopausa
Itens da avaliação
Adicionar um item de observação para cada segmento do corpo; 
incluir informações sobre aividades de vida diária, aividades 
instrumentais da vida diária e relacionadas à mobilidade; 
simpliicar o preenchimento de datas; usar opções mais coerentes 
para o item “sexo”; adicionar um item sobre coabitação
Anos de estudo Sinteizar as opções para facilitar a seleção
Ocupação e renda
Separar os itens ocupação e renda; usar opções para a renda; 
especiicar a principal fonte de renda
Condições de saúde e doença Usar termos mais especíicos para evitar incerteza ou imprecisão
Substâncias Especiicar se o item se refere ao uso de substâncias psicoaivas
 
Fonte:Elaborado pelo autor, 2026.
88
Por meio das contribuições obidas nesta etapa, foi possível desenvolver melhorias no sotware, 
aprimorando suas funcionalidades para um melhor desempenho, como destacado nas iguras abaixo 
(igura 7, 8 e 9).
Figura 7 – Tela para busca dos pacientes, GerontoIA
 
Figura 8 – Ícones do menu inicial sotware protóipo GerontoIA
Com base nas sugestões dos especialistas, foi adicionado um ícone com instruções do funcionamento 
do sotware e um canal de comunicação, para esclarecimento de dúvidas ou para relato de algum erro.
89
Figura 9 – Instruções e relato de erro no sotware protóipo GerontoIA
 O Projeto Terapêuico Singular eletrônico incorporou os resultados da Avaliação Mulidimensional, 
a predição de riscos e o mapeamento das pessoas idosas da área, gerando resultados individuais e 
especíicos de cada paciente (igura 10).
Figura 10 – Síntese da avaliação mulidimensional no sotware protóipo GerontoIA
90
Além disso, foi implementado um sistema de retaguarda para o comparilhamento de informações, 
por meio de mensageiros instantâneos (WhatsApp, Telegram, SMS, e-mail), para as pessoas idosas, 
cuidadores e familiares, focando na prevenção de riscos ideniicados e apontando as intervenções 
básicas (igura 11).
Figura 11 – Sistema de comparilhamento de informações no sotware protóipo GerontoIA
3.5 Etapa da Implementação:
Para iniciar a implementação do sotware, foram selecionadas três unidades ou locais especíicos 
em três cidades, como unidades piloto, em Unidades Básicas de Saúde (UBS), Insituições de Longa 
Permanência para Idosos (ILPI) e atendimentos domiciliares. Para assegurar que o sotware seja 
intuiivo e adaptado às necessidades especíicas, foram realizados testes práicos com os usuários inais. 
Desta forma, aprofundou-se a análise do ambiente e das demandas de atendimento às pessoas idosas 
nessas unidades piloto. Foi oferecido ainda, um treinamento abrangente tanto para os proissionais 
que uilizaram o sotware quanto para os cuidadores que também o uilizaram, para conhecerem o 
plano terapêuico singular comparilhado.
Como se trata de um protóipo, espera-se que, após a implementação nas unidades piloto, sua 
aplicação seja ampliada para outras insituições e municípios. A coleta de feedbacks coninuam 
para fomentar as melhorias, conforme necessário e com base nas lições aprendidas, será expandido 
gradualmente para outros municípios e regiões. Será manido um processo de monitoramento e ajustes 
conínuos, com canais abertos para o feedback dos usuários, aprimoramentos e inovações no sotware. 
Nesse contexto, será possível realizar aprimoramentos no sistema, bem como em seus algoritmos, com 
o objeivo de promover a incorporação e a transferência tecnológica ao Sistema Único de Saúde (SUS).
91
Considerações Finais
O desenvolvimento do protótipo, com base no Design Thinking, teve a participação, de maneira eficaz, 
de todos os integrantes, contemplando desde o momento de ideação até o produto disponibilizado. 
Oportunizou-se, ainda, o constante aprimoramento e a adequação do ideal proposto às demandas do 
público-alvo, criando soluções inovadoras e eficazes. A abordagem propiciou o amadurecimento da 
ideia, tornando-a algo tangível. 
O DT oferece potencialidades para o empreendedorismo em enfermagem,uma vez que coloca 
o paciente e seus cuidados no centro do processo de inovação. Essa abordagem permite que os 
empreendedores em enfermagem desenvolvam soluções mais humanizadas, eficientes e alinhadas às 
reais necessidades dos pacientes e das equipes de saúde. Espera-se que esse estudo contribua para a 
ampliação das discussões sobre o empreendedorismo na enfermagem e a inclusão de tecnologias no 
âmbito da saúde.
92
REFERÊNCIAS
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94
12
PLANO DEet al., 2021).
Atualmente, você, proissional da enfermagem, também pode empreender! Veja os conceitos 
de empreendedorismo no capítulo 4 deste livro, que trará a compreensão dos diferentes ipos de 
empreendedorismo. Escolha a sua forma de empreender, conforme o contexto onde se encontra e/ou 
o desejo e a necessidade.
A indústria de cuidados de saúde é promissora e apresenta grandes expectaivas de crescimento. 
Prevê-se que o mercado global ainja mais de 10 trilhões de dólares em 2026 e no Brasil, mais de 200 
bilhões de dólares até 2028 (Reportlinker, 2022; 2024). Dessa forma, o empreendedorismo nos cuidados 
de saúde e na enfermagem desempenham um papel signiicaivo na economia e pode transformar a 
sua vida e a das pessoas do seu entorno.
No entanto, são poucos os enfermeiros empreendedores. De todos os enfermeiros que trabalham 
a nível mundial, apenas entre 0,5% a 1% decidiram seguir esse caminho (Jakobsen et al., 2021). Um 
estudo brasileiro revelou que a quanidade de novos negócios na área de enfermagem é menor em 
comparação com proissões mais recentemente estabelecidas no setor da saúde, como isioterapia, 
terapia ocupacional e fonoaudiologia. Essa disparidade pode ser devido às barreiras encontradas pelos 
enfermeiros tais como: as culturas médico-centrada e de assistência hospitalar; as questões legais; as 
políicas de planos de saúde; a concorrência não qualiicada; e ainda, ao preconceito da sociedade em 
relação à competência técnica-cieníica (Colichi, et al., 2018; Silva et al., 2023).
Isso signiica que a grande maioria dos enfermeiros coninua trabalhando em insituições de saúde 
tradicionais, como hospitais, clínicas e unidades de cuidados primários à saúde, desempenhando um 
papel essencial para a sociedade. Além disso, esses ambientes oferecem maior segurança inanceira 
ao proissional de enfermagem em relação à percepção de que empreender envolve risco (Colichi, et 
al., 2018).
São muitos os desaios de se empreender na enfermagem (capítulo 1), mas é possível vencê-los. 
E o pequeno percentual de empreendedores na enfermagem é algo negaivo? A resposta é não! Na 
verdade, esse dado revela um potencial inexplorado dentro da enfermagem. As oportunidades para 
empreender na área da enfermagem nunca foram tão grandes, uma vez que o envelhecimento da 
população global e o aumento de doenças crônicas não transmissíveis resultam em uma crescente 
14
demanda por serviços de saúde de qualidade e que resolvam os problemas de saúde. Há uma necessidade 
urgente de inovação e soluções criaivas no atendimento à saúde (Jakobsen et al., 2021). Diante desse 
cenário, para promover o desenvolvimento do empreendedorismo e uma cultura empreendedora na 
enfermagem, é imprescindível invesir em educação empreendedora (Silva et al., 2023; Chagas et al., 
2018). A educação e o desenvolvimento da cultura empreendedora podem ser construídos desde o 
processo formaivo inicial até a educação coninuada dos proissionais já estabelecidos no mercado de 
trabalho.
É necessário ampliar a discussão acerca do empreendedorismo na formação em enfermagem, 
tanto nas disciplinas obrigatórias e optaivas quanto no incenivo à construção de empresas juniores, 
incubadoras e startups (capítulo 8), uma vez que, nesses espaços, são desenvolvidos a cultura 
empreendedora e a formação de um ecossistema de inovação.
Para os proissionais que já se formaram, o primeiro passo é proporcionar informação e conhecimento, 
elementos fundamentais para o empreendedorismo em enfermagem (capítulo 7). E é isso que este 
livro se propõe a fazer: fornecer a você, enfermeiro empreendedor, bases para o início da sua jornada.
Para empreender com sucesso, é essencial que os proissionais de enfermagem compreendam os 
aspectos éicos e legais (capítulo 2) que permeiam essa aividade. A Lei Federal n° 7.498/1986, que 
regulamenta a proissão de enfermagem, e as Resoluções Cofen nº 567/2017 e nº 568/2018 (Brasil, 
1986; Cofen, 2017; Cofen, 2018), normaizam diversas possibilidades empreendedoras na enfermagem. 
Essas possibilidades incluem desde a atuação como consultores nos mais diversos campos da saúde, 
oferecendo orientações e suporte técnico para clínicas, hospitais e outras insituições de saúde, até 
a abertura de empresas de cuidados domiciliares (capítulo 19), consultórios para pacientes com 
condições e/ou feridas crônicas e gerenciamento da dor (capítulos 3 e 20), clínicas de estéica (capítulo 
21). Nessas áreas, conhecer os aspectos éicos e legais que envolvem os registros de enfermagem é 
essencial (capítulo 17).
É possível, também, atuar na área educacional, realizando cursos, palestras e treinamentos para 
outros proissionais de enfermagem, da área de saúde e campos correlacionados. A área de tecnologia 
em saúde também é uma possibilidade de empreender na enfermagem (capítulo 9). O proissional 
pode atuar no desenvolvimento e/ou apoio na criação de novas tecnologias da informação voltadas 
para a enfermagem e para o campo da saúde, como sistemas de monitoramento remoto de pacientes, 
plataformas de telemedicina (capítulo 22), aplicaivos e sistemas inteligentes, entre outros. enfermeiros 
podem atuar também como gestores em empresas de saúde, planejando, organizando e coordenando 
serviços para melhorar a qualidade e segurança do atendimento e a eiciência operacional.
Nesse contexto de diversas possibilidades de empreender e desenvolver novas tecnologias e práicas 
no setor de saúde e na enfermagem, é necessário realizar uma avaliação cuidadosa e conínua, tanto 
do ponto de vista econômico quanto da eicácia no atendimento. Assim, a Avaliação de Tecnologias 
em Saúde (ATS) (capítulo 15) surge como uma ferramenta importante para garanir que as inovações 
tragam, de fato, beneícios concretos para pacientes e proissionais.
O enfermeiro empreendedor deve prezar por uma gestão de alta performance (Silva et al., 2023), 
construindo sua marca pessoal e proissional e o aperfeiçoamento das skills necessárias (capítulo 5). 
É essencial ter e/ou desenvolver caracterísicas e comportamentos como proaividade, determinação, 
compromeimento e visão de futuro, autonomia, tomada de decisão, coragem, resiliência, perseverança, 
empoderamento, criaividade, e acima de tudo, adotar uma visão inovadora que vá além dos padrões 
tradicionais (Silva et al., 2023; Richter et al., 2019; Carvalho, 2016).
Ademais, para que um negócio seja bem-sucedido, você enfermeiro empreendedor, deve lançar 
mão de ferramentas para auxiliar na organização, planejamento e elaboração de planos de ação para 
o negócio (capítulo 18). É necessário também elaborar um plano e/ou modelo de negócios (capítulo 
12) bem estruturado e um planejamento inanceiro robusto (capítulo 13). Isso é o que garante que o 
empreendimento não só seja viável no início, mas também sustentável a longo prazo. O conceito de 
Mínimo Produto Viável (MVP) e a protoipagem (capítulo 14) entram em cena como estratégias para 
testar a aceitação de novos serviços ou produtos no mercado, com um invesimento inicial controlado.
15
Paralelamente, o conhecimento em ferramentas como Design Thinking (capítulo 11) será essencial 
para projetar o negócio. Complementando o conhecimento, também é importante conhecer sobre 
impostos e encargos iscais (capítulo 23).
Além disso, entender os conceitos básicos de empreendedorismo e markeing digital (capítulo 6), 
bem como as estratégias de markeing (capítulo 16), oferece uma vantagem compeiiva, pois essas 
ferramentas permitem expandir a visibilidade dos serviços prestados, dos produtos e processos 
inovadores, e assim, alcançar mais clientes aptos para pagar pelo seu negócio. É fundamental, 
ainda, que o enfermeiro empreendedor saiba como proteger suas invenções e inovações na área de 
enfermagem (capítulo 10), assegurando que suas ideias e criações tecnológicas estejam protegidas e 
recebam o devido reconhecimento no mercado.
Nesse contexto, o empreendedorismo na enfermagem não é apenas viável, mas também 
fundamental para o avanço e o reconhecimentoNEGÓCIO E MODELO DE NEGÓCIO: 
FERRAMENTAS DE GESTÃO ESTRATÉGICA PARA 
O ENFERMEIRO EMPREENDEDOR
Helen Crisiny Teodoro Couto Ribeiro
Introdução
O Enfermeiro empreendedor deve planejar o seu negócio. Planejamento é o oposto de improvisação 
de ações e soluções repeninas, e por isso, arriscadas. Infelizmente, o improviso é visto com frequência 
na práica assistencial e gerencial do Enfermeiro, porém a improvisação não faz parte de um negócio 
de sucesso e perene. 
No entanto, observa-se que a inexistência ou inadequação de um planejamento do negócio está 
entre as diiculdades do Enfermeiro em assumir o papel de empreendedor na condução de seus 
negócios (Colichi et al., 2019).
O produto do planejamento é um plano, ou seja, um registro sistemaizado que antecipa e 
programa um conjunto estratégico de ações para se alcançar o objeivo do negócio. Este capítulo 
aborda o planejamento do negócio, destacando o Plano de Negócio e o Modelo de Negócio como 
instrumentos de gestão estratégicos, dinâmicos e indispensáveis para o Enfermeiro que já empreende 
e quer melhorar o seu negócio; ou para aquele que pretende iniciar um novo empreendimento.
O desconhecimento de Enfermeiros em como elaborar o planejamento do seu negócio é relatado 
na literatura (Colichi et al., 2019). Por outro lado, a elaboração de um plano de negócios, aliado à 
criaividade e à inovação, foram fatores de sucesso na abertura de clínicas de Enfermagem dentro 
de grandes centros comerciais (Colichi et al., 2019), o que jusiica uma abordagem detalhada neste 
capítulo do Manual do Enfermeiro Empreendedor.
A área da saúde tem aprendido muito com a aviação civil, uma vez que esta tem sido considerada 
um setor que oferece segurança aos seus usuários. Na aviação, o plano de voo é um conjunto de 
informações relaivas a um voo especíico para determinada aeronave, o qual deve ser enviado em 
determinado tempo e precisa de aprovação para que o piloto possa decolar (Canadá, 2016; Brasil, 
2017). No caso da abertura de um empreendimento na área da Enfermagem, o voo é longo e desaiador. 
Um voo sujeito a turbulências para as quais o Enfermeiro empreendedor já pode se antecipar 
realizando um planejamento sistemaicamente conduzido, embasado em técnicas já validadas. Assim, 
este capítulo objeiva instruir o Enfermeiro empreendedor na elaboração do Modelo de Negócio e do 
Plano de Negócio. Pondera-se, no entanto, que o planejamento não elimina as turbulências e possíveis 
erros, mas certamente será um farol e ajudará o Enfermeiro empreendedor a enfrentar os desaios do 
negócio. 
1. Plano de Negócio e Modelo de Negócio: qual a diferença?
É importante que o Enfermeiro empreendedor entenda conceitualmente o significado de Plano de 
Negócio e de Modelo de Negócio, que embora tenham nomes semelhantes, são diferentes. O Plano 
de Negócio não dispensa o Modelo de Negócio e vice-versa. Ambas são ferramentas de gestão que se 
complementam. A atualização periódica é indispensável e imprescindível para as duas ferramentas.O 
Plano de Negócio (business plan) é um documento sistemaizado que integra um conjunto de dados e 
informações importantes de um empreendimento e deine suas principais caracterísicas e condições 
para proporcionar uma análise da sua viabilidade e dos seus riscos, bem como para facilitar sua 
95
implantação ou melhoria de um negócio já existente (Chiavenato, 2021; Dornelas, 2023). Já o Modelo 
de Negócio é um esquema que “descreve a lógica de criação, entrega e captura de valor por parte de 
uma organização” (Osterwalder; Pigneur, 2011). 
Descrito conceitualmente as duas ferramentas acima, a parir de agora serão clariicadas as suas 
diferenças. O Plano de Negócio representa um levantamento exausivo de todos os elementos que 
compõem o negócio, tanto internos (o que deverá ser produzido, como, onde, quanto) quanto externos 
(para quem produzir, qual é o mercado, caracterísicas dos clientes ou consumidores, quais são os 
concorrentes, etc.) (Chiavenato, 2021). 
O Plano de Negócio é uma ferramenta tradicional no mundo corporativo, sua elaboração inicia-se a 
partir da ideia. Geralmente elaborado pelo empreendedor, em uma ação solitária ou com seus sócios, 
mas muitos terceirizam a sua elaboração para empresas e/ou consultores. Trata-se de um documento 
textual extenso, geralmente ultrapassa 20-40 laudas descritas e pode levar meses para sua elaboração, 
pois exige pesquisas profundas. Pode diicultar aproveitar oportunidades e contornar as turbulências. 
Porém, tem o beneício de aprofundar nos dados de mercado, mas pode engessar o negócio.O 
Modelo de Negócio é uma ferramenta, de certa forma, nova no empreendedorismo. Sua elaboração 
começa pela dor do cliente, ou seja, os seus problemas, inquietudes, necessidades. É elaborado com 
a paricipação de sócios, funcionários e parceiros em uma ação coleiva que dura poucas horas devido 
ao seu aspecto simples e práico. Duas ferramentas de modelagem de negócios serão tratadas neste 
capítulo: o Business Model Canvas e o Lean Canvas.
Você, Enfermeiro empreendedor, deve estar se perguntando: quando elaborar estas ferramentas? 
Diante de um contexto social de rápidas transformações, em negócios em que há pouco conhecimento 
sobre o produto, o processo ou sobre o cliente, ou seja, negócios novos principalmente, recomenda-
se elaborar primeiro o Modelo de Negócio, em vez de um Plano de Negócios mais detalhado, que 
demanda mais tempo. Lembrando que um não dispensa o outro e sim, se complementam. 
2. Plano de Negócio
O Plano de Negócio (business plan) pode ser desenvolvido e/ou atualizado/aprimorado em qualquer 
fase do negócio. Tem por objeivos principais: testar a viabilidade de um conceito de negócio; orientar 
o desenvolvimento da estratégia; viabilizar o desenvolvimento do plano táico (nível intermediário 
da gestão) e operacional (plano detalhado das operações); atrair recursos inanceiros, uma vez que 
é o cartão de visitas do empreendedor, solicitado pelos diversos fundos de invesimentos; transmiir 
credibilidade; além de atrair e desenvolver a equipe (Dornelas, 2023). 
Cada negócio é um negócio! Assim, o planejamento deve ser elaborado de forma especíica, 
detalhada e diferenciada, respeitando as suas peculiaridades. Cada Plano de Negócio deve ser 
personalizado e altamente moivador. 
De forma geral, o Plano de Negócio esclarece sobre: 
1) o negócio: é interessante deinir o negócio em uma frase, discriminar quais produtos/serviços são 
ou serão oferecidos, as oportunidades que devem ser aproveitadas, as potencialidades para o sucesso 
e os objeivos a serem alcançados; 
2) a gestão do negócio: a missão e a visão de futuro, quem será a liderança (formação e experiência), 
qualiicações da equipe e a estrutura organizacional; 
3) o mercado: volume esperado de clientes potenciais, como abordá-los, concorrentes principais, 
fornecedores, diferencial compeiivo do negócio, meios de propaganda e divulgação, distribuição e 
logísica; 
4) os aspectos inanceiros e econômicos: fontes de recursos e de capital, projeção de faturamento e 
orçamento de despesas, projeções mensais de luxo de caixa para o primeiro ano, volume de negócios 
para alcançar o ponto de equilíbrio, condições de venda e de faturamento, valor do capital imobilizado 
em instalações e equipamentos (Chiavenato, 2021).
Você, Enfermeiro empreendedor, pode elaborar o Plano de Negócio do seu empreendimento de 
96
forma on-line e gratuito na página eletrônica do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas 
Empresas (SEBRAE). Acesse o link: htps://pnbox.sebrae.com.br/ 
O Plano de Negócio pode ser estruturado de várias maneiras, sendo geralmente, dividido em 
capítulos para facilitar a compreensão dos diversos componentes envolvidos. Um de seus objeivos é 
atrair e convencer sócios, invesidores, bancos e órgãos de fomento para obter capital para invesimento 
na ideia e/ou negócio já em andamento (Chiavenato, 2021). 
O Quadro 11 descreve uma possibilidade de divisão dos capítulos do Plano de Negócio.
Quadro11 – Capítulos de um Plano de Negócio, Belo Horizonte-MG, Brasil, 2026.
Capítulos Conteúdo dos capítulos
1) Sumário execuivo
Introdução ao negócio. Dados pessoais do empreendedor e 
sócios, experiência proissional, atribuições, além de informações 
gerais sobre o empreendimento, missão do negócio, fontes de 
recursos, etc.
2) Análise do mercado
Estudo dos clientes e de seu comportamento de compra, do 
mercado de fornecedores e dos concorrentes, de forma a 
mostrar o posicionamento do negócio.
3) Plano de markeing
Apresentação dos produtos e serviços, caracterísicas, preço, 
estrutura e maneiras de comercialização e distribuição, 
estratégias promocionais e localização do negócio.
4) Plano operacional
Arranjo ísico das instalações, processo produivo, máquinas e 
equipamentos, pessoal operacional, volume de produção inicial 
para proporcionar uma ideia da capacidade produiva.
5) Plano inanceiro
Esimaiva de invesimentos (máquinas, equipamentos, móveis 
e utensílios, etc.). Capital de giro, luxo de caixa, prazo médio 
de vendas e de compras, necessidade média de estoques, 
esimaiva do faturamento mensal do negócio, custo unitário de 
matéria-prima e de materiais diretos e terceirização. Custos de 
comercialização, de mão de obra, de depreciação. Demonstraivo 
de resultados, projeções inanceiras, indicadores de viabilidade, 
ponte de equilíbrio, lucraividade, rentabilidade e prazo de 
retorno do invesimento efetuado.
6) Avaliação estratégica
Análise da matriz de oportunidades, ameaças, pontos fortes e 
fracos do negócio.
 Fonte: Chiavenato (2021)
Nesse senido, com todas as informações apresentadas, o Plano de Negócio funciona como um 
projeto para que se possa analisar e decidir sobre a viabilidade do negócio. A Figura 1, apresenta as 
etapas de elaboração de um Plano de Negócio.
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Figura 1- Etapas para elaborar um Plano de Negócio
Analisar o setor em que a
 empresa irá funcionar
Caracterísicas do produto/serviço; Preço e condições de 
venda; Formatação jurídica do empreendimento; Estrutu-
ra organizacional
Realizar levantamento comple-
to sobre as caracterísicas do 
empreendimento
Condensação e resumo de todas as informações já descri-
tas
Elaborar um plano estratégico 
para empreendimento
Deinição da missão, da visão e dos valores;
Deinição do negócio; Determinação dos objeivos estra-
tégicos de longo prazo; Estabelecimento da estratégia do 
negócio
Elaborar um plano operacional 
para empreendimento
Previsão de vendas; Planejamento da produção; Previsão 
de despesas gerais e luxo de caixa; Balancete simulado
Realizar um resumo execuivo 
das informações
Fonte: Chiavenato (2021).
O enfermeiro empreendedor, em alguns casos, terá a necessidade de detalhar o Plano de Negócio 
do seu empreendimento, por exemplo, para um emprésimo em um banco nacional ou internacional. 
A seguir, o Quadro 12 apresenta algumas sugestões para esse detalhamento, que deve ir desde um 
sumário execuivo, uma análise completa e detalhada do setor do negócio e um resumo contendo 
simulações inanceiras até o plano estratégico e operacional do negócio.
 Quadro 12 – Detalhamento de um Plano de Negócio, Belo Horizonte-MG, Brasil, 2026.
Capítulos Conteúdo dos capítulos
1) Sumário execuivo
- Um parágrafo sobre a natureza do negócio e os aspectos mais 
importantes do empreendimento; inclui missão e visão do 
negócio.
- Um parágrafo sobre as necessidades que o negócio vai atender no 
mercado. Inclua a responsabilidade social do empreendimento.
- Resumo das caracterísicas do mercado do negócio, da forma 
como o mercado está se comportando em relação ao produto/
serviço do negócio.
2) Análise completa e 
detalhada do setor
- Principais caracterísicas do setor; inclui as variáveis econômicas, 
sociais, demográicas e políicas que inluenciam o mercado.
- Oportunidades encontradas no mercado.
- Descrição da ideniicação dos fornecedores (matérias-primas, 
tecnologia, mão de obra etc.).
3) Natureza jurídica e estrutura 
organizacional da empresa
- Apresentação dos currículos dos sócios do empreendimento 
(formação e as competências pessoais).
- Descrição dos colaboradores necessários para o negócio que 
contenha o peril proissional e técnico de cada um.
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4) Simulação de relatórios 
inanceiros
- Descrição do balanço de abertura da empresa.
- Previsão de receitas, luxo de caixa e balanço para o período 
coberto pelo planejamento.
5) Plano estratégico
- Deinição do negócio, da missão e da visão da empresa.
- Estabelecimento dos objeivos especíicos da empresa.
- Deinição da estratégia da empresa e das premissas do 
planejamento.
- Estabelecimento dos objeivos estratégicos de longo prazo.
6) Plano operacional
- Previsão de vendas.
- Planejamento da produção.
- Orçamento de despesas gerais.
- Previsão do lucro operacional.
- Previsão do luxo de caixa e balancete.
- Balanço patrimonial simulado.
- Previsão de índices operacionais e inanceiros.
7) Apêndices
- Contatos perinentes.
- Informações técnicas.
Fonte: Chiavenato (2021)
O Plano de Negócio deve ser, ao mesmo tempo, conciso e abrangente, de forma que quem o avalie 
tenha uma ideia completa do empreendimento. Deve ser implementado e desenvolvido ao longo do 
tempo e requer execução por parte das pessoas envolvidas no negócio. Não se deve esquecer que 
as pessoas ocupam papel determinante na realização do plano e no sucesso do empreendimento 
(Chiavenato, 2021).
3. Modelos de Negócio
3.1 Business Model Canvas (Canvas/Quadro de Modelo de Negócio)
Alexander Osterwalder e Yves Pigneur, embasados nos conceitos de design thinking desenvolveram 
o Business Modal Generaion (gerador de modelo de negócio) que viabilizou maior inovação na 
elaboração de modelos de negócio, protoipação e cocriação (criação colaboraiva), facilitando a análise 
da estrutura do negócio. Esta ferramenta criada foi nomeada como Canvas de Modelo de Negócio 
(Business Model Canvas).
O Business Model Canvas tem revolucionado a forma como empreendedores e empresas passaram 
a construir seus novos negócios. Apresenta aspectos fundamentais de um negócio, de forma enxuta, 
em apenas um quadro com nove blocos, a saber: 1) Segmento de clientes; 2) Proposta de valor; 3) 
Canais; 4) Relacionamento com clientes; 5) Fontes de receita; 6) Recursos principais; 7) Aividades-
chave; 8) Parcerias principais; 9) Estrutura de custo. Cada componente será descrito detalhadamente 
ainda neste capítulo (Figura 2).
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Figura 13 - Business Model Canvas
 
Fonte: SEBRAE (2021). 
Este formato do Canvas, que lembra uma tela de pintura, mas pré-formatada em blocos, propicia 
a cocriação e o envolvimento de várias pessoas, ligadas ou não ao negócio, de modo a apoiar, ajudar, 
colaborar na construção e análise do modelo. Para tanto, a impressão e exposição do quadro em uma 
grande superície (no mínimo uma folha A3) e o uso de anotações em adesivos (ipo Post-it®) ajudam 
muito na discussão, criaividade e análise do negócio (SEBRAE, 2021; Osterwalder; Pigneur, 2011). 
O uso das anotações em adesivos é muito práico, pois ica fácil remover, adicionar e modiicar a 
escrita durante a elaboração do Canvas, lembrando que nada é deiniivo e tudo deverá ser testado. A 
análise dos nove blocos do Canvas (quadro) e da interação entre eles permite compreender rapidamente 
de que ipo de negócio se trata (Figura 1). 
O Business Model Canvas é dividido em duas partes, como o cérebro humano, esquerda e direita. 
A parte da esquerda é composta pelas questões lógicas, racionais do negócio, ou seja, os blocos que 
correspondem à eiciência, à operacionalização do negócio. A parte do lado direito é composta pelos 
aspectos emocionais, o valor do negócio (Figura 3) (SEBRAE, 2021; Osterwalder; Pigneur, 2011).
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Figura 14 - Business Model Canvas dividido em partes esquerda e direita.
 
Fonte: SEBRAE (2021). 
O enfermeiro empreendedor deve preencher o Canvas tendo uma base lógica, iniciando pelo 
segmento de clientes, uma vez que os clientes são o coração de um Modelode Negócio. O Quadro 13 
mostra, sequencialmente, cada bloco, sua deinição e os quesionamentos que devem ser feitos para 
atender aquele bloco.
Quadro 13 – Os 9 blocos do Business Model Canvas, Belo Horizonte-MG, Brasil, 2026.
Bloco Do que se trata Perguntas
1- Segmento de 
Clientes
Os diferentes grupos de pessoas 
ou organizações que uma empresa 
busca alcançar e servir.
Para quem o negócio cria valor? Quem 
são os consumidores mais importantes?
2- Proposta de 
valor
Pacote de produtos e serviços que 
criam valor para um segmento de 
cliente especíico.
Que valor o negócio entrega ao cliente? 
Qual problema o negócio ajuda a 
resolver? Que necessidades o negócio 
saisfaz? Que conjunto de produtos e 
serviços o negócio oferece para cada 
segmento de cliente?
3- Canais
Como o negócio se comunica e 
alcança seus segmentos de clientes 
para entregar a proposta de valor.
Quais serão os canais que os segmentos 
de clientes serão contatados? Como serão 
alcançados de imediato? Como os canais 
se integram? Qual funciona melhor e 
apresenta melhor custo-beneício? Como 
estão integrados à roina dos clientes?
101
4- 
Relacionamento 
com os clientes
Tipos de relação que uma empresa 
estabelece com segmentos de 
clientes especíicos. 
Que ipo de relacionamento cada 
segmento de cliente espera que se 
estabeleça com eles? Quais já foram 
estabelecidos? Qual o custo de cada um? 
Como se integram ao restante do modelo 
de negócio da empresa?
5- Fontes de 
receita
O dinheiro que uma empresa gera 
a parir de cada segmento de 
cliente (custos subtraídos da renda 
que gera lucro)
Quais valores os clientes estão realmente 
dispostos a pagar? Pelo que eles pagam 
atualmente? Como pagam? Como 
prefeririam pagar? O quanto cada fonte 
de receita contribui para o total da 
receita?
6- Recursos 
principais
Recursos mais importantes: ísicos 
(veículos, máquinas, sistemas, 
etc.), inanceiros, intelectuais 
(marcas, patentes, registros, etc.) 
e humanos. Podem ser adquiridos, 
alugados ou adquiridos com 
parceiros.
 Que recursos principais a proposta de 
valor requer? Quais são os canais de 
distribuição? Relacionamentos com os 
clientes? Fontes de receita?
7- Aividades-
chave
Ações mais importantes que a 
empresa deve realizar para seu 
negócio funcionar.
Que aividades-chave a proposta de 
valor requer? Quais são os canais de 
distribuição? Relacionamentos com os 
clientes? Fontes de receita?
8- Parcerias 
principais
Rede de fornecedores e parceiros 
que possibilitam o negócio 
funcionar.
Quem são os principais parceiros? 
Quem são os principais fornecedores? 
Que recursos principais é adquirido 
dos parceiros? Que aividades-chave os 
parceiros executam?
9- Estrutura de 
custo
Custos envolvidos na operação de 
um modelo de negócio.
Quais os custos mais importantes no 
modelo de negócio? Que recursos 
principais são mais caros? Quais 
aividades-chave são mais caras?
 Fonte: Osterwalder; Pigneur (2011) 
 
Após preenchidos os nove blocos do Canvas, torna-se importante validar o Modelo de Negócio, 
realizando testes na práica. Assegure cinco aspectos fundamentais para o sucesso do negócio: 1) 
A proposta de valor atende adequadamente às necessidades de cada segmento de clientes? 2) Os 
canais e os relacionamentos permitem entregar a proposta de valor? 3) Os parceiros têm condições 
de complementar todas as aividades do negócio? 4) O negócio tem acesso a todos os recursos 
necessários às suas aividades-chave? 5) As receitas são suicientes para cobrir todos os custos e gerar 
lucro? (Chiavenato, 2021).
O anexo 1 traz o Canvas em branco para ser preenchido, mas sugere-se que ele seja exposto em 
uma tela maior (quadro ou folha A3) e que se use adesivos autocolantes para a sua elaboração.
3.2 Lean Canvas
A ferramenta Lean Canvas, criada por Ash Maurya com base no Business Model Canvas, e nas ideias 
de Lean Startups de Eric Ries é aplicável aos modelos de negócio em que há falta de certeza, quando 
há a existência de mais de uma possibilidade (Maurya, 2012). Nesse senido, embora tenha sido criada 
inicialmente para modelos de negócios de startups (empresa emergente, início de uma empresa), 
também pode ser usada para implementação de novos produtos ou processos, além de mudanças 
102
em um negócio já existente.Ash Maurya subsituiu 4 dos 9 blocos originais do Business Model Canvas 
com foco em trabalhar aspectos de maior risco na criação de um negócio. O bloco Parceiros-chave do 
Business Model Canvas foi subsituído por Problema no Lean Canvas; Aividades-chave foi subsituído 
por Solução; Relacionamento com o cliente por Vantagem injusta, e; Recurso-chave foi subsituído por 
Métricas-chave, conforme apresentado na Figura 15. 
Figura 15 - Blocos originais do Business Model Canvas subsituídos no Lean Canvas
Fonte: Maurya (2012).
O Enfermeiro empreendedor, desde o início do negócio, segundo Maurya (2012) deve ter clareza, 
entender em profundidade o Problema que se quer solucionar, por isso esse bloco no Lean Canvas. 
Caso contrário, será desperdiçado tempo, dinheiro e esforço na construção de um produto errado. 
Após compreender o Problema, o Enfermeiro empreendedor conseguirá, de fato, deinir uma possível 
Solução (outro bloco no Lean Canvas). É importante pensar e repensar na Solução, haja vista que 
o empreendedor geralmente se apaixona pela primeira solução. Essa caixa na tela Lean Canvas é 
pequena e se alinha bem com o conceito de “Produto Mínimo Viável” (MVP) (Maurya, 2012), que será 
discutido em outro capítulo deste Manual.
O bloco Métricas-chave refere-se às métricas de valor e, posteriormente, serão métricas que 
monitoram o crescimento do negócio. Sua deinição correta é importante desde o início do negócio, 
do contrário, serão realizadas aividades inúteis, como oimização prematura ou falência de recursos 
enquanto se persegue o objeivo errado (Maurya, 2012). O bloco Vantagem Injusta (ou Vantagem 
Compeiiva ou Barreiras de Entrada) referem-se àquilo que não pode ser facilmente copiado ou 
comprado, sendo o que de fato, diferencia seu negócio no mercado. Pode ocorrer que, no início do 
negócio, não haja uma vantagem verdadeiramente injusta, o que significa que esta caixa ficaria em 
branco, neste caso (Maurya, 2012).
Para o primeiro preenchimento do Lean Canvas, o Enfermeiro empreendedor deve cronometrar 
no máximo 20 minutos. O objeivo é como irar uma “foto instantânea” da ideia, ainda que iquem 
blocos em branco. As ideias vêm a parir de um ou mais eventos ou gailhos especíicos e devem ser 
registradas. Use a tela do Lean Canvas para esse registro. 
Após elaborar seu Lean Canvas, o Enfermeiro empreendedor, segundo Maurya (2012) deve testar 
103
seu modelo de gestão, validando qualitaivamente e veriicando quanitaivamente a proposta, 
perpassando pelo ciclo de construir-medir-aprender. O anexo 1 traz o Lean Canvas em branco para ser 
preenchido, mas sugere-se que ele seja exposto em uma tela maior (quadro ou folha A3) e que sejam 
usados adesivos autocolantes para a sua elaboração.
Figura 16: Business Model Canvas (2). 
Fonte: Universidade de São Paulo (USP) 2021. 
Figura 17: Lean Canvas.
 
Fonte: Universidade de São Paulo (USP) 2021. 
104
REFERÊNCIAS
BRASIL. Ministério da Fazenda. Comando da Aeronáuica. Departamento de Controle do Espaço 
Aéreo. ICA 100-11: plano de voo. Rio de Janeiro, 2017. Disponível em: htps://publicacoes.decea.mil.
br/publicacao/ICA-100-11. Acesso em: 16 out. 2023.
CANADÁ. Organização de Aviação Civil Internacional. Procedures for air navigaion services – air 
traic management: Doc 4444. Montreal, 2016.
COLICHI, R. M. B.; LIMA, S. G. S.; BONINI, A. B. B.; LIMA, S. A. M. Empreendedorismo 
de negócios e Enfermagem: revisão integraiva. Revista Brasileira de Enfermagem, 
Brasília, v. 72, supl. 1, p. 335-345, 2019. Disponível em: htps://www.scielo.br/j/reben/a/
yG78Ms3DvsZ49dM3NnrTLJy/?lang=pt&format=pdf. Acesso em: 16 out. 2023.
DORNELAS, J. C. Plano de negócios: seu guia deiniivo. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2023. 187 p.MAURYA, A. Running lean: iterate from plan A to a plan that works. 2. ed. Sebastopol, CA: O’Reilly 
Media, 2012.
OSTERWALDER, A.; PIGNEUR, Y. Business model generaion: inovação em modelos de negócios – um 
manual para visionários, inovadores e revolucionários. Rio de Janeiro: Alta Books, 2011. 300 p.
SEBRAE. Business model canvas: como construir seu modelo de negócio? SEBRAE, 2021. Disponível 
em: htps://digital.sebraers.com.br/blog/estrategia/business-model-canvas-como-construir-seu-
modelo-de-negocio/. Acesso em: 23 out. 2023.
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (USP). Lean Canvas. São Paulo: USP, 2021. Disponível em: htps://
edisciplinas.usp.br/mod/resource/view.php?id=3596202&forceview=1. Acesso em: 6 out. 2025.
105
13
PLANEJAMENTO FINANCEIRO
Fábio da Costa Carbogim
Introdução
O planejamento inanceiro é essencial em um mundo onde as instabilidades econômicas são cres-
centes e cada vez mais globais, impactando na vida dos cidadãos e empresas a todo momento (Brüg-
gen et al.., 2017). 
Situações como as de guerras, de pandemias ou mesmo de recessões em economias centrais, como 
as dos Estados Unidos da América (EUA) e da China, podem inluenciar decisivamente na economia 
global, com redução da produção, comercialização e consumo de produtos e serviços (SEBRAE, 2023). 
Esse quadro, em um mundo globalizado, repercuirá na queda de faturamento e no aumento do índice 
de desempregos, o que leva à redução do consumo e da produção. Nesse senido, o planejamento 
inanceiro torna-se uma ferramenta importante para a gestão das necessidades do presente e futuro 
(Zonoto, 2020). 
No campo da gestão empresarial, o planejamento inanceiro refere-se ao estabelecimento de um 
roteiro ou guia programáico com metas para aperfeiçoar indicadores em um determinado espaço de 
tempo. Isso quer dizer, uilizar da situação atual para projetar melhorias para o futuro (Business School, 
2021; Infomoney, 2022). 
Uma empresa ou negócio é geralmente criado para atender a uma demanda do mercado, gerar lu-
cro e se tornar sustentável. Para isso, o planejamento inanceiro deve estar alinhado ao planejamento 
estratégico, a parir de projeções de custos e receitas (SEBRAE, 2023).
É aconselhável que o processo de planeamento inanceiro comece com as metas de longo prazo, 
que guiarão as metas de curto e médio prazo, sendo estas mais operacionais. O planejamento delongo 
prazo está atrelado a um conjunto de metas de markeing e de produção, sendo estabelecidos prazos 
entre cinco a dez anos. Por outro lado, o planejamento de curto prazo, em que são estabelecidos para 
tomar decisões coidianas, o prazo é de um a dois anos (Leal; Nascimento, 2011).
1. Planejamento inanceiro: etapas, procedimentos e indicadores
Para o planejamento inanceiro, existem cinco etapas importantes: avaliar a situação inanceira 
da empresa; deinir as metas inanceiras; levantar os dados e avaliar alternaivas, analisar dados em 
relação aos objeivos; criar e implementar o plano de ação inanceira; e rever/analisar o planejamento 
(Arquivel, 2018; Lucion, 2012). Desse modo, serão descritos abaixo cada um dos passos.
1º Passo – Avaliar a situação inanceira da empresa e o capital de giro
A situação inanceira de uma empresa e o capital de giro estão intrinsecamente relacionados, sendo 
o capital de giro um importante indicador da saúde inanceira da organização. O capital de giro líqui-
do (CGL) refere-se aos recursos inanceiros necessários para a operação diária de uma empresa. Ele 
representa a diferença entre os aivos circulantes (como contas a receber, estoque e reserva de caixa) 
e os passivos circulantes (como contas a pagar). Cerca da metade do total dos aivos de uma empresa 
correspondem ao capital de CGL. 
Logo, é importante realizar um levantamento contábil, com balanço patrimonial, para elencar aivos 
circulantes, saldos devedores e valores gastos. Além disso, descrever tempo de mercado, fortalezas e 
fragilidades, produto oferecido e público-alvo. Com esses dados, o gestor terá um mapeamento da 
realidade do negócio, tendo dessa forma, maior controle sobre as contas. 
106
2º Passo – Deinir as metas inanceiras
As metas funcionam como um roteiro que guiarão o planejamento inanceiro. Logo, devem ser re-
vistas com frequência, de acordo com a relevância e o impacto desejado. Além disso, devem ser men-
suráveis, concretas, plausíveis, com determinação de quem, como, onde e quando serão efeivadas. 
3º Passo – Levantar os dados e avaliar alternaivas
Através da coleta de dados será mais fácil compreender o cenário em que se realizará um inves-
imento. Esses dados, conforme os objeivos estabelecidos previamente, dizem respeito aos riscos 
atuais de um invesimento, comportamento histórico, insumos, recursos e equipe. Também é muito 
importante pensar e descrever as fontes de recursos possíveis em caso de emergências e imprevistos. 
Outra orientação é estabelecer um plano de registro das movimentações inanceiras, ou seja, des-
crever tudo que entra e sai no período estabelecido. 
4º Passo - Implementar o plano de ação inanceira
Para implementar o plano de ação inanceira é preciso listar todas as aividades necessárias para 
aingir os objeivos. Para isso, é importante deinir os prazos, estabelecer as responsabilidades e pro-
visões de custos.
Uma boa gestão depende de um bom plano de ação, pois auxilia na determinação dos recursos e 
quem estará em cada função. 
5º Passo - Rever/analisar o planejamento
Ao longo do tempo, revise e analise os objeivos e as metas, conforme resultados alcançados. O mo-
nitoramento auxilia na previsão e ideniicação de problemas inanceiros antes que saiam do controle 
e se tornem irreversíveis. 
Nessa fase, é importante estabelecer indicadores de desempenho, que podem ser deinidos em 
operacionais, táicos e estratégicos. Os indicadores operacionais estão ligados às ações do dia a dia, 
como a execução de tarefas, procedimentos e conferências. Esses indicadores avaliam a performance 
e geralmente são empregados com conformidade e não conformidade.Os indicadores táicos estão 
alinhados aos indicadores de planejamento estratégico da empresa e estão conectados à gestão dos 
setores da empresa, sendo desinados a avaliar o desempenho departamental ou setorial, por exem-
plo. Podemos dizer que seria o meio do caminho entre os indicadores operacionais e os indicadores 
estratégicos. 
Os indicadores estratégicos são mais gerais, estão conectados ao planejamento estratégico da em-
presa. Dessa forma, são uilizados para medir se a empresa aingiu ou vem aingindo as metas em nível 
macro. 
Para as empresas que estão por iniciar, implementar o Mínimo Produto Viável (MPV), pode ser 
uma boa estratégia para raiicar a ideia e apresentar o produto com recursos inanceiros mais baixos 
(Tristão et al.., 2021).
O MPV pode ser comparado a um teste piloto do produto para veriicar a sua viabilidade, uilizando 
o mínimo de recursos, com foco na principal função do produto para atender a uma demanda. Essa 
proposta pode ser colocada no planejamento inanceiro como uma primeira etapa para implementa-
ção do produto no mercado. Isso permiirá adaptações e ajustes necessários sem comprometer todo o 
capital de invesimento (Shepherd; Gruber, 2021).
Segundo Araújo et al. (2022), existem instrumentos que podem ser uilizados para operacionalizar 
o planejamento inanceiro, incluindo:
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• Orçamento: Estabelece metas de receitas e despesas para um período especíico, ajudando na 
alocação eiciente de recursos.
• Fluxo de Caixa: Registra e monitora todas as entradas e saídas de dinheiro, proporcionando uma 
visão clara da liquidez inanceira.
• Balanço Patrimonial: Resume os aivos, passivos e patrimônio líquido em um determinado mo-
mento, fornecendo uma imagem instantânea da situação inanceira.
• Análise de Invesimentos: Avalia o retorno e o risco de diferentes oportunidades de invesimen-
to, auxiliando na tomada de decisões de alocação de capital.
• Contabilidade: Registra e analisa todas as transações inanceiras da organização,garanindo 
conformidade e precisão nos registros inanceiros.
• Indicadores Financeiros: Métricas como ROI (Retorno sobre Invesimento), margem líquida, ín-
dice de liquidez, entre outros, ajudam a monitorar o desempenho inanceiro e ideniicar áreas 
de melhoria.
• Planejamento Tributário: Estratégias para minimizar a carga tributária, aproveitando incenivos 
iscais e evitando penalidades.
• Sistemas de Informação Financeira: Uilização de sotwares e sistemas automaizados para co-
letar, processar e apresentar dados inanceiros de forma eiciente e precisa.
Para o planejamento inanceiro de empresas, além dos instrumentos operacionais mencionados 
anteriormente, também são importantes os instrumentos estratégicos que orientam as decisões de 
longo prazo e garantem a sustentabilidade inanceira. Alguns desses instrumentos incluem (Farah, Ca-
valcani, Marcondes; 2020):
• Análise SWOT: Ideniica as forças, fraquezas, oportunidades e ameaças relacionadas às inanças 
da empresa, ajudando a desenvolver estratégias para oimizar o desempenho inanceiro.
• Metas Financeiras de Longo Prazo: Estabelecimento de objeivos inanceiros claros e mensurá-
veis a longo prazo, alinhados com a visão e missão da empresa.
• Planejamento de Invesimentos Estratégicos: Deine quais invesimentos são prioritários para o 
crescimento e desenvolvimento sustentável da empresa, levando em consideração os retornos 
esperados e os riscos envolvidos.
• Estratégias de Financiamento: Determinação das fontes de inanciamento mais adequadas para 
as necessidades da empresa, considerando opções como capital próprio, emprésimos bancá-
rios, emissão de ítulos, entre outros.
• Gestão de Riscos Financeiros: Ideniicação, avaliação e miigação de riscos inanceiros que pos-
sam afetar negaivamente os resultados da empresa, como riscos de mercado, crédito, liquidez, 
entre outros.
• Análise de Cenários Financeiros: Realização de análises de cenários para avaliar os impactos 
inanceiros de diferentes contextos econômicos e operacionais, permiindo uma melhor prepa-
ração e adaptação da empresa a mudanças no ambiente externo.
• Gestão do Capital de Giro: Desenvolvimento de estratégias para gerenciar eicientemente os 
aivos circulantes e passivos circulantes da empresa, garanindo a liquidez e a eiciência opera-
cional.
• Políica de Dividendos: Deinição de uma políica consistente para distribuição de lucros aos 
acionistas, levando em conta as necessidades de reinvesimento e a maximização do valor para 
os acionistas.
Esses instrumentos estratégicos são essenciais para garanir que o planejamento inanceiro da em-
presa esteja alinhado com seus objeivos de longo prazo e seja capaz de enfrentar os desaios do am-
biente de negócios de forma eicaz.
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Considerações inais
A realização do planejamento inanceiro, seja para uma empresa a ser criada ou já estabelecida é 
essencial, pois além de revelar a saúde inanceira atual, permite realizar ajustes e projetar crescimen-
tos. É por meio do planejamento inanceiro que será possível estabelecer os custos, receitas, despesas, 
margens de lucro e invesimento da empresa. 
109
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110
14
MINIMUM VIABLE PRODUCT (MVP) E PROTÓTIPO: 
ESTRATÉGIAS PARA TRANSFORMAR IDEIAS INOVADORAS 
EM SOLUÇÕES PRÁTICAS NA ENFERMAGEM
 Helen Crisiny Teodoro Couto Ribeiro
Introdução
O empreendedorismo na Enfermagem, devido à sua importância, tem emergido como uma área de 
interesse crescente, embora ainda pouco explorada na literatura (Copelli et al., 2019; Polakiewicz et al., 
2013). Isso é sobretudo evidente quando se consideram conceitos especíicos, como Minimum Viable 
Product (MVP) e Protóipo, e como são aplicados diretamente na práxis da Enfermagem. 
No entanto, a aproximação ao conceito de empreendedorismo (principalmente a compreensão e 
aplicação dos conceitos pelo Enfermeiro empreendedor), orienta a promoção de visibilidade social 
da Enfermagem, bem como o alcance de novos patamares de desenvolvimento proissional aos 
Enfermeiros (Copelli et al., 2019).
Os conceitos de Minimum Viable Product (MVP) e Protóipo são importantes para que o proissional 
compreenda e aplique em suas ideias inovadoras, auxiliando na solução de problemas pragmáicos na 
Enfermagem. Assim, este capítulo se dedica a explorar os alicerces do MVP e do protóipo, evidenciando 
seus papéis fundamentais no empreendedorismo de Enfermeiros. 
1. Fundamentos do Minimum Viable Product (MVP) e Protóipo
Para um Enfermeiro empreendedor que busca inovar e introduzir soluções signiicaivas no campo 
da saúde, é essencial compreender os fundamentos do Minimum Viable Product (MVP) e do protóipo. 
Essas estratégias estão intrinsecamente ligadas ao ciclo de vida do serviço/processo ou produto que se 
pretende desenvolver como um negócio.
Observa-se ainda um uso inadequado dos conceitos de MVP e de Protóipo. Por isso, é importante 
compreender os princípios fundamentais de ambas as estratégias. Para uma compreensão mais clara e 
para entender como os princípios podem ser aplicados de maneira eicaz no contexto da Enfermagem 
empreendedora, primeiramente será explorado os fundamentos do MVP e, em seguida, será abordado 
os princípios subjacentes aos Protóipos. 
O MVP (Minimum Viable Product), traduzido para o português como Produto Mínimo Viável, é 
uma estratégia fundamental que abre portas para a criação e teste de novos produtos, serviços e 
processos,mesmo em cenários permeados pela incerteza, como a área do cuidado em Enfermagem. 
Sua essência reside na capacidade de explorar e desenvolver propostas inovadoras, as quais podem 
ser impulsionadas tanto por descobertas cieníicas quanto pela exploração de novas perspecivas para 
tecnologias já existentes. Essa abordagem permite que os empreendedores na área da Enfermagem 
se arrisquem em territórios desconhecidos, coniando na viabilidade do produto mínimo necessário 
para iniciar o processo de validação junto ao público-alvo. Dessa forma, o MVP testa a aceitação 
do mercado e também lança produtos com possibilidades efeivas de resolver as necessidades dos 
usuários, proporcionando soluções tangíveis e relevantes (Ries, 2012; Sarmento; Costa, 2016). 
Antes de iniciar qualquer empreendimento, incluindo os projetos inovadores na área da Enfermagem, 
torna-se crucial realizar uma coleta detalhada de dados essenciais. Isso envolve compreender as 
caracterísicas dos potenciais clientes, analisar o comportamento do mercado, esimar os custos 
envolvidos e avaliar a possível receita que o negócio poderá gerar. O MVP desempenha um papel 
111
vital nesse processo, permiindo que o Enfermeiro empreendedor avalie a viabilidade do seu negócio. 
Por meio de testes com o público-alvo do serviço, produto ou processo, é possível receber feedback 
valioso, que orienta ajustes e aprimoramentos para o desenvolvimento asserivo do empreendimento. 
O MVP representa uma versão simpliicada do produto, serviço ou processo em desenvolvimento, 
que é disponibilizada aos clientes para testes de mercado. Objeiva-se com o MVP nivelar a ideia e 
compreender como o mercado reagirá à oferta, facilitando o caminho que o Enfermeiro empreendedor 
deverá percorrer para a circulação bem-sucedida do seu produto, serviço ou processo. Essa abordagem 
é fundamental para minimizar riscos e garanir que o negócio atenda efeivamente às demandas e 
expectaivas do seu público-alvo (Sebrae, 2019; Gomes, 2020).
Na atualidade, marcada pela velocidade das transformações, o lema “falhar rápido para falhar 
melhor” se torna essencial. Isso signiica que é necessário experimentar e rapidamente coletar 
dados de melhorias para oimizar produtos e serviços/processos. Os testes de aceitação do cliente, 
realizados por meio do MVP, proporcionam uma oportunidade de aprendizado rápido sobre o que é 
necessário para transformar uma ideia em realidade. Ao analisar o feedback dos clientes, o Enfermeiro 
empreendedor pode aplicar melhorias no desenvolvimento da sua ideia inicial. O MVP passa por 
constantes modiicações e evoluções em cada interação com o público-alvo. Trata-se de um ciclo 
conínuo, no qual o produto/serviço/processo é testado e reinado com base na opinião dos clientes, 
até que uma versão ideal do projeto seja alcançada. Essa abordagem interaiva, centrada no cliente, é 
fundamental para garantir que o produto final atenda às necessidades e expectativas do público-alvo 
(Sebrae, 2019), especialmente em um campo tão complexo quanto a área da saúde.
Já, o protóipo tem a ver com a viabilidade técnica do produto ou serviço/processo a ser comercializado 
pelo negócio. Assim como o MVP, ele oferece uma representação simpliicada do produto, mas sem a 
necessidade de interação direta do cliente para uilizá-lo, testá-lo ou fornecer feedback ao Enfermeiro 
empreendedor. No entanto, o protóipo desempenha um papel fundamental ao transformar a ideia 
em algo tangível e concreto, consituindo-se como uma representação palpável do conceito inicial. 
Originária do grego, a palavra “protóipo” deriva de “protótupus”, que signiica “primeira forma”. 
Existem diversos ipos de protóipos, que variam desde os mais simples até os mais elaborados e iéis à 
ideia original. Todos eles são passíveis de aprimoramento por meio da coleta de feedback dos clientes, o 
que possibilita reinamentos conínuos até alcançar uma versão ideal do produto ou serviço/processo. 
Essa práica é fundamental para garanir a adequação do produto às necessidades e expectaivas do 
público-alvo, podendo ser um protóipo de baixa, média ou alta idelidade (Sebrae, 2019). Assim, na 
Enfermagem o protóipo deve ser desenvolvido até alcançar um estágio mínimo adequado para testes 
com o público-alvo do produto/serviço/processo, sejam pacientes, seus familiares, a comunidade ou 
grupos de pessoas, até mesmo os próprios Enfermeiros e suas equipes. 
Para clariicar os três ipos de protóipos, considere-se o seguinte exemplo: O Enfermeiro 
empreendedor, ao desenvolver um novo sistema de monitoramento remoto de pacientes, pode iniciar 
o processo criando um protóipo de baixa idelidade. Nesse estágio inicial, ele pode criar esboços 
ou modelos simples que representem as principais funcionalidades e caracterísicas do sistema. O 
Enfermeiro pode desenhar esboços de telas de interface do usuário, indicando como os dados do 
paciente serão exibidos e como o Enfermeiro interagirá com o sistema. Esse protóipo de baixa idelidade 
permite que o Enfermeiro valide conceitos básicos do sistema antes de invesir recursos signiicaivos no 
seu desenvolvimento. À medida que o conceito é reinado e novas ideias são incorporadas, o proissional 
pode progredir para um protóipo de média idelidade. Nesse estágio, ele pode desenvolver protóipos 
digitais interaivos usando ferramentas de design de interface do usuário, ou seja, o Enfermeiro pode 
criar um protóipo funcional usando um sotware de design de interface do usuário, permiindo que 
ele simule interações do usuário e teste a usabilidade do sistema. Esse protóipo de média idelidade 
oferece uma representação mais realista do sistema e permite a coleta de um feedback valioso dos 
usuários antes de prosseguir para o desenvolvimento completo do produto. Ao inal do processo, pode 
ser obido um protóipo de alta idelidade, que é uma representação precisa do sistema inal. Esse 
protóipo reinado e validado oferece uma base sólida para o desenvolvimento completo do sistema, 
garanindo que atenda de forma eicaz às necessidades e expectaivas do público-alvo.
112
Nesse contexto, o protóipo é menos reinado que um MVP pois traz as caracterísicas do 
resultado esperado, mas não necessariamente condições viáveis para sua construção. A ideia pode ser 
transformada em um protóipo de baixa idelidade (conceito inicial do negócio), que será incrementado 
e construído um protóipo com média idelidade, chegando a uma versão mais representaiva daquilo 
que se quer produzir, ou seja, uma alta idelidade da solução inal do produto/serviço/processo. É 
importante ressaltar que todo MVP é um protóipo, mas nem todo protóipo é um MVP (Sebrae, 2019). 
Coninuando o exemplo do desenvolvimento de um novo sistema de monitoramento remoto de 
pacientes, com o protóipo de alta idelidade validado em mãos, o Enfermeiro decide avançar para o 
desenvolvimento do MVP. Ele ideniica as funcionalidades essenciais que serão incluídas na primeira 
versão do sistema e trabalha com sua equipe de desenvolvimento para implementá-las. O MVP é 
então lançado para uma pequena amostra de Enfermeiros e pacientes para testes e feedback em um 
ambiente real. Este Enfermeiro seguiu uma abordagem incremental, começando com protóipos de 
baixa e média idelidade para explorar suas ideias e reiná-las com base no feedback recebido. Somente 
após validar completamente o conceito com os protóipos é que ele avançou para o desenvolvimento 
do MVP, garanindo assim que o produto inal atenda às necessidades do usuário e ofereça valor real. 
2. Jusiicaivas para a elaboração de um Minimum Viable Product (MVP) e um Protóipo
Recomenda-se fortemente que o Enfermeiro empreendedor desenvolva um MVP e/ou um protóipo 
como etapa inicial para apresentar e/ou validar sua ideia inicial. Essa abordagem permite reduzir os 
riscos técnicos, de mercado ou de saisfação do público-alvo, ao mesmo tempo em que oimiza o 
uso de recursos. Vale ressaltar que o MVP e/ou protóipo são alternaivas mais econômicas em 
comparação com o desenvolvimentodo produto inal, ou seja, permitem uma economia signiicaiva 
de recursos inanceiros, temporais e humanos. Ademais, a criação de um MVP e/ou protóipo oferece 
a oportunidade de obter feedback valioso do público-alvo. Essas informações são essenciais para 
entender o que precisa ser melhorado no produto, serviço ou processo, permiindo ajustes e melhorias 
antes do lançamento oicial no mercado. Dessa forma, o Enfermeiro empreendedor pode melhorar 
coninuamente, garanindo que o produto inal atenda às expectaivas e necessidades dos clientes. 
O MVP oferece uma abordagem mais ágil e eiciente para validar a viabilidade e aceitação do 
produto/serviço/processo. Ao permiir testes reais com os usuários, o MVP possibilita a obtenção 
de feedback valioso que pode ser uilizado para realizar ajustes e melhorias antes de realizar um 
invesimento completo no desenvolvimento do produto inal. Essa abordagem centrada no usuário 
contribui signiicaivamente para o sucesso do empreendimento ao garanir que o produto atenda 
verdadeiramente às necessidades e expectaivas do público-alvo.
O MVP está intrinsecamente ligado à proposição de valor de um negócio. Não se trata apenas de 
entregar um produto/serviço/processo com funcionalidades simpliicadas, mas sim de criar algo que 
agregue valor para o cliente (Viable), enquanto uiliza um mínimo de recursos em um curto espaço 
de tempo (Product), de forma a se assemelhar a um produto acabado (Minimum), evitando uma lista 
elaborada e densa de funcionalidades desnecessárias. A essência desse processo reside na agilidade com 
que o novo empreendimento consegue desenvolver rapidamente um produto mínimo viável e buscar 
imediatamente a opinião do público-alvo. Essa abordagem ágil e centrada no cliente permite validar a 
ideia inicial e realizar ajustes com base no feedback real dos usuários, resultando em um produto inal 
mais alinhado às necessidades e expectaivas do mercado. Essa práica é essencial para garanir o sucesso 
do empreendimento e maximizar o retorno sobre o invesimento (Ries, 2012; Blank, 2013).
Caso o Enfermeiro empreendedor opte por não uilizar o MVP, ele corre o risco de invesir recursos 
consideráveis em um produto/serviço/processo que pode não ser bem recebido pelo mercado de 
saúde. Além disso, ao ignorar a etapa de desenvolvimento do MVP, há a possibilidade de perder a 
oportunidade crucial de ideniicar e corrigir possíveis falhas ou deiciências antes do lançamento no 
mercado. 
113
O MVP proporciona uma valiosa oportunidade de aprendizado, permiindo ao Enfermeiro 
empreendedor e sua equipe adquirir insights signiicaivos sobre como o público-alvo percebe o 
produto/serviço/processo de saúde, com um esforço relaivamente pequeno. Trata-se de um protóipo 
tangível que ganha vida no mundo real. Por exemplo, um MVP poderia ser um aplicaivo simpliicado 
de gerenciamento da saúde para idosos hipertensos, contendo apenas as funcionalidades essenciais, 
como o registro da pressão arterial diária e o acompanhamento das medicações. Este é então 
disponibilizado para testes junto aos idosos e seus familiares, permiindo a coleta valiosa de feedback 
sobre a experiência de uso. Esses insights são cruciais para entender as necessidades e preferências do 
público-alvo e para ideniicar possíveis melhorias ou ajustes antes de invesir recursos signiicaivos no 
desenvolvimento do produto inal. Somente após a validação e reinamento do MVP é que o produto 
é aprimorado, adicionando-se um design mais elaborado e melhorando e/ou acrescentando outras 
funcionalidades que se viu serem relevantes. Essa abordagem centrada no cliente proporciona uma 
base sólida para o sucesso do produto inal no mercado de saúde.
Quanto ao protóipo, recomenda-se que o Enfermeiro empreendedor o desenvolva, mesmo que 
simples, mas suicientemente claro para possibilitar a visualização da ideia antes de sua execução. 
A protoipagem torna a ideia mais tangível e compreensível não apenas para a equipe de criação, 
mas também para potenciais sócios ou invesidores. Além disso, um protóipo oferece a lexibilidade 
necessária para fazer ajustes no produto/serviço/processo antes de avançar para etapas mais concretas 
em direção aos objeivos desejados do negócio.
Segue um caso icício para jusiicar o desenvolvimento de um protóipo. Clara é uma Enfermeira 
obstétrica com uma década de experiência e uma paixão ardente por melhorar a experiência de parto 
das mulheres. Após anos trabalhando em uma maternidade pública, Clara ideniica uma necessidade 
e tem uma ideia para um disposiivo que pode auxiliar as mulheres no conforto durante o trabalho 
de parto. Determinada a empreender e desenvolver essa inovação, a Enfermeira Clara concebe um 
disposiivo de suporte ergonômico que facilita a posição ideal para o parto, enquanto emite ondas 
magnéicas para alívio da dor. Esse disposiivo é construído com materiais ajustáveis, almofadas de 
apoio e inclui recursos como monitoramento não invasivos.
Com a visão clara em mente, a Enfermeira Clara convoca uma reunião com um engenheiro 
biomédico e um designer para explicar sua ideia. Apesar de sua explicação detalhada, eles solicitam 
que Clara crie um protóipo de baixa idelidade, ou seja, uma representação simples, como um esboço 
em uma folha de papel. Mesmo não sendo hábil em desenho, Clara se empenha em fazer alguns traços 
para transmiir sua ideia à equipe. Surpreendentemente, o protóipo rudimentar é suiciente para 
comunicar claramente a todos os envolvidos o conceito e funcionamento do disposiivo.
3. Exemplos de Minimum Viable Product (MVP) e Protóipo
Ao se referir a Minimum Viable Product (MVP) e protóipo de produtos/serviços/processos na área 
da saúde e especiicamente na Enfermagem, os estudos são escassos. Há uma literatura que oferece 
uma visão ampla sobre as teorias e métodos relacionados a esses importantes conceitos em áreas 
como engenharia, administração, bioquímica e outros. Porém, por vezes os estudos se concentram 
apenas em aspectos conceituais e diretrizes gerais, sem mostrar como elas se desdobram em situações 
concretas, como foram desenvolvidas e testadas na vida real. Com isso, os conceitos de MVP e de 
protóipo podem icar abstratos e distantes da realidade dos Enfermeiros. Assim, buscou-se aqui 
exempliicar para inspirar e oferecer insights para Enfermeiros empreendedores a transformar ideias 
inovadoras em soluções práicas na Enfermagem por meio do MVP e do protóipo.
Um estudo realizado em um município do Sul do Brasil (Tristão et al., 2021), teve por objeivo 
descrever o desenvolvimento de um MVP para um aplicaivo de apoio à decisão voltado para Enfermeiros, 
abrangendo prevenção, diagnósico e tratamento de lesões por fricção/pressão em idosos. As etapas 
para construção da ferramenta foram: revisão integraiva da literatura; invesigação qualitaiva, na qual 
os pesquisadores conduziram entrevistas com Enfermeiros das equipes de Estratégia Saúde da Família 
114
(ESF); e a formatação e desenvolvimento de um MVP que uilizou o “Ciclo de Feedback construir-medir-
aprender”, ou o “Build-Measure-Learn”, um componente do método Lean Startup. Esse ciclo envolveu 
três etapas: 1ª) revisão integraiva; 2ª) invesigação qualitaiva junto aos Enfermeiros das equipes de 
ESF; e 3ª) formatação e desenvolvimento do MVP (Tristão et al., 2021).
Para deinir os peris dos usuários, foram uilizadas informações da invesigação qualitaiva e 
técnicas de personas, que são avatares criados com base nas caracterísicas reais dos usuários, levando 
em conta seus hábitos, comportamentos e anseios. A deinição das funcionalidades foi orientada pelas 
lacunas observadas pelos Enfermeiros durante a fase de construção dos peris dos usuários. A estrutura 
teórica do aplicaivo foi baseada nas informações obidas na revisão integraiva. O mapa de navegação 
foi transformado em Hypertext Markup Language (HTML) e Cascading Style Sheets (CSS), resultando 
em uma página web que foi adaptada para ser compaível com disposiivos móveis e desktops (Tristão 
et al.,2021).
Para testar a praicidade do produto, foram uilizados critérios de teste de usabilidade, com a 
paricipação de três a cinco usuários representaivos, visando ideniicar pelo menos 80% dos problemas 
do produto. O MVP foi submeido a dois ciclos de feedback: no primeiro ciclo, foram ideniicadas 
necessidades de ajustes pelos proissionais; no segundo ciclo, após as adaptações, uma nova rodada 
de testes foi realizada, sem a necessidade de ajustes adicionais. Os resultados da pesquisa indicaram 
que o MVP do aplicaivo ofereceu suporte eicaz à tomada de decisão dos Enfermeiros, facilitando a 
condução de julgamentos críicos baseados em achados clínicos objeivos. Este exemplo ilustra, mais 
uma vez, como a abordagem do MVP é uma importante estratégia para o Enfermeiro empreendedor, 
permiindo o desenvolvimento de soluções eicazes que atendam às necessidades dos proissionais de 
saúde e dos pacientes (Tristão et al., 2021).
Outro estudo initulado “Desenvolvimento de protóipo de chatbot para avaliação da maturação 
da ístula arteriovenosa” (Silva et al., 2023), os autores apresentam iguras ilustraivas e demonstram 
a construção do chatbot em 5 fases: construção da base de conhecimento; seleção do ipo de 
assistente virtual; roteirização do conteúdo; criação do diálogo no chatbot; e revisão do diálogo. A 
base de conhecimento do chatbot foi denominado “FAViana”, uilizaram o conteúdo de um protocolo 
de avaliação da maturação da ístula a parir da inspeção, palpação e ausculta. Foi simulado um 
diálogo estruturado usando o Google Forms®, o qual foi transformado em conversação por meio 
do complemento Chat Forms®. Os autores alinharam o “FAViana” à primeira etapa do processo de 
Enfermagem para documentação dos dados da avaliação e anormalidades da maturação da FAV e ao 
oferecimento de suporte para a interpretação dos dados anormais, indicando a provável complicação 
e sugerindo recomendações sobre a possível complicação. No estudo relatado, por se tratar de um 
protóipo, os autores não realizaram a interação do chatbot com o usuário em uma base dinâmica 
de informação. No entanto, airmam que, devido às caracterísicas de simpliicação do chatbot, essa 
funcionalidade será implementada em versões futuras, possivelmente com incorporação de inteligência 
ariicial (Silva et al., 2023).
Considerações inais
O MVP e protóipo são ferramentas valiosas para os Enfermeiros empreendedores. Isso porque 
ambas as estratégias permitem ao Enfermeiro empreendedor a compreensão das necessidades dos 
clientes, a demanda do mercado e quais ações são necessárias para oferecer resultados asserivos 
para o negócio. O Enfermeiro empreendedor, ao lançar mão do MVP e/ou do protótipo, tem no cliente 
o seu foco central, uma vez que o produto/serviço/processo é desinado a ele. É do cliente que virá 
o feedback essencial para os ajustes necessários. Essa interação conínua com os clientes, a parir do 
MVP e/ou protóipo, permite que o empreendedor reine sua modelagem de negócio até alcançar a 
resoluividade desejada.
115
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116
15
AVALIAÇÃO DE TECNOLOGIAS EM SAÚDE: 
ABORDAGEM PARA ESTIMAR O CUSTO 
DE UMA TECNOLOGIA
Eliete Albano de Azevedo Guimarães
Introdução
A avaliação consitui-se como uma ferramenta gerencial com forte impacto no campo das inovações 
tecnológicas em saúde, e por isso, possui múliplas concepções e uma vasta diversidade terminológica, 
que deinem a avaliação como a capacidade de julgar o valor ou mérito de uma intervenção (Tanaka; 
Tamiki; 2012; Vieira-da-Silva, 2014; Brousselle et al., 2016). Entende-se por intervenção um conjunto de 
ações, serviços, programas, sistemas atuando em um determinado contexto e período, com o objeivo 
de transformar uma situação problemáica (Champagne et al., 2016).
Em se tratando de tecnologias em saúde, uma intervenção vai além dos medicamentos, 
equipamentos e procedimentos usados na assistência à saúde. Tecnologias em saúde são todas as 
formas de conhecimento que podem ser aplicadas para a solução ou a redução dos problemas de saúde 
de indivíduos ou de populações (Panerai; Peña-Mohr, 1989). Isso inclui os sistemas organizacionais, 
educacionais, de informação e de suporte, além de programas, protocolos assistenciais, insumos 
uilizados e produtos (Anvisa, 2021; Brasil, 2009; 2014). A avaliação dessa variedade de tecnologias, 
de suas consequências e de seus custos contribui para uma melhor compreensão dos problemas 
ideniicados e para a decisão de como resolvê-los, buscando ampliar a resoluividade da atenção à 
saúde e consequentemente, a qualidade de vida do indivíduo e da população (Brasil, 2009).
A Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS) é apresentada como uma área mulidisciplinar de 
estudos que invesiga as consequências clínicas, econômicas e sociais do desenvolvimento, difusão e 
uso das tecnologias nos contextos de atenção em saúde. Seu propósito é informar sobre os beneícios, 
riscos e custos para veriicar se a tecnologia é segura, eicaz e economicamente atraiva para melhorar 
o processo decisório nos serviços e nas práicas de cuidado prestadas pelos proissionais (Brasil, 2009; 
2014; Garcia et al., 2016; Toma et al., 2017).
Para avaliar as ATS, as pesquisas avaliaivas consituem-se como ferramentas valiosas para subsidiar 
processos de mudança na medida em que proporcionem aos envolvidos ou interessados – direta ou 
indiretamente – condições para decidir como enfrentar e resolver problemas no coidiano dos serviços, 
transformando as ideias, as práicas e os valores (Denis, 2010; Champagne et al., 2016). Alguns princípios 
prioritários precisam ser considerados na ATS, como a transparência no desenvolvimento da avaliação; 
o envolvimento de interessados relevantes no processo avaliaivo; a existênciade mecanismos de 
recurso de decisão; a existência de mecanismos claros de estabelecimento de prioridades; e a existência 
de uma ligação clara entre avaliação e tomada de decisão (Champagne et al., 2016; Pichon-Riviere et 
al., 2017). Esses princípios contribuíram para avanços de métodos e técnicas importantes no campo da 
avaliação, tornando-a cada vez mais completa (Dubois; Champagne; Bilodeau, 2016).
Neste capítulo, serão apresentadas questões concernentes a uma técnica de estudo uilizada na 
Avaliação Econômica em Saúde (AES). A AES pode ser deinida como um conjunto de técnicas uilizadas 
para ideniicar, medir e valorizar custos e resultados das intervenções de saúde, apoiando-se em duas 
caracterísicas principais: a análise comparaiva de duas ou mais alternaivas com a mesma inalidade 
e a ideniicação da relação entre custos e consequências nas diferentes opções disponíveis, pois é com 
base nessas informações que se podem tomar as decisões (Brasil, 2014; Drummond et al., 2015). O 
uso de métodos cieníicos de AES pode torná-lo mais dinâmico, evitando vieses e confusão, além de 
permiir a validação do mesmo (Silva; Pereira, 2016; Gonçalves; Alemão, 2018).
117
Os estudos de AES preocupam-se em responder essencialmente a dois ipos de questões:
• Vale a pena invesir neste bem ou serviço de saúde tendo em conta as outras uilizações que os 
mesmos recursos poderiam ter se fossem aplicados noutras aividades?
• Consideramos aceitável que os recursos de cuidados de saúde necessários para que este bem ou 
serviço de saúde possa ser prestado sejam gastos desta forma e não de um modo alternaivo?
Para responder a tais questões, quatro ipos de estudos estão entre os mais adotados na AES: custo-
minimização; custo-uilidade; custo-efeividade; custo-beneício (Quadro 14). A análise de custos em 
saúde envolve a ideniicação, quaniicação e valoração de todos os recursos usados nos cuidados de 
saúde. O custo de uma aividade é o valor monetário de todos os recursos organizacionais consumidos 
para desempenhá-la (Brasil, 2014).
Quadro 14 – Tipos e caracterísicas das principais técnicas de avaliação econômica em saúde, Belo 
Horizonte-MG, Brasil, 2026.
Tipos Custos Desfechos em 
saúde
Vantagens Desvantagens
Custo-
minimização
Monetários
aEspera-se 
desempenho 
igual das 
intervenções 
comparadas
Praicidade, pois 
necessita apenas 
mensurar custos
Aplicabilidade 
limitada, visto serem 
raras as intervenções 
com desfechos em 
saúde idênicos
Custo-uilidade Monetários Monetários
Facilita a comparação 
de vários estudos, 
pois todos são 
mensurados na 
mesma unidade de 
valor
Diícil valorar 
monetariamente os 
desfechos em saúde
Custo-
efeividade Monetários
Anos de 
vida ganhos; 
dias de 
incapacidade 
evitados
Uiliza desfechos 
concretos da práica 
clínica
Comparação dos 
estudos restrita 
a desfechos 
unidimensionais e 
comuns aos estudos
Custo-uilidade Monetários
bUilidade
- QUALY
- DALY
Considera efeitos 
na mortalidade e na 
morbidade
Eventuais problemas 
de validação dos 
instrumentos para 
mensuração de 
uilidade
aPor exemplo, um mesmo desempenho entre medicamento genérico e de referência. 
bNormalmente é aferida por meio de anos de vida ajustados pela qualidade (QUALY, quality-adjustedlifeyears) 
ou anos de vida ajustados pela incapacidade (DALY, disability-adjustedlifeyears).
Fonte: Silva; Silva; Pereira (2016).
118
Para os estudos que se propõem esimar custos econômicos em saúde recomenda-se seguir as 
etapas apresentadas na Figura 18. 
Figura 18 – Detalhamento das etapas para esimar custos econômicos em saúde
Fonte: Adaptado de Brasil (2014); Gonçalves, Alemão (2018).
119
Seja qual for o método escolhido, pressupostos como Precisão, Consistência e Generalização, devem 
ser observados (Quadro 15). 
Quadro 15 – Pressupostos a serem observados ao escolher um método para análise de custos, Belo 
Horizonte-MG, Brasil, 2026.
Pressuposto Conceito
Precisão Representa a medida em que o cálculo de custos obido relete os custos 
reais incorridos.
Consistência Representa a validade interna e signiica que as diferenças encontradas 
entre as esimaivas de custos não ocorreram devido a erros na metodologia 
de custeio.
Generalização Representa a validade externa e demonstra que o cálculo de custos obido 
é coniável para generalizações a outras circunstâncias.
Viabilidade Abrange a disponibilidade e o acesso aos dados demonstrando o quanto o 
método de cálculo de custos é aplicável na práica.
Fonte: Adaptado de Swantan (2014).
Há de se considerar que o desenvolvimento de um estudo de análise econômica encontra barreiras, 
que perpassam pela deinição do método, experiência do avaliador e disponibilidade de dados para 
conduzir a avaliação (Hendricks et al., 2014). Baseado na técnica Custeio Baseado em Aividades (ABC), 
desenvolvida em 1970 (Bornia, 2002; Johnson, 1992), apresenta-se a seguir um plano para avaliar o 
custo de uma intervenção/produto/serviço por microcusteio.
1. Notas Metodológicas
O método de custeio ABC objeiva ideniicar os gastos de uma insituição para analisar e monitorar 
as possíveis formas de consumo dos recursos diretamente ideniicáveis, por meio das aividades mais 
relevantes e destas para os produtos e serviços prestados (Nakagawa, 2001). Esse método pressupõe 
que as aividades consomem recursos, gerando custos, e que os produtos uilizam tais aividades, 
absorvendo seus custos (Bornia, 2002; Kaplan; Cooper, 2000).
O método ABC é composto por algumas variáveis especíicas - aividade, tarefa, objetos de custo e 
direcionadores de custo (cost drivers) - que estão descritas no Quadro 16 para melhor compreensão 
do leitor.
Quadro 16 – Descrição de variáveis especíicas do método ABC, Belo Horizonte-MG, Brasil, 2026.
Variáveis Conceito
Aividade Conjunto de tarefas e operações necessárias ao desempenho de uma 
empresa.
Tarefa Trabalho realizado por pessoas, equipamentos e instalações. É o elemento 
mais simples da aividade.
Objetos de custo Ponto inal para o qual os custos são apropriados. Pode ser um produto, 
um cliente, ou qualquer serviço que se queira custear, para as mais diversas 
inalidades.
Direcionadores de 
custos
(cost drivers)
São fatores que geram ou inluenciam o nível dos gastos de uma aividade 
ou de um objeto de custeio.
Fonte: NAKAGAWA (2001).
120
Para aplicação do ABC pode-se adotar as bases propostas por alguns autores (Kaplan; Cooper, 2000; 
Nakagawa, 2001), consituídas por cinco fases (Quadro 17).
Quadro 17 – Fases de aplicação do Custeio ABC conforme suas inalidades, Belo Horizonte-MG, Brasil, 
2026.
Fase Finalidade
1 – Diagnósico situacional da unidade de 
análise
Conhecer e analisar as informações e as 
experiências existentes a respeito da insituição/
intervenção/produto a ser avaliado.
2 – Ideniicação das aividades geradoras de 
custos
Ideniicar as aividades e as tarefas mais 
relevantes, bem como os direcionadores de 
recursos e os objetos de custos.
3 – Custeio das aividades Mensurar os custos envolvidos na execução das 
aividades.
4 – Custeio dos objetos de custo Mensurar os custos dos “objetos de custos”.
5 – Análise de sensibilidade Ideniicar a inluência dos principais 
direcionadores de custos.
Fonte: adaptado de Kaplan; Cooper (2000); Nakagawa (2001).
1.1 Diagnóstico situacional da unidade de análise
Nessa fase, propõe-se a análise de documentos disponíveis (como: portarias, normas técnicas, 
manuais, relatórios e materiais de divulgação), do processo de trabalho e da revisão de literatura 
cieníica, para construção do modelo teórico e compreensão do funcionamento do objeto de avaliação.
1.2 Ideniicação das aividades geradoras de custos
A parir das informações levantadas no diagnósico situacional, deve-se mapear as principais 
aividades geradoras de custo, com descrição detalhada de cada uma delas, as tarefas realizadas em 
cada uma das aividades, bem como as respecivas medidas de consumo. Exemplo:
Aividades Descrição Das Tarefas Medidas De Consumo
 1 - Supervisão de Enfermagem Programare controlar a escala da 
equipe de Enfermagem
Avaliar o desempenho da Enfer-
magem.
Horas trabalhadas do 
supervisor
1.3 Custeio das aividades 
Nessa fase, busca-se ideniicar os dados inanceiros sobre os gastos envolvidos na execução das 
aividades no período considerado para a avaliação (marco temporal). Deve-se considerar dados de 
departamento pessoal, contabilidade, almoxarifado, patrimônio e outros, no intuito de ideniicar e 
medir os recursos consumidos e, depois alocá-los às aividades, estabelecendo uma relação entre os 
recursos e as aividades, por meio de direcionadores de recursos ou de custos (cost drivers). 
121
Exemplo:
Recursos Uso dos Recursos Direcionadores
Gastos com RH Salários e encargos Nº de horas trabalhadas
1.4 Custeio dos objetos de custo 
Nessa fase, busca-se determinar o custo de cada aividade de acordo com seu respecivo direcionador. 
No exemplo anterior, para o recurso “gastos com RH”, será preciso calcular o valor da hora trabalhada 
para a execução da aividade a ser custeada. Para cada aividade geradora de custo ideniicada na fase 
2 será preciso determinar o custo, baseando-se nos direcionadores gerados na fase 3. Dessa forma, 
chegar-se-á ao custo total do objeto de avaliação. 
Exemplo:
Aividade Direcionadores Custeio 
Supervisão de 
Enfermagem
Nº de horas 
trabalhadas (dia, 
mês ou ano)
1º - Determinar o número de horas empenhadas para 
esta aividade.
2º - Calcular o custo/hora, dividindo o custo do 
trabalhador pelo número de horas gastas na aividade.
3º - Calcular o custo da aividade, muliplicando o 
custo hora pelo número de horas empenhadas para a 
aividade.
1.5 Análise de sensibilidade
Nessa fase, busca-se ideniicar a inluência das principais categorias no custo inal, bem como 
analisar as variações dos desfechos. Recomenda-se para isso, uilizar análises estaísicas e sotwares 
que possibilitem melhor precisão do impacto dos direcionadores no custo inal e a análise por meio de 
cenários (mínimo e máximo) para avaliar as variações de custo, possibilitando ao tomador de decisão 
maior visão dos gastos. 
Exemplo: 
Caso o pesquisador esteja avaliando o custo de uma intervenção, onde vários itens (recursos 
humanos, equipamentos, serviços) esiverem sendo mensurados, a análise de sensibilidade irá 
estabelecer o nível de inluência que cada item terá sobre o custo total da intervenção, além de 
demonstrar valores para cenários de variações mínimas e máximas de custos. Dessa forma, o gestor 
poderá analisar as possibilidades e decidir, a parir desses cenários, onde alocar recursos.
Considerações Finais
Espera-se que este capítulo esimule o debate sobre a necessidade de metodologias de avaliação 
que possibilitem invesigar para além de resultados de intervenções, que sejam capazes de explorar a 
relação entre a inovação tecnológica e os seus custos. Esse roteiro pode apoiar futuras avaliações de 
custo por microcusteio de tecnologias desenvolvidas pelos proissionais de Enfermagem no Brasil. 
122
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124
16
ESTRATÉGIAS DE MARKETING
Fábio da Costa Carbogim
Introdução
Na literatura, várias são as deinições para markeing, uma palavra inglesa que em tradução livre 
signiica mercadologia ou estudo do mercado com o objeivo de atender ao consumidor. 
Para Kotler, Shalowitze Stevens (2010, p. 24), o markeing é entendido como “um conjunto de 
processos para criar, comunicar e fornecer valor para clientes e para gerenciar as relações com clientes de 
modo que beneiciem a organização e os principais envolvidos”. Desse modo, o markeing relaciona-se 
com uma série de aividades que reúne pessoas e organizações com o objeivo de entender, criar e trocar 
valores que contemplem consumidores especíicos e/ou a sociedade em geral (Ferreira et al., 2017).
O markeing em saúde corresponde a um conjunto de estratégias e táicas para promover os 
serviços de saúde, conscienizar a comunidade sobre questões de saúde relevantes e estabelecer uma 
presença efeiva no setor. Isso envolve ideniicar o público-alvo; desenvolver mensagens educacionais; 
manter uma presença online estratégica; criar conteúdo relevante; implementar programas de 
idelidade; destacar testemunhos e históriasda enfermagem, um objeivo que deve ser de toda 
a categoria. Embora seja importante o reconhecimento da competência do enfermeiro na ciência 
do cuidado, os enfermeiros precisam, agora, expandir também suas habilidades empreendedoras e 
explorar novas oportunidades de atuação no campo da saúde.
O convite deste livro é para que você, proissional da enfermagem, vá além da ciência do cuidado e 
explore também seu potencial empreendedor, contribuindo não apenas para o seu próprio crescimento, 
mas também para o avanço conínuo da enfermagem como uma proissão dinâmica e essencial na 
promoção, prevenção, tratamento, reabilitação da saúde da população, qualidade e segurança da 
assistência à saúde. Esperamos que esta jornada de descobertas sobre o empreender na enfermagem 
traga crescimento proissional e seja tão graiicante para você quanto foi para cada um dos autores, 
que dedicaram tempo e experise para elaborar esta obra.
Os enfermeiros, com sua formação práica e cieníica, além de sua capacidade única de entender 
as necessidades dos pacientes, estão perfeitamente posicionados para preencher essas lacunas no 
mercado. Portanto, o baixo número de enfermeiros empreendedores deve ser visto como uma janela 
de oportunidades não apenas para o crescimento da proissão, mas também para a melhoria da 
qualidade de vida das pessoas que precisam de cuidados de saúde.
16
REFERÊNCIAS 
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17
1
DESAFIOS DO EMPREENDEDORISMO DE NEGÓCIOS 
EM ENFERMAGEM
Ricardo Bezerra Cavalcante, PhD, RN
Introdução
O empreendedorismo de negócios em enfermagem é um fenômeno crescente que se destaca 
pela iniciaiva de enfermeiros em criar e gerenciar empreendimentos relacionados à saúde. Envolve a 
aplicação de habilidades clínicas, liderança e visão empresarial para desenvolver soluções inovadoras 
que atendam às necessidades dos pacientes e do sistema de saúde (Chagas et al., 2018). Nesse 
contexto, nfermeiros empreendedores não apenas prestam cuidados diretos, mas também buscam 
oportunidades para criar valor e impactar posiivamente suas comunidades (Neergård, 2021).
No mundo e no Brasil, o empreendedorismo de negócios em enfermagem desempenha um papel 
crucial na melhoria dos serviços de saúde. Em um cenário global, a escassez de recursos e as crescentes 
demandas por cuidados de saúde exigem novas abordagens e modelos de negócios inovadores 
(Thepna; Cochrane; Salmon, 2023; Copelli; Erdmann; Santos, 2019). No Brasil, um país marcado por 
desigualdades socioeconômicas e desaios estruturais no sistema de saúde, o empreendedorismo em 
enfermagem pode oferecer soluções adaptadas às necessidades locais, promovendo acesso equitaivo 
e qualidade nos serviços de saúde (Menegaz et al., 2023).
Entretanto, é fundamental reconhecer os desaios enfrentados pelos enfermeiros empreendedores 
no Brasil. Questões como burocracia excessiva, carga tributária elevada, acesso limitado a inanciamento 
e falta de suporte insitucional podem representar barreiras signiicaivas para o desenvolvimento e 
sustentabilidade dos empreendimentos em saúde. Além disso, a necessidade de enfrentar a resistência 
cultural e a falta de reconhecimento do papel do enfermeiro como empreendedor são desaios 
adicionais que demandam atenção e ação estratégica (Menegaz et al., 2023).
Diante desse contexto, é imperaivo que se considere não apenas as oportunidades, mas também 
os desaios enfrentados pelo empreendedorismo de negócios em enfermagem no Brasil. Somente por 
meio do reconhecimento e enfrentamento desses obstáculos será possível promover um ambiente 
propício ao crescimento e desenvolvimento dos empreendimentos liderados por enfermeiros, 
contribuindo assim para uma prestação de cuidados de saúde mais eicaz, inclusiva e sustentável.
Empreendedorismo de negócios na enfermagem: desaios estruturais, culturais e 
econômicos
O empreendedorismo de negócios em enfermagem no Brasil enfrenta uma série de desaios 
complexos e mulifacetados, releindo uma interação entre fatores estruturais, socioeconômicos e 
culturais. Um dos principais desaios é a burocracia excessiva e a carga tributária elevada (Silva, 2021). 
O processo de abertura e manutenção de um negócio no Brasil é frequentemente marcado por uma 
complexa e demorada burocracia, exigindo uma série de documentos, registros e procedimentos legais 
que consomem tempo e recursos consideráveis dos empreendedores. Além disso, a carga tributária 
elevada no país pode representar um peso signiicaivo sobre os lucros das empresas, reduzindo a 
capacidade de reinvesimento e crescimento (Silva, 2021).
No âmbito da documentação, garanir a segurança e o cumprimento dos aspectos éicos também 
se apresenta como um desaio fundamental, especialmente em uma área como a enfermagem, que 
lida diretamente com a saúde e a vida das pessoas. Barreto et al. (2019) destacam que os registros de 
enfermagem devem ser completos e bem elaborados,de sucesso; realizar campanhas de conscienização; e 
paricipar de eventos e parcerias comunitárias. (Kotler, 2019; Navarro e Oliveira, 2022). Cabe destacar 
que a comunicação transparente e centrada no paciente é fundamental para construir coniança e 
relacionamentos duradouros.
1. O Markeing e as necessidades em saúde
Tomando por base a Teoria das Necessidades Humanas de Maslow, compreendemos que à medida 
que as necessidades surgem e/ou expandem, aparecem novas demandas a serem supridas. Nesse 
senido, são consideradas demandas humanas em Maslow (Chiavenato, 2016; Lucieto, et al., 2015): 
necessidades isiológicas (respiração, comida, água, homeostase, excreção); necessidade de segurança 
(corpo, emprego, família, saúde, propriedade); necessidades de relacionamento (família, amigos, rede 
de apoio); necessidade de esima (coniança, autoesima, conquista, respeito); e realização pessoal 
(moralidade, criaividade, espontaneidade, solução de problemas, autodesenvolvimento). 
Na área de saúde, a compreensão das necessidades humanas e seus níveis de prioridade permite 
planejar e tomar decisões a parir do valor suscitado pelos consumidores (Lucieto, et al., 2015). Nesse 
senido, o markeing é uma ferramenta de gestão de uma organização ou serviço que, internamente, 
aumenta a saisfação e compromeimento e, externamente, ideliza os consumidores (Rodrigues, 
Queirós e Pires, 2016).
 
2. Variações suscintas de markeing e a interação entre o ambiente interno e externo 
dos serviços de saúde
De acordo com Lucieto et al. (2015), na área de saúde, podemos encontrar quatro modalidades do 
markeing: serviços, relacionamento, social e digital.
O markeing de serviços na área de saúde atende às demandas desse segmento da economia, ou 
seja, a saúde. Em sua maioria envolve o markeing externo (propor ações para promover o negócio 
e alcançar o maior número de clientes interessados); markeing interno (promover os colaboradores 
de modo que se envolvam e engajem na proposta da empresa/serviço) e markeing interaivo ou de 
relacionamento (oferecer um bom atendimento e oferecer um ambiente agradável para o trabalho) 
(Lucieto et al., 2015).
125
O markeing de relacionamento busca desenvolver a idelização do cliente por meio de vantagens 
compeiivas sustentáveis e diferenciação entre os concorrentes. Envolve três pilares para o engajamento 
de um usuário ou paciente e a criação de valor: coniança, saisfação e lealdade (Demo et al., 2021). 
O markeing social tem por objeivo atrelar a ideia da empresa/serviço a valores sociais que buscam 
eliminar ou diminuir desigualdades e danos à sociedade, como em relação aos aspectos de higiene, 
educação, nutrição, trabalho, dentre outros. Um exemplo na área de saúde seria um hospital oncológico 
realizar a doação de perucas para mulheres em tratamento para o câncer (Kotler, 2019).
O markeing digital está atrelado às mídias sociais que veiculam propagandas e publicidade. Logo, 
o markeing digital representa um conjunto de aividades online com o objeivo de atrair clientes, 
promover relacionamentos e divulgar a marca ou produto (Lucieto et al., 2015).
As estratégias de markeing digital na área da Enfermagem são adaptáveis e podem ser ajustadas de 
acordo com as necessidades especíicas da clínica, do proissional de Enfermagem ou da organização 
de saúde. O objeivo é criar uma presença online sólida, educaiva e envolvente para atender às 
necessidades da comunidade e estabelecer coniança (Navarro; Oliveira, 2022). A uilização de 
plataformas como Facebook, Instagram, LinkedIn, além da realização de webinars ao vivo para 
comparilhar conteúdo relevante, noícias de saúde, dicas de autocuidado e promover eventos e 
serviços, são alguns exemplos. 
As quatro modalidades de markeing não atuam de forma isolada, mas se complementam e 
funcionam de forma interligada, principalmente com o advento da internet, que encurtou distâncias e 
aproximou as pessoas. 
Porém, há uma tendência nas mídias sociais em possibilitar e propagar o markeing pessoal, uma 
ferramenta para a autopromoção com o objeivo de se destacar no âmbito proissional e inluenciar 
pessoas (Andrade; Cavalcante; Apostólico, 2017). 
O markeing pessoal é entendido como a capacidade de exercer a prerrogaiva compeiiva, apoiado 
na divulgação das próprias habilidades para alcançar o reconhecimento (Pereira; Leite-Filho, 2015).
Na Enfermagem, não é diferente. A busca pelo sucesso pessoal e profissional tem levado Enfermeiros 
a apresentarem seus conhecimentos e habilidades para centenas e até milhares de pessoas. Isso 
foi visto na história recente, a parir da crise humanitária e sanitária provocada pela pandemia da 
Covid-19. Nesse contexto, a Enfermagem ganhou visibilidade em diversos meios de comunicação, com 
destaque para recuperação da saúde dos pacientes infectados, para seu papel na vacinação em massa 
e orientações para prevenção da doença (Navarro; Oliveira, 2022).
Contudo, diante da grande circulação de informações nas redes sociais, torna-se premente, além 
de habilidades e conhecimento baseado em evidências cieníicas, o compromisso éico-legal. A 
im de preservar os preceitos da Enfermagem e garanir a integridade e saúde de terceiros, cabe ao 
proissional de Enfermagem inteirar-se das orientações e legislações perinentes (Andrade; Cavalcante; 
Apostólico, 2017). 
Um markeing bem feito pode ser um grande diferencial para o proissional que atua ou pretende 
atuar de forma autônoma. No entanto, é preciso atentar-se para os aspectos ético-legais que norteiam 
a divulgação. De acordo com o Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem (Resolução Cofen 
nº 564/2017), o profissional é proibido de anunciar qualiicações ou títulos que não possa comprovar 
(Cofen, 2017).
Com o propósito de estabelecer regras, critérios e condutas em meios de comunicação em massa, 
o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) publicou a Resolução Cofen nº 554/2017. Dentre outras 
diretrizes, ica vedado ao proissional de Enfermagem associar seu nome a matérias desprovidas de rigor 
cieníico, oferecer tratamentos e resultados sem comprovação cieníica, expor imagem de pacientes 
sem o devido cuidado e autorização. Em caso de dúvidas, cabe ao proissional de Enfermagem consultar 
o Conselho Regional de Enfermagem ou, quando necessário, o Conselho Federal de Enfermagem 
(Cofen, 2017).
126
Aspectos legais relacionados à exposição de imagens e ao sigilo proissional também estão descritos 
no arigo 5º da Consituição Federal, que garante o direito dos cidadãos à privacidade, no arigo 20º do 
Código Civil brasileiro que insitui regras para a publicação, a exposição ou a uilização da imagem de 
uma pessoa e no arigo 154 do Código Penal que versa sobre a violação do segredo proissional (Brasil, 
1940; Brasil, 1988; Brasil, 2002).
Considerações Finais
Considera-se que um assessoramento proissional sobre aspectos éicos e legais pode auxiliar no 
markeing pessoal e proissional. Além disso, a realização de cursos ou treinamentos sobre comunicação 
eicaz, liderança, empreendedorismo e ferramentas do markeing são recursos importantes para 
agregar valor ao trabalho oferecido e fortalecer a imagem proissional. 
O markeing na Enfermagem pode enfrentar desaios especíicos, como regulamentações rigorosas, 
incluindo leis do exercício proissional, padrões éicos, diretrizes de publicidade, respeito à dignidade 
e à privacidade dos pacientes e à integridade proissional. A concorrência com grandes insituições de 
saúde, a necessidade de educar o público e a gestão da reputação online são desafios adicionais. 
127
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129
17
PRONTUÁRIO: 
ASPECTOS ÉTICOS E LEGAIS QUE ENVOLVEM 
OS REGISTROS DE ENFERMAGEM
Lucielena Maria de Sousa Garcia Soares
Introdução
Embora a assistência à saúde não seja privaiva de nenhuma proissão, a assistência de Enfermagem 
é privaiva da proissão Enfermagem, conforme consta na alínea j, do Inciso I, do Arigo 11 da Lei 
nº 7.498/1986, que define a prescrição da assistência de Enfermagem como privaiva do Enfermeiro. 
(Brasil, 1986). 
Para que haja segurança e qualidade na assistência de Enfermagem há a necessidade de registro no 
prontuário. Em 2016, o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), por meio da Resolução nº 514, aprovou 
o Guia de Recomendações para registros de Enfermagem no prontuário do paciente (Cofen, 2016).
O registro em prontuário refere-se ao procedimento proissional de anotar informações provenientes 
do processo de atendimentos de modo cronológico e sistemaizado. (Bombarda et al., 2022).
Massad, Marin e Azevedo (2003, p. 2) revelam que Florence Nighingale, precursora da Enfermagem 
Moderna, quando tratava feridos na Guerra da Crimeia (1853-1856) já relatava que a documentação 
das informações relaivas aos doentes é de fundamental importância para a coninuidade dos cuidados 
ao paciente, principalmente no que se refere à assistência de Enfermagem (Silva, 2021).
Para o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), os registros realizados no prontuário do paciente 
são considerados como um documento legal de defesa dos proissionais, devendo, portanto, estar 
imbuídos de autenicidade e de signiicado legal. Eles reletem todo o empenho e força de trabalho da 
equipe de Enfermagem, valorizando, assim, suas ações e a segurança do paciente (Cofen, 2016).
O registro de caracterísicas individuais dos usuários, bem como a consolidação dos dados relaivos 
a agravos e serviços de saúde por atributos de pessoas, grupos e populações, em níveis municipal, 
regional, estadual e nacional, também podem ser registrados por meio de tecnologia. No Sistema Único 
de Saúde (SUS), esse processo é chamado de Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP) (Toledo, 2020).
Com o desenvolvimento da informáica e suas tecnologias em diversas áreas, houve uma 
disseminação de prontuários eletrônicos para o registro e o acompanhamento das aividades realizadas 
pelo proissional ao paciente no setor da saúde (Benício, 2020).
1. Prontuário
Houaiss (2009) relata que a palavra “prontuário” tem origem no laim promptuarium e signiica “lugar 
onde são guardadas coisas de que se pode precisar a qualquer momento”, “manual de informações 
úteis” ou, ainda, “icha que contém os dados perinentes de uma pessoa” (Silva, 2021).
O Arigo 1º, da Resolução nº 1.638/2002 do Conselho Federal de Medicina (CFM) deine o prontuário 
como o documento único, consituído de um conjunto de informações, sinais e imagens registradas, 
geradas a parir de fatos, acontecimentos e situações sobre a saúde do paciente e a assistência a 
ele prestada. Trata-se de um documento de caráter legal, sigiloso e cieníico, que possibilita a 
comunicação entre membros da equipe muliproissional e a coninuidade da assistência prestada ao 
indivíduo (CFM, 2002).
130
Em 2022, o Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP) deiniu o prontuário como todo 
o acervo documental padronizado, organizado e conciso, referente ao registro de cuidados prestados ao 
paciente por todos os proissionais envolvidos na assistência de Enfermagem (Coren-SP, 2022).
Para Silva Va (2019), o prontuário é um espaço de centralização das informações e da progressão do 
paciente. Por isso, as informações registradas devem receber a devida atenção de todos os proissionais 
envolvidos (Apud Gomes, 2020). 
O Ministério da Saúde (MS) lançou, em 2013, o sistema e-SUS Atenção Básica (e-SUS AB), uma 
estratégia de informaização da Atenção Primária à Saúde (APS), na qual todas as informações 
referentes aos pacientes icam armazenadas (Brasil, 2013).
O Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC), que faz parte dos sistemas e-SUS AB, é um sotware que 
contempla informações detalhadas e individualizadas para cada usuário da Atenção Básica à Saúde 
(ABS) (Silva et al., 2022).
Em 2018, a Lei nº 13.787, que dispõe sobre a digitalização e a utilização de sistemas informatizados 
para a guarda, o armazenamento e o manuseio do prontuário de paciente. O Art. 4º da referida lei 
estabelece que “Os meios de armazenamento de documentos digitais deverão protegê-los do acesso, 
do uso, da alteração, da reprodução e da destruição não autorizados” (Brasil, 2018).
Existem vantagens do prontuário eletrônico em relação ao prontuário ísico, relacionadas à 
segurança e coniabilidade, disponibilidade, legibilidade, armazenamento, integralidade (Nunes Junior, 
2021). Constam no Quadro 18 algumas das vantagens e desvantagens para o uso do prontuário ísico 
e eletrônico.
Quadro 18 – Vantagens e Desvantagens dos Prontuários Físico e Eletrônico, Belo Horizonte-MG, 
Brasil, 2026.
Prontuário Vantagens Desvantagens
Físico
- Simples manuseio.- Dispensa treinamentos especíicos
- Arcaicos, podem ser inelegíveis, frágeis.
- Susceível a ataques de insetos e 
roedores, incêndios, enchentes ou 
furtos.
- Riscos de perdas.
- Indisponíveis, consultas em um único 
local e só podem ser uilizados por um 
proissional por vez.
- Espaço ísico para armazenamento 
com salas de venilação e controle de 
umidade.
- Requer sistema de segurança como 
câmeras, equipes exclusivas, senhas e 
chaves
131
Eletrônico 
- Requer treinamento especíico e apoio 
da equipe da Tecnologia da Informação.
- Integralidade: os dados se mantêm 
na forma original e só serão apagados 
ou alterados com a permissão do 
proprietário da informação.
- Conidencialidade: dados protegidos 
e acessíveis apenas para pessoas 
autorizadas.
- Disponibilidade: acesso sempre que 
necessário de qualquer disposiivo 
como tablet, celular, notebook.
- Armazenamento: hardware e nuvem, 
mais seguro e menos espaço.
- Pode ser criptografado
- Ataque de hackers.
- Esquecer o sistema logado.
- Perda do hardware.
Fonte: Elaborado pelo autor com base em Nunes Junior (2021).
2. Sobre Registros e Anotações de Enfermagem
Santos e Damian (2017) declaram que a informação de registro médico e de Enfermagem no 
prontuário é considerada relevante no contexto de uma unidade de saúde, pois auxilia diretamente no 
processo de atendimento (Silva, 2021).
Consta na Resolução Cofen nº 429/2012 que o prontuário do paciente e outros documentos 
próprios da Enfermagem, independente do meio de suporte, tradicional (papel) ou eletrônico, são uma 
fonte de informações clínicas e administraivas para tomada de decisão e um meio de comunicação 
comparilhado entre os proissionais da equipe de saúde (Cofen, 2012).
O Guia de Recomendações para Registro de Enfermagem no Prontuário do Paciente e Outros 
Documentos de Enfermagem, lançado pelo Cofen em 2016, orienta de forma detalhada sobre os 
mais variados registros de ações de Enfermagem que são realizadas diuturnamente por Enfermeiros, 
Técnicos e Auxiliares de Enfermagem (Cofen, 2016). São alguns exemplos: 
Exemplo 01: Admissão (equipe de Enfermagem)
Anotar nome completo, data e hora, procedência, como chegou (deambulando, cadeira de rodas, 
maca), nível de consciência, se acompanhado ou só, condições de higiene, presença de lesões prévias e 
sua topograia, uso de próteses e órteses, moivo da internação, procedimentos realizados, pertences 
do paciente, orientações feitas pelo proissional seguido de carimbo e assinatura do proissional que 
realizou a admissão.
Exemplo 02: Manejo da dor (Enfermeiro)
Escrever data e hora da avaliação, localização da dor, escala de dor uilizada com valor do score, 
presença de edema, distensão abdominal, condutas tomadas para alívio da dor, carimbo e assinatura 
do Enfermeiro.
132
A Resolução Cofen de nº 545/2017, que dispõe sobre anotação de Enfermagem e mudança nas siglas 
das categorias proissionais, traz todas as informações necessárias para anotações de Enfermagem, 
incluindo o nome completo do proissional, categoria proissional, número de registro do proissional 
no Conselho Regional de Enfermagem (Coren) e sigla do estado onde vai exercer a proissão (Cofen, 
2017).
De acordo com essa Resolução, a categoria proissional é indicada pelas siglas:
ENF: Enfermeiro
OBST: Obstetriz
TE: Técnico de Enfermagem
AE: Auxiliar de Enfermagem
PAR: Parteira
 Fica estabelecido, por esta Resolução, que é obrigatório o uso do carimbo constando nome 
completo, categoria proissional, número do Coren e Estado onde o proissional exerce suas aividades 
proissionais, para recibos, registros relacionados ao exercício proissional, documentos dirigidos à 
autarquia e a autoridades em geral, quando em função do exercício proissional, em todo documento 
irmado no exercício proissional, em conformidade com o Código de Éica de Enfermagem (Cofen, 
2016).
Cabe ressaltar que a Consulta de Enfermagem é uma aividade privaiva do Enfermeiro estabelecida 
na Lei nº 7.498/1986 (Brasil, 1986). Portanto, a Consulta de Enfermagem realizada pelo Enfermeiro, 
seja em ambiente ísico como em clínicas, consultórios, empresas, no domicílio de pacientes; ou em 
teleatendimento, deve ser registrada detalhadamente no prontuário do paciente (Apêndice A).
Ainda sobre Registros e Anotações de Enfermagem, a Resolução Cofen nº 564/2017 estabelece, nos 
seguintes arigos, que os proissionais de Enfermagem devem:
36 – Registrar no prontuário e em outros documentos as informações 
inerentes e indispensáveis ao processo de cuidar, de forma clara, objeiva, 
cronológica, legível, completa e sem rasuras.37 – Documentar formalmente 
as etapas do processo de Enfermagem em consonância com sua competência 
legal.
Assim, na mesma Resolução, estabelece que é proibido:
87 – Registrar informações incompletas, imprecisas ou inverídicas sobre a 
assistência de Enfermagem prestada à pessoa, família ou coleividade.88 – 
Registrar e assinar as ações de Enfermagem que não executou bem como 
permiir que suas ações sejam assinadas por outro proissional.
3. Termo de Consenimento Livre e Esclarecido (TCLE)
De acordo com a Resolução nº 466 de 2012 do Conselho Nacional de Saúde (CNS), que orienta 
as pesquisas cieníicas com seres humanos, o Termo de Consenimento Livre e Esclarecido (TCLE) é 
o documento no qual é explicitado o consenimento livre e esclarecido do paricipante e/ou de seu 
responsável legal, de forma escrita, devendo conter todas as informações necessárias, em linguagem 
clara e objeiva, de fácil entendimento, para o mais completo esclarecimento sobre a pesquisa a qual 
se propõe paricipar (Brasil, 2012).
O Manual de Orientação sobre pendências frequentes em protocolos de pesquisa clínica, publicado 
pelo CNS em 2015, estabelece que o TCLE faz parte da documentação exigida para a realização de 
pesquisas com seres humanos, devendo constar todas as informações necessárias para que o convidado 
para pesquisas possa decidir com segurança se paricipa ou não. Nesse documento devem constar 
133
as jusiicaivas, objeivos, riscos e beneícios e a disponibilidade do pesquisador e da insituição de 
prestar esclarecimentos em situações de dúvidas. Também deve assegurar ao paricipante o direito 
de suspender seu consenimento sem prejuízo do tratamento ou outra penalização. Deve ser assinado 
pelo pesquisador e pelo paricipante (Brasil, 2015).
Os pesquisadores, ao uilizarem o Prontuário do Paciente como fonte primária de informação, 
necessitam obter o consenimento esclarecido do paciente, dono do prontuário ou seu representante 
legal, para o acesso às informações conidas nesse documento (Araújo et al., 2020).
É comum encontrar dois enfoques sobre o TCLE: um voltado para pesquisas e outro para assistência 
em saúde. Quando o TCLE for referente à assistência em saúde, deverá conter dados relevantes ao caso 
clínico, com informações claras sobre os procedimentos a serem realizados. Tem inalidade jurídica e 
éica (Castro et al, 2020).
O Código de Éica dos Proissionais de Enfermagem, aprovado pela Resolução Cofen nº 564/2017, 
determina no Art. 39 que é dever dos profissionais de Enfermagem “Esclarecer à pessoa, família e 
coleividade, a respeito dos direitos, riscos, beneícios e intercorrências acerca da assistência de 
Enfermagem” e no Art. 40, “Orientar à pessoa e família sobre preparo, beneícios, riscos e consequências 
decorrentes de exames e de outros procedimentos, respeitando o direito de recusa da pessoa ou de seu 
representante legal” (Cofen, 2017).
Conforme Resoluções Cofen nº 696/2022 e nº 707/2022, no teleatendimento é imprescindível o 
consenimento do paciente (Cofen, 2022), podendo ser por escrito (impresso ou digital), ou de forma 
verbal, transcrita pelo Enfermeiro em prontuário ísico ou eletrônico, ou no registro de aividades de 
Enfermagem, conforme a Lei nº 14.510/2022 (Brasil, 2022). O TCLE deve ser numerado e rubricado em 
todas as páginas, além de assinado na úlima (Apêndice B).
 Proissionais de Enfermagem, devem avaliar a importânciae a necessidade de TCLE ao 
realizarem procedimentos em aividades empreendedoras.
4. Prontuários em Empresas, Clínicas e Consultórios de Enfermagem
Considerando a importância do documento para registro e acompanhamento de toda a trajetória 
de atendimento do paciente, é necessário que os proissionais de Enfermagem decidam pelo melhor 
modelo de prontuário, podendo optar tanto pelo prontuário ísico quanto pelo eletrônico (vide Quadro 
01). O prontuário, seja ísico ou digital, deverá ser preenchido em todos os atendimentos realizados 
e deve ser disponibilizado para consulta do paciente ou de seu representante, caso o paciente não 
consiga acompanhar, sempre respeitando o sigilo que lhe é devido (Cofen, 2016).
Em 2024, o Cofen, por meio da Resolução nº 736/2024, determinou que o Processo de Enfermagem 
(PE) deve acontecer em todo contexto socioambiental onde ocorre o cuidado de Enfermagem. Consta 
nesta Resolução, no Art. 5º, que a consulta de Enfermagem, prevista na Lei nº 7.498, desde 1986, deve 
ser organizada e registrada conforme as etapas do Processo de Enfermagem (Cofen, 2024).
O prontuário é o documento legal no qual devem constar todos os dados do atendimento prestado 
ao paciente, tanto pelo registro assistencial da internação quanto pelo atendimento em consultórios, 
tornando-se um arquivo essencial para a integralização da assistência (Benício, 2020).
O registro em prontuário eletrônico permite a visualização das evoluções clínicas muliproissionais, 
dos exames laboratoriais e de imagem, e o desenvolvimento de prescrições de Enfermagem (Barbosa 
et al., 2020).
A guarda do prontuário deve seguir o proposto na Lei nº 13.787/2018 que determina que podem 
ser uilizados sistemas informaizados para a guarda de documentos digitalizados (Brasil, 2018). O § 
2º do arigo 1º deine que “No processo de digitalização será uilizado ceriicado digital emiido no 
âmbito da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileiras (ICP-Brasil) ou outro padrão legalmente aceito” 
(Brasil, 2018).
134
Consta ainda, no Art. 3º da referida lei, que “Os documentos originais poderão ser destruídos após 
a sua digitalização, observados os requisitos constantes do art. 2º desta Lei, e após análise obrigatória 
de comissão permanente de revisão de prontuários e avaliação de documentos, especiicamente criada 
para essa inalidade” (Brasil, 2018).
Considerações inais
O presente capítulo trouxe informações e orientações aos proissionais de enfermagem no que 
tange ao prontuário do paciente, visando à qualidade e à coninuidade da assistência proissional de 
enfermagem, bem como a segurança para pacientes e proissionais.
Os proissionais de enfermagem devem estar atentos ao sistema de informação das insituições 
em que trabalham para realizar os registros e anotações de enfermagem nos prontuários, conforme 
determina a legislação atual e normaivas do Cofen.
Os proissionais de enfermagem que são empreendedores, com negócios próprios — seja individual, 
no consultório de enfermagem, ou coleivamente, em clínicas e empresas de enfermagem — devem 
analisar o mercado para deinir sobre o prontuário, ísico ou eletrônico. De acordo com a escolha, 
devem cumprir todos os requisitos necessários de registro, acesso e guarda de prontuários, conforme 
previsto em legislação e normaivas do Cofen.
Ainda existem muitos desaios para o uso de prontuário eletrônico pelos proissionais de 
enfermagem. Contudo, há a necessidade de conscienização de todos os proissionais da área, 
sejam empreendedores ou não, quanto à escolha, ao uso correto, aos registros e às anotações em 
conformidade com as normaivas da proissão, além da guarda e do armazenamento seguro dos dados 
dos pacientes.
Espera-se que esses esclarecimentos possam contribuir para a conscienização da importância do 
prontuário, com registros precisos e eicazes, seja no âmbito insitucional — já amplamente estudado 
e discuido — seja em aividades empreendedoras, como empresas, clínicas e consultórios de 
enfermagem.
135
REFERÊNCIAS 
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BARBOSA, K. H. et al. O uso do prontuário eletrônico como ferramenta no exercício da Enfermagem: 
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136
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2017.
______. Resolução Cofen nº 564, de 6 de novembro de 2017. Aprova o novo código de éica dos 
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______. Resolução Cofen nº 736, de 23 de janeiro de 2024. Dispõe sobre a implementação do 
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137
18
MODELOS DE FERRAMENTAS QUE TODO 
EMPREENDEDOR PRECISA
Ana Carolina Silva
Introdução
Empreender demanda ter uma boa ideia, coniar que ela é boa e colocá-la em práica. Trata-se de 
conseguir construir uma boa resposta para uma necessidade ainda não atendida. No entanto, para que 
esse negócio empreendedor tenha sucesso, é fundamental entender as diiculdades que irão surgir, 
enxergar problemas como oportunidades de aprendizado e ter controle sobre todo o empreendimento. 
Para isso, existem várias ferramentas de gestão que permitem acompanhar processos e resultados e 
também auxiliar na melhoria da qualidade, mediação de conlitos entre equipes e clientes, propostas 
de inovações e resolução de problemas (Pessôa, 2011; Casanovas, 2022; Guerra et. al., 2021).
Essas ferramentas são úteis e necessárias, independentemente da área de atuação do empreendedor. 
Registros, controles inanceiros e de processos são importantes e precisam ser realizados para garanir 
o amparo legal e evolução do empreendimento. Alguns documentos serão construídos de acordo 
com a necessidade, o ipo de trabalho e idenidade de marca. Outros, são metodologias amplamente 
conhecidas e divulgadas e que são úteis para planejamento e gestão (Silva, 2022; Guerra et. al., 2021)
A seguir, serão apresentadas as principais metodologias e os documentos mais uilizados pelo 
empreendedor. São ferramentas amplamente divulgadas, eicazes e de acesso gratuito.
1. Ferramentas para gestão de negócios empreendedores
Existem ferramentas de grande valor para auxiliar na gestão, facilitar muito o dia a dia do trabalho 
e ajudar na organização, planejamento e elaboração de planos de ação. Algumas das principais 
ferramentas uilizadas:
• Design Thinking
Essa metodologia é uilizada para organização do processo criaivo que, através da coleta de 
informações de clientes e diferentes pontos de vista, orientam o desenvolvimento de melhores 
soluções para os desaios da empresa, ditam comportamentos e analisam necessidades futuras (Silva, 
2022; Sebrae, 2022). 
Design Thinking é um processo de pensamento críico e criaivo que permite organizar informações 
e ideias, tomar decisões, aprimorar situações e adquirir conhecimento (Sebrae, 2022).
138
Figura 19: Design Thinking.
Fonte: infográico MJV Tecnologia & Informação in Portal SEBRAE
• Análise SWOT
Esse método também é conhecido no Brasil como Matriz FOFA, devido à tradução do acrônimo 
que signiica Análise das Forças (S - Strengths), Oportunidades (O – Opportuniies), Fraquezas (W – 
Weaknesses) e Ameaças (T – Threats) da empresa (Pontes, 2022).
Dessa forma, o empreendedor consegue analisar e trabalhar seus pontos de melhoria, aprimorar 
suas qualidades, entender o seu diferencial frente à concorrência e traçar estratégias para enfrentar os 
desaios (Pontes, 2022).
Para que a análise seja realizada de forma eiciente, esses pontos são divididos em fatores internos 
(inerentes à empresa) e externos (inerentes ao Mercado, clientes, concorrentes, índices econômicos, 
políicos e sociais), da seguinte forma: (Turcacto, 2022).
- Fatores internos: Forças e fraquezas
- Fatores externos: Oportunidades e Ameaças
 
Figura 20: Análise SWOT.
Fonte: Turcacto, 2021.
139
• Ferramenta 5W2H
Essa ferramenta é muito eiciente e de fácil aplicação, sendo úil sempre que precisar irar alguma 
ideia do papel e tomar decisões (VELOSO, 2022).
Seu nome deriva das iniciais, em inglês, de 7 perguntas direcionadoras cujas respostas devem ser 
consideradas para o início do projeto desejado (SILVA, 2022).
Os 5Ws signiicam:
• What? (Como? - Como o projeto vai ser realizado?);
• Why? (Por que? - Por que fazer? Qual a jusiicaiva? Qual a necessidade? Quais os objeivos?);
• Where? (Onde? – Onde será realizado?);
• When? (Quando? – Quando será realizado? Qual a data limite?);
• Who? (Quem? - Quem será o responsável por cada ação?). 
Os 2Hs signiicam:
• How? (Como? - Como deverá ser feito? Descrever as ações);
• How much? (Quanto vai custar? – Qual será o custo do projeto e de cada etapa?) 
 
Figura 21: Ferramenta 5W2H.
Fonte: Veloso, 2022. 
• Pitch
Essa é a melhor forma de demonstrar resumidamente a ideia e o valor de um projeto ou negócio. É 
uma ferramenta que possibilita apresentação objeiva e em poucos minutos com a principal função de 
despertar interesse e curiosidade do cliente ou invesidor (Silva, 2022).
É preciso conhecer bem o seu produto ou negócio, planejar e treinar bastante antes de realizar 
a apresentação para que ela contenha todos os pontos importantes dentro do pouco tempo 
disponibilizado.
Existem modelos gratuitos disponíveis em vários sites e aplicaivos, como o Canva em que 
intuiivamente você pode alterar textos, imagens e cores para adequar à idenidade visual e contexto 
do negócio (Canva, 2022).
Não existe um formato padronizado de Pitch. O fundamental é formatar uma apresentação com 
uma estrutura objeiva, simples e que contemple informações suicientes para o entendimento e a 
coniabilidade do que está sendo proposto.
A imagem a seguir evidencia um exemplo de apresentação contemplando conteúdos indispensáveis. 
Mais e diferentes informações podem ser acrescidas de acordo com a necessidade do empreendimento.
140
Figura 22: Modelo de apresentações – Verde e Azul Aperto de mão.
Fonte: Canva
Além dessas ferramentas, existem documentos fundamentais como planilhas para controle 
inanceiro e organização de roinas e formulários para atendimento aos clientes e pesquisas. 
• Pesquisas e Formulários
A maneira mais práica, fácil e gratuita de desenvolver pesquisas e formulários é uilizando o Google 
formulários (Google Forms, 2022). 
Através dele é possível uilizar modelos previamente confeccionados, personalizando itens, 
conteúdos e até cor. Também é possível criar pesquisas e formulários únicos da maneira que desejar.
Esses documentos criados podem ser enviados para clientes, parceiros e invesidores através de 
links e e-mail. Toda resposta é computada e os resultados são contabilizados automaicamente e 
enviados para o responsável pela confecção do formulário.
Pesquisas de saisfação, convites para eventos, formulários para inscrição em cursos e cadastro para 
141
contratar serviços são algumas possibilidades para uilização desses formulários. Os dados coletados 
são valiosos para controle e entendimento do peril de clientes.
Figura 23: Exemplo de criação de pesquisa.
Fonte: Google Forms.
• Planilhas
Planilhas para controles inanceiro e de mercado, para planejamento e gestão de pessoal podem ser 
confeccionadas em Excel de acordo com a necessidade do negócio. 
Mas também é possível acessar gratuitamente planilhas para todasessas necessidades em 
aplicaivos e sites como o do SEBRAE (Sebrae, 2022). 
Nessa referência (Sebrae, 2022) é possível adquirir planilhas editáveis para facilitar a gestão 
empreendedora. Para tal, basta realizar o cadastro no site do SEBRAE e o acesso a todos os arquivos é 
liberado para download.
Figura 24: Exemplo de planilha inanceira para controle de luxo de caixa.
Fonte: SEBRAE, 2022.
142
Figura 25: Exemplo de planilha de planejamento para controle de planos de ação.
 
Fonte: SEBRAE, 2022.
• Documentos
Dependendo da área de atuação empreendedora, principalmente na área educacional, alguns 
documentos serão necessários para orientações e comunicação com o cliente. Checklists, propostas 
comerciais, planos de ação, exercícios, orientações diversas e ceriicados são alguns exemplos. Esses 
documentos podem ser elaborados em Word e enviados em Word ou PDF para os clientes. Também 
é possível uilizar aplicaivos como o CANVA (Canva, 2022), modelos prontos e personalizar de acordo 
com a necessidade do produto ou serviço.
Figura 26: Modelos de Documentos.
Fonte: Canva.
143
Considerações inais
Metodologias e documentos são mais do que burocracias desnecessárias. Tratam-se de ferramentas 
fundamentais para organizar, direcionar, facilitar e possibilitar a realização de serviços, além de 
imprimirem a personalidade da marca empreendedora.
 
144
REFERÊNCIAS 
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CASANOVAS, Helena. Ferramentas para garanir o sucesso de seu negócio. In: CASANOVAS, Helena 
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GUERRA, Magda S.; JESUS, Élvio H.; ARAÚJO, Beatriz R. Empreendedorismo e enfermagem: que 
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PESSÔA, Luisa Regina. Manual do Gerente: desaios da média gerência na saúde. Rio de Janeiro: 
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PONTES, Ellivelton. Guia: aprenda deiniivamente como fazer a análise de SWOT de uma empresa. 
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145
19
MODELO DE NEGÓCIOS: 
ATENDIMENTO DOMICILIAR 
(Home Care)
 
Flávia Baista Barbosa de Sá Diaz 
Introdução
O alto custo dos serviços de saúde, tanto públicos quanto privados, especialmente os da área 
hospitalar, as mudanças no peril demográico e epidemiológico e o envelhecimento populacional 
evidenciaram a necessidade de um novo modelo de assistência à saúde. Assim, a Atenção Domiciliar 
(AD) surgiu como uma modalidade alternaiva de atenção à saúde em resposta a estas demandas 
(Rehem & Trad, 2005; Rajão et al., 2020).
A Portaria nº 825, de 25 de abril de 2016, que redeine a AD no âmbito do Sistema Único de 
Saúde (SUS), a estabelece como uma modalidade de atenção integrada à Rede de Atenção à Saúde, 
caracterizada por um conjunto de ações de prevenção e tratamento de doenças, reabilitação, paliação 
e promoção à saúde, prestadas em domicílio, garanindo assim a coninuidade de cuidado. O principal 
objeivo da AD é reduzir a demanda por atendimento hospitalar, reduzir o período de permanência de 
pacientes internados, humanizar a atenção com a ampliação da autonomia dos pacientes, promover a 
desinsitucionalização e oimizar os recursos inanceiros e estruturais da rede de saúde (Brasil, 2016).
O termo AD é usado para se referir à organização do sistema e das práicas de saúde das seguintes 
modalidades de cuidado: atendimento domiciliar, internação domiciliar e visita domiciliar (Cofen, 2014; 
Rajão et al., 2020). Vale ressaltar que, termos como atendimento domiciliar, assistência domiciliar, 
cuidado domiciliar e home care são considerados sinônimos de AD na literatura científica (Rajão et al., 
2020).
O Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) por meio da Resolução nº 464/2014 normaiza 
a atuação da equipe de Enfermagem na AD no âmbito da Atenção Primária e Secundária, 
destacando a paricipação do Técnico de Enfermagem neste serviço sob supervisão do Enfermeiro, 
assim como as funções privaivas do Enfermeiro (Cofen, 2014). As modalidades de cuidado 
realizadas na AD pela equipe de Enfermagem são detalhadas pelo Cofen a seguir (2014, p.1): 
I – Atendimento Domiciliar: compreende todas as ações, sejam elas 
educaivas ou assistenciais, desenvolvidas pelos proissionais de Enfermagem 
no domicílio, direcionadas ao paciente e seus familiares.
II – Internação Domiciliar – é a prestação de cuidados sistemaizados de 
forma integral e conínua e até mesmo ininterrupta, no domicílio, com 
oferta de tecnologia e de recursos humanos, equipamentos, materiais e 
medicamentos, para pacientes que demandam assistência semelhante à 
oferecida em ambiente hospitalar.
III – Visita Domiciliar: considera um contato pontual da equipe de Enfermagem 
para avaliação das demandas exigidas pelo usuário e/ou familiar, bem 
como o ambiente onde vivem, visando estabelecer um plano assistencial, 
programado com objeivo deinido.
146
A Resolução Cofen nº 766/2024 também enfaiza as competências privaivas do enfermeiro da AD, 
reforçando seu importante papel neste setor da saúde (Cofen, 2024, p.1):
I – Dimensionar a equipe de Enfermagem;
II – Planejar, organizar, coordenar, supervisionar e avaliar a prestação da 
assistência de Enfermagem;
III – Organizar e coordenar as condições ambientais, equipamentos e materiais 
necessários à produção de cuidado competente, resoluivo e seguro;
IV- Atuar de forma conínua na capacitação da equipe de Enfermagem que 
atua na realização de cuidados nesse ambiente;
V- Executar os cuidados de Enfermagem de maior complexidade técnico-
cieníica e que demandem a necessidade de tomar decisões imediatas.
 
Destaca-se que a AD é composta por uma equipe muliproissional que geralmente inclui além dos 
proissionais de Enfermagem (Enfermeiro e Auxiliares/Técnico de Enfermagem), médicos, assistentes 
sociais, isioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas, odontólogos, psicólogos, farmacêuicos e 
terapeutas ocupacionais (Brasil, 2016).
O mercado de trabalho em AD é amplo, sendo muito uilizado na área de saúde do idoso. Os idosos 
desejam viver o maior tempo possível em casa, mesmo diante de situações que limitem sua autonomia 
e independência, e a AD tem permiido aos mesmos subsituir os hospitais pelo cuidado em casa (Mah 
et al., 2021). Aliado a isso, existe um envelhecimento populacional crescente (Silva; Rowe; Jauregui, 
2021) que aumenta ainda mais a busca por este ipo de serviço. Assim sendo, conhecer o cliente e os 
fatores que o levam a buscar pelo AD podem auxiliar os proissionais de saúde a se capacitarem melhor 
para atenderem de forma qualiicada e segura as demandas do mercado. 
Há ainda outros espaços para atuação proissional em AD como a prestação de cuidado 
com bebês prematuros e recém-nascidos, crianças com sequelas e doenças crônicas, adultos 
com múliplas doenças crônico-degeneraivas, indivíduos com necessidade de cuidados 
paliaivos, de suporte à vidae de reabilitação (Rajão; Marins, 2020). O mercado de trabalho 
na AD tem se expandido conforme as necessidades de saúde da sociedade contemporânea. 
1. Atenção Domiciliar no Brasil: normas para regulamentação e funcionamento
No Brasil, todos os serviços que prestam AD são regulamentados pelo Ministério da Saúde através 
da Resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) RDC nº 11, de 26 de janeiro de 2006 
(Brasil, 2006). O serviço de AD tem como foco o gerenciamento e a operacionalização de assistência 
e/ou internação domiciliar, sendo necessário para seu funcionamento os seguintes procedimentos 
(Brasil, 2006):
• Apresentar um alvará expedido pelo órgão sanitário competente 
• Ter como responsável técnico um proissional de nível superior da área da saúde habilitado 
junto ao respecivo conselho proissional (podendo ser o Enfermeiro).- Estar inscrito no Cadastro 
Nacional de Estabelecimentos de Saúde - CNES.
• Apresentar um regimento interno que deina o ipo de AD prestada e as diretrizes básicas sobre 
seu funcionamento.- Elaborar um manual de normas técnicas de procedimentos para a AD, de 
acordo com a especiicidade da assistência prestada.
147
Vale ressaltar que um paciente será atendido no serviço de AD quando um proissional de saúde 
que o acompanha indicar este ipo de serviço. Para isso, o proissional deverá encaminhar ao serviço 
de AD um relatório detalhado sobre as condições de saúde e doença do paciente contendo histórico, 
prescrições, exames e intercorrências. O paciente será atendido pelo serviço de AD que deverá elaborar 
um Plano de Atenção Domiciliar (PAD), contemplando os seguintes critérios, dentre outros (Brasil, 
2006, p.3-4): 
- a prescrição da assistência clínico-terapêuica e psicossocial para o paciente;
- os requisitos de infraestrutura do domicílio do paciente, necessidade de 
recursos humanos, materiais, medicamentos, equipamentos, retaguarda de 
serviços de saúde, cronograma de aividades dos proissionais e logísica de 
atendimento;
- o tempo esimado de permanência do paciente no Serviço de Atenção 
Domiciliar (SAD), considerando a evolução clínica, superação de déicits, 
independência de cuidados técnicos e de medicamentos, equipamentos e 
materiais que necessitem de manuseio coninuado de proissionais;
- a periodicidade dos relatórios de evolução e acompanhamento.
Para obter informações detalhadas sobre as condições gerais para o funcionamento dos serviços 
ou empresas de AD, PAD, atendimento ao cliente, recursos humanos envolvidos, infraestrutura ísica, 
equipamentos, medicamentos, procedimentos de suporte técnico e logísico necessários, entre outros, 
consulte a íntegra da Resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) RDC nº 11, de 26 
de janeiro de 2006 (Brasil, 2006). 
O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) elaborou um material com 
informações muito valiosas para o proissional que visa invesir em um serviço ou empresa de AD 
(Sebrae, 2023). Destaca-se aqui algumas considerações importantes para nortear o Enfermeiro que 
deseja empreender e iniciar este modelo de negócio. 
Inicialmente o empreendedor deve conhecer e estudar profundamente as variáveis deste negócio 
(Sebrae, 2023), tais como: 
1. Mercado: avalie a demanda e a concorrência. Analise o peril demográico da região onde se 
pretende invesir.
Algumas sugestões: faça pesquisas em fontes como prefeitura, guias, IBGE e associações de bairro 
para quaniicar o mercado-alvo, além da Agência Nacional de Saúde. Visite os concorrentes diretos 
para ideniicar os pontos fortes e fracos dos estabelecimentos que atuam no mesmo nicho; paricipe 
de seminários especializados. Paricipe de feiras de negócios como a Feira do Empreendedor – SEBRAE.
2. Localização da sede da empresa: as aividades econômicas da maioria das cidades são 
regulamentadas pelo Plano Diretor Urbano (PDU), que determina o ipo de aividade que pode 
funcionar em determinado endereço. A consulta de local junto à Prefeitura deve atentar para:
• se o imóvel está regularizado, ou seja, se possui “Habite-se”;
• se as aividades a serem desenvolvidas no local respeitam a Lei de Zoneamento do Município, pois 
alguns ipos de negócios não são permiidos em qualquer bairro;
• se os pagamentos do IPTU referente ao imóvel estão em dia;
• no caso de serem instaladas placas de ideniicação do estabelecimento, letreiros e outdoors, será 
necessário veriicar o que determina a legislação local sobre o licenciamento das mesmas;
• exigências da legislação local e do Corpo de Bombeiros Militar.
148
3. Exigências legais e especíicas: um contador habilitado poderá auxiliá-lo nesta fase. Para abertura 
e registro da empresa será necessário realizar os seguintes procedimentos:
• Registro na Junta Comercial;
• Registro na Secretaria da Receita Federal (CNPJ);
• Registro na prefeitura municipal, para obter o alvará de funcionamento;
• Enquadramento na enidade sindical patronal: a empresa icará obrigada a recolher a contribuição 
sindical patronal, por ocasião da consituição e até o dia 31 de janeiro de cada ano;
• Cadastramento junto à Caixa Econômica Federal no sistema “Conecividade Social – INSS/FGTS”;
• Registro no Corpo de Bombeiros Militar: órgão que veriica se a empresa atende às exigências 
mínimas de segurança e de proteção contra incêndio, para que seja concedido o “Habite-se” pela 
prefeitura.
Para estruturar seu negócio, consulte o material do SEBRAE para obter mais informações e dicas 
sobre: organização do processo produivo, automação do processo de gestão, canais de distribuição 
para comercialização do seu produto/serviço, invesimentos, capital de giro, custos, diversiicação e 
agregação de valor do seu produto/serviço, divulgação do seu produto/serviço e informações iscais e 
tributárias (Sebrae, 2023).
Diante do exposto, observa-se que a AD é uma nova possibilidade proissional para a Enfermagem, 
que pode atuar tanto como responsável técnico neste ipo de serviço quanto na assistência oferecida. 
Pensando nisso, o Cofen aprovou a Resolução Cofen nº 270/2002 que aprova a regulamentação 
das empresas que prestam Serviços de Enfermagem Domiciliar e orienta a formação de seu quadro 
proissional (Cofen, 2002). 
Esta resolução foi um marco importante para atuação da Enfermagem no mercado de AD, cabendo 
aqui destacar alguns pontos essenciais para que as empresas que prestam serviços de Enfermagem 
Domiciliar se regulamentem (Anexo da Resolução Cofen nº 270/2002):
I - Toda empresa de prestação de serviços de Enfermagem Domiciliar e/ou 
iliais deve ser dirigida por Proissional Enfermeiro devidamente inscrito e em 
dia com suas obrigações junto ao Conselho Regional de sua área de atuação.
II - Toda empresa de prestação de serviços de Enfermagem Domiciliar e/ou 
iliais é obrigada a ter em seus quadros:
- 01 (um) Enfermeiro responsável por turno.
- 01 (um) Enfermeiro responsável técnico pela coordenação das aividades de 
Enfermagem.
III - As equipes de Enfermagem das Empresas prestadoras de serviços 
de Enfermagem Domiciliar deverão ser compostas “exclusivamente” 
por Enfermeiros, Técnicos de Enfermagem e Auxiliares de Enfermagem, 
devidamente registrados e em dia com as obrigações junto aos Conselhos 
Regionais que jurisdicionam suas áreas de atuação.
IV - Todos os Proissionais de Enfermagem deverão ser cadastrados na 
empresa e a listagem atualizada deverá ser enviada ao Coren de sua 
jurisdição, conforme Resolução Cofen nº 139/92.
V - Toda empresa de prestação de serviços de Enfermagem Domiciliar deverá 
pautar o desenvolvimento de suas aividades, tomando como prerrogaiva a 
Resolução Cofen nº 267/2001 e seu anexo.
VI - Quaisquer casos omissos deverão ser resolvidos pelo Conselho Regional 
da jurisdição perinente, depois de ouvido o Cofen.
 
149
Considerações Finais
É importante ressaltar que o enfermeiro se depara com muitos desafios na AD no Brasil, como 
a necessidade de tomada de decisões importantes, muitas vezes sem poder contar com recursossuficientes, o que exige conhecimento, autonomia e capacidade de resolver problemas.
No ambiente domiciliar, os recursos e equipamentos são limitados, o que, muitas vezes, exige 
criatividade da equipe de enfermagem para lidar com situações inesperadas. Os locais podem 
apresentar infraestrutura inadequada, problemas de acessibilidade, espaço físico limitado, além de 
condições inapropriadas para prestação do cuidado integral ao paciente.
Enfrentar essas dificuldades exige não apenas habilidades clínicas, mas também competências em 
gestão e adaptação a diferentes contextos, tornando a atuação do enfermeiro na AD uma atividade 
desafiadora, porém fundamental para a promoção e recuperação da saúde dos pacientes em seu 
ambiente familiar.
Apesar disso, observa-se um mercado de trabalho com várias oportunidades e uma crescente 
demanda na AD para os profissionais de enfermagem que desejam empreender e montar seu próprio 
negócio. Os avanços tecnológicos, a forma de fazer saúde e prestar o cuidado tem mudado muito, 
fazendo a enfermagem repensar e reinventar seus processos de trabalho. É necessário, cada vez 
mais, recriar possibilidades profissionais que gerem serviços qualificados e inovadores para pacientes, 
clientes, famílias e a sociedade.
150
REFERÊNCIAS 
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v. 9, n. 3, p. 111-117, 2001. DOI: htps://doi.org/10.34024/rnc.2001.v9.8914. Disponível em: htps://
periodicos.unifesp.br/index.php/neurociencias/aricle/view/8914/6447. Acesso em: 3 jan. 2023.
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de janeiro de 2006. Diário Oicial da União, 26 jan. 2006. Disponível em: htps://bvsms.saude.gov.br/
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______. Ministério da Saúde. Portaria nº 825, de 25 de abril de 2016. Redeine a Atenção Domiciliar 
no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Diário Oicial da União, 25 abr. 2016. Disponível 
em: htps://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2016/prt0825_25_04_2016.html. Acesso em: 3 
jan. 2023.
CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Resolução COFEN nº 270, de 2002. Aprova a regulamentação 
das empresas que prestam Serviços de Enfermagem Domiciliar. Brasília: COFEN, 2002. Disponível 
em: htp://www.cofen.gov.br/resoluo-cofen-2702002_4307.html. Acesso em: 4 jan. 2023.
______. Resolução COFEN nº 464, de 2014. Normaiza a atuação da equipe de enfermagem na 
atenção domiciliar. Brasília: COFEN, 2014. Disponível em: htp://www.cofen.gov.br/resolucao-cofen-
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Disponível em: htps://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/aricles/PMC7912889/. Acesso em: 20 mar. 2023.
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DOI: htps://doi.org/10.1590/1413-81232020255.34692019. Disponível em: htps://www.scielo.br/j/
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de atenção básica brasileira. Ciência & Saúde Coleiva, v. 10, supl., p. 231-242, 2005. DOI: htps://
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SEBRAE. Ideias de negócios: Home Care. 2023. Disponível em: htps://sebrae.com.br/sites/
PortalSebrae/ideias/home-care,0fc7209a0720e610VgnVCM1000004c00210aRCRD#apresentacao-de-
negocio. Acesso em: 5 jan. 2023.
SILVA, J. B. Jr.; ROWE, J. W.; JAUREGUI, J. R. Healthy aging in the Americas. Revista Panamericana de 
Salud Pública, v. 45, e116, 2021. DOI: 10.26633/RPSP.2021.116. Disponível em: htps://www.ncbi.
nlm.nih.gov/pmc/aricles/PMC8369107/. Acesso em: 20 mar. 2023.
151
20
MODELO DE NEGÓCIO: 
CUIDADO ÀS PESSOAS COM LESÃO CUTÂNEA CRÔNICA
Helen Crisiny Teodoro Couto Ribeiro
Ronilson Storck
Introdução
O cuidado de pessoas com lesões cutâneas crônicas, como úlceras por pressão, úlceras venosas e 
arteriais, além de feridas relacionadas ao diabetes, exige dos enfermeiros competências essenciais: 
conhecimento, aitude e habilidade. Essa área representa uma importante oportunidade de 
desenvolvimento do empreendedorismo na enfermagem. A atuação dos proissionais de enfermagem 
nessa área é regulamentada pelo Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), por meio da Resolução 
Cofen nº 787/2025, que assegura ao enfermeiro autonomia para realizar avaliações, elaborar protocolos, 
selecionar e indicar tecnologias adequadas à assistência em lesões cutâneas crônicas. Essa legislação 
também estabelece diretrizes para a abertura de clínicas ou consultórios voltados à prevenção e ao 
cuidado de pessoas com lesões cutâneas crônicas (Cofen, 2025).
Embora o enfermeiro tenha respaldo legal para atuar nesta área, ela exige mais do que apenas a 
formação inicial; requer uma atualização constante para uma atuação segura e resoluiva. O campo 
das lesões cutâneas é dinâmico, com descobertas e diretrizes emergindo coninuamente. Por isso, é 
imprescindível que o enfermeiro, especialmente aquele que deseja empreender nessa área, desenvolva 
e mantenha suas competências tanto técnicas quanto legais, garanindo um atendimento éico, de 
qualidade e baseado nas melhores práicas (Kielo et al., 2020).
A Resolução Cofen nº 787/2025 deine a paricipação dos proissionais de enfermagem na 
prevenção e no tratamento de lesões cutâneas, em consonância com as competências técnicas de 
cada categoria, conforme previsto na Lei do Exercício Proissional da Enfermagem e no Código de Éica 
de Enfermagem. Este úlimo, regulamentado pela Resolução Cofen nº 564/2017, ressalta a importância 
da práica proissional mediante consenimento prévio do paciente, seu representante ou responsável 
legal, ou por decisão judicial (Cofen, 2025; Cofen, 2017). Assim, tanto no atendimento domiciliar 
quanto em consultórios especializados no tratamento de feridas crônicas, o enfermeiro, de forma 
autônoma, oferece um cuidado integrado, eiciente e seguro. Esse ipo de atendimento favorece a 
cicatrização mais rápida, alivia o sofrimento do paciente e contribui signiicaivamente para a melhoria 
da qualidade de vida.
Para empreender nessa área, é fundamental que o enfermeiro esteja familiarizado com a 
legislação vigente e uilize ferramentas que auxiliem no planejamento e no desenvolvimento de 
seu negócio voltado aos cuidados de pessoas com feridas crônicas. Neste livro, será apresentada a 
uilização do Business Model Canvas, ferramenta desenvolvida por Alexander Osterwalder e Yves 
Pigneur (Osterwalder & Pigneur, 2011). O Business Model Canvas (em português, Canvas de Modelo 
de Negócio) tem revolucionado a maneira como empreendedores estruturam seus negócios, o que 
jusiica a escolha e a indicação desta ferramenta para a modelagem de um negócio relacionado ao 
cuidado de pessoas com lesões cutâneas crônicas.
O Business Model Canvas condensa os aspectos fundamentais de um negócio de maneira sucinta 
e eicaz em nove itens, apresentando-os em um único quadro, conforme apresentado na Figura 27, a 
seguir:
152
Figura 27 – Business Model Canvas (3).
PARCEIROS-
-CHAVE
ATIVIDADES-
-CHAVE
PROPOSIÇÕES DE 
VALORES
RELACIONAMENTO 
COM CLIENTES
SEGMENTOS DE 
CLIENTES
RECURSOS-
-CHAVE
CANAIS
CUSTOS RECEITAS
Fonte: Elaborado pelo autor, 2026.
É importante que o enfermeiro empreendedor dedique tempo e esforço com sua equipe para 
preencher cada um destes blocos do Canvas de Modelo de Negócio com informações precisas 
e relevantes sobre o cuidado à pessoa com lesão cutânea crônica, seja a nível domiciliar ou em 
consultórios especializados. Vejao que é necessário releir e preencher em cada um dos nove itens.
A elaboração e leitura do Canvas de Modelo de Negócio iniciam-se da direita para a esquerda. 
No item Segmento de clientes, descreva os diferentes grupos de pessoas que o negócio pretende 
alcançar e atender. É necessário e essencial compreender as necessidades, desejos e caracterísicas 
especíicas de cada segmento de clientes para oferecer soluções adequadas e eicazes (Osterwalder; 
Pigneur, 2011; Sebrae, 2021).
Exemplo: pessoas com feridas cutâneas crônicas, feridas de diícil cicatrização, incisão cirúrgica, 
ferida traumáica, ferida por dermaite por inconinência, incluindo idosos, pessoas com doenças 
crônicas, pacientes acamados, diabéicos, crianças, jovens e adultos.
O enfermeiro empreendedor pode escolher atender algum ou alguns dos segmentos de 
clientes. No caso de clientes com caracterísicas bem diferentes — por exemplo, idosos e jovens em 
cuidados paliaivos — recomenda-se fazer um Canvas de Modelo de Negócio separado para cada 
grupo. Isso porque as necessidades, preferências e comportamentos desses públicos podem variar 
signiicaivamente, exigindo abordagens personalizadas.
Assim, um Canvas de Modelo de Negócio especíico para cada segmento auxilia a alinhar a melhor 
proposta de valor, os canais de comunicação e as estratégias de relacionamento especíicos (entre 
outros elementos do modelo de negócio), de forma a atender de maneira mais eicaz as demandas 
de cada grupo. O atendimento domiciliar pode ser especialmente úil para o segmento de pacientes 
idosos e em fase paliaiva, cujas feridas podem ser tratadas paricularmente com cuidados de im de 
vida.
Após deinir o segmento de clientes, o próximo item é a Proposição de valor. Delineie o conjunto 
de produtos e serviços/processos únicos que o seu negócio sobre cuidado à pessoa com lesão cutânea 
crônicas oferece para resolver os problemas ou saisfazer as necessidades dos clientes. A proposta de 
153
valor deve ser convincente e diferenciada para atrair e reter os clientes neste mercado compeiivo 
(Osterwalder; Pigneur, 2011; Sebrae, 2021). Recomenda-se que este item tenha no máximo 150 
palavras, sendo o mais conciso e claro na transmissão do valor. A proposta de valor representa um dos 
itens mais importantes da ferramenta. A seguir, são apresentadas algumas possibilidades como forma 
de inspirar você, enfermeiro empreendedor, a elaborar a sua própria proposta de acordo com o seu 
negócio: 1) Prevenção e reabilitação especializada e personalizada para feridas cutâneas crônicas, com 
foco em acelerar a cicatrização, aliviar a dor e melhorar signiicaivamente a qualidade de vida dos 
pacientes. 2) Tratamento avançado e especializado de feridas crônicas, uilizando tecnologias de ponta 
e curaivos inovadores que promovem uma recuperação mais rápida e eicaz. 3) Plano de cuidado 
conínuo e integrado, assegurando um acompanhamento prolongado até a completa cicatrização da 
lesão crônica, garanindo resultados duradouros e a restauração total da integridade da pele.
O item Canais é o próximo e deve especiicar os diversos meios pelos quais o negócio irá alcançar e 
interagir com os clientes (canais de comunicação, distribuição e venda).
Exemplo: atendimento domiciliar com agendamento; consultório ísico para atendimento presencial; 
consultas on-line para orientação e acompanhamento remoto; parcerias com clínicas, hospitais e 
proissionais de saúde para encaminhamento de pacientes; parcerias com a Atenção Primária à Saúde 
e hospitais locais; e produção de conteúdo virtual para gerar relacionamento com os clientes pelas 
redes sociais.
No modelo domiciliar, o atendimento é feito presencialmente no domicílio do paciente, com a 
possibilidade de atendimento remoto para monitoramento da cicatrização e ajustes no tratamento, 
sendo um canal com o cliente.
Posteriormente, o enfermeiro empreendedor e sua equipe começam a discuir e preencher o item 
Relacionamento com Clientes, ou seja, como o negócio sobre cuidado à pessoa com lesão cutânea 
crônica planeja estabelecer e sustentar conexões signiicaivas com seus clientes ao longo do tempo 
(da aquisição inicial de clientes até a idelização e o suporte pós-venda) (Osterwalder; Pigneur, 2011; 
Sebrae, 2021).
Exemplo: Atendimento humanizado e personalizado; acompanhamento durante todo o processo de 
tratamento; comunicação clara e transparente sobre o plano de tratamento e os resultados esperados, 
elaboração de plano de cuidado personalizado para cada cliente e suporte via WhatsApp.
O atendimento domiciliar é caracterizado por um relacionamento de proximidade e coniança. O 
enfermeiro estomaterapeuta mantém contato direto e constante com o paciente e seus familiares, 
orientando-os sobre os cuidados necessários e oferecendo suporte por meio dos canais de comunicação, 
como WhatsApp, para sanar dúvidas e realizar o monitoramento remoto dos processos da cicatrização 
e dos ajustes no tratamento.
O relacionamento com os pacientes em uma clínica especializada é baseado em proissionalismo 
e atendimento técnico, com a possibilidade de oferecer um cuidado mais detalhado e completo. O 
acompanhamento é feito de forma conínua e documentada, e o paciente recebe feedback sobre o 
progresso do tratamento com base em avaliações periódicas.
Na sequência, em Fontes de Receitas é possível detalhar as diferentes maneiras pelas quais o 
negócio pretende gerar receita.
Exemplo: Consultas e procedimentos especializados; venda de produtos relacionados ao tratamento 
de feridas, como curaivos especiais e cremes cicatrizantes; planos de acompanhamento mensal 
para pacientes em tratamento conínuo; terapias intensivas; consulta de enfermagem; atendimento 
de urgência aos inais de semana com preciicação diferenciada; terapia a vácuo; laserterapia; 
ozonioterapia; terapia ILIB; consultoria; treinamentos; palestras e cursos. Em uma clínica, a parceria 
com planos de saúde também pode gerar uma importante fonte de receitas, além da possibilidade 
de combinar diferentes terapias oferecidas por outros proissionais, para agregar valor e aumentar o 
icket.
O item Recursos Principais é pensado de forma a destacar os recursos essenciais necessários para 
operar o negócio sobre cuidado à pessoa com lesão cutânea crônica de forma eicaz, como pessoal 
154
qualiicado, infra-estrutura ísica, tecnologia e capital inanceiro (Osterwalder; Pigneur, 2011; Sebrae, 
2021).
Exemplo: Enfermeiros especializados em tratamento de feridas; instalações adequadas, incluindo 
consultórios equipados e sala de curaivos; tecnologias de ponta para o diagnósico e tratamento de 
feridas; estudo atualizado; meio de transporte para atendimento domiciliar; e malas apropriadas para 
o transporte dos curaivos e equipamentos para trocas dos curaivos.
A clínica de cuidados à pessoa com lesão cutânea crônica uiliza estrutura ísica como seu principal 
recurso, mas também pode adotar plataformas online para agendamento e consultas iniciais. O sistema 
de gestão de pacientes também é um recurso essencial para organizar o luxo de atendimentos e a 
evolução do tratamento.
Aividades-Chave é o próximo item de relexão do enfermeiro empreendedor que está modelando 
seu negócio de cuidado à pessoa com lesão cutânea crônica. Esse item descreve as principais tarefas 
e aividades que o negócio deve realizar para fornecer sua proposta de valor aos clientes e garanir o 
funcionamento adequado do negócio (Osterwalder; Pigneur, 2011; Sebrae, 2021).
Exemplo: avaliação e diagnósico das feridas; compreensão da clínica do paciente; leitura de exames 
complementares; solicitação de exames; limpeza e desbridamento de feridas; aplicação de curaivos 
especializados; monitoramento e acompanhamento do processo de cicatrização; controle da ferida para 
evitar complicações; gestão da ferida; aplicação de terapias como laserterapia, ozonioterapia, terapia 
ILIB; gestão de manipulação de cremes; aplicação de bota de Unna; curaivo à vácuo; e compressão da 
atadura.
É importante releire pontuar as Parcerias Principais do negócio sobre cuidado à pessoa com 
lesão cutânea crônica. Ideniique as colaborações estratégicas com outras empresas, fornecedores ou 
parceiros-chave que possam ajudar a fortalecer a oferta da empresa ou a reduzir custos e riscos.
Exemplo: fabricantes e distribuidores de produtos para o tratamento de feridas; proissionais de 
saúde, como médicos, isioterapeutas, enfermeiros, técnicos de enfermagem e nutricionistas, para 
abordagem mulidisciplinar; seguradoras de saúde para a cobertura dos serviços oferecidos. As parcerias 
com hospitais e médicos para encaminhamento de pacientes são essenciais, uma vez que, grande 
parte do público-alvo pode ser transferida de ambientes hospitalares para o cuidado ambulatorial.
Por úlimo, no item Estrutura de Custos o enfermeiro empreendedor deve listar todos os custos 
associados à operação do negócio, incluindo custos ixos e variáveis, despesas com pessoal, markeing, 
logísica, entre outros (Osterwalder; Pigneur, 2011; Sebrae, 2021).
Exemplo: salários e beneícios dos funcionários; treinamento de equipe mulidisciplinar; aluguel 
e manutenção do espaço ísico; aquisição de equipamentos e materiais; custos com markeing e 
divulgação do consultório; despesas administraivas e operacionais; deslocamento para atendimento 
domiciliar; custos operacionais de sistemas de teleconsulta; e comunicação com os pacientes.
As iguras 28 e 29 apresentam o Canvas de Modelo de Negócio relacionado ao cuidado à pessoa 
com lesão cutânea crônica, respecivamente em atendimento domiciliar e em clínicas especializadas.
155
Figura 28 – Canvas de Modelo de Negócio relacionado ao cuidado à pessoa com lesão cutânea 
crônica em atendimento domiciliar.
Fonte: Elaborado pelo autor, 2023.
156
Figura 29 – Canvas de Modelo de Negócio relacionado ao cuidado à pessoa com lesão cutânea 
crônica em clínicas especializadas. 
Fonte: Elaborado pelo autor, 2023.
O atendimento domiciliar para tratamento de feridas tem como proposta central o conforto 
e a conveniência para o paciente, permiindo que ele seja tratado em seu próprio ambiente. Isso é 
paricularmente vantajoso para pacientes com mobilidade reduzida ou que requerem cuidados 
conínuos e delicados, como no caso de feridas crônicas ou pós-cirúrgicas. O cuidado domiciliar também 
favorece a humanização do tratamento, com o proissional de saúde focado em um atendimento mais 
individualizado.
Por outro lado, no atendimento em uma clínica de tratamento de feridas, tem-se a oferta de 
tecnologia avançada e um ambiente controlado, que possibilita um atendimento mais complexo. A 
clínica pode uilizar equipamentos de ponta, como terapia a vácuo e laserterapia, além de dispor de 
uma equipe mulidisciplinar composta por enfermeiros estomaterapeutas, médicos e isioterapeutas. 
O acompanhamento rigoroso e o acesso imediato a tratamentos mais complexos proporcionam uma 
recuperação mais eicaz em certos casos.
157
Considerações Finais
A criação de um modelo de negócios permiirá que o enfermeiro empreendedor tenha maior 
habilidade para enfrentar adversidades no gerenciamento de seu negócio relacionado ao cuidado 
a pessoas com lesões cutâneas crônicas, seja no atendimento domiciliar isoladamente (enfermeiro 
autônomo) ou em uma clínica especializada. Um planejamento bem estruturado antecipa possíveis 
desaios e oferece soluções imediatas, evitando surpresas. O atendimento domiciliar proporciona 
uma experiência mais personalizada e conveniente, enquanto uma clínica especializada oferece um 
ambiente de alta tecnologia e um acompanhamento mais rigoroso. A escolha do modelo ideal depende 
das necessidades especíicas da clientela que o enfermeiro empreendedor irá atender; deve-se levar 
em consideração as preferências e, principalmente, a complexidade do tratamento necessário.
É essencial desenvolver um modelo práico e eiciente, mas que também seja detalhado o suiciente 
para não deixar margem a dúvidas quanto ao processo estabelecido. Esse modelo pode sofrer ajustes 
à medida que o protóipo e/ou o MVP (Produto Mínimo Viável) forem sendo aprimorados. Além disso, 
é fundamental manter o negócio atualizado, em consonância com as mudanças sociais, uma vez que 
as necessidades da sociedade evoluem constantemente. Ao inalizar o Canvas de Modelo de Negócio, 
o enfermeiro empreendedor não apenas criará um modelo para o seu empreendimento, mas também 
estabelecerá uma base sólida para o sucesso de seu atendimento domiciliar ou consultório/clínica de 
enfermagem especializado em tratamento de lesões cutâneas crônicas.
158
REFERÊNCIAS
CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Resolução Cofen nº 787, de 21 de agosto de 
2025. Regulamenta a atuação da equipe de enfermagem na promoção, prevenção, tratamento e 
reabilitação de pessoas com lesões cutâneas. Diário Oicial da União, Brasília, DF, 26 ago. 2025. 
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159
21
MODELO DE NEGÓCIOS: ESTÉTICA
Fábio da Costa Carbogim
Flávia Baista Barbosa de Sá Diaz
Introdução
A palavra estéica teve origem no termo grego aistheiké que inicialmente signiicava ‘perceber’ e 
se conectava ao ramo da ilosoia que estudava o belo e a arte que expressava a beleza (Schmitz et al., 
2010).
Com as transformações naturais das palavras ao longo do tempo, ‘estéica’ também se modiicou 
em senidos e signiicados. Atualmente, se izermos uma busca simples na internet, encontraremos 
estéica relacionada à beleza ísica e aos meios para alcançá-la através de produtos e procedimentos 
de saúde. 
No dicionário Michaelis (2023), estéica é deinida como “uma aividade proissional que visa à busca 
da beleza ísica por meio de tratamentos especiais para correção de problemas de pele, cabelo, formas 
do corpo, etc.”. Para isso, podem ser uilizadas variedades de cosméicos, técnicas, procedimentos 
cirúrgicos e não cirúrgicos (Camargo et al., 2011).
Cabe destacar que o crescimento exponencial da estéica na área de saúde ocorreu a parir do inal 
da década de 1990 e início dos anos 2000. Isso se deveu, principalmente, a procedimentos menos 
invasivos e com resultados quase que imediatos.assegurando a qualidade da assistência e servindo 
18
como respaldo legal para os proissionais. Além disso, o empreendedor deve estar preparado para a 
crescente judicialização da saúde, que exige não apenas um rigoroso cumprimento das normaivas 
legais e regulatórias, mas também um planejamento estratégico para miigar riscos jurídicos e proteger 
a sustentabilidade do negócio. Segundo Santos e Souza (2020), a judicialização da saúde no Brasil 
implica altos custos e realocação de recursos públicos, representando desaios signiicaivos para o 
Sistema Único de Saúde (SUS) e para os gestores de serviços de saúde.
Enfermeiros empreendedores enfrentam desaios signiicaivos no acesso a inanciamento para 
iniciar ou expandir seus negócios na área da saúde, devido à falta de opções de inanciamento especíicas 
e à percepção de alto risco por parte das insituições inanceiras. Essa diiculdade em obter crédito 
ou invesimentos limita sua capacidade de implementar inovações e expandir serviços, impactando 
negaivamente o desenvolvimento e a qualidade dos cuidados de saúde (Chagas et al., 2018; Wilson; 
Whitaker; Whiford, 2012). Além disso, o invesimento inicial necessário para equipamentos, tecnologia 
e markeing, sem garania de retorno imediato, representa um risco inanceiro, especialmente para 
aqueles com responsabilidades inanceiras pessoais, exigindo mudanças nas políicas de crédito e 
maior reconhecimento do potencial dos negócios liderados por enfermeiros (Chagas et al., 2018).
Além disso, a ausência de suporte insitucional e reconhecimento do papel do enfermeiro como 
empreendedor é uma barreira signiicaiva. Organizações de saúde e insituições acadêmicas nem 
sempre valorizam ou apoiam adequadamente iniciaivas empreendedoras dentro da enfermagem 
(Guerra; Jesus; Araujo, 2021; Chagas et al., 2018). A falta de incenivo insitucional para inovação e 
empreendedorismo pode desencorajar os proissionais de enfermagem a buscar novas oportunidades 
de negócio e limitar as possibilidades de colaboração e parceria com outras enidades. Adicionalmente, 
o setor de saúde, dominado por modelos tradicionais de carreira, muitas vezes não reconhece ou 
apoia iniciaivas empreendedoras na enfermagem. Esse cenário cria um ambiente onde as inovações 
lideradas por enfermeiros podem ser vistas como secundárias ou menos importantes, desmoivando 
aqueles que buscam transcender a práica clínica (Colichi; Lima, 2018; Jahani et al., 2016; Nikbakht- 
Nasrabadi; Shabany-Hamedan, 2016; Wall, 2013).
As desigualdades socioeconômicas no Brasil são enormes (Cavalcante, 2020) e podem impactar o 
empreendedorismo de negócios em enfermagem. A falta de acesso a serviços de saúde de qualidade 
em áreas desfavorecidas diiculta o desenvolvimento de empreendimentos voltados para atender 
comunidades carentes (Dantas et al., 2021). Ademais, a infraestrutura de saúde deiciente pode limitar 
a viabilidade de negócios em regiões remotas ou economicamente desfavorecidas.
Outro desaio crucial é a lacuna na formação empreendedora dos enfermeiros. A formação 
acadêmica em enfermagem muitas vezes não inclui disciplinas relacionadas ao empreendedorismo, 
deixando os proissionais despreparados para os desaios do mercado de trabalho. A formação de 
enfermeiros que possuam um impacto transformador no âmbito social, organizacional e políico 
demanda a incorporação de habilidades empreendedoras em sua formação acadêmica. Dessa 
forma, torna-se essencial esimular um espírito empreendedor nos estudantes durante o curso de 
enfermagem, com o objeivo de ampliar a percepção sobre o empreendedorismo na área e intensiicar 
o desejo por independência e aprimoramento proissional (Jofre et al., 2021). A inclusão de disciplinas, 
aividades extensionistas, projetos e outras aividades de empreendedorismo na graduação em 
enfermagem é fundamental para desenvolver competências empreendedoras, tais como ideniicação 
de oportunidades de negócio, desenvolvimento de planos de negócio, gestão inanceira e liderança 
(Chagas et al., 2018).
A predominância do gênero feminino na proissão de enfermagem introduz barreiras culturais e 
sociais, várias vezes subesimando o potencial empreendedor dessas proissionais. Tais barreiras 
não são apenas externas, mas também internas, onde estereóipos de gênero podem inluenciar a 
autoconiança e a ambição empreendedora. Atrelado a isso, a conciliação entre a vida proissional 
e pessoal emerge como um desaio especialmente signiicaivo. Proissionais de enfermagem já 
enfrentam jornadas extenuantes e emocionalmente desgastantes; adicionar as responsabilidades de 
gerir um negócio pode parecer uma tarefa hercúlea. Isso exige não só habilidades de gestão do tempo 
19
e priorização, mas também um suporte robusto de redes pessoais e proissionais (Colichi; Lima, 2018; 
Copelli; Erdmann; Santos, 2019).
A proissão de enfermagem no Brasil enfrenta desaios culturais que limitam a atuação dos 
proissionais, tradicionalmente concentrada em ambientes hospitalares e de cuidados primários. Essa 
visão restrita é reforçada desde a formação acadêmica, onde o empreendedorismo não é amplamente 
abordado, resultando em uma preparação limitada para iniciaivas autônomas e inovadoras. Segundo 
Copelli, Erdmann e Santos (2019), a ausência de disciplinas voltadas ao empreendedorismo na 
graduação em enfermagem contribui para que os proissionais permaneçam restritos aos modelos 
assistenciais tradicionais, diicultando a exploração de novos nichos de mercado e a diversiicação da 
atuação proissional.
Nos úlimos anos, entretanto, têm-se observado esforços de Conselhos e Associações de Enfermagem 
para promover uma cultura empreendedora na proissão. O Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) 
tem buscado parcerias com insituições como o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas 
Empresas (Sebrae) para capacitar enfermeiros interessados em empreender, oferecendo cursos e 
recursos voltados para o desenvolvimento de competências em gestão, inovação e liderança (Cofen, 
2021).
Além disso, iniciaivas como a campanha internacional Nursing Now, promovida pelo Conselho 
Internacional de Enfermeiros e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), incenivam a liderança e a 
inovação na enfermagem, destacando a importância de práicas empreendedoras para a transformação 
dos serviços de saúde (Who, 2020). Essas ações buscam ampliar a percepção dos enfermeiros sobre 
as diversas possibilidades de atuação além dos contextos tradicionais, promovendo a autonomia 
proissional e a inserção em novos mercados.
No cenário internacional, observa-se uma tendência crescente de enfermeiros assumindo papéis 
empreendedores, desenvolvendo soluções inovadoras e liderando mudanças nos sistemas de saúde. 
Estudos indicam que a promoção de uma cultura empreendedora na enfermagem pode ser uma 
estratégia eicaz para melhorar a qualidade dos cuidados e ampliar o acesso aos serviços de saúde 
(Santos; Souza, 2020). No entanto, para que essa mudança cultural se consolide, é fundamental que 
as insituições de ensino, os conselhos proissionais e a sociedade em geral reconheçam e apoiem 
o potencial empreendedor dos enfermeiros, proporcionando recursos e oportunidades para o 
desenvolvimento de iniciaivas inovadoras na área da saúde.
Considerações inais
Em suma, superar os desaios do empreendedorismo de negócios em enfermagem no Brasil requer 
uma abordagem integrada e abrangente. Mudanças nas políicas públicas, invesimentos em educação 
empreendedora e criação de redes de suporte e colaboração são essenciais para fortalecer o papel dos 
enfermeiros como agentes de inovação e transformação no setor de saúde brasileiro.
Essas medidas são cruciais para promover o desenvolvimento de empreendimentos em saúde que 
atendam às necessidades da população e contribuam para a melhoria dos cuidados de saúde no país. 
É essencial uma abordagem mulifacetada que envolva educação empreendedora especíica para 
enfermeiros, políicas de incenivo ao empreendedorismo no setor de saúde, e o desenvolvimentoUm dos principais exemplos é o emprego da toxina 
botulínica para ins estéicos, atenuando linhas de expressão facial (Campion, 2012).
A regulamentação do exercício proissional no campo da estéica, nas variadas proissões da área 
de saúde, ainda vem ocorrendo. Na Enfermagem, especiicamente, foi publicada a Resolução Cofen nº 
529, de 9 de novembro de 2016, que regulamenta a atuação do Enfermeiro na área da Estéica. Esta 
resolução foi alterada pelas Resoluções Cofen nº 626, de 20 de fevereiro de 2020, e nº 715, de 31 de 
janeiro de 2023 (Cofen, 2020).
Dentre as possibilidades de procedimentos que o Enfermeiro está respaldado legalmente a realizar, 
estão: 
•	 carboxiterapia, 
•	 cosméicos, cosmecêuicos, 
•	 dermopigmentação, 
•	 micropigmentação, 
•	 drenagem linfáica, 
•	 eletroterapia/eletrotermofototerapia, 
•	 terapia combinada de ultrassom e microcorrentes, 
•	 ultrassom cavitacional e 
•	 vacuoterapia (Cofen, 2020).
 Contudo, é importante ponderar que a abrangência de atuação tende a se expandir à medida 
que as tecnologias e capacitação proissional se expandem. Mas, como transformar a estéica em um 
modelo de negócio na Enfermagem?
 
1. O modelo de negócios para a Estéica
O modelo de negócio é um projeto ou esboço que explicita como a empresa gera e entrega valor 
para os clientes. Logo, diz respeito ao que a sua empresa faz para alguém (Persegona et al., 2019).
160
 Antes de montar o seu modelo de negócios é importante ter respostas para as quatro perguntas 
a seguir: Qual a minha proposta de valor a ser oferecida? Quem é meu público consumidor e como o 
atrairei? Quais recursos, aividades e parceiros tenho disponíveis? Quanto vou gastar para implementar 
o meu negócio e irá-lo do papel?
 A im de facilitar esse processo, o consultor e empresário suíço Alex Osterwalder criou a 
ferramenta denominada Business Model Canvas (Osterwalder, 2004; Sebrae, 2021). Trata-se de uma 
ferramenta de planejamento estratégico, no formato de mapa visual, subdividido em nove blocos, que 
podem ser preenchidos conforme as caracterísicas da sua empresa (Figura 30).
Figura 30 – Mapa Visual do Modelo de Negócios.
Fonte: Adaptado de Osterwalder (2004).
A seguir, são descritos, segundo Osterwalder (2004), cada um dos nove blocos do Modelo de 
Negócios, com base nas respostas às perguntas: Como fazer? O que fazer? Para quem fazer? Quanto 
custa/gera? 
Como fazer? 
• Parceiros-chave: diz respeito à rede de prestadores de serviços e fornecedores que tornam o 
modelo de negócio viável e eiciente. 
• Aividades-chave: diz respeito às aividades essenciais para que a empresa funcione e envolve três 
categorias: ações de produção relacionadas ao desenvolvimento, fabricação e entrega do produto; 
resolução de problemas e plataforma ou rede de divulgação.
• Recursos-chave: Os recursos que são necessários para criar valor pra o cliente. São considerados 
aivos da empresa e são necessários para manter e dar suporte ao negócio. Existem quatro ipos 
de recursos que geralmente são importantes para um negócio. O primeiro é o recurso físico, 
161
representado pelo espaço onde as atividades serão desenvolvidas e os equipamentos necessários; 
o segundo é o recurso financeiro para manutenção das atividades; o terceiro é representado pelos 
recursos humanos e o quarto envolve os recursos intangíveis ou intelectuais, que incluem marca, 
patente, banco de dados, direitos autorais, entre outros. 
O que fazer?
• São os produtos e serviços oferecidos pela empresa, procurando destacar o que a difere dos 
concorrentes. 
Para quem? 
• Relação com o cliente: a empresa estabelece vínculos com os seus diferentes segmentos de clientes. 
A Gestão do Relacionamento com o Cliente — Customer Relaionship Management — envolve o 
uso de ferramentas que automaizam e facilitam o contato com os consumidores.Segmentos de 
clientes: diz respeito ao público-alvo/consumidores para os quais os produtos da empresa/serviços 
serão direcionados. 
• Canais: referem-se aos meios pelos quais uma empresa disponibiliza produtos e serviços aos 
consumidores. Esse processo inclue as estratégias de markeing e o fornecimento do produto.
Quanto custa/gera? 
• Estrutura de custos: envolve todos os custos para que a empresa funcione e entregue ao consumidor 
o que se propõe. 
• Fluxos de receita: é a forma como a empresa se moneiza/ganha dinheiro, podendo ser a parir de 
variados luxos de receitas. 
Considerações inais
Em um empreendimento na área da estéica, a aplicação do modelo de negócios viabilizará um 
arcabouço estratégico para aingir resultados posiivos.
O processo de elaboração envolve um constante movimento de aprendizagem e reavaliação, com 
o objeivo de prestar um óimo atendimento ao consumidor e facilitar a tomada de decisão pelo 
Enfermeiro. 
Desse modo, a integração da estéica à abordagem integral da Enfermagem, poderá garanir 
elevados níveis de saisfação, qualidade e segurança, proporcionando aos clientes uma experiência 
única que visa não apenas aprimorar a aparência externa, mas também promover o bem-estar.
Essa integração não apenas amplia o leque de serviços oferecidos pela Enfermagem, mas também 
posiciona o negócio na vanguarda da prestação de cuidados centrados no cliente e na busca conínua 
pela excelência. 
162
REFERÊNCIAS 
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172 f. Tese (Doutorado) - Université de Lausanne, Suíça, 2004. Disponível em: htp://www.hec.unil.
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empresa. Acesso em: 19 mai. 2025.
163
22
TELEATENDIMENTO E TELENFERMAGEM
Lucielena Maria de Sousa Garcia Soares
Introdução
A Telessaúde é um termo que pode ser deinido como o uso de Tecnologias da Informação e da 
Comunicação (TICs) na saúde para dispor de atendimento à distância de qualidade de maneira efeiva. 
O termo surgiu na década de 1960 e a práica vem se aprimorando devido ao aparecimento de novas 
tecnologias e necessidades da saúde (Lisboa et al., 2023). Tem sido usada para ampliar aividades de 
serviços digitais de saúde, como diagnósico, tratamento e prevenção de doenças, pesquisa, avaliação 
e educação para promoção da saúde (Melo et al., 2023).
De acordo com Chao Ling Wen (2008), a Telessaúde no Brasil foi lançada em três momentos 
diferentes, que o autor chama de “marcos”. O primeiro em 2005, com o Programa chamado “Insitutos 
do Milênio”. O segundo, em 2006, teve comode 
redes de apoio que reconheçam e valorizem o papel único dos enfermeiros como empreendedores.
20
REFERÊNCIAS 
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22
2
ASPECTOS ÉTICOS E LEGAIS NO EMPREENDEDORISMO
Lucielena Maria de Sousa Garcia Soares
Introdução
Florence Nighingale, conhecida como precursora da enfermagem moderna, aplicou as melhores 
evidências e práicas clínicas de seu tempo para melhorar os resultados dos pacientes por meio do 
aumento do acesso dos pacientes ao ar fresco, nutrição e saneamento (Paison et al., 2022).
Florence, também conhecida como “dama da noite”, por acompanhar à noite os soldados que 
haviam sido feridos na guerra da Crimeia, deixou um legado que inaugurou um modelo de enfermagem 
que relete atualmente na idenidade da proissão (Donoso, 2020).
No Brasil, a primeira manifestação legal sobre a enfermagem dá-se com o Decreto nº 791 de 1890 
(Coleção de Leis do Brasil – 1890), que criou a Primeira Escola de Enfermagem, dentro do Hospício 
Nacional para alienados (Resende, 1961). Consta no Art. 1º do referido decreto, que a escola inha 
como objeivo formar enfermeiros para atenderem hospícios, hospitais civis e militares. E no Art. 
3º, que os estudos teóricos seriam três vezes por semana seguidos de visitas às enfermarias, sendo 
dirigidos por internos e inspetoras, sob a iscalização de médico e superintendência geral (Brasil, 1890).
Em 1923, o Decreto Federal nº 16.300 introduziu a iscalização do exercício proissional de 
enfermagem que deveria ser realizado pelo Departamento Nacional de Saúde Pública por intermédio 
da Inspetoria de Fiscalização do Exercício da Medicina. O arigo 238 estabelecia que enfermeiros, 
elencados juntamente com massagistas, manicures, pedicures e optometristas, ao se incumbirem do 
tratamento de doentes, não poderiam praicar atos que não fossem por ordem médica, ou que fossem 
de incumbência médica. A não observação dessa norma era considerada infração éica, tratada como 
exercício ilegal da medicina (Petry et al., 2021).
O Decreto-Lei Federal nº 5.452, de 1943, regulamentou a Consolidação das Leis do Trabalho, 
que tratava dos direitos trabalhistas. Em 1946, o arigo 511 foi modiicado, ampliando o conceito de 
proissional liberal. Em 2002, a Confederação Nacional de Proissionais Liberais incorporou o conceito 
de Proissional Liberal discuido no IV Congresso Mundial das Proissões Liberais, organizado pela 
União Mundial das Proissões Liberais (UMPL) e realizado nos dias 14 e 15 de novembro de 2002, 
em Paris, França, no Centre du Conferénce da Organisaion Internaionale des Epizooies. O tema 
central foi “Statut liberal et profession libérale”. A parir de 1949, com a Lei Federal nº 775, o ensino 
de enfermagem passa a ser realizado por enfermeiros, tornando-se privaiva desses proissionais a 
direção e a coordenação de serviços de enfermagem em insituições hospitalares, públicas ou privadas 
(Brasil, 1949). Com a Lei Federal nº 2.604 de 1955, foram estabelecidos os critérios para o exercício 
proissional de enfermagem, deinindo quem poderia exercê-la e quais as condições para tal (Brasil, 
1955).
Um grande avanço para a enfermagem foi concreizado com a Lei Federal nº 5.905 de 1973, que 
insituiu o sistema Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) e Conselhos Regionais de Enfermagem 
(Coren). Esses órgãos têm como aividades inalísicas as ações de: iscalizar,disciplinar e normaizar o 
exercício proissional de enfermagem (Brasil, 1973).
Com Lei Federal nº 7.498 de 25 de junho de 1986, que regulamenta o Exercício Proissional de 
Enfermagem, novos critérios foram estabelecidos para exercer a enfermagem, desde ações privaivas 
e coleivas do enfermeiro bem como normaivas do exercício proissional para todas as categorias de 
enfermagem (Brasil, 1986).
Algumas leis, ainda que não especíicas para a enfermagem, conferem segurança e autonomia aos 
proissionais para exercê-la também fora do contexto insitucional na condição de empreendedores. 
Um exemplo é a Lei Federal nº 13.874, de 20 de setembro de 2019, que insitui a Declaração de Direitos 
23
de Liberdade Econômica e estabelece garanias de livre mercado (Brasil, 2019).
No início de 2024, a Lei Federal nº 14.816, de 16 de janeiro, trouxe importantes avanços para 
o empreendedorismo no Brasil, incluindo a criação do Ministério do Empreendedorismo, da 
Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte.
1. Aspectos Legais
A legislação mencionada acima tem papel importante no exercício proissional da enfermagem, no 
entanto, duas Leis merecem destaque:
1.1 Lei Federal nº 5.905/1973
A Lei de criação do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) e dos Conselhos Regionais de 
Enfermagem (Coren) determina que suas aividades inalísicas incluem disciplinar, iscalizar e 
normaizar o exercício proissional de enfermagem.
Determina no Art. 2º que “O Conselho Federal e os Conselhos Regionais são órgãos disciplinadores 
do exercício da proissão de enfermeiro e das demais proissões compreendidas nos serviços de 
enfermagem”.
Somente o Conselho Federal de Enfermagem e os Conselhos Regionais de Enfermagem têm 
legiimidade para disciplinar a proissão enfermagem, conigurando, portanto, uma aividade autônoma 
e independente, sem relação hierárquica com nenhuma outra proissão ou categoria proissional.
O Art. 8º airma, no inciso III que cabe ao Cofen “elaborar o Código de Deontologia de Enfermagem 
e alterá-lo, quando necessário, ouvidos os Conselhos Regionais”. Somente o Cofen e os Conselhos 
Regionais de enfermagem têm legiimidade para estabelecer e airmar o que é éico para a proissão 
enfermagem e, para garanir o devido cumprimento éico da proissão, ica estabelecida a ação de 
iscalização proissional realizada pelos Conselhos Regionais. Ainda, o inciso X do Art. 8º estabelece 
como função do Sistema Cofen/Conselhos Regionais de Enfermagem “promover estudos e campanhas 
para aperfeiçoamento proissional”. A parir dessa ação são elaboradas e aprovadas as Resoluções que 
normaizam o exercício da enfermagem, com estudos e campanhas que culminam em conhecimento 
para o aperfeiçoamento proissional.
1.2 Lei Federal nº 7.498/1986
A Lei que regulamenta o Exercício Proissional de Enfermagem inicia airmando que “é livre o 
exercício da enfermagem em todo o território nacional...” (art. 1º), desde que sejam “... exercidas por 
pessoas legalmente habilitadas e inscritas no Conselho Regional de Enfermagem com jurisdição na 
área onde ocorre o exercício” (art. 2º). 
O Arigo 11, incisos I e II, deine as funções privaivas e coleivas do enfermeiro, sendo estas exercidas 
como integrante da Equipe de Saúde. Entre elas, destacam-se as apresentadas no Quadro 01:
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Quadro 01 – Funções Privaivas e Coleivas do Enfermeiro, Belo Horizonte-MG, Brasil, 2026.
Funções Privaivas - Inciso I Funções Coleivas - Inciso II
Alínea c 
Planejamento, organização, 
coordenação, execução e avaliação dos 
serviços da assistência de enfermagem
Alínea a
Paricipação no planejamento, execução e avaliação da 
programação de saúde
Alínea h 
Consultoria, auditoria e emissão de 
parecer sobre matéria de enfermagem
Alínea c 
Prescrição de medicamentos estabelecidos em 
programas de saúde pública e em roina aprovada pela 
insituição de saúde
Alínea i 
Consulta de Enfermagem
Alínea e
Prevenção e controle sistemáico da infecção hospitalar 
e de doenças transmissíveis em geral
Alínea j 
Prescrição da assistência de enfermagem
Alínea g, h, i
Assistência de enfermagem à gestante, parturiente e 
puérpera
Acompanhamento da evolução e do trabalho de parto
Execução do parto sem distocia
Fonte: Elaborado pelo autor, 2026.
A Lei do Exercício Proissional de Enfermagem, além de deinir quem pode exercer a enfermagem, 
traz com detalhes as quatro (04) categorias proissionais que compõem a proissão: enfermeiro, 
técnicos de enfermagem, auxiliares de enfermagem e parteiras, além de determinar que as ações de 
enfermagem devem ser realizadas sob a supervisão do enfermeiro.
Todas as categorias proissionais de enfermagem podem empreender em qualquer área de sua 
escolha, desde que contratem enfermeiros para atuarem nas aividades privaivas previstas na Lei do 
Exercício Proissional de enfermagem.
Alguns exemplos:
1. O técnico de enfermagem ao optar por abrir uma clínica de enfermagem para tratamento de 
feridas, deverá cumprir todas as exigências estabelecidas, dentre eles deverá garanir a presença 
do enfermeiro para assumir a responsabilidade técnica, realizar a supervisão da equipe de 
enfermagem e todas as aividades privaivas do enfermeiro.
2. Se um grupo de auxiliares de enfermagem planejar abrir uma empresa de Home Care, deverá 
incluir no planejamento a contratação do enfermeiro para realizar todas as aividades privaivas 
desse proissional. Isso inclui a supervisão da assistência de enfermagem, além da atuação 
como responsável técnico.
2. Aspectos Éicos 
O Conselho Federal de Enfermagem realiza a aividade inalísica de normaizar o exercício 
proissional da enfermagem por meio da elaboração e publicação de Resoluções. Apesar de não serem 
todas especíicas para quem pretende empreender na enfermagem, são Resoluções que norteiam 
o exercício proissional nos mais diferentes cenários e contextos de trabalho. No Quadro 02, são 
25
apresentadas as Resoluções do Cofen com número e ano de publicação e a ementa correspondente. 
Algumas Resoluções sofreram alterações por outras resoluções, decisões ou erratas, todas aprovadas 
em plenárias do Cofen.
Quadro 02 – Resoluções que norteiam o Empreendedorismo para a Enfermagem, Belo Horizonte-
MG, Brasil, 2026.
Resoluções Ementa
Resolução Cofen nº 554/2017
Estabelece os critérios norteadores das práicas de uso e de comportamento 
dos proissionais de enfermagem, nos meios de comunicação de massa: 
na mídia impressa, em peças publicitárias, de mobiliário urbano e nas 
mídias sociais.
Resolução Cofen nº 564/2017 Aprova o novo Código de Éica dos Proissionais de Enfermagem.
Resolução Cofen nº 568/2018 
(Alterada pela Resolução Cofen 
nº 606/2019)
Aprova o Regulamento dos Consultórios de Enfermagem e Clínicas de 
Enfermagem.
Resolução Cofen nº 581/2018 
(Alterada pela Resolução Cofen 
nº 625/2020 e Decisões Cofen 
nº 065/2021, nº 120/2021, nº 
263/2023 e nº 264/2023)
Atualiza, no âmbito do Sistema Cofen/Conselhos Regionais de 
Enfermagem, os procedimentos para Registro de Títulos de Pós-
Graduação Lato e Stricto Sensu concedido a enfermeiros e aprova a lista 
das especialidades.
Resolução Cofen nº 673/2021 
(Alterada pela Errata da Resolução 
Cofen nº 673/2021)
Estabelece a Unidade de Referência de Trabalho de Enfermagem (URTE) 
para indexar os valores mínimos dos seus honorários e atualiza os valores 
mínimos dos honorários da enfermagem em URTE.
Resolução Cofen nº 696/2023 
(Alterada pelas Resoluções Cofen 
nº 707/2023 e nº 717/2023)
Dispõe sobre a atuação da enfermagem na Saúde Digital, normaizando 
a Telenfermagem.
Resolução Cofen nº 721/2023
Atualiza a norma técnica para Registro de Empresa no âmbito dos 
Conselhos Regionais de Enfermagem.
Resolução Cofen nº 731/2023 Regulamenta a realização de sutura simples pelo Enfermeiro.
Resolução Cofen nº 782/2025
Insitui os procedimentos necessários para concessão, renovação e 
cancelamento do registro da Anotação de Responsabilidade Técnica de 
Enfermagem e deine as atribuições do Enfermeiro Responsável Técnico
Fonte: Elaborado pelo autor, 2026.
Abaixoinformações mais detalhadas sobre as Resoluções do Cofen que norteia empreendedorismo
na enfermagem:
• Resolução Cofen nº 554/2017 – Estabelece os critérios norteadores das práicas de uso e de 
comportamento dos proissionais de Enfermagem em meio de comunicação de massa, na 
mídia impressa, em peças publicitárias, de mobiliário urbano e nas mídias sociais.
Ao realizar o cuidado de enfermagem, devem os proissionais de enfermagem atentar para requisitos 
quanto à exposição que venha permiir a ideniicação de pacientes sem a sua devida autorização.
Exemplo 01: é comum a presença de celebridades nos diversos contextos de atendimento à saúde. 
E não é incomum que o proissional de enfermagem registre com fotos essas presenças. No entanto, 
essas fotos não devem ser expostas em redes sociais ou mesmo grupos de WhatsApp sem a devida 
autorização, de preferência, por escrito, da celebridade envolvida.
26
Exemplo 02: todos os pacientes têm algo de especial para a enfermagem. Alguns pacientes 
constroem relações mais próximas com proissionais de enfermagem, o que pode culminar em registros 
fotográicos ou conversas referentes ao atendimento, internação, procedimentos. Devem ser evitadas 
quaisquer referências que permitam a ideniicação de pacientes sem a sua devida autorização.
• Resolução Cofen nº 564/2017 – Aprova o Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem. 
O Código de Éica dos Proissionais de Enfermagem (CEPE) é o conjunto de direitos, deveres, 
responsabilidades e proibições para o exercício da proissão enfermagem cujo não cumprimento, 
parcial ou total, pode culminar em penalidades mediante processo éico instaurado e instruído nos 
Conselhos Regionais de enfermagem.
Todos os proissionais da área estão submeidos ao Código de Éica de Enfermagem, independente 
do ambiente de trabalho ou vínculo empregaício. Proissionais de enfermagem que empreendem em 
aividades que fazem parte do escopo da enfermagem estão sujeitos ao Código de Éica de Enfermagem.
Conigura aividades de enfermagem Não conigura aividades de enfermagem
O enfermeiro, no consultório de enfermagem, 
mesmo sozinho com o paciente para a consulta e 
procedimentos de enfermagem está submeido 
ao CEPE em todas as suas ações.
O proissional de enfermagem empreende 
com uma fábrica de jalecos. Embora o jaleco 
seja um uniforme comum em proissionais de 
enfermagem, fabricar jalecos não faz parte 
das aividades especíicas de enfermagem e, 
nesse caso, não se caracteriza como exercício 
proissional da enfermagem.
• Resolução Cofen nº 568/2018 – Aprova o Regulamento dos Consultórios de Enfermagem e 
Clínicas de Enfermagem.
Foi complementada pela Resolução Cofen nº 606/2019 que inclui modelos de Requerimento de 
Cadastro de Consultório e de Clínicas de Enfermagem e modelo de Registro de Consultórios e de 
Clínicas de Enfermagem.
A consulta de enfermagem consta como aividade privaiva do enfermeiro desde 1986 com a Lei do 
Exercício Proissional de Enfermagem, devendo ser realizada em todos os ambientes de atendimento 
como hospitais, ambulatórios, consultórios de atenção básica e serviços especializados. Em 2018, o 
Cofen também regulamentou os consultórios e clínicas de enfermagem para realização da consulta de 
enfermagem pelo enfermeiro (ver capítulo “Como montar seu Consultório de Enfermagem”).
• Resolução Cofen nº 581/2018 – Atualiza os procedimentos para Registro de ítulos de 
pós-graduação Lato sensu e Stricto sensu concedidos a Enfermeiros e aprova a lista das 
especialidades.
Foi atualizada pela Resolução Cofen nº 625/2020 quanto aos procedimentos para Registros de Títulos 
de Pós- Graduação Lato e Stricto Sensu, aprovando a lista das especialidades e sendo complementada 
pelas:
• Decisão Cofen nº 065/2021, que reconhece a Enfermagem Nuclear.
• Decisão Cofen nº 120/2021, que insere na Área III, Ensino e Pesquisa, do Anexo dessa Resolução, 
o item “Bases Epistemológicas e Filosóicas da Enfermagem”.
• Decisão Cofen nº 263/2023, que reconhece a Podiatria Clínica como Especialidade do Enfermeiro 
27
e a insere na Área I, Saúde Coleiva; Saúde da Criança e do Adolescente; Saúde do Adulto, do 
Anexo da Resolução Cofen nº 581/2018.
• Decisão Cofen nº 264/2023 que reconhece a Especialização em Reabilitação como Especialidade 
do Enfermeiro e a insere na “Área I, Saúde Coleiva; Saúde da Criança e do Adolescente; Saúde 
do Adulto”, do Anexo da Resolução Cofen nº 581/2018.
O registro das especialidades de enfermagem no Cofen contribui para o banco de dados de 
proissionais pós-graduados, especialistas, mestres e doutores, gerando informações sobre a proissão 
para diferentes insituições nacionais como a Agência Nacional de Saúde (ANS), Receita Federal e 
insituições internacionais como universidades e serviços de saúde.
• Resolução Cofen nº 673/2021 – Estabelece a Unidade de Referência de Trabalho de 
Enfermagem (URTE) para indexar os valores mínimos dos seus honorários e atualiza os 
valores mínimos dos honorários da Enfermagem em URTE. (Redação dada pela Errata da 
Resolução Cofen nº 673/2021).
A Resolução trata de valores mínimos de referência para atendimentos de proissionais de 
enfermagem que devem ser considerados pelos empreendedores ao fazerem cálculos de preciicação.
Valores abaixo da tabela de honorários não devem ser praicados enquanto que valores acima são 
de livre negociação entre as partes.
Exemplo: Para calcular o valor de um atendimento domiciliar, o enfermeiro deve considerar seus 
gastos tais quais: deslocamento até o local, alimentação se necessário, material a ser uilizado nos 
procedimentos que advirem da consulta de enfermagem, mecanismos para registro do atendimento. 
Os valores da tabela de honorários são para referência (ver capítulo de Preciicação).
• Resolução Cofen nº 696/2022 – Dispõe sobre a atuação da Enfermagem na Saúde 
Digital, normaizando a Telenfermagem. Essa Resolução teve o Arigo 5º alterado 
pela Resolução Cofen nº 707/2022. Este livro tem um capítulo dedicado ao 
Teleatendimento de Enfermagem. (Ver capítulo “Teleatendimento e Telenfermagem”). 
• Resolução Cofen nº 721/2023 – Atualiza a norma técnica para Registro 
de Empresa no âmbito dos Conselhos Regionais de Enfermagem. 
Essa Resolução veio revogar a Resolução Cofen nº 255/2001, atualizando e trazendo esclarecimentos 
quanto ao registro de empresas de enfermagem. Com essa atualização, proissionais de enfermagem 
que possuem empresas que prestam serviços dentro do escopo da enfermagem, devem obter junto ao 
Coren de sua jurisdição o Registro de Empresa e cumprir as regulamentações previstas.
Conigura aividades de enfermagem Não conigura aividades de enfermagem
Enfermeiros que possuem uma empresa de 
transporte para pacientes deverão obter o 
Registro de Empresa junto ao Coren.
Enfermeiros que possuem uma empresa 
para realização de eventos em geral estão 
desobrigados do registro por não se tratar de 
exercício proissional especíico da enfermagem.
 
28
• Resolução Cofen nº 731/2023 – Regulamenta a realização de sutura simples pelo enfermeiro.
Enfermeiros empreendedores de negócios, seja em consultórios, clínicas ou empresas de 
enfermagem, poderão ampliar seu escopo de atendimento ofertando a realização de sutura simples 
mediante capacitação estabelecida na Resolução.
• Resolução Cofen nº 782/2025 – Insitui os procedimentos necessários para concessão, 
renovação e cancelamento do registro da Anotação de Responsabilidade Técnica de 
Enfermagem e deine as atribuições do Enfermeiro Responsável Técnico.
Permite a modalidade aplicada à prestação de serviços de enfermagem na gestão de áreas técnicas 
por meio do qual o enfermeiro assume a responsabilidade técnica por serviços ou procedimentos 
específicos, previamente delimitados por contrato ou instrumento legal. A atuação do ERT, nesse caso, 
restringe-se ao escopo técnico da atividade pactuada, sem interferência na organização do serviço 
de enfermagem da instituição contratante e/ou subordinação ao ERT coordenador da instituição, 
devendo,no entanto, respeitar as normativas e rotinas institucionais.
Exemplo: Um enfermeiro pode ser convidado, no mesmo período, por 02 (duas) clínicas particulares 
de saúde para elaborar e acompanhar o Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos em Saúde 
(PGRSS) de cada uma delas. O enfermeiro já realiza essa atividade vinculado a instituições; no entanto, 
como empreendedor, precisa assinar como Responsável Técnico para atender a Vigilância Sanitária 
Com essa Resolução, o enfermeiro pode solicitar ao seu Coren uma ART para cada Clínica, elaborar o 
PGRSS e acompanhar sua execução, tendo o cuidado de cancelar o ART quando finalizado o trabalho.
Considerações inais
Para a práica segura da proissão, é necessário que enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem 
conheçam e se submetam à legislação de enfermagem em vigor no país. O arcabouço éico e legal 
existente dá sustentação para a práica proissional de enfermagem vinculada às insituições e para 
esses proissionais que desejam uilizar os conhecimentos adquiridos na formação de enfermagem em 
aividades empreendedoras.
29
REFERÊNCIAS 
BRASIL. Decreto nº 791, de 27 de setembro de 1890. Cria no Hospício Nacional de Alienados uma 
escola proissional de enfermeiros e enfermeiras. Coleção de Leis do Brasil, 1890, p. 2456, v. Fasc. IX.
______. Decreto nº 16.300, de 31 de dezembro de 1923. Aprova o regulamento do Departamento 
Nacional de Saúde Pública. Diário Oicial da União: seção 1, 1 fev. 1924, p. 3199.
______. Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943. Aprova a Consolidação das Leis do Trabalho. 
Diário Oicial da União, 1 maio 1943.
______. Decreto nº 8.937, de 15 de junho de 1946. Regulamenta o exercício de proissões liberais. 
Diário Oicial da União, 15 jun. 1946.
______. Lei nº 775, de 6 de agosto de 1949. Dispõe sobre o ensino de enfermagem no país e dá 
outras providências. Diário Oicial da União, 13 ago. 1949.
______. Lei nº 2.604, de 17 de setembro de 1955. Regula o exercício da enfermagem proissional. 
Diário Oicial da União, 21 set. 1955.
______. Lei nº 5.905, de 12 de julho de 1973. Dispõe sobre a criação dos Conselhos Federal e 
Regionais de Enfermagem e dá outras providências. Diário Oicial da União, 13 jul. 1973.
______. Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986. Dispõe sobre a regulamentação do exercício da 
enfermagem e dá outras providências. Diário Oicial da União, 25 jun. 1986.
______. Decreto nº 10.139, de 28 de novembro de 2019. Dispõe sobre a revisão e consolidação dos 
atos normaivos inferiores a decreto. Diário Oicial da União, 28 nov. 2019.
______. Lei nº 13.874, de 20 de setembro de 2019. Insitui a Declaração de Direitos de Liberdade 
Econômica; estabelece garanias de livre mercado. Diário Oicial da União: edição extra B, 20 set. 
2019.
______. Lei nº 14.816, de 16 de janeiro de 2024. Altera a Lei nº 14.600, de 19 de junho de 2023, para 
criar o Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte. Diário 
Oicial da União, 17 jan. 2024, p. 2.
CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE PROFISSIONAIS LIBERAIS. Conceito de Proissional Liberal. IV 
Congresso Mundial das Proissões Liberais, UMPL - União Mundial das Proissões Liberais, Paris, 
França, 14-15 nov. 2002.
CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Resolução Cofen nº 554, de 17 de julho de 
2017. Estabelece critérios norteadores das práicas de uso e comportamento dos proissionais de 
enfermagem em meios de comunicação. Brasília: COFEN, 2017.
______. Resolução Cofen nº 564, de 6 de novembro de 2017. Aprova o Código de Éica dos 
Proissionais de Enfermagem. Brasília: COFEN, 2017.
30
______. Resolução Cofen nº 568, de 9 de fevereiro de 2018. Regulamenta o Registro de Consultórios 
e Clínicas de Enfermagem. Brasília: COFEN, 2018.
______. Resolução Cofen nº 581, de 11 de julho de 2018. Atualiza procedimentos para registro 
de ítulos de pós-graduação lato e stricto sensu concedidos a enfermeiros e aprova lista de 
especialidades. Brasília: COFEN, 2018.
______. Cofen nº 606, de 5 de abril de 2019. Inclui modelos de requerimento para cadastro de 
consultórios e clínicas de enfermagem. Brasília: COFEN, 2019.
______. Cofen nº 625, de 19 de fevereiro de 2020. Altera a Resolução Cofen nº 581/2018 sobre 
registro de ítulos de pós-graduação. Brasília: COFEN, 2020.
______. Cofen nº 673, de 30 de julho de 2021. Estabelece a Unidade de Referência de Trabalho de 
Enfermagem (URTE) e atualiza valores mínimos de honorários. Brasília: COFEN, 2021. 2021a.
______. Resolução Cofen nº 696, de 23 de maio de 2022. Dispõe sobre a atuação da enfermagem em 
Saúde Digital e normaiza a Telenfermagem. Brasília: COFEN, 2022.
______. Resolução Cofen nº 721, de 17 de maio de 2023. Atualiza normas para registro de empresas 
no âmbito dos CORENs. Brasília: COFEN, 2023.
______. Resolução Cofen nº 731, de 13 de novembro de 2023. Regulamenta a realização de sutura 
simples pelo enfermeiro. Brasília: COFEN, 2023.
______. Resolução Cofen nº 782, de 2 de julho de 2025. Insitui os procedimentos necessários para 
concessão, renovação e cancelamento do registro da Anotação de Responsabilidade Técnica de 
Enfermagem e deine as atribuições do Enfermeiro Responsável Técnico. Brasília: COFEN, 2025.
DONOSO, M. T. V.; WIGGERS, E. Discorrendo sobre os períodos pré e pós Florence Nighingale: a 
enfermagem e sua historicidade. Enfermagem em Foco, v. 11, n. 1, p. 1-10, 2020.
PATTISON, N.; DEATON, C.; MCCABE, C. O legado de Florence Nighingale para acadêmicos clínicos: 
análise de referencial de uma rede docente clínica. Journal of Clinical Nursing, v. 31, p. 353-361, 2022.
PETRY, S. et al. Curricular reforms in the transformaion of nursing teaching in a federal university. 
Revista Brasileira de Enfermagem, v. 74, n. 4, e20201242, 2021.
RESENDE, M. A. Ensino de Enfermagem. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 15, n. 2, p. 110-158, abr. 
1961.
31
3
O PROCESSO DE ABERTURA E REGISTRO DE CONSULTÓRIOS, 
CLÍNICAS E EMPRESAS DE ENFERMAGEM
Lucielena Maria de Sousa Garcia Soares
Andreia Oliveira de Paula Murta
Introdução
Em 2018, o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) publicou a Resolução Cofen nº 568 que 
regulamentou o registro de clínicas e consultórios de enfermagem. Constam na Resolução informações 
referentes ao espaço ísico, documentação necessária e taxas praicadas quando cabíveis (Cofen, 2018).
A consulta de enfermagem já estava estabelecida como aividade privaiva do enfermeiro desde 
1986, conforme Arigo 11, inciso I, alínea i da Lei Federal nº 7.498, que é a Lei do Exercício Proissional 
de Enfermagem (Brasil, 1986).
Por se tratar de aividade privaiva estabelecida por lei, a consulta de enfermagem deve ser 
realizada obrigatoriamente na assistência de enfermagem em todos os níveis de atenção à saúde, tanto 
em insituições públicas quanto privadas. A práica clínica é desenvolvida de forma oportuna no local 
apropriado onde ocorre a interação da díade enfermeiro-usuário, a construção do vínculo e a avaliação 
biopsicossocial, para realizar o cuidado integral (Raiol, 2020).
Os enfermeiros, quando da atuação em consultórios e clínicas de enfermagem, poderão realizar 
as aividades e competências regulamentadas pela Lei Federal nº 7.498, de 25 de junho de 1986, pelo 
Decreto nº 94.406, de 08 de junho de 1987, e pelas Resoluções do Conselho Federal de Enfermagem 
(Cofen, 2018).
Em 2023, a Resolução Cofen nº 721 atualizou a norma técnica, que já exisia desde 2001, para o 
registro de empresas de enfermagem no âmbito dos Conselhos Regionais de Enfermagem. A Resolução 
traz informações detalhadas para orientar o registro das empresas que prestam aividades exclusivas 
de enfermagem (Cofen, 2023).
Em 2025, o Cofen atualizou as normas para concessão, renovação e cancelamento de Anotação de 
Responsabilidade Técnica (ART) com a emissão da Ceridão de Responsabilidade Técnica (CRT) (Cofen, 
2025).
A publicação dessas resoluções consituiu importante respaldo para o empreendedorismo na 
enfermagem. Entretanto, os trâmites legais para abertura e registro no Conselho de classe

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