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UniFECAF
Ana Paula Rodrigues Asperti
ana.asperti.137932@a.fecaf.com.br
AVALIAÇÃO COMPLETA PÓS-AVC: INTEGRANDO TESTES MOTORES,
SENSORIAIS E FUNCIONAIS PARA DIAGNÓSTICO CINÉTICO-FUNCIONAL
Foz do Iguaçu/Paraná
2026
PARTE 1 – ANÁLISE DOS ACHADOS FÍSICOS E NEUROLÓGICOS
1. Interpretação dos Testes e Correlação com o AVC
O Sr. João apresenta um quadro clássico de Hemiparesia Esquerda decorrente de um AVC no hemisfério direito (lesão contralateral).
· Força Muscular (2/5): Indica que ele consegue realizar movimentos eliminando a gravidade, mas não vence a resistência. Isso explica a dificuldade em elevar o braço para tarefas funcionais.
· ADM Limitada: A restrição no ombro, cotovelo e punho sugere o início de encurtamentos musculares e possível padrão sinérgico flexor, comum em fases subagudas do AVC.
· Sensibilidade: A redução tátil e térmica indica lesão nas vias somatossensoriais (giro pós-central do lobo parietal direito). Sem o feedback sensorial adequado, o cérebro tem dificuldade em planejar o movimento, fenômeno conhecido como "mão cega".
2. Significado Clínico da Hiperatividade e Coordenação
· Hiperreflexia (+++/++++): Os reflexos bicipital e tricipital exacerbados são sinais de Lesão do Neurônio Motor Superior (LNMS). Isso indica a perda do controle inibitório cortical, evoluindo para a espasticidade.
· Disfunção na Coordenação: O desempenho ruim no teste dedo-nariz e o tremor não indicam necessariamente uma lesão cerebelar primária, mas sim uma falha na integração sensório-motora e fraqueza dos músculos estabilizadores, resultando em movimentos imprecisos (dismetria funcional).
PARTE 2 – AVALIAÇÃO FUNCIONAL E DIAGNÓSTICO CINÉTICO-FUNCIONAL
1. Impacto nas Habilidades Motoras e AVDs
A dependência do Sr. João nas AVDs é o resultado direto da soma de três fatores:
1. Déficit de Pinça e Preensão: A força 2/5 e a extensão limitada do punho (30°) impedem a estabilização necessária para a manipulação fina (abotoar).
2. Incapacidade de Alcance: A limitação da abdução do ombro impede que ele posicione a mão no espaço para higiene e alimentação.
3. Déficit Sensorial: Como ele não sente 50% dos estímulos, ele não consegue calibrar a força necessária para segurar objetos pequenos sem derrubá-los ou esmagá-los.
2. Diagnóstico Cinético-Funcional
"Paciente apresenta hemiparesia espástica à esquerda de grau moderado, caracterizada por fraqueza muscular proximal e distal (grau 2/5), redução importante da ADM funcional em cadeia cinemática aberta e hiperreflexia bicipital/tricipal. Apresenta déficit de integração sensorial (tátil e térmica) e incoordenação motora, resultando em incapacidade de realizar pinças finas e preensão global eficaz. Tais deficiências acarretam dependência moderada para AVDs básicas (higiene, vestuário e alimentação), com comprometimento da marcha e do equilíbrio dinâmico."
PARTE 3 – PLANEJAMENTO DE INTERVENÇÕES TERAPÊUTICAS
Objetivo Geral: Promover a máxima independência funcional do membro superior esquerdo e segurança na mobilidade.
Estratégias Específicas:
· Sensibilidade: Utilizar a técnica de estimulação sensorial (texturas diversas, imersão em grãos, contraste térmico) para reorganização cortical.
· ADM e Força: Exercícios de mobilização passiva e assistida para prevenir contraturas; uso de Terapia por Contensão Induzida (TCI) se aplicável, forçando o uso do braço afetado em tarefas repetitivas.
· Coordenação Fina: Treino de atividades de vida diária com adaptações (engrossadores de talheres, botões magnéticos) enquanto a motricidade fina é trabalhada com pranchas de atividades (AVD Training).
· Mobilidade: Treino de transferências e orientações de segurança no domicílio para evitar quedas devido ao desvio de marcha.
PARTE 4 – REFLEXÃO FINAL
Nesta parte, você deve escrever com suas próprias palavras. Sugestão de roteiro:
· Dificuldades: "Senti dificuldade em correlacionar como uma lesão no lado direito do cérebro afeta o lado esquerdo do corpo, e em entender como os reflexos aumentados atrapalham o movimento voluntário."
· Aprendizado: "Esta atividade me mostrou que a Terapia Ocupacional não olha apenas para o braço fraco, mas para como esse braço impede o Sr. João de ser quem ele é no dia a dia. Aprendi que o diagnóstico cinético-funcional é a bússola para um tratamento humanizado e eficiente."