Prévia do material em texto
Organização Administrativa. Administração Pública. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 Arquivo revisado e atualizado até 10/11/2025 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 3 SUMÁRIO SUMÁRIO ............................................................................................................................................ 3 DIREITO ADMINISTRATIVO .......................................................................................................... 6 QUAL DEVE SER O FOCO? .................................................................................................................... 8 1. ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA .............................................................................................. 9 1.1. Princípios inerentes à organização administrativa (art. 6º, DL 200/67) ....................... 9 2. DESCONCENTRAÇÃO X DESCENTRALIZAÇÃO ...................................................................... 9 2.1. Desconcentração ........................................................................................................................... 9 2.2. Descentralização......................................................................................................................... 10 2.2.1. Espécies de descentralização .......................................................................................... 13 3. ÓRGÃOS PÚBLICOS ........................................................................................................................ 17 3.1. Teorias ........................................................................................................................................... 20 3.2. Criação e extinção de órgãos públicos ................................................................................ 21 3.3. Classificação ................................................................................................................................ 23 4. ADMINISTRAÇÃO INDIRETA ........................................................................................................ 25 4.1. Características comuns ............................................................................................................. 26 4.2. Entes da Administração Indireta ............................................................................................ 27 4.2.1 Autarquias .............................................................................................................................. 27 4.2.1.1. Espécies .......................................................................................................................... 29 4.2.2 Agências Reguladoras ....................................................................................................... 32 4.2.3 Agências Executivas ........................................................................................................... 39 4.2.4. Fundações Públicas ............................................................................................................ 40 4.2.5. Empresas Estatais .............................................................................................................. 44 4.2.5.1 Criação das Estatais .................................................................................................... 45 4.2.5.2 Finalidades ..................................................................................................................... 48 4.2.5.3 Capital .............................................................................................................................. 48 4.2.5.4 Forma Societária ........................................................................................................... 48 4.2.5.5 Competência .................................................................................................................. 49 4.2.5.6 Regime de Pessoal ...................................................................................................... 49 4.2.5.7 Administradores ........................................................................................................... 50 4.2.5.8 Patrimônio ...................................................................................................................... 51 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 4 4.2.5.9 Controle ........................................................................................................................... 52 4.2.5.10 Licitação e Contratos ................................................................................................ 52 4.2.5.11 Imunidade Tributária ................................................................................................ 53 4.2.5.12 Precatório ..................................................................................................................... 54 4.2.5.13 Falência ......................................................................................................................... 55 4.2.5.14 Julgados Importantes Sobre O Tema .................................................................. 56 5 ENTIDADES DO TERCEIRO SETOR (PARAESTATAIS): ........................................................ 61 5.1 Introdução ...................................................................................................................................... 61 5.2 Espécies .......................................................................................................................................... 62 5.3 Foro Processual............................................................................................................................ 62 5.4 Controle .......................................................................................................................................... 63 5.5 Regime de Pessoal......................................................................................................................corporativas, corporações profissionais Encarregadas de exercer controle e fiscalização sobre determinadas categorias profissionais. As anuidades são tributos. Como exceção, temos as anuidades da OAB, pois NÃO são consideradas tributos. Vejamos: A anuidade cobrada pela Ordem dos Advogados do Brasil não tem natureza jurídica tributária. STJ. 2ª Turma. AREsp 2.451.645-SP, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 9/4/2024 (Info 807). No julgamento (RE 1.182.189), o STF decidiu que a anuidade cobrada pela OAB não possui natureza jurídica tributária e, por causa disso, ela não se submete ao Tribunal de Contas. Veja a tese fixada: O Conselho Federal e os Conselhos Seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil não estão obrigados a prestar contas ao Tribunal de Contas da União nem a qualquer outra entidade externa. STF. Plenário. RE 1.182.189/BA, Rel. Min. Marco Aurélio, redator do acórdão Min. Edson Fachin, julgado em 25/4/2023 (Repercussão Geral – Tema 1054) (Info 1091). STF (Info 861): Os pagamentos devidos, em razão de pronunciamento 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 30 judicial, pelos Conselhos de Fiscalização (exs: CREA, CRM, COREN, CRO) não se submetem ao regime de precatórios. Apesar de os Conselhos de Fiscalização Profissional serem considerados autarquias especiais, eles não participam do orçamento público, não recebem aporte do Poder Central nem se confundem com a Fazenda Pública. Por essa razão, não se submetem ao regime de precatórios. Não manterão com os órgãos da Administração Pública qualquer vínculo funcional ou hierárquico. Autarquias Territoriais Art. 33 CF/88. É a manifestação da descentralização política a criação de territórios, e por isso NÃO ostentam no Brasil a qualidade de entes da Administração indireta, mas sim de desmembramento político. Autarquias em regime especial: AUTARQUIAS CULTURAIS: Universidades Públicas. Possuem: Autonomia Pedagógica, didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial; Indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão; Escolha do Reitor pelos docentes/ discentes; Mandato certo dos dirigentes. AGÊNCIAS REGULADORAS: Criadas para controlar e fiscalizar as atividades de interesse da sociedade executada por particulares ou até mesmo por entidades privadas da Administração Indireta. No concurso da PGM Bertioga - SP (VUNESP - 2021), o tema foi cobrado da seguinte forma: Dentre as definições a seguir, assinale aquela que melhor conceitua a autarquia. A) É entidade integrante da Administração Pública, criada ou não por lei, com personalidade jurídica de Direito Público ou Privado, patrimônio e receitas próprios, para executar atividades típicas da Administração Pública, podendo ou não ser dotada de gestão administrativa e financeira descentralizada. B) É entidade integrante da Administração Pública direta, criada por lei, com personalidade jurídica de Direito Público, sem patrimônio próprio, para executar atividades típicas da Administração Pública, que requeira, para seu melhor funcionamento, gestão administrativa descentralizada. C) É entidade integrante da Administração Pública indireta, com personalidade jurídica 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 31 de Direito Privado, patrimônio e receitas próprios, para executar, descentralizadamente, atividades estabelecidas por lei. D) É entidade integrante da Administração Pública indireta, criada por lei, com personalidade jurídica de Direito Público, patrimônio e receitas próprios, para executar atividades típicas da Administração Pública, que requeira, para seu melhor funcionamento, gestão administrativa e financeira descentralizada. E) É entidade integrante da Administração Pública indireta, criada por lei, com personalidade jurídica de Direito Público, patrimônio e receitas próprios, para executar atividades típicas da Administração Pública, caracterizada pela ausência de controle, de tutela ou de subordinação hierárquica e pela autonomia funcional, decisória, administrativa e financeira A alternativa considerada correta foi a letra D. OBSERVAÇÃO Parte da doutrina ainda menciona as Agências executivas e Associações públicas como espécies de autarquia: Agências executivas: São as autarquias e fundações públicas que celebram contrato de gestão com o intuito de melhorar sua eficiência e reduzir custos (art. 51 e 52 da Lei 9649/98). Associações públicas: Os consórcios públicos (art. 241 da CF/88), quando se constituem na forma de pessoa jurídica de direito público, assumem a forma de autarquia integrante da Administração Indireta dos entes federativos consorciados. Consórcio público de direito público: Assume a forma de ASSOCIAÇÃO PÚBLICA, adquirindo a personalidade jurídica com a subscrição de protocolo de intenções. Nesta hipótese, ele integra a Administração Pública Indireta de todos os entes da federação que formam o consórcio. Consórcio público de direito privado: Terá a forma de ASSOCIAÇÃO CIVIL e será regido pelas normas do direito privado. Sua constituição depende, portanto, da inscrição do ato constitutivo no registro civil de pessoas jurídicas. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 32 4.2.2 Agências Reguladoras a) Origem: De inspiração norte-americana, foram instituídas no Brasil a partir da década de 90, para estabelecer novo modelo regulatório brasileiro. b) Definição: São autarquias em regime jurídico especial, dotadas de autonomia reforçada em relação ao ente central, com base em dois fundamentos: Despolitização (desgovernamentalização): busca retirar do âmbito político e conferir um tratamento técnico ao setor regulado (o que acarreta, consequentemente, maior segurança jurídica). Necessidade de celeridade na regulação de determinadas atividades técnicas: teoricamente, a agência reguladora, quando baixa normas para o setor, teria maior velocidade para se adaptar à realidade econômica e tecnológica, que muda rapidamente. c) Funções: Exercem funções executivas, normativas e judicantes de Estado, NÃO desempenhando funções de governo. Podem exercer as seguintes atividades: ∘ Administrativas clássicas, ex.: poder de polícia; ∘ Poder normativo; ∘ Judicante, resolvendo conflitos entre os judicados. d) Características: ✔ AUTONOMIA ADMINISTRATIVA: ∘ Nomeação diferenciada dos dirigentes – Nomeados pelo Presidente da República após aprovação prévia do Senado para cumprir mandato certo (demais autarquias: demissíveis ad nutum e comissionados); ▪ Obs.1: NÃO é possível exigir a aprovação prévia do Senado para a exoneração dos dirigentes. ▪ Obs.2: NÃO se submetem à exoneração ad nutum. ∘ Período de quarentena dos dirigentes (art. 8º da Lei 9986/2000, com redação dada pela Lei 13.848/2019) – Durante o prazo de 6 meses ficam impedidos de exercer atividade no setor regulado, contados da exoneração ou término do mandato, sendo assegurada remuneração compensatória. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 33 ▪ Lei específica pode estabelecer prazo diferenciado. Ex.: 1 ano para ANEEL, ANS, ANP. Nesse período, ficará o antigo dirigente vinculado à agência, fazendo jus à remuneração compensatória equivalente à do cargo que exerceu. Art. 8º Os membros do Conselho Diretor ou da Diretoria Colegiada ficam impedidos de exercer atividade ou de prestar qualquer serviço no setor regulado pela respectiva agência, por período de 6 (seis) meses, contados da exoneração ou do término de seu mandato, assegurada a remuneração compensatória. ∘ Estabilidade forçada dos dirigentes - É estabilidade diferenciada. Possuem mandato certo de 5 anos, vedada a recondução (Art. 6º da Lei 9986/2000). ▪ Obs.: Antes da Lei 13.848/2019, que alterou a redação do art. 6º da Lei 9986, o mandato dos dirigentes não poderia ultrapassar o mandato do presidente. Com a novel lei, o mandato passou a ter prazo certo de 5 anos, não coincidindo mais com o mandato presidencial, justamente para conferir maior autonomia técnica à agência. Art. 6º O mandato dos membros do Conselho Diretor ou da Diretoria Colegiada das agências reguladoras será de 5 (cinco) anos, vedada a recondução, ressalvada a hipótese do § 7º do art. 5º. (Redação dada pela Lei nº 13.848, de 2019) Vigência Parágrafo único. Em caso de vacância no curso do mandato, este será completado por sucessor investido na forma prevista no art. 5º. ✔ AUTONOMIA DECISÓRIA: ∘ Impossibilidade de manejar recurso hierárquico impróprio - O objetivo é assegurar que a decisão final na esfera administrativa seja da autarquia, em razão da sua autonomia decisória. Ressalta-se que a impossibilidade de manejar recurso hierárquico impróprio não afasta a apreciação pelo Poder Judiciário. Enunciado 25 da I Jornada de Direito Administrativo CJF/STJ - A ausência de tutela a que se refere o art. 3º, caput, da Lei 13.848/2019 impede a interposição de recurso hierárquico impróprio contra decisões finais 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 34 proferidas pela diretoria colegiada das agências reguladoras, ressalvados os casos de previsão legal expressa e assegurada, em todo caso, a apreciação judicial, em atenção ao disposto no art. 5º, XXXV, da Constituição Federal. ✔ AUTONOMIA FINANCEIRA: ∘ Possuem recursos próprios e recebem dotações orçamentárias: ▪ Recursos próprios - Podem instituir as taxas regulatórias; ▪ Recebimento de dotações orçamentárias - Enviam proposta orçamentária ao Ministério ao qual estão vinculadas, para receber recursos que serão geridos pela própria agência reguladora. APROFUNDANDO PARA PROVAS DISCURSIVAS: Qual a natureza jurídica das taxas regulatórias? 1ª Corrente (JSCF): É uma espécie de tributo. Assim, será criada por lei (pela lei da agência), tem compulsoriedade e tem fato gerador da taxa de poder de polícia. A agência reguladora exerce poder de polícia nesse setor. Não é taxa de serviço, pois quem presta o serviço é o particular. 2ª corrente (Alexandre de Aragão): Depende da natureza da agência. Se for uma agência que regula a atividade econômica (ex. ANCINE), a taxa tem natureza tributária. Se a agência regula o serviço público concedido, ela apenas fiscaliza o cumprimento de um contrato administrativo (energia, telecomunicações), haverá um poder disciplinar e terá natureza jurídica de um preço contratual/preço público. ✔ AUTONOMIA NORMATIVA: Gozam de poder normativo/regulatório. ∘ O fundamento do poder normativo das agências reguladoras baseia-se na técnica da deslegalização ou delegificação, segundo a qual o próprio legislador retira determinada matéria do âmbito da lei e a passa para o âmbito do regulamento. Nesse caso, por se tratar de matérias tão específicas de ordem técnica, elas não poderiam ser disciplinadas pela lei. ∘ NÃO é poder legislativo, devendo se ater a aspectos técnicos, subalternos à lei. ∘ As agências reguladoras NÃO inovam no ordenamento jurídico, ou seja, NÃO expedem atos normativos primários. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 danux Realce danux Realce DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 35 ∘ O poder normativo só obriga o prestador de serviços, jamais o particular. 💣 CUIDADO: não se trata de poder regulamentar! Vamos aprofundar um pouco? Podemos fazer a distinção entre atos regulatórios e atos regulamentares. Nem todos os autores fazem essa distinção. Para Rafael Oliveira, temos 03 diferenças entre os dois termos. A primeira diferença se refere ao fundamento normativo. Quando a CRFB/88 fala em regulação, ela traz o art. 174. Nãoé a única norma, claro! Contudo, o art. 174 fala do Estado regulador (aparece também no art. 21, inc. XI e art. 177). Já a expressão regulamentação aparece no art. 84, inc. IV, da CRFB/88 (competências privativas do chefe do executivo). Assim, compete privativamente ao chefe do executivo editar decretos e regulamentos para a fiel execução da lei. A segunda diferença se refere ao responsável pela atividade. Na regulação, a grande protagonista é a agência reguladora. Claro que não é apenas a agência reguladora que regula, pois o art. 174 da CRFB/88 diz que o Estado tem que regular a economia e essa regulação vai ser definida na forma da lei. Logo, não diz que a regulação é feita apenas e exclusivamente por agências reguladoras. Todavia, pelo cenário normativo de hoje e pelas diversas agências reguladoras que foram criadas, basicamente, a regulação será exercida por agências reguladoras. Há outras entidades parecidas com as agências reguladoras que vão exercer atividade similar à regulação. Ex. CVM, Bacen, que são autarquias, mas são muito parecidas com as agências reguladoras. Por outro lado, em relação à regulamentação, trata-se de competência privativa do chefe do executivo (presidente, governadores de Estado e prefeitos). Assim, os atos regulamentares são exercidos pelo chefe do executivo. Só o chefe do executivo pode baixar decreto regulamentar. A terceira diferença é o caráter. Na regulação, a atividade regulatória tem caráter predominantemente técnico. A regulação é exercida especialmente por agências reguladoras. Logo, é uma autarquia composta por agentes públicos (concursados ou por cargos em comissão) que teoricamente possuem maior expertise naquele setor regulado. Dessa forma, é uma atividade predominantemente técnica, sendo exercida por pessoas que têm conhecimento naquele setor regulado. Já a regulamentação seria uma atividade essencialmente política, visto ser exercida privativamente pelo chefe do executivo. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 36 Diferenças REGULAÇÃO REGULAMENTAÇÃO Fundamento normativo O art. 174 da CRFB/88 fala do Estado regulador. Aparece no art. 84, inc. IV, da CRFB/88. Responsável pela atividade A grande protagonista é a agência reguladora. É de competência privativa do chefe do executivo. Caráter A atividade regulatória tem caráter predominantemente técnico. É uma atividade essencialmente política. e) Poder normativo e deslegalização: A legislação confere autonomia às agências reguladoras para editar atos administrativos normativos, dotados de conteúdo técnico e respeitados os parâmetros legais no setor regulado. Há controvérsias em relação à constitucionalidade, existindo duas correntes: 1ª Corrente: Inconstitucionalidade do poder normativo amplo das agências reguladoras, por violar a separação de poderes e a legalidade, sendo vedada a criação de direitos e obrigações por meio de atos regulatórios editados com fundamento em delegação legislativa inominada. Nesse sentido: Celso Antônio e Di Pietro (Di Pietro só excepciona dessa vedação a ANATEL e a ANP, por possuir previsão constitucional). 2ª Corrente: Constitucionalidade do poder normativo técnico ampliado reconhecido às agências reguladoras que poderão editar atos normativos, em razão da deslegalização, que constitui o fundamento normativo desse poder. Na doutrina: José dos Santos, Diogo de Figueiredo. DESLEGALIZAÇÃO (DELEGIFICAÇÃO) / DESLEGIFERAÇÃO / REBAIXAMENTO DO GRAU HIERÁRQUICO LEGISLATIVO É a retirada, pelo próprio legislador, de certas matérias do domínio da lei, passando-as ao domínio do regulamento. Com a deslegalização, opera-se uma degradação da hierarquia normativa de determinada matéria que, por opção do legislador, deixa de ser regulada por lei e passa para a seara do ato administrativo normativo. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 danux Realce danux Realce DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 37 A lei deslegalizadora NÃO chega a determinar o conteúdo material da futura normatização administrativa, limitando-se a estabelecer standards e princípios a serem respeitados na atividade administrativo- normativa. Limites constitucionais à deslegalização: a) Casos de reserva legislativa específica previstos na CF, que devem ser veiculados por lei formal; b) Matérias a serem reguladas por lei complementar NÃO admitem deslegalização, pois são reservas legislativas específicas. Agências Reguladoras Estaduais → Na ADI 1949/RS, entendeu o STF: • Constitucional a nomeação de dirigentes, possuindo como etapas prévias a indicação do Governador do Estado e aprovação pela Assembleia Legislativa => Modelo simétrico ao previsto na CF/88. • Inconstitucional a exoneração dos dirigentes ANTES do termo final, por decisão da Assembleia Legislativa, por alijar a participação do executivo. ATENÇÃO! FENÔMENO DA CAPTURA DAS AGÊNCIAS REGULADORAS A "captura" descreve a situação em que o ente regulador passa a atuar sem imparcialidade, favorecendo sistematicamente uma das partes envolvidas com a atividade regulada ou passa a ser uma estrutura inoperante, meramente figurativa. Pode significar o risco de concussão (corrupção dos dirigentes), como também a captura por contaminação de interesses, em que o órgão regulador assume os valores e interesses do regulado como se fossem interesses da coletividade, a captura por insuficiência de meios, que ocorre quando a atuação do agente regulador é inviabilizada pela ausência ou má qualidade de seus recursos e a captura pelo poder político, situação que ocorre quando não existem os instrumentos legais capazes de assegurar a efetiva autonomia da agência reguladora e ela passa a ser um mero agente dos interesses político- partidários dos governantes. No concurso da PGE – RS (FUNDATEC - 2021), o tema foi cobrado da seguinte forma: Quanto às agências reguladoras independentes, assinale a alternativa correta. A) São a expressão contemporânea do poder de polícia administrativo, visto que se destinam a limitar o exercício de liberdades por parte das pessoas privadas. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 4786 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 38 B) São desdobramentos (desconcentração) da organização político-administrativa nacional, sendo imediatamente subordinadas à União, aos Estados, ao Distrito Federal ou aos Municípios. C) Um dos itens que caracteriza a independência das agências reguladoras federais é a possibilidade de conceder diárias e passagens em deslocamentos nacionais e internacionais e autorizar afastamentos do País a servidores da agência. D) São autarquias especiais caracterizadas pela tutela, pela autonomia funcional, decisória, administrativa e financeira e pela investidura derivada de seus dirigentes, que contam com estabilidade durante os mandatos. E) Compete à Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Rio Grande do Sul – AGERGS a regulação de serviços públicos delegados, dentre eles, o transporte ferroviário. A alternativa considerada correta foi a letra C. No concurso da PGM Vitória – ES (FGV - 2023), o tema foi cobrado da seguinte forma: Ao aprofundar os seus estudos com relação à orientação dos Tribunais Superiores acerca da função regulatória exercida pelas Agências Reguladoras, notadamente com relação à atividade normativa e seus consectários, Bruna verificou corretamente que a) não há possibilidade de se reconhecer a existência de reserva de administração em matéria regulatória, podendo o legislador liberar a comercialização de substâncias sem a observância mínima dos padrões de controle previstos em lei e veiculados por meio de resolução de Agências Reguladoras, inclusive na área da saúde. b) no exercício da competência regulatória definida em lei, a Agência Reguladora pode inovar no ordenamento jurídico no âmbito de sua esfera de atuação, atendidos os parâmetros estabelecidos na respectiva norma. c) as resoluções das Agências Reguladoras são exemplos de regulamentos autônomos, pois retiram o seu fundamento de validade diretamente da constituição, independentemente da atuação do legislador ordinário. d) o legislador municipal pode dispor acerca da isenção das tarifas de serviços públicos em prol da coletividade, inclusive de energia elétrica e telecomunicações, ainda que haja resolução de Agência Reguladora delimitando a respectiva cobrança, considerando a hierarquia entre as normas. e) a deslegalização promovida para o exercício da competência regulatória 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 39 inviabiliza que o legislador edite uma norma que revogue a competência normativa atribuída à Agência Reguladora. A alternativa considerada correta foi a letra B. 4.2.3 Agências Executivas a) Conceito: É uma autarquia ou fundação que recebeu esta qualificação por ter celebrado um contrato de gestão com a Administração Pública (art. 37, §8º, CF/88) e por possuir um plano de reestruturação (art. 51 da Lei nº 9.649/98). Art. 37, § 8º A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos órgãos e entidades da administração direta e indireta poderá ser ampliada mediante contrato, a ser firmado entre seus administradores e o poder público, que tenha por objeto a fixação de metas de desempenho para o órgão ou entidade, cabendo à lei dispor sobre: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) ATENÇÃO A Lei 13.934/2019 regulamenta o contrato de desempenho, previsto no § 8º do art. 37 da Constituição Federal. Há muitas autarquias e fundações ineficientes, de modo que o contrato de gestão é uma tentativa de modernização. São exemplos de agências executivas: INMETRO e SUDENE. b) Requisitos: i. Autarquia ou fundação ter plano estratégico de reestruturação e desenvolvimento em andamento; ii. Celebração de contrato de gestão com Ministério Supervisor com periodicidade mínima de 01 ano. OBSERVAÇÃO Obs.1: O Presidente da República expede decreto, concedendo a qualidade de agência executiva. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 40 Obs.2: A desqualificação da fundação como agência executiva é realizada por decreto, por iniciativa do Ministério Supervisor. c) Características Gozam de dispensa de licitação para celebração de contratos, cujos limites de valor são duplicados em relação aos do art. 75, I e II, da Lei 14133/21, cf. §2º do mesmo artigo. Podem ter natureza de autarquia ou de fundação pública. As autarquias ou fundações temporariamente serão agências executivas, enquanto durar o contrato de gestão. É apenas um status temporário. Não se pode falar em conversão, mas mera qualificação (José dos Santos). Busca mais eficiência e redução de custos. 4.2.4. Fundações Públicas As fundações públicas são pessoas jurídicas sem fins lucrativos, cujo elemento essencial é a utilização do patrimônio para a satisfação de objetivos sociais, definidos pelo instituidor. Em outras palavras: a fundação é um patrimônio afetado (destinado) à realização de um fim, possuindo, por essa razão, personalidade jurídica própria distinta de seu instituidor. Desse modo, o instituidor da fundação separa (destaca) um determinado patrimônio (dinheiro, imóveis, créditos etc.) declarando que esses bens serão utilizados para a realização de um objetivo específico. a) Criação: Fundações públicas de direito público - são criadas por lei ordinária específica, mas seu objeto de atuação deve ser definido por lei complementar. Fundações públicas de direito privado - a criação é autorizada por lei ordinária específica, sendo criadas após o registro no cartório competente, mas seu objeto de atuação deve ser definido por lei complementar. Art. 37, XIX – somente por lei específica poderá ser criada autarquia e autorizada a instituição de empresa pública, de sociedade de economia mista e de fundação, cabendo à lei complementar, neste último caso, definir as áreas de sua atuação; b) Possuem regime híbrido ou misto: 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DAN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 41 Direito Público: Autarquias fundacionais cuja criação ocorre por lei específica. Direito Privado: Fundações governamentais (regime híbrido ou misto) cuja criação é autorizada por lei. OBSERVAÇÃO OBS.1: Para Celso Antônio, as fundações são pura e simplesmente autarquias. OBS.2: Para Rafael Oliveira, a ausência de lucro NÃO afasta a necessidade de eficiência por parte da entidade. Na hipótese de resultados financeiros positivos, quando os créditos superam as despesas, os valores, considerados superávit (e não lucro), deverão ser reinvestidos nas finalidades da entidade, não sendo permitida a sua distribuição ou repartição entre seus administradores. Quadro via @DizeroDireito: FUNDAÇÃO PÚBLICA DE DIREITO PÚBLICO FUNDAÇÃO PÚBLICA DE DIREITO PRIVADO Estão sujeitas ao regime público. Estão sujeitas ao regime privado. São criadas por lei específica (são uma espécie de autarquia, por isso também chamadas de “fundações autárquicas”). Deve ser editada uma lei específica autorizando que o Poder Público crie a fundação. Em seguida, será necessário fazer a inscrição do estatuto dessa fundação no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, quando, então, ela adquire personalidade jurídica. c) Atividade: Fundação Pública de Direito Público: atividades típicas de Estado; Fundação Pública de Direito Privado: atividades de conteúdo econômico passíveis de delegação. d) Patrimônio: Fundação Pública de Direito Público: bens públicos; Fundação Pública de Direito Privado: bens privados (em regra). Obs.: Bens privados afetados ao serviço público, ou seja, empregados diretamente na prestação de serviços públicos, sujeitam-se às regras de direito público. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 daniellerocha Realce DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 42 e) Regime de pessoal: Fundação Pública de Direito Público: Estatutário ou Celetista (art. 39 CF); Fundação Pública de Direito Privado: Celetista. Fundação pública com personalidade jurídica de direito privado pode adotar o regime celetista para contratação de seus empregados. É constitucional a legislação estadual que determina que o regime jurídico celetista incide sobre as relações de trabalho estabelecidas no âmbito de fundações públicas, com personalidade jurídica de direito privado, destinadas à prestação de serviços de saúde. STF. Plenário. ADI 4247/RJ, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 3/11/2020 (Info 997). OBSERVAÇÃO Ambas se sujeitam à vedação ao acúmulo de cargos; necessidade de realizar concurso público; teto remuneratório previsto na CF/88. OBSERVAÇÃO Tanto as fundações públicas de direito público quanto as de direito privado possuem imunidade tributária de impostos sobre rendas, bens ou serviços, conforme dispõe o artigo 150, inciso VI, alínea “a” e §2º, da Constituição Federal. Somente as fundações públicas de direito público: · Possuem prerrogativas processuais; · Submetem-se ao regime de precatório. As fundações estatais NÃO se submetem ao controle do MP, pois a previsão do art. 66 do CC se refere, exclusivamente, às fundações privadas, instituídas por particulares, bem como o DL 200/67 afasta a aplicação do CC às fundações estatais. JURISPRUDÊNCIA DO STF É constitucional a constituição de fundação pública de direito privado para a prestação de serviço público de saúde. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 43 Lei estadual pode autorizar a criação de fundação pública de direito privado para atuar na prestação de serviço público de saúde. O art. 5º, IV, do Decreto-Lei 200/1967 (incluído pela Lei 7.596/1987) foi recepcionado com eficácia de lei complementar pela Constituição Federal. O serviço público de saúde não incide no óbice do desempenho, pelas fundações públicas, de atividades que exigem a atuação exclusiva do Estado — os denominados serviços públicos inerentes — já que, “a assistência à saúde é livre à iniciativa privada” (CF/1988, art. 199). Ademais, inexiste modelo pré-definido pela Constituição Federal para a prestação de tais serviços pelo poder público, razão pela qual deve prevalecer a autonomia de cada ente federativo para definir a forma mais eficiente de realizar as atividades correlatas (CF/1988, art. 18). Com relação ao regime de pessoal, a jurisprudência desta Corte entende que a relação jurídica mantida entre as fundações de direito privado instituídas pelo poder público e seus prestadores de serviço é regida pela CLT, e que a exigência de instituição de regime jurídico único não se estende às fundações de direito privado. (ADI 4.197/SE, relator Ministro Roberto Barroso, julgamento virtual finalizado em 28.2.2023 (terça-feira), às 23:59. INFORMATIVO 1085) JURISPRUDÊNCIA DO STF A fundação instituída pelo Estado pode estar sujeita ao regime público ou privado, a depender do estatuto da fundação e das atividades por ela prestadas. A qualificação de uma fundação instituída pelo Estado como sujeita ao regime público ou privado depende: i) do estatuto de sua criação ou autorização e ii) das atividades por ela prestadas. As atividades de conteúdo econômico e as passíveis de delegação, quando definidas como objetos de dada fundação, ainda que essa seja instituída ou mantida pelo poder público, podem se submeter ao regime jurídico de direito privado. STF. Plenário.RE 716378/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 1º e 7/8/2019 (repercussão geral) (Info 946). JURISPRUDÊNCIA DO STJ As fundações públicas de direito privado não fazem jus à isenção das custas processuais. A isenção das custas processuais somente se aplica para as entidades com personalidade de direito público. Dessa forma, para as Fundações Públicas receberem tratamento semelhante ao conferido aos entes da Administração Direta, é necessárioque tenham natureza jurídica de 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 daniellerocha Realce daniellerocha Realce DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 44 direito público, que se adquire no momento de sua criação, decorrente da própria lei. STJ. 4ª Turma. REsp 1.409.199-SC, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 10/03/2020 (Info 676) No concurso da PGM Londrina - PR (COSP-UEL - 2019), o tema foi cobrado da seguinte forma: Caracterizam-se por terem autonomia administrativa podendo atuar em igualdade de condições com as entidades do setor privado, contudo, subordinadas a restrições em relação à contratação e demissão dos trabalhadores, exigindo-se concurso público para contratação de trabalhadores. Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, a que poder da Administração Pública se refere o texto. A) Fundações privadas, autarquias e fundações públicas. B) Empresas públicas, sociedade de economia mista e fundações privadas. C)Sociedade de economia mista, empresas públicas e sociedade privada com a participação de capital público. D) Sociedade de economia mista, empresas públicas e empresas privadas na prestação de serviços públicos. E) Sociedade de economia mista e empresas públicas. A alternativa considerada correta foi a letra E. 4.2.5. Empresas Estatais As Empresas Públicas (EP) e Sociedades de Economia Mista (SEM) são pessoas jurídicas de direito privado integrantes da Administração Pública Indireta. São regidas por um regime predominantemente privado, chamado por alguns de regime híbrido, sui generis. Isso porque, por mais que sejam influenciadas pelo regime privado, possuem características do regime de direito público. A Lei 13.303/16 estabelece o estatuto jurídico das empresas estatais (empresas públicas, SEM e suas subsidiárias e demais empresas privadas controladas pelo Estado). O diploma normativo regulamenta o art. 173, §1º, da CRFB/88, que impõe a fixação, por meio de estatuto (lei ordinária), de regras sobre licitações e contratos, questões societárias, função social das estatais e 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 45 sua fiscalização pelo poder público e pela sociedade civil, além da aplicação das mesmas normas de direito privado às empresas estatais, no que couber. Assim, foi editada a Lei 13.303/16. Art. 3º Empresa pública é a entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, com criação autorizada por lei e com patrimônio próprio, cujo capital social é integralmente detido pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios. Parágrafo único. Desde que a maioria do capital votante permaneça em propriedade da União, do Estado, do Distrito Federal ou do Município, será admitida, no capital da empresa pública, a participação de outras pessoas jurídicas de direito público interno, bem como de entidades da administração indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Art. 4º Sociedade de economia mista é a entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, com criação autorizada por lei, sob a forma de sociedade anônima, cujas ações com direito a voto pertençam em sua maioria à União, aos Estados, ao Distrito Federal, aos Municípios ou a entidade da administração indireta. §1º A pessoa jurídica que controla a sociedade de economia mista tem os deveres e as responsabilidades do acionista controlador, estabelecidos na Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e deverá exercer o poder de controle no interesse da companhia, respeitado o interesse público que justificou sua criação. §2º Além das normas previstas nesta Lei, a sociedade de economia mista com registro na Comissão de Valores Mobiliários sujeita-se às disposições da Lei no 6.385, de 7 de dezembro de 1976. 4.2.5.1 Criação das Estatais Em regra, a estatal precisa de lei autorizativa para a sua criação, bem como para a criação de suas subsidiárias e participação em outras empresas privadas, conforme art. 37, XIX e XX, da CRFB/88 e art. 2º, §§1º e 2º, da Lei 13303/16 (ressalvadas as exceções do §3º). 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 46 Art. 37 da CRFB/88. XIX - somente por lei específica poderá ser criada autarquia e autorizada a instituição de empresa pública, de sociedade de economia mista e de fundação, cabendo à lei complementar, neste último caso, definir as áreas de sua atuação; XX - depende de autorização legislativa, em cada caso, a criação de subsidiárias das entidades mencionadas no inciso anterior, assim como a participação de qualquer delas em empresa privada; O art. 37, XIX, da CRFB/88 define que somente por lei específica poderá ser autorizada a instituição de estatais. Havia uma controvérsia quanto à parte final desse inciso, que determina que “cabe à lei complementar definir as áreas de sua atuação”. Nunca houve polêmica quanto ao fato de a lei ordinária específica criar autarquia e autorizar a criação de estatais. Contudo, o que significa “neste último caso”? Parte da doutrina entendia que essa ressalva apenas se aplicaria às fundações e outros entendiam que a lei complementar também definiria a área de atuação das empresas estatais, além das fundações. A tese majoritária sempre foi no sentido que a expressão “neste último caso” apenas se refere às fundações (Rafael Oliveira). Logo, a própria lei ordinária que autoriza a criação da estatal já deve definir qual vai ser a sua área de atuação, não necessitando de lei complementar. A própria Lei 13.303/16 não exige lei complementar, apenas lei. Ressalta-se que, quanto às empresas subsidiárias, o STF entende pacificamente que não seria necessária uma lei específica autorizando a criação de cada subsidiária, bastando uma autorização legal genérica. Vale lembrar, contudo, que é necessária uma lei específica para a criação de cada estatal (“empresa-mãe”).(...) 2. É dispensável a autorização legislativa para a criação de empresas subsidiárias, desde que haja previsão para esse fim na própria lei que instituiu a empresa de economia mista matriz, tendo em vista que a lei criadora é a própria medida autorizadora. Ação direta de inconstitucionalidade julgada improcedente. STF. Plenário. ADI 1649, Rel. Min. Maurício Corrêa, julgado em 24/03/2004. Petrobrás pode criar subsidiárias e, em seguida, alienar o controle acionário delas sem licitação e sem autorização legislativa específica. (...) 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 daniellerocha Realce daniellerocha Realce DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 47 A específica autorização legislativa somente é obrigatória na hipótese de alienação do controle acionário de sociedade de economia mista (empresa- mãe). Não há necessidade dessa prévia e específica anuência para a criação e posterior alienação de ativos da empresa subsidiária, dentro de um elaborado plano de gestão de desinvestimento, voltado para garantir maiores investimentos e, consequentemente, maior eficiência e eficácia da empresa-mãe. (Info 993) É desnecessária, em regra, lei específica para inclusão de sociedade de economia mista ou de empresa pública em programa de desestatização. O art. 37, XIX, da CF/88 afirma que é necessária a edição de uma lei específica para se autorizar a instituição de uma sociedade de economia mista ou uma empresa pública. Para que ocorra a desestatização da empresa estatal também necessária lei específica ou basta uma autorização genérica prevista em lei que veicule programa de desestatização? A Lei nº 9.491/97 tratou sobre o Programa Nacional de Desestatização e autorizou a desestatização de empresas estatais. Essa lei genérica é suficiente? Em regra, sim. É desnecessária, em regra, lei específica para inclusão de sociedade de economia mista ou de empresa pública em programa de desestatização. Não se aplica o princípio do paralelismo das formas. Exceção: em alguns casos a lei que autorizou a criação da empresa estatal afirmou expressamente que seria necessária lei específica para sua extinção ou privatização. Nesses casos, obviamente, não é suficiente uma lei genérica (não basta a Lei nº 9.491/97), sendo necessária lei específica. STF. Plenário. ADI 6241/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 6/2/2021 (Info 1004), Resumindo... Basta previsão genérica, dispensado lei específica para criar subsidiária; ADI 1649 É desnecessária lei específica para inclusão de sociedade de economia mista ou de empresa pública em programa de desestatização. (Info 1004) Alienação do controle acionário de EP e SEM exige autorização legislativa e licitação; (Info 942)x Alienação do controle de subsidiárias e controladas não depende de autorização legislativa e nem de licitação. (Info 993) 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 48 No concurso da PGM MOSSORÓ/RN (2024), o tema foi cobrado da seguinte forma: Julgue o item a seguir, acerca da administração pública, do regime jurídico- administrativo, da organização administrativa, dos atos administrativos, do processo administrativo, dos serviços públicos e da intervenção do Estado na propriedade. Conforme entendimento jurisprudencial do STF, é imprescindível autorização legislativa para a alienação de controle acionário de empresas subsidiárias. A alternativa considerada ERRADO 4.2.5.2 Finalidades Pode ter duas finalidades: 1) Prestadora de serviço público; 2) Exploradora de atividade econômica. Enunciado 8 da I Jornada de Direito Administrativo CJF/STJ - O exercício da função social das empresas estatais é condicionado ao atendimento da sua finalidade pública específica e deve levar em conta os padrões de eficiência exigidos das sociedades empresárias atuantes no mercado, conforme delimitações e orientações dos §§ 1º a 3º do art. 27 da Lei 13.303/2016. 4.2.5.3 Capital Empresas Públicas: capital 100% público; Sociedade de Economia Mista: capital misto (maior parte público). 4.2.5.4 Forma Societária 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 49 Empresas Públicas: Qualquer forma societária. Há a possibilidade, inclusive, de empresas públicas com um único sócio, a exemplo da CEF, assim como na forma de sociedade anônima. Sociedade de Economia Mista: Somente sociedade anônima. Art. 4º Sociedade de economia mista é a entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, com criação autorizada por lei, sob a forma de sociedade anônima, cujas ações com direito a voto pertençam em sua maioria à União, aos Estados, ao Distrito Federal, aos Municípios ou a entidade da administração indireta. Art. 5º A sociedade de economia mista será constituída sob a forma de sociedade anônima e, ressalvado o disposto nesta Lei, estará sujeita ao regime previsto na Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976. 4.2.5.5 Competência Empresa Pública Federal: Justiça Federal; Sociedade de Economia Mista Federal: Justiça Estadual. Exceções (serão processadas na Justiça Federal): ▪ Se a União intervier como assistente ou opoente; ▪ MS contra ato ou omissão do dirigente da sociedade de economia mista federal, investido em função administrativa. Súmula 517 STF: As sociedades de economia mista só têm foro na justiça federal, quando a União intervém como assistente ou opoente. Súmula 556 STF: É competente a Justiça Comum para julgar as causas em que é parte sociedade de economia mista. 4.2.5.6 Regime de Pessoal Celetista (CLT), mas, por possuírem um regime jurídico híbrido, se sujeitam a algumas prerrogativas e regras da Administração Pública: Concurso público (art. 37, II, da CF); Teto remuneratório (art. 37, XI e §9º, da CF); 98306 98306 D AN IE LL E ARAU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 50 Regras de cumulação de empregos públicos (art. 37, XVI, da CF); Lei de improbidade administrativa (Lei 8.429/92); Obediência aos princípios administrativos (art. 37, caput, da CF). Art. 37, § 9º. O disposto no inciso XI [teto remuneratório] aplica-se às empresas públicas e às sociedades de economia mista, e suas subsidiárias, que receberem recursos da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios para pagamento de despesas de pessoal ou de custeio em geral. OBSERVAÇÃO OBS.1: O regime varia de acordo com a finalidade da empresa estatal. Se presta serviço público, o regime se aproxima mais daqueles das pessoas jurídicas de direito público. Se for exploradora de atividade econômica, se aproxima das empresas privadas que estão fora da Administração. OBS.2: Se as empresas estatais e subsidiárias NÃO receberem recursos dos entes federativos para custeio e manutenção de pessoal, pode haver pagamentos acima do teto remuneratório. OBS.3: É necessário motivar a dispensa de seus empregados. 4.2.5.7 Administradores Os administradores das SEM e EP devem ser (art. 17 da Lei 13303/16): Cidadãos de reputação ilibada e notório conhecimento; Tempo mínimo de experiência profissional (alternativos); 10 (dez) anos setor público ou privado, na área de atuação da empresa pública ou da sociedade de economia mista ou em área conexa 4 (quatro) anos pelo menos um dos seguintes cargos - cargo de direção ou de chefia superior em empresa de porte ou objeto social semelhante - cargo em comissão ou função de confiança equivalente a DAS-4 - cargo de docente ou de pesquisador em áreas 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 51 de atuação da empresa estatal 4 (quatro) anos Atuação como profissional liberal em atividade direta ou indiretamente vinculada à área de atuação da empresa estatal Formação acadêmica compatível; Não ser inelegível. Hipóteses de inelegibilidade dos administradores - É vedada a indicação de (art. 17, §2º): ▪ Representante do órgão regulador ao qual a estatal está sujeita, de Ministro de Estado, de Secretário de Estado, de Secretário Municipal, de titular de cargo, sem vínculo permanente com o serviço público, de natureza especial ou de DAS na Administração, ainda que licenciados do cargo; ▪ Dirigente estatutário de partido político e de titular de mandato no Poder Legislativo de qualquer ente da federação, ainda que licenciados; ▪ Pessoa que atuou, nos últimos 36 meses, como participante de estrutura decisória de partido político ou em trabalho vinculado a organização, estruturação e realização de campanha eleitoral; ▪ Pessoa que exerça cargo em organização sindical; ▪ Pessoa que tenha firmado contrato ou parceria, como fornecedor ou comprador, demandante ou ofertante, de bens ou serviços de qualquer natureza, com a pessoa político-administrativa controladora da estatal ou com a própria empresa ou sociedade em período inferior a 3 anos antes da data de nomeação; ▪ Pessoa que tenha ou possa ter qualquer forma de conflito de interesse com a pessoa político-administrativa controladora da estatal ou com a própria empresa ou sociedade. CESPE/CEBRASPE (2021): No que se refere à compliance e à composição do conselho de administração e da diretoria de empresas estatais, julgue o item subsequente. É vedada a indicação de dirigente estatutário de partido político para atuar no conselho de administração ou na diretoria de uma estatal. Item correto. 4.2.5.8 Patrimônio 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 52 Bens privados, mas sofre modulações de direito público, especificamente no tocante à alienação, que depende do cumprimento das exigências do art. 49 da Lei 13303/16, com redação dada pela Lei 14.002/20: Art. 49. A alienação de bens por empresas públicas e por sociedades de economia mista será precedida de: (Vide Lei nº 14.002, de 2020) I - avaliação formal do bem contemplado, ressalvadas as hipóteses previstas nos incisos XVI a XVIII do art. 29; II - licitação, ressalvado o previsto no § 3º do art. 28. 4.2.5.9 Controle Sujeição ao controle do Tribunal de Contas. O STF entendeu existir esse controle, pois na instituição das empresas estatais haveria contribuição do erário (patrimônio público). Se há empresas estatais com mais de um Ente Federado participando, o controle será exercido apenas pelo Tribunal de Contas responsável pelo controle das contas do ente federado administrador da estatal, conforme decidiu o STF. 4.2.5.10 Licitação e Contratos A Lei das Estatais passou a disciplinar a realização de licitações e contratos no âmbito das empresas públicas e sociedades de economia mista, independentemente da natureza da atividade desempenhada (prestadora de serviço ou exploradora de atividade econômica). Nesse sentido, a Lei 8.666/93 deixou de ser aplicada a essas entidades, salvo nos casos expressamente descritos na própria Lei 13.303/16 (normas penais e parte dos critérios de desempate). Além disso, com o advento da Lei 14.133/21, que revogou a Lei 8.666/93 (art. 193, Lei 14.133/21), a disciplina especial da Lei 13.303/16 permanece em vigor. Os contratos terão prazo máximo de 5 anos, salvo: i. Projetos contemplados no plano de negócios e investimentos; ii. Prática rotineira de mercado e a imposição desse prazo inviabilize ou onere excessivamente o negócio. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 daniellerocha Realce DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 53 4.2.5.11 Imunidade Tributária Se atuam em regime concorrencial: NÃO gozam de imunidade; Se prestadoras de serviços públicos não remunerados por preços públicos ou tarifas OU se estatais que exercem atividades monopolizadas: Gozam de imunidade. Art. 173, §2º, da CF/88 - As empresas públicas e as sociedades de economia mista não poderão gozar de privilégios fiscais não extensivos às do setor privado – só podem ter privilégios que a iniciativa privada também tenha. Art. 150, §3º, da CF/88 - As vedações do inciso VI, "a", e do parágrafo anterior não se aplicam ao patrimônio, à renda e aos serviços, relacionados com exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário, nem exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao bem imóvel. ATENÇÃO O art. 173, §2º, da CF assim dispõe: § 2º As empresas públicas e as sociedades de economia mista não poderão gozar de privilégios fiscais não extensivos às do setor privado. Entretanto, segundo a doutrina majoritária, em que pese não haver menção expressa ou distinção entre as empresas públicas e sociedades de economia mista exploradoras de atividades econômicas e prestadoras de serviços públicos, tal vedação se aplica somente às empresas públicas e sociedades de economia mista exploradoras de atividades econômicas. Vejamos o que diz Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo sobre o tema: “(...) é amplamente majoritário o entendimento de que a vedação alcança somente as empresas públicas e sociedades de economia mista exploradoras de atividades econômicas – e não as prestadoras de serviço públicos.” (Direito Administrativo Descomplicado. 24ª Edição. Pág. 87). Ressalta-se, por fim, que essa concessão de benefício fiscal exclusivo deve obedecer a natural observância dos princípios constitucionais pertinentes. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 54 ATENÇÃO Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos - ECT, embora seja empresa pública, possui tratamento diferenciado, uma vez que: Submete-se ao regime de Fazenda Pública; Possui imunidade tributária; Submete-se ao regime de precatório; Seus bens são impenhoráveis. OBSERVAÇÃO NÃO configura irregularidade a transferência de atividades auxiliares da atividade postal. Ex.: Entrega de encomendas e impressos podem ser delegados, por NÃO serem considerados serviços postais propriamente ditos. 4.2.5.12 Precatório Somente as empresas públicas e sociedades de economia mista que prestam serviços públicos submetem-se ao regime de precatórios. É possível aplicar o regime de precatórios às sociedades de economia mista? É aplicável o regime dos precatórios às sociedades de economia mista prestadoras de serviço público próprio do Estado e de natureza não concorrencial. STF. Plenário. ADPF 387/PI, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 23/3/2017 (Info 858). É inconstitucional determinação judicial que decreta a constrição de bens de sociedade de economia mista prestadora de serviços públicos em regime não concorrencial, para fins de pagamento de débitos trabalhistas. Sociedade de economia mista prestadora de serviço público não concorrencial está sujeita ao regime de precatórios (art. 100 da CF/88) e, por isso, impossibilitada de sofrer constrição judicial de seus bens, rendas e serviços, em respeito ao princípio da legalidade orçamentária (art. 167, VI, da CF/88) e da separação funcional dos poderes (art. 2º c/c art. 60, § 4º, III). STF. Plenário. ADPF 275/PB, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 17/10/2018 (Info 920). 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 55 É possível aplicar o regime de precatórios às empresas públicas? Não se submetem ao regime de precatório as empresas públicas dotadas de personalidade jurídica de direito privado com patrimônio próprio e autonomia administrativa que exerçam atividade econômica sem monopólio e com finalidade de lucro. STF. 1ª Turma. RE 892727/DF, rel. orig. Min. Alexandre de Morais, red. p/ o ac. Min. Rosa Weber, julgado em 7/8/2018 (Info 910). Ex: a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina - APPA ostenta personalidade jurídica de direito privado, exerce atividade econômica em regime concorrencial, sem monopólio e com vista a auferir lucro (Lei nº 17.895/2013, do Estado do Paraná). Sujeita-se, portanto, ao regime jurídico das empresas privadas (art. 173, §§ 1º, II, e 2º, da CF/88), a ela não se aplicando o regime de precatórios previsto no art. 100 da CF/88. 4.2.5.13 Falência A lei de falências exclui as estatais (art. 2º, I, da Lei 11101/05), mas a doutrina é divergente: 1ª Corrente: Sujeitam-se à falência, tendo em vista o disposto no art. 173, §1º, II da CF, sendo inconstitucional o dispositivo da lei de falências. 2ª Corrente: Interpretação conforme a Constituição, para compatibilizar a lei de falências com o art. 173 da CF, de modo que apenas empresas estatais prestadoras de serviços públicos são afastadas da falência. Celso Antônio, José dos Santos, Diógenes Gasparini e Di Pietro. 3ª Corrente: Não se sujeitam à falência. Rafael Oliveira. JURISPRUDÊNCIA DO STF 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO ADMINISTRATIVO Organizaçãoda Administração Pública 56 Tese fixada: “É constitucional o art. 2º, I, da Lei nº 11.101/2005 quanto à inaplicabilidade do regime falimentar às empresas públicas e sociedades de economia mista, ainda que desempenhem atividades em regime de concorrência com a iniciativa privada, em razão do eminente interesse público/coletivo na sua criação e da necessidade de observância do princípio do paralelismo das formas.” Resumo: É constitucional a exclusão das empresas estatais do regime de falência e recuperação judicial previsto na Lei nº 11.101/2005, na medida em que a extinção dessas entidades somente pode ocorrer por lei e não por decisão judicial de decretação de insolvência (CF/1988, arts. 37, XIX e 173, caput). RE 1.249.945/MG, relator Ministro Flávio Dino, julgamento virtual finalizado em 17.10.2025 (sexta-feira), às 23:59. INFORMATIVO 1195. ATENÇÃO: Excluem-se da Administração Indireta e do conceito de empresas estatais as entidades privadas que possuem participação minoritária do Estado, ainda que recebam influência estatal em razão de classe especial (GOLDEN SHARES). GOLDEN SHARE: Prevista expressamente na lei do Programa Nacional de Desestatização (art. 8º da Lei 9491/97) – sempre que houver razões que justifiquem, a União deterá, direta ou indiretamente, ação de classe especial do capital social da empresa ou instituição financeira objeto de desestatização, que lhe confira poderes especiais em determinadas matérias, as quais deverão ser caracterizadas nos seus estatutos sociais. Ex.: EMBRAER e VALE. 4.2.5.14 Julgados Importantes Sobre O Tema JURISPRUDÊNCIA DO STF São constitucionais os dispositivos da Lei nº 13.303/2016 (Lei das Estatais) que proíbem a indicação, para cargos no Conselho de Administração e para a diretoria das empresas estatais, de (i) representante do órgão regulador ao qual a empresa está vinculada; (ii) Ministros de Estado, Secretários estaduais e municipais e titulares de cargo, sem vínculo permanente com o serviço público, de natureza especial ou de direção e assessoramento superior na Administração Pública; (iii) dirigente estatutário de partido político e titular de mandato no Poder Legislativo de qualquer ente da federação; e (iv) pessoa que, nos últimos 36 meses, participou de estrutura decisória de partido político ou da organização, estruturação e realização de campanha eleitoral. Contudo, em observância aos princípios da boa-fé e da continuidade do serviço público, devem ser mantidas as indicações realizadas antes ou durante a vigência da liminar deferida em 16.03.2023, a qual suspendeu as 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 57 referidas restrições. Tese fixada: “1. São constitucionais as normas dos incisos I e II do § 2º do art. 17 da Lei 13.303/2016, que impõem vedações à indicação de membros para o Conselho de Administração e para a diretoria de empresas estatais (CF, art. 173, § 1º).” ADI 7.331/DF, relator Ministro Ricardo Lewandowski, redator do acórdão Ministro André Mendonça, julgamento finalizado em 09.05.2024 (quinta-feira) INFORMATIVO 1136 Observação: no caso das autarquias, vale ressaltar que é possível exigir sabatina prévia para os membros das agências reguladoras, que são autarquias especiais. Pela legislação, os conselheiros, no modelo federal, são submetidos à aprovação do Poder Legislativo. A alienação do controle acionário de empresas públicas e sociedades de economia mista exige autorização legislativa e licitação. A alienação do controle acionário de empresas públicas e sociedades de economia mista exige autorização legislativa e licitação. Por outro lado, não se exige autorização legislativa para a alienação do controle de suas subsidiárias e controladas. Nesse caso, a operação pode ser realizada sem a necessidade de licitação, desde que siga procedimentos que observem os princípios da administração pública inscritos no art. 37 da CF/88, respeitada, sempre, a exigência de necessária competitividade. STF. Plenário.ADI 5624 MC-Ref/DF, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 5 e 6/6/2019 (Info 943). É possível aplicar o regime de precatórios às sociedades de economia mista? É aplicável o regime dos precatórios às sociedades de economia mista prestadoras de serviço público próprio do Estado e de natureza não concorrencial. STF. Plenário. ADPF 387/PI, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 23/3/2017 (Info 858). É inconstitucional determinação judicial que decreta a constrição de bens de sociedade de economia mista prestadora de serviços públicos em regime não concorrencial, para fins de pagamento de débitos trabalhistas. Sociedade de economia mista prestadora de serviço público não concorrencial está sujeita ao regime de precatórios (art. 100 da CF/88) e, por isso, impossibilitada de sofrer constrição judicial de seus bens, rendas e serviços, em respeito ao princípio da legalidade orçamentária (art. 167, VI, da CF/88) e da separação funcional dos poderes (art. 2º c/c art. 60, § 4º, III). STF. Plenário. ADPF 275/PB, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 17/10/2018 (Info 920). É possível aplicar o regime de precatórios às empresas públicas? Não se submetem ao regime de precatório as empresas públicas dotadas de personalidade 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 daniellerocha Realce DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 58 jurídica de direito privado com patrimônio próprio e autonomia administrativa que exerçam atividade econômica sem monopólio e com finalidade de lucro. STF. 1ª Turma. RE 892727/DF, rel. orig. Min. Alexandre de Morais, red. p/ o ac. Min. Rosa Weber, julgado em 7/8/2018 (Info 910). Ex: a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina - APPA ostenta personalidade jurídica de direito privado, exerce atividade econômica em regime concorrencial, sem monopólio e com vista a auferir lucro (Lei nº 17.895/2013, do Estado do Paraná). Sujeita-se, portanto, ao regime jurídico das empresas privadas (art. 173, §§ 1º, II, e 2º, da CF/88), a ela não se aplicando o regime de precatórios previsto no art. 100 da CF/88. É desnecessária, em regra, lei específica para inclusão de sociedade de economia mista ou de empresa pública em programa de desestatização AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. REQUERIMENTO DE MEDIDA CAUTELAR. LEIS FEDERAIS NS. 9.491/1997 E 13.334/2016. DESESTATIZAÇÃO DE EMPRESAS PÚBLICAS E SOCIEDADES DE ECONOMIA MISTA. IMPUGNAÇÃO GENÉRICA. CONHECIMENTO PARCIAL DA AÇÃO. CONSTITUCIONALIDADE DA AUTORIZAÇÃO LEGAL GENÉRICA PARA A DESESTATIZAÇÃO DE EMPRESAS ESTATAIS. AÇÃO PARCIALMENTE63 5.6 Patrimônio ..................................................................................................................................... 64 5.7 Licitação .......................................................................................................................................... 64 5.8 Responsabilidade civil das entidades do 3º setor ............................................................. 65 5.9. Espécies ......................................................................................................................................... 66 5.9.1. Serviço Social Autônomo ................................................................................................. 66 5.9.2. Entidades ou Fundações de Apoio ................................................................................ 71 5.9.3. Organizações Sociais (OS): .............................................................................................. 73 5.9.3.1 Qualificação como ‘OS’ ............................................................................................... 73 5.9.3.2 Contrato de gestão ...................................................................................................... 75 5.9.3.3 Remuneração e fiscalização ...................................................................................... 76 5.9.4. Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) ............................ 77 5.9.4.1 Qualificação como OSCIP .......................................................................................... 78 5.9.4.2 Termo de parceria ........................................................................................................ 80 5.9.4.3 Fiscalização .................................................................................................................... 82 5.9.5. Organizações da Sociedade Civil - OSC (Lei 13.019/14) ....................................... 83 5.9.5.1 Aplicabilidade e inaplicabilidade da Lei: ............................................................... 84 5.9.5.2 Formas de seleção das organizações: .................................................................... 87 5.9.5.3 Exceção ao chamamento público: parcerias diretas .......................................... 90 5.9.5.4 Instrumentos públicos de parceria: ......................................................................... 93 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 5 5.9.5.5 Parcerias “ficha limpa”. ............................................................................................... 95 5.9.5.6 Contratações .................................................................................................................. 96 5.9.5.7 Prestação de contas e accountability ..................................................................... 96 5.9.5.8 Responsabilidade e sanções ..................................................................................... 97 6. ASSOCIAÇÃO DE REPRESENTAÇÃO DE MUNICÍPIOS (Lei nº 14.341/2022) ............. 99 6.1. Requisitos para constituição ................................................................................................... 99 6.2. Vedações ..................................................................................................................................... 100 6.3. Previsões Obrigatórias No Estatuto ................................................................................... 101 6.4. Obediência Aos Princípios Da Administração Pública, Contratação De Pessoal E Impedimentos De Contratação ..................................................................................................... 101 6.5. Contribuição Financeira: ......................................................................................................... 102 6.6. Prestação De Contas ............................................................................................................... 102 6.7. Filiação Ou Desfiliação De Municípios ............................................................................... 102 6.8. Exclusão De Municípios Da Associação ............................................................................ 103 6.9. Direito À Informação ............................................................................................................... 103 6.10. Associações Compulsoriamente Dissolvidas Ou Atividades Suspensas ............. 103 6.11. Prerrogativas Da Fazenda Pública ................................................................................... 103 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 6 DIREITO ADMINISTRATIVO TODOS OS ARTIGOS RELACIONADOS AO TEMA CF/88 ⦁ Art. 33 ⦁ Art. 37, XIX, XX e XXI ⦁ Art. 37, §§ 6º, 8º ⦁ Art. 48, XI ⦁ Art. 51, IV e 52, XIII, da CF ⦁ Art. 61 § 1º, II, "e" ⦁ Art. 84, IV, VI, "a" ⦁ Art. 173, §1º e §2º e 174 Outros Diplomas Legais ⦁ Art. 51 da Lei nº 9.649/98 ⦁ Art. 1º, §2º, I Lei 9.784/99 ⦁ Lei 9.637/98 ⦁ Lei 13.303/16 ⦁ Lei 13.019/14 ⦁ Lei 9.986/2000 ⦁ Lei 13.848/2019 ⦁ Lei 13.934/2019 ARTIGOS MAIS IMPORTANTES – NÃO DEIXE DE LER! CF/88 ⦁ Art. 37, XIX, XX e XXI, CF/88 ⦁ Art. 37, §§ 6º, 8º, CF/88 ⦁ Art. 48, XI, CF/88 (criação de ministérios deve ser por lei) ⦁ Art. 84, IV, VI, "a", CF/88 Lei 13.303/16 (lei das empresas públicas e sociedades de economia mista) ⦁ Art. 1º, caput e §§5º e 6º ⦁ Art. 2º, §§1º e 2º ⦁ Art. 3º, 4º e 5º ⦁ Art. 8º ⦁ Art. 27 a 30 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 7 ⦁ Art. 47 e 49 ⦁ Art. 85 e 86 Lei 9.637/98 (lei das organizações sociais - OS) ⦁ Art. 1º e 2º ⦁ Art. 5º, 6º, 7º e 9º ⦁ Art. 11º e 12º ⦁ Art. 14 e 17 Lei 9.790/99 (lei das organizações da sociedade civil de interesse público - OSCIP) ⦁ Art. 1º e 2º (atenção ao §único do art. 2º) ⦁ Art. 3º ⦁ Art. 10, §1º ⦁ Art. 11, 14 e 16 Lei 13.019/2014 (lei das organizações da sociedade civil - OSC)CONHECIDA E, NESSA PARTE, JULGADA IMPROCEDENTE. 1. Não se conhece da ação direta de inconstitucionalidade na qual a impugnação às normas é apresentada de forma genérica. Precedentes. 2. Para a desestatização de empresa estatal é suficiente a autorização prevista em lei que veicule programa de desestatização. Precedentes. 4. Autorização legislativa genérica é pautada em princípios e objetivos que devem ser observados nas diversas fases deliberativas do processo de desestatização. A atuação do Chefe do Poder Executivo vincula-se aos limites e condicionantes legais previstos. 5. Ação direta parcialmente conhecida quanto à impugnação da autorização de inclusão de empresas estatais no plano de desestatização prevista no caput do art. 2º e no § 1º do inc. I do art. 6º da Lei n. 9.491/1997 e, nessa parte, julgado improcedente o pedido. (ADI 6241, Relator(a): CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 08/02/2021, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-054 DIVULG 19-03-2021 PUBLIC 22-03-2021) Fonte: Dizer o Direito. Sociedades de economia mista, como o Metrô-DF, desde que prestem serviço público essencial em regime de exclusividade (monopólio natural) e sem intuito lucrativo, submetem-se ao regime constitucional de precatórios para o adimplemento de seus débitos. STF. Plenário. ADPF 524/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 22/8/2023 (Info 1104). São constitucionais os dispositivos da Lei nº 13.303/2016 (Lei das Estatais) que proíbem a indicação, para cargos no Conselho de Administração e para a diretoria das empresas estatais, de (i) representante do órgão regulador ao qual a empresa está vinculada; (ii) 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 59 Ministros de Estado, Secretários estaduais e municipais e titulares de cargo, sem vínculo permanente com o serviço público, de natureza especial ou de direção e assessoramento superior na Administração Pública; (iii) dirigente estatutário de partido político e titular de mandato no Poder Legislativo de qualquer ente da federação; e (iv) pessoa que, nos últimos 36 meses, participou de estrutura decisória de partido político ou da organização, estruturação e realização de campanha eleitoral. Contudo, em observância aos princípios da boa-fé e da continuidade do serviço público, devem ser mantidas as indicações realizadas antes ou durante a vigência da liminar deferida em 16.03.2023, a qual suspendeu as referidas restrições. Tese fixada: “1. São constitucionais as normas dos incisos I e II do § 2º do art. 17 da Lei 13.303/2016, que impõem vedações à indicação de membros para o Conselho de Administração e para a diretoria de empresas estatais (CF, art. 173, § 1º).” ADI 7.331/DF, relator Ministro Ricardo Lewandowski, redator do acórdão Ministro André Mendonça, julgamento finalizado em 09.05.2024 (quinta-feira). INFORMATIVO 1136 DO STF JURISPRUDÊNCIA DO STJ Aplica-se a prescrição quinquenal do Decreto n. 20.910/1932 às empresas públicas e sociedades de economia mista prestadoras de serviços públicos essenciais, sem finalidade lucrativa e sem natureza concorrencial. AgInt no REsp 2.134.606-SP, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 28/4/2025, DJEN 5/5/2025. Informativo 852 A Lei das Estatais (Lei n. 13.303/2016) não incide às empresas supranacionais, condição da Itaipu Binacional. RO 275-PR, Rel. Ministro Afrânio Vilela, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 4/2/2025, DJEN 10/2/2025. Informativo 839 Veja, ainda, os enunciados aprovados na I Jornada de Direito Administrativo CJF/STJ sobre as estatais. Enunciado 13 - As empresas estatais são organizações públicas pela sua finalidade, portanto, submetem-se à aplicabilidade da Lei 12.527/2011 “Lei de Acesso à Informação “, de acordo com o art. 1º, parágrafo único, inc. II, não cabendo a decretos e outras normas infralegais estabelecer outras restrições de acesso a informações não previstas na Lei. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 60 Enunciado 14 - A demonstração da existência de relevante interesse coletivo ou de imperativo de segurança nacional, descrita no § 1º do art. 2º da Lei 13.303/2016, será atendida por meio do envio ao órgão legislativo competente de estudos/documentos (anexos à exposição de motivos) com dados objetivos que justifiquem a decisão pela criação de empresa pública ou de sociedade de economia mista cujo objeto é a exploração de atividade econômica. Enunciado 22 - A participação de empresa estatal no capital de empresa privada que não integra a Administração Pública enquadra-se dentre as hipóteses de “oportunidades de negócio” prevista no art. 28, § 4º, da Lei 13.303/2016, devendo a decisão pela referida participação observar os ditames legais e os regulamentos editados pela empresa estatal a respeito desta possibilidade. Enunciado 24 - Viola a legalidade o regulamento interno de licitações e contratos editado por empresa estatal de qualquer ente da federação que estabelece prazo inferior ao previsto no art. 83, § 2º, da Lei n. 13.303/2016, referente à apresentação de defesa prévia no âmbito de processo administrativo sancionador. Enunciado 27 - A contratação para celebração de oportunidade de negócios, conforme prevista pelo art. 28, § 3º, II, e § 4º da Lei n. 13.303/2016 deverá ser avaliada de acordo com as práticas do setor de atuação da empresa estatal. A menção à inviabilidade de competição para concretização da oportunidade de negócios deve ser entendida como impossibilidade de comparação objetiva, no caso das propostas de parceria e de reestruturação societária e como desnecessidade de procedimento competitivo, quando a oportunidade puder ser ofertada a todos os interessados. Enunciado 30 - A "inviabilidade de procedimento competitivo" prevista no art. 28, § 3º, inc. II, da Lei n. 13.303/2016 não significa que, para a configuração de uma oportunidade de negócio, somente poderá haver um interessado em estabelecer uma parceria com a empresa estatal. É possível que, mesmo diante de mais de um interessado, esteja configurada a inviabilidade de procedimento competitivo. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LLE AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 61 5 ENTIDADES DO TERCEIRO SETOR (PARAESTATAIS): Em direito administrativo, além da clássica divisão entre Administração direta e indireta, os autores dividem o Estado em setores: a) Primeiro setor: composto pela administração direta e indireta; b) Segundo setor: para a professora Di Pietro, seria o mercado, o qual é formado pelas concessionárias e permissionárias de serviço público; c) Terceiro setor: composto pelo que a doutrina chama de particulares em colaboração com o Estado. São subdivisões do Terceiro Setor: Sistema ‘S’: Serviços sociais autônomos, tais como o SESI, SESC, SENAI e SENAC; Sistema ‘OS’: Organizações sociais, regidas pela Lei 9.637/98; OSCIP’s: Organizações da sociedade civil de interesse público, regidas pela Lei 9.790/99; OSC’s: Organizações da sociedade civil, regidas pela Lei 13.019/14; Fundações de apoio. 5.1 Introdução As entidades do 3º Setor são particulares em colaboração, sem fins lucrativos, que atuam ao lado do Estado na prestação de serviços públicos e atividades de interesse social, mediante vínculo formal de parceria com o Estado. Em outras palavras: são entidades privadas que não integram a estrutura da Administração Pública Direta ou Indireta! Tais entidades recebem incentivos do Poder Público, mediante dotação orçamentária, cessão de bens públicos, e se submetem, consequentemente, às restrições de controle impostas ao ente estatal, sujeitos ao controle do Tribunais de Contas. Características principais: São criadas pela iniciativa privada (“particulares em colaboração”); Não integram formalmente a Administração Pública; A criação depende de lei autorizativa; Possuem vínculo legal ou negocial com o Estado; 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 62 Não possuem finalidade lucrativa; Recebem benefícios públicos; Possuem regime jurídico de direito privado; Adquirem personalidade jurídica com a inscrição do estatuto em cartório próprio; Prestam atividades privadas de interesse social (serviços não exclusivos de Estado). Principais consequências por serem entidades privadas (pessoa jurídica de direito privado): Bens privados; Regime CLT; NÃO exige concurso público; NÃO possuem prerrogativas processuais; NÃO se submetem a precatórios; NÃO se submetem ao teto remuneratório previsto na CF/88; NÃO precisam fazer licitação (doutrina majoritária); NÃO precisam ter a remuneração fixada por lei. CESPE/CEBRASPE (2021): Serviços sociais autônomos são pessoas jurídicas de direito privado, com ou sem fim econômico, criadas por lei para desempenhar certas atividades, integrando a administração pública indireta. Item incorreto, pois não podem ter fim econômico nem integram a Administração Pública indireta. 5.2 Espécies 1) Sistema S - Serviço Social Autônomo; 2) Sistema OS - Organização Social 3) Sistema OSCIP - Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público; 4) Sistema OSC - Organizações da Sociedade Civil; 5) Fundações de apoio. 5.3 Foro Processual É a Justiça Estadual, inclusive para as entidades que formalizam parcerias com a União. Serviços sociais autônomos que recebem recursos federais: Justiça Estadual (Súm. 516 STF). Súmula 516 STF - O Serviço Social da Indústria (SESI) está sujeito à jurisdição da Justiça estadual. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 63 5.4 Controle Para a doutrina amplamente majoritária, sujeitam-se ao controle do TCU. Nas palavras do professor Rafael Oliveira: “As entidades do Terceiro Setor, que formalizam parcerias com o Poder Público, são fiscalizadas pelo respectivo Ente federativo parceiro, pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Contas, na forma do art. 70, parágrafo único, da CRFB. Da mesma forma, admite-se o controle social, especialmente por meio da propositura da ação popular.” Cuidado com o entendimento do STF sobre o tema: Os recursos geridos pelos serviços sociais autônomos não são considerados recursos públicos. Os recursos geridos pelos serviços sociais autônomos são considerados recursos públicos? NÃO. Segundo entende o STF, os serviços sociais autônomos do denominado sistema “S”, embora compreendidos na expressão de entidade paraestatal, são pessoas jurídicas de direito privado, definidos como entes de colaboração, mas não integrantes da Administração Pública. Assim, quando o produto das contribuições ingressa nos cofres dos Serviços Sociais Autônomos, perde o caráter de recurso público. STF. Plenário. ACO 1953 AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 18/12/2013. 5.5 Regime de Pessoal Empregados celetistas (submetem-se à CLT). NÃO se aplica as regras de concurso público. No entanto, doutrina majoritária e STF entendem que deve haver um processo seletivo público, objetivo e impessoal, de modo que a contratação obedeça aos princípios constitucionais da impessoalidade e moralidade. Os serviços sociais autônomos não precisam realizar concurso público para contratar seu pessoal. Os serviços sociais autônomos precisam realizar concurso público para contratar seu pessoal? NÃO. Os serviços 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D ANIE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 64 sociais autônomos, por possuírem natureza jurídica de direito privado e não integrarem a Administração Pública, mesmo que desempenhem atividade de interesse público em cooperação com o ente estatal, NÃO estão sujeitos à observância da regra de concurso público (art. 37, II, da CF/88) para contratação de seu pessoal. Obs.: vale ressaltar, no entanto, que o fato de as entidades do Sistema “S” não estarem submetidas aos ditames constitucionais do art. 37 não as exime de manterem um padrão de objetividade e eficiência na contratação e nos gastos com seu pessoal. STF. Plenário. RE 789874/DF, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 17/9/2014 (repercussão geral) (Info 759). 5.6 Patrimônio Bens privados. No entanto, os bens privados adquiridos com recursos públicos sofrerão influxos do regime de direito público. Ex.: Em determinadas hipóteses, podem ser considerados impenhoráveis, em razão da necessidade de continuidade das atividades sociais. Ou, ainda, após o término da parceria, os bens devem ser transferidos ao patrimônio de outra entidade similar ou ao patrimônio do Estado, sob a alegação de necessidade de continuidade das atividades sociais. 5.7 Licitação Licitação entre o Estado e as entidades do 3º setor: Embora haja divergência, a doutrina majoritária entende que não há necessidade de licitação. Isso porque os contratos de gestão e termos de parceria firmados entre o 3º Setor e a Administração possuem natureza jurídica de convênio (que busca o interesse comum entre os partícipes), e não de contrato administrativo que exige licitação. Licitação entre o 3º setor e a contratação com terceiros utilizado dinheiro público: Há forte divergência doutrinária sobre o tema. Veja: 1ªC (José dos Santos): Exige a licitação, tendo em vista que a hipótese se subsome à expressão “demais entidades controladas direta ou indiretamente pelo Poder Público”, constante do art. 1º, p.ú, da Lei 8666 c.c. art. 1º, II, da Lei 14133/21. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 65 2ª C (Diogo Moreira): Não exige licitação, pois não é possível ampliar, mediante lei ordinária, o rol de destinatários da licitação previsto no art. 37, XXI, da CF/88. Haveria, no caso, uma inconstitucionalidade por vício formal. 3ª C (Rafael Oliveira e TCU): Não exige licitação, mas é necessário um procedimento simplificado e objetivo para as contratações realizadas com dinheiro público, de modo a atender aos princípios constitucionais, sobretudo o da impessoalidade. Ressalta-se que essa foi a posição adotada pelas leis da OS (art. 17) e OSCIP (art. 14): Lei 9637/98. Art. 17. A organização social fará publicar, no prazo máximo de noventa dias contado da assinatura do contrato de gestão, regulamento próprio contendo os procedimentos que adotará para a contratação de obras e serviços, bem como para compras com emprego de recursos provenientes do Poder Público. Lei 9790/99. Art. 14. A organização parceira fará publicar, no prazo máximo de trinta dias, contado da assinatura do Termo de Parceria, regulamento próprio contendo os procedimentos que adotará para a contratação de obras e serviços, bem como para compras com emprego de recursos provenientes do Poder Público, observados os princípios estabelecidos no inciso I do art. 4o desta Lei. 5.8 Responsabilidade civil das entidades do 3º setor Trata-se de tema com grande divergência doutrinária, de modo que é importante atentar-se às 3 posições para eventual prova discursiva: 1ª C (Cristiana Fortini): Haverá responsabilidade objetiva das entidades do 3º setor, pois as atividades sociais por elas desenvolvidas podem ser qualificadas como serviços públicos, atraindo a incidência do art. 37, §6º, da CF/88. 2ª C (José dos Santos): Depende da parceria. Em se tratando dos sistemas sociais autônomos (Sistema “S”), que desempenham atividades de caráter meramente social e podem ser qualificadas como serviços públicos, a responsabilidade será objetiva, na forma do art. 37, §6º, da CF/88. Por outro lado, em se tratando de organizações sociais (“OS”) ou organizações sociais da sociedade civil de interesse público (“OSCIP”), a responsabilidade será subjetiva, pois tais entidades exercem parceria meramente desinteressada. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 66 3ª C (Rafael Oliveira e Villela Souto): Trata-se de responsabilidade subjetiva, em razão da inexistência de serviço público. Embora tenham relevância social, são atividades privadas prestadas em nome próprio, motivo pelo qual devem seguir o regramento da legislação civil. E, segundo a lei civil, somente haverá responsabilidade objetiva em casos previstos expressamente por lei, ou quando a natureza da atividade desempenhada implicar risco para as pessoas, na forma do art. 927 do CC. ☞ Para essa 3ª corrente, haverá ainda responsabilidade subsidiária do Estado pelos danos causados pelo 3º setor no desempenho das atividades que são objeto de parceria. Veja a jurisprudência: É constitucional — e não ofende a diretriz constitucional da participação popular no âmbito do Sistema Único de Saúde (CF/1988, art. 198, III) — lei estadual que dispõe sobre programa de descentralização da execução de serviços públicos não exclusivos para as entidades do terceiro setor, desde que esse modelo de gestão seja conduzido de forma pública, objetiva e impessoal (CF/1988, art. 37, caput), sem prejuízo da fiscalização do Ministério Público e do Tribunal de Contas correspondentes quanto à utilização de verbas públicas. STF. ADI 7.629/MG, relator Ministro Dias Toffoli, julgamento virtual finalizado em 14.02.2025. (Info 1165) 5.9. Espécies 5.9.1. Serviço Social Autônomo Os serviços sociais autônomos são entidades privadas, instituídas mediante autorização legal para desempenhar atividades de fomento, capacitação e assistência a determinadas categorias profissionais, sem finalidade lucrativa. Integram o chamado Sistema “S” (SESI, SENAI, SENAC, SENAR, SEBRAE, entre outros) e se caracterizam por atuar no interesse público, mas sem prestar serviço público típico ou exclusivo do Estado. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 0247 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 67 NÃO atuam na prestação de serviços públicos exclusivos de Estado por meio de delegação de atividades, mas executam atividades particulares de cunho social, sem a intenção de auferirem qualquer espécie de lucro. A atuação é de fomento e não de prestação de serviço público. Estas entidades são particulares, criadas por autorização legal para a execução de atividades de interesse do Estado, admitindo-se que sejam constituídas sob a forma de associação ou fundação ou, ainda, por meio de estruturas não previstas no direito civil e reguladas pela lei específica da entidade. São, portanto, entes paraestatais, criados para cooperar com o Poder Público na execução de atividades de natureza social, educativa e profissionalizante, com autonomia administrativa e financeira. Essas entidades são mantidas, em grande parte, por contribuições compulsórias previstas no art. 240 da Constituição Federal, incidentes sobre a folha de salários das empresas. Tais contribuições têm natureza tributária, classificando-se como contribuições sociais gerais (como as destinadas ao SESC, SENAC, SESI e SENAI) ou como contribuições de intervenção no domínio econômico – CIDE (como SEBRAE, APEX-Brasil e ABDI), conforme reconhecido pelo STF e pelo STJ (EREsp 1.571.933/SC, Primeira Seção, julgado em 2023). Essas exações são tradicionalmente chamadas de contribuições parafiscais, porque representam a instituição de tributos em favor de entes diversos do Estado, com destinação vinculada e administração autônoma. O fenômeno que lhes dá origem é denominado parafiscalidade, expressão cunhada pela doutrina para descrever a tributação extraorçamentária, isto é, a arrecadação de tributos cuja receita não se integra ao orçamento público geral, mas é gerida diretamente pela entidade beneficiária para custeio de suas finalidades institucionais. Nessa perspectiva clássica, a parafiscalidade envolve três elementos: (1) a instituição legal do tributo pelo Estado, que mantém a competência tributária; (2) a atribuição da capacidade tributária ativa a uma entidade distinta do Estado, autorizada a arrecadar, fiscalizar e gerir os valores arrecadados; e (3) a destinação vinculada do produto da arrecadação a finalidades públicas específicas. Foi sob esse modelo que se estruturaram, originalmente, os serviços sociais autônomos, dotados de capacidade tributária ativa para cobrar e fiscalizar as contribuições devidas às suas finalidades. Essa capacidade encontra fundamento no art. 7º do Código Tributário Nacional, que 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 68 permite a atribuição das funções de arrecadar e fiscalizar tributos a pessoas jurídicas de direito público diversas daquelas que os instituíram — fenômeno que a doutrina estendeu, por analogia, às entidades paraestatais. Contudo, o cenário mudou com a edição da Lei nº 11.457/2007, que centralizou na Receita Federal do Brasil todas as atividades de tributação, fiscalização, arrecadação e cobrança das contribuições destinadas a terceiros, inclusive as do Sistema “S”. A partir daí, tais entidades deixaram de exercer a capacidade tributária ativa e passaram a ser meras destinatárias do produto arrecadado pela União, perdendo a característica funcional da parafiscalidade em sentido técnico. Dessa forma, no sistema atual, a parafiscalidade persiste apenas em sentido material ou financeiro: as contribuições mantêm destinação vinculada a entidades privadas de interesse público, mas a função de arrecadar e fiscalizar foi absorvida pelo Estado, especialmente pela Receita Federal. Essa distinção foi central na formação da Súmula 666 do STJ (aprovada em 18/04/2024), que consolidou a seguinte tese: “A legitimidade passiva, em demandas que visam à restituição de contribuições de terceiros, está vinculada à capacidade tributária ativa; assim, nas hipóteses em que as entidades terceiras são meras destinatárias das contribuições, não possuem elas legitimidade ad causam para figurar no polo passivo, juntamente com a União.” A súmula resulta de precedentes como o EREsp 1.619.954/SC e o EREsp 1.571.933/SC, em que o STJ concluiu que as entidades do Sistema “S”, embora economicamente interessadas no resultado da arrecadação, não integram a relação jurídico-tributária e, portanto, não têm legitimidade passiva em ações de repetição de indébito. A legitimidade pertence exclusivamente à União, que passou a exercer, desde 2007, a arrecadação e fiscalização das contribuições. Atualmente, a controvérsia quanto à legitimidade ativa dessas entidades para cobrar as contribuições que lhes são destinadas está submetida ao Tema 1.275 do STJ, afetado sob o rito dos recursos repetitivos. O objetivo é definir se, mesmo após a Lei nº 11.457/2007, entidades como o SENAI e o SESI ainda teriam legitimidade para constituir e cobrar contribuições, especialmente o adicional previsto no art. 6º do Decreto-Lei nº 4.048/1942. O relator, ministro Mauro Campbell Marques, destacou a existência de mais de 300 processos sobre o tema e 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 daniellerocha Realce DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 69 observou que a questão, antes resolvida em precedentes isolados, será uniformizada pela Primeira Seção. Em síntese, pode-se afirmar que: – As contribuições parafiscais continuam a existir como tributos destinados a entidades privadas de interesse público (Sistema “S”), instituídos por lei e vinculados a finalidades específicas. – A parafiscalidade, porém, em seu sentido técnico (funcional) — isto é, a delegação da capacidade tributária ativa — não subsiste, em regra, após a Lei nº 11.457/2007, que centralizou tais funções na União. – O que resta é uma parafiscalidade em sentido material, isto é, a tributação extraorçamentária, em que o produto da arrecadação é destinado a entes não estatais, mas de interesse público. Tratam-sede entidades privadas e, por isso, NÃO gozam de privilégios administrativos, sejam fiscais, processuais ou contratuais. As ações propostas em face desses entes deverão tramitar na Justiça Estadual (Súm. 516 STF). O regime de pessoal se submete à CLT e NÃO dependem de concurso público para ingresso em suas atividades. No entanto, os empregados são considerados agentes públicos (conceito mais amplo) e se submetem à LIA (Lei 8.429/92). Por constituírem pessoas jurídicas privadas, NÃO se submetem ao regime de precatório em relação ao pagamento de seus débitos oriundos de sentença judicial, conforme decidiu o STF (ADI 1.923-DF). Fique atento à jurisprudência sobre o tema: Súmula 666-STJ: A legitimidade passiva, em demandas que visam à restituição de contribuições de terceiros, está vinculada à capacidade tributária ativa; assim, nas hipóteses em que as entidades terceiras são meras destinatárias das contribuições, não possuem elas legitimidade ad causam para figurar no polo passivo, juntamente com a União. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 daniellerocha Realce DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 70 Serviços sociais autônomos NÃO devem figurar no polo passivo de ação proposta pelo contribuinte discutindo a exigibilidade das contribuições sociais. As entidades dos serviços sociais autônomos não possuem legitimidade passiva nas ações judiciais em que se discute a relação jurídico-tributária entre o contribuinte e a União e a repetição de indébito das contribuições sociais recolhidas. Os serviços sociais são meros destinatários de subvenção econômica e, como pessoas jurídicas de direito privado, não participam diretamente da relação jurídico-tributária entre contribuinte e ente federado. O direito que tais entidades possuem à receita decorrente da subvenção não gera interesse jurídico a ponto de justificar a ocorrência de litisconsórcio com a União. O interesse dos serviços sociais autônomos nesta lide é reflexo e meramente econômico. STJ. 1ª Seção. EREsp 1.619.954-SC, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 10/04/2019 (Info 646). Serviços sociais autônomos gozam de imunidade tributária. Os serviços sociais autônomos gozam de imunidade tributária? SIM. O art. 150, VI, “c” da CF/88 prevê que as instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, gozam de imunidade tributária quanto aos impostos, desde que atendidos os requisitos previstos na lei. As entidades do chamado “Sistema S”, tais como SESI, SENAI, SENAC e SEBRAE, também gozam de imunidade porque promovem cursos para a inserção de profissionais no mercado de trabalho, sendo consideradas instituições de educação e assistência social. Se o SENAC adquire um terreno para a construção de sua sede, já havendo inclusive um projeto nesse sentido, deverá incidir a imunidade nesse caso considerando que o imóvel será destinado às suas finalidades essenciais. STF. 1ª Turma. RE 470520/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 17/9/2013 (Info 720). Os serviços sociais autônomos não gozam das prerrogativas processuais inerentes à Fazenda Pública. Os serviços sociais autônomos gozam das prerrogativas processuais inerentes à Fazenda Pública (ex.: prazo em dobro para recorrer)? NÃO. As entidades paraestatais não gozam dos privilégios processuais concedidos à Fazenda Pública. STF. AI 841548 RG, julgado em 09/06/2011. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 71 Competência para julgar as causas envolvendo os serviços sociais autônomos. De quem é a competência para julgar as causas envolvendo os serviços sociais autônomos? Em regra, a competência é da Justiça Comum Estadual. STF. RE 414375/SC, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 31/10/2006. Súmula 516-STF: O Serviço Social da Indústria (SESI) está sujeito a jurisdição da justiça estadual. 5.9.2. Entidades ou Fundações de Apoio As entidades ou fundações de apoio são instituídas por servidores públicos, em nome próprio, sob a forma de fundação, associação ou cooperativa, sempre sem finalidade lucrativa, para prestação, em caráter privado, de serviços sociais não exclusivos do Estado. As fundações de apoio são instituídas por particulares com o objetivo de auxiliar a Administração Pública, por meio da elaboração de convênios ou contratos, não se confundindo com a entidade estatal. Atuam, em especial, ao lado de hospitais e universidades Públicas, auxiliando no exercício da atividade destas entidades, através da realização de programas de pesquisa e extensão. O vínculo com o poder público decorre da assinatura de convênio, que lhe garante a destinação de valores públicos, com dotação orçamentária específica, além da possibilidade de cessão de bens públicos e, até mesmo, a cessão de servidores. Possuem personalidade jurídica de direito privado, com patrimônio e administração próprios, NÃO fazendo parte da Administração Indireta, sendo suas demandas julgadas pela Justiça Estadual. As entidades de apoio, quando tiverem natureza jurídica de fundação, deverão estar constituídas sob a forma de fundações de direito privado, sem fins lucrativos, regidas pelo Código Civil. Essas fundações se sujeitam à fiscalização do MP, à legislação trabalhista e ao prévio registro e credenciamento no Ministério da Educação, e no Ministério da Ciência e tecnologia, renovável no prazo de 05 anos. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 72 Na execução dos vínculos jurídicos (convênios, contratos, acordos e/ou ajustes), que envolvam a aplicação de recursos públicos, as fundações de apoio sujeitam-se às seguintes obrigações: Observância da legislação de licitações e contratos administrativos; Prestação de contas de recursos aplicados aosórgãos públicos financiadores; Submissão ao controle finalístico e de gestão pelo órgão máximo da Instituição Federal de ensino; Fiscalização da execução dos contratos pelo TCU e órgão de controle interno competente. Podem se utilizar de servidores públicos federais, que NÃO possuirão vínculo empregatício com a fundação e poderão receber bolsas de ensino, pesquisa e extensão, respeitadas condições e limites fixados no regulamento. No concurso da PGE TO (FCC - 2018), o tema foi cobrado da seguinte forma: Após promover a construção de linha de Veículo Leve sobre Trilhos − VLT para integração da malha metropolitana de transporte, o Governo do Estado pretende que a operação da linha seja gerida de forma descentralizada. Considerando-se a natureza do serviço e o fato de que haverá cobrança de tarifa dos usuários, NÃO é solução adequada a: A) outorga do serviço a entidade especializada da Administração Indireta. B) celebração de contrato de gestão com organização social. C) constituição de parceria público-privada. D) outorga do serviço a consórcio público, constituído para esse fim específico. E) delegação mediante concessão de serviço público. A alternativa considerada correta foi a letra B. Justificativa: Do enunciado da questão, é inequívoco que a atividade em análise — transporte público de passageiros por meio de veículo leve sobre trilhos (VLT), com cobrança de tarifas — configura típica prestação de serviço público com finalidade potencialmente lucrativa. Diante disso, ao se examinar as alternativas apresentadas pela Banca, revela-se manifesta a impossibilidade de descentralizar tal prestação por meio de contrato de gestão com organização social, haja vista a vedação expressa contida no art. 1º da Lei nº 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 daniellerocha Realce DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 73 9.637/1998, que disciplina a qualificação de entidades como organizações sociais. 5.9.3. Organizações Sociais (OS): São entidades privadas, sem fins lucrativos, qualificadas na forma da Lei 9.637/98, que celebram contrato de gestão com o Estado para o cumprimento de metas de desempenho e recebimento de benefícios públicos, através da prestação de serviços públicos NÃO exclusivos de estado, como ensino, pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico, proteção e preservação do meio ambiente etc. É importante lembrar que tais entidades NÃO integram a estrutura da administração, de modo que sua criação independe de lei. No entanto, por executarem atividades de interesse social, sem escopo de lucro, e receberem auxílio do ente estatal de diversas formas, sujeitam-se a algumas restrições impostas à Fazenda Pública. 5.9.3.1 Qualificação como ‘OS’ A qualificação de entidade privada como OS é temporária, somente sendo vigente enquanto durar o vínculo firmado. Trata-se, ainda, de ato discricionário, e depende de 2 requisitos: (1) Comprovação do registro do seu ato constitutivo; (2) Aprovação da qualificação pelas autoridades competentes: i) Ministro de Estado da Administração Federal e Reforma do Estado e ii) titular do órgão supervisor da área de atividade correspondente. Art. 2º São requisitos específicos para que as entidades privadas referidas no artigo anterior habilitem-se à qualificação como organização social: I - comprovar o registro de seu ato constitutivo, dispondo sobre: a) natureza social de seus objetivos relativos à respectiva área de atuação; b) finalidade não-lucrativa, com a obrigatoriedade de investimento de seus excedentes financeiros no desenvolvimento das próprias atividades; c) previsão expressa de a entidade ter, como órgãos de deliberação superior e de direção, um conselho de administração e uma diretoria definidos nos termos do estatuto, asseguradas àquele composição e atribuições normativas e de controle básicas previstas nesta Lei; 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 74 d) previsão de participação, no órgão colegiado de deliberação superior, de representantes do Poder Público e de membros da comunidade, de notória capacidade profissional e idoneidade moral; e) composição e atribuições da diretoria; f) obrigatoriedade de publicação anual, no Diário Oficial da União, dos relatórios financeiros e do relatório de execução do contrato de gestão; g) no caso de associação civil, a aceitação de novos associados, na forma do estatuto; h) proibição de distribuição de bens ou de parcela do patrimônio líquido em qualquer hipótese, inclusive em razão de desligamento, retirada ou falecimento de associado ou membro da entidade; i) previsão de incorporação integral do patrimônio, dos legados ou das doações que lhe foram destinados, bem como dos excedentes financeiros decorrentes de suas atividades, em caso de extinção ou desqualificação, ao patrimônio de outra organização social qualificada no âmbito da União, da mesma área de atuação, ou ao patrimônio da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, na proporção dos recursos e bens por estes alocados; II - haver aprovação, quanto à conveniência e oportunidade de sua qualificação como organização social, do Ministro ou titular de órgão supervisor ou regulador da área de atividade correspondente ao seu objeto social e do Ministro de Estado da Administração Federal e Reforma do Estado. A desqualificação pode ocorrer quando houver o descumprimento das disposições previstas no contrato de gestão, devendo ser precedida de processo administrativo em que se assegure a ampla defesa. Segundo a lei, a desqualificação enseja a reversão automática dos bens permitidos e dos valores entregues à OS. Art. 16. O Poder Executivo poderá proceder à desqualificação da entidade como organização social, quando constatado o descumprimento das disposições contidas no contrato de gestão. § 1º A desqualificação será precedida de processo administrativo, assegurado o direito de ampla defesa, respondendo os dirigentes da organização social, individual e solidariamente, pelos danos ou prejuízos decorrentes de sua ação ou omissão. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LLE AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 75 § 2o A desqualificação importará reversão dos bens permitidos e dos valores entregues à utilização da organização social, sem prejuízo de outras sanções cabíveis. 5.9.3.2 Contrato de gestão O vínculo da OS com o Poder Público ocorre pelo contrato de gestão, instrumento firmado que visa ao fomento e à execução de atividades relacionadas ao estudo, pesquisa, desenvolvimento tecnológico, cultura, meio ambiente e saúde. Requisitos para a validade do contrato de gestão: (1) Discriminar atribuições, responsabilidades e obrigações do Poder Público e da organização social; (2) Especificar programas de trabalho, metas, prazos de execução e critérios objetivos de avaliação de desempenho; (3) Estipular limites e critérios para despesas com remuneração e vantagens de qualquer natureza; (4) Observância dos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e economicidade. Art. 5º Para os efeitos desta Lei, entende-se por contrato de gestão o instrumento firmado entre o Poder Público e a entidade qualificada como organização social, com vistas à formação de parceria entre as partes para fomento e execução de atividades relativas às áreas relacionadas no art. 1º. Art. 6º O contrato de gestão, elaborado de comum acordo entre o órgão ou entidade supervisora e a organização social, discriminará as atribuições, responsabilidades e obrigações do Poder Público e da organização social. Parágrafo único. O contrato de gestão deve ser submetido, após aprovação pelo Conselho de Administração da entidade, ao Ministro de Estado ou autoridade supervisora da área correspondente à atividade fomentada. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 76 Art. 7º Na elaboração do contrato de gestão, devem ser observados os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, economicidade e, também, os seguintes preceitos: I - especificação do programa de trabalho proposto pela organização social, a estipulação das metas a serem atingidas e os respectivos prazos de execução, bem como previsão expressa dos critérios objetivos de avaliação de desempenho a serem utilizados, mediante indicadores de qualidade e produtividade; II - a estipulação dos limites e critérios para despesa com remuneração e vantagens de qualquer natureza a serem percebidas pelos dirigentes e empregados das organizações sociais, no exercício de suas funções. Parágrafo único. Os Ministros de Estado ou autoridades supervisoras da área de atuação da entidade devem definir as demais cláusulas dos contratos de gestão de que sejam signatários. 5.9.3.3 Remuneração e fiscalização Durante a execução do contrato de gestão, a OS receberá sua contraprestação em função do atingimento da meta de desempenho fixada, e NÃO das atividades realizadas. Para os servidores estatais cedidos, o pagamento de sua remuneração será feito pelos cofres públicos e NÃO será incorporado aos vencimentos de origem do servidor cedido qualquer vantagem pecuniária que vier a ser paga pela organização social, com recursos provenientes do contrato de gestão. Ante os benefícios concedidos, estas entidades se submetem a controle, efetivado pelo Ministério supervisor daquela atividade executada, e pelo TCU, com submissão à Lei de Improbidade Administrativa (NÃO há fiscalização por agência reguladora). Os resultados atingidos com a execução do contrato de gestão devem ser analisados, periodicamente, por comissão de avaliação, indicada por autoridade supervisora. Além disso, as OS devem ter um Conselho de Administração, nos moldes da Lei, com participação obrigatória de representantes do povo e do poder público, nos percentuais estipulados em lei. JURISPRUDÊNCIA DO STF ORGANIZAÇÕES SOCIAIS - Constitucionalidade da Lei 9.637/98 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 77 Organizações sociais são pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, prestadoras de atividades de interesse público e que, por terem preenchido determinados requisitos previstos na Lei 9.637/98, recebem a qualificação de “organização social”. A pessoa jurídica, depois de obter esse título de “organização social”, poderá celebrar com o Poder Público um instrumento chamado de “contrato de gestão” por meio do qual receberá incentivos públicos para continuar realizando suas atividades. Foi ajuizada uma ADI contra diversos dispositivos da Lei 9.637/98 e também contra o art. 24, XXIV, da Lei 8.666/93, que prevê a dispensa de licitação nas contratações de organizações sociais. O Plenário do STF não declarou os dispositivos inconstitucionais, mas deu interpretação conforme a Constituição para deixar explícitas as seguintes conclusões: a) o procedimento de qualificação das organizações sociais deve ser conduzido de forma pública, objetiva e impessoal, com observância dos princípios do “caput” do art. 37 da CF, e de acordo com parâmetros fixados em abstrato segundo o disposto no art. 20 da Lei 9.637/98; b) a celebração do contrato de gestão deve ser conduzida de forma pública, objetiva e impessoal, com observância dos princípios do “caput” do art. 37 da CF; c) as hipóteses de dispensa de licitação para contratações (Lei 8.666/1993, art. 24, XXIV) e outorga de permissão de uso de bem público (Lei 9.637/1998, art. 12, § 3º) são válidas, mas devem ser conduzidas de forma pública, objetiva e impessoal, com observância dos princípios do “caput” do art. 37 da CF d) a seleção de pessoal pelas organizações sociais deve ser conduzida de forma pública, objetiva e impessoal, com observância dos princípios do “caput” do art. 37 da CF, e nos termos do regulamento próprio a ser editado por cada entidade; e e) qualquer interpretação que restrinja o controle, pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Contas da União, da aplicação de verbas públicas deve ser afastada. STF. Plenário. ADI 1923/DF, rel. orig. Min. Ayres Britto, red. p/ o acórdão Min. Luiz Fux, julgado em 15 e 16/4/2015 (Info 781). 5.9.4. Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) Primeiramente, perceba que a OSCIP não é uma pessoa jurídica criada pela Administração, mas sim uma qualificação especial concedida pelo Estado às entidades privadas sem fins lucrativos, em funcionamento há pelo menos 3 anos, e criadas para a prestação de serviços públicos não exclusivos do Estado, a exemplo de: 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 2916 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 78 Promoção de assistência social; Cultura; Defesa e conservação do patrimônio histórico e artístico; Educação; Saúde; Segurança alimentar e nutricional; Defesa, preservação e conservação do meio ambiente; Desenvolvimento sustentável etc. Art. 1º Podem qualificar-se como Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público as pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucrativos que tenham sido constituídas e se encontrem em funcionamento regular há, no mínimo, 3 (três) anos, desde que os respectivos objetivos sociais e normas estatutárias atendam aos requisitos instituídos por esta Lei. (Redação dada pela Lei nº 13.019, de 2014) § 1o Para os efeitos desta Lei, considera-se sem fins lucrativos a pessoa jurídica de direito privado que não distribui, entre os seus sócios ou associados, conselheiros, diretores, empregados ou doadores, eventuais excedentes operacionais, brutos ou líquidos, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, auferidos mediante o exercício de suas atividades, e que os aplica integralmente na consecução do respectivo objeto social. 5.9.4.1 Qualificação como OSCIP Ao contrário da qualificação em “OS”, que é um ato discricionário, a qualificação em OSCIP é um ato vinculado do Ministério da Justiça. Assim, em regra, se preenchidos os requisitos previstos em lei, deve-se conceder a qualificação. O art. 2º da Lei traz algumas hipóteses em que a entidade NÃO poderá receber a qualificação de OSCIP, ainda que preencha todos os requisitos. Art. 1º, §2º. A outorga da qualificação prevista neste artigo é ato vinculado ao cumprimento dos requisitos instituídos por esta Lei. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 79 Art. 2º. NÃO são passíveis de qualificação como Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público, ainda que se dediquem de qualquer forma às atividades descritas no art. 3º desta Lei: I - as sociedades comerciais; II - os sindicatos, as associações de classe ou de representação de categoria profissional; III - as instituições religiosas ou voltadas para a disseminação de credos, cultos, práticas e visões devocionais e confessionais; IV - as organizações partidárias e assemelhadas, inclusive suas fundações; V - as entidades de benefício mútuo destinadas a proporcionar bens ou serviços a um círculo restrito de associados ou sócios; VI - as entidades e empresas que comercializam planos de saúde e assemelhados; VII - as instituições hospitalares privadas não gratuitas e suas mantenedoras; VIII - as escolas privadas dedicadas ao ensino formal não gratuito e suas mantenedoras; IX - as organizações sociais; X - as cooperativas; XI - as fundações públicas; XII - as fundações, sociedades civis ou associações de direito privado criadas por órgão público ou por fundações públicas; XIII - as organizações creditícias que tenham quaisquer tipo de vinculação com o sistema financeiro nacional a que se refere o art. 192 da Constituição Federal. Parágrafo único. Não constituem impedimento à qualificação como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público as operações destinadas a microcrédito realizadas com instituições financeiras na forma de recebimento de repasses, venda de operações realizadas ou atuação como mandatárias. (Incluído pela Lei nº 13.999, de 2020) Art. 3o A qualificação instituída por esta Lei, observado em qualquer caso, o princípio da universalização dos serviços, no respectivo âmbito de atuação das Organizações, somente será conferida às pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, cujos objetivos sociais tenham pelo menos uma das seguintes finalidades: 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 80 I - promoção da assistência social; II - promoção da cultura, defesa e conservação do patrimônio histórico e artístico; III - promoção gratuita da educação, observando-se a forma complementar de participação das organizações de que trata esta Lei; IV - promoção gratuita da saúde, observando-se a forma complementar de participação das organizações de que trata esta Lei; V - promoção da segurança alimentar e nutricional; VI - defesa, preservação e conservação do meio ambiente e promoção do desenvolvimento sustentável; VII - promoção do voluntariado; VIII - promoção do desenvolvimento econômico e social e combate à pobreza; IX - experimentação, não lucrativa, de novos modelos sócio-produtivos e de sistemas alternativos de produção, comércio, emprego e crédito; X - promoção de direitos estabelecidos, construção de novos direitos e assessoria jurídica gratuita de interesse suplementar; XI - promoção da ética, da paz, da cidadania, dos direitos humanos, da democracia e de outros valores universais; XII - estudos e pesquisas, desenvolvimento de tecnologias alternativas, produção e divulgação de informações e conhecimentos técnicos e científicos que digam respeito às atividades mencionadas neste artigo. XIII - estudos e pesquisas para o desenvolvimento, a disponibilização e a implementação de tecnologias voltadas à mobilidade de pessoas, por qualquer meio de transporte. (Incluído pela Lei nº 13.019, de 2014) (Vigência) Parágrafo único. Para os fins deste artigo, a dedicação às atividades nele previstas configura-se mediante a execução direta de projetos, programas, planos de ações correlatas, por meio da doação de recursos físicos, humanos e financeiros, ou ainda pela prestação de serviços intermediários de apoio a outras organizações sem fins lucrativos e a órgãos do setor público que atuem em áreas afins. 5.9.4.2 Termo de parceria 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 2916 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 81 O vínculo firmado entre a OSCIP e o Poder Público ocorre mediante a celebração de termo de parceria, que, além de estabelecer metas de desempenho, discriminará direitos, responsabilidades e obrigações das partes signatárias. O termo de parceria permite a destinação de valores públicos às instituições privadas, mediante dotação orçamentária, com liberação destes recursos em conta bancária específica. Ou seja: após a celebração do termo de parceria, as entidades estarão aptas a receber recursos orçamentários do Estado. O termo de parceria deve conter as seguintes cláusulas: Objeto; Definição de metas; Critérios objetivos de avaliação de desempenho; Previsão de receitas e despesas; As obrigações da OSCIP; Obrigatoriedade de publicação na imprensa oficial do Município, Estado ou União, de extrato de termo de parceria e de demonstrativo de execução física e financeira. Art. 9º Fica instituído o Termo de Parceria, assim considerado o instrumento passível de ser firmado entre o Poder Público e as entidades qualificadas como Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público destinado à formação de vínculo de cooperação entre as partes, para o fomento e a execução das atividades de interesse público previstas no art. 3o desta Lei. Art. 10. O Termo de Parceria firmado de comum acordo entre o Poder Público e as Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público discriminará direitos, responsabilidades e obrigações das partes signatárias. § 1o A celebração do Termo de Parceria será precedida de consulta aos Conselhos de Políticas Públicas das áreas correspondentes de atuação existentes, nos respectivos níveis de governo. § 2o São cláusulas essenciais do Termo de Parceria: I - a do objeto, que conterá a especificação do programa de trabalho proposto pela Organização da Sociedade Civil de Interesse Público; II - a de estipulação das metas e dos resultados a serem atingidos e os respectivos prazos de execução ou cronograma; 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 82 III - a de previsão expressa dos critérios objetivos de avaliação de desempenho a serem utilizados, mediante indicadores de resultado; IV - a de previsão de receitas e despesas a serem realizadas em seu cumprimento, estipulando item por item as categorias contábeis usadas pela organização e o detalhamento das remunerações e benefícios de pessoal a serem pagos, com recursos oriundos ou vinculados ao Termo de Parceria, a seus diretores, empregados e consultores; V - a que estabelece as obrigações da Sociedade Civil de Interesse Público, entre as quais a de apresentar ao Poder Público, ao término de cada exercício, relatório sobre a execução do objeto do Termo de Parceria, contendo comparativo específico das metas propostas com os resultados alcançados, acompanhado de prestação de contas dos gastos e receitas efetivamente realizados, independente das previsões mencionadas no inciso IV; VI - a de publicação, na imprensa oficial do Município, do Estado ou da União, conforme o alcance das atividades celebradas entre o órgão parceiro e a Organização da Sociedade Civil de Interesse Público, de extrato do Termo de Parceria e de demonstrativo da sua execução física e financeira, conforme modelo simplificado estabelecido no regulamento desta Lei, contendo os dados principais da documentação obrigatória do inciso V, sob pena de não liberação dos recursos previstos no Termo de Parceria. Para a celebração de termo de parceria, NÃO há a necessidade de realizar licitação, ante o vínculo de convênio. No entanto, caso haja mais de um interessado na celebração do termo de parceria, e todos cumpram os requisitos legais, a Administração deverá realizar procedimento simplificado que justifique a escolha de uma entidade em detrimento de outra. 5.9.4.3 Fiscalização As entidades se sujeitam ao controle financeiro e orçamentário exercido pelo Tribunal de Contas, além do acompanhamento e fiscalização do termo de parceria por órgão do Poder Público. As OSCIP devem constituir Conselho Fiscal ou órgão equivalente, dotado de competência para opinar sobre os relatórios de desempenho financeiro e contábil e sobre as operações patrimoniais realizadas. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 83 Servidores Públicos podem participar da composição do conselho de uma OSCIP, sendo vedada a percepção de remuneração ou subsídio a qualquer título. ATENÇÃO A lei exige que a OSCIP tenha um CONSELHO FISCAL, mas NÃO existe um conselho de administração; A lei exige que a OS tenha um CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO, mas NÃO exige que tenha um conselho fiscal. Vamos esquematizar as principais diferenças entre OS e OSCIP? ORGANIZAÇÕES SOCIAIS OSCIP Entidades Entidades privadas sem fins lucrativos. Entidades privadas sem fins lucrativos em regular funcionamento há pelo menos 3 anos. Qualificação Discricionária Vinculada Competência para a qualificação Ministério ou Órgão regulador responsável pela área de atuação da entidade Ministério da Justiça Órgão de deliberação superior da entidade Presença obrigatória do representante do Poder Público Presença facultativa de servidor público na composição do Conselho da entidade Vínculo Jurídico (parceria) Contrato de gestão Termo de parceria 5.9.5. Organizações da Sociedade Civil - OSC (Lei 13.019/14) A Lei 13.019/14 foi um novo marco regulatório para as parcerias formalizadas entre a Administração Pública e as Organizações da Sociedade Civil, que são entidades privadas sem fins lucrativos e que desempenham atividades socialmente relevantes. Nesse sentido, a Lei busca regular, em âmbito nacional, o regime jurídico das parcerias voluntárias, envolvendo ou não a transferência de recursos financeiros, firmados entre a Administração e as organizações da sociedade civil sem fins lucrativos. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O CH A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 84 OBSERVAÇÃO Para a doutrina majoritária, trata-se de norma NACIONAL (e não federal), que estabelece normas gerais aplicadas a todos os entes federativos (e não apenas à União). Art. 1º Esta Lei institui normas gerais para as parcerias entre a administração pública e organizações da sociedade civil, em regime de mútua cooperação, para a consecução de finalidades de interesse público e recíproco, mediante a execução de atividades ou de projetos previamente estabelecidos em planos de trabalho inseridos em termos de colaboração, em termos de fomento ou em acordos de cooperação. (Redação dada pela Lei nº 13.204, de 2015) 5.9.5.1 Aplicabilidade e inaplicabilidade da Lei: Aplica-se às parcerias entre Administração direta e indireta e organizações da sociedade civil. Mas quem seria, aqui, a Administração Pública? Na teoria, Administração Pública engloba a Administração direta (entes federativos e seus órgãos) e a Administração indireta (autarquias, estatais e fundações). No entanto, tenha cuidado: o art. 2º da Lei 13.019/14 oferece uma série de conceitos para fins de interpretação e aplicação da própria norma e, segundo o legislador, tal lei NÃO SE APLICA às empresas estatais: a) exploradoras de atividades econômicas e; b) prestadoras de serviço público, mas não dependentes do orçamento público. II - administração pública: União, Estados, Distrito Federal, Municípios e respectivas autarquias, fundações, empresas públicas e sociedades de economia mista prestadoras de serviço público, e suas subsidiárias, alcançadas pelo disposto no § 9º do art. 37 da Constituição Federal ; (Redação dada pela Lei nº 13.204, de 2015) A sociedade civil, por sua vez, é composta por: Entidades (privadas) sem fins lucrativos; Sociedades cooperativas; 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 85 Organizações religiosas. Art. 2º Para os fins desta Lei, considera-se: I - ORGANIZAÇÃO DA SOCIEDADE CIVIL: (Redação dada pela Lei nº 13.204, de 2015) a) entidade privada sem fins lucrativos que não distribua entre os seus sócios ou associados, conselheiros, diretores, empregados, doadores ou terceiros eventuais resultados, sobras, excedentes operacionais, brutos ou líquidos, dividendos, isenções de qualquer natureza, participações ou parcelas do seu patrimônio, auferidos mediante o exercício de suas atividades, e que os aplique integralmente na consecução do respectivo objeto social, de forma imediata ou por meio da constituição de fundo patrimonial ou fundo de reserva; Entenda: o excesso de arrecadação é superávit e a lei diz que ele tem que ser reinvestido na própria atividade da entidade. b) as sociedades cooperativas previstas na Lei nº 9.867, de 10 de novembro de 1999 ; as integradas por pessoas em situação de risco ou vulnerabilidade pessoal ou social; as alcançadas por programas e ações de combate à pobreza e de geração de trabalho e renda; as voltadas para fomento, educação e capacitação de trabalhadores rurais ou capacitação de agentes de assistência técnica e extensão rural; e as capacitadas para execução de atividades ou de projetos de interesse público e de cunho social. (Incluído pela Lei nº 13.204, de 2015) c) as organizações religiosas que se dediquem a atividades ou a projetos de interesse público e de cunho social distintas das destinadas a fins exclusivamente religiosos; (Incluído pela Lei nº 13.204, de 2015) Entenda: não se trata de fomentar a atividade religiosa, e sim a atividade social desenvolvida por entidade religiosa. O art. 3º prevê as hipóteses em que a lei NÃO será aplicada. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 86 Art. 3º NÃO se aplicam as exigências desta Lei: I - às transferências de recursos homologadas pelo Congresso Nacional ou autorizadas pelo Senado Federal naquilo em que as disposições específicas dos tratados, acordos e convenções internacionais conflitarem com esta Lei; II - (revogado); III - aos contratos de gestão celebrados com organizações sociais, desde que cumpridos os requisitos previstos na Lei nº 9.637, de 15 de maio de 1998; (aplica-se a lei específica). IV - aos convênios e contratos celebrados com entidades filantrópicas e sem fins lucrativos nos termos do §1º do art. 199 da Constituição Federal; (Lei 13.018/14) V - aos termos de compromisso cultural referidos no §1º do art. 9º da Lei no 13.018, de 22 de julho de 2014; VI - aos termos de parceria celebrados com organizações da sociedade civil de interesse público, desde que cumpridos os requisitos previstos na Lei no 9.790, de 23 de março de 1999; (essa previsão não constava da redação original, mas, por razoabilidade, foi incluída, pois não fazia sentido se aplicar a Lei 13.019/14 à OSCIP e não se aplicar à OS). VII - às transferências referidas no art. 2º da Lei no 10.845, de 5 de março de 2004, e nos arts. 5º e 22 da Lei no 11.947, de 16 de junho de 2009; VIII - (VETADO); IX - aos pagamentos realizados a título de anuidades, contribuições ou taxas associativas em favor de organismos internacionais ou entidades que sejam obrigatoriamente constituídas por: a) membros de Poder ou do Ministério Público; b) dirigentes de órgão ou de entidade da administração pública; c) pessoas jurídicas de direito público interno; d) pessoas jurídicas integrantes da administração pública; X - às parcerias entre a administração pública e os serviços sociais autônomos. Assim, em resumo, as parcerias que são reguladas por legislação específicas continuam sendo reguladas pela legislação específica. Hoje, temos um microssistema dentro do 3º setor, com normas que tratam de diversas parcerias. Ex. legislação que trata de parcerias com OS, com OSCIP, com o Sistema S (serviço social autônomo). Assim, a Lei 13.019/14 não é aplicável às parcerias que possuem lei específica. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN⦁ Art. 1º ⦁ Art. 2º, inc. I, II, VII, VIII e VIII-A ⦁ Art. 3º ⦁ Art. 16 a 21 ⦁ Art. 30, 31 e 35-A ⦁ Art. 39, 40 e 42, XX ⦁ Art. 69 e 73 ⦁ Art. 84-B Lei 13.848/2019 (lei das agências reguladoras) ⦁ Art. 3º e 5º ⦁ Art. 10, 14 e 15 ⦁ Art. 34 e 35 SÚMULAS RELACIONADAS AO TEMA Súmula 644 (STF): Ao titular do cargo de procurador de autarquia não se exige a apresentação de instrumento de mandato para representá-la em juízo. Súmula 556 (STF): É competente a Justiça Comum para julgar as causas em que é parte sociedade de economia mista. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 danux Realce DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 8 Súmula 517 (STF): As sociedades de economia mista só têm foro na justiça federal, quando a União intervém como assistente ou opoente. Súmula 501 (STF): Compete à Justiça ordinária estadual o processo e o julgamento, em ambas as instâncias, das causas de acidente do trabalho, ainda que promovidas contra a União, suas autarquias, empresas públicas ou sociedades de economia mista. Súmula 8 (STF): Diretor de sociedade de economia mista pode ser destituído no curso do mandato. Súmula 525 (STJ): A Câmara de vereadores não possui personalidade jurídica, apenas personalidade judiciária, somente podendo demandar em juízo para defender os seus direitos institucionais. Súmula 150 (STJ): Compete à justiça federal decidir sobre a existência de interesse jurídico que justifique a presença, no processo, da União, suas autarquias ou empresas públicas. Súmula 66 (STJ): Compete à Justiça Federal processar e julgar execução fiscal promovida por Conselho de Fiscalização Profissional. Súmula 42 (STJ): Compete à justiça comum estadual processar e julgar as causas cíveis em que é parte sociedade de economia mista e os crimes praticados em seu detrimento. QUAL DEVE SER O FOCO? 1. Teoria do órgão. 2. Descentralização x Desconcentração 3. Autarquia. Natureza jurídica 4. Empresa pública x sociedade de economia mista. Diferenças 5. Entidades do Terceiro Setor 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 9 1. ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA 1.1. Princípios inerentes à organização administrativa (art. 6º, DL 200/67) Planejamento compreende a elaboração e atualização de planos de governo, bem como previsão de gastos em orçamento Coordenação vinculada diretamente à hierarquia, visa a garantir uma maior eficiência na execução das atividades públicas Descentralizaçã o Administrativa consiste na transferência da prestação de serviços do ente federativo para outras pessoas jurídicas especializadas na execução dessas atividades Delegação de competência extensão de uma competência administrativa entre agentes públicos, dentro de uma mesma estrutura hierárquica de forma expressa e transitória Controle Exercido em todos os níveis e órgãos do governo 2. DESCONCENTRAÇÃO X DESCENTRALIZAÇÃO É importante relembrar que Administração Pública é uma expressão plurissignificativa. Possui dois sentidos: Subjetivo/ Formal/ Orgânico Objetivo/ Material/ Funcional conjunto de órgãos e entidades que integram a estrutura do Estado e tem como função satisfazer o interesse público, a vontade política governamental. Nesse sentido, deve ser grafada com letras maiúsculas, pois se refere aos sujeitos. é o conjunto de atividades que esses órgãos e entidades desempenham. Ex.: fomentar iniciativa privada, prestar serviço público, exercer poder de polícia Assim, o exercício das atividades administrativas pode se dar tanto de forma centralizada quanto de forma descentralizada. 2.1. Desconcentração Na desconcentração, o que o Estado faz é distribuir, dentro da sua estrutura, as atividades estatais. Há uma especialização de funções dentro da mesma pessoa jurídica. Haverá a criação 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 10 dos órgãos públicos/órgãos estatais, sem que haja a criação de uma nova pessoa jurídica, pois se trata de mera divisão interna. Cada órgão tem sua atribuição específica, para garantir eficiência. Ex.: Ministério da Saúde, Secretaria Estadual de Segurança Pública (não são pessoas jurídicas, mas sim órgãos criados a partir de um procedimento de desconcentração). Portanto, tenha em mente que a desconcentração dá origem aos órgãos públicos. Características da Desconcentração: Consiste na distribuição de competência dentro da mesma pessoa jurídica (criam centros de competência em seu interior); A desconcentração administrativa pode ocorrer tanto na Administração Direta quanto na Administração Indireta (uma autarquia pode desconcentrar parte de sua atribuição através de criação de órgãos); A desconcentração decorre do poder hierárquico (relação de subordinação). Teoria Da Institucionalização (Marçal Justen): os órgãos públicos, embora NÃO contem com personalidade jurídica, podem adquirir “vida” própria. Ex.: Exército brasileiro. 2.2. Descentralização De início, é importante diferenciar que existem dois tipos de descentralização: a política e a administrativa. A política tem relevo para o estudo do Direito Constitucional, envolvendo a divisão de competências entre os entes da Federação; a administrativa tem importância para o Direito Administrativo, sendo este o nosso objeto de estudo no momento1. Descentralização política Descentralização Administrativa Feita pela CF, ao dividir a competência entre os entes federativos; Feita aos entes da administração indireta (descentralização por outorga) e a particulares (descentralização por delegação). Na descentralização, o Estado vai transferir a execução da atividade para outra pessoa, seja física ou jurídica, integrante ou não da Administração. 1 Ao longo do texto, quando utilizarmos somente o termo “descentralização” estamos nos limitando a falar da descentralizaçãoIE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 87 5.9.5.2 Formas de seleção das organizações: A Lei 13.019/14 estabelece, como regra geral, o procedimento de chamamento público. Assim, quando a Administração Pública for celebrar parceria com uma OSC, ela deve fazer um procedimento objetivo com regras impessoais para a escolha da entidade privada que vai se beneficiar da parceria. Note que não há necessidade de licitação, mas sim de um procedimento administrativo com regras simplificadas que garantam uma escolha impessoal da entidade privada. Além do chamamento público, a lei também menciona o Procedimento de Manifestação de Interesse Social (PMIS), cuja definição está prevista pelo art. 18: Art. 18. É instituído o Procedimento de Manifestação de Interesse Social como instrumento por meio do qual as organizações da sociedade civil, movimentos sociais e cidadãos poderão apresentar propostas ao poder público para que este avalie a possibilidade de realização de um chamamento público objetivando a celebração de parceria. O chamamento público busca selecionar, de forma objetiva e impessoal, a entidade que firmará termo de fomento ou termo de colaboração com o Poder Público. ATENÇÃO Só há necessidade de chamamento público quando o vínculo com o Estado for celebrado mediante termo de fomento ou termo de colaboração. Isso porque, como no acordo de cooperação NÃO há transferência de recursos públicos, não há necessidade de realizar o chamamento público. O PMIS, por sua vez, visa selecionar um projeto para eventual chamamento público futuro. Ou seja: após o procedimento de manifestação de interesse social (PMIS), o projeto poderá ser selecionado e, caso efetivamente seja, deve o Estado realizar o chamamento público. Fala-se em “poderá”, pois a apresentação do projeto pela entidade NÃO vincula o Estado, que está livre para realizar ou não o chamamento público. Em outras palavras: o PMIS NÃO visa selecionar a entidade que irá firmar a parceria, mas sim avaliar os projetos apresentados pelas entidades interessadas. Tanto é que: 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 88 (i) O PMIS é facultativo, não vincula o Estado e nem dispensa a necessidade de realizar o futuro chamamento público. Na realidade, o PMIS precede o chamamento público. Após o PMIS, o Estado poderá realizar ou não o chamamento público, sem direito à indenização caso não o faça. (ii) A entidade que apresentou o projeto eventualmente selecionado no PMIS ou que dele participou não está impedida de participar do chamamento público. Art. 21. A realização do Procedimento de Manifestação de Interesse Social não implicará necessariamente na execução do chamamento público, que acontecerá de acordo com os interesses da administração. § 1º A realização do Procedimento de Manifestação de Interesse Social não dispensa a convocação por meio de chamamento público para a celebração de parceria. § 2º A proposição ou a participação no Procedimento de Manifestação de Interesse Social não impede a organização da sociedade civil de participar no eventual chamamento público subsequente. § 3º É vedado condicionar a realização de chamamento público ou a celebração de parceria à prévia realização de Procedimento de Manifestação de Interesse Social. (Incluído pela Lei nº 13.204, de 2015) No chamamento público da Lei 13.019/14, primeiro, o poder público seleciona a proposta mais vantajosa da entidade privada sem fins lucrativos. Depois, o poder público avalia o que chamamos de requisitos de habilitação, isto é, se a entidade cumpre os requisitos legais para ser beneficiada com o termo de fomento ou termo de colaboração. Além desse julgamento antes da habilitação, a Lei 13.019/14 estabelece outros critérios submetidos à avaliação (que não são os tradicionais da Lei 8666/93 e da Lei 14133/21). Ex. grau de adequação da proposta aos objetivos específicos objeto da parceria e, quando for o caso, ao valor de referência constante do chamamento público. 1. Julgamento/seleção da proposta mais vantajosa através de critérios de julgamentos próprios/específicos; 2. Análise do preenchimento dos requisitos de habilitação. As regras do chamamento público aparecem a partir do art. 23 da Lei 13.019/14. Art. 23. A administração pública deverá adotar procedimentos claros, objetivos e simplificados que orientem os interessados e facilitem o acesso 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 89 direto aos seus órgãos e instâncias decisórias, independentemente da modalidade de parceria prevista nesta Lei. Parágrafo único. Sempre que possível, a administração pública estabelecerá critérios a serem seguidos, especialmente quanto às seguintes características: I - objetos; II - metas; III - (revogado); IV - custos; V - (revogado); VI - indicadores, quantitativos ou qualitativos, de avaliação de resultados. Art. 24. Exceto nas hipóteses previstas nesta Lei, a celebração de termo de colaboração ou de fomento será precedida de chamamento público voltado a selecionar organizações da sociedade civil que tornem mais eficaz a execução do objeto. (ATENÇÃO! Essa é a regra geral, mas a lei consagra casos de dispensa de chamamento público e casos de inexigibilidade de chamamento público). §1º O edital do chamamento público especificará, no mínimo: I - a programação orçamentária que autoriza e viabiliza a celebração da parceria; II - (revogado); III - o objeto da parceria; IV - as datas, os prazos, as condições, o local e a forma de apresentação das propostas; V - as datas e os critérios de seleção e julgamento das propostas, inclusive no que se refere à metodologia de pontuação e ao peso atribuído a cada um dos critérios estabelecidos, se for o caso; (OBS: São dois critérios: adequação da proposta ao projeto do poder público e a questão do valor da referência). VI - o valor previsto para a realização do objeto; VII - (revogado); (OBS. Exigia-se 03 anos de existência da entidade, mas isso foi revogado em 2015). VIII - as condições para interposição de recurso administrativo; IX - a minuta do instrumento por meio do qual será celebrada a parceria; 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C HA 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 90 X - de acordo com as características do objeto da parceria, medidas de acessibilidade para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida e idosos. Art. 27. O grau de adequação da proposta aos objetivos específicos do programa ou da ação em que se insere o objeto da parceria e, quando for o caso, ao valor de referência (OBS. Evita-se falar em “preço”, pois este dá a ideia de custos mais lucros e aqui não há lucros) constante do chamamento constitui critério obrigatório de julgamento. §1º As propostas serão julgadas por uma comissão de seleção previamente designada, nos termos desta Lei, ou constituída pelo respectivo conselho gestor, se o projeto for financiado com recursos de fundos específicos. §2º Será impedida de participar da comissão de seleção pessoa que, nos últimos cinco anos, tenha mantido relação jurídica com, ao menos, uma das entidades participantes do chamamento público. (OBS. Visa garantir maior lisura no procedimento). §5º Será obrigatoriamente justificada a seleção de proposta que não for a mais adequada ao valor de referência constante do chamamento público. (OBS. Quando se optar por uma entidade privada que tenha valor “mais alto” que a outra, mas que apresenta uma adequação melhor, isso tem que ser justificado). §6º A homologação não gera direito para a organização da sociedade civil à celebração da parceria. Art. 28. Somente depois de encerrada a etapa competitiva e ordenadas as propostas, a administração pública procederá à verificação dos documentos que comprovem o atendimento pela organização da sociedade civil selecionada dos requisitos previstos nos arts. 33 e 34 (OBS. Esses artigos estabelecem exigências mínimas para que uma entidade privada possa ser beneficiada com a parceria com a AP. Então, o julgamento antecede o que seria a “fase de habilitação” – está entre aspas porque a lei não usa essa expressão). 5.9.5.3 Exceção ao chamamento público: parcerias diretas 9830698306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 91 A Lei 13.019/14 vai trazer a regra do chamamento público, mas também traz casos de dispensa e inexigibilidade do chamamento público. As hipóteses são mais restritas, mas elas têm inspiração em hipóteses previstas na Lei 8.666/93 e agora na Lei 14.133/21. Dispensa de chamamento público (art. 30) Hipóteses relacionadas à necessidade proeminente/guerra/calamidade; Trata-se de rol TAXATIVO; A atuação da Administração pública é discricionária (ou seja: pode dispensar o chamamento público ou não). Art. 30. A administração pública poderá DISPENSAR A REALIZAÇÃO DO CHAMAMENTO PÚBLICO: I - no caso de urgência decorrente de paralisação ou iminência de paralisação de atividades de relevante interesse público, pelo prazo de até cento e oitenta dias; (OBS. Nesses 180 dias, poderá a AP fazer parcerias sem chamamento público). II - nos casos de guerra, calamidade pública, grave perturbação da ordem pública ou ameaça à paz social; III - quando se tratar da realização de programa de proteção a pessoas ameaçadas ou em situação que possa comprometer a sua segurança; IV - (VETADO). V - (VETADO); VI - no caso de atividades voltadas ou vinculadas a serviços de educação, saúde e assistência social, desde que executadas por organizações da sociedade civil previamente credenciadas pelo órgão gestor da respectiva política. ☞ Para o professor Rafael Oliveira, o inciso VI seria, na realidade, uma hipótese de inexigibilidade, pois o credenciamento sempre foi tratado como hipótese anômala/atípica de inexigibilidade de licitação com fundamento no art. 25, caput, da Lei 8.666/93 (atual art. 74 da Lei 14.133/21). Inexigibilidade de chamamento público (art. 31) Hipóteses de impossibilidade de competição; Trata-se de rol EXEMPLIFICATIVO; 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 92 A atuação da Administração Pública é vinculada. Ainda que queira realizar o chamamento público, não poderá fazê-lo. Art. 31. Será considerado INEXIGÍVEL O CHAMAMENTO PÚBLICO na hipótese de inviabilidade de competição entre as organizações da sociedade civil, em razão da natureza singular do objeto da parceria ou se as metas somente puderem ser atingidas por uma entidade específica, especialmente quando: I - o objeto da parceria constituir incumbência prevista em acordo, ato ou compromisso internacional, no qual sejam indicadas as instituições que utilizarão os recursos; II - a parceria decorrer de transferência para organização da sociedade civil que esteja autorizada em lei na qual seja identificada expressamente a entidade beneficiária, inclusive quando se tratar da subvenção prevista no inciso I do §3º do art. 12 da Lei no 4.320, de 17 de março de 1964, observado o disposto no art. 26 da Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000. Requisitos para as parcerias diretas O art. 32 da Lei 13.019/14 estabelece algumas exigências para a formalização das parcerias diretas (tanto para a dispensa quanto para a inexigibilidade). Art. 32. Nas hipóteses dos arts. 30 e 31 desta Lei, a ausência de realização de chamamento público será justificada pelo administrador público. §1º Sob pena de nulidade do ato de formalização de parceria prevista nesta Lei, o extrato da justificativa previsto no caput deverá ser publicado, na mesma data em que for efetivado, no sítio oficial da administração pública na internet e, eventualmente, a critério do administrador público, também no meio oficial de publicidade da administração pública. (OBS. Curiosidade: há obrigatoriedade de publicização via internet e facultatividade via diário oficial). §2º Admite-se a impugnação à justificativa, apresentada no prazo de cinco dias a contar de sua publicação, cujo teor deve ser analisado pelo administrador público responsável em até cinco dias da data do respectivo protocolo. (OBS. A lei instaura uma espécie de procedimento de impugnação ao procedimento de dispensa ou inexigibilidade; depois desse 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O CH A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 93 prazo, há preclusão na via administrativa e a parceria será formalizada diretamente com o interessado. Claro que pode haver impugnação judicial quanto à validade da parceria seja por ação popular, ACP etc.). §3º Havendo fundamento na impugnação [acolhida a argumentação apresentada na impugnação), será revogado o ato que declarou a dispensa ou considerou inexigível o chamamento público, e será imediatamente iniciado o procedimento para a realização do chamamento público, conforme o caso. §4º A dispensa e a inexigibilidade de chamamento público, bem como o disposto no art. 29, não afastam a aplicação dos demais dispositivos desta Lei. Depois de realizado o chamamento público, o poder público vai selecionar a entidade privada interessada que apresentou a melhor proposta e com ela vai celebrar o vínculo jurídico (a parceria). A Lei 13.019/14 traz 03 parcerias distintas: termo de colaboração, termo de fomento e acordo de colaboração. O art. 2º da Lei 13.019/14 define cada um desses instrumentos. 5.9.5.4 Instrumentos públicos de parceria: Termo de colaboração - Instrumento de parceria para consecução de finalidades públicas propostas pela administração. Envolve transferência de recursos. Termo de fomento - Instrumento de parceria para consecução de finalidades públicas propostas pela sociedade civil. Envolve transferência de recursos. Acordo de cooperação – Instrumento de parceria que NÃO envolve a transferência de recursos. VII - TERMO DE COLABORAÇÃO: instrumento por meio do qual são formalizadas as parcerias estabelecidas pela administração pública com organizações da sociedade civil para a consecução de finalidades de interesse público e recíproco propostas pela administração pública que envolvam a transferência de recursos financeiros; (Redação dada pela Lei nº 13.204, de 2015) VIII - TERMO DE FOMENTO: instrumento por meio do qual são formalizadas as parcerias estabelecidas pela administração pública com organizações da sociedade civil para a consecução de finalidades de 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 94 interesse público e recíproco propostas pelas organizações da sociedade civil, que envolvam a transferência de recursos financeiros; (Redação dada pela Lei nº 13.204, de 2015) VIII-A - ACORDO DE COOPERAÇÃO: instrumento por meio do qual são formalizadas as parcerias estabelecidas pela administração pública com organizações da sociedade civil para a consecução de finalidades de interesse público e recíproco que não envolvam a transferência de recursos financeiros; (Incluído pela Lei nº 13.204, de 2015) Veja ainda o que dispõem os artigos 16 e 17: Art. 16. O termo de colaboração deve ser adotado pela administração pública para consecução de planos de trabalho de sua iniciativa, para celebração de parcerias com organizações da sociedade civil que envolvam a transferência de recursos financeiros. (Redação dada pela Lei nº 13.204, de 2015) Parágrafo único. Os conselhos de políticas públicas poderão apresentar propostas à administração pública para celebração de termo de colaboração com organizações da sociedade civil. Art. 17. O termo de fomento deve ser adotado pela administração pública para consecução de planos de trabalho propostos por organizações da sociedade civil que envolvam a transferência de recursos financeiros. (Redação dada pela Lei nº 13.204, de 2015) Por fim, segundo a lei, os instrumentos só passam a produzir efeitos jurídicos após a publicação em meio oficial de publicidade (diário oficial). Art. 38. O termo de fomento, o termo de colaboração e o acordo de cooperação somente produzirão efeitos jurídicos após a publicação dos respectivos extratos no meio oficial de publicidade da administração pública. (tem que ser publicizado no DO). 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 95 5.9.5.5 Parcerias “ficha limpa”. Rafael Oliveira apelida as hipóteses do art. 39 de “parcerias ficha limpa” porque há várias vedações fortemente influenciadas pela Lei da Ficha Limpa. Art. 39. Ficará impedida de celebrar qualquer modalidade de parceria prevista nesta Lei a organização da sociedade civil que: I - não esteja regularmente constituída ou, se estrangeira, não esteja autorizada a funcionar no território nacional; II - esteja omissa no dever de prestar contas de parceria anteriormente celebrada; III - tenha como dirigente membro de Poder ou do Ministério Público, ou dirigente de órgão ou entidade da administração pública da mesma esfera governamental na qual será celebrado o termo de colaboração ou de fomento, estendendo-se a vedação aos respectivos cônjuges ou companheiros, bem como parentes em linha reta, colateral ou por afinidade, até o segundo grau; (OBS. Veda-se o nepotismo disfarçado/indireto). IV - tenha tido as contas rejeitadas pela administração pública nos últimos cinco anos, exceto se: a) for sanada a irregularidade que motivou a rejeição e quitados os débitos eventualmente imputados; b) for reconsiderada ou revista a decisão pela rejeição; c) a apreciação das contas estiver pendente de decisão sobre recurso com efeito suspensivo; V - tenha sido punida com uma das seguintes sanções, pelo período que durar a penalidade: Três Parcerias (Instrumentos Jurídicos) TERMO DE COLABORAÇÃO Parceria para a consecução de planos de trabalho de iniciativa da AP e envolve recursos financeiros TERMO DE FOMENTO Parcerias para a consecução de planos de trabalho propostos por organizações da sociedade civil que envolvam a transferência de recursos financeiros. ACORDO DE COOPERAÇÃO Não envolve a transferência de recursos financeiros 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 4786 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 96 a) suspensão de participação em licitação e impedimento de contratar com a administração; b) declaração de inidoneidade para licitar ou contratar com a administração pública; c) a prevista no inciso II do art. 73 desta Lei; d) a prevista no inciso III do art. 73 desta Lei; VI - tenha tido contas de parceria julgadas irregulares ou rejeitadas por Tribunal ou Conselho de Contas de qualquer esfera da Federação, em decisão irrecorrível, nos últimos 8 (oito) anos; VII - tenha entre seus dirigentes pessoa: a) cujas contas relativas a parcerias tenham sido julgadas irregulares ou rejeitadas por Tribunal ou Conselho de Contas de qualquer esfera da Federação, em decisão irrecorrível, nos últimos 8 (oito) anos; b) julgada responsável por falta grave e inabilitada para o exercício de cargo em comissão ou função de confiança, enquanto durar a inabilitação; c) considerada responsável por ato de improbidade, enquanto durarem os prazos estabelecidos nos incisos I, II e III do art. 12 da Lei no 8.429, de 2 de junho de 1992. 5.9.5.6 Contratações A doutrina majoritária sempre defendeu que a entidade privada do 3º setor não precisa fazer uma licitação formal, bastando um processo objetivo com regras impessoais, garantindo a observância dos princípios constitucionais. Portanto, as contratações de bens e serviços realizadas pelas entidades da sociedade com recursos públicos devem observar procedimento que atenda aos princípios da Administração Pública. A seleção da equipe de trabalho deve ser precedida de processo seletivo, com regras transparentes, impessoais e objetivas para a seleção dos empregados. A remuneração NÃO gera vínculo com a Administração. 5.9.5.7 Prestação de contas e accountability 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 97 Foi publicada a Lei nº 14.309/2022 para permitir a realização de reuniões e deliberações virtuais pelas organizações da sociedade civil. Vejamos: Art. 4º-A. Todas as reuniões, deliberações e votações das organizações da sociedade civil poderão ser feitas virtualmente, e o sistema de deliberação remota deverá garantir os direitos de voz e de voto a quem os teria em reunião ou assembleia presencial. 5.9.5.8 Responsabilidade e sanções A OSC possui responsabilidade exclusiva pelos encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais relativos ao funcionamento da instituição e ao adimplemento do termo de colaboração ou de fomento, inexistindo responsabilidade solidária ou subsidiária da Administração na hipótese de inadimplemento. Ou seja: aqui, a lei estabelece que o Estado NÃO terá qualquer responsabilidade pela parceria, seja solidária, seja subsidiária. CRÍTICA DA DOUTRINA: Essa ausência de responsabilidade parece ser inconstitucional porque se o Estado formaliza uma parceria, ele não pode renunciar a suas obrigações. E ele tem a obrigação de fiscalizar a parceria. Então, se o Estado é omisso, é razoável se falar em responsabilidade (seja subsidiária, como é a regra, seja solidária, como se opera nos encargos previdenciários). Para uma prova de concurso, deve-se observar a letra da lei: o Estado não tem qualquer responsabilidade. Art. 42. As parcerias serão formalizadas mediante a celebração de termo de colaboração, de termo de fomento ou de acordo de cooperação, conforme o caso, que terá como cláusulas essenciais: XX - a responsabilidade exclusiva da organização da sociedade civil pelo pagamento dos encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais relacionados à execução do objeto previsto no termo de colaboração ou de fomento, não implicando responsabilidade solidária ou subsidiária da administração pública a inadimplência da organização da sociedade civil em relação ao referido pagamento, os ônus incidentes sobre o objeto da parceria ou os danos decorrentes de restrição à sua execução. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 98 Em relação às sanções, a lei comina 3 espécies: advertência, suspensão temporária de participação/impedimento e inidoneidade. ATENÇÃO! NÃO há a cominação de multa. Art. 73. Pela execução da parceria em desacordo com o plano de trabalho e com as normas desta Lei e da legislação específica, a administração pública poderá, garantida a prévia defesa, aplicar à organização da sociedade civil as seguintes sanções: I - advertência; II - suspensão temporária da participação em chamamento público e impedimento de celebrar parceria ou contrato com órgãos e entidades da esfera de governo da administração pública sancionadora, por prazo não superior a dois anos; III - declaração de inidoneidade para participar de chamamento público ou celebrar parceria ou contrato com órgãos e entidades de todas as esferas de governo, enquanto perdurarem os motivos determinantes da punição ou até que seja promovida a reabilitação perante a própria autoridade que aplicou a penalidade, que será concedida sempre que a organização da sociedade civil ressarcir a administração pública pelos prejuízos resultantes e após decorrido o prazo da sanção aplicada com base no inciso II. Perceba que a lei diferenciou o âmbito de aplicação da suspensão e da idoneidade: No que toca à suspensão - a lei fala em “AP sancionadora”. Ex. Estado aplicou suspensão à OSC, logo, ela não poderia participar nesse Estado do chamamento público e parcerias. Contudo, em outros Estados poderia participar. No que toca à inidoneidade – a sanção valeria em todas as esferas de governo. Uma entidade declarada inidônea por um Estado não poderia ser participante de chamamento e parcerias não apenas com o Estado que sancionou, mas também com nenhum outro ente federativo. Assim, é mais grave que a suspensão. Para prova de concurso público, vale a letra da lei! Veja os enunciados aprovados na I Jornada de Direito Administrativo CJF/STJ sobre o tema: Enunciado 5 - O conceito de dirigentes de organização da sociedade civil estabelecido no artigo 2º, inciso IV, da Lei Federal n. 13.019/2014 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL EAR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 99 contempla profissionais com a atuação efetiva na gestão executiva da entidade, por meio do exercício de funções de administração, gestão, controle e representação da pessoa jurídica, e, por isso, não se estende aos membros de órgãos colegiados não executivos, independentemente da nomenclatura adotada pelo estatuto social. Enunciado 9 - Em respeito ao princípio da autonomia federativa (art. 18 da CF), a vedação ao acúmulo dos títulos de OSCIP e OS prevista no art. 2º, inc. IX, c/c art. 18, §§ 1º e 2º, da Lei n. 9.790/1999 apenas se refere à esfera federal, não abrangendo a qualificação como OS nos Estados, no Distrito Federal e nos Municípios. 6. ASSOCIAÇÃO DE REPRESENTAÇÃO DE MUNICÍPIOS (Lei nº 14.341/2022) A Lei nº 14.341, de 2022, publicada em 19/05/2022, impõe regras ao funcionamento das associações de municípios. A norma permite que as entidades representem seus associados perante a Justiça e outros organismos em assuntos de interesse comum. A lei especifica que as associações poderão atuar para a realização de objetivos de interesse comum de caráter político- representativo, técnico, científico, educacional, cultural e social (art. 1º). Passamos agora ao estudo de pontos específicos sobre essa inovação legislativa. 6.1. Requisitos para constituição Os Municípios poderão organizar-se para fins não econômicos em associação, observados os seguintes requisitos: I - constituição da entidade como pessoa jurídica de direito privado, na forma da lei civil; II - atuação na defesa de interesses gerais dos Municípios; III - obrigatoriedade de o representante legal da associação ser ou ter sido chefe do Poder Executivo de qualquer ente da Federação associado, sem direito a remuneração pelas funções que exercer na entidade; IV - obrigatoriedade de publicação de relatórios financeiros anuais e dos valores de contribuições pagas pelos Municípios em sítio eletrônico facilmente acessível por qualquer pessoa; V - disponibilização de todas as receitas e despesas da associação, inclusive da folha de pagamento de pessoal, bem como de termos de 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 100 cooperação, contratos, convênios e quaisquer ajustes com entidades públicas ou privadas, associações nacionais e organismos internacionais, firmados no desenvolvimento de suas finalidades institucionais, em sítio eletrônico da internet facilmente acessível por qualquer pessoa. Para a realização de suas finalidades, as Associações de Representação de Municípios poderão: I - estabelecer suas estruturas orgânicas internas; II - promover o intercâmbio de informações sobre temas de interesse local; III - desenvolver projetos relacionados a questões de competência municipal, como os relacionados à educação, ao esporte e à cultura; IV - manifestar-se em processos legislativos em que se discutam temas de interesse dos Municípios filiados; V - postular em juízo, em ações individuais ou coletivas, na defesa de interesse dos Municípios filiados, na qualidade de parte, terceiro interessado ou amicus curiae, quando receberem autorização individual expressa e específica do chefe do Poder Executivo; VI - atuar na defesa dos interesses gerais dos Municípios filiados perante os Poderes Executivos da União, dos Estados e do Distrito Federal; VII - apoiar a defesa dos interesses comuns dos Municípios filiados em processos administrativos que tramitem perante os Tribunais de Contas e órgãos do Ministério Público; VIII - representar os Municípios filiados perante instâncias privadas; IX - constituir programas de assessoramento e assistência para os Municípios filiados, quando relativos a assuntos de interesse comum; X - organizar e participar de reuniões, congressos, seminários e eventos; XI - divulgar publicações e documentos em matéria de sua competência; XII - conveniar-se com entidades de caráter internacional, nacional, regional ou local que atuem em assuntos de interesse comum; XIII - exercer outras funções que contribuam com a execução de seus fins. 6.2. Vedações São vedados às Associações de Representação de Municípios: I - a gestão associada de serviços públicos de interesse comum, assim como a realização de atividades e serviços públicos próprios dos seus associados; 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 101 II - a atuação político-partidária e religiosa; III - o pagamento de qualquer remuneração aos seus dirigentes, salvo o pagamento de verbas de natureza indenizatória estritamente relacionadas ao desempenho das atividades associativas. 6.3. Previsões Obrigatórias No Estatuto O estatuto das Associações de Representação de Municípios conterá, sob pena de nulidade: I - as exigências estabelecidas no art. 2º da Lei nº 14.341/2022; II - a denominação, o prazo de duração e a sede da associação; III - a indicação das finalidades e atribuições da associação; IV - os requisitos para filiação e exclusão dos Municípios associados; V - a possibilidade de desfiliação dos Municípios a qualquer tempo, sem aplicação de penalidades; VI - os direitos e deveres dos Municípios associados; VII - os critérios para, em assuntos de interesse comum, autorizar a associação a representar os entes da Federação associados perante outras esferas de governo, e a promover, judicial e extrajudicialmente, os interesses dos Municípios associados; VIII - o modo de constituição e de funcionamento dos órgãos deliberativos, inclusive a previsão de que a Assembleia Geral é a instância máxima da associação; IX - as normas de convocação e funcionamento da Assembleia Geral, inclusive para elaboração, aprovação e modificação dos estatutos, e para a dissolução da associação; X - a forma de eleição e a duração do mandato do representante legal da associação; XI - as fontes de recursos para sua manutenção; XII - a forma de gestão administrativa; XIII - a forma de prestação de contas anual à Assembleia Geral, sem prejuízo do disposto nos incisos IV e V do caput do art. 2º da Lei nº 14.341/2022. 6.4. Obediência Aos Princípios Da Administração Pública, Contratação De Pessoal E Impedimentos De Contratação 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 2916 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 102 As Associações de Representação de Municípios realizarão seleção de pessoal e contratação de bens e serviços com base em procedimentos simplificados previstos em regulamento próprio, observado o seguinte: I - respeito aos princípios da legalidade, da igualdade, da impessoalidade, da moralidade, da publicidade, da economicidade e da eficiência; II - contratação de pessoal sob o regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943; III - vedação à contratação, como empregado, fornecedor de bens ou prestador de serviços mediante contrato, de quem exerça ou tenha exercido nos últimos 6 (seis) meses o cargo de chefe do Poder Executivo, de Secretário Municipal ou de membro do Poder Legislativo, bem como de seus cônjuges ou parentes até o terceiro grau. Estende-se a sociedades empresárias de que sejam sócios as pessoas nele referidas. 6.5. Contribuição Financeira: As Associações de Representação de Municípios serão mantidas por contribuição financeira dos próprios associados, observados os créditos orçamentários específicos, além de outros recursos previstos em estatuto. O pagamento das contribuições e os repasses de valores às associações, a qualquer título, deverão estar previstos na lei orçamentária anual do Município filiado. 6.6. Prestação De Contas As associações prestarão contas anuais à Assembleia Geral, na forma prevista em estatuto, sem prejuízo da publicação de seus relatórios financeiros e dos valores de contribuições pagas pelos Municípios em sítio eletrônico facilmente acessível por qualquer pessoa. 6.7. Filiação Ou Desfiliação De Municípios A filiação ou a desfiliação do Município das associações ocorrerá por ato discricionário do chefe do Poder Executivo, independentemente de autorização em lei específica. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 103 O termo de filiação deverá indicar o valor da contribuição vigente e a forma de pagamento e produzirá efeitos a partir da sua publicação na imprensa oficial do Município. O Município poderá pedir sua desfiliação da associação a qualquer momento, mediante comunicação escrita do chefe do Poder Executivo, a qual produzirá efeitos imediatos. Os Municípios poderão filiar-se a mais de uma associação. 6.8. Exclusão De Municípios Da Associação Poderá ser excluído da associação, após prévia suspensão de 1 (um) ano, o Município que estiver inadimplente com as contribuições financeiras. A exclusão de associados, em qualquer caso, somente é admissível se houver justa causa, assim reconhecida em procedimento que assegure direito de defesa e de recurso, nos termos previstos no estatuto. 6.9. Direito À Informação As Associações de Representação de Municípios deverão assegurar o direito fundamental à informação sobre suas atividades, nos termos da Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011 (Lei de Acesso à Informação). 6.10. Associações Compulsoriamente Dissolvidas Ou Atividades Suspensas As Associações de Representação de Municípios somente poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas atividades suspensas por decisão judicial, exigindo- se, no primeiro caso, o trânsito em julgado. 6.11. Prerrogativas Da Fazenda Pública Quando constituídas como pessoa jurídica de direito privado, as Associações de Representação de Municípios não gozarão das prerrogativas de direito material e de direito processual asseguradas aos Municípios. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 104 Referências bibliográficas: Diogo de Figueiredo Moreira Neto. Curso de Direito Administrativo. Maria Sylvia Zanella di Pietro. Direito Administrativo. Rafael Carvalho Rezende Oliveira. Curso de Direito Administrativo TAREFAS PARA O ESTUDO ATIVO 01. Quais são os princípios inerentes à organização administrativa? 02. Diferencie: Desconcentração Descentralização 03. Cite e explique as espécies de descentralização. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 105 04. Sobre os órgãos públicos, responda: - Conceito - Principais características - Explique a “teoria do órgão” - Explique como acontece a sua criação e extinção. - Classificação: Quanto à hierarquia 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 106 Quanto à atuação funcional Quanto à estrutura Quanto às funções Quanto ao âmbito de atuação 05. Como as associações de representação de municípios são mantidas financeiramente? 06. Quais as características da Administração Indireta? 07. Sobre as autarquias, responda: - Conceito- Principais características 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 107 - Espécies - Diferencie: ATOS REGULATÓRIOS ATOS REGULAMENTARES - O que é a deslegalização? - O que são agências executivas? - O que são associações públicas? 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 108 08. Sobre as fundações públicas, responda: - Conceito - Principais características 09. Diferencie: EMPRESAS PÚBLICAS SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 109 10. O que são golden shares? 11. Sobre as entidades do terceiro setor, responda: - Conceito - Espécies - Foro processual 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 110 - Controle - Regime de pessoal - Patrimônio 12. Dê as principais características das entidades do terceiro setor: SERVIÇO SOCIAL AUTÔNOMO ENTIDADES DE APOIO 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 111 ORGANIZAÇÕES SOCIAIS ORGANIZAÇÃO DA SOCIEDADE CIVIL DE INTERESSE PÚBLICO 13. Diferencie: TERMO DE FOMENTO TERMO DE COLABORAÇÃO 14. Sobre os requisitos para a celebração de termo de acordo e termo de fomento: - Cite quais devem ser apresentados pelas organizações da sociedade civil: - Cite quais devem ser cumpridos pela Administração Pública: 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 112 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0administrativa. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 11 O Estado pode criar a pessoa jurídica para transferir a atividade (administração indireta) ou pode realizar um contrato de concessão (com pessoa jurídica já existente) ou permissão de serviço público (com pessoa jurídica ou pessoa física). Em outras palavras: Enquanto a desconcentração ocorre dentro de apenas uma pessoa jurídica, na descentralização, há mais de uma pessoa envolvida. Características da Descentralização: Deslocamento para uma nova pessoa (física ou jurídica); Transferência para pessoa da Administração indireta ou particulares; NÃO existe hierarquia, mas há controle e fiscalização (relação de vinculação, mas NÃO de subordinação). ATENÇÃO Em que consiste o controle finalístico? Também conhecido como vinculação/tutela administrativa/ supervisão ministerial, é o controle pela administração direta à pessoa política a qual é vinculada a Administração indireta. OBS.: A centralização consiste na execução das tarefas administrativas pelo próprio Estado, por meio de órgãos internos integrantes da administração direta. JURISPRUDÊNCIA DO STF É dispensável a autorização legislativa para a alienação de controle acionário de empresas subsidiárias (1). No julgamento da ADI 5624 MC-Ref/DF, prevaleceu o entendimento de que a lei que autoriza a criação da empresa estatal matriz é suficiente para viabilizar a criação de empresas controladas e subsidiárias, não havendo se falar em necessidade de autorização legal específica para essa finalidade. Assim, se é compatível com a CF a possibilidade de criação de subsidiárias quando houver previsão na lei que cria a respectiva empresa estatal, por paralelismo, não há como obstar, por suposta falta de autorização legislativa, a alienação de ações da empresa subsidiária, ainda que tal medida envolva a perda do controle acionário do Estado. Com base nesse entendimento, o Plenário, por unanimidade, conheceu em parte da arguição de descumprimento de preceito fundamental e, na parte conhecida, julgou improcedente o pedido formulado contra o Edital de Leilão 1/2020 da Companhia Energética de Brasília (CEB), que se destina a alienação de cem por cento do controle acionário da CEB- 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 12 Distribuição S.A. (1) Precedentes: ADI 5624 MC-Ref/DF, relator Min. Ricardo Lewandowski (DJe de 28.11.2019); Rcl 42.576/DF, redator do acórdão Min. Alexandre de Moraes (DJe de 25.3.2021). ADPF 794/DF, relator Min. Gilmar Mendes, julgamento virtual finalizado em 21.5.2021 (sexta- feira), às 23:59. Rafael Oliveira pontua que a descentralização traduz a transferência da atividade administrativa para outra pessoa, física ou jurídica, integrante ou não do aparelho estatal. ATENÇÃO Centralização desconcentrada x Descentralização Desconcentrada A centralização é o fenômeno pelo qual o “Estado executa suas tarefas diretamente, ou seja, por intermédio dos inúmeros órgãos e agentes administrativos que compõem sua estrutura funcional”2. Dessa forma, observe que a Centralização ocorre pela execução de tarefas da Administração Pública DIRETA. Diferente, pela descentralização, o Estado executa suas tarefas de forma indireta, isto é, delega suas atividades a outras entidades. Diante dessa diferença, surge a expressão Administração Pública DIRETA, composta pelos entes da federação (União, Estado, Distrito Federal e Município) e Administração Pública INDIRETA, composta por pessoas administrativas (Autarquia, Fundações, Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista). Aquela é a administração centralizada, ao passo que esta é a administração descentralizada. Centralização desconcentrada compreende a atribuição administrativa conferida a uma única pessoa jurídica dividida internamente em diversos órgãos públicos, como se faz em relação aos ministérios. Por sua vez, a centralização concentrada é a extinção de órgãos por parte da Administração Pública Direta. Veja também que é possível haver a Descentralização Desconcentrada, quando a Administração Indireta cria seus órgãos, bem como é possível a Descentralização Concentrada, quando a Indireta extingue seus órgãos. 2 CARVALHO FILHO, José Santos. Manual de Direito Administrativo. 26ª ed. rev. ampl. atual. São Paulo: Atlas, 2012, p. 453 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 danux Realce danux Realce DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 13 Para ficar claro, entenda que o fenômeno da desconcentração ocorre em ambas as administrações públicas, desde que haja a criação de órgãos públicos no âmbito de determinada pessoa jurídica. 2.2.1. Espécies de descentralização Outorga descentralização por serviços ou descentralização funcional Transfere execução + titularidade do serviço público a outra entidade; Destina-se a pessoas jurídicas de direito público ou privado (da Administração Indireta) especializadas; Requer lei específica que cria as entidades. Delegação descentralização por colaboração Só transfere a execução dos serviços públicos, sendo a titularidade mantida com o Estado; Entidades de direito privado da administração indireta e particulares; Formalizada por contrato (particulares) ou Lei (Administração indireta). Descentralização Por serviços ou outorga Transfere a titularidade Transfere Execução Por meio de lei Só a entidades da AP Por colaboração ou delegação Transfere só execução Por meio de Negócio Jurídico ou ato unilateral Ex.: contrato de concessão de serviços públicos À particulares (NJ) e a própria AP (lei). Territorial 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AUJO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 14 ATENÇÃO DESCENTRALIZAÇÃO TERRITORIAL OU GEOGRÁFICA Ocorre com a criação de entidade geograficamente delimitada, dotada de personalidade jurídica própria de direito público, com capacidade de administração e possibilidade de execução das atividades estatais. Típica da França e Itália → NÃO admitida no Brasil desde a Proclamação da República. Alguns doutrinadores (Maria Sylvia Zanella de Pietro) aplicam para os territórios federais. DESCENTRALIZAÇÃO SOCIAL (DIOGO DE FIGUEIREDO MOREIRA NETO) Consiste em aliviar do Estado a execução direta ou indireta de atividades de relevância coletiva que possam ser convenientemente cometidas por credenciamentos ou reconhecimentos a unidades sociais personalizadas. Em outras palavras: consiste em formalizar parcerias (ou atos de reconhecimento) com entidades do 3º Setor, com o intuito de criar condições favoráveis para o alcance de metas socialmente adequadas. Com relação a este ponto, é importante que o estudante conheça as formas de controles administrativos: tutela x hierarquia. TUTELA NÃO se presume – Depende de Lei Pressupõe a existência de duas pessoas jurídicas, onde uma exerce controle sobre a outra (fruto da descentralização); Condicionada pela lei. HIERARQUIA Inerente à organização interna dos entes federativos – NÃO depende de previsão legal. Existe no interior de uma mesma pessoa – ideia de desconcentração. Incondicionada, sendo-lhe inerente uma série de poderes administrativos. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 15 No concurso da PGM Mogi das Cruzes – SP (VUNESP – 2024), o tema foi cobrado da seguinte forma: Acerca da administração indireta, assinale a alternativa correta. a) Está sujeita à tutela, por meio do controle da administração direta. b) Contempla autarquias, fundações públicas, empresas públicas e órgãos de governo. c) Predomina a desconcentração frente ao ente governamental a que está vinculado. d) A responsabilização objetiva de natureza civil se aplica a situações previamente previstas em lei. e) Compreende órgãos públicos, como os tribunais de contas e judiciários. A alternativa considerada correta foi a letra A. A Administração Direta ou Centralizada é o conjunto de órgãos que integram a pessoa federativa com competência para determinado exercício, sendo constituída dos serviços que integram a estrutura da Presidência da República e seus ministérios e, pelo princípio da Simetria, as esferas estaduais, municipais e distritais seguem a mesma estrutura. Vamos esquematizar? DESCENTRALIZAÇÃO DESCONCENTRAÇÃO Transferência da atividade administrativa para outra pessoa, física ou jurídica, integrante ou não do aparelho estatal. Distribuição interna de atividade dentro de uma mesma pessoa jurídica, resultando na criação de centros de competências, denominados órgãos públicos, dentro de uma mesma estrutura hierárquica. Há mais de uma pessoa jurídica. Ocorre dentro da mesma pessoa jurídica. Não há hierarquia, apenas controle e fiscalização. Há hierarquia e decorre do Poder Hierárquico. Há uma relação de vinculação. Há uma relação de subordinação. Pode ser: 1) Descentralização por outorga, que dá origem às entidades da Administração Indireta; Dá origem aos órgãos públicos. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 danux Realce danux Realce danux Realce DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 16 2) Descentralização por colaboração, na qual há delegação à pessoa já existente, através de concessão ou permissão. No concurso da PGM Ribeirão Preto - SP (VUNESP - 2019), o tema foi cobrado da seguinte forma: Ao tratar da centralização e descentralização administrativa, desconcentração e hierarquia administrativa, é correto afirmar que: A) ocorre descentralização administrativa quando o Estado desempenha algumas de suas atribuições pela sua administração direta. B) os órgãos criados pela desconcentração têm personalidade jurídica própria. C) a desconcentração ocorre exclusivamente dentro da estrutura de uma mesma pessoa jurídica. D) na desconcentração administrativa, os entes têm capacidade para gerir os seus próprios negócios, mas com subordinação a leis postas pelo ente central. E) descentralização é a subdivisão da estrutura da administração em órgãos internos, a fim de prestar serviços públicos específicos de forma mais efetiva. A alternativa considerada correta foi a letra C. No concurso da PGM Boa Vista - RR (CEBRASPE - 2019), o tema foi cobrado da seguinte forma: A respeito de improbidade administrativa, processo administrativo e organização administrativa, julgue o item seguinte. I- A criação de empresa pública é um exemplo de descentralização de poder realizado por meio de atos de direito privado, ainda que a instituição da empresa pública dependa de autorização legislativa. O item foi considerado correto. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 17 3. ÓRGÃOS PÚBLICOS Órgãos públicos são centros de atribuições que resultam da desconcentração administrativa. Sua criação se justifica pela necessidade de especializar as funções, com o intuito de tornar a atuação estatal maiseficiente (princípio da eficiência). A principal característica dos órgãos é que ELES NÃO POSSUEM PERSONALIDADE JURÍDICA PRÓPRIA. Características: Órgãos são centros especializados de competências. Art. 1º, §2º, I, Lei 9.784/99 - Para os fins desta Lei, consideram-se: I - órgão - a unidade de atuação integrante da estrutura da Administração direta e da estrutura da Administração indireta. Criação e extinção devem ser feitas por meio de lei. Competência do órgão é intransferível e irrenunciável, mas pode ser delegada ou avocada. Presentes tanto na Administração direta como na Administração indireta. NÃO possuem patrimônio próprio. NÃO podem ser sujeitos de direitos ou de obrigações (uma vez que não possuem personalidade jurídica). Ex.: uma morte ocorrida dentro de escola pública municipal será de responsabilidade do Município, pois a escola e a prefeitura são órgãos públicos e, portanto, não são sujeitos de obrigações. NÃO celebram contrato, contudo, o órgão realiza licitação, gestão e exercício do contrato, ficando a cargo do ente personalizado a celebração do contrato. EXCEÇÃO: Contrato de gestão/de desempenho. Embora os órgãos públicos não possam celebrar contratos por não possuírem personalidade jurídica e, consequentemente, capacidade contratual, o art. 37, §8º, da CF/88 admite a celebração de “contrato de gestão” ou “contrato de desempenho” entre órgãos públicos e administradores ou entes federativos, que tem como objetivo ampliar a autonomia gerencial orçamentária e financeira dos órgãos, que deverão, em contrapartida, cumprir determinadas metas de desempenho. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 18 § 8º A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos órgãos e entidades da administração direta e indireta poderá ser ampliada mediante contrato, a ser firmado entre seus administradores e o poder público, que tenha por objeto a fixação de metas de desempenho para o órgão ou entidade, cabendo à lei dispor sobre: I - o prazo de duração do contrato; II - os controles e critérios de avaliação de desempenho, direitos, obrigações e responsabilidade dos dirigentes; III - a remuneração do pessoal. Considerações importantes sobre o contrato de gestão/desempenho: Natureza jurídica: embora a doutrina seja pacífica no sentido de que o contrato de gestão NÃO tem natureza de contrato administrativo, há divergência quanto à sua natureza jurídica: ∘ 1ª Corrente (Rafael Oliveira e Maria Silva Di Pietro) - O contrato de gestão tem natureza de convênio administrativo, sendo constitucional sua celebração. Para esses autores, o convênio administrativo é sinônimo de ato administrativo complexo. ∘ 2ª Corrente (Diogo Figueiredo Moreira Neto – minoritário): O contrato de gestão tem natureza jurídica de ato administrativo complexo. Para ele, ato administrativo complexo não é sinônimo de convênio administrativo. Classificação: O contrato de gestão é classificado pela doutrina em: ∘ Endógeno: Celebrado dentro da Administração Pública direta ou indireta (art. 37, §8º, CF). O contrato de gestão será considerado endógeno quando celebrado, por exemplo, entre o Estado e a Secretaria de Segurança Pública ou uma Autarquia. ∘ Exógeno: Celebrado entre a Administração Pública e os particulares em colaboração com o Estado (3º Setor) (art. 5º, Lei 9.637/98). Inconstitucionalidade: Parte da doutrina afirma que o contrato de gestão é inconstitucional, por 2 fundamentos principais: i. O Direito brasileiro não permite o autocontrato; ii. Violação ao princípio da reserva legal, pois, se a criação do órgão se dá por lei, o aumento da sua autonomia também deveria ocorrer mediante previsão legal. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 19 Veja o enunciado aprovado na I Jornada de Direito Administrativo CJF/STJ sobre o contrato de desempenho: Enunciado 11 – O contrato de desempenho previsto na Lei 13.934/2019, quando celebrado entre órgãos que mantêm entre si relação hierárquica, significa a suspensão da hierarquia administrativa, por autovinculação do órgão superior, em relação ao objeto acordado, para substituí-la por uma regulação contratual, nos termos do art. 3º da referida Lei. Além disso, destaca-se a regulamentação pela Lei 13.934/19. Art. 3º O contrato de desempenho constitui, para o supervisor, forma de autovinculação e, para o supervisionado, condição para a fruição das flexibilidades ou autonomias especiais. ATENÇÃO Em regra, os órgãos, por NÃO terem personalidade jurídica, NÃO têm capacidade processual, ou seja, não podem figurar em juízo por si próprios, mas sim por meio do ente a que se subordinam. EXCEÇÕES: 1) Previsão legal. Ex.: Órgão público na defesa dos consumidores (art. 82, inc. III, CDC). Art. 81. A defesa dos interesses e direitos dos consumidores e das vítimas poderá ser exercida em juízo individualmente, ou a título coletivo. Art. 82. Para os fins do art. 81, parágrafo único, são legitimados concorrentemente: III – as entidades e órgãos da Administração Pública, direta ou indireta, ainda que sem personalidade jurídica, especificamente destinados à defesa dos interesses e direitos protegidos por este código; 2) Órgãos titulares de direitos subjetivos, o que lhes confere capacidade processual para a defesa das prerrogativas, bem como competências para defesa de atribuições institucionais. Ex.: Órgãos independentes e autônomos podem figurar em 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 20 juízo, desde que (i) sejam órgãos de cúpula de hierarquia administrativa; (ii) atuem na defesade suas prerrogativas institucionais. JURISPRUDÊNCIA DO STJ Súmula 525-STJ: A Câmara de Vereadores não possui personalidade jurídica, apenas personalidade judiciária, somente podendo demandar em juízo para defender os seus direitos institucionais. JURISPRUDÊNCIA DO STF Além disso, o STF já reconheceu a capacidade processual para a Câmara dos Vereadores impetrar mandado de segurança, quando caracterizada a inércia do Município, na defesa de suas prerrogativas institucionais. Legitimidade do Tribunal de Justiça para impetrar mandado de segurança em defesa de sua autonomia institucional. O Tribunal de Justiça, mesmo não possuindo personalidade jurídica própria, detém legitimidade autônoma para ajuizar mandado de segurança contra ato do Governador do Estado em defesa de sua autonomia institucional. Ex: mandado de segurança contra ato do Governador que está atrasando o repasse dos duodécimos devidos ao Poder Judiciário. STF. 1ª Turma. MS 34483- MC/RJ, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 22/11/2016 (Info 848). 3.1. Teorias Teoria do Mandato: O agente público é mandatário da pessoa jurídica, sendo a relação construída em função de um contrato de mandato. CRÍTICA NÃO se admite que um Estado, que NÃO tem vontade própria e nem tem como exteriorizá-la, possa assinar um contrato, instrumento que depende da autonomia da vontade. Teoria da Representação: O agente público seria representante do Estado por força de lei, equiparando-se ao tutor ou curador, representando os incapazes. CRÍTICA A representação pressupõe duas figuras independentes, com suas vontades, o que na verdade NÃO acontece, já que a vontade do agente e do Estado NÃO se confundem. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 21 A pessoa jurídica ficaria equiparada a um incapaz por essa teoria, sendo absurda a ideia de que o incapaz confere representante de si mesmo. O incapaz NÃO pode ser civilmente responsabilizado, o que NÃO ocorre com o Estado. Teoria do Órgão (Teoria da imputação volitiva) Otto Von Gierke – Por essa teoria, a manifestação do órgão público é atribuída à pessoa jurídica ao qual ele pertence. Ou seja: quando um agente público, integrante de um órgão público, manifesta a sua vontade, na realidade, é a própria pessoa estatal que está agindo. Por esse motivo, é possível imputar, ao Estado, os danos causados por seus agentes. Explica a teoria do funcionário de fato putativo, que é aquele cuja investidura foi irregular ou viciada, mas cuja situação tem aparência de legalidade. Para a Teoria, consideram-se válidos os atos praticados por um funcionário de fato putativo, em nome da boa-fé dos administrados, segurança jurídica e legalidade dos atos, pois o ato é do órgão (e, consequentemente, da pessoa jurídica ao qual pertence), não do agente. OBSERVAÇÃO Teoria da institucionalização - não obstante não tenham personalidade jurídica própria, determinados órgãos, em virtude de sua atuação, podem ganhar vida própria, por conta de sua história existencial. Exemplo clássico: exército brasileiro, que exerce função estatal de defesa da soberania nacional e que reconhecidamente é titular de bens e pode atuar na vida jurídica mediante celebração de contratos e prática de atos administrativos 3.2. Criação e extinção de órgãos públicos A regra é que os órgãos públicos sejam criados e extintos por lei ordinária. E, em regra, a lei será de iniciativa do chefe do Executivo. Essa exigência aparece na CF em alguns momentos: Art. 61. A iniciativa das leis complementares e ordinárias cabe a qualquer membro ou Comissão da Câmara dos Deputados, do Senado Federal ou do Congresso Nacional, ao Presidente da República, ao Supremo Tribunal Federal, aos Tribunais Superiores, ao Procurador-Geral da República e aos cidadãos, na forma e nos casos previstos nesta Constituição. § 1º São de iniciativa privativa do Presidente da República as leis que: II – disponham sobre: 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 22 e) criação e extinção de Ministérios e órgãos da administração pública, observado o disposto no art. 84, VI; Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: VI – dispor, mediante decreto, sobre: a) organização e funcionamento da administração federal, quando não implicar aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos; Existem algumas exceções em relação à iniciativa da lei. Vejamos: 1) Para a criação de órgãos no Poder Judiciário, a iniciativa será do presidente do próprio TJ (art. 96, II, “c” e “d”). Art. 96. Compete privativamente: II – ao Supremo Tribunal Federal, aos Tribunais Superiores e aos Tribunais de Justiça propor ao Poder Legislativo respectivo, observado o disposto no art. 169: c) a criação ou extinção dos tribunais inferiores; d) a alteração da organização e da divisão judiciárias; 2) No âmbito do MP, a iniciativa para a criação de órgãos será do chefe da instituição, ou seja, PGJ ou PGR (art. 127, §2º). Art. 127. § 2º Ao Ministério Público é assegurada autonomia funcional e administrativa, podendo, observado o disposto no art. 169, propor ao Poder Legislativo a criação e extinção de seus cargos e serviços auxiliares, provendo-os por concurso público de provas ou de provas e títulos, a política remuneratória e os planos de carreira; a lei disporá sobre sua organização e funcionamento. OBSERVAÇÃO É possível criar órgãos por ato administrativo? R.: Parte da doutrina (Carvalho Filho, Rafael Oliveira, Fernando Barbalho) entende que a CF/88 admite, excepcionalmente, no âmbito do Senado Federal e Câmara dos Deputados (art. 51, IV, e art. 52, XIII, da CF), que a própria casa disponha sobre a sua organização administrativa, como a criação de órgãos. Em outras palavras: a criação de órgãos dentro da Câmara dos Deputados e do Senado Federal pode ser feita 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 4786 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 23 mediante resolução das respectivas casas, não se exigindo a sanção presidencial, pois não se trata de lei. Por simetria, isso pode ser levado para os Estados e Municípios. No concurso da PGM Sorocaba – SP (VUNESP – 2018), o tema foi cobrado da seguinte forma: A característica fundamental da teoria do órgão consiste no princípio da imputação volitiva, ou seja, a vontade do órgão público é imputada à pessoa jurídica a qual este pertence. Em consequência disso, é correto afirmar que um ato administrativo praticado no âmbito de uma: A) Autarquia pode ser questionado judicialmente, figurando a Municipalidade no polo passivo da demanda. B) Secretaria Estadual pode ser questionado judicialmente, figurando a própria Secretaria no polo passivo da demanda. C) Empresa Pública pode ser questionado judicialmente, figurando a Municipalidade no polo passivo da demanda. D) Diretoria pode ser questionado judicialmente, figurando a própria Diretoria no polo passivo da demanda. E) Secretaria Municipal pode ser questionado judicialmente, figurando a Municipalidade no polo passivo da demanda. A alternativa considerada correta foi a letra E. 3.3. Classificação Quanto a hierarquia a) Independentes: NÃO estão hierarquicamente subordinados a nenhum outro órgão, se sujeitando apenas ao controle dos poderes estruturais do Estado. Ex: Presidente da República. – têm origem na CF. Suas atribuições são exercidas por agentes políticos. OBS: O MP E O TCU É UM ÓRGÃO INDEPENDENTE, EMBORA NÃO SEJA UM PODER. b) Autônomos: Órgãos imediatamente subordinados aos órgãos independentes. Possuem autonomia administrativa e financeira e são órgãos diretivos. Tem orçamento próprio. Ex: Ministério da Fazenda, 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 danux Realce danux Realce danux Realce DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 24 Secretaria do Estado, AGU. c) Superiores: Possuem apenas poder de direção e controle sobre assuntos específicos de sua competência, mas NÃO possuem autonomia e independência, embora conservem o Poder de decisão. Ex: SRF, Polícias, Procuradorias. d) Subalternos: Órgão com reduzido poder de decisão, destinado a mera execução de atividades administrativas. Ex.: seção de pessoal, zeladoria. Quanto à atuação funcional a) Singular: órgão de único titular. Ex.: Prefeitura, juízo de 1º grau, presidência. b) Colegiado (ou pluripessoal): manifestação de vontade de um colegiado de agentes. Ex.: casas legislativas, STF. Quanto à estrutura a) Simples (unitário): Atuam sozinhos (um único centro de competência). Ex.: Gabinete. b) Composto: Há mais de um órgão atuando em sua estrutura (desconcentração). Ex.: Congresso Nacional é formado pela Câmara dos Deputados e Senado Federal. Quanto às funções a) Ativos: atuam diretamente no exercício da função administrativa. Ex.: PRF. b) Consultivos: atuam na emissão de pareceres jurídicos. c) De controle: atuam na atividade de controle dos demais órgãos e agentes. Ex.: TCU. Quanto ao âmbito de atuação a) Central: atribuição em toda a área da pessoa jurídica que integram (federal, estadual e municipal). b) Local: atribuição para atuação apenas em parte do território. Resumindo... QUANTO À INDEPENDENTES NÃO estão hierarquicamente subordinados a nenhum outro órgão, se sujeitando apenas ao controle dos poderes estruturais do Estado (sistema de freios e contrapesos). Têm origem na CF e estão no comando dos Poderes. AUTÔNOMOS Órgãos imediatamente subordinados aos órgãos independentes. São órgãos diretivos que desempenham funções de coordenação, planejamento, supervisão e controle. Possuem 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 25 HIERARQUIA autonomia administrativa e financeira (NÃO possuem autonomia política). SUPERIORES NÃO possuem autonomia e independência, embora conservem o poder de decisão e controle sobre assuntos específicos de sua competência. SUBALTERNOS Órgãos com reduzido poder de decisão, destinados à mera execução de atividades administrativas. QUANTO À ATUAÇÃO FUNCIONAL/ MANIFESTAÇÃO DE VONTADE SINGULAR Atua pela manifestação de vontade de um único agente. COLEGIADO (OU PLURIPESSOAL) A tomada de decisão é feita de forma coletiva. QUANTO À ESTRUTURA SIMPLES OU UNITÁRIO Atuam sozinhos (um único centro de competência), sem subdivisões em seu interior. COMPOSTO Há mais de um órgão atuando em sua estrutura (mais de um centro de competência). QUANTO ÀS FUNÇÕES ATIVOS Responsáveis pela execução de atividades administrativas. CONSULTIVOS Exercem função de assessoramento. DE CONTROLE Exercem função de fiscalização. QUANTO AO ÂMBITO DE ATUAÇÃO CENTRAL Têm atribuição em toda a área da pessoa jurídica que integram (federal, estadual e municipal) LOCAL Têm atribuição para atuar em determinado local. 4. ADMINISTRAÇÃO INDIRETA Como visto, a Administração Pública Indireta decorre da descentralização de serviços (descentralização administrativa). Consiste na instituição, pelo Estado, por meio de lei, de uma pessoa jurídica de direito público ou privado à qual se atribui a titularidade e execução de serviço público, conforme art. 4º do DL 200/67. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 26 4.1. Características comuns CARACTERÍSTICAS DA ADMINISTRAÇÃO INDIRETA Gozam de personalidade jurídica própria. Possuem patrimônio próprio. No momento da sua criação, a entidade responsável transfere parte de seu patrimônio ao novo ente, o qual terá liberdade para usá-lo. Possuem capacidade de autoadministração (autonomia técnica + administrativa). Cuidado! Essa capacidadede autoadministração NÃO significa que elas podem definir regras para se organizarem. Devem ter finalidade pública. NÃO poderão ter finalidade lucrativa, mas o lucro poderá ser uma consequência da atividade. Sujeitas à supervisão ministerial (e NÃO ao poder hierárquico). Forma de controle que pode ocorrer por meio de 3 hipóteses: 1) Controle Finalístico: deve-se assegurar que as entidades da Administração Indireta não estão se desviando dos fins previstos nas leis instituidoras; 2) Controle Político: a Administração Direta pode nomear e exonerar livremente os dirigentes das entidades administrativas. Exceção: dirigentes das agências reguladoras; 3) Controle Financeiro: exercido pelo Poder Legislativo com auxílio do TCU. Para a doutrina, além das autarquias e fundações públicas, as estatais também se submetem ao controle financeiro, desde que prestem serviço público. Necessidade de lei específica para criação das autarquias e autorização para criação dos demais entes da administração indireta, neste caso, sendo imprescindível o registro dos atos constitutivos no cartório de pessoas jurídicas ou na junta comercial para empresas estatais. Art. 37, XIX - Somente por lei específica poderá ser criada autarquia e autorizada a instituição de empresa pública, de sociedade de economia mista e de fundação, cabendo à lei complementar, neste último caso, definir as áreas de sua atuação. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 27 OBSERVAÇÃO: Criação de subsidiárias também exige lei. ⦁ NÃO precisa ser lei específica. A própria lei que institui a entidade pode autorizar. ⦁ A lei deve ser minuciosa, trazendo todas as áreas de atuação da entidade de forma específica (princípio da especialidade). Já a organização pode ser feita através de ato administrativo. CF, Art. 37, XX - depende de autorização legislativa, em cada caso, a criação de subsidiárias das entidades mencionadas no inciso anterior, assim como a participação de qualquer delas em empresa privada; 4.2. Entes da Administração Indireta 4.2.1 Autarquias a) Conceito: São pessoas jurídicas de direito público interno, pertencentes à Administração Indireta, criadas por lei específica para o exercício de atividades típicas, próprias do Estado (ou seja: atividades que só podem ser desempenhadas por pessoas jurídicas de direito público). Possuem regime muito semelhante ao dos entes da Administração Direta. Ex.: INSS, INCRA, conselhos de classe, Universidades Federais, IBAMA, Banco Central, autarquias territoriais, agências reguladoras, associações públicas de regime público (lei 11.107/05). b) Características: NÃO possuem autonomia política, mas possuem autonomia financeira e de autorregulação. Possuem regime jurídico de Direito Público. São CRIADAS por lei específica (competência do chefe do Poder Executivo), através da descentralização por outorga ou descentralização legal. (art. 37, XIX da CF). Possuem personalidade jurídica própria. Possuem patrimônio próprio. Bens autárquicos são bens públicos que, portanto, se sujeitam à impenhorabilidade, à imprescritibilidade e à inalienabilidade relativa. Praticam atos administrativos. Precisam fazer licitação quando firmarem contratos administrativos, podendo haver a previsão de cláusulas exorbitantes. Sujeitas a controle financeiro do Tribunal de Contas. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 danux Realce danux Realce DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 28 Submetem-se ao regime de precatórios, SALVO os conselhos profissionais. Possuem imunidade tributária recíproca em relação aos IMPOSTOS. Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: VI - instituir impostos sobre: a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; § 2º A vedação do inciso VI, "a", é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. 💣 Atenção! A imunidade tributária recíproca das autarquias é chamada de condicionada porque se limita aos patrimônios, rendas ou serviços que estejam vinculados às suas finalidades essenciais ou sejam delas decorrentes. Possuem prerrogativas processuais. Ex.: prazo em dobro, reexame necessário. Súmula 644 STF - Ao titular do cargo de procurador de autarquia não se exige a apresentação de instrumento de mandato para representá-la em juízo. c) Responsabilidade Civil: As autarquias possuem responsabilidade civil objetiva, com fundamento na Teoria do Risco Administrativo (art. 37, §6º, da CF/88). As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. Por possuírem personalidade jurídica própria e patrimônio próprio, as autarquias respondem diretamente com o seu patrimônio. No entanto, caso não consigam arcar, o Estado responde subsidiariamente. Ou seja: há responsabilidade subsidiária do ente criador. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce DIREITO ADMINISTRATIVO Organização da Administração Pública 29 d) Regime Jurídico: possibilidade de optar pelo regime estatutário ou pelo regime celetista (art. 39, CF/88 → fim do regime jurídico único com a EC 19/1998 cuja constitucionalidade foi julgada em 2024 na ADI 2135). e) Controle da Administração Indireta: A Administração indireta se submete a um controle meramente finalístico, tendo em vista que NÃO HÁ SUBORDINAÇÃO ENTRE OS ENTES DA ADMINISTRAÇÃO INDIRETA E DA ADMINISTRAÇÃO DIRETA. Estão sujeitas também ao controle financeiro do Tribunal de Contas. 4.2.1.1. Espécies Autarquias profissionais,