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Curso de Introdução 
à INTELIGÊNCIA 
PENITENCIÁRIA – CIIPEN
MÓDULO 2
Inteligência Penitenciária Aplicada
EXPEDIENTE
Todo o conteúdo do Curso de Introdução à Inteligência Penitenciária – CIIPEN, da Secretaria
Nacional de Políticas Penais do Ministério da Justiça e Segurança Pública do governo federal —
2022, está licenciado sob a Licença Pública Creative Commons Atribuição — Não Comercial —
Sem Derivações 4.0 Internacional. Para visualizar uma cópia desta licença, acesse:
https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/deed.pt_BR.
BY NC ND
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA
Coordenação Geral 
Luciano Patrício Souza de Castro
Financeiro 
Fernando Machado Wolf
Consultoria Técnica EaD 
Giovana Schuelter
Coordenação de Produção 
Caroline Daufemback Henrique 
Francielli Schuelter
Coordenação de AVEA 
Andreia Mara Fiala
Revisão Textual
Supervisão: Evillyn Kjellin 
Victor Rocha Freire Silva
Vivianne Oliveira Rodrigues
Design Instrucional 
Supervisão: Milene Silva de Castro 
Flora Bazzo Schmidt 
Joyce Regina Borges
Design Gráfico
Supervisão: Mary Vonni Meürer de Lima
Airton Jordani Jardim Filho
Cleber da Luz Monteiro
Giovana Aparecida dos Santos
Guilherme Comerão Stecca Almeida
Julia Morato Leite Lucas
Renata Cristina Gonçalves
Sonia Trois
Tiago Augusto Paiva
Programação
Supervisão: Alexandre Dal Fabbro
João Pedro Mendonça de Araujo
Luan Rodrigo Silva Costa
Luiz Eduardo Pizzinatto
Audiovisual 
Supervisão: Rafael Poletto Dutra 
Angie Luiza Moreira de Oliveira 
Dilney Carvalho da Silva 
Eduardo Corrêa Machado 
Jacob de Souza Faria Neto 
Kimberly Araujo Lazzarin 
Marcelo Vinícius Netto Spillere 
Marília Gabriela Salomao Dauer 
Maycon Douglas da Silva
Apresentação 
Áureo Mafra de Moraes
Conteúdo
Jean Cler Brugnerotto 
Álvaro Portel Júnior
Ana Paula Alves Ferreira Botelho 
Andrea Delgado Ferreira
Antônio Marcos Mota 
Diego Mantovaneli do Monte 
Moacir Vilanova Lopes Neto 
Sergio da Silva de Medeiros
GOVERNO FEDERAL 
Presidente da República 
Luiz Inácio Lula da Silva
Vice-Presidente da República 
Geraldo José Rodrigues Alckmin Filho
Ministro da Justiça e Segurança Pública 
Enrique Ricardo Lewandowski
Secretário da Secretaria Nacional de Políticas Penais – SENAPPEN 
André de Albuquerque Garcia
Diretora da Escola Nacional de Serviços Penais – ESPEN 
Stephane Silva de Araújo
Equipe ESPEN
Haynara Jocely Lima de Almeida
Jorge Magno Alves Pinto
Leonardo Conceição Cruz
Pedro Henrique Chavier da Silva
Robson de Farias
Tania Lopes Ferreira Silva
https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/deed.pt_BR
https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/deed.pt_BR
https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/deed.pt_BR
https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/deed.pt_BR
ESCLARECIMENTO
 
A partir de 1º de janeiro de 2023, o Departamento Penitenciário Nacional 
(DEPEN) passou a ser denominado Secretaria Nacional de Políticas Penais 
(SENAPPEN), instituída pelo Art. 59 da Medida Provisória nº 1.154; porém, 
devido ao fato de o material deste curso ter sido produzido antes da vigência 
da referida medida provisória, há conteúdos em que a atual SENAPPEN 
é mencionada como DEPEN. É possível, ainda, que outros órgãos gover-
namentais federais citados nos materiais, como ministérios, secretarias 
e departamentos, disponham de uma nova estrutura regimental e uma 
nova nomenclatura e sejam mencionados de maneira diferente da atual.
SUMÁRIO
Apresentação 6
Objetivos do módulo 6
Unidade 1: A atuação da Polícia Penal na Atividade de Inteligência 9
1.1 Entrevista 9
1.2 Análise comportamental 17
1.3 Recrutamento operacional de fonte humana 25
1.4 Negociação 26
Unidade 2: Atitudes do Policial Penal no ambiente penitenciário 29
2.1 Produzir provas e Inteligência – diferenças práticas 29
2.2 A mentalidade da Contrainteligência no ambiente penitenciário: segurança e proteção 32
2.3 Da intuição à institucionalização e a primazia da técnica 38
2.4 O trabalho da Inteligência em sinergia com a atividade de segurança 39
2.5 Atitudes e atividades do Policial Penal 40
Unidade 3: Problemas atuais da Inteligência Penitenciária 43
3.1 Desafios e conquistas com as recentes legislações: Polícia Penal e Pacote Anticrime 43
3.2 O organograma da Atividade de Inteligência no Brasil: aspectos ideais e factuais 46
3.3 O surgimento do Sistema Penitenciário Federal no Brasil e seus impactos 49
SUMÁRIO
3.4 Facções criminosas: sua atuação e ameaça transnacional e o crescimento das milícias 52
3.5 As organizações mafiosas e terroristas no Brasil 57
3.6 Aspectos gerais sobre Análise de Risco e Planos de Contingência 59
Síntese do Módulo 63
Referências 66
CURSO DE INTRODUÇÃO À 
INTELIGÊNCIA PENITENCIÁRIA – CIIPEN
MÓDULO 2 | Inteligência Penitenciária Aplicada 6
APRESENTAÇÃO
Olá, cursista!
O Módulo 2, Inteligência Penitenciária Aplicada, trará alguns elementos 
que já vimos no Módulo 1, Fundamentos Teóricos e Doutrinários da 
Atividade de Inteligência Penitenciária. Todavia, ele também oferecerá 
uma visão prática dos elementos teóricos já vistos. Veremos como um 
analista de Inteligência pode aplicar na prática a teoria e a Doutrina de 
Inteligência Penitenciária, por meio de exemplos, situações reais e mo-
delos de conduta. 
Assim, dando continuidade ao Curso de Introdução à Inteligência Peni-
tenciária, neste módulo, serão abordadas algumas atividades realizadas 
pela Polícia Penal no Serviço de Inteligência voltado para a fonte humana. 
Objetivos do módulo
• Conhecer os principais procedimentos de Inteligência Penitenciária 
vinculados ao Serviço de Inteligência, no sentido da compreensão de 
sua aplicação e de sua operacionalização. 
• Diferenciar e entender com exemplos práticos a produção das provas 
e a Inteligência. 
• Compreender a mentalidade da Contrainteligência no ambiente penal: 
segurança e proteção. 
• Entender e assimilar as atitudes do Policial Penal no ambiente penitenciário. 
• Compreender o trabalho da Inteligência em sinergia com a atividade 
da segurança. 
• Descrever as importantes alterações legislativas advindas com a Polícia 
Penal e com o Pacote Anticrime. 
• Conhecer o organograma da Atividade de Inteligência no Brasil. 
• Compreender os reflexos da criação do Sistema Penitenciário Federal. 
CURSO DE INTRODUÇÃO À 
INTELIGÊNCIA PENITENCIÁRIA – CIIPEN
MÓDULO 2 | Inteligência Penitenciária Aplicada 7
• Contextualizar o surgimento de importantes organizações criminosas e 
a ameaça que sua atuação representa na atualidade para a América do Sul. 
• Conhecer mais sobre as organizações mafiosas e seus reflexos no Brasil. 
• Identificar o que é Análise de Risco e Plano de Contingência e suas 
importâncias para o tomador de decisão. 
UNIDADE 1
A atuação da Polícia Penal na 
Atividade de Inteligência
CURSO DE INTRODUÇÃO À 
INTELIGÊNCIA PENITENCIÁRIA – CIIPEN
MÓDULO 2 | Inteligência Penitenciária Aplicada 9
1. A ATUAÇÃO DA POLÍCIA PENAL NA ATIVIDADE DE INTELIGÊNCIA
Desenvolver atividades de Inteligência Penitenciária atualmente é tarefa 
árdua. Há diversas informações nas redes de comunicação, como sites, 
aplicativos de mensagens, noticiários etc., e compete ao Policial Penal 
que atua numa Agência de Inteligência reunir os fragmentos importantes 
para a produção de um conhecimento de Inteligência que seja amplo, 
claro, imparcial, objetivo e, obviamente, oportuno. Esse trabalho, muitas 
vezes, sofre interferências do Elemento de Operações. 
Neste módulo, serão abordadas algumas ferramentas úteis ao profissional 
de Inteligência, visando apresentar a execução de uma ou mais ações 
e de técnicas operacionais passíveis de serem utilizadas e que exigem 
um planejamento minucioso, um esforço concentrado e o emprego de 
pessoal, de técnicas e de material especializados. 
1.1 Entrevista
A entrevista na esfera da Inteligência é uma das onze ações de busca 
contida na Doutrina Nacional de Inteligência Penitenciária (DNIP) e uma 
das ações mais executadas. Posto isso, vamos dar grande relevância a essaDE INTRODUÇÃO À 
INTELIGÊNCIA PENITENCIÁRIA – CIIPEN
MÓDULO 2 | Inteligência Penitenciária Aplicada 47
o inimigo e conhece a si mesmo não precisa temer o resultado de cem 
batalhas, ou, ainda, se alguém se empenha a resolver as dificuldades, 
resolve-as antes que elas surjam (SUN TZU, 2010).
Abordando de modo simples, uma mentalidade de Inteligência consiste 
no conhecimento de situações para soluções de problemas existentes 
ou dos que possam vir a existir. Já quando se fala em Atividade de 
Inteligência, refere-se à atividade permanente, sistemática e especia-
lizada para coleta, análise e disseminação de dados e informações que 
possam subsidiar os tomadores de decisão (chefes de Estado, governo e 
autoridades públicas) (CASTRO, 2012).
No Brasil, a Atividade de Inteligência foi instituída no ano de 1927, no go-
verno do presidente Washington Luís, com o objetivo de suprir o poder 
executivo com informações estratégicas, quando foi criado o Conselho 
de Defesa Nacional (CDN). Sua subordinação estava diretamente ligada 
ao presidente da República. Em 1946 teve sua nomenclatura alterada para 
Serviço Federal de Informações e Contrainformações (SFICI) (CASTRO, 2012).
Atualmente, a Atividade de Inteligência em âmbito nacional é exercida 
pela Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), instituída pela Lei n° 9.883, 
de 7 de dezembro de 1999, que também criou o Sistema Brasileiro de 
Inteligência (SISBIN):
“Tal lei definiu como missão do SISBIN atuar como um sistema capaz 
de integrar as ações das atividades de Inteligência de todo o País, 
bem como responsável pelo processo de obtenção e análise de da-
dos ou informações, além de produção e difusão de conhecimentos 
necessários ao processo decisório do Poder Executivo, em especial no 
tocante à segurança da sociedade e do Estado, e pela salvaguarda 
de assuntos sigilosos de interesse nacional.” (CASTRO, 2012, p. 64).
A instituição do SISBIN surge quando as autoridades públicas se deparam 
com a infinidade de dados e informações disponíveis nos mais diversos 
órgãos públicos, havendo a necessidade de se estabelecer um acompa-
nhamento sistemático para análise de tais dados e informações. Veja a 
seguir o atual organograma do SISBIN.
CURSO DE INTRODUÇÃO À 
INTELIGÊNCIA PENITENCIÁRIA – CIIPEN
MÓDULO 2 | Inteligência Penitenciária Aplicada 48
 
Fonte: Adaptado de ABIN, 2019.
Em 2018, a Lei n° 13.675 (BRASIL, 2018) instituiu o Sistema Único de 
Segurança Pública (SUSP) e criou o Plano Nacional de Segurança Pública 
(PNSP), com a: 
“[...] finalidade de preservação da ordem pública e da incolumidade 
das pessoas e do patrimônio, por meio de atuação conjunta, coorde-
nada, sistêmica e integrada dos órgãos de segurança pública e defesa 
social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, 
em articulação com a sociedade.” (BRASIL, 2018).
Organograma do SISBIN
Ministério da Defesa
SC-2, CIM, CIE,
CIAR, CENSIPAM
Gabinete de Segurança 
Institucional
Ministério da Infraeestrutura
SE/MINFRA, SAC, DNIT, ANTT, 
ANAC, ANTAQ, INFRAERO
Ministério da Ciência, 
Tecnologia, Inovações e 
Comunicações
SE/MCTIC, ANATEL
Agência Brasileira de 
Inteligência
Controladoria-Geral da União
SE/CGU
Ministério do 
Desenvolvimento Regional
SEDEC
Ministério de Minas e Energia
SE/MME, ANP
Ministério das Relações 
Exteriores
SG/MRE, DCCT/MRE
Ministério da Justiça e 
Segurança Pública
DRCI, SENASP, DIP/PF, SEOPI, 
PRF, DEPEN, CONPORTOS
Ministério da Agricultura, 
Pecuária e Abastecimento
SE/MAPA
Casa Civil Ministério do Meio Ambiente
SE/MMA, IBAMA, ICMBio
Ministério da Economia
UIF/BACEN, RFB, BACEN, 
PGFN, SEPRT
Advocacia-Geral da União Ministério da Saúde
GAB/MS, ANVISA
D
E INTELIGÊNCIA
 
SI
ST
EMA BRASILEIRO
CURSO DE INTRODUÇÃO À 
INTELIGÊNCIA PENITENCIÁRIA – CIIPEN
MÓDULO 2 | Inteligência Penitenciária Aplicada 49
Essa lei estabelece princípios, objetivos, diretrizes e estratégias para a 
integração dos diversos órgãos de Inteligência, buscando, claramente, 
quebrar o paradigma de secretismo, então existente entre as diferentes 
agências de Inteligência atuantes em nosso país. Desse modo, as agências 
podem atuar conjuntamente de forma sistêmica e harmônica.
Apesar do grande avanço no estabelecimento do referido sistema de 
integração, infelizmente, o que se observa na prática é que o PNSP 
continua caminhando de modo embrionário, pois ainda é possível ve-
rificar um distanciamento entre as agências de Inteligência; talvez pelo 
motivo de no Brasil a Atividade de Inteligência ainda ser recente quando 
comparada à de outros países.
É inegável, contudo, que a instituição de tal lei representa grande avanço 
legislativo, e que, nos últimos anos, Atividade de Inteligência, no contexto 
de Segurança Pública, passou a ter grande destaque. 
Observa-se, principalmente, no campo de atuação do Sistema Peniten-
ciário, uma mudança de mentalidade das autoridades ao reconhecerem 
a importância da Atividade de Inteligência dentro do cárcere, na fase da 
execução da pena, onde se encontram atualmente as maiores lideranças 
do crime organizado.
Muitos investimentos têm sido feitos no sentido de criar, formar e for-
talecer as agências de Inteligência nos estados. Trata-se, sobretudo, 
de uma questão de Segurança Pública, no sentido de combater o crime 
organizado, que tem aumentado exponencialmente e cujas lideran-
ças presas guardam fortes relações com os acontecimentos externos. 
Daí a importância de um acompanhamento sistemático de coleta, análise 
e disseminação de dados obtidos em tal meio.
Sabe-se que o combate ao crime organizado prescinde de uma podero-
sa ferramenta do Estado, que não pode estar limitado às suas fronteiras: 
a Inteligência de Segurança Pública, incluindo-se a Inteligência Penitenciária.
3.3 O surgimento do Sistema Penitenciário Federal no Brasil e 
seus impactos
No ano de 2006, o sistema prisional no Brasil vivia um de seus piores 
e mais emblemáticos problemas ao se deparar com a superlotação das 
cadeias (decorrente do aumento da população carcerária) e com o as-
cendente crescimento das organizações criminosas no cárcere. 
CURSO DE INTRODUÇÃO À 
INTELIGÊNCIA PENITENCIÁRIA – CIIPEN
MÓDULO 2 | Inteligência Penitenciária Aplicada 50
O aumento da população carcerária gerou a superlotação das cadeias.
Foto: © [Joa Souza] / Shutterstock. 
Por muitos anos, o surgimento das organizações criminosas foi negligen-
ciado pelas autoridades de Segurança Pública nos estados brasileiros. 
As organizações criminosas foram reconhecidas como problema de 
Segurança Pública de modo muito tardio, quando já estavam impreg-
nadas no sistema carcerário.
Esse tema será retomado com mais detalhes no próximo tópico, em que 
trataremos das organizações criminosas no Brasil. 
Pode-se afirmar que o caos estava instalado no sistema carcerário nacio-
nal, com a ocorrência de rebeliões coordenadas em unidades prisionais 
do Brasil, principalmente nas do estado de São Paulo; notadamente, 
no ano de 2006. Diante dessa situação, as autoridades brasileiras vi-
ram-se compelidas a materializar um sistema que pudesse promover 
o isolamento de lideranças de organizações criminosas de seu polo de 
atuação, de maneira a desarticular suas ações e, desse modo, promover 
a Segurança Pública das unidades prisionais e também a segurança da 
própria sociedade. 
Instaurou-se, então, o Decreto n° 6.049, de 27 de fevereiro de 2007, 
que aprovou o Regulamento Penitenciário Federal, instituindo os esta-
belecimentos penitenciários federais, cuja finalidade é a de promover a 
execução administrativa das medidas restritivas de liberdade dos internos, 
CURSO DE INTRODUÇÃO À 
INTELIGÊNCIA PENITENCIÁRIA – CIIPEN
MÓDULO 2 | Inteligência Penitenciária Aplicada 51
provisórios ou condenados, cuja inclusão se justifique no interesse da 
Segurança Pública ou do próprio preso, abrigando também presos em 
regime disciplinar diferenciado (RDD).
O SPF teve sua primeira unidade estabelecida no município de Catanduvas 
(PR), com capacidade paraabrigar 208 presos em celas individuais. 
Posteriormente, foram estabelecidas unidades em Campo Grande (MS), 
Porto Velho (RO), Mossoró (RN) e Brasília (DF).
 
Penitenciária Federal de Catanduvas.
Foto: SENAPPEN.
O objetivo primordial do Sistema Penitenciário Federal é o isolamento 
de lideranças criminosas que têm influência sobre a massa carcerária e 
o poder financeiro advindo da prática de crimes. 
Os impactos do SPF na Segurança Pública no Brasil foram, majori-
tariamente, positivos, pois o sistema consegue de fato isolar as lide-
ranças de organizações criminosas que atuam negativamente sobre a 
massa carcerária.
Os internos custodiados nesse sistema não possuem contato com o 
mundo exterior, tampouco conseguem ordenar crimes ou enviar reca-
dos de dentro de suas unidades. Isso se deve ao fato de que as normas 
rígidas impostas aos internos tornam a execução penal um pouco mais 
difícil que a habitual. O tempo de permanência em cela é de 22 horas, 
sendo garantidas duas horas de banho de sol.
CURSO DE INTRODUÇÃO À 
INTELIGÊNCIA PENITENCIÁRIA – CIIPEN
MÓDULO 2 | Inteligência Penitenciária Aplicada 52
Além disso, as visitações de familiares são restritas a agendamento prévio 
e ocorrem com número limitado de visitantes (cadastrados previamente 
nas unidades). Todas as conversas são monitoradas, por áudio e vídeo, 
conforme autorização judicial, e como também prevê a lei (Pacote Anti-
crime), toda e qualquer comunicação dos presos é monitorada. O tempo 
de visitação é limitado e os presos não têm acesso a qualquer conteúdo 
externo que não seja previamente autorizado, tendo regras a cumprir 
e estando restritos à alimentação fornecida pela unidade, com direito 
a vestuário e roupas de cama e banho fornecidos pelo poder público.
Por esse motivo, a inclusão em uma unidade do SPF deve ser temporária, 
conforme a lei, apenas se justificando a prorrogação de permanência caso 
as situações que ensejaram a inclusão do preso persistam, conforme as 
determinações contidas nas decisões judiciais relativas a cada preso. 
“Serão incluídos em estabelecimentos penais federais de segurança 
máxima aqueles para quem a medida se justifique no interesse da 
segurança pública ou do próprio preso, condenado ou provisório.” 
(BRASIL, 2019). 
3.4 Facções criminosas: sua atuação e ameaça transnacional e o 
crescimento das milícias
A abordagem de tal tema não nos parece uma tarefa fácil, ainda que seja 
um assunto recorrente em nosso país.
PODCAST
Determinar o porquê do surgimento de grupos sociais exercendo 
o poder paralelo contra o Estado demanda uma análise muito 
mais profunda e há de despertar diferentes pontos de vista, 
a depender do público a que se destina, e mesmo para quem se 
dispuser a analisar o tema em profundidade.
O vertiginoso crescimento da população carcerária não foi acom-
panhado em proporcionalidade pelos investimentos em Segurança 
Pública e nem pela atual legislação brasileira, cujo caráter punitivo 
prevê uma política de encarceramento massivo, fazendo com que 
CURSO DE INTRODUÇÃO À 
INTELIGÊNCIA PENITENCIÁRIA – CIIPEN
MÓDULO 2 | Inteligência Penitenciária Aplicada 53
o número de indivíduos privados de liberdade alcance o incrível 
patamar de terceira maior população carcerária do mundo. 
O que se observou ao longo dos anos é que muitos indivíduos 
foram privados de sua liberdade — sendo uma grande parte sem 
julgamento —, caracterizando o cárcere como uma “aparente” 
solução aos problemas de Segurança Pública. No entanto, tal 
encarceramento massivo e a falta de um sistema de justiça efi-
ciente no Brasil terminou dando origem às facções criminosas 
no cárcere.
A ausência do Estado no ambiente carcerário foi um problema 
recorrente nos presídios brasileiros, o que culminou no surgi-
mento de tais organizações.
Em 1979, na penitenciária de Ilha Grande, no estado do Rio de Janeiro, 
surgiu o que seria considerada uma das primeiras organizações crimino-
sas do Brasil de que se tem notícia, originada, segundo Amorim (2006, 
p. 21 apud SOUSA, 2020), da luta armada dos presos políticos que se 
insurgiram contra o regime militar em união de desígnios com presos que 
haviam praticado crimes comuns, como roubo, homicídios, furtos etc.
A junção dos criminosos especializados em táticas de guerrilhas com 
criminosos comuns acarretou a especialização, dos criminosos comuns, 
em táticas de guerrilha, trazendo novos conhecimentos que impacta-
ram diretamente na organização das referidas facções, com conheci-
mentos bélicos, táticos e ideologias, utilizados por grupos paramilitares 
(SOUSA, 2020).
Autodenominada Falange Vermelha, e, posteriormente, chamada de 
Comando Vermelho (CV), tal organização criminosa levantou a ban-
deira de luta por melhores condições de vida às pessoas custodiadas 
no Sistema Penitenciário brasileiro, além de lutar contra a aplicação de 
penas desumanas, cruéis e degradantes.
Embora essa, supostamente, fosse a bandeira inicial, a organização 
criminosa passou a praticar crimes das mais variadas espécies, sempre 
com uso constante de imposição da força armada: homicídios, roubos, 
ocupação de áreas territoriais em locais onde o Estado não atua de 
CURSO DE INTRODUÇÃO À 
INTELIGÊNCIA PENITENCIÁRIA – CIIPEN
MÓDULO 2 | Inteligência Penitenciária Aplicada 54
maneira eficiente, impondo “impostos” paralelos e praticando o tráfico 
e comércio de drogas ilícitas no Brasil.
O Comando Vermelho atua preponderantemente no estado do Rio de 
Janeiro e impõe terror aos moradores das áreas onde atuam, dividindo 
os territórios por comandos (pessoas) e estabelecendo cadeias de co-
mando organizadas, de modo que realizam a distribuição de tarefas e 
de responsabilidades hierárquicas.
SAIBA MAIS
Veja um exemplo das práticas referidas acima e seus reflexos 
para a população, acessando a notícia “Madureira tem noite de 
terror com tentativa de invasão e carro incendiado”, disponível 
em: https://odia.ig.com.br/rio-de-janeiro/2021/12/6293868-ma-
dureira-tem-noite-de-terror-com-tentativa-de-invasao-e-car-
ro-incendiado.html. 
É ainda de conhecimento público que a referida organização criminosa 
institui um estatuto próprio, o “código de ética” dos membros da fac-
ção, no qual elencam preceitos, ideologias e formas de julgamento de 
condutas, e chegam até a impor a morte àqueles que descumprirem 
tais dispositivos.
A exemplo do CV, surgiria no estado de São Paulo outra facção crimi-
nosa, que, posteriormente, viria a ser considerada a maior organização 
criminosa do país, conhecida por Primeiro Comando da Capital (PCC).
Criada em 31 de agosto de 1993, por oito presos que cumpriam pena no 
anexo da Casa de Custódia e Tratamento de Taubaté (SP), a facção tinha 
argumentos consoantes aos do CV — de Paz, Justiça e Liberdade — para 
atuar dentro do sistema carcerário, impondo regras e limitações a todos 
aqueles que aderissem ao movimento que surgia.
 
Baseando sua estruturação na organização criminosa CV, o PCC aderiu 
também a táticas paramilitares, criando uma estrutura hierárquica de 
comando, vindo, igualmente, a instituir um código de atuação de seus 
membros por meio de um estatuto, que prevê punições a todos aqueles 
que descumprirem seus mandamentos, sendo a punição máxima a morte.
https://odia.ig.com.br/rio-de-janeiro/2021/12/6293868-madureira-tem-noite-de-terror-com-tentativa-de-invasao-e-carro-incendiado.html
https://odia.ig.com.br/rio-de-janeiro/2021/12/6293868-madureira-tem-noite-de-terror-com-tentativa-de-invasao-e-carro-incendiado.html
https://odia.ig.com.br/rio-de-janeiro/2021/12/6293868-madureira-tem-noite-de-terror-com-tentativa-de-invasao-e-carro-incendiado.html
CURSO DE INTRODUÇÃO À 
INTELIGÊNCIA PENITENCIÁRIA – CIIPEN
MÓDULO 2 | Inteligência Penitenciária Aplicada 55
Embora os argumentos iniciais fossem de paz dentro do cárcere e de luta 
por melhores condições de vida para a pessoa reclusa, o que se observou, 
ao longo dos anos, foi que as referidas facções passaram a se utilizar de 
sua cadeia de comando para o fortalecimento docrime organizado e 
para o enriquecimento de indivíduos do comando, principalmente dos 
líderes, que se tornaram milionários. Tal enriquecimento está associado 
à prática de crimes diversos, com grave violência, como roubos armados 
a empresas de valores, sequestros e principalmente tráfico de drogas. 
Seguindo na mesma linha daquelas citadas anteriormente, diversas 
outras organizações criminosas passaram a atuar em diferentes regiões 
do país, como: Família do Norte (FDN), Guardiões do Estado (GDE), 
Sindicato do Crime (SDC), Amigos dos Amigos (ADA), Terceiro Comando 
Puro (TCP), Primeiro Grupo Catarinense (PGC), Manos, Abertos, Bala na 
Cara, Primeiro Comando do Interior, entre outras.
É certo que tais organizações atuam por meio da força armada e da 
imposição de preceitos próprios, mas, substancialmente, atuam para 
fortalecimento das organizações e do enriquecimento ilícito de seus 
membros, ocasionado, principalmente, pelo tráfico de drogas ilícitas.
Embora com preponderante área de atuação nos estados onde surgiram, 
sabe-se, com efeito, que as organizações criminosas não têm limitado 
sua atuação no território nacional, observando-se sua a expansão a países 
vizinhos, na América Latina, com intuito de praticar o tráfico transnacional 
de entorpecentes.
Como bem pontuado por Viana e Castelo Branco (2017), no artigo 
“As fronteiras do estado: violência, milícias, crime organizado e políticas 
de segurança pública em áreas socialmente vulneráveis”:
“O tráfico de drogas é, em grande parte, um negócio transnacional. 
A sua indústria consiste em várias etapas: cultivo, refinação, transporte, 
distribuição, lavagem de dinheiro e investimento de receitas. Em cada 
estágio da trajetória da droga, desde a produção até a distribuição, 
obtêm-se lucros, que são consumidos ou investidos, mas, muitas 
vezes, exigem alguma forma de lavagem para esconder suas origens 
ilegais.” (VIANA; CASTELO BRANCO, 2017, p. 87).
CURSO DE INTRODUÇÃO À 
INTELIGÊNCIA PENITENCIÁRIA – CIIPEN
MÓDULO 2 | Inteligência Penitenciária Aplicada 56
A despeito do tráfico de drogas, existem esforços, em âmbito mundial, 
prevendo o combate a tais delitos, pela natureza violenta que trazem 
consigo, e, principalmente, pelo impacto social que ocasionam. O Brasil 
já aderiu a diversas convenções e pactos internacionais, no sentido de 
combater a atuação dos grupos criminosos envolvidos no tráfico trans-
nacional. No entanto, a dificuldade de vigilância das fronteiras brasileiras, 
a constante inovação e os recorrentes investimentos das organizações 
criminosas envolvidas acabam muitas vezes se sobressaindo.
Nesse ponto, observa-se o envolvimento de agentes públicos com o 
crime organizado, vendendo informações valiosas a respeito de pontos 
de vigilância e de locais estratégicos, colaborando, assim, para o êxito 
de muitas empreitadas criminosas. 
Há que se mencionar, ainda, o estabelecimento de milícias armadas, for-
madas, preponderantemente, por profissionais da segurança (vigilantes, 
policiais aposentados, bombeiros, Policiais Penais) desonestos, corrup-
tos, desleais, que, fascinados pelo enriquecimento fácil, renderam-se 
ao crime organizado. Estes formam verdadeiros grupos de segurança 
privada, que estabelecem sua área de atuação mediante o uso da força 
armada, a exemplo das práticas de outros criminosos.
Tais criminosos atuam estabelecendo também suas próprias áreas de 
comando e exercendo um poder paralelo ao Estado. Sob a fachada de 
oferecer uma espécie de “segurança privada”, as milícias atuam em locais 
onde o Estado não está presente de modo eficiente. Esses grupos ganham 
tais domínios e passam a extorquir moradores e comerciantes locais:
“Nesse cenário de corrupção e privatização da segurança, as co-
munidades desprivilegiadas, fornecedores de segurança informal e 
órgãos públicos formais e corruptos de execução da lei estão presos 
em um sistema complexo e recíproco de proteção e assistencialismo. 
No “mercado da força”, o fornecimento cria sua própria demanda. 
Os fornecedores ameaçam seus clientes a pagar por seus serviços - 
um mecanismo que leva a negócios mafiosos.” (RIBEIRO; OLIVEIRA, 
2010, p. 5).
CURSO DE INTRODUÇÃO À 
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MÓDULO 2 | Inteligência Penitenciária Aplicada 57
3.5 As organizações mafiosas e terroristas no Brasil
Ao se abordar as organizações mafiosas, é fundamental diferenciá-las 
das organizações criminosas propriamente ditas, conforme pontua 
Terra Júnior (2010):
“É certo que o fenômeno mafioso diverge do objeto de estudo compa-
rado entre as espécies de organizações criminosas nos seus aspectos 
mais peculiares, em especial os culturais, históricos, territoriais e mo-
tivacionais para o nascimento, razão pela qual não se pode concluir 
serem as facções criminosas modalidades de associações mafiosas 
(afinal, tais elementos são fundamentais para o reconhecimento de 
um agrupamento de pessoas como máfia). Contudo, se analisadas 
técnicas operacionais empregadas para expansão territorial e para 
o controle político social, é possível identificar, no Primeiro Comando 
da Capital, um agrupamento de pessoas ‘pré-mafioso’.” (TERRA 
JÚNIOR, 2010, p. 121).
Desse modo, as organizações criminosas seriam modalidades de asso-
ciações mafiosas, visto que entre as prerrogativas do estabelecimento 
de uma máfia estão a ocupação territorial, com a transmissão de uma 
mensagem de força e dominação (TERRA JÚNIOR, 2010, p. 124). 
Importante reconhecer que, no seio de uma organização mafiosa, estão 
inseridos traços característicos relevantes, como:
• utilização de códigos, rituais e expressões gestuais.
• realização de rituais de batismo, cujo objetivo é introduzir o novo crimi-
noso aos códigos de conduta e de ética praticados dentro da organização. 
• proteção entre os membros, conforme se tem observado no estudo 
das organizações mafiosas italianas.
Utilizando o mesmo modo de agir, muitas organizações mafiosas aplicam 
o terror como forma de ameaça, utilizando táticas como o assassinato 
de autoridades para intimidação, a exemplo do que ocorrera com a 
Cosa Nostra:
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MÓDULO 2 | Inteligência Penitenciária Aplicada 58
“Cosa Nostra empreendeu a maior estratégia de afronta ao Estado 
italiano por meio de mortes daqueles responsáveis pelo seu enfren-
tamento como tentativa de mudar as novas leis mais rígidas surgidas 
para o enfrentamento ao fenômeno mafioso (em especial a lei de 
colaboração premiada e a lei do “cárcere duro”).” (TERRA JÚNIOR, 
2010, p. 124).
De forma análoga, o PCC atuou duramente contra organizações crimi-
nosas rivais dentro de presídios paulistas, além de promover homicídios 
de diversas autoridades — como, em 2003, o assassinato do juiz de exe-
cução penal Antonio José Machado Dias, com claro objetivo de intimidar 
as autoridades locais. 
SAIBA MAIS
Saiba mais sobre esse caso na matéria “Juiz é morto em Presi-
dente Prudente”, disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/
fsp/cotidian/ff1503200301.htm.
Tal estratégia de intimidação continua vigente: em 2012, no estado de 
São Paulo, integrantes da cúpula do PCC promoveram ataques que 
culminaram na morte de dezenas de policiais desse estado, além de 
ataques contra três servidores do Sistema Penitenciário Federal, nos 
anos de 2016 e 2017, com a clara tentativa de tornar o sistema mais 
brando aos custodiados.
SAIBA MAIS
Saiba mais sobre esse caso na Coluna de Josmar Jozino “2012, 
o ano em que o PCC matou 106 policiais militares no estado 
de SP”, disponível em: https://noticias.uol.com.br/colunas/jos-
mar-jozino/2022/01/06/2012-o-ano-em-que-o-pcc-matou-
-106-policiais-militares-no-estado-de-sp.htm.
Verifica-se, ainda, a prática terrorista desenvolvida por meio de atenta-
dos contra prédios públicos, transportes coletivos, agências bancárias, 
entre outros, como forma de intimidação e demonstração de poder. 
https://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1503200301.htm
https://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1503200301.htmhttps://noticias.uol.com.br/colunas/josmar-jozino/2022/01/06/2012-o-ano-em-que-o-pcc-matou-106-policiais-militares-no-estado-de-sp.htm
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Outra estratégia utilizada por organizações mafiosas é a “lei do silêncio”, 
ou seja, um mafioso não delata o outro, mesmo que precise assumir 
consequências negativas em seu lugar. 
Dois traços bastantes característicos das organizações mafiosas são: 
o recrutamento de agentes públicos no intuito de obter informações 
privilegiadas; a infiltração no poder público por meio da corrupção de 
autoridades, visando a obtenção de benefícios. 
Numa análise sucinta, há que se reconhecer que, apesar de não chegar 
ainda ao “status” de organização mafiosa, atualmente, no Brasil, há que 
se voltar os olhos às organizações criminosas, notadamente as que se 
utilizam do poder público para promover os próprios interesses, e, prin-
cipalmente, as que se utilizam de atos terroristas atentatórios à vida e 
ao Estado, como forma de dominação e poder.
QR CODE
Aponte a câmera do seu dispositivo móvel (smartphone ou tablet) 
no QR Code ao lado para assistir ao vídeo sobre outras estraté-
gias e características de organizações mafiosas, ou acesse o link: 
https://youtu.be/JR9eNsFLoqE.
3.6 Aspectos gerais sobre Análise de Risco e Planos de Contingência
Não faz muito tempo que nossa sociedade tem se deparado com uma 
grande mudança no cenário de globalização mundial: o vertiginoso 
crescimento de dados e informações disponíveis, fomentado pelo au-
mento das redes sociais, pela virtualização dos meios de comunicação 
e, principalmente, pelo grande fluxo de dados informações.
O fluxo das informações tem sido muito rápido — um simples dado se 
alastra de forma inimaginável em poucos segundos —, e uma informação 
que antes poderia ser nova, passa a contar com um novo cenário, uma 
nova possibilidade de ação e reação.
Toda essa agilidade nos meios de comunicação demanda aos operadores 
de Inteligência um grande esforço — o de trabalhar de forma ampla na 
análise de dados, de maneira a dar o melhor assessoramento ao tomador 
de decisão; pois, como afirma Andrade (2017):
https://youtu.be/JR9eNsFLoqE
CURSO DE INTRODUÇÃO À 
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MÓDULO 2 | Inteligência Penitenciária Aplicada 60
“Dessa forma, a incerteza resultante da quantidade de informações 
disponíveis para amparar deliberações nos mais diversos níveis or-
ganizacionais tem se tornado cada vez mais presente, reduzindo a 
capacidade de se distinguir entre diversas opções em um contexto 
mais amplo. É justamente o efeito que essa incerteza gera sobre os 
objetivos de uma organização que chamamos de risco.” (ANDRADE, 
2017, p. 92).
Assim, as agências de Inteligência têm o importante papel de subsidiar 
o tomador de decisão de seus órgãos com amplos cenários prospecti-
vos, de modo que ele possa avaliar os riscos de cada decisão tomada, 
embasando-se em conhecimentos técnicos suficientes para realizar a 
melhor avaliação possível, seja na esfera operacional, estratégica, política 
etc. De acordo com Andrade (2017):
“A Análise de Riscos (AR) surge nessa esteira, pelo que fornece ao seu 
usuário conhecimentos organizados e processados com metodologia 
específica, sugerindo ações e medidas de prevenção ou correção das 
possíveis falhas detectadas em um determinado processo. Com base 
nessa análise, é possível assessorar com maior qualidade a tomada 
de decisão.” (ANDRADE, 2017, p. 93).
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MÓDULO 2 | Inteligência Penitenciária Aplicada 61
A Análise de Risco é um processo em que se estuda e se compreen-
de o risco, e se define seu nível, para então chegar à Gestão de Risco. 
A NBR ISO3 31000:2009 elenca alguns princípios que devem ser obe-
decidos para que a Gestão de Risco seja realizada de modo eficaz.
 
A Gestão de Riscos, portanto: 
• Cria e protege valor.
• É parte integrante de todos os processos organizacionais. 
• É parte da tomada de decisões. 
• Aborda explicitamente a incerteza. 
• É sistemática, estruturada e oportuna. 
• Baseia-se nas melhores informações disponíveis. 
• É feita sob medida.
• Considera fatores humanos e culturais.
• É transparente e inclusiva. 
• É dinâmica, interativa e capaz de reagir a mudanças. 
• Facilita a melhoria contínua da organização. (ANDRADE, 2017).
A recomendação acima é cabível em qualquer contexto organizacional, 
seja público ou privado, e vem não como determinação, mas como 
orientação a ser seguida numa situação de Gestão de Riscos.
Um Plano de Contingência deve avaliar a antecipação de eventos críticos 
que possam causar problemas ou prejudicar a missão de um órgão ou a 
preservação de uma situação de “normalidade”. 
Trata-se de um plano de antecipação por meio de um planejamento 
preventivo e alternativo, visando delegar responsabilidades e estabe-
lecer procedimentos para orientar as ações durante a ocorrência de um 
evento indesejado. 
NBR é a sigla utilizada 
para se referir à “Norma 
Brasileira”, representada 
pela ABNT — Associação 
Brasileira de Normas 
Técnicas. ISO é a sigla de 
International Organization 
for Standardization 
(Organização 
Internacional para 
Padronização), tem por 
objetivo aprovar normas 
internacionais em todos 
os campos técnicos, 
como normas técnicas, 
classificações de países, 
normas de procedimentos 
e processos, entre outros.
CURSO DE INTRODUÇÃO À 
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MÓDULO 2 | Inteligência Penitenciária Aplicada 62
Para que seja eficiente, um Plano de Contingência não pode deixar “bre-
chas”, ou seja, deve-se tratar de maneira pormenorizada as atividades 
a serem exercidas por cada participante: quais ações devem ser desen-
cadeadas, qual o papel de cada envolvido no planejamento e como agir 
em relação a cada ponto que possa ser afetado.
Um planejamento de contingência deve ser claro e preciso, devendo 
ser estudado com antecipação com relação ao evento indesejado que 
se pretende contingenciar. Seu objetivo é dar uma resposta rápida e 
fornecer o maior número de elementos ao tomador de decisão. 
Para que um Plano de Contingência seja bem executado, é de suma im-
portância a existência de Análise de Riscos antecipada em relação a um 
fato que possa ocasionar anormalidade ou causar perigo a uma instituição.
Agora que você chegou ao fim do conteúdo, relembre pontos importantes 
deste módulo na síntese a seguir. 
63
SÍNTESE DO MÓDULO
Neste módulo, tratamos da Inteligência Penitenciária Aplicada. Revi-
sitamos alguns dos conteúdos do Módulo 1, pensando-os em relação 
com a prática. 
Na Unidade 1, foram abordadas ferramentas úteis para a atuação da Polícia 
Penal na Atividade de Inteligência. A primeira ferramenta foi a entrevista, 
que é uma ação de busca baseada na conversação, e que deve ter um 
propósito bem definido. As entrevistas podem ser encobertas, ostensivas 
ou mistas, e o planejamento é etapa fundamental dessa ação de busca. 
Na entrevista, a confiança deve ser preservada e pode ser favorecida 
pela escuta ativa e pela comunicação ética.
A segunda ferramenta abordada foi a análise comportamental: Técnica 
Operacional de Inteligência utilizada para avaliar o comportamento de 
indivíduos ou grupos. Pontuamos que a comunicação ocorre de maneira 
verbal, mas também não verbal: pela linguagem corporal. Assim, pontu-
amos abordagens que contribuem para a efetividade da leitura do alvo 
e um melhor processo de comunicação. Também discorremos sobre 
conceitos da comunicação, memória e mentira.
A terceira ferramenta que abordamos foi o recrutamento operacional 
de fonte humana, que é uma ação de busca. Pontuamosque, mesmo 
em estruturas complexas, a fonte humana pode proporcionar acesso a 
dados sensíveis. Nessa ação, o recrutador deve dirigir o alvo e definir os 
termos da relação com o alvo e sua atuação.
Finalizamos a unidade abordando a negociação, que é uma das alterna-
tivas táticas no caso de Gerenciamento de Crises. 
Na Unidade 2, discutimos atitudes do Policial Penal em seu ambiente de 
trabalho. Iniciamos pela diferenciação prática entre a Atividade de Inteli-
gência (que visa produzir conhecimentos para assessorar um tomador de 
opinião) e a atividade investigativa (que visa a obtenção de materialidade 
e de autoria de um delito, a produção de provas). 
CURSO DE INTRODUÇÃO À 
INTELIGÊNCIA PENITENCIÁRIA – CIIPEN
MÓDULO 2 | Inteligência Penitenciária Aplicada 64
Abordamos a mentalidade da Contrainteligência no ambiente penal. 
Retomamos que esse ramo da Inteligência se destina à produção de 
conhecimentos e adoção de medidas para a proteção das atividades 
de Inteligência, dos dados sigilosos e, sobretudo, dos ativos. Também 
retomamos que a Contrainteligência atua por meio de dois segmentos: 
a segurança orgânica (conjunto de medidas defensivas relacionadas à 
segurança de pessoal, das instalações, dos materiais, das comunica-
ções) e a segurança ativa (conjunto de medidas proativas, de caráter 
eminentemente defensivo). Abordamos que a segurança das operações 
requer o consentimento a uma série de normas, medidas e procedi-
mentos, em suas diferentes fases (planejamento, reunião preparatória, 
execução e encerramento).
Em seguida, conceituamos a intuição heurística e defendemos a im-
portância de as Agências de Inteligência buscarem a institucionalização 
da Inteligência e a primazia da técnica. Também pontuamos a poten-
cialidade do trabalho de Inteligência em sinergia com a atividade de 
segurança, para identificar, entender e revelar aspectos ocultos das 
organizações criminosas. 
Por fim, nesta unidade, pontuamos as atitudes esperadas do Policial 
Penal em seu ambiente de trabalho. Elencamos que ele deve estar sem-
pre vigilante em relação a acontecimentos que possam atentar contra 
a segurança e ser um profissional de fácil adaptação, proativo, flexível 
e, sobretudo, discreto. 
Na Unidade 3, discutimos problemas atuais da Inteligência Penitenciária. 
Abordamos desafios e conquistas decorrentes da inclusão da categoria 
dos servidores prisionais no artigo 144, da Constituição Federal (que 
trata das Forças de Segurança Pública) e do Pacote Anticrime (que, entre 
outras disposições, enrijeceu as medidas contra o crime organizado no 
Sistema Penitenciário Federal). Discorremos sobre o recente surgimento 
do Sistema Penitenciário Federal e seus impactos. Contextualizamos 
esse surgimento na primeira década dos anos 2000, como desdobra-
mento da situação caótica do sistema prisional, por sua superlotação e 
pela atuação de organizações criminosas em seu interior. Retomamos 
a maior rigidez nas regras de encarceramento no Sistema Penitenciário 
Federal, que abriga os líderes dessas organizações. Contextualizamos o 
surgimento de duas delas, o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Co-
mando da Capital (PCC), que surgiram com discursos de paz e melhores 
condições de vida no cárcere, mas, ao longo dos anos, passaram a utilizar 
CURSO DE INTRODUÇÃO À 
INTELIGÊNCIA PENITENCIÁRIA – CIIPEN
MÓDULO 2 | Inteligência Penitenciária Aplicada 65
a força armada para cometer os mais diversos crimes, para ocupar áreas 
territoriais onde a presença do Estado é insuficiente, e, sobretudo, para 
atuar no tráfico de drogas. Pontuamos que é necessário voltar os olhos para 
as organizações criminosas brasileiras, especialmente as que se utilizam 
do poder público para interesses privados e as que lançam mão de atos 
que atentam à vida ou ao Estado, como forma de dominação e poder.
Por fim, apresentamos aspectos gerais sobre Análise de Riscos 
(processo de análise, compreensão e definição do nível de risco) e Planos 
de Contingência (planejamento preventivo que antecipa eventos críticos 
e trata de maneira pormenorizada as ações que devem ser tomadas 
frente a esses eventos). Também elencamos princípios que devem ser 
obedecidos para a eficácia da Gestão de Riscos.
Chegamos ao final do nosso curso. 
Agradecemos por sua participação no curso e esperamos que tenha sido 
proveitoso para sua formação e atuação profissional!
REFERÊNCIAS
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Acesso em: 11 abr. 2022.
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REFERÊNCIAS
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e o funcionamento dos órgãos responsáveis pela segurança pública, nos 
termos do § 7º do art. 144 da Constituição Federal; cria a Política Nacional de 
Segurança Pública e Defesa Social (PNSPDS); institui o Sistema Único 
de Segurança Pública (Susp); altera a Lei Complementar nº 79, de 7 
de janeiro de 1994, a Lei nº 10.201, de 14 de fevereiro de 2001, e a Lei 
nº 11.530, de 24 de outubro de 2007; e revoga dispositivos da Lei 
nº 12.681, de 4 de julho de 2012. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/
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ção penal e processual penal. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/
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https://www.researchgate.net/publication/280757594_Creating_False_Memories_Remembering_Words_Not_Pre
https://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1503200301.htm
https://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1503200301.htm
http://www.mp.go.gov.br/revista/pdfs_37/6StaTerra_Layout1.pdf
http://www.mp.go.gov.br/revista/pdfs_37/6StaTerra_Layout1.pdf
https://revista.esg.br/index.php/revistadaesg/article/view/951
https://revista.esg.br/index.php/revistadaesg/article/view/951
	787094567419161395d3a938c842fb99084078095899f509d1122783703294f5.pdf
	Expediente Introdução a Inteligência.pdf
	787094567419161395d3a938c842fb99084078095899f509d1122783703294f5.pdf
	Apresentação
	Objetivos do módulo
	1.4 Negociação
	1.2 Análise comportamental
	1.1 Entrevista
	1.3 Recrutamento operacionalde fonte humana
	2.5 Atitudes e atividades do Policial Penal
	2.4 O trabalho da Inteligência em sinergia com a atividade de segurança
	2.3 Da intuição à institucionalização e a primazia da técnica
	2.1 Produzir provas e Inteligência – diferenças práticas
	3.6 Aspectos gerais sobre Análise de Risco e Planos de Contingência
	3.5 As organizações mafiosas e terroristas no Brasil
	3.2 O organograma da Atividade de Inteligência no Brasil: aspectos ideais e factuais
	Síntese do Módulo
	Referênciasferramenta. Uma ação de busca deve ser matéria própria de Operações de 
Inteligência, logo, executada pelo Setor Elemento de Operações de uma 
Agência de Inteligência Penitenciária, visando reunir dados protegidos 
ou negados, num universo antagônico, de difícil obtenção. 
A entrevista é uma ação de busca!
O conceito amplo de entrevista é: ação de busca realizada para obter 
dados por meio de uma conversação planejada e controlada pelo entre-
vistador, mantida com propósito definido. Dois pontos, nesse conceito, 
são de suma importância: conversação e propósito definido. 
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MÓDULO 2 | Inteligência Penitenciária Aplicada 10
A entrevista pode:
• estar vinculada a outras ações de busca, como o recrutamento. 
• ser aplicada em levantamento de dados com testemunhas, com des-
ligamentos e com gestão de fonte humana. 
• ser aplicada para influir sobre a conduta do entrevistado.
Conforme observamos acima, a conversação é o primeiro ponto fun-
damental para definição dessa ação de busca, e envolve a esfera da 
comunicação. Existem diversos conceitos de comunicação, e, abaixo, 
citaremos um deles:
“O conceito clássico do processo de comunicação é composto por 
uma fonte que emite mensagem por meio de um canal para um 
receptor. Esse, por sua vez, reage, fornecendo um feedback para a 
fonte sobre sua informação inicial. O conceito é simples, mas não 
o suficiente para entender a comunicação humana. (...) A men-
sagem, por sua vez, só terá significado após a interpretação pelo 
receptor. (...) Esta é a tradução da mensagem, ou seja, a disposição 
de dar significado às coisas e aos pensamentos, e sentimentos das 
pessoas, depende de duas atividades distintas de interpretação: 
a decodificação, que se refere ao ato de escutar a fala de alguém; 
e a codificação, que se refere ao ato de expressar nossa mensagem 
ao outro.” (MARTINS, 2017, p. 124).
O gênero abordado aqui é a conversação e ele se apresenta predo-
minantemente como uma interação oral, na qual emissor e receptor 
interferem na mensagem e constroem juntos o conteúdo e o contexto 
da comunicação. O contexto é importante, pois torna uma mensagem 
pertinente ou não. A mensagem só terá sentido se considerarmos o 
contexto no qual está inserida.
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MÓDULO 2 | Inteligência Penitenciária Aplicada 11
Ainda, a comunicação constitui um processo composto de cinco ele-
mentos fundamentais. Veja-os a seguir.
Frisa-se que a comunicação é um processo que funciona como um siste-
ma aberto, e, como tal, é comum ocorrer certa quantidade de ruídos ou 
mesmo existir algumas barreiras. Discutiremos essas questões a seguir, 
com base em Chiavenato (2014). Ruído significa uma perturbação inde-
sejável que tende a deturpar, distorcer ou alterar, de maneira imprevisível, 
a mensagem transmitida. Geralmente, dá-se o nome de ruído a alguma 
perturbação interna do sistema, enquanto se dá o nome de interferência 
a alguma perturbação externa vinda do ambiente. 
O processo de comunicação humana pode se tornar complexo em função 
da existência de barreiras que servem como obstáculos ou resistências à 
comunicação entre pessoas. As barreiras à comunicação são variáveis que 
intervêm no processo de comunicação e o afetam profundamente, fazendo 
com que a mensagem enviada se torne diferente da mensagem recebida. 
Podemos caracterizar três grandes tipos de barreiras à comunicação hu-
mana: as barreiras pessoais, as barreiras físicas e as barreiras semânticas. 
Barreiras pessoais: são interferências que decorrem das limitações, 
emoções e valores humanos de cada pessoa; as barreiras mais comuns 
são os hábitos de ouvir, de forma deficiente, as emoções, motivações, 
os sentimentos pessoais; as barreiras pessoais podem limitar ou distorcer 
as comunicações com as outras pessoas. 
Elementos fundamentais da comunicação
CANAL: é a parte do 
sistema que separa 
a fonte do destino.
EMISSOR OU FONTE: é a pessoa, coisa ou 
processo que emite a mensagem para 
alguém. É a fonte de comunicação.
TRANSMISSOR OU CODIFICADOR: é o 
equipamento que liga a fonte ao canal, isto é, 
que codifica a mensagem emitida pela fonte 
para torná-la adequada e disponível ao canal.
DESTINO: é a pessoa, coisa ou processo 
para o qual a mensagem é enviada. É o 
destinatário da comunicação. 
RECEPTOR OU DECODIFICADOR: é o 
equipamento situado entre o canal e o 
destino, isto é, que decodifica a mensagem 
para torná-la compreensível ao destino.
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Barreiras físicas: dizem respeito às interferências que ocorrem no ambiente 
onde acontece o processo de comunicação: um barulho que possa distrair, 
uma porta que abre no decorrer de uma entrevista, a distância física entre 
as pessoas, os ruídos estáticos na comunicação por telefone, o horário etc. 
Barreiras semânticas: são as limitações ou distorções decorrentes dos 
símbolos através dos quais a comunicação é feita. As palavras ou outras 
formas de comunicação — como gestos, símbolos etc. — podem ter 
diferentes sentidos para as pessoas envolvidas no processo e a men-
sagem pode ter o seu significado distorcido. As diferenças de linguagem 
constituem barreiras semânticas entre as pessoas. 
Esses três tipos de barreiras podem ocorrer isolados ou simultane-
amente, fazendo a mensagem ser filtrada, bloqueada ou distorcida 
(CHIAVENATO, 2014).
A comunicação abrange as diversas interações entre as pessoas; 
e esse ciclo, que engloba pelo menos duas pessoas, consiste em 
mais do que o conteúdo expresso das palavras.
Outro ponto fundamental do conceito de entrevista é a definição de seu 
propósito. Ter um propósito bem definido e manter isso em foco ajuda 
o entrevistador a não se perder durante a execução da atividade. 
São possíveis finalidades da entrevista: 
obter dados negados em um universo antagônico.
confirmar dados.
 fornecer dados.
 alterar comportamentos.
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MÓDULO 2 | Inteligência Penitenciária Aplicada 13
A mudança do comportamento de um alvo pode ser um objetivo, 
a fim de conseguir, por exemplo, uma posição vantajosa e favorecer a 
obtenção de novos dados. 
Para a melhor execução da entrevista, esta deve ser devidamente ela-
borada, de forma prévia. Além disso, é fundamental que o entrevistador 
tenha conhecimentos prévios em Operações de Inteligência e sobre a 
ação de busca em questão, bem como em relação aos dados do entre-
vistado e ao assunto da entrevista. 
Existem várias características que norteiam um bom entrevistador; 
confira logo abaixo algumas delas. 
E, além dessas características supracitadas, há a capacidade de ter uma 
escuta ativa, ou seja, aquela que demanda um alto nível de atenção, 
escutando toda a mensagem, visando obter um dado da forma mais 
completa e acurada possível. Há obstáculos a uma escuta ativa que 
podem ser motivados por fatores externos, como um grande ruído no 
ambiente, uma falta de clareza do emissor da mensagem, o uso de 
empatia.
paciência. 
autocontrole.
perseverança.
habilidade para observar e interpretar.
raciocínio lógico.
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MÓDULO 2 | Inteligência Penitenciária Aplicada 14
idiomas diferentes, entre outros. Os obstáculos também podem ser 
oriundos de fatores internos do próprio receptor, tais como a falta de 
interesse no outro ser humano, o medo de ser influenciado, os senti-
mentos negativos sobre o emissor e/ou muitos outros. A escuta ativa 
implica também participação, fazendo perguntas apropriadas, anotando 
pontos que não devem ser esquecidos e manifestando o seu interesse 
pelo que o outro está dizendo. 
Fazer perguntas adequadas é uma habilidade que deve ser desenvolvida. 
O termo “perguntas”, nesse caso, deve ser compreendido de forma ampla, 
contemplando diferentes formas de interpelação, conforme pontuadono Guia de Entrevista Investigativa, de Maurmann e Pinto (2020, p.129), 
por meio da excelente citação de Stewart e Cash (2017), que ilustra o 
assunto abordado:
“Perguntas não precisam ser frases completas com um ponto de in-
terrogação ao final. Podem ser palavras, frases, sentenças ou sinais 
não verbais que “convidam” a resposta ou reações.” (STEWART; CASH 
apud MAURMANN; PINTO, 2020, p. 129).
As perguntas podem ser classificadas como abertas ou fechadas, 
se analisarmos a amplitude das respostas. As perguntas abertas resultam 
num maior fluxo de informação, ao contrário das perguntas fechadas, 
que tendem a sondar um fluxo de informação menor. Durante a reunião 
de dados do alvo, não se recomenda o uso de perguntas com alto grau 
de sugestibilidade, pois tendem a contaminar o relato dos indivíduos. 
No processo de comunicação, a confiança deve ser preservada e pode 
ser desenvolvida por meio de duas habilidades essenciais da comu-
nicação: escuta ativa e expressão transparente e verdadeira, ou seja, 
uma comunicação ética entre o emissor e o receptor, pautada por 
respeito, empatia e tolerância.
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O planejamento para a realização da entrevista é também de fun-
damental importância, pois promove um maior controle da ação por 
parte do entrevistador. Por se tratar de uma Operação de Inteligência, 
o planejamento deve ser composto por um estudo de situação, levan-
do-se em consideração, por exemplo, o ambiente operacional, o alvo, 
o Elemento de Operação, o emprego de meios eletrônicos e o pessoal 
empregado. Medidas de controle voltadas à segurança e à eficácia são 
também importantes durante o planejamento e a execução da ação. 
O planejamento é a formulação lógica e sistemática de ação ou de ações 
que se pretende realizar, incluindo o detalhamento e a cronologia de de-
sencadeamento (abertura, execução e encerramento), sendo composto 
por um Estudo de Situação e um Plano de Operações. 
Dessa forma, é uma fase preparatória, na qual sugere-se: realizar as 
pesquisas sobre o alvo, de forma ampla e profunda; avaliar o cená-
rio da entrevista; conhecer o assunto ou tema abordado; avaliar 
possíveis utilizações de estória cobertura, estratégia de abordagem, 
perguntas envolvidas, prazos, custos, treinamento etc.; estar plenamente 
apto a executá-la. 
Quando estiver no planejamento da entrevista, é importante que o 
agente executor da técnica se familiarize com a lista de perguntas, 
com as hipóteses e com as questões a serem abordadas. Além disso, 
é nessa fase que se deve prever a forma de trabalhar com mecanismos 
de registro (por anotação e/ou por empregos de meios eletrônicos). 
E, mais uma vez, o executor da técnica deve estar familiarizado com o 
emprego do meio eletrônico, caso ele seja previsto na ação. 
O planejamento deve também contemplar o estabelecimento de medi-
das de avaliação para verificar se o propósito da entrevista foi alcançado 
ou não. Essa avaliação será feita após a entrevista.
Estabelecer o propósito a ser buscado com a entrevista é o primeiro passo 
do planejamento. Em outras palavras, ter uma definição clara do objetivo 
principal. E, nesse sentido, cabe informar que as entrevistas podem ser 
encobertas, ostensivas ou mistas, de acordo com o nível de consciência 
do real propósito da ação de busca pelo entrevistado. 
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Entrevistas encobertas: são aquelas em que o entrevistador oculta a 
sua condição funcional e assume outra, e/ou o intento da ação, normal-
mente com a utilização da Técnica Operacional de estória cobertura, 
a fim de que seja permitido o acesso ao entrevistado sem revelar o real 
propósito da entrevista. 
Entrevistas ostensivas: são aquelas em que o entrevistador não ocul-
ta a sua condição funcional e, ainda que indiretamente, o propósito 
da entrevista.
Entrevista mistas: como o próprio nome demonstra, pode ocorrer 
quando, por exemplo, o entrevistador não oculta a sua condição fun-
cional, encobrindo, contudo, o real propósito da ação.
Recomenda-se registrar adequadamente a ação de busca. O registro 
adequado e de acordo com a estratégia da entrevista evita a perda de 
dados e o comprometimento da qualidade do dado reunido. O formato 
audiovisual é o mais recomendado, por permitir análises posteriores, 
 em que se pode observar indicadores do comportamento e/ou do dis-
curso que possam ter passado despercebidos em tempo real. Entretanto, 
o registro audiovisual nem sempre é possível. Nos casos em que há 
impossibilidade, recomenda-se anotar as informações adequadamente. 
Cumpre fazer um alerta importante: algumas pessoas podem não se 
sentir à vontade diante de uma câmera ostensiva de vídeo, isso pode 
vir a interferir no comportamento do alvo. 
Para um melhor resultado nas entrevistas, o estudo dessa ação de bus-
ca e da área de Inteligência deve agregar fontes e conhecimentos que 
permitirão ao entrevistador abordar, executar a ação e analisar mais 
adequadamente o alvo nas diferentes situações do seu cotidiano pro-
fissional. Entre eles estão: conhecimentos sobre linguagem verbal e 
não verbal, estudos sobre memória e mentira, sugestibilidade das 
perguntas, vieses e preconceitos e demais fatores psicológicos que 
podem influenciar a ação de busca. 
Importante não confundir entrevista com interrogatório. Interrogatório 
possui previsão legal no Código de Processo Penal em seus artigos 185 
a 196, seguindo rito e metodologia próprios. Ele é um meio de prova 
no processo penal e reconhecido por ser também um meio de defesa, 
permitindo ao interrogado expor os fatos e circunstâncias por meio 
do seu próprio entendimento. E, entre outros, um aspecto bastante 
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MÓDULO 2 | Inteligência Penitenciária Aplicada 17
divergente em relação à entrevista é que, no interrogatório, há uma relação 
verticalizada entre quem realiza o interrogatório e a pessoa interrogada. 
Na entrevista, a busca de dados se apresenta bastante eficaz quando 
existe um planejamento bem elaborado e a aptidão, por parte do en-
trevistador, para realizar essa ação de busca. Igualmente, o domínio 
das Operações de Inteligência e das técnicas operacionais proporciona 
segurança e facilita o sucesso da ação.
1.2 Análise comportamental
A ciência comportamental é, em uma visão abrangente, o estudo das 
interações e das atividades de humanos e de animais (LANSLEY, 2017). 
Bons analistas do comportamento humano podem ser encontrados, 
por exemplo, em atividades em aeroportos, onde há indivíduos que 
observam pessoas a fim de detectar qualquer comportamento inco-
mum ou suspeito. 
A análise comportamental é uma das principais Técnicas Operacionais 
de Inteligência (TOI). A TOI é uma habilidade para a qual o agente de 
Inteligência Penitenciária deverá ser treinado, a fim de facilitar a atuação 
humana nas ações de busca. Quando devidamente utilizada por agen-
tes do Setor de um Elemento de Operação, aumenta a potencialidade, 
a possibilidade, a capacidade, a operacionalidade, e, consequentemente, 
a aplicabilidade das ações de busca. 
A análise comportamental é uma Técnica Operacional de Inteligência!
A análise comportamental é utilizada para avaliar o comportamento de 
indivíduos e/ou grupos e as relações entre eles num determinado con-
texto. O primeiro aspecto para melhorar a análise do comportamento é 
entender que a análise do comportamento não verbal pode ser realizada 
em vários níveis. Outro ponto importante é que são necessárias paciência, 
perseverança e dedicação, para alcançar altos níveis de excelência em 
análise comportamental. É necessário entender que existe um nível de 
análise que pode ser desenvolvido por qualquer pessoa e que a habilita 
a perceber melhor as suas interações com os outros. Uma abordagem 
prática e cientifica de análise comportamental é oprotocolo SCAnR® – Six 
Channel Analysis – Realtime (Análise dos Seis Canais da Comunicação em 
tempo real) dos pesquisadores doutores Dawn Archer e Cliff Lansley (2015).
CURSO DE INTRODUÇÃO À 
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MÓDULO 2 | Inteligência Penitenciária Aplicada 18
Como já abordado nesta unidade, comunicação é o processo de trans-
mitir sentimentos, ideias, opiniões e sensações, por meio de palavras e 
de comportamento não verbal. De tal modo, a comunicação envolve 
transações entre pessoas. As pessoas, normalmente, não vivem isola-
das, elas se relacionam continuamente com outras pessoas por meio 
da comunicação. A comunicação tem grande importância e relevância 
quando se abordam interações humanas e métodos para mudança ou 
influência no comportamento humano. 
Ressalta-se que a mais importante habilidade no processo de análise 
comportamental está no artifício de saber escutar durante um processo 
de comunicação. A falta dessa habilidade caracteriza uma barreira pes-
soal. E não se deve confundir ouvir com escutar. Ouvir é apenas captar 
vibrações sonoras, escutar é compreender aquilo que se está ouvindo. 
Escutar requer prestar atenção, interpretar e lembrar-se de estímu-
los. A audição eficaz é mais ativa do que passiva. Na audição passiva, 
você é como um gravador que absorve a informação dada. Na audição 
ativa, por sua vez, você precisa “entrar” na cabeça do orador, de forma 
a poder entender a comunicação a partir do ponto de vista dele. Dessa 
forma, ouvir ativamente é ouvir de modo a compreender a comunicação 
de acordo com a perspectiva do orador. 
Há uma grande relação entre a comunicação verbal e a comunicação 
não verbal, uma vez que a comunicação não verbal pode substituir a 
comunicação verbal, assim como repetir, contradizer, complementar, 
realçar e regular a comunicação verbal. 
QR CODE
Aponte a câmera do seu dispositivo móvel (smartphone ou 
tablet) no QR Code ao lado para assistir o vídeo de animação 
sobre a habilidade de comunicação, ou acesse o link: https://
youtu.be/nJp1CpGzWwk.
No fim dos anos 60, Mehrabian (1971), junto a outros colaboradores 
(MEHRABIAN; FERRIS, 1967; MEHRABIAN; WIENER, 1967) realizaram 
estudos sobre os elementos da comunicação, quando o orador está 
falando sobre seus sentimentos e atitudes. Esses estudos levaram à 
generalização em relação ao peso de cada elemento na comunicação. 
Confira no infográfico a seguir.
https://youtu.be/nJp1CpGzWwk
https://youtu.be/nJp1CpGzWwk
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MÓDULO 2 | Inteligência Penitenciária Aplicada 19
Peso dos elementos da comunicação oral
Linguagem corporal Canal vocal Palavras
comunicação não verbal velocidade, tom, volume conteúdo expresso
55% 38% 7%
Analisando a informação acima, depreende-se que o lado não verbal da 
comunicação geralmente tem a chave do que uma pessoa está realmente 
pensando ou querendo dizer. A comunicação não verbal ocorre através 
da expressão facial, postura corporal e outros gestos, em contraste com 
a expressão direta escrita ou oral. 
Os nossos gestos, expressões e movimentos acompanham nosso corpo 
a todo o momento, a fala não é apenas um processo, ela vem da comu-
nicação não verbal e/ou linguagem corporal. Não somos capazes de nos 
comunicar com eficiência sem a comunicação não verbal. 
Alguns fatores de influência psicológica devem ser observados na inte-
ração com o alvo e/ou entrevistado, pois têm grande valor no momento 
de reunir informação dos indivíduos, principalmente nas interações 
face a face. 
São alguns desses fatores de influência na interação humana que devem 
ser minimamente observados e analisados, confira a seguir.
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MÓDULO 2 | Inteligência Penitenciária Aplicada 20
Como abordado anteriormente, a comunicação é um intenso processo 
de interação, no qual compartilhamos mensagens, emoções e opiniões, 
e com o qual podemos influenciar, decisivamente, o comportamento 
das pessoas. O tema foi discriminado no começo do desenvolvimento 
deste módulo. Dessa forma, serão abordados a seguir os aspectos rela-
cionados à memória e à mentira. 
Podemos dizer que a memória sempre exerceu um fascínio devido à 
sua complexidade, de modo que esse interesse se estendeu também 
para as suas falhas. É por meio da memória que cada ser humano pode 
lembrar-se de sua história pessoal, de fatos, conceitos, e é também por 
meio dela que o processo de aprendizagem se torna viável. Entretanto, 
a memória também tem seu lado frágil. Pode-se esquecer de forma 
rápida ou gradual eventos importantes ou até mesmo distorcer o preté-
rito de forma surpreendente. Uma das falhas de memória são as falsas 
memórias, que se caracterizam pela lembrança de eventos que, na rea-
lidade, nunca ocorreram. As informações são armazenadas na memória e, 
mais tarde, são recordadas como se tivessem sido verdadeiramente vividas. 
As falsas memórias podem ser definidas como lembranças de eventos 
que não ocorreram, de situações não presenciadas, de lugares jamais 
vistos, ou de lembranças distorcidas de algum evento. São memórias que 
vão além da experiência direta e que incluem interpretações, inferências 
ou, até mesmo, contradizem a própria experiência. Essas sugestibilidades 
podem ser elaboradas pela junção de lembranças verdadeiras com as 
sugestões vindas de outras pessoas (durante esse processo, a pessoa 
fica suscetível a esquecer da fonte da informação) ou podem se originar 
quando a pessoa é questionada de maneira evocativa. As falsas memó-
rias sugeridas ou implantadas dizem respeito àquelas que resultam de 
uma sugestão externa ao indivíduo, proposital ou não, cujo conteúdo 
Fatores observados e analisados
Comunicação Memória Mentira
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MÓDULO 2 | Inteligência Penitenciária Aplicada 21
não faz parte do evento experienciado, mas contém características 
coerentes com o fato. 
Dessa forma, salienta-se que existe uma grande diferença entre falhas no 
processo de recuperação de memórias e mentiras. Ao indicar a possibili-
dade de que ocorram falhas no processo de recuperação de memórias, 
as quais podem se manifestar na forma de lacunas ou de distorções, 
em relação ao que tenha sido originalmente registrado ou relatado 
pelo entrevistador, não se pode, de forma alguma, se referir a mentiras, 
uma vez que estas referem-se a falsas declarações, emitidas intencio-
nalmente, com o objetivo de afetar o entendimento do entrevistador e/ou 
do investigador sobre o fato (MAURMANN; PINTO, 2020). 
Assim, outro fator que influencia potencialmente a interação da con-
versação é a mentira. Podemos defini-la como qualquer controle inten-
cional da informação para criar um falso entendimento da mensagem. 
Diante disso, mentir é um ato deliberado e normalmente premeditado. 
O mentiroso escolhe manipular as informações, de forma a entregar à 
outra pessoa o que acredita ser condizente com os seus objetivos. 
Estudos realizados por Ekman (1989, p. 13-33) apontam nove principais 
motivos que levam as pessoas a mentir, são eles:
1. Evitar punições. 
2. Obter recompensas e/ou vantagens. 
3. Proteger outras pessoas de punição. 
4. Proteger-se da ameaça de dano físico. 
5. Ganhar admiração. 
6. Fugir de uma situação social desagradável. 
7. Evitar constrangimento. 
8. Preservar sua privacidade. 
9. Manter poder sobre o outro, controlando a informação que a outra 
parte possui. 
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MÓDULO 2 | Inteligência Penitenciária Aplicada 22
Ainda conforme estudos de Ekman (2011), mentir pode acarretar em 
torno de 30% de sobrecarga emocional a quem está mentindo. Após a 
mentira ser contada, uma área especializada em resolução de conflitos 
do nosso cérebro, o córtex cingulado anterior, é fortemente ativada, 
emitindo um alerta enquanto o “problema” não é resolvido.
Córtex cingulado anterior
Assim, tanto a mentira como as falsas memórias e a sugestibilidade,além dos componentes da comunicação, podem afetar substancial-
mente a análise comportamental voltada para a entrevista, uma vez 
que influencia aspectos relacionados à busca de uma informação mais 
completa e acurada possível. 
E é neste contexto que as pesquisas sobre expressões faciais de Ekman 
(2011) são efetivamente utilizadas no desenvolvimento de técnicas de 
leitura de expressões emocionais faciais, o que auxilia diariamente di-
versos profissionais, como de Segurança Pública, médicos psiquiatras e 
agentes de Inteligência a interagirem diariamente com outros indivíduos. 
Os estudos da face indicam que algumas expressões faciais são uni-
versais, produtos da evolução humana, e que a face pode nos mostrar 
qual é a emoção que está sendo sentida pelo indivíduo, se existe mais 
de uma emoção sendo expressa e qual a sua intensidade. Entende-se 
por emoção um tipo específico de avaliação automática, um processo 
influenciado por nosso passado evolucionista e pessoal, em que sen-
timos que algo importante para o nosso bem-estar está acontecendo. 
Ou seja, um conjunto de mudanças fisiológicas e de comportamentos 
emocionais que influenciam a ação. 
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MÓDULO 2 | Inteligência Penitenciária Aplicada 23
Dessa forma, torna-se importante conhecer pelo menos as emoções 
básicas e os sinais mais confiáveis de identificação dessas expressões 
faciais, como no caso de raiva, tristeza, nojo, surpresa, felicidade e medo, 
quando interagem junto a outra fonte humana.
Fonte: Adaptado de Ekman, 2011. 
A expressão emocional transcende as barreiras de raça, etnia, cultura, 
gênero, religião e idade (EKMAN, 2011). Décadas de pesquisa mostraram 
que, independentemente do contexto, os seres humanos expressam as 
emoções faciais exatamente da mesma maneira. A capacidade de ler as 
mudanças faciais que acompanham e preveem o comportamento emo-
cional é um componente indispensável da comunicação eficaz. As pessoas 
treinadas em expressões faciais utilizam esses conceitos para auxiliá-las 
nas entrevistas, interrogatórios e transações comerciais, bem como os 
envolvidos na aplicação da lei, segurança, Inteligência e sistemas legais e 
de saúde as utilizam com sua visão e análise especializadas. 
Importante entender que a análise comportamental não é um método 
100% fidedigno para a detecção de mentiras. Não existe um método 
cientificamente comprovado para tal. O que existe é um cruzamento 
de dados/informações para que possamos detectar a dissimulação no 
raiva
surpresa felicidade tristeza
medo nojo ou aversão
Exemplos de identificação de 
expressões faciais universais
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MÓDULO 2 | Inteligência Penitenciária Aplicada 24
comportamento do indivíduo. Ou seja, o que conseguimos, através de 
metodologias, instrumentos e ferramentas, é a avaliação do nível de in-
consistência daquela comunicação e os vazamentos do comportamento 
humano durante o discurso.
Um método científico na análise do comportamento humano, 
com uma maior eficácia e índices quase nulos de falsos positivos, é uma 
abordagem conhecida como SCAnR® (Análise de Seis Canais – Tempo 
Real), desenvolvida pela The Emotional Intelligence Academy (ARCHER; 
LANSEY, 2015; LANSEY, 2017). Constituindo uma metodologia avan-
çada para analisar o comportamento verbal e o não verbal, o SCAnR® 
é um modelo de análise de canais de comunicação de forma múltipla 
para análise de comportamento, e foi validado para uso em contextos 
de alto risco. Pelo protocolo proposto, podemos identificar quando a 
comunicação através de um ou mais dos seis canais — face, corpo, voz, 
estilo interacional, conteúdo verbal e psico-fisiologia — é inconsistente 
com o discurso, com a linha de base do indivíduo ou com o contexto. 
Esse é então considerado um ”Ponto de Interesse” ou PIn. A abordagem 
do SCAnR® permite desencorajar os usuários a tirar conclusões com base 
em um único ponto de interesse do comportamento, ou mesmo com 
base em uma observação de apenas um canal de comunicação. 
A observação e a escuta de aglomerados de indicadores do compor-
tamento humano — de no mínimo dois dos seis canais de comunica-
ção — podem indicar que a comunicação do alvo, por algum motivo, 
encontra-se inconsistente, desde que não possa ser explicada pela linha 
de base do indivíduo, pelo seu discurso ou pelo seu contexto. Essa é a 
regra fundamental. Um PIn sozinho não é evidência de um vazamento 
emocional. É necessário sempre seguir a regra básica do protocolo: 
“3-2-7”. A regra é alusiva aos números conforme a seguir. 
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MÓDULO 2 | Inteligência Penitenciária Aplicada 25
Usar, por exemplo, os pontos de interesse do comportamento humano 
que as pessoas emitem nos seus discursos, gestos, olhos, face e voz, 
fará com que a leitura dos alvos seja mais efetiva e, consequentemente, 
haverá uma melhor comunicação entre os indivíduos. Essa informação 
poderosa, obviamente, pode ser utilizada em diversas pastas, seja durante 
uma entrevista ou no engajamento junto à fonte humana, por exemplo.
1.3 Recrutamento operacional de fonte humana
O conceito amplo de recrutamento operacional é entendido como: 
o conjunto de ações que visam convencer, preparar ou persuadir uma 
pessoa — não pertencente à Agência de Inteligência Penitenciária — 
a colaborar em benefício desta, fornecendo informações úteis às 
Operações de Inteligência. O recrutamento operacional é uma das ações 
de busca das Operações de Inteligência.
O recrutamento operacional é uma ação de busca!
Atualmente, observa-se que as organizações criminosas vêm alcançando 
elevados níveis de estruturação, com hierarquia, divisão comparti-
mentada de tarefas, conexões com o poder público e uso de recursos 
tecnológicos avançados. Por outro lado, a fonte humana ainda é capaz de 
proporcionar acesso a dados operacionais sensíveis, entre outras ações. 
Itens mínimos pelo Protocolo 3-2-7
3 PONTOS DE INTERESSE (Pins)
Pelo menos 3 Pins devem ser identificados 
no comportamento do indivíduo.
2 CANAIS DE COMUNICAÇÃO 
Pontos de Interesse devem se manifestar 
em pelo menos 2 canais distintos.
7 SEGUNDOS 
É o tempo após o estímulo provocado ou o 
entendimento da pergunta para possibilidade 
de comunicação inconsistente, por algum motivo.
3
2
7
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MÓDULO 2 | Inteligência Penitenciária Aplicada 26
Diante desse cenário, podemos concluir que a Agência de Inteligência 
Penitenciária deve utilizar a ação de recrutamento de fonte humana para 
prover à autoridade competente os dados necessários para o melhor 
cumprimento de suas atribuições. 
Há, dessa forma, o papel do recrutador, profissional de Inteligência res-
ponsável por dirigir o alvo. O controle consiste na arte de dirigir, treinar, 
testar, apoiar, comunicar-se com o recrutado e, se necessário, encerrar 
as atividades. É o recrutador que padroniza e delimita os termos da re-
lação com o recrutado e com a sua atuação, estabelecendo, por vezes, 
a periodicidade da comunicação, os meios e os locais, evitando vaza-
mentos e/ou inconveniências causadas pelo recrutado. Já o recrutado, 
que não faz parte da Agência de Inteligência, será treinado, orientado, 
preparado e direcionado pelo recrutador, visando o melhor desempenho 
e o sigilo nas ações. 
1.4 Negociação
A negociação leva em consideração o perfil do causador do evento crí-
tico e pode ser empregada, no contexto de Gerenciamento de Crises, 
como uma das alternativas táticas. Contextos de Gerenciamento 
de Crises são aqueles cenários, muitas vezes em ambiente adverso, 
onde há um causador de um evento crítico, podendo ter reféns e víti-
mas, e, portanto, a necessidade de superar a crise com êxito. 
Vale lembrar que negociar é uma forma de resolver conflitos, que bus-
ca as melhores soluções entre dois lados, em que cada um ganha de 
acordo com o valor que agregou à negociação.A assertividade é um 
ingrediente vital da negociação, que não pode deixar de ser abordada, 
dada sua importância na administração dos conflitos. Ser claro e obje-
tivo na comunicação está no campo da razão, sendo importante para o 
entendimento do conteúdo e o para o convencimento do receptor da 
mensagem. Falar a verdade está na área da emoção, sendo importante 
para gerar o sentimento de confiança e, consequentemente, a persuasão. 
Grande parte do processo de persuasão — pelo qual uma pessoa é compelida 
a concordar com a solicitação de outra — pode ser entendida como uma 
tendência humana à reação automática na forma de atalho. As reações 
automáticas são padrões do comportamento involuntário que formam 
o nosso “piloto automático” e são desencadeados por alguma caracte-
rística relacionada a uma determinada situação, a qual aciona um gatilho 
mental que gera uma reação automática. Os gatilhos mentais e o nosso 
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“piloto automático” existem como uma forma de o nosso cérebro ser 
mais eficiente e economizar energia. A maioria dos indivíduos, em nossa 
cultura, desenvolveu um conjunto de características desencadeadoras 
para o consentimento, ou seja, um conjunto de características específicas 
que normalmente apontam quando acatar um pedido pode ser correto 
ou benéfico. Cada uma dessas características pode ser usada como uma 
arma de influência para estimular as pessoas a concordarem com pedidos. 
Segundo Cialdini (2012), existem seis grandes princípios de persuasão: 
1. Reciprocidade. 
2. Compromisso e coerência. 
3. Aprovação social. 
4. Afeição. 
5. Autoridade. 
6. Escassez.
UNIDADE 2
Atitudes do Policial Penal no 
ambiente penitenciário
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MÓDULO 2 | Inteligência Penitenciária Aplicada 29
2. ATITUDES DO POLICIAL PENAL NO AMBIENTE PENITENCIÁRIO
Nesta unidade, vamos entender um pouco mais sobre as atitudes do 
Policial Penal no ambiente penitenciário, após a institucionalização da 
Atividade de Inteligência e a criação da Doutrina Nacional de Inteligência 
Penitenciária pela primazia da técnica. Assim, objetivou-se ampliar a 
compreensão sobre a proatividade que esse profissional deve ter no 
seu dia a dia, bem como a busca constante para sair da fase da intuição 
e primar pela técnica. 
 
A diferença entre a Atividade de Inteligência e a atividade de investigação 
policial será um tópico que estudaremos, considerando: a avaliação do 
conhecimento em face de um correto assessoramento; a visão de um 
Policial Penal frente à Contrainteligência, que visa a proteção e a segu-
rança da organização; e, ainda, como deve funcionar a Inteligência em 
sinergia com a segurança.
2.1 Produzir provas e Inteligência – diferenças práticas
Para começarmos a diferenciar Atividade de Inteligência e a investigação 
criminal, vamos conceituar cada uma delas. 
A Atividade de Inteligência Penitenciária é o exercício permanente e 
sistemático de ações especializadas para identificar, avaliar e acompa-
nhar ameaças reais ou potenciais na esfera dos Sistemas Penitenciários. 
 Esse exercício é orientado para a produção e salvaguarda de conhe-
cimentos necessários para subsidiar os tomadores de decisão, para o 
planejamento e para a execução de políticas e das ações de prever, 
prevenir, neutralizar e reprimir atos criminosos (BRASIL, 2020). 
A investigação criminal é um procedimento sempre pré-processual, 
autônomo e prescindível em relação ao processo penal, com a caracte-
rística de ser inquisitório e sem contraditório. Sua finalidade é buscar a 
verdade real mediante a obtenção de provas de autoria e de materialidade 
delitiva, para justificar a abertura de uma ação penal justa, evitando-se 
constrangimentos pessoais e gastos desnecessários para o Estado 
(LOPES JÚNIOR, 2003). 
Nesse sentido, é importante não confundir a Atividade de Inteligência com 
a atividade de investigação. A primeira visa a produção de conhecimentos 
para assessorar um tomador de decisão. Didaticamente, podemos dizer 
que tem como fases:
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MÓDULO 2 | Inteligência Penitenciária Aplicada 30
Já a atividade de investigação visa a obtenção da materialidade e da 
autoria do delito, instrumentalizada por um procedimento criminal 
(inquérito policial). Mas, apesar de distintas e praticadas em âmbitos 
diferentes, um ato de Inteligência pode ser utilizado na investigação, 
da mesma forma que um ato de investigação pode ser utilizado na 
Inteligência, atentando-se apenas às regras da lei processual para a vali-
dade de forma e de conteúdo. 
É o princípio da liberdade probatória, no processo penal, que autoriza o 
uso de um dado ou de um conhecimento de Inteligência na instrução 
investigativa, com fundamentos na busca da verdade real em provar a 
inocência ou a culpa do acusado, vedando-se somente os meios proba-
tórios inidôneos e inválidos, como os que atentem contra a moralidade 
e contra a dignidade da pessoa humana. 
Além disso, é primordial que o conhecimento produzido na Atividade 
de Inteligência possua uma avaliação das fontes (feita por um analista 
de Inteligência), para uma maior credibilidade do setor de Inteligência e 
do conhecimento produzido. 
Em linhas gerais, as diferenças entre produzir provas (investigação) e a Inteli-
gência residem nos critérios de aceitabilidade da verdade, objetivos, marcos 
teóricos e regras formais especificas de produção (PACHECO, 2010, p. 3). 
Para a investigação criminal, verdade é aquela que possui validade jurídica, 
ou seja, aquela consubstanciada em respeito às garantias legais e processuais 
(PEREIRA, 2010, p. 129). 
a reunião de dados e/ou conhecimentos. 
o processamento/análise dos dados.
a formalização dos dados.
a difusão e avaliação dos dados.
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Já para a Inteligência, a verdade está fundada na concordância do con-
teúdo do pensamento com o objeto, segundo o estado da mente do 
analista de Inteligência quanto à certeza, opinião, dúvida e ignorância, 
em relação à verdade (MOREIRA, 2010). 
É por meio da avaliação do conhecimento, etapa na qual o analista ve-
rificará a pertinência e a credibilidade dos dados e/ou conhecimentos 
reunidos, que se chega à afirmação da existência dos fatos. 
Em suma, para a produção de prova, somente é aceitável a verdade ali-
cerçada em provas válidas, enquanto que, para a Inteligência, a verdade 
como prova é escusável, descartável. 
O diferenciador mais nítido entre produção de prova e Inteligência reside 
em seus objetivos. A primeira tem como objetivo reunir provas da mate-
rialidade e da autoria de um fato criminoso, para formar a opinio delictis, 
e fundamentar a justa causa para uma acusação em juízo. Já a segunda, 
a Inteligência, que é uma atividade eminentemente administrativa, 
tem por finalidade subsidiar e assessorar um tomador de decisão.
Diferenças básicas entre as atividades
Fonte: Adaptado de SENASP/MJ, 2015.
INVESTIGAÇÃO POLICIAL INTELIGÊNCIA POLICIAL
NATUREZA De natureza execução/reativa De natureza consultiva/acessória
MOMENTO DA AÇÃO Age depois do fato (passado/presente) Prevenção de delitos (futuro)
OBJETO DA OBTENÇÃO Obtenção de prova criminal Obtenção de dado negado
FINALIDADE Identificação de autoria e materialidade Produzir e salvaguardar conhecimento
TIPO DE PROCEDIMENTO Procedimento Público Procedimento reservado/sigiloso
O QUE SUBSIDIA? Condenação criminal Processo decisório
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2.2 A mentalidade da Contrainteligência no ambiente penitenciário: 
segurança e proteção
Conforme vimos no Módulo 1, a Contrainteligência é um ramo da Atividade 
de Inteligência, e existe justamente em razão desta, com o principal 
objetivo de prevenir, detectar,obstruir e neutralizar as ações adversas.
Fonte: © [deepadesigns] / Shutterstock.
A Contrainteligência destina-se à produção de conhecimentos, à adoção 
de medidas para proteção da Atividade de Inteligência e da instituição a 
que pertence, de maneira a salvaguardar dados e conhecimentos sigilosos 
e, acima de tudo, a proteção dos seus ativos (servidores, informações, 
veículos, armas etc.). 
É importante destacar que a Contrainteligência deve atuar continuamente 
para avaliar vulnerabilidades, riscos, oportunidades e desafios do sistema 
penal, bem como da Segurança Pública como um todo. 
Os atores envolvidos em um sistema prisional (agentes, professores, ter-
ceirizados, enfermeiros, entre outros) devem visualizar a Contrainteligência 
sempre através da palavra “proteção”. 
Nesse contexto, antes de iniciarmos a nossa fala sobre os ativos a serem pro-
tegidos, é necessário entendermos alguns conceitos em Contrainteligência:
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SAIBA MAIS
Assista o vídeo “Mestres: o homem que nunca existiu”, que apre-
senta um exemplo de propaganda adversa, disponível em: https://
www.youtube.com/watch?v=psxszSD8F1s.
Risco: probabilidade de uma ameaça causar impacto na organização.
Vulnerabilidade: fragilidade de um ativo ou grupo de ativos que pode 
ser explorado por uma ou mais ameaças.
Vazamento: divulgação não autorizada de dados ou de conhecimentos. 
Compartilhamento: o ato de tornar o conhecimento disponível, 
por qualquer meio acessível aos integrantes da Inteligência, 
bem como a outras pessoas ou ao órgão de Inteligência, 
adotando mecanismo de proteção e assegurando o sigilo adequado.
Responsabilidade: obrigação legal, individual e/ou coletiva, 
em relação à preservação da segurança.
Acesso: possibilidade e/ou oportunidade de uma pessoa obter dados 
ou conhecimentos sigilosos.
Credenciamento: autorização oficial e específica, concedida por 
autoridade competente, que habilita determinada pessoa a ter 
acesso a dados, conhecimentos, áreas ou instalações, nos diferentes 
graus de sigilo.
Propaganda adversa: manipulação planejada de quaisquer 
informações, ideias ou doutrinas para influenciar grupos e indivíduos, 
com vistas a obter comportamentos predeterminados que resultem 
em benefícios de seu patrocinador. 
https://www.youtube.com/watch?v=psxszSD8F1s
https://www.youtube.com/watch?v=psxszSD8F1s
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A Contrainteligência atua por meio de dois segmentos: a segurança 
orgânica e a segurança ativa. 
2.2.1 Segurança orgânica
A segurança orgânica é um conjunto de medidas desenvolvidas dentro e 
fora da organização, de caráter eminentemente defensivo, destinado a 
garantir o bom funcionamento do órgão, de modo a prevenir e obstruir 
ações adversas de qualquer natureza. 
A segurança orgânica é conhecida também por suas barreiras impostas 
às pessoas que não devem ter acesso a dados e ativos do órgão.
Símbolo da proibição de entrada. 
Fonte: © [Martial Red] / Shutterstock. 
O principal objetivo da segurança orgânica é adotar medidas que sejam 
capazes de neutralizar as ameaças e as ações realizadas por forças 
adversas que possam superar as medidas de salvaguarda adotadas em 
relação ao pessoal, aos documentos, às instalações, às comunicações 
e às operações. 
A segurança de pessoal deve ser entendida como um conjunto de 
normas, medidas e procedimentos voltados para os recursos humanos, 
no sentido de assegurar comportamentos adequados à salvaguarda de 
dados e conhecimentos sigilosos. 
As principais ameaças contra a segurança de pessoal são a infiltração, 
o recrutamento e o vazamentos de dados e/ou conhecimentos. 
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MÓDULO 2 | Inteligência Penitenciária Aplicada 35
É fundamental que a Contrainteligência participe de todo o processo 
seletivo, visando dificultar as ações adversas de infiltração e a admissão 
de indivíduos com características e antecedentes pessoais que possam 
levá-los a causar o comprometimento e/ou vazamento de dados sensíveis. 
Além disso, é muito importante que a Contrainteligência faça o acompa-
nhamento do desligamento daqueles indivíduos que tiveram acesso aos 
dados sensíveis do órgão. Salienta-se também a relevância de entender 
a motivação do desligamento de cada indivíduo que teve acesso aos 
dados mais sensíveis da instituição. 
A segurança da documentação é um conjunto de normas, medidas e 
procedimentos direcionados à proteção dos documentos de Inteligência, 
evitando o comprometimento e/ou vazamento. Para a garantia do sigilo 
dos documentos em sua produção, devemos seguir fielmente a metodo-
logia da produção do conhecimento até a sua guarda ou até a destruição 
do documento sigiloso. 
As principais ameaças em relação à segurança dos documentos são a 
destruição, o comprometimento e o vazamento — podem ocorrer por 
meio de roubo, furto, cópia ou acesso não autorizado e destruição. 
Devemos atentar sempre para a destruição dos documentos sigilosos, 
estes devem passar necessariamente pela máquina fragmentadora de 
papéis e jamais jogados nos lixos comuns. 
A compartimentação/confidencialidade na documentação restringe o 
acesso para a proteção do conhecimento, com base na necessidade 
de conhecer, isto é, o acesso ao documento sigiloso somente deve 
ser concedido à pessoa que tenha a necessidade de informar-se sobre 
aquele conhecimento. 
A segurança das instalações diz respeito ao conjunto de normas, 
medidas e instalações voltadas aos locais onde são elaborados, 
tratados, manuseados ou guardados dados e/ou conhecimentos sigi-
losos. A segurança das instalações é obtida pela implementação de 
medidas de proteção, fiscalização e controle de acesso.
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Equipamentos de controle de acesso. 
Fotos: © [ArtVisionStudio] / Shutterstock; © [koonsiri boonnak] / Shutterstock.
Exemplo: salas de cofres, salas com acesso através de biometria, 
avisos de área restrita. 
A segurança dos materiais consiste em normas, medidas e procedimentos 
voltados para a guarda, segurança e preservação do material, de modo 
a assegurar o seu perfeito e contínuo funcionamento. 
As principais ameaças que podemos encontrar em relação à segurança 
dos materiais são os danos, o furto, o roubo e a sabotagem. 
A segurança das comunicações é o conjunto de normas, medidas e 
procedimentos direcionados aos meios de comunicação, no sentido de 
salvaguardar dados e/ou conhecimentos, impedindo ou dificultando a 
interceptação, a transmissão do tráfego de dados e sinais. 
As principais ameaças são a interceptação, a sabotagem, as panes e os 
danos. Devemos ainda fazer a troca periódica de senhas nos sistemas de 
informação, bem como treinamentos para a correta utilização dos equipa-
mentos e ainda elaborar cursos e/ou cartilhas de educação em segurança. 
Não podemos esquecer da segurança da tecnologia da informação, 
destinada a preservar os sistemas desta, garantindo a continuidade do seu 
funcionamento, a integridade dos conhecimentos e o controle de acesso. 
É importante que o agente de Segurança Pública tenha em mente que 
todos esses ativos citados devem ser protegidos em igual valor, pois a 
vulnerabilidade de qualquer desses ativos coloca todo o sistema em risco. 
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MÓDULO 2 | Inteligência Penitenciária Aplicada 37
A segurança das operações é o agrupamento de normas, medidas e 
procedimentos adotados para proteger as operações realizadas no Sis-
tema Penitenciário. 
Salienta-se que, nesse contexto, segurança e proteção incluem, nota-
damente, os agentes, a instituição, a identidade do alvo e os objetivos 
da operação. 
A segurança das operações passa por algumas fases, e em todas elas 
devem ser observadosos aspectos de segurança citados anteriormente. 
São fases das operações realizadas pelo Sistema Penitenciário Federal: 
Para finalizar, é importante que cada organização tenha o seu Plano 
de Segurança Orgânica (PSO), um documento que visa orientar os 
procedimentos de interesse da segurança orgânica. A adoção de me-
didas de segurança, sem a necessária análise dos riscos e dos aspectos 
envolvidos, poderá causar o comprometimento, decorrente de sua 
ineficiência ou inadequação.
2.2.2 Segurança ativa
A segurança ativa é o conjunto de medidas proativas, de caráter emi-
nentemente ofensivo, destinadas a detectar, identificar, avaliar, analisar 
e neutralizar as ações adversas de elementos ou grupos de qualquer 
natureza que atentem contra o órgão e a Segurança Pública.
Planejamento: etapa em que se preparam todos os meios e recursos 
a serem adotados para alcançar o objetivo da ação sigilosa e que 
culmina com a apresentação de um plano de operações. 
Reunião preparatória: fase em que os detalhes da ação sigilosa são 
revelados aos participantes e as dúvidas na forma de atuação para o 
cumprimento da missão são dirimidas.
Execução: quando as ações previstas no plano de operações são 
realizadas, visando atingir o objetivo da missão.
Encerramento: etapa em que se produzem os relatórios com os 
resultados das ações empreendidas e em que se desmobilizam os 
recursos materiais e humanos empregados na operação.
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MÓDULO 2 | Inteligência Penitenciária Aplicada 38
A segurança ativa tem como característica antecipar-se a eventuais 
ameaças provenientes de elementos ou grupos diversos, bem como 
complementar e auxiliar o ciclo da segurança orgânica. 
Essas medidas são desenvolvidas por meio da contrapropaganda, 
contraespionagem, contrassabotagem e do contraterrorismo. 
Contrapropaganda: conjunto de medidas ativas destinadas a detectar, 
identificar, avaliar e neutralizar ações de propagandas adversas. 
Contraespionagem: conjunto de medidas destinadas a detectar, iden-
tificar, avaliar e neutralizar ações adversas de busca de dados e/ou co-
nhecimentos sigilosos por meio de ações adversas. 
Contrassabotagem: conjunto de medidas ativas destinadas a prevenir, 
detectar, identificar, avaliar e neutralizar atos de sabotagem contra ins-
tituições, pessoas, documentos, materiais, equipamentos e instalações. 
Contraterrorismo: conjunto de medidas destinadas a detectar, identificar, 
analisar e neutralizar ações e ameaças terroristas.
QR CODE
Aponte a câmera do seu dispositivo móvel (smartphone ou tablet) 
no QR Code ao lado para assistir ao vídeo sobre a segurança ativa, 
ou acesse o link: https://youtu.be/dUrXGzn4SqI.
2.3 Da intuição à institucionalização e a primazia da técnica
Para iniciarmos esse tema, torna-se necessário relembrar que a Atividade 
de Inteligência no Brasil somente foi institucionalizada no ano de 1927, 
com a criação do Conselho de Defesa Nacional (CDN), voltado para o 
assessoramento do governo. Até então, a Atividade de Inteligência era 
exercida apenas no âmbito dos ministérios militares. 
Com a carência de investimento na área de Inteligência, principalmente 
na parte de capacitação, o que se percebe na prática é que uma boa 
parte dos agentes que operam nessas agências de Inteligência care-
ce de conhecimentos técnicos para a coleta de dados e para a pro-
dução do conhecimento. Na maioria das vezes, eles realizam essas 
https://youtu.be/dUrXGzn4SqI
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tarefas com base no empirismo, utilizando a intuição, e, principalmente, 
as experiências já vividas. 
Essa intuição descobre, supõe, antecipa e inventa. A linguagem popular 
chama essa capacidade intuitiva de “estalo”, “pressentimento”, “presença 
de espírito”, “insight”. 
A intuição, que em sua forma mais relevante é caracterizada como 
intuição heurística, é um conhecimento direto, que se tem quando, 
no pensamento, ocorre a captação das representações mentais que 
manifestam o objeto ou a relação de objetos, não fazendo uso da me-
diação da sensibilidade. O único papel da sensibilidade está no contato 
do sujeito com o mundo, na atividade ou na ação, e é justamente nesse 
contato que o problema da intuição é gerado. 
Trata-se da intuição heurística de poder trazer à luz a descoberta de algo 
novo que pode ser igualmente testado e investigado. 
Além disso, podemos dizer que, no processo do conhecimento, 
participam os sentidos, a razão e a intuição. 
Dessa forma, é de extrema importância que as agências de Inteligência 
busquem a institucionalização da Inteligência e a primazia pela técnica.
2.4 O trabalho da Inteligência em sinergia com a atividade de segurança
A Atividade de Inteligência, trabalhando em sinergia com a Segurança 
Pública, é uma das melhores ferramentas de resposta e de auxílio ao 
combate do crime em geral, em especial daqueles de alta complexidade, 
pois permite identificar, entender e revelar os aspectos ocultos da atu-
ação criminosa, que seriam de difícil constatação pelo meio clássico de 
investigação policial. 
A produção do conhecimento gerado pela Atividade de Inteligência 
tornou-se um subsídio indispensável para as investigações policiais, 
para combater as ações do crime organizado, entre outras. 
O crime organizado tem se mostrado um dos maiores problemas da 
Segurança Pública no Brasil, tornando seu enfrentamento cada vez mais 
difícil no cenário contemporâneo. 
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A Inteligência se apresenta como uma ferramenta eficaz para auxiliar a 
Segurança Pública no combate a essas organizações criminosas e em 
vários níveis de atuação, produzindo conhecimento para o assessora-
mento estratégico, tático, operacional e de políticas públicas. 
Torna-se claro que, na atualidade, não há como falar em ações de 
Segurança Pública sem o uso da Inteligência. 
QR CODE
Aponte a câmera do seu dispositivo móvel (smartphone ou tablet) 
no QR Code ao lado para assistir ao vídeo sobre o trabalho da 
Inteligência em sinergia com a atividade de segurança, ou acesse 
o link: https://youtu.be/XUc0Lrfl2i8.
2.5 Atitudes e atividades do Policial Penal
As atitudes do Policial Penal no ambiente penitenciário deverão ser um 
resultado de competências comportamentais, habilidades e técnicas 
relacionadas à natureza e às características do cargo ou da função que 
ele irá desempenhar. Entre as quais, podemos citar:
Disciplina.
Adaptabilidade/flexibilidade.
Capacidade intelectual analítica.
 Dinamismo/coragem. 
Vida pregressa compatível.
Voluntariedade. 
 Lealdade.
Discrição. 
Iniciativa. 
Profissionalismo.
https://youtu.be/XUc0Lrfl2i8
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O Policial Penal, em suas atividades, deve: estar sempre alerta aos acon-
tecimentos que atentem contra a segurança, dentro e fora do seu am-
biente laboral; ser um profissional de fácil adaptação; possuir inciativa, 
flexibilidade e, acima de tudo, ser discreto.
Disciplina.
Adaptabilidade/flexibilidade.
Capacidade intelectual analítica.
 Dinamismo/coragem. 
Vida pregressa compatível.
Voluntariedade. 
 Lealdade.
Discrição. 
Iniciativa. 
Profissionalismo.
UNIDADE 3
Problemas atuais da 
Inteligência Penitenciária
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3. PROBLEMAS ATUAIS DA INTELIGÊNCIA PENITENCIÁRIA
A presente unidade discutirá as recentes alterações legislativas ocorridas 
no nosso país com a instituição da Polícia Penal e a aprovação do Pacote 
Anticrime, bem como a importância de uma Atividade de Inteligência 
fortalecida, imbuída de análises estratégicas para combate ao crime 
organizado e as ameaças que afligem a Segurança Pública. 
3.1 Desafios e conquistas com as recenteslegislações: Polícia Penal e 
Pacote Anticrime 
Recentemente, o cenário da Segurança Pública no Brasil foi contem-
plado com grandes transformações no que tange às legislações penais, 
de modo a atuar no endurecimento de penas privativas de liberdade, 
entre outras mudanças. Isso se deu com o objetivo de coibir as práticas 
criminosas em vertiginoso crescimento. 
 
Fontes: © [Luis Macedo] / Agência Câmara de Notícias, Agência de Notícias do Paraná, Jornal de Brasília.
A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 
n° 372, de 26 de outubro de 2017, que tramitava 
no Congresso Nacional desde sua criação, em 2017, 
até sua aprovação, em 2019, teve como 
resultado a criação da Polícia Penal no âmbito 
nacional, convertendo os cargos de agente 
penitenciário, de inspetores penitenciários e de 
agentes de segurança prisional em cargos de 
Polícia Penal.
Além de acarretar uma nova denominação aos 
cargos dos servidores prisionais em todo país, 
reconheceu-se que a categoria deveria estar 
devidamente inserida no art. 104 da Constituição 
Federal (BRASIL, 2021), que trata das Forças de 
Segurança Pública. Esse reconhecimento, ainda 
que tardio, foi extremamente necessário, visto 
que tais servidores lidam diretamente com o 
principal agente da persecução penal: a pessoa 
privada de liberdade.
Além de estarem submetidos ao ambiente 
carcerário superlotado, tais servidores muitas 
vezes sofrem desvalorização profissional e ficam 
esquecidos, vendo-se compelidos a lutar pelos 
mesmos direitos a que fazem jus os policiais 
civis, os policiais militares e as outras Forças de 
Segurança Pública, devido à natureza dos riscos 
a que estão expostos.
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Apesar de amplamente debatida e aprovada, a referida emenda sofreu 
ataques severos por parte de entidades civis, políticos e partidos políticos, 
que atuavam contra sua aprovação por entenderem que a instituição da 
Polícia Penal:
• poderia dificultar a privatização do sistema prisional estadual.
• poderia ocasionar, de certa forma, uma política de encarceramento, 
dando maiores poderes aos agentes que atuam no sistema prisional.
Felizmente, no dia 04 de dezembro de 2019, a PEC 372/2017 foi conver-
tida em Emenda Constitucional do art. 104 e publicada no Diário Oficial 
da União, passando a vigorar com o seguinte texto:
“Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e res-
ponsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem 
pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através 
dos seguintes órgãos:
(...)
VI - polícias penais federal, estaduais e distrital. (Redação dada 
pela Emenda Constitucional nº 104, de 2019)
(...)
§ 5º-A. Às polícias penais, vinculadas ao órgão administrador do 
sistema penal da unidade federativa a que pertencem, cabe a 
segurança dos estabelecimentos penais.” (BRASIL, 2021). 
Ao tempo em que se reconheceu a importância dessa categoria profissio-
nal no contexto da Segurança Pública, a inserção do referido dispositivo 
legal garante direitos inerentes a profissionais que atuam diretamente 
contra o crime, colocando a própria vida em risco, e, muitas vezes, até 
mesmo a vida de seus familiares, que ficam expostos a diversos tipos de 
ataques e violências originados pela natureza de sua atividade profissional.
 
Desse modo, muitos direitos puderam ser estendidos aos profissionais que 
atuam como servidores do sistema prisional, como a aposentadoria especial 
e o direito à não privatização do cargo. Este último implica segurança jurídica 
para os servidores do sistema prisional, exigindo que a carreira seja obriga-
toriamente ocupada por servidores públicos devidamente concursados e 
garantindo assim a isonomia no acesso às vagas dos respectivos concursos.
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Um outro avanço deveras significativo na legislação brasileira ocorreu 
com o advento do chamado Pacote Anticrime, cuja propositura, realizada 
pelo então ministro Sergio Moro, no ano de 2019, foi a de endurecimento 
das legislações penais, processuais penais e correlatas, com a finalidade 
de coibição da prática de crimes, notadamente aqueles vinculados ao 
crime organizado.
PODCAST
Além de tratar do enrijecimento de medidas contra o crime or-
ganizado, o Pacote Anticrime trouxe um conjunto de propostas 
legislativas com o objetivo de endurecer as penas relacionadas 
à corrupção e aos crimes com grave violência contra pessoa, 
trazendo, ainda, alterações legislativas na seara eleitoral e o 
endurecimento de normas do Sistema Penitenciário Federal, 
em que são isolados líderes de organizações criminosas.
Tais alterações foram previstas levando-se em conta que, ape-
sar de muitos apenados brasileiros não serem faccionados, 
eles estão, na maior parte das vezes, submetidos a lideranças 
que atuam dentro do sistema prisional, sendo quase que dia-
riamente submetidos a punições severas quando não se sujei-
tam a tais comandos, os quais incluem, muitas vezes, a própria 
morte do apenado.
Após aproximadamente dois anos de tramitação no Congresso 
Nacional, no dia 30 de abril de 2021 foi publicada a Lei n° 13.964, 
de 24 de dezembro de 2019, (BRASIL, 2019) visando o aperfei-
çoamento da legislação penal e processual, trazendo diversas 
alterações legislativas, entre as quais se destacam o aumento do 
limite máximo de cumprimento de pena de reclusão e detenção 
alterada para até 40 anos. 
Outro dispositivo legal bastante discutido diz respeito ao en-
rijecimento das normas relativas ao Sistema Penitenciário 
Federal (SPF), prevendo limitações à visitação dos custodia-
dos nas unidades penitenciárias federais. Isso porque, como 
veremos adiante, o sistema prisional em questão é destinado 
a abrigar lideranças criminosas que atuam dentro e fora dos 
presídios estaduais.
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Desse modo, a Lei n° 13.964 prevê que todas as visitas a cus-
todiados do SPF sejam realizadas sem contato físico, ou seja, 
em parlatórios; sendo monitoradas por áudio e vídeo, caso seja 
obtida autorização judicial do Juiz da Execução Penal Federal 
do estabelecimento. Além disso, todos os meios de comunica-
ção entre presos do referido sistema deverão ser monitorados, 
inclusive as correspondências.
O dispositivo legal também destaca que as visitas nos esta-
belecimentos penais federais deverão obedecer a critérios de 
agendamento, a exemplo do que deverá ocorrer com os presos 
submetidos ao Regime Disciplinar Diferenciado (RDD).
Como retomaremos adiante, apesar de ter normas rígidas, o Sistema 
Penitenciário Federal não se constitui em regime disciplinar diferenciado, 
mas em um estabelecimento prisional destinado a atender um público 
específico durante um prazo determinado. 
SAIBA MAIS 
Acesse a Lei n° 13.964 na íntegra, disponível em: http://www.
planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2019/lei/L13964.htm.
3.2 O organograma da Atividade de Inteligência no Brasil: aspectos 
ideais e factuais
O termo “inteligência” tem sido cada vez mais usual no mundo globali-
zado em que vivemos. Fala-se em inteligência estratégica, inteligência 
emocional, inteligência de segurança, inteligência financeira, inteligência 
organizacional etc.
Importa entender que o termo inteligência está diretamente relacionado 
a uma ação, que consiste em conhecer e compreender algo no intuito 
de resolver problemas e até mesmo de se antecipar a eles.
Nesse contexto, sabe-se que a Atividade de Inteligência existe desde 
tempos muitos remotos, sendo o texto bíblico rico em citações nas 
quais grandes lideranças mandavam conhecer os territórios; ou, ainda, 
como aponta Sun Tzu (2010) em “A Arte da Guerra”, aquele que conhece 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2019/lei/L13964.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2019/lei/L13964.htm
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