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Metabolismo de Lipídios 
DISCIPLINA: Bioquímica e Biologia Celular 
Professor: Dra Maria Luiza Carneiro Moura Gonçalves Rego Barros
As gorduras têm suas cadeias
"quebradas" no organismo pela ação
de uma enzima chamada lipase,
produzida pelo pâncreas.
3
Bile
4
• Bile, bílis ou suco biliar é um fluido produzido
pelo fígado (produz cerca de um litro de bile por
dia), e armazenado na vesícula biliar que atua
na digestão de gorduras através da ação da
lípase pancreática, uma enzima produzida pelo
pâncreas.
• O principal ácido que compõe a bile é o ácido
clorídrico porém ela inclui outros tipos de ácidos
com o objetivo de digerir os diferentes tipos de
lipídeos (gorduras).
A função principal da lipase é a quebra dos 
lipídios em substâncias simples (ácido graxo +
glicerol (álcool)). 55
56
Gorduras ingeridas 
na dieta
Vesícula biliar
Intestino
delgado
1. Os sais biliares 
emulsificam as gorduras, 
formando micelas mistas
2. As lipases intestinais 
degradam os triacilgliceróis
3. Os ácidos graxos são captados pelas 
células da mucosa intestinal e 
convertidos em triacilgliceróis 4. Os triacilgliceróis são incorporados nos
quilomícrons, juntamente com colesterol e
apolipoproteínas
Capilar
Mucosa 
intestinal
6. A lipase lipoprotéica 
ativada pela apoC-II no 
capilar libera ácidos 
graxos e glicerol
5. Os quilomícrons 
movem-se através do 
sistema linfático e da 
corrente sanguínea até os
tecidos
Quilomícron
7. Os ácidos graxos 
penetram nas células
Miócito ou
adipócito
Miócito ou 
adipócito
8. Os ácidos graxos são 
oxidados como combustíveis 
ou reesterificados para 
armazenamento
Metabolismo dos Lipídios: β-oxidação
LIPÓLISE
Degradação de Gorduras - Triacilglicerois
As gorduras estão concentradas nos adipócitos 
Triacilglicerois Ácidos Graxos + Glicerol
 LIPASES
Os ácidos graxos e o glicerol são liberados pela corrente 
sanguínea e são absorvidos por outras células 
(principalmente hepatócitos)
Ciclo de Krebs Corpos Cetônicos
Lipases
Triacilglicerol
Ácido Graxo
AcetoacetatoÁcido cítrico
Acetil-CoA
Glicerol
Gliceraldeído 3 P
Glicólise Gliconeogênese
Degradação de Triacilglicerois (Gorduras)
O glicerol é convertido em gliceraldeído-3 P, que é processado 
pela glicólise ou neoglicogênese.
Os ácidos graxos são oxidados a Acetil CoA que pode seguir o 
Ciclo de Krebs ou ser convertido em corpos cetônicos.
LEMBRETE
A maior parte da reserva energética do organismo encontra-se
armazenada sob a forma de triacilglicerídeos. Estes podem ser
hidrolisados por lipase à glicerol e ácidos graxos.
O glicerol é oxidado à diidroxiacetona fosfato. A
diidroxiacetona fosfato faz parte na sequência da glicólise. Esse
composto pode ser convertido em glicogênio no fígado e tecidos
musculares ou em ácido pirúvico, o qual entra no Ciclo de Krebs.
Já os ácidos graxos têm como “destino” a β-oxidação.
Glicerol + ATP Glicerol 3-fosfato + ADP
Glicerol 3-fosfato + NAD+ Dihidroxiacetona fosfato 
+ NADH + H + 
Dihidroxiacetona fosfato Gliceraldeído 3 fosfato
1
2
3
1
2
3
Glicerol quinase
Glicerol 3 fosfato desidrogenase
Triose fosfato isomerase
Conversão de glicerol em gliceraldeído-3 P
Beta-oxidação dos ácidos graxos
• É o processo pelo qual o ácido graxo é convertido em 
acetil-CoA para a entrada no ciclo de Krebs, acontece 
dentro da mitocôndria. Nesse processo a β-oxidação 
remove dois átomos de carbono da cadeia de ácido 
graxo. 
• Os ácidos graxos livres podem passar para dentro da 
célula por difusão simples pela membrana plasmática, 
porém não podem entrar livremente para o interior 
das mitocôndrias. A entrada dos ácidos graxos no 
interior das mitocôndrias requer primeiro a 
transformação dos ácidos graxos em acil-CoA.
Beta-oxidação dos ácidos graxos
• A membrana da mitocôndria é impermeável a acil-CoA. 
Para entrarem na mitocôndria estes reagem com um 
aminoácido "especial“ - a carnitina, liberando a 
coenzima A. A carnitina esterificada é transportada 
para dentro da mitocôndria por um transportador 
específico.
• A carnitina livre volta então para o citoplasma através 
do transportador. Neste processo não existe transporte 
de CoA para dentro da mitocôndria. As reservas 
citoplasmática e mitocondrial de CoA não se misturam.
Ciclo de Krebs Corpos Cetônicos
Lipases
Triacilglicerol
Ácido Graxo
AcetoacetatoÁcido cítrico
Acetil-CoA
Glicerol
Gliceraldeído 3 P
Glicólise Gliconeogênese
Ciclo de Krebs Corpos Cetônicos
Lipases
Triacilglicerol
Ácido Graxo
AcetoacetatoÁcido cítrico
Acetil-CoA
Glicerol
Gliceraldeído 3 P
Glicólise Gliconeogênese
Ciclo de KrebsCiclo de Krebs Corpos Cetônicos
Lipases
TriacilglicerolTriacilglicerol
Ácido GraxoÁcido Graxo
AcetoacetatoÁcido cítrico AcetoacetatoAcetoacetatoÁcido cítrico
Acetil-CoAAcetil-CoA
GlicerolGlicerol
Gliceraldeído 3 PGliceraldeído 3 P
Glicólise GliconeogêneseGlicólise Gliconeogênese
Na célula hepática, os ácidos graxos (de cadeia longa) são 
ativados para formar Acil-CoA (grupo de coenzimas que 
metabolizam os ácidos graxos - membrana mitocondrial 
externa)
Em seguida, são transportados para dentro da mitocôndria por 
um carreador – CARNITINA
Na mitocôndria ocorre a oxidação até Acetil-CoA
Metabolismo dos Ácidos Graxos
 
Ácidos Graxos de 
Cadeia Longa
Ativação
Transporte
Beta-oxidação
Ácidos Graxos de Cadeia Curta
(difundem-se pela membrana da 
mitocôndria)
Ativação do ácido graxo
Na membrana mitocondrial externa.
Ácido graxo + ATP + Co-A Acil-CoA + AMP + PPi
Acil-CoA sintetase
Carnitina é um derivado da Lisina. Encontrada na carne vermelha
Pessoas com baixos níveis de carnitina muitas vezes têm depósito de 
gordura nos músculos.
Ligação do Ácido Graxo à Carnitina na membrana 
mitocondrial interna
Acil-CoA + Carnitina Acil-Carnitina + CoA
Carnitina Acil transferase I e II
Membrana da Mitocôndria
Acil-CoA
CoA
Acil-CoA
CoA
Carnitina
Acil- Carnitina
A carnitina aciltransferase I é inibida pelo malonil-CoA.
O malonil-CoA é um intermediário da biossíntese de 
ácidos graxos.
A concentração de malonil-CoA é alta quando a 
biossíntese de ácidos graxos está acontecendo no 
citosol.
A biossíntese de ácidos graxos só ocorre quando 
houver excesso de glicídeos, de energia e escassez de 
ácidos graxos.
Assim, quando a síntese de ácidos graxos estiver 
ocorrendo, a degradação é inibida.
• A β-oxidação dos ácidos graxos consiste num ciclo de três 
reações sucessivas, idênticas a parte final do ciclo de 
Krebs. Por ação da enzima tiolase, libera-se acetil-CoA e 
um acil-CoA com menos dois carbonos que o acil-CoA 
original. A repetição do ciclo permite a degradação total 
de um ácido graxo de cadeia par em acetil-CoA, que pode 
entrar no ciclo de Krebs, onde é completamente oxidado 
a CO2; sendo assim é impossível utilizar acetil-CoA para 
produzir oxaloacetato.
Oxidação de Ácidos Graxos – Matriz Mitocondrial
Processo conhecido como -oxidação ou 
Ciclo de Lynen 
Na  -oxidação, os ácidos graxos originam acetil-
CoA. 
O processo envolve 4 etapas:
• Desidrogenação
• Hidratação
• Oxidação 
• Tiólise 
 
• Tiólise 
•Desidrogenação
•Hidratação
•Oxidação
Beta-oxidação
FADH2
NADH + H
Por exemplo, a beta-oxidação de um ácido graxo de 16 
Carbonos irá gerar 8 moléculas de Acetil CoA e 7 
moléculas de NADH e 7 moléculas de FADH2.
A cada ciclo de beta-oxidação, origina-se UMA 
molécula de Acetil CoA e tem-se a redução de UMA 
molécula de NAD+ e UMA molécula de FAD+.
Notar que a beta-oxidação de um ácido graxo de n 
Carbonos, originará 1/2 n moléculas de Acetil CoA, (1/2 n 
–1) moléculas de NADH e (1/2 n –1) moléculas de FADH2
Rendimento Energético da Oxidação do Ácido Palmítico 
(C16)
8 acetil-CoA
7 NADH
7 FADH2
Degradação de Ácidos Graxos
Ciclo de Krebs Corpos 
Glicólise Gliconeogênese
Corpos Cetônicos
Lipases
Triacilglicerol
ÁcidoGraxo
AcetoacetatoÁcido cítrico
Acetil-CoA
Glicerol
Gliceraldeído 3 P
Lipases
TriacilglicerolTriacilglicerol
Ácido GraxoÁcido Graxo
AcetoacetatoÁcido cítrico AcetoacetatoAcetoacetatoÁcido cítrico
Acetil-CoAAcetil-CoA
GlicerolGlicerol
Gliceraldeído 3 PGliceraldeído 3 P
Glicólise GliconeogêneseGlicólise Gliconeogênese
CICLO DE KREBS
O acetil-CoA formado pela Beta-oxidação dos ácidos 
graxos só entra para o Ciclo de Krebs se a 
degradação de lípides e carboidratos estiver 
equilibrada.
A entrada do acetil-CoA no ciclo de Krebs depende da 
disponibilidade de oxalacetato.
A concentração de oxalacetato diminui muito quando não 
há glicídeos disponíveis.
O oxalacetato é normalmente formado a partir do piruvato 
(produto final da glicólise em aerobiose), por ação da 
piruvato carboxilase.
No jejum prolongado e no diabetes, o oxalacetato entra para a 
gliconeogênese e não estará disponível para condensar com o 
acetil-CoA. 
Nestas condições, o acetil-CoA é desviado para a 
formação de corpos cetônicos.
Ketone bodies 
Ketone bodies are water soluble acetate derivatives. These derivatives include: 
 
 
Acetone Acetoacetate -Hydroxybutyrate 
 
O que são Corpos Cetônicos?
Ketone bodies 
Ketone bodies are water soluble acetate derivatives. These derivatives include: 
 
 
Acetone Acetoacetate -Hydroxybutyrate 
 
Corpos Cetônicos são derivados do Acetil-CoA
O fígado é o principal local de síntese de corpos cetônicos.
A produção de corpos cetônicos é um mecanismo importante de 
sobrevivência. 
A córtex adrenal e o músculo cardíaco utilizam corpos cetônicos 
(acetoacetato) preferencialmente como combustíveis celulares.
No jejum prolongado e no diabetes, o cérebro se adapta à utilização de 
corpos cetônicos como combustível celular.
Acetona não é utilizada pelo organismo e é expelida pelos pulmões 
Uma indicação que uma pessoa está produzindo corpos cetônicos é 
a presença de acetona em sua respiração. 
 
Pulmões
Acetoacetato e beta-hidroxibutirato podem ser convertidos 
novamente a acetil-CoA.
Corpos Cetônicos são produzidos em pequenas 
quantidades por pessoas sadias. 
A concentração no sangue de mamíferos normais é de 
cerca de 1 mg/dL.
A perda urinária no homem é de menos que 1 mg/24 horas. 
Em algumas condições como jejum ou diabetes, corpos 
cetônicos atingem altos níveis, acarretando cetonemia e 
cetonúria. O quadro geral é denominado cetose.
O ácido acetoacético e hidroxi-butírico são ácidos 
moderadamente fortes e precisam ser neutralizados.
A excreção urinária desses ácidos provoca acidez da urina.
Os rins produzem amônia para neutralizar esta acidez, 
resultando em diminuição da reserva alcalina e um quadro 
denominado “cetoacidose”.
REGULAÇÃO DO METABOLISMO DE 
TRIACILGLICERÓIS
DEGRADAÇÃO DE GORDURAS
Com baixa ingestão calórica ou glicemia baixa, ocorre 
liberação de Glucagon
Durante a atividade física ocorre liberação de Epinefrina
AMBOS HORMÔNIOS ESTIMULAM A DEGRADAÇÃO DE 
TRIACILGLICEROIS
Glucagon – TECIDO ADIPOSO
Epinefrina – MÚSCULO
Glucagon e Epinefrina promovem a degradação de triacilglicerois 
pela cascata do cAMP, fosforilando Lipases.
ATP
P
(
(
c AMP + PP
Ativação
roteina kinase Proteina kinase
inativa ) (ativa)
ATP
ADP
Lipase Lipase (P)
(inativa) (ativa)
Hormônio (epinefrina ou glucagon)
Adenilato ciclase
(ativa ) 
Adenilato ciclase 
(inativa)
ATP
P
(
(
c AMP + PP
Ativação
roteina kinase Proteina kinase
inativa ) (ativa)
ATP
ADP
Hormônio (epinefrina ou glucagon)
Adenilato ciclase
( ) 
Adenilato ciclase 
(inativa)
ATP
P
(
(
c AMP + PP
Ativação
roteina kinase Proteina kinase
inativa ) (ativa)
ATP
ADP
c AMP + PP
Ativação
roteina kinase Proteina kinase
inativa ) (ativa)
ATP
ADP
c AMP + PPc AMP + PPc AMP + PP
Hormônio (epinefrina ou glucagon)
Adenilato ciclase
( ) 
Adenilato ciclase 
(inativa)
Adenilato ciclase
( ) 
Adenilato ciclase 
(inativa)
Adenilato ciclase
(a ) 
Adenilato ciclase 
(inativa)
HORMONAL
Aumenta degradação de triacilglicerois
Insulina – é liberada quando a glicemia é ELEVADA
Promove a desfosforilação das Lipases
Portanto:
INIBE A DEGRADAÇÃO DE TRIACILGLICEROIS
HORMONAL
INIBE A DEGRADAÇÃO DE TRIACILGLICEROIS
ATP
P
(
(
c AMP + PP
Ativação
roteina kinase Proteina kinase
inativa ) (ativa)
ATP
ADP
Lipase Lipase (P)
(inativa) (ativa)
Hormônio (epinefrina ou glucagon)
Adenilato ciclase
(active) 
Adenilato ciclase 
(inativa)
ATP
P
(
(
c AMP + PP
Ativação
roteina kinase Proteina kinase
inativa ) (ativa)
ATP
ADP
Hormônio (epinefrina ou glucagon)
Adenilato ciclase
(active) 
Adenilato ciclase 
(inativa)
ATP
P
(
(
c AMP + PP
Ativação
roteina kinase Proteina kinase
inativa ) (ativa)
ATP
ADP
c AMP + PP
Ativação
roteina kinase Proteina kinase
inativa ) (ativa)
ATP
ADP
c AMP + PPc AMP + PPc AMP + PP
Hormônio (Insulina)
Adenilato ciclase
(active) 
Adenilato ciclase 
(inativa)
Adenilato ciclase
(active) 
Adenilato ciclase 
(inativa)
Adenilato ciclase
(active) 
Adenilato ciclase 
(inativa)
Proteínas Fosfatases
P
Lipogênese
Quando a concentração de glicose depositada no sangue ultrapassa
o seu limite máximo, seu excesso é removido pelo fígado, e este, o
armazena em seu interior sob a forma de glicogênio.
Por sua vez, quando em excesso, o glicogênio é quebrado pelo
fígado tendo seu excedente eliminado no sangue e,
consequentemente, a concentração de ácidos graxos na corrente
sanguínea será aumentada.
O excesso de ácidos graxos no sangue é removido pela pele, e esta,
o armazenará dentro de células dos adipócitos. Esse armazenamento
ocorrerá sob a forma de gordura.
Lipólise
A lipólise é exatamente o processo contrário da lipogênese.
Quando o sangue está com concentração de glicose abaixo do
normal, ele recebe glicose do fígado resultante da quebra do
glicogênio.
O fígado, por sua vez, para manter seu nível de glicogênio estável,
retira ácidos graxos do sangue, transformando-os em glicogênio.
Quando o sangue, que teve os ácidos graxos removidos pelo fígado,
chega até a pele, esta, quebra a gordura armazenada em seus
adipócitos e a introduz no sangue sob a forma de ácidos graxos.
Os fatores que influenciam a lipólise e a lipogênese são: ingestão
calórica, gasto energético, hormonal, fatores psicológicos, sócio-
familiares e hereditário.
É hora de praticar
36
É hora de praticar: 
Casos Clínicos
37
Caso Clínico Estético: Tratamento de Lipodistrofia Localizada com Foco na Bioquímica do 
Metabolismo de Lipídios
Paciente: Maria, 36 anos
Sexo: Feminino
Profissão: Gerente de Marketing
Queixa principal: Acúmulo de gordura localizada em regiões como abdômen, flancos e coxas, 
com presença de celulite e sensação de "pele flácida". Relata dificuldade em reduzir as 
medidas dessas áreas, apesar de manter uma dieta equilibrada e prática regular de 
atividades físicas.
38
História Clínica:
Maria é uma paciente saudável, com peso adequado para sua altura (IMC de 23), e relata ser 
ativa fisicamente, praticando corrida e musculação de 3 a 4 vezes por semana. No entanto, 
ela se queixa de um acúmulo persistente de gordura localizada, especialmente nas regiões 
do abdômen e flancos, o que a incomoda esteticamente. Ela segue uma dieta balanceada, 
com ingestão controlada de carboidratos e lipídios, mas notou que, após os 30 anos, a 
distribuição da gordura em seu corpo mudou, com uma maior acumulação em determinadas 
áreas.
Maria não apresenta comorbidades como diabetes, hipertensão ou dislipidemias. No 
entanto, ela tem histórico familiar de sobrepeso e resistência à insulina.
39
Exame Físico:
Peso: 68 kg
Altura: 1,67 m
IMC: 24,3 (dentro da faixa normal)
Circunferência abdominal: 80 cm
Circunferência coxas: 55 cm
Flancos: Notável acúmulo de gordura subcutânea.
Pelve: Pequena flacidez cutânea.
Celulite: Grau 2, com ondulação visível e palpadela.
40
Diagnóstico Estético:
Lipodistrofia localizada associadaa flacidez cutânea, com quadro moderado de celulite. O 
acúmulo de gordura parece ser resistente à redução mesmo com dieta e atividade física 
regulares, sugerindo uma possível alteração no metabolismo lipídico e distribuição dos 
adipócitos. A flacidez da pele pode estar relacionada à diminuição da síntese de colágeno e 
elastina com o envelhecimento.
41
Discussão Bioquímica do Metabolismo de Lipídios no Caso:
A bioquímica do metabolismo de lipídios desempenha um papel crucial no armazenamento e 
mobilização da gordura no corpo, e vários fatores hormonais e celulares podem afetar o 
processo de lipogênese (armazenamento de gordura) e lipólise (quebra de gordura).
1. Lipogênese e Acúmulo de Gordura:
O processo de lipogênese envolve a síntese de ácidos graxos a partir de carboidratos ou 
proteínas. Quando a ingestão calórica é excessiva, o organismo converte os nutrientes em 
triglicerídeos para serem armazenados no tecido adiposo. O armazenamento excessivo de 
gordura ocorre principalmente no tecido subcutâneo (como nos flancos e abdômen), devido 
à alta atividade da enzima lipoproteína lipase (LPL).
LPL (lipoproteína lipase): A LPL catalisa a hidrólise dos triglicerídeos nas lipoproteínas, 
liberando ácidos graxos que podem ser armazenados nos adipócitos. A atividade da LPL varia 
conforme a região do corpo, sendo mais intensa nas áreas de maior tendência ao acúmulo 
de gordura, como abdômen e coxas.
42
Efeito de hormônios: O estrogênio, que predomina nas mulheres, favorece o 
armazenamento de gordura em regiões específicas, como quadris, coxas e flancos. Isso 
ocorre porque o estrogênio pode aumentar a expressão de LPL nas regiões inferiores do 
corpo. Por outro lado, a insulina também desempenha papel importante na lipogênese, 
promovendo o armazenamento de ácidos graxos quando os níveis de glicose no sangue são 
elevados.
2. Lipólise e Mobilização de Gordura:
Em condições normais, o processo de lipólise, que envolve a quebra de triglicerídeos em 
ácidos graxos livres (AGL) e glicerol, é ativado durante o exercício e a restrição calórica. Este 
processo é regulado por enzimas como a hormônio-sensível lipase (HSL), que é ativada pela 
catecolamina (adrenalina) e pelo déficit energético.
Hormônio-sensível lipase (HSL): A HSL facilita a liberação de ácidos graxos dos adipócitos, 
mas sua atividade pode ser comprometida quando há resistência à insulina ou quando o 
corpo está em estado de excesso de gordura. No caso da Maria, é possível que haja uma 
desregulação no processo de lipólise, dada a dificuldade em perder gordura localizada, o que 
pode ser associado à resistência à insulina.
43
Resistência à Insulina: Em pessoas com resistência à insulina, os níveis elevados desse 
hormônio prejudicam a lipólise, já que a insulina inibe a HSL e favorece a lipogênese. Embora 
Maria não tenha um diagnóstico formal de resistência à insulina, seu histórico familiar sugere 
predisposição.
3. Impacto na Pele e Flacidez:
A flacidez da pele observada em Maria está intimamente relacionada à diminuição da síntese 
de colágeno e elastina, proteínas que dão firmeza e elasticidade à pele. Com o 
envelhecimento e a redução da atividade hormonal, especialmente a diminuição do 
estrogênio, há uma diminuição na produção dessas fibras, resultando em perda da firmeza 
da pele.
Além disso, o acúmulo de gordura subcutânea pode pressionar a estrutura da pele, levando à 
sua distensão e posterior flacidez. Isso também pode ser agravado pela perda de massa 
muscular devido à falta de estímulo adequado (atividade física).
44
4. Celulite e Alterações na Circulação:
A celulite, caracterizada pela alteração na estrutura do tecido adiposo, pode ser exacerbada 
por fatores hormonais, como os níveis elevados de estrogênio, que favorecem a retenção de 
líquidos e o acúmulo de gordura nas camadas mais superficiais da pele. Isso gera um quadro 
de irregularidade na superfície cutânea, com ondulações e nódulos, muito perceptíveis em 
áreas como coxas e glúteos.
Plano Terapêutico:
O tratamento de Maria deve ser multidisciplinar, combinando abordagens estéticas e 
metabólicas, com foco na modulação do metabolismo lipídico e melhoria da qualidade da 
pele.
45
1. Dietoterapia e Modulação Hormonal:
Ajustes na dieta: Recomenda-se uma dieta com redução de carboidratos refinados e 
aumento de gorduras saudáveis (ômega-3 e ômega-6) para ajudar a regular a resposta 
insulínica e favorecer a lipólise.
Suplementação de antioxidantes e aminoácidos: Como o colágeno é crucial para a firmeza 
da pele, pode-se sugerir a suplementação com peptídeos de colágeno e vitamina C, 
essenciais para a formação de colágeno e elastina.
46
2. Tratamentos Estéticos:
Lipocavitação: Para a redução da gordura localizada, a lipocavitação utiliza ultrassom para 
promover a quebra das células de gordura, favorecendo a lipólise.
Radiofrequência e Laser: Para estimular a produção de colágeno e melhorar a firmeza da 
pele, a radiofrequência pode ser indicada, além de tratamentos com laser para melhorar a 
aparência da celulite.
Massagem modeladora: Pode ser utilizada para melhorar a circulação sanguínea e linfática, 
ajudando na drenagem de líquidos e na redução de depósitos de gordura.
47
3. Exercícios Físicos e Estratégias de Treinamento:
Treinamento de resistência (musculação): Aumentar a massa muscular pode ajudar a 
melhorar a estética da pele, uma vez que músculos mais tonificados oferecem suporte à 
pele, minimizando a flacidez.
Treinamento intervalado de alta intensidade (HIIT): Para otimizar a lipólise e melhorar a 
queima de gordura.
48
Conclusão:
O tratamento de Maria deve focar em um equilíbrio entre a modulação do metabolismo 
lipídico (para reduzir a gordura localizada) e a melhoria da qualidade da pele. As abordagens 
estéticas, juntamente com mudanças na dieta e no treinamento, podem resultar em 
resultados eficazes para melhorar a aparência da gordura localizada, celulite e flacidez.
Esse caso exemplifica como a bioquímica do metabolismo de lipídios, incluindo a regulação 
hormonal e a resistência à insulina, desempenha um papel central na estética corporal e no 
tratamento de condições como a lipodistrofia localizada.
49
Referências Científicas
Nelson DL, Cox MM. Lehninger Principles of Biochemistry. 8th ed. New York: W. H. Freeman; 2021.
Murray RK, Bender DA, Botham KM, Kennelly PJ, Rodwell VW, Weil PA. Harper’s Illustrated Biochemistry.
32nd ed. New York: McGraw-Hill Education; 2021.
Gropper SS, Smith JL. Advanced Nutrition and Human Metabolism. 8th ed. Boston: Cengage Learning; 
2022.
Devlin TM. Textbook of Biochemistry with Clinical Correlations. 8th ed. Hoboken: Wiley-Liss; 2010.
Feingold KR, Anawalt B, Boyce A, et al. (Eds). Endotext [Internet]. South Dartmouth (MA): MDText.com, Inc.; 
2000
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	Slide 8
	Slide 9
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	Slide 11: Beta-oxidação dos ácidos graxos
	Slide 12: Beta-oxidação dos ácidos graxos
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	Slide 41: Diagnóstico Estético: Lipodistrofia localizada associada a flacidez cutânea, com quadro moderado de celulite. O acúmulo de gordura parece ser resistente à redução mesmo com dieta e atividade física regulares, sugerindo uma possível alteração no 
	Slide 42: Discussão Bioquímica do Metabolismo de Lipídios no Caso: A bioquímica do metabolismo de lipídios desempenha um papel crucial no armazenamento e mobilização da gordura no corpo, e vários fatores hormonais e celulares podem afetar o processo de li
	Slide 43: Efeito de hormônios: O estrogênio, que predomina nas mulheres, favorece o armazenamento de gordura em regiões específicas, como quadris, coxas e flancos. Isso ocorre porque o estrogênio pode aumentar a expressão de LPL nas regiões inferiores do
	Slide 44: Resistência à Insulina: Em pessoas com resistência à insulina, os níveis elevados desse hormônio prejudicam a lipólise, já que a insulina inibe a HSL e favorece a lipogênese. Embora Maria não tenha um diagnóstico formal de resistência à insulin
	Slide 45: 4. Celulite e Alterações na Circulação: A celulite, caracterizada pela alteração na estrutura do tecido adiposo, pode ser exacerbada por fatores hormonais, como os níveis elevados de estrogênio, que favorecem a retenção de líquidos e o acúmulo
	Slide 46: 1. Dietoterapia e Modulação Hormonal: Ajustes na dieta: Recomenda-se uma dieta com redução de carboidratos refinados e aumento de gorduras saudáveis (ômega-3 e ômega-6) para ajudar a regular a resposta insulínica e favorecer a lipólise. Suplemen
	Slide 47: 2. Tratamentos Estéticos: Lipocavitação: Para a redução da gordura localizada, a lipocavitação utiliza ultrassom para promover a quebra das células de gordura, favorecendo a lipólise. Radiofrequência e Laser: Para estimular a produção de colágen
	Slide 48: 3. Exercícios Físicos e Estratégias de Treinamento: Treinamento de resistência (musculação): Aumentar a massa muscular pode ajudar a melhorar a estética da pele, uma vez que músculos mais tonificados oferecem suporte à pele, minimizando a flacid
	Slide 49: Conclusão: O tratamento de Maria deve focar em um equilíbrio entre a modulação do metabolismo lipídico (para reduzir a gordura localizada) e a melhoria da qualidade da pele. As abordagens estéticas, juntamente com mudanças na dieta e no treiname
	Slide 50: Referências Científicas
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