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5 O USO DAS TICs PARA O ENSINO DA LITERATURA E A FORMAÇÃO DO LEITOR: DESAFIOS E POSSIBILIDADES MELO, Alvieli Caetano, RU: 2416920 SOBRENOME, Nome do orientador RESUMO Este artigo discorre sobre as principais dificuldades para o ensino da literatura e formação do leitor, diante de uma sociedade amplamente influenciada pelo uso dos recursos tecnológicos. O objetivo aqui é destacar os principais eixos do problema, permitindo assim uma abordagem geral que possibilite ao docente de língua portuguesa, compreender melhor a questão, tendo em vista diferentes pressupostos relacionados ao tema. A pesquisa foi realizada por meio da revisão bibliográfica de artigos, produções científicas, pesquisas e documentos. Considerando os principais autores, teorias e concepções, de cada área. O estudo foi pautado numa perspectiva qualitativa, não focando em dados estatísticos, mas em abordagens crítico-reflexivas. A leitura e a literatura são elementos correlatos e fundamentais no ensino-aprendizagem da língua, pois influenciam a aprendizagem, proporcionam o letramento, favorecem a criticidade, a oralidade e as habilidades comunicativas e interpretativas, além de outras competências cognitivas. O uso cada vez mais frequente das TICs, representa um desafio para o ensino da literatura e da leitura, pois as práticas tradicionais já não cabem na realidade contemporânea. É fundamental que os professores reflitam, debatam e se aprofundem constantemente nestes tópicos, para ressignificar e repensar suas práticas. A partir dos apontamentos realizados, percebe-se que a superação do problema não é algo simples. Os pontos sublinhados no trabalho, permitem que o docente tenha uma visão geral da questão, e a partir daí, possa construir novos saberes, buscar novas formas de trabalho e, principalmente, que conheça melhor os conceitos envolvidos e as novas realidades trazidas pelo avanço tecnológico. Palavras-chave: Literatura. Leitura. Aprendizagem. Tecnologia. 1. INTRODUÇÃO Este artigo tem como objetivo trazer informações, análise bibliográfica e considerações relevantes, a fim de destacar os principais tópicos sobre o ensino da literatura e a formação do leitor, na sociedade marcada pela influência da tecnologia. Produzindo assim, reflexões sobre, como a inserção das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) impactam no ensino aprendizagem da língua portuguesa. Além de destacar as contribuições e desafios que os recursos tecnológicos podem trazer para o trabalho docente e, ao processo de ensino-aprendizagem como um todo. Sabemos que pedagogia e docência precisam constantemente evoluir e reformular-se, adaptando-se às transformações sociais que decorrem no tempo. As concepções de aprendizagem sempre acompanham o momento histórico e cultural em que vivemos. Os valores, a cultura, e as transformações econômicas e sociais influenciam diretamente na vida e na formação dos sujeitos, e logo na forma de aprender e relacionar-se com o mundo. Hoje vivemos uma era digital, marcada pelo uso cada vez maior dos recursos tecnológicos em todos os campos da vida humana, e com um acesso a um grande volume de informações, de forma extremamente rápida e cumulativa. Seja no trabalho, na escola, na família ou nos grupos de interação social a tecnologia está cada vez mais forte, especialmente pelas facilidades e possiblidades que apresenta. Recursos cada vez mais avançados como a inteligência artificial, representam oportunidades múltiplas para diferentes grupos, em diferentes condições. Nunca foi tão fácil ter acesso a informações e interagir com o mundo. Diante disso, o professor de Língua Portuguesa, especialmente no Ensino Fundamental II e Médio, se depara com novos desafios: promover o hábito da leitura, o apreço literário e o letramento dos alunos numa sociedade tecnológica onde as formas de ensinar, de ler e interagir estão em constante transformação. Diante disso e do fato de que a literatura e a pratica social da leitura são instrumentos fundamentais para a aprendizagem e para o desenvolvimento do pensamento e da criticidade. Considerando ainda que estes elementos, por sua vez, são peças-chaves na transformação social; o presente artigo busca por meio da revisão bibliográfica, comparar e relacionar diferentes conceitos, com o objetivo de produzir um material teórico que permita a reflexão e elucidação da problemática. Permitindo assim, que o docente e a escola reflitam e busquem transformar suas práticas, no que se refere ao ensino da literatura e as práticas de leitura na escola. 2. LITERATURA, FORMAÇÃO DO LEITOR E TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO De acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), 2017 é responsabilidade da disciplina de Língua Portuguesa e consequentemente do docente deste componente curricular, favorecer aos estudantes experiências que favoreçam os letramentos através de vivências de situações sociais marcadas pelo uso da língua. Nesse sentido, sabemos que a literatura é algo indispensável quando pensamos em práticas de leitura, formação do leitor e letramento literário. O documento estabelece, entre as dez competências de língua portuguesa para o ensino fundamental, o seguinte: 9. Envolver-se em práticas de leitura literária que possibilitem o desenvolvimento do senso estético para fruição, valorizando a literatura e outras manifestações artístico-culturais como formas de acesso às dimensões lúdicas, de imaginário e encantamento, reconhecendo o potencial transformador e humanizador da experiência com a literatura. 10. Mobilizar práticas da cultura digital, diferentes linguagens, mídias e ferramentas digitais para expandir as formas de produzir sentidos (nos processos de compreensão e produção), aprender e refletir sobre o mundo e realizar diferentes projetos autorais. (BNCC. 2017, p.87) Percebemos aí, o destaque para as práticas envolvendo a literatura e o uso e apropriação da cultura digital. É importante pontuar aqui que a BNCC traz estes dois elementos enquanto competências, pois ambos são objetivos para aprendizagem da língua portuguesa. De um lado temos a literatura enquanto ferramenta pedagógica rica de possibilidade e benefícios, de outro vemos a questão da cultura digital e tecnológica, fator intrínseco ao mundo contemporâneo. A partir daí, e considerando também que a BNCC é nosso parâmetro curricular atual, pensado, planejado e construído com a participação da diversidade de profissionais que atuam na educação brasileira e a partir da pluralidade dos diversos contextos do nosso país; observamos que literatura e a tecnologia são dois tópicos fundamentais quando refletimos sobre o ensino e aprendizagem de língua portuguesa, sobre as práticas de leitura e a formação do leitor. O minidicionário Houaiss (2010, p. 482) define a literatura como: “arte da utilização estética da linguagem, especialmente a escrita.; conjunto de obras literárias pertencentes a um país, época etc...” (HOUAISS, 2010. p. 482) De acordo com as principais definições acima, notamos que a literatura possuí, ao mesmo tempo, um viés artístico, cultural, estético e histórico. Através do uso dos recursos da língua, a literatura expressa sentimentos, emoções, valores, crenças e ideologias, utilizando como plano de fundo os contextos e problemas sociais de cada época. Daí a importância do ensino da literatura na escola, pois ela traz consigo uma riqueza de saberes e oportunidades em suas entrelinhas. Ela se configura como prática de leitura do ponto de vista técnico, uma vez que demanda a decodificação dos símbolos linguísticos; e como ato de letramento social, onde o leitor tem a possibilidade de usar a língua como meio para conhecer, entender e refletir sobre questões socioculturais explícitas e implícitas no texto literário. Souza (2003) corrobora essas afirmações e entende que a obra literária pode ser carregada de subjetividade, pois traz a pessoalidade do autor; pode ser também objetiva ao apresentar fatos históricos, além de discutir as relações sociais no tempo e no espaço.Sobre isso, Souza (2003) afirma que a palavra literatura tem dois significados históricos principais. São eles: 1. até o século XVIII, a palavra mantém o sentido primitivo de sua origem latina — litteratura —, significando conhecimento relativo às técnicas de escrever e ler, cultura do homem letrado, instrução; 2. da segunda metade do século XVIII em diante, o vocábulo passa a significar produto da atividade do homem de letras, conjunto de obras escritas, estabelecendo-se, assim, a base de suas diversas acepções modernas. (SOUZA, 2003. p. 40-41) Na visão dele a produção literária está intimamente ligada as vivências do homem em sociedade, ao uso e apropriação da linguagem, e a cultura onde o indivíduo está inserido. Ensinar literatura na escola representa um desafio para muitos educadores, especialmente no contexto contemporâneo, onde os recursos digitais crescem e ganham espaço a cada dia. Lima e Lopes (2015) destacam o potencial transformador da literatura. Para elas, a literatura se caracteriza como uma ferramenta cheia de possibilidades, que permite ao leitor o desenvolvimento e ampliação das suas capacidades cognitivas, além de aguçar o senso crítico, contribuir para as habilidades comunicativas, escritas e interpretativas do aluno. Por isso, é fundamental que a escola trabalhe o texto e a produção literária com as crianças desde cedo. Porém, esse é um problema que a escola precisa enfrentar, buscando novos meios para atrair o prazer literário aos alunos, pois o trabalho com a literatura é essencial para formação do leitor crítico, uma vez que ela permite ao discente ampliar horizontes, conhecer o passado para compreender o presente, decifrar e interpretar construções e significações sociais. Gonçalves Filho (2000) apud Martins (2009) destaca que: É necessário que o aluno compreenda a literatura como fenômeno cultural, histórico e social, instrumento político capaz de revelar as contradições e conflitos da realidade. Ao trabalhar a leitura literária, o professor pode orientar os alunos para a função ideológica dos textos literários, na medida em que “antes de se transformar em discurso estático, subverter a ordem provável da língua para alcançar determinados efeitos de comunicação, a literatura ‘se alimenta’ na fonte de valores da cultura”. GONÇALVES FILHO, 2000. p. 104 apud MARTINS, 2009. p. 90) Dessa forma, o professor precisa rever sua didática, experimentar e buscar novos recursos e metodologias e, principalmente conhecer seu alunado. Ser capaz de conversar com os estudantes, de modo a entender sua realidade. Pois, é somente a partir do momento em que o docente é capaz de se colocar no lugar do aluno, procurando entender o meio em que ele vive e a forma como pensa, que poderá refletir sobre novas formas e estratégias para despertar o apreço literário. Para isso, algumas reflexões são necessárias. O professor necessita de fundamentação e formação, para adaptar-se as novas demandas que emergem cada vez mais rápido. Além das necessárias reflexões acerca do ensino da literatura, temos que considerar também as dificuldades de leitura e a falta de hábito entre os discentes. Culturalmente no Brasil, a leitura não é vista como uma pratica essencial por boa parte dos grupos sociais. Para pensar e discutir o ensino da literatura faz-se necessário pontuar também as dificuldades de leitura e colocar em pauta o desenvolvimento de habilidades leitoras dos alunos. Quando tratamos de leitura, estamos nos referindo aqui ao exercício de linguagem, as práticas do uso social da língua e não a uma mera decodificação simbólica. Ipiranga (2019) destaca que o ensino da literatura está diretamente atrelado a função de formar leitores competentes e habilidosos. A literatura fornece ao aluno e professor um leque de possibilidades dentro e fora da sala de aula, possibilidades essas que transcendem ao currículo. Para Martins (1994), existe um conflito entre os conceitos de leitura. Segundo a autora há duas concepções mais comuns sobre a leitura: 1- Como uma decodificação mecânica de signos linguísticos, por meio de aprendizado estabelecido a partir do condicionamento estímulo-resposta (perspectiva behaviorista-skinneriana); 2- Como um processo de compreensão abrangente, cuja dinâmica envolve componentes sensoriais, emocionais, intelectuais, fisiológicos, neurológicos, bem como culturais, econômicos e políticos (perspectiva cognitivo-sociológica). (MARTINS, 1994. p. 31) A BNCC estabelece a leitura como tema principal para aprendizagem da Língua Portuguesa. De acordo com o documento, é a partir das práticas de leitura, ou seja, das práticas de letramento, que o aluno poderá ampliar seus conhecimentos tanto na Língua Portuguesa, quanto em outras áreas do conhecimento. Algumas das contribuições da leitura segundo o documento, são: [...] a aprendizagem da decodificação de palavras e textos (o domínio do sistema alfabético de escrita), o desenvolvimento de habilidades de compreensão e interpretação de textos verbais e multimodais e, ainda, a identificação de gêneros textuais, que esclarecem a contextualização dos textos na situação comunicativa, o que é essencial para compreendê-los. (BRASIL, 2017, p. 64) A partir das considerações sobre a importância da leitura, os educadores precisam urgentemente rever suas práticas, começando por estabelecer um novo olhar sobre as práticas de leitura e buscando identificar as principais causas das dificuldades e desinteresse dos alunos. O contexto e a organização social são fatores que contribuem significativamente para o desprestígio da leitura na sociedade, e consequentemente a falta de interesse por adultos, famílias e crianças. A desvalorização inicia, muitas vezes no mundo do trabalho, passando pelo avanço tecnológico, pela influência das mídias sociais e pelas mudanças cada vez mais rápidas nos estilos de vida da população. INAF (2016). De acordo com a Pesquisa Retratos do Brasil, Failla (2016) embora a tecnologia favoreça o acesso aos textos literários, ela não garante a proficiência dos leitores. Além disso, o estudo ainda aponta que os maiores índices de leitores estão concentrados entre a população estudantil, principalmente no ensino fundamental e ensino superior, sofrendo queda no final do ensino médio. Temos duas constatações importantes a partir daí: primeiro, a escola e as instituições de ensino possuem um papel fundamental no que diz respeito ao estímulo e aprendizagem das práticas de leitura, pois são os espaços que mais se preocupam e favorecem o acesso ao livro; por outro lado, fica o questionamento: se na escola e na educação superior o índice de leitores é mais elevado, por que estes índices não se mantêm com o tempo? Porque, fora das instituições de ensino ou no final da vida escolar, a população leitora diminui? Diversas são as causas deste problema. Desde a desvalorização do livro, até as dificuldades de leitura e aprendizagem da língua, carregadas muitas vezes desde as séries iniciais. Somando ainda, os fatores socioeconômicos, culturais, ambientais e a relação com o mundo do trabalho. O mercado agroindustrial, por exemplo, ainda tende muitas vezes a focar na força de trabalho técnico, que representa mão de obra barata e fácil de encontrar, sem prezar pelo desenvolvimento intelectual do operário. Smerman e Paiva (2016) As práticas letradas são experimentadas em diferentes contextos da vida. Nos espaços sociais, família, escola, igreja e trabalho. Mesmo que determinado segmento do mercado de trabalho ou da sociedade trate a questão com indiferença, é dever da escola proporcionar aos alunos vivências e práticas pedagógicas que permitam ao aluno exercitar e compreender a importância da leitura dentro do contexto cotidiano. Temos, portanto, dois eixos do problema até o momento. As dificuldades em relação ao ensino da literatura, bem como sua importância para aprendizagem. E o desinteresse pela leitura e os desafios da formação do leitor. Para refletir, pontuar e buscar alternativas para superação destes problemas,é fundamental considerar também alguns pontos que interferem diretamente sobre ambos. Um deles é a globalização e a influência das TICs no modo de vida da sociedade. O avanço tecnológico nos diversos setores, especialmente nas últimas décadas, trouxe questionamentos sobre os modos de ensinar e de aprender. A chegada de recursos informatizados e a facilidade de acesso e conectividade cada vez maiores, entre os alunos, desafiam constantemente o professor e a escola. Além disso, novos conceitos e terminologias passam a circular entre a literatura pedagógica. Ciberespaço, cibercultura, TICs e softwares, são alguns deles. Segundo Pierre Lévy (1999), o ciberespaço pode ser entendido como “o novo meio de comunicação que surge da interconexão mundial de computadores” LÉVY, 1999, p. 17). O ciberespaço configura-se, dessa forma, como um novo espaço de comunicação e interação coletiva e global. Um ambiente virtual, onde a informação e a comunicação ganham mais velocidade e podem ser exercidas de diferentes formas. Para o autor, a cibercultura é um conceito que surge em consonância com o de ciberespaço. A cibercultura pode ser entendida como: “conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de práticas, de atitudes, de modos de pensamento e de valores que se desenvolvem juntamente com o crescimento do ciberespaço”. (LÉVY, 1999, p. 17/18) A partir das considerações de Lévy (1999), percebemos que os alunos são profundamente influenciados pela cibercultura. Carregam consigo também, valores da família e do meio social onde vivem. Porém, não devemos esquecer que as estruturas sociais são igualmente marcadas e transformadas pelo avanço tecnológico. O que significa que o desenvolvimento digital é algo irrefutável tanto para a escola quanto para as diferentes organizações da sociedade civil. O mundo, a cultura e as ferramentas tecnológicas fazem parte da nossa vida, independente de termos ou não acesso a determinados recursos. Pois, eles estão inseridos na sociedade e impactam a vida cotidiana de cada um, direta ou indiretamente. Para Santos e Silva (2011), a globalização e as novas tecnologias forjaram uma nova cultura, que está em constante movimento. Isso, requer de todos os eixos da sociedade uma adaptação quanto aos modos de relacionar-se, de trabalho, de ver e compreender o mundo, de comunicação e de aprendizagem. A partir da expansão das tecnologias eletrônicas de comunicação e informação, a sociedade atual adquiriu novas maneiras de viver, de trabalhar, de se organizar, de representar a realidade e de se fazer educação. Isso significa dizer que as mudanças que vêm ocorrendo nos modos de produção de bens materiais no mundo globalizado refletem em todos os setores da cultura e da subjetividade (SANTOS; SILVA, 2011, p. 362). Diante desse cenário, percebemos o quão urgente e necessário é repensar as práticas de ensino nas escolas. Entendendo aqui o verbo “repensar” como uma ação contínua e inacabada, pois o avanço da cibercultura e da tecnologia é constante, o que significa que o desafio do trabalho docente será permanente. Não há, portanto, uma solução única ou definida para o problema. A escola precisa encarar os fatos, diagnosticar sua realidade e buscar meios para enfrentar e superar os desafios. Sobre o ensino da literatura e da leitura, o professor de Língua Portuguesa, têm de entender o mundo onde os alunos vivem; a forma como se comunicam e interagem; os efeitos da tecnologia nas suas vidas, perspectivas e relações; e principalmente por que os recursos e mídias digitais despertam neles tanto interesse. Vygotsky (1991) em seus estudos sobre os processos de aprendizagem, atribui especial importância ao papel da interação social. De acordo com o autor, o desenvolvimento das habilidades cognitivas e intelectuais ocorre através da mediação realizada pelas vivências socioculturais do indivíduo. Nesse sentido, ele afirma que: Podem-se distinguir, dentro de um processo geral de desenvolvimento, duas linhas qualitativamente diferentes de desenvolvimento, diferindo quanto a sua origem: de um lado, os processos elementares, que são de origem biológica; de outro, as funções psicológicas superiores, de origem sociocultural. A história do comportamento da criança nasce do entrelaçamento dessas duas linhas. (VYGOTSKY,1991, p.34). Percebemos então, que o desenvolvimento é um processo biológico e sociocultural. Que ocorre de forma interna, com transformações biológicas, mas sob influência de fatores internos, como o núcleo familiar, o contexto social onde o indivíduo está inserido e os valores sociais que seu grupo compartilha. Segundo a teoria do socio-construtivismo, proposta pelo autor, as funções cerebrais e psicológicas se desenvolvem através de uma inter-relação entre a cultura, a linguagem e a interação social. Num processo dialógico entre os elementos. Para Vygotsky (1991), a aprendizagem é um processo, e ocorre principalmente por meio da interação, da prática social. Dessa forma, quando analisamos a realidade contemporânea, entendemos que o conceito de interação social e comunicação está diferente e ainda mais complexo, especialmente com o uso cada vez mais frequente e multifacetado das TICs. As gerações vêm surgindo em meio a um avanço tecnológico cada vez mais crescente. Os recursos disponíveis estão se transformando e atualizando constantemente, e a sociedade precisa adaptar-se a cada nova mudança. Portanto, as crianças e adolescentes hoje possuem diferentes formas de brincar, relacionar-se, interagir e comunicar-se. Eles nascem e crescem em um mundo tecnológico e acelerado. A interação nesse contexto, ganha novas formas e concepções. A própria linguagem e a percepção de mundo das crianças e adolescentes são influenciadas pelo avanço das TICs. Embora desafiadores, estes são aspectos que precisam ser considerados no planejamento do trabalho pedagógico da escola, pois partindo do ponto de vista de Vygotsky, a aprendizagem se desenvolve na prática concreta e na interação, e considerando que a cultura digital atinge o mundo e o modo de vida da maior parte dos alunos, ainda que indiretamente. Pensando no ensino da leitura e da literatura, tanto as colocações de Vygostky, quanto a problemática das TICs e a questões relacionadas à aprendizagem, são fundamentais para o embasamento do trabalho pedagógico do professor. A leitura e a literatura são práticas de linguagem essencialmente sociais, dialógicas e relacionais. Que possibilitam o conhecimento e a conexão com o mundo, a história e a cultura. Além do uso da língua enquanto pratica comunicativa elementar. As TICs, por sua vez, são parte da realidade da sociedade globalizada. De diferentes formas, ela está inserida na sociedade e reflete ou interfere nas formas de comunicação, relação, trabalho e lazer. Assim, a escola precisa realizar um diagnóstico da realidade, basear-se em pressupostos teóricos, estabelecer objetivos concretos, para então traçar estratégias de trabalho que permitam a evolução, o letramento e aprendizagem dos alunos. No que diz respeito às tecnologias, é preciso reconhecer que elas apresentam múltiplas possibilidades para o trabalho docente, uma vez que favorecem e estimulam habilidades cognitivas nos jovens que tem acesso a estes recursos, conforme pontua Cosenza (2011): É difícil dizer quais as principais diferenças ocorridas nos últimos anos com o advento das tecnologias, mas podemos observar, por exemplo, que é necessário um melhor processamento das informações e da atenção visuais para interagir com equipamentos eletrônicos, como a televisão e o computador. A coordenação visuo-motora também se alterou, pois os jovens manipulam tais aparelhos desde cedo e tornam-se muito hábeis no uso de teclados de computadores e celulares ou joysticks de videogames. A memória operacional, que mantém as informações na consciência enquanto realizamos uma tarefa, parece ter igualmente melhorado, visto que os jovens envolvem-se em tarefas múltiplas com mais facilidade. Portanto, é razoável afirmar que os circuitoscerebrais que lidam com essas habilidades foram modificados e tornaram-se mais eficientes entre os nativos digitais. (COSENZA, 2011. p. 16-17) As TICs fazem parte da realidade moderna. É impossível pensar na sociedade atual, sem os recursos tecnológicos e a multiplicidade de informações que circulam a cada minuto. Entretanto, a escola precisa compreender que, ao mesmo tempo em que os dispositivos e recursos digitais e informatizados oportunizam situações de aprendizagem interessantes, instigantes e mais próximas da realidade social, estes recursos também têm trazidos alguns problemas para a vida de crianças e adolescentes, como a aceleração do desenvolvimento da criança, que muitas vezes, devido o acesso mais rápido às TICs, acaba adiantando alguns processos cognitivos. Andrade e Macedo (2017). Entre eles, a capacidade de pensar de forma abstrata e formal, e isso sem ainda ter estabelecido uma estrutura emocional e psicológica adequada. Os autores destacam ainda que: O uso dos computadores tornou-se universal, é necessário ensinar tanto o que eles são como a usá-los em aplicações de utilidade geral, mostrando quais benefícios e malefícios que trazem à sociedade e aos indivíduos. Alguma das influências prejudiciais dos computadores é a quantificação e empobrecimento da informação de qualquer dado processado por eles, só podem ser compreendidas se houver um conhecimento de sua estrutura interna. As escolas tem ignorado o foco de ensinar o que é um computador e esclarecer os males que ele causa e tem empregado para ensinar o uso de software de aplicação em geral, para acessar internet e como ferramenta de ensino em outras disciplinas. (ANDRADE e MACEDO, 2017. p. 15) Nesse sentido, Moreira (2010) salienta ainda o seguinte: As crianças estão deixando de se relacionar com outras crianças, limitam o seu espaço de brincadeiras à frente do computador, o aspecto "criança tem que brincar" perde-se em meio a tantos jogos e as maravilhas que a Internet proporciona. Porém se a criança sabe diferenciar a hora de brincar da hora de viver e acima de tudo não "viciar" os computadores devem ser aliados dos pais e professores na hora de educar, pois o raciocínio torna-se mais rápido e perceptivo, mas a nossa realidade é outra. (MOREIRA, 2010. p. 42). Vemos então, que embora as TICs oportunizem o desenvolvimento de habilidades diversas e estimulem os alunos, elas também têm afetado a saúde mental e emocional de adolescentes, especialmente pelo acesso muitas pré-maturo e descontrolado à tecnologia. Novamente a escola depara-se com um dilema. Ignorar o uso e acesso às TICs é algo que vai contra e realidade da sociedade contemporânea. Por outro lado, os mesmos recursos que tem proporcionado aprendizagens significativas, tem afetado a vida do alunado, na dimensão psicológica e até mesmo na dimensão familiar e nas relações humanas. Como já destacado, a tecnologia impacta não só a educação, mas o modo de vida da sociedade como um todo. Exatamente por esse motivo, a escola precisa de um olhar global sobre a questão. Sobre isso, Moreira (2010) reforça também, que a era digital traz mudanças e informações de forma muita rápida. E os sujeitos, muitas vezes não estão preparados para lidar com isso. Temos hoje um potencial de integração humana sem limites que ao mesmo tempo em que sugere a queda de barreiras, posturas e limites de qualquer gênero, no entanto, a velocidade com que a humanidade vem se tornando cada vez mais integrada, é a mesma com que se perde o contato físico e o convívio social, como resultado dessas mudanças, todo o estilo de vida humano está passando por um processo enorme de transformação. (MOREIRA, 2010. p 9) Pensando mais objetivamente no ensino da literatura e da leitura, notamos que todas essas questões se configuram em desafios para o professor, uma vez que a ideia de leitura não pode mais ser vista como um mero processo de decodificação de códigos. Com um emaranhado de informações e recursos disponíveis, os jovens precisam saber lidar com a velocidade e multiplicidade das informações, desenvolver um senso crítico e investigativo, e principalmente, compreender as situações comunicativas diversas, inclusive e especialmente àquelas executadas por meios tecnológicos. E tudo isso, sem esquecer dos riscos e problemas que a evolução tecnológica carrega. A escola enquanto instituição social, precisa reconhecer que possui a responsabilidade de conscientizar seu alunado sobre os riscos que as TICs podem carregar, além de identificar possíveis sinais de que os alunos estão sofrendo questões emocionais, entre outros problemas, pelo uso e convívio exacerbado com o mundo digital. Logo, o trabalho pedagógico para o ensino da literatura e das habilidades de leitura, é algo muito mais complexo e que ultrapassa as questões curriculares. Pedagogos e corpo docente precisam ampliar seus olhares e entender que os problemas que afetam ou interferem na aprendizagem desses aspectos, muitas vezes ultrapassam os muros da escola. A formação continuada é, portanto, algo essencial para o sucesso do aluno e do trabalho do professor de Língua Portuguesa. Sem constante diálogo, pesquisa, reflexão e trocas de experiências, o professor tende a ficar limitado as preocupações sistemáticas do cotidiano escolar. Para Silva e Petroni (2011), a formação continuada deve confrontar o professor com diversas problemáticas, especialmente àquelas que estão implícitas ao dia a dia da sala de aula. Ela tem de abordar as questões e preocupações curriculares, mas com um olhar voltado para dimensões que extrapolam o contexto escolar. Daí a importância das escolas e sistemas de ensino fortalecerem e valorizarem a formação continuada de seus profissionais. Não uma formação apenas com cumprimento de protocolo, mas numa perspectiva qualitativa. Sobre isso, as autoras destacam que: “... a formação continuada, que está associada ao processo qualitativo de práticas formativas e pedagógicas do professor, passa a adotar como referências as dimensões coletivas das práticas, contribuindo para a autonomia e para a consolidação da profissão docente. Nessa perspectiva, o professor é capaz de construir o conhecimento pedagógico a partir do cotidiano escolar, desenvolvendo, assim, uma prática transformadora e um processo contínuo de reflexão na e sobre a ação.” (SILVA e PETRONI, 2011. p. 161) A formação continuada, nesse sentido, se caracteriza como espaço e tempo apropriados para a reflexão, a crítica e a construção de novos saberes compartilhados. Ela deve emergir da realidade da sala de aula, e ser construída com a participação ativa do corpo docente e das necessidades educacionais concretas. Furlanetto (2008) reforça essas afirmações e afirma que o foco da formação continuada não deve ser a correção de déficits da formação inicial dos professores, mas os problemas que infligem a escola e aprendizagem dos alunos. Para ela, “o professor é o alvo errado; o alvo correto seria a escola como instituição e as políticas que sobre ela incidem [...]”. (FURLANETTO, 2008, p. 308) A autora pontua também que o professor deve buscar a formação e atualização acadêmica, mas que cada tipo de formação possuí caráter e especificidades próprias. A formação de professores, por outro lado, também apresenta problemáticas e pontos que precisam ser discutidos. Porém, não é objetivo deste trabalho aprofundar tais tópicos. A formação continuada dos profissionais do magistério, e especialmente aqui, os licenciados em Língua Portuguesa, precisam receber propostas de reflexão-ação que contemplem os problemas onde estão inseridos. Que partam do contexto e das situações-problemas reais, enfrentadas por eles e pelos alunos, no cotidiano escolar. 2.1 METODOLOGIA O presente estudo trata-se de uma pesquisa científica, de revisão bibliográfica, cujo objetivo é apontar e evidenciar os principais pontos que interferem ou refletem sobre o problema proposto, no caso, as dificuldades em relação ao ensino e aprendizagem da leitura e literatura na escola.Especialmente no Ensino Fundamental II e Ensino Médio. Para Praça (2015), a pesquisa científica consiste num processo de construção do conhecimento, baseado na produção acadêmica e literária disponível sobre o tema. Segundo a autora: A metodologia científica é capaz de proporcionar uma compreensão e análise do mundo através da construção do conhecimento. O conhecimento só acontece quando o estudante transita pelos caminhos do saber, tendo como protagonismo deste processo o conjunto ensino/aprendizagem. Pode-se relacionar então metodologia com o “caminho de estudo a ser percorrido” e ciência com “o saber alcançado”. (PRAÇA, 2015. p. 73) Este trabalho foi realizado segundo os critérios da pesquisa de revisão bibliográfica com abordagem qualitativa . Ele foi elaborado através da pesquisa, leitura e reflexão dos principais artigos e produções de autores sobre o tema e sobre os tópicos mais importantes relacionados a este. Os apontamentos realizados aqui, foram produzidos a partir de estudos sobre cada eixo que poderia estar, direta ou indiretamente, relacionado com o problema. A abordagem qualitativa compreende técnicas como: análise ou a realização de pesquisas; a leitura e interpretação da literatura e das teorias abordadas, segundo a perspectiva e olhar de diferentes pesquisadores; a definição dos processos e procedimentos para construção e conexão das ideias; entre outros. Jardim e Pereira (2009), destacam, em relação à pesquisa qualitativa, o seguinte: Um fundamento teórico da pesquisa do tipo qualitativa é a fenomenologia, que busca compreender o significado que os acontecimentos têm para pessoas comuns, em situações particulares, enfatizando-se a importância da interação simbólica e da cultura para a compreensão do todo. (JARDIM e PEREIRA, 2009. p. 3) Para as autoras, a pesquisa qualitativa ocorre dentro de uma perspectiva mais ampla, e seu objetivo não é necessariamente produzir um levantamento de dados ou uma resposta definida, mas permitir novas reflexões acerca da questão investigada. Jardim e Pereira (2009) apud Turato (2005) salientam ainda que “...as pesquisas que utilizam o método qualitativo devem trabalhar com valores, crenças, representações, hábitos, atitudes e opiniões.” (JARDIM e PEREIRA, 2009 apud TURATO, 2005. p 3) 3. CONSIDERAÇÕES FINAIS A aprendizagem é um processo complexo e dinâmico, assim como o uso da língua e o desenvolvimento de habilidades de leitura. A literatura, por sua vez, configura-se como ferramenta pedagógica e social, capaz de proporcionar estímulo e novos saberes aos educandos. Ensinar, estimular e praticar a leitura de textos literários é, portanto, algo necessário e desafiador. Práticas de leitura e o letramento literário possuem uma relação fundamental. O acesso e consumo da literatura favorece ao aluno a desenvolver habilidades comunicativas, linguísticas e cognitivas. Além de proporcionar uma ampliação de horizontes ao estudante, aguçando seu senso crítico e repertório sócio-histórico, cultural e vocabular. Porém, trabalhar com a literatura e estimular a leitura, especialmente com o público-alvo do Ensino Fundamental II e Ensino Médio, tem se tornado cada vez mais complexo, especialmente com o avanço tecnológico cada vez mais crescente. As TICs estão cada vez mais incorporadas e imperativas no modo de vida da sociedade moderna. Afetando as relações e formas de vivência social, comunicação, trabalho, saúde e educação. Dessa forma, as TICs fazendo parte da vida do alunado de forma cada vez mais marcante, influenciando desde muito cedo a maneira como as crianças e adolescentes veem e interagem com o mundo. A escola e o professor neste cenário, precisam refletir constantemente, buscar formação e principalmente compreender as transformações trazidas pela cibercultura. Somente assim, serão capazes de assimilar e diagnosticar a realidade que encontram na sala de aula, especialmente no que diz respeito as dificuldades de aprendizagem e desinteresse pela literatura e leitura. A presente pesquisa não traz soluções para o problema, mas busca apontar pontos que precisam ser pensados, discutidos e considerados para o enfrentamento da questão. Apresentando alguns dos principais pressupostos para o trabalho pedagógico em vista do letramento literário na sociedade contemporânea. Alguns dos pontos destacados aqui, são: a importância da literatura no ensino da língua portuguesa; a falta de hábito e dificuldades de leitura no Brasil; a influência e as contribuições das TICs na aprendizagem; alguns problemas causados pelo uso da tecnologia; a concepção de aprendizagem na perspectiva de Vygotsky; a importância da formação continuada. REFERÊNCIAS ANDRADE, C.R.; MACEDO, M. Os efeitos negativos da internet na educação. Santa Catarina. 2017, p. 15. Disponível em: http://www.uniedu.sed.sc.gov.br/wp-content/uploads/2017/02/Carla-Rodrigues-de-Andrade.pdf COSENZA, R. M. Para entender os Nativos Digitais. Pátio: Educação infantil. Porto Alegre - RS. n.28, p. 16-18. 2011. FAILLA, Z. (org.). Retratos da leitura no Brasil. Rio de Janeiro: Sextante, 2016. 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