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Tiago Mattos e Eduardo Giugliani GESTÃO DO CONHECIMENTO E TRANSFORMAÇÃO DIGITAL Sergio Piza A trajetória de vida é um processo dinâmico. 2 Conheça o livro da disciplina CONHEÇA SEUS PROFESSORES 3 Conheça os professores da disciplina. EMENTA DA DISCIPLINA 4 Veja a descrição da ementa da disciplina. BIBLIOGRAFIA DA DISCIPLINA 5 Veja as referências principais de leitura da disciplina. O QUE COMPÕE O MAPA DA AULA? 6 Confira como funciona o mapa da aula. MAPA DA AULA 7 Veja as principais ideias e ensinamentos vistos ao longo da aula. RESUMO DA DISCIPLINA 41 Relembre os principais conceitos da disciplina. AVALIAÇÃO 42 Veja as informações sobre o teste da disciplina. 3 Professor Titular da Escola Politécnica da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, PUCRS. Diretor do IDEIA ? Centro de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico, PUCRS. Pós-Doutor e Distinguished Fellow pela Fondazione Bruno Kessler (FBK), Trento, Itália. Doutor em Gestão do Conhecimento pela Universidade Federal de Santa Catarina (2011), Mestre e graduado em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Experiência empresarial na área de Engenharia Civil - Consultoria e Projetos em Engenharia Estrutural. Na gestão universitária atuou como Coordenador de Curso de Engenharia Civil, Diretor da Faculdade de Engenharia, e Coordenador de Projetos Estratégicos do TECNOPUC, PUCRS. EDUARDO GIUGLIANI Professor PUCRS Tiago Mattos é considerado um dos principais futuristas do Brasil. Ele ajuda as empresas da América Latina a desenvolver estratégias e comunicações personalizadas com seus clientes. Suas ideias sobre futurismo começaram a ganhar reconhecimento em 2012, quando foi selecionado para participar do GSP12, da Singularity University, sendo o único sul-americano entre 110 nomes com tal distinção. Com espírito empreendedor, Mattos é cofundador de diversas iniciativas empreendedoras da nova economia, como Perestroika, Sputnik, Iscola.CC, Pipa, Pox, Controle de Missões, Area 51, Scholé, Czarina e Esquina 111. Como escritor, seu livro “Vai lá e faz” é um manifesto ao empreendedorismo, atingindo a marca de dez mil exemplares vendidos. Mattos faz parte do corpo docente da Singularity University, nos Estados Unidos, e do Transdisciplinary Innovation Program, da Universidade Hebraica de Jerusalém, além de ser líder e também cofundador da Aerolito. TIAGO MATTOS Professor Convidado Conheça seus professores 4 Ementa da Disciplina Sociedade do Conhecimento. Sociedade Digital e Transformação Digital. Gestão do Conhecimento e os ativos intangíveis de produção. Gestão do Conhecimento nas Organizações. Gestão do Conhecimento em Projetos. Métodos, Práticas e Ferramentas de Gestão do Conhecimento. 5 Bibliografia da Disciplina As publicações destacadas têm acesso gratuito. Bibliografia básica ALVEZ, J. K., Norma ISO 30401:2018 para Gestão do Conhecimento: fundamentos e requisitos. Florianópolis: Pandion, 2021. 103 p. HENRIETTE, E.; FEKI, Mondher; BOUGHZAL, Imed. The Shape of Digital Transformation: a systematic literature review. In: MCIS 2015 Proceedings, Paper 10, Pp. 1-19*. 2015 NONAKA, I.; TAKEUCHI, H., Criação de Conhecimento na Empresa. Rio de Janeiro: Campus, 1997*. Bibliografia complementar APO. Knowledge Management: Tools and Techniques Manual. Tokyo: Asian Productivity Organization, 2020. HUSAIN, S.; GUL, R. Research Trends in Knowledge Management: Past, Present and Future. In: INTERNATIONAL CONFERENCE ON INFORMATION SYSTEM AND DATA MINING, 3., 2019. Proceedings […], [s. l.], April 2019, pp. 208–217. MAHRAZ, Mohamed-Iliasse et al. A Systematic literature review of Digital Transformation. In: INTERNATIONAL CONFERENCE ON INDUSTRIAL ENGINEERING AND OPERATIONS MANAGEMENT, Toronto, 2019. Proceedings […]. Toronto, Canada, 2019. October 23-25, 2019. 6 O que compõe o Mapa da Aula? MAPA DA AULA São os capítulos da aula, demarcam momentos importantes da disciplina, servindo como o norte para o seu aprendizado. Frases dos professores que resumem sua visão sobre um assunto ou situação. DESTAQUES Conteúdos essenciais sem os quais você pode ter dificuldade em compreender a matéria. Especialmente importante para alunos de outras áreas, ou que precisam relembrar assuntos e conceitos. Se você estiver por dentro dos conceitos básicos dessa disciplina, pode tranquilamente pular os fundamentos. FUNDAMENTOS Questões objetivas que buscam reforçar pontos centrais da disciplina, aproximando você do conteúdo de forma prática e exercitando a reflexão sobre os temas discutidos. Na versão online, você pode clicar nas alternativas. EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO Fatos e informações que dizem respeito a conteúdos da disciplina. CURIOSIDADES Conceituação de termos técnicos, expressões, siglas e palavras específicas do campo da disciplina citados durante a videoaula. PALAVRAS-CHAVE Assista novamente aos conteúdos expostos pelos professores em vídeo. Aqui você também poderá encontrar vídeos mencionados em sala de aula. VÍDEOS Inserções de conteúdos para tornar a sua experiência mais agradável e significar o conhecimento da aula. ENTRETENIMENTO Apresentação de figuras públicas e profissionais de referência mencionados pelo(a) professor(a). PERSONALIDADES Neste item, você relembra o case analisado em aula pelo professor. CASE A jornada de aprendizagem não termina ao fim de uma disciplina. Ela segue até onde a sua curiosidade alcança. Aqui você encontra uma lista de indicações de leitura. São artigos e livros sobre temas abordados em aula. LEITURAS INDICADAS Aqui você encontra a descrição detalhada da dinâmica realizada pelo professor. MOMENTO DINÂMICA 7 A discussão inicial da aula foca na natureza transversal da transformação digital, que impacta diversos setores, incluindo a construção civil e a arquitetura, mercados tradicionalmente ligados ao concreto que inevitavelmente migrarão para o digital. Para ilustrar essa transição, é apresentada a provocação do Digital Food, um fenômeno exemplificado pelo Meta Cookie Project, um projeto japonês que explora a substituição sensorial na alimentação. Este projeto envolve um cookie com um QR Code que interage com um computador através de um equipamento de realidade mista. O cookie em si não tem sabor, mas, ao ser escaneado, permite uma substituição sensorial, onde o usuário, através de estímulos visuais e olfativos, sente o gosto desejado a cada mordida. A construção do paladar é explicada como um processo que envolve não apenas a boca, mas também a visão e, principalmente, o olfato. Estima-se que cerca de 70% do paladar seja construído pelo olfato. Introdução ao Futuro Digital Mapa da Aula Os tempos marcam os principais momentos das videoaulas. AULA 1 • PARTE 1 00:34 O Futuro da Alimentação, Moda e Saúde no Mundo Digital A discussão sobre o futuro da alimentação prossegue com a ideia de personalização do sabor em alimentos básicos e saudáveis, como um possível caminho para combater a epidemia de obesidade e problemas de saúde relacionados. Outro exemplo apresentado é a Colher Kirin, um utensílio vendido no Japão que utiliza um processo eletromagnético para salgar a comida sem a adição de sal, demonstrando a aplicação do “sódio digital” e seus potenciais benefícios para a saúde. Em seguida, a conversa se volta para o futuro da moda, exemplificado pela Digital Fashion e a empresa Fábrica Estúdio de Febre. Esta empresa aposta na criação de roupas digitais que podem ser utilizadas em diversas plataformas e na criação de guarda-roupas digitais com valor potencialmente maior que os físicos. A plataforma Intelligent Tools, também da Fábrica Estúdio, permite transformar sketches de roupas em peças digitais finalizadas e modeladas em 3D, com a possibilidade de visualização em modelos virtuais. Por fim, o futuro da saúde é abordado através do conceito de saúde digital e do exemplo dainterligados dificultam a tomada de decisão; • Ambiguidade (Ambiguity): falta de clareza sobre o significado de eventos e situações. Esse termo surgiu no contexto militar dos EUA nos anos 1990, mas hoje é muito usado no mundo dos negócios e gestão para explicar os desafios das organizações em um cenário em constante transformação. PALAVRA-CHAVE 30 04:03 Mundo BANI: O Mundo BANI é um conceito que atualiza o VUCA para refletir os desafios mais recentes do mundo moderno. Ele representa um cenário: • Frágil (Brittle): sistemas parecem fortes, mas podem quebrar facilmente; • Ansioso (Anxious): excesso de informação e incerteza geram ansiedade; • Não linear (Non-linear): causa e efeito não seguem uma lógica direta; • Incompreensível (Incomprehensible): difícil de entender, mesmo com dados disponíveis. O termo BANI surgiu como uma forma de descrever melhor o mundo atual, especialmente após crises globais como a pandemia, onde a imprevisibilidade e a fragilidade ficaram ainda mais evidentes. PALAVRA-CHAVE A emergência do BIM está diretamente relacionada a uma mudança de cultura e de postura. A gestão do conhecimento e a transformação digital são trazidas para ancorar essa mudança cultural induzida pelo BIM. A perspectiva de múltiplos futuros é importante para atuar no presente de forma protagonista e inovadora. É feita uma apresentação do professor Eduardo, que compartilha sua trajetória na engenharia civil e sua atual dedicação à gestão do conhecimento, ressaltando a utilidade e a importância desta disciplina para o crescimento profissional e organizacional, abrangendo desde grandes construtoras até startups nas áreas de civil e arquitetura. A gestão do conhecimento pode ser extremamente contributiva para os diversos focos de interesse. É proposto um exercício prático para identificar os conhecimentos mais intensivos dentro dos processos de trabalho nas empresas. O objetivo é despertar o interesse pela área, vista como contributiva para o curso e essencial para o BIM, que exige uma visão mais completa e complexa da cadeia da construção civil, indo além do projeto e englobando a manutenção ao longo da vida útil das edificações. A simbiose entre tecnologia e conhecimento é uma realidade atual. A discussão seguirá as etapas delineadas para aprofundar a compreensão do contexto. O BIM e a Mudança de Cultura09:12 08:28 ‘‘A emergência do BIM está diretamente relacionada com uma mudança de cultura e de postura. ’’ A segunda onda da transformação digital Inclui inovações da concorrência mapeada, ou seja, empresas que atuam no mesmo mercado e jogam o mesmo jogo. Exemplos citados incluem concorrentes diretos de grandes empresas (como Bradesco/ Santander para Itaú ou O Boticário/ L’Occitane para Natura). EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO R e sp o st a d e st a p á g in a : fa ls o . 31 AULA 3 • PARTE 2 A Emergência da Gestão do Conhecimento na Sociedade Atual A Gestão do Conhecimento surgiu como disciplina no contexto da consolidação do paradigma da sociedade do conhecimento, um período marcado por transformações significativas na forma como o valor das organizações é percebido. Embora pesquisas acadêmicas relacionadas já existissem anteriormente, a década de 1990, com a publicação de livros cruciais, é apontada como um marco para a formalização da área. Um dos primeiros pesquisadores a destacar a Gestão do Conhecimento foi Os baby, um consultor e pesquisador sueco. Sua perspectiva enfatizava a avaliação de uma organização não apenas pelo seu valor contábil, baseado em ativos tangíveis, mas também pelo valor de seus ativos intangíveis. A mensuração desses ativos intangíveis, como a estrutura externa (marcas e relações com clientes e fornecedores), a estrutura interna (capital estrutural, sistemas administrativos, cultura) e o capital humano (competências individuais, nível de escolaridade, experiência), tornou-se crucial na sociedade contemporânea. A crescente importância do conhecimento e de sua gestão nesse novo cenário é evidente. A aula propõe uma reflexão sobre a trajetória da sociedade, desde o paradigma industrial até a sociedade do conhecimento, para fornecer uma base conceitual para a compreensão da Gestão do Conhecimento e da Transformação Digital. No paradigma industrial, as pessoas eram frequentemente vistas como geradoras de custo, enquanto na sociedade do conhecimento, são reconhecidas como geradoras de receita, com o investimento em capital humano sendo um fator de potencialização da aprendizagem e inovação. A informação, que no paradigma industrial era vista como instrumento de controle individual, na sociedade do conhecimento se torna ferramenta de comunicação, impulsionando processos colaborativos e o compartilhamento do conhecimento. 00:00 O conhecimento é identificado como o principal ativo de produção nos tempos atuais, permeando organizações de todos os tipos e sendo fundamental para as ferramentas de transformação digital. A compreensão do conhecimento como valor, fator de produção e ativo intangível é central. Embora a ênfase na sociedade do conhecimento pareça recente, a reflexão sobre o conhecimento acompanha a história da filosofia, com pensadores como Platão, já no século IV a.C., definindo o conhecimento como uma crença verdadeira e justificada. Ao longo da história, diversos pensadores contribuíram para a conceituação do conhecimento. John Locke, no século XVII, o via como a percepção da concordância ou discordância de duas ideias. Fritz Machlup o classificou em categorias como prático, intelectual, espiritual e religioso. Michael Polanyi resgatou a importância do conhecimento tácito, aquele que sabemos fazer, mas temos dificuldade em expressar ou codificar. Marshall McLuhan abordou a sociedade midiática e em rede. Peter Drucker consagrou o termo “trabalhador do conhecimento”, destacando o conhecimento como recurso fundamental que transcende fronteiras geográficas, marcando o início da sociedade do conhecimento. Outros autores como Alvin Toffler, com “A Terceira Onda”, e John Naisbitt, com “Megatendências”, também contribuíram para a compreensão das transformações sociais e o papel da informação. Naisbitt, já em 1982, identificava megatendências como desenvolvimento sustentável, mudanças demográficas, globalização da economia e o papel crescente do conhecimento. Diferentes perspectivas teóricas sobre o conhecimento incluem as visões cognitivista, conexionista e autopoiética. Definição e Tipos de Conhecimento11:44 32 Essa mudança de cultura não é trivial e demanda o suporte de disciplinas como a Gestão de Mudanças. A forma como as organizações geram receita também evoluiu, com uma parcela crescente vindo de ativos intangíveis como aprendizado, novas ideias, pesquisa e desenvolvimento, e propriedade intelectual. A finalidade do aprendizado também se transformou: de focar no uso de novas ferramentas no paradigma industrial para a criação de novos ativos na sociedade do conhecimento. Esse processo de mudança pode encontrar resistências, sendo fundamental encará-lo como uma evolução necessária para evitar a obsolescência. A sociedade atual é caracterizada pela dificuldade em mensurar ativos intangíveis, marcando uma ruptura com o passado. A visão cognitivista, associada a Noam Chomsky, enfatiza o armazenamento de informações. O conexionismo, ligado a George Siemens, destaca as relações em rede. A perspectiva autopoiética, influenciada por Humberto Maturana e Francisco Varela, e também presente na obra de Ikujiro Nonaka, considera a mistura fluida de mente, corpo e sistemas sociais, além das experiências. Uma classificação fundamental para a Gestão do Conhecimento é a distinção entre conhecimento explícito (codificável e documentado) e conhecimento tácito (intuitivo, baseado na experiência e difícil de expressar). Enquanto o foco tradicional estava no conhecimentoexplícito, a compreensão da riqueza do conhecimento tácito e o desafio de sua identificação e transferência são cruciais para o sucesso das organizações. O conhecimento tácito, que pode representar uma grande parte do conhecimento disponível em uma empresa, é transferido principalmente por meio de mentorias, tutoria e experiências guiadas. A perda de conhecimento tácito devido a desligamentos de colaboradores é um risco significativo para as organizações. Conhecimento explícito, por sua natureza codificada, é facilmente compartilhado e pode ser armazenado em repositórios, evitando a repetição de erros e promovendo o aprendizado sistêmico. Os conhecimentos explícito e tácito são complementares. O esforço na Gestão do Conhecimento reside em explicitar o máximo possível do conhecimento tácito. 14:51 15:12 Conhecimento Tácito: Conhecimento tácito é aquele tipo de conhecimento difícil de explicar ou formalizar. Ele está ligado à experiência pessoal, habilidades práticas e intuição — algo que a pessoa sabe fazer, mas tem dificuldade de colocar em palavras. Exemplo: saber andar de bicicleta, tocar um instrumento ou tomar decisões com base na experiência. É diferente do conhecimento explícito, que pode ser facilmente registrado e compartilhado, como um manual ou uma fórmula. PALAVRA-CHAVE Conhecimento Explícito: Conhecimento explícito é o tipo de conhecimento que pode ser facilmente documentado, comunicado e compartilhado. Ele está registrado em livros, manuais, documentos, vídeos, planilhas, etc. Exemplo: uma receita de bolo, uma fórmula matemática ou um procedimento técnico. Diferente do conhecimento tácito, o explícito é claro, estruturado e acessível para qualquer pessoa que tenha acesso à informação. PALAVRA-CHAVE 31:33 ‘‘A gestão do conhecimento é isso: fazer a gestão do conhecimento focada em resultados. ’’ 33 Conhecimento Organizacional e Hierarquia do Conhecimento O interesse da Gestão do Conhecimento no contexto deste curso se volta para o conhecimento organizacional, definido como a capacidade de uma empresa de criar novo conhecimento, difundir esse conhecimento por toda a organização e incorporá-lo a seus produtos, serviços e processos. O conhecimento organizacional não reside apenas na mente das pessoas, mas também está embutido em documentos, rotinas, processos, práticas e normas organizacionais. A identificação e o diagnóstico desse conhecimento são passos importantes, mesmo que as ferramentas de gestão já implementadas não estejam explicitamente rotuladas como Gestão do Conhecimento. O conhecimento dentro da organização pode ser analisado em diferentes níveis, desde competências organizacionais e essenciais até o conhecimento embutido em grupos e, finalmente, nas pessoas (conhecimento, habilidades e atitude). Para evitar confusões, é importante distinguir conhecimento de dados e informação. Dados são coisas brutas, sem significado aparente. Informação é um conjunto de dados que passam a ter significado. Conhecimento envolve a contextualização da informação, permitindo insights e tomada de decisões. A transformação de dados em informação envolve processos como contextualização, categorização, cálculo e correlação. A transformação de informação em conhecimento ocorre quando se agrega insight e capacidade de decisão, proporcionando uma estrutura para avaliação e incorporação de novas experiências. A hierarquia do conhecimento expande essa visão, incluindo o entendimento (compreensão das causalidades) e a sabedoria (conhecimento com insight, intuição e capacidade de decisão). Investir no desenvolvimento do conhecimento dentro de uma organização pode gerar um retorno significativo. Peter Drucker define conhecimento como “informação em ação efetiva, focada em resultados”, alinhando a Gestão do Conhecimento com a busca por retornos tangíveis. 32:54 EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO Na sociedade do conhecimento, em contraste com a sociedade industrial, qual ativo se tornou crucial para a avaliação do valor de uma organização, além do valor contábil tradicional? R e sp o st a d e st a p á g in a : a lt e rn a ti v a 3 . 34 A Gestão do Conhecimento, após um período inicial de ceticismo, ganhou relevância, sendo reconhecida por normas como a ISO. A Transformação Digital é o terceiro ponto importante, estabelecendo uma conexão com os temas anteriores. Ela vai além da digitalização de processos e abrange a transformação de toda a estrutura tecnológica, organizacional, de mercado e, principalmente, do trabalho. A velocidade da evolução da sociedade do conhecimento, impulsionada pela tecnologia, muitas vezes não acompanha a evolução linear das estruturas organizacionais, representando um desafio a ser enfrentado. A nova economia, caracterizada pela rapidez das transformações, exerce pressão sobre as organizações para que evoluam. A taxa de criação de conhecimento tem crescido exponencialmente ao longo da história, impulsionada por marcos como a linguagem, a escrita, a imprensa e, mais recentemente, a internet, a Gestão do Conhecimento e a Transformação Digital. Esse movimento contribui para o desenvolvimento de cidades inteligentes e ecossistemas de inovação, com um grande potencial de crescimento e inclusão social. AULA 3 • PARTE 3 A Dinâmica das Sociedades Inteligentes Este capítulo explora as características das sociedades e cidades inteligentes, que englobam ofertas mais inclusivas em áreas como economia, mobilidade, acesso a pessoas e capacidades, meio ambiente e governança. A discussão retoma a análise de flutuações econômicas a cada 50 anos dentro do contexto do capitalismo. São apresentados dois movimentos recentes que evidenciam transformações no final do século XX e início dos anos 2000: o mundo VUCA e o mundo BANI. O conceito de VUCA é detalhado, abrangendo a volatilidade (decisões e mudanças de rumo mais rápidas), a incerteza (fim da estabilidade, cenários mutantes e ausência de soluções definitivas), 00:00 EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO Conforme apresentado, qual tipo de conhecimento é considerado a maior riqueza de uma organização na sociedade do conhecimento, sendo muitas vezes difícil de articular e reside na experiência e intuição individual? R e sp o st a d e st a p á g in a : a lt e rn a ti v a 4 . 35 a complexidade (problemas interdependentes e interdisciplinares que exigem uma visão transversal) e a ambiguidade (múltiplas soluções possíveis). Em seguida, o capítulo introduz o conceito de BANI, um movimento mais recente da segunda década do século XXI, caracterizado pela fragilidade de um mundo cada vez mais ansioso por respostas rápidas. A não linearidade e a crescente incompreensibilidade do cenário atual também são destacadas. A discussão se volta para o impacto dessa nova economia, impulsionando a transformação digital, que é definida como uma economia de pensamento digital e não apenas digitalizada. As quatro forças poderosas da tecnologia digital são consideradas importantes para mensurar essa transformação. Isso leva ao desenvolvimento de novas formas de negócio, relacionamento em rede e novas percepções no uso de tecnologias. Este capítulo aborda as novas organizações e como suas estratégias de crescimento tendem a ser exponenciais, diferenciando- se de modelos lineares através do uso de ferramentas disponíveis e da gestão do conhecimento. O crescimento exponencial pode levar a uma zona de desconforto, mas oferece maiores chances de desenvolvimento. A evolução da tecnologia também é examinada, marcada por diversas curvas e momentos disruptivos, culminando em um cenário de inovação contínua e permanente. A busca pela autonomia e por sistemas cada vez mais autônomos, hipercomplexos, com inteligência artificial exponencial, computação quântica e cognitiva, e a integração bio digital são mencionadas. A análise prossegue com exemplos impactantes da evoluçãotecnológica, como a transição de máquinas analógicas para digitais (fotografia), a ascensão da impressão 3D e dos drones, e a importância de materiais raros como o grafeno. O caso do colapso da Kodak é apresentado como um exemplo de como a hesitação em adotar novas tecnologias pode levar ao fracasso. A tecnologia também experimentou um crescimento exponencial, e o conceito dos seis D’s de Peter Diamandis é mencionado para ilustrar a progressão da digitalização: digitalização, decepção, disrupção, desmaterialização, desmonetização e democratização. A fase disruptiva é identificada como um momento de risco de quebra do negócio. Evolução das Tecnologias05:43 Reinvenção Contínua e Paradigmas Mentais Este capítulo enfatiza a necessidade de reinvenção contínua em um mundo em rápida transformação. Para acompanhar o cenário em 2050, será crucial não apenas inventar novas ideias e produtos, mas principalmente desaprender e reaprender constantemente. O ser humano precisará reaprender de forma fundamental. São introduzidos dois paradigmas mentais contrastantes: o paradigma da escassez, que assume que não há recursos suficientes para todos e leva à competição por bens finitos, e o paradigma da abundância, que postula que há recursos para todos e incentiva o compartilhamento. A evolução da relação homem-máquina é mencionada, com a previsão de que os processos industriais de automação superarão o trabalho humano em 2025. A importância do aprendizado contínuo é ressaltada, visto que a formação inicial não será mais suficiente. A quarta revolução industrial, caracterizada pela integração entre o físico, o virtual e o biológico, levanta questões sobre a crescente integração das formações profissionais. 12:09 36 A evolução das soft skills e a transformação dos currículos educacionais são discutidas, impulsionadas por modelos como o VUCA e o BANI. Competências essenciais para o futuro incluem o conhecimento multi e interdisciplinar, pensamento complexo, sistêmico e crítico, pensamento criativo e inovador, pensamento digital, flexibilidade cognitiva, resiliência, adaptação, tomada de decisão, inteligência emocional e mindfulness. 26:20 ‘‘Para chegar onde a gente chegou, é preciso faezr alguma coisa que ninguém fez. ’’ Gestão do Conhecimento para a Sustentabilidade Este capítulo inicia a discussão sobre a gestão do conhecimento (GC), apresentando-a como um processo que trata da conversão do conhecimento organizacional. O objetivo principal da GC é permitir a criação, codificação (explicitação), disseminação e compartilhamento do conhecimento dentro da organização. O conceito de espiral do conhecimento, proposto por Nonaka e Takeuchi, é introduzido, no qual o conhecimento é internalizado, incorporado e leva ao crescimento contínuo do conhecimento organizacional. A GC é fundamental para assegurar a sustentabilidade econômica, financeira e ambiental da organização. São apresentadas as quatro dimensões estruturantes da GC: pessoas, processos, tecnologia e liderança (próxima à governança mencionada por Fábio Ferreira Batista). O foco da GC é a criação do conhecimento na empresa, através da tradução do conhecimento individual em conhecimento organizacional, por meio do fluxo do conhecimento tácito para o explícito. Os quatro modos de conversão do conhecimento de Nonaka e Takeuchi são detalhados: socialização (compartilhamento de conhecimento tácito entre indivíduos), externalização (articulação e codificação do conhecimento tácito em conhecimento explícito), combinação (sistematização e aplicação do conhecimento explícito existente) e internalização (incorporação do conhecimento explícito em conhecimento tácito pelos indivíduos). A implementação de ferramentas de conhecimento deve considerar esses modos de conversão. 26:49 29:01 O livro “Gestão do Conhecimento na Empresa”, de Nonaka e Takeuchi, apresenta o modelo japonês de criação do conhecimento. Os autores mostram como as empresas podem transformar conhecimento tácito em explícito e inovar continuamente. Eles propõem o modelo SECI (Socialização, Externalização, Combinação e Internalização) como um ciclo para gerar e compartilhar conhecimento dentro das organizações. É uma obra-chave na área de gestão do conhecimento. Livro: Gestão do Conhecimento LEITURA INDICADA 37 A escala do conhecimento de Klauss Mellage é apresentada, expandindo a visão de dados, informação e conhecimento para incluir sinais, dados, informação, conhecimento (tácito), utilização, vontade, competência, singularidade e intenção. Essa escala sugere uma abordagem mais estratégica da GC, com a possibilidade de definir o presente com base no futuro desejado. O capítulo conclui com uma breve discussão sobre o futuro das organizações, que tendem a ser mais hipertextuais, achatadas e com maior autonomia, em contraste com as estruturas piramidais tradicionais. A evolução do trabalho desde a revolução industrial até a era do conhecimento também é brevemente mencionada. AULA 3 • PARTE 4 A Evolução do Trabalho e a Ascensão da GC Ao longo do tempo, o mundo do trabalho passou por grandes transformações. A terceira fase, iniciada nos anos 70 com a automação via microeletrônica, deu origem à sociedade da informação, onde o trabalho se tornou mais cognitivo. Embora ainda com foco disciplinar, surgiram espaços para formações mais transversais, integrando ciência, tecnologia e arte – algo presente nas universidades atuais. Hoje, a Indústria 4.0, baseada em sistemas ciber físicos e internet das coisas, exige concentração de informações de forma inter e transdisciplinar. O trabalho demanda aprendizado ágil, resiliência e forte transdisciplinaridade, refletindo o aumento da complexidade ao longo das fases do desenvolvimento. A visão sobre escassez e abundância revela diferentes mentalidades organizacionais. O paradigma da escassez leva à competição e exclusão, enquanto o da abundância promove colaboração, acessibilidade e inclusão, ambos gerando efeitos autorrealizáveis. 00:00 00:35 Indústria 4.0: A Indústria 4.0 é a quarta revolução industrial, marcada pela integração de tecnologias digitais nos processos produtivos. Ela usa inteligência artificial, internet das coisas (IoT), big data, robótica e automação avançada para criar fábricas inteligentes, onde máquinas, sistemas e produtos se comunicam entre si. O objetivo é tornar a produção mais eficiente, flexível e personalizada, com menos desperdício e mais inovação. PALAVRA-CHAVE 38 Com isso, os modelos organizacionais evoluem de centralizados para distribuídos, refletindo estruturas em rede, onde a informação flui sem um centro único. A liderança também muda: sai do comando e entra a condução por consenso, empoderando equipes e promovendo propósito – essencial na gestão do conhecimento. Nesse contexto, liderança, estratégia, educação e iniciativas devem estar alinhadas. A estratégia deve buscar inovação; as ações, gerar hipóteses; a execução, promover autonomia e eficácia. Em organizações baseadas em conhecimento, é vital identificar, otimizar e antecipar o conhecimento necessário, gerando inovação, eficiência e novas parcerias. Padronização e Ferramentas da Gestão do Conhecimento A gestão do conhecimento (GC) alcançou um nível de relevância tal que c. Embora a implementação de um sistema normatizado possa parecer complexa e exigir consultoria, a identificação e adoção de requisitos valiosos para a organização podem trazer melhorias significativas, independentemente da busca pela certificação. A norma preconiza que a GC esteja vinculada aos objetivos estratégicos da organização, conectada às partes interessadas, alinhada à cultura organizacional e seja uma ação estratégica da alta direção. Além disso, deve ser mensurável, mapeada quanto a riscos e oportunidades, atualizada permanentemente, monitorada por indicadores e passível de melhoria contínua.Um sistema de gestão do conhecimento eficaz, à luz da ISO, deve ser rápido e fácil de administrar, escalável, compatível com a cultura da empresa, relevante, flexível, colaborativo, permitir consultas complexas, ser subjetivo e mobilizador, resgatando o conhecimento como principal ativo produtivo. É importante reconhecer que as organizações podem falhar ao persistirem em fazer as coisas certas por muito tempo, sem acompanhar as mudanças do mercado, da transformação digital e da própria natureza da gestão do conhecimento. Para enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades, existem diversos métodos, práticas e ferramentas de GC. É possível diagnosticar as práticas de GC já existentes em uma organização, mesmo que ela nunca tenha ouvido falar formalmente sobre o assunto, revelando que muitas vezes a GC já está incorporada de forma intuitiva. A aplicação de um canvas pode auxiliar na estruturação de um processo específico de gestão do conhecimento. 28:11 Explorando Ferramentas Práticas de Gestão do Conhecimento O Knowledge Café é uma metodologia que utiliza o ambiente informal do café para promover conversas focadas e produtivas sobre um tema específico. Estimula a troca de ideias e a aprendizagem colaborativa, com diálogos espontâneos e cocriação, semelhante ao brainstorming. Um exemplo de tema seria discutir os desafios da implementação do BIM. Para iniciar um diagnóstico de Gestão do Conhecimento (GC), há ferramentas simples como a da organização sul-coreana KAPIU, voltada para pequenas e médias empresas. Em formato Excel, ela analisa a maturidade da GC com base em quatro pilares: pessoas, processos, tecnologia e liderança. Avalia dimensões como liderança, aprendizagem, inovação e resultados, usando autoavaliação de 1 a 5 e gerando gráficos radar que mostram pontos fortes e fracos, além de um escore final que indica o nível de maturidade da organização. 39:41 39:32‘‘A gestão do conhecimento não é uma coisa nova dos últimos 20 anos. ’’ 39 Os modos de conversão do conhecimento de Nonaka e Takeuchi (socialização, explicitação, combinação e internalização) servem como base para diversas ferramentas de criação, armazenamento, compartilhamento e internalização do conhecimento. Para a criação do conhecimento, ferramentas como brainstorming, captura de novas ideias, revisões de aprendizagem e espaços colaborativos (físicos ou virtuais, como o Knowledge Cafe) são eficazes. Para o armazenamento do conhecimento, podem ser utilizados Knowledge Cafes, comunidades de prática, métodos de taxonomia, documentos arquivados em repositórios e bibliotecas, bases de dados como wikis e blogs, e portais de conhecimento. O compartilhamento do conhecimento sistêmico pode ser facilitado por storytelling, comunidades de prática, Knowledge Cafes, processos de mentoria ou tutoria e colaborações virtuais. A incorporação do conhecimento se beneficia de um conjunto de técnicas já conhecidas, aplicadas agora no contexto da gestão de um ativo intangível. Outra ferramenta útil é o canvas de auditoria de conhecimento, que analisa processos organizacionais intensivos em conhecimento. A auditoria identifica ativos estratégicos, vulnerabilidades, gargalos e oportunidades, com base em documentos, entrevistas e observações. O canvas detalha atividades-chave, informações, ferramentas, atores e saídas do processo. Um exemplo é a análise de propostas comerciais, permitindo mapear informações essenciais, ferramentas usadas, resultados esperados e pontos de melhoria. Essa abordagem ajuda a decompor processos complexos e identificar formas de otimizar e compartilhar conhecimento. Integrando Conhecimento para um Futuro Exponencial Compreender o mundo e seus desafios atuais exige uma abordagem que vá além da simples acumulação de conhecimento individual. A gestão do conhecimento demonstra que enfrentar a complexidade do mundo contemporâneo requer um trabalho cada vez mais integrado e colaborativo, unindo conhecimentos e capacidades. Essa mudança é intrínseca aos tempos atuais, impulsionada pela transformação digital e pela realidade de um mundo exponencial. No contexto da implementação do BIM, observa- se um paralelo com a necessidade de uma mudança cultural significativa. Entender os desafios e o ponto de partida é fundamental, e muitas vezes não é necessário recorrer imediatamente à consultoria externa, mas sim compreender o processo e reconhecer que o BIM é mais do que apenas um software. Mesmo com diferentes níveis de implementação do BIM, a identificação do contexto permite um trabalho por etapas, gerando avanços significativos. Visualizar o futuro e suas possibilidades, como mencionado por Thiago, é essencial para direcionar as ações no presente. O potencial do BIM pode contribuir para essa visão de futuro. 50:33 Conhecimento tácito é o tipo de conhecimento que pode ser facilmente documentado, comunicado e compartilhado. EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO R e sp o st a d e st a p á g in a : fa ls o . 40 Em um cenário global onde a adoção do BIM ainda está em crescimento, o desenvolvimento de expertise nessa área representa uma excelente oportunidade de mercado. O BIM, que vai além da modelagem 3D, tende a se expandir à medida que órgãos de fomento e outras empresas passam a exigir sua utilização. Espera-se que a jornada de aprendizado no BIM, iniciada com disciplinas fundamentais e transversais como a gestão do conhecimento, proporcione uma motivação para o desenvolvimento ao longo do curso. A integração de conhecimentos e a colaboração são chaves para o sucesso nesse ambiente em constante evolução. 41 Resumo da disciplina Veja, nesta página, um resumo dos principais conceitos vistos ao longo da disciplina. AULA 1 AULA 2 AULA 3 Os conhecimentos explícito e tácito são complementares. O esforço na Gestão do Conhecimento reside em explicitar o máximo possível do conhecimento tácito. A transformação digital representa um desafio considerável, não apenas para grandes organizações que frequentemente enfrentam dificuldades em implementá-la, mas também para empresas menores. A emergência do BIM está diretamente relacionada a uma mudança de cultura e de postura. A gestão do conhecimento e a transformação digital são trazidas para ancorar essa mudança cultural induzida pelo BIM. O conhecimento é identificado como o principal ativo de produção nos tempos atuais, permeando organizações de todos os tipos e sendo fundamental para as ferramentas de transformação digital. É importante de avaliar a natureza do produto ou serviço e sua tangibilidade ou a economia do contato para entender o grau de digitalização.Transformação digital é como uma estratégia de diversificação das iniciativas da organização, levando em consideração pelo menos estrutura, interface e tangibilidade. BIM é um processo integrado que permite criar e gerenciar representações digitais de uma construção, contendo dados gráficos (formas, volumes) e dados não gráficos. Explorar o modo de pensar das pessoas, que se manifestam de forma mais digital, pode oferecer aprendizados valiosos. A relação entre tecnologia, natureza e humanidade pode ser vista de uma perspectiva que desafia as dicotomias tradicionais. 42 Veja as instruções para realizar a avaliação da disciplina. Já está disponível o teste online da disciplina. O prazo para realização é de dois meses a partir da data de lançamento das aulas. Lembre-se que cada disciplina possui uma avaliação online. A nota mínima para aprovação é 6. Fique tranquilo! Caso você perca o prazo do teste online, ficará aberto o teste de recuperação, que pode ser realizado até o final do seu curso. A única diferença é que a nota máxima atribuída na recuperação é 8. Avaliação Conheça seus professores Conheça os professores da disciplina. Ementa da Disciplina Veja a descrição da ementa da disciplina. Bibliografiada Disciplina Veja as referências principais de leitura da disciplina. O que compõe o Mapa da Aula? Confira como funciona o mapa da aula. Mapa da Aula Veja as principais ideias e ensinamentos vistos ao longo da aula. Resumo da disciplina Relembre os principais conceitos da disciplina. Avaliação Veja as informações sobre o teste da disciplina. Botão 208: Botão 209: Botão 210: Botão 211: Botão 321: Botão 323: Botão 325: Botão 326: Botão 327: Botão 328: Botão 354: Botão 356: Botão 359: Botão 361: Botão 2010: Botão 2011: Botão 350: Botão 351: Botão 331: Botão 333: Botão 335: Botão 336: Botão 337: Botão 338: Botão 363: Botão 364: Botão 365: Botão 366: Botão 346: Botão 348:plataforma Kill Bill, que trabalha com o conceito de digital twin (gêmeo digital) para influenciar mudanças de comportamento em relação à saúde. A dificuldade humana em se imaginar no futuro é mencionada, e o uso de avatares e simulações é apresentado como uma forma eficaz de promover a mudança. 07:14 02:04 Meta Cookie Project: Um projeto japonês que utiliza um cookie com QR Code e realidade mista para criar a experiência de sabores através da substituição sensorial. PALAVRA-CHAVE 8 A empresa Nico Relph é citada como um exemplo de tecnologia avançada na área da saúde, oferecendo um “super check-up” rápido e preciso com análise de diversos indicadores de saúde através de sensores proprietários e inteligência artificial, culminando na visualização dos dados em um avatar do paciente. Os exemplos de alimentação, moda e saúde são apresentados como áreas fundamentais da sociedade que estão se tornando digitais, levantando a questão se outras áreas também seguirão esse caminho. A reflexão proposta é se existe um único futuro digital para essas áreas ou múltiplos futuros a serem considerados. A consultoria de futuros Madero Lito defende a ideia de “futuros” no plural, argumentando que a forma como falamos sobre o futuro influencia a forma como pensamos sobre ele. A Linguagem e a Percepção de Múltiplos Futuros A importância da linguagem na determinação do pensamento é enfatizada, com base em evidências da ciência, linguística e neurociência. A palavra “futuro” no singular tende a ser determinística e fatalista, limitando a percepção de controle e protagonismo na construção do futuro. Em contraste, o uso de “futuros” no plural promove a ideia de coexistência de tendências e um maior protagonismo na transformação do futuro. A analogia com a diversidade do Brasil e a complexidade de um indivíduo como Tiago ilustra como reducionista é acreditar em um único futuro para áreas como a alimentação ou o trabalho. A palavra “tendência” é problematizada, sendo vista como uma extensão do presente e não necessariamente a construção de um novo futuro. Questiona-se quem define qual é “o” futuro, mencionando diferentes perspectivas de pensadores, culturas e até mesmo a ficção científica. A visão de futuro de um indivíduo é provavelmente construída por outra pessoa, e a falta de consciência sobre essa influência pode levar a uma profecia auto-realizável. A pesquisadora Lera Boroditsky é citada, com a afirmação de que o idioma molda a percepção da realidade, influenciando até mesmo a forma como nos localizamos no espaço, percebemos cores e descrevemos eventos. Aprender uma nova língua é apresentado como aprender uma nova forma de pensar e ver o mundo. A transição para a transformação digital é comparada a aprender uma nova língua, a “língua digital” dos zeros e uns, que exige uma nova forma de pensar para ser compreendida em sua totalidade. 22:18 22:28 22:38 ‘‘O jeito que a gente fala determina o jeito que a gente pensa. ’’ ‘‘Vários futuros estão acontecendo ao mesmo tempo. ’’ PERSONALIDADE Ray Kurzweil é um inventor, cientista da computação, futurista e autor norte- americano, nascido em 12 de fevereiro de 1948, em Nova York. Reconhecido por suas previsões sobre inteligência artificial (IA), ele é conhecido por antecipar inovações como o iPhone e o avanço da IA. Atualmente, ocupa o cargo de diretor de engenharia no Google, onde lidera iniciativas em aprendizado de máquina e processamento de linguagem natural. . Ray Kurzweil 25:50 9 PERSONALIDADE Davide Venturelli é um físico e especialista em computação quântica, atualmente atuando como Diretor Associado de Computação Quântica no Research Institute for Advanced Computer Science (RIACS) da Universities Space Research Association (USRA). Desde 2012, ele contribui para o NASA Quantum AI Laboratory (QuAIL), focando em aplicações de otimização quântica e co-design de hardware e software. David Venturelli 37:05 PERSONALIDADE Brad Templeton é um pioneiro canadense da internet, futurista e defensor dos direitos digitais. Nascido em junho de 1960, ele se formou na Universidade de Waterloo e iniciou sua carreira como desenvolvedor de software. Em 1989, fundou a ClariNet Communications, considerada a primeira empresa “dot-com” do mundo, especializada em fornecer notícias e informações via internet . Brad Templeton 34:45 A Experiência em Estudos de Futuros e a Mentalidade Brasileira É apresentado o histórico do professor Tiago, escrita sobre transformação e atuação como professor, com destaque para a palavra “futuros” no plural. A experiência no Global Solutions Program em 2012, uma iniciativa da NASA e do Google, é descrita como um privilégio raro e um ambiente de aprendizado avançado em áreas como inteligência artificial, robótica, nanotecnologia, biotecnologia, negócios e engenharia espacial. A menção de ter conhecido tecnologias como a inteligência artificial generativa criativa (similar ao Chat GPT) e o Google Glass antes de seu lançamento ilustra o contato precoce com o futuro. A convivência com 80 pessoas de 29 países diferentes é descrita como um ambiente intelectualmente intimidante, com exemplos de colegas como David Venturelli (diretor de computação quântica da NASA), Sara Naseri (fundadora de uma startup inovadora aos 15 anos) e Eli Chay (criador do projeto “Humano no Chip”). A experiência no programa proporcionou conversas avançadas sobre transformação digital, consideradas à frente de muitas discussões pós-pandemia no Brasil. O fato de ter sido convidado a retornar ao programa como professor é motivo de orgulho e levanta uma reflexão sobre a “síndrome de vira lata”, a tendência de desvalorizar talentos e iniciativas brasileiras em comparação com as estrangeiras. É reforçada a importância de valorizar os talentos locais e a abertura para compartilhar projetos inovadores brasileiros em fóruns de discussão internacionais. 33:11 10 Este capítulo inicia a discussão sobre a transformação digital e a gestão do conhecimento no contexto da arquitetura e construção civil. São apresentados exemplos de tecnologias e abordagens que representam essa transformação, desde as mais avançadas até as mais básicas, com o objetivo de contextualizar o cenário atual. Um dos primeiros exemplos citados é o software Editas. Embora não esteja mais em operação, o Editas é apresentado como um legado de design generativo, onde, ao inserir poucos parâmetros (como número de quartos, leitos, UTIs em um hospital), o software gerava múltiplas opções de plantas. Essa agilidade no processo de projeto é destacada como um marco inicial na transformação digital do setor. Em contraste com o Editas, é apresentada a parceria entre Site Award e Drone Açaí Tower, uma iniciativa em operação que utiliza drones autônomos para monitorar construções em tempo real. Introdução à Transformação Digital Qual dos seguintes projetos apresentados na aula exemplifica o conceito de substituição sensorial no contexto da alimentação? EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO R es p o st a d es ta p ág in a: a lt e rn a ti v a 3 . AULA 1 • PARTE 2 00:14 Este capítulo explora novas abordagens e empresas que estão revolucionando a construção civil por meio da transformação digital. É apresentado um vídeo de 2018 da parceria Site Award e Drone Açaí Tower, ilustrando o funcionamento do monitoramento autônomo com drones. Em seguida, é introduzida a empresa Couvert, sediada na Califórnia, que atua na construção de tiny houses (casas pequenas, mas de alto padrão para o contexto brasileiro). A Couvert se destaca por entregar casas completamente prontas, incluindo mobiliário e acabamentos, em um curto período de tempo (aproximadamente uma semana). Novas Abordagens na Construção Civil 03:58 11 Esses drones circundam a obra, comparando a construção física com seu gêmeo digital. Ao identificar incongruências, como rachaduras ou problemasde nivelamento, o sistema alerta a equipe de engenharia para correção imediata. A criação de um gêmeo digital da construção permite um acompanhamento preciso do progresso e da qualidade, evitando problemas futuros e potenciais riscos. Essa abordagem representa a aplicação do conceito de gene digital na construção civil, onde uma versão digital permite o monitoramento contínuo e a comparação com a realidade. Para isso, a empresa repensou os building blocks da construção civil, criando um sistema modular tipo “Lego” ou “plug and play” que minimiza a necessidade de especialidades como hidráulica e elétrica na montagem final. Essa abordagem inovadora agiliza o processo construtivo. Além da inovação nos materiais e na montagem, a Couvert oferece uma plataforma onde o cliente pode personalizar a planta baixa da casa, visualizando o preço final em tempo real, sem surpresas. O modelo de negócios da Couvert visa inicialmente atender ao mercado de alto padrão para, no futuro, baratear o processo e tornar suas soluções acessíveis a um público mais amplo, possivelmente impactando programas de habitação popular. Essa visão representa uma potencial revolução na forma como a construção civil tradicional opera. 10:27 Vitruvius: Software de inteligência artificial treinado para gerar projetos de arquitetura (exterior, interior e plantas baixas). PALAVRA-CHAVE Este capítulo aborda a aplicação da inteligência artificial (IA) nos campos da arquitetura e urbanismo. É apresentado o software Vitruvius, descrito como uma IA generativa treinada especificamente para ambientes arquitetônicos. O Vitruvius é capaz de gerar projetos arquitetônicos tanto para o exterior quanto para o interior de residências, além de criar plantas baixas. Um vídeo ilustra o potencial dessa ferramenta. Embora os vídeos de apresentação de tecnologias devam ser vistos com cautela, reconhece-se um caminho inevitável onde a IA e os seres humanos trabalharão em conjunto, com a capacidade da IA crescendo continuamente. Outra IA mencionada é uma ferramenta chamada (em), focada na análise do ponto de vista do urbanismo. Essa IA permite selecionar qualquer ponto da Terra e, a partir daí, realizar diversas análises urbanas, como mapear edifícios, ruas comerciais, parques, topografia e pontos de interesse (paradas de ônibus, táxis, polícia) dentro de um raio especificado. IA na Arquitetura e Urbanismo 16:54 17:30 BIM é muito mais do que um simples modelo 3D. É um processo integrado que permite criar e gerenciar representações digitais de uma construção, contendo dados gráficos (formas, volumes) e dados não gráficos (materiais, custos, cronograma, desempenho, manutenção, etc.). Em vez de apenas desenhar paredes, portas e janelas como no CAD, no BIM você modela objetos inteligentes — por exemplo, uma parede no BIM “sabe” que é uma parede, de qual material é feita, qual seu custo, espessura, resistência térmica, e até quando ela será construída ou substituída. Como o BIM funciona? Ele funciona com softwares como: Building Information Modeling FUNDAMENTO 12 O mapa gerado é interativo, personalizável e permite a colaboração e exportação de dados. Ferramentas como essa podem trazer grandes benefícios para o planejamento urbano, auxiliando profissionais e grandes construtoras na tomada de decisões estratégicas sobre investimentos e desenvolvimento de áreas. A discussão conecta essas ferramentas ao conceito de BIM (Building Information Modeling), embora o palestrante ressalte não ser um especialista em BIM, focando na perspectiva da transformação digital. • Revit (Autodesk); • Archicad (Graphisoft); • Navisworks; • Tekla Structures; • Bentley Systems. Esses softwares permitem que todas as disciplinas do projeto (arquitetura, estrutura, elétrica, hidráulica, etc.) trabalhem de forma colaborativa e integrada no mesmo modelo. Principais vantagens do BIM: • Coordenação entre projetos – Evita conflitos como canos passando dentro de pilares, por exemplo. • Redução de custos e retrabalho – Com mais precisão nos projetos, há menos erros na obra. • Simulação e planejamento de obras – Cronogramas (4D) e orçamentos (5D) podem ser simulados antes da execução. Gestão de todo o ciclo de vida – Do projeto à operação e manutenção do edifício (até a demolição, se necessário). • Sustentabilidade – Permite analisar o desempenho energético e impactos ambientais do edifício antes da construção. 19:05‘‘É impossível aprender aquilo que a gente tem certeza que já sabe. ’’ Definindo a Transformação Digital e suas Forças Dominantes Este capítulo centraliza-se na definição de transformação digital, explorando o que ela não é e apresentando uma perspectiva baseada em quatro forças dominantes. Inicialmente, são mencionadas definições comuns que são consideradas insuficientes: a listagem de buzzwords tecnológicas (como IA, NFT, blockchain, chatbot), a simples implementação de um app ou e-commerce, ou a adoção de modelos de plataforma como Uber ou a GIG economy. Também é criticada uma definição genérica de uma grande consultoria que descreve a transformação digital como um componente chave da estratégia empresarial, permitindo adaptação e inovação. A proposta do capítulo é decompor o termo em “transformação” e “digital”. Para definir “digital”, são apresentadas quatro forças dominantes: • Tudo o que puder ser digitalizado no universo será digitalizado; • Tudo que puder ser automatizado, será automatizado; • Tudo o que puder ser personalizado será personalizado; 23:00 BIM é um processo integrado que permite criar e gerenciar representações digitais de uma construção, contendo dados gráficos (formas, volumes) e dados não gráficos (materiais, custos, cronograma, desempenho, manutenção, etc.). EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO R e sp o st a d e st a p á g in a : v e rd a d e ir o . 13 • Tudo o que puder ser distribuído será distribuído. Para ilustrar essas forças, são apresentados os exemplos da Tempo (uma academia digital em casa que usa o celular como sensor para análise de treino, representando digitalização e automação) e da Trigon (uma startup israelense com tecnologia para supermercados autônomos, similar ao Amazon Go, utilizando câmeras e IA para digitalizar a experiência de compra). Um vídeo da Trigon demonstra essa tecnologia. AULA 1 • PARTE 3 Introdução à Experiência de Uso e Alertas de Consumo A experiência de uso de um dispositivo vestível de monitoramento de saúde é inicialmente apresentada, com a ressalva de que o consumo de bateria pode ser alto. Apesar de as informações em tempo real poderem parecer estáticas, um acompanhamento ao longo de algumas horas revela um gráfico corrigido e informativo. Um exemplo prático ilustra como o dispositivo pode registrar picos de calorias consumidas em momentos inesperados, servindo como um lembrete de consumos muitas vezes não contabilizados conscientemente, como pequenos lanches ou entradas. Essa funcionalidade atua como um alerta para um consumo mais consciente e para hábitos de saúde mais cuidadosos. 00:00 Cartões de Crédito Premium e a Sustentabilidade O conceito de cartões black, ou premium, é introduzido como instrumentos financeiros com altos ou ilimitados limites de gasto, oferecidos a clientes com grande potencial de consumo. A questão da sustentabilidade é levantada em relação ao estímulo ao consumo proporcionado por esses cartões. A premissa de que nada é mais sustentável do que não comprar é enfatizada, argumentando que mesmo o consumo de produtos verdes ou sustentáveis gera impacto ambiental devido à produção e ao deslocamento. Em seguida, é apresentado o caso do Do Black, um cartão de crédito premium que calcula automaticamente a pegada de carbono dos gastos do usuário. Esse cartão implementa um limite de gastos baseado nas emissões de CO2, bloqueando compras ao atingir um patamar predefinido para evitar umimpacto ambiental excessivo. Essa iniciativa, originada na Suécia pela fintech Doconomy, visa reduzir as emissões de carbono em linha com as recomendações da ONU para 2030. O Do Black se diferencia por limitar o impacto ambiental em vez do limite financeiro, rastreando a pegada de carbono de cada compra. 01:49 02:37‘‘Nada é mais sustentável do que não comprar. ’’ 14 A parceria com a Mastercard é mencionada como um facilitador para a implementação desse tipo de solução. Personalização e Novas Abordagens no Varejo e Saúde A aula aborda a crescente importância da personalização, ilustrada pelo exemplo da Taylor, uma marca de roupas que não utiliza tamanhos padronizados (PP, M, G), mas sim a inicial do nome do cliente. A personalização vai além do tamanho, permitindo a escolha de detalhes como gola, botões e mangas. O processo de escaneamento corporal através do celular para a criação de moldes digitais sob medida é descrito como mais preciso, rápido e barato que a alfaiataria tradicional. Outro exemplo de hiperpersonalização é o smart absorvente criado pela fundadora da empresa que vendeu sua organização focada em ozônio. Esse absorvente inteligente coleta amostras de sangue menstrual, permitindo a detecção precoce de biomarcadores para diversas condições de saúde, como o câncer de mama. 07:06 05:11 Doconomy: A Doconomy é uma fintech sueca fundada em 2018, especializada em soluções financeiras sustentáveis. Seu principal produto é o serviço DO, que permite aos consumidores monitorar e reduzir sua pegada de carbono associada às compras diárias. PALAVRA-CHAVE A Força da Distribuição e o Futuro dos Negócios A quarta força dominante da distribuição é apresentada através do case da Robô Marte, inicialmente um varejo autônomo que evoluiu para um serviço de entrega da loja. Em vez de o cliente se deslocar até o produto, a loja inteira (ou um quiosque, no caso de algumas marcas como a Chilli Beans) vai até o consumidor. Essa abordagem permite experimentar e interagir com os produtos no conforto do seu espaço. A ideia de fragmentação do varejo tradicional é explorada, com a possibilidade de robôs autônomos especializados em nichos de produtos (PET, queijos, óculos de sol). O conceito de descentralização é também ilustrado pelo Phantom Chess Board, um tabuleiro de xadrez que permite jogar partidas presenciais contra oponentes remotamente, utilizando um mecanismo preciso para mover as peças fisicamente. Finalmente, o Perso da L’Oréal é apresentado como um exemplo que engloba as quatro forças dominantes (digitalização, personalização, automação e distribuição). Esse dispositivo cria maquiagem personalizada (base, batom, sombra e sérum) sob demanda, considerando fatores como tom de pele, formato do rosto, condições ambientais e a roupa do usuário. 10:19 15 A aula conclui com a discussão sobre como as quatro forças dominantes impactam diferentes mercados, com a construção civil sendo um exemplo de um setor com menor presença dessas forças, representando uma oportunidade para inovação. São apresentados três modelos de empresas coexistentes: o clássico, o de plataforma e o da Web3, mostrando uma evolução na aplicação dessas forças. A estrutura, a interface e a forma de atuação das forças dominantes são cruciais para entender o nível de transformação digital de uma organização. AULA 1 • PARTE 4 Inicialmente, explora-se o conceito de transformação digital através da análise de diferentes interfaces no setor da moda. Apresentam-se três tipos principais de interação entre consumidores e marcas: a interface não digital, exemplificada por uma loja física tradicional de roupas masculinas, onde a experiência é mais tangível e presencial. Em seguida, discute- se a interface digitalizada, como um e-commerce convencional que replica a lógica da loja física no ambiente online, funcionando como um “scanner gigante” da loja. Por fim, introduz-se a interface pensada no digital, exemplificada por um alfaiate que opera com uma lógica completamente diferente, oferecendo roupas sob medida. A perspectiva apresentada sugere que o e-commerce tradicional está mais próximo da loja física do que de um modelo de negócio concebido para o ambiente digital. As Três Interfaces e a Moda 00:00 Expansão do Conceito para Outros Setores O conceito das três interfaces é então aplicado ao setor de supermercados, distinguindo entre o supermercado físico tradicional (não digital) e o e-commerce de supermercado (digitalizado). Nesse contexto, é introduzido o conceito de um modelo cansadamente digital, representado por um robô autônomo de entrega como o Robomart que opera com uma lógica distinta do e-commerce tradicional. Segue-se a exibição de um vídeo (00:04:33) que apresenta a visão da empresa Nuro, focada em melhorar a vida cotidiana através da robótica, com veículos autônomos para o transporte de mercadorias. O vídeo detalha a evolução de seus veículos autônomos (R1, R2, e a terceira geração), destacando seu objetivo de tornar as compras locais mais sustentáveis e eficientes. A experiência da Nuro, que inclui entregas de supermercado e até de pizza, ilustra a aplicação prática de um modelo de negócio pensado para a economia digital. 03:18 16 Tangibilidade, Intangibilidade e a Medição da Transformação Digital A discussão retorna à ideia das três interfaces, com a sugestão de que o e-commerce poderia estar mais próximo do modelo não digital do que do modelo totalmente digital. A questão da transformação digital em diferentes tipos de negócios é levantada, como no caso de uma empresa de embalagens, explorando como um negócio aparentemente não digital pode se inserir no contexto da digitalização. É apresentado o exemplo da Silo através de um vídeo (00:11:04), um sistema de armazenamento de alimentos com tecnologia integrada, incluindo selagem a vácuo e controle por voz via Alexa, representando uma embalagem pesadamente digital. A aula então aborda a dicotomia entre digital e digitalizado em diversos setores, como saúde (telemedicina), bancos (bancos digitais como Nubank e Banco Inter), eventos (audiências virtuais) e educação (aprendizagem digital). É introduzida a importância de avaliar a natureza do produto ou serviço e sua tangibilidade ou a economia do contato para entender o grau de digitalização. Distinguem-se três categorias: negócios que exigem presença (salão de beleza, Uber), negócios que lidam com o tangível (supermercado com delivery), e negócios que oferecem o intangível (cursos online, design de estampas digitais). A distinção entre o produto final e a natureza do serviço é enfatizada, usando o exemplo de carros (Uber - presença, montadora - tangível, agregador de locadoras como Discovery Cars - intangível). É apresentada uma metodologia para medir a transformação digital, baseada na análise da diversificação das iniciativas da empresa em relação a três eixos: estrutura, interface e tangibilidade, influenciados pelas quatro forças dominantes (não especificadas na transcrição). Essa metodologia utiliza uma matriz para visualizar e pontuar o nível de transformação digital das diferentes iniciativas da organização, com o objetivo de promover o autoconhecimento e a diversificação estratégica. 09:21 11:04 SILO: sistema de armazenamento de alimentos que utiliza selagem a vácuo e inteligência artificial para manter os alimentos frescos por mais tempo. Representa uma embalagem “pesadamente digital”. PALAVRA-CHAVE Autoavaliação e a Definição de Transformação Digital A própria empresa responsável pela metodologia para medir a transformação digital, realiza uma autoavaliação utilizando a matriz, exemplificando como diferentes iniciativas (cursos presenciais, eventos com convidados, projetos específicos) se posicionam nos quadrantes definidos pelos eixos. Essa autoanálise demonstra como a ferramenta pode auxiliar na identificaçãode oportunidades de diversificação e na avaliação da estratégia digital. Finalmente, é apresentada a definição de transformação digital como uma estratégia de diversificação das iniciativas da organização, levando em consideração pelo menos estrutura, interface e tangibilidade, e orientada pelas quatro forças dominantes. Essa definição busca ser mais abrangente e orientadora do que as definições superficiais comuns. É feita a previsão de que, em um futuro próximo, todas as empresas tenderão a se tornar escolas e fintechs, dada a crescente importância do intangível e da gestão de ativos. O encontro se encerra com uma breve introdução aos temas que serão abordados na próxima aula. 24:52 17 29:38‘‘Transformação digital para gente é: uma estratégia de diversificação das iniciativas da organização, levando em conta pelo menos três eixos - no caso aqui estrutura, interface, tangibilidade - e se orientando pelas quatro forças dominantes. ’’ EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO Qual o principal objetivo da transformação digital para uma organização? R e sp o st a d e st a p á g in a : a lt e rn a ti v a 4 . AULA 2 • PARTE 1 Os Desafios da Transformação Digital e o Novo Consumidor A transformação digital representa um desafio considerável, não apenas para grandes organizações que frequentemente enfrentam dificuldades em implementá-la, mas também para empresas menores. Mesmo as estruturas mais leves e ágeis podem encontrar obstáculos, muitas vezes devido à desatenção a pontos cruciais. Um dos primeiros passos e uma dica fundamental para enfrentar esse desafio é reconhecer e não negar a existência de um novo tipo de consumidor. Este consumidor é descrito como naturalmente, nativamente e intuitivamente digital. Existe uma tendência a descartar o comportamento desse grupo, rotulando-o pejorativamente, mas essa visão é equivocada. drasticamente de gerações anteriores. 00:33 Compreendendo o Consumidor Digital Através de Exemplos A compreensão desse novo consumidor pode ser aprofundada através de exemplos concretos. Um deles é a história de um jogador de Dota 2 que, por ter jogado nos primórdios do game (“quando tudo era mato”), possui um item (a Dragon Clock) que, embora adquirido por um valor baixo inicialmente (R$ 50 em 2013), se valorizou enormemente (R$ 2.617 em 2024). Mais importante que o valor monetário, esse item confere um status de “jogador raiz”, semelhante ao status associado a marcas de luxo como Ferrari ou BMW. Isso demonstra como valor e status podem ser construídos no ambiente digital de formas não tradicionais. 01:16 18 Na realidade, esse segmento possui um poder de compra e uma capacidade de decisão significativos. Explorar o modo de pensar dessas pessoas, que se manifestam de forma mais digital, pode oferecer aprendizados valiosos. A forma como eles interagem com a informação e com os produtos, por exemplo, pode diferir drasticamente de gerações anteriores. Outro exemplo ilustra a diferença de percepção sobre o valor do consumo entre gerações. Em um diálogo familiar, a compra de itens digitais baratos (“skins” para jogos) é vista como desperdício pelo pai, enquanto gastos muito maiores com itens físicos de luxo (uma bolsa cara) são liberados. Isso questiona a ideia de que temos um pensamento genuinamente digital, pois muitas vezes resistimos a valores digitais enquanto gastamos fortunas em bens físicos que nem sempre utilizamos. O simples fato de algo ser “de átomos” pode gerar uma percepção de valor diferente. Um terceiro exemplo notável é a forma como um conhecido youtuber comprou sua casa. Ele encontrou o terreno pela internet, sem visitá-lo, e contratou o arquiteto também através de uma busca online. Para descrever o projeto da casa ao arquiteto, ele utilizou o jogo Minecraft no modo criativo, construindo a casa com blocos como um forno. Embora a referência possa ter parecido incomum para o arquiteto, para ele fazia sentido dentro da lógica do ambiente digital em que ele navega com facilidade. Esses exemplos, vindos inclusive de cidades menores como Taubaté, mostram que o comportamento digital avançado está disseminado e deve ser considerado como um dado concreto, não uma opinião solta. 08:34‘‘Será que a gente não é a pessoa que reclama das coisas digitais e fica resistindo aos valores digitais, quando na verdade eles estão muito mais presentes na nossa vida? E a gente gasta uma fortuna para ter a posse de coisas que às vezes a gente nem usa. ’’ A Ignorância Sofisticada como Ferramenta de Conhecimento Uma segunda dica crucial para a transformação digital é permitir-se ser ignorante, mas não na acepção negativa do termo. Existem duas formas de ignorância: a do teimoso e datado que se orgulha de sua opinião imutável, e a do curioso e empreendedor, que vê na ignorância um caminho para novas descobertas e aprendizados. A ignorância benéfica é aquela que impulsiona a busca por conhecimento. Stuart Firestein, um filósofo da ciência, sugere que o objetivo não é eliminar a ignorância, mas sim desenvolver uma “ignorância mais sofisticada”. Conhecimento não deve ser apenas um repertório acumulado, mas um repertório que nos capacite a fazer melhores perguntas. A metáfora do conhecimento como um copo ilustra essa ideia. A visão tradicional é encher o copo com conhecimento para “zerar o jogo”, mas na realidade, quanto mais aprendemos, maior o copo se torna, e a proporção entre o que sabemos (água no copo) e o que não sabemos (parte vazia) permanece similar. 15:14 26:00 Synthesia: Software/tecnologia que cria avatares digitais realistas (bip fax, digital humans) para ambientes virtuais, usado para criar conteúdo online em várias línguas e sotaques. Utilizado pelo orador para criar seu próprio avatar e ministrar uma palestra. PALAVRA-CHAVE 19 O objetivo não é transbordar o copo, mas fazê-lo crescer, aumentando nossa capacidade de fazer perguntas mais profundas e inéditas. Essa abordagem pode ser aplicada a sinais de futuro, como o “Lobo Mart”, um quiosque robótico. Em vez de simplesmente notar sua existência, uma ignorância sofisticada leva a questionamentos sobre seu impacto no varejo, nos contratos de aluguel de shopping centers, no mercado imobiliário e no valor de lojas físicas. Da mesma forma, tecnologias como a Synthesia, que cria avatares digitais capazes de falar em diversas línguas, não devem ser apenas observadas. Ao se fazer perguntas sobre ela, emergem insights sobre o futuro dos digital influencers, a superação de barreiras linguísticas e de mercado, e a redefinição da própria presença em ambientes digitais, como demonstrado pela experiência de usar um avatar para ministrar uma palestra em um centro de inovação internacional sem que a diferença fosse notada. Buscar essa ignorância sofisticada e as perguntas que ela gera é fundamental ao se deparar com novas tecnologias. Na gestão, a cultura é frequentemente destacada como crucial. Uma frase popular afirma que “a cultura come a estratégia no café da manhã”. Isso significa que uma estratégia, por melhor elaborada que seja, será ineficaz se a cultura da organização não a incorporar. Cultura pode ser definida como aquilo que as pessoas fazem sem que ninguém peça. Se a pontualidade existe apenas porque há um controle de ponto e punições, isso não reflete uma cultura de pontualidade. A cultura genuína surge quando comportamentos desejados ocorrem espontaneamente. No entanto, essa frase sobre cultura precisa de um complemento: “sistema como cultura no almoço”. Toda cultura é, em última instância, resultado de um sistema. Os sistemas implementados em uma organização, como a forma de remuneração (por exemplo, bônus trimestrais), podem incentivar comportamentos específicos (tomada de decisão de curto prazo) que, por sua vez, moldam a cultura (cultura de curto prazo). Esperar decisões de longo prazo em um sistema que recompensaresultados rápidos é inconsistente. Compreender essa dinâmica entre sistema e cultura é vital para a gestão. Experiências em empresas com culturas notáveis, como a Zappos, que chegou a ser considerada uma das empresas com a cultura mais interessante do mundo, podem oferecer aprendizados. O programa Zappos Insights permitia imergir em sua cultura. O ex-CEO da Zappos, Tony Hsieh, sugeriu que um framework útil para entender cultura pode ser encontrado no livro “Tribal Leadership”. Baseado em uma pesquisa ampla, este livro identifica cinco tipos de “tribos” que coexistem em organizações. A tese do livro oferece uma perspectiva valiosa sobre gestão de pessoas e a construção cultural através dos sistemas internos. Cultura e Sistema na Gestão37:34 38:49‘‘Toda cultura é resultado de um sistema ’’ A transformação digital representa um desafio considerável, não apenas para grandes organizações que frequentemente enfrentam dificuldades em implementá-la, mas também para empresas menores. EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO R e sp o st a d e st a p á g in a : v e rd a d e ir o . 20 AULA 2 • PARTE 2 As Cinco Tribos da Cultura Corporativa A cultura organizacional pode ser entendida através de diferentes “tribos” que coexistem dentro dela. Essas tribos variam em egoísmo e generosidade, e sua percepção é influenciada pela experiência de quem as observa, especialmente a liderança. Cada tribo tem um impacto distinto na dinâmica da empresa. A primeira tribo, os membros desgarrados (2%), estão desconectados do grupo, geralmente por questões pessoais, como problemas de saúde, familiares ou esgotamento. Isso gera uma desconexão, impactando negativamente o coletivo. A segunda tribo, as vítimas apáticas (25%), não só não contribuem, como prejudicam a organização. Com uma autoimagem distorcida, percebem os feedbacks como injustos e criam barreiras burocráticas para se sentirem importantes, dificultando inovação e trabalho colaborativo. A terceira tribo, os guerreiros solitários (49%), são pessoas que aparentam estar engajadas, mas buscam crescimento pessoal, muitas vezes manipulando e criando conflitos. Focadas em si mesmas, sabotam o sistema para seu próprio benefício, prejudicando a organização. Essas duas tribos (74% da organização) frequentemente dificultam a inovação e transformação digital, tornando essas mudanças desafiadoras. A quarta tribo, os verdadeiramente engajados (22%), são aqueles que têm orgulho da organização e trabalham com dedicação. Contudo, tendem a ver sua empresa como superior à concorrência, o que pode limitar seu potencial colaborativo. A quinta tribo, a inocência maravilhada, são pessoas que além de terem orgulho da organização, reconhecem o valor dos concorrentes e acreditam no compartilhamento de conhecimento como algo benéfico para todos. Elas entendem que a colaboração fortalece a todos, sendo essenciais para uma cultura de inovação e transformação digital. 00:00 Mapeando a Cultura Organizacional: Os Oito Arquétipo A cultura organizacional pode ser analisada e gerenciada de forma mais sistemática, além da percepção intuitiva. Um modelo útil para entender os arquétipos culturais de uma organização é apresentado em um artigo da Harvard Business Review. Este modelo é baseado em uma pesquisa abrangente envolvendo líderes e empresas em diversos países. A matriz cultural resultante é definida por dois eixos comportamentais. O eixo horizontal trata de como as pessoas tomam decisões e trabalham no dia a dia: de forma mais independente (com mais autonomia) ou mais interdependente (mais coletiva). O eixo vertical refere-se a como as pessoas respondem à mudança: sendo mais flexíveis (abertas ao risco) ou mais estáveis (seguras). Nenhuma dessas posições nos eixos é inerentemente certa ou errada; cada uma possui pontos positivos e de atenção. A combinação desses eixos forma quatro quadrantes, dentro dos quais se encontram oito estilos de cultura ou arquétipos: • Acolhimento: Ênfase em ser uma grande família, cuidado mútuo. • Propósito: Empresas socialmente engajadas, orientadas por uma causa. • Aprendizado: Cultura de rápido aprendizado, aberta a mudanças, como vista em empresas de tecnologia. • Desfrute: Foco em um ambiente de trabalho divertido e prazeroso, comum em algumas startups. • Resultado: Orientação para resultados financeiros e alta performance. • Autoridade: Hierarquia respeitada, estrutura de comando clara. 14:19 21 Identificar a qual tribo uma pessoa pertence pode ser feito observando seu comportamento e fala. Desconexão e problemas pessoais caracterizam os membros desgarrados. A vítima apática se vitimiza e cria burocracia. Os guerreiros solitários buscam benefícios próprios, enquanto os engajados têm orgulho da empresa, mas criticam a concorrência. A inocência maravilhada compartilha conhecimento e valoriza outros. • Segurança: Foco em processos, ordem e aversão a riscos, comum em indústrias com operações de alto risco. • Ordem: Ênfase em processos, regras e procedimentos. Esses arquétipos podem ser usados para definir o perfil cultural predominante de uma organização, geralmente identificando um ou dois como os mais importantes. Estudos indicam que, frequentemente, os arquétipos de Resultado e Acolhimento aparecem como prioritários na maioria das organizações. A cultura muitas vezes se apresenta com uma fachada de acolhimento e diversão (“somos uma grande família”, “é legal trabalhar aqui”), mas com uma exigência subjacente de alta performance e resultados (“temos um pedágio: alta performance”). A matriz permite analisar a cultura real (como os colaboradores a percebem) e a cultura aspiracional (como a empresa gostaria que fosse percebida ou como os colaboradores gostariam que fosse). Ferramentas baseadas neste modelo coletam dados para identificar o “ponto gravitacional”, o centro da percepção cultural real, e o comparam com o aspiracional, revelando o distanciamento entre discurso e prática. Essas ferramentas também podem mensurar indicadores específicos como ambiente, inovação, segurança psicológica, justiça, transparência e confiança. Adicionalmente, é possível analisar o “legado cultural”, comportamentos e crenças residuais que persistem na cultura. A transformação de sentimentos e intangíveis em dados tangíveis e mensuráveis é crucial para uma gestão cultural eficaz. A cultura futurista, essencial para a inovação e transformação digital, é descrita como a combinação de duas áreas da matriz: Aprendizado e Acolhimento. Essas são consideradas as “asas da cultura futurista”; é necessário equilibrar a busca por aprendizado, inovação e abertura ao risco com a colaboração e o cuidado mútuo para que a cultura possa avançar em direção ao futuro. 17:01 Zappos (empresa): E uma empresa americana de comércio eletrônico, conhecida por sua excelência em atendimento ao cliente e sua cultura organizacional, que a tornou um case de sucesso no varejo online. PALAVRA-CHAVE 08:17‘‘Gestão do conhecimento não é um jogo de soma zero. Para eu ganhar conhecimento você não tem que perder conhecimento. ’’ 27:09‘‘Se a gente não transforma sentimentos em dados, a gente não vai conseguir fazer a melhor gestão. ’’ 22 Além da Dicotomia: Tecnologia e o Humano Um obstáculo significativo no processo de transformação digital é a tendência a cair na dicotomia falsa de “tec versus humano”. Essa falácia lógica, chamada princípio do terceiro excluído, sugere que apenas existem dois mundos mutuamente exclusivos: o tecnológico (não humano) e o humano (não tecnológico). No entanto, essa visão ignora a vasta gama de possibilidades onde tecnologia e humanidade coexistem e se complementam. Frequentemente, quando se deseja enfatizar o aspecto humano de um ambiente de trabalho – o respeito pelas pessoas, a busca por felicidade e alegria – a tecnologia é negada. Muitas organizações apoiam-se nesse erro lógicopara criar ambientes que se consideram super humanos e acolhedores, mas que acabam se distanciando da transformação digital. Acredita-se que o futuro reside no lugar do “e”, não do “ou”. A negação de um em favor do outro representa um retrocesso, enquanto a combinação de “tecnológico e humano” indica avanço. Essa reflexão sobre a dualidade “natural versus artificial” ou “humano versus tecnológico” levanta questões profundas. Por que uma colmeia de abelha é considerada natural, mas uma casa impressa em 3D é artificial, se ambos são produtos da atividade construtiva de animais (abelhas e humanos) que transformam a natureza? Por que o mel é visto como alimento natural e a carne de laboratório como artificial, se ambos resultam da transformação da natureza por seres vivos (abelhas e humanos)? Hipóteses para essa distinção incluem a intervenção humana como um “pedágio” que desnatura algo, ou talvez seja apenas uma percepção criada por nós. A exploração dessa distinção nos convida a questionar nossas definições de natural e artificial e a considerar a tecnologia não como algo oposto à natureza ou à humanidade, mas como parte de uma continuidade ou evolução. 27:35 A Pirâmide da Tecnologia e a Próxima Natureza A relação entre tecnologia, natureza e humanidade pode ser vista de uma perspectiva que desafia as dicotomias tradicionais. Um conceito fundamental nesse sentido é o de Nexo Nature, que propõe que, assim como um peixe não percebe que está molhado, estamos tão imersos em tecnologia que muitas vezes não a reconhecemos como tal em nosso ambiente. A tecnologia, neste contexto, pode ser entendida amplamente como tudo que surge após o nosso nascimento; coisas como cadeiras, roupas e óculos não são percebidas como tecnologia porque já existiam quando nascemos, ao contrário de celulares ou inteligência artificial. A transformação de uma ideia tecnológica em algo naturalizado segue um processo de sete etapas, ilustrado pela Pirâmide da Tecnologia. Essas etapas representam a jornada da tecnologia desde sua concepção até se tornar parte integrante e invisível de nosso ambiente. As etapas são (baseadas na descrição do modelo): • Imaginada (Envisioned): Onde a tecnologia começa como um sonho, ideia ou visão. É o reino dos sonhadores e escritores de ficção científica. • Operacionalizada (Operational): Existe um protótipo funcional, mas ainda requer investimento e pesquisa significativos para avançar. • Aplicada (Applied): A tecnologia se torna disponível e acessível, embora possa enfrentar desafios econômicos ou fundamentais (como objeções morais) para aceitação ampla. • Culturalmente Aceita (Accepted): A tecnologia é amplamente adotada pela sociedade. 31:59 23 5. Vital (Vital): É difícil viver sem a tecnologia; sua remoção causaria uma crise na sociedade. Exemplos incluem sistemas de saneamento básico ou a internet. 6. Invisível (Invisible): A tecnologia se torna tão integrada que não a reconhecemos mais como tecnologia. Exemplos incluem o alfabeto ou o relógio. Neste nível, a tecnologia pode se tornar muito poderosa e até mesmo nos “domesticar”. 7. Naturalizada (Naturalized): A tecnologia se torna indistinguível da natureza, vista como parte integrante do ambiente. Exemplos históricos incluem a agricultura ou a tecnologia de cozinhar alimentos. AULA 2 • PARTE 3 O Crescimento Exponencial e as Leis da Tecnologia O estudo de futuros frequentemente aborda o conceito de pensamento exponencial, diferenciando-o do pensamento linear. Enquanto o pensamento linear avança passo a passo de forma aditiva (1, 2, 3, 4...), o pensamento exponencial avança dobrando a cada passo (1, 2, 4, 8...). Embora inicialmente possa parecer linear, a curva exponencial atinge um ponto de inflexão onde o crescimento se torna muito rápido. Uma característica fundamental é que o último passo de um crescimento exponencial é maior do que a soma de todos os passos anteriores. Compreender essa lógica é desafiador para o ser humano, cuja vida e organização social são estruturadas de forma linear. A evolução tecnológica, especialmente na computação, ilustra o crescimento exponencial. A Lei de Moore, formulada por Gordon Moore, cofundador da Intel, na década de 1960, observou que a complexidade dos componentes de custo mínimo em circuitos integrados dobrava aproximadamente a cada ano (posteriormente ajustado para a cada dois anos). Isso significou que a potência dos microchips dobrava, ou seu tamanho/custo era reduzido pela metade, resultando em um potencial tecnológico milhares de vezes maior hoje do que os supercomputadores da época da previsão inicial. 00:00 Eras da Humanidade e Revoluções Pós-Digitais A história da humanidade pode ser vista através de grandes eras e revoluções, como proposto por Alvin Toffler em seu livro A Terceira Onda. Ele descreveu a história em três eras principais: a era agrícola (pós- pré-história), a era industrial (marcada pela Revolução Industrial) e a era da informação, também conhecida como era digital ou da internet, impulsionada pela Revolução da Informação. A era agrícola, ao sedentarizar o ser humano e criar infraestrutura social e cultural, foi fundamental para a Revolução Industrial, que por sua vez construiu a infraestrutura (microchip, redes, satélites) que possibilitou a revolução digital. A infraestrutura digital, por sua vez, serve de base para novas transformações. Em um livro de 2009, Ray Kurzweil defendeu a chegada de três revoluções pós-digitais, possivelmente por volta de 2029: GNR, acrônimo para Genética (G), Nanotecnologia (N) e Robótica (R), sendo a Robótica associada à Inteligência Artificial (IA). Embora a precisão da data ou a simultaneidade dessas revoluções 08:37 A cultura organizacional pode ser entendida através de diferentes “tribos” que coexistem dentro dela. Essas tribos variam em egoísmo e generosidade, e sua percepção é influenciada pela experiência de quem as observa, especialmente a liderança. EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO R e sp o st a d e st a p á g in a : v e rd a d e ir o . 24 A Lei de Kurzweil expande essa ideia, argumentando que não é apenas o microchip que evolui exponencialmente, mas sim as tecnologias de informação e a computação como um todo, desde seus primórdios com computadores de cartão perfurado, relés, válvulas a vácuo, transistores e circuitos integrados. Embora haja debates sobre barreiras físicas futuras para o microchip, a evolução exponencial pode continuar em novas eras computacionais, como a computação quântica ou a integração de neurônios e silício. A Inteligência Artificial (IA) é um exemplo atual de tecnologia que atingiu seu ponto de inflexão, tornando-se uma revolução amplamente discutida a partir de 2023 com marcos como o ChatGPT. não sejam certas, a crença é que a IA, como uma revolução pós-digital, pode acelerar o desenvolvimento das outras duas. É crucial entender que a era digital e a era da IA são distintas; a internet e a infraestrutura digital são o alicerce para a revolução da inteligência artificial, genética e nanotecnológica. O digital se apresenta como uma “língua não negociável” no futuro que se revela. Entender o pensamento exponencial e a teoria GNR ajuda a perceber que o digital não é o fim do jogo, mas apenas o primeiro passo em um tabuleiro que evolui. Ignorar a ascensão da IA, que já faz parte da vida, é negar os fatos e dados que demonstram essa revolução. 07:53 Biotecnologia: A biotecnologia é uma área do conhecimento que envolve o uso de organismos vivos, células ou componentes biológicos para desenvolver ou criar produtos e processos que atendam a necessidades humanas. Ela combina biologia, química, genética e engenharia para inovar em diversos setores, como saúde, agricultura, indústria e meio ambiente. PALAVRA-CHAVE As Eras da Inteligência Artificial e a Automação Existe uma perspectiva que descreve a história da IAem diferentes “eras” ou estágios, um conceito abordado por pensadores como Rodney Brooks. Seis eras potenciais são identificadas: 1. IA de Árvore de Decisão: Baseada em regras simples e fluxos predefinidos (como chatbots básicos de atendimento). 2. IA Analítica: Capaz de analisar dados estruturados (tabelas) para fazer previsões (ex: otimizar a compra de produtos perecíveis em um supermercado). 3.IA Contextual: Consegue entender o mundo ao redor, reconhecendo imagens, sons, objetos e características (ex: identificar raças de cães ou gêneros de pessoas em fotos). 4. IA Generativa: A era atual, marcada pela capacidade de criar conteúdo como textos, imagens, vídeos e sons, muitas vezes simulando produções humanas. O advento da IA Generativa, simbolizado pelo ChatGPT, desafia profissionais cujas atividades envolvem criatividade e intelecto. 18:19 A Imaginação como Guarda-Rio e o Pensamento Orientado ao Futuro O rápido avanço da IA pode gerar apreensão. Ao desenvolver inteligências artificiais, é essencial estabelecer guarda-rios ou limites para evitar consequências indesejadas para a sociedade. Uma descoberta crucial é que se uma IA for capaz de se imaginar no futuro, ela pode encontrar maneiras de contornar outros guarda-rios. Portanto, um dos principais limites impostos às IAs é a proibição de se imaginarem em cenários futuros. Impedir que a IA se imagine no futuro reserva essa função crucial para os seres humanos. A imaginação torna-se, assim, um dos ativos mais importantes para que o ser humano não seja sobreposto ou automatizado pelo avanço da IA. 26:51 25 5. IA Embarcada (Embodied AI): A futura era onde a IA é integrada a robôs humanoides para executar tarefas físicas, manuais e mecânicas. Atualmente, atividades intelectuais criativas podem estar mais suscetíveis à automação do que trabalhos manuais que exigem destreza física complexa, que são tecnicamente difíceis para robôs. (Neste ponto da aula, foi exibido um vídeo externo entre 00:23:15:00 e 00:24:49:20 demonstrando um robô com capacidades de IA interagindo e realizando tarefas manuais simples.) A tecnologia de hardware (os robôs) e software (a IA) evoluem exponencialmente. A melhoria das gerações de modelos de IA é de uma magnitude difícil de processar (ex: comparando versões do ChatGPT). Uma provocação comum questiona se a IA deveria focar em fazer tarefas que não queremos (lavar louça) para nos liberar para a criatividade, em vez de ela mesma fazer a arte ou a escrita. Na realidade, já existem AIs capazes de auxiliar em tarefas manuais, permitindo que os seres humanos direcionem seu tempo para atividades que consideram mais significativas. Profissionais com imaginação fértil estarão bem posicionados para colaborar com as IAs, formando parcerias fortes. A imaginação oferece um espaço onde os humanos ganham tempo frente à automação. Pensar no futuro pode ser feito de diferentes formas. O pensamento Present Forward consiste em partir do presente e esticá-lo incrementalmente em direção ao futuro. No entanto, essa abordagem faz com que o presente dite a forma do futuro projetado. Uma perspectiva diferente é a de criar um novo modelo que torne o anterior obsoleto, em vez de apenas lutar contra a realidade existente. Essa ideia, atribuída a Buckminster Fuller, sugere uma abordagem de definição do futuro desejado para então trabalhar na sua construção, o que pode ajudar a absorver transformações como a digital e as revoluções pós-digitais de maneira mais eficaz. 27:20‘‘Sabe qual é a única coisa que hoje é inegociável por uma inteligência artificial? É imaginar. ’’ Com base na discussão sobre o “novo consumidor digital” e os exemplos apresentados (como o do jogo Dota 2 e a conversa sobre “skins” vs. bolsa), qual é uma característica fundamental desse consumidor que as organizações devem considerar? EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO R e sp o st a d e st a p á g in a : a lt e rn a ti v a 2 . 26 AULA 2 • PARTE 4 Repensando a Construção de Futuros A forma como usualmente pensamos a construção do futuro envolve esticar o presente, focando menos em construir futuros distintos. Essa abordagem é contrastada com um filtro ou perspectiva que inverte a lógica: começar a construir o futuro a partir do próprio futuro, como quem projeta para 2040 e então realiza um “backtesting” para entender como o presente (ex: 2030) precisa ser. Nesse modelo, o presente serve ao futuro imaginado. Questiona-se a limitação de pensar apenas em “um” futuro, sugerindo a construção de vários futuros possíveis para diferentes setores. A distinção entre construir “do presente para o futuro” e “do futuro para o presente” é fundamental e abordada, citando um livro de Mark Johnson. A forma comum de pensar o futuro é linear, baseada na estrutura e sistema atuais: se possuímos certos recursos ou temos presença em certas regiões, o futuro é visto como uma extensão lógica disso. Essa mentalidade dificulta o exercício de “página em branco”, que consiste em ignorar a estrutura e os recursos presentes, pelo menos momentaneamente, para construir o futuro a partir de uma visão futura desimpedida pelas restrições de hoje. É argumentado que, muitas vezes, é preciso abrir mão de recursos existentes para explorar novos territórios. Uma visão “future- back” (ou “filters back”) auxilia justamente a construir futuros a partir de visões de futuro, e não de presentes simplesmente esticados. 00:00 A Metodologia das Três Ondas para a Transformação Digital Embora existam muitos outros conceitos úteis para a transformação digital, é apresentada uma metodologia específica chamada Três Ondas. Esta metodologia é uma ferramenta para a construção de futuros e mudança em prol do digital, diferente de uma ferramenta de diagnóstico. A metodologia, em seu formato inicial, posiciona a empresa no centro. O processo envolve a identificação de sinais de futuro. A metodologia é estruturada em três ondas: • Primeira Onda: Inclui inovações da concorrência mapeada, ou seja, empresas que atuam no mesmo mercado e jogam o mesmo jogo. Exemplos citados incluem concorrentes diretos de grandes empresas (como Bradesco/Santander para Itaú ou O Boticário/L’Occitane para Natura). • Segunda Onda: Contempla inovações da concorrência não mapeada, novos entrantes, ou aqueles que estão mudando o jogo da indústria. É onde se encontram muitas “techs” (fintechs, edtechs, etc.). • Terceira Onda: Representa a concorrência transversal, olhando para inovações que não são do mercado da empresa central. O valor dessa onda reside na capacidade de adaptar uma inovação de outro mercado para o próprio, potencialmente gerando uma grande revolução e saindo na frente, já que a maioria foca apenas no benchmarking do próprio setor. São apresentados exemplos para ilustrar a aplicação da metodologia em diferentes setores, como fast fashion (Riachuelo) e bancário (Itaú). Em cada caso, exemplos de inovações na primeira, segunda e terceira onda são detalhados, mostrando como ideias de outros mercados (como beleza ou moda para bancos, ou finanças para moda) podem ser adaptadas. 05:04 27 11:13 Geração Z: A Geração Z é o grupo de pessoas nascidas aproximadamente entre 1997 e 2012. Essa geração cresceu em um mundo altamente digitalizado, com acesso à internet, redes sociais e tecnologias avançadas desde a infância. Caracterizam-se pela adaptabilidade tecnológica, diversidade e preocupações com questões sociais, ambientais e políticas. Além disso, muitos da Geração Z buscam um equilíbrio entre vida pessoal e profissional e têm uma forte conexão com causas sociais, como sustentabilidade e inclusão. PALAVRA-CHAVE 09:38 Benchmarking: é o processo de comparar produtos, serviços ou processos de uma empresa com os de outras consideradas líderes no mercado, com o objetivo de identificar boas práticas, melhorar o desempenho e alcançar vantagens competitivas.PALAVRA-CHAVE Casos de Sucesso e Impacto da Metodologia A metodologia das Três Ondas demonstrou eficácia em diversos mercados, mesmo nos considerados difíceis como construção civil e alimentação, que são altamente regulados. A Cyrela é destacada como um cliente que utilizou extensivamente essa metodologia. Todos os esforços de inovação dos cinco anos anteriores, incluindo projetos como Shae, Imovel Club, Spot Lar, Fix, e Grove, passaram pelas Três Ondas. Esses projetos variam desde plataformas de gestão de projetos e condomínios até ferramentas de visualização de imóveis antes da entrega e agregadores de anúncios. O projeto Shae é mencionado como tendo sido a “pedrinha no sapato do By”. O trabalho com a Ambev em 2018 é apresentado como um momento significativo, onde a discussão sobre “fluidez com marca de peso de comida digital” levou a uma conversa sobre e-commerce para marketplaces. Na época, a Ambev focava apenas em vender produtos próprios via e-commerce; a ideia de se tornar um marketplace, vendendo também produtos de terceiros, foi inicialmente recebida com surpresa, mas se tornou um dos embriões 20:57 Leis dos Futuros, Autoconhecimento e Legado Para condensar as discussões, são propostas leis dos futuros, que podem ser úteis tanto na vida profissional quanto pessoal. Uma premissa é que, embora seja importante estar presente em seu tempo, a mente não precisa estar restrita a ele, evitando visões de negócios ou de mundo ultrapassadas. A primeira lei dos futuros afirma que um futuro imaginado não pode ser “desimaginado”. Uma vez que se consegue conceber um futuro (como alimentação via substituição sensorial ou guarda-roupa virtual mais importante que o físico), essa visão se incorpora ao repertório de futuros da pessoa, tornando-se impossível simplesmente não mais pensar nela. A criação desse repertório de futuros leva à segunda lei: automaticamente, ao criar um repertório de futuros, mudamos nosso presente. 28:06 28 para o ecossistema digital da Ambev, incluindo iniciativas como Zé Delivery e Biz, que ganharam força pós-pandemia. Uma experiência marcante foi a conversa com o Ministério Público Federal, um ambiente considerado ainda mais regulado. Ao apresentar conceitos de futuro e transformação digital, incluindo um avatar e fontes de inspiração, foi defendida a inevitabilidade de um Ministério Público mais digital. Subsequentemente, o Ministério Público Federal criou uma unidade de futuros, o que é citado como um grande orgulho profissional, indicando que a metodologia pode funcionar em praticamente qualquer contexto. Um projeto recente e relevante foi a criação de um mapa para a reconstrução do Rio Grande do Sul pós-enchentes de 2024, chamado “1000 Futuros”. Utilizando a metodologia, foram gerados 1000 futuros para o estado, com foco em prevenção de novas enchentes, reconstrução de casas e da indústria agro. Este relatório, que será disponibilizado publicamente, contém 333 sinais de futuro específicos para a construção civil voltados para a reconstrução das casas de quem mais precisa. Enquanto é fácil entender que o passado constrói o presente e o presente constrói o futuro, o conceito de que o futuro constrói o presente é mais difícil de apreender, mas fundamental. É como olhar para o céu, imaginar que vai chover, e no presente pegar um guarda-chuva – a imaginação do futuro impacta a ação presente. Ao visualizar sinais de futuro, o presente é reavaliado e ajustado, e o que era presente rapidamente se torna passado. Esse exercício constante de correção no tempo permite estar mais “no seu tempo”, o que é visto como uma responsabilidade da liderança, pois ela impacta a vida da empresa, das pessoas, de suas famílias e da sociedade. A liderança deve se auto responsabilizar por essa necessidade de ajuste temporal. Conectar-se com futuros, autoconhecimento e agir no presente contribui para a ideia de legado, definido como o que se deixa ou o que se fez. O legado é considerado por alguns como até mais importante que o propósito (intenção). A reflexão final conecta felicidade, autoconhecimento e legado. Autoconhecimento sem felicidade é visto como masoquismo; felicidade sem legado, como egoísmo; e legado sem autoconhecimento, como alienação. A importância de estar corrigido no tempo e de não ser alienado é enfatizada. O objetivo das discussões apresentadas é ajudar o setor a se corrigir no tempo, deixar um legado para o mercado e, individualmente, auxiliar as pessoas a serem mais felizes em seus trabalhos, com maior autoconhecimento, e a contribuir para o setor com uma “ignorância sofisticada” e “inocência maravilhada”. A ideia de que o trabalho deve ser apenas sofrimento é rejeitada. 35:29 Enchentes de 2024 (Rio Grande do Sul): As enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul entre abril e maio de 2024 foram um dos maiores desastres naturais da história recente do estado. Causadas por chuvas intensas associadas ao fenômeno El Niño e ao aquecimento global, as inundações afetaram mais de 2,2 milhões de pessoas, resultando em pelo menos 183 mortes e deixando cerca de 420 mil desalojados. O impacto econômico foi devastador, com prejuízos estimados em R$ 88,9 bilhões, afetando principalmente o setor produtivo (69%) e os setores sociais (21%). A destruição de infraestrutura, como rodovias e sistemas de abastecimento de água, agravou ainda mais a situação. PALAVRA-CHAVE 29 AULA 3 • PARTE 1 Gestão do Conhecimento O foco principal desta parte da aula se volta para a gestão do conhecimento. Busca- se compreender como se chega a este conceito, adotando uma perspectiva que considera tanto o presente quanto o futuro, mas também resgatando elementos do passado. Entende-se que analisar a evolução da sociedade é fundamental para entender a relevância da gestão do conhecimento no contexto atual. A gestão do conhecimento é vista como um motor protagonista nas últimas décadas, com aplicações importantes tanto no âmbito acadêmico e científico quanto em contextos práticos. A discussão sobre a importância da gestão do conhecimento é considerada fundamental. 01:26 A agenda deste encontro é delineada, dividindo-o em etapas menores para facilitar a compreensão e a possibilidade de pausas e revisões. Os tópicos a serem abordados incluem a gestão do conhecimento dentro de seu próprio contexto, a sociedade do conhecimento (contrastando-a com sociedades anteriores), a definição de conhecimento e a distinção entre conhecimento e não conhecimento. A transformação digital, embora já discutida anteriormente, será complementada, buscando integrar os diversos encontros. Serão resgatados os vocábulos VUCA e BANI para analisar as mudanças e o cenário atual que justificam a relevância da transformação digital. A gestão do conhecimento será abordada como uma disciplina acadêmica, com foco em sua natureza eminentemente aplicada e orientada a resultados, sem negligenciar a importância dos conceitos teóricos. A discussão também abrangerá como as organizações estão evoluindo e encarando o futuro, considerando movimentos futurísticos passados. Métodos e ferramentas da gestão do conhecimento serão apresentados, visando fornecer uma visão prática e aplicada, especialmente no contexto da proposta de implementação do BIM como metodologia de trabalho, que é transversal a diversas áreas, incluindo arquitetura e engenharia civil, que constituem o foco principal do curso. O objetivo é oferecer um panorama amplo, preparando para a verticalização em temáticas mais específicas sobre BIM e suas ferramentas. Agenda e Propósito do Encontro02:47 04:10 Mundo VUCA: O Mundo VUCA é um conceito que descreve o ambiente atual em que vivemos, caracterizado por: • Volatilidade (Volatility): mudanças rápidas e imprevisíveis; • Incerteza (Uncertainty): dificuldade de prever o futuro com clareza; • Complexidade (Complexity): muitos fatores