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Quais são as principais vantagens da amamentação? 19.1 INTRODUÇÃO A correta e adequada orientação nutricional na infância é fundamental para favorecer e permitir o crescimento e um desenvolvimento saudável e harmonioso, porém compreende muito mais do que orientações objetivas sobre alimentos. A condução do progresso da alimentação nos primeiros 2 anos de vida, além de garantir bom hábito alimentar futuro, faz parte do amadurecimento global e emocional da criança. Ou seja, a alimentação serve como excelente parâmetro de limites. Em razão da importância da nutrição infantil, o Ministério da Saúde do Brasil, em conjunto com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e com a Organização Pan-Americana da Saúde, estabeleceu os “10 passos para uma alimentação saudável” para crianças menores de 2 anos. Os dez passos para o sucesso do aleitamento materno são: ▶ Ter uma norma escrita sobre aleitamento materno, a qual deve ser rotineiramente transmitida a toda a equipe de serviço; ▶ Treinar toda a equipe, capacitando-a para implementar essa norma; ▶ Informar todas as gestantes atendidas sobre as vantagens e o manejo da amamentação; ▶ Ajudar as mães a iniciar a amamentação na primeira meia hora após o parto; ▶ Mostrar às mães como amamentar e manter a lactação, mesmo se vierem a ser separadas de seus filhos; ▶ Não oferecer ao recém-nascido nenhum outro alimento ou bebida além do leite materno, a não ser com indicação clínica; ▶ Praticar o alojamento conjunto: permitir que mães e bebês permaneçam juntos 24 horas por dia; ▶ Encorajar a amamentação sob livre demanda; ▶ Não oferecer bicos artificiais ou chupetas a crianças amamentadas; ▶ Encorajar o estabelecimento de grupos de apoio à amamentação, para onde as mães devem ser encaminhadas por ocasião da alta hospitalar. Os dez passos para uma alimentação saudável englobam: ▶ Oferecer somente leite materno até os 6 meses, sem água, chás ou quaisquer outros alimentos; ▶ A partir dos 6 meses, introduzir, de forma lenta e gradual, outros tipos de alimento, mantendo o leite materno até os 2 anos; ▶ Após os 6 meses, oferecer alimentos complementares — cereais, tubérculos, carnes, leguminosas, frutas, legumes — três vezes ao dia se a criança receber leite materno ou cinco vezes se estiver desmamada; ▶ A alimentação complementar deve ser oferecida sem rigidez de horário, respeitando-se a vontade da criança; ▶ A alimentação complementar deve ser espessa desde o início e oferecida com colher. Começar com consistência pastosa e, gradativamente, aumentá-la, até chegar à alimentação da família; ▶ Oferecer à criança diferentes alimentos durante o dia. Uma alimentação variada é, também, uma alimentação colorida; ▶ Estimular o consumo diário de frutas, verduras e legumes nas refeições; ▶ Evitar açúcar, café, enlatados, frituras, refrigerantes, balas, salgadinhos e outras guloseimas no primeiro ano de vida; usar sal com moderação; ▶ Cuidar da higiene no preparo e no manuseio dos alimentos e garantir o seu armazenamento e conservação adequados; ▶ Estimular a criança doente e convalescente a se alimentar, oferecendo sua alimentação habitual e seus alimentos preferidos, respeitando a sua aceitação. 19.2 ALEITAMENTO MATERNO O aleitamento materno é fundamental para o desenvolvimento biológico e emocional do ser humano. Nenhum outro alimento é capaz de associar todos os aspectos benéficos ao recém-nascido (RN). A mãe também é globalmente beneficiada, porém é importante ressaltar que o sucesso depende de orientação e acompanhamento adequados. Entre as vantagens para a mãe, encontra-se o efeito contraceptivo. O aleitamento materno exclusivo garante até 98% de anovulação, pois os métodos contraceptivos são indicados apenas um mês após o parto, com preferência por pílulas de progesterona, visto que o estrogênio pode levar à hipogalactia e feminilização. Principais vantagens do aleitamento: ▶ O leite materno atende a todas as necessidades nutricionais e metabólicas até os 6 meses de vida, reduzindo a desnutrição e as patologias decorrentes; ▶ É absolutamente viável do ponto de vista econômico, sem riscos de contaminação, além de ser acessível a qualquer momento; ▶ Confere proteção imunológica eficaz contra os patógenos prevalentes na infância, reduzindo significativamente a morbimortalidade infantil; ▶ Confere proteção para as doenças alérgicas, além de prevenir obesidade, colesterol alto e diabetes; ▶ Oferece condições ideais para a interação mãe-filho, reforçando o afeto entre ambos; ▶ Contribui para o desenvolvimento cognitivo; ▶ Reduz o sangramento pós-parto e leva a involução uterina mais rápida; ▶ Aumenta o intervalo entre as gestações; ▶ Reduz o risco de câncer de mama e de ovário e pode reduzir o risco de osteoporose no período pós-menopausa; ▶ Faz retornar mais rapidamente ao peso pré-gestacional; ▶ A digestão do leite materno é mais fácil, o que diminui a chance de enjoos e cólicas. 19.2.1 Definições de aleitamento ▶ Aleitamento materno exclusivo: a criança recebe somente o leite materno, direto da mama ou ordenhado, ou leite humano pasteurizado de outra fonte, sem outros líquidos ou sólidos, com exceção de medicamentos, suplementos minerais e vitaminas; ▶ Aleitamento materno predominante: a criança recebe, além do aleitamento materno, água ou bebidas à base de água e sucos de frutas — recomendado apenas a partir do 6º mês de vida; ▶ Aleitamento materno: a criança recebe leite materno — direto da mama ou ordenhado — independentemente de receber outros alimentos ou não; ▶ Aleitamento materno complementado: a criança recebe, além do leite materno, qualquer alimento sólido ou semissólido com a finalidade de complementá-lo e não de substituí-lo; ▶ Aleitamento materno misto ou parcial: a criança recebe leite materno e outros tipos de leite — fórmula láctea. 19.2.2 Principais características do leite humano O leite humano maduro apresenta, de uma maneira geral, menor quantidade de proteína que o de vaca, o que diminui a sobrecarga renal, respeitando a maturidade renal do lactente, além de fornecer todos os aminoácidos essenciais. A proteína encontrada em maior quantidade no leite materno é a alfalactoalbumina humana, de fácil digestão e assimilação. Há, também, proteínas relacionadas à imunidade, como as imunoglobulinas, as lisozimas, a lactoferrina, as interleucinas etc. A lactoferrina é uma proteína de alta afinidade pelo ferro e, por quelar esse elemento, diminui sua disponibilidade para patógenos como E. coli, Staphylococcus sp. e Candida albicans, inibindo a sua proliferação. Os lipídios são responsáveis por cerca de 50% das calorias do leite materno e fornecem os ácidos graxos essenciais e colesterol em quantidades suficientes. Além do aporte calórico, esses ácidos exercem importante função no transporte de vitaminas lipossolúveis e no desenvolvimento do sistema nervoso — principalmente o ácido docosa-hexaenoico (DHA) e o ácido araquidônico (ARA); mielinização e neurogênese. O carboidrato encontrado em maior quantidade no leite materno é a lactose, em concentração média de 6,8 g/100 mL. É possível, ainda, encontrar glicose, frutose, glicoproteínas e oligossacarídeos. A lactose é o principal componente osmótico do leite, sendo o processo da sua síntese o principal responsável pela extração de água para o leite, e, ao contrário dos outros dissacarídeos, não é doce e é a mais digerível fonte de glicose aos neonatos. #importante O ferro está presente no leite materno em quantidades pouco superiores às encontradas no leite de vaca, porém apresenta maior biodisponibilidade — sua absorção é cinco vezes maior. Algumas propriedades do leite humano podem ser apontadas como coadjuvantes para a sua biodisponibilidade, como pH mais baixo, ligação do ferro a proteínas carreadoras — lactoferrina —, associadas à presença de substâncias que facilitam a sua absorção, como vitamina C, zinco, cobre, entre outras. A concentração de cálcio é bem menor no leite materno, porém a relação cálcio-fósforo, de 2:1, garante sua maior absorção. Lactentesamamentados ao seio apresentam menor pH fecal e flora intestinal com Lactobacillus bifidus, que significa proteção contra enteropatógenos. Durante três meses, a alimentação exclusiva ao seio diminui fenômenos alérgicos. O leite humano pode variar quanto à sua composição de uma mulher para outra, de acordo com o período gestacional, a idade da mulher, a paridade e a sua situação de saúde. Entretanto, essas variações não impedem que a maioria das mulheres seja capaz de amamentar satisfatoriamente. Desde o nascimento, o leite materno evolui do colostro ao leite de transição, até se tornar leite maduro em torno do final da segunda semana de vida. 19.2.2.1 Colostro De grande importância nos primeiros 3 dias de vida, é produzido em menor volume, o que é adequado à imaturidade renal do RN, que tem dificuldade em manipulá-lo. Apresenta maior concentração de imunoglobulinas, em especial a imunoglobulina A (IgA) secretora e outras imunoglobulinas que se aderem à mucosa intestinal, protegendo contra vírus, bactérias e parasitas. É uma proteção fundamental até que a flora bacteriana intestinal se estabeleça. Apresenta maior concentração de proteínas do que o leite maduro, menor concentração de minerais, gorduras e lactose (Quadro 19.1) e elevadas concentrações de vitaminas lipossolúveis, em especial a vitamina K, que auxilia, em parte, na prevenção da doença hemorrágica do RN. Porém, esta não é suficiente para prevenir por completo esta doença, sendo necessária sua aplicação intramuscular ao nascimento. 19.2.2.2 Leite de transição Apresenta características intermediárias entre o colostro e o leite humano maduro. É produzido entre 7 e 15 dias após o nascimento, porém sem características significativamente específicas. 19.2.2.3 Leite maduro A partir do 15º dia pós-parto, aproximadamente, o leite maduro já é produzido. Observam-se três fases durante a mamada: aquela em que o leite é aquoso, rico em imunoglobulinas e outros fatores de proteção, aquela composta predominantemente por proteínas e a última, em que o leite é rico em gorduras que auxiliam na saciedade e contribuem para o ganho ponderal. Quadro 19.1 Composição do colostro e do leite materno maduro de mães de crianças a termo e pré-termo e do leite de vaca Fonte: Iniciativa Hospital Amigo da Criança, 2008. A principal proteína no soro do leite humano é a alfalactoalbumina, e no leite de vaca, a betalactoglobulina. Quanto às porcentagens de gorduras, ambas se apresentam semelhantes (3,5%); no entanto, no leite humano, a concentração é maior ao final da mamada. Os valores de carboidratos são de 4,8% para leite de vaca e 6,5 a 7% para o leite humano, e de minerais, 3,6 vezes mais para o leite de vaca, com exceção do cobre e do ferro. Este último apresenta maior biodisponibilidade no leite humano, sendo suficiente nos 6 primeiros meses. Componentes do leite materno: ▶ Água: 87% do leite materno; ▶ Proteínas: a alfalactoalbumina é a principal proteína e corresponde a 80% do conteúdo proteico. A caseína representa 20%. Essa proporção se inverte no leite de vaca; ▶ Imunoglobulinas: IgA, imunoglobulinas M (IgM) e imunoglobulina G (IgG); ▶ Células: neutrófilos, macrófagos, linfócitos B e T; ▶ Lactoferrina: proteína que se liga ao ferro e aumenta sua biodisponibilidade; ▶ Fator bífido: promove o crescimento de Lactobacillus bifidus, bactéria não patogênica que acidifica as fezes e evita o crescimento de bactérias patogênicas no intestino. Sabemos hoje que o fator bífido é um dos mais de 200 tipos de HMO (oligossacarídeo do leite humano); ▶ Lisozima: enzima que degrada a parede celular de bactérias; ▶ Gorduras: ácidos graxos essenciais, ácidos graxos poli- insaturados de cadeia longa (LCPUFAs), DHA e ARA; ▶ Vitaminas: A, C, D, E, K e do complexo B; ▶ Minerais: cálcio, fósforo, ferro, zinco; não há necessidade de suplementação até os 6 meses quando em aleitamento materno exclusivo — apesar de que já existem recomendações atuais da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) em iniciar suplementação profilática de ferro a partir dos 3 meses de vida. 19.3 FISIOLOGIA DA AMAMENTAÇÃO Figura 19.1 Papel da hipófise na produção de leite Fonte: adaptado de Tefi. Figura 19.2 Funções da prolactina e ocitocina na fisiologia da amamentação Fonte: elaborado pelo autor. A mama é formada por glândula mamária, gordura e tecido conjuntivo (Figura 19.3). A glândula mamária é composta por um conjunto de lobos que contêm os alvéolos, produtores do leite que são conduzidos por ductos finos, que se juntam no ducto lactífero. Além disso, dirigem-se ao centro da mama e desembocam no mamilo. Nos intervalos das mamadas, parte do leite produzido é acumulado nas ampolas, formadas pelos canais antes de chegarem ao mamilo, debaixo da aréola. Figura 19.3 Anatomia da mama Fonte: Claudio Van Erven Ripinskas. A produção do leite é determinada pelo reflexo da prolactina. Tudo se inicia com o estímulo da sucção produzida pelo RN, que envia mensagem à hipófise anterior, iniciando a secreção da prolactina, e esta, por sua vez, estimula a produção das células secretoras de leite nos alvéolos. Figura 19.4 Reflexo da produção do leite ou reflexo da prolactina Fonte: Claudio Van Erven Ripinskas. O outro reflexo importante é o da descida do leite. Tal reflexo também se inicia com o estímulo da sucção, responsável por ativar a secreção de ocitocina pela hipófise posterior, que atinge os alvéolos, promove a contração das células que os envolvem — as células mioepiteliais — e leva o leite para dentro dos ductos, para ser sugado pela criança. O reflexo da descida do leite pode sofrer interferência de estímulos auditivos e visuais, sentimentos, pensamentos e emoções. Desse modo, sentimentos agradáveis — ver, tocar ou ouvir o bebê — auxiliam o reflexo da ocitocina e fazem o leite fluir, o que explica o gotejamento das mamas, muitas vezes, por, simplesmente, pensar no bebê. Figura 19.5 Reflexo da descida do leite ou reflexo da ocitocina Fonte: Claudio Van Erven Ripinskas. São reflexos infantis importantes para a boa amamentação: ▶ Busca; ▶ Sucção — fraca em menores de 34 semanas e, ou 1.500 g; ▶ Deglutição — incoordenação em menores de 32 semanas. 19.4 TÉCNICAS DE AMAMENTAÇÃO ▶ Amamentar em livre demanda; ▶ Oferecer um seio a cada mamada, esvaziando-o por completo, e complementar com a outra mama após esvaziar completamente a primeira. Nesse caso, deve-se iniciar cada mamada por aquela que terminou. Isso estimula a produção do leite, além de favorecer a sucção do leite posterior, mais rico em gorduras, o que garante a saciedade e o ganho ponderal; ▶ A mãe deve estar sentada, com as costas apoiadas, em posição o mais confortável possível e que permita o adequado posicionamento do bebê; ▶ O RN deve abocanhar o mamilo e a aréola para ter sucção efetiva e evitar fissuras. Habitualmente, em tais condições, o queixo do bebê toca a mama, o lábio inferior do bebê está evertido e a aréola é mais visível acima do que abaixo do queixo da criança (Figura 19.6); ▶ O abdome do RN deve estar tocando o abdome materno; ▶ Em caso de excesso de leite com ingurgitação mamária, realizar massagem suave e ordenha, esvaziando parcialmente. Isso deve ser realizado no caso de mastite asséptica e quando o RN não consegue sugar, por causa de ingurgitação; ▶ Em casos de fissura do mamilo, lavar os mamilos somente com água corrente, aplicar o próprio leite nas fissuras e realizar exposição solar para secar. Não utilizar cremes nem pomadas. Figura 19.6 Pegas correta e incorreta do lactente no seio materno Fonte: Claudio Van Erven Ripinskas. Figura 19.7 Técnica de pega da mamada Fonte: acervo Medcel. 19.4.1 Ordenha e armazenamento corretos do leite humano O médico ou outro profissional de saúde habilitado deve orientar todas as nutrizes quanto à correta técnica de ordenha e armazenamento do leite humano, para que possam realizá-la nas situações em que necessitem se separar dos filhos por motivo de trabalho fora do domicílio, estudo ou mesmo afazeres domésticos. 19.4.1.1Ordenha Cada mulher pode realizar a ordenha de sua mama, conforme algumas recomendações básicas: ▶ Lavagem cuidadosa das mãos e dos antebraços — a lavagem frequente dos seios não é necessária; ▶ Uso de máscara ou evitar a fala, espirro ou tosse enquanto estiver ordenhando o leite; ▶ Massagem prévia e delicada da mama como um todo, com movimentos circulares da base em direção à aréola. Isso deve ser feito, preferencialmente, pela mulher que amamenta, pois ela tem a sensibilidade do local (Figura 19.8); Figura 19.8 Ordenha do seio materno Fonte: Claudio Van Erven Ripinskas. ▶ Preparo de recipiente esterilizado para receber o leite — preferencialmente de vidro, com borda larga e tampa plástica, que possa ser submetido à fervura durante aproximadamente 20 minutos; ▶ Pano úmido limpo e lenços de papel para a limpeza das mãos; ▶ Posicionamento confortável e relaxado do corpo da nutriz, sentada ou em pé; ▶ Posicionamento do recipiente onde será colocado o leite próximo ao seio; ▶ Posicionamento do polegar na aréola acima do mamilo e indicador abaixo do mamilo, com a mão em forma de “C”, na transição aréola-mama, em oposição ao polegar. Os outros dedos devem sustentar o seio; Figura 19.9 Métodos certo e errado de ordenha Fonte: Claudio Van Erven Ripinskas. ▶ Uso da mão esquerda para a mama esquerda, e vice-versa; ou, ainda, as duas mãos simultaneamente — uma em cada mama ou ambas na mesma mama, juntas; ▶ Pressão leve de polegar e indicador, um em direção ao outro e para dentro, em direção à parede torácica. A pressão excessiva pode bloquear os ductos lácteos; ▶ Pressão e descompressão contínuas que não devem causar dor. Caso haja dor, a técnica está errada. O líquido fluirá somente após algumas compressões e poderá jorrar caso o reflexo de ocitocina seja ativo; ▶ Pressão da aréola do mesmo modo, a partir dos lados, para captar o leite de todos os segmentos do seio; ▶ Evitar esfregar ou deslizar seus dedos sobre a pele. O movimento dos dedos deve ser rotatório; ▶ Evitar comprimir o mamilo entre os dedos, pois assim não se conseguirá extrair o leite; ▶ Ordenhar um seio por, pelo menos, 3 a 5 minutos até que o leite flua lentamente e, então, ordenhar o outro. ▶ A ordenha adequada dura cerca de 20 a 30 minutos em cada mama, principalmente nos primeiros dias, em que apenas uma pequena quantidade de leite é produzida. Vale ressaltar que não se deve tentar ordenhar em um tempo mais curto. 19.4.1.2 Armazenamento ▶ Coletar o leite em recipiente de vidro, de boca larga e esterilizado; ▶ Para armazenar o leite coletado, utilizar, preferencialmente, vidros transparentes com tampas plásticas resistentes ao calor, para que possam ser esterilizados em água fervente durante mais ou menos 20 minutos; ▶ Identificar os frascos com o dia em que foi feita a coleta; ▶ Armazenar por um período de até 2 horas em temperatura ambiente, 12 horas na geladeira e até 15 dias no freezer; ▶ Estando o leite pasteurizado, pode ser armazenado por 6 meses no freezer. 19.4.1.3 Antes de oferecer ao bebê ▶ Para alimentar o bebê com leite ordenhado congelado, deve-se aquecer o volume a ser oferecido em banho-maria, fora do fogo. Nunca se deve ferver o leite, apenas “quebrar o gelo”; ▶ Antes de oferecê-lo à criança, ele deve ser agitado suavemente para homogeneizar todos os componentes do leite; ▶ Oferecer no copo ou com a colher. Evitar o uso de mamadeiras e de chupetas; ▶ Após descongelar o leite humano, não o congelar novamente — a sobra, após 12 horas na geladeira, deve ser desprezada. Quadro 19.2 Observação das mamadas 19.4.2 Outras posições de amamentação Figura 19.10 Bebê e mãe deitados Fonte: Mladen Zivkovic. Figura 19.11 Bebê sentado Fonte: Galina Gordeeva. Figura 19.12 Bebê em posição paralela — invertida Fonte: acervo Medcel. 19.5 DIFICULDADES E COMPLICAÇÕES DA AMAMENTAÇÃO 19.5.1 “O leite está secando, é pouco ou fraco” ▶ Assegurar à mãe que leite fraco não existe; ▶ Perguntar sobre a diurese da criança; ▶ Pesar a criança — semanalmente; ▶ Realizar reflexo da descida do leite no outro seio; ▶ Realizar repouso materno; ▶ Oferecer leite ordenhado para o lactente em colher ou copo. 19.5.2 Fissuras ▶ Avaliar a posição e a “pega”; ▶ Deixar os mamilos planos; ▶ Dar banho de sol; ▶ Manter amamentação; ▶ Completar o esvaziamento por meio de expressão manual; ▶ Não usar pomadas e não lavar com sabonete. Figura 19.13 Candidíase 19.5.3 Seio duro ou “empedrado” ▶ Avaliar técnica; ▶ Utilizar sutiã de alças largas; ▶ Aplicar esvaziamento manual; ▶ Fazer compressas. 19.5.4 Mastites ▶ Medicar a mãe; ▶ Manter a amamentação; ▶ Sempre começar a amamentar pela mama sadia. 19.5.5 Mãe que trabalha fora ▶ Oferecer o seio em livre demanda; ▶ Ordenhar e estocar o leite; ▶ Oferecer leite ou outros alimentos em colher; ▶ No trabalho, esvaziar as mamas a cada 2 ou 3 horas. 19.6 CONTRAINDICAÇÕES Evitar ou interromper o aleitamento materno é uma decisão que deve ser estudada individualmente, considerando os riscos e benefícios para o lactente e para a mãe. Contudo, as vantagens, de tão numerosas e importantes, tornam raras as situações em que os riscos são maiores e pelos quais se deva contraindicar a amamentação. 19.6.1 Relativas à criança Não é aconselhável amamentar o RN que apresenta as seguintes doenças: ▶ Galactosemia; ▶ Fenilcetonúria — caso não seja possível a monitorização do nível sérico de fenilalanina; ▶ Leucinose (“doença do “xarope de bordo”) — caso não seja possível a monitorização do nível sérico dos aminoácidos. 19.6.2 Relativas à mãe Não é aconselhável amamentar o RN cuja mãe apresenta as seguintes situações: ▶ HTLV 1 e/ou 2; ▶ HIV; ▶ Herpes-simples com lesão no mamilo, mas pode amamentar na mama sem lesão; ▶ Varicela iniciada entre cinco e dias antes e dois dias depois do parto — iniciar o aleitamento na fase não contagiante, ou seja, quando só existirem crostas, além de fazer a imunoglobulina específica; ▶ Abuso de drogas ilícitas; ▶ Uso de drogas radioativas ou citotóxicas; ▶ Doenças mentais que gerem risco no contato mãe-filho; ▶ Sepse ou outras doenças graves (durante a doença). #importante Infecção por coronavírus não contraindica a amamentação, e a mãe deve amamentar usando máscara. 19.6.2.1 Infecção materna pelo HIV Tal infecção é, seguramente, transmitida pelo leite materno. As formas de aquisição de HIV no período neonatal podem ser por via transplacentária ou pelo canal de parto, pelo aleitamento materno ou pela transfusão de hemoderivados. Com a administração de antirretrovirais para as gestantes portadoras de HIV no período pré-parto e para o RN nas primeiras 4 semanas de vida, houve redução significativa da transmissão perinatal. O controle dos bancos de sangue quanto à seleção de doadores e ao rastreamento sorológico também diminuiu os riscos de transmissão por transfusão. O aleitamento materno passa a ser um risco evitável e deve ser substituído por fórmula láctea desde o nascimento. No Brasil, a infecção é considerada contraindicação absoluta ao aleitamento materno, sendo preconizado e garantido pelo Ministério da Saúde o uso de fórmulas infantis a todos os RNs e lactentes filhos de mães soropositivas. Entretanto, cabe lembrar que, nos países ou nas regiões em que o desmame possa oferecer risco de vida para a criança, esse critério deve ser revisto, e o aleitamento materno, reconsiderado. 19.6.2.2 Uso de drogas pela lactante As principais drogas contraindicadas durante o aleitamento materno são isótopos radioativos, quimioterápicos, amitriptilina, lítio e drogas de abuso (Quadro 19.3). As drogas possivelmente perigosas durante a amamentação estão enumeradas no Quadro 19.4. Quadro 19.3 Principais drogas contraindicadas durante a amamentação Quadro 19.4 Drogas possivelmente perigosas durante a amamentação 1 Uso no período neonatal. 2 Uso crônico. 3 Uso em altas doses. 4 Uso no mamilo. Quanto às drogas de abuso, recomenda-se a interrupção temporária do aleitamento materno, com ordenha do leite,que deve ser desprezado. O tempo recomendado de interrupção da amamentação varia dependendo da droga, de acordo com o Quadro 19.5. Quadro 19.5 Tempo de interrupção do aleitamento materno após o consumo de drogas de abuso Fonte: Saúde da criança: acompanhamento do crescimento e desenvolvimento infantil, 2002. Nas situações em que a desestruturação psíquica materna possa oferecer risco de vida à criança, a amamentação deve ser suspensa. Porém, deve ser retomada assim que a mãe tenha condições de fazê-lo. Quadro 19.6 Contraindicações para o aleitamento materno 19.7 ALIMENTAÇÃO COMPLEMENTAR A alimentação complementar deve ser iniciada, usualmente, aos 6 meses. É importante saber a progressão dos alimentos a serem oferecidos ao lactente, além das particularidades das fórmulas artificiais e do leite de vaca. 19.7.1 Introdução de novos alimentos O esquema de introdução de novos alimentos depende, basicamente, das necessidades nutricionais e do desenvolvimento neurológico e fisiológico do lactente, uma vez que, a partir dos 6 meses, a quantidade de nutrientes do leite materno se torna insuficiente para promover o crescimento e o desenvolvimento adequados, mesmo mantendo-se o aleitamento materno até os 2 anos ou mais. A Organização Mundial da Saúde e o Ministério da Saúde do Brasil preconizam que se deve manter o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses e que a introdução de novos alimentos deve ser feita apenas a partir dos 6 meses, podendo ser realizada antes disso a depender de certos fatores relacionados à criança, como estado nutricional, desenvolvimento fisiológico e neuropsicomotor e contexto de vida. Vale lembrar que a introdução precoce de alimentação complementar pode diminuir a proteção imunitária do leite por alteração da flora intestinal, interferir no aproveitamento de seus nutrientes, conferir aporte nutricional de valor inferior, representar sobrecarga de solutos, além de não respeitar o desenvolvimento neuromuscular necessário à deglutição de sólidos. No aleitamento materno exclusivo, a fonte de alimento é somente o leite materno. No aleitamento materno predominante, além do leite materno, ocorre a oferta de água, chás e sucos de frutas — exceto água, atualmente os demais líquidos não são recomendados ao iniciar introdução de alimentos sólidos. E, no aleitamento materno complementado, são ofertados também outros alimentos. As frutas in natura, preferencialmente na forma de papa, devem ser oferecidas a partir dos 6 meses de idade, amassadas, sempre em colheradas, ou espremidas. O tipo deve respeitar as características regionais, o custo, a estação do ano e a presença de fibras. Atualmente não se contraindicam mais frutas como morango e kiwi. Informações recentes mostram que a exposição de 6 a 12 meses reduz a possibilidade de alergia. Os sucos naturais devem ser evitados, mas, se administrados, que o sejam no copo, de preferência após as refeições principais, não em substituição, e no máximo 100 mL/d, a fim de melhorar a absorção do ferro não heme presente nos alimentos, como feijão e folhas verde-escuras. A primeira papa principal — que não se chama mais “papa salgada”, pois não deve conter sal — deve ser oferecida a partir do 6º mês. no horário do almoço ou do jantar, quando a família estiver reunida, e deve ser complementada com leite materno até que a criança se mostre saciada apenas com a papa. A segunda papa principal deverá ser oferecida a partir do sétimo mês. A papa principal deve conter um alimento de cada grupo a seguir: ▶ Cereais ou tubérculos; ▶ Leguminosas; ▶ Carne — bovina, ave, suína, peixe ou vísceras, em especial, o fígado — ou ovo; ▶ Hortaliças — verduras e legumes. Óleo vegetal, preferencialmente de soja, deve ser usado na proporção de 3 a 3,5 mL por 100 mL ou 100 mg da preparação pronta. Não é permitido o uso de caldos ou tabletes, bem como de quaisquer condimentos industrializados. A papa deve ser amassada, nunca peneirada ou liquidificada. A carne não deve ser retirada após o cozimento, mas picada ou amassada e oferecida à criança. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), o ovo (clara e gema) pode ser introduzido aos 6 meses, assim como o peixe, que também deve ser iniciado nessa idade, lembrando que frequentemente as mães oferecem para as crianças alimentos que já possuem ovo na sua composição, por isso não há necessidade de retardar a sua introdução. Os alimentos não precisam ser muito amassados, evitando-se a administração de alimentos muito diluídos, propiciando oferta calórica adequada. Por volta dos 8 aos 9 meses a criança já pode começar a receber a alimentação da família, dependendo de seu desenvolvimento neuropsicomotor, e aos 12 meses já deve comer a mesma alimentação da família. A exposição frequente a determinado alimento facilita a sua aceitação. Em média, são necessárias de oito a 10 exposições ao alimento para que ele seja aceito pela criança. Dos 6 aos 11 meses, a criança amamentada receberá três refeições com alimentos complementares ao dia — duas papas principais e uma de frutas. A criança que não está em aleitamento materno sofre maior risco nutricional e deve receber cinco refeições complementares ao dia — duas papas principais e três refeições de leite, além das frutas. A partir dos 12 meses, deve-se acrescentar mais dois lanches ao dia, com fruta ou leite. A alimentação complementar não deve alterar a frequência das mamadas. Por isso, é necessário evitar refeições muito volumosas e frequentes. Outro ponto importante é que a alimentação deve ser oferecida em copos, no caso de sucos, ou com colheres. Atualmente, desaconselham-se mamadeiras, pois, além de serem fonte de infecção, reduzem o tempo de sucção das mamadas. Sabe-se que mesmo crianças pequenas aceitam bem refeições em copos e colheres. No primeiro ano de vida não se recomenda o uso de mel, pelo risco de botulismo. 19.7.1.1 Planejamento da papa principal Os alimentos na mistura devem ser compostos pelos seguintes grupos alimentares: cereal ou tubérculo, alimento proteico de origem animal, leguminosas e hortaliças. A proporção de cada grupo — Quadro 19.7 — segue a proposta da pirâmide dos alimentos. Quadro 19.7 Componentes das misturas Quadro 19.8 Introdução dos alimentos complementares 19.7.1.2 Aleitamento artificial Segundo a SBP, nas crianças em aleitamento artificial que recebem fórmula infantil, a introdução dos alimentos complementares pode ser iniciada também a partir do 6º mês, como nas crianças que recebem aleitamento materno exclusivo. Entretanto, se o leite utilizado for o de vaca in natura, integral, em pó ou fluido, deve-se considerar a necessidade de introdução mais precoce dos alimentos complementares, a fim de evitar deficiências nutricionais. A alimentação deve ser variada o suficiente para que possa prover as vitaminas, os minerais e os demais elementos necessários ao crescimento. O aleitamento artificial só deve ser iniciado em situações de absoluta impossibilidade de iniciar ou manter o aleitamento materno. A introdução de qualquer outro leite, principalmente com mamadeira, determina risco elevado de desmame precoce, com todas as complicações nutricionais e imunológicas já citadas. Cabe lembrar que a introdução de chá durante os primeiros 6 meses de vida modifica a absorção de nutrientes e imunoglobulinas, e, por essa razão, tais elementos são contraindicados no primeiro ano de vida. O aleitamento artificial deve ser feito preferencialmente com as fórmulas infantis. Nestas, o leite de vaca é enriquecido com vitaminas e oligoelementos e apresenta teor de ferro, cálcio e fósforo mais próximos do leite materno, o que diminui a sobrecarga renal e garante melhor digestibilidade e aproveitamento nutricional. O glúten deve ser introduzido aos 6 meses, junto com os outros alimentos. O atraso na introdução — após 7 meses — ou sua introdução precoce — antes dos 3 meses — estão associados a maior sensibilização. 19.7.1.3 Características gerais das fórmulas infantis A fórmula infantil deve ser indicada na impossibilidadedo aleitamento materno, sendo classificadas em pré-termo, infantis para lactentes — até os 6 meses de vida —, infantis para seguimento do lactente — dos 6 aos 12 meses — e especiais. A classificação está relacionada à faixa etária e às necessidades nutricionais da criança. Quadro 19.9 Características das fórmulas infantis poliméricas 19.7.1.4 Características gerais do leite de vaca — in natura, integral, pó ou fluido O leite de vaca não é considerado adequado a crianças menores de 1 ano, de acordo com a SBP, por não contemplar as características já citadas e pelas características indicadas no Quadro 19.10. #importante De acordo com o Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 anos (BRASIL, 2019), na impossibilidade de se oferecer leite materno para crianças menores de 1 ano, a substituição deve ser feita pelas fórmulas infantis dos 0 aos 9 meses. A partir dos 9 meses, as crianças Quais são as principais vantagens da amamentação? que forem desmamadas já podem iniciar o uso de leite de vaca. Já a SBP mantém a recomendação de oferecer leite de vaca apenas após os 12 meses de vida. Quadro 19.10 Características do leite de vaca As principais vantagens da amamentação estão listadas a seguir: ▶ O leite materno atende a todas as necessidades nutricionais e metabólicas até os 6 meses de vida, reduzindo a desnutrição e as patologias decorrentes; ▶ É absolutamente viável do ponto de vista econômico, sem riscos de contaminação, além de ser acessível a qualquer momento; ▶ Confere proteção imunológica eficaz contra os patógenos prevalentes na infância, reduzindo significativamente a morbimortalidade infantil; ▶ Confere proteção para as doenças alérgicas, além de prevenir obesidade, colesterol alto e diabetes; ▶ Oferece condições ideais para a interação mãe-filho, reforçando o afeto entre ambos; ▶ Contribui para o desenvolvimento cognitivo; ▶ Reduz o sangramento pós-parto e leva a involução uterina mais rápida; ▶Aumenta o intervalo entre as gestações; ▶ Reduz o risco de câncer de mama e de ovário e pode reduzir o risco de osteoporose no período pós- menopausa; ▶ Faz retornar mais rapidamente ao peso pré- gestacional; ▶ A digestão do leite materno é mais fácil, o que diminui a chance de enjoos e cólicas. Associação Médica do Rio Grande do Sul - Processo Seletivo Unificado O processo seletivo da AMRIGS-PSU é uma avaliação com questões mais diretas e objetivas de múltipla escolha, que abordam casos clínicos, o uso de imagens, achados de exames, hipóteses diagnósticas e questionamento de tratamentos. Há temas mais recorrentes e que merecem atenção. Em Clínica Médica são cobradas: Psiquiatria — psicofarmacologia e outros tratamentos em Psiquiatria; Infectologia — tipos de infecções; Cardiologia — temas relacionados a hipertensão arterial sistêmica. Cirurgia Geral tem foco em hérnias de parede abdominal, abdome agudo, tratamento cirúrgico da obesidade e cirurgia metabólica. Em Ginecologia, preste atenção em anticoncepção, HPV e neoplasias intraepiteliais cervicais, patologias neoplásicas e câncer de endométrio. Em Pediatria são relevantes Neonatologia, aleitamento materno e desenvolvimento. Por fim, Saúde Coletiva cobra estudos epidemiológicos, Medicina de Família e Comunidade e análise de métodos diagnósticos. AMRIGS-PSU | 2021 A mãe de um recém-nascido a termo de dez dias de vida, em aleitamento materno exclusivo, vai à consulta com clínico porque naquele dia apareceram na pele da mãe algumas lesões vesicopapulares. Após anamnese e exame clínico, chega-se ao diagnóstico de varicela na puérpera. O neonato está assintomático e em bom estado geral. A conduta adequada a ser adotada em relação ao recém-nascido será: a) manter a mãe e o recém-nascido na residência em isolamento e separados, aleitamento materno contraindicado b) administrar imunoglobulina varicela-zóster e aciclovir endovenosos para o recém-nascido, aleitamento materno contraindicado c) cuidados de rotina para o recém-nascido, sem necessidade de medicações, aleitamento materno mantido d) administrar imunoglobulina varicela-zóster intramuscular para o recém-nascido, aleitamento materno mantido Gabarito: c Comentários: a) O aleitamento não está contraindicado e, ainda está indicado pois pode transmitir ao recém-nascido, RN, anticorpos de produção materna para a proteção do RN. O binômio mãe e filho devem realmente ficar isolados em sua casa. b) Aleitamento não está contraindicado e a administração de aciclovir e VZIG, imunoglobulina varicela zoster, neste caso específico não deve ser realizado pois sua indicação é nas fases de parto de até cinco dias antes ou dois dias após o parto, quando então considera-se o RN susceptível. c) Mãe com varicela cujo início da doença foi há mais de cinco dias antes do parto ou após o terceiro dia pós-parto pode produzir e transferir anticorpos para o recém-nascido tanto por via transplacentária quanto pelo leite materno. Nesse caso, o recém- nascido pode desenvolver a forma leve da doença, não estando indicado nem isolamento, nem profilaxia. A mãe pode amamentar a criança, tomando os cuidados especiais de lavagem das mãos, uso de máscara e oclusão de lesões. d) Mãe que tenha apresentado varicela até cinco dias antes ou dois dias após o parto pode transmitir a doença à criança em sua forma grave, período com maior risco de viremia. Nesses casos, está indicado o isolamento da mãe na fase contagiante das lesões até a fase de crosta, além da administração, o mais precocemente possível, de imunoglobulina específica contra varicela, VZIG, na criança, na dose de 125 unidades IM ou imunoglobulina standard 2 ml em dose única IM, esta última de valor discutível. O recém- nascido deve ficar em observação até o 21º dia de vida. Também não se sabe se o vírus poderia ser encontrado no leite materno e se poderia infectar a criança. Assim, durante esse período, o leite materno pode ser ordenhado e oferecido ao recém-nascido. Porém, se nesse período o bebê desenvolver a doença, deve-se iniciar o tratamento com aciclovir. Esta é a indicação de VZIG para o recém-nascido. 19.1 INTRODUÇÃO 19.2 ALEITAMENTO MATERNO 19.3 FISIOLOGIA DA AMAMENTAÇÃO 19.4 TÉCNICAS DE AMAMENTAÇÃO 19.5 DIFICULDADES E COMPLICAÇÕES DA AMAMENTAÇÃO 19.6 CONTRAINDICAÇÕES 19.7 ALIMENTAÇÃO COMPLEMENTAR DE OLHO NA PROVA