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TIPOS DE TEXTO 
 
 
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Tipos De Texto (Narrativo, Descritivo, Dissertativo) 
Os tipos de texto constituem formas fundamentais de organização da linguagem, utilizadas para comu-
nicar ideias, narrar acontecimentos, caracterizar seres, objetos e ambientes, ou expor e desenvolver 
raciocínios. Entre os mais recorrentes, destacam-se o narrativo, o descritivo e o dissertativo, cada qual 
com finalidade, estrutura e recursos linguísticos próprios. Compreender essas modalidades é essencial 
para a leitura qualificada, para a produção escrita consistente e para a análise mais precisa dos discur-
sos presentes na vida acadêmica, profissional e social. 
A classificação tipológica não se confunde com os gêneros textuais. Os gêneros correspondem às 
formas concretas de circulação da linguagem, como notícia, crônica, romance, relatório, artigo, propa-
ganda e carta. Já os tipos textuais representam esquemas estruturais mais gerais, baseados em ca-
racterísticas linguísticas e em modos de organização do pensamento. Assim, um mesmo gênero pode 
apresentar mais de um tipo textual em sua composição. 
Em uma reportagem, por exemplo, podem coexistir trechos descritivos, passagens narrativas e mo-
mentos dissertativos. Em um romance, além da narração predominante, surgem descrições de perso-
nagens e ambientes. Em um artigo opinativo, embora predomine a dissertação, podem aparecer exem-
plos narrados ou descrições pontuais para reforçar argumentos. Por isso, conhecer os tipos textuais 
amplia a capacidade de interpretar a forma como o sentido é construído. 
O domínio conceitual dessa matéria permite perceber a intenção comunicativa do autor, a lógica interna 
do texto, os efeitos produzidos pela escolha de determinados recursos linguísticos e a maneira como o 
conteúdo é organizado. Isso favorece uma leitura mais crítica, mais refinada e mais atenta às múltiplas 
dimensões da linguagem. 
Diferença Entre Tipos Textuais E Gêneros Textuais 
A distinção entre tipos textuais e gêneros textuais é indispensável para evitar confusões conceituais. 
Os tipos textuais são categorias abstratas, definidas por traços linguísticos predominantes, como nar-
rar, descrever, expor, argumentar ou instruir. Já os gêneros são formas sociais concretas de uso da 
linguagem, produzidas em contextos específicos e com objetivos determinados. 
Enquanto os tipos textuais são mais limitados em número, os gêneros são numerosos e variáveis, pois 
acompanham as transformações sociais e tecnológicas. Um e-mail, uma postagem em rede social, uma 
bula de medicamento, uma petição, um editorial e uma ata são gêneros. Dentro deles, é possível en-
contrar diferentes tipos textuais articulados conforme a finalidade comunicativa. 
Essa diferença mostra que um texto raramente se reduz a uma única forma de construção. Mesmo 
quando há predominância clara de um tipo, outros podem aparecer como apoio. 
Em um conto, por exemplo, a narração conduz os acontecimentos, mas a descrição ajuda a compor 
personagens, cenários e atmosferas. Em um texto dissertativo, uma pequena narrativa pode servir de 
exemplo inicial. 
Portanto, ao examinar um texto, convém perguntar tanto “qual é o gênero?” quanto “qual é o tipo pre-
dominante?”. Essa dupla observação permite uma compreensão mais completa da estrutura, do pro-
pósito e dos mecanismos de significação presentes no material analisado. 
O Que Caracteriza Um Tipo De Texto 
Um tipo de texto é reconhecido por um conjunto de elementos que se repetem com relativa estabilidade. 
Entre esses elementos estão a finalidade comunicativa predominante, a forma de organização das 
ideias, o papel do tempo e do espaço, a natureza do vocabulário, as escolhas sintáticas e a relação 
entre os enunciados. Em outras palavras, cada tipo apresenta um modo particular de construir sentidos. 
No texto narrativo, prevalece a apresentação de acontecimentos encadeados no tempo, com participa-
ção de personagens e desenvolvimento de ações. 
No descritivo, o foco recai sobre a caracterização de pessoas, objetos, ambientes, situações ou pro-
cessos, buscando destacar qualidades, formas, estados e detalhes. No dissertativo, a ênfase está na 
exposição de ideias, na explicação de temas ou na defesa de um ponto de vista. 
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Essas características não aparecem isoladamente. Elas se articulam e produzem um modo próprio de 
leitura. O leitor percebe a narrativa pela progressão dos fatos, a descrição pela densidade de detalhes 
e a dissertação pela construção lógica do raciocínio. Assim, os tipos textuais podem ser reconhecidos 
não apenas pelo conteúdo, mas pela maneira como esse conteúdo é organizado verbalmente. 
Conhecer essas marcas ajuda a compreender com maior precisão o funcionamento interno dos textos 
e favorece a identificação de suas estratégias comunicativas. 
Texto Narrativo: Conceito Fundamental 
O texto narrativo é aquele em que se contam fatos ou acontecimentos, reais ou fictícios, organizados 
em uma sequência temporal. Sua essência está na ação. Algo acontece, alguém pratica ou sofre essa 
ação, e o desenrolar dos fatos produz transformação, conflito, expectativa ou resolução. A narrativa é 
uma das formas mais antigas de expressão humana e está presente em mitos, lendas, romances, 
contos, notícias, biografias, memórias e relatos do cotidiano. 
A narração estabelece uma dinâmica própria, na qual o leitor acompanha eventos que se sucedem no 
tempo. 
Mesmo quando a ordem cronológica é rompida, como em flashbacks ou antecipações, ainda existe um 
eixo de acontecimentos articulados entre si. Essa progressão temporal é um elemento central da nar-
rativa e a distingue de outros tipos textuais. 
Além de contar fatos, o texto narrativo pode emocionar, entreter, criticar, denunciar, ensinar, simbolizar 
ou provocar reflexão. 
Dependendo da intenção do autor, a narrativa pode assumir tom realista, fantástico, humorístico, trá-
gico, épico, memorialístico ou alegórico. Essa diversidade mostra a riqueza do tipo narrativo e sua 
ampla presença em diferentes práticas discursivas. 
Para compreendê-lo adequadamente, é preciso examinar sua estrutura, seus elementos constitutivos 
e as escolhas feitas pelo narrador na construção do enredo. 
Elementos Estruturais Do Texto Narrativo 
A narrativa costuma organizar-se a partir de alguns elementos fundamentais: narrador, personagens, 
tempo, espaço e enredo. 
Esses componentes não aparecem de forma mecânica, mas constituem a base sobre a qual a história 
é construída. O narrador é a voz que conta os fatos, podendo participar da história ou observá-la de 
fora. As personagens são os seres que atuam ou sofrem as ações. 
O tempo narrativo refere-se à sucessão dos acontecimentos e ao modo como essa sucessão é apre-
sentada. Já o espaço corresponde ao ambiente físico, social ou simbólico em que a ação ocorre. O 
enredo, por sua vez, é o conjunto organizado dos fatos narrados, incluindo o conflito central, os desdo-
bramentos e o desfecho. 
Em muitas narrativas, também se observam momentos como situação inicial, complicação, clímax e 
desfecho. A situação inicial apresenta o contexto. A complicação introduz um problema ou conflito. 
O clímax marca o ponto de maior tensão. O desfecho encaminha a resolução. Nem toda narrativa 
segue rigidamente esse modelo, mas ele ajuda a compreender a lógica de muitas construções narrati-
vas. 
A análise desses elementos permite perceber como o texto produz interesse, ritmo, suspense, emoção 
e sentido. 
O Papel Do Narrador Na Narração 
O narrador desempenha função decisiva no texto narrativo, pois é por meio dele que os fatos chegam 
ao leitor. Ele não se confunde necessariamente com o autor real. Trata-se de uma instância interna do 
texto, criada para contar a história sob determinado ponto de vista. A escolha do narrador influencia 
diretamente a interpretação dos acontecimentos. 
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Há, de modo geral, o narradorem primeira pessoa e o narrador em terceira pessoa. O narrador em 
primeira pessoa participa da história ou a testemunha, utilizando formas como “eu” e “nós”. Esse re-
curso aproxima o leitor da subjetividade da narração, mas limita o acesso a outros pontos de vista. Já 
o narrador em terceira pessoa conta os fatos de fora, podendo ser observador ou onisciente. 
O narrador observador relata apenas aquilo que vê, sem penetrar profundamente na interioridade das 
personagens. O narrador onisciente, ao contrário, conhece pensamentos, sentimentos e intenções, 
podendo circular livremente entre as consciências dos personagens. Essa onisciência amplia a infor-
mação disponível ao leitor. 
A escolha do foco narrativo interfere na confiabilidade da narração, no nível de intimidade com as per-
sonagens e no modo como os fatos são apresentados e interpretados. 
Personagens E Suas Funções Na Narrativa 
As personagens são fundamentais para a narrativa, pois são elas que vivem os acontecimentos, de-
sencadeiam conflitos e tornam a história concreta e humana. Podem ser indivíduos, figuras coletivas, 
seres fantásticos, animais personificados ou até entidades simbólicas. Sua construção varia conforme 
o gênero, o estilo do autor e a finalidade do texto. 
Há personagens principais e secundárias. A personagem principal, muitas vezes chamada protago-
nista, ocupa o centro da ação. Em geral, o conflito mais importante gira em torno dela. Em oposição ou 
tensão com o protagonista, pode surgir o antagonista. Já as personagens secundárias auxiliam na 
composição da trama, enriquecem o enredo e contribuem para o desenvolvimento das ações centrais. 
As personagens também podem ser classificadas conforme sua profundidade psicológica. Persona-
gens planas tendem a apresentar traços mais estáveis e previsíveis. Personagens complexas revelam 
contradições, transformação interna e maior densidade subjetiva. Essa diferença influencia o grau de 
realismo e sofisticação da narrativa. 
Ao interpretar um texto narrativo, convém observar como as personagens são apresentadas, quais 
valores encarnam, como se relacionam entre si e que função exercem na progressão dos fatos. 
Tempo E Espaço No Texto Narrativo 
O tempo narrativo não se reduz ao tempo cronológico. Embora muitos textos contem acontecimentos 
em sequência linear, a narrativa pode alterar a ordem dos fatos, condensar períodos extensos, desa-
celerar momentos específicos ou misturar tempos distintos. Essa flexibilidade é um dos recursos mais 
expressivos da narração. 
Existem, de modo geral, o tempo cronológico e o tempo psicológico. O cronológico acompanha a su-
cessão objetiva dos fatos. O psicológico, por sua vez, refere-se à vivência subjetiva do tempo pelas 
personagens, podendo alongar ou condensar a percepção temporal. Um instante de medo, por exem-
plo, pode ser narrado como se durasse muito, devido à intensidade emocional. 
O espaço também tem função importante. Ele não serve apenas como cenário, mas pode influenciar 
ações, refletir estados de espírito, simbolizar valores ou marcar diferenças sociais e históricas. Um 
ambiente opressivo, uma casa em ruínas, uma cidade agitada ou uma paisagem rural silenciosa podem 
contribuir ativamente para o sentido do texto. 
Tempo e espaço, quando bem trabalhados, fortalecem a atmosfera narrativa e ampliam a expressivi-
dade da história. 
Enredo, Conflito E Progressão Dos Fatos 
O enredo corresponde à organização dos acontecimentos da narrativa. Não basta apresentar fatos 
soltos; é necessário articulá-los de modo significativo. O conflito é o núcleo de tensão que movimenta 
a história. Pode surgir entre personagens, entre personagem e sociedade, entre personagem e natu-
reza, ou ainda no interior da própria personagem. 
É o conflito que gera expectativa e impulsiona a leitura. Sem ele, a narrativa tende a perder força dra-
mática. 
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A progressão dos fatos é o caminho pelo qual esse conflito se desenvolve, com obstáculos, reviravoltas, 
descobertas, decisões e consequências. O clímax representa o ponto máximo dessa tensão, e o des-
fecho encaminha alguma forma de resolução, ainda que ambígua ou inconclusa. 
Narrativas mais simples seguem sequência linear e direta. Narrativas mais complexas podem romper 
essa linearidade, alternar pontos de vista, explorar memória, antecipar acontecimentos ou ocultar in-
formações para criar suspense. Em qualquer caso, o enredo precisa conservar certa unidade para que 
o leitor compreenda a lógica interna da história. 
A análise do enredo ajuda a identificar como o texto organiza ações e produz efeitos de interesse, 
surpresa, emoção ou reflexão. 
Linguagem E Recursos Do Texto Narrativo 
A linguagem do texto narrativo varia bastante conforme o gênero, a época, o estilo do autor e o público 
a que se destina. Ainda assim, alguns recursos aparecem com frequência, como o uso de verbos de 
ação, marcadores temporais, conectores sequenciais, diálogos, discurso direto, indireto e indireto livre. 
Esses elementos contribuem para a movimentação da narrativa. 
Os verbos, especialmente em tempos pretéritos, costumam desempenhar papel central, pois indicam 
a ocorrência dos fatos. 
Expressões como “de repente”, “naquele instante”, “mais tarde”, “no dia seguinte” ajudam a construir a 
progressão temporal. Os diálogos aproximam o leitor das personagens e tornam a narração mais viva 
e dinâmica. 
Além disso, a narrativa pode recorrer a descrições pontuais para ambientar a ação e a passagens 
reflexivas para aprofundar conflitos internos. Em textos literários, metáforas, símbolos, ironias e outras 
figuras de linguagem enriquecem a dimensão estética. Em narrativas informativas, a linguagem tende 
a ser mais objetiva, embora continue organizada em torno de acontecimentos. 
Observar esses recursos é essencial para compreender como o texto produz ritmo, suspense, verossi-
milhança e densidade expressiva. 
Texto Descritivo: Conceito E Finalidade 
O texto descritivo é aquele que se concentra em caracterizar seres, objetos, ambientes, sensações, 
situações ou processos. Seu objetivo principal é apresentar traços, qualidades, aspectos visuais, so-
noros, táteis, emocionais ou funcionais daquilo que é descrito. Em vez de enfatizar a ação, como ocorre 
na narração, a descrição privilegia a observação e o detalhamento. 
Descrever não significa simplesmente listar características de forma aleatória. Uma boa descrição or-
ganiza os elementos de modo coerente, seleciona detalhes relevantes e orienta o olhar do leitor. De-
pendendo da intenção, a descrição pode ser objetiva, quando busca apresentar dados mais concretos 
e verificáveis, ou subjetiva, quando incorpora impressões, sentimentos e avaliações do enunciador. 
A descrição é amplamente utilizada em diferentes contextos. Aparece em textos literários, relatórios 
técnicos, anúncios, catálogos, documentos oficiais, laudos, notícias, perfis biográficos e muitos outros 
materiais. Em cada caso, adapta-se à finalidade comunicativa. Em um romance, pode criar atmosfera. 
Em um texto técnico, pode garantir precisão. Em uma propaganda, pode valorizar um produto. 
Compreender a descrição é perceber como a linguagem fixa imagens, qualidades e estados na mente 
do leitor. 
Características Linguísticas Do Texto Descritivo 
O texto descritivo costuma apresentar forte presença de substantivos, adjetivos, locuções adjetivas e 
verbos de estado. São comuns estruturas que indicam cor, forma, tamanho, textura, posição, condição, 
aparência e qualidade. Também aparecem muitos recursos espaciais, como expressões que localizam 
elementos no ambiente ou organizam a observação em determinado percurso. 
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Os verbos “ser”, “estar”, “parecer”, “ter”, “haver” e equivalentes são frequentes, pois ajudam a caracte-
rizar aquilo que é descrito. Em vez de ações sucessivas, predominam quadros relativamente estáticos. 
O foco desloca-se da movimentação para acomposição de uma imagem verbal. 
A descrição também pode mobilizar comparações, metáforas e outras figuras que intensificam a ex-
pressividade. Em textos literários, esse procedimento amplia a dimensão sensorial e estética. Já em 
textos técnicos, prevalece maior objetividade, com vocabulário específico e menor margem para sub-
jetivismo. 
Outro traço relevante é a ordenação. O autor pode descrever do geral para o particular, da esquerda 
para a direita, de cima para baixo, do exterior para o interior, do físico para o psicológico. Essa organi-
zação evita dispersão e contribui para a clareza da leitura. 
Descrição Objetiva E Descrição Subjetiva 
A descrição objetiva procura apresentar características de maneira mais neutra, precisa e verificável. 
Seu interesse recai sobre dados observáveis, sem grande interferência emocional do enunciador. É 
comum em textos científicos, técnicos, jurídicos, administrativos e informativos, nos quais a clareza e 
a exatidão são valores fundamentais. 
Já a descrição subjetiva incorpora impressões pessoais, avaliações, sentimentos e interpretações. 
Nela, o objeto descrito é filtrado pela sensibilidade do enunciador. Em vez de simplesmente dizer que 
um lugar é amplo e silencioso, o texto pode sugerir que o ambiente transmite paz, nostalgia, opressão 
ou encanto. Essa modalidade é muito frequente na literatura e em textos de cunho expressivo. 
A distinção entre objetivo e subjetivo nem sempre é absoluta. Em muitos casos, ambos os aspectos 
coexistem. Um mesmo texto pode apresentar características físicas de uma personagem e, ao mesmo 
tempo, indicar a impressão que ela causa. O que varia é o grau de predominância de cada enfoque. 
Perceber essa diferença é importante para compreender a intenção do texto e o modo como o autor 
constrói a imagem do objeto descrito. 
Descrição Física, Psicológica E Ambiental 
A descrição pode recair sobre diferentes dimensões do objeto focalizado. A descrição física concentra-
se na aparência externa de pessoas, animais ou objetos, abordando traços como altura, cor, forma, 
vestimenta, estrutura e feições. É comum em retratos de personagens e em detalhamento de elemen-
tos materiais. 
A descrição psicológica dirige-se ao interior do sujeito, buscando caracterizar comportamentos, tempe-
ramento, emoções, valores, hesitações, hábitos e modos de reagir. 
Ela não se limita à superfície visível, mas tenta traduzir a complexidade da interioridade. Em textos 
literários, essa modalidade é particularmente relevante para aprofundar personagens. 
A descrição ambiental, por sua vez, focaliza espaços, paisagens, cenários e ambientes internos ou 
externos. Pode ter função apenas contextualizadora, mas também pode simbolizar estados de espírito, 
sugerir tensões sociais ou antecipar climas narrativos. Uma paisagem sombria, por exemplo, pode in-
tensificar a sensação de medo ou tristeza. 
Essas formas de descrição frequentemente se articulam e produzem um quadro mais completo e sig-
nificativo da realidade representada. 
Funções Da Descrição Dentro Dos Textos 
A descrição pode cumprir diferentes funções, conforme o contexto em que aparece. Em textos narrati-
vos, serve para caracterizar personagens, compor cenários, criar atmosferas e dar verossimilhança aos 
acontecimentos. Em textos informativos, ajuda a apresentar objetos, fenômenos, procedimentos ou 
situações com clareza e precisão. Em textos publicitários, valoriza qualidades e desperta interesse. 
Nos textos literários, a descrição pode ter função estética, simbólica ou psicológica. Um ambiente pode 
espelhar o estado emocional da personagem. 
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Um objeto pode adquirir valor metafórico. Um retrato físico pode insinuar traços morais ou sociais. Já 
em textos técnicos, a função tende a ser mais operacional: identificar, distinguir, classificar ou explicar. 
A descrição também pode orientar a percepção do leitor, conduzindo o olhar para determinados aspec-
tos e não para outros. Essa seleção nunca é totalmente neutra. O que é descrito, a forma como é 
descrito e os detalhes escolhidos revelam intenções e perspectivas do enunciador. 
Por isso, analisar a descrição não é apenas perceber características expostas, mas compreender por 
que elas foram selecionadas e que efeito produzem no conjunto do texto. 
Texto Dissertativo: Conceito E Natureza 
O texto dissertativo é aquele em que se expõem, analisam, explicam ou discutem ideias sobre deter-
minado tema. Sua base está no raciocínio, e não na sucessão de acontecimentos ou na caracterização 
de elementos. 
A dissertação busca desenvolver um assunto de maneira organizada, lógica e clara, podendo assumir 
caráter expositivo ou argumentativo. 
Quando a finalidade principal é explicar ou informar, fala-se em dissertação expositiva. Quando o ob-
jetivo é defender uma tese e convencer o leitor, trata-se de dissertação argumentativa. 
Em ambos os casos, há predominância de conceitos, relações lógicas, generalizações, exemplos e 
organização racional do conteúdo. 
Esse tipo textual é muito frequente em artigos, ensaios, editoriais, textos acadêmicos, pareceres, rela-
tórios analíticos e materiais explicativos. Sua importância decorre do fato de que grande parte da cir-
culação formal de ideias na sociedade depende da capacidade de expor temas e sustentar posiciona-
mentos de forma coerente. 
Para compreender o texto dissertativo, é preciso observar como o tema é apresentado, de que maneira 
as ideias são encadeadas, que recursos argumentativos são empregados e como a conclusão é cons-
truída. 
Dissertação Expositiva E Dissertação Argumentativa 
A dissertação expositiva tem como principal objetivo apresentar informações, conceitos ou explicações 
sobre um tema. 
Nela, o autor busca esclarecer, definir, comparar, classificar ou contextualizar determinado assunto, 
sem necessariamente defender uma posição polêmica. Predomina a intenção de informar com clareza 
e método. 
Já a dissertação argumentativa pretende sustentar uma tese. Nessa modalidade, o autor não apenas 
expõe um tema, mas assume um ponto de vista e procura persuadir o leitor por meio de argumentos. 
Para isso, utiliza dados, exemplos, analogias, relações de causa e consequência, citações de autori-
dade e outros procedimentos de convencimento racional. 
Embora distintas, essas duas modalidades podem coexistir. Muitas vezes, um texto começa de forma 
expositiva, apresentando o problema, e depois desenvolve uma argumentação. Em outros casos, a 
exposição de conceitos já serve de base para a defesa de determinada perspectiva. 
Reconhecer essa diferença ajuda a interpretar a intenção dominante do texto e a identificar com preci-
são se o autor está explicando um assunto ou defendendo uma posição diante dele. 
Estrutura Geral Do Texto Dissertativo 
O texto dissertativo costuma organizar-se em introdução, desenvolvimento e conclusão. Essa estrutura, 
embora não seja uma fórmula rígida, auxilia na ordenação do raciocínio. A introdução apresenta o tema, 
delimita o enfoque e, em muitos casos, anuncia a tese ou o problema central. É o momento de situar o 
leitor e indicar o caminho argumentativo ou expositivo que será seguido. 
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O desenvolvimento constitui a parte mais extensa. Nele, as ideias são aprofundadas, explicadas ou 
defendidas. Cada parágrafo costuma trabalhar um aspecto relevante do tema, mantendo unidade in-
terna e conexão com o conjunto do texto. É nessa etapa que se apresentam argumentos, exemplos, 
dados, comparações e análises. 
A conclusão retoma o núcleo do raciocínio e o fecha de maneira coerente. Em textos argumentativos, 
reafirma a tese à luz do percurso desenvolvido. 
Em textos expositivos, sintetiza os pontos principais ou destaca implicações importantes do tema. A 
conclusão não deve apenas repetir o que já foi dito, mas encerrar o percurso de forma significativa. 
Essa estrutura favorece a clareza, a progressão lógica e a unidadede sentido. 
Características Linguísticas Do Texto Dissertativo 
O texto dissertativo costuma empregar linguagem mais objetiva, abstrata e conceitual. Predominam 
verbos no presente do indicativo, construções impessoais ou em terceira pessoa, além de conectores 
que indicam relação lógica entre as ideias. 
Expressões como “além disso”, “portanto”, “contudo”, “desse modo”, “por conseguinte” e “em contra-
partida” são bastante frequentes. 
Outro traço importante é a presença de vocabulário mais analítico, voltado para conceitos, causas, 
consequências, definições e generalizações. Em vez de narrar ações específicas, o texto dissertativo 
trata de ideias mais amplas, ainda que possa recorrer a exemplos pontuais para ilustrá-las. 
Nos textos argumentativos, também aparecem marcas de posicionamento, como modalizadores, es-
colhas lexicais valorativas e construções que indicam certeza, possibilidade, necessidade ou julga-
mento. Já nos expositivos, o tom tende a ser mais neutro, embora nunca totalmente isento de perspec-
tiva. 
A observação desses aspectos permite distinguir a dissertação de outros tipos textuais e compreender 
como o raciocínio é linguisticamente estruturado. 
A Importância Da Coesão E Da Coerência Na Dissertação 
Na dissertação, a coesão e a coerência assumem papel decisivo. A coesão garante a ligação formal 
entre palavras, frases e parágrafos, por meio de conectores, pronomes, substituições vocabulares e 
demais recursos de encadeamento. 
A coerência, por sua vez, assegura a unidade de sentido, a progressão lógica e a compatibilidade entre 
as ideias apresentadas. 
Um texto dissertativo pode conter informações corretas, mas perder qualidade se as ideias estiverem 
soltas, repetidas ou mal articuladas. Por isso, o uso adequado de conectores é fundamental. Eles indi-
cam adição, contraste, explicação, conclusão, exemplificação, causa ou consequência, guiando o leitor 
ao longo do raciocínio. 
A coerência exige que o texto permaneça fiel ao tema proposto, que os argumentos não se contradigam 
indevidamente e que cada parte contribua para o desenvolvimento do conjunto. Também requer sele-
ção pertinente de exemplos e manutenção de linha argumentativa clara. 
Sem coesão e sem coerência, a dissertação se fragmenta. Com elas, o texto ganha solidez, clareza e 
força intelectual. 
Comparação Entre Narração, Descrição E Dissertação 
A principal diferença entre os três tipos está na finalidade comunicativa predominante. A narração cen-
tra-se em acontecimentos; a descrição, em características; a dissertação, em ideias. Na narrativa, o 
eixo fundamental é a ação no tempo. Na descrição, é a construção de uma imagem verbal. Na disser-
tação, é a exposição ou análise racional de um tema. 
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Em termos linguísticos, a narração utiliza com frequência verbos de ação e marcadores temporais. A 
descrição valoriza adjetivos, verbos de estado e elementos espaciais. A dissertação recorre a conec-
tores lógicos, abstrações conceituais e estrutura argumentativa ou explicativa. Cada uma dessas for-
mas produz uma experiência de leitura distinta. 
Também variam os efeitos gerados. A narrativa tende a envolver o leitor por meio do enredo e do 
conflito. A descrição o convida a observar, visualizar ou sentir. A dissertação busca levá-lo à compre-
ensão racional de um problema ou de uma ideia. Em muitos textos, essas modalidades aparecem 
combinadas, mas quase sempre uma delas exerce função predominante. 
A comparação entre esses tipos permite perceber que a linguagem se organiza de formas diversas 
conforme a intenção comunicativa e o efeito pretendido. 
A Presença De Mais De Um Tipo No Mesmo Texto 
Na prática, os textos raramente aparecem em estado puro. Um romance é predominantemente narra-
tivo, mas contém descrições e até reflexões dissertativas. Um artigo analítico é dissertativo, mas pode 
iniciar com uma breve narrativa de fato concreto ou incluir descrições ilustrativas. Uma reportagem 
pode narrar acontecimentos, descrever cenários e discutir implicações sociais. 
Essa mistura não elimina a utilidade da classificação tipológica. Ao contrário, mostra que os tipos tex-
tuais funcionam como matrizes estruturais que se combinam conforme a necessidade do texto. O im-
portante é identificar qual tipo predomina e quais outros atuam como apoio ou complemento. 
Essa percepção é importante porque impede leituras simplificadoras. Um trecho descritivo dentro de 
uma narrativa não transforma o texto inteiro em descrição. Do mesmo modo, um exemplo narrado em 
um texto argumentativo não altera sua natureza predominante. A análise precisa considerar o conjunto 
e a função que cada passagem exerce na composição global. 
Desse modo, a competência interpretativa exige flexibilidade e atenção à articulação entre diferentes 
formas de organização textual. 
Critérios Para Identificar O Tipo Predominante 
Para identificar o tipo textual predominante, convém observar alguns critérios. O primeiro é a pergunta: 
o texto está contando fatos, caracterizando elementos ou desenvolvendo ideias? Essa questão já ori-
enta significativamente a leitura. O segundo critério é verificar o que move o texto: ação, imagem ou 
raciocínio. 
Também é útil observar os verbos predominantes. Verbos de ação sugerem narração; verbos de estado 
e adjetivações sugerem descrição; verbos de análise, explicação e generalização indicam dissertação. 
A presença de personagens, conflito e temporalidade reforça a narrativa. A concentração em detalhes 
sensoriais e características aponta para a descrição. A construção lógica de conceitos e argumentos 
aponta para a dissertação. 
Outro critério importante é a finalidade comunicativa. Se a intenção é contar uma história, o texto tende 
a ser narrativo. Se é apresentar qualidades ou aspectos de algo, tende a ser descritivo. Se é analisar, 
explicar ou defender uma posição, tende a ser dissertativo. 
Esses critérios, examinados em conjunto, permitem classificação mais segura e refinada. 
A Relevância Dos Tipos De Texto Na Leitura Crítica 
Conhecer os tipos de texto contribui diretamente para a leitura crítica. Ao reconhecer a forma predomi-
nante de organização, o leitor passa a compreender melhor as intenções do autor, os recursos mobili-
zados e os efeitos que o texto pretende produzir. Isso evita interpretações superficiais e permite análise 
mais consistente do material lido. 
Na narrativa, a leitura crítica observa foco narrativo, construção das personagens, organização tempo-
ral e valores implícitos no enredo. Na descrição, examina a seleção dos detalhes, o grau de objetividade 
ou subjetividade e a função da imagem construída. Na dissertação, avalia a consistência dos argumen-
tos, a lógica das relações e a clareza do posicionamento. 
TIPOS DE TEXTO 
 
 
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Essa compreensão também favorece a produção textual, pois torna mais consciente a escolha da forma 
adequada para cada finalidade comunicativa. Quem entende como funcionam narração, descrição e 
dissertação consegue estruturar melhor seu pensamento e adequar a linguagem a diferentes contextos. 
Assim, os tipos textuais não são apenas classificações teóricas. Eles constituem ferramentas funda-
mentais para interpretar, analisar e produzir linguagem com maior precisão e profundidade. 
Exemplos Sintéticos De Cada Tipo 
No texto narrativo, um exemplo simples seria: “Ao sair de casa naquela manhã chuvosa, Marcelo per-
cebeu que havia esquecido a pasta com os documentos. Voltou apressado, mas encontrou a porta 
trancada e a chave caída na sarjeta.” Nesse fragmento, há sucessão de ações, personagem, tempo e 
progressão de acontecimentos. 
No texto descritivo, um exemplo seria: “A casa era antiga, de janelas altas e madeira escurecida pelo 
tempo. No corredor estreito, o cheiro de livros velhos se misturava ao silêncio denso que parecia re-
pousar sobre cada objeto.” Aqui, o foco recai na caracterização do ambiente e na criação de uma 
imagemsensorial. 
No texto dissertativo, poderíamos ter: “A preservação da memória histórica é fundamental para a for-
mação da consciência coletiva, pois permite compreender processos sociais, valorizar identidades e 
evitar a repetição de práticas destrutivas.” 
Nesse caso, há exposição de ideia geral, relação lógica e formulação conceitual. 
Esses exemplos mostram, de maneira simplificada, como cada tipo organiza a linguagem segundo 
finalidade própria. 
Aspectos Que Exigem Atenção Na Análise Dos Tipos De Texto 
Ao examinar os tipos textuais, é importante evitar classificações automáticas baseadas apenas em 
traços superficiais. Um texto com muitos adjetivos não é necessariamente descritivo em sua totalidade. 
Da mesma forma, a presença de um pequeno episódio não transforma automaticamente um texto em 
narrativo. O que importa é a função predominante no conjunto. 
Também convém considerar o contexto de circulação. Em certos materiais, a mistura de tipos é estra-
tégica e necessária. Um relatório pode conter descrição de cenário e análise dissertativa. Uma crônica 
pode narrar um fato cotidiano e, ao final, desenvolver reflexão. Uma notícia pode combinar relato de 
evento com explicações contextuais. 
Outro ponto relevante é perceber que a qualidade do texto depende não apenas do tipo escolhido, mas 
da adequação entre forma e finalidade. Uma descrição excessiva pode comprometer o ritmo de uma 
narrativa. Uma dissertação sem progressão lógica perde clareza. Uma narração sem conflito pode se 
tornar pouco envolvente. 
Os tipos de texto narrativo, descritivo e dissertativo representam modos fundamentais de organização 
da linguagem. A narração estrutura acontecimentos no tempo e mobiliza personagens, conflito e en-
redo. A descrição caracteriza seres, objetos, ambientes e estados, valorizando detalhes e qualidades. 
A dissertação expõe, analisa ou defende ideias, organizando o raciocínio de forma lógica e coerente. 
Essas modalidades não atuam como compartimentos fechados, mas como matrizes que se combinam 
em diferentes gêneros e situações comunicativas. Reconhecer suas características é indispensável 
para compreender textos com mais profundidade, perceber intenções discursivas e avaliar o funciona-
mento da linguagem em diversos contextos. 
A familiaridade com esses tipos amplia a capacidade de leitura, interpretação e produção escrita. Mais 
do que uma classificação escolar, trata-se de um instrumento intelectual que permite observar como o 
pensamento se transforma em texto e como o texto produz sentido na interação social. 
Quando essa compreensão se torna consistente, a linguagem passa a ser percebida não apenas como 
meio de expressão, mas como forma complexa de organizar experiências, representar o mundo e cons-
truir conhecimento.

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