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## Resumo: Ensino à distância na Educação Fundamental I em tempos de pandemia – A percepção dos professores em relação ao uso da tecnologia na educaçãoO trabalho desenvolvido por Aline Karen Pereira de Souza, Ana Paula Jaqueline Lucas, Elisangela Santos Menezes e Priscila Barbosa Silveira Menezes, sob orientação de João Lorandi Demarchi, aborda os desafios e percepções dos professores da Educação Fundamental I diante da adoção do ensino à distância (EAD) durante a pandemia da Covid-19. O estudo, realizado na cidade de Bragança Paulista-SP, investiga como os educadores, que tradicionalmente atuavam no ensino presencial, tiveram que se reinventar para utilizar ferramentas tecnológicas e manter o processo de ensino-aprendizagem ativo em um cenário emergencial.### Contexto e desafios do ensino remoto na Educação Fundamental ICom o distanciamento social imposto para conter a propagação do coronavírus, cerca de 48 milhões de estudantes brasileiros deixaram de frequentar as aulas presenciais, o que forçou a migração para o ensino remoto. Essa transição foi especialmente complexa para a Educação Fundamental I, que atende crianças em fase de alfabetização e desenvolvimento cognitivo inicial, exigindo uma abordagem pedagógica diferenciada e mais sensível às necessidades infantis. Os professores enfrentaram dificuldades significativas, como a falta de formação específica para o ensino à distância, a ausência de infraestrutura tecnológica adequada tanto nas escolas quanto nas residências dos alunos, e a desigualdade socioeconômica que limitou o acesso de muitos estudantes a dispositivos e internet.Além disso, o distanciamento físico gerou um afastamento emocional e social entre professores e alunos, dificultando a interação e o engajamento, elementos essenciais para o aprendizado infantil. A pesquisa destaca que muitos educadores tiveram que aprender rapidamente a utilizar recursos digitais, como vídeos, áudios, jogos e plataformas virtuais, sem o devido preparo ou suporte institucional. A adaptação envolveu não apenas o domínio técnico, mas também a reformulação das estratégias pedagógicas para tornar as aulas mais dinâmicas e atrativas, respeitando o tempo e o ritmo de aprendizagem de cada criança.### Histórico e fundamentos da educação brasileira e sua relação com a tecnologiaO estudo também contextualiza a evolução histórica da educação no Brasil, desde a atuação dos jesuítas no período colonial, passando pelas transformações educacionais ao longo dos séculos, até a atual Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que estabelece diretrizes para a alfabetização e o desenvolvimento integral das crianças nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Essa trajetória evidencia que, apesar dos avanços, persistem desafios estruturais e desigualdades que foram agravados pela pandemia.No que tange à tecnologia, o trabalho ressalta que, antes da crise sanitária, o uso de recursos digitais na educação básica era limitado e pouco sistematizado. A pandemia acelerou a incorporação dessas ferramentas, mas também evidenciou a necessidade de capacitação docente e de políticas públicas que garantam o acesso equitativo à tecnologia. A pesquisa cita autores que discutem a tecnologia como um fenômeno cultural que transforma as relações sociais e educacionais, mas que não elimina as desigualdades existentes, especialmente no contexto brasileiro.### Metodologia e resultados da pesquisaA pesquisa utilizou o método Survey, aplicando questionários virtuais a professores do Ensino Fundamental I para coletar dados quantitativos sobre suas experiências com o ensino remoto. Foram obtidas 57 respostas, com predominância de profissionais jovens (20 a 30 anos), que, em tese, teriam maior familiaridade com tecnologias digitais. No entanto, mais de 40% dos professores relataram que não utilizavam recursos tecnológicos em suas aulas antes da pandemia, o que contribuiu para as dificuldades iniciais na adaptação ao ensino remoto.Os recursos didáticos mais utilizados durante as aulas online foram vídeos e contação de histórias, enquanto o uso de videochamadas, que poderiam favorecer a interação e o engajamento dos alunos, foi muito baixo (menos de 2%). Entre as principais dificuldades apontadas pelos professores estão a falta de infraestrutura tecnológica, a baixa participação dos alunos, a ausência de capacitação adequada e o aumento da carga de trabalho para preparar e adaptar as atividades. A pesquisa também destaca que, apesar dos desafios, a tecnologia tem potencial para tornar as aulas mais dinâmicas e atualizadas, desde que acompanhada de suporte e formação continuada para os educadores.### Conclusões e implicaçõesO estudo conclui que o ensino remoto na Educação Fundamental I durante a pandemia representou um grande desafio para os professores, que precisaram se reinventar e buscar novas formas de ensinar em um ambiente virtual, muitas vezes sem o preparo necessário. A desigualdade no acesso à tecnologia e a falta de suporte institucional foram barreiras significativas para a efetividade do ensino à distância, impactando o rendimento e a adaptação dos alunos.Por outro lado, a experiência forçada com o uso de tecnologias digitais abriu caminho para uma reflexão sobre a necessidade de integrar esses recursos de forma mais sistemática e inclusiva na educação básica, promovendo a formação docente e a infraestrutura adequada. O trabalho reforça a importância de políticas públicas que garantam o acesso equitativo à tecnologia e o apoio aos professores, para que o ensino remoto possa ser uma alternativa viável e eficaz, especialmente em situações emergenciais.---## Destaques- A pandemia da Covid-19 impôs a migração abrupta para o ensino remoto, especialmente desafiadora para a Educação Fundamental I, que atende crianças em fase de alfabetização.- Professores enfrentaram dificuldades técnicas, pedagógicas e emocionais, muitas vezes sem capacitação ou suporte institucional adequado.- A desigualdade socioeconômica limitou o acesso dos alunos a dispositivos e internet, agravando as barreiras para o ensino à distância.- Recursos mais usados foram vídeos e contação de histórias, enquanto a interação via videochamadas foi pouco explorada.- A experiência evidenciou a necessidade de políticas públicas para formação docente e infraestrutura tecnológica, visando a inclusão e a qualidade do ensino remoto.