Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA
Objetivos 
 
Após a conclusão deste módulo, o aluno deverá ser capaz de: 
• compreender as atividades de gerenciamento e controle dos resultados, dos ativos 
financeiros e das obrigações junto a instituições financeiras; 
• calcular o retorno sobre o investimento; 
• analisar a concessão de crédito e organização do processo de cobrança. 
 
Aula 1. Conceitos Introdutórios 
 
Lição 1: Administração Financeira 
 
Durante uma reunião, Xavier e Rubens conversam a respeito dos objetivos da administração 
financeira e suas relações com os ambientes econômico, legal e com a contabilidade. 
 
Eles estão estudando o processo de tomada de decisões em uma empresa e as diversas funções 
de um administrador financeiro. 
 
(Xavier) _ Bom dia! 
 
(todos) _ Bom dia! 
 
(Xavier) _ O objetivo da reunião de hoje é alinhar os nossos conhecimentos a respeito de 
administração financeira. Percebi que estamos um pouco desalinhados no que diz respeito ao 
assunto e resolvi que deveríamos conversar mais sobre isso! Nosso colega Rubens irá nos auxiliar 
muito nessa tarefa. 
 
(Rubens) _ Bom dia! 
 
(todos) _ Bom dia! 
 
(Rubens) _ Bom, vou começar falando um pouco sobre as responsabilidades e os objetivos da 
administração financeira... A administração financeira é responsável pelo dinheiro, pelos 
investimentos, pelo pagamento das dívidas e pela lucratividade da empresa. Seus objetivos são 
oferecer retorno satisfatório aos sócios e honrar os compromissos junto aos credores. 
 
(Xavier) _ Exatamente! Os objetivos são esses mesmos! Mas se a empresa não cumpri-los, o que 
acontece? 
 
(Rubens) _ Boa pergunta, Xavier! Leia as próximas aulas. 
 
Lição 2: Objetivos da administração financeira 
 
Como vimos, os objetivos da administração financeira são oferecer retorno satisfatório aos sócios e 
honrar os compromissos junto aos credores. No entanto, as conseqüências do não-cumprimento 
desses objetivos podem ser graves como: 
 
• não oferecimento de retorno satisfatório aos sócios; 
 Os sócios são pessoas que investiram seu dinheiro na empresa. Se ela apresentar prejuízo 
ou não oferecer lucros satisfatórios (retorno do dinheiro investido), eles provavelmente irão retirar o 
dinheiro investido e aplicá-lo em uma alternativa mais atraente. 
 
• não honrar os compromissos junto aos credores. 
Os credores são aqueles a quem a empresa deve dinheiro. Quando compra a prazo, a empresa 
torna-se devedora do fornecedor que, por sua vez, torna-se seu credor. Quando toma dinheiro 
emprestado ao banco, acontece o mesmo: o banco torna-se seu credor. 
 
Honrar compromissos significa pagar as dívidas em dia. Se uma empresa não fizer isso, terá 
problemas com crédito, pois nenhum fornecedor gosta de vender a prazo para quem não cumpre o 
combinado. 
 
Assim, é importante lembrar que uma empresa corre sério risco de ser fechada quando não 
satisfaz seus sócios ou não paga em dia aos seus credores. 
 
Lição 3: A empresa sob a perspectiva das finanças 
 
Estrutura financeira de uma empresa. 
 
 
 
 
 
Lição 4: Capital 
 
Para estruturar-se e iniciar suas atividades, uma empresa necessita de capital que financie seus 
investimentos. Esse capital, por sua vez, pode ser de dois tipos: próprio e de terceiros. 
 
Enquanto o capital próprio pertence aos sócios, o de terceiros pertence aos credores, 
caracterizando-se como as dívidas da empresa. Assim, os juros remuneram os credores da 
empresa, enquanto que o lucro remunera os seus sócios. Observe a definição de cada um dos 
capitais: 
 
• Capital Próprio 
 É chamado de capital próprio os recursos financeiros (dinheiro) que os sócios (também 
chamados de investidores) colocam na empresa. É com esse dinheiro que ela inicia suas 
atividades. 
 Os sócios investem em uma empresa com o objetivo de obter lucro; portanto, lucro é o que 
remunera o capital aplicado. 
 
• Capital de Terceiros 
 Fornecedores de bens e de serviços que vendem a prazo, bancos que emprestam 
dinheiro, governo que cobra a prazo os impostos; enfim, todos aqueles que não cobram à vista são 
chamados de credores ou representantes de capital de terceiros. Enquanto o lucro remunera o 
capital próprio, são os juros que remuneram o capital de terceiros. 
 
Lição 5 : Patrimônio da empresa 
 
O patrimônio da empresa é formado por três partes: o passível exigível, o patrimônio líquido e o 
patrimônio ativo. Observe como é composto cada um deles: 
 
Passivo Exigível 
É todo o capital de terceiros aplicado na empresa (é chamado “exigível” porque os credores têm o 
direito legal de exigir que a empresa faça o pagamento das dívidas no vencimento). O passível 
exigível define-se, portanto, como as obrigações da empresa junto a terceiros. 
 
No passivo exigível, a empresa pode ter dívidas de longo prazo (com vencimento acima de 1 ano), 
que são chamadas de exigível a longo prazo; e dívidas de curto prazo (com vencimento abaixo 
de 1 ano), chamadas de passivo circulante. 
 
Patrimônio Líquido 
O patrimônio líquido representa os recursos investidos pelos sócios na empresa: é o chamado 
capital social. Ele representa, também, os lucros acumulados pela empresa e que ainda não 
foram retirados pelos sócios. Quando a empresa apresenta lucro, os sócios têm duas opções: 
retirá-lo ou investi-lo na própria empresa. 
 
Patrimônio Ativo 
Representa o conjunto de investimentos que a empresa fez. Em outras palavras, é o destino que a 
empresa deu ao capital próprio e de terceiros. Também podemos compreender esse ativo como os 
bens e os direitos da empresa. Compõe-se de investimentos de curto prazo (ativo circulante) e de 
longo prazo (ativo permanente) como as instalações, os equipamentos etc. 
 
 
Resultados 
Resultados são os lucros ou prejuízos obtidos com as operações das empresas; ou seja, é a 
conseqüência do faturamento (vendas) menos as despesas, os custos e os tributos que são pagos. 
 
Atenção! 
Qualquer que seja o resultado, lucro ou prejuízo, será de responsabilidade e de direito dos 
sócios. 
 
Lição 6: As relações da empresa 
 
Com o ambiente econômico 
A boa gestão financeira de uma empresa exige amplos conhecimentos sobre o ambiente 
econômico, que pode ser: macroeconômico e microeconômico. 
 
Macroeconômico 
Formado por políticas governamentais, sistemas financeiros (nacional e internacional), controles, 
restrições e demais características do contexto econômico nacional. 
 
Microeconômico 
Formado por operações da empresa, seu mercado, seus produtos e serviços, suas potencialidades 
e deficiências empresariais. A administração financeira deve considerar todos os aspectos 
do negócio da empresa. 
 
Com o ambiente legal 
A legislação impõe uma série de condições, restrições e obrigações à administração financeira. No 
entanto, oferece também oportunidades como incentivos e benefícios fiscais. Assim, em qualquer 
decisão financeira, é imprescindível considerar os aspectos legais, especialmente as legislações 
tributária e comercial, que normalizam desde as operações financeiras mais comuns até as 
decisões financeiras mais importantes. 
 
Lição 7: As relações da empresa - contabilidade 
 
É papel da contabilidade registrar fatos e eventos, apurar resultados e demonstrar situações 
patrimoniais. Por ser a única área que registra de forma completa todos os fatos e eventos 
financeiros de uma empresa, a contabilidade é a principal fonte interna de informações para a 
administração financeira. 
 
Porém, a administração financeira deve considerar os dados contábeis com cautela, pois eles são 
registrados em conformidade com as imposições fiscais e legais, o que pode não coincidir com 
outras abordagens mais importantes para a decisão financeira. Por exemplo: o valor de mercado 
dos estoques da empresa pode, num dado momento, ser mais importante para a decisão 
financeira do que o valor histórico registrado pela contabilidade. 
 
Assim, observamos que a contabilidade atende às obrigações fiscais da empresa e parte das 
necessidades gerenciais da administração financeira, já que os dados contábeisEm seguida, a cada item selecionado para a avaliação de crédito é atribuído um peso na forma de 
pontuação. E é justamente o somatório dessa pontuação, obtido por um solicitante de crédito, que 
levará a uma decisão final, com regras previamente definidas. Assim, dependendo da pontuação 
obtida, a decisão poderá ser no sentido da aprovação do crédito, da reprovação ou da concessão 
limitada ou condicional. 
 
Lição 3: Sistema convencional de credit scoring - exemplo 
 
 
A título de exemplificação, no caso de análise de crédito de pessoas físicas, a empresa poderia 
considerar os seguintes fatores relevantes e seus respectivos pesos de pontuação (os valores 
indicados são meramente ilustrativos): 
 
Itens para avaliação de crédito Pontuação 
 
Atividade Executivo (diretor/gerente) 5 
 Profissional empresário 4 
 Empregado do setor público 4 
 Empregado do setor privado 3 
 Aposentado 3 
 Profissional autônomo 2 
Rendimento anual Acima de R$ 50.000,00 5 
 Entre R$ 20.000,00 e 
50.000,00 
4 
 Até R$ 20.000,00 2 
Tempo no 
trabalho atual 
Mais de 1 ano 4 
 Menos de 1 ano 3 
Moradia Própria 4 
 Alugada 1 
Outros imóveis Mais 2 imóveis 5 
 Mais 1 imóvel 3 
Número de 
dependentes 
Nenhum 2 
 Um 2 
 Dois ou mais 1 
Instituições 
financeiras 
Conta corrente, cartão de 
crédito e seguros. 
5 
 Conta corrente e cartão de 
crédito. 
4 
 Conta corrente e seguros. 3 
 Conta corrente. 2 
 
 
 
 
Lição 4: Regra de decisão de crédito – exemplo 
 
Pontuação Decisão de crédito Condições e 
limitações 
Abaixo de 12 
pontos 
Reprovado _ 
Entre 12 e 18 
pontos 
Aprovado Até R$ 5.000,00 
com avalista. 
Entre 19 e 25 
pontos 
Aprovado Até R$ 12.000,00. 
Acima de 26 
pontos 
Aprovado Até R$ 20.000,00. 
 
É importante observar no exemplo acima que todos os bons pagadores não se situam, 
necessariamente, acima da pontuação mínima (12 pontos) estabelecida pela empresa e todos os 
maus pagadores abaixo dessa limitação. A pontuação mínima, também chamada de “ponto de 
corte”, é fruto de uma observação histórica da empresa que aponta uma tendência de 
características típicas dos bons e dos maus pagadores. 
 
Lição 5: Política de crédito 
 
A política de crédito deve oferecer orientação para a decisão de crédito. Ela é responsável pela 
fixação de parâmetros e diretrizes a serem observados nessa decisão. 
 
Quando menos rígida, permitindo crédito a uma maior quantidade de solicitantes, a política de 
crédito tende a proporcionar um aumento das vendas. Por conseqüência, esse aumento do volume 
de vendas acarreta um acréscimo de investimentos em estoques e em duplicatas a receber. Causa 
também uma alteração do nível de risco de não-recebimento das vendas a prazo, devido a um 
menor rigor na seletividade de clientes. Por outro lado, um aumento das vendas tende a afetar 
positivamente o resultado da empresa, oferecendo um retorno mais interessante aos sócios. 
 
Por afetar aspectos tão importantes da estrutura financeira da empresa, a política de crédito deve 
ser aprovada pela alta direção e deve ainda manter total coerência com as estratégias 
empresariais. 
 
Saiba mais! 
Também chamada de “padrões de crédito”, a política de crédito estabelece o grau de 
flexibilidade da decisão de crédito. 
 
Lição 6: Decisão de crédito 
 
A decisão de crédito consiste no julgamento final da solicitação de crédito efetuada por um cliente. 
Representa o objetivo de todos os aspectos até aqui apresentados sobre administração de crédito: 
análise de crédito, gestão das informações, metodologia de conceituação e política de crédito. 
 
A política de crédito deve oferecer orientação quanto às preferências da empresa em relação ao 
risco das operações. Já as demais análises devem permitir ao tomador de decisão uma visão dos 
possíveis retornos com esse nível de risco associado. 
 
Um processo de decisão empresarial inicia-se quando uma situação qualquer apresenta um 
problema ou uma oportunidade que exige uma escolha entre, pelo menos, duas alternativas. Não 
havendo alternativas, não há decisão a ser tomada. Constatada a existência de alternativas e 
conhecidas as particularidades de cada uma, o passo seguinte do processo de decisão 
empresarial consiste na análise dessas alternativas, considerando métodos objetivos e a 
experiência pessoal do tomador de decisões. 
 
A seleção da melhor alternativa, que nas empresas deve ser aquela que oferece a melhor relação 
entre custo e benefício, configura a tomada de decisão que provocará uma ação específica. Tal 
ação poderá ser alterada, revista ou até mesmo cancelada no decorrer de sua implantação. Só não 
é possível, após a tomada de decisão, retornar a um momento rigorosamente igual ao momento 
anterior à decisão: com a mesma característica, situação e circunstância. 
 
Aula 10: Monitoramento e cobrança 
 
Lição 1: Monitoramento e cobrança 
 
(Xavier) _ Nossa, Rubens! Agora, conhecemos vários instrumentos para conceder crédito aos 
clientes que possibilitam ampliar os negócios sem correr riscos demasiados. 
 
(Rubens) _ Mas para seu bom funcionamento, qualquer sistema de crédito precisa estar ligado a 
um eficiente sistema de monitoramento de entrada e saída de capitais e a um rigoroso método de 
cobrança. 
 
(Xavier) _ Como isso funciona? 
 
(Rubens) _ É assim: analisada uma proposta de crédito, aprovada a sua concessão, emitida e 
aceita a duplicata, mais um devedor integra a carteira de contas a receber da empresa. A partir 
desse momento, o risco está assumido e a atenção da área financeira volta-se para a liquidação 
do título pelo cliente. Não ocorrendo a liquidação da dívida no prazo previsto, inicia-se o processo 
de cobrança. 
 
(Xavier) _ Ah, claro... a cobrança. Isso é bem chato! 
 
(Rubens) _ É. Apesar de todos os critérios de análise para concessão de crédito, algumas vezes 
temos surpresas desagradáveis que desequilibram as finanças da empresa. 
 
(Xavier) _ Como proceder quando se faz necessária uma cobrança? 
 
(Rubens) _ Boa pergunta, Xavier! Isso é o que eu vou explicar-lhes agora! 
 
Lição 2: Controle da idade das duplicatas a receber 
 
O controle do tempo decorrido desde a emissão da duplicata a receber é fundamental para que a 
empresa tome ciência dos valores que tem a receber e dos valores que já deveria ter recebido. 
Com uma visão clara da posição de vencimentos da carteira, a empresa pode tomar medidas 
preventivas e corretivas. 
 
O quadro de idade da duplicata apresenta uma decomposição dos títulos em carteira em função do 
número de dias transcorridos desde a emissão da duplicata. 
 
Apoiada em um bom sistema de processamento de informações, uma empresa tem condições de 
realizar essa decomposição de forma detalhada sobre um grande volume de títulos, obtendo sem 
dificuldade, a partir daí, os relatórios gerenciais e analíticos de que precisar. 
 
Observe um exemplo de quadro de idade de uma empresa hipotética que vende com um prazo de 
trinta dias: 
 
Quantidade 
de 
duplicatas 
Idade da
duplicata
(dias) 
 
 
Valor em 
reais 
Participação
sobre total 
da carteira 
2 56 8.500,00 3,21% 
1 49 4.000,00 1,51% 
3 37 6.000,00 2,27% 
2 34 9.000,00 3,40% 
1 32 5.000,00 1,89% 
Títulos vencidos 32.5000,00 12,28% 
22 Entre 21
e 30 
 77.000,00 29,11% 
19 Entre 11
e 20 
 65.000,00 24,58% 
29 Entre 0 e
10 
 90.000,00 34,03% 
Títulos a vencer 232.000,00 87,72% 
Total da carteira 264.500,00 100% 
 
 
Lição 3: Controle da idade das duplicatas a receber 
 
Como observado na lição anterior, o quadro de idade dos títulos em carteira permite um 
acompanhamento da situação dos créditos concedidos. 
 
O valor dos títulos vencidos ou devedores duvidosos, quando comparado às vendas da empresa, 
permite o cálculo do índice de inadimplência. Supondo que o valor de R$ 32.500,00 em atrasos 
seja comum nessa empresa e que suas vendas mensais sejam em torno de R$ 260.000,00, 
teremos: 
 
Índice de inadimplência = devedores duvidosos = 32.500 = 0,125 
 vendas260.000 
 
Transformando-se o valor obtido em porcentagem, temos: índice de inadimplência = 12,50%. 
Para evitar distorções, o índice de inadimplência deve ser idealmente calculado com vendas e 
devedores duvidosos do mesmo mês de competência. Deve-se ainda comparar os índices 
mensais, de forma a perceber-se a tendência de qualidade da carteira de contas a receber. 
 
Notando-se, ao longo do tempo, uma tendência de deterioração da qualidade do ativo duplicatas a 
receber, a empresa precisa, então, rever sua política de crédito, realizando previamente um estudo 
das causas que estão levando a essa queda de qualidade. 
 
Identificadas as causas, a política de crédito deve prever medidas, condições e restrições que 
visem à recuperação qualitativa desse ativo. 
 
Lição 4: Deterioração financeira dos devedores 
 
Quando o cliente, após tomar o crédito da empresa, apresenta-se numa situação de dificuldade 
financeira e incapacidade de pagamento, esse fato pode estar relacionado aos dois tipos de risco: 
 
• risco inerente ao próprio negócio, a sua gestão e as suas características 
particulares; 
• risco do ambiente externo, de caráter geral e de ordem política, econômica ou 
social. 
 
Mas, em se tratando de concessão de crédito, uma terceira possibilidade deve ser considerada: o 
cliente poderia já encontrar-se em má situação financeira antes de tomar o crédito, mas esse fato 
não foi observado pela análise de crédito. 
 
Uma das principais atividades da área de crédito de uma empresa é a de monitorar a saúde 
financeira de seus clientes. Diversos “sinais de alarme” de deterioração financeira podem ser 
captados, tanto na análise financeira contínua da situação dos clientes, como em outras fontes de 
informações não financeiras. Os indícios de deterioração podem ser captados, por exemplo: 
 
• nas demonstrações financeiras (por meio de análises que indicaram a 
degradação financeira do cliente); 
 
• no mercado de fornecedores (com informações sobre atrasos constantes junto 
a outros credores e exigência de pagamentos antecipados ou à vista ao cliente 
etc.); 
 
• no mercado bancário (com informações sobre renovação constante de 
empréstimos de curto prazo, uso contínuo de contas garantidas, alto volume 
de desconto de duplicatas etc.); 
 
• na empresa do cliente (com informações sobre graves problemas 
administrativos e gerenciais, insatisfação generalizada de funcionários, 
deterioração patrimonial, pendências tributárias etc.); 
 
• no comportamento do cliente (por meio de evidências de desentendimento 
entre sócios, problemas financeiros pessoais dos sócios, atitudes 
irresponsáveis etc.). 
 
 
Lição 5: Cobrança de devedores em atraso 
 
A cobrança de devedores em atraso exige rapidez, firmeza, negociação e critério. Essas 
características evitam perdas ou, pelo menos, minimizam os prejuízos. 
 
Rapidez: quando um cliente entra em estado de insolvência, seus bens e direitos normalmente não 
cobrem seu passivo. Isso significa que alguns credores poderão receber, mas com certeza nem 
todos receberão; portanto, quem chega antes para cobrar tem mais chances de encontrar o cliente 
com alguma condição de pagar. 
 
Firmeza: às vezes, o cliente inadimplente tende a querer ganhar tempo, evitando a cobrança e 
qualquer contato com o credor. Uma cobrança sem convicção e firmeza pode ser entendida pelo 
devedor como uma disposição do credor em adiar o recebimento ou até mesmo de perdoar-lhe a 
dívida. 
 
Negociação: a capacidade de negociar com o devedor pode significar a recuperação de um crédito 
duvidoso. Em muitos casos é preferível uma negociação que leve à recuperação parcial do crédito, 
assumindo-se o restante como perda, a um processo judicial que poderá levar anos e cujo 
resultado é imprevisível. 
 
Critério: como já visto anteriormente, diversos são os motivos que podem causar um atraso de 
pagamento. Um devedor que age de má-fé, demonstrando intenção de não pagar, deve ser tratado 
com todo rigor e contundência na cobrança, obedecendo parâmetros legais. Mas a truculência na 
cobrança de um devedor que cometeu um atraso por motivos alheios a sua vontade e que tem 
intenção e condição de pagar, pode ocasionar para a empresa a perda de um bom cliente. 
 
Lição 6: Formas de cobrança 
 
Cobrança por carta ou por telefone 
 
A cobrança por carta ou por telefone constitui a primeira etapa do processo. No caso de devedores 
empresariais, um contato telefônico com a área de contas a pagar do cliente, tão logo a dívida 
vença, pode ser interessante para compreender o atraso e a disposição do cliente em pagar. 
 
A comunicação por carta é mais interessante para formalizar o aviso ao cliente sobre o débito 
pendente e sobre as medidas que serão adotadas em caso de não-liquidação. 
 
Visita pessoal 
 
Realizar uma visita ao cliente pode ser útil, sobretudo naqueles casos em que o credor sinta 
espaço e disposição para negociação por parte do cliente. É preciso, todavia, certificar-se de que 
ele dispõe-se a receber e a conversar com o credor. Em muitas situações essa disposição não 
existe, tornando a visita um procedimento ineficaz. 
 
Utilização de empresas de cobrança 
 
Empresas de cobrança podem ser acionadas quando o credor já esgotou as tentativas de cobrar 
diretamente. Essas empresas trazem a vantagem de serem especializadas em cobrança, mas, por 
outro lado podem representar um custo razoável. A completa terceirização da área de cobrança 
pode proporcionar benefícios interessantes à empresa credora. 
 
Protesto e falência 
 
Esgotadas as possibilidades de cobrança amigável, a lei disponibiliza instrumentos ao credor para 
que se proceda a cobrança judicial e, o mais grave, o pedido de falência do devedor. 
 
Já o protesto de duplicata por falta de pagamento registra e divulga ao mercado de crédito a 
impontualidade do devedor. 
 
Atenção! 
O protesto e a falência são medidas duras que certamente afetarão o devedor em sua 
reputação e em seus negócios. 
 
Aula 11: Fluxo de caixa 
 
Lição 1: Controle e análise 
 
(Xavier) _ Sabe, Rubens, uma coisa que me deixa encabulado é o tal fluxo de caixa. Todo mundo 
me diz que isso é importante, mas acho que ainda tenho muito a aprender sobre ele. 
 
(Rubens) _ Pode deixar que eu te ajudo! O fluxo de caixa é um instrumento de controle que tem 
por objetivo auxiliar o empresário a tomar decisões sobre a situação financeira da empresa. 
Consiste em um relatório gerencial que informa toda a movimentação de dinheiro (entradas e 
saídas) — sempre considerando um período determinado, que pode ser uma semana, um mês etc. 
 
(Xavier) _ E qual a sua utilidade? 
 
(Rubens) _ Sua grande utilidade é permitir a visualização de sobras ou faltas de caixa antes 
mesmo que elas ocorram, possibilitando ao empresário planejar melhor suas ações. As palavras-
chave do fluxo de caixa são entradas e saídas; como todos sabem, toda ação realizada por uma 
empresa ocasiona, de uma forma ou de outra, na entrada ou saída de dinheiro! 
 
(Xavier) _ Anhhhh... Acho que já estou entendendo. É nesse jogo de entra-e-sai que o fluxo de 
caixa mostra sua importância, ajuda-nos a perceber, com bastante antecedência, quando vai faltar 
ou sobrar recurso. É isso? 
 
(Rubens) _ Exatamente! Os momentos de escassez de crédito, altas taxas de juros, queda do 
faturamento, entre outros fatores exigem do empresário uma gestão financeira cada vez mais 
eficiente. Controles financeiros — que permitam conhecer com mais eficiência os recursos de caixa 
— tornam-se necessários. Por isso o fluxo de caixa é tão importante! 
 
Lição 2: Utilidade do relatório de fluxo de caixa 
 
O relatório de fluxo de caixa tem as seguintes utilidades: 
 
• Planejar e controlar as entradas e as saídas de caixa num período de tempo 
determinado. 
• Auxiliar o empresário a tomar decisões antecipadas sobre a falta ou sobra de dinheiro 
na empresa. 
• Verificar se a empresa está trabalhando, no período avaliado, com aperto ou folga 
financeira. 
• Verificar se os recursos financeiros sãosuficientes para tocar o negócio em 
determinado período ou se há necessidade de obtenção de capital de giro. 
• Planejar melhores políticas de prazos de pagamentos e recebimentos. 
• Avaliar a capacidade de pagamentos antes de assumir compromissos. 
• Conhecer, previamente (planejamento estratégico), os números do negócio e sua 
importância no período considerado. 
• Avaliar se o recebimento das vendas é suficiente para cobrir os gastos assumidos e 
previstos no período considerado. 
• Avaliar o melhor momento para efetuar as reposições de estoque em função dos 
prazos de pagamento e da disponibilidade de caixa. 
• Avaliar o momento mais favorável para realizar promoções de vendas com o objetivo 
de melhorar o caixa do negócio. 
 
Lição 3: Entrada e saída de numerários 
 
Para elaborar um fluxo de caixa, é necessário registrar quais são as saídas de numerários 
conhecidas. 
 
Mesmo que as entradas de recursos não sejam conhecidas, elas podem ser estimadas. 
 
É importante observar que as duplicatas são consideradas entrada de dinheiro para a empresa, o 
que, não necessariamente, é verdade: a duplicata pode não ser paga pelo cliente ou o cheque não 
ser compensado. 
 
Apresentamos o seguinte diagrama para exemplificar um fluxo de caixa simples: 
 
 
 
 
 
 
 
 
1 2 3 
 
 
 
 
As flechas para cima significam as entradas de recursos e as flechas para baixo significam suas 
saídas. 
 
Lição 4: Movimentações ideais para um fluxo de caixa 
 
A situação ideal para a gestão de um fluxo de caixa seria o uso de uma reserva de caixa para as 
eventualidades de uma falta de recursos. 
 
O interessante seria o “casamento” de entradas com saídas, evitando o “furo de caixa”, que nada 
mais é do que a saída sem uma entrada de recurso. Observe o exemplo: 
 
A empresa Alphabeta detém os seguintes compromissos e recursos: 
 
Dia Entrada Saída Saldo 
0 2.500,00
1 (1.600,00) 900,00 
2 2.000,00 (1.300,00) 1.600,00
3 980,00 (1.800,00) 780,00 
4 1.900,00 (2.200,00) 480,00 
5 790,00 (560,00) 710,00 
 
Observe que, neste caso, o saldo é sempre positivo. Ele mostra que as saídas estão cobertas pelo 
fluxo de caixa. 
 
Lição 5: Exemplo de fluxo de caixa 
 
Observe um exemplo de fluxo de caixa e sua respectiva análise: 
 
Relatório do fluxo de caixa e gráfico 
Movimento do mês de novembro/04 
Data Histórico/documento Tipo de movimento/valor 
 
 
 Entradas 
(crédito)
Saídas 
(débito) 
Saldo 
1 Saldo inicial do período 
conta corrente no 
banco X 
 60.000,00
5 Pagamento de 
salários/Folha de 
pagamento 
 50.000,00 10.000,00
6 Recebimento da nota 
fiscal 300.080. Coringa 
Distribuidora Ltda. 
2.500,00 12.500,00
7 Pagamento de guia do 
FGTS 
 4.000,00 8.500,00 
10 Pagamento de 
fornecedor 
 10.000,00 -1.500,00
15 Recebimento da nota 
fiscal 300.081 – 
Papelaria Formosa 
30.000,00 28.500,00
16 Pagamento de guia de 
ICMS 
 8.000,00 20.500,00
21 Pagamento de conta de 
energia elétrica 
 900,00 19.600,00
21 Pagamento de conta 
telefônica 
 750,00 18.850,00
22 Pagamento de conta de 
água 
 450,00 18.400,00
30 Recebimento de nota 
fiscal 300.082 
Casa do papel S/C Ltda. 
4.500,00 22.900,00
 Totais do período 37.000,00 74.100,00 22.900,00
 
 
Lição 6: Gráfico – movimentações ideais para um fluxo de caixa 
 
1 5 6 7 10 15 16 21 21 22 30-5000
0
5000
10000
15000
20000
25000
30000
35000
40000
45000
50000
55000
60000
65000
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Lição 7: Nomenclatura 
 
Observe alguns dos principais termos utilizados ao trabalhar-se com fluxo de caixa: 
 
Saldo inicial: o valor constante no caixa no início do período considerado para a elaboração do 
fluxo. É composto pelo dinheiro na “gaveta” mais os saldos bancários disponíveis para saque. 
 
Entradas de caixa: correspondem às vendas realizadas à vista, bem como a outros recebimentos 
(tais como duplicatas, cheques pré-datados, faturas de cartão de crédito etc.), disponíveis como 
dinheiro na respectiva data. 
 
Saídas de caixa: correspondem a pagamentos de fornecedores, pró-labore (retiradas dos sócios), 
aluguéis, impostos, folha de pagamento, água, luz, telefone e outros — entre eles alguns descritos 
em nosso modelo. 
 
Saldo operacional: representa o valor obtido de entradas menos as saídas de caixa na respectiva 
data. Possibilita avaliar como se comportam seus recebimentos e gastos periodicamente, sem a 
influência dos saldos de caixa anteriores. 
 
Saldo final de caixa: representa o valor obtido da soma do saldo inicial com o saldo operacional. 
Permite constatar a real sobra ou falta de dinheiro em seu negócio no período considerado e passa 
a ser o saldo inicial do próximo período. 
 
 
Lição 8: Formatação do fluxo de caixa 
 
Observe que é muito útil a formatação de fluxo de caixa com valores “previstos” e “realizados”: 
 
Dia 1 Dia 2 Mês/ano 
Agosto/2004 
Previsto Realizado Previsto Realizado 
Saldo inicial de caixa - 500,00 - 500,00 0,00 0,00
Dinheiro / cheque à vista 1.000,00 1.000,00 
Cheques pré-datados 500,00 
Duplicatas a receber 
Cartão de crédito 500,00 
Outros recebimentos 
Total de entradas 1.000,00 1.000,00 1.000,00 00,00
Impostos sobre vendas 
Pagamentos a fornecedores 1.300,00 0,00
Pró-labore 
Salários 
Encargos 
Benefícios 
Água 50,00 50,00 
Luz 50,00 50,00 
Telefone 100,00 100,00 
Propaganda e marketing 
Despesas bancárias 
Despesas financeiras 
Comissões a vendedores 
Honorários contábeis 
Pagamentos de serviços 150,00 150,00 
Combustíveis 50,00 50,00 
Despesas com veículos 
Materiais de escritório 
Compra de equipamentos 
Pagamentos de financiamentos 
Outras despesas 100,00 100,00 
Total de saídas 500,00 500,00 1.300,00 1.300,00
 
Saldo operacional 500,00 500,00 -300,00 0,00
Saldo final 0,00 00,00 -300,00 0,00
 
Lição 9: Previsto e realizado 
 
Por que há colunas de previsto e realizado? 
 
Um dos fatores mais importantes para o sucesso na gestão de uma empresa é o adequado 
planejamento. Portanto, a gestão financeira deve ser cuidadosamente planejada, executada, 
acompanhada e avaliada. Isso só é possível se estabelecermos metas (objetivos, previsões) que 
nos orientem a fim de evitar surpresas. 
 
Se passarmos a projetar recebimentos e pagamentos com base em nossos conhecimentos 
anteriores e expectativas em relação ao mercado, poderemos nos preparar para enfrentar 
dificuldades antes que elas ocorram. 
 
Assim, trabalhar com valores previstos e compará-los com o realizado (acontecido na data), além 
de mostrar futuras faltas ou sobras de caixa, permite tomar decisões antecipadas sobre aumento 
de compras, liquidações, racionalizações de custos, hora certa para fazer investimentos e até 
mesmo sobre a possibilidade de retirar mais pró-labore sem “sangrar” a empresa. 
 
A previsão do fluxo de caixa permite saber com antecedência de quanto recurso financeiro você 
precisará e se este pode ser gerado pelas vendas e recebimentos. Caso não seja suficiente, 
permitirá que você negocie alternativas de obtenção de financiamentos com mais critério e 
segurança e maiores oportunidades de negociação de taxas. 
 
Lembre-se de que um caixa, em nível adequado, evita surpresas quando ocorrem problemas com 
inadimplências em sua empresa, ou seja, quando surgem dificuldades para receber as vendas. 
 
Lição 10: Cheques, boletos bancários e borderôs 
 
O controle de emissão e recebimento de cheques, boletos e borderôs talvez seja a parte mais 
importante de um departamento financeiro, pois envolve numerários que serão importantes para a 
empresa. 
 
O controle desses documentos também é necessário para a correção de futuros enganos ou 
problemas, que podem ser ocasionados para a empresa ou vice-versa. 
 
Controle da emissão e recebimento de cheques 
 
O cheque é uma ordem de pagamento à vista que a prática comercial transformou em instrumento 
de pagamento a prazo, conhecido como cheque pré-datado.É por esse motivo que o controle da 
emissão e recebimento de cheques é muito importante, pois evita o inconveniente de descontar um 
cheque antes da data combinada. 
 
Geralmente quando uma empresa faz pagamentos de valores altos, utiliza o cheque por ser um 
instrumento seguro. Assim, o controle dessa emissão é necessário para que se possa fazer, 
futuramente, a conciliação bancária do cheque. 
 
Lição 11 A: Tratamento dispensado a boletos bancários 
 
Os boletos bancários, também denominados fichas de compensação, são documentos que as 
empresas enviam para os clientes ou recebem de fornecedores para efetuar pagamentos na rede 
bancária. 
 
Quanto ao recebimento e à emissão dos boletos, o tratamento será o mesmo dispensado aos 
cheques, já que são instrumentos semelhantes. 
 
Lição 11 B: Borderôs – envio de informações financeiras 
 
O borderô é a relação de movimentações financeiras ocorridas por um agente externo ou outra 
unidade de negócio, na qual serão declaradas as receitas e as despesas ocorridas em um 
determinado período. São múltiplas as utilizações desse documento. 
 
Na verdade, o borderô é instrumento de transmissão de informações financeiras ou prestações de 
contas. Para tanto, são várias as suas denominações: borderô de cobrança, borderô de 
pagamento, borderô de recebimentos, prestação de contas etc. 
 
Daremos destaque para o borderô de pagamentos. Imaginemos que uma empresa, com muitos 
fornecedores, consiga negociar datas específicas de pagamento: dias 10 e 25 de cada mês, para a 
maioria dos fornecedores. Alguns dias antes do vencimento do dia 10, por exemplo, todos os 
fornecedores são relacionados da seguinte forma: razão social, documento a ser pago (nota 
fiscal, recibo e suas especificações), forma de pagamento: crédito em conta-corrente, ordem de 
pagamento etc. 
 
Logo após a emissão desse borderô, são colhidas as devidas assinaturas. Encaminha-se para o 
banco em que a empresa tem conta para que ele (o banco) debite a conta jurídica e efetue os 
pagamentos. É claro que as empresas estão fazendo, hoje, borderôs eletrônicos via Internet, mas 
o princípio é o mesmo, ou seja, de qualquer forma relacionam-se os fornecedores e respectivos 
dados para pagamento. 
 
Quando há borderô de cobrança, relacionam-se duplicatas a serem enviadas ao banco para que 
este efetue a cobrança dos clientes. Neste borderô, existem todos os dados do clientes, 
acrescidos dos valores a serem pagos e respectivos documentos que registram o débito do cliente. 
 
Lição 12: Exemplo de borderô 
 
Uma loja mantém uma segunda unidade, a qual é responsável por recebimentos, vendas e gastos 
da empresa, além da comissão de vendedores. Assim, essa unidade se reportará à matriz para o 
envio das informações financeiras da seguinte forma: 
 
Recebimentos 
 Vendas 3.000,00 
 Recebimentos 600,00 
 Pagamentos 
em atraso 
150,00 
Total de 
recebimentos 
 3.750,00 
Saídas 
 Despesas 
com 
alimentação 
 350,00 
 Despesas 
com comissão 
 900,00 
 Despesas 
pagas 
 250,00 
Total de 
saídas 
 1.500,00 
Saldo enviado
à matriz 
 2.250,00
 
É comum a utilização de borderôs para transmissão interna de informações financeiras. 
 
Lição 13: Relações bancárias 
 
Depois dos relacionamentos entre clientes e fornecedores, talvez as relações com as instituições 
financeiras sejam as mais importantes de uma empresa. Afinal de contas, os bancos exercem 
relevante papel na solidificação dos negócios em qualquer tipo de organização, tanto nos 
momentos de dificuldades, quanto nos projetos de expansão da empresa. 
 
Informações bancárias 
 
Com o avanço tecnológico, os bancos investem cada vez mais em inter-relacionamentos (devido à 
necessidade de compartilhar informações de mercado a respeito de empresas e de pessoas 
físicas). 
 
Assim nasceu a SERASA, que é uma central de informações mantida pelas instituições financeiras 
a fim de que se possa preservar o crédito. Essa instituição tem sido um importante instrumento de 
informações financeiras para muitas finalidades. 
 
Hoje, a principal finalidade do SERASA é servir como instrumento de prevenção à inadimplência. 
As empresas consultam dados financeiros de seus clientes, utilizando-se de seu relacionamento 
com o SERASA para obter informações sobre a eventual ocorrência de não-pagamento de algum 
título em âmbito nacional. 
 
Lição 14: Normas bancárias 
 
Normas bancárias de procedimentos para proteção de crédito 
 
As normas bancárias existem para que seja realizada a seguinte rotina: classificação de cheques 
devolvidos de acordo com os motivos. 
Os motivos de devolução mais importantes são: o cheque sem fundos (alíneas 11 e 12), conta 
encerrada (alínea 13) e sustado (alíneas 21 a 29). Nesses casos, os cheques que poderão ser 
protestados são os pertencentes às alíneas 12 e 13. Assim, serão cobrados os numerários tidos 
com o cliente, evitando-se uma tentativa de estelionato. 
 
Contas de pessoas jurídicas 
 
A conta de pessoa jurídica é uma necessidade e é importante estreitar o relacionamento com o 
banco para realizar parcerias em cobranças, financiamentos e vendas de produtos e serviços para 
todos os clientes. Quanto mais estreita a relação da empresa com o banco, melhor será na 
negociação de taxas de juros quando houver empréstimos e financiamentos 
 
Financiamentos e empréstimos 
 
Precisamos definir qual é a diferença entre um financiamento e um empréstimo. Um empréstimo é 
um numerário que visa saldar alguma necessidade da empresa a curto prazo. Já um financiamento 
está envolvido como ajuda na compra de algum ativo para a empresa — um carro, uma máquina, 
um edifício etc. 
 
Lição 15: Renegociação e liquidação de títulos 
 
A etapa de renegociação e liquidação de títulos ocorre, freqüentemente, em instituições 
financeiras, mas não é raro ocorrer nas demais empresas. 
 
Necessidade de renegociar títulos 
A necessidade de renegociar títulos ocorre quando uma das partes não está satisfeita com a forma 
de pagamento combinada para aquele título. Na maioria dos casos, acontece por parte do credor, 
quando a data ou o montante a ser pago não condiz com sua condição atual. 
Então, para esse caso, entra em ação um agente: a taxa de juros, já que o risco desse cliente que 
passa a renegociar títulos é maior, será cobrada uma taxa de juros maior. 
 
Dicas de renegociação 
Uma das coisas mais importantes na hora da renegociação de títulos é ficar atento ao prazo de 
pagamento, a fim de verificar se ele não ficará longo demais. 
Outra dica está na boa vontade em pagar títulos. Muitas vezes o cliente quer renegociar títulos, 
mas ainda não efetuou o pagamento do título anterior. 
Ao renegociar títulos, o cliente deverá pagar juros “a maior” devido ao maior tempo de pagamento. 
 
Lição 16: Liquidação de títulos 
 
Um título só é liquidado após a sua compensação, que pode ser feita no caixa da empresa ou na 
rede bancária. A liquidação do título serve para que o cliente não sofra cobranças sem 
necessidade. 
 
Para a empresa, também é necessário o arquivamento dos títulos em ordem cronológica dos 
títulos pagos em determinado período para evitar problemas. 
 
Lição 17: Conciliação bancária 
 
A conciliação bancária é a verificação das movimentações da conta bancária da empresa com 
seus registros internos. Esse procedimento deve-se à necessidade de controle sobre essa conta 
bancária a fim de evitar o pagamento de juros sem necessidade. 
 
Despesas e impostos sobre movimentação bancária 
 
As despesas com taxas bancárias (taxa administrativa, emissão de cheques, etc.) e contribuições 
sobre a movimentação financeira (CPMF) deverão ser contabilizadas nos registros da empresa 
para que possam formar o valor correto do saldo da conta bancária. 
 
Conciliação entre extratos e o movimento interno da empresa 
 
Esta conciliação entre extratos e movimentos internos é utilizada para baixar títulos pendentes, 
cheques emitidos e recebidos e despesas extras pagas. 
 
O valor correto do saldo da conta corrente deve sero mesmo do registro interno da empresa. 
 
Lição 18: Caixa da empresa 
 
Caixa da empresa: constituição e finalidade 
 
A finalidade do caixa é permitir que as despesas de menor valor sejam pagas em dinheiro, 
evitando a emissão de cheques de valor muito baixo. É comum a existência também do chamado 
‘caixa pequeno’, no qual cada setor da empresa tem uma verba para pequenas despesas do dia-
a-dia. 
 
Tipos de despesas a serem pagas pelo caixa 
 
Nas grandes organizações, devido à existência de diversos departamentos e setores, há a 
possibilidade de um volume maior de dinheiro em espécie no caixa. Os tipos de despesas mais 
comuns a serem pagas pelo caixa são as despesas com táxi, Correios, carimbos, café, pequenos 
materiais, condução do office boy etc. 
 
Reconstituição do caixa 
 
A reconstituição do caixa deverá ser dada após a apresentação do comprovante de pagamento da 
despesa apresentada, a fim de que se saque dinheiro da conta corrente para o caixa da empresa. 
 
Lição 19: Aplicações financeiras 
 
Todo valor excedente das movimentações normais da empresa deve ser aplicado em algum 
banco para que esse dinheiro tenha rentabilidade. Empresas bem estruturadas atuam com 
diversos bancos, muitas vezes direcionando os negócios para bancos específicos, como bancos só 
para financiamentos, bancos para pagamentos, recebimentos etc. 
 
A melhor opção para investimentos em papéis que a empresa pretenda fazer depende do nível de 
relacionamento com os gerentes dos bancos. Assim, o banco pode aconselhar o tipo de aplicação 
mais recomendada à empresa ou até dividir todo o capital em vários tipos de aplicações. As 
principais aplicações financeiras são divididas em renda fixa e renda variável. 
 
Tipos de aplicações financeiras 
 
Renda fixa 
São consideradas aplicações conservadoras, em que o dinheiro investido terá um retorno 
garantido. São exemplos de aplicações em renda fixa: as aplicações em poupança, certificado de 
depósito bancário (CDB), certificado de depósito interbancário (CDI) e aplicações baseadas em 
correção de previdência (VGBL). 
 
Renda variável 
Geralmente, a renda variável permite um retorno maior para o investidor, só que esse dinheiro 
investido não é garantido, pois o investimento está sujeito às oscilações do mercado — e muitas 
vezes o retorno poderá ser negativo. As aplicações em ações, câmbio, ouro, bolsa de mercadorias 
e futuros são exemplos de aplicações em renda variável. 
	O ponto de equilíbrio operacional é o volume de atividades o
	No ponto de equilíbrio, o resultado operacional ou lucro ant
	Essa análise possibilita, entre outras coisas, determinar onão descrevem 
totalmente as circunstâncias financeiras. 
 
Os relatórios e demonstrações de origem contábil, ainda que básicos e fundamentais para a 
gestão financeira, merecem uma leitura cautelosa, sempre levando em consideração as regras 
legais, os princípios, as normas e as práticas contábeis. 
 
Saiba mais! 
Valor histórico é aquele constante na nota fiscal de compra de um material de estoque, por 
exemplo. Se a empresa comprou há muito tempo, o fornecedor já reajustou o preço, 
tornando o valor de mercado superior ao registrado na contabilidade. 
 
Lição 8: Decisão financeira 
 
Como vimos nas lições anteriores, a administração financeira tem uma importância inquestionável: 
é responsável pela lucratividade da empresa. Por isso, antes de tomar qualquer decisão financeira, 
deve-se obter as seguintes informações: 
 
• contábeis; 
• da empresa; 
• de origem externa; 
• do processo de tomada de decisão. 
Processo de tomada de decisão financeira 
 
O processo de tomada de decisão financeira é composto, basicamente, por quatro passos. 
1º reconhecimento da existência de um problema ou de uma oportunidade 
Ao detectar um problema ou uma oportunidade, o administrador financeiro deve ser capaz de 
formulá-lo com precisão. Em outras palavras, deve identificá-lo e analisá-lo, levando em conta seus 
diferentes aspectos. Simultaneamente, é necessário delinear os objetivos e os outros resultados a 
serem alcançados, além de ter clareza sobre as limitações e as restrições para atingi-los. Essa 
etapa inicia o processo de tomada de decisão financeira, que pode ser um projeto ou uma 
desistência de investimento, uma realocação de recursos etc. 
 
2º busca e desenvolvimento de alternativas 
Identificado o problema, devem ser pesquisadas todas as alternativas possíveis para a sua 
solução. O desenvolvimento de alternativas para a solução de um problema compreende 
conhecimento, criatividade e inovação. 
 
3º análise financeira das alternativas selecionadas 
Inicia-se pela escolha de um critério ou método para o julgamento das alternativas disponíveis. A 
análise financeira é uma das funções mais importantes do administrador financeiro e uma boa 
decisão é decorrência direta dela. 
 
4º decisão financeira 
É a escolha da melhor alternativa para a solução de um problema. Inclui a implantação da 
alternativa escolhida, bem como o acompanhamento da execução. 
 
Lição 9: Funções do administrador financeiro 
 
Administração e planejamento de resultado 
Administrar o resultado financeiro significa analisar as informações e direcionar as operações da 
empresa com o objetivo de obter o retorno desejado. 
 
Essa análise compreende avaliações internas como liquidez, rentabilidade, retornos, margens e 
performances financeiras em geral e, também, as variáveis externas como conjuntura econômica e 
mercado financeiro. 
 
O planejamento direciona as decisões financeiras para o objetivo estratégico da empresa; ou seja, 
viabiliza o objetivo de retorno de investimento, prevendo usos e fontes dos recursos, 
estabelecendo metas de rentabilidade e resguardando a liquidez futura da empresa. O 
planejamento funciona como principal ferramenta e parâmetro de controle financeiro. 
 
Administração de ativos 
Refere-se à gestão dos bens e dos direitos da empresa, estabelecendo o nível ótimo ou ideal de 
investimento em cada ativo e verificando seu retorno frente às exigências e expectativas dos 
investidores. Essa administração lida com ativos de curto prazo (capital de giro) e de longo prazo. 
 
Administração de financiamentos 
Trata-se da busca e seleção das fontes de financiamento, capitais próprios ou de terceiros, que 
formarão a chamada estrutura de capital da empresa. O custo de cada financiamento, seja de 
capital próprio ou de terceiros, comporá o custo de capital da empresa. 
 
 
Lição 10: Mercado financeiro 
 
As empresas relacionam-se com o mercado financeiro quando necessitam de empréstimos ou 
precisam aplicar seu dinheiro, por exemplo. Tal relacionamento enquadra-se em quatro grupos 
distintos de atividades que, na prática, ocorrem simultaneamente: mercado monetário, de crédito, 
de capitais e cambial. 
 
Mercado monetário 
Compreende a negociação de títulos públicos (emitidos pelo governo federal, por exemplo). 
Dentre outras situações, o governo emite títulos quando necessita de dinheiro para pagar as 
dívidas públicas. Esse mercado também abrange as negociações entre bancos (interbancárias). 
 
Mercado de crédito 
O mercado de crédito empresta recursos às empresas para atender a suas necessidades de curto 
prazo (capital de giro) e de longo prazo (investimentos). Podem ser citados como exemplos: 
desconto bancário (duplicatas e notas promissórias), conta garantida, crédito rotativo, 
financiamento de projetos etc. 
 
Mercado de capitais 
É o grande fornecedor de capital próprio, fazendo a ligação entre os investidores e as empresas 
com necessidade de recursos para investimento. Nesse mercado, a empresa pode fazer, por 
exemplo, uma oferta pública de ações com o propósito de captar recursos próprios. 
Posteriormente, essas ações poderão ser renegociadas nas bolsas de valores. 
 
Mercado cambial 
É o mercado de compra e venda de moedas de diversos países passíveis de conversão em moeda 
nacional. Exportadores, importadores, investidores e instituições financeiras são os principais 
atuantes desse mercado. 
 
Lição 11: Sistema financeiro nacional 
 
O sistema financeiro nacional é composto por um conjunto de entidades financeiras públicas e 
privadas, que formam dois grandes grupos: as instituições normativas (Conselho Monetário 
Nacional, Banco Central, Comissão de Valores Mobiliários etc.) e as instituições de intermediação, 
nas quais se destacam as instituições financeiras bancárias. 
 
Análise das demonstrações financeiras 
A análise das demonstrações financeiras tem por objetivo avaliar o desempenho e a situação de 
uma empresa de forma geral. São demonstrações financeiras, dentre outras, o balanço patrimonial 
e a demonstração de resultados. A análise por meio do uso de índices financeiros, 
especificamente, apresenta indicadores e tendências que podem ser extraídos das demonstrações 
financeiras. 
 
A quem interessa? 
Tal análise interessa aos sócios da empresa que desejam informar-se sobre sua propriedade, além 
dos gestores, já que representa o resultado de seus próprios trabalhos. Interessa também aos 
analistas de títulos de propriedade (que buscam nela orientações para novos investidores) e aos 
analistas de crédito (que já concederam ou vão conceder empréstimos à empresa). 
 
Aula 2: Ponto de equilíbrio 
 
Lição 1: Apresentação 
 
(Xavier) _ Muito bem, Rubens! Foi uma excelente idéia convidá-lo para explicar os conceitos de 
administração financeira aos nossos colegas! 
 
(Rubens) _ Obrigado, Xavier! 
 
(Xavier) _ Será que você poderia falar um pouco sobre ponto de equilíbrio operacional? 
 
(Rubens) _ Nossa, Xavier! Até parece que você leu meus pensamentos... Eu ia falar justamente 
sobre isso agora. 
 
(Rubens) _ Sabemos que o objetivo de uma empresa é gerar lucro e evitar prejuízos. Para que ela 
possa permanecer atuando no mercado, é imprescindível que o administrador financeiro esteja 
ciente dos resultados obtidos para que tenha condições de tomar decisões acertadas. Alguém 
sabe como se consegue isso? 
 
(Rubens) _ Conseguimos tomar decisões acertadas por meio da análise do ponto de equilíbrio 
operacional. Vou lhes mostrar como é feita essa análise. 
 
Lição 2: Avaliação das operações da empresa 
O ponto de equilíbrio operacional é o volume de atividades ou de vendas de que a empresa 
necessita para não ter prejuízo. Refere-se, precisamente, àquele nível de vendas em que o 
resultado operacional apresenta-se nulo e é somente a partir dele que a empresa começará a ter 
lucros. 
No ponto de equilíbrio, o resultado operacional ou lucro antes de juros e de Imposto de Renda 
(LAJIR) é igual a zero. Situando-se abaixo desse volume de vendas, a empresa terá prejuízo 
operacional;acima desse volume, terá lucro. 
Essa análise possibilita, entre outras coisas, determinar o tamanho da infra-estrutura de uma 
empresa (custo fixo), estabelecer metas e objetivos de vendas, criticar a margem bruta de 
lucratividade de um produto e projetar situações futuras desejadas (de resultado). 
 
Lição 3: Cálculo do ponto de equilíbrio I 
 
Para calcular o ponto de equilíbrio de uma empresa, em primeiro lugar é preciso classificar os 
diversos gastos em função de sua natureza fixa ou variável. 
 
Os custos fixos são aqueles ligados à infra-estrutura de uma empresa que ocorrem por um período 
de tempo e que independem do volume de produção ou de vendas. Os custos variáveis estão 
relacionados ao nível de atividade e têm relação direta com o volume de produção ou de vendas 
(cada unidade de produto fabricado ou vendido tem um custo variável operacional que é apurado 
por unidade produzida ou vendida). 
 
Depois de conhecidos o preço de venda de cada unidade de um determinado produto, o seu custo 
variável unitário e o custo fixo total da empresa, pode-se calcular a quantidade de vendas que 
proporcionará um resultado operacional igual a zero. Observe a seguinte fórmula: 
 
 
 Onde: 
 p: preço unitário de venda 
 V: custo operacional variável unitário 
 F: custo fixo total 
 Q: quantidade de vendas em unidades 
 LAJIR: lucro antes de juros e Imposto de Renda 
 
Lição 4: Cálculo do ponto de equilíbrio II 
 
 
 
Lição 5: Cálculo do ponto de equilíbrio II - continuação 
 
O ponto de equilíbrio será dado por: 
 
 
)( Vp
FPE
−
= 
 
 
Onde: 
 PE = PONTO DE EQUILÍBRIO (QUANTIDADE DE VENDAS) 
 p: preço unitário de venda 
 V: custo operacional variável unitário 
 F: custo fixo total 
 
Graficamente, o ponto de equilíbrio pode ser representado como no exemplo a seguir. 
 
Uma empresa comercial varejista adquire camisas junto a uma indústria de confecção por R$ 
20,00 a unidade e as vende por R$ 50,00. Os custos fixos de infra-estrutura da loja atingem R$ 
30.000,00 por mês (aluguel, administração etc.). A partir de quantas unidades vendidas 
mensalmente a empresa começa a apresentar lucro? 
 
camisas
Vp
FPE 000.1
)2050(
000.30
)(
=
−
=
−
=
 
 
Ou Seja: 
São necessárias 1.000 camisas vendidas (Pe) para cobrir custos fixos e variáveis. 
 
Lição 6: Cálculo do ponto de equilíbrio III 
 
A partir do exemplo anterior, vejamos outras possibilidades de calcular o ponto de equilíbrio (PE). 
Digamos que essa mesma empresa mantenha inalterados os outros dados e: 
 
 • aumente seu preço de venda para R$ 60,00: seu novo PE será de 750 camisas 
 • aumente seu custo variável unitário para R$ 40,00: seu novo PE será de 3.000 camisas 
 • aumente seu custo fixo para R$ 40.000,00: seu novo PE será de 1.333,33 camisas 
 • reduza seu preço de venda para R$ 30,00: seu novo PE será de 3.000 camisas 
 • reduza seu custo fixo para R$ 20.000,00: seu novo PE será de 666,67 camisas 
 • reduza seu custo variável unitário para R$ 10,00: seu novo PE será de 750 camisas 
O aumento de um custo eleva o ponto de equilíbrio da empresa e vice-versa; o aumento do preço 
de venda baixa o ponto de equilíbrio e vice-versa. 
 
Lição 7: PE contábil e PE financeiro 
 
Ponto de Equilíbrio Contábil (PEC) 
A análise até aqui realizada da relação custo/volume/lucro refere-se ao chamado ponto de 
equilíbrio contábil porque considera apenas preceitos tipicamente contábeis de custos e de 
resultados. Sob outros pontos de vista, pode não apresentar algum aspecto interessante para 
análise da relação custo/volume/lucro como, por exemplo, do ponto de vista do equilíbrio financeiro 
ou econômico. 
 
Ponto de Equilíbrio Financeiro (ou de Caixa) (PEF) 
Para a gerência de tesouraria, o ponto de equilíbrio contábil pode considerar elementos que não 
representam movimentação financeira e não causam qualquer impacto no caixa da empresa. A 
despesa com depreciação é um exemplo clássico porque reduz o ativo da empresa e o lucro 
contábil, sem representar uma saída de dinheiro do caixa. 
 
Dessa forma, interessa ao gestor do caixa uma visão de ponto de equilíbrio que considere apenas 
as movimentações de recursos financeiros. 
 
Tendo o caso anterior como referência e supondo que o custo fixo total da empresa considere uma 
despesa com depreciação (D) no valor mensal de R$ 6.000,00, o ponto de equilíbrio financeiro 
(PEF) será: 
 
 
 
)(
)(
Vp
DFPEF
−
−
= camisasPEF 800
)2050(
)000.6000.30(
=
−
−
= 
 
 
 
Assim, vemos que com a venda de 800 camisas, o caixa da empresa consegue quitar todos os 
seus compromissos. 
 
Lição 8: PE econômico 
 
Nas duas modalidades de cálculo do ponto de equilíbrio apresentadas na lição anterior, o interesse 
de uma parte muito importante foi negligenciado: o do sócio. 
 
O investidor aplica seus recursos numa empresa com a expectativa de obter retorno. Essa 
expectativa é chamada de taxa de atratividade ou taxa mínima de atratividade. Isso significa que a 
empresa deve, no mínimo, apresentar um retorno igual ao que o empreendedor teria em outras 
alternativas de investimento. 
 
Supondo-se que os sócios de nossa empresa de camisas tenham investido R$ 500.000,00 ao 
abrirem a confecção, a expectativa mínima de retorno (Rm) é de R$ 10.000,00 por mês, já que em 
outros investimentos teriam um retorno mensal de pelo menos 2%. Um retorno mensal abaixo 
disso poderia ser considerado pelos sócios como um prejuízo. 
 
Assim, o ponto de equilíbrio econômico (PEE) seria: 
 
 
 
)(
)(
Vp
RmFPEE
−
+
= camisasPEE 33,333.1
)2050(
)000.10000.30(
=
−
+
= 
 
Ao vender 1.333,33 camisas, a empresa não terá prejuízo e, ainda, oferecerá o retorno mínimo 
exigido pelos sócios. 
 
Aula 3: Investimentos 
 
Lição 1: Apresentação 
 
(Xavier) _ Sabe, Rubens... Já falamos muita coisa importante sobre administração financeira, mas 
não podemos nos esquecer dos investimentos. Afinal de contas, diante de tantas alternativas, 
temos de analisar muito antes de optarmos por alguma. 
 
(Rubens) _ É, Rubens... Você tem razão. Como dizem por aí: com dinheiro não se brinca. Não é 
mesmo? 
 
(Xavier) _ Claro! Você poderia nos explicar como se faz uma correta análise de investimentos? 
 
(Rubens) _ Posso, claro! Mas antes, vou lhes fazer uma pergunta: o que é análise de 
investimentos? 
 
Burburinhos na sala de reunião. 
 
(Rubens) _ Análise de investimentos é a avaliação da viabilidade financeira em relação aos 
investimentos que uma empresa realiza, normalmente a longo prazo. Por exemplo, a abertura de 
uma nova fábrica, uma nova loja, aquisição de equipamentos, expansão de instalações etc. Mas 
não se preocupem, vou explicar tudo tim-tim por tim-tim. 
 
Lição 2: Análise de investimentos 
 
A análise de investimentos estuda os preços, as condições de pagamento, a importância do 
investimento para a empresa até chegar a uma conclusão sobre a melhor alternativa. 
 
 Todo investimento possui dois componentes principais e decisivos para a análise: 
 
• valor do investimento: é quanto o investidor terá de desembolsar (normalmente, esse 
valor é precedido de sinal negativo, pois representa uma saída de dinheiro do investidor); 
 
• valor do retorno: é quanto o investidor terá de volta pelo investimento feito (normalmente, 
esse valor é precedido de sinal positivo, pois representa uma entrada de dinheiro para o 
investidor). 
 
 Atenção! 
 A análise de investimentos também é chamada de orçamento de capital ou projeto de 
investimento, já que se destina a investimentos ainda não realizados. 
 
Lição 3: Metodologias de análise 
 
Diversas são as metodologias de análise de investimento, cada uma com vantagens e 
desvantagens em relação às outras. Observe as principais: 
 
Método do Valor Presente Líquido (VPL) 
Esse método responde à seguinte questão: quanto um determinado investimento oferecerá de 
ganho extraordinário ao investidor, ou seja, acima daquele que teria normalmente em outro 
investimento? 
 
O valor presente líquido é calculado através da fórmula: 
 
VPL = - I + VF__
 (1 + i)n 
 
 
Em que: 
 VPL: valor presentelíquido 
 I: valor do investimento 
 VF: valor futuro 
 i: taxa de rendimento 
 n: número de períodos que oferecem esse rendimento 
 
Lição 4: Exemplo 
 
Um investidor possui R$ 20.000,00 na caderneta de poupança, que lhe oferecerá rendimento de 
6,17% em um ano. Alguém lhe oferece um terreno no valor de R$ 20.000,00, que poderá ser 
vendido em um ano por R$ 22.000,00. Se o investidor tirar seu dinheiro da caderneta de poupança 
e investir no terreno, quanto ganhará a mais do que ganharia na caderneta de poupança? 
 
Solução: para calcular o VPL (Valor Presente Líquido) do investimento no terreno, é preciso trazer 
para valor presente o valor de venda do terreno (depois de um ano), utilizando a taxa de 
rendimento da caderneta de poupança. Com isso, teremos o retorno do investimento no valor 
presente, que deverá ser confrontado com o valor do investimento (também no valor presente). Se 
o retorno for maior que o valor do investimento, vale a pena comprar o terreno. 
 
Resolução do exercício: 
 
 I = 20.000 
 VF = 22.000 (valor futuro do terreno após um ano) 
 i = 6,17% = 0,0617 
 n = 1 (um ano) 
 Portanto, 
 VPL = - I + VF__
 (1 + i)n 
 
 VPL = - 20.000 + 22.000____ 
 (1 + 0,0617)1 
 
 VPL = - 20.000 + 22.000
 1,0617 
 
 VPL = - 20.000 + 20.721,48 
 VPL = 721,48 
 
Assim, se o investidor adquirir o terreno, ganhará R$ 721,48 a mais do que ganharia se mantivesse 
seu dinheiro na caderneta de poupança. Como o VPL é positivo, aceita-se o projeto de 
investimento. Caso o VPL fosse negativo, o projeto de investimento deveria ser recusado. 
 
Lição 5: Metodologias de análise – payback 
 
Método do Payback 
Esse método responde à seguinte questão: em quanto tempo um determinado investimento será 
pago? 
 
Assim, vemos que enquanto o VPL oferece uma resposta em reais, o método do payback oferece 
uma resposta em unidade de tempo. 
 
Exemplo: um investidor está pensando em aplicar seu dinheiro numa nova loja de sapatos. O 
investimento seria de R$ 100.000,00 e ele prevê que a loja oferecerá retorno anual líquido (lucros 
que podem ser retirados) no valor de R$ 25.000,00. Em quanto tempo esse investidor teria o seu 
investimento de volta? 
 
 MOMENTO RETORNO (R$) SALDO A RETORNAR 
 DO INVESTIMENTO 
 data zero 0,00 -100.000,00 
 final do 1º ano + 25.000,00 -75.000,00 
 final do 2º ano + 25.000,00 -50.000,00 
 final do 3º ano + 25.000,00 -25.000,00 
 final do 4º ano + 25.000,00 0,00 
 
Resolução do exercício: 
 
Ao final do 4º ano, o investidor retiraria R$ 25.000,00 do investimento e completaria a retirada de 
todo o dinheiro investido (R$ 100.000,00). Portanto, esse investimento possui payback de quatro 
anos. 
O correto seria também trazer para valor presente os retornos do investimento realizado. 
 
Aula 4: Financiamentos 
 
Lição 1: Financiamento 
 
(Xavier) _ Tenho uma dúvida, Rubens. 
 
(Rubens) _ Pode falar, Xavier. 
 
(Xavier) _ Estávamos falando sobre investimentos... e fiquei pensando: quais são os recursos que 
uma empresa pode contar para realizar um investimento? 
 
(Rubens rindo) _ Esse Xavier! Não perde tempo, hein? Quer saber de tudo e não deixa passar 
nada! 
 
(Xavier sem graça) _ Desculpe, Rubens... Acho que estou sendo meio chato, não é? 
 
(Rubens) _ Claro que não! Esse assunto é muito importante e todos aqui devem saber. Para 
começar, quando uma empresa realiza investimentos pode contar com dois tipos de recursos: os 
próprios e os de terceiros. Blá, blá, blá... 
 
Lição 2: Recursos próprios 
 
Nesse caso, a empresa é financiada pelos recursos de seus sócios. Não pode-se falar, portanto, 
em empréstimo de dinheiro, pois os investidores tornam-se sócios da empresa. No Brasil, são dois 
os tipos mais comuns: empresas por cotas de responsabilidade limitada e empresas de sociedade 
anônima. 
 
• empresas por cotas de responsabilidade limitada 
 Constituem a maioria das empresas brasileiras. Nelas, o dinheiro dos sócios é 
transformado em cotas de participação no capital social, que é dividido em cotas de mesmo 
valor. Portanto, quando alguém investe nesse tipo de empresa, torna-se proprietário de 
cotas de participação. 
• empresas de sociedade anônima 
 Geralmente, são grandes empresas. Nelas, o capital social é dividido em ações e o 
investidor torna-se proprietário dessas ações, que podem ser ordinárias ou preferenciais. As 
preferenciais não dão ao acionista o direito de interferir na administração da empresa, ao 
passo que as ordinárias permitem que o acionista eleja a diretoria da empresa, atuando, 
portanto, em sua gestão. 
 
Lição 3: Recursos de terceiros 
 
Nesse caso, as empresas realizam empréstimos junto ao sistema bancário. Tais empréstimos 
podem ser de longo ou curto prazo, observe: 
 
• empréstimos de longo prazo 
 São aqueles que a empresa toma junto a bancos diversos e cujo prazo de 
pagamento (em prestações, geralmente) é acima de doze meses, podendo chegar a vários 
anos. No Brasil, o principal banco para esse tipo de financiamento é o BNDES (Banco Nacional de 
Desenvolvimento Econômico e Social), que empresta dinheiro a longo prazo por meio de 
convênios e acordos com bancos privados brasileiros. 
 
O FINAME (Financiamento de Máquinas e Equipamentos) é um dos vários tipos de empréstimos 
que o BNDES oferece às empresas. Os empréstimos de longo prazo geralmente são feitos para 
financiar o ativo permanente, por exemplo: 
 
– expansão ou construção de uma fábrica; 
– aquisição de máquinas e equipamentos; 
– montagem de uma nova loja. 
 
Lição 4: Recursos de terceiros 
 
• empréstimos de curto prazo 
 São aqueles que a empresa toma junto a bancos e que têm prazo de pagamento abaixo de 
doze meses. Geralmente, são destinados ao capital de giro. No Brasil, são diversas as 
modalidades de empréstimos a curto prazo oferecidas pelos bancos. Vejamos algumas delas: 
 
• desconto de títulos 
 Normalmente envolvendo duplicatas e notas promissórias, a instituição bancária 
concede um empréstimo contra a garantia de um título que represente um crédito futuro do 
tomador do empréstimo. O desconto bancário caracteriza-se pela liberação de um valor 
inferior ao valor de resgate (ou nominal) do título, em virtude da cobrança antecipada de 
juros. 
 
• conta garantida 
 Trata-se de uma conta com limite de crédito garantido pela instituição financeira 
(banco). Esse limite contratado destina-se ao atendimento das necessidades de capital de giro 
do cliente do banco. 
 
• crédito rotativo 
 Também é um limite de crédito oferecido pela instituição bancária, mas esse limite 
é garantido por duplicatas. Na medida em que essas duplicatas vão vencendo ou sendo 
resgatadas pelo sacado, a empresa (cliente do banco) oferece outras para substitui-las, 
mantendo assim o limite e a rotatividade do crédito concedido. 
 
• hot money 
 São empréstimos de curto e curtíssimo prazo (entre um e sete dias, geralmente) e 
também destinados às necessidades de caixa da empresa. 
Aula 5: Administração do capital de giro 
 
Lição 1: Apresentação 
 
(Rubens) _ Já falei de muita coisa até agora, não é mesmo? Mas não pensem que isso é tudo, 
ainda há muito a ser visto, como o capital de giro, por exemplo. Ainda não falamos sobre isso. 
 
(Xavier) _ Ah! É verdade. Uma das tarefas mais importantes do administrador financeiro é o 
gerenciamento do capital de giro da empresa. Precisamos conhecer os ciclos financeiro e 
operacional, os indicadores de liquidez da empresa e as diferentes políticas de capital de giro. 
 
(Rubens) _ Vamos começar definindo capital de giro! Tomem nota, por favor. 
 
(todos posicionam-se para escrever) 
 
(Rubens) _ O capital de giro da empresa é o ativo circulante, ou seja, os bens e os direitos 
conversíveis a curto prazo e por meio dos quais a empresa deverá honrar os compromissos que 
estão vencendo (passivo circulante). A administração do capital de giro,portanto, é o 
gerenciamento dos capitais circulantes da empresa, que são representados pelos direitos e 
obrigações com vencimento, normalmente, abaixo de doze meses. 
 
Lição 2: Exemplo 
 
É por meio da administração do capital de giro que uma empresa gerencia sua liquidez (paga suas 
dívidas em dia) e garante caixa suficiente para a distribuição de lucros exigida pelos sócios. 
 
Observe como é composto o patrimônio de uma empresa: 
 
Patrimônio de uma empresa 
 
 
Ativo circulante Passivo circulante 
Disponível 
(caixa/bancos) 
Duplicatas a pagar 
(fornecedores) 
Contas a receber 
(clientes) 
Contas a pagar 
(tributos/salários) 
Estoques Empréstimos 
bancários 
Realizável a longo 
prazo (RLP) 
Exigível a longo prazo 
(ELP) 
Ativo permanente (AP) Patrimônio líquido (PL)
 
 
Lição 3: Grau de certeza do capital de giro 
 
As contas do passivo circulante são caracterizadas, geralmente, pela exatidão, pois tratam-se de 
dívidas com valores e vencimentos claramente definidos. 
No ativo circulante, à exceção do disponível, o grau de certeza é menor, pois nele pode haver 
atrasos por parte de devedores e o valor do estoque pode apresentar diferenças no momento da 
venda. 
 
Capital de giro líquido (ou capital circulante líquido) 
 Primeira definição 
 É o excedente do ativo circulante em relação ao passivo circulante, ou seja: 
 CGL = AC - PC 
 Em que: 
 CGL = capital de giro líquido 
 AC = ativo circulante 
 PC = passivo circulante 
 
 Segunda definição 
 É a parte do capital de giro financiada pelos recursos de longo prazo, ou seja: 
 CGL = (PL + ELP) - (RLP + AP) 
 Em que: 
 CGL = capital de giro líquido 
 PL = patrimônio líquido 
 ELP = exigível a longo prazo 
 RLP = realizável a longo prazo 
 AP = ativo permanente 
 
 
Lição 4: Grau de certeza do capital de giro - exemplo 
 
Observe o exemplo da situação patrimonial da empresa Beta, de acordo com as definições da lição anterior: 
 
 
Ativo circulante (AC): R$ 2.000,00 Passivo circulante (PC): R$ 1.000,00 
Ativo permanente (AP): R$ 3.000,00 Exigível a longo prazo (ELP): 
R$2.000,00 
 
 
 
 
 
 
Patrimônio líquido (PL): R$ 2.000,00 
 
 
Lição 5: Liquidez 
 
Liquidez é a disponibilidade de moeda corrente de uma empresa (dinheiro em caixa ou em conta 
corrente) ou de ativos que possam ser rapidamente transformados em moeda, tais como 
aplicações financeiras de curtíssimo prazo. A liquidez de uma empresa relaciona-se, portanto, com 
sua capacidade de honrar compromissos e de evitar a inadimplência, fato ocasionado pela 
ausência ou insuficiência de recursos disponíveis. 
 
Em princípio, quanto maior o capital de giro líquido, melhor será a posição de liquidez de curto 
prazo da empresa. A apuração do CGL não é suficiente para conclusões definitivas. A apuração da 
real situação de liquidez a curto prazo da empresa dependerá, ainda, da sincronização entre 
pagamentos e recebimentos, além da conversibilidade em dinheiro dos ativos circulantes. 
 
Assim, os indicadores de liquidez medem a capacidade da empresa em satisfazer suas 
obrigações de curto prazo. Eles podem ser de: 
 
• liquidez imediata: disponível/passivo circulante 
• liquidez corrente: ativo circulante/passivo circulante 
• liquidez seca: ativo circulante - estoques/passivo circulante 
 
Em outras palavras, o recurso destinado ao capital de giro gera custos de oportunidade em virtude 
do não-investimento em ativos que podem gerar maior retorno, tais como renovação de 
equipamentos, modernização da linha de produção, ampliação e expansão da empresa etc. 
 
Lição 6: Ciclo financeiro e ciclo operacional 
 
Para administrar de forma eficiente o capital de giro, torna-se indispensável conhecer 
detalhadamente os ciclos operacional e financeiro (ou ciclo de caixa) da empresa. 
 
O operacional corresponde àquele período de tempo que vai da primeira aquisição de bens ou 
contratação de serviços necessários para as operações da empresa (endividamento) até o 
recebimento decorrente da venda realizada (que, por sua vez, é resultado do esforço expresso 
pelo ciclo operacional). 
 
O financeiro também refere-se a um período de tempo ou prazo compreendido entre o primeiro 
desembolso de recursos necessários para as operações da empresa até o recebimento do cliente, 
que representa uma entrada de recursos no caixa. 
 
O ciclo financeiro de uma empresa industrial típica pode também ser descrito por: 
 
 ( + ) PME = Prazo Médio de Estocagem (matérias-primas, produtos semi-acabados e 
acabados) 
 ( + ) PMR = Prazo Médio de Recebimento de Vendas 
 ( – ) PMP = Prazo Médio de Pagamento aos Fornecedores 
 ( = ) Ciclo financeiro 
 
Lição 7: Exemplos de ciclos financeiros 
 
Uma empresa que tem um PME de 65 dias, um PMR de 30 dias e um PMP de 40 dias, terá um 
ciclo financeiro de: CF = 65 + 30 - 40 = 55 dias. Esses 55 dias indicam uma necessidade de 
financiamento de capital de giro. 
 
Uma empresa varejista supermercado, por exemplo, que apresente um PME de 7 dias, um PMR 
de 2 dias e um PMP de 45 dias, terá o seguinte ciclo financeiro: CF = 7 + 2 – 45 = – 36 dias. Esses 
36 dias negativos indicam que a empresa trabalha 36 dias financiada pelo dinheiro do fornecedor. 
 
Não há necessidade de a empresa alocar recursos de longo prazo para o capital de giro ou 
constituir capital de giro líquido. Portanto, quanto menor o ciclo operacional, menor o período de 
financiamento que a empresa será obrigada a realizar e maior serão a rentabilidade e o benefício 
para a liquidez. 
 
Lição 8: Políticas de capital de giro 
 
Para que os desembolsos demandados pelo passivo (dívidas) sejam honrados, é necessário que 
os ativos circulantes tenham liquidez. 
 
Como já foi dito, o fato de existir um CCL positivo não é garantia de liquidez. O capital de giro de 
uma empresa tem necessidades fixas e sazonais. Fixas são aquelas repetitivas (acontecem todo 
mês): é preciso manter todo mês um volume de estoques etc.; as sazonais ocorrem devido a um 
aumento excepcional do capital de giro: uma compra maior para o estoque, por exemplo. 
 
A política de capital de giro de uma empresa é caracterizada pelo volume de recursos que a 
empresa destina ao ativo circulante. Quanto maior o volume de recursos destinados ao capital de 
giro, menor a possibilidade de a empresa não pagar suas contas. Observe as políticas existentes: 
 
Política conservadora 
Caracteriza-se pela possibilidade teórica de a empresa cobrir todas as necessidades de capital de 
giro com recursos de longo prazo, reduzindo a zero seu risco de insolvência ou de não-pagamento 
de seus compromissos. 
 
Política agressiva 
Ocorre quando a empresa não destina qualquer recurso de longo prazo para o capital de giro, nem 
para as necessidades fixas, nem para as necessidades sazonais. 
 
Política moderada 
Ocorre quando a empresa financia com recursos de longo prazo todo o seu capital de giro fixo e 
uma parte do seu capital de giro sazonal, prevendo recursos de longo prazo para cobrir uma parte 
das sazonalidades. 
 
Aula 6: Crédito I 
 
Lição 1: Apresentação 
 
(Xavier) _ Desculpe interromper, Rubens, mas tem uma coisa que me preocupa muito em 
administração financeira e por isso não posso deixar de pedir algumas explicações sobre o 
assunto. 
 
(Rubens) _ Pode falar, Xavier. Você está me deixando curioso! 
 
(Xavier) _ É o seguinte: todos sabemos que nenhuma empresa pode crescer sem conceder 
crédito. Das grandes indústrias às lojas de varejo, a venda a prazo faz parte do marketing para 
atrair clientes. Mas, se por um lado o crédito amplia as negociações; por outro, implica riscos. 
 
(Rubens) _ Você tem razão, Xavier. Por isso, administrar o crédito é um procedimento central para 
qualquer empresário. Mas pode deixar comigo, que vou deixá-los craque em administração de 
crédito. 
 
Lição 2: Definições iniciais 
 
Ao realizar uma venda a prazo, uma empresa naturalmente o faz a alguém que seja confiável, ou 
seja, a alguém que possua qualidades que indiquem sua capacidade de honrar o pagamento futuro 
do bem ou serviço recebido.Diz-se que uma pessoa ou uma empresa possui crédito quando é 
merecedora dessa confiança. 
 
Crédito, portanto, significa a disposição de alguém em ceder, temporariamente, parte de sua 
propriedade ou patrimônio a terceiros, mediante determinadas condições previamente 
estabelecidas. O objeto da cessão de crédito pode ocorrer na forma de dinheiro, bens ou serviços. 
 
O mercado de crédito monetário (isto é, de empréstimo de dinheiro) é reservado às instituições 
financeiras (bancos), sob controle das autoridades do sistema financeiro. Sua finalidade é atender 
às necessidades de caixa dos diversos agentes econômicos na forma de financiamento a 
pessoas físicas e jurídicas. 
 
As empresas não-financeiras, por outro lado, oferecem crédito a seus clientes para viabilizar as 
vendas de seus produtos e serviços. 
 
O conceito de crédito abrange os aspectos fundamentais de confiança e de tempo. Confiança 
refere-se à crença do credor na promessa de pagamento do devedor. Tempo diz respeito ao 
período que separa a cessão do objeto de crédito e a liquidação da dívida. 
 
Lembre-se 
O crédito facilita financiamento de recursos para pessoas físicas e jurídicas. Ao se 
concretizar uma operação de crédito, o cedente do crédito passa a se chamar credor e o 
tomador do crédito passa a se chamar devedor. 
 
Lição 3: Operação de crédito – componentes básicos 
 
Uma operação de crédito é composta, basicamente, por: 
 
Objeto do crédito: refere-se ao patrimônio que é motivo do crédito cedido ou disponibilizado. Os 
mais comuns são: empréstimo de dinheiro, venda a prazo de mercadorias ou de serviços 
prestados. 
 
Valor do crédito: trata-se do valor correspondente do objeto do crédito cedido por alguém a 
terceiros mediante promessa de pagamento futuro. O valor do crédito também pode ser 
interpretado como o limite máximo à disposição do solicitante do crédito que poderá utilizá-lo 
parcial ou totalmente. 
 
Prazo: tempo previamente estabelecido para a devolução (ou pagamento) do crédito cedido e 
utilizado pelo devedor. O prazo varia conforme a finalidade e o objeto do crédito. 
 
No mercado financeiro, créditos para investimento em ativos permanentes são geralmente a longo 
prazo. Já os créditos destinados a capital de giro são, via de regra, a curto prazo. 
 
Na venda de bens e serviços, o prazo de pagamento varia conforme as práticas de cada empresa 
e de cada segmento de atividade econômica. Em alguns segmentos, todavia, não existe a prática 
da venda a prazo (no comércio varejista de produtos de baixo valor, por exemplo). 
 
Compromisso de pagamento: é uma declaração de obrigação do devedor. Para a liquidação da 
dívida, o devedor deverá obedecer às condições expressas no compromisso, tal como o 
pagamento do principal da dívida no dia do vencimento, entre outras. Esse compromisso pode 
prever penalidades para o devedor não pontual e ainda conter obrigações adicionais de garantias 
pessoais ou reais. 
 
Risco: a decisão de conceder ou não um crédito ao cliente envolve aspectos de risco por prever a 
ocorrência de evento futuro, ou seja, o recebimento futuro do ativo cedido a crédito. 
 
Atenção! 
Legislações específicas estabelecem normas para operações de crédito financeiro ou 
comercial. 
 
Lição 4: Risco 
 
O risco refere-se à possibilidade de não-pagamento da dívida por parte do devedor. Ao conceder 
um crédito, uma empresa, automaticamente, assume um risco. Fatores casuais e incertos podem 
prejudicar sensivelmente a capacidade de pagamento de um devedor, tornando-o inadimplente 
(inadimplência aqui é considerada como a situação de atraso de pagamento). Observe no 
esquema abaixo um esquema do processo de concessão de crédito: 
 
 
Lição 5: Gestão de contas a receber 
 
Gestão de valores a receber, de duplicatas a receber ou de contas a receber são denominações 
normalmente utilizadas com o mesmo significado e que se referem à administração de créditos 
oferecidos por empresas comerciais, industriais ou de serviços. Esse crédito é destinado a clientes 
e tem como objetivo o incentivo a vendas. 
 
Nesta lição, veremos como ocorre a concessão de crédito por parte de empresas não-financeiras. 
 
A primeira questão que se coloca, aliás, é justamente essa: se as instituições financeiras existem 
para financiar empresas e pessoas físicas, por que uma empresa vendedora de um determinado 
bem ou serviço precisa então financiar seus clientes vendendo a prazo? 
 
Inúmeras são as razões para que isso ocorra. Elas vão desde a inviabilidade prática do comprador 
recorrer ao mercado financeiro a cada necessidade de compra, até motivos de interesse comercial 
desse mesmo comprador. Na aquisição direta a prazo, por exemplo, o comprador terá vínculo 
exclusivo com o vendedor, possuindo eventualmente tempo hábil para devolver uma mercadoria 
com defeito antes mesmo do vencimento da dívida. 
 
Fique atento! 
O motivo mais importante para as empreses realizarem a venda a prazo é, sem dúvida, de 
ordem comercial: a venda a prazo aumenta a competitividade da empresa e, por 
conseqüência, eleva seu volume de vendas. 
 
Lição 6: Contas a receber – vendas a prazo 
 
As vendas a prazo visam, num primeiro momento, sustentar e aumentar a participação da empresa 
no mercado. Por conseqüência, o crédito oferecido aos clientes é um instrumento fundamental no 
esforço para atingir os objetivos de retorno satisfatório aos sócios e de quitação de compromissos 
da empresa junto a terceiros. 
 
Por representar um fator de competitividade comercial, uma das mais interessantes e importantes 
abordagens de contas a receber é justamente aquela que trata de vendas a prazo como um 
investimento comercial com seus retornos explicitados e avaliados. 
 
Se a motivação é principalmente comercial, a gestão de contas a receber é, por outro lado, uma 
função tipicamente financeira, pois compreende o planejamento, a análise, as decisões e o 
monitoramento das vendas a prazo. 
 
Financiar o cliente requer inúmeros cuidados no gerenciamento financeiro, pois se vender a prazo 
proporciona aumento das vendas, implica, também, mais recursos da empresa investidos em 
duplicatas a receber e, conseqüentemente, maior risco em razão de dívidas incobráveis. 
 
Gerenciamento do risco, cobrança, análise, política e decisão de crédito são algumas das 
principais atividades de gestão de contas a receber. 
 
Aula 7: Crédito II 
 
Lição 1: Apresentação 
 
(Xavier) _ Eu entendi que a concessão de crédito faz parte dos negócios das empresas e ajuda a ampliar suas 
vendas. Mas posso fazer algo para conceder crédito aos meus clientes sem correr muitos riscos? 
 
(Rubens) _ Para não correr muitos riscos, é preciso estabelecer critérios de análise de credibilidade dos clientes a fim 
de honrar seus compromissos. 
 
(Xavier) _ Mas como eu faço isso? Ai meu Deus, quanta dúvida! 
 
(Rubens) _ Calma, Xavier! Pode deixar comigo que eu explico a vocês todos os métodos que ajudam a saber mais 
sobre os candidatos a crédito, esclarecendo os parâmetros para analisar o nível de credibilidade de um cliente. 
 
(Xavier respira aliviado) _ Ufa! 
 
Lição 2: Etapas do processo de gestão de crédito 
 
O processo de gestão de crédito inicia-se com uma proposta de compra a prazo na forma de uma 
solicitação. A análise de crédito verifica a viabilidade da operação, observando os riscos da 
operação e a capacidade financeira do solicitante para honrar o compromisso. 
 
Com base na análise realizada e nas políticas ou padrões de crédito da empresa, a decisão sobre 
a concessão do crédito é efetuada acompanhada de condições, restrições e limitações. Essa 
tomada de decisão pode ser vista como uma atividade de seleção de clientes. 
 
Os créditos concedidos e formalizados recebem então um monitoramento gerencial que 
considera o volume de valores a receber e concilia os recebimentos nas respectivas datas de 
vencimento. 
 
O processo de cobrança refere-se, especialmente, à cobrança de créditos vencidos ou de 
devedores em estado de inadimplência. 
 
Lição 3: Etapasdo processo de gestão de crédito - fluxo 
 
 
 
 
 
 
 
Lição 4: Objetivos da análise de crédito 
 
A análise de crédito tem como função: 
 
• verificar a capacidade financeira do pretendente ao crédito, por meio da análise da 
compatibilidade de sua renda líquida e de seu patrimônio com o valor do crédito 
solicitado. Essa análise pretende, ainda, verificar aspectos de competência e de 
caráter do solicitante (indicadores que permitam apurar sua intenção de honrar o 
compromisso financeiro pretendido); 
 
• identificar e avaliar os riscos associados à operação proposta (comuns ao solicitante e 
ao momento conjuntural), classificando-os como aceitáveis ou não, ou ocasionalmente 
aceitáveis sob determinadas condições, limitações e restrições. 
 
A atividade de análise de crédito deve caracterizar-se por critérios claros e justificativas bem 
fundamentadas. Seu objetivo final é servir de base para a tomada de decisão sobre a concessão 
de crédito. Conclusões vagas ou dúbias podem levar a empresa a cometer erros graves na tomada 
de decisão de crédito. Ela pode recusar um bom negócio ou perder um cliente potencialmente 
interessante, em virtude de uma análise insuficiente. Ou, ainda, pode assumir uma operação com 
um nível de risco inaceitável e forte probabilidade de perdas financeiras. 
 
A análise de crédito deve também caracterizar-se pela cautela e prudência, evitando-se 
conclusões precipitadas e imaturas. Mas, ao mesmo tempo, deve ser oferecida ao solicitante de 
crédito uma resposta num espaço de tempo razoável. A demora excessiva na análise e na 
resposta ao solicitante também é motivo de danos à empresa, seja pela eventual perda de um bom 
cliente que se irritou com a espera, seja pelo prejuízo à própria imagem da empresa. O solicitante 
de um crédito, seja ele quem for, merece sempre uma resposta clara e sincera sobre os motivos 
que levaram à aceitação ou à recusa de sua solicitação. 
 
Lição 5: Parâmetros para a análise de crédito 
 
Seis aspectos, condições ou referências devem ser considerados para a análise de crédito. Eles 
são conhecidos como os Cs da análise de crédito: caráter, capacidade, capital, colateral, 
condições e conglomerado (alguns autores preferem considerar apenas cinco Cs, excluindo a 
condição de conglomerado). O levantamento de informações sobre esses fatores habilita o analista 
de crédito a fazer um julgamento sobre o solicitante e sobre a operação. 
 
Essas informações possibilitam uma análise predominantemente subjetiva, pois algumas dessas 
condições podem ser consideradas satisfatórias para alguns analistas de crédito, mas não para 
outros. 
 
Os critérios de avaliação que levam ao julgamento possuem fortes características pessoais dos 
analistas, em virtude da experiência, da formação técnica, dos valores e das prioridades de cada 
um. 
 
Lição 6: Caráter 
 
Levanta-se o comportamento histórico do cliente no mercado de crédito em geral, procurando 
conhecer seu grau de honestidade. Verifica-se se o pleiteante do crédito agiu de forma correta e 
aceitável em relação a outros credores. 
 
Assim, o analista de crédito tenta obter junto a diversas fontes informações sobre a pontualidade 
do cliente, emissão de cheques sem fundos, protestos em cartórios etc. 
 
Entretanto, alguns cuidados são necessários ao apurar-se a qualidade moral do cliente: um único 
atraso de pagamento ou uma isolada emissão de cheque sem fundos no passado não são 
indicadores suficientes para classificar o cliente como desonesto. Na realidade, a freqüência de 
ocorrências desse tipo é que melhor indica a verdadeira intenção do devedor em relação às suas 
dívidas. Devedores bem intencionados podem involuntariamente, cometer um atraso. Já 
devedores mal intencionados podem pagar em dia suas dívidas até o surgimento de uma 
oportunidade que lhes permita um calote significativo junto a seus credores. 
 
Normalmente, as instituições prestadoras de informações sobre crédito classificam o tomador de 
crédito como “sem restrições” ou “com restrições”, entre outras classificações possíveis. Quando 
classificado como “sem restrições”, o tomador de crédito é geralmente aquele contra o qual não 
pesa qualquer ato reprovável no mercado de crédito em geral. Já a classificação “com restrições” 
significa que o tomador de crédito apresenta problemas em seu histórico, tais como protestos, 
cheques sem fundos, condenações judiciais etc. 
 
Lição 7: Capacidade e capital 
 
Parâmetros para a análise de crédito – capacidade 
 
Na análise de capacidade, procura-se avaliar a verdadeira capacidade do cliente para honrar seus 
compromissos de dívida. Ao visitar o cliente e levantar informações nas mais diversas fontes, o 
analista de crédito busca formar uma opinião sobre sua capacidade financeira para pagar suas 
dívidas. 
 
Alguns autores, entretanto, consideram esse aspecto voltado às qualidades empresariais do cliente 
e de seu negócio. Acreditam que essa condição está vinculada à habilidade empresarial do cliente: 
administrativa, tecnológica, comercial etc. 
 
Capital 
 
Este aspecto refere-se à situação geral econômica e financeira do cliente, incluindo sua situação 
patrimonial e sua performance de resultados. 
 
A análise financeira representa um dos principais instrumentos para a formação de opinião sobre a 
solidez econômico-financeira do cliente. O analista de crédito deve lançar mão de todas as fontes 
que possam acrescentar informações valiosas para o julgamento dessa condição. A avaliação do 
“capital”, portanto, deve ir além da clássica abordagem de análise de balanço. 
 
Lição 8: Colateral (garantias) 
 
Parâmetros para a análise de crédito - colateral (garantias) 
 
Significa avaliar a capacidade do cliente para oferecer garantias vinculadas à operação de crédito. 
Implica checar a existência de bens de valor de propriedade do solicitante do crédito que estejam 
livres e desimpedidos e que possam, ocasionalmente, servir como garantia à operação de crédito. 
 
A garantia representa apenas um compromisso adicional, ou seja, não é decisivo para a aprovação 
do crédito, mas serve para compensar eventuais deficiências financeiras do cliente e trazer maior 
tranqüilidade ao credor. 
 
Uma garantia a ser considerada numa operação de crédito deve preencher alguns requisitos 
básicos. São eles: 
 
1) o valor da garantia deve ser compatível com o valor da operação de crédito realizada, incluindo 
todas as despesas necessárias para a sua execução até o momento do efetivo pagamento do 
credor; 
 
2) a conversão dessa garantia em dinheiro deve ser fácil, ou seja, uma boa garantia é 
representada por bens de alta liquidez; 
 
3) a garantia deve estar disponível para controle e verificação do credor ao longo de todo o prazo 
previsto para o crédito. 
 
Lição 9: Garantias 
 
Parâmetros para a análise de crédito - colateral (garantias) 
 
As garantias podem ser divididas em reais e pessoais: 
 
Garantias reais: são compostas por bens materiais de propriedade do devedor, tais como imóveis, 
veículos, equipamentos e mercadorias. Também as duplicatas, que são títulos privados de crédito 
decorrentes de operações comerciais, são consideradas garantias reais. O que é dado como 
garantia real mantém-se indivisível até a completa liquidação da dívida. São modalidades de 
garantias reais: 
 
a) hipoteca: garantia real que incide sobre bens imóveis (com exceção de aviões e navios, sobre 
os quais também pode incidir hipoteca) com escritura pública registrada em cartório de 
imóveis da região da propriedade. No caso de hipoteca, o devedor mantém a posse do 
imóvel, mas indisponível para venda até que a dívida seja liquidada, quando então essa garantia 
se extingue. 
 
b) penhor: incide sobre bens móveis com a característica de transferência da posse ao credor. O 
penhor pode recair sobre bens móveis corpóreos ou bens móveis incorpóreos. No caso de bens 
móveis incorpóreos, destaca-se a caução de títulos. Nessa categoria – dentre as operações mais 
comuns realizadas pelas empresas para financiamentode capital de giro – está a caução 
de duplicatas como modalidade de garantia para a operação de crédito. Mas outros títulos e 
documentos podem ser caucionados: ações, debêntures, notas promissórias etc. 
 
c) anticrese: na definição oferecida pelo professor Sebastião José Roque, “anticrese (do grego: anti 
= contra; khresis = uso) consiste na entrega de uma coisa imóvel ao credor, que a conserva 
consigo, auferindo os lucros que ela proporcionar enquanto perdurar a dívida”. 
 
Atenção! 
Note-se que, nessa modalidade de garantia real, o objetivo é fazer com que o credor 
desfrute dos rendimentos decorrentes do imóvel, até que a dívida seja paga. Conforme 
contrato entre as partes, os lucros conseqüentes do imóvel podem compensar a dívida na 
sua totalidade ou apenas parte dela (somente para pagamento de juros, por exemplo). 
 
Lição 10: Garantias 
 
Parâmetros para a análise de crédito - colateral (garantias) 
 
Garantias pessoais: ao contrário das garantias reais, não há vínculo, associação ou relação de 
qualquer bem específico com a dívida realizada. Nessa modalidade, o credor garante-se apenas 
em virtude da solidez econômica do garantidor (avalista ou fiador), sem destaque especial de 
qualquer bem para quitação preferencial da dívida. 
 
Nessa forma de garantia, o risco eleva-se para o credor, pois, se no caso de insolvência, 
devedores e garantidores (fiadores ou avalistas) provarem na Justiça a inexistência de bens 
pessoais, a perda é praticamente inevitável. 
 
As garantias pessoais dividem-se em aval e fiança. 
 
a) Aval: forma de garantia bastante comum em operações de crédito. 
O aval caracteriza-se pela responsabilidade solidária do garantidor (avalista) em relação à dívida, 
no mesmo nível e em conjunto com o devedor (avalizado). No caso de não-pagamento da dívida 
por parte do devedor, o credor poderá cobrar diretamente do avalista, sem qualquer necessidade 
de cobrança anterior. 
 
Nessa modalidade de garantia, não há a obrigatoriedade legal de assinatura do cônjuge, mas o 
aval do casal é recomendável, pois, em caso de execução judicial, a parte dos bens do cônjuge 
que não prestou aval poderá ser desconsiderada na penhora (ou seja, na apreensão judicial dos 
bens do devedor ou avalista). 
 
b) Fiança: uma pessoa assume a obrigação de quitar a dívida de um devedor, aumentando a 
segurança do credor. 
 
Nessa modalidade de garantia, a assinatura do cônjuge é legalmente obrigatória quando prestada 
por pessoa física. Ao contrário do aval, poderá haver aqui o chamado “benefício de ordem”, ou 
seja, o credor deve cobrar primeiro o devedor para somente então cobrar o fiador (exceto quando o 
fiador renunciar a esse benefício). 
 
 Lição 11: Condições 
 
Neste aspecto, a análise considera elementos externos à empresa solicitante de crédito fatores 
que com ela interagem, mas que não estão sob seu controle. O analista de crédito deve então 
fazer uma análise contextualizada da empresa, situando-a em relação ao seu ambiente externo e 
verificando sua posição no mercado, suas fragilidades e potencialidades. 
 
Uma performance ruim da economia ou de um setor econômico como um todo tende a endurecer 
os critérios de concessão de crédito. Isso não impede, todavia, que constatemos a existência de 
empresas em ótima situação atuantes em segmentos econômicos em crise e vice-versa. 
 
Compreender a evolução histórica e o quadro atual do segmento do cliente torna-se fundamental 
para a questão de crédito. Isto porque, independente de seu caráter e de sua capacidade 
administrativa e financeira, o cliente poderá, involuntariamente, tornar-se inadimplente devido a 
variáveis não controláveis do ambiente externo. 
 
Assim, um repentino aumento da taxa de juros poderá afetar dramaticamente as vendas e o 
resultado do cliente, em face de uma retração brusca de consumo. 
Empresas que agridem o meio ambiente ou que não respeitam o consumidor também carregam 
um nível elevado de risco, dada a reprovação crescente da sociedade a atitudes empresariais que 
fujam da legalidade e da ética. 
 
Lição 12: Conglomerado 
 
Para cliente empresarial cuja titularidade do controle acionário ou de capital também incide 
sobre outras empresas, recomenda-se uma análise de crédito de todo o conglomerado. 
 
Famílias ou proprietários que controlam um conjunto de empresas costumam tomar decisões sobre 
o grupo como um todo. Boas empresas podem, eventualmente, ligar-se com o objetivo de controlar 
empresas em mau estado financeiro. E pior: no meio de um grupo decadente de empresas 
coligadas, pode haver uma boa empresa. A crise tende a contaminar essa boa empresa, além da 
possibilidade prática, mas não necessariamente legal, de transferência de recursos entre 
empresas. 
 
Aula 8: Crédito III 
 
Lição 1: Apresentação 
 
A análise “Custo Volume Lucro” (CVL) mostra os efeitos do lucro nas mudanças de fatores, como 
custos fixos, variáveis, preços de venda etc. Esse estudo pode ser útil nas decisões de 
planejamento e controle da empresa. 
 
A análise do ponto de equilíbrio é uma parte da análise CVL e determina o nível de vendas em que 
os custos serão iguais às receitas. 
 
Lição 2: Dados para análise de crédito 
 
Cadastro do cliente: 
 
Este cadastro é organizado a partir do nome de todos os clientes, reunindo informações 
específicas que vão desde dados de identificação (endereço, CNPJ/CPF, etc.) até as mais diversas 
informações sobre suas atividades, rendimentos e patrimônio. Em suma, o cadastro deve conter 
todas as informações consideradas relevantes sobre o cliente e pertinentes ao objetivo a que se 
destinam: análise e decisão de crédito. 
 
O cadastro do cliente é normalmente padronizado por meio de uma ficha cadastral, cujo padrão 
varia de empresa para empresa. 
 
A título de exemplificação, podemos considerar como conteúdo dessa ficha: 
 
• ficha cadastral de pessoas físicas: nome, endereço, situação da moradia (própria ou 
alugada), atividade profissional, emprego (tempo no emprego), rendimentos, formação 
escolar, referências comerciais, referências bancárias, situação financeira e patrimonial; 
 
• ficha cadastral de pessoas jurídicas: razão social, endereço, atividade, tempo de 
atividade, sócios ou acionistas, diretores, participações em outras empresas, referências 
comerciais, referências bancárias, situação econômico-financeira, número de empregados, 
principais produtos, faturamento histórico e atual, mercados de atuação etc. 
 
Lição 3: Cadastro do cliente e informações gerais para crédito 
 
Cadastro do cliente 
 
Como já foi dito, o cadastro do cliente deve constituir-se de informações que a empresa julgar 
relevantes. Assim, a ficha cadastral padrão deve ser complementada por informações diversas: 
recortes de jornal com notícias sobre o cliente, informações sobre seu mercado de atuação, 
estatísticas de compras do cliente etc. 
 
O cadastro do cliente também inclui toda a documentação que serviu de base às informações, 
sejam elas prestadas pelo próprio cliente ou por terceiros: demonstrações financeiras, certidões de 
cartórios, relatórios recebidos de empresas de análise de crédito etc. 
 
No caso de clientes antigos, é recomendável ainda fazer constar no cadastro do cliente 
informações sobre toda a relação comercial histórica com a empresa, tais como seu volume 
histórico de compras, sua pontualidade nos pagamentos, propostas de crédito, correspondência 
relativa a crédito, relatórios de visitas realizadas ao cliente etc. 
 
Informações gerais para crédito 
 
Ao fazer a análise de crédito, é indispensável que se obtenha um conjunto de informações que 
permitam avaliações macroeconômicas e setoriais, além do acompanhamento de fatores políticos, 
judiciários e legislativos que possam influenciar a decisão de crédito. 
 
Mesmo um cliente que goze de boa situação creditícia poderá ter sua solicitação de crédito 
recusada em virtude de um momento político delicado, ou seja, o risco na concessão do crédito 
não depende apenas da situação particular do cliente.Lição 4: Fontes de informações para crédito 
 
O cliente como fonte de informações 
 
O cadastro do cliente, em sua maior parte, é composto por informações prestadas pelo próprio 
cliente, sobretudo aquelas referentes a sua identificação e a caracterização de suas atividades. No 
entanto, destacam-se, ainda, dois meios importantes de captação de informações junto ao cliente, 
especialmente empresarial. São eles: 
 
• demonstrações financeiras: compostas a partir do balanço patrimonial e da 
demonstração de resultados (entre outras demonstrações). 
 
Essas informações permitirão a atividade de análise financeira, essencial para a apuração do 
estado financeiro e econômico do cliente. 
 
• visitas e entrevistas: conhecer pessoalmente o cliente que solicita crédito e 
ouvir suas opiniões sobre a própria empresa podem enriquecer bastante a 
análise de crédito. Por meio de uma entrevista pautada pela transparência e 
franqueza, consegue-se solicitar esclarecimentos e ouvir as intenções do 
cliente quanto ao futuro de sua empresa. 
 
Uma visita ao cliente também auxilia muito as conclusões sobre a situação dele. Conhecer suas 
instalações comerciais e industriais, atestando o porte e a qualidade empresarial do cliente, 
conhecer seus administradores e sua organização, em geral, são experiências que ampliam a 
visão do analista de crédito sobre o cliente. 
 
Uma visita de crédito deve caracterizar-se pelo planejamento, isto é, por um objetivo definido, pelo 
máximo conhecimento prévio da empresa a ser visitada e por um roteiro bem estruturado de 
pontos e aspectos a serem conhecidos durante a visita. A visita ao cliente deve ser narrada em um 
relatório com um resumo do que foi visto, conversado e abordado. Esse relatório de visita deve 
compor as informações adicionais ao cadastro do cliente. 
 
Lição 5: Credores diversos como fonte de informações 
 
A atividade de verificar junto a fontes bancárias e comerciais diversas a situação creditícia do 
cliente tem o objetivo conferir informações prestadas pelo próprio cliente e também de levantar 
outros dados não informados por ele. 
 
Ao oferecer referências bancárias e comerciais, o cliente permite, implicitamente, que se constatem 
suas relações junto a outros credores. Assim, por exemplo, pode-se confirmar junto aos 
fornecedores mais importantes do cliente o seu histórico de endividamento e de pontualidade no 
pagamento dos compromissos. 
 
Nem sempre essas informações são de fácil obtenção junto aos credores, mas não é raro 
encontrar cordialidade entre as áreas de crédito das empresas no sentido de troca de informações. 
Atrasos freqüentes de pagamentos junto a fornecedores, emissão de cheques sem fundos ou 
ações judiciais movidas por credores podem indicar uma grave situação creditícia do cliente. 
 
É importante ressaltar que a apuração do conceito de crédito de um determinado cliente não 
implica obter informações prestadas a terceiros em caráter confidencial e para uso restrito. A 
empresa que recebe uma proposta de solicitação de crédito é responsável pelo total controle e 
manutenção do sigilo das informações do cliente. 
 
Atenção! 
Além da questão de ordem ética, a lei protege informações cadastrais prestadas para fins 
específicos e em caráter sigiloso com normas específicas para as instituições financeiras, 
por exemplo. Também o Código de Proteção e Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078, de 
11/09/90) estabelece regras a serem seguidas no tratamento de banco de dados e cadastros 
de consumidores. 
 
Lição 6: Cartórios de protesto e veículos de comunicação 
 
Fontes de informação para crédito 
 
Cartórios de protesto 
 
O protesto por falta de pagamento é um importante indicador dos problemas financeiros de um 
cliente. Um protesto isolado, sobretudo quando de valor pouco significativo, não permite uma 
conclusão definitiva. 
 
Às vezes, o protesto pode ser provocado de forma involuntária, por desorganização do devedor ou 
por extravio da cobrança. Protestos freqüentes, entretanto, podem representar uma dificuldade da 
empresa ou do cliente em honrar seus compromissos. Além da falta de pagamento, uma duplicata 
pode ser protestada por falta de assinatura ou por devolução. 
 
Veículos de comunicação 
 
Jornais de grande circulação e periódicos diversos representam uma importante fonte de 
informações para crédito, principalmente para aquelas informações de caráter conjuntural, pois 
permitem ao analista de crédito avaliar o risco geral de conceder crédito em um dado momento. 
 
O acompanhamento sistemático da evolução social, política e econômica possibilita que o analista 
adote medidas de precaução diante da possibilidade de forte conturbação e instabilidade da 
macroeconomia. 
 
Jornais e periódicos especializados oferecem, ainda, informações e análises específicas sobre 
economia, finanças, setores de atividade e empresas diversas. 
 
Lição 7: Organizações de informação e análise de crédito 
 
Organizações de informação e análise de crédito 
 
Diversas são as empresas e organizações que atuam no mercado brasileiro com o objetivo de 
prestar informações e análises de crédito. Por meio dessas organizações, o analista de crédito 
pode promover uma investigação sobre a situação de uma empresa ou de uma pessoa física no 
mercado de crédito em geral. Pode, ainda, obter análises conjunturais e setoriais e toda uma série 
de outros serviços relativos à proteção e ao gerenciamento de crédito. 
 
Saiba mais! 
Organizações que se dedicam à informação, análise e proteção ao crédito são, por exemplo: 
Associação Comercial de São Paulo (ACSP), SERASA, Clube dos Dirigentes Lojistas (CDL), 
Dun & Bradstreet etc. 
 
Aula 9: Crédito IV 
 
Lição 1: Apresentação 
 
(Rubens) _ Bom, pessoal. Até agora, vimos uma boa parte do processo de análise e concessão de 
crédito. Mas ainda falta apresentar-lhes o credit scoring? 
 
(todos) _ Credit socoring? 
 
(Rubens) _ Credit scoring é um sistema convencional de análise de crédito. Vou explicar-lhes como 
funciona. 
 
(Xavier) _ E sobre política de crédito, você poderia dizer alguma coisa também? 
 
(Rubens) _ Claro que sim! Bom, para começar vou definir o que é política de crédito: política de 
crédito é a seleção criteriosa de clientes devedores. Ela é muito importante para garantir 
segurança à empresa credora. 
 
Lição 2: Método de conceituação de crédito 
 
Conceituar o crédito para alguém significa atribuir (à empresa ou à pessoa física) uma nota ou 
score. Há inúmeros sistemas de classificação ou de conceituação de crédito por meio de scores 
(credit scoring systems). Alguns, altamente sofisticados, são especialmente indicados para 
instituições financeiras (bancos). 
 
Nesta aula, será apresentado um método de conceituação de crédito mais simples, porém 
amplamente utilizado, sobretudo nas empresas comerciais (lojas). Esse método é particularmente 
interessante para a análise de crédito de pessoas físicas (ainda que se aplique também a pessoas 
jurídicas). 
 
Sistema convencional de Credit Scoring 
 
Bastante utilizado em casos em que há a necessidade de decisões rápidas e em larga escala, o 
sistema tradicional de credit scoring visa à decisão programada de crédito. Ele é especialmente 
indicado para operações simples e repetitivas de análise de crédito que permitam alternativas de 
decisão previamente estabelecidas. 
 
Normalmente utilizada em crediários para pessoas físicas, essa técnica não é recomendada para 
substituir o julgamento em operações de crédito que exijam análise complexa ou que envolvam 
elevado volume de recursos. Nesses casos, essa técnica é admissível apenas como instrumento 
auxiliar à análise de crédito. 
 
A técnica consiste, primeiramente, em selecionar um conjunto de variáveis ou de fatores 
considerados relevantes para a avaliação de crédito. A determinação dessas características 
relevantes é feita com base em experiências passadas, nas práticas do mercado de crédito ou nos 
aspectos julgados como mais importantes pela empresa que deve conceder o crédito.

Mais conteúdos dessa disciplina