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ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA Objetivos Após a conclusão deste módulo, o aluno deverá ser capaz de: • compreender as atividades de gerenciamento e controle dos resultados, dos ativos financeiros e das obrigações junto a instituições financeiras; • calcular o retorno sobre o investimento; • analisar a concessão de crédito e organização do processo de cobrança. Aula 1. Conceitos Introdutórios Lição 1: Administração Financeira Durante uma reunião, Xavier e Rubens conversam a respeito dos objetivos da administração financeira e suas relações com os ambientes econômico, legal e com a contabilidade. Eles estão estudando o processo de tomada de decisões em uma empresa e as diversas funções de um administrador financeiro. (Xavier) _ Bom dia! (todos) _ Bom dia! (Xavier) _ O objetivo da reunião de hoje é alinhar os nossos conhecimentos a respeito de administração financeira. Percebi que estamos um pouco desalinhados no que diz respeito ao assunto e resolvi que deveríamos conversar mais sobre isso! Nosso colega Rubens irá nos auxiliar muito nessa tarefa. (Rubens) _ Bom dia! (todos) _ Bom dia! (Rubens) _ Bom, vou começar falando um pouco sobre as responsabilidades e os objetivos da administração financeira... A administração financeira é responsável pelo dinheiro, pelos investimentos, pelo pagamento das dívidas e pela lucratividade da empresa. Seus objetivos são oferecer retorno satisfatório aos sócios e honrar os compromissos junto aos credores. (Xavier) _ Exatamente! Os objetivos são esses mesmos! Mas se a empresa não cumpri-los, o que acontece? (Rubens) _ Boa pergunta, Xavier! Leia as próximas aulas. Lição 2: Objetivos da administração financeira Como vimos, os objetivos da administração financeira são oferecer retorno satisfatório aos sócios e honrar os compromissos junto aos credores. No entanto, as conseqüências do não-cumprimento desses objetivos podem ser graves como: • não oferecimento de retorno satisfatório aos sócios; Os sócios são pessoas que investiram seu dinheiro na empresa. Se ela apresentar prejuízo ou não oferecer lucros satisfatórios (retorno do dinheiro investido), eles provavelmente irão retirar o dinheiro investido e aplicá-lo em uma alternativa mais atraente. • não honrar os compromissos junto aos credores. Os credores são aqueles a quem a empresa deve dinheiro. Quando compra a prazo, a empresa torna-se devedora do fornecedor que, por sua vez, torna-se seu credor. Quando toma dinheiro emprestado ao banco, acontece o mesmo: o banco torna-se seu credor. Honrar compromissos significa pagar as dívidas em dia. Se uma empresa não fizer isso, terá problemas com crédito, pois nenhum fornecedor gosta de vender a prazo para quem não cumpre o combinado. Assim, é importante lembrar que uma empresa corre sério risco de ser fechada quando não satisfaz seus sócios ou não paga em dia aos seus credores. Lição 3: A empresa sob a perspectiva das finanças Estrutura financeira de uma empresa. Lição 4: Capital Para estruturar-se e iniciar suas atividades, uma empresa necessita de capital que financie seus investimentos. Esse capital, por sua vez, pode ser de dois tipos: próprio e de terceiros. Enquanto o capital próprio pertence aos sócios, o de terceiros pertence aos credores, caracterizando-se como as dívidas da empresa. Assim, os juros remuneram os credores da empresa, enquanto que o lucro remunera os seus sócios. Observe a definição de cada um dos capitais: • Capital Próprio É chamado de capital próprio os recursos financeiros (dinheiro) que os sócios (também chamados de investidores) colocam na empresa. É com esse dinheiro que ela inicia suas atividades. Os sócios investem em uma empresa com o objetivo de obter lucro; portanto, lucro é o que remunera o capital aplicado. • Capital de Terceiros Fornecedores de bens e de serviços que vendem a prazo, bancos que emprestam dinheiro, governo que cobra a prazo os impostos; enfim, todos aqueles que não cobram à vista são chamados de credores ou representantes de capital de terceiros. Enquanto o lucro remunera o capital próprio, são os juros que remuneram o capital de terceiros. Lição 5 : Patrimônio da empresa O patrimônio da empresa é formado por três partes: o passível exigível, o patrimônio líquido e o patrimônio ativo. Observe como é composto cada um deles: Passivo Exigível É todo o capital de terceiros aplicado na empresa (é chamado “exigível” porque os credores têm o direito legal de exigir que a empresa faça o pagamento das dívidas no vencimento). O passível exigível define-se, portanto, como as obrigações da empresa junto a terceiros. No passivo exigível, a empresa pode ter dívidas de longo prazo (com vencimento acima de 1 ano), que são chamadas de exigível a longo prazo; e dívidas de curto prazo (com vencimento abaixo de 1 ano), chamadas de passivo circulante. Patrimônio Líquido O patrimônio líquido representa os recursos investidos pelos sócios na empresa: é o chamado capital social. Ele representa, também, os lucros acumulados pela empresa e que ainda não foram retirados pelos sócios. Quando a empresa apresenta lucro, os sócios têm duas opções: retirá-lo ou investi-lo na própria empresa. Patrimônio Ativo Representa o conjunto de investimentos que a empresa fez. Em outras palavras, é o destino que a empresa deu ao capital próprio e de terceiros. Também podemos compreender esse ativo como os bens e os direitos da empresa. Compõe-se de investimentos de curto prazo (ativo circulante) e de longo prazo (ativo permanente) como as instalações, os equipamentos etc. Resultados Resultados são os lucros ou prejuízos obtidos com as operações das empresas; ou seja, é a conseqüência do faturamento (vendas) menos as despesas, os custos e os tributos que são pagos. Atenção! Qualquer que seja o resultado, lucro ou prejuízo, será de responsabilidade e de direito dos sócios. Lição 6: As relações da empresa Com o ambiente econômico A boa gestão financeira de uma empresa exige amplos conhecimentos sobre o ambiente econômico, que pode ser: macroeconômico e microeconômico. Macroeconômico Formado por políticas governamentais, sistemas financeiros (nacional e internacional), controles, restrições e demais características do contexto econômico nacional. Microeconômico Formado por operações da empresa, seu mercado, seus produtos e serviços, suas potencialidades e deficiências empresariais. A administração financeira deve considerar todos os aspectos do negócio da empresa. Com o ambiente legal A legislação impõe uma série de condições, restrições e obrigações à administração financeira. No entanto, oferece também oportunidades como incentivos e benefícios fiscais. Assim, em qualquer decisão financeira, é imprescindível considerar os aspectos legais, especialmente as legislações tributária e comercial, que normalizam desde as operações financeiras mais comuns até as decisões financeiras mais importantes. Lição 7: As relações da empresa - contabilidade É papel da contabilidade registrar fatos e eventos, apurar resultados e demonstrar situações patrimoniais. Por ser a única área que registra de forma completa todos os fatos e eventos financeiros de uma empresa, a contabilidade é a principal fonte interna de informações para a administração financeira. Porém, a administração financeira deve considerar os dados contábeis com cautela, pois eles são registrados em conformidade com as imposições fiscais e legais, o que pode não coincidir com outras abordagens mais importantes para a decisão financeira. Por exemplo: o valor de mercado dos estoques da empresa pode, num dado momento, ser mais importante para a decisão financeira do que o valor histórico registrado pela contabilidade. Assim, observamos que a contabilidade atende às obrigações fiscais da empresa e parte das necessidades gerenciais da administração financeira, já que os dados contábeisEm seguida, a cada item selecionado para a avaliação de crédito é atribuído um peso na forma de pontuação. E é justamente o somatório dessa pontuação, obtido por um solicitante de crédito, que levará a uma decisão final, com regras previamente definidas. Assim, dependendo da pontuação obtida, a decisão poderá ser no sentido da aprovação do crédito, da reprovação ou da concessão limitada ou condicional. Lição 3: Sistema convencional de credit scoring - exemplo A título de exemplificação, no caso de análise de crédito de pessoas físicas, a empresa poderia considerar os seguintes fatores relevantes e seus respectivos pesos de pontuação (os valores indicados são meramente ilustrativos): Itens para avaliação de crédito Pontuação Atividade Executivo (diretor/gerente) 5 Profissional empresário 4 Empregado do setor público 4 Empregado do setor privado 3 Aposentado 3 Profissional autônomo 2 Rendimento anual Acima de R$ 50.000,00 5 Entre R$ 20.000,00 e 50.000,00 4 Até R$ 20.000,00 2 Tempo no trabalho atual Mais de 1 ano 4 Menos de 1 ano 3 Moradia Própria 4 Alugada 1 Outros imóveis Mais 2 imóveis 5 Mais 1 imóvel 3 Número de dependentes Nenhum 2 Um 2 Dois ou mais 1 Instituições financeiras Conta corrente, cartão de crédito e seguros. 5 Conta corrente e cartão de crédito. 4 Conta corrente e seguros. 3 Conta corrente. 2 Lição 4: Regra de decisão de crédito – exemplo Pontuação Decisão de crédito Condições e limitações Abaixo de 12 pontos Reprovado _ Entre 12 e 18 pontos Aprovado Até R$ 5.000,00 com avalista. Entre 19 e 25 pontos Aprovado Até R$ 12.000,00. Acima de 26 pontos Aprovado Até R$ 20.000,00. É importante observar no exemplo acima que todos os bons pagadores não se situam, necessariamente, acima da pontuação mínima (12 pontos) estabelecida pela empresa e todos os maus pagadores abaixo dessa limitação. A pontuação mínima, também chamada de “ponto de corte”, é fruto de uma observação histórica da empresa que aponta uma tendência de características típicas dos bons e dos maus pagadores. Lição 5: Política de crédito A política de crédito deve oferecer orientação para a decisão de crédito. Ela é responsável pela fixação de parâmetros e diretrizes a serem observados nessa decisão. Quando menos rígida, permitindo crédito a uma maior quantidade de solicitantes, a política de crédito tende a proporcionar um aumento das vendas. Por conseqüência, esse aumento do volume de vendas acarreta um acréscimo de investimentos em estoques e em duplicatas a receber. Causa também uma alteração do nível de risco de não-recebimento das vendas a prazo, devido a um menor rigor na seletividade de clientes. Por outro lado, um aumento das vendas tende a afetar positivamente o resultado da empresa, oferecendo um retorno mais interessante aos sócios. Por afetar aspectos tão importantes da estrutura financeira da empresa, a política de crédito deve ser aprovada pela alta direção e deve ainda manter total coerência com as estratégias empresariais. Saiba mais! Também chamada de “padrões de crédito”, a política de crédito estabelece o grau de flexibilidade da decisão de crédito. Lição 6: Decisão de crédito A decisão de crédito consiste no julgamento final da solicitação de crédito efetuada por um cliente. Representa o objetivo de todos os aspectos até aqui apresentados sobre administração de crédito: análise de crédito, gestão das informações, metodologia de conceituação e política de crédito. A política de crédito deve oferecer orientação quanto às preferências da empresa em relação ao risco das operações. Já as demais análises devem permitir ao tomador de decisão uma visão dos possíveis retornos com esse nível de risco associado. Um processo de decisão empresarial inicia-se quando uma situação qualquer apresenta um problema ou uma oportunidade que exige uma escolha entre, pelo menos, duas alternativas. Não havendo alternativas, não há decisão a ser tomada. Constatada a existência de alternativas e conhecidas as particularidades de cada uma, o passo seguinte do processo de decisão empresarial consiste na análise dessas alternativas, considerando métodos objetivos e a experiência pessoal do tomador de decisões. A seleção da melhor alternativa, que nas empresas deve ser aquela que oferece a melhor relação entre custo e benefício, configura a tomada de decisão que provocará uma ação específica. Tal ação poderá ser alterada, revista ou até mesmo cancelada no decorrer de sua implantação. Só não é possível, após a tomada de decisão, retornar a um momento rigorosamente igual ao momento anterior à decisão: com a mesma característica, situação e circunstância. Aula 10: Monitoramento e cobrança Lição 1: Monitoramento e cobrança (Xavier) _ Nossa, Rubens! Agora, conhecemos vários instrumentos para conceder crédito aos clientes que possibilitam ampliar os negócios sem correr riscos demasiados. (Rubens) _ Mas para seu bom funcionamento, qualquer sistema de crédito precisa estar ligado a um eficiente sistema de monitoramento de entrada e saída de capitais e a um rigoroso método de cobrança. (Xavier) _ Como isso funciona? (Rubens) _ É assim: analisada uma proposta de crédito, aprovada a sua concessão, emitida e aceita a duplicata, mais um devedor integra a carteira de contas a receber da empresa. A partir desse momento, o risco está assumido e a atenção da área financeira volta-se para a liquidação do título pelo cliente. Não ocorrendo a liquidação da dívida no prazo previsto, inicia-se o processo de cobrança. (Xavier) _ Ah, claro... a cobrança. Isso é bem chato! (Rubens) _ É. Apesar de todos os critérios de análise para concessão de crédito, algumas vezes temos surpresas desagradáveis que desequilibram as finanças da empresa. (Xavier) _ Como proceder quando se faz necessária uma cobrança? (Rubens) _ Boa pergunta, Xavier! Isso é o que eu vou explicar-lhes agora! Lição 2: Controle da idade das duplicatas a receber O controle do tempo decorrido desde a emissão da duplicata a receber é fundamental para que a empresa tome ciência dos valores que tem a receber e dos valores que já deveria ter recebido. Com uma visão clara da posição de vencimentos da carteira, a empresa pode tomar medidas preventivas e corretivas. O quadro de idade da duplicata apresenta uma decomposição dos títulos em carteira em função do número de dias transcorridos desde a emissão da duplicata. Apoiada em um bom sistema de processamento de informações, uma empresa tem condições de realizar essa decomposição de forma detalhada sobre um grande volume de títulos, obtendo sem dificuldade, a partir daí, os relatórios gerenciais e analíticos de que precisar. Observe um exemplo de quadro de idade de uma empresa hipotética que vende com um prazo de trinta dias: Quantidade de duplicatas Idade da duplicata (dias) Valor em reais Participação sobre total da carteira 2 56 8.500,00 3,21% 1 49 4.000,00 1,51% 3 37 6.000,00 2,27% 2 34 9.000,00 3,40% 1 32 5.000,00 1,89% Títulos vencidos 32.5000,00 12,28% 22 Entre 21 e 30 77.000,00 29,11% 19 Entre 11 e 20 65.000,00 24,58% 29 Entre 0 e 10 90.000,00 34,03% Títulos a vencer 232.000,00 87,72% Total da carteira 264.500,00 100% Lição 3: Controle da idade das duplicatas a receber Como observado na lição anterior, o quadro de idade dos títulos em carteira permite um acompanhamento da situação dos créditos concedidos. O valor dos títulos vencidos ou devedores duvidosos, quando comparado às vendas da empresa, permite o cálculo do índice de inadimplência. Supondo que o valor de R$ 32.500,00 em atrasos seja comum nessa empresa e que suas vendas mensais sejam em torno de R$ 260.000,00, teremos: Índice de inadimplência = devedores duvidosos = 32.500 = 0,125 vendas260.000 Transformando-se o valor obtido em porcentagem, temos: índice de inadimplência = 12,50%. Para evitar distorções, o índice de inadimplência deve ser idealmente calculado com vendas e devedores duvidosos do mesmo mês de competência. Deve-se ainda comparar os índices mensais, de forma a perceber-se a tendência de qualidade da carteira de contas a receber. Notando-se, ao longo do tempo, uma tendência de deterioração da qualidade do ativo duplicatas a receber, a empresa precisa, então, rever sua política de crédito, realizando previamente um estudo das causas que estão levando a essa queda de qualidade. Identificadas as causas, a política de crédito deve prever medidas, condições e restrições que visem à recuperação qualitativa desse ativo. Lição 4: Deterioração financeira dos devedores Quando o cliente, após tomar o crédito da empresa, apresenta-se numa situação de dificuldade financeira e incapacidade de pagamento, esse fato pode estar relacionado aos dois tipos de risco: • risco inerente ao próprio negócio, a sua gestão e as suas características particulares; • risco do ambiente externo, de caráter geral e de ordem política, econômica ou social. Mas, em se tratando de concessão de crédito, uma terceira possibilidade deve ser considerada: o cliente poderia já encontrar-se em má situação financeira antes de tomar o crédito, mas esse fato não foi observado pela análise de crédito. Uma das principais atividades da área de crédito de uma empresa é a de monitorar a saúde financeira de seus clientes. Diversos “sinais de alarme” de deterioração financeira podem ser captados, tanto na análise financeira contínua da situação dos clientes, como em outras fontes de informações não financeiras. Os indícios de deterioração podem ser captados, por exemplo: • nas demonstrações financeiras (por meio de análises que indicaram a degradação financeira do cliente); • no mercado de fornecedores (com informações sobre atrasos constantes junto a outros credores e exigência de pagamentos antecipados ou à vista ao cliente etc.); • no mercado bancário (com informações sobre renovação constante de empréstimos de curto prazo, uso contínuo de contas garantidas, alto volume de desconto de duplicatas etc.); • na empresa do cliente (com informações sobre graves problemas administrativos e gerenciais, insatisfação generalizada de funcionários, deterioração patrimonial, pendências tributárias etc.); • no comportamento do cliente (por meio de evidências de desentendimento entre sócios, problemas financeiros pessoais dos sócios, atitudes irresponsáveis etc.). Lição 5: Cobrança de devedores em atraso A cobrança de devedores em atraso exige rapidez, firmeza, negociação e critério. Essas características evitam perdas ou, pelo menos, minimizam os prejuízos. Rapidez: quando um cliente entra em estado de insolvência, seus bens e direitos normalmente não cobrem seu passivo. Isso significa que alguns credores poderão receber, mas com certeza nem todos receberão; portanto, quem chega antes para cobrar tem mais chances de encontrar o cliente com alguma condição de pagar. Firmeza: às vezes, o cliente inadimplente tende a querer ganhar tempo, evitando a cobrança e qualquer contato com o credor. Uma cobrança sem convicção e firmeza pode ser entendida pelo devedor como uma disposição do credor em adiar o recebimento ou até mesmo de perdoar-lhe a dívida. Negociação: a capacidade de negociar com o devedor pode significar a recuperação de um crédito duvidoso. Em muitos casos é preferível uma negociação que leve à recuperação parcial do crédito, assumindo-se o restante como perda, a um processo judicial que poderá levar anos e cujo resultado é imprevisível. Critério: como já visto anteriormente, diversos são os motivos que podem causar um atraso de pagamento. Um devedor que age de má-fé, demonstrando intenção de não pagar, deve ser tratado com todo rigor e contundência na cobrança, obedecendo parâmetros legais. Mas a truculência na cobrança de um devedor que cometeu um atraso por motivos alheios a sua vontade e que tem intenção e condição de pagar, pode ocasionar para a empresa a perda de um bom cliente. Lição 6: Formas de cobrança Cobrança por carta ou por telefone A cobrança por carta ou por telefone constitui a primeira etapa do processo. No caso de devedores empresariais, um contato telefônico com a área de contas a pagar do cliente, tão logo a dívida vença, pode ser interessante para compreender o atraso e a disposição do cliente em pagar. A comunicação por carta é mais interessante para formalizar o aviso ao cliente sobre o débito pendente e sobre as medidas que serão adotadas em caso de não-liquidação. Visita pessoal Realizar uma visita ao cliente pode ser útil, sobretudo naqueles casos em que o credor sinta espaço e disposição para negociação por parte do cliente. É preciso, todavia, certificar-se de que ele dispõe-se a receber e a conversar com o credor. Em muitas situações essa disposição não existe, tornando a visita um procedimento ineficaz. Utilização de empresas de cobrança Empresas de cobrança podem ser acionadas quando o credor já esgotou as tentativas de cobrar diretamente. Essas empresas trazem a vantagem de serem especializadas em cobrança, mas, por outro lado podem representar um custo razoável. A completa terceirização da área de cobrança pode proporcionar benefícios interessantes à empresa credora. Protesto e falência Esgotadas as possibilidades de cobrança amigável, a lei disponibiliza instrumentos ao credor para que se proceda a cobrança judicial e, o mais grave, o pedido de falência do devedor. Já o protesto de duplicata por falta de pagamento registra e divulga ao mercado de crédito a impontualidade do devedor. Atenção! O protesto e a falência são medidas duras que certamente afetarão o devedor em sua reputação e em seus negócios. Aula 11: Fluxo de caixa Lição 1: Controle e análise (Xavier) _ Sabe, Rubens, uma coisa que me deixa encabulado é o tal fluxo de caixa. Todo mundo me diz que isso é importante, mas acho que ainda tenho muito a aprender sobre ele. (Rubens) _ Pode deixar que eu te ajudo! O fluxo de caixa é um instrumento de controle que tem por objetivo auxiliar o empresário a tomar decisões sobre a situação financeira da empresa. Consiste em um relatório gerencial que informa toda a movimentação de dinheiro (entradas e saídas) — sempre considerando um período determinado, que pode ser uma semana, um mês etc. (Xavier) _ E qual a sua utilidade? (Rubens) _ Sua grande utilidade é permitir a visualização de sobras ou faltas de caixa antes mesmo que elas ocorram, possibilitando ao empresário planejar melhor suas ações. As palavras- chave do fluxo de caixa são entradas e saídas; como todos sabem, toda ação realizada por uma empresa ocasiona, de uma forma ou de outra, na entrada ou saída de dinheiro! (Xavier) _ Anhhhh... Acho que já estou entendendo. É nesse jogo de entra-e-sai que o fluxo de caixa mostra sua importância, ajuda-nos a perceber, com bastante antecedência, quando vai faltar ou sobrar recurso. É isso? (Rubens) _ Exatamente! Os momentos de escassez de crédito, altas taxas de juros, queda do faturamento, entre outros fatores exigem do empresário uma gestão financeira cada vez mais eficiente. Controles financeiros — que permitam conhecer com mais eficiência os recursos de caixa — tornam-se necessários. Por isso o fluxo de caixa é tão importante! Lição 2: Utilidade do relatório de fluxo de caixa O relatório de fluxo de caixa tem as seguintes utilidades: • Planejar e controlar as entradas e as saídas de caixa num período de tempo determinado. • Auxiliar o empresário a tomar decisões antecipadas sobre a falta ou sobra de dinheiro na empresa. • Verificar se a empresa está trabalhando, no período avaliado, com aperto ou folga financeira. • Verificar se os recursos financeiros sãosuficientes para tocar o negócio em determinado período ou se há necessidade de obtenção de capital de giro. • Planejar melhores políticas de prazos de pagamentos e recebimentos. • Avaliar a capacidade de pagamentos antes de assumir compromissos. • Conhecer, previamente (planejamento estratégico), os números do negócio e sua importância no período considerado. • Avaliar se o recebimento das vendas é suficiente para cobrir os gastos assumidos e previstos no período considerado. • Avaliar o melhor momento para efetuar as reposições de estoque em função dos prazos de pagamento e da disponibilidade de caixa. • Avaliar o momento mais favorável para realizar promoções de vendas com o objetivo de melhorar o caixa do negócio. Lição 3: Entrada e saída de numerários Para elaborar um fluxo de caixa, é necessário registrar quais são as saídas de numerários conhecidas. Mesmo que as entradas de recursos não sejam conhecidas, elas podem ser estimadas. É importante observar que as duplicatas são consideradas entrada de dinheiro para a empresa, o que, não necessariamente, é verdade: a duplicata pode não ser paga pelo cliente ou o cheque não ser compensado. Apresentamos o seguinte diagrama para exemplificar um fluxo de caixa simples: 1 2 3 As flechas para cima significam as entradas de recursos e as flechas para baixo significam suas saídas. Lição 4: Movimentações ideais para um fluxo de caixa A situação ideal para a gestão de um fluxo de caixa seria o uso de uma reserva de caixa para as eventualidades de uma falta de recursos. O interessante seria o “casamento” de entradas com saídas, evitando o “furo de caixa”, que nada mais é do que a saída sem uma entrada de recurso. Observe o exemplo: A empresa Alphabeta detém os seguintes compromissos e recursos: Dia Entrada Saída Saldo 0 2.500,00 1 (1.600,00) 900,00 2 2.000,00 (1.300,00) 1.600,00 3 980,00 (1.800,00) 780,00 4 1.900,00 (2.200,00) 480,00 5 790,00 (560,00) 710,00 Observe que, neste caso, o saldo é sempre positivo. Ele mostra que as saídas estão cobertas pelo fluxo de caixa. Lição 5: Exemplo de fluxo de caixa Observe um exemplo de fluxo de caixa e sua respectiva análise: Relatório do fluxo de caixa e gráfico Movimento do mês de novembro/04 Data Histórico/documento Tipo de movimento/valor Entradas (crédito) Saídas (débito) Saldo 1 Saldo inicial do período conta corrente no banco X 60.000,00 5 Pagamento de salários/Folha de pagamento 50.000,00 10.000,00 6 Recebimento da nota fiscal 300.080. Coringa Distribuidora Ltda. 2.500,00 12.500,00 7 Pagamento de guia do FGTS 4.000,00 8.500,00 10 Pagamento de fornecedor 10.000,00 -1.500,00 15 Recebimento da nota fiscal 300.081 – Papelaria Formosa 30.000,00 28.500,00 16 Pagamento de guia de ICMS 8.000,00 20.500,00 21 Pagamento de conta de energia elétrica 900,00 19.600,00 21 Pagamento de conta telefônica 750,00 18.850,00 22 Pagamento de conta de água 450,00 18.400,00 30 Recebimento de nota fiscal 300.082 Casa do papel S/C Ltda. 4.500,00 22.900,00 Totais do período 37.000,00 74.100,00 22.900,00 Lição 6: Gráfico – movimentações ideais para um fluxo de caixa 1 5 6 7 10 15 16 21 21 22 30-5000 0 5000 10000 15000 20000 25000 30000 35000 40000 45000 50000 55000 60000 65000 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 Lição 7: Nomenclatura Observe alguns dos principais termos utilizados ao trabalhar-se com fluxo de caixa: Saldo inicial: o valor constante no caixa no início do período considerado para a elaboração do fluxo. É composto pelo dinheiro na “gaveta” mais os saldos bancários disponíveis para saque. Entradas de caixa: correspondem às vendas realizadas à vista, bem como a outros recebimentos (tais como duplicatas, cheques pré-datados, faturas de cartão de crédito etc.), disponíveis como dinheiro na respectiva data. Saídas de caixa: correspondem a pagamentos de fornecedores, pró-labore (retiradas dos sócios), aluguéis, impostos, folha de pagamento, água, luz, telefone e outros — entre eles alguns descritos em nosso modelo. Saldo operacional: representa o valor obtido de entradas menos as saídas de caixa na respectiva data. Possibilita avaliar como se comportam seus recebimentos e gastos periodicamente, sem a influência dos saldos de caixa anteriores. Saldo final de caixa: representa o valor obtido da soma do saldo inicial com o saldo operacional. Permite constatar a real sobra ou falta de dinheiro em seu negócio no período considerado e passa a ser o saldo inicial do próximo período. Lição 8: Formatação do fluxo de caixa Observe que é muito útil a formatação de fluxo de caixa com valores “previstos” e “realizados”: Dia 1 Dia 2 Mês/ano Agosto/2004 Previsto Realizado Previsto Realizado Saldo inicial de caixa - 500,00 - 500,00 0,00 0,00 Dinheiro / cheque à vista 1.000,00 1.000,00 Cheques pré-datados 500,00 Duplicatas a receber Cartão de crédito 500,00 Outros recebimentos Total de entradas 1.000,00 1.000,00 1.000,00 00,00 Impostos sobre vendas Pagamentos a fornecedores 1.300,00 0,00 Pró-labore Salários Encargos Benefícios Água 50,00 50,00 Luz 50,00 50,00 Telefone 100,00 100,00 Propaganda e marketing Despesas bancárias Despesas financeiras Comissões a vendedores Honorários contábeis Pagamentos de serviços 150,00 150,00 Combustíveis 50,00 50,00 Despesas com veículos Materiais de escritório Compra de equipamentos Pagamentos de financiamentos Outras despesas 100,00 100,00 Total de saídas 500,00 500,00 1.300,00 1.300,00 Saldo operacional 500,00 500,00 -300,00 0,00 Saldo final 0,00 00,00 -300,00 0,00 Lição 9: Previsto e realizado Por que há colunas de previsto e realizado? Um dos fatores mais importantes para o sucesso na gestão de uma empresa é o adequado planejamento. Portanto, a gestão financeira deve ser cuidadosamente planejada, executada, acompanhada e avaliada. Isso só é possível se estabelecermos metas (objetivos, previsões) que nos orientem a fim de evitar surpresas. Se passarmos a projetar recebimentos e pagamentos com base em nossos conhecimentos anteriores e expectativas em relação ao mercado, poderemos nos preparar para enfrentar dificuldades antes que elas ocorram. Assim, trabalhar com valores previstos e compará-los com o realizado (acontecido na data), além de mostrar futuras faltas ou sobras de caixa, permite tomar decisões antecipadas sobre aumento de compras, liquidações, racionalizações de custos, hora certa para fazer investimentos e até mesmo sobre a possibilidade de retirar mais pró-labore sem “sangrar” a empresa. A previsão do fluxo de caixa permite saber com antecedência de quanto recurso financeiro você precisará e se este pode ser gerado pelas vendas e recebimentos. Caso não seja suficiente, permitirá que você negocie alternativas de obtenção de financiamentos com mais critério e segurança e maiores oportunidades de negociação de taxas. Lembre-se de que um caixa, em nível adequado, evita surpresas quando ocorrem problemas com inadimplências em sua empresa, ou seja, quando surgem dificuldades para receber as vendas. Lição 10: Cheques, boletos bancários e borderôs O controle de emissão e recebimento de cheques, boletos e borderôs talvez seja a parte mais importante de um departamento financeiro, pois envolve numerários que serão importantes para a empresa. O controle desses documentos também é necessário para a correção de futuros enganos ou problemas, que podem ser ocasionados para a empresa ou vice-versa. Controle da emissão e recebimento de cheques O cheque é uma ordem de pagamento à vista que a prática comercial transformou em instrumento de pagamento a prazo, conhecido como cheque pré-datado.É por esse motivo que o controle da emissão e recebimento de cheques é muito importante, pois evita o inconveniente de descontar um cheque antes da data combinada. Geralmente quando uma empresa faz pagamentos de valores altos, utiliza o cheque por ser um instrumento seguro. Assim, o controle dessa emissão é necessário para que se possa fazer, futuramente, a conciliação bancária do cheque. Lição 11 A: Tratamento dispensado a boletos bancários Os boletos bancários, também denominados fichas de compensação, são documentos que as empresas enviam para os clientes ou recebem de fornecedores para efetuar pagamentos na rede bancária. Quanto ao recebimento e à emissão dos boletos, o tratamento será o mesmo dispensado aos cheques, já que são instrumentos semelhantes. Lição 11 B: Borderôs – envio de informações financeiras O borderô é a relação de movimentações financeiras ocorridas por um agente externo ou outra unidade de negócio, na qual serão declaradas as receitas e as despesas ocorridas em um determinado período. São múltiplas as utilizações desse documento. Na verdade, o borderô é instrumento de transmissão de informações financeiras ou prestações de contas. Para tanto, são várias as suas denominações: borderô de cobrança, borderô de pagamento, borderô de recebimentos, prestação de contas etc. Daremos destaque para o borderô de pagamentos. Imaginemos que uma empresa, com muitos fornecedores, consiga negociar datas específicas de pagamento: dias 10 e 25 de cada mês, para a maioria dos fornecedores. Alguns dias antes do vencimento do dia 10, por exemplo, todos os fornecedores são relacionados da seguinte forma: razão social, documento a ser pago (nota fiscal, recibo e suas especificações), forma de pagamento: crédito em conta-corrente, ordem de pagamento etc. Logo após a emissão desse borderô, são colhidas as devidas assinaturas. Encaminha-se para o banco em que a empresa tem conta para que ele (o banco) debite a conta jurídica e efetue os pagamentos. É claro que as empresas estão fazendo, hoje, borderôs eletrônicos via Internet, mas o princípio é o mesmo, ou seja, de qualquer forma relacionam-se os fornecedores e respectivos dados para pagamento. Quando há borderô de cobrança, relacionam-se duplicatas a serem enviadas ao banco para que este efetue a cobrança dos clientes. Neste borderô, existem todos os dados do clientes, acrescidos dos valores a serem pagos e respectivos documentos que registram o débito do cliente. Lição 12: Exemplo de borderô Uma loja mantém uma segunda unidade, a qual é responsável por recebimentos, vendas e gastos da empresa, além da comissão de vendedores. Assim, essa unidade se reportará à matriz para o envio das informações financeiras da seguinte forma: Recebimentos Vendas 3.000,00 Recebimentos 600,00 Pagamentos em atraso 150,00 Total de recebimentos 3.750,00 Saídas Despesas com alimentação 350,00 Despesas com comissão 900,00 Despesas pagas 250,00 Total de saídas 1.500,00 Saldo enviado à matriz 2.250,00 É comum a utilização de borderôs para transmissão interna de informações financeiras. Lição 13: Relações bancárias Depois dos relacionamentos entre clientes e fornecedores, talvez as relações com as instituições financeiras sejam as mais importantes de uma empresa. Afinal de contas, os bancos exercem relevante papel na solidificação dos negócios em qualquer tipo de organização, tanto nos momentos de dificuldades, quanto nos projetos de expansão da empresa. Informações bancárias Com o avanço tecnológico, os bancos investem cada vez mais em inter-relacionamentos (devido à necessidade de compartilhar informações de mercado a respeito de empresas e de pessoas físicas). Assim nasceu a SERASA, que é uma central de informações mantida pelas instituições financeiras a fim de que se possa preservar o crédito. Essa instituição tem sido um importante instrumento de informações financeiras para muitas finalidades. Hoje, a principal finalidade do SERASA é servir como instrumento de prevenção à inadimplência. As empresas consultam dados financeiros de seus clientes, utilizando-se de seu relacionamento com o SERASA para obter informações sobre a eventual ocorrência de não-pagamento de algum título em âmbito nacional. Lição 14: Normas bancárias Normas bancárias de procedimentos para proteção de crédito As normas bancárias existem para que seja realizada a seguinte rotina: classificação de cheques devolvidos de acordo com os motivos. Os motivos de devolução mais importantes são: o cheque sem fundos (alíneas 11 e 12), conta encerrada (alínea 13) e sustado (alíneas 21 a 29). Nesses casos, os cheques que poderão ser protestados são os pertencentes às alíneas 12 e 13. Assim, serão cobrados os numerários tidos com o cliente, evitando-se uma tentativa de estelionato. Contas de pessoas jurídicas A conta de pessoa jurídica é uma necessidade e é importante estreitar o relacionamento com o banco para realizar parcerias em cobranças, financiamentos e vendas de produtos e serviços para todos os clientes. Quanto mais estreita a relação da empresa com o banco, melhor será na negociação de taxas de juros quando houver empréstimos e financiamentos Financiamentos e empréstimos Precisamos definir qual é a diferença entre um financiamento e um empréstimo. Um empréstimo é um numerário que visa saldar alguma necessidade da empresa a curto prazo. Já um financiamento está envolvido como ajuda na compra de algum ativo para a empresa — um carro, uma máquina, um edifício etc. Lição 15: Renegociação e liquidação de títulos A etapa de renegociação e liquidação de títulos ocorre, freqüentemente, em instituições financeiras, mas não é raro ocorrer nas demais empresas. Necessidade de renegociar títulos A necessidade de renegociar títulos ocorre quando uma das partes não está satisfeita com a forma de pagamento combinada para aquele título. Na maioria dos casos, acontece por parte do credor, quando a data ou o montante a ser pago não condiz com sua condição atual. Então, para esse caso, entra em ação um agente: a taxa de juros, já que o risco desse cliente que passa a renegociar títulos é maior, será cobrada uma taxa de juros maior. Dicas de renegociação Uma das coisas mais importantes na hora da renegociação de títulos é ficar atento ao prazo de pagamento, a fim de verificar se ele não ficará longo demais. Outra dica está na boa vontade em pagar títulos. Muitas vezes o cliente quer renegociar títulos, mas ainda não efetuou o pagamento do título anterior. Ao renegociar títulos, o cliente deverá pagar juros “a maior” devido ao maior tempo de pagamento. Lição 16: Liquidação de títulos Um título só é liquidado após a sua compensação, que pode ser feita no caixa da empresa ou na rede bancária. A liquidação do título serve para que o cliente não sofra cobranças sem necessidade. Para a empresa, também é necessário o arquivamento dos títulos em ordem cronológica dos títulos pagos em determinado período para evitar problemas. Lição 17: Conciliação bancária A conciliação bancária é a verificação das movimentações da conta bancária da empresa com seus registros internos. Esse procedimento deve-se à necessidade de controle sobre essa conta bancária a fim de evitar o pagamento de juros sem necessidade. Despesas e impostos sobre movimentação bancária As despesas com taxas bancárias (taxa administrativa, emissão de cheques, etc.) e contribuições sobre a movimentação financeira (CPMF) deverão ser contabilizadas nos registros da empresa para que possam formar o valor correto do saldo da conta bancária. Conciliação entre extratos e o movimento interno da empresa Esta conciliação entre extratos e movimentos internos é utilizada para baixar títulos pendentes, cheques emitidos e recebidos e despesas extras pagas. O valor correto do saldo da conta corrente deve sero mesmo do registro interno da empresa. Lição 18: Caixa da empresa Caixa da empresa: constituição e finalidade A finalidade do caixa é permitir que as despesas de menor valor sejam pagas em dinheiro, evitando a emissão de cheques de valor muito baixo. É comum a existência também do chamado ‘caixa pequeno’, no qual cada setor da empresa tem uma verba para pequenas despesas do dia- a-dia. Tipos de despesas a serem pagas pelo caixa Nas grandes organizações, devido à existência de diversos departamentos e setores, há a possibilidade de um volume maior de dinheiro em espécie no caixa. Os tipos de despesas mais comuns a serem pagas pelo caixa são as despesas com táxi, Correios, carimbos, café, pequenos materiais, condução do office boy etc. Reconstituição do caixa A reconstituição do caixa deverá ser dada após a apresentação do comprovante de pagamento da despesa apresentada, a fim de que se saque dinheiro da conta corrente para o caixa da empresa. Lição 19: Aplicações financeiras Todo valor excedente das movimentações normais da empresa deve ser aplicado em algum banco para que esse dinheiro tenha rentabilidade. Empresas bem estruturadas atuam com diversos bancos, muitas vezes direcionando os negócios para bancos específicos, como bancos só para financiamentos, bancos para pagamentos, recebimentos etc. A melhor opção para investimentos em papéis que a empresa pretenda fazer depende do nível de relacionamento com os gerentes dos bancos. Assim, o banco pode aconselhar o tipo de aplicação mais recomendada à empresa ou até dividir todo o capital em vários tipos de aplicações. As principais aplicações financeiras são divididas em renda fixa e renda variável. Tipos de aplicações financeiras Renda fixa São consideradas aplicações conservadoras, em que o dinheiro investido terá um retorno garantido. São exemplos de aplicações em renda fixa: as aplicações em poupança, certificado de depósito bancário (CDB), certificado de depósito interbancário (CDI) e aplicações baseadas em correção de previdência (VGBL). Renda variável Geralmente, a renda variável permite um retorno maior para o investidor, só que esse dinheiro investido não é garantido, pois o investimento está sujeito às oscilações do mercado — e muitas vezes o retorno poderá ser negativo. As aplicações em ações, câmbio, ouro, bolsa de mercadorias e futuros são exemplos de aplicações em renda variável. O ponto de equilíbrio operacional é o volume de atividades o No ponto de equilíbrio, o resultado operacional ou lucro ant Essa análise possibilita, entre outras coisas, determinar onão descrevem totalmente as circunstâncias financeiras. Os relatórios e demonstrações de origem contábil, ainda que básicos e fundamentais para a gestão financeira, merecem uma leitura cautelosa, sempre levando em consideração as regras legais, os princípios, as normas e as práticas contábeis. Saiba mais! Valor histórico é aquele constante na nota fiscal de compra de um material de estoque, por exemplo. Se a empresa comprou há muito tempo, o fornecedor já reajustou o preço, tornando o valor de mercado superior ao registrado na contabilidade. Lição 8: Decisão financeira Como vimos nas lições anteriores, a administração financeira tem uma importância inquestionável: é responsável pela lucratividade da empresa. Por isso, antes de tomar qualquer decisão financeira, deve-se obter as seguintes informações: • contábeis; • da empresa; • de origem externa; • do processo de tomada de decisão. Processo de tomada de decisão financeira O processo de tomada de decisão financeira é composto, basicamente, por quatro passos. 1º reconhecimento da existência de um problema ou de uma oportunidade Ao detectar um problema ou uma oportunidade, o administrador financeiro deve ser capaz de formulá-lo com precisão. Em outras palavras, deve identificá-lo e analisá-lo, levando em conta seus diferentes aspectos. Simultaneamente, é necessário delinear os objetivos e os outros resultados a serem alcançados, além de ter clareza sobre as limitações e as restrições para atingi-los. Essa etapa inicia o processo de tomada de decisão financeira, que pode ser um projeto ou uma desistência de investimento, uma realocação de recursos etc. 2º busca e desenvolvimento de alternativas Identificado o problema, devem ser pesquisadas todas as alternativas possíveis para a sua solução. O desenvolvimento de alternativas para a solução de um problema compreende conhecimento, criatividade e inovação. 3º análise financeira das alternativas selecionadas Inicia-se pela escolha de um critério ou método para o julgamento das alternativas disponíveis. A análise financeira é uma das funções mais importantes do administrador financeiro e uma boa decisão é decorrência direta dela. 4º decisão financeira É a escolha da melhor alternativa para a solução de um problema. Inclui a implantação da alternativa escolhida, bem como o acompanhamento da execução. Lição 9: Funções do administrador financeiro Administração e planejamento de resultado Administrar o resultado financeiro significa analisar as informações e direcionar as operações da empresa com o objetivo de obter o retorno desejado. Essa análise compreende avaliações internas como liquidez, rentabilidade, retornos, margens e performances financeiras em geral e, também, as variáveis externas como conjuntura econômica e mercado financeiro. O planejamento direciona as decisões financeiras para o objetivo estratégico da empresa; ou seja, viabiliza o objetivo de retorno de investimento, prevendo usos e fontes dos recursos, estabelecendo metas de rentabilidade e resguardando a liquidez futura da empresa. O planejamento funciona como principal ferramenta e parâmetro de controle financeiro. Administração de ativos Refere-se à gestão dos bens e dos direitos da empresa, estabelecendo o nível ótimo ou ideal de investimento em cada ativo e verificando seu retorno frente às exigências e expectativas dos investidores. Essa administração lida com ativos de curto prazo (capital de giro) e de longo prazo. Administração de financiamentos Trata-se da busca e seleção das fontes de financiamento, capitais próprios ou de terceiros, que formarão a chamada estrutura de capital da empresa. O custo de cada financiamento, seja de capital próprio ou de terceiros, comporá o custo de capital da empresa. Lição 10: Mercado financeiro As empresas relacionam-se com o mercado financeiro quando necessitam de empréstimos ou precisam aplicar seu dinheiro, por exemplo. Tal relacionamento enquadra-se em quatro grupos distintos de atividades que, na prática, ocorrem simultaneamente: mercado monetário, de crédito, de capitais e cambial. Mercado monetário Compreende a negociação de títulos públicos (emitidos pelo governo federal, por exemplo). Dentre outras situações, o governo emite títulos quando necessita de dinheiro para pagar as dívidas públicas. Esse mercado também abrange as negociações entre bancos (interbancárias). Mercado de crédito O mercado de crédito empresta recursos às empresas para atender a suas necessidades de curto prazo (capital de giro) e de longo prazo (investimentos). Podem ser citados como exemplos: desconto bancário (duplicatas e notas promissórias), conta garantida, crédito rotativo, financiamento de projetos etc. Mercado de capitais É o grande fornecedor de capital próprio, fazendo a ligação entre os investidores e as empresas com necessidade de recursos para investimento. Nesse mercado, a empresa pode fazer, por exemplo, uma oferta pública de ações com o propósito de captar recursos próprios. Posteriormente, essas ações poderão ser renegociadas nas bolsas de valores. Mercado cambial É o mercado de compra e venda de moedas de diversos países passíveis de conversão em moeda nacional. Exportadores, importadores, investidores e instituições financeiras são os principais atuantes desse mercado. Lição 11: Sistema financeiro nacional O sistema financeiro nacional é composto por um conjunto de entidades financeiras públicas e privadas, que formam dois grandes grupos: as instituições normativas (Conselho Monetário Nacional, Banco Central, Comissão de Valores Mobiliários etc.) e as instituições de intermediação, nas quais se destacam as instituições financeiras bancárias. Análise das demonstrações financeiras A análise das demonstrações financeiras tem por objetivo avaliar o desempenho e a situação de uma empresa de forma geral. São demonstrações financeiras, dentre outras, o balanço patrimonial e a demonstração de resultados. A análise por meio do uso de índices financeiros, especificamente, apresenta indicadores e tendências que podem ser extraídos das demonstrações financeiras. A quem interessa? Tal análise interessa aos sócios da empresa que desejam informar-se sobre sua propriedade, além dos gestores, já que representa o resultado de seus próprios trabalhos. Interessa também aos analistas de títulos de propriedade (que buscam nela orientações para novos investidores) e aos analistas de crédito (que já concederam ou vão conceder empréstimos à empresa). Aula 2: Ponto de equilíbrio Lição 1: Apresentação (Xavier) _ Muito bem, Rubens! Foi uma excelente idéia convidá-lo para explicar os conceitos de administração financeira aos nossos colegas! (Rubens) _ Obrigado, Xavier! (Xavier) _ Será que você poderia falar um pouco sobre ponto de equilíbrio operacional? (Rubens) _ Nossa, Xavier! Até parece que você leu meus pensamentos... Eu ia falar justamente sobre isso agora. (Rubens) _ Sabemos que o objetivo de uma empresa é gerar lucro e evitar prejuízos. Para que ela possa permanecer atuando no mercado, é imprescindível que o administrador financeiro esteja ciente dos resultados obtidos para que tenha condições de tomar decisões acertadas. Alguém sabe como se consegue isso? (Rubens) _ Conseguimos tomar decisões acertadas por meio da análise do ponto de equilíbrio operacional. Vou lhes mostrar como é feita essa análise. Lição 2: Avaliação das operações da empresa O ponto de equilíbrio operacional é o volume de atividades ou de vendas de que a empresa necessita para não ter prejuízo. Refere-se, precisamente, àquele nível de vendas em que o resultado operacional apresenta-se nulo e é somente a partir dele que a empresa começará a ter lucros. No ponto de equilíbrio, o resultado operacional ou lucro antes de juros e de Imposto de Renda (LAJIR) é igual a zero. Situando-se abaixo desse volume de vendas, a empresa terá prejuízo operacional;acima desse volume, terá lucro. Essa análise possibilita, entre outras coisas, determinar o tamanho da infra-estrutura de uma empresa (custo fixo), estabelecer metas e objetivos de vendas, criticar a margem bruta de lucratividade de um produto e projetar situações futuras desejadas (de resultado). Lição 3: Cálculo do ponto de equilíbrio I Para calcular o ponto de equilíbrio de uma empresa, em primeiro lugar é preciso classificar os diversos gastos em função de sua natureza fixa ou variável. Os custos fixos são aqueles ligados à infra-estrutura de uma empresa que ocorrem por um período de tempo e que independem do volume de produção ou de vendas. Os custos variáveis estão relacionados ao nível de atividade e têm relação direta com o volume de produção ou de vendas (cada unidade de produto fabricado ou vendido tem um custo variável operacional que é apurado por unidade produzida ou vendida). Depois de conhecidos o preço de venda de cada unidade de um determinado produto, o seu custo variável unitário e o custo fixo total da empresa, pode-se calcular a quantidade de vendas que proporcionará um resultado operacional igual a zero. Observe a seguinte fórmula: Onde: p: preço unitário de venda V: custo operacional variável unitário F: custo fixo total Q: quantidade de vendas em unidades LAJIR: lucro antes de juros e Imposto de Renda Lição 4: Cálculo do ponto de equilíbrio II Lição 5: Cálculo do ponto de equilíbrio II - continuação O ponto de equilíbrio será dado por: )( Vp FPE − = Onde: PE = PONTO DE EQUILÍBRIO (QUANTIDADE DE VENDAS) p: preço unitário de venda V: custo operacional variável unitário F: custo fixo total Graficamente, o ponto de equilíbrio pode ser representado como no exemplo a seguir. Uma empresa comercial varejista adquire camisas junto a uma indústria de confecção por R$ 20,00 a unidade e as vende por R$ 50,00. Os custos fixos de infra-estrutura da loja atingem R$ 30.000,00 por mês (aluguel, administração etc.). A partir de quantas unidades vendidas mensalmente a empresa começa a apresentar lucro? camisas Vp FPE 000.1 )2050( 000.30 )( = − = − = Ou Seja: São necessárias 1.000 camisas vendidas (Pe) para cobrir custos fixos e variáveis. Lição 6: Cálculo do ponto de equilíbrio III A partir do exemplo anterior, vejamos outras possibilidades de calcular o ponto de equilíbrio (PE). Digamos que essa mesma empresa mantenha inalterados os outros dados e: • aumente seu preço de venda para R$ 60,00: seu novo PE será de 750 camisas • aumente seu custo variável unitário para R$ 40,00: seu novo PE será de 3.000 camisas • aumente seu custo fixo para R$ 40.000,00: seu novo PE será de 1.333,33 camisas • reduza seu preço de venda para R$ 30,00: seu novo PE será de 3.000 camisas • reduza seu custo fixo para R$ 20.000,00: seu novo PE será de 666,67 camisas • reduza seu custo variável unitário para R$ 10,00: seu novo PE será de 750 camisas O aumento de um custo eleva o ponto de equilíbrio da empresa e vice-versa; o aumento do preço de venda baixa o ponto de equilíbrio e vice-versa. Lição 7: PE contábil e PE financeiro Ponto de Equilíbrio Contábil (PEC) A análise até aqui realizada da relação custo/volume/lucro refere-se ao chamado ponto de equilíbrio contábil porque considera apenas preceitos tipicamente contábeis de custos e de resultados. Sob outros pontos de vista, pode não apresentar algum aspecto interessante para análise da relação custo/volume/lucro como, por exemplo, do ponto de vista do equilíbrio financeiro ou econômico. Ponto de Equilíbrio Financeiro (ou de Caixa) (PEF) Para a gerência de tesouraria, o ponto de equilíbrio contábil pode considerar elementos que não representam movimentação financeira e não causam qualquer impacto no caixa da empresa. A despesa com depreciação é um exemplo clássico porque reduz o ativo da empresa e o lucro contábil, sem representar uma saída de dinheiro do caixa. Dessa forma, interessa ao gestor do caixa uma visão de ponto de equilíbrio que considere apenas as movimentações de recursos financeiros. Tendo o caso anterior como referência e supondo que o custo fixo total da empresa considere uma despesa com depreciação (D) no valor mensal de R$ 6.000,00, o ponto de equilíbrio financeiro (PEF) será: )( )( Vp DFPEF − − = camisasPEF 800 )2050( )000.6000.30( = − − = Assim, vemos que com a venda de 800 camisas, o caixa da empresa consegue quitar todos os seus compromissos. Lição 8: PE econômico Nas duas modalidades de cálculo do ponto de equilíbrio apresentadas na lição anterior, o interesse de uma parte muito importante foi negligenciado: o do sócio. O investidor aplica seus recursos numa empresa com a expectativa de obter retorno. Essa expectativa é chamada de taxa de atratividade ou taxa mínima de atratividade. Isso significa que a empresa deve, no mínimo, apresentar um retorno igual ao que o empreendedor teria em outras alternativas de investimento. Supondo-se que os sócios de nossa empresa de camisas tenham investido R$ 500.000,00 ao abrirem a confecção, a expectativa mínima de retorno (Rm) é de R$ 10.000,00 por mês, já que em outros investimentos teriam um retorno mensal de pelo menos 2%. Um retorno mensal abaixo disso poderia ser considerado pelos sócios como um prejuízo. Assim, o ponto de equilíbrio econômico (PEE) seria: )( )( Vp RmFPEE − + = camisasPEE 33,333.1 )2050( )000.10000.30( = − + = Ao vender 1.333,33 camisas, a empresa não terá prejuízo e, ainda, oferecerá o retorno mínimo exigido pelos sócios. Aula 3: Investimentos Lição 1: Apresentação (Xavier) _ Sabe, Rubens... Já falamos muita coisa importante sobre administração financeira, mas não podemos nos esquecer dos investimentos. Afinal de contas, diante de tantas alternativas, temos de analisar muito antes de optarmos por alguma. (Rubens) _ É, Rubens... Você tem razão. Como dizem por aí: com dinheiro não se brinca. Não é mesmo? (Xavier) _ Claro! Você poderia nos explicar como se faz uma correta análise de investimentos? (Rubens) _ Posso, claro! Mas antes, vou lhes fazer uma pergunta: o que é análise de investimentos? Burburinhos na sala de reunião. (Rubens) _ Análise de investimentos é a avaliação da viabilidade financeira em relação aos investimentos que uma empresa realiza, normalmente a longo prazo. Por exemplo, a abertura de uma nova fábrica, uma nova loja, aquisição de equipamentos, expansão de instalações etc. Mas não se preocupem, vou explicar tudo tim-tim por tim-tim. Lição 2: Análise de investimentos A análise de investimentos estuda os preços, as condições de pagamento, a importância do investimento para a empresa até chegar a uma conclusão sobre a melhor alternativa. Todo investimento possui dois componentes principais e decisivos para a análise: • valor do investimento: é quanto o investidor terá de desembolsar (normalmente, esse valor é precedido de sinal negativo, pois representa uma saída de dinheiro do investidor); • valor do retorno: é quanto o investidor terá de volta pelo investimento feito (normalmente, esse valor é precedido de sinal positivo, pois representa uma entrada de dinheiro para o investidor). Atenção! A análise de investimentos também é chamada de orçamento de capital ou projeto de investimento, já que se destina a investimentos ainda não realizados. Lição 3: Metodologias de análise Diversas são as metodologias de análise de investimento, cada uma com vantagens e desvantagens em relação às outras. Observe as principais: Método do Valor Presente Líquido (VPL) Esse método responde à seguinte questão: quanto um determinado investimento oferecerá de ganho extraordinário ao investidor, ou seja, acima daquele que teria normalmente em outro investimento? O valor presente líquido é calculado através da fórmula: VPL = - I + VF__ (1 + i)n Em que: VPL: valor presentelíquido I: valor do investimento VF: valor futuro i: taxa de rendimento n: número de períodos que oferecem esse rendimento Lição 4: Exemplo Um investidor possui R$ 20.000,00 na caderneta de poupança, que lhe oferecerá rendimento de 6,17% em um ano. Alguém lhe oferece um terreno no valor de R$ 20.000,00, que poderá ser vendido em um ano por R$ 22.000,00. Se o investidor tirar seu dinheiro da caderneta de poupança e investir no terreno, quanto ganhará a mais do que ganharia na caderneta de poupança? Solução: para calcular o VPL (Valor Presente Líquido) do investimento no terreno, é preciso trazer para valor presente o valor de venda do terreno (depois de um ano), utilizando a taxa de rendimento da caderneta de poupança. Com isso, teremos o retorno do investimento no valor presente, que deverá ser confrontado com o valor do investimento (também no valor presente). Se o retorno for maior que o valor do investimento, vale a pena comprar o terreno. Resolução do exercício: I = 20.000 VF = 22.000 (valor futuro do terreno após um ano) i = 6,17% = 0,0617 n = 1 (um ano) Portanto, VPL = - I + VF__ (1 + i)n VPL = - 20.000 + 22.000____ (1 + 0,0617)1 VPL = - 20.000 + 22.000 1,0617 VPL = - 20.000 + 20.721,48 VPL = 721,48 Assim, se o investidor adquirir o terreno, ganhará R$ 721,48 a mais do que ganharia se mantivesse seu dinheiro na caderneta de poupança. Como o VPL é positivo, aceita-se o projeto de investimento. Caso o VPL fosse negativo, o projeto de investimento deveria ser recusado. Lição 5: Metodologias de análise – payback Método do Payback Esse método responde à seguinte questão: em quanto tempo um determinado investimento será pago? Assim, vemos que enquanto o VPL oferece uma resposta em reais, o método do payback oferece uma resposta em unidade de tempo. Exemplo: um investidor está pensando em aplicar seu dinheiro numa nova loja de sapatos. O investimento seria de R$ 100.000,00 e ele prevê que a loja oferecerá retorno anual líquido (lucros que podem ser retirados) no valor de R$ 25.000,00. Em quanto tempo esse investidor teria o seu investimento de volta? MOMENTO RETORNO (R$) SALDO A RETORNAR DO INVESTIMENTO data zero 0,00 -100.000,00 final do 1º ano + 25.000,00 -75.000,00 final do 2º ano + 25.000,00 -50.000,00 final do 3º ano + 25.000,00 -25.000,00 final do 4º ano + 25.000,00 0,00 Resolução do exercício: Ao final do 4º ano, o investidor retiraria R$ 25.000,00 do investimento e completaria a retirada de todo o dinheiro investido (R$ 100.000,00). Portanto, esse investimento possui payback de quatro anos. O correto seria também trazer para valor presente os retornos do investimento realizado. Aula 4: Financiamentos Lição 1: Financiamento (Xavier) _ Tenho uma dúvida, Rubens. (Rubens) _ Pode falar, Xavier. (Xavier) _ Estávamos falando sobre investimentos... e fiquei pensando: quais são os recursos que uma empresa pode contar para realizar um investimento? (Rubens rindo) _ Esse Xavier! Não perde tempo, hein? Quer saber de tudo e não deixa passar nada! (Xavier sem graça) _ Desculpe, Rubens... Acho que estou sendo meio chato, não é? (Rubens) _ Claro que não! Esse assunto é muito importante e todos aqui devem saber. Para começar, quando uma empresa realiza investimentos pode contar com dois tipos de recursos: os próprios e os de terceiros. Blá, blá, blá... Lição 2: Recursos próprios Nesse caso, a empresa é financiada pelos recursos de seus sócios. Não pode-se falar, portanto, em empréstimo de dinheiro, pois os investidores tornam-se sócios da empresa. No Brasil, são dois os tipos mais comuns: empresas por cotas de responsabilidade limitada e empresas de sociedade anônima. • empresas por cotas de responsabilidade limitada Constituem a maioria das empresas brasileiras. Nelas, o dinheiro dos sócios é transformado em cotas de participação no capital social, que é dividido em cotas de mesmo valor. Portanto, quando alguém investe nesse tipo de empresa, torna-se proprietário de cotas de participação. • empresas de sociedade anônima Geralmente, são grandes empresas. Nelas, o capital social é dividido em ações e o investidor torna-se proprietário dessas ações, que podem ser ordinárias ou preferenciais. As preferenciais não dão ao acionista o direito de interferir na administração da empresa, ao passo que as ordinárias permitem que o acionista eleja a diretoria da empresa, atuando, portanto, em sua gestão. Lição 3: Recursos de terceiros Nesse caso, as empresas realizam empréstimos junto ao sistema bancário. Tais empréstimos podem ser de longo ou curto prazo, observe: • empréstimos de longo prazo São aqueles que a empresa toma junto a bancos diversos e cujo prazo de pagamento (em prestações, geralmente) é acima de doze meses, podendo chegar a vários anos. No Brasil, o principal banco para esse tipo de financiamento é o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que empresta dinheiro a longo prazo por meio de convênios e acordos com bancos privados brasileiros. O FINAME (Financiamento de Máquinas e Equipamentos) é um dos vários tipos de empréstimos que o BNDES oferece às empresas. Os empréstimos de longo prazo geralmente são feitos para financiar o ativo permanente, por exemplo: – expansão ou construção de uma fábrica; – aquisição de máquinas e equipamentos; – montagem de uma nova loja. Lição 4: Recursos de terceiros • empréstimos de curto prazo São aqueles que a empresa toma junto a bancos e que têm prazo de pagamento abaixo de doze meses. Geralmente, são destinados ao capital de giro. No Brasil, são diversas as modalidades de empréstimos a curto prazo oferecidas pelos bancos. Vejamos algumas delas: • desconto de títulos Normalmente envolvendo duplicatas e notas promissórias, a instituição bancária concede um empréstimo contra a garantia de um título que represente um crédito futuro do tomador do empréstimo. O desconto bancário caracteriza-se pela liberação de um valor inferior ao valor de resgate (ou nominal) do título, em virtude da cobrança antecipada de juros. • conta garantida Trata-se de uma conta com limite de crédito garantido pela instituição financeira (banco). Esse limite contratado destina-se ao atendimento das necessidades de capital de giro do cliente do banco. • crédito rotativo Também é um limite de crédito oferecido pela instituição bancária, mas esse limite é garantido por duplicatas. Na medida em que essas duplicatas vão vencendo ou sendo resgatadas pelo sacado, a empresa (cliente do banco) oferece outras para substitui-las, mantendo assim o limite e a rotatividade do crédito concedido. • hot money São empréstimos de curto e curtíssimo prazo (entre um e sete dias, geralmente) e também destinados às necessidades de caixa da empresa. Aula 5: Administração do capital de giro Lição 1: Apresentação (Rubens) _ Já falei de muita coisa até agora, não é mesmo? Mas não pensem que isso é tudo, ainda há muito a ser visto, como o capital de giro, por exemplo. Ainda não falamos sobre isso. (Xavier) _ Ah! É verdade. Uma das tarefas mais importantes do administrador financeiro é o gerenciamento do capital de giro da empresa. Precisamos conhecer os ciclos financeiro e operacional, os indicadores de liquidez da empresa e as diferentes políticas de capital de giro. (Rubens) _ Vamos começar definindo capital de giro! Tomem nota, por favor. (todos posicionam-se para escrever) (Rubens) _ O capital de giro da empresa é o ativo circulante, ou seja, os bens e os direitos conversíveis a curto prazo e por meio dos quais a empresa deverá honrar os compromissos que estão vencendo (passivo circulante). A administração do capital de giro,portanto, é o gerenciamento dos capitais circulantes da empresa, que são representados pelos direitos e obrigações com vencimento, normalmente, abaixo de doze meses. Lição 2: Exemplo É por meio da administração do capital de giro que uma empresa gerencia sua liquidez (paga suas dívidas em dia) e garante caixa suficiente para a distribuição de lucros exigida pelos sócios. Observe como é composto o patrimônio de uma empresa: Patrimônio de uma empresa Ativo circulante Passivo circulante Disponível (caixa/bancos) Duplicatas a pagar (fornecedores) Contas a receber (clientes) Contas a pagar (tributos/salários) Estoques Empréstimos bancários Realizável a longo prazo (RLP) Exigível a longo prazo (ELP) Ativo permanente (AP) Patrimônio líquido (PL) Lição 3: Grau de certeza do capital de giro As contas do passivo circulante são caracterizadas, geralmente, pela exatidão, pois tratam-se de dívidas com valores e vencimentos claramente definidos. No ativo circulante, à exceção do disponível, o grau de certeza é menor, pois nele pode haver atrasos por parte de devedores e o valor do estoque pode apresentar diferenças no momento da venda. Capital de giro líquido (ou capital circulante líquido) Primeira definição É o excedente do ativo circulante em relação ao passivo circulante, ou seja: CGL = AC - PC Em que: CGL = capital de giro líquido AC = ativo circulante PC = passivo circulante Segunda definição É a parte do capital de giro financiada pelos recursos de longo prazo, ou seja: CGL = (PL + ELP) - (RLP + AP) Em que: CGL = capital de giro líquido PL = patrimônio líquido ELP = exigível a longo prazo RLP = realizável a longo prazo AP = ativo permanente Lição 4: Grau de certeza do capital de giro - exemplo Observe o exemplo da situação patrimonial da empresa Beta, de acordo com as definições da lição anterior: Ativo circulante (AC): R$ 2.000,00 Passivo circulante (PC): R$ 1.000,00 Ativo permanente (AP): R$ 3.000,00 Exigível a longo prazo (ELP): R$2.000,00 Patrimônio líquido (PL): R$ 2.000,00 Lição 5: Liquidez Liquidez é a disponibilidade de moeda corrente de uma empresa (dinheiro em caixa ou em conta corrente) ou de ativos que possam ser rapidamente transformados em moeda, tais como aplicações financeiras de curtíssimo prazo. A liquidez de uma empresa relaciona-se, portanto, com sua capacidade de honrar compromissos e de evitar a inadimplência, fato ocasionado pela ausência ou insuficiência de recursos disponíveis. Em princípio, quanto maior o capital de giro líquido, melhor será a posição de liquidez de curto prazo da empresa. A apuração do CGL não é suficiente para conclusões definitivas. A apuração da real situação de liquidez a curto prazo da empresa dependerá, ainda, da sincronização entre pagamentos e recebimentos, além da conversibilidade em dinheiro dos ativos circulantes. Assim, os indicadores de liquidez medem a capacidade da empresa em satisfazer suas obrigações de curto prazo. Eles podem ser de: • liquidez imediata: disponível/passivo circulante • liquidez corrente: ativo circulante/passivo circulante • liquidez seca: ativo circulante - estoques/passivo circulante Em outras palavras, o recurso destinado ao capital de giro gera custos de oportunidade em virtude do não-investimento em ativos que podem gerar maior retorno, tais como renovação de equipamentos, modernização da linha de produção, ampliação e expansão da empresa etc. Lição 6: Ciclo financeiro e ciclo operacional Para administrar de forma eficiente o capital de giro, torna-se indispensável conhecer detalhadamente os ciclos operacional e financeiro (ou ciclo de caixa) da empresa. O operacional corresponde àquele período de tempo que vai da primeira aquisição de bens ou contratação de serviços necessários para as operações da empresa (endividamento) até o recebimento decorrente da venda realizada (que, por sua vez, é resultado do esforço expresso pelo ciclo operacional). O financeiro também refere-se a um período de tempo ou prazo compreendido entre o primeiro desembolso de recursos necessários para as operações da empresa até o recebimento do cliente, que representa uma entrada de recursos no caixa. O ciclo financeiro de uma empresa industrial típica pode também ser descrito por: ( + ) PME = Prazo Médio de Estocagem (matérias-primas, produtos semi-acabados e acabados) ( + ) PMR = Prazo Médio de Recebimento de Vendas ( – ) PMP = Prazo Médio de Pagamento aos Fornecedores ( = ) Ciclo financeiro Lição 7: Exemplos de ciclos financeiros Uma empresa que tem um PME de 65 dias, um PMR de 30 dias e um PMP de 40 dias, terá um ciclo financeiro de: CF = 65 + 30 - 40 = 55 dias. Esses 55 dias indicam uma necessidade de financiamento de capital de giro. Uma empresa varejista supermercado, por exemplo, que apresente um PME de 7 dias, um PMR de 2 dias e um PMP de 45 dias, terá o seguinte ciclo financeiro: CF = 7 + 2 – 45 = – 36 dias. Esses 36 dias negativos indicam que a empresa trabalha 36 dias financiada pelo dinheiro do fornecedor. Não há necessidade de a empresa alocar recursos de longo prazo para o capital de giro ou constituir capital de giro líquido. Portanto, quanto menor o ciclo operacional, menor o período de financiamento que a empresa será obrigada a realizar e maior serão a rentabilidade e o benefício para a liquidez. Lição 8: Políticas de capital de giro Para que os desembolsos demandados pelo passivo (dívidas) sejam honrados, é necessário que os ativos circulantes tenham liquidez. Como já foi dito, o fato de existir um CCL positivo não é garantia de liquidez. O capital de giro de uma empresa tem necessidades fixas e sazonais. Fixas são aquelas repetitivas (acontecem todo mês): é preciso manter todo mês um volume de estoques etc.; as sazonais ocorrem devido a um aumento excepcional do capital de giro: uma compra maior para o estoque, por exemplo. A política de capital de giro de uma empresa é caracterizada pelo volume de recursos que a empresa destina ao ativo circulante. Quanto maior o volume de recursos destinados ao capital de giro, menor a possibilidade de a empresa não pagar suas contas. Observe as políticas existentes: Política conservadora Caracteriza-se pela possibilidade teórica de a empresa cobrir todas as necessidades de capital de giro com recursos de longo prazo, reduzindo a zero seu risco de insolvência ou de não-pagamento de seus compromissos. Política agressiva Ocorre quando a empresa não destina qualquer recurso de longo prazo para o capital de giro, nem para as necessidades fixas, nem para as necessidades sazonais. Política moderada Ocorre quando a empresa financia com recursos de longo prazo todo o seu capital de giro fixo e uma parte do seu capital de giro sazonal, prevendo recursos de longo prazo para cobrir uma parte das sazonalidades. Aula 6: Crédito I Lição 1: Apresentação (Xavier) _ Desculpe interromper, Rubens, mas tem uma coisa que me preocupa muito em administração financeira e por isso não posso deixar de pedir algumas explicações sobre o assunto. (Rubens) _ Pode falar, Xavier. Você está me deixando curioso! (Xavier) _ É o seguinte: todos sabemos que nenhuma empresa pode crescer sem conceder crédito. Das grandes indústrias às lojas de varejo, a venda a prazo faz parte do marketing para atrair clientes. Mas, se por um lado o crédito amplia as negociações; por outro, implica riscos. (Rubens) _ Você tem razão, Xavier. Por isso, administrar o crédito é um procedimento central para qualquer empresário. Mas pode deixar comigo, que vou deixá-los craque em administração de crédito. Lição 2: Definições iniciais Ao realizar uma venda a prazo, uma empresa naturalmente o faz a alguém que seja confiável, ou seja, a alguém que possua qualidades que indiquem sua capacidade de honrar o pagamento futuro do bem ou serviço recebido.Diz-se que uma pessoa ou uma empresa possui crédito quando é merecedora dessa confiança. Crédito, portanto, significa a disposição de alguém em ceder, temporariamente, parte de sua propriedade ou patrimônio a terceiros, mediante determinadas condições previamente estabelecidas. O objeto da cessão de crédito pode ocorrer na forma de dinheiro, bens ou serviços. O mercado de crédito monetário (isto é, de empréstimo de dinheiro) é reservado às instituições financeiras (bancos), sob controle das autoridades do sistema financeiro. Sua finalidade é atender às necessidades de caixa dos diversos agentes econômicos na forma de financiamento a pessoas físicas e jurídicas. As empresas não-financeiras, por outro lado, oferecem crédito a seus clientes para viabilizar as vendas de seus produtos e serviços. O conceito de crédito abrange os aspectos fundamentais de confiança e de tempo. Confiança refere-se à crença do credor na promessa de pagamento do devedor. Tempo diz respeito ao período que separa a cessão do objeto de crédito e a liquidação da dívida. Lembre-se O crédito facilita financiamento de recursos para pessoas físicas e jurídicas. Ao se concretizar uma operação de crédito, o cedente do crédito passa a se chamar credor e o tomador do crédito passa a se chamar devedor. Lição 3: Operação de crédito – componentes básicos Uma operação de crédito é composta, basicamente, por: Objeto do crédito: refere-se ao patrimônio que é motivo do crédito cedido ou disponibilizado. Os mais comuns são: empréstimo de dinheiro, venda a prazo de mercadorias ou de serviços prestados. Valor do crédito: trata-se do valor correspondente do objeto do crédito cedido por alguém a terceiros mediante promessa de pagamento futuro. O valor do crédito também pode ser interpretado como o limite máximo à disposição do solicitante do crédito que poderá utilizá-lo parcial ou totalmente. Prazo: tempo previamente estabelecido para a devolução (ou pagamento) do crédito cedido e utilizado pelo devedor. O prazo varia conforme a finalidade e o objeto do crédito. No mercado financeiro, créditos para investimento em ativos permanentes são geralmente a longo prazo. Já os créditos destinados a capital de giro são, via de regra, a curto prazo. Na venda de bens e serviços, o prazo de pagamento varia conforme as práticas de cada empresa e de cada segmento de atividade econômica. Em alguns segmentos, todavia, não existe a prática da venda a prazo (no comércio varejista de produtos de baixo valor, por exemplo). Compromisso de pagamento: é uma declaração de obrigação do devedor. Para a liquidação da dívida, o devedor deverá obedecer às condições expressas no compromisso, tal como o pagamento do principal da dívida no dia do vencimento, entre outras. Esse compromisso pode prever penalidades para o devedor não pontual e ainda conter obrigações adicionais de garantias pessoais ou reais. Risco: a decisão de conceder ou não um crédito ao cliente envolve aspectos de risco por prever a ocorrência de evento futuro, ou seja, o recebimento futuro do ativo cedido a crédito. Atenção! Legislações específicas estabelecem normas para operações de crédito financeiro ou comercial. Lição 4: Risco O risco refere-se à possibilidade de não-pagamento da dívida por parte do devedor. Ao conceder um crédito, uma empresa, automaticamente, assume um risco. Fatores casuais e incertos podem prejudicar sensivelmente a capacidade de pagamento de um devedor, tornando-o inadimplente (inadimplência aqui é considerada como a situação de atraso de pagamento). Observe no esquema abaixo um esquema do processo de concessão de crédito: Lição 5: Gestão de contas a receber Gestão de valores a receber, de duplicatas a receber ou de contas a receber são denominações normalmente utilizadas com o mesmo significado e que se referem à administração de créditos oferecidos por empresas comerciais, industriais ou de serviços. Esse crédito é destinado a clientes e tem como objetivo o incentivo a vendas. Nesta lição, veremos como ocorre a concessão de crédito por parte de empresas não-financeiras. A primeira questão que se coloca, aliás, é justamente essa: se as instituições financeiras existem para financiar empresas e pessoas físicas, por que uma empresa vendedora de um determinado bem ou serviço precisa então financiar seus clientes vendendo a prazo? Inúmeras são as razões para que isso ocorra. Elas vão desde a inviabilidade prática do comprador recorrer ao mercado financeiro a cada necessidade de compra, até motivos de interesse comercial desse mesmo comprador. Na aquisição direta a prazo, por exemplo, o comprador terá vínculo exclusivo com o vendedor, possuindo eventualmente tempo hábil para devolver uma mercadoria com defeito antes mesmo do vencimento da dívida. Fique atento! O motivo mais importante para as empreses realizarem a venda a prazo é, sem dúvida, de ordem comercial: a venda a prazo aumenta a competitividade da empresa e, por conseqüência, eleva seu volume de vendas. Lição 6: Contas a receber – vendas a prazo As vendas a prazo visam, num primeiro momento, sustentar e aumentar a participação da empresa no mercado. Por conseqüência, o crédito oferecido aos clientes é um instrumento fundamental no esforço para atingir os objetivos de retorno satisfatório aos sócios e de quitação de compromissos da empresa junto a terceiros. Por representar um fator de competitividade comercial, uma das mais interessantes e importantes abordagens de contas a receber é justamente aquela que trata de vendas a prazo como um investimento comercial com seus retornos explicitados e avaliados. Se a motivação é principalmente comercial, a gestão de contas a receber é, por outro lado, uma função tipicamente financeira, pois compreende o planejamento, a análise, as decisões e o monitoramento das vendas a prazo. Financiar o cliente requer inúmeros cuidados no gerenciamento financeiro, pois se vender a prazo proporciona aumento das vendas, implica, também, mais recursos da empresa investidos em duplicatas a receber e, conseqüentemente, maior risco em razão de dívidas incobráveis. Gerenciamento do risco, cobrança, análise, política e decisão de crédito são algumas das principais atividades de gestão de contas a receber. Aula 7: Crédito II Lição 1: Apresentação (Xavier) _ Eu entendi que a concessão de crédito faz parte dos negócios das empresas e ajuda a ampliar suas vendas. Mas posso fazer algo para conceder crédito aos meus clientes sem correr muitos riscos? (Rubens) _ Para não correr muitos riscos, é preciso estabelecer critérios de análise de credibilidade dos clientes a fim de honrar seus compromissos. (Xavier) _ Mas como eu faço isso? Ai meu Deus, quanta dúvida! (Rubens) _ Calma, Xavier! Pode deixar comigo que eu explico a vocês todos os métodos que ajudam a saber mais sobre os candidatos a crédito, esclarecendo os parâmetros para analisar o nível de credibilidade de um cliente. (Xavier respira aliviado) _ Ufa! Lição 2: Etapas do processo de gestão de crédito O processo de gestão de crédito inicia-se com uma proposta de compra a prazo na forma de uma solicitação. A análise de crédito verifica a viabilidade da operação, observando os riscos da operação e a capacidade financeira do solicitante para honrar o compromisso. Com base na análise realizada e nas políticas ou padrões de crédito da empresa, a decisão sobre a concessão do crédito é efetuada acompanhada de condições, restrições e limitações. Essa tomada de decisão pode ser vista como uma atividade de seleção de clientes. Os créditos concedidos e formalizados recebem então um monitoramento gerencial que considera o volume de valores a receber e concilia os recebimentos nas respectivas datas de vencimento. O processo de cobrança refere-se, especialmente, à cobrança de créditos vencidos ou de devedores em estado de inadimplência. Lição 3: Etapasdo processo de gestão de crédito - fluxo Lição 4: Objetivos da análise de crédito A análise de crédito tem como função: • verificar a capacidade financeira do pretendente ao crédito, por meio da análise da compatibilidade de sua renda líquida e de seu patrimônio com o valor do crédito solicitado. Essa análise pretende, ainda, verificar aspectos de competência e de caráter do solicitante (indicadores que permitam apurar sua intenção de honrar o compromisso financeiro pretendido); • identificar e avaliar os riscos associados à operação proposta (comuns ao solicitante e ao momento conjuntural), classificando-os como aceitáveis ou não, ou ocasionalmente aceitáveis sob determinadas condições, limitações e restrições. A atividade de análise de crédito deve caracterizar-se por critérios claros e justificativas bem fundamentadas. Seu objetivo final é servir de base para a tomada de decisão sobre a concessão de crédito. Conclusões vagas ou dúbias podem levar a empresa a cometer erros graves na tomada de decisão de crédito. Ela pode recusar um bom negócio ou perder um cliente potencialmente interessante, em virtude de uma análise insuficiente. Ou, ainda, pode assumir uma operação com um nível de risco inaceitável e forte probabilidade de perdas financeiras. A análise de crédito deve também caracterizar-se pela cautela e prudência, evitando-se conclusões precipitadas e imaturas. Mas, ao mesmo tempo, deve ser oferecida ao solicitante de crédito uma resposta num espaço de tempo razoável. A demora excessiva na análise e na resposta ao solicitante também é motivo de danos à empresa, seja pela eventual perda de um bom cliente que se irritou com a espera, seja pelo prejuízo à própria imagem da empresa. O solicitante de um crédito, seja ele quem for, merece sempre uma resposta clara e sincera sobre os motivos que levaram à aceitação ou à recusa de sua solicitação. Lição 5: Parâmetros para a análise de crédito Seis aspectos, condições ou referências devem ser considerados para a análise de crédito. Eles são conhecidos como os Cs da análise de crédito: caráter, capacidade, capital, colateral, condições e conglomerado (alguns autores preferem considerar apenas cinco Cs, excluindo a condição de conglomerado). O levantamento de informações sobre esses fatores habilita o analista de crédito a fazer um julgamento sobre o solicitante e sobre a operação. Essas informações possibilitam uma análise predominantemente subjetiva, pois algumas dessas condições podem ser consideradas satisfatórias para alguns analistas de crédito, mas não para outros. Os critérios de avaliação que levam ao julgamento possuem fortes características pessoais dos analistas, em virtude da experiência, da formação técnica, dos valores e das prioridades de cada um. Lição 6: Caráter Levanta-se o comportamento histórico do cliente no mercado de crédito em geral, procurando conhecer seu grau de honestidade. Verifica-se se o pleiteante do crédito agiu de forma correta e aceitável em relação a outros credores. Assim, o analista de crédito tenta obter junto a diversas fontes informações sobre a pontualidade do cliente, emissão de cheques sem fundos, protestos em cartórios etc. Entretanto, alguns cuidados são necessários ao apurar-se a qualidade moral do cliente: um único atraso de pagamento ou uma isolada emissão de cheque sem fundos no passado não são indicadores suficientes para classificar o cliente como desonesto. Na realidade, a freqüência de ocorrências desse tipo é que melhor indica a verdadeira intenção do devedor em relação às suas dívidas. Devedores bem intencionados podem involuntariamente, cometer um atraso. Já devedores mal intencionados podem pagar em dia suas dívidas até o surgimento de uma oportunidade que lhes permita um calote significativo junto a seus credores. Normalmente, as instituições prestadoras de informações sobre crédito classificam o tomador de crédito como “sem restrições” ou “com restrições”, entre outras classificações possíveis. Quando classificado como “sem restrições”, o tomador de crédito é geralmente aquele contra o qual não pesa qualquer ato reprovável no mercado de crédito em geral. Já a classificação “com restrições” significa que o tomador de crédito apresenta problemas em seu histórico, tais como protestos, cheques sem fundos, condenações judiciais etc. Lição 7: Capacidade e capital Parâmetros para a análise de crédito – capacidade Na análise de capacidade, procura-se avaliar a verdadeira capacidade do cliente para honrar seus compromissos de dívida. Ao visitar o cliente e levantar informações nas mais diversas fontes, o analista de crédito busca formar uma opinião sobre sua capacidade financeira para pagar suas dívidas. Alguns autores, entretanto, consideram esse aspecto voltado às qualidades empresariais do cliente e de seu negócio. Acreditam que essa condição está vinculada à habilidade empresarial do cliente: administrativa, tecnológica, comercial etc. Capital Este aspecto refere-se à situação geral econômica e financeira do cliente, incluindo sua situação patrimonial e sua performance de resultados. A análise financeira representa um dos principais instrumentos para a formação de opinião sobre a solidez econômico-financeira do cliente. O analista de crédito deve lançar mão de todas as fontes que possam acrescentar informações valiosas para o julgamento dessa condição. A avaliação do “capital”, portanto, deve ir além da clássica abordagem de análise de balanço. Lição 8: Colateral (garantias) Parâmetros para a análise de crédito - colateral (garantias) Significa avaliar a capacidade do cliente para oferecer garantias vinculadas à operação de crédito. Implica checar a existência de bens de valor de propriedade do solicitante do crédito que estejam livres e desimpedidos e que possam, ocasionalmente, servir como garantia à operação de crédito. A garantia representa apenas um compromisso adicional, ou seja, não é decisivo para a aprovação do crédito, mas serve para compensar eventuais deficiências financeiras do cliente e trazer maior tranqüilidade ao credor. Uma garantia a ser considerada numa operação de crédito deve preencher alguns requisitos básicos. São eles: 1) o valor da garantia deve ser compatível com o valor da operação de crédito realizada, incluindo todas as despesas necessárias para a sua execução até o momento do efetivo pagamento do credor; 2) a conversão dessa garantia em dinheiro deve ser fácil, ou seja, uma boa garantia é representada por bens de alta liquidez; 3) a garantia deve estar disponível para controle e verificação do credor ao longo de todo o prazo previsto para o crédito. Lição 9: Garantias Parâmetros para a análise de crédito - colateral (garantias) As garantias podem ser divididas em reais e pessoais: Garantias reais: são compostas por bens materiais de propriedade do devedor, tais como imóveis, veículos, equipamentos e mercadorias. Também as duplicatas, que são títulos privados de crédito decorrentes de operações comerciais, são consideradas garantias reais. O que é dado como garantia real mantém-se indivisível até a completa liquidação da dívida. São modalidades de garantias reais: a) hipoteca: garantia real que incide sobre bens imóveis (com exceção de aviões e navios, sobre os quais também pode incidir hipoteca) com escritura pública registrada em cartório de imóveis da região da propriedade. No caso de hipoteca, o devedor mantém a posse do imóvel, mas indisponível para venda até que a dívida seja liquidada, quando então essa garantia se extingue. b) penhor: incide sobre bens móveis com a característica de transferência da posse ao credor. O penhor pode recair sobre bens móveis corpóreos ou bens móveis incorpóreos. No caso de bens móveis incorpóreos, destaca-se a caução de títulos. Nessa categoria – dentre as operações mais comuns realizadas pelas empresas para financiamentode capital de giro – está a caução de duplicatas como modalidade de garantia para a operação de crédito. Mas outros títulos e documentos podem ser caucionados: ações, debêntures, notas promissórias etc. c) anticrese: na definição oferecida pelo professor Sebastião José Roque, “anticrese (do grego: anti = contra; khresis = uso) consiste na entrega de uma coisa imóvel ao credor, que a conserva consigo, auferindo os lucros que ela proporcionar enquanto perdurar a dívida”. Atenção! Note-se que, nessa modalidade de garantia real, o objetivo é fazer com que o credor desfrute dos rendimentos decorrentes do imóvel, até que a dívida seja paga. Conforme contrato entre as partes, os lucros conseqüentes do imóvel podem compensar a dívida na sua totalidade ou apenas parte dela (somente para pagamento de juros, por exemplo). Lição 10: Garantias Parâmetros para a análise de crédito - colateral (garantias) Garantias pessoais: ao contrário das garantias reais, não há vínculo, associação ou relação de qualquer bem específico com a dívida realizada. Nessa modalidade, o credor garante-se apenas em virtude da solidez econômica do garantidor (avalista ou fiador), sem destaque especial de qualquer bem para quitação preferencial da dívida. Nessa forma de garantia, o risco eleva-se para o credor, pois, se no caso de insolvência, devedores e garantidores (fiadores ou avalistas) provarem na Justiça a inexistência de bens pessoais, a perda é praticamente inevitável. As garantias pessoais dividem-se em aval e fiança. a) Aval: forma de garantia bastante comum em operações de crédito. O aval caracteriza-se pela responsabilidade solidária do garantidor (avalista) em relação à dívida, no mesmo nível e em conjunto com o devedor (avalizado). No caso de não-pagamento da dívida por parte do devedor, o credor poderá cobrar diretamente do avalista, sem qualquer necessidade de cobrança anterior. Nessa modalidade de garantia, não há a obrigatoriedade legal de assinatura do cônjuge, mas o aval do casal é recomendável, pois, em caso de execução judicial, a parte dos bens do cônjuge que não prestou aval poderá ser desconsiderada na penhora (ou seja, na apreensão judicial dos bens do devedor ou avalista). b) Fiança: uma pessoa assume a obrigação de quitar a dívida de um devedor, aumentando a segurança do credor. Nessa modalidade de garantia, a assinatura do cônjuge é legalmente obrigatória quando prestada por pessoa física. Ao contrário do aval, poderá haver aqui o chamado “benefício de ordem”, ou seja, o credor deve cobrar primeiro o devedor para somente então cobrar o fiador (exceto quando o fiador renunciar a esse benefício). Lição 11: Condições Neste aspecto, a análise considera elementos externos à empresa solicitante de crédito fatores que com ela interagem, mas que não estão sob seu controle. O analista de crédito deve então fazer uma análise contextualizada da empresa, situando-a em relação ao seu ambiente externo e verificando sua posição no mercado, suas fragilidades e potencialidades. Uma performance ruim da economia ou de um setor econômico como um todo tende a endurecer os critérios de concessão de crédito. Isso não impede, todavia, que constatemos a existência de empresas em ótima situação atuantes em segmentos econômicos em crise e vice-versa. Compreender a evolução histórica e o quadro atual do segmento do cliente torna-se fundamental para a questão de crédito. Isto porque, independente de seu caráter e de sua capacidade administrativa e financeira, o cliente poderá, involuntariamente, tornar-se inadimplente devido a variáveis não controláveis do ambiente externo. Assim, um repentino aumento da taxa de juros poderá afetar dramaticamente as vendas e o resultado do cliente, em face de uma retração brusca de consumo. Empresas que agridem o meio ambiente ou que não respeitam o consumidor também carregam um nível elevado de risco, dada a reprovação crescente da sociedade a atitudes empresariais que fujam da legalidade e da ética. Lição 12: Conglomerado Para cliente empresarial cuja titularidade do controle acionário ou de capital também incide sobre outras empresas, recomenda-se uma análise de crédito de todo o conglomerado. Famílias ou proprietários que controlam um conjunto de empresas costumam tomar decisões sobre o grupo como um todo. Boas empresas podem, eventualmente, ligar-se com o objetivo de controlar empresas em mau estado financeiro. E pior: no meio de um grupo decadente de empresas coligadas, pode haver uma boa empresa. A crise tende a contaminar essa boa empresa, além da possibilidade prática, mas não necessariamente legal, de transferência de recursos entre empresas. Aula 8: Crédito III Lição 1: Apresentação A análise “Custo Volume Lucro” (CVL) mostra os efeitos do lucro nas mudanças de fatores, como custos fixos, variáveis, preços de venda etc. Esse estudo pode ser útil nas decisões de planejamento e controle da empresa. A análise do ponto de equilíbrio é uma parte da análise CVL e determina o nível de vendas em que os custos serão iguais às receitas. Lição 2: Dados para análise de crédito Cadastro do cliente: Este cadastro é organizado a partir do nome de todos os clientes, reunindo informações específicas que vão desde dados de identificação (endereço, CNPJ/CPF, etc.) até as mais diversas informações sobre suas atividades, rendimentos e patrimônio. Em suma, o cadastro deve conter todas as informações consideradas relevantes sobre o cliente e pertinentes ao objetivo a que se destinam: análise e decisão de crédito. O cadastro do cliente é normalmente padronizado por meio de uma ficha cadastral, cujo padrão varia de empresa para empresa. A título de exemplificação, podemos considerar como conteúdo dessa ficha: • ficha cadastral de pessoas físicas: nome, endereço, situação da moradia (própria ou alugada), atividade profissional, emprego (tempo no emprego), rendimentos, formação escolar, referências comerciais, referências bancárias, situação financeira e patrimonial; • ficha cadastral de pessoas jurídicas: razão social, endereço, atividade, tempo de atividade, sócios ou acionistas, diretores, participações em outras empresas, referências comerciais, referências bancárias, situação econômico-financeira, número de empregados, principais produtos, faturamento histórico e atual, mercados de atuação etc. Lição 3: Cadastro do cliente e informações gerais para crédito Cadastro do cliente Como já foi dito, o cadastro do cliente deve constituir-se de informações que a empresa julgar relevantes. Assim, a ficha cadastral padrão deve ser complementada por informações diversas: recortes de jornal com notícias sobre o cliente, informações sobre seu mercado de atuação, estatísticas de compras do cliente etc. O cadastro do cliente também inclui toda a documentação que serviu de base às informações, sejam elas prestadas pelo próprio cliente ou por terceiros: demonstrações financeiras, certidões de cartórios, relatórios recebidos de empresas de análise de crédito etc. No caso de clientes antigos, é recomendável ainda fazer constar no cadastro do cliente informações sobre toda a relação comercial histórica com a empresa, tais como seu volume histórico de compras, sua pontualidade nos pagamentos, propostas de crédito, correspondência relativa a crédito, relatórios de visitas realizadas ao cliente etc. Informações gerais para crédito Ao fazer a análise de crédito, é indispensável que se obtenha um conjunto de informações que permitam avaliações macroeconômicas e setoriais, além do acompanhamento de fatores políticos, judiciários e legislativos que possam influenciar a decisão de crédito. Mesmo um cliente que goze de boa situação creditícia poderá ter sua solicitação de crédito recusada em virtude de um momento político delicado, ou seja, o risco na concessão do crédito não depende apenas da situação particular do cliente.Lição 4: Fontes de informações para crédito O cliente como fonte de informações O cadastro do cliente, em sua maior parte, é composto por informações prestadas pelo próprio cliente, sobretudo aquelas referentes a sua identificação e a caracterização de suas atividades. No entanto, destacam-se, ainda, dois meios importantes de captação de informações junto ao cliente, especialmente empresarial. São eles: • demonstrações financeiras: compostas a partir do balanço patrimonial e da demonstração de resultados (entre outras demonstrações). Essas informações permitirão a atividade de análise financeira, essencial para a apuração do estado financeiro e econômico do cliente. • visitas e entrevistas: conhecer pessoalmente o cliente que solicita crédito e ouvir suas opiniões sobre a própria empresa podem enriquecer bastante a análise de crédito. Por meio de uma entrevista pautada pela transparência e franqueza, consegue-se solicitar esclarecimentos e ouvir as intenções do cliente quanto ao futuro de sua empresa. Uma visita ao cliente também auxilia muito as conclusões sobre a situação dele. Conhecer suas instalações comerciais e industriais, atestando o porte e a qualidade empresarial do cliente, conhecer seus administradores e sua organização, em geral, são experiências que ampliam a visão do analista de crédito sobre o cliente. Uma visita de crédito deve caracterizar-se pelo planejamento, isto é, por um objetivo definido, pelo máximo conhecimento prévio da empresa a ser visitada e por um roteiro bem estruturado de pontos e aspectos a serem conhecidos durante a visita. A visita ao cliente deve ser narrada em um relatório com um resumo do que foi visto, conversado e abordado. Esse relatório de visita deve compor as informações adicionais ao cadastro do cliente. Lição 5: Credores diversos como fonte de informações A atividade de verificar junto a fontes bancárias e comerciais diversas a situação creditícia do cliente tem o objetivo conferir informações prestadas pelo próprio cliente e também de levantar outros dados não informados por ele. Ao oferecer referências bancárias e comerciais, o cliente permite, implicitamente, que se constatem suas relações junto a outros credores. Assim, por exemplo, pode-se confirmar junto aos fornecedores mais importantes do cliente o seu histórico de endividamento e de pontualidade no pagamento dos compromissos. Nem sempre essas informações são de fácil obtenção junto aos credores, mas não é raro encontrar cordialidade entre as áreas de crédito das empresas no sentido de troca de informações. Atrasos freqüentes de pagamentos junto a fornecedores, emissão de cheques sem fundos ou ações judiciais movidas por credores podem indicar uma grave situação creditícia do cliente. É importante ressaltar que a apuração do conceito de crédito de um determinado cliente não implica obter informações prestadas a terceiros em caráter confidencial e para uso restrito. A empresa que recebe uma proposta de solicitação de crédito é responsável pelo total controle e manutenção do sigilo das informações do cliente. Atenção! Além da questão de ordem ética, a lei protege informações cadastrais prestadas para fins específicos e em caráter sigiloso com normas específicas para as instituições financeiras, por exemplo. Também o Código de Proteção e Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078, de 11/09/90) estabelece regras a serem seguidas no tratamento de banco de dados e cadastros de consumidores. Lição 6: Cartórios de protesto e veículos de comunicação Fontes de informação para crédito Cartórios de protesto O protesto por falta de pagamento é um importante indicador dos problemas financeiros de um cliente. Um protesto isolado, sobretudo quando de valor pouco significativo, não permite uma conclusão definitiva. Às vezes, o protesto pode ser provocado de forma involuntária, por desorganização do devedor ou por extravio da cobrança. Protestos freqüentes, entretanto, podem representar uma dificuldade da empresa ou do cliente em honrar seus compromissos. Além da falta de pagamento, uma duplicata pode ser protestada por falta de assinatura ou por devolução. Veículos de comunicação Jornais de grande circulação e periódicos diversos representam uma importante fonte de informações para crédito, principalmente para aquelas informações de caráter conjuntural, pois permitem ao analista de crédito avaliar o risco geral de conceder crédito em um dado momento. O acompanhamento sistemático da evolução social, política e econômica possibilita que o analista adote medidas de precaução diante da possibilidade de forte conturbação e instabilidade da macroeconomia. Jornais e periódicos especializados oferecem, ainda, informações e análises específicas sobre economia, finanças, setores de atividade e empresas diversas. Lição 7: Organizações de informação e análise de crédito Organizações de informação e análise de crédito Diversas são as empresas e organizações que atuam no mercado brasileiro com o objetivo de prestar informações e análises de crédito. Por meio dessas organizações, o analista de crédito pode promover uma investigação sobre a situação de uma empresa ou de uma pessoa física no mercado de crédito em geral. Pode, ainda, obter análises conjunturais e setoriais e toda uma série de outros serviços relativos à proteção e ao gerenciamento de crédito. Saiba mais! Organizações que se dedicam à informação, análise e proteção ao crédito são, por exemplo: Associação Comercial de São Paulo (ACSP), SERASA, Clube dos Dirigentes Lojistas (CDL), Dun & Bradstreet etc. Aula 9: Crédito IV Lição 1: Apresentação (Rubens) _ Bom, pessoal. Até agora, vimos uma boa parte do processo de análise e concessão de crédito. Mas ainda falta apresentar-lhes o credit scoring? (todos) _ Credit socoring? (Rubens) _ Credit scoring é um sistema convencional de análise de crédito. Vou explicar-lhes como funciona. (Xavier) _ E sobre política de crédito, você poderia dizer alguma coisa também? (Rubens) _ Claro que sim! Bom, para começar vou definir o que é política de crédito: política de crédito é a seleção criteriosa de clientes devedores. Ela é muito importante para garantir segurança à empresa credora. Lição 2: Método de conceituação de crédito Conceituar o crédito para alguém significa atribuir (à empresa ou à pessoa física) uma nota ou score. Há inúmeros sistemas de classificação ou de conceituação de crédito por meio de scores (credit scoring systems). Alguns, altamente sofisticados, são especialmente indicados para instituições financeiras (bancos). Nesta aula, será apresentado um método de conceituação de crédito mais simples, porém amplamente utilizado, sobretudo nas empresas comerciais (lojas). Esse método é particularmente interessante para a análise de crédito de pessoas físicas (ainda que se aplique também a pessoas jurídicas). Sistema convencional de Credit Scoring Bastante utilizado em casos em que há a necessidade de decisões rápidas e em larga escala, o sistema tradicional de credit scoring visa à decisão programada de crédito. Ele é especialmente indicado para operações simples e repetitivas de análise de crédito que permitam alternativas de decisão previamente estabelecidas. Normalmente utilizada em crediários para pessoas físicas, essa técnica não é recomendada para substituir o julgamento em operações de crédito que exijam análise complexa ou que envolvam elevado volume de recursos. Nesses casos, essa técnica é admissível apenas como instrumento auxiliar à análise de crédito. A técnica consiste, primeiramente, em selecionar um conjunto de variáveis ou de fatores considerados relevantes para a avaliação de crédito. A determinação dessas características relevantes é feita com base em experiências passadas, nas práticas do mercado de crédito ou nos aspectos julgados como mais importantes pela empresa que deve conceder o crédito.