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CONTRATOS ALEATÓRIOS CONCEITO: é o contrato bilateral e oneroso em que pelo menos um dos contratantes não pode antever a vantagem que auferirá em relação à prestação que se compromete a cumprir. O objeto do negócio está relacionado à idéia de risco. CARACTERÍSTICA: Diversamente dos contratos comutativos, os contratos aleatórios, caracterizam-se pela incerteza, para as duas partes, sobre as vantagens e sacrifícios que deles pode advir. É que a perda ou lucro dependem de um fato futuro e imprevisível. O vocábulo aleatório é originário do latim “alea”, que significa sorte, risco, acaso. São exemplos dessa subespécie os contratos de jogo, aposta e seguro. (Carlos R. Gonçalves). - As partes colocam-se, portanto, sob a perspectiva de uma álea, que se irá refletir na existência ou na quantidade da prestação combinada, expondo-se elas à eventualidade recíproca de perda ou de ganho. No contrato de seguro, p. ex., o segurado, em troca do prêmio, poderá vir a receber a indenização, se ocorrer o sinistro, ou nada receber, se aquele não advier. (Maria H. Diniz). Contrato aleatório x contrato condicional: embora sejam figuras semelhantes, os contratos se diferenciam porque: - existência e eficácia: no condicional somente ocorrerá com o advento do evento futuro e incerto, enquanto o aleatório estará perfeito e acabado desde logo, ficando a definição da prestação sujeita ao evento aleatório. - vantagem: no condicional ambos poderão auferir benefícios, já no aleatório, em regra, a vantagem de um acarretará o prejuízo do outro. - acontecimento: no condicional será incerto e futuro, no aleatório, poderá já ter ocorrido, desde que ignorado pelas partes. - Onerosidade excessiva – contrato aleatório: “Em princípio, é inviável a resolução contratual por onerosidade excessiva nos contratos aleatórios, pois é ínsito a eles o caráter especulativo e o elevado risco. Por isso, a extrema vantagem de uma das partes faz parte da própria natureza do contrato e do fato de os contratantes remeterem a sua situação econômica ao acaso”(Nelson Rosenvald). ESPÉCIES: Além dos contratos aleatórios “por natureza”, podem ser “acidentalmente aleatórios”, na forma de venda de coisas futuras (emptio spei ou emptio rei speratae) ou venda de coisas existentes mas expostas a risco (da existência ou quantidade da coisa). a) Emptio spei (venda da esperança) – risco da existência: um dos contratantes assume o risco da possibilidade da existência de coisas e fatos futuros, e, caso isso não aconteça, deverá cumprir com a sua obrigação, ainda que o outro contratante se veja impossibilitado de cumprir a contraprestação, em razão da não ocorrência do fato incerto, salvo se este atuar com dolo ou culpa. Ex: venda de uma safra futura e que, em razão de uma seca, nada venha a ser colhido. O produtor João vende uma safra futura de soja, assumindo a obrigação de entregar duas toneladas do produto, assumindo risco em caso de perda ou falta da produção. Em razão de uma estiagem, nada é colhido. Nessa hipótese, João poderia pleitear a exclusão da responsabilidade contratual. Alegando o caso fortuito, a onerosidade excessiva e o princípio da boa-fé ? Não, ao realizar um contrato aleatório, João assumiu o risco, de modo que deve responder mesmo em caso fortuito ou força maior. A estiagem é algo previsível que não caracteriza a onerosidade excessiva, e o contrato aleatório (emptio spei) é uma modalidade legal que não caracteriza a ausência de boa-fé do contratante. b) Emptio rei speratae (venda da coisa esperada)- risco da quantidade: é aquele cujo o risco não recai sobre a existência da coisa, mas sim, sobre quantidade desta, subsistindo a responsabilidade do adquirente pelo pagamento integral para qualquer quantidade obtida, ressalvada a existência de dolo ou culpa alienante. Entretanto, se nada for obtido, o adquirente fará jus à devolução do preço pago. Exemplo: na aquisição de uma safra futura, se nada for colhido, o alienante deve devolver o preço ao comprador, porém, se algo for colhido, por mínimo que seja, o alienante terá direito ao preço total pago. - Quantidade ínfima: “Não seria razoável a prevalência do contrato na hipótese da quantidade obtida ser mínima, insignificante. Nesse caso, equivaleria a se nada fosse auferido em proveito de quem contratou. Defendemos, portanto, a extensão do parágrafo único a essas situações, recusando a interpretação meramente literal ao dispositivo, pois o termo “nada” significa, em verdade, alego que não seja passível de apreciação econômica, mesmo que em tese exista quantitativamente” (Nelson Rosenvald). c) venda de coisa existente mas sujeita a perecimento/depreciação: se a coisa existe mas, eventualmente pode se perder (ex: riscos do transporte), o adquirente assumirá os riscos, mesmo que, na data do contrato, o bem já fosse inexistente e as partes desconhecessem o fato. Porém, se o alienante sabia que o bem já não existia na data do contrato, o adquirente poderá anular o contrato. - É a hipótese de mercadoria embarcada que é vendida, assumindo o comprador a álea de ela chegar ou não ao seu destino; mesmo que ela desapareça por ocasião do contrato, devido a naufrágio do navio, a venda será válida e o vendedor terá direito ao preço, se ignorava o sinistro; se sabia do naufrágio, anulada será a alienação, competindo ao adquirente a prova dessa ciência. (Washington de B. Monteiro). JURISPRUDÊNCIA – CONTRATOS ALEATÓRIOS Emptio spei: COMPRA E VENDA DE SAFRA FUTURA DE SOJA. CONTRATO ALEATÓRIO. TEORIA DA IMPREVISÃO. INAPLICABILIDADE. 1 - NÃO SE APLICA A TEORIA DA IMPREVISÃO A CONTRATO ALEATÓRIO DE COMPRA E VENDA DE SAFRA FUTURA DE SOJA, CELEBRADO COM RISCO PARA UMA DAS PARTES. 2 - NÃO É ABUSIVA A CLÁUSULA PELA QUAL O PRODUTOR DE SOJA ASSUME O RISCO PELA FRUSTRAÇÃO DO NEGÓCIO, DECORRENTE DE CASO FORTUITO OU FORÇA MAIOR. TAIS RISCOS SÃO INERENTES À NATUREZA DO CONTRATO. 3 - APELAÇÃO NÃO PROVIDA. (TJ-DF - APC: 20130110705786 DF 0018358-87.2013.8.07.0001, Relator: JAIR SOARES, Data de Julgamento: 23/04/2014, 6ª Turma Cível, Data de Publicação: Publicado no DJE : 29/04/2014 . Pág.: 206) Emptio rei speratae BEM MÓVEL. COMPRA E VENDA DE SAFRA FUTURA DE LARANJA. DESCONTO NO VALOR DO PREÇO FINAL POR INOBSERVÂNCIA DOS PADRÕES DE QUALIDADE. RESPONSABILIDADE PELA INADEQUAÇÃO DOS FRUTOS CÍTRICOS ATRIBUÍDA À COMPRADORA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO DOS AUTORES NÃO COMPROVADO (ART. 333, INC. I DO CPC). ADQUIRENTE QUE ASSUMIU O RISCO DE QUE OS FRUTOS VIESSEM A EXISTIR EM QUALQUER QUANTIDADE, OBSERVADOS OS PADRÕES DE QUALIDADE DEFINIDOS NO CONTRATO. INAPLICABILIDADE DO ART. 459 DO CC. COBRANÇA POR DÍVIDA JÁ PAGA. ART. 940 DO CC. DEVOLUÇÃO EM DOBRO. DESCABIMENTO. 1. Perseguindo os autores indenização pelos valores que a ré deixou de pagar, à vista da inadequação de parte da safra de laranja, incumbia a eles o ônus de provar a ilicitude da conduta da compradora e que o elevado "grau de brix e ratio" resultou de fato a ela imputável. Não demonstrado o fato constitutivo do direito pleiteado, é indevida a indenização. 2. Na compra e venda aleatória (emptio rei speratae) entabulada entre as partes a álea refere-se à quantidade, mas não à qualidade da coisa futura. 3. Inexistência de cobrança em duplicidade, a justificar o pleito de devolução em dobro, que, ademais, depende de reconvenção. A aplicação da penalidade prevista no art. 940 do Código Civil reclama a má-fé na cobrança. Apelação e recurso adesivo desprovidos. (TJ-SP , Relator: Gilberto Leme, Data de Julgamento: 27/05/2014, 27ª Câmara de Direito Privado) Contrato aleatório – onerosidade excessiva “RECURSO ESPECIAL. DIREITO CIVIL E COMERCIAL. CONTRATO DE VENDA DE SAFRA FUTURA DE SOJA. "FERRUGEM ASIÁTICA". ELEVAÇÃO DO PREÇO DO PRODUTO. TEORIA DA IMPREVISÃO. INAPLICABILIDADE. ONEROSIDADE EXCESSIVA. INOCORRÊNCIA. 1. A teoria da imprevisão, viade regra, é inaplicável a contrato de venda antecipada de safra agrícola, porquanto ao contratarem as partes assumem riscos conhecidos e inerentes ao negócio jurídico, tais como a oscilação do preço de mercado do produto e a queda da produtividade, tendo sido tais elementos considerados no momento da fixação do preço da avença. 2. A incidência da praga conhecida como "ferrugem asiática" não se constitui em acontecimento extraordinário e imprevisível apto a autoriza à revisão da obrigação com fundamento em alteração das bases contratuais. 3. Recurso Especial Provido.” (STJ - REsp: 887716, Relator: Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, Data de Publicação: DJ 01/04/2011). CONTRATO PRELIMINAR – PRÉ-CONTRATO - pactum de contrahendo * Novidade do CC/2002 - Outras denominações: promessa de contrato, compromisso, contrato preparatório, contrato- promessa, contrato promissório, contrato de promessa. CONCEITO: É uma espécie de contrato que tem por objetivo definir as condições de outro contrato definitivo que será realizado, consistindo em uma obrigação de fazer (promessa de contratar) que gera direitos e deveres para as partes. (ex: promessa de compra e venda, cessão de direitos). OBJETO: é a realização de qualquer contrato definitivo, de qualquer espécie, embora, na prática, se refira mais freqüentemente ao contrato preliminar de compra e venda. Contrato preliminar x negociações preliminares: diversamente das negociações, o contrato preliminar gera direitos e obrigações para os contratantes, já que tem por finalidade delinear o contrato definitivo a ser realizado. Utilidade prática: Evidente que quando estão presentes todas as condições para celebração do contrato definitivo não há sentido na realização do contrato preliminar, todavia, se, por exemplo, a viabilidade da celebração do contrato definitivo está vinculada à ocorrência de determinado fato essencial, talvez seja conveniente a realização de um contrato preliminar. Exemplo: “Imagine que duas empreiteiras se associem para participar da licitação para a outorga de concessão rodoviária. Se vencerem a disputa, irão celebrar contrato de sociedade para a exploração da rodovia concedida. Não há interesse nenhum em celebrar esse contrato, porém, senão para o caso de sucesso na concorrência pública. Aquelas empreiteiras não têm, com efeito, nenhum outro negócio que pretendam explorar em sociedade. Não podem, por outro lado, postergar as negociações, porque precisam ter segurança relativamente às obrigações que cada uma concorda em assumir antes de se habilitar na licitação. Celebram, então, um contrato preliminar de sociedade, cuja execução sujeita-se à condição de obtenção da concessão rodoviária” (Fábio Ulhoa Coelho). MODALIDADES: o contrato preliminar pode ser: a) unilateral (opção, promessa de contratar): surge da vontade de ambos os contratantes, mas gera obrigações para apenas uma das partes, surgindo a “opção” para que o outro realize ou não o contrato, conforme a sua vontade. (ex: opção de compra). - Na promessa unilateral apenas uma pessoa se vincula; a outra terá liberdade de efetivar ou não o contrato definitivo. A promessa unilateral de venda, conhecida como opção, é então aquela em que o promitente-vendedor se obriga a vender certo bem dentro de determinado prazo e pelo preço estipulado, se o beneficiário quiser comprá-lo . (Maria H. Diniz). b) bilateral: é aquele que cria a obrigação de realizar o contrato definitivo para ambos os contratantes. Compromisso de compra e venda (promessa de compra e venda): é a denominação dada ao contrato preliminar quando se refere à compra e venda de imóvel. Por ser muito utilizado na prática, se faz conveniente o estudo da evolução histórica deste instituto: O art. 1.088 do CC revogado permitia às partes o direito do arrependimento da obrigação assumida no contrato preliminar, quando o instrumento público fosse exigido como prova de sua existência do contrato definitivo, mediante o pagamento de perdas e danos. Em razão disso, alguns loteadores, de acordo com a valorização dos lotes, preferiam pagar as perdas e danos ao compromissário comprador, ao invés de outorga-lhes a escritura definitiva. Para contornar tal situação, o Decreto-Lei 58/37 (hoje aplicável somente aos loteamentos rurais), relativa aos imóveis loteados, tornou irretratável o contrato preliminar que não contivesse expressamente a cláusula permitindo o arrependimento, desde de que o contrato preliminar fosse registrado em cartório. Assim, diversamente do CC revogado, a regra passou a ser a da irretratabilidade do contrato preliminar. Posteriormente, a Lei 649/49, estendeu a proteção aos imóveis não loteados. A lei do Parcelamento do Solo Urbano (6.766/79), que derrogou o Decreto-Lei 58/37, tornou o compromisso de compra e venda de imóvel loteado irretratável e irrevogável, considerando como “não escrita” qualquer cláusula contrária. Com isso, caso o promitente vendedor se recuse a outorgar a escritura, o comprador poderá obtê-la mediante suprimento judicial, através da ação de adjudicação compulsória, sendo que a jurisprudência dominante dispensa o registro do contrato preliminar no cartório de registro de imóveis. A cláusula de arrependimento ainda é cabível para o imóvel não loteado, embora a jurisprudência não venha admitindo a sua aplicação nos casos do cumprimento do compromisso já iniciado. FORMA e REQUISITOS: o contrato preliminar deve seguir os mesmos requisitos do contrato principal (art. 104), e também deve definir os elementos essenciais do futuro contrato definitivo, pois, caso contrário, não será um contrato preliminar, mas um protocolo de intenções, apesar disso, “a regra legal deve ser interpretada com razoabilidade para se entender que a exigência é somente quanto aos requisitos essenciais (entenda-se, os elementos de existência e validade do negócio jurídico), e não quanto ao inteiro conteúdo do pactuado (Pablo Gagliano & Rodolfo Pamplona). - Ora nada impede que no contrato definitivo as partes acrescentem novas cláusulas. Tal não desnatura o contrato preliminar, de modo que a afirmação legal deve ser entendida de forma relativa. O que se deduz é que o contrato preliminar deve conter todos os requisitos de um contrato definitivo. (Sílvio Venosa). Em relação à forma, a regra é a de que o contrato preliminar tem forma livre. Sob a regra do Código revogado, os tribunais discutiam sobre a necessidade da forma pública do contrato, principalmente no caso de promessa de compra e venda de imóvel, porém, agora, o novo Código optou expressamente pela validade da forma particular. Necessidade de registro: Através de uma redação confusa, o parágrafo único do art. 463 parece estabelecer a exigibilidade do registro do contrato, levando a conclusão de que, embora seja válido mesmo quando realizado na forma particular, obrigando as partes contratantes, para que o contrato preliminar seja válido perante terceiros é necessário o registro. Em relação a isso, surgiram os seguintes posicionamentos doutrinários: a) a validade do contrato preliminar perante as partes independe de registro, sendo este necessário apenas para que o contrato tenha efeito perante terceiros (nesse sentido: Carlos R. Gonçalves, Caio Mário da S. Pereira). b) A validade do contrato preliminar, para todos os casos, depende de registro (nesse sentido: Jones Figueiredo Alves, Carlos Alberto D. Maluf), estando prejudicada a Súmula 239 do STJ1. EFEITO: celebrado o contrato preliminar e inexistindo cláusula de arrependimento, poderá qualquer dos contratantes exigir a concretização do contrato definitivo. OPÇÃO DO CREDOR NO CASO DE INADIMPLEMENTO: complementando o que já era previsto pela norma processual, o novo Código permite que o juiz, a pedido do credor, supra a vontade do inadimplente, conferindoo caráter definitivo ao contrato preliminar, salvo se a isto se opuser a natureza da obrigação (art. 464). Se a obrigação não for passível de suprimento judicial (ex: obrigação personalíssima) ou se não houver interesse do credor neste sentido, este poderá considerar o contrato desfeito e pleitear perdas e danos (art. 465). PROMESSA UNILATERAL DE CONTRATO: o credor, sob pena de ficar a mesma sem efeito, deverá manifestar-se no prazo nela previsto, ou, inexistindo este, no que lhe for razoavelmente assinado pelo devedor. ENUNCIADOS (CJF) E SÚMULAS-CONTRATO PRELIMINAR - ENUNCIADO Nº 435: Art. 462. O contrato de promessa de permuta de bens imóveis é título passível de registro na matrícula imobiliária. - ENUNCIADO Nº 30: Art. 463: a disposição do parágrafo único do art. 463 do novo Código Civil deve ser interpretada como fator de eficácia perante terceiros. 1 Súmula 239 do STJ: “O direito à adjudicação compulsória não se condiciona ao registro do compromisso de compra e venda no cartório de imóveis”. - SÚMULA Nº 166 (STF): É inadmissível o arrependimento no compromisso de compra e venda sujeito ao regime do Decreto- Lei 58, de 10.12.37. SÚMULA Nº 167 (STF): Não se aplica o regime do Decreto- lei 58, de 10.12.37, ao compromisso de compra e venda não inscrito no Registro Imobiliário, salvo se o promitente vendedor se obrigou a efetuar o registro. SÚMULA Nº 168 (STF): Para os efeitos do Decreto-lei 58, de 10.12.37, admite-se a inscrição imobiliária do compromisso de compra e venda no curso da ação. SÚMULA Nº 412 (STF): No compromisso de compra e venda com cláusula de arrependimento, a devolução do sinal, por quem o deu, ou a sua restituição em dobro, por quem a recebeu, exclui indenização maior a título de perdas e danos, salvo os juros moratórios e os encargos do processo. SÚMULA Nº 413 (STF): O compromisso de compra e venda de imóveis, ainda que não loteados, dá direito à execução compulsória, quando reunidos os requisitos legais. SÚMULA Nº 76 (STJ) - A falta de registro do compromisso de compra e venda de imóvel não dispensa a prévia interpelação para constituir em mora o devedor. JURISPRUDÊNCIA – CONTRATOS PRELIMINARES Forma verbal APELAÇÃO CÍVEL. OBRIGAÇÃO DE FAZER. CONTRATO PRELIMINAR. EXISTÊNCIA E VALIDADE. TRANSFERÊNCIA DE DIREITO AQUISITIVO. 1. Na medida em que afirmam ter recebido um sinal, os réus apelantes reconhecem a existência do negócio. 2. Antes mesmo de apresentar um plano de partilha, os apelantes negociaram seus quinhões hereditários por pelo menos 80% do valor que lhes atribuíram. 3. Considerando-se o deságio natural que se observa ordinariamente em negócios que envolvem imóveis em processo de sucessão, não se vislumbra que os valores pagos pelo autor aos apelantes caracterizem preço vil ou sejam compatíveis com mero sinal. Antes, demonstram a quitação do preço ajustado e comprovam a existência e validade do negócio alegado na inicial. 4. O contrato preliminar não exige a formalidade do contrato definitivo. Assim, a promessa verbal de alienação dos direitos sobre o imóvel, comprovada pelos recibos que demonstram o pagamento do preço ajustado, configura negócio preliminar válido e apto a conferir aos contratantes o direito ao contrato definitivo. Este sim, no caso, exige escritura pública, que os réus se negam a outorgar. 5. Os réus cederam apenas o direito aquisitivo que herdaram, não sendo possível determinar a transferência da propriedade, mas tão-somente do direito aquisitivo mencionado. 6. Recurso desprovido. De ofício, corrigido erro material do dispositivo da sentença. (TJ-DF - APC: 20060310022440 DF 0002110-84.2006.8.07.0003, Relator: J.J. COSTA CARVALHO, Data de Julgamento: 15/10/2014, 2ª Turma Cível, Data de Publicação: Publicado no DJE : 28/10/2014 . Pág.: 165) CONTRATOS ALEATÓRIOS CONTRATO PRELIMINAR – PRÉ-CONTRATO - pactum de contrahendo