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CRIMES EM ESPÉCIE II Prof. Wellington Lima LEITURA OBRIGATÓRIA DO ASSUNTO DA AULA: Art. 250 à Art. 252 do código penal Prof. Wellington Lima Incêndio Art. 250 - Causar incêndio, expondo a perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio de outrem: Pena - reclusão, de três a seis anos, e multa. Aumento de pena § 1º - As penas aumentam-se de um terço: I - se o crime é cometido com intuito de obter vantagem pecuniária em proveito próprio ou alheio; Prof. Wellington Lima Incêndio Art. 250 [...] § 1º II - se o incêndio é: a) em casa habitada ou destinada a habitação; b) em edifício público ou destinado a uso público ou a obra de assistência social ou de cultura; c) em embarcação, aeronave, comboio ou veículo de transporte coletivo; d) em estação ferroviária ou aeródromo; Prof. Wellington Lima Incêndio Art. 250 [...] § 1º II - se o incêndio é: e) em estaleiro, fábrica ou oficina; f) em depósito de explosivo, combustível ou inflamável; g) em poço petrolífico ou galeria de mineração; h) em lavoura, pastagem, mata ou floresta. Incêndio culposo § 2º - Se culposo o incêndio, é pena de detenção, de seis meses a dois anos. Prof. Wellington Lima Sujeito ativo Qualquer pessoa. Sujeito passivo É a sociedade. Trata-se, pois, de crime vago. É certo que pessoas determinadas podem sofrer diretamente o perigo, embora não seja indispensável identificá-las para que o agente possa ser punido. Objeto jurídico É a incolumidade pública. Objeto material É a substância ou objeto incendiado. Prof. Wellington Lima Elementos objetivos do tipo Causar significa provocar, dar origem ou produzir. O objeto da conduta é incêndio. Compõe-se com expor (arriscar), que, em verdade, já contém o fator perigo podendo-se dizer que “expor alguém” é colocar a pessoa em perigo. Ainda assim, complementa-se o tipo exigindo o perigo à vida, à integridade física ou ao patrimônio de outrem. Incêndio é o fogo intenso que tem forte poder de destruição e de causação de prejuízos. Prof. Wellington Lima Elemento subjetivo do tipo específico Não há, exceto na figura com causa de aumento (§ 1.º, I) Elemento subjetivo do crime É o dolo de perigo, ou seja, a vontade de gerar um risco não tolerado a terceiros. Não se exige elemento subjetivo do tipo específico. A forma culposa é punida no § 2.º Classificação Comum; formal; de forma livre; comissivo; instantâneo; de perigo comum concreto; unissubjetivo; unissubsistente ou plurissubsistente, conforme o delito. Tentativa É admissível na forma plurissubjetiva dolosa. Prof. Wellington Lima Momento consumativo Quando ocorre a conduta de provocar incêndio, independentemente de resultado naturalístico. Causas de aumento de pena Configuradas as hipóteses dos incisos do § 1.º e sendo o incêndio doloso, aplica-se um aumento de um terço na pena. São as seguintes hipóteses: a) se o crime é cometido com intuito de obter vantagem pecuniária em proveito próprio ou alheio (inciso I): configura-se quando há intuito especial do agente na obtenção de vantagem (ganho, lucro) pecuniária (realizável em dinheiro ou conversível em dinheiro) para seu proveito ou de terceiro. É o elemento subjetivo do tipo específico inserido como causa de aumento. Prof. Wellington Lima Causas de aumento de pena b ) se o incêndio é em casa habitada ou destinada a habitação: casa é o edifício destinado a servir de moradia a alguém. Estar habitada significa que se encontra ocupada, servindo, efetivamente, de residência a uma ou mais pessoas. Ser destinada a habitação quer dizer um prédio reservado para servir de morada a alguém, embora possa estar desocupado. Prof. Wellington Lima Causas de aumento de pena c) se o incêndio é em edifício público ou destinado a uso público ou a obra de assistência social ou de cultura: quando o prédio for de propriedade do Estado ou tiver destinação pública, isto é, finalidade de atender a um grande número de pessoas (exemplos: teatros, prédios comerciais em horário de expediente, estádios de futebol). Inclui-se nesta última hipótese a utilização por obra de assistência social ou cultural, porque não deixa de ser uma utilidade pública; Prof. Wellington Lima Causas de aumento de pena d) se o incêndio é em embarcação, aeronave, comboio ou veículo de transporte coletivo: embarcação é toda construção destinada a navegar sobre a água; aeronave é “todo aparelho manobrável em voo, que possa sustentar-se e circular no espaço aéreo, mediante reações aerodinâmicas, apto a transportar pessoas ou coisas” (art. 106, caput, do Código Brasileiro de Aeronáutica); comboio significa trem; veículo de transporte coletivo é qualquer meio utilizado para conduzir várias pessoas de um lugar para outro (ônibus, por exemplo); Prof. Wellington Lima Causas de aumento de pena e) se o incêndio é em estação ferroviária ou aeródromo: estação ferroviária é o local onde se processa o embarque e desembarque de passageiros ou cargas de trens; aeródromo é o aeroporto, isto é, área destinada a pouso e decolagem de aviões. Não abrange, obviamente, rodoviárias e portos; Prof. Wellington Lima Causas de aumento de pena f) se o incêndio é em estaleiro, fábrica ou oficina: estaleiro é o local onde se constroem ou consertam navios; fábrica é o estabelecimento industrial destinado à produção de bens de consumo e de produção; oficina é o local onde se executam consertos de um modo geral; Prof. Wellington Lima Causas de aumento de pena g) se o incêndio é em depósito de explosivo, combustível ou inflamável: depósito é o lugar onde se guarda ou armazena alguma coisa. Explosivo é a substância capaz de estourar; combustível é a substância que tem a propriedade de se consumir em chamas; inflamável é a substância que tem a propriedade de se converter em chamas; Prof. Wellington Lima Causas de aumento de pena h) se o incêndio é em poço petrolífero ou galeria de mineração: poço petrolífero é a cavidade funda, aberta na terra, que atinge lençol de combustível líquido natural; galeria de mineração é a passagem subterrânea, extensa e larga, destinada à extração de minérios; Prof. Wellington Lima Causas de aumento de pena i) se o incêndio é em lavoura, pastagem, mata ou floresta: lavoura é plantação ou terreno cultivado; pastagem é o terreno onde há erva para o gado comer; mata é o terreno onde se desenvolvem árvores silvestres; floresta é o terreno onde há grande quantidade de árvores unidas pelas copas. Prof. Wellington Lima Forma culposa Demanda-se, neste caso, a comprovação de ter agido o incendiário com imprudência, negligência ou imperícia, infringindo o dever de cuidado objetivo, bem como tendo previsibilidade do resultado. A pena é sensivelmente menor (detenção, de seis meses a dois anos). Prof. Wellington Lima Prof. Wellington Lima Explosão Art. 251 - Expor a perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio de outrem, mediante explosão, arremesso ou simples colocação de engenho de dinamite ou de substância de efeitos análogos: Pena - reclusão, de três a seis anos, e multa. § 1º - Se a substância utilizada não é dinamite ou explosivo de efeitos análogos: Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. Prof. Wellington Lima Aumento de pena § 2º - As penas aumentam-se de um terço, se ocorre qualquer das hipóteses previstas no § 1º, I, do artigo anterior, ou é visada ou atingida qualquer das coisas enumeradas no nº II do mesmo parágrafo. Modalidade culposa § 3º - No caso de culpa, se a explosão é de dinamite ou substância de efeitos análogos, a pena é de detenção, de seis meses a dois anos; nos demais casos, é de detenção, de três meses a um ano. Prof. Wellington Lima Sujeito ativo Qualquer pessoa Sujeito passivo É a sociedade. Trata-se, pois, de crime vago. É certo que pessoas determinadas podem sofrer diretamente o perigo, embora não seja indispensável identificá-las para que o agente possa ser punido. Objeto jurídicoÉ a incolumidade pública. Objeto material É o engenho de dinamite ou substância análoga Prof. Wellington Lima Elementos objetivos do tipo O verbo expor (arriscar), em verdade, já contém o fator perigo, ínsito no seu significado, podendo-se dizer que “expor alguém” é colocar a pessoa em perigo. Ainda assim, o tipo penal explicita que a exposição é a perigo voltado à vida, à integridade física ou ao patrimônio de alguém. As formas de concretizá-lo são por meio de explosão, arremesso e colocação de engenho de dinamite ou substância análoga. Prof. Wellington Lima Elemento subjetivo do tipo específico Não há. Elemento subjetivo do crime É o dolo de perigo, ou seja, a vontade de gerar um risco não tolerado a terceiro. Existe a forma culposa. Classificação Comum; formal; de forma livre; comissivo; instantâneo; de perigo comum concreto; unissubjetivo; unissubsistente ou plurissubsistente, conforme o delito. Tentativa É admissível na forma plurissubjetiva dolosa. Prof. Wellington Lima Momento consumativo Quando ocorre a explosão, independentemente de resultado naturalístico. Forma privilegiada Se a substância utilizada para a explosão não é dinamite ou explosivo de efeitos análogos, a pena é de reclusão, de 1 a 4 anos, e multa, conforme prevê o § 1º. Causas de aumento de pena Configurada a hipótese do § 1.º, I, do art. 250, ou se é visada ou atingida qualquer das coisas enumeradas no inciso II do mesmo parágrafo e do mesmo artigo, conforme previsto no § 2.º do art. 251. Prof. Wellington Lima Forma culposa Demanda-se, neste caso, a comprovação de ter agido o incendiário com imprudência, negligência ou imperícia, infringindo o dever de cuidado objetivo, bem como tendo previsibilidade do resultado. Se a explosão envolver dinamite ou substância de efeitos análogos, a pena é de detenção, de seis meses a dois anos; nos demais casos, é de detenção, de três meses a um ano, conforme o § 3.º. Prof. Wellington Lima Uso de gás tóxico ou asfixiante Art. 252 - Expor a perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio de outrem, usando de gás tóxico ou asfixiante: Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. Modalidade Culposa Parágrafo único - Se o crime é culposo: Pena - detenção, de três meses a um ano. Prof. Wellington Lima Sujeito ativo Qualquer pessoa. Sujeito passivo É a sociedade. Trata-se, pois, de crime vago. É certo que pessoas determinadas podem sofrer diretamente o perigo, embora não seja indispensável identificá-las para que o agente possa ser punido. Objeto jurídico É a incolumidade pública. Objeto material É o gás tóxico ou asfixiante. Prof. Wellington Lima Elementos objetivos do tipo Expor (arriscar), como já visto, já contém o fator perigo, ínsito no seu significado, podendo-se dizer que “expor alguém” é colocar a pessoa em perigo. Ainda assim, o tipo penal explicita que a exposição deve colocar em perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio de alguém. A forma de concretizá-lo é a utilização de gás tóxico ou asfixiante. Prof. Wellington Lima Elemento subjetivo do tipo específico Não há. Elemento subjetivo do crime É o dolo de perigo, ou seja, a vontade de gerar um risco não tolerado a terceiros. Existe a forma culposa. Classificação Comum; formal; de forma livre; comissivo; instantâneo; de perigo comum concreto; unissubjetivo; unissubsistente ou plurissubsistente, conforme o delito. Prof. Wellington Lima Tentativa É admissível na forma plurissubjetiva dolosa. Momento consumativo Quando ocorre a utilização do gás, independentemente de resultado naturalístico. Forma culposa Demanda-se, neste caso, a comprovação de ter agido o incendiário com imprudência, negligência ou imperícia, infringindo o dever de cuidado objetivo, bem como tendo previsibilidade do resultado. Prof. Wellington Lima Prof. Wellington Lima image1.png image2.png image3.png image4.png