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UNIVERSIDADE ESTADUAL DA REGIÃO TOCANTINA DO MARANHÃO 
CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIA NATURAIS E LETRAS-CCANL 
ENGENHARIA AGRONÔMICA 
COMUNICAÇÃO E EXTENSÃO RURAL 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LUDMILA DE SOUSA FEITOSA 
 
 
 
 
 
 
PRODUÇÃO DE BANANA 
 
 
 
 
 
 
ESTREITO-MA 
2025 
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LUDMILA DE SOUSA FEITOSA 
 
 
 
 
 
 
PRODUÇÃO DE BANANA 
 
 
 
 
 
 
 
 
Trabalho apresentado ao Centro de Ciências 
Agrárias, Naturais e Letras - CCANL, para 
obtenção de nota na disciplina Comunicação 
e Extensão Rural na Universidade Estadual 
da Região Tocantina do Maranhão - 
UEMASUL. 
Docente: Mestre Jefferson Rodrigues Da 
Silva 
 
 
 
 
 
 
ESTREITO-MA 
2025 
 
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INTRODUÇÃO 
A produção de banana (Musa spp) representa uma das principais atividades 
agrícolas do Brasil, sendo cultivada em praticamente todas as regiões do país, desde o 
Norte úmido até o Sul subtropical. O sucesso dessa cultura depende de vários fatores, 
como a escolha adequada da área, o preparo do solo, as condições climáticas, os cuidados 
fitossanitários e as técnicas de manejo empregadas. A bananicultura tem grande 
relevância econômica e social, especialmente entre os pequenos produtores rurais, que 
encontram nessa atividade uma importante fonte de renda e subsistência (Cândido, 2020). 
Reconhecida como a fruta tropical mais consumida do planeta, a banana ocupa 
posição de destaque no cenário mundial. É considerada o quarto alimento mais ingerido 
globalmente, atrás apenas do arroz, do trigo e do milho. Nutritiva, saborosa e disponível 
durante todo o ano, a fruta é amplamente acessível à população, constituindo um alimento 
essencial na dieta das famílias brasileiras (Anuário Brasileiro..., 2019; FAO, 2023). 
De acordo com dados recentes, o Brasil produziu cerca de 7,2 milhões de 
toneladas de banana em 2024, cultivadas em aproximadamente 537 mil hectares. Os 
principais estados produtores são Bahia, São Paulo, Santa Catarina, Pará, Minas Gerais, 
Ceará e Pernambuco. A Bahia lidera o ranking nacional, seguida por São Paulo, que 
responde por cerca de 1,2 milhão de toneladas anuais (Anuário Brasileiro..., 2019; IBGE, 
2024). Essa ampla distribuição geográfica demonstra a capacidade de adaptação da 
cultura às diferentes condições climáticas do país. 
Além da sua importância econômica, a bananicultura exerce papel social 
fundamental. Estima-se que mais de 500 mil empregos diretos e indiretos sejam gerados 
pelo cultivo da banana no Brasil, contribuindo significativamente para a fixação da mão 
de obra no meio rural e para o desenvolvimento regional (Anuário Brasileiro..., 2019). 
Em muitas comunidades agrícolas, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, a banana 
representa uma das principais fontes de renda familiar e de segurança alimentar. 
Do ponto de vista nutricional, a banana é um alimento completo e energético, 
composto basicamente por água e carboidratos de fácil digestão. Contém ainda vitaminas 
A, C, B2, B6 e niacina, além de sais minerais como potássio, fósforo, magnésio e sódio, 
essenciais para o funcionamento do organismo (Embrapa, 2020). O alto teor de potássio 
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contribui para o controle da pressão arterial e para o bom funcionamento muscular, 
enquanto as vitaminas do complexo B auxiliam no metabolismo energético. 
No Brasil, a maior parte da produção é destinada ao consumo in natura, com 
destaque para as variedades Prata, Nanica, Maçã e Terra. Entretanto, cresce a demanda 
por derivados como farinha, chips, doces e polpas congeladas, ampliando as 
oportunidades de agregação de valor e de inserção da banana na agroindústria (SEBRAE, 
2022). Essa diversificação produtiva vem fortalecendo cadeias curtas de comercialização 
e incentivando o empreendedorismo rural. 
Assim, a bananicultura destaca-se não apenas como uma atividade agrícola de 
grande relevância econômica, mas também como um importante instrumento de inclusão 
social e de segurança alimentar. Por ser uma fruta de baixo custo, alto valor nutritivo e 
ampla aceitação, a banana permanece como um dos pilares da fruticultura nacional e um 
símbolo da agricultura familiar brasileira (Embrapa, 2020). 
CLIMA 
 O cultivo da bananeira está diretamente ligado às condições climáticas da região. 
Por ser uma planta tipicamente tropical, necessita de calor constante, chuvas bem 
distribuídas entre 100 e 150 mm por mês e elevada umidade relativa para se desenvolver 
adequadamente. Essas condições são amplamente encontradas em grande parte do 
território brasileiro. As temperaturas ideais para o crescimento variam entre 15 °C e 35 
°C; fora dessa faixa, o desenvolvimento da planta é prejudicado. Em temperaturas baixas, 
ocorre o fenômeno conhecido como friagem, que retarda o ciclo produtivo e impede o 
amolecimento normal da polpa. Já o calor excessivo, acima de 35 °C, pode afetar o 
crescimento e comprometer a qualidade dos frutos, especialmente em áreas de sequeiro 
(Ribeiro; Oliveira, 2023) 
A umidade relativa do ar tem papel essencial no desenvolvimento da bananeira. 
Regiões com média anual superior a 80% são as mais adequadas para o cultivo, pois essa 
condição favorece a emissão de folhas, o florescimento e a coloração uniforme dos frutos. 
(Borges; Souza; Oliveira, 2002). No entanto, quando a elevada umidade está associada a 
chuvas intensas e temperaturas altas, há maior risco de ocorrência de doenças fúngicas, 
como a Sigatoka-amarela. Já a baixa umidade provoca o endurecimento e o ressecamento 
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precoce das folhas, reduzindo sua vida útil e a eficiência fotossintética da planta 
(Embrapa, 2020). 
Outro fator importante é a ação dos ventos. Ventos secos intensificam a 
transpiração das folhas, provocando desidratação e déficit hídrico. Já os ventos frios e 
fortes podem causar danos aos cachos e às folhas, chegando até a provocar o tombamento 
das plantas. Por isso, recomenda-se evitar o cultivo em áreas sujeitas a ventos frios, 
geadas ou granizo (Embrapa, 2020). 
A bananeira também necessita de intensa luminosidade para se desenvolver 
adequadamente. Quando cultivada em locais com pouca luz por longos períodos, tende a 
interromper o crescimento e atrasar a diferenciação floral, prolongando seu ciclo 
vegetativo. Por outro lado, a exposição excessiva à insolação pode causar queimaduras 
nas hastes e nos frutos, afetando sua aparência e qualidade. 
A altitude é outro fator que interfere diretamente no ciclo produtivo da bananeira. 
A cultura pode ser desenvolvida desde o nível do mar até cerca de 1.000 metros de 
altitude. Entretanto, quanto maior a altitude, mais longo se torna o ciclo da planta — 
estima-se um aumento de 30 a 45 dias no tempo de produção a cada 100 metros de 
elevação. Isso ocorre porque a altitude influencia diretamente a temperatura, a umidade, 
a luminosidade e as chuvas da região, modificando o ritmo de desenvolvimento e a 
produtividade da cultura. 
SOLO 
O solo ideal para a bananeira é o aluvial profundo, rico em matéria orgânica, bem 
drenado e com boa capacidade de retenção de água. No entanto, a bananeira pode ser 
cultivada em diferentes tipos de solos. Os muito arenosos devem, porém, ser evitados, 
pois geralmente apresentam baixa fertilidade e baixo poder de retenção de água, 
aumentando os custos de produção pela necessidade de adubações mais frequentes e de 
práticas para melhorar o suprimento de água. (Embrapa, 2023). O uso sustentável dos 
recursos naturais, especialmente do solo e da água, tem-se constituído em tema de 
crescente relevância considerando-se o aumento das atividades antrópicas uma das 
principais razões (Srinivasan & McDowell, 2009). 
 
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No caso de o preparo do solo apesar da bananeira apresentar sistema radicular 
superficial (30 cm), é importante que o solo seja profundo, com mais de 75 cm sem 
qualquer impedimento e, os com profundidade inferior a 25 cm são considerados 
inadequados. Em solos compactados, as raízesda bananeira raramente atingem 
profundidades abaixo de 60 a 80 cm, fazendo com que as plantas fiquem sujeitas ao 
tombamento. Em solos com camada adensada a 30-35 cm de profundidade, na qual o 
sistema radicular não penetra, a subsolagem se faz necessária. Daí, a importância de se 
observar o perfil do solo como um todo, e não apenas as camadas superficiais. 
Recomenda-se, para o bom desenvolvimento da bananeira, que os solos não apresentem 
camada impermeável, pedregosa ou endurecida, nem lençol freático a menos de um metro 
de profundidade (Borges et al., 2000). 
 
Então no cultivo da bananeira, o preparo do solo é uma etapa fundamental para 
garantir um bom estabelecimento das plantas e o desenvolvimento adequado do sistema 
radicular. Após a limpeza da área, que inclui a roçagem, a destoca e o encoivaramento, 
realiza-se o coveamento manual, que consiste na abertura de covas nas dimensões 
adequadas para acomodar as mudas. Essa prática permite o melhor aproveitamento dos 
nutrientes e facilita a absorção de água pelas raízes. Além disso, é importante realizar a 
correção do solo, quando necessário, com a aplicação de calcário e matéria orgânica, 
visando melhorar as condições físicas, químicas e biológicas do solo, proporcionando um 
ambiente favorável ao crescimento saudável da bananeira. (Embrapa, 2023). 
 
Após o preparo adequado do solo, torna-se essencial adotar práticas de 
conservação, uma vez que elas garantem a sustentabilidade do cultivo e evitam a perda 
de nutrientes essenciais. Embora o plantio da bananeira seja preferencialmente indicado 
para áreas planas, muitas vezes ele ocorre em terrenos com declive, o que aumenta o risco 
de erosão. Nesses casos, é indispensável implementar técnicas que protejam o solo, como 
o plantio em nível, o uso de cobertura vegetal e a construção de curvas de nível. Tais 
medidas reduzem o escoamento superficial da água, preservam a umidade e mantêm a 
estrutura do solo favorável ao desenvolvimento das plantas. Assim, a conservação do solo 
é parte integrante do manejo da cultura, sendo fundamental para assegurar a produtividade 
e a longevidade dos bananeirais. (Cândido, 2019). 
VARIEDADES 
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As principais variedades de banana cultivadas no Brasil são Prata, Nanica, Maçã 
e Terra, cada uma com características próprias e importância econômica. A Banana-Prata 
é a mais plantada e apreciada pelo sabor e boa conservação pós-colheita (Embrapa, 2023). 
A Banana-Nanica, também chamada de banana-d’água, é a mais doce e amplamente 
consumida no país (SENAR, 2024). Já a Banana-Maçã destaca-se pelo aroma suave e 
polpa macia, sendo bastante aceita no mercado interno (Embrapa, 2022). A Banana-da-
Terra, de frutos grandes e ricos em amido, é tradicionalmente usada frita ou cozida, com 
grande valor culinário (Agrolink, 2023). Todas essas variedades contribuem 
significativamente para a fruticultura nacional e para a renda de pequenos produtores. 
PROPAGAÇÃO 
A propagação da bananeira é um processo fundamental para garantir o sucesso da 
cultura, influenciando diretamente o vigor, a produtividade e a uniformidade do bananal. 
Segundo Borges et al. (2006), “as bananeiras são geralmente propagadas por meio de 
mudas produzidas de gemas vegetativas do seu caule subterrâneo ou rizoma. A utilização 
de mudas de boa qualidade é fundamental para o sucesso do bananal”. Essas mudas 
devem ser preferencialmente oriundas de viveiros certificados, preparados 
exclusivamente para a produção de material propagativo com alto padrão genético e 
fitossanitário. 
Quando não há disponibilidade de viveiros, as mudas podem ser obtidas de 
matrizes vigorosas, com até quatro anos de idade e provenientes de pomares sadios e sem 
mistura de variedades, evitando áreas infestadas por plantas invasoras de difícil 
erradicação, como a tiririca (Cyperus rotundus) (BORGES et al., 2006). Esse cuidado 
evita a disseminação de pragas e doenças e assegura o desenvolvimento equilibrado das 
plantas. 
Os tipos de mudas utilizados têm influência direta sobre o ciclo de produção e o 
peso do cacho, sendo selecionados conforme suas características morfológicas e idade. 
Conforme descrito por Borges et al. (2006), o chifrinho é uma muda jovem, com 20 a 30 
cm de altura e cerca de dois a três meses, apresentando folhas em forma de lança. O chifre 
possui de 50 a 60 cm de altura e idade entre três e seis meses, também com folhas em 
forma de lança. O chifrão apresenta de 60 a 150 cm de altura e idade entre seis e nove 
meses, com mistura de folhas jovens e adultas. Já a muda adulta é proveniente de rizomas 
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bem desenvolvidos, em fase de diferenciação floral, e o pedaço de rizoma é um fragmento 
com aproximadamente 1.000 g, contendo uma gema bem entumecida. Há ainda o rizoma 
com filho aderido, em que uma brotação se desenvolve junto ao rizoma, exigindo maiores 
cuidados durante o plantio. 
De acordo com Teixeira e Neto (2011, apud Salomão et al., 2016), o tipo de muda 
escolhido interfere no tempo entre o plantio e a colheita, além de afetar o tamanho e o 
peso dos cachos. Por isso, a escolha adequada deve considerar o equilíbrio entre rapidez 
no desenvolvimento e qualidade fitossanitária. A propagação vegetativa ainda é a forma 
mais comum, mas, diante da escassez de material de plantio e da necessidade de ampliar 
a taxa de multiplicação, têm sido adotados métodos aprimorados de propagação, como o 
fracionamento de rizomas e o cultivo em condições controladas (Borges et al., 2006; 
Ramos, 2009). 
Essas técnicas permitem a produção em larga escala de mudas sadias e uniformes, 
contribuindo para o estabelecimento de bananais mais produtivos e sustentáveis. Como 
destacam Salomão et al. (2016), o uso de mudas bem selecionadas e propagadas sob boas 
condições sanitárias é determinante para o crescimento vigoroso e para a estabilidade da 
produção ao longo dos ciclos. 
INSTALAÇÃO DO BANANAL 
A instalação do bananal precisa ser bem planejada para garantir o bom 
desenvolvimento das plantas. O ideal é escolher áreas planas ou levemente inclinadas, 
com solo fértil, profundo e bem drenado, evitando lugares muito arenosos ou muito 
argilosos, que prejudicam o crescimento das raízes (EMBRAPA, 2006, p. 18–20). 
O plantio deve ser feito em épocas de chuvas leves, para evitar o apodrecimento 
das mudas. Em locais irrigados, pode ser realizado o ano todo. O espaçamento entre as 
plantas depende do porte da variedade: as menores, como a Nanica e a Nanicão, podem 
ser plantadas mais próximas, e as maiores, como Prata e Pacovan, precisam de mais 
espaço (EMBRAPA, 2006, p. 50–52). 
As covas devem ter em média 30 × 30 × 30 cm, colocando a terra mais fértil no 
fundo e cobrindo bem o rizoma da muda. As mais indicadas são as mudas tipo chifrão, 
que são fortes e garantem melhor pegamento (EMBRAPA, 2006, p. 53–54). 
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Depois do plantio, o solo deve ser bem apertado ao redor da muda, e se alguma 
não pegar, faz-se o replantio entre 30 e 45 dias para manter o bananal uniforme. Essa 
padronização facilita o manejo e a colheita, além de aumentar a produtividade 
(EMBRAPA, 2006, p. 54–55). Em resumo, a boa escolha da área, o preparo do solo e o 
uso de mudas sadias são essenciais para ter um bananal produtivo e bem formado. 
(EMBRAPA, 2006). 
CALAGEM E ADUBAÇÃO 
A calagem e a adubação são práticas fundamentais para o desenvolvimento 
saudável e a produtividade da bananeira, pois garantem a correção da acidez do solo e o 
fornecimento equilibrado de nutrientes essenciais. A bananeira é uma planta exigente em 
nutrientes, especialmente nitrogênio (N) e potássio (K), que são absorvidos em maiores 
quantidades, seguidos por cálcio (Ca), magnésio (Mg), fósforo (P) e enxofre (S) (Borges; 
Souza, 2016). 
A calagem tem como principal objetivo corrigir a acidez do solo e elevar os teores 
de cálcio e magnésio, além de reduzir a saturação por alumínio, que é tóxico às raízes. O 
calcário deve ser aplicado comantecedência mínima de 30 dias antes do plantio, 
preferencialmente a lanço em toda a área, e incorporado ao solo por meio de gradagem 
ou escarificação. Recomenda-se o uso de calcário dolomítico, que fornece cálcio e 
magnésio, evitando o desequilíbrio nutricional e o surgimento do distúrbio conhecido 
como “azul-da-bananeira”, causado pela deficiência de magnésio induzida pelo excesso 
de potássio (Borges; Souza, 2019). 
A quantidade de calcário a ser aplicada é calculada com base na saturação por 
bases do solo, buscando-se atingir valores ideais próximos de 70%, conforme o método 
proposto pela Embrapa (Pereira et al., 2014). A correção deve ser feita de acordo com os 
resultados da análise química do solo, que indica a necessidade de aplicação de calcário, 
gesso agrícola e fertilizantes. A gessagem é recomendada quando a camada de 20 a 40 
cm do solo apresenta baixos teores de cálcio ou altos teores de alumínio, auxiliando na 
melhoria do perfil químico e físico do solo, além de aumentar a profundidade explorada 
pelas raízes. 
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A adubação deve ser baseada na análise de solo e na produtividade esperada. O 
fósforo, devido à sua baixa mobilidade, deve ser aplicado preferencialmente na cova ou 
misturado à terra de plantio, promovendo o bom desenvolvimento do sistema radicular. 
O nitrogênio é essencial para o crescimento vegetativo, sendo recomendado o 
parcelamento da adubação em várias aplicações durante o ciclo da planta, principalmente 
nos primeiros meses após o plantio. Já o potássio é o nutriente mais importante para a 
formação e qualidade dos frutos, influenciando diretamente o enchimento e o sabor das 
bananas (Borges; Souza, 2016). 
Segundo Pereira et al. (2014), os solos de regiões tropicais apresentam, em geral, 
baixos teores de fósforo, potássio, cálcio e magnésio, o que torna indispensável a correção 
e adubação criteriosa. A análise periódica do solo e das folhas deve ser realizada para 
garantir o equilíbrio nutricional, evitando deficiências e excessos que possam prejudicar 
o desenvolvimento das plantas.Portanto, a adoção de práticas adequadas de calagem e 
adubação é indispensável para o sucesso da bananicultura, assegurando o crescimento 
vigoroso das plantas, a sustentabilidade do solo e a obtenção de altas produtividades e 
frutos de qualidade. 
IRRIGAÇÃO 
A irrigação no cultivo da bananeira é uma prática essencial para garantir o bom 
desenvolvimento das plantas e a produção de frutos de qualidade, especialmente em 
regiões de clima semiárido. No entanto, em muitas áreas de bananicultura, o uso de 
irrigação localizada, como o gotejamento ou fita, ainda é pouco adotado, sendo utilizada 
apenas quando realmente necessária. Esse tipo de irrigação apresenta vantagens por 
direcionar a água diretamente às raízes, reduzindo desperdícios e promovendo melhor 
aproveitamento dos nutrientes. De acordo com a Embrapa (2009), a fertirrigação 
aplicação de fertilizantes junto com a água de irrigação é uma alternativa eficiente, pois 
melhora a nutrição das plantas e reduz perdas por volatilização. O Serviço Nacional de 
Aprendizagem Rural (SENAR, 2021) também destaca que o manejo correto da irrigação 
evita o encharcamento e economiza água, contribuindo para a sustentabilidade do cultivo. 
TRATOS CULTURAIS 
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Os tratos culturais no bananal começam com o controle das plantas invasoras 
retirar as ervas daninhas para que não “roubem” água, luz ou nutrientes da bananeira. 
(EMBRAPA, 2021). 
Em seguida, vem o desbaste e a desfolha: retirar folhas velhas ou danificadas e, 
quando necessário, reduzir o número de filhotes ou pseudocaules para que sobrem apenas 
os mais vigorosos isso melhora a ventilação, reduz o risco de doenças e favorece a 
frutificação. Segundo algumas informações, os tratos culturais envolvem “controle das 
plantas daninhas, desbaste, desfolha, cobertura morta, escoramento da planta” (SENAR, 
2024). 
Outra prática chave é o escoramento das plantas, principalmente nos bananais com 
variedades de porte grande ou expostos a ventos usar varas, fios ou fitas para sustentar o 
cacho evita quebra ou tombamento da planta (“O escoramento visa evitar a perda de 
cachos por quebra ou tombamento da planta, em consequência da ação de ventos fortes 
(acima de 40 km/h)”) (Ribeiro; Oliveira, 2023). 
Além disso, o ensacamento do cacho, a eliminação de flores ou pencas em 
excesso, a cobertura morta no solo e a adubação dentro do preparo dos tratos culturais 
fazem parte de um conjunto que visa estabilidade e produtividade do bananal. 
CONTROLE DE DOENÇAS 
O controle das doenças na bananicultura é essencial para manter a produtividade 
e a qualidade dos frutos. As principais medidas começam pela prevenção, com o uso de 
mudas sadias e certificadas, vindas de viveiros livres de patógenos pois segundo a 
Embrapa (2006), o uso de mudas contaminadas é uma das principais causas de 
disseminação de doenças nos bananais. (EMBRAPA. 2006) 
Um dos maiores problemas é o mal-do-Panamá, causado pelo fungo Fusarium 
oxysporum f. sp. cubense, que ataca o sistema vascular da planta. O controle dessa doença 
deve ser feito de forma integrada, com rotação de culturas, uso de cultivares resistentes e 
manejo biológico do solo. Como explica Bidabadi e Zheng (2018), o manejo sustentável 
deve incluir “rotação de culturas, aplicação de silício e uso de microrganismos benéficos 
como Trichoderma e rizobactérias promotoras de crescimento. 
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 Outra doença comum é a Sigatoka-amarela e a Sigatoka-negra, causadas por 
fungos que atacam as folhas, reduzindo a fotossíntese e o desenvolvimento dos frutos. O 
controle indicado pela Embrapa (2006) envolve o monitoramento constante, a eliminação 
das folhas infectadas e o uso racional de fungicidas aliados a boas práticas culturais. 
Também é importante o controle do moko da bananeira, causado pela bactéria 
Ralstonia solanacearum, que provoca o murchamento e a morte da planta. A 
recomendação da Embrapa é eliminar imediatamente as plantas afetadas e evitar o trânsito 
de ferramentas e solo entre áreas contaminadas e sadias. 
Por fim, manter o bananal bem arejado, com drenagem adequada e adubação 
equilibrada, ajuda a reduzir a incidência de fungos e bactérias. Como reforça Bidabadi e 
Zheng (2018), “a combinação de controle biológico, resistência genética e manejo do solo 
é o caminho mais sustentável para o controle das doenças da banana. 
CONTROLE DE PRAGAS 
O controle de pragas é uma parte essencial do manejo da bananeira, porque essas 
pragas atacam as raízes, o caule e os frutos, prejudicando o desenvolvimento da planta e 
reduzindo a produção. Segundo a Embrapa (2006), as principais pragas da cultura são a 
broca-do-rizoma (Cosmopolites sordidus), os nematoides (Radopholus similis e 
Meloidogyne spp.) e o tripes-dos-frutos (Chaetanaphothrips signipennis). 
A broca-do-rizoma é uma das mais destrutivas. As larvas abrem galerias dentro 
do rizoma, causando tombamento e morte das plantas. O controle deve começar com o 
uso de mudas sadias, limpeza da área e destruição dos restos culturais, além de armadilhas 
com pedaços de pseudocaule para monitorar a infestação (EMBRAPA, 2006). 
Os nematoides, principalmente o Radopholus similis, atacam as raízes, 
dificultando a absorção de água e nutrientes. Para controlar, a Embrapa recomenda o uso 
de mudas livres de pragas, rotação de culturas e aplicação de matéria orgânica no solo, o 
que ajuda a manter o equilíbrio biológico e reduz a população desses parasitas 
(EMBRAPA, 2006). 
Outra praga importante é o tripes-dos-frutos, que causa manchas na casca e 
prejudica a aparência das bananas. Conforme o SENAR (2018), a melhor forma de 
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prevenção é o ensacamento dos cachos logo após a floração, prática que evita o ataque de 
insetos e melhora a aparência dos frutos (SENAR, 2018). 
COLHEITA 
A colheita da banana é uma das etapas mais delicadas da produção, porque dela 
depende a qualidadefinal do fruto. Em regiões tropicais e com irrigação, o primeiro cacho 
pode ser colhido entre 11 e 13 meses após o plantio, enquanto em áreas mais frias esse 
tempo pode chegar a 21 a 24 meses (EMBRAPA, 2021). O momento certo de colher 
depende do destino das frutas se serão vendidas localmente, exportadas ou usadas na 
indústria e também da distância até o mercado consumidor. Quanto maior o tempo de 
transporte, mais verdes as bananas devem ser colhidas (EMBRAPA, 2021). 
Segundo o SENAR (2018), o ponto ideal de colheita deve considerar o grau de 
maturação, o tamanho e a aparência do fruto, buscando sempre evitar o corte de frutos 
muito jovens ou muito maduros, que reduzem a qualidade. A Embrapa (2021) recomenda 
três métodos principais para identificar o ponto ideal: o grau fisiológico, a medição do 
diâmetro da fruta e o diâmetro por idade, que leva em conta o tempo desde a emissão da 
última penca. 
Durante a colheita, é essencial manusear os cachos com cuidado, evitando quedas 
ou choques. O uso de berços almofadados ou proteções de ombro ajuda a evitar danos. 
Além disso, os cachos não devem ser amontoados nem transportados em mais de duas 
camadas, pois isso causa amassamento e perda de qualidade. Como destaca a Embrapa 
(2021), “a colheita deve ser feita com o máximo cuidado, para preservar o aspecto e o 
valor comercial dos frutos”. 
Por fim, o transporte até a casa de embalagem deve ser feito com delicadeza, de 
preferência usando cabos aéreos ou carretas adaptadas, o que reduz o impacto e mantém 
o cacho em boas condições até o beneficiamento (EMBRAPA, 2021; SENAR, 2018). 
PÓS-COLHEITA 
O manejo pós-colheita da banana é essencial para conservar a qualidade e 
aumentar o tempo de prateleira dos frutos. Depois da colheita, as bananas devem ser 
manuseadas com cuidado, lavadas em água limpa e colocadas para escorrer, evitando 
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ferimentos e contaminações (EMBRAPA, 2006). Segundo Lima et al. (2021), o ideal é 
transportar os cachos em cabos aéreos ou em caixas acolchoadas, mantendo-os longe do 
solo para prevenir danos mecânicos e doenças. Já para Santos et al. (2019), o controle da 
temperatura e da umidade durante o armazenamento é fundamental para retardar o 
amadurecimento e preservar o aspecto dos frutos. Assim, um bom manejo pós-colheita 
garante bananas com aparência mais atraente e maior valor comercial. 
COMERCIALIZAÇÃO 
A comercialização da banana no Brasil é uma atividade essencial dentro da cadeia 
produtiva, pois conecta diretamente o produtor ao consumidor e define boa parte da 
rentabilidade do cultivo. Segundo Rocha, Gerum e Santana (2021), praticamente toda a 
banana produzida no país é consumida internamente, o que demonstra a força do mercado 
nacional e a grande demanda por essa fruta popular em todas as regiões. No entanto, os 
autores destacam que a comercialização enfrenta desafios relacionados à padronização e 
à qualidade, especialmente porque muitos produtores ainda operam com baixo nível 
tecnológico, o que reduz o valor de venda e a competitividade no mercado interno 
(EMBRAPA, 2021). 
O processo de comercialização da banana in natura é composto por diversos elos, 
como produtores, intermediários, atacadistas e varejistas, que garantem que o produto 
chegue ao consumidor final. De acordo com a Embrapa (2021), os principais canais 
envolvem o fluxo “produtor–intermediário–atacadista–varejista–consumidor”, sendo o 
atacadista responsável pela climatização das frutas e pela distribuição aos pontos de 
venda. Em alguns casos, os produtores organizados em cooperativas ou associações 
conseguem eliminar intermediários, o que melhora os preços e reduz as perdas (Rocha; 
Gerum; Santana, 2021). Essa integração fortalece os pequenos produtores e garante maior 
eficiência na comercialização. 
De forma geral, o sucesso da comercialização da banana depende da organização 
dos produtores e da adoção de boas práticas logísticas e comerciais. Para a Embrapa 
(2021), agregar valor ao produto por meio da rastreabilidade, certificação e melhoria da 
qualidade é uma estratégia essencial para ampliar o consumo e garantir maior 
rentabilidade. Além disso, o fortalecimento de cooperativas e associações permite 
negociações mais justas e maior estabilidade de preços (Cenário Hortifruti Brasil, 2018). 
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Assim, a comercialização bem estruturada contribui não apenas para o lucro dos 
produtores, mas também para o desenvolvimento econômico das regiões produtoras. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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