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Ensino e Aprendizagem Matemática 
Autor: Gabriella Rodrigues Henriquez1 
Professor Regente: Manuela de Aviz Schulz2 
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI 
Curso de Licenciatura em Matemática (FLD6664861CET) – Estágio III. 
01/01/2026 
 
RESUMO 
 
Este artigo aborda o ensino e a aprendizagem da Matemática, discutindo aspectos 
teóricos e metodológicos que influenciam a construção do conhecimento matemático 
no contexto educacional. O estudo foi desenvolvido a partir das experiências 
vivenciadas no Estágio Curricular Supervisionado do curso de Licenciatura em 
Matemática, realizado na Escola Estadual Assis Chateaubriand, com turmas do Ensino 
Médio. O objetivo consistiu em analisar práticas pedagógicas que favorecem a 
compreensão conceitual, o desenvolvimento do raciocínio lógico e a participação ativa 
dos estudantes no processo de aprendizagem matemática. A pesquisa fundamenta-se 
em referenciais da Educação Matemática que defendem a utilização de metodologias 
diversificadas, como a resolução de problemas, a contextualização dos conteúdos e o 
uso de atividades lúdicas, como estratégias para promover uma aprendizagem 
significativa. Durante o período de observação e regência, foram analisadas as 
práticas pedagógicas da professora regente e planejadas aulas com explicações 
dialogadas e atividades diferenciadas, incluindo exercícios em formato de mosaico e 
um bingo de equações do primeiro grau, buscando tornar os conteúdos mais 
acessíveis, dinâmicos e motivadores. Destaca-se o papel do professor como mediador 
do processo de ensino, responsável por organizar situações didáticas que estimulem a 
reflexão, a autonomia e a interação em sala de aula. A análise das atividades 
desenvolvidas evidenciou que abordagens pedagógicas centradas no aluno 
contribuem para maior engajamento, participação e melhor assimilação dos conceitos 
matemáticos, superando práticas tradicionais baseadas apenas na memorização de 
procedimentos. Conclui-se que a adoção de estratégias didáticas reflexivas, 
contextualizadas e lúdicas favorece o ensino e a aprendizagem da Matemática, 
tornando o processo mais significativo e alinhado às demandas educacionais 
contemporâneas. 
 
 
Palavras-chave: Ensino. Lúdico. Matemática 
 
 
 
 
1 Gabriella Rodrigues Henriquez do Curso de Licenciatura em matematica; E-mail: 
gabriellarodrigueshenriquez@gmail.com 
2 Manuela de Aviz Schulz do Curso de Licenciatura em Matemática; E-mail: 
 
 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
As mudanças sociais que ocorrem ao longo do tempo exigem que a 
educação escolar se adapte aos novos contextos e às formas pelas quais os 
estudantes constroem significados. Em períodos anteriores, predominou um 
modelo curricular padronizado, no qual se esperava que todos os alunos se 
adequassem a uma mesma proposta de ensino, o que resultou na exclusão 
daqueles que não conseguiam acompanhar esse formato. Com a intensificação 
das transformações sociais, das novas configurações familiares, das alterações 
nos valores culturais e do avanço das tecnologias no cotidiano, tornou-se 
evidente a necessidade de repensar as práticas pedagógicas adotadas no 
ambiente escolar. 
Estudos educacionais passaram a apontar um crescente distanciamento 
dos alunos em relação aos conteúdos escolares, impulsionando a busca por 
metodologias mais coerentes com a realidade contemporânea. Nesse cenário, 
teorias como o Construtivismo, proposto por Piaget, e o Sócio-interacionismo, 
desenvolvido por Vygotsky, passaram a subsidiar reflexões sobre novas formas 
de ensinar, enfatizando a participação ativa do estudante e a importância da 
mediação docente no processo de aprendizagem. 
Diante dessas concepções, no desenvolvimento do Estágio Curricular 
Supervisionado III, optou-se pela inserção de atividades lúdicas como estratégia 
metodológica, com o intuito de potencializar a aprendizagem matemática. O uso 
de jogos e propostas diferenciadas foi pensado como um recurso para tornar as 
aulas mais dinâmicas, estimular o interesse dos alunos e favorecer a 
compreensão dos conteúdos, contribuindo para um processo de ensino mais 
significativo. 
 
2 ÁREA DE CONCENTRAÇÃO: FUNDAMENTAÇÃO TÉORICA 
 
O ensino e a aprendizagem da Matemática vêm sendo amplamente 
discutidos por diversos estudiosos da área educacional, sobretudo diante das 
constantes transformações sociais que impactam diretamente o sistema de 
ensino. Tais mudanças exigem a revisão de práticas pedagógicas tradicionais, 
que, embora tenham sido eficazes em determinados contextos históricos, 
mostram-se atualmente insuficientes para atender às novas demandas 
educacionais, especialmente no Ensino Médio. Nesse contexto, o papel do 
professor ultrapassa a simples transmissão de conteúdos, passando a envolver 
a mediação do conhecimento e a criação de estratégias que possibilitem aos 
estudantes construir saberes, atribuir significados e desenvolver autonomia 
intelectual. O docente deve proporcionar meios para que os alunos alcancem 
os conhecimentos escolares de forma ativa, instigando neles o interesse pela 
aprendizagem e atuando como facilitador desse processo. Conforme destaca 
Libâneo (2002), o ensino não se resume a “passar a matéria”, mas caracteriza-
se por uma dinâmica constante entre os conteúdos propostos e o raciocínio 
dos alunos. 
 
 
“Essa forma de compreender o ensino é muito diferente do que 
simplesmente passar a matéria ao aluno. O processo de ensino é um 
constante vai-e-vem entre conteúdos e problemas que são colocados 
e a percepção ativa e o raciocínio dos alunos.” 
(LIBÂNEO, 2002, p. 6). 
 
Diante dessa perspectiva, torna-se imprescindível que o professor esteja 
disposto a repensar sua prática pedagógica e a adotar metodologias 
inovadoras que favoreçam uma aprendizagem significativa. O cenário 
educacional contemporâneo demanda transformações didáticas, nas quais o 
docente assume papel central como agente de mudança em toda a cadeia 
educativa. Nesse sentido, Benzatti (2014) enfatiza a necessidade de 
reconstrução dos saberes docentes e da superação de práticas pedagógicas 
limitadoras do conhecimento. 
 
“Devemos então nos preparar para essa missão. Essa tarefa passa por 
transformar nossos saberes, revisionar práticas pedagógicas redutoras 
do conhecimento, construir novas formas de cognição que permitam 
enfrentarmos as incertezas e as interrogações deste início de século e 
milênio.” (BENZATTI, 2014) 
 
Ao tratar do sistema educacional, é importante compreendê-lo como um 
conjunto de atores interligados que contribuem para a formação do educando. 
Desde aqueles que pensam e planejam a educação até os profissionais que 
atuam diretamente em sala de aula, todos possuem papel fundamental na 
construção do conhecimento e na formação cidadã dos estudantes. De acordo 
com o Ministério da Educação, o sistema educacional deve ser entendido de 
forma ampla e integrada: 
 
“Falamos, é claro, em sistema educacional no sentido amplo, desde 
aqueles que pensam sobre a educação, até aqueles que a executam, 
propondo currículos, elaborando livros didáticos, indicando-os para 
adoção, formando professores e atuando no cotidiano da sala de aula.” 
(MEC, 1994, p. 20). 
 
Nesse cenário de mudanças, o ensino da Matemática apresenta desafios 
específicos, uma vez que muitos conteúdos são considerados abstratos e 
distantes da realidade dos alunos. Dessa forma, a utilização de metodologias 
lúdicas, como os jogos pedagógicos, surge como uma alternativa didática capaz 
de tornar as aulas mais dinâmicas, participativas e significativas. Segundo Borin 
(1996), o jogo no ensino da Matemática favorece o desenvolvimento do 
raciocínio lógico e a participação ativa dos estudantes, contribuindo para a 
construção do conhecimento. Kishimoto (2011) complementa que os jogos, 
quando utilizados de forma planejada e intencional, promovem situações de 
aprendizagem nas quais os alunos são desafiados a pensar, levantar hipóteses 
e refletirsobre seus próprios processos de aprendizagem. 
A sala de aula, portanto, deve ser concebida como um espaço de diálogo, 
interação e troca de experiências, no qual professor e alunos constroem 
coletivamente o conhecimento. Manhães (2006) destaca a importância desse 
ambiente dialógico, no qual os sujeitos rompem o silenciamento e compartilham 
vivências e saberes, fortalecendo o processo educativo. 
3 VIVÊNCIA DO ESTÁGIO 
 
A vivência do estágio curricular supervisionado teve lugar na Escola 
Estadual Assis Chateaubriand, uma instituição que se revelou um campo fértil 
para a observação da realidade educacional no Ensino Médio e no Curso 
Normal. Inicialmente, o período de observação permitiu identificar uma estrutura 
escolar que, embora antiga e em fase de reformas, mantém uma organização 
pedagógica sólida. A prática da professora regente serviu como um modelo de 
experiência, demonstrando como a clareza na exposição no quadro e o uso 
direcionado do livro didático podem manter o engajamento de turmas 
heterogéneas. Esta etapa inicial não foi apenas contemplativa, mas uma análise 
crítica que permitiu entender as nuances da relação professor-aluno, onde o 
respeito mútuo e a autoridade construída se mostraram fundamentais para a 
manutenção de um ambiente propício à aprendizagem. 
Durante a fase de regência, aplicada especificamente no 1º ano do Curso 
Normal, o foco foi a transposição da teoria para a prática através do conteúdo de 
equações do primeiro grau. A escolha por uma metodologia lúdica e dialógica 
baseou-se na premissa de que a matemática não deve ser vista como um 
conjunto de regras isoladas, mas como uma ferramenta de raciocínio aplicável. 
A sequência didática começou com uma abordagem contextualizada, 
apresentando situações-problema que desafiavam os alunos a traduzir a 
linguagem quotidiana para a linguagem algébrica. Posteriormente, a introdução 
de atividades como o mosaico matemático permitiu que os estudantes 
visualizassem o progresso dos seus cálculos de forma imediata, incentivando a 
autonomia e a correção colaborativa de erros. 
O ponto alto da vivência foi a aplicação do bingo de equações, onde a 
tradicional cartela de números foi substituída por expressões matemáticas que 
precisavam de ser resolvidas em tempo real. Esta atividade transformou a 
dinâmica da sala de aula, substituindo a possível apatia por um entusiasmo 
competitivo saudável. Os alunos registaram todas as resoluções em folhas 
específicas, o que permitiu uma avaliação contínua e individualizada da 
compreensão do conteúdo. Observou-se que o caráter lúdico reduziu 
significativamente a ansiedade matemática, permitindo que conceitos complexos 
fossem absorvidos com maior leveza. 
Toda esta prática foi sustentada por uma fundamentação teórica que 
defende o ensino como um processo de construção ativa do conhecimento. Ao 
integrar os saberes docentes com as necessidades da turma, o estágio reafirmou 
a importância de o educador atuar como um mediador que incentiva a 
curiosidade. A experiência na Escola Assis Chateaubriand demonstrou que, 
mesmo diante de limitações estruturais, a inovação metodológica e o 
planeamento rigoroso são capazes de gerar uma aprendizagem significativa, 
preparando os futuros docentes do Curso Normal para uma atuação profissional 
mais reflexiva e humana. 
 
4 IMPRESSÕES DO ESTÁGIO (CONSIDERAÇÕES FINAIS) 
 
As experiências vivenciadas durante o estágio curricular supervisionado 
na Escola Estadual Assis Chateaubriand foram determinantes para a 
consolidação da identidade docente e para a compreensão da complexidade do 
ambiente escolar. A imersão na realidade do Ensino Médio e do Curso Normal 
permitiu confrontar os conhecimentos acadêmicos com os desafios cotidianos 
da sala de aula, revelando que a atuação do professor de matemática exige, 
além do domínio técnico, uma sensibilidade pedagógica capaz de adaptar o 
planejamento às necessidades dos estudantes. A estrutura da instituição e a 
dinâmica observada junto à regência titular evidenciaram que o espaço 
educativo é um organismo vivo, onde a organização administrativa e a prática 
pedagógica devem caminhar em sintonia para garantir o suporte necessário ao 
processo de ensino e aprendizagem. 
Os objetivos estabelecidos para a regência foram plenamente atingidos, 
uma vez que a introdução de metodologias ativas, como o bingo de equações e 
o mosaico matemático, promoveu uma quebra na resistência tradicionalmente 
associada ao ensino da álgebra. A possibilidade de utilizar o lúdico como 
ferramenta de mediação permitiu que os alunos desenvolvessem autonomia na 
resolução de equações do primeiro grau, transformando o erro em uma 
oportunidade de investigação e correção coletiva. Como resultado, observou-se 
um engajamento superior ao esperado, com a participação de alunos que 
anteriormente demonstravam apatia, comprovando que a diversificação de 
recursos didáticos é um caminho viável para a democratização do conhecimento 
matemático. 
Contudo, o percurso também apresentou dificuldades inerentes à prática 
docente, como a gestão do tempo e a disparidade de conhecimentos prévios 
entre os discentes. O entusiasmo gerado pelas atividades lúdicas exigiu um 
controle rigoroso da dinâmica de sala de aula para que o caráter educativo 
permanecesse como prioridade. Essas limitações foram superadas através de 
uma postura mediadora, que buscou equilibrar a descontração do jogo com o 
rigor necessário à formalização dos conceitos matemáticos. Tais desafios 
serviram para reafirmar a importância do planejamento estratégico e da 
capacidade de improvisação consciente diante das variáveis que compõem o 
cotidiano escolar. 
A análise dos resultados, à luz do referencial teórico estudado, revela que 
a prática pedagógica alcança sua eficácia máxima quando se distancia da mera 
transmissão de fórmulas e assume um caráter emancipador. A articulação entre 
a teoria e a vivência prática demonstra que o educador deve atuar como um 
agente facilitador, instigando a curiosidade e o raciocínio crítico. Conclui-se que 
o estágio cumpriu seu papel formativo ao evidenciar que o ensino de matemática, 
quando alicerçado em estratégias que valorizam o protagonismo do aluno e a 
contextualização dos conteúdos, contribui significativamente para uma formação 
intelectual mais sólida e engajada com os desafios da sociedade 
contemporânea.. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS 
 
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: 
MEC, 2018. 
D’AMBROSIO Ubiratan. Educação Matemática: da teoria à prática. 23. ed. 
Campinas: Papirus, 2012. 
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática 
educativa. 43. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2011. 
KISHIMOTO, Tizuko Morchida. O jogo e a educação infantil. 6. ed. São 
Paulo: Cortez, 2011. 
 LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação da aprendizagem escolar. 22. ed. São 
Paulo: Cortez, 2011. 
TAFNER, Malcon Anderson; SILVA, Rosana Cláudia da. Metodologia do 
trabalho acadêmico. Indaial: Uniasselvi, 2011. 
BORIN, Júlia. O jogo e o lúdico na aprendizagem matemática. São Paulo: 
CAEM/IME-USP, 1996.

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