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Medicina do Trabalho

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MEDICINA DO 
TRABALHO
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
 > Descrever as principais características da gestão organizacional na medicina 
do trabalho.
 > Reconhecer os elementos que compõem o PCMSO e seus objetivos.
 > Caracterizar os exames laborais, as atividades educativas e as demais ações 
prevencionistas do médico do trabalho.
Introdução
A saúde e a segurança no trabalho são condições imprescindíveis para o sucesso 
das relações trabalhistas. A empresa tem o dever de proporcionar ao trabalha-
dor condições adequadas para a realização de suas funções, e, por sua vez, o 
trabalhador deve seguir todas as orientações de segurança para proteger sua 
saúde e sua vida.
Ao longo dos anos, muitos foram os avanços que garantiram direitos ao tra-
balhador. Entre eles, estão os serviços e programas de saúde institucionais, que 
são grandes aliados das empresas e dos trabalhadores na busca por qualidade 
de vida e segurança no trabalho.
Neste capítulo, você vai conhecer alguns dos profissionais envolvidos na 
organização dos serviços de saúde, especialmente do Programa de Controle 
Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), e poderá aprender um pouco mais sobre 
os principais exames e ações necessários na saúde ocupacional.
Organização dos 
serviços de saúde 
do trabalho
Talita Guerreiro Rodrigues Húngaro
Gestão da saúde no trabalho
A saúde e a segurança no ambiente ocupacional são condições garantidas pela 
Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Isso se dá a partir da regulamentação 
das relações e da imposição do dever de se zelar pela saúde física, mental e 
social dos trabalhadores no país (BRASIL, 1977). Atualmente, existe um conjunto 
de normas e procedimentos obrigatórios para empresas e trabalhadores a 
fim de prevenir distúrbios, disfunções e acidentes relacionados ao trabalho 
e de proteger a integridade física e psíquica do trabalhador. No Brasil, profis-
sionais especializados no atendimento ao trabalhador são responsáveis por 
garantir que as normas de saúde e segurança sejam corretamente aplicadas 
nas empresas e organizações (DELGADO, 2017).
O gerenciamento dos serviços médicos e de saúde de uma empresa de-
pende de diversos fatores, principalmente da atividade realizada por essa 
empresa e do seu tamanho. Sendo assim, não existe uma regra única de 
dimensão quanto aos trabalhadores participantes dos grupos de trabalho ou 
quanto ao espaço físico para a realização dessas atividades de saúde. A Norma 
Regulamentadora nº 4 (NR-4), que dispõe especificamente sobre os Serviços 
Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho 
(SESMT), apresenta dimensionamento vinculado ao número de empregados 
da organização e ao maior grau de risco entre as atividades econômicas no 
estabelecimento; porém, em qualquer caso, a participação do médico do 
trabalho é essencial em todo o processo (BRASIL, 1978a).
Observe sempre as atualizações das resoluções do Conselho Federal 
de Medicina (CFM), que dispõe sobre normas específicas para médicos 
que atendem o trabalhador. 
A medicina do trabalho atua na gestão de riscos, no tratamento e, prin-
cipalmente, na prevenção de problemas que comprometem a integridade 
física e mental dos colaboradores. Essa área tem como principal objetivo 
preservar a saúde dos profissionais que trabalham nas empresas e, para isso, 
deve promover a qualidade de vida no ambiente laboral e garantir suporte 
em casos de doenças ocupacionais (LADOU, 2016). São exemplos desse tipo 
de doença os distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT) 
e a lesão por esforço repetitivo (LER), além de outros problemas que podem 
acometer o trabalhador, como os relacionados ao estresse e a sobrecargas 
físicas e psíquicas, os distúrbios auditivos ou visuais, entre outros.
Organização dos serviços de saúde do trabalho2
Dessa forma, o médico do trabalho e as demais especialidades médicas que 
atendem o trabalhador, independentemente de atuarem no próprio local das 
atividades laborais ou em clínica específica, devem dar assistência ao traba-
lhador, fazer os encaminhamentos necessários e elaborar prontuário médico 
(LADOU, 2016). Sempre que necessário, também devem fornecer atestados e 
pareceres para o trabalhador e considerar que o repouso, o afastamento e 
o acesso a terapias podem fazer parte de um tratamento.
No contexto da saúde ocupacional, existem diversos programas para 
controle de riscos, prevenção e promoção da saúde, entre os quais está o 
PCMSO (SANTOS et al., 2019). As empresas/organizações devem indicar, entre 
os médicos do SESMT, um responsável pelo PCMSO. Nesse programa, o mé-
dico tem a função de coordenador, devendo participar, com a regularidade 
necessária e previamente definida, das atividades na empresa e em suas 
filiais. Além disso, a Norma Regulamentadora nº 7 (NR-7) especifica que, para 
coordenar o PCMSO, o médico deverá estar inscrito nos conselhos regionais 
de medicina dos estados onde atuar. Ainda, ele deverá conhecer as condições 
e os riscos envolvidos em todas as atividades laborais e proteger a saúde 
integral do trabalhador (CAMISASSA, 2015).
Nesse sentido, sempre que necessário e com o conhecimento do em-
pregado, o médico do trabalho poderá discutir o caso clínico com outros 
médicos especialistas e, a partir daí, propor mudanças relacionadas às fun-
ções laborais visando ao melhor resultado no tratamento do paciente — por 
exemplo, ajustando as atividades exercidas pelo trabalhador e/ou o próprio 
ambiente de trabalho. Ou seja, o médico também é o profissional competente 
para avaliar as condições de saúde de um profissional para exercer funções 
específicas ou trabalhar em ambientes específicos, sendo possível propor 
a realocação do trabalhador para funções compatíveis com o seu estado de 
saúde naquele momento (CAMISASSA, 2015).
Como exemplo, podemos pensar em avaliações ergonômicas, que são 
capazes de identificar diversos pontos de ajuste em um ambiente ou fluxo 
de trabalho, permitindo uma melhor execução da atividade profissional e 
proporcionando melhor qualidade de vida, saúde e segurança ao trabalhador 
(KROEMER; GRANDJEAN, 2007). É importante compreender que a saúde no 
ambiente profissional vai além do profissional médico e que, quanto maior 
for a gama de profissionais de diversas especialidades, maior será a possi-
bilidade de sugestões e projetos que promovam mudanças organizacionais 
importantes.
Na equipe de saúde do trabalho, também podemos incluir os fisiotera-
peutas e psicólogos do trabalho, além de diversos outros profissionais de 
Organização dos serviços de saúde do trabalho 3
saúde, de acordo com a característica de cada trabalho e com as condições 
da empresa em questão. Vale lembrar que profissionais de diversas áreas 
da saúde e da engenharia podem cursar uma pós-graduação em ergonomia, 
que poderá lhes oferecer visões distintas e complementares que agregam 
no combate aos riscos e na garantia da saúde do trabalhador (KROEMER; 
GRANDJEAN, 2007; SANTOS et al., 2019).
Atendimento médico no ambiente de trabalho
De forma geral, a legislação não exige que as empresas tenham um ambu-
latório ou uma enfermaria dentro de suas dependências. A exceção ocorre 
somente no caso da construção civil, quando há mais de 50 trabalhadores, 
conforme especificado pela Norma Regulamentadora nº 18 (NR-18). Apesar 
disso, toda empresa com mais de 50 trabalhadores precisa instituir o SESMT 
(SEGURANÇA..., 2021).
No caso de empresas ou organizações onde os funcionários são regular-
mente expostos a algum tipo de risco, o SESMT também é exigido, indepen-
dentemente do número de trabalhadores. Os ambulatórios e enfermarias 
inseridos dentro das empresas podem contar com enfermeiros, técnicos de 
enfermagem e médicos do trabalho. A capacidade de atendimento vai variar 
de acordo com a estrutura do local, permitindo mais ou menos procedi-
mentos e exames. De forma geral, as empresas costumam adotar uma sala 
individualizada, que permita atendimento ao trabalhador com a privacidade 
necessária e que possibiliteorientações sobre saúde ocupacional e geral 
(SEGURANÇA..., 2021). A regulamentação do SESMT é orientada pela NR-4.
Nos ambulatórios corporativos, a existência de medicamentos é permi-
tida apenas quando há um médico disponível na empresa. O intuito dessa 
restrição é coibir a automedicação e diversas outras consequências possí-
veis, como, por exemplo, alergias e intoxicações. Somente o médico pode 
prescrever medicação ao trabalhador, e, na ausência daquele, este deve ser 
encaminhando a um hospital ou unidade de atendimento especializada. De 
acordo com a Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986, também é permitido ao 
enfermeiro prescrever medicamentos, mas somente aqueles estabelecidos em 
programas de saúde pública e cuja rotina seja aprovada por uma instituição 
de saúde (BRASIL, 1986).
Organização dos serviços de saúde do trabalho4
Apesar de muitos atendimentos médicos serem realizados de forma 
on-line na atualidade, especialmente após o início da pandemia de 
covid-19, o art. 6º da Resolução CFM nº 2.297, de 5 de agosto de 2021, ratifica as 
resoluções anteriores e veda ao médico que presta assistência ao trabalhador 
que realize exames médicos ocupacionais somente com os recursos da teleme-
dicina, ou seja, sempre é necessário o exame físico presencial do trabalhador 
(CFM, 2021).
Nesta seção, vimos que o médico tem papel fundamental nos processos 
relacionados à saúde e à segurança do trabalhador. Além de ser o responsável 
pelo atendimento clínico, ele participa da organização e gestão de serviços, 
podendo atuar desde a prevenção até o tratamento, passando pelas diver-
sas fases do controle da saúde ocupacional. Entre os serviços e programas 
voltados à saúde no trabalho, está o PCMSO, que você vai conhecer mais 
detalhadamente a seguir.
Programa de Controle Médico de Saúde 
Ocupacional
O PCMSO foi desenvolvido como ferramenta ativa no intuito de preservar e 
proteger a saúde dos trabalhadores no ambiente ocupacional, sendo parte 
de um amplo conjunto de inciativas que visam à saúde e à segurança no 
trabalho. Conforme descrito na Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), os riscos 
ocupacionais existentes em um ambiente de trabalho devem ser identificados 
a partir de uma avaliação técnica ampla e da elaboração de um programa de 
gerenciamento de riscos (PGR) (BRASIL, 1978c).
Diversas normas regulamentadoras visam a implementar condições de 
segurança e padrões exigidos para atividades específicas. Uma dessas normas, 
a NR-7, discorre especificamente sobre o PCMSO, caracterizando o programa, 
suas exigências e os profissionais responsáveis por sua implementação.
Uma das principais diretrizes do PCMSO é identificar e rastrear de forma 
precoce os agravos à saúde relacionados ao trabalho. Porém, é fundamental 
compreender que a identificação de questões de saúde não pode ser utilizada 
como critério para a seleção de um trabalhador. De todo modo, as avaliações 
possibilitam que se identifiquem aptidões de um empregado para executar 
determinadas tarefas ou funções (CAMISASSA, 2015).
Ainda faz parte do PCMSO a avaliação do estado de saúde de trabalha-
dores em atividades críticas, conforme definido na NR-7, considerando-se os 
Organização dos serviços de saúde do trabalho 5
riscos envolvidos em cada atividade. Também é preciso investigar distúrbios 
e disfunções que possam comprometer o exercício da atividade laboral com 
segurança (CAMISASSA, 2015).
No Quadro 1, estão listadas as 12 diretrizes do PCMSO.
Quadro 1. Diretrizes do PCMSO
1 Rastrear e detectar precocemente os agravos à saúde relacionados ao 
trabalho
2 Detectar possíveis exposições excessivas a agentes nocivos ocupacionais
3 Definir a aptidão de cada empregado para exercer suas funções ou 
tarefas determinadas
4 Subsidiar a implantação e o monitoramento da eficácia das medidas de 
prevenção adotadas na organização
5 Subsidiar análises epidemiológicas e estatísticas sobre os agravos à 
saúde e sua relação com os riscos ocupacionais
6 Subsidiar decisões sobre o afastamento de empregados de situações de 
trabalho que possam comprometer sua saúde
7 Subsidiar a emissão de notificações de agravos relacionados ao trabalho, 
de acordo com a regulamentação pertinente
8 Subsidiar o encaminhamento de empregados à Previdência Social
9 Acompanhar de forma diferenciada o empregado cujo estado de saúde 
possa ser especialmente afetado pelos riscos ocupacionais
10 Subsidiar a Previdência Social nas ações de reabilitação profissional
11 Subsidiar ações de readaptação profissional
12 Controlar a imunização ativa dos empregados, relacionada a riscos 
ocupacionais, sempre que houver recomendação do Ministério da Saúde
Fonte: Adaptado de Brasil (1978b).
O PCMSO inclui também as vigilâncias passiva e ativa da saúde do traba-
lhador. A vigilância passiva se dá por meio de informações obtidas de forma 
espontânea, quando um empregado procura o serviço de saúde da empresa 
por iniciativa própria. Já a vigilância ativa é realizada mediante os exames 
médicos previstos, além da coleta de dados individuais relativos a sinais e 
sintomas específicos apresentados por um trabalhador (CAMISASSA, 2015).
Organização dos serviços de saúde do trabalho6
Os microempreendedores individuais (MEI), as microempresas (ME) 
e as empresas de pequeno porte (EPP) não são obrigados a elaborar 
o PCMSO. Conforme descrito na NR-1, nesses casos o empregador deve solicitar 
e pagar pelos exames médicos ocupacionais de seus empregados, sendo exi-
gidos os exames admissionais, os demissionais e, a cada dois anos, os exames 
periódicos (BRASIL, 1978c).
O controle dos dados e das informações obtidos a partir do PCMSO pode ser 
feito de forma individual ou coletiva. Quando ele é feito de forma individual, 
todos os dados provenientes de exames clínicos e/ou complementares devem 
ser registrados em um prontuário médico individual do trabalhador, sob res-
ponsabilidade do médico coordenador do PCMSO, ou do médico responsável 
pelo exame, quando a empresa estiver dispensada da obrigatoriedade do 
programa. Além disso, o prontuário de cada empregado deve ser mantido 
pela empresa por, no mínimo, 20 anos após o seu desligamento. Esse período 
pode ser maior em alguns casos e funções (CAMISASSA, 2015). Os prontuários 
também podem ser armazenados de forma eletrônica, desde que atendam 
às especificações e exigências do CFM.
Quando esse controle é feito de forma coletiva, o médico responsável pelo 
controle do PCMSO deve elaborar um relatório anual analítico do programa. 
Esse relatório deve conter o número de exames clínicos realizados no período 
(considerado desde a data do último relatório do PCMSO, que deve ser anual); 
o número e a descrição de exames complementares realizados; as estatísticas 
(por exame, unidade, setor ou função) dos resultados anormais identifica-
dos em exames complementares; a incidência e a prevalência de doenças, 
distúrbios ou disfunções relacionadas ao trabalho, também categorizados 
por unidade, setor ou função; número, tipo de evento e doenças informadas 
nas comunicações de acidentes de trabalho (CAT) emitidas pela empresa; e 
a análise comparativa em relação ao relatório anterior, além de discussão 
sobre as variações nos resultados (CAMISASSA, 2015).
As ações preventivas de saúde são cada vez mais essenciais na medicina 
ocupacional, envolvendo profissionais de diversas áreas e disseminando 
informação aos trabalhadores (SANTOS et al., 2019). A análise profunda dos 
dados por meio do relatório do PCMSO é fundamental para que novas ações 
preventivas sejam planejadas visando à redução de danos à saúde do tra-
balhador e minimizando os riscos existentes no trabalho.
Organização dos serviços de saúde do trabalho 7
O texto das normas regulamentadoras é frequentemente atualizado. 
O acompanhamento dessas alterações é de suma importância para 
garantir a correta aplicação das legislações trabalhistas e assegurar as condições 
de saúde e segurança no trabalho. Para conhecer em detalhes o texto principal 
das normas, bem comoos seus anexos e as portarias que as modificam, acesse 
o site do Governo Federal.
O PCMSO oferece uma forma estruturada de controle da saúde ocupacional, 
pois permite que sejam detectadas de forma precoce as possíveis causas 
de danos à saúde do trabalhador, além de garantir o acesso ao tratamento 
adequado e às reformulações necessárias no trabalho. Por meio da vigilância 
ativa e passiva da saúde, juntamente às ações preventivas e à análise de 
dados, esse programa garante um controle amplo e preciso da saúde dos 
trabalhadores. A seguir, veremos como os exames clínicos e os dados epide-
miológicos contribuem nesse processo.
Exames laborais, atividades educativas e 
ações prevencionistas
Ao considerarmos que a empresa deve garantir o levantamento e o geren-
ciamento de riscos ocupacionais, o PCMSO entra como um recurso essencial 
no controle de possíveis agravos à saúde do trabalhador, incluindo o pla-
nejamento de exames médicos, básicos e complementares, de acordo com 
os riscos identificados. O PCMSO deve conter critérios para interpretação 
e planejamento das condutas médicas e deve ser conhecido por todos os 
profissionais médicos que realizam os exames ocupacionais dos empregados 
(CAMISASSA, 2015).
Os exames médicos obrigatórios que fazem parte do PCMSO são os exames 
admissionais, os exames periódicos, os exames de retorno ao trabalho, os 
exames de mudança de riscos ocupacionais e os exames demissionais. Todos 
esses exames clínicos devem obedecer, obrigatoriamente, a periodicidade e 
prazos específicos, de acordo com a NR-7 (SEGURANÇA..., 2021).
Exame admissional
É o exame realizado antes de o trabalhador dar início às suas atividades 
laborais, como parte do processo de contratação. De forma geral, o exame 
admissional inclui uma breve entrevista para coleta de histórico médico, 
Organização dos serviços de saúde do trabalho8
aferição da pressão arterial, batimentos cardíacos, ausculta pulmonar e afe-
rição da massa corpórea. É importante salientar que, em algumas atividades, 
são necessários exames admissionais e regulares específicos, conforme a 
exigência e os riscos inerentes à função.
Exame periódico
É o exame realizado com intervalos específicos conforme os riscos ocupa-
cionais que foram identificados e as doenças prévias que o trabalhador 
eventualmente apresente, podendo ser anual ou com intervalos menores, de 
acordo com a determinação do médico do trabalho responsável pela avaliação.
No caso de profissionais expostos a condições hiperbáricas (exercício de 
atividade sob pressão atmosférica elevada), o anexo IV da NR-7 apresenta 
especificações direcionadas, com a exigência de exames extras. Nesses casos, 
o atestado de aptidão do trabalhador para a função é válido por seis meses, 
devendo ser atualizado.
Para os demais trabalhadores, não portadores de doenças crônicas espe-
cíficas que possam ser agravadas pela atividade laboral ou em funções nas 
quais não foram detectados riscos ocupacionais, o exame clínico periódico 
deve ser realizado a cada dois anos.
Exame de retorno ao trabalho
Nesse exame, o trabalhador é avaliado clinicamente antes de reassumir as 
suas funções. Isso deve ocorrer sempre que o trabalhador se ausentar por 
motivo de saúde ou doença, tendo ou não relação com o trabalho, por 30 dias 
ou mais. É no exame de retorno ao trabalho que o médico avalia a capacidade 
de retorno à função e indica se esse retorno deve ser total ou gradativo.
Exame de mudança de riscos ocupacionais
Esse exame deve ser realizado sempre que houver mudança dos riscos ocu-
pacionais na atividade desempenhada pelo trabalhador e, portanto, deve ser 
feito obrigatoriamente, antes da data da mudança, para que sejam possíveis o 
controle médico e as adequações necessárias aos novos riscos de exposição.
Organização dos serviços de saúde do trabalho 9
Exame demissional
Esse exame clínico deve ser realizado, obrigatoriamente, em até 10 dias após o 
término do contrato de trabalho. Somente é possível a dispensa desse exame 
no caso de exame clínico ocupacional recente do trabalhador — a norma 
regulamentadora orienta que organizações com graus de risco classificados 
em 1 ou 2 podem dispensar o exame demissional no caso de exame prévio 
com menos de 135 dias e que organizações com graus de risco 3 ou 4 podem 
dispensá-lo caso haja um exame prévio com menos de 90 dias.
Até o momento, a NR-7 tem cinco anexos. Em cada um deles, são descritas 
as atividades com exigências de exames complementares, acompanhamento 
e condições específicas em casos de funções consideradas de risco extra. 
Veja no Quadro 2 os cinco anexos dessa norma.
Quadro 2. Os cinco anexos da NR-7, que dispõem sobre o controle médico 
em casos de funções consideradas com risco extra à saúde
Anexo I Monitoramento da exposição ocupacional a agentes químicos
Anexo II Controle médico ocupacional da exposição a níveis de pressão 
sonora elevados
Anexo III Controle radiológico e espirométrico da exposição a agentes 
químicos
Anexo IV Controle médico ocupacional de exposição a condições 
hiperbáricas
Anexo V Controle médico ocupacional da exposição a substâncias químicas 
cancerígenas e a radiações ionizantes
Fonte: Adaptado de Brasil (1978b).
Em todos os exames apresentados, os médicos realizam avaliação clínica 
e, quando necessário, solicitam exames complementares. Esses exames são 
realizados de acordo com as especificações da NR-7 e das outras normas 
regulamentadoras que tratam de atividades específicas (CAMISASSA, 2015). 
Sempre que um exame é feito, os trabalhadores devem ser informados, antes 
ou durante sua realização, sobre o objetivo de cada um deles. Além disso, o 
médico deve explicar ao trabalhador os resultados obtidos em cada um dos 
exames realizados e informar a ele se há necessidade de tratamento ou não 
(SANTOS et al., 2019).
Organização dos serviços de saúde do trabalho10
Sempre que for realizado um exame clínico ocupacional, o médico deverá 
emitir um atestado de saúde ocupacional (ASO), que deverá ser disponibilizado 
ao trabalhador. O ASO deve conter, no mínimo (CAMISASSA, 2015):
 � razão social e CNPJ (ou CAEPF) da empresa;
 � nome completo, CPF e função do empregado;
 � descrição de fatores de risco identificados e classificados no PGR que 
necessitem de controle médico, ou a sua inexistência;
 � data de realização dos exames clínicos e complementares;
 � indicação de aptidão ou inaptidão do empregado para a realização 
de sua função;
 � nome e número do registro profissional do médico responsável pelo 
PCMSO, quando houver;
 � data, número do registro profissional e assinatura do médico respon-
sável pela realização do exame clínico.
Um dos intuitos desses exames, ao avaliar as condições de saúde do 
trabalhador, é evitar que surja ou se agrave algum distúrbio ou disfunção 
relacionada à atividade laboral (SANTOS et al., 2019).
Se algum desses exames sinalizar o surgimento ou agravamento de uma 
condição de saúde do trabalhador, primeiramente o médico responsável pelo 
PCMSO deverá, conforme disposto na NR-7 e em suas atualizações, informar 
a empresa ou organização sobre o ocorrido. Em seguida, a empresa deverá 
emitir a CAT e, quando necessário, afastar o empregado da função ou do 
trabalho. Se houver a necessidade de afastamento do trabalho por mais de 
15 dias, o trabalhador deverá ser encaminhado à Previdência Social, para que 
seja realizada a avaliação de incapacidade e haja a conduta previdenciária 
cabível. Além disso, a empresa deve reavaliar os riscos ocupacionais da 
função/atividade exercida pelo trabalhador, bem como reavaliar as medidas 
de prevenção pertinentes (CAMISASSA, 2015).
Conforme apresentado na NR-1, o trabalhador deve receber informações 
sobre riscos relacionados ao seu local de trabalho, além de informações claras 
sobre os meios para prevenir e controlar tais riscos. Por meio de inúmeros 
programas e iniciativas de saúde e segurança do trabalho, todo trabalhador 
deve conhecer também os procedimentos indicados nos casos de emergência.Esse conjunto de informações pode ser transmitido ao trabalhador por meio 
de diálogos de segurança, documentos físicos ou eletrônicos e, principalmente, 
durante a realização de treinamentos específicos de segurança.
Organização dos serviços de saúde do trabalho 11
Neste capítulo, você pôde compreender a importância do médico na 
gestão de programas ocupacionais, especialmente o PCMSO, e na solicitação 
e execução de exames relacionados à saúde do trabalhador. Também vimos 
quando esses exames são realizados e como os dados obtidos auxiliam no 
controle da saúde do trabalhador e de toda a empresa. Por fim, pudemos 
observar que a prevenção e a redução dos riscos são fundamentais quando 
se trata de saúde e segurança ocupacional e devem estar entre os principais 
objetivos de todos os programas e iniciativas voltados à saúde no trabalho.
Referências
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BRASIL. Lei n. 7.498, de 25 de junho de 1986. Brasília: Presidência da República, 1986. 
Dispõe sobre a regulamentação do exercício da enfermagem, e dá outras providências. 
Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l7498.htm. Acesso em: 27 
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BRASIL. Ministério do Trabalho e Previdência. NR 7: Programa de Controle Médico de 
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Disponível em: https://www.gov.br/trabalho-e-previdencia/pt-br/composicao/or-
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DELGADO, M. G. Curso de direito do trabalho. 16. ed. São Paulo: LTr, 2017.
KROEMER, K.; GRANDJEAN, E. Manual de ergonomia: adaptando o trabalho ao homem. 
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LADOU, J.; HARRISON, R. Medicina ocupacional e ambiental. Porto Alegre: AMGH, 2016.
Organização dos serviços de saúde do trabalho12
SANTOS, S. V. M. et al. Saúde do trabalhador. Porto Alegre: Grupo A, 2019.
SEGURANÇA e medicina do trabalho. São Paulo: Saraiva, 2021.
Leituras recomendadas
BRASIL. Ministério do Trabalho e Previdência. Normas Regulamentadoras – NR. Bra-
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Organização dos serviços de saúde do trabalho 13

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