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RELATÓRIO DE PRÁTICA VIRTUAL IDENTIFICAÇÃO 1. Acadêmico: Antônia Nairla do Nascimento Silva 2. Matrícula: 6218567 3. Curso: Enfermagem 4. Turma:FLD6782782SAU 5. Disciplina:. Farmacologia e Toxicologia. 6. Tutor(a) Externo(a): Romulo Herlon Vidal de Negreiros DADOS DA PRÁTICA 1. Título: Quantificação Sérica de Paracetamol. 2. Semestre: VII Semestre 3. Data: 03/03/2026 INTRODUÇÃO O paracetamol (acetaminofeno) é um fármaco amplamente utilizado como analgésico e antipirético, estando presente em formulações isoladas ou em associação com outras substâncias em medicamentos de venda livre. Seu mecanismo de ação, embora não completamente elucidado, está relacionado à inibição da enzima ciclooxigenase (COX), principalmente no sistema nervoso central, o que resulta em diminuição da síntese de prostaglandinas envolvidas na dor e na febre. Devido ao seu perfil terapêutico favorável — baixa incidência de efeitos colaterais gástricos e cardiovasculares em comparação com os anti- inflamatórios não esteroidais (AINEs) — o paracetamol é considerado uma das primeiras escolhas no manejo de dores leves a moderadas e em estados febris, inclusive em populações especiais como crianças, gestantes e idosos. No entanto, apesar de seu amplo uso e aparente segurança em doses terapêuticas (geralmente até 4 g/dia em adultos), o paracetamol é também uma das principais causas de intoxicação medicamentosa no mundo. Sua toxicidade, quando administrado em doses excessivas, está relacionada à formação do metabólito hepatotóxico N-acetil-p-benzoquinonaimina (NAPQI), que, em situações de sobredosagem, excede a capacidade do organismo de neutralizá-lo por conjugação com glutationa, levando à necrose hepática. CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA - A intoxicação por paracetamol é insidiosa, com sintomas clínicos iniciais inespecíficos, como náuseas e vômitos, que podem evoluir para insuficiência hepática aguda em 48–72 horas após a ingestão. Por isso, a quantificação sérica do paracetamol desempenha papel essencial no diagnóstico, estratificação de risco e manejo terapêutico de pacientes com suspeita de ingestão tóxica. A interpretação do nível sérico é geralmente feita por meio do nomograma de Rumack-Matthew, que correlaciona a concentração plasmática com o tempo pós-ingestão para estimar a necessidade de administração do antídoto, a N-acetilcisteína (NAC). A determinação quantitativa do paracetamol no soro pode ser realizada por diferentes métodos analíticos, como espectrofotometria UV-Vis, cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC), cromatografia gasosa, imunoensaios e técnicas enzimáticas. A escolha do método depende da infraestrutura disponível no laboratório, da sensibilidade requerida e da urgência da análise. A espectrofotometria, por exemplo, é uma técnica acessível, rápida e eficaz, especialmente útil em contextos hospitalares com recursos limitados. Este trabalho tem como foco a quantificação sérica de paracetamol utilizando um método espectrofotométrico, visando simular as condições laboratoriais de um atendimento de emergência toxicológica. A análise visa também discutir os limites terapêuticos e tóxicos da substância, além da importância da detecção precoce no contexto clínico. MATERIAIS Para a realização do experimento de quantificação sérica de paracetamol por espectrofotometria, foram utilizados os seguintes materiais, reagentes e equipamentos: ➢ Paracetamol padrão (substância pura ou solução estoque); ➢ Ácido tricloroacético (TCA) 10% – para precipitação de proteínas séricas; ➢ Reagente cromogênico específico (ex: nitroanilina ou solução de NaOH, conforme o método adotado); ➢ Água destilada ou deionizada; ➢ Solução tampão (caso necessária para estabilizar o pH da reação); ➢ Amostras de soro humano (simuladas ou obtidas conforme critérios éticos e laboratoriais); ➢ Amostras-padrão de paracetamol com concentrações conhecidas (para construção da curva de calibração); ➢ Tubos de ensaio; ➢ Cubetas de quartzo ou plástico compatível com UV-Vis; ➢ Realizar a quantificação sérica de paracetamol utilizando método espectrofotométrico, simulando a aplicação clínica da análise laboratorial em casos de suspeita de intoxicação medicamentosa. ➢ Desenvolver e aplicar uma curva padrão de paracetamol para quantificação por espectrofotometria UV-Vis. ➢ Preparar e tratar amostras de soro humano (reais ou simuladas) para análise quantitativa. ➢ Determinar a concentração de paracetamol presente nas amostras, com base nos dados obtidos experimentalmente. ➢ Comparar os resultados com os limites terapêuticos e tóxicos estabelecidos na literatura científica e diretrizes clínicas. ➢ Discutir a aplicabilidade e limitações do método utilizado no contexto de diagnóstico e monitoramento de intoxicações. OBJETIVOS METODOLOGIA A metodologia empregada foi dividida em etapas: preparo da curva padrão, tratamento das amostras, e leitura espectrofotométrica. Preparou-se uma solução estoque de paracetamol (por exemplo, 1 mg/mL em água destilada). A partir da solução estoque, foram feitas diluições sucessivas para obtenção de padrões com concentrações de: 2, 4, 6, 8 e 10 µg/mL. Cada padrão foi tratado com o mesmo reagente cromogênico utilizado nas amostras (ex: adição de NaOH para gerar coloração amarelada). As amostras foram transferidas para cubetas apropriadas, e as leituras de absorbância foram feitas em espectrofotômetro ajustado para o comprimento de onda de 245 nm (ou outro, conforme método escolhido). Com os dados de absorbância, construiu-se a curva padrão (gráfico de absorbância × concentração) e obteve-se a equação da reta pelo método dos mínimos quadrados. Um volume de soro (ex: 0,5 mL) foi transferido para um tubo de ensaio. Adicionou-se um volume igual de ácido tricloroacético a 10% para precipitação de proteínas. A mistura foi centrifugada a 3000 rpm por 10 minutos. O sobrenadante foi cuidadosamente coletado e utilizado para a reação cromogênica. Após a reação, a amostra foi transferida para a cubeta e a absorbância foi medida nas mesmas condições da curva padrão. ➢ Pipetas volumétricas e automáticas (micropipetas); ➢ Ponteiras descartáveis; ➢ Béqueres e provetas graduadas; ➢ Espectrofotômetro UV-Vis com capacidade de leitura na faixa de 240– 300 nm; ➢ Centrífuga (mínimo de 3000 rpm); ➢ Banho-maria (caso o método exija aquecimento); ➢ Agitador magnético (opcional). CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA - RESULTADOS E DISCUSSÕES A concentração sérica de paracetamol obtida foi de 85,2 µg/mL, valor acima da faixa terapêutica (10 a 30 µg/mL). Este resultado é compatível com possível intoxicação aguda por paracetamol, especialmente se a amostra foi coletada entre 2 e 8 horas após a ingestão. Em casos de intoxicação aguda, o risco de hepatotoxicidade aumenta significativamente quando os níveis séricos ultrapassam 75 µg/mL em 4 horas após a ingestão, conforme a curva de Rumack-Matthew. Portanto, a concentração observada neste relatório exige avaliação clínica imediata e, se necessário, a administração de N-acetilcisteína (NAC) como antídoto. Fatores que podem influenciar o risco de toxicidade incluem: • Tempo entre ingestão e coleta da amostra; • Dose ingerida; • Peso corporal do paciente; • Presença de comorbidades hepáticas; • Uso concomitante de álcool ou medicamentos hepatotóxicos. É fundamental considerar o quadro clínico do paciente, realizar exames complementares (função hepática, INR, etc.) e acompanhar a evolução dos níveis séricos de paracetamol. O valor encontrado indica nível potencialmente tóxico de paracetamol, devendo ser interpretado em conjunto com a história clínica e o tempode exposição. Recomenda-se encaminhamento urgente ao serviço de emergência/toxicologia para manejo adequado. CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA - REGISTRO FOTOGRÁFICO CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA - REFERÊNCIAS BARROS, C. M. et al. Uso de diferentes matrizes na construção da curva padrão para a dosagem de paracetamol por espectrofotometria visível. Jornal Brasileiro de Patologia e Medicina Laboratorial, v. 57, n. 1, p. 1-7, 2021. BORGES, R. S. et al. Avanços químicos no planejamento e desenvolvimento de derivados do paracetamol. Química Nova, v. 41, n. 10, p. 1167-1177, 2018. DORIGON, O.; ALMEIDA, A. C. V. R.; COSTA, F. V. A. Intoxicação por paracetamol em gatos. Revista de Ciências Agroveterinárias, v. 12, n. 1, p. 88-93, 2013. FARIAS, M. T. et al. Aspectos moleculares e citotóxicos do paracetamol: uma revisão narrativa. Revista Eletrônica Acervo Saúde, v. 13, n. 8, e8511, 2021. KATZUNG, B. G.; VANDERAH, T. W. Farmacologia básica e clínica. 15. ed. Porto Alegre: Artmed, 2022. KLAASSEN, C. Fundamentos em toxicologia de Casarett e Doull. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2012. OLSON, K. R. Manual de toxicologia clínica. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014. SILVA, J. G. et al. Hepatotoxicidade induzida pelo paracetamol e a utilização do nomograma de Rumack-Matthew para avaliar a terapêutica com n- acetilcisteína. Revista Uningá, v. 56, n. 4, p. 65-84, 2019. WHALEN, K.; FINKEL, R.; PANAVELIL, T. A. Farmacologia ilustrada. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2016. CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA -