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NA PRATICA ,
CLINICA
,
CONSULTA RAPIDA
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NA PRÁTICA
CLÍNICA
CONSULTA RAPIDA
L 123 Laboratório na prática clínica [recurso eletrônico] / Ricardo M.
Xavier . . . [et ai.]. - 2. ed. - Dados eletrônicos. - Porto
Alegre : Artmed, 201 1 .
(Consulta rápida)
Editado também como livro impresso em 201 O.
ISBN 978-85-363-241 4-2
1 . Medicina - Laboratório. 2. Clínica médica. 3. Semiologia.
1 . Xavier, Ricardo M.
CDU 61 6-07
Catalogação na publicação: Ana Paula M. Magnus - CRB-1 0/Prov-009/1 0
RICARDO M. XAVIER
, JOSE MIGUEL DORA
CAROLINA FISCHINGER MOURA DE SOUZA
ELVINO BARROS E COLABORADORES
, ,
NA PRATICA
,
CLINICA
,
CONSULTA RAPIDA
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2ª EDIÇAO
201 0
© Artmed Editora S.A. , 2010
Capa: Tatiana Sperhacke
Preparação de originais: Márcia Rolim Serafini, Márcio Christian Friedl
Leitura final: Sandra da Câmara Godoy
Editora Sênior - Biociências: Letícia Bispo de Lima
Editora responsável por esta obra: Laura Ávila de Souza
Projeto gráfico e editoração eletrônica: T I POS design editorial
Reservados todos os direitos de publicação, em língua portuguesa, à
ART MED® EDIT ORA S.A.
Av. Jerônimo de Ornelas, 670 - Santana
90040-340 Porto Alegre RS
Fone (51 ) 3027-7000 Fax (51) 3027-7070
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E proibida a duplicação ou reprodução deste volume, no todo ou em parte,
sob quaisquer formas ou por quaisquer meios (eletrônico, mecânico, gravação,
fotocópia, distribuição na Web e outros), sem permissão expressa da Editora.
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SAO PAULO
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PRINTED IN BRAZIL
Ricardo M. Xavier. Professor Associado do Departamento de Medicina I nterna da
Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Chefe do Serviço de Reumatologia do Hospital de Clín icas de Porto Alegre (HCPA).
Doutor em lm unologia pela Universidade de Shimane, Japão.
Jose Miguel Dora. Médico l ntern ista e Endocrino logista. Médico do Serviço de
Patologia Clín ica e da Com issão de Medicina Laboratorial (COMLAB) do HCPA.
Doutorando em Endocrinologia pela UFRGS.
Carolina Fischinger Moura de Souza. Médica do Serviço de Genética Médica do
HCPA. Especial ista em Genética Médica e Bioq uím ica e Pato logia Clínica pela
Associação Médica Brasileira (AMB). Doutora em Biologia Molecular pela UFRGS.
Elvino Barros. Professor Associado do Departamento de Medicina I nterna da
Faculdade de Medicina da UFRGS . Médico do Serviço de Nefrologia do HCPA.
Doutor em Nefrologia pela Un iversidade Federal de São Paulo/Escola Paulista
de Medicina (UNIFESP /EPM).
Afonso Luís Barth. Professor Adjunto da UFRGS. Pesquisador de Prod utividade
em Pesqu isa 1 B do CNPq. Chefe do Serviço de Pato logia Clínica do HCPA. Doutor
em Microbio logia Clínica pela Un iversidade de Londres.
Airton Tetelbom Stein. Professor Titular de Saúde Coletiva da Universidade Federal
de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Professor Adjunto de Saúde
Coletiva da Universidade Luterana do Brasi l (ULBRA). Coordenador de Protocolos
Assistenciais do Grupo Hospitalar Conceição (GHC).
Alex Pospich Cioffi. Médico l nternista. Médico Residente do Serviço de Endocri
nologia do HCPA.
Alexandre de Araujo. Médico da Eq uipe de Transplante Hepático do Serviço de
Gastroenterologia do HCPA. Doutor em Gastroenterologia pela UFRGS.
Alexandre Luis Klamt. Médico Residente do Serviço de Gastroenterologia do HCPA.
Alice de Medeiros Zelmanowicz. Médica Oncologista. Coordenadora do Centro
de Prevenção de Câncer da Irmandade Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre.
Doutora em Epidem iologia pela UFRGS .
Ana Luiza Maia. Professora Associada da Faculdade de Medicina da U FRGS. Chefe
do Setor de Tireoide do Serviço de Endocrinologia do HCPA.
Ana Paula Alegretti. Farmacêutica-Bioquím ica do Serviço de Patologia Clín ica do
HCPA. Mestre em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da UFRGS.
Ana Paula Webber Rossini. Médica l nternista. Médica Residente do Serviço de
Card io logia do HCPA.
André Wajner. Médico lnternista e Emergencista. Vice-Presidente da Sociedade
Brasileira de Medicina Hospitalar. Preceptor da Residência de Clínica Médica do
Hospital Nossa Senhora da Conceição. Coordenador do Serviço de Medicina
Hospitalar do Hospital Municipal Getúlio Vargas (Sapucaia do Sul).
Andréia Biolo. Médica Card io logista. Professora do Curso de Pós-Graduação em
Card iologia e Ciências Card iovasculares da UFRGS Médica do Serviço de Car
d iologia do HCPA. Doutora em Card io logia e Ciências Vasculares pela UFRGS e
pela Boston University.
A
Angela Beatriz John. Médica Contratada do Serviço de Pneumo logia do HCPA.
Especial ista em Pneumologia pela Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia
(SBPT). Especial ista em Endoscopia Respiratória pela Sociedade Brasileira de En
doscopia Peroral (SBEP) . Especial ista em Terapia I ntensiva pela Associação de
Medicina I ntensiva Brasileira(AMIB) . Mestre em Ciências Pneumológicas pela
UFRGS.
Angélica Dai Pizzol. Médica Residente do Serviço de Neurologia do HCPA.
Antônio de Barros Lopes. Médico Contratado do Serviço de Emergência do HCPA.
Mestre em Gastroenterologia pela UFRGS.
Artur Francisco Schumacher Schuh. Médico Residente do Serviço de Neurologia
do HCPA.
Beatriz D'Agord Schaan. Professora Adjunta do Departamento de Medicina I nterna
da Faculdade de Medicina da UFRGS. Professora do Programa de Pós-Graduação
em Endocrinologia da UFRGS. Doutora em Ciências Médicas pela UFRGS.
Brasil Silva Neto. Médico Uro logista. Membro Titular da Sociedade Brasi leira de
Urologia. Research Fellow, U ro logy, Department, Lahey Clinic Medical Center,
Boston/EUA. Doutor em Ciências Cirúrgicas pela UFRGS .
•
VI
Briele Keiserman. Médica Reumatologista do HCPA.
Camila Matzenbacher Bittar. Médica Residente do Serviço de Genética Médica
do HCPA.
Candice Franke Krumel. Médica Gastroenterologista.
Carlos Alberto Prompt. Professor Assistente do Departamento de Medicina I nterna
da Faculdade de Medicina da UFRGS.
Carlos Fernando Francesconi. Professor do Departamento de Medicina I nterna
da U FRGS. Chefe do Serviço de Gastroenterologia do HCPA. Doutor em Gastroen
terologia pela U FRGS.
Carolina da Fonte Pithan. Médica Hematologista e Hemoterapeuta do Hospital
Nossa Senhora da Conceição. Coordenadora do Programa de Residência Médica
em Hemato logia e Hemoterapia do Hospital Nossa Senhora da Conceição.
Caroline Kaercher Kramer. Médica Endocrino logista. Doutoranda em Endocrino
logia pela U FRGS.
Christina Matzenbacher Bittar. Méd ica Hemato logista do HCPA, do Hospital Mãe
de Deus e do Hospital Materno I nfantil Presidente Vargas. Doutora em Ciências
Médicas pela UFRGS.
Clarissa Troller Habekost. Médica Neuro logista do HCPA.
Cristiane Seganfredo Weber. Médica Hematologista e l nternista. Médica Hema
tologista do Serviço Hemato logia e Transplante de Medu la Óssea do HCPA. Mé
d ica do Laboratório do Hospital Mãe de Deus, Porto Alegre.
Cristina Antonini Arruda. Médica Gastroenterologista do HCPA.
Cristina Flores. Méd ica Gastroenterologista. Médica Contratada do Serviço de
Gastroenterologia do HCPA. Especial ista em Endoscopia Digestiva pela Sociedade
Brasi leira de Endoscopia Digestiva (SOBED). Mestre em Gastroenterologia pela
UFRGS.
Denise Rossato Silva. Médica l nternista e Pneumologista. Médica do Serviço de
Pneumo logia do HCPA. Mestre em Ciências Pneumológicas pela UFRGS.
Diego Rodrigues Falei. Médico l nfecto logista do Serviço de Controle de I nfecção
Hospitalar do Hospital Nossa Senhora da Conceição, Porto Alegre. Mestre em
Ciências Médicas pela UFRGS.
• •
VII
Diego Santana Chaves Geraldo Miguel. Médico Residente do Serviço de Genética
Médica do HCPA.
Eduardo Gehling Bertoldi. Médico Residente do Serviço de Card iologia do HCPA.Erlon Oliveira de Abreu Silva. Méd ico l nternista. Médico Residente de Card iologia
do Instituto de Card iologia do Rio Grande do Su l . Mestrando em Card io logia e
Ciências Card iovasculares pela UFRGS.
Fábio Munhoz Svartman. Médico l nternista e Pneumo logista. Médico Contratado
do Serviço de Pneumologia do HCPA. Título de Especial ista pela Sociedade Bra
sileira de Pneumo logia e Tisiologia (SBPn. Mestrando em Ciências Médicas pela
UFRGS.
Fabíola Satler. Médica l nternista e Endocrinologista. Mestranda em Endocrinologia
pela UFRGS.
Fernando Saldanha Thomé. Professor Adjunto do Departamento de Med icina
I nterna da UFRGS. Médico do Serviço de Nefro logia do HCPA. Douto r em Nefro
logia pela U FRGS.
Filippo P. Vairo. Médico Residente do Serviço de Genética Médica do HCPA.
Flavo Beno Fernandes. Médico Hematologista e Pato logista Clínico. Médico do
Serviço de Patologia Clínica do HCPA. Assessor Médico do Laboratório Weinmann.
Francisco Veronese. Professor Adjunto do Departamento de Med icina Interna
da Faculdade de Medicina da UFRGS. Médico do Serviço de Nefrologia do HCPA.
Guilherme Geib. Médico lntern ista e Oncologista. Médico do Serviço de Medicina
I nterna do HCPA.
Guilherme Heiden Teló. Médico lnternista, Card iologista e Ecocard iografista. Mé
d ico Contratado do Serviço de Medicina Interna do Grupo Hospitalar Conceição.
Mestrando em Card io logia e Ciências Card iovasculares pela UFRGS.
Gustavo Adolpho Moreira Faulhaber. Médico l nternista e Hematologista. Médico
Contratado do Serviço Medicina I nterna do HCPA. Médico Pato logista Clínico
do Laboratório Weinmann. Especialista em Patologia Clín ica pela AMB. Mestre
em Ciências Médicas pela UFRGS.
Gustavo Peretti Rodini. Médico G inecologista e Obstetra. Especial ista em Video
laparoscopia e H isteroscopia pela Federação Brasileira das Associações de G ine
cologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Mestrando em Ciências Méd icas pela UFRGS .
. . .
VIII
Gustavo Schroeder. Médico Cirurgião Geral. Médico Residente do Serviço de Uro
logia do HCPA.
Haley Calcagnotto. Médico Ginecologista e Obstetra. Preceptor do Programa de
Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Geral de Caxias do
Sul . Mestrando em Ciências Médicas pela UFRGS.
Helena von Eye Corleta. Professora Associada da Faculdade de Medicina da UFRGS.
Coordenadora do Gerar - N úcleo de Reprodução Humana do Hospital Mo inhos
de Vento. Doutora em Medicina pela Universidade Ludwig- Maxim i lian, Munique,
Alemanha.
Helenice Pankowsky Breyer. Médica Gastroentero logista do HCPA. Mestre em
Gastroenterologia pela UFRGS.
Ismael Maguilnik. Professor Adjunto de Medicina I nterna da UFRGS. Chefe da
Un idade de Endoscopia Digestiva do HCPA.
Jamile Abud. Bióloga dos Laboratórios Mãe de Deus/Diagnóstico das Américas
S.A. (DASA). Mestre em Gastroenterologia pela U FRGS.
Jean Carlos de Matos. Médico Ginecologista e Obstetra. Médico Contratado do
HCPA e do Hospital Matemo Infantil Presidente Vargas. Mestre em Ciências Méd icas
pela UFRGS. Especial ista em Patologia Cervical e Colposcopia pela Associação
Brasi leira de Genitoscopia (ABG).
Joana Marcela Cagnini Ciocari. Médica Hematologista e Hemoterapeuta. Médica
Residente em Transplante de Medula Óssea do Serviço de Hematologia do HCPA.
Joíza Lins Camargo. Farmacêutica-Bioquím ica. Chefe da Unidade de Bioquím ica
e lm unoensaios do Serviço de Patologia Clínica do HCPA. Doutora em Endocri
nologia pela UFRGS.
Jordana de Fraga Guimarães. Médica Residente do Serviço de Medicina I nterna
do HCPA.
José Antônio de Azevedo Magalhães. Professor Associado do Departamento de
Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina da UFRGS. Coordenador do
Grupo de Medicina Fetal do HCPA e do Hospital Mãe de Deus.
José Augusto Sisson de Castro. Méd ico E ndocr ino logista. Professo r do
Departamento de Medicina I nterna da Faculdade de Medicina da UFRGS. Doutor
em Ciências Méd icas pela UFRGS.
•
IX
José Geraldo Lopes Ramos. Professor Associado do Departamento de G inecolo
gia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina da UFRGS. Professor do Programa
de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da Faculdade de Medicina da UFRGS.
Vice-Diretor da Faculdade de Medicina da U FRGS. Gestor do Serviço de G ineco
logia e Obstetrícia do Hospital Mãe de Deus.
José Vanildo Morales. Professor Associado da Faculdade de Medicina da UFRGS.
Doutor em Nefrologia pela UFRGS.
Juliana Gil Thomé. Méd ica Card iologista.
Júlio César Corrêa Martins. Médico l nternista. Preceptor do Am bu latório de Hi
pertensão do HCPA. Diretor Técnico do Hospital U nimed Vale do Caí.
Leandro Bizarro M üller. Médico Gastroentero logista. Professor do Curso de Me
d icina da Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC).
Lenise Valler. Médica Residente do Serviço de Neurologia do HCPA.
Leo Sekine. Médico Hematologista e Hemoterapeuta. Médico Contratado do
Serviço de Hemoterapia do HCPA.
Letícia Schwerz Weinert. Médica l ntern ista e Endocrino logista. Doutoranda em
Endocrinologia pela U FRGS.
Liana Farias Leiria. Méd ica l ntern ista e Endocrinologista.
Lisandra Della Costa. Médica Hematologista e Hemoterapeuta. Médica Residente
do Serviço de Transplante de Medu la Óssea do HCPA.
Livia Adams Goldraich. Médica l nternista e Card iologista. Médica Contratada do
Serviço de Emergência do HCPA. Mestranda em Card io logia e Ciências Card io
vasculares pela UFRGS.
Lucas Scotta Cabral. Médico Neurologista. Mestrando em Ciências Médicas pela
UFRGS.
Luciano Zubaran Goldani. Chefe do Serviço de lnfectologia do HCPA.
Luciano Serpa Hammes. Médico G ineco logista e Obstetra. Coordenador da
Unidade de Pesquisa em Saúde do I nstituto de Ed ucação e Pesq uisa do Hospital
Moinhos de Vento. Pós-Doutorem Ciências Méd icas pela Universidade do Texas,
EUA. Certificado pela Society of Cl inica! Research Associates.
Luciano Werle Lunardi. Médico Residente em lnfectologia do HCPA.
X
Luís Beckda Silva Neto. Professor do Programa de Pós-Graduação em Card iologia
e Ciências Card iovascu lares da UFRGS. Doutor em Card io logia e Ciências Car
d iovasculares pela UFRGS. Fel/owship em Insuficiência Cardíaca pela Un iversity
of Ottawa, Canadá.
Luis Henrique Canani. Professor Adjunto do Departamento de Medicina I nterna
da Faculdade de Medicina da UFRGS.
Luiz Carlos Paul. Médico lnternista. Médico Residente do Serviço de Card iologia
do HCPA.
Luiz Felipe Santos Gonçalves. Professor Adjunto da Faculdade de Medicina da
UFRGS. Médico Nefro logista do HCPA.
Marcelle Duarte Alves. Médica l nfecto logista e lnternista.
Marcelo lasso Gazzana. Médico Pneumologista do Serviço de Pneumo logia do
HCPA. Médico l ntensivista do CTI Adu lto do Hospital Moinhos de Vento . Mestre
em Ciências Pneumológicas pela UFRGS.
Maria Cristina Gomes Matos. Médica Endocrinologista. Doutora em Clínica Médica
pela UFRGS.
Maria Lúcia Rocha Oppermann. Professora Adjunta do Departamento de G ine
cologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina da UFRGS. Conselheira do Con
selho Regional de Med icina do Rio Grande do Sul (CREMERS). Doutora em Epide
m iologia pela UFRGS.
Maria Luiza Leão Brisolara. Farmacêutica-Bioquím ica. Coordenadora do Com itê
da Garantia da Qualidade do Serviço de Patologia Clínica do HCPA. MBA em
Gestão em Saúde pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Mariana Vargas Furtado. Médica Emergencista. Pesquisadora do Grupo de Car
d iopatia lsquêm ica do HCPA. Mestre em Card iologia e Ciências Card iovasculares
pela UFRGS.
Marilei Wolfart. Farmacêutica-Bioquím ica do Serviço de Patologia Clínica do HCPA.
,
Mário Reis Alvares-da-Silva. Médico Hepatologista do HCPA. Professor Adjunto
do Departamento de Medicina I nterna da UFRGS. Douto r em Gastroentero logia
pela UFRGS.
Marli Maria Knorst. Professora Associada do Departamento de Medicina I nterna
da Faculdade de Medicina da UFRGS. Médica Assistente do Serviço de Pneumo
logia do HCPA.
•
XI
Marlon Roberto Fiorentini. Médico CirurgiãoGeral. Médico Residente do Serviço
de Urologia o HCPA.
Mateus Dornelles Severo. Médico Residente do Serviço de Endocrinologia do
HCPA.
Matheus Truccolo Michalczuk. Médico Gastroentero logista do HCPA.
Maurício Pimentel. Médico do Serviço de Card iologia do HCPA e do Hospital São
Francisco, Porto Alegre. Especial ista em Eletrofisiologia Cardíaca pela Sociedade
Brasi leira de Arritm ias Cardíacas (SOBRAC) . Mestre em Card io logia e Ciências
Card iovasculares pela UFRGS.
Mauro Antônio Czepielewski. Professsor Associado do Departamento de Medicina
I nterna da Faculdade de Medicina da UFRGS. Diretor da Faculdade de Medicina
da UFRGS. Médico do Serviço de Endocrinologia HCPA.
Milton Berger. Professor Adjunto de U rologia da U FRGS . Doutor em Ciências
Cirúrgicas pela UFRGS.
Patricia Ashton Prolla. Médica Geneticista. Professora do Departamento de Ge
nética da UFRGS. Médica do Serviço de Genética Médica do HCPA.
Paulo de Tarso Roth Dalcin. Méd ico Pneumo logista. Professor Associado da
Faculdade de Medicina da UFRGS. Méd ico do Serviço de Pneumo logia do HCPA.
Paulo Naud. Professor Adjunto do Departamento de G inecologia e Obstetrícia
da UFRGS. Coordenador do Projeto de Prevenção e Controle do Câncer da Cérvix
(Projeto Vacina HPV) do HCPA. Membro da l nternational Federation of Cervical
Pathology and Colposcopy (I FCPC-ln.
Rafael Selbach Scheffel. Médico l ntern ista e Endocrino logista. Doutorando em
Endocrinologia pela U FRGS.
Raquel Scherer de Fraga. Médica Gastroenterologista. Coordenadora do Programa
de Residência Médica em Gastroentero logia do Hospital da Cidade de Passo
Fundo. Doutora em Gastroentero logia pela U FRGS.
Renato Borges Fagundes. Professor de Gastroenterologia do Departamento de
Clínica Méd ica da Un iversidade Federal de Santa Maria (UFSM). Doutorem Gas
troenterologia pela UFRGS.
Roberto Ceratti Manfro. Professor Associado da Faculdade de Medicina da UFRGS.
Chefe do Serviço de Nefrologia do HCPA .
• •
XII
Roberto Rossato. Médico Neurologista do HCPA. Médico Neuro logista e Neurofi
siologista do Hospital São José da Santa Casa de Misericórd ia de Porto Alegre.
Sabrina Bollmann Garcia. Médica Pneumologista.
Sérgio Gabriel Silva de Barros. Professor Associado do Departamento de Medicina
I nterna da Faculdade de Medicina da UFRGS. Médico do Serviço de Gastroentero
logia do HCPA. Doutor em Ciências Méd icas pela U FRGS.
Sérgio H. Martins-Costa. Professor Associado do Departamento de G inecologia e
Obstetrícia da Faculdade de Medicina da UFRGS. Chefe do Serviço de G inecologia
e Obstetrícia do HCPA. Gestor do Serviço de G inecologia e Obstetrícia do Hospital
Mãe de Deus, Porto Alegre.
Sérgio Saldanha Menna Barreto. Professor Titu lar do Departamento de Medicina
I nterna da Faculdade de Medicina da UFRGS. Pós-Doutor pela Un iversidade de
Toronto, Canadá.
Stela Scaglioni Marini. Médica l ntern ista e Gastroentero logista. Médica Contra
tada do Hospital Geral de Caxias do Sul . Mestranda em Gastroentero logia da
UFRGS.
Tânia Weber Furlanetto. Professora Associada do Departamento de Medicina
I nterna da Faculdade de Medicina da UFRGS. Doutora em Endocrinologia pela
U N 1 FESP /E PM. Pós-Doutora em Endocrinologia pela Northwestern U niversity,
Chicago, 1 l l ino is, EUA.
Walter Escouto Machado . Acadêm ico da Faculdade de Medicina da UFRGS.
Yaser M. G. M. EI Badad. Médico Reumato logista.
. . .
XIII
a
,
E com mu ita satisfação que lançamos a segunda ed ição do livro Laboratório na
prática clínica: consulta rápida. Devido ao rápido avanço tecnológico na área de
med icina laboratorial, tornou-se necessária a atual ização das informações méd icas
e a incorporação de novos exames na área de análises clín icas e d iagnóstico
laboratorial.
Esta nova ed ição inclui , na maioria dos capítulos, fluxogramas de d iagnóstico
laboratorial para as principais patologias d istribuídas nas d iferentes especialidades
méd icas. O objetivo é sugerir aos profiss ionais da área da saúde fluxogramas
racionais e baseados em evidências para utilizar os recursos d iagnósticos da área
de med icina laboratorial. Uma das novidades desta ed ição é a apresentação de
casos clínicos relacionados ao tema de cada capítulo, além da descrição de como
o laboratório pode auxil iar em sua resolução d iagnóstica. No final dos capítulos
há ainda uma descrição do desfecho clínico de cada caso com base na orientação
da investigação laboratorial. Esses casos são i lustrativos e representam situações
reais da prática méd ica, enfatizando a im portância da racionalização da investi
gação laboratorial.
Este l ivro continua sendo com posto por três partes: na primeira são apresen
tadas as informações gerais sobre med icina laboratorial que consideramos úteis
para o profissional da saúde, incluindo uma visão sobre o laboratório moderno
de análises clín icas e seu relacionamento com o méd ico, além de noções sobre as
principais técnicas laboratoriais e sobre a interpretação dos resultados dos testes.
Segue-se o corpo principal do texto, no qual cada capítu lo aborda o uso dos
testes laboratoriais na investigação das principais situações clín icas das d iversas
especialidades. Ao final, incluímos os exames específicos com valores de referência
e as principais ind icações de seu uso em ordem alfabética, para perm itir uma
rápida consulta.
Por fim , esta nova ed ição inclui tam bém uma cartela com os principais exames
laboratoriais util izados na rotina méd ica d iária. Essa cartela poderá ser consultada
tanto para obter valores de referência dos exames como para guiar a solicitação
dos exames mais frequentes conforme a s ituação clínica.
Gostaríamos de fazer um agradecimento especial ao Dr. Fi l ippo P. Vairo, pelo
auxílio na revisão da Parte I l i , bem como pela sugestão de sites para a boa parte
dos capítulos apresentados na Parte l i .
Os organizadores
,
a
O laboratório clínico é certamente o setor da assistência em saúde que sofre em
primeiro lugar o im pacto dos avanços da pesquisa bioméd ica. Como esses avanços
estão ocorrendo em grande velocidade, é facilmente com preensível o enorme
progresso que esse setor tem apresentado nas ú ltimas décadas, em especial na
variedade e qualidade dos testes laboratoriais q ue são oferecidos aos méd icos e
demais profiss ionais da saúde.
O méd ico utiliza os resultados dos exames laboratoriais como informações
q ue devem ser interpretadas - juntamente com os demais dados obtidos durante
,
a consulta - e util izadas na tomada de decisões clínicas. E evidente que esses
profissionais, nos últimos anos, estão se tornando cada vez mais dependentes
das i nformações oriundas do laboratório. No entanto, a prática moderna da me
d icina determ ina que esse processo de tomada de decisões deve ser sem pre
baseado nas melhores evidências d isponíveis na literatura méd ica, inclu indo tam
bém considerações relacionadas à custo-efetividade e ao im pacto nos desfechos
clínicos. E isso vale não somente para as decisões terapêuticas, mas tam bém para
as d iagnósticas, incluindo a seleção e interpretação dos testes laboratoriais.
Levando em consideração os dois aspectos recém -citados, ou seja, o rápido
progresso no setor de anál ises clín icas e as exigências da prática moderna da
med icina, fica bastante claro o desafio que os méd icos enfrentam para em prega
rem de maneira racional e eficiente o laboratório na prática clínica d iária.
O presente trabalho objetiva auxil iar nesta tarefa. Acred itamos que a melhor
maneira de fazê- lo é expondo, de maneira sucinta e esquemática, as melhores
evidências de como investigar os problemas mais com u ns no consultório nas
d iversas especialidades clínicas.
A formatação deste livro com preende três partes: na primeira são apresentadas
informações gerais sobre medicina laboratorial que consideramos úteis para o
profissional da saúde, incluindo uma visão sobre o laboratório moderno de análi
ses clínicas e seu relacionamento com o médico, além de noções sobre as principais
técnicas laboratoriais e sobre a interpretação objetiva dos resultados dos testes.
Segue-se o corpo principal do texto , onde cada capítulo aborda o uso dos testes
laboratoriais na investigação das principais situações clín icas das d iversas especiali
dades. Ao final incluímos os exames específicos com valores de referência e as
principais ind icações de seu uso em ordem alfabética para faci l itar uma consulta
rápida.
Queremos lem brar que existe uma grande variedade de métodos, equipamen
tos e processamento dos d iferentes materiais biológicos a serem exam inados.
Por isso , devem ser sem pre consu ltados os valores de referência do laboratório
específico que realizou o exame. Os valores de referência aqu i apresentados
poderão ser d iferentes dos valores de outros laboratórios, assim como a meto
dologia util izada. Além d isso, é im portante lem brar que esses valores podem ser
alterados a qualquer momento em função dos novos conhecimentos adqu iridos.
Os organizadores
• • •
XVIII
AAH
AAS
aCL
ACTH
ADA
ADH
ADP
aFL
AFP
AGA
AIJ
AINEs
AL
ANCA
AR
ASLO
AS CUS
AT- 1 1 1
ATR
AVC
BAAR
BNP
BT
Ca
e-ANCA
CAT-SP
Anticorpo anti-h istona
,
Acido acetilsalicílico
Anticorpos anticard io 1 i pi na
Hormôn io
ade noco rtico trófico
Adenosina deam inase
Hormônio antid iurético
Adenosina d ifosfato
Anticorpos fosfol ipídeos
a-feto proteína
Associação Americana de
Gastroentero logia
Artrite id iopática juveni l
Anti-inflamatório não
esteroidais
Anticoagulante Lúpico
Anticorpo anticitoplasma
de neutrófilos
Artrite reumato ide
Antiestreptol is ina O
Células escamosas atípicas
com sign ificância
indeterm inada
Antitrom bina I l i
Acidose tubular renal
Acidente vascu lar cerebral
Bacilo álcool-ácido
resistente
Peptídeo natriu rético tipo B
Bi l irrubina total
Cálcio
Anticorpo anticitoplasma
de neutrófilo pad rão
eito plasmático
Cateterismo venoso dos
seios petrosos i nfe rio res
CBAVD Ausência bi lateral
congên ita dos duetos
deferentes
CCL Contagem de corpos
lamelares
CCP Peptídeo cíclico citru l inado
CD Citológico d iferencial
CEA Antígeno
carcinoem brionário
CFTR Regulador de condutância
transmem brana da fibrose
cística
CIVD Coagulação intravascular
d isseminada
CK
CK-MB
CLCa
CLCr
CLIA
CMV
CP
CPER
Cr
CREST
CRH
CT
CTx
CYA
Creatinoquinase
Creatinoq uinase fração MB
Clearance de cálcio
Clearance de Creatin ina
l m u noensaio
quim iolum inescente
Citomegalovírus
Cito patológico
(Papanicolaou)
Colangiopancreatografia
endoscópica retógrada
Creatin ina
Esclerose sistêm ica forma
lim itada (calcinose,
Raynaud, esôfago ,
esc le rod acti 1 ia,
telangiectasia)
Hormônio l iberador da
corticotrofina
Colesterol total
C-teleopeptídeo sérico
Ciclosporina
DAC
DAEM
DCCT
DDAVP
DDPC
DE
DHEA
DI 1
DM
DMG
DMO
DMTC
DRC
DTPA
DvW
EBV
ECG
ECLIA
ELISA
EMIT
Enterotc
EPF
EQU
ES
FA
FAN
FG
FID
FLIPI
FPIA
FR
FSH
XX
Doença aterosclerótica
•
coro na ria na
Distúrbio androgênico do
envelhecimento mascul ino
Diabetes Contro/ and
Comp/ications Triai
Desmopressina
Doença de depósito de
pirofosfato de cálcio
Disfunção erétil
De id roe pia nd roste ro na
Doença inflamatória
intestinal
Diabete mel ito
Diabete mel ito gestacional
De nsitometria óssea
Doença m ista do tecido
conjuntivo
Doença renal crônica
acido
Dietilenotriam inopentacético
Doença de von Willebrand
Vírus Epstein-Barr
E letroca rd iogram a
l m u noensaio
e letroquim iolum inescente
Ensaio imunoenzimático
lm unoensaio enzimático
m ultipl icado
Enterotomografia
com putadorizada
Exame parasitológico
de fezes
Exame qualitativo de urina
Esclerose s istêm ica
Fosfatase Alcalina
Fator antinuclear
Filtração glomerular
Fossa ilíaca d ireta
,
lnd ice prognóstico
internacional para l infoma
folicular
Fluorescência polarizada
Fator reumatoide
Hormônio folículo
estim ulante
FTA-ABS
FvW
GASA
GBM
GGT
GH
GIG
GN
GNPE
GnRH
HAC
Absorção fluorescente do
anticorpo antitreponema
Fator de von Wilebrand
Gradiente de album ina
so ro-ascite
Mem brana basal glomerular
Gama G lutam i l Transferase
Hormônio do crescimento
Grande para a idade
gestacional
G lom e ru lo nefrite
G lo me ru lo nefrite
pós-estre ptocóc ica
Hormônio l iberador de
gonadotrofina
H iperplasia adrenal
congênita
HAC-C H iperplasia adrenal
congênita clássica
HAC-NC Hiperplasia adrenal
HAS
HAV
HbA1c
HbsAg
HBV
hCG
congênita não clássica
H ipertensão arterial
sistêm ica
Vírus da Hepatite A
Hemoglobina gl icada
Antígeno de superfície da
hepatite B (antígeno
Austrália)
Vítus da Hepatite B
Gonodotrofina coriônica
homana
HCV Vírus da Hepatite C
H DL lipoproteína de alta
densidade
HDV Vírus da Hepatite D
HELLP Hemolytic anemia e/evated
/iverenzymes and /ow
plateled count
HHF H ipercalcem ia
hipocalciúrica fam iliar
HIV Vírus da imunodeficiência
humana
H LA Antígeno leucocitário
humano
HMWK Cininogênio de alto peso
molecular
H P
H PV
HSV
Ht
HU
IA
IAM
IC
ICA-51 2
ICC
IDL
I ECAs
1 FI
lgA
IGF1
IGFBP3
lgE
lgG
lgM
1 L-6
IMC
I PC
I RA
I RC
1 S I
ITR
IV
K
LA
LCS
LDH
LDL
LES
LH
H ipertensão portal
Papilomavírus humano
Herpes vírus sim pies
Hematócrito
Un idade Hounsfield
1 nsuficiência ad renal
1 nfarto agudo do m iocárd io
I nsuficiência cardíaca
Anticorpo anti- i lhota
pancreática
1 n s uf ic iê nc ia cardíaca
congestiva
Lipoproteína de densidade
intermed iária
I n ibidores da enzima
conversora de
a ngioste ns i na
1 m u nofl uo rescê ncia indireta
l m u noglobul ina A
fator de crescimento
semelhante à insul ina 1
Proteína ligadora tipo 3
do fator de crescimento
semelhante à insul ina
l m u noglobul ina E
lm unoglobul ina G
l m u noglobul ina M
lnterleucina 6
,
l nd ice de massa corporal
Índ ice de proteinúria/
creatinúria
I nsuficiência renal aguda
Insuficiência renal crôn ica
Índ ice de sensibi l idade
i nte rnac io na 1
Tripsina im unorreativa
1 ntra venoso
potássio
Líquido am niótico
Líquido cerebrospinal
Lactato desidrogenase
Lipoproteína de baixa
densidade
Lúpus eritematoso
sistêm ico
Hormônio lute in izante
LPa
LPA
MAO
MCAD
MDRD
NEM2
MHC
MMG
MPO
MTD
ND
NTA
NTx
OMS
p
PA
p-ANCA
PAPP-A
PBE
PBS
PCR
PE
PIG
pH
PKU
PL
PM
PMN
PNTN
Po lim icr
Lipoproteína A
Ácido 1 iso fosfa tíd ico
Mo noam inox idas e
Desid rogenase da Acil-CoA
de cadeia média
Modification of diet in
renal disease
Neoplasia endócrina
mú ltipla tipo 2
Com plexo principal de
histocom patibi l idade
Mamografia
Mieloperoxidase
Monitoração terapêutica
de drogas
Não d isponível
Necrose tubular aguda
N-te leo pe ptíd eo uriná rio
Organização Mund ial da
Saúde
Progeste ro na
Pancretatite aguda
Anticorpo anticitoplasma
de neutrófilo padrão
perinuclear
Proteína A plasmática
assoe iad a à gestação
Peritonite bacteriana
espontânea
Peritonite bacteriana
secundária
Reação em cadeia da
pol imerase
Pré-eclâm psia
Pequeno para a idade
gestacional
potencial hidrogeniôn ico
Fe n i Ice to nú ria
Punção lom bar
Poliomiel ite
Po l imorfon ucleares
Programa Nacional de
Triagem Neonatal
Cultura com crescimento
de mais de uma espécie
de bactéria
•
XXI
PR3
PRL
PSA
PT
PTH
PTHi
PTT
RI
RN
RNA
RNI
RNP
RPR
SAAF
se
SCA
S-DHEA
SHBG
SHU
SIADH
S l l -D
SNA
SN
SNC
SOP
ss
SUA
TB
TBG
• •
XXII
Anticorpo antiproteinase 3
Prolactina
Antígeno prostático
específico
Proteínas totais
Paratormônio
Paratormônio intacto
Púrpura trom bocitopên ica
trom bótica
Resistência insulínica
Recém-nascido
,
Acido ribonucleico
Razão de normal ização
i nte rnac io na 1
Ribo nucleo proteína
Rapid plasma regain
Sí nd rom e anticorpo
a ntif o sf o lí p ide
Sínd rome de CushingSíndrome coronariana
aguda
Sulfato de
deid roepiand rostero na
G lobul ina ligadora de
hormônios sexuais
Síndrome hemolítico-
,.. .
urem 1ca
Síndrome da secreção
inapropriada do hormônio
a ntid i u rético
Sínd rome do intestino
irretratável com
predomínio de d iarréia
Síndrome nefrítica aguda
Síndrome nefrótica
S istema nervoso central
Síndrome dos ovários
po 1 icísticos
Sínd rome de Sjõgren
Sangramento uterino
anormal
Tuberculose
G lobul ina ligadora da
tiroxina
TC
Tg
TG
TGI
TGO
TG P
TK
TL
TLC
Tnl
TnT
TP
TPO
TRAB
TRH
TS
TSH
TT
TTG
TTPA
TVP
VCM
VDRL
VI P
VLCFA
VLDL
VPM
VSG
�-hCG
Tomografia
com putadorizada
Ti reoglo bu 1 i na
Trig 1 ice ríd eos
Trato gastrintestinal
Transam inase glutâm ico
oxalacética (Asn
Transam inase glutâm ico
pirúvica (ALT)
Tacrol imus
Testosterona livre
Cá leu lo da testos terona
livre
Troponina 1
Troponina T
Tem po de protrom bina
Anticorpo antitiperoxidase
Anticorpo anti rreceptor de
TSH
Hormônio l iberador da
ti reotrofi na
Tem po de sangramento
hormônio estimu lador da
tireóide
Testosterona total
Teste de tolerância à
glicose
Tem po de trom boplastina
parcial ativada
Trom bose venosa profunda
Volume corpuscular méd io
Venereal diseases research
labora tory test
Peptídeo intestinal
vasoativo
,
Acidos graxos de cadeia
m u ito longa
Lipoproteína de m u ito
baixa densidade
Volume plaquetário méd io
Velocidade de
sed imentação globu lar
Gonadotrofina coriônica
humana fração beta
PARTE 1 CONCEITOS GERAIS EM MEDICINA LABORATORIAL
, ,
1 O MEDICO E O LABORATORIO / 33
Ricardo M . Xavier, Elvino Barros
, , ,
2 COLETA DE MATERIAL BIOLOGICO: PRINCIPIOS E TECNICAS / 45
M arilei Wolfart
, ,
3 CONTROLE DE QUALIDADE EM ANALISES CLINICAS / 65
Maria Luiza Leão Brisolara
,
4 PRINCIPAIS M ETODOS APLICADOS NO
, , ,
LABORATORIO DE ANALISES CLINICAS / 79
Ana Paula Alegretti, Joíza Lins Camargo, Afonso Luís Barth
,.,
5 INTERPRETAÇAO DE EXAMES LABORATORIAIS / 1 0 1
Airton Tetelbom Stein, André Wajner, Alice de Medeiros Zelmanowicz
N A ,
6 MONITORAÇAO TERAPEUTICA DE FARMACOS / 1 1 8
Joíza Lins Camargo, Elvino Barros
, , 7 FATORES INTERFERENTES EM ANALISES CLINICAS / 1 25
Jamile Abud, José M iguel Dora
,
8 BIOSSEGURANÇA E RISCOS BIOLOGICOS / 1 32
M arilei Wolfart
PARTE li AVALIAÇÃO LABORATORIAL ORIENTADA CONFORME
A CONDIÇÃO CLÍN ICA
CARDIOLOGIA
Coordenadora: Livia Adams Goldraich
9 ARRITMIAS / 1 43
Maurício Pimentel, Luiz Carlos Paul
A
1 O CARDIOPATIA ISQUEM ICA I 146
Guilherme Heiden Teló, Mariana Vargas Furtado
1 1 DISLIPIDEM IAS I 1 52
Juliana Gil Thomé, Livia Adams Goldraich
12 ENDOCARDITE INFECCIOSA / 1 60
Livia Adams Goldraich, Marcelle Duarte Alves
# A
1 3 HIPERTENSAO ARTERIAL SISTEMICA I 1 67
Erlon Oliveira de Abreu Silva, Júlio César Corrêa Martins
A ,
1 4 INSUFICIENCIA CARDIACA / 1 73
Livia Adams Goldraich, Andréia Bialo
1 5 MIOCARDITE I 1 79
Eduardo Gehling Bertoldi, Luís Beck da Silva Neto
,
1 6 PERICARDITES E DERRAME PERICARDICO / 185
Ana Paula Webber Rossini, Mariana Vargas Furtado
ENDOCRINOLOGIA
Coordenador: José M iguel Dora
1 7 AM ENORREIA / 1 90
Liana Farias Leiria, Maria Cristina Gomes Matos
1 8 BAIXA ESTATURA / 1 95
Letícia Schwerz Weinert, Mauro Antônio Czepielewski
1 9 DIABETE M ELITO / 200
Rafael Selbach Scheffel, Luis Henrique Canani
20 FEOCROMOCITOMA I 207
Caroline Kaercher Kramer, Beatriz D'Agord Schaan
,
21 HIPERALDOSTERONISMO PRIMARIO / 2 1 2
Alex Pospich Cioffi, Beatriz D'Agord Schaan
22 HIPERCALCEM IA / 220
Letícia Schwerz Weinert, José Augusto Sisson de Castro
23 HIPERTIREOIDISMO / 225
José M iguel Dora, Walter Escouto Machado, Ana Luiza Maia
24
24 HIPOCALCEM IA / 230
Rafael Selbach Scheffel , Tânia Weber Furlanetto
25 HIPOTIREOIDISM O I 235
José M iguel Dora, Ana Luiza Maia
26 HIRSUTISMO I 239
Fabíola Satler, Maria Cristina Gomes Matos
A
27 INSUFICIENCIA ADRENAL / 245
Liana Farias Leiria, Mauro Antônio Czepielewski
28 OSTEOPOROSE / 251
José M iguel Dora, José Augusto Sisson de Castro
,
29 SINDROM E DE CUSH ING / 256
Mateus Dornelles Severo, Mauro Antônio Czepielewski
GASTRENTEROLOGIA
Coordenador: Antônio de Barros Lopes
""
30 ALTERAÇAO DE TRANSAM INASES,
FOSFATASE ALCALINA E y-GLUTAMIL TRANSFERASE / 261
Matheus Truccolo M ichalczuk, Cristina Antonini Arruda
31 ASCITE / 269
,,
Alexandre de Araujo, Mário Reis Alvares-da-Silva
""
32 CIRROSE E COMPLICAÇOES / 276
Raquel Scherer de Fraga
33 DIARREIA AGUDA I 282
Antônio de Barros Lopes, Cristina Flores
A
34 DIARREIA CRONICA / 293
Antônio de Barros Lopes, Carlos Fernando Francesconi
,
35 DOENÇA ULCEROSA PEPTICA / 301
Leandro Bizarro Müller, Renato Borges Fagundes
36 HEPATITES VIRAIS / 306
Antônio de Barros Lopes, Alexandre de Araujo
,,
37 ICTERICIA / 31 6
Alexandre Luis Klamt, Sérgio Gabriel Silva de Barros
25
38 PANCREATITE AGUDA / 320
Candice Franke Krumel, Helenice Pankowsky Breyer, Ismael Maguilnik
A
39 PANCREATITE CRONICA / 328
Stela Scaglioni Marini, Helenice Pankowski Breyer, Ismael Maguilnik
,
GENETICA
Coordenadora: Carolina Fischinger Moura de Souza
, ,
40 DIAGNOSTICO PRE-NATAL I 333
Filippo P. Vairo, Camila Matzenbacher Bittar, Carolina Fischinger Moura de Souza
41 ERROS INATOS DO METABOLISM O / 339
Filippo P. Vairo, Carolina Fischinger Moura de Souza,
Diego Santana Chaves Geraldo M iguel
42 TRIAGEM NEONATAUTESTE DO PEZINHO / 35 1
Camila Matzenbacher Bittar, Carolina Fischinger Moura de Souza, Filippo P. Vairo
,
GINECOLOGIA E OBSTETRICIA
Coordenador: Haley Calcagnotto
A #
43 ASSISTENCIA PRE-NATAL / 359
Haley Calcagnotto, Helena von Eye Corleta
""
44 AVALIAÇAO DA MATURIDADE PULMONAR / 364
Haley Calcagnotto, José Antônio de Azevedo Magalhães
45 DIABETE GESTACIONAL / 368
Haley Calcagnotto, Maria Lúcia Rocha Oppermann
,
46 DIAGNOSTICO DE SANGRAM ENTO UTERINO ANORMAL / 37 4
Gustavo Peretti Rodini, Helena von Eye Corleta
47 DOENÇA HIPERTENSIVA NA GRAVIDEZ / 379
Sérgio H . Martins-Costa, José Geraldo Lopes Ramos
48 INFERTILIDADE FEM ININA / 385
Gustavo Peretti Rodini, Helena von Eye Corleta
49 PATOLOGIA CERVICAL E HPV / 389
Paulo Naud, Jean Carlos de Matos , Luciano Serpa Hammes, Haley Calcagnotto
26
HEMATOLOGIA
Coordenadora: Cristiane Seganfredo Weber
50 ANEMIAS I 395
Joana Marcela Cagnini Ciocari, Cristiane Seganfredo Weber,
Gustavo Adolpho Moreira Faulhaber
51 COAGULOPATIAS / 400
Carolina da Fonte Pithan, Flavo Beno Fernandes
,
52 DISCRASIAS PLASMOCITARIAS / 406
Lisandra Della Costa, Cristiane Seganfredo Weber
53 DOENÇAS MIELOPROLIFERATIVAS / 41 1
Leo Sekine, Christina Matzenbacher Bittar
54 LEUCEM IAS I 420
Leo Sekine, Christina Matzenbacher Bittar
55 LEUCOPENIAS / 427
Cristiane Seganfredo Weber, Gustavo Adolpho Moreira Faulhaber
56 TROMBOCITOPENIAS / 432
Cristiane Seganfredo Weber, Gustavo Adolpho Moreira Faulhaber
57 TROMBOFILIAS / 436
Carolina da Fonte Pithan, Flavo Beno Fernandes
INFECTOLOGIA
Coordenador: Luciano Zubaran Goldani
,
58 DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSIVEIS / 442
Luciano Werle Lunardi , Luciano Zubaran Goldani
...
59 INFECÇAO PELO H IV / 449
Diego Rodrigues Falei, Luciano Zubaran Goldani
60 PRINCIPAIS DOENÇAS OPORTUNISTAS / 455
Luciano Zubaran Goldani
27
NEFROLOGIA
Coordenador: Elvino Barros
, ,
61 DISTURBIOS HIDRELETROLITICOS ! 459
Fernando Saldanha Thomé, Jordana de Fraga Guimarães, Elvino Barros
, ,
62 DISTURBIOS ACIDOBASICOS I 467
Fernando Saldanha Thomé, Jordana de Fraga Guimarães, Elvino Barros
"" ,
63 INFECÇAO URINARIA / 481
Elvino Barros, Francisco Veronese
A
64 INSUFICIENCIA RENAL AGUDA / 487
Fernando Saldanha Thomé, Jordana de Fraga Guimarães, Elvino Barros
A
65 DOENÇA RENAL CRONICA / 497
Carlos Alberto Prompt, Fernando Saldanha Thomé, Elvino Barros
,
66 NEFROLITIASE / 502
Elvino Barros, Jordana de Fraga Guimarães, Francisco Veronese""
67 REJEIÇAO NO TRANSPLANTE RENAL / 5 1 2
Luiz Felipe Santos Gonçalves , Roberto Ceratti M anfro
68 DISNATREMIAS / 5 1 7
Fernando Saldanha Thomé, Jordana de Fraga Guimarães, Elvino Barros
, ,
69 SINDROME NEFRITICA / 528
José Vanildo Morales, Francisco Veronese, Elvino Barros
, ,
70 SINDROM E NEFROTICA I 533
Elvino Barros, José Vanildo Morales, Francisco Veronese
NEUROLOGIA
Coordenadora: Lenise Valler
""
71 CONVULSOES ! 539
Lenise Valler
A
72 DEMENCIA I 544
Lenise Valler
,
73 DISTURBIOS DO MOVIMENTO / 548
Artur Francisco Schumacher Schuh, Roberto Rossato
28
74 DOENÇAS CEREBROVASCULARES / 552
Lucas Scotta Cabral
..
75 DOENÇAS DA TRANSM ISSAO NEUROMUSCULAR / 559
Lucas Scotta Cabral, Roberto Rossato
,
76 DOENÇAS DESM IELINIZANTES/ESCLEROSE MULTIPLA I 564
Clarissa Troller Habekost, Roberto Rossato
..
77 INFECÇOES DO SISTEMA NERVOSO CENTRAL I 570
Angélica Dai Pizzol, Roberto Rossato
,
78 NEUROPATIAS PERIFERICAS / 578
Angélica Dai Pizzol, Lucas Scotta Cabral, Roberto Rossato
, ,
79 SINDROMES PARANEOPLASICAS DO SISTEMA NERVOSO / 586
Lucas Scotta Cabral, Roberto Rossato
ONCOLOGIA
Coordenador: Guilherme Geib
.. , "
80 AVALIAÇAO DO RISCO HEREDITARIO DE CANCER / 592
Guilherme Geib, Patricia Ashton Prolla, Ana Luiza Maia
81 MARCADORES TUM ORAIS / 599
Guilherme Geib
PNEUMOLOGIA
Coordenadora: Carolina Fischinger Moura de Souza
,
82 BRONQUIECTASIAS E FIBROSE CISTICA NO ADULTO / 61 6
Denise Rossato Silva, Marcelo Basso Gazzana, Paulo de Tarso Roth Dalcin
83 DERRAME PLEURAL I 628
"
Fábio Munhoz Svartman, Angela Beatriz John
"
84 DOENÇA PULMONAR OBSTRUTIVA CRONICA / 636
"
Marli Maria Knorst, Angela Beatriz John
85 DOENÇAS PULMONARES PARENQUIMATOSAS DIFUSAS / 643
Marcelo Basso Gazzana, Denise Rossato Silva
..
86 HIPERTENSAO PULM ONAR / 654
"
Angela Beatriz John, Marcelo Basso Gazzana, Sérgio Saldanha Menna Barreto
29
,
87 PNEUMONIA COMUNITARIA E HOSPITALAR I 663
Sabrina Bollmann Garcia, Fábio Munhoz Svartman, Marcelo Basso Gazzana
88 TROMBOEMBOLIA PULMONAR I 67 4
A
Marcelo Basso Gazzana, Angela Beatriz John, Sergio Saldanha Menna Barreto
89 TUBERCULOSE I 686
Denise Rossato Silva, Marcelo Basso Gazzana, Paulo de Tarso Roth Dalcin
REUMATOLOGIA
Coordenador: Ricardo M . Xavier
90 ARTROPATIAS / 696
Briele Keiserman, Yaser M . G. M . E I Badad, Ricardo M . Xavier
91 DOENÇAS DIFUSAS DO TECIDO CONJUNTIVO I 705
Briele Keiserman, Yaser M . G. M . EI Badad, Ricardo M . Xavier
, ,
92 SINDROM E DOS ANTICORPOS ANTIFOSFOLIPIDEOS / 7 1 O
Briele Keiserman, Yaser M . G. M . EI Badad, Ricardo M . Xavier
93 VASCULITES / 7 13
Briele Keiserman, Yaser M . G. M . EI Badad, Ricardo M . Xavier
UROLOGIA
Coordenador: Gustavo Schroeder
., ,
94 DISFUNÇAO ERETIL / 7 1 7
Gustavo Schroeder, Brasil Silva Neto
95 INFERTILIDADE MASCULINA / 722
Marlon Roberto Fiorentini, Mi lton Berger
PARTE Ili EXAMES LABORATORIAIS MAIS COMUNS
96 EXAMES LABORATORIAIS MAIS COMUNS / 733
,
Filippo P. Vairo, Carolina Fischinger Moura de Souza, José M iguel Dora,
Elvino Barros
INDICE / 91 1
30
PARTE 1
,
CAPITULO 1
RICARDO M . XAVIER
ELVI NO BARROS
Os testes laboratoriais são parte importante na prática méd ica. Apesar do consa
grado adágio de que "a clínica é soberana " , a participação das informações oriun
das do laboratório clínico na tomada de decisões nunca fo i tão importante como
nesse momento . Certamente continuará a crescer de maneira acentuada, em um
futuro próximo, com a incorporação de novos testes, especialmente na área da
biologia celular e molecular.
No entanto, tem -se observado um aumento exagerado na sol icitação de exa
mes laboratoriais, que são pedidos, com freq uência, sem uma justificativa razoá
vel , m uitas vezes pela falta de tem po do méd ico para realizar uma boa anam ne
se e um exame físico de seus pacientes. Portanto, um número elevado de exames
é realizado d iariamente para suprir as im perfeições do atendimento médico, decor
rentes das incapacidades técnicas de q uem o efetua ou do modo apressado e
d ispl icente como é realizado. A falta de informações clín icas adequadas e de um
raciocínio d iagnóstico bem estruturado - dois instrumentos fundamentais para o
d iagnóstico e para a tomada de decisão - subvertem a ordem hierárquica natural
das relações q ue regem a atividade d iagnóstica, ou seja, os exames transformam
se em um meio para o méd ico form ular - em vez de verificar - suas hipóteses
d iagnósticas. O ato méd ico fica, dessa forma, refém da tecnologia, e sua participa
ção no d iagnóstico de condições mais com plexas se resume a selecionar exames
,
com plementares para rastrear doenças. E relativamente com um , após uma inves-
tigação exaustiva, encontrarmos exames com resultados normais, atribuindo-se
os sintomas, nesses casos, a uma causa mental ou psicossomática. Quando esses
mesmos exames apresentam algum " resultado anormal " , o que é tanto mais
provável quanto maior for o número de testes so l icitados, independentemente
da presença ou não de doença, seguem-se intervenções d iagnósticas mais inva
sivas e onerosas. Assim , é importante que o méd ico tenha tempo suficiente e
tranqui l idade para a real ização de uma boa anam nese e de um exame físico para
e laborar as suas hipóteses d iagnósticas e solicitar exames de forma racional para
cada caso.
o
-a: •O
� o m
:5
o w
o o -
e •W �
o
INDICAÇÕES DE EXAMES LABORATORIAIS
Para gerar informação útil, um teste laboratorial precisa ser sol icitado com objetivo
clín ico específico (Quadro 1 . 1 ). O clín ico relaciona cada um desses objetivos
buscando informações por meio do conhecimento fisiopatológico da doença ou
das doenças em consideração (Quadro 1 .2).
Além dos motivos espúrios de solicitação de exames, quando não há preocupa
ção com os interesses do paciente (p. ex. , motivação econôm ica, investigação
científica sem consentimento, hábito, faci l idade de solicitação, frustração de não
saber mais o que fazer ou para i lud ir o paciente de que estaria recebendo uma
atenção méd ica melhor) , as principais ind icações de exames com plementares
são as seguintes:
34
Quadro 1 .1
,
OBJETIVOS DO ATENDIMENTO MEDICO
Detectar e quantificar risco futuro de doença
Detectar doença subclínica
Estabelecer e exclu ir d iagnósticos
Avaliar a gravidade da doença e defin i r prognósticos
Selecionar terapia adequada
Monitorar a evolução da doença e a resposta terapêutica
Quadro 1 .2
NECESSIDADES CLÍNICAS DE INFORMAÇÃO
Avaliar a função de um órgão
Avaliar a atividade metabólica
Avaliar o estado nutricional
Detectar e mon itorar neoplasias
Detectar e quantificar dano tissular
Detectar e identificar doenças genéticas
Detectar e identificar doenças imunológicas
Detectar e identificar agentes infecciosos
Detectar e identificar intoxicantes e venenos
Monitorar agentes terapêuticos
Diagnóstico : testar as h ipóteses e as questões específicas levantadas após a
anam nese e o exame fís ico. O exame ajuda a detectar, confirmar, documentar
ou excluir uma determ inada doença.
Mon itoração : medir a progressão/regressão de uma doença, a resposta ao
tratamento ou os níveis de um fármaco.
Prognóstico : defin ido pela presença de um determ inado marcador ou pelo
seu maior ou menor grau de anormal idade.
Rastreamento: a util ização dos exames como med ida de d iagnóstico precoce
ou preventiva é cada vez mais frequente e deverá ser ainda mais im portante
com os testes baseados em ácidos nucleicos (biologia molecular, medicina ge
nôm ica). Tendo em vista o risco elevado de falso-positivos (devido à baixa proba
bilidade pré-teste), o potencial im pacto emocional (diagnóstico precoce de doen
ça sem tratamento efetivo) e o alto custo, há necessidade de critérios bastante
rigorosos para definir a utilidade de um determ inado teste para rastreamento.
Defin ição de cond ições basais para futuras com parações (apósperíodo de
tem po ou intervenção terapêutica).
Tranq ui l ização do paciente: até o momento, não há com provação de que
ocorra um efeito favorável nesse sentido. Deve-se pesar o risco do aumento
da ansiedade d iante de um resultado falso-positivo.
Solicitação do paciente : atualmente, o paciente tem à sua disposição um número
enorme de informações científicas, por meio de livros, da im prensa e, principal
mente, dos meios eletrônicos em constante expansão. Será possível , em um
futuro próximo, o paciente sol icitar m uitos dos seus exames e, com eles em
mãos, consultar o seu médico. Este deverá analisar tais exames e definir o d iag
nóstico e o tratamento mais adequados ou solicitar novos exames com essa
finalidade, pois cabe ao méd ico a decisão final. O princípio ético de autonom ia
confere ao paciente o direito de requerer um exame ou uma terapia, mas esse
d ireito deve ser considerado pelo méd ico d iante de outros princípios éticos,
como o da beneficência e não maleficência. Nos Estados Unidos, sistemas de
autossolicitação de exames pelos pacientes estão tornando-se bastante populares.
SEQUÊNCIA DE SOLICITAÇÃO DE EXAMES
A ordem em que os exames devem ser so l icitados depende da situação clínica.
Os casos de urgência exigem que o teste de maior capacidade de defin ição seja
util izado primeiro , mesmo que seja de maior risco ou custo. Quando não houver
urgência, procedimentos com menor alcance e menor risco podem ser sol icitados
primeiramente. Muitas vezes, fatores logísticos, como tem po de realização do
exame, comodidade, necessidade de velocidade para defin ir alta hospitalar mais
precoce ou listas de espera, tam bém participam da decisão. A ordem mais com u
m ente seguida é :
t do menor para o de maior custo ;
t do menor para o de maior risco ; e
t do mais sim ples para o mais com plexo.
35
o
-a:
'º
�
o m
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o
w
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-
e •W
::i:
o
o
-a: •O
� o m
:5
o w
o o
-
e •W �
o
Deve-se sem pre tentar realizar o exame mais eficiente, ou seja, de maior
sensibi lidade, especificidade, valor preditivo e rapidez no resu ltado.
MEDICINA LABORATORIAL BASEADA EM
EVIDÊNCIAS E EFETIVIDADE CLÍNICA
Na busca de evidências na literatura sobre o desem penho dos testes d iagnósticos
para defin ir sua utilidade clínica, devemos reconhecer a existência de d iversos
elementos, todos eles importantes para a tomada de decisão nos d iversos níveis
de atenção à saúde (ver tam bém Cap. 5 , I nterpretação de exames laboratoriais).
Desempenho técnico. A base de qualquer evidência é o desempenho técnico do
teste. Além de precisão, acurácia (exatidão), l inearidade (faixa de valores men
suráveis e interferentes), os fatores de variabil idade pré-analíticos (coleta, variabi
lidade biológica e estabil idade da amostra) tam bém são im portantes, pois podem
lim itar o benefício do teste na rotina (p. ex., variabilidade biológica dos marcadores
do metabolismo ósseo).
Desempenho diagnóstico (ver Cap. 5, Interpretação de exames laboratoriais). Sen
sibi l idade e especificidade são características próprias do teste e, portanto, de
maior interesse para o profissional de laboratório. O valor preditivo positivo e
negativo e a taxa de verossim i lhança (/ike/ihood ratio) são características de desem
penho d iagnóstico que levam em consideração a prevalência da doença na popu
lação em estudo (probabi l idade pré-teste) e, portanto , de maior interesse para o
clínico. Alguns ind icadores, como o número necessário para d iagnosticar (NND)
e a curva ROC, permitem uma com paração de desempenho entre os testes e
ajudam a inclu ir impl icações financeiras no processo de decisão.
Benefício clínico. O im pacto ou benefício clínico do teste é a evidência mais d ifícil
de encontrar na literatura, que está concentrada nos desempenhos técnico e d iag
nóstico. O im pacto clínico pode ser d ividido no efeito que o uso do teste terá:
t na estratégia d iagnóstica (melhora do desem penho d iagnóstico) ;
t na estratégia terapêutica (uso e otim ização de terapia, evitar com pl icações) ;
t no desfecho clínico (consequência dos itens anteriores).
Benefício operacional. O uso de um teste d iagnóstico pode, além do im pacto
clínico, ter um im pacto operacional. O benefício operacional pode ser a d iminuição
no tem po de internação, a necessidade de recursos humanos e , ainda, a redução
na util ização de outros recursos de saúde.
Benefício econômico. A avaliação de efetividade econôm ica ainda é um instru
mento não bem estabelecido na área de assistência à saúde. No entanto, trata-se
de uma necessidade premente ao decid ir-se sobre um novo teste que é mais caro
do que o já em uso e nos processos de decisão em termos de alocação de recursos.
36
A avaliação da efetividade do laboratório clínico e de sua contribu ição para
os desfechos clínicos tem sido matéria de crescentes d iscussões na l iteratura. A
solicitação e a interpretação correta dos testes laboratoriais, dentro de uma visão
centrada no paciente, melhora os desfechos clín icos e, por isso, tam bém tem
im pacto positivo nos custos globais da assistência à saúde. Ainda necessitamos
de uma melhor defin ição de ind icadores para quantificar a eficiência desses testes,
ou seja, da relação custo/efetividade favorável . É importante que o clínico tenha
ciência do questionamento sobre o im pacto q ue a informação oriunda da sol icita
ção de um determ inado teste terá no desfecho clínico do seu paciente, maximi
zando, dessa forma, o aprove itamento dos recursos de saúde.
FONTES DE VARIABILIDADE NOS RESULTADOS
A interpretação correta da informação, ou seja, o ato de d iscernir o sign ificado e
a im portância do resultado de um determ inado teste laboratorial no contexto da
q uestão méd ica ou hipótese que desencadeou o pedido é a etapa final e mais
crítica de uma série de eventos com plexos que pode ser conhecida como o 11 ciclo
do exame " (Fig. 1 . 1 ) . Além do conhecimento sobre interpretação de cada exame,
reconhecer as etapas mais críticas do ciclo do exame e averiguar como os labora
tórios têm tomado med idas para dim inuir a variabil idade desses d iversos processos
perm item uma correta aval iação da q ualidade da informação obtida. Portanto,
não há dúvida de q ue uma relação estreita clínico- laboratório é o ponto-chave.
No momento em que so l icita um teste laboratorial para aval iação com ple
mentar de seu paciente, o méd ico espera que todos esses eventos ocorram de
maneira correta, ou seja, sem erros. Assim , a interação entre clínico e laboratório
estaria l ivre de fatores de confusão ou desentendimento em relação ao resu ltado
do teste. Contudo, na prática, todas as etapas desse ciclo de eventos podem
sofrer a influência de fatores de variabilidade, com potencial im pacto na validade
da informação gerada, e q ue devem ser bem conhecidos pelo clínico.
Ao contrário do que m u itos méd icos pensam (e m u itos pacientes tam bém),
com m uita frequência esses fatores de erro não dizem respeito ao laboratório clínico,
mas remetem a fatores próprios do paciente, como a variabil idade biológica de um
determ inado anal ito (Quadro 1 .3). A variabil idade biológica não pode ser contro
lada por nenhuma med ida do laboratório, que, no máximo, fornece valores de
referência próprios para cada situação (p. ex., sexo, faixa etária) , em que a variabili
dade possa modificar de maneira significativa a interpretação do resultado do exame.
Outros fatores de variabil idade são derivados do próprio méd ico, como prepa
ração imprópria do paciente antes do exame (p. ex. , anticoagu lação antes da
dosagem de proteínas C e S, dosagem de triglicerídeos sem jejum adequado) , ou
por seleção equivocada dos testes laboratoriais relativos à questão clínica (au
mentando a chance de falso-negativos e falso-positivos - ver Cap. 5, Interpretação
de exames laboratoriais). Na realidade, não é possível conhecermos a totalidade
dos possíve is fatores interferentesnos resultados dos m u itos testes q ue são, com
freq uência, so l icitados, sendo im portante consultar o pessoal do laboratório para
d iscussão em casos de dúvida.
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,
1
N
1
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H ipóteses
Paciente
História/exame físico
sobre presença, .,....______,. ----------------
natureza e
gravidade
de doença
- Solicita o exame
- Prepara o paciente
-... - Interpreta o resultado
- Reavalia hipóteses
• • •
or1g1na1s
- Estabelece
diagnóstico
ou prognóstico
- Recomenda
tratamento e
acompanhamento
• • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • •
L
A
Coleta da amostra
B
o
R - Processa o material
A
T
- Arquiva o material
,
o
R
1
o
Define valores
de referência
Analisa a amostra
Figura 1 .1
Ciclo do exame.
Emite o laudo
Verifica
o resultado
Do ponto de vista do laboratório, as fontes possíveis de variabi l idade podem
ser d ivididas entre as etapas pré-analíticas, analíticas e pós-analíticas.
Variabilidade pré-analítica. Pode ser derivada do preparo inadequado do paciente
(hora da coleta, jejum , certos al imentos, exercício físico e med icações) ou da
coleta e manipulação da amostra, que são responsabil idades d iretas dos laborató
rios (ver Cap. 2 , Coleta de material biológico: princípios e técn icas) . É im portante
que o clínico considere os cu idados que um determ inado laboratório toma para
evitar alguns dos problemas mais sérios, como troca de amostras (proced imentos
de identificação da amostra, principalmente por etiq ueta com cód igo de barras,
durante todas as etapas analíticas ; treinamento rigoroso e periódico dos coleta
dores para q ue sigam sistematicamente proced imentos padronizados) e demora
ou conservação inadequada do material entre a coleta e a anál ise (com um nos
laboratórios atuais, tendo em vista a tendência de os postos de coleta estarem
cada vez mais d istantes da área técnica).
38
Quadro 1 .3
, ,
VARIAVEIS BIOLOGICAS QUE AFETAM OS RESULTADOS
DOS TESTES LABORATORIAIS
Ritmos biológicos
- Circadianos: ciclos de variação de aproximadamente 24 h
(p. ex. , cortisol sérico)
- Ultradianos: ciclos < 24 h (p. ex . , hormônios l i berados em
pulsos, como a testosterona)
- 1 nfradianos : ciclos > 24 h (p. ex. , ciclo menstrual)
Fatores constitucionais
- Sexo
- Idade
- Genótipo
Fatores extrínsecos
- Postura
- Exercício
- Dieta (p. ex . , cafeína)
- Drogas
- Uso de álcool
- Gestação
- Doença intercorrente
Variabilidade analítica. Engloba o método analítico (reagentes, equipamento ,
proced imentos e recursos humanos). Essa fase da real ização do exame recebeu
atenção especial nas ú ltimas duas décadas, e , atualmente, a maioria dos especia
listas (mas não dos méd icos) reconhece que tal fase contribui com uma fração
pequena da variabi l idade total dos testes. Isso ocorreu devido à melhoria na
acurácia e na precisão das metodologias modernas, em especial a automação
crescente dos processos, bem como devido à adoção por parte dos laboratórios
de programas de garantia de qualidade e testes de proficiência externos. A So
ciedade Brasileira de Patologia Clínica (SBPC) e a Sociedade Brasileira de Anál ises
Clín icas (SBAC) oferecem testes de proficiência, além de programas de credibi l ida
de, nos quais a qualidade dos processos do laboratório é m inuciosamente verifi
cada por aud itores externos.
Variabilidade pós-analítica. Ocorre entre o térm ino do método analítico e a assim i
lação do resultado pelo clínico. A fonte mais trad icional de erro pós-analítico é a
transcrição dos resultados. Entretanto , os f amos os "erros de d igitação " estão se
tornando cada vez menos frequentes, devido ao processo de i nterfaceamento
entre os equ ipamentos de automação e o sistema de informática do laboratório,
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com a tendência de d isponibi l ização da informação on-line para o clínico e o
paciente. Cabe salientar aqui a im portância da qualidade do laudo im presso forne
cido pelos laboratórios, visto que, m uitas vezes, esses laudos são pouco claros
com desenho gráfico inadequado, o que prejud ica o processo de interpretação
do resu ltado.
ERROS LABORATORIAIS
Qualquer desconform idade, desde a requ isição dos testes até o relatório dos
resultados e sua adequada interpretação, podem ser considerados erros. Apesar
dos esforços dos laboratórios em e l iminá-los, inevitavelmente nos deparamos
com resultados de testes com erros. A frequência de erros laboratoriais, na l iteratu
ra, é m u ito variável (1/ 1 00 a 1 /1 .000), em parte devido a d iferenças na forma
de categorização de erro. Assim mesmo, boa parte desses erros não altera o
resultado de mane ira cl in icamente sign ificativa (p. ex. , variação dentro da faixa
considerada normal). Uma revisão recente encontrou considerável concordância
na atribu ição da maior parte dos erros na fase pré-analítica, sendo a troca de
amostras um dos erros mais com u ns q ue ocorrem na coleta.
A possibi l idade de um resultado equivocado deve ser levantada quando:
t O resultado é estapafúrdio, não fisiológico ou im possível .
t O resu ltado é inconsistente com resu ltados prévios do mesmo paciente ou
incom patível com os resultados de outros testes real izados na mesma amostra.
O resultado d ifere do que é esperado pelos achados clínicos. Neste ú ltimo
caso , a consideração da possibi l idade de erro laboratorial é razoável , mas a
reavaliação da im pressão clínica é igualmente necessária, ou até mesmo a
verificação se o resultado realmente é incom patível com a im pressão.
Os resultados anormais inesperados, na sua maioria, encontram -se leve ou
moderadamente fora da faixa de valores de referência. A probabil idade de q ue
tais testes indiq uem a presença de uma doença não suspe itada é m uito menor
d iante de pacientes ambu latoriais do que de pacientes hospitalizados, devido à
menor prevalência de doença nos primeiros. Outro fator a ser considerado é o
acaso . Como os intervalos dos valores de referência são l im itados a 95% dos
ind ivíd uos considerados hígidos, para cada teste real izado espera-se q ue 1 em
20 pacientes sem doença tenha um resultado acima ou abaixo desse intervalo.
Essa probabi l idade aumenta ainda mais em proporção ao número de testes rea
lizados.
Quando um erro laboratorial é suspeitado, o clínico deve agir para confirmar
ou refutar essa suspeita. Não é suficiente somente desconsiderar o resultado. O
clínico deve avaliar as fontes possíveis de variabi l idade bio lógica ou pré-analítica
d iscutidas, com especial atenção ao uso concom itante de med icamento. Se a
possibi l idade de erro ainda não tiver sido descartada, o clínico pode solicitar ao
laboratório que repita a análise na amostra original e , de preferência, solicitar
uma nova amostra, obviamente sem custos para o paciente.
40
Se um erro realmente estiver presente, o laboratório deve ser informado para
q ue med idas de prevenção de novos eventos sejam tomadas. O ideal é que o
responsável pela realização do exame seja contatado para que tente identificar a
causa do erro. No entanto , se o resultado for válido, o clínico deve confrontar-se
com o desagradável fato de que a sua im pressão clínica ou a sua interpretação
do resultado fo i errônea.
Tendo em vista a crescente crim inal ização do erro , é freq uente que o contato
com o pessoal de laboratório para d iscutir um resultado suspeito desperte atitudes
defensivas, d iminuindo a qual idade do d iálogo. O clínico deve estar ciente desse
fato e deixar bem clara a necessidade de esclarecimento da situação e de ressaltar
q ue o paciente é o ún ico foco de interesse.
TRANSFORMAÇÕES NOS LABORATÓRIOS DE ANÁLISES CLÍNICAS
Alémde ser importante que o clínico reconheça e avalie os d iversos aspectos do
desempenho dos testes de laboratório e identifique os processos mais suscetíveis
de variabil idade na sua execução, também é interessante que se tenha uma noção
das transformações q ue estão ocorrendo e das tendências para o futuro no setor
de anál ises clínicas.
Existem duas verdadeiras revo luções em andamento no laboratório clínico : a
primeira é a necessidade de organizar, inovar e im plementar novas tecno logias
para tornar o processo de real ização de testes laboratoriais menos d ispend ioso
para o sistema de saúde, a despeito do aumento no número e na sofisticação
desses testes ; a segunda d iz respeito ao desenvolvimento de maneiras de introduzir
na prática clínica pelo menos parte da informação obtida a partir dos testes de
biologia molecu lar, cuja tendência é de crescimento exponencial.
O grande progresso observado na ciência e na tecnologia méd icas teve um
im pacto sign ificativo na maneira como os laboratórios real izam os exames, pro
movendo não somente um aumento quantitativo e q ual itativo de produtividade,
como tam bém na velocidade e precisão em que os resultados são d isponibil izados.
Novas metodologias oriundas da pesquisa básica, como a reação em cadeia da
polimerase para am pl ificação de sequências de ácidos nucle icos, a citometria de
fluxo e a espectrometria de massa in tandem, foram rapidamente adaptadas
para o laboratório clínico, proporcionando uma q uantidade crescente de novos e
com plexos exames. Técnicas já trad icionais tam bém vêm sofrendo sucessivos
aprimoramentos, como os imunoensaios, q ue, com a util ização de anticorpos
monoclonais, evoluíram do rad ioim unoensaio para o ELISA, a nefelometria e a
qu im ioluminescência, perm itindo que um número crescente de anal itos seja testa
do de maneira totalmente automatizada, com ganhos em termos de precisão e
reprod utibilidade dos resultados.
Os processos de automação, por sua vez, ao aumentarem fortemente a produ
tividade, tam bém acabaram provocando um "excesso de oferta " de testes no
mercado, q ue pressiona a d im inuição do preço dos serviços pelo aumento da
com petição . Uma das principais consequências desses fenômenos tem sido os
processos de fusão e aq uisição entre os laboratórios clínicos, com a tendência de
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formação de poucos laboratórios centrais (core /aboratories) com alta capacida
de de produção e de realização de testes sofisticados. Alguns estados americanos,
por exem pio, têm toda a sua demanda de exames de laboratório atend ida por
somente uma ou d uas dessas un idades. No nosso mercado, esse fenômeno já
está ocorrendo de maneira bastante acentuada, com a formação de verdadeiras
" redes " de laboratórios que atendem uma cliente la m u ito mais am pla do q ue o
mercado local trad icional. Dessa maneira, ao avaliar um exame real izado em um
determ inado laboratório, o méd ico deve estar ciente das cond ições técnicas do
local onde o exame fo i efetivamente realizado, bem como das condições de
transporte das amostras até o local de processamento .
Em relação ao campo do d iagnóstico molecular (testes genéticos, testes basea
dos em ácidos nucleicos), nos últimos 1 O anos houve um crescimento espetacular
e, atualmente, movimenta uma indústria de 1 ,2 bilhão de dólares. Um dos aspectos
que inspiraram os idealizadores do Projeto Genoma H um ano fo i o da invenção
de novas tecnologias q ue tornassem o processo de estudo genético mais rápido
e menos caro. A partir do sucesso desse projeto, floresceu a indústria da m iniaturi
zação do d iagnóstico molecular, conhecida como revo lução dos biochips. Já exis
tem mais de 1 00 grandes empresas ded icadas à produção e à comercialização de
instrumentos m iniaturizados, como termocicladores, DNA microarrays, eletrofo
rese m icrocapilar e outras formas de biossensores. Eles serão a matriz da realização
de dezenas, centenas e até m i lhares de testes/tipagens ao mesmo tempo em
uma amostra, perm itindo a detecção de maneira rápida e de baixo custo de uma
am pla gama de doenças genéticas e da suscetibi l idade a vários tipos de doenças,
como câncer e doenças autoim unes. A farmacogenética, ciência q ue procura
defin ir determ inantes genéticos para os efeitos terapêuticos e adversos dos fár
macos, e que já tem décadas de existência sem atingir uma incorporação significa
tiva na prática clínica, tam bém será uma das áreas de maior desenvolvimento.
A interpretação desses testes genotípicos m ultiparamétricos exigirá ainda mais
dos méd icos, que mal estão se acostumando a raciocinar sobre os exames labora
toriais em termos quantitativos por meio de métodos estatísticos re lativamente
sim pies. Na verdade, toda uma nova e com plexa ciência, a bioinformática, desen
volveu-se a partir da necessidade de obter-se algum sentido da enorme massa
de informação gerada pelas novas tecnologias de biologia molecular. A atuação
do patologista clín ico e de outros profiss ionais de laboratório, l iberados da rotina
repetitiva do trabalho de bancada pelos processos automatizados, como consulto
res e orientadores, será fundamental para a efetiva incorporação dos testes genéti
cos na prática clínica. No entanto, os méd icos deverão exigir e explorar cada vez
mais esse apoio técnico.
A Tabela 1 . 1 apresenta algumas das tendências previstas na evolução do setor
de análises clínicas.
ESCOLHA DO LABORATÓRIO
São apresentados, no Quadro 1 .4, alguns dos fatores q ue deverão ser levados
em consideração no momento em que o méd ico i nd icar um laboratório para o
42
Tabela 1 .1
- , ,
EVOLUÇAO DOS SERVIÇOS DE ANALISES CLINICAS
Enfoque atual
r
Exames realizados no laboratório
Automação
I nformação impressa
Testes fenotípicos
Testes ind ividuais
Estatística 11 simples"
Quadro 1 .4
Evoluindo para
Exames realizados j unto ao paciente
(point-of-care)
Robotização
I nformação eletrônica
Testes genotípicos
Testes multiparamétricos
Estatística complexa (bioinformática)
- , , ,
SELEÇAO DO LABORATORIO DE ANALISES CLINICAS
Acessi bi l idade ao paciente, tanto geográfica quanto econômica (custo, leque
de convênios oferecidos)
Agi lidade na execução dos testes
Existência de programa de garantia de qualidade e melhoria contínua abran
gendo todas as etapas do 11 ciclo do exame " , de preferência com aval iação
externa por entidades especializadas no setor de análises clínicas; e
Faci l idade de comunicação do médico com a equipe técnica, com objetivo de:
- auxiliar na ind icação de exames;
- informar os resultados críticos; e
- assessorar os clínicos na interpretação dos resultados.
paciente. Mesmo reconhecendo os desafios atuais, inclu indo d ificuldades finan
ceiras, enfrentados pelos laboratórios, a exigência de atenção a esses fatores é
uma forma im portante de atuação do méd ico na melhoria da qualidade da saúde
do seu paciente e da população.
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LEITURAS SUGERIDAS
Bon i n i P, Plebani M, Ceriotti F, Rubbol i F. Errors in laboratory medici ne . C l in Chem. 2002
May;48(5) :691 -8.
Cutler P. Como solucionar problemas em clínica médica. 3 . ed. Rio de Janeiro : Guanabara
Koogan ; 1 999. p . 62-70.
Holmes EW. The interpretation of laboratory tests. l n : McClatchey KD. Cl in ica! laboratory
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Kurec AS, Lifshitz MS. General concepts and admin istrative issues. l n : Mcpherson RA, Pincus
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2) :35-45.
SITE SUGERIDO
Sociedade Bras i le i ra de Patol ogia [ I nternet] . São Pau l o : SBP; 201 0. Disponível em :
www.sbp.org.br /
44
,
CAPITULO 2
MARILE I WOLFART
•
•
Um laudo laboratorial rápido e confiável é o objeto de negócio dos laboratórios
clín icos e o objeto de interesse dos méd icos e dos pacientes no curso de um
,
d iagnóstico e/ou de um tratamento. E na coleta do material biológico que começa
o processo de real ização do exame dentro do laboratório, e essa coleta está
i nserida em um conjunto de proced imentos, chamados de pré-analíticos. A fase
pré-analítica, segundo as defin ições das sociedades científicas e dos com itês de
normatizações, é a fase do exame laboratorial que inclui a ind icação do exame, a
redação da solicitação, a transm issão de eventuais instruções de preparo do pacien
te, a avaliação do atendimento às condições prévias, os procedimentos de coleta,
o acond icionamento e a preservação e o transporte da amostra bio lógica até o
momento em que o exame seja efetivamente realizado. Atualmente, estudos
têm demonstrado que essa fase é responsável por cerca de 70% do total de
erros ocorridos nos laboratórios. A constatação de que a maioria dos erros no
laboratório está relacionada à perda de exatidão na fase pré-analítica também
significa que a grande maioria desses erros pode ser evitada por meio da padroni
zação, mon itoração e contro le dos processos. Os proced imentos de co leta de
vem garantir a qualidade analítica da amostra biológica.
A expectativa deste capítulo é apresentar critérios im prescindíveis para ob
tenção de uma amostra biológica representativa da cond ição clínica do paciente
no momento da coleta.
PRINCÍPIOS E TÉCNICAS DE COLETA DE MATERIAL BIOLÓGICO
O início da co leta passa pela com preensão das informações repassadas ao labo
ratório por meio da requis ição méd ica. Quais testes, em q ue momento e em
quais cond ições do paciente eles deverão ser realizados. Cabe à equipe responsável
pela coleta garantir as cond ições pré-analíticas relevantes.
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Cond ições cronobiológicas do paciente , bem como sexo, idade, posição do
corpo, atividade física, jejum , d ieta e uso de drogas para fins terapêuticos, taba
gismo e eti l ismo, devem ser questionadas e planejadas para o momento da coleta
e, sem pre que possível , controladas e relatadas no laudo, pois poderão com pro
meter a exatidão dos resultados e influenciar a interpretação do clínico.
O jejum solicitado no exame laboratorial significa a não ingestão de alimentos
de qualquer tipo pelo número de horas determ inado de cada exame. O período
de jejum varia entre 4, 8 e 1 2 horas. É permitida a ingestão de água e de medi
camentos de uso contínuo q uando não suspenso pelo méd ico. Em pacientes
pediátricos e idosos, o tem po de jejum deve ser planejado com fam i l iares ou
responsáveis de forma a resguardar os intervalos de al imentação.
A coleta é realizada, em geral , pela manhã, com o paciente em 1 5 m inutos de
repouso. Repouso de 30 m inutos está recomendado na dosagem de prolactina,
catecolam inas plasmáticas e testes funcionais. Para a dosagem de ferro e cortisol ,
deve ser evitada a coleta de amostra no período da tarde por fornecer resultados
significativamente mais baixos. A data/hora da coleta, quando informada no lau
do, perm ite a melhor interpretação dos resultados quanto às variações circad ianas.
A identificação do paciente deve ser real izada med iante a com paração dos
dados fornecidos pelo paciente ou responsável com os contemplados na docu
mentação ou na requis ição do exame. Devem-se utilizar no mínimo d uas infor
mações do paciente para assegurar a correta identificação da amostra (número
do leito não é válido).
Posição para a coleta. O paciente deve estar acomodado em uma cadeira própria
de coleta ou no leito. O braço deve estar firmemente apoiado, o cotovelo não
deve estar dobrado.
Escolha do local da venopunção. A coleta de sangue venoso é realizada frequen
temente na fossa antecubital , localizada na área anterior do braço, em frente e
abaixo do cotovelo. As veias de primeira escolha são a cubital med iana e a cefá
lica. As veias do dorso da mão tam bém podem ser util izadas como uma segunda
esco lha; nesse caso, o arco venoso dorsal é o mais recomendado por ter veias de
maior cal ibre. As demais veias do mem bro superior, q uando util izadas para a
venopunção , podem promover maior desconforto ao paciente, como dor e forma
ção de hematomas. Devem ser evitados mem bros em que estiverem instaladas
terapias intravenosas, presença de hematomas extensos, cicatrizes de queima
dura ou membro com possível l infoestase decorrente de uma mastectomia. A
venopunção nas extrem idades inferiores ou a coleta arterial como alternativa na
obtenção da amostra q uando as veias dos mem bros superiores forem inacessíveis
devem ser real izadas com a permissão do méd ico assistente.
Visualização da veia e o uso do torniquete. Recursos técnicos, como palpação da
veia e massagem suave na d ireção do punho para o cotovelo, são util izadas
como auxílio à localização de veias. Embora sistemas de i luminação transdérm ica
despontem como nova tecnologia para a visual ização da veia, o uso de torniquetes
com ou sem látex ainda é o recurso de maior escolha para facil itar tanto a palpação
46
da veia como o preenchimento dos tubos de coleta ou da seringa. No entanto , o
uso i nadequado pode levar à situação de erro d iagnóstico. O uso adequado do
torniq uete ou garrote deve observar: o posicionamento do torniquete de 7 ,5 a
1 O cm acima do local de punção; não usá-lo continuamente por mais de 1 m inu
to (ideal 30 segundos) ; esperar 2 m inutos para usá-lo novamente no mesmo
local; não utilizá-lo na coleta para dosagem de lactato e cálcio.
A técnica de coleta de sangue venoso pode ser a vácuo ou com seringa e
agulha. A técnica de coleta a vácuo tem sido mais recomendada por ser um
sistema fechado e possibi l itar melhores cond ições de padron ização e redução de
riscos de acidentes com materiais perfurantes. A qual idade da amostra coletada
pelo sistema a vácuo é considerada mais elevada e representativa do que a amostra
obtida pelo sistema seringa/agulha. O principal fator é a adequada proporção
sangue/aditivo. O sistema oferece a garantia de aspiração de um volume de
sangue proporcional à quantidade de aditivo presente no tubo de co leta e, con
sequentemente, a red ução de causas de erro , como hemodiluição, volumes insu
ficientes, hemól ise e formação de m icrocoágulos.
PASSO A PASSO PARA O PROCEDIMENTO DE COLETA
t Conferir a identificação do paciente.
t Conferir o material a ser usado no paciente.
t I nformar ao paciente sobre o procedimento.
t Higien izar as mãos em lavatórios com água e sabão ou por meio de fricção
com soluções alcoól icas a 70% e posteriormente calçar luvas de proced imento.
t Posicionar o braço do paciente, inclinando-o para baixo, na altura do om bro .
t Se o torniquete for usado para seleção prel im inar da veia, ped ir para q ue o
paciente abra e feche a mão ; afrouxar o torniq uete e esperar 2 m inutos para
usá-lo novamente.
Fazer a antissepsia com álcool etílico a 70% em movimento circular do centro
para a periferia. Soluções não alcoól icas são recomendadas quando houver
solicitação de dosagem de álcool no sangue.
t Garrotear o braço do paciente.
t Retirar em balagens, rosq uear a agulha no adaptador (coleta a vácuo) ou aco
plar seringa/agulha.
Fazer a punção com o bisei da agulha vo ltado para cima; se necessário, para
melhor visualizar a veia, esticar a pele com a outra mão (sem tocar o local
onde foi feita a antissepsia).
I nserir tubo a tubo na sequência recomendada (sistema a vácuo) ou aspirar
lentamente o sangue para o interior da seringa.
t Desgarrotear o braço do paciente.
t Transferir o sangue tubo a tubo na sequênciarecomendada (sistema seringa/
agulha).
A sequência recomendada de tubos na coleta (Quad ro 2 . 1 ) segue a lógica do
menor prejuízo q uanto aos interferentes. Esse proced imento tem como objetivo
prevenir riscos de contam inação das amostras com os aditivos do interior dos
47
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tubos. Cabe conferir as orientações de uso fornecidas pelo fabricante dos tubos
para acom panhar a evolução das novas gerações de tubos de coleta.
Provas específicas de coagulação, como fator V, VII I e agregação plaquetária,
obrigatoriamente deverão ser realizadas no segundo tubo da sequência da coleta.
Isso se faz necessário para reduzir a interferência do fator de coagulação trombo
plastina tecidual. O primeiro tubo da sequência poderá ser util izado para as demais
provas de coagulação, ou um tubo sem aditivo é recomendado como primeiro tubo.
A homogeneização dos tubos deve ser feita imed iatamente após a co leta por
meio de movimentos de inversão del icados e repetidos em um número de vezes
não menor do que 5 e não superior a 1 O. A Tabela 2 .1 , incluída no final deste
capítu lo, descreve os frascos q ue devem ser util izados conforme a amostra soli
citada.
ERROS FREQUENTES NO PROCEDIMENTO DE COLETA
" Tapinhas " na veia; uso prolongado ou intensamente apertado do torn iquete,
usar torniq uetes contam inados, tocar ou soprar a área de coleta após a antissepsia;
coleta de sangue em via ou próxima de cateter de infusão (resultados incorretos
pela contam inação da amostra com os fluidos infundidos e contam inação do
paciente no local da coleta).
48
Quadro 2.1
- "
RECOMENDAÇOES DA SEQUENCIA DE TUBOS NA COLETA
Tubos plásticos de coleta de sangue
1 ����������������-
- Frascos para hemocultu ra
- Tubos com citrato (tampa azu l-claro)
- Tubos para soro com ativador de coágu lo, com ou sem gel separador
(tampa vermelha ou amarela)
- Tubos com heparina com ou sem gel separador de plasma (tampa verde)
- Tubos com E DTA (tampa roxa)
- Tubos com fluoreto (tampa cinza)
Variação para tubos de vidro
- Usar o tubo sil iconizado para soro (tampa vermelha) como segundo tubo
- Manter os demais tubos conforme sequência proposta
� \.O
Tabela 2.1
- , ' -
RECOMENDAÇOES PARA A COLETA DE MATERIAIS BIOLOGICOS DESTI NADOS A REALIZAÇAO DE EXAMES LABORATORIAIS
Amostra
Sangue total
Exame
Hemograma
Coagulo grama
(TP/TI Pa)
Hemocultu ra
Tipo/cor do frasco
- Li lás
- Azul-claro
- Frasco específico,
fornecido pelo
laboratório
Critérios de aceitação
- Coletar com anticoagu lante E DTA
- Volume de sangue coletado conforme
taman ho do tu bo usado . Conferir no
rótu lo do tu bo
- Amostra l ivre de coágulo e hemólise
- Coletar com anticoagulante citrato
de sódio
- Segu i r rigorosamente a proporção
sangue-anticoagulante. Conferir volume
ind icado no rótu lo do tubo de coleta
- Amostra l ivre de coágulo
- Após centrifugação do sangue , o plasma
deve ser l ivre de hemólise, turbidez e
hemácias suspensas
- Coletar preferencialmente no período
de elevação da temperatura corpórea.
Evitar a coleta no pico fe bril
- Coletar antes do início da terapia
anti micro biana
COLETA DE MATERIAL BIOLÓGICO: PRINCÍPIOS E TÉCN ICAS
Estabi 1 idade, armazenamento
e transporte
- Temperatura ambiente
até 4 h
- So b refrigeração (2-BºC)
até 24 h
- T P à temperatura
ambiente até 24 h
- TTPa e outras provas de
coagulação à temperatura
ambiente até 4 h
- Não se recomenda a
refrigeração
- Temperatura ambiente até
2 h
- Não refrigerar ou congelar
(Continua)
Ul o
COLETA DE MATERIAL BIOLÓGICO: PRINCÍPIOS E TÉCN ICAS
Tabela 2.1 (continuação)
- , ' -
RECOMENDAÇOES PARA A COLETA DE MATERIAIS BIOLOGICOS DESTI NADOS A REALIZAÇAO DE EXAMES LABORATORIAIS
Amostra Exame
Sangue total Hemocultura
Tipo/cor do frasco
- Frasco específico,
fornecido pelo
laboratório
Critérios de aceitação Estabi 1 idade, armazenamento
e transporte
- Obter as amostras simu ltaneamente - Temperatura ambiente
(sem intervalos de tempo) . A coleta de até 2 h
amostras em intervalos de tempo está - Não refrigerar ou congelar
ind icada somente em caso de necessidade
de documentar bacteremia contínua, em
pacientes com suspeita de endocard ite
ou outro tipo de infecção associada a
d ispositivos intravasculares
- Coletar 2 a 3 pares de hemocultura
(um frasco aeró bico e outro anaeró bico)
por episódio. Se o laboratório não util izar
o frasco de cultivo anaeró bico , coletar
em 2 frascos aeró bicos. O volume de
sangue cultivado deve ser de 20-30 ml
- Volumes semeados de 8- 1 0 m l de
sangue por frasco q uando o paciente for
ad ulto e , se pediátrico, 1 -3 m l (volume
de sangue cultivado não mais do que
1 % do volume total de sangue calculado
pelo peso da criança)
- I noculado d iretamente no meio de cultu ra
- E nviar imediatamente ao laboratório (Continua)
Ul
�
Tabela 2.1 (contlnua9ão)
- , ' -
RECOMENDAÇOES PARA A COLETA DE MATERIAIS BIOLOGICOS DESTI NADOS A REALIZAÇAO DE EXAMES LABORATORIAIS
Amostra
Sangue total
Exame
Testes moleculares
Gasometria
Tipo/cor do frasco
- Lilás/azu l-claro/
branca translúcida
- Seringa
heparin izada
Critérios de aceitação
- Coletar com anticoagu lante E DTA/
Citrato de Sódio/E DTA com gel
separador
- Coletar em tu bos exclusivos, evitar
alíquotas de outros exames
- Volume de sangue coletado conforme
ind icado no rótu lo do tu bo de coleta
- Amostra l ivre de coágu lo e hemólise
- E nvio imed iato ao laboratório
Estabi 1 idade, armazenamento
e transporte
- Para análise de D NA:
temperatura ambiente até
24 h ou so b refrigeração
(2-BºC) até 72 h . Períodos
•
superiores: armazenar e
transportar a -20ºC ou
inferior
- Para análise de RNA:
amostras coletadas sem o
gel separador do plasma
devem ser al iquotadas em
até 4 h , armazenadas e
transportadas a -20ºC ou
inferior
- Amostra fec hada sem contato com o ar -
exterior, l ivre de coágu los e bol has de ar
Temperatura ambiente até
30 min
- Seringa contendo heparina sódica ou
l ítica (50 U I ) . A uti l ização de heparina
l ítica (50 U I ) com balanceamento de
cálcio permite a determinação simultânea
dos eletrólitos
- So b refrigeração (água e
gelo) até 4 h
(Continua)
COLETA DE MATERIAL BIOLÓGICO: PRINCÍPIOS E TÉCN ICAS
Ul tv
COLETA DE MATERIAL BIOLÓGICO: PRINCÍPIOS E TÉCN ICAS
Tabela 2.1 (continuação)
- , ' -
RECOMENDAÇOES PARA A COLETA DE MATERIAIS BIOLOGICOS DESTI NADOS A REALIZAÇAO DE EXAMES LABORATORIAIS
Amostra
Soro
Plasma
Exame
Bioquímica /
I munologia/
Hormônios/
Marcadores tumorais
Bioq uímica/
I munologia/
Hormônios/
Marcadores tumorais
Tipo/cor do frasco
- Amarela (gel)
- Vermel ha
(sem gel)
Critérios de aceitação
- Sangue coletado sem anticoagu lante,
de preferência em tubos contendo
ativador da coagulação e gel separador.
Amostras coletadas sem o gel separador
devem ser al iquotadas até 2 h após a
coleta da amostra
- Centrifugar somente após a retração do
coágulo (tempo de 30-45 min)
- Após centrifugação do sangue , o soro
deve ser l ivre de hemólise e de hemácias
suspensas
- Manter o tu bo fec hado (em anaero biose)
até a determinação de cálcio ion izado
Estabi 1 idade, armazenamento
e transporte
- Temperatura ambiente
até 4 h
- So b refrigeração (2-BºC)
até 24 h
- Lilás/cinza/verde - Sangue coletado com anticoagulante
E DTA/fluoreto/ heparina
- Temperatura ambiente
até 4 h
- Após centrifugação do sangue , o plasma -
deve ser livre de hemólise, turbidez e
hemácias suspensas
So b refrigeração (2-BºC)
até 24 h
(Continua)Ul w
Tabela 2.1 (continuação)
- , ' -
RECOMENDAÇOES PARA A COLETA DE MATERIAIS BIOLOGICOS DESTI NADOS A REALIZAÇAO DE EXAMES LABORATORIAIS
Amostra
Urina
Exame
Comum de urina
(EQU)/urina tipo 1
Dimorfismo
eritrocitário
Provas quantitativas
em j ornada com
períodos definidos
Tipo/cor do frasco
- Frasco fornecido
pelo laboratório
- Frasco fornecido
pelo laboratório
- Frasco fornecido
pelo laboratório
Provas de depuração -
24 h
Frasco fornecido
pelo laboratório
com capacidade
de até 2 L
Critérios de aceitação
- 1 ª urina da man hã ou u rina com
retenção na bexiga por pelo menos 3-4 h
- Amostra l ivre de contaminação por
fezes ou sangue (menstruação)
- Amostra coletada do jato médio . Volume
adequado , não menos de 1 0 ml
- Amostra l ivre de contaminação por
fezes ou sangue (menstruação)
- E nviar imediatamente para o laboratório
- Coleta de todas as micções e volu mes
do período defin ido
- Amostra l ivre de contaminação por
fezes ou sangue (menstruação)
Estabi 1 idade, armazenamento
e transporte
- Temperatura ambiente
até 2 h
- So b refrigeração (2-BºC)
até 24 h
- Temperatura ambiente
até 30 min
- Temperatura ambiente
até 2 h
- So b refrigeração (2-BºC)
até 24 h
- Temperatura ambiente
até 2 h
- Amostra coletada segundo o
procedimento: esvaziar a bexiga pela
manhã, anotar o horário e r após, coletar -
e armazenar toda a urina emitida por
So b refrigeração (2-BºC)
até 24 h
24 h em um mesmo frasco, inclusive a
(Continua)
COLETA DE MATERIAL BIOLÓGICO: PRINCÍPIOS E TÉCN ICAS
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COLETA DE MATERIAL BIOLÓGICO: PRINCÍPIOS E TÉCN ICAS
Tabela 2.1 (continuação)
- , ' -
RECOMENDAÇOES PARA A COLETA DE MATERIAIS BIOLOGICOS DESTI NADOS A REALIZAÇAO DE EXAMES LABORATORIAIS
Amostra
Urina
Urina
Exame Tipo/cor do frasco
Provas de depuração -
24 h
Frasco fornecido
pelo laboratório
com capacidade
de até 2 L
Cultural/
anti biograma
- Frasco fornecido
pelo laboratório
Critérios de aceitação Estabi 1 idade, armazenamento
e transporte
- Temperatura ambiente
até 2 h
- Micção correspondente ao horário do
in ício da coleta no dia anterior. Registrar
no rótu lo do frasco a data e o horário de - So b refrigeração (2-BºC)
até 24 h início e término da coleta
- O uso de conservante e acidulantes pode
estar ind icado em algumas metodologias
(consu lte o laboratório)
- Coletar após a higiene da genitália
- Micção em qualquer momento do d ia.
Coletar a u rina por jato médio
d i retamente no frasco fornecido pelo
laboratório
- Amostra não contaminada por fezes
- Amostras coletadas por saco coletor e
sondas vesicais não são apropriadas para
exames cu lturais. Podem ser uti l izadas
com restrições
- Temperatura ambiente
até 2 h
- Sob refrigeração (2-BºC)
até 1 8 h
(Continua)
U1 U1
Tabela 2.1 (continuação)
- , ' -
RECOMENDAÇOES PARA A COLETA DE MATERIAIS BIOLOGICOS DESTI NADOS A REALIZAÇAO DE EXAMES LABORATORIAIS
Amostra Exame
Urina Cultural/
anti biograma
Fezes Parasitologia
Digesti bi l idade
Fezes Cultura e
anti biograma
Tipo/cor do frasco
- Seringa estéril
quando coleta
-
por punçao
- Frasco fornecido
pelo laboratório
- Frasco fornecido
pelo laboratório
- Frasco fornecido
pelo laboratório
Critérios de aceitação
- A punção suprapúbica é o padrão-ouro
para diagnóstico de infecção do trato
. , . .
ur1nar10 em crianças
- A punção é ind icada para pesquisa de
anaeró bicos e na incapacidade de
c hegar-se a um diagnóstico por meios
- . .
nao 1nvas1vos
- Amostra recente até 24 h
- Não contaminada por urina
- Coleta de 3 amostras em dias segu idos
ou alternados, preferencialmente
preservadas com mertiolate-iodo-formol
(MI FC)
- Coletar após d ieta recomendada
- Enviar imediatamente ao laboratório
- Coletar em recipiente esterilizado e
transferido para o frasco fornecido pelo
1 abo ra tório
COLETA DE MATERIAL BIOLÓGICO: PRINCÍPIOS E TÉCN ICAS
Estabi 1 idade, armazenamento
e transporte
- Tempo > 2 h : colocar o
frasco sob refrigeração
(2-BºC) até 1 8 h
- Refrigeração pode ser
uti l izada q uando o tempo
de transporte for > 24 h ;
no entanto as formas
trofozo íti cas estarão
prej udicadas
- So b refrigeração (2-BºC)
até 24 h
- Tempo > 2 h , colocar o
frasco sob refrigeração
(2-BºC)
(Continua)
Ul °'
COLETA DE MATERIAL BIOLÓGICO: PRINCÍPIOS E TÉCN ICAS
Tabela 2.1 (continuação)
- , ' -
RECOMENDAÇOES PARA A COLETA DE MATERIAIS BIOLOGICOS DESTI NADOS A REALIZAÇAO DE EXAMES LABORATORIAIS
Amostra
Fezes
Esperma
Exame
Cultura e
anti biograma
Pesq uisa de
rotavírus
Espermograma
Tipo/cor do frasco
- Frasco fornecido
pelo laboratório
- Frasco fornecido
pelo laboratório
- Frasco l impo
fornecido pelo
laboratório
Critérios de aceitação
- A coleta com swab anal é uma
alternativa q uando não for possível
o bter as fezes por evacuação
- E nviar imediatamente para o laboratório
Estabi 1 idade, armazenamento
e transporte
- Tempo > 2 h , colocar o
frasco sob refrigeração
(2-BºC)
- Não se recomenda processar fezes sólidas
- A detecção virai é mais eficaz se as
amostras forem coletadas logo no início
dos sintomas . Após 7 dias de sintomas
d iarreicos, a sensi bi l idade e a
especificidadedo teste estão
comprometidas
- Amostra coletada após 3 d ias de
abstinência sexual
- Coletar a amostra, de preferência no
laboratório ou enviar imed iatamente ao
laboratório
- O tempo entre a coleta e o início da
determinação não pode u ltrapassar
30 min
- Tempo > a 6 h , colocar o
frasco so b refrigeração
(2-BºC) por até 72 h
- O armazenamento não
garante estabi l idade
(Continua)
U1 -.....J
Tabela 2.1 (continuação)
- , ' -
RECOMENDAÇOES PARA A COLETA DE MATERIAIS BIOLOGICOS DESTI NADOS A REALIZAÇAO DE EXAMES LABORATORIAIS
Amostra
Esperma
Secreções
Escarro
Exame
Cultura/
Bacterioscopia
Cultura/
Bacterioscopia
Cultu ra/
Bacterioscopia
Tipo/cor do frasco
- Frasco estéril
fornecido pelo
laboratório
- Frasco esté ri 1
fornecido pelo
laboratório
- Frasco estéril
fornecido pelo
laboratório
Critérios de aceitação
- Coletar a amostra após higiene da
genitália
- E nviar imediatamente ao laboratório
- Swab com meio de transporte
- Coletar maior volume de material
possível , preferencialmente por aspiração
.
com seringa
- Quando coleta com swab, utilizar meio
de transporte (Stuart ou simi lar)
- Entregar ao laboratório o mais rápido
possível
- A amostra deve ser de material das vias
aéreas inferiores (traqueo brônquicas) e
não de secreções do trato respiratório
superior e da região oral
COLETA DE MATERIAL BIOLÓGICO: PRINCÍPIOS E TÉCN ICAS
Estabi 1 idade, armazenamento
e transporte
- Tempo > 2 h , colocar o
frasco so b refrigeração
(2-BºC) , exceto para
cultura de Neisseria
- Tempo > 2 h , colocar o
frasco sob refrigeração
(2-BºC) , exceto para
cultura de Neisseria
- Tempo > 2 h , colocar o
frasco sob refrigeração
(2-BºC)
(Continua)
Ul 00
COLETA DE MATERIAL BIOLÓGICO: PRINCÍPIOS E TÉCN ICAS
Tabela 2.1 (continuação)
- , ' -
RECOMENDAÇOES PARA A COLETA DE MATERIAIS BIOLOGICOS DESTI NADOS A REALIZAÇAO DE EXAMES LABORATORIAIS
Amostra
Escarro
Secreções
diversas
Exame
Cultura/
Bacterioscopia
Tipo/cor do frasco
- Frasco estéril
fornecido pelo
laboratório
Cultura de aeró bicas - Seringa
e anaeró bicas
Critérios de aceitação
- Coletada após u m acesso de tosse
profunda, de preferência nas primeiras
horas da man hã, quando a secreção está
presente em maior quantidade (acúmulo
de secreção produzida à noite e não
expectorada) e estando o paciente em
. .
Jejum
- A coleta deve ser precedida da higiene
oral . Não utilizar cremes dentais , u m
simples bochecho com água, realizado
3 vezes, d iminui a floraassociada e
el imina a eventual presença de partículas
alimentares
Estabi 1 idade, armazenamento
e transporte
- Tempo > 2 h , colocar o
frasco sob refrigeração
(2-BºC)
- Quando necessário , a produção de
escarro pode ser i nduzida por nebul ização
com soro fisiológico estéril
- A amostra de escarro deverá ser levada
imediatamente para o laboratório
- Coletar a maior quantidade possível de
material
- Até 30 min à temperatura
ambiente. Não refrigerar
(Continua)
U1 \.O
Tabela 2.1 (continuação)
- , ' -
RECOMENDAÇOES PARA A COLETA DE MATERIAIS BIOLOGICOS DESTI NADOS A REALIZAÇAO DE EXAMES LABORATORIAIS
Amostra
Secreções
diversas
Lavado
gástrico
Líqu ido
cere brospinal
Exame Tipo/cor do frasco
Cultura de aeró bicas - Seringa
e anaeró bicas
Cultu ra para
mico bactérias
Cultural
- Frasco estéril e
aditivo fornecido
pelo laboratório
- Frasco esté ri 1
Critérios de aceitação
- Expelir o ar da seringa, retirar a agul ha
e vedar com tampa estéril para seringa
- E nviar o material na própria seringa
(sem a agul ha) o mais rápido possível
ao laboratório
- Coletar com swab inviabil iza a pesquisa
de germes anaeró bicos e baixa a
sensi bil idade de culturas aeró bicas
- Realizar o procedimento em jej u m pela
man hã, quando a secreção está presente
em maior quantidade (acúmulo de
secreção produzida à noite e deglutida)
- Promover o tamponamento da amostra
transferindo o material o btido para o
frasco estéril contendo bicarbonato de
sód io , aditivo fornecido pelo laboratório
- Coletar d i retamente no recipiente
fornecido pelo laboratório
- Entregar ao laboratório o mais rápido
possível
COLETA DE MATERIAL BIOLÓGICO: PRINCÍPIOS E TÉCN ICAS
Estabi 1 idade, armazenamento
e transporte
- Até 30 min à temperatura
ambiente. Não refrigerar
- Até 20 min à temperatura
ambiente em casos de
amostras não tamponadas
- Até 20 min à temperatura
ambiente
- Não refrigerar
(Continua)
O\ o
COLETA DE MATERIAL BIOLÓGICO: PRINCÍPIOS E TÉCN ICAS
Tabela 2.1 (continuação)
- , ' -
RECOMENDAÇOES PARA A COLETA DE MATERIAIS BIOLOGICOS DESTI NADOS A REALIZAÇAO DE EXAMES LABORATORIAIS
Amostra Exame Tipo/cor do frasco
1
Líquido Citoq uímica - Frasco estéril
cere brospinal
Critérios de aceitação
- Coletar d iretamente no recipiente
fornecido pelo laboratório
- Entregar ao laboratório o mais rápido
possível
Estabi 1 idade, armazenamento
e transporte
- Temperatura ambiente até
1 h
- Sob refrigeração (2-BºC)
até 3 h
PROCEDIMENTO PARA A COLETA DE HEMOCULTURA
O volume adequado de sangue é a variável mais importante na recuperação de
m icrorganismos a partir de amostras de sangue . Atualmente, os com itês de nor
matização recomendam coletar de 2 a 3 frascos (frasco aeróbico e anaeróbico) a
partir de amostras co letadas de forma sim ultânea (sem intervalos de tem po),
porém em punções de locais d iferentes. Em pacientes ad ultos, recomenda-se a
co leta de 8 a 1 0 m l de sangue venoso por frasco (conferir recomendações espe
cíficas do fabricante) e, em crianças, recomenda-se coletar duas amostras, cada
uma contendo de 1 a 3 m L de sangue. Em recém-nascidos, o volume de sangue
coletado deve ser de 0,5 a 1 m l (não mais do que 1 % do volume total de sangue
da criança).
As infecções associadas ao uso de cateteres são m uito frequentes e em geral
d ifíceis de serem d iagnosticadas. Culturas sem iquantitativas e q uantitativas de
segmento do cateter, hemocultura pareada de cateter e sangue periférico e d ife
rença do tempo de positividade entre a hemocu ltura coletada do cateter e peri
férica são os recursos laboratoriais mais util izados para o d iagnóstico.
Hemoculturas l iberadas a partir de uma ún ica amostra não são desejáveis
devido à baixa representatividade, tanto para resultados positivos como negati
vos. Quando a opção for não utilizar o frasco de hemocu ltura anaeróbica, deve
se incluir um segundo frasco aeróbico no momento de coleta para garantir o
cu ltivo do volume de sangue recomendado. Se não for possível a coleta do vo lu
me de sangue recomendado, essa informação deverá constar no laudo.
PASSO A PASSO DO PROCEDIMENTO DE COLETA DE HEMOCULTURA
t Antissepsia com movimentos circulares, do centro para a periferia com álcool
70% ou outras soluções, como PVPI e clorexid ina, segu indo recomendações
da com issão de infecção. Esperar secar naturalmente sem tocar a área.
Remover as tampas das garrafas e l im par as borrachas das garrafas com álcool
70% . Aguardar pela secagem natural.
Puncionar a veia selecionada utilizando escalpe e adaptador para coleta de
sangue a vácuo ou seringa/agu lha.
Perm itir a transferência do sangue para o meio de cultura mantendo a garrafa
na posição vertical . Usar primeiro o frasco de hemocultura aeróbica e após o
anaeróbico.
Observar e monitorar o volume de sangue transferido. Na transferência do
sangue da seringa para o frasco, não trocar a agu lha. Essa prática não é reco
mendada por aumentar o risco de acidente com a agu lha.
Com pletar o procedimento de coleta caso haja outros exames ou promover o
tam ponamento da veia e o curativo .
COLETA DE GASOMETRIA
A anál ise dos gases sanguíneos requer cuidados especiais da co leta tanto para
amostra arterial como venosa. A coleta somente deverá ser realizada em condições
61
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venti latórias estabil izadas por aproximadamente 30 m inutos. O preparo do ma
terial de coleta segue recomendações específicas. Util iza-se a heparina líqu ida
com " baixa concentração " de sódio quando a seringa for preparada pela equipe
de coleta. O uso de heparina líq uida para fins terapêuticos não é recomendado
por agregar a amostra e conter interferentes q ue comprometem as dosagens
laboratoriais, tendo com principal causa a redução de íons. Seringas previamente
preparadas com heparina de lítio jateada na parede, com " balanceamento " de
cálcio, estão comercialmente d isponíveis e têm por finalidade m inim izar os efeitos
da queda de íons na amostra. Os com itês internacionais de padron ização têm
recomendado o uso de seringas específicas para a coleta de gasometria e eletrólitos
para reduzir erros causados pela d i lu ição do sangue com o uso de heparina líquida
e a inadequada determ inação dos íons.
CRITÉRIOS DE REJEIÇÃO DE AMOSTRAS
Previstos nos processos operacionais dos laboratórios, têm por finalidade reduzir
os inte rferentes decorrentes de amostras coletadas inadequadamente. A utiliza
ção de amostras com restrições deve estar definida em instruções escritas pelo
laboratório.
O Quadro 2.2 resume os critérios de rejeição de amostras recomendados
pela Associação MERCOSUL de Normas Técnicas (NM 31 1 -4:2009).
62
Quadro 2.2
, -
CRITERIOS PARA REJEIÇAO DE AMOSTRAS
Critérios gerais
Preparação i nadequada do paciente ; falta de informação sobre a procedência, o
d ia e a hora da coleta da amostra; falta do exame na solicitação ; embalagem e/
ou meio de transporte inadequado ; embalagens rompidas que apresentam
derramamento da amostra; evidente contaminação externa; amostra não rotulada
ou sem identificação ; discrepância entre a identificação do paciente e da amostra;
amostras que não indiquem sua origem biológica; volume inadequado da amostra;
amostra imprópria para o exame solicitado.
Sangue
Tubo/aditivo errado; proporção sangue/aditivo impróprio; hemólise (exceto doen
ça hemolítica); coágulos ou microcoágu los; l ipemia acentuada; tempo l imite de
armazenamento u ltrapassado (gasometria - máximo 30 min à temperatura am
biente).
{Continua)
Quadro 2.2 (continuação)
, -
CRITERIOS PARA REJEIÇAO DE AMOSTRAS
Urina
Amostras não refrigeradasem tempo > 2 h após a micção (30 min para pesquisa
de d imorfismo eritrocitário) ; amostras obtidas de sonda; presença de fezes ou
corpos estranhos; amostras coletadas em frasco que não o fornecido pelo labora
tório.
Fezes
Presença de urina; amostras embaladas em frascos não fornecidos ; presença de
corpos estranhos ; fezes em estado sólido quando solicitada para cultura; amostras
coletadas em frasco que não o fornecido pelo laboratório.
Outras para cultura
Material coletado de região inadequada; amostras enviadas com swabsem reci
piente de transporte adequado; amostra para anaeróbios em recipiente inadequa
do e ou solicitada em amostras inadequadas, como: material de expectoração ,
lavado bronquial , urina por jato médio.
LEITURAS SUGERIDAS
Andriolo A, Martins AR, Ballarati CAF, Barbosa IV, Mendes ME, Melo MR, et ai . Recomenda
ções da Sociedade Brasi le ira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial para coleta de san
gue venoso [Internet]. 2 . ed. Barueri : M inha Editora; 201 0[Capturado em 201 0 Mar 25] .
Disponível em: http ://www.sbpc.org.br /u pload/ conteudo/320090814 1 45042 .pdf.
Asociacíon Mercosur de Normal izacíon. Laboratório clínico: pré-analítico, parte 4, critérios
de rejeição para amostras biológicas (NM 003 1 1 -4:2009) . São Pau lo : AMN ; 2009.
Bon i n i P, Plebani M, Ceriotti F, Rubbol i F. Errors in laboratory medici ne . Cl in Chem. 2002
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Brasi l . Min istério da Saúde. Resolução RDC no 302/2005, de 1 3 de outubro de 2005, Diário
Oficial da Un ião de 14 de outubro de 2005 [ I nternet] . Brasi l ia : ANVISA; 2005 [captu rado
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Chem. 2007 J u l ;53(7) : 1 338-42.
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63
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SITES SUGERIDOS
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ana lys i s [ I nte r n e t] . N e e d h a m , M A : CHA ; c20 1 0 . D i sp o n íve l e m : htt p ://
www. c h acorp orate .com/ pages/90 _ c o n s e n s u s_p rotoco l_for _h u m an_samp le _ %
20col lection .cfm
Public Health Agency of Canada. Sample collection, preparation and laboratory methodologies
[lnternet] .Ottawa, ON : PHAC - ASPC; 201 0 J u n 25. Disponível em: http://www.phac
aspc.gc.ca/ c-enternet/n iedsp 1 0-pn isme 1 O/ ana-eng.php
64
,
CAPITULO 3
-
MARIA LU I ZA LEAO BR ISOLARA
A palavra "q uai idade" tem sua definição vinculada a excelência, valor, co nform ida
de com especificações ou atendimento às expectativas dos clientes. Nesse último
enfoque, qualidade tam bém é defin ida como a extensão na qual um produto ou
se rviço atende e/ou excede as expectativas do consum idor. Essa percepção
consequente do m undo globalizado concedeu à qual idade um papel estratégico,
deixando de sign ificar apenas ações para o cum primento da legis lação vigente.
Fazendo parte do segmento saúde, os laboratórios de análises clínicas, quer
seja por intensa com petição , decréscimo das margens de lucro em virtude de
altos custos e/ou ainda por crescente controle governamental, tam bém passaram
a adotar e desenvolver programas de q ualidade cada vez mais rigorosos, relacio
nados tanto aos produtos q uanto aos serviços oferecidos.
,
E evidente a constante evolução dos sistemas de garantia da qualidade em
vista da constante pressão de ordem públ ica e privada. Na área da saúde, já é de
conhecimento tácito que "evitar falhas " poderá significar evitar danos irreversíveis
a alguém .
No âm bito da prestação de serviços, já em 1 990, Donabed ian, pesquisador
pione iro nos estudos da qualidade focada no segmento saúde, estabelecia os
atributos que definem a qual idade do cuidado em saúde:
Aceitabil idade: foco em acessibi l idade, relação paciente-profissional, efeitos
do cuidado e custo do cuidado.
Efetividade: foco em melhoria da saúde a ser atingida ou esperada sob
circunstâncias ordinárias da prática clínica.
Eficácia: foco em habil idade da ciência e arte do cuidado em saúde de trazer
melhorias à saúde e ao bem -estar.
t Eficiência: med ida do custo com o q ual a melhoria da saúde é atingida.
t Equ idade: justiça na d istribuição do cuidado e os benefícios entre os membros
da população .
Legitim idade: conform idade com as preferências sociais, considerando os as
pectos de aceitabil idade.
Otim ização : balanço entre custo e benefício mais vantajoso.
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Esses " sete pilares da qualidade " , termo pelo qual esses atributos ficaram
conhecidos, demonstram que os aspectos vinculados a cu idado, cortesia, infor
mação, comun icação, cred ibi l idade, confiança e segurança são considerados es
senciais para a qualidade na prestação de serviços.
Quando o foco passa ao produto "exames " , a qual idade passa a ter uma
conotação mais objetiva e padron izada, relacionada às exigências mínimas para
alcançá- la, assim como para o cum primento de requ is itos exigidos pela legislação.
Vale enfatizar a d iferença entre dois termos intrinsecamente relacionados,
mas não sinônimos: enquanto o " contro le da qual idad e " compreende técnicas e
atividades operacionais que se destinam a mon itorar um processo e el im inar
causas de desempenho insatisfatório em todas as etapas do ciclo da qualidade, a
" garantia da qualidade" refere-se ao conjunto de atividades planejadas e sistemá
ticas necessárias para promover confiança de que a entidade atenderá os requi
sitos para a q uai idade.
Há bem pouco tem po, acreditava-se que o processo d inâm ico de um laborató
rio de análises clín icas para a l iberação de um laudo de exame in iciava na coleta
do material biológico e term inava com a em issão de um laudo d iagnóstico. Hoje
se percebe q ue esse processo pode começar até antes da prescrição do exame .
Para se obter e manter a qualidade dos exames oferecidos, faz-se necessária
a padronização dos processos envolvidos, desde a solicitação méd ica, até a libera
ção do laudo do exame em q uestão, procurando detectar as prováveis fontes de
erro, e trabalhar com a prevenção e/ou correção dessas situações não conformes.
Seu principal objetivo é estabelecer procedimentos-padrão para as d iversas etapas
que envolvem a realização de um exame , perm itindo, dessa forma, o monitora
mento e a análise das s ituações adversas àq uelas normatizadas.
Para tornar mais prático o entendimento desse mecanismo, costuma-se d ividi-lo
em três fases: pré-analítica, analítica e pós-analítica.
FASE PRÉ-ANALÍTICA
Abrange situações desde a prescrição do exame, a preparação do paciente, a
coleta, a manipulação e o armazenamento da amostra antes da determ inação
analítica, ou seja, com preende tudo que precede o ensaio laboratorial , dentro ou
fora do laboratório de análises clínicas. Muitos profissionais dessa área consideram
essa etapa a mais d ifíci l de ser mon itorada, bem como de obter sucesso na apli
cação de ações corretivas d iante de alguma não conform idadedetectada, pois
essa fase contem pla procedimentos real izados tam bém fora do laboratório.
Trabalhos recentes desenvolvidos em d iversos centros de referência em saúde,
relacionados a erros em laboratórios, constataram que aprox imadamente 68-
93% dos erros laboratoriais encontrados são consequência da falta de padroniza
ção na fase pré-analítica. Portanto, é de extrema importância im plementar me
todo logias mais rigorosas para detecção, classificação e redução desses erros.
Seguem alguns fatores pré-analíticos que, com frequência, são apontados
como fontes de erros e/ou geradores de variações.
66
Escolha incorreta do teste de laboratório. Fase em que o contato do laboratório
com o profissional méd ico deverá promover um sentimento de parceria e confiança
entre am bas as partes, já que o objetivo principal do laboratório deve ser pro
porcionar ao profissional informações que contribuam para o melhor desfecho
clínico. Nesse sentido, vem se tornando essencial a atividade de méd icos patologis
tas clínicos como integrantes do corpo de profissionais do laboratório na busca
de melhor orientar as prescrições méd icas.
Ilegibilidade. Com os recursos da informática, erros relacionados à i legibil idade
do nome do exame, do paciente e do méd ico solicitante d iminuíram sign ificativa
mente, porém ainda são detectados. Um exem pio típico é o méd ico não receber
um exame que foi sol icitado, recebendo outro irrelevante, por leitura errada da
solicitação. Em várias dessas situações, o laboratório fica im pedido de dar continui
dade ao processo de real ização dos exames, pela im possibi l idade de identificar o
paciente, o exame e/ou até de conseguir contato com o solicitante .
Preparação do paciente. O cumprimento das recomendações de preparo prévio
à coleta de material do paciente é um fator crítico para a l iberação de resultados
fidedignos. Para tal , essas informações deverão ser plenamente conhecidas pelos
profissionais do laboratório e adequadamente repassadas ao paciente, enfatizando
a im portância da correta preparação e como ela pode afetar seus resultados. O
desejável é q ue o méd ico assistente recomende ao paciente que faça contato
prévio com o laboratório antes da coleta de qualquer material. Citamos algumas
informações essenciais:
Execução de jejum : habitualmente, recomenda-se jejum para a coleta de sangue
de rotina de 8 horas, podendo ser reduzido a 4 horas, para a maioria dos exames
e, em situações especiais, tratando-se de crianças na primeira infância ou lac
tentes, pode ser de 1 ou 2 horas apenas. Períodos mu ito prolongados de jejum ,
acima de 1 6 horas, devem ser evitados, e a coleta de sangue suspensa, já que
alguns parâmetros, como glicemia, serão influenciados poresse tempo inadequado.
Restrição a exercícios fís icos: sua execução pode causar aumento da atividade
sérica de algumas enzimas, como a creatinoq uinase (CK), a aldolase e a as
partato transam inase (TGO), pelo aumento da l iberação celular, podendo per
sistir por 1 2-24 horas após a real ização de um exercício.
Restrição a bebidas alcoól icas preferencialmente 72 horas antes da coleta do
material biológico: o uso de bebidas alcoól icas, quando seu consumo é esporá
d ico, pode causar alterações significativas e quase imed iatas na concentração
plasmática de glicose, de ácido láctico e de triglicerídeos. No consumo crônico,
a elevação da atividade da y-glutam i l transferase (GGT) é frequente. Esse é
um exem pio de interferência pré-analítica que pode ocorrer pelo desconheci
mento de seus efeitos por parte dos pacientes.
I nterferência de drogas terapêuticas: estudos demonstram claramente a inter
ferência significativa de várias d rogas sobre determ inados parâmetros. Essas
interferências poderão ser de origem :
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- ln vitro: q uando a interferência ocorre no processo analítico . Uma d roga
ou seus metaból itos pode interferir no processo analítico de várias maneiras,
mas essa interferência pode variar de acordo com a metodologia. Por isso,
uma das ferramentas para a investigação de uma possível interferência
pode ser a realização do mesmo teste por outra metodologia. Um exem plo
importante é o uso de suplementos vitamínicos. A vitamina C, ou ácido
ascórbico, é um potente interferente nas pesquisas de glicose, hemoglobina
e nitrito na urina, podendo ainda negativar pesquisas de sangue ocu lto nas
fezes. Pode ainda interferi rem dosagens como a da creatin ina sérica. Outra
situação bastante frequente é o uso de fórm ulas para emagrecimento sem
orientação méd ica e consideradas naturais pelos pacientes e que podem
conter med icamentos como d iuréticos e hormônios tireoid ianos.
- ln vivo: relacionado a seus efeitos biológicos, tanto na ação principal quanto
a seus efeitos colaterais.
- Existem tam bém aque las drogas q ue promovem interferências pelos dois
mecanismos. Um exem pio clássico é o das cefalosporinas de 2ª e 3ª geração,
que são excretadas por via renal, como a cefoxitina, cefalotina e cefotaxima,
ou outras excretadas por via renal e hepática, como a cefoperazona, que
causam efeitos in vivo e in vitro. ln vitro interagem com a solução de picrato
alcal ino, q uando utilizada a metodologia de Jaffé na determ inação da
creatinina, aumentando sua concentração em 1 ,5 a 8 ,5 vezes. ln vivo cau
sam d isfunção renal, aumentando tam bém a concentração de creatinina
, .
ser1ca.
Momento/horário adequado de coleta. As alterações cíclicas da concentração de
um determ inado anal ito em função do tempo podem determ inar o melhor mo
mento para a coleta de parâmetros que sofram essa interferência. A variação
circad iana acontece, por exem pio, nas concentrações do ferro e do cortisol no
soro, e as coletas realizadas à tarde fornecem resultados até 50% mais baixos do
que os obtidos nas amostras coletadas pela manhã. As alterações hormonais
típicas do ciclo menstrual tam bém podem ser acom panhadas de variações em
outras substâncias. Por exem plo, a concentração de aldosterona pode estar até
1 00% mais elevada na fase pré-ovulatória do q ue na fase folicular.
Identificação dos materiais. É im prescindível que a identificação dos materiais
NÃO gere dúvidas no que d iz respe ito a nome do paciente, tipo de material
coletado , data e hora da coleta. O com prometimento dessas informações normal
mente gera a necessidade de nova coleta de material.
Coleta da amostra. Nessa etapa, variações devido a obtenção, preparação e trans
porte da amostra podem provocar a perda do material biológico destinado à
análise. Frequentemente encontram -se sangue destinado às provas de coagulação
com m icrocoágulos decorrentes da homogene ização incorreta do material ou
ainda pela proporcionalidade inadequada entre anticoagulante e sangue tota l ;
soro hemol isado com a sol icitação de potássio; troca de tubos de coletas; erros
68
na flebotomia ; ou , ainda, uso pro longado do torniq uete promovendo aumento
de proteínas e anal itos l igados a elas. Essas causas d iretas de erro pré-analítico ,
q uando detectadas, geram a recoleta desses materiais.
Para a manutenção das boas práticas na fase pré-analítica, seguem certas
recomendações do QUE FAZER com o objetivo de m in imizar e/ou el im inar os
erros potenciais:
Disponibi l izar ao paciente ou a seu responsável instruções escritas e verbais,
em l inguagem acessível, orientando sobre o preparo necessário para a coleta
de amostras, tendo como objetivo o entendimento do paciente.
Realizar programas de educação continuada aos d iversos profissionais, desde
recepção e acolhimento dos pacientes, até técnicos que executam a flebotom ia,
com o objetivo de manter a padronização e a sua participação nas atualizações
e avaliações relacionadas aos procedimentos considerados mais adequados
para cada atividade.Garantir o correto armazenamento de todos os insumos, segu indo as reco
mendações dos fabricantes.
Certificar-se de que o cliente está em cond ições adequadas para a real ização
dos exames, utilizando perguntas objetivas e claras para o entend imento do
paciente, que não ind uzam a respostas esperadas, como :
- cond ições de jejum : " há q uanto tem po o sr(a) . está em jejum ? " , e não "o
sr(a) cum priu o jejum recomendado? "
- real ização de exercício fís ico: "quando foi q ue o sr(a) praticou atividade
física e q ual foi? " , substitu indo a pergunta "o sr(a) praticou exercício exte
nuante nas últimas 72 h " ?
- ingestão de álcoo l : " há quanto tempo está sem ingerir bebida alcoól ica? "
- uso de med icamentos: "q uais reméd ios o(a) sr(a) toma? Toma vitam ina?
Qual foi o horário em que tomou pela ú ltima vez? "
Sem pre que possíve l , util izar o sistema de co leta a vácuo para q ue seja respei
tada a proporção correta sangue/ anticoagulante e a m inim ização de uma das
maiores fontes de erro nas provas de coagu lação : os " preciosos " segundos
entre a punção do sangue total e o contato com o anticoagulante.
Realizar o transporte das amostras de acordo com a legislação vigente, sem pre
atento às cond ições de tem peratura específicas para cada anal ito , tempo
máximo aceitável para essa etapa e para as rígidas normas de biossegurança.
Em caso da necessidade de armazenamento das amostras, respeitar as carac
terísticas que garantam a integridade analítica de cada parâmetro.
Criar e utilizar ind icadores de desempenho para avaliar os resultados das ações
de controle pré-analítico, o estado da qual idade e as oportunidades de me
lhoria, contem plando todas as etapas desse processo. Exem plos :
- Ind icadores vinculados à solicitação de exames: erro na identificação do
paciente; falta da identificação do méd ico ; solicitação ilegível .
- Ind icadores vinculados à amostragem : coletas não realizadas - internados
e am bula to riais ; acidentes de punção a cada 1 00.000 venopunções ; recoleta
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de amostras ; coleta de drogas terapêuticas na hora errada; erros na eti
queta de identificação ; frasco de coleta incorreto (anticoagulante), volume
i ns uf ic ie nte, etc.
Essas informações deverão estar contem piadas em documentos de qualidade
obrigatórios nos laboratórios clínicos.
Sem pre mantendo o foco em garantir que amostras e materiais tenham a
representatividade desejada e mantenham a integridade de sua composição e
funcionalidade, tam bém se deve sem pre lembrar do que NÃO FAZER:
t Esquecer que a maioria dos erros pré-analíticos não são percebidos.
t Negligenciar as consequências dessas variáveis med iante os procedimentos
de aval iação ou interpretação dos resultados de exames.
Nunca esquecer que a variação bio lógica sem pre deverá ser considerada e
que está d iretamente vinculada à resposta metaból ica do ind ivíduo, mu ito devido
a seus fluxos hormonais.
FASE ANALÍTICA
Essa fase começa com a validação do sistema analítico por meio do controle da
qualidade interna na amplitude normal e patológica, ou ainda abrangendo concen
trações d iferentes e im pactantes no monitoramento da l inearidade e sensibi l ida
de (p. ex . , d rogas terapêuticas) , e term ina quando a determ inação analítica gera
um resu ltado.
Os processos aq ui desenvolvidos dão continuidade aos in iciados na fase pré
analítica quando, segu indo os critérios específicos e padronizados de qualidade,
,
foram d isponibi l izados materiais adequados e confiáveis. E nessa fase que se
evidenciam as principais consequências dos avanços tecnológicos, envolvendo
automação, e desenvolvimento de novas metodologias, envolvendo reagentes.
Citamos algumas delas :
Melhora sign ificativa da reprodutibi l idade dos dados, evidenciada na redu
ção nos coeficientes de variação analítica.
Maior segurança q uanto à manipulação de fluidos biológicos potencialmente
contam inantes com o uso de tubos primários nos equipamentos e d im inuição
de etapas de pipetagem.
t Aumento da capacidade de produção de exames/hora.
t Maior agilidade na l iberação de resultados com im pacto no tempo de atendi
mento total (TAT) entre o momento da solicitação do exame e o horário de
sua liberação.
70
Dim inuição do volume necessário para efetivação das determ inações analíticas
tanto de material bio lógico quanto de reagente, proporcionando econom ia
e menor desconforto do paciente ao exigir menor quantidade de flu ido bioló-
•
g1co.
Todavia, ter equipamentos no laboratório de maneira isolada NÃO garante
ter q uai idade. Apesar dos benefícios, a necessidade de maior planejamento veio
agregada a essas modernizações. A automação perde m u ito de sua capacidade
sem um programa de suporte adequado na área da informatização . Por isso,
torna-se necessário pensar sem pre nesse " conjunto " para que sejam alcançados
processos mais eficazes e eficientes.
Estudos para identificar a tecnologia mais adequada às necessidades meto
dológicas e a adequação aos requis itos da qualidade estabelecidos pelo laboratório,
considerando o modelo de reação, sensibi lidade e especificidade analíticas, princí
pios de cal ibração e padronização, otim ização da reação e rigor do procedimento
analítico , são imprescindíveis com e sem equipamentos.
Fatores que demonstram desem penho dos métodos, intervalo operacional
ou l inearidade, precisão , recuperação, efe ito de interferências e exatidão devem
obrigatoriamente ser conhecidos, monitorados e constantemente avaliados. Ape
sar dessas facilidades, estudos relatam q ue os erros laboratoriais nessa fase podem
chegar a 1 6 % .
Na busca da detecção preventiva de erros, suas prováveis causas, sem a promo
ção de consequências para os clientes, os contro les internos e externos são ferra
mentas ind ispensáveis.
CONTROLE INTERNO DE QUALIDADE (CIQ)
Consiste em procedimentos conduzidos em associação ao exame de amostras de
pacientes para avaliar se o sistema analítico está operando dentro dos l im ites de
tolerância pré-definidos.
Funções: controlar o desem penho de materiais, equipamentos e métodos
analíticos e registrar as ações executadas; identificar m udanças na estabi lidade
dos processos, por aumento da variabi l idade ou por introdução de desvios ou
tendências na calibração; criar sinais de alerta para prevenir a liberação de resultado
inadequado e ind icar a necessidade de ações corretivas. Está diretamente vinculado
à precisão dos exames.
Para o sucesso de im plantação e manutenção desse processo contínuo, normal
mente introduz-se essa rotina em etapas :
Selecionar os anal itos de maior im pacto para serem os primeiros contem piados
com os contro les, de acordo com as características de seu laboratório e de
seus clientes. Esse laboratório presta serviço para áreas de emergência? Caso
afirmativo, não se deve esquecer de contem plarem sua lista eletról itos, enzimas
cardíacas, gasometria, etc.
Garantir conhecimento e domínio por parte dos profissionais que trabalharão
d iretamente com o controle de qualidade das ferramentas estatísticas im pres
cindíveis para monitoramento e aval iação dos processos.
Conhecer os métodos a serem controlados, contem piando características de
confiabilidade (im precisão, exatidão, sensibilidade, especificidade, linearidade,
l im ite de detecção, interferentes, etc.) e praticidade (custos, biossegurança,
volume e tipo de amostra, estabi l idade de reagentes, etc.).
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Definir a qualidade necessária e desejada pelo laboratório. Na l iteratura, pode
mos encontrar d iferentes modelos, como : o formato do erro total permitidoda maioria dos ensaios de proficiência e o critério externo de avaliação da
qualidade, a m udança clin icamente importante, que envolve decisões de trata
mento clínico, e a imprecisão e inexatidão permitidas, baseadas na variação
bio lógica de um ind ivíd uo.
Estabelecer clara e objetivamente os critérios para controlar todas as metodo
logias a serem oferecidas ao corpo clínico e aos pacientes, selecionando as
ferramentas mais sensíveis aos d iferentes tipos de erro (p. ex. , regras de
Westgard , gráficos de Levey-Je nnings).
Monitorar o desempenho dos exames laboratoriais, procurando manter rotinas
preventivas q uanto a desvios, eventos adversos e rotinas corretivas de forma
imed iata q uando necessário.
Ao ser detectada alguma não conform idade ou erro, analisar suas circunstân
cias, procurando determ inar e el im inar sua causa raiz.
CONTROLE EXTERNO
Controle Externo de Qualidade - CEQ: Atividade de aval iação do desem penho
de sistemas analíticos por meio de ensaios de proficiência, análise de pad rões
certificados e comparações interlaboratoriais. Tam bém chamada Aval iação Externa
da Qualidade. Está fundamentado na com paração entre os resultados dos exa
mes do laboratório participante com a média de consenso de seu grupo.
As empresas provedoras de ensaios de proficiência, ferramenta extensamente
adotada, d istribuem periodicamente alíquotas de um mesmo material para os d i
versos laboratórios participantes do programa. Essas em presas com prometem-se
em produzir amostras que tenham as mesmas caracte rísticas ou o mais próximo
d isso dos fluidos bio lógicos util izados nos laboratórios clínicos, assim como uma
estabil idade tal que mantenha essas características por período adequado entre
manufatura, transporte , recebimento e determ inação. O patrocinador do pro
grama agrupa os resultados enviados pelos laboratórios por ensaio , metodologia
e, em alguns casos, tam bém por eq uipamento e, então, calcula a méd ia de con
senso de cada parâmetro . Essa ação promoverá a com paração da exatidão dos
anal itos entre os laboratórios participantes. Obviamente a representatividade
desses grupos está vincu lada a um número mínimo de participantes.
Com a participação efetiva em programas de Controle Externo de Qualidade,
o laboratório poderá garantir que os resu ltados daqueles anal itos que fazem
parte desses ensaios aprox imem -se o máximo possível de um valor real dentro
de uma variabi l idade analítica permitida. Por último, é feita uma avaliação do
desem penho de cada laboratório participante, anal ito e/ou identificação por pe
ríodo normalmente equivalente ao ano de participação. Nas avaliações por analitos
e/ou identificação, aqueles com desem penho adequados integrarão a l istagem
do certificado de proficiência dos ensaios daquele laboratório participante.
Com a adoção de ferramentas estatísticas consistentes, e analisando mais
m inuciosamente as ferramentas adotadas nos modelos de contro le externo de
qualidade por d iferentes provedores, profissionais ded icados a essa área de estudo
72
estão consegu indo ótimos resu ltados refletidos d iretamente na efetividade clínica
ao promover auxílio no d iagnóstico. Uma prova d isso fo i o estudo publ icado por
Oliveira e colaboradores (2009): " Ensaio de proficiência demonstra que o d iag
nóstico de d iabete mel ito pode ser influenciado por d iferentes metodologias " .
Para a manutenção das boas práticas na fase analítica, seguem-se certas reco
mendações do QUE FAZER:
Apesar de a fase analítica ser a única fase do laboratório q ue não tem contato
com o cliente externo/paciente, os profissionais q ue nela desenvolvem suas
atividades devem estar devidamente preparados para bem servi- lo e procurar
manter um relacionamento de parceria e confiança com outro perfil de cliente
bem mais exigente, o grupo clínico (médicos, enfermeiros; assistentes sociais,
nutricion istas, etc.) .
Nunca esquecer q ue o q ue determ ina o aparecimento do erro de laboratório
não é o fato de o processo ser automático ou manual, mas o nível da eficiência
do sistema da q uai idade im plementado pelo laboratório. A automação, se
adequadamente contro lada, pode gerar menos erro de laboratório do que
um processo manual. Por mais eficazes que sejam as ações do laboratório
para m inim izar as fontes de erro sistemático, elas serão suficientes apenas
para m inim izá-lo, e não para el im iná-lo.
Adotar programas com foco no acom panhamento da eficácia clín ica dos servi
ços oferecidos.
Promover a integração do corpo clínico com os protocolos adotados pelo
laboratório ao d isponibi lizar e submeter esses procedimentos operacionais
padrão (POPs) a consultas e sugestões de atual izações por profiss ionais espe
cial istas em áreas afins. Por exem pio, convidar grupo/profissional endocrino
logista a dar seu parecer quanto às rotinas adotadas pelo laboratório para
execução de curva glicêm ica.
Realizar controle de q uai idade interno e externo de todos os testes, indepen
dentemente de suas características (quantitativo, sem iq uantitativo ou qual ita
tivo) real izados pelo laboratório. Quando não existirem comercialmente, o
laboratório deverá adotar formas alternativas descritas na literatura científica.
Nessa fase , tam bém sugerimos o que NÃO FAZER:
Considerar os procedimentos de CIO de ações fáceis. O CIO é uma atividade
sim ples, porque basta defin i re cum prir os req uis itos da qual idade (especifica
ções) ; porém é d ifíci l porque se deve cum prir e atender sem pre !
FASE PÓS-ANALÍTICA
Essa fase abrange os procedimentos real izados após a real ização do exame. In
cluem : cálculo de resultados, anál ise de consistência dos resu ltados, l iberação
dos laudos, armazenamento de material ou amostra do paciente, transm issão e
arqu ivamento de resultados.
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Tam bém nessa fase o desenvolvimento da tecnologia da informação promoveu
um aumento significativo da qualidade percebida por todos os perfis de usuários
ao el im inar ou m inim izar im portantes fontes de erro. Letra/número ilegível , erros
na conversão de un idades de med ida ao d isponibi l izar programas de conversão
automática e ausência de algum item exigido pela legis lação para contem piar o
laudo ao conseguir padron izar as " máscaras " dos laudos.
No entanto, apesar de softwares específicos para laboratórios de análises clíni
cas, sistemas de interfaceamento (transm issão da informação do equ ipamento
para o sistema de informática do laboratório) consistentes, popularização do uso
da informática, erros e situações não conformes ainda existem nessa fase e devem
ser sem pre monitorados e avaliados. Os principais erros são: erro de digitação ,
problemas no interfaceamento do resultado no laudo, falta de informação sobre
fatores interferentes mais com u ns na metodologia utilizada, entrega do resultado
do exame fora do prazo contratado, interpretação eq uivocada do resultado.
Estudos relatam o intervalo de 9-19% de todos os erros com origem nessa
fase do laboratório de anál ises clínicas.
A fim de m in im izar e/ou el im inar os erros potenciais da fase pós-analítica,
seguem abaixo algumas recomendações do QUE FAZER:
Realizar atualizações nas " máscaras " dos laudos d iagnósticos periodicamente
e/ou sem pre que houver m udança de metodologia, equ ipamento ou valores
de referência.
Realizar periodicamente testes no sistema de l iberação técnica e interfacea
mento, objetivando identificar e rastrear possíveis falhas no sistema.
ACREDITAÇÃO LABORATORIAL
A acreditação é um sistema de avaliação externa estabelecido por determ inadas
organizações de forma voluntária, em q ue uma instituição, governamental ou
não, avalia o laboratório por meio de aud itoria, promovida pela organização, e
que determ ina se ela atende a requisitospré-determ inados para exercer as tarefas
-
a q ue se propoe.
Em dezembro de 1 999 (Consenso de Estocolmo) , a World Association of
Societies of Pathology and Laboratory Medicine e a I nternacional Federation of
Clin ica! Chem istry d ivulgaram os Princípios da Acred itação para Laboratórios Clíni
cos, nos q uais consta que "é do interesse dos pacientes, da Sociedade e do Gove
rno que os laboratórios clín icos operem dentro de altos padrões de com petência
profiss ional e técnica " . Motivos da afirmativa:
74
As decisões quanto a d iagnóstico, prognóstico e terapêutica são, frequente
mente, baseadas nos resultados ou na interpretação de exames laboratoriais, e ,
portanto, danos irreversíveis podem ser causados por resultados equivocados;
Os usuários de serviços de laboratórios, tanto pacientes quanto méd icos, po
dem não possuir conhecimentos técnicos suficientes para avaliar se um labora
tório está operando em um nível satisfatório de qual idade.
Os pacientes e , em menor grau, os méd icos podem não ter opção quanto a
que laboratório util izar.
Os exames de laboratório podem ser d ispendiosos, e os pacientes, as segurado
ras ou o governo, que pagam os exames, têm o d i re ito de esperar q ue o
laboratório forneça informações válidas.
,
E do interesse dos laboratórios que sua com petência seja atestada por processo
de aud itoria (por com paração com padrões apropriados e que isso se torne
públ ico).
Diante dessa realidade, a visão dos programas que atestam a qualidade (li
cenciamento, certificações, acred itações) passou a ter caráter de necessidade
d iante das exigências do mercado.
O objetivo da acred itação é fornecer aos consum idores a confiança na qualida
de dos serviços oferecidos por uma organização com reconhecida com petência
técnica. Padrões de acred itação, via de regra, são elaborados por consenso entre
especial istas, de modo a estarem de acordo com o "estado da arte " e com os
avanços tecnológicos, sendo considerados ótimos e possíveis de serem atend idos.
Contem plam requisitos de alto nível , encorajando o pessoal e a gerência a alcança
rem níveis cada vez mais elevados de qual idade e melhoria contínua.
OS ERROS
Com foco nos procedimentos contemplados pela análises clín icas e os d iversos
conceitos na literatura especial izada nessa área, seguem os principais tipos de
erros associados a suas rotinas:
Erro aleatório. Geralmente associado à imprecisão, é resultado de uma med ição
menos a média resultante de um número (n) de med ições do mesmo mensurando,
feitas sob cond ições de repetitividade. Poderá ser um erro negativo ou positivo
cujas d ireção e d imensão não são previstas. O erro aleatório é formado pelo
desvio-padrão e, como sua magnitude não pode ser prevista, considera-se como
o erro máximo possível , calculado como m últiplos do desvio-padrão.
Um erro aleatório caracteriza-se fundamentalmente pelo aparecimento de
eventos sem previsão de q uando, como, onde e o quanto eles ocorrem . Como é
devido ao acaso, eles não podem ser previstos e evitados.
Erro sistemático. Relacionado à inexatidão, tem sem pre a mesma d ireção e é
previsível . O erro s istemático é calculado pela d iferença entre a média de um
conjunto de resu ltados e o valor verdadeiro . O controle da q ualidade não tem a
função de medir o erro sistemático, mas pode ind icar desvios na cal ibração ou
nos resu ltados, caracterizando aumento do erro sistemático.
Erro total. Corresponde ao erro inserido no resultado de um exame ou no resultado
em teste de proficiência.
,
E obtido com a soma dos erros aleatório e sistemático.
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Erro aleatório = 1 ,65 versus desvio-padrão ou 1 ,65 versus coeficiente de
variação (CV% )
Erro s istemático = Média - Média verdadeira
O erro total pode ser expresso em valor absoluto ou em percentual.
A Figura 3 . 1 demonstra graficamente os tipos de erros descritos.
Alguns exemplos de fatores que promovem erros laboratoriais:
Erro sistemático:
- m udanças nos lotes de reagentes e/ou cal ibradores;
- reagentes incorretamente preparados;
- armazenagem inadequada;
- problemas metodológicos, como efe ito matriz;
- di lu ição inadequada de contro les;
- manutenção ineficiente de eq uipamentos.
Erro aleatório :
- bolhas (nos reagentes, tubulações, seringas);
- reagentes mal homogeneizados;
- coágulo ou m icrocoágulos no pipetador ou na amostra;
- tem pera tu ra instá ve 1 , obstruções casuais d o eq uipamento;
- engano (erro que não se repete sistematicamente).
Valor real
µ Xm
1 Imprecisão 1
1 Inexatidão 1
1 Erro total 1
Figura 3.1
Erros encontrados em análises clínicas.
NÃO CONFORMIDADES (NC)
Um dos maiores desafios na área das anál ises clín icas é a quebra do parad igma
de que "erros " se resumem a situações a serem totalmente el im inadas. No en
tanto, ao reconhecer q ue a principal riqueza de uma empresa são seus colabora
dores, a fal ibi l idade sem pre estará presente. Acrescidas a isso, estão as característi
cas metodo lógicas dos exames que levam a algum erro sistemático. O objetivo
então deve ser m inim izar o erro ao máximo. Seu controle é imprescindível e ,
para isso, a participação de todos é essencial.
Ideias a serem im plantadas e fortalecidas:
O termo não conform idade não pode ser usado como sinônimo de erro, mas,
na maioria das vezes, está relacionado a ele. Não conform idade é o não atendi
mento a um requisito especificado .
,
E preciso q ue as pessoas de todos os níveis tenham conhecimento de como
identificar e relatar um evento não conforme e se s intam confortáveis em
fazê-lo, pois problemas não registrados são considerados problemas não resol
vidos e têm maior chance de recorrência.
Tão importante quanto identificar as não conform idades é identificar suas
potenciais situações geradoras. Essas situações referem-se a qualquer variação
que não tenha afetado o resu ltado final de um processo ou atividade, mas,
caso seja recorrente , tem uma chance significativa de resultar em um evento
adverso sério. Ações no sentido de evitá-las são classificadas como preventivas,
que objetivam a elim inar a(s) causa(s)-raiz de uma não conform idade potencial.
,
E considerada uma ação pró-ativa. Deve-se notar q ue a ação preventiva, pela
natureza de sua defin ição, não é aplicável a não conform idades já identificadas.
Em atividades que tratam d i retamente da saúde, essa é a meta ideal. No
entanto, no atual momento, ainda prevalecem as ações corretivas, cujo obje
tivo é el im inar a(s) causa(s)-raiz de uma não conform idade, de um defeito ou
,
de outra s ituação indesejável existente , a fim de prevenir sua repetição. E
considerada uma ação reativa.
Algumas em presas ainda não reconheceram a im portância desse processo
com plexo relativo ao tratamento de não conform idades. As reclamações de
pacientes, méd icos, fam i l iares, etc. m u itas vezes são desencadeadoras desse
trabalho m inucioso de análise dos processos envolvidos nas ocorrências.
A importância dessa etapa é percebida pela crescente literatura especial izada
nesse tema. Ferramentas destinadas à gestão da qualidade são aqui am plamen
te apl icadas. Reuniões caracterizando brainstorming, fluxogramas, d iagrama
de lshikawa, gráfico de Pareto, Matriz GUT são, algumas delas, m u itas vezes
util izadas em conjunto para determ inação da causa-raiz, isto é, qual a origem
da N C detectada.
LEITURAS SUGERIDAS
Bossuyt X, Verweire K , Blanckaert N . Laboratory medici ne : chal lenges and opportu n ities.
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quantitative measurement procedures: princi pies and defi n it ions; approved gu idel ine. CLSI
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para a habi l itação de provedores de ensaios de proficiência segu ndo os pr incípios da ABNT
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www.westgard.com/
78
,
CAPITULO 4
ANA PAULA ALEGRETTI
,
JOIZA L INS CAMARGO
,
AFONSO LU IS BARTH
O conhecimento básico das principais técnicas laboratoriais util izadas nos d iversos
testes d iagnósticos é im portante para que o clínico interprete corretamente os
resultados e estabeleça uma interação com os profiss ionais q ue real izam os exa
mes. Tam bém pode ser um ind icativo da qualidade técnica dos laboratórios. Muitas
vezes, ensaios ju lgados obso letos ou substituídos por ensaios mais modernos
continuam sendo utilizados, seja por razões de falta de atualização da equipe do
laboratório, resistência cu ltural pela equipe méd ica ou por razões de custo. A
seguir, são apresentadas noções básicas das principais técnicas util izadas em cada
uma das grandes áreas das anál ises clínicas.
MÉTODOS BIOQUÍMICOS NA ANÁLISE LABORATORIAL
No laboratório de análises bioq uímicas, a principal técnica em pregada na maioria
dos testes é a fotometria. Inúmeras metodo logias empregam os princípios básicos
da fotometria para transformar os resultados de reações bioquím icas em resultados
de laboratório, expressos em un idades, como mg/d l, U/L ou m mol/L, nos laudos
finais. Outros métodos tam bém são utilizados; entre eles podemos destacar a
potenciometria (eletroquím ica), a im pedância, a eletroforese e a cromatografia.
Junto com a fotometria, formam o aparato instrumental necessário para a realiza
ção das principais dosagens laboratoriais.
MÉTODOS FOTOMÉTRICOS
A fotometria é a med ida da luz. A luz pode ser absorvida, em itida, refletida ou
d ispersa e med ida por meio de eq uipamentos específicos. A maioria das reações
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bioq uím icas é mon itorada por meio da sua interação com a luz. A espectrofoto
metria util iza a propriedade das soluções de absorverem luz em determ inados
com primentos de onda para quantificar reações bioquím icas.
Na prática, o laboratório realiza reações bioquím icas e mede a interação dos
substratos consum idos ou dos produtos formados com a luz. A quantidade de
luz absorvida, ou a cor da solução, é proporcional à concentração da substância
corada em solução. Essa relação é conhecida como Lei de Beer e perm ite a transfor
mação da luz med ida em concentração.
Espectrofotometria UV-visível. Mede a luz das soluções coradas e não coradas.
Em geral , as soluções não coradas medem a luz absorvida pelos nucleotídeos
NAD e NADP, nas formas oxidadas e reduzidas, na região u ltravio leta (UV) (À
380 nm).
Método colorimétrico : o produto final é corado. Exem pios são os métodos
para dosagem de colesterol , glicose, ácido úrico e trigl icerídeos.
Método UV: o produto final é incolor. Exemplos são os métodos de dosagem
das enzimas, como TGO, LDH e CK.
Turbidimetria/Nefelometria. Mede a turbidez das soluções. Em uma reação antí
geno-anticorpo, a presença de com plexos insolúveis reflete ou d ispersa a luz,
que é proporcional à concentração dos imunocom plexos. Essa técnica apresenta
sensibi l idade adequada para a dosagem de proteínas em fluidos bio lógicos, como
urina e líqu ido cerebrospinal. Exem plos são as med idas de imunoglobul inas e
proteínas específicas, como transferrina, proteína C reativa e m icroalbum inúria.
Fotometria de chama. Nessa técnica, a solução a ser analisada é exposta à ação
de uma chama. Os átomos são excitados e, ao retornarem ao estado de repouso ,
em item luz. O comprimento de onda da luz em itida é específico para cada elemen
to e pode ser q uantificado em condições adequadas. Exem plos dessa modalidade
são as dosagens dos íons sódio (Na+), potássio (K+) e lítio (Li+3) .
Absorção atômica. É a med ida da absorção da luz por átomos na forma metálica.
,
E s imi lar à fotometria de chama, d iferenciando-se na maneira de med ir a luz.
Nessa modalidade, a luz absorvida por átomos no estado de repouso é med ida.
A maioria dos elementos pode ser quantificada por essa técnica, sendo usada
para a medida da concentração de Na, K, Li , cálcio (Ca +2) , chum bo , cobre e
alumínio.
Reflectância. É a medida da luz refletida de superfícies sólidas. Esse é o princípio
utilizado na "q uímica seca " . São exem pios dessa técnica os glucosímetros e as
fitas de urina, mas tam bém existem eq uipamentos de automação de grande
porte baseados em técnicas de quím ica seca.
80
MÉTODOS POTENCIOMÉTRICOS
A potenciometria mede o potencial (voltagem) entre dois eletrodos em solução,
sendo 1 considerado referência. Essa técnica baseia-se, principalmente , na ativi
dade específica dos íons presentes, capaz de alterar o potencial entre dois eletro
dos.
Analisadores de gases sanguíneos. Eletrodos específicos para pH, C02 e 02 perm i
tem quantificar esses parâmetros no sangue.
Eletrodos íon-seletivos (ISE). São e letrodos específicos para um determ inado íon .
Essa técnica é m uito sensível para a dosagem de íons, como Na+, K+, cloro (CI-) ,
L i+3 , Ca +2 , e perm ite a med ida d ireta no sangue total ou no plasma/soro, sem a
necessidade de d i lu ições prévias.
MÉTODOS ELETROFORÉTICOS
Baseia-se na separação de com postos conforme a sua carga elétrica em um campo
e létrico. Quando uma corrente elétrica é apl icada a uma so lução iônica contendo
os com postos que serão anal isados, há a produção de um fluxo de íons: cátions
(+) m igram para o polo negativo (cátodo) e ânions m igram para o polo positivo
(ânodo). Dessa forma, é possíve l separar os com postos, conforme a carga e o
tamanho, em bandas que podem ser coradas e q uantificadas. As apl icações mais
com u ns dessametodologia são a eletroforese de proteínas, de hemoglobina e de
• •
1soenz1mas.
MÉTODOS CROMATOGRÁFICOS
,
E a separação baseada nas d iferentes interações fís ico-quím icas dos com postos
com uma fase móve l e uma fase estacionária percorrendo um meio de suporte
(coluna). Veja alguns exem plos.
Cromatografia líquida em camada delgada (TLC - thin /ayer chromatography).
Util izada para a determ inação qual itativa de am inoácidos no sangue e na urina,
fosfo 1 i píd eos no líqu ido am n iótico, screen ing tox ico lógico, etc.
Cromatografia líquida de alta resolução (HPLC -high performance liquid chromato
graphy) . Util izada para a determ inação q uantitativa de am inoácidos, hemoglobi
nas, vitam inas e m u itos outros com postos. A detecção e a quantificação podem
ser feitas por fotometria UV-visível , potenciometria (eletroquím ica), índ ice de
refração, espectrometria de massas, etc. , dependendo do com posto que está
sendo analisado.
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Cromatografia gasosa (GC -gas chromatography) . Utilizada para separar com pos
tos voláteis ou que sejam faci lmente convertidos em formas voláteis ou em vapor,
l im itando seu uso. Apresenta alta resolução, baixos níveis de detecção, exatidão
e rapidez. Vários com postos orgânicos (ácidos orgânicos) e a determ inação da
concentração de d iversos fármacos podem ser determ inados por essa técn ica.
AUTOMAÇÃO EM BIOQUÍMICA
As anál ises automatizadas foram introd uzidas no laboratório clínico na década
de 1 980. Os autoanalisadores mais com uns nada mais são do que espectrofotôme
tros automatizados, que pipetam as amostras e os reagentes em cubetas apro
priadas e mantêm a reação bioquím ica por tem po determ inado em tem peratura
adequada. A reação em ite s inais a um detector, q ue transforma em un idade de
medida ou concentração para os anal itos anal isados.
A introdução da automação nas anál ises clín icas trouxe inúmeras vantagens
e tornou o laboratório clínico mais rápido e confiável . Os autoanalisadores perm i
tem realizar testes com volumes bem menores de amostra e reativos. O tempo
de reação pode ser reduzido a m inutos. Além d isso, podem ser realizadas reações
sim ultâneas com maior precisão e exatidão. As automações de grande porte
podem realizar até 2.000 testes/h, proporcionando rapidez para os exames urgen
tes. O advento do código de barras perm itiu a realização de testes em fluxo
contínuo, aumentando a agilidade e dim inu indo os erros nas fases pré, trans e
pós-analítica.
Esses equ ipamentos podem ser facilmente interfaceados, e os resultados, d is
ponibi l izados on-line em q uestão de m inutos. Apesar dos custos, o ganho em
termos de rapidez, agilidade, me lhor aproveitamento de recursos humanos, q ua
lidade (menor variação analítica) e econom ia de reagentes deve ser considerado .
Hoje esses equipamentos estão presentes na maioria dos laboratórios de análises
clínicas.
Recentemente, a d isponibi l idade de sistemas totalmente automatizados, que
integram a parte pré-analítica (centrifugação, aliq uotagem , d i lu ições e inspeção
visual das amostras), analítica e pós-analítica por meio de esteiras robotizadas,
conferem rapidez, qualidade e segurança ao laboratório clínico e aos seus cl ientes.
TESTES BASEADOS EM IMUNOENSAIOS
Os im unoensaios são estudos da reação antígeno-anticorpo realizados para detec
tar a presença de um determ inado antígeno, anticorpo ou imunocom plexo (im u
noensaios qual itativos), bem como para medir a concentração de um dos com po
nentes dessas reações (im unoensaios quantitativos). Util izados in icialmente para
d iagnósticos de infecções, em que se procura detectar a presença do antígeno
m icrobiano ou de anticorpos específicos, os im unoensaios foram grad ualmente
assum indo im portância em outras áreas, como hormônios, marcadores tum orais
e mesmo drogas, nas quais os métodos enzimáticos utilizados nos testes de bioquí-
82
m ica não eram adequados. O desenvolvimento científico expressivo perm itiu
um rápido progresso na tecnologia dos im unoensaios, como o advento dos
anticorpos monoclonais (produção de grande quantidade de anticorpos homo
gêneos in vitro) e técnicas de biologia mo lecular, por meio das q uais se tornou
possível uma caracterização mais precisa dos epitopos antigênicos dos m icrorganis
mos e das moléculas proteicas de interesse. Outro fator q ue perm itiu o crescente
em prego dessas técnicas é a faci l idade de automação dessas reações. Atualmente,
podemos d izer que as técnicas imunológicas são util izadas na maioria dos testes
de anál ises clínicas.
Para que os im unoensaios sejam úte is no d iagnóstico , o produto da i nteração
antígeno-anticorpo, o imunocomplexo, deve ser visual izado ou quantitativamente
med ido de alguma maneira. A visualização direta a olho nu é possível se o antígeno
estiver ligado a células ou partículas que se aglomeram ou aglutinam na interação
com o anticorpo. Podem utilizar reagentes não marcados, como as técnicas de
im uno precipitação e aglutinação, mas a maioria dos ensaios utiliza reagentes
marcados, em que a ampl ificação do sinal proporciona um grande aumento da
sensibil idade de detecção. Os primeiros marcadores util izados foram os rad iativos,
mas o surgimento de marcadores enzimáticos, fluorescentes e q uim iolum ines
centes têm gradativamente substituído os rad io isótopos, devido à sua faci l idade
de uso e de automação.
Na prática, um im unoensaio é realizado em um sistema de volume definido
sob cond ições de reação controlada e com volumes precisos da amostra em teste
e dos reagentes. Nessas condições, a intensidade do sinal do parâmetro med ido
é d iretamente (ensaio não com petitivo) ou inversamente (ensaio com petitivo)
proporcional à concentração do analito. Di lu ições de preparações purificadas da
substância em teste são usadas para preparar uma curva-padrão. Com frequência,
principalmente na presença de anticorpos séricos, d i lu ições seriadas da amostra
são testadas, e o resultado final é tirado da d i lu ição mais alta, que prod uz uma
intensidade de sinal pré-definida (titulação).
Apesar de sua alta especificidade e sensibi lidade, resultados falso-negativos
ou falso-positivos são relativamente frequentes. As reações cruzadas dos reagentes
do teste com substâncias não relacionadas, a presença de substâncias que interfe
rem com a formação do com plexo antígeno-anticorpo, erros na real ização do
teste e outros fatores são as principais causas.
A seguir, serão apresentadas as técnicas mais utilizadas.
Aglutinação. Ocorre q uando anticorpos bi ou m u ltivalentes formam comp lexos
com antígenos particulados insolúveis. Anticorpos da classe lgM são, em geral ,
as melhores aglutininas. Os ensaios de aglutinação são utilizados com mais fre
q uência para a detecção de anticorpos no soro. Os ensaios podem ser d i retos ou
indiretos, dependendo se o anal ito está presente no seu estado nativo ou l igado
a uma partícula carreadora (p. ex. , eritrócitos, látex, l ipossomas, m icrocápsu las e
outras partículas) para perm itir detecção da reação. Quando há aglutinação de
eritrócitos pela reação d ireta de anticorpos d irecionados contra com ponentes da
superfície celu lar, chamamos essa reação de hemaglutinação, técnica básica na
im unoemato logia.
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Apesar de melhorias nas técnicas de aglutinação, como a mensuração da
aglutinação por turbid imetria, a sensibi l idade desses ensaios não alcança a dos
ensaios imunoenzimáticos e rad io imunoensaios, mas ainda são rotineiramente
em pregados na detecção de fator reumatoide, anticorpos antinucleares,proteína
C reativa, antígenos m icrobianos e testes rápidos de gravidez (hCG [gonadotrofina
coriônica humana] na urina). VDRL ( venerai disease research /aboratory), Waaler
Rose e teste de Paul-Bunnel são exem pios clássicos de ensaios de aglutinação.
lmunoprecipitação. Baseia-se na quantificação de precipitados formados pela rea
ção de anticorpos com antígenos solúveis, resultando em um imunocom plexo
insolúvel . Para a formação de precipitados, existe uma curva de concentrações
ótimas de anticorpos e antígenos. Quando há excesso de um ou de outro, a
formação de precipitados pode dim inuir rapidamente, sendo essa a causa do
fenômeno de prozona, q ue ocorre com concentrações elevadas de anticorpos.
Esse fenômeno pode, po rtanto , ser a causa de resultados falso-negativos, sendo
necessário que se faça uma titu lação do anticorpo com quantidades fixas de
antígeno naqueles pacientes que apresentam resultados negativos e que não
estão de acordo com a suspeita clínica.
A formação de precipitinas detectáveis é a base de técnicas de imunod ifusão
em um meio gelificado, podendo ser sim pies (ou rad ial), quando o antígeno ou
anticorpo está fixo no meio de suporte e o outro se d ifunde até haver a precipita
ção, ou dupla, quando tanto o antígeno como o anticorpo se movem em d ireções
convergentes para formar o precipitado. A im unoeletroforese , a im unofixação e
a eletroimunod ifusão tam bém são ensaios s imi lares que se valem da formação
de campos elétricos para ace lerarem a m igração, aumentando a sensibi l idade e a
resolução.
Nefelometria. Trata-se de técnica de quantificação da d ispersão de uma luz inciden
te por imunocomplexos em suspensão. Em virtude de precisão, rapidez e fáci l
automação, é extensamente utilizada no laboratório de análises clín icas para a
quantificação de grande número de anal itos, como im unoglobul inas, fator reu
matoide , proteína C reativa e com plemento. No entanto, seu custo é elevado.
Fixação de complemento. Com a reação antígeno-anticorpo, ocorre a fixação de
com plemento, sendo o consumo desse antígeno med ido. Trata-se de técnica
bastante trabalhosa e am plamente substituída por outros ensaios automatizados,
mas ainda é em pregada em testes soro lógicos de doenças infecciosas, como
Chagas e sífilis.
lmunofluorescência. Bastante utilizada na rotina, baseia-se na ligação de anticorpos
monoclonais com fluorocromos, como a fluoresceína, que têm a capacidade de
em itir luz de comprimento de onda maior ao serem excitados com luz ultravio leta
(m icroscópio de fluorescência). Pode ser im unofluorescência d ireta, quando o
conjugado de anticorpo específico se l iga d iretamente ao analito, ou im unofluo
rescência indireta, q uando há primeiramente reação com anticorpo específico
não marcado e, posteriormente, um conjugado de anticorpo anti- im unoglobul ina
84
com fluorocromo é utilizado, aumentando assim a sensibi l idade da técnica (Fig.
4.1 ) . Anticorpos tam bém podem ser testados q uando antígenos padronizados
são fixados em lâm inas de vidro, e d iferentes d ilu ições da amostra são apl icadas;
posteriormente, a presença da reação é detectada com conjugado de anti-im uno
globulina (sanduíche). Exemplos de testes de im unofluorescência são o FTA-ABS,
fator antinuclear e várias técnicas soro lógicas para m icrorgan ismos.
Radioimunoensaio. Util iza marcação de um dos componentes da reação antígeno
anticorpo com rad ioisótopos, sendo o 1 125 e o 1 131 os mais em pregados. I ntroduzidas
em 1 960, essas técn icas estão entre as mais sensíveis em anál ises clínicas, po
dendo detectar concentrações de 1 o-6 a 1 0-9 g/m L do anal ito. Existem m u itas
variações da técnica, como o rad ioimunoensaio d ireto e de captura, mas os ensaios
com petitivos são os mais usados na rotina. Desvantagens, como o custo elevado,
cu rta vida méd ia dos reagentes e d ificuldades de trabalhar com rad io isótopos,
têm progressivamente reduzido o seu uso nos laboratórios, substituídos por ensaios
im unoenzimáticos, estando praticamente l im itados a dosagens de anal itos de
concentrações m u ito baixas, como alguns hormôn ios.
lmunoensaios enzimáticos. Ensaios não isotópicos em que enzimas (a peroxidase
e a fosfatase alcalina são as mais usadas) são os marcadores de antígenos ou
anticorpos. No enzimaim unoensaio, a reação antígeno-anticorpo é monitorada
por med ida da reação enzimática, podendo-se obter sensibil idades analíticas simi
lares ao rad ioimunoensaio, sem o inconveniente uso de rad ioisótopos. Atual
mente existe uma variedade de métodos de detecção, q ue vão desde leituras
visuais a fotométricas, com substratos coloridos, fluorescentes ou q uimiolum ines
centes, os quais têm sido am plamente em pregados em equ ipamentos automati
zados. Quando um dos reagentes está imobi l izado em uma fase só lida, como
placas de plástico com vários poços, chamamos de ELISA (enzyme-/inked immu
nosorbent assay) (ver Fig. 4.1 ) . ELISA para detecção de anticorpos podem ser
indiretos ou de captura, sendo esses últimos altamente recomendados para deter
m inação de lgM, tendo em vista os freq uentes falso-positivos observados em
pacientes com fator reumatoide. Os métodos de captura e de com petição são
util izados para detecção de antígenos.
lmunoensaios de fluorescência e quimioluminescência. Util izam marcadores fluo
rescentes ou quim io lum inescentes (em issão de luz via uma reação quím ica envol
vendo com postos s intéticos, como o lum inol), com posterior detecção por fluo
rômetros ou lum inômetros de alta sensibi l idade. Apresentam alta sensibi l idade
analítica e são facilmente adaptáveis à automação, o q ue expl ica o seu uso cada
vez mais frequente em laboratórios de médio e grande porte.
OUTRAS TÉCNICAS
Western-blotting, imm uno-dote dipsticksão técnicas q ue util izam a mem brana
de nitrocelulose como fase sólida. Essas mem branas adsorvem proteínas com
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grande eficiência. lmmuno-dote dipstick têm apresentado util ização crescente
em testes rápidos e qual itativos, como o teste para HIV e vários outros agentes
infecciosos. No western-blotting, há separação das proteínas de d iversos pesos
moleculares presentes em um comp lexo antigênico por meio de eletroforese
SDS-PAGE, com posterior transferência por eletroforese dessas proteínas para a
mem brana de nitrocelulose (b/otting), as quais são expostas ao soro em teste
para identificação de anticorpos específicos para as d iversas proteínas. Esses
anticorpos são revelados por meio de um segundo anticorpo anti- im unoglobulina
marcado, visualizando-se, então , bandas. Dessa maneira, pode-se identificar em
um ensaio a presença de d iversas especificidades de anticorpos, o que expl ica a
alta especificidade da técnica (p. ex. , o método confirmatório para identificação
de anticorpos anti-H IV). No entanto, por ser m u ito trabalhosa, seu uso na rotina
de análises clín icas é mu ito lim itado.
Automação dos imunoensaios. O avanço mais significativo nas técnicas de im u
noensaio na última década foi indubitavelmente na área de automação, principal
mente a automação de acesso randôm ico. Antes da década de 1 990, a instru
mentação d isponível real izava os ensaios em " lotes " , ou seja, o equipamento
conseguia anal isar amostras para somente um anal ito de cada vez e não perm itia
a ad ição de novas amostras após o início do processo. A automação de acesso
randôm ico, no entanto, perm ite a análise de mú ltiplos anal itos em mú ltiplas amos
tras consecutivas, podendo-se acrescentar novas amostras para testagem , sem a
necessidade de interrom per o processo. O resultado é um aumento enorme da
produtividade dos profiss ionais de laboratório, a redução do tem po de processa
mento dos exames e a menor variação interteste. Observa-se uma tendênciacres
cente de util ização, nesses equipamentos, de marcadores quim iolum inescentes.
Testes multiplex. Uma outra técnica que vem sendo empregada de forma crescente
em imunoensaios, assim como em testes genéticos, são os sistemas m u ltiplex,
baseados na mensuração de m últiplos anal itos em um ún ico ensaio, por meio,
por exem pio, de m icroesferas recobertas com antígenos ou anticorpos de fluo
rescência mú ltipla, com detecção por citometria de fluxo, ou por microchips.
Apesar da enorme capacidade potencial desses testes, que podem testar dezenas
ou centenas de analitos em um único experimento, seu real desem penho d iagnós
tico na prática clín ica ainda necessita de validação.
Interferências nos imunoensaios. Reações cruzadas, como já mencionado, podem
ser a causa de resultados falso-positivos ou falso-negativos (por com petição).
Para ensaios im unométricos de etapa única (diretos), quando o anal ito está presente
em concentrações extremamente elevadas, é possível exceder a capacidade de
ligação dos anticorpos de captura imobi lizados. Nesses casos, observa-se que a
curva concentração-sinal apresenta uma queda (hoo/(), conhecida como hook-effect
Nesses casos, a amostra deverá ser d i luída. Os equ ipamentos modernos, em
geral , alertam o operador quando a concentração do anal ito atinge esses níveis,
o que torna raro tal erro em laboratórios com rotinas de garantia de q ualidade de
seus resultados.
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ELISA direto ELISA indireto
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1 7
1
ELISA mais básico. Um antígeno
(triângulo) é ligado à fase sólida (fundo
do pocinho da placa de poli estireno).
Um anticorpo específico marcado é
utilizado para visual ização do complexo
após reação enzimática.
ELISA por captura
Métodos por captura são mais específicos.
Um anticorpo específico (em geral
monoclonal) é ligado ao meio sólido
(ac. de captura). Depois a amostra é
incubada, e um segundo anticorpo
específico marcado é adicionado.
1
1 1
Da mesma maneira, o antígeno é ligado à
fase sólida, e um anticorpo específico é
adicionado. Após incubação, um segundo
anticorpo anti-imunoglobulina marcado é
incubado e, se houver l igação do primeiro,
permitirá visual ização do imunocomplexo,
com a cor da reação proporcional à
concentração do antígeno.
ELISA competitivo
1 6 1
No ELISA competitivo, o soro do paciente
é adicionado juntamente com um anticorpo
específico marcado. Nesse caso, a
concentração do analito é inversamente
proporcional à intensidade da reação com
substrato.
Figura 4.1
Método de ELI SA (enzime-/inked immunosorbent assaj').
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Por razões pouco definidas, m u itos ind ivíduos apresentam anticorpos circu
lantes que reagem com anticorpos monoclonais util izados como reagentes em
d iversos im unoensaios. Esses anticorpos heterófilos, conhecidos como HAMA
(human antimouse antibodies) , podem provocar reações falso-positivas ou falso
negativas, que devem ser levadas em consideração pelo méd ico d iante de resu lta
dos q ue não se coadunam com os achados clínicos do paciente.
HEMATOLOGIA
O hemograma proporciona a avaliação dos três componentes principais do sangue
periférico (eritrócitos, leucócitos e plaq uetas) e, portanto, é a base de qualquer
avaliação hematológica. O processo de realização do hemograma envolve basica
mente quatro etapas : a) coleta e processamento da amostra de sangue periférico ;
b) contagem das células, incluindo determ inação dos índ ices da série vermelha e
das plaq uetas; c) determ inação d iferencial dos leucócitos; e d) m icroscopia do
esfregaço de sangue periférico para aval iação de potenciais anormalidades mor
fológicas. Não é necessário ou adequado que todas essas etapas sejam real izadas
em todas as amostras, mas os recursos laboratoriais devem ser utilizados de acordo
com as ind icações clínicas.
Assim como outras áreas dos laboratórios de anál ises clínicas, o laboratório
de hematologia vem passando por grandes mod ificações na arena da automação,
na qual os avanços ocorrem continuamente. A era das contagens manuais pratica
mente acabou, sendo a contagem e a anál ise automatizada uma rotina em prati
camente todos os laboratórios de pequeno a grande porte. Atualmente, a maioria
dos eq uipamentos automatizados identifica as amostras por meio da leitura do
código de barras, homogeneiza a amostra e aspira o material sem a necessidade
de abertura prévia do frasco. Além d isso, podem ser conectados a um equipamento
que executa a d istensão e a coloração da lâm ina de maneira totalmente automa
tizada.
Apesar de progressos em desenvolvimento nessa área, como a avaliação do
estágio de maturação dos leucócitos e dos reticulócitos, é improvável que novos
parâmetros clínicos relevantes ainda possam ser extrapolados do hemograma.
Alguns eq uipamentos mais modernos já util izam a técnica de citometria de fluxo
acoplada ao equipamento que realiza o hemograma: uma polimetina fluorescente
reage com o DNA nuclear e/ ou RNA nas organelas citoplasmáticas, perm itindo a
contagem de reticulócitos, a identificação de plaquetas contendo RNA (plaquetas
" jovens " ) e a contagem de eritroblastos. Além d isso, ainda em fase de desenvolvi
mento/implantação, com essa ferramenta será possíve l realizar a identificação e
a contagem de células precursoras hematopoéticas de uma maneira rápida e
econôm ica para pred izer o início das contagens de células CD34+ periféricas
util izadas nos transplantes. Tam bém podemos esperar que, a parti r de recursos
de tecnologia de informação cada vez mais sofisticados, os laboratórios apresen
tem um número maior de dados com plementares, úteis para o manejo clínico do
paciente (p. ex. , ferritina ou teste de Coom bs), faci l itando a interpretação dos
resultados.
88
Apesar de uma d iscussão mais aprofundada de cada uma das técnicas empre
gadas pelos equ ipamentos modernos de hematologia extrapolar os l im ites deste
capítu lo, a seguir serão apresentadas algumas noções básicas que podem ser
úteis na interpretação do hemograma.
Contagem total de eritrócitos. A contagem automatizada precisa e exata do núme
ro de eritrócitos foi um dos maiores avanços da tecnologia laboratorial. Os instru
mentos util izam métodos de im pedância e létrica ou características de d ifração
de /aserpara defin ir o número de células de uma maneira m uito mais reprodutível
do que a contagem manual. De fato , apesar de freq uentemente ignorado na
i nterpretação do hemograma, o número de eritrócitos é a base para o cálculo do
hematócrito e para os índices de concentração corpuscular de hemoglobina.
O método de im pedância elétrica funciona a partir da passagem da célula por
'
uma abertura pela qual uma corrente elétrica está passando. A med ida q ue a
célula atravessa essa corrente, a alteração na resistência elétrica detectada é pro
porcional ao tamanho celu lar. Nas técnicas de d ifração de luz, tubos fotomultipli
cadores detectam alteraçãos na d ifração de luz, à med ida que as cé lulas passam
pelo canal, sendo a célula identificada por várias características, baseadas em
tamanho e granu laridade citoplasmática.
Poucas situações clínicas podem resultarem contagens de eritrócitos falsamente
elevadas ou d iminuídas. A autoaglutinação de eritrócitos e m icrocitoses extremas
podem levar a d im inuições espúrias, enquanto contagens mu ito aumentadas de
leucócitos, plaquetas gigantes e crioglobulinem ia podem provocar falsas elevações.
Hemoglobina. A concentração de hemoglobina é mais com um ente determ inada
por espectrofotometria nos equ ipamentos modernos usando a técnica de ciano
metemoglobina. Tal técnica dosa todas as formas de hemoglobina, inclu indo oxie
moglobina, carboxiemoglobina e metemoglobina. Elevações falsas podem ocorrer
devido à turvação prod uzida pela hipe rlipem ia, hipergamaglobulinemia, crioglo
bul inem ia ou leucocitose extrema.
,
Hematócrito. E a razão do vo lume da massa eritroide sobre o volume do sangue
total. O método trad icional é a partir da centrifugação do sangue em tubos capila
res e leitura da altura da coluna de eritrócitos. Na prática, o hematócrito é calculado
d i retamente da contagem total de eritrócitos e do volume corpuscular méd io
(VCM) : Hematócrito = E (cél/L) x VCM (L/cél). Qualquer alteração espúria na
determ inação dos eritrócitos e do VCM pode levar a resultados espúrios no he
matócrito. Como essa med ida é derivada de dois resultados separados, com todas
as potenciais fontes de erro, fica claro que o hematócrito é uma med ida de anem ia
menos acurada do q ue a concentração de hemoglobina. De fato, a partir dos
processos automatizados de contagem eritrocitária e de VCM, essa medida passou
a ser redundante e poderia ser e l iminada do hemograma na atualidade.
Índices eritrocitários. O VCM é o mais útil dos índ ices eritrocitários e especialmente
im portante na classificação das anem ias em normocíticas (VCM = 80-1 00 fl),
m icrocíticas (VCM < 80 fl) ou macrocíticas (VCM > 1 00 fl). O VCM é determ ina-
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do med iante contagem e med ição dos eritrócitos por im pedância ou por cálculo.
A variação de tamanho dos eritrócitos é ind icada pela ampl itude de d istribu ição
volumétrica dos eritrócitos, o RDW (red b/ood ce/ distribution width). Este último
é um índ ice de heterogeneidade da popu lação eritrocitária, ou an isocitose. A
hemoglobina corpuscu lar méd ia (HCM), calculada a partir da hemoglobina e da
contagem total de eritrócitos, é ind icativa de hipocrom ia eritrocitária; contudo
tem pouca utilidade clínica, em geral acom panhando a concentração hemoglo
bínica corpuscular média (CHCM), que representa a méd ia da concentração de
hemoglobina por eritrócito.
Contagem total de leucócitos. É determ inada de maneira semelhante à contagem
de eritrócitos. Nos casos em que a contagem automática é errática e a fonte de
erro não pode ser corrigida, a contagem manual à m icroscopia pode ser utilizada.
Algumas situações são propensas a resultados espúrios, como a presença de
grande número de eritrócitos nucleados, crioglobul inas, agregados de plaquetas
e macroplaquetas, que podem levar a um falso aumento na contagem. São raras
as situações em que ocorre uma contagem falsamente baixa, por exem pio, a má
conservação da amostra ou a presença de agregação leucocitária por anticorpos.
Contagem diferencial dos leucócitos. A contagem d iferencial automatizada, reali
zada pelos analisadores hematológicos modernos usando técnicas de fluxo celu lar,
é mais exata, precisa, rápida e segura do q ue a contagem manual trad icional. No
entanto, a automação ainda não conseguiu substituir com pletamente o exame
m icroscópico do esfregaço de sangue periférico na maioria dos laboratórios. A
contagem automática pode, em alguns casos, falhar em reve lar detalhes morfo
lógicos im portantes, q ue somente a revisão da lâm ina pode detectar. A categori
zação dos granulócitos imaturos e a identificação de m icrorganismos intra e ex
tracelulares (p. ex. , malária) são exemplos dessas situações. Portanto, todos os
modernos laboratórios de análises clínicas enfrentam o d i lema de como incorporar
na rotina e explorar ao máximo todos os benefícios dos processos de automação,
sem sacrifício da identificação dessas s ituações específicas. Isso é real izado em
cada laboratório a partir da definição de critérios de alarmes (f/ags) para os equipa
mentos, os quais podem ser mais ou menos sensíveis, dependendo das caracterís
ticas do equ ipamento e da popu lação atendida pelo laboratório (predom inante
mente am bulatorial, hospitalar de baixa ou alta com plexidade). A revisão manual
das lâm inas seria l im itada aos casos de alarme.
Plaquetas. Tam bém é obtida por meio de automação, sendo a revisão manual
recomendável para pacientes com trom bocitopenia significativa ( < 50.000/m L).
São mu ito frequentes as contagens de plaquetas equivocadamente baixas, devido
à coagulação parcial da amostra, à agregação ou ao satel itismo plaquetário. Alguns
equ ipamentos tam bém oferecem um histograma do tamanho das plaq uetas e
calcula o valor do vo lume plaquetário méd io (VPM) . O VPM tende a ser alto em
pacientes com trom bocitopen ia, devido a processos de destruição periférica, e
baixo em pacientes com supressão medular, mas o valor clínico dessa med ida
ainda necessita de melhor avaliação. Recentemente tam bém se estuda a utilidade
90
clínica da análise de plaquetas reticuladas, que são aquelas recém-saídas da medula
óssea. Uma q uantidade aumentada de plaquetas reticuladas está correlacionado
com trom bocitopenias por destruição periférica das plaquetas, podendo ser d ife
renciadas das trom bocitopenais por falta de produção.
RETICULÓCITOS
Sua contagem tam bém pode ser obtida por meio de automação, sendo a revisão
manual recomendável para pacientes com hemoglobinopatias e anem ias graves
com altas contagens de eritroblastos. Os contadores automatizados de reticulócitos
podem fornecer índ ices de reticulócitos imaturos, com significado clínico ainda
em estudo.
IMUNOFENOTIPAGEM
A imunofenotipagem porcitometria de fluxo (CMF) é atualmente uma ferramenta
ind ispensável para d iagnóstico, classificação, estad iamento e monitoração das
principais doenças hematológicas. A CMF avalia as propriedades celulares e a
presença ou a ausência de antígenos específicos (fenótipo), na med ida em que
as células individ ualmente marcadas com anticorpos monoclonais marcados com
fluorescência se movem através de um conjunto de lasers e detectores de fluo
rescência. Essa ferramenta contribuiu para o conhecimento de informações rele
vantes ao d iagnóstico das doenças hematológicas, como o estágio de maturação
celular, a presença de células com fenótipo atípico, além de avaliar a presença de
marcadores associados ao prognóstico e até mesmo marcadores que são utilizados
como alvos terapêuticos. A classificação atual da Organização Mund ial de Saúde
das neoplasias hematológicas preconiza uma abordagem d iagnóstica morfológica,
im unofenotípica e genotípica.
MICROBIOLOGIA
O d iagnóstico m icrobiológico é baseado na util ização de métodos que perm item
ind icar a presença de determ inado agente infeccioso em material clínico. Assim ,
existem d iferentes métodos que ind icam a presença do agente infeccioso: métodos
denom inados d i retos (que detectam a estrutura do m icrorganismo), métodos
cu lturais (que detectam m icrorganismos viáveis), métodos im uno lógicos (que
detectam estruturas antigênicas) e métodos de biologia molecular (que detectam
estrutura genética - normalmente DNA). Além d isso, têm sido desenvolvidos
sistemas automatizados para o laboratório de m icrobio logia, utilizando variações
dos métodos cu lturais. Os principais equ ipamentos automatizados em m icrobio
logia permitem a detecção, a identificação de m icrorganismos e a realização do
teste de sensibi lidade. Os métodos de d iagnóstico bacteriológico variam quanto
a sensibi l idade, especificidade, custo, faci l idade de execução, etc.
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A escolha de determ inado método d iagnóstico no laboratório de m icrobiologia
clínica deve levar em consideração vários aspectos. Métodos considerados con
vencionais (exames d iretos com uso de colorações e exame cultural) são mais ar
tesanais, de menor custo e, eventualmente, mais demorados. Os métodos im uno
lógicos, de biologia molecular e os s istemas automatizados tendem a apresentar
técnicas mais padronizadas (o que acarretamaior sensibilidade e especificidade),
em bora, em geral, apresentem tam bém um custo mais elevado. Assim , não existe
um método único que possa ser considerado un iversal , mas d iversos métodos que
devem ser empregados ou escolhidos de forma hierárqu ica, levando em conside
ração a característica do material clínico, do m icrorganismo e do próprio laboratório.
EXAME DIRETO - MICROSCOPIA
O material clínico encam inhado para aval iação m icrobio lógica pode, de início,
ser avaliado d iretamente por exame 11 a fresco " ou após coloração. O exame 11 a
fresco " perm ite avaliar a presença de estruturas m icrobianas com características
peculiares e q ue, em geral , apresentam tamanho suficientemente grande para
serem visual izadas sem auxílio de coloração (p. ex. , célu las leved uriformes) . No
entanto, a maioria das estruturas bacterianas são de d ifíci l visual ização e d iferen
ciação no exame 11 a fresco " e precisam ser submetidas a processo de coloração .
Nesse caso, é preparado um esfregaço, submetido ao método de coloração es
colhido, sendo mais util izado o método de Gram . O exame do material clínico
corado pelo método de Gram proporciona a forma mais rápida de ju lgar a qualida
de do material e a detecção do patógeno presente. Em bora a identificação não
seja defin itiva, a informação é de grande valia devido à rapidez dos resultados,
perm itindo orientação in icial na escolha dos antim icrobianos. Esse exame pode
proporcionar informações úteis para o d iagnóstico quando anal isadas junto com
as características clín icas do paciente. Os proced imentos de coloração têm baixo
custo e são rotineiramente real izados pela maioria dos laboratórios de m icrobiologia.
Método de Gram
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Cristal violeta 1 m inuto
Lavar com água
Lugol 1 m inuto
Lavar com água
Descorar com álcool-acetona
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Fucsina d i luída 30 segundos
Lavar com água e secar
As principais formas que podem ser observadas no Gram do material clín ico são:
Organ ismos Gram-positivos (G P) : q ue retêm o com plexo cristal violeta-lugol
(cor roxo-escura).
Organ ismos Gram-negativos (GN): perdem o com plexo primário e fixam a
fucsina (cor vermelha) .
t Células inflamatórias e células epiteliais (cor vermelha).
t Fibrina, m uco e eritrócitos (cor vermelha) .
Os problemas de interpretação geralmente resultam de má preparação do
esfregaço : finos ou espessos - de excesso -, de aquecimento da lâm ina e descolo
ração inadequada. Materiais obtidos de pacientes sob terapia anti biótica e/ou de
cu lturas velhas m u itas vezes alteram a co loração e a morfologia do organismo. A
precipitação de corantes geralmente se assemelha a formas cocoides GP irregulares
ou a h ifas de fungos. Muco e outros materiais proteicos podem ser confundidos
com bastonetes G N .
Resum idamente, a observação d ireta do material permite:
t Determ inar a qualidade da amostra.
t Observar célu las da resposta im une (sinal de inflamação).
t Observar a m icrobiota normal e patogênica, quanto às suas características
morfotintoriais e à sua quantidade relativa. Isso perm ite, por vezes, real izar
d iagnóstico presuntivo do agente etiológico. A observação de bactérias que
não crescem nos meios de rotina determ ina a inclusão desses meios na cultura
bacteriológica ou a real ização de outras técnicas adequadas à sua detecção .
Deve-se mencionar que tam bém é possível realizar técnicas de aglutinação
d i reta e coloração com anticorpos fluorescentes d iretamente do material clínico.
EXAME CULTURAL
O método trad icional de identificação de agentes bacterianos pela cultura é o
e lemento fundamental para elucidar a relação causal entre uma doença e seu
agente etiológico. Ass im, o exame cu ltural do material clínico perm ite, m u itas
vezes, o isolamento e a caracterização em relação à espécie do m icrorganismo .
Além d isso, a partir do exame cultural, é possível realizar o teste de suscetibi l idade
da bactéria aos antim icrobianos.
No exame cultural, salvo raras exceções, o material é semeado em placa con
tendo meio de cultura sólido. O meio é escolhido de modo a permitir o crescimento
das bactérias prevalentes naquele material clínico, uma prem issa em bacteriologia
clínica.
Portanto, existem rotinas já estabelecidas para semeadura dos d iversos mate
riais clínicos, que levam em conta a epidem io logia das infecções. Além d isso, a
observação do material corado pelo método de Gram pode orientar a inclusão
de meios adicionais.
Técnicas de semeadura de meios em placa. A técnica de semeadura mais util izada
para semeadura em placa é a técnica de esgotamento, cujo objetivo é o isolamento
de colônias. Após inocular o material em uma área restrita do meio, o material é
d istend ido sobre a superfície com alça bacteriológica, fazendo movimentos de
...
rotação (Fig. 4.2). A medida que o material vai sendo esgotado, um menor número
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de células bacterianas vai sendo carregado, originando um menor número de
colônias. Com base no crescimento de colôn ias na área de inoculação , esse mé
todo perm ite apenas estimar o número re lativo dos organ ismos no material de
origem . Para faci l itar o isolamento, a alça pode ser flambada entre os quadrantes
de semeadura.
A semeadura de quantidade conhecida da amostra com alça calibrada perm ite
fazer quantificação das bactérias no material , por meio da contagem das un ida
des formadoras de co lônia por m i l i l itro (UFC/m l). A amostra é estriada sobre
toda a superfície do ágar (Fig. 4.3). Isso facilita a contagem de colônias, asseguran
do que as célu las bacterianas fiquem bem d ispersas na superfície do meio. Essa
técnica é normalmente util izada para semeadura de urina e de outros líqu idos
fisiológicos.
Incubação . As placas de meio de cultura são incubadas por 24 horas (overnighô
em estufa bacteriológica (tem peratura de 35-37ºC). Se não houver crescimento
visível de colôn ias bacterianas, a incubação pode ser prolongada por mais 24
horas. I ncubações mais prolongadas podem ser util izadas em casos especiais.
Identificação
t Observação da morfologia co lonial: os tipos de colônias presentes reve lam as
bactérias que se desenvolveram na placa (cada célula bacteriana origina uma
colônia). A observação das características da colônia m uitas vezes perm ite a
94
Figura 4.2
Semeadura por esgotamento.
Figura 4.3
Semeadura para quantificação.
identificação do grupo bacteriano e, em alguns casos, caracteriza um gênero
, .
ou uma espec1e.
Isolamento : as colônias consideradas com significado clínico devem ser isola
das, geralmente repicando cada tipo de co lônia para um tubo contendo meio
líqu ido e incubando até o crescimento. A seguir, a morfologia celular é confir
mada por meio de observação a partir do G ram de uma gota do caldo com
crescimento bacteriano. Quando a cultura for pura, a identificação e o Gram
podem ser feitos d iretamente da placa.
Identificação: sem pre a partir da bactéria isolada. Segue um fluxograma confor
me a morfo logia celular (Gram). Alguns desses proced imentos podem variar
conforme as características de cada laboratório.
Teste de suscetibi l idade aos agentes antim icrobianos: a partir do crescimento
puro do caldo, pode-se i nocular uma placa com meio de cultura sólido (nor
malmente o meio de Mueller-H inton), na qual se adicionam d iscos de papel
de fi ltro com concentração fixa de antibióticos. Após a incubação dessa placa
por 16- 18 horas (em alguns casos até 24 horas), o halo de in ib ição do cresci
mento bacteriano, porventura formado em torno dos d iscos de antibióticos,
poderá ser med ido com régua. A medida do halo de in ib ição (em m i límetros)
é analisada conforme uma tabe la-padrão de interpretação de halos, e o resul
tado da suscetibil idadeda bactéria para determ inado antibiótico é convertido
para " sensível " , " intermed iário " ou " resistente " . Esse é o resu ltado de um
teste in vitro, que pode ser útil no d irecionamento da terapia antim icrobiana
e no tratamento do paciente. Algumas vezes, o resultado do teste de susce
tibi l idade não apresenta correlação clínica total.
EXAMES IMUNOLÓGICOS
Reações de aglutinação. Baseiam-se na agregação im unoespecífica do antígeno
bacteriano (Ag) com o anticorpo (Ac). O Ag pode ser a bactéria a partir de placa
de cultivo ou do próprio material clínico. Para facilitar a visual ização, geralmente
são util izadas partículas de látex ou a coaglutinação, na qual o suporte é a proteí
na A da parede do Staphy/ococus aureus. Exem pio de reações de aglutinação
com látex d iretamente do material clínico:
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Detecção de estreptococo B-hemolítico do grupo A em swab de orofaringe ;
detecção de bactérias no líq uido cerebrospinal.
Exem pios de reações de aglutinação com látex a partir de cultivo :
Determ inação de grupos sorológicos de estreptococos e Escherichia co/i en
te ro patogênica.
Reações de precipitação. São técnicas q ue permitem a d ifusão do Ag e do Ac. Na
zona de eq uivalência, ocorre agregação visível.
lmunofluorescência direta. O com plexo formado pelo Ag ligado ao Ac fluorescente
é observado em m icroscópio de fluorescência. Detecta Ag bacterianos diretamente
do material clínico (p. ex . , pesqu isa de Chlamydia trachomatis, Legione//a pneu
mophi/a) .
TÉCNICAS DE BIOLOGIA MOLECULAR
Além da capacidade de detectar e identificar um m icrorganismo d i retamente do
material clínico ou a partir de cultura, atualmente é possíve l identificar conteúdo
genético dos m icrorganismos diretamente no material clínico. Na verdade, estudos
de conteúdo genético bacteriano determ inaram varias alterações taxonôm icas.
Alguns conceitos em biologia molecular:
Primer. sequência curta de bases nucleotíd icas. Util izada na técnica da reação
em cadeia da polimerase (PCR) para del im itar o local onde in icia e term ina a
dupl icação do DNA.
t Pol imerase: enzima q ue promove a dupl icação de sequência de DNA.
t Sondas genéticas: sequências de bases marcadas (rad iatividade, fluorescência)
que hibridizam com o DNA-alvo (com plementar) por meio do pareamento
das bases.
Enzima de restrição : enzimas que reconhecem sequências específicas de nu
cleotídeos e cl ivam a molécula nesse sítio .
t Podem ser de ação rara (clivam o DNA em poucos locais) ou freq uente.
t Eletroforese: utilizada para separar fragmentos de DNA ou RNA. As moléculas
de DNA têm carga negativa, e a velocidade de m igração tem relação com o
peso mo lecular (tamanho) do fragmento. Para separar fragmentos de grande
peso molecular, é utilizada a eletroforese pulsada.
96
Perfil de restrição : perfil de fragmentos de DNA gerados após cl ivagem do
cromossomo com enzimas de restrição e sua separação por e letroforese . O
perfil de restrição é considerado a impressão d igital bacteriana e perm ite deter
m inar cepas ou clones (isolados presum ive lmente de um ancestral com um).
Plasmídeo : DNA extracromossomal de replicação autônoma que pode conter
marcadores de resistência a antibióticos. Podem ser extraídos da célula bac-
teriana e detectados por eletroforese. Tam bém podem fornecer perfis de res
trição .
TÉCNICA DE REA ÃO EM CADEIA DA POLIMERASE
(POL/MERASE C �IN REACT/ON - PCR)
O objetivo dessa técnica é gerar m uitas cópias de uma determ inada parte do
DNA a partir de uma molécula original. A região a ser amplificada é determ inada
pelo primer. I n icialmente, a fita de DNA é aberta (desnaturada) para l igação do
primer. A seguir, a enzima pol imerase adiciona bases com plementares promo
vendo a d upl icação do DNA, resu ltando em uma cópia de parte do DNA original.
Os ciclos são repetidos até q ue se obtenha grande número de cópias do DNA.
Como cada etapa da reação ocorre em uma tem peratura específica, a reação
,
pode ser controlada. E utilizado um termociclador para determ inar a tem peratura
e o tempo de cada etapa, bem como o número de ciclos de repl icação. A detecção
do produto de ampl ificação normalmente é feita em eletroforese em gel de aga
rose, que é corado com brometo de etíd io, perm itindo a visual ização d ireta do
DNA pesquisado. Na atualidade, existem termocicladores que, além de ampl ificar
o DNA, perm item a sua detecção - PCR em tempo real.
SONDAS GENÉTICAS E REAÇÕES DE HIBRIDIZAÇÃO
Permitem a detecção de agentes infecciosos d iretamente em material clínico ou
a partir de cultivo pela determ inação da presença de sequências específicas de
DNA ou RNA. O uso de sondas genéticas específicas tem a vantagem , ainda, de
poder detectar toxinas, genes ou proteínas bacterianas, mesmo quando o organis
mo não está mais viáve l. São mais específicas do que as reações de Ag-Ac. São
m uito usadas em estudos epidem io lógicos. Na rotina, são úteis para detecção de
patógenos que, mesmo abundantes no material clínico, são de d ifícil identificação
por outros métodos, como Legione//a sp. e Mycop/asma sp. (Fig. 4.4).
As reações de h ibrid ização tam bém são usadas para determ inar homologia
entre cepas de uma bactéria e servem para estudos taxonôm icos.
MACRORRESTRIÇÃO DE DNA (TIPAGEM MOLECULAR)
Essa técnica baseia-se na clivagem do DNA bacteriano por uma enzima de restrição
de ação rara e separação dos fragmentos gerados por meio de eletroforese em
campo pu lsado. O perfil de restrição formado , característico do m icrorganismo,
pode ser com parado com outros, fornecendo relação genética entre os isolados
(Fig. 4.5).
Em princípio, podem ser util izadas para qualquer m icrorganismo e possuem
grande poder d iscrim inatório (capacidade de d istinguir isolados não relacionados).
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. . . . .
T T T C C C C
1 1 1 1 1 1 1
Hibridização positiva
C C G T A C G
1 1 1 1 1 1 1
G G G
G
A A A
Hibridização negativa
Identificação
do organismo
Organismo
desconhecido
não identificado
Figura 4.4
Reação de hi bridização .
Sonda genética
com marcador
Moléculas-alvo
(organismo
desconhecido)
São mu ito util izadas com propósito epidem iológico para identificação de surtos
infecciosos causados por uma mesma cepa. A tipagem perm ite saber se a fonte
infecciosa se originou de um paciente (ou grupo de pacientes) ou do meio am bien
te.
98
1 . Cultura
bacteriana
2. Lise celular
e liberação
do DNA
3. Digestão do DNA
com enzima de
restrição
4. Eletroforese e
análise dos perfis
de macrorrestrição
(RFLP)
Isolado 1
DNA
cromossomal
Isolado 2
Fragmentos / / i'
de DNA --., ' ........ \ ..,... "'- I
/ � \'
A B
Figura 4.5
e
Isolado 3
A = isolado 1
B = isolado 2
e = isolado 3
Macrorrestrição de DNA seguida de eletroforese pulsada. Os isolados 1 e 2
apresentam o mesmo perfil de macrorrestrição e se constituem no mesmo clone,
que é diferente do clone do isolado 3.
LEITURAS SUGERIDAS
Kaplan A, Jack R. Cl in ica! chemistry: interpretation and techniques. 4th ed. Baltimore: Wi l l iams
& Wilkins; 1 995.
Mahon CR, Manusel is G , Lehman DC. Textbook of d iagnostic microbio logy. 3rd ed.
Phi lade lph ia : WB Saunders; 2006.
Mcpherson RA, Pincus MR. Henry' s c l i n ica! d iagnosis and management by laboratory
methods. 21st ed, Saunders Elsevier; 2007.
Mu rray PR,Baron EJ , Pfal le r MA, Tenover FC, Yo l ken RH, editors. Man ual of c l i n ica!
microbiology. 9th ed. Washingto n , DC: ASM Press; 2007.
Oplusti l CP, Zoccol i CM, Tobouti N R, Sinto S I . Procedimentos básicos em microbiologia clín i
ca. São Pau lo : Sarvier; 2004.
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Riley RS, Andersen FP. Basic principies of immunodiagnosis in cl in ica! laboratory medicine.
2nd ed. Phi ladelphia: Lippincott Wi l l iams & Wilk ins ; 2002. p . 1 347-401 .
,
Sanchez MCA. Testes sorológicos. l n : FerreiraAW, Avila SLM, editores. Diagnóstico laboratorial
das pri ncipais doenças infecciosas e auto- imunes. 5. ed. Rio de Janeiro : Guanabara Koogan ;
1 996. p . 7-28.
SITES SUGERIDOS
lnternational Federation of Cl in ica! Chemistry and Laboratory Medicine [ l nternet] .Mi lano :
I FCC; c2009. Disponível em: www.ifcc.org/
The American Society for Microbiology [Internet] . Washingto n , DC: ASM ; c2009. Disponí
vel em: www.asm.org/
1 00
,
CAPITULO 5
AIRTON TETELBOM STE IN
,
ANDRE WAJ NER
AL ICE DE M ED EIROS ZELMANOWICZ
Os méd icos têm uma variedade de informações d iagnósticas para orientá-los na
tomada de decisão. As informações d iagnósticas ocorrem a partir da coleta de
dados da história (sintomas), do exame físico (sinais) e dos testes d iagnósticos e
de rastreamento. Antes de sol icitar um teste, o profissional deve se perguntar: o
q ue irá fazer se o teste for positivo? O q ue irá fazer se o teste for negativo? Se as
respostas forem as mesmas, então ele não deve solicitar o teste.
O processo d iagnóstico leva em conta os princípios básicos da med icina basea
da em evidências: estudos com validade científica, experiência clínica ind ividuai
e preferências do paciente. Sob essa perspectiva, a justificativa mais im portante
para a so licitação de um exame com plementar é a de redefin i r a probabil idade
de uma doença, ou seja, a decisão de realizar um dado teste é um pressuposto
de que os resultados irão mod ificar de forma clin icamente relevante a probabilida
de da doença. Dessa forma, d iante de um problema clínico q ualq uer, o processo
d iagnóstico baseado em provas científicas envolve necessariamente três etapas:
O que se sabe antes do teste + resultado do teste = o que se sabe depois do teste.
Nem sem pre exames com plementares são sol icitados exclusivamente com
objetivo d iagnóstico. Muitas vezes, e les podem ser úteis, por exem plo, na esti
mativa do prognóstico do paciente (teste de esforço na sala de emergência para
pacientes com dor torácica q ue apresentam baixo risco) ou na avaliação da res
posta ao tratamento (monitoração am bulatorial da pressão arterial em pacientes
com hipertensão arterial sistêm ica).
O processo de d iagnóstico pode ser considerado uma tentativa de tomar
decisões adeq uadas utilizando informações inadequadas. A incerteza, q ue é ine
rente ao d iagnóstico, deve-se ao fato de ele ser baseado nos resultados dos
testes, que tipicamente fornecem conclusões não defin itivas. Os testes d iagnósti
cos foram desenvolvidos com o intu ito de red uzir a incerteza no d iagnóstico,
-
mas eles só serão bem-sucedidos se o méd ico entender o quanto ele dim inui a
incerteza em uma determ inada cond ição do paciente.
Em um primeiro momento, pode parecer q ue a solicitação de um exame não
tenha nenhuma consequência maior para o paciente. Entretanto , não importa o
quão sim pies o teste possa ser, a sua interpretação tem o potencial de in iciar uma
série de investigações que, m uitas vezes, não auxiliam no manejo do paciente.
Quando a solicitação não é baseada em critérios bem definidos, o processo de
investigação aumenta a ansiedade do paciente, assim como o custo. Além d isso, é
fundamental que o clínico leve em consideração o "efeito do rótulo " , ou seja, o
fato de rotular ind ivíduos assintomáticos como portadores de uma condição crônica
pode acarretar im portantes consequências psicossociais ao ind ivíduo e à sociedade.
Novos exames devem ser realizados quando a informação d isponível da anam
nese, do exame físico e dos testes real izados anteriormente foi considerada insufi
ciente para responder às questões clínicas.
O uso inteligente de nova informação obtida por um teste requer que o méd ico
fique atento à probabi l idade de a doença ocorrer antes que o teste seja feito
(probabi l idade pré-teste) e à possibi lidade de um teste proposto ou de um proce
dimento mod ificar essas probabi l idades. O méd ico deve decid ir qual nível de
certeza é adequado antes que a decisão terapêutica seja tomada.
O processo d iagnóstico requer várias etapas. A etapa inicial é definir a hipótese
d iagnóstica e os d iagnósticos d iferenciais com base na informação obtida a partir
da história, do exame físico e dos testes laboratoriais. Testes altamente sensíveis
são mais efetivos na redução da probabil idade de doença e procura-se afastar
d iagnósticos suspeitos. Quando os resultados de tais testes são normais, o méd ico
pode, habitualmente e com confiança, excluir a presença de doença. À medida
que a l ista de hipóteses d iagnósticas torna-se menor, a tarefa de identificar q uai
o d iagnóstico mais provável vai se tornando evidente. Testes altamente específicos
são mais efetivos em aumentar a probabil idade de d iagnosticar uma doença e,
assim , definir-se o d iagnóstico. Quando os resultados desses testes estão alterados,
os méd icos podem confirmar a presença de doença.
Os méd icos não são os ún icos que interpretam a informação do d iagnóstico.
Os gestores dos serviços de saúde, tanto privado quanto público , tam bém estão
interessados no desempenho do teste d iagnóstico, já que a obtenção da informa
ção pode ser onerosa, assim como pode tam bém levar a um risco. O objetivo da
coleta de informação é auxil iar um melhor manejo do problema que está sendo
atendido. No entanto , a maior parte da informação está suje ita a algum grau de
erro. Tanto os resultados falso-positivos quanto os falso-negativos são possíveis.
Assim, devemos pensar em como interpretar e selecionar a informação de modo
a m inim izar o im pacto de tais erros.
Este capítulo irá preocupar-se com o processo da utilização de tais informações
d iagnósticas imperfeitas para reavaliara probabil idade de que um paciente tenha
alguma doença. Quando o resultado do teste é positivo, estamos interessados
na probabil idade de ocorrência da doença com um resultado do teste positivo,
ou seja, utilizando a sim bologia de probabilidade P(D+ 1 T +). Quando o resultado
1 02
do teste é negativo, estamos interessados na probabil idade de doença com um
resultado do teste negativo, ou seja, utilizando a sim bologia de probabi l idade
P(D+ 1 T-) .
Habitualmente, as estimativas de probabil idades de doença condicional ao
,
resultado do teste não estão d isponíveis. E mais provável que esteja d isponível
uma avaliação da probabil idade do resultado de um teste entre pacientes com e
sem a doença; por exem pio, haver um estudo que relata P(T + 1 D+) , probabil i
dade de um teste positivo tendo a presença de doença, e P(T + 1 D-), probabilidade
de um teste positivo sem a presença da doença. Esse processo tam bém depende
da aval iação da probabilidade pré-teste da doença P(D+) (prevalência da doença).
O processo de levar em conta o resultado do teste ao converter a probabi l idade
pré-teste P(D+) em uma probabi l idade pós-teste de doença P(D + 1 T +) ou
P(D+ 1 T-) é chamado de revisão de probabil idade.
A probabilidade pós-teste irá depender tanto da probabilidade pré-teste quanto
da informação obtida pelo teste.
PREVALÊNCIA OU PROBABILIDADE PRÉ-TESTE
Se um paciente fosse escolhido ao acaso a partir de uma população, a probabilida
de pré-teste de doença para o paciente seria a prevalência de doença naquela
popu lação. No entanto, os pacientes nãosão selecionados ao acaso. Nem os
cand idatos para real izarem um rastreamento são selecionados ao acaso. Cada
pessoa que irá realizar testes d iagnósticos tem características específicas, inclu indo
h istória, exame físico e resultados prévios de testes. Essas caracte rísticas, em
conjunto com a prevalência de doença, determ inam a probabi l idade de que um
ind ivíduo tenha uma doença em um determ inado momento. Essa probabi l idade
é condicional à informação já d isponível e pode ser considerada como probabilida
de pré-teste em re lação ao teste subsequente. A probabil idade pré-teste reflete
a proporção de pacientes com características semelhantes, na qual a doença em
q uestão seria esperada.
COMO INTERPRETAR UM TESTE POSITIVO OU NEGATIVO?
1 nicialmente, é preciso entender a acurácia do teste , q uantificando as taxas de
falso-positivo e negativo . A acurácia de um teste é o grau de d iferença entre o
valor verdadeiro e o obtido pelo teste. A Tabela 5 .1 mostra resultados do rastrea
mento de câncer colorretal , e a Tabela 5 .2 , os termos util izados em cada uma das
células.
A Tabela 5 .1 demonstra claramente que o sangue oculto nas fezes é im perfeito.
Util izando os termos da Tabela 5 .2 , existem cinco falso-negativos, o que sign ifica
q ue cinco pacientes com câncer colorretal apresentavam um teste de sangue
oculto fecal negativo; havia 271 falso-positivos, o que significa que pessoas sem
câncer colorretal apresentavam um teste de sangue oculto fecal positivo.
1 03
-
-
Tabela 5.1
" -
RASTREAMENTO DE CANCER COLORRETAL - COMPARAÇAO ENTRE
-
SANGUE OCULTO NAS FEZES (TESTE DE RASTREAMENTO) E DEFINIÇAO
, -
DIAGNOSTICA (PADRAO-OURO)
Sangue oculto Câncer colorretal
Positivo 24
Negativo 5
Total 29
Tabela 5.2
Sem câncer colorretal
271
6.91 1
7. 1 82
, "
TERMOS PARA AS 4 CELULAS DA TABELA DE CONTINGENCIA
(TABELA 2 X 2)
Resultado do teste Doença Sem doença
Total
295
6 .916
7 .21 1
Positivo Verdadeiro-positivo Falso-positivo
Negativo Falso-negativo Verdadeiro-negativo
ACURÁCIA E PRECISÃO
Uma forma interessante de com preender os conce itos de acurácia e precisão é
por meio do processo de tiro ao alvo. A acurácia do atirador é a sua capacidade
de centralizar os seus tiros no alvo, enquanto a sua precisão é a capacidade de
ele concentrar os seus d isparos em uma região pequena (ter pouca d ispersão).
Precisão é a reprod utibi l idade dos valores, obtidos em med idas sucessivas de
uma mesma amostra.
Desse modo, é fáci l imaginar um atirador com baixa precisão e baixa acurácia,
um segundo com alta acurácia e baixa precisão, um terceiro com baixa acurácia
e alta precisão e um quarto com alta acurácia e alta precisão (Fig. 5 . 1 ) .
Um exame clínico ou laboratorial pode ser considerado um processo de tiro
ao alvo, no qual a " mosca " é aq ui lo que se quer d iagnosticar. O ideal é que tanto
a acurácia quanto a precisão sejam altas, sendo com pletamente inútil o procedi
mento em q ue am bas são baixas.
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Baixa Alta
Precisão
Figura 5.1
Características do teste diagnóstico: acurácia e precisão.
SENSIBILIDADE
,
E a probabi l idade de um teste positivo em pacientes nos quais a doença está
presente. Tam bém é chamada taxa de verdadeiro-positivo.
Sensibi l idade e especificidade são dois valores independentes. O com plemento
da sensibi l idade, que é 1 - (taxa de verdadeiro-positivo), é a proporção de pa
cientes com doença que têm o teste negativo, ou P(T- 1 D+), que é chamado
taxa de falso-negativo.
ESPECIFICIDADE
É a probabil idade de um teste negativo em pacientes q ue não têm a doença.
Tam bém é chamada de taxa de verdadeiro-negativo. O com plemento da especi
ficidade, que é 1 - (taxa de verdadeiro-negativo) , é a proporção de pacientes
sem a doença que têm um resultado de teste positivo, ou P(T + 1 D-) , q ue é
chamado de taxa de falso-positivo.
Um teste específico, com uma baixa taxa de falso-positivo (e alta taxa de
verdadeiro-negativo), é mu ito útil para afastar pacientes que não tenham a doença
(e assim específico para aquela doença). Lem bre-se que a sensibi l idade do teste
apl ica-se a pacientes com a doença; a especificidade do teste apl ica-se a pacientes
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-
-
sem a doença. Um teste pode ter alta sensibi l idade e uma baixa especificidade,
uma baixa sensibilidade e uma alta especificidade, assim como uma alta sensibilida
de e uma alta especificidade, ou, ainda, uma baixa sensibi l idade e uma baixa
es pec if ic idade.
Observe que a taxa de verdadeiro-positivo e a taxa de falso-negativo somam
1 , ou 1 00% , e que a taxa de verdadeiro-negativo e a taxa de falso-positivo
tam bém somam 1 , ou 1 00 % . Um teste ideal tem uma taxa de verdadeiro-positi
vo de 1 e, portanto, uma taxa de falso-negativo de O , e uma taxa de falso
positivo de O e, portanto, uma taxa de verdadeiro-negativo de 1 .
Os valores de sensibi lidade e especificidade de um teste com resultados quanti
tativos contínuos dependem do nível previamente definido a partir do qual se
considera q ue um resu ltado é positivo (anormal) : conforme o ponto em que se
define o l im ite (cut-off poinf), o teste apresentará sensibi l idade e especificidade
variáveis, isto é, quanto mais sensível , menos específico e vice-versa.
PROBABILIDADE PÓS-TESTE
Mesmo q ue a sensibi l idade e a especificidade sejam características importantes
do teste, elas não são as probabil idades de que necessitamos para decid ir como
manejar um paciente. A sensibi l idade e a especificidade são as probabil idades
dos resultados dos testes considerando a presença ou a ausência da doença. No
entanto, na realidade, não sabemos se as pessoas têm ou não a doença. O que
temos d isponível é um resultado do teste positivo ou negativo e, a partir dessa
informação, inferimos a probabilidade de doença. Assim , habitualmente necessita
mos conhecer a probabil idade de doença considerando que os resultados dos
testes sejam positivos ou negativos.
A probabi l idade de doença em um teste positivo (ou valor preditivo positivo
- VPP) é a proporção de verdadeiro-positivos entre os ind ivíduos com teste posi
tivo. Isso possibil ita identificar a probabil idade de um paciente com o teste positivo
ter a doença.
Se a sensibi l idade e a especificidade do teste forem constantes, quanto maior
a prevalência da doença na população , maior o rendimento (VPP) do teste de
rastreamento.
O aumento do VPP se traduz em uma maior quantidade de casos detectados
em cada teste d iagnóstico e tem im portantes im pl icações quanto aos recursos
util izados em um programa de rastreamento. Uma forma de aumentar esse rendi
mento do teste é utilizá-lo em populações com alta prevalência da doença, como
populações de risco para uma determ inada doença.
O valor preditivo negativo é a proporção de verdadeiro-negativos entre os
ind ivíduos com teste negativo. Já a probabilidade pós-teste negativa é a probabili
dade condicional de haver doença naqueles em que o resu ltado do teste foi
negativo.
O VPP é a probabil idade de q ue um teste positivo sign ifique a presença de
doença. Um teste com VPP elevado perm ite, no caso de o resu ltado ser anormal
(positivo), fundamentar razoavelmente o d iagnóstico.
1 06
O valor preditivo negativo (VPN) é a probabil idade de que um resu ltado
negativo em um teste signifique a ausência da doença. Um teste com VPN elevado
permite, no caso de o resultado ser normal, elim inar razoavelmente o d iagnóstico .
Existe uma relação entre a prevalência da doençae os valores preditivos de
um teste d iagnóstico aplicável a essa população : com um aumento da prevalência
da doença, aumenta-se o VPP e red uz-se o VPN ; d im inu indo-se a prevalência da
doença, d im inui-se o VPP e aumenta-se o VPN do teste.
RASTREAMENTO
O que é detecção precoce ou rastreamento?
A detecção precoce significa fazer o d iagnóstico de uma doença no seu estágio
pré-sintomático (pré-clínico). Ou seja, antes q ue a pessoa manifeste algum sinto
ma relacionado à doença ou apresente alguma alteração no exame fís ico realizado
por um profissional da área da saúde.
As doenças em geral têm uma história natural, que se caracteriza por um
espectro q ue in icia por poucas alterações ce lulares - que, por alguma razão,
conhecida ou não, não é detectada pelo sistema de proteção natural do organismo
- e vai até o estágio em q ue a doença é cl in icamente d iagnosticável por meio de
seus s inais e sintomas. Essa evolução se dá em d iferentes ritmos, dependendo da
doença ou do órgão envolvido (Fig. 5.2).
Início da
doença
Doença não
é detectável
Doença é
detectável
no seu estágio
pré-clínico
Tempo
Figura 5.2
Sinais e sintomas
se desenvolvem
História natural da doença.
Morte
ou cura
1 07
-
-
CARACTERÍSTICAS DO PROCESSO DE DETECÇÃO PRECOCE
Os exames e os testes laboratoriais e de imagem, utilizados na detecção precoce
de um determ inado tipo de doença, não fazem o d iagnóstico dessa doença, mas
selecionam as pessoas com maior risco para que testes mais específicos sejam
real izados e seja confirmado ou afastado tal d iagnóstico. Mu itas vezes, o teste
confirmatório é uma biópsia (anatomopatológico).
O uso de testes de laboratório para rastrear pacientes assintomáticos é um
tipo especial de procedimento d iagnóstico, e uma das metas é detectar as doenças
cujas morbidade e mortalidade possam ser red uzidas por detecção precoce e
,
tratamento. E preciso considerar a viabil idade e a efetividade dos critérios para
realizar programas de rastreamento . Os critérios gerais para um programa de
rastreamento são os seguintes:
t A cond ição deve ser um importante problema de saúde.
t A epidem iologia e a h istória natural da condição, incluindo a evolução de
uma forma latente para a doença declarada, devem ser adequadamente en
tendidas, e deve haver um fator de risco detectável ou um marcador de doença
e um período latente ou um estágio s intomático precoce.
Todas as intervenções primárias custo-efetivas devem ter sido im plementadas
tanto quanto possíve l .
O teste
t Deve ser um teste de rastreamento sim pies, seguro, preciso e validado.
t a d istribuição dos valores do teste na popu lação-alvo deve ser conhecida, e
um ponto de corte adequado, defin ido e acordado.
t O teste deve ser aceitável para a população .
t Deve haver uma po lítica acordada para posterior investigação d iagnóstica de
ind ivíd uos com teste positivo e nas escolhas d isponíveis para esses ind ivíd uos.
O tratamento
t Deve existir um tratamento efetivo ou uma intervenção para os pacientes
identificados pela detecção precoce com evidências de que o tratamento preco
ce está associado a melhores desfechos do que o tratamento tardio.
Baseado em evidências científicas, deve ser ind icado para o ind ivíduo o trata
mento mais adequado possível .
O manejo clínico da cond ição e o desfecho dos pacientes devem ser otim izados
por todos os profissionais de saúde, antes do início do programa de rastreamento.
O programa de rastreamento
t Devem existir evidências de ensaios clínicos random izados de alta qualidade
mostrando q ue o programa de rastreamento é efetivo na redução da morta
lidade ou morbidade.
t Devem existir evidências de que o programa com pleto de rastreamento (teste,
procedimentos d iagnósticos, tratamento/intervenção) é clínica, social e etica
mente aceitável para os profiss ionais de saúde e para o públ ico.
1 08
O benefício do programa de rastreamento deve ultrapassar os danos físicos e
psicológicos (causados por teste, procedimentos d iagnósticos e tratamento).
No caso da escolha e da util ização de teste d iagnóstico para o rastreamento ,
devem-se avaliar a validade do teste e a sua confiabi lidade. A validade de um
teste de rastreamento é med ida pela capacidade que esse teste tem de classificar
corretamente os doentes. O teste de rastreamento necessita posteriormente ser
confirmado por um pad rão-ouro do d iagnóstico da doença.
O atendimento, levando em conta o custo e a qualidade, requer que os médicos
entendam os princípios dos testes d iagnósticos: a quais questões eles respondem
e a quais eles não respondem, quais testes aumentam a precisão d iagnóstica e
q uais meramente aumentam o custo.
Tão im portante quanto a correta so licitação de um teste d iagnóstico é a inter
pretação do seu resu ltado . Para tal , o méd ico deve estar ciente dos d iversos
conce itos que estão por trás de um sim ples valor laboratorial ou um laudo conclu
sivo de um exame .
Vale a pena lem brar q ue os estudos que avaliam a eficácia de rastreamento
de uma determ inada doença estão sujeitos a dois tipos específicos de vieses: o
viés de tempo ganho, ou /ead time bias, e o viés de duração de tem po, ou /enght
time bias.
O viés de tempo ganho. Tem po ganho refere-se ao tem po a mais de sobrevida de
um determ inado ind ivíduo após ele ter um d iagnóstico precoce de uma doença.
Para que um ind ivíduo tenha vida prolongada, o tratamento para a sua doença
tem que ser efetivo em alterar a sua sobrevida (como foi destacado anteriormente).
O viés de tem po ganho acontece quando o rastreamento detecta a doença preco
cemente, mas o tratamento precoce não altera a sobrevida. Logo, o ind ivíduo
fica mais tempo com o d iagnóstico, porém o tem po de vida acaba sendo igual ,
independentemente de a doença ser d iagnosticada na sua fase clínica (Fig. 5.3) .
O viés de duração de tempo. O viés de duração de tempo é um tipo especial de
viés de seleção.
Para entender melhor esse tipo especial de viés, será util izado o câncer como
exem pio de doença a ser rastreada. Sem d úvida, um determ inado tipo de câncer
pode ter uma evolução mais ou menos agressiva, ou seja, um câncer originado
em um mesmo órgão pode desenvolver sinais e s intomas rapidamente. Isso acon
tece por características específicas de cada tipo histológico, da idade e do sexo
do paciente, etc.
Os cânceres que se desenvolvem mais devagar e são menos agressivos perma
necem por um tempo mais prolongado de forma assintomática. Logo, são mais
propensos a serem detectados por um teste de rastreamento do que um outro ,
q ue cresce mais rápido e é mais agressivo.
Portanto, os cânceres que são d iagnosticados por meio de rastreamento podem
ter um prognóstico mais favorável , porque a sua natureza menos agressiva perm i
tiu q ue fossem d iagnosticados na sua fase pré-clínica (Fig. 5.4).
1 09
-
-
-
NAO
RASTREADA
RASTREADA
Tratamento
é efetivo
RASTREADA
Tratamento
não é efetivo
Início da
doença
Doença no
seu estágio
pré-clínico
/ I
D
X
Diagnóstico
precoce
'
:D . .
lX ;---------,
Sinais e
sintomas se
desenvolvem
D
X /-�-!-�������
Diagnóstico
precoce
\ I V
Sobrevida com
diagnóstico ou viés
de "tempo ganho"
Figura 5.3
Viés de tempo ganho.
....................................•..............••..........................••..... , ......................... .
1 1 0
� (..)'I e: Q) o -e
� -e
o I� (..)'I :::::i -o > UJ
• • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • •••••••••••••••••••••• /
----- Tempo ----- Rastreamento
Figura 5.4
Viés de duração do tempo.
- . . .
.
. .
Morte
� Morte
Sobrevida real ou
"tempo ganho"
Morte
Diagnóstico por meio
dos sintomas
Diagnóstico por meio
do rastreamento
ADESÃO
Considerando que haja evidências científicas de quais testes de rastreamento
devam ser feitos, deve-se levarem conta que as pessoas têm d ificuldade na
m udança de com portamento, que incluem alterações na dieta, estilo de vida, fazer
exercício, parar de fumar e controlar a ingestão de bebidas alcoólicas. Sabe-se
q ue até 50% das pessoas não seguem com pletamente as recomendações e que
um terço nunca as segue. Aparentemente, as pessoas lem bram-se mais faci lmente
de como se toma uma med icação do que como se segue uma d ieta ou quais
cu idados de saúde devem segu ir regularmente. Logo, ao ind icar um teste de
rastreamento, essa d ificuldade deve ser levada em conta. A d isponibi l idade para
uma orientação detalhada deve aumentar a adesão a essas recomendações. Além
d isso, pessoas mais saudáveis tam bém aderem melhor às recomendações méd icas
e, portanto, real izam mais regularmente os testes de rastreamento. Essa d iferença
desigual (erro sistemático) de adesão gera um outro tipo de viés a que os estudos
de rastreamento são mais suscetíveis, o viés de adesão (comp/iance bias).
São descritos, a seguir, os princípios im portantes na utilização dos testes labora
toriais e outros exames com plementares (Quadro 5 . 1 ) .
VALOR DE REFERÊNCIA
A interpretação do resultado de um teste é baseada nos seus valores de referência.
Habitualmente, e por definição, o valor de um teste é considerado normal quando
encontrado em 95% de sujeitos saudáveis (2 desvios-padrão do valor méd io).
Isso quer d izer, por conseq uência, que 5% dos pacientes apresentarão um teste
positivo (anormal), mas que não corresponde a nenhuma doença.
Essa defin ição de normalidade impl ica que, quando se requisita um determ ina
do teste, a probabi l idade de obter um resultado anormal é de 5% , sendo este
um falso-positivo , já que não corresponde a nenhuma doença. Consequente
mente, quanto mais testes forem sol icitados, maior será a probabilidade de obten
ção de um resu ltado anormal que corresponde a um falso-positivo (Tab. 5 .3) .
CURVA ROC
Como citado anteriormente, d iferentes pontos em que se coloca o l im ite sim/
não na defin ição de doença (cut-off points) resultarão necessariamente em d iver
sas sensibi l idades e especificidades do teste em estudo. Se se projetar um gráfico
em que o e ixo das ordenadas representa a sensibi l idade (ou taxa de verdadeiro
positivos) de um teste para d iferentes pontos de decisão e o eixo das abscissas a
taxa de falso-positivos (1 -especificidade) para os mesmos pontos de decisão,
obtém-se uma curva ROC (receiver operating characteristic) .
Uma curva ROC demonstra graficamente a relação entre o índ ice de verdadei
ro-positivos (sensibi l idade) e o índ ice de falso-positivos (100% menos a especifi
cidade), q uando o critério de decisão pred itivo (cut-off points) varia s istematica
mente entre O e 1 00% . Em outras palavras, as curvas ROC demonstram o balanço
1 1 1
-
-
Quadro 5.1
, -
PRINCIPIOS PARA A UTI LIZAÇAO DE TESTES LABORATORIAIS
1 . Qualquer resultado de teste pode ser incorreto por uma variedade de
razões, independentemente da alta qualidade do laboratório. Erros no
âmbito administrativo são mais comuns do que erros técnicos.
2 . As tabelas de valores de referência representam dados estatísticos para
95 % da popu lação ; valores fora dessa variação não representam
necessariamente doença. Os resultados podem também estar dentro da
variação de referência, e ainda assim estar elevados e acima da l inha de
base, o que justifica a importância do teste seriado em várias condições.
Por exemplo, em infarto agudo do miocárdio, a elevação de CK pode ser
anormal para o paciente, ai nda que o valor possa estar dentro do l imiar
normal.
3 . Quanto maior o grau de anormalidade do resultado do teste, mais
provável que essa anormalidade confirmada seja sign ificativa ou represente
uma doença de fato.
4. Um valor de teste individual, quando realizado em um bom laboratório,
tende a permanecer constante por um período longo quando realizado
com tecnologia comparável.
5 . Alterações de testes múltiplos são mais prováveis de serem significativas do
que uma única anormalidade. Quando dois ou mais testes para a mesma
doença são positivos, o resultado reforça o diagnóstico; porém, quando
somente um teste é positivo e o outro é negativo, a força da interpretação
é d i lu ída.
6. A repetição excessiva dos testes é um gasto desnecessário , e essa conduta
possibil ita erros de laboratório. I ntervalos adequados entre os testes devem
ser definidos pela condição clínica do paciente.
7. Os testes devem apenas ser realizados se eles i rão alterar o diagnóstico, o
prognóstico, o tratamento ou o manejo do paciente.
8 . As variações nos valores de referência entre um laboratório e outro devem
ser conhecidas pelo médico.
9. Lembrar dos efeitos das drogas nos valores dos testes laboratoriais. O
médico deve sempre estar atento ao que o paciente está tomando,
incluindo medicações sem prescrição médica. Esses efeitos podem produzir
resu ltado falso-negativo , assim como falso-positivo; por exemplo, vitamina
C pode produzir um teste falso-negativo para sangue oculto nas fezes.
entre o índ ice de verdadeiro-positivos e o índ ice de falso-positivos de um teste
qualquer. O cálculo preciso desse balanço é obtido medindo-se a totalidade da
área sob a curva ROC, já que essa total idade representa uma expressão do poder
1 1 2
Tabela 5.3
- ,
RELAÇAO ENTRE O NUMERO DE TESTES SOLICITADOS E A
,
PROBABILIDADE DE QUE O PACIENTE SAUDAVEL TENHA UM OU MAIS
RESULTADOS ANORMAIS (FALSO-POSITIVOS)
Número de testes
1
1
6
1 2
20
Probabilidade de que um ou mais
testes apresentem resultados anormais
5 %
26%
46%
64%
d iscriminativo global em toda gama de risco que determ inado teste possui e
constitui uma boa medida sumária de sua capacidade de previsão.
O valor mínimo da área sob a curva ROC é de 0 ,50 - representado graficamen
te como uma l inha de 45º - quando as capacidades de previsão do teste não são
superiores ao acaso puro, isto é, quando o teste não possui capacidade d iscrimina
tória nenhuma (o índ ice de verdadeiro-positivos é igual ao de falso-positivos).
Contudo, o valor máximo q ue uma curva ROC pode atingir é 1 - representada
por uma l inha sobreposta ao eixo das ordenadas desde a sua origem - no caso
em que o teste possui uma capacidade d iscriminatória perfe ita (100% de verda
deiro-positivos e 0% de falso-positivos).
As curvas ROC podem ser util izadas formalmente para com parar as capacida
des preditivas de dois testes, analisando a área sob a curva ROC de cada um :
q uanto melhor o teste (melhor d iscrim inação), maior a área sob a curva. No
exem plo da Figura 5 .5 , o exame A é melhor do q ue o exame B.
TAXA DE VEROSSIMILHANÇA (UKEL/HOOD RAT/O)
A taxa de verossimi lhança, ou /ike/ihood ratio (LR), é definida como a relação
entre a probabil idade de um dado resultado na popu lação com a doença-alvo e
a probabi l idade desse mesmo resu ltado entre os não doentes.
Os LRs positivos e negativos (ou os LRs para resultados positivos e negativos)
representam a frequência do resultado do teste (positivo ou negativo) na presença
da doença, d ividida pela frequência do resultado do teste na ausência da doença.
O conceito do LR está l igado ao de odds. Os odds com param a probabi l idade de
q ue um resultado ocorra com a probabil idade de q ue o mesmo resultado não
ocorra.
1 1 3
-
-
1 Ex:am;e�A.:..---------------/
0,8
.gs 0,6 � ""O
· -
· -
cn
a3 0,4 Cf)
0,2
o 0,2
Exame B
0,4 0,6
1 -especificidade
Figura 5.5
Curva ROC.
0,8 1
Os LRs podem ser util izados para julgar, de maneira fáci l e rápida, a utilidade
de um teste no d iagnóstico de uma determ inada doença, utilizando os odds por
meio da segu inte equação:
Odds pós-teste = odds pré-teste x LR
Como alternativa, uma descrição gráfica - nomograma de Fagan - permite,
de modo fáci l , o cálculo da probabil idade pós-teste, utilizando os números de
pré-teste e o LR (Fig. 5.6).
De uma maneira sim pies, o conceito de /ike/ihood ratio reconhece o fato de
que, na prática clínica, d iferentes doentes apresentam d iferentes probabil idades
de terem uma determ inada doença (por terem fatores de risco d iferentes, per
tencerem a grupos etários d iversos, apresentarem doenças concomitantes com
gravidade variáve l , etc.) . Desse modo, o uso e a apl icação de um teste deverão
ser encarados como uma maneira de aumentar ou d im inuir a estimativa pro
babi lística do paciente em apresentar a doença-alvo (que o teste ajuda a d iag
nosticar). Em outras palavras, o teste ajuda a transformar a probabil idade pré
teste em uma outra (e nova) probabil idade pós-teste , em q ue a magnitude e o
sentido de variação são determ inados pelos LRs do teste. Um LR de 1 ind ica um
teste sem poder preditivo (odds pré-teste = odds pós-teste) ; q uanto mais o
valor desse LR se afasta da un idade (em am bos os sentidos), mais poderoso é o
teste em termos d iscrim inativos/d iagnósticos.
1 1 4
O, 1
0 ,2
0,5
1
2
5
1 0
20
30
40
50
60
70
80
90
95
99 _.__
Prob. pré-teste
1 .000
500
200
1 00
50
20
1 0
5
2
1
0,5
0 ,2
O, 1
0,05
0,02
0,01
0,005
0,002
500
LR
Figura 5.6
Nomograma.
LR, /ike/ihood ratio (razão de probabilidade).
� 99
- 95
- 90
- 80
� 70
---- 60
- 50
- 40
30
20
1 0
5
2
1
0,5
- 0,2
_.__ O, 1
Prob. pós-teste
1 1 5
cn
-
c:c -a:
�
�
:5
cn w
::::!?:
� w
w e
o •C:C O"
j$ w
EE a:
� z
-
-
ANÁLISE DE DECISÃO
Análise de decisão é um método que estratifica uma questão com plexa em d iferen
tes partes, analisando detalhadamente cada parte do problema e associando
cada uma dessas partes, de maneira lógica, a fim de ind icar qual a melhor esco lha
de ação para a conduta final; para isso, util iza-se a estruturação s istemática do
problema por meio da construção de um algoritmo ou de uma árvore de decisão.
A elaboração s istemática dessas ferramentas possibi l ita observar e descrever
os resultados das ações efetuadas nos d iferentes métodos propostos em relação
ao desfecho: avaliando a eficácia do tratamento como a ocorrência ou não de
recid ivas, custo , benefício e danos de cada método . O méd ico deve, tam bém ,
conhecer as probabi l idades para cada evento proposto , devendo informar ao
paciente e a seus fam iliares, para que eles participem de forma consciente na
tomada de decisão da conduta final.
Existem quatro preceitos básicos na elaboração da análise de decisão: identifi
car o problema, estruturar as d iferentes decisões, mensurar as probabil idades
das d iferentes cond utas e com binar todos os dados coletados para ajudar na
escolha da conduta a ser efetivada. Já a eficácia do atendimento méd ico é determ i
nada por dois fatores : a qual idade da decisão, que determ ina qual é a ação a ser
real izada, e a q ualidade de como essas ações serão executadas pelo profissional
da área da saúde.
Além de conhecer a propriedade dos testes, é fundamental q ue o méd ico
tenha em mente o q uanto o teste d iagnóstico em questão ajudará na confirmação
da enferm idade enfrentada pelo paciente. Quando já existe uma suspeita clínica
forte (60-75% de probabil idade) da doença, um exame adicional pode não agre
gar informação úti l . Mais um resultado de exame positivo para a doença pode
até aumentar a confiança na certeza do d iagnóstico, mas provavelmente não
alterará a cond ução do caso. Contudo, um resultado negativo daquele exame
adicional poderá causar confusão devido à dúvida que introduzirá na análise.
Portanto, é sem pre aconselhável perguntar-se, antes de sol icitar um exame, se
um resultado positivo (ou negativo) fará alguma diferença no d iagnóstico ou no
tratamento do paciente em questão .
TESTES EM PARALELO
O méd ico sol icita testes em paralelo quando é necessária uma avaliação rápida,
como em um serviço de emergência. Esse tipo de abordagem aumenta a sensibi l i
dade e o valor preditivo negativo para uma determ inada prevalência, em com pa
ração com cada teste isolado. Portanto, há uma probabil idade menor de uma
doença passar despercebida, sendo maior a chance de que ocorram d iagnósticos
falso-positivos.
,
TESTES EM SERIE
Os testes em série aumentam a especificidade e o valor preditivo positivo. Em
outras palavras, esses testes aumentam a segurança de que o resultado positivo
1 1 6
representa a doença; no entanto, aumenta o risco de que a doença passe desperce
bida. A ind icação dessa abordagem é quando não há necessidade de uma rápida
aval iação , como nos consu ltórios. Outra ind icação dessa abordagem é quando
ex istem testes mu ito caros ou que levam a efeitos adversos e devem ser ind icados
somente após os testes mais sim ples e mais seguros sugerirem a doença.
Em síntese, os testes em série levam a um uso mais racional de exames labo
ratoriais do que os testes em paralelo, considerando que a aval iação seguinte é
condicionada ao resultado do teste anterior. No entanto, os testes em série levam
mais tem po para a defin ição d iagnóstica.
LEITURAS SUGERIDAS
Carneiro AV. Princípios de seleção e uso de testes diagnósticos: propriedades i ntrínsecas dos
testes. Rev Port Cardiol . 2001 Dez;20(12) : 1 267-74.
Jaesch ke R, Guyatt G H, Sackett D L. Users' gu ides to the medical 1 iterature . 1 1 1 . How to use
an article about a diagnostic test. B . What are the resu lts and wi l l they help me in car ing for
my patients? The Evidence-Based Medicine Working Group. JAMA. 1 994 Mar 2 ;271 (9) :703-
7.
Sackett DL, Straus SE , Richardson WS, Rosemberg W, Haynes RB. Evidence based medici ne :
how to practice and learn EBM. 2nd ed. London : Church i l l L ivingstone ; 2000.
SITE SUGERIDO
Centre for Evidence Based Medici ne [Internet]. Oxford : CEBM ; 2010. Disponível em: http:/
/www.cebm.net
1 1 7
-
,
CAPITULO 6
,
JOIZA L I N S CAMARGO
ELVI NO BARROS
A mon itoração terapêutica de fármacos é a prática clínica de med ir laboratorial
mente fármacos específicos, em intervalos defin idos, com o objetivo de mantê
-los em uma concentração adequada na circu lação sanguínea do paciente e,
dessa forma, otim izar o seu em prego , evitando ou detectando precocemente a
ocorrência de níveis tóxicos ou subterapêuticos.
A maioria dos fármacos pode ter sua ação terapêutica mon itorada por meio
do acom panhamento clínico do paciente; no entanto, para alguns med icamentos,
a dosagem dos níve is sanguíneos é essencial para garantir o efeito terapêutico
sem toxicidade.
Vários fatores podem influenciar a concentração sanguínea de um fármaco
além da variabi l idade ind ividual de absorver, d istribuir e el im inar determ inado
fármaco (Quadro 6 . 1 ) .
A monitoração terapêutica pode ser usada para aumentar a probabi l idade de
eficácia do medicamento ou reduzir a frequência dos efeitos adversos, e tam bém
pode avaliar a variabil idade inter e intraind ivíduo nos parâmetros farmacocinéticos
Quadro 6.1
- ,
FATORES QUE MODIFICAM A CONCENTRAÇAO SANGUINEA DE UM
FÁRMACO PARA UMA DOSE ESPECÍFICA
Formulação do medicamento
1 nterações medicamentosas
Variações genéticas
Função renal e/ ou hepática
Fatores ambientais e/ou comportamentais
,
e farmacodinâm icos. E importante para med icamentos com concentrações irregu-
lares ou com intervalo terapêutico estreito.
I ntervalo terapêutico é o intervalo de concentrações de um fármaco em que
há uma alta probabilidade de alcançar-se eficácia terapêutica, com toxicidade
mínima, na maioria dos pacientes (Fig. 6 . 1 ) . Ele é obtido, analogamente aos
intervalos de referência de parâmetros laboratoriais, a partir de estudos em grandes
popu lações de pacientes, por meio de abordagem estatística de probabil idades,
de modo q ue não define a relação concentração-efeito para um paciente ind ivi
d uai. Vários fatores podem influenciar na resposta terapêutica para uma dada
concentração sanguíneado med icamento, alterando assim a re lação concentra
ção-efe ito e, consequentemente, o intervalo terapêutico (Quad ro 6.2).
Apenas para poucos med icamentos a monitoração terapêutica é útil na prática
clínica. Desde que a dosagem laboratorial adequada esteja d isponível , há ind icação
para dosar um med icamento q uando:
N
Provável efeito
subterapêutico
1
•
•
1
•
•
1
•
•
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Intervalo
terapêutico
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• Risco de ! toxicidade
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Concentração sanguínea do fármaco
Figura 6.1
Conceito de intervalo terapêutico.
1 1 9
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Quadro 6.2
FATORES QUE MODIFICAM O EFEITO DE UM MEDICAMENTO PARA
- , ,
UMA CONCENTRAÇAO SANGUINEA ESPECIFICA
1 nterações medicamentosas
Equi l íbrio eletrolítico
Equ i l íbrio ácido- base
I dade
Resistência bacteriana
Ligação do medicamento a proteínas
t o fármaco tem intervalo terapêutico estre ito ;
t em altas doses, o fármaco pode produzir os mesmos efeitos da doença que
está sendo tratada;
t a droga pode alterar a função renal e/ou hepática alterando sua excreção ;
t existe doença hepática e/ou renal que altere a farmacocinética do med ica-
mento ;
t a absorção do fármaco é influenciada pela dose ou por outras situações;
t há suspe ita de não adesão ao tratamento;
t há suspe ita de intoxicação ;
t há suspeita de interação med icamentosa.
Os med icamentos mais com u ns que necessitam de monitoração terapêutica
estão descritos na Tabela 6 . 1 . A hora da coleta, o tipo de amostra de sangue e a
técnica laboratorial empregada são passos importantes, que devem ser cuidadosa
mente observados, para garantir a correta interpretação dos resu ltados. Após a
admin istração, é essencial obter-se a amostra de sangue no tempo correto para
avaliação da concentração do fármaco. A coleta feita no momento errado é res
ponsável pelo maior número de erros na interpretação dos resu ltados.
Em bora as concentrações sanguíneas de m uitos fármacos cheguem ao ponto
máximo 1 -2 h após a adm inistração oral (nível de pico), fatores como absorção
lenta ou d iminuída podem retardar significativamente o tem po no qual as concen
trações máximas são alcançadas no sangue. Por isso, com poucas exceções, as
amostras de sangue devem ser obtidas no nível de vale, ou seja, imed iatamente
antes da dose seguinte. Esses níveis de vale apresentam menor probabil idade de
serem influenciados pela absorção ou por problemas de d istribuição. Em geral, a
concentração no nível de pico é útil na aval iação da toxicidade e, no níve l de
vale, para demonstrar a concentração terapêutica satisfatória.
Em am bos os casos, o momento da coleta e o horário da última dose devem
ser informados junto com o resultado para garantir a correta interpretação.
1 20
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Tabela 6.1
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FARMACOS QUE MAIS FREQUENTEMENTE NECESSITAM DE MONITORAÇAO TERAPEUTICA
Agentes cardíacos
Antiarrítmicos
Lidocaína
Quinid ina
Cardiotônicos
Digoxina
Digitoxina
Antibióticos
Amicacina
Gentamicina
Tobramicina
Vancomicina
Cloranfenicol
Antico nvuls ivantes ,
Acido valproico
Intervalo terapêutico Níveis tóxicos (h)
1 ,5-5 mg/ml
2-5 mg/ml
0,8-2 ng/ml
1 8-35 ng/ml
Pico
1 5-30 mg/ml
> 6 mg/ml
> 8 mg/ml
1 5-2 ,
6-8
> 2,5 ng/ml 1 50-250
> 35 ng/ml 20-60
Vale
5- 1 0 mg/ml Vale : > 8 mg/ml
< 2 mg/ml Vale : > 2 mg/ml
< 2 mg/ml Vale : > 2 mg/ml
Meia-vida Momento da coleta Tipo de amostra
A cada 24 h Plasma/soro
Antes da p róxima dose Plasma/soro
6- 1 2 h após a dose
Antes da próxima dose
Plasma/soro
Plasma/soro
2-3
2-3
2-3
Antes da próxima dose Soro
ou 1 h após a dose
Antes da próxima dose Soro
Antes da p róxima dose Soro
4- 1 0 mg/ml
4- 1 0 mg/ml
20-40 mg/ml
1 0-25 mg/ml
1 0- 1 5 mg/ml Pico: > 80 mg/ml 4 Antes da próxima dose Plasma/soro
< 5 mg/ml Pico : > 25 mg/ml
50- 1 00 mg/ml > 1 00 mg/ml 8 - 1 5
MONITORAÇÃO TERAPÊUTICA DE FÁRMACOS
1 5-5 , Antes da próxima dose
Antes da próxima dose
Soro
Plasma/soro
(Continua)
MONITORAÇÃO TERAPÊUTICA DE FÁRMACOS
�
� 1 Tabela 6.1 (continuação)
, - "
FARMACOS QUE MAIS FREQUENTEMENTE NECESSITAM DE MONITORAÇAO TERAPEUTICA
Intervalo terapêutico Níveis tóxicos (h) Meia-vida Momento da coleta
Carbamazepi na 8-1 2 mg/ml > 1 2 mg/ml 1 5-40 Antes da próxima dose
Fenobarbital 1 5-40 mg/ml > 40 mg/ml 50- 1 40 Antes da próxima dose
Fenitoína 1 0-20 mg/ml > 20 mg/ml 20-40 Antes da próxima dose
Broncodilatadores
Teofi l ina 1 0-20 ng/ml > 20 ng/ml 1 0 Pico : 1 h após a dose
Vale : antes da
p róxima dose
Ps icofármacos
Haloperidol 5 - 1 5 ng/ml > 50 ng/ml 1 5-40 Pico: 3-6 h após a dose
Lítio 0,6- 1 ,2 mEq/L > 1 ,5 mEq/L 1 8-24 1 2 h após a dose
Citotóxicos
Metotrexato 9 ng/m/L > 9 ng/m/L 5-9 24-72 h após a infusão
1 munos upresso res
Ciclosporina 1 00-300 ng/ml (rim) > 400 ng/ml 8-24 Pico: 2 h após a dose
200-350 ng/ml (coração , Vale : 1 2 h após a dose
pâncreas, fígado)
Tacrol imus 4-20 ng/ml 1 0- 1 4 Antes da próxima dose
Siro l imus 5 - 1 5 ng/ml > 1 5 ng/ml Antes da próxima dose
Tipo de amostra
Plasma/soro
Plasma/soro
Plasma/soro
Plasma/soro
Soro
Soro
Soro
Sangue total
Sangue total
Sangue total
Para a maioria dos fármacos, a amostra de sangue pode ser obtida em tubos
com ou sem anticoagu lantes (plasma ou soro, respectivamente). Amostras de
sangue total são req uis itadas para dosagem de ciclosporina (CyA), tacrol im us
(TK) e s iro l imus.
TÉCNICAS LABORATORIAS DE DOSAGENS DE DROGAS
As técnicas laboratoriais mais com um ente util izadas são im unoensaios de fluo
rescência polarizada (FPIA), enzimaim unoensaios (EMIT), quim io (CLIA) ou ele
troquim iolum inescência (ECLIA). Esses ensaios são específicos, porém , em certos
casos, metaból itos ou outras substâncias sim i lares à droga tam bém são reconhe
cidos pelo anticorpo em pregado no teste. A maioria das interferências resulta de
reações cruzadas com metaból itos da droga, embora, em alguns casos, com postos
endógenos ou d rogas com estruturas semelhantes possam ocasionar uma reação
cruzada e provocar resu ltados falsamente e levados ou d im inuídos da d roga. Re
centemente, a técnica por espectrometria de massa tandem foi i ntrod uzida no
laboratório para dosagem de algumas drogas, m inim izando a interferência por
reações cruzadas.
INTERP,RETA ÃO DOS RESULTADOS DA CONCENTRAÇÃO
SANGUINEA OS MEDICAMENTOS
A interpretação dos resu ltados da mon itoração terapêutica deve levar em consi
deração a correlação entre as concentrações do fármaco e os efeitos terapêuticos,
co laterais ou tóxicos.
As concentrações menores do q ue as esperadas podem estar re lacionadas a:
t Não adesão ao tratamento
t Erros na dose
t Uso errado do med icamento
t Baixa absorção ou biodisponibi l idade
t Momento inadequado da coleta
Quando os resultados revelarem concentrações maiores do que as espera
das, após a coleta adequada da amostra de sangue , deve-se considerar a possi
bi lidade de:
t Maior absorção ou biod isponibi l idade do fármaco
t Diminuição da excreção do fármaco
t Volume de d istribuição dim inuído
Nesses casos, o risco de efeito tóxico está aumentado.
Em alguns casos, podemos observar concentrações corretas no sangue , porém
sem resposta terapêutica adequada. Nessas situações, pode haver dim inuição da
1 23
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sensibi l idade dos receptores do fármaco ou antagonismo em re lação a outros
fármacos.
Resum indo, o uso adequado da monitoração terapêutica req uer m uito mais
do que uma sim ples dosagem do fármaco no sangue do paciente e a com paração
com intervalos terapêuticos preestabelecidos. A monitoração tem um papel impor
tante no desenvolvimento de med icações seguras e terapeuticamente efetivas,
no uso individualizado dessas med icações e na identificação da adesão ao trata
mento. Para a correta interpretação das concentrações sanguíneas dos fármacos,
os fatores que precisam ser considerados incluem o momento da coleta em rela
ção à dose adm inistrada, o tem po de uso do fármaco, a resposta do paciente à
med icação , as cond ições ind ivid uais de um determ inado paciente e o alvo clínico
desejado. As informações obtidas com a monitoração terapêutica podem ser
utilizadas para identificar a dosagem adequada para alcançar a resposta terapêutica
ideal com toxicidade mínima.
LEITURAS SUGERIDAS
Aronson J K , Hardman M . ABC of mon itor ing drug therapy : measu r ing p lasma drug
concentrations. BMJ . 1 992 Oct 31 ; 305(6861 ) : 1 078-80.
Kang JS, Lee MH. Overview of therapeutic drug monitoring. Korean J l ntern Med. 2009
Mar ;24(1 ) : 1 -10.
Reynolds DJ , Aronson J K. ABC of monitori ng drug therapy: making the most of plasma drug
concentration measu rements. BMJ. 1 993 Jan 2 ;306(6869) :48-51 .
Shenfield GM, Morris RG. Therapeutic drug monitoring. Curr Opin Anaesthesiol. 2002
Dec; 1 5(6) :687-92.
Smith AF, Beckett GJ , Walker SW, Rae PWH. Lectures note in c l in ica! biochemistry. 6th ed.
Oxford: Blackwell Pu bl ish ing ; 1 998. Chapter 22, Therapeutic drug monitori ng and chemical
toxicology; p . 284-8.
SITES SUGERIDOS
Lab Tests Onl ine [lnternet] .Wash ington , DC: AACC; c2001 -201 0. Disponível em; http ://
www.labtestson l ine .org
The Leeds Teach i ng Hospital . Therapeutic drug mon itoring [I nternet] . Leeds: Departament
of Health- NHS; c2007. Disponível em: http://www.pathology.leedsth.nhs.u k/pathology/
Cli n ical 1 nfo/ CI i n ical ProtocolsGu idel ines/TherapeuticDrugMon itori ng/tabid/ 1 24/ Def au lt.aspx
1 24
,
CAPITULO 7
JAM I LE ABUD
,
JOSE M I GUEL DORA
Um resultado analítico de qualidade depende do sucesso de todos os processos
q ue envolvem a realização do exame, desde a identificação do paciente até a
anál ise de consistência e l iberação do resu ltado.
A coleta adequada do material para análises laboratoriais depende da correta
identificação do paciente, da util ização do método e procedimento corretos de
coleta e do acondicionamento dos tubos, frascos ou meios de cultura adequados
para cada tipo de amostra. Além d isso, a verificação da q ualidade da amostra de
acordo com o material e com os exames sol icitados pelo méd ico é de extrema
im portância, pois fatores pré-analíticos podem interferir sign ificativamente nos
resultados das análises (Tab. 7 . 1 ) . Os fatores interferentes em exames de análises
clín icas mais com uns estão descritos a seguir.
HEMÓLISE
Consiste na lise anormal de eritrócitos, l iberando substâncias q ue os constituem ,
principalmente hemoglobina, fazendo com que soro e plasma adq uiram cor aver
melhada. A hemól ise pode ser classificada em níveis de intensidade, que varia de
leve a intensa. A interferência vai depender do grau de hemól ise da amostra e do
anal ito med ido.
Estima-se o grau de hemólise visualmente, após a centrifugação da amostra,
mas já existem eq uipamentos de análise bioquím ica que q uantificam o grau de
hemó l ise, o que auxil ia na interpretação dos resultados.
Principais analitos que podem sofrer interferência pela hemólise. Gl icose, fosfa
tase ácida, fosfatase ácida prostática, zinco, magnésio, album ina, potássio, sódio,
cálcio, ureia, bi l irrubinas, lactato desidrogenase (LDH), enzimas cardíacas (crea
tinoq uinase fração MB - CK-MB) e hepáticas como aspartato-transam inase (TGO)
e alam ina-transam inase (TGP). A insul ina é um teste que sofre interferência da
hemólise independentemente da metodologia, apresentando resultados falsamen
te baixos. Uma enzima que degrada insulina é encontrada nos eritrócitos e tam bém
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em outros tecidos, sendo a responsável por essa inte rferência. O peptídeo C e a
pró-insul ina são menos afetados pela hemólise.
LIPEMIA
,
E a turvação causada por concentrações séricas elevadas de trigl icerídeos, que,
frequentemente, ocorre por jejum inadequado. O soro e o plasma apresentam
cor esbranq uiçada. A l ipemia é visivelmente evidenciada após centrifugação . Nos
exames em que o princípio metodológico é a turbidimetria, a lipem ia pode inteferir,
produzindo resultados falsamente elevados.
Principais analitos que podem sofrer interferência pela lipemia. Colesterol , bi l ir
rubina, album ina, fosfatase alcalina, TGO, TGP, proteínas séricas, cálcio, creatini
na, am ilase e l ipase.
HIPERBILIRRUBINEMIA
Ocorre quando a concentração sérica de bi l irrubina total fica > 2,5 mg/dl. É iden
tificada por meio da coloração alaranjada do soro e do plasma.
Tabela 7.1
PRINCIPAIS ANALITOS QUE SOFREM I NTEFERÊNCIA PRÉ-ANALÍTICA
Analito Hemólise Lipemia Hiperbilirrubinemia
Gl icose, fosfatase ácida, fosfatase i
ffi ácida prostática, zinco, magnésio, � albumina, potássio, sód io, cálcio,
� ureia, bi l irrubinas, LDH, CK-MB,
TGO, TGP, hemoglobina, CHCM,
plaquetas
1 nsul ina, eritrócitos, hematócrito, VCM
Colesterol , b i l i rrubina, ai bu mina,
fosfatase alcal ina, TGO, TGP,
proteínas séricas, cálcio, creatin ina,
amilase, l ipase, hemoglobina
Creatin ina, lactato, fósforo e
ácido ú rico, hemoglobina
i, aumento; J,, diminu ição.
1 26
i
i
Principais analitos que podem sofrer interferência pela hiperbilirrubinemia. Crea
tinina, lactato, fósforo e ácido úrico.
MEDICAMENTOS
Os efeitos dos med icamentos podem manifestar-se por meio de lesão de tecidos
ou de órgãos (p. ex. , hepatite ind uzida por ison iazida), de alterações na função
de tecidos (p. ex. , aumento da y-glutam i l transferase [GGD por ind ução m icros
somai das células hepáticas pela fenitoína) ou pela interferência do med icamento
na anál ise do analito. Essa última situação é a que determ ina o med icamento
como " interferente analítico " de um exame (Tab. 7 .2).
,
Muitas substâncias podem interferirem d iversos exames laboratoriais. E preciso
assinalar que uma determ inada substância q ue interfere em uma prova particular
pode ou não afetar todos os métodos para essa prova. Em alguns casos, o grau
de interferência está relacionado à dose.
A influência de hemólise, l ipem ia, h iperbi l irrubinem ia e med icamentos nos
testes depende da metodologia e do equipamento util izado; por exem plo, a quan
tificação da creatin ina pela Reação de Jaffé (descrito em 1 886) sofre interferência
negativa por hemólise, h iperbilirrubinemia e l ipem ia. O mesmo anal ito "creatini
na" analisando por outra metodologia (cinético-quím ica seca) pode sofrer interfe
rência da d ip irona e da n-acetilcisteína. O especial ista técnico deve conhecer as
Tabela 7.2 ...
PRINCIPAIS ANALITOS QUE PODEM SOFRER INTERFERENCIA DE
MEDICAMENTOS
Constituinte
no sangue
Fosfatase
alcal ina
Bi l i rru binas
Cálcio
Drogas que causam
efeito fisiológico
Fenitoína
Clordiazepóxido
Feno barbital
Andrógenos
Progestágenos
Estrógenos
Tiazídicos
Acetazolamida
Corticosteroides
Efeito Drogas com Efeito
interferência química
i Teofi l ina
,
Acido ascórbico
Teofi l ina
i Citrato i
i EDTA i
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{Continua)
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Tabela 7 .2 (continuação)...
PRINCIPAIS ANALITOS QUE PODEM SOFRER INTERFERENCIA DE
MEDICAMENTOS
Constituinte
no sangue
Colesterol
Cortisol
CK
Creatin ina
Glicose
1 28
Drogas que causam
efeito fisiológico
Clorpromazina
Heparina
Tiroxina
Clofi brato
Codeína
Dexametasona
Digoxina
Etanol
Furosemida
Glutetimida
Halotano
Heroína
lm ipramina
Carbonato de lítio
Meperid ina
Morfina
Feno barbital
Anfoteric ina
canam1c1na
Corticosteroides
Ep inefrina
Furosemida
Tiazídicos
Fenitoína
Propanolol
Efeito Drogas com Efeito
interferência química
Clordiazepóxido i
Digoxina i
i
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Acido ascórbico i
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Cefalosporinas i
Glicose i
Levodopa i
Meti ldopa i
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,
Acido aminossal icílico i
i
,
Acido ascórbico i
i Hidralazina i
i lsoproterenol i
i Levodopa i
Mercaptopurina i
Metimazol i
Meti ldopa i ,
Acido nal idíxico i
Oxazepam i
Propi ltiouracil i
{Continua)
Tabela 7 .2 (continuação)
...
PRINCIPAIS ANALITOS QUE PODEM SOFRER INTERFERENCIA DE
MEDICAMENTOS
Constituinte
no sangue
LDH
Lipase
Potássio
Proteínas
totais
TGO e
TGP
Sódio
Ureia
Drogas que causam
efeito fisiológico
Clofibrato
Colinérgicos
Etanol
Heparina
Potássio
Espironolactona
Corticosteroides
Anfotericina
I nfusão de glicose
1 nsul ina
Diuréticos orais
Sal i c i 1 a tos
Tetracicl ina
Corticosteroides
Andrógenos
Ampici l ina
Cefalotina
Clofi brato
Colchicina
Gentamicina
Metiltestosterona
Opiáceos
Oxaci l ina
Andrógenos
Corticosteroides
Manitol
Metildopa
Cloreto de amônia
Heparina
Diuréticos orais
Espironolactona
Furosemida
Gentamicina
Canamicina
Metildopa
Neomicina
Efeito Drogas com Efeito
interferência química
Oxalato i
Teofi l ina i
i Bi l i rrubina i
i
i Cálcio i
i Pen ici l ina G i
i
i
i
i
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i
i
i Bi l i rrubina i
i
,
Acido aceti lsalicílico i
i Para metodologia de
i espectrofotometria para TGO:
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,
Acido ascórbico i
i Eritromicina i
i lsoniazida i
i Levodopa i
i
i
i
i
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i Hidrato de cloral i
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Tabela 7 .2 (continuação) ...
PRINCIPAIS ANALITOS QUE PODEM SOFRER INTERFERENCIA DE
MEDICAMENTOS
Constituinte
•
na urina
Colesterol
Glicose
Creati nina
Drogas que causam
efeito fisiológico
Clorpromazina
Heparina
Tiroxina
i, aumento; J,, diminu ição.
Efeito Drogas com Efeito
interferência química
Para métodos
enzimáticos:
Ácido ascórbico .!.
Levodopa .!.
Para método com
solução de Benedict:
Ácido ascórbico i
Cefalosporina i
Hidrato de cloral i
,
Acido ascórbico
Levodopa
Meti ldopa
i
i
i
l im itações das metodologias utilizadas, e as instruções analíticas do fabricante do
reagente utilizado devem ser seguidas. A avaliação pré-analítica deve ajudar na
decisão clín ica da necessidade de nova amostra.
OUTROS FATORES QUE PODEM INTERFERIR EM
DETERMINAÇÕES LABORATORIAIS
Variações de turno. Algumas dosagens hormonais, ferro sérico.
Exercício. Pode aumentarCK, aldolase, TGO, LDH, testosterona, androstenediona
e LH.
Jejum. Após 48 horas de jejum , as concentrações de bi l irrubinas no soro podem
aumentar. Em 72 horas de jejum , os níveis de gl icose em m ulheres saudáveis
dim inuem, enquanto em homens pode ocorrer aumento de triglicerídeos pias-
1 30
máticos, gl icerol e ácidos graxos livres, com m udança não significativa no coles
tero l .
Consumo de álcool . A ingestão de etanol pode aumentar a concentração de lacta to,
ácido úrico e triglicerídeos. O aumento de GGT e do volume corpuscular méd io
(VCM) é associado a abuso de álcool crôn ico.
Fumo. O tabagismo pode aumentar a carboxiemoglobina, as cateco lam inas e o
co rtiso 1 sé rico .
LEITURAS SUGERIDAS
Henry JB . Clin ica! diagnosis and management by laboratory methods. 20th ed. Philade lph ia :
WB Saunders; 2001 .
Ravel R. Laboratório clínico: aplicações clínicas dos dados laboratoriais. 6. ed. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan ; 1 997.
Wal lach J . l nterpretation of diagnostic tests. 8th ed. Philadelphia: L ippincott Wi l l iams &
Wilk ins ; 2007.
SITE SUGERIDO
American Association for Cl in ica! Chemistry [ I nternet]. Wash i ngton , DC: AACC; c2008.
Disponível em: www.aacc.org
1 31
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CAPITULO 8
MARILE I WOLFART
Este capítulo tem como objetivo apresentar subsídios básicos sobre o gerencia
mento de riscos biológicos em laboratório de análises clínicas. As po líticas de
biossegurança baseadas em boas práticas, treinamentos contínuos e oferta de
equ ipamentos de proteção são propostas aos laboratórios como uma ferramenta
para red uzir os riscos e proporcionar aos seus profissionais conhecimentos sobre
proteção individual e am biental. Esses conhecimentos transformam-se em com
prom isso e responsabilidade. Na atualidade, as leis e as normas regulamentadoras
definem claramente o papel das partes, atribuindo a causa do acidente com riscos
biológicos ao não atendimento dessas normativas e não mais à personalidade do
homem q ue executa o trabalho, como a abordagem de Heinrich, 1932 : '' Onde
se encontra o homem , todo acidente é causado, ele nunca acontece " . A aborda
gem sistêm ica dos riscos biológicos em laboratórios de anál ises clín icas traz alter
nativas para aumentar a produção sem potencializar os riscos de acidentes indi
viduais e am bientais. Aceitando a corresponsabilidade entre em pregado e em
pregador no cum primento das normativas técnicas, estaríamos ampliando a teoria
de Heinrich no campo de segurança no trabalho, no qual o " homem " estaria
representado não apenas pelo trabalhador, mas tam bém pelo em pregador, e o
efeito dom inó para demonstrar a causa do acidente não dependeria da persona
lidade do homem , mas das condições q ue ele têm para a execução do trabalho.
DOS RISCOS BIOLÓGICOS
Risco biológico é a probabil idade da exposição ocupacional a agentes biológicos.
Esses agentes são capazes de provocar dano à saúde humana, podendo causar
infecções, efeitos tóxicos, efeitos alergênicos, doenças autoim unes e formação de
neoplasias e malformações. São considerados agentes biológicos: m icrorganismos
geneticamente mod ificados ou não, culturas de célu las, parasitas, toxinas e príons.
A Tabela 8 . 1 apresenta as principais patologias associadas a risco biológico.
A exposição ocupacional pode ocorrer por via d ireta (bioaerossóis e gotículas)
ou indireta (mãos, perfurocortantes, luvas). As principais vias de penetração no
Tabela 8.1
-
DOENÇAS MAIS FREQUENTES TRANSMITIDAS PELA EXPOSIÇAO A
-
SANGUE E SECREÇOES
Doença
r
Aids
Hepatite B
Hepatite C
Tuberculose
Meningite
Escabiose
Conjuntivite
Agente
Vírus HIV
Vírus da hepatite B (HBV)
Vírus da hepatite C (HCV)
Mycobacterium tubercu/osis
Neisseria meningitidis
Sarcoptes scabiei
Vírus ou bactérias
Modo de transmissão
Acidente perfurocortante ou
material biológico
potencialmente infectado em
contato com pele lesada ou
mucosa
Contato com secreções
respiratórias
Contato com a pele
Contato com secreção ou
lágrima
organismo são as vias aéreas, intestinais, absorção pela pele e m ucosas e paren
teral, q uando por inocu lação.
A classificação dos agentes biológicos para laboratórios considera principalmente
o risco de infecção que representam para a saúde do trabalhador, sua capacidade de
propagação para a coletividade e a existência ou não de profilaxia e tratamento. Os
agentes biológicos são d istribuídos em classes de risco de 1 a 4. A dimensão do risco
relaciona-se com a probabilidade de o ind ivíduo ou o coletivo contrair adoença e
com a gravidade dos danos à saúde que ela pode ocasionar (Tab. 8 .2).
Cada classe de risco possui normas estabelecidas para o trabalho em contenção.
Na exposição ocupacional , o níve l de contenção é determ inado pelo agente da
maior classe de risco presente. Por exem plo, para um laboratório em q ue são
manipulados agentes das classes de risco 2 e 3 , o nível de contenção a ser adotado
deverá ser o níve l de contenção 3 . Os riscos biológicos mais frequentes de um
laboratório, suas respectivas fontes de exposição e as vias de transm issão devem
estar representadas de forma descritiva no Programa de Prevenção de Riscos
Am bientais - PPRA.
O PPRA descrito na Norma Regulamentadora (NR) nº 9 tem como objetivo o
controle de riscos por meio da redução ao mínimo de exposição dos trabalhadores
do serviço de saúde. Visa à preservação da saúde e da integridade dos trabalha
dores, por meio de antecipação, reconhecimento , aval iação e consequente con
tro le da ocorrência de riscos am bientais existentes ou que venham a existir no
am biente de trabalho, tendo em consideração a proteção do meio am biente e
dos recursos naturais.
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Tabela 8.2
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CLASSIFICAÇAO DOS AGENTES BIOLOGICOS E SEUS RESPECTIVOS
RISCOS
Classe Risco Risco
de risco individual coletivo
Classe 1 Baixo Baixo
Classe 2 Moderado Baixo
Classe 3 E levado Moderado
Classe 4 E levado E levado
Profilaxia e Agentes
tratamento biológicos 1
-
Existem
Nem
sempre
existem
Não
existem
Lactobac1/lus
Escherichia
co/1�
Haemoph1/us,
cândidas,
Asperg1//us,
adenovírus,
Vírus da
hepatite c
Mycobacterium
bovis,
Mycobacterium
tu berculosis,
Histop/asma
capsulatum,
hantavírus
Vírus da
varíola, ebola
1 Tabela completa encontra-se no anexo l i da N R32.
Nível de
biosseg urança
NB1
NB2
NB3
NB4
O PPRA deverá ter um planejamento que inclua as segu intes etapas: anteci
pação e reconhecimentos dos riscos; estabe lecimento de prioridades e metas de
avaliação e controle ; aval iação dos riscos e da exposição dos trabalhadores; im
plantação de med idas de controle e avaliação de sua eficácia; monitoração da
exposição aos riscos e registro e d ivulgação dos dados.
A fase de aval iação e reconhecimento dos riscos identifica as fontes e os
reservatórios de exposição, reconhece as vias de transm issão, as vias de entrada,
a patogenicidade, a virulência do agente e a persistência dele no am biente.
A aval iação do local de trabalho e do trabalhador deve considerar: finalidade
e descrição do local de trabalho; organização e procedimentos de trabalho; pos
sibi l idade de exposição ; descrição das atividades e funções de cada local de tra
balho; med idas preventivas apl icáveis e seu acom panhamento .
1 34
A partir do conhecimento dos riscos, é elaborado o Mapa de Risco, que consiste
na representação gráfica do conjunto de fatores presentes nos locais de trabalho
capazes de acarretar prejuízos à saúde dos trabalhadores, acidentes e doenças
de trabalho. A NR nº 5 define q ue os mapas de riscos devem ser elaborados pela
com issão interna de prevenção de acidente (CIPA) das empresas.
Os laboratórios devem elaborar e im plementar o Programa de Controle Médico
e Saúde Ocupacional (PCMSO), conforme descrito na N R nº 7 , NR nº 32 e port.
Nº 485. O PCMSO deve prever o reconhecimento e a aval iação dos riscos bioló
gicos; a localização das áreas de risco ; a relação contendo a identificação nom inal
dos trabalhadores, sua função, o local em que desempenham suas atividades e o
risco a que estão expostos; a vigilância méd ica dos trabalhadores potencialmente
expostos, os exames periódicos, bem como o programa de imun ização ativa
contra tétano, d ifteria e hepatite B. O risco de profiss ionais da saúde adquirirem
a hepatite B é 1 O vezes maior em relação à popu lação em geral. A vacina contra
a hepatite B proporciona cobertura de 95-99% .
ACIDENTES PUCTÓRIOS E MATERIAL PERFUROCORTANTE
No acidente puctório (com agulhas) e material perfurocortantes em geral (bisturis,
lâm inas, tesouras, etc.) , o risco de transm issão do H IV é estimado em 0,3 % . A
possibilidade de ser contam inado pelo vírus da hepatite B é de 20-1 00 vezes
maior do q ue a possibilidade de ser contam inado pelo vírus HIV. O risco de
adqu irir hepatite C é seis vezes maior do que o risco de contrair o vírus HIV.
Conduta após acidente puctório e material perfurocortante
t Cuidados locais:
- Lavar o ferimento decorrente do acidente com água e sabão ou soluções
antissépticas detergentes (p. ex . , clorexidina). As membranas m ucosas e a
pele exposta devem ser lavadas com água corrente abundante, soro fisio
lógico ou água boricada repetidas vezes (por, no mínimo, 1 0 m in). Não
provocarsangramento nem utilizar escovas ou substância como o hipoclorito
de sód io. Não apl icar, ingerir ou injetar qualquer tipo de med icamento sem
a orientação méd ica.
- Obter, se possível , a identificação do paciente-fonte e d irij ir-se imed iata
mente ao centro de referência para atendimento méd ico de acidentes ocu
pacionais com material biológico do local de trabalho. O atendimento é de
urgência devido ao intervalo máximo de 2 horas após o acidente ind icado
para in iciar a profi laxia com os antirretrovirais.
Análise de dados da fonte de contágio:
- Causa do acidente : material biológico envolvido e seu potencial infectante .
- Tipo de acidente: puctório/perfurocortante; contato com m ucosa ou pele
com lesões tipo dermatite ou ferida aberta; contato com pele íntegra.
- Situação soro lógica do acidentado e do paciente-fonte em relação ao HIV,
hepatite B e C. Consultas de registros recentes, estado vacinai e/ou coleta
de amostras de sangue para anti-HIV, anti-HCV e HBsAg, med iante con-
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sentimento. Na im possibi l idade de obter informações do paciente-fonte
ou no caso de não conhecê-lo, está recomendada avaliação, levando em
conta o tipo de exposição e os dados clínicos e epidem iológicos.
Medidas a serem adotadas:
- Quim ioprofilaxia para o H IV: a adm inistração de antirretrovirais (ARVs)
após exposição ocupacional é recomendada pela Coordenação Nacional
DST/ Aids do Ministério da Saúde com base em estudos retrospectivos e
caso-controle que identificam efeito protetor de zidovudina (AZT) e a re
dução de virem ia com os esq uemas com binados de AR\/. A decisão de
recomendar quim ioprofilaxia para o funcionário exposto leva em conside
ração o tipo de exposição (gravidade, volume de material inoculado, pro
fundidade) e o status sorológico do paciente-fonte (HIV+ sintomático ou
não). Não ind icada em exposição com baixo risco de transm issão do HIV.
- Profi laxia de hepatite B: a vacina anti-hepatite B consiste em 3 doses (0, 1
e 6 meses). Um ind ivíd uo é considerado im unizado q uando a dosagem de
anti-HBS for maior ou igual a 1 O U l/m L. A vacinação ou revacinação é
recomendada como profi laxia para profiss ionais expostos a material bioló
gico. A administração de im unoglobul ina humana contra a hepatite B (H Blg)
é ind icada quando o paciente-fonte for positivo para H BsAg ou desconhe
cido e com riscos e o profiss ional acidentado não imun izado anteriormente .
- Profi laxia de hepatite C: não existe. Recomenda-se acom panhar a sorologia
do acidentado por 6 meses. Se a sorologia para o HCV positivar, deve-se
encam inhar o funcionário para acom panhamento especializado.
Coleta de material e seguimento clínico/laboratorial do profissional acidentado :
- O funcionário acidentado deverá ser testado imed iatamente para HIV,HBsAg, Anti-HBS, Anti-HCV. A situação vacinai para hepatite B deve ser
investigada e com plementada se for necessário.
- O anti-HIV deverá ser testado na data do acidente (data zero) e aos 45, 90
e 1 80 d ias após. Provas bioquím icas (am i lase, bi 1 i rru binas, crea tin i na, fos
fa tase alcalina, TGO, TGP e ureia) e hemograma são real izados antes do
início dos antirretrovirais, 1 5 d ias após e ao térm ino dos 30 d ias da med ica-
-
çao.
- A avaliação clínica deverá ser semanal durante o uso de antirretrovirais.
Caso o paciente-fonte for negativo para HIV, HBV e HCV, o acidentado
recebe alta sem necessidade de acom panhamento por seis meses.
Notificações e registros. O acidente de trabalho deverá ser registrado na Me
d icina do Trabalho ou na Com issão de Contro le de Infecção Hospitalar (CCIH)
e notificado pelos instrumentos legais, que são: Com unicação de Acidentes
de trabalho (CAT- INSS), documento da Previdência Social que garante o trata
mento do acidentado, pagamento de d ias de afastamento e outros benefícios
e Relatório de Notificação de Agravo (RINA).
Das medidas de proteção
Os níveis de biossegurança (N B) para um laboratório clínico estão relacionados
aos requ isitos crescentes de segurança para o manuseio dos agentes biológicos,
os quais estão classificados em quatro estágios de comp lexidade: NB1 , NB2,
1 36
N B3 e N B4. O níve l NB1 representa o de menor com plexidade e, po rtanto , exige
med idas de contenção básicas, e o NB4, o de maior comp lexidade, com med idas
de contenção máximas (Tab. 8 .2). O nível de biossegurança e a com plexidade do
equipamento de proteção exigido para um procedimento é determ inado pelo
agente bio lógico de maior classe de risco envolvido no ensaio (Tab. 8 .3) .
DOS EQUIPAMENTOS DE CONTENÇÃO
Procedimentos que envo lverem a manipu lação de material biológico, indepen
dentemente do volume a ser manipulado, devem ser conduzidos dentro de cabines
de segurança biológica (CBS) ou outro d ispositivo de contenção física segu indo
as orientações contidas na publ icação do Ministério da Saúde - Diretrizes Gerais
para o Trabalho em Contenção com Material Biológico - correspondentes aos
respectivos m icrorgan ismos.
Sem pre que o proced imento for potencialmente gerador de aerossó is e gotí
cu las, proveniente de materiais biológicos, deverá ser util izada a proteção para o
rosto (máscaras, protetor facial, óculos de proteção, etc.) .
Tabela 8.3
- -
EQUIPAMENTOS DE CONTENÇAO EXIGIDOS NA MANIPULAÇAO DE
AGENTES BIOLÓGICOS NOS DI FERENTES NÍVEIS DE BIOSSEGURANÇA
Equipamento de proteção
1
Luvas
Avental, un iforme ou jaleco com mangas
compridas ajustadas nos punhos
Calçados fechados
,
Oculos de segurança e protetores faciais,
sempre que os procedimentos assim o exigirem
(p. ex . , formação de aerossóis)
Dispositivos para pipetagem
Equipamento de lavagem dos o i hos e
chuveiros de emergência
Cabines de segurança biológica, classe 1 ou 1 1
Autoclave
NB1 NB2 NB3 NB4
X X X X
X X X X
X X X X
X X X X
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X X X X
X X X
X X X
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Dispositivos para lavagem dos olhos e chuveiros de emergência devem estar
presentes próximos ao laboratório.
A centrifugação de amostras biológicas, quando real izada fora da CBS, somente
poderá ser efetuada se forem util izados centrífuga de segurança e frascos lacrados.
Os equipamentos de contenção devem estar d isponíveis e ser usados sem pre
que os procedimentos assim o exigirem. O planejamento e im plantação deles na
rotina do laboratório nem sem pre é fáci l e exige treinamento contínuo. A natu
ral ização do risco biológico promove a persistência de cond ições de trabalho
inadequadas e com portamentos im próprios dos trabalhadores. Sugere-se que
orientações de uso de equipamentos de proteção ind ividual (EPI) estejam afixadas
em locais de fáci l visual ização.
Normas e condutas gerais de segurança no laboratório clínico
t O acesso à área técnica do laboratório deve ser l im itado , não se perm itindo a
entrada de crianças e animais. As áreas de circulação devem estar desobstruí
das.
t As portas de entradas devem sinal izadas, contendo: símbolo internacional de
risco biológico, advertência de área restrita, identificação e telefone de contato
do profissional responsáve l .
As pias destinadas a procedimentos laboratoriais não podem ser usadas como
lavatórios para a higienização das mãos.
Devem ser vetados nas áreas de laboratório, os atos de comer, beber, fumar e
aplicar cosméticos. Vetar a util ização/manutenção de alimentos e bebidas, o
uso de calçados abertos, o recapeamento e a desconexão manual de agulhas.
Procedimentos operacionais padrão
t Higienização das mãos: a higienização das mãos é considerada uma das princi
pais med idas na redução do risco de transm issão de agentes bio lógicos. A
técnica de fricção antisséptica com álcool 70º pode ser util izada como um
recurso adicional à lavagem das mãos com água e sabão em lavatórios, po
rém não é recomendada na presença de suj idade. A h igien ização das mãos é
recomendada antes e após a manipulação de agentes de risco, antes e após
contato com o paciente, antes de procedimento asséptico, após risco de ex
posição a fluidos corporais, após contato com áreas próximas ao paciente,
após a remoção das luvas, após contato com material rad iativo e q uím ico,
após o térm ino do turno de trabalho, antes e após as refeições e uso do
banheiro e, por último, ao sair do laboratório.
t I nstruções de uso para EPI (Tab. 8 .4) , de proteção coletiva (EPC) e vestimentas
de trabalho: seguir as recomendações técnicas de uso . Retirar os EPI antes de
sair do am biente de trabalho. Luvas de látex descartáveis não poderão ser
lavadas, nem reutilizadas. Mãos en luvadas não devem tocar " superfícies l im
pas " , como teclados, telefones, maçanetas, etc.
t A pipetagem deve ser realizada com d ispositivos adequados. Proibir pipetagem
com a boca.
t Manuseio e descarte de perfurocortantes: é proibido manipu lar, dobrar, q ue
brar, reutilizar ou recapear agulhas removidas das seringas. Regulamentar o
1 38
Tabela 8.4
- -
DIAGRAMAÇAO SUGESTIVA PARA COMUNICAÇAO E CONTROLE DO
USO DE EP NOS PROCEDIMENTOS LABORATORIAIS
Procedimentos
laboratoriais
Coleta de
amostras biológicas
Recebi menta de
material biológico
Processamento de
amostras biológicas
Centrifugação
Preparo de
soluções reagentes
Semeadura em
meios de cu ltura
Equipamentos de proteção
,,
Guarda-pó Luvas Oculos/proteto r
facial
X X Recomendado
X X
X X X
X X
X X X
X X
Cabine de
segurança
X
X
X
descarte em recipiente de paredes rígidas e com tam pa, que jamais deve ser
reaproveitado.
Procedimento adotado no caso de ocorrência de incidentes e acidentes: aciden
tes ou incidentes que resultem em exposições a materiais infecciosos deverão
ser imed iatamente relatados ao profissional responsável. Análise méd ica ade
quada, vigilância e tratamento deverão ser proporcionados e registrados por
escrito, devendo esses registros ser mantidos.
Procedimento de l im peza e organ ização do laboratório : deve-se realizar
descontam inação da superfície de trabalho e procedimentos recomendados
sem pre que ocorrer derramamento de material biológico.
Realizar procedimento-padrão para manuseio e transporte de material e amos
tra biológica.
Realizar procedimento-padrão para o armazenamento de matérias e reagentes.
Seguir informações das fichas de informações de segurança de produto quím ico
(FISPQ).
O descarte dos resíduos deve ser feito segundo o plano de normas legais e
técnicas vigentes e em cum primento ao Plano de Gerenciamento de Resíd uos
descrito na RDC 306.
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Procedimento-padrão para o recolhimento e descarte de vidrarias quebradas:
Não devem ser manipu ladas d iretamente com a mão, devem ser removidas
por meio de meios mecânicos (pá de lixo ou pinças) e descartadas em recipien
tes adequados.
t Rotina de contro le de artrópodes e roedores.
t Manutenção, cal ibração e certificação dos equipamentos de contenção.
LEITURAS SUGERIDAS
ANVISA. Resolução RDC no. 302, de 1 3 de outubro de 2005: regulamento técnico para
funcionamento de laboratório clínico. Brasíl ia: Min istério da Saúde; 2005.
ANVISA. Resolução RDC no. 306, de 07 de dezembro de 2004: regu lamento técnico para o
gerenciamento de resíduos de serviços de saúde. Brasíl ia: Ministério da Saúde; 2004.
Brasi l . Min istério da Saúde, Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Di retrizes
gerais para o trabalho em contenção com material b io lógico. Brasíl ia: M in istério da Saúde ;
2004. (Série A. Normas e Manuais Técnicos) .
Bras i l . Min istério da Saúde, Secretaria de Políticas de Saúde, Coordenação Nacional de DST
e AIDS. Manual de condutas: exposição ocu pacional a material b io lógico; hepatite e H IV.
Brasíl ia: Min istério da Saúde; 1 999.
Bras i l . Min istério da Saúde, Secretaria de Políticas de Saúde, Coordenação Nacional de DST
e AI DS. Recomendação para terapia anti -retroviral em adultos e adolescentes infectados
pelo H IV. Brasí l ia : Ministério da Saúde, 2006.
Brasi l . Portaria no. 14, de 21 de junho 2007, norma regulamentadora N R 5 : comissão i nter
na de prevenção de acidentes (D .O.U 26/06/07) . Brasí l ia: MTE; 2007.
Brasi l . Portaria no. 1 9, de 1 9 de abril de 1 998, norma regulamentadora N R 7: programa de
controle médico de saúde ocupacional (D .O.U. 22/04/ 1 998). Brasí l ia: MTE; 1 998 .
Brasi l . Portaria no. 25, de 29 de dezembro de 1 994, norma regulamentadora N R 9: progra
ma de prevenção de riscos ambientais (D.O.U . 30/12/1 994) .Brasíl ia : MTE ; 1 994
Brasi l . Portaria no. 485, de 1 1 de novembro de 2005, norma regulamentadora N R 32:
segurança e saúde no trabal ho em estabeleci mentos de saúde (D.O.U. 1 6/1 1/05) . Brasí l ia:
MTE ; 2005
Teixeira P, Val le S. Biossegurança: u ma abordagem mu ltidisciplinar. Rio de Janeiro: Fiocruz,
1 996.
SITES SUGERIDOS
Advisory Committee on Dangerous Path ogens. B io logical agents: managing the risks
[I nternet]. London : HSE; [data descon hecida] . Disponível em: http://www.hse .gov.u k/
biosafety/biologagents.pdf
Occupational Safety and Health Admin istration [I nternet]. Wash i ngton , DC: OSHA; c2010.
Disponível em: http://osha.eu repa.eu/ en
140
PARTE l i
CARDIOLOGIA
,
CAPITULO 9
,
MAU R I C I O P IM ENTEL
LU IZ CA RLOS PAUL
,
O PROBLEMA LIN I
Paciente de 70 anos, do sexo feminino, hipertensa, diabética, com história de
infarto do miocárdio e insuficiência cardíaca congestiva, foi admitida na emer
gência com quadro de mal-estar geral iniciado há 3 dias , acompanhado de
alteração do sensório e da percepção de cores (xantopsia), náusea, vômito,
inapetência e palpitações . Vinha em uso de ácido acetilsalicílico, sinvastatina,
furosemida, espironolactona, digoxina, carvedilol e enalapril.
Durante o exame fís ico, apresentava-se em estado geral regular, prostrada,
pressão arterial de 1 00/60 mmHg, frequência cardíaca de 1 20 bpm, ritmo
cardíaco regular com extrassístoles frequentes, crepitantes pulmonares nas
bases e extremidade aquecidas.
COMO LABO ODE AJU NA AVALIAÇÃO DESSE PACIEt TE?
Em um paciente com história de infarto do miocárdio, insuficiência cardíaca e
suspeita de arritmia, os exames laboratoriais exercem papel importante na
avaliação inicial. A dosagem de eletrólitos e do nível sérico de digoxina, por
exemplo, pode definir condições que predispõem aos distúrbios na geração
e/ou condução do estímulo elétrico no coração.
Entretanto, para o diagnóstico específico da arritmia, o principal exame é o
eletrocardiograma (ECG) em repouso de 1 2 derivações . Métodos de monito
ração cardíaca prolongada, como o Holter e o Monitor de Eventos (Looper), e
até mesmo o estudo eletrofisiológico invasivo, podem ser necessários para o
diagnóstico.
ELETRÓLITOS
A dosagem de eletró l itos séricos, especialmente de potássio, cálcio e magnésio,
perm ite o d iagnóstico e a monitoração de d istúrbios eletro líticos que sabidamente
estão associados a arritm ias cardíacas.
Em pacientes portadores de insuficiência cardíaca, é frequente o uso de drogas
capazes de alterar a homeostasia desses eletrólitos, como é o caso dos d iuréticos
de alça, causando hipocalemia, e dos in ibidores da enzima conversora da angio
tensina (I ECAs), determ inando hipercalem ia com suas respectivas consequências.
DIGOXINA SÉRICA
A d igoxina é um fármaco pertencente ao grupo dos glicosídeos d igitálicos. Seu
uso está ind icado no tratamento de pacientes com insuficiência cardíaca por
d isfunção sistólica com vistas à melhora da classe funcional e à redução de inter
nações. Em pacientes com fibri lação atrial, pode ser usada com o objetivo de
controlar a resposta ventricular.
A dosagem do nível sérico da d igoxina por meio de eletroq uim iolum inescência
permite, d iante de um quadro clínico com patíve l , o d iagnóstico da intoxicação
digitálica e possibi l ita o ajuste da sua dose. Os valores de referência variam na
literatura entre 0,5-2 ng/m L. No entanto, em pacientes com insuficiência cardíaca,
procura-se manter níve is < 1 ng/ml, sendo que valores acima deste estão asso
ciados à maior chance de morte. O maior benefício, inclusive com menor morta
lidade entre homens, foi observado no subgrupo de pacientes com valores entre
� 0,3-0,9 ng/m L. -� -
a: a:
<C
1 44
,
DE VOLTA AO P OBLEMA CLINICO
O quadro clínico deste capítulo é compatível com intoxicação dig itálica. Os
exames laboratoriais solicitados na avaliação inicial foram: digoxina sérica 6,4
ng/ml (VR: < 1 ng/ml) , Ur 84 mg/dl (VR: 20-40 mg/dl) , Cr 1 ,8 mg/dl (VR:
0 ,5-0,9 mg/dl) , K 3,4 mEq/L (VR: 3 ,5-5,5 mEq/L) , confirmando a hipótese
diagnóstica e evidenciando alterações que aumentam o risco de intoxicação
(perda de função renal e hipocalemia). O ECG em repouso evidenciou taqui-
cardia atrial com bloqueio atrioventricular variável e extrassístoles ventriculares
frequentes, arritmias típicas dessa nosologia.
Para essa paciente, assim como na maioria dos casos, o tratamento consiste
em suspensão da droga, monitoração e correção dos distúrbios eletrolíticas.
LEITURAS SUGERIDAS
Ahmed A, Gambassi G, Weaver MT, Young JB , Wehrmacher WH, Rich MW. Effects of
discontinuation of digoxin versus continuation at low serum digoxin concentrations in chron ic
heart fai lure. Am J Cardiol . 2007 Ju l 1 5 ; 1 00(2) :280-4.
Ahmed A, Pitt B , Rahimtoola SH, Waagstein F, White M , Leve TE, et ai . Effects of digoxin at
low se rum concentrations on mortal ity and hospitalization i n heart fail u re : a propensity
matched study of the D IG trial . l nt J Cardiol . 2008 Jan 1 1 ; 1 23(2) : 1 38-46.
L ibby P, Bonow RO, Mann DL , Z ipes D P. Brau nwald's heart d isease : a textbook of
cardiovascular medici ne . 8th ed. Phi ladelph ia : Sau nders Elsevier; 2007.
,
Lorga A, Lorga Fi lho A, D'Avila A, Rassi J r A, Paola AAV Pedrosa A, et ai . Di retrizes para
aval iação e tratamento de pacientes com arritmias cardíacas. Arq Bras Cardiol . 2002; 79(Su pi
5) : 1 -50.
Rathore SS, Cu rtis J P, Wang Y, Bristow MR, Krumholz HM. Association of se rum digoxin
concentration and outcomes in patients with heart fai lure. JAMA. 2003 Feb 19;289(7) :871 -
8.
Wal lach J . lnterpretation of diagnostic tests. 8th ed. Philadelphia: Lippi ncott Wi l l iams &
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SITES SUGERIDOS
Sociedade Brasi le i ra de Arritmias Cardíacas [I nternet]. São Pau lo : SOBRAC; c2010. Disponível em: http ://www.sobrac.org/
Sociedade Brasile i ra de Cardiologia [ I nternet] . Rio de Janeiro : SBC; c1 996-201 0. Disponível
em: http ://www.cardiol .br/
145
-
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CARDIOLOGIA
,
CAPITULO 1 0
,
GU I LHERME H E I D E N TELO
MARIANA VARGAS FU RTADO
,
PRO LEMA CLINI O
Paciente de 58 anos, do sexo feminino, hipertensa e dislipidêmica, procura
atendimento em serviço de emergência por quadro de dortorácica em repouso,
iniciada há cerca de 4 horas , com irradiação para braço esquerdo, associada
à sudorese e náuseas. No exame fís ico, apresentava-se ansiosa e taquicárdica,
sem outros achados. O eletrocardiograma da chegada era normal.
OMO L BORATÓRIO PO E AJUDAR NA AVALIAÇÃO DESSE PACIENTE?
Na avaliação de dor torácica aguda, a dosagem de marcadores de dano miocár
dico (CK-M B e troponinas) tem papel fundamental no diagnóstico e prognós
tico das síndromes coronarianas agudas (SCA) , especialmente nos casos em
que o eletrocardiograma não demonstra supradesnivelamento do segmento
ST (Fig. 1 O .1 ) .
Os exames laboratoriais na cardiopatia isquêmica devem ser divididos em
dois contextos: pacientes com síndromes coronarianas agudas para diagnós
tico de infarto agudo do miocárdio (IAM) e quadros crônicos na avaliação
ambulatorial de pacientes com cardiopatia isquêmica estável.
SÍNDROMES CORONARIANAS AGUDAS
Enzima creatinoquinase (CK). Níveis aumentados de CK podem ser observados
em pacientes com IAM após 4-8 horas do início dos s intomas, atingindo pico
sérico, em méd ia, em 24 horas. Após 2-3 d ias, observa-se q ueda dos níveis plas
máticos com normal ização dos valores. A elevação dos níveis de CK é um marcador
Dor torácica
ECG
• Supra ST • Normal
• BRE novo • Infra ST
• Inversão de T
IAM com supra ST Troponina *
Normal Aumentada
Angina instável IAM sem supra ST
Figura 1 0.1
Algoritmo para aval iação de dor torácica na emergência.
ECG, eletrocard iograma; ST, segmento 5-T; BRE , bloqueio de ramo esquerdo;
T, onda T; IAM, infarto agudo do miocárdio.
*Dosar na admissão e em 6-9 horas.
sensível de IAM e geralmente está d isponível na rotina da maioria dos hospitais.
Entretanto, não é um marcador específico, apresentando resultados falso-positivos
em pacientes com doença m uscular, intoxicação por álcoo l , trauma m usculoes
q uelético, exercício vigoroso, convu lsões, injeções intram usculares e na em boi ia
pulmonar. Por isso, em hospitais q ue d isponibi l izam marcadores de necrose mais
específicos, a dosagem de CK total não é recomendada.
Enzima creatinoquinase fração MB (CK-MB). A enzima CK-MB é um marcador
mais específico do q ue a CK total , pois é encontrada em menor quantidade em
outros sítios que não o m úsculo cardíaco . Deve ser dosada, quando d isponíve l , a
concentração da enzima (CK-MB massa) em vez da sua atividade, por ser mais
acurada para detectar lesão m iocárd ica. Entretanto, é menos sensível e específi
ca do que a troponina para o d iagnóstico de IAM. Quando a dosagem de troponina
está d isponíve l , dosar CK-MB parece ser útil apenas em algumas situações, como
em resultados falso-positivos de troponinas. A dosagem seriada de CK-MB de
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rotina pode ser útil , ainda, para estimar a extensão do infarto e no d iagnóstico de
reinfarto.
Troponinas. As troponinas são proteínas do com plexo m iofibrila rque apresentam
papel importante no processo de contração m uscular. São encontradas exclus iva
mente nos m úsculos cardíaco e esquelético, sendo formadas por três subunidades:
troponina C, troponina 1 e troponina 1 Como a troponina C apresenta conforma
ção idêntica nos m úsculos cardíaco e esquelético, não tem sido util izada no d iag
nóstico e prognóstico das síndromes isquêm icas agudas.
As d i retrizes atuais colocam as troponinas como o marcador padrão-ouro
para o d iagnóstico de IAM (uma med ida acima do percentil 99 do l im ite de
referência; 3 vezes acima do valor de referência para i nfarto re lacionado à
angioplastia; 5 vezes acima do valor de referência para infarto após cirurgia de
revascularização m iocárd ica), sendo mais sensíveis e específicas do que a CK-MB.
Como permanecem elevadas por cerca de 1 0 d ias, permitem a identificação tard ia
de i nfartos. Recentemente, tem sido ind icado seu uso tam bém para os reinfartos
- aumento > 20% entre duas med idas com intervalo de 3-6 horas.
Além do papel d iagnóstico, as troponinas são mu ito úteis na estratificação de
risco de pacientes com dor torácica, identificando subgrupos de intermed iário e
alto risco, que se beneficiam de estratégias terapêuticas mais agressivas.
Em bora sejam os marcadores mais específicos para o infarto do m iocárdio,
são descritas inúmeras cond ições capazes de elevar os valores das troponinas
(Quadro 1 0. 1 ) .
Troponina 1 - eleva-se em cerca de 3 horas, atinge o pico em 1 5 horas e
normal iza-se em 5-10 d ias, mais precocemente q ue a troponina T. Apresenta
Quadro 1 0.1
-
CONDIÇOES QUE PODEM ELEVAR AS TROPONINAS
1 nfarto agudo do miocárd io
Miocardite/pericard ite
Trauma cardíaco
Miosites/rabdomiól ise
1 nsuficiência card íaca
1 nsuficiência renal
Sepse
Tromboem boi ismo pulmonar
Choque
Toxicidade por drogas
1 48
sensibi l idade e especificidade em torno de 90 e 95% , respectivamente. Pare
ce ser menos influenciada pela insuficiência renal q ue a troponina T.
Troponina T - eleva-se em aproximadamente 4 horas, tem seu valor de pico
em 20 horas e atinge valores normais entre 10- 14 d ias. Os valores de sensibi
lidade e especificidade são de 85 e 90% , respectivamente.
Outros marcadores de necrose. A m ioglobina é um marcador precoce que pode
auxil iarem algumas situações específicas quando o paciente apresenta-se preco
cemente à emergência ( < 4 horas do início dos s intomas), salientando q ue e la
não é card ioespecífica, não sendo recomendada a dosagem de rotina. O uso de
outros marcadores bioquím icos não específicos util izados no passado, como ala
n ina-transam inase (TGP), aspartato-transam inase (TGO) e desidrogenase láctica
(LDH) devem ser evitados na prática contemporânea.
Proteína e-reativa. Diversos estudos sugerem q ue a proteína e-reativa possui
papel d i reto na fisiopatologia do desenvolvimento e progressão da ateroesclerose.
Observa-se uma correlação entre aumento de tropon ina e níveis de proteína
e-reativa, em bora uma significativa porcentagem dos pacientes sem elevação
de troponina possua aumento de proteína e-reativa. Níveis aumentados de
proteína e-reativa na adm issão, em pacientes com SeA sem supradesnivelamento
do segmento ST, conferem aumento de risco de 1 ,5 para morte ou IAM não fatal
em 30 d ias. Níveis > 1 0 m g/L são melhores pred itores no contexto da SCA,
enquanto valores > 3 ,0 mg/L em pacientes estáveis devem ser valorizados. Apesar
dos estudos sobre o valor prognóstico da proteína e-reativa na SeA, não existem ,
até o momento, evidências fortes que recomendem a util ização da proteína
e-reativa seriada para monitorar terapia ou atividade da doença com aplicabil i
dade prática.
Peptídeo natriurético atrial (BNP). A dosagem de BNP nos primeiros d ias após
um evento isquêm ico agudo pode ser utilizada como um marcador preditivo de
morbidade e mortalidade. Níveis de BNP > 80 pg/ml estão relacionados a maior
incidência de eventos na fase hospitalar, em 30 d ias e em 1 -2 anos. Ainda não há
evidência suficiente para uso clínico.
CARDIOPATIA ISQUÊMICA CRONICA
Os exames laboratoriais em pacientes crôn icos e estáveis são úteis em fornecer
informações sobre possíve is causas de isquem ia e d iagnosticar fatores de risco
associados.
A recomendação para todos os pacientes deve inclu ir: creatin ina sérica para
aval iação da função renal, assim como hemograma com pleto para pesquisar
anem ia e valor prognóstico da série branca. Na suspe ita de doença de tireoide,
sol icitar hormônios tireoidianos quepodem representar a causa da isquem ia.
Para pesq uisa de fatores de risco, sol icitar glicemia e perfil l ipídico de jejum
(colestero l total , colesterol HDL e triglicerídeos).
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O PR BLEM CLÍN ICO
No caso clínico deste capítulo, quadro compatível com angina instável, foram
solicitadas 2 dosagens de troponina T (intervalo de 8 h), com resultados de
O , 1 2 ng/ml e 1 ,08 ng/ml (valores de referência < O , 1 ng/ml) , estabelecen
do-se o diagnóstico de IAM sem supra de ST. Além da informação diagnósti
ca, a elevação da troponina nessa magnitude auxiliou na forma de estratifica
ção, que mais frequentemente é realizada por meio de cateterismo cardíaco
nessas situações.
LEITURAS SUGERIDAS
Andersen JL , Adams CD, Antman EM, Bridges CR, Califf RM, Casey DE J r et ai . ACC/AHA
2007 Gu idelines for the Management of Patients With Unstable Angina/Non-ST-Elevation
Myocardial lnfarction Executive Su mmary: A Report of the American College of Cardiology/
American Heart Association Task Force on Practice Guidel ines (Writ ing Committee to Revise
the 2002 Guidelines for the Management of Patients With Unstable Angina/Non-ST-Elevation
Myocardial l nfarction) Developed in Collaboration with the American College of Emergency
Physicians, the Society for Cardiovascu lar Angiography and lnterventions, and the Society
of Thoracic Su rgeons Endorsed bythe American Association of Cardiovascu lar and Pulmonary
Rehabil itation and the Society for Academic Emergency Medicine. J Am Coll Cardiol 2007
Apri l 14;50(7) :652-726.
Antman EM, Anbe DT, Armstrong PW, Bates E R, Green LA, Hand M, et ai . ACC/ AHA
gu idel ines for the management of patients with ST-elevation myocardial infarction : a report
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Acute Myocardial l nfarction) . Circu lation . 2004 Aug 3 1 ; 1 1 0(9) :e82-292.
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1 5 1
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CARDIOLOGIA
,
CAPITULO 1 1
,
JU LIANA G IL TH OME
LIVIA ADAMS GOLDRAICH
,
PRO LE A CLINI O
Paciente de 30 anos, do sexo masculino, assintomático e sedentário, procura
atendimento por apresentar preocupação devido à história familiar de cardiopa
tia isquêmica: seu pai faleceu por infarto agudo do miocárdio (IAM) aos 50
anos, e um dos irmãos apresentou episódio de IAM aos 42 anos.
OMO O LABORATÓR O PODE AJUDA NA AVALIAÇÃO DESSE PAC ENTE?
O paciente em questão não apresenta doença cardiovascular conhecida, mas
um fator de risco não modificável importante para o seu desenvolvimento,
que é a história familiar de doença aterosclerótica coronariana (DAC) precoce
em familiares de primeiro grau (antes dos 55 anos em homens e antes dos 65
anos em mulheres) . Portanto, nesses casos, é necessário abordar medidas
de prevenção primária, visando ao controle de fatores de risco modificáveis
adicionais e à redução do risco cardiovascular global. Além de anamnese e
exame físico, que inclua aferição da pressão arterial e medidas antropométricas,
é possível obter dados dos exames complementares, entre os quais, um dos
mais importantes é o perfil lipídico.
As dislipidemias raramente causam sintomas ou sinais clínicos, requerendo
exames laboratoriais para sua detecção. As principais manifestações clínicas
das dislipidemias são aterosclerose prematura, pancreatite e doença hepática
gordurosa não alcoólica, sendo que as duas últimas s ituações estão particu
larmente relacionadas à hipertrigliceridemia. As dislipidemias podem ser de
correntes de defeitos genéticos (dislipidemias primárias) ou adquiridos (disli
pidemias secundárias) no metabolismo das lipoproteínas , seja no aumento da
sua secreção hepática ou na redução do seu catabolismo.
O adequado reconhecimento e manejo das dislipidemias pode reduzir mortes
independentemente das causas, inclus ive as decorrentes de doenças cardio
vasculares. A relação entre a elevação do colesterol plasmático e a doença
vascular aterosclerótica preenche todos os critérios de causalidade. De ma
neira semelhante, as evidências de que a sua redução determina diminuição
do risco cardiovascular são inequívocas. A redução dos níveis de colesterol
total (CT) e de LDL-colesterol (LDL) são acompanhadas de diminuições de
20-25 % na incidência de eventos relacionados à DAC. Embora a diminuição
do HDL-colesterol (HDL) e a elevação dos triglicerídeos (TG) plasmáticos tam
bém estejam relacionadas à elevação do risco cardiovascular, tal associação
apresenta magnitude inferior à dos níveis de CT e de LDL.
PERFIL LIPÍDICO
O colesterol é um com ponente essencial na estrutura das mem branas celulares e
fornece substrato para a síntese de hormônios estero ides e de ácidos bi l iares,
enquanto as principais funções dos TG são armazenamento de gordura pelo
tecido ad iposo e util ização de energia pelo m úsculo. Am bas as molécu las de
colesterol e de TG necessitam de incorporação a l ipoproteínas para que se tornem
solúveis no plasma. As l ipoproteínas são estruturas macromoleculares com plexas
q ue perm item a solubi l ização e o transporte dos l ipídeos, sendo com postas por
um envelope de fosfol ipídeos e colesterol l ivre, um núcleo de triglicerídeos ou
ésteres de colesterol e uma molécula proteica (apol ipoproteína). A com posição
das principais l iproproteínas plasmáticas está descrita na Tabela 1 1 . 1 . As apoli
poproteínas possuem d iversas funções no metabol ismo das l ipoproteínas : for
mação intracelular das partículas lipoproteicas, l igação a receptores de mem brana
e atuação como cofatores enzimáticos. A l ipoproteína(a) resulta da l igação cova
lente de uma partícula de LDL à apo l ipoproteína(a) , que é estruturalmente ho
móloga ao plasm inogênio.
O perfil l ipídico é definido pelas determ inações bioquím icas de CT e de suas
frações: colesterol l igado à HDL, TG e colestero l l igado à LDL. A determ inação
do perfil l ipídico deve ser realizada após 1 2- 1 4 horas de jejum em ind ivíd uos
com d ieta habitual, estado metabólico e peso estáveis por pelo menos duas sema
nas antes do exame. Além d isso, devem-se evitar atividade física vigorosa e ingesta
de álcool nas 24 e 72 horas que antecedem a coletade sangue, respectivamente.
Na interpretação dos valores, deve-se considerar a média de duas medidas d iferen
tes, para evitar variações laboratoriais. Recomenda-se a dosagem periódica do
perfil l ipídico a partir dos 20 anos, em intervalos de 5 anos.
1 53
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-
e
DISLIPIDEMIAS
�
� Tabela 1 1 .1
- , ,
COMPOSIÇAO DAS L I POPROTEINAS PLASMATICAS
Lipoproteína
Quilomícrons
VLDL
I D L
LDL
H D L
Lipoproteína(a)
Origem
I ntestino
F ígado
VLDL
I D L
Fígado , intestino
F ígado
Densidade (g/ml)
< 0,95
< 1 ,006
1 ,006- 1 , 0 1 9
1 ,019-1 ,063
1 ,063-1 , 2 1 0
1 ,05 1 - 1 ,082
Proteína (%)
1 -2
1 0
1 8
25
40-55
30-50
Lipídeos predominantes
Triglicerídeos
Triglicerídeos
50% Triglicerídeos
,
50% Esteres de colesterol
,
Esteres de colesterol
,
Esteres de colesterol
,
Esteres de colesterol
Apo 1 i po proteína
principal
B-48
B- 1 00
B- 1 00
B - 1 00, E
A- 1 A- l i r
B- 1 00, (a)
COLESTEROL TOTAL
Os níveis de CT, portanto, refletem a soma de suas frações: HDL, IDL, VLDL e LDL.
Valores de CT < 200 mg/dl são desejáveis, enquanto níve is � 240 mg/dl são
considerados elevados.
LDL-COLESTEROL
O LDL pode ser calculado pela equação de Friedewald (Fig. 1 1 . 1 ) ou d iretamente
mensurado no plasma. Em pacientes com hipertrigliceridem ia (TG superiores a
400 mg/dl), hepatopatia colestática crônica, d iabete melito ou síndrome nefrótica,
a eq uação é imprecisa, devendo-se obter o valor do LDL por dosagem d i reta.
Níveis superiores a 1 60 mg/dl caracterizam a hipercolesterolem ia, mas os alvos
terapêuticos variam com a presença de fatores de risco card iovasculares, de DAC
estabelecida ou situações de risco equ ivalentes (Tab. 1 1 .2) . Cada e levação de
1 m g/dl de LDL está associada a um aumento de 2-3% no risco de DAC.
HDL-COLESTEROL
O HDL tem propriedades antiaterogênicas que incluem transporte reverso de
colesterol , funções antioxidante e antitrom bótica, e manutenção da função endo
telial. O efeito global de tais propriedades protetoras é de q ue há uma relação
inversa entre os níveis de HDL e o risco card iovascu lar. Consideram -se valores
recomendados de HDL para homens e mu lheres níveis plasmáticos � a 40 e 50
m g/dl, respectivamente.
TRIGLICERÍDEOS
Níveis elevados de TG estão relacionados ao aumento do risco de DAC. Considera
se hipertrigliceridemia uma elevação � 1 50 mg/dl, que reflete o aumento do
LDL CT - HDL - TG/5*
*TG/5 representa o colesterol ligado a VLDL.
Figura 1 1 .1
Equação de Friedewald (LDL calculado).
A equação pode ser uti l izada quando TG < 400 mg/dl.
1 55
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-
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Tabela 1 1 .2
...
CATEGORIAS DE RISCO CARDIOVASCULAR E ALVOS TERAPEUTICOS
DE LDL
Categoria de risco CV* Alvo de LDL (mg/dl)
DAC ou equivalentes < 70- 1 00
Risco cardiovascular > 20% em 1 O anos, d iabete
melito, doença aterosclerótica em outros territórios,
i nclu indo doença vascular periférica, aneurisma
de aorta abdominal e doença carotídea sintomática**
Risco card iovascular � 20% em 1 O anos < 1 30
Múltiplos fatores de risco card iovascular (� 2)
Risco card iovascular < 1 0% em 1 O anos < 1 60
0-1 fator de risco cardiovascular
* Risco cardiovascular estimado de acordo com o escore de Framingham.
** Algu mas di retrizes consideram insuficiência renal crônica como situação de risco
equivalente de DAC.
CV, cardiovascu lar.
volume de partículas ricas em TG , como VLDL, IDL e qu i lomícrons. Valores entre
1 50-199 m g/dl são considerados l imítrofes, enquanto dosagens � 200 m g/dl e
� 500 mg/dl são interpretadas, respectivamente, como elevadas e m uito eleva
das. O risco de pancreatite aguda aumenta sign ificativamente a partir de 2 .000
mg/dl, sendo que o ideal para evitar episódios recorrentes nessa s ituação é manter
níveis de TG < 1 .000 m g/dl.
LIPOPROTEÍNAS Lp(a), APO A-1 E APO B
As concentrações plasmáticas de Lp(a) podem d iferir significativamente entre
ind ivíduos, variando desde valores indetectáveis até 200 m g/dl. Os níveis plas
máticos de Lp(a) são determ inados quase que exclusivamente por variações ge
néticas e estão associados a um aumento no estado pró-trom bótico e aterogênico.
Estudos demonstram q ue a redução do LDL em ind ivíduos com níveis e levados
de Lp(a) pode ser uma estratégia efetiva para prevenir a progressão da ateros
cle rose e para dim inuir eventos coronarianos. No entanto, as evidências de q ue
terapêuticas visando à redução de Lp(a) dim inuem o risco card iovascular são
insuficientes, de modo que a sua dosagem de rotina não está ind icada. Além
d isso, os numerosos pol imorfismos da apolipoproteína(a) e as l imitações da me
todo logia de sua dosagem d ificultam a sua util ização.
1 56
Em relação às apoliproproteínas A-1 e B, o elevado custo e a ausência de
informação adicional cl inicamente relevante na maioria dos ind ivíd uos l im itam a
util ização de suas determ inações na prática méd ica. Portanto, como rotina, essas
dosagens não são indicadas para avaliação ou estratificação do risco card iovascular.
PROTEÍNA C REATIVA
A proteína C reativa, que é um marcador bio lógico inflamatório de fase aguda,
vem crescentemente emergindo como im portante fator de risco card iovascular e
parece auxil iar na defin ição de estratégias terapêuticas em ind ivíduos com esti
mativas de risco baixo ou moderado . Estudo experimental controlado recente
demonstrou o seu papel aditivo ao evidenciar benefício do uso de estatina em
ind ivíd uos sem d isl ipidem ia (LDL < 1 30 m g/dl) e com proteína C reativa � 2
m g/L na prevenção primária de morte ou eventos card iovasculares maiores.
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL E EXAMES ESPECÍFICOS
Em ind ivíduos com d isl ipidem ia, causas secundárias devem ser consideradas na
aval iação in icial e excluídas por meio de exames laboratoriais específicos (Tab.
1 1 .3) . Quando há identificação de causas secundárias, essas devem ser adequa
damente tratadas, sendo que o manejo da d is l ipidem ia associada visa a atingir
alvos terapêuticos estabelecidos de acordo com o risco card iovascular do paciente.
Tabela 1 1 .3
,
PRINCIPAIS CAUSAS DE DISLIPIDEMIA SECUNDARIA
Etiologia
Alcoolismo
Diabete melito
Doença hepática
colestática
Hipotireoidismo
Padrão de dislipidemia
i TG
i TG, .1 HDL
i CT
i LDL, .1 HDL, i TG
Investigação laboratorial
y-gl utami 1 tran sferase,
transferrina deficiente
em carboidratos
Glicemia de jejum,
curva glicêmica
Provas hepáticas
Ti reotrofina (TSH)
{Continua)
1 57
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-e..
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Tabela 1 1 .3 (continuação)
,
PRINCIPAIS CAUSAS DE DISLIPIDEMIA SECUNDARIA
Etiologia
1
1 nsuficiência renal " . cronica
Síndrome nefrótica
Padrão de dislipidemia
.!. HDL, i TG
i LDL, i TG, .!. HDL
Investigação laboratorial
Creatinina para cálculo da
taxa de fil tração glomerular
estimada (TFGe)
Proteinúria, ai bumina sérica
Medicamentos N D
Ácido valproico .!. HDL, i TG
Anabolizantes i LDL, .!. HDL
Antirretrovirais .!. HDL, i TG
Betabloqueadores .!. HDL, i TG
Corticoides i HDL, i TG
Diuréticos tiazíd icos i LDL, .!. HDL, i TG
Estrógenos .!. LDL, i HDL, i TG
I n i bidores da protease i TG
1 ni bidores da i LDL, i HDL, i TG
calcineu ri na
Progestágenos i LDL, .!. HDL, i TG
Retinoides .!. HDL, i TG
Tacrol imus i LDL, i HDL, i TG
N D, não disponível ; a i nvestigação laboratorial que pode relacionar o uso de medica
mentos à ocorrência de disl ipidemia depende do contexto clínico.
1 58
DE VOLTA O PROBLEM LÍN IC
A dosagem do perfil lipídico do paciente revelou: CT = 220 m/dl, TG = 1 40
mg/dl, HDL = 43 mg/dl e LDL calculado = 1 49 mg/dl. Dessa forma, em
bora os valores encontrados não estejam dentro da faixa desejável, particular
mente de CT e de HDL, a orientação terapêutica para redução do risco cardio
vascular global é de medidas não farmacológicas, não havendo indicação de
estratégiafarmacológica no momento. Nesse caso, a avaliação do perfil lipí
dico e a estratificação do risco cardiovascular devem ser realizadas periodi
camente, considerando potencialmente o uso adicional da proteína e reativa.
LEITURAS SUGERIDAS
Expert Panei on Detection, Evaluation , and Treatment of High Blood Cholesterol in Adults.
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1 59
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,
CAPITULO 1 2
L IVIA ADAMS GOLDRAICH
MARCELLE D UARTE ALVES
PRO LEMA CLINI O
CARDIOLOGIA
Paciente do sexo masculino, de 45 anos, procurou atendimento por quadro
de astenia, febre vespertina e emagrecimento com evolução de 3 semanas.
Negava história de comorbidades conhecidas. No exame, apresentava bom
estado geral, mas mucosas hipocoradas e sopro holossistólico audível em
região apical. Uma ecocardiografia transtorácica demonstrou a presença de
valvulopatia mitral de aspecto reumático com insuficiência valvular de grau
moderado e imagem sugestiva de vegetação.
COMO O LABORATÓRIO PODE AJ DAR NA AVALIAÇÃO DESSE ACIENTE?
Esse caso clínico é uma ilustração de apresentação clínica frequente de en
docardite infecciosa. O diagnóstico definitivo é baseado na presença de acha
dos clínico-laboratoriais de acordo com os critérios de Duke modificados.
Exames laboratoriais podem auxiliar tanto no diagnóstico do quadro infeccioso
como na identificação do agente etiológico. Embora o quadro clínico e os
fatores de risco geralmente sugiram os germes mais frequentemente envolvidos
(Tab. 1 2 . 1 ) , a tentativa de isolar o microrganismo deve fazer sempre parte da
avaliação laboratorial de um paciente com suspeita de endocardite infecciosa,
por permitir um tratamento antimicrobiano específico precoce.
HEMOCULTURAS
Número de amostras. Devem ser coletadas, no mínimo, 3 amostras em um perío
do de 24 horas. Um número maior de amostras pode ser necessário se o pacien
te utilizou antibióticos nas duas semanas anteriores ao momento da coleta.
Tabela 12.1
AGENTES INFECCIOSOS CAUSADORES DE ENDOCARDITE
Agente infeccioso
1
Staphy/ococcus aureus
Staphy/ococcus
coagu !ase-negativo
Streptococcus viridans
Streptococcus bovis
Outros S treptococci
Enterococcus sp.
HACEK*
Fungos
Válvulas nativas
Usuários
de drogas
intravenosas
68%
3 %
1 0%
1 %
2%
5 %
o
1 %
I nfecções polimicrobianas 3%
Outros, incluindo
bacilos Gram-negativos
Cultu ras negativas
3 %
5 %
Não usuários
de drogas
intravenosas
28%
9%
2 1 %
7%
7%
1 1 %
2%
1 %
1 %
4%
9%
Próteses
valvulares e
dispositivos
intracardíacos
30%
20%
1 0%
4%
5%
8 %
1 %
3 %
0,5%
7%
1 2 %
*Grupo HACEK: Haemophi/us parainf/uenzae, Haemophi/us aphrophi/us, Haemophi/us
paraphrophi/us, Haemophi/us influenzae, Aggregatibacter (anteriormente Actinobac1//u5)
actinomycetemcomitans, Kinge//a kingae e Kinge//a denitrificans.
Fonte: Adaptada de Murdoch e colaboradores (2009) .
Cuidados com a coleta. Cada amostra de hemocultura deve ser obtida a partir de
um sítio diferente de punção vascular, não havendo diferenças entre coletas venosas
ou arteriais. As quantidades recomendadas são de 1 0-20 m L de sangue em pacientes
adultos e de 0,5-5 m L em crianças. Não há necessidade de coletar amostras duran
te períodos de febre ou calafrios, pois, na endocardite, a bacteremia é constante.
Meios de cultura. Em geral, podem-se utilizar os mesmos meios usados nas he
moculturas convencionais, não havendo necessidade de suplementação. No caso
de crescimento de cocos G ram -positivos que não cresçam em subcultivo, a pos-
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sibi l idade de Streptococcuscom deficiências nutricionais deve ser considerada, e
o subcultivo deve ser realizado em meio adequado. O sistema de cultura auto
matizada com monitoração constante do crescimento é superior aos métodos
mais convencionais. As amostras devem ser mantidas em cu ltivo por 3-4 semanas
para perm itir a identificação de bactérias de crescimento lento.
Endocardite com hemoculturas persistentemente negativas. É defin ida como a
ausência de crescimento em pelo menos 3 amostras coletadas separadamente
após um período mínimo de 7 d ias de incubação. Ocorre em 2-7% dos casos de
endocard ite infecciosa e geralmente é decorrente da infecção por m icrorganismos
de crescimento lento, como fungos, anaeróbios, m icrorgan ismos intracelulares
obrigatórios ( Coxie//a, Chlamydia, Tropheryma whippe/i1) e algumas bactérias
Gram -negativas. Outros fatores (Quadro 1 2 . 1 ) tam bém são associados à en
docard ite com hemocultura negativa, particularmente o uso prévio de antibió
ticos. As hemoculturas com centrifugação e lise podem ser úteis na identificação
de germes intracelulares. Culturas de medula óssea e de urina raramente são
positivas se as hemoculturas são negativas.
As bactérias do grupo HACEK (ver Tab. 1 2. 1 ) necessitam de 2-3 semanas
para crescimento e podem não ser identificadas in icialmente, sendo equivocada
mente diagnosticadas como endocard ite com hemoculturas negativas. Entretanto,
a suplementação do me io de cultura com ágar chocolate e o aumento da
concentração de d ióxido de carbono são m uitas vezes necessários para o cresci
mento; portanto esses proced imentos devem ser real izados de rotina em casos
de endocardite com hemoculturas negativas.
HEMOGRAMA
A anem ia normocítica e normocrômica de evolução progressiva é característica,
sendo que o padrão de metabo lismo do ferro é o mesmo identificado em anemia
de doenças crônicas. Raramente, pode haver anem ia hemolítica com teste de
Coom bs positivo.
LEUCOGRAMA
O leucograma é normal em cerca de 50% dos pacientes e, eventualmente , pode
ocorrer leucopenia. A elevação da contagem de leucócitos superior a 1 5.000/mm3
sugere a presença decom pl icações em ból icas. A monocitose pode ser acentuada.
MARCADORES IMUNOLÓGICOS
A elevação dos títulos de fator reumatoide é um dos critérios menores da defin ição
de Duke mod ificada e ind ica a ativação im uno lógica que pode estar presente nos
pacientes com endocard ite infecciosa. Os fenômenos vasculares imunológicos
1 62
Quadro 12.1
FATORES DE RISCO PARA ENDOCARDITE INFECCIOSA COM
HEMOCULTURAS PERSISTENTEMENTE NEGATIVAS
- Curso clínico su bagudo
- Envolvimento de cavidades d ireitas
- Microrganismo de crescimento lento
- Próteses valvulares, marcapassos e outros dispositivos cardíacos implantáveis
- Uremia
- Uso recente de anti bióticos
são mais característicos da endocardite subaguda, pois os casos agudos podem
apresentar evolução mu ito rápida no desenvolvimento desses fenômenos. De
maneira sim i lar, a ativação vascular im unológica é mais frequente no acometi
mento das válvulas de cavidades esq uerdas do q ue d ireitas.
Além da positivação do fator reumatoide, que é identificada em 25-50% dos
casos, pode ocorrer elevação das gamaglobul inas, presença de crioglobul inas e
resultados falso-positivos em exames soro lógicos para lues. Além d isso, a dosagem
de fatores do com plemento encontra-se red uzida em alguns pacientes e está
associada ao desenvolvimento de glomerulonefrite. No entanto, em bora esses
testes possuam correlação com a atividade da doença, não são recomendados
para o d iagnóstico e/ou monitoração do tratamento da endocardite infecciosa,
em virtude de custo e levado e baixa acurácia nesse contexto .
MARCADORES INFLAMATÓRIOS
A inclusão de marcadores inflamatórios, como velocidade de sed imentação glo
bular e proteína C reativa, entre os critérios menores de Duke para a defin ição de
endocardite infecciosa, já foi proposta, embora ainda não incorporada formal
mente. A inclusão da dosagem desses marcadores pode aumentar a sensibi l idade
do d iagnóstico em até 1 0 % , sem redução na especificidade. No entanto, é im
portante lem brar que pacientes com endocard ite infecciosa, particularmente aque
les com apresentação clínica subaguda, podem possuir hemoculturas positivas
por um tem po prolongado antes do surgimento de síndrome da resposta i nfla
matória s istêm ica e consequente elevação de marcadores inflamatórios, de modo
q ue a suspeita clín ica é fundamental.
Velocidade de sedimentação globular (VSG). Encontra-se elevado em pratica
mente todos os pacientes, em valores próximos a 55 m m/h. Geralmente ex iste
uma relação d i reta entre o VSG e a gravidade da evolução da endocard ite .
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Proteína C reativa. A proteína C reativa apresenta d iversas vantagens em re lação
à VSG como marcador inflamatório. Além de não sofrer influência de tamanho,
forma e número de hemácias, possui uma depuração mais rápida, perm itindo a
detecção mais precoce da queda de seus níveis. No entanto, seus valores apre
sentam uma especificidade mu ito baixa e nunca devem ser utilizados como ún ica
ferramenta d iagnóstica em doenças infecciosas. Na interpretação dos seus níveis,
é importante considerar q ue a magnitude da elevação da proteína C reativa em
processos inflamatórios ou auto imunes tende a ser menor do que em infecções
bacterianas sistêm icas como a endocardite.
Além de pred izer o d iagnóstico e a severidade de infecções bcaterianas, essa
proteína vem sendo estudada como guia de resposta à terapêutica antibiótica.
No entanto, em bora a monitoração de seus níveis tenha se tornado rotineira na
prática clínica, particularmente em situações como na endocard ite infecciosa,
ainda não existem recomendações para mod ificações do tratamento baseado no
seu com po rtam e nto.
,
Pró-calcitonina. E um precursor circulante do hormônio calcitonina q ue parece
ser superior à proteína C reativa no d iagnóstico de infecções bacterianas sistêm icas,
particularmente da endocard ite, na qual o ponto de corte de 2,3 ng/m L de
monstrou ser o mais acurado (sensibi l idade de 81 % , especificidade de 85% e
valor preditivo negativo de 92%). Sua elevação precoce, apesar de tratamentos
com im unossupressores e associação sign ificativa com prognóstico tam bém são
� aspectos favoráveis para a util ização da pró-calcitonina nesse contexto.
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EXAME QUALITATIVO DE URINA (EQU)
Leucocitúria, proteinúria e/ou hematúria são achados com uns identificados em
cerca de 50% dos pacientes. Sugere-se que a presença de hematúria m icroscópica,
extremamente frequente, deveria ser incorporada nos critérios menores de Duke,
pela associação com envo lvimento renal por mecanismos im uno lógicos (o de
senvolvimento de glomerulonefrite faz parte dos critérios menores da defin ição
,
de Duke mod ificada). E importante, contudo, considerar que o achado mais es-
pecífico para glomerulonefrite é a presença de ci l indros hemáticos, e a hematúria
pode estar relacionada não apenas a glomerulonefrite, mas também a fenômenos
emból icos renais. A proteinúria é um achado quase que invariavelmente presente.
No entanto, o desenvolvimento de síndrome nefrótica e insuficiência renal é
i nfreq ue nte.
OUTROS EXAMES ESPECÍFICOS
Biologia molecular. A PCR pode auxiliar no d iagnóstico de infecções por Bartone//a,
ou Tropheryma whippe/iie vem sendo utilizada com frequência crescente. Contu
do, a sensibi l idade do exame é baixa em amostras de sangue periférico, deven
do-se utilizar tecido valvar sem pre que d isponíve l.
1 64
Cultura de tecido e/ou prótese valvular. É recomendada sem pre que o paciente
for submetido a tratamento cirúrgico.
Sorologias. Títulos de anticorpos lgG > 1 /800 para Coxie//a burnettisão consi
derados critério maior para o d iagnóstico de endocard ite infecciosa pela defin ição
de Duke. Sorologias para Bartone//a quintana e Tropheryma whippe/iitam bém
podem ser util izadas como ferramentas d iagnósticas. No entanto, reações cruza
das entre Bartone//a e Chlamydia são frequentes em testes sorológicos.
,
DE VOLTA A PROBLEMA CLINIC
No caso clínico do paciente citado no início do capítulo, a avaliação laboratorial
inicial demonstrou anemia com ferro sérico diminuído e ferritina elevada, leuco
grama pouco expressivo, fator reumatoide positivo com título de 1/1 5 Ul/ml,
VSG de 70 mm/h e proteína e reativa de 53 mg/L. O EQU evidenciou a presença
de hematúria e proteinúria leves , mas a função renal era normal. As três amos
tras de hemoculturas periféricas coletadas evidenciaram o crescimento de
Streptococcus viridans, tendo sido modificado o esquema de antibióticos inicia
do empiricamente para penicilina G e gentamicina.
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1 66
,.
CAPITULO 1 3
ERLON OL IVE IRA DE ABREU S I LVA
, , A
JUL IO CESAR CORREA MARTINS
,.
O PROBLEMA CLINICO
CARDIOLOGIA
Paciente de 55 anos, do sexo masculino, vem à consulta médica com pressão
arterial de 1 62/1 00 mmHg. Valores elevados de pressão arterial já haviam
sido aferidos em consultas anteriores. Trata-se de paciente tabagista, com
aumento da circunferência abdominal, com pai e mãe com história de hiperten
são e já falecidos.
COM O O LABORATÓR O PODE AJUDAR NA AVALIAÇÃO DESSE AC ENTE?
Em um paciente com níveis pressóricos persistentemente elevados (� 140/90
mmHg), como o do caso apresentado, faz-se necessária uma avaliação clíni
co-laboratorial para identificar fatores de risco cardiovascular concomitantes,
lesões em órgão-alvo, etc . ; além da obtenção de parâmetros que ajudarão
nas decisões terapêuticas a serem tomadas . O Quadro 1 3 .1 apresenta a a valia
ção laboratorial inicial do paciente hipertenso.
EXAME QUALITATIVO DE URINA (EQU)
A presença de anormalidades no EQU apresenta-se como ferramenta útil na
detecção de indícios de doenças associadas à hipertensão arterial sistêm ica (HAS),
ou de manifestações de descompensação ou controle inadequado destas. Por
exem plo, a presença de glicosúria ou cetonúria em d iabéticos não controlados;
proteinúria em pacientes com dano renal - seja ela conseq uente da HAS, do
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Quadro 1 3.1 - -
AVALIAÇAO LABORATORIAL INICIAL EM HIPERTENSAO ARTERIAL
"
SISTEMICA
Exame qual itativo de urina (EQU)*
Glicemia de jejum**
Hematócrito
Potássio
Creatin ina * * *
Cálcio
Perfil l ipídico****
,
Acido úrico
* Pacientes h ipertensos diabéticos, h ipertensos com síndrome metabólica e h ipertensos
com três ou mais fatores de risco: recomenda-se pesquisa de microalbumin ú r ia- índice
a lbumina/creati n i na em amostra isolada de ur ina (mg de albumina/g de creatinina ou
mg de albumina/mmol de creatinina) : Normal < 30 mg/ g ou < 2,5 mg/mmol ; Microal
buminúr ia: 30 a 300 mg/g ou 2 ,5 a 25 mg/mmol).
** Pacientes com glicemia de jejum entre 100 e 1 25 mg/dl: recomenda-se determinar
a gl icemia 2 horas após sobrecarga oral de glicose (75 g) .
*** Calcular a taxa de filtração glomerular estimada (TFGe) pela fórmula de Cockroft
Gault: TFGe (ml/min) = [140 - idade] x peso (kg)/creatinina plasmática (mg/dl) x
72 para homens; para mu lheres, mu ltip l i car o resu ltado f inal por 0,85. I nterpretação :
função renal normal : > 90 ml/min ; disfunção renal leve : 60-90 ml/min ; disfunção
renal moderada: 30-60 ml/min, disfunção renal grave : 15-30 ml/mi n ; disfunção renal
muito grave: < 1 5 ml/min .
**** O LDL é calculado pela fórmula: LDL = colesterol total - HDL - triglicerídeos/5
(quando a dosagem de triglicerídeos for abaixo de 400 mg/dl) .
d iabete mel ito (DM) ou da doença renal primária. A mensuração da secreção
urinária de album ina, seja pelo índice proteinúria/creatininúria (IPC) em amostra
ou pela mensuração da album inúria em 24 horas, é opcional na avaliação in icial
dos hipertensos em geral ; exceto nos d iabéticos e doentes renais crônicos, nos
quais se devem realizar med idas anuais. Sabe-se que a proteinúria, incluindo m i
croalbuminúria (30-299 mg/24 h), mesmo em valores normais de taxa de fi ltração
glomerular estimada (TFGe), está associada a risco card iovascular aumentado.
1 68
GLICEMIA DE JEJUM
,
E o exame de rastreamento para DM ou into lerância à glicose/glicemia de jejum
alterada. Sabe-se que o risco card iovascular é aumentado em ind ivíd uos d iabéti
cos e potencial izado quando de sua coexistência com hipertensão. Uma med ida
de glicem ia de jejum > 1 25 mg/dl deve ser seguida de nova aferição. Em caso
de novo resultado > 1 25 m g/dl, o d iagnóstico de DM está firmado. No entanto,
valores intermed iários (entre 1 00-1 25 m g/dl) caracterizam glicemia de jejum
alterada. Valores de glicemia de jejum nessa faixa devem ser seguidos do teste
de to lerância oral à glicose com 75 g (TTOG 75 g).
HEMATÓCRITO (Ht)
Valores alterados de hematócrito podem ser indício de doenças de caráter evolutivo e
crônico causadoras de níveis pressóricos elevados ou apenas associados à HAS.
POTÁSSIO (K)
Níveis sé ricos do íon potássio podem fornecer informações q ue nos auxil iarão no
d iagnóstico e no planejamento terapêutico de ind ivíd uos com hipertensão arte
rial. Por exem plo, a hipocalemia é indício favoráve l ao d iagnóstico de hiperaldos
teron ismo primário, principal causa de hipertensão secundária. Entretanto,
h ipercalem ia é achado usual na doença renal crônica ou pode se dever ao uso de
anti-hipertensivos, como os in ib idores da enzima conversora de angiotensina ou
os bloq ueadores dos receptores de angiotensina.
CREATININA (Cr) OU TFGe ESTIMADA
Valores alterados de creatinina são ind icativos de perda de função renal, seja ela
de natureza aguda ou crônica. Cabe ressaltar a marcada ocorrência de valores
dentro da normalidade em idosos ou ind ivíduos com baixo índ ice de massa corpo
ral , em bora portadores de insuficiência renal. Assim sendo, a estimativa da TFG
deve ser real izada rotineiramente na avaliação da função renal por meio das fór
m ulas de Cockroft-Gault ou Modification of Diet in Renal Disease (MDRD).
CÁLCIO (Ca)
Perda crôn ica de função renal, h iperparatireo id ismo ou o uso crôn ico de d iuréticos
tiazídicos podem causar alteração dos níveis do íon cálcio (hipercalcem ia), moti
vo pelo qual sua mensuração se justifica na aval iação usual do hipertenso.
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PERFIL LIPÍDICO
O papel do colestero l e de suas frações (HDL e LDL), e tam bém dos triglicerídeos,
já está bem determ inado na gênese da aterosclerose, na doença de base da
card iopatia isquêm ica e da doença cerebrovascular e no aumento do risco car
d iovascular. Ind ivíduos hipertensos e d is l ipidêm icos devem ser tratados conforme
as recomendações vigentes, tanto com med idas não farmacológicas q uanto com
med icações, tendo em vista seu com provado benefício.
ACIDO ÚRICO
Hiperuricem ia é um dos efeitos adversos decorrentes do uso de d iuréticos tiazí
d icos, o fármaco de primeira escolha no tratamento anti-hipertensivo. Além d isso,
a literatura traz evidências que sugerem relação positiva entre hiperuricem ia e
ocorrência de síndrome metabólica. Esses são os motivos pelos quais sua dosagem
é recomendada de rotina na avaliação in icial de ind ivíduos h ipertensos.
1 70
,
DE V LTA AO P OBLEMA LIN ICO
Alguns ind ivíduos apresentam causa identificável , passível ou não de correção,
para os níveis pressóricos elevados . H ipertensão secundária tem sua preva
lência estimada em torno de 3-10%.
O Quadro 1 3.2 resume as condições nas quais se deve suspeitar de hipertensão
de causa identificável. Entretanto,antes de se prosseguir na investigação,
deve-se fazer o d iagnóstico diferencial com as seguintes possibilidades: medida
inadequada da pressão arterial; hipertensão do avental branco; tratamento
inadequado; não adesão ao tratamento; progressão da doença; presença de
comorbidades ou interação com medicamentos. Os testes de rastreamento
para as diversas causas de hipertensão secundária são mostrados na Tabela
1 3.1 .
Para o paciente apresentado no início deste capítulo foram solicitados exames
laboratoriais (EQU, creatinina, cálcio, potássio, hematócrito, ácido úrico, perfil
lipídico e glicemia de jejum), eletrocardiograma e raio X de tórax como exames
subsidiários de avaliação inicial. Os resultados foram níveis elevados de coles
terol total (> 200 mg/dl) e sinais eletrocardiográficos de sobrecarga ventri
cular esquerda. Considerando-se a faixa etária, a história familiar fortemente
positiva e a ausência de um quadro clínico e alterações laboratoriais sugestivas
de hipertensão secundária, esse paciente foi diagnosticado com hipertensão
essencial e recebeu orientações de controle da ingestão de sódio e gorduras,
cessação de tabagismo, início de atividade fís ica supervisionada, uso de medi
cações anti-hipertensivas e seguimento médico.
Quadro 1 3.2
- , - ,
CONDIÇOES CLINICAS INDICATIVAS DE HIPERTENSAO SECUNDARIA
I n ício da h ipertensão antes dos 30 anos ou após os 50 anos de idade
Hipertensão arterial grave e/ ou resistente à terapia
Tríade do feocromocitoma: palpitações, sudorese e cefaleia em crises
Uso de medicamentos e d rogas que possam elevar a pressão arterial
Fácies ou biotipo de doença que cursa com hipertensão
Presença de massas ou sopros abdominais
Assimetria de pulsos
Perda de função renal
Hipocalemia
Exame de u rina anormal (proteinúria ou hematúria)
Sintomas sugestivos de apneia do sono
Tabela 13.1
, -
TESTES DE RASTREAMENTO DE CAUSAS IDENTIFICA VEIS DE HIPERTENSAO
Causa
Nefropatia crônica
Síndrome de Cushing
Hiperaldosteronismo primário
Hipertensão renovascular
Apneia do sono
Feocromocitoma
Coarctação da aorta
Distúrbio de tireoide/paratireoide
Exame subsidiário
TFGe
Cortisolú ria de 24 h , teste de
supressão com dexametasona,
cortisol salivar à meia-noite
Relação aldosterona/renina
Eco Doppler de artérias renais;
Angiorressonância de artérias renais
Polissonografia
Metanefrinas em urina de 24 h
Angiotomografia da aorta
TSH; PTH
TFGe, taxa de fi ltração glomerular estimada; TSH, hormôn io estimulante da tireoide ;
PTH, paratormônio.
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1 72
CARDIOLOGIA
,
CAPITULO 1 4
L IVIA ADAMS GOLDRAICH
,
ANDREIA B I OLO
,
O PROBLEMA LIN I
Paciente de 55 anos, do sexo masculino, procurou atendimento por quadro
progressivo de dispneia aos esforços , ortopneia e fadiga nos últimos 3 meses.
Na história pregressa, relatava hipertensão arterial sistêmica de longa data
em tratamento com diurético tiazíd ico. No exame clínico, apresentava pressão
arterial de 100/80 mmHg, frequência cardíaca de 94 bpm, taquipneia leve em
repouso, turgência venosa jugular e edema simétrico de extremidades inferiores.
A ausculta cardiopulmonar revelou a presença de terceira bulha, sopro s istólico
apical e crepitantes em bases pulmonares.
COMO O LABORATÓRI PODE AJUDA NA AVALI ÃO DESSE PACIENTE?
Embora o d iagnóstico sindrômico de insuficiência cardíaca (IC) seja eminente
mente clínico, e o principal exame complementar que auxilia na avaliação da
função ventricular esquerda e da etiologia seja a ecocardiografia, alguns exames
laboratoriais são importantes no diagnóstico, na avaliação etiológica, no pla
nejamento do tratamento e na definição do prognóstico de pacientes com
quadro clínico semelhante ao apresentado.
HEMOGRAMA, PLAQUETAS E PROVAS DE COAGULAÇÃO
Além de poder desencadear IC de alto débito em indivíduos com função ventricular
esq uerda normal, a anem ia pode agravar q uadros de IC relacionados a outras
etiologias, independentemente da presença de d isfunção sistólica ou de fração
de ejeção preservada. A concom itância de anem ia, mesmo q ue de pequena mag
n itude, está associada a prognóstico adverso.
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,C:C
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c:c
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-
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-
Outras alterações hematológicas tam bém podem contribuir com informações
importantes. A identificação de plaquetopenia pode auxil iar no d iagnóstico d ife
rencial de s inais e s intomas sugestivos de IC, q ue podem ocorrer, por exem pio,
em hepatopatias crôn icas. O pro longamento do tempo de protrom bina pode
ind icar alteração da função hepática secundária à congestão sistêmica.
BIOQUÍMICA
A avaliação de função renal, eletrólitos, provas hepáticas, glicemia, perfil l ipídico,
função tireoidiana e exame qualitativo de urina devem fazer parte do atend imento
in icial do paciente com IC, não apenas para auxil iar no d iagnóstico d iferencial do
quad ro clínico, mas tam bém para determ inar fatores de risco card iovascular, co
morbidades concomitantes, potenciais fatores de descompensação e possibil idades
tera pê uticas.
Além d isso, exames como creatin ina, ureia, sód io e ácido úrico podem contri
buir com informações prognósticas importantes. A presença de hiponatremia é
frequente em casos de IC avançada e ind ica o grau de ativação do sistema renina
angiotensina, estando independentemente associada a prognósticoadverso. De
maneira semelhante, a elevação da ureia plasmática é um dos preditores adversos
de maior magnitude em ind ivíduos hospital izados por IC. Em pacientes com d is
função ventricular, a perda de função renal pode ser decorrente de comorbidades
concom itantes, de interações fisiopatológicas entre o coração e os rins (sínd rome
cardiorrenal) ou de efeitos do tratamento farmacológico.
SOROLOGIA PARA HIV
A pesq uisa de anti-HIV vem sendo sistematicamente incluída na aval iação labo
ratorial desses pacientes, não apenas pelas d iversas manifestações card iovasculares
que podem cursar com quadro clínico de IC (m iocardiopatias, m iocardites, peri
card ites, hipertensão pulmonar ou neoplasias infi ltrativas, etc.), mas tam bém
pela associação com risco elevado para doença aterosclerótica coronariana, uma
das etiologias de d isfunção ventricular mais prevalentes.
SOROLOGIA PARA DOENÇA DE CHAGAS
Em áreas endêm icas para a doença de Chagas, deve ser realizada uma avaliação
sorológica para Trypanosoma cruzi. Em casos positivos, ela deve ser confirmada
por dois métodos com plementares (sendo confirmada se os dois resultados forem
concordantes), mais com umente im unofluorescência ind ireta e ELISA.
1 74
PEPTÍDEOS NATRIURÉTICOS
A dosagem de peptídeos natriuréticos, como o peptídeo natriurético tipo B (BNP)
ou o seu fragmento aminoterm i nal (NT-pró-BNP), pode ser utilizada de maneira
com plementar à anam nese e ao exame físico para o d iagnóstico de IC, auxil iando
particularmente na d iferenciação de d ispneia de causas cardíacas ou não cardíacas
na sala de emergência. Nesse contexto, a acurácia dos testes é superior a 85% .
Os peptídeos natriuréticos têm elevado valor preditivo negativo (aproximadamen
te 92% para o ponto de corte de 1 00 pg/ml de BNP e 99% para dosagens
< 400 pg/m L de NT-pró-BNP), sendo mais úte is para a exclusão de I C - quando
normais - do que para a sua confirmação. A Figura 1 4. 1 i lustra a interpretação
dos valores de peptídeos natriuréticos na avaliação in icial de pacientes com IC.
Além d isso, d iversos estudos vêm demonstrando que a util ização desses mar
cadores poderia ser eficaz em outras situações relacionadas à IC, como guia para
a otim ização do tratamento farmacológico e como rastreamento de d isfunção
ventricular assintomática em popu lações de risco.
Tanto o BNP como o NT-pró-BNP, q ue é biologicamente inativo, são l iberados
pelo m iocárd io ventricular em resposta à elevação das pressões de enchimento
ventriculares, refletindo o aumento de estresse parietal. O aumento do BNP faz
parte de uma resposta homeostática protetora, pois seus efeitos fisio lógicos de
d iurese, natriurese e vasodilatação de m usculatura lisa auxi liam na com pensação
da função m iocárd ica reduzida.
BNP < 1 00 pg/ml
ou
NT-pró-BNP < 400 pg/ml
IC improvável
Investigar outros
diagnósticos para o
quadro clínico, incluindo
causas não cardíacas
Peptídeos natriuréticos
BNP 1 00-400 pg/ml
ou
NT-pró-BNP 400-2.000 pg/ml
Diagnóstico indefinido
Figura 1 4.1
BNP > 400 pg/ml
ou
NT-pró-BNP > 2.000 pg/ml
IC provável
Avaliar função ventricular
e iniciar manejo específico
de acordo com o perfil
hemodinâmico e a causa
da descompensação
Utilidade clínica dos peptídeos natriuréticos na aval iação de
ind ivíduos com quadro sugestivo de I C .
Fonte: Adaptada de Dickstei n K, Cohen-Solal A, F i l ippatos G , e col . ESC Gu idel ines for the
diagnosis and treatment of acute and chronic heart fai l u re 2008. Eur Heart J 2008;
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1 75
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-LL => cn :z:
-
No entanto, ao interpretar os valores de peptídeos natriuréticos, é necessário
considerar que pode existir uma variabilidade intraind ivíduo. Dessa forma, pacien
tes com IC am bula to riais estáveis, tanto sintomáticos como assintomáticos, podem
apresentar variabi l idade sign ificativa em dosagens seriadas, as quais m uitas ve
zes podem não refletir alterações clin icamente relevantes. Além d isso, d iversas
situações clín icas podem influenciar os valores dos peptídeos natriuréticos, confor
me descrito no Quadro 1 4. 1 .
As principais d iferenças entre essas duas molécu las de peptídeos natriuréticos
estariam re lacionadas ao seu metabo lismo. O NT-pró-BNP apresenta tem po de
meia-vida biológica de aprox imadamente 1 20 m inutos, enquanto o do BNP é de
22 m inutos. Essa d iferença pode ser, em grande parte , a responsável pelo fato de
os níveis de NT-pró-BNP serem mais elevados do que os de BNP em uma mesma
situação. Além d isso, a excreção do NT-pró-BNP é renal, o q ue faz com q ue o
declínio da função renal seja responsável pela elevação de seus níveis plasmáticos
de uma maneira aparentemente mais significativa do que ocorre com o BNP.
Uma potencial vantagem do NT-pró-BN P seria a viabilidade de sua dosagem em
pacientes recebendo neseritida.
Quadro 1 4.1
- - ,
CONDIÇOES QUE CURSAM COM ELEVAÇAO DOS PEPTIDEOS
,
NATRIURETICOS*
Cirrose hepática
Exercício físico extremo
Fi brilação a triai
Hipertrofia de ventrículo esquerdo
Hipoxemia
1 dade avançada
1 nfecções e sepse
1 nsuficiência renal
I squemia miocárd ica
Sexo feminino
Sobrecarga de ventrículo d i reito (aguda ou crônica)
Taquicardia ou taquiarritmias
Terapia de reposição hormonal
Valvulopatias
* Em indivíduos obesos, observa-se que os valores de peptídeos natr i u réticos podem
estar falsamente normais ou falsamente reduzidos.
1 76
TROPONINAS
A elevação de troponinas 1 ou T ind ica necrose m iocárd ica, q ue, em pacientes
com q uad ro clínico de IC, pode ser decorrente de síndromes isquêm icas agudas,
de m iocard ite, de sobrecarga aguda de cavidades d i reitas por trom boem bolismo
pulmonar ou apenas da sobrecarga hemod inâm ica presente em descom pensações
agudas de IC. I ndependentemente da magnitude, o aumento de troponinas no
contexto de IC descompensada está relacionado a prognóstico clínico adverso.
EXAMES ESPECÍFICOS
Nos casos em que exista suspe ita de etiologias mais raras para a IC, como hemo
cromatose, am iloidose, sarcoidose, doenças do colágeno, infecções virais ou doen
ça de Paget, deve-se realizar avaliação laboratorial específica.
D VOLTA O PROBLEM LÍN IC
O quadro clínico de IC apresentado neste capítulo é muito evidente, pela pre
sença de sintomas e sinais de congestão e de baixo débito cardíaco. Nesses
casos, a dosagem rotineira de peptídeos natriuréticos não está indicada, por
não contribuir para o diagnóstico ou manejo inicial do paciente. No entanto, a
avaliação de função renal e eletrólitos fornece informações importantes . Por
exemplo, a presença de hiponatremia poderia estar associada à disfunção
sistólica avançada, enquanto a elevação da creatinina e o nível sérico de potás
sio no limite superior da normalidade ind icariam a necessidade de iniciar inibidor
da enzima conversora de angiotensina com cautela e , se existisse ind icação,
aguardar a reavaliação para prescrição de espironolactona.
LEITURAS SUGERIDAS
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1 77
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1 78
CARDIOLOGIA
,
CAPITULO 1 5
EDUARDO GEHL ING B ERTOLD I
,
LU IS BECK DA S I LVA NETO
,
O PROBLEMA LIN I
Paciente de 35 anos, do sexo masculino, procura atendimento, relatando início,
há cerca de 1 4 dias, de mal-estar, febre até 38,5ºC, artralgias, mialgias e
fadiga. Nos últimos 5 dias, o paciente passou a apresentar dispneia aos esfor
ços , ortopneia e edema de membros inferiores. O exame físico evidencia pres
são arterial de 1 20/70 mmHg, frequência cardíaca de 96 bpm, ictus cordis
desviado, ausculta cardíaca com ritmo regular e presença de 83, turgência
venosa jugular, ausculta pulmonar com crepitantes nos campos pulmonares
inferiores e edema periférico com cacifo. O ecocardiograma mostrou disfunção
sistólica grave e dilatação ventricular esquerda.
COM O O LABORATÓR O PODE AJUDAR NA AVALIAÇÃO DESSE AC ENTE?
Um paciente jovem apresenta-se com insuficiência cardíaca de início recente,
precedida por um quadro compatível com doença sistêmica virai. Nesse caso,
a hipótese de miocardite causando disfunção sistólica ventricular deve ser
fortemente considerada. Embora o diagnóstico definitivo requeira achados de
biópsia miocárdica, a caracterização de lesão miocárdica com dosagem de
biomarcadores cardíacos é de grande importância e compõe escores diag
nósticos atualmente utilizados. Além disso, dosagens de anticorpos podem
ser usadas para o diagnóstico etiológico, e provas de atividade inflamatória
ajudam na monitoração da atividade da doença.
-
BIOMARCADORES CARDÍACOS
Creatinoquinase (CK) e creatinoquinase - fração MB (CK-MB). A CK é uma enzima
presente no citosol de todos os tecidos m usculares e de d iversos outros tecidos
do corpo. Ela existe nas isoformas MM, MB e BB. A porcentagem de CK-MB é
mais alta no coração do q ue nos outros tecidos, e , portanto , a sua presença no
plasma é útil como marcador de lesão m iocárd ica. Pode-se medir a massa ou a
atividade da CK-MB no plasma. A medida de sua massa é preferível por detectar
níveis séricos menores e por evitar detecção cruzada de outras isoformas de CK.
O dano m iocárdico causado pela m iocardite pode acarretar e levação de CK e
de CK-MB, particu larm ente nos casos mais graves. No entanto, os dados
disponíveis sugerem que a sensibilidade é baixa para m iocardites em geral, ficando,
em algumas séries, abaixo de 1 0 % .
Troponinas cardíacas. A troponina T (TnT) e a tropon ina 1 (Tnl) são proteínas
que atuam na regulação da contração dos m úsculos estriados. Em casos de lesão
m uscular, as troponinas são l iberadas na circulação, podendo, então , ser dosadas.
As troponinas cardíacas são estruturalmente d iferentes daq uelas encontradas no
m úsc u lo esq ue lético r e r por isso r os testes d isponíveis são específicos para as
tro po ninas cardíacas.
As troponinas são biomarcadores mais úteis para a aval iação de m iocard ite
quando se usa pontos de corte mais próximos do lim ite inferior de detecção. Níveis
> O, 1 ng/dl têm uma sensibi lidade de cerca de 50% , com especificidade de 90% .
O padrão de elevação da troponina pode fornecer informações adicionais sobre a
doença: níveis persistentemente elevados sugerem necrose em andamento.
e a:
<C o
� PROVAS DE ATIVIDADE INFLAMATÓRIA
Velocidade de sedimentação globular (VSG) e proteína C reativa. A VSG e a pro
teína C reativa são marcadores de atividade inflamatória sistêmica. Podem se
encontrar elevadas nas m iocard ites, mas são inespecíficas.
HEMOGRAMA
As alterações do hemograma causadas pela m iocard ite são inespecíficas e estão
presentes na m inoria dos casos. I ncluem leucocitose ou l infocitose leves. Em
casos de m iocard ite por hipersensibi l idade a drogas ou por parasitoses, pode
haver eosinofilia.
SOROLOGIAS VIRAIS
Os vírus são a principal causa das m iocard ites. As espécies classicamente impl icadas
são o Coxsackie vírus B, o adenovírus e o parvovírus 819 . Mais recentemente, o
HIV e o HCV vêm sendo descritos como agentes causadores.
1 80
Testes sorológicos, incluindo a detecção de reagentes de fase aguda e crôn ica
(lgM e lgG), podem esclarecer a etiologia da infecção causadora da m iocard ite.
Os anticorpos anti-Coxsackie vírus B, a causa mais com um de m iocard ite
virai, frequentemente estão elevados em pacientes com suspeita clínica de m iocar
d ite. Em uma série de 760 pacientes, eram positivos para marcadores soro lógi
cos de Coxsackie vírus B 33% dos pacientes com m iocard ite, e apenas 9% dos
,
controles. E im portante frisar q ue, sozinha, a presença de sorologia virai não
define o tropismo pelo m iocárdio.
Evidências in iciais de estudos que util izavam d iagnóstico sorológico e cultura
virai são hoje reafirmadas por detecção mo lecular de RNA virai nos espécimes de
biópsia m iocárd ica. Em nosso meio, a detecção de RNA virai em biópsias m iocár
d icas não está cl in icamente d isponível , ficando restrita a am biente de pesquisa.
OUTROS TESTES LABORATORIAIS
As d iversas etiologias de m iocard ite devem ser pesq uisadas de acordo com a
suspeita clínica, m uitas vezes com o auxílio de testes laboratoriais. Alguns exem pios
incluem lúpus eritematoso sistêmico (fator antinuclear [FAN] e anti-ENA), febre
reumática aguda (antiestrepto lisina 0) e doença celíaca (antitransglutam inase
lgA ou lgG).
A Tabela 1 5. 1 cita algumas das causas mais com uns de m iocard ite e os testes
laboratoriais relevantes.
Tabela 15.1
CAUSAS DE MIOCARDITE E EXAMES LABORATORIAIS RELEVANTES
Agentes etiológicos
Vírus
Adenovírus, Coxsackie vírus/enterovírus,
citomegalovírus, parvovírus 819,
HCV, HIV
Bactérias e fungos
Mico bactérias, Chlamydia sp. e
Mycoplasma sp . , estreptococos,
Asperg1//us, C occidioides, Histop/asma
Protozoários e parasitas
Trypanosoma cruzi, esquistossomose,
larva migrans
Testes
Sorologias específicas ; reagentes
de fase aguda; detecção de
DNA/RNA
Hemoculturas e cultu ras de
tecidos; baciloscopia; detecção
de antígenos
Teste de fixação do complemento ;
detecção de anticorpos; contagem
de eosinófilos {Continua)
18 1
-
e a:
<C o o
-
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-
Tabela 1 5.1 (continuação)
CAUSAS DE MIOCARDITE E EXAMES LABORATORIAIS RELEVANTES
Agentes etiológicos
Toxinas e hipersensibilidade
Antracicl inas, cocaína, clozapina, su lfa,
cefalospotrinas, penici l ina, tricíclicos
Auto imunidade
Vacina (varicela), miocard ite de célu las
gigantes, síndrome de Churg-Strauss,síndrome de Sjõgren, doença celíaca,
sarcoidose, lúpus eritematoso sistêmico
Testes
Dosagem sanguínea ou u rinária
da su bstância em questão ;
contagem de eosinófilos
VSG/PCR; contagem de
eosinófilos; FAN; anti - E NA ;
antitransglutaminase lgA e lgG
OUTROS EXAMES COMPLEMENTARES
Além dos exames citados, a avaliação de um paciente com suspeita de m iocard ite
req uer, necessariamente, outros métodos de pesqu isa de dano m iocárd ico. O
ECG e o ecocard iograma ajudam na documentação de lesão m iocárd ica e de
d isfunção ventricular. A cintilografia m iocárdica - em particular, com o uso do
marcador índio-1 1 1 - parece ter razoável sensibi l idade na detecção de dano
ce lular m iocárd ico. A ressonância magnética é uma opção d iagnóstica atraente,
que com bina aval iação de função ventricular, detecção de padrões focais carac
terísticos e de lesão m iocárdica d ifusa.
A biópsia m iocárdica é trad icionalmente requerida para o estabelecimento do
d iagnóstico de m iocard ite, buscando-se a presença concom itante de dano
,
m iocárdico e infi ltrado inflamatório. E considerada o padrão-ouro para o d iag-
nóstico.
No entanto, a acurácia subótima da biópsia m iocárd ica, associada ao seu
caráter invasivo, levaram à criação de critérios d iagnósticos que aliam dados clí
nicos, laboratoriais, de imagem e de biópsia (Tab. 1 5.2).
Uma descrição mais detalhada desses testes vai além da proposta deste texto
e pode ser encontrada naqueles referidos no final do capítulo.
1 82
.-3. 00 w
Tabela 1 5.2
, ,
CRITERIOS PARA O DIAGNOSTICO DE MIOCARDITE
1 . Clínica
1 nsuficiência cardíaca; febre ;
pródromo vi rai ; fad iga;
dispneia; dor torácica;
palpitações ; síncope
2. Dano estrutural/funcional
• •
sem 1squem1a
Alterações de ecocardiograma
(moti l idade segmentar, di latação ,
hipertrofia) ; aumento de
troponina; cintilografia com
índ io- 1 1 1 positiva
3. Ressonância magnética
Aumento de intensidade do sinal
miocárdico em T2 ; contraste
tard io com gadolínio- DTPA
Conta-se 1 ponto para cada categoria que tenha pelo menos 1 dos itens presente.
4. Biópsia miocárdica
Achados patológicos compatíveis
com critérios de Dallas; presença
de genoma virai por PCR
(persistência virai)
OBS . : Para pontuar na categoria 2 , é necessária uma cinecoronariografia normal ou a ausência de evidência de isquemia miocárdica em teste
provocativo .
2 categorias positivas: Suspeita de miocardite
3 categorias positivas: Compatível com miocardite
4 categorias positivas: Alta probabilidade de miocardite
MIOCARDITE
,
DE V LTA AO P OBLEMA LINIC
O paciente descrito com quadro clínico de insuficiência cardíaca de início
recente apresentava troponina T sérica de O , 1 2 ng/ml, e a cinecoronariografia
mostrou coronárias sem lesões. Nesse contexto, a elevação de biomarcador
cardíaco específico (troponina T) , sem evidência de coronariopatia, corrobora
o diagnóstico de miocardite causando miocardiopatia d ilatada. Testes adicio
nais, como ressonância magnética cardíaca e biópsia miocárdica, podem ser
propostos, embora um critério diagnóstico ideal ainda não tenha sido atingido.
A clássica síndrome de miocardite (virai), caracterizada por sintomas de insufi
ciência cardíaca, dor torácica e arritmias atriais ou ventriculares em um con
texto de disfunção ventricular aguda (frequentemente após uma infecção virai),
continua sendo importante e representa o primeiro passo em direção ao diag
nóstico.
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1 84
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CAPITULO 1 6
ANA PAULA WEBBER ROS S I N I
MARIANA VARGAS FU RTADO
O PROBLEMA CLINICO
CARDIOLOGIA
Paciente de 63 anos, do sexo feminino, procura atendimento por dor retroes
ternal ventilatório-dependente com irradiação para o dorso, iniciada 3 dias
antes, acompanhada de febre. Apresentava também bulhas cardíacas hipofo
néticas à ausculta e turgência venosa jugular. Evoluiu com hipotensão refratária
à reposição volêmica. O ecocardiograma mostrou volumoso derrame pericár
dico com sinais de tamponamento cardíaco.
COMO O LA ORA'J,. IO PODE UDA.- NA AVALIAÇÃO DESSE PACIE TE?
Em um paciente apresentando quadro sugestivo de pericardite, a história clínica
frequentemente fornece ind icativos do diagnóstico etiológico mais provável e
orienta a investigação laboratorial complementar. A avaliação etiológica pode
definir tratamento específico e alterar prognóstico do paciente. Os exames
laboratoriais são importantes nesse contexto, auxiliando no diagnóstico dife
rencial da etiologia da pericardite. Em caso de derrame pericárdico associado,
o líquido pode ser aspirado e encaminhado para análise bioquímica, citologia
e exames culturais. O Quadro 1 6.1 mostra as possíveis causas da pericardite
aguda.
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Quadro 1 6.1
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DOENÇAS PERICARDICAS DE ACORDO COM AS ETIOLOGIAS
Idiopática
Infecciosa
- Virai (adenovírus, Coxsackie vírus , citomegalovírus, vírus da hepatite B,
HIV)
- Bacteriana (Pneumococcus sp., Staphy/ococcus sp., Streptococcus sp . ,
micoplasma, doença de Lyme, Haemophtlus influenzae, Neisseria
meningitidis, etc.)
- Mico bactéria (Mycobacterium tubercu/osis, Mycobacterium avium
in trace//ulare)
- Fúngica (h istoplasmose, coccidioidomicose)
Inflamatória - imunológica
- Doenças do tecido conectivo ( lúpus eritematoso, artrite reumatoide,
escleroderma)
- Arterites (poliarterite nodosa, arterite temporal)
- Pós- infarto do miocárdio precoce ( 1 - 3 d ias)
- Pós- infarto do miocárdio tard io - síndrome de Dressler (uma semana ou
alguns meses)
- 1 nduzida por drogas (p. ex. , procainamida, hid ralazina, ison iazida,
ciclosporina)
Doença neoplásica
- Primária: mesotelioma, fibrossarcoma, l ipoma
- Secundária: carcinoma de pulmão e mama, l infomas, sarcoma de Kaposi
Induzida por radiação
Pós-cirurgia cardíaca precoce
Hemopericárdio
- Trauma: contuso ou penetrante
- Ruptura de parede l ivre pós- infarto do miocárd io
- Relacionado a procedimento ou implante de equipamento : marca-passo ,
desfi bri lador, ablação de arritmia, proced imento coronário percutâneo
- Dissecção aórtica
Amiloidose
Miscelânea
- Colesterol
- 1 nsuficiência card íaca crônica
- Uremia relacionada à diálise
- Hipotireoidismo
1 86
Hemograma. Na pericard ite idiopática, os leucócitos possuem elevações modestas,
tipicamente com resultados entre 1 1 .000-1 3 .000/mm3 com pequena l infocitose
associada. Níveis mais elevados sugerem outras etiologias, como na pericardite
bacteriana, na qual há leucocitose e desvio à esq uerda acentuados.
Velocidade de sedimentação globular (VSG). Encontra-se modestamente elevada
na pericard ite idiopática, esperando-se níveis mais elevados em doenças autoi
m unes ou na pericardite tuberculosa.
Enzimas cardíacas. Pacientes com pericard ite , mesmo sem evidências de m iocar
d ite ou infarto agudo do m iocárd io, podem apresentar aumento dos níveis séricos
de creatinoq uinase fração MB (CK-MB) e de troponinas. Entretanto , níveis eleva
dossugerem m iocard ite concom itante ou pericardite pós-infarto agudo do m io
cárdio. Alguns pacientes podem apresentar elevações d iscretas de troponinas,
sem elevação de CK-MB, o que sugere mais uma inflamação epicárd ica adjacente
do q ue realmente uma m iocard ite.
OUTROS EXAMES
Sorologia para HIV. Estima-se que 20% dos pacientes com HIV terão envolvi
mento pericárd ico ao longo do curso de sua doença. A causa mais com um de
pericardite nesse grupo de pacientes é a tuberculose. Entretanto, pode ser cau
sada pelo próprio vírus do HIV, por outras doenças oportunistas ou por neoplasias
( l infomas e sarcoma de Kaposi).
Anticorpo antinuclear (FAN). Deve-se considerar o d iagnóstico de lúpus eritema
toso sistêm ico (LES), particularmente em m ulheres jovens com pericard ite , pois
essa é a manifestação card iovascular mais frequente do LES.
Tireotrofina (TSH) . Pacientes com hipotireoidismo grave podem desenvolver pe
ricard ite. Deve-se, portanto, solicitar o TSH como exame de rastreamento para o
d iagnóstico da doença.
Função renal (creatinina e ureia). Estima-se que a pericard ite ocorra em 5% dos
pacientes com insuficiência renal crôn ica pré-d iálise e em 1 8 % dos pacientes em
d iálise.
Sorologias virais. A titulação de anticorpos virais geralmente não é necessária,
pois os resultados não são específicos e podem ser negativos mesmo na pericar
d ite de etiologia virai. Além d isso, os resultados não alteram a conduta terapêutica.
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ANÁLISE DO LÍQUIDO DO DERRAME PERICÁRDICO
Um derrame pericárdico pode desenvolver-se como consequência de pericardites
de qualquer etiologia, com apresentações q ue variam desde um achado ocasional
até q uad ros de tam ponamento cardíaco. Como ocorre nos casos de pericard ite,
em grande parte das vezes, a história clínica fornece indícios para o d iagnóstico
etiológico. Sua presença é confirmada por meio do ecocard iograma, que possibil ita
tam bém a punção e aspiração do líq uido para análise, quando ind icada.
Em sua maioria, os derrames pericárdicos apresentam características de exsu
dato , com elevação de proteínas (> 3 g/d l; relação líqu ido/sangue > 0,5) e
lactato desidrogenase (LDH > 200 mg/d l; líquido/sangue > 0,6). Assim , a d ife
renciação entre transudato e exsudato raramente é útil para a defin ição d iagnós
tica. Amostras do líquido devem ser enviadas para cu ltura de bactérias, incluído
m icobactérias e fungos, além da coleta de hemocu lturas. Causas infecciosas
tam bém estão associadas a níveis d iminuídos de glicose no líquido pericárd ico .
Em relação à anál ise citológica, a contagem de leucócitos é mais elevada em
d istúrbios inflamatórios, especialmente os de origem bacteriana e reumato lógica,
em que predominam po l imorfonucleares, ao contrário do m ixedema. Em derra
mes neoplásicos, a celularidade aumenta em virtude de mononucleares. Se hou
ver algum ind icativo de doença maligna, deve ser real izada aval iação citológica
na busca de células neoplásicas.
Suspeitando-se de tuberculose, recomenda-se pesquisa d ireta de bacilo álcool
ácido resistente (BAAR), dosagem de adenosina deam inase (ADA) , PCR e cultura
para Mycobacterium tubercu/osis. A dosagem de ADA mostrou-se tão sensível
quanto a PCR (83 e 75% respectivamente), porém menos específica (78 e 1 00%
respectivamente).
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DE VOLt AO P BLEMA LIN ICO
No caso clínico deste capítulo, a paciente apresentava leucocitose com desvio
à esquerda, VSG elevada e foi submetida à pericardiocentese com drenagem
de líquido de derrame pericárdico purulento. A análise do líquido mostrou
glicose diminuída, LDH elevado, celularidade elevada causada por polimorfo
nucleares. A pesquisa de BAAR, fungos e bactérias e as culturas foram negati
vas . Também foram coletadas hemoculturas , que evidenciaram crescimento
de Streptococcus pneumoniae, corroborando o diagnóstico de pericardite bac
teriana aguda.
LEITURAS SUGERIDAS
LeWinter MM. Pericardial disease. l n : Libby P, Bonow RO, Mann DL, Zipes DP. Braunwald's
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SITES SUGERIDOS
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CAPITULO 1 7
LIANA FAR IAS LE IR IA
MARIA CR ISTINA GOMES MATOS
,
PRO LE A CLINI O
ENDOCRINOLOGIA
Paciente de 20 anos, do sexo feminino, branca, consulta com queixa de ame
norreia há 2 anos. H istória de menarca aos 1 3 anos, com ciclos menstruais
irregulares desde então, variando a cada 2 ou 3 meses, e gestação = O . No
exame físico, apresentava aumento de pelos corporais compatível com hirsutismo
em face, tórax e abdome inferior (escore de Ferriman modificado = 1 2) , que
iniciou em torno dos 1 4 anos, progressivo e sem modificação nos últimos 2
anos, pele escurecida nas axilas e pescoço (acantose nigricans), ausência de
galactorreia, medida da pressão arterial de 1 30/80 mmHg e IMC de 32 kg/m2.
Não apresentava outras comorbidades conhecidas, nem utilizava qualquer tipo
de medicação.
OM O LA ORATÓRI PODE AJ DAP- NA AVALIAÇÃO ESSE PACIE TE?
O registro adequado da história clínica pregressa e um cuidadoso exame físico
são essenciais para orientar quais os exames laboratoriais iniciais devem ser
solicitados. Nessa paciente, que apresenta quadro de amenorreia secundária,
o laboratório pode auxiliar no diagnóstico etiológico da amenorreia, determi
nando, dessa forma, a necessidade de investigação adicional, bem como o
prognóstico. Exames de imagem adicionais podem ser necessários para o
diagnóstico final nesses casos.
A Figura 1 7 .1 sugere um algoritmo para a investigação de amenorreia.
Mulheres com amenorreia primária devem ser submetidas à avaliação anatôm ica
do trato genital (TG) e cariotípica.
� \.O
�
1
Amenorreia
�-hCG + gestação
Avaliação clínica
• • • • •
... Teste do P J r' FSH PRL TSH Sinais de hiperandrogenismo
+ (PRL e TSHB):
anovulação
TG impermeável
Hipoestrinismo
Dosagem E2
ou
Teste E + P
E2 ,J, ou teste + : hipoestrinismo
E2 t ou teste -: avaliação do TG
t fal
,J, hipc
hipofisári
ência ovariana
gonadismo
o/hipotalâmico
Avaliação com imagem
t com TSH B
hiperprolactinemia
Figura 1 7.1
t hipotireoidismo
TT
Moderadamente elevada
TT > 2 ng/ml
Investigação para
neoplasia
ovariana/adrenal
SOP
HAC-NC
1 7-0HP
Aval iação d iagnóstica das amenorreias.
Sinais clínicos
de Cushing
Avaliação
específica
SPO, síndrome dos ovários policísticos; HAC-NC, hiperplasia adrenal congênita não clássica;P, p rogesterona; E , estrógeno ;
E 2 , estrad iol ; TT, testosterona total ; 1 7-0HP, 1 7- 0H-progesterona.
A MENOR REIA
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DOSAGENS HORMONAIS
Gonadotrofina coriônica humana (subunidade Bl - B-hCG. A hCG é prod uzida
pela placenta e pelas células trofoblásticas, sendo sua dosagem util izada na confir
mação de gravidez. Hoje, já pode ser detectada na 1 ª semana após a fecundação.
Pacientes em idade reprodutiva e com q ueixa de amenorreia devem med ir o
B-hCG, independentemente do relato ou não de início das relações sexuais, sen
do o exame in icial a ser sol icitado nessa situação.
Prolactina (PRL). A h iperprolactinem ia pode estar envolvida em até 30% dos
casos de amenorreia secundária, e seu achado im plica investigação etiológica
específica. Níveis elevados de prolactina impl icam supressão das gonadotrofinas
e do estrad iol.
Hormônio estimulante da tireoide (TSH) . É o exame de escolha para avaliar a
função tireoid iana. Disfunções tireoidianas são causas relativamente com uns de
amenorreia, pois mod ificam o metabolismo e a interconversão de estrogênio e
and rogê n ios , levando a um m ecanismo de retrocontro le i nadeq uado e ,
consequentemente , à anovu lação. O h ipotireoidismo tam bém pode estar asso
ciado a amenorreia se apresentar h iperprolactinem ia associada.
Estradiol - E2. Dois testes sim pies podem ser usados na avaliação inicial da amenorreia:
t Teste de progesterona (P) : admin istração de 1 0 mg de med roxiprogesterona,
por 7- 1 0 d ias, esperando-se a ocorrência de menstruação, que mostra q ue o
TG está pérvio e q ue não há h ipoestrinismo.
Teste de estrogênios associados a progesterona (E + P) : adm inistração de 1 ,25
m g de estrogênios conjugados, por21 d ias, com 10 m g de medroxiprogesterona,
nos últimos 5-10 dias. Deve ser realizado se o primeiro teste também for negativo
(sugerindo im permeabil idade do TG ou estado hipoestrínico). Contudo, em
cond ições em que a dosagem de estrad iol é d isponível, bem como a avaliação
de permeabilidade do TG, esse teste pode ser om itido. Estados hipoestrínicos
podem ser decorrentes tanto de falência ovariana primária quanto de hipogo
nadismo central, e os níveis de estradiol, nessas circunstâncias, são < 30 pg/ml.
Hormônio folículoestimulante (FSH). Produzido na h ipófise por estím ulo h ipota
lâm ico, é o hormôn io responsável pelo amad urecimento dos folículos ovarianos.
Na amenorreia de origem central (hipofisária ou hipotalâm ica), os níveis de FSH
encontram -se baixos ou normais (hipogonadismo hipogonadotrófico). Já na ame
norreia de origem ovariana, os níve is de FSH encontram-se altos, geralmente
> 30 m Ul/m L (hipogonad ismo h ipergonadotrófico) .
OUTROS TESTES
Hormônio luteinizante - LH. Tam bém produzido na hipófise por estím ulo hipota
lâmico, é o hormônio responsável pela ovu lação. Não é um exame essencial na
1 92
aval iação in icial das amenorreias, mas pode ser útil na determ inação da existência
de oócitos remanescentes, em um contexto em que os níveis de FSH sejam sugesti
vos mas não suficientemente altos para determ inar falência ovariana, ou, ainda,
q uando em níveis baixos, podem reforçar o d iagnóstico de amenorreia de origem
central. Uma relação LH/FSH = 2/1 sugere síndrome dos ovários pol icísticos
(SOP).
Testosterona total (TT). Deve ser sem pre solicitado in icialmente na investigação
de causas de amenorreia associadas a hiperandrogenismo, especialmente na pre
sença de hirsutismo. Mulheres com ciclos ovulatórios regulares apresentam valores
geralmente < 0,6 ng/m L. A grande maioria das pacientes q ue apresentam níveis
elevados de testosterona é portadora da SOP. Outras causas são hiperplasia adrenal
congênita não clássica e tumores ovarianos ou adrenais (investigação adicional
para detecção de tumores deve ser procedida quando T > 2 ng/m L).
Globulina ligadora dos hormônios sexuais (SHBG). Proteína ligadora tanto da tes
tosterona quanto do estrad iol, reduz a atividade biológica desses hormôn ios.
Encontra-se red uzida na SOP e no h ipotireo idismo e aumentada no h ipertireoi
d ismo.
1 7-hidroxiprogesterona (17-0HP). Util izado no d iagnóstico da hiperplasia adrenal
congênita não clássica (HAC-NC). Geralmente, além da amenorreia, existem sinais
de hiperandrogenismo ao exame clínico. Níveis basais > 8 ng/m l são com patíveis
com esse d iagnóstico, enquanto níveis entre 2-8 ng/ml são considerados interme
d iários, apesar de altamente sugestivos de HAC (nível de 4 ng/m L tem sensibili
dade de 90% para HAC), e exigem investigação adicional (medida da 1 7-0HP
após estím ulo com ACTH).
Avaliação da síndrome de Cushing. Se, junto com a amenorreia, coexistirem sinais
clín icos de sínd rome de Cushing, avaliação d irecionada para essa patologia deve
ser real izada (ver Cap. 29, Síndrome de Cushing).
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DE VOLTA AO PROBLEMA CLINICO
A paciente do caso clínico deste capítulo apresenta quadro sugestivo de sín
drome dos ovários policísticos. Os exames solicitados mostraram TSH =
1 ,45 (VR: 0 ,4-4,7 mUl/L) , PRL = 1 6,3 (VR: 2 ,8-29,2 ng/ml) , FSH = 3,8
mUl/mL, LH = 9,6 mUl/mL (valores normais) , TT = 1 ,2 ng/ml (VR: 0 ,2-0,8
ng/ml) e 1 7-0HP = 0 ,4 ng/ml (exclusão de causas secundárias de hiperan
drogenismo). O teste da progesterona foi positivo. Com esses dados, a suspeita
clínica de SOP foi confirmada.
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LEITURAS SUGERIDAS
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Kronenberg HM, Melmed S, Po lonsky KS, Larsen PR. Wi l l iams textbook of endocrinology.
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1 94
ENDOCRINOLOGIA
,
CAPITULO 1 8
,
LETI CIA S C HWERZ WEIN ERT
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MAU RO ANTON IO CZEP I ELEWS KI
,
O PROBLEMA LIN I
Paciente de 9 anos, do sexo masculino, é levado à consulta médica por baixa
estatura. Em sua história médica, seus pais relatam gestação sem intercor
rências, parto normal com 39 semanas, peso ao nascer de 2 .925 g , compri
mento de 49 cm, porém com hipoglicemia e icterícia neonatais. Apresentou
bom desenvolvimento durante a infância, sendo a baixa estatura percebida aos
4 anos de idade. A mãe mede 1 64 cm, e o pai, 1 79 cm (altura-alvo: 1 78 cm) .
No exame fís ico, apresenta altura de 1 1 4 cm (percentil < 3)e peso de 23 kg
(percentil 1 O) , com genitália de pequenas proporções, sem sinais clínicos de
puberdade, sem defeitos faciais ou em linha média, e proporções corporais
•
normais.
COMO LA ORAl' 10 PODE DA.- NA AVALIAÇÃO DESSE PACIE TE?
Em criança com baixa estatura, definida como estatura abaixo do 3° percentil
ou 2 desvios-padrão do normal para a idade ou 1 desvio-padrão abaixo da
altura-alvo, é essencial a investigação laboratorial para definição de sua etio
logia, seja ela um defeito na secreção hormonal ou outra doença sistêmica
que comprometa o crescimento.
DOSAGENS LABORATORIAIS
Avaliação laboratorial universal. Todos os pacientes devem ser avaliados para as
possíveis etiologias de baixa estatura, descritas no Quadro 1 8 . 1 . Assim , os exames
sugeridos para a avaliação inicial são: hemograma, glicose, velocidade de hemos
sed imentação, album ina, cálcio, fósforo, fosfatase alcalina, sód io, potássio, mag-
nésio, b icarbonato ou gasometria venosa, creatinina, transam inases, TSH e T4,
exame qual itativo de urina e pH urinário, exame parasito lógico de fezes, raio X
de mãos e punhos para idade óssea. O cariótipo está ind icado na suspeita de
síndrome de Turner ou q uando houver alteração na genitália. O raio X de mãos
e punhos para idade óssea está ind icado em todas as crianças em investigação. A
avaliação clín ica das med idas das proporções corporais (envergadura, segmento
inferior e tronco) tam bém deve ser real izada em todos os pacientes, pois pode
Quadro 1 8.1
CAUSAS DE BAIXA ESTATURA
Baixa estatura genética
Atraso do crescimento
Doenças crônicas
Displasias esqueléticas
Deprivação emocional
Retardo de crescimento
i ntrauterino
Doença endocrinológica
- Baixa estatura fami l iar
- Síndromes genéticas: Tu rner, Down ,
Prader-Wi l l i , Silver-Russel, Noonan
- Atraso constitucional
- Desnutrição leve
- I nsuficiência renal crônica
- Acidose metabólica, acidose tubular renal
- Câncer, quimioterapia e radioterapia
- Doença pulmonar: asma, fibrose cística
- Cardiopatia congênita
- Doença gastrintestinal : doença inflamatória
intestinal, doença celíaca, hepatopatias
- Imunodeficiência, Aids
- Anemia
- Raquitismo
- Acondrodisplasia, hipocondrodisplasia
- Deficiência de vitamina D
- Diabete mal controlado
- Deficiência de GH
- Hipotireoidismo
- Pu berdade precoce
- Hiperplasia adrenal congênita
- Cushing, corticoide exógeno
Aids, síndrome da imunodeficiência adqu i rida; GH, hormônio do crescimento.
1 96
caracterizar as d iversas d isplasias ósseas. Após exclusão de doenças s istêm icas e
genéticas que com prometam o crescimento, está ind icada a real ização de IGF-1
e anticorpos antitransglutam inase lgA.
,
TSH. E o exame util izado para rastreamento e d iagnóstico de tireopatias. A função
tireo idiana deve sem pre ser avaliada, pois o h ipotireoid ismo cursa com perda
estatura!. O TSH encontra-se elevado em casos de h ipotireo idismo primário e
suprim ido em casos de h ipertireoid ismo. Nas situações de com prometimento da
função hipofisária, encontra-se baixo ou normal .
T4 total. Principal hormônio produzido pela tireoide, o T4 deve ser avaliado, pois
o d iagnóstico de h ipotireo idismo secundário só pode ser real izado em situações
de dosagem sim ultânea de TSH e T4. Nessa situação, o T4 encontra-se dim inuído.
Antitransglutaminase lgA. Os testes sorológicos para doença celíaca são úteis
para seu rastreamento e d iagnóstico. Os anticorpos antitransglutam inase lgA
são os mais utilizados, pois possuem alta sensibi l idade e especificidade (> 96% )
e boa relação custo-benefício. A aval iação da lgA antitransglutam inase está
recomendada para pacientes com baixa estatura idiopática, mesmo na ausência
de outros s intomas. Em pacientes com deficiência de lgA, sugere-se lgG anti
transglutam inase.
IGF-1 Unsu/in growth lactar 1 ) ou somatomedina C. É o peptídeo responsável pela
ação periférica do GH e representa seus níveis em um ind ivíduo. Quando reduzido,
sugere deficiência de GH, porém desnutrição , h ipotireoid ismo, d iabete mel ito
descom pensado e insuficiência renal reduzem seus níveis e devem ser descartados.
Os níveis do IGF-1 variam com a idade e aumentam consideravelmente na puber
dade, ass im, deve sem pre ser com parado com o valor de referência para idade e ,
preferencialmente, para a idade óssea. Sua dosagem é preferível à do GH como
exame de rastreamento , pois é mais constante durante o d ia. O ponto de co rte
para considerarmos um screening positivo é IGF-1 < 1 desvio-padrão.
IGFBP-3 Unsu/in growth factorbinding protein 3). É a proteína l igadora do IGF-1 . A
dosagem de IGFBP-3 não está ind icada na rotina da investigação da baixa estatura,
a não ser em crianças com idade inferior a 3 anos, quando melhora a acurácia d iag
nóstica em relação à dosagem isolada de IGF-1 (baixo nos primeiros anos de vida).
GH (hormônio do crescimento). A aval iação isolada do G H não possui valor na
investigação d iagnóstica da baixa estatura, pois possui padrão de secreção pulsáti l .
TESTES FUNCIONAIS
Os testes provocativos para GH estão ind icados nas crianças com baixa estatura,
baixa velocidade de crescimento e IGF-1 d im inuído . São o principal método de
confirmação da deficiência de GH .
1 97
-
<C m
Entretanto, os testes de estím ulo do G H apresentam algumas l im itações : o
estím u lo com med icação não representa uma secreção fisiológica do G H ; os
valores dos testes são arbitrários e não com pletamente defin idos; a reprodutibi
lidade dos testes é pobre; a idade, os hormônios sexuais e a nutrição podem
interferir nos resultados e possuem alto custo.
GH clonidina. Adm inistra-se O, 1 5 m g de clonidina/m2 da superfície corporal, VO,
com coleta de sangue basal 30, 60, 90 e 1 20 m inutos após, para aval iação do
GH. Os efeitos colaterais são sonolência, h ipotensão e possível broncoespasmo
em asmáticos.
GH glucagon. Adm inistra-se glucagon intravenoso na dose de 0 ,03 mg/kg, com
coleta de sangue basal 60, 90, 1 20 e 1 80 m inutos após, para dosagem do GH.
Pode causar dor abdom inal, náuseas e vôm itos, autol im itados, e sem necessidade
,
de interrupção do teste. E o teste preferido em crianças com idade inferior a 2
anos, pelo perfil de segurança e poucos efeitos co laterais.
Hipoglicemia insulínica. Adm inistra-se insu l ina regular humana intravenosa na
dose de 0,05-0 , 1 5 U I/kg, com coleta de sangue basal 30, 60, 90 e 1 20 m inutos
após, para avaliação do GH. O teste é considerado satisfatório quando ocorre
queda da glicemia < 40 m g/dl. As vantagens desse teste decorrem do fato de a
hipoglicemia ser um potente l iberadorde GH, ser considerado fisiológico e perm itir
,
avaliação do eixo corticotrófico concom itantemente no mesmo teste . E um teste
de risco , necessita da presença de um méd ico durante a real ização e está con
traind icado em epi lépticos. Deve ser real izado com cuidado em pacientes com
suspeita de deficiência de G H devido ao risco de hipoglicem ia severa.
Esses são os testes mais utilizados, porém tam bém são descritos testes de
estím u lo com exercício, L-dopa, propranolo l , argin ina e GnRH, e piridostigm ina.
A resposta é considerada normal, em bora com d iscussão na literatura atual ,
quando o GH u ltrapassa 5 ng/ml em ensaios de q uim iolum inescência ou im u
no rrad iom étricos ou 1 O ng/ m L em rad io im u noe nsa io.
Em crianças pré-puberais e idade óssea acima de 1 O anos, pode-se util izar
primingcom estero ides sexuais (estrógenos nas meninas e testosterona nos meni
nos).
Crianças com baixa estatura, porém com velocidade de crescimento normal ,
não necessitam de testagem do GH , sendo q ue a dosagem normal de IGF-1 é
suficiente para a exclusão de defeitos da secreção do GH. Meninas com síndrome
de Turner e baixa estatura tam bém não necessitam de testagem , pois o tratamento
independe do nível de GH.
TESTE DE GERAÇÃO DE IGF-1
Na presençade G H basal elevado (> 2 ng/m L) ou com resposta exagerada nos
testes de estím ulo e IGF-1 d iminuído, suspeita-se de resistência ao GH. Nesse
caso, ind ica-se o teste de geração de IG F-1 , realizado com a adm inistração de
1 98
GH O, 1 U I/kg 2 vezes ao d ia, por 3 d ias, com coleta de sangue para aval iação da
IGF-1 no início do teste e nos 4° e 5° d ias. A resposta é considerada normal
q uando há aumento de 1 5 % na IGF-1 .
DE VOLTA A PROBLEMA LÍN IC
O paciente do caso clínico deste capítulo apresentou avaliação normal para
doenças crônicas, idade óssea de 6 anos e IGF-1 reduzido. No teste de hipo
glicemia insulínica, o GH máximo dosado foi 1 ,2 ng/ml, confirmando o diagnós
tico de deficiência do hormônio do crescimento. Dessa forma, após o diagnós
tico de hipopituitarismo, é essencial a realização de ressonância magnética da
região hipotálamo-hipofisária para exclusão de lesões expansivas intracranianas
e/ou distúrbios da morfogênese hipofisária.
LEITURAS SUGERIDAS
De Pau la LP, Czepielewski MA. Evaluating diagnosis methods on ch i ldhood GH (DGH)
deficiency: IGFs, IGFBPs, releasing tests, GH rhythm and image exams. Arq Bras Endocrinol
Metabol . 2008 Ju l ;52(5) :734-44.
Kronenberg HM, Melmed S, Polonsky KS, Larsen PR. Wi l l iams textbook of endocrinology.
1 1th ed. Philade lph ia : Saunders; 2008.
SITES SUGERIDOS
Up To Date. http ://www.u ptodate .com/on l i ne/content/topic .do?topicKey=pediendo /
2375&selectedTitle = 1 -150&source =search result . [acesso restrito] .
F leury Medicina e Saúde. Manual de provas funcionais: testes para aval iação da reserva do
hormônio do crescimento (GH, "growth hormone ") [Internet] . São Pau lo : Instituto Fleury;
2010. [capturado em 201 0 Mar 3 1 ] . Disponível em: http://www.fleury.com.br/Medicos/
Saude Em Dia/ Manual ProvasFuncionais/pages/manual 1 .aspx
1 99
,
,
CAPITULO 1 9
RAFAEL SELBACH SCHEFFEL
LU IS HENR IQUE CANAN I
PRO LE A CLINI O
ENDOCRINOLOGIA
Paciente de 68 anos, do sexo masculino, procura atendimento por poliúria,
polidipsia e perda de peso há 3 semanas. Relata ter hipertensão arterial s istê
mica e utilizar hidroclorotiazida e captopril. Nega febre ou outras queixas. Durante
o exame, encontra-se levemente desidratado, com os sinais vitais estáveis e
sem particularidades no exame físico. No exame antropométrico, apresenta peso
de 98 kg, 1 7 1 cm de altura e índice de massa corporal (IMC) de 33,5 kg/m2•
OMO LABORATÓRIO PO E AJUDAR NA AVALIAÇÃO DESSE PACIENTE?
O paciente apresenta sintomas de hiperglicemia (poliúria, polidipsia e perda
de peso), além de características relacionadas a uma maior chance de desen
volvimento de diabete melito (DM) , como obesidade e hipertensão arterial
sistêmica. Nesse caso, o laboratório é fundamental no diagnóstico de DM, no
seu acompanhamento e na avaliação da presença de complicações crônicas.
TESTES PARA DIAGNÓSTICO E ACOMPANHAMENTO DE DM
,
Glicose plasmática. E o primeiro exame a ser solicitado nos pacientes com suspeita
clínica de DM e é, atualmente, o defin idor do d iagnóstico dessa doença. Para
isso, o paciente deve apresentar valores � 1 26 mg/d l em duas ocasiões: após
jejum de pelo menos 8 horas ou , em q ualquer momento, � 200 m g/dl com
sintomas de hiperglicem ia. Em jejum , valores � 1 00 m g/d l são considerados
normais, e valores entre 1 00-1 26 m g/dl são classificados como glicose de jejum
alterada. O seu principal interferente é a não separação do plasma das células
sanguíneas (dosagem em sangue total), o que acarreta d iminu ição progressiva
dos níve is de glicose (3-5% por hora em tem peratura am biente). O uso de tubos
com fluoreto de sódio previne esse processo. Quando esses tubos não estão
d isponíveis, a amostra deve ser centrifugada 30 m inutos após a coleta e armaze
nada a 4ºC.
Para o acom panhamento do DM, a glicose plasmática deve ser dosada em
intervalos regulares (3-6 meses).
Teste de tolerância à glicose com 75 g de glicose. Esse teste deve ser feito após
três d ias de d ieta com 1 50 g de carboid rato d iário, sem uso de álcool e sem
restrição de atividades. Idealmente , não deve ser fe ito em pacientes internados
ou em período de recuperação de doença grave. Coleta-se amostra de sangue
em jejum de 1 0- 1 6 horas e, 1 20 m inutos após, admin istração de 75 g de gl icose
via oral. Durante o teste, o paciente não deve receber med icamentos, fumar ou
realizar atividade física. Para o d iagnóstico de DM, é necessário valor � 200 mg/d L
em 1 20 m inutos, em duas ocasiões. Valores entre 1 40-200 mg/dL são classificados
como to lerância d im inuída à glicose, e valores < 1 40 m g/dL são considerados
•
normais.
O seu principal uso é naqueles pacientes com glicemia de jejum alterada,
mas sem d iagnóstico de DM (1 00-1 25 mg/dL). Com a glicemia de jejum, perm ite
a classificação dos pacientes em normais, com gl icose de jejum alterada, intoleran
tes à gl icose ou com DM (Tab. 19 . 1 ) . Outra ind icação clássica é para pacientes
com h istória de macrossom ia.
Hemoglobina glicada (HbA10) . A glicose e a hemoglobina se com binam , formando
,
a hemoglobina glicada. E o exame mais importante no seguimento dos pacientes
com DM, pois reflete o controle glicêm ico nos 1 20 d ias prévios à sua dosagem
(tempo de meia-vida da hemácia). O seu nível está relacionado, em vários estudos,
com o desenvolvimento de com pl icações crônicas em pacientes com DM. Pode
ser dosada por vários métodos, o q ue d im inu i a sua reprodutibi l idade, e, por isso,
Tabela 19.1
-
CLASSIFICAÇAO DOS RESULTADOS DA GLICOSE DE JEJUM E TIG
COM 75 g DE GLICOSE
Testes diagnósticos DM
1
Glicose de jejum � 1 26
TTG 75 g � 200
TTG, Teste de tolerância à glicose.
Tolerância
diminuída
< 1 26
1 40- 1 99
Glicose de
jejum alterada
1 00- 1 25
< 1 40
Normal
< 1 00
< 1 40
201
-
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:!!:
� w m
c::c -
e
deve ser realizado sem pre no mesmo laboratório para cada paciente. Existem
propostas para a sua padron ização, o que perm itiria com parações em d iferentes
cenários e, inclusive, seu uso para d iagnóstico de DM. Para a sua dosagem, não
é necessário jejum , e o resultado é expresso em porcentagem . A sua relação com
a glicose de jejum é de aprox imadamente 1 % para cada 30 mg/d L (Tab. 1 9.2).
Pacientes considerados com bom controle do DM são aq ueles com resultado
� 7% .
Esse teste apresenta alguns interferentes que podem elevar o seu valor (insufi
ciência renal crôn ica, anem ia ferropriva, nível aumentado de triglicerídeos) ou
d iminuí-lo (situações que cursam com dim inuição da me ia-vida das hemácias,
gestação). As hemoglobinopatias podem aumentar ou diminuir o seu valor, depen
dendo do método util izado para dosagem .
Frutosamina. Esse teste é uma medida de proteínas séricas gl icadas e reflete o
controle glicêm ico nas últimas três semanas, portanto um período menor do que o
representado pela HbA1c. Seu principal uso é nas situações em que a HbA1capresenta
interferentes para a sua dosagem (hemoglobinopatias). O seu valor de referência
em pacientes sem DM é de 205-285 µmol/L, e cada aumento de 180 µmol/L no
nível de frutosam ina corresponde a um aumento de 30 mg/dL na glicemia plas
mática. Esse teste não é utilizado rotineiramente por não apresentar padronização
adequada e por não haver evidência de seus níveis com desfechos clínicos.
Tabela 19.2
- , , ,
RELAÇAO ENTRE GLICEMIA MEDIA E NIVEIS PLASMA TICOS DE
HEMOGLOBINA GLICADA
Hemoglobina glicada (%)* Glicose plasmática média (mg/dl)
•
6 1 26
7 1 54
8 1 83
9 2 1 2
1 0 240
1 1 269
1 2 298
* HbA1c padronizada para o Diabetes Centrei and Compl ications Triai (normal : 4-6%).
202
TESTES PARA COMPLICAÇÕES DO DM
Entre as com pl icações crônicas do DM, podem ser destacadas a retinopatia, a
nefropatia, a neuropatia e a card iopatia isquêm ica. Do ponto de vista laboratorial,
a neuropatia e a retinopatia devem ser abordadas in icialmente