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AULA 05 - A PLENITUDE DO ESPÍRITO 
Leandro Lima 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
introdução 
 
A Plenitude do Espírito Santo é a vida idea- 
lizada por Deus para todos os crentes, ela é 
o segredo do sucesso espiritual e a garantia 
da vida de santidade. Quando Deus criou o 
homem à sua imagem, idealizou um rela- 
cionamento íntimo com ele. Esse relacio- 
namento se quebrou por causa do pecado, 
mas em Jesus Cristo o homem é restaurado 
ao relacionamento pessoal com Deus, no ní- 
vel mais elevado que poderia existir: passa a 
ser habitação do Espírito de Deus. Assim, 
o homem pode desfrutar do maior benefí- 
cio que poderia ser imaginado. E é só dessa 
forma que o homem pode se sentir plena- 
mente realizado e feliz. Sem essa plenitude, 
embora convertidos, podemos ser bem pou- 
co diferentes da maioria dos homens que 
vivem nesse mundo. A plenitude nos torna 
pessoas verdadeiramente diferentes. 
 
Muitas vezes, as pessoas confundem Batis- 
mo do Espírito com Plenitude do Espírito. 
Como já vimos no estudo anterior, o Batis- 
mo é uma obra única que acontece no mo- 
mento da conversão e que nunca mais se 
repete. Porém, o Batismo dá direito a um 
enchimento contínuo do Espírito Santo, e a 
um agir do Espírito sobre a vida do crente 
que pode ser aumentado ou diminuído ao 
longo da vida. Chamamos o enchimento do 
Espírito de Plenitude do Espírito. De acor- 
do com a Bíblia, essa plenitude deveria ser 
a vida cristã normal, mas o pecado causa o 
esvaziamento espiritual. Esse esvaziamen- 
to, ainda que não seja definitivo, faz com 
que não tenhamos forças para resistir ao 
mal e nem vontade de servir ao Senhor. 
Em contrapartida, Deus nos coloca a opção 
contínua desse enchimento, e isso significa 
que podemos ser cheios tantas vezes quan- 
tas precisarmos, e de fato, sempre precisa- 
mos. Ao contrário do Batismo do Espírito 
que é uma obra realizada por Deus, inde- 
pendente de nossa própria vontade, a Bíblia 
nos ensina a orar e buscar a plenitude do 
Espírito Santo. 
 
 
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1 John Stott. Batismo e 
Plenitude do Espírito 
Santo, p. 35. 
 
 
 
 
2 John Stott. Batismo 
e Plenitude do Espírito 
Santo, p. 44. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 A.A. Hoekema. Salvos 
pela Graça, p. 58. 
Uma obra continuamente necessária 
 
Ser cheio ou pleno do Espírito Santo deve 
ser a maior busca do cristão nessa vida. A 
plenitude do Espírito é uma obra diferente 
das demais obras do Espírito por ser condi- 
cional, experimental e repetida. O batismo, 
a regeneração e o selo do Espírito são coisas 
não experimentais, ocorrem no momen- 
to da conversão, e de uma vez por todas. 
O “enchimento” do Espírito, ao contrário, 
pode ser experimentado e repetido muitas 
vezes. Como diz Stott, “quando falamos do 
batismo do Espírito estamos nos referindo 
a uma concessão definitiva; quando falamos 
da plenitude do Espírito estamos reconhe- 
cendo que é preciso apropriar-se contínua 
e crescentemente deste dom”1. Portanto, re- 
conhecer que o batismo é uma experiência 
da qual não participamos, não faz de nós 
pessoas inativas, pois temos a responsabi- 
lidade da plenitude do Espírito. Isso leva ao 
entendimento de que é possível que alguém 
que foi batizado com o Espírito se esvazie 
desse Espírito e precise encher-se novamen- 
te. Não significa que ele será batizado outra 
vez, pois o batismo é único, nem mesmo 
que ficará “totalmente” vazio desse Espírito, 
pois Deus nunca retira totalmente o Espíri- 
to dos regenerados. 
 
Cheios novamente 
 
No dia do Pentecostes, os discípulos recebe- 
ram o batismo com o Espírito Santo e tam- 
bém receberam a plenitude do Espírito. O 
batismo nunca mais se repetiu, mas a ple- 
nitude sim. Em Atos 4 está registrado o mo- 
mento em que a igreja enfrentou a primeira 
perseguição. Os sacerdotes prenderam os 
apóstolos e os lançaram na prisão (At 4.1-3). 
Após interrogá-los, exigiram que não falas- 
sem mais no nome de Jesus (At 4.18), e lhes 
fizeram ameaças (At 4.21). Quando foram 
soltos, os crentes se reuniram e começaram 
a orar. Na oração, clamaram pela Soberania 
de Deus, e pediram: “Agora, Senhor, olha 
para as suas ameaças e concede aos teus 
servos que anunciem com toda a intrepidez 
a tua palavra, enquanto estendes a mão para 
fazer curas, sinais e prodígios por intermé- 
dio do nome do teu santo Servo Jesus” (At 
4.29-30). Lucas relata a resposta de Deus à 
oração da igreja: “Tendo eles orado, tremeu 
o lugar onde estavam reunidos; todos fica- 
ram cheios do Espírito Santo e, com intre- 
pidez, anunciavam a palavra de Deus” (At 
4.31). Eles já haviam sido batizados com o 
Espírito, mas precisaram de um novo en- 
chimento do Espírito para poder realizar a 
obra de Deus e enfrentar os desafios ainda 
maiores que surgiram. 
 
Quem, quando e como 
 
Em Efésios 5.18 Paulo diz: “E não vos embria- 
gueis com vinho, no qual há dissolução, mas 
enchei-vos do Espírito”. A primeira coisa que 
notamos no texto é a expressão: “Enchei-vos”. 
O verbo está no imperativo, o que significa que 
é uma ordem que deve ser obedecida. Como 
diz Stott, “a plenitude do Espírito Santo não é 
opcional, mas obrigatória para o cristão”2. Te- 
mos a obrigação e a responsabilidade de ser- 
mos cheios do Espírito. Outro aspecto impor- 
tante é que o verbo está no plural, o que indica 
que a ordem é direcionada a todos os crentes, 
assim, todos têm a obrigação de serem cheios 
do Espírito Santo. Não existe uma classe de 
crentes que tenha esse privilégio, pois todos 
podem e devem ser cheios. Além disso, o ver- 
bo está na voz passiva, o que demonstra que 
a ação de encher é do Espírito e não nossa. 
Uma boa tradução poderia ser: “Deixai o Es- 
pírito vos encher”. Mas isso não significa que 
sejamos passivos, pois a nossa participação é 
significativa, cabe a nós buscarmos esse en- 
chimento. E por fim, e talvez mais importan- 
te de tudo, a ordem está no tempo presente, 
o que representa uma ação contínua, e isso 
significa que devemos estar continuamente 
sendo cheios do Espírito Santo. Hoekema ob- 
serva que, “o imperativo presente ensina-nos 
que ninguém pode, jamais, reivindicar ter 
sido cheio do Espírito de uma vez por todas. 
Estar sendo continuamente cheio do Espírito 
é, de fato, o desafio de uma vida toda e o desa- 
fio de cada dia.”3 
 
 
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Já dissemos que o enchimento do Espírito é 
algo que, por um lado é passivo, pois o Espí- 
rito nos enche, e por outro ativo, pois temos a 
responsabilidade de buscar esse enchimen- 
to. Algo que ainda precisa ficar claro é como 
podemos ser cheios. Jesus nos dá a resposta: 
“Se alguém tem sede, venha a mim e beba. 
Quem crer em mim, como diz a Escritura, 
do seu interior fluirão rios de água viva. Isto 
ele disse com respeito ao Espírito que ha- 
viam de receber os que nele cressem; pois o 
Espírito até aquele momento não fora dado, 
porque Jesus não havia sido ainda glorifica- 
do” (Jo 7.37-39). Jesus aproveitou um ritual 
da Festa dos Tabernáculos para ilustrar algo 
de imenso valor para as pessoas. No ritual, 
um sacerdote saía com uma procissão e tra- 
zia num jarro de ouro um pouco de água da 
piscina de Siloé. Aquela água seria derrama- 
da no altar, e provavelmente simbolizasse o 
próprio derramamento futuro do Espírito 
Santo, que Ezequiel e os profetas haviam 
anunciado (Is 44.3; Ez 39.29; Jl 2.28). Tal- 
vez, Jesus tenha observado aquele ritual, e, 
então, aproveitando o momento, se levan- 
tou e falou de uma água melhor. Ele já havia 
oferecido essa água à mulher samaritana 
ao lado do poço de Jacó (Jo 4.10-15). Aquela 
água que podia matar a sede dos sedentos 
era o Espírito Santo. Jesus nos explica aqui 
como essa água pode ser conseguida. Ele 
diz: “Quem tem sede venha a mim e beba”, 
ou seja, o que é necessário é tão somente, 
ir a Jesus e beber. O método divino pelo 
qual podemosser cheios do Espírito Santo 
é o mais simples de todos: basta ter sede, ir 
a Jesus e beber. Jesus é o responsável por 
nos encher do Espírito, isso pode ser feito 
a qualquer momento, em qualquer lugar, e 
em qualquer situação. Uma vez que o Deus 
Onipresente está sempre conosco, não há 
qualquer empecilho prático para que a nos- 
sa sede seja saciada agora mesmo. Mas, é 
preciso ter sede... 
 
Porque ser cheio 
 
Devemos pensar ainda no “porquê” de ser- 
mos cheios do Espírito. Basicamente são 
duas razões: maturidade e serviço. O enchi- 
mento do Espírito Santo representa a ma- 
turidade cristã. Quando somos convertidos, 
a Bíblia diz que passamos pela experiência 
de um “novo nascimento”. Estendendo a 
analogia, podemos dizer que no momento 
da conversão somos “crianças” ou mesmo 
“bebês” em Cristo. Louis Berkhof usa uma 
figura para ilustrar a nossa nova condição: 
“Uma criança recém-nascida é, salvo exce- 
ções, perfeita em suas partes, mas não está 
no grau de desenvolvimento ao qual foi des- 
tinada. Justamente assim, o novo homem é 
perfeito em suas partes, mas, na presente 
vida, continua imperfeito no grau de desen- 
volvimento espiritual”.4 O fato é que preci- 
samos crescer. Esse crescimento vem pelo 
enchimento do Espírito Santo. Certa oca- 
sião Paulo teve que dizer aos Coríntios: “Eu, 
porém, irmãos, não vos pude falar como a 
espirituais, e sim como a carnais, como a 
crianças em Cristo” (1Co 3.1). Paulo havia 
detectado uma série de problemas dentro da 
igreja de Corinto. Aquela igreja estava cheia 
de divisões, orgulho espiritual, fornicação e 
uso impróprio dos dons espirituais. Essas 
atitudes demonstravam que os crentes de 
Corinto eram crianças em Cristo. Paulo fez 
uma distinção entre alguém “espiritual” e 
alguém “carnal”, ou “criança”. Infelizmente 
essa distinção existe. Devemos pensar que o 
espiritual é aquele que, através da plenitude 
do Espírito, experimenta o verdadeiro cres- 
cimento em fé, esperança e amor, enquanto 
que o carnal, é aquele cujo reservatório qua- 
se sempre está muito baixo. 
 
O enchimento do Espírito nos faz ser espi- 
rituais, ou seja, maduros na fé. A falta desse 
enchimento nos torna débeis e presa fácil 
do mundo, da carne e do diabo. Porém, não 
devemos entender a expressão “carnal” no 
sentido de um crente de segunda classe, al- 
guém dividido entre a carne e o Espírito. Os 
crentes verdadeiros deixaram de ser carnais 
nesse sentido, pois são novas criaturas, e não 
podem ser meio novas e meio velhas. Paulo 
deixou bem claro que o verdadeiro crente é 
aquele que já “crucificou” ou “se despojou” 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 Louis Berkhof. 
Teologia Sistemática, 
p. 541. 
 
 
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5 João Calvino. 
Institutas, II.2.19. 
 
 
 
 
 
6 R. C. Sproul. 
Verdades Essenciais da 
Fé Cristã, Vol 2, p. 15. 
 
 
 
 
 
 
 
7 Edwin H. Palmer. El 
Espiritu Santo, p. 68. 
do velho homem (Rm 6.6; Cl 3.9). O crente 
verdadeiro, nesse sentido, não está na car- 
ne, mas no Espírito (Rm 8.8-9). Carne aqui 
deve ser entendida como a velha natureza 
pecaminosa herdada de Adão. Não é a carne 
no sentido de corpo humano, mas carne no 
sentido de escravidão do pecado. Mas apesar 
de estar no Espírito, muitas vezes os crentes 
têm atitudes carnais e cedem à tentação da 
carne, pois ainda estão na carne, no sentido 
de “corpo carnal decaído” (Fp 1.22,24). 
 
Além da maturidade, o enchimento do Espí- 
rito Santo é necessário para o serviço cristão. 
Nesse ponto, é importante atentarmos para 
o fato de que, desde o Antigo Testamento, 
o Espírito capacitava pessoas para funções 
especiais na obra de Deus, como Bezalel, 
Sansão, Davi e outros. Lembramos também 
que João Batista foi cheio do Espírito Santo 
desde o ventre materno para realizar a tarefa 
de ser o precursor de Cristo (Lc 1.15-17). Os 
diáconos escolhidos em Atos 6, para servir 
as mesas, também eram cheios do Espírito 
Santo (At 6.3-5). Barnabé que serviu junto 
com Paulo era homem cheio do Espírito 
Santo (At 11.24). Paulo não poderia ser di- 
ferente, somos informados que, quando ele 
ficou cheio do Espírito Santo, imediatamen- 
te começou a pregar que Jesus era o Filho 
de Deus (At 9.17, 20). E houve momentos 
em que, muitos desses foram novamente 
enchidos, de acordo com as necessidades da 
ocasião. Como já vimos, a igreja ficou cheia 
do Espírito após as ameaças e então, com 
mais intrepidez, anunciou o Evangelho (At 
4.31-32). Antes disso, Pedro já estava cheio 
do Espírito Santo quando encarou o Siné- 
drio que o julgava (At 4.8). Estevão também 
estava cheio do Espírito Santo no momento 
em que foi martirizado (At 7.55). E Paulo, 
quando repreendeu Elimas o mágico, estava 
novamente cheio do Espírito (At 13.9). Tudo 
isso nos aponta para a imensa necessidade 
de ser cheio do Espírito Santo para realizar 
o serviço na obra de Deus, e nos lembra que 
o sucesso nessa obra não é “por força, nem 
por poder, mas pelo meu Espírito” (Zc 4.6). 
É impossível realizar a obra de Deus sem 
esse enchimento do Espírito, mas, a grande 
notícia é que podemos ser cheios a qualquer 
momento. Quem tem sede, beba. 
 
A iluminação do Espírito 
 
Uma vida cheia do Espírito Santo, além de 
ter como característica a produção do “fruto 
do Espírito”, será também uma vida dirigida 
pelo Espírito. Uma das principais obras do 
Espírito dentro dos crentes é a iluminação. 
Iluminação refere-se basicamente à atuação 
do Espírito Santo em capacitar os homens 
a entenderem a Palavra de Deus. A ilumi- 
nação não provê informações ou revelações 
além daquelas encontradas na Bíblia, a ilu- 
minação esclarece a Bíblia para nós. O Espí- 
rito Santo nos convence da verdade da Pala- 
vra de Deus, e então, nos ajuda a entender 
e a aplicar essa verdade em nossa vida. Sem 
essa iluminação do Espírito jamais poderí- 
amos entender a Palavra de Deus. Calvino 
diz, “a carne não é capaz de tão alta sabe- 
doria como é compreender a Deus e o que 
a Deus pertence, sem ser iluminada pelo 
Espírito Santo”5. A Escritura já é luz por si 
mesma (Sl 119.105), porém, precisamos de 
uma luz adicional, porque por natureza, es- 
tamos em trevas. Sproul diz: “O mesmo Es- 
pírito Santo que inspira a Palavra, age para 
iluminar a Palavra em nosso benefício. Ele 
derrama luz sobre a luz original”6. 
 
Palmer diz: “Para adquirir conhecimento 
verdadeiro não basta, pois, possuir a clara re- 
velação de Deus; o homem precisa também 
poder ver. E precisamente aqui é onde entra 
o Espírito Santo. Dá ao homem não somente 
um livro infalível, mas também olhos para 
que o possa ler”7. Paulo deixa isso bem claro 
em sua primeira carta aos Coríntios. Ele diz: 
“Mas, como está escrito: Nem olhos viram, 
nem ouvidos ouviram, nem jamais pene- 
trou em coração humano o que Deus tem 
preparado para aqueles que o amam” (1Co 
2.9). Ao contrário do que geralmente se su- 
põe, Paulo não está falando aqui do paraíso, 
mas do Evangelho de Cristo. Esse Evangelho 
foi revelado pelo Espírito, conforme ele de- 
 
 
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clara: “Mas Deus no-lo revelou pelo Espírito; 
porque o Espírito a todas as coisas perscru- 
ta, até mesmo as profundezas de Deus” (1Co 
2.10). Segundo esse texto, o Espírito nos re- 
vela aquilo que está na mente de Deus. Ele 
“perscruta”, no sentido de iluminar ou tor- 
nar claro para nós, aquilo que está na men- 
te de Deus. O que os olhos humanos não 
conseguem contemplar, o Espírito revela, 
“para que conheçamos o que por Deus nos 
foi dado gratuitamente” (1Co 2.12). Obvia- 
mente, ele está se referindo à salvação pela 
graça. Porém, “o homem natural não aceita 
as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são 
loucura; e não pode entendê-las, porque elas 
se discernem espiritualmente” (1Co 2.14). 
Aqui está a declaração de que o homem na- 
tural, ou seja, o homem nãoconvertido não 
consegue aceitar e entender essas coisas do 
Espírito. Falta-lhe a iluminação do Espírito, 
e, como diz Spurgeon: “nós nunca conhece- 
remos nada enquanto não formos ensinados 
pelo Espírito Santo, que fala mais ao coração 
do que ao ouvido.”8 
 
A mesma ideia pode ser encontrada em 2Co- 
rintios 4. Paulo diz que rejeitava as formas 
astuciosas de pregação, mantendo a integri- 
dade da Palavra de Deus (2Co 4.2). Ou seja, 
sua pregação consistia na exposição precisa 
da Palavra de Deus, e não em recursos de 
oratória ou sabedoria secular. Entretanto, 
nem todos estavam crendo na mensagem 
da graça, e Paulo sabe o porquê: “Mas, se 
o nosso Evangelho ainda está encoberto, é 
para os que se perdem que está encoberto, 
nos quais o deus deste século cegou o enten- 
dimento dos incrédulos, para que lhes não 
resplandeça a luz do Evangelho da glória de 
Cristo, o qual é a imagem de Deus” (2Co 
4.3-4). Aqui está a explicação sobre por que 
a maioria das pessoas simplesmente não 
consegue entender o Evangelho. A razão é 
que estão cegas, pois Satanás as cegou. Elas 
não conseguem entender o Evangelho da 
Palavra de Deus porque lhes falta um dis- 
positivo interno chamado entendimento ou 
iluminação. Suas mentes estão obscureci- 
das (Ef 4.17-18) e só podem crer se forem 
iluminadas (2Co 4.6). Essa tarefa de ilumi- 
nar pertence ao Espírito Santo. 
 
Quando o Espírito Santo age na vida de uma 
pessoa incrédula, ele abre os olhos e os ou- 
vidos espirituais dessa pessoa, a fim de que 
consiga ver e ouvir a revelação de Deus na 
Escritura. Dessa forma, a pessoa passa a ter 
convicção de seus pecados e entenderá que 
a salvação somente é possível na pessoa de 
Cristo. Mas a obra da iluminação não pára 
por aí. Durante toda a vida, o crente terá à 
disposição essa obra iluminadora do Espíri- 
to Santo que lhe ajudará a entender a Escri- 
tura e a discernir a vontade de Deus. Esse 
fator de iluminação é de imensa ajuda para 
que desenvolvamos uma vida de sabedoria 
e obediência à sua vontade. Uma das coisas 
que Paulo mais desejava para seus filhos 
espirituais era esse fator de iluminação, 
pois ele disse ao Efésios que orava frequen- 
temente por isso: “Não cesso de dar graças 
por vós, fazendo menção de vós nas minhas 
orações, para que o Deus de nosso Senhor 
Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda es- 
pírito de sabedoria e de revelação no pleno 
conhecimento dele, iluminados os olhos do 
vosso coração, para saberdes qual é a espe- 
rança do seu chamamento, qual a riqueza 
da glória da sua herança nos santos e qual 
a suprema grandeza do seu poder para com 
os que cremos” (Ef 1.16-19). Mediante a ilu- 
minação do Espírito podemos compreender 
as grandezas de Deus para nossa vida e des- 
frutar delas. Nesse sentido, João chamava a 
iluminação de “unção que vem do Santo”, a 
qual é responsável pelo conhecimento que 
os cristãos têm da verdade (1Jo 2.20-21). 
João apela para essa unção a fim de evitar 
que os crentes sejam enganados por falsos 
ensinos. Evidentemente, precisamos dizer 
mais uma vez, que esse conhecimento está 
sempre ligado à Palavra de Deus, que é a 
Palavra da Verdade (Jo 17.17). 
 
O fruto do espírito 
 
A maior consequência da plenitude do Es- 
pírito é o desenvolvimento natural do “fruto 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
8 C.H. Spurgeon. 
Firmes na Verdade, 
p. 72. 
 
 
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9 R. C. Sproul. O 
Mistério do Espírito 
Santo, p. 163. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
10 R. C. Sproul. O 
Mistério do Espírito 
Santo, p. 164. 
do Espírito”. Na igreja, os dons do Espírito 
são muito mais populares do que o fruto do 
Espírito. É fácil vermos as pessoas orando 
por dons, mas, raramente vemos alguém 
orando pelo fruto. O motivo disso também 
não é difícil de saber, pois os dons nos fa- 
lam de algo extraordinário, sugerindo poder 
e feitos magníficos. O fruto, por outro lado, 
fala da dura rotina de evidenciar um caráter 
transformado. Por causa disso, como diz 
Sproul, “os diversos frutos do Espírito pare- 
cem estar condenados à obscuridade, ocul- 
tos na sombra dos dons mais preferidos”9. 
Porém, segundo a Bíblia, a grande evidên- 
cia de que alguém está cheio do Espírito é 
o fruto e não necessariamente os dons. Isso 
nos lembra as palavras de Jesus: “Não pode 
a árvore boa produzir frutos maus, nem a 
árvore má produzir frutos bons. Toda árvore 
que não produz bom fruto é cortada e lan- 
çada ao fogo. Assim, pois, pelos seus frutos 
os conhecereis” (Mt 7.18-20). O próprio Jesus 
disse que a evidência de “poder” na vida das 
pessoas não significa necessariamente con- 
versão, pois, conforme ele completou: “Mui- 
tos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Se- 
nhor! Porventura, não temos nós profetizado 
em teu nome, e em teu nome não expelimos 
demônios, e em teu nome não fizemos mui- 
tos milagres? Então, lhes direi explicitamen- 
te: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, 
os que praticais a iniquidade” (Mt 7.22-23). 
Para Jesus o critério da verdadeira conversão 
não é “poder” que alguém manifesta, mas a 
obediência, a vida realmente transformada. 
Isso nos ensina que, mais do que manifes- 
tações espirituais, deveríamos buscar a real 
transformação de vida que se demonstra em 
atitudes práticas de obediência à Palavra de 
Deus, mediante a plenitude do Espírito. 
 
Gálatas 5.16-25 é o grande texto da Escritura 
sobre as obras da carne e o fruto do Espíri- 
to. Paulo faz importantes declarações sobre 
as duas coisas e nos dá o segredo para que o 
fruto do Espírito seja produzido em nós, que, 
como já vimos, é andar no Espírito. A palavra 
“andar” é um hebraísmo que significa viver 
continuamente na prática de algo. A figura 
bíblica do “andar” é significativa, pois aponta 
para a nossa realidade diária de caminhar, nos 
deparando com novas e desafiadoras situa- 
ções, para as quais o Espírito nos conduzirá 
de forma segura conforme as Escrituras. As- 
sim, a Bíblia diz que Enoque e Noé andaram 
com Deus (Gn 5.24, 9.6). Isso denota toda 
uma vida de dedicação e fiel cumprimento 
aos princípios divinos. Esse apego contínuo 
ao Espírito Santo que está em nós é a garantia 
de que a carne perderá a guerra contra o Espí- 
rito. Por sua vez, isso indica que quando não 
vivemos dessa forma, a carne ganhará. 
 
Guerra sem trégua 
 
Uma das realidades mais vívidas do crente é 
a do conflito. Quando nos convertemos, caí- 
mos de pára-quedas em meio a um imenso 
combate que já vem sendo travado há muito 
tempo, o combate do bem contra o mal, do 
Reino de Deus contra o Império das Trevas. 
Paulo diz que estamos em meio a uma guer- 
ra que não é contra “o sangue e a carne, e 
sim contra os principados e potestades, con- 
tra os dominadores deste mundo tenebroso, 
contra as forças espirituais do mal, nas re- 
giões celestes” (Ef 6.12). Não há como fugir 
dessa guerra. Uma vez que fomos tirados 
do Império das Trevas (Cl 1.13), agora todo 
aquele império é nosso inimigo. Por isso 
só nos resta vestir a armadura, empunhar a 
espada e orar até não poder mais (Ef 6.11- 
18). Alguém poderia esperar que a luta fosse 
apenas externa, mas o problema é que há 
uma luta dentro de nós também. Paulo diz: 
“Porque a carne milita contra o Espírito, e o 
Espírito, contra a carne, porque são opostos 
entre si; para que não façais o que, porventu- 
ra, seja do vosso querer” (Gl 5.17). Esta é uma 
batalha terrível. O velho homem não quer 
entregar o terreno de bom grado e se arma 
até aos dentes a fim de resistir ao Espírito. 
Como diz Sproul, “embora essa guerra seja 
interna e invisível, há claros sinais externos 
da carnificina provocada pela batalha”10. Ele 
está se referindo especialmente ao que acon- 
tece quando a carne vence, pois aparecem as 
obras da carne. Não devemos ignorar a re- 
 
 
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https://xodo.onelink.me/MzCS/r9imbau3alidade desse combate, e somos chamados 
para tomar o lado do Espírito nessa batalha. 
 
Paulo diz: “Ora, as obras da carne são co- 
nhecidas e são: prostituição, impureza, las- 
cívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, por- 
fias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, 
facções, invejas, bebedices, glutonarias e 
coisas semelhantes a estas, a respeito das 
quais eu vos declaro, como já, outrora, vos 
preveni, que não herdarão o reino de Deus 
os que tais coisas praticam” (Gl 5.19-21). 
Evidentemente, essas obras caracterizam a 
vida de uma pessoa não-regenerada. Não 
significa que um crente não possa cair em 
algum desses pecados ocasionalmente, po- 
rém, se essas coisas forem evidências contí- 
nuas na vida de alguém, como Jesus disse, 
isso caracteriza natureza de árvore má, ou 
seja, ausência de conversão. A lista parece 
falar de pecados que têm relação com o sexo 
(prostituição, impureza, lascívia), com a re- 
ligião (idolatria, feitiçarias), com relaciona- 
mentos (inimizades, porfias, ciúmes, iras, 
discórdias, dissensões, facções, invejas), e, 
por fim, com com os apetites (bebedices, 
glutonarias). Porém, a lista não é exaustiva, 
pois Paulo diz: “E coisas semelhantes a es- 
sas”. Quatro áreas problemáticas ficam bem 
enfatizadas: sexo, religião, relacionamentos 
e apetites. São quatro áreas em que a car- 
ne gosta de se manifestar. As armas da car- 
ne são poderosas, elas atuam em todos os 
nossos pontos mais fracos e, como Paulo 
diz, são conhecidas, na verdade são nossas 
conhecidas íntimas. São as coisas mais co- 
muns que encontramos no mundo, quando 
ligamos a tv, abrimos o jornal, ou conver- 
samos informalmente com os amigos. Até 
mesmo na igreja elas podem se manifestar. 
Mesmo no recanto de nossa mente, e inclu- 
sive até nos sonhos elas tramitam e fazem 
guerra contra o Espírito. Deus engrandeça o 
seu Espírito dentro de nós! 
 
Tríplice relacionamento 
 
Em contrapartida, o Fruto do Espírito apre- 
senta as virtudes da vida cristã autêntica. 
Stott vê uma tríplice divisão nesse fruto, 
que é composto de nove elementos, classifi- 
cando-o como: Relacionamento com Deus, 
relacionamento com os outros, e relaciona- 
mento com nós mesmos mesmos11. 
 
Em relação a Deus estão o amor, a alegria e 
a paz. O amor é o único que figura tanto na 
lista do fruto quanto dos dons do Espírito. 
É o primeiro e o mais importante nas duas 
listas. Paulo diz que o amor de Deus é derra- 
mado em nossos corações pelo Espírito (Rm 
5.5). Ele diz que o amor é “do Espírito” (Rm 
15.30) e “no Espírito” (Cl 1.8). De certa for- 
ma, exibir esse amor é evitar todas as obras 
da carne (1Co 13.4-7). A alegria do Espírito é 
uma marca fundamental do crente e é uma 
das características principais do próprio rei- 
no de Deus (Rm 14.17). Ela está relacionada 
à posição que o crente tem diante de Deus. 
Não é uma simples euforia por alguma con- 
quista pessoal, mas uma alegria sincera e 
profunda, oriunda da certeza da salvação, e 
que não diminui em meio às dificuldades e 
provações da vida (Fp 4.4). A paz que é fru- 
to do Espírito também é bastante diferen- 
te da “paz” que o mundo almeja. Essa paz 
não significa apenas ausência de conflito. O 
crente pode estar em paz mesmo em meio 
às guerras e tribulações da vida, afinal, a vida 
cristã é uma guerra externa e interna. Essa 
paz “excede todo o entendimento” (Fp 4.7). 
Como diz Stott, amor, alegria e paz são ca- 
racterísticas fundamentais do cristão, “tudo 
o que ele faz é concebido com amor, inicia- 
do com alegria e executado com paz”12. 
 
Em relação aos outros estão longanimidade, 
benignidade e bondade. Um temperamento 
longânimo é caracterizado pela demora em 
se irritar e por uma ausência completa de 
“pavio curto”, conseguindo suportar as ofen- 
sas dos outros e evitando o ato de julgar. A 
característica principal da longanimidade é 
a capacidade de esperar. O crente espera que 
as coisas mudem a longo prazo. Ele não de- 
seja tudo para hoje, pois consegue esperar o 
momento certo. A benignidade é uma virtu- 
de que tem a ver com o devido controle da 
 
 
 
 
 
11 John Stott. Batismo 
e Plenitude do Espírito 
Santo, p. 56. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
12 John Stott. Batismo 
e Plenitude do Espírito 
Santo, p. 56. 
 
 
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13 Anthony Hoekema. 
Salvos Pela Graça, 
p. 51. 
força. É uma característica própria de Deus 
que não usa sua força além do necessário. 
Alguém benigno sabe ser bondoso com os 
que estão errados. A bondade tem em Deus 
o seu próprio padrão, pois somente Deus 
é realmente bom. Quando somos conver- 
tidos, o Espírito muda nossa essência má, 
tornando-nos imitadores de Deus. Assim, 
podemos demonstrar bondade uns com os 
outros sem esperar nada em troca. 
 
Em relação a nós mesmos estão fidelidade, 
mansidão e domínio próprio. A fidelidade é 
uma graça que o convertido recebe. Ele não 
é fiel aos outros, ele é fiel a si mesmo, pois 
em última instância sua fidelidade é para 
com Deus. Sua preocupação não é com o 
que os outros vão pensar, mas sim, com o 
que Deus pensa dele, e com o que ele pensa 
de si mesmo. Ele deseja agir coerentemente 
com o que recebeu de Deus. Não devemos 
confundir mansidão com fraqueza, pois al- 
guém que tem o poder e até o direito de re- 
vidar, mas abre mão disso por uma questão 
de fé, não é um covarde, é um corajoso. E 
domínio próprio é a virtude do auto-controle. 
Tem domínio próprio quem recebeu o po- 
der de controlar a língua, os apetites e até os 
pensamentos. 
 
Há um só fruto do espírito 
 
Precisamos notar que, apesar de termos lis- 
tado várias características, há na verdade, 
apenas um fruto do Espírito. Ainda que, ge- 
ralmente falemos em “frutos do Espírito”, a 
palavra em Gálatas 5.22 está no singular. Os 
dons do Espírito são muitos porque carac- 
terizam a diversidade de membros no cor- 
po de Cristo e, por conseguinte, ninguém 
tem todos os dons, mas o fruto não tem essa 
função, e por isso, cada crente verdadeiro 
deve produzir todo o fruto do Espírito. Todo 
crente tem pelo menos um dom que lhe foi 
concedido soberanamente pelo Espírito, 
além de ter a responsabilidade de buscar 
outros dons (Ver 1Co 12.3), porém, como diz 
Hoekema, “podemos ser salvos sem muitos 
dos dons do Espírito, mas não podemos ser 
salvos sem o fruto do Espírito”13. A unidade 
do fruto do Espírito, portanto, nos diz que 
não podemos escolher virtudes, devemos 
evidenciá-las todas. Uma pessoa não pode 
ser apenas “longânima” sem ser “fiel”. Do 
mesmo modo não pode evidenciar “amor” 
sem “domínio próprio”. A plenitude do fru- 
to do Espírito é a evidência principal da ple- 
nitude do Espírito. 
 
Característica orgânica do fruto 
 
Uma vez que estamos falando de “fruto”, 
também devemos pensar em seu crescimen- 
to orgânico. Isso nos sugere duas coisas: 
Primeiro que ele precisa crescer e segundo, 
que cresce em certas circunstâncias. Não 
devemos esperar que uma pessoa recém- 
convertida demonstre o fruto do Espírito em 
sua forma plena, pois ele será desenvolvido 
gradualmente. Isso nos leva à segunda ob- 
servação, pois para que algo se desenvolva, 
precisa ser alimentado. Usando a analogia 
da natureza, sabemos que uma árvore não 
precisa fazer força para produzir frutos, ela 
precisa dispor dos elementos necessários, 
como chuva, boa terra, sol, etc. Da mesma 
forma, o crente não produz frutos forçada- 
mente, mas quando dispõe dos elementos 
necessários para isso, como a pregação da 
Palavra, a comunhão entre os irmãos, a ora- 
ção, a meditação, etc., essas santas influên- 
cias do Espírito Santo produzirão, na vida do 
crente, o bendito fruto do Espírito. Esse é o 
segredo do “andar no Espírito”. E quem anda 
no Espírito tem a garantia de não satisfazer 
as concupiscências da carne (Gl 5.16; 25). O 
segredo do fruto do Espírito é andar no Espí- 
rito. Quando vivemos sob as influências do 
Espírito Santo, que nos são oferecidasatra- 
vés da Palavra de Deus, da oração, da comu- 
nhão e da igreja, o fruto do Espírito crescerá 
e amadurecerá naturalmente em nós. O Es- 
pírito nunca é estéril naquele em que habita, 
contudo, há um processo gradativo de matu- 
ridade espiritual. O fruto do Espírito não é 
algo eventual ou esporádico, mas gradativo 
e sistemático. Somos conduzidos dia a dia a 
frutificar no Espírito, pois como diz Hoeke- 
 
 
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ma: "Se andarmos continuamente no Espí- 
rito, estaremos continuamente abundando 
no fruto do Es pírito."14 
 
CONCLUSÃO 
 
Portanto, a plenitude do Espírito é a vida 
ideal do crente. Nada menos do que isso 
deve nos satisfazer. Essa vida está acessível 
a todos os convertidos, pois Jesus continua 
acessível a todos, dizendo: venha e beba. 
Paulo disse que se andássemos no Espírito 
nunca satisfaríamos os desejos da carne (Gl 
5-16). Quando estamos cheios do Es pírito, o 
mundo não brilha tanto para nós. Satanás 
já não é tão ameaçador, e nossa carne fica 
bastante enfraquecida. Ser cheio do Espíri- 
to é a garantia de uma vida cristã autêntica. 
Quando deixamos o pecado se avultar em 
nossa vida, perdemos o que temos de mais 
precioso, que é a comunhão com Deus me- 
diante a plenitude do Espírito dentro de nós. 
A vida do crente deve ser uma vida plena. O 
fruto do Espírito e a iluminação do Espírito 
devem ser coisas contínuas no processo de 
aperfeiçoamento. Viver abaixo deste padrão 
é viver uma vida esvaziada de significado e 
propósito, é simplesmente trágico. 
 
 
 
14 A. A. Hoekema. 
O Cristão Toma 
Consciência do Seu 
Valor, p. 53. 
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