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Ergonomia no Ambiente Construído
PREMISSAS BÁSICAS DA ERGONOMIA
1. NOÇÕES Preliminares
Desde as suas origens, o Homem interage com seu meio ambiente com o propósito de executar suas diversas tarefas diárias, fundamentais para sua sobrevivência, além de possibilitar a obtenção daquilo a que tem vontade ou necessidade. Esta interação se permeia, tanto na transformação (adaptação) de seu ambiente e seus componentes, como na utilização de utensílios diversos, criados por ele mesmo face às suas habilidades.
A evolução do Homem, do paleolítico para o neolítico, permeado por um aumento de complexidade de suas atividades bem como da sociedade, a partir do advento da agricultura, levou a humanidade de agrupamentos nômades e rudimentares para comunidades organizadas, que se transformariam em cidades (nações) auto sustentáveis e multitarefas. Esse processo de transformação demandou a criação de diversos instrumentos entre ferramentas, armas, e utensílios, tais como facas, garfos, vasilhas, lanças, escudos, espadas, pratos, pilões etc., necessários para as tarefas múltiplas de seu cotidiano como cozinhar, proteger, plantar, etc., bem como para promover e executar grandes transformações dos locais de habitação e convívio, respondendo a demandas de conforto físico e psicológico, além de segurança e salubridade. Essas transformações compõem uma rotina constante na história da humanidade, e sua motivação vem da busca do homem de obter o máximo de resultados com o mínimo de esforço possível, ou seja, o máximo de eficiência e eficácia.
A esse processo de transformação de seu meio e suas ferramentas, temos a essência fundamental do que chamamos ERGONOMIA.
2. Ergonomia: Conceitos
Segundo a International Ergonomics Association, ergonomia: “é a disciplina científica preocupada com o entendimento das interações entre seres humanos e outros elementos de um sistema, e a profissão que aplica teoria, princípios, dados e métodos ao design, a fim de otimizar o bem-estar humano e o conjunto, performance do sistema. (INTERNATIONAL ERGONOMICS ASSOCIATION, 2020)”.
A Associação Brasileira de Ergonomia (ABERGO) complementa dizendo que ergonomia “trata-se de uma disciplina orientada para uma abordagem sistêmica de todos os aspectos da atividade humana”.
A palavra ergonomia deriva do grego “ergon” (trabalho) e “nomos” (leis), e, como coloca a  Ergonomics Research Society (IIDA, 2005, p. 02), ergonomia é “o estudo do relacionamento entre o homem e a sua atividade, equipamento e ambiente, e particularmente a aplicação dos conhecimentos de anatomia, fisiologia e psicologia na solução surgida neste relacionamento”. Somando-se as definições propostas acima, com a pequena introdução descrita, é possível ter um bom panorama prático do que seja ergonomia e de qual sua importância.
Em todas suas atividades – conceituando-se atividade como todo o processo executado para realização de tarefas propostas, seja qual for a natureza, motivo ou circunstância – há, muitas vezes, a necessidade de empregar-se determinadas ferramentas. Da mesma forma, estas atividades serão realizadas em locais designados e que devem possuir determinados pré-requisitos que possibilitem, favoreçam e, espera-se, otimizem sua execução. Para se determinar quais serão esses pré-requisitos do local, assim como chegar-se a um correto design da ferramenta escolhida, é fundamental se conhecer aquele que a irá utilizar, bem como todo os detalhes do processo de execução da atividade apontada.
Neste ponto, é importante entendermos a diferença entre ATIVIDADE e TAREFA. Tarefa é algo que se deve fazer, algo que está no futuro, uma projeção da realização de uma ação; Atividade, por outro lado, é o que fazemos no momento presente, a realização da tarefa a partir das circunstâncias existentes. A importância de as diferenciar reside no fato de que, ao vermos a tarefa, nosso foco está na ação, no que é preciso fazer, enquanto que, ao analisarmos a atividade, ou seja, a execução, damos destaque à pessoa que irá executá-la e ao como será feito (considerando-se local e ferramentas necessárias).
2.1 Uma Perspectiva Histórica
Para ficar mais claro, vamos voltar a segunda guerra mundial, no início da década de 1940:
“Com a eclosão da II Guerra Mundial (1939 – 1945), os conhecimentos científicos e tecnológicos disponíveis foram utilizados ao máximo, para construir instrumentos bélicos relativamente complexos, como submarinos, tanques, radares, sistemas contra incêndios e aviões. Estes exigiam muitas habilidades do operador, em condições ambientais bastantes desfavoráveis e tensas, no campo de batalha. Os erros e acidentes, muitos com consequências fatais, eram frequentes. Tudo isso fez redobrar o esforço de pesquisa para adaptar esses instrumentos bélicos às características e capacidades do operador, melhorando seu desempenho e reduzindo a fadiga e os acidentes. (IIDA, 2005, p. 6)”.
A II Grande Guerra foi um conflito que colocou frente a frente o grupo Aliado, formado principalmente por norte-americanos, ingleses e russos, contra o Eixo, composto pelos alemães, japoneses e italianos. No entanto, diversos outros povos, como os franceses, belgas e até brasileiros, entraram no conflito, unindo-se a um dos lados. Um ponto importante para nossa explanação é a diversidade cultural e étnica entre os componentes dos dois grupos, o que explica os infindáveis problemas com o manuseio dos instrumentos bélicos, incompatíveis, muitas vezes, com os padrões físicos e cognitivos daqueles que os usariam. Assim, a conclusão que se chegou foi que o desempenho, a eficácia das armas, foi bastante prejudicada pela pouca compatibilidade entre operador e instrumento.
Nas experiências vividas na II Guerra, ficou claro que a inadequação dos instrumentos aos usuários ocasionava grande perda de performance, inclusive com acidentes graves. Obviamente, não há como mudar as pessoas, os seres humanos, fazê-los maiores, mais rápidos, alterar sua percepção sensorial, cognitiva etc. Isso exige um trabalhoso processo de adaptação do usuário as máquinas, envolvendo treinamentos e adaptações. Se os instrumentos são inadequados aos usuários, a solução lógica e mudá-los.
Apesar da obviedade da afirmação, a preocupação em adaptar instrumentos, ferramentas, sistemas e mesmo locais percorreu um longo percurso até os conceitos modernos do que conhecemos como Ergonomia. Naquele momento, além da pouca percepção quanto à natureza do problema, era um período emergencial de guerra.
Após o conflito, a necessidade de se estudar mais a fundo os fenômenos presenciados e documentados na guerra, os chamados “Human Factors” (Fatores Humanos), com vista a sua posterior aplicação em áreas civis, motivou a fundação da Ergonomics Research Society, em 1950, na Inglaterra. Anos após, em 1957, nos EUA, surgiria a Human Factors Society criando um polo de pesquisa no novo mundo.

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