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INTELIGÊNCIA EMOCIONAL 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Olá! 
O sistema nervoso humano, em diferentes níveis e dimensões de análise 
(seja molecular, celular, sistêmica, comportamental ou cognitiva), apresenta-se 
como uma máquina neurobiológica singular. 
Ao se ponderarem todos os artefatos, as ações e os resultados que a 
cultura humana já desenvolveu, percebe-se que há uma interminável lista de 
aspectos que sinalizam as possibilidades e as capacidades humanas. 
Isso se deve, em grande parte, ao modo como a máquina encefálica 
humana e o sistema nervoso como um todo permitem ao homem viver, entre a 
razão e a emoção, experiências únicas e universais ao mesmo tempo. 
Bons estudos! 
AULA 3 
RAZÃO, EMOÇÕES E 
SENTIMENTOS 
 
 
3 RAZÃO, EMOÇÃO E SENTIMENTOS 
Conforme Purves et al. (2013) explicam, todos os indivíduos passam por um 
processo de desenvolvimento motor, programado, pelo menos em termos de espécie, 
e afeta seu comportamento. Este processo, conhecido como desenvolvimento motor, 
implica que, à medida que envelhecemos, adquirimos a capacidade de realizar tarefas 
mais complexas e sofisticadas em comparação com o que éramos capazes de fazer 
anteriormente. Esse desenvolvimento é planejado porque nosso código genético 
contém instruções pré-determinadas, referidas como fatores intrínsecos, que indicam 
o caminho a seguir. 
No entanto, na prática, esse processo é influenciado pela interação entre 
fatores programados (nossa predisposição genética) e diversos outros fatores 
externos, como o ambiente em que vivemos e as pessoas com as quais interagimos. 
Esses fatores, chamados de fatores extrínsecos, desempenham um papel importante 
na formação das oportunidades e estímulos que os indivíduos enfrentarão ao longo 
do seu desenvolvimento. 
3.1 Neurônios e sinapses: papel crucial no funcionamento do sistema nervoso 
De acordo com Oliveira (2002), a habilidade do ser humano em se mover e se 
adaptar ao ambiente está intrinsecamente vinculada à capacidade da mente humana, 
especificamente ao sistema nervoso. Esse sistema é responsável por coordenar e 
regular todas as atividades do corpo, unir sensações e concepções, e interpretar os 
estímulos provenientes da superfície do corpo e de suas funções. Além disso, ele 
desempenha um papel crucial na seleção e busca de informações, direcionando-as 
para as áreas motoras relacionadas ao cérebro, de modo a gerar respostas 
adequadas que variam conforme o indivíduo. As células que compõem o sistema 
nervoso central (SNC) são os neurônios, cuja função primordial é a condução e a 
excitabilidade de estímulos físicos. 
A relação entre o ambiente e as características genéticas desempenha um 
papel significativo na discussão sobre a psicomotricidade. Isso ocorre porque a 
constituição biológica de um indivíduo não é apenas crucial, mas também atua como 
um facilitador na adaptação, especialmente no contexto de processos educacionais 
 
 
que impulsionam a aprendizagem. 
De acordo com Gallahue, Ozmun e Goodway (2013), a capacidade 
comunicativa dos neurônios é possibilitada pela presença de camadas de mielina, um 
revestimento lipídico isolante. Essas moléculas, de tamanho relativamente pequeno, 
desempenham funções essenciais no armazenamento de energia e na comunicação 
celular. Consequentemente, a maturação do sistema nervoso central envolve o 
processo de mielinização das células nervosas (neurônios). Durante o 
desenvolvimento motor, essa maturação permite que a criança execute processos 
psicológicos, como aprendizagem, linguagem, pensamento, emoção e memória, o 
que, por sua vez, facilita a aquisição de habilidades, como a manipulação de objetos, 
compreensão do ambiente, uso da linguagem e incorporação da cultura. 
É importante ressaltar que os neurônios são os principais responsáveis pela 
troca de informações, agilidade, destreza e respostas a situações específicas. Eles 
são centros de atividade elétrica ativados por estímulos sensoriais, sejam eles visuais, 
auditivos ou somestésicos, resultando em potenciais evocados. 
Os impulsos nervosos que viajam ao longo dos neurônios e geram essas 
atividades elétricas mensuráveis dependentes de complexos processos bioquímicos. 
Os receptores sensoriais têm a tarefa de converter sinais físicos em impulsos 
nervosos. A transmissão dos impulsos nervosos de um neurônio para outras sinapses, 
bem como dos neurônios para os músculos nas placas motoras, é viabilizada pela 
liberação de "neuromediadores". Essas substâncias químicas são subsequentemente 
reabsorvidas pela membrana pré-sináptica ou degradadas na fenda sináptica, 
exercendo efeitos inibitórios ou excitatórios nas membranas pós-sinápticas. Mesmo 
quando a liberação de um neuromediador específico para um sistema neuronal é bem 
definida, não se pode inferir que esse neuromediador seja exclusivo desse sistema 
neuronal ou das funções em que o sistema está envolvido. Por exemplo, embora a 
dopamina seja efetivamente liberada pelos neurônios nigroestriados e desempenhe 
um papel na motricidade, ela também é liberada pelos neurônios mesolímbicos na 
regulação afetivo-emocional (GIL, 2010). 
A figura 1, detalha os enlaces sinápticos pré e pós, com a região de 
acoplamento onde ocorre a sinapse. 
 
 
 
Fonte: Adaptado de (BORGES et al. 2015) 
 
De acordo com Fonseca (2009), o processo de desenvolvimento motor humano 
tem início no momento da concepção, aproximadamente nove meses antes do 
nascimento. A fase de desenvolvimento fetal é governada por processos biológicos, 
mas continua a evolução após o nascimento, à medida que os órgãos e sistemas se 
ativam, mesmo que alguns deles se revelam de forma parcial. 
Fonseca (2009) também observa que, após o nascimento, a motricidade se 
desenvolve de maneira constante, gradual e progressiva. Inicialmente, os movimentos 
são simples e um pouco diferenciados, evoluindo para estágios mais organizados com 
um controle mental preciso. Portanto, todos os movimentos que uma criança utiliza 
durante seu processo de desenvolvimento pós-natal refletem sua maturidade e sua 
integridade psicofísica. 
3.2 O sistema nervoso central: suas estruturas e funções 
 Conforme Bueno (1998) observou, o processo de maturação segue leis e 
princípios universais que conferem características específicas a ele. Este processo 
pressupõe uma evolução corporal que parte do simples para o complexo. As 
estruturas principais obedecem a uma lógica funcional no que se refere à interação 
entre o indivíduo e o seu ambiente (veja a Figura 2). 
Figura 2. Principais estruturas do cérebro 
 
 
 
Fonte: Adaptado de (BARBOSA et al. 2006) 
 
Inicialmente, a criança desenvolve movimentos mais amplos e, posteriormente, 
progride para movimentos mais complexos. Essa progressão segue uma direção 
céfalo-caudal e próximo-distal, indo do reflexo ao voluntário. O sistema nervoso 
central (SNC) pode ser subdividido da seguinte forma: 
Sistema de estímulo: responsável pela coleta de informações do ambiente por 
meio dos órgãos sensoriais e transmissores. 
Sistema de integração: encarregado de identificar, selecionar, integrar, 
armazenar e aplicar as informações reunidas pelo sistema de estímulo. Ele 
desempenha um papel fundamental na percepção, memória, intelecto, formulação de 
atividades motoras e consciência. 
Sistema de resposta: responsável por expressar os movimentos musculares. 
No entanto, em caso de qualquer alteração no sistema nervoso, o sistema de resposta 
pode impedir a correta integração funcional. 
De acordo com LaGrange (1977, p. 27), se as sensações e percepções 
apresentarem imprecisões, uma análise resultará necessariamente em erro, uma 
resposta não alcançará seu objetivo e a criança manifestará comportamentos 
inadequados. A criança não conseguirá progredir da atividade informal e global para 
uma atividade mais consciente, organizada e controlada.Assim, o desenvolvimento da função motora é o resultado da colaboração 
harmoniosa dos seguintes três sistemas neurológicos: 
O sistema piramidal, responsável pelo movimento voluntário e pela elaboração 
das práticas que guiam o movimento em direção a um objetivo específico. 
O sistema extrapiramidal, encarregado do controle do movimento automático. 
Quando um movimento é aprendido, ele é incorporado à memória e passa a ser 
supervisionado por esse sistema, atuando como um repositório das habilidades 
motoras essenciais para o desenvolvimento corporal do indivíduo. 
O sistema cerebelar, que desempenha a função de regular as sinergias 
musculares, ou seja, obtém informações provenientes dos músculos, tendões e 
articulações para coordenar e dimensionar os movimentos. 
A figura 3, ilustra a distribuição e relação com o movimento e funcionalidades 
corporais da medula espinal e função neural. 
Figura 3. Função e responsabilidades da medula espinhal. 
 
Fonte: Adaptado de https://encurtador.com.br/bmu78 
 
 
É importante ressaltar que o movimento humano, por exemplo, é resultado das 
interações entre uma pessoa e o ambiente que a cerca. Esse movimento está sempre 
evoluindo, sendo moldado por experiências motoras, traços de personalidade, 
percepções individuais, contexto sociocultural e ambiente físico (conforme observado 
por LAGRANGE em 1977). 
3.3 Pensamentos e ações: Respostas Motoras e Emocionais 
O cérebro, como a maioria do órgão encefálico, é constituído por uma série de 
estruturas estruturais: os telencéfalos e as diencefálicas. Estas estruturas são 
organizadas de maneira bilateral e simétrica entre si, estendendo-se pela superfície 
das esferas superficiais. Conforme Shill-Franco (2015, em um documento online) 
observa, o cérebro desempenha um papel fundamental em funções que abrangem 
percepção, controle de movimentos, ações, comportamento e funções cognitivas, 
como aprendizado, memória, linguagem e inteligência. 
A seguir, exploraremos essas regiões do cérebro e suas respectivas funções. 
Contudo, é importante ressaltar que o funcionamento cerebral é caracterizado pela 
complexa interconexão de várias partes que, de forma conjunta, processam e 
influenciam o comportamento humano de maneira integrada, em vez de isolada. 
 
3.3.1. O Telencéfalo e Suas Funções 
O telencéfalo compreende um conjunto de estruturas localizadas na parte 
superior do cérebro. Ele se divide em uma camada externa, conhecida como córtex 
cerebral, que apresenta o mais alto grau de organização e atividade neuronal, e 
estruturas mais profundas, subcorticais. O córtex cerebral, que cobre ambas os 
hemisférios cerebrais, é a parte mais extensa do telencéfalo. Cada hemisfério contém 
seis lobos administrativos, cada um com funções específicas. De acordo com 
Silverthorn (2017), a distribuição das áreas funcionais nas duas esferas específicas 
não é simétrica. Isso implica que o córtex cerebral desempenha um papel central na 
integração da informação sensorial e na tomada de decisões para várias formas de 
respostas motoras. Ele inclui três tipos de especializações: áreas sensoriais, áreas 
motoras e áreas de associação. 
Figura 4. O cérebro e suas funções 
 
 
 
Fonte: Adaptado de (SILVERTHORN, 2017). 
 
Considerando tanto o aspecto da razão quanto o da emoção, é necessário 
também levar em consideração duas outras estruturas estruturais: os núcleos da base 
e o sistema límbico. Os núcleos de base, localizados na parte mais fundamental do 
cérebro, desempenham um papel fundamental no planejamento de movimentos 
voluntários, ou seja, na capacidade de antecipar ações. Algumas disfunções 
associadas aos núcleos de base incluem doença de Parkinson, doença de Huntington, 
balismo, síndrome de Tourette e transtorno obsessivo-compulsivo (SHOLL-FRANCO, 
2015). 
Os núcleos da base podem ser subdivididos em núcleos inferiores e superiores. 
Os núcleos inferiores se especializam na sensação de dor e na locomoção, enquanto 
 
 
os núcleos superiores desempenham funções relacionadas ao ciclo de sono-vigília, 
comportamentos emocionais, humor, comportamento agressivo e depressão. 
 
3.3.2. Fundamentos Neurobiológicos da Razão e das Emoções 
Explorar as bases neurobiológicas de processos psicológicos como a razão e 
a emoção implicam em analisar duas categorias distintas de emoções psicológicas. 
Uma delas se refere a processos considerados mais complexos, como o pensamento, 
sensação, julgamento e julgamento, enquanto a outra trata de aspectos mais básicos, 
como emoção, memória e atenção. Geralmente, os sistemas psicológicos associados 
à racionalidade têm o propósito de direcionar o pensamento na busca por soluções 
(DORIN, 1981). Por outro lado, o sistema emocional entra em ação quando se deseja 
motivar alguém, seja para o bem ou para o mal, visando equilibrar as forças que 
influenciam o ser humano. Agora, vamos analisar os componentes que compõem 
ambos os sistemas. 
O sistema racional consiste em um conjunto de processos psicológicos mais 
avançados, conhecidos como funções executivas ou racionais. Essas funções são 
definidas pela capacidade de iniciar ações, planejar e antecipar formas de resolução 
de problemas, prever as consequências e adotar estratégias de maneira flexível. Isso 
envolve a monitorização passo a passo do comportamento e a comparação dos 
resultados parciais com o plano original (SERAFIM; RIBEIRO; MALLOY-DINIZ, 2015, 
p. 121). Serafim, Ribeiro e Malloy-Diniz (2015) identificam quatro processos ou 
funções executivas que ocorrem sequencialmente: volição, planejamento, ação 
intencional e desempenho efetivo. Essas operações ocorrem no córtex pré-frontal e 
pretendem controlar e orientar os aspectos essenciais da atividade mental humana. 
Observe, na Figura 6, todo o processo operacional realizado pelos circuitos pré-
frontais dorsolaterais (atualização), orbitofrontais (inibição) e cíngulo anterior 
(alternância), os quais sustentam o pensamento. 
Figura 6. Circuitos pré-frontais, orbitofrontal e cíngulo anterior. 
 
 
 
Fonte: Adaptado de (MALLOY-DINIZ et al. 2014) 
 
 
Os diagramas apresentados na Figura 6 desempenharão um papel 
fundamental na promoção do pensamento, conforme demonstraremos em breve. Isso 
implica que existam processos cognitivos a serem explorados nas funções racionais, 
incluindo a memória, o controle inibitório, a autorregulação emocional, o planejamento, 
o pensamento, a resolução de problemas, o julgamento, a tomada de decisão e a 
flexibilidade cognitiva, entre outros. De acordo com Santos (2015), os processos 
psicológicos que ocorrem no sistema racional podem ser categorizados em dois tipos: 
aqueles que não envolvem emoção emocional (ou quando essa emoção é mínima) e 
aqueles que incorporam emoções, emoções e desejos. Os primeiros geralmente se 
relacionam com processos mecanicistas ou baseados na lógica, enquanto os últimos 
estão relacionados as experiências de recompensa e proteção, à autorregulação do 
comportamento social e à tomada de decisão, frequentemente envolvendo 
interpretação emocional e pessoal. 
Esses processos podem ser subdivididos em três habilidades essenciais e 
inter-relacionadas, como segue: 
Atualização (updating): Esta habilidade implica manter atenção constante, 
monitorando rapidamente para transmitir ou eliminar informações da memória de 
trabalho. 
Alternância (shifting): Essa capacidade diz respeito à flexibilidade para 
alternar entre tarefas ou conjuntos mentais (pensamentos). 
Inibição: Refere-se à capacidade de suprimir respostas comuns em 
determinadas situações. 
Planejamento (planejamento): Essa habilidade requer a aplicação das três 
primeiras habilidades, o que significa que ela é resultado da combinação das três. 
Do ponto de vista neurofisiológico, o sistema racional e o sistema emocional 
representam aspectos das funções administrativas que, como observado por 
Silverthorn (2017), frequentemente se sobrepõem.Isso ocorre porque ambos 
envolvem vias complexas e circuitos fechados que transportam informações de várias 
partes do cérebro. Compreender como esses mecanismos neurais influenciam os 
processos psicológicos tem sido uma das principais áreas de pesquisa nas 
neurociências. 
 
 
3.4 Sistema emocional 
São muitas as variáveis e os elementos que se imbricam na difícil tarefa de 
definir o que é uma emoção. Uma característica da emoção é que ela é um processo 
psicológico básico. Como tal, é difícil de ser ligada ou desligada voluntariamente, 
também se destaca que as emoções mais comumente descritas, as quais surgem de 
diferentes partes do encéfalo, são: raiva, agressividade, excitação sexual, medo, 
prazer, contentamento e felicidade (SILVERTHORN, 2017). 
Segundo essa premissa, há uma relação de influência e determinação entre o 
sistema emocional e os sistemas fisiológicos. 
Dentre os sistemas já mencionados, há um que se destaca em relação à 
responsabilidade com as emoções: o sistema límbico, com especial participação da 
amígdala, um tipo de centro operacional das emoções no cérebro humano. Uma das 
constatações já identificadas é que, quando a amígdala é estimulada, mesmo que 
artificialmente (por exemplo, em uma cirurgia de epilepsia em que o paciente se 
encontra acordado), há relatos de sensação de medo e ansiedade. Assim, o corpo 
amigdaloide tem papel central na “gestão” dos instintos básicos, como o medo e a 
agressividade. No entanto, existem outras vias que mobilizam emoções complexas 
(Figura 7). Nessas vias, a estimulação sensorial, ao chegar no córtex cerebral e após 
ser processada no encéfalo, cria uma representação (percepção) do mundo. A 
informação produzida é integrada por áreas de associação e conduzida ao sistema 
límbico. 
Figura 7. Teoria de Cannon-Bard. 
 
Fonte: Adaptado de (BRANDÃO, 2004) 
As respostas emocionais são controladas pelo sistema nervoso simpático, ou 
 
 
qual, se ativa de maneira uniforme, independentemente do estímulo emocional, em 
resposta a comandos originados no cérebro. De acordo com Cannon e Bard, o 
comportamento emocional é completamente elaborado no cérebro e não necessita 
que as respostas corporais sejam previamente "interpretadas" pelo cérebro antes da 
expressão da emoção, como foi proposto por James-Lange. A ênfase exagerada 
atribuída ao tálamo por essa teoria foi posteriormente reduzida, devido às evidências 
obtidas em diversos estudos subsequentes (BRANDÃO, 2004). 
Em um processo de retroalimentação, o sistema límbico, junto ao córtex 
cerebral, produz um estado de consciência da emoção, ou seja, o indivíduo conclui 
que está em um determinado estado emocional. Um exemplo de resposta imune 
(fisiológica) ligada as emoções são a associação entre o estresse e o aumento da 
suscetibilidade a infecções virais. 
As respostas emocionais operam em função de provocações e mobilizações 
ambientais em gradações diferentes. Assim, os estados fisiológicos têm implicação 
direta no modo como os estímulos são captados. Segundo Brandão (2004), existem 
três modos: 
- Modo potencial, em que o estímulo foi captado, mas mantém o efeito mesmo 
sem a sua presença. 
- Modo distal, em que o estímulo se encontra presente, porém a uma distância 
específica. 
- Modo proximal, em que o estímulo está próximo ao sujeito. 
O exemplo apresentado na Figura 8 demonstra como as respostas emocionais 
se alteram em função da intensidade dos estímulos. 
Figura 8. Respostas emocionais as diferentes intensidades. 
 
 
 
Fonte: (BRANDÃO, 2004) 
Assim, as estruturas envolvidas na organização de cada comportamento 
emocional vão variar conforme a amplitude (intensidade) do estímulo. Estímulos 
próximos ou mais intensos tendem a ativar, primeiramente, estruturas mais primitivas 
localizadas no tronco cerebral. Estímulos distantes ou potenciais tendem a criar 
estruturas localizadas em um nível mais alto no cérebro e são responsáveis por 
respostas mais organizadas, como a ansiedade. Foi analisado neste documento como 
o cérebro opera e possibilita processos psicológicos como a razão e a emoção. 
Enquanto seres humanos, não somos máquinas com botões (ativo contra não ativo) 
e respostas previsíveis. Entretanto, saber que determinadas reações podem ser 
compreendidas e entender como elas operam trazem mais segurança na proposta, 
por exemplo, de campanhas publicitárias, aumentando as chances de obter o efeito 
desejado. 
 
 
 
 
 
 
3.5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
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neurodegeneração: o que aprendemos com animais transgênicos e nocautes? 
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BARBOSA, L.F; DE MEDEIROS, M.H.G; AUGUSTO, O. Danos oxidativos e 
neurodegeneração: o que aprendemos com animais transgênicos e nocautes? 
Química Nova, v. 29, p. 1352-1360, 2006. 
BORGES, R.R. et al. Sincronização de disparos em redes neuronais com plasticidade 
sináptica. Revista Brasileira de Ensino de Física, v. 37, p. 2310-1-2310-9, 2015. 
BRANDÃO, M. L. Comportamento emocional. In: BRANDÃO, M. L. (ed.). Bases 
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p. 119-145. 
BRANDÃO, M.L.; LACHAT, J.J.; VIANA, D.M. Noções básicas de neuroanatomia. 
In: BRANDÃO, M. L. (ed.). Bases biológicas do comportamento: introdução a 
neurociência. São Paulo: EPU, 2004. p. 1-22. 
BUENO, J. M; DORIN, L. Psicomotricidade, teoria & prática: estimulação, 
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LAGRANGE, G. Manual de psicomotricidade. Lisboa: Estampa, 1977. 
 
 
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Artística) – Faculdade de Belas Artes, Universidade de Lisboa, Lisboa, 2010. 
OLIVEIRA, G.C. Psicomotricidade: educação e reeducação num enfoque 
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Artmed, 2015. E-book. 
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Neuropsicologia forense. Porto Alegre: Artmed, 2015. p. 121-130. 
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SILVERTHORN, D. U. Fisiologia humana: uma abordagem integrada. 7. ed. Porto 
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Doutorado. Tese de Doutorado. Dissertação de Mestrado. Universidade de Lisboa, 
Portugal.

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