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Aspectos Antropológicos e Sociológicos da Educação

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3 Cultura e Sociedade 
Cultura e Sociedade 
Pensamos, muitas vezes, que o resto do mundo é ou deveria 
ser como nós, que nossos deuses são os únicos e verdadeiros, 
que nossos costumes são os mais razoáveis, que nossa 
alimentação é a mais saborosa, nossas vestimentas as mais 
adequadas e nossas instituições, as melhores. 
 
Diversos povos de diferentes épocas e lugares tinham ou têm 
formas de vida distintas que, às vezes, temos dificuldades de 
imaginar. Por maiores que sejam as diferenças, sempre há 
regras que estruturam e organizam a vida social com a 
distribuição de papéis e de atividades (ex: todas as culturas 
procuram dar um sentido especial à educação de seus 
membros). (EVANS-PRICHARD, 1978:23). 
 
Cultura e Sociedade 
No que diz respeito ao termo “papéis sociais”, podemos 
defini-lo como respostas tipificadas para ações também 
tipificadas. A palavra foi retirada do léxico teatral para 
designar os diversos papéis desempenhados pelos indivíduos 
em uma determinada sociedade e cultura. Por exemplo, papel 
de mãe, de filha, de aluna, de trabalhadora etc. Nesse sentido, 
os roteiros foram previamente estabelecidos pela sociedade e 
pela cultura em que estamos inseridos. 
 
Cultura e Sociedade 
No caso do papel de aluno, todos devem aprender a ler e 
escrever do mesmo jeito que aprendemos? 
A diversidade sempre foi explicada como desigualdade de 
estágios existentes no processo de evolução. Essa explicação 
foi gerada a partir da cultura europeia, ou Eurocentrismo, 
sendo que o modelo de humanidade concebido como universal 
era apenas o homem branco europeu. Ou seja, visão de mundo 
eurocêntrica. 
Cultura e Sociedade 
Já o etnocentrismo é a perspectiva em que uma determinada 
etnia é colocada no centro, sendo que etno significa povo ou 
nação em grego, e centr é o que vem do centro. Cada povo 
acha que é o principal, que sua língua e seus costumes são os 
normais. O etnocentrismo é comum a todas as culturas, e é um 
grande dificultador na compreensão de outras culturas. 
 
Cultura e Sociedade 
O Eu é feito de outros – o indivíduo depende das relações que 
estabelece com os outros. O indivíduo é constituído como 
indivíduo a partir das relações estabelecidas desde o seu 
nascimento. O Eu é dependente do outro. 
Nossos ritos e símbolos expressam nossas diferenças. Eles são 
uma forma de nos reconhecermos e de nos diferenciarmos 
daqueles que compartilham de nossos valores e costumes. 
 
Cultura e Sociedade 
A diferenciação já é uma forma de identificação. 
Nossa profissão, nossa posição política e nosso padrão estético 
são expressões de que nos valemos para nos identificar com 
um grupo de pessoas e de valores, e nos diferenciar de outros. 
As diferenciações entre grupos ou entre culturas não apenas 
têm sentido de rotular ou estigmatizar, têm servido também 
para a revalorização de aspectos culturais que vinham sendo 
menosprezados pela cultura oficial. 
 
 
Cultura e Sociedade 
Podemos definir a palavra estigma como uma marca corporal, 
visível ou invisível, que desabona a pessoa ou o grupo 
rotulado. Os estigmas têm uma relação direta com as 
sociedades e as culturas, as quais criam determinados padrões 
e, quando as pessoas ou grupos não se encaixam, são 
estigmatizados. É na e pela educação que deve-se tentar 
eliminar os efeitos dos grupos ou pessoas estigmatizadas. 
É na interculturalidade que se deve propor o reconhecimento 
do direito à diversidade e à luta contra todas as formas de 
estigmatização, discriminação e desigualdade social. 
 
 
Cultura e Sociedade 
Portanto, as pessoas têm direito de serem iguais sempre que a 
diferença as tornar inferiores; têm também direito a serem 
diferentes sempre que a igualdade colocar em risco suas 
identidades. 
 
Cultura e Sociedade 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
http://www.theimaginativeconservative.org/2015/10/the-plague-of-multiculturalism.html 
 
Cultura e Sociedade 
À realidade que nasce do fazer humano denominamos cultura. 
Ao processo de introdução desse ser humano na cultura, 
damos o nome de educação. 
 
Cultura e Educação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
http://www.palmares.gov.br/?page_id=31471 
 
Cultura e Educação 
A escola não é a única instituição educativa que faz a 
intermediação entre a família e a sociedade, e que, ao 
distribuir cultura e gerar conhecimento junto com outras 
instituições, vai construindo o indivíduo. 
Historicamente, cada grupo humano tem construído o seu 
código específico de comunicação, de acordo com sua 
experiência vital. Essas experiências modelaram-se em 
diferentes expressões culturais, das quais muitas já 
desapareceram, e outras, particularmente na Amazônia, estão 
em vias de se perderem para sempre. 
 
 
Cultura e Educação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
http://acaonoticias.com.br/an/index.php?option=com_content&view=article&id=4919:indios-da-amazonia-comecam-a-sofrer-com-doencas-
urbanas&catid=102:brasil&Itemid=583 
 
Cultura e Educação 
A cultura não se transmite geneticamente. O modo como 
vemos o mundo, as normas, os valores de cada comunidade, 
para serem transmitidos, requererem um esforço pessoal e 
coletivo. 
Nas sociedades mais simples, a tarefa de transmitir a realidade 
e as normas de convivência é tarefa da família. Nas sociedades 
complexas, essa função passou a ser compartilhada com as 
escolas, a fim de repassar os conhecimentos que se consideram 
mais importantes, e que foram acumulados pela história da 
humanidade para o desenvolvimento e bem-estar de todos e de 
cada um. 
 
Cultura e Educação 
Cultura e Educação 
O período que vai do nascimento até a idade adulta permite ao 
aluno acumular experiências. A sociedade, ao possibilitar que 
muitas pessoas pensem e produzam coisas, as quais logo 
compartilham, permite que se acumulem conhecimentos e se 
aprenda cada vez mais. 
 
Cultura e Currículo 
O que é educação e, em particular, o currículo, senão uma 
forma institucionalizada de transmitir a cultura de uma 
sociedade? A educação e o currículo são vistos como partes da 
cultura. 
 
Cultura e Currículo 
O currículo é visto, também, de acordo com alguns autores, 
como um artefato social e cultural. Isso significa que ele é 
colocado em uma moldura mais ampla de suas determinações 
sociais, de sua história, de sua produção contextual. 
É nesse sentido que o currículo está implicado em relações de 
poder, pois transmite visões sociais particulares e que não são 
desinteressadas. Ele, além de não ser neutro, produz 
identidades individuais e sociais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
http://blogdelucianasantana.blogspot.com.br/ 
 
Cultura e Currículo 
Cultura e Currículo 
O currículo existente, isto é, o conhecimento organizado para 
ser transmitido nas escolas, passa a ser visto não apenas como 
implicado na produção de relações assimétricas de poder no 
interior da escola e da sociedade, mas também como histórica 
e socialmente contingente. 
 
Bibliografia 
EVANS-Pritchard, E. E. Antropologia Social. Lisboa: ed. 70, 
1972. 
GEERTZ. Clifford. A interpretação das Culturas. São Paulo: 
LTC, 2008. 
LARAIA. R. Cultura: um conceito antropológico. Rio de 
Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1986. 
MELLO, Luiz Gonzaga de. Antropologia Cultural, Iniciação, 
teoria e temas. 12ª.ed. Petrópolis. 2005. 
SALVADOR, Angelo Domingos. Cultura e Educação 
Brasileiras. 4. ed. Petrópolis-RJ: Vozes, 1976.

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