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A ORALIDADE NO CONTEXTO DOS USOS LINGÜÍSTICOS: CARACTERIZANDO A FALA Verifica-se que, fala e escrita mantêm relações próximas, originando uma visão que permite observar a fala e a escrita em suas relações de semelhança em certa mistura de gêneros e estilos, evitando as dicotomias em sentido estrito. O desenvolvimento histórico da escrita de cada língua segue uma linha de mudanças e adaptações que, se distancia da pronúncia porque a fala segue outros caminhos em decorrência de reformas ortográficas e normatizações para a escrita com a incorporação de vocábulos que migram da fala para a escrita (e vice-versa). A fala tem sido vista na perspectiva da escrita e num quadro de dicotomias polarizadas. Enquanto a escrita foi tomada pela maioria dos estudiosos como estruturalmente elaborada, complexa, formal e abstrata, a fala era tida como concreta, contextual e estruturalmente simples. Os sentidos e as respectivas formas de organização lingüística dos textos se dão no uso da língua como atividade situada, tanto no caso da fala como da escrita. É provável que a distância entre formal e informal, tido como plausível e seguramente se dá com maior intensidade quanto maior for o nível de escolarização de uma sociedade; sendo que a sociolingüística pode ser feita tanto na fala como na escrita, pois ela é o estudo da relação sistemática entre linguagem e fatores sociais em todos os níveis de funcionamento da língua. A fala caracteriza-se pelas atividades desenvolvidas nos processos de textualização denominados procedimentos de formulação textual; observando fenômenos relativos a processos de produção textual, que por meio de um material organizado verifica-se o comportamento da língua falada em relação ao status informacional. Assim, a fala tem um modo próprio de textualização que se dá em gêneros tipicamente desenvolvidos, apresentando regularidade na sua composição sintática que se manifesta no discurso em construção.