Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

AULA 01: Princípios gerais dos exames laboratoriais 
 
 
Patologia clinica: É o estudo de doença no ambiente clínico por meio de exames 
laboratoriais. 
 
Tem que fazer uma analise completa, não é só exame. Tem que levar em consideração 
histórico, o exame físico, exames laboratoriais (complementares) para se chegar ao 
diagnóstico. 
 
Se faz exame laboratorial para definir ou classificar um estado físico patológico; Eliminar 
possível causa e avaliar alterações (progressão da doença ou tratamento). 
 
Fatores que compõe um exame laboratorial: 
 
(Pré-analítica) Amostra 
 
Objeto de analise é chamado de analítico. A amostra deve representar a parte do todo. A 
coleta deve corresponder o todo (Quantidade da coleta). 
 
A quantidade depende do que exame que quero fazer, o local depender dessa quantidade, 
o quanto depende da avaliação que vou fazer. 
 
(Analítica) Análise 
 
(Pós-analítica) Resultado – Laudo 
 
Tubos para a coleta de amostras 
 
São comumente conhecidos como tubos Vacutainer 
 
Tubos a vácuo ( Porém, não se usa o sistema a vácuo, pois corre menos risco de hemólise) 
 
São identificados pela cor de sua tampa 
 
De acordo com o tipo de sistema anticoagulante presente ou não 
 
 
O tubo vermelho e amarelo não tem anticoagulante. Eles tem ativador de coágulo. Eles 
são usados para coagulação e para obtenção do soro, pois é o soro que se utiliza na maioria 
das avalições de bioquímica. São usados para perfil bioquímica. A diferença entre os dois 
é que no amarelo temos o gel separador de coagulo, quando centrifuga, o coagulo vai pra 
baixo o gel no meio e o soro pra cima. A vantagem do amarelo e que quando centrifuga 
a gente separa a parte celular do soro, isso é muito importante quando faz analise de 
hormônio, principalmente de glicose. O tubo especifico para glicose é o cinza, com 
fluoreto, se não tiver, pode usar o vermelho ou amarelo. Se usar o vermelho tenho que 
centrifugar a amostra e separar o soro em outro tubo em até 30 minutos, de 1 hora pra 
cima a cada uma hora 10% da glicose é perdida. 
 
Tubo azul tem o anticoagulante citrato de sódio, usa para fazer a avaliação da coagulação. 
 
Tubo verde, o que tem heparina, usa para fazer a avaliação de eletrólitos e 
hemogasometria. 
 
 
Tubo Cinza, com fluoreto e EDTA, faz avaliação de glicose. O fluoreto impede a 
metabolização da glicose. 
 
Tubo roxo, tem EDTA, usa para coleta de hematologia geral, pois ele mantem a 
morfologia das células sanguíneas sem alterações por mais tempo. 
 
 
------- 
Soro não tem fibrinogênio e plasma tem fibrinogênio. 
 
Interfere em algumas avaliações. Por exemplo, se eu estou avaliando proteína total no 
plasma, como o fibrinogênio é uma proteína plasmática, o valor de proteína total no 
plasma vai ser maior do que a do que a gente avalia no soro, pois o soro não tem mais 
fibrinogênio. 
 
No soro que é o sobrenadante do sangue que foi coletado sem anticoagulante a gente não 
tem fibrinogênio. No plasma que é o sobrenadante do sangue que foi coletado no tubo 
com anticoagulante a gente vai ter fibrinogênio. 
 
 
 O soro é o líquido resultante após o sangue ser coletado sem anticoagulante. Isso permite 
que o sangue coagule, ou seja, as células sanguíneas (como as plaquetas) formam um 
coágulo e os componentes plasmáticos que não participam da coagulação ficam no 
sobrenadante. 
 
 Durante o processo de coagulação, o fibrinogênio, que é uma proteína plasmática 
responsável pela formação de fibrina (importante para a coagulação), é convertido em 
fibrina. Essa fibrina, junto com outros componentes, forma a rede do coágulo. Portanto, 
após a coagulação, não há fibrinogênio no soro. 
 
 O plasma, por outro lado, é obtido quando o sangue é coletado com anticoagulante (por 
exemplo, heparina ou citrato). O anticoagulante impede a coagulação do sangue, 
permitindo que todos os componentes do plasma, incluindo o fibrinogênio, permaneçam 
intactos. O plasma contém fibrinogênio, porque o anticoagulante bloqueia o processo de 
conversão de fibrinogênio em fibrina. 
 
 
As proteínas totais incluem todas as proteínas no plasma ou soro, sendo que o 
fibrinogênio é uma dessas proteínas. Como o fibrinogênio é uma proteína que está 
presente no plasma, mas não no soro, a quantidade total de proteínas no plasma será maior 
do que no soro, porque o plasma tem essa proteína adicional. 
 
 
AULA 02: Morfologia Eritrocitária 
 
 
Função primária dos eritrócitos é transportar hemoglobina (O2) 
 
A morfologia normal dos eritrócitos varia entre as diversas espécies: São anucleados nos 
mamíferos. 
 
Na hemácia do cão, por ser maior, é comum que a quantidade de hemoglobina fique mais 
dispersa, por isso é comum observar uma palidez central mais acentuada. 
 
Forma de disco côncavo do eritrócito: 
 
Eficiente para a troca de oxigênio 
 
Possibilita que a célula seja maleável 
 
Facilita a movimentação por vasos com diâmetro menor do que o seu 
 
O formato do disco bicôncavo é eficiente para a troca de oxigênio, e permite que as células 
seja deformável a medida que se move através da vasculatura que apresenta diâmetro 
menor que a da hemácia. 
 
O aumento do rouleaux está associado ao aumento de proteína (inflamatório, infecciosa), 
neoplasia. 
 
Pontilhado basofilico, comum em ruminantes, estão associado com eritrócitos que estão 
imaturos. 
 
Em outras espécies, sinal de anemia intensa, ou intoxicação com chumbo. O chumbo 
altera uma enzima que é responsável por catabolizar o ribossomo. Presença de muito 
ribossomos que faz a célula ficar com esses pontilhados azuis. O chumbo diminui a 
atividade dessa enzima, essa vai agir menos sobre os ribossomos, vai ter mais ribossomos 
presente na célula e como consequência os pontilhados vão aparecer. Em ruminantes essa 
enzima já tem uma atividade menor fisiologicamente, por isso ver mais nele. 
 
Fatores considerados na classificação da morfologia eritrocitária 
 
Cor 
 
Tamanho 
 
Forma 
 
Estrutura interna e externa 
 
Disposição das células em um esfregaço sanguíneo 
 
 
COR 
 
Policromasia 
 
 
 
Células policromatofílicas são eritrócitos jovens que foram liberados prematuramente, 
isso indica que a medula está trabalhando mandando eritrócitos jovens para a corrente 
sanguínea. 
 
Normalmente, são células grandes e com coloração mais azulada do que as células 
maduras. 
 
Quando observa na rotina pode não ser fidedigna (quantificação), pois a cor pode ser 
observada de maneira diferente por cada pessoa. Dessa forma, tem que levar em 
consideração a presenta de reticulocitos (na coloração de rotina estaria azul), na coloração 
de rotina, o reticulocito seria uma célula policromatofilica. 
 
Células policromatofílicas: Muito importante para determinar a causa de anemia 
 
Anemia por perda sanguínea ou a destruição de eritrócitos, com a medula óssea fazendo 
rápida liberação de células 
 
A espécie equina é exceção. Não libera um número significativo de células 
policromatofílicas na anemia. Neles, olha o tamanho da célula, células maiores são 
característico de células novas, células macrociticas. 
 
Nos mamíferos os eritrócitos são tem núcleo, a medida que ele vai maturando ele vai 
expulsando o núcleo dele. Ele libera o núcleo pq a função da célula e só carregar 
oxigênio. Eritrócito tenta priorizar o acumulo de hemoglobina no interior dele, para que 
posso fazer o papel dele de carregar O2. 
 
Quando se ver células com resquícios de núcleo ou com núcleo, em mamíferos, isso 
indica também que está tendo ativação da medula na produção de células novas. 
 
 
 
 
Hipocromasia 
 
 
 
Células hipocromicas, são claras e com palidez central mais acentuada. Devido a menor 
concentração de hemoglobina decorrente da deficiência de ferro 
 
Em cães, a hipocromasia é mais evidente. 
 
TAMANHO 
 
Anisocitose 
 
Variação no tamanho dos eritrócitos 
 
Macrócitos (alteração macrocitica) 
 
Células grandes 
 
Micrócitos (alteração microcitica) 
 
Células pequenas 
 
 
-Eritrócitos microcíticos 
 
Ocorre diminuição do volume corpuscular médio (VCM) 
 
A anemiapor deficiência de ferro é a principal causa 
 
Em casos graves é possível verificar microcitose e hipocromia no esfregaço sanguíneo 
 
Cães com shunt porto-cava pode ter microcitose 
 
Podem manifestar anemia microcítica 
 
Associada ao metabolismo anormal de ferro e à baixa concentração sérica de ferro 
 
 
-Eritrócitos macrocíticos 
 
Ocorre aumento do volume corpuscular médio (VCM) 
 
A principal causa é o aumento da quantidade de eritrócitos imaturos 
 
 
Os equinos liberam macrócitos não policromatofílicos 
 
Também observada na infecção pelo vírus da leucemia felina (FeLV) 
 
 
FORMA 
 
Poiquilócitos (Poiquilocitose) 
 
As hemácias com formato anormal são denominadas poiquilócitos. 
 
Geralmente essa presença de modificação morfológica não vai ter um impacto direto na 
função da célula, mas ela tem um contexto de função geral do organismo. Porque se ela 
tá presentem, e não foi alteração de artefato produzido por algum problema na coleta, ela 
vai tá indicando algum processo associado a ela. E esse processo que vai ta causando 
alterações no animal. 
 
Algumas vezes essas alterações elas vão diminuir muito drasticamente os números de 
células, como nos esferocitos, que essa célula está sendo destruída e pode passar pelo 
processo de hemólise, destruição por causa da presença desse anticorpo que fica na 
superfície dela, e outras vezes indicando que alguma coisa está errada como o equinocito 
que tá indicando problemas renais, como o acantocito que pode tá associado a 
hemangiossarcoma em cães, como o ceratocito que tá associado a deficiência de ferro. 
 
-Eritrócitos espiculados 
 
Equinócitos: Fragmentos de hemácias, geralmente resultam da ruptura das hemácias por 
traumatismo intravascular. 
 
Associado a CID (Coagulopatia intravascular disseminada); Deficiência de ferro e 
hemangiossarcoma . 
 
 
 
 
Ceratócitos: São hemácias que apresentam uma ou duas projeções na sua membrana 
(semelhantes a chifres) 
 
Associado a Deficiência de ferro 
 
 
 
 Acantócitos: Células com esporões. São hemácias irregulares e espiculadas com pouca 
projeções de superfície distribuídas desigualmente em com comprimento e diâmetro 
variáveis. 
 
Associado a hemangiossarcoma . 
 
 
 
 
 
Esquistócitos: São células espiculadas com muitas projeções de superfície curtas, 
uniformemente espaçadas, contundentes e afiadas que são bastante uniformes em 
tamanho e formato. 
 
Associado a linfoma, problema renal, picada de cascavel, equino que fez exercício, o 
tempo de secagem da lama pode fazer a desidratação, e pode apresentar esse aspecto 
tbem. 
 
 
 
 
 
Esferócitos: São hemácias de coloração escura que não tem a área central de palidez. Eles 
são pequenos, mas tem volume normal. Os esferócitos tem uma quantidade reduzida de 
membrana como resultado da fagocitose parcial, que ocorre porque o anticorpo ou 
complemento está na superfície da hemácia. 
 
Associado a anemia hemolítica imunomediada. 
 
 
 
Excentrócitos: Deslocamento da hemoglobina para um lado da célula, perda de palidez 
central normal e uma zona clara delineada por uma membrana. 
 
Danos oxidativos da hemoglobina (ex: ingestão de cebola, plantas, fármacos) 
 
Pode ser encontrado em conjunto com o corpúsculo de heinz, que tbem indica esse 
processo de oxidativo da hemoglobina. 
 
 
 
 
Estomatócitos: São hemácias unicôncavas com uma área clara com formato de boca, 
próxima ao centro da célula . 
 
 
 
 
Outras alterações de forma: 
 
Leptócitos (células dobradas) 
 
Codócitos (células-alvo) – Colesterol 
 
Dacriócitos (eritrócitos em forma de lágrima) 
 
Leptócitos e codócitos 
 
Torócitos (eritrócitos arredondados) 
 
ESTRUTURA INTERNA E EXTERNA 
 
Corpúsculos de Heinz 
 
Os corpúsculos de Heinz são agregados anormais de hemoglobina que resultam da 
desnaturação oxidativa da hemoglobina nos glóbulos vermelhos. Esses corpúsculos 
podem ser observados em diversas situações patológicas, como em intoxicações, doenças 
metabólicas, ou em animais com deficiências enzimáticas. 
Características dos Corpúsculos de Heinz: 
• Composição: São formados pela precipitação de hemoglobina desnaturada 
devido a estresse oxidativo. 
• Aparência: Estruturas pequenas, pálidas e excêntricas dentro dos eritrócitos. 
Podem se projetar discretamente pelas bordas das células, o que torna sua 
visualização no microscópio algo que exige cuidado. 
• Prevalência normal em gatos: Em gatos saudáveis, é comum encontrar de 1 a 
2% de eritrócitos com corpúsculos de Heinz, o que é considerado normal para a 
espécie. 
Os corpúsculos de Heinz são agregados de hemoglobina desnaturalizada que resultam do 
estresse oxidativo nos glóbulos vermelhos, tornando-os mais suscetíveis à hemólise. 
Esses corpúsculos danificam a membrana dos eritrócitos, o que os torna mais frágeis e 
propensos a se romper tanto no interior dos vasos sanguíneos (hemólise intravascular), 
liberando hemoglobina livre, quanto fora deles, no baço (hemólise extravascular), onde 
são fagocitados. Esse processo de destruição aumentada dos glóbulos vermelhos pode 
levar a anemia hemolítica, icterícia e, eventualmente, esplenomegalia. Embora a presença 
de corpúsculos de Heinz em pequenas quantidades seja normal em gatos, sua quantidade 
excessiva pode indicar intoxicação ou condições metabólicas que afetam a integridade 
das células sanguíneas. 
Causas 
Cebola, alho, Brassicas spp., folhas murchas ou secas de bordo-vermelho (Acer rubrum), 
benzocaína, zinco, cobre, paracetamol, propofol, fenazopiridina, fenotiazina, 
fenilidrazina, naftaleno, vitamina K, azul de metileno e propilenoglicol 
 
Pontilhado basofílico 
 
A agregação de ribossomos, in vivo, na forma de pequenos grânulos basofílicos 
 
Em cães e gatos precisa de uma anemia intensa para que haja a presença de pontilhado 
basofilico. Se o animal apresenta e não tem anemia, pode ser uma intoxicação por 
chumbo. 
 
O pontilhado basofílico refere-se à agregação de ribossomos nos glóbulos vermelhos, 
formando pequenos grânulos basofílicos visíveis ao microscópio. Esse fenômeno ocorre 
em eritrócitos imaturos, mas, em cães e gatos, é particularmente indicativo de 
intoxicação por chumbo quando não há anemia grave associada. O chumbo interfere na 
atividade da enzima pirimidina 5'-nucleotidase, que normalmente cataboliza os 
ribossomos, resultando na sua acúmulo nas células. Embora nem todos os animais 
intoxicados por chumbo apresentem esse sinal, sua presença é sugestiva da intoxicação. 
Além disso, essa alteração é menos comum em ruminantes, pois a atividade da enzima 
é naturalmente baixa nessa espécie. 
 
 
 
 
Eritrócitos nucleados 
 
São glóbulos vermelhos imaturos que ainda mantêm o núcleo, normalmente observados 
em situações de anemia regenerativa, quando a medula óssea tenta compensar a perda 
de glóbulos vermelhos. Quando a quantidade de eritrócitos nucleados é desproporcional 
ao grau de anemia, isso pode ser indicativo de intoxicação por chumbo, que interfere na 
produção normal das células sanguíneas. Em gatos, a presença de eritrócitos nucleados, 
sem uma policromasia acentuada (ausência de aumento de glóbulos vermelhos 
imaturos), pode sugerir mielodisplasia ou doença mieloproliferativa, condições em que 
há um distúrbio na produção das células sanguíneas pela medula óssea. 
 
 
 
 
 
 
 
A anemia hemolítica imunomediada (AHIM) em cães é uma condição em que o 
sistema imunológico do animal ataca e destrói seus próprios glóbulos vermelhos, 
resultando em anemia hemolítica. Nesse processo, os anticorpos produzidos pelo 
sistema imunológico se ligam à superfície dos eritrócitos, marcando-os para destruição. 
 
Corpúsculos de Howell-Jolly 
 
São pequenas inclusões nucleares (restos de núcleos celulares) dentro dos eritrócitos. 
Eles são arredondados, de cor azul-escura e variam em tamanho. Sua presença indica 
que o baço, responsável pela remoção de restos celulares dos glóbulos vermelhos, não 
está funcionando corretamente ou foi removido (esplenectomia). Os corpúsculos de 
Howell-Jolly são frequentemente encontradosem casos de anemia regenerativa, quando 
a medula óssea está produzindo glóbulos vermelhos em grande quantidade, e também em 
condições que suprimem a função esplênica, como doenças que afetam o baço ou após a 
esplenectomia. Em resumo, os corpúsculos de Howell-Jolly são uma indicação de 
disfunção ou ausência do baço, ou de uma resposta regenerativa à anemia. 
 
 
Parasitas eritrocitários (ou hemoparasitas) 
Quando tem parasita pode ocorrer a deposição de anticorpo na superfície do eritrócito. 
Quando o anticorpo se deposita nele, o monócito pode ir la e fagocitar. Uma das causas 
da anemia imunomediada é a presença de parasita no eritrócito. 
São organismos que infectam os glóbulos vermelhos (eritrócitos) e podem causar 
diversas alterações nas células sanguíneas, incluindo a formação de esferócitos e a 
aglutinação dos eritrócitos. Esses parasitas incluem agentes como Babesia, Anaplasma, 
Plasmodium, entre outros, que invadem e se multiplicam dentro dos glóbulos vermelhos. 
1. Formação de esferócitos: Os parasitas podem modificar a forma dos glóbulos 
vermelhos, resultando em células esféricas (esferócitos), que são mais propensas 
à destruição pelo sistema imune, particularmente no baço. 
2. Aglutinação: Alguns hemoparasitas causam a aglutinação (agregação) dos 
glóbulos vermelhos, o que pode dificultar a circulação normal e aumentar o risco 
de obstrução de vasos sanguíneos. 
3. Anemia imunomediada: A presença de parasitas eritrocitários pode desencadear 
uma resposta imunológica contra os glóbulos vermelhos infectados, levando à 
destruição desses glóbulos (hemólise) e resultando em anemia hemolítica 
imunomediada. O sistema imunológico pode começar a atacar os eritrócitos 
parasitados ou até mesmo os não parasitados, aumentando o quadro de anemia. 
 
Inclusões virais podem ocasionalmente ser vistas nos eritrócitos de cães infectados com 
cinomose. Essas inclusões variam em tamanho (de 1 a 2 μm), quantidade e cor (podem 
ser de azul-claro a magenta, dependendo da coloração usada no exame). Elas são mais 
frequentemente observadas em eritrócitos policromatofílicos, que são células imaturas, 
mais jovens, com uma coloração variada devido à presença de ribossomos remanescentes. 
A presença dessas inclusões virais é um sinal sugestivo de infecção pelo vírus da 
cinomose, que pode afetar vários sistemas do corpo do cão, incluindo o hematológico, e 
está associada a uma resposta imune desregulada que pode resultar em anemia. 
 
 
DISTRIBUIÇÃO 
 
A formação de rouleaux ocorre quando os glóbulos vermelhos se agrupam em pilhas, 
semelhante a uma "pilha de moedas", devido a alterações na viscosidade do sangue. As 
principais causas para isso incluem o aumento na concentração de proteínas 
plasmáticas, como fibrinogênio e imunoglobulinas, que podem alterar a carga 
superficial dos eritrócitos, facilitando o seu agrupamento. Isso é frequentemente 
observado em estados de inflamação crônica ou infecção. Além disso, a gamopatia, 
como o mieloma múltiplo, uma condição caracterizada pela produção excessiva de 
imunoglobulinas anormais (proteínas plasmáticas), também pode induzir a formação de 
rouleaux. Essa alteração é indicativa de um aumento na viscosidade do plasma, que pode 
predispor ao agrupamento dos glóbulos vermelhos. 
 
 
 
 
A aglutinação é a formação de aglomerados celulares irregulares e esféricos de 
glóbulos vermelhos, resultado da ligação entre os eritrócitos por pontes de anticorpos. 
Essa formação ocorre quando anticorpos presentes no sangue se ligam à superfície dos 
glóbulos vermelhos, fazendo com que eles se agrupem. A aglutinação é frequentemente 
observada em anemia hemolítica imunomediada, onde o sistema imunológico do 
animal ataca seus próprios eritrócitos, ou após uma transfusão sanguínea com sangue 
incompatível, em que anticorpos do receptor reagem contra os glóbulos vermelhos do 
doador, formando aglomerados. 
 
O teste de confirmação para aglutinação consiste em misturar uma pequena quantidade 
de sangue com uma gota de solução salina isotônica. Esse procedimento é usado para 
distinguir a aglutinação verdadeira de outros fenômenos, como a formação de rouleaux. 
Quando ocorre aglutinação, os glóbulos vermelhos permanecerão agrupados em 
aglomerados mesmo após a adição da solução salina, já que as pontes de anticorpos entre 
as células mantêm a agregação. Em contraste, no caso de rouleaux, a adição da solução 
salina dispersará os agrupamentos, pois não há ligação mediada por anticorpos, mas sim 
um agrupamento devido a alterações na viscosidade do plasma. Esse teste ajuda a 
confirmar se a agregação dos glóbulos vermelhos é causada por anticorpos, como ocorre 
na anemia hemolítica imunomediada ou em reações transfusionais. 
 
 
 
 
 
AULA 03: CLASSIFICAÇÃO DAS ANEMIAS E DA POLICITEMIA 
 
 
Quando falamos em anemia, estamos falando de qualquer coisa que esteja diminuindo a 
massa eritrocitária, essa diminuição resulta na diminuição da oxigenação dos tecidos. O 
processo de anemia pode levar o animal ao processo de hipóxia, diminuição da 
concentração de oxigênio no organismo. 
 
Como é determinada essa massa de eritrócito? 
 
Ela é determinada pelo volume globular (chamado de VG ou hematócrito) 
 
O VG é a concentração de eritrócitos em relação ao volume total de sangue. Também 
avalia o teor de hemoglobina dentro desses eritrócitos e avalia a contagem de eritrócitos. 
Esses são os parâmetros que se avalia para dizer se tá ou não tendo diminuição da massa 
eritrocitária. Se esses padrões tao diminuídos, significa massa de eritrócito diminuída, ou 
seja, o animal está com anemia. 
 
O que causa anemia? 
 
Pode ser uma doença primária, responsável pela destruição de eritrócitos, um exemplo é 
quando a célula tá com hemoparasita pode levar a destruição da célula, e essa hemólise 
vai levar a diminuição de eritrócitos. 
 
Pode ser por perda de sangue decorrente de hemorragia 
 
Pode ser pela diminuição da produção de eritrócitos. Pode ser uma coisa que esteja 
lesionando diretamente as células promovendo hemólise. 
 
Problema na medula óssea, onde não está sendo produzido os eritrócitos. 
 
Sinais clínicos 
 
Os sinais não são específicos, não tem sinal patognomónico. Estão associados a 
diminuição de oxigenação do animal, sinais clínicos vão está relacionados a diminuição 
direta da massa eritrocitária, ou ao mecanismos de compensação que o organismo faz 
para evitar a hipóxia. 
 
O animal pode apresentar mucosas pálidas, letargia, intolerância ao exercício, aumento 
da frequência respiratória ou dispneia, aumento da frequência cardíaca e sopros induzidos 
pelo aumento da turbulência do sangue 
 
O animal pode apresentar sinais específicos associados à hemólise. Se a anemia for por 
hemólise, tem outros sinais clínicos. Isso pode direcionar para que tipo de anemina o 
animal está enfrentando. 
 
No caso da hemolítica, ele apresenta: 
Esplenomegalia (aumento do baço/ “cemitério das hemácias”), icterícia e urina 
escurecida, devido a hemobloginúria ou bilirrubinúria. 
Quando um animal está em processo intenso de destruição de eritrócitos (como ocorre 
na anemia hemolítica), a hemoglobina liberada dos glóbulos vermelhos destruídos é 
rapidamente degradada no fígado. Esse processo de degradação resulta na formação de 
bilirrubina (um produto da quebra da hemoglobina), que é então transportada para o 
fígado para ser processada e excretada na bile. 
Quando há uma destruição excessiva de glóbulos vermelhos, como na hemólise, o fígado 
pode ser incapaz de processar toda a bilirrubina produzida, levando ao acúmulo no sangue 
(causando icterícia, com coloração amarelada da pele e mucosas). Além disso, parte da 
hemoglobina não processada é liberada na corrente sanguínea e filtrada pelos rins, 
resultando em hemoglobina ou bilirrubina na urina, o que causa a hemoglobinúria 
(urina escurecida devido à presença de hemoglobina) ou biliirrubinúria (urina 
escurecida devido à presença de bilirrubina). 
Quando o animal está com bilirrunemia, Hiperbilirrunemia,tem muita concentração de 
bilirrumina no sangue. Isso associado a icterícia, pode lembrar problema hepático, mas 
deve-se lembrar que o animal com anemia hemolítica apresenta esses sinais. O que pode 
ajudar a distinção é a avaliação das enzimas hepáticas, analise de imagem, avaliação da 
bilirrubina (direta ou indireta). Se for indireta, é pre-hepatica, pode ser anemia hemolítica. 
 
Classificação das anemias 
Quando percebemos que o animal está com anemia, temos que classificar. Ela é 
classificada de acordo com o tamanho dos eritrócitos, teor de hemoglobina e se tá tendo 
ou não resposta da medula óssea 
Resposta da medula óssea: Apresenta uma quantidade de eritrócitos imaturos circulantes 
(células policromatofílicas (corante de rotina) ou reticulócitos – corante especial) 
Em relação a classificação pelo tamanho, avalia o VCM (volume corpuscular médio). A 
partir dele é que sabemos se a célula tá no tamanho normal (normocítica), se tá muito 
pequena (microcítica), ou se tá muito grande (macrocítica) 
Em relação ao teor de hemoglobina, avila o CHCM (concentração de hemoglobina 
corpuscular média), se tiver dentro da referencia chama de anemia normocrômica, se tiver 
abaixo, chama de anemia hipocrômica (pouca hemoglobina dentro dela) 
Pode ocorrer um CHCM falsamente elevado, pq normalmente a concentração de 
hemoglobina corpuscular média ela não pode ficar acima do que o eritrócito tem a 
capacidade de carregar de hemoglobina, quem tá dando esse valor é o CHCM, e o 
eritrócito ele tem uma concentração máxima fisiológica que ele pode carregar de 
hemoglobina dentro dele. Então, fisiologicamente, não da para a célula ser hipercrômica. 
Pq fisiologicante a célula não carrega mais hemoglobina do que foi projetada pra carregar. 
Agora, existe situações que fazem que esse CHCM fique aumentado, sem que seja o 
aumento da hemoglobina dentro da célula. A maquina faz a avaliação desses eritrócitos, 
depois quebra esses eritrócitos e avalia o teor de hemoglobina, se já tiver hemólise, vai 
aparecer hemoglobina livre, que não tá associada a quebra na analise, já tava livre. Isso 
pode acontecer em vivo (hemoparasitose), esse aumente pode sugerir isso, ou que ele tá 
tendo estimulo para anemia imunomediada (parasito, medicamento). Pode ser artefato 
tbém, por mal transporte, por exemplo (agitação do tubo). 
Em relação a resposta da medula óssea, pode classifica em regenerativa ou em não 
regenerativa 
Anemia regenerativa 
Aumento da produção de eritropoetina por causa do estimulo da hipóxia. 
Toda vez que tem diminuição da quantidade de oxigênio, o sangue chega nos rins, onde 
tem quimiorreceptores que percebem essa alteração e estimulam os rins a liberar 
eritropoietina, que vai para a medula e pede para produzir mais eritrócitos. 
A eritropoetina (EPO) é um hormônio glicoproteico fundamental na regulação da 
produção de glóbulos vermelhos (eritrócitos) na medula óssea. Sua principal função é 
estimular a eritropoiese, o processo de formação de novos glóbulos vermelhos. 
Normalmente esse processo de estimulo da medula leva de 2 a 4 dias para que ela comece 
a responder. 
Considera que é uma anemia regenerativa quando contagem de reticulócitos superior a 
60.000 células/μℓ. Reticulocitose. 
Anemia não regenerativa 
Ausência de eritrócitos imaturos circulante. Deve ser considerado um problema na 
medula, que tá impedido ela de responder (evidência de disfunção da medula). 
Pode ser causada por agentes infecciosos (parvovirose), medula pode tá em hipoplasia a 
aplasia, anomalia intrínseca no comportamento proliferativo, insuficiência renal, 
medicamentos tóxicos. 
A medula não responde em insuficiência renal, pois o rins perde a capacidade de produzir 
eritropoietina. A medula pode não ser acionada. 
Normalmente é normocítica, as células tem o tamanho normal. 
A anemia aplásica, também conhecida como pancitopenia aplásica, é uma condição 
em que há uma diminuição generalizada da produção de células sanguíneas, incluindo 
glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas. Isso ocorre devido a uma falha na 
medula óssea, que perde a capacidade de produzir essas células adequadamente. 
 Causada por: Medicamentos, produtos químicos, toxinas e estrógeno, Agentes 
infecciosos, Vírus da leucemia felina, Ehrlichia canis, vírus da anemia infecciosa 
equina, parvovírus. 
Aplasia eritrocitária pura 
Só a linhagem eritrocitária foi afetada. Isso acontece quando os estímulos estão sendo 
focados apenas nos precursores para eritrócitos. Todas as outras linhagens não estão 
sendo afetados. O vírus da leucemia felina pode fazer isso. 
Hipoplasia de eritrócitos 
Causas 
Anemia por doença inflamatória 
Sequestro de ferro, exemplo. Os agentes infecciosos precisam de ferro para realizar o 
metabolismo deles, mas alguns não sintetizam por conta própria, precisando do ferro 
presente no organismo do hospedeiro. Como mecanismo de defesa o organismo esconde 
o ferro, manda as células esconderem, para o agente infeccioso não proliferar. Mas, sem 
ferro, pode acontecer problemas na produção de hemoglobina. Produz eritrócitos 
pequenos e mais claros e chega uma hora que ela não consegue produzir. 
Insuficiência renal crônica 
Associada à doença endócrina 
Anemia associada a deficiências nutricionais 
Anemia regenerativa há uma tentativa da medula óssea de compensar a anemia. Aumento 
na produção de eritrócitos e liberação precoce de formas imaturas. 
Indícios de que a anemia é regenerativa 
Aumento de células policromatofílicas no esfregaço sanguíneo e o aumento da 
concentração de reticulócitos 
Volume corpuscular médio (VCM) pode estar aumentado 
Anemia Regenerativa 
A anemia regenerativa ocorre quando a medula óssea responde ao déficit de glóbulos 
vermelhos, aumentando a produção de eritrócitos e liberando formas imaturas (como 
os reticulócitos) na corrente sanguínea para tentar compensar a perda de células 
sanguíneas. Isso é um sinal de que a medula óssea está funcionando ativamente para 
combater a anemia. 
Indícios de que a anemia é regenerativa: 
• Aumento de células policromatofílicas no esfregaço sanguíneo: Essas células 
imaturas, também conhecidas como reticulócitos, têm uma coloração azulada 
no esfregaço devido à presença de ribossomos e RNA remanescentes. O 
aumento das células policromatofílicas indica que a medula óssea está liberando 
essas células imaturas para ajudar a suprir a deficiência de glóbulos vermelhos. 
• Aumento da concentração de reticulócitos: O reticulócito é a célula imatura 
que se diferencia em glóbulo vermelho. Quando a medula óssea está 
respondendo a uma anemia regenerativa, há um aumento no número de 
reticulócitos circulantes no sangue. 
• Volume corpuscular médio (VCM) pode estar aumentado: O VCM mede o 
tamanho médio dos glóbulos vermelhos. Na anemia regenerativa, pode haver um 
aumento no VCM devido à liberação de glóbulos vermelhos imaturos, que 
tendem a ser maiores que os glóbulos vermelhos maduros. 
 
Causas 
 
Hemorragia 
 
Externa ou interna 
 
Aguda 
 
Traumatismos, lesões hemorrágicas (tumores ou úlceras extensas) e distúrbios 
hemostáticos (trombocitopenia, CID) 
 
Crônica 
 
Parasitas gastrintestinais e ectoparasitas (células pequenas, por deficiência de ferro) 
 
Hemólise 
 
Intra (acontece dentro do vaso) ou extravascular (acontece no baço, destruição no baço) 
 
Hemoparasitas, hemólise imunomediada, medicamentos e substâncias químicas que 
produzem danos oxidativos (formação de corpúsculos de Heinz) 
 
Hemorragia aguda 
 
Inicialmente, o hematócrito permanece normal 
 
Há perda simultânea de eritrócitos e de plasma, por isso hematócrito permanece normal. 
 
Efeito diluidor decorrente da transferência de líquido intersticial ao sangue, a partir desse 
momento que ser ver diminuição, em algumas horas, o VG e o teor plasmático de 
proteínas diminuem. 
 
Isso demora, cerca de 72 horas após a hemorragia. 
 
Então, durante o processo de hemorragia aguda, se a gente fizer a avaliação 
imediatamente, pode não aparecer célulasjovens na corrente sanguínea. Não em um 
numero que sugira anemia regenerativa, isso acontece pq a medula demora a responder 
ao estimulo que recebeu, chama essa anemia de pre-regenerativa. Depois de certo tempo 
ver as células novas, e células normais. 
 
Hemorragia crônica 
 
Resulta em anemia por deficiência de ferro 
 
Normalmente relacionada com sangramento gastrintestinal lento e continuo. 
 
Seja por uma neoplasias, úlceras gastrintestinais, doença intestinal inflamatória e 
parasitas intestinais. 
 
Infestações graves por ectoparasitas sugadores, como pulgas e alguns piolhos 
 
Pode ser regenerativa, mas se persistir, passa a não ser regenerativa. 
 
Anemia hemolítica imunomediada 
 
Aumento da destruição de eritrócitos, como resultado da ação de anticorpos contra 
eritrócitos ou da adesão de complexos imunes a eles 
 
Em geral, a anemia hemolítica imunomediada exibe regeneração marcante, com alto grau 
de policromasia (reticulocitose) 
 
Hemoparasitas 
 
Podem provocar hemólise intravascular ou extravascular 
 
Detectados por análise de esfregaço sanguíneo (pouco sensível) 
 
Outros microrganimos 
 
Clostrídios, leptospira e vírus 
 
Produção de enzimas que promovem alterações na membrana eritrocitária 
 
Adesão a membrana e lise das hemácias 
 
 
POLICITEMIA 
 
É o oposto da anemia. É o aumento da massa eritrocitária. Evidenciado pelo aumento do 
volume globular (VG ou hematócrito), pela contagem de hemácias ou pela concentração 
de hemoglobina 
 
A policitemia pode ser relativa ou absoluta 
 
Aumento de todas as células produzidas pela medula, o certo era chamar de eritrocitose. 
 
Policitemia relativa: Quando eu tenho um aumento da massa eritrocitária que não tem 
haver com a produção dessas células, eu chamo de policitemia relativa. Pode ser causada 
pela diminuição do volume plasmático ou por redistribuição de eritrócitos. Não tem um 
aumento verdadeiro de eritrócitos. 
Animal desidratado, fluidos concentrados, aumentando a concentração. 
 
Contração esplênica. O baço libera eritrócitos velhos, que estão acumuladas, saem na 
contração. Causa aumento moderado no VG. 
 
Policitemia absoluta tem um aumento real do eritrócitos. Pode ser de forma primaria ou 
secundaria. 
 
Quando é absoluta e secundaria, tem estimulo aumentado de eritropoietina, a medula 
responde aumentando. 
 
Problemas associados a hipóxia, podem levar o rin a fazer isso. Secundário a hipoxia 
generalizada (doença cardíaca ou pulmonar crônica grave), hipoxia renal localizada ou 
superprodução de eritropoetina por neoplasia. SE TEM HIPÓXIA LIBERA 
ERITROPOETINA. 
 
Policitemia absoluta primária (policitemia vera) 
 
Problema na medula, que tá com distúrbio mieloproliferativo, fazendo que ela produza 
eritrócitos demais. 
 
A eritropoese ocorre independente da concentração de eritropoietina 
 
Sinais clínicos: 
 
Secundários ao aumento da viscosidade e do volume sanguíneo 
 
Diminuição da perfusão tecidual e transporte de oxigênio 
 
Trombose 
 
Mucosas de coloração vermelho-escura, muitas vezes com discreta cianose 
 
____ 
 
A policitemia é o aumento da massa eritrocitária, ou seja, o aumento no número de 
glóbulos vermelhos circulantes no sangue. Esse aumento pode ser evidenciado de várias 
maneiras, como o aumento do volume globular (VG ou hematócrito), aumento na 
contagem de hemácias ou concentração de hemoglobina. A policitemia pode ser 
relativa ou absoluta, dependendo da causa subjacente. 
Policitemia Relativa: 
A policitemia relativa não está associada a um aumento real na produção de glóbulos 
vermelhos. Em vez disso, ela ocorre devido a alterações no volume plasmático, como 
em casos de desidratação ou redistribuição dos eritrócitos. Isso pode fazer com que a 
concentração de glóbulos vermelhos no sangue pareça aumentada, mas, na realidade, não 
há produção excessiva de eritrócitos. Algumas causas comuns de policitemia relativa 
incluem: 
• Desidratação: Quando o volume plasmático diminui, a concentração de células 
sanguíneas (incluindo os glóbulos vermelhos) aumenta, o que pode levar a um 
hematócrito elevado. 
• Contração esplênica: O baço pode armazenar glóbulos vermelhos velhos ou 
"reservados", que, ao se contrair (por exemplo, em situações de estresse ou 
exercícios), são liberados para a circulação, causando um aumento moderado no 
hematócrito e volume globular. 
Policitemia Absoluta: 
A policitemia absoluta envolve um aumento real na produção de glóbulos vermelhos 
pela medula óssea. Ela pode ser classificada em primária ou secundária, dependendo 
da causa: 
Policitemia Absoluta Secundária: 
A policitemia secundária ocorre como resposta a uma hipóxia crônica ou qualquer 
condição que estímule a produção de eritropoetina (EPO), o hormônio responsável 
pela estimulação da medula óssea para produzir glóbulos vermelhos. A medula óssea 
responde a esse aumento da EPO com uma produção excessiva de eritrócitos. Algumas 
causas comuns incluem: 
• Hipóxia generalizada: Condições como doenças cardíacas crônicas 
(insuficiência cardíaca) ou doenças pulmonares crônicas (como a doença 
pulmonar obstrutiva crônica - DPOC) podem reduzir a oxigenação do sangue, 
levando à liberação de EPO pelos rins, o que aumenta a produção de glóbulos 
vermelhos. 
• Hipóxia renal localizada: Se houver problemas nos rins (como uma doença 
renal crônica), eles podem perceber uma diminuição no oxigênio e, portanto, 
produzir EPO em excesso. 
• Superprodução de eritropoetina por neoplasias: Alguns tipos de tumores 
(como carcinomas renais) podem secretar EPO de forma anormal, estimulando 
a medula óssea a produzir glóbulos vermelhos em excesso. 
Policitemia Absoluta Primária (Policitemia Vera): 
A policitemia vera é uma condição mieloproliferativa primária, na qual a medula óssea 
produz excessivamente glóbulos vermelhos, independentemente dos níveis de 
eritropoetina. Isso ocorre devido a um distúrbio das células-tronco hematopoiéticas da 
medula óssea, que passam a se multiplicar de forma descontrolada. A produção de 
glóbulos vermelhos não é mais regulada pela concentração de EPO, resultando em uma 
produção constante e excessiva de eritrócitos. 
Sinais Clínicos: 
A policitemia pode causar uma série de sinais clínicos secundários ao aumento da 
viscosidade sanguínea e do volume sanguíneo, que comprometem a circulação e a 
perfusão tecidual. Alguns dos principais sinais incluem: 
• Diminuição da perfusão tecidual e do transporte de oxigênio: O aumento da 
viscosidade do sangue pode dificultar o fluxo sanguíneo, especialmente nos vasos 
pequenos, prejudicando a oxigenação dos tecidos. 
• Trombose: O aumento da viscosidade também favorece a formação de coágulos 
(trombose), que podem obstruir os vasos sanguíneos e levar a complicações 
graves, como acidente vascular cerebral (AVC), infarto do miocárdio ou 
embolia pulmonar. 
• Mucosas de coloração vermelho-escura: O aumento na concentração de 
glóbulos vermelhos pode levar a mucosas hiperemiadas, que aparecem de cor 
vermelho-escuro ou roxo, muitas vezes com discreta cianose (coloração 
azulada), devido à diminuição do transporte de oxigênio para os tecidos. 
 
 
AULA 04: LEUCOGRAMA 
 
 
 
É um conjunto completo de dados numéricos no perfil leucocitário, com qualquer 
anormalidade morfológica 
 
Ele permite a identificação de processos patológicos, mas não o estabelecimento do 
diagnóstico específico 
 
Quando vamos interpretar o resultado de leucograma, a gente não leva em consideração 
as porcentagens, leva em consideração o valor absoluto. Para saber o valor absoluto de 
cada tipo celular leva em consideração o valor que sai da maquina de hemograma e depois 
do contador de células digital. Onde vai ver a quantidade de leucócitos se observa dentro 
do total de leucócitos que foi dado pela maquina de hemograma. O que se leva em 
consideração é o valor absoluto, o valor da porcentagem correspondente ao total. E esse 
valor que levamos em consideração na hora de observar se tem alteração quantitativa ou 
não. 
 
Quando observa que tem alteração totalde leucócitos, não adianta dizer só se tem pouco 
ou muito leucócitos, tem que procurar através da analise diferencial para saber qual o tipo 
de célula que tá interferindo na alteração numérica do valor total de leucócitos. 
 
Exame do perfil hematológico: 
 
Deve-se verificar primeiramente a concentração de leucócitos totais 
 
Utilizada apenas para o cálculo das concentrações diferenciais absolutas a partir da 
contagem diferencial 
 
Identificar qual tipo celular está em concentração alterada 
 
A interpretação de anormalidades leucocitárias em conjunto com os achados clínicos 
pode levar ao diagnóstico 
 
É necessário o conhecimento das características normais do leucograma 
Além da alteração numérica tem que observar as alterações morfológicas, para observar 
se é transitória ou hereditária. 
 
 
Terminologia dos padrões de contagens leucocitárias: 
 
Uso de diversos sufixos ligados ao nome do(s) tipo(s) celular(es) envolvido(s) 
 
“Penia” refere-se à diminuição da contagem do tipo celular no sangue 
 
Neutropenia, linfopenia e eosinopenia 
 
“Filia” ou “citose” referem-se ao aumento da contagem do tipo celular no sangue 
 
Neutrofilia, eosinofilia, basofilia, monocitose, linfocitose e metarrubricitose 
 
Desvio à esquerda 
 
Aumento na concentração de neutrófilos imaturos no sangue 
 
Quando as células estão se maturando, elas se maturam em uma direção, a forma normal 
das células, da esquerda pra direita. A medida que vai maturando a cromatina vai ficando 
mais compactada e a forma do núcleo vai mudando. Quando ver muito neutrófilo 
bastonete, o caminho desvio para a esquerda. 
 
 
 
Pode acontecer tanto na baixa ou na alta presença de neutrófilos (Pode ocorrer com 
neutrofilia e também com neutropenia). 
 
Se tem neutropenia e tem desvio a esquerda, isso significa que a demanda no tecido tá 
muito alta. A medula já mandou um monte de células, as células estão indo muito rápido 
para o tecido e ai tá tendo que ficar muita célula jovem na corrente sanguínea. 
 
Isso significa que tem mais liberação de células imaturas pela medulo óssea. 
 
Os neutrófilos vem de células-tronco GM que entram na via de diferenciação para 
granulócitos e são submetidas a proliferação e maturação 
 
 
 
 
Dentro das células granulociticas, inclui neutrófilo, eosinófilo e basófilo. 
 
De mielócito pra frente é que consegue saber que tipo de granulocito é aquele. É quando 
ele começa a produzir grânulos específicos, e esses grânulos específicos eles tem 
afinidades diferentes por corante, 
 
Os grânulos específicos dos neutrófilos, não tem afinidade por corante básico e nem muita 
afinidade por corante acido. Fica menos intensa a coloração das granulações deles. São 
neutros. 
 
Os eosinófilos, os grânulos deles tem afinidade pelo corante acido, e um dos corantes 
ácidos é a eosina, por isso o nome dele é eosinófilo. 
 
O basófilo, os grânulos dele tem afinidade pelo corante básico, por isso o nome é basófilo. 
 
TERMINOLOGIA DOS PADRÕES DE CONTAGENS LEUCOCITÁRIAS 
 
Tem alguns termos usados na avaliação do leucograma: 
 
Leucemia: Processo proliferativo. Usa quando a proliferação das células sanguíneas está 
acontecendo livre na corrente sanguínea, ou na medula. 
 
Quando tem a formação de massas, não chama mais de leucemia, entra dentro do distúrbio 
proliferativo como todo, onde vai ter células que estão se proliferando de forma 
neoplásica, pode ter leucemia, células que esta aumentando na corrente sanguínea , ou 
formacao de neoplasia em outros tecidos, como é o caso de linfoma por exemplo. 
Leucemia refere-se a um câncer das células do sangue ou da medula óssea, que 
normalmente resultam em uma proliferação de células imaturas (leucócitos) na medula 
óssea e na circulação periférica. 
No entanto, quando há a formação de massas de células proliferativas, o termo "leucemia" 
pode não ser o mais apropriado. Se a proliferação celular resulta em tumores sólidos, 
como ocorre em alguns tipos de linfoma (que é um câncer originado nos linfócitos, uma 
célula do sistema imunológico), o termo "linfoma" é mais utilizado. O linfoma é uma 
neoplasia que, embora também envolva uma proliferação de células do sistema 
hematopoético, geralmente forma massas em tecidos linfáticos, como os linfonodos, baço 
ou outros órgãos. 
Os distúrbios linfoproliferativos envolvem a proliferação anormal das células linfóides, 
que são células do sistema imunológico, como linfócitos B, linfócitos T e células NK 
(Natural Killer). Essas condições estão frequentemente associadas ao desenvolvimento 
de linfomas e leucemias linfocíticas. 
Os distúrbios mieloproliferativos envolvem a proliferação anormal das células 
mieloides, que são as células progenitoras dos leucócitos (exceto linfócitos), além de 
células vermelhas do sangue (hemácias) e plaquetas. Esses distúrbios afetam as células 
do sangue produzidas na medula óssea, levando a um aumento excessivo de uma ou mais 
linhagens celulares. 
ALTERAÇÕES TÓXICAS NOS NEUTRÓFILOS são características observadas em 
diversas condições clínicas, como infecções bacterianas graves, sepsis, intoxicações e 
alguns distúrbios hematológicos. Essas alterações refletem uma resposta do neutrófilo a 
estímulos patológicos, como a presença de agentes infecciosos, produtos tóxicos ou 
inflamação sistêmica. 
As alterações tóxicas mais comuns nos neutrófilos incluem: 
1. Basofilia Citoplasmática 
A basofilia citoplasmática é uma alteração em que o citoplasma dos neutrófilos se torna 
mais basofílico (intensamente corado com corantes básicos, como o azul de metileno). 
Isso ocorre devido ao aumento do número de ribossomos ou de retículo endoplasmático 
rugoso no citoplasma, que são mais intensamente corados. A basofilia citoplasmática é 
frequentemente associada a condições de estresse celular ou infecções bacterianas 
graves, onde os neutrófilos estão ativados para combater patógenos. 
Causas comuns: 
• Infecções bacterianas agudas graves (como sepse). 
• Intoxicação por substâncias tóxicas (ex.: drogas, medicamentos). 
• Distúrbios hematológicos como leucemia mieloide aguda (LMA) ou síndrome 
mielodisplásica. 
2. Presença de Corpúsculo de Dohle 
Os corpúsculos de Dohle são inclusões citoplasmáticas no interior dos neutrófilos que 
aparecem como áreas basofílicas (azuis) no citoplasma. São formadas pela agregação de 
retículo endoplasmático rugoso, que se torna visível em resposta ao estresse ou 
estímulos patológicos. 
• Corpúsculos de Dohle são encontrados em neutrófilos imaturos e representam 
uma resposta celular ao estresse inflamatório ou infecção bacteriana. 
Causas comuns: 
• Infecções bacterianas agudas. 
• Queimaduras ou trauma físico. 
• Distúrbios hematológicos. 
• Intoxicações. 
3. Vacuolização Citoplasmática 
A vacuolização citoplasmática é a formação de vacúolos (estruturas vazias ou semi-
vazias) no citoplasma do neutrófilo. Essa alteração ocorre quando o neutrófilo está em 
processo de fagocitose de microorganismos ou substâncias, ou quando há ingestão de 
material tóxico, como produtos bacterianos ou toxinas circulantes. 
A vacuolização é frequentemente vista em neutrófilos em resposta a uma infecção grave, 
especialmente quando o neutrófilo está tentando fagocitar patógenos ou remover debris 
celulares. A vacuolização também pode ocorrer em condições de intoxicação grave ou 
em processos inflamatórios intensos. 
Causas comuns: 
• Infecções bacterianas (como sepse). 
• Infecções virais (em menor frequência). 
• Intoxicações (por drogas, álcool ou outras substâncias). 
• Neoplasias hematológicas, como leucemias mieloides agudas ou síndromes 
mielodisplásicas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
A hipersegmentação dos neutrófilos é uma alteração morfológica observada nos 
leucócitos, especialmente nos neutrófilos, onde o núcleo da célula apresenta mais de 
cinco segmentos (normalmente, o núcleo de um neutrófilo maduro tem entre 2 a 5 
segmentos). A hipersegmentação é geralmente um sinal de que os neutrófilos passaram 
por um período de maturação anômalo ou foram mantidosna circulação por um período 
maior do que o normal, o que pode ocorrer em diversas condições. 
 
Tá associado a efeito de esteroides, tanto administrado, ou a associado a processo que 
esteja liberando cortisol. Doença metabólica, dor intensa, processo de doença 
inflamatória, tudo isso estimula a liberação de cortisol. O cortisol muda padrão 
circulatório de neutrófilo, pode fazer que ele fique preso muito tempo na corrente 
sanguínea, a medida que ele fica preso, mais o núcleo dele segmenta. 
 
 
 
 
 
Degeneração de neutrófilos 
 
Em vivo é muito difícil de acontecer. Geralmente quando observa na lamina, significa 
que demorou muito tempo para a lamina ser produzida. Quando passa de 12 horas da 
coleta e do esfregaço sanguíneo. 
 
Em vivo aparece em outras amostras citológicas, como amostra de raspado cutâneo com 
secreção, se tiver agente infeccioso e o neutrofilo está ativo, como ele não tem uma 
capacidade fagocita muito grande, depois de uma ou duas fagocitose ele começa a morrer, 
processo de degeneração. Entao, em outros tecidos que não o esfregaço sanguíneo é 
normal ver neutrófilo degenerando. 
 
 
 
 
 
Anomalia de Pelger-Huët 
 
Anomalia hereditária, o neutrófilo é totalmente funcional ele tá maduro, ele não faz 
constrição no núcleo, não faz projeção. Para não confundir com desvio a esquerda leva 
em consideração a raça a animal, característica clinica. 
 
 
 
 
Alterações em relação a quantidade. 
 
Geralmente o que acontece com a medula, a medida que vai tendo demanda, consumo no 
tecido, o neutrófilo vai, depois de circular umas seis horas continuas ele vai para o tecido 
onde morre. Não volta mais para a corrente sanguínea. Sempre tem uma taxa de 
neutrófilos que está partindo para o tecido, e a medula tem que compensar mandando 
mais células. 
 
Mas, quando não está tendo processo inflamatório ou infeccioso no tecido, essa demanda 
tecidual e essa liberação da medula fica em equilíbrio. 
 
Em uma situação em que a necessidade tecidual aumenta, teremos estimulo. A medida 
que o neutrófilo vai sendo consumido no tecido, ele vai sendo fagocitado por macrófagos, 
ele vai entrando em morte, o macrófago que consome libera substancias que ativam outras 
células, que liberam mais substancias que chegam a medula e pedem para liberar mais 
neutrófilos. 
 
Geralmente essas células elas ficam dividas em três compartimentos: compartimento 
medular, compartimento sanguíneo e o compartimento tecidual. 
 
compartimento circulante (vasos maiores, onde eu faço a pulsão sanguínea), 
compartimento marginal são os capilares . 
 
A célula chega para o compartimento circulante, depois o marginal e chega no tecido. 
____ 
O esteroide não deixa chegar no compartimento marginal, deixando o neutrófilo preso no 
compartimento circulante. 
 
Na hora que a medula começa a ter estimulo que ele está precisando de mais neutrófilo 
la na corrente sanguínea, ela libera e do compartimento circulante, vai para o marginal e 
chega no tecido. 
 
O neutrófilo so pode ficar voltando entre o compartimento circulante e o compartimento 
marginal. A demanda do tecido é menor que a capacidade de resposta da medula, então 
pode ser que o envio seja além do necessário para a resposta do tecido. 
 
 
Resposta à excitação | Liberação de epinefrina 
 
A resposta à excitação mediada pela liberação de epinefrina tem como efeito principal 
o desvio dos leucócitos do compartimento marginal para o compartimento 
circulatório, resultando em aumento temporário no número de leucócitos 
(especialmente neutrófilos e linfócitos). Esse aumento pode ser notado no leucograma, 
com duplicação do número de leucócitos, mas sem desvio à esquerda (ausência de 
formas imaturas de neutrófilos), o que distingue essa resposta fisiológica de uma resposta 
a infecção ou inflamação. 
 
Pode apresentar uma neutrofilia por estresse. 
 
Resposta ao estresse | Liberação ou administração de corticosteroides 
 
Estresse por doença. 
 
Liberação de cortisol pela glândula adrenal em resposta à maioria das doenças sistêmicas, 
distúrbios metabólicos e à dor 
Cortisol ele também atua na quantidade de célula, a principal característica é lifopenia. 
 
Quando o animal está com neutrofilia, a primeira coisa é avaliar bastonete, se tiver desvio 
a esquerda a possibilidade é de inflamação ou infecção. 
 
Se tem neutrofilia e não tem desvio a esquerda, vejo os linfócitos, tem linfopenia 
associada pode ser liberação de esteroide, faz apoptose de lifocitos. 
 
Se não tem a diminuição dos linfócitos, ai pode ser estresse de excitação, que vai liberar 
epinefrina.

Mais conteúdos dessa disciplina