Prévia do material em texto
HalitoseHalitose Condição clínica caracterizada pela presença persistente de odor bucal ofensivo, geralmente associada à degradação proteica por microrganismos anaeróbios gram-negativos, com liberação de compostos como sulfeto de hidrogênio (H₂S), metilmercaptana (CH₃SH) e dimetilsulfeto ((CH₃)₂S). Pode ter origem bucal ou extra bucal → frequentemente seja tratada como um problema social, trata-se de um sinal clínico multifatorial que pode refletir alterações locais da cavidade oral ou condições sistêmicas. Pode ter impacto na vida social e emocional do indivíduo Pode indicar desequilíbrios na cavidade oral, especialmente relacionada à atividade bacteriana, ou ainda alterações fisiológicas e patológicas em outros sistemas do organismo. introintro Hálito fisiológicoHálito fisiológico Não é algo patológico → “normal” Higienização resolve → Mais comum ao acordar Ocorre principalmente devido à redução do fluxo salivar durante o sono → passar mais de 4h sem mastigar (se alimentar) → por isso o exemplo mais comum é a halitose matinal Durante o período de jejum noturno (geralmente superior a 4 horas), o organismo pode utilizar ácidos graxos como fonte energética, liberando metabólitos que são eliminados pela respiração. Esse tipo de alteração: É temporária Desaparece após alimentação Melhora com escovação e higienização da língua Não exige tratamento específico Situações como desidratação, consumo de álcool e tabagismo podem intensificar o odor fisiológico. É fundamental que o cirurgião-dentista saiba diferenciar o hálito fisiológico da halitose patológica, evitando diagnóstico e tratamento desnecessários. → Anamnese detalhada (hábitos, histórico e realidade do paciente) DivisãoDivisão A halitose pode ser classificada em três categorias principais, de acordo com a presença real do odor e a percepção do paciente: Halitose Verdadeira (ou Genuína) É a condição em que existe odor bucal objetivamente detectável, confirmado por exame clínico ou por outras pessoas. Pseudo-halitose Nessa situação, não há odor detectável clinicamente, porém o paciente acredita que possui mau hálito. Halitofobia É caracterizada por um medo persistente e irracional de ter halitose, mesmo após avaliação clínica e confirmação da ausência de odor. Esses quadros precisam de tratamento voltado para a causa orgânica. Sinalizações da halitoseSinalizações da halitose A halitose não deve ser vista apenas como um problema isolado, mas como um sinal clínico que pode indicar alterações locais ou sistêmicas. Ela pode sinalizar: Alterações Patológicas Orais São as mais frequentes e representam a maioria dos casos. Envolvem: Acúmulo de biofilme Saburra lingual Doença periodontal Cárie extensa Infecções orais Xerostomia Nesses casos, a halitose funciona como um indicador de desequilíbrio microbiológico na cavidade oral. Alterações Patológicas Sistêmicas Embora menos comuns, algumas condições sistêmicas podem se manifestar através de alteração do odor do hálito, como: Alterações gastrointestinais Doenças respiratórias Distúrbios metabólicos Aqui, o odor pode ser eliminado via circulação sanguínea e expiração pulmonar. Alterações Fisiológicas Incluem situações normais do organismo, como: Hálito matinal Jejum prolongado Desidratação São transitórias e não configuram doença. Processos Adaptativos Relacionados a respostas metabólicas do organismo, como: Hipoglicemia Uso de ácidos graxos como fonte energética Eliminação de substâncias voláteis derivadas de medicamentos ou alimentos Interpretação ClínicaInterpretação Clínica Diante de um paciente com queixa de halitose, o cirurgião- dentista deve se perguntar: É fisiológica ou patológica? A origem é bucal ou sistêmica? Existe impacto psicológico envolvido? A halitose, portanto, funciona como um marcador clínico importante, exigindo avaliação criteriosa. CáseosCáseos Importante: não são pus. → Os cásseos são acúmulos esbranquiçados ou amarelados que se formam nas criptas das tonsilas palatinas. Composição: Células epiteliais descamadas Restos alimentares Proteínas salivares Micro-organismos Com o tempo, esse material sofre degradação bacteriana, principalmente por bactérias anaeróbias, levando à produção de compostos sulfurados e outras substâncias voláteis responsáveis pelo odor forte e desagradável. Origem: Origem bucal – 90 a 95% dos casos Origem extra-bucal – 5 a 10% dos casos Conduta: O cirurgião-dentista deve identificar a presença de cásseos, mas o tratamento definitivo é de responsabilidade do otorrinolaringologista. Pode-se orientar o paciente quanto a gargarejos e higiene adequada, mas não é função do CD manipular profundamente as tonsilas. CausasCausas → Causas orais: Gengivites e periodontites Presença de bolsas periodontais Acúmulo de biofilme subgengival Maior atividade de bactérias anaeróbias gram-negativas A periodontite está especialmente associada à produção de metilmercaptana. Glossite A glossite (processo inflamatório da língua) pode contribuir para halitose porque: Pode aumentar a descamação epitelial Pode alterar a morfologia da superfície lingual Favorece retenção de resíduos Pode estar associada à infecção secundária Qualquer condição que altere o dorso da língua impacta diretamente na produção de compostos odoríferos. Candidíase oral Infecção fúngica que pode gerar alterações inflamatórias e aumento de substrato orgânico. Tumores da cavidade oral Tumores orais, especialmente os malignos, podem causar halitose quando apresentam: Ulceração da superfície Necrose tecidual Infecção secundária Acúmulo de detritos necróticos A degradação de tecido necrótico por bactérias anaeróbias leva à produção de compostos voláteis sulfurados e aminas (como putrescina e cadaverina), responsáveis pelo odor intenso. Xerostomia Redução do fluxo salivar, diminuindo a autolimpeza da cavidade oral. Aumenta a concentração de mucina Favorece a adesão bacteriana no dorso da língua Alterações Funcionais Mastigação inadequada Movimentação reduzida da língua Alterações na deglutição → Causas extra-orais: O odor é produzido fora da boca e eliminado: Pela respiração pulmonar (via circulação sanguínea) Pelas vias aéreas superiores Alterações Gastrointestinais Podem estar associadas a refluxo, gastrites ou outras alterações digestivas. Apesar de muitos pacientes atribuírem a halitose ao “estômago”, essa origem é menos frequente do que a bucal. Tonsilite palatina Processos inflamatórios das tonsilas podem gerar acúmulo de material orgânico e degradação bacteriana, produzindo odor desagradável. Alterações Pulmonares Infecções respiratórias inferiores ou doenças pulmonares podem liberar compostos odoríferos eliminados pela respiração. Sinusites O acúmulo de secreção nos seios paranasais favorece proliferação bacteriana e produção de odor. Alimentos Alguns alimentos contêm substâncias voláteis que, após absorção, entram na circulação e são eliminadas pelos pulmões. Medicamentos Alguns fármacos podem alterar o odor do hálito ou favorecer condições que levam à halitose. Cefalosporinas Metronidazol → Saburra lingual A saburra lingual é um acúmulo de material esbranquiçado, amarelado ou acastanhado localizado principalmente no dorso posterior da língua. Ela é considerada a principal causa intraoral de halitose. Causas: Desidratação Estados febris Vômitos Estresse (saliva mais viscosa) Alterações morfológicas da língua (língua fissurada) Baixa higiene lingual Consequências locais da saburra Formação e manutenção do biofilme dental A língua pode atuar como fonte de reinfecção bacteriana, contribuindo para: Recolonização do biofilme dental Dificuldade no controle microbiológico Doença periodontal A saburra pode funcionar como reservatório de microrganismos periodontopatogênicos, favorecendo: Inflamação gengival Progressão de doença periodontal Cárie dentária Embora não seja causa direta primária, a presença constante de microrganismos pode contribuir para desequilíbrio do biofilme cariogênico. Amigdalite (indiretamente) O excesso de carga bacterianapode favorecer processos inflamatórios em estruturas próximas. Xerostomia funcional A presença espessa de saburra pode estar associada à sensação de boca seca, especialmente quando há redução do fluxo salivar. Consequências sistemicas Doenças Respiratórias Micro-organismos presentes na saburra podem ser aspirados, especialmente em: Idosos Pacientes hospitalizados Pacientes com disfagia Podendo contribuir para infecções respiratórias, como pneumonia aspirativa. Gastrite associada a Helicobacter pylori Alguns estudos sugerem que a língua pode funcionar como reservatório de microrganismos, incluindo H. pylori, favorecendo reinfecção gastrointestinal. Doenças Cardiovasculares A inflamação crônica associada à carga bacteriana oral pode contribuir para: Endotelite Formação de placas ateromatosas Semelhante ao que ocorre na doença periodontal. Complicações Obstétricas Infecções orais e carga inflamatória aumentada estão associadas a: Parto prematuro Baixo peso ao nascer Halitose x Saburra Halitose É a presença de odor desagradável no ar expirado. É um sinal clínico. Saburra lingual É o acúmulo de material orgânico (células descamadas, restos alimentares, proteínas salivares e microrganismos) no dorso da língua. É uma condição local. Nem toda halitose é causada por saburra. Mas toda saburra espessa tem potencial de gerar halitose. OdorivetoresOdorivetores → Os odorivetores são substâncias químicas voláteis capazes de estimular os receptores olfatórios e produzir a sensação de mau odor. → Na halitose, eles são resultado principalmente da degradação bacteriana de proteínas na cavidade oral. Conceito São pequenas partículas voláteis dispersas no ar expirado que, ao atingirem a mucosa olfatória, provocam percepção de odor desagradável. Classificação De origem sistêmica Substâncias que circulam pelo sangue e são eliminadas pelos pulmões. Exemplo: Corpos cetônicos (diabetes descompensada) Originados da putrefação da matéria orgânica Resultam da degradação de tecidos, restos alimentares ou secreções. Exemplo: Processos infecciosos Necrose tecidual Originados da saburra lingual ou doença periodontal São os mais comuns na prática odontológica. Resultam da proteólise bacteriana no dorso da língua e em bolsas periodontais. Principais: Sulfeto de hidrogênio (H₂S) → odor de ovo podre Metilmercaptana (CH₃SH) → odor fecal Dimetilsulfeto ((CH₃)₂S) Putrescina → odor de carne em decomposição Cadaverina → odor de carne em putrefação Escatol → odor fecal TratamentoTratamento → O tratamento depende da causa. Origem Bucal Escovação adequada Uso do fio dental Higienização da língua (principal medida) Tratamento periodontal, se necessário Controle da xerostomia Uso de antimicrobiano após limpeza mecânica Origem Extra-oral Encaminhamento médico (otorrino, gastro, clínico) Pseudo-halitose / Halitofobia Orientação Apoio psicológico, se necessário